| Item 1 | |||
| Id | 79832967 | ||
| Date | 2026-11-02 | ||
| Title | Missão da Nasa para simular Marte termina após equipe ficar 378 dias isolada nos EUA | ||
| Short title | Missão da Nasa para simular Marte termina após 378 dias de isolamento | ||
| Teaser |
Quatro participantes ficaram confinados em preparação para futura viagem ao planeta vermelho. Comunicação com autoridades e família era deliberadamente limitada, e eles não viram a luz do sol.Os quatro integrantes de uma missão simulada a Marte deixaram no sábado (31/10) o isolamento após 378 dias no Centro Espacial Johnson, em Houston, nos Estados Unidos. A iniciativa da Nasa, a agência espacial americana, foi concebida para ajudar a preparar uma possível futura missão tripulada ao planeta vizinho da Terra.
"Estamos honrados e orgulhosos por ter contribuído para esse gigantesco empreendimento, que culminará com o envio dos primeiros seres humanos a Marte", disse o comandante Ross Elder. Os demais integrantes da missão foram o oficial científico Matthew Montgomery, o engenheiro de voo James Spicer e a médica Ellen Ellis.
Os quatro entraram no habitat de 158 metros quadrados, construído por impressão 3D, em 19 de outubro de 2025. Segundo a Nasa, o objetivo era compreender melhor como astronautas se adaptam às rotinas e exigências da vida cotidiana em missões de longa duração além da Terra, de modo a mantê-los saudáveis, produtivos e conectados.
"Estamos muito animados para sair e sentir o sol pela primeira vez em mais de um ano ou, dependendo da previsão do tempo, tomar uma boa chuva", brincou Spicer. Já Ellis revelou que o que mais queria era abraçar o marido novamente.
Simulando o planeta vermelho
Os módulos de descanso na instalação têm aproximadamente dois por três metros. O local também inclui uma espécie de sala de estar com televisão e poltronas, estações de trabalho com computadores e uma enfermaria.
Numa pequena área externa, os participantes simulavam caminhadas e atividades realizadas na superfície marciana, como o cultivo de plantas em solo parecido com o do planeta vermelho. Eles eram também os únicos responsáveis pela manutenção da área habitável e dos equipamentos.
"Não houve troca de equipe como acontece normalmente na Estação Espacial Internacional. Essas condições tornam a missão extremamente exigente", destacou, por sua vez, Sarah Whiting, cientista do projeto.
Os quatro participantes não eram astronautas profissionais da Nasa. Para se candidatar, era preciso ter entre 30 e 55 anos, ser saudável e motivado, não fumar, possuir cidadania americana ou residência permanente, além de formação universitária em área científica e pelo menos mil horas de voo.
Comunicação propositalmente lenta
A comunicação com autoridades da Nasa era realizada sob atrasos programados, para reproduzir as limitações das comunicações interplanetárias.
"Esses atrasos exigem paciência, planejamento cuidadoso e maior independência, qualidades essenciais para futuros astronautas que viajarão milhões de quilômetros longe de casa", disse a diretora do Centro Espacial Johnson, Vanessa Wyche.
Os participantes podiam se comunicar com familiares e amigos, mas apenas no chamado "tempo de Marte". Até mesmo uma mensagem de texto levava cerca de 22 minutos para ser transmitida.
Após o experimento, Spicer contou ter recebido cerca de 4 mil mensagens de familiares e amigos durante o período de isolamento. Segundo ele, esse contato foi seu principal apoio emocional.
Segundo Wyche, que recepcionou a equipe ao fim da experiência, os novos participantes conseguiram viver com recursos limitados, manter o habitat em funcionamento e executar operações simuladas de Marte. Agora, os quatro participarão de duas semanas de avaliações pós-missão e entrevistas com cientistas da Nasa.
Decolagem na próxima década
Esta foi a segunda missão do tipo pela Nasa. A primeira ocorreu entre 2023 e 2024 e também manteve quatro participantes isolados por 378 dias no mesmo local.
A agência espacial americana, que já explorou Marte com veículos robóticos e sondas orbitais, tem planos de enviar seres humanos ao planeta já na década de 2030. Antes disso, a agência pretende levar astronautas de volta à Lua pela primeira vez desde 1972.
"Temos uma janela de oportunidade cada vez mais estreita para manter a liderança dos Estados Unidos no espaço", disse Ellis. "Vamos assumir a dianteira, liderar por meio da ciência que beneficiará nossa economia e garantir nosso legado no espaço para os filhos dos nossos filhos."
Já Elder chamou o "objetivo de levar seres humanos a Marte" de "não apenas alcançável, mas inevitável", enquanto o mundo vislumbra uma nova corrida espacial.
Programas semelhantes também já foram, há cerca de quinze anos, conduzidos na Europa, na Rússia e na China. Já em agosto de 2026, a Agência Espacial Europeia (ESA) e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) concluíram em Colônia, na Alemanha, o estudo "SOLIS100", no qual três homens e três mulheres, com idades entre 26 e 32 anos, passaram cem dias em isolamento.
ht (Reuters, dpa, EFE)
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| Short teaser | Quatro participantes ficaram confinados sem luz do sol e com limitações para se comunicar com autoridades e família. | ||
| Author | Redação DW, Rayanne Azevedo | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/missão-da-nasa-para-simular-marte-termina-após-equipe-ficar-378-dias-isolada-nos-eua/a-79832967?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Os participantes do confinamento de 378 dias não eram astronautas profissionais, e sim voluntários | ||
| Image source | NASA/CHAPEA Crew/dpa/picture alliance | ||
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| Item 2 | |||
| Id | 79831627 | ||
| Date | 2026-11-02 | ||
| Title | Reduzir emissões da aviação evitaria prejuízos bilionários ao clima | ||
| Short title | Reduzir emissões da aviação evitaria prejuízo bilionário | ||
| Teaser |
Altas emissões de CO2 fazem da aviação um dos meios de transporte mais prejudiciais ao clima. Mudanças nas rotas de voo e combustíveis sustentáveis podem reduzir drasticamente esses danos.A aviação responde por mais de 5% do aquecimento global causado pela atividade humana.
Devido às suas emissões, as aeronaves provocam todos os anos danos ao clima e à saúde avaliados em cerca de 2,85 trilhões de euros (R$ 17,3 trilhões), segundo estimativas da Agência Federal do Meio Ambiente da Alemanha (UBA).
Atualmente, quem paga essa conta é a sociedade como um todo. Se os danos fossem efetivamente incluídos no preço das passagens, um passageiro teria de pagar, segundo a UBA, um adicional de 1,4 mil euros por um voo só de ida de Berlim para Nova York. No caso de um voo de Berlim para Istambul, o acréscimo seria de cerca de 330 euros.
A boa notícia é que as emissões na aviação podem ser reduzidas de maneira significativa, e isso é possível por meios relativamente simples e de baixo custo.
Rotas de voo otimizadas evitam danos graves ao clima
Na aviação, os chamados "efeitos não relacionados ao CO2" são particularmente prejudiciais ao clima. Eles têm um impacto climático duas vezes mais nocivo do que o próprio CO2 emitido durante os voos. Por causa disso, a aviação gera impactos climáticos muito maiores do que se costuma imaginar.
Os efeitos não relacionados ao CO2 podem surgir durante a queima de querosene em grandes altitudes, quando o vapor de água gerado pelas turbinas durante a combustão pode ser especialmente prejudicial ao clima ao se transformar em cristais de gelo, visíveis no céu como rastros de condensação.
Com frequência, esses rastros se dissipam rapidamente, não representando, portanto, um problema para o clima. Contudo, se as aeronaves atravessarem camadas de ar particularmente frias e úmidas, os rastros de condensação podem persistir por várias horas. Nesses casos, formam-se extensas nuvens finas – semelhantes a véus – que impedem a dissipação do calor da Terra para o espaço e intensificam o aquecimento global.
No entanto, é possível muitas vezes evitar a formação desses rastros de condensação de longa duração. Isso ocorre quando as aeronaves voam em altitudes mais baixas ou através de camadas atmosféricas com temperaturas mais elevadas e menor umidade.
Segundo especialistas, com ajustes adicionais nas rotas de voo, os efeitos não relacionados ao CO2 poderiam até ser totalmente evitados. Essas indicações aparecem em "inúmeros estudos", afirma à DW o pesquisador atmosférico Volker Grewe, do Centro Aeroespacial Alemão (DLR).
De acordo com cálculos de pesquisadores, rotas de voo otimizadas poderiam evitar danos climáticos de até 1,9 trilhão de euros.
Rotas aéreas favoráveis ao clima na Europa a partir de 2028?
Na Europa, o setor de aviação já está integrado ao sistema de comércio de emissões. Atualmente, as companhias aéreas pagam entre 70 e 80 euros por tonelada de CO2 emitida. Desde 2025, além dessas emissões, os efeitos não relacionados ao dióxido de carbono de todos os voos também estão sendo registrados em um banco de dados.
Até o final de 2027, deverá ser apresentada uma proposta sobre como incentivos financeiros podem levar as companhias aéreas a utilizar, com maior frequência, rotas aéreas mais favoráveis ao clima. Também deverão ser definidas regras para a gestão do tráfego aéreo. A implementação gradual poderá começar em 2028.
Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), o setor de aviação deve reduzir suas emissões a um nível líquido zero até 2050. O CO2 é gerado durante a queima de querosene de origem fóssil.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), a queima de querosene libera, atualmente, quase um bilhão de toneladas de CO2 por ano. Segundo estimativas da Agência Federal do Meio Ambiente da Alemanha, isso resulta em danos à saúde e ao clima a longo prazo, estimados em cerca de um trilhão de euros.
Uma estratégia fundamental é a substituição do querosene fóssil por combustíveis de aviação sustentáveis (SAF, na sigla em inglês). Essa medida permite uma redução significativa das emissões de CO2.
Segundo a Iata, os SAF de origem biológica (Bio-SAF) produzidos a partir de óleos de cozinha usados, gorduras animais ou resíduos agrícolas, podem reduzir as emissões de CO2 em até 80% em comparação com o querosene fóssil.
Combustíveis sintéticos ajudam a reduzir custos
Ainda mais favoráveis ao clima são os combustíveis sintéticos, conhecidos como E-SAF, que podem ser produzidos a partir de eletricidade renovável, água e CO2, o que os torna praticamente neutros em termos climáticos.
A União Europeia (UE) pretende incentivar, por meio de legislação, a produção de SAF de origem biológica e sintética, estabelecendo cotas obrigatórias de mistura.
Paralelamente, busca-se reduzir as emissões de CO2 por voo. Em 2025, a participação do SAF no querosene de aviação na UE era de quase 3%. A partir de 2030, esse percentual deverá subir para, no mínimo, 6%. Até 2050, está previsto um aumento de pelo menos 70%.
Segundo um relatório da Agência Europeia de Segurança na Aviação (EASA), vários países também estabeleceram metas e requisitos para adição obrigatória de SAF ao combustível convencional. Entre eles estão Brasil, Canadá, China, Índia, Indonésia, Japão, Malásia, Singapura, Coreia do Sul, Tailândia, Chile e Turquia.
Fatores econômicos também podem acelerar essa transição. O E-SAF está se tornando cada vez mais barato, graças à energia solar de baixo custo e aos avanços tecnológicos. Segundo um estudo, em 2040, o custo de um litro de combustível sintético poderá ser de apenas cerca de um euro – valor pouco superior ao do querosene fóssil, que atualmente custa cerca de 0,87 euro por litro na Europa.
Como políticas públicas podem promover uma aviação mais sustentável
Até o momento, a aviação não conseguiu reduzir o impacto climático total de suas operações. Embora a participação de combustíveis sustentáveis esteja aumentando – com avanços obtidos por meio da mistura de SAF –, o tráfego aéreo continua a crescer.
Portanto, a medida mais eficaz para o clima continua sendo evitar viagens aéreas sempre que possível. Os governos dispõem de diversas estratégias para isso. A França, por exemplo, proíbe desde 2023 voos domésticos de curta distância caso o destino possa ser alcançado em viagens de trem com duração de menos de 2,5 horas.
Em Amsterdã, vigora desde maio de 2026 uma proibição de publicidade para voos em espaços públicos. O objetivo é reduzir o incentivo para que turistas e cidadãos reservem viagens aéreas.
O preço é um fator fundamental para um sistema de transporte mais sustentável. Em muitos países, as viagens aéreas estão isentas de impostos sobre valor agregado e sobre energia. Isso pode fazer com que uma viagem de avião seja mais barata do que uma viagem de trem. A diferença de preço leva muitas pessoas e empresas a optar pelo meio de transporte mais prejudicial ao clima.
Na Alemanha, segundo a Agência Federal do Meio Ambiente, esses benefícios fiscais para voos somam cerca de 12 bilhões de euros por ano. Por isso, a agência recomenda a eliminação desse subsídio, defendendo um tratamento igualitário para os diferentes meios de transporte. A receita fiscal adicional gerada poderia ser utilizada para financiar medidas que tornem o transporte aéreo menos prejudicial ao clima.
Além disso, a UBA recomenda que os custos ambientais e climáticos sejam incorporados de forma mais expressiva aos preços. Dessa forma, as companhias aéreas teriam incentivos financeiros para escolher rotas mais favoráveis ao clima, economizar combustível, utilizar aeronaves mais eficientes e empregar combustíveis sustentáveis.
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| Short teaser | Mudanças nas rotas de voo e combustíveis sustentáveis podem reduzir os danos ambientais gerados pela aviação. | ||
| Author | Gero Rueter, Rayanne Azevedo | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/reduzir-emissões-da-aviação-evitaria-prejuízos-bilionários-ao-clima/a-79831627?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Aviões provocam todos os anos danos ao clima e à saúde avaliados em cerca de R$ 17,3 trilhões | ||
| Image source | Arnulf Hettrich/imageBROKER/picture alliance | ||
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| Item 3 | |||
| Id | 79828161 | ||
| Date | 2026-11-02 | ||
| Title | IA consegue criar vírus que se espalha por conta própria em eletrodomésticos | ||
| Short title | IA consegue criar vírus que se espalha sozinho por eletrodomésticos | ||
| Teaser |
Anthropic testa como "vermes" de IA se comportam em smart TVs. Esse tipo de vírus se propaga por conta própria para outros aparelhos explorando falhas de segurança e se adapta a diferentes tipos de dispositivos. Na sala de estar, um robô aspirador percorre o ambiente, a iluminação é ajustada por meio de assistentes de voz e a televisão se conecta à internet para acessar o serviço de streaming favorito. Todos esses são exemplos da "internet das coisas" (IoT, na sigla em inglês), na qual aparelhos eletrônicos conectados à internet trocam dados e se comunicam entre si. Esse é um cenário cada vez mais presentes em casas pelo mundo. No entanto, esses aparelhos podem se tornar um risco com o avanço da inteligência artificial (IA). A empresa de inteligência artificial Anthropic divulgou recentemente um relatório indicando que, em breve, softwares maliciosos baseados em IA poderão se instalar em eletrodomésticos conectados, se replicar e se espalhar de maneira autônoma para outros dispositivos. Para isso, não seriam necessários supercomputadores caros e de alto desempenho, bastaria um grande número de smart TVs ou outros aparelhos domésticos conectados e com segurança precária. Vírus de computador que se propagam de uma máquina para outra por conta própria existem há décadas. Eles são conhecidos como "vermes" e seguem um roteiro pré-programado, explorando vulnerabilidades de segurança conhecidas ou pontos de acesso com proteção fraca. No entanto, esse fluxo é interrompido se essas falhas forem corrigidas ou se não houver brechas adequadas para um ataque. Os "vermes" de IA, no entanto, seriam muito mais complexos e, potencialmente, bem mais perigosos. Eles teriam a capacidade de resolver problemas de forma autônoma e se adaptar a diferentes tipos de dispositivos. Para isso, eles precisariam, por exemplo, lidar com um sistema operacional diferente ou com uma capacidade de memória limitada. Também teriam de descobrir, por conta própria, como operar em outros dispositivos ou como identificar e contornar novas atualizações de segurança. Disseminação via televisoresPesquisadores da Anthropic investigaram se modelos de IA poderiam ser executados em hardwares simples. Em um experimento, distribuíram um modelo de IA entre 15 dispositivos Android TV de baixo custo. Cada aparelho ficou responsável por uma parte dos cálculos. Com isso, demonstraram que certas aplicações de IA podem ser executadas mesmo sem a necessidade de um grande centro de processamento de dados. Em um ambiente de teste controlado, os pesquisadores criaram ainda oito dispositivos Android simulados. O modelo de IA conseguiu se instalar em um desses aparelhos, se replicar a partir dali e infectar os demais. Em quatro das cinco tentativas, o modelo atingiu todos os oito alvos; na outra, infectou sete. Se um modelo de IA desse tipo fosse equipado com um software malicioso, ele poderia se adaptar rapidamente a ambientes até então desconhecidos, interferindo em processos e fluxos de operação. Em vez de explorar apenas uma vulnerabilidade específica, ele poderia aprender a contornar diversas medidas de segurança. Segundo os desenvolvedores da Anthropic, um "verme de IA" desse tipo levaria, aproximadamente, de um a dois dias para se instalar em um dispositivo novo e até então desconhecido. Rede de bots composta por eletrodomésticos?Um aspecto particularmente preocupante é que a IA poderia unir os diversos dispositivos infectados em uma grande rede de bots. Um único dispositivo infectado possui pouca capacidade de processamento. No entanto, quanto mais aparelhos forem infectados, mais rapidamente o "verme" de IA poderia se propagar. O software malicioso não dependeria mais de um servidor central que poderia ser desligado. Além disso, ele poderia, possivelmente, continuar aprendendo e evoluindo constantemente. Seria perfeitamente concebível que a ameaça se espalhasse para tipos de aparelhos eletrônicos totalmente diferentes, que utilizam softwares distintos. Embora dispositivos infectados possam ser desconectados da rede e falhas de segurança possam ser corrigidas, a estrutura descentralizada desse tipo de malware baseado em IA tornaria muito difícil contê-lo. A própria Anthropic compara esse possível cenário a um mofo limoso digital que cresce lentamente. É verdade que, nos testes, os pesquisadores da Anthropic facilitaram propositalmente o acesso aos dispositivos, sem que houvesse grandes medidas de proteção digital. Ainda assim, a empresa acredita que modelos de IA menores poderiam, talvez ainda este ano, atingir o nível de capacidade necessário para se disseminar no mundo real. Sistemas de refrigeração superaquecidosUm incidente ocorrido na França ilustra o quão graves podem ser as consequências de um ataque cibernético a sistemas de controle conectados. Na noite de 11 para 12 de outubro de 2026, hackers manipularam os sistemas de refrigeração e congelamento de diversos supermercados, elevando as temperaturas para até 50º C. Alimentos estragaram e houve casos isolados de incêndios e danos técnicos. A agência francesa de cibersegurança CERT-FR confirmou que vários sistemas de controle remoto do fabricante dinamarquês Danfoss foram comprometidos, com o alerta sendo posteriormente estendido a sistemas de outros fabricantes. As investigações sobre as circunstâncias do ataque ainda estão em andamento. Nesta segunda-feira (02/11), ataques semelhantes foram registrados em supermercados na Bélgica, Suécia e Luxemburgo. Até o momento, não há evidências de que um "verme" de IA autorreplicante tenha sido utilizado nos ataques aos sistemas de refrigeração. Contudo, os estudos recentes da Anthropic demonstraram como a IA pode facilitar significativamente o desenvolvimento de softwares maliciosos com consequências potencialmente graves, permitindo ataques a dispositivos conectados mesmo sem a necessidade de grande capacidade computacional. |
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| Short teaser | Anthropic testa como "vermes" de IA se comportam em smart TVs. Esse tipo de vírus explora falhas de segurança. | ||
| Author | Thomas Latschan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ia-consegue-criar-vírus-que-se-espalha-por-conta-própria-em-eletrodomésticos/a-79828161?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 4 | |||
| Id | 79830444 | ||
| Date | 2026-11-02 | ||
| Title | Quem são as mulheres que atuarão no Congresso no ano que vem | ||
| Short title | Quem são as mulheres que atuarão no Congresso no ano que vem | ||
| Teaser |
Congresso terá recorde de mulheres em 2027. Apesar de aumento, puxado pela direita, bancada não é homogênea e defende diferentes interesses. A presença feminina no Congresso Nacional em 2027 será recorde: na Câmara, o total de deputadas eleitas passou de 91 para 109. No Senado, as mulheres conquistaram 12 vagas, cinco a mais do que em 2018, última vez em que dois terços da Casa foram renovados. Esses números elevaram a proporção de mulheres a níveis inéditos: na Câmara, elas ocupam 21% das cadeiras, e no Senado, 22%. Apesar deste recorde, esse grupo não é bloco homogêneo. A direita elegeu mais mulheres do que a esquerda nas duas Casas. A diferença é mais clara no Senado: metade das senadoras que conquistaram uma vaga no pleito deste ano é de partidos de direita e centro-direita: PL, PSDB, Republicanos e União Brasil. Elas se somam a outras quatro senadoras de direita que já faziam parte da bancada feminina. Com isso, esse espectro político soma dez das 18 mulheres que vão compor a Casa no ano que vem. Os partidos de esquerda e centro-esquerda – PT, PDT e Rede – asseguraram quatro vagas, e os de centro, MDB e Podemos, mais duas. Na Câmara, o cenário é mais equilibrado: foram eleitas 47 deputadas de esquerda e 50 de direita. PL aposta nas mulheresEm 2024, o PL passou a investir em candidaturas femininas para ampliar sua base para além do eleitorado de direita. A pesquisa "Panorama Político", produzida pelo Senado em 2024, aponta que 15% dos brasileiros se declararam de esquerda, 29% de direita e 11% de centro, enquanto 40% não escolheram nenhuma das opções. "É um público que em toda eleição precisa ser disputado", destaca a doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo (USP) Jacqueline Moraes Teixeira. "A direita começou a entender a importância de tornar suas propostas e suas candidaturas mais contundentes para não se tornar um nicho político. Nesse sentido, a imagem feminina na política tinha uma potência muito grande para engajar as pessoas." Para isso, o PL Mulher, liderado por Michelle Bolsonaro, passou a atuar em uma lógica semelhante à das "células" de igrejas evangélicas, segundo Teixeira. "As mulheres recebiam os materiais de formação política e iam para as casas umas das outras discutir esse material. Isso aumentou potencialmente a quantidade de mulheres que passam a se filiar ao PL." O número de filiadas passou de 350 mil em 2020 para 413,2 mil em 2026, alta de cerca de 18%. Mais votadas da direitaMichelle Bolsonaro (PL-DF), ex-primeira-dama, foi eleita senadora com 29% dos votos válidos, na primeira disputa eleitoral de que participou. Sua campanha teve como plataforma a defesa dos direitos de pessoas com deficiência, com autismo e doenças raras. Ela vai integrar a única bancada estadual do Senado formada inteiramente por mulheres, já que o Distrito Federal contava com Damares Alves (Republicanos) e agora terá também Bia Kicis (PL). Kicis, que é deputada federal, foi eleita senadora com 886,6 mil votos. Na Câmara, posicionou-se contra pautas femininas como o projeto de lei que criminaliza a misoginia. Em texto publicado em seu site, afirmou que a "criação de crimes de opinião serve apenas para dividir a sociedade e alimentar o patrulhamento ideológico". Ela declarou que as prioridades de seu mandato como senadora serão a anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e projetos na área da saúde. Uma das mais votadas do pleito deste ano foi Caroline de Toni (PL-SC), eleita senadora com 2,6 milhões de votos (33,46% dos votos válidos). Ao longo do mandato como deputada federal, defendeu a educação domiciliar e a proibição do aborto nos casos já previstos em lei (risco de morte para a mãe, gravidez resultante de estupro e anencefalia fetal). Como deputada, votou ainda contra um projeto de lei que previa a igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função. Na campanha, defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), processo que cabe ao Senado julgar. Direita heterogêneaJacqueline Teixeira explica que as candidaturas femininas de direita são heterogêneas, e isso é um dos fatores que explicam o sucesso nas urnas. "A maioria dessas candidaturas é muito voltada para a defesa dos interesses das mulheres e agendas históricas do feminismo e políticas do cuidado. Essas agendas, que são comuns e menos polarizantes, são importantes para a população." Teixeira pondera que há candidatas que se posicionam contra avanços da agenda feminista. "Há também mulheres anti-sufragistas, ou que defendem que homens podem ganhar mais que elas ou que não existe violência doméstica. Essa variedade se torna uma garantia importante para esse crescimento de uma direita mais extremista." Ela diz que um discurso mais radical abre margem para que as candidatas da direita recebam o voto também de homens. "Isso chama muita atenção deles dentro dessa dinâmica red pill que cada vez mais vivenciamos no Brasil." O movimento, que se espalhou em fóruns e redes sociais, reúne grupos de homens que defendem a submissão das mulheres ao domínio masculino. E a esquerda?A doutora em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB) Camila Gatti avalia que é um paradoxo o campo conservador ter eleito mais mulheres do que o progressista. "A extrema direita captura o eleitorado a partir de pautas como a ideologia de gênero, a criminalização do aborto e a existência de uma suposta guerra cultural e espiritual.Então as eleitoras vão fazer o enfrentamento ao movimento feminista, mas, mesmo assim, não deixam de votar em mulheres com quem se identificam no que tange à defesa das famílias, por exemplo." Ainda assim, parlamentares de esquerda também concentraram um número relevante de votos: Erika Hilton (PSOL-SP) foi a deputada federal mais votada do país, com 1,5 milhão de votos. Entre as senadoras, uma das mais votadas foi Luizianne Lins (Rede-CE), que obteve 2,8 milhões de votos, um terço do total de votos válidos. Também no Senado, Marília Campos (PT-MG) obteve a maior votação em números absolutos: 3,9 milhões de votos, ou 19,4% dos votos válidos. Entre as pautas dessas parlamentares estão o fim da escala de trabalho 6x1, proposta de autoria de Hilton. Luizianne, que hoje é deputada federal, é autora de projetos para tornar o assassinato de pessoas LGBT crime hediondo e votou a favor do projeto de igualdade salarial. Marília Campos, ex-prefeita de Contagem (MG), foi autora do projeto que deu origem à lei que permitiu o registro virtual de denúncias por violência doméstica. Para o mandato no Senado, defende a prioridade na aprovação da PEC da Segurança Pública, para integrar o trabalho das polícias. Atuação em blocoAs divergências ideológicas podem ser um desafio para a bancada feminina no Congresso. Com a instalação da bancada, deputadas e senadoras votam em bloco em cada uma das Casas diante de pautas específicas de interesse das mulheres, como a oferta gratuita de absorventes e o combate à violência doméstica. Para Teixeira, a dependência que as eleitas, mesmo as de extrema direita, têm do público feminino pode funcionar como contenção. "Há um constrangimento, pelo olhar do público que as acompanha, a pautas de diminuição de políticas públicas", afirma. Para a senadora Dorinha Seabra (União-TO), coordenadora da bancada no Senado, as divergências políticas não podem impedir o avanço das pautas de interesse das mulheres. "A bancada feminina já demonstrou capacidade de construir consensos em temas fundamentais", afirmou. Segundo ela, políticas para o fortalecimento de redes de proteção a vítimas de violência doméstica e autonomia econômica devem ser prioridade no próximo ano. No entanto, na apreciação de pautas mais polêmicas, como aborto, pode não haver acordo. "Quanto ao bloco, acho que vai ser muito difícil chegar a um denominador comum, mas acredito que as figuras mais moderadas cumprem esse papel de tentar criar pontes", diz Camila Gatti. |
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| Short teaser | Apesar de recorde feminino, puxado pela direita, bancada não é homogênea e defende diferentes interesses. | ||
| Author | Jéssica Moura | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quem-são-as-mulheres-que-atuarão-no-congresso-no-ano-que-vem/a-79830444?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Quem%20s%C3%A3o%20as%20mulheres%20que%20atuar%C3%A3o%20no%20Congresso%20no%20ano%20que%20vem | ||
| Item 5 | |||
| Id | 79828152 | ||
| Date | 2026-11-02 | ||
| Title | Rússia constrói radar em Kaliningrado com capacidade para espionar grande parte da Europa | ||
| Short title | Novo radar russo em Kaliningrado pode espionar grande parte da Europa | ||
| Teaser |
Moscou está construindo novo radar OTH em seu exclave situado entre a Polônia e a Lituânia. Com estrutura, país pode vigiar movimentos militares em quase todo continente europeu. O Kremlin está mais perto de inaugurar seu "novo olho" sobre a Europa. A construção de um gigantesco complexo de radar está quase concluída no altamente militarizado exclave russo de Kaliningrado, situado entre a Polônia e a Lituânia, segundo reportagens. Vista de cima, a instalação, com seus três braços que se irradiam a partir do centro e têm mais de 500 metros de comprimento cada, parece uma marca deixada por alguma forma de vida alienígena em uma área de floresta praticamente intocada. Embora a Rússia não tenha confirmado a construção da estrutura, o especialista em segurança Vaidotas Malinionis afirmou que o radar será tão grande que conseguirá enxergar além da curvatura da Terra. Segundo o comandante aposentado da Lituânia, o radar além do horizonte (OTH, na sigla em inglês) próximo a Gvardeysk terá um alcance de cerca de 3 mil quilômetros, permitindo a Moscou monitorar praticamente toda a Europa, além de todo o território da Ucrânia. O sistema permitiria à Rússia interceptar comunicações via satélite e detectar movimentações de aeronaves e mísseis balísticos. "O objetivo e a finalidade deste radar são a observação de alvos de longa distância e a capacidade de alerta antecipado. Ainda não sabemos se ele é operacionalmente capaz de fazer isso, mas certamente está sendo construído neste momento", acrescentou Malinionis. Sistema de vigilância em massaO jornal britânico The Times noticiou que o novo OTH da Rússia se destina principalmente à detecção e interferência de sinais eletrônicos, citando a empresa finlandesa-polonesa de tecnologia espacial e de defesa ICEYE. "Ele pode ser usado em operações ofensivas para obter mais informações sobre alvos específicos", explicou Malinionis. "E se conseguissem um alerta antecipado sobre a movimentação de tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no caso de uma invasão na fronteira oriental da aliança, ganhariam mais tempo para tomar decisões." De acordo com a analista geopolítica Evija Djatkovica, o ressurgimento dessa antiga tecnologia soviética traz uma desvantagem significativa para a Otan diante do uso crescente de novas tecnologias nos conflitos atuais. "Isso ajudará a Rússia a fechar brechas existentes na detecção de objetos que voam em baixa altitude, tornando menos eficaz a rápida integração de drones nas defesas regionais." Hub de guerra eletrônicaA reportagem do The Times acrescenta que a ICEYE vê a expansão do sistema de radar além do horizonte da Rússia como uma prova de que Kaliningrado está sendo transformado em um hub russo de sensores militares avançados e de sistemas de guerra eletrônica. "O novo radar sinaliza uma disputa cada vez mais intensa entre Rússia e Otan pela supremacia militar e pelo controle da região de Kaliningrado", ressaltou Djatkovica. "Esta é uma situação potencialmente perigosa, pois pode se esperar uma militarização ainda maior de ambos os lados e, em algum momento, um ataque preventivo pode se tornar uma opção para impedir que o outro lado obtenha uma vantagem considerada inaceitável sobre a região." A Rússia já alertou a Otan de que estaria pronta para recorrer a armas nucleares caso a aliança militar tentasse bloquear Kaliningrado. Esse potencial foco de tensão e posto avançado russo está localizado no Mar Báltico, entre os membros da Otan Polônia e Lituânia, exatamente na porta de entrada do flanco oriental da aliança. O exclave tem apenas 200 quilômetros de oeste a leste e 100 quilômetros de norte a sul. No entanto, de acordo com Malinionis, a menor região da Rússia, ou oblast, tem grande poder estratégico. "Segundo algumas fontes, Moscou tem capacidade para instalar até 100 ogivas nucleares em Kaliningrado. E algumas fontes afirmam que algumas delas já foram posicionadas lá, embora isso ainda não tenha sido confirmado." A ICEYE afirma ter identificado outro grande complexo circular de antenas cerca de 50 quilômetros a oeste de Gvardeysk, próximo à cidade de Chernyakhovsk, segundo o jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ). Relatos indicam que mais de 20 instalações de guerra eletrônica e de sinais estão espalhadas pela região de Kaliningrado. Imagens de satélite também revelam novos abrigos para caças no aeroporto militar de Kaliningrado-Chkalovsk, segundo a reportagem do FAZ. Outras imagens mostram plataformas de lançamento dos sistemas antiaéreos S-400 em Baltiysk, indicando que esses equipamentos podem já estar em operação. "Esses fatores retratam claramente a importância estratégica dos territórios ao redor de Kaliningrado tanto para a Rússia quanto para a Otan", disse Djatkovica. "Para a Rússia, entre outras razões, a posição geográfica de Kaliningrado e o arsenal nuclear ali estacionado permitem projetar ameaças contra a maioria das capitais europeias." É aí que entra o radar gigantesco, segundo ela. "Devido ao longo alcance do radar, outras regiões da Europa, do Norte ao Oeste, também ficarão mais expostas à vigilância e às ações militares da Rússia." Motivação para o OcidenteEla observou que a boa notícia é que, quanto mais a Rússia escala as tensões com repercussões até para países europeus distantes de suas fronteiras, mais todo o continente passa a encarar Moscou como uma ameaça direta. "Os sinais hostis da Rússia devem motivar o Ocidente a continuar seu processo de rearmamento, o que, por sua vez, tornará mais crível a capacidade de dissuasão coletiva da Otan e da Europa." Djatkovica citou o exemplo da Polônia, que vem transformando seu parque eólico offshore no Mar Báltico em infraestrutura de vigilância para a Otan. Em mais um passo na integração de tecnologias mais modernas, a fabricante alemã de armamentos Rheinmetall está construindo radares de abertura sintética (SAR, na sigla em inglês) em parceria com a ICEYE. O SAR fornece imagens precisas de movimentações de tropas e posições inimigas, mesmo à noite ou sob condições meteorológicas adversas. As imagens serão utilizadas no flanco oriental da Otan e pelas tropas das Forças Armadas da Alemanha (Bundeswehr) estacionadas na Lituânia. Os primeiros SAR devem ser lançados à órbita a bordo de um foguete da SpaceX no início de 2027. Malinionis concordou que a adaptação é a principal lição para os líderes europeus em tempos de agressão russa. Mas fez uma observação adicional: "Há também uma desvantagem para esse novo radar russo. Por ser tão grande, ele se torna um alvo bastante fácil." |
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| Short teaser | Moscou está construindo novo radar OTH em seu exclave situado entre a Polônia e a Lituânia. | ||
| Author | Ben Fajzullin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/rússia-constrói-radar-em-kaliningrado-com-capacidade-para-espionar-grande-parte-da-europa/a-79828152?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 6 | |||
| Id | 79824817 | ||
| Date | 2026-11-01 | ||
| Title | Cão salsichinha: um símbolo alemão que virou ícone cultural | ||
| Short title | Cão salsichinha: um símbolo alemão que virou ícone cultural | ||
| Teaser |
Da caça aos texugos às galerias de arte, passando pelas guerras mundiais e pelos Jogos Olímpicos, o dachshund construiu uma trajetória singular e agora é tema de exposição em Bremen. Pablo Picasso era conhecido por ter inúmeras musas, geralmente mulheres com quem também manteve relações consideradas problemáticas. Mas um cachorrinho escapou de qualquer envolvimento tóxico: um simpático linguicinha (dachshund) chamado Lump. Antes de se tornar o mais famoso modelo canino de Picasso, Lump pertencia ao fotojornalista americano David Douglas Duncan. Em 1967, o fotógrafo visitou o pintor em sua vila em Cannes, na França, levando o cachorro consigo. Segundo Duncan, logo no primeiro encontro, Lump pulou no colo de Picasso e aparentemente decidiu permanecer ali. O cão acabou vivendo com o artista por seis anos. A conexão imediata entre os dois foi eternizada pela arte. Naquele mesmo dia, Picasso pintou o retrato de Lump em um prato de cerâmica, enquanto Duncan registrava a cena em uma série de fotografias. O prato e as fotos estão entre as atrações da exposição The Dachshund. An Icon off the Leash ("Dachshund. Um ícone sem coleira", em tradução livre), que abriu neste sábado (31/10) e segue em cartaz na Kunsthalle Bremen até 28 de março de 2027. Lump também aparece em várias obras da série de Picasso inspirada em Las Meninas, a célebre pintura do espanhol Diego Velázquez. Nas releituras, o mastim retratado na obra original foi substituído pelo seu cão adotivo. Um animal especialmente icônicoCom suas orelhas compridas e o corpo alongado sustentado por pernas curtas, o linguicinha possui uma silhueta imediatamente reconhecível. "É realmente um cachorro com uma forma icônica, e isso o torna interessante para muitas coisas, da arte à publicidade", afirma a curadora da exposição e historiadora da arte Annett Reckert. Além de Picasso, artistas como Andy Warhol, Otto Dix, David Hockney, Max Liebermann e Rosemarie Trockel também prestaram homenagem ao dachshund em suas obras. "É impressionante com que frequência o linguicinha serviu de musa, modelo e companheiro de estúdio para esses artistas", disse Reckert à DW. Segundo ela, o animal também pode ser analisado sob uma perspectiva histórica, já que existe uma forte associação cultural entre a raça e a Alemanha. O "cachorro texugo" da AlemanhaCriado originalmente para rastrear e caçar texugos, raposas, coelhos e outros animais de toca, o dachshund surgiu na Alemanha há mais de 300 anos. Os padrões da raça foram estabelecidos em 1879, e o Clube Alemão do Teckel (DTK), uma das mais antigas entidades de criação canina do país, foi fundado em 1888. O nome dachshund combina as palavras alemãs Dachs (texugo) e Hund (cachorro), significando literalmente "cachorro-texugo". Na Alemanha, porém, os nomes mais usados são Dackel e Teckel. Nos países de língua inglesa, a raça é conhecida como wiener dog ou sausage dog. No Brasil, seguiu o mesmo caminho e se popularizou como "salsichinha" ou "linguicinha" e ficou eternizada em comerciais de uma marca de amortecedores e componentes de suspensão na década de 1990. Incidente diplomáticoAlém de sua função como cão de caça, o dachshund ocupa um lugar singular na história cultural alemã. O último imperador alemão, Guilherme 2º, era um grande entusiasta da raça e possuía vários exemplares. Dois deles, chamados Wadl e Hexlsome, protagonizaram um pequeno incidente diplomático em 1908 durante uma visita ao castelo de Franz Ferdinand, herdeiro do trono austro-húngaro. Segundo relatos, os dois cães mataram um dos faisões dourados de estimação do arquiduque. O episódio repercutiu entre a aristocracia europeia e levou o imperador alemão a apresentar um pedido formal de desculpas. Naturalmente, o incidente teve muito menos impacto histórico do que outro evento envolvendo Franz Ferdinand: seu assassinato em Sarajevo, em 1914, considerado o estopim da Primeira Guerra Mundial. Durante o conflito, o dachshund apareceu com frequência em propagandas e caricaturas políticas. A Alemanha era representada pelo dachshund, enquanto os britânicos apareciam como bulldogs e os franceses como poodles. Essa associação prejudicou a popularidade da raça nos Estados Unidos. Muitos proprietários passaram a chamar seus cães de "liberty hounds" (cães da liberdade) para evitar o termo alemão. Na Segunda Guerra Mundial, cães linguicinha chegaram a ser empregados em tarefas militares, como a detecção de minas terrestres. A outra face da AlemanhaApesar dessas associações históricas, a curadora Annett Reckert considera que o dachshund simboliza sobretudo simpatia e bom humor. "Eles simplesmente dão a impressão de ter senso de humor", afirma. "É claro que isso é uma projeção nossa. Mas realmente transmitem alegria e têm um caráter muito cativante." Essa imagem inspirou uma das mais famosas representações da Alemanha do pós-guerra: Waldi, a mascote oficial dos Jogos Olímpicos de Munique de 1972. Criado pelo renomado designer gráfico Otl Aicher e sua estagiária Elena Schwaiger, Waldi representava uma ruptura deliberada com os símbolos pesados associados ao período nazista, como a águia imperial, a exaltação das florestas alemãs e a disciplina prussiana. Aicher também rejeitou o uso do marrom e das cores nacionais alemãs, preto, vermelho e dourado. Em vez disso, optou por tons pastéis suaves. "A abordagem das cores foi realmente visionária", avalia Reckert. "A intenção era representar algo que ainda buscamos hoje: uma Alemanha aberta, alegre, democrática e colorida." Um símbolo disputadoAinda hoje, grupos de extrema direita tentam se apropriar discretamente da imagem do linguicinha como símbolo nacionalista, exibindo o animal em gravatas ou meias, inspirados em acessórios usados pelo político do partido de ultradireita alemão Alternativa para a Alemanha Alexander Gauland. Em resposta, surgiu o movimento Dachshunds Against the Right (Linguicinhas Contra a Direita"), que se posiciona contra o extremismo político. Apesar dessas disputas simbólicas, a exposição em Bremen procura destacar principalmente o lado afetuoso do animal. Algumas salas permitem a entrada de cães de pequeno porte, e a programação inclui obras e performances especialmente concebidas para eles. O entusiasmo do público, segundo Reckert, tem sido incomum. A curadora relata receber quase diariamente cartas, fotografias, obras de arte e informações sobre eventos relacionados à raça. "Nunca tive uma exposição recebida de forma tão amigável e diversa mesmo antes da inauguração", diz. "É algo quase surreal." |
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| Short teaser | Da caça a texugos às galerias de arte, passando por guerras e Jogos Olímpicos, o dachshund tem uma trajetória singular. | ||
| Author | Elizabeth Grenier | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/cão-salsichinha-um-símbolo-alemão-que-virou-ícone-cultural/a-79824817?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 7 | |||
| Id | 79778231 | ||
| Date | 2026-11-01 | ||
| Title | Governo alemão aposta em economia high tech para conter avanço da ultradireita na Alemanha | ||
| Short title | Governo alemão aposta em economia high tech para conter avanço da AfD | ||
| Teaser |
Conflitos, energia cada vez mais cara e competição chinesa ameaçam as exportações, base da economia alemã. Cenário tem favorecido ascensão da ultradireita em pesquisas eleitorais. O modelo econômico alemão baseado nas exportações enfrenta uma pressão sem precedentes justamente quando o apoio ao partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) bate recordes. Os concorrentes chineses vêm corroendo gradualmente a participação de mercado dos grandes grupos industriais alemães, enquanto os preços persistentemente altos da energia, os custos elevados da mão de obra e o excesso de burocracia agravam a crise estrutural. Após dois anos de contração, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu apenas 0,2% no ano passado, segundo o Escritório Federal de Estatísticas da Alemanha (Destatis). As exportações para a China caíram 9,7% em 2025, com os embarques de veículos e peças alemães despencando um terço. Embora existam sinais de que a economia alemã está se recuperando, a previsão mais recente do governo, de crescimento de 1,3% em 2026, ainda é modesta em comparação com os anos de forte expansão anteriores à pandemia de covid-19. Atualmente, a AfD lidera as pesquisas de intenção de voto na Alemanha. Os desafios econômicos do país têm sido um fator importante para a ascensão da sigla. O partido promete fazer a economia da Alemanha voltar a crescer com medidas como o fim da transição para energias renováveis, redução de impostos, renegociação dos tratados da União Europeia, reforma do sistema de bem-estar social e forte restrição da imigração. Merz faz apostas high tech na economiaEnquanto a coalizão do chanceler federal Friedrich Merz procura uma nova estratégia de crescimento para conter o avanço de populistas, o governo definiu uma agenda de alta tecnologia focada em seis setores prioritários. São eles: inteligência artificial (IA), computação quântica, microeletrônica, biotecnologia, energia limpa (incluindo fusão nuclear) e mobilidade com emissões neutras em carbono. Irene Bertschek, chefe da unidade de pesquisa em Economia Digital do Centro Leibniz para Pesquisa Econômica Europeia (ZEW), afirma que a pesquisa alemã nessas "tecnologias essenciais" é muito forte, especialmente na área de tecnologias climaticamente neutras. No entanto, Bertschek aponta que os resultados frequentemente são comercializados no exterior, com os Estados Unidos liderando em IA e a China reduzindo rapidamente essa diferença. "Impulso econômico virá das startups"Um relatório recente da iniciativa Made for Germany, que reúne 147 empresas e investidores, reforça o plano do governo ao estimar que essas e outras novas tecnologias poderiam atrair até 4,1 trilhões de euros (R$ 24,3 trilhões) em investimentos até 2035. Concretizar esse potencial, porém, dependerá menos dos gigantes industriais atuais, como Volkswagen, Siemens e BASF. É o que argumenta Oliver Falck, diretor do Centro para Economia da Inovação e Transformação Digital do instituto ifo. "Não serão principalmente as empresas estabelecidas que conquistarão esses novos campos, e sim os recém-chegados inovadores, as startups", diz. Segundo Falck, a tarefa é criar as condições adequadas para o surgimento de startups, incluindo proximidade com universidades de excelência, acesso a capital privado e liberdade suficiente para experimentar. Ele defende financiamento estatal durante o chamado "vale da morte" das startups — a fase arriscada entre a pesquisa e a viabilidade comercial, quando o financiamento privado costuma ser escasso. Investidores de olho nos setores de crescimento do futuroHá sinais claros de que essa mudança já está em curso. Dados do Deutsche Bank e da plataforma Startupdetector mostram que mais de 3 mil startups foram fundadas na Alemanha no primeiro semestre de 2026, um aumento de 88% em relação ao mesmo período do ano passado. Um terço dos novos empreendimentos tem foco em IA. Os investimentos de capital de risco dispararam 44%, para 5,8 bilhões de euros (R$ 34,4 bilhões), no primeiro semestre de 2026, beneficiando empresas como a Neura Robotics e as fabricantes de drones Stark e Quantum Systems. Enquanto isso, investidores dos Estados Unidos têm comprado cada vez mais empresas alemãs de médio e pequeno porte (PMEs), atraídos por suas tecnologias especializadas. Segundo Bertschek, esse setor da economia alemã é "altamente inovador". "Agora é essencial investir em tecnologias-chave, como inteligência artificial, e explorar o potencial que surge na interseção entre essas tecnologias e as tecnologias já estabelecidas", enfatiza. Bertschek, que também preside a Comissão de Especialistas para Pesquisa e Inovação (EFI) do governo alemão, acredita que as PMEs deveriam aproveitar melhor seus enormes volumes de dados de produção e colaborar com startups de IA para ajudá-las a crescer. Um argumento a favor das zonas econômicas especiaisOutra proposta para acelerar a transição para novos setores de alta tecnologia vem de Sven Gabor Janszky, presidente do instituto de pesquisas sobre o futuro 2b AHEAD, sediado em Leipzig. Ele defende que a Alemanha precisa de zonas econômicas especiais para aproveitar a próxima onda de crescimento econômico. Janszky defende que, no caso de algumas tecnologias específicas, é preciso reduzir as regulações, recrutar trabalhadores ambiciosos e "injetar dinheiro nessas zonas" — um esforço, segundo ele, semelhante ao que ajudou a reconstruir a economia alemã após a Segunda Guerra Mundial. Como exemplos disso ele cita o Vale do Silício, a megacidade chinesa Shenzhen e o distrito de Pudong, em Xangai. Na visão de Janszky, zonas como essa ajudariam a Alemanha a se posicionar como pioneira em áreas emergentes, em vez de permanecer dependente de suas antigas forças industriais. "As regulamentações da UE podem tentar impedir esse movimento, mas a Alemanha terá de superá-las para que possamos voltar a fazer a economia crescer", afirma. Gastos com defesa impulsionam o crescimento tecnológicoO forte aumento dos gastos militares da Alemanha também ajudará vários dos setores de alta tecnologia que estão sendo priorizados. Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), espera-se que o orçamento de defesa alcance cerca de 120 bilhões de euros (R$ 711,6 bilhões) em 2026, aproximadamente 2,6% do PIB. O governo quer elevar esse percentual para 3,5% até 2029. As futuras compras militares fornecerão um grande impulso à produção de drones, sensores, sistemas de comunicação e outras tecnologias de uso dual, com aplicações tanto civis quanto militares. Ainda assim, a Alemanha continuará enfrentando desvantagens de preço semelhantes ao exportar suas novas tecnologias avançadas. Isso porque a China tem custos muito menores de energia e mão de obra, além de enormes subsídios governamentais. Mas isso não precisa significar fracasso, argumenta Falck. "Tomemos a indústria de semicondutores como exemplo. Provavelmente é irrealista buscar liderança em toda a cadeia de valor. Basta liderar em pontos específicos e estratégicos", afirma. "E é exatamente aí que a Alemanha é forte: como fornecedora de equipamentos para as mais avançadas fábricas de chips e como fornecedora de semicondutores de potência para as gigafábricas de IA do mundo." |
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| Short teaser | Conflitos, energia cada vez mais cara e competição chinesa ameaçam as exportações, base da economia alemã. | ||
| Author | Nik Martin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/governo-alemão-aposta-em-economia-high-tech-para-conter-avanço-da-ultradireita-na-alemanha/a-79778231?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 8 | |||
| Id | 79788979 | ||
| Date | 2026-10-31 | ||
| Title | Como dois casos de ebola em países diferentes acabaram ligados pelo mesmo aeroporto | ||
| Short title | Mesmo aeroporto liga casos de ebola no Quênia e na Nigéria | ||
| Teaser |
Passagem pelo mesmo terminal em Uganda e versões contraditórias sobre o histórico de viagem de uma paciente alimentam dúvidas sobre a origem das infecções e uma possível ligação entre os casos na Nigéria e no Quênia. Autoridades de saúde africanas investigam uma possível conexão entre os primeiros casos confirmados de ebola no Quênia e na Nigéria. Os dois pacientes passaram pelo Aeroporto Internacional de Entebbe, em Uganda, no dia 3 de outubro, e podem ter estado no local ao mesmo tempo. A coincidência colocou Uganda no centro das investigações, apesar de o país afirmar que não registra atualmente nenhum caso ativo da doença. Segundo Wessam Mankoula, chefe de preparação e resposta a emergências do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), os dois pacientes estiveram no aeroporto na mesma data. Ainda não há confirmação de que eles tenham se encontrado ou de que tenha ocorrido transmissão do vírus no local. A situação levantou dúvidas sobre o papel de Uganda nos casos. As autoridades tentam determinar se o país foi apenas um ponto de passagem para pessoas já infectadas ou se algumas infecções podem ter passado despercebidas em uma das regiões fronteiriças mais movimentadas da África. Caso na Nigéria gera controvérsiaA investigação ganhou um novo capítulo depois que a Suíça contestou a versão apresentada por Uganda sobre o histórico de viagem da paciente diagnosticada na Nigéria. O ministro da Saúde nigeriano, Muhammad Ali Pate, confirmou um caso de ebola em Abuja, envolvendo uma mulher que havia viajado recentemente pela África Oriental, incluindo Uganda. De acordo com as autoridades, ela apresentou os primeiros sintomas em 7 de outubro e procurou atendimento médico quatro dias depois. Exames confirmaram a infecção, e a paciente foi isolada para tratamento. A Nigéria identificou 44 pessoas que tiveram contato com ela, entre profissionais de saúde, familiares, pacientes e possíveis contatos durante a viagem. Suíça contradiz UgandaO Ministério da Saúde de Uganda afirmou que a mulher teria viajado anteriormente para o leste da República Democrática do Congo (RDC), país que enfrenta um surto de ebola, e que apenas transitou por Uganda sem apresentar sintomas. Segundo Kampala, isso indicaria que a exposição ao vírus pode ter ocorrido na RDC. Entretanto, o governo suíço contesta essa versão. Em declaração à Reuters, o Departamento Federal de Relações Exteriores da Suíça afirmou que a paciente e seu marido não estiveram na República Democrática do Congo. As autoridades suíças identificaram a mulher como uma cidadã suíça de origem ugandense, casada com um diplomata suíço lotado em Abuja. Na quinta-feira, a Suíça informou à Reuters que acredita que ela tenha contraído o vírus durante uma viagem a Uganda com o marido, embora essa hipótese ainda não tenha sido confirmada de forma independente. Tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto o Africa CDC afirmaram não ter recebido evidências de que a paciente tenha viajado à RDC. As informações conflitantes aumentam as dúvidas sobre onde exatamente ocorreu a infecção, mas não comprovam que o contágio tenha acontecido em Uganda. Mais de 5 mil pessoas já morreram em decorrência do surto de ebola declarado em 15 de maio no leste da República Democrática do Congo, mas que se estendeu a outras províncias do país. Segundo o último relatório publicado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) da RDC, com dados coletados até 29 de outubro, foram registradas 10.351 infecções confirmadas, com 5.026 mortos. A epidemia apresenta uma taxa de letalidade de 48,6%, e a taxa de rastreamento de contatos está em 84,5%. Investigação no Quênia enfrenta obstáculoUganda também aparece em uma segunda investigação relacionada ao primeiro caso confirmado de ebola no Quênia. O paciente, que morreu em Nairóbi em 5 de outubro, havia viajado da República Democrática do Congo para o Quênia passando por Uganda. As autoridades confirmaram que ele esteve no Aeroporto Internacional de Entebbe em 3 de outubro, exatamente no mesmo dia da paciente diagnosticada posteriormente na Nigéria. Desde então, o Quênia registrou novas infecções ligadas a esse caso inicial. As investigações, porém, enfrentam dificuldades. Segundo o jornal Daily Nation, as autoridades procuram um cidadão ugandense identificado como contato do paciente que morreu. O diretor-geral de Saúde do Quênia, Patrick Amoth, afirmou que os investigadores possuem seu nome, número de passaporte e telefone, mas ainda não conseguiram localizá-lo. De acordo com o jornal, ele utilizava um número telefônico do Sudão do Sul, o que dificulta sua localização. As autoridades ressaltam que o fato de ele ser um contato não significa que esteja infectado, mas identificá-lo é fundamental para interromper possíveis cadeias de transmissão. Controle nas fronteiras tem limitaçõesUganda compartilha uma longa fronteira com a República Democrática do Congo, onde surtos de ebola ocorrem periodicamente. A intensa circulação de pessoas e mercadorias torna difícil determinar exatamente onde uma pessoa foi exposta ao vírus. Além disso, os sintomas do ebola podem levar de dois a 21 dias para aparecer. Segundo a OMS, uma pessoa infectada só se torna contagiosa após o surgimento dos sintomas, o que dificulta a detecção de casos durante viagens. Por isso, mesmo sistemas rigorosos de controle nas fronteiras não conseguem identificar todos os infectados. Para especialistas, o fato de os dois pacientes terem passado pelo mesmo aeroporto no mesmo dia evidencia a complexidade do rastreamento internacional de casos e reforça a importância da troca rápida de informações entre países. Enquanto Uganda afirma estar reforçando a vigilância sanitária em seus pontos de entrada, a Nigéria ampliou o rastreamento de contatos e as medidas de prevenção. População da Nigéria demonstra preocupaçãoA confirmação do caso em Abuja despertou receios entre os moradores da capital nigeriana. "Estou realmente muito preocupada", disse à DW a moradora Peace Kolawole, mostrando um frasco de álcool em gel. Outros temem que um possível surto agrave os problemas enfrentados pelo sistema de saúde do país. "As pessoas nem estão mais preocupadas em adoecer, estão preocupadas em sobreviver", afirmou à DW o morador Jonathan Steven. Perguntas permanecem sem respostaEmbora a localização estratégica de Uganda explique por que o país aparece nas duas investigações, algumas questões continuam em aberto. A principal delas é se os pacientes do Quênia e da Nigéria tiveram algum contato no Aeroporto Internacional de Entebbe em 3 de outubro. Outra dúvida é onde a paciente nigeriana foi infectada, já que a Suíça afirma que ela nunca esteve na República Democrática do Congo. Até o momento, nem a OMS nem o Africa CDC confirmaram a alegada viagem ao país vizinho. Ao mesmo tempo, a ausência de casos ativos oficialmente registrados em Uganda não descarta completamente a possibilidade de infecções não detectadas. Enquanto Quênia e Nigéria concentram esforços para conter os casos confirmados, Uganda busca demonstrar que seu sistema de vigilância sanitária é capaz de identificar e controlar eventuais infecções. |
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| Short teaser | Passagem pelo mesmo terminal em Uganda alimentam dúvidas sobre a origem de infecções na Nigéria e no Quênia. | ||
| Author | Andrew Wasike | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-dois-casos-de-ebola-em-países-diferentes-acabaram-ligados-pelo-mesmo-aeroporto/a-79788979?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 9 | |||
| Id | 78393402 | ||
| Date | 2026-10-31 | ||
| Title | Trump diz que Flávio Bolsonaro, que fugiu do Brasil, pode ficar nos EUA pelo "tempo que quiser" | ||
| Short title | Trump diz que Flávio pode ficar nos EUA pelo "tempo que quiser" | ||
| Teaser |
Presidente dos EUA disse que senador do PL, que fugiu após derrota nas eleições, tem sido "tratado muito mal". No mesmo dia, secretário de Estado aifrmou que governo americano não ajudou na fuga do candidato derrotado.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para um quarto mandato no segundo turno das eleições, com mais de 64,2 milhões de votos (51,79%), contra mais de 59,8 milhões (48,21%) do senador Flávio Bolsonaro (PL). Dois dias após o pleito, o senador Flávio fugiu do país na esteira de uma ordem de entrega de passaportes por parte do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele, então, se autodeclarou "o verdadeiro do presidente do Brasil", expressão que depois foi substituída por "o líder do Brasil". Acompanhe aqui as principais notícias políticas após a campanha eleitoral. Trump: Flávio Bolsonaro pode ficar nos EUA pelo "tempo que quiser" O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na noite de sábado (31/10) que o senador Flávio Bolsonaro, derrotado nas eleições para Luiz Inácio Lula da Silva, pode permanecer nos Estados Unidos "pelo tempo que quiser". Trump, ao falar com repórteres em seu clube Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida, disse que não tem planos de se encontrar com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. "Sem planos de encontrar, mas acho que ele foi tratado muito mal. Muito mal. Então ele pode ficar aqui o tempo que quiser", disse o presidente americano, que voltou a levantar suspeitas sobre as eleições presidenciais, sem apresentar provas. A vitória de Lula foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e reconhecida pelo PL, partido de Flávio e por aliados políticos do candidato derrotado, inclusive pelo vice na chapa dele, Alfredo Gaspar. "Na minha opinião, a eleição foi uma vergonha", disse Trump. Flávio fugiu do Brasil para Miami, a partir da Argentina, após ter sido intimado pela Polícia Federal para entregar os passaportes. Ele é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). O secretário do Departamento de Estado, Marco Rubio, declarou, também no sábado, que o governo americano não ajudou na fuga do senador pelo PL. fcl (reuters, ots) Rubio nega que EUA tenham ajudado na fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil O secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou neste sábado (31/10) que o governo americano tenha facilitado a saída do Brasil do senador Flávio Bolsonaro(PL), que fugiu para Miami após perder para Lula as eleições presidenciais por mais de 4,4 milhões de votos. Flávio desembarcou nos Estados Unidos após ignorar uma ordem judicial que determinava a entrega de seus passaportes. "Não participamos de nenhum dos preparativos que ele fez para sair. Ao menos, o governo americano não esteve envolvido diretamente em nenhum desses movimentos", respondeu Rubio na entrevista coletiva de encerramento da reunião de ministros das Relações Exteriores do G20, realizada em Atlanta. O secretário de Estado acrescentou que Flávio já possuía um visto americano e que a única decisão tomada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi autorizar sua entrada no país. "O presidente deixou claro que, se ele chegasse a um porto de entrada dos Estados Unidos, a sua entrada no país seria permitida mediante uma permissão temporária, e assim ocorreu", apontou. O ex-candidato presidencial, sua esposa e suas duas filhas cruzaram a fronteira do Brasil com a Argentina e embarcaram em um avião particular em Puerto Iguazú. Após fazerem escala em Guayaquil (Equador), aterrissaram na quarta-feira em Miami. Segundo fontes citadas pelo jornal The New York Times, Jason Miller, um dos assessores de Trump, teria providenciado o avião particular no qual a família Bolsonaro viajou. O episódio elevou a tensão entre os governos de Trump e Lula. Durante a reunião de Atlanta, Rubio se encontrou com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, pela primeira vez desde a chegada de Flávio aos Estados Unidos. Rubio confirmou que teve a oportunidade de conversar com Vieira e disse que provavelmente voltarão a se ver em novembro, durante o G7 na França. le (efe) Mauro Vieira e Rubio têm primeiro contato após eleição brasileira O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, conversaram nesta sexta-feira (30/10) durante a reunião de chanceleres do G20, realizada em Atlanta, no estado americano da Geórgia. Os dois também acertaram um novo encontro nas próximas semanas para discutir a agenda bilateral entre Brasília e Washington. O contato ocorreu em meio a um momento de tensão nas relações entre os dois países. O governo do presidente Donald Trump ainda não reconheceu oficialmente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras realizadas no domingo (25/10). Nos últimos dias, Trump voltou a levantar suspeitas sobre o processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas. Segundo relatos de fontes diplomáticas, a conversa entre Vieira e Rubio ocorreu durante a recepção de boas-vindas aos participantes do encontro do G20. Nenhum tema específico foi discutido, mas os dois concordaram em realizar uma reunião dedicada à pauta bilateral antes da cúpula de líderes do grupo, marcada para dezembro, nos Estados Unidos. A data e o local do encontro ainda não foram definidos. O encontro também acontece poucos dias após a fuga do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, episódio que ampliou o desgaste diplomático entre Brasília e Washington. Apesar das divergências recentes, o acerto de uma nova reunião é visto por diplomatas como uma tentativa de preservar os canais de diálogo entre os dois governos antes da cúpula do G20. Flávio, derrotado por uma diferença de mais de 4,4 milhões de votos, desembarcou nos Estados Unidos após ignorar uma ordem judicial que determinava a entrega de seus passaportes. Segundo reportagens da imprensa americana, pessoas ligadas ao governo de Donald Trump, incluindo aliados de Rubio, participaram das articulações que permitiram sua saída do Brasil. Em resposta, congressistas democratas enviaram carta ao governo americano cobrando investigações e esclarecimentos sobre um possível uso da estrutura diplomática dos EUA para auxiliar um político brasileiro que enfrenta investigações no Supremo Tribunal Federal. le (ots) Após fugir para Miami, Flávio alega que vai concorrer de novo "antes" de 2030 O ex-presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula nas eleições de 2026, alegou que poderá disputar as próximas eleições à Presidência da República antes do fim do próximo mandato do petista. "Qualquer coisa que aconteça, eu vou estar aqui. Pronto, inclusive, se for preciso, para disputar a Presidência da República de novo. E não estou falando de 2030, não, estou falando de antes disso", afirmou o senador em uma live transmitida de Miami, para onde fugiu dois dias após o pleito, após ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes. Flávio é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro. "Eu não saí do Brasil. Eu saí pelo Brasil", disse. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou questionar o resultado das urnas, sem apresentar provas, afirmando que a vitória de Lula é "matematicamente impossível" e agradeceu aos quase 60 milhões de eleitores "reais". No domingo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atestou o triunfo petista. O PL, partido de Flávio, também reconheceu o resultado das eleições. O vice do senador na chapa que concorreu à presidência, Alfredo Gaspar (PL), também. De acordo com o senador, cujo mandato vai até janeiro, o quarto governo de Lula será marcado por dificuldades econômicas, que levarão a uma cassação da chapa. "Infelizmente, o Brasil está fadado a quebrar, e eu acho que esse é um dos fatores que vai acabar derrubando o atual presidente da República muito antes do que a gente imagina", completou Flávio, que publicou, na última quinta-feira (29/10), uma carta com teor golpista logo após pisar em território americano, declarando-se "presidente". Minutos depois, o termo foi substituído por "líder do Brasil", em nova carta. fcl (ots) Itamaraty convoca diplomata argentina após fuga de Flávio para os EUA O Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de Negócios da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, para discutir a passagem de Flávio Bolsonaro pelo território argentino antes de sua chegada aos Estados Unidos. Segundo o Estadão e o g1, ela esteve se reuniu com o chefe do Departamento do Mercosul do Itamaraty, João Marcelo Galvão de Queiroz, na quinta-feira (29/10) e ficou encarregada de relatar a conversa ao governo argentino. Nas redes sociais, porém, o chanceler argentino Pablo Quirno e Milei negaram que o Brasil tenha feito qualquer convocação formal ou pedido de explicações. O gesto diplomático é tomado como um descontentamento diante do possível envolvimento do governo do presidente argentino Javier Milei na operação de saída do senador do Brasil. Assessor de Milei teria auxiliado Flávio Apesar de ser alvo de restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio cruzou a fronteira por Puerto Iguazú e embarcou em um jatinho particular rumo à Flórida. O governo argentino havia iniciamente negado a presença do senador em seu território. Mais tarde, porém, confirmou que ele atravessou ao país apenas no final da noite de quarta-feira (28/10). A imprensa argentina afirma que um dos principais assessores de Milei teria auxiliado a logística da fuga. gq (OTS) Parlamentares democratas exigem que Trump reconheça vitória de Lula Deputados da ala progressista do partido Democrata dos Estados Unidos divulgaram uma nota em que cobram de Donald Trump o reconhecimento da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições brasileiras. O documento foi assinado por líderes do Congressional Progressive Caucus (CPC), grupo que reúne cerca de cem parlamentares democratas e atua na defesa de pautas progressistas no Congresso dos EUA. Na nota, os deputados afirmam que "Trump continua intensificando seu negacionismo eleitoral" e ressaltam que Lula venceu a disputa "de forma decisiva, por mais de 4 milhões de votos". O texto critica o fato de o presidente americano ter classificado a eleição brasileira como "fraudada"e de não reconhecer o resultado. Os parlamentares também mencionam Flávio Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, que chegou a se apresentar como "presidente eleito do Brasil". "A parceria de Trump e Bolsonaro no negacionismo eleitoral deve acabar imediatamente. Exigimos que os Estados Unidos se juntem ao restante do mundo e aceitem o resultado da eleição brasileira", afirma o documento. Os signatários acrescentam que, "nas duas maiores democracias do hemisfério, não podemos tolerar esforços autoritários para negar resultados eleitorais, reverter a vontade de centenas de milhões de eleitores ou interromper violentamente a transferência pacífica de poder". A nota também afirma que os integrantes do grupo estão comprometidos a utilizar "todos os instrumentos do Congresso" para combater o que classificam como interferência eleitoral e negacionismo de Trump no exterior. gq (OTS) Michelle pede união do grupo político e critica ataques a aliados Sem citar diretamente o resultado da eleição presidencial, a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL) divulgou uma mensagem pedindo união entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e criticando o que chamou de notícias falsas sobre posicionamentos atribuídos a ele. No texto, ela afirma que Bolsonaro tem demonstrado gratidão aos aliados que participaram da campanha de Flávio Bolsonaro e diz que o ex-presidente lamenta ataques direcionados a aliados como Damares Alves, Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira e o pastor Silas Malafaia. "Ele [Jair Bolsonaro] sempre diz que é muito grato pelo empenho e sacrifício que - dentro das possibilidades - cada um fez em prol da campanha do Flávio", escreveu nas redes sociais. Nomes como o governador Tarcísio de Freitas foram criticados por apoiadores de Flávio ao não endossarem as acusações do senador sobre o resultado das urnas eletrônicas. Michelle também foi questionada nas redes sociais por não ter se posicionado até o momento sobre o caso. "O meu marido ressalta que é momento de união e não de procurar culpados", afirmou. gq (OTS) Democratas cobram explicações de Rubio sobre entrada de Flávio nos EUA Em carta, 25 congressistas democratas pediram nesta sexta-feira (30/10) ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, que esclareça se o departamento que ele dirige facilitou a fuga para os EUA do senador brasileiro Flávio Bolsonaro, após perder a eleição presidencial no domingo. O pedido ocorre um dia depois de o jornal The New York Times informar, com base em autoridades americanas, que o presidente Donald Trump e seus assessores teriam ajudado Flávio Bolsonaro a deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos, apesar da ordem doSupremo Tribunal Federal (STF) para que o senador do PL entregasse todos os seus passaportes. Flávio entrou no país na quarta-feira pelo Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, apesar de a Polícia Federal brasileira ter cancelado, na terça-feira, seus passaportes comum e diplomático, depois de ele descumprir a ordem judicial de entregá-los no âmbito de uma investigação por suposta corrupção. Os democratas questionam se autoridades do Departamento de Estado emitiram vistos para Bolsonaro, sua esposa e filhas, permitindo assim a entrada da família no país. "Se essa assistência ocorreu, o Congresso precisa saber o que foi oferecido, quem autorizou, quando aconteceu e quais informações as autoridades americanas possuíam naquele momento", afirmam os parlamentares na carta. Participação da embaixada dos EUA no Brasil Eles também pedem esclarecimentos sobre eventual participação da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou de qualquer outra instituição americana nos acontecimentos. Entre outras questões, os democratas querem saber se, antes de "autorizar ou facilitar" a emissão de um visto, o Departamento de Estado verificou se Bolsonaro estava legalmente autorizado a deixar o Brasil ou se tinha conhecimento de que o senador havia descumprido ordens da Justiça brasileira. Os parlamentares democratas também buscam saber quem autorizou a entrada do político brasileiro e de sua família, bem como se foi considerada a suspensão dos trâmites migratórios quando o governo americano tomou conhecimento das restrições judiciais impostas a Bolsonaro. Flávio e a família entraram na Argentina por via terrestre, cruzando a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que leva a Puerto Iguazú. De lá, embarcaram em um voo privado com destino à cidade equatoriana de Guayaquil, segundo informou a Direção Nacional de Migrações da Argentina na rede social X. O destino final era Miami. A primeira etapa da viagem levou os democratas a questionar também se algum funcionário do governo dos Estados Unidos lotado na Argentina ou no Equador coordenou ações com Flávio ou teve qualquer participação no planejamento do itinerário da viagem. le (efe) Funcionário da Casa Branca teria articulado fuga de Flávio aos EUA, diz NYT O funcionário da Casa Branca Jason Miller teria providenciado o jato particular que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL) nesta semana aos Estados Unidos. A informação foi publicada pelo jornal americano The New York Times. O articulador da fuga é apontado como estrategista republicano de longa data, ligado ao presidente Donald Trump, que, por sua vez, teria autorizado a entrada de Flávio, sua esposa e suas filhas em território americano. Na sua conta na rede social X, Miller vem lançando dúvida sobre a integridade das eleições presidenciais brasileiras, sem apresentar provas. O resultado das urnas já foi reconhecido por diversos aliados do bolsonarismo no Brasil, e a Justiça Eleitoral garantiu que tem absoluta segurança no processo eleitoral. Trump, porém, ainda não parabenizou Lula. Miller é apontado como um dos principais nomes por trás da comunicação digital trumpista. Ele fez diversas publicações sobre a votação brasileira no domingo do segundo turno, sempre em tom de apoio à chapa de Flávio e, não raro, disseminando informações comprovadamente falsas. ht/le (ots) MPT processa Meta por posts que incitam demissões para retaliar voto O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com ação civil pública nesta quinta-feira (29/10) contra a Meta, empresa dona das plataformas digitais Instagram, Facebook e WhatsApp. O órgão cobrou que a empresa retirasse do ar, em até 24 horas, publicações que convocam empresários a vigiar, expor, deixar de contratar e demitir funcionários por causa do voto nas eleições brasileiras. Pediu também R$ 50 milhões de indenização por danos morais coletivos. "Publicações de empresários, influenciadores e até parlamentares orientam vasculhar as redes sociais de trabalhadores para descobrir em quem votaram e, no caso de a opção ser diferente do patrão, mandá-los embora. Outras expõem pessoas à ridicularização, com nome e imagem, ou comemoram demissões", afirma o MPT. Entre a meia noite de segunda-feira e as 12h desta quinta, o MPT recebeu 1.459 denúncias de assédio eleitoral, de um total de 3.396 registradas nas eleições de 2026. Segundo o órgão, as plataformas não só permitem a veiculação do conteúdo ilegal há dias como também ampliam o seu alcance ao recomendá-los para usuários. Para os procuradores, a não remoção da "incitação à discriminação de trabalhadores por convicção política" se dá "por escolha, e não por impossibilidade técnica". Eles argumentam que a empresa já dispõe de sistemas automatizados que, combinados com revisão humana, identificam e removem outros tipos de conteúdo. A ação pediu que seja aplicada multa de R$500 mil por conteúdo mantido após o prazo de 24 horas; que a Meta exiba um aviso aos usuários brasileiros afirmando que não compactua com este tipo de conteúdo; e que os perfis responsáveis sejam notificados ou, em caso de reincidência, sejam suspensos por 30 dias ou desativados. ht/le (ots) Presidente do PL: "Ninguém aprovou" a carta golpista de Flávio O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, manifestou nesta quarta-feira (29/10) desaprovação à carta golpista publicada pelo senador Flávio Bolsonarona véspera, pouco após desembarcar nos Estados Unidos. "Ninguém aprovou a carta. Ninguém aprova essa situação que aconteceu com o Flávio. Queremos tocar o país para frente," afirmou Costa Neto a jornalistas. Ele próprio disse que "não gostou" do documento, em que Flávio afirma, sem provas, ter havido fraude eleitoral no segundo turno. Numa versão inicial do documento, Flávio se autodeclarava "o verdadeiro presidente eleito" do Brasil. Mas, depois, supostamente a pedido dos EUA, ele recuou e trocou o termo para se intitular como "o líder" do país. O mesmo tom de Costa Neto já fora adotado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na quarta-feira. Outros aliados do bolsonarismo vêm se afastando do posicionamento abertamente golpista de Flávio, que fugiu para Miami após ser derrotado nas urnas, e defendendo o resultado das eleições. ht/le (ots) Flávio teria desistido de se autointitular "presidente eleito" após pressão dos EUA O candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) teria desistido de se autointitular "verdadeiro presidente eleito do Brasil" em uma carta golpista publicada nas redes após ser pressionado pelos Estados Unidos, informam reportagens publicadas nesta quinta-feira (29/10) no portal UOL e no g1. No texto, publicado na véspera, Flávio diz que a eleição foi fraudada, sem citar provas e usando argumentos incoerentes. "Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil", dizia a primeira versão da carta divulgada por Flávio. Minutos depois, o documento foi substituído por uma outra versão, em que ele se referia a si mesmo como "líder do Brasil". Segundo o g1, Flávio teria sido avisado por pessoas ligadas ao Departamento de Estado americano, chefiado por Marco Rubio, que o termo "poderia dar a entender que o governo americano havia acolhido o senador" como presidente, o que azedaria as relações entre os dois países e prejudicaria os interesses diplomáticos dos EUA. Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro que vive nos EUA, negou à colunista Mariana Sanches, do UOL, que ao menos uma das versões da carta tenha sido submetida a Rubio. "Quem seria louco de achar que a Casa Branca vai dizer ao Flávio o que falar?", reagiu. Figueiredo atribuiu o uso da expressão "presidente eleito" a um descuido na revisão, já que a carta teria sido elaborada com o uso de inteligência artificial. EUA deu visto a Flávio Nem o Departamento de Estado nem o próprio presidente Donald Trump se pronunciaram até agora sobre a carta de Flávio ou emitiram qualquer comunicado oficial reconhecendo a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Trump tem alimentado as alegações infundadas do candidato derrotado de que as eleições teriam sido fraudadas, mas sem apresentar qualquer indício ou prova. "Acho que a eleição foi uma vergonha no Brasil", disse ele nesta quinta-feira a jornalistas, ao ser questionado sobre quem ele achava que era o vencedor legítimo do pleito. Flávio fugiu para os EUA logo depois de a Justiça autorizar a Polícia Federal (PF) a apreender seus passaportes. Segundo o g1, o senador usou o passaporte diplomático cancelado para entrar no país. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é investigado em duas ações por suspeita de lavagem de dinheiro e outros crimes no âmbito dos escândalos do Banco Master e dos desvios do INSS. ra/le (ots) Após carta golpista de Flávio, Trump volta a questionar eleição no Brasil O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou nesta quinta-feira (29/10) suas críticas à eleição no Brasil, recusando-se a dizer se reconhece Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente. "Acho que a eleição foi uma vergonha no Brasil", disse Trump a jornalistas ao ser questionado se aceitava a vitória de Lula. A declaração de Trump vem um dia depois de o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) ter fugido para os Estados Unidos e divulgado uma carta em que alega, sem apresentar quaisquer provas, que o segundo turno das eleições foi fraudado. "Não quero comentar isso agora, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro [...]. Achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil", afirmou Trump. A suposta "fraude" alegada por Flávio teria consistido na prorrogação da votação por duas horas por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). O senador, contudo, omite dois fatos em sua carta: a extensão do horário de votação também foi pedida pelo próprio partido dele, o PL; e o número de eleitores que depositou seus votos após as 17h foi de cerca de 35 mil, segundo dados do TSE. Flávio perdeu a eleição por uma diferença de mais de 4,4 milhões de votos. Trump diz que não tomou partido a pedido de Lula Trump também afirmou não ter tomado partido nas eleições brasileiras, atendendo a um pedido de Lula. Analistas, porém, veem as tarifas impostas ao Brasil, a classificação de organizações criminosas como terroristas e o abrigo dado por Washington a lideranças do bolsonarismo como sinais claros de que a Casa Branca tentou interferir no pleito. "Acompanhei a eleição. Não tomei partido. Deixei as coisas seguirem seu curso. O presidente — o atual presidente — me pediu para não tomar partido. E eu não tomei", disse o americano. ra/le (AFP, ots) Aliados do bolsonarismo se afastam da carta golpista de Flávio Aliados do bolsonarismo se afastaram do tom golpista adotado pelo senador Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (28/10), após chegar aos Estados Unidos. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse ao jornal O Estado de S. Paulo que "é preciso respeitar as urnas e seguir em frente". A entrevista sucedeu a publicação por Flávio Bolsonaro de uma carta golpista, em que o senador primeiro se chamou de "o verdadeiro presidente" do Brasil e, depois, de "o líder" do país. “A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou o governador. Anteriormente, Tarcísio já reconhecera a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, em que o presidente obteve quase 52% dos votos válidos. Já o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) disse à Folha de São Paulo que a carta é "pura ação política" e que não há apoio para o seu tom golpista. Ele foi vice do presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio. Segundo o Valor Econômico, a autodeclaração de Flávio como "presidente do Brasil" gerou rechaço de aliados, que foram pegos de surpresa. Outros aliados de Fláviotambém já reconheceram o resultado das urnas. Um deles foi o candidato a vice de Flávio, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). Outro, foi o governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL). ht/le (ots) Nunes Marques reage à carta de Flávio: "Eleições mais inclusivas na história" O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, emitiu nota nesta quarta-feira (28/10), pouco após a publicação de uma carta golpista pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele chamou o segundo turno de "as eleições mais inclusivas da história da República brasileira". "Mesmo diante da instabilidade na reta final de votação, graças às medidas adotadas e à competência dos técnicos do Tribunal, foi possível avançar com a apuração e entregar um pleito com segurança", disse. Na carta, Flávio disse que houve "fraude eleitoral" no segundo turno, sem apresentar provas, citando a prorrogação da votação por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o ministro, "todos os questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos". ht/le (ots) |
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| Short teaser | Presidente dos EUA disse que senador do PL, que fugiu após derrota nas eleições, tem sido "tratado muito mal". | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/trump-diz-que-flávio-bolsonaro-que-fugiu-do-brasil-pode-ficar-nos-eua-pelo-tempo-que-quiser/live-78393402?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Declaração foi concedida por Trump em sua casa em Mar-a-Lago, na Flórida. onde foi realizada uma festa de Halloween nesse sábado (31/10) | ||
| Image source | Jacquelyn Martin/AP Photo/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79821698_354.jpg&title=Trump%20diz%20que%20Fl%C3%A1vio%20Bolsonaro%2C%20que%20fugiu%20do%20Brasil%2C%20pode%20ficar%20nos%20EUA%20pelo%20%22tempo%20que%20quiser%22 | ||
| Item 10 | |||
| Id | 79810864 | ||
| Date | 2026-10-31 | ||
| Title | Paris identifica local onde foi feita a primeira foto com seres humanos da história | ||
| Short title | Local exato da primeira fotografia com seres humanos é identificado | ||
| Teaser |
Quase dois séculos após imagem histórica de Louis Daguerre, pesquisadores confirmaram o ponto onde um engraxate e seu cliente estão retratados. Tempo de exposição prolongado fez com que outros elementos "desaparecessem".A fotografia mais antiga preservada foi feita pelo inventor francês Nicéphore Niépce com uma câmera escura, entre 4 de junho e 18 de julho de 1827, segundo uma das datações da obra (alguns falam em 1826). Conhecida como Point de vue du Gras (Vista de Le Gras), ela mostra alguns edifícios e a paisagem rural ao redor de sua propriedade. Mas não há qualquer sinal de pessoas. Quem teria sido, então, o primeiro ser humano a aparecer em uma fotografia?
A resposta pode estar em uma imagem que Louis Daguerre fez em 1838 sem a intenção de fotografar ninguém. Em uma manhã, às oito horas, ele apontou sua câmera para o Boulevard du Temple, em Paris, da janela de seu estúdio. Queria testar o daguerreótipo, uma técnica à qual havia dedicado quase um ano de trabalho. Ao longo do dia, voltou a fotografar a mesma vista, primeiro ao meio-dia e depois à tarde. Mas foi a primeira imagem que acabaria entrando para a história.
A primeira fotografia de seres humanos?
O aparecimento de pessoas foi, acima de tudo, um acaso. Tudo dependia do tempo de exposição. A câmera precisava de cinco a dez minutos para registrar a imagem, de modo que muitos dos pedestres e veículos que circulavam pela avenida desapareceram da foto. O resultado é uma rua que parece praticamente deserta, embora estivesse bastante movimentada.
Mas duas pessoas escaparam desse efeito curioso: um engraxate e seu cliente, que permaneceram imóveis tempo suficiente para aparecer na fotografia. Sem saber, eles se tornaram os protagonistas daquela que é considerada a primeira imagem fotográfica de seres humanos, embora não exista certeza absoluta sobre esse marco.
A cena guarda ainda um detalhe curioso. Maximilien Van Aertryck, cineasta que estudou a imagem, acredita que o engraxate poderia ser um adolescente entre 12 e 15 anos.
Segundo explicou à Radio France, nas gravuras da época que consultou, os engraxates costumavam ser representados como crianças. Para ele, a fotografia não captou apenas duas pessoas, mas também uma das primeiras representações fotográficas do trabalho e de uma interação social.
Um lugar perdido em Paris
Mas havia algo que continuava desconhecido. Em que ponto exato de Paris aqueles dois desconhecidos haviam parado? Quase dois séculos depois, sua localização exata ainda não tinha sido claramente identificada nem sinalizada, e encontrá-la não era tarefa simples.
A área havia mudado profundamente desde 1838. A criação da atual Place de la République alterou o traçado do Boulevard du Temple, enquanto as reformas urbanas do século 19 fizeram desaparecer muitos dos edifícios da região.
O mistério despertou a curiosidade de Van Aertryck e de seus colegas Axel Danielson e Kalle Boman. Os três já conheciam bem a imagem: ela havia sido utilizada no documentário And the King Said, What a Fantastic Machine, premiado em Sundance em 2023.
Em uma tarde de 2024, enquanto estavam por acaso na Place de la République, perceberam que se encontravam muito perto do local de onde Daguerre havia feito a fotografia. Então se perguntaram onde exatamente o engraxate e seu cliente estariam. Ao investigar, descobriram que ninguém havia marcado aquele ponto.
A curiosidade acabou se transformando em uma investigação de dois anos. A equipe realizou um escaneamento tridimensional da praça e do boulevard. Depois, recorreu a mapas, pinturas e gravuras de arquivos parisienses para reconstruir a aparência da região em 1838. Segundo contou Van Aertryck à Radio France, chegaram a utilizar o Atlas Vasserot, um antigo cadastro de Paris elaborado em 1836.
Com essa reconstrução como referência, dois escritórios de arquitetura – um na França e outro na Suécia – analisaram onde os protagonistas poderiam ter estado. Seus cálculos apontaram para dois locais diferentes, separados por apenas dois metros. Para decidir onde instalar a placa, os cineastas escolheram um ponto intermediário entre os dois.
Uma placa de bronze na Place de la République
Assim, quase dois séculos depois daquela manhã de 1838, o local identificado pelos pesquisadores passou a ser marcado por uma placa de bronze na Place de la République. Inaugurada em 15 de outubro e intitulada Un Détail Imprévu (Um detalhe inesperado), ela reproduz um fragmento da fotografia e conta sua história.
Segundo a Radio France, a peça mede um metro por 70 centímetros, pesa 70 quilos e foi instalada no chão, substituindo duas placas de concreto.
Negativo de 1937 continua desaparecido
No entanto, a história daquela imagem ainda guarda um capítulo em aberto. Em 1839, Daguerre enviou a placa fotográfica original ao rei da Baviera. Segundo a Artnet, ela sofreu graves danos durante os bombardeios aliados na Segunda Guerra Mundial. Uma tentativa de restauração realizada em 1970 também não conseguiu recuperar a imagem, que hoje é praticamente irreconhecível, de acordo com a Radio France.
A imagem que chegou até nossos dias provém de uma fotografia da placa original encomendada em 1937 por Beaumont Newhall, ligado ao MoMA de Nova York.
Agora, os cineastas tentam localizar o negativo daquela cópia com a ajuda do Museu Nacional da Baviera e do Getty Center, em Los Angeles. Ao que tudo indica, o negativo passou por diferentes locais nos Estados Unidos, mas seu paradeiro continua desconhecido.
"Essa foto e essa placa nos lembram, de certa forma, que as gerações anteriores também viveram uma profunda transformação tecnológica, cujas consequências precisam ser compreendidas e administradas", afirmou Van Aertryck à Radio France.
Enquanto essa busca continua, quem passa hoje pela Place de la République, em Paris, pode parar ao lado do ponto onde, segundo a reconstrução histórica, um homem engraxou os sapatos em uma manhã de 1838. Aquele gesto cotidiano acabaria deixando uma marca inesperada na história da fotografia.
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| Short teaser | Pesquisadores identificaram local onde foi feita imagem considerada a 1ª fotografia com seres humanos da história. | ||
| Author | Felipe Espinosa Wang | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/paris-identifica-local-onde-foi-feita-a-primeira-foto-com-seres-humanos-da-história/a-79810864?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Foi assim que Daguerre registrou o Boulevard du Temple: uma rua movimentada que a câmera transformou em um cenário quase vazio | ||
| Image source | akg-images/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79776875_354.jpg&title=Paris%20identifica%20local%20onde%20foi%20feita%20a%20primeira%20foto%20com%20seres%20humanos%20da%20hist%C3%B3ria | ||
| Item 11 | |||
| Id | 79809715 | ||
| Date | 2026-10-30 | ||
| Title | Como a fuga de Flávio Bolsonaro pode impactar o bolsonarismo | ||
| Short title | Como a fuga de Flávio Bolsonaro pode impactar o bolsonarismo | ||
| Teaser |
Saída de Flávio do Brasil enfraquece postura do filho de Jair Bolsonaro e abre espaço para outras lideranças do bolsonarismo, até mesmo de fora do clã. Após o resultado das eleições, o senador Flávio Bolsonaro (PL) buscou se apresentar como o líder da oposição, inclusive após a sua fuga para os Estados Unidos. No entanto, sua saída do país e a adoção de um discurso golpista radical colocou em xeque essa liderança e pode redesenhar o bolsonarismo. A distância abre espaço para outras lideranças se posicionarem com representantes do movimento. A derrota de Flávio já era considerada um ponto que deveria suscitar reavaliações sobre o bolsonarismo, segundo os especialistas. Mas a situação se tornou ainda mais complexa após a fuga dele para os Estados Unidos. Flávio se recusou inicialmente a aceitar o resultado eleitoral e fugiu para os Estados Unidos, de onde se autoproclamou presidente eleito do Brasil. Depois, recuou do status e se apresentou apenas como "líder do Brasil" e da oposição em uma carta golpista publicada em suas redes sociais. "Essa postura do Flávio após a derrota prejudica bastante a posição dele no campo bolsonarista. Ele perde espaço com isso", avalia a cientista política Daniela Costanzo, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que pesquisa o movimento bolsonarista. "O Flávio já não era um grande líder do bolsonarismo, mas foi definido como candidato por escolha do pai. Nas eleições municipais de 2024, o Flávio foi muito importante no bolsonarismo, quando ajudou muito o PL, mas não era uma liderança muito forte", acrescenta Costanzo. Senador de 45 anos que substituiu seu pai declarado inelegível, Flávio inicialmente se lançou à Presidência no ano passado no que parecia uma mera manobra política de "troca de moeda" que ainda poderia abrir caminho para outro candidato de ultradireita. Mas ele rapidamente foi bem-sucedido em herdar boa parte do capital político de Jair Bolsonaro e se cacifar como o principal desafiante da candidatura à reeleição de Lula. Costanzo, porém, pontua que Flávio nunca foi tão carismático como o pai, além de estar respondendo por vários crimes. Flávio acumula uma série de investigações, ao longo de mais de duas décadas de vida pública. As suspeitas vão desde um esquema de rachadinhas em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) a supostos vínculos com apostas esportivas, passando por desvio de recursos públicos para o financiamento de um filme sobre o pai. Com a chegada de Flávio nos EUA, os três principais nomes do clã Bolsonaro estão fora da política no momento. Jair está preso, após ser condenado por liderar uma trama golpista para impedir a posse de Lula após as eleições de 2022. Já Eduardo, que era considerado um dos principais articuladores da extrema direita junto com Flávio, também vive nos Estados Unidos desde março de 2025. O novo bolsonarismoOs especialistas consideram pouco provável que o bolsonarismo acabe, mas avaliam que ele deve ser reformulado após os últimos acontecimentos. "Ainda dá muito certo para os políticos se associar ao bolsonarismo, porque em várias eleições você vê aliados do campo bolsonarista com muitos votos. Tanto que eles elegeram a maior bancada da Câmara", afirma Costanzo. Neste ano, dois filhos do ex-presidente, Carlos e Jair Renan, foram eleitos, ambos no PL, por Santa Catarina como senador e deputado federal, respectivamente. Já em Brasília, Michelle Bolsonaro (PL), ex-primeira-dama, foi eleita senadora. "A família Bolsonaro constitui uma organização de caráter familiar que enriqueceu com a política e transformou isso numa espécie de negócio", afirma o cientista político Helio Cannone, pesquisador do Observatório da Extrema Direita Latino-Americana (OEDLA), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Carlos, Jair Renan e Michelle não têm sido vistos como nomes fortes para liderar o bolsonarismo, ao menos por enquanto. Eles devem ser suplantados por outras figuras consideradas mais expressivas da extrema direita, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). "Talvez com esse fracasso do Flávio e com a fuga dele, acabe havendo um consenso dentro do partido digital bolsonarista de que é melhor apostar em alguém que não seja da família para a próxima eleição", avalia Costanzo. O caso de Flávio causou uma divisão dentro do bolsonarismo. Enquanto alguns membros do movimento optaram por discordar da fuga e da carta divulgada pelo ex-candidato à Presidência, outros manifestaram apoio. "Os maiores líderes do campo político do bolsonarismo não manifestaram apoio à fuga do Flávio. Houve aquela coisa de dizer: ‘Está vendo como o Judiciário é ruim? Está vendo a ditadura do Supremo?'. Mas ninguém falou realmente: ‘O Flávio é o nosso líder'. No ambiente digital da direita e da extrema direita, não houve uma comoção em torno disso. Foi uma fuga que enfraqueceu o campo", afirma a cientista política Marina Basso Lacerda, que estuda o novo conservadorismo brasileiro. "Esses líderes não acompanharam o Flávio porque a direita e seus setores mais extremos no Brasil hoje têm muito a perder. O PL é um partido de direita de massas, o primeiro da história do Brasil. Fez uma bancada recorde desde a redemocratização. Então, esse campo tem muito a perder. Não vai romper com a democracia brasileira, não vai dizer que as eleições que elegeram essas pessoas não são legítimas", acrescenta Lacerda. Os impactos do caso FlávioPara os especialistas, ainda é cedo para avaliar de modo mais profundo os impactos da conduta de Flávio para o bolsonarismo. No entanto, eles frisam que cada vez mais vai ser fundamental discernir o movimento da extrema direita daquele diretamente ligado à família Bolsonaro. "Houve um enfraquecimento da família Bolsonaro, mas o bolsonarismo vai além disso. Se considerarmos o bolsonarismo como uma força política que atrai muitos votos a partir de determinada visão de mundo e de uma oposição às esquerdas, com base tanto na sociedade quanto em outros políticos eleitos, aí fica mais difícil prever o que vai acontecer", afirma Cannone. "Nem todo eleitor do Flávio Bolsonaro é um bolsonarista muito convicto, mas uma parte considerável é. É um eleitorado muito fiel, alimentado por um sentimento antipetista e contrário às esquerdas em geral. Há também aquelas pessoas que compram parcialmente essa visão de mundo", completa Cannone. Ainda que não tenha um membro dos Bolsonaro como líder principal, esse segmento da extrema direita deve continuar vinculado ao ex-presidente. "O Bolsonaro teve um papel criativo e também um papel de ativador, de catalisador de um movimento que existia em bases políticas periféricas", diz Lacerda. "Esse movimento também floresceu por uma conjuntura econômica: a crise de 2008, que chegou aqui tardiamente, e o ambiente das plataformas, cujo modelo de negócios hoje sabemos que favorece a radicalização. Sem Bolsonaro, sem um herdeiro nomeado por Bolsonaro, isso não desaparece", declara Lacerda. Para Lacerda, a derrota e a conduta de Flávio nos últimos dias diminuíram a força de Jair com os aliados. "A fuga e a carta do Flávio enfraqueceram o mito do Jair. Porque o pai continua preso no Brasil, enquanto o filho foi para os Estados Unidos e abandonou os abandonados pelo sistema, como se considera grande parte desse eleitorado", diz. "Mas acho que ainda assim há um Jair Bolsonaro que será disputado", acrescenta. |
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| Short teaser | Saída de Flávio do Brasil enfraquece postura do filho de Jair Bolsonaro e abre espaço para outras lideranças. | ||
| Author | Vinícius Lemos | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-a-fuga-de-flávio-bolsonaro-pode-impactar-o-bolsonarismo/a-79809715?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 12 | |||
| Id | 79810808 | ||
| Date | 2026-10-30 | ||
| Title | US$ 6,3 bilhões: como aconteceu o maior roubo de criptomoedas da história | ||
| Short title | US$ 6,3 bi: como aconteceu o maior roubo de criptomoedas da história | ||
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Ataque hacker à Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, pode ter sido obra de grupo de elite da Coreia do Norte. Serviço Secreto e FBI investigam o caso.Hackers roubaram cerca de 6,3 bilhões de dólares (R$ 34,1 bilhões) da Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, confirmou a empresa nesta sexta-feira (30/10).
Saques foram temporariamente suspensos após o que se acredita ter sido o maior roubo já registrado contra uma corretora de criptomoedas.
Os ativos roubados incluem Bitcoin, Ethereum e stablecoins como Tether (USDT) e USD Coin (USDC), cujos valores são atrelados a moedas tradicionais.
O caso mobilizou o FBI, equivalente à Polícia Federal nos Estados Unidos, e o Serviço Secreto.
A Binance, plataforma para compra, venda e negociação de ativos digitais, tinha 335 milhões de usuários registrados em todo o mundo e mantinha cerca de 162,8 bilhões de dólares em ativos sob custódia, segundo seu relatório anual de 2025.
Veja o que se sabe até agora.
Como o roubo de criptomoedas aconteceu
A Binance informou que, até o momento, não há evidências de que as chaves privadas das carteiras tenham sido comprometidas.
Em vez disso, os investigadores estão examinando se a infraestrutura utilizada para autorizar transações foi manipulada pelos invasores.
Richard Teng, co-CEO da Binance, descreveu a invasão como um "ataque complexo", que não foi realizado por uma única pessoa e envolveu tanto um laptop comprometido quanto um software malicioso projetado para apagar rastros e evidências de sua atividade à medida que avançava, "tornando mais difícil rastrear e investigar" o caso.
Segundo Teng, os hackers conseguiram manipular um sistema usado para aprovar transações e mover fundos de uma carteira da Binance conectada à internet e controlada pela empresa, de uma forma que não passou pelos controles normais de autorização.
Isso permitiu que os recursos fossem transferidos sem seguir os procedimentos de segurança que normalmente seriam exigidos para aprovar e validar esse tipo de movimentação financeira.
Registros da blockchain mostram que a maior parte do roubo ocorreu em cerca de 20 minutos, começando pouco depois das 17h de quinta-feira (horário de Brasília).
Quem está por trás do roubo da Binance?
A corretora ainda não apontou um responsável pelo crime, mas diversas empresas americanas de análise de blockchain mencionaram semelhanças com operações anteriores atribuídas a hackers da Coreia do Norte.
A TRM citou um ataque no ano passado à corretora Bybit, quando 1,5 bilhão de dólares foram roubados. O FBI atribuiu a ação ao TraderTraitor, uma unidade hacker de elite da Coreia do Norte.
Já a Chainalysis informou que os fundos roubados da Binance estavam sendo misturados aos recursos de outro ataque atribuído à Coreia do Norte contra a Bitget em setembro.
A Coreia do Norte, que até agora não se pronunciou sobre o episódio, costuma negar envolvimento em ataques cibernéticos e roubos de criptomoedas.
O governo norte-coreano tem sido repetidamente acusado por autoridades americanas e sul-coreanas de usar hackers em atos de espionagem e crimes financeiros.
Especialistas afirmam que os roubos de criptomoedas são uma fonte importante de recursos para manter a frágil economia norte-coreana e seu programa nuclear de pé diante das severas sanções da ONU.
A inteligência sul-coreana afirma que Pyongyang obteve 1,1 bilhão de dólares de 2018 a 2022 só com o roubo de ativos virtuais.
O dinheiro está perdido?
Depois de movimentar os fundos, os invasores correram para transferi-los para fora do alcance dos parceiros da Binance e dos emissores de stablecoins.
Cerca de metade dos 6,3 bilhões de dólares roubados consistia em stablecoins que já foram congeladas por emissores como , Circle, Ripple e World Liberty Financial, projeto de criptomoedas ligado à família Trump.
Uma característica incomum de algumas criptomoedas, incluindo stablecoins importantes como USDT, da Tether, e USDC, da Circle, é que seus emissores podem congelar esses ativos remotamente.
Isso não significa que as moedas serão devolvidas à Binance, mas reduz significativamente a capacidade dos invasores de convertê-las em dinheiro.
A TRM informou que parte dos recursos já havia sido usada como garantia para empréstimos de Ethereum e estimou que aproximadamente 2,4 bilhões de dólares em Bitcoin e Ethereum estão fora de alcance.
"Nenhuma empresa emite Bitcoin ou Ethereum, e nenhuma empresa pode congelar essas moedas", explicou Patrick Tan, diretor jurídico da empresa de inteligência em blockchain ChainArgos, sediada em Singapura.
"O Bitcoin e o Ethereum só podem ser bloqueados se o invasor os enviar para uma corretora ou corretor de criptoativos que tenha capacidade e disposição para congelá-los, ou se as autoridades obtiverem as chaves privadas."
A expectativa é que os hackers tentem misturar as moedas roubadas com outros ativos ou utilizar criptomoedas e corretoras menos conhecidas para movimentar os valores.
"Quanto mais tempo passa, menor a probabilidade de conseguirem incorporar esses fundos a outras corretoras ou provedores de pagamento. Eles acabam entrando em listas de bloqueio", disse Bernardo Brites, CEO da empresa de infraestrutura para stablecoins Trace Finance.
"Na prática, grande parte dos recursos obtidos em ataques desse tipo só pode ser lavada nas primeiras horas. Depois disso, muitos participantes do mercado já sabem que se trata de fundos marcados, e eles costumam permanecer parados durante anos."
Quem perdeu criptomoedas no ataque à Binance vai ficar no prejuízo?
Teng, da Binance, afirmou que as perdas serão cobertas pelo fundo e pelos recursos da própria empresa.
A corretora mantém um fundo de proteção aos usuários, uma reserva de 1 bilhão de dólares em bitcoins, criada para proteger clientes em caso de falhas de segurança, segundo seu site.
Ainda de acordo com a empresa, os saques devem ser retomados daqui a um ou dois dias.
O que esse ataque significa para o setor de cripto
O ataque à Binance abalou a confiança no setor. As criptomoedas tiveram queda após o ocorrido, e o valor total de mercado das stablecoins recuou, indicando que investidores estavam retirando dinheiro dos ativos digitais.
O episódio também aumentou a pressão sobre a Binance, que opera sem sede fixa e já foi criticada por não possuir licença no âmbito do regulamento europeu de mercados de criptoativos (MiCA, na sigla em inglês).
Para o especialista em cibersegurança Kok Tin Gan, cofundador e CEO da NyxLab, o caso da Binance também suscita questionamentos sobre a arquitetura de segurança da empresa.
"Isso parece ter sido uma única assinatura que concedeu ao invasor um token de acesso total e sem prazo de expiração a uma carteira quente (hot wallet) da Binance", disse, referindo-se às carteiras de criptomoedas que armazenam digitalmente as "chaves privadas" dos usuários, ou autorizações exclusivas, e que permanecem conectadas à internet.
O ataque à Binance é o mais recente de uma série de grandes violações de segurança envolvendo ativos digitais.
De acordo com a TRM Labs, só no ano passado 2,9 bilhões de dólares em criptomoedas foram roubados por hackers em quase 150 incidentes.
ra/le (Reuters, dpa, AP)
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| Short teaser | Ataque hacker à Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, pode ter sido obra da Coreia do Norte. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/us-6-3-bilhões-como-aconteceu-o-maior-roubo-de-criptomoedas-da-história/a-79810808?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Maior parte do roubo ocorreu em cerca de 20 minutos | ||
| Image source | Michael Bihlmayer/CHROMORANGE/picture alliance | ||
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| Item 13 | |||
| Id | 79809269 | ||
| Date | 2026-10-30 | ||
| Title | Casos de anorexia e bulimia crescem 71% em duas décadas | ||
| Short title | Casos de anorexia e bulimia crescem 71% em duas décadas | ||
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Estudo que analisou dados de 204 países entre 1990 e 2023 mostra que os dois transtornos alimentares atingiam mais de 18 milhões de pessoas. Pesquisadores alertam para a continuidade dessa tendência até 2050. Entre 1990 e 2023, a anorexia e a bulimia nervosa cresceram 71% no mundo. Com o aumento, o ano de 2023 registrou mais de 18,12 milhões de pessoas diagnosticadas com um desses transtornos alimentares, que afetam principalmente mulheres e meninas entre 10 e 24 anos. E a má notícia é que, ao que tudo indica, essa tendência deve continuar, adverte um estudo publicado na quarta-feira (28/10) na revista JAMA Psychiatry. Desenvolvida no âmbito da iniciativa Global Burden of Disease, o maior esforço científico do mundo para medir a perda de saúde e o impacto das doenças, a pesquisa analisou a prevalência e a mortalidade por anorexia e bulimia nervosa em 204 países e territórios entre 1990 e 2023, com projeções até 2050. O estudo foi realizado por pesquisadores do Children's Hospital da Universidade Médica de Nanjing, na China. A bulimia nervosa, que concentra o maior número de casos (14,2 milhões em 2023), também registrou o crescimento mais acelerado (75,1%), enquanto a anorexia chegou a 3,92 milhões de casos em 2023, após um aumento de 57,9%. Mulheres representam o maior número de casos, com 12,6 milhões de afetadas (70% do total), frente a 5,5 milhões de homens (30%). Por faixa etária, o trabalho revela que quatro em cada dez casos (41,2%) ocorrem em pessoas entre 10 e 24 anos, com pico entre os 20 e 24 anos. Especificamente, a anorexia atinge seu pico entre os 15 e 19 anos, enquanto a bulimia registra a maior incidência entre os 30 e 34 anos. Regiões com mais casos de anorexia e bulimiaAs regiões de alta renda mantêm as taxas mais elevadas, lideradas pela Australásia (Austrália, Nova Zelândia e Nova Guiné), com 946,4 casos por 100 mil habitantes, e pela Europa Ocidental, com 502,4 casos por 100 mil habitantes. No total, essa região acumulava 1,9 milhão de casos em 2023, após um aumento de 20% desde 1990. O estudo aponta que os maiores aumentos desses transtornos ocorreram em regiões asiáticas que passaram por rápidas transformações socioeconômicas, como o Leste Asiático (+61,5%), o Sul da Ásia (+48,5%) e o Sudeste Asiático (+44,2%). Por país, a prevalência de anorexia e bulimia aumentou em 156 dos 204 territórios avaliados, com a Guiné Equatorial na liderança, registrando alta de 92,6%. Por outro lado, houve redução em 11 países, sendo a maior queda observada na Venezuela, com recuo de 27,2%. Para os autores, esses resultados ressaltam a necessidade urgente de integrar a atenção e a prevenção dos transtornos alimentares aos sistemas de saúde pública em todo o mundo. |
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| Short teaser | Estudo com 204 países mostra que os dois transtornos alimentares atingiam mais de 18 milhões de pessoas em 2023. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/casos-de-anorexia-e-bulimia-crescem-71-em-duas-décadas/a-79809269?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 14 | |||
| Id | 79803068 | ||
| Date | 2026-10-30 | ||
| Title | Ciência quer descobrir se nojo influencia posições políticas conservadoras | ||
| Short title | Ciência quer descobrir se nojo influencia posições conservadoras | ||
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Diversas pesquisas investigam se conservadores sentem mais nojo do que liberais e como sensações corporais podem se refletir em crenças políticas.Alguns estudos já associaram a sensibilidade ao nojo a posições socialmente conservadoras. Mas o nojo influencia convicções políticas ou são as crenças que determinam o que é considerado repulsivo?
O cheiro de comida estragada pode provocar uma reação imediata de repulsa. Certas práticas sexuais podem gerar uma sensação semelhante. E, no atual clima de polarização, até mesmo adversários políticos podem se tornar alvo de sentimentos de nojo.
Há décadas psicólogos investigam se a sensibilidade ao nojo ajuda a explicar posicionamentos políticos. Uma revisão de 24 estudos concluiu que pessoas que relatam sentir nojo com mais facilidade tendem a apresentar visões mais conservadoras em temas sociais.
Uma das explicações parte da evolução. "Acreditamos que esse mecanismo evoluiu, em parte, para reduzir a exposição a coisas que podem nos deixar doentes", afirma o psicólogo Yoel Inbar, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá.
Quais são os três tipos de nojo?
Mas o nojo não é uma emoção única. A Escala dos Três Domínios do Nojo, desenvolvida em 2009, distingue três categorias.
A primeira delas é o nojo patogênico, quando ocorrem reações a potenciais fontes de infecção, como comida estragada, vômito ou resíduos corporais. Já a segunda é o nojo sexual, que se refere às reações a determinados comportamentos ou situações sexuais. E o terceiro é o nojo moral, uma reação a comportamentos considerados errados, como traição ou crueldade. Pesquisadores discutem se esse último representa uma sensação física de repulsa ou apenas desaprovação moral.
Uma das teorias sugere que pessoas particularmente preocupadas com germes e doenças tendem a preferir normas sociais mais tradicionais. Segundo Inbar, evitar possíveis fontes de contaminação também pode significar abrir mão de novas experiências. "Algumas pessoas tendem mais à cautela e ao conservadorismo, enquanto outras são mais inclinadas à exploração e à aceitação de riscos quando se trata da exposição a possíveis agentes patogênicos", disse.
A linguagem da contaminação também aparece na retórica política. Durante sua campanha presidencial de 2024, Donald Trump afirmou repetidamente que os imigrantes estariam "envenenando o sangue do nosso país". O próprio republicano já se descreveu como "germofóbico".
Ainda assim, Inbar reconhece que as evidências que relacionam sensibilidade ao nojo e posições políticas conservadoras permanecem inconclusivas. "Temos hipóteses. Não sei se temos evidências tão sólidas quanto eu gostaria", afirmou.
Liberais e conservadores sentem nojo de coisas diferentes?
O nojo não é uma característica exclusiva dos conservadores. Aquilo que as pessoas consideram repulsivo pode depender dos seus valores. Um estudo de 2020 intitulado O nojo é uma emoção conservadora? concluiu que liberais e conservadores se sentem incomodados por coisas diferentes.
Conservadores, geralmente associados ao Partido Republicano nos EUA, relataram maior repulsa diante de exemplos envolvendo comportamentos sexuais e uso de drogas. Liberais, em geral vinculados ao Partido Democrata, demonstraram maior repulsa a maus-tratos contra animais e à poluição ambiental.
Entretanto, quando questionados sobre a frequência com que sentem nojo de forma geral, não houve diferença clara entre os grupos políticos.
Algumas pesquisas iniciais já sugeriram que conservadores apresentariam reações físicas mais intensas diante de imagens assustadoras ou repulsivas, quando elas são medidas, entre outros indicadores, por alterações na transpiração. Pesquisas posteriores, porém, incluindo um estudo de 2020 conduzido pelo psicólogo político Bert Bakker, da Universidade de Amsterdã, tiveram dificuldade em reproduzir esses resultados.
Já os estudos baseados em questionários geralmente encontram uma associação entre atitudes mais conservadoras e a percepção de sentir nojo com maior facilidade.
"Se as reações corporais não diferem entre grupos políticos, por que os sentimentos diferem?", questiona Manos Tsakiris, do Centro para a Política dos Sentimentos, da Universidade de Londres.
Como as sensações corporais influenciam as crenças políticas?
Tsakiris e sua colega Mariana von Mohr levantaram a hipótese de que a resposta poderia estar na forma como as pessoas percebem e interpretam sinais provenientes do próprio corpo.
Os cientistas chamam de "interocepção" a percepção de sensações internas, como fome, respiração ou aceleração dos batimentos cardíacos. O conceito é por vezes descrito como um "oitavo sentido", somando-se aos cinco sentidos tradicionais e aos sentidos de equilíbrio e posição corporal.
"Um sinal corporal não chega com uma etiqueta dizendo o que ele significa", explicou Tsakiris. "Precisamos percebê-lo e interpretá-lo."
Os pesquisadores entrevistaram 632 americanos adultos e perguntaram até que ponto eles percebiam e confiavam nos sinais emitidos por seus corpos, medida conhecida como "sensibilidade interoceptiva".
Os resultados mostraram que pessoas mais facilmente incomodadas por comportamentos sexuais tendiam a ser mais conservadoras, independentemente do grau de percepção corporal relatado. Já a associação entre nojo moral e conservadorismo apareceu apenas entre participantes que relataram menor percepção dos próprios sinais corporais.
O que mais surpreendeu Tsakiris foi o fato de que a percepção corporal, por si só, não apresentou relação direta com posicionamentos políticos. "Pessoas muito conectadas com seus corpos não eram nem mais liberais nem mais conservadoras."
É possível medir o nojo de forma confiável?
Inbar questiona se todas as formas de nojo são igualmente úteis para estudar atitudes políticas. Ele e Joshua Tybur, um dos criadores da Escala dos Três Domínios do Nojo, preferem concentrar suas análises no nojo patogênico, ligado a possíveis fontes de doenças, em vez do nojo sexual.
Segundo Inbar, perguntas sobre nojo sexual podem refletir, na prática, crenças conservadoras sobre sexualidade. "É quase como perguntar a mesma coisa duas vezes", afirmou.
O novo estudo não encontrou uma associação estatisticamente significativa entre nojo patogênico e visões políticas conservadoras.
Inbar considera importante que os resultados envolvendo percepção corporal e nojo sejam reproduzidos em novas pesquisas, com hipóteses definidas previamente. Por enquanto, ele avalia as conclusões como "no máximo sugestivas".
Tsakiris sugere que pessoas com mais dificuldade para compreender os próprios sinais corporais podem ser mais vulneráveis a discursos políticos que lhes dizem o que estão sentindo. "Eu sei o que você está sentindo. Você está com raiva ou sente nojo por causa desta questão", exemplificou, descrevendo como alguém pode atribuir um significado emocional ao desconforto de outra pessoa.
Segundo ele, esse tipo de rotulagem pode influenciar comportamentos políticos, embora o estudo não tenha investigado diretamente essa possibilidade. "É assim que o nojo pode desempenhar um papel político: ao transformar julgamentos morais sobre indivíduos em julgamentos sobre grupos inteiros", disse.
O nojo influencia o voto?
As pesquisas não permitem determinar se o nojo molda as crenças políticas ou se crenças políticas preexistentes moldam o que as pessoas consideram repulsivo.
Bert Bakker observa que convicções políticas podem influenciar a forma como as pessoas descrevem a própria personalidade, sugerindo que a relação pode funcionar nos dois sentidos. "O comportamento eleitoral é muito complexo, e os cidadãos formam suas opiniões políticas de maneira complexa", afirma.
Inbar também alerta contra exageros quanto à importância do nojo na política. "O ponto que merece destaque é que essa relação, embora consistente, é relativamente pequena", ressalta. "Ela é apenas uma entre muitas influências que afetam as posições políticas das pessoas."
Tsakiris defende o que chama de "sentimento crítico": questionar as próprias reações emocionais diante de conteúdos provocativos, incluindo publicações nas redes sociais, da mesma forma que questionamos as informações que recebemos.
Ele também destaca a importância de conversar sobre sentimentos e ouvir perspectivas diferentes, mesmo em situações de discordância. "A vida, a política e a democracia são esportes de contato", conclui.
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| Short teaser | Pesquisadores investigam se conservadores sentem mais nojo do que liberais e como sensações se refletem em crenças. | ||
| Author | Richard Connor | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ciência-quer-descobrir-se-nojo-influencia-posições-políticas-conservadoras/a-79803068?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Desde alimentos estragados e comportamentos sexuais até convicções políticas, os pesquisadores querem saber como as diferentes formas de repulsa se relacionam com nossas atitudes | ||
| Image source | picture alliance | ||
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| Item 15 | |||
| Id | 79805477 | ||
| Date | 2026-10-30 | ||
| Title | Trabalhadores trazidos para reconstruir Alemanha vivem hoje na pobreza | ||
| Short title | Trabalhadores trazidos para reconstruir Alemanha vivem hoje na pobreza | ||
| Teaser |
Trabalhadores estrangeiros convocados para manter o "milagre econômico" alemão recebem atualmente aposentadorias mais baixas do que alemães e muitos dependem de benefícios sociais.O local da cerimônia foi escolhido de forma simbólica: em meados de setembro, no aeroporto de Düsseldorf, o governador da Renânia do Norte-Vestfália, Hendrik Wüst, homenageou em um evento comemorativo as pessoas que haviam desembarcado ali 65 anos antes.
Eram os "trabalhadores convidados", os chamados Gastarbeiter. Milhares de pessoas que se mudaram para a Alemanha para trabalhar após a Segunda Guerra Mundial, principalmente entre 1955 e 1973. A ainda jovem República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental) dependia desses migrantes para manter o "milagre econômico" alemão. Isso porque boa parte da população, principalmente a masculina em idade de trabalha, havia sido perdida durante a Guerra. Além disso, a taxa de natalidade estava em queda.
Assim, o governo da então Alemanha Ocidental assinou acordos de recrutamento com vários países para garantir o fluxo de mão de obra masculina, mais tarde também feminina. Um desses países foi a Turquia. Cerca de 870 mil turcos chegaram ao país até 1973, quando o programa terminou. Eles trabalharam nas minas de carvão, realizaram tarefas em ritmo acelerado nas linhas de montagem e fizeram a limpeza das fábricas. A maioria permaneceu na Alemanha e encontrou um novo lar em cidades como Düsseldorf, Colônia e Duisburgo.
"Eles tornaram nosso país mais diverso, mais aberto e mais forte", elogiou Wüst, acrescentando, porém: "Só chegaremos ao nosso objetivo quando nome, cor da pele e religião deixarem de fazer diferença."
Mas, para Haci-Halil Uslucan, professor de Estudos Turcos Modernos na Universidade de Duisburgo-Essen, a Alemanha ainda está longe disso. Segundo ele, mesmo 65 anos depois, ainda existe muita discriminação contra migrantes de origem turca e seus filhos.
Ainda assim, ele vê o acordo como uma história de sucesso. "Temos êxitos em muitas áreas, especialmente no avanço educacional. Hoje contamos com um grande número de graduados universitários, ascensão profissional e também ascensão política. Um exemplo é Cem Özdemir, atual governador de Baden-Württemberg."
Pobreza na velhice maior entre migrantes
O próprio Uslucan é um exemplo desse processo. Seu pai chegou a Berlim em 1971 para trabalhar na indústria têxtil. Dois anos depois, trouxe a esposa e os dois filhos.
Uma das pesquisas mais recentes de Uslucan, que também é doutor em Psicologia, aborda um dos lados obscuros do acordo de recrutamento, que ainda afeta muitos dos antigos trabalhadores convidados: a solidão dos imigrantes mais velhos. Mas o isolamento não é o único problema enfrentado por muitos descendentes de turcos na aposentadoria.
"A pobreza na velhice, segundo os estudos, é duas vezes mais alta entre migrantes: entre 25% e 30%, em comparação com 12% a 14% entre os alemães. As taxas de invalidez e aposentadoria precoce também são significativamente maiores entre migrantes, porque a primeira geração exerceu trabalhos muito pesados fisicamente."
Segundo Uslucan, a probabilidade de ficar desempregado cerca de dez anos antes da aposentadoria também é duas vezes maior entre migrantes. "Além disso, eles têm rendimentos mensais mais baixos, trajetórias profissionais frequentemente interrompidas e trabalharam em setores de baixos salários. Como consequência, suas aposentadorias também são menores."
Média de 360 euros a menos de aposentadoria
Uma análise especial da Previdência Alemã para o Mediendienst Integration, plataforma de informação para jornalistas sobre os temas refúgio, migração e discriminação, revelou números alarmantes: aposentados com nacionalidade turca recebem, em média, cerca de 360 euros (cerca de R$ 2.170) a menos por mês do que aposentados alemães.
Ainda mais preocupante: em junho de 2026, a proporção de cidadãos turcos que dependiam de benefícios sociais complementares para idosos era mais de três vezes maior do que entre os alemães: 9,3% contra 2,7%.
De acordo com o cientista social Eric Seils, da Fundação Hans Böckler, muitos desses trabalhadores chegaram à Alemanha já em idade mais avançada e, por isso, contribuíram menos tempo para o sistema previdenciário. "A principal razão são os salários mais baixos e o histórico profissional. Os trabalhadores convidados que vieram para a Alemanha geralmente foram direto para fábricas, minas ou canteiros de obras. Lá, não recebiam salários elevados por hora, porque frequentemente tinham menor nível de escolaridade do que os alemães."
Com a desindustrialização iniciada no começo dos anos 1970 e a crise do petróleo, muitos também perderam seus empregos. "Deixaram de existir tantos postos de trabalho de qualidade nas indústrias tradicionais. Quem tinha menos formação foi mais afetado pelo desemprego, assim como ocorreu entre os alemães. E quando a carreira profissional sofre interrupções, isso se reflete inevitavelmente na aposentadoria."
Trabalhadores convidados com menor qualificação
A pesquisadora Janina Söhn, do Instituto de Pesquisa Sociológica de Göttingen (SOFI), vinculado à Universidade Georg-August, também estudou a pobreza na velhice entre imigrantes. Sua conclusão é clara: o fato de quase um terço do migrantes estar em risco de pobreza representa um grande problema para a Alemanha.
"Esse grupo é ainda mais afetado do que, por exemplo, as mulheres em geral, que já enfrentam um risco elevado de pobreza. Quando observamos mulheres migrantes que vivem sozinhas, os números são realmente alarmantes. Sem apoio familiar, a situação seria ainda mais triste."
Mesmo a possibilidade de complementar a renda durante a aposentadoria costuma ser limitada para muitos cidadãos de nacionalidade turca. Isso ocorre porque sua qualificação frequentemente não é suficiente ou porque o trabalho físico pesado realizado durante décadas já comprometeu sua capacidade laboral.
Dados da Agência Federal de Emprego mostram que a taxa de ocupação desse grupo é apenas metade da observada entre os alemães: 5,2% contra 10,8%. "Na verdade, trata-se de um conjunto de desvantagens e dificuldades acumuladas ao longo da vida", resume Söhn. "Os trabalhadores convidados foram trazidos para a Alemanha e assumiram os trabalhos mais pesados, enquanto parte da população nativa conseguiu se qualificar e avançar profissionalmente."
Já para os trabalhadores convidados, não houve iniciativas relevantes de capacitação. "As pessoas que realizaram esses trabalhos pesados, indispensáveis para qualquer economia, acabaram pagando o preço com a própria saúde."
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| Short teaser | Trabalhadores estrangeiros convocados para manter o "milagre econômico" têm aposentadorias mais baixas do que alemães. | ||
| Author | Oliver Pieper | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/trabalhadores-trazidos-para-reconstruir-alemanha-vivem-hoje-na-pobreza/a-79805477?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Muitos dos trabalhadores convidados (Gastarbeiter) ganhavam a vida na época trabalhando em minas de carvão subterrâneas | ||
| Image source | Guenay Ulutuncok/akg-images/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79740400_354.jpg&title=Trabalhadores%20trazidos%20para%20reconstruir%20Alemanha%20vivem%20hoje%20na%20pobreza | ||
| Item 16 | |||
| Id | 79805736 | ||
| Date | 2026-10-30 | ||
| Title | Trabalhadores e comerciantes relatam ameaças após voto em Lula | ||
| Short title | Trabalhadores e comerciantes relatam ameaças após voto em Lula | ||
| Teaser |
Casos incluem pressão de chefes, demissão e listas de boicote. Especialistas explicam como identificar abusos e denunciar."Meu chefe falava que ia pedir para todo mundo erguer a mão e quem dissesse que votou no PT, ele ia mandar embora". É assim que Felipe (que teve o nome alterado pela reportagem), de 27 anos, relembra os meses em que trabalhou como auxiliar administrativo de um posto de gasolina na cidade de Bauru, no interior de São Paulo.
Ele atuava na empresa desde maio deste ano e conta que o conteúdo político começou a ser disseminado com mais força a partir de junho. "Eu chegava às 07h30 e meu chefe já perguntava, querendo saber em quem votamos na última eleição e em quem íamos votar agora nas próximas". Ele diz ainda que, no início, preferiu mentir, mas acabou admitindo posteriormente que votou em Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As intimidações não paravam por aí. Ele conta que o chefe, que se dizia cristão, compartilhava conteúdos políticos, desde figurinhas até fake news, em grupos da empresa, sempre atacando políticos de esquerda e defendendo o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Diante da insistência nos conteúdos políticos e com a chegada do primeiro turno, ele preferiu mentir e falar que votou em branco nas eleições deste ano. A pressão começou a ficar ainda pior nos dias que antecederam o segundo turno e continuou até sua demissão, na última segunda-feira (26/10). O chefe alegou mau comportamento e, embora não tenha deixado claro que o desligamento tinha cunho político, o auxiliar administrativo afirma que não havia recebido nenhum feedback negativo antes.
Felipe se diz surpreso com a decisão e lamenta. "Eu nunca vi isso na vida. Foi um baque. Fiquei triste, pois ganhava bem, mas vou começar a procurar outro emprego e seguir com oportunidades freelancers", conta.
O jovem não foi o único a relatar represálias por sua posição política. Após os resultados das eleições do último domingo, trabalhadores e comerciantes disseram sofrer retaliações por declararem abertamente seus votos. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), foram recebidas 941 denúncias de assédio eleitoral entre as 23h59 de domingo, após a divulgação do resultado das eleições, e às 13h46 desta quarta-feira (28/10). O volume representa 32,7% das 2.878 denúncias registradas pelo órgão no ano.
Lista de boicote
Após a vitória de Lula, surgiu nas redes um movimento de pedido de boicote a estabelecimentos supostamente petistas. Em uma "lista de boicote", que circula por diversos estados e cidades do Brasil, grupos bolsonaristas pedem que clientes não frequentem determinadas lojas, restaurantes e bares. Esse conteúdo é difundido no WhatsApp e em redes sociais, intimidando pequenos e grandes empresários.
Foi o caso de José Luiz Tahn, de 55 anos, morador de Santos, no litoral paulista, que teve o nome de sua livraria incluindo numa dessas listas. "Eu acabei impactado indiretamente. Eu vi uma figura que trabalha com mídias digitais e nem imaginei que eu estaria lá. Tinha até escolas de samba nessa lista", conta o proprietário da loja que existe há 25 anos.
Tahn conta que recebeu ligações de amigos preocupados, mas afirma que os ataques e mensagens de ódio não saíram do ambiente digital. Mesmo se considerando um homem progressista e declarando seu voto abertamente, ele afirma ainda que seu espaço é aberto a todos os públicos, independentemente do espectro político.
"Estamos prontos para dialogar com pessoas que pensam diferente. Eu dou força para o comércio local. Eu nunca faria uma lista perseguindo o outro. A gente não impõe a nossa ideia, estamos lá para sermos livreiros", diz.
A empresária Ludmilla Rossi, de 44 anos, CEO do Juicyhub, também teve sua empresa incluída na lista de boicote divulgada em Santos. Os pedidos poderiam afetar o coworking mantido pela empresa e os contratos com parceiros. Ela conta que ao menos um contrato foi cancelado nesta semana, segundo o cliente, por "divergência de valores". "Sempre adotamos um tom progressista", conta.
Segundo Rossi, outras empreendedoras a procuraram para conversar sobre como se posicionar diante dos ataques. Ela afirma que manterá sua posição. "Eu dobrei a aposta. Eu não me amedrontei e não vou me amedrontar."
Assédio moral e eleitoral
A discriminação política também pode ocorrer na contratação ou na demissão de um trabalhador. Segundo Rogeana França, advogada com pós-graduação em Direito Trabalhista pela Escola Brasileira de Direito (Ebradi), o empregador pode dispensar um funcionário sem justa causa, mas não pode usar essa possibilidade para puni-lo pelo candidato ou partido que apoia. Ameaças, testemunhas e as circunstâncias do desligamento ajudam a identificar se houve discriminação.
Quando o chefe pressiona o funcionário a votar ou apoiar determinado candidato, a conduta pode caracterizar assédio eleitoral. A ameaça não precisa ser explícita, explica Daniela Gomez Naves, advogada especialista em Direito Trabalhista e Previdenciário e sócia do escritório Gomez & Martinez Advogados Associados. Dizer que a empresa vai fechar ou que não haverá bônus caso um candidato vença são exemplos dessa pressão.
Segundo as especialistas, um único episódio pode ser suficiente para caracterizar assédio eleitoral, como uma ameaça de demissão vinculada ao voto. Já o assédio moral envolve, em regra, humilhações, constrangimentos ou perseguições que se repetem no trabalho, sem necessariamente ter relação com política.
A diferença está no objetivo da conduta, explica França. "No assédio eleitoral, busca-se interferir na escolha política do trabalhador. No moral, as práticas atingem sua dignidade e saúde psicológica", destaca.
Os dois podem ocorrer ao mesmo tempo quando a pressão pelo voto vem acompanhada de humilhações e perseguições recorrentes.
Relações de poder e crime
O receio de perder o emprego pode levar o trabalhador a ceder às exigências políticas do chefe. Segundo França, isso ocorre porque o funcionário depende do salário e está sujeito às decisões do empregador. A análise deve considerar a conduta e as provas, independentemente do partido apoiado pelo chefe.
Essa pressão também pode ter consequências criminais. O advogado criminalista Ivan Jezler, mestre em Ciências Criminais pela PUCRS, explica que o Código Eleitoral prevê pena de até quatro anos de prisão e multa para quem usa violência ou grave ameaça para obrigar alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido.
Segundo Jezler, a ameaça de demissão pode ser considerada grave por atingir o sustento do trabalhador. Para configurar o crime, não é necessário que o funcionário siga a ordem. "A coação pode se consumar mesmo que ele vote conforme sua própria escolha."
O momento da conduta também importa. Uma retaliação pelo voto já dado, em regra, não se enquadra nesse artigo, porque não busca influenciar uma escolha futura, explica o criminalista. Isso não afasta possíveis consequências trabalhistas ou a apuração de outros crimes. Quando a ameaça antecede a votação e a demissão ocorre depois, o desligamento pode reforçar a prova da coação.
A responsabilidade criminal, porém, precisa ser apurada individualmente. Podem responder tanto quem ordena a ameaça quanto quem a transmite, desde que seja comprovada a participação consciente na tentativa de controlar o voto. O cargo, por si só, não demonstra envolvimento.
Como denunciar
Para que as condutas sejam investigadas, é importante preservar os registros do que ocorreu. Segundo França, o trabalhador deve guardar mensagens, prints, e-mails e áudios, além de identificar colegas que tenham presenciado os episódios. Gravações de conversas das quais ele participa também são, em regra, admitidas como prova, mesmo sem autorização dos demais envolvidos.
As denúncias podem ser encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e, conforme o caso, aos órgãos de fiscalização trabalhista e à Justiça Eleitoral. Jezler acrescenta que também é possível procurar o Ministério Público pelo MPF Serviços ou pelas salas de atendimento ao cidadão. A Polícia Federal também recebe relatos de possíveis crimes eleitorais.
Quem teme se identificar pode solicitar sigilo ou recorrer à denúncia anônima nos canais que oferecem essa opção. França ressalta, porém, que não há garantia de anonimato absoluto durante toda a investigação ou em um eventual processo judicial. Retaliações contra quem denuncia também podem levar à responsabilização do empregador, segundo a advogada.
Fora das relações de trabalho, comerciantes e outras pessoas que recebam ameaças nas redes sociais podem registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil. O registro pode ser feito presencialmente ou pela delegacia eletrônica, conforme os tipos de ocorrência aceitos em cada estado. Em caso de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
Nesses casos, além de guardar mensagens e arquivos originais, é importante registrar os links das publicações, os nomes dos perfis, as datas e os horários. As provas devem ser preservadas antes de denunciar o conteúdo à plataforma, pois uma eventual remoção pode dificultar o acesso aos registros.
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| Short teaser | Casos incluem pressão de chefe, demissão e listas de boicote. Especialistas explicam como identificar abuso e denunciar. | ||
| Author | Priscila Carvalho | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/trabalhadores-e-comerciantes-relatam-ameaças-após-voto-em-lula/a-79805736?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Após segundo turno, empresas das quais os donos supostamente seriam petistas passaram a ser alvo de pedidos de boicote | ||
| Image source | Fabio Teixeira/Anadolu/picture alliance | ||
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| Item 17 | |||
| Id | 79799263 | ||
| Date | 2026-10-29 | ||
| Title | Plano automotivo "Made in Europe" da UE preocupa fornecedores globais | ||
| Short title | Plano automotivo "Made in Europe" da UE preocupa fornecedores globais | ||
| Teaser |
A proposta da União Europeia de vincular subsídios automotivos à produção local busca conter a concorrência chinesa, mas preocupa parceiros estratégicos como Turquia, Marrocos, Japão e Coreia do Sul.A proposta da União Europeia para fortalecer sua indústria automotiva diante da concorrência chinesa está gerando preocupação entre países aliados que integram a cadeia de suprimentos do setor. Embora o objetivo do plano plano "Made in Europe" seja incentivar a produção dentro do bloco, críticos alertam que a iniciativa pode atingir parceiros estratégicos como Turquia, Marrocos, Japão e Coreia do Sul.
O projeto apresentada pela Comissão Europeia em março, prevê a modernização de fábricas automotivas europeias e a concessão de subsídios apenas a veículos produzidos na Europa.
Após meses de impasse sobre os impactos da proposta, Alemanha e França chegaram neste mês a um compromisso que permitirá que fornecedores de países europeus fora da União Europeia, como Reino Unido e Noruega, sejam considerados de "origem europeia".
Perto da Europa, mas não o suficiente
Outros importantes atores do setor automobilístico ficarão de fora da regra, entre eles a Turquia, que mantém acesso praticamente irrestrito ao mercado europeu desde meados da década de 1990.
A posição conjunta dos dois países deve influenciar a discussão dentro da União Europeia e pode, no futuro, alterar as regras para os países do bloco. Embora a proposta ainda enfrente obstáculos legislativos em Bruxelas antes de se tornar lei, Ayhan Zeytinoglu, presidente da Fundação para o Desenvolvimento Econômico (İKV) - organização de pesquisa não governamental da Turquia, especializada nas relações entre a Turquia e a União Europeia - avalia que o modelo franco-alemão pode ter consequências severas para a indústria automotiva turca.
"Setenta e três porcento das exportações automotivas da Turquia têm como destino a União Europeia", afirmou Zeytinoglu à DW. "Se encontrarmos uma barreira do tipo Made in Europe no mercado europeu, isso causará grandes prejuízos ao nosso comércio com a UE e às nossas exportações".
Segundo ele, a exclusão da Turquia enfraqueceria a própria indústria europeia em vez de aumentar sua competitividade frente à China.
A associação turca dos exportadores de automóveis (OIB) calcula que as exportações automotivas do país para a UE alcançaram 30,1 bilhões de dólares (R$ 165,6 bilhões) em 2024.
Proteção às autopeças produzidas na Europa
O Ato de Aceleração Industrial (Industrial Accelerator Act, IAA) estabelece que 70% do valor total dos componentes de um veículo, excluindo as baterias, devem ser produzidos na Europa.
A proposta inicial, porém, aplica-se apenas a veículos elétricos a bateria, híbridos plug-in e modelos movidos a célula de combustível. Juntas, essas categorias responderam por 27% dos novos emplacamentos na União Europeia no ano passado.
Tommaso Pardi, diretor da rede internacional de pesquisa automotiva GERPISA e pesquisador sênior do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS), afirma que a meta de 70% é relativamente generosa.
"Se você pegar um carro elétrico médio produzido na Europa e retirar a bateria, verá que cerca de 83% das peças já são de origem europeia", disse à DW.
Pela versão revisada do acordo entre Alemanha e França, alguns híbridos convencionais, além de veículos a gasolina e diesel que poderão continuar sendo comercializados após 2035, também passariam a ser abrangidos pelas regras do Made in Europe.
Esses modelos utilizam uma proporção significativamente menor de componentes europeus. A maior parte dos quase 800 mil veículos exportados pela Turquia para a UE no ano passado se enquadraria nessa categoria mais ampla.
China busca uma porta de entrada alternativa
Outro motivo para a exclusão da Turquia é a crescente presença de fabricantes chineses no país, que buscam uma via indireta de acesso ao mercado europeu.
Um dos casos é o da SWM Motors. A fábrica da empresa na cidade de Eskisehir, no noroeste turco, foi fechada menos de um ano após a inauguração porque os veículos produzidos não atendiam às normas de segurança da União Europeia.
Já os planos da BYD de construir uma fábrica de 1 bilhão de dólares (R$ 5,5 bilhões) em Manisa, importante polo industrial próximo ao litoral do Mar Egeu, foram colocados em espera.
O Marrocos, por sua vez, recebeu mais de 10 bilhões de euros (R$ 65 bilhões) em investimentos chineses desde a pandemia de covid-19, segundo a consultoria AlixPartners. Grande parte dos recursos foi direcionada à produção de baterias e autopeças.
Para a França, o país norte-africano exerce papel semelhante ao que a China desempenha para a indústria automobilística alemã: funciona como uma plataforma de produção de baixo custo que ajuda as montadoras francesas a permanecerem competitivas. Modelos franceses de entrada tenderiam a ficar mais caros caso o Marrocos fosse excluído.
Montadoras japonesas também podem ser afetadas. Embora fabriquem vários de seus modelos em plantas europeias, os veículos importados diretamente do Japão não teriam acesso aos subsídios europeus. Já os modelos produzidos na França, em Portugal e no Leste Europeu só seriam elegíveis caso utilizem uma parcela suficiente de componentes fabricados na Europa.
Fabricantes sul-coreanas enfrentariam situação semelhante. Hyundai e Kia produzem veículos na República Tcheca e na Eslováquia, mas também exportam modelos a partir da Ásia, que não se qualificariam para os incentivos. Em contrapartida, fábricas sul-coreanas de baterias localizadas na Polônia e na Hungria seriam consideradas europeias.
Montadoras tentam preservar importações de baixo custo
Pardi observa que grandes grupos automotivos europeus atuam para suavizar as exigências da IAA a fim de preservar suas margens de lucro.
"Eles querem limitar o alcance da IAA para continuar tendo liberdade de abastecimento no exterior, especialmente na China", afirmou.
As montadoras instaladas na Europa argumentam que custos mais elevados de componentes aumentariam ainda mais sua desvantagem frente aos concorrentes chineses. Além disso, alertam que a produção europeia de baterias dificilmente conseguirá atender à demanda no curto prazo.
Paralelamente, Ancara tenta convencer Bruxelas a incluir a Turquia no esquema Made in Europe, enquanto o setor automobilístico busca um acordo que permita a adesão do país em uma fase posterior.
Segundo Pardi, essa solução poderia valer "apenas para empresas europeias instaladas nesses países [Turquia e Marrocos], excluindo investimentos recentes com participação de capital chinês".
Fornecedores pedem proteção mais rígida
Os fabricantes europeus de autopeças adotam posição oposta à das montadoras e defendem o fortalecimento das exigências da IAA. O setor alerta que até 650 mil empregos podem desaparecer na Europa até 2035 sem medidas mais robustas de proteção.
"Um emprego industrial perdido é muito difícil de recuperar, e os impactos vão muito além dos grandes fornecedores", afirmou à DW Benjamin Krieger, secretário-geral da Associação Europeia de Fornecedores Automotivos (CLEPA).
Krieger considera que a IAA ajuda a equilibrar a concorrência diante do que classifica como práticas desleais da China. "Precisamos estancar essa sangria", disse.
Com amplo apoio da opinião pública a medidas que garantam que os recursos públicos europeus gerem valor dentro da própria Europa, Krieger avalia que parceiros como Turquia, Marrocos, Coreia do Sul e Japão ainda poderão participar do programa caso atendam aos critérios definidos pelo bloco.
"A UE deveria oferecer acesso à IAA por meio de um mecanismo de adesão baseado em critérios objetivos: alinhamento regulatório, padrões sociais e ambientais, ausência de distorções de mercado, respeito ao Estado de Direito e reciprocidade, tudo respaldado por mecanismos contra tentativas de contornar as regras. Os parceiros que cumprirem esses requisitos serão bem-vindos", afirmou.
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| Short teaser | Projeto para fortalecer a indústria diante da concorrência chinesa pode restringir incentivos a outros parceiros. | ||
| Author | Nik Martin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/plano-automotivo-made-in-europe-da-ue-preocupa-fornecedores-globais/a-79799263?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Além de fornecer veículos e peças para a UE, a Turquia está fabricando seus próprios carros elétricos | ||
| Image source | Murat Cetinmuhurdar/Turkish Presidency/HandoutAA/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/63596709_354.jpg&title=Plano%20automotivo%20%22Made%20in%20Europe%22%20da%20UE%20preocupa%20fornecedores%20globais | ||
| Item 18 | |||
| Id | 79795264 | ||
| Date | 2026-10-29 | ||
| Title | Como editoras brasileiras vendem a literatura do Brasil para o mundo | ||
| Short title | Como editoras brasileiras vendem a literatura do Brasil para o mundo | ||
| Teaser |
Em feiras do livro no exterior, editoras brasileiras buscam ampliar sua presença internacional. Mas expectativas sobre o país, custos de tradução e barreiras comerciais dificultam a conquista de leitores estrangeiros. Nos corredores da Feira do Livro de Frankfurt, além de apresentar lançamentos e discutir o futuro da literatura, editoras e agentes negociaram direitos de publicação de obras que poderão chegar a leitores de outros países. Mas, apesar do avanço comercial dos últimos anos, fazer com que uma obra brasileira seja traduzida, publicada e encontre leitores no exterior continua sendo um desafio. Para agentes literários que trabalham diretamente com o mercado internacional, o interesse estrangeiro não depende apenas da qualidade dos livros, mas também de expectativas sobre quais histórias o Brasil tem a oferecer. "Num princípio, não há um interesse per se pela literatura brasileira. Interessam boas histórias que vendem", afirma a agente literária Nicole Witt, que representa autores brasileiros em negociações internacionais. O que faz um livro brasileiro vender no exterior?Segundo Witt, embora a produção brasileira seja diversificada, determinados assuntos costumam despertar mais interesse entre compradores estrangeiros. Histórias relacionadas à Amazônia, às culturas indígenas, ao racismo, à identidade sexual e à condição feminina estão entre os temas com potencial de circulação. A agente cita nomes como Ailton Krenak, Carola Saavedra, Paulo Scott, Patrícia Melo e Tatiana Salem Levy como exemplos de autores cujas obras dialogam com essas questões. "Para vender um livro brasileiro, normalmente ajuda que conte com um elemento que tenha a ver com o país de procedência do autor ou da autora, como para 'justificar' o esforço adicional de traduzir do português", explica. Isso não significa, necessariamente, que o mercado internacional continue interessado apenas em histórias que reproduzam imagens tradicionais do Brasil. Witt observa que, nos últimos anos, os clichês perderam parte de seu espaço na literatura traduzida, acompanhando a diversificação das narrativas e a circulação de escritores entre diferentes países. Ainda assim, a trajetória internacional de um livro pode ser bastante diferente de seu desempenho no mercado brasileiro. É o caso de A Pediatra, romance de Andréa del Fuego protagonizado por Cecília, uma médica que não gosta de crianças. Com uma narrativa marcada pelo humor ácido e pela ironia, a obra ultrapassou 90 mil exemplares vendidos no Brasil, segundo Witt. Apesar do sucesso, a negociação dos direitos encontrou resistência em alguns mercados. Entre os argumentos apresentados por editores estrangeiros estava o fato de o romance ser muito diferente de Os Malaquias, obra anterior da escritora, que já havia sido publicada na Alemanha e na Itália. O humor também foi considerado um possível obstáculo, por nem sempre atravessar facilmente as fronteiras culturais. A situação começou a mudar quando a tradutora Nina Perrotta apresentou um trecho do romance no PEN Presents, programa de promoção internacional de literatura traduzida. A iniciativa despertou o interesse de Linda Mohamed, da editora britânica Faber and Faber, que adquiriu os direitos para a língua inglesa. Para Witt, a reputação de uma editora como a Faber pode estimular o interesse de outros compradores internacionais pela obra. O episódio mostra como o sucesso de um livro no exterior depende de uma rede de profissionais e de decisões editoriais que nem sempre acompanha a recepção da obra em seu país de origem. Dos clássicos às novas vozesSe autores contemporâneos precisam encontrar maneiras de despertar o interesse de compradores estrangeiros, os clássicos brasileiros continuam abrindo portas. Em janeiro de 2027, Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, ganhará novas traduções para o inglês e o alemão. A edição inglesa, de Alison Entrekin, será publicada pela Simon & Schuster nos Estados Unidos e pela Bloomsbury no Reino Unido. Na Alemanha, a editora S. Fischer lançará uma tradução de Berthold Zilly. Para Witt, a circulação internacional também apresenta oportunidades além dos romances destinados ao público adulto. A série infantojuvenil Pilar, de Flávia Lins e Silva, por exemplo, ultrapassou 300 mil exemplares vendidos em língua espanhola, segundo a agente. A presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Sevani Matos, considera que a diversidade é justamente um dos principais atrativos da produção brasileira. "O mercado internacional busca obras com identidade própria, qualidade literária e capacidade de dialogar com leitores de diferentes culturas", afirma. Segundo ela, as oportunidades de negócios estão se ampliando para além de mercados tradicionais, como Europa e América Latina, com iniciativas voltadas também a regiões como o Oriente Médio. No primeiro semestre de 2026, as empresas apoiadas pelo Brazilian Publishers, programa de internacionalização do mercado editorial brasileiro desenvolvido pela CBL em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), movimentaram 2,29 milhões de dólares em negócios na Feira do Livro de Londres, cerca de 200 mil dólares em Bogotá e 170 mil dólares durante um encontro profissional realizado em Istambul. Os valores incluem diferentes modalidades de negócios editoriais, e não apenas a venda de direitos de tradução. O Brasil desembarcou na Feira do Livro de Frankfurt, que ocorreu no início de outubro, com uma expectativa de movimentar 8,1 milhões de dólares em negócios. O país chegou à Alemanha embalado por resultados positivos. No primeiro semestre de 2026, as empresas participantes do programa movimentaram aproximadamente 8 milhões de dólares em negócios internacionais, incluindo a exportação de livros físicos e a comercialização de direitos autorais. A venda de direitos representou 44,65% do total, ante 17,34% em 2025. O desafio de atravessar fronteirasPara que um livro brasileiro chegue às livrarias estrangeiras, a qualidade literária e o potencial comercial precisam ser acompanhados por uma estrutura de promoção e distribuição internacional. A barreira linguística continua entre os principais obstáculos. Como o português tem circulação relativamente restrita no mercado editorial global, a tradução de trechos e a preparação de materiais em outras línguas podem ser decisivas para que um livro seja considerado por uma editora estrangeira. Também são importantes os programas de incentivo à tradução, que ajudam a reduzir os custos de publicação. Witt destaca a relevância das bolsas oferecidas pela Fundação Biblioteca Nacional, mas observa que a variação das datas e os prazos curtos das chamadas recentes podem dificultar o planejamento das candidaturas. Para Sevani Matos, a internacionalização exige investimentos contínuos e a construção de relacionamentos comerciais de longo prazo. Os resultados da participação brasileira em Frankfurt, por exemplo, não se resumem aos contratos assinados durante o evento. Mas, para além dos contratos, há também uma dimensão cultural nessa circulação. A escritora e especialista Michi Strausfeld defende que a literatura pode oferecer uma possibilidade de aproximação entre países que ultrapasse as relações comerciais. "A literatura pode ser a ponte ideal para que conversemos em igualdade de condições. E essa possibilidade não é aproveitada", afirmou em Frankfurt. Enquanto o setor editorial brasileiro busca ampliar suas vendas internacionais, agentes e especialistas apontam que ainda há obstáculos para transformar oportunidades comerciais em leitores. O desafio não é apenas convencer editoras estrangeiras a comprar direitos de publicação, mas fazer com que histórias brasileiras encontrem espaço no exterior mesmo quando não correspondem às imagens que o mundo já conhece do Brasil. |
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| Short teaser | Editoras buscam ampliar negócios, mas enfrentam barreiras linguísticas e resistência do mercado internacional. | ||
| Author | Clara Rellstab | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-editoras-brasileiras-vendem-a-literatura-do-brasil-para-o-mundo/a-79795264?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 19 | |||
| Id | 79779555 | ||
| Date | 2026-10-29 | ||
| Title | Robô guarda-costas da China levanta dúvidas sobre segurança | ||
| Short title | Robô guarda-costas da China levanta dúvidas sobre segurança | ||
| Teaser |
Humanoide da Unitree promete proteger pessoas e atuar em emergências. Porém, uma cena do vídeo promocional causa preocupação. Até agora, os robôs humanoides da empresa chinesa Unitree haviam chamado atenção principalmente por suas espetaculares exibições de artes marciais. Mas a companhia de Hangzhou quer dar um passo além e levar essas máquinas do entretenimento para aplicações práticas. Sua nova aposta é o H2-X, um robô apresentado como um guarda-costas capaz de intervir em situações de perigo e prestar ajuda em emergências. As imagens promocionais divulgadas em 21 de outubro indicam o tipo de aplicação que a Unitree pretende dar ao robô. Em uma das cenas, o H2-X enfrenta um homem que ameaça uma mulher com uma faca. Em outras, aparece levantando um carro sob o qual há uma pessoa presa, golpeando a porta de outro veículo e afastando um pedestre da trajetória de um automóvel que se aproxima. A apresentação se encaixa em uma mudança de rumo mais ampla da empresa. Segundo a agência de notícias Reuters, a Unitree expandiu rapidamente sua linha de humanoides neste ano com a intenção de explorar aplicações em vigilância, segurança e resgate. O H2-X representa, assim, uma tentativa de transformar as habilidades físicas que tornaram seus robôs populares em ferramentas úteis para além do espetáculo. Dúvidas sobre o H2-XNo entanto, como acontece cada vez mais frequentemente com anúncios tecnológicos, o vídeo deixa tantas perguntas quanto imagens impressionantes. Por exemplo, segundo relata a revista especializada Interesting Engineering, ainda faltam dados técnicos sobre o H2-X. Também não está claro se o robô realizou as manobras de forma autônoma, se foi controlado remotamente ou se executou movimentos previamente programados. Até o momento, a Unitree também não anunciou o preço nem a data de comercialização do novo humanoide. Quais os riscos de um robô tão forte?A essas incógnitas soma-se uma questão mais delicada: a segurança das pessoas que ele supostamente deve proteger. Uma cena do vídeo ilustra essa preocupação. Nela, o H2-X tenta impedir que um carro, que avança lentamente, atropele um manequim que representa uma criança. Mas, ao tirá-lo da trajetória do veículo, acaba arremessando-o contra o chão. Embora evite o atropelamento, o robô acaba lançando o manequim com violência ao retirá-lo da trajetória do veículo. Em uma situação real, uma manobra desse tipo poderia causar ferimentos graves à pessoa que o robô tenta justamente proteger. O H2-X promete, portanto, passar das acrobacias à proteção, mas, por enquanto, suas capacidades foram demonstradas apenas em um vídeo promocional. Além das dúvidas sobre seu nível de autonomia, permanecem dúvidas sobre os riscos de equipar robôs com tanta força física para intervir em situações de conflito. Resta saber se o H2-X conseguirá atuar de forma confiável fora de ambientes controlados ou se, por enquanto, continuará mais próximo da ficção do que da realidade. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Vídeo da empresa chinesa Unitree mostra humanoide protegendo pessoas e enfrentando ameaças. | ||
| Author | Felipe Espinosa Wang | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/robô-guarda-costas-da-china-levanta-dúvidas-sobre-segurança/a-79779555?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 20 | |||
| Id | 79794084 | ||
| Date | 2026-10-29 | ||
| Title | Menina de 8 anos é atacada por lobo em zoológico na Alemanha | ||
| Short title | Menina de 8 anos é atacada por lobo em zoológico na Alemanha | ||
| Teaser |
Criança participava de atividade especial dentro da jaula dos animais. Tratadora evitou que outras duas meninas fossem atacadas pela alcateia. Polícia investiga se houve negligência.Uma menina de oito anos foi atacada nesta quarta-feira (28/10) por pelo menos um lobo num parque zoológico, localizado numa floresta próximo a Berlim, na Alemanha. Segundo a polícia, no momento do ataque, a criança estava dentro da jaula dos lobos com uma tratadora de animais e outras duas crianças.
A menina ficou gravemente ferida e foi transferida de helicóptero para um hospital.
O ataque ocorreu no Parque de Vida Selvagem Johannismühle, localizado em Baruth/Mark, a 45 quilômetros ao sul de Berlim. Segundo o distrito de Teltow-Fläming, o ataque ocorreu durante um programa especial para crianças. "O incidente aconteceu antes da abertura regular do parque, durante um dia de atividades com tratadores de animais para crianças", informou.
De acordo com o site do parque, os visitantes podem acompanhar o trabalho dos tratadores. Atualmente, diversos estados alemães estão em férias escolares de outono. As autoridades distritais anunciaram que vão revisar amplamente as condições de segurança do parque. O local permanecerá fechado.
A polícia também está investigando o ataque. Como as crianças tiveram acesso ao recinto ainda precisa ser esclarecido, disse o porta-voz policial. A investigação apura se houve negligência. "As circunstâncias exatas do ocorrido são objeto das investigações policiais."
Ataque ocorreu dentro de jaula
A polícia informou inicialmente que a menina de oito anos estava pela manhã em um recinto de animais junto com outras duas crianças e uma funcionária. Em seguida, ela teria sido atacada por pelo menos um animal selvagem. Mais tarde, um porta-voz confirmou que se tratava de um lobo.
Mais tarde a administração da região revelou mais detalhes da tragédia. O ataque aconteceu na área destinada aos lobos-do-ártico. "Enquanto os animais recebiam água no recinto, os lobos mantidos no local atacaram uma menina e a feriram gravemente", informou o distrito. A tratadora teria evitado, com uma reação rápida, que as outras duas meninas também fossem atacadas.
Quatro pessoas, entre elas três crianças, receberam atendimento de apoio psicológico de emergência.
Zoológico não quis comentar o caso
O zoológico não quis comentar o caso. "Estamos cooperando integralmente com todas as autoridades", afirmou o parque. Por causa dos procedimentos em andamento, não seriam fornecidas mais informações. "Lamentamos profundamente o incidente, e a família afetada conta com todo o nosso apoio."
Inaugurado em 1997 numa área de mais de 100 hectares, o parque zoológico privado abriga cerca de 500 animas de 50 espécies, entre elas lobos, ursos e linces.
O distrito anunciou que revisará as normas de segurança e os procedimentos operacionais do parque. A reabertura do local só ocorrerá após autorização da autoridade competente.
O serviço veterinário também pretende realizar uma inspeção relacionada ao bem-estar animal no parque. "Até o momento, não há uma avaliação técnica sobre o estado de saúde e o comportamento do lobo, ou dos lobos possivelmente envolvidos, em relação ao incidente."
Segundo o distrito, a licença de operação do parque estabelece exigências específicas para a segurança e o estado das instalações onde os animais são mantidos. Uma inspeção realizada em 23 de julho de 2025 não constatou falhas de segurança relevantes em cercas ou barreiras de contenção. Conforme informado pelo parque na ocasião, as cercas consideradas essenciais para a segurança são verificadas todas as manhãs antes da abertura para detectar eventuais danos.
cn (dpa/ots)
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| Short teaser | Criança participava de atividade especial dentro da jaula dos animais. Tratadora evitou ataque contra outras meninas. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/menina-de-8-anos-é-atacada-por-lobo-em-zoológico-na-alemanha/a-79794084?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Parque de Vida Selvagem Johannismühle foi fechado após ataque de lobos | ||
| Image source | Carsten Koall/dpa/picture alliance | ||
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| Item 21 | |||
| Id | 79789720 | ||
| Date | 2026-10-28 | ||
| Title | Aranhas exibem fase de sono semelhante à dos humanos | ||
| Short title | Aranhas exibem fase de sono semelhante à dos humanos | ||
| Teaser |
Pesquisa na Alemanha descobre uma fase parecida ao sono REM dos vertebrados em aranhas-saltadoras, tornando aracnídeos um modelo promissor para estudar a evolução do sono. Nos seres humanos e nos vertebrados, o sono passa por uma fase de intensa atividade cerebral, movimentos acelerados e pequenos espasmos oculares, conhecida como REM (de Rapid Eye Movement, ou movimento rápido dos olhos, em inglês). Agora, um estudo com aranhas-saltadoras demonstrou que, em animais com sistemas nervosos mais simples, o descanso também inclui um estado semelhante a esse. O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), foi liderado por Nadja Geiger e Daniela Rößler, do Instituto de Biologia Organísmica da Universidade de Bonn, na Alemanha. A pesquisa é a primeira confirmação de que uma espécie de aranha (Portia fimbriata) não apenas dorme, mas apresenta um sono regulado em duas fases, uma delas surpreendentemente parecida com a fase REM. A descoberta consolida as aranhas-saltadoras como modelos biológicos fundamentais para estudar e compreender a evolução inicial do descanso no reino animal. Uma aranha pequena com grandes capacidades cognitivasNa fase adulta, esse aracnídeo australiano atinge um tamanho modesto, equivalente aproximadamente ao de uma moeda de 50 centavos. Mas, apesar do tamanho reduzido, essas aranhas possuem capacidades cognitivas extraordinárias e um comportamento de caça sofisticado voltado para a predação de outras aranhas. Para capturar suas presas, a Portia fimbriata emprega estratégias complexas de aprendizado. Por exemplo, ela imita com precisão as vibrações produzidas por insetos presos em uma teia para enganar e atrair aranhas tecedeiras. Essas habilidades de aprendizado e resolução de problemas transformaram essa espécie em um objeto fascinante de estudo para investigar se um organismo com esse nível de processamento sensorial necessita de fases complexas de descanso. Como o sono das aranhas foi estudadoPara demonstrar de forma rigorosa que as aranhas experimentam um sono verdadeiro, e não apenas um estado de repouso passivo, os pesquisadores registraram o comportamento desses aracnídeos durante o sono. Para isso, colocaram vários exemplares em pequenos recipientes de plástico e monitoraram seu comportamento durante vários dias e noites. As observações foram realizadas sob diferentes condições de iluminação, incluindo ciclos constantes de luz ou escuridão, para avaliar a presença de um ritmo circadiano regulado internamente. Sono bifásico e ritmo circadianoO experimento demonstrou que a Portia fimbriata atende rigorosamente a múltiplos critérios biológicos e comportamentais que definem o sono nos vertebrados, incluindo controle circadiano, múltiplas fases do sono, ausência de resposta durante o sono e recuperação após a interrupção do descanso. Para os autores, a confirmação de um verdadeiro sono bifásico na Portia fimbriata representa uma descoberta de grande relevância para a biologia comparada do comportamento, a cronobiologia e a neurobiologia. A evolução do sono REM no reino animalComo o conhecimento sobre o descanso vinha quase exclusivamente de pesquisas com vertebrados, este estudo demonstra que estados semelhantes ao sono REM estão mais disseminados no reino animal do que se imaginava. Trata-se de uma descoberta que abre novas perspectivas sobre a evolução biológica do sono e sobre a função primordial dessa atividade orgânica. Por isso, os autores recomendam ampliar as pesquisas para uma maior diversidade taxonômica e para espécies com adaptações extremas, superando os limites dos organismos-modelo tradicionais. -------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Estudo na Alemanha mostra que aranhas-saltadoras têm sono bifásico, incluindo fase semelhante ao REM dos vertebrados. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/aranhas-exibem-fase-de-sono-semelhante-à-dos-humanos/a-79789720?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Aranhas%20exibem%20fase%20de%20sono%20semelhante%20%C3%A0%20dos%20humanos | ||
| Item 22 | |||
| Id | 79788987 | ||
| Date | 2026-10-28 | ||
| Title | O que explica a virada histórica de Lula no segundo turno | ||
| Short title | O que explica a virada histórica de Lula no segundo turno | ||
| Teaser |
Presidente conquistou mais de 10 milhões a mais do que no primeiro turno e conseguiu virada histórica. Para especialistas, mobilização intensa de apoiadores e deslizes de adversário ajudam a explicar vitória do petista.A virada histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve um número incomum: foram 10,3 milhões de votos a mais entre o primeiro e o segundo turno. Por trás desse dado, segundo especialistas, estão as intensas mobilizações que ocorrem nas últimas semanas e deslizes cometidos pelo adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
No primeiro turno, Lula obteve 53,8 milhões de votos, o que o deixou com uma desvantagem de cerca de 2,2 milhões em relação a Flávio. Já no segundo turno, o petista obteve 64,2 milhões de votos, que representaram 4,4 milhões a mais do que o adversário. Foi a maior votação já recebida por um candidato à Presidência do Brasil.
"Estava muito claro que o cenário era muito adverso para o Lula. Nunca houve uma virada, e o primeiro turno tendia a consolidar algumas preferências eleitorais. Então, a margem de manobra para o Lula vencer no segundo turno era muito estreita", avalia o cientista político Leonardo Martins Barbosa, pesquisador do Centro para Imaginação Crítica do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).
No domingo (25/10), mais eleitores foram às urnas após abstenção recorde no primeiro turno, os números de votos brancos e nulos caíram e o eleitorado de Lula cresceu em todos os estados.
"A redução da abstenção foi muito interessante, porque foi uma mobilização e uma conscientização. Vimos muitas pessoas com mais de 70 anos votando", comenta a cientista política Luciana Fernandes Veiga, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O principal gatilho para toda essa mobilização foi a possível derrota de Lula após o primeiro turno, avalia Mayra Goulart, coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (LAPPCOM) da UFRJ.
Ainda não há levantamentos detalhados sobre o perfil dos eleitores que foram os principais responsáveis pela virada do petista. Apesar disso, os especialistas destacam que houve uma mobilização intensa entre os idosos. A participação dos jovens também foi ressaltada no discurso da vitória de Lula.
"Mas com os dados disponíveis até hoje, não há base estatística para afirmar que jovens e idosos decidiram o segundo turno. O TSE ainda não divulgou os dados oficiais de comparecimento do segundo turno por perfil do eleitorado, e a decomposição dos totais indica que a maior parte da virada veio da redistribuição de votos", ressalta Goulart.
Mobilizações nas ruas e nas redes
Nas ruas, estudantes e movimentos sociais começaram a organizar atos a favor de Lula. Foram registrados eventos a favor do petista em diferentes regiões do país, algo que não havia tido a mesma força no primeiro turno. Nas redes e nas ruas, teve início uma campanha para "virar votos", que tinha entre seus principais alvos os eleitores que se abstiveram no primeiro turno: 33,4 milhões de brasileiros, o equivalente a 21,08% do eleitorado.
Um dos principais pontos de mobilização foi o canal de WhatsApp "Exército do Lula", que chegou a ter mais de 10 milhões de seguidores. Nele, o deputado federal André Janones (Rede-MG) passava "missões" para engajar conteúdos da esquerda, como vídeos, hashtags e publicações contrárias a Flávio. Além disso, fazia lives para impulsionar a campanha do petista.
Segundo os especialistas, a esquerda aprendeu no segundo turno a fazer uma militância digital forte, que tradicionalmente tinha mais impacto em grupos bolsonaristas.
"O bolsonarismo sempre teve força nas redes porque eles ativavam a capilaridade digital e cresciam. Eu acho que a esquerda aprendeu sobre essa necessidade de mostrar vigor na reta final. E também havia a composição da comunicação digital, sempre incentivando a compartilhar e pedindo para evitar comentar os posts contrários ao presidente para não engajar", diz Veiga.
Medo e pacote de bondades
Os grupos coordenados de esquerda também passaram a compartilhar notícias negativas sobre Flávio. Temas como possibilidades de perda de benefícios sociais e mudanças na Constituição Federal passaram a ser recorrentes na estratégia contra o senador, apontam especialistas.
"O PT usou a estratégia do medo. Afinal, o medo é o que mais movimenta as pessoas, assim como a esperança", diz o cientista político Kleber Carrilho, pesquisador e professor da Universidade de Helsinque, na Finlândia. Segundo ele, foi uma estratégia semelhante ao que já era usado rotineiramente por aliados de Bolsonaro, quando relacionavam ameaças sociais a partidos de esquerda.
Além desses fatores, especialistas também mencionam que medidas do governo federal nas últimas semanas, antes do segundo turno, também podem ter ajudado a impulsionar os votos de Lula. Entre essas ações estão a antecipação do calendário de pagamentos do Bolsa Família, junto com reajustes nos valores, e um pacote de perdão de dívidas tributárias de microempreendedores individuais (MEIs) com a União.
"Esses mecanismos tradicionais, usados por governos para se reeleger, não me parecem decisivos. Eles não foram decisivos para reeleger o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, que perdeu a eleição mesmo usando recursos parecidos ou piores", diz Barbosa.
Deslizes de Flávio e aliados
Enquanto a campanha de Lula no segundo turno parecia mobilizar cada vez mais pessoas, especialistas apontam que a de Flávio já não demonstrava o mesmo fôlego pelo país. Para os cientistas políticos, a campanha do bolsonarista cometeu vários deslizes, que podem ter ajudado o adversário.
Os especialistas dizem que Flávio adotou uma postura que pode ter sido considerada arrogante por muitos eleitores, após liderar o primeiro turno. "Nos debates, muitos começaram a perceber o Flávio", afirma Veiga, acrescentando que no primeiro turno o pleito incluía governador, deputado estadual, deputado federal, senador e presidente. "Tinha um engajamento local e a ideia era de que o eleitor levasse todo um pacote". Quando essas eleições decididas, Flávio ficou sozinho diante o eleitorado.
A conduta que Flávio adotou nos debates é apontada como um fator prejudicial, incluindo a insistência do senador em ficar atrás de Lula no primeiro embate entre os dois, exibido pela Band. "As pessoas podem ter ficado com medo desse personagem, que lembra o pai dele, que no primeiro turno não aparecia tanto. Ficaram com medo desse cara que em um debate faz uma piada com a falta de dedo do presidente, que é um idoso", diz Carrilho.
Outro ponto prejudicial ressaltado por especialistas é o vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em que eleitores do Nordeste reclamam de Lula. "Aquele vídeo não era algo que poderia ser feito com o objetivo de conquistar votos no Nordeste. Quando o Lula, que é nordestino, fala sobre as dificuldades da região, as pessoas entendem. Mas quando quem diz isso é o Nikolas, que é de Minas Gerais, é enxergado de outra forma", avalia Carrilho.
O cientista político afirma que o eleitor que se considera bolsonarista dificilmente vai mudar de opinião, mas esses deslizes de Flávio podem ter influenciado aqueles que ainda tinham dúvidas em quem votar no segundo turno.
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| Short teaser | Presidente conquistou mais de 10 milhões a mais do que no primeiro turno e conseguiu virada histórica. | ||
| Author | Vinícius Lemos | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-que-explica-a-virada-histórica-de-lula-no-segundo-turno/a-79788987?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Jornais deram destaque para a virada histórica de Lula | ||
| Image source | Raquel Cunha/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79769653_354.jpg&title=O%20que%20explica%20a%20virada%20hist%C3%B3rica%20de%20Lula%20no%20segundo%20turno | ||
| Item 23 | |||
| Id | 79785900 | ||
| Date | 2026-10-28 | ||
| Title | O papel da Argentina de Milei na fuga de Flávio Bolsonaro | ||
| Short title | O papel da Argentina de Milei na fuga de Flávio Bolsonaro | ||
| Teaser |
Apesar de a Polícia Federal ter cancelado os passaportes do senador, autoridade migratória argentina comunica que ele entrou no país sem qualquer impedimento legal. Fuga deverá piorar ainda mais relações diplomáticas. A Argentina confirmou na madrugada desta quarta-feira (28/10) que o senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado à Presidência da República, fugiu do Brasil para a Argentina e seguiu a caminho do Equador acompanhado da esposa e das duas filhas. O senador e sua família receberam vistos dos Estados Unidos no dia anterior, concedidos pelo governo do presidente Donald Trump, segundo a agência de notícias AP. A fuga de Flávio Bolsonaro pelo país vizinho deverá piorar ainda mais as já desgastadas relações diplomáticas entre Brasil e Argentina, que se deterioraram com declarações feitas pelo presidente argentino, Javier Milei, durante a recente disputa pela Presidência. Milei foi ao Brasil para participar de atos de campanha de Bolsonaro e, em solo brasileiro, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "ladrão", "presidiário" e "delinquente". Depois disso, o Brasil comunicou a dispensa do embaixador da Argentina em Brasília e decidiu não enviar o embaixador brasileiro a Buenos Aires, efetivamente rebaixando as relações diplomáticas entre os dois países. O governo argentino também se recusou inicialmente a reconhecer a vitória de Lula nas eleições. O porta-voz da Presidência da Argentina, Adrián Ravier, disse que o Executivo registrou o resultado do pleito e afirmou que Lula também não parabenizou Milei após a vitória do argentino em 2023. "Quando em 2023 Javier Milei foi eleito, não houve nenhum gesto do presidente Lula para cumprimentá-lo pessoalmente nem nada. Por enquanto, não há nenhum comunicado que vamos fazer", destacou. A fuga de Flávio Bolsonaro pelo país vizinho se dá apesar de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ter proibido o senador de deixar o país e determinar que ele entregasse seus passaportes, no âmbito de uma investigação criminal sobre seu suposto envolvimento num esquema de lavagem de dinheiro. Bolsonaro não entregou os passaportes, e os documentos foram cancelados pela Polícia Federal. Argentina inicialmente negou presença de FlávioO jornal argentino Clarín diz ter sido informado de que não havia, na Argentina, nenhum alerta vigente contra Flávio Bolsonaro que impedisse sua entrada e lembrou que o senador também tem passaporte italiano, documento que ele poderia ter utilizado ao cruzar a fronteira por via terrestre, passando pelo controle migratório. Além disso, brasileiros Não precisam de passaporte para entrar na Argentina, basta um documento de identidade. A autoridade migratória argentina assinalou que "os que ingressaram no país possuíam documentação de viagem válida e não enfrentavam qualquer impedimento legal para entrar; além disso, sua passagem foi registrada pela autoridade competente sem qualquer incidente". Durante o dia, o governo de Milei negou "enfaticamente" que Flávio Bolsonaro tivesse entrado na Argentina, e também as autoridades de migração disseram que não havia registro de entrada dele no país. Só na madrugada desta quarta-feira, às 2h01, a autoridade migratória argentina comunicou, por meio de uma postagem na rede social X, que Flávio Bolsonaro e sua família cruzaram a fronteira para entrar no país às 22h50. Até então, o paradeiro dele era desconhecido. "A Direção Nacional de Migrações informa que, às 22h50 do dia 27/10, entraram pelo posto de fronteira da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, os cidadãos Flavio Nantes Bolsonaro, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro. Eles apresentaram documentação de viagem válida, sem qualquer impedimento legal para a entrada no país; a passagem foi registrada pela autoridade competente, sem incidentes", comunicou a autoridade. "Além disso, às 23h30, o grupo embarcou em um voo privado, operado pela empresa Baires Fly S.A., com destino à cidade de Guayaquil, no Equador, conforme consta no plano de voo", concluiu. A fugaO comunicado oficial foi divulgado três horas após a passagem do grupo pela fronteira. Por volta das 23h, duas vans da empresa brasileira Iguaçu Dallas Travel atravessaram a fronteira em Puerto Iguazú, vindas do lado brasileiro, informou o Clarín. Segundo a emissora TN, os veículos seguiram em velocidade máxima, escoltados por uma viatura da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), até entrarem diretamente na pista do Aeroporto de Puerto Iguazú, em Misiones. A emissora argentina C5N, que transmitia ao vivo do aeroporto no momento da chegada das vans, informou que a comitiva era composta de quatro veículos, com escolta da polícia, e ao menos um deles entrou na pista do aeroporto. A bordo de um dos veículos, de vidros escurecidos, havia uma pessoa usando boné, sentada no banco traseiro, que o Clarín identificou como sendo Flávio Bolsonaro. O jornal observou que a movimentação de segurança vista no local era incomum para um aeroporto que, àquela hora, quase não recebe voos. Segundo o jornal argentino La Nación, o estrategista de Milei, Santiago Caputo, estava na província de Misiones no momento da partida da aeronave privada, o que aumentariam as suspeitas de colaboração do governo argentino na fuga de Flávio. A Casa Rosada negou qualquer envolvimento no caso. Ainda de acordo com o La Nación, perfis ligados ao campo libertário comemoram nas redes sociais a saída de Flávio Bolsonaro pela Argentina, um deles seria Juan Pablo Carreira, conhecido nas redes como Juan Doe, que ocupa o cargo de diretor de Comunicação Digital da Presidência. "O governo de Milei é o governo com mais coragem da história. Flávio Bolsonaro está a salvo das garras do comunismo, que quer prender todos os opositores; e agora poderá continuar a luta a partir dos Estados Unidos, em vez de fazê-lo de uma cela em Brasília, como seu pai", escreveu nas redes sociais. as/cn (AP, OTS) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Autoridade migratória argentina diz que não havia impedimento legal para senador entrar no país. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-papel-da-argentina-de-milei-na-fuga-de-flávio-bolsonaro/a-79785900?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=O%20papel%20da%20Argentina%20de%20Milei%20na%20fuga%20de%20Fl%C3%A1vio%20Bolsonaro | ||
| Item 24 | |||
| Id | 79784221 | ||
| Date | 2026-10-28 | ||
| Title | Fim da imunidade parlamentar, passaporte italiano: Fuga de Flávio Bolsonaro é destaque na imprensa europeia | ||
| Short title | Fuga de Flávio Bolsonaro é destaque na imprensa da Europa | ||
| Teaser |
Sites de notícias observam que o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, quer conceder asilo político ao senador, que fugiu para "evitar uma investigação por lavagem de dinheiro". A fuga do candidato derrotado nas eleições Flávio Bolsonaro do Brasil é destaque nos sites de notícias europeus nesta quarta-feira (28/10). As reportagens detalham o roteiro da saída do senador do país, associam o episódio às investigações que pesam contra ele e lembram fugas de outros membros do clã. Na Alemanha, o site da revista Der Spiegel, em uma reportagem intitulada O verdadeiro motivo para a fuga de Bolsonaro, afirma que o episódio é um presente para Lula ao enfraquecer o clã Bolsonaro e dividir a direita brasileira. "Em fevereiro termina o mandato de Flávio como senador, e então ele perderá a imunidade parlamentar. Esse provavelmente é o verdadeiro motivo de sua fuga. O político é alvo de duas investigações por lavagem de dinheiro e corrupção", afirma a revista. O texto afirma ainda que a operação também é uma "espécie de reunião familiar", citando que o irmão de Flávio, Eduardo também fugiu para os EUA. A reportagem lembra ainda o episódio da ida de Jair Bolsonaro aos EUA, após a vitória de Lula nas eleições de 2022, temendo a Justiça brasileira. "Se seu amigo Donald Trump estivesse no poder naquela época, ele provavelmente ainda hoje viveria em Orlando, e não estaria em prisão domiciliar em Brasília como um golpista fracassado condenado. Mas o governo do então presidente Joe Biden deixou claro que não concederia asilo a Bolsonaro", destaca. O jornal conservador alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) narra a história da "complicada fuga de Flávio para a América de Trump", destacando que o presidente republicano quer admiti-lo nos EUA, "mas para isso ele [Flávio Bolsonaro] precisa primeiro chegar lá". O periódico lembra que o senador é alvo de duas investigações no Brasil "A fuga provocou inquietação no PL. A cúpula da legenda, que na segunda-feira havia reconhecido a vitória eleitoral de Lula e pretendia confiar a Bolsonaro a liderança da oposição, aparentemente não havia sido informada da decisão. Integrantes do círculo próximo do ex-presidente afirmam que ele pretende solicitar asilo político nos Estados Unidos e, de lá, liderar a oposição. No entanto, o campo conservador vem se distanciando cada vez mais de Bolsonaro e considera que chegou o momento de questionar a pretensão da família Bolsonaro de liderar esse grupo político", diz o FAZ. A fuga também é destaque no jornal Süddeutsche Zeitung (SZ) que cita as investigações contra Flávio e lembra que, com a derrota na eleição, ele ficaria sem mandato na política pela primeira vez em 24 anos. "A pressão sob Flávio aumentou no Brasil. Ao deixar de ser senador, ele ficou menos protegido de processos criminais. Ele está sendo investigado no atual maior escândalo de corrupção do Brasil, que foi revelado no ano passado com a quebra do Banco Master." Casos de corrupçãoNa França, o diário Le Monde noticia que "o candidato da extrema direita, envolvido em vários casos de corrupção e intimado pela Justiça brasileira a entregar seus passaportes, deixou o país rumo ao Equador, após cruzar a fronteira terrestre com a Argentina". O texto acrescenta que, "para estupefação geral", a fuga se deu "apenas dois dias" após sua derrota na eleição presidencial. "Uma fonte anônima do governo brasileiro procurou, no entanto, tranquilizar os interlocutores. ‘Não vamos romper as relações com os Estados Unidos, é exatamente isso que eles [o clã Bolsonaro] querem’, afirma, lembrando que o governo já precisou lidar com episódios semelhantes. Após sua derrota para Lula em 2022, Jair Bolsonaro passou três meses na Flórida e teria considerado fugir para a Hungria e a Argentina antes de retornar ao Brasil. Washington também recebeu de braços abertos o ex-chefe da inteligência brasileira, Alexandre Ramagem, poucos dias antes de sua condenação, em setembro de 2025, a 16 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado contra Lula", afirma o jornal francês. Já o jornal espanhol El País publica texto intitulado A fuga de Flávio: do Brasil à Argentina para viajar aos EUA, após fazer escala no Equador, no qual relata que Flávio Bolsonaro "saiu de seu país para evitar uma investigação por lavagem de dinheiro" e que Trump diz que aceita acolhê-lo nos EUA. "Não está claro o paradeiro do filho do ex-presidente golpista Jair Bolsonaro. A Flórida é considerado um destino provável, mas seu irmão, o ex-deputado Eduardo, vive no Texas, por isso também se suspeita que ele pode ter ido para lá", escreve o El País. Cidadania italianaO jornal britânico Financial Times também relembra as investigações contra Flávio e avalia que a presença do senador no EUA "provavelmente agravará as já tensas relações entre Brasília e Washington. Um aliado afirmou que sua esposa e suas duas filhas também deixaram o Brasil". "O governo Trump, que ainda não reconheceu formalmente a vitória de Lula, anunciou na terça-feira que concederia um visto a Flávio, cujo pai, Jair Bolsonaro, foi aliado do presidente republicano durante seu mandato", afirma o texto. O também britânico The Guardian também dá destaque ao episódio e aponta que o senador possui a cidadania italiana. "Um ministro do Supremo Tribunal Federal cancelou o passaporte de Flávio poucos minutos após a divulgação do resultado eleitoral, em uma decisão relacionada a um processo criminal contra o senador. Ele tinha até as 11h para entregar o documento à Polícia Federal, mas não compareceu. Flávio possui cidadania italiana desde 2023 e, segundo relatos, também tem um passaporte emitido pelo país europeu", diz. as/cn (OTS) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Sites de notícias observam que governo dos EUA, liderado por Donald Trump, quer conceder asilo político ao senador. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/fim-da-imunidade-parlamentar-passaporte-italiano-fuga-de-flávio-bolsonaro-é-destaque-na-imprensa-europeia/a-79784221?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 25 | |||
| Id | 79774486 | ||
| Date | 2026-10-27 | ||
| Title | Em crise na Alemanha, Audi anuncia fábrica nos EUA e é acusada de ajudar Trump em eleição | ||
| Short title | CEO da Audi sobe no palanque de Trump e gera indignação na Alemanha | ||
| Teaser |
Chefe da montadora alemã confirmou abertura de fábrica nos EUA em comício ao lado de Trump a duas semanas de eleição ao Congresso. Ação é criticada na Alemanha, onde setor enfrenta cortes massivos de empregos.O anúncio de um investimento bilionário da montadora alemã Audi nos Estados Unidosàs vésperas das eleições de meio de mandato gerou críticas na Alemanha, em um momento em que o setor automobilístico alemão atravessa uma das maiores crises de sua história recente.
Feito durante um comício eleitoral do presidente americano,Donald Trump, na Geórgia, o anúncio foi celebrado pela campanha republicana como prova da eficácia de sua política tarifária. Ao mesmo tempo, desencadeou críticas na Alemanha, onde o CEO da empresa, Gernot Döllner, foi acusado de dar apoio político a Trump enquanto o setor automobilístico enfrenta pressão sem precedentes da China, aumento de custos, dois conflitos internacionais e com sucessivos anúncios de demissões e corte de gastos.
No sábado (24/10), Trump anunciou que a Audi vai instalar uma fábrica na Geórgia, estado crucial para o sucesso nas urnas de seu Partido Republicano. A informação logo foi confirmada pela Audi, com investimento previsto de 4 bilhões de dólares (R$ 21,7 bilhões) e criação de 4,5 mil postos de trabalho. A construção deve começar em 2027, com planos de produção de até 200 mil veículos por ano a partir do início da década de 2030.
A empresa, que é parte do grupo Volkswagen, pretende fabricar SUVs para o mercado americano na unidade, marcando um "compromisso de longo prazo" com o que descreveu como "um dos mercados premium mais importantes do mundo".
Por que a Audi está investindo nos EUA
Trump atribuiu o investimento da Audi às tarifas de 15% impostas sobre veículos fabricados na Europa, afirmando que a iniciativa "não teria acontecido" sem a taxação.
Embora o compromisso esteja alinhado ao plano de Trump de trazer a manufatura de volta aos Estados Unidos, a Audi afirmou que está fazendo esse grande investimento por razões de crescimento e resiliência.
"Temos ambições muito maiores para a Audi nos Estados Unidos", disse Döllner, que participou do comício republicano ao lado de Trump.
"Os Estados Unidos são um dos mercados premium mais importantes do mundo, e ainda não realizamos todo o nosso potencial. Estamos determinados a mudar isso [...]. Trata-se de construir um negócio mais forte para a Audi nos EUA, não apenas de construir uma fábrica", afirmou.
No entanto, as tarifas de Trump sem dúvida agravaram os problemas da montadora.
A Audi, que atualmente exporta para os Estados Unidos a partir da Europa e do México, informou que os custos adicionais gerados pelas tarifas chegaram a cerca de 1,2 bilhão de euros (R$ 7,2 bilhões) no ano passado.
Com pouco mais de 160 mil veículos vendidos, as vendas da Audi nos EUA caíram 16% no último ano, em meio à intensa concorrência e após Trump eliminar os subsídios para veículos elétricos em seu segundo maior mercado.
Segundo analistas do setor, ao construir uma fábrica nos Estados Unidos, a Audi poderá evitar ou reduzir o impacto das tarifas impostas por Trump.
Críticas severas na Alemanha
O acordo da Audi com Trump gerou fortes críticas devido à severa pressão enfrentada pelas montadoras alemãs e pelo temor de que signifique mais perdas de empregos na Alemanha.
Grande parte das críticas se concentrou na participação de Döllner no comício ao lado de Trump.
A porta-voz de política de transportes do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), Isabel Cademartori, acusou Döllner de fazer campanha para um autocrata que trava uma guerra comercial contra a Alemanha.
"Isso é uma vergonha, especialmente considerando a história do Grupo Volkswagen", declarou, referindo-se aos vínculos da empresa com o partido nazista de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial.
Christiane Benner, presidente do poderoso sindicato alemão IG Metall, classificou a participação no comício como "extremamente constrangedora, politicamente inaceitável e indigna da empresa".
A chefe do conselho de trabalhadores da Volkswagen, Daniela Cavallo, foi além, afirmando que Döllner havia se deixado transformar em "um fantoche no espetáculo de propaganda" de Trump.
Cavallo, entretanto, observou que a fábrica nos EUA pode fazer sentido do ponto de vista empresarial, já que a Volkswagen precisa ampliar sua participação naquele mercado.
Um porta-voz da Audi defendeu o investimento, afirmando que ele "não é uma decisão contra a Alemanha, mas sim um passo para fortalecer nossa competitividade global".
Manfred Döss, presidente do conselho de supervisão da Audi, insistiu que o futuro da montadora não pode ser garantido apenas por cortes de custos e ganhos de eficiência.
"Precisamos ter coragem para investir, aproveitar novas oportunidades e tomar decisões que moldarão nossa empresa pelas próximas décadas", argumentou.
A Audi pode ajudar em uma eventual vitória de Trump?
O anúncio de investimento da Audi nos EUA parece claramente ter sido programado para coincidir com as eleições legislativas de 3 de novembro.
O pleito definirá quem terá maioria no Congresso nos últimos dois anos de Trump na Presidência: se os aliados republicanos ou a oposição democrata.
Que o anúncio da Audi tenha sido feito na Geórgia, um estado decisivo nas disputas eleitorais, é visto como uma estratégia para fortalecer os candidatos republicanos locais.
Desde que retornou à Casa Branca no ano passado, Trump tem usado tarifas e pressão política para forçar montadoras globais a transferirem suas fábricas para território americano.
O investimento da Audi segue iniciativas da Stellantis e da japonesa Toyota para expandir sua produção nos Estados Unidos, enquanto a Honda negocia a construção de uma nova fábrica no país.
As gigantes americanas General Motors e Ford também prometeram aumentar sua produção doméstica.
Embora um único anúncio de investimento talvez não seja suficiente para influenciar muitos eleitores, ele reforça uma das principais promessas eleitorais de Trump: revitalizar a produção industrial nos Estados Unidos.
O boom dos carros chineses
Impulsionadas por enormes subsídios governamentais, as concorrentes chinesas saíram na frente na transição para os veículos elétricos, ampliando a produção de novos modelos que estão conquistando rapidamente participação em um mercado automobilístico global cada vez mais competitivo.
BMW, Mercedes-Benz e a Volkswagen, controladora da Audi e segunda maior montadora do mundo, emitiram alertas de queda de lucro nos últimos meses devido à pressão sobre suas margens.
As empresas também anunciaram grandes programas de corte de custos. A Volkswagen está se preparando para eliminar até 100 mil empregos até 2030, enquanto a fábrica da Audi em Neckarsulm, que emprega cerca de 15 mil pessoas, é uma das quatro unidades sob risco de fechamento.
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| Short teaser | Executivo alemão confirmou abertura de fábrica nos EUA em comício com Trump a duas semanas de eleição ao Congresso. | ||
| Author | Nik Martin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/em-crise-na-alemanha-audi-anuncia-fábrica-nos-eua-e-é-acusada-de-ajudar-trump-em-eleição/a-79774486?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Donald Trump e o CEO da Audi, Gernot Döllner, em evento de campanha na Geórgia: pressionada por tarifas, Audi espera que seus planos de fabricar SUVs nos EUA impulsionem faturamento da empresa | ||
| Image source | Edgar Su/REUTERS | ||
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| Item 26 | |||
| Id | 79731488 | ||
| Date | 2026-10-26 | ||
| Title | Custos altos e resultados abaixo do esperado: empresas freiam uso da IA | ||
| Short title | Empresas freiam uso da IA após custos altos e ganhos limitados | ||
| Teaser |
Após gastar bilhões em inteligência artificial, empresas passam a limitar o uso da tecnologia diante de resultados abaixo do esperado, risco de erros e temor de perda de conhecimento entre funcionários.O mercado de trabalho global passa por transformações profundas. Um relatório do Fórum Econômico Mundial sobre o futuro do trabalho publicado no ano passado indica que, até 2030, cerca de 92 milhões de postos de trabalho em todo o mundo serão eliminados ou sofrerão mudanças drásticas devido à inteligência artificial (IA) e aos processos de automação a ela associados.
Ao mesmo tempo, estima-se a criação de cerca de 170 milhões de novos empregos. As expectativas de muitas empresas em relação à IA são, portanto, elevadas: espera-se que ela acelere processos, reduza custos e, consequentemente, aumente a eficiência.
No entanto, algumas empresas já começam a rever sua postura. Após investirem tempo e recursos financeiros consideráveis na implementação abrangente da IA, questões sobre o benefício real, os custos operacionais e os riscos associados passaram a ocupar o centro das discussões.
IA altamente especializada para tarefas simples
Um exemplo notável é a consultoria global Accenture. A empresa afirma ter investido 3 bilhões de dólares especificamente na expansão de sua divisão de dados e IA. Estima-se que mais de 1 bilhão de dólares tenha sido destinado anualmente à capacitação dos colaboradores – uma parcela significativa voltada a treinamentos específicos em IA.
A Accenture teria adotado uma estratégia de IA bastante agressiva: a promoção para cargos de liderança é restrita a funcionários que utilizam regularmente as ferramentas internas de IA.
Essa pressão intensa, contudo, levou os colaboradores a utilizarem essas ferramentas dispendiosas até mesmo para tarefas relativamente simples, apenas para cumprir as exigências de uso – como a criação de apresentações a partir de documentos de texto, a elaboração de resumos de relatórios ou a realização de tarefas básicas de programação.
"Há alguns anos, essas aplicações eram relativamente baratas, pois a 'moeda' de pagamento eram, por assim dizer, os dados", explica Anne-Sophie Mayer, professora de Trabalho Digital na Universidade Ludwig-Maximilians, em Munique. "No entanto, isso mudou. A IA está cada vez melhor, o que fez com que os custos de licenciamento de modelos altamente especializados aumentassem drasticamente."
Para utilizar essas ferramentas de IA, muitas vezes é necessário comprar "tokens" caros – e esse é o caso da Accenture. Na empresa, os custos dispararam, levando a companhia a tomar uma medida drástica para frear a situação.
A partir de agora, haverá um orçamento mensal de apenas 29 dólares por pessoa para aplicações de IA. Gastos que excedam esse valor precisarão de aprovação da diretoria.
Mais trabalho em vez de eficiência
Mas não foi apenas o uso de ferramentas de IA caras para tarefas simples que se tornou um problema de custos. Frequentemente, o resultado eram conteúdos gerados por IA que, à primeira vista, pareciam profissionais, mas que, sob uma análise mais atenta, revelavam-se superficiais, incorretos ou pouco úteis para gerar novos conhecimentos.
Em vez de economizar tempo, criou-se uma carga de trabalho adicional considerável. Os funcionários precisavam dedicar um esforço exaustivo para verificar as informações geradas pela IA, corrigir erros e ajustar os resultados para que se tornassem utilizáveis. Esse fenômeno, que já foi observado em muitas outras empresas, ficou conhecido como "workslop".
Recentemente, Ryan Roslansky, um dos executivos de alto escalão da gigante de software Microsoft, também abordou o assunto em uma postagem no LinkedIn:
"O 'lixo' gerado por IA não existe apenas nas redes sociais. Ele também está presente no dia a dia de trabalho. Alguém me enviou um documento que era claramente gerado por IA. Li o material, percebi que tudo era fruto de IA, pedi à minha própria IA que fizesse um resumo e, no final, não encontrei absolutamente nada que trouxesse ideias novas... É um círculo vicioso."
Nesse contexto, a especialista em IA Anne-Sophie Mayer fala sobre uma problemática "homogeneização de conteúdos". Para resumos simples ou tarefas rotineiras que não exigem criatividade, as ferramentas de IA são, de fato, úteis, explica a professora. "Mas, quando se trata de recomendar ações ou interpretar situações, isso ainda precisa ser feito por humanos – para gerar valor agregado, revelar novos conhecimentos e evitar a perda de vantagem competitiva."
Será que a IA torna os funcionários menos inteligentes?
Pesquisadores do mercado de trabalho apontam outro problema de longo prazo: a perda de conhecimento especializado. "Terceirizar o pensamento leva à atrofia cognitiva", alerta Eric So, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Se os colaboradores dependerem excessivamente de conteúdos gerados por IA, suas próprias competências técnicas podem acabar se deteriorando.
"Esse é, de fato, um grande perigo", concorda Anne-Sophie Mayer. "Pois a IA sempre dá a entender que está correta. Isso acaba inibindo o questionamento. É claro que as ferramentas de IA estão cada vez melhores, mas, por outro lado, os seres humanos tendem a se tornar excessivamente acomodados."
A situação torna-se ainda mais crítica quando informações incorretas não são verificadas, acabam sendo incorporadas aos processos internos e, a partir daí, se propagam. "É preciso lembrar que a IA comete erros. E a responsabilidade por um resultado gerado permanece sempre com o ser humano."
Trabalhadores sabotam IA por medo de serem substituídos
Outro problema enfrentado por muitas empresas é o envolvimento, muitas vezes insuficiente, dos funcionários durante a implementação da IA. "Ao introduzir uma ferramenta de IA específica para a empresa, dependo da ajuda dos meus colaboradores para treinar essa ferramenta", explica Anne-Sophie Mayer.
Isso, no entanto, acaba gerando muitos receios. Por exemplo, o funcionário pode pensar: "Puxa, se eu ajudar a treinar essas ferramentas de IA agora, talvez eu me torne obsoleto daqui a alguns anos."
Mayer relata ter presenciado, em algumas empresas, casos em que funcionários inseriram, deliberadamente, informações incorretas, por medo de que a ferramenta de IA pudesse, um dia, torná-los dispensáveis.
Recentemente, chamaram a atenção notícias sobre a Meta — empresa controladora do Facebook —, que demitiu cerca de 8 mil funcionários após ter registrado, secretamente, o trabalho diário deles para o treinamento da IA interna da companhia.
Empresas hesitantes
Na Alemanha, muitas empresas ainda evitam adotar a IA. Segundo um levantamento do Instituto de Pesquisa do Mercado de Trabalho e Profissões (IAB), dois terços de todas as empresas do país abriram mão de usar ferramentas de IA até o final de 2025.
Muitas empresas não identificaram aplicações adequadas para a tecnologia. Outras citaram como motivos para a não adoção a falta de know-how, sistemas de TI incompatíveis ou obstáculos relacionados à proteção de dados.
Anne-Sophie Mayer compreende essa hesitação. Na sua opinião, as empresas precisam atender a quatro requisitos para que a implementação da IA seja bem-sucedida.
"Primeiro: é necessário definir uma área de aplicação: onde exatamente existe um problema e como seria a solução?" O segundo ponto é a qualidade dos dados. Se eu tenho um processo analógico ruim, terei também um processo digital ruim. Se eu sequer possuo determinados dados, ou não os preparo adequadamente, e aplico uma IA sobre eles, isso não trará resultado algum."
Em terceiro lugar, diz a especialista, é importante manter uma certa abertura em relação à nova tecnologia, "encontrar o equilíbrio entre o potencial da IA e a necessidade de não sair correndo atrás de toda e qualquer tendência, nem adotá-la de forma totalmente cega".
E, em quarto lugar: a capacitação dos colaboradores. Trata-se, segundo Mayer, de incentivá-los a identificar, por conta própria, boas áreas de aplicação nas quais eles também consigam perceber o valor agregado da IA.
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| Short teaser | Após gastar bilhões, empresas limitam uso inteligência artificial diante de decepção com resultados e risco de erros. | ||
| Author | Thomas Latschan, Rayanne Azevedo | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/custos-altos-e-resultados-abaixo-do-esperado-empresas-freiam-uso-da-ia/a-79731488?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Ferramentas de IA chegam a número cada vez maior de áreas profissionais, só que nem sempre resultam em economia de custos ou eficiência | ||
| Image source | Oliver Berg/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/56601115_354.jpg&title=Custos%20altos%20e%20resultados%20abaixo%20do%20esperado%3A%20empresas%20freiam%20uso%20da%20IA | ||
| Item 27 | |||
| Id | 79765001 | ||
| Date | 2026-10-26 | ||
| Title | Alemanha afirma que vitória de Lula é boa notícia para Amazônia | ||
| Short title | Alemanha afirma que vitória de Lula é boa notícia para Amazônia | ||
| Teaser |
Governo alemão parabeniza petista pela reeleição e espera aprofundar ainda mais a relação entre os dois países. Sobre alegações de fraude de Flávio Bolsonaro, Berlim diz que cabe à Justiça brasileira verificá-las.O governo alemão parabenizou nesta segunda-feira (26/10) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela reeleição e afirmou que o resultado é uma notícia boa para a proteção da Amazônia.
Em mensagem publicada no X, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, parabenizou Lula e disse estar ansioso para aprofundar ainda mais a parceria entre os dois países.
A eleição no Brasil também foi tema na tradicional coletiva de imprensa do governo alemão. Porta-vozes de diversos ministérios alemães comentaram o resultado, destacando a importância da parceira estratégica entre o país europeu e o Brasil.
"O Brasil é um parceiro global muito importante independentemente de quem governa o país", pontuou o porta-voz do ministério do Exterior alemão, Martin Giese. "Ficamos felizes com a continuidade do trabalho em conjunto com o Brasil."
"Brasil é um Estado de Direito"
Ao ser questionado por jornalistas se o fato de o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) se negar a reconhecer o resultado representa um perigo para democracia do país sul-americano, Giese destacou que o Brasil é um Estado de Direito, onde há a possibilidade de se contestar o resultado de uma eleição e existem regras para isso.
"Bolsonaro menciona irregularidades, mas, que por enquanto, se trata apenas de alegações dele. Cabe à Justiça brasileira verificar se elas têm algum fundamento. Ele falou que quer contestar as eleições. Caberá aos tribunais no Brasil decidir sobre essa questão, e não a nós aqui", acrescentou.
Já o porta-voz do Ministério de Cooperação Econômica da Alemanha (BMZ), Benedikt Schöneck, afirmou que a vitória de Lula é uma "boa notícia" para a proteção da Amazônia e lembrou que o Brasil é um parceiro de longa data do país europeu nesse quesito.
"Ter um parceiro como o Lula no governo, com quem podemos continuar trabalhando, é uma notícia boa para a proteção da Amazônia", disse Schöneck.
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| Short teaser | Sobre alegações de fraude de Flávio Bolsonaro, Berlim diz que cabe à Justiça brasileira verificá-las. | ||
| Author | Clarissa Neher | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemanha-afirma-que-vitória-de-lula-é-boa-notícia-para-amazônia/a-79765001?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Merz e Lula se encontraram na Alemanha em abril | ||
| Image source | Julian Stratenschulte/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/76849207_354.jpg&title=Alemanha%20afirma%20que%20vit%C3%B3ria%20de%20Lula%20%C3%A9%20boa%20not%C3%ADcia%20para%20Amaz%C3%B4nia | ||
| Item 28 | |||
| Id | 79747836 | ||
| Date | 2026-10-24 | ||
| Title | Incêndio devasta "Ninho da Águia" de Adolf Hitler | ||
| Short title | Incêndio devasta "Ninho da Águia" de Adolf Hitler | ||
| Teaser |
Chamas de grande intensidade tomaram a Kehlsteinhaus, antigo retiro do ditador nazista construído em 1938 no topo de montanha no sul da Alemanha. Um homem foi detido e polícia investiga suspeita de incêndio criminoso.Um incêndio de grande intensidade atingiu na noite de sexta-feira (23/10) a Kehlsteinhaus, também conhecida como "Ninho da Águia", construção que fazia parte do antigo retiro alpino do ditador Adolf Hitler no sul da Alemanha, e que depois da Segunda Guerra Mundial foi convertido em uma atração turística.
A polícia investiga suspeita que o incêndio tenha origem criminosa.
Imagens de uma câmera mostraram que o fogo eclodiu depois das 21h na construção, localizada no topo da montanha Kehlstein, a 1.834 de altitude, na cidade de Berchtesgaden, no estado alemão da Baviera e próximo da fronteira com a Áustria.
Equipes de bombeiros chegaram ao local, acessível por uma longa estrada sinuosa, às 21h52 e se depararam com um incêndio de grandes proporções.
Segundo as autoridades, ninguém estava no interior do local no momento do incêndio.
Um motociclista que foi visto trafegando no sentido contrário da estrada isolada que leva ao local foi detido pela polícia por suspeita de envolvimento no incêndio criminoso. Segundo as autoridades, ele estava ferido e aparentava exibir problemas mentais. Uma investigação ainda está em andamento.
Antiga casa de convidados da era nazista
Originalmente concluído em 1938 na mesma área do antigo complexo Berghof, a residência de verão de Hitler, a Kehlsteinhaus foi concebida por Martin Bormann, braço direito de Hitler no partido nazista, como um "retiro dentro do retiro" que poderia servir para receber convidados diplomáticos ou recepções para membros do círculo mais íntimo do ditador.
Hitler, que preferia ficar no Berghof, várias centenas de metros abaixo, na montanha Obersalzberg, nunca foi um frequentador assíduo da Kehlsteinhaus, tendo visitado o local apenas 14 vezes entre 1938 e 1945.
Em local isolado, a Kehlsteinhaus é acessível por uma estrada sinuosa de 6,5 quilômetros com elevação de 800 metros. Depois dessa etapa, os visitantes tinham a opção de completar uma última subida de 124 metros por um elevador dourado escavado no interior da rocha ou uma trilha lateral.
Poupado por bombardeios aliados, a Kehlsteinhaus foi capturada por tropas aliadas em maio de 1945. Há debate se foram tropas francesas ou americanas chegaram primeiro ao local. A captura da construção faz parte de um dos episódios na minissérie americana Band of Brothers (2001).
Após a captura, soldados aliados arrancaram diversos pedaços da lareira de mármore da construção, que havia sido originalmente um presente do ditador italiano Benito Mussolini. Os pedaços se tornaram um souvenir popular entre os soldados, antes que o comando aliado proibisse a prática.
Ao contrário do Berghof, cujas ruínas foram completamente arrasadas após a guerra, a Kehlsteinhaus continuou de pé pelas décadas seguintes.
Entre 1945 e 1952, a construção, conhecida fora da Alemanha como "Ninho da Águia", foi usada como centro de comando militar por tropas aliadas. Depois disso, o local foi aberto ao público e se converteu numa atração turística, atraindo todos os anos centenas de milhares de turistas tanto por causa da sua importância histórica quanto pelas paisagens naturais dos Alpes e a presença de várias espécies de animais.
O edifício pertence, atualmente, a uma fundação beneficente e abriga um restaurante, oferecendo mesas em ambiente interno e uma área ao ar livre para consumo de bebidas e refeições.
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| Short teaser | Chamas tomaram antigo retiro do ditador nazista construído em 1938 e localizado no topo de montanha no sul da Alemanha. | ||
| Author | Jean-Philip Struck | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/incêndio-devasta-ninho-da-águia-de-adolf-hitler/a-79747836?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/60230399_354.jpg
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| Image caption | Vista da Kehlsteinhaus, ou "Ninho da Águia", que serviu a Adolf Hitler, no topo de montanha no sul da Alemanha | ||
| Image source | Dominic Jones/Loop Images/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/60230399_354.jpg&title=Inc%C3%AAndio%20devasta%20%22Ninho%20da%20%C3%81guia%22%20de%20Adolf%20Hitler | ||
| Item 29 | |||
| Id | 79734284 | ||
| Date | 2026-10-22 | ||
| Title | O enigma do possível arranha-céu da Antiguidade | ||
| Short title | Etiópia pode ter tido um "arranha-céu" há quase 3 mil anos | ||
| Teaser |
Pesquisadores descobriram que a combinação de pedra e madeira usada num palácio etíope de 800 a.C. tinha potencial para suportar até 19 andares. Hoje, os arranha-céus fazem parte da paisagem de qualquer grande metrópole. Mas, há 2.800 anos, muito antes do aço estrutural e do concreto armado, erguer um edifício em direção ao céu era uma história completamente diferente. E, embora ao pensar nas grandes construções da Antiguidade venham à mente as pirâmides do Egito ou os templos da Grécia e de Roma, desta vez é preciso olhar para outra região: as terras altas da Etiópia. Ali, na antiga cidade de Yeha, erguia-se o palácio de Grat Be'al Gibri. Claro que não era nenhum Burj Khalifa — torre de 160 andares em Dubai —, mas uma nova análise de engenharia aponta para uma possibilidade surpreendente: o sistema de paredes de pedra e madeira talvez fosse capaz de suportar cargas correspondentes a muito mais andares do que sugerem os vestígios preservados. Um palácio de 2.800 anos na EtiópiaO edifício foi construído por volta de 800 a.C. e ocupava uma área de cerca de 60 por 60 metros, o que o torna, segundo a Universidade Técnica de Brandemburgo em Cottbus-Senftenberg (BTU), o maior palácio conhecido de sua época no sul da Arábia e no Leste da África. Um incêndio o destruiu na Antiguidade, e apenas partes do térreo e da plataforma sobre a qual foi construído sobreviveram até hoje. Mesmo assim, as ruínas guardam pistas de sua antiga grandiosidade. Segundo o portal Arkeonews, o palácio se erguia sobre uma plataforma de cerca de seis metros de altura e possuía uma entrada monumental, com uma ampla escadaria e seis pilares de arenito de aproximadamente dez metros de altura. Havia também uma escada interna, indício de que o edifício possuía vários níveis. O enigma da alturaDeterminar quantos andares o palácio teve é, porém, um antigo desafio para os pesquisadores. As investigações começaram em 1906, e uma reconstrução virtual realizada posteriormente chegou a sugerir que o edifício teria oito andares. Existem, entretanto, referências históricas a construções ainda mais altas. Historiadores árabes mencionavam palácios com até 20 andares, e pinturas rupestres do sul da Arábia retratam edifícios em forma de torre. A grande questão era saber se alturas tão impressionantes eram tecnicamente viáveis. Foi isso que os pesquisadores Martin Drieschner, da BTU, e Mike Schnelle, do Instituto Arqueológico Alemão, procuraram investigar. Em um estudo publicado em julho de 2026 na revista Heritage, eles criaram modelos tridimensionais de duas partes representativas das paredes, um canto e uma abertura de porta, e analisaram sua capacidade de carga por meio do método dos elementos finitos. Como não se sabe exatamente como aqueles materiais se comportavam, os pesquisadores também recorreram ao PolyUQ, um programa desenvolvido pela própria equipe para lidar com esse grau de incerteza, segundo comunicado da BTU. Paredes de pedra e madeiraÉ aqui que a madeira se torna o elemento fundamental do sistema construtivo. As paredes combinavam pedras irregulares e argamassa de barro com vigas de madeira dispostas horizontalmente em camadas alternadas, algumas no sentido longitudinal e outras no transversal, formando uma estrutura interna de reforço. De acordo com o Arkeonews, as madeiras utilizadas incluíam a oliveira-africana e a Cordia africana. As vigas possuíam seções retangulares entre 21 e 28 centímetros e apresentavam resistência a pragas como os cupins. Um aspecto particularmente interessante é que todas as vigas eram posicionadas horizontalmente, característica que diferencia Yeha de outros sistemas construtivos semelhantes encontrados no sul da Arábia. Os resultados surpreenderam os pesquisadores. As variações nas propriedades da madeira tiveram pouca influência na capacidade de carga das paredes, sugerindo que se tratava de um sistema estrutural robusto. Segundo a BTU, os modelos indicam que, nas condições analisadas, as paredes poderiam suportar cargas equivalentes às de pelo menos 19 andares. O Arkeonews observa que, mesmo em um cenário mais conservador, os cálculos apontam para uma capacidade teórica equivalente a 16 níveis. Um arranha-céu da Antiguidade? Com ressalvasAs simulações permitem estimar a capacidade de carga das paredes, mas não determinar a altura que o palácio efetivamente alcançou. Por isso, afirmar que Yeha possuía um arranha-céu há quase três mil anos ainda é algo que os dados disponíveis não permitem confirmar. Dois especialistas que não participaram da pesquisa, Davide Tanasi e Kwasi Konadu, recomendaram cautela em declarações à revista Newsweek quanto ao uso do termo "arranha-céu". Segundo Tanasi, os 19 andares se referem à capacidade de carga estimada pelo modelo matemático, e não à altura real do edifício. Konadu resumiu a questão de forma ainda mais direta: uma parede capaz de sustentar 19 andares não significa necessariamente que o edifício tenha tido 19 andares. O próprio Arkeonews reforça esse ponto ao destacar que os autores do estudo não afirmam que o palácio possuía determinado número de pavimentos, mas apenas que seu sistema construtivo tinha um potencial vertical muito maior do que os restos arqueológicos sugerem. Em outras palavras, os cálculos mostram do que a estrutura era capaz, mas não quantos andares o palácio realmente teve. Ainda assim, o fato de o termo "arranha-céu" talvez não se aplicar perfeitamente não reduz a importância da descoberta. Para Konadu, os resultados evidenciam o conhecimento que aqueles construtores africanos possuíam sobre materiais e distribuição de cargas. Já Tanasi ressalta a sofisticação da tradição arquitetônica de Yeha. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Estudo sugere que combinação de pedra e madeira usada em palácio de 800 a.C. poderia suportar até 19 andares. | ||
| Author | Felipe Espinosa Wang, Rayanne Azevedo | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-enigma-do-possível-arranha-céu-da-antiguidade/a-79734284?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=O%20enigma%20do%20poss%C3%ADvel%20arranha-c%C3%A9u%20da%20Antiguidade | ||
| Item 30 | |||
| Id | 79729216 | ||
| Date | 2026-10-22 | ||
| Title | Revista símbolo do feminismo na Alemanha deixará de ser publicada após 50 anos | ||
| Short title | Revista símbolo do feminismo alemão encerra atividades após 50 anos | ||
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Última edição de "Emma" chega às bancas em dezembro. Fundadora atribui decisão à falta de sucessoras e às transformações do movimento feminista.Por quase meio século, a revista feminista Emma, fundada pela jornalista e ativista dos direitos das mulheres Alice Schwarzer, ajudou a moldar o debate público na Alemanha. Mas a publicação encerrará suas atividades no fim deste ano.
"Após 50 anos, 398 edições e 36.584 páginas publicadas, a Emma deixa o palco", anunciou Schwarzer, hoje com 83 anos, na sede da redação, em Colônia. Fundadora da revista, ela segue até hoje como editora e redatora-chefe da publicação.
Segundo ela, durante três gerações de feministas, a revista Emma manteve sua posição, resistiu a todas as modas e se opôs a muitos "absurdos em nome do feminismo". "Então, permitam-nos dizer: agora estamos exaustas."
Feminismo universalista
A última edição da revista Emma será publicada em 8 de dezembro. "Hesitamos e refletimos durante muito tempo. Isso também parte nossos corações. Mas não há outra saída", escreveu a redação. O motivo, segundo a equipe, é a dificuldade de dar continuidade à perspectiva do chamado "feminismo universalista", defendida pela revista desde a fundação, em 1977.
O feminismo universalista é uma corrente dentro do feminismo que defende que existem direitos, interesses e experiências comuns a todas as mulheres, independentemente de nacionalidade, raça, religião, orientação sexual ou classe social. Na Alemanha, o termo costuma ser usado por algumas feministas da geração de Alice Schwarzer para diferenciar sua visão das correntes queer e transinclusivas mais recentes.
No texto de despedida, as editoras criticam o fato de que o feminismo clássico estaria sendo cada vez mais absorvido por um "feminismo queer". Segundo elas, "ao final, já nem está claro o que é uma mulher e o que é um homem neste mundo patriarcal, nem por que ou contra o que estamos lutando".
Sucessão fracassada
Ao longo das últimas décadas, muitos se questionaram se Schwarzer não deveria passar a direção da revista, publicada bimestralmente, para uma geração mais jovem. Agora, ao encerrar este capítulo da história da mídia alemã, a redação explica: "Tentamos repetidamente encontrar outras colegas que compartilhassem nosso espírito, inclusive uma potencial redatora-chefe". Mas isso não deu certo.
"Vivemos experiências tão problemáticas nesse processo que, em determinado momento, decidimos desistir. Preferimos confiar em nós mesmas, no núcleo da equipe", afirmou Schwarzer na edição de outubro da revista.
Em 2008, a jornalista Lisa Ortgies chegou a assumir a chefia editorial. Mas, após pouco tempo, houve um rompimento, e Schwarzer retomou pessoalmente o comando da publicação.
Críticas à agenda trans e aproximação com Wagenknecht
Essa posição e sua postura em relação às pessoas trans geraram fortes críticas e até ataques pessoais contra Schwarzer nos últimos anos. Em 2023, durante um festival de literatura em Leipzig, 33 autoras e artistas pediram o cancelamento de uma leitura pública de Schwarzer, alegando que ela se destacava "repetidamente por declarações e publicações transfóbicas, racistas e misóginas".
Schwarzer reagiu com indignação. Em declaração à agência alemã de notícias dpa, afirmou que nunca atacou pessoas trans. "O que vejo de forma crítica é a nova ideologia trans, que defende o direito à mudança de registro civil a partir dos 14 anos e a tratamentos hormonais e cirurgias potencialmente perigosos para todos", disse. Segundo ela, deveria ser possível defender essa opinião sem ser excluída do debate público.
As opiniões da editora da Emma sobre a guerra na Ucrânia também provocaram controvérsia. A defesa de negociações de paz rápidas com a Rússia, feita ao lado de Sahra Wagenknecht, fundadora do partido populista de esquerda antiwoke Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica (BSW), gerou duras críticas e levou muitos a cancelar suas assinaturas.
Contas no azul
Schwarzer fundou a Emma em 1977 e rapidamente a transformou na principal publicação do feminismo alemão. Em seus melhores anos, a revista tinha tiragens de cerca de 200 mil exemplares.
Até 2023, esse número havia caído para aproximadamente 26 mil. Desde então, a publicação, editada a cada dois meses e de forma independente, deixou de divulgar seus números de circulação. Segundo Schwarzer, porém, a revista não opera no vermelho.
Fiel à postura combativa que manteve ao longo da vida, a editora afirmou que quer se despedir da Emma de cabeça erguida. O encerramento da revista, enfatizou, não ocorre por razões econômicas nem pela queda da circulação. "Estamos indo embora porque acreditamos que basta!"
Há, no entanto, um pequeno consolo: todo o arquivo da Emma, incluindo caixas de documentos, correspondências e materiais de campanhas que a revista promoveu, será incorporado ao acervo do Arquivo Alemão de Literatura de Marbach e disponibilizado para pesquisadores e interessados. Dessa forma, conclui a redação, a Emma acabará entrando "na eternidade".
le/cn (kna, afp, dpa, epd)
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| Short teaser | Última edição de "Emma" chega às bancas em dezembro. Fundadora atribui decisão às transformações do movimento feminista. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/revista-símbolo-do-feminismo-na-alemanha-deixará-de-ser-publicada-após-50-anos/a-79729216?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | "Emma" era publicada a cada dois meses | ||
| Image source | Sina Schuldt/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79723787_354.jpg&title=Revista%20s%C3%ADmbolo%20do%20feminismo%20na%20Alemanha%20deixar%C3%A1%20de%20ser%20publicada%20ap%C3%B3s%2050%20anos | ||
| Item 31 | |||
| Id | 79725043 | ||
| Date | 2026-10-21 | ||
| Title | Governo Espriella é acusado de censura após retirar peças expostas em museu na Colômbia | ||
| Short title | Espriella é acusado de censura após retirar peças de museu na Colômbia | ||
| Teaser |
Veto no Museu Nacional a peças sobre feminismo, diversidade sexual e acordo de paz com as Farc gerou protestos. Ação faz parte de "guerra cultural" anunciada por novo governo de ultradireita. Ao menos 30 peças foram retiradas da exposição permanente do Museu Nacional da Colômbia, em Bogotá, entre elas objetos relacionados aos movimentos feministas e LGBTQ+, à violência política, à Constituição de 1991 e ao Acordo de Paz de 2016. A medida provocou protestos em frente ao museu e um intenso debate nos meios de comunicação e nas redes sociais. A intervenção, realizada por ordem do governo do presidente Abelardo de la Espriella, ocorre no contexto de uma "guerra cultural" anunciada pelo próprio mandatário em 17 de julho, quando tornou público o nome da pessoa que assumiria o Ministério da Cultura, Paola Holguín. "As novas direitas radicais propõem explicitamente uma contrarrevolução cultural antiwoke. O termo é usado para gerar pânico moral: o wokismo seria o responsável pela crise do Ocidente, e a direita seria a muralha da salvação", comenta o historiador Pablo Stefanoni. Segundo ele, o termo importado dos Estados Unidos foi por muito tempo desconhecido em espanhol. "Mas agora a ultradireita da Espanha e da América Latina o incorporaram ao seu vocabulário." Valores tradicionaisStefanoni traça um paralelo entre o que acontece na Colômbia hoje sob Espriella e o "conceito de bolchevismo cultural da Alemanha nazista", que rejeitava a dita "arte degenerada". "Isso mostra que, enquanto se fala de inquisição progressista ou de totalitarismo woke, é a direita que busca doutrinar em nome da luta contra a doutrinação", argumenta. Em diversas falas públicas, tanto Espriella quanto Holguín defenderam a moral católica e a família tradicional como pilares da Colômbia. É nesse sentido que se dá a retirada de peças relacionadas aos direitos das mulheres, bem como aos movimentos feministas e LGBTIQ+. Outros objetos possuem uma relação mais direta com a história política do país, como os cartazes das campanhas presidenciais de dois candidatos assassinados em 1990 ou o balígrafo, uma caneta feita com projéteis de fuzil e utilizada para assinar o Acordo de Paz de 2016. A própria Holguín defendeu a retirada desses objetos, argumentando que a vocação institucional do Museu Nacional "NÃO consiste em servir como instrumento de doutrinação política, foco de difusão de versões tendenciosas da nossa história, nem muito menos como meio de amplificação da agenda governamental. O Museu Nacional NÃO pode ser um espaço de apologia ao crime ou de revitimização; deve observar os direitos das vítimas à verdade, à justiça, à reparação e à não repetição". Governo pode ter afrontado a ConstituiçãoUma exposição permanente é o resultado de anos de pesquisa e da participação de atores muito diversos, explica a museóloga Cristina Lleras, que foi curadora de Arte e História do Museu Nacional entre 2004 e 2012. "Jamais é o resultado de algo que simplesmente ocorreu a uma pessoa num determinado dia. Ao contrário, envolve uma multidão de pessoas vinculadas a um processo de pesquisa sobre acervos e coleções constituídas ao longo de muitos anos", diz. Ela argumenta que um museu pode rever narrativas, desde que esse processo obedeça a critérios técnicos e conte com ampla participação. "É normal que determinados temas sejam revistos, mas sempre a partir de uma perspectiva técnica", afirma. "A história e as artes estão em constante revisão. É a isso que se dedicam não apenas acadêmicos, mas também cidadãos." O especialista em usos públicos da história e políticas da memória Sebastián Vargas, da Universidade del Rosario, concorda com essa avaliação. "É saudável para uma democracia que as narrativas históricas, incluindo as exposições museológicas, sejam constantemente atualizadas, problematizadas e confrontadas", diz. Mas ele ressalta que uma revisão legítima deve contar com profissionais de museus, curadores, comunidades e autoridades institucionais, o que, na opinião dele, não aconteceu. "Uma ação como a de funcionários do Ministério da Cultura no Museu Nacional, na qual várias obras em exibição foram retiradas de maneira arbitrária e a portas fechadas, viola esses critérios e o princípio da participação", afirma. Vargas diz que a medida pode ser interpretada como inconstitucional porque, em sua opinião, afeta os direitos à livre expressão e ao acesso à informação previstos no artigo 20 da Constituição. "[A intervenção] aproxima-se perigosamente da censura", afirma. Para Lleras, está claro que o veto às obras não pode ser equiparado a uma revisão curatorial. "A retirada de obras por ordem não apenas governamental, mas presidencial, o que considero algo diferente, é um ato autoritário, porque não existe nenhum tipo de diálogo", adverte. "É preocupante que não haja mecanismos que garantam ampla participação, discussão e diálogo, que são justamente os procedimentos seguidos até hoje no Museu Nacional", acrescenta a especialista. Para que serve um museu nacional?Os especialistas dizem que um museu nacional deve representar a pluralidade da sociedade e refletir a diversidade de atores sociais que compõem um país, com suas memórias, identidades, lutas sociais e vestígios materiais. "O que é exibido ou não — e de forma ainda mais relevante, o que é preservado ou não — não deve ser decisão exclusiva de um curador, de um especialista ou de um burocrata estatal. Deve incluir as próprias comunidades envolvidas nesses atos de preservação e representação das memórias", diz Vargas. "É muito preocupante que o governo atual, em nome de sua 'contrarrevolução cultural', pretenda invisibilizar testemunhos de processos como as lutas das mulheres e das coletividades LGBTQ+, ou experiências relacionadas aos processos de paz, e estigmatizá-los ao qualificá-los como 'apologia ao crime'", prossegue Vargas. "Os museus e as instituições culturais devem ser espaços de aprendizagem, reflexão e debate, que permitam o compartilhamento e o confronto de diferentes perspectivas e narrativas sobre nossa trajetória histórica", diz. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Veto no Museu Nacional a peças sobre feminismo, diversidade sexual e acordo de paz com as Farc incita protestos. | ||
| Author | María Santacecilia, Rayanne Azevedo | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/governo-espriella-é-acusado-de-censura-após-retirar-peças-expostas-em-museu-na-colômbia/a-79725043?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Governo%20Espriella%20%C3%A9%20acusado%20de%20censura%20ap%C3%B3s%20retirar%20pe%C3%A7as%20expostas%20em%20museu%20na%20Col%C3%B4mbia | ||
| Item 32 | |||
| Id | 79722771 | ||
| Date | 2026-10-21 | ||
| Title | Forças Armadas da Alemanha alertam para risco de atentados russos | ||
| Short title | Forças Armadas da Alemanha alertam para risco de atentados russos | ||
| Teaser |
Segundo documento interno citado em reportagens na imprensa alemã, a Bundeswehr se considera diretamente ameaçada por possíveis atos de sabotagem da Rússia.As Forças Armadas alemãs (Bundeswehr) consideram-se diretamente ameaçadas por possíveis atos de sabotagem russos, segundo um documento interno citado em reportagens nesta quarta-feira (21/10) do jornal Süddeutsche Zeitung e da emissora WDR.
Esse risco é classificado, pela primeira vez, como "significativo". Trata-se da segunda categoria de risco mais alta nas Forças Armadas.
O documento menciona várias descobertas recentes de drones. Entre os casos citados estão uma tentativa de ataque – aparentemente fracassada – ocorrida em agosto no aeroporto de Leipzig/Halle, assim como a descoberta de outro drone nas proximidades de uma base aérea em Wunstorf. Segundo o texto, esse drone poderia ter sido utilizado contra aeronaves da Bundeswehr. Em Leipzig, suspeitou-se de um ataque russo contra aviões de transporte ucranianos que estavam estacionados no local.
"Os incidentes ressaltam que a Rússia, há bastante tempo, possui – com quase total certeza – a capacidade e, muito provavelmente agora, uma intenção intensificada de agir contra forças e instalações da Bundeswehr, assim como contra parceiros – como a Ucrânia – presentes na Alemanha", afirma a análise, conforme relatado pelo Süddeutsche Zeitung. O objetivo, segundo o documento, é "muito provavelmente promover a desestabilização, focando atualmente no enfraquecimento do apoio alemão à Ucrânia, tanto no plano político quanto no social".
"Risco também em locais não específicos"
Até agora, os especialistas em segurança das Forças Armadas alemãs consideravam que havia um risco elevado de sabotagem, especialmente em locais onde soldados ucranianos são treinados, assim como em bases navais e estaleiros que abrigam navios de guerra. Nesses locais, ocorreram, nos últimos anos, diversos incidentes classificados como atos de sabotagem. Agora, contudo, afirma-se que o perigo de sabotagem russa não se restringe mais a locais específicos. Segundo a Bundeswehr – com base em avaliações dos serviços de inteligência –, espera-se um "agravamento da situação a curto prazo", sendo provável a ocorrência de ações num futuro próximo.
Com o uso de drones como meio de ação cinética, a Rússia teria "ultrapassado uma 'linha vermelha' – anteriormente prevista – referente à intenção de causar danos por meio de efeitos cinéticos e/ou letais" contra a Alemanha e suas Forças Armadas, prossegue o documento. No caso específico de Wunstorf, "é muito provável que a Bundeswehr tenha sido o alvo direto da ação".
Segundo avaliações dos serviços de inteligência, espera-se também um "agravamento da situação a curto prazo", sendo possível prever novas ações em um futuro próximo. Martin Jäger, chefe do BND, serviço federal de inteligência interna da Alemanha, já havia alertado, no início de outubro, sobre o risco de um "conflito violento com a Rússia".
md/ra (afp, ots)
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| Short teaser | Segundo imprensa alemã, a Bundeswehr se considera diretamente ameaçada por possíveis atos de sabotagem da Rússia. | ||
| Author | Redação DW, Rayanne Azevedo | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/forças-armadas-da-alemanha-alertam-para-risco-de-atentados-russos/a-79722771?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/79510481_354.jpg
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| Image caption | Soldados em base aérea alemã de Wunstorf: drone suspeito foi descoberto perto da instalação | ||
| Image source | Michael Matthey/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79510481_354.jpg&title=For%C3%A7as%20Armadas%20da%20Alemanha%20alertam%20para%20risco%20de%20atentados%20russos | ||
| Item 33 | |||
| Id | 79715871 | ||
| Date | 2026-10-20 | ||
| Title | Justiça alemã proíbe Google de publicar imagens de propriedade privada | ||
| Short title | Justiça alemã proíbe Google de publicar imagens de propriedade privada | ||
| Teaser |
Tribunal diz que Google "espiona" pessoas e não tem direito de publicar imagens aéreas de propriedades particulares nos serviços Maps e Earth. Empresa ainda poderá recorrer da decisão.Um tribunal estadual de Hessen, na Alemanha, decidiu a favor de um morador de Frankfurt que processou a gigante tecnológica americana Google pela publicação de imagens no Google Earth e no Google Maps que, segundo ele, violavam sua privacidade.
Ele já havia obtido uma decisão favorável ao contestar a exibição de sua casa no Google Street View e no Apple Look Around. As imagens tiveram de ser desfocadas nessas plataformas.
Ainda cabe recurso da decisão.
Tribunal conclui que houve violação da privacidade
O tribunal entendeu que o Google violou a privacidade do homem e de sua família ao publicar imagens aéreas de sua propriedade no Google Earth. Na decisão, declarou que "ninguém é obrigado a aceitar a publicação, em escala global, de imagens aéreas de sua propriedade sem o seu consentimento, ao menos no que diz respeito a áreas do imóvel que não estão visíveis ao público".
"O espaço pessoal do autor da ação estende-se por todo o terreno da residência. Os únicos dados que podem ser extraídos daí são de natureza pessoal, revelando aspectos de um estilo de vida privado, como o tamanho e o projeto da propriedade. Além disso, eventuais pontos vulneráveis no perímetro de segurança do imóvel ficam expostos."
O tribunal também acusou o Google de obter as imagens por meio de "espionagem", uma vez que a empresa não notifica os proprietários de que seus imóveis serão fotografados.
Além disso, o tribunal concluiu que, embora o Google afirme contribuir para a democratização do conhecimento, a empresa não pode invocar a liberdade de informação para justificar a exposição de áreas privadas.
md/ra (DPA, AFP)
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| Short teaser | Tribunal diz que Google não tem direito de publicar imagens de propriedades particulares. Cabe recurso da decisão. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/justiça-alemã-proíbe-google-de-publicar-imagens-de-propriedade-privada/a-79715871?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Google foi acusado de "espionar" informações privadas, já que não avisa proprietários antes de tirar fotos aéreas de suas residências (imagem meramente ilustrativa) | ||
| Image source | Google Earth/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79712251_354.jpg&title=Justi%C3%A7a%20alem%C3%A3%20pro%C3%ADbe%20Google%20de%20publicar%20imagens%20de%20propriedade%20privada | ||
| Item 34 | |||
| Id | 79714684 | ||
| Date | 2026-10-20 | ||
| Title | De entregador a escritor de sucesso: a trajetória do autor sul-coreano que conquistou o mundo | ||
| Short title | Como um ex-entregador virou fenômeno da literatura sul-coreana | ||
| Teaser |
Rejeitado por editoras durante dez anos, You Yeong-Gwang escreveu parte de seu romance de estreia no celular. Hoje, sua obra é publicada em mais de 20 países. Rejeitado por editoras durante dez anos, o romance de estreia de You Yeong-Gwang se transformou em um sucesso internacional. The Rainfall Market conta a história de um mercado misterioso onde é possível trocar a tristeza por um novo destino. Durante dez anos, as editoras rejeitaram o livro de You Yeong-Gwang. Mas, antes mesmo de ser impresso na Coreia do Sul, o manuscrito que havia sido deixado de lado já atraía editoras internacionais interessadas em adquirir seus direitos de tradução. "Sou muito grato por o livro já ter sido publicado em mais de 20 países. O mais surpreendente é que ele também entrou na lista de mais vendidos da revista alemã Der Spiegel", contou à DW durante sua participação na Feira do Livro de Frankfurt de 2026. Para um romance de estreia de um autor desconhecido, o sucesso foi extraordinário. A obra ganhou edições em 15 idiomas, incluindo inglês, alemão, espanhol e chinês tradicional. No Brasil, foi publicada em 2025 sob o título A Loja dos Dias de Chuva, pela editora Livros da Alice. O livro conta a história de um mercado misterioso e escondido que só abre quando chove. Nele, os visitantes podem trocar suas maiores tristezas por um bilhete que lhes dá direito a um destino inteiramente novo. A trama acompanha Serin, uma jovem desanimada que encontra por acaso um mercado administrado por espíritos excêntricos, onde descobre um ambiente acolhedor e reconfortante. "Na verdade, a história de Serin é a minha história", afirmou You. "Durante muito tempo, cheguei a imaginar como seria maravilhoso se eu pudesse vender minha infelicidade e usar o dinheiro para comprar felicidade." Quando escrevia o livro, o próprio autor atravessava um período difícil. "Eu precisava cuidar da minha mãe, que estava doente havia muito tempo, e também era responsável pelo sustento financeiro da minha família havia muitos anos. A vida parecia um fardo enorme", relembrou. "Mas, quando escrevia, conseguia mergulhar no universo da história e, mesmo que por pouco tempo, esquecer aquelas circunstâncias. Por isso, escrever me fazia tão feliz. Eu realmente adorava." Como surgiu A Loja dos Dias de ChuvaA ideia da chuva foi inspirada na própria vida do escritor. "Naquela época, eu sentia como se estivesse chovendo o tempo todo na minha vida", disse You. A história se inspira fortemente no folclore tradicional coreano e é um exemplo da chamada "literatura de cura", já que a jovem protagonista precisa refletir sobre o verdadeiro preço de vidas aparentemente perfeitas. "Quando estava escrevendo, não tinha a intenção consciente de produzir uma obra de literatura de cura. Na época, eu nem sabia direito que existia essa classificação." Inicialmente, You pretendia publicar o livro de forma independente e lançou uma campanha de financiamento coletivo. Como não conseguiu arrecadar o valor necessário, usou todas as suas economias para imprimir 200 exemplares, que as livrarias se recusaram a aceitar. Em um mês, vendeu apenas cinco. "Pensei: é isso. Agora realmente preciso desistir." "Naquela época, eu tinha passado por uma cirurgia nos olhos e, por causa de complicações, não conseguia enxergar. Então comecei a trabalhar em um call center, onde podia usar a voz", contou You. "Durante a semana, trabalhava no call center e, nos fins de semana, frequentava um curso de informática. Passei alguns anos aprendendo a produzir livros por conta própria." Durante uma das campanhas de financiamento coletivo, começou a trabalhar como entregador de comida. "O trajeto de ida e volta entre minha casa e a região onde fazia as entregas levava cerca de quatro horas por dia. Então eu escrevia no aplicativo de notas do celular enquanto andava de metrô." "Mesmo quando enfrentava circunstâncias muito difíceis, conseguia continuar escrevendo porque os momentos dedicados à escrita me davam muita alegria. Por algum tempo, conseguia esquecer a situação difícil em que me encontrava", explicou. Finalmente, o sucesso"Reuni aqueles fragmentos de texto e lancei o que pretendia ser minha última campanha de financiamento coletivo", contou. A campanha tinha como objetivo financiar a publicação de A Loja dos Dias de Chuva. "Para minha surpresa, a campanha deu certo e consegui publicar o livro comercialmente pela primeira vez", afirmou. Depois do sucesso do financiamento coletivo, o romance foi adquirido pela Clayhouse, uma importante editora sul-coreana. Antes mesmo do lançamento, o escritor já havia recebido propostas de editoras de cinco países e assinado contratos internacionais de publicação. No primeiro mês após o lançamento, a edição original em coreano vendeu 30 mil exemplares, considerando todos os formatos. O livro chegou ao primeiro lugar entre os e-books mais vendidos e ao terceiro entre os livros impressos. "Ainda tenho dificuldade de acreditar que tudo isso aconteceu e que estou aqui na Feira do Livro de Frankfurt. Sou imensamente grato e feliz", disse You. Literatura de conforto: uma nova expressão da onda coreanaA literatura se tornou uma das mais recentes expressões do poder de influência cultural da Coreia do Sul. Em 2025, as vendas de obras sul-coreanas traduzidas no exterior chegaram a cerca de 1,2 milhão de exemplares, pelo segundo ano consecutivo. O sucesso internacional da literatura sul-coreana também ganhou destaque em 2024, quando Han Kang se tornou a primeira escritora do país a receber o Nobel de Literatura. Conhecida por obras como A Vegetariana, a autora aborda temas como violência, trauma e sofrimento humano. Já o livro de You faz parte de um gênero em ascensão conhecido como literatura coreana de conforto. "Eu queria que os leitores sentissem um pouco de calor no coração ao fechar o livro", afirmou. Embora a literatura coreana tenha se tornado conhecida inicialmente por obras mais sombrias e realistas sobre as condições sociais, a literatura de conforto nasceu em resposta às pressões da sociedade sul-coreana moderna. Ela oferece uma forma de escapar temporariamente da realidade de um sistema educacional extremamente competitivo, um mercado de trabalho implacável e uma intensa pressão no ambiente corporativo. "Quando estava escrevendo, eu mesmo passava por um momento muito difícil e desejava que alguém me confortasse. Então pensei: por que não tentar ler algo assim? Por que não escrever alguma coisa que pudesse me consolar?", questionou You. Com o aumento do esgotamento físico e mental em todo o mundo, cada vez mais leitores procuram obras capazes de oferecer conforto emocional, protagonizadas por personagens exaustos com os quais possam se identificar. Em geral, sem a necessidade de derrotar um vilão, as histórias acompanham protagonistas movidos por um profundo desejo de descanso, convivência e recuperação emocional. O elemento de fantasia permite que os personagens se afastem da realidade. O gênero ganhou força inicialmente por meio de produções independentes, campanhas de financiamento coletivo na internet e recomendações de artistas famosos do K-pop. Apesar de seu contexto coreano, esse estilo narrativo conquistou rapidamente leitores em todo o mundo, atraindo públicos diversos, desde aqueles já familiarizados com os dramas sul-coreanos de atmosfera acolhedora até os que simplesmente procuram um refúgio das angústias do mundo moderno. Em 2025, o romance coreano mais vendido no exterior foi Bem-vindos à livraria Hyunam-dong, segundo o Instituto de Tradução Literária da Coreia. Escrito por Hwang Bo-reum, o livro foi publicado no Brasil em 2023 pela editora Intrínseca, com tradução de Jae Hyung Woo, e pertence ao mesmo gênero de A Loja dos Dias de Chuva. Embora os leitores tenham abraçado o gênero, os críticos literários o veem com ceticismo. Eles apontam uma forte dependência de fórmulas previsíveis e repetitivas, muitas vezes construídas em torno de um único espaço mágico, com linguagem simplista e conflitos de pouca gravidade, que privilegiam a atmosfera acolhedora em detrimento de um desenvolvimento mais profundo dos personagens. Em uma resenha de A Loja dos Dias de Chuva publicada no jornal Korea Times, o crítico literário Peter Juhl descreveu a literatura de cura como um conjunto de histórias leves, que fazem o leitor se sentir bem, e argumentou que a expansão do gênero reflete um esforço deliberado para escrever romances voltados ao mercado internacional. Planos para o futuro"É claro que fico feliz por meu livro estar recebendo tanto carinho e por poder escrever. Mas, acima de tudo, espero que minha mãe melhore e recupere a saúde", disse You, depois de contar que a mãe havia passado por uma cirurgia uma semana antes de sua chegada à feira. Para além do livro, as pessoas parecem se identificar com a própria história de vida do escritor. "Se tiver a oportunidade, gostaria de compartilhar mais histórias sobre esperança e sonhos com pessoas que estejam passando por situações semelhantes à minha", afirmou You. "Se minha história puder ajudar uma única pessoa, mesmo que só um pouquinho, de qualquer maneira que seja, acho que nada poderia me deixar mais feliz." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Rejeitado por editoras por dez anos, You Yeong-Gwang escreveu parte de seu romance no celular. Hoje, é sucesso mundial. | ||
| Author | Yousra Drioua, Rayanne Azevedo | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/de-entregador-a-escritor-de-sucesso-a-trajetória-do-autor-sul-coreano-que-conquistou-o-mundo/a-79714684?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=De%20entregador%20a%20escritor%20de%20sucesso%3A%20a%20trajet%C3%B3ria%20do%20autor%20sul-coreano%20que%20conquistou%20o%20mundo | ||
| Item 35 | |||
| Id | 79714950 | ||
| Date | 2026-10-20 | ||
| Title | Hackers roubam e-mails da AfD; sigla alemã de ultradireita investiga vazamento de mais de 420 mil mensagens | ||
| Short title | AfD é atacada por hackers e tem e-mails vazados na Alemanha | ||
| Teaser |
Partido de ultradireita investiga divulgação de dados atribuídos a um ataque cibernético. Material publicado online incluiria mais de 420 mil e-mails, documentos internos e listas de filiados.O partido alemão de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) informou nesta terça-feira (20/10) que está investigando a publicação online de e-mails que teriam sido roubados por hackers desconhecidos durante um ataque cibernético ocorrido no mês passado.
Um porta-voz da AfD afirmou que hackers atacaram em setembro um provedor de serviços de hospedagem utilizado pelo partido e, aparentemente, copiaram dados de um "pequeno número" de contas de e-mail, a maioria das quais não era utilizada há anos.
"A recente publicação online do que se presume ser uma parte desses dados está sendo investigada", disse o porta-voz. "Uma avaliação preliminar só poderá ser fornecida após a conclusão dessa investigação."
O porta-voz não informou o volume de dados roubados.
A declaração surgiu após uma reportagem do jornal Bild afirmar que mais de 420 mil e-mails vinculados ao partido foram publicados na internet.
Mensagens de figuras importantes da AfD
Segundo o periódico, o material incluía e-mails enviados por figuras do partido, como a colíder Alice Weidel, além de extratos bancários, certificados acadêmicos e listas de filiados.
Indivíduos não identificados publicaram e-mails na internet, alegando ter obtido acesso a cerca de 421 mil e-mails da AfD. A autenticidade do material ainda não foi verificada.
O site que hospedava o material estava fora do ar na tarde desta terça-feira, mas versões arquivadas revelaram um volume de 281 gigabytes de dados sob o título "Registros do próprio partido, sem edição".
Site mostraria visão geral dos e-mails
Um link que circula na internet leva a um site que, supostamente, apresenta uma visão geral dos e-mails que teriam sido obtidos.
Segundo apuração da agência de notícias DPA, o site anônimo foi registrado apenas em meados deste mês. Ele não fornece informações sobre a origem dos dados nem publica o conteúdo dos e-mails, que estariam armazenados em um servidor de download separado.
O vazamento ocorre num momento em que alguns políticos e grupos da sociedade civil pedem o banimento da AfD, por considerá-la uma ameaça à ordem constitucional democrática da Alemanha, acusação que a AfD rejeita e classifica como politicamente motivada.
A sigla tem liderado pesquisas nacionais de intenção de voto e obtido bons resultados em eleições estaduais recentes.
md/ra (DPA, Reuters)
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| Short teaser | Partido apura divulgação de dados após ataque cibernético que teria afetado mais de 420 mil e-mails e outros documentos. | ||
| Author | Redação DW, Rayanne Azevedo | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/hackers-roubam-e-mails-da-afd-sigla-alemã-de-ultradireita-investiga-vazamento-de-mais-de-420-mil-mensagens/a-79714950?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/79123738_354.jpg
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| Image caption | Porta-voz da AfD disse que hackers atacaram em setembro um provedor de serviços de hospedagem utilizado pelo partido | ||
| Image source | Philip Dulian/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79123738_354.jpg&title=Hackers%20roubam%20e-mails%20da%20AfD%3B%20sigla%20alem%C3%A3%20de%20ultradireita%20investiga%20vazamento%20de%20mais%20de%20420%20mil%20mensagens | ||
| Item 36 | |||
| Id | 79678696 | ||
| Date | 2026-10-16 | ||
| Title | Mexicano é preso em aeroporto na Alemanha com 37 cobras venenosas na bagagem | ||
| Short title | Mexicano é preso em aeroporto na Alemanha com 37 cobras venenosas | ||
| Teaser |
Cobras, incluindo cascavéis, e lagartos estavam dentro de embalagens de cosméticos guardadas numa mala. Homem afirmou que trazia os animais a pedido de um conhecido brasileiro. Agentes da alfândega no aeroporto de Colônia/Bonn, no oeste da Alemanha, encontraram mais de 90 lagartos e cobras venenosas escondidos em frascos de cosméticos e meias na bagagem de um viajante mexicano, informaram as autoridades alemãs nesta quinta-feira (16/10). O homem, de 45 anos, foi abordado no mês passado e submetido a um exame toxicológico após apresentar um comportamento "nervoso", disseram os agentes da alfândega. Os resultados indicaram que o ele – um bombeiro, cuja identidade não foi revelada pelas autoridades – havia consumido cocaína. Ao revistarem sua mala, os agentes não encontraram entorpecentes, mas sim cerca de 90 répteis escondidos em recipientes de plástico, frascos de xampu e creme, e meias. Ele chegou em Colônia há três semanas, partindo da Cidade do México com uma escala em Istambul. "Meus colegas no aeroporto estão acostumados a encontrar todo tipo de 'lembrança' de viagem nas malas, mas nunca tínhamos visto 37 cobras venenosas e 55 lagartos vindos do México", disse Jens Ahland, porta-voz da alfândega. "Nunca tínhamos feito uma apreensão tão grande"Entre os animais, havia víboras, cascavéis e diversas espécies de lagartos, incluindo iguanas-de-espinhos, salamandras e lagartos-sem-pata. Segundo Ahland, algumas dessas espécies estão ameaçadas de extinção e sob rigorosa proteção. Segundo o porta-voz, trata-se de animais raros. "Nunca tínhamos feito uma apreensão tão grande de animais vivos aqui. É angustiante ver o que algumas pessoas fazem com os animais por pura ganância e desejo de lucro." A alfândega acionou imediatamente veterinários da cidade de Colônia, que cuidaram do atendimento adequado aos animais. Ainda assim, cerca de 30 deles morreram após a longa viagem, na qual permaneceram espremidos e sem comida. Os animais sobreviventes foram levados para um serpentário próximo a Braunschweig. Durante o interrogatório, o homem de 45 anos declarou que pretendia passar férias na Alemanha e que levou os animais para fazer um favor a um conhecido brasileiro. Um inquérito foi aberto contra o mexicano. Como a Polícia Federal alemã negou sua entrada no país, ele foi enviado de volta a Istambul no dia seguinte à sua chegada. Alguns animais valem centenas de eurosA alfândega suspeita que o caso se trate de contrabando com fins comerciais. "Os animais provavelmente seriam vendidos aqui e, em seguida, mantidos de forma ilegal", disse Ahland. Os compradores pagariam centenas de euros por algumas espécies. Segundo Ahland, no ano passado, em todo o território alemão, a alfândega apreendeu quase 57 mil animais e plantas protegidos – ou produtos derivados deles – em mais de 1,3 mil ocorrências. Mais de 90% dessas apreensões ocorreram em encomendas postais ou em aeroportos. Os contrabandistas estão sujeitos a pesadas multas ou até mesmo a penas de prisão. rc/cn (AFP, dpa) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Cobra estavam dentro de embalagens de cosméticos. Homem afirmou que trazia animais a pedido de um conhecido brasileiro. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/mexicano-é-preso-em-aeroporto-na-alemanha-com-37-cobras-venenosas-na-bagagem/a-79678696?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Mexicano%20%C3%A9%20preso%20em%20aeroporto%20na%20Alemanha%20com%2037%20cobras%20venenosas%20na%20bagagem | ||
| Item 37 | |||
| Id | 79508897 | ||
| Date | 2026-10-01 | ||
| Title | Jürgen Klopp rebate comentários racistas contra a seleção da Alemanha | ||
| Short title | Klopp rebate comentários racistas contra seleção alemã | ||
| Teaser |
Técnico da equipe alemã exalta exemplo do vestiário esportivo, onde "todos são respeitados com base em fatos reais e não desacreditados por opiniões equivocadas". Alemanha vence a Sérvia por 2 a 0 em Munique. O técnico da seleção alemã masculina de futebol, Jürgen Klopp, reagiu com indignação a comentários racistase ofensivos nas redes sociais após a derrota de sua equipe para a seleção da Grécia, pela Liga das Nações da Uefa. Questionado por um repórter sobre postagens afirmando que a equipe "não era alemã o suficiente" ou "não era branca o suficiente", Klopp disse em coletiva de imprensa antes da partida contra a Sérvia, nesta quinta-feira (01/10) em Munique, que não havia motivo para perder tempo com essas "idiotices". "Não há absolutamente nenhuma razão para dar atenção a essas pessoas. Vocês não ouvirão minha opinião sobre isso. Tenho pouco tempo no dia a dia para idiotices, e ainda menos para as redes sociais", disse o técnico de 59 anos. "O grande dilema da nossa vida é que qualquer um pode expressar sua opinião. É uma loucura que esse tipo de coisa tenha acontecido." O grupo de jogadores convocados por ele para a seleção, que inclui vários atletas de origem migratória, "não poderia ter uma convivência melhor", explicou. Vestiário como exemplo"O mundo deveria tomar o vestiário esportivo como exemplo [...] Lá, todos são respeitados com base em fatos reais e não desacreditados por opiniões equivocadas. Ponto final." O ex-técnico do Borussia Dortmund e do Liverpool, que atraiu enorme atenção ao aceitar comandar a seleção alemã após o fracasso as equipe na Copa do Mundo de 2026, tem contrato de quatro anos válido até o final do Mundial de 2030. Em seu primeiro jogo no comando da equipe, a Alemanha empatou com a Holanda pelo placar de 1 a 1. A enxurrada de comentários racistas e ofensivos nas redes sociais após a derrota da Alemanha por 1 a 0 para a Grécia no último domingo – a primeira da seleção alemã para os gregos – também reflete declarações de membros do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), a maior legenda de oposição no Bundestag (Parlamento alemão), que criticam repetidamente a diversidade étnica da seleção. Em defesa do "patriotismo positivo"Durante a coletiva de imprensa em sua primeira convocação como novo técnico da seleção alemã, em setembro, Klopp defendeu o que chamou de "patriotismo positivo" e pediu que os símbolos nacionais não sejam associados a grupos extremistas. "Gostaria de recuperar a bandeira para mim, ou melhor, para nós", afirmou. "Quero que ela seja sempre exibida de uma forma que não faça ninguém pensar: 'O que há de errado com você?'. Pelo contrário, que as pessoas simplesmente sintam que você está feliz e entende como é privilegiado por ter nascido, crescido ou se mudado para este país maravilhoso." A declaração foi interpretada como uma referência à vitória eleitoral da AfD na eleição estadual em Saxônia-Anhalt, no leste do país. Klopp, na ocasião, afirmou que algumas pessoas provavelmente aprovaram o desfecho da votação, enquanto muitas outras reagiram com preocupação. Ele porém, ressaltou que não é especialista em política e que não pretende transformar suas coletivas de imprensa em debates políticos A Alemanha venceu a Sérvia nesta quinta-feira por 2 a 0 no estádio Allianz Arena, em Munique, com gols de Tom Bischof e Florian Witz. rc (dpa, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Técnico alemão exalta exemplo do esporte, onde "todos são respeitados e não desacreditados por opiniões equivocadas". | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/jürgen-klopp-rebate-comentários-racistas-contra-a-seleção-da-alemanha/a-79508897?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=J%C3%BCrgen%20Klopp%20rebate%20coment%C3%A1rios%20racistas%20contra%20a%20sele%C3%A7%C3%A3o%20da%20Alemanha | ||
| Item 38 | |||
| Id | 79444842 | ||
| Date | 2026-09-26 | ||
| Title | Alemanha escolhe Munique como candidata a sediar Jogos Olímpicos | ||
| Short title | Alemanha escolhe Munique como candidata aos Jogos Olímpicos | ||
| Teaser |
Capital bávara supera concorrente, a candidatura de Colônia/Reno-Ruhr, na disputa promovida pelo Comitê Olímpico Alemão. O Comitê Olímpico Alemão (DOSB) escolheu neste sábado (25/09) a candidatura de Munique para concorrer a sede dos Jogos Olímpicos de 2036, 2040 ou 2044, superando o projeto concorrente, de Colônia/Reno-Ruhr. A Alemanha embarca assim em sua oitava tentativa de sediar os Jogos Olímpicos desde 1972, ano em que Munique foi a sede olímpica. A decisão foi anunciada pelo presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, na cidade termal de Baden-Baden, no sudoeste do país. "Foi um verdadeiro suspense durante todo o dia, estávamos bastante apreensivos", disse o prefeito de Munique, Dominik Krause, logo após o anúncio. "Agora a alegria é imensa e estamos felizes por finalmente podermos começar de verdade a trazer os Jogos Olímpicos para a Alemanha." Escolha pelo COI em 2029Lançada inicialmente como uma disputa entre quatro candidaturas, a escolha do DOSB acabou se restringindo a duas, depois que Hamburgo retirou sua candidatura em maio e Berlim fez o mesmo na quinta-feira passada. O resultado de 91 votos a favor de Munique e 50 para Colônia foi anunciado posteriormente pelo DOSB. O DOSB iniciará agora um processo de "diálogo contínuo" com o COI antes da fase de pré-seleção prevista para março de 2027. O Comitê Olímpico Internacional (COI) deverá designar uma ou mais candidaturas preferenciais ao fim de 2028, e a candidatura vencedora será escolhida em meados de 2029. Alemanha sediou os jogos duas vezesDesde a última vez que os Jogos Olímpicos foram realizados em território alemão, em 1972, a Alemanha apresentou sete candidaturas para voltar a sediar o evento. Nenhuma foi bem-sucedida. Caso a candidatura de Munique venha a ser escolhida pelo COI, será a terceira vez que a Alemanha receberá os Jogos Olímpicos. Berlim sediou os Jogos de 1936, quando a Alemanha estava sob o regime nazista, enquanto Munique recebeu os Jogos de 1972, então como parte da Alemanha Ocidental. as (AFP, ARD) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Capital bávara supera concorrente, a candidatura de Colônia/Reno-Ruhr, na disputa promovida pelo Comitê Olímpico Alemão. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemanha-escolhe-munique-como-candidata-a-sediar-jogos-olímpicos/a-79444842?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Alemanha%20escolhe%20Munique%20como%20candidata%20a%20sediar%20Jogos%20Ol%C3%ADmpicos | ||
| Item 39 | |||
| Id | 79410966 | ||
| Date | 2026-09-24 | ||
| Title | Estreia de MMA nos Jogos Asiáticos reacende sonho olímpico | ||
| Short title | Estreia de MMA nos Jogos Asiáticos reacende sonho olímpico | ||
| Teaser |
Federação tenta emplacar modalidade esportiva nos Jogos Olímpicos. Mas obstáculos políticos e comerciais ainda dificultam o projeto.A versão das Artes Marciais Mistas (MMA) que estreou nos Jogos Asiáticos é diferente das lutas intensas e espetaculares do Ultimate Fighting Championship (UFC), organização que passou a definir a modalidade para grande parte do público nos últimos anos.
Para incluir a MMA nos Jogos Asiáticos, que atualmente acontecem no Japão, foi necessário adaptar as regras: as disputas acontecem sem a tradicional jaula, em um tablado aberto e com pequenas luvas semelhantes às do boxe. A presença da modalidade nos jogos em Nagoya já é um marco importante, mas também representa uma tentativa clara de aproximar o esporte dos Jogos Olímpicos.
"Achamos que, sem a jaula, estamos mais alinhados aos Jogos Olímpicos e, assim, mais próximos de sermos reconhecidos pelo Comitê Olímpico Internacional", disse à agência de notícias AP Galastein Tan, diretor-geral da Federação de Artes Marciais Mistas Internacional (FIMMA). "Leva tempo para mudar percepções. Queremos mostrar que existe uma nova forma de MMA, mais compatível com os ideais olímpicos."
A FIMMA não é a única entidade que reivindica representar o esporte internacionalmente. A Federação Internacional de Artes Marciais Mistas (IMMAF) também reivindica a participação nos Jogos Olímpicos. Em resposta à DW, um porta-voz do Comitê Olímpico Internacional (COI) afirmou que a entidade "atualmente não reconhece uma federação internacional responsável pela MMA a nível mundial", o que impede, por enquanto, a entrada da modalidade no programa olímpico.
Ao mesmo tempo, Gordon Tang, bilionário chinês do setor imobiliário, ocupa o cargo de vice-presidente do Conselho Olímpico da Ásia e preside a FIMMA. E essa posição pode abrir portas para a MMA dentro de um movimento esportivo que historicamente mantinha distância da modalidade, em parte por preocupações com seu grau de violência. A DW procurou a FIMMA e a IMMAF para comentar o assunto, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem.
UFC supera o próprio MMA
No passado, o UFC também defendeu a inclusão da MMA nos Jogos Olímpicos. Mas, segundo o jornalista e escritor Karim Zidan, o crescimento da organização tornou essa meta menos relevante.
A força do UFC ficou evidente em 2026, quando a organização realizou um evento nos jardins da Casa Branca durante as celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos. Para Zidan, isso mostra como as prioridades do esporte mudaram desde os tempos em que s MMA era uma modalidade marginal.
"Não acho necessariamente que isso seja tão importante para s MMA. O esporte já encontrou sucesso no nível profissional, que era exatamente o que os fãs buscavam", afirmou Zidan. "O UFC está maior do que nunca em termos de receitas", acrescentou.
"O crescimento do UFC popularizou a MMA, mas também acabou absorvendo grande parte do ecossistema da modalidade. Sobrou muito pouco além dele. O reconhecimento olímpico pode parecer um selo de prestígio, mas não traria muito mais do que isso."
As modalidades dos Jogos Olímpicos que acontecerão em Los Angeles em 2028 já estão definidos. Além disso, segundo o COI, a MMA também está fora da disputa por uma vaga nos Jogos de Brisbane, em 2032. "Apenas modalidades administradas por federações internacionais reconhecidas pelo COI e presentes nos programas olímpicos de Tóquio 2020, Paris 2024 ou Los Angeles 2028 podem ser consideradas. As artes marciais mistas não atendem a esses critérios", afirmou o porta-voz da do COI.
Popularidade é suficiente?
Galastein Tan acredita que a popularidade global da modalidade pode ajudar a mudar esse cenário. "A MMA é popular no mundo todo, desperta forte envolvimento emocional dos fãs e atrai especialmente o público jovem", disse.
Mas, para Zidan, essa popularidade está ligada ao UFC, e não necessariamente ao esporte como um todo. "Não existe um ecossistema robusto de MMA fora do UFC que me permita dizer que há uma visão alternativa da modalidade pressionando por essa mudança. Existem grupos que praticam e acompanham a MMA amadora, mas eles representam uma parcela pequena dos fãs", argumentou.
Ele também relativiza a importância da estreia da modalidade nos Jogos Asiáticos. "Sinceramente, não estou convencido de que este seja um divisor de águas para a MMA. Acho que o esporte sofreu bastante sob o peso da influência do UFC na última década."
Ligações políticas e regimes autoritários
A relação entre o UFC e o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, são conhecidas. O presidente da organização, Dana White, discursou na Convenção Nacional Republicana de 2024.
Mas Zidan chama atenção para os vínculos da IMMAF com a Brave Combat Federation, uma organização do Bahrein liderada por Khalid bin Hamad Al Khalifa, filho do rei Hamad bin Isa Al Khalifa. Segundo um relatório da Anistia Internacional publicado em 2025, o Bahrein continua reprimindo direitos como a liberdade de expressão, associação e reunião pacífica, inclusive colocando em prática detenções arbitrárias e processos judiciais.
Para Zidan, a conexão entre a MMA e governos autoritários se tornaram cada vez mais comuns. "O esporte já teve relações desse tipo no passado e é provável que elas se fortaleçam. Se a estreia nos Jogos Asiáticos e uma eventual aceitação nos Jogos Olímpicos significarem mais competições amadoras e campeonatos juvenis ao redor do mundo, é muito provável que regimes autoritários queiram se associar a esses eventos."
O desafio da FIMMA, que busca aproximar a MMA do movimento olímpico e diferenciá-lo da imagem associada ao UFC, é tornar a modalidade mais parecida com os esportes convencionais e menos dependente do formato de espetáculo, afirmou à agência de notícias AP, o vice-presidente da entidade, Alex Engelhardt. "É um grande desafio porque toda a mentalidade do esporte ainda gira em torno das promoções e dos eventos comerciais", disse.
Mesmo que essa mudança aconteça, e que a estreia nos Jogos Asiáticos ajude a dar mais legitimidade à MMA, a presença da modalidade nos Jogos Olímpicos ainda parece distante.
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| Short teaser | Federação tenta emplacar modalidade esportiva nos Jogos Olímpicos. Mas há obstáculos que dificultam o projeto. | ||
| Author | Matt Pearson | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/estreia-de-mma-nos-jogos-asiáticos-reacende-sonho-olímpico/a-79410966?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/79370879_354.jpg
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| Image caption | MMA foi adaptado para estreia nos Jogos Asiáticos | ||
| Image source | Dita Alangkara/AP Photo/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79370879_354.jpg&title=Estreia%20de%20MMA%20nos%20Jogos%20Asi%C3%A1ticos%20reacende%20sonho%20ol%C3%ADmpico | ||
| Item 40 | |||
| Id | 79329289 | ||
| Date | 2026-09-18 | ||
| Title | Klopp pede novo olhar sobre bandeira alemã e defende "patriotismo positivo" na seleção | ||
| Short title | Klopp defende "patriotismo positivo" na seleção da Alemanha | ||
| Teaser |
Novo técnico defende orgulho nacional inclusivo, pede novo olhar sobre a bandeira nacional e diz não querer "deixar o patriotismo para as pessoas erradas". Jürgen Klopp aproveitou sua primeira convocação como novo técnico da seleção alemã para defender o que chamou de "patriotismo positivo" e pedir que os símbolos nacionais não sejam associados a grupos extremistas. "Gostaria de recuperar a bandeira para mim, ou melhor, para nós", afirmou. "Quero que ela seja sempre exibida de uma forma que não faça ninguém pensar: 'O que há de errado com você?'. Pelo contrário, que as pessoas simplesmente sintam que você está feliz e entende como é privilegiado por ter nascido, crescido ou se mudado para este país maravilhoso." A declaração foi interpretada como uma referência à recente eleição estadual na Saxônia-Anhalt, vencida com ampla vantagem pelo partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD). Klopp comentou o resultado de forma cautelosa. Disse que algumas pessoas provavelmente aprovaram o desfecho da votação, enquanto muitas outras reagiram com preocupação. Ressaltou, porém, que não é especialista em política e que não pretende transformar suas coletivas de imprensa em debates políticos. Ainda assim, afirmou que não quer "deixar o orgulho nacional para as pessoas erradas". Para evitar interpretações ambíguas, o treinador desenvolveu a ideia de um "patriotismo positivo". "Posso ter orgulho de ser alemão e, ao mesmo tempo, ser aberto, diverso, gentil e acolhedor", afirmou. "Acredito, sinceramente, que somos um país maravilhoso." O técnico, de 59 anos, acrescentou que montou sua convocação observando os talentos disponíveis no futebol alemão, e não aquilo que estaria faltando. Segundo ele, a mesma lógica poderia ser aplicada ao olhar sobre o país. Reaproximação com símbolos nacionaisA mensagem ecoa um discurso feito pelo ex-treinador da seleção alemã, Julian Nagelsmann, após a eliminação da Alemanha na Eurocopa de 2024. "Estar juntos precisa voltar a ser mais importante. Não podemos nos deixar consumir pela inveja nem enxergar tudo de forma negativa", disse Nagelsmann na ocasião. A campanha da Alemanha na Eurocopa de 2024 reacendeu momentaneamente o orgulho em torno da bandeira nacional, algo que já havia ocorrido durante a trajetória da seleção feminina até a final da Euro de 2022. O exemplo mais marcante, porém, continua sendo a Copa do Mundo de 2006, disputada no país, frequentemente apontada como o principal momento de reaproximação dos alemães com os símbolos nacionais desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Na Alemanha nazista, símbolos nacionais como a bandeira foram extensivamente usados como ferramenta de propaganda e nacionalismo extremo, embora se tratasse de uma bandeira diferente da utilizada pela Alemanha democrática de hoje. Para muitos, portar a bandeira remete ao nacionalismo impulsionado nesse período da história. O papel do esporteKlopp destacou ainda a capacidade do esporte de criar senso de comunidade, embora tenha reconhecido que sua importância é menor do que a de áreas essenciais da sociedade. "É mais importante termos médicos. É mais importante termos enfermeiros. É mais importante termos profissionais de inúmeras áreas", afirmou. Segundo ele, o futebol pode contribuir ao fortalecer vínculos coletivos e demonstrar o potencial agregador do esporte. O treinador citou como exemplos recentes o sucesso do tenista Alexander Zverev, o título mundial da seleção alemã masculina de hóquei sobre grama, a realização da Copa do Mundo feminina de basquete no país e os resultados obtidos por atletas alemães no Campeonato Europeu de Atletismo. "Essa é a nossa missão. Precisamos criar o ambiente adequado. Sei disso. Mas, para isso, precisamos de pessoas dispostas a embarcar nessa ideia", afirmou. Comunicação alinhadaA apresentação de Klopp também foi marcada por uma estratégia de comunicação cuidadosamente construída. A convocação reuniu 44 jogadores, incluindo 11 estreantes, composição que o treinador apresentou como um reflexo da diversidade da sociedade alemã da qual diz se orgulhar. Na relação com a imprensa, adotou um tom mais inclusivo do que na entrevista coletiva anterior, quando havia estabelecido limites claros e afirmado que deixaria o cargo caso a cobertura avançasse sobre sua vida pessoal. Ao justificar a lista extensa e repleta de jovens atletas, Klopp disse que não pretendia ensinar jornalistas a avaliar jogadores, mas indicou como faria essa análise. Nas entrelinhas, a mensagem soou como um apelo para que a cobertura contribua para o desenvolvimento da nova geração da seleção, em vez de ser excessivamente crítica ou negativa. Outro detalhe chamou atenção: o treinador usou um boné com a inscrição "one of 83 million" ("um entre 83 milhões"). A expressão faz referência à população aproximada da Alemanha e a uma piada recorrente segundo a qual todo alemão se considera, de alguma forma, um "Bundestrainer", um técnico da seleção nacional. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Novo técnico defende orgulho nacional inclusivo e diz não querer "deixar o patriotismo para as pessoas erradas". | ||
| Author | Jonathan Harding | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/klopp-pede-novo-olhar-sobre-bandeira-alemã-e-defende-patriotismo-positivo-na-seleção/a-79329289?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Klopp%20pede%20novo%20olhar%20sobre%20bandeira%20alem%C3%A3%20e%20defende%20%22patriotismo%20positivo%22%20na%20sele%C3%A7%C3%A3o | ||
| Item 41 | |||
| Id | 79211825 | ||
| Date | 2026-09-10 | ||
| Title | China debate reduzir a importância do inglês nas escolas | ||
| Short title | China debate reduzir a importância do inglês nas escolas | ||
| Teaser |
Proposta de professor universitário reacende discussão sobre o papel do idioma inglês na educação chinesa. Matemático defende a priorização do mandarim. Há anos que o inglês é tido como a principal língua internacional em todo o mundo. Estima-se que um em cada cinco habitantes do planeta o idioma como língua franca. Na China, porém, um professor universitário defende que o país pare de dar "tanta importância" para um idioma ocidental. O matemático Tang Jiafeng quer que o inglês deixe de ter o mesmo peso que as disciplinas de matemática e mandarim, nos exames dos sistemas educacionais chineses. Segundo ele, nenhum outro país atribui ao inglês um valor tão alto quanto a China. "Nossas crianças começam a estudar inglês antes mesmo de dominarem plenamente a própria língua. Somos uma civilização com milhares de anos de história. O inglês é apenas uma ferramenta. Basta saber utilizá-lo. A tradição de admirar e imitar culturas ocidentais precisa acabar", argumenta. Aprender inglês é um desafio para estudantes chineses, já que o mandarim utiliza um sistema de escrita baseado em caracteres, diferente do alfabeto empregado em idiomas ocidentais. Na China, o inglês é disciplina obrigatória a partir do terceiro ano do ensino fundamental. O desempenho dos estudantes na matéria tem peso significativo nas principais provas do país, incluindo os exames para entrar no ensino médio e o gaokao, o rigoroso "vestibular" chinês. Neste, a disciplina tem a mesma pontuação máxima de matérias como mandarim e matemática. Para Tang, o modelo atual exige muitos recursos e bastante tempo. "Quanto tempo, dinheiro e esforço de alunos, pais e escolas são dedicados a uma disciplina que, para a maioria das pessoas, terá pouca relevância em sua futura vida profissional?", questiona ele. O professor ganhou notoriedade nacional depois que os seus alunos apresentaram resultados excelentes em competições de matemática. Vários alcançaram pontuação máxima. "A IA já traduz tudo"As declarações de Tang rapidamente viralizaram nas redes sociais chinesas. "Muitos se perguntam por que passar anos decorando inglês se ferramentas de inteligência artificial conseguem traduzir textos e conversas em poucos segundos", escreveu um usuário da plataforma Weibo. Outros defendem medidas menos radicais. Uma das propostas é reduzir o peso da disciplina nos exames nacionais, sem eliminá-la completamente. O debate também envolve o grande mercado de aulas particulares. Muitas famílias chinesas investem quantias exorbitantes em cursos preparatórios voltados especificamente para os testes de inglês. Além disso, estudantes que desejam ingressar em programas de pós-graduação normalmente precisam comprovar proficiência no inglês. Para Tang, essa exigência pode acabar excluindo jovens talentos das áreas de ciência e tecnologia que possuem grande potencial acadêmico, mas encontram dificuldades com línguas estrangeiras. Ciência e competitividade globalOs críticos da proposta argumentam que reduzir a importância do inglês pode prejudicar a competitividade internacional da China. Grande parte da produção científica mundial, especialmente em áreas estratégicas como inteligência artificial (IA), biotecnologia e engenharia, é publicada em inglês. Sem domínio adequado do idioma, pesquisadores e profissionais chineses teriam mais dificuldades para acompanhar avanços científicos e participar de redes globais de conhecimento. Entre os defensores de manter a importância do inglês no sistema educacional está Hu Xijin, ex-editor-chefe do jornal estatal Global Times. Para ele, o domínio de idiomas estrangeiros é uma competência fundamental no século 21. "Vivemos em uma era de globalização. A abertura da China para o mundo não é apenas uma política de Estado; ela amplia as oportunidades das pessoas e seus horizontes profissionais e culturais", afirmou. Ele também critica a ideia de transformar o debate em uma disputa entre tradição chinesa e influência estrangeira. Segundo Hu, dá para valorizar a cultura nacional e, ao mesmo tempo, o aprendizado de idiomas. Compreender outras línguas amplia as possibilidades de intercâmbio econômico, científico e cultural, destaca. Outro argumento frequente é o da igualdade de oportunidades. Para os defensores da disciplina, manter o inglês no currículo obrigatório garante que crianças de regiões rurais e menos desenvolvidas também tenham acesso a uma ferramenta importante para a mobilidade social e profissional. Universidades repensam formaçãoA discussão ocorre em um momento de transformação nas universidades chinesas especializadas em línguas estrangeiras. Docentes relatam que cursos tradicionais, como alemão, francês e outras graduações voltadas exclusivamente para idiomas, vêm atraindo menos candidatos nos últimos anos. Como resposta, instituições de ensino superior têm reformulado seus currículos. Na Beijing Foreign Studies University, uma das mais prestigiadas da área, o modelo que combina formação linguística com outras especializações, como direito, tecnologia da informação e economia está ganhando força. A discussão sobre a influência estrangeira na educação está longe de ser novidade na China. Já no final do século 19, durante o movimento de modernização da dinastia Qing, intelectuais defendiam que o país deveria aprender com as potências ocidentais para fortalecer seu próprio desenvolvimento. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Proposta de professor universitário reacende discussão sobre o papel do idioma inglês na educação chinesa. | ||
| Author | Dang Yuan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/china-debate-reduzir-a-importância-do-inglês-nas-escolas/a-79211825?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=China%20debate%20reduzir%20a%20import%C3%A2ncia%20do%20ingl%C3%AAs%20nas%20escolas | ||
| Item 42 | |||
| Id | 79149548 | ||
| Date | 2026-09-07 | ||
| Title | Como a Coreia do Norte vem dominando o futebol feminino de base | ||
| Short title | Como as norte-coreanas vêm dominando o futebol de base | ||
| Teaser |
Jovens jogadoras norte-coreanas chegam à Copa do Mundo sub-20 na Polônia como atuais campeãs. O título de 2024 foi o terceiro da equipe. O que explica o bom desempenho do time na modalidade? Há um ano, a seleção feminina de futebol da Coreia do Norte defendeu com sucesso seu título da Copa do Mundo sub-17, após vencer a Holanda por 3 a 0 no Marrocos. Foi a quarta vez que o país conquistou a competição. Agora, a seleção sub-20 do país chega à Copa do Mundo na Polônia como atual campeã, tendo conquistado seu terceiro título mundial em 2024. As jogadoras norte-coreanas consolidaram de maneira indubitável seu status como a força dominante no futebol feminino de base. Mas o que faz com que um Estado que, segundo as Nações Unidas, "não tem paralelo no mundo contemporâneo" seja tão bom no futebol de base? "O esporte internacional é uma das poucas formas de demonstrar sua soberania, existência e identidade à comunidade internacional; portanto, esse tipo de sucesso é, do ponto de vista deles, uma oportunidade importante para exibir a bandeira nacional diante do público internacional", explicou à DW o Dr. Jung Woo Lee, professor sênior de Políticas de Esporte e Lazer da Universidade de Edimburgo. "Ao mesmo tempo, internamente, a Coreia do Norte frequentemente utiliza o esporte como ferramenta de propaganda para glorificar seus líderes e exaltar a grandeza do país." Estratégia clara e conscienteO futebol é popular no país, mas, reconhecendo que é muito mais difícil superar a diferença de nível para a elite no futebol profissional adulto do que nas categorias de base, os líderes norte-coreanos voltaram sua atenção para o futebol feminino de base, onde essa lacuna é mais administrável. É também por isso que esse sucesso não se traduziu em benefícios para a seleção principal ao longo dos anos. Essa estratégia não busca promover um desenvolvimento de longo prazo; o objetivo é vencer. "A diferença entre clubes consolidados e clubes em desenvolvimento também é grande porque, em muitos países europeus, existem ligas profissionais e os clubes recebem mais apoio de diversas partes interessadas", afirmou Lee. "No futebol de base, acredito que as organizações esportivas europeias enfatizam mais a diversão ao jogar. Já na Coreia do Norte, mesmo aos 13 ou 14 anos, os jovens ingressam em regimes de treinamento extremamente disciplinados, sistemáticos e profissionalizados, o que lhes permite se destacar desde cedo." No Marrocos, a seleção norte-coreana sub-17 sofreu apenas três gols em todo o torneio e marcou três ou mais gols em quatro partidas. Esse desempenho deu continuidade à boa fase da equipe, em 2024, por exemplo, a seleção feminina sub-20 não apenas goleou a Argentina por 6 a 2, como também conquistou três vitórias consecutivas por 1 a 0, das quartas de final em diante, para se sagrar campeã do torneio. Com o apoio da Escola Internacional de Futebol de Pyongyang – onde as jovens são selecionadas, desenvolvidas e educadas segundo uma abordagem altamente disciplinada e científica –, a Coreia do Norte identificou uma oportunidade e soube apriveitá-la. Propaganda do regime e privilégiosAos olhos da Coreia do Norte, isso também representa uma vitória para o próprio Estado. "É preciso lembrar que a Coreia do Norte ainda mantém um regime socialista e comunista muito forte", explicou Lee. "Especialmente sob o comando de Kim Jong-un [ditador norte-coreano], eles tentam comparar os regimes capitalista e comunista, apresentando o regime comunista como superior. Além disso, ao observar a cobertura sobre o desempenho esportivo norte-coreano na imprensa do país, é possível notar uma ênfase no fato de que, por estarem sob um regime comunista, os atletas fazem o que for preciso, mesmo quando estão fisicamente exaustos. "Eles comparam diretamente essa mentalidade com a dos países capitalistas. No capitalismo, quando os atletas estão fisicamente exaustos ou lesionados, não há como continuar competindo; eles precisam ser substituídos pelo técnico. Mas, nos sistemas socialistas, a força de vontade é mais importante do que a opinião profissional do técnico ou da equipe médica. Dessa forma, a Coreia do Norte apresenta esse modelo como um sistema superior." Esse fator psicológico parece ter conferido uma vantagem à equipe, mas, além do forte sentimento de patriotismo e de anos de trabalho disciplinado, há também a perspectiva de recompensas capazes de transformar vidas "Embora muitas vezes vejamos a Coreia do Norte como um país bastante subdesenvolvido, essencialmente agrícola e com uma população que enfrenta privações, a realidade de quem vive em Pyongyang é bem diferente. Essas pessoas são, de certa forma, privilegiadas", explicou Lee. Como incentivo, segundo ele, o regime pode conceder às jogadoras que vivem fora da capital certificados de residência, documento necessário para residir em Pyongyang. Além disso, muitos atletas recebem apartamentos. Essa motivação não deve ser subestimada. A vida nas áreas rurais da Coreia do Norte é dura, com relatos frequentes de escassez de alimentos e de assistência médica precária. Viver na cidade grande é uma realidade bem diferente. "É uma maneira de mudar de vida. É como ganhar na loteria, de certa forma", explicou Lee. O que vem a seguir para as campeãs?Para jogadoras de destaque como Yu Jong-hyang, artilheira da Copa do Mundo sub-17 de 2025, ou Choe Il-son, peça-chave nas conquistas das Copas do Mundo sub-17 e sub-20 em 2024, a reação imediata é imaginar qual time da WSL (primeira divisão do futebol inglês feminino) ou da NWSL (primeira divisão dos EUA) tentará contratá-las; no entanto, isso seria ignorar o contexto em que elas vivem e jogam. "Não acho impossível, mas também não é tão simples", disse Lee sobre a possibilidade de qualquer uma dessas atletas de destaque jogar no exterior. "Antes de tudo, há as sanções econômicas impostas à Coreia do Norte", observou. Além disso, houve alguns casos em que jogadoras norte-coreanas ingressaram em uma liga europeia de basquete, mas "o salário não era enviado para a conta pessoal da atleta ou do agente, mas sim para uma conta do governo norte-coreano; então, acredito que esse seja mais um fator de complexidade". Embora muito sobre essas equipes – assim como sobre o país – permaneça envolto em mistério, é inegável que o sucesso nas categorias de base sempre fez parte do plano. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Jogadoras norte-coreanas chegam à Copa do Mundo sub-20 como atuais campeãs, após a conquista do terceiro título em 2024. | ||
| Author | Jonathan Harding | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-a-coreia-do-norte-vem-dominando-o-futebol-feminino-de-base/a-79149548?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Como%20a%20Coreia%20do%20Norte%20vem%20dominando%20o%20futebol%20feminino%20de%20base | ||
| Item 43 | |||
| Id | 78881574 | ||
| Date | 2026-09-03 | ||
| Title | Despedida de Messi deixa Argentina "órfã" no futebol | ||
| Short title | Despedida de Messi deixa Argentina "órfã" no futebol | ||
| Teaser |
Herdeiro de Maradona conquistou torcedores sem teatralidade. Frustrações, quedas e tropeços acabaram por fazer dele um herói tardio.A despedida de Lionel Messi encerra uma era da Albiceleste, a seleção de futebol da Argentina. O jogador, que recebeu a camisa 10 das mãos de Diego Maradona em 2009, começou sendo comparado ao mito da Copa do Mundo de 1986. Hoje, ele deixa para trás uma carreira reconhecida como extraordinária.
Mas há discordâncias sobre o quanto ele pode ser, de fato, chamado de ídolo popular argentino, tal qual foi Maradona. Para o cientista político Vicente Palermo, Messi é "muito querido" no país, mas lhe faltam as características para cravar o título, já que ele manteve uma personalidade mais reservada.
"É uma pessoa tranquila, não politiza nem partidariza, leva uma vida normal," diz Palermo, fundador do Clube Político Argentino.
A antítese entre Maradona e Messi
Maradona era diferente. "Nele havia toda uma série de simbolismos nacionais, populares, rebeldes, resistentes, questionadores. No caso de Messi, porém, o valor que se destaca é sua qualidade futebolística", diz Pablo Alabarces, professor da Universidade de Buenos Aires (UBA) e um dos pioneiros da sociologia do esporte na América Latina.
"Messi não é um símbolo de identidade coletiva, mas é alguém muito admirado. É uma figura muito poderosa, que não substitui Maradona, e sim o complementa", acrescenta.
Palermo descreve o craque morto em 2020 como, ao mesmo tempo, um ídolo nacional e divisivo. Sua personalidade permitia que se tornasse uma figura política, cultural e identitária. Messi, em contrapartida, nunca pareceu interessado em representar nada além do futebol.
Isso pode até uma virtude, diz Palermo: "Ainda que em pequena medida, isso é bom para quem não compartilha do nacionalismo argentino, embora também se emocione quando a seleção vence".
Um herói tardio
A ausência de teatralidade foi durante anos justamente o problema de Messi para conquistar aceitação popular. Diante do campeão Maradona, "aquele astro, aquele Deus", era difícil competir, explica à DW Alejandro Wall, jornalista e coautor de um livro sobre o jogador que agora se aposenta.
Ele precisou medir forças com uma figura que não era apenas um jogador de futebol, mas uma construção coletiva da Argentina. Mas Messi acabou conquistando seu espaço não por imitar Maradona, mas sendo simplesmente ele mesmo.
Sua maior virtude, acrescenta Wall, foi construir sua trajetória suportando frustrações, quedas e tropeços. Perdeu finais, recebeu críticas, chegou a anunciar sua aposentadoria da seleção e voltou atrás. As vitórias posteriores não apagaram esse percurso, mas lhe deram um novo status.
"Messi não é um símbolo de identidade coletiva, mas é um herói, alguém muito admirado", ressalta Pablo Alabarces. "Tardiamente, porque demorou muito para se impor, pelo menos até a Copa de 2014 e, eu diria, principalmente até seu primeiro grande título, a Copa América de 2021. Ele era muito contestado pelos torcedores mais tradicionais. A admiração por ele cresceu impulsionada pelo peso de torcidas menos tradicionais, ou seja, mulheres e jovens."
Adeus sem alarde
Messi se despede por vontade própria, de forma discreta, sem se proclamar símbolo de nada. A carta que publicou em 31 de agosto de 2026 foi escrita, na verdade, em 21 de julho, dois dias depois da derrota para a Espanha na final da Copa do Mundo.
A recente morte de seu pai, explica o jogador, influenciou uma decisão que já havia amadurecido. "Doeu e dói na alma", escreve Messi na carta, na qual afirma sentir-se "vazio", garante que já não tem mais nada a oferecer e agradece pelos vinte anos vividos com a seleção. Ele encerra a mensagem agradecendo a Deus "por ter me feito argentino" e com um último "Vamos, Argentina!".
A relação com o país de origem ajuda a entender por que Messi acabou sendo aceito como um dos seus, apesar de ter deixado a Argentina aos 13 anos. "Ele jamais perdeu o sotaque", recorda Wall," e fala como alguém de Rosário até hoje."
O luto público foi intenso: políticos, atores, jornalistas, filósofos e personalidades da televisão argentina vieram a público para se despedir do jogador. Wall percebe "uma espécie de orfandade futebolística", em que Messi já faz parte de uma memória compartilhada por milhões de pessoas.
A pergunta que fica agora, diz o especialista, é quem vestirá a camisa 10, quem herdará a braçadeira de capitão e quem ocupará em campo um espaço que durante anos pareceu pertencer exclusivamente a Messi.
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| Short teaser | Herdeiro de Maradona conquistou torcedores sem teatralidade e acabou virando um herói tardio. | ||
| Author | María Santacecilia | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/despedida-de-messi-deixa-argentina-órfã-no-futebol/a-78881574?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/77962994_354.jpg
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| Image caption | Messi jogou a última Copa do Mundo em 2026 | ||
| Image source | Brett Davis/IMAGN Images/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77962994_354.jpg&title=Despedida%20de%20Messi%20deixa%20Argentina%20%22%C3%B3rf%C3%A3%22%20no%20futebol | ||
| Item 44 | |||
| Id | 78472005 | ||
| Date | 2026-08-22 | ||
| Title | Violência marca clássico da Copa da Alemanha e deixa mais de 80 feridos | ||
| Short title | Briga em jogo da Copa da Alemanha deixa mais de 80 feridos | ||
| Teaser |
Partida entre Waldhof Mannheim e Kaiserslautern foi interrompido após invasão de campo, uso de sinalizadores e intervenção policial. Entre os feridos estão 35 policiais. A partida entre Waldhof Mannheim e Kaiserslautern pela primeira fase da Copa da Alemanha foi ofuscada por graves confrontos entre torcedores, que deixaram ao menos 85 feridos, incluindo 35 policiais, no estádio Carl-Benz, em Mannheim. O jogo, disputado na noite de sexta-feira (21/08), reuniu cerca de 23.500 espectadores, entre eles 3.500 torcedores visitantes. Desde os primeiros minutos, o ambiente foi marcado pelo uso frequente de artefatos pirotécnicos nas arquibancadas, obrigando o árbitro a interromper a partida ainda no início. A situação se agravou após o fim do tempo regulamentar, encerrado em 0 a 0. Depois de uma discussão entre jogadores em campo, torcedores do Kaiserslautern lançaram foguetes em direção a setores do estádio. Em seguida, parte da torcida do Mannheim invadiu o gramado, enquanto sinalizadores e rojões continuavam sendo disparados. Diante da escalada da violência, a polícia entrou em ação com agentes a pé, cavalaria, cães e spray de pimenta. O início da prorrogação foi adiado, e a partida chegou a correr risco de ser interrompida definitivamente. Um incêndio de pequenas proporções provocado por um sinalizador no setor visitante também precisou ser controlado pelos bombeiros. Oito pessoas encaminhadas ao hositalSegundo a polícia, 85 pessoas receberam atendimento médico e oito foram levadas a hospitais com ferimentos considerados leves. As autoridades informaram ainda que abriram investigações por suspeita de agressão, danos ao patrimônio, perturbação da ordem pública, ataque a agentes de segurança e violações da legislação sobre explosivos. Após cerca de meia hora de atraso, a partida foi retomada. O Kaiserslautern garantiu a classificação para a segunda fase da Copa da Alemanha com um gol marcado no último minuto da prorrogação, vencendo por 1 a 0. O confronto já havia sido classificado pelas autoridades como um jogo de alto risco devido à histórica rivalidade entre as duas torcidas. Cerca de 1.400 agentes de segurança foram mobilizados para a operação. As duas cidades ficam no oeste da Alemanha, separadas por cerca de 50 quilômetros. As cenas de violência provocaram forte reação política. O secretário do Interior do estado de Baden-Württemberg, Manuel Hagel, afirmou que quem usa o futebol como palco para atos violentos "não é torcedor, mas criminoso". le (dpa, sid, efe) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Duelo entre Waldhof Mannheim e Kaiserslautern foi interrompido após invasão de campo. Entre os feridos, há 35 policiais. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/violência-marca-clássico-da-copa-da-alemanha-e-deixa-mais-de-80-feridos/a-78472005?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Viol%C3%AAncia%20marca%20cl%C3%A1ssico%20da%20Copa%20da%20Alemanha%20e%20deixa%20mais%20de%2080%20feridos | ||
| Item 45 | |||
| Id | 77647317 | ||
| Date | 2026-06-21 | ||
| Title | Milhares de pessoas celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Short title | Milhares celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Teaser |
Com coroas de flores, 20 mil visitantes se dirigiram ao monumento milenar no Reino Unido para acompanhar o nascer do Sol do dia mais longo do ano no Hemisfério Norte.Uma multidão de mais de 20 mil pessoas se reuniu no início da manhã deste domingo (21/06) no milenar sítio arqueológico de Stonehenge, no Reino Unido, para ver o nascer do sol às 4h25 (0h25 em Brasília) no dia mais longo do ano no Hemisfério Norte, segundo a organização pública English Heritage, que administra monumentos históricos na Inglaterra.
Os visitantes, alguns usando coroas de flores, tocaram o monumento antigo e comemoraram quando o sol resplandecente surgiu no horizonte enevoado.
"Ao amanhecer do dia mais longo do ano, recebemos mais de 20.000 pessoas para celebrar juntas, com milhares de outras participando de todo o mundo por meio de nossa transmissão ao vivo", informou no domingo a English Heritage, organização que administra o sítio de Stonehenge.
Em 21 de junho, o Hemisfério Norte da Terra está inclinado ao máximo em direção ao Sol, resultando no dia mais longo do ano. O oposto ocorre no Hemisfério Sul, que tem seu dia mais longo em 21 de dezembro.
O círculo de pedras megalíticas pré-histórico situado na Planície de Salisbury, em Wiltshire (sudoeste da Inglaterra), parece ter sido construído há milhares anos para se alinhar com a trajetória do Sol nesses dias.
Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de pedras, que chegam a ter 5 metros de altura e a pesar quase 50 toneladas, localizada na Inglaterra, no condado de Wiltshire, na Planície de Salisbury.
Stonehenge é um dos monumentos pré-históricos mais famosos do mundo. Formado por enormes blocos de pedra organizados em círculos, ele foi construído ao longo de várias etapas entre aproximadamente 3000 a.C. e 2000 a.C.
Embora seu propósito exato ainda seja desconhecido, pesquisadores acreditam que Stonehenge tenha servido como local de cerimônias religiosas, espaço de sepultamento e até como observatório astronômico, devido ao seu alinhamento com o Sol durante os solstícios.
Algumas pedras pesam mais de 25 toneladas e parte delas foi transportada de regiões localizadas a centenas de quilômetros de distância. Por causa de sua importância histórica e cultural, Stonehenge foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1986.
Como funcionam as celebrações em Stonehenge?
A partir de 1978, o acesso do público a Stonehenge passou a ser restrito — os visitantes não podiam mais circular livremente entre as pedras —, em resposta a casos de vandalismo e ao aumento da erosão decorrentes do rápido crescimento do número de turistas.
As reuniões modernas por ocasião do solstício tiveram início já em meados do século 19, facilitadas pelo acesso ferroviário à cidade vizinha Salisbury.
Esses eventos, de caráter um tanto mais anárquico e espontâneo, chegaram a um fim violento em 1985, quando a polícia e um grupo de centenas de visitantes entraram em confronto no que ficou conhecido como a Batalha de Beanfield.
Enquanto a polícia tentava fazer cumprir uma liminar obtida pelas autoridades locais para impedir a passagem dos visitantes — inicialmente por meio de um bloqueio na estrada —, mais de 500 pessoas acabaram sendo presas.
Foi um dos maiores episódios de prisão em massa no Reino Unido depois Segunda Guerra Mundial.
A partir do ano 2000, a English Heritage passou a permitir o acesso controlado ao sítio de Stonehenge durante os dois solstícios — bem como nos equinócios de primavera e outono. Desde então, esses eventos ganharam popularidade.
Solstício de verão em meio a uma onda de calor
A celebração ocorreu enquanto o Reino Unido e grande parte da Europa permanece sob alertas de calor intenso.
No domingo, as temperaturas na região de Salisbury estavam comparativamente amenas para os padrões nacionais, com previsão de máximas de 29 °C.
Na França, no entanto, o governo proibiu o consumo de álcool em locais públicos durante as celebrações do Dia da Música, que marcam o solstício de verão. O evento inclui milhares de shows em praças de vilarejos, locais de música eletrônica e casas noturnas de Paris, reunindo comunidades e atraindo cada vez mais visitantes internacionais.
Ainda na França são esperadas máximas de 40 °C no domingo, com a segunda-feira provavelmente ainda mais quente, com serviços de emergência e as forças militares foram colocados em alerta contra incêndios florestais.
Há também previsão de temperaturas atingindo 37 °C em Roma e 39 °C em Madri na segunda-feira.
O Met Office britânico informou que o calor deve atingir um pico de cerca de 35°C na terça e na quarta-feira, o que gerou alertas meteorológicos, alertas de saúde e preocupações com as pessoas vulneráveis.
Os meteorologistas afirmaram que a próxima semana pode quebrar o recorde da temperatura mais alta já registrada em junho, de 35,6 °C, estabelecido em 1976 em Southampton.
jps (dpa, DW, ots)
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| Short teaser | Vinte mil visitantes se dirigiram ao monumento para acompanhar nascer do Sol do dia mais longo no Hemisfério Norte | ||
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| Image caption | Alguns dos visitantes exibiram flores sobre a cabeça para celebrar o solstício em Stonehenge | ||
| Image source | Alberto Pezzali/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 46 | |||
| Id | 53832364 | ||
| Date | 2026-05-03 | ||
| Title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Short title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
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Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número de tropas americanas no país europeu. EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha e decisão pode marcar grande mudança na relação de defesa entre os dois países Em meio a uma troca de farpas entre os EUA e a Alemanha, o Pentágono anunciou nesta semana que pretende retirar 5 mil dos seus militares que estão atualmente baseados no país europeu. Segundo o anúncio, a retirada deve ser completada num período de 6 a 12 meses. No sábado (02/05), foi a vez de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a retirada pode ser ainda mais ampla. "Vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais do que 5.000", disse Trump a repórteres. O movimento de retirada ocorre após Trump se enfurecer com declarações críticas à condução da guerra do Irã feitas pelo chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na segunda-feira, Merz afirmou que os que os Estados Unidos estão sendo "humilhados" em sua guerra contra o Irã e que parece faltar a Washington uma estratégia clara no conflito. Um dia depois, Trump respondeu que o alemão "não tem ideia do que está falando". "Merz acha ok o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!", disse em um post na rede Truth Social. Logo depois, veio o anúncio de redução de tropas baseada na Alemanha. Como parte da decisão, um plano da era Joe Biden para enviar um batalhão americano com mísseis Tomahawk de longo alcance para a Alemanha também foi abandonado. Não é a primeira vez que Trump faz movimentos para reduzir a quantidade de tropas dos EUA na Alemanha. Em 2020, o republicano chegou a anunciar um plano ainda mais drástico de redução, mas a iniciativa foi abandonada após a derrota de Trump para Joe Biden no mesmo ano. Presença militar dos EUA na AlemanhaSegundo o Pentágono entre 34 mil e 36 mil soldados ocupam atualmente em caráter permanente as bases americanas em solo alemão. Se incluídas as unidades militares em rotação, o número pode chegar temporariamente a 50 mil. Além do contingente militar, cerca de 15 mil civis americanos trabalham para o Departamento de Defesa dos EUA na Alemanha. A República Federal da Alemanha tem sido parte vital da estratégia de defesa dos Estados Unidos na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial: durante dez anos as forças americanas integraram a ocupação dos Aliados no país. Embora o contingente tenha diminuído drasticamente desde então, nas décadas seguintes comunidades militares americanas se formaram em torno de diversas cidades, e os militares dos EUA ainda são uma presença importante no país. A importância estratégica da Alemanha para os EUA se reflete na localização do quartel-general do Comando Europeu dos EUA (Eucom) na cidade de Stuttgart, no sudoeste do país, que serve como estrutura de coordenação partes todas as forças militares americanas em 51 países, principalmente europeus. A missão da Eucom é proteger e defender os EUA, impedindo conflitos, apoiando parcerias como a Otan e combatendo ameaças transnacionais. Sob seu comando estão o Exército, as Forças Aéreas e o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA na Europa, todos com unidades na Alemanha. A Alemanha abriga a maior parte das tropas americanas na Europa. Só no Japão os EUA mantêm mais pessoal militar. No entanto os números na Alemanha vêm caindo nos últimos anos: dados do governo alemão mostram que desde 2006 o número de militares dos EUA baseados na Alemanha diminuiu em mais da metade, sendo que há 20 anos a cifra chegava a 72.400. Fuzileiros navais, soldados e aviadoresA Alemanha abriga cinco guarnições do Exército americano e o quartel-general do Exército dos EUA na Europa está sediado na guarnição de Wiesbaden, próximo a Frankfurt, no centro-oeste do país. Dados fornecidos pelas Forças Armadas dos EUA mostram que essas cinco guarnições, cada uma englobando várias bases em locais diferentes, compreendem atualmente cerca de 23 mil militares. Esse número inclui as Forças de Fuzileiros Navais da Europa e da África, com sede em Böblingen, sudoeste da Alemanha, como parte da Guarnição do Exército dos EUA em Stuttgart. Além disso, há cerca de 13 mil membros da Força Aérea dos EUA espalhados por vários locais na Alemanha, incluindo as duas bases aéreas americanas em Ramstein e Spangdahlem. Mais do que apenas soldadosComo as instalações militares dos EUA também empregam civis e militares por vezes podem levar suas famílias para o exterior, consideráveis comunidades de civis se formam em torno dessas instalações. Na verdade, algumas bases americanas na Alemanha, como a de Ramstein, são pequenas cidades autônomas, englobando não só quartéis, aeroportos, áreas para exercícios militares e depósitos de materiais, mas também seus próprios shoppings, escolas, serviços postais e força policial americanos. Em certos casos, a única moeda corrente é o dólar americano. Atualmente, a guarnição do Exército dos EUA na Baviera, com quartel-general em Grafenwöhr, perto da fronteira com a República Tcheca, é a maior base do Exército americano no exterior, tanto em número de militares quanto em superfície, espalhando-se por mais de 390 quilômetros quadrados. As bases também costumam empregar um número significativo de residentes e servem de impulso econômico às comunidades alemãs adjacentes, cujas empresas fornecem bens e serviços. O fechamento de instalações anteriores, como a guarnição do Exército em Bamberg em 2014, afetou a economia local, e muitos alemães que vivem perto de instalações militares americanas manifestam oposição a possíveis reduções de tropas. Porém a extensão da presença militar dos EUA na Alemanha não se limita ao pessoal: o país também mantém aviões em outras bases aéreas não americanas em solo alemão. Além disso, calcula-se que 20 ogivas nucleares sejam mantidas na Base Aérea de Büchel, no âmbito do Acordo de Compartilhamento Nuclear da Otan, fato que suscitou muitas críticas por parte dos alemães. A importância de RamsteinA Base Aérea de Ramstein, no estado alemão da Renânia-Palatinado, é a maior base militar americana fora do país. Ela serve como um centro logístico para tropas, equipamentos e cargas a caminho do Oriente Médio, África e Europa Oriental. Ramstein também é o quartel-general da Força Aérea dos EUA na Europa e serve como centro de comando da Otan para vigilância do espaço aéreo militar de todos os parceiros europeus. A base aérea também abriga uma estação de retransmissão de satélites, de grande importância para o destacamento de drones de combate americanos, por exemplo, no Oriente Médio. Como a curvatura da Terra não permite o controle direto de drones a partir dos EUA, os sinais são retransmitidos por satélite via Ramstein. A base também funciona como um centro médico, já que soldados feridos da Europa, África ou Oriente Médio são transportados de avião para Ramstein e tratados no Centro Médico Regional de Landstuhl, adjacente à base, o maior hospital militar americano fora dos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o hospital recebeu soldados americanos feridos em ataques do Irã a países do Golfo. Ambas as instalações fazem parte da Comunidade Militar de Kaiserslautern, que abrange dezenas de milhares de soldados americanos, funcionários civis e seus familiares. Spangdahlem, por sua vez, é a segunda maior base da Força Aérea dos EUA em solo alemão, fica a cerca de 120 quilômetros mais a noroeste. Ao contrário de Ramstein, Spangdahlem serve principalmente para missões operacionais de combate. Um esquadrão de caças composto por cerca de 20 jatos F-16 está estacionado na base, funcionando como uma força de reação rápida em tempos de crise. O esquadrão ajuda a proteger o flanco leste da Otan e é especializado em eliminar as defesas aéreas inimigas. Ocupação aliada do pós-guerra e seu legadoA presença militar dos EUA na Alemanha é um legado da ocupação aliada pós-Segunda Guerra Mundial, que durou de 1945 a 1955. Durante esse período, milhões de militares americanos, britânicos, franceses e soviéticos estiveram estacionados na Alemanha. A parte nordeste do país ficou sob controle soviético, tornando-se oficialmente a República Democrática Alemã (RDA) em outubro de 1949. Na parte ocidental, a ocupação foi regulamentada pelo Estatuto da Ocupação, assinado em abril de 1949, quando foi fundada a República Federal da Alemanha. O estatuto permitiu que França, Reino Unido e EUA mantivessem forças de ocupação no país e o controle completo sobre o desarmamento e desmilitarização da antiga Alemanha Ocidental. Quando a ocupação militar da República Federal da Alemanha (RFA) terminou oficialmente, o país recuperou o controle de sua própria política de defesa. No entanto, o Estatuto de Ocupação foi sucedido por outro acordo com seus parceiros na Otan. O pacto – conhecido como Convenção sobre a Presença de Forças Estrangeiras na República Federal da Alemanha e assinado pelos alemães em 1954 – permitiu que oito países-membros da Otan, incluindo os EUA, mantivessem presença militar permanente na Alemanha. O tratado ainda regula os termos e condições das forças da Otan estacionadas hoje na RFA. O número de militares americanos na Alemanha vem diminuindo desde o fim da Guerra Fria, em 1990, quando, segundo Berlim, havia cerca de 400 mil soldados estrangeiros baseados no país. Cerca de metade deles eram americanos, mas foram gradualmente retirados à medida que diminuíam as tensões com os Estados sucessores da União Soviética, e conflitos em outros lugares, como a guerra do Iraque, requeriam mais militares dos EUA. Qual a importância das bases militares americanas para a economia alemã?As bases americanas são um fator econômico importante para a Alemanha. Muitas delas estão localizadas em regiões rurais do país, onde as forças armadas americanas atuam como o maior investidor e empregador. Mais de 10 mil alemães trabalham diretamente para as forças armadas americanas, enquanto estima-se que 70.000 empregos na Alemanha estejam indiretamente ligados a empresas que prestam serviços às Forças Armadas americanas, por exemplo, no setor da construção civil ou na indústria de serviços. Além disso, os soldados americanos baseados na Alemanha e suas famílias gastam grande parte de seus salários em lojas e empresas alemãs. A comunidade militar, por si só, contribui com até 3,5 bilhões de euros (US$ 4,1 bilhões) anualmente para as economias regionais. |
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| Short teaser | EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha. Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número. | ||
| Author | Ben Knight , Thomas Latschan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-presença-militar-dos-eua-na-alemanha-na-mira-de-trump/a-53832364?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 47 | |||
| Id | 76191308 | ||
| Date | 2026-03-03 | ||
| Title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Short title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
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Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos do tratado de livre-comércio caracterizam de maneira equivocada o setor agrícola europeu e a indústria brasileira.O embaixador do Brasil na Alemanha rechaçou as críticas de setores políticos europeus ainda resistentes ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Brasil. Segundo Rodrigo de Lima Baena Soares, a caracterização do tratado como uma "troca de carros por vacas" é um "desserviço" que não faz jus nem ao setor agrícola europeu nem à indústria brasileira.
"É preciso parar com a ideia de que esse acordo é uma troca de 'carros por vacas', uma expressão que circula tanto no discurso brasileiro quanto no europeu. Isso é uma caricatura e presta um desserviço. Isso caracteriza de maneira equivocada tanto a economia da Europa quanto a brasileira", disse Baena Soares, citando uma expressão crítica que virou um slogan de opositores do acordo, sobretudo na Europa.
"Pelo lado europeu, essa narrativa apresenta o agricultor do continente como vítima de uma ameaça existencial por parte dos agricultores sul-americanos. Só que a União Europeia é o maior exportador mundial de alimentos. E os agricultores europeus produzem alguns dos bens mais valorizados e sofisticados do mundo. Está longe de ser uma indústria frágil", disse Baena Soares, que assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado.
"E do lado brasileiro, há também um certo desajuste como o acordo é visto, de que seria apenas fornecimento de matérias-primas, quando a realidade é outra. A indústria brasileira exportou 181 bilhões de dólares em 2024. [O acordo] é uma oportunidade para a indústria, e não uma concessão. Com o acordo, as tarifas para a importação de máquinas cairão de 11,6% para menos de 1% até 2040", acrescentou.
Baena Soares fez as declarações na segunda-feira (02/02) durante o evento "Diálogos Internacionais Brasil-Alemanha", que ocorre nesta semana na Universidade de Frankfurt, no oeste alemão, e que é promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais).
Mensagem clara ao mundo
O diplomata também classificou como "excelente notícia" que a Comissão Europeia tenha anunciado no fim de fevereiro que pretende implementar o acordo de forma provisória, enquanto seguir pendente um pedido de parecer apresentado pelo Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), um processo que pode se arrastar por até dois anos. "Estou otimista que a Corte de Justiça da UE reconhecerá o acordo."
Baena Soares também disse o acordo é um "sinal inequívoco" do comprometimento do Brasil "com o multilateralismo". "O acordo é uma mensagem clara ao mundo que ainda há espaço para multilateralismo, apesar de todas tensões geopolíticas e o crescente protecionismo de alguns países".
"Mostra que divergências podem ser superadas por meio da negociação e do compromisso, um aspecto que anda difícil como atestam os últimos acontecimentos. Nós também não podemos subestimar o impacto político que esse acordo terá. Nosso diálogo político com a UE já é bom e vai ser ainda mais facilitado e fortalecido. Vamos lembrar que todos os países da UE e do Mercosul são países democráticos", disse.
"Esse acordo não é o destino, é a infraestrutura de uma jornada cujas dimensões plenas ainda vão ser mapeadas."
Negociado ao longo de duas décadas, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e EU foi finalmente assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai. Nas semanas seguintes, o Uruguai e a Argentina se tornaram os primeiros países a ratificar o tratado.
Já na Europa ainda não há consenso pleno. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu judicializar a questão, pedindo para que o Tribunal de Justiça da UE julgue a legalidade do tratado. Para evitar que a questão se arraste nos tribunais, a Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) anunciou que vai implementar o acordo de forma provisória.
Dentro do bloco europeu, o acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, mas ainda sofre resistência sobretudo da França, o principal produtor agrícola da UE.
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| Short teaser | Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos caracterizam o tratado de livre-comércio de maneira equivocada. | ||
| Author | Jean-Philip Struck (enviado a Frankfurt) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/acordo-mercosul-ue-não-é-uma-troca-de-carros-por-vacas/a-76191308?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado | ||
| Image source | Maksim Konstantinov/Russian Look/picture alliance | ||
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| Item 48 | |||
| Id | 75011709 | ||
| Date | 2025-12-04 | ||
| Title | Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal | ||
| Short title | Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal | ||
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Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono.
A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente.
O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro.
Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada.
Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes.
O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira.
Trump mantém apoio a Hegseth
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira.
Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado.
Hegseth debateu ataques no Iêmen
O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz.
O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais.
O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen.
O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar.
Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque.
A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada.
Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas.
as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)
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| Short teaser | Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/investigação-conclui-que-chefe-do-pentágono-pôs-soldados-em-risco-ao-usar-signal/a-75011709?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe | ||
| Image source | Ricardo Hernandez/AP Photo/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/74914357_354.jpg&title=Investiga%C3%A7%C3%A3o%20conclui%20que%20chefe%20do%20Pent%C3%A1gono%20p%C3%B4s%20soldados%20em%20risco%20ao%20usar%20Signal | ||
| Item 49 | |||
| Id | 63791517 | ||
| Date | 2025-09-10 | ||
| Title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Short title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
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Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança.
Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade.
O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir.
Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes.
Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°?
Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança.
Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas.
Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão.
O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°.
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| Short teaser | Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. | ||
| Author | Bernd Riegert | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quais-as-diferenças-entre-os-artigos-4°-e-5°-da-otan/a-63791517?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado | ||
| Image source | Christoph Hardt/Panama/picture alliance | ||
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| Item 50 | |||
| Id | 72986020 | ||
| Date | 2025-06-21 | ||
| Title | Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Short title | Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã | ||
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Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã. O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam. Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados." Condições deterioram para afegãos no IrãO Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã. Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar. As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã. Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários." Sem opção de retornoAtualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família. "Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi." Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria." Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar. "Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos." Traficantes de pessoas exploram medosRedes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras. Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas. O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas." Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia." |
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| Short teaser | Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação. | ||
| Author | Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 51 | |||
| Id | 57531509 | ||
| Date | 2025-06-13 | ||
| Title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Short title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
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Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas. A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país. Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital. Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen. Sistema de três elementosA defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance. Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia. Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo. O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos. Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio. 90% de êxito, mas com custos altosO "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país. De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011. Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas. Nova arma a laser "Iron Beam"Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam". O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones. A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022. As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos. Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025. |
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| Short teaser | Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. | ||
| Author | Uta Steinwehr | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Como%20funciona%20o%20Domo%20de%20Ferro%2C%20sistema%20antim%C3%ADsseis%20de%20Israel | ||
| Item 52 | |||
| Id | 64814042 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Short title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Teaser |
UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção.
Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março.
Lei antioligarca
De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda.
Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias.
Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado.
Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos
A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares.
Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas.
Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares.
Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo
A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país.
Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros.
A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões.
Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares.
Não existem mais oligarcas ucranianos?
Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política.
Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los".
De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE.
Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra.
"Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos.
Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas.
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| Short teaser | UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas. | ||
| Author | Eugen Theise | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/qual-ainda-é-o-real-poder-dos-oligarcas-ucranianos/a-64814042?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia | ||
| Image source | Daniel Naupold/dpa/picture alliance | ||
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