| Item 1 | |||
| Id | 78208464 | ||
| Date | 2026-08-02 | ||
| Title | Civilização milenar na Amazônia brasileira pode ter reunido milhões | ||
| Short title | Os rastros de uma civilização milenar na Amazônia brasileira | ||
| Teaser |
Mapeamento aéreo a laser revelou mais de 400 sítios cerimoniais do povo Aquiry – que, segundo pesquisadores, chegou a reunir até 3 milhões de habitantes. Uma nova pesquisa co-autorada por cientistas brasileiros revelou estruturas deixadas no que hoje é a junção dos estados do Acre e do Amazonas por uma civilização de milhões de pessoas que habitou o sudoeste da Amazônia entre 600 a.C. e 850 d.C. A descoberta, publicada na revista Nature, desafia o que se sabia sobre a densidade populacional e a complexidade cultural da região amazônica. A civilização Aquiry, nome derivado do termo indígena para o rio Acre, construiu grandes centros com fins políticos e rituais que abrangem cerca de 183 mil quilômetros quadrados, um território quase do tamanho do Paraná. Seus vestígios são enigmáticas figuras geométricas no solo: espaços delimitados por valas de vários metros de profundidade, conectados entre si por caminhos retos. Mais de 400 sítios identificados, mas podem ser milharesOs arqueólogos encontraram vestígios de mais de 400 sítios bem preservados. Mas eles estimam que possam ter existido mais de 20 mil antigos centros cerimoniais na região. Isso é bem mais do que estimativas anteriores de 10 mil para toda a Amazônia, observou a revista Science. O maior dos sítios descobertos pelos pesquisadores ocupa 50 hectares, o equivalente a 70 campos de futebol. "O que mais nos surpreendeu foi o número extraordinariamente elevado de geoglifos [grandes figuras feitas no chão] e outras construções de terra encontradas em uma área que representa menos de 3% da Grande Amazônia", afirmou o autor principal, o arqueoantropólogo Martti Pärssinen, da Universidade de Helsinque, ao Science Alert. Amazônia pode ter tido dezenas de milhões de habitantesO novo estudo estima que entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas viviam ali no início do primeiro milênio. O dado desafia as estimativas anteriores sobre a população de toda a região amazônica, que oscilavam entre 1 e 10 milhões. Segundo os autores, a população total da Amazônia pode ter alcançado dezenas de milhões de pessoas: "Nossas descobertas provocam uma reviravolta no que sabíamos sobre o passado da região amazônica", afirma Pärssinen, em comunicado da Universidade de Helsinque. E acrescenta: "Muitas outras regiões da Amazônia podem ter sido muito mais densamente povoadas e ter passado por uma transformação muito mais intensa do que se supunha até agora". Civilização de agricultores e construtoresOs Aquiry também deixaram sua marca na paisagem vegetal. Eles queimaram florestas de bambu para abrir áreas destinadas ao cultivo de milho, abóbora e mandioca, além de construir seus centros cerimoniais e os largos caminhos que levavam até eles. Também manejavam espécies de árvores de alto valor cultural, promovendo sua propagação em detrimento de outras espécies. "O impacto humano sobre o meio ambiente amazônico foi muito maior do que se acreditava", destaca Pärssinen. "A civilização também alterou a produção e o balanço de carbono da antiga Amazônia, algo que deveria ser mais bem considerado nos futuros modelos climáticos." O scanner a laser que atravessa a florestaAs estruturas ocultas sob a floresta amazônica foram reveladas graças ao Lidar, uma tecnologia de mapeamento aéreo a laser que atravessa as frestas da vegetação e rebate no solo, permitindo reconstruir mapas tridimensionais da paisagem. "Voamos em trechos retos e longos de cerca de 450 km, mapeando uma faixa de aproximadamente um quilômetro de largura a cada dez quilômetros. Isso nos permitiu cobrir uma área contínua o maior possível", explica o coautor Juha Hyyppä, do Instituto de Pesquisa Geoespacial da Finlândia. O que os indígenas faziam nos locais mapeados?As estruturas de formas geométricas e caminhos retos provavelmente eram centros construídos para fortalecer as relações entre comunidades, servir como pontos de encontro para tomada de decisões políticas ou para demonstrações de generosidade dos caciques. As cerimônias incluíam danças rituais, música, banquetes, competições atléticas e jogos com bola. "Suas dimensões variáveis, formas, métodos de construção e localizações refletem as características geográficas e culturais distintas da região”, destaca Risto Kalliola, professor da Universidade de Turku, na Finlândia. Ao portal Science, o antropólogo brasileiro e indígena Francisco Apurinã, que participou do estudo, disse que seu povo no Acre reconhece os geoglifos como um tipo de "kymyrury": espaços que funcionam como "casas para os espíritos". Uma civilização sem ruínas de pedraAinda se sabe relativamente pouco sobre os Aquiry. Desconhece-se, por exemplo, quais línguas eram faladas nessas comunidades ou como seus habitantes se autodenominavam. A região carecia de pedra, por isso não restaram ruínas líticas. No entanto, os geoglifos amazônicos ajudam a compreender como viviam. "Não se tratava de um único reino, mas de uma rede formada por muitas comunidades diferentes", afirma outra autora do estudo, Pirjo Kristiina Virtanen, professora de Estudos Indígenas da Universidade de Helsinque. Desaparecimento é enigmaO maior mistério continua sendo o desaparecimento dos Aquiry: "Ainda há muitas perguntas sem resposta. Uma das mais importantes é o que aconteceu entre aproximadamente os anos 850 e 1000 d.C. Por que essa civilização desapareceu?", questiona Pärssinen. A pergunta ganha ainda mais força quando se considera o contexto global: na mesma época, a civilização maia clássica na América Central também entrou em colapso gradualmente, embora as causas de ambos os colapsos continuem sendo objeto de debate. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Mapeamento aéreo a laser revelou mais de 400 sítios cerimoniais do povo Aquiry, com população estimada em 3 milhões. | ||
| Author | José Urrejola | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/civilização-milenar-na-amazônia-brasileira-pode-ter-reunido-milhões/a-78208464?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Civiliza%C3%A7%C3%A3o%20milenar%20na%20Amaz%C3%B4nia%20brasileira%20pode%20ter%20reunido%20milh%C3%B5es | ||
| Item 2 | |||
| Id | 78103224 | ||
| Date | 2026-08-01 | ||
| Title | Por que os brasileiros estão trocando mais de emprego | ||
| Short title | Por que os brasileiros estão trocando mais de emprego | ||
| Teaser |
Em vez de estabilidade, job hopping: sobretudo os jovens dão cada vez mais valor ao desenvolvimento profissional e à identificação com a cultura da empresa.Há apenas seis anos formada em arquitetura, Clara Martinez já trabalhou em quatro empresas. Na primeira troca, o motivo foi exclusivamente financeiro. Depois ela passou a priorizar desafios e desenvolvimento profissional, a ponto de recusar uma contraproposta superior à nova oferta.
Na troca mais recente, ela deixou um emprego estável, mas sem perspectivas de crescimento, para ingressar numa empresa maior: manteve o mesmo salário, abriu mão do trabalho remoto e apostou num plano de carreira de longo prazo. "Eu não fugi de um ambiente ruim. Eu fugi da estagnação", conta.
A trajetória da arquiteta reflete um movimento cada vez mais comum no mercado de trabalho: o job hopping, prática de trocar de emprego com frequência em busca não apenas de salários maiores, mas também de desenvolvimento profissional, flexibilidade e até maior identificação com a cultura da nova empresa.
Os números por trás da tendência
Dados da consultoria Michael Page comprovam essa tendência: 44% dos brasileiros buscam ativamente outra oportunidade, enquanto 39% consideram deixar o emprego atual.
Uma recente pesquisa do Ministério do Trabalho e Emprego mostra que principalmente os jovens estão trocando de emprego. Entre pessoas de 25 a 29 anos, 25,3% deixam o trabalho antes de completar um ano. Na faixa de 18 a 24 anos, esse percentual sobe para 38,2% e, entre adolescentes de 14 a 17 anos, supera a metade (52%).
Segundo o levantamento, baixos salários, longas jornadas e poucas oportunidades de desenvolvimento profissional ajudam a explicar esse comportamento. Diante da percepção de que não haverá investimento em sua carreira, muitos jovens optam por pedir demissão em busca de empregos semelhantes que ofereçam alguma vantagem adicional.
Para o consultor Lucas Oggiam, diretor executivo da Michael Page Brasil, o aumento da rotatividade tem diferentes causas. Em parte ela decorre de decisões voluntárias dos profissionais, e em parte reflete demissões ligadas ao cenário econômico.
Segundo ele, a troca frequente de emprego já vinha acontecendo nos últimos anos, mas não da mesma forma em todos os níveis hierárquicos. Funções operacionais e de entrada tradicionalmente têm maior rotatividade, enquanto executivos da alta liderança (os chamados C-levels) permanecem mais tempo na mesma empresa.
Já quando as mudanças acontecem por razões econômicas, ciclos mais curtos nem sempre representam uma escolha do trabalhador, mas, em muitos casos, cortes de custos e reestruturações nas empresas.
Da estabilidade ao propósito
Para a pesquisadora Maira Blasi, especializada em futuro do trabalho, a estabilidade no emprego perdeu espaço para outras vantagens, como uma carreira mais diversificada e alinhada a um propósito profissional.
Ela avalia que a expansão do ensino superior e do acesso à internet ampliou o acesso à informação, às oportunidades e a diferentes referências de carreira. "À medida que os brasileiros se tornam mais escolarizados e que a informação mundial circula livremente, a população acessa outros referenciais no mundo, outros jeitos de viver a vida", diz Blasi.
Ao mesmo tempo, a estabilidade oferecida pelas empresas não é mais a mesma. Demissões em massa, contratação de trabalhadores como pessoa jurídica e projetos mais curtos reduziram a atratividade de permanecer muitos anos na mesma organização.
"Um lado passou a não prometer estabilidade, e o outro passou a pensar: 'Vou ver como está a minha carreira'", diz Blasi. "Quando você 'pejotiza' alguém que antes ocupava uma vaga com características fixas, de CLT, abre espaço para essa pessoa se sentir menos presa à empresa", diz.
Diversidade e inclusão
Outro fator para trocar de emprego é a busca por ambientes de trabalho mais inclusivos. A maior visibilidade midiática de temas como neurodiversidade e diversidade de gênero levou muitos profissionais a questionarem o ambiente de trabalho tradicional.
Em consequência, empresas que oferecem flexibilidade, políticas de diversidade e melhores condições para conciliar vida pessoal e trabalho se tornaram mais atrativas.
Para Blasi, depois da pandemia, a vida fora do trabalho ganhou mais importância, levando profissionais a experimentarem novas empresas e modelos de trabalho. "Se uma empresa não fala de diversidade, eu vou testar outra. Se aqui eu não posso cuidar do meu filho, vou tentar em outra", resume.
A insatisfação com lideranças é outro fator que pesa, pois trabalhar num ambiente tóxico tem efeitos negativos também sobre a vida pessoal.
Autodescoberta profissional
Aos 36 anos, Ana Zampolo, especialista em educação corporativa, também se rendeu ao job hopping. Nos últimos seis anos, passou por cinco empresas e ainda abriu e fechou o próprio negócio. Também migrou da logística, sua área de formação, para a área organizacional. Para ela, as mudanças fizeram parte de um processo de autodescoberta profissional.
Para a profissional, nem toda mudança de emprego significou um aumento de salário. Em alguns momentos, ela aceitou ganhar menos para se aproximar da área em que desejava construir a carreira. "Eu aceitei fechar minha empresa e vir para cá porque era interessante no recálculo de rota. Eu vi um caminho."
Hoje, ela afirma que, em vez de estabilidade, valoriza mais o propósito e os valores pessoais. "Eu não busco estabilidade. Eu busco realização, propósito, que a empresa seja conforme com aquilo que eu tenho como objetivos de vida. Se aquele lugar ou aquelas funções não estão me levando aonde eu quero como pessoa, como carreira, eu não continuo ali. O que me interessa é fazer carreira dentro da minha vida", diz Zampolo.
Isso não significa descartar uma trajetória de longo prazo. Ela diz que aceitaria permanecer por muitos anos na mesma empresa se houvesse um plano de carreira claro, com metas, prazos e oportunidades concretas de crescimento.
O que pensam os recrutadores
Nem Martinez nem Zampolo dizem ter sido questionadas por recrutadores sobre as frequentes mudanças de emprego. Pelo contrário. "Na verdade, eu recebi como feedback positivo que eu nunca estou parada", diz a arquiteta.
Especialistas alertam, porém, que o contexto dessas mudanças continua sendo determinante. Para Oggiam, quando o profissional está em início de carreira, é natural buscar cargos diferentes e numa velocidade maior de mudança. Já executivos tendem a construir trajetórias mais longas.
Segundo ele, aos recrutadores interessa sobretudo entender as razões por trás das mudanças. Já os empregadores tendem a avaliar se aquele comportamento pode voltar a se repetir. Ele também descreve que, mesmo em áreas com alta rotatividade, como tecnologia, muitas empresas continuam valorizando trajetórias duradouras.
Segundo os especialistas, não há um período considerado ideal para permanência num emprego. Blasi diz que o recomendado é permanecer pelo menos um ano em cada organização, mas o mais importante é ficar tempo suficiente para entregar resultados e saber explicar o impacto que o próprio trabalho teve.
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| Short teaser | Em vez de estabilidade, job hopping: jovens dão cada vez mais valor a desenvolvimento profissional e cultura da empresa. | ||
| Author | Larissa Maia | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/por-que-os-brasileiros-estão-trocando-mais-de-emprego/a-78103224?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | A flexibilidade oferecida pelo home office é um fator importante para muitos profissionais | ||
| Image source | Erik Reis/IKOstudio/Zoonar/picture alliance | ||
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| Item 3 | |||
| Id | 78204225 | ||
| Date | 2026-08-01 | ||
| Title | Alemanha quer restringir benefícios de regime de trabalho parcial | ||
| Short title | Alemanha avalia restringir benefícios de trabalho parcial | ||
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Proposta prevê tornar obrigatórias as contribuições para aposentadoria e elevar os encargos das empresas nos chamados "minijobs", modalidade de emprego utilizada por quase 7 milhões de pessoas.Quando inicia seu turno na biblioteca de física da Universidade de Colônia, a iraniana Anahita Abdollahi, 26, começa conferindo os e-mails para se atualizar sobre os pedidos de usuários. Ela ajuda estudantes a encontrar livros, atende telefonemas e cuida das plantas do local.
Mestranda na instituição, Abdollahi define a função como a de uma "bibliotecária de meio período". Ela afirma gostar de quase todas as tarefas, com exceção de atividades mais repetitivas, como o inventário do acervo. Ainda assim, considera o trabalho tranquilo, já que atua apenas duas vezes por semana, cerca de cinco horas por dia.
Seu emprego se enquadra na categoria conhecida na Alemanha como "minijob", modalidade de trabalho com jornada reduzida e baixa remuneração que o governo pretende reformar. Entre as mudanças em discussão estão o fim da isenção de contribuições previdenciárias para os trabalhadores e o aumento dos encargos pagos pelas empresas, com o objetivo de reforçar o financiamento do sistema de aposentadorias.
As propostas despertam reações divergentes. Sindicatos apoiam a reforma por avaliarem que ela pode reduzir a precarização do trabalho e ampliar a proteção social. Já muitos trabalhadores temem uma queda na renda líquida, enquanto representantes empresariais alegam risco de aumento dos custos de contratação e perda de flexibilidade.
Modalidade é popular entre mulheres e estudantes
O minijob é um tipo de emprego de meio período com remuneração máxima de 603 euros (cerca de R$ 3538) por mês. Quem permanece abaixo desse limite não paga imposto de renda nem contribuições regulares para a seguridade social.
Os trabalhadores também podem optar por não contribuir para a aposentadoria, e a maioria faz essa escolha.
Em geral, são necessárias cerca de dez horas de trabalho por semana para atingir o teto de rendimentos, o que torna a modalidade atraente para estudantes, pais e mães com filhos pequenos e pessoas com outras atividades. Segundo a agência federal responsável pelo setor, mulheres representam cerca de 57% dos trabalhadores nessa categoria.
A mesma agência estima que quase 7 milhões dos 45 milhões de empregados da Alemanha possuam um minijob. Parte deles exerce a atividade como complemento de renda; outros dependem exclusivamente desse tipo de contrato.
Criado nos anos 1960 para facilitar empregos de baixa carga horária e reduzir a burocracia, o modelo foi reformulado em 2003 como parte de uma ampla reforma do mercado de trabalho.
Por que as empresas defendem os minijobs?
Empregadores pagam normalmente um imposto fixo reduzido de 2% sobre os salários e contribuições sociais equivalentes a cerca de 30% da remuneração bruta de um empregado contratado neste modelo. Muitas empresas consideram o modelo vantajoso por sua flexibilidade.
"Existem situações em que faz sentido contratar alguém apenas para uma quantidade muito pequena de horas", afirmou Holger Schäfer, economista especializado em mercado de trabalho do Instituto Econômico Alemão (IW), à DW.
Supermercados, por exemplo, precisam de mais caixas aos sábados do que em manhãs de segunda-feira. Os minijobs permitem ajustar rapidamente a escala de funcionários. Por isso, varejo e hotelaria figuram entre os setores que mais utilizam esse tipo de contrato.
O que pode mudar
No início de julho, porém, a coalizão governista anunciou planos para elevar de 2% para 5% a alíquota fixa incidente sobre os minijobs.
Além disso, o governo pretende implementar as propostas apresentadas pela Comissão de Pensões da Alemanha no fim de junho, voltadas à sustentabilidade do sistema previdenciário.
Uma das recomendações prevê o fim da possibilidade de renunciar às contribuições para aposentadoria e a eliminação do status especial dos minijobs. Na prática, os trabalhadores passariam a recolher contribuições sociais como qualquer outro empregado, encerrando o modelo em seu formato atual.
Segundo a comissão, a medida fortaleceria os sistemas de seguridade social, reduziria o risco de pobreza na velhice e ajudaria a combater desigualdades de gênero.
Para Abdollahi, a mudança poderia representar uma perda mensal de até 130 euros (cerca de R$ 762). Ela afirma que provavelmente tentaria trabalhar mais horas para compensar a redução da renda.
Apoio dos sindicatos e resistência das empresas
Diversos sindicatos receberam a proposta de forma positiva. Entre eles está o NGG, entidade que representa trabalhadores dos setores de alimentação, bebidas, gastronomia e hotelaria.
Em nota, o presidente da organização, Guido Zeitler, afirmou que os minijobs não se mostraram um caminho para empregos de melhor qualidade e acabaram consolidando condições de trabalho precárias para milhões de pessoas.
Enzo Weber, especialista em mercado de trabalho do Instituto de Pesquisa sobre Emprego (IAB), acredita que a reforma poderá incentivar jornadas maiores e novas trajetórias profissionais.
Segundo ele, a medida evitaria que trabalhadores ficassem presos à chamada "armadilha do minijob" e impediria que a carreira de muitas mulheres estagnasse durante os anos dedicados à criação dos filhos devido a incentivos tributários considerados inadequados.
Representantes empresariais, porém, contestam a proposta.
"O fim dos minijobs seria um erro", afirmou Rainer Dulger, presidente da Confederação das Associações Patronais Alemãs. Para ele, a modalidade permite às empresas manter flexibilidade e aproveitar mão de obra adicional.
Schäfer também duvida que a mudança leve trabalhadores a ampliar significativamente suas jornadas. Na avaliação do economista, os benefícios extras gerados por contribuições sociais sobre um emprego de cerca de 600 euros seriam limitados.
"Não vale a pena mobilizar toda a máquina da seguridade social para vínculos de trabalho tão pequenos", afirmou.
Ainda assim, ele considera que há espaço para mudanças no caso de pessoas que mantêm um minijob paralelo ao emprego principal.
"Há uma má alocação econômica quando um trabalhador qualificado prefere entregar pizzas depois do expediente em vez de fazer horas extras em sua ocupação principal", disse. "Mas isso não significa que seja necessário acabar com os minijobs."
Estudantes podem ficar de fora da reforma
As propostas da Comissão de Pensões preveem uma exceção para estudantes do ensino básico e médio, permitindo que continuem trabalhando sob as regras atuais.
Agora, o governista Partido Social-Democrata (SPD) discute estender essa exceção também a universitários.
Abdollahi considera a ideia adequada, especialmente para estudantes estrangeiros.
"Eles estão entre os grupos que mais precisam desse tipo de oportunidade, sobretudo os que vêm de fora da União Europeia", afirmou.
Segundo ela, o emprego na biblioteca ajudou em sua entrada no mercado de trabalho alemão e também no aprendizado do idioma.
"Tenho a oportunidade de praticar alemão em um ambiente sem muita pressão", disse.
O futuro dos minijobs ainda será definido nos próximos meses. O governo alemão deve discutir formalmente as propostas de reforma ao longo deste ano.
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| Short teaser | Proposta prevê tornar obrigatórias as contribuições para aposentadoria e elevar os encargos nos chamados "minijobs". | ||
| Author | Dasha Thyssen | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemanha-quer-restringir-benefícios-de-regime-de-trabalho-parcial/a-78204225?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | A iraniana Anahita Abdollahi concilia o mestrado na Universidade de Colônia com um minijob em uma biblioteca, experiência que, segundo ela, ajudou na adaptação ao mercado de trabalho alemão e na prática do idioma. | ||
| Image source | Dasha Thyssen/DW | ||
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| Item 4 | |||
| Id | 78164223 | ||
| Date | 2026-08-01 | ||
| Title | Por que o SUS não distribui nenhum tipo de caneta emagrecedora | ||
| Short title | Por que o SUS não distribui canetas emagrecedoras | ||
| Teaser |
Ministério da Saúde quer acelerar registro de novas canetas junto à Anvisa e avalia adoção contra a obesidade. Até o momento não há nenhum remédio para tratar a doença no sistema público. O Sistema Único de Saúde (SUS) não adota nenhum tipo de caneta emagrecedora no tratamento da obesidade. Não há, ao menos por ora, previsão para que esses medicamentos, considerados um importante avanço contra a doença, sejam incorporados à rede pública. O Ministério da Saúde diz, em nota, que o tema tem sido uma das prioridades da pasta nos últimos meses. Especialistas ouvidos pela DW afirmam que o SUS tem um histórico de dificuldades na adoção de políticas públicas contra a obesidade. Enquanto isso, a doença tem aumentado em ritmo acelerado no país. Dados divulgados neste ano pelo Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde, mostram que 25,7% dos adultos brasileiros enfrentavam um quadro de obesidade em 2024. Em 2006, o índice era de 11,8%. O SUS atualmente disponibiliza poucas alternativas para tratar o problema. Não há nenhum medicamento contra a doença. A principal possibilidade é a cirurgia bariátrica, na qual pacientes costumam esperar por anos na fila até conseguir passar pelo procedimento. Com o avanço da tecnologia das canetas emagrecedoras e os bons resultados relacionados a elas, o Ministério da Saúde tem avaliado incorporar esses remédios à rede pública. Mas o custo elevado dos tratamentos é um obstáculo. No ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) avaliou dois pedidos de adoção de medicamentos usados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade: a liraglutida, encontrada em remédios como Saxenda e Victoza, e a semaglutida, usada em remédios como Wegovy e Ozempic. Os dois pedidos, porém, foram negados. O Ministério da Saúde considerou que esses medicamentos trariam um alto impacto orçamentário, acima de R$ 8 bilhões. Quebra de patentes facilita adoção pelo SUSA situação ficou mais favorável a partir de março deste ano, quando a patente da semaglutida expirou. O fim da exclusividade da farmacêutica Novo Nordisk abriu caminho para que empresas brasileiras possam fabricar suas versões dos remédios a um custo menor. Com isso, o Ministério da Saúde pediu prioridade à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no registro de medicamentos com os princípios ativos dos agonistas de GLP-1, semaglutida e liraglutida, esta última com patente expirada no final de 2024. Nos últimos meses, a Anvisa recebeu 18 pedidos de registro de novos medicamentos à base de semaglutida. Em junho, as farmácias receberam a primeira caneta emagrecedora brasileira feita com o princípio ativo, a Ozivy, produzida pelo laboratório EMS. Nesta quarta-feira (29/07), a Anvisa aprovou os registros de outros cinco novos medicamentos à base de semaglutida. Foram aprovados Zempneo, da Brainfarma; Semavy, da Cosmed; Orsema, da Ranbaxy; Seemasun, da Sun Farmacêutica; e Owozy, da Ávita Care. Não há detalhes sobre o período em que esses produtos passarão a ser comercializados, muito menos os preços deles. "Com a entrada de genéricos no mercado e o aumento da concorrência, os preços devem cair de forma significativa, sendo esse um fator determinante para a análise de uma possível incorporação ao SUS", disse o Ministério da Saúde em nota à DW. Já a tirzepatida (Mounjaro), medicamento mais moderno, que simula os hormônios intestinais GLP-1 e o GIP, continua com os valores altos e não faz parte dos planos do SUS. Os tratamentos com esse princípio ativo, que só deve perder a patente daqui a cerca de uma década, partem de R$ 1,5 mil e chegam a R$ 3 mil por mês. Mais perto do que nuncaNo fim de junho, o Ministério da Saúde começou um projeto-piloto em um hospital de Porto Alegre (RS) para ajudar a pasta nas decisões referentes ao uso de medicamentos com semaglutida no SUS. Esse estudo, chamado Real-Bari, reúne 250 pacientes com obesidade grave, que passaram a receber gratuitamente o tratamento com canetas emagrecedoras. Essas pessoas foram escolhidas porque estão na fila para a bariátrica e precisam emagrecer para fazer a cirurgia. Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo do programa é avaliar "como o tratamento pode se adaptar à realidade do SUS e o custo relacionado ao uso da terapia". O país nunca esteve tão perto de ter um medicamento contra a obesidade incorporado ao SUS, avaliam especialistas que há anos acompanham a situação do tratamento contra a doença. "Com a quebra de patente da semaglutida e a queda drástica de preço, eu estou otimista. Então, espero que agora, em algum momento, eles aprovem [o uso de medicamentos contra a obesidade no SUS]. De repente, agora é a oportunidade para isso, porque a situação atual está muito ruim", diz a endocrinologista Maria Edna de Melo, do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP. "A semaglutida já chegou a custar cerca de R$ 1,4 mil. Hoje, com a quebra da patente, consegue comprar em promoção por cerca de R$ 330, com o similar. É uma grande diferença em comparação ao que já foi", afirma a médica, que é membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso). Em junho, a Novo Nordisk, que fabrica Ozempic e Wegovy, apresentou à Conitec um novo pedido de inclusão da semaglutida no SUS. Dessa vez, com desconto de 59% no valor de referência. Na nova proposta, a empresa limitou o acesso ao medicamento a pacientes com mais de 45 anos, sem diagnóstico de diabetes, com obesidade grave e histórico de infarto. A empresa decidiu restringir a proposta após a negativa do ano passado, que era para um público amplo e foi considerada uma medida de custos elevados. "A abordagem busca direcionar o tratamento para uma população de maior risco clínico e maior impacto potencial para o sistema de saúde", diz nota da empresa. Segundo a farmacêutica dinamarquesa, um estudo com a semaglutida mostrou que o medicamento reduziu em 20% o risco de morte cardiovascular, infarto e AVC em pacientes com sobrepeso ou obesidade, sem diabetes, mas com doença cardiovascular estabelecida. O período de avaliação e resposta da comissão sobre a proposta é de até 180 dias. Se a incorporação for aprovada, deve haver um processo de licitação. Ainda que seja aprovada, o perfil dos pacientes pode ser revisto. "Isso ainda pode ser modulado pela Conitec, que pode dizer que identificou que um determinado perfil de paciente é mais adequado", explica Maria Edna. Com a chegada de novos medicamentos com semaglutida no mercado brasileiro, a Conitec deve receber novas propostas de tratamento com canetas emagrecedoras. Vai ter caneta emagrecedora para todo mundo no SUS?Especialistas avaliam que, ao menos na fase inicial, o público que terá acesso a essas medicações será muito restrito. Apesar disso, a medida representará um passo fundamental para avançar no tratamento contra a obesidade no SUS. "Esses medicamentos trazem benefícios adicionais, como redução da progressão da doença renal e redução de eventos cardiovasculares. Então, é realmente importante que a gente consiga ampliar cada vez mais o acesso para trazer esses benefícios a mais gente", argumenta o endocrinologista Paulo Miranda, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SEBM). "Esse tratamento também pode representar redução de custos do próprio sistema de saúde e da sociedade, como um todo, porque melhora a qualidade de vida e produtividade da pessoa", afirma Maria Edna. O tratamento contra a obesidade, porém, não se restringe à medicação. Os especialistas frisam que é fundamental que o paciente receba acompanhamento nutricional e orientações sobre atividades físicas. "A obesidade, assim como diabetes, é uma doença crônica e é necessário planejamento a longo prazo. E isso também exige atenção multiprofissional para que o paciente receba o tratamento adequado", diz Miranda. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Ministério da Saúde quer acelerar registro de novas canetas junto à Anvisa e avalia adoção contra a obesidade. | ||
| Author | Vinícius Lemos | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/por-que-o-sus-não-distribui-nenhum-tipo-de-caneta-emagrecedora/a-78164223?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Por%20que%20o%20SUS%20n%C3%A3o%20distribui%20nenhum%20tipo%20de%20caneta%20emagrecedora | ||
| Item 5 | |||
| Id | 78196362 | ||
| Date | 2026-07-31 | ||
| Title | Pela primeira vez, Alemanha deporta afegão sem histórico criminal | ||
| Short title | Alemanha deporta afegão sem histórico criminal | ||
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Caso inédito desde a volta dos talibãs ao poder gera protestos e provoca críticas de entidades de direitos humanos e partidos da oposição, que questionam nova política migratória alemã.O voo A320-214 da companhia Freebird Airlines, que decolou na madrugada de terça-feira (28/07) à 1h43 do aeroporto de Leipzig/Halle com destino a Trabzon, na Turquia, antes de seguir para Cabul, no Afeganistão, não foi um voo qualquer. Foi o primeiro desde a volta dos talibãs ao poder em que a Alemanha deportou, além de 30 criminosos condenados, também um afegão sem antecedentes criminais.
Foi, portanto, um precedente que provocou protestos. Cerca de 260 pessoas atenderam ao chamado de uma coalizão antirracista e realizaram uma manifestação no terminal de embarque do aeroporto, sob forte presença policial.
A porta-voz da coalizão, Luca Müller, também fez referência ao atentado ocorrido durante a celebração do orgulho LGBTQ+ em Berlim (Cristopher Street Day, ou CSD), no fim de semana:
"Enquanto todos condenam a violência islamista relacionada ao CSD de Berlim, o governo federal apoia os islamistas do talibãs por meio desses acordos."
Embaixada e consulado afegãos sob controle dos talibãs
Ao falar em "acordos", Müller se refere às acusações feitas por organizações de direitos humanos e partidos de oposição de que o governo alemão estaria fortalecendo politicamente os talibãs para facilitar deportações para o Afeganistão.
Tanto a embaixada afegã em Berlim quanto o consulado-geral em Bonn estão atualmente sob controle dos talibãs.
O governo alemão não reconhece oficialmente o regime talibã como governo legítimo do Afeganistão, mas admite manter contatos em um nível considerado "técnico".
Elena Singer, porta-voz do Ministério do Interior, declarou durante uma coletiva de imprensa:
"O ministro não trabalha com terroristas nem com islamistas. Isso não é uma cooperação com os talibãs. Foi firmado um acordo entre autoridades para tornar possíveis os retornos."
Ministro do Interior cita acordo de coalizão
O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, afirmou que as deportações seguem o acordo firmado pela coalizão governista.
"Já deixei claro no passado que, em conformidade com o acordo de coalizão, estamos começando pela deportação de infratores criminais para o Afeganistão, mas que indivíduos obrigados a deixar o país também estão sujeitos à deportação caso não tenham demonstrado esforços de integração na Alemanha", justificou.
Segundo ele, quem teve o pedido de asilo rejeitado e, portanto, está legalmente obrigado a deixar a Alemanha deve esperar a deportação caso não saia voluntariamente.
Para o governo, essa política faz parte da chamada "virada migratória", que estaria sendo implementada com "controle, rumo e firmeza".
Mais de 200 deportados desde 2024
Desde a retomada das deportações para o Afeganistão, em 2024, a Alemanha enviou de volta mais de 200 pessoas. Segundo a Anistia Internacional, pelo menos uma delas foi morta após o retorno.
Por outro lado, o governo alemão se apoia em avaliações da Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), que considera novamente possível o retorno de homens ao Afeganistão.
"A situação de segurança no Afeganistão melhorou significativamente. Isso é simplesmente um fato objetivo", declarou a chefe da OIM no país, Mihyung Park, ressaltando que "nas circunstâncias atuais, desaconselhamos fortemente o retorno de mulheres ao Afeganistão."
As agências da ONU continuam alertando contra deportações involuntárias, argumentando que recém-chegados dependem de ajuda e apoio para se reintegrarem.
"Uma linha vermelha ultrapassada"
A mudança na política migratória promovida por Dobrindt é duramente criticada por organizações de direitos humanos.
"A cumplicidade alemã com os talibãs é uma falência moral e um desserviço à luta contra o islamismo", destacou Helen Rezene, diretora da Pro Asyl.
Segundo ela, o governo começou legitimando acordos de deportação com o regime talibã usando grupos socialmente impopulares, como condenados por crimes, e agora deu mais um passo.
"Uma nova linha vermelha foi ultrapassada: pela primeira vez foi deportada para o Afeganistão uma pessoa sem antecedentes criminais", disse.
Deportação no aniversário da Convenção dos Refugiados
A Anistia Internacional criticou o fato de a Alemanha continuar endurecendo sua política de deportações, apesar da grave situação dos direitos humanos no Afeganistão.
Nina Alizadeh Marandi, especialista em Direito de asilo da organização, lembra que o voo aconteceu exatamente no dia em que se completaram 75 anos da Convenção de Genebra relativa ao Estatuto dos Refugiados.
"Os padrões de direitos humanos não podem ser enfraquecidos apenas porque seu cumprimento se tornou politicamente inconveniente."
A organização pediu que o governo suspenda novas deportações e acompanhe a situação dos afegãos já enviados de volta ao país, verificando se conseguem entrar e viver no Afeganistão sem perseguição ou risco à vida.
Oposição denuncia "caminho perigoso"
Também houve fortes críticas da oposição. Marcel Emmerich, porta-voz dos Verdes para assuntos internos, afirmou: "É irresponsável que Alexander Dobrindt esteja deportando para o Afeganistão pessoas que não cometeram qualquer delito."
Para ele, o suposto "acordo sujo" para viabilizar as deportações fortalece os talibãs, torna a Alemanha vulnerável a pressões e prejudica a própria segurança do país. "Com essa política para o Afeganistão, o governo está seguindo um caminho perigoso", destacou.
Já Juliane Nagel, deputada estadual do partido A Esquerda (Die Linke) na Saxônia, classificou o voo como "vergonhoso" e defendeu que o aeroporto de Leipzig/Halle, majoritariamente controlado pelo poder público, deixe de ser utilizado para deportações ao Afeganistão.
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| Short teaser | Caso inédito desde a volta dos talibãs ao poder gera protestos e críticas de oposição e entidades de direitos humanos. | ||
| Author | Oliver Pieper | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/pela-primeira-vez-alemanha-deporta-afegão-sem-histórico-criminal/a-78196362?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Dezenas de pessoas protestaram no aeroporto de Leipzig-Halle contra a deportação | ||
| Image source | Sebastian Willnow/dpa/picture alliance | ||
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| Item 6 | |||
| Id | 78189088 | ||
| Date | 2026-07-31 | ||
| Title | Milei x Lula: crise ameaça relação Brasil-Argentina? | ||
| Short title | Milei x Lula: crise ameaça relação Brasil-Argentina? | ||
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Relação entre países passa por pior momento em décadas após Milei direcionar ataques a Lula. Mas especialistas não creem em ruptura total. "Não é uma crise entre Estados, mas uma crise entre governos”, diz analista A relação entre os presidentes do Brasil e da Argentina atravessa o pior momento em décadas, segundo especialistas ouvidos pela DW. O desgaste entre Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei tende a afetar o vínculo diplomático entre os dois países, mas, até o momento, não deve comprometer diretamente os laços comerciais bilaterais. Na última semana, Milei participou da convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à disputa presidencial nas eleições de outubro. No evento, o argentino criticou Lula e fez declarações ofensivas indiretamente contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem chamou de "lixo careca". Nos dias seguintes, Milei republicou nas redes sociais mensagens contra o governo brasileiro, entre elas uma entrevista do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, ao jornal argentino La Nación, na qual ele afirma que Lula atuou para favorecer o candidato Sérgio Massa nas eleições argentinas de 2023 — pleito vencido por Milei. Em entrevista a uma rádio argentina no domingo (26/07), o presidente associou o governo brasileiro a uma campanha contra a Argentina. No mesmo dia, o Itamaraty convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para prestar esclarecimentos sobre o estado da relação bilateral. O que está por trás do afastamento entre os líderesPara o cientista político Henrique Hellas, o episódio não se trata de "uma crise entre Estados, mas uma crise entre governos", de caráter partidário, não institucional. O fato de as ofensas terem ocorrido em solo brasileiro, segundo ele, "rompe com a previsibilidade diplomática" e eleva a tensão, gerando insegurança para investidores. Apesar do acirramento recente, Hellas considera improvável uma ruptura comercial no curto ou médio prazo, dada a integração das cadeias produtivas dos dois países. Para ele, o maior risco não é o rompimento em si, mas o abalo à confiança no ambiente de negócios regional: a incerteza sobre uma eventual ruptura tende a inibir novos investimentos. A disputa também tem componentes ideológicos e eleitorais. Milei é aliado de Jair Bolsonaro e do presidente americano Donald Trump — ambos opositores de Lula, que disputa a reeleição em 2026 diante do próprio Flávio Bolsonaro, hoje seu principal concorrente e apoiado pela Casa Branca. Segundo Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em América Latina, Milei tem usado o avanço de governos de direita na América do Sul — a chamada "onda azul" — como bandeira política, já que o Brasil é hoje uma das poucas exceções de esquerda na região; o apoio de Trump reforça essa identificação. O tom agressivo do argentino, avalia Bressan, também mira o eleitorado local, de olho nas eleições de 2027 na Argentina: embora não deva render votos diretos a Flávio Bolsonaro, segundo ela, a postura reforça o alinhamento contra governos de esquerda na região, o que pode beneficiar o próprio Milei internamente. "É como se eu tivesse em um grupo que está crescendo mundialmente, então, eu me sinto pertencente, eu tenho um apoio internacional. Ele também tem o apoio do Trump". Especialistas explicam, porém, que o distanciamento entre os dois países não é recente em relação à posição ideológica. Josemar Franco, gerente de comércio internacional na BMJ e conselheiro do Instituto de Relações Governamentais (Irelgov), lembra que já havia atritos na gestão anterior, quando Jair Bolsonaro e Alberto Fernández comandavam Brasil e Argentina. "Aquelas falas já eram contundentes, mas Milei deu um caráter mais pessoal à relação com o Brasil, diferente da diplomacia tradicional de Fernández", afirma. Neste cenário de afastamento, Bressan explica que Milei, após eleito, demorou a vir ao Brasil para uma conversa com Lula. "Nesses anos, o Milei veio pouco ao Brasil e às vezes não participou da cúpula do Mercosul. O Lula também não faz muita questão. Ele manda os diplomatas tentarem resolver." O Mercosul abarca atualmente, além de Argentina e Brasil, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Venezuela, suspensa atualmente. Impacto econômico ainda limitadoA Argentina é o terceiro maior comprador de produtos brasileiros, atrás de China e Estados Unidos, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), mas essa participação vem caindo. Em junho, as exportações brasileiras para o país vizinho somaram US$ 1,3 bilhão, ante US$ 1,6 bilhão um ano antes. Com isso, a fatia argentina nas exportações totais do Brasil caiu de 5,6% em junho do ano passado para 3,65% no mesmo mês deste ano. Já as importações brasileiras vindas da Argentina passaram de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,3 bilhão no mesmo intervalo. Segundo Franco, essa retração não decorre do desgaste político entre os líderes, mas de uma política protecionista argentina voltada a conter a saída de dólares, diferente, por exemplo, da lógica protecionista de Trump, com o argumento de proteger a indústria americana. A escassez da moeda no país vizinho levou o governo argentino a dificultar importações por meio de licenças não automáticas (LNAs), mecanismo que condiciona a entrada de produtos à aprovação prévia da Casa Rosada. "Quando você compra um produto e paga o seu fornecedor, isso faz com que haja uma saída de divisas do país e o país sofre com baixo estoque de dólar na economia", explica Franco. O problema é que essa política adotada pelo governo argentino — e que já foi adotada por outros presidentes por lá — tem dificultado o processo de importação, ainda que os países sejam parceiros no Mercosul. "Teoricamente deveria haver uma zona de livre comércio sem esse tipo de barreira, mas é exatamente o oposto do que a Argentina pratica", diz Franco. Apesar dos entraves com o país vizinho, ele diz que "o Mercosul é uma organização sólida". Bressan aponta ainda uma divergência entre a atuação dos dois líderes sobre o multilateralismo: enquanto o Brasil busca ampliar acordos do bloco, Milei vê o Mercosul como "ter que obedecer as regras do jogo". "No multilateralismo, os integrantes definem as regras juntos e todos se comprometem a segui-las. E isso dá uma previsão recíproca de comportamento. O jogo geralmente é democrático, colaborativo, e isso destoa do interesse do Milei", pontua a professora, que avalia que o bloco vive um "regionalismo líquido", sujeito à volatilidade política de seus integrantes — inclusive porque a presidência rotativa do Mercosul, exercida a cada seis meses por um país-membro, muda as prioridades da pauta a cada troca de governo. "A gente fala que é uma diplomacia presidencial. Os governos passam, e a integração deveria ser uma política de Estado. Então, quando a gente tem uma fragilidade no Mercosul e um presidente como o Milei, o Mercosul do lado da Argentina quase que paralisa", diz ela. Apesar do desgaste entre os líderes, especialistas projetam que a diplomacia dos dois países buscará mitigar o conflito político para preservar a relação bilateral. A avaliação de Bressan é que a diplomacia brasileira e também argentina adotarão uma estratégia "encapsular", ou seja, ignorar os atos do presidente argentino para preservar os interesses dos dois países. "Existe a figura do Milei, mas também o corpo diplomático, que segue trabalhando. Não se publiciza, mas as relações continuam", diz ela. Para Franco, ainda que haja ruído entre os dois líderes, é pouco provável que a Argentina deixe o Mercosul, já que o bloco amplia seu poder de barganha em negociações internacionais, como nos acordos em curso com o Japão, o Canadá e os Emirados Árabes Unidos. "A Argentina sabe que sem o Brasil perde poder de barganha. Em uma negociação com o Japão, por exemplo, estamos falando de um mercado de mais de 200 milhões de consumidores, no caso do Brasil. Então, a Argentina sabe que se sair do Mercosul, quando ela for negociar com outro país um acordo, ela não vai ter o mesmo peso", diz Franco, e complementa: "todas essas negociações só ocorrem se houver consenso entre os países membros. E o consenso econômico e comercial, se sobrepõe". Para ele, há, de fato, um distanciamento, o que não quer dizer que os dois países não estejam "investindo tempo em pautas que são relevantes” para ambos. Por outro lado, ele cita que, fora assuntos econômicos, outros temas vão ficando escanteados na relação com esse afastamento. "Saindo dessa pauta, já não há uma cooperação muito grande em outros temas, como questões culturais e sociais, como houve no passado." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. 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| Short teaser | Relação entre os dois países passa por pior momentos em décadas após presidente argentino direcionar ataques a Lula. | ||
| Author | Larissa Maia | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/milei-x-lula-crise-ameaça-relação-brasil-argentina/a-78189088?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 7 | |||
| Id | 78197136 | ||
| Date | 2026-07-31 | ||
| Title | Artistas alemães obtêm vitória contra empresa de IA musical | ||
| Short title | Artistas alemães obtêm vitória contra empresa de IA musical | ||
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Tribunal ordena que americana Suno pague indenização por violar direitos autorais e usar músicas para treinar IA. Empresa alega que corte alemã não tem jurisprudência sobre atividade nos EUA.O Tribunal Regional de Munique, na Alemanha, decidiu nesta sexta-feira (31/07) que uma empresa americana de inteligência artificial (IA), que gera músicas a partir de comandos de texto, violou direitos autorais e deverá revelar os ganhos obtidos de forma considerada ilícita.
A ação contra a Suno foi movida em janeiro de 2025 pela GEMA, entidade alemã responsável pela gestão coletiva de direitos autorais musicais. A organização argumentou que a empresa treinou seus modelos de IA com músicas protegidas por direitos autorais para fins comerciais, sem obter licenças nem remunerar os detentores desses direitos.
Segundo a decisão, a Suno também terá de pagar uma indenização, cujo valor ainda será definido. A empresa contesta o veredito, afirmando que avaliará todas as opções disponíveis, incluindo a apresentação de recurso.
"Esta é uma decisão de importância global", disse o CEO da GEMA, Tobias Holzmüller.
Caso acompanhado de perto
Este é um dos primeiros casos no mundo a testar como as leis tradicionais de direitos autorais se aplicam ao treinamento de modelos de IA para música e às obras geradas por essas ferramentas.
Entre os argumentos apresentados pela Suno, está o de que o tribunal alemão não teria jurisdição para julgar atividades de treinamento de modelos de IA realizadas exclusivamente nos Estados Unidos.
O caso poderá ajudar a definir se empresas do ramo precisam obter licenças antes de treinar seus sistemas com músicas protegidas por direitos autorais. Ou se canções geradas por IA que se assemelham fortemente a obras existentes configuram infração de direitos autorais.
"Nosso objetivo não é eliminar a Suno da face da Terra, mas obviamente entrar em negociações de licenciamento em pé de igualdade, algo que até agora não foi possível com a empresa", afirmou Holzmüller, que descreve a Suno como "de longe o maior e mais bem-sucedido modelo comercial de IA musical".
O desfecho do processo também está ligado a outra questão central: como criadores devem ser remunerados quando suas músicas são utilizadas para treinar sistemas de inteligência artificial generativa?
O comissário de Cultura do governo alemão, Wolfram Weimer, classificou a decisão desta semana como um sinal importante em apoio aos direitos dos criadores na indústria musical digital. "Precisamos de um marco regulatório que fortaleça a inovação e a criatividade", afirmou.
Vitória contra OpenAI
No ano passado, a GEMA venceu um processo relacionado contra a OpenAI no mesmo tribunal. A corte entendeu que a empresa havia treinado seus modelos de IA com letras de músicas protegidas por direitos autorais e reproduzido esse conteúdo por meio do ChatGPT sem autorização.
A OpenAI foi obrigada a interromper a reprodução das obras no modelo, fornecer informações sobre sua utilização e pagar indenização. Como a empresa recorreu da decisão, porém, ela ainda não é definitiva.
Ao contrário daquele caso, a ação atual não trata de letras de músicas, mas de obras musicais completas.
Segundo Martin Senftleben, professor de Direito da propriedade intelectual na Universidade de Amsterdã, um dos aspectos que tornam o caso particularmente importante é o fato de ele não ter sido iniciado por uma empresa privada ou gravadora, mas por uma sociedade de gestão coletiva de direitos autorais.
"Iniciativas desse tipo são especialmente importantes porque, por definição, são mais inclusivas", disse o especialista à DW. "É possível virar membro da GEMA mesmo sem ser um artista ou compositor muito conhecido. Isso cria a possibilidade de levar remuneração pelo uso de IA a um grupo muito mais amplo de titulares de direitos."
A GEMA representa mais de 95 mil compositores, autores e editoras musicais na Alemanha, além de mais de 2 milhões de titulares de direitos autorais em todo o mundo.
Semelhanças vão além das letras
A plataforma da Suno cria músicas a partir de comandos simples em texto. Os usuários podem descrever o clima, o estilo ou o gênero desejado, e o sistema produz uma faixa estruturada, com letra, vocais e instrumentação, em menos de um minuto.
As músicas produzidas pela IA podem ser muito semelhantes a obras protegidas por direitos autorais.
Durante o processo, a GEMA demonstrou isso solicitando à Suno a criação de músicas utilizando as letras originais de diversos sucessos de seu repertório, entre eles "Forever Young", do Alphaville; "Mambo No. 5", de Lou Bega; "Daddy Cool", do Boney M.; "Cheri Cheri Lady", do Modern Talking; e "Atemlos durch die Nacht", composta por Kristina Bach e popularizada por Helene Fischer.
Além das letras, os autores da ação forneceram ao sistema o estilo musical desejado e o título da obra, sem indicar melodia, ritmo, harmonia ou arranjo. Mesmo assim, as músicas geradas pela IA apresentaram forte semelhança com as obras originais.
A Suno admite que as canções no centro da disputa judicial estão entre as inúmeras obras utilizadas no treinamento do modelo.
Empresas de IA argumentam que a utilização de dados para treinamento pode ocorrer livremente com base nas regras vigentes nos Estados Unidos e na União Europeia. Entretanto, a legalidade desse tipo de treinamento sem licença é objeto de intenso debate em diferentes países.
Tribunais ao redor do mundo analisam atualmente se essas práticas afetam o mercado econômico dos criadores originais por meio de concorrência desleal.
IA é comparável ao cérebro humano?
Qualquer pessoa que queira se tornar um bom músico precisa ouvir e aprender com obras já existentes.
A indústria da inteligência artificial costuma recorrer a essa analogia para defender a forma como seus modelos são treinados: absorvendo inúmeras obras criativas para produzir novas criações.
Já os detentores de direitos autorais argumentam que esses sistemas estão, na prática, copiando e explorando comercialmente suas obras.
Holzmüller rejeita a comparação entre o aprendizado humano e o treinamento de máquinas. "Esses conceitos foram desenvolvidos para o cérebro humano, não para uma máquina capaz de processar milhões de arquivos de áudio em frações de segundo. Eles chamam isso de dados; para nós, é música."
Na visão do executivo, se os acordos de licenciamento tornarem os custos da música gerada por IA semelhantes aos das obras criadas por humanos, haverá condições mais equilibradas de competição.
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Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
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| Short teaser | Tribunal ordena que americana Suno pague indenização por violar direitos autorais e usar músicas para treinar IA. | ||
| Author | Elizabeth Grenier (com Reuters) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/artistas-alemães-obtêm-vitória-contra-empresa-de-ia-musical/a-78197136?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Música do grupo Boney M., fundado em 1974, foi uma das utilizadas para comprovar tese da acusação | ||
| Image source | Hardy Schiffler/jazzarchiv/picture-alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/55403150_354.jpg&title=Artistas%20alem%C3%A3es%20obt%C3%AAm%20vit%C3%B3ria%20contra%20empresa%20de%20IA%20musical | ||
| Item 8 | |||
| Id | 78196060 | ||
| Date | 2026-07-31 | ||
| Title | Uma igreja, duas fés: católicos e protestantes dividem o mesmo altar | ||
| Short title | Católicos e protestantes dividem o mesmo altar | ||
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Com cada vez menos clérigos e fiéis, Igrejas Católica e Protestante na Alemanha têm promovido missas e cultos nos mesmos prédios, algo impensável há até bem pouco tempo. Mas cooperação vai além dos serviços religiosos.Vista de fora, é apenas mais uma das tantas igrejas típicas construídas na década de 1950 na Alemanha: uma obra bastante simples, nada espetacular. Mas a Igreja Católica São Pio, no bairro de Neuostheim, em Mannheim, é um caso à parte. Nela, cristãos católicos e evangélicos celebram a missa e o culto, a comunhão e a eucaristia no mesmo espaço e no mesmo altar.
Mas por que algo que poderia ser considerado impensável há algumas décadas ocorre em Neuostheim?
Tudo começou em 1970, de acordo com a católica e integrante da paróquia, Annette Hübner, de 57 anos, que há mais de 50 vive na vizinhança com a família. Na época, o padre apostou na cooperação por meio de missas ecumênicas. No final de 2009, um grave e irreparável dano causado pela água atingiu a vizinha Igreja Evangélica de São Tomás.
O uso conjunto provisório virou uma solução permanente, que se transformou em amizade ecumênica: "Ficou cada vez mais claro que faz total sentido continuarmos trabalhando juntos, até mesmo além dos cultos", diz Hübner.
"Um Senhor, uma fé, um batismo"
Na fachada da igreja, um banner proclama "Um Senhor, uma fé, um batismo". O que soa como uma frase teológica tirada de um sermão dominical ocorre também nos dias úteis. No país da Reforma Protestante, católicos e protestantes dividindo a mesma igreja não chega a ser novidade: historicamente, há 65 das chamadas "igrejas simultâneas" na Alemanha.
São igrejas para as quais o governante secular determinou a possibilidade de uso duplo logo após a Reforma – ou nas décadas seguintes – que levou à divisão da Igreja. Às vezes, era regulamentado com precisão quem poderia entrar no templo e em que horário. Os exemplos mais conhecidos são a Catedral de Altenberg, perto de Colônia, e a Catedral Evangélica de São Pedro, em Bautzen, na Saxônia.
Atualmente, o uso interconfessional de capelas em hospitais ou aeroportos é algo quase trivial, uma tendência que pode ser observada agora também nas comunidades: no estado da Renânia do Norte-Vestfália, as igrejas protestantes e católicas já haviam abordado o tema em 2017 no âmbito do jubileu de 500 anos da Reforma propagada por Martinho Lutero.
"E se nos unirmos todos?", esse é o título do "Guia prático para o uso ecumênico de igrejas e casas paroquiais", a exemplo das dioceses de Colônia, Aachen, Essen, Münster e Paderborn.
O documento faz menção à "tendência de redução no número de edifícios religiosos": segundo dados oficiais de 2025, havia 24.500 igrejas católicas e 21.100 igrejas evangélicas em todo o país, desde pequenas capelas até grandes catedrais. Ano após ano, dezenas são abandonadas, demolidas ou reaproveitadas para outros fins.
Frequentar igreja evangélica já foi "pecado"
Exemplos de novos espaços eclesiásticos compartilhados podem ser encontrados de leste a oeste e de norte a sul na Alemanha. Em Schildow, no norte de Berlim, haverá, no futuro, apenas uma igreja em funcionamento: a evangélica, por ser a mais representativa.
A assessoria de imprensa da Arquidiocese de Berlim se refere a um "projeto ecumênico com caráter exemplar". Em sua declaração, a dimensão do assunto fica evidente: "Apesar de toda a grande naturalidade ecumênica", os católicos "também se lembram de outras épocas, em que até mesmo a visita a uma igreja evangélica era considerada um pecado".
Mais ao leste, no bairro de Laubegast, em Dresden, a comunidade católica da Sagrada Família é recebida todos os sábados à noite em uma igreja evangélica. Os bispos católicos da Alemanha Oriental estão bastante acostumados a celebrar missas em comunidades protestantes. Em celebrações maiores, como crismas ou jubileus paroquiais, as igrejas católicas, que são relativamente pequenas, não são suficientes – e a comunidade evangélica dá uma mãozinha.
A Conferência Episcopal Alemã também aborda o tema e pretende apresentar um guia prático sobre o assunto – igualmente, devido à queda no número de fiéis, de igrejas que não são mais utilizadas, de dificuldades financeiras e da possibilidade de uso compartilhado. Quando questionados sobre o assunto, os bispos costumam falar de um "Simultaneum", relembrando o termo histórico.
Um altar que eram dois
Na igreja de São Pio, em Mannheim, é diferente: não é apenas uma solução provisória nascida da necessidade, mas sim a união em torno de muitos pontos em comum. De 2020 a 2022, o templo foi restaurado e reformulado. Onde antes ficava o altar, hoje está a pia batismal – central e comum nas igrejas. E na nave há um novo altar, que ora é vermelho, ora é cinza.
Segundo Hübner, "trata-se do arenito vermelho do altar da Igreja Evangélica e do travertino cinza do altar da Igreja Católica". Ambos foram triturados e fundidos para formar o novo altar. A superfície é, em parte, totalmente lisa, mas, em outras partes, também é áspera, com ranhuras visíveis: "Isso é simbolicamente muito bonito para nossa relação. Queremos nos unir. Mas ainda há pontos de atrito, questões não esclarecidas", acrescenta Hübner.
Desde 2018, não há mais creches evangélicas nem católicas no bairro. Em vez disso, ao lado da igreja de São Pio, foi construída a nova Creche Ecumênica de Neuostheim.
São Pio é uma das pioneiras nesse tema. Poucas igrejas mantêm um compromisso ecumênico consciente há tanto tempo. Outro exemplo é o Centro Emmaus, em Bad Griesbach, no extremo sudoeste da Alemanha, próximo a Passau, como seu próprio site afirma: "Um caso exemplar e uma bênção para o movimento ecumênico". Desde 1987, as igrejas Católica e Evangélica oferecem assistência pastoral ecumênica.
Deu tão certo que a Diocese Católica de Passau e o Decanato Evangélico-Luterano de Passau construíram um Centro Ecumênico de Assistência Espiritual em Balneários com um único espaço de culto, de propriedade conjunta das duas igrejas. Para isso, ambas fundaram uma sociedade de direito civil. Em outubro de 1992, o centro e a igreja foram inaugurados.
"Em 1992, o entusiasmo pelo projeto era muito, muito grande. Naquela época, as igrejas aqui na Baixa Baviera ainda não se davam muito bem", diz a pastora evangélica Tatjana Schnütgen. Hoje, a situação é diferente, e Schnütgen respalda uma "igreja quase ecumênica", que, "sempre que possível", celebram cultos juntas.
Trata-se, neste caso, de celebrações sem comunhão ou eucaristia. Ocasionalmente, também se abençoam o vinho e o pão, que são compartilhados entre todos ao ar livre após a celebração religiosa. E quanto aos clérigos? "Apreciamos o espírito de equipe em nossa igreja", afirma a pastora.
Exemplo no norte
A Igreja de Santa Brígida-Tomás, em Kiel, no norte da Alemanha, também tem uma história de muitas décadas: desde 1980, a paróquia católica de Santa Brígida e a paróquia evangélica de Tomás compartilham o mesmo prédio – algo regulamentado juridicamente.
Oficialmente, a igreja pertence à parte católica, e a casa paroquial, ao lado evangélico: "Mas nós usamos ambas as partes em conjunto e em pé de igualdade. O lado evangélico adquiriu a impressora, mas ela também é usada pelo lado católico", diz, em tom bem-humorado, a pastora Rebekka Ulrich.
Aos 36 anos, a pastora vê "uma quantidade incrível de pontos em comum", como missas e festas em conjunto, além do diálogo ecumênico. As comunidades também escolhem juntas um lema anual, e a canção do mês – ora do hinário evangélico, ora do católico – é cantada por todos.
Um organista para todos
O órgão também é tocado pelo mesmo organista: aos domingos, ele toca na missa católica às 9h30min e, mais tarde, às 11h, no culto evangélico. Mas nem tudo é tão simples: o relato de Ulrich aponta que a diminuição geral do número de padres está causando problemas para a Igreja Católica.
Em Mannheim, Hübner descreve que o caminho foi longo, mas que valeu a pena. Agrupar-se para permanecerem no bairro foi uma das intenções das igrejas católica e protestante. As crises, no entanto, continuam: nos dois lados, o número de clérigos está diminuindo e, com isso, cresce o número de celebrações sem padres ou pastores.
Até mesmo a tradição das igrejas orientais está presente em Mannheim: desde 1971, existe também o Centro das Igrejas Orientais Cirilo e Metódio, com sede na igreja de São Pio. Uma vez por mês, é celebrada a missa católica no rito bizantino. Na área de entrada da igreja, desde a restauração, há um espaço especialmente projetado com ícones e uma iconóstase. Tudo isso sob o teto da mesma igreja.
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| Short teaser | Com cada vez menos clérigos, Igrejas Católica e Protestante na Alemanha promovem missas e cultos nos mesmos prédios. | ||
| Author | Christoph Strack | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/uma-igreja-duas-fés-católicos-e-protestantes-dividem-o-mesmo-altar/a-78196060?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | A Igreja São Pio, em Mannheim, divide-se entre missas católicas e cultos evangélicos | ||
| Image source | Christoph Strack/DW | ||
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| Item 9 | |||
| Id | 78180352 | ||
| Date | 2026-07-30 | ||
| Title | De Volkswagen à BMW, crise se espalha nas montadoras alemãs | ||
| Short title | De Volkswagen à BMW, crise se espalha nas montadoras alemãs | ||
| Teaser |
Com a concorrência chinesa em ascensão, os lucros em queda e a popularização de veículos elétricos da China, gigantes automobilísticas alemãs planejam dezenas de milhares de demissões e revisão de estratégias. A BMW anunciou na quarta-feira (29/07) o corte de até 8 mil postos de trabalho em todo o mundo, tornando-se a quinta montadora alemã a divulgar grandes reduções de pessoal. O setor automobilístico enfrenta crescente pressão da concorrência chinesa, especialmente no segmento de veículos elétricos. Segundo a empresa sediada em Munique, as demissões afetarão cerca de 5% da força de trabalho global, que soma 154 mil funcionários. A BMW, proprietária também das marcas Mini e Rolls-Royce, afirmou que o impacto será maior sobre as operações na Alemanha. Embora fosse considerada mais resistente à concorrência chinesa, a BMW alertou no mês passado que suas vendas na China estão caindo acentuadamente. A disputa no mercado de veículos elétricos com as montadoras do gigante asiático diminuiu o poder de precificação da alemã. No ano passado, as entregas de veículos da montadora na China caíram para o menor nível desde 2017. No trimestre encerrado em junho, o recuo foi de 30% na comparação com o mesmo período do ano anterior. As tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também contribuíram para as dificuldades, juntamente com o aumento dos preços da energia decorrente da guerra entre EUA, Israel e Irã e a expansão das fabricantes chinesas em outros mercados importantes, incluindo Europa, Ásia-Pacífico e América Latina. Na quinta-feira, a empresa informou que o lucro líquido do segundo trimestre caiu 35%, para 1,2 bilhão de euros (R$ 7 bilhões), enquanto a receita recuou de 34 bilhões (R$ 199 bilhões) para 31 bilhões de euros (R$181 bilhões). A BMW revisou suas projeções para o restante do ano e alertou para uma "queda significativa" nos lucros. Nem a Porsche escapaDois dias antes, a Porsche anunciara planos para cortar mais 5 mil empregos na Alemanha até o fim de 2035. O número corresponde a cerca de um em cada cinco funcionários da empresa. A fabricante de carros esportivos informou que as novas medidas afetarão sua principal fábrica, em Stuttgart-Zuffenhausen, e seu centro de pesquisa e desenvolvimento na vizinha Weissach. No ano passado, a Porsche já previra a eliminação de 1,9 mil postos de trabalho na região até 2029 e o encerramento de 2 mil contratos temporários. A empresa também vai adiar aumentos salariais, enquanto os bônus por desempenho passarão a estar mais diretamente vinculados aos lucros. A Porsche, que pertence ao Grupo Volkswagen, mas opera com elevado grau de independência, também reduziu vagas em sua fábrica de Leipzig e está fechando três subsidiárias que empregam cerca de 500 pessoas. No fim do ano passado, a Porsche tinha quase 41,8 mil funcionários, dos quais cerca de 85% estavam na Alemanha. Cortes profundos na VolkswagenA Volkswagen, maior montadora da Europa, dobrou no mês passado seu programa de redução de pessoal e anunciou planos para eliminar até 100 mil empregos. A empresa também pretende fechar quatro fábricas na Alemanha. Os sindicatos e o estado da Baixa Saxônia, que detém 20% dos direitos de voto na companhia e tem poder de veto sobre decisões estratégicas, rejeitaram os novos planos. Inicialmente, a Volkswagen havia informado que reduziria 50 mil postos de trabalho. A montadora é conhecida por seu quadro de pessoal inflado, com cerca de 630 mil funcionários em todo o mundo, ou 680 mil se consideradas as joint ventures chinesas. O grupo sediado em Wolfsburg emprega aproximadamente 60% mais trabalhadores que a Toyota, apesar de produzir quantidade semelhante de veículos. O grande contingente de funcionários, antes visto como símbolo da força industrial alemã, se transformou em peso financeiro diante da intensificação da concorrência das fabricantes chinesas de veículos elétricos. A Volkswagen mantém internamente mais etapas da produção do que os concorrentes, o que aumenta a demanda por mão de obra. Além disso, os custos de produção nas fábricas alemãs costumam ser até duas vezes maiores que os de seus rivais. O avanço considerado lento da empresa no segmento de veículos elétricos também enfraqueceu suas vendas na China, mercado que já representou um terço das entregas globais, além da Europa. Mercedes reduz quadro sem demissõesEm março do ano passado, a Mercedes-Benz acertou com seu conselho de trabalhadores um plano para economizar 5 bilhões de euros (R$ 29 bilhões) até 2027. No entanto, a empresa descartou demissões compulsórias em suas fábricas alemãs, defendendo que saídas voluntárias seriam suficientes para implementar as mudanças. Até março deste ano, cerca de 5.500 funcionários das áreas administrativa, de pesquisa e desenvolvimento e de tecnologia da informação haviam aderido a programas de desligamento. Os trabalhadores da produção permaneceram protegidos. No mês passado, a Mercedes adiou para 2027 o pagamento de um bônus a quase três quartos de sua força de trabalho na Alemanha e propôs ampliar a jornada semanal de 35 para 40 horas sem aumento salarial. Executivos da empresa indicaram que algumas funções poderão ser transferidas para outros países. Foram relatadas ainda reduções de pessoal nas operações da montadora na China. Na terça-feira, a Mercedes afirmou ter registrado baixas contábeis superiores a 700 milhões de euros (R$ 4 bilhões) devido à forte concorrência na China. Embora o lucro líquido do segundo trimestre tenha crescido 13,5%, alcançando 1 bilhão de euros (R$ 6 bilhões), o lucro operacional da principal divisão de automóveis caiu um quarto, para 909 milhões de euros (R$ 5 bilhões). Audi também sob pressãoA Audi, controlada pela Volkswagen, anunciou no ano passado planos para eliminar até 7,5 mil postos de trabalho na Alemanha até o fim de 2029. A empresa descartou demissões compulsórias e informou que os cortes nas áreas administrativa e de pesquisa e desenvolvimento ocorrerão por meio de programas voluntários e aposentadorias antecipadas. No entanto, no mês passado, a fábrica da Audi em Neckarsulm foi incluída pela controladora Volkswagen entre as unidades que poderão ser fechadas em 2030. A medida pode afetar cerca de 15 mil trabalhadores. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Setor automobilístico no país enfrenta crescente concorrência chinesa, forçando milhares de desligamentos. | ||
| Author | Nik Martin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/de-volkswagen-à-bmw-crise-se-espalha-nas-montadoras-alemãs/a-78180352?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 10 | |||
| Id | 78174987 | ||
| Date | 2026-07-30 | ||
| Title | Copa à venda? Novo plano comercial da Fifa enfrenta resistência global | ||
| Short title | Copa à venda? Plano comercial da Fifa gera oposição global | ||
| Teaser |
Proposta de vender participação dos direitos comerciais da Copa para investidores por US$ 20 bilhões gera críticas de federações, dirigentes e especialistas, que apontam riscos à governança e à autonomia do futebol."Enquanto vocês dividem, nós unimos", escreveu Gianni Infantino nas redes sociais em 27 de julho, em uma longa mensagem dirigida a seus críticos. Um dia depois, porém, o presidente da Fifa conseguiu unir diferentes setores do futebol internacional contra sua mais recente proposta.
Após reportagens publicadas pelos jornais britânicos The Times e Financial Times, a Fifa confirmou planos para criar uma nova subsidiária, a Fifa Forward Enterprise (FFE), no valor de cerca de 20 bilhões de dólares (R$ 102 bilhões) para administrar a Copa do Mundo e outros eventos. A estrutura permitiria à entidade vender uma participação minoritária (cerca de 20%) dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados.
Entre os potenciais investidores estaria a Thrive Eternal, empresa liderada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Por que o projeto gera controvérsia?
Além das preocupações com possíveis conflitos de interesse decorrentes da proximidade entre Infantino e Trump, críticos apontam falta de transparência, riscos de corrupção e questionam se a Fifa tem legitimidade para tomar uma decisão dessa dimensão sem ampla consulta às entidades do futebol.
"A Copa do Mundo é um dos poucos eventos esportivos verdadeiramente globais, e isso envolve uma responsabilidade que vai além da maximização de receitas", afirmou Bret Myers, professor de negócios esportivos da Universidade Villanova, nos Estados Unidos, à DW.
A proposta segue um modelo comum nos esportes americanos, nos quais a participação de investidores privados é amplamente aceita. A Fórmula 1 passou por um processo semelhante após ser adquirida pela Liberty Media, em 2017. Greg Maffei, ex-presidente-executivo da companhia, atua atualmente como conselheiro comercial da Fifa no projeto da FFE.
"Os esportes da América do Norte operam há muito tempo sob uma lógica mais comercial, baseada em propriedade privada, valorização de franquias e presença de investidores", disse Myers. "No futebol, especialmente na Europa, clubes e competições ainda são vistos como instituições culturais, e não apenas como ativos comerciais."
Para muitos críticos, a principal preocupação é que a iniciativa represente o primeiro passo rumo a uma eventual privatização da principal competição do futebol mundial.
"Uma participação minoritária é muito diferente de abrir mão do controle", afirmou Myers. "Ainda assim, trata-se de uma mudança significativa na forma como a Copa do Mundo será financiada e explorada comercialmente."
Embora seja formalmente uma organização sem fins lucrativos, a Fifa acumula reservas estimadas em 8 bilhões de dólares (R$ 40 bilhões), impulsionadas pelos resultados da última Copa do Mundo.
Como a missão declarada da entidade é promover o desenvolvimento do futebol, e não maximizar lucros, críticos interpretam a medida também como uma tentativa de ampliar a influência política de Infantino. Outro foco de insatisfação é a ausência de consultas prévias às confederações continentais.
Como a Fifa pretende viabilizar a proposta?
A entidade afirma que os recursos serão reinvestidos no futebol. O principal incentivo oferecido às federações é um repasse linear de 20 milhões de dólares (R$ 102 milhões) para cada uma das 211 associações nacionais em 2027, valor que subiria para 24 milhões de dólares (R$ 122 milhões) em 2035.
As federações têm até 19 de setembro para informar se aceitam o plano. Caso contrário, esses valores poderão ser reduzidos ou até retirados.
"O presidente controla um enorme volume de recursos e os utiliza para recompensar quem lhe é leal e punir quem não o apoia", afirmou Miguel Maduro, ex-presidente do Comitê de Governança, Auditoria e Conformidade da Fifa.
Segundo ele, a falta de mecanismos eficazes de controle e fiscalização levanta dúvidas sobre a destinação dos recursos.
"A Fifa poderia fazer muitas coisas positivas com esse dinheiro. Mas não existe um sistema adequado de freios, contrapesos e prestação de contas que garanta que os recursos sejam bem utilizados pelas associações nacionais. Tudo o que aconteceu no passado me deixa desconfiado sobre como esse dinheiro acabará sendo gasto", disse.
Reação negativa
A resposta do futebol internacional foi majoritariamente crítica. Federações nacionais, dirigentes e grupos de torcedores rejeitaram a proposta, sobretudo pela falta de consultas prévias.
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) afirmou não ter sido consultada e declarou decepção com a forma como o projeto foi apresentado. Ásia e África formam a principal base política de Infantino, reunindo 101 das 211 associações filiadas à Fifa.
Posições semelhantes foram adotadas por federações influentes, entre elas a Federação Alemã de Futebol (DFB).
"Uma linha está sendo ultrapassada. Existe um forte consenso entre as associações nacionais sobre esse tema, como pude constatar em conversas recentes com Aleksander Ceferin e outros colegas", afirmou Hans-Joachim Watzke, vice-presidente da DFB.
"Se o futebol europeu permanecer unido contra esses planos, isso terá grande peso."
A Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) disse estar "profundamente preocupada" com a proposta.
Já a Confederação Africana de Futebol (CAF) convidou suas associaçõesa "examinar" o projeto da Fifa e a "participar do processo de consulta".
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) não se manifestaram até o momento. Anteriormente, a entidade sul-americana demonstrou apoio à reeleição de Infantino.
Quem lidera a oposição?
A União Associações Europeias de Futebol (Uefa), que reúne seleções de 55 países, anunciou nesta quinta-feira que não vai mais participarde competições organizadas pela Fifa.
"A Uefa e suas associações nacionais não participarão das competições da Fifa", declarou a entidade que rege o futebol europeu após uma reunião urgente realizada por videoconferência.
Miguel Maduro apoia a posição da entidade europeia, mas argumenta que os problemas de governança vão além da atual gestão da Fifa.
"Não acredito que a Uefa enfrente problemas tão graves quanto os da Fifa, mas ela também possui falhas significativas de governança que precisam ser corrigidas", afirmou.
"Substituir apenas Infantino, sem mudar a estrutura que produz esse tipo de liderança, seria remover algumas maçãs estragadas e deixar a árvore intacta."
O que pode mudar no futebol?
As críticas da AFC e da Concacaf, responsável pelo futebol da América do Norte, Central e Caribe, podem reforçar a posição da Uefa em uma eventual articulação contra o projeto.
O episódio também pode estimular uma aliança entre confederações continentais para apoiar um adversário de Infantino nas próximas eleições da Fifa ou até levantar a possibilidade de boicotes a competições futuras.
Ainda assim, os valores prometidos às federações podem alterar o cenário político. Maduro avalia que esse tipo de resistência costuma perder força com o tempo.
"Na maioria das vezes, essas declarações surgem sob pressão da opinião pública. Depois, as organizações acabam não levando suas posições adiante", disse.
Segundo ele, a crescente oposição da Uefa também está ligada à defesa de seus próprios interesses econômicos, especialmente da Liga dos Campeões. Caso o projeto avance, Maduro acredita que a Fifa tentará ampliar ainda mais o alcance e a frequência de suas competições.
"Eles vão querer transformar o Mundial de Clubes na principal competição internacional entre clubes, superando a Liga dos Campeões. É isso que tentarão fazer porque estará alinhado aos seus interesses comerciais", afirmou.
Erramos: Numa versão anterior deste texto, a DW escreveu que a participação de investidores estrangeiros seria de 20 bilhões de dólares. Na verdade, a Fifa planeja criar uma subsidiária de 20 bilhões de dólares para administrar a Copa do Mundo e outros eventos, vendendo até 20% das ações para investidores externos. O texto foi corrigido. Pedimos desculpas pelo erro.
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| Short teaser | Proposta de vender participação dos direitos comerciais da Copa para investidores por US$ 20 bilhões gera críticas. | ||
| Author | Matt Pearson | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/copa-à-venda-novo-plano-comercial-da-fifa-enfrenta-resistência-global/a-78174987?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | A proximidade entre Gianni Infantino e Donald Trump alimenta questionamentos sobre conflitos de interesse no plano da Fifa de atrair investidores privados | ||
| Image source | Kai Pfaffenbach/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78030303_354.jpg&title=Copa%20%C3%A0%20venda%3F%20Novo%20plano%20comercial%20da%20Fifa%20enfrenta%20resist%C3%AAncia%20global | ||
| Item 11 | |||
| Id | 78147636 | ||
| Date | 2026-07-30 | ||
| Title | O Brasil tem margem para negociar o tarifaço de Trump? | ||
| Short title | O Brasil tem margem para negociar o tarifaço de Trump? | ||
| Teaser |
Analistas apontam que tarifas têm forte componente político, que dificulta uma solução comercial negociada. Natureza impulsiva de Trump também complica esforços para acordo duradouro, algo que outros países já sentiram. Em uma cerimônia na última quarta-feira (22/07) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi categórico ao afirmar que o Brasil seguia na mesa de negociação para tentar reverter as tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros. "A gente não vai sair da mesa de negociação. Eles que digam que não querem negociar, porque nós vamos estar lá sentados na mesa, fazendo proposta toda vez e desafiando eles a provarem que eles tinham alguma razão de taxar o Brasil porque são deficitários conosco", disse Lula durante evento no Palácio do Planalto, lembrando que há décadas os EUA acumulam superávit com o Brasil. Mas analistas apontam que a questão vai muito além da balança comercial. Em um momento em que os Estados Unidos buscam rever acordos multilaterais, combater o avanço da influência chinesa e se impor economicamente de forma mais agressiva, especialistas salientam que o Brasil não deveria encarar as tarifas somente como uma discussão puramente técnica. Haveria mais em jogo. Reino Unido, Japão e a União Europeia assinaram acordos bilaterais com os Estados Unidos nos últimos meses, por exemplo. Eles fizeram concessões importantes em troca de mais estabilidade na relação comercial com os americanos, mas ainda enfrentam incertezas, como o anúncio recente de tarifas sobre combate ao trabalho forçado. Já o Canadá, que assinou um amplo acordo comercial com os EUA de Trump em 2025, também foi alvo neste mês de um novo tarifaço por parte da Casa Branca, levando os canadenses a acusarem Washington de violar o tratado. Ainda assim, o premiê do Canadá, Mark Carney, disse que pretende "intensificar" as negociações comerciais com Trump. Com tudo isso em jogo, o Brasil deveria seguir pelo mesmo caminho? A natureza das tarifasPara o professor Daniel Vargas, da FGV Direito Rio, o primeiro passo é estabelecer as diferenças das negociações com os Estados Unidos durante o segundo mandato do presidente Donald Trump. Segundo ele, as tratativas agora também envolvem aspectos referentes à influência americana na região e a relação política entre os dois países. “Esse não é apenas um diálogo negocial em sentido estrito. É uma disputa muito mais profunda que envolve tanto questões econômicas e políticas, mas sobretudo questões geopolíticas que se tornaram prioridade para os Estados Unidos”, afirma Vargas. Ele explica que o caráter político da medida seria a construção de uma afinidade ideológica entre os dois países por meio de um possível impacto nas eleições brasileiras. O segundo seria a utilização das tarifas para desincentivar que países mantenham uma relação comercial próxima à China. "Não é uma tarifa cujo cálculo carrega consigo a esperança de ter um retorno econômico amanhã. É uma tarifa cujo cálculo tem a expectativa de afirmar a autoridade americana e a sua influência geopolítica sobre a região”, diz. A posição é corroborada pelo professor de relações internacionais do Berea College Carlos Gustavo Poggio. “É difícil negociar porque não se trata de uma questão técnica. A abertura da investigação no Brasil foi política. Ela começa quando Trump envia uma carta falando sobre Jair Bolsonaro, sobre o Supremo Tribunal Federal”, explica Poggio, em referência à primeira rodada de tarifas anunciadas pelo governo americano em julho de 2025. A investigação aberta naquela ocasião visava responder a medidas econômicas de países que restringissem o comércio americano e foi encerrada com o recente anúncio de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Para Poggio, porém, a aplicação de tarifas estaria mais ancorada em uma visão ideológica do governo Trump, encabeçada pelo Secretário de Estado Marco Rubio, do que uma estratégia de longo prazo que visa afastar a influência chinesa de parceiros comerciais estratégicos. “O governo Trump não pensa dessa forma porque não existe estratégia, existem impulsos e emoção. Não é algo coerente”, afirma. Rubio, que é filho de cubanos, é considerado integrante da ala mais ideológica do governo americano e tem tido papel central na relação do governo Trump com países da América Latina. Houve tentativa de negociar?O Brasil não se absteve de negociar com os Estados Unidos, segundo o professor Daniel Vargas, mas a posição do governo brasileiro não tem levado em consideração os componentes políticos da medida. “Acho que o governo está tentando negociar, mas de maneira muito estreita, mais do que de qualquer outra negociação em curso ou que aconteceu entre outros países e os Estados Unidos. A negociação com a Europa também envolveu um conjunto de componentes valorativos”, afirma. Já Gustavo Blum, que é analista geopolítico e pesquisador convidado no Geneva Graduate Institute, defende que o país tentou negociar com os Estados Unidos, mas o processo não avançou por conta da lógica “maximalista” do governo Trump, onde há pouca ou nenhuma margem para concessões. “O Brasil não fez uma abertura total e completa, o governo buscou encontrar soluções sem prejudicar setores estratégicos da economia brasileira”, afirma. Blum defende que o tarifaço ocorre num contexto em que os Estados Unidos buscam aumentar sua influência na América Latina, mas questiona a efetividade da medida. “Existe uma lógica neste processo, mas que é pautada pela inconstância”, afirma. Ele menciona que o recente telefonema entre Lula e o líder chinês Xi Jinping, onde um possível acordo entre o Mercosul e a China foi discutido, mostra como o tarifaço pode produzir um efeito reverso ao buscado pelos americanos. O professor Carlos Poggio destaca que não é possível fazer uma comparação direta entre as outras negociações bilaterais dos Estados Unidos e um possível acordo com o Brasil, já que elas envolviam países com uma relação geopolítica e econômica muito mais importante com os americanos. “Além disso, no caso de negociações com a Europa e Japão, por exemplo, não havia o componente político, que há no caso brasileiro”, ressalta. Para Poggio, o país não tem margem de negociação, considerando que as tarifas são utilizadas pelo governo americano para conseguir concessões unilaterais e um alinhamento quase incondicional de outros países, além de serem pouco efetivas para manter as relações comerciais estáveis. “Qualquer negociação com Trump é muito efêmera. Qualquer governo futuro pode anulá-la porque não tem nada que passa pelo Congresso”, explica. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. 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| Short teaser | Analistas apontam que tarifas têm forte componente político, que dificulta uma solução comercial negociada. | ||
| Author | João Rocha | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-brasil-tem-margem-para-negociar-o-tarifaço-de-trump/a-78147636?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 12 | |||
| Id | 78168788 | ||
| Date | 2026-07-30 | ||
| Title | Ventos de até 125 km/h deixam mortos e feridos no Sudeste | ||
| Short title | Ventos de até 125 km/h deixam mortos e feridos no Sudeste | ||
| Teaser |
Rajadas provocaram cinco mortes e deixaram um desaparecido em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ventania causou apagões, interrompeu transportes e derrubou árvores em diversas cidades. Ventos fortes que atingiram o Sudeste do Brasil deixaram cinco mortos e um desaparecido nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Em algumas regiões, as rajadas chegaram a 124,9 km/h. Embora o fenômeno seja diferente de um furacão, a intensidade dos ventos é comparável à observada nas categorias mais altas da Escala de Beaufort, que mede a força das rajadas. Diversos municípios registraram quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia e impactos nos sistemas de transporte. No Rio Grande do Sul, um tornado causou danos nos municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, além de deixar quatro feridos. Em Santa Catarina, moradores de Garuva e Joinville relataram destelhamentos. Rio de Janeiro: apagão e interrupção de trens e aeroportosNo Rio de Janeiro, duas pessoas morreram após o desabamento de um muro em Santa Teresa, na região central da capital. Um pescador segue desaparecido em Tarituba, distrito de Angra dos Reis, na Costa Verde. Segundo o Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), foram registradas 185 ocorrências relacionadas à ventania, entre elas 93 quedas de árvores, 31 salvamentos de pessoas e cinco desabamentos. A Secretaria Estadual de Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros informaram que atuam de forma integrada e instalaram um gabinete de crise. O Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) emitiu alerta para os efeitos da aproximação de uma frente fria pelo oceano, válido até as 7h de quinta-feira. Com rajadas superiores a 100 km/h, a cidade entrou no Estágio 2 de alerta. Diversos bairros da capital ficaram sem energia durante a tarde. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que houve desligamentos nas redes de transmissão e distribuição a partir das 15h57, afetando o Sistema Interligado Nacional (SIN) na área do Rio de Janeiro. Às 16h38, a Subestação Grajaú foi desligada. O fornecimento foi restabelecido às 17h35. O Aeroporto Santos Dumont suspendeu as operações entre 16h52 e 18h56. Segundo a Infraero, a pista passou por vistoria e limpeza de detritos antes da retomada dos pousos e decolagens. Nove voos foram desviados para outros aeroportos e sete decolagens acabaram canceladas. No Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão), quatro voos com destino ao terminal foram redirecionados. De acordo com a SuperVia, concessionária que opera o sistema ferroviário da Região Metropolitana, a circulação dos trens foi interrompida para vistorias de segurança. Já o MetrôRio informou que as linhas 1, 2 e 4 tiveram a operação suspensa às 16h40. Passageiros relataram nas redes sociais que ficaram retidos dentro das composições. Horas depois, a concessionária anunciou a retomada gradual dos serviços. "Na volta para casa hoje, evitem áreas abertas e marquises de prédios. Há registros de queda de árvores em todas as regiões da cidade. Semáforos e o trânsito foram impactados em diferentes pontos. Também há relatos de problemas no fornecimento de energia elétrica em todo o estado", escreveu o prefeito em exercício do Rio, Eduardo Cavaliere. Em São Paulo, ventos a 124,9 km/hNo estado de São Paulo, os ventos chegaram a 124,9 km/h e provocaram ao menos três mortes. Segundo a Defesa Civil estadual, os óbitos foram registrados em Santos, onde um homem foi atingido por uma árvore; em Cesário Lange, onde uma árvore caiu sobre um carro; e em São Sebastião, onde o naufrágio de uma embarcação matou um pescador. Os detalhes sobre os incidentes ainda não foram divulgados. No início da tarde, o órgão emitiu alerta severo para rajadas de vento na capital paulista, na Grande São Paulo e no litoral. As maiores velocidades foram registradas em Itaporanga e Itaí (124,9 km/h), Taquarituba (117 km/h), Arandu (113,1 km/h), Paranapanema (113 km/h) e Itanhaém (111 km/h). Embora se tratem de fenômenos distintos, ciclones extratropicais também podem produzir rajadas acima de 103 km/h. Em Santos, as rajadas chegaram a 83,7 km/h. Na capital paulista, as rajadas atingiram 75,3 km/h. Segundo o Corpo de Bombeiros, até as 17h21 haviam sido registradas 39 ocorrências de queda de árvores. O Porto de Santos ficou paralisado por quatro horas. Como a ventania se formouA ventania foi provocada pelo encontro de duas massas de ar: uma quente e seca e outra fria e úmida. O ar mais frio e denso permaneceu próximo à superfície e avançou sob a massa de ar quente, criando um forte contraste de temperatura e umidade que favoreceu a formação dos ventos intensos. "O intenso contraste térmico entre o ar muito quente e seco que predominava em São Paulo e no Rio de Janeiro e o ar frio e úmido trazido pela frente fria acelerou o ar, causando ventos muito fortes", informou o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A velocidade de deslocamento da frente fria também contribuiu para a intensidade do fenômeno. Em Guarulhos, por exemplo, a temperatura chegou a 30°C por volta das 13h e caiu para 21°C uma hora depois, segundo o Climatempo. O Cemaden classificou como alta a possibilidade de novos eventos hidrológicos no Rio Grande do Sul nesta quarta-feira, especialmente nas regiões de Santa Cruz do Sul-Lajeado e Porto Alegre, devido à propagação da onda de cheia nas bacias dos rios Jacuí, Taquari, Caí e Sinos. O risco é de alagamentos. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta laranja para ventos costeiros em todo o estado de São Paulo e para o litoral do Rio de Janeiro ao sul de Cabo Frio. O instituto prevê ventos intensos e movimentação de dunas sobre construções em áreas da orla. O alerta laranja representa o segundo nível mais elevado entre os três graus de severidade adotados pelo Inmet: amarelo, para perigo potencial; laranja, para perigo; e vermelho, para grande perigo. O aviso permaneceu válido até o fim da noite desta quarta-feira. Segundo o Cemaden, no momento não há novos riscos associados a ventanias nos estados. gq (Agência Brasil, OTS) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Rajadas provocaram cinco mortes e deixaram um desaparecido em São Paulo e no Rio de Janeiro. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ventos-de-até-125-km-h-deixam-mortos-e-feridos-no-sudeste/a-78168788?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Ventos%20de%20at%C3%A9%20125%20km%2Fh%20deixam%20mortos%20e%20feridos%20no%20Sudeste | ||
| Item 13 | |||
| Id | 78151025 | ||
| Date | 2026-07-29 | ||
| Title | Brasileiros estão entre os que mais morrem na guerra na Ucrânia | ||
| Short title | Brasileiros entre os que mais morrem na guerra na Ucrânia | ||
| Teaser |
Kiev amplia incentivos para atrair estrangeiros ao front, enquanto cresce o número de brasileiros mortos e desaparecidos no conflito contra a Rússia.Não é incomum ouvir português em áreas sob controle militar ucraniano. Agora, após uma reforma nos contratos e nos salários oferecidos a combatentes, as autoridades de Kiev esperam ampliar ainda mais a participação de estrangeiros na guerra contra a Rússia, inclusive de brasileiros.
Embora os números exatos sejam mantidos em sigilo por razões estratégicas, diferentes elementos apontam para uma presença significativa de brasileiros no conflito. Um deles é a existência de uma companhia militar formada majoritariamente por falantes de português e liderada por brasileiros.
Nas redes sociais, os canais oficiais de recrutamento de estrangeiros da Ucrânia publicam regularmente conteúdos em português, muitos deles convidando brasileiros a aderirem às forças ucranianas.
Outro indício são as contagens não oficiais de mortos e desaparecidos baseadas em anúncio públicos disponíveis na internet, que colocam o Brasil entre os países com maior número de combatentes estrangeiros mortos na guerra. Durante a apuração desta reportagem, o país aparecia na terceira posição, com mais de 100 mortes, atrás de Estados Unidos e Colômbia.
Dados parecidos também são citados pelo Itamaraty, que confirmou 92 brasileiros desaparecidos e 35 óbitos. O número mais que dobrou desde dezembro do ano passado.
Entre os casos mais recentes está o de Edi Soares de Souza, morto em combates na região de Zaporíjia. Imagens de seu funeral circularam nas redes sociais.
Ucrânia busca reforços estrangeiros
A necessidade de recrutar combatentes internacionais está diretamente ligada aos desafios enfrentados pelas Forças Armadas da Ucrânia após mais de quatro anos de guerra.
Estudos recentes estimam que entre 125 mil e 150 mil soldados ucranianos morreram desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. Outros mais de 200 mil militares teriam desertado.
Em fevereiro de 2022, apenas três dias após o início da invasão, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, fez um apelo público a voluntários estrangeiros.
"Quem quiser se juntar à defesa da Ucrânia, da Europa e do mundo pode vir lutar lado a lado com os ucranianos contra os criminosos de guerra russos", afirmou.
Desde então, milhares de estrangeiros ingressaram na chamada Legião Internacional da Defesa Territorial da Ucrânia. Em 2026, uma autoridade ucraniana afirmou que mais de 10 mil combatentes de cerca de 75 países haviam lutado pelo país.
Um deles é Giovanni Paese, brasileiro que vive há quatro anos na Ucrânia. À DW, ele contou que decidiu se juntar ao esforço de guerra após ouvir relatos de amigos que já estavam no país.
"Alguns amigos acabaram indo antes de mim, na época, e eles falaram: 'Cara, aqui está difícil. O país é bonito, a galera é gente boa, eles precisam de ajuda'", relata. "O treinamento na época era muito rápido, né? Então, duas, três semanas ali e já estava em missão."
Atualmente, Giovanni atua com drones, função considerada menos exposta do que as missões de infantaria. Ele casou com uma ucraniana, comprou um apartamento e decidiu permanecer no país.
Mercenários ou combatentes estrangeiros?
A presença de estrangeiros no conflito é controversa. Seriam eles mercenários? A resposta a essa pergunta pode ser a diferença entre a vida e a morte de um soldado.
A Rússia enxerga os voluntários estrangeiros que lutam pela Ucrânia como mercenários. Por essa ótica, eles não teriam direito às proteções garantidas aos prisioneiros de guerra pela Convenção de Genebra. Foi o que as autoridades russas argumentaram em casos como o do brasileiro Herik Ferreira Soares, capturado durante o conflito.
Estrangeiros capturados pelos russos arriscam até mesmo ser condenados à morte, pena que é posta em prática na autoproclamada República Popular de Donetsk.
A Ucrânia rejeita essa interpretação. Segundo Kiev, os estrangeiros incorporados à Legião Internacional assinam contratos oficiais, integram a estrutura militar do país e possuem os mesmos direitos, deveres e remuneração dos soldados ucranianos.
Especialistas em direito internacional afirmam que essa é justamente uma das razões pelas quais muitos juristas contestam a classificação adotada pela Rússia.
A Organização das Nações Unidas mantém uma posição historicamente crítica ao mercenarismo e possui convenções específicas sobre o tema. No entanto, a ONU não classificou oficialmente os combatentes estrangeiros que atuam ao lado da Ucrânia como mercenários.
Salários mais altos e novos incentivos
Numa tentativa de atrair mais voluntários e reter tropas, o governo ucraniano reformulou recentemente os contratos oferecidos a estrangeiros.
Os novos modelos preveem permanência mínima de seis meses e incluem facilidades migratórias, como autorização para permanecer no país por um período após o término do serviço militar. O principal atrativo, porém, é financeiro.
Dependendo da função exercida e da proximidade da linha de frente, a remuneração mensal pode alcançar o equivalente a cerca de R$ 53 mil. Após a reforma, o ministro da Defesa da Ucrânia afirmou que o país teria a infantaria e as tropas de assalto mais bem pagas do mundo.
Mesmo assim, veteranos alertam que a realidade costuma ser bem diferente da imagem difundida nas redes sociais.
"Eu desconheço um soldado que ficou rico aqui", afirma o brasileiro Anderson Quadros, que atua ao lado de Paese. "Pouquíssimos, têm a sorte do Giovanni, que conseguiu adquirir casa, adquirir um carro. A maioria vem para cá, e se não for ferido ou morto, não consegue adquirir nada. A maioria acaba caindo em tentação de álcool, de cigarro, de mulher, de balada".
Mortes, desaparecimentos e denúncias
Na linha de frente, soldados permanecem por longos períodos em trincheiras e posições improvisadas sob intenso bombardeio, quase sem ver a luz do sol.
Rodrigo Lopes e Naiano Gonçalves, dois brasileiros que passaram 11 meses na guerra e se preparavam para retornar ao Brasil, relataram à DW as dificuldades enfrentadas durante o serviço.
"Eu sempre ouvia dizer que a brigada era um moedor de carne: joga cem no front e volta dez", disse Gonçalves.
Em caso de morte, familiares podem receber indenizações que, em determinadas circunstâncias, beiram os R$ 2 milhões de reais. No entanto, a obtenção desse benefício costuma depender da localização do corpo, o que muitas vezes é improvável, ou de longos processos judiciais para o reconhecimento formal do óbito, o que pode levar vários anos.
Além dos riscos de combate, um caso recente chamou a atenção internacional. O brasileiro Bruno Gabriel Leal da Silva, de 23 anos, foi encontrado morto em dezembro de 2025 dentro de uma base militar ucraniana. Segundo relatos divulgados pela imprensa, ele apresentava sinais de tortura e ainda não havia assinado contrato militar.
O episódio colocou sob escrutínio uma companhia composta majoritariamente por brasileiros e vinculada à inteligência militar ucraniana. Investigações jornalísticas apontaram denúncias de abusos sistemáticos dentro da unidade.
"Eu fiz uma investigação sobre abusos intensivos que estavam acontecendo dentro de uma unidade brasileira. Uma grande parte dessa situação foi criada porque os ucranianos não estavam monitorando ou fiscalizando essa unidade. Ela foi deixada completamente sob o controle do comandante brasileiro. E isso criou um sistema de abusos que ocorreu durante um ano, mais ou menos", relata à DW o jornalista Jared Goyette, do The Kyiv Independent.
A Procuradoria Militar da Ucrânia confirmou à DW que o caso segue sob investigação da Polícia Nacional em Kiev, que apura se há indícios do crime de homicídio culposo, causado por negligência. Até o momento, ninguém foi formalmente acusado.
Procurado, o brasileiro chefe da unidade disse que não tem autorização para falar sobre o caso, porque as investigações ainda estão em andamento. Ele também disse que está cooperando com a polícia.
Brasil sem legislação específica
A crescente participação de brasileiros na guerra também levanta dúvidas sobre as implicações legais do recrutamento.
Ao contrário da Colômbia, que recentemente ratificou a Convenção da ONU contra mercenários e passou a tipificar o mercenarismo como crime, o Brasil não aderiu ao tratado internacional.
Especialistas afirmam que existe atualmente uma lacuna jurídica no país, já que a legislação brasileira não trata especificamente da participação de cidadãos em conflitos armados estrangeiros sob a ótica do mercenarismo.
Em nota à DW, o Itamaraty reiterou que a capacidade de assistência consular em zonas de guerra pode ser severamente limitada por questões de segurança e voltou a recomendar que brasileiros evitem qualquer envolvimento com forças armadas estrangeiras.
Enquanto a guerra continua e os dois lados enfrentam dificuldades para repor efetivos, os brasileiros seguem aparecendo entre os estrangeiros mais presentes no conflito. Para muitos, a motivação passa por ideais, experiência militar ou solidariedade. Para outros, o salário oferecido representa um atrativo importante. Em comum, está a disposição de participar de uma guerra que já deixou milhões de mortos, feridos e desaparecidos.
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| Short teaser | Kiev amplia incentivos para atrair estrangeiros, enquanto cresce o número de brasileiros mortos e desaparecidos. | ||
| Author | Albert Steinberger, Gustavo Basso | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/brasileiros-estão-entre-os-que-mais-morrem-na-guerra-na-ucrânia/a-78151025?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Segundo o Itamaraty, 35 brasileiros foram mortos e outros 92 desapareceram no conflito enquanto lutavam a serviço da Ucrânia | ||
| Image source | Diego Herrera Carcedo/Anadolu/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/70819747_354.jpg&title=Brasileiros%20est%C3%A3o%20entre%20os%20que%20mais%20morrem%20na%20guerra%20na%20Ucr%C3%A2nia | ||
| Item 14 | |||
| Id | 78163385 | ||
| Date | 2026-07-29 | ||
| Title | Mistério de manchas em peixes revela raro câncer contagioso | ||
| Short title | Mistério de manchas em peixes revela raro câncer contagioso | ||
| Teaser |
Após mais de uma década de investigações, cientistas confirmaram que lesões negras em bagres são causadas por um melanoma capaz de passar de um animal para outro. Desde 2012, pescadores e biólogos vêm alertando sobre o aumento de bagres-marrons (Ameiurus nebulosus) com misteriosas lesões cutâneas negras no lago Memphremagog, compartilhado entre os Estados Unidos e o Canadá. Em 2014, a situação era crítica: quase um em cada três desses peixes apresentava as manchas escuras. Agora, um estudo publicado na revista Nature revela que essas lesões são, na verdade, um câncer do tipo melanoma. Além disso, trata-se do primeiro câncer transmissível identificado em uma espécie de água doce e apenas o quarto documentado em todo o reino animal. Os outros casos de câncer transmissível são o tumor facial do diabo-da-tasmânia, o tumor venéreo transmissível em cães e patologias semelhantes à leucemia em bivalves, como amêijoas e mexilhões. Nem parasitas nem contaminaçãoInicialmente, suspeitava-se de um patógeno ou da presença de algum contaminante, já que o bagre-marrom — também conhecido como peixe-gato — vive no fundo dos corpos d'água e é considerado um indicador da qualidade ambiental. "No começo, pensávamos que essa doença pudesse ser causada por um vírus, mas isso não fazia muito sentido", explica Julie Dragon, codiretora principal do estudo, em comunicado da Universidade de Vermont. Em vez disso, as manchas revelaram ser um melanoma, um câncer de pele — algo "surpreendente", admite Dragon. Peixes afetados submetidos a testes de DNAPor meio do sequenciamento completo do genoma, a equipe comparou o DNA dos tumores com o dos tecidos saudáveis dos peixes afetados. As análises revelaram que as células cancerígenas estavam muito mais estreitamente relacionadas entre si do que com o peixe hospedeiro que as abrigava. Nesse caso, as células cancerígenas se comportam mais como parasitas do que como tumores convencionais, transmitindo-se de um indivíduo para outro. O mistério da transmissãoA equipe de pesquisa busca agora compreender como a doença se propaga. As observações indicam que a transmissão ocorre principalmente em peixes maiores e em idade reprodutiva. "Talvez algum aspecto do comportamento reprodutivo provoque a propagação do câncer entre os animais", explica Mark Henderson, coautor do estudo. Possíveis formas de contágioOs cientistas têm duas hipóteses para a transmissão desse câncer. Durante a desova, os bagres se agrupam densamente em águas rasas, permitindo um contato físico que poderia transmitir células tumorais. Além disso, por serem peixes sem escamas que vivem no fundo, eles interagem de forma muito próxima com os sedimentos, que poderiam abrigar células cancerígenas livres. Sem risco para os seres humanos — pelo menos por enquantoO estudo aponta que contaminantes ou alterações hormonais podem enfraquecer o sistema imunológico, tornando os bagres-marrons mais vulneráveis à infecção. O lago Memphremagog abastece com água potável mais de 175 mil pessoas, e os pesquisadores enfatizam que a doença não representa nenhum risco conhecido para os seres humanos. As células cancerígenas não conseguem infectar nem sobreviver em outra espécie, de modo que os peixes podem ser manipulados e estudados com total segurança. No entanto, "eu não comeria os que têm tumores", afirma Henderson, observando que cerca de 30% dos bagres-marrons do lago parecem estar afetados. "Essa descoberta reforça a ideia de que os cânceres transmissíveis podem surgir em qualquer lugar, inclusive em nossa própria espécie", destacou ao New York Times Elizabeth Murchison, especialista em câncer transmissível da Universidade de Cambridge. ip/ra (efe, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Cientistas confirmaram que lesões negras em bagres são causadas por um melanoma capaz de passar de um animal para outro. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/mistério-de-manchas-em-peixes-revela-raro-câncer-contagioso/a-78163385?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Mist%C3%A9rio%20de%20manchas%20em%20peixes%20revela%20raro%20c%C3%A2ncer%20contagioso | ||
| Item 15 | |||
| Id | 78157708 | ||
| Date | 2026-07-29 | ||
| Title | Como a Alemanha tenta desradicalizar jovens islamistas | ||
| Short title | Como a Alemanha tenta desradicalizar jovens islamistas | ||
| Teaser |
Muitos projetos tentam ajudar jovens a deixarem a cena islamista. Responsáveis dizem que esses programas são indispensáveis e que efeitos nem sempre são percebidos pela sociedade. "Os adolescentes mais velhos eram modelos. Eles explicavam que existia uma guerra do Ocidente contra o islã e que eu não podia apenas ficar assistindo." Essa declaração de um ex-integrante da cena radical aparece com destaque na página do Programa de Desligamento do Islamismo (API) do estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália. Desde 2014, esse projeto ajuda pessoas que desejam romper com a cena islamista, incluindo algumas classificadas como ameaças à segurança pública. "O que observamos nos últimos dois anos é que o público atendido se tornou consideravelmente mais jovem", afirma a assistente social e de desligamento do API, Stefanie Adler (nome alterado pela redação). "Antes, as pessoas viajavam para a Síria e era mais ou menos claro que haviam se unido ao Estado Islâmico e se radicalizado por lá, na vida real." Hoje, segundo ela, os atendidos são mais jovens, e a radicalização ocorre frequentemente por meio de mídias digitais. "As redes sociais funcionam como aceleradores da radicalização, e isso acontece de forma muito mais rápida." Após o atentado fatal durante a Marcha do Orgulho LGBTQ+ em Berlim, no sábado passado, atribuído ao islamista Abdul B., de 21 anos, iniciou-se na Alemanha um debate sobre o que fazer para que algo assim não se repita. O jovem, morto pela polícia quando estava em fuga e em cujo celular foi encontrado um vídeo em que ele reivindica o ataque e faz um juramento de lealdade à organização terrorista "Estado Islâmico", havia participado, em junho e julho, de duas conversas preliminares de um programa de desradicalização em Berlim. Os responsáveis pelo programa Violence Prevention Network, no entanto, não tiveram a impressão de que Abdul B. realmente quisesse abandonar o meio islamista, relata o diretor-executivo Thomas Mücke. Segundo ele, o jovem provavelmente não teria sido aceito no programa. Um processo demoradoTambém no Programa de Desligamento do Islamismo do estado da Renânia do Norte-Vestfália há alguns casos semelhantes, diz Adler. "Nessas situações temos de dizer que o acompanhamento para o desligamento não é possível naquele momento porque não percebemos uma real intenção de querer se afastar." Em geral, quando não são os próprios interessados que procuram esses programas, são pessoas próximas a eles que contatam a polícia ou outras autoridades para nomear possíveis candidatos aos programas. "Analisamos a pessoa mais detalhadamente, reunimos informações e então iniciamos o acompanhamento, inicialmente com encontros semanais e, mais tarde, às vezes apenas a cada alguns meses. É, sem dúvida, um processo demorado", explica a psicóloga e assistente de desligamento do API Viola Geiger (nome alterado pela redação). Quando pessoas antes classificadas como uma ameaça à segurança demonstram de forma convincente que se afastaram da ideia de uso da violência como meio legítimo de ação e aprenderam a lidar de maneira autônoma com situações de crise, elas são consideradas desradicalizadas, e o caso é encerrado. Mas, para se chegar até lá, é preciso persistência. Em um caso, os especialistas do API acompanharam um ex-islamista durante sete anos. Ainda assim, Adler considera esses programas indispensáveis. "Qual seria a alternativa se eles não existissem? Muitas pessoas que deixam a prisão após cumprirem uma pena precisam desse tipo de programa para conseguir se reintegrar à sociedade." Ela argumenta que muitas histórias de sucesso nunca chegam ao conhecimento do público. "Não se leva em conta que aqueles que conseguiram deixar o extremismo desaparecem do radar simplesmente porque querem apenas viver suas vidas." Um problema persistenteA Associação Federal para o Extremismo de Motivação Religiosa (BAG RelEx) reúne 40 associações e iniciativas que trabalham com prevenção, afastamento ou desradicalização. A diretora-executiva da BAG RelEx, Jamuna Oehlmann, diz ter ficado tão chocada com o atentado em Berlim quanto qualquer outra pessoa. No entanto, ela diz que o episódio não foi exatamente uma surpresa, pois o problema do islamismo radical persiste na Alemanha. "Há também cada vez mais mulheres jovens que se radicalizam. Ainda assim, principalmente homens jovens se radicalizam na Alemanha, cometem atos violentos e colocam em prática suas fantasias de violência." A radicalização, segundo ela, é um processo multifatorial, no qual diferentes fatores se combinam e podem levar, no pior dos casos, ao extremismo violento. "A sociedade e os fatores externos desempenham um papel importante, mas também existe a questão individual de cada pessoa que se radicaliza." Oehlmann lista os chamados "fatores de impulso", ou seja, determinadas situações de crise que podem afastar as pessoas da sociedade: a perda de um dos pais, o fracasso numa prova importante, a falta de moradia, a perda do emprego, experiências de discriminação e exclusão ou também bullying. Soma-se a isso a situação política mundial, que leva algumas pessoas ao desespero. "Existem islamistas que sabem explorar essas crises pessoais e se aproximam exatamente nesses momentos, fazendo os jovens sentirem que 'conosco você será ouvido, conosco você pertence a algum lugar, conosco você pode ser alguém'. Além disso, eles organizam a complexidade da situação mundial em categorias simples de bem e mal, preto e branco." Ameaça dos cortes de verbaPor isso, Oehlmann considera importante que os recursos destinados às organizações que atuam na prevenção da radicalização ou na desradicalização de islamistas não sejam reduzidos, como anunciou a ministra da Educação, Karin Prien. A ministra pretende reformular o programa de financiamento Demokratie leben (Viver a Democracia): cerca de 200 projetos podem perder o financiamento no fim de 2026. Vinte e três das 40 organizações integrantes da BAG RelEx seriam afetadas. Oehlmann critica a medida. "Isso também atinge projetos que fazem um bom trabalho. Agora eles estão ocupados em procurar novos financiamentos em vez de se concentrar em sua atividade principal, que é a prevenção do islamismo. Precisamos de certezas e de planejamento de longo prazo." O atentado contra a Marcha do Orgulho LGBTQ+ em Berlim aparentemente levou Prien a reconsiderar sua posição, pois ela sinalizou que poderá disponibilizar 5 milhões de euros aos estados para iniciativas de combate à radicalização. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Especialistas relatam aumento de adolescentes atraídos pelo extremismo islamista e defendem programas de prevenção. | ||
| Author | Oliver Pieper | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-a-alemanha-tenta-desradicalizar-jovens-islamistas/a-78157708?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Como%20a%20Alemanha%20tenta%20desradicalizar%20jovens%20islamistas | ||
| Item 16 | |||
| Id | 78054353 | ||
| Date | 2026-07-29 | ||
| Title | Como ondas de calor podem afetar o sono e a saúde | ||
| Short title | Como ondas de calor podem afetar o sono e a saúde | ||
| Teaser |
Temperaturas cada vez mais intensas na Europa aumentam a privação de sono. Problema, que também é global, pode agravar doenças, reduzir a produtividade e ampliar desigualdades sociais. As recentes ondas de calor recorde na Europa têm tirado o sono dos moradores do continente. À medida que o planeta continua a aquecer, porém, especialistas alertam que a privação de sono gerada pelas altas temperaturas que castigam grande parte do planeta pode agravar problemas de saúde física e mental. Durante a onda de calor de junho no Hemisfério Norte, que levou temperaturas históricas ao oeste europeu, cerca de 65% dos adultos no Reino Unido relataram dificuldades para dormir, segundo uma pesquisa recente. Quase metade afirmou ter perdido três horas ou mais de sono por noite. A interrupção do sono é uma das consequências dos verões cada vez mais longos e quentes impulsionados pelas mudanças climáticas. Como o continente que aquece mais rapidamente no planeta, e em ritmo superior ao dobro da média global, a Europa tornou-se um dos focos mais vulneráveis à perda de sono relacionada ao calor. No estado alemão da Saxônia, uma estação meteorológica registrou em junho temperatura mínima noturna de 29,4°C. Segundo a organização científica World Weather Attribution, eventos extremos desse tipo são hoje cem vezes mais prováveis devido às mudanças climáticas provocadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Temperaturas similares são identificadas no Brasil durante o verão e também em outros momentos do ano, com a ocorrência antecipada do El Niño. Mudanças climáticas afetam o sonoA perda de sono causada pelo calor só recentemente passou a ser reconhecida como um importante indicador dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde. Um estudo publicado em julho analisou 165 milhões de noites de sono de quase 318 mil usuários de dispositivos de monitoramento, incluindo rastreadores vestíveis e sensores instalados sob colchões. Os pesquisadores concluíram que, quando as temperaturas noturnas sobem de cerca de 12°C para 27°C, a probabilidade de uma pessoa dormir menos de seis horas aumenta aproximadamente 40%. Segundo Ty Ferguson, pesquisador da Universidade de Adelaide, na Austrália, os seres humanos têm dificuldade para manter a capacidade cognitiva, a memória e o equilíbrio emocional quando dormem menos de sete horas por noite. Ele não participou do estudo. Além de prejudicar o humor e a capacidade de concentração, o sono insuficiente pode elevar o risco de diabetes, depressão, doenças cardiovasculares e obesidade, afirma Ferguson. "Necessidade fisiológica fundamental""O sono é uma necessidade fisiológica fundamental, essencial para a função imunológica, a saúde mental e o bem-estar diário", diz Bowen Chu, pesquisador da Escola de Ciências Atmosféricas da Universidade de Nanjing, na China. Chu é coautor de um estudo publicado em março sobre os potenciais impactos econômicos da perda de sono causada pelas mudanças climáticas entre crianças. Segundo ele, o tema permite avaliar efeitos graduais e cumulativos do aquecimento global que costumam passar despercebidos por pesquisas focadas em eventos extremos. "Compreender a perda de sono ajuda os cientistas a quantificar os impactos cotidianos do aumento da temperatura sobre a saúde e a vida das populações ao redor do mundo", afirmou à DW. Outro aspecto preocupante é que as temperaturas estão aumentando mais rapidamente durante a noite do que durante o dia, observa Kelton Minor, professor associado da Universidade de Copenhague. Sua equipe, em parceria com a World Sleep Society, defende a criação de uma força-tarefa internacional dedicada ao tema. Em parte, isso ocorre porque as nuvens absorvem calor durante o dia e o devolvem à atmosfera à noite. Estudos também indicam que mudanças nos padrões de cobertura de nuvens podem intensificar o aquecimento global. Impacto silencioso e subestimadoPara Kim van Daalen, epidemiologista ambiental da Universidade de Cambridge e coautora de um artigo recente sobre perda de sono em um planeta mais quente, o problema ainda recebe pouca atenção. "A perda de sono não produz um evento único e dramático, nem gera números imediatos de mortes ou danos visíveis", afirmou. "Ela se acumula silenciosamente, noite após noite." Segundo a pesquisadora, esse processo tende a ampliar desigualdades já existentes. Crianças podem enfrentar dificuldades de aprendizagem, concentração e regulação emocional. Já idosos e pessoas com doenças crônicas ficam mais expostos a sobrecarga cardiovascular e metabólica. Chu destaca que a privação crônica de sono provocada pelo calor também reduz a produtividade no trabalho, prejudica o desempenho escolar, pode aumentar o risco de acidentes de trânsito e elevar os custos de saúde no longo prazo. "Dormir mal dificulta trabalhar, aprender, cuidar dos outros e manter uma boa saúde", afirmou. Ele acrescenta que famílias de baixa renda tendem a ser mais vulneráveis por viverem em moradias com pouca ventilação ou por não terem condições de arcar com sistemas de refrigeração. De acordo com Minor, tanto populações de baixa renda em países desenvolvidos quanto moradores de países mais pobres podem ser até três vezes mais vulneráveis aos efeitos do calor sobre o sono. Ele cita grupos especialmente expostos, como pessoas em situação de rua, migrantes alojados em tendas, detentos, bebês em ambientes superaquecidos e mulheres grávidas ou no pós-parto, que já costumam enfrentar dificuldades para dormir. Como se adaptarMesmo que os países alcancem emissões líquidas zero, a adaptação aos impactos do calor sobre o sono continuará necessária, já que a redução das temperaturas levará décadas, afirma Ferguson. Entre as medidas apontadas por especialistas estão o acesso ampliado a ventiladores e ar-condicionado, o uso de roupas de cama mais leves, melhorias no isolamento térmico dos edifícios e a redução de áreas urbanas cobertas por concreto, que retém calor. Chu também destaca a importância da ampliação de áreas verdes, do uso de superfícies que reflitam a radiação solar e de soluções de resfriamento passivo na arquitetura, como persianas e sistemas de ventilação mais eficientes. Outra medida considerada essencial é a adaptação dos horários de trabalho durante períodos de calor extremo. Segundo Minor, essas iniciativas serão especialmente relevantes em países como a Alemanha, onde o uso de ar-condicionado historicamente é menor do que em países como Estados Unidos e Austrália. "Adaptar o terço de nossas vidas que passamos dormindo ao aumento das temperaturas noturnas já deveria ser uma prioridade política e de inovação em adaptação na Europa", afirma. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Temperaturas cada vez mais intensas na Europa aumentam a privação de sono, agravando doenças. | ||
| Author | Stuart Braun | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-ondas-de-calor-podem-afetar-o-sono-e-a-saúde/a-78054353?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Como%20ondas%20de%20calor%20podem%20afetar%20o%20sono%20e%20a%20sa%C3%BAde | ||
| Item 17 | |||
| Id | 78160120 | ||
| Date | 2026-07-29 | ||
| Title | O vilarejo europeu que está questionando seu título de patrimônio da Unesco | ||
| Short title | A vila europeia que não quer mais ser patrimônio da Unesco | ||
| Teaser |
Exaustos com efeitos do turismo excessivo sobre modo de vida local, alguns dos últimos moradores da pequena Vlkolínec, na Eslováquia, defendem que localidade seja riscada da Lista do Patrimônio Mundial da Unesco.Pelas manchetes da imprensa internacional, a história parecia simples: uma pequena vila da Eslováquia estaria pedindo para ser retirada da Lista do Patrimônio Mundial da Unesco devido aos efeitos do turismo excessivo.
Mas basta uma visita a Vlkolínec para perceber que a questão é bem mais profunda. Mais do que uma contestação ao selo da Unesco, o debate reflete a preocupação dos moradores em conciliar a preservação de seu modo de vida com o fluxo crescente de visitantes atraídos pela fama internacional da localidade.
"Quem vem com humildade, para admirar a vila e entender como as pessoas viviam aqui, é sempre bem-vindo", diz Anton Sabucha, de 68 anos. "Esses não me incomodam. O problema são os mal-educados".
Sentado sob uma cobertura em frente à sua casa de madeira, Sabucha folheia um livro sobre a história da vila, apontando fotografias de vizinhos e parentes. Sua esposa serve uma bandeja de bolinhos fritos.
Ele se lembra da época em que cerca de 200 pessoas viviam em Vlkolínec. Hoje, apenas 17 moradores permanecem durante todo o ano.
A Unesco não criou o problema turístico da localidade. A vila foi declarada Reserva de Patrimônio da Arquitetura Popular em 1977, durante o período comunista na então Tchecoslováquia.
Privacidade cada vez menor
No entanto, Sabucha afirma que a inscrição de Vlkolínec na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco, em 1993, acelerou as mudanças, atraindo visitantes que frequentemente esquecem que pessoas continuam vivendo nas centenárias casas de madeira.
"Você sai para o quintal querendo tomar um café tranquilamente com amigos. Então chega o primeiro turista e pergunta: 'Como é viver aqui?' Depois vem outro. E mais outro", contou à DW.
Sabucha instalou uma barreira na entrada de sua propriedade com avisos de "proibida a entrada" e "proibido fotografar". Mesmo assim, segundo ele, alguns visitantes continuam entrando em jardins particulares, pisoteando flores e tratando a vila como uma atração turística, e não como uma comunidade.
"Algumas pessoas veem a placa de 'proibido fotografar' e ainda assim tiram fotos. Simplesmente não respeitam a privacidade dos moradores", relata.
O desaparecimento da vida tradicional
Para Sabucha, a maior perda tem sido o desaparecimento gradual do modo de vida tradicional da vila.
Os campos ao redor já não são mais cultivados como antes, antigos terraços agrícolas foram tomados pela vegetação e muitas das pessoas que moldaram a paisagem local já não estão mais ali.
Segundo ele, a renda gerada pelo turismo pouco contribuiu para reverter esse declínio.
Os moradores recebem cerca de 400 euros por ano provenientes da venda de ingressos — "mal dá para comprar combustível para o inverno", afirma. Ao mesmo tempo, muitas das pessoas que hoje lucram com o turismo já não vivem na vila.
"Para um turista comum, estas são apenas casas de madeira. Para nós, são pessoas. Sabemos exatamente quem viveu em cada uma delas".
Uma vila viva
Justine, uma turista francesa que visitava a localidade, acredita que o principal atrativo de Vlkolínec é justamente o fato de ela continuar habitada.
"Normalmente, lugares como este são museus. Aqui, as pessoas ainda vivem. Isso é único", disse à DW.
Ao saber que alguns moradores defendem a retirada da vila da lista da Unesco por causa do turismo, ela afirmou compreender a frustração.
"Ter pessoas caminhando pelo seu vilarejo todos os dias pode se tornar desagradável", afirmou. "Mas, ao mesmo tempo, o turismo também beneficia a região. É difícil saber qual é a melhor solução".
Nem todos querem deixar a lista
Nem todos concordam que a Unesco seja a responsável pelo problema.
Miro Parobek, responsável pelo turismo da cidade de Ružomberok — que administra Vlkolínec como distrito municipal — reconhece que o turismo trouxe desafios, mas argumenta que a resposta está em uma gestão mais eficiente, e não na retirada da vila da Lista do Patrimônio Mundial.
"Nossa prioridade é preservar a arquitetura tradicional”, afirmou à DW. "Mas também queremos que este continue sendo um lugar vivo. Queremos apoiar as pessoas que vivem aqui.”
Segundo Parobek, a prefeitura já respondeu às preocupações dos moradores substituindo grandes festivais por eventos culturais menores. Além disso, residentes passaram a se reunir regularmente com autoridades locais por meio de um grupo de trabalho dedicado ao tema.
O município também auxilia proprietários a obter subsídios para restaurar edifícios históricos e oferece transporte duas vezes por semana para idosos até a cidade vizinha de Ružomberok.
Parobek ressalta que todos os ingressos vendidos trazem a mesma mensagem:
"Vlkolínec não é um museu a céu aberto. Por favor, respeite a privacidade das pessoas que vivem aqui.”
Em busca de equilíbrio
Ele reconhece que equilibrar a proteção dos moradores com a recepção de visitantes não é tarefa simples.
Grande parte do otimismo das autoridades está ligada a projetos ainda em fase de planejamento.
Ružomberok busca financiamento da Noruega para um conjunto de medidas destinadas a reduzir a pressão turística sobre a vila. Entre elas estão a criação de um estacionamento fora da área histórica, melhorias em trilhas e sistemas de drenagem, restauração de celeiros e terraços agrícolas tradicionais e a transformação da antiga escola da comunidade em um centro cultural.
O projeto também criaria mais oportunidades para que os próprios moradores atuem como guias e responsáveis pela preservação do patrimônio.
É possível sair da lista da Unesco?
Anton Sabucha representa uma posição minoritária. Mas, mesmo que consiga apoio, retirar Vlkolínec da Lista do Patrimônio Mundial seria uma tarefa extremamente difícil.
Desde a criação do programa, em 1978, a Unesco removeu apenas três locais da lista: o Vale do Elba, em Dresden (Alemanha), após a construção de uma ponte; a zona portuária histórica de Liverpool (Reino Unido), devido a grandes projetos de reurbanização; e o Santuário do Órix-da-Arábia, em Omã, após a redução drástica da área protegida.
Em todos os casos, a Unesco concluiu que os locais haviam perdido de forma irreversível as características que justificaram sua inscrição.
Não há precedente de uma comunidade pedir voluntariamente para deixar a lista.
E, ao que tudo indica, Vlkolínec não será a primeira a conseguir isso.
Por que Vlkolínec é tão especial
De acordo com osite da Unesco, Vlkolínec é uma das mais bem preservadas aldeias rurais tradicionais da Europa Central. Situada em uma região montanhosa, a localidade reúne 43 casas de madeira praticamente intactas, além de celeiros, estábulos, uma escola histórica, uma igreja do século 19 e um campanário do século 18.
Seu traçado urbano medieval permanece praticamente inalterado, preservando a arquitetura popular típica das áreas montanhosas eslovacas e a relação histórica entre a comunidade e a paisagem agrícola ao redor.
Segundo a Unesco, Vlkolínec é um exemplo excepcional de assentamento rural tradicional da Europa Central e um dos conjuntos mais completos e autênticos desse tipo na região.
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| Short teaser | Parte dos moradores de Vlkolínec, na Eslováquia, diz que turismo crescente ameaça a privacidade e o modo de vida local. | ||
| Author | Rob Cameron (Vlkolínec (Eslováquia)) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-vilarejo-europeu-que-está-questionando-seu-título-de-patrimônio-da-unesco/a-78160120?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/78153975_354.jpg
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| Image caption | Caráter histórico de Vlkolínec, com suas casas de madeira inalteradas, foi preservado principalmente devido ao seu isolamento | ||
| Image source | Haris Jeelani Toogo/DW | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78153975_354.jpg&title=O%20vilarejo%20europeu%20que%20est%C3%A1%20questionando%20seu%20t%C3%ADtulo%20de%20patrim%C3%B4nio%20da%20Unesco | ||
| Item 18 | |||
| Id | 78156104 | ||
| Date | 2026-07-29 | ||
| Title | Combinação de El Niño e guerras pressiona segurança alimentar global | ||
| Short title | El Niño e guerras pressionam segurança alimentar global | ||
| Teaser |
Combinação entre El Niño intenso e conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, regiões-chave para a agricultura global, ameaça safras e arrisca elevar preços e ampliar a fome no mundo.Um El Niño com potencial para atingir intensidade recorde está se fortalecendo no Oceano Pacífico, aumentando o risco de secas e inundações em algumas das principais regiões agrícolas do planeta.
No início deste mês, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estimou em 63% a probabilidade de que o fenômeno atinja a categoria "muito forte" ainda este ano.
Na semana passada, o banco JPMorgan alertou que a combinação entre um El Niño intenso e preços do petróleo acima de 100 dólares por barril pode elevar a inflação global dos alimentos em até 1,5 ponto percentual.
A intensificação do fenômeno ocorre em um momento delicado para a segurança alimentar mundial. O planeta já convive com dois grandes conflitos — na Ucrânia e no Oriente Médio — que afetam cadeias de suprimentos, custos de produção e rotas comerciais. Ainda assim, o abastecimento global de alimentos tem demonstrado resiliência.
A questão agora é saber se essa terceira ameaça será capaz de romper esse equilíbrio e desencadear uma nova crise alimentar global.
Triplo golpe na segurança alimentar mundial
A guerra da Rússia contra a Ucrânia continua pairando sobre uma das principais regiões exportadoras de grãos do planeta, onde ataques recorrentes a portos e áreas agrícolas seguem ameaçando um dos maiores celeiros do mundo.
O conflito envolvendo o Irã elevou os preços da energia e dos fertilizantes, aumentando os custos de produção agrícola em todo o mundo e provocando interrupções temporárias no fornecimento de nutrientes essenciais para o solo.
O El Niño, que altera os padrões globais de chuva e temperatura, deve ser tão intenso que o Banco Mundial alertou recentemente que ele poderá reduzir a produção de arroz entre 20% e 50% nas regiões afetadas.
Máximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), advertiu para um "efeito combinado" que pode criar "uma situação muito complexa" até o final do ano.
"Estamos muito preocupados com o El Niño e com o atraso das monções na Índia", disse à DW.
Monções são sistemas sazonais de ventos que provocam mudanças marcantes nos regimes de chuva e são importantes para a agricultura. Espera-se que o El Niño enfraqueça e atrase a temporada de monções na Índia, período crucial para o plantio de arroz. Em junho, as chuvas ficaram cerca de 40% abaixo da média, segundo a imprensa local. A Índia produz quase um terço do arroz mundial, sendo que a maior parte é consumida internamente.
Além do Sul da Ásia, a FAO considera que os maiores riscos associados ao El Niño estão na região do Sahel, na África; na África Austral; no Sudeste Asiático; e no Corredor Seco da América Central.
A agência da ONU alertou neste mês que algumas dessas regiões enfrentam probabilidade superior a 50% de sofrer secas nos próximos meses.
Mundo produz mais alimentos do que nunca...
Apesar das tensões geopolíticas, os preços dos alimentos permanecem quase 20% abaixo do pico registrado em 2022, segundo o Índice de Preços dos Alimentos da FAO.
O mundo colheu no ano passado a maior safra de grãos da história. Isso ocorreu porque os agricultores ampliaram as áreas cultivadas, as condições climáticas foram favoráveis e a produtividade por hectare aumentou.
Embora a safra deste ano deva ser ligeiramente menor, ainda será a segunda maior já registrada.
"Estamos vendo melhorias na produtividade agrícola”, afirmou Simone Bunse, pesquisadora sênior do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), em entrevista à DW, citando Índia e América Latina como exemplos relevantes.
"Esses avanços ajudaram a sustentar a produção de alimentos e a reduzir a subnutrição. E estão compensando parte dos impactos localizados dos conflitos".
... mas milhões ainda passam fome
Isso, porém, não significa que a fome esteja sob controle. A ONU afirma que 266 milhões de pessoas ainda enfrentam insegurança alimentar aguda.
"Produzimos calorias suficientes para alimentar toda a população mundial", afirma Torero. "O problema é que essas calorias não são distribuídas de forma equilibrada pelo mundo, e esse é o grande desafio".
A situação mais grave concentra-se em um pequeno grupo de países afetados por conflitos, onde os alimentos não conseguem chegar às populações que mais necessitam.
Zonas de guerra, incluindo República Democrática do Congo, Sudão e Iêmen, representam dois terços das pessoas que enfrentam fome aguda nas regiões avaliadas pela ONU.
Os conflitos frequentemente destroem fontes locais de alimentos, deslocam milhões de pessoas, danificam infraestruturas e limitam severamente o acesso da ajuda humanitária. Em locais como Sudão e Gaza, especialistas afirmam que a fome está sendo usada cada vez mais como arma de guerra.
"As partes em conflito destroem deliberadamente terras agrícolas, rebanhos, sistemas de abastecimento de água, instalações de armazenamento de alimentos e rotas de transporte. Elas comprometem o acesso aos mercados e bloqueiam a assistência humanitária", afirma Bunse.
Agricultores pressionados pelos altos preços dos fertilizantes
Outro risco para a oferta global de alimentos são os fertilizantes, dos quais cerca de um terço normalmente transita pelo Estreito de Ormuz. A passagem continua severamente afetada após o fracasso de um cessar-fogo entre os EUA e o Irã, além dos ataques a embarcações no Mar Vermelho.
Alguns agricultores passaram a pagar muito mais pelos fertilizantes, adiar compras ou migrar para culturas que exigem menos insumos. Caso a aplicação de fertilizantes diminua, a produtividade das próximas safras poderá ser comprometida.
Especialistas em segurança alimentar acreditam que apenas o conflito no Oriente Médio pode deixar milhões de pessoas adicionais em situação de fome até 2030 — projeção que ainda não considera os impactos do El Niño.
Com a expectativa de que as temperaturas no Oceano Pacífico subam 3,6°C — quase o dobro do registrado durante o El Niño de 2015/2016 — o centro de estudos climáticos Berkeley Earth prevê que o fenômeno deste ano poderá ser o mais forte já registrado.
Se os preços do petróleo ultrapassarem novamente 120 dólares por barril, se as exportações de grãos da Ucrânia forem efetivamente bloqueadas ou se o El Niño comprometer ainda mais as próximas colheitas devido à redução do plantio, especialistas preveem um aumento significativo da fome mundial.
Caso todos esses fatores ocorram simultaneamente, o impacto será ainda mais severo. O JPMorgan projeta que a inflação dos alimentos poderá superar 5% em 2027, com os mercados emergentes sendo os mais afetados.
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| Short teaser | Combinação entre um El Niño intenso e guerras na Ucrânia e no Oriente Médio pode pressionar safras e elevar preços. | ||
| Author | Nik Martin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/combinação-de-el-niño-e-guerras-pressiona-segurança-alimentar-global/a-78156104?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Estoques de arroz podem estar em risco devido ao El Niño | ||
| Image source | Amit Dave/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/69746903_354.jpg&title=Combina%C3%A7%C3%A3o%20de%20El%20Ni%C3%B1o%20e%20guerras%20pressiona%20seguran%C3%A7a%20alimentar%20global | ||
| Item 19 | |||
| Id | 78154779 | ||
| Date | 2026-07-29 | ||
| Title | Apagões em Cuba viram problema de saúde pública | ||
| Short title | Apagões em Cuba viram problema de saúde pública | ||
| Teaser |
Apagões prolongados em Cuba têm provocado impactos profundos sobre a vida social e a saúde mental dos habitantes da ilha. Segundo psicólogo, impossibilidade de manter rotina estável tem esgotado cubanos.Para muitos latino-americanos, cortes de energia são um fenômeno corriqueiro, que geralmente obriga a interromper a vida cotidiana por um curto período, sem alterá-la significativamente.
No entanto, em Cuba, a exceção se transformou em regra, com apagões prolongados que vêm desorganizando o ritmo do dia a dia e obrigando os habitantes a se adaptar permanentemente a uma situação fora do comum.
Enfrentando uma profunda crise energética desde 2024, que se agravou com o cerco dos EUA a importações de energia, os cubanos têm contado com apenas algumas horas de eletricidade por dia. Nesse cenário, os cubanos costumam passar mais de 20 horas consecutivas sem energia em Havana e mais de 48 horas seguidas no restante do país.
A exceção vira "normalidade"
"Os apagões prolongados não afetam apenas a iluminação das residências: eles interferem no preparo e na conservação dos alimentos, no descanso, no trabalho, nos estudos, nas comunicações, no cuidado de crianças, idosos ou pessoas doentes e, de forma geral, na possibilidade de manter uma rotina relativamente estável", afirma o cubano Yunier Broche-Pérez, diretor-geral do centro terapêutico Prisma Behavioral Center, na Flórida.
Juntamente com Zoylen Fernández-Fleites, Broche-Pérez realizou, em 2025, um estudo sobre os efeitos dos apagões prolongados na saúde mental dos cubanos.
O psicólogo documentou como a sociedade foi obrigada a se reorganizar constantemente em função da disponibilidade de eletricidade.
"As pessoas adiam atividades, cozinham quando podem, carregam os telefones durante breves períodos de fornecimento de energia e modificam seus horários de sono, trabalho e estudo. Essa adaptação permanente consome tempo, recursos físicos e energia psicológica. Não se trata simplesmente de 'se acostumar': viver sob uma interrupção recorrente e imprevisível pode gerar um esgotamento cumulativo e uma sensação crescente de perda de controle", explica Broche-Pérez, em entrevista à DW.
Depressão, ansiedade, estresse
Da mesma forma, a interrupção da vida cotidiana está estreitamente relacionada ao sofrimento psicológico, ressalta.
Ansiedade ou nervosismo, dificuldades para dormir, irritabilidade ou mudanças de humor e desesperança ou falta de motivação são alguns dos sintomas mencionados pelos 415 adultos residentes em Cuba que participaram do estudo.
"Encontramos percentuais muito elevados de sintomas classificados na faixa extremamente severa: 55,4% para depressão, 66% para ansiedade e 65,8% para estresse", detalha Broche-Pérez.
No entanto, ele também destaca que o estudo não permite afirmar que os apagões sejam a única causa desses sintomas nem que os percentuais representem exatamente toda a população cubana.
Um problema de saúde pública
"Do ponto de vista psicológico, a imprevisibilidade também é muito relevante", explica o psicólogo. "Quando uma pessoa não sabe quando a eletricidade vai acabar, quanto tempo o corte vai durar nem quando poderá concluir uma atividade essencial, ela permanece em um estado de vigilância e antecipação."
Por isso, o especialista insiste que "a instabilidade energética deve ser entendida como um problema de saúde pública, e não apenas como um inconveniente técnico ou econômico".
Apagões em outros países latino-americanos
Cuba é um exemplo extremo do impacto dos apagões prolongados, mas não é o único país da América Latina que enfrenta esse fenômeno. Redes elétricas frágeis, falta de manutenção e danos causados por desastres naturais provocaram ou continuam provocando cortes de energia prolongados e recorrentes em países como Venezuela, Porto Rico e República Dominicana.
O Equador também mergulhou em uma crise energética em 2024. Entre setembro e dezembro daquele ano ocorreram os episódios mais graves. Os cortes eram diários, aconteceram em diferentes regiões do país e chegaram a durar até 14 horas consecutivas, afirma à DW Vanessa Triviño Burbano, neuropsicóloga e professora da Universidade Politécnica Salesiana, em Guayaquil.
Nesse caso, a seca e o baixo nível dos reservatórios evidenciaram "a forte dependência da geração hidrelétrica e as limitações estruturais do sistema elétrico", explica a acadêmica, que analisou o impacto dos apagões na saúde mental no Equador.
Triviño e seus colegas observaram sintomas psicológicos semelhantes aos descritos por Broche-Pérez em Cuba.
No plano socioeconômico, muitos negócios equatorianos afetados registraram perda de receita e aumento de despesas, já que tiveram de adquirir geradores como fonte alternativa de energia, comenta a psicóloga.
Na sua avaliação, os apagões evidenciaram "as desigualdades sociais, porque nem todas as famílias ou empresas podiam adquirir esses geradores, baterias ou fontes alternativas de energia".
Noites sem luz e problemas de transporte
Triviño menciona ainda que a insegurança aumentou durante a noite. O cubano Broche-Pérez também acredita que algumas consequências dos apagões se intensificam nesse período.
"A falta de ventilação em um clima quente, o barulho das pessoas que permanecem acordadas, os mosquitos, a escuridão e a incerteza sobre quando o serviço retornará dificultam o sono. Também aumentam a sensação de insegurança", enfatiza.
Independentemente do horário em que ocorram, os cortes de energia também afetam o deslocamento das pessoas, que muitas vezes precisam pagar um custo muito elevado em relação à sua renda para se locomover.
"São utilizados carros particulares ou serviços de transporte informal quando disponíveis, mas também triciclos elétricos, bicicletas para distâncias mais curtas e, com muita frequência, as pessoas simplesmente caminham", enumera o psicólogo cubano.
Rotinas e redes comunitárias
Para reduzir o impacto psicológico dos apagões, Broche-Pérez recomenda tentar manter, na medida do possível, rotinas básicas de sono, alimentação, hidratação e descanso. "Pode ser útil estabelecer uma rotina alternativa para os dias de apagão", acrescenta.
Da mesma forma, ele destaca a importância das redes comunitárias para "compartilhar informações e recursos, oferecer espaços com energia de reserva para conservar medicamentos ou carregar dispositivos, apoio específico para lares vulneráveis e uma comunicação pública transparente".
No entanto, ao final, Broche-Pérez insiste que as recomendações individuais não podem substituir a responsabilidade institucional de garantir um serviço elétrico estável: "Não devemos transferir para as famílias a responsabilidade de se adaptarem indefinidamente a uma crise estrutural que elas não têm capacidade de resolver", adverte.
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| Short teaser | Em Cuba, os apagões prolongados se tornaram regra e têm um profundo impacto sobre a vida social e a saúde mental. | ||
| Author | Viola Traeder | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/apagões-em-cuba-viram-problema-de-saúde-pública/a-78154779?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | O famoso Malecón de Havana sem luz elétrica: os apagões também afetaram seriamente o turismo cubano | ||
| Image source | Ramon Espinosa/AP Photo/dpa/picture alliance | ||
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| Item 20 | |||
| Id | 78141782 | ||
| Date | 2026-07-28 | ||
| Title | Como nasce um campeonato de "farmar aura" | ||
| Short title | Como nasce um campeonato de "farmar aura" | ||
| Teaser |
Competição entre jovens tem viralizado em diversas cidades, mas também despertado hostilidade nas redes. Especialistas veem eventos com simpatia e apontam que eles promovem socialização em tempos de dependência digital. A expressão "farmar aura", que tem sido muito usada por jovens, saiu das telas dos smartphones e migrou para parques e praças públicas. Nas últimas semanas, competições relacionadas a essa gíria se popularizaram nas redes e foram realizadas em diversas cidades do país. Esses campeonatos de "farmar aura" reúnem crianças, adolescentes e até adultos, muitos deles curiosos para acompanhar do que se trata. Os vídeos dessas competições viralizaram e dividiram opiniões: enquanto alguns elogiaram ou se divertiram com os registros, outros direcionaram diversas críticas. Para entender melhor esse assunto, primeiro é necessário compreender a expressão "farmar aura", que em resumo significa conquistar a admiração dos outros. Clotilde Perez, diretora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), detalha que o termo "farmar" é derivado da palavra "farm" (fazenda, em inglês). "É uma ideia de cultivo ou construção. No contexto dos jogos, seria cultivar pontos ou moedas, as recompensas, nesse caso." Já a "aura", explica Perez, é derivada de algo como uma santificação. "Isso tem a ver com energia espiritual, a gente tem aquela imagem do santo com uma aura sobre a cabeça. Então, é como se alguém com aura tivesse um valor excepcional". "Quando esses dois termos se juntam, surge a ideia de cultivar algo especial. Como vem da linguagem digital, dos games, 'farmar aura' vem um pouco desse contexto de ser reconhecido, admirado ou pertencer a um lugar de destaque", diz Perez. Os campeonatos pelo país são movidos por essa busca por "farmar aura". Nas disputas, os competidores, quase sempre crianças ou adolescentes, se enfrentam com danças, movimentos descompassados ou qualquer outra forma criativa, enquanto a plateia acompanha atentamente. No fim, vence aquele que conquista o público ou os jurados. Não há uma regra sobre o que fazer para ganhar a disputa, o tema é livre. Isso fica evidente em algumas dessas batalhas disponibilizadas nas redes. Em um desses campeonatos, por exemplo, uma candidata gritava a plenos pulmões e tentava agitar a plateia, enquanto a adversária dançava com os braços para trás. "O principal é ser você mesmo", diz o influenciador digital Victor Gabriel Tourinho Camargo, conhecido nas redes como Uvitinho, de 23 anos. No início de julho, ele criou um campeonato de "farmar aura" em um parque municipal de Suzano, em São Paulo. "Foi o primeiro campeonato desse tipo no Estado", orgulha-se. Só neste mês, ele já fez duas edições em Suzano e contabiliza que os eventos reuniram, juntos, mais de 500 pessoas, entre crianças, adolescentes e pais desses jovens. Uvitinho planeja uma terceira edição. "Já temos patrocinadores em contato e grandes criadores de conteúdo. Vai ser mais que um campeonato, vai ser um evento maior", diz. Os primeiros vídeos desse tipo de competição foram registrados no fim de junho, em uma praça da cidade de Cametá, no Pará. No local, centenas de pessoas se reuniram para assistir ao evento. Desde então, a brincadeira se espalhou pelo país. Esses campeonatos surgem por meio das redes sociais, onde são convocados por um ou mais influenciadores locais, que costumam falar para o público da geração Alpha – aqueles nascidos a partir de 2010. A influenciadora digital Haruko Mendes Barreto, de 25 anos, que acumula 46 mil seguidores no Instagram, também usou o alcance das redes sociais para promover o campeonato em São Mateus, na Zona Leste de São Paulo. Segundo ela, o evento, que ocorreu em 18 de julho, reuniu cerca de 200 pessoas. "Tudo começou em um post de brincadeira, já que a trend estava crescendo, mas com a repercussão acabou virando realidade. Vimos como uma oportunidade de promover a experiência alinhada com a ideia de trazer diversão e destacar nossa cidade com algo positivo, trazer atenção para São Mateus", diz Haruko. Os vencedores desses campeonatos costumam receber dinheiro. O prêmio pode ser de R$ 1 mil, como no de São Mateus, ou bem menos que isso: um campeonato de Belo Horizonte (MG) pagou R$ 20 ao primeiro colocado. Hostilidade e proibiçãoCom a repercussão nas redes e vídeos que viralizaram de diferentes campeonatos, esses eventos se tornaram alvos de inúmeras críticas. "Logo depois que eu divulguei o primeiro evento, muita gente jogou hate, até me ameaçaram, como se fosse algo grotesco", relata Uvitinho. "Acho que o problema está no ser humano, não no campeonato", acrescenta. "Infelizmente, o nível de ataques foi desproporcional, comparado com a ideia do evento", diz Haruko. Os dois influenciadores afirmam que muita gente não entendeu que o intuito do campeonato é divertir crianças e adolescentes. "A gente não tá fazendo nada de ruim, existe uma ignorância em apontar o dedo para algo tão normal e comum. Várias gerações já tiveram as suas brincadeiras. Acho que as pessoas deixam de lado as preocupações que são importantes", afirma Uvitinho. Em Cuiabá (MT), as críticas ao evento partiram do próprio prefeito da capital mato-grossense, Abílio Brunini (PL). Um influenciador local havia convocado um campeonato em um parque da cidade, mas o gestor municipal proibiu. Brunini disse que não havia interesse público no evento. Ele argumentou que o parque da cidade é um lugar que "edifica a família, que fornece o crescimento dessas pessoas na prática do esporte, do lazer, e não essas coisas que vão diminuir a imagem do ser humano." "Acredito que no futuro essas pessoas que fazem parte dessa brincadeira vão sentir muita vergonha de ter participado disso", acrescentou o prefeito, em entrevista à imprensa local. Quando questionado sobre a expressão "farmar aura", ele disse desconhecer. "Tenho nem ideia, sou hétero, cara, não sei dessas coisas", declarou. Diante das declarações do prefeito, o organizador do evento transferiu o campeonato para o estacionamento da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Comportamento de uma geração e saúde mentalAs inúmeras críticas a esses eventos surgem de uma perspectiva muito moralizante, avalia Clotilde Perez, da USP. "Há uma tensão estrutural, que está forte e deve ficar ainda mais, que é o neoconservadorismo", diz. Perez avalia que esses campeonatos representam um traço comum da juventude, em busca do novo, desta vez em um cenário intensamente atravessado pela tecnologia das redes. Em um paralelo com épocas mais recentes, ela menciona a busca por Pokémons pela cidade e os "rolezinhos" que grupos de adolescentes faziam em shoppings e parques públicos. "Hoje, o 'farmar aura' tem a ver com esse jogo entre o físico, porque acontece em um espaço físico, mas com os olhos voltados para ser expandido e transbordar para as redes. É uma manifestação jovem, própria do nosso tempo, com esse atravessamento do digital", diz Perez. "Se você olhar, todo mundo quer pertencer, todo mundo quer se destacar", acrescenta. A psicóloga Anna Lucia Spear King, especialista em dependência digital, diz que eventos como os campeonatos de "farmar aura" podem ter efeitos positivos para os jovens. "O maior ganho é levar esses jovens, que costumam passar horas isolados no celular, para se encontrar em praças e parques públicos. A interação presencial melhora o humor, a socialização e o combate ao isolamento social. Isso ajuda a se desconectar das telas e se conectar presencialmente", diz. King acrescenta que esses eventos também ajudam no desenvolvimento da resiliência dos jovens, que podem levar o constrangimento em tom de piada e reverter isso em autoaceitação. "E um dos pontos positivos principais é o sentimento de comunidade e pertencimento que adquirem quando participam de uma tendência que todos os jovens compreendem, criando uma forte sensação de identidade e inclusão com pessoas da mesma geração", diz. Por outro lado, a psicóloga menciona que a exigência de demonstrar uma postura inabalável e confiante para o público pode causar um medo excessivo do julgamento, de cometer falhas ou de passar vergonha diante da plateia e das câmeras. "Isso pode contribuir para o surgimento de transtornos mentais, como fobia social, ansiedade, traumas por cyberbullying, entre outros", afirma. A especialista detalha que a forma como o jovem pode reagir depende "do histórico prévio dele, da vulnerabilidade genética e do ambiente familiar e social." Mas as preocupações com os campeonatos de "farmar aura" não devem durar muito tempo. Especialistas avaliam que, assim como outras novidades entre jovens ao longo das últimas décadas, esses eventos também devem representar um comportamento de curta duração. "Essas manifestações têm a natureza da efemeridade, operam na velocidade do digital. Depois surgem novas formas de expressão, pertencimento e diferenciação", afirma Perez. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro |
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| Short teaser | Competição entre jovens tem viralizado em diversas cidades do país, mas também despertado hostilidade nas redes. | ||
| Author | Vinícius Lemos | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-nasce-um-campeonato-de-farmar-aura/a-78141782?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Como%20nasce%20um%20campeonato%20de%20%22farmar%20aura%22 | ||
| Item 21 | |||
| Id | 78149580 | ||
| Date | 2026-07-28 | ||
| Title | Johnson & Johnson oferece US$ 5 bi para encerrar ações que ligam talco a câncer | ||
| Short title | J&J oferece US$ 5 bi para encerrar casos envolvendo talco | ||
| Teaser |
Farmacêutica busca encerrar cerca de 76 mil ações nos EUA que alegam ligação entre seus produtos à base de talco e casos de câncer; empresa diz que acusações "não têm mérito científico". A farmacêutica americana Johnson & Johnson (J&J) anunciou nesta segunda-feira (27/07) um acordo estimado em 5,5 bilhões de dólares (cerca de R$ 28 bilhões) para encerrar dezenas de milhares de processos judiciais nos Estados Unidos que alegam que seus produtos à base de talco causaram câncer, sobretudo de ovário. Segundo a empresa, o acordo abrange cerca de 76 mil ações remanescentes e poderá encerrar quase toda a longa disputa judicial relacionada ao tema, que se arrasta há mais de uma década. Para entrar em vigor, a proposta precisa ser aceita por pelo menos 95% dos reclamantes envolvidos. Apesar da proposta, a J&J segue negando qualquer relação entre seus produtos e o desenvolvimento de câncer. Em comunicado, o vice-presidente global de litígios da companhia, Erik Haas, afirmou que as alegações "não têm mérito científico" e destacou que a empresa decidiu buscar uma solução definitiva para o caso. "Embora estejamos confiantes de que a empresa teria prevalecido em litígios adicionais, como ocorreu na grande maioria dos casos julgados até hoje, esta resolução permite que a companhia deixe essa questão para trás e permaneça focada em sua missão de desenvolver medicamentos e dispositivos que salvam vidas", disse Haas. A J&J prevê pagar 3 bilhões de dólares em 2027, além de pagamentos adicionais em 2028. A proposta oferecida pela empresa contempla apenas reivindicações já existentes e não cobre eventuais ações futuras. Como o amianto contamina o talcoOs processos alegam que o talco utilizado nos produtos da empresa, incluindo o tradicional talco infantil, continha traços de amianto (asbesto), substância associada ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer. Os reclamantes afirmam que eles próprios ou familiares desenvolveram câncer de ovário ou mesotelioma após anos de uso dos produtos. O mesotelioma é um tipo de câncer raro e agressivo que afeta o mesotélio, a membrana fina que reveste órgãos internos como os pulmões, o coração e o abdômen. O talco é um mineral natural (silicato de magnésio hidratado) transformado em pó fino e utilizado há décadas em cosméticos e produtos de higiene pessoal, incluindo talcos infantis. O amianto pode contaminar o talco durante o processo de mineração. Ambos os minerais ocorrem na natureza, possuem propriedades semelhantes e são encontrados próximos um do outro nas rochas. Ambos são compostos de silício, magnésio, ferro, oxigênio e hidrogênio. Devido às semelhanças, é comum que minerais de amianto se formem dentro de depósitos de talco, desde quantidades microscópicas até grandes áreas isoladas. A Johnson & Johnson interrompeu a venda de seu pó infantil à base de talco nos Estados Unidos e no Canadá em 2020, substituindo-o por uma versão produzida com amido de milho. Ainda assim, a companhia sustenta que seus produtos sempre foram seguros e livres de amianto. Em 2023, o produto deixou de ser vendido em todo o mundo. Vitórias recentes nos tribunaisO anúncio do acordo ocorre após uma série de decisões favoráveis à Johnson & Johnson. Na semana passada, um juiz federal questionou a capacidade dos autores das ações de demonstrar uma ligação direta entre os produtos da empresa e o câncer de ovário. Segundo Haas, a decisão judicial colocou os demandantes em uma situação difícil, ao exigir evidências específicas de causalidade que, na avaliação da empresa, não existiriam. Apesar disso, advogados dos reclamantes classificaram o novo acordo como uma solução justa após anos de disputa. Chris Seeger, um dos negociadores que representa cerca de 2,5 mil pessoas, afirmou que o valor final pode superar os 5,5 bilhões de dólares inicialmente estimados e chegar a mais de 7 bilhões, dependendo da adesão ao acordo. A Johnson & Johnson enfrenta uma ação coletiva semelhante no Reino Unido, apresentada em 2025. O escritório responsável por representar cerca de 3 mil reclamantes estima que o pedido de indenização supere 1 bilhão de libras (cerca de R$ 6,82 bilhões). le/ra (afp, reuters, dpa, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Farmacêutica busca encerrar 76 mil ações que associam talco a câncer nos EUA; empresa nega responsabilidade. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/johnson-johnson-oferece-us-5-bi-para-encerrar-ações-que-ligam-talco-a-câncer/a-78149580?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Johnson%20%26%20Johnson%20oferece%20US%24%205%20bi%20para%20encerrar%20a%C3%A7%C3%B5es%20que%20ligam%20talco%20a%20c%C3%A2ncer | ||
| Item 22 | |||
| Id | 78140573 | ||
| Date | 2026-07-28 | ||
| Title | Atentado em Berlim provoca questionamentos sobre sistema de Justiça alemão | ||
| Short title | Após atentado em Berlim, Alemanha debate falhas da Justiça | ||
| Teaser |
Apesar de ter sido condenado por envolvimento com o "Estado Islâmico" e ser considerado perigoso, suspeito de ataque à Parada LGBTQ+ estava solto. Políticos criticam decisões da Justiça.Berlim permanece em luto nesta semana após o ataque terrorista ocorrido durante a Marcha do Orgulho LGBTQ+ da cidade, enquanto crescem na Alemanha questionamentos sobre eventuais falhas da Justiça e de mecanismos vigilância envolvendo o homem suspeito pelo atentado, que já tinha sido condenado por vínculos com o grupo "Estado Islâmico" (EI), mas aguardava o julgamento de um recurso em liberdade.
Abdul B., um cidadão alemão de origem libanesa de 21 anos, foi morto após uma operação de busca que durou quase 24 horas, iniciada depois do ataque ocorrido na noite de sábado (25/07) no centro de Berlim.
Abdul B. foi apontado como o homem que avançou com um veículo contra uma multidão perto da parada do orgulho, no que as autoridades acreditam ter sido um ataque terrorista com motivação extremista. Uma mulher morreu no ataque.
O prefeito de Berlim, Kai Wegner, informou que ela era uma cidadã polonesa que estava na cidade com a filha. Vinte e nove pessoas ficaram feridas.
Abdul B. estava em liberdade desde meados de maio deste ano. Autoridades o consideravam uma ameaça de alto risco, e chegaram a monitorar seu telefone por um período e instalar uma câmera de vigilância em frente ao prédio onde ele vivia. A mesma câmera registrou a saída dele às 20h58 do sábado, momentos antes do crime.
Autoridades buscam respostas
O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, questionou na segunda-feira como o ataque poderia ter sido evitado. "Devemos fazer todo o possível para proteger as pessoas na Alemanha, da melhor maneira possível, contra tais criminosos — contra indivíduos perigosos que, por qualquer motivo, não podem ser mantidos sob custódia", disse Merz.
Abdul B., nascido na Alemanha, viajou para o Líbano em 2025 com o objetivo de ir à Síria para se juntar ao grupo "Estado Islâmico", segundo promotores de Berlim. Na ocasião, ele entrou em contato com alguns supostos membros do grupo — ou pessoas que ele acreditava serem membros.
Ele acabou sendo preso no Líbano e condenado por um tribunal militar local a três meses de prisão por incitação a conflitos religiosos e sectários. Após cumprir a pena, retornou à Alemanha, onde foi novamente preso ao desembarcar.
Em maio, um tribunal que lida com casos de jovens infratores de Berlim condenou Abdul B. pelos crimes de planejamento de um ato grave de violência e ameaça ao Estado, bem como por publicação de propaganda do "Estado Islâmico" em sua conta no Instagram, entre outras acusações.
Ele acabou sendo condenado a um ano e 10 meses de detenção juvenil. Promotores de Berlim recorreram da decisão. Na Alemanha, suspeitos com idade entre 18 e 21 anos podem ser processados pelo sistema de justiça voltado para jovens infratores, dependendo do caso.
Autoridades chegaram a afirmar que Abdul B. teve a pena suspensa. A Justiça de Berlim, no entanto, apontou que a pena não havia sido suspensa, mas que ainda havia uma avaliação em curso se isso deveria ocorrer. Segundo o tribunal, ele foi solto porque a prisão preventiva expirou, por já não preencher os requisitos legais relativos a risco de fuga, reincidência e outros fatores.
Críticas
Algumas autoridades alemãs questionaram a decisão do tribunal e prometeram investigar como Abdul B. acabou em liberdade e se o sistema de sentenças para jovens infratores — apontado como excessivamente brando por críticos — precisa ser reformado.
O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, disse em entrevista à emissora pública ZDF que, considerando a condenação de Abdul B. e seu histórico de apoio ao grupo "Estado Islâmico", não fazia sentido ele estar solto.
"Pode-se presumir que certamente teria feito sentido manter essa pessoa sob custódia", afirmou ele. Dobrindt também afirmou que aplicar a legislação penal juvenil a adultos que representam ameaças à segurança era "inaceitável".
Dobrindt ainda disse que pretende atuar para mudar essa situação e implementar medidas para permitir que as autoridades coloquem tornozeleiras eletrônicas em indivíduos perigosos.
Durante uma entrevista à emissora regional RBB, o prefeito de Berlim disse que não queria questionar a independência do sistema judiciário, mas que, neste caso, "faltam-me palavras".
Por sua vez, Marc Henrichmann, deputado conservador e presidente da comissão parlamentar que supervisiona as agências de inteligência, afirmou que medidas mais rigorosas são necessárias para lidar com casos como esse.
"Não se deve dar peso excessivo às liberdades de extremistas e islamistas, especialmente quando vidas humanas estão em risco", disse ele ao jornal Handelsblatt.
Dirk Peglow, chefe da associação de policiais da Alemanha, também criticou o que chamou de leniência do sistema judiciário em relação a Abdul B.
"No caso de indivíduos que representam tal ameaça, o fim da detenção não deve significar o fim da supervisão estatal", declarou ele.
Enquanto isso, Joachim Herrmann, secretário do Interior do estado da Baviera, classificou como "catastrófica" a decisão de suspender a pena de Abdul B.
"Os juízes que precisam tomar tais decisões devem estar cientes da responsabilidade que têm pela segurança das pessoas", disse ele.
Suspeito era visto como pessoa de risco
A Justiça alemão também havia determinado que Abdul B. participasse de um programa de desradicalização para infratores de alto risco. Ele foi avaliado duas vezes pela Rede de Prevenção à Violência, sediada em Berlim, que trabalha com pessoas em risco de envolvimento com o extremismo de direita e o islamismo radical. A organização define a desradicalização como um processo pelo qual uma pessoa se desvincula com sucesso de uma ideologia extremista e se afasta da violência.
Abdul B. tinha uma reunião agendada com a equipe para sua terceira e última avaliação na segunda-feira, segundo Cornelia Lotthammer, diretora de relações públicas da organização não governamental.
A equipe pretendia informar ao tribunal que Abdul B. não era um candidato adequado para o programa, pois ele tentava se apresentar como uma pessoa amigável e não extremista, alegando, portanto, não precisar de desradicalização.
"Normalmente, pessoas de alto risco estão muito convictas de si mesmas e de sua ideologia, e elas a propagam durante essas sessões", disse Lotthammer. "E, então, é mais fácil trabalhar com elas. Este não era um caso típico." Abdul B. parecia tentar antecipar o que a equipe queria ouvir, disse ela.
"Todos sabiam que ele era uma pessoa de alto risco", afirmou Lotthammer. "Mas, ainda assim, se ele não colabora com nossos colegas, não podemos fazer nada." Ela acrescentou: "Mas ninguém teria dito: ‘Ele não é uma ameaça, simplesmente deixem-no ir'."
Abdul B. também não parecia estar planejando nenhum ataque, disse Lotthammer. Se a equipe tivesse qualquer indício em contrário, teria acionado as autoridades policiais. Ela não quis comentar se a organização acreditava que Abdul B. deveria ter sido libertado da detenção, afirmando que essa é uma decisão que cabia à Justiça.
O serviço de inteligência interna da Alemanha afirmou, em seu relatório anual de 2025, que o país enfrenta uma ameaça radical islâmica crescente, com 28.645 indivíduos identificados como islamistas, dos quais 9.110 são considerados potencialmente violentos.
Jps/ra (AP, AFP, dpa, DW)
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| Short teaser | Apesar de ter sido condenado por envolvimento com o "Estado Islâmico" e ser considerado perigoso, suspeito estava solto. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/atentado-em-berlim-provoca-questionamentos-sobre-sistema-de-justiça-alemão/a-78140573?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Pessoas reunidas no Portão de Brandemburgo, em Berlim, após o ataque terrorista em Berlim | ||
| Image source | Christian Mang/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78124908_354.jpg&title=Atentado%20em%20Berlim%20provoca%20questionamentos%20sobre%20sistema%20de%20Justi%C3%A7a%20alem%C3%A3o | ||
| Item 23 | |||
| Id | 78143659 | ||
| Date | 2026-07-28 | ||
| Title | Como mulheres podem identificar abusos no ginecologista | ||
| Short title | Como mulheres podem identificar abusos no ginecologista | ||
| Teaser |
Especialistas explicam como diferenciar procedimentos que fazem parte do atendimento daqueles que fogem das normas éticas e podem até ser crime.Consultas ginecológicas, exames físicos e procedimentos íntimos fazem parte da rotina de cuidados com a saúde de uma mulher. Mas nem sempre é fácil distinguir o que faz parte de um atendimento adequado do que pode representar uma conduta errada ou até mesmo um abuso.
Protocolos para a realização de exames e procedimentos existem, mas especialistas dizem que muitas pacientes desconhecem quais explicações devem receber antes de um toque, quando podem recusar um procedimento, solicitar um acompanhante ou interromper uma consulta caso se sintam desconfortáveis.
O tema voltou ao debate no Brasil após a denúncia contra um ginecologista suspeito de filmar uma paciente durante uma consulta com uma câmera escondida num par de óculos em Salvador, na Bahia.
O médico chegou a ser preso, mas foi liberado após a audiência de custódia. O episódio reacendeu discussões sobre os limites da atuação médica e os direitos das pacientes durante consultas e exames.
"A consulta ginecológica exige respeito absoluto à privacidade da paciente e comunicação clara sobre cada procedimento. Perguntas e exames devem se restringir ao necessário para o atendimento", explica a ginecologista Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, presidente da Comissão Nacional Especializada em Defesa e Valorização Profissional da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Como deve ser uma consulta ginecológica
Nem toda consulta com um ginecologista exige exame físico. Segundo as especialistas ouvidas pela DW, a necessidade de avaliar as mamas, realizar exame pélvico, toque vaginal ou coletar o Papanicolau depende da idade da paciente, da queixa apresentada, dos antecedentes clínicos, dos fatores de risco e do objetivo da consulta. A prescrição de métodos contraceptivos, por exemplo, não exige automaticamente a realização de exame pélvico.
Antes de qualquer procedimento, a paciente deve ser informada sobre qual exame será realizado, por que ele é indicado, quais partes do corpo serão examinadas e quais sensações podem ocorrer. Também deve ter privacidade para trocar de roupa, receber uma cobertura adequada e permanecer exposta apenas na região que estiver sendo examinada.
"É preciso explicar tudo o que será feito, em linguagem clara, e pedir licença antes de cada etapa do exame", afirma a ginecologista e obstetra Fátima Iyetunde Oladejo, especialista em perícia médica e medicina legal pela Universidade de São Paulo (USP).
Quando há indicação de exame das mamas, a avaliação costuma começar pela inspeção visual, observando possíveis alterações na pele, no formato e nos mamilos. Em seguida, é realizada a palpação das mamas e, quando necessário, das axilas. Durante esse processo, a exposição do corpo deve ser limitada ao local examinado, mantendo a outra mama coberta.
Já o exame ginecológico pode incluir a inspeção da vulva e da região perineal e, quando indicado, a introdução do espéculo para visualizar o colo do útero e realizar a coleta do Papanicolau ou de outros testes de rastreamento. As médicas explicam que o espéculo deve ser adequado ao perfil da paciente, introduzido de forma delicada e somente após explicação prévia.
O toque vaginal também não deve ser realizado de forma automática. O exame é indicado para avaliar estruturas como útero, colo uterino e anexos, quando há justificativa clínica. Segundo a ginecologista Luiza Sprung, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), a permissão não pode ser presumida. Ela ressalta que o fato de a paciente ter marcado uma consulta, tirado a roupa ou se posicionado na maca não significa autorização automática para todos os procedimentos possíveis.
O consentimento deve ser renovado sempre que houver mudança relevante no exame ou a realização de um novo procedimento. Ao final da consulta, cabe ao médico explicar os achados, esclarecer dúvidas e orientar os próximos passos do atendimento.
Quais condutas fogem do protocolo
Embora exames ginecológicos envolvam procedimentos íntimos, eles seguem protocolos éticos e técnicos voltados à proteção da paciente. Quando esses parâmetros deixam de ser observados, a conduta do profissional pode caracterizar uma infração ética e, em determinadas situações, também um crime.
O Código de Ética Médica estabelece princípios que também se aplicam aos exames ginecológicos, como o respeito à dignidade, à intimidade, à autonomia da paciente. Ainda que não exista um capítulo específico sobre esse tipo de atendimento, essas normas orientam a conduta dos profissionais.
"Salvo risco iminente de morte, é vedado ao médico realizar procedimentos sem o consentimento esclarecido", afirma o ginecologista César Eduardo Fernandes, membro licenciado do Conselho Federal de Medicina (CFM). Segundo ele, qualquer conduta que extrapole o exame ginecológico de rotina ou desrespeite a privacidade da paciente pode configurar infração ética.
Na prática, isso significa que iniciar um exame sem explicar previamente o que será feito, realizar toques íntimos sem autorização, insistir após a paciente se queixar de dor, medo ou pedir para interromper o procedimento são sinais de alerta.
Também fogem da boa conduta manter a paciente despida por mais tempo do que o necessário, não oferecer cobertura adequada durante o exame, permitir a entrada de outras pessoas sem autorização ou fazer comentários de cunho sexual, piadas ou julgamentos sobre o corpo, a orientação sexual ou o comportamento da paciente. Embora perguntas sobre a vida sexual possam ser necessárias, elas devem estar relacionadas à assistência e ter finalidade clínica.
Outro ponto destacado pelos especialistas é que nenhum exame pode ser imposto sem indicação médica. Também não é aceitável condicionar a emissão de receitas, atestados ou a continuidade do atendimento à realização injustificada de exames íntimos. Da mesma forma, exames em pacientes sedadas ou anestesiadas exigem consentimento prévio, assim como a participação de estudantes em consultas e procedimentos.
Fernandes ressalta ainda que fotografias, filmagens ou gravações durante consultas não podem ser realizadas sem autorização prévia e específica da paciente. Apesar de o CFM ainda não ter uma resolução específica sobre o uso de dispositivos como óculos inteligentes, celulares ou tablets durante exames, o médico afirma que pareceres dos conselhos de medicina orientam que esses equipamentos sejam evitados em consultas, especialmente durante exames ginecológicos, salvo quando houver finalidade assistencial claramente definida e consentimento específico da paciente.
Paciente tem direito a acompanhante
Além dos protocolos adotados pelos serviços de saúde, a legislação brasileira também assegura o direito da paciente de estar acompanhada por uma pessoa maior de idade de sua escolha durante consultas, exames e procedimentos realizados em unidades públicas e privadas.
A presença de um acompanhante ou de uma profissional da equipe pode aumentar a segurança e a transparência do atendimento, mas não substitui o consentimento da paciente. "Todo contato físico realizado durante uma consulta precisa ter finalidade clínica, ser explicado, consentido e limitado ao necessário. Quando o profissional utiliza sua posição de autoridade para ultrapassar esses limites, a conduta precisa ser questionada", diz Sprung.
Como identificar abusos e denunciar
Se a paciente perceber que um exame fugiu dos protocolos ou suspeitar de uma conduta inadequada, a orientação é interromper o atendimento, sempre que isso puder ser feito com segurança, e deixar o local. Em situações de risco imediato, a recomendação é acionar a polícia militar pelo telefone 190.
Também é importante que a paciene registre, o quanto antes, tudo o que lembrar da consulta, como data, horário, local, nome do profissional, quem estava presente e a sequência dos acontecimentos. Guardar receitas, comprovantes, mensagens, e-mails e outros documentos relacionados ao atendimento também pode auxiliar numa eventual investigação.
Nos casos em que houver suspeita de violência sexual ou outro crime, a recomendação é procurar imediatamente um serviço de saúde, mesmo antes do registro de boletim de ocorrência. A equipe poderá avaliar lesões, orientar sobre a preservação de vestígios e adotar medidas de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e gravidez, quando indicadas. A paciente também pode solicitar uma cópia integral do prontuário e dos demais registros do atendimento.
Além da esfera criminal, a ocorrência pode ser comunicada à ouvidoria ou à direção da clínica ou hospital e ao Conselho Regional de Medicina (CRM).
O Ligue 180 (central de atendimento à mulher do governo federal) também oferece orientações sobre a rede de atendimento à mulher.
Sprung ressalta que a paciente não precisa ter certeza de que houve uma infração ética ou um crime para buscar ajuda, pois cabe às autoridades esclarecer isso.
Quem denuncia também ajuda a proteger outras pacientes. Oladejo concorda que esse processo pode ser emocionalmente difícil e recomenda buscar apoio psicológico durante a investigação. "Às vezes, só a lembrança do que aconteceu já é algo tão doloroso que reviver isso várias vezes machuca muito. Procurar um apoio profissional é muito importante", diz.
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| Short teaser | Especialistas explicam como diferenciar procedimentos que fazem parte do atendimento daqueles que fogem das normas. | ||
| Author | Priscila Carvalho | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-mulheres-podem-identificar-abusos-no-ginecologista/a-78143659?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | A consulta ginecológica exige respeito absoluto à privacidade da paciente e comunicação clara sobre cada procedimento | ||
| Image source | Alice S./BSIP/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/76505577_354.jpg&title=Como%20mulheres%20podem%20identificar%20abusos%20no%20ginecologista | ||
| Item 24 | |||
| Id | 78141158 | ||
| Date | 2026-07-28 | ||
| Title | Milei "brinca com fogo" ao atacar Lula, avaliam analistas | ||
| Short title | Milei "brinca com fogo" ao atacar Lula, avaliam analistas | ||
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Ataques prejudicam sobretudo os argentinos, já que país de Milei depende mais do Brasil do que o oposto, lembram especialistas. Tensão entre presidentes, porém, não deve abalar vínculo das duas nações no longo prazo. A relação entre o presidente argentino, Javier Milei, um dos principais nomes da ultradireita mundial, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, um ícone da esquerda mundial, é marcada não só por diferenças ideológicas irreconciliáveis como também por dois anos e meio de polêmicas e atritos. O episódio mais recente ocorreu no sábado passado (25/07), quando Milei, em solo brasileiro para participar do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, chamou Lula de "presidiário" e "ladrão" num discurso inflamado e repleto de insultos, acusando-o ainda de dilapidar os cofres públicos do Brasil. O governo brasileiro respondeu por meio de canais diplomáticos: convocou seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas no domingo e intimou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi. Dependência argentina do BrasilEspecialistas nas relações entre os dois países concordam que as declarações de Milei são extremamente graves e lembram que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e um de seus maiores investidores estrangeiros. Justamente por causa dessa interdependência, uma escalada da crise poderia ter custos especialmente altos para a Argentina. "Tensionar a relação com o Brasil, dada a importância que ele tem para a Argentina e para a indústria argentina, é muito arriscado", afirma a cientista política argentina Dolores Gandulfo, da Universidade del Salvador (Usal). A polêmica prejudica sobretudo os argentinos, diz o analista argentino Marcelo Brignoni, especialista em integração regional. "A necessidade que a Argentina tem de trabalhar com o Brasil é muito maior do que a necessidade que o Brasil tem da Argentina", afirma. Segundo dados oficiais, o Brasil é o principal destino das exportações argentinas, respondendo por 12% do total, embora essa participação tenha caído três pontos percentuais no último ano, à medida que Estados Unidos e China cresceram como mercados de destino para os produtos argentinos. "Milei está brincando com fogo ao desgastar desnecessariamente as relações políticas com um país com o qual a Argentina movimentou mais de 31 bilhões de dólares em 2025, registrando um déficit superior a 5,6 bilhões de dólares, o que demonstra que o Brasil não é um parceiro dispensável nem facilmente substituível", observou o consultor argentino Lisandro Mogliati, especialista em comércio exterior, à agência Efe. Para Gandulfo, os gestos de confronto do governo Milei "deixam a Argentina numa situação de isolamento". Intrinsicamente ligadosOs especialistas lembram, porém, que, ao longo das últimas décadas, as duas maiores economias da América do Sul construíram um vínculo complexo e estratégico que se tornou imprescindível para ambas e vai, portanto, muito além das afinidades ideológicas entre os seus governos. "A relação é geográfica e estrutural e transcende os mandatos presidenciais de quatro ou cinco anos", observa a especialista Fernanda Agostinho, mestre em estudos latino-americanos pelo Instituto Ortega y Gasset, de Madri. A cooperação econômica e empresarial entre os dois países é muito forte e importante. Um bom exemplo são as indústrias automobilísticas, que mantêm cadeias produtivas profundamente integradas. "Trata-se de uma possibilidade de diplomacia de soft power que pode tentar evitar que o conflito chegue a níveis mais graves", avalia Brignoni. Especialistas avaliam que a relação ruim entre os presidentes não afetará significativamente os investimentos do Brasil na Argentina, que representam 6% do total, atrás dos investimentos dos Estados Unidos, da Holanda e da Espanha. Desgastada, mas institucionalmente resistente"A relação Argentina-Brasil é uma relação estratégica que deu origem ao Mercosul e se consolidou porque o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina", diz Gandulfo. O professor de geopolítica Vitor Stuart de Pieri, da Uerj, compartilha dessa opinião. "Eu a definiria como uma relação estruturalmente estratégica, institucionalmente resistente e politicamente desgastada", resume. Embora não haja um rompimento político, De Pieri sustenta que a dimensão política dessa relação atravessa um dos momentos mais delicados desde a redemocratização. Agostinho destaca que os atritos entre os presidentes não impedem o funcionamento dos canais institucionais. "Existe um claro desacoplamento entre a diplomacia presidencial e a diplomacia institucional ou técnica, que continua funcionando", afirma. Na avaliação dela, a fase atual é de "pragmatismo frio e despersonalizado", em que o vínculo pessoal entre os presidentes contrasta com o trabalho cotidiano das instituições dos Estados. Mercosul sob pressãoMas a tensão bilateral não afeta apenas a relação entre os dois países – ela surge num momento em que o Mercosul busca fortalecer sua projeção internacional. Desde a criação do bloco, o avanço ora acelerou, ora estagnou, dependendo do grau de alinhamento político entre Buenos Aires e Brasília. Segundo Mogliati, o embate entre Milei e Lula reflete dois modelos distintos para o Mercosul. Enquanto Milei se alinha à abordagem defendida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, de reduzir o Mercosul, essencialmente, a uma zona de livre-comércio, concedendo aos países-membros maior autonomia para negociar com terceiros, Lula segue a tradição histórica da coesão latino-americana e concebe o Mercosul como um projeto mais profundo de integração produtiva, política e estratégica num mundo cada vez mais fragmentado, avalia o consultor. De Pieri lembra que o Mercosul nasceu com uma ambição que ia muito além do comércio. "O Mercosul sempre foi muito mais do que um acordo comercial. Foi uma construção política destinada a transformar uma antiga rivalidade regional em cooperação institucional", afirma. Ele ressalva que o peso de ambos os países na região impõe limites a qualquer estratégia de confronto. "Nenhum dos dois pode formular uma política sul-americana consistente ignorando o outro", afirma. Para o especialista, "o cenário atual mais provável não é uma ruptura, mas uma espécie de guerra fria bilateral: pouco diálogo presidencial, retórica agressiva e preservação pragmática dos vínculos econômicos e burocráticos". Afinal, "os presidentes podem melhorar ou deteriorar profundamente o clima político, mas não controlam toda a relação", diz. Se internamente a má relação entre Lula e Milei não impede o bom funcionamento das relações econômicas e institucionais, no campo externo, porém, as diferenças entre os dois podem paralisar o Mercosul e enfraquecer seu poder de negociação internacional. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Ataques prejudicam sobretudo os argentinos, já que país de Milei depende economicamente mais do Brasil do que o oposto. | ||
| Author | Maricel Drazer (com Efe) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/milei-brinca-com-fogo-ao-atacar-lula-avaliam-analistas/a-78141158?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Milei%20%22brinca%20com%20fogo%22%20ao%20atacar%20Lula%2C%20avaliam%20analistas | ||
| Item 25 | |||
| Id | 78135370 | ||
| Date | 2026-07-27 | ||
| Title | Quanto café é saudável tomar por dia? | ||
| Short title | Quanto café é saudável tomar por dia? | ||
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Pesquisa aponta que o consumo moderado de café pode reduzir o risco de doenças cardiovasculares, mas os efeitos da cafeína variam de acordo com o organismo e o preparo da bebida.Uma xícara, depois outra, e mais uma. Quando você percebe, já perdeu a conta de quantos cafés tomou ao longo do dia. Mas afinal, qual é a quantidade de café considerada saudável?
Segundo uma revisão científica publicada neste mês pela Associação Americana do Coração (AHA) na revista Circulation, o consumo de até 400 miligramas de cafeína por dia é geralmente seguro para a maioria dos adultos e pode estar associado a um menor risco de doenças cardiovasculares, como insuficiência cardíaca, doenças cardíacas e acidente vascular cerebral (AVC).
A referência utilizada pelos pesquisadores se baseia principalmente nos hábitos de consumo dos Estados Unidos, onde uma xícara padrão de café tem cerca de 240 ml. Segundo a AHA, 400 mg de cafeína equivalem aproximadamente a cinco xícaras de café americano por dia.
No Brasil, porém, a situação é um pouco diferente. A concentração de cafeína varia conforme o tipo de grão, o método de preparo e a quantidade de pó utilizada. Em geral, uma xícara de 200 ml de café coado contém entre 80 e 120 mg de cafeína. Assim, o consumo considerado seguro ficaria em torno de três a cinco xícaras por dia, dependendo da intensidade da bebida.
Outro ponto importante é a origem da cafeína, chamada pelos pesquisadores de "cafeína saudável". Isso significa que os benefícios observados pelos estudos estão associados principalmente ao consumo de café, e não necessariamente à cafeína presente em refrigerantes, energéticos ou suplementos. Essas bebidas podem conter outros ingredientes que, em excesso, estão relacionados ao aumento da pressão arterial e a alterações do ritmo cardíaco.
O tipo de preparo importa
Entre outras descobertas, o consumo de café com cafeína sem adição de açúcar, aromatizantes ou creme está associado a um menor risco de diabetes tipo 2, doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC) ou insuficiência cardíaca.
As evidências mais robustas sugerem que o café com cafeína pode ajudar a reduzir o risco de fibrilação atrial, um tipo comum de arritmia cardíaca. Por outro lado, a substância parece aumentar a frequência de contrações ventriculares prematuras — batimentos cardíacos extras que geralmente são benignos, mas podem ser percebidos como "falhas" ou "saltos" no coração.
Ensaios clínicos também indicam que o cafestol, uma substância naturalmente presente tanto no café com cafeína quanto no descafeinado, pode elevar os níveis de lipoproteína de baixa densidade (LDL), o chamado colesterol "ruim".
A concentração de cafestol varia de acordo com o método de preparo. A substância está presente em maiores quantidades em cafés não filtrados, como o expresso, o preparado em prensa francesa, o café turco e o café fervido. Já o café coado com filtro de papel e o café instantâneo contêm níveis muito menores, uma vez que boa parte do composto fica retida durante o processo de preparo.
Embora o café seja a principal fonte de cafeína para a maioria dos adultos, ele está longe de ser a única. A substância também é encontrada no chá, no chocolate, em refrigerantes, bebidas energéticas e em alguns medicamentos, tanto de venda livre quanto sob prescrição médica.
Por isso, especialistas recomendam considerar a ingestão total de cafeína ao longo do dia, e não apenas a quantidade de café consumida. Afinal, uma lata de energético, um refrigerante à base de cola ou até mesmo determinados remédios podem contribuir significativamente para o consumo diário da substância.
Cada corpo reage diferente
Após ser consumida, a cafeína é absorvida rapidamente pelo organismo e metabolizada principalmente no fígado. Em geral, sua concentração no sangue atinge o pico entre 30 minutos e uma hora após a ingestão, embora esse tempo possa variar de pessoa para pessoa.
A velocidade com que a substância é processada depende de diversos fatores, como genética, idade, metabolismo, uso de medicamentos e hábitos de consumo. Pessoas que tomam café regularmente, por exemplo, podem desenvolver certa tolerância aos efeitos da cafeína ao longo do tempo, enquanto outras permanecem mais sensíveis à substância e sentem seus efeitos mesmo em doses menores.
Entre os efeitos de curto prazo mais comuns estão o aumento temporário do estado de alerta, da concentração, da frequência cardíaca e da pressão arterial. A cafeína também pode provocar elevações transitórias dos níveis de açúcar no sangue. Em algumas pessoas, porém, o consumo excessivo pode causar sintomas indesejados, como palpitações, ansiedade, irritabilidade e dificuldades para dormir.
Os especialistas ressaltam que a resposta à cafeína é altamente individual. Uma quantidade considerada segura para uma pessoa pode provocar efeitos adversos em outra, especialmente entre indivíduos mais sensíveis à substância.
Por isso, apesar das evidências que associam o consumo moderado de café a benefícios cardiovasculares, os autores da revisão destacam que ainda são necessárias mais pesquisas para entender melhor como a cafeína afeta o organismo, de que forma as diferentes fontes da substância influenciam a saúde do coração e por que seus efeitos podem variar tanto entre as pessoas.
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| Short teaser | Consumo moderado de café pode beneficiar o coração, mas efeitos variam conforme o organismo e o preparo. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quanto-café-é-saudável-tomar-por-dia/a-78135370?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Café brasileiro costuma ser mais concentrado que o americano | ||
| Image source | Saulo Angelo/TheNEWS2/ZUMA/picture alliance | ||
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| Item 26 | |||
| Id | 78128530 | ||
| Date | 2026-07-27 | ||
| Title | Remédio revolucionário contra o HIV ainda é inacessível | ||
| Short title | Remédio revolucionário contra o HIV ainda é inacessível | ||
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Aplicado apenas duas vezes por ano, lenacapavir mostrou alta eficácia contra o vírus. Mas especialistas pontuam que, sem uma política de preços acessíveis, fim do HIV ainda é sonho distante.Para uma jovem saudável na África do Sul, o maior risco de contrair HIV pode vir justamente de alguém em quem ela gostaria de confiar, mas não pode.
Talvez ela não conheça, por exemplo, a situação sorológica do parceiro, nem sempre consiga insistir no uso de preservativo ou tenha pouco controle sobre a possibilidade de ele manter outros relacionamentos.
Para isso, existe uma opção: os comprimidos de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) mantêm medicamentos antirretrovirais no organismo em níveis suficientemente altos para impedir que o HIV se estabeleça após uma eventual exposição ao vírus.
Mas a PrEP só funciona se ela continuar tomando a medicação. Se muitas doses forem perdidas, os níveis do medicamento podem cair a ponto de não mais oferecer uma proteção suficiente.
O risco é de ela esquecer de tomar os comprimidos, resistir à necessidade de uma medicação diária ou temer o estigma caso o parceiro ou algum familiar encontre os medicamentos. Ela também pode sofrer efeitos colaterais da PrEP ou ter dificuldades para conseguir novas doses.
Como o lenacapavir pode ajudar?
Tomar medicação de forma consistente — algo conhecido como adesão ao tratamento — é um desafio para pessoas com doenças como hipertensão e diabetes. No caso da PrEP, porém, a dificuldade é ainda maior.
"Você está pedindo que pessoas saudáveis, que não têm nenhuma doença, tomem um comprimido todos os dias", afirmou Salim Abdool Karim, diretor e cofundador do Centro para o Programa de Pesquisa em Aids da África do Sul. "Essa é uma exigência enorme."
"Diversos estudos, incluindo os nossos, mostram que pacientes que começam a tomar PrEP, por volta do terceiro mês, metade deles já abandonou o tratamento. No fim do ano, resta apenas um pequeno grupo que continua tomando a PrEP", disse Abdool Karim à DW.
Ao exigir apenas uma injeção a cada seis meses, o lenacapavir reduz drasticamente esse fardo diário.
"É infinitamente mais fácil do que lembrar de tomar um comprimido todos os dias", afirma Karim. "Para quem recebe a injeção a cada seis meses sem falta, funciona de forma excelente porque a adesão é praticamente completa."
Mas o lenacapavir ainda é caro demais em algumas regiões, e o acesso ao medicamento continua limitado.
Como o lenacapavir permanece tanto tempo no organismo?
A maioria dos medicamentos já estabelecidos de PrEP bloqueia enzimas que permitem que o vírus se reproduza e se espalhe – o HIV usa essas enzimas para copiar seu material genético e inseri-lo no DNA das células humanas.
O lenacapavir atua de forma completamente diferente: trata-se do primeiro medicamento para PrEP a atingir o capsídeo, uma estrutura em forma de cone que envolve o material genético do vírus. O capsídeo também é essencial para o processo de replicação viral e, por isso, representa um alvo promissor.
"[O lenacapavir] é a molécula mais potente que conhecemos contra o HIV", disse Wesley Sundquist, bioquímico da Universidade de Utah e um dos principais especialistas em capsídeo do HIV, em entrevista à DW.
Segundo ele, o lenacapavir continua eficaz por longos períodos e mantém sua potência mesmo em baixas concentrações.
Quais grupos se beneficiariam do lenacapavir?
Abdool Karim destacou três grupos nos quais a incidência de HIV continua persistentemente alta e onde ampliar o uso da PrEP é urgente:
• Meninas adolescentes e mulheres jovens em partes da África
• Jovens homens gays no Ocidente
• Comunidades gays vulneráveis no Leste Europeu e na Ásia Central
Na África do Sul, a distribuição para pessoas em situação de risco começou em junho de 2026, apoiada por um acordo firmado em julho de 2025 entre a desenvolvedora do medicamento, a Gilead, e uma organização de financiamento público-privada chamada Global Fund.
A Gilead concordou em fornecer lenacapavir sem obtenção de lucro para até 2 milhões de pessoas ao longo de três anos.
Anteriormente, em outubro de 2024, a empresa também havia autorizado a produção de versões genéricas mais baratas do medicamento em 120 países com recursos limitados e altas taxas de infecção por HIV.
Mas alguns países ainda não têm acesso ao medicamento.
Países latino-americanos ficaram de fora
Melissa Scharwey, da ONG Médicos Sem Fronteiras, afirmou que alguns países latino-americanos, incluindo o Brasil, o México, o Peru e a Argentina, foram excluídos das recentes iniciativas de distribuição do lenacapavir, apesar de terem participado dos ensaios clínicos.
Mesmo nos países elegíveis, grupos vulneráveis ainda podem ficar sem acesso, disse Scharwey à DW.
"Não há nem de longe quantidade suficiente", afirmou Scharwey, pedindo que a Gilead aumente a oferta e venda diretamente à MSF por um preço acessível, em torno de 40 dólares (cerca de R$ 200) por aplicação.
Segundo a epidemiologista Monisha Sharma, da Universidade de Washington, a questão decisiva para reduzir as infecções por HIV é se o medicamento vai conseguir chegar às pessoas e aos locais onde o vírus se espalha mais rapidamente.
"Em nossos modelos para a África do Sul, o Zimbábue e o oeste do Quênia, fornecer lenacapavir para aproximadamente 2% a 4% da população adulta, com foco nas pessoas de maior risco, evitou cerca de 12% a 18% das novas infecções ao longo de dez anos", disse Sharma à DW.
Lenacapavir "dificilmente vai eliminar o HIV"
"O lenacapavir pode acelerar substancialmente o progresso na redução da incidência, mas é improvável que elimine a transmissão do HIV por si só", afirmou Sharma.
"Esse impacto depende fortemente de preços acessíveis para o lenacapavir, canais eficientes de distribuição e adoção direcionada às pessoas com maior risco de infecção pelo HIV", acrescentou.
Essa última condição é justamente o que mais preocupa Abdool Karim. O lenacapavir pode resolver, em grande parte, o problema da adesão para quem recebe a medicação. O que ele não consegue resolver é um desafio mais difícil para os especialistas: identificar e alcançar aqueles que correm maior perigo.
"O problema é que as pessoas com maior risco precisam ir atrás da medicação. E, muitas vezes, quem corre maior risco não se percebe em risco. É por isso que está em risco", disse Abdool Karim. "Se não conseguirmos alcançar essas pessoas, não vamos conseguir reduzir esta epidemia da forma que esperávamos."
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| Short teaser | Apesar de promissor, lenacapavir ainda é realidade distante para muitos que têm maior risco de contrair o vírus. | ||
| Author | Richard Connor | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/remédio-revolucionário-contra-o-hiv-ainda-é-inacessível/a-78128530?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Lenacapavir pode ajudar a superar um dos maiores desafios da PrEP: a adesão ao tratamento | ||
| Image source | Nardus Engelbrecht/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 27 | |||
| Id | 78085082 | ||
| Date | 2026-07-26 | ||
| Title | Body Positive: "Como em todas as militâncias, as coisas se perderam" | ||
| Short title | "Como em todas as militâncias, as coisas se perderam" | ||
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Alexandra Gurgel era um dos principais nomes do body positive no Brasil. Mas deixou o movimento e agora planeja emagrecer. Para ela, muitas pessoas faziam uma interpretação errônea sobre o amor próprio. A influenciadora e jornalista Alexandra Gurgel, de 37 anos, era uma das principais vozes do body positive no país. No movimento, também conhecido como body positivity, ela expunha seu corpo gordo para milhares de seguidores na internet e lidava com os efeitos de ser uma voz para tantas pessoas. Ela fundou o Corpo Livre, uma espécie de versão brasileira do movimento, e se tornou referência. Alexandra lançou livros, foi capa de revistas nacionais e deu palestras sobre a luta contra a gordofobia. Mas há dois anos, a influenciadora decidiu recomeçar. Ela parou de fazer publicações sobre o body positive e hoje conta histórias sobre relacionamentos nas redes. A militância, diz ela, é exaustiva e a fez repensar tudo o que fazia até então. Alexandra, assim como outros influenciadores que defendiam os corpos gordos nas redes, quer emagrecer. Ela diz que só agora se sente segura para iniciar um processo de perda de peso, por conta do avanço das canetas emagrecedoras. Em entrevista à DW, Alexandra falou sobre esses e outros temas. Confira. DW: Como você se tornou uma voz do body positive e da luta contra a gordofobia no Brasil? Alexandra Gurgel: Tudo aconteceu muito rápido na minha vida. Eu comecei o meu canal no YouTube para encontrar semelhantes. Eu não conhecia a palavra gordofobia, não conhecia o body positive, não conhecia nada. Conheci junto com as pessoas. Até hoje assistem a maratona de body positive que eu fiz no YouTube. Há 10 anos, eu era só uma menina. E eu acredito muito em tudo o que eu falava e acredito muito em tudo o que aconteceu. Eu só acho que, como em todas as militâncias, no fim das contas, as coisas se perderam. Na pandemia, foi um momento em que eu cresci muito no Instagram com as pautas que aconteciam. Eu me tornei a pessoa que estava denunciando e também abraçando as pessoas, ao mesmo tempo em que também ganhei fama. E junto disso veio uma estratégia em cima do meu nome: vamos ser famosa. Você quer ser capa de revista? Você não quer ir pra televisão? Você quer ser atriz? E eu ficava assim: gente, eu nem sei. Eu não estava com isso na cabeça, eu sou uma jornalista. E eu gostei, por exemplo, quando a [revista] Marie Claire me chamou pra fazer uma capa ou quando eu estava no escritório da Vogue. E eu falava: caraca, venci na vida. Isso foi muito legal. Foi nesse período da pandemia que o body positive pegou uma força mundial e a gente virou uma comunidade de pessoas online que estavam em casa e se reconectando com o corpo. Eu sinto que o corpo livre abraçou a gente na pandemia de uma forma incrível. O body positive foi muito importante pra gente sobreviver a esse momento. Como referência no body positive, você tinha a impressão de que falava em nome de muitas pessoas? Eu, pensando em Alexandre Gurgel, não na pauta do body positive, sempre falei por muitas e acho que eu aceitei esse lugar. Esse lugar fez bem pra minha cura, porque essa pauta sempre foi identitária. Então sempre foi uma coisa que era sobre a minha cura, eu estava falando de coisas que eu estava aprendendo junto. Só que eu fui colocada em um lugar e tive acessos e lugares que me envaideceram. Eu comecei a me tornar a militante perfeita, que não podia errar. Por exemplo, eu sou fumante e hoje falo abertamente sobre isso. Mas eu não podia fumar na frente de ninguém, não queria falar porque isso não era body positive. Foi difícil ter se tornado uma referência nesse tema? Eu passei por muitos desafios de ter que ser uma coisa que eu não era. E pra aceitar isso, tinha dinheiro. E você não se envaidece? Você acha que não vai se envaidecer com uma marca que vai te dar muito dinheiro pra falar de uma pauta muito legal pra um monte de gente? Claro que vai. E, de repente, falaram: "ah, mas seria legal você estar em Paris” ou "acho que é legal você usar Dior". E eu: nossa, eu posso comprar isso? Mas chegou uma hora em que isso não fazia mais sentido pra minha vida. Eu vendi cerca de 90% das minhas coisas porque eu quis, hoje tenho uma coisa ou outra. Eu parei de ir no circuito de eventos. Eu ia no Baile da Vogue, porque eu considerava que a minha presença seria uma representatividade. E, de fato, foi. Só que eu estava cansada de representar as pessoas. Eu acho que é isso. Eu cansei de ter que ser uma voz que sabe o que está falando. Eu quero me dar o direito de errar, mas militante não tem esse direito. E hoje em dia você se considera militante? Não, há muitos anos que não mais. Eu assumi isso pra mim mesma em 2024. Deixar de ser militante tirou um fardo de você? Tirou. É cansativo, porque eu, de fato, me preocupava. Eu achava que eu estava fazendo alguma diferença e eu sinto que eu fiz. Eu me senti culpada por um bom tempo quando eu saí disso. Há algo que você falava na época do ativismo que hoje se arrepende? Eu acho que a única coisa que eu não concordo, que eu trazia um entendimento errado, é que eu falava que obesidade não era doença. Mas eu falava que eu não queria ser vista como doente: não me chama de obesa, me chama de gorda. E até hoje não entendem isso, mas acho que eu poderia ter falado de outra maneira. Eu falava que obesidade é uma palavra gordofóbica. E eu não acho mais isso hoje. É a única coisa que eu não acho mais, que eu discordo de mim do passado. E discordo do meu tom, mas eu era uma garota revoltada e tendo atenção pela primeira vez. Eu acho que quando parei de ser militante, parei de me importar tanto com o que todo mundo falava e pensava. Eu nunca tive o direito de errar. Quando você é militante e erra, você vira o diabo na Terra, na mesma altura em que era a fada sensata. E isso é muito ruim. Uma das críticas é de que vocês ganharam dinheiro com o movimento e deixaram o movimento depois que ele enfraqueceu. O que acha disso? Sim, a gente ganhou muito dinheiro. Era isso que a gente fazia: as marcas vinham, queriam comunicar sobre o tema, então dava esse match. Parece que falar que ganha dinheiro com isso é errado, mas era o nosso trabalho. Só que eu não fiquei milionária e mudei a minha vida. Eu tô trabalhando. Inclusive, muitas pessoas desse meio foram afetadas, justamente pela pauta mundial acabar por causa do reacionarismo. E todo mundo desse meio geral de militância, não só do body positive, ficou sem dinheiro. Todo mundo estava ganhando dinheiro. Eu fazia várias palestras em grandes empresas que hoje não fazem mais. Hoje em dia dizem que não têm mais verba destinada para a diversidade. Como você lida com as críticas recorrentes às pessoas que eram vozes do body positive e emagreceram? É a mesma pressão e ódio que elas sofriam porque eram gordas demais. Eu acho que as pessoas nunca estão satisfeitas. Ou vão falar que você está "pelancuda" ou que tem que fazer cirurgia ou que se entregaram ao padrão. E antes falavam que era apologia à obesidade. Quando você vê as pessoas gordas emagrecendo, aqueles que não entendem dessa pauta falam que o body positive acabou, mas não acabou. Na verdade, todo mundo queria só ter uma chance de viver, de aparecer, de ser livre. Por isso que era corpo livre, deixa a gente ser livre. Eu estou com um médico em um processo de emagrecer com consciência. Eu já vi vários resultados de amigos que me fizeram pensar assim: dá pra ter uma vida normal e resolver essa questão. Eu quero ter uma roupa melhor, eu não resolvi tudo. A gente não resolveu tudo. Quem é que não quer isso? Agora parece que a gente emagreceu e virou um monte de Gisele Bündchen. E a gente, na verdade, só está mais magro. A maioria ainda é lido como gordo socialmente. Você quer emagrecer? Como encara esse tema hoje em dia? Quero. Eu quero emagrecer. Isso sempre foi uma questão, sempre quis emagrecer durante a minha vida toda. Eu parei de querer isso quando deixei de fazer dieta, porque pensei: vou parar de ferrar a minha cabeça. Eu não tinha alternativa, era: faça a dieta, faça isso e faça aquilo. Hoje, parece que a gente tem uma alternativa que nunca teve. Então, acredito que se isso pode me ajudar na questão com o meu corpo e na minha genética para que eu tenha uma vida melhor, por que não? No meu caso, emagrecer dentro do que foi ensinado pela cultura da magreza nunca funcionou. Por isso, se tiver uma caneta que se associe comigo, com meu estilo de vida, e que eu consiga ter uma qualidade de vida melhor, por que não? Quando a gente fala de se aceitar, do body positive, a gente não tá falando que tem uma vida feliz, a gente só quer ser aceito. Tem gente que [por causa da obesidade] não vai passar na catraca, tem gente que não vai conseguir fazer um exame ou uma cirurgia se não conseguir emagrecer. Então são alternativas que tornam a nossa vida mais viável. Eu nunca tô batendo no peito e falando: vamos ser gordos. O que tô falando é: a gente é assim, então vamos nos aceitar, porque senão a gente vai se odiar para sempre. É o direito de ser feia. É disso que surgem os meus memes, mas é daí que também sai o meu lema. O que acha de ter que se explicar publicamente sobre o seu emagrecimento? Existe uma cobrança porque a gente sempre falou do nosso corpo. O nosso movimento era muito sobre biquíni, sobre mostrar o corpo no verão. Como você enxerga o body positive atualmente? Eu enxergo que ele ainda existe. Ele só talvez não esteja tão coordenado dentro de um discurso ou de um movimento de minoria. Ele é uma realidade. A gordofobia acabou? Claro que não. As pessoas continuam sendo gordofóbicas, mas eu acredito que hoje as pessoas entendem que existe um outro lugar. O que a gente ensinou, o que a gente praticou e o que a gente trouxe ainda existe. E se você for ver no TikTok, o body positive tem outro nome hoje. E as pessoas discutem essa pauta. Virou falar sobre você se sentir bem com você mesmo. É uma coisa mais liberal. Eu acredito que entrou num lugar muito menos de revolta, de "você precisa me aceitar", e está muito mais para um lugar de: "a gente tem que considerar a diversidade". No último ano, você mudou o seu conteúdo nas redes, começou a contar histórias de relacionamentos e não fala mais sobre o body positive. Como foi a recepção dos seguidores? E eu paguei o preço por isso. Eu estaria muito melhor hoje se ainda estivesse falando da mesma pauta, pensando no que me fez crescer. Eu paguei um preço durante uns dois anos sem saber o que eu estava fazendo. Mas eu não desfaço, não cuspo no prato que eu comi, porque eu amo a minha história. O meu livro hoje [Pare de se odiar] hoje é um grande meme, e eu adoro. Eu virei meme com tantas coisas que eu falei, como pelo direito de ser feia. O povo LGBT, principalmente os gays, me amam nesse lugar de tia Xanda. E isso até me abriu para pensar: cara, vou contar histórias. E contar histórias foi uma coisa que trouxe um novo olhar, onde eu não tenho que falar sobre mim. Eu até conto minhas histórias raramente, mas eu conto mesmo as de outras pessoas. E aí deu muito certo e eu só faço isso hoje nas redes. Eu cresci 400 mil seguidores de dezembro para cá. Foi a primeira vez em anos, porque eu estava sem fazer conteúdo até então. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. 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| Short teaser | Alexandra Gurgel era um dos principais nomes do body positive. Mas deixou movimento e agora planeja emagrecer. | ||
| Author | Vinícius Lemos | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/body-positive-como-em-todas-as-militâncias-as-coisas-se-perderam/a-78085082?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Body%20Positive%3A%20%22Como%20em%20todas%20as%20milit%C3%A2ncias%2C%20as%20coisas%20se%20perderam%22 | ||
| Item 28 | |||
| Id | 78081057 | ||
| Date | 2026-07-26 | ||
| Title | O movimento body positive emagreceu | ||
| Short title | O movimento body positive emagreceu | ||
| Teaser |
Após ganhar espaço há uma década, iniciativa que desafiou padrões de beleza perdeu espaço com enfraquecimento de políticas de diversidade, canetas emagrecedoras e saída de ativistas, que apontam excessos da militância. Há cerca de uma década, enquanto blogueiras ostentavam dietas restritas e barrigas negativas, um movimento na direção contrária passou a ganhar atenção em todo o mundo: o body positive ou body positivity (positividade corporal, em inglês). A iniciativa que prega o amor próprio e a aceitação de todos os corpos, independentemente da forma física, passou a ocupar espaço relevante nas redes. O movimento ganhou vozes e corpos diversos no Brasil e teve o seu auge por volta dos anos de 2019 a 2022. Na esteira da autoaceitação, marcas viram a oportunidade para faturar com iniciativas voltadas a diferentes formas físicas. Nos últimos anos, porém, especialistas apontam que o movimento perdeu força em todo o mundo. As passarelas já não dão o mesmo espaço aos corpos fora do padrão e as marcas cada vez menos apoiam campanhas sobre diversidade. O body positive entrou em crise. Nesse mesmo período, figuras que promoviam esse movimento e compartilhavam suas experiências como pessoas gordas decidiram emagrecer. Com isso, elas enfrentaram críticas e questionamentos. Militância se voltou contra ativistas que passaram por mudançasNo mundo, um dos casos de emagrecimento mais famosos é o da influenciadora americana Thubten Donme, que era um dos nomes do movimento nos Estados Unidos. Ela era modelo plus size e publicava mensagens sobre aceitação corporal. Em 2023, seguidores notaram que Thubten estava emagrecendo e ela passou a ser alvo de críticas de antigos apoiadores. No Brasil, a influenciadora Beta Boechat, de 36 anos, foi uma das primeiras desse segmento a emagrecer. Ela foi uma das fundadoras do Corpo Livre, uma interpretação brasileira do movimento. Na época, justificou nas redes a decisão de passar por uma cirurgia bariátrica para perder peso. "Cheguei aos 220 quilos e fiquei em um nível que perdi minha mobilidade 100%", disse. Beta também passou a ser alvo de críticas. Para a influenciadora, muitas pessoas não entenderam o que ela defendia no body positive. "Me cobram para seguir uma cartilha que elas próprias criaram para tentar me enquadrar. Eu nunca falei que as pessoas não poderiam emagrecer, muito pelo contrário. Mas o simples fato de alguém ir a público falar 'hoje eu estou bem com o meu corpo' era tão agressivo que as pessoas entendiam: "por favor, almoce pizza e jante hambúrguer todo dia ou engorde, sim, por favor, o importante é engordar'", diz Beta. A influenciadora não fala mais sobre o movimento nas redes. Ela conseguiu conquistar um novo público com vídeos em que reage a conteúdos de humor. Neste ano, se tornou apresentadora de um programa na Dia TV, uma plataforma digital de televisão. "Meu conteúdo reflete o que eu vivo. Falei sobre aceitação porque naquele momento era o que eu mais precisava trabalhar em mim mesma. Em algum momento, essas necessidades foram migrando", conta a influenciadora, que nos últimos anos também compartilhou a transição de gênero em seus perfis. Outra responsável pela criação do movimento Corpo Livre, a influenciadora Alexandra Gurgel, de 37 anos, também parou de falar sobre o body positive. No passado, ela lançou dois livros sobre o tema, foi capa de revistas e se tornou uma das principais vozes do movimento no país. "Eu de fato achava que eu estava fazendo alguma diferença e eu sinto que eu fiz legal. Eu me senti culpada por um bom tempo quando eu saí disso. Mas chegou uma hora em que isso não fazia mais sentido pra minha vida", diz Alexandra, que hoje faz vídeos em que conta histórias curiosas de relacionamentos. "É cansativo. Eu comecei a me tornar a militante perfeita, que não podia errar", acrescenta. Atualmente, ela está em processo de emagrecimento. "Agora parece que a gente emagreceu e virou um monte de Gisele Bündchen. E a gente, na verdade, só está mais magro. A maioria ainda é lido como gordo socialmente." No auge do body positive, diz Alexandra, havia uma pressão daqueles que a acompanhavam nas redes para que ela e outros militantes da causa não emagrecessem, pois muitos defendiam que o movimento era sobre continuar gordo. "Quando você vê pessoas gordas emagrecendo, quem não entende dessa pauta acha que o body positive acabou, mas não acabou nada. Na verdade, todo mundo sempre quis ser livre, por isso era Corpo Livre", declara. O emagrecimento no body positiveHouve grandes mudanças no body positive nos últimos anos. O período pós-pandemia e as canetas emagrecedoras estão entre esses fatores. Um outro ponto que os especialistas destacam é a propagação do discurso contra a diversidade. Nas passarelas, um relatório de inclusão de tamanhos da Vogue Business, que analisou os principais desfiles da primavera e verão deste ano, mostrou que o tamanho padrão, de 34 a 40 no Brasil, correspondeu a 97,1% dos looks. Já o médio (entre 42 e 48 no Brasil) correspondeu a 2%, enquanto apenas 0,9% das roupas eram plus size (acima de 46). O relatório mostrou que esse é um dos piores índices de inclusão dos últimos anos, um pouco superior ao levantamento do ano passado – que havia tido 2% de tamanho médio e 0,3% plus size. Em 2023, havia mais inclusão nas passarelas: cerca de 4,4% dos looks eram médios ou grandes. A Vogue menciona que um dos fatores para essa inclusão limitada nas passarelas é uma mudança cultural nos últimos dois anos, marcada pelo fortalecimento do conservadorismo. Essa postura tem relação com o discurso adotado pelo presidente americano, Donald Trump, aponta a influenciadora Dani Rudz, de 50 anos, que presta serviços sobre diversidade para diferentes empresas. "Assim que o Trump assumiu, ele trabalhou fortemente para retirar verbas a apoio aos posicionamentos políticos com relação à diversidade nas empresas, seja corporal, deficiência, racial, enfim, qualquer uma. E isso afetou as empresas internacionais com sede no Brasil", diz Dani. "E isso enfraqueceu o discurso da diversidade. Cada vez mais empresas deixaram de patrocinar essas ações", acrescenta. Esse discurso de Trump reforçou as dificuldades do body positive, que já vinha sendo afetado desde o fim da pandemia de covid-19, avalia o pesquisador Dario Caldas, fundador da consultoria Observatório de Sinais, focada em tendências de comportamento de consumo. Segundo ele, nessa fase, as pessoas tentaram levar uma vida mais saudável e a obesidade foi ainda mais associada a práticas ruins, como o sedentarismo. "O problema do body positive é que ele esbarra na questão da saúde, da obesidade, então é aí que as coisas se chocam. E esse vetor da saúde é o que leva ao desejo de ser saudável e não acompanhar esse movimento mais", diz. Para os ativistas do body positive, sempre houve uma interpretação errônea do movimento por parte de muitas pessoas. Isso porque eles apontam que o movimento nunca foi uma forma de incentivo à obesidade ou uma romantização dela. "Havia um movimento dentro do body positive que era liderado por extremistas, com algumas criadoras gordas com conteúdo mais radical sobre a gordofobia. Esse movimento foi muito disruptivo, porque mulheres muito gordas andavam de biquínis, faziam passeatas e fotos, era algo do tipo: me engula, me respeite, aceite o meu peso porque não estou nem aí", diz Dani. "E esse movimento, de certa forma, foi importante, porque era 'pé na porta', dava visibilidade ao tema. Mas o body positive em si não é isso, ele é a aplicação de um respeito balanceado a diferentes corpos e tamanhos", acrescenta Dani. As canetas emagrecedorasDiante de um cenário de enfraquecimento, o body positive enfrentou uma nova mudança: a propagação das canetas emagrecedoras. Para Bruno Gualano, presidente do Centro de Medicina do Estilo de Vida, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), esses novos medicamentos devem ser vistos como aliados de movimentos pela liberdade dos corpos. "Agora, as pessoas com dificuldades para emagrecer vão ter a possibilidade de chegar a um corpo, digamos, mais normalizado pela sociedade. Isso se torna uma possibilidade realmente concreta e segura", diz. "Essas canetas podem promover mais saúde, reduzindo a gordura corporal de quem tem obesidade, que geralmente luta a vida inteira para isso. Hoje esse processo é facilitado por essas canetas emagrecedoras", acrescenta. O especialista afirma que esses novos medicamentos também ajudam a quebrar estigmas que acompanham as pessoas gordas durante toda a vida, como o de que não emagrecem por falta de vontade ou porque não conseguem ser saudáveis. "O excesso de gordura corporal é um fator de risco para doenças múltiplas. Mas também é importante dizer que o estigma do corpo gordo é prejudicial para esse sujeito, porque traz uma série de malefícios", diz Gualano. "A obesidade é uma doença crônica. Você pode, por exemplo, até dizer que é um indivíduo fisicamente ativo e com obesidade", acrescenta. A endocrinologista Maria Edna de Melo, coordenadora da comissão de políticas públicas da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), classifica o body positive como uma iniciativa importante para as pessoas gordas. "O paciente com obesidade, em geral, enfrenta muito estigma em todos os lugares. Então, esses ativistas têm um papel relevante para que essas pessoas com obesidade possam reivindicar seu papel na sociedade", diz. A médica defende que os membros desse movimento possam emagrecer. "Tem uma hora em que a doença pode pesar mais. E essas pessoas, como todo mundo, devem ter as suas decisões respeitadas", afirma. E quem ainda fala de body positive?Os influenciadores que foram referência no body positive dizem que o movimento não acabou, mas mudou de forma. "Não foi porque eu saí que eu traí o movimento ou que ele acabou. Eu sinto que nada acabou, só está sendo tratado de uma maneira diferente", diz Alexandra. "O que a gente ensinou e praticou ainda existe. Se você olhar no TikTok, por exemplo, ele tem outro nome. Virou algo sobre a autoestima, sobre você se sentir bem consigo mesmo. É uma coisa mais liberal. Eu acredito que entrou em um lugar menos de revolta", acrescenta. Nas redes, ainda há influenciadoras que têm o movimento entre os principais assuntos de seus perfis, como Dani Rudz. Mesmo após emagrecer, ela continuou como referência no body positive. "Ainda publico dicas sobre o mercado plus size e outros temas." Dani diz que atualmente tem duas parcelas de seguidores: aqueles que já usam as canetas emagrecedoras e os que almejam conseguir acesso ao medicamento, que ainda tem um custo alto para a maioria da população brasileira. "O body positive continua, ele sempre existiu e precisa existir, porque nós não somos iguais, somos diferentes e lutamos pelo respeito. E eu sempre vou defender o seu direito de escolha, seja você gorda ou magra, e o seu direito de existir enquanto formato corporal único", afirma. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. 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| Short teaser | Após ganhar espaço há uma década, Iniciativa que desafiou padrões de beleza se enfraqueceu e perdeu ativistas. | ||
| Author | Vinícius Lemos | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-movimento-body-positive-emagreceu/a-78081057?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=O%20movimento%20body%20positive%20emagreceu | ||
| Item 29 | |||
| Id | 78104740 | ||
| Date | 2026-07-24 | ||
| Title | Klopp no comando: o que muda na seleção alemã de futebol? | ||
| Short title | Klopp no comando: o que muda na seleção alemã de futebol? | ||
| Teaser |
Após mais uma campanha desastrosa numa Copa do Mundo, a seleção alemã de futebol tem um novo treinador: Jürgen Klopp, ex-Liverpool e Dortmund. Em quais jogadores ele apostará e como será o estilo de jogo do time? A seleção alemã de futebol tem um novo técnico: Jürgen Klopp, que foi oficialmente apresentado pelo presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB, sigla para Deutscher Fußball-Bund), Bernd Neuendorf, e assinou contrato de quatro anos na manhã desta sexta-feira (24/07) na sede da entidade, em Frankfurt. Aos 59 anos, natural de Stuttgart, Klopp assume a equipe no lugar de Julian Nagelsmann, que comandou a Alemanha nos últimos três anos entre altos e baixos – a bem da verdade, bem mais baixos do que altos, apesar de algumas boas atuações e campanhas razoáveis, como as quartas-de-final da Eurocopa 2024, disputada na Alemanha. Durante a apresentação, Klopp disse que dará tudo de si e fará o possível para as coisas mudarem: "a seleção é capaz de unir nós, alemães, como quase nenhuma outra coisa. Isso é especial para mim. Estou ansioso por essa missão, que enfrentaremos juntos, com humildade e paciência, formando uma equipe em que um lute pelo outro, com prazer de jogar futebol e pela qual as pessoas possam se unir com convicção", argumentou. Jogador profissional do Mainz 05 até 2001, Klopp começou a carreira de treinador no mesmo clube, onde ficou no cargo até 2008. Mas foi no Borussia Dortmund, entre 2008 e 2015, que ele apareceu para o mundo, vencendo duas Bundesligas (Campeonato Alemão) e a Copa da Alemanha, além do vice na Liga dos Campeões. Entre 2015 e 2024, comandou o Liverpool, clube pelo qual conquistou vários títulos, a exemplo da Liga dos Campeões e do Mundial de Clubes, da Premier League (Campeonato Inglês), da Copa da Inglaterra e da Copa da Liga Inglesa. Como comentarista da TV alemã durante a Copa do Mundo deste ano, Klopp foi taxativo após a decepcionante eliminação da Alemanha nos pênaltis para o Paraguai, após empate em 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, na fase de 16 avos de final: "Precisamos mudar várias coisas de forma radical, imediatamente". Mas o que, de fato, precisa ou mesmo tende a mudar? As peças e a comunicaçãoHá pontos a serem melhorados tanto dentro quanto fora de campo. Do ponto de vista puramente esportivo, é necessário um estilo de jogo claro, além de mais ritmo e criatividade na construção das jogadas. Primeiramente, a questão do goleiro precisa ser resolvida – Manuel Neuer foi convocado depois de se aposentar da seleção em 2024, mas acabou sendo titular na Copa após Oliver Baumann ser o goleiro durante a maior parte da preparação. Além disso, é necessário encontrar um lateral-direito de alto nível e um artilheiro confiável. Sob o comando de Julian Nagelsmann, a comunicação e a confiança ficaram abaladas antes e durante a última Copa, a começar pelo já supracitado alvoroço com a decisão – aparentemente tomada sozinho – de convocar Neuer. Suas aparições na televisão ou em coletivas de imprensa, nas quais criticava individualmente os jogadores, também não ajudaram. Como será o estilo de jogo?Desde que Jürgen Klopp trabalhou na Inglaterra, o termo "gegenpress" passou a integrar a linguagem coloquial local, pois o técnico divulgou amplamente sua estratégia de pressionar a saída adversária com marcação alta e ataques diretos e agressivos após a recuperação da posse de bola. Segundo analistas, Klopp estabelecerá esse estilo de jogo também na seleção. De modo geral, o técnico gosta de futebol ofensivo e criativo. E, ao contrário do que fez, por exemplo, Joachim Löw – campeão do mundo pela Alemanha no Brasil em 2014 –, não considera o estilo espanhol, com muita posse de bola, como o ideal. Logo em sua primeira aparição como novo técnico da seleção alemã, anunciou concretamente dois pontos importantes: "Vamos ter uma zaga com uma linha de quatro e vamos jogar com alas, pois os craques de hoje estão nos flancos", afirmou Klopp. O que acontecerá com a atual geração?A questão é evidente: haverá uma mudança radical e um total recomeço ou Klopp utilizará a estrutura – ou ao menos parte – da atual seleção? Pelo menos para alguns jogadores da geração com mais de 30 anos, a situação pode ficar complicada. O meio-campo Pascal Groß, 35 anos, provavelmente não terá mais chances, e o zagueiro Antonio Rüdiger, 33, também corre o risco de não ser mais convocado. De qualquer forma, Klopp conta com um elenco amplo de jogadores, alguns deles bastante experientes, com idades entre 25 e 31 anos, todos ainda aptos para os próximos dois ciclos de torneios. Mas, mesmo nessa faixa etária, é provável que alguns fiquem de fora das próximas convocações já a partir de setembro. No caso de Leon Goretzka e Leroy Sané (ambos com 31 anos), por exemplo, seria compreensível que não fossem mais convocados, já que existem alternativas mais jovens e, possivelmente, melhores. Uma das medidas mais importantes, provavelmente, será Klopp colocar o capitão Joshua Kimmich de volta na posição de volante, onde forma uma dupla excepcional ao lado de Aleksandar Pavlovic no Bayern de Munique. Nos últimos tempos, sob muitas críticas, Kimmich vinha jogando na lateral direita. A tendência é de que a formação inicial deva contar com Jonathan Tah e Nico Schlotterbeck na zaga, Kimmich e Pavlovic na primeira linha do meio, além de Florian Wirtz, Jamal Musiala e Kai Havertz no setor ofensivo. O restante, a exemplo de um goleiro titular, ainda está em aberto. "Tenho um monte de ideias. Todo mundo que tem direito de jogar pela seleção deve se esforçar. É um recomeço. Jogadores que nem imaginam que terão essa chance vão recebê-la", avisou Klopp na apresentação, deixando a porta claramente aberta para novos jogadores. Quem será o novo goleiro?Embaixo das traves, sem dúvidas, haverá mudanças. Neuer, após a Copa do Mundo, anunciou a aposentadoria definitiva. Mas ainda não está definido em qual dos muitos candidatos Klopp vai apostar. Seria esperado do novo técnico da seleção alemã apostar em um goleiro titular confiável e mais jovem, que possa se adaptar nos dois anos que antecedem a Eurocopa de 2028, e que também esteja disponível para a Copa do Mundo de 2030, atuando no mais alto nível. Baumann, que era o titular antes de Neuer reaparecer, tem 36 anos e, portanto, já parece um pouco ultrapassado para isso. Seu antecessor, Marc-André ter Stegen, 34 anos, tem um longo histórico de lesões e planeja recomeçar na próxima temporada – possivelmente no Ajax, de Amsterdã. Outro candidato é Alexander Nübel, 29 anos, que deixou a Bundesliga e se transferiu para o Beşiktaş de Istambul, na Turquia. Mas é possível que Klopp prefira uma opção mais jovem e aposte em um goleiro com menos experiência do qual poderá se beneficiar mais tarde. Neste caso, Jonas Urbig, 22 anos, do Bayern de Munique, e Noah Atubolu, 24, seriam candidatos. Atubolu deixou o Freiburg e segue procurando um novo clube. Urbig, entretanto, poderá ser a escolha lógica somente quando substituir Neuer como titular no gol do Bayern. Quem será a comissão técnica?Klopp levará para a seleção dois assistentes de confiança: Peter Krawietz e Pepijn "Pep" Lijnders. Krawietz trabalha ao lado de Klopp praticamente desde a época em que atuava no Mainz, tendo sido auxiliar técnico no Dortmund e no Liverpool – mais recentemente, também esteve ao lado de Klopp na direção global de futebol do grupo Red Bull. O holandês Lijnders foi, por muitos anos, o principal assistente de Klopp no Liverpool. Além disso, seu ex-assessor, Marc Kosicke, passa a integrar a equipe como assistente técnico responsável por estratégia, desenvolvimento e inovação. Além disso, Sven Bender, ex-jogador da seleção e que atuou sob comando de Klopp no Borussia Dortmund – clube pelo qual o ex-volante conquistou a Bundesliga em 2011 e 2012 –, também será assistente. Após encerrar a carreira de jogador, Bender atuou como auxiliar técnico da seleção alemã sub-16 em 2022 e 2023. Quais são as metas?Se depender da DFB, a Alemanha já deverá estar em condições de disputar o título do Campeonato Europeu de 2028. E a conquista da Copa do Mundo de 2030 também está claramente entre os objetivos. Klopp, porém, não quis se comprometer com nada. Ele não quer afirmar que a Alemanha será campeã mundial em 2030, mas quer fazer de tudo para "que possamos ser": "Tenho vontade de trabalhar com jogadores que queiram praticar um futebol que agrade a todos", afirmou. Nem sempre isso dá certo de imediato, mas ele busca conquistar algo com a seleção "para que as pessoas voltem para casa depois do jogo e digam: 'uau! Foi realmente incrível!'". Se depender da trajetória como técnico, Klopp começa a percorrer outro caminho de sucesso. Foi assim no Mainz, no Borussia Dortmund e no Liverpool, ainda que suas equipes sempre tenham necessitado de um pouco de tempo para ajustes antes de tudo funcionar perfeitamente. Klopp não tem esse tempo todo com a seleção. Já no primeiro jogo, em setembro, contra a Holanda, ele estreia em uma partida oficial da Liga das Nações da UEFA. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Como Jürgen Klopp, ex-Liverpool e Dortmund, deverá conduzir os alemães após mais uma Copa desastrosa? | ||
| Author | Andreas Sten-Ziemons | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/klopp-no-comando-o-que-muda-na-seleção-alemã-de-futebol/a-78104740?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Klopp%20no%20comando%3A%20o%20que%20muda%20na%20sele%C3%A7%C3%A3o%20alem%C3%A3%20de%20futebol%3F | ||
| Item 30 | |||
| Id | 78090644 | ||
| Date | 2026-07-23 | ||
| Title | "Hino antifacista" vira hit na Alemanha após ser barrado na TV | ||
| Short title | "Hino antifa" vira hit na Alemanha após ser barrado na TV | ||
| Teaser |
Apresentação de rapper em programa satírico foi cancelada em cima da hora por causa de letra considerada "problemática". Artista acusa emissora pública de "censura".O cancelamento da apresentação de um rapper numa emissora pública da Alemanha por causa de uma música considerada "problemática" pela direção da TV levou a canção ao topo das paradas do país.
O cantor e compositor alemão Danger Dan e o pianista Igor Levit haviam sido convidados a apresentar a música Keine Angst ("Sem Medo") em um programa de sátira política. Mas, pouco antes da gravação, a emissora pública ZDF — líder de audiência no país — voltou atrás e retirou o convite.
O cancelamento repentino provocou debates sobre a liberdade de expressão artística e os limites do discurso político na Alemanha. Mas também chamou atenção para a nova música, que alcançou o topo das paradas musicais do YouTube no país pouco depois de os músicos criticarem o cancelamento, em 17 de junho, e acusarem a emissora de censura.
A ZDF argumentou que partes da letra poderiam ser interpretadas como um endosso ao extremismo político e à violência contra ativistas de extrema direita, mensagens que contrariam as diretrizes de programação da emissora financiada por impostos.
Cancelamento irritou apresentadores do programa
O programa que receberia a apresentação, Die Anstalt, combina investigações aprofundadas sobre um único tema e comédia política.
No episódio em questão, exibido na terça-feira (21/07) e disponível online, os humoristas analisaram o programa do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), líder nas pesquisas de intenção de voto.
O timing da pauta coincide com a pressão sobre a AfD por grupos de defesa dos direitos civis, que estudam se seria o caso de banir o partido por causa de sua agenda potencialmente incompatível com a Constituição Federal.
No trecho do programa que seria dedicado à música de Danger Dan, foi exibido um palco vazio com um piano e microfones. Passado mais de um minuto de silêncio, os apresentadores discutiram a controvérsia, deixando claro que discordavam da decisão. Segundo eles, a letra havia sido enviada aos diretores da emissora semanas antes da gravação e o plano era discuti-la abertamente com o autor após a apresentação.
"Entendemos que as opiniões sobre a música possam ser divergentes, mas, sinceramente, consideramos a decisão da ZDF covarde — especialmente em um momento em que a violência extremista de direita voltou a atingir um nível recorde na história da República Federal da Alemanha", afirmou um dos apresentadores do programa, Claus von Wagner.
A equipe se revezou na leitura e nos comentários sobre trechos da música, destacando as passagens que poderiam ser interpretadas como infrações criminais ou incitação à violência.
Do que fala a música "Keine Angst", afinal?
A canção oferece um passo a passo sobre como organizar estruturas locais, sem liderança central, para o enfrentamento de movimentos de extrema direita. Ela defende medidas rígidas de segurança operacional, como evitar rastros digitais e usar comunicação presencial.
Também descreve táticas para investigar adversários políticos e divulgar suas identidades e filiações, prática conhecida como outing ou doxing.
A letra também inclui referências à ação militante e se solidariza com indivíduos condenados por liderar ataques violentos contra neonazistas.
O diretor da ZDF, Norbert Himmler (sem parentesco com o criminoso nazista Heinrich Himmler), defendeu sua decisão: "Na minha avaliação, a letra fornece claramente instruções para uma resistência de esquerda disposta a usar violência", declarou ao jornal alemão Sueddeutsche Zeitung.
Ao mesmo tempo, ele admitiu que a emissora deveria ter lidado com o caso de outra forma. "Podemos ser criticados pelo cancelamento de última hora", concedeu. "Deveríamos ter feito perguntas básicas antes — de preferência antes de convidar os artistas."
Oito dos 60 integrantes do conselho gestor da ZDF criticaram a emissora pelo cancelamento. Em carta aberta publicada na segunda-feira pelo portal netzpolitik.org, eles argumentaram que a TV perdeu a oportunidade de estimular um debate sobre o extremismo de direita na Alemanha e as diferentes formas de combatê-lo.
Danger Dan testa os limites da liberdade artística
Danger Dan, cujo nome verdadeiro é Daniel Pongratz, é conhecido por suas letras de forte conteúdo político.
Ele atua como integrante da banda de hip-hop Antilopen Gang e também como artista solo. As músicas de seu álbum de estreia solo, lançado em 2008, já abordavam o antissemitismo no rap alemão.
Seu maior sucesso foi lançado em 2021. O single Das ist alles von der Kunstfreiheit gedeckt ("Tudo isso está protegido pela liberdade de expressão artística") testa deliberadamente os limites entre a expressão artística protegida e a difamação ao criticar duramente políticos e figuras públicas de direita.
Igor Levit é um pianista de renome internacional, amplamente reconhecido também por seu ativismo social, engajamento político e comentários públicos. Em abril de 2021, ele já havia acompanhado Danger Dan ao piano durante uma apresentação ao vivo na TV da música citada acima em outro programa da mesma emissora, o ZDF Magazin Royale, do satirista Jan Böhmermann.
Em reação ao cancelamento da apresentação no Die Anstalt, Danger Dan e Igor Levit ofereceram um show alternativo em Berlim na mesma data e horário da apresentação cancelada na ZDF. A receita arrecadada com a venda de ingressos foi destinada a uma associação em Brandemburgo que apoia vítimas de "violência de extrema direita, racista e antissemita".
O espetáculo, intitulado Die keine Angststalt — um trocadilho que combina o nome da música com o do programa de TV — está disponível no YouTube.
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| Short teaser | Apresentação de rapper em programa satírico foi cancelada em cima da hora por causa de letra considerada "problemática". | ||
| Author | Elizabeth Grenier | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/hino-antifacista-vira-hit-na-alemanha-após-ser-barrado-na-tv/a-78090644?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/78057415_354.jpg
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| Image caption | O músico alemão Danger Dan é famoso por canções com mensagens políticas de esquerda | ||
| Image source | Bernd Wüstneck/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78057415_354.jpg&title=%22Hino%20antifacista%22%20vira%20hit%20na%20Alemanha%20ap%C3%B3s%20ser%20barrado%20na%20TV | ||
| Item 31 | |||
| Id | 78077770 | ||
| Date | 2026-07-22 | ||
| Title | Alemanha aprova controverso projeto nuclear com participação russa | ||
| Short title | Alemanha aprova projeto nuclear com participação russa | ||
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Empresa francesa recebe luz verde para produzir combustível nuclear em parceria com grupo estatal russo não atingido pelas sanções da UE impostas devido à guerra na Ucrânia. Críticos alertam para riscos de segurança.A Alemanha aprovou nesta quarta-feira (22/07) um controverso projeto nuclear franco-russo, que, segundo críticos, pode abrir espaço para práticas de espionagem e sabotagem por parte de Moscou.
A secretaria do Meio Ambiente do estado alemão da Baixa Saxônia, no noroeste do país, concedeu a autorização oficial para a Advanced Nuclear Fuels (ANF), subsidiária da empresa francesa Framatome, produzir barras de combustível nuclear de padrão soviético na cidade de Lingen, em cooperação com o grupo estatal russo TVEL/Rosatom.
Em março de 2022 – poucas semanas depois de a Rússia ter iniciado sua invasão em larga escala da Ucrânia –, a ANF havia solicitado autorização para produzir barras de combustível para abastecer usinas nucleares no mercado do Leste Europeu, utilizando licenças e tecnologia russas em uma joint venture com empresas russas.
Apesar das preocupações políticas relacionadas à guerra na Ucrânia, a secretaria do Meio Ambiente concedeu a aprovação necessária, sujeita a certas condições, com orientação do Ministério do Meio Ambiente em Berlim.
Rosatom não é alvo de sanções da UE
A secretaria do Meio Ambiente da Baixa Saxônia aprovou o projeto, apesar de o titular da pasta, Christian Meyer, ter dito que "negociações e estreita cooperação com a agência nuclear de [Vladimir] Putin são totalmente equivocadas". Meyer, no entanto, afirmou que o órgão "não tinha possibilidade legal de rejeitar ou impor um prazo ao pedido" uma vez que não existem sanções contra a Rosatom.
A Rosatom foi isenta das sucessivas rodadas de sanções da União Europeia (UE) impostas contra a Rússia após a invasão da Ucrânia, dada a falta de alternativas no setor de energia nuclear civil.
Países que faziam parte da esfera de influência da antiga União Soviética, assim como a Finlândia, possuem usinas nucleares projetadas durante o regime soviético que ainda dependem de combustível compatível com esses reatores.
A Rússia também controla uma grande parcela do fornecimento global de urânio graças às suas reservas e aos seus interesses nas ex-repúblicas soviéticas, como o Cazaquistão.
Um porta-voz do Ministério alemão do Meio Ambiente afirmou que, embora o governo em Berlim tenha uma visão crítica da cooperação com uma empresa estatal russa, a decisão foi tomada de acordo com as leis nucleares relevantes da Alemanha.
"O instrumento apropriado para lidar com isso, no entanto, não é a legislação nuclear, mas sim sanções em toda a UE, incluindo aquelas no setor nuclear", disse o Ministério em nota. "Até o momento, porém, a maioria dos Estados-membros não apoiou tais sanções. Portanto, continuamos a defender fortemente as sanções da UE contra a Rússia no setor nuclear", acrescentou.
A Framatome comemorou a aprovação do projeto. "Esta decisão fortalece a segurança energética europeia, apoia a soberania industrial e reafirma nosso compromisso de fornecer soluções de abastecimento de combustível seguras e diversificadas para operadores nucleares em toda a Europa", disse a empresa, em comunicado.
Salvaguardas
A empresa francesa de peças para reatores nucleares argumentou que a colaboração é uma etapa provisória para ajudar os clientes que operam reatores projetados na Rússia a diversificar suas compras, reduzindo a dependência de fornecedores russos diretos, até que desenvolvam sua própria tecnologia de produção.
O pedido de autorização foi alvo de intenso escrutínio por parte das autoridades alemãs, inclusive devido a preocupações relacionadas à segurança e a possíveis atos de sabotagem. A licença agora concedida inclui uma série de exgências para mitigar esses riscos, incluindo a proibição de entrada nas instalações para funcionários da TVEL ou da Rosatom, bem como auditorias de segurança externas de equipamentos e barras de combustível provenientes da Rússia.
Até o momento, não há um consenso na UE sobre a extensão das sanções impostas contra a Rússia ao setor de energia nuclear, mas a Alemanha trabalha nesse sentido, disse um porta-voz do Ministério alemão.
Críticas na Alemanha
O presidente da Comissão Parlamentar de Controle de Serviços de Inteligência (PKGr) do Bundestag, Marc Henrichmann, criticou duramente a cooperação com a estatal russa. "A influência do setor nuclear russo na UE continua sendo um grande problema que devemos combater resolutamente", disse o político da União Democrata Cristã (CDU), partido do chanceler federal Friedrich Merz.
Henrichmann alertou para os riscos de segurança. "Embora a liderança russa tenha se distanciado da comunidade pacífica de nações com o início de sua guerra de agressão [na Ucrânia], ela ainda tenta manter o controle de elementos-chave em nossa infraestrutura crítica, como o setor energético, por meios indiretos", disse o parlamentar. "Devemos reconhecer esses desenvolvimentos desde o início e combatê-los decisivamente."
"Em vez de a matriz francesa Framatome formar uma joint venture com a empresa estatal russa, nossos amigos franceses deveriam procurar outros produtores", criticou Henrichmann. Ele apontou que, por exemplo, as usinas nucleares ucranianas já recebem elementos combustíveis dos EUA há algum tempo, a fim de reduzir sua dependência da Rússia.
A organização ambiental alemã Bund anunciou uma ação judicial contra o projeto em Lingen. "A cooperação com a Rosatom representa um risco incalculável para a segurança interna e externa", alertou a diretora-geral da entidade, Verena Graichen, acrescentando que o governo alemão tem a obrigação de "proteger os interesses de segurança da Alemanha".
rc (AFP, Reuters)
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| Short teaser | Empresa francesa produzirá combustível nuclear em parceria com estatal russa. Críticos alertam para riscos de segurança. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemanha-aprova-controverso-projeto-nuclear-com-participação-russa/a-78077770?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Unidade da Framatome em Lingen, no norte da Alemanha | ||
| Image source | Friso Gentsch/dpa/picture alliance | ||
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| Item 32 | |||
| Id | 78056043 | ||
| Date | 2026-07-21 | ||
| Title | O legado de Orides Fontela para a literatura brasileira | ||
| Short title | O legado de Orides Fontela para a literatura brasileira | ||
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Autora de cinco livros, poeta ganha homenagem da Flip e reedição da obra. Para críticos, sua poesia é marcada pela concisão dos versos e pelo caráter filosófico. Dias antes de morrer, em 2 de novembro de 1998, Orides Fontela ligou para Davi Arrigucci Jr. Os dois eram amigos desde São João da Boa Vista, a 218 km de São Paulo, onde ela nasceu. De Campos do Jordão, onde estava internada em um sanatório para pacientes com tuberculose, a poeta avisou que estava mal de saúde e que, dessa vez, não escaparia. Do outro lado da linha, o crítico procurou tranquilizá-la: "Fique bem. Não se preocupe. Sua poesia sobrevive". Davi Arrigucci Jr. tinha razão. Quase 28 anos depois, a poesia de Orides Fontela sobrevive. Prova disso é o relançamento de sua obra completa pela Hedra. Além dos cinco livros que ela escreveu, a editora vai publicar três títulos: uma nova edição da biografia O Enigma Orides, de Gustavo de Castro, que registrou o episódio acima, o infantil Pelos Olhos de Orides e o volume Conversas: Escritos e Entrevistas de Orides Fontela. "Embora dialogue com diferentes tradições da poesia moderna, Orides transforma essas influências em linguagem própria", afirma Suzana Salama, editora da Hedra. "Cada livro amplia e ressignifica o anterior. Sua poesia organiza-se como uma espiral: imagens como o pássaro, a estrela e o espelho, entre outras, retornam continuamente, mas, a cada reaparição, adquirem novos significados. É uma das vozes mais originais da poesia brasileira contemporânea". Outra demonstração da permanência de sua poesia é a 24ª edição da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece entre os dias 22 e 26 de julho. Ao longo dos cinco dias de programação, a obra de Orides Fontela, a homenageada da vez, será debatida através de saraus, mesas-redondas e da conferência de abertura "Entra Furtivamente a Luz", com direito a introdução do crítico Augusto Massi e performance da poeta Marília Garcia. "A poesia de Orides é muito singular. Sua concisão era magistral. Criar imagens fortes com poucos versos, dizer mais com menos palavras, é o sonho de nove entre dez poetas", analisa Rita Palmeira, curadora da Flip. "Num tempo em que se costumava circunscrever a escrita feminina a certos temas e formas, Orides cria poemas que alargam esse universo. Contribuiu para as poetas que vieram depois escrever sobre qualquer assunto e do modo como preferissem." Estrela solitária da poesia brasileiraFilha de um marceneiro e de uma dona de casa, Orides de Lourdes Teixeira Fontela nasceu no dia 21 de abril de 1940, em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. "Minha mãe leu isso [Orides] numa revista. Achou bonito e lascou em mim", contou ela no programa Jô Onze e Meia, em 1996. Já o livro O Enigma Orides conta outra versão: "Álvaro escolheu o nome Orides, corruptela de Eurídice, desejoso de que ela fosse 'forte e vitoriosa'". "A poesia de Orides é simultaneamente delicada e brutal: 'A lucidez / alucina'", define a poeta Nathaly Ferreira Alves, citando a epígrafe do livro Teia (1996). "Gostaria de destacar, entre outras contribuições para a literatura brasileira, a concisão como estratégia poética de extrair o máximo do mínimo. Ela dizia muito com pouco. Os poemas de Orides Fontela criam um universo próprio. Sua obra é única no cenário nacional." Quando tinha sete anos, Orides foi matriculada no Grupo Escolar Joaquim José, atual Escola Estadual Coronel Joaquim José, em sua cidade natal. Um ano depois, um professor leu o poema O Navio Negreiro (1880), de Castro Alves, em sala de aula. "Que horror, Meu Deus, que sofrimento!", bradou a aluna, aos prantos. Com o passar dos anos, descobriu outros poetas: Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto... "Orides foi uma estrela solitária", define a poeta Viviana Bosi. "Se Orides recebeu o reconhecimento que merecia? Sim e não. Recebeu de grandes críticos, como Davi Arrigucci Jr., Antônio Candido e Augusto Massi. Todos escreveram sobre ela em vida e ajudaram a editar e divulgar sua obra. Por outro lado, como, aliás, costuma acontecer, são poucos os leitores de poesia, sobretudo quando publicada em editoras menores. Sua obra foi restrita aos amantes do gênero." "Orides tem uma dicção poética muito própria. Seus versos são dotados de enorme controle rítmico e formal", acrescenta o filósofo Henrique Estrada Rodrigues. "O grande público também não ficou alheio à sua vida e obra. Me lembro de uma entrevista com ela no programa do Jô. Na década de 1990, ele tinha enorme audiência e ajudou muita gente a se consagrar. Isso não tornou Orides Fontela sucesso de público: mas qual poeta o foi alguma vez?", indaga. Poesia filosófica ou filosofia poética?Davi Arrigucci Jr. tinha 21 anos quando leu no jornal O Município, de São João da Boa Vista, um poema de Orides intitulado Elegia. "Magistral", exclamou ele. Logo, escolheu três poemas da autora – Elegia, Meada e Destruição – e os levou para São Paulo, onde cursava Letras na Universidade de São Paulo (USP). Lá, mostrou os versos, entre outros críticos, para Antonio Candido e Décio de Almeida Prado. "Parcimônia opulência", descreveu Candido. Em 1966, Orides trocou o interior pela capital. Em São Paulo, morou em incontáveis endereços. Um deles: Rua Dr. Cesário Mota Júnior, 565 / 66, onde viveu por 12 anos e que chamava carinhosamente de "ninho". Outro: o apartamento 51 da Casa do Estudante, na USP. Dos muitos endereços em que morou, pelo menos dois pegaram fogo. Um em 1981, outro em 1988. Em um deles, a carta que recebeu de Drummond foi consumida pelas chamas. Entre 1969, data de sua estreia literária, e 1996, quando publicou seu último livro, Orides Fontela escreveu cinco livros: Transposição (1969), Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986) e Teia (1996). Ganhou dois prêmios – o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (CBL), por Alba, e o APCA, da Associação Paulista de Críticos de Arte, por Teia – e três traduções: para o inglês, o francês e o catalão. Por ocasião do lançamento de Teia, Orides concedeu algumas poucas entrevistas. Duas delas foram para a TV: o programa Fantástico, da TV Globo, e o talk-show Jô Onze e Meia, do SBT. "A vida de mulher brasileira pobre não é mole!", declarou à repórter Helena de Grammont. "O Covas é que vai me enterrar na cova!", arrematou ao humorista Jô Soares, em referência ao então governador de São Paulo, Mário Covas. "Tive só um contato pessoal com ela, no lançamento do meu livro na coleção Claro Enigma, em 1989. Orides bebeu demais e terminou agredindo as pessoas. São histórias que, na hora, pareciam engraçadas, mas que, na verdade, são profundamente trágicas", recorda o poeta Paulo Henriques Britto. "Tinha um talento poético imenso, mas também uma vocação incontornável para a autodestruição. Infelizmente, essa combinação está longe de ser rara em poetas." Além de poeta, Orides foi professora e filósofa. Como professora, formou-se no Instituto de Educação Coronel Cristiano Osório de Oliveira, lecionou na Escola Estadual Professora Marisa de Mello e se aposentou em 1989. "Precisava ter uma profissão. Por isso, fui dar aulas. Mas nunca tive paciência para aguentar meus alunos", declarou, em 1993. Como filósofa, graduou-se pela USP. Gostava dos alemães Immanuel Kant e Martin Heidegger. "A poesia de Orides inaugura uma forma híbrida entre pensamento poético e impulso filosófico. Como a coruja de um de seus poemas, ela capturava materiais poéticos nos textos filosóficos que lia", destaca a filósofa Patrícia Lavelle. "Certa vez, Orides, implacável e insolente, levantou o dedo e, diante da turma, corrigiu o erro de um professor de filosofia da USP que confundiu dois conceitos de Kant. Um de seus poemas mais conhecidos, aliás, é Kant (relido)". A autointitulada poeta mais pobre do BrasilOrides inspirou dois documentários: A Um Passo do Pássaro (2000), de Ivan Marques, e Orides – Onde Ninguém Mais (2018), de David Ribeiro. O primeiro apresenta relatos do crítico Davi Arrigucci Jr., do poeta Alcides Villaça e da filósofa Olgário Matos. "Como assim 'administrar a existência'? Pobre não administra a existência. Pobre sobrevive. A gente faz o que pode, e a poesia acontece quando quer", afirma a poeta de 7,5 graus de miopia em um olho e 8,25 em outro. "Sua poética congregou inclinação filosófica, espiritualismo estoico e condensação poética com um máximo domínio da linguagem", observa o poeta Alcides Villaça. "Orides nunca teve dúvida quanto ao valor de sua poesia. Vivendo em estado de grande carência econômica, apesar de não lhe faltar quem a amparasse em muitos momentos, ela também se ressentia de uma insaciável voracidade de afeto e costumava cobrar justamente de quem mais lhe valesse…" Já o segundo reúne depoimentos, entre outros, do biógrafo Gustavo de Castro, da amiga Gerda Schröeder e do editor Luís Fernando Emediato. As atrizes Luana Beatriz Costa e Anna Cláudia Zanetti se revezam no papel de Orides adolescente e adulta. O documentário foi produzido pela UNIFAE, centro universitário que guarda, desde 2016, as cinzas da poeta, além de objetos pessoais dela, como a máquina de escrever (Olivetti Studio 45) e a cadeira de balanço. "O que mais me chamou a atenção foi sua real intensidade. Na obra, ela conseguiu discursar sobre mistérios universais com apenas três linhas. Na vida, viveu intensamente, da maneira que pôde, com o dinheiro que teve, e, assim ainda, produziu muito", analisa o diretor e roteirista David Ribeiro. "A cena mais forte do documentário foi a despedida dela. Filmamos em um teatro vazio, que simulava um necrotério. Foram dias intensos, com muita emoção e tristeza." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Autora de cinco livros, poeta ganha homenagem da Flip e reedição da obra. | ||
| Author | André Bernardo | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-legado-de-orides-fontela-para-a-literatura-brasileira/a-78056043?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 33 | |||
| Id | 78042676 | ||
| Date | 2026-07-21 | ||
| Title | O que está por trás da alta de falências na Alemanha | ||
| Short title | O que está por trás da alta de falências na Alemanha | ||
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Insolvências empresariais na Alemanha atingem o maior nível em duas décadas. Especialistas divergem sobre as causas: ajuste de mercado pós-pandemia ou sinal de uma fraqueza estrutural da economia.Quão ruim está realmente a situação da economia alemã? Um dos indicadores mais utilizados para medir isso é o número de insolvências empresariais, cujas manchetes são preocupantes para o país.
Em junho, a taxa de insolvência entre sociedades de pessoas e sociedades de capital na Alemanha foi 80% maior do que a média registrada em junho entre 2016 e 2019, ou seja, antes da pandemia de coronavírus. É o que mostra um estudo do Instituto Leibniz de Pesquisa Econômica de Halle (IWH).
Empresas individuais, profissionais liberais e pequenos negócios ficam fora dessas estatísticas porque têm impacto limitado no mercado de trabalho.
Na Alemanha, as sociedades de pessoas e sociedades de capital respondem por cerca de 90% dos empregos afetados por insolvências e por 95% dos créditos envolvidos nesses processos. Esses tipos societários correspondem, de forma aproximada, às sociedades simples e às sociedades empresárias brasileiras, como LTDA e S.A., embora a estrutura alemã seja mais rígida na separação entre modelos baseados em pessoas e em capital.
Segundo Steffen Müller, diretor da área de pesquisa sobre insolvências do IWH, o número de falências empresariais no segundo trimestre de 2026 atingiu o nível mais alto dos últimos vinte anos. A notícia não é surpreendente, já que, nos últimos trimestres, um número crescente de empresas tem entrado em falência. O Departamento Federal de Estatística da Alemanha (Destatis) já havia indicado em março que o número de empresas quebradas atingira um recorde.
A economia alemã vem enfrentando dificuldades há anos. E a recuperação inicialmente prevista para este ano provavelmente resultará apenas em um crescimento fraco. Isso combina com as notícias de empresas que estão cortando postos de trabalho. A Volkswagen afirma que até 100 mil empregos podem desaparecer nos próximos anos. A fornecedora automotiva ZF pretende eliminar 14 mil vagas até 2028. Já a Bosch deverá cortar mais de 20 mil postos somente na Alemanha até 2030.
E não parece ser apenas o setor automotivo que sofre. Em maio, a taxa de desemprego na Alemanha teve maior alta desde outubro de 2024, e chegou a 6,3%, com 2,9 milhões de desempregados. Em junho, os empregos na indústria caíram para seu menor nível em uma década.
Depois que mais de 100 mil empregos industriais foram perdidos no ano passado, outros até 100 mil postos deverão ser eliminados na indústria em 2026, tanto entre montadoras quanto nos setores de engenharia mecânica e construção civil, segundo um estudo da consultoria Horváth.
Ajuste de mercado ou fraqueza estrutural do crescimento?
A questão é: estamos vivendo um ajuste de mercado ou uma fraqueza estrutural do crescimento econômico?
As insolvências também podem ter efeitos positivos. Quando empresas improdutivas deixam o mercado, mão de obra, capital e conhecimento ficam disponíveis para setores mais produtivos da economia. Assim surge crescimento, segundo o princípio da "destruição criativa" do economista Joseph Schumpeter.
Se as pessoas que perdem seus empregos devido a uma insolvência encontrarem rapidamente trabalho em outro lugar, isso apontaria mais para um ajuste de mercado. De fato, a taxa de desemprego vem aumentando apenas lentamente.
Número de novas empresas traz esperança
Além das insolvências, também é importante observar o número de novas empresas criadas, afirma Jutta Rüdlin. "Empresas jovens entram em insolvência com frequência acima da média, e houve um aumento nas aberturas em comparação com o ano anterior."
Rüdlin é membro da diretoria da Associação Profissional dos Administradores e Supervisores de Insolvência da Alemanha (VID). Segundo o Departamento Federal de Estatística, no primeiro trimestre de 2026 foram abertas mais de 10% a mais de empresas do que no mesmo período do ano anterior.
"Há muitos anos observamos um aumento das startups orientadas ao crescimento", diz Müller. "Essa é uma boa notícia. Muitas atuam na área de inteligência artificial, e isso certamente é um sinal de esperança." Isso indicaria que a economia está passando por uma espécie de transformação estrutural.
Motivos para as insolvências são diversos
Por outro lado, observa-se que não são apenas determinados setores os mais atingidos. "Há cerca de um ano e meio, houve relativamente muitas insolvências de grande porte na indústria", afirma Müller. Agora a situação é diferente: desta vez, a tendência atinge todos os setores. Isso, por sua vez, aponta para uma fraqueza estrutural.
Mesmo assim, os setores da construção e da habitação estão particularmente afetados devido à mudança na política de juros. Na gastronomia, o aumento do salário mínimo pesa sobre os negócios; para empresas de alta intensidade energética, o problema é a alta dos preços da energia. Já o comércio sofre com a mudança nos hábitos de consumo dos consumidores.
Na maioria dos casos, porém, não existe uma única causa para a insolvência, acrescenta Rüdlin. Empresas saudáveis demonstraram, no passado, ser relativamente resilientes a choques externos. Um evento como a guerra no Irã atuaria como um catalisador para empresas que já enfrentavam dificuldades estruturais, afirma ela. Entre elas, modelos de negócios ultrapassados, decisões empresariais tomadas tarde demais ou transformações que deixaram de ser realizadas.
Efeitos tardios da pandemia ainda são visíveis
Outro fator que aponta mais para um ajuste de mercado são os efeitos tardios da pandemia de coronavírus. Durante a pandemia, muitas empresas receberam auxílios que agora precisam ser devolvidos. Entre elas estavam negócios que talvez não tivessem conseguido sobreviver mesmo em condições normais de mercado.
Por isso, ainda é preciso contar com efeitos remanescentes da época da pandemia, acredita Rüdlin. A especialista em insolvências considera que atualmente há uma sobreposição entre ajuste de mercado e fraqueza estrutural.
O pesquisador do IWH, Steffen Müller, avalia a situação de forma sistêmica. "Acredito que isso seja mais do que apenas um ajuste de mercado. Trata-se realmente de uma questão sobre a direção para a qual a economia alemã vai se orientar no futuro."
Segundo ele, a situação das insolvências encontra-se em uma zona de alerta. "Ainda não chegamos a um ponto em que existam efeitos de contágio em massa ou em que bancos possam enfrentar dificuldades graves. Mas, ainda assim, estamos passando por uma forte transformação estrutural."
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| Short teaser | Insolvências empresariais na Alemanha atingem o maior nível em duas décadas. Especialistas divergem sobre as causas. | ||
| Author | Insa Wrede | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-que-está-por-trás-da-alta-de-falências-na-alemanha/a-78042676?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Empresas vivem crise na Alemanha, mas país também vê aumento de novos negócios | ||
| Image source | MICHAEL BIHLMAYER/CHROMORANGE/picture alliance / | ||
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| Item 34 | |||
| Id | 78042310 | ||
| Date | 2026-07-20 | ||
| Title | O que Donald Trump ganhou com a Copa do Mundo nos EUA | ||
| Short title | O que Donald Trump ganhou com a Copa do Mundo nos EUA | ||
| Teaser |
Da pressão sobre a FIFA à busca por holofotes na final, presidente americano usou torneio para reforçar sua agenda doméstica, atraindo críticas de analistas e torcedores. Rodri, como qualquer pessoa que já jogou futebol, havia sonhado com esse momento. O capitão da Espanha segurava a taça da Copa do Mundo nas mãos, cercado por companheiros de equipe em festa. Mas, antes de poder erguer o troféu, precisou encontrar uma maneira educada de tirar do palco o presidente dos EUA, Donald Trump. Ele não conseguiu totalmente. No fim, foi preciso que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, corresse para a frente dos jogadores na tentativa de fazer o americano sair. Ainda assim, o presidente permaneceu ao lado do meio-campista do Barcelona Pedri, desfrutando da adulação que lhe havia sido negada momentos antes, quando entrou em campo sob vaias. Trump já havia feito movimento similar na entrega do troféu da Copa do Mundo de Clubes, no ano passado. Embora a final deste domingo (19/07), na qual a Espanha venceu a Argentina por 1 a 0, tenha sido a primeira partida do torneio à qual Trump compareceu, ele afirmou que a Copa em território americano foi "o evento esportivo de maior sucesso talvez da história do mundo". O presidente foi uma presença constante no torneio, mesmo quando estava ausente. "Trump lançou uma sombra sobre todo o torneio, usando-o como instrumento para fins políticos domésticos, independentemente de ter comparecido pessoalmente aos jogos ou não", disse à DW Jules Boykoff, professor do Departamento de Política e Governo da Pacific University, no estado americano do Oregon. A intervenção de TrumpAs intervenções de Trump impediram a entrada nos Estados Unidos de um árbitro da Somália, forçaram o Irã a treinar no México e viajar para partidas em Los Angeles e Seattle, e barraram torcedores de todo o mundo de assistirem aos jogos. Além disso, segundo Boykoff, a ligação telefônica de Trump para a Fifa durante a fase eliminatória "certamente entrará para a história como uma das intervenções políticas mais notórias da história das Copas do Mundo". Embora Trump tenha feito lobby com sucesso para reverter a suspensão por cartão vermelho do atacante americano Folarin Balogun, a estratégia teve efeito contrário em campo: os Estados Unidos perderam por 4 a 1 para uma Bélgica motivada nas oitavas de final. "Eu sabia que isso causaria muita controvérsia", disse Balogun. "Quase conseguia perceber um pouco de nervosismo entre meus companheiros porque era algo tão único." Para Boykoff, as implicações esportivas provavelmente não estavam entre as principais preocupações de Trump. "Intervir na questão do cartão vermelho permitiu que ele transmitisse à sua base política a mensagem de que pode fazer com que organismos internacionais como a Fifa se curvem à sua vontade", disse Boykoff, que jogou nas categorias de base dos Estados Unidos. "A maioria das ações de Trump durante a Copa do Mundo deve ser interpretada como uma tentativa de influenciar o público político doméstico antes de uma importante eleição de meio de mandato, e não como um esforço para convencer o público internacional de que ele é um cara incrível." Trump insistiu que o torneio melhorou a reputação internacional dos Estados Unidos. "Pessoas do mundo inteiro vieram e adoram nosso país", disse ele aos jornalistas. A ligação sobre Balogun foi um erro para Trump?As eleições americanas de meio de mandato estão marcadas para 3 de novembro e, com a guerra no Irã em andamento, o índice de aprovação de Trump está abaixo de 40%. Embora uma espécie de "pressão" sobre uma organização global como a Fifa possa agradar à base que ele já conquistou, o jornalista investigativo Karim Zidan disse à DW que a intervenção no caso Balogun foi um erro político. "Acho que, ao se vangloriar disso, quando a seleção masculina dos Estados Unidos lhe oferecia a oportunidade de apoiar uma equipe que parecia unir os americanos, ele conseguiu encontrar uma maneira de manchar isso, e aqueles que não gostam dele passaram a gostar dele ainda menos", disse Zidan, que há muito tempo cobre o uso do esporte por Trump na política. Essa intervenção política direta e sem precedentes em uma decisão do futebol provocou desprezo e indignação em grande parte do restante do mundo. Políticos, federações de futebol, torcedores e treinadores se uniram em críticas. Mas isso não incomodará Trump, afirmou Boykoff. "Com base em suas ações, Trump não parece se importar muito com o que o resto do mundo pensa dele. Suas políticas anti-imigração mancharam a Copa do Mundo e enfraqueceram o slogan da Fifa de que 'o futebol une o mundo'. Trump usou o torneio para aumentar ainda mais as divisões no mundo, ao mesmo tempo em que estimulava os piores instintos de sua base antes das eleições de meio de mandato", disse. Moldar o esporte como estratégia dos EUAO episódio envolvendo Balogun foi a primeira participação realmente relevante de Trump no torneio e ocorreu mais de três semanas após seu início. Dada sua presença constante na preparação para a competição, esperava-se que suas intervenções viessem mais cedo. Para Zidan, a situação geopolítica vinha ocupando seu tempo, assim como as celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos durante o torneio. "Tudo o que realmente interessa a ele é transformar isso em algo sobre si mesmo ou obter algum tipo de prestígio pessoal com o evento", disse Zidan. "Por isso, não me surpreende em nada que ele não tenha estado muito presente nos jogos comuns da Copa do Mundo." Apesar de seu aparente desinteresse, Trump fez uma investida para futuras Copas do Mundo imediatamente após o fim do torneio de 2026. "Tive uma ótima ideia para Gianni: vocês têm que fazer com dois países. Anunciem os Estados Unidos novamente da próxima vez e depois anunciem outro país. Isso diminuirá parte da raiva e do choque", disse à Fox Sports. "Com base nos números, vamos nos candidatar de novo, imediatamente." A data mais próxima em que os Estados Unidos poderiam voltar a sediar a Copa do Mundo masculina seria 2038, mas Los Angeles sediará os Jogos Olímpicos de Verão em 2028, quando Trump ainda estará no poder. Os Estados Unidos ainda sediarão os Jogos Olímpicos de Inverno de 2034 em Salt Lake City e são os favoritos para receber a Copa do Mundo Feminina de 2031. UFC é um refúgio esportivo seguro para TrumpZidan acredita que Trump primeiro retornará à segurança do Ultimate Fighting Championship (UFC), organização de artes marciais mistas que ele conseguiu incluir nas celebrações do 250º aniversário dos Estados Unidos. "Sempre que apareceu em um evento esportivo que não era do UFC, recebeu vaias retumbantes. Não é a enorme recepção calorosa que está acostumado a receber no UFC", disse Zidan, cujo livro mais recente, The Ultimate Strongmen (sem tradução no Brasil), aborda a relação de Trump com o UFC. "É por isso que ele aparece lá com tanta frequência, porque sediou um evento do UFC na Casa Branca. Ele entende que aquele é seu público perfeito e seu espaço seguro e que, não importa quão mal esteja se saindo, não importa o que esteja fazendo no mundo, não importa se há uma guerra em andamento, ele será bem-recebido." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. 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| Short teaser | Da pressão sobre a FIFA à busca por holofotes, pamericano usou torneio para reforçar sua agenda doméstica. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-que-donald-trump-ganhou-com-a-copa-do-mundo-nos-eua/a-78042310?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 35 | |||
| Id | 78038998 | ||
| Date | 2026-07-20 | ||
| Title | Imprensa internacional destaca vitória da Espanha e critica postura argentina | ||
| Short title | Imprensa internacional critica postura da Argentina na final | ||
| Teaser |
Jornais destacaram superioridade dos espanhóis e criticaram comportamento argentino durante e após jogo. "A Espanha vence a Copa do Mundo em um triunfo do futebol sobre a brutalidade argentina", apontou jornal britânicoA imprensa internacional repercutiu a vitória da Espanha na final da Copa do Mundo no último domingo (19/07), destacando a superioridade dos europeus na partida, encarando ainda com reprovação o comportamento da seleção argentina na disputa.
Com 20 chutes ao gol contra 3 da Argentina e quase 70% de posse de bola, o domínio de jogo espanhol foi mencionado por diferentes veículos, enquanto o comportamento argentino, considerado agressivo, foi fortemente criticado.
O diário esportivo espanhol Marca escreveu: "Reis do mundo mais uma vez. Ferran Torres, autor de um gol monumental, entra para o Hall da Fama”. O veículo também criticou a postura Argentina ao final da partida.
"Alguns gestos foram indignos. Especialmente um deles, jamais visto na história do futebol, e que provocou um descrédito da seleção argentina em escala mundial que será muito difícil de apagar: todos os jogadores da Albiceleste viraram as costas para a seleção espanhola enquanto os espanhóis erguiam aos céus o troféu conquistado com mérito", avaliou.
Já o esportivo As comparou a vitória com a final do mundial de 2010. "Como da primeira vez. Um gol de Ferran Torres aos 106 minutos garantiu o segundo título mundial da história da Espanha", escreveu em referência à final entre Espanha e Holanda, onde os espanhóis venceram também com um gol na prorrogação.
Na imprensa britânica o tom crítico também prevaleceu. "De qualquer ponto de vista futebolístico e, segundo alguns, também moral, este foi o resultado correto", constatou a emissora britânica BBC.
O jornal The Guardian destacou o baixo desempenho da equipe sul-americana, mencionando o que chamou de "táticas cínicas”. "A Argentina condenou a si mesma pela falta de ambição, mesmo antes da expulsão de Enzo Fernández nos momentos finais da prorrogação. É surpreendente registrar que a equipe não deu um único chute ao gol até os 115 minutos", afirmou o jornal.
O The Telegraph sumarizou: "A Espanha vence a Copa do Mundo em um triunfo do futebol sobre a brutalidade argentina". Acrescentando ao fim que "qualquer outro resultado teria parecido um crime”.
O italiano Gazzetta dello Sport também não poupou críticas à tática argentina. "Espanha. Tinha que ser a Espanha. Estava escrito que seria a Espanha. Apenas a Espanha poderia vencer esta final, porque, se a Argentina tivesse vencido, teria sido um insulto ao futebol. Um triunfo belo, manchado apenas por um adversário que decidiu não jogar. Espanha magnífica, Argentina feia."
O tabloide alemão Bild criticou a falta de iniciativa ofensiva da Argentina e afirmou que "no aspecto futebolístico, a final decepcionou muito”, enquanto a revista Focus refletiu sobre a postura dos sul-americanos na final, especialmente sobre as agressões do argentino Leandro Paredes contra dois jogadores da Espanha quando a partida já havia terminado.
"Talvez tudo tenha sido uma demonstração de impotência diante do futebol espanhol, frio e baseado na posse de bola, mas isso não justifica de forma alguma que os argentinos sejam maus perdedores”, avaliou a Focus.
"A Argentina perde a final da Copa do Mundo – e, então, perde completamente a compostura. Leandro Paredes perde a cabeça e prova que os argentinos sabem perder ainda pior do que sabem ganhar. Pois, por mais divertido que tenha sido acompanhar esta seleção argentina e suas vitórias emocionantes no mata-mata, ela não mereceu verdadeiramente os triunfos. Repetidamente, cenas deploráveis ocorrem em partidas envolvendo a Albiceleste — tanto durante quanto depois dos jogos", completou a publicação.
O francês L'Equipe destacou a fraca atuação argentina "que só finalizou pela primeira vez ao gol aos 117 minutos”, enquanto o americano The Athletic analisou o desempenho de Lionel Messi na final. "Aos 39 anos, Messi fez sua atuação mais discreta no torneio, com apenas um toque na bola nos primeiros 15 minutos. O ritmo truncado da partida foi ainda mais acentuado pelo show do intervalo de 27 minutos”, escreveu.
Argentinos destacam entrega dos jogadores
Já os jornais argentinos optaram por destacar a entrega dos jogadores durante a partida, apesar de reconhecerem a superioridade esportiva do adversário.
O diário esportivo Olé escreveu que "a Argentina deu tudo de si e caiu de cabeça erguida: a Espanha é a merecida campeã mundial de 2026".
O La Capital exaltou a equipe argentina e optou por destacar a demora da Espanha em abrir o placar. "A Argentina deu tudo, até a última gota de sangue, a última centelha de coragem e o último resquício de futebol que lhe restava, e perdeu pela menor diferença possível na prorrogação, com apenas dez jogadores, para uma equipe espanhola que, embora claramente superior, não teve coragem de decidir o jogo antes”.
Já o Clarín mencionou o papel de Lionel Messi, que aos 39 anos liderou a equipe até uma segunda final consecutiva de Copas do Mundo. "O capitão argentino está sentado no gramado, resignado, mas certamente orgulhoso por ter chegado a mais uma decisão em sua última Copa”, escreveu.
O Página 12 foi mais crítico e considerou a partida argentina "muito ruim”. Segundo o veículo, a Argentina se salvou graças a uma grande atuação do goleiro Emiliano Martínez.
jr (dpa, efe, afp, dw)
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| Short teaser | Jornais destacaram a superioridade dos espanhóis na partida e criticaram a atuação argentina. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/imprensa-internacional-destaca-vitória-da-espanha-e-critica-postura-argentina/a-78038998?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Jogador argentino Leandro Paredes chuta o espanhol Eric Garcia | ||
| Image source | Marco Bader/HMB Media/picture alliance | ||
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| Item 36 | |||
| Id | 78034782 | ||
| Date | 2026-07-20 | ||
| Title | O que fica da maior Copa do Mundo da história? | ||
| Short title | O que fica da maior Copa do Mundo da história? | ||
| Teaser |
Com recorde de seleções, torneio também ficou marcado por polêmicas pausas, preços exorbitantes e uma intervenção de Donald Trump. Mas também teve algumas surpresas positivas. Na Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, o futebol teve dificuldades para se impor. Decisões controversas da Fifa, excesso de entretenimento e uma final em que apenas uma equipe pareceu competir em alto nível: a Espanha, que venceu com mérito esta Copa do mundo inchada com um total de 104 partidas. Assim, pela primeira vez, as seleções masculina e feminina de um mesmo país são campeãs mundiais ao mesmo tempo. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, classificou o torneio como "o maior evento humano, social e cultural já vivido pela humanidade". O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também elogiou a competição, chamando-a de "o evento mais bem-sucedido de todos os tempos".
Como o público encarou a maior Copa da história?Os temores de estádios vazios, especialmente nos Estados Unidos, onde o futebol não é o esporte mais popular, não se confirmaram. Antes mesmo das quartas de final, mais de 6,25 milhões de torcedores já haviam passado pelos estádios dos três países-sede, um recorde para a competição. Os números, porém, não surpreendem, já que foi a primeira vez que a Copa teve 104 partidas, em vez das 64 disputadas nas edições anteriores. A média de público ficou em torno de 65 mil espectadores por jogo, com ocupação de 99,7% dos assentos disponíveis, de acordo com a Fifa. Apesar disso, em algumas partidas da fase de grupos foi possível observar setores com cadeiras vazias. Pausas para hidratação geram críticasEntre as novidades do torneio estiveram as pausas para hidratação, que foram alvo de críticas por parte dos torcedores. A maioria dos técnicos, porém, aprovou as interrupções ou, pelo menos, não se queixou delas. Uma exceção foi o uruguaio Marcelo Bielsa. O então treinador afirmou que a mudança alterava a essência do jogo. "Disputar quatro tempos em vez de dois modifica a ideia culturalmente construída que se tem do futebol", afirmou. "Essas pausas não acrescentam nada ao jogo e tiram muita coisa dele." As surpresas da CopaA grande sensação do torneio foi Cabo Verde. Em sua estreia em Copas do Mundo, o país africano arrancou um empate sem gols da campeã Espanha e só foi eliminado na segunda fase, após perder para a então campeã Argentina na prorrogação. A República Democrática do Congo empatou com Portugal de Cristiano Ronaldo. O Paraguai eliminou a Alemanha na segunda fase. Já Curaçao, o menor participante da competição, fez história ao marcar seu primeiro gol em Copas justamente contra os alemães e conquistar também seu primeiro ponto no torneio ao empatar com o Equador. Vexames do Brasil e da AlemanhaA Copa do Mundo de 2026 terminou de forma melancólica para a Seleção Brasileira. Após uma campanha irregular, o Brasil foi eliminado nas oitavas de final ao ser derrotado por 2 a 1 pela Noruega, encerrando precocemente o sonho do hexacampeonato. A derrota marcou a pior campanha da equipe desde o Mundial de 1990, mantendo ainda um tabu de fracassos contra adversários europeus em confrontos eliminatórios desde a conquista do pentacampeonato, em 2002. A Alemanha também viveu um Mundial decepcionante em 2026. Apesar de liderar seu grupo e chamar atenção ao aplicar uma goleada por 7 a 1 sobre Curaçao na fase inicial, a equipe alemã foi surpreendida pelo Paraguai na primeira fase do mata-mata. Após empate por 1 a 1, os tetracampeões mundiais foram derrotados por 4 a 3 nos pênaltis, encerrando pela terceira vez consecutiva sua participação de maneira precoce desde o título de 2014. Copa das despedidasA Copa do Mundo de 2026 marcou uma série de despedidas de veteranos. Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Manuel Neuer e Neymar disputaram pela última vez o principal torneio da modalidade, Campeão mundial pela Argentina em 2022, Messi deixou os gramados como o jogador com mais partidas na história das Copas. Cristiano Ronaldo, por sua vez, ampliou uma marca inédita ao se tornar o primeiro jogador a marcar gols em seis edições diferentes da Copa do Mundo. Já Neuer fez sua última Copa pela Alemanha, após conquistar o título de campeão em 2014. Pelo Brasil, Neymar se despediu após sua quarta participação em Copas, fechando uma trajetória de oito gols no torneio e consolidado como o maior artilheiro da história da seleção brasileira. Preços altos dentro e fora dos estádiosA Copa foi um evento caro para os torcedores. Ingressos, hospedagem, estacionamento e passagens aéreas pesaram no bolso. Os preços praticados dentro dos estádios provocaram críticas adicionais. Nos Estados Unidos, um copo de cerveja chegou a custar até US$ 20 (cerca de R$ 102), uma porção de batatas fritas, mais de US$ 15 (R$ 76) e uma garrafa de água perto de US$ 7 (R$ 35). Também no México os preços ficaram muito acima do habitual. No estádio Azteca, palco da abertura do torneio, uma cerveja custava o equivalente a cerca de US$ 15 (R$ 76), quase o valor do salário mínimo diário legal do país. Os ingressos também estiveram entre os principais alvos de críticas. Na venda oficial ao público, os preços variaram de US$ 140 (R$ 715) a US$ 2.735 (R$ 14.000) para partidas da fase de grupos, valores muito superiores aos registrados na Copa do Mundo de 2022, no Catar. Às vésperas da decisão houve forte oscilação nos preços. No site oficial de revenda da Fifa, ingressos para a final que vinham sendo anunciados por dezenas de milhares de dólares chegaram a ser vendidos por US$ 2.334,50 (R$ 12.000) poucas horas antes da partida. Na manhã do jogo, porém, a Fifa ainda oferecia entradas pelo valor de tabela de US$ 10.990 (R$ 56.000). A disparidade entre os preços oficiais e os valores praticados na revenda alimentou críticas sobre a política comercial da Fifa e o custo crescente de acompanhar a Copa do Mundo presencialmente. Qual foi o papel de Donald Trump?Antes do torneio, havia receio de que Donald Trump transformasse a Copa numa plataforma para sua agenda política. O presidente dos EUA havia apresentado o evento diversas vezes como um de seus projetos de prestígio. Durante a competição, porém, manteve perfil relativamente discreto e apareceu no estádio apenas na final. Mesmo assim, esteve no centro do maior escândalo do torneio. Após a expulsão do atacante americano Folarin Balogun, Trump teria intercedido junto ao presidente da Fifa para que a suspensão fosse revista. O jogador acabou liberado para atuar nas oitavas de final contra a Bélgica, mas os Estados Unidos foram eliminados após derrota por 4 a 1. "O atual presidente da Fifa se submeteu a Donald Trump", afirmou o ex-presidente da entidade Joseph Blatter. Como foi a segurança na Copa?A guerra no Oriente Médio e episódios de violência no México alimentaram preocupações antes da Copa. Nos Estados Unidos e no Canadá, a maioria dos jogos ocorreu sem maiores problemas. No México, porém, ocorreram diversos incidentes. Torcedores invadiram uma fan fest já lotada em Guadalajara. Após uma vitória da seleção mexicana, um carro avançou contra uma multidão que comemorava nas ruas. Além disso, várias pessoas morreram durante celebrações na Cidade do México. Outro caso controverso envolveu o árbitro somali Omar Artan, que teve sua entrada nos Estados Unidos negada apesar de possuir visto válido. As autoridades alegaram preocupações de segurança relacionadas a supostos vínculos com uma organização terrorista na Somália. Mesmo impedido de participar do torneio, ele teria pelo menos recebido integralmente a remuneração prevista pela Fifa. Críticas sobre direitos humanosMuitas organizações de defesa dos direitos humanos fizeram uma avaliação extremamente negativa da Fifa. "Esta Copa do Mundo ocorreu tendo como pano de fundo a política repressiva do governo dos Estados Unidos contra os imigrantes", afirmou, por exemplo, Minky Worden, da Human Rights Watch. Segundo ela, a Fifa falhou em exigir que o governo norte-americano respeitasse os próprios padrões de direitos humanos da entidade. Por isso, não se poderia falar da suposta "Copa mais inclusiva da história". "A Fifa prometeu que todos poderiam se sentir seguros. A realidade é outra. O ICE, por exemplo, dobrou o número de prisões", declarou Daniel Noroña, da seção norte-americana da Anistia Internacional. Ronan Evain, da associação de torcedores Football Supporters Europe, também criticou a falta de transparência na concessão de vistos para torcedores, especialmente os vindos de países fora da Europa. "Nossas observações revelaram pouca ou nenhuma evidência de que portadores de ingressos da África e da Ásia tenham efetivamente obtido vistos para entrar nos Estados Unidos", afirmou Evain. E agora?Para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, uma nova ampliação da Copa do Mundo, de 48 para 64 seleções, é concebível. Nesse caso, o número de partidas passaria das atuais 104 para 128. "Esse é, sem dúvida, um tema que será analisado após esta Copa do Mundo e discutido nos órgãos competentes", disse o suíço à emissora Blue Sport. Apesar das fortes críticas dirigidas a Infantino, sua posição à frente da Fifa não parece ameaçada. Pelo contrário: mais jogos significam mais receitas, que podem ser distribuídas às federações nacionais filiadas. No próximo ano, a expectativa é que Infantino seja reconduzido ao cargo pela terceira vez. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. 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| Short teaser | Torneio teve recorde de seleções, preços exorbitantes e uma intervenção de Trump. Além de algumas surpresas positivas | ||
| Author | Thomas Klein | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-que-fica-da-maior-copa-do-mundo-da-história/a-78034782?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=O%20que%20fica%20da%20maior%20Copa%20do%20Mundo%20da%20hist%C3%B3ria%3F | ||
| Item 37 | |||
| Id | 78034513 | ||
| Date | 2026-07-20 | ||
| Title | Mesmo com derrota, Milei quer feriado em homenagem à seleção argentina | ||
| Short title | Mesmo com derrota, Milei quer feriado para seleção argentina | ||
| Teaser |
Presidente argentino comunicou intenção após a conquista do título pela Espanha. Expectativa é que celebração pelo vice-campeonato ocorra na terça. Assessor de Milei diz que "quem fala mal da seleção é antiargentino".Após a derrota da Argentina para a Espanha na final da Copa, o presidente argentino, Javier Milei, anunciou no domingo (19/07) que pretende decretar um feriado nacional para que os torcedores do país possam comemorar com os jogadores.
"Diante do interesse em relação às celebrações pela conquista da seleção argentina, informo ao público que, dependendo do dia em que os jogadores e a comissão técnica decidirem comemorar, esse dia será declarado feriado nacional", escreveu Milei em sua conta na rede X, cerca de duas horas após a derrota da Argentina por 1 a 0 frente aos espanhóis.
Antes do anúncio, Milei também publicou uma mensagem agradecendo aos jogadores. "Muito obrigado, Jogadores...!!! Até o final com as botas calçadas. Argentina sempre no topo", escreveu também na rede X.
O anúncio do feriado gerou piadas na rede, com alguns usuários levantando a possibilidade de a mensagem ter sido programada de antemão e ter ficado desatualizada diante do resultado da partida. No entanto, segundo o jornal argentino Clarín, a expectativa é que a celebração ocorra na terça-feira, após o retorno da seleção ao país.
A previsão é que a equipe vice-campeã comandada por Lionel Scaloni chegue na tarde de segunda-feira a Buenos Aires.
Um assessor presidencial de Milei, Santiago Caputo, também sinalizou o interesse do Poder Executivo em manter celebrações para a seleção nacional. "Quem fala mal da seleção é antiargentino. Amanhã, todos devem vestir a camisa", publicou ele em sua conta no X.
O governo já ordenou a remoção das pedras em homenagem às vítimas da Covid — que haviam sido colocadas na Plaza de Mayo — em antecipação a uma possível concentração de torcedores que viriam saudar as estrelas da seleção.
No domingo, após a partida em que a Espanha se sagrou campeã graças a um gol de Ferran Torres na prorrogação, dezenas de milhares de argentinos foram às ruas em todo o país para demonstrar apoio e gratidão à equipe por ter chegado à final e ficado tão perto de conquistar o bicampeonato.
No entanto, também foram registradas brigas em Buenos Aires e 15 pessoas foram detidas. também foram registrados incidentes no vizinho Brasil, com torcedores se envolvendo em confusões no Rio de Janeiro e algumas cidades de Santa Catarina.
Dias antes, Milei havia oferecido a Casa Rosada — sede do governo argentino — como local para a equipe celebrar na sacada presidencial, caso conquistassem o título mundial.
O presidente também informou que a Secretaria-Geral da Presidência, liderada por Karina Milei, e a Casa Militar trabalhavam em uma operação para viabilizar as celebrações, enquanto o Ministério da Segurança e as forças federais começavam a elaborar um plano de segurança especial para o eventual retorno da delegação.
Como parte desses preparativos, a Associação de Futebol Argentino (AFA) anunciou no sábado a suspensão de todas as partidas agendadas para segunda e terça-feira nas diversas divisões do futebol argentino, priorizando o retorno da seleção nacional.
Há quatro anos, após a vitória na Copa do Mundo de 2022, no Catar, quase cinco milhões de pessoas foram às ruas de Buenos Aires e arredores para dar as boas-vindas à seleção. A multidão acabou forçando o cancelamento do desfile em carro aberto planejado, e os jogadores completaram o trajeto a bordo de helicópteros que sobrevoaram o centro da capital argentina.
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Jps (EFE, ots)
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| Short teaser | Presidente argentino comunicou intenção após derrota para a Espanha. Expectativa é que celebração ocorra na terça. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/mesmo-com-derrota-milei-quer-feriado-em-homenagem-à-seleção-argentina/a-78034513?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | "Argentina sempre no topo", escreveu Milei após a derrota para a Espanha | ||
| Image source | Cristobal Basaure Araya/SOPA Images/ZUMA/picture alliance | ||
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| Item 38 | |||
| Id | 49654877 | ||
| Date | 2026-07-20 | ||
| Title | Atentado contra Hitler completa 82 anos | ||
| Short title | Atentado contra Hitler completa 82 anos | ||
| Teaser |
Em 20 de julho de 1944, o coronel Stauffenberg plantou uma bomba no quartel-general de Hitler. Tentativa de matar o ditador fracassou, e conspiradores só ganharam status de heróis muito depois do fim da guerra.Às 12h42 de 20 de julho de 1944, uma bomba explodiu no barracão de reuniões do quartel-general Wolfsschanze, do Exército nazista, na Prússia Oriental. Depositada pelo conde Claus Schenk von Stauffenberg, coronel da Wehrmacht, sua finalidade era matar o ditador Adolf Hitler.
Antes um fervoroso nazista, agora, após cinco anos de Segunda Guerra Mundial, com a Alemanha perdendo visivelmente, Stauffenberg não via alternativa: "Então não há mais nada a fazer além de matá-lo", dissera alguns dias antes a seus confidentes mais próximos.
Stauffenberg não apenas foi o autor do atentado como também o principal organizador de uma tentativa de golpe em ampla escala por parte de círculos conservadores, que incluíam militares de alta patente – vários de origem nobre –, diplomatas e funcionários administrativos.
O oficial deixou a sala pouco antes de a bomba detonar, e do lado de fora viu a explosão. Ao voar para Berlim pouco depois, acreditava que Hitler estava morto.
Na capital, se iniciava a Operação Valquíria, originalmente um plano da Wehrmacht (Forças Armadas nazistas) para suprimir uma possível revolta. Os conspiradores, espalhados por toda parte em postos decisivos do aparato estatal, pretendiam transformar a operação num golpe.
Fim sumário da tentativa de golpe
Mas Hitler escapou com uns poucos ferimentos leves. A pesada mesa de carvalho e as janelas da sala, escancaradas devido ao calor do verão, desviaram a pressão da explosão. Mesmo assim, no entanto, o golpe não estaria descartado se os envolvidos tivessem executado sem desvios a Operação Valquíria.
Mas houve atrasos, contratempos e planejamento deficiente. Além disso, sob a enorme pressão de serem descobertos, alguns dos membros ficaram passivos ou até mesmo trocaram de lado. À noite, já estava claro que a tentativa de golpe fracassara. Hitler se dirigiu à população pelo rádio, evocando a "providência" que o salvara.
Stauffenberg e vários outros conspiradores foram presos e fuzilados no mesmo dia. Outros foram descobertos mais tarde. No total, foram executados cerca de 200 membros da resistência.
Para o historiador Wolfgang Benz, a principal razão para o fracasso foi "nenhum dos famosos comandantes do Exército" da época, como o general Erwin Rommel, ter aderido diretamente à operação: "Pelo menos um deles deveria ter assumido a liderança, então o povo diria: 'Ah, o Rommel também considera o Hitler um criminoso.'"
Apesar disso, o 20 de julho de 1944 se tornou um forte símbolo da resistência contra Hitler. Henning von Tresckow, co-conspirador de Stauffenberg, chegara à conclusão, alguns dias antes, de que o fator decisivo não era o êxito, "mas que o movimento de resistência alemão ousou fazer a jogada decisiva, perante o mundo e a história, pondo a própria vida em risco".
Culto discutível?
A celebração do atentado teve sua própria história: até muito depois da guerra, os autores eram considerados traidores. Inicialmente negou-se uma pensão à viúva de Stauffenberg. Mais tarde os conspiradores ganharam o status oficial de heróis: são numerosas as ruas, escolas e quartéis com seus nomes; bandeiras são hasteadas diante de prédios públicos no 20 de Julho.
No aniversário do atentado, realizam-se cerimônias de juramento dos recrutas da Bundeswehr. Para os militares da Alemanha democrática, os membros da resistência liderados pelo ex-oficial da Wehrmacht Stauffenberg são figuras de identificação.
Mas sempre houve vozes críticas a esse culto. O biógrafo de Stauffenberg, Thomas Karlauf, ressalta que o grupo só passou a agir em meados de 1944, logo após o desembarque dos aliados na Normandia. Mas, por volta de 1940, após as rápidas vitórias militares sobre a Polônia e a França, Stauffenberg ainda se referia às conquistas com entusiasmo: "Que transformação, em prazo tão curto!"
Para ele e outros homens de resistência militar, houve um "caminho muito, muito longo até a catarse", diz Benz, acrescentando: "O Holocausto não lhes interessava de forma alguma." Diante da iminente derrota militar, pretendia-se, através de um golpe de Estado, "salvar o que podia ser salvo" para a Alemanha.
Stauffenberg não foi o único
Segundo o também historiador Johannes Hürter, Stauffenberg não era um democrata e imaginava uma forma autoritária de governo para a Alemanha caso o atentado tivesse sido bem-sucedido.
Benz é menos severo: "De qualquer modo, a Alemanha teria voltado a ser um Estado de Direito, mas uma democracia nos nossos moldes, como estabelecido na Lei Fundamental [Constituição] alemã, não era a visão dos conspiradores do 20 de Julho."
Controvérsias à parte, quando se trata da resistência ao nacional-socialismo, muitos alemães pensam, em primeira linha, nesse episódio, com o conde Claus Schenk von Stauffenberg como figura de proa do movimento.
Mas houve outras ações, como a quase bem-sucedida tentativa do artesão Georg Elser, em 1939, de matar Hitler com uma bomba caseira na cervejaria Bürgerbräukeller, em Munique, onde o ditador discursava; ou a distribuição de panfletos pelo grupo de resistência antinazista Rosa Branca.
Mais tarde, tais ações ficaram injustamente na sombra da "resistência tardia, para não dizer atrasada, das elites conservadoras", como Benz define o atentado de 20 de julho de 1944.
Certo é que muitos outros heróis e heroínas se ergueram contra o terror do regime: judeus, comunistas, eclesiásticos, artistas, ativistas. E certamente também gente que resistiu de forma silenciosa, quase invisível, e cujas ações hoje caíram no esquecimento.
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| Short teaser | Tentativa de matar o ditador fracassou, e conspiradores só ganharam status de heróis muito depois do fim da guerra. | ||
| Author | Christoph Hasselbach | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/atentado-contra-hitler-completa-82-anos/a-49654877?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Pesada mesa de carvalho e janelas abertas amorteceram explosão na sala de reuniões de Hitler | ||
| Image source | picture-alliance/dpa/H. Hoffmann | ||
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| Item 39 | |||
| Id | 78026616 | ||
| Date | 2026-07-19 | ||
| Title | O que fazem pastores evangélicos em um festival de heavy metal | ||
| Short title | O que fazem pastores evangélicos em um festival de metal | ||
| Teaser |
Conselheiros da igreja luterana estarão disponíveis para conversar com fãs que necessitarem de aconselhamento espiritual durante o Wacken, maior festival de heavy metal do mundo. Oferta inclui culto com show de metal.A Igreja Evangélica Luterana do Norte da Alemanha (Nordkirche) voltará a oferecer atendimento pastoral durante a edição deste ano do festival Wacken Open Air, de 29 de julho a 1º de agosto de 2026.
Trinta conselheiros estarão disponíveis para conversar, orientar e oferecer apoio aos fãs de heavy metal que buscarem aconselhamento, conforme anunciou a Nordkirche.
O evento ao ar livre, realizado anualmente na pequena cidade de Wacken, no distrito de Steinburg, é considerado o maior festival de heavy metal do mundo e atrai cerca de 80 mil metaleiros.
A capelania evangélica do festival é organizada pela área de juventude da Nordkirche há 15 anos. A equipe inclui pedagogos, psicoterapeutas, conselheiros diversos, diáconos e pastores.
Os capelães estarão instalados numa tenda ao lado do posto de primeiros socorros da Cruz Vermelha Alemã.
Haverá também um segundo ponto de atendimento num ônibus escolar americano adaptado, localizado na parte norte da área de camping, além de uma tenda na chamada Wheel of Steel Area.
Centenas de atendimentos
Equipes formadas por duas pessoas da capelania do festival circularão pelo local usando coletes azul-claro facilmente identificáveis. O serviço é aberto a todos.
"Às vezes tudo é demais, muito barulho, muita gente, solidão na multidão. Às vezes os problemas já existem e surgem inesperadamente. Em outras vezes as situações difíceis aparecem de repente", diz a pastora Katharina Schunck.
"Não importa o tamanho das preocupações, conversar ajuda, e estamos aqui, ouvindo e apoiando, abertos a todos, 24 horas por dia", acrescentou.
"A maioria das conversas gira em torno de estar presente e apoiar as pessoas na busca de soluções adequadas para o momento, para que possam retornar à experiência do festival sentindo-se mais fortes e continuar celebrando", afirmou.
Segundo ela, a equipe pastoral realizou cerca de 320 atendimentos e conversas com participantes do festival no ano passado.
Igreja do Metal
Já a Igreja do Metal é uma tradição que acontece na quarta-feira da semana do festival. Este ano, em 29 de julho haverá novamente um culto de metal às 16h30 na igreja de Wacken, seguido por uma apresentação da banda austríaca Visions of Atlantis.
Durante os dias do festival, a igreja permanecerá aberta ao público na quinta-feira (das 14h às 19h), na sexta-feira (das 10h às 19h) e no sábado (das 10h às 19h), oferecendo mais um espaço para quem quiser se afastar um pouco da agitação. No ano passado, cerca de mil pessoas utilizaram a oferta.
as (EPD, DPA, ots)
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| Short teaser | Igreja luterana oferece aconselhamento espiritual a fãs no Wacken, maior festival de heavy metal do mundo. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-que-fazem-pastores-evangélicos-em-um-festival-de-heavy-metal/a-78026616?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Realizado na Alemanha, o Wacken Open atrai cerca de 80 mil metaleiros | ||
| Image source | Axel Heimken/dpa/picture alliance | ||
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| Item 40 | |||
| Id | 78025383 | ||
| Date | 2026-07-19 | ||
| Title | Inglaterra derrota França e fica com terceiro lugar na Copa | ||
| Short title | Inglaterra derrota França e fica com terceiro lugar na Copa | ||
| Teaser |
Numa partida eletrizante de dez gols, seleção inglesa derrota franceses por 6 a 4. Mbappé marca duas vezes e é o novo artilheiro das Copas, com 22 gols.Num jogo eletrizante, a Inglaterra conquistou um suado terceiro lugar na Copa do Mundo neste sábado (18/07), em Miami, ao derrotar a França por 6 a 4.
A partida de dez gols teve ainda um recorde de Pelé sendo quebrado por Michael Olise e Kylian Mbappé assumindo o posto de maior artilheiro de todos os tempos do torneio e também da atual edição.
A Inglaterra nunca havia terminado uma Copa do Mundo na terceira posição e finalizou assim sua melhor campanha desde 1966, quando foi campeã jogando em casa. Nas duas vezes em que disputou o terceiro lugar do pódio, foi a quarta colocada em 2018, ao perder por 2 a 0 para a Bélgica, na Rússia, e também em 1990, quando acabou sendo superada por 2 a 1 pela seleção anfitriã na Itália.
Declan Rice, Ezri Konsa e Bukayo Saka, duas vezes, marcaram no primeiro tempo, que terminou com o placar de 4 a 0 para os ingleses. Depois do intervalo, a França reagiu com Mbappé, Barcola e outro do camisa 10.
A Inglaterra respirou quando Saka completou um hat-trick em cobrança de pênalti, mas Ousmane Dembélé marcou outro gol para dar gás à reação francesa, que foi interrompida com um golaço de Jude Bellingham nos acréscimos.
Mbappé é maior artilheiro em Copas
Apesar da amarga derrota na última partida de Didier Deschamps como técnico da França, Mbappé encerrou sua participação nesta Copa do Mundo no auge, como o maior artilheiro de todos os tempos do torneio, com 22 gols, um a mais que Lionel Messi, que disputará a final no domingo, contra a Espanha.
O atacante francês também se tornou o artilheiro isolado desta edição, com dez gols, distanciando-se do argentino, que soma oito e aparece na segunda posição da lista.
Olise, um dos protagonistas da França nesta Copa do Mundo e autor de dois passes para gol neste sábado, chegou a sete assistências no torneio, superando o recorde que até então pertencia a Pelé, que distribuiu seis na edição de 1970, no México, quando o Brasil se tornou tricampeão mundial.
O maior goleador da partida, Saka se tornou o quarto jogador a marcar três gols num único jogo nesta edição da Copa do Mundo, após Messi (contra a Argélia), o canadense Jonathan David (contra o Catar) e Dembélé (contra a Noruega).
Chuva de gols
Logo aos 2min de jogo no estádio Estádio Hard Rock, Declan Rice aproveitou passe errado de Doué, avançou sozinho e surpreendeu Maignam ao chutar de longe para abrir o placar. Aos 17min, Rice cobrou escanteio e Konsa cabeceou para ampliar.
Diante de uma França apática, a Inglaterra chegou ao terceiro aos 36min, após Saka tentar e Rashford aproveitar a sobra para devolver ao companheiro, que apenas empurrou para o gol. Saka ainda completaria a goleada no primeiro tempo aos 45min, ao receber de Eze e chutar no canto do goleiro adversário.
Com diversas mudanças em todos os setores, a França voltou do intervalo com outra postura e, assim como a Inglaterra, marcou aos 2min, com assistência de Olise para Mbappé. Aos 8min, Mbappé serviu para Barcola fazer o segundo da seleção francesa.
Mbappé marcou outro aos 20min, novamente assistido por Olise, para se tornar o maior artilheiro da história da Copa do Mundo, com 22 gols. O empate quase aconteceu pouco depois, mas Olise desperdiçou chance clara ao receber de Dembélé na área.
A Inglaterra conseguiu frear momentaneamente a reação francesa aos 41min, em pênalti de Malo Gusto sobre Djed Spence. Baka cobrou com perfeição para ampliar, mas a França marcou aos 50min, com Dembélé, acrescentando pressão no fim.
Aos 52min, Bellingham trouxe alívio aos ingleses e deu números finais à partida com um golaço ao passar por diversos adversários em jogada individual na área.
as (Efe, OTS)
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| Short teaser | Numa partida eletrizante de dez gols, seleção inglesa derrota franceses por 6 a 4. Mbappé é o novo artilheiro das Copas. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/inglaterra-derrota-frança-e-fica-com-terceiro-lugar-na-copa/a-78025383?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Bellingham festeja o gol que fechou o placar em Miami | ||
| Image source | Paul Childs/REUTERS | ||
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| Item 41 | |||
| Id | 77980925 | ||
| Date | 2026-07-16 | ||
| Title | Angola e Moçambique ainda não ratificaram Acordo Ortográfico | ||
| Short title | Angola e Moçambique ainda não ratificaram Acordo Ortográfico | ||
| Teaser |
Enquanto Portugal e Brasil já aplicam as regras de forma plena, os dois maiores países de língua portuguesa na África alegam especificidades locais e custos para não adotá-las.Angola e Moçambique são os únicos Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que ainda não ratificaram o Acordo Ortográfico de 1990, apesar de terem integrado o grupo signatário do documento, assinado em Lisboa em 16 de dezembro de 1990.
No caso de Angola, o documento não foi aprovado nem em Conselho de Ministros nem ratificado pelo Parlamento.
A recusa formal para ratificar o documento tem sido justificada pelo governo angolano e pela Academia Angolana de Letras por o texto ignorar especificidades do português falado em Angola e sua interação com as línguas nacionais (como as línguas bantas), bem como a ausência de um vocabulário ortográfico comum.
Em Moçambique alega-se o peso das línguas nacionais e os custos da implementação, motivos invocados desde a aprovação no Conselho de Ministros, em 2012, poucos meses antes de o país africano assumir a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O documento não foi ainda ratificado pelo parlamento.
Demais países
No caso da Guiné-Bissau, o acordo foi ratificado em 2009, mas nunca foi posto em prática. Embora o português seja a língua oficial, é em crioulo que os guineenses se entendem e nas mais de 30 línguas regionais que compõem o mosaico étnico cultural do país. De acordo com os dados mais recentes divulgados pelo governo, menos de 5% da população fala português.
Em contraste com essa realidade, em Cabo Verde e em São Tomé e Príncipe o Acordo Ortográfico está em vigor. O próximo ano letivo em São Tomé e Príncipe marca até uma nova etapa, com a entrada prevista do acordo no sistema educacional nacional.
Já Cabo Verde ratificou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em 2006, após assinar o texto original em 1990 e os protocolos modificativos na Cidade da Praia em 1998. Em outubro de 2015, Cabo Verde tornou sua aplicação obrigatória em todos os documentos oficiais, no sistema educacional e na comunicação social.
Portugal e Brasil lideraram o processo de transição e já aplicam o Acordo Ortográfico de 1990 de forma plena, exclusiva e obrigatória.
as/le (Lusa, ots)
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| Short teaser | Dois maiores países da língua portuguesa na África alegam especificidades locais e custos para não adotá-lo. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/angola-e-moçambique-ainda-não-ratificaram-acordo-ortográfico/a-77980925?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Adoção do Acordo Ortográfico diverge muito entre os países da CPLP | ||
| Image source | Djariatú Baldé/DW | ||
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| Item 42 | |||
| Id | 77973074 | ||
| Date | 2026-07-15 | ||
| Title | Quem é quem em "A Odisseia", um dos filmes mais esperados do ano | ||
| Short title | Quem é quem em "A Odisseia", épico de Christopher Nolan | ||
| Teaser |
Filme inspirado em uma das maiores obras da literatura ocidental retrata a jornada mítica de Odisseu de volta para casa após vencer a guerra de Troia. Superprodução tem diversas estrelas de Hollywood. Um dos filmes mais esperados do ano, A Odisseia, de Christopher Nolan, estreia no Brasil nesta quinta-feira (16/07), levando às telonas a jornada mítica de Odisseu de volta para casa após vencer a guerra de Troia. A superprodução de duas horas e 52 minutos conta com um elenco abarrotado de estrelas de Hollywood e foi inteiramente produzida para exibição em cinemas Imax, que oferecem uma experiência mais imersiva e de altíssima resolução, com uma tela que cobre todo o campo de visão, dando ao espectador a sensação de quase ser levado para dentro do filme. Matt Damon, que encarna Odisseu, definiu o herói do épico assim: "Ele é definitivamente complicado, e definitivamente toma decisões que nem sempre são certas, o que o torna muito falho e muito humano". Nolan vê semelhanças entre Odisseu e Oppenheimer, um dos pais da bomba atômica, que inspirou o filme homônimo que rendeu vários Oscars ao diretor em 2024. Os dois eram, segundo ele, pessoas que carregavam "a culpa de ter deslocado o eixo do mundo". "Alguém que mudou o mundo, e não para melhor", disse. Quem nunca leu "A Odisseia", de Homero, não precisa se preocupar: a releitura do clássico grego por Nolan visa tornar a história — uma das maiores do cânone literário da civilização ocidental — acessível e relevante para o público moderno. Para ajudar você a se situar no filme, aqui vai um guia rápido de quem é quem em A Odisseia. Odisseu (Matt Damon)O protagonista do épico é Odisseu, rei da ilha de Ítaca e mente por trás do Cavalo de Troia, truque engenhoso que encerrou a guerra. A história é sobre sua longa jornada de volta para casa, para recuperar seu reino e reencontrar a esposa, Penélope, e o filho, Telêmaco, que deixou ainda bebê. "Ele é um protagonista muito complexo, o que eu adoro, e Chris [Nolan] revela como e por quê do jeito dele. Muita coisa fica clara no final do filme, o que explica muito do comportamento dele no começo", disse Damon. "Para uma história tão grandiosa, é maravilhoso ter um personagem tão humano no centro. Ele certamente não é perfeito. E vive com as consequências de suas ações. Isso acaba ditando seu comportamento." Penélope (Anne Hathaway)Rainha de Ítaca, Penélope espera há 20 anos o retorno de Odisseu. Enquanto isso, mais de 100 homens vivem no palácio, consumindo sua comida e seu vinho, na esperança de que ela se case com um deles. A personagem enigmática, sobre a qual cada geração projeta suas próprias interpretações, gera debates há milhares de anos. "Ela é provavelmente a personagem mais conhecida que já interpretei. Mas só a conhecemos até onde conseguimos enxergá-la", disse Hathaway. "Eu não queria negar nada do que as pessoas já sentiram sobre Penélope — que ela é o retrato da modéstia, um exemplo de paciência e tudo mais. Mas um exemplo não é uma pessoa. Então pensei: tudo bem, vamos aceitar que é assim que o mundo a vê. Mas quem ela é quando ninguém está olhando?". Telêmaco (Tom Holland)Filho único de Odisseu, Telêmaco não vê o pai desde que era bebê. Já adulto e diante da crescente ameaça dos pretendentes que cortejam a mãe, ele inicia sua própria jornada em busca de informações sobre o pai desaparecido. Embora Telêmaco ainda não conheça o pai como homem adulto, Holland afirma haver "um verdadeiro sentimento de conexão" entre os dois ao longo do filme. As buscas pelo pai criam narrativas paralelas no filme, que Nolan descreve como uma mistura de uma jornada de "volta para casa" e de transição para a vida adulta. Antínoo (Robert Pattinson)Na obra original de Homero, 108 pretendentes disputam a mão de Penélope (e o trono de Ítaca), incluindo Antínoo, que no filme é o principal antagonista no reino. "A coisa em que ele [Pattinson] mais se concentrou foi a relação do personagem com Telêmaco. Ele vive dizendo a Telêmaco: 'Vou ser seu padrasto, vou ser seu pai'. Era uma base tão perturbadora e ao mesmo tempo divertida para construir um vilão", disse Nolan. "Adoro como Rob fundamentou isso em coisas do mundo real, em verdades sobre o personagem e sobre quem ele é, especialmente sua natureza covarde. Acho que a covardia é uma das coisas mais difíceis para atores, principalmente estrelas de cinema, interpretarem." Atena (Zendaya)Deusa da sabedoria, da estratégia e da guerra, além de filha de Zeus, Atena aparece a Odisseu em diversos momentos da história. "Eu pensava: 'como vou dar vida a uma deusa?'", disse Zendaya, rindo. "Mas acho que muito disso já estava presente na história e na maneira como ele a está contando. Acho que a narrativa traz um elemento mais humano para essa ideia de deusa e para o que ela representa para Odisseu. As lições que ela lhe ensina e o motivo de aparecer da forma e nos momentos em que aparece acabam servindo para orientá-lo durante algo muito difícil." Helena e Clitemnestra (Lupita Nyong'o)A vencedora do Oscar interpreta dois papéis: Helena, rainha de Esparta e esposa de Menelau, mulher cuja beleza teria provocado a guerra de Troia; e Clitemnestra, esposa do rei Agamenon e irmã de Helena. "Ele [Nolan] mencionou seu interesse em contar essa história sem fugir do custo da guerra, realmente investigando e explorando isso. Então, no caso de Helena, ela é conhecida por ser o motivo da guerra. Mas será que isso é mesmo verdade?", disse Nyong'o. "Como é a vida dela depois da guerra? Adoro que possamos ter um vislumbre disso e realmente enxergar o preço de tudo. A raiva, o ressentimento, a culpa, a vergonha, a decepção, a resistência diante de tudo isso." Menelau (Jon Bernthal)Rei de Esparta e marido de Helena. Ele conta a Telêmaco aquilo de que se recorda sobre Odisseu do tempo em que lutaram juntos na Guerra de Troia. Agamenon (Benny Safdie)Rei de Micenas, marido de Clitemnestra e comandante do exército grego durante a Guerra de Troia. Calipso (Charlize Theron)Ninfa da mitologia grega com quem Odisseu passa um longo período de sua jornada na ilha de Ogígia. Euríloco (Himesh Patel)Segundo no comando de Odisseu, está presente em muitos dos obstáculos enfrentados durante a jornada para Ítaca, da caverna do Ciclope ao submundo de Hades. Eumeu (John Leguizamo)Um criador de porcos de Ítaca que permanece leal a Odisseu mesmo quando muitos já desistiram de seu retorno. "Ele [Nolan] me disse que era a personagem mais leal da literatura ocidental", afirmou Leguizamo. "Pensei: 'Nossa, isso é uma grande responsabilidade'." No filme, Eumeu é quase cego, uma referência a Homero, que alguns historiadores acreditam ter sido cego. Circe (Samantha Morton)Uma poderosa feiticeira que encontra Odisseu e seus homens durante a viagem de volta para casa. Sínon (Elliot Page)Personagem da mitologia grega que aparece na Eneida, Sínon é um veterano da Guerra de Troia. Ciclope Polifemo (Bill Irwin)Filho de Poseidon, deus dos mares, o ciclope Polifemo também encontra Odisseu e seus homens durante sua jornada de volta para casa. Nolan e a designer de produção Ruth De Jong usaram como inspiração a pintura "Saturno Devorando Seu Filho", de Francisco Goya, mas foi o ator quem ajudou a dar alma ao personagem. "Não sabíamos exatamente como conseguiríamos fazer isso. Sabíamos que precisaríamos de todos os truques possíveis, desde animatrônicos até marionetes e computação gráfica. Mas eu sabia que precisava de um intérprete para nos ajudar a encontrar o design, a forma de viver e de se mover desse personagem", disse Nolan. "Ele não trata o Ciclope apenas como um monstro. E isso é algo que aprendi muito com o trabalho do meu amigo Guillermo del Toro ao longo dos anos. A principal lição do trabalho dele é que um monstro nunca é apenas um monstro." Melanto (Mia Goth)Uma serva da rainha Penélope. Polibo (Corey Hawkins)Um dos pretendentes de Penélope. ra/le (AP, AFP) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Filme inspirado em obra de Homero retrata a jornada mítica de Odisseu de volta para casa após vencer a guerra de Troia. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quem-é-quem-em-a-odisseia-um-dos-filmes-mais-esperados-do-ano/a-77973074?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Quem%20%C3%A9%20quem%20em%20%22A%20Odisseia%22%2C%20um%20dos%20filmes%20mais%20esperados%20do%20ano | ||
| Item 43 | |||
| Id | 77647317 | ||
| Date | 2026-06-21 | ||
| Title | Milhares de pessoas celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Short title | Milhares celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Teaser |
Com coroas de flores, 20 mil visitantes se dirigiram ao monumento milenar no Reino Unido para acompanhar o nascer do Sol do dia mais longo do ano no Hemisfério Norte.Uma multidão de mais de 20 mil pessoas se reuniu no início da manhã deste domingo (21/06) no milenar sítio arqueológico de Stonehenge, no Reino Unido, para ver o nascer do sol às 4h25 (0h25 em Brasília) no dia mais longo do ano no Hemisfério Norte, segundo a organização pública English Heritage, que administra monumentos históricos na Inglaterra.
Os visitantes, alguns usando coroas de flores, tocaram o monumento antigo e comemoraram quando o sol resplandecente surgiu no horizonte enevoado.
"Ao amanhecer do dia mais longo do ano, recebemos mais de 20.000 pessoas para celebrar juntas, com milhares de outras participando de todo o mundo por meio de nossa transmissão ao vivo", informou no domingo a English Heritage, organização que administra o sítio de Stonehenge.
Em 21 de junho, o Hemisfério Norte da Terra está inclinado ao máximo em direção ao Sol, resultando no dia mais longo do ano. O oposto ocorre no Hemisfério Sul, que tem seu dia mais longo em 21 de dezembro.
O círculo de pedras megalíticas pré-histórico situado na Planície de Salisbury, em Wiltshire (sudoeste da Inglaterra), parece ter sido construído há milhares anos para se alinhar com a trajetória do Sol nesses dias.
Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de pedras, que chegam a ter 5 metros de altura e a pesar quase 50 toneladas, localizada na Inglaterra, no condado de Wiltshire, na Planície de Salisbury.
Stonehenge é um dos monumentos pré-históricos mais famosos do mundo. Formado por enormes blocos de pedra organizados em círculos, ele foi construído ao longo de várias etapas entre aproximadamente 3000 a.C. e 2000 a.C.
Embora seu propósito exato ainda seja desconhecido, pesquisadores acreditam que Stonehenge tenha servido como local de cerimônias religiosas, espaço de sepultamento e até como observatório astronômico, devido ao seu alinhamento com o Sol durante os solstícios.
Algumas pedras pesam mais de 25 toneladas e parte delas foi transportada de regiões localizadas a centenas de quilômetros de distância. Por causa de sua importância histórica e cultural, Stonehenge foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1986.
Como funcionam as celebrações em Stonehenge?
A partir de 1978, o acesso do público a Stonehenge passou a ser restrito — os visitantes não podiam mais circular livremente entre as pedras —, em resposta a casos de vandalismo e ao aumento da erosão decorrentes do rápido crescimento do número de turistas.
As reuniões modernas por ocasião do solstício tiveram início já em meados do século 19, facilitadas pelo acesso ferroviário à cidade vizinha Salisbury.
Esses eventos, de caráter um tanto mais anárquico e espontâneo, chegaram a um fim violento em 1985, quando a polícia e um grupo de centenas de visitantes entraram em confronto no que ficou conhecido como a Batalha de Beanfield.
Enquanto a polícia tentava fazer cumprir uma liminar obtida pelas autoridades locais para impedir a passagem dos visitantes — inicialmente por meio de um bloqueio na estrada —, mais de 500 pessoas acabaram sendo presas.
Foi um dos maiores episódios de prisão em massa no Reino Unido depois Segunda Guerra Mundial.
A partir do ano 2000, a English Heritage passou a permitir o acesso controlado ao sítio de Stonehenge durante os dois solstícios — bem como nos equinócios de primavera e outono. Desde então, esses eventos ganharam popularidade.
Solstício de verão em meio a uma onda de calor
A celebração ocorreu enquanto o Reino Unido e grande parte da Europa permanece sob alertas de calor intenso.
No domingo, as temperaturas na região de Salisbury estavam comparativamente amenas para os padrões nacionais, com previsão de máximas de 29 °C.
Na França, no entanto, o governo proibiu o consumo de álcool em locais públicos durante as celebrações do Dia da Música, que marcam o solstício de verão. O evento inclui milhares de shows em praças de vilarejos, locais de música eletrônica e casas noturnas de Paris, reunindo comunidades e atraindo cada vez mais visitantes internacionais.
Ainda na França são esperadas máximas de 40 °C no domingo, com a segunda-feira provavelmente ainda mais quente, com serviços de emergência e as forças militares foram colocados em alerta contra incêndios florestais.
Há também previsão de temperaturas atingindo 37 °C em Roma e 39 °C em Madri na segunda-feira.
O Met Office britânico informou que o calor deve atingir um pico de cerca de 35°C na terça e na quarta-feira, o que gerou alertas meteorológicos, alertas de saúde e preocupações com as pessoas vulneráveis.
Os meteorologistas afirmaram que a próxima semana pode quebrar o recorde da temperatura mais alta já registrada em junho, de 35,6 °C, estabelecido em 1976 em Southampton.
jps (dpa, DW, ots)
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| Short teaser | Vinte mil visitantes se dirigiram ao monumento para acompanhar nascer do Sol do dia mais longo no Hemisfério Norte | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/milhares-de-pessoas-celebram-o-solstício-de-verão-em-stonehenge/a-77647317?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Alguns dos visitantes exibiram flores sobre a cabeça para celebrar o solstício em Stonehenge | ||
| Image source | Alberto Pezzali/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 44 | |||
| Id | 53832364 | ||
| Date | 2026-05-03 | ||
| Title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Short title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Teaser |
Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número de tropas americanas no país europeu. EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha e decisão pode marcar grande mudança na relação de defesa entre os dois países Em meio a uma troca de farpas entre os EUA e a Alemanha, o Pentágono anunciou nesta semana que pretende retirar 5 mil dos seus militares que estão atualmente baseados no país europeu. Segundo o anúncio, a retirada deve ser completada num período de 6 a 12 meses. No sábado (02/05), foi a vez de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a retirada pode ser ainda mais ampla. "Vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais do que 5.000", disse Trump a repórteres. O movimento de retirada ocorre após Trump se enfurecer com declarações críticas à condução da guerra do Irã feitas pelo chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na segunda-feira, Merz afirmou que os que os Estados Unidos estão sendo "humilhados" em sua guerra contra o Irã e que parece faltar a Washington uma estratégia clara no conflito. Um dia depois, Trump respondeu que o alemão "não tem ideia do que está falando". "Merz acha ok o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!", disse em um post na rede Truth Social. Logo depois, veio o anúncio de redução de tropas baseada na Alemanha. Como parte da decisão, um plano da era Joe Biden para enviar um batalhão americano com mísseis Tomahawk de longo alcance para a Alemanha também foi abandonado. Não é a primeira vez que Trump faz movimentos para reduzir a quantidade de tropas dos EUA na Alemanha. Em 2020, o republicano chegou a anunciar um plano ainda mais drástico de redução, mas a iniciativa foi abandonada após a derrota de Trump para Joe Biden no mesmo ano. Presença militar dos EUA na AlemanhaSegundo o Pentágono entre 34 mil e 36 mil soldados ocupam atualmente em caráter permanente as bases americanas em solo alemão. Se incluídas as unidades militares em rotação, o número pode chegar temporariamente a 50 mil. Além do contingente militar, cerca de 15 mil civis americanos trabalham para o Departamento de Defesa dos EUA na Alemanha. A República Federal da Alemanha tem sido parte vital da estratégia de defesa dos Estados Unidos na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial: durante dez anos as forças americanas integraram a ocupação dos Aliados no país. Embora o contingente tenha diminuído drasticamente desde então, nas décadas seguintes comunidades militares americanas se formaram em torno de diversas cidades, e os militares dos EUA ainda são uma presença importante no país. A importância estratégica da Alemanha para os EUA se reflete na localização do quartel-general do Comando Europeu dos EUA (Eucom) na cidade de Stuttgart, no sudoeste do país, que serve como estrutura de coordenação partes todas as forças militares americanas em 51 países, principalmente europeus. A missão da Eucom é proteger e defender os EUA, impedindo conflitos, apoiando parcerias como a Otan e combatendo ameaças transnacionais. Sob seu comando estão o Exército, as Forças Aéreas e o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA na Europa, todos com unidades na Alemanha. A Alemanha abriga a maior parte das tropas americanas na Europa. Só no Japão os EUA mantêm mais pessoal militar. No entanto os números na Alemanha vêm caindo nos últimos anos: dados do governo alemão mostram que desde 2006 o número de militares dos EUA baseados na Alemanha diminuiu em mais da metade, sendo que há 20 anos a cifra chegava a 72.400. Fuzileiros navais, soldados e aviadoresA Alemanha abriga cinco guarnições do Exército americano e o quartel-general do Exército dos EUA na Europa está sediado na guarnição de Wiesbaden, próximo a Frankfurt, no centro-oeste do país. Dados fornecidos pelas Forças Armadas dos EUA mostram que essas cinco guarnições, cada uma englobando várias bases em locais diferentes, compreendem atualmente cerca de 23 mil militares. Esse número inclui as Forças de Fuzileiros Navais da Europa e da África, com sede em Böblingen, sudoeste da Alemanha, como parte da Guarnição do Exército dos EUA em Stuttgart. Além disso, há cerca de 13 mil membros da Força Aérea dos EUA espalhados por vários locais na Alemanha, incluindo as duas bases aéreas americanas em Ramstein e Spangdahlem. Mais do que apenas soldadosComo as instalações militares dos EUA também empregam civis e militares por vezes podem levar suas famílias para o exterior, consideráveis comunidades de civis se formam em torno dessas instalações. Na verdade, algumas bases americanas na Alemanha, como a de Ramstein, são pequenas cidades autônomas, englobando não só quartéis, aeroportos, áreas para exercícios militares e depósitos de materiais, mas também seus próprios shoppings, escolas, serviços postais e força policial americanos. Em certos casos, a única moeda corrente é o dólar americano. Atualmente, a guarnição do Exército dos EUA na Baviera, com quartel-general em Grafenwöhr, perto da fronteira com a República Tcheca, é a maior base do Exército americano no exterior, tanto em número de militares quanto em superfície, espalhando-se por mais de 390 quilômetros quadrados. As bases também costumam empregar um número significativo de residentes e servem de impulso econômico às comunidades alemãs adjacentes, cujas empresas fornecem bens e serviços. O fechamento de instalações anteriores, como a guarnição do Exército em Bamberg em 2014, afetou a economia local, e muitos alemães que vivem perto de instalações militares americanas manifestam oposição a possíveis reduções de tropas. Porém a extensão da presença militar dos EUA na Alemanha não se limita ao pessoal: o país também mantém aviões em outras bases aéreas não americanas em solo alemão. Além disso, calcula-se que 20 ogivas nucleares sejam mantidas na Base Aérea de Büchel, no âmbito do Acordo de Compartilhamento Nuclear da Otan, fato que suscitou muitas críticas por parte dos alemães. A importância de RamsteinA Base Aérea de Ramstein, no estado alemão da Renânia-Palatinado, é a maior base militar americana fora do país. Ela serve como um centro logístico para tropas, equipamentos e cargas a caminho do Oriente Médio, África e Europa Oriental. Ramstein também é o quartel-general da Força Aérea dos EUA na Europa e serve como centro de comando da Otan para vigilância do espaço aéreo militar de todos os parceiros europeus. A base aérea também abriga uma estação de retransmissão de satélites, de grande importância para o destacamento de drones de combate americanos, por exemplo, no Oriente Médio. Como a curvatura da Terra não permite o controle direto de drones a partir dos EUA, os sinais são retransmitidos por satélite via Ramstein. A base também funciona como um centro médico, já que soldados feridos da Europa, África ou Oriente Médio são transportados de avião para Ramstein e tratados no Centro Médico Regional de Landstuhl, adjacente à base, o maior hospital militar americano fora dos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o hospital recebeu soldados americanos feridos em ataques do Irã a países do Golfo. Ambas as instalações fazem parte da Comunidade Militar de Kaiserslautern, que abrange dezenas de milhares de soldados americanos, funcionários civis e seus familiares. Spangdahlem, por sua vez, é a segunda maior base da Força Aérea dos EUA em solo alemão, fica a cerca de 120 quilômetros mais a noroeste. Ao contrário de Ramstein, Spangdahlem serve principalmente para missões operacionais de combate. Um esquadrão de caças composto por cerca de 20 jatos F-16 está estacionado na base, funcionando como uma força de reação rápida em tempos de crise. O esquadrão ajuda a proteger o flanco leste da Otan e é especializado em eliminar as defesas aéreas inimigas. Ocupação aliada do pós-guerra e seu legadoA presença militar dos EUA na Alemanha é um legado da ocupação aliada pós-Segunda Guerra Mundial, que durou de 1945 a 1955. Durante esse período, milhões de militares americanos, britânicos, franceses e soviéticos estiveram estacionados na Alemanha. A parte nordeste do país ficou sob controle soviético, tornando-se oficialmente a República Democrática Alemã (RDA) em outubro de 1949. Na parte ocidental, a ocupação foi regulamentada pelo Estatuto da Ocupação, assinado em abril de 1949, quando foi fundada a República Federal da Alemanha. O estatuto permitiu que França, Reino Unido e EUA mantivessem forças de ocupação no país e o controle completo sobre o desarmamento e desmilitarização da antiga Alemanha Ocidental. Quando a ocupação militar da República Federal da Alemanha (RFA) terminou oficialmente, o país recuperou o controle de sua própria política de defesa. No entanto, o Estatuto de Ocupação foi sucedido por outro acordo com seus parceiros na Otan. O pacto – conhecido como Convenção sobre a Presença de Forças Estrangeiras na República Federal da Alemanha e assinado pelos alemães em 1954 – permitiu que oito países-membros da Otan, incluindo os EUA, mantivessem presença militar permanente na Alemanha. O tratado ainda regula os termos e condições das forças da Otan estacionadas hoje na RFA. O número de militares americanos na Alemanha vem diminuindo desde o fim da Guerra Fria, em 1990, quando, segundo Berlim, havia cerca de 400 mil soldados estrangeiros baseados no país. Cerca de metade deles eram americanos, mas foram gradualmente retirados à medida que diminuíam as tensões com os Estados sucessores da União Soviética, e conflitos em outros lugares, como a guerra do Iraque, requeriam mais militares dos EUA. Qual a importância das bases militares americanas para a economia alemã?As bases americanas são um fator econômico importante para a Alemanha. Muitas delas estão localizadas em regiões rurais do país, onde as forças armadas americanas atuam como o maior investidor e empregador. Mais de 10 mil alemães trabalham diretamente para as forças armadas americanas, enquanto estima-se que 70.000 empregos na Alemanha estejam indiretamente ligados a empresas que prestam serviços às Forças Armadas americanas, por exemplo, no setor da construção civil ou na indústria de serviços. Além disso, os soldados americanos baseados na Alemanha e suas famílias gastam grande parte de seus salários em lojas e empresas alemãs. A comunidade militar, por si só, contribui com até 3,5 bilhões de euros (US$ 4,1 bilhões) anualmente para as economias regionais. |
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| Short teaser | EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha. Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número. | ||
| Author | Ben Knight , Thomas Latschan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-presença-militar-dos-eua-na-alemanha-na-mira-de-trump/a-53832364?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 45 | |||
| Id | 76191308 | ||
| Date | 2026-03-03 | ||
| Title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Short title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
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Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos do tratado de livre-comércio caracterizam de maneira equivocada o setor agrícola europeu e a indústria brasileira.O embaixador do Brasil na Alemanha rechaçou as críticas de setores políticos europeus ainda resistentes ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Brasil. Segundo Rodrigo de Lima Baena Soares, a caracterização do tratado como uma "troca de carros por vacas" é um "desserviço" que não faz jus nem ao setor agrícola europeu nem à indústria brasileira.
"É preciso parar com a ideia de que esse acordo é uma troca de 'carros por vacas', uma expressão que circula tanto no discurso brasileiro quanto no europeu. Isso é uma caricatura e presta um desserviço. Isso caracteriza de maneira equivocada tanto a economia da Europa quanto a brasileira", disse Baena Soares, citando uma expressão crítica que virou um slogan de opositores do acordo, sobretudo na Europa.
"Pelo lado europeu, essa narrativa apresenta o agricultor do continente como vítima de uma ameaça existencial por parte dos agricultores sul-americanos. Só que a União Europeia é o maior exportador mundial de alimentos. E os agricultores europeus produzem alguns dos bens mais valorizados e sofisticados do mundo. Está longe de ser uma indústria frágil", disse Baena Soares, que assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado.
"E do lado brasileiro, há também um certo desajuste como o acordo é visto, de que seria apenas fornecimento de matérias-primas, quando a realidade é outra. A indústria brasileira exportou 181 bilhões de dólares em 2024. [O acordo] é uma oportunidade para a indústria, e não uma concessão. Com o acordo, as tarifas para a importação de máquinas cairão de 11,6% para menos de 1% até 2040", acrescentou.
Baena Soares fez as declarações na segunda-feira (02/02) durante o evento "Diálogos Internacionais Brasil-Alemanha", que ocorre nesta semana na Universidade de Frankfurt, no oeste alemão, e que é promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais).
Mensagem clara ao mundo
O diplomata também classificou como "excelente notícia" que a Comissão Europeia tenha anunciado no fim de fevereiro que pretende implementar o acordo de forma provisória, enquanto seguir pendente um pedido de parecer apresentado pelo Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), um processo que pode se arrastar por até dois anos. "Estou otimista que a Corte de Justiça da UE reconhecerá o acordo."
Baena Soares também disse o acordo é um "sinal inequívoco" do comprometimento do Brasil "com o multilateralismo". "O acordo é uma mensagem clara ao mundo que ainda há espaço para multilateralismo, apesar de todas tensões geopolíticas e o crescente protecionismo de alguns países".
"Mostra que divergências podem ser superadas por meio da negociação e do compromisso, um aspecto que anda difícil como atestam os últimos acontecimentos. Nós também não podemos subestimar o impacto político que esse acordo terá. Nosso diálogo político com a UE já é bom e vai ser ainda mais facilitado e fortalecido. Vamos lembrar que todos os países da UE e do Mercosul são países democráticos", disse.
"Esse acordo não é o destino, é a infraestrutura de uma jornada cujas dimensões plenas ainda vão ser mapeadas."
Negociado ao longo de duas décadas, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e EU foi finalmente assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai. Nas semanas seguintes, o Uruguai e a Argentina se tornaram os primeiros países a ratificar o tratado.
Já na Europa ainda não há consenso pleno. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu judicializar a questão, pedindo para que o Tribunal de Justiça da UE julgue a legalidade do tratado. Para evitar que a questão se arraste nos tribunais, a Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) anunciou que vai implementar o acordo de forma provisória.
Dentro do bloco europeu, o acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, mas ainda sofre resistência sobretudo da França, o principal produtor agrícola da UE.
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| Short teaser | Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos caracterizam o tratado de livre-comércio de maneira equivocada. | ||
| Author | Jean-Philip Struck (enviado a Frankfurt) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/acordo-mercosul-ue-não-é-uma-troca-de-carros-por-vacas/a-76191308?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado | ||
| Image source | Maksim Konstantinov/Russian Look/picture alliance | ||
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| Item 46 | |||
| Id | 75011709 | ||
| Date | 2025-12-04 | ||
| Title | Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal | ||
| Short title | Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal | ||
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Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono.
A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente.
O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro.
Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada.
Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes.
O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira.
Trump mantém apoio a Hegseth
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira.
Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado.
Hegseth debateu ataques no Iêmen
O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz.
O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais.
O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen.
O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar.
Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque.
A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada.
Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas.
as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)
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| Short teaser | Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/investigação-conclui-que-chefe-do-pentágono-pôs-soldados-em-risco-ao-usar-signal/a-75011709?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe | ||
| Image source | Ricardo Hernandez/AP Photo/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/74914357_354.jpg&title=Investiga%C3%A7%C3%A3o%20conclui%20que%20chefe%20do%20Pent%C3%A1gono%20p%C3%B4s%20soldados%20em%20risco%20ao%20usar%20Signal | ||
| Item 47 | |||
| Id | 63791517 | ||
| Date | 2025-09-10 | ||
| Title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Short title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Teaser |
Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança.
Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade.
O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir.
Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes.
Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°?
Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança.
Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas.
Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão.
O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°.
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| Short teaser | Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. | ||
| Author | Bernd Riegert | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quais-as-diferenças-entre-os-artigos-4°-e-5°-da-otan/a-63791517?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado | ||
| Image source | Christoph Hardt/Panama/picture alliance | ||
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| Item 48 | |||
| Id | 72986020 | ||
| Date | 2025-06-21 | ||
| Title | Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Short title | Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã | ||
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Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã. O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam. Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados." Condições deterioram para afegãos no IrãO Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã. Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar. As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã. Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários." Sem opção de retornoAtualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família. "Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi." Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria." Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar. "Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos." Traficantes de pessoas exploram medosRedes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras. Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas. O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas." Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia." |
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| Short teaser | Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação. | ||
| Author | Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Ataques%20israelenses%20agravam%20situa%C3%A7%C3%A3o%20de%20refugiados%20afeg%C3%A3os%20no%20Ir%C3%A3 | ||
| Item 49 | |||
| Id | 57531509 | ||
| Date | 2025-06-13 | ||
| Title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Short title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Teaser |
Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas. A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país. Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital. Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen. Sistema de três elementosA defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance. Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia. Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo. O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos. Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio. 90% de êxito, mas com custos altosO "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país. De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011. Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas. Nova arma a laser "Iron Beam"Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam". O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones. A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022. As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos. Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025. |
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| Short teaser | Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. | ||
| Author | Uta Steinwehr | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 50 | |||
| Id | 64814042 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Short title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
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UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção.
Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março.
Lei antioligarca
De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda.
Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias.
Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado.
Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos
A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares.
Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas.
Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares.
Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo
A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país.
Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros.
A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões.
Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares.
Não existem mais oligarcas ucranianos?
Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política.
Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los".
De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE.
Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra.
"Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos.
Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas.
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| Short teaser | UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas. | ||
| Author | Eugen Theise | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/qual-ainda-é-o-real-poder-dos-oligarcas-ucranianos/a-64814042?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia | ||
| Image source | Daniel Naupold/dpa/picture alliance | ||
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| Item 51 | |||
| Id | 64820664 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Short title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Teaser |
De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. Prefeito de Istambul diz ser necessário até 40 bilhões de dólares para se preparar para possível novo grande tremor.Duas semanas e meia após o terremoto de 7,8 de magnitude na área de fronteira turco-síria, o número de mortos aumentou para mais de 50 mil, informaram as autoridades dos dois países nesta sexta-feira (24/02).
A Turquia registrou 44.218 mortes, de acordo com a agência de desastres turca Afad, e a Síria reportou ao menos 5,9 mil mortes. Nos últimos dias, não houve relatos de resgate de sobreviventes.
Tremores secundários continuam a abalar a região. Neste sábado (25/02), um tremor de magnitude 5,5 atingiu o centro da Turquia, informou o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a uma profundidade de 10 quilômetros.
O observatório sísmico de Kandilli disse que o epicentro foi localizado no distrito de Bor, na província de Nigde, que fica a cerca de 350 quilômetros a oeste da região atingida pelo grande tremor de 6 de fevereiro.
Graves incidentes e vítimas não foram reportados após o tremor deste sábado.
Segundo a Turquia, nas últimas três semanas, foram mais de 9,5 mil tremores secundários e a terra chegou a tremer, em média, a cada quatro minutos.
De acordo com o governo turco, 20 milhões de pessoas no país são afetadas pelos efeitos do terremoto. As Nações Unidas estimam que na Síria sejam 8,8 milhões de pessoas afetadas.
Turquia começa reconstrução
As autoridades turcas começaram a construir os primeiros alojamentos para os desabrigados. O trabalho de escavação de terra está em andamento nas cidades de Nurdagi e Islahiye, na província de Gaziantep, escreveu no Twitter o ministro do Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Mudança Climática, Murat Kurum. Inicialmente, estão previstos 855 apartamentos.
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometeu a reconstrução em um ano. Críticos alertam que erguer prédios tão rapidamente pode fazer com que a segurança sísmica dos edifícios seja negligenciada novamente. A oposição culpa o governo de Erdogan, que está no poder há 20 anos, pela extensão do desastre porque não cumpriu os regulamentos de construção.
Também neste sábado, o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, disse que pelo menos 184 pessoas foram detidas por suposta negligência em relação a prédios desabados após os terremotos. Entre eles, estão empreiteiros e o prefeito do distrito de Nurdagi, na província de Gaziantep.
Até agora, o Ministério do Planejamento Urbano inspecionou 1,3 milhão de edifícios, totalizando mais de meio milhão de residências e escritórios, e relatou que 173 mil propriedades ruíram ou estão tão seriamente danificadas que precisam ser demolidas imediatamente.
Ao todo, quase dois milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas, demolidas ou danificadas pelos tremores, e vivem atualmente em tendas, casas pré-fabricadas, hotéis, abrigos e diversas instituições públicas, detalhou um comunicado do Afad.
Cerca de 528 mil pessoas foram evacuadas das 11 províncias listadas como regiões afetadas, acrescentou o comunicado do serviço de emergência, enquanto 335 mil tendas foram montadas nessas áreas e 130 núcleos provisórios de casas pré-fabricadas estão sendo instalados.
Em março e abril começará a construção de 200 mil novas casas, prometeu o ministério turco. Estima-se que o terremoto de 6 de fevereiro tenha custado à Turquia cerca de 84 bilhões de dólares.
Na Síria, o noroeste é particularmente atingido pelos efeitos do tremor. Há poucas informações sobre o país devastado pela guerra. Diante de anos de bombardeios e combates, muitas pessoas ali já viviam em condições precárias antes dos tremores.
Istambul precisa de 40 bilhões de dólares
Enquanto isso, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, disse a cidade, que fica perto de uma grande falha geológica, precisa de um programa urgente de urbanização no valor de "cerca de 30 bilhões a 40 bilhões de dólares" para se preparar para um possível novo grande terremoto.
"A quantia é três vezes maior do que o orçamento anual da cidade de Istambul, mas precisamos estar prontos antes que seja tarde demais", disse Imamoglu a um conselho científico.
De acordo com um relatório de 2021 do observatório sísmico de Kandilli, um potencial terremoto de magnitude superior a 7,5 danificaria cerca de 500 mil edifícios, habitados por 6,2 milhões de pessoas, cerca de 40% da população da cidade, a mais populosa da Turquia.
Istambul fica ao lado da notória falha geológica do norte da Anatólia. Um grande terremoto em 1999 que atingiu a região de Mármara, incluindo Istambul, matou mais de 18 mil.
le (EFE, DPA, Reuters, ots)
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| Short teaser | De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. | ||
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| Image caption | Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil | ||
| Image source | Selahattin Sonmez/DVM/abaca/picture alliance | ||
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| Item 52 | |||
| Id | 64819106 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia | ||
| Short title | UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia | ||
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Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra firmas iranianas que fornecem drones a Moscou. Mais de 100 indivíduos e entidades russas são afetados.A União Europeia prometeu aumentar a pressão sobre Moscou "até que a Ucrânia seja libertada", ao adotar neste sábado (25/02) um décimo pacote de sanções contra a Rússia, acordado pelos líderes do bloco no dia anterior, que marcou o primeiro aniversário da invasão da Ucrânia. O conjunto de medidas inclui veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra empresas iranianas que fornecem drones a Moscou.
"Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos – esgotando o arsenal de guerra da Rússia e mordendo profundamente sua economia", disse a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, através do Twitter, acrescentando que o bloco está aumentando a pressão sobre aqueles que tentam contornar as sanções da UE.
O chefe de política externa da UE, Josep Borrell, alertou que o bloco continuará a impor mais sanções contra Moscou. "Continuaremos a aumentar a pressão sobre a Rússia – e faremos isso pelo tempo que for necessário, até que a Ucrânia seja libertada da brutal agressão russa", disse ele em comunicado.
Restrições adicionais são impostas às importações de mercadorias que geram receitas significativas para a Rússia, como asfalto e borracha sintética.
Os Estados-membros da UE aprovaram as sanções na noite de sexta-feira, depois de uma agitada negociação, que foi travada temporariamente pela Polônia.
Acordo após mais de 24 horas de reuniões
As negociações entre os países da UE ficaram estagnadas durante a discussão sobre o tamanho das cotas de borracha sintética que os países poderão importar da Rússia, uma vez que a Polônia queria reduzi-las, mas finalmente houve o acordo, após mais de 24 horas de reuniões.
"Hoje, a UE aprovou o décimo pacote de sanções contra a Rússia" para "ajudar a Ucrânia a ganhar a guerra", anunciou a presidência sueca da UE, em sua conta oficial no Twitter.
O pacote negociado "inclui, por exemplo, restrições mais rigorosas à exportação de tecnologia e produtos de dupla utilização", medidas restritivas dirigidas contra indivíduos e entidades que apoiam a guerra, propagandeiam ou entregam drones usados pela Rússia na guerra, e medidas contra a desinformação russa", listou a presidência sueca.
Serão sancionados, concretamente, 47 componentes eletrônicos usados por sistemas bélicos russos, incluindo em drones, mísseis e helicópteros, de tal maneira que, levando em conta os nove pacotes anteriores, todos os produtos tecnológicos encontrados no campo de batalha terão sido proibidos, de acordo com Ursula von der Leyen.
O comércio desses produtos, que as evidências do campo de batalha sugerem que Moscou está usando para sua guerra, totaliza mais de 11 bilhões de euros (mais de R$ 60 bilhões), segundo autoridades da UE.
Sanções contra firmas iranianas
Também foram incluídas, pela primeira vez, sete empresas iranianas ligadas à Guarda Revolucionária que fabricam os drones que Teerã está enviando a Moscou para bombardear a Ucrânia.
As novas medidas abrangem mais de 100 indivíduos e empresas russas, incluindo responsáveis pela prática de crimes na Ucrânia, pela deportação de crianças ucranianas para a Rússia e oficiais das Forças Armadas russas.
Todos eles terão os bens e ativos congelados na UE e serão proibidos de entrar no território do bloco.
O décimo pacote novamente foca na necessidade de evitar que tanto a Rússia como os oligarcas contornem as sanções, tendo sido acordado considerar a utilização de bens do Banco Central russo congelados na UE para a reconstrução da Ucrânia.
No entanto, vários países têm dúvidas jurídicas sobre a possibilidade de utilizar esses recursos para a reconstrução e pedem o máximo consenso internacional.
md (EFE, Reuters, AFP)
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| Short teaser | Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e retaliações a empresas iranianas que fornecem drones a Moscou. | ||
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| Image caption | "Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos", disse Ursula von der Leyen, | ||
| Image source | Zhang Cheng/XinHua/dpa/picture alliance | ||
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