| Item 1 | |||
| Id | 76191308 | ||
| Date | 2026-03-03 | ||
| Title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Short title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Teaser |
Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos do tratado de livre-comércio caracterizam de maneira equivocada o setor agrícola europeu e a indústria brasileira.O embaixador do Brasil na Alemanha rechaçou as críticas de setores políticos europeus ainda resistentes ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Brasil. Segundo Rodrigo de Lima Baena Soares, a caracterização do tratado como uma "troca de carros por vacas" é um "desserviço" que não faz jus nem ao setor agrícola europeu nem à indústria brasileira.
"É preciso parar com a ideia de que esse acordo é uma troca de 'carros por vacas', uma expressão que circula tanto no discurso brasileiro quanto no europeu. Isso é uma caricatura e presta um desserviço. Isso caracteriza de maneira equivocada tanto a economia da Europa quanto a brasileira", disse Baena Soares, citando uma expressão crítica que virou um slogan de opositores do acordo, sobretudo na Europa.
"Pelo lado europeu, essa narrativa apresenta o agricultor do continente como vítima de uma ameaça existencial por parte dos agricultores sul-americanos. Só que a União Europeia é o maior exportador mundial de alimentos. E os agricultores europeus produzem alguns dos bens mais valorizados e sofisticados do mundo. Está longe de ser uma indústria frágil", disse Baena Soares, que assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado.
"E do lado brasileiro, há também um certo desajuste como o acordo é visto, de que seria apenas fornecimento de matérias-primas, quando a realidade é outra. A indústria brasileira exportou 181 bilhões de dólares em 2024. [O acordo] é uma oportunidade para a indústria, e não uma concessão. Com o acordo, as tarifas para a importação de máquinas cairão de 11,6% para menos de 1% até 2040", acrescentou.
Baena Soares fez as declarações na segunda-feira (02/02) durante o evento "Diálogos Internacionais Brasil-Alemanha", que ocorre nesta semana na Universidade de Frankfurt, no oeste alemão, e que é promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais).
Mensagem clara ao mundo
O diplomata também classificou como "excelente notícia" que a Comissão Europeia tenha anunciado no fim de fevereiro que pretende implementar o acordo de forma provisória, enquanto seguir pendente um pedido de parecer apresentado pelo Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), um processo que pode se arrastar por até dois anos. "Estou otimista que a Corte de Justiça da UE reconhecerá o acordo."
Baena Soares também disse o acordo é um "sinal inequívoco" do comprometimento do Brasil "com o multilateralismo". "O acordo é uma mensagem clara ao mundo que ainda há espaço para multilateralismo, apesar de todas tensões geopolíticas e o crescente protecionismo de alguns países".
"Mostra que divergências podem ser superadas por meio da negociação e do compromisso, um aspecto que anda difícil como atestam os últimos acontecimentos. Nós também não podemos subestimar o impacto político que esse acordo terá. Nosso diálogo político com a UE já é bom e vai ser ainda mais facilitado e fortalecido. Vamos lembrar que todos os países da UE e do Mercosul são países democráticos", disse.
"Esse acordo não é o destino, é a infraestrutura de uma jornada cujas dimensões plenas ainda vão ser mapeadas."
Negociado ao longo de duas décadas, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e EU foi finalmente assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai. Nas semanas seguintes, o Uruguai e a Argentina se tornaram os primeiros países a ratificar o tratado.
Já na Europa ainda não há consenso pleno. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu judicializar a questão, pedindo para que o Tribunal de Justiça da UE julgue a legalidade do tratado. Para evitar que a questão se arraste nos tribunais, a Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) anunciou que vai implementar o acordo de forma provisória.
Dentro do bloco europeu, o acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, mas ainda sofre resistência sobretudo da França, o principal produtor agrícola da UE.
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| Short teaser | Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos caracterizam o tratado de livre-comércio de maneira equivocada. | ||
| Author | Jean-Philip Struck | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/acordo-mercosul-ue-não-é-uma-troca-de-carros-por-vacas/a-76191308?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado | ||
| Image source | Maksim Konstantinov/Russian Look/picture alliance | ||
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| Item 2 | |||
| Id | 72960625 | ||
| Date | 2026-03-02 | ||
| Title | O que é o Estreito de Ormuz, que o Irã tenta bloquear | ||
| Short title | O que é o Estreito de Ormuz, que o Irã tenta bloquear | ||
| Teaser |
Gargalo do comércio de petróleo, via marítima escoa cerca de 20 milhões de barris por dia. Após ataque conjunto dos EUA e Israel ao Irã, forças do regime iraniano têm advertido navios a não passarem pela área.O comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Ahmad Vahidi, anunciou nesta segunda-feira (02/03) o fechamento do Estreito de Ormuz, via crucial de escoamento do petróleo produzido no Oriente Médio. Segundo a imprensa estatal, o Irã está pronto para atacar qualquer embarcação que tentar passar pelo trecho entre o golfo de Omã e o golfo Pérsico.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), por sua vez, negou que o estreito tenha sido bloqueado.
Após o início da ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel, forças militares do Irã no último fim de semana, o Irã já vinha advertindo navios petroleiros de que eles não tinham mais permissão para navegar pelo Estreito de Ormuz, via por onde transitam navios vindos do Golfo Pérsico em direção ao Mar Arábico.
Se efetivamente concretizada, a medida teria potencial de estrangular o fluxo de quase um quarto do petróleo comercializado por via marítima e atingir duramente interesses do Ocidente, provocando alta de preços e desestabilizando a economia global.
Com apenas 33 quilômetros de largura, o Estreito de Ormuz é o gargalo para o transporte de petróleo mais importante do mundo, na definição da Administração de Informações de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês).
No seu ponto mais estreito, a via pela qual os navios podem navegar tem apenas 3,2 quilômetros de largura em cada direção, o que a torna congestionada e perigosa.
Grandes volumes de petróleo bruto extraídos por países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, passam pelo estreito antes de chegarem a países consumidores em todo o mundo.
Estima-se que cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto, condensado e combustíveis sejam transportados por ali diariamente, segundo dados da Vortexa, uma consultoria do mercado de energia e frete.
O Catar, um dos maiores produtores mundiais de gás natural liquefeito (GNL), também depende fortemente do estreito para transportar suas exportações da commodity.
Qual é a situação atual no estreito?
A escalada do conflito aumentou a tensão sobre a segurança da hidrovia.
No ano passado, em meio à guerra de 12 dias entre Israel e Irã, o regime de Teerã já havia ameaçado fechar o Estreito de Ormuz ao tráfego em retaliação à pressão de países do Ocidente. Uma medida nesse sentido chegou a ser aprovada pelo Parlamento iraniano, mas não foi colocada em prática.
Agora, as advertências captadas por petroleiros na região sinalizam que o Irã pode estar tentando fechar o estreito.
No momento, o Departamento de Transportes dos EUA vem instando os navios comerciais a se manterem afastados da região Golfo.
Segundo o governo dos EUA, o Estreito de Ormuz, o Golfo Pérsico, o Golfo de Omã e o Mar Arábico estão sujeitos a “atividade militar significativa” e "recomenda-se que os navios se mantenham afastados desta área, se possível", afirmou a Administração Marítima do departamento em comunicado.
Os navios com bandeira, propriedade ou tripulação dos EUA também devem permanecer a 30 milhas náuticas de qualquer embarcação militar dos EUA para evitar serem confundidos com uma ameaça, disse o comunicado.
Como não parece haver um fim à vista para o conflito, os mercados já estão em alerta. Qualquer bloqueio da hidrovia ou interrupção no fluxo de petróleo pode provocar um forte aumento nos preços do petróleo bruto e afetar os países importadores, especialmente na Ásia.
No ano passado, em meio à guerra de 12 dias, o frete dos navios que transportam petróleo bruto e derivados na região aumentou. À época, o custo do transporte de combustíveis do Oriente Médio para o Leste Asiático subiu quase 20% em apenas um dia. Já o frete para a África Oriental aumentou mais de 40%.
Na sexta-feira à noite (27/12), a cotação do barril de petróleo Brent fechou o mercado de futuros de Londres em alta ao chegar aos 72,48 dólares, o valor mais alto desde dos últimos sete meses, já devido às tensões geopolíticas entre Estados Unidos e o Irã.
Os mercados atualmente seguem fechados para o fim de semana, mas analistas esperam oscilações de preços na próxima semana, com um aumento maior dos preços e um impacto mais duradouro devido a uma interrupção do tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
Quem seria mais afetado em um bloqueio?
A EIA estima que 82% dos carregamentos de petróleo bruto e outros combustíveis que atravessam o estreito vão para consumidores asiáticos.
China, Índia, Japão e Coreia do Sul são os principais destinos – esses quatro países juntos respondem por quase 70% de todo o fluxo de petróleo bruto e condensado que atravessa o estreito.
Esses mercados provavelmente seriam os mais afetados por interrupções no transporte marítimo ali.
Existem alternativas ao estreito?
Países do Golfo Pérsico, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, desenvolveram nos últimos anos infraestruturas que lhes permitem transportar parte de seu petróleo bruto por outras rotas, contornando o estreito.
A Arábia Saudita, por exemplo, opera o Oleoduto Leste-Oeste, com capacidade para transportar cinco milhões de barris por dia até o Mar Vermelho. E os Emirados Árabes Unidos têm um oleoduto que liga seus campos petrolíferos terrestres ao terminal de exportação de Fujairah, no Golfo de Omã.
A EIA estima que cerca de 2,6 milhões de barris de petróleo bruto por dia produzidos na região poderiam contornar o Estreito de Ormuz em caso de bloqueio da hidrovia.
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| Short teaser | Cerca de 20 milhões de barris de petróleo passam por ali por dia. Forças iranianas advertem navios. | ||
| Author | Srinivas Mazumdaru | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-que-é-o-estreito-de-ormuz-que-o-irã-tenta-bloquear/a-72960625?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Via por onde os petroleiros podem navegar tem largura reduzida, o que a torna congestionada e perigosa | ||
| Image source | Hamad I Mohammed/REUTERS | ||
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| Item 3 | |||
| Id | 76187508 | ||
| Date | 2026-03-02 | ||
| Title | O petróleo vai passar de US$ 100 com a guerra entre EUA e Irã? | ||
| Short title | O petróleo vai passar dos US$ 100 com a guerra de EUA e Irã? | ||
| Teaser |
Mercados projetam forte alta nos preços, com efeito dominó sobre a economia. Irã tem posição estratégica junto ao Estreito de Ormuz, importante rota comercial do petróleo, além de ser produtor. O ataque de Estados Unidos e Israel ao Irã e a agressividade da reação iraniana balançaram o mercado petrolífero, com muitos especialistas prevendo um aumento substancial nos preços da commodity. Embora o Irã só responda por entre 3 e 4% da produção global de petróleo, sua proximidade com o Estreito de Ormuz, via marítima que é considerada o gargalo mais crítico do mundo, está levando analistas do setor a preverem um aumento nos preços futuros do barril. Uma interrupção prolongada do tráfego no estreito, por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo, pode fazer com que os preços da commodity ultrapassem o limite de 100 dólares por barril. Esse cenário seria prejudicial para a economia global, porque acirraria a inflação em um momento onde os preços já estão difíceis de serem controlados. Na noite desta segunda-feira (02/03), a Guarda Revolucionária do Irã anunciou o fechamento do estreito e ameaçou atacar qualquer navio que tentar atravessá-lo. Mais cedo, no primeiro dia de negociação após os ataques de EUA e Israel, o petróleo Brent registrou alta de até 13%. Após isso, parte dos ganhos foram revertidos, e o barril passou a ser negociado a cerca de 77 dólares, à medida em que os traders concentravam a atenção na via marítima, onde o tráfego comercial já estava praticamente parado antes mesmo do anúncio do Irã. Os preços do petróleo já haviam atingido os níveis mais altos meses antes do atual conflito na região, com os operadores preocupados com as consequências de possíveis ataques ao Irã. No domingo (01/03), a Opep+, entidade que reúne os países produtores de petróleo, concordou em aumentar a produção a partir de abril, em um esforço para acalmar os mercados. "Se o conflito se prolongar e, principalmente, se afetar o abastecimento de petróleo – por causa de interrupções no abastecimento iraniano ou tentativas do Irã de bloquear o Estreito de Ormuz –, isso poderá causar um aumento nos preços do petróleo, talvez para cerca de 100 dólares por barril", afirmou William Jackson, economista-chefe de mercados emergentes da Capital Economics, em um comunicado a investidores. Quanto petróleo é produzido pelo Irã?O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia (bpd), o que faz dele o quarto maior produtor de petróleo da Opep. É também um dos maiores produtores de gás natural do mundo. O país possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, representando cerca de um quarto das reservas do Oriente Médio e 12% das mundiais, de acordo com Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês). No entanto, a produção iraniana se manteve limitada devido a anos de investimentos baixos e sanções internacionais. Mas o Irã encontrou maneiras de contornar as sanções ocidentais e, atualmente, exporta 90% do seu petróleo para a China. Na realidade, foi a demanda da China que levou o Irã a aumentar a produção de petróleo bruto em cerca de 1 milhão de barris por dia entre 2020 e 2023. A economia iraniana é relativamente diversificada em comparação com outras do Oriente Médio dependentes do petróleo, mas as exportações de energia constituem uma fonte significativa de receita para o governo em Teerã. Em 2023, as empresas petrolíferas do país registraram cerca de 53 bilhões de dólares (R$ 275 bilhões) em receitas líquidas com a exportação do combustível fóssil, de acordo com estimativas da EIA. Por que o foco está no Estreito de Ormuz?Situado entre Irã e Omã, o Estreito de Ormuz é uma importante rota de transporte de petróleo que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Por ali passam grandes volumes de petróleo bruto produzidos na região por países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque. O Irã tem feito ameaças reiteradas sobre fechar o estreito. Mas Teerã nunca levou adiante a interdição de Ormuz, pois isso poderia provocar uma resposta internacional rápida que impediria o país de exportar seu próprio petróleo. Em meio à guerra em curso, o tráfego pelo estreito ficou praticamente paralisado. Várias transportadoras e comerciantes suspenderam os embarques pela hidrovia devido a preocupações com segurança e alertas das autoridades. Isso pode impedir que 15 milhões de barris por dia de petróleo bruto – cerca de 30% do volume global da commodity que é transportado pelo mar – cheguem aos destinos. Mesmo que uma infraestrutura alternativa seja usada para contornar os fluxos do estreito, o impacto seria uma perda de 8 a 10 milhões de barris por dia, segundo a Rystad Energy. "Se o estreito for fechado à força ou se tornar inacessível por motivos de segurança, o impacto sobre os fluxos será praticamente o mesmo", escreveu Jorge Leon, vice-presidente sênior e chefe de análise geopolítica da Rystad Energy, em um comunicado aos clientes. "A menos que surjam sinais de distensão rapidamente, esperamos um aumento significativo no preço do petróleo no início da semana." Como a Opep+ respondeu?A Opep+ – uma aliança entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), liderada pela Arábia Saudita, e outros produtores de petróleo, incluindo a Rússia – anunciou no domingo um aumento maior do que o esperado nas cotas de produção. "O grupo acabou ampliando a produção além do previsto inicialmente, mas evitou um aumento mais contundente, o que é um sinal claro do delicado equilíbrio que tenta manter entre reagir aos riscos geopolíticos imediatos e não provocar um excesso de oferta mais adiante neste ano", afirmou Leon, da Rystad. "Se o fluxo pelo Golfo ficar restrito, mais produção vai gerar apenas um alívio momentâneo. Nessas circunstâncias, o acesso às rotas de exportação passa a ser muito mais decisivo do que qualquer meta de produção anunciada", complementou o vice-presidente da empresa norueguesa. A Arábia Saudita aumentou suas próprias exportações de petróleo bruto nas últimas semanas, o que os analistas interpretaram como um esforço para criar uma reserva de curto prazo antes dos ataques de EUA e Israel. O reino saudita embarcou cerca de 7,3 milhões de bpd nos primeiros 24 dias de fevereiro, o maior volume desde abril de 2023, de acordo com dados de rastreamento compilados pela agência de notícias Bloomberg. A Arábia Saudita também já havia aumentado as exportações do combustível fóssil em junho do ano passado, logo após os EUA atacarem instalações nucleares iranianas. Segundo a Bloomberg, o Irã também aumentou suas exportações de petróleo na véspera das negociações com os EUA. "Mesmo assim, essas reservas são, por natureza, limitadas e servem mais para suavizar choques de curto prazo do que para compensar interrupções estruturais prolongadas", disse o especialista da Rystad Energy. Como o aumento nos preços de petróleo pode afetar a economia global?O impacto na economia global depende em grande parte da elevação no valor da commodity a partir de agora. O petróleo bruto é uma importante unidade econômica, portanto, um aumento nos preços causa um efeito dominó, gerando alta nos preços de outros bens. "Como regra geral, um aumento de 5% nos preços do petróleo em relação ao ano anterior costuma adicionar cerca de 0,1 ponto percentual à inflação média nas principais economias", explicou Jackson, da Capital Economics. "Portanto, um aumento no Brent [principal referência global para os preços do petróleo] para 100 dólares por barril poderia adicionar entre 0,6 e 0,7 pontos percentuais à inflação global." Uma inflação mais elevada pode pesar sobre a confiança geral dos consumidores e os gastos. Os bancos centrais também podem aumentar as taxas de juros para controlar a alta nos preços, desacelerando ainda mais o crescimento econômico. |
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| Short teaser | Conflito freia exportações de petróleo e faz mercados temerem forte alta nos preços, com efeito dominó sobre a economia. | ||
| Author | Ashutosh Pandey | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-petróleo-vai-passar-de-us-100-com-a-guerra-entre-eua-e-irã/a-76187508?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 4 | |||
| Id | 76114704 | ||
| Date | 2026-03-01 | ||
| Title | A reação inusitada de dois cineastas ao roubo do filme deles | ||
| Short title | A reação inusitada de dois cineastas ao roubo do filme deles | ||
| Teaser |
Quando descobriram que seu filme de animação havia sido plagiado e até premiado em festivais, Moritz Henneberg e Julius Drost resolveram fazer um documentário sobre a história – falando com o próprio plagiador. O que parece um roteiro de filme aconteceu de fato com dois estudantes de cinema de Berlim: Moritz Henneberg e Julius Drost produziram um pequeno filme de animação como trabalho de conclusão da faculdade, em 2023. A história é sobre um robô doméstico que não consegue fazer bem o seu trabalho e, por isso, é mandado embora. Essa história comovente rapidamente se tornou viral quando os dois cineastas publicaram Butty no YouTube. O grande número de visualizações levou os dois a inscrever o filme em festivais. Mas aí veio o grande choque: eles ficaram sabendo que o filme já existia, só que com outro nome. O que aconteceu? O estudante americano Samuel Felinton baixou o filme, fez pequenas alterações, deu a ele um novo título, T-130, e cortou os créditos originais. Com essa nova versão, ele ganhou inúmeros prêmios como suposto autor e se tornou uma pequena celebridade nos Estados Unidos. Parece roteiro de filmeAtônitos diante do plágio descarado, Moritz e Julius consultaram advogados, mas ouviram que um processo seria difícil e caro. Então eles optaram por um outro caminho: viajar para os Estados Unidos para confrontar Felinton – e filmar um documentário sobre a história. A dupla já tinha experiência com documentários. "Logo vimos que era uma história incrível e falamos: 'Vamos fazer um documentário sobre isso'", diz Henneberg. Durante a pesquisa para o filme, os dois cineastas desenvolveram uma espécie de fascínio pelo homem que havia roubado a obra deles. "Assistimos aos vlogs dele e meio que mergulhamos no mundo dele", diz Drost. "Para nós, ele era quase uma celebridade. Descobrimos muito sobre ele e queríamos muito encontra-lo." Fascinação em vez de raivaEnquanto familiares e amigos reagiram com raiva, os dois permaneceram surpreendentemente calmos. Eles contam que inicialmente ficaram perplexos. "Nossas famílias e amigos odiavam Samuel. Nós, ao contrário, queríamos entender o que realmente tinha acontecido." Os dois reuniram uma equipe de filmagem e viajaram até Morgantown, na Virgínia Ocidental, a cidade universitária onde Felinton vive. Com a ajuda de um cineasta nova iorquino, que fingiu estar produzindo um documentário sobre jovens animadores, eles conseguiram ganhar a confiança de Felinton – e Henneberg e Drost finalmente ficaram cara a cara com o ladrão de sua obra. Os dois alemães haviam imaginado todos os cenários possíveis antes da confrontação: "Esperávamos que ele reagisse de maneira emocional, que fugisse, chorasse, sentisse vergonha ou ficasse agressivo. Mas ele permaneceu completamente calmo. Isso foi a única coisa que não previmos. Pensávamos que todo o castelo de cartas dele iria desmoronar. Mas ele quase não mostrou emoção", dizem. Felinton contou aos dois alemães como reduziu e "melhorou" o filme, e que foi isso que o tornou tão bem sucedido. Claro que ele iria transferir para eles o dinheiro dos prêmios que recebeu. Essa naturalidade fascinou e deixou Henneberg e Drost novamente confusos. Após a conversa, os três fizeram um churrasco juntos, comeram e ainda jogaram uma partida de basquete. Complacentes demais?Muitos espectadores do documentário acusam Henneberg e Drost de terem sido complacentes demais com o plagiador. Outros elogiam exatamente isso. "As reações foram muito divididas", diz Drost. "Alguns disseram que deveríamos tê-lo processado ou dado um soco na cara dele. Outros disseram que mostramos uma nova forma de resolver conflitos." Henneberg acrescenta: "Além disso, não foi algo pessoal contra nós. Ele queria se engrandecer – ele poderia ter pegado qualquer outro filme. Se fosse um grande estúdio como a Pixar que tivesse roubado nosso filme, aí seria diferente." E assim, Henneberg e Drost decidiram conscientemente permanecer humanos. "Não queríamos expô-lo ao ridículo publicamente ou puni-lo ainda mais. Basta que as pessoas saibam o que aconteceu. Nosso documentário já foi 'vingança' suficiente." O título do documentário, O talentoso sr. F., é uma referência ao filme O talentoso Ripley, a história de um jovem que assume a identidade de um herdeiro rico e se afunda cada vez mais numa teia de mentiras, fraude e, por fim, assassinato. Para Henneberg e Drost, a comparação fazia sentido, pois Felinton também havia criado uma identidade falsa. Apoio de pesoFelinton realmente enviou a eles os troféus e uma quantia em dinheiro. Os festivais que o premiaram, por outro lado, lavaram as mãos. Um organizador respondeu, em resumo, que o prêmio havia sido concedido e não havia nada mais que pudesse ser feito – os envolvidos que resolvessem entre si. Nos EUA, a história é pouco conhecida. Mas isso pode mudar quando o documentário for exibido por lá. O lançamento internacional é apoiado, entre outros, pelo diretor e produtor alemão Roland Emmerich, que é investidor na empresa produtora. Para os dois cineastas alemães, o escândalo também teve efeitos positivos: o filme de animação original ganhou bem mais atenção no YouTube depois do documentário, lançado na Alemanha em outubro de 2025. Henneberg e Drost o publicaram novamente – e, nos créditos finais, agradeceram, entre outros: Samuel Felinton. "Não desanimem", dizem os cineastasFelinton só conseguiu baixar o filme porque, quando ele apareceu pela primeira vez na internet, em 2023, podia ser baixado diretamente do YouTube. Mesmo assim, Henneberg e Drost dizem que publicar Butty não foi um erro. "Quando você coloca algo na internet, corre esse risco. A alternativa seria não mostrar o filme. Aí ninguém o teria visto." A mensagem deles para jovens criativos é clara: "Não se deixem desanimar. Tenham consciência de que isso pode acontecer, mas permaneçam criativos na forma de lidar com isso. Processar é caro e muitas vezes não leva a nada. Em vez disso, mostrem ao mundo que vocês são os autores." |
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| Short teaser | Moritz Henneberg e Julius Drost resolveram fazer documentário sobre o plágio do seu filme, falando com o próprio ladrão. | ||
| Author | Silke Wünsch | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-reação-inusitada-de-dois-cineastas-ao-roubo-do-filme-deles/a-76114704?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=A%20rea%C3%A7%C3%A3o%20inusitada%20de%20dois%20cineastas%20ao%20roubo%20do%20filme%20deles | ||
| Item 5 | |||
| Id | 76159706 | ||
| Date | 2026-02-27 | ||
| Title | Salários na Alemanha têm novo aumento real em 2025 | ||
| Short title | Salários na Alemanha têm novo aumento real em 2025 | ||
| Teaser |
Poder de compra avançou no país, com alta real de 1,9% na remuneração média em relação ao ano anterior. Já o desemprego permanece acima do nível registrado em fevereiro de 2024. O poder de compra dos trabalhadores na Alemanha voltou a crescer em 2025 apesar da fraqueza da economia, informou o Departamento Federal de Estatística (Destatis) nesta sexta‑feira (27/02). Os salários reais aumentaram, em média, 1,9% em relação ao ano anterior. Em 2024, os vencimentos médios dos alemães já haviam subido 2,9%, também como resultado de medidas de isenção de impostos para compensar a inflação. Com isso, o nível de salário real de 2019, o ano anterior ao início da pandemia, foi quase recuperado, afirmou o Destatis. O ganho real dos salários resulta da diferença entre o avanço dos salários nominais, que cresceram cerca de 4,2% no ano passado, e a alta de 2,2% nos preços ao consumidor no mesmo período. "A evolução salarial em 2025 e também em 2024 é muito positiva", disse à agência de notícias Reuters o economista Malte Lübker, do Instituto de Pesquisa Econômica e Social (WSI), ligado aos sindicatos. "Mas isso não deve esconder o fato de que antes tivemos uma queda sem precedentes nos salários reais", diz ele. Em 2022, os vencimentos sofreram um recuo de 4,1% devido à forte inflação provocada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia. As perdas ainda não foram totalmente compensadas. Por setor, os maiores aumentos nominais ocorreram em serviços financeiros e de seguros (+5,7%), serviços profissionais, científicos e técnicos (+5,3%) e educação e ensino (+5,0%). Já mineração e extração de minerais (+2,8%), agricultura, silvicultura e pesca (+3,3%) e a indústria de transformação (+3,3%) registraram crescimentos modestos. "Em 2025, os trabalhadores de baixa renda voltaram a registrar um forte crescimento nominal dos salários", informou o Destatis. O quinto da força de trabalho com os menores rendimentos teve um aumento médio de 6,0%. Entre os 20% com os maiores salários entre os empregados em tempo integral, o avanço foi de 3,7%. Desemprego permanece acima de 3 milhõesJá o número de desempregados na Alemanha permaneceu acima de três milhões de pessoas neste fevereiro, segundo dados da Agência Federal do Trabalho também divulgados nesta sexta‑feira. Apesar da leve queda em relação ao mês anterior, há hoje 81 mil desempregados a mais do que fevereiro de 2025. Para efeito de comparação, quando o país alcançou 2,9 milhões de desempregados em janeiro de 2025, já se tratava do maior número de pessoas nessa situação desde 2015. Os números reforçam o desafio do governo do chanceler federal alemão, Friedrich Merz, que prometeu impulsionar o crescimento após dois anos de contração e enfrentará várias eleições estaduais neste ano. Anos de estagnação econômica continuam pesando sobre o mercado de trabalho da maior economia da Europa. A taxa de desemprego ajustada permaneceu em 6,3% na comparação mensal, em linha com as projeções. "Mesmo no fim da pausa de inverno, o mercado de trabalho ainda luta para ganhar tração", disse a chefe da agência federal, Andrea Nahles, em comunicado. Entre outros indicadores econômicos divulgados nesta sexta‑feira, a inflação caiu abaixo de 2% em vários estados alemães em fevereiro, sugerindo uma taxa nacional menor e acompanhando o arrefecimento do crescimento de preços em toda a zona do euro. gq (Reuters, OTS) |
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| Short teaser | Poder de compra avançou no país, com alta real de 1,9% na remuneração média em relação ao ano anterior. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/salários-na-alemanha-têm-novo-aumento-real-em-2025/a-76159706?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 6 | |||
| Id | 76154425 | ||
| Date | 2026-02-27 | ||
| Title | União Europeia aplicará provisoriamente acordo com Mercosul | ||
| Short title | União Europeia aplicará provisoriamente acordo com Mercosul | ||
| Teaser |
Bloco europeu acelera entrada em vigor de acordo comercial. França reage mal, afirmando que "decisão unilateral" passa por cima do Parlamento Europeu, que ainda não deu seu aval. O acordo de livre comércio entre União Europeia (UE) e Mercosul será aplicado provisoriamente, apesar de uma revisão pendente pelo principal tribunal do bloco europeu, anunciou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta sexta‑feira (27/02). "Eu já disse antes: quando eles estiverem prontos, nós estamos prontos", afirmou. O caminho para a aplicação provisória foi aberto na véspera, quando Uruguai e Argentina ratificaram o acordo. Brasil e Paraguai ainda não fizeram o mesmo, mas devem dar este passo em breve, disse ela. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo nesta quarta-feira. O texto aguarda agora a aprovação do Senado. A medida permite a UE, Uruguai e Argentina de aplicar novas regras aduaneiras, antes que o acordo entre formalmente em vigor. A Comissão não especificou uma data para a aplicação do texto. A primeira possível é 1º de abril, caso as formalidades exigidas sejam concluídas antes do fim do fevereiro. Se a documentação necessária for finalizada em março, então o acordo deve ser aplicado a partir de 1º de maio. França reage malA França, epicentro da resistência ao acordo, reagiu mal à perspectiva de aplicação provisória sem aval parlamentar. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que se tratava de uma "decisão unilateral" que vinha como "má surpresa". "A Comissão Europeia tomou a decisão unilateral de aplicar provisoriamente o acordo com o Mercosul, mesmo que o Parlamento Europeu não tenha votado sobre ele. Assim, ela assume uma responsabilidade muito pesada," afirmou. O acordo comercial, negociado por mais de duas décadas, é visto de forma crítica por alguns setores na UE. O medo entre agricultores europeus de serem engolidos pela concorrência do Mercosul levou à inclusão de cláusulas de proteção relativas às importações do setor. "Seremos intransigentes quanto ao cumprimento dessas regras, porque a Europa apertou significativamente as regras para nossos produtores nos últimos anos", acrescentou Macron. "Jamais defenderei um acordo que seja frouxo com as importações e rigoroso com o que produzimos em casa, porque isso é incoerente para os consumidores europeus e criminoso para a soberania europeia." Preocupações ambientaisJá ambientalistas temem que o aumento da demanda da UE por produtos agrícolas do Mercosul possa levar a mais desmatamento na América do Sul, inclusive no Brasil. De outro lado, apoiadores vislumbram oportunidades para os setores automotivo, de engenharia mecânica e farmacêutico. Diante de críticas persistentes, o Parlamento Europeu decidiu em janeiro, por uma maioria apertada, enviar o acordo para revisão pela Corte de Justiça da União Europeia antes de uma votação final, atrasando a implementação. "O acordo só pode ser totalmente concluído quando o Parlamento Europeu tiver dado seu consentimento," disse ainda von der Leyen. A Comissão rejeita as críticas e argumenta que o acordo é benéfico para a economia da UE, em meio ao aumento da competição global. Segundo a presidente da Comissão, o texto dá à Europa uma "vantagem em um mundo de competição acirrada e horizontes curtos." ht/cn (dpa, AFP) |
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| Short teaser | Bloco europeu acelera entrada em vigor de acordo comercial. França critica "decisão unilateral". | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/união-europeia-aplicará-provisoriamente-acordo-com-mercosul/a-76154425?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 7 | |||
| Id | 76148863 | ||
| Date | 2026-02-27 | ||
| Title | As promessas e as polêmicas da polilaminina | ||
| Short title | As promessas e as polêmicas da polilaminina | ||
| Teaser |
Pesquisadores da UFRJ sintetizaram molécula para estudar seu uso no tratamento de pacientes que perderam movimentos após lesão na medula. Ainda não há comprovação científica de eficácia.O nome de um composto biotecnológico se popularizou e dominou discussões na última semana: a polilaminina. Essa proteína, produzida em um laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi associada à recuperação de conexões nervosas na medula espinhal, o que pode levar à retomada da função motora em pacientes paraplégicos ou tetraplégicos.
A descoberta, considerada promissora, alimentou esperanças. Nas redes sociais, postagens se referem à polilaminina como uma cura de lesões na medula. Também foi chamada de "molécula de Deus", por seu formato de cruz. Outros perfis se declaram fãs da bióloga Tatiana Sampaio, que lidera a pesquisa com a proteína. Essa comoção fomentou ações judiciais movidas por pacientes para ter acesso às doses desse medicamento em potencial.
No entanto, como só foram feitos testes preliminares, não há estudos que comprovem a eficácia da polilaminina, nem é possível atribuir a ela a recuperação de pacientes. Por isso, especialistas recomendam cautela em relação aos resultados divulgados, já que a polilaminina ainda não é um remédio ou tratamento.
Em uma nota conjunta, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciência afirmam que "em áreas como a neurodegeneração, o percurso entre descoberta científica, validação pré-clínica, ensaios clínicos e eventual incorporação tecnológica é necessariamente longo, complexo e depende de evidências cumulativas".
Proteína de regeneração
A laminina é uma proteína encontrada naturalmente no corpo, em maior abundância na fase embrionária, e que ajuda a estabelecer conexões entre os neurônios. Ao longo de anos de estudos, o grupo de pesquisa liderado por Tatiana Sampaio desenvolveu a forma sintética do composto, extraída da placenta, e verificou que essa forma melhorada facilitou a comunicação entre os nervos.
Diante desse dado, os pesquisadores resolveram testar se a polilaminina seria capaz de levar à regeneração de axônios (parte dos neurônios que carrega informações entre as células) e servir de ponte para o tráfego de comandos e informações via impulsos elétricos. Por isso, o passo seguinte foi avaliar a resposta de animais com lesões medulares ao medicamento experimental.
Em um artigo de 2010, os autores descrevem que após o uso da polilaminina em ratos com lesão medular, foram observados a melhora da locomoção e efeitos anti-inflamatórios do composto. Entre 2016 e 2021, em um estudo piloto, oito pacientes receberam a injeção de polilaminina até três dias depois de machucar a coluna. Dois pacientes morreram depois da aplicação, mas por causas que não estavam relacionadas ao tratamento. Os demais, recuperaram parte dos movimentos.
Depois, em 2025, o grupo publicou estudo com seis cães paraplégicos. Apesar de a lesão ser crônica, quando se forma uma cicatriz que dificulta a regeneração neuronal, houve melhora na função motora.
Os resultados do estudo em cães foram publicados em um periódico veterinário. Já os resultados dos testes em humanos foram descritos em um pré-print, ou seja, o conteúdo não passou pelo crivo de outros cientistas, que é uma das etapas para validação do estudo. Os próprios autores reforçam que, por isso, o material não deve orientar tratamentos.
Fragilidades das evidências
O pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Leonardo Costa, especialista em fisioterapia, reforça que, embora haja resultados positivos para a ação da polilaminina em células neuronais em animais, no corpo humano a reação pode ser diferente por conta da complexidade dos sistemas do nosso organismo. Por isso, os relatos de melhora são controversos.
Costa afirma que o grupo de pacientes avaliados é muito pequeno. "O hype é desproporcional ao volume de evidência." Ele explica que o avanço na condição motora é esperado em 30% dos casos de lesão na medula e mesmo pacientes graves podem recuperar movimentos ao longo do tempo, se o tratamento considerado como padrão-ouro for seguido (cirurgia para reposicionar a coluna, medicação e fisioterapia).
Logo, sem um grupo de controle, não é possível distinguir se a melhora da lesão completa aconteceu porque o edema ou o choque espinhal (falta de sensibilidade), por exemplo, retrocedem, e a conexão neuronal é restabelecida, ou se foi a ação da polilaminina que permitiu a retomada da comunicação entre neurônios na região lesionada.
Em ensaios clínicos, há pelo menos dois grupos avaliados: o experimental, que recebe o tratamento; e o controle. No caso da polilaminina, isso pode significar que parte dos voluntários sorteados para o primeiro grupo vai receber a injeção, e os integrantes do segundo vão ser tratados segundo o protocolo atual, com cirurgia e reabilitação. A comparação entre os resultados indica se a polilaminina teve efeitos ou não.
Do laboratório à injeção
A comparação entre o grupo estudado e o grupo controle só deve acontecer depois que a polilaminina for aprovada nos testes clínicos de fase 1, que avaliam se o composto é ou não seguro para o uso em humanos. Em janeiro, a Agência Nacional de Segurança Sanitária (Anvisa) autorizou os testes.
Ao todo, cinco voluntários de 18 a 72 anos vão receber uma dose da polilaminina quando derem entrada em hospitais para cirurgias na medula espinhal por conta de lesões. Depois, a ação da proteína será analisada em ensaios clínicos de fase 2 e 3.
Na segunda etapa, centenas de indivíduos com a lesão recebem as doses para testar a eficácia. Uma parcela desses participantes é sorteada para o grupo controle. Na terceira, a população é ampliada para uma amostra mais representativa.
Se os resultados forem positivos, o Cristália, laboratório que firmou parceria com a UFRJ para a produção da polilaminina, pode submetê-los à Anvisa para enfim obter o registro do medicamento. Esse processo costuma levar de cinco a dez anos para ser concluído. Até lá, o produto não pode ser comercializado.
Judicialização
Diante da comoção em torno da polilaminina, e o reforço da ideia de que a proteína promove a melhora dos quadros de lesão medular, pacientes ingressaram com ações na justiça de vários estados para o acesso compassivo às doses. Em casos em que não há alternativas de tratamento, uma norma da Anvisa permite que os pacientes acessem medicamentos em fase experimental ou sem registro.
De acordo com a agência reguladora, até essa sexta-feira (27/02), 56 pedidos do tipo foram submetidos ao Judiciário e 33 pacientes já foram autorizados a receber as doses. Leonardo Costa afirma que esse cenário pode contribuir para que os pacientes prefiram recorrer à Justiça a participar de ensaios clínicos, pois poderiam ser sorteados para o grupo controle (que não recebe a substância). Isso pode atrasar o desenvolvimento do medicamento, já que leva mais tempo para recrutar voluntários.
"Isso prejudica porque recursos da pesquisa são deslocados para pessoas que não são elegíveis, só porque tem um juiz mandando", diz Costa. "Enquanto pesquisador, você não tem confiança de que a cirurgia foi feita da mesma forma; vai ter casos bons e ruins."
A presidente da SBPC, Francilene Procópio diz que há risco de se repetirem erros cometidos em relação ao uso de cloroquina para tratar a infecção pelo coronavírus, por exemplo, ou a da falsa pílula do câncer, a fosfoetanolamina, quando resultados preliminares positivos levaram ao uso de medicamentos que em testes mais robustos se mostraram ineficazes.
"É importante que a gente não se precipite por uma pressão da sociedade sobre algo que ainda precisa cumprir com muita transparência metodológica", acrescenta Procópio.
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| Short teaser | Pesquisadores da UFRJ sintetizaram molécula para estudar seu uso no tratamento de pacientes que perderam movimentos. | ||
| Author | Jéssica Moura | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/as-promessas-e-as-polêmicas-da-polilaminina/a-76148863?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Polilaminina foi associada à recuperação de conexões nervosas na medula espinhal | ||
| Image source | Thomas Trutschel/photothek.de/picture alliance | ||
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| Item 8 | |||
| Id | 76143237 | ||
| Date | 2026-02-27 | ||
| Title | Chuvas expõem riscos históricos de Juiz de Fora | ||
| Short title | Chuvas expõem riscos históricos de Juiz de Fora | ||
| Teaser |
Antes mesmo de desastre, município já constava entre os que mais emitem alertas no país. Especialistas apontam combinação de relevo, clima, ocupação urbana e falhas institucionais como fatores agravantes. Desde a última segunda-feira (23/02), a Zona da Mata mineira enfrenta um volume de chuvas que provocou mortes, soterramentos e milhares de ocorrências. Em Juiz de Fora, uma das cidades mais atingidas, o número de mortes passa de 55. O município já contabiliza mais de mil ocorrências desde o início das precipitações. O cenário não é uma completa surpresa. Levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) já colocava Juiz de Fora entre as dez cidades brasileiras com mais alertas emitidos em 2025. A cidade ocupa a quarta posição, atrás de Manaus, São Paulo e Petrópolis (RJ). Em Ubá, região também atingida pelas cheias e a cerca de 100 quilômetros do município mineiro, o balanço aponta seis mortes confirmadas e duas pessoas desaparecidas. Para o professor Alecir Antonio Maciel Moreira, do Departamento de Geografia e do Programa de Pós-graduação em Geografia e Tratamento da Informação Espacial da PUC Minas, a recorrência de episódios como este está ligada a uma combinação de fatores climáticos e físicos. Ele explica que a porção sudeste de Minas Gerais está inserida em uma região úmida, com chuvas concentradas entre outubro e março, especialmente de novembro a janeiro, quando há maior volume acumulado em curto período. Segundo o pesquisador, sistemas meteorológicos como os jatos de baixos níveis, conhecidos popularmente como "rios voadores", transportam umidade da Amazônia para o Sudeste. Ao encontrar calor, relevo acidentado e a proximidade do oceano, esse fluxo favorece a formação de nuvens e precipitações intensas. "Do ponto de vista físico, há fatores climáticos, geomorfológicos, geológicos e pedológicos que ajudam a explicar a exposição dessa área a essa quantidade de ocorrências", afirma. Ele ressalta ainda que desastres são resultado da combinação entre essa suscetibilidade natural e fatores sociais, como ocupação vulnerável do território. Histórico de riscoA recorrência de alertas e desastres não é um dado isolado no caso de Juiz de Fora. Além de figurar entre os municípios com mais avisos emitidos pelo Cemaden em 2025, a cidade também aparece entre aquelas com maior número de pessoas vivendo em áreas suscetíveis a enchentes e deslizamentos. Em 2023, o órgão participou da elaboração de um diagnóstico nacional que mapeou os municípios com maior vulnerabilidade a esses eventos geo-hidrológicos. O levantamento serviu de base para direcionar investimentos do governo federal no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), priorizando obras de prevenção, contenção de encostas, drenagem e outras medidas de redução de risco. Como resultado, foram mapeados 1.942 municípios com moradores em áreas classificadas como de risco. Nessas cidades, cerca de 8,9 milhões de pessoas vivem em locais sujeitos a impactos provocados por chuvas intensas, o equivalente a aproximadamente 6% da população do país. Segundo o levantamento do órgão, Juiz de Fora ocupa a nona posição, com 128.946 moradores em áreas classificadas como de risco. À frente do local estão, em ordem decrescente, Salvador (1.217.527 pessoas em áreas vulneráveis), São Paulo (674.329), Rio de Janeiro (444.893), Belo Horizonte (389.218), Recife (206.761), Jaboatão dos Guararapes (188.026), Ribeirão das Neves (179.314) e Serra (132.433). Para a geóloga Maria Giovana Parisi, titular do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as características físicas do território ajudam a explicar esse cenário. "Juiz de Fora é marcada por morros íngremes, solos profundos que se encharcam com facilidade e córregos em vales estreitos, o que acelera o escoamento da água durante chuvas intensas", destaca. Parte dessas encostas foi ocupada por moradias, com cortes e aterros nem sempre adequados ao tipo de solo e à inclinação do terreno. A pesquisadora explica que, em muitas áreas de risco, o solo permeável está assentado sobre uma rocha impermeável conhecida como gnaisse. "Em períodos de chuva prolongada, a água infiltra pelo solo até atingir essa camada. No contato entre o solo e a rocha forma-se uma zona saturada, que pode provocar a liquefação do material e o deslocamento de lama e terra encosta abaixo", diz. Com o solo encharcado e mais pesado, a ação da gravidade se intensifica nas áreas de maior declividade. Mesmo onde os solos são menos espessos, eles se estendem por grandes áreas, ampliando o volume de material mobilizado em caso de deslizamento. Osvaldo Moraes, professor do programa de pós-graduação em Desastres da Universidade Estadual Paulista (UNESP), explica que o número elevado de alertas não significa, por si só, maior quantidade de desastres, mas maior probabilidade de ocorrência. Segundo ele, os avisos são emitidos a partir da combinação entre a ameaça natural, como chuvas intensas, e as condições locais que podem transformar esse evento em impacto relevante. No episódio recente, ele cita a formação de uma supercélula, nuvem de grande desenvolvimento vertical e alta concentração de água, que se desloca lentamente e intensifica a precipitação sobre a mesma área. "Isso é sim um indício de que as mudanças climáticas estão fazendo com que eventos que antes eram, não rotineiros, agora passam a ser observados com maior frequência", reforça o professor. Minas Gerais e municípios suscetíveis a desastresO cenário observado em Juiz de Fora reflete um quadro mais amplo. Segundo documento do Cemaden, a região Sudeste concentra a maior população exposta a riscos no país. Minas Gerais aparece como o estado com o maior número de municípios mais suscetíveis à ocorrência de desastres naturais: são 283 cidades nessa condição. Na sequência estão São Paulo (172), Rio de Janeiro (75) e Espírito Santo (71). Para Pedro Côrtes, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP), o fator geográfico é importante para entender esse resultado. Ele afirma que Minas Gerais é, em grande parte, um estado montanhoso, onde o processo histórico de ocupação urbana começou pelos fundos de vale–áreas naturalmente sujeitas a inundações–e avançou para as encostas, ampliando a vulnerabilidade. Côrtes destaca ainda que muitas dessas áreas de risco já foram mapeadas pelo Serviço Geológico do Brasil, com indicação dos locais mais sujeitos a deslizamentos e inundações. Para ele, a permanência da ocupação e a ausência de infraestrutura adequada agravam a exposição. "Essas áreas são conhecidas, e a falta de avaliação sobre essas regiões é uma questão relacionada à falta de infraestrutura", afirma. Moreira, da PUC MG, avalia que as características observadas em Juiz de Fora são, em escala regional, uma síntese do que ocorre em Minas Gerais. Segundo ele, o estado está em uma posição geográfica de transição climática, sob influência de sistemas tropicais e extratropicais. Isso inclui frentes frias, cavados (áreas alongadas de baixa pressão atmosférica) e a atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul, além da umidade transportada da Amazônia pelos jatos de baixos níveis e da umidade proveniente do oceano. Essa combinação atua sobre uma topografia marcada por relevo movimentado e compartimentado, com cadeias montanhosas que interferem na circulação atmosférica e favorecem a formação de chuvas. Moreira lembra que Minas Gerais concentra nascentes de alguns dos principais rios do país, resultado dessa dinâmica de interceptação de umidade pelas montanhas. Ele aponta ainda que a urbanização ocorreu de forma desigual, com populações de menor renda concentradas em áreas mais precárias e suscetíveis, muitas vezes com menor acesso a infraestrutura e serviços. "Tudo isso cria um cenário de concentração de risco. Minas Gerais é realmente muito complexo do ponto de vista da suscetibilidade e da exposição", destaca. A reportagem procurou o Governo de Minas Gerais e a Prefeitura de Juiz de Fora para comentar as estratégias de prevenção e as medidas adotadas, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Como mitigar riscos e evitar tragédiasReduzir o número de tragédias passa por uma política permanente de gestão de riscos, que vai além de respostas emergenciais, de acordo com os especialistas ouvidos pela reportagem da DW. O professor Moraes, da UNESP, afirma que o risco de desastre resulta da combinação entre ameaças naturais e ameaças antrópicas, estas relacionadas às escolhas e omissões humanas, como ocupação inadequada do solo, falta de infraestrutura, desigualdade social e ausência de planejamento urbano. Segundo ele, municípios com topografia acidentada e ocupação concentrada em áreas vulneráveis exigem ações contínuas. Isso inclui mapeamento rotineiro das áreas de risco, obras de drenagem adequadas, monitoramento constante e educação da população para que saiba como agir ao receber um alerta. Moraes destaca que o envio de mensagens por celular, embora importante, não é suficiente. "O que adianta uma pessoa que mora em área de risco receber um aviso de chuva intensa se ela não tem para onde ir ou não sabe o que fazer?", questiona. Para ele, a redução de desastres depende da atuação coordenada de diferentes instituições, com definição clara de responsabilidades. O pesquisador aponta ainda a existência de uma "vulnerabilidade institucional". Embora o país conte com uma Política Nacional de Gestão de Riscos e diversos órgãos federais envolvidos no tema, como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Serviço Geológico do Brasil, ele avalia que faltam protocolos integrados e articulação permanente entre as esferas federal, estadual e municipal. Parisi, da UFMG, afirma que a prevenção exige a combinação de medidas estruturais e não estruturais. Entre as primeiras estão obras de drenagem urbana, estabilização e contenção de encostas adequadas às condições geológicas, controle de erosão e, quando necessário, reassentamento de famílias em áreas onde o risco é considerado inaceitável. Já as medidas não estruturais envolvem mapeamento contínuo dos setores de risco, fiscalização do uso e ocupação do solo, educação e participação comunitária, com incentivo à criação de Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs), além de sistemas de alerta e planos de contingência. A geóloga lembra que o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) é um dos instrumentos previstos na Lei nº 12.608/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. "A legislação se articula ao Estatuto da Cidade, que orienta a atualização dos planos diretores para incorporar diretrizes específicas para áreas suscetíveis a desastres", diz. Segundo a professora, Juiz de Fora já possui PMRR e instituiu, em setembro de 2025, um Comitê de Gestão de Risco. Para que essas iniciativas se consolidem como política de Estado, ela defende apoio financeiro e técnico das três esferas de governo, com reforço permanente às equipes de Defesa Civil, investimento em infraestrutura, capacitação e monitoramento contínuo. "Trata-se de uma agenda complexa, porém viável, desde que haja continuidade administrativa e cumprimento de metas de curto, médio e longo prazo, pois a construção de uma cidade resiliente ultrapassa o ciclo de uma única gestão de quatro anos", afirma. |
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| Short teaser | Antes mesmo de desastre que deixou dezenas de mortos, município já constava entre os que mais emitem alertas no país. | ||
| Author | Priscila Carvalho | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/chuvas-expõem-riscos-históricos-de-juiz-de-fora/a-76143237?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Chuvas%20exp%C3%B5em%20riscos%20hist%C3%B3ricos%20de%20Juiz%20de%20Fora | ||
| Item 9 | |||
| Id | 76143333 | ||
| Date | 2026-02-26 | ||
| Title | Diretora da Berlinale recebe manifestações de apoio após rumor sobre demissão | ||
| Short title | Sob pressão, diretora da Berlinale recebe onda de apoio | ||
| Teaser |
Artistas e membros da indústria cinematográfica saem em defesa de Tricia Tuttle, ameaçada de demissão após controvérsia envolvendo manifestações pró-palestinos e críticas a Israel no Festival de Cinema de Berlim. Após se tornar o centro de uma grande polêmica que gerou fortes reações de políticos, artistas e cineastas, a diretora do Festival Internacional de Cinema de Berlim, Tricia Tuttle, recebeu uma forte onda de apoio nesta quinta-feira (26/02). Mais de 500 funcionários da Berlinale manifestaram publicamente seu apoio à Tuttle, após uma reportagem de um jornal alemão apontar que ela poderia ser demitida em razão de manifestações políticas ocorridas durante o evento. Um comunicado divulgado no portal de internet da Berlinale afirma que os funcionários do festival "falam a uma só voz em apoio unânime à extraordinária Tricia Tuttle como diretora". No documento, a equipe elogiou a "clareza, integridade e visão artística" que a diretora trouxe para a Berlinale. Mantida no cargo, por oraA carta foi publicada enquanto o conselho de supervisão do festival se reunia em sessão extraordinária nesta quinta-feira, convocada pelo ministro da Cultura da Alemanha, Wolfram Weimer, para tratar do caso. No entanto, a reunião não resultou na demissão da diretora, ao contrário do que dizia uma reportagem publicada na quarta-feira do jornal alemão Bild. Segundo o jornal, Weimer e Tuttle teriam concordado que ela não teria condições de permanecer à frente do festival, após a reação política gerada pelos discursos na cerimônia de premiação, em 22 de fevereiro. O Bild também mencionou uma fotografia que supostamente compromete a credibilidade de Tuttle aos olhos do governo alemão. O jornal conservador descreveu a foto, de 15 de fevereiro, da diretora do festival posando com a equipe do filme Chronicles From a Siege ("Crônicas de um cerco") dirigido pelo cineasta palestino-sírio Abdallah Alkhatib, como um "escândalo" e uma "foto de propaganda". Na imagem, membros da equipe do filme usam um kufiya – o lenço tradicional palestino – e uma pessoa segura uma bandeira palestina. A própria diretora não usa nenhum símbolo. "As discussões sobre a direção da Berlinale continuarão nos próximos dias entre a diretora, Tricia Tuttle, e o conselho de supervisão", disse um porta-voz do Ministério da Cultura. Fontes próximas aos participantes indicaram que as conversas, lideradas por Weimer na Chancelaria Federal em Berlim, foram "construtivas e abertas". Cineasta acusa Alemanha de apoiar genocídio em GazaDeclarações feitas durante o festival interpretadas como anti-Israel também foram discutidas na reunião. No domingo, o diretor sírio-palestino Abdallah Alkhatib, que recebeu o prêmio de melhor filme de estreia com Chronicles From a Siege, fez um forte discurso criticando o apoio alemão a Israel e dizendo que Berlim seria cúmplice de um genocídio na Faixa de Gaza. Alkhatib afirmou que, como refugiado na Alemanha, havia sido advertido a não ultrapassar "linhas vermelhas" em seu discurso. Mesmo assim prosseguiu dizendo que "Eles são cúmplices do genocídio israelense em Gaza. E acredito que sejam inteligentes o suficiente para reconhecer essa verdade. Mas optam por ignorá-la." Weimer rejeitou a acusação. "Essas falsas alegações são maliciosas e envenenam o debate político. Elas destroem a apreciação da arte cinematográfica na Berlinale", disse Weimer ao jornal Tagesspiegel. A Alemanha é vista como uma das maiores apoiadoras de Israel e seu segundo maior fornecedor de armas. Esse apoio se deve sobretudo à responsabilidade histórica do país pelo Holocausto. Também geraram polêmica os comentários do presidente do júri do festival, o cineasta alemão Wim Wenders, sugerindo que o festival deveria se manter fora da política. Cerca de 80 líderes da indústria reagiram à declaração ao assinarem uma carta acusando a Berlinale de silenciar sobre a guerra em Gaza. Apoio maciço do setor cinematográficoNesta quinta-feira, cineastas alemães e internacionais também se opuseram a uma possível demissão de Tuttle em uma carta aberta assinada cerca de 700 representantes do setor cinematográfico, incluindo a atriz Tilda Swinton e o diretor Ilker Çatak, cujo filme Yellow Letters ("Cartas amarelas") que levou o Urso de Ouro de melhor filme na Berlinale deste ano. A diretora também recebeu o apoio de cinco importantes cineastas israelenses, que alertaram em uma carta aberta separada que "demitir Tuttle seria um erro dramático". A declaração foi assinada pelo codiretor do filme Sem chão Yuval Abraham, premiado na Berlinale em 2024; Nadav Lapid, de Sinônimos, vencedor o Urso de Ouro em 2019; e Tom Shoval de Uma Carta para David, um filme sobre um israelense mantido refém em Gaza que foi exibido no festival do ano passado O documento diz ser "um sinal problemático" quando "consequências pessoais são derivadas de declarações individuais ou interpretações simbólicas". A Academia Alemã de Cinema alertou para um ataque ao "núcleo de um festival de cinema independente". "Estamos consternados com a violação deste espaço e com a tentativa de influência política na gestão de um dos festivais de cinema mais renomados e importantes do mundo", disse a entidade em um documento que, até a noite de quinta-feira, já havia sido assinado por aproximadamente 3.000 figuras da cultura, principalmente da indústria cinematográfica, incluindo os diretores Fatih Akin, Iris Berben, Volker Schlöndorff, Margarethe von Trotta e Wim Wenders. A associação de escritores PEN Berlin alertou Weimer contra a "destruição deliberada" da Berlinale. Em vez disso, ele deveria "defender a liberdade artística", declarou o presidente da entidade, Deniz Yücel. Respaldo do SPD e dos VerdesNa Alemanha, a diretora americana foi alvo de críticas principalmente de políticos da União Democrata Cristã (CDU), do chanceler federal Friedrich Merz, por sua atuação em relação às declarações anti-Israel feitas no domingo. Após a reunião do conselho de supervisão, a especialista em política cultural da CDU, Ellen Demuth, insistiu na demissão de Tuttle. "Os ataques antissemitas na cerimônia de premiação deste ano eram totalmente previsíveis", disse Demuth. Para ela, a gestão da Berlinale foi inadequada, e, portanto, "um novo começo" era necessário. Contudo, políticos do Partido Social-Democrata (SPD) – parceiro da CDU na coalizão do governo federal – e dos Verdes saíram em defesa da diretora. Os parlamentares social-democratas Wiebke Esdar e Martin Rabanus afirmaram que Tuttle "promoveu a diversidade e permitiu o debate. É precisamente isso que faz um festival público internacional". "Defendemos uma Berlinale que debata, persevere – sem exclusão, sem relativizar o antissemitismo", disseram em nota. "Ela uniu o cinema, o público e a indústria e demonstrou sua liderança como uma anfitriã confiante. Reconhecemos isso", concluíram. "Caso Tricia Tuttle tenha que deixar o cargo de diretora da Berlinale, será uma perda não só para a Berlinale, mas um desastre para a política cultural alemã", disse Sven Lehmann, presidente da Comissão de Cultura e Mídia do Bundestag (Parlamento alemão). Ele exigiu que Weimer "defenda a independência da Berlinale e evite qualquer aparência de influência estatal". "A política nunca deve influenciar o conteúdo da arte", alertou também a ex-ministra da Cultura e antecessora de Tuttle no cargo, Claudia Roth, do Partido Verde, ao Tagesspiegel. A bancada parlamentar do partidoA Esquerda também exigiu um compromisso claro dos políticos com Tuttle e com a independência da Berlinale. "A forma como o Ministro da Cultura e da Mídia, Weimer, está lidando com a Berlinale é o verdadeiro escândalo”, declarou David Schliesing, especialista em política cultural do partido. A curadora americana Tuttle assumiu a liderança da Berlinale - um dos principais festivais de cinema do mundo, ao lado de Cannes e Veneza - em 2024. A edição deste ano, que terminou no domingo, foi a segunda sob sua gestão. rc (DPA, AFP) |
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| Short teaser | Artistas saem em defesa de Tricia Tuttle, ameaçada de demissão após furor causado por atos pró-palestinos no festival. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/diretora-da-berlinale-recebe-manifestações-de-apoio-após-rumor-sobre-demissão/a-76143333?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Diretora%20da%20Berlinale%20recebe%20manifesta%C3%A7%C3%B5es%20de%20apoio%20ap%C3%B3s%20rumor%20sobre%20demiss%C3%A3o | ||
| Item 10 | |||
| Id | 76137064 | ||
| Date | 2026-02-26 | ||
| Title | Nova droga contra o HIV pode revolucionar tratamento em idosos | ||
| Short title | Nova droga contra o HIV é promessa na terapia para idosos | ||
| Teaser |
Pessoas mais velhas que vivem há muitos anos com o vírus chegam a tomar mais de 10 comprimidos por dia. Medicamento ainda em fase de estudos pode simplificar tratamento. Um novo tratamento pode simplificar a vida de pessoas que têm HIV há décadas e são obrigadas a seguir protocolos complexos e tomar vários comprimidos por dia. A eficiência da pílula BIC/LEN, de dose única diária, foi demonstrada em um novo ensaio clínico publicado nesta quarta-feira (25/02) na revista científica The Lancet. O HIV – o vírus da imunodeficiência humana – já foi descrito como uma "sentença de morte" para as pessoas que o contraíam, por enfraquecer o sistema imunológico e deixá-las vulneráveis a infecções fatais ou câncer. Embora os medicamentos modernos tenham melhorado a vida das pessoas com HIV, permitindo suprimir o vírus e impedir sua transmissão, o sucesso do tratamento depende de regimes específicos ajustados para cada paciente. Isso pode ser frustrante para algumas das pessoas mais idosas vivendo com HIV, já que comprimidos tomados uma vez ao dia, usados por pacientes mais jovens, nem sempre funcionam bem para grupos mais velhos. Isso acontece porque os primeiros tratamentos contra o HIV podem ter levado ao desenvolvimento de resistência nesses pacientes mais antigos, exigindo hoje regimes altamente especializados com múltiplos comprimidos. Novo tratamento combina bictegravir e lenacapavirA pílula BIC/LEN, ainda em fase de testes, combina as drogas antivirais bictegravir e lenacapavir. A expectativa é de que ela possa oferecer uma rotina mais conveniente a pessoas mais idosas com HIV. "Este é um medicamento para pessoas com resistência viral, que não puderam se beneficiar de avanços na terapia de HIV", explica Chloe Orkin, professora da Queen Mary University of London e principal pesquisadora envolvida nos estudos. A equipe dela conseguiu reunir o grupo mais velho já formado para um teste de tratamento de HIV. A idade média deles é de 60 anos, mas alguns já estão na casa dos 80 anos. Ao longo de nove meses, parte dos participantes recebeu uma pílula diária BIC/LEN, enquanto a outra parcela manteve o tratamento convencional, com a ingestão de múltiplos comprimidos ao longo do dia. Ambos os tratamentos conseguiram suprimir o vírus em cerca de 96% dos pacientes. Mas a pílula BIC/LEN também melhorou os níveis de colesterol, o que pode ajudar pacientes que também têm risco de desenvolver doenças cardiovasculares na velhice. Promessa para um grupo cujo tratamento "parou no tempo"Embora os avanços na medicina voltada ao HIV tenham beneficiado muitas pessoas, aquelas que são mais velhas e vivem há muito tempo com a doença ficaram sem acesso a tratamentos mais convenientes. "Trata-se de uma população para a qual o tempo praticamente parou, porque nenhum desses avanços chegou até eles", comenta Orkin. Além de não serem tão convenientes, outro problema dos regimes médicos complexos é que um único comprimido esquecido pode comprometer ganhos importantes no tratamento. Uma rotina de tratamento mais simples pode significar também mais qualidade de vida: usuários da pílula BIC/LEN relataram maior satisfação do que aqueles que seguiam um regime complexo. Embora o tratamento ainda não esteja disponível e tenha que ser aprovado pelas autoridades regulatórias de saúde, defensores de pacientes com HIV saudaram o estudo como promissor. "Do ponto de vista do indivíduo, isso simplifica o uso dos medicamentos", afirma Mitchell Warren, diretor executivo do AVAC, grupo de advocacy em prevenção do HIV, que não participou do estudo. "É uma oportunidade incrível de facilitar a adesão a medicamentos, para as pessoas manterem a supressão viral. E isso é bom não só para quem vive com HIV – sabemos, com dados dos últimos 15 anos, que pessoas em terapia antirretroviral e com carga viral suprimida não transmitem o vírus a outras pessoas", acrescentou Warren. A pílula BIC/LEN está passando por duas avaliações complementares e deve ser submetida às agências reguladoras para aprovação, incluindo a FDA nos Estados Unidos e a Agência Europeia de Medicamentos. "O medicamento também está sendo testado em comparação com uma terapia de referência para HIV em pessoas que não têm tratamentos complexos, e também mostrou ótimos resultados nesses casos, portanto representa um avanço geral na terapia contra o HIV", comemora Orkin. |
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| Short teaser | Medicamento pode simplificar tratamento de quem vive há muitos anos com o vírus e depende de coquetel de pílulas. | ||
| Author | Matthew Ward Agius | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/nova-droga-contra-o-hiv-pode-revolucionar-tratamento-em-idosos/a-76137064?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Nova%20droga%20contra%20o%20HIV%20pode%20revolucionar%20tratamento%20em%20idosos | ||
| Item 11 | |||
| Id | 76122811 | ||
| Date | 2026-02-26 | ||
| Title | O gene que influencia pais a serem carinhosos ou violentos | ||
| Short title | O gene que influencia pais a serem carinhosos ou violentos | ||
| Teaser |
Cientistas descobrem que gene agouti age no cérebro de camundongos listrados africanos machos e os torna carinhosos ou violentos com seus filhotes. Cientistas do Instituto de Neurociências da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, descobriram que um gene associado à pigmentação da pele ajuda a entender o comportamento parental em camundongos. O resultado de sua pesquisa sobre as bases neurológicas da paternidade em roedores foi publicado na semana passada na revista Nature. Existem cerca de 6 mil espécies de mamíferos, mas em menos de 5% delas os pais ajudam na criação dos filhotes. Em geral, pais apresentam um amplo leque de comportamentos, que vão dos mais afetuosos aos claramente hostis. Os melhores cuidadores têm um papel ativo nos cuidados: lambem e limpam os filhotes para mantê los higienizados, ou os abrigam sob o ventre para mantê los aquecidos e protegidos das intempéries. Já os piores ignoram os filhotes indefesos ou até os atacam. Os neurocientistas Forrest Rogers e Catherine Peña, junto com uma equipe de outros cinco pesquisadores, decidiram investigar o motivo dessas diferenças. Eles tomaram como exemplo o camundongo listrado africano (Rhabdomys pumilio), que apresenta diferentes reações perante suas crias após se tornar pai. A equipe registrou a atividade neuronal desses roedores em diversas situações, com e sem filhotes. Faltam estudos em humanosEles descobriram que os pais atenciosos apresentavam maior atividade numa região do cérebro chamada área pré-óptica medial (MPOA). Até aí nada de muito novo. Os cientistas já sabiam que mães de outras espécies de roedores, como hamsters, também sofrem mudanças nessa mesma área do cérebro. "Décadas de pesquisa demonstraram que a MPOA funciona como um centro de cuidados maternos em mamíferos", declarou Rogers ao site especializado Live Science. A equipe então se voltou para os cérebros dos camundongos e mediu a atividade gênica em células da MPOA. A partir disso, os cientistas descobriram que pais mais carinhosos também apresentavam níveis mais baixos de atividade gênica de um gene chamado agouti, relacionado, em estudos anteriores, ao metabolismo e à pigmentação da pele. "Descobrir esse papel até então desconhecido no cérebro, ligado ao comportamento parental, foi emocionante", disse Rogers. Machos solitários também apresentavam níveis menores de atividade gênica nesse gene do que os que viviam em grupo. Terapia genética para modificar o comportamentoPara entender melhor como esse gene influencia o cuidado paternal, os pesquisadores utilizaram terapia genética para aumentar artificialmente a atividade do gene agouti no cérebro, tentando assim imitar a biologia natural de um pai negligente. Eles constataram que, quando esses machos reencontravam seus filhotes após o tratamento, demonstravam menos interesse do que antes, e alguns até se tornavam agressivos. O inverso também foi observado: ao aplicar um tratamento "natural", transferindo machos de um ambiente comunitário para um ambiente solitário, descobriram que seus níveis de atividade gênica consequentemente diminuíam e que os animais passavam a demonstrar mais interesse pelos filhotes. "Nossas descobertas apontam o agouti como um mecanismo evolutivo potencial que permite aos animais integrar informações ambientais, como competição social ou densidade populacional, e ajustar o equilíbrio entre autoconservação e investimento na prole", explica Peña, coautora do estudo. Os pesquisadores destacaram que o gene agouti também existe em humanos, mas ainda é preciso estudar seu impacto na atitude parental. "Criar filhos é um traço complexo. Não estamos sugerindo que alguém possa tomar uma pílula para ser um pai ou mãe melhor, nem que dificuldades na criação reflitam alguma deficiência molecular", afirmou Peña. as (Efe, OTS) |
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| Short teaser | Cientistas detectam gene que age no cérebro de camundongos machos e os torna carinhosos ou violentos com filhotes. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-gene-que-influencia-pais-a-serem-carinhosos-ou-violentos/a-76122811?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=O%20gene%20que%20influencia%20pais%20a%20serem%20carinhosos%20ou%20violentos | ||
| Item 12 | |||
| Id | 76141552 | ||
| Date | 2026-02-26 | ||
| Title | AfD obtém vitória em ação contra classificação como "extremista" | ||
| Short title | AfD obtém vitória contra classificação de "extremista" | ||
| Teaser |
Tribunal proíbe temporariamente agência alemã de inteligência interna de se referir ao partido ultradireitista como organização extremista, embora reconheça esforços dentro da legenda contra a ordem democrática.O Departamento Federal de Proteção da Constituição (BfV), a agência de inteligência interna da Alemanha, está temporariamente proibido de se referir ao partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) como uma "organização comprovadamente extremista de direita" que ameaça a democracia.
O BfV também está temporariamente proibido de anunciar publicamente a classificação e de exercer o nível de vigilância sobre a legenda que essa designação permite.
A co-líder do partido, Alice Weidel, afirmou que a decisão foi "uma grande vitória não só para a AfD, mas também para a democracia e o Estado de Direito".
A AfD ficou em segundo lugar nas eleições federais na Alemanha em 2025, conquistando 152 cadeiras das 630 cadeiras do Parlamento, com 20,8% dos votos.
A decisão foi proferida pelo Tribunal Administrativo de Colônia em um processo iniciado pelo partido, segundo um comunicado divulgado nesta quinta-feira (26/02). Embora a corte tenha reconhecido que, com base nas informações disponíveis, existem de fato esforços dentro do partido direcionados contra a ordem democrática livre, a AfD "não é caracterizada por esses esforços de uma forma que leve à conclusão de que, no geral, possa ser estabelecida uma tendência anticonstitucional".
O tribunal afirmou que "não seguiu a avaliação do BfV de que a AfD, em nível federal, é uma organização comprovadamente extremista, emitida em maio do ano passado", mesmo tendo reconhecido que o partido "permanece uma forte suspeita de que o requerente esteja buscando objetivos anticonstitucionais", a corte concluiu que, após uma revisão do caso, "nenhuma influência caracterizadora desse tipo sobre o requerente pode ser estabelecida atualmente".
O Departamento havia classificado a AfD como uma organização comprovadamente extremista de direita em nível federal em maio de 2025, o que levou o partido a entrar com uma ação judicial. O BfV concordou posteriormente em suspender a classificação até que uma decisão judicial sobre a liminar fosse emitida.
O que é "organização comprovadamente extremista"?
O BfV pode elevar a classificação de uma entidade ou partido para "organização comprovadamente extremista" se considerar que há provas substanciais de uma busca por objetivos extremistas.
As autoridades podem tornar essa classificação pública se houver indícios plausíveis ou evidências concretas de que o grupo esteja, de fato, atuando contra a ordem democrática. Tal classificação pode enfraquecer a credibilidade e a aceitação da organização. No caso das organizações assim classificadas, métodos de inteligência secretos podem ser utilizados para coletar mais informações. Por exemplo, membros do grupo podem ser vigiados em reuniões.
Quando um partido é considerado definitivamente extremista?
Ao classificar uma organização no nível mais alto, que foi o caso da AfD, o BfV determina que ela demonstra perseguir objetivos extremistas. Neste caso, a agência conclui que existem provas suficientes para comprovar que o grupo se opõe ativamente à democracia. Grupos com este rótulo são oficialmente considerados extremistas e aparecem nominalmente no relatório anual do BfV.
Nesse caso, a agência emprega toda a sua gama de métodos de inteligência para monitoramento. As autoridades, partidos ou associações geralmente se distanciam do grupo em questão, o financiamento pode ser suspenso e as carreiras de funcionários públicos podem ser prejudicadas. Isso, porém, não ocorreu neste caso.
O Tribunal Administrativo de Colônia decidiu que as provas apresentadas pelo BfV não estabelecem que no momento atual o caráter geral da AfD seja dominado por ideologias extremistas.
O que isso significa para uma possível proibição?
A decisão do tribunal não está diretamente relacionada a uma possível proibição da AfD. Contudo, o debate político em torno desse tema poderia ter ganhado impulso caso o tribunal tivesse rejeitado a ação do partido.
Somente o Tribunal Constitucional Federal tem poder de decidir sobre a proibição de um partido. Tal pedido pode ser apresentado pelo Bundestag (câmara baixa do Parlamento), pelo Bundesrat (câmara alta) ou pelo governo federal.
Desde a fundação da República Federal da Alemanha, apenas dois pedidos de proibição de partidos foram bem-sucedidos no tribunal em Karlsruhe: em 1952, contra o Partido Socialista do Reich (SRP), de orientação neonazista, e em 1956, contra o Partido Comunista da Alemanha (KPD).
rc (AFP, DPA)
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| Short teaser | Corte proíbe temporariamente agência de inteligência de de se referir ao partido ultradireitista como grupo extremista. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/afd-obtém-vitória-em-ação-contra-classificação-como-extremista/a-76141552?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Apesar da decisão, Tribunal diz que há "forte suspeita" de que a AfD esteja buscando objetivos anticonstitucionais | ||
| Image source | Hans Pfeifer/DW | ||
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| Item 13 | |||
| Id | 76138883 | ||
| Date | 2026-02-26 | ||
| Title | [Coluna] O custo da mentalidade utilitarista na educação | ||
| Short title | O custo da mentalidade utilitarista na educação | ||
| Teaser |
"Se não uso na vida, para que estudar isso?", se perguntam alguns. Mas matérias tradicionais ajudam a formar o senso crítico. Utilitarismo desvaloriza centros educacionais e transforma educação em mercadoria. "Não faz sentido eu estudar fórmula de Bhaskara e equação de segundo grau, porque o que isso vai me ajudar na minha vida? A longo prazo não te dá retorno financeiro. Como que eu vou ganhar dinheiro com isso?" Embora a maioria dos professores já tenham sido confrontados com a pergunta canônica "se não vou usar na minha vida, para que vou estudar isso?", a citação acima não foi retirada de uma sala de aula, mas de um corte de podcast que viralizou em 2024. A fala, dita por um jovem de 14 anos, chama a atenção justamente por revelar a mentalidade utilitarista enraizada na nossa sociedade desde a adolescência. Esse discurso desvaloriza os centros educacionais e transforma a educação em mercadoria, uma vez que apenas aquilo que tem uma utilidade prática é legitimado e valorizado: uma lógica prejudicial para a formação intelectual dos cidadãos brasileiros. Nosso modelo de educação está em ruínas?O sistema educacional vigente no Brasil foi originado a partir da paideia, modelo de educação da Grécia Antiga. Ao ensinar sobre literatura, ginástica, retórica, matemática e ciências, os gregos focavam na formação integral do cidadão, ou seja, um processo contínuo que aprimorava as características físicas e intelectuais para a vida na pólis. Foi partindo dessa ideia, com algumas adaptações a cada época, que a centralidade nas matérias tradicionais se perpetuou até os dias de hoje. Ou seja, lecionar português, matemática, geografia, ciências da natureza e história não é um método retrógrado, mas a base estruturante do conhecimento. É importante reconhecer que atualizações na educação poderiam ser interessantes, como a proposta de flexibilização de escolhas sugerida pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Entretanto, a escola ainda precisa ser um espaço de formação cidadã e não apenas profissional. Para quê? x por quê?: um conflito de valoresAlterar a base estruturante do conhecimento para uma visão focada apenas no mercado profissional é renunciar ao objetivo primário da educação: a potencialização de seres humanos. Quando digo isso, me refiro aos valores que estarão sendo cultivados na nossa sociedade. É provável que, em um dia comum, você nunca tenha usado a fórmula de Bhaskara ou a equação de segundo grau. Porém, é através desse e outros conhecimentos fornecidos pelas matérias tradicionais que pensamento crítico, raciocínio lógico, capacidade de abstração e análise do mundo são estruturados no intelecto humano. Ao invés de manter a visão utilitarista de "para quê?”, é necessário fomentar uma mentalidade curiosa, investigativa e crítica do porquê cada coisa acontece no mundo. Isso propiciaria não só uma sociedade com valores mais humanos e menos automatizados, mas também aumentaria a autonomia intelectual e a capacidade de resolução de problemas nos indivíduos. Custo da visão utilitaristaEssa mentalidade utilitarista na educação, além de ser uma negligência com a formação humana, é também reduzir o processo de aprendizagem a uma linha de produção. Ao priorizar a utilidade do conhecimento em detrimento dos valores anteriormente citados, um ciclo de alienação e esgotamento mental se perpetua. O resultado: síndrome de burnout. Os jovens, ao perseguirem apenas o status e o retorno imediato, veem-se despersonalizados e presos em carreiras vazias de propósito, produzindo uma sociedade em que, não só a educação, mas a própria vida se torna uma mercadoria. Romper com esse ciclo, através da mudança de mentalidade, é construir uma sociedade com valores mais humanos. ______ Vozes da Educação é uma coluna semanal escrita por jovens do Salvaguarda, programa social de voluntários que auxiliam alunos da rede pública do Brasil a entrar na universidade. Revezam-se na autoria dos textos o fundador do programa, Vinícius De Andrade, e alunos auxiliados pelo Salvaguarda em todos os estados da federação. Siga o perfil do programa no Instagram em @salvaguarda1. Este texto foi escrito por Lívia Vitória dos Santos, de 18 anos, estudante de Letras da Universidade de São Paulo (USP), e reflete a opinião do autor, não necessariamente a da DW. |
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| Short teaser | Discurso que prioriza o que tem utilidade prática desvaloriza centros educacionais e transforma educação em mercadoria. | ||
| Author | Lívia Vitória dos Santos | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/coluna-o-custo-da-mentalidade-utilitarista-na-educação/a-76138883?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=%5BColuna%5D%20O%20custo%20da%20mentalidade%20utilitarista%20na%20educa%C3%A7%C3%A3o | ||
| Item 14 | |||
| Id | 76130873 | ||
| Date | 2026-02-26 | ||
| Title | Juiz de Fora vive dias de tensão após tragédia | ||
| Short title | Juiz de Fora vive dias de tensão após tragédia | ||
| Teaser |
Temporal na cidade mineira em fevereiro que bateu recorde em volume de chuvas teve consequências inéditas, afetando áreas antes tidas como seguras e levantando questões sobre como se preparar para eventos extremos. Os danos das chuvas em Juiz de Fora são bem conhecidos em uma cidade que tem um relevo que coloca grandes partes de sua população no "fundo" do vale do rio Paraibuna ou em um dos muitos morros da cidade. No entanto, a intensidade das chuvas desta semana tornaram os efeitos da tragédia inéditos. Áreas até então vistas como seguras foram impactadas, levantando questões sobre como se preparar para eventos extremos, que, segundo especialistas, tendem a ser mais recorrentes e impulsionados pelas mudanças climáticas. "É algo que nunca aconteceu aqui. Estava dormindo, e às 2h escutei vozes gritando para sair do prédio. Achei que fosse mentira ou alguma brincadeira”, conta Priscila de Neves, há cinco anos moradora do bairro Paineiras, na região central, próxima a uma das áreas que sofreu com o deslizamento vindo do chamado Morro do Cristo. Desesperada, juntou rapidamente documentos e foi para outra propriedade, no Bairro Grama, onde planeja ficar até quando situação em sua rua permitir, o que não sabe quando deverá ocorrer. "A recomendação que temos é de não voltar até que se normalize”, afirmou. Em uma região mais elevada que aquela às margens do rio que corta a cidade, as proximidades do Morro do Cristo há décadas são muito procuradas, em um cenário de habitações de padrão mais elevado e estrutura mais desenvolvida que em outras partes da cidade, o que fazia com que chuvas não fossem observadas como grande ameaça às edificações. ImprevisibilidadeAinda assim, desde 2017 a região consta como local de risco no mapeamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Na madrugada da última terça-feira (23/02), os deslizamentos na região mataram três pessoas, depois que uma onda de lama se arrastou pelo morro, destruindo edificações que estavam pelo caminho. Desde então, uma série de moradores se deslocou para outras regiões da cidade, algo que muitos fizeram pela primeira vez desde que moram ali. "Boa parte da chuva ocorreu à noite, o que colaborou para pegar as pessoas de surpresa", afirma a climatologista e professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Cássia Ferreira. Em um ambiente de "ocupação menos vulnerável”, destaca, a imprevisibilidade e a falta de planejamento tornaram os eventos da última madrugada ainda mais trágicos. A cidade registrava ao menos 47 mortes e 13 desaparecidos até a manhã desta quinta-feira (26/02). Escavações em buscas de vítimas prosseguem, enquanto novos desmoronamentos foram registrados nesta quarta-feira. O alerta máximo de risco para chuvas está previsto ir até a próxima sexta-feira no munícipio. Há cerca de 3.500 desalojados em Juiz de Fora. O cenário é de tensão na cidade, com muitos comparando regiões pouco movimentadas ao período da pandemia. Uma moradora do bairro Democrata, um dos mais afetados, que preferiu não se identificar, afirmou: "Não vou nem olhar mais vídeos, ou não durmo de preocupação”. Segundo ela, seu temor se deve em razão de um barranco que está desmoronando próximo ao seu prédio. Fevereiro mais chuvoso da históriaEm uma cidade marcada pela polarização política em temas municipais, especialmente em razão de a prefeitura ser ocupada desde 2021 por Margarida Salomão (PT), a visão de um ineditismo no volume de chuva que caiu no começo foi uma unanimidade entre a população. O acumulado de cerca de 200 milímetros (mm) de chuva em um espaço de 12 horas, entre às 17h do dia 22/02 e às 5h do dia 23/02 não tem registros semelhantes na série histórica da cidade. Para todo o mês de fevereiro, a média na cidade costuma ser de 170 mm. A concentração pluviométrica acumulada, em um fevereiro que registrou o maior volume de chuvas para este mês na sequência histórica da cidade antes de chegar ao fim, colaborou para um ambiente saturado, no qual os deslizamentos foram mais propensos. Além disso, "uma frente fria passava pelo Sudeste, trazendo bastante chuva e desestabilizando a atmosfera”, aponta Pedro Caraminha tecnologista e diretor substituto do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). No entanto, a razão de tamanha concentração em Juiz de Fora ainda vem sendo avaliada. Uma hipótese é que a interação do vento com as montanhas da região tenha contribuído para o chamado efeito orográfico, criando um contraste que favorece estas chuvas, explica. Ferreira lembra que, em janeiro de 1985, a cidade enfrentou um cenário semelhante nos volumes de chuva. No entanto, ela faz uma distinção entre os dois momentos: "A cidade tinha cerca de metade do número de habitantes que tem hoje. Atualmente, todos os efeitos são potencializados pela urbanização, com mais pessoas ocupando espaços vulneráveis". Mudanças climáticas e eventos extremosO Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que cada vez mais, em razão das mudanças climáticas, situações como esta tendem a ser mais extremas e a ocorrer com maior frequência. "Segundo o IPCC, chuvas na região Sudeste se tornariam mais concentradas, ocasionando em eventos extremos, e ocorrendo em um período mais curto de tempo”, aponta Ferreira. Caraminha explica que a atmosfera mais quente retém mais umidade, favorecendo assim a ocorrência desses eventos de chuvas concentradas. Petrópolis, a 85 quilômetros de Juiz de Fora, foi atingida por um desastre ainda mais forte em fevereiro de 2022, quando choveu 252,8 mm em 3 horas, resultando em 200 mortes e centenas de pessoas desabrigadas. Após aquele evento, o estudo Atribuindo um desastre mortal de deslizamento de terra no Sudeste do Brasil às mudanças climáticas induzidas pelo homem apontou que as alterações no clima tornaram situações extremas 45% e 71% mais prováveis em períodos de chuva de curto e longo prazo, respectivamente. A recorrência destes eventos diminuiu de 2,36 anos para 1,63 anos no caso de chuvas de curta duração e de 5,66 anos para 3,31 anos nas mais prolongadas. Ferreira lembra que também ocorreu uma grande concentração de chuvas em outras áreas do Sudeste, mas que, na cidade de Juiz de Fora, há mais regiões suscetíveis. Segundo o Cemaden, a cidade tem a nona maior população do Brasil vivendo em áreas de risco. São cerca de 130 mil pessoas suscetíveis a deslizamentos, inundações e enxurradas. "Espero que mude a visão”Por sua vez, a dimensão da tragédia, que costumava ser restrita às áreas mais vulneráveis e habitações com menos estrutura, levanta expectativas de que o tema da adaptação aos eventos extremos torne-se prioridade. "Espero que mude a visão a partir de agora. É preciso se atentar a planos que se adaptem a chuvas mais volumosas”, aponta Ferreira. "Juiz de Fora é um dos munícipios com maior número de ocorrências atribuídas a deslizamentos. Muitos foram de menores proporções, mas isso é um anúncio de que, uma vez que um evento extremo aconteça, o desastre ocorreria”, aponta Caraminha. Ele lembra que desastres são raros, "não ocorrem todos os dias e todos os meses, às vezes demora décadas para um novo”. Assim, durante mandatos de prefeitos e vereadores, talvez não ocorra nada, então "acaba não recebendo ênfase”. "Quando outros extratos da sociedade são atingidos, não somente as populações mais vulneráveis, que é o comum no Brasil, isso causa uma repercussão maior, uma vez que a classe política pode estar mais inserida neste meio”, afirma. Na avaliação de Ferreira, evitar por completo um desastre seria inviável no caso de Juiz de Fora. Mas ele diz que caso medidas tivessem sido mais bem executadas, seria possível uma mitigação dos efeitos das chuvas. Ela lembra o caso do Morro do Cristo, que ao longo dos anos teve um processo no qual a ocupação urbana retirou a vegetação natural, que poderia limitar deslizamentos. Tragédia e reaçãoCom as aulas da rede pública suspensas, escolas em áreas mais afetadas estão servindo como abrigo e centro de doações na cidade. A quantidade de materias entregues vem surpreendendo voluntários que atuam na operação, com centros cheios e fluxo constante. A DW visitou o centro destinado ao bairro Paineiras, e constatou uma movimentação tão grande de veículos que chegou a causar congestionamentos ao longo do dia na estreita via que sedia a Escola Municipal Professor Nilo Camilo Ayupe. O tempo todo, carros chegavam com porta-malas cheios de donativos, especialmente roupas. A movimentação impressionou Thaís Nascimento, que vem coordenando as ações no espaço. Segundo ela, o fluxo grande de doações vem sendo distribuído para outras unidades, uma vez que o espaço vem sendo pouco buscado por desalojados que procuram lugar para passar a noite. Por outro lado, golpes vêm se proliferando a partir da solidariedade, inclusive usando o nome da Prefeitura de Juiz de Fora para pedir doações via Pix. Em suas redes sociais, a instituição lançou uma chave própria para receber doações, com o email: contribua@pjf.mg.gov |
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| Short teaser | Chuva em cidade de MG afetou áreas tidas como seguras, gerando questões sobre como se prevenir contra eventos extremos. | ||
| Author | Matheus Gouvea de Andrade | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/juiz-de-fora-vive-dias-de-tensão-após-tragédia/a-76130873?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Juiz%20de%20Fora%20vive%20dias%20de%20tens%C3%A3o%20ap%C3%B3s%20trag%C3%A9dia | ||
| Item 15 | |||
| Id | 76127024 | ||
| Date | 2026-02-25 | ||
| Title | Diretora da Berlinale sob fortes críticas por polêmica sobre Gaza | ||
| Short title | Diretora da Berlinale sob críticas por polêmica sobre Gaza | ||
| Teaser |
Segundo informações do jornal "Bild", o ministro alemão da Cultura pretende afastar a diretora do festival. Acusação de um cineasta palestino de que a Alemanha apoia um genocídio gerou forte reação política.O ministro alemão da Cultura, Wolfram Weimer, cogita demitir a diretora do Festival Internacional de Cinema de Berlim, Tricia Tuttle, informou o jornal alemão Bild nesta quarta-feira (25/02), citando funcionários da organização responsável pela gestão da Berlinale.
O Bild relatou ter obtido a confirmação do Ministério da Cultura de que Weimer convocará uma reunião extraordinária nesta quinta-feira para tratar da questão, embora não haja anúncio oficial sobre a demissão de Tuttle.
Segundo o jornal, Weimer e Tuttle teriam concordado que ela não teria condições de permanecer à frente do festival, após a reação política gerada pelos discursos na cerimônia de premiação, em 22 de fevereiro.
O Bild também menciona uma fotografia que supostamente compromete a credibilidade de Tuttle aos olhos do governo alemão. O jornal descreve a foto, de 15 de fevereiro, da diretora do festival posando com a equipe do filme Chronicles From a Siege ("Crônicas de um cerco") dirigido pelo cineasta palestino-sírio Abdallah Alkhatib, como um "escândalo" e uma "foto de propaganda demonstrativa".
Na imagem, membros da equipe do filme usam um kufiya – o lenço tradicional palestino – e uma pessoa segura uma bandeira palestina. A própria diretora não usa nenhum símbolo.
Este foi o segundo ano de Tuttle à frente do Festival de Cinema de Berlim, que lida com críticas e acusações de antissemitismo desde sua edição de 2024.
Nomes importantes do cinema brasileiro, como os diretores Kleber Mendonça Filho e Karim Ainouz, assinaram uma carta em apoio à diretora da Berlinale, após a notícia de que o governo alemão estaria planejando destituí-la do cargo. "Se uma reunião extraordinária for convocada para decidir o futuro da direção do festival, estará em jogo mais do que uma simples nomeação. O que está em questão é a relação entre a liberdade artística e a independência institucional", diz o documento.
"Ficar fora da política"
Os vencedores dos prêmios da Berlinale deste ano e seus discursos de agradecimento revelaram o difícil equilíbrio que o festival tenta manter.
Ao encerrar um festival de dez dias que teve início com uma enxurrada de críticas nas redes sociais em torno da declaração do presidente do júri, Wim Wenders, de que os cineastas deveriam "ficar fora da política", os filmes vencedores dos principais prêmios, Yellow Letters ("Cartas amarelas"), de Ilker Çatak, e Salvation ("Salvação"), de Emin Alper, reforçaram a percepção de que a Berlinale continua sendo o mais político dos três grandes festivais de cinema da Europa.
Apesar das acusações de "censura" contra artistas que se manifestam sobre Gaza, formuladas numa carta aberta ao festival, vários vencedores de prêmios usaram seus discursos de agradecimento este ano para fazer declarações políticas sobre o assunto.
Ministro deixa evento de premiação
Um dos vencedores do prêmio foi particularmente crítico em relação ao governo alemão.
O diretor sírio-palestino Abdallah Alkhatib, que recebeu o prêmio de melhor filme de estreia com Chronicles From a Siege, afirmou que, como refugiado na Alemanha, havia sido advertido a não ultrapassar "linhas vermelhas" em seu discurso. Mesmo assim, disse ele — segundo o intérprete simultâneo: "Eles são cúmplices do genocídio israelense em Gaza. E acredito que sejam inteligentes o suficiente para reconhecer essa verdade. Mas optam por ignorá-la."
O Ministro do Meio Ambiente, Carsten Schneider – o único membro do governo alemão presente na cerimônia –, abandonou a sessão de premiação durante o discurso de Alkhatib, declarando posteriormente que as observações eram "inaceitáveis".
Weimer rejeitou a acusação de que a Alemanha seria cúmplice de um genocídio na Faixa de Gaza. "Essas falsas alegações são maliciosas e envenenam o debate político. Elas destroem a apreciação da arte cinematográfica na Berlinale", disse Weimer ao jornal Tagesspiegel.
A Alemanha é vista como uma das maiores apoiadoras de Israel e seu segundo maior fornecedor de armas. Esse apoio se deve sobretudo à responsabilidade histórica do país pelo Holocausto.
Especialistas em direitos humanos e uma comissão independente de inquérito do Conselho de Direitos Humanos da ONU veem indícios de genocídio por parte de Israel na Faixa de Gaza. Israel nega veementemente essa acusação e descreve suas ações como legítima defesa após os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Tuttle: "Não recebemos nenhuma instrução"
O governo alemão financia cerca de 40% da Berlinale. Diante dos cortes significativos no orçamento cultural, o festival está sob pressão para garantir a continuidade do apoio estatal.
Tuttle, no entanto, enfatizou que isso não restringe a liberdade artística do evento. "Há um controle estratégico, no sentido de que eu presto contas sobre as questões financeiras", disse ela à DW. "Mas o que fazemos, o que dizemos, é inteiramente decisão nossa. Não recebemos nenhum comunicado, nenhuma instrução."
A carta aberta à Berlinale argumenta que o festival já se posicionou politicamente no passado, por exemplo contra a guerra na Ucrânia ou em apoio aos protestos iranianos, mas não abordou oficialmente a situação em Gaza.
Tuttle diz que o tema é muito polarizador. "Em qualquer conversa, é preciso levar em conta a complexidade da situação."
Pressão de muitos lados
A Berlinale também é observada de perto pelas autoridades israelenses e por críticos culturais.
O embaixador de Israel na Alemanha, Ron Prosor, elogiou Schneider por deixar a cerimônia de premiação: "Respeito ao ministro Schneider e à sua clareza moral", disse Prosor ao Bild neste domingo, acrescentando que a Berlinale corria o risco de comprometer sua boa reputação se "servisse de plataforma para quem odeia Israel".
Um blogueiro do jornal israelense Times of Israel afirmou que "a elite cultural alemã está brincando com fogo", enquanto um comentarista do jornal judaico alemão Jüdische Allgemeine Zeitung descreveu o discurso de Alkhatib como "incitação".
Do outro lado do debate, a campanha que exigia um posicionamento oficial da Berlinale sobre Gaza também pressionou os cineastas. Durante entrevistas coletivas, eles foram repetidamente questionados sobre suas posições políticas.
Isso não apenas levou à declaração controversa de Wenders sobre "ficar fora da política", como também fez com que muitos outros fossem questionados sobre assuntos não relacionados aos seus filmes.
"Não é bom para os filmes quando, no final, o foco está apenas nas controvérsias e não nos próprios filmes", diz Tuttle. As perguntas tendenciosas prejudicaram não só o festival, mas também os artistas convidados. "As pessoas são forçadas a falar. Se não falam, é considerado uma afronta. Se falam e não dizem o que quem pergunta quer ouvir, isso também é uma afronta. E se dizem algo errado, é um grande problema."
O vídeo viral de Wenders também levou a escritora indiana Arundhati Roy a boicotar o festival. Ela afirmou que a exigência de que os cineastas se mantivessem afastados da política era "uma tentativa de silenciar um debate sobre um crime contra a humanidade – enquanto ele se desenrola em tempo real diante de nossos olhos, e artistas, escritores e cineastas deveriam estar fazendo tudo ao seu alcance para impedi-lo".
"Os artistas são livres para exercer seu direito à liberdade de expressão como bem entenderem", disse Tuttle, referindo-se à polêmica nas redes sociais. Eles "não devem ser obrigados a comentar todos os debates abrangentes sobre as práticas passadas ou presentes de um festival sobre o qual não têm controle".
Urso de ouro para Yellow Letters
Ilker Çatak, cujo filme Yellow Letters ganhou o Urso de Ouro, fez um dos discursos mais impactantes da noite. Ele argumentou que o foco não deveria estar em citações nas redes sociais que colocam cineastas uns contra os outros: "Não somos inimigos. Somos aliados." A verdadeira ameaça, disse ele, são "os autocratas, os partidos de direita e os niilistas do nosso tempo. Não vamos lutar uns contra os outros. Vamos lutar contra eles."
Yellow Letters conta a história de dois artistas que perdem seus empregos num teatro estatal devido às suas opiniões políticas. O filme em turco usa Berlim e Hamburgo como pano de fundo para Ancara e Istambul. O drama político permanece deliberadamente vago: os nomes dos políticos não são mencionados nem o filme explica em detalhes o que exatamente levou à perda dos empregos.
Alguns críticos consideraram essa ambiguidade problemática, enquanto outros a viram como um ponto forte, especialmente porque o filme foi rodado na Alemanha. Isso serve como um lembrete de que a censura a artistas pode acontecer em qualquer lugar, não apenas na Turquia.
Enquanto a Berlinale navega pelos debates polarizados de nossa época, permanece a esperança de que ela se mantenha fiel à sua missão de dar espaço a vozes artísticas diversas – até mesmo controversas.
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| Short teaser | Segundo informações do jornal "Bild", o ministro alemão da Cultura pretende afastar a diretora do festival. | ||
| Author | Elizabeth Grenier | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/diretora-da-berlinale-sob-fortes-críticas-por-polêmica-sobre-gaza/a-76127024?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Usando lenço tradicional palestino, cineasta Abdallah Alkhatib criticou o governo alemão no encerramento da Berlinale | ||
| Image source | Christoph Soeder/dpa/picture alliance | ||
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| Item 16 | |||
| Id | 76120994 | ||
| Date | 2026-02-25 | ||
| Title | Por que Santa Catarina se tornou um ímã para os brasileiros | ||
| Short title | Por que Santa Catarina se tornou um ímã para os brasileiros | ||
| Teaser |
Oportunidades de emprego e expectativa de ascensão social são algumas razões para o estado ter registrado o maior saldo migratório do país, superando São Paulo .Após três dias e meio de viagem desde o Maranhão, Luís Carlos Gomes Pereira, a esposa, o filho e a cachorrinha chegaram à rodoviária de Florianópolis (SC) na madrugada de 9 de fevereiro. Desembarcaram mochilas, vasilhas, televisão e máquina de lavar. A família ainda viajaria mais algumas horas até Criciúma. "A gente veio atrás de um salário melhor. Vamos experimentar uma nova vida", disse Pereira.
A mudança da família maranhense para Santa Catarina reflete um movimento captado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Censo Demográfico 2022 mostrou que o estado registrou o maior saldo migratório entre as unidades da federação entre 2017 e 2022: 354,3 mil pessoas. Nesse período, 503,5 mil chegaram ao território catarinense, enquanto 149,2 mil partiram.
São Paulo recebeu o maior número de migrantes: 736,3 mil. No entanto, também foi o estado que mais perdeu moradores: 825,9, resultando em um saldo migratório negativo de 89,5 mil pessoas. O fenômeno representa uma mudança histórica, segundo o IBGE, porque o território paulista liderava o quesito desde o início da série histórica, em 1991.
O processo de desindustrialização do país ajuda a explicar o saldo negativo paulista, analisou Elson Manoel Pereira, professor e pesquisador de Planejamento Urbano da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). "Passou da ordem de 20 e tantos por cento de industrialização para quase 10%. Isso diminui a atração desses grandes centros, que antigamente eram mais industrializados."
Por outro lado, há fatores de atração em Santa Catarina, conforme Lauro Mattei, professor e pesquisador de Economia da UFSC. "O primeiro ponto, sem dúvida nenhuma, é o mercado de trabalho, que há anos tem a menor taxa de desemprego do Brasil. O segundo é que, em função disso, o estado tem a maior formalidade do mercado de trabalho. Ou, em outras palavras, a menor taxa de informalidade. Em terceiro lugar, é o estado com o maior salário médio."
Churrasco e carimbó
Sidnei Fioravante deixou Getúlio Vargas (RS) há 13 anos em busca de mais oportunidades e melhor qualidade de vida. "E aconteceu", disse. Hoje ele vive na praia dos Ingleses, em Florianópolis, onde é dono de uma churrascaria, um boliche e uma petiscaria à beira mar – além de ter ajudado a fundar um Centro de Tradições Gaúchas (CTG).
A maioria dos migrantes que escolheram Santa Catarina no período analisado pelo IBGE é formada por gaúchos (134,8 mil) como Fioravante, seguidos por paranaenses (96,1 mil) e paulistas (62,4 mil). A proximidade geográfica e cultural são algumas das razões para explicar esse movimento.
Mas o estado que mais chamou a atenção ficou na quarta colocação da lista: o Pará, que fica a mais de 3 mil quilômetros de distância. Entre 2017 e 2022, 44,9 mil paraenses passaram a morar em Santa Catarina. Atualmente, duas empresas de ônibus operam rotas regulares entre Florianópolis e Belém do Pará.
Carlos André é proprietário do Parazinho, espaço cultural e gastronômico dedicado à culinária paraense, e escolheu Santa Catarina em busca de oportunidades. "Oportunidade que, infelizmente, no nosso estado não tem. Ele é rico em produtos, culinária e gastronomia. Mas oportunidade... Então a gente vem buscando segurança, uma educação digna, um trabalho digno também, que possa dar qualidade de vida para cada família que vem para cá."
A cultura daquele estado também pode ser vista em outros pontos de Santa Catarina. A uma semana do Carnaval, um grupo de mulheres dançava no centro de Florianópolis, rodando as saias ao som do carimbó. "Nunca passou pela minha cabeça, quando saí de Belém, em 2018, que eu estaria dançando carimbó no centro de Florianópolis com a minha filha", disse Leny Rebelo, do grupo Amazônia em Cena.
Experiências distintas
Santa Catarina também teve um crescimento expressivo na proporção de estrangeiros, de acordo com os dados do IBGE. Atualmente são 72,7 mil pessoas de outros países vivendo no estado, mais que o triplo do registrado em 2010.
A composição da migração não é homogênea, tanto do ponto de vista das cidades escolhidas quanto das situações econômicas dos migrantes, avaliaram os especialistas. Embora a capital Florianópolis seja o principal destino, devido à força de setores como serviços, turismo e tecnologia, outras regiões têm atrativos específicos.
O Oeste do estado, por exemplo, atrai muitos migrantes por conta das agroindústrias. Chapecó, o grande polo daquela região, também tem empregado muitos estrangeiros, como venezuelanos e haitianos.
Outro movimento ocorre, segundo os especialistas, com a migração de aposentados ao litoral catarinense. "Da minha cama eu vejo a roda gigante. É muito simpático. Eu gosto desse visual", disse Henrique Rosenthal, olhando pela janela de seu apartamento, na orla de Balneário Camboriú. Hoje com 84 anos, ele se mudou de Curitiba em busca de um clima melhor, com sol, claridade e segurança.
Rosenthal, no entanto, sabe que sua situação não é uma regra. "Mas isso aqui exige, como se costuma dizer, ter onde cair morto. Não é todo mundo que pode escolher vir morar em Balneário Camboriú."
O baiano Gleidson Bispo Sousa trabalha na construção civil nos Ingleses, em Florianópolis. Assim como outros entrevistados, ele contou que não consegue aproveitar as belezas da cidade. Citou a Cachoeira da Costa da Lagoa, um lugar turístico da cidade acessível apenas por barco ou trilha. "Eu nunca fui", disse, salientando que está na capital há cinco anos. "O cara aqui vem pra trabalhar tem que trabalhar."
As consequências e planejamento
A migração acaba gerando consequências, como discriminação e preconceito, sobretudo com imigrantes estrangeiros e do Norte e Nordeste do país. Segundo Vanessa Bianchi, assistente social da Cáritas, organização ligada à igreja católica que atua na acolhida, integração e proteção de migrantes e refugiados, muitos estrangeiros com nível superior e até mestrado e doutorado conseguem apenas empregos com exigência de ensino fundamental ou médio.
Outras consequências ocorrem em áreas como habitação, saneamento básico e saúde. "Os dados sobre as favelas de Santa Catarina revelaram uma característica muito expressiva, dada a sua pouca temporalidade. O que eu quero dizer: há 100 anos o Rio de Janeiro tinha favela. Mas você não tinha a expressão de favelas em Santa Catarina como você teve nesses últimos 20 anos", analisou o professor Mattei.
Segundo os dados do IBGE, em 2010, havia 75,7 mil pessoas vivendo em favelas em Santa Catarina. Em 2022, o número passou para 109,2 mil, um aumento de 44,2%. O crescimento foi levemente superior à média nacional no período.
Para Elson Pereira, da UFSC, é fundamental pensar em planejamento para este cenário. "Se não houver uma intervenção de planejamento forte, esse processo tende a perdurar um pouco mais até chegar num ponto de equilíbrio ou saturação dessas condições boas."
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| Short teaser | Oportunidades de emprego e expectativa de ascensão social são razões para o estado atrair pessoas de todo o país. | ||
| Author | Maurício Frighetto, Maurício Cancilieri (de Florianópolis) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/por-que-santa-catarina-se-tornou-um-ímã-para-os-brasileiros/a-76120994?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Vista de Florianópolis. Maioria dos brasileiros que escolheram Santa Catarina para viver é formada por gaúchos, paranaenses e paulistas | ||
| Image source | Anderson Coelho/DW | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/76125134_354.jpg&title=Por%20que%20Santa%20Catarina%20se%20tornou%20um%20%C3%ADm%C3%A3%20para%20os%20brasileiros | ||
| Item 17 | |||
| Id | 76124193 | ||
| Date | 2026-02-25 | ||
| Title | Justiça mantém condenação da Volkswagen por trabalho escravo no Pará | ||
| Short title | Justiça mantém condenação da Volkswagen por trabalho escravo | ||
| Teaser |
Decisão unânime em segunda instância confirma indenização de R$ 165 milhões por trabalho análogo à escravidão no estado do Pará durante a ditadura militar.A Justiça manteve nesta terça-feira (24/2) a condenação da Volkswagen por trabalho análogo à escravidão no estado do Pará durante a ditadura militar.
A decisão em segunda instância, da Justiça do Trabalho da 8ª Região, confirmou por unanimidade a condenação da empresa e a indenização de R$ 165 milhões por violações de direitos humanos na região amazônica.
O colegiado confirmou assim a sentença do juiz do Trabalho Otávio Ferreira, que já havia condenado a montadora em primeira instância, em novembro de 2025.
A Volkswagen comunicou que vai recorrer às instâncias superiores do Judiciário.
Trabalho análogo à escravidão
A indenização por dano moral coletivo de R$ 165 milhões é o maior montante da história no país em casos de trabalho análogo à escravidão, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), que moveu a ação contra a empresa. O valor será repassado ao Fundo Estadual de Promoção do Trabalho Digno e de Erradicação do Trabalho em Condições Análogas à de Escravo no Pará (Funtrad/PA).
A Justiça reconheceu a existência de um sistema estruturado de exploração na Fazenda Vale do Rio Cristalino, também conhecida como Fazenda Volkswagen, localizada em Santana do Araguaia, no sudeste do Pará.
A fazenda de produção agropecuária contava com 300 empregados diretos, como pessoal administrativo, vigilantes e vaqueiros. As violações de direitos humanos foram cometidas, segundo a denúncia, principalmente contra lavradores ou peões, responsáveis por derrubar a floresta para transformá-la em pasto.
Entre 1974 e 1986, centenas de trabalhadores foram aliciados com promessas de emprego e submetidos a condições degradantes, como servidão por dívida, vigilância armada, jornadas exaustivas, alojamentos precários, alimentação insuficiente e falta de assistência médica.
Eles eram aliciados em pequenos povoados, sobretudo em Mato Grosso, no Goiás e no atual Tocantins por empreiteiros conhecidos como "gatos". Na entrada da fazenda havia uma guarita com seguranças armados para controlar a entrada e saída dos trabalhadores. Ao chegarem ao local, as pessoas aliciadas tinham que comprar utensílios em uma cantina, como lona para o barraco onde dormiriam e comida.
Ao longo da investigação, diversos casos vieram à tona de funcionários que contraíam dívidas ao comprar os itens e, depois, não podiam deixar a fazenda, mesmo que doentes, segundo o MPT.
Para a relatora, a desembargadora Maria Dutra, ficou comprovado que não se tratava de irregularidades pontuais, mas de um sistema estruturado de exploração.
"Os autos revelam, por exemplo, que a Volkswagen exercia direção e fiscalização efetiva sobre a atividade na fazenda, controlando lotes de terra, gastos e insumos. O labor dos peões estava inserido no núcleo da atividade econômica da fazenda, beneficiando diretamente o projeto financeiro e fiscal da Volkswagen."
Empreendimento teve apoio da ditadura militar
O empreendimento agropecuário da Volkswagen teve financiamento público da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) no período da ditadura militar (1964-1985).
A Fazenda Volkswagen tinha 139 mil hectares, quase o tamanho da cidade de São Paulo. A empresa chegou à Amazônia para derrubar a vegetação nativa e criar gado, impulsionada pela política dos governos militares de ocupação e exploração da floresta.
Em 2020, a Volkswagen assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPT e com os ministérios públicos Federal e de São Paulo em outro caso envolvendo a ditadura militar. A empresa se comprometeu a destinar R$ 36,3 milhões a ex-trabalhadores presos, perseguidos ou torturados em São Bernardo do Campo (SP).
as (Agência Brasil, OTS)
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| Short teaser | Decisão unânime em segunda instância confirma indenização de R$ 165 milhões por trabalho análogo à escravidão no Pará. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/justiça-mantém-condenação-da-volkswagen-por-trabalho-escravo-no-pará/a-76124193?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | A Justiça reconheceu a existência de um sistema estruturado de exploração na Fazenda Vale do Rio Cristalino | ||
| Image source | Wolfgang Weihs/picture alliance | ||
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| Item 18 | |||
| Id | 76124884 | ||
| Date | 2026-02-25 | ||
| Title | STF condena mandantes da morte de Marielle a 76 anos de prisão | ||
| Short title | STF condena mandantes da morte de Marielle a 76 anos | ||
| Teaser |
Irmãos Chiquinho e Domingos Brazão foram condenados por unanimidade pela Primeira Turma do Supremo por planejar e ordenar o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta quarta-feira (25/02) por unanimidade os irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão por planejar e ordenar o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em março de 2018, no Rio de Janeiro. Três outros réus também foram condenados.
Chiquinho e Domingos foram condenados a 76 anos e 3 meses de prisão em regime fechado e 360 dias-multa no valor de um salário mínimo.
Eles também terão de pagar 7 milhões de reais a familiares de Marielle, Anderson e Fernanda Chaves, ex-assessora da vereadora que sobreviveu ao atentado.
Desse valor, 1 milhão de reais deverá ser pago em favor de Fernanda e de sua filha; 3 milhões em favor a Marielle – 750 mil à viúva da vereadora, 750 mil ao pai, 750 mil à mãe, 750 mil à filha – e outros 3 milhões em favor da família de Anderson.
O STF também determinou a perda dos cargos públicos do acusados.
A maioria para a condenaçãono STF havia sido alcançada com os votos de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. O voto final de Flávio Dino selou a condenação por unanimidade. As penas dos condenados serão decidias ao final do julgamento.
O deputado cassado João Francisco Inácio Brazão, ou Chiquinho, e seu irmão, o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de janeiro Domingos Inácio Brazão, foram condenados pelos crimes de duplo homicídio, tentativa de homicídio e organização criminosa armada.
Os demais condenados são o ex-delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior (obstrução à Justiça corrupção passiva), o ex-major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira (duplo homicídio e tentativa de homicídio) e o ex-policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão Robson Calixto Fonseca (organização criminosa).
Rivaldo recebeu pena de 18 anos de reclusão em regime fechado e terá de pagar 360 dias-multa no valor de um salário mínimo. Ronald Pereira foi condenado a 56 anos e Calixto a 9 anos de reclusão.
Os magistrados concordaram parcialmente com a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), ao considerarem que as provas apresentadas confirmam a participação dos acusados nos crimes.
Segundo a PGR, a execução teve como motivo a atuação política de Marielle que interferiu nos interesses dos irmãos Brazão, como a regularização de áreas controladas por grupos criminosos no Rio de Janeiro. A Procuradoria diz não haver dúvida de que os irmãos Brazão foram os mandantes.
A única divergência entre os ministros do Supremo foi em relação a Rivaldo Barbosa. O ex-delegado foi absolvido do crime de homicídio qualificado em razão de "dúvida razoável". Mas não se livrou da condenação por corrupção passiva e obstrução de justiça. O réu teria recebido dinheiro de uma milícia para interferir nas investigações sobre o assassinato de Marielle e Anderson Gomes.
"Política, misoginia, racismo e discriminação"
Em seu voto, Alexandre de Moraes destacou a motivação política do crime e ações de queima de arquivo que caracterizam as atuações de milícias, que, segundo disse, "se juntou a questão política com misoginia, com racismo, com discriminação. Marielle era uma mulher preta, pobre, que estava peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? E na cabeça misógina dos executores, quem iria ligar pra isso", questionou.
Para Moraes, Domingos e Chiquinho decidiram assassinar Marielle para impedir que ela continuasse a prejudicar os interesses da família em práticas de grilagem de terras.
"O assassinato de Marielle tem que ser compreendido não só como atentado a parlamentar, mas um crime na ideia de dominação do crime organizado, e também de violência de gênero de interromper mulher que ousou ir de encontro aos interesses de milicianos homens, brancos e ricos", afirmou o ministro
"Numa cabeça de 50, 100 anos atrás, vamos executá-la e não terá repercussão. Eles não esperavam tamanha repercussão."
Zanin destacou que a "impunidade histórica de grupos de milícias serviu de combustível para a escalada de violência que culminou para o assassinato de uma parlamentar eleita", acrescentando que, para esses grupos, "matar significa apenas tirar uma pedra do caminho”.
"Eu me pergunto, senhoras e senhores, quantas 'Marielles' o Brasil permitirá que sejam assassinadas até que se ressuscite a ideia de justiça nesta pátria de tantas indignidades", afirmou Cármen Lucia em seu voto. "Esse processo me faz mal, pela impotência do direito diante da vida dilacerada."
Flávio Dino, que preside a Primeira Turma, criticou a investigação sobre o caso como “absurdamente falha, lenta, negligente”, e afirmou que houve interferência para dificultar a resolução do caso.
O ministro afirmou ainda que não há crime perfeito, mas crime mal investigado.
rc (ots)
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| Short teaser | Irmãos Chiquinho e Domingos Brazão são condenados por ordenar o assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/stf-condena-mandantes-da-morte-de-marielle-a-76-anos-de-prisão/a-76124884?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Marielle e Anderson Gomes foram assassinados em março de 2018, no Rio de Janeiro | ||
| Image source | Reuters/S. Moraes | ||
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| Item 19 | |||
| Id | 72855494 | ||
| Date | 2026-02-25 | ||
| Title | Brasil tem 2,6 mil municípios em risco de desastres naturais | ||
| Short title | Brasil tem 2,6 mil municípios em risco de desastres naturais | ||
| Teaser |
Conhecer os riscos, planejar e criar soluções e avaliar resultados são passos recomendados para cidades se adaptarem às mudanças climáticas.O Brasil tem 2,6 mil cidades têm risco alto ou muito alto para desastres naturais – como seca, inundações e deslizamentos de terra – ou possíveis impactos causados pela chuva ou seca na segurança alimentar, segundo dados do AdaptaBrasil, uma ferramenta elaborada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Não entram nesse cálculo outros eventos extremos, como incêndios e ondas de calor ou frio.
Essa cidades precisam se adaptar às mudanças climáticas. Primeiro, é preciso conhecer os riscos dos eventos extremos, como secas, incêndios, inundações e deslizamentos de terra. Em seguida, planejar como enfrentá-los. Esse planejamento deve resultar em ações concretas, que precisam ser avaliadas e, se necessário, aprimoradas.
O aquecimento global gera uma série de alterações no clima, aumentando a intensidade e a frequência dos eventos extremos. Além de mitigar a causa, ao evitar ou reduzir a emissão de gases do efeito estufa, é preciso se adaptar às suas consequências, como os desastres naturais, principalmente nas cidades.
"A adaptação é todo o processo de ajuste dos sistemas humanos e naturais para enfrentar as mudanças climáticas, reduzindo as vulnerabilidades e exposições de forma planejada e antecipada para que, sobretudo as populações que mais são impactadas, não sofram", explicou o pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) Pedro Ivo Camarinha.
De acordo com Camarinha, especialista em mudanças climáticas, há poucos exemplos de adaptações planejadas, ou seja, realizadas a partir de políticas públicas. "No Brasil a situação é muito delicada. Porque há um somatório de muitas vulnerabilidades, muitas delas sem relação direta com o clima, mas acentuadas pelos seus efeitos."
Uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com participação de estados e municípios, busca mudar esse quadro. O AdaptaCidades visa apoiar a elaboração de planos municipais ou regionais de adaptação às mudanças climáticas. A previsão é de que a maioria das propostas esteja pronta em 2026, com as ações sendo colocadas em prática em 2027.
Capacitação e recursos
O AdaptaCidades criou um ranking para definir as cidades prioritárias. A metodologia usou diversos dados, como do AdaptaBrasil, do Atlas Digital de Desastres no Brasil e do número de beneficiários do Programa Bolsa Família (PBF), além de reuniões com representantes dos estados e municípios.
Inicialmente, o objetivo era apoiar 260 cidades. No entanto, após conversas com os governos estaduais, o número passou de 500 — a lista final ainda não foi divulgada. A quantidade aumentou, por exemplo, porque alguns estados, como Espírito Santo e Rio Grande do Norte, decidiram construir planos em todos os municípios.
A abrangência do projeto no Rio Grande do Sul também cresceu. "Não daria para apoiar dez municípios, quando quase a totalidade do estado foi terrivelmente atingida por tragédias", disse a diretora do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima (DPAR), Inamara Santos Mélo, do MMA. Lá serão elaborados 11 planos regionais, chegando a 206 municípios.
De acordo com Mélo, haverá capacitação técnica nos estados e municípios para o planejamento em adaptação. Também serão disponibilizadas informações sobre os riscos climáticos e orientações metodológicas para a construção dos planos. Outro objetivo é fortalecer a governança e orientar para a busca do acesso a fontes de financiamento.
Recife (PE) é um exemplo da importância de planejar o enfrentamento das mudanças climáticas, de acordo com a diretora do MMA. Um dos projetos que resultou da política daquela cidade é o Parque Capibaribe, que busca aumentar a área verde, reduzir a temperatura e diminuir a emissão de gases do efeito estufa, ao mesmo tempo que cria espaços de lazer.
Outro projeto de Recife é o ProMorar, voltado para obras estruturais, como contenção de encostas e drenagem urbana. A cidade teve financiamento de R$ 2 bilhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Mélo cita outro exemplo importante de adaptação. "Santos (SP) tem algumas iniciativas interessantes, onde morros que sofreram com deslizamento estão sendo ocupados com projetos que trazem esse componente de adaptação baseada em ecossistemas." Já as áreas que não podem ser reocupadas por oferecer riscos, estão sendo destinadas a projetos coletivos, como hortas comunitárias.
O desafio dos planos
Elaborar planos é importante. Mas também é fundamental colocá-los em prática e monitorá-los, de acordo com Érico Masiero, professor do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Masiero e outros pesquisadores analisaram planos de adaptação e mitigação às mudanças climáticas de 18 cidades espalhadas pelo globo, entre elas três brasileiras: São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba. Observaram uma preocupação com os impactos das mudanças climáticas, mas notaram discrepâncias entre o que é proposto e o que é implementado.
"A maioria das cidades estudadas lutou para passar da proposição à ação. Isto deve-se a uma série de fatores: orçamentos limitados, sensibilização da opinião pública para o ambiente e clima, outras prioridades definidas pelos setores público e privado, e mesmo a necessidade de acompanhamento e divulgação das medidas iniciadas", escreveram no artigo.
Outro desafio, na análise do professor, é definir quais problemas a solucionar. Ele citou o exemplo de Rio Branco (AC), que, apesar de ter iniciativas muito positivas, não incluiu em seus planos o enfrentamento das ilhas de calor, um dos principais desafios urbanos.
"As Ilhas de calor são decorrentes da própria ocupação, do uso excessivo de materiais que absorvem calor, aprisionando-os na cidade. Então, quando tem ondas de calor, que são temperaturas de 5 ºC acima da média durante cinco dias, também é preciso somar a isso as ilhas de calor."
Em uma cidade, por exemplo, onde a média de temperatura é 25 ºC, ela pode passar de 30 ºC durante uma onda de calor. Mas se houver uma ilha de calor, os termômetros vão registrar cinco ou seis graus a mais.
"As ilhas de calor podem ser evitadas tentando reduzir o tipo de ocupação através do plano diretor. Ele é fundamental para conseguir mesclar áreas mais adensadas com menos adensadas e tentar vegetar mais a cidade, utilizar mais corpos d'águas mais expostos, gerando mais evaporação na cidade", defendeu o professor, salientando a importância de apostar em um conjunto de soluções.
Lente climática
Adaptar as cidades às mudanças climáticas é um processo, argumentou Pedro Ivo Camarinha, do Cemaden. "Isso não tem um fim. Precisa sempre estar sendo reavaliado, porque existe um dinamismo muito grande das características sociais, de mudanças de uso e cobertura do solo e do próprio comportamento climático ao longo do tempo."
Segundo o pesquisador, há uma variedade de possíveis ações. Embora muitas vezes se pense apenas em obras, é essencial investir também em soluções baseadas na natureza, além de fortalecer a capacidade institucional e a governança.
"É preciso existir uma gestão climática forte. Ou seja, uma gestão que olhe para os problemas históricos, os problemas intrínsecos daquela cidade, mas sempre colocando o que nós chamamos de lente climática – o olhar para como o clima pode acentuar muito dos problemas que essa cidade possui."
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| Short teaser | Conhecer os riscos, planejar e avaliar resultados são fundamentais para adaptação às mudanças climáticas. | ||
| Author | Maurício Frighetto | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/brasil-tem-2-6-mil-municípios-em-risco-de-desastres-naturais/a-72855494?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Eventos climáticos intensos, como as enchentes no Rio Grande do Sul no ano passado, devem se tornar mais frequentes | ||
| Image source | Wesley Santos/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 20 | |||
| Id | 76121246 | ||
| Date | 2026-02-25 | ||
| Title | Os efeitos reais (e os mitos) do calcário no cabelo | ||
| Short title | Os efeitos reais (e os mitos) do calcário no cabelo | ||
| Teaser |
Água com alta concentração de cálcio e magnésio deixa o cabelo mais ressecado, poroso e embaraçado. Minerais não provocam queda capilar, mas podem levar à quebra dos fios. Brasileiros têm a sensação de que a água da Europa faz o cabelo ficar "pior" do que no Brasil: mais ressecado, com aumento de queda, perda de brilho e menos movimento. "Toda vez que eu lavo o meu cabelo, vai caindo cada vez mais. Então, são tufos e tufos de cabelo que, às vezes, eu fico assustada", conta a brasileira Luana Santiago que mora na Alemanha. "Você começa a ver mais do seu couro cabeludo. Você começa a perceber que, quando você penteia, saem mais fios", diz Rafael Gonsalez, brasileiro residente na Alemanha. "Meu cabelo tem muito mais nós. Então, eu tenho dificuldade de desembaraçar, e isso faz com que ele quebre também", conta a brasileira Juliana Makalima, que também vive na Alemanha. Quando esse assunto surge em rodas de imigrantes, não faltam dicas para tentar driblar os efeitos negativos da água europeia: instalar filtro no chuveiro, lavar o cabelo com água mineral ou destilada, tomar vitaminas, usar produtos específicos e até aplicar vinagre. Mas o que de fato acontece e o que é mito? Água duraGrande parte da água na Europa é considerada "água dura" – termo que se refere à alta concentração de minerais, principalmente cálcio e magnésio. Eles são responsáveis pelo famoso calcário que se acumula em pias e eletrodomésticos, formando manchas brancas. Existem até medições específicas para ver em quais regiões a água é mais ou menos calcária. A interação desses minerais com o cabelo altera a textura e o aspecto dos fios, deixando-os mais ressecados, porosos, opacos e embaraçados. Essa água mais calcária também contribui para a quebra do fio, que pode ser percebida quando a pessoa penteia ou escova o cabelo, por exemplo. Mas um mito bastante disseminado é de que o calcário causaria queda capilar. "Não tem queda da raiz do cabelo. Essa queda não é verdadeira. A gente tem uma queda normal, diária, de 100 fios", explica o dermatologista Leonardo Spagnol Abraham. "Muitas vezes, o paciente vai para um país frio, acaba lavando menos o cabelo. Isso vai acumulando mais cabelo na cabeça e vai aumentando uma queda proporcional." Abraham, que é especialista em cabelos, lembra que o ciclo capilar é influenciado por diversos fatores, incluindo aspectos emocionais. A migração, por exemplo, costuma gerar estresse significativo, e esse impacto pode se refletir no cabelo três meses depois, causando queda. Além disso, condições médicas como alterações na tireoide – tanto hiper quanto hipotireoidismo – podem causar queda e valem ser investigadas. Outras causas comuns incluem a alopecia androgenética, conhecida como "calvície". Em menor proporção, deficiências graves de nutrientes também podem estar envolvidas. "Menos de 1% das causas de queda de cabelo, de eflúvio telógeno, é falta de vitaminas", afirma Abraham. Como amenizar os danosSe a queda não é provocada diretamente pela água dura, os danos ao fio são reais. Isso leva muitos imigrantes brasileiros a buscarem soluções. Uma rotina de cuidados pode incluir shampoos de limpeza profunda que são antirresíduos ou até que agem especificamente contra o calcário da água. O farmacêutico Victor Infante, especialista em cosméticos, destaca que produtos fabricados no Brasil podem não ter o desempenho esperado na Europa, pois não são formulados para a água dura. Segundo ele, produtos europeus tendem a ser mais eficazes nesse cenário. Porém, imigrantes com cabelo crespo e cacheado relatam dificuldades para encontrar diversidade de produtos adequados no mercado europeu. Luana, por exemplo, mantém o hábito de trazer a maior parte de seus produtos do Brasil: "Eu diria que 70% da minha mala é produto de cabelo". Na busca por soluções, alguns métodos caseiros também são utilizados. Juliana, por exemplo, aplica uma mistura de água destilada e vinagre de maçã após o shampoo. Há fundamento químico nessa técnica. Segundo Victor Infante, o vinagre pode ajudar a fechar as cutículas do cabelo, reduzindo a interação com o cálcio e magnésio. Contudo, ele alerta para o risco de irritação no couro cabeludo e recomenda produtos cosméticos acidificantes, que possuem pH adequado. Quanto à água destilada, comprada em farmácia, de fato ela não tem nada de metais. E a água mineral, comprada em supermercado, tem menos cálcio e magnésio que a do chuveiro. Elas até podem ser uma boa ideia para enxaguar o cabelo e não deixar muito calcário acumulado, mas são pouco práticas no dia a dia, especialmente no inverno. Uma outra opção para tentar tirar o calcário da água é usar filtros no chuveiro. No geral, eles funcionam por um tempo limitado, até que o material filtrante sature de cálcio e magnésio – o que pode exigir uma substituição constante. Rotina de tratamentoComo não existe solução mágica, para muitos imigrantes, o que ajuda mesmo é desenvolver uma rotina de tratamento para reparar os danos causados pela água. Luana lava o cabelo uma vez por semana e sempre realiza etapas de nutrição, hidratação, reconstrução e acidificação. Ao todo, ela precisa de cerca de três horas por lavagem. "Ser como era no Brasil, acho que não volta a ser", acredita Rafael, que mora há sete anos na Europa. Além de máscaras de tratamento, ele utiliza óleos para reduzir a quebra e facilitar o penteado ao longo do comprimento. "Eu já aceitei, porque não tem como mudar. Quando eu me mudei para cá, afetava bastante minha autoestima, porque eu via que meu cabelo estava muito seco", conta Luana. "Mas aqui você percebe que a cultura em relação a beleza é muito diferente. Eles não dão essa importância que talvez damos no Brasil", diz. |
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| Short teaser | Água com alta concentração de cálcio e magnésio deixa o cabelo mais ressecado, poroso e embaraçado. | ||
| Author | Iolanda Paz | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/os-efeitos-reais-e-os-mitos-do-calcário-no-cabelo/a-76121246?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 21 | |||
| Id | 76110073 | ||
| Date | 2026-02-24 | ||
| Title | Diretora do Louvre pede demissão após roubo de joias | ||
| Short title | Diretora do Louvre pede demissão após roubo de joias | ||
| Teaser |
Ação criminosa revelou lacunas de segurança do museu. Greves, vazamentos de água e fraude na venda de ingressos se somavam à lista de problemas da instituição.A diretora do Museu do Louvre, Laurence des Cars, renunciou nesta terça‑feira (24/02), sob pressão desde o roubo cinematográfico de outubro, que acarretou a perda de joias preciosas avaliadas em 88 milhões de euros (R$534 milhões). Com as peças ainda desaparecidas, o assalto escancarou lacunas na segurança do museu mais visitado do mundo, em Paris.
O presidente da França, Emmanuel Macron, informou ter aceitado o seu pedido de saída, a que chamou de "ato de responsabilidade" em que o Louvre "precisa de calma e de um novo ímpeto forte para levar adiante com sucesso grandes projetos envolvendo segurança e modernização."
Os problemas sob a gestão da diretora vinham se acumulando. O museu sofreu com fechamentos regulares em razão de greves por melhores salários e condições de trabalho. Também houve dois vazamentos de água que danificaram livros valiosos, e uma grande investigação sobre fraude na venda de ingressos está em andamento.
Críticos, incluindo auditores estatais, questionaram os baixos gastos do museu com segurança e manutenção de infraestrutura, a despeito de compras robustas de obras de arte e investimentos significativos em projetos de relançamento pós-pandemia.
"Falhas sistêmicas"
A pressão sobre des Cars se tornou insustentável na quinta-feira, quando parlamentares liderando uma investigação apontaram para "falhas sistêmicas" como a causa do roubo do ano passado.
"O roubo no Louvre não é um acidente", disse Alexandre Portier a jornalistas, acrescentando que a instituição estava "em negação" sobre os riscos de segurança. Segundo ele, a gestão do Louvre havia "fracassado" e, "em vários países ou instituições", a direção já teria sido substituída.
Des Cars apresentou pouco depois da invasão a primeira renúncia, recusada por Macron. O presidente a nomeou para o posto em 2021.
A investigação, que é liderada por parlamentares da oposição, deve ouvir des Cars e a ministra da Cultura, Rachida Dati, na próxima semana. Criada no início de dezembro, a comissão divulgará suas conclusões no começo de maio.
"O que chama a atenção é ver que o Louvre se tornou um Estado dentro do Estado”, acrescentou Portier, conclamando o Ministério da Cultura a intervir mais diretamente na gestão da instituição.
O Ministério da Cultura francês ordenou uma auditoria interna própria sobre o roubo, enquanto senadores também conduzem audiências.
Quatro suspeitos estão sob custódia policial, incluindo os dois supostos ladrões que assaltaram o Louvre em plena luz do dia. As joias roubadas têm "importância cultural e histórica inestimável", além de seu valor de mercado, afirmaram na época os ministérios franceses da Cultura e do Interior.
Fraude de ingressos
Num caso separado, promotores de Paris disseram anteriormente neste mês que nove pessoas estavam detidas em conexão com um esquema de fraude na venda de ingressos. Todas elas foram formalmente acusadas e apresentadas a juízes de instrução.
Entre os suspeitos estão dois guias turísticos chineses. Eles são acusados de reutilizar os mesmos ingressos várias vezes para levar ao museu visitantes diferentes, supostamente com a ajuda de funcionários do Louvre.
O Louvre apresentou uma denúncia em dezembro de 2024. Investigadores estimam prejuízos superiores a 10 milhões de euros (R$61 milhões) ao longo de uma década, com a suposta rede criminosa levando até 20 grupos guiados por dia.
Kim Pham, administrador-geral e número dois do Louvre, disse que a escala única do museu torna fraudes "estatisticamente inevitáveis". "Qual museu no mundo, com este nível de visitantes, não teria em certos momentos alguns problemas de fraude?", questionou Pham, que supervisiona as operações do dia a dia no museu.
A tarefa não é fácil: são 86 mil metros quadrados de espaço apresentando 35 mil obras de arte a 9 milhões de visitantes por ano. Pressionado a citar outras instituições com problemas semelhantes, ele preferiu não apontar pares específicos.
ht (AP, AFP, dpa, Reuters)
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| Short teaser | Assalto revelou lacunas de segurança. Greves, vazamentos de água e fraude se somavam à lista de problemas no museu. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/diretora-do-louvre-pede-demissão-após-roubo-de-joias/a-76110073?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Museu do Louvre sofreu com vários problemas no último ano da gestão de Laurence des Cars, que renunciou em meio a investigação sobre roubo de 2025 | ||
| Image source | Alain Apaydin/Imago Images | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/75405495_354.jpg&title=Diretora%20do%20Louvre%20pede%20demiss%C3%A3o%20ap%C3%B3s%20roubo%20de%20joias | ||
| Item 22 | |||
| Id | 76108079 | ||
| Date | 2026-02-24 | ||
| Title | Centenas de passageiros são obrigados a pernoitar em aviões no aeroporto de Munique | ||
| Short title | Centenas são obrigados a pernoitar em aviões em Munique | ||
| Teaser |
Combinação de nevasca e falta de pessoal levou passageiros de 6 voos a pernoitar em aeronaves no pátio de aeroporto na Alemanha. Não havia ônibus disponíveis durante a madrugada para levar viajantes de volta ao terminal.Cerca de 600 passageiros de seis voos foram obrigados a passar a noite dentro de aviões no aeroporto de Munique, em meio a um inverno rigoroso, após fortes nevascas cancelarem diversos voos na noite da última quinta-feira (19/02). A informação foi divulgada neste domingo (22/02) por um porta-voz da companhia aérea alemã Lufthansa.
Os passageiros já estavam embarcados e prontos para partir quando as aeronaves tiveram sua decolagem cancelada devido ao acúmulo de neve. Segundo a administração do Aeroporto Franz Josef Strauss, não havia ônibus disponíveis para recolher os passageiros ou vagas suficientes para todos os aviões junto aos fingers dos terminais, o que acabou forçando todos a permanecer a bordo durante a noite.
"Devido ao horário avançado da madrugada e a falhas na comunicação, o transporte por ônibus ficou fortemente limitado", afirmou o aeroporto. Em outras palavras: não havia mais ônibus nem motoristas disponíveis.
Atrasos e mais de 100 cancelamentos
A forte neve provocou atrasos e mais de 100 cancelamentos ao longo do dia. Apesar da proibição de voos noturnos em Munique, algumas aeronaves chegaram a receber permissão especial para decolar até 1h da manhã. No entanto, mesmo as seis aeronaves devidamente preparadas e com check-in concluído não conseguiram autorização final para decolar devido ao mau tempo.
Com o terminal cheio e pouca disponibilidade de ônibus, passageiros e tripulantes tiveram de passar a noite dentro dos aviões estacionados na pista. Somente nas primeiras horas da manhã de sexta-feira é que os ônibus começaram a buscar os viajantes. A Lufthansa afirmou não saber explicar por que não havia veículos disponíveis durante a madrugada.
A administração do Aeroporto de Munique pediu desculpas aos passageiros afetados.
"Estamos cientes de que a situação na noite de quinta-feira foi difícil e incompreensível para os passageiros. Pedimos sinceras desculpas aos passageiros afetados."
"Clientes serão compensados"
A Lufthansa informou que já iniciou, na sexta‑feira, o contato com os passageiros afetados e que todos os clientes envolvidos receberão as compensações devidas conforme previsto pelas regras da companhia e da União Europeia. De acordo com o grupo, cinco dos seis voos afetados pertenciam à própria Lufthansa ou a companhias integrantes do conglomerado.
Além de três voos da própria companhia com destino a Cingapura, Copenhague e Gdansk, dois voos da Air Dolomiti para Graz e Veneza também foram afetados pela forte nevasca que atingiu o Aeroporto de Munique. Um voo de outra companhia aérea também entrou na lista de cancelamentos.
Com tantos cancelamentos, as posições de estacionamento de aeronaves no terminal ficaram lotadas, obrigando várias aeronaves a serem colocadas em áreas externas. Devido ao horário avançado e a falhas de comunicação entre as equipes, o transporte por ônibus foi drasticamente reduzido.
O aeroporto também afirmou que os passageiros foram atendidos "da melhor forma possível". A Lufthansa destacou que os aviões permaneceram aquecidos e com fornecimento de energia, garantindo algum conforto aos viajantes que ficaram a bordo.
md (DPA, ots)
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| Short teaser | Após nevasca, não havia ônibus disponíveis durante a madrugada para levar viajantes de volta ao terminal. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/centenas-de-passageiros-são-obrigados-a-pernoitar-em-aviões-no-aeroporto-de-munique/a-76108079?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Cinco dos seis voos afetados eram da própria Lufthansa ou de membros do grupo (imagem de arquivo) | ||
| Image source | Boris Roessler/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/56201584_354.jpg&title=Centenas%20de%20passageiros%20s%C3%A3o%20obrigados%20a%20pernoitar%20em%20avi%C3%B5es%20no%20aeroporto%20de%20Munique | ||
| Item 23 | |||
| Id | 76101001 | ||
| Date | 2026-02-24 | ||
| Title | EUA começam a aplicar tarifa de 10%, apesar de anúncio de 15% | ||
| Short title | EUA começam a aplicar taxa de 10%, apesar de anúncio de 15% | ||
| Teaser |
Após sofrer revés na Suprema Corte, Trump adotou taxa global de 10% e agora trabalha para aumentá-la para 15%. Brasil é maior beneficiado pela mudança. Os Estados Unidos começarão a aplicar nesta terça-feira (24/02) uma tarifa global de 10% sobre produtos estrangeiros, apesar do recente anúncio do presidente Donald Trump de impor uma taxa mundial de 15%, o que amplia a incerteza e a confusão sobre a política alfandegária americana. Na última sexta-feira, após a Suprema Corte dos EUAanular a maior parte da agenda tarifária de Trump, o presidente anunciou que implementaria rapidamente uma tarifa fixa de 10% para todos os seus parceiros comerciais por meio de uma lei diferente. Posteriormente, Trump publicou uma mensagem em sua rede social própria, a Truth Social, indicando que, com efeito imediato, elevaria essa tarifa mundial de 10% para 15%, um nível que considerou totalmente legal. No entanto, o Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA enviou ontem um comunicado informando aos importadores que a taxa seria inicialmente de 10% e que seria aplicada a "todos os países durante um período de 150 dias, a menos que estejam especificamente isentos". Desta forma, confirma-se que a tarifa global começará em 10%, embora a administração esteja trabalhando para elevá-la a 15% em uma ordem separada que Trump deverá assinar e para a qual não há data definida, segundo destacou a emissora NBC. Duro golpeA política comercial do presidente Donald Trump sofreu um duro golpe na sexta-feira. A Suprema Corte dos EUA decidiu que a base legal usada para muitas das tarifas impostas a quase todos os parceiros comerciais era injustificada. Por 6 votos a 3, os magistrados rejeitaram o uso de uma lei de poderes de emergência para impor as amplas tarifas "recíprocas" de Trump, aplicadas a quase todo o mundo em abril do ano passado – chegando, em alguns casos, a 50%. Na prática, a decisão estabelece limites ao poder do presidente para impor tarifas sem a aprovação do Congresso, afetando diretamente as sobretaxas adotadas contra o Brasil. A sentença da Suprema Corte, que retirou poderes de Trump para aumentar ou reduzir tarifas sem a aprovação prévia do Congresso, criou confusão nos mercados internacionais. A União Europeia (UE) suspendeu, por enquanto, o acordo comercial assinado com os Estados Unidos até que a política tarifária, um dos pilares do governo Trump, seja mais clara. Outros países, como Índia, China e Reino Unido, estudam que medidas tomar, dado que os acordos assinados com os Estados Unidos baseados na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional perderam o efeito, já que a Suprema Corte dos EUA determinou que Trump a utilizou de forma equivocada. Brasil é o maior beneficiado por nova taxa global de TrumpA decisão de Trump de impor uma sobretaxa global de 15% sobre produtos importados, em substituição ao chamado "tarifaço", beneficiou principalmente o Brasil. Os dados são de um estudo publicado pelo Global Trade Alert neste domingo. O Brasil é o país que mais ganha com a mudança, com queda de 13,6 pontos percentuais na taxa média de importação aplicada aos produtos brasileiros. A China aparece em seguida, com redução de 7,1 pontos percentuais. A Índia fecha o pódio, com corte de 5,6 pontos percentuais. Produtos como aço, alumínio, cobre, madeira e automóveis continuarão sujeitos ao regime tarifário anterior, já aplicado pela Casa Branca. O governo também manteve a isenção para cerca de mil itens, incluindo produtos farmacêuticos e minerais críticos. cn (EFE, Reuters, ots) |
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| Short teaser | Após sofrer revés na Suprema Corte, Trump adotou taxa global de 10% e agora trabalha para aumentá-la para 15%. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/eua-começam-a-aplicar-tarifa-de-10-apesar-de-anúncio-de-15/a-76101001?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=EUA%20come%C3%A7am%20a%20aplicar%20tarifa%20de%2010%25%2C%20apesar%20de%20an%C3%BAncio%20de%2015%25 | ||
| Item 24 | |||
| Id | 76097397 | ||
| Date | 2026-02-23 | ||
| Title | UE adia acordo com EUA após nova tarifa global de Trump | ||
| Short title | UE adia acordo com EUA após nova tarifa global de Trump | ||
| Teaser |
Europeus querem mais certezas em meio a batalha da Casa Branca com Suprema Corte sobre legalidade de taxas impostas a parceiros comerciais. O Parlamento Europeu adiou nesta segunda-feira (22/02) a votação sobre a implementação de um acordo tarifário com os Estados Unidos. A relação comercial entre europeus e americanos vive um momento de incerteza, diante da atual batalha da Casa Branca com a Justiça dos EUA quanto às bases para a imposição de taxas sobre parceiros comerciais. "Queremos ter clareza por parte dos Estados Unidos de que eles estão respeitando o acordo", disse o eurodeputado Bernd Lange após consultas com outros legisladores. O acordo já havia sido adiado em janeiro em razão das tensões sobre a Groenlândia. No ano passado, os dois lados concordaram com uma tarifa máxima de 15% para a maioria das importações da União Europeia (UE) para os Estados Unidos. O acordo juridicamente vinculativo, posteriormente elaborado com os EUA, ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu. A política comercial do presidente Donald Trump sofreu, entretanto, um duro golpe na sexta-feira. A Suprema Corte dos EUA decidiu que a base legal usada para muitas das tarifas impostas a quase todos os parceiros comerciais era injustificada. Por 6 votos a 3, os magistrados rejeitaram o uso de uma lei de poderes de emergência para impor as amplas tarifas "recíprocas" de Trump, aplicadas a quase todo o mundo em abril do ano passado – chegando, em alguns casos, a 50%. Na prática, a decisão estabelece limites ao poder do presidente para impor tarifas sem a aprovação do Congresso, afetando diretamente as sobretaxas adotadas contra o Brasil. Nova taxa globalApós o revés no tribunal, Trump anunciou tarifas de importação mundiais de 10%, antes de elevá-las para 15% no sábado, afirmando se apoiar numa legislação separada e ainda não testada. "Qualquer país que queira 'brincar' com a decisão ridícula da Suprema Corte, especialmente aqueles que vêm 'explorando' os EUA por anos, e até décadas, será confrontado com uma tarifa muito mais alta — e pior — do que aquela com a qual acabaram de concordar”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social. Lange disse que isso poderia significar uma taxa de 30% sobre alguns grupos de produtos, apesar do limite de 15% previsto no acordo tarifário UE–EUA. A Comissão Europeia, por sua vez, disse que precisa de um quadro claro sobre as implicações da decisão da Suprema Corte para os EUA para tomar novas decisões. "Estamos tentando manter a previsibilidade para as empresas e para os consumidores diante de uma imprevisibilidade substancial", disse um porta-voz da Comissão. O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, participou de uma reunião com os ministros do Comércio do G7 nesta segunda-feira. Ele deve se reunir com os embaixadores da UE para discutir os últimos desdobramentos nas relações comerciais do bloco com Washington. ht/ra (AP, dpa) |
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| Short teaser | Europeus querem mais certezas em meio a batalha da Casa Branca com Suprema Corte quanto às bases para impor taxas. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ue-adia-acordo-com-eua-após-nova-tarifa-global-de-trump/a-76097397?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 25 | |||
| Id | 76095472 | ||
| Date | 2026-02-23 | ||
| Title | Alemães apoiam democracia, mas muitos estão insatisfeitos com ela | ||
| Short title | Alemães apoiam democracia, mas insatisfação com ela é alta | ||
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Apoio à democracia chega a 98%, mas menos de dois terços se mostram satisfeitos com o funcionamento dela na Alemanha, revela estudo financiado pelo governo alemão.A quase totalidade da população da Alemanha apoia a ideia de democracia, mas apenas 60% estão satisfeitos com o funcionamento dela, segundo o relatório Monitor da Alemanha 2025, divulgado na semana passada.
Nos estados da antiga Alemanha Ocidental, esse percentual é de 62% e, no Leste Alemão, cai para pouco mais da metade, chegando a 51% – embora, para surpresa dos autores, o índice na antiga Alemanha Oriental tenha aumentado significativamente nos últimos tempos (era de 43% em 2023).
Essa conclusão foi saudada pela encarregada do governo alemão para o Leste, Elisabeth Kaiser (SPD). "É bom que a democracia como forma de governo tenha o apoio integral dos cidadãos. Isso também se verifica no Leste", disse ela em Berlim, durante a apresentação do relatório.
De um modo geral, o apoio à ideia de democracia é muito alto, de 98%, e 89% dos entrevistados rejeitam uma ditadura "sob qualquer circunstância".
Porém, quando questionados sobre como funciona uma democracia, 68% concordam que, neste regime, o Executivo deve acatar decisões do Parlamento e respeitar a separação de Poderes, e apenas 45% rejeitam o regime de partido único. No Leste, esses percentuais são "ligeiramente menores".
Já a parcela dos que se mostram suscetíveis a mudanças de cunho autoritário é de 21%.
Por isso, a conclusão do estudo é de que o alto nível de apoio popular à democracia não é garantia de rejeição unânime a uma transformação de viés autocrático ou autoritário na sociedade.
Mudanças sobretudo na área de defesa
O foco do estudo eram as mudanças na democracia alemã. Entre outros pontos, os entrevistados foram questionados sobre as áreas da política nas quais mais percebiam mudanças.
De forma nada surpreendente, a sensação mais forte de mudança foi na área da defesa. O tema está presente na sociedade alemã desde o início da guerra na Ucrânia, há quase quatro anos, sobretudo com foco no fortalecimento das Forças Armadas alemãs e nas dúvidas sobre a proteção oferecida pelos Estados Unidos no âmbito da Otan.
O sociólogo Reinhard Pollak conduziu o estudo juntamente com sete colegas. "Um quarto da população alemã quer mudanças. Esse grupo afirma que são necessárias mudanças multifacetadas. Outro quarto se mostra cético e diz que a mudança é muito rápida e profunda demais. E um amplo grupo intermediário se mostra ambivalente e diz 'depende'. O que nos surpreendeu foi existir um panorama tão pronunciado e que as pessoas não estejam predominantemente cansadas de mudanças", diz.
Segundo o estudo, os alemães também têm opiniões bem diferenciadas sobre questões políticas complexas: sobre o controverso tema da migração, por exemplo, uma grande maioria de 68% acredita que o país deveria recrutar trabalhadores especializados no exterior. E 59% acham que o Estado deve promover melhor a integração dos que chegam. Mas 28% opinam que o aumento da imigração desde 2015 piorou muitas coisas.
Ceticismo é maior em regiões pobres
Embora o apoio à democracia seja alto em toda a Alemanha, existem diferenças entre o Leste e o Oeste em outras questões. No lado ocidental, por exemplo, o otimismo e a disposição para aceitar mudanças não dependem de o entrevistado viver numa área mais favorecida ou numa mais pobre. No Leste, sim.
O mesmo vale para a maneira como as pessoas avaliam a Reunificação: no Oeste, cerca de 55% de todos os entrevistados veem a unidade alemã de forma positiva, enquanto no Leste, o número oscila entre 72% de aprovação em áreas economicamente mais fortes, especialmente nas cidades, e 49% em regiões menos abastadas.
O estudo representativo foi conduzido pelo Centro de Pesquisas Sociais da Universidade de Halle-Wittenberg, pela Universidade de Jena e pelo Instituto de Ciências Sociais Gesis-Leibniz, e é financiado pela encarregada do governo alemão para o Leste da Alemanha.
Ao longo de 2025 em todo o país, cerca de 4 mil pessoas acima de 16 anos foram entrevistadas, e outras 4 mil foram entrevistadas em regiões selecionadas.
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| Short teaser | Apoio à democracia chega a 98%, mas menos de dois terços se mostram satisfeitos, revela estudo financiado pelo governo. | ||
| Author | Jens Thurau | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemães-apoiam-democracia-mas-muitos-estão-insatisfeitos-com-ela/a-76095472?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Estudo do governo mostrou também que nem todos entendem como funciona uma democracia | ||
| Image source | Christoph Reichwein/dpa/picture alliance | ||
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| Item 26 | |||
| Id | 76081431 | ||
| Date | 2026-02-23 | ||
| Title | O que a ciência realmente sabe sobre o "hormônio do amor" | ||
| Short title | O que a ciência realmente sabe sobre o "hormônio do amor" | ||
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Pesquisas recentes mostram que a ocitocina não é uma "poção do amor", mas um modulador complexo do comportamento social, capaz de fortalecer vínculos, mas também de aumentar a agressividade. Dentro do cérebro, o amor se traduz em um coquetel químico composto por diversos hormônios. A ocitocina, produzida no hipotálamo e liberada pela hipófise, costuma ser apontada como a mais importante dessas substâncias. Ela auxilia no trabalho de parto e, assim como endorfinas e serotonina, está associada a sensações de bem-estar. Segundo a Harvard Saúde, o corpo libera ocitocina quando estamos excitados por um parceiro sexual, ou quando nos apaixonamos. O hormônio induz contrações uterinas, o que explica sua origem etimológica: do grego oxys (rápido) e tokos (nascimento). Apesar disso, a molécula em si é simples: uma cadeia de nove aminoácidos, presente em todos os mamíferos e com versões semelhantes em peixes, répteis e até vermes. "Não há nada inerentemente social na ocitocina", afirma Sarah Winokur, neurocientista da Escola de Medicina Grossman da Universidade de Nova Iorque (NYU). Por que, então, ela ganhou a fama de "hormônio do amor"? Pesquisas popularizaram o hormônioNos anos 1990, pesquisadores da Universidade Emory, nos EUA, estudaram arganazes-da-pradaria, roedores conhecidos por formar pares monogâmicos. Eles observaram que a ocitocina desempenhava papel central nesse comportamento. Mas o verdadeiro hype começou quando pesquisadores encontraram um papel semelhante em humanos. Em 2005, um estudo famoso colocou voluntários em um "jogo da confiança", no qual precisavam decidir se entregariam dinheiro a um segundo jogador. O valor entregue seria triplicado, e então o segundo jogador poderia decidir livremente quanto devolver. Isso, claro, colocava o primeiro jogador em risco de ser traído. Metade dos participantes recebeu ocitocina sintética por spray nasal; a outra metade, placebo. Ao final, os participantes sob efeito da ocitocina confiaram mais e investiram mais dinheiro, confiando mais no parceiro. O estudo ganhou enorme repercussão na comunidade científica, e a substância passou a ser chamada de "molécula da confiança". O entusiasmo foi tão grande que uma empresa nos EUA começou a vender frascos de ocitocina sintética prometendo melhorar relacionamentos. Entre 2004 e 2011, as buscas por "spray nasal de ocitocina" cresceram 5.000%. Em 2009, pesquisadores suíços repetiram o experimento com casais discutindo temas sensíveis. A metade que recebeu a ocitocina manteve mais contato visual, conversaram de forma mais construtiva e expressaram sentimentos com mais abertura. Seria a ocitocina sintética, então, uma espécie de poção do amor? Não exatamente. Novos estudos mudam o cenárioA percepção sobre a substância começou a mudar em 2020, quando uma pesquisadora belga mostrou que muitos estudos sobre ocitocina não podiam ser replicados. Quando cientistas repetiam os experimentos, os resultados frequentemente eram diferentes. Foi o caso do estudo da confiança de 2005: ao ser replicado 15 anos depois, com mais participantes, o efeito sumiu. Quem recebeu ocitocina na nova rodada não se comportou de forma diferente de quem recebeu placebo. Outro estudo recente com arganazes-da-pradaria mostrou que, mesmo quando cientistas removeram geneticamente os receptores de ocitocina dos animais, eles ainda formaram vínculos de casal. Hormônio tem efeitos colaterais"Se você der ocitocina para alguém na tentativa de fazê-lo se apaixonar, isso pode vir com efeitos colaterais", alerta Winokur. Isso porque a substância não produz apenas empatia e proximidade. Ela também pode aumentar agressividade, inveja e até a "schadenfreude", palavra alemã para o prazer diante do infortúnio alheio, especialmente contra pessoas fora do "grupo social" do indivíduo. Então a ocitocina cria atração e vínculos, ou aumenta a agressividade?Segundo a Harvard Saúde, a ocitocina pode, sim, fortalecer vínculos com pessoas queridas e ser liberada por toque, música e exercício. O hormônio não perdeu sua importância para funções essenciais do corpo humano. Mas Winokur ressalta que seu papel é mais amplo: ela amplifica aquilo que já é relevante no contexto social de cada um, incluindo vícios. Ou seja, pode estar ligada à criação de segurança entre parceiros, por exemplo, mas seu uso sintético não necessariamente leva ao amor. "Não é tão simples quanto dizer: ‘Ah, você simplesmente ama todo mundo quando há ocitocina por perto'." Além disso, como outros hormônios, a ocitocina depende de níveis adequados no organismo. Em homens, concentrações excessivas, por exemplo, podem estar associadas à hiperplasia prostática benigna (BPH), uma doença caracterizada pelo aumento de próstata que pode causar problemas para urinar. |
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| Short teaser | Pesquisas recentes mostram que a ocitocina não é uma "poção do amor", mas um modulador complexo do comportamento social. | ||
| Author | Charlotte Sachs | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-que-a-ciência-realmente-sabe-sobre-o-hormônio-do-amor/a-76081431?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 27 | |||
| Id | 76081056 | ||
| Date | 2026-02-22 | ||
| Title | Brasil é o maior beneficiado por nova taxa global de Trump, diz estudo | ||
| Short title | Brasil é o maior beneficiado por nova taxa global de Trump | ||
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Estudo mostra queda de 13,6 pontos na tarifa média aplicada aos produtos brasileiros após a reconfiguração tarifária. Com as isenções mantidas, a alíquota efetiva cai para 12,8%.A decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor uma sobretaxa global de 15% sobre produtos importados, em substituição ao chamado "tarifaço”, beneficiou principalmente o Brasil. Os dados são de um estudo publicado pelo Global Trade Alert neste domingo (22/02).
O Brasil é o país que mais ganha com a mudança, com queda de 13,6 pontos percentuais na taxa média de importação aplicada aos produtos brasileiros. A China aparece em seguida, com redução de 7,1 pontos percentuais. A Índia fecha o pódio, com corte de 5,6 pontos percentuais.
Na sexta-feira, a Suprema Corte dos EUA derrubou o modelo anterior usado por Trump para impor alíquotas diferenciadas e "recíprocas" aos países. Até então, Brasil e China estavam entre os maiores sancionados, mesmo após o republicano retirar a sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros como carne e café.
Após a decisão judicial, Trump invocou a Seção 122 da Lei do Comércio dos EUA, de 1974. Inicialmente, o dispositivo foi usado para impor uma taxa fixa de 10% sobre a maioria das importações. No sábado, esse percentual foi elevado para 15%.
Pela nova regra, as tarifas passam a ser calculadas somando-se as alíquotas originais (vigentes antes do tarifaço) ao novo acréscimo global de 15%. A sobretaxa tem validade de 150 dias e precisará ser aprovada pelo Congresso para continuar em vigor.
Produtos como aço, alumínio, cobre, madeira e automóveis continuarão sujeitos ao regime tarifário anterior, já aplicado pela Casa Branca. O governo também manteve a isenção para cerca de mil itens, incluindo produtos farmacêuticos e minerais críticos.
Com isso, a transição produz vencedores e perdedores claros, afirma o Global Trade Alert. No outro extremo, países que enfrentavam tarifas baixas antes da decisão agora pagarão mais. "Reino Unido (+2,1 p.p.), Itália (+1,7 p.p.) e Singapura (+1,1 p.p.) registram os maiores aumentos, porque a sobretaxa de 15% da Seção 122 supera o que pagavam sob o regime antigo", diz o relatório.
Taxa média de 12,8% para produtos brasileiros
Segundo o Global Trade Alert, antes da decisão da Corte, produtos brasileiros entravam nos EUA sob uma tarifa média de 26,3%, considerando tanto itens altamente taxados quanto os isentos. No novo modelo, a barreira média cai para 12,8%. Já a China escapa de uma tarifa média de 36,8%, reduzida para 29,7%.
Canadá e México, que mantêm acordo trilateral com os EUA, tiveram reduções de 3,3 e 2,9 pontos percentuais, respectivamente.
Com a nova regra, o Canadá, beneficiado por uma série de isenções, passa a liderar o ranking dos 20 principais parceiros comerciais dos EUA com a menor tarifa média de importação, agora fixada em 4,7%. O país é seguido por Irlanda (5%), México (5,2%) e Singapura (7,8%).
Na outra ponta está a China: apesar do corte, continua enfrentando a tarifa média mais alta, de 29,7%, seguida por Indonésia (20,3%), Vietnã (18,8%) e Tailândia (17,3%).
Brasil em posição melhor que Alemanha
O Brasil agora aparece em posição mais favorável que países europeus como Itália, Alemanha e França, que pagarão taxas de ao menos 14,3% para vender aos EUA. Nesta semana, o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, visitará Trump e prometeu levar uma demanda conjunta europeia para que seja mantido o acordo União Europeia-EUA, que ainda não entrou em vigor.
Segundo o portal G1, o vice-presidente Geraldo Alckmin comemorou a decisão. "Mesmo com a alíquota de 15%, como é igual para todo mundo, não perdemos competitividade. Em alguns setores, ela zerou. Zerou para combustível, carne, café, celulose, suco de laranja, aeronaves", declarou.
Em março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá a Washington em visita oficial a Trump. Neste domingo, ele disse esperar "tratamento igualitário" dos EUA na questão tarifária, para evitar uma "nova Guerra Fria".
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que a decisão da Suprema Corte afeta 21,6 bilhões de dóalres em exportações brasileiras aos EUA.
gq (OTS)
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| Short teaser | Estudo mostra queda de 13,6 pontos na tarifa média aplicada aos produtos brasileiros após a reconfiguração tarifária. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/brasil-é-o-maior-beneficiado-por-nova-taxa-global-de-trump-diz-estudo/a-76081056?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Reconfiguração tarifária deu vantagem ao Brasil, antes um dos maiores afetados pelo "tarifaço" | ||
| Image source | Mark Schiefelbein/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 28 | |||
| Id | 76075822 | ||
| Date | 2026-02-21 | ||
| Title | Drama político "Yellow Letters" vence Berlinale em edição marcada por polêmica | ||
| Short title | Drama político vence Berlinale em edição tomada por polêmica | ||
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Longa "Yellow Letters", de diretor alemão, retrata casal perseguido pelo Estado turco. Cerimônia refletiu a controvérsia sobre Gaza que marcou o festival. Brasileiros levaram prêmios paralelos.O Urso de Ouro, principal prêmio do 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim, foi concedido neste sábado (21/02) ao drama político Yellow Letters ("Cartas Amarelas"), do diretor alemão Ilker Çatak. Seu filme anterior, A Sala dos Professores, foi indicado ao Oscar em 2024.
A cerimônia refletiu a controvérsia sobre Gaza que marcou toda a edição deste ano. Alguns vencedores aproveitaram o palco para se manifestar em defesa da causa palestina, reagindo às declarações do presidente do júri, Wim Wenders, que havia provocado indignação ao tentar afastar o festival do debate sobre o conflito.
Estrelado por Tansu Bicer no papel de um dramaturgo e Ozgu Namal como uma atriz famosa, Yellow Letters acompanha o casal de artistas cujo relacionamento é posto à prova quando eles passam a ser alvo do Estado turco.
A alegoria sobre opressão autoritária se passa na Turquia contemporânea, mas foi filmada na Alemanha, com Berlim e Hamburgo assumindo os papéis de Ancara e Istambul.
Esta é a primeira vez em mais de 20 anos que um diretor alemão vence o prêmio mais importante do festival. A última vez foi em 2004, com Contra a Parede, de Fatih Akin.
Em mostras paralelas e prêmios independentes, três filmes brasileiros saíram vencedores (leia mais abaixo). Na mostra principal, outros dois filmes dirigidos por brasileiros disputavam o Urso de Ouro: Rosebush Pruning, de Karim Aïnouz, e Josephine, de Beth de Araújo. Os longas, contudo, são produções de fora do Brasil.
Prêmio a Yellow Letters é visto como recado
Yellow Letters foi claramente o filme mais político entre as 22 obras da competição principal. Por isso, a premiação foi tomada como um desfecho para os debates que marcaram o festival desde a coletiva de abertura, quando Wenders afirmou que cineastas "precisam ficar fora da política".
A fala gerou revolta entre artistas e levou participantes a boicotarem cerimônias da Berlinale, conhecida justamente por expor um teor mais político do que outros festivais.
No entanto, ao entregar o prêmio, Wenders elogiou a forma como o filme aborda "de maneira muito clara a linguagem política do totalitarismo, em contraste com a linguagem empática do cinema".
Em seu discurso de agradecimento, Çatak afirmou que os autocratas do mundo são aqueles contra os quais devemos nos opor, não artistas com opiniões políticas diversas. "Não lutemos uns contra os outros, lutemos contra eles", disse.
"A Berlinale acontece em um mundo que parece bruto e fraturado", afirmou a diretora do festival, Tricia Tuttle, na abertura da cerimônia, referindo-se imediatamente aos debates que tomaram conta do evento, incluindo uma carta aberta que criticava o "silêncio" do festival sobre Gaza.
Tuttle reconheceu que a crítica desempenha um papel importante na democracia e destacou a coragem de quem expressa suas opiniões publicamente. A crítica "é boa para nós, mesmo quando não parece boa", acrescentou. Anteriormente, ela havia divulgado uma nota defendendo Wenders e comentando a "tempestade midiática" gerada por sua fala.
Antes de anunciar os vencedores dos Ursos de Ouro e de Prata, Wim Wenders também reagiu à controvérsia, comentando o contraste entre o papel das redes sociais, segundo ele, marcadas por frases de efeito que viralizam sem impacto duradouro, e a narrativa longa do cinema, que preserva o poder de transmitir empatia.
Os vencedores dos Ursos de Prata
O segundo prêmio mais importante do festival, o Urso de Prata do Grande Prêmio do Júri, foi para Salvation ("Salvação"), de Emin Alper, outro retrato oportuno dos mecanismos por trás de assassinatos e massacres motivados politicamente. Em 2025, o brasileiro O Último Azul levou a honraria.
Em seu discurso, Alper expressou solidariedade às pessoas que sofrem em Gaza, aos manifestantes no Irã, ao povo curdo que luta por seus direitos e aos turcos presos por suas crenças políticas. "Vocês não estão sozinhos", disse.
O Prêmio do Júri reconheceu Queen at Sea ("A Rainha do Mar"), de Lance Hammer, um drama sobre demência estrelado por Juliette Binoche. Os atores Tom Courtenay e Anna Calder-Marshall comoveram com seus papéis como marido e mulher no longa e foram premiados com o Urso de Prata de Melhor Atuação Coadjuvante.
O diretor inglês Grant Gee recebeu o Urso de Prata de Melhor Direção por Everybody Digs Bill Evans ("Todo Mundo Curte Bill Evans"), uma cinebiografia estilosa sobre o icônico pianista de jazz.
A impressionante atuação de Sandra Hüller em Rose, como uma mulher que se passa por homem no século 17, lhe rendeu o Urso de Prata de Melhor Atuação Protagonista.
Já a diretora canadense Geneviève Dulude-De Celles venceu o Urso de Prata de Melhor Roteiro por Nina Roza. Por fim, o documentário lúdico Yo (Love is a Rebellious Bird) ("Yo (O Amor é um Pássaro Rebelde)"), sobre a amizade especial entre duas mulheres criativas, ganhou o Urso de Prata de Contribuição Artística Excepcional.
Diretor palestino vence prêmio de estreia
A seção Perspectivas, criada no ano passado por Tricia Tuttle ao assumir a direção do festival, destaca longas-metragens de estreia.
O Prêmio de Melhor Primeiro Longa foi para o diretor palestino Abdallah Alkhatib por Chronicles From a Siege ("Crônicas de um Cerco").
Refugiado na Alemanha, Alkhatib disse em seu discurso que, apesar de ter sido alertado a não criticar o governo alemão, decidiu questionar por que o país se recusou a se juntar a outros que acusam Israelde "cometer genocídio em Gaza". "Acredito que vocês são inteligentes o suficiente para reconhecer isso, mas escolhem não se importar", afirmou. Israel nega taxações de genocídio no conflito iniciado em 7 de outubro de 2023, após ataque do Hamas.
A cineasta libanesa Marie-Rose Osta, vencedora do Urso de Ouro de melhor curta-metragem por Someday a Child ("Um Dia, uma Criança"), também mencionou o sofrimento dos palestinos em seu país e em Gaza.
"Defendemos o direito de todos se expressarem", disse Tricia Tuttle ao encerrar a cerimônia, concluindo um festival intensamente político com um apelo à aceitação e à tolerância.
Cinema brasileiro premiado
O filme brasileiro Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton e estrelado pelo ator Lázaro Ramos, conquistou as duas principais premiações da mostra Generation Kplus, competição paralela do Festival Internacional de Cinema de Berlim dedicada a filmes internacionais para o público jovem.
A produção levou o Urso de Cristal (Gläserner Bär) de Melhor Filme, concedido pelo Júri Infantil da Generation Kplus, e também o Grande Prêmio do Júri Internacional de Melhor Filme da competição paralela.
Já o longa Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques, foi celebrado pelo júri de leitores do jornal alemão Tagesspiegel, que escolhe de forma independente o melhor filme exibido na seção Fórum do festival, dedicada a obras de caráter mais experimental. Ambos foram gravados no Ceará.
Por fim, a Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci) premiou Narciso, do diretor Marcelo Martinessi. A associação avalia por meio de um júri independente filmes do programa de competição paralela. O longa foi o escolhido da seção Panorama, uma das mais tradicionais do festival.
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| Short teaser | Longa "Yellow Letters", de diretor alemão, retrata casal pressionado pelo Estado turco. | ||
| Author | Elizabeth Grenier | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/drama-político-yellow-letters-vence-berlinale-em-edição-marcada-por-polêmica/a-76075822?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Cineasta Ilker Çatak é primeiro diretor a receber Urso de Ouro em 20 anos | ||
| Image source | Ebrahim Noroozi/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 29 | |||
| Id | 76073621 | ||
| Date | 2026-02-21 | ||
| Title | Três filmes brasileiros são premiados no Festival de Berlim | ||
| Short title | Três filmes brasileiros são premiados no Festival de Berlim | ||
| Teaser |
"Feito Pipa" vence as duas principais categorias da mostra Generation Kplus, da Berlinale. "Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha" e "Narciso" receberam, respectivamente, prêmios de leitores e júri independente. O filme brasileiro Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton e estrelado pelo ator Lázaro Ramos, conquistou as duas principais premiações da mostra Generation Kplus, competição paralela do Festival Internacional de Cinema de Berlim dedicada a filmes internacionais para o público jovem. A produção levou o Urso de Cristal (Gläserner Bär) de Melhor Filme, concedido pelo Júri Infantil da Generation Kplus, e também o Grande Prêmio do Júri Internacional de Melhor Filme da competição paralela. Já o longa Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques, foi celebrado pelo júri de leitores do jornal alemão Tagesspiegel, que escolhe de forma independente o melhor filme exibido na seção "Fórum" do festival, que concentra filmes de caráter mais experimental. Ambos foram gravados no Ceará. Por fim, a Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci) premiou Narciso, do diretor Marcelo Martinessi. A associação avalia por meio de um júri independente filmes do programa de competição paralela. O longa brasileiro foi o escolhido da seção Panorama, uma das mais tradicionais do festival. Ao todo, dez filmes com participação do cinema nacional foram exibidos ao longo do festival. Na mostra principal, outros dois filmes dirigidos por brasileiros disputavam o Urso de Ouro da Berlinale, o principal prêmio da competição. Rosebush Pruning, de Karim Aïnouz, e Josephine, de Beth de Araújo, estavam entre as 22 produções selecionadas pela curadoria do festival. Os longas, contudo, são produções de fora do Brasil. Yellow Letters ("Cartas Amarelas"), um drama em língua turca, filmado na Alemanha e dirigido por um diretor alemão, venceu o prêmio principal. O longa conta a história de uma atriz e um dramaturgo casados que são obrigados a abandonar suas vidas confortáveis depois que o marido passa a ser alvo do Estado turco por publicar conteúdo crítico online. Feito Pipa marca presença em competição paralelaFeito Pipa foi escolhido como melhor filme pelo Júri Infantil da Generation Kplus, pois seus personagens "comovem profundamente". "Fomos arrebatados pela história envolvente, como se estivéssemos bem no meio dela. Questões importantes foram abordadas e merecem mais atenção", afirmou o júri ao justificar a escolha pelo Urso de Cristal. "Este filme nos cativou com sua narrativa envolvente, seu jovem protagonista multifacetado, autoconfiante e resiliente, e a maneira, muitas vezes bem-humorada e comovente, como ele lida com seus dilemas existenciais", disse o Júri Internacional da mostra paralela, que também premiou o longa brasileiro. "Ficamos encantados com as performances inesquecíveis de Yuri Gomes e Teca Pereira, e jamais esqueceremos o personagem Gugu, tão atlético quanto fabuloso, que se vê obrigado a se impor à medida que seu laço especial com a avó se desfaz", afirmou o colegiado, composto pelo diretor indonésio Khozy Rizal, a atriz alemã Lena Urzendowsky e a diretora de programação do Festival de Sundance, Kim Yutani. "Esse é o nosso cinema"Com paisagens e cores marcantes, Feito Pipa transporta o espectador para o sertão, com foco na vida em comunidade no semiárido. O ator principal é Yuri Gomes, que, assim como Lázaro Ramos, também começou sua formação artística no Pelourinho, em Salvador. É um filme que aborda a experiência de uma criança queer. "Feito Pipa é a história de Gugu, um garoto de 10, 11 anos, que grita por liberdade, pelo direito de ser quem ele é. Mais do que querer ser aceito, ele diz: 'Eu serei aceito do jeito que eu sou'. Ele mora com a avó porque a mãe faleceu, e o pai, que é o meu personagem, já tem uma nova família", conta Lázaro Ramos em entrevista à DW Brasil. O filme foi aplaudido de pé pelo público do festival berlinense. No longa, Gugu sonha em ser jogador de futebol. Às margens de um reservatório, que vai secando lentamente e deixando a descoberto os restos fantasmagóricos de uma cidade submersa, ele cresce sob o cuidado amoroso de sua avó Dilma. O vínculo entre os dois, silencioso mas forte, os protege da rejeição do pai de Gugu e das pessoas que os rodeiam. "No ano em que a gente também vem de um momento bonito, com Ainda Estou Aqui, O Agente Secreto, eu acho que é, primeiro, ano de celebrar. Mas o que eu mais celebro é justamente essa diversidade de temas. E a gente estar reforçando a nossa estética, o nosso jeito de fazer cinema. Alguns anos atrás, pela sobrevivência, tentamos nos igualar ao filme médio, um filme morno, um filme moldado pelas métricas algorítmicas do streaming, e de repente a gente renasce, gritando para o mundo: 'esse é o nosso cinema!'", destaca Lázaro Ramos. "Tem sido muito revigorante perceber que o cinema brasileiro está a todo vapor. Eu acho que é um momento encorajador para a maioria dos jovens realizadores. A gente também tem tido políticas que colocam esse cinema Brasil adentro, através das cotas e de editais descentralizadores. E Feito Pipa é fruto disso, de um cinema feito no Ceará", afirma Allan Deberton, diretor do filme, em entrevista à DW Brasil. Prêmios refletem cinema brasileiro menos centralizadoAssim como Feito Pipa, o longa Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha também foi gravado no Ceará. O filme acompanha Rosa em uma jornada de realismo mágico ao lado da mãe que quase não conheceu, revisitando traumas da infância ligados à prisão materna. Em uma viagem pelas paisagens do Norte do Brasil, a narrativa explora temas como violência doméstica, insegurança e cura emocional. É o primeiro longa de Janaína Marques. "Tem uma frase do cineasta cubano Santiago Álvarez que eu gosto muito: 'um país sem imagem é um país que não existe'. É fundamental que um país se veja e se reconheça na tela. E, de certa forma, é isso que a gente está celebrando agora, esse momento em que somos abraçados por essa força mágica que o cinema tem", disse ela à DW. Já em Narciso, o diretor Marcelo Martiness transporta o expectador ao Paraguai de 1959. O filme mostra uma Assunção dividida entre a liberdade juvenil do rock’n’roll e o avanço de um regime repressivo. Nesse cenário, o músico Narciso vira símbolo de desejo e ameaça, enquanto a sociedade passa a vigiar comportamentos e sonhos, marcando o início de uma era de controle que sufoca uma geração inteira, resume a Berlinale. md/gq (DW, EFE, ots) |
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| Short teaser | Produção cearense vence as duas principais categorias da mostra Generation Kplus, da Berlinale. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/três-filmes-brasileiros-são-premiados-no-festival-de-berlim/a-76073621?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 30 | |||
| Id | 76073549 | ||
| Date | 2026-02-21 | ||
| Title | Apagão de escadas rolantes constrange governo da Alemanha | ||
| Short title | Apagão de escadas rolantes constrange governo da Alemanha | ||
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Ministério lamenta transtornos após três dias de paralisação em 130 escadas rolantes em estações de trem em várias cidades. Ocorrido se soma à série de panes que afetam estatal ferroviária alemã.O Ministério dos Transportes alemão afirmou neste sábado (21/02) que a estatal ferroviária Deutsche Bahn (DB) está empenhada em resolver rapidamente o problema das escadas rolantes nas estações alemãs, após três dias de paralisação.
Desde a quinta-feira passada aproximadamente 130 escadas rolantes em diversas estações ferroviárias no país deixaram de funcionar para serem submetidas a inspeções de segurança.
"O fato de tantas escadas rolantes terem que ser retiradas de serviço é, obviamente, muito frustrante, especialmente para pessoas com mobilidade reduzida, e a frustração delas é compreensível", disse um porta-voz do Ministro dos Transportes, Patrick Schnieder ao jornal Rheinische Post.
Precaução
O porta-voz acrescentou que a DB garantiu ao ministério que foi obrigada a tomar essa medida como precaução. O motivo foi um problema em um tipo específico de escada rolante. Duas escadas rolantes desse determinado tipo em Berlim pararam abruptamente nesta semana enquanto estavam em operação. Então, por motivos de segurança, escadas rolantes idênticas também foram desligadas nas estações de trem alemãs.
A DB assegurou, segundo ele, que "está trabalhando intensamente com o fabricante para colocar as escadas rolantes de volta em operação".
Na tarde deste sábado, a DB informou que as escadas rolantes da Estação Central de Berlim já haviam retomado o funcionamento, enquanto continuavam fora de serviço as localizadas nas estações do Aeroporto de Colônia/Bonn, em Frankfurt, Dresden, Essen, Hamburgo e Düsseldorf, entre outros locais.
Série de panes
O ocorrido se soma à série de panes nos últimos meses que afetam a principal empresa ferroviária do país. Poucos dias antes, um ciberataque derrubou serviços digitais da estatal ferroviária alemã.
Há poucos dias, a empresa suspendeu uma campanha ironizando as próprias falhas. Antes conhecida pela pontualidade, a DB virou motivo de piada pelos constantes atrasos e serviço precário.
No começo deste mês, a morte de um fiscal ferroviário após ser agredido por um passageiro levantou preocupações sobre as condições de segurança dos trabalhadores da companhia face a recorrentes episódios de violência nos trens.
md (DPA, AFP)
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| Short teaser | Ministério lamenta transtornos após 3 dias de paralisação em 130 escadas rolantes em estações de trem em várias cidades. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/apagão-de-escadas-rolantes-constrange-governo-da-alemanha/a-76073549?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Escadas rolantes paralisadas na Estação Central de Berlim | ||
| Image source | Markus Lenhardt/dpa/picture alliance | ||
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| Item 31 | |||
| Id | 76065263 | ||
| Date | 2026-02-21 | ||
| Title | Novo genoma do câncer felino pode beneficiar humanos | ||
| Short title | Novo genoma do câncer felino pode beneficiar humanos | ||
| Teaser |
Pesquisadores acham mutações genéticas que causam câncer raro e agressivo tanto em gatos quanto em humanos. Descoberta pode abrir caminho para tratamentos para ambas as espécies.Amantes de gatos têm mais em comum com seus felinos de estimação do que imaginam. Uma nova pesquisa publicada na revista científica Science sugere que gatos e humanos desenvolvem tipos de câncer semelhantes, provocados por mutações genéticas que coincidem.
Ao pesquisar amostras de quase 500 gatos domésticos sem pedigree, os pesquisadores criaram um perfil das mutações genéticas que podem causar tumores malígnos nestes animais, o chamado "oncogenoma felino".
O conjunto geneticamente diverso foi obtido de animais do Canadá, Reino Unido, Alemanha, Áustria e Nova Zelândia. Os pesquisadores acreditam que isso pode abrir caminho para novos tratamentos contra o câncer, tanto para pets quanto para pessoas.
Treze tipos diferentes de câncer encontrados em gatos foram analisados em busca de mil genes já conhecidos por causar tumores malignos em humanos.
Os pesquisadores identificaram que metade das amostras tumorais em gatos apresentava mutação no gene FBXW7, associado a formas agressivas de câncer de mama em humanos. Outra mutação, no gene PIK3CA, também ligada ao câncer de mama humano, estava presente em quase metade dos casos analisados.
Já a proteína tumoral conhecida como TP53 ou p53 foi a mutação mais comum em gatos. Ela é frequentemente apontada também como responsável por diversos tipos de neoplasias em humanos.
Um modelo melhor para tratar o câncer?
Embora roedores de laboratório sejam usados há décadas para estudar câncer e testar medicamentos, gatos podem oferecer um modelo mais adequado para a pesquisa científica.
"Aqui você tem um modelo de tumores que se desenvolvem espontaneamente, exatamente como ocorre em humanos", disse Louise van der Weyden, pesquisadora sênior do estudo, do Wellcome Sanger Institute, no Reino Unido.
"Esses animais, gatos e cães, vivem no mesmo ambiente que nós, expostos à mesma poluição […] algo que você não consegue reproduzir em laboratório."
Van der Weyden afirmou que o conjunto analisado pode ser ampliado com gatos de outros países, permitindo uma compreensão ainda mais ampla das causas do câncer compartilhadas entre felinos e humanos.
Um dos pontos mais promissores é o potencial deste "oncogenoma felino" para identificar riscos ambientais dentro de casa. Se, por exemplo, uma determinada mutação genética desencadear câncer mamário no gato da família, isso pode indicar riscos semelhantes para os humanos que vivem no mesmo ambiente.
"Há muitos estudos começando a considerar gatos e cães como sentinelas ambientais, porque eles vivem exatamente no mesmo ambiente que nós", disse a pesquisadora. "Vimos mutações de radiação UV [em gatos] idênticas às encontradas em humanos, por exemplo."
O que vem a seguir para o oncogenoma?
Testes de terapias anticâncer em gatos com possíveis benefícios para humanos já foram demonstrados em 2025, nos EUA, por um grupo da Universidade da Califórnia.
A equipe liderada por Daniel Johnson e Jennifer Grandis testou um medicamento usado para tratar carcinomas de células escamosas em humanos em um grupo de gatos com a forma oral da doença. Cerca de um terço dos gatos tratados viveu, em média, mais seis meses.
Embora não tenham participado da nova pesquisa do oncogenoma, os pesquisadores da UC elogiaram os resultados. "Este é realmente um artigo empolgante que reforça a relevância, para humanos e também para pets, de estudos como o nosso", escreveram Johnson e Grandis em e‑mail à DW.
"É notável que alterações em genes como p53 apareçam com alta prevalência tanto em humanos quanto em gatos. Agora podemos começar a usar estudos como este para desenvolver terapias personalizadas contra o câncer para gatos e humanos."
Van der Weyden destacou que o modelo é vantajoso por reduzir danos em comparação com o uso de animais de laboratório e por contar com o consentimento dos tutores. "A maioria dos [tutores] assina um termo autorizando o uso das [amostras de biópsia] para fins de pesquisa, o que considero extremamente generoso e admirável", afirmou. "Seria maravilhoso se algo concreto pudesse surgir disso."
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| Short teaser | Cientistas acham mutações genéticas que causam câncer raro em gatos e humanos. Novidade pode beneficiar ambas espécies. | ||
| Author | Matthew Ward Agius | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/novo-genoma-do-câncer-felino-pode-beneficiar-humanos/a-76065263?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Mutações que causam câncer e são comuns em gatos e humanos foram identificadas como parte de um "oncogenoma" felino | ||
| Image source | Elena Nazarova/Zoonar/picture alliance | ||
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| Item 32 | |||
| Id | 76063782 | ||
| Date | 2026-02-21 | ||
| Title | Trump retira parte do tarifaço e impõe taxa global de 10% após decisão judicial | ||
| Short title | Trump retira parte do tarifaço e impõe taxa global de 10% | ||
| Teaser |
Presidente dos EUA assina ordem com nova taxa e, obedendo determinação da Suprema Corte, formaliza encerramento de parte do tarifaço.O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na noite desta sexta-feira (20/02) que assinou uma ordem impondo uma taxa de importação de 10% para todos os países após a Suprema Corte decidir que é ilegal o tarifaço promovido pelo governo. A Casa Branca também publicou uma ordem executiva encerrando parte do tarifaço, seguindo a decisão do Judiciário.
“É uma grande honra ter acabado de assinar, do Salão Oval, uma Tarifa Global de 10% para todos os países, que entrará em vigor quase imediatamente. Obrigado pela atenção a este assunto! PRESIDENTE DONALD J. TRUMP”, escreveu o republicano na rede sua Truth Social.
De acordo com a Casa Branca, a ordem assinada por Trump impõe a tarifa de 10% por um período de 150 dias. Ela começa a vigorar na próxima terça-feira (24/02), às 2h01 (no horário de Brasília).
Exceções
O governo americano também afirmou que "alguns produtos" seriam isentos "devido às necessidades da economia dos EUA ou para garantir que a tarifa aborde de forma mais eficaz os problemas fundamentais de pagamentos internacionais que os Estados Unidos enfrentam".
A lista inclui itens como "certos minerais críticos", alguns produtos agrícolas, incluindo carne bovina e laranjas, e "veículos de passageiros, certos caminhões leves, certos veículos médios e pesados". Também ficam de fora produtos que já estão com sobretaxa e que não foram impactados pela decisão da Suprema Corte que considerou o tarifaço ilegal.
Mais cedo nesta sexta-feira, Trump já havia anunciado a medida, dizendo que a nova tarifa de 10% seria "adicional às nossas tarifas normais já cobradas", poucas horas depois de a Suprema Corte dos EUA ter derrubado as amplas tarifas específicas para cada país que ele havia anunciado em abril passado, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) de 1977.
Na decisão, por seis votos a três, divulgada na sexta-feira, a Suprema Corte, de maioria conservadora, decidiu que, embora a lei de emergência permita que um presidente regule o comércio exterior durante uma emergência nacional, ela não autoriza a imposição de tarifas.
A Suprema Corte considerou que Trump excedeu sua autoridade e infligindo-lhe uma derrota significativa em uma questão crucial para sua agenda econômica.
A decisão atingiu as tarifas impostas sob a IEEPA, uma lei de poderes de emergência, incluindo as amplas tarifas "recíprocas" que ele impôs a quase todo o mundo em abril do ano passado. Já as tarifas adicionais, como para o aço e alumínio, continuam válidas.
Na prática, a decisão estabelece limites ao poder do presidente para impor tarifas sem a aprovação do Congresso, afetando diretamente as sobretaxas adotadas contra o Brasil.
De acordo com o portal de notícias G1, especialista em comércio exterior Jackson Campos afirma que, após a decisão do tribunal e o novo anúncio de Trump, a maior parte dos produtos brasileiros passa a ser tarifada em 10% ao entrar nos EUA. "Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item [ou seja, as taxas já em vigor antes do tarifaço], acrescida do novo adicional temporário global de 10%”, disse, conforme o G1, lembrando que aço e alumínio continuam com alíquotas de 50%, que se somam aos 10% recém-anunciados.
Decisão judicial não impede novas tarifas
A decisão desta sexta não impede Trump de impor novas tarifas sob outras leis. Altos funcionários do governo disseram que esperam manter a estrutura tarifária em vigor sob outros regulamentos.
Essa foi a primeira grande peça da ampla agenda de Trump a chegar diretamente ao mais alto tribunal do país, que ele ajudou a moldar com as nomeações de três juristas conservadores em seu primeiro mandato.
O presidente republicano vinha se manifestando veementemente sobre o caso, chamando-o de um dos mais importantes da história dos EUA e dizendo que uma decisão contra ele seria um duro golpe econômico para o país. Mas a oposição legal às tarifas se estendeu até mesmo a grupos libertários e pró-empresariais que normalmente se alinham ao Partido Republicano.
Medidas impopulares
As pesquisas mostram que as tarifas não são amplamente populares entre o público, em meio à crescente preocupação dos eleitores com a acessibilidade financeira.
A decisão da Suprema Corte ocorre apesar de uma série de vitórias de curto prazo na pauta de emergência do tribunal, que permitiram a Trump prosseguir com demonstrações extraordinárias de poder executivo em questões que vão desde demissões de alto escalão até grandes cortes no financiamento federal.
"Tarifas recíprocas"
A Constituição dá ao Congresso o poder de impor tarifas. Mas o governo Trump argumentou que uma lei de 1977, que permite ao presidente regular as importações durante emergências, também lhe permite estabelecer tarifas.
Outros presidentes usaram a lei dezenas de vezes, frequentemente para impor sanções, mas Trump foi o primeiro presidente a invocá-la para impostos de importação.
Trump estabeleceu o que chamou de tarifas "recíprocas" para a maioria dos países em abril de 2025 para lidar com os déficits comerciais que ele declarou uma "emergência nacional". Essas tarifas foram impostas depois que ele impôs tarifas a Canadá, China e México, alegando que esses países faziam pouco para combater o tráfico de drogas que chegam aos EUA.
Em setembro passado, a Suprema Corte decidiu analisar a legalidade das tarifas impostas por Trump, depois que o governo recorreu da decisão de um tribunal de apelações, que havia concluído que a maior parte das tarifas não tem respaldo legal.
Ações estaduais e de empresas
O tribunal de apelações decidiu contra o governo após ações judiciais movidas por uma dúzia de estados predominantemente democratas e também por pequenas empresas que vendem de tudo, desde materiais de encanamento a brinquedos educativos e roupas de ciclismo femininas.
Os autores da ação argumentaram que a lei de poderes de emergência sequer menciona tarifas e que o uso que Trump fez dela não atende a vários critérios legais, incluindo um que condenou o programa de perdão de empréstimos estudantis de 500 bilhões de dólares do ex-presidente Joe Biden.
O impacto econômico das tarifas de Trump foi estimado em cerca de 3 trilhões de dólares na próxima década, de acordo com o Escritório de Orçamento do Congresso.
O Tesouro arrecadou mais de 133 bilhões dólares em impostos de importação que o presidente impôs sob a lei de poderes de emergência, mostram dados federais de dezembro. Muitas empresas, incluindo a rede de grandes lojas de atacado Costco, já entraram na Justiça exigindo reembolsos.
md/ra (AP, AFP, DPA)
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| Short teaser | Presidente dos EUA assina ordem com nova taxa e formaliza fim parcial do tarifaço, após Supremo declará-lo ilegal. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/trump-retira-parte-do-tarifaço-e-impõe-taxa-global-de-10-após-decisão-judicial/a-76063782?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Suprema Corte impôs a Trump uma derrota significativa em uma questão crucial para sua agenda econômica | ||
| Image source | Evan Vucci/AP Photo/dpa/picture alliance | ||
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| Item 33 | |||
| Id | 76067369 | ||
| Date | 2026-02-20 | ||
| Title | Sagrada Família, em Barcelona, atinge altura máxima após 144 anos | ||
| Short title | Igreja Sagrada Família atinge altura máxima após 144 anos | ||
| Teaser |
Instalação de cruz de 17 metros conclui construção da torre de Jesus Cristo na basílica projetada por Antoni Gaudí no século 19. Igreja mais alta do mundo e monumento mais visitado da Espanha atinge 172,5 metros.A Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, atingiu nesta sexta-feira a sua altura máxima prevista de 172,5 metros com a colocação da cruz no topo de sua torre central, 144 anos após o início da construção do edifício.
Com a ajuda de um grande guindaste, os operários concluíram a instalação da cruz na torre de Jesus Cristo, a mais alta das 18 torres da basílica projetada no século 19 pelo arquiteto Antoni Gaudí (1852-1926), o gênio espanhol do Modernismo. A cruz tem 17 metros de altura e 13,5 metros de largura.
Desde outubro do ano passado, quando atingiu 162,9 metros de altura, a Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo, ultrapassando a igreja luterana Ulmer Münster, em Ulm, na Alemanha.
A aparência da Sagrada Família mudou consideravelmente nos últimos 15 anos, à medida que a construção progredia, com a conclusão das quatro torres dos Evangelistas, assim como da torre da Mãe de Deus.
Cruz revestida de vidro e cerâmica branca vitrificada
A peça instalada nesta sexta-feira é uma grande cruz com geometria de dupla torção, o mesmo método que Gaudí usou para as colunas da basílica. Ela é revestida de vidro e cerâmica branca vitrificada, para se assemelhar a um cristal, e nas extremidades dos braços horizontais haverá janelas de onde se poderá admirar a cidade.
O arquiteto responsável pela Sagrada Família, Jordi Faulí, disse que a torre foi criada precisamente com cerâmica e vidro para que parecesse "resplandecente".
Fabricada na Alemanha, a cruz chegou a Barcelona em quatorze peças maciças que foram pré-montadas na própria Sagrada Família, em uma plataforma de trabalho localizada a 54 metros acima da nave central. A cruz consiste em um braço inferior, quatro braços horizontais e um braço vertical – o único que ainda falta instala, Cada braço pesa aproximadamente doze toneladas.
"Hoje é um dia para celebrar e lembrar de todos aqueles que trabalharam para tornar esta torre uma realidade", disse o arquiteto.
Quando o trabalho de fixação da cruz estiver concluído, a Sagrada Família enfrentará a construção da terceira e última fachada do templo, a fachada da Glória, finalizando assim a obra-prima de Gaudí, cuja construção começou em 1882.
Conclusão ainda sem prazo definido
A colocação da cruz marca um passo importante na criação do monumento mais visitado da Espanha, com 4,8 milhões de ingressos vendidos em 2024, cuja construção sofreu inúmeros contratempos desde que Gaudí assumiu o projeto.
Após o revés da pandemia de covid-19, que forçou o abandono dos planos de concluir o templo em 2026, a comissão de construção, uma fundação canônica privada, evita definir uma nova data definitiva para a conclusão, embora a expectativa seja de concluí-la em uma década.
Esses planos dependem de não haver mais contratempos que afetem o fluxo de visitantes, a principal fonte de financiamento das obras, e da resolução das divergências relativas à construção dos controversos acessos à fachada da Glória, a entrada principal que ainda precisa ser construída.
Segundo o projeto defendido pelos construtores, a fachada deverá ser precedida por uma grande escadaria e uma praça, cuja construção implicaria a demolição de vários edifícios residenciais, algo a que os moradores se opõem.
O conflito terá de ser mediado pela Câmara Municipal, que, em meio à crise habitacional da cidade, afirma que não haverá acordo que não garanta soluções habitacionais adequadas para os moradores.
rc (AFP, EFE)
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| Short teaser | Instalação de cruz de 17 metros conclui construção da torre mais alta da basílica projetada por Gaudí no século 19. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/sagrada-família-em-barcelona-atinge-altura-máxima-após-144-anos/a-76067369?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Operários concluíram instalação da cruz na basílica projetada no século 19 pelo arquiteto Antoni Gaudí | ||
| Image source | Adria Puig/Anadolu/picture alliance | ||
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| Item 34 | |||
| Id | 76065796 | ||
| Date | 2026-02-20 | ||
| Title | Pobreza ameaça quase 2 milhões de alemães com nível superior | ||
| Short title | Pobreza ameaça quase 2 milhões de alemães com nível superior | ||
| Teaser |
Números sugerem que avanços gerais na educação da população não garantiram empregos bem remunerados a todos.Cerca de 1,9 milhão de pessoas na Alemanha com educação de nível superior ou equivalente corriam o risco de cair na pobreza em 2025, revelam estatísticas do governo – um aumento de 350 mil pessoas em relação a 2022.
Isso ocorre num momento em que o número de pessoas com diploma de nível superior ou equivalente também aumentou, chegando a 21 milhões.
Neste grupo, a taxa de desemprego, que era de 2,2% em 2022, passou a 3,3% em 2025 – e isso apesar de mais pessoas terem buscado educação de alto nível no mesmo período.
Um em cada dez sob risco de pobreza
Ainda assim, o risco de pessoas com altas qualificações terem baixa renda é proporcionalmente menor que entre pessoas sem altas qualificações (9% contra 28,9%, respectivamente).
Em números aproximados, isso quer dizer que se a pobreza ameaça uma entre cada dez pessoas com nível superior ou equivalente na Alemanha, na faixa com menor nível educacional essa incidência sobe para três em cada dez.
O governo alemão considera pobre aquele que tem renda inferior a 60% da renda média da população nacional.
Esse valor varia de acordo com a situação familiar de cada um. No caso dos solteiros, é considerado vulnerável à pobreza quem tem renda líquida de até 1.446 euros por mês (R$ 8.920). Para famílias compostas por dois adultos e dois menores com até 14 anos, esse limiar é de 3.036 euros (R$ 18.729).
ra/md (dpa)
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| Short teaser | Números sugerem que avanços gerais na educação da população não garantiram empregos bem remunerados a todos. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/pobreza-ameaça-quase-2-milhões-de-alemães-com-nível-superior/a-76065796?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Na Alemanha, taxa de desemprego entre pessoas com nível superior aumentou em 2025, chegando a 3,3% | ||
| Image source | Oliver Berg/dpa/picture-alliance | ||
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| Item 35 | |||
| Id | 76051552 | ||
| Date | 2026-02-19 | ||
| Title | O poder viciante de Instagram, TikTok e outras redes sociais | ||
| Short title | O poder viciante de Instagram, TikTok e outras redes sociais | ||
| Teaser |
Meta enfrenta processo nos EUA por potencial do Instagram e de outras plataformas de criar dependência. Ao mesmo tempo, muitos países cogitam proibir o uso de redes por menores. O que dizem os especialistas?O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, enfrenta, nos Estados Unidos, um julgamento de grande repercussão perante um júri. Pais e uma demandante, hoje com 20 anos, acusam a Meta e o Google de terem projetado suas plataformas de maneira proposital para viciar crianças e adolescentes e, como resultado, causar problemas psicológicos.
As declarações de Zuckerberg sobre o potencial viciante das plataformas Instagram e YouTube ganham destaque em um momento em que cada vez mais países discutem ou já implementaram proibições ou restrições abrangentes ao uso de redes sociais por menores de idade.
Uma análise das pesquisas científicas revela paralelos claros entre o uso intensivo de redes sociais e o consumo de drogas – e adiciona urgência ao debate em torno da proibição.
Em um recente artigo de discussão, a Academia Nacional de Ciências Leopoldina da Alemanha destaca que uma parcela significativa de jovens no país apresenta padrões de uso semelhantes aos de um vício, com sinais de perda de controle, negligência de outras atividades e sofrimento psicológico mensurável, como transtornos de ansiedade e depressão.
Alterações cerebrais causadas pelas redes
No entanto, o vício em redes sociais ainda não é reconhecido como um diagnóstico oficial na medicina. Isso ocorre porque, apesar das crescentes evidências, o corpo científico de pesquisas sobre alterações cerebrais causalmente relacionadas ao uso de redes sociais permanece limitado.
O psicólogo e especialista em vícios, Prof. Dr. Christian Montag, ex-chefe do Departamento de Psicologia Molecular da Universidade de Ulm e Professor Emérito em Macau, alerta para a necessidade de diferenciação.
"O vício em redes sociais ainda não é um diagnóstico reconhecido pela medicina. Ainda faltam estudos de imagem abrangentes que comprovem analogias reais com a dependência da heroína. Uma comparação direta com a heroína cria mais pânico moral do que faz justiça à complexidade da questão."
"Na verdade, existe o risco de que os critérios de diagnósticos da área de dependências relacionadas a substâncias levem à patologização de comportamentos cotidianos, uma vez que as redes sociais se tornaram tão comuns. Portanto, são necessários critérios claros e específicos que realmente distingam o comportamento prejudicial do uso normal da internet", afirma Montag.
Vício em redes também atinge adultos
Se os hábitos normais de uso de smartphones por jovens forem prematuramente declarados como vício, ou seja, "patologizados", como afirma Montag, então o mesmo deveria se aplicar aos adultos, afinal, muitos deles também passam tempo considerável em seus smartphones todos os dias. Uma proibição, portanto, mascararia os problemas em vez de resolvê-los.
Além disso, os jovens perderiam a oportunidade de usar as mídias digitais de forma responsável, porque a alfabetização midiática estaria impedida de ser praticada no dia a dia.
Até o momento, a ciência não conseguiu comprovar relação causal entre o uso de redes sociais por crianças e alterações cerebrais. Ou seja, permanece em aberto se a mudança observada é realmente atribuível às redes ou teria outras causas.
Fatores socioeconômicos, ambiente familiar, problemas de saúde mental preexistentes, privação de sono, falta de exercícios físicos e traços de personalidade individuais podem gerar interferências e levar a conclusões erradas.
Além disso, diversas pesquisas sobre o uso de redes sociais são baseadas em dados autodeclarados de crianças e pais, que podem estar sujeitos a erros, distorções e problemas de memória. Estudos de imagem que utilizam técnicas como a ressonância magnética também costumam ser correlacionais e não garantem que as alterações cerebrais medidas sejam de fato causadas pelo consumo de redes sociais.
Risco maior para crianças com TDAH
No entanto, o fato de uma relação causal ainda não ter sido comprovada conclusivamente não significa que ela não exista. Diversos estudos já indicam que as redes sociais podem afetar o cérebro dos jovens de forma semelhante às drogas.
Com o uso intensivo, a área do cérebro responsável pelas sensações de felicidade e recompensa – o chamado sistema dopaminérgico – é ativada. Em particular, regiões cerebrais importantes como o corpo estriado, a amígdala, a ínsula e o córtex cingulado anterior são alteradas, áreas onde também são encontradas anormalidades em casos de dependência química.
Adolescentes com problemas de atenção, como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), estão especialmente em risco. O uso intensivo de redes sociais pode agravar esses problemas.
Alterações em certas regiões cerebrais também foram parcialmente detectadas por meio de ressonância magnética. Em particular, o volume de massa cinzenta diminui em áreas importantes para o controle e as emoções. Alterações semelhantes também são encontradas em pessoas viciadas em drogas como a heroína.
Perda de controle semelhante à dependência química
Estudos mostram, em alguns casos, processos semelhantes à dependência em adolescentes com uso constante de redes sociais. Com o tempo, eles experimentam cada vez menos "sentimentos de felicidade" com novas curtidas ou mensagens. O cérebro se torna dessensibilizado e anseia por cada vez mais estímulos, como é característico da dependência.
O especialista Montag também vê uma forte influência das redes sociais no cérebro adolescente. "Os aplicativos de redes sociais exercem, sem dúvida, uma forte atração sobre usuários muito jovens. Curtidas, comentários e recompensas algorítmicas desencadeiam processos viciantes em jovens, intensificados pelo fato de sua autorregulação ainda estar em desenvolvimento."
Aqueles que utilizam redes sociais constantemente podem perder o controle, buscando incessantemente novos conteúdos e negligenciando outros aspectos da vida diária. Quando seus celulares são confiscados, eles frequentemente experimentam inquietação ou até mesmo pânico, que são sintomas semelhantes aos de abstinência. As consequências podem incluir problemas de sono, além de ansiedade e depressão.
Proibição ou prevenção
A proibição das redes sociais para menores de 16 anos virou tema de discussão no Parlamento alemão, o Bundestag, pelo líder da bancada do partido conservador União Democrata Cristã (CDU), Jens Spahn. Outros países têm dado passos na mesma direção.
Em termos legais, uma proibição é atualmente pouco viável, tanto política quanto juridicamente. A Lei de Serviços Digitais da União Europeia (UE) restringe ações nacionais unilaterais.
A Academia Leopoldina rejeita uma proibição geral das redes sociais para menores de 16 anos. Em vez disso, a instituição defende um princípio de precaução, que exige medidas de prevenção e proteção enquanto existirem incertezas científicas.
As recomendações alternativas incluem a verificação mais rigorosa da idade digital pelas plataformas, a supervisão parental até pelo menos 15 anos, melhor educação midiática e o fomento a competências digitais nas escolas e na sociedade.
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| Short teaser | Meta encara processo devido a potencial de redes de criar dependência, enquanto países avaliam proibir uso por menores. | ||
| Author | Alexander Freund | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-poder-viciante-de-instagram-tiktok-e-outras-redes-sociais/a-76051552?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Mark Zuckerberg compareceu a tribunal de Los Angeles para esclarecer sobre dependência de adolescentes nas redes sociais | ||
| Image source | Arda Kucukkaya/Anadolu/picture alliance | ||
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| Item 36 | |||
| Id | 76001074 | ||
| Date | 2026-02-17 | ||
| Title | Família judia que dá nome a moto cult critica uso pela AfD | ||
| Short title | Família judia que dá nome a moto cult critica uso pela AfD | ||
| Teaser |
Descendentes da família Simson protestam contra o que chamam de "apropriação" pelo partido de ultradireita e dizem que associar a marca à AfD é "repugnante". Os descendentes da família judia Simson, originária da Alemanha, protestaram contra o que chamam de apropriação da icônica marca de motos de mesmo nome pelo partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD). "Consideramos qualquer associação com a AfD repugnante e um insulto ao nosso nome", disse Dennis Baum, porta-voz da família, hoje radicada nos EUA, à agência de notícias DPA. "Minha família e eu rejeitamos firmemente ideologias extremistas e não aceitaremos a apropriação do nosso nome pela AfD." As motos da Simson produzidas na antiga Alemanha Oriental, como os modelos Schwalbe e S51, são consideradas cult por muitos entusiastas de motocicletas. Uso político pela AfDPolíticos da AfD usam o nome e imagens das motos para fins políticos, como o deputado estadual Björn Höcke, líder regional do partido no estado da Turíngia, no Leste alemão, que aparece em cartazes pilotando um modelo S51 para promover tours de motos da Simson com apoiadores. Höcke é um dos políticos mais radicais da AfD. Em 2017, ele chamou a atenção ao criticar o Memorial aos Judeus Assassinados da Europa, em Berlim, chamando-o de "monumento da vergonha". Suas afirmações controversas já levaram um tribunal alemão a decidir que a afirmação "Höcke é um fascista" não é caluniosa, mas tem base factual verificável. Em 2024, ele foi multado duas vezes por citar um antigo lema nazista em público. Em várias assembleias estaduais de estados da antiga Alemanha Oriental, a AfD pressiona para que o nome Simson seja considerado patrimônio cultural imaterial, pois ele representa "liberdade, independência e individualidade", como argumenta, por exemplo, a AfD numa moção no estado de Brandemburgo. Baum afirma que sua família considera um insulto ser associada a um partido "predominantemente extremista" e diz que o nome Simson não deve, em hipótese alguma, se tornar um símbolo da AfD. Expulsos pelos nazistasA família Simson foi expulsa da Alemanha pelos nazistas em 1936 e fugiu para os EUA. A grande tragédia vivenciada pelos Simsons foi caracterizada sobretudo pela intolerância para com a população judaica, diz o porta-voz. "Por isso, consideramos o uso do nosso nome pela AfD uma zombaria com a nossa história." A fábrica da Simson na Turíngia foi fundada pelos irmãos Moses e Loeb Simson e se estabeleceu inicialmente como produtora de armas. Em paralelo, a empresa se dedicou à fabricação de veículos e desenvolveu, entre outros, o modelo Simson Supra. Durante a era nazista, a família foi forçada a vender a empresa. Na época da República Democrática Alemã (RDA), a fábrica tornou-se uma empresa estatal e inicialmente produziu ciclomotores para a administração militar soviética. md/as (dpa, ots) |
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| Short teaser | Descendentes da família Simson protestam contra o que chamam de "apropriação" da marca pelo partido de ultradireita. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/família-judia-que-dá-nome-a-moto-cult-critica-uso-pela-afd/a-76001074?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 37 | |||
| Id | 75980357 | ||
| Date | 2026-02-15 | ||
| Title | Granada da 2ª Guerra é descoberta nas Olimpíadas de Inverno | ||
| Short title | Granada da 2ª Guerra é descoberta nas Olimpíadas de Inverno | ||
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Projétil em estacionamento para visitantes já foi desativado. Caso ocorreu onde competição terminara na véspera.Uma granada de mão da Segunda Guerra Mundial foi descoberta em um estacionamento perto do local de salto de esqui das Olimpíadas de Inverno em Predazzo e desativada, informaram autoridades italianas neste domingo (15/02).
Não houve perigo para a segurança pública em nenhum momento, disse a polícia. A área do estacionamento é normalmente usada para armazenar madeira.
O estacionamento das Olimpíadas, localizado entre as cidades de Predazzo e Moena, pode ser utilizado tanto por ônibus quanto por carros. Uma competição aconteceu em Predazzo na noite de sábado.
De acordo com a imprensa italiana, a granada foi encontrada quando o local era estruturado para receber os carros de visitantes dos jogos, em substituição a um estacionamento alternativo, fechado horas antes por causa do mau tempo.
As Olimpíadas de Inverno estão programadas para continuar até 22 de fevereiro, com Milão e Cortina d'Ampezzo como as cidades-sede oficiais.
Propriedades foram alugadas para fornecer estacionamento para os muitos visitantes vindos de fora da região, especialmente em locais menores, como Predazzo e Antholz.
No sábado, o atleta Lucas Pinheiro Braathen levou o Brasil ao pódio pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Inverno. Ele levou a medalha de ouro na prova do slalom gigante, uma disciplina do esqui alpino.
O brasileiro disputou em Bormio, que fica a cerca de 200 quilômetros do local onde a granada foi encontrada.
ht (dpa, ots)
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| Short teaser | Projétil em estacionamento para visitantes já foi desativado. Caso ocorreu onde competição terminara na véspera. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/granada-da-2ª-guerra-é-descoberta-nas-olimpíadas-de-inverno/a-75980357?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Projétil foi desativado perto de local para salto de esqui nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina | ||
| Image source | Koji Ito/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 38 | |||
| Id | 75972526 | ||
| Date | 2026-02-14 | ||
| Title | Com ouro, Brasil leva medalha inédita nas Olimpíadas de Inverno | ||
| Short title | Com ouro, Brasil leva 1ª medalha nas Olimpíadas de Inverno | ||
| Teaser |
Lucas Pinheiro Braathen, norueguês naturalizado brasileiro, superou atletas consagrados na prova do slalom gigante. Nunca antes a América do Sul havia subido ao pódio. O Brasil conquistou neste sábado (14/02) a sua primeira medalha na história dos Jogos Olímpicos de Inverno, que este ano acontecem na Itália. A vitória veio de Lucas Pinheiro Braathen, que ficou em primeiro lugar na prova do slalom gigante, uma disciplina do esqui alpino. Nunca antes a América do Sul havia subido ao pódio. Norueguês naturalizado brasileiro, o atleta manteve a grande vantagem da primeira descida sob forte nevasca. Ele é filho de mãe brasileira e pai norueguês e compete pelo Brasil desde 2023. Braathen ficou 0,58 segundo à frente do suíço Marco Odermatt, que levou desta vez o segundo lugar, depois de ter sido vencedor da prova em 2022. O bronze deste sábado também foi para a Suíça, com Loic Meillard, que terminou 1,17 segundo atrás. O representante do Brasil caiu no chão em total incredulidade ao cruzar a linha de chegada, antes de se levantar e soltar um grito de alegria. "Eu sou um esquiador alpino brasileiro e um campeão olímpico", disse Braathen à emissora brasileira Globo. Depois, o jovem de 25 anos foi visto fazendo uma videochamada com familiares em festa no Brasil, enquanto o "Tema da Vitória", canção instrumental famosa pelas vitórias de Ayrton Senna na Fórmula 1, tocava na área de chegada. Começo na NoruegaPinheiro Braathen começou a carreira como parte da equipe norueguesa, mas se aposentou em 2023 devido a uma disputa com a federação sobre direitos de marketing. Retornou um ano depois competindo pelo Brasil, e foi porta-bandeira do país na cerimônia de abertura na semana passada. Ao site Olympics.com, o atleta já havia dito que levar o ouro para o Brasil era o seu objetivo. "Eu quero escrever essa história," afirmou. "É uma chance de trazer 200 milhões de pessoas para o esporte. Sempre vai vir um novo esquiador norueguês. Mas quantas pessoas já viram alguém esquiando pelo Brasil?" Em Levi, na Finlândia, ele conquistou em 2025 o primeiro ouro do Brasil na Copa do Mundo de Esqui Alpino. A nova vitória do brasileiro significa que Odermatt, o esquiador dominante da Copa do Mundo nos últimos anos, deixa os Jogos Olímpicos de Milão/Cortina sem ouro. ht (AP, dpa) |
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| Short teaser | Lucas Pinheiro Braathen, norueguês naturalizado brasileiro, superou atletas consagrados na prova do slalom gigante. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/com-ouro-brasil-leva-medalha-inédita-nas-olimpíadas-de-inverno/a-75972526?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 39 | |||
| Id | 75862162 | ||
| Date | 2026-02-08 | ||
| Title | Itália vive onda de protestos em meio aos Jogos Olímpicos de Inverno | ||
| Short title | Itália vive onda de protestos em meio aos Jogos de Inverno | ||
| Teaser |
Manifestantes entram em confronto com a polícia após marcha contra presença do ICE e do vice de Trump em Milão. Premiê italiana critica suposto ato de sabotagem que prejudicou tráfego de trens no norte da Itália.Manifestantes entraram em confronto com a polícia neste sábado (07/02) em Milão, no norte da Itália, em meio a protestos e supostos atos de sabotagem ocorridos no âmbito dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina.
A polícia interveio com bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água contra manifestantes que protestavam contra o impacto ambiental dos Jogos e a presença de agentes do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, durante o evento.
O confronto ocorreu ao final de uma marcha pacífica de milhares de pessoas, quando alguns manifestantes tentaram acessar uma rodovia perto de um dos locais dos Jogos, numa aparente tentativa de se aproximar da pista de hóquei no gelo olímpica de Santagiulia. A essa altura, a marcha, que incluía famílias com crianças pequenas e estudantes, já havia se dispersado.
Mais cedo, um grupo de manifestantes mascarados lançou bombas de fumaça e fogos de artifício em uma ponte com vista para um canteiro de obras a cerca de 800 metros da Vila Olímpica, que abriga cerca de 1.500 atletas.
Viaturas policiais atrás de uma cerca metálica temporária protegiam a estrada da Vila Olímpica, e o protesto – acompanhado por uma forte presença de policiais – acabou sendo desviado em direção a Santagiulia.
Presença de Vance e do ICE gera revolta em Milão
A manifestação coincidiu com a visita do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, a Milão, que, como chefe da delegação americana, participou da cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno na sexta-feira, onde recebeu vaias do público presente no estádio San Siro.
No momento em que ocorria a manifestação, ele e sua família estavam no convento de Santa Maria delle Grazie para ver o quadro A Última Ceia, de Leonardo da Vinci, mais perto do centro da cidade, longe dos protestos.
A Divisão de Investigações de Segurança Interna dos EUA (HSI), uma unidade do ICE que se concentra em crimes transfronteiriços, frequentemente envia seus agentes para eventos no exterior, como os Jogos Olímpicos, para auxiliar na segurança da equipe olímpica americana.
A ramificação do ICE que promove uma violenta repressão à imigração nos EUA é conhecida como Operações de Execução e Remoção (EOR), e não há indicação de que seus agentes tenham sido enviados para a Itália.
Protestos miram impacto ambiental e patrocinadores
Na manifestação pacífica, que, segundo a polícia, reuniu 10 mil pessoas, os manifestantes carregavam recortes de papelão representando as árvores derrubadas para a construção da nova pista de bobsled em Cortina. Um caminhão de som que liderava a marcha tocou repetidas vezes um hino anti-ICE repleto de palavrões.
"Vamos retomar as cidades e libertar as montanhas", dizia uma faixa de um grupo chamado Comitê Olímpico Insustentável. Outro grupo, a Associação de Excursionistas Proletários, foi responsável por organizar as árvores de papelão.
"Eles ignoraram as leis normalmente necessárias para grandes projetos de infraestrutura, alegando urgência por causa dos Jogos”, disse um dos manifestantes, que expressou preocupação com o fato de a entidade organizadora dos Jogos vir a repassar a dívida para os contribuintes italianos.
Os manifestantes também se voltaram contra a empresa de combustíveis fósseis Eni, que patrocina os Jogos.
A manifestação deste sábado se seguiu a outra realizada na semana passada, quando centenas protestaram contra a presença de agentes do ICE.
Meloni critica "sabotadores"
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, condenou neste domingo os protestos contra os Jogos e uma alegada sabotagem da infraestrutura ferroviária do norte do país, chamando os responsáveis de "inimigos da Itália e dos italianos".
Meloni, em postagem no Facebook, criticou a ação que teria cortado cabos ferroviários para impedir a partida de trens e disse que milhares de italianos trabalham para que os Jogos transcorram sem problemas, muitos dos quais são voluntários.
O Ministério dos Transportes da Itália informou que abriu uma investigação de terrorismo sobre a sabotagem sincronizada das linhas ferroviárias no norte da Itália. Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria da ação, informou a agência de notícias italiana Ansa.
O suposto ato de sabotagem atingiu primeiro o centro de Bolonha, que controla o tráfego ferroviário entre o norte e o sul da Itália, por volta das 6h deste sábado. Em seguida, impediu o tráfego de trens na região de Pesaro, ao longo da costa do Mar Adriático. Em ambos os casos, a infraestrutura ferroviária foi incendiada ou teve os cabos cortados.
O Ministério dos Transportes não forneceu detalhes, mas afirmou que buscará milhões de euros em indenização dos responsáveis. Milhares de passageiros foram afetados pelos atrasos de várias horas.
rc (AP, ots)
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| Short teaser | Manifestantes entram em confronto com a polícia após marcha contra presença do ICE e do vice de Trump em Milão. | ||
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| Image caption | Polícia interveio com bombas de gás e canhões de água em protesto contra impacto dos Jogos e presença do ICE em Milão | ||
| Image source | Guglielmo Mangiapane/REUTERS | ||
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| Item 40 | |||
| Id | 75576958 | ||
| Date | 2026-01-24 | ||
| Title | Na Copa do Mundo de 2026, Alemanha deverá deixar política de lado | ||
| Short title | Na Copa de 2026, Alemanha deverá deixar política de lado | ||
| Teaser |
Após duras críticas pelo protesto público na Copa do Catar, é improvável que a seleção alemã faça o mesmo nos Estados Unidos. O diretor esportivo da seleção alemã de futebol, Rudi Völler, enfatizou recentemente, num programa de debates esportivos na TV, que "não haverá nenhuma ordem de silêncio" aos jogadores alemães durante a próxima Copa do Mundo, mas que ele espera que não se repita uma situação, "como nesse dito desastre da braçadeira no Catar", em que haja "discussões ainda no dia do jogo". Völler se referia à polêmica da braçadeira contra homofobia "One Love" no Catar, que a Alemanha – e várias outras nações – abandonaram rapidamente após a Fifa ameaçar com sanções. Em resposta à ameaça da Fifa, os jogadores alemães protestaram antes da partida contra o Japão posando para a foto oficial com a mão cobrindo a boca. A Alemanha foi muito criticada pelos torcedores por seu gesto no Catar, mas o professor de política esportiva Jürgen Mittag, da Universidade Alemã de Esportes de Colônia, avalia que, se a equipe tivesse chegado às quartas de final, as coisas poderiam ter sido diferentes. "Mas, do jeito que foi, eles foram muito ridicularizados por se mostrarem fortes simbolicamente, mas fracos esportivamente", diz. Posição enfraquecidaA esperança dos torcedores é que na Copa do Mundo deste ano – sediada por EUA, México e Canadá – a Alemanha tenha um desempenho melhor em campo, mas o que isso significa para sua posição fora dele? O professor de ciências sociais no esporte Michael Mutz, da Universidade Justus-Liebig de Giessen, duvida que sejam feitas declarações políticas. "Não consigo imaginar que a Federação Alemã de Futebol (DFB) vá buscar ativamente uma agenda política contra o país anfitrião novamente após as experiências negativas no Catar", avalia. Ele avalia que a DFB sofrerá acusações de dois pesos e duas medidas por ter criticado duramente a situação no Catar e presumivelmente permanecer em silêncio sobre os EUA. "Mas a federação terá que conviver com isso." Já Mittag diz que a posição da Alemanha está enfraquecida pelos frequentes desentendimentos entre a União Europeia e o presidente dos EUA, Donald Trump. "A democracia europeia também está sofrendo um pouco. Está se tornando cada vez mais fragmentada e, portanto, um pouco menos capaz de atuar na política externa. Isso se aplica ao panorama geral, assim como à esfera interna do futebol e outras questões relacionadas ao esporte", diz Mittag. "A Alemanha tem sido muito proativa na diplomacia esportiva nos últimos anos, mas também constatou que, embora desempenhe um papel de destaque, não recebe muito apoio", acrescenta. Mittag dá como exemplo a posição da Alemanha em relação ao retorno da Rússia e de Belarus aos Jogos Olímpicos. A Alemanha se opôs veementemente a isso e tentou forjar uma aliança forte, mas obteve pouco apoio. Mittag avalia que isso forçou os alemães a reconsiderarem sua abordagem. "Foi aí que a Alemanha percebeu que precisava seguir uma estratégia diferente. O país não quer abrir mão de sua posição, mas dar muita ênfase a questões morais e baseadas em valores é estrategicamente uma tolice. No fim das contas, isso não leva ao sucesso e, além disso, você ainda tem que lidar com desprezo ou schadenfreude quando tem um desempenho ruim no esporte", explicou Mittag. Mudança na diplomacia esportivaAndreas Rettig, um executivo do esporte que trabalhou no St. Pauli, em Hamburgo, foi nomeado o novo CEO da DFB em 2023 e pode ser a pessoa ideal para forjar novas alianças e posicionar melhor a Alemanha em comitês. Mas ele logo enfrentou desafios. A sua proposta de iniciar um diálogo sobre questões críticas antes da Eurocopa de 2024 não foi recebida com muito entusiasmo pelas associações regionais. "Houve uma mudança a favor de mais realpolitik na diplomacia esportiva, que está um pouco menos baseada em valores, um pouco mais realista e agindo de forma pragmática para tentar alcançar mais sucesso do que no passado", acrescenta Mittag. Audiência pode cairComo a audiência na Alemanha caiu durante a Copa do Mundo no Catar, não seria surpresa se houvesse uma nova queda, principalmente devido aos horários inconvenientes para os telespectadores europeus. "Acredito que não veremos os mesmos números de audiência de Copas do Mundo anteriores", diz Mittag. "Eu diria que o comportamento da mídia e das transmissões também refletirá o fato de que muitas pessoas dirão: 'Estou ciente desta Copa do Mundo, mas não vou assistir a tudo. Não estou tão entusiasmado quanto nos anos anteriores e, de certa forma, estou expressando minha crítica'." O que é certo é que, no momento em que a Alemanha pisar em solo americano, jogadores e comissão técnica terão que responder a perguntas sobre disputar um torneio no atual clima político e social dos Estados Unidos sob o presidente Donald Trump. A força de persuasão de suas respostas dependerá de muitos fatores, mas talvez, acima de tudo, de seu desempenho em campo. "O fator decisivo para a identificação dos alemães com a sua seleção não é tanto a situação política, mas o fato de a equipe ser percebida como uma simpática, acessível e vitoriosa", opina Mutz. Como a própria DFB destaca, a seleção alemã pode ser um importante fator de integração social, identificação e sensação de pertencimento à sociedade. "Mas a capacidade do futebol de unir pessoas muito diferentes entre si fica enfraquecida quando a seleção alemã é percebida como excessivamente política." |
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| Short teaser | Após duras críticas pelo protesto na Copa do Catar, é improvável que a seleção alemã faça o mesmo nos EUA. | ||
| Author | Jonathan Harding | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/na-copa-do-mundo-de-2026-alemanha-deverá-deixar-política-de-lado/a-75576958?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Na%20Copa%20do%20Mundo%20de%202026%2C%20Alemanha%20dever%C3%A1%20deixar%20pol%C3%ADtica%20de%20lado | ||
| Item 41 | |||
| Id | 75476804 | ||
| Date | 2026-01-12 | ||
| Title | Por que Venus Williams e outros atletas atuam por mais tempo | ||
| Short title | Por que Venus Williams e outros atletas atuam por mais tempo | ||
| Teaser |
Aos 45 anos, tenista americana ainda joga em alto nível e será a mulher mais velha a jogar no Australian Open. Por que atletas de elite estão conseguindo atuar além dos 40 anos? A tenista Venus Williams tem consistentemente quebrado recordes e barreiras ao longo de sua carreira de 32 anos, com cinco medalhas olímpicas, sete títulos de Grand Slam em simples e 14 títulos de Grand Slam em duplas com sua irmã, Serena. Este mês, ela adicionará mais um recorde e quebrará mais uma barreira, tornando-se a mulher mais velha a jogar no Australian Open, que começa no próximo domingo (18/01) em Melbourne, na Austrália . Aos 45 anos, Williams, que foi convidada para o torneio, é 27 anos mais velha que a jogadora mais jovem na chave feminina, a também americana Iva Jovic. Quando Jovic, de 18 anos, nasceu, em 2007, Williams já havia conquistado quatro títulos de Grand Slam em simples. A irmã mais velha de Selena Williams diz que o que a motiva é o amor pelo esporte e não a ideia de aumentar sua lista de conquistas e que manter sua agenda, apesar dos intervalos entre os torneios, contribuiu para sua longevidade. "Parei de correr longas distâncias há alguns anos. Essa é a única coisa que mudou", disse ela antes de um torneio preparatório na Nova Zelândia . "Mas, fora isso, mantive uma rotina semelhante. Mesmo durante todos os anos em que não estava jogando, eu sempre ia à academia como se tivesse uma partida no dia seguinte, então isso me ajuda sempre que volto a jogar. Eu volto em forma. Volto forte, sem perder o ritmo." Quarentões, mas com garraEmbora atletas de elite competindo aos 40 anos ou mais não seja tão incomum em determinados esportes, atletas de elite em esportes exigentes parecem hoje ser capazes manter uma carreira mais longeva do que era possível tempos atrás. LeBron James, 41, ainda joga basquete em alto nível, Cristiano Ronaldo provavelmente jogará a Copa do Mundo de Futebol de 2026 aos 41 anos e o ex-capitão da seleção indiana de críquete, MS Dhoni, deve participar novamente da Primeira Liga Indiana (IPL) deste ano, aos 44 anos. "O envelhecimento populacional não está apenas aumentando a idade média dos cidadãos, mas também a dos atletas de elite", diz o pesquisador Rafal Chomik, do Centro de Pesquisa sobre Envelhecimento Populacional (Cepar) da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), em Sydney, na Austrália. "Há várias explicações prováveis, incluindo avanços na ciência do esporte, inovação em equipamentos e regimes de treinamento específicos para cada modalidade, mas também há tendências sociais mais amplas que combinam inovações médicas e melhores hábitos de saúde e que nos levam a viver vidas mais longas e saudáveis", diz Chomik. O Cepar realizou um estudo sobre a idade dos atletas olímpicos nos Jogos de Tóquio em 2021. O estudo constatou que a média etária dos atletas olímpicos aumentou dois anos, de 25 para 27, entre 1992 e 2021, com a idade mediana (que divide ao população ao meio, entre a metade mais nova e a mais velha) subindo de 23 para 25 anos. A tendência continuou em Paris 2024, com a média etária pouco acima de 27 anos e a idade mediana não muito atrás, em 26,6 anos. Potência diminui primeiroMas os esportes não são iguais nesse aspecto. A competidora mais velha em Paris foi a amazona australiana Mary Hanna, com 70 anos. A média de idade dos competidores nessa modalidade em Paris era de 39,5 anos, enquanto a ginástica rítmica apresentou a menor média, de 20,44 anos. Outro estudo, conduzido ao longo de 47 anos pelo Instituto Karolinska, na Suécia, e divulgado no mês passado, constatou que "o condicionamento físico e a força começam a declinar já aos 35 anos" e que o aumento da prática de exercícios não altera a idade do pico de desempenho num determinado esporte. "Parece que perdemos potência, medida pela capacidade de salto em nosso estudo, numa idade mais precoce do que resistência e força", disse Maria Westerstahl, autora principal do estudo. "Uma explicação possível é que o tipo de célula muscular explosiva (fibras musculares tipo 2) parece ser o mais vulnerável à falta de exercícios ou ao próprio envelhecimento. No entanto, não sabemos o porquê, então a razão exata requer mais estudos", continuou. Vencer é mais difícil com a idadeIsso explica em grande parte por que nomes como Williams, James e Ronaldo são exceções nos escalões superiores de esportes onde a força importa, enquanto modalidades como hipismo, boliche ou dardos têm atletas na faixa dos 40, 50 anos ou até mais competindo no nível de elite. "Dardos não é um esporte em que você precisa ser muito forte. Tudo o que você precisa é basicamente ser saudável", diz o jogador de dardos Paul Lim, o mais velho a vencer uma partida no Campeonato Mundial deste ano, aos 71 anos. "A idade ativa nos dardos será maior do que em muitos outros esportes." Embora Lim tenha vencido uma partida, o título foi conquistado pelo prodígio de 18 anos Luke Littler. Realisticamente, vencer uma ou duas partidas, em vez de seu primeiro título em simples do Australian Open, pode ser tudo o que Williams consiga em Melbourne. "Se você observar as listas dos cem melhores tenistas dos últimos 30 anos, tanto no masculino quanto no feminino, a idade máxima parece não ultrapassar os 40 anos", disse Chomik. "Talvez a diferença esteja entre participar e vencer." |
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| Short teaser | Aos 45 anos, tenista americana ainda joga em alto nível e será a mulher mais velha a jogar no Australian Open. | ||
| Author | Matt Pearson | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/por-que-venus-williams-e-outros-atletas-atuam-por-mais-tempo/a-75476804?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Por%20que%20Venus%20Williams%20e%20outros%20atletas%20atuam%20por%20mais%20tempo | ||
| Item 42 | |||
| Id | 75351405 | ||
| Date | 2025-12-31 | ||
| Title | Seis coisas que serão diferentes na Copa do Mundo 2026 | ||
| Short title | Seis coisas que serão diferentes na Copa do Mundo 2026 | ||
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Mais jogos, mais times, mais deslocamentos: Estados Unidos, Canadá e México vão sediar o maior mundial de futebol da história, com a participação de 48 seleções. A DW destaca seis mudanças na próxima edição do torneio. A gente piscou e uma nova Copa do Mundo já está batendo na porta. O mundial de futebol de 2026 ocorrerá de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México. Será o maior evento da história do futebol. O Brasil estreia no dia 14 de junho, contra o Marrocos. Abaixo, a DW lista seis novidades dessa edição do torneio. 1. Três países como anfitriões conjuntosNormalmente, a Copa do Mundo é um evento sediado por um único país. A Copa de 2002 inovou quando Japão e Coreia do Sul — duas nações que nem sempre tiveram uma relação fácil — se uniram para sediar o torneio. A Copa de 2026 vai além: Estados Unidos, Canadá e México serão anfitriões. Embora esses países geralmente mantenham boas relações, os laços dos EUA com Canadá e México ficaram mais tensos desde o início do segundo mandato do presidente americano, Donald Trump. 2. Mais times, mais jogosGostando ou não, a decisão de expandir a Copa do Mundo de 32 para 48 seleções foi ousada por parte do presidente da Fifa, Gianni Infantino. Mais equipes significa muito mais jogos: serão 104 partidas, contra 64 na Copa de 2022 no Catar . Isso também implica em 12 grupos de quatro times, em vez de oito. Foi adicionada uma fase extra de mata-mata — com 32 times — para reduzir o número de equipes até a final, marcada para 19 de julho em Nova Jersey. A partida decisiva será disputada no 39º dia do torneio, dez dias a mais do que a duração da Copa de 2022. 3. Novos participantesCríticos argumentam que aumentar o número de seleções pode reduzir a qualidade geral dos jogos, mas isso permitiu que alguns países se classificassem para sua primeira Copa. Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão farão suas estreias no maior palco do futebol. Entre eles, Curaçao é o "azarão”. O país com menos de 160 mil habitantes ocupa a 82ª posição no ranking mundial. Outros estreantes ainda podem se classificar nos playoffs de março — incluindo Macedônia do Norte, Albânia, Kosovo e Nova Caledônia. 4. Mais deslocamentosNão é a primeira vez que uma Copa do Mundo ocorre em uma área geográfica tão ampla, mas as distâncias que equipes e torcedores terão de percorrer em 2026 serão um choque após o Catar, que é menor que Connecticut — o terceiro menor estado dos EUA. Os locais mais distantes entre si são Vancouver, no Canadá, e Miami, nos Estados Unidos, separados por 4.507 km. A Alemanha , por exemplo, terá de percorrer 2.619 km apenas para jogar na fase de grupos, viajando de Houston (EUA) para Toronto (Canadá) e depois para Nova Jersey (EUA) — sem contar o trajeto até o campo-base, ainda não definido. 5. Pausas obrigatórias para hidrataçãoEmbora as pausas para hidratação não sejam novidade no futebol, a Fifa anunciou que todos os jogos da Copa de 2026 terão duas pausas programadas, independentemente das condições climáticas. Os árbitros deverão interromper as partidas aos 22 minutos de cada tempo para que os jogadores se reidratem. Antes, as pausas só eram obrigatórias aos 30 minutos quando a temperatura no início do jogo ultrapassasse 31 °C. A mudança ocorre devido a preocupações com altas temperaturas esperadas em algumas cidades-sede, como aconteceu no Mundial de Clubes. 6. Nem todos os torcedores serão bem-vindosDois países classificados para a Copa, Irã e Haiti, estão sob uma proibição de viagem anunciada por Trump em junho, o que significa que seus torcedores não poderão entrar nos EUA para apoiar suas seleções. Em dezembro, o presidente americano impôs restrições parciais a outros dois países classificados: Costa do Marfim e Senegal. As equipes não terão problemas para entrar, pois a ordem executiva faz exceções para atletas, técnicos e pessoal de apoio. Além disso, há incertezas sobre onde os jogos serão realizados, já que Trump, que é republicano, ameaçou transferir partidas para fora de cidades governadas por democratas por "motivos de segurança". Em reunião na Casa Branca, Infantino não contestou: "Segurança é a prioridade número um para uma Copa do Mundo bem-sucedida", disse. |
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| Short teaser | Mais jogos, mais times, mais deslocamentos: EUA, Canadá e México vão sediar o maior mundial de futebol da história. | ||
| Author | Chuck Penfold | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/seis-coisas-que-serão-diferentes-na-copa-do-mundo-2026/a-75351405?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Seis%20coisas%20que%20ser%C3%A3o%20diferentes%20na%20Copa%20do%20Mundo%202026 | ||
| Item 43 | |||
| Id | 75011709 | ||
| Date | 2025-12-04 | ||
| Title | Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal | ||
| Short title | Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal | ||
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Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono.
A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente.
O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro.
Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada.
Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes.
O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira.
Trump mantém apoio a Hegseth
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira.
Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado.
Hegseth debateu ataques no Iêmen
O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz.
O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais.
O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen.
O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar.
Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque.
A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada.
Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas.
as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)
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| Short teaser | Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/investigação-conclui-que-chefe-do-pentágono-pôs-soldados-em-risco-ao-usar-signal/a-75011709?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe | ||
| Image source | Ricardo Hernandez/AP Photo/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/74914357_354.jpg&title=Investiga%C3%A7%C3%A3o%20conclui%20que%20chefe%20do%20Pent%C3%A1gono%20p%C3%B4s%20soldados%20em%20risco%20ao%20usar%20Signal | ||
| Item 44 | |||
| Id | 74617158 | ||
| Date | 2025-11-04 | ||
| Title | Federação Albanesa de Voleibol exige "teste de gênero" em jogadora brasileira | ||
| Short title | Liga albanesa de vôlei exige "teste de gênero" de brasileira | ||
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Jogadora do KV Dinamo, Nayara Ferreira foi suspensa após denúncias de times rivais. Federação é acusada de discriminação contra atleta, que realizou o exame e se diz "destruída" pelas acusações.Uma decisão recente da Federação Albanesa de Voleibol (FSHV) de suspender a jogadora brasileira Nayara Ferreira e exigir que ela seja submetida a um teste de gênero tem gerado crescentes críticas no país dos Balcãs. O caso se tornou público no final de outubro e levou a fortes pressões contra a FSHV, acusada de discriminação contra a atleta.
Ferreira, que defende o KV Dinamo, time da principal divisão feminina da Albânia, acumula 15 anos de carreira internacional, segundo o clube. Sites especializados mostram que ela passou por clubes de países europeus como Portugal, Finlândia e Espanha, e atua no vôlei feminino desde as categorias de base. No Brasil, iniciou no esporte em times como São Bernardo e Pinheiros.
"Para maior transparência perante a opinião pública, confirmamos que as informações [de que uma investigação foi aberta] são verdadeiras", disse o KV Dinamo em nota publicada em 25 de outubro. "A decisão da Federação [...] surpreendeu completamente nosso clube, e não foi acompanhada de qualquer esclarecimento sobre os motivos concretos ou a base regulatória que justificasse um pedido tão incomum", concluiu.
Em entrevista à DW, Ferreira diz não entender por que foi colocada nesta situação.
"Me sinto destruída, como se estivesse perdendo a cabeça, porque penso muito sobre por que isso aconteceu comigo, porque fizeram isso comigo. Todo dia, no meu quarto, me faço essa pergunta e até agora não sei", disse ela. "Eles me pediram um teste de gênero. Eu já joguei em sete países, inclusive na Arábia Saudita. Nunca me fizeram essa pergunta antes, nunca."
Ferreira fez o teste exigido pela FSHV voluntariamente, apenas porque não queria prejudicar o clube. "Não preciso provar a ninguém que sou mulher, porque eu sou mulher. 100%. [...] Não tenho palavras para explicar exatamente o que sinto”, acrescentou Ferreira. "Por que vocês [a FSHV] estão fazendo isso comigo? Só por olharem para meu rosto, só por verem meu cabelo?", continua.
Equipes rivais exigem investigação
Ferreira foi suspensa em outubro pela FSHV depois que duas equipes rivais, Vllaznia e Pogradec, solicitaram uma investigação. Em comunicado, a Federação afirmou que "análises pertinentes" seriam realizadas para "verificar o desempenho físico natural e determinar o gênero da jogadora".
"A FSHV está agindo com cuidado e discrição, respeitando os princípios do fair play, da igualdade no jogo e da dignidade humana", escreveu o órgão. Até o momento, a brasileira ficou fora de três partidas.
"Na ausência de quaisquer elementos concretos ou procedimentos definidos nos atos regulatórios, a exigência de submeter-se a tal teste, que afeta diretamente a dignidade e a integridade pessoal da jogadora, deixa margem para muitas incertezas sobre como esta questão foi conduzida e sobre os padrões que deveriam ser respeitados no esporte moderno", continuou o Dinamo em sua nota.
A capitã do Dinamo, Elena Bego, disse que foi uma situação difícil para a equipe.
"Em parte, coube a mim comunicar a notícia às outras jogadoras. Ficamos todos chocados. Este caso é extremamente escandaloso", disse Bego à DW. "Apoiamos Nayara durante todo o tempo."
O treinador do Dinamo, Orlando Koja, acrescentou que a ausência de Nayara também teve um grande impacto esportivo, já que a equipe ficou desfalcada em partidas importantes.
"Suspensão por motivos discriminatórios"
Ao jornal Balkan Insight o Comissário da Albânia para a Proteção contra a Discriminação, Robert Gajda, diz que a suspensão de Ferreira foi discriminatória e "homofóbica". Ele acredita que todo o caso está sendo alimentado pela mesma desinformação que tem alimentado ataques a um projeto de lei para a igualdade de gênero que está em discussão no país.
"Existem vários problemas à primeira vista. A situação começou inteiramente com base no preconceito, e uma suspensão foi imposta totalmente por motivos discriminatórios", disse ele ao Balkan Insight. "A jogadora está registrada internacionalmente, tem uma experiência muito longa em muitos clubes ao redor do mundo e é legalmente documentada como mulher."
Em declarações posteriores, a Federação se disse preocupada sobre como o caso, que afirmou ser "de natureza inteiramente esportiva" se tornou um pretexto para "violar os direitos de indivíduos ou de certas comunidades". Também afirmou que encaminhará medidas disciplinares contra "insultos públicos e intimidação" supostamente praticados pela equipe do Dinamo.
A questão de gênero no esporte feminino tem se tornado um tema de maior controvérsia nos últimos anos, especialmente após a polêmica global envolvendo Imane Khelif, a atleta olímpica argelina que conquistou ouro no boxe em Paris. Neste ano, a federação de boxe passou a exigir testes obrigatórios de gênero para todos os atletas.
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| Short teaser | Jogadora do KV Dinamo, Nayara Ferreira realizou o exame e se diz "destruída" pelas acusações. | ||
| Author | Jonathan Harding | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/federação-albanesa-de-voleibol-exige-teste-de-gênero-em-jogadora-brasileira/a-74617158?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Brasileira jogou em diversos países e tem 15 anos de carreira | ||
| Image source | Gelhot/Fotostand/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/61491866_354.jpg&title=Federa%C3%A7%C3%A3o%20Albanesa%20de%20Voleibol%20exige%20%22teste%20de%20g%C3%AAnero%22%20em%20jogadora%20brasileira | ||
| Item 45 | |||
| Id | 63791517 | ||
| Date | 2025-09-10 | ||
| Title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Short title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Teaser |
Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança.
Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade.
O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir.
Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes.
Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°?
Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança.
Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas.
Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão.
O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°.
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| Short teaser | Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. | ||
| Author | Bernd Riegert | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quais-as-diferenças-entre-os-artigos-4°-e-5°-da-otan/a-63791517?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado | ||
| Image source | Christoph Hardt/Panama/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/70764942_354.jpg&title=Quais%20as%20diferen%C3%A7as%20entre%20os%20Artigos%204%C2%B0%20e%205%C2%B0%20da%20Otan%3F | ||
| Item 46 | |||
| Id | 72986020 | ||
| Date | 2025-06-21 | ||
| Title | Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Short title | Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Teaser |
Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã. O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam. Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados." Condições deterioram para afegãos no IrãO Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã. Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar. As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã. Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários." Sem opção de retornoAtualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família. "Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi." Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria." Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar. "Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos." Traficantes de pessoas exploram medosRedes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras. Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas. O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas." Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia." |
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| Short teaser | Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação. | ||
| Author | Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 47 | |||
| Id | 57531509 | ||
| Date | 2025-06-13 | ||
| Title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Short title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Teaser |
Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas. A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país. Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital. Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen. Sistema de três elementosA defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance. Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia. Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo. O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos. Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio. 90% de êxito, mas com custos altosO "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país. De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011. Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas. Nova arma a laser "Iron Beam"Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam". O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones. A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022. As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos. Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025. |
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| Short teaser | Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. | ||
| Author | Uta Steinwehr | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 48 | |||
| Id | 64814042 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Short title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Teaser |
UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção.
Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março.
Lei antioligarca
De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda.
Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias.
Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado.
Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos
A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares.
Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas.
Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares.
Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo
A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país.
Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros.
A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões.
Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares.
Não existem mais oligarcas ucranianos?
Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política.
Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los".
De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE.
Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra.
"Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos.
Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas.
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| Short teaser | UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas. | ||
| Author | Eugen Theise | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/qual-ainda-é-o-real-poder-dos-oligarcas-ucranianos/a-64814042?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia | ||
| Image source | Daniel Naupold/dpa/picture alliance | ||
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| Item 49 | |||
| Id | 64820664 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Short title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Teaser |
De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. Prefeito de Istambul diz ser necessário até 40 bilhões de dólares para se preparar para possível novo grande tremor.Duas semanas e meia após o terremoto de 7,8 de magnitude na área de fronteira turco-síria, o número de mortos aumentou para mais de 50 mil, informaram as autoridades dos dois países nesta sexta-feira (24/02).
A Turquia registrou 44.218 mortes, de acordo com a agência de desastres turca Afad, e a Síria reportou ao menos 5,9 mil mortes. Nos últimos dias, não houve relatos de resgate de sobreviventes.
Tremores secundários continuam a abalar a região. Neste sábado (25/02), um tremor de magnitude 5,5 atingiu o centro da Turquia, informou o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a uma profundidade de 10 quilômetros.
O observatório sísmico de Kandilli disse que o epicentro foi localizado no distrito de Bor, na província de Nigde, que fica a cerca de 350 quilômetros a oeste da região atingida pelo grande tremor de 6 de fevereiro.
Graves incidentes e vítimas não foram reportados após o tremor deste sábado.
Segundo a Turquia, nas últimas três semanas, foram mais de 9,5 mil tremores secundários e a terra chegou a tremer, em média, a cada quatro minutos.
De acordo com o governo turco, 20 milhões de pessoas no país são afetadas pelos efeitos do terremoto. As Nações Unidas estimam que na Síria sejam 8,8 milhões de pessoas afetadas.
Turquia começa reconstrução
As autoridades turcas começaram a construir os primeiros alojamentos para os desabrigados. O trabalho de escavação de terra está em andamento nas cidades de Nurdagi e Islahiye, na província de Gaziantep, escreveu no Twitter o ministro do Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Mudança Climática, Murat Kurum. Inicialmente, estão previstos 855 apartamentos.
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometeu a reconstrução em um ano. Críticos alertam que erguer prédios tão rapidamente pode fazer com que a segurança sísmica dos edifícios seja negligenciada novamente. A oposição culpa o governo de Erdogan, que está no poder há 20 anos, pela extensão do desastre porque não cumpriu os regulamentos de construção.
Também neste sábado, o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, disse que pelo menos 184 pessoas foram detidas por suposta negligência em relação a prédios desabados após os terremotos. Entre eles, estão empreiteiros e o prefeito do distrito de Nurdagi, na província de Gaziantep.
Até agora, o Ministério do Planejamento Urbano inspecionou 1,3 milhão de edifícios, totalizando mais de meio milhão de residências e escritórios, e relatou que 173 mil propriedades ruíram ou estão tão seriamente danificadas que precisam ser demolidas imediatamente.
Ao todo, quase dois milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas, demolidas ou danificadas pelos tremores, e vivem atualmente em tendas, casas pré-fabricadas, hotéis, abrigos e diversas instituições públicas, detalhou um comunicado do Afad.
Cerca de 528 mil pessoas foram evacuadas das 11 províncias listadas como regiões afetadas, acrescentou o comunicado do serviço de emergência, enquanto 335 mil tendas foram montadas nessas áreas e 130 núcleos provisórios de casas pré-fabricadas estão sendo instalados.
Em março e abril começará a construção de 200 mil novas casas, prometeu o ministério turco. Estima-se que o terremoto de 6 de fevereiro tenha custado à Turquia cerca de 84 bilhões de dólares.
Na Síria, o noroeste é particularmente atingido pelos efeitos do tremor. Há poucas informações sobre o país devastado pela guerra. Diante de anos de bombardeios e combates, muitas pessoas ali já viviam em condições precárias antes dos tremores.
Istambul precisa de 40 bilhões de dólares
Enquanto isso, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, disse a cidade, que fica perto de uma grande falha geológica, precisa de um programa urgente de urbanização no valor de "cerca de 30 bilhões a 40 bilhões de dólares" para se preparar para um possível novo grande terremoto.
"A quantia é três vezes maior do que o orçamento anual da cidade de Istambul, mas precisamos estar prontos antes que seja tarde demais", disse Imamoglu a um conselho científico.
De acordo com um relatório de 2021 do observatório sísmico de Kandilli, um potencial terremoto de magnitude superior a 7,5 danificaria cerca de 500 mil edifícios, habitados por 6,2 milhões de pessoas, cerca de 40% da população da cidade, a mais populosa da Turquia.
Istambul fica ao lado da notória falha geológica do norte da Anatólia. Um grande terremoto em 1999 que atingiu a região de Mármara, incluindo Istambul, matou mais de 18 mil.
le (EFE, DPA, Reuters, ots)
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| Short teaser | De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/mortos-em-terremoto-na-turquia-e-na-síria-passam-de-50-mil/a-64820664?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil | ||
| Image source | Selahattin Sonmez/DVM/abaca/picture alliance | ||
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| Item 50 | |||
| Id | 64819106 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia | ||
| Short title | UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia | ||
| Teaser |
Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra firmas iranianas que fornecem drones a Moscou. Mais de 100 indivíduos e entidades russas são afetados.A União Europeia prometeu aumentar a pressão sobre Moscou "até que a Ucrânia seja libertada", ao adotar neste sábado (25/02) um décimo pacote de sanções contra a Rússia, acordado pelos líderes do bloco no dia anterior, que marcou o primeiro aniversário da invasão da Ucrânia. O conjunto de medidas inclui veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra empresas iranianas que fornecem drones a Moscou.
"Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos – esgotando o arsenal de guerra da Rússia e mordendo profundamente sua economia", disse a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, através do Twitter, acrescentando que o bloco está aumentando a pressão sobre aqueles que tentam contornar as sanções da UE.
O chefe de política externa da UE, Josep Borrell, alertou que o bloco continuará a impor mais sanções contra Moscou. "Continuaremos a aumentar a pressão sobre a Rússia – e faremos isso pelo tempo que for necessário, até que a Ucrânia seja libertada da brutal agressão russa", disse ele em comunicado.
Restrições adicionais são impostas às importações de mercadorias que geram receitas significativas para a Rússia, como asfalto e borracha sintética.
Os Estados-membros da UE aprovaram as sanções na noite de sexta-feira, depois de uma agitada negociação, que foi travada temporariamente pela Polônia.
Acordo após mais de 24 horas de reuniões
As negociações entre os países da UE ficaram estagnadas durante a discussão sobre o tamanho das cotas de borracha sintética que os países poderão importar da Rússia, uma vez que a Polônia queria reduzi-las, mas finalmente houve o acordo, após mais de 24 horas de reuniões.
"Hoje, a UE aprovou o décimo pacote de sanções contra a Rússia" para "ajudar a Ucrânia a ganhar a guerra", anunciou a presidência sueca da UE, em sua conta oficial no Twitter.
O pacote negociado "inclui, por exemplo, restrições mais rigorosas à exportação de tecnologia e produtos de dupla utilização", medidas restritivas dirigidas contra indivíduos e entidades que apoiam a guerra, propagandeiam ou entregam drones usados pela Rússia na guerra, e medidas contra a desinformação russa", listou a presidência sueca.
Serão sancionados, concretamente, 47 componentes eletrônicos usados por sistemas bélicos russos, incluindo em drones, mísseis e helicópteros, de tal maneira que, levando em conta os nove pacotes anteriores, todos os produtos tecnológicos encontrados no campo de batalha terão sido proibidos, de acordo com Ursula von der Leyen.
O comércio desses produtos, que as evidências do campo de batalha sugerem que Moscou está usando para sua guerra, totaliza mais de 11 bilhões de euros (mais de R$ 60 bilhões), segundo autoridades da UE.
Sanções contra firmas iranianas
Também foram incluídas, pela primeira vez, sete empresas iranianas ligadas à Guarda Revolucionária que fabricam os drones que Teerã está enviando a Moscou para bombardear a Ucrânia.
As novas medidas abrangem mais de 100 indivíduos e empresas russas, incluindo responsáveis pela prática de crimes na Ucrânia, pela deportação de crianças ucranianas para a Rússia e oficiais das Forças Armadas russas.
Todos eles terão os bens e ativos congelados na UE e serão proibidos de entrar no território do bloco.
O décimo pacote novamente foca na necessidade de evitar que tanto a Rússia como os oligarcas contornem as sanções, tendo sido acordado considerar a utilização de bens do Banco Central russo congelados na UE para a reconstrução da Ucrânia.
No entanto, vários países têm dúvidas jurídicas sobre a possibilidade de utilizar esses recursos para a reconstrução e pedem o máximo consenso internacional.
md (EFE, Reuters, AFP)
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| Short teaser | Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e retaliações a empresas iranianas que fornecem drones a Moscou. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ue-impõe-10°-pacote-de-sanções-contra-a-rússia/a-64819106?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | "Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos", disse Ursula von der Leyen, | ||
| Image source | Zhang Cheng/XinHua/dpa/picture alliance | ||
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| Item 51 | |||
| Id | 64816115 | ||
| Date | 2023-02-24 | ||
| Title | Zelenski quer América Latina envolvida em processo de paz | ||
| Short title | Zelenski quer América Latina envolvida em processo de paz | ||
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Presidente ucraniano propõe cúpula com os países da região e diz ter convidado Lula para ir a Kiev. Ele diz ainda que nações da África, além de China e Índia, deveriam se sentar na mesa de negociações.O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou nesta sexta-feira (24/02) que deseja que países da América Latina e África, além da China e Índia, façam parte de um processo de paz para o fim da guerra com a Rússia. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa para veículos internacionais que marcou um ano da invasão russa na Ucrânia.
Buscando fortalecer os laços diplomáticos, Zelenski propôs a realização de uma cúpula com os líderes latino-americanos. "É difícil para mim deixar o país, mas eu viajaria especialmente para essa reunião", destacou.
Ao manifestar a intenção de reforçar os contatos bilaterais, Zelenski citou especificamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ser questionado por um jornalista brasileiro. "Eu lhe mandei [a Lula] convites para vir à Ucrânia. Realmente espero me encontrar com ele. Gostaria que ele me ajudasse e apoiasse com uma plataforma de conversação com a América Latina", disse Zelenski. "Estou realmente interessado nisso. Estou esperando pelo nosso encontro. Face a face vou me fazer entender melhor."
Nesta sexta-feira, Lula voltou a defender uma iniciativa de "países não envolvidos no conflito" para promover as negociações de paz.
"No momento em que a humanidade, com tantos desafios, precisa de paz, completa-se um ano da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. É urgente que um grupo de países, não envolvidos no conflito, assuma a responsabilidade de encaminhar uma negociação para restabelecer a paz", escreveu o presidente brasileiro no Twitter.
Estreitar laços
O presidente ucraniano destacou ainda que seu governo começou a abrir novas embaixadas na América Latina e África, onde alguns países continuam mantendo boas relações com a Rússia e se recusam a condenar a guerra.
Zelenski ressaltou ainda que Kiev deve tomar medidas para construir relações com os países africanos. "A Ucrânia deve dar um passo à frente para se encontrar com os países do continente africano", declarou.
Ele propôs também organizar uma cúpula com "países de todos os continentes" após Kiev ter recebido um apoio generalizado na Assembleia Geral da ONU, que na quinta-feira aprovou uma resolução sobre o fim das hostilidades e a retirada das tropas russas do território ucraniano. Ele disse que essa reunião deve ocorrer num país "que seja capaz de reunir o maior número possível de países do mundo".
O presidente ucraniano aludiu indiretamente às abstenções registradas durante essa votação, incluindo a China e a Índia, e disse que o seu governo trabalha "para transformar essa neutralidade num estatuto de não-neutralidade diante a guerra".
Proposta da China
Apesar de ter manifestado algum ceticismo, Zelenski saudou alguns elementos do "plano de paz" apresentado pela China e disse esperar que a posição da liderança chinesa evolua no sentido de exigir que a Rússia respeite os princípios básicos do direito internacional, no qual se incluem a soberania e a integridade territorial dos países.
"Pelo menos, a China começou a falar conosco, nos chamou de 'país invadido' e julgo que isso é bom. Mas a China não é propriamente pró-ucraniana e temos que ver que atos seguirão as palavras", afirmou.
Ele também destacou ser promissor a China estar pensando em intermediar a paz, mas reiterou que qualquer plano que não incluir a retirada total das tropas russas de territórios ucranianos é inaceitável para Kiev.
cn/bl (Reuters, AFP, Efe)
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| Short teaser | Presidente ucraniano propõe cúpula com os países da região e diz ter convidado Lula para ir a Kiev. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/zelenski-quer-américa-latina-envolvida-em-processo-de-paz/a-64816115?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Zelenski fez declaração em coletiva de imprensa que marcou um ano da guerra na Ucrânia | ||
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| Item 52 | |||
| Id | 64811757 | ||
| Date | 2023-02-24 | ||
| Title | "Plano de paz" chinês deixa mais dúvidas do que respostas | ||
| Short title | "Plano de paz" chinês deixa mais dúvidas do que respostas | ||
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Desde que o principal diplomata da China, Wang Yi, anunciou um plano de Pequim para um acordo político sobre a Ucrânia, surgiram especulações sobre seu papel na resolução da guerra. O plano foi agora divulgado. Durante a Conferência de Segurança de Munique na semana passada, o representante máximo da diplomacia chinesa, Wang Yi, anunciou a proposta de Pequim de um "plano de paz" para resolver a guerra na Ucrânia por meios políticos. Nesta sexta-feira (24/02), no aniversário de um ano da invasão da Ucrânia pela Rússia, o Ministério das Relações Exteriores chinês divulgou a proposta de 12 pontos. Entre eles, estão críticas às sanções unilaterais do Ocidente e apelos para retomar as negociações de paz e reduzir os riscos estratégicos associados às armas nucleares. Por muito tempo, a China relutou em assumir um papel ativo no conflito, preferindo apresentar-se como neutra e ignorar os apelos de países do Ocidente para pressionar a Rússia. Faz sentido, tendo em vista que a China é uma das principais beneficiárias das sanções contra a Rússia. Devido ao isolamento internacional de Moscou, a China ganhou forte influência sobre os suprimentos russos de energia e seus preços. Em 2022, as exportações chinesas para a Rússia aumentaram 12,8%, enquanto as importações, incluindo recursos naturais, cresceram 43,4%. No entanto, os impactos negativos da guerra estão lentamente superando os ganhos de curto prazo. O secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse que a China está considerando fornecer armas letais à Rússia. O suposto apoio de Pequim a Moscou já resultou em controles de exportação mais rígidos e restrições a investimentos do Ocidente. Análises sugerindo que o que acontece hoje na Ucrânia pode ser repetido no futuro pela China em relação a Taiwan também provocam preocupação no Ocidente e afetam as relações com os EUA e a União Europeia (UE), os maiores parceiros comerciais de Pequim. "A Rússia não ajudou Pequim ao despertar o mundo para essa ameaça antes que Pequim estivesse pronta para empreender uma possível invasão de Taiwan", disse à DW Blake Herzinger, membro não residente do American Enterprise Institute especialista na política de defesa do Indo-Pacífico. A proposta da China para a guerra na UcrâniaAté a divulgação nesta sexta-feira, os detalhes do plano chinês estavam sendo mantidos em sigilo. Wang Yi apresentou os pontos-chave ao ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, em Munique. No entanto, nem Kuleba nem o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, viram o texto da proposta. Após a conferência em Munique, Wang Yi visitou a Rússia e se reuniu com várias autoridades de alto escalão, incluindo o presidente russo, Vladimir Putin. Embora Wang Yi estivesse na Rússia apenas dois dias antes da divulgação do documento, Moscou informou que não houve negociações sobre o chamado "plano de paz da China" e que o lado chinês apenas expressou vontade de desempenhar um papel "construtivo" no conflito. No documento divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores da China, o foco principal é na soberania e integridade territorial. No entanto, a China não especifica como essa questão, fundamental tanto para a Rússia quanto para a Ucrânia, deve ser abordada. "A China defende da boca para fora a integridade territorial, mas não pediu à Rússia para parar com sua guerra ilegal de conquista e retirar suas tropas", disse à DW Thorsten Benner, diretor do Global Public Policy Institute, à DW. Ao contrário de muitas expectativas, o plano também não pediu a interrupção do fornecimento de armas à Ucrânia. O documento menciona o diálogo e as negociações como a única solução viável para a crise. Atualmente, porém, as conversas entre Rússia e Ucrânia têm se resumido à troca de prisioneiros e a raros contatos informais. "Para ser bem-sucedida, a mediação de paz precisa da disposição das partes em conflito", disse à DW Artyom Lukin, professor da Universidad Federal do Extremo Oriente, em Vladivostok, na Rússia. "No entanto, agora há poucos sinais de que Moscou e Kiev estejam interessadas em chegar a um acordo. Moscou ainda está determinada a se apossar de todas as regiões de Donetsk e Lugansk, mantendo o controle sobre as áreas das regiões de Zaporíjia e Kherson que foram tomadas pelas forças russas em 2022. Kiev parece determinada a expulsar a Rússia do Donbass, de Zaporíjia e Kherson, e talvez ir atrás da Crimeia em seguida. É difícil imaginar como as posições de Rússia e Ucrânia possam chegar a um ponto comum no momento", acrescentou. Mediador duvidosoAlém disso, o papel da China como mediadora no conflito parece duvidoso, uma vez que o país não atua como um ator imparcial. No ano passado, a China intensificou os laços políticos, militares e econômicos com a Rússia. Na proposta desta sexta-feira, Pequim, mais uma vez, opôs-se a "sanções unilaterais não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU", o que claramente se refere às sanções do Ocidente a Moscou. Além disso, o presidente chinês, Xi Jinping, não se encontrou ou ligou para Zelenski nem uma vez, apesar de manter contato regular com Putin. "É tolice acreditar que uma parte que está envolvida com um dos lados, neste caso a China do lado da Rússia, possa desempenhar o papel de mediador. Da mesma forma, a Europa não poderia ser um mediador porque está firmemente no lado de Kiev", disse Benner. Campanha de relações públicas sem riscosA proposta da China parece ser em grande parte uma declaração de princípios, e não uma solução prática. "O que me impressionou em particular é o fato de que não há propostas para incentivar ou influenciar Moscou na direção de uma mudança de comportamento", disse à DW Ian Chong, cientista político da Universidade Nacional de Cingapura. "Não há nenhuma pressão ou e não há nenhuma oferta que possa beneficiar a Rússia caso ela cumpra o proposto. Apenas na linguagem da declaração, não está claro por que haveria um incentivo para a Rússia, e não está claro por que haveria um incentivo para a Ucrânia, se não há um motivo para a Rússia parar a invasão em primeira instância", destacou. "Acho que a China está fazendo isso apenas como objetivo de relações públicas. Esse 'plano de paz' e falar de si mesmo como mediador é sobretudo uma ferramenta retórica que Pequim usa, em um esforço para reparar as relações com a Europa e melhorar o diálogo com o resto do mundo, bem como para apoiar a mensagem de que os Estados Unidos é o culpado pela guerra e que a China, na verdade, é uma força pela paz", afirma Benner. Outros pontos da propostaO texto pede ainda um cessar-fogo, proteção para prisioneiros de guerra e cessação de ataques a civis, sem dar mais detalhes, além de defender a manutenção da segurança das centrais nucleares e dos acordos para facilitar a exportação de cereais. A proposta também condena a "mentalidade de Guerra Fria", um termo usado frequentemente pela China quando se refere aos Estados Unidos ou à Otan. "A segurança de uma região não deve ser alcançada pelo fortalecimento ou expansão de blocos militares", diz a proposta. "O tom básico e a mensagem fundamental da política são bastante pró-Rússia", afirmou o professor de política externa chinesa e segurança internacional da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, Li Mingjiang. |
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| Short teaser | Pequim divulgou seu esperado plano de 12 pontos para um acordo político sobre a Ucrânia. | ||
| Author | Alena Zhabina | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/plano-de-paz-chinês-deixa-mais-dúvidas-do-que-respostas/a-64811757?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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