| Item 1 | |||
| Id | 79584278 | ||
| Date | 2026-10-07 | ||
| Title | O que explica a onda conservadora nas eleições de 2026 | ||
| Short title | O que explica a onda conservadora nas eleições de 2026 | ||
| Teaser |
Avalanche liderada pela ultradireita varreu Congresso, governos estaduais e botou Flávio Bolsonaro na frente na corrida presidencial. Analistas avaliam que fenômeno reflete desejo do eleitorado por renovação política. O primeiro turno das eleições deste ano colocou à mostra o avanço de uma nova "avalanche conservadora" liderada pela ultradireita, que varreu o Congresso e governos estaduais. Contrariando a maioria das pesquisas eleitorais, o primeiro turno ainda terminou com o senador Flávio Bolsonaro em vantagem na corrida presidencial, tida como a mais acirrada nas quatro décadas de Brasil redemocratizado. Mas, independentemente do resultado para a futura chefia do Planalto, o bolsonarismo já angariou força inédita para orientar a agenda política e pressionar adversários em Brasília. Especialistas ouvidos pela DW avaliam que a chave por trás do fenômeno, entretanto, não é um aprofundamento do conservadorismo na sociedade nem uma mudança no perfil do eleitorado. O fator mais importante é, afirmam os cientistas sociais e políticos, um desejo por renovação política, movido pela percepção de que "problemas persistentes" permanecem insuficientemente endereçados pelo poder público. Dentre eles, se sobressaem a violência, a corrupção e a dificuldade de parte das famílias em fechar as contas. "O Brasil é um país predominantemente conservador, e isso não mudou. Isso é diferente de dizer que o país se define por uma ideologia política de extrema direita", avalia Guilherme Casarões, professor de Estudos Brasileiros da Universidade Internacional da Flórida, nos Estados Unidos. Ele enxerga um "desgaste profundo da estrutura político-institucional que sustentou a Nova República ao longo dos últimos 40 anos". O "mudancismo" bolsonaristaAo se pronunciar logo após a divulgação dos resultados das urnas, Flávio Bolsonaro prometeu renovação. "São quase 56 milhões de brasileiros e brasileiras que deram esse voto de confiança para a mudança. A palavra é mudança. O Brasil não aguenta mais." Mas críticos ressaltam que o presidenciável pouco ou nada ofereceu de clareza em relação a suas propostas até agora. Para João Feres Júnior, cientista político do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ), o discurso "mudancista" não só virou o bordão da campanha de Flávio para o segundo turno, como também é sintoma de uma progressiva crise de legitimidade da democracia participativa no país. "As pessoas mostram irritabilidade e falta de confiança total em relação às instituições", aponta. "E a extrema direita parece ser a mais bem equipada para fornecer soluções de fácil cognição para isso." No noite de domingo, Flávio também aproveitou para reforçar que pretende acabar com a reeleição presidencial. O senador argumentou que a possibilidade de um segundo cargo cria um "estado permanente de eleição" que impede a "normalidade democrática". Mais tarde, ele falaria também em "mudar a Constituição" para "redemocratizar o país". O próprio presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou na segunda-feira que, em 2030, o ex-presidente Jair Bolsonaro poderia voltar ao Planalto, caso o seu primogênito seja eleito no fim deste mês. Flávio, em seguida, negou que a proposta tenha por objetivo abrir o caminho a uma nova candidatura do pai em quatro anos. "Para parte dos eleitores, o Flávio representa a renovação, mesmo que com a continuidade do bolsonarismo. Os indecisos, por exemplo, dizem que tem certo receio ou desconfiança, mas, ao mesmo tempo, que ele é uma figura nova, e não o pai", afirma Camila Rocha, cientista política e pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Revanche contra o STFPor sua vez, candidatos ligados ao bolsonarismo converteram em promessa de campanha a pressão pelo impeachment de magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF). Parte da Corte – e sobretudo o ministro Alexandre de Moraes – é tida pela ultradireita como adversária política, incluindo por ter condenado o ex-presidente Bolsonaro a 27 anos de prisão pela trama golpista de 2022. Para Letícia Cesarino, antropóloga e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a estratégia eleitoral mira sobretudo os segmentos que, mesmo pouco aderentes aos valores conservadores, também desejam mudança política. E ganha força com escândalos como o do Banco Master, que gerou uma crise sem precedentes no mais alto tribunal do país às vésperas das eleições. "A votação monumental do bolsonarismo é parte de uma campanha que vem há meses para tomar o Senado e mudar o STF", inclusive nas redes sociais, afirma. Outra tendência encontrada entre os estudiosos da preferência do eleitorado é que o voto se paute mais pela rejeição a outros atores políticos, sobretudo aqueles tidos como parte da política tradicional, do que exprima apoio ideológico ao destinatário do voto. Na véspera do primeiro turno, uma pesquisa Quaest apontava para a possibilidade de Flávio chegar às urnas fortalecido pelo movimento de eleitores que, de última hora, optariam pela sua chapa a fim de barrar a permanência no poder do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Como o Partido dos Trabalhadores (PT) é a face mais visível do que poderíamos chamar de 'establishment', ele acaba sendo o alvo da insatisfação que mobiliza o eleitorado", acrescenta Casarões. Resposta à insegurança públicaAo mesmo tempo, tanto cientistas quanto pesquisas de opinião apontam que a segurança pública é a principal preocupação do eleitorado e, cada vez mais, é instrumentalizada pela direita. "A criminalidade chegou a tal ponto de dominação dos territórios que as pessoas relatam viver num estado de constante vigilância, o que acarreta na perda de vários direitos, incluindo o de ir e vir. Na percepção delas, o PT não teve resposta para isso nos últimos anos", adiciona Rocha. Na América Latina, populistas de direita vêm ganhando terreno político ao propor respostas agressivas em matéria de segurança pública. O modelo do ultraconservador salvadorenho Nayib Bukele contra o crime organizado virou referência para diversos grupos de direita no continente, inclusive no Brasil. Na semana passada, Flávio Bolsonaro se encontrou com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro. Ele elogiou a abordagem linha-dura do governo que, segundo a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, viola sistematicamente os direitos humanos. Tanto Bukele quanto Flávio se exibem como alinhados ideologicamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No ano anterior à campanha eleitoral brasileira, o republicano reforçou o apoio ao clã Bolsonaro e a pressão sobre o governo Lula, incluindo ao rotular de terroristas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Amplamente lida como interferência política por observadores, a ofensiva serviu como mais um combustível às bases da ultradireita brasileira na corrida eleitoral. Para parte dos analistas, também o contexto regional conta: a reeleição de Trump em 2020 teria disparado uma "onda laranja" no continente, elevando ao poder vários aliados do chefe da Casa Branca. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro |
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| Short teaser | Analistas avaliam que avalanche liderada pela ultradireita reflete desejo do eleitorado por renovação política. | ||
| Author | Heloísa Traiano | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-que-explica-a-onda-conservadora-nas-eleições-de-2026/a-79584278?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 2 | |||
| Id | 79584913 | ||
| Date | 2026-10-07 | ||
| Title | População da Alemanha deve diminuir nas próximas duas décadas | ||
| Short title | População alemã deve diminuir nas próximas duas décadas | ||
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Até 2045, população deve cair de 83,3 para 81,8 milhões, uma redução de 2,2%. População ativa deve diminuir ainda mais, com os "baby boomers" chegando à aposentadoria. Dados revelam contraste entre leste e oeste do país. Uma análise apresentada nesta terça-feira (06/10) pelo Instituto de Berlim para População e Desenvolvimento projeta que a população da Alemanha deve diminuir nas próximas duas décadas. A população alemã cairá para cerca de 81,8 milhões até 2045, ante os atuais 83,3 milhões – ou seja, uma redução de 1,7 milhão de habitantes, ou 2,2% em relação ao final do ano passado. A população alemã em idade ativa deve encolher ainda mais, recuando 4,7% no mesmo período em todo o país, segundo o relatório intitulado Situação Demográfica da Nação. No relatório anterior, de 2019, o instituto ainda mencionava uma "alta demográfica temporária", na qual a população crescia e deveria permanecer estável em um futuro próximo. Contudo, o cenário mudou, com mais de dois terços dos 400 distritos e cidades independentes perdendo população. Quase 200 regiões que ainda cresciam há poucos anos agora provavelmente encolherão, segundo o estudo. No entanto, a questão decisiva já não é se a população da Alemanha cresce ou diminui, "mas sim onde isso ocorre", explicou a presidente do instituto, Catherina Hinz. As regiões evoluem de formas muito distintas, especialmente no leste do país, onde se situam 12 dos 20 distritos e cidades independentes com as avaliações gerais mais baixas. Em 2019 esse número era de apenas cinco. Cidades como Leipzig, Dresden e Potsdam, no leste, deverão crescer, mas por outro lado, em municípios como Suhl e Sonneberg, no estado da Turíngia, a população deve cair até 30%. O estado do Sarre, no sudoeste alemão, também deve perder população, ao contrário das metrópoles de Frankfurt e Düsseldorf, no oeste. Os dados revelam não apenas uma diferença entre o leste e o oeste do país, mas também um contraste entre cidades e áreas rurais. População ativa impactada pelos "baby boomers"Entre os 16 estados alemães, a Baviera se destaca cada vez mais no topo do ranking, com 18 dos 20 distritos e cidades independentes mais bem classificados localizados no estado do sul alemão, o que representa um aumento significativo em relação aos 12 registrados em 2019. A razão para a diminuição do número de pessoas em idade ativa é a perspectiva de a geração do chamado baby boom entrar na aposentadoria nos próximos anos. Nos estados da Turíngia, Saxônia-Anhalt, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Sarre, a redução da população em idade ativa chega a variar entre 12% e 18%. Os baby boomers são as pessoas nascidas entre 1946 e 1964, período de forte aumento da natalidade após a Segunda Guerra Mundial. "A política não conseguirá deter o declínio populacional em muitas regiões, mas pode e deve geri-lo", explicou Manuel Slupina, da Fundação Wüstenrot, que elaborou o relatório em parceria com o Instituto de Berlim. Para isso, seriam necessárias "novas formas de prestação de serviços públicos essenciais", bem como soluções adequadas às realidades de cada região. Esta é a quinta pesquisa sobre a situação demográfica realizada pelo Instituto de Berlim para População e Desenvolvimento, juntamente com a Fundação Wüstenrot. O sistema de avaliação de abrangência nacional incorpora 26 indicadores que cobrem demografia, economia, educação e condições sociais. rc/md (AFP, dpa) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Até 2045, população deve cair de 83,3 para 81,8 milhões, uma redução de 2,2%. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/população-da-alemanha-deve-diminuir-nas-próximas-duas-décadas/a-79584913?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 3 | |||
| Id | 79584156 | ||
| Date | 2026-10-07 | ||
| Title | Ex-chefe da inteligência alemã teria colaborado com serviços de espionagem do Azerbaijão | ||
| Short title | Ex-chefe da espionagem alemã teria colaborado com Azerbaijão | ||
| Teaser |
Segundo revista "Spiegel", informações confidenciais podem ter sido repassadas a contato no Cáucaso. August Hanning teria obtido ilegalmente milhares de documentos após deixar o cargo. Ele está sob prisão preventiva.O ex-chefe do Serviço Federal de Inteligência (BND), August Hanning, preso nesta terça-feira (06/10) sob suspeita de espionagem e traição, teria continuado a receber informações confidenciais após deixar o cargo e as teria utilizado em sua atividade como consultor.
Segundo uma reportagem da revista alemã Der Spiegel, pelo menos um serviço de inteligência estrangeiro teria se beneficiado de sua atuação.
Hanning é acusado pela Procuradoria-Geral da Alemanha de atuar como agente de um serviço de inteligência estrangeiro, realizar espionagem contra o Estado, obter segredos de Estado e de tentativa de traição à pátria. Durante seu trabalho como consultor, ele teria elaborado análises para o serviço de inteligência do Azerbaijão.
Investigadores apuram a suspeita de que ele mantinha contato com um agente da república caucasiana. Hanning e seu antigo chefe de gabinete no BND, Manfred D., foram presos nesta terça-feira (06/10).
Segundo a Procuradoria-Geral Federal, Hanning teria recebido informações secretas de Manfred D. e, com base nelas, elaborado uma análise para um serviço de inteligência estrangeiro. A acusação, no entanto, não informou de qual país se tratava.
A prisão de Hanning ocorreu após descobertas feitas durante investigações de um outro crime: o sequestro dos filhos da empresária de Hamburgo Christina Block, em janeiro de 2024, em meio a uma disputa pela guarda das crianças com seu ex-marido. Elas teriam sido retiradas do pai, que vive na Dinamarca.
Hanning teve sua prisão preventiva decretada nesta quarta-feira por juiz do Tribunal Federal de Justiça em Karlsruhe, informou uma porta-voz da Procuradoria-Geral Federal. Manfred D. também está em prisão preventiva.
Espionagem para o Azerbaijão?
De acordo com a Spiegel, o suposto contratante de Hanning era um agente de inteligência do Azerbaijão. Ainda está sendo apurado se a análise elaborada pelo ex-chefe do BND chegou de fato ao destinatário.
Hanning presidiu o BND de 1998 a 2005 e, posteriormente, atuou como secretário de Estado no Ministério do Interior. Depois disso, migrou para o setor privado, trabalhando como consultor de segurança.
Segundo a Procuradoria-Geral Federal, Manfred D. trabalhou por muito tempo com Hanning, inicialmente no BND e, mais tarde, no Ministério do Interior, onde passou a atuar como seu assistente a partir do final de 2005.
Hanning e Manfred D. teriam combinado, supostamente em 2010, que o ex-chefe de gabinete forneceria continuamente informações valiosas do BND ao ex-chefe, mediante pagamento. Hanning teria utilizado essas informações para fins lucrativos em suas atividades de consultoria.
Hanning teria integrado a diretoria do Fórum Alemão-Azerbaijano, um grupo de lobby próximo ao governo autocrático da república do Cáucaso. A Procuradoria-Geral Federal não quis comentar a reportagem da Spiegel.
Após o término da gestão de Hanning, Manfred D. trabalhou novamente como chefe de gabinete no BND para presidentes que sucederam seu ex-chefe – entre março de 2012 e março de 2026, segundo a Procuradoria-Geral. Nessa função, ele teria tido acesso a informações sigilosas e supostamente repassado cerca de 2 mil documentos a Hanning.
O Azerbaijão negou, nesta quarta-feira, as informações contidas na reportagem da Spiegel. O Conselho de Mídia e Radiodifusão do país afirmou, em nota, que as alegações de uma ligação do Azerbaijão com o caso, noticiadas inicialmente pela revista, eram infundadas.
"A intenção maliciosa das forças por trás dessa operação de desinformação é prejudicar as relações entre o Azerbaijão e a Alemanha", declarou o conselho.
Políticos pedem "quarentena" para altos funcionários
Em razão do escândalo, alguns políticos alemães defendem a imposição de uma proibição de que ex-altos funcionários de serviços de inteligência assumam cargos relacionados à sua área de atuação anterior logo após deixarem o serviço público.
Políticos do Partido Social-Democrata (SPD) e do Partido Verde exigiram regras mais rigorosas de quarentena para ex-integrantes de serviços de inteligência.
O vice-presidente do Bundestag (Parlamento alemão), Omid Nouripour, declarou ao jornal Kölner Stadt-Anzeiger que "o caso Hanning demonstra a sensibilidade de cargos de consultoria no setor privado ocupados por ex-autoridades que detinham informações de altíssimo sigilo". O político do Partido Verde defendeu que o governo federal analise as atividades profissionais subsequentes e proíba, após a saída do cargo, o exercício de atividades de lobby no setor de segurança por parte desses indivíduos.
Konstantin von Notz, do partido de Nouripour, também criticou as atividades paralelas de ex-funcionários. Segundo ele, o órgão parlamentar de controle havia alertado explicitamente, em maio de 2023, sobre as atividades paralelas problemáticas de autoridades com acesso a informações de altíssimo sigilo. "O fato de esses problemas de segurança evidentes não terem sido sanados constitui uma falha grave", escreveu ele em postagem no X.
"O caso deixa claro que precisamos endurecer ainda mais as regras de quarentena para ex-dirigentes de serviços de inteligência", afirmou Sonja Eichwede, especialista em assuntos internos do SPD, ao defender um período de quarentena vitalício para ex-ocupantes de cargos de alto escalão.
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| Short teaser | Segundo revista "Spiegel", informações confidenciais podem ter sido repassadas a um contato no Cáucaso. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ex-chefe-da-inteligência-alemã-teria-colaborado-com-serviços-de-espionagem-do-azerbaijão/a-79584156?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Sede do BND em Berlim: ex-chefe da inteligência alemã teria recebido por anos informações sigilosas através de seu antigo chefe de gabinete, mediante pagamento | ||
| Image source | Sebastian Gollnow/dpa/picture alliance | ||
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| Item 4 | |||
| Id | 79467203 | ||
| Date | 2026-10-07 | ||
| Title | Salário das mulheres despenca com a idade na Coreia do Sul | ||
| Short title | Salário das mulheres despenca com a idade na Coreia do Sul | ||
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País lidera há décadas o ranking da OCDE de desigualdade salarial de gênero. Mulheres no fim dos 50 anos ganham, em média, cerca metade do valor pago aos homens.Aos 27 anos, uma mulher na Coreia do Sul ganha, em média, 8% menos que seus colegas homens. No fim dos 50 anos, essa diferença chega a 50%. Os dados constam de estatísticas salariais do governo citadas em um relatório recente da ONG de direitos humanos Human Rights Watch (HRW).
A Coreia do Sul é uma potência global nos setores de tecnologia e indústria, mas mantém a maior diferença salarial entre homens e mulheres entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) desde o início da série histórica comparável, em 1992.
"A divisão de trabalho por gênero dentro de casa leva diretamente a uma divisão de trabalho por gênero no mercado de trabalho", afirmou Min Hee Kim, ativista sul-coreana pelos direitos trabalhistas das mulheres.
Segundo ela, o problema não se resume ao fato de as mulheres receberem salários menores que os homens. Com o avanço da idade, as opções de trabalho disponíveis para elas diminuem, enquanto os efeitos de salários mais baixos, interrupções na carreira e empregos precários se acumulam.
Para elaborar o relatório, a HRW entrevistou 41 sul-coreanas entre 28 e 87 anos sobre suas trajetórias profissionais.
Barreiras estruturais às carreiras das mulheres
Segundo Kim, a discriminação mudou de forma, mas não desapareceu. Até os anos 1980, era legal que empresas demitissem mulheres simplesmente por se casarem, prática conhecida como "demissão por casamento". Os empregadores presumiam que uma mulher casada deixaria o trabalho em pouco tempo para cuidar dos filhos.
Hoje, acrescentou a ativista, "é difícil dizer abertamente: 'Não vamos contratar você porque é mulher'". Ainda assim, as responsabilidades de cuidado continuam recaindo principalmente sobre as mulheres, levando muitas delas a aceitar empregos de menor remuneração quando tentam retornar ao mercado de trabalho.
De acordo com o relatório da HRW, as mulheres superam os homens em formação universitária desde os anos 1980. Em tese, níveis mais elevados de educação sugeririam igualdade de oportunidades após a graduação, mas o mercado de trabalho apresenta outra realidade.
Um estudo de 2024 mostrou que, apenas um ano após a conclusão do curso superior, as mulheres já ganham 22% menos que os homens. Muitas entrevistadas relataram à HRW que, após deixarem o emprego por causa do casamento ou da maternidade, suas possibilidades de retorno ao mercado se restringiam a poucas ocupações, como atendimento em call centers, serviços de limpeza ou trabalho de cuidado.
As mulheres que optam por priorizar a carreira também encontram obstáculos. Em 2024, elas ocupavam apenas 18% dos cargos de gerência no país, e apenas cinco dos 38 altos funcionários da administração pública eram mulheres.
Salários atingem o pico e depois caem
Os salários das mulheres atingem seu nível mais alto no fim dos 30 anos e, a partir daí, entram em trajetória de queda constante, segundo dados de pesquisas do Ministério do Trabalho citados pela HRW.O Ministério da Igualdade de Gênero da Coreia do Sul informou à organização que interrupções na carreira, segregação ocupacional e discriminação dentro das instituições ajudam a explicar a diferença salarial.
J. Mi-sook, de 53 anos, relatou à HRW que seus três anos de experiência profissional não foram reconhecidos por seu empregador seguinte, o que a obrigou a recomeçar em um cargo de nível inicial e com salário inferior.
Quanto mais tempo as mulheres permanecem fora do mercado de trabalho, menos experiência conseguem acumular no currículo, o que resulta em salários menores e menor estabilidade profissional.
Kim destacou o conceito de discriminação estrutural, definido no relatório como um tipo de discriminação tão incorporado às práticas sociais e institucionais que até mesmo as afetadas podem não reconhecê-lo como um problema.
"Quando você está sozinha, é fácil pensar: 'É porque não sou suficientemente capaz' ou 'É porque estou ficando mais velha'", disse ela. Segundo a ativista, quando mulheres com experiências semelhantes se encontram e conversam, percebem que "isso não era apenas um problema meu".
Avanço da idade piora desigualdade
Park Jae-soon, de 61 anos, foi obrigada a se aposentar aos 60 de uma empresa de serviços públicos e hoje trabalha em meio período como cuidadora. Sua renda anual caiu de 55 milhões de won sul-coreanos (cerca de R$ 220 mil) para 15,6 milhões de won (cerca de R$ 62 mil), uma redução de 72%.
A HRW defende a extinção tanto da idade obrigatória para aposentadoria quanto do sistema conhecido como "salário de pico", que permite às empresas reduzirem a remuneração de trabalhadores mais velhos nos anos que antecedem a aposentadoria.
Segundo dados citados no relatório, em outubro de 2025 as mulheres recebiam, em média, apenas 53% do valor da pensão nacional por velhice paga aos homens. "Acho importante destacar que isso não é simplesmente um problema de mulheres de meia-idade que têm dificuldade para encontrar emprego", afirmou Kim.
"O trabalho que as mulheres tradicionalmente realizam dentro de casa, como limpeza, cozinhar, cuidar de outras pessoas e administrar emoções, é classificado como 'trabalho adequado para mulheres' quando entra no mercado de trabalho. Em seguida, salários baixos são atribuídos a essas atividades", acrescentou.
Do primeiro salário à aposentadoria
A HRW argumenta que a desvantagem econômica das mulheres se acumula etapa por etapa, desde o primeiro salário até a aposentadoria.
"A interrupção da carreira entre mulheres na faixa dos 30 anos já é uma questão previdenciária", disse Kim. "O trabalho de meio período entre mulheres na faixa dos 40 também é uma questão previdenciária, e os baixos salários entre mulheres na faixa dos 50 já representam igualmente uma questão previdenciária."
O governo sul-coreano informou que pretende implementar gradualmente o aumento da idade legal de aposentadoria de 60 para 65 anos. "Isso não pode ser resolvido com uma única política pública. Salário igual para trabalho igual precisa ser efetivamente aplicado, as estruturas salariais precisam ser transparentes e o cuidado deve ser tratado como uma responsabilidade pública, e não como algo transferido para famílias e mulheres individualmente", afirmou Kim.
A ativista considera o relatório um ponto de partida importante, mas avalia que o retrato apresentado ainda é incompleto. Segundo ela, a maior parte das entrevistadas foi recrutada por meio de organizações da sociedade civil e vivia principalmente em Seul. Mulheres com deficiência, trabalhadoras migrantes e outros grupos podem enfrentar uma combinação diferente de discriminações relacionadas à idade e ao gênero.
"A questão mais importante não é simplesmente: 'Quanta discriminação as mulheres enfrentam?'", afirmou. "A questão é quais mulheres, em quais posições, vão sendo progressivamente afastadas de determinados recursos e direitos à medida que envelhecem."
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| Short teaser | Mulheres no fim dos 50 anos ganham, em média, cerca metade do valor pago aos homens. | ||
| Author | Yousra Drioua | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/salário-das-mulheres-despenca-com-a-idade-na-coreia-do-sul/a-79467203?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Potência em tecnologia e indústria, a Coreia do Sul mantém há décadas a maior diferença salarial de gênero da OCDE | ||
| Image source | DW | ||
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| Item 5 | |||
| Id | 79574951 | ||
| Date | 2026-10-07 | ||
| Title | Cientistas do Japão e da França recebem Nobel de Química por descoberta usada na fabricação de medicamentos | ||
| Short title | Cientistas do Japão e da França recebem Nobel de Química | ||
| Teaser |
Pesquisadores Henri B. Kagan e Kenso Soai são premiados "pela descoberta de efeitos não lineares e autocatálise em síntese orgânica assimétrica", fundamental para fabricação de medicamentos, anuncia Comitê Nobel. Os cientistas Henri B. Kagan, de 95 anos, da Universidade Paris-Süd em Orsay, e Kenso Soai, de 76 anos, da Universidade de Ciências de Tóquio, receberam o Prêmio Nobel de Química de 2026, anunciou nesta quarta-feira (07/10) a Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo. Eles foram agraciados "pela descoberta de efeitos não lineares e autocatálise em síntese orgânica assimétrica", afirmou o Comitê Nobel de Química. "Suas descobertas desempenharam um papel determinante para os químicos que desenvolvem reações destinadas à fabricação de produtos farmacêuticos", saudou o comitê. "Este é o dia mais emocionante da minha vida; estou muito feliz em compartilhar este prêmio com o professor Henri Kagan", disse Soai, falando por telefone e acrescentando que estava fazendo compras quando recebeu a notícia. O prêmio leva o nome do seu criador, o inventor sueco Alfred Nobel (1833-1896). Neste ano, a dotação teve um aumento de 9%, alcançando 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões), para comemorar os 125 anos desde que o prêmio foi concedido pela primeira vez. O que é a pesquisa laureada?"O prêmio deste ano trata de química fundamental", disse o presidente do Comitê Nobel de Química, Heiner Linke. "Henri Kagan e Kenso Soai apresentaram uma solução para um mistério químico com mais de um século de existência: como a homoquiralidade pode surgir espontaneamente", afirmou Linke. "As reações químicas que eles desenvolveram são espetaculares." Algumas moléculas essenciais à vida, como os aminoácidos, existem em duas versões que são imagens espelhadas uma da outra, como as mãos esquerda e direita. No entanto, as proteínas das células do corpo contêm quase exclusivamente apenas uma dessas formas espelhadas – um fenômeno conhecido como homoquiralidade (do grego para "mão"). Durante muito tempo, os químicos se perguntaram como uma assimetria química desse tipo poderia surgir. "Muitas moléculas de medicamentos apresentam-se em duas variantes que são imagens espelhadas não idênticas entre si: uma delas exerce o efeito terapêutico, enquanto a outra pode causar efeitos colaterais desnecessários e, por vezes, prejudiciais", declarou o Comitê Nobel. Kagan e Soai descobriram maneiras de fazer a química escolher um lado ao demonstrarem como reações químicas podem ser direcionadas para favorecer uma única imagem espelhada molecular. Literatura é o próximoO japonês Susumu Kitagawa, o britânico Richard Robson e o jordaniano Omar M. Yaghi foram os laureados do Prêmio Nobel de Química de 2025 pelo desenvolvimento de um novo tipo de arquitetura molecular, as estruturas metalorgânicas, que contêm cavidades nas quais as moléculas podem entrar e sair. Essa porosidade pode ser usada para capturar substâncias específicas, desenvolver reações químicas e conduzir eletricidade. Em 2024, o Nobel de Química foi para o bioquímico americano David Baker, o britânico Demis Hassabis e o americano John M. Jumper por suas contribuições no campo do design computacional de proteínas e previsão da estrutura proteica. Em 2023, a conceituada distinção do campo da química coube a Moungi Bawendi, Louis Brus e Alexei Ekimov, atuantes nos Estados Unidos, pela descoberta e desenvolvimento dos pontos quânticos, ou átomos artificiais, importantes para a computação quântica e já empregados em televisores modernos. Os seis dias de anúncios do Nobel iniciaram-se nesta segunda-feira, com o de Medicina, dado ao americano Karl Deisseroth e aos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel por suas descobertas relacionadas à atividade cerebral. As descobertas desses três cientistas em optogenética, um método que permite mostrar como as células nervosas moldam as memórias, os sentimentos e os comportamentos no cérebro vivo, "lançaram as bases de uma nova era na neurociência", de acordo com o detalhamento da decisão. Por meio da optogenética, os pesquisadores conseguiram revelar os circuitos neuronais que controlam memórias, emoções e comportamentos específicos relacionados a transtornos neurológicos e psiquiátricos. Nesta terça-feira, o Nobel de Física de 2026 premiou o cientista belga Francis Halzen, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA, por “suas contribuições decisivas para o observatório de neutrinos IceCube, na Antártida, e para a descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica". Nesta quinta-feira será a vez do Nobel de Literatura e, na sexta-feira, o da Paz. Na próxima segunda-feira, por fim, será anunciado o Nobel de Economia, que não faz parte da lista de prêmios determinada no testamento de Alfred Nobel e que foi criado em 1968 pelo Banco da Suécia em homenagem a Alfred Nobel. as (Reuters, AFP, DPA, Efe, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro |
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| Short teaser | Henri B. Kagan e Kenso Soai são premiados por descobertas "fundamentais para fabricação de medicamentos". | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/cientistas-do-japão-e-da-frança-recebem-nobel-de-química-por-descoberta-usada-na-fabricação-de-medicamentos/a-79574951?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Cientistas%20do%20Jap%C3%A3o%20e%20da%20Fran%C3%A7a%20recebem%20Nobel%20de%20Qu%C3%ADmica%20por%20descoberta%20usada%20na%20fabrica%C3%A7%C3%A3o%20de%20medicamentos | ||
| Item 6 | |||
| Id | 79574324 | ||
| Date | 2026-10-07 | ||
| Title | Improvável, mas não impossível: quais as chances de Lula obter virada histórica no segundo turno | ||
| Short title | Quais as chances de Lula obter virada histórica no 2° turno | ||
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Petista ficou em segundo lugar na votação deste ano, mas com a menor diferença já registrada para o primeiro colocado. Especialistas, porém, alertam que somente esse dado não representa um cenário positivo para Lula.Segundo colocado no primeiro turno das eleições deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta o duro desafio de obter uma virada histórica nas urnas. Desde a redemocratização, nunca houve uma mudança desse tipo no fim da corrida presidencial.
Lula tem um ponto a favor quando comparado a candidatos que também terminaram o primeiro turno em segundo lugar anteriormente: ele encerrou essa fase da disputa presidencial com 2,2 milhões de votos a menos do que Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de 1,9 ponto percentual. É a menor diferença entre dois candidatos à Presidência no primeiro turno desde 1989, quando o Brasil voltou a ter eleições presidenciais diretas.
"Embora nunca tenha havido uma virada de segundo turno em eleições presidenciais no Brasil, também nunca houve uma diferença tão pequena", avalia o cientista político Leonardo Martins Barbosa, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).
Para especialistas ouvidos pela reportagem, o presidente tem uma "missão improvável" pela frente. "Mas não é impossível", destaca o cientista político Creomar de Souza, professor da Fundação Dom Cabral.
Afinal, Lula atualmente tem uma situação mais favorável que segundos colocados de disputas anteriores?
Os percalços do segundo lugar
A pouca diferença entre os primeiros colocados na disputa é um item destacado pelos especialistas ao avaliar aspectos positivos no segundo turno para Lula. Outro ponto é o recorde de abstenção, que alcançou 33,4 milhões de eleitores, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto a votar.
"Em termos numéricos, o Lula está com vantagem [em comparação a eleições anteriores], porque ele tem, por exemplo, uma diferença muito menor do que o Jair Bolsonaro tinha dele no primeiro turno em 2022. Mas talvez seja a única diferença. Lula e Bolsonaro foram mandatários que estavam no poder, mas nenhum conseguiu se projetar à frente na disputa", diz a cientista política Luciana Fernandes Veiga, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O atual cargo de presidente pode ser um diferencial na busca da vitória no segundo turno para Lula, avalia Barbosa. "Ele tem o uso da máquina, e vimos que isso pode ser um fato relevante mesmo em tempos digitais. Em 2022, por exemplo, o ex-presidente Jair Bolsonaro conseguiu diminuir significativamente a diferença para o Lula, que então estava na oposição, fazendo isso ao longo do segundo turno."
A força que Flávio demonstrou nas urnas, diz Barbosa, dificulta o futuro de Lula na Presidência do país. "O Flávio teve um desempenho acima do esperado. Terminou na frente do Lula. Vindo como candidato da oposição, ele está demonstrando uma força enorme. E eu penso que não apenas o desempenho dele foi melhor do que o do pai em 2022, como a direção geral das eleições está mostrando o crescimento do bolsonarismo no país."
O atual presidente tem poucos dias para mudar o cenário a seu favor, lembra Souza. "Qual é a dificuldade nesse processo? É que, basicamente, precisa ser feito em um espaço de tempo muito curto, de menos de 20 dias, para a campanha alcançar grupos que não alcançou até aqui ou que, em algum sentido, foram suavemente perdidos durante esse primeiro turno."
O fator abstenção
A abstenção é citada por especialistas como uma possível esperança de melhora no desempenho de Lula no segundo turno. Mas parte dela também pode migrar para o adversário do petista.
"Esse nível de abstenção significa dizer que você tem alguma esperança, porque tem um estoque de votos alto. Lembrando que o Flávio também vai potencialmente ter um número maior de votos", diz Souza.
O apoio daqueles que não votaram é parte das metas dos candidatos no segundo turno. "Eu não acho que a abstenção seja tão fácil de tocar via campanha de um candidato, porque ela é histórica. As pessoas sabiam dos candidatos, elas já passaram por esses embates antes e podem ter, por diferentes motivos, decidido se abster", ressalta Veiga.
A cientista política não acredita que haverá mudança considerável na ausência de eleitores no segundo turno. Na eleição presidencial passada, por exemplo, a diferença de abstenção foi pouca: caiu de 32,7 milhões de eleitores no primeiro turno (20,95%) para 32,2 milhões no segundo (20,59%).
O apoio de ex-adversários
Uma estratégia tradicional no segundo turno é buscar o apoio de candidatos derrotados, para tentar ampliar a coalizão política e alcançar parte do eleitorado. Neste ano, porém, os candidatos Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), que obtiveram respectivamente 2,89% e 2,24% votos, disseram que não vão apoiar nem Lula e nem Flávio.
Já Ronaldo Caiado (PSD), que obteve 2,18%, e Romeu Zema (Novo), que obteve 0,27%, manifestaram apoio ao bolsonarista. Os especialistas avaliam que, enquanto os nomes de Caiado e Zema podem ajudar a fortalecer a candidatura de Flávio, as ausências de Cury e Santos podem favorecer Lula.
"Ao não ter a dinâmica de que são todos contra o Lula, o Lula pode dizer: ‘Olha, o Flávio não é um candidato tão bom à direita, porque, se ele fosse bom mesmo, esses outros caras que estão se colocando como direita estariam no palanque dele'", afirma Souza.
Já Veiga avalia que os eleitores de Renan e Cury têm tendência a seguir com o filho de Jair Bolsonaro. "Eleitores de Caiado, Cury e Santos escolheram não votar em Flávio no primeiro turno, aproveitando o sistema de dois turnos: no primeiro, vota-se em quem se vê representado. O voto útil, para evitar o que mais se rejeita, fica para o segundo. Ao final, dizem: ‘Nem Lula nem Flávio são meus preferidos'. Muitos, no entanto, já sabiam que, em um segundo turno, tenderiam a votar em Flávio, pela proximidade ideológica."
Para ela, o primeiro turno presidencial deste ano vai muito além de 1,9% de diferença de votos entre Lula e Flávio. "Não são apenas 2,2 milhões de votos a menos para Lula. O PL elegeu 121 deputados federais e 19 senadores. Foi uma vitória muito avassaladora para reduzirmos a análise a esses 2,2 milhões de votos", afirma.
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| Short teaser | Petista ficou em segundo lugar na votação deste ano, mas com a menor diferença já registrada para o primeiro colocado. | ||
| Author | Vinícius Lemos | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/improvável-mas-não-impossível-quais-as-chances-de-lula-obter-virada-histórica-no-segundo-turno/a-79574324?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Lula obteve 2,2 milhões de votos a menos do que Flávio Bolsonaro no primeiro turno | ||
| Image source | Brian Snyder/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79537862_354.jpg&title=Improv%C3%A1vel%2C%20mas%20n%C3%A3o%20imposs%C3%ADvel%3A%20quais%20as%20chances%20de%20Lula%20obter%20virada%20hist%C3%B3rica%20no%20segundo%20turno | ||
| Item 7 | |||
| Id | 78393402 | ||
| Date | 2026-10-07 | ||
| Title | Flávio Bolsonaro fala em mudar a Constituição com maioria no Congresso | ||
| Short title | Flávio Bolsonaro fala em mudar a Constituição | ||
| Teaser |
Flávio Bolsonaro não deu detalhes sobre mudanças na Constituição que pretende fazer. Acompanhe as principais notícias sobre as eleições.Eleitores brasileiros vão às urnas em outubro para eleger o próximo presidente da República, que iniciará um novo mandato presidencial após mais de quatro décadas de redemocratização. Na disputa pelo Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro(PL) terminou o primeiro turno, realizado de 4 de outubro, na liderança, com 47% dos votos válidos, seguido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 45,2%. Os dois disputarão o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro. Também foram eleitos os 513 deputados federais, os ocupantes das 54 vagas em disputa no Senado, além de governadores, deputados estaduais e deputados distritais. Acompanhe aqui as principais notícias da campanha e do processo eleitoral. Flávio Bolsonaro fala em mudar a Constituição com maioria no Congresso O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) falou nesta terça-feira (06/10) que quer mudar a Constituição durante um evento de campanha em Goiânia. O partido do senador conquistou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados e terá 28 assentos no Senado. Trata-se do maior avanço já registrado por uma legenda de oposição e de mais um sinal da consolidação da direita no Congresso Nacional. " O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que ele já é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara. Para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar este país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição", disse Flávio, sem dar mais detalhes sobre o que pretende alterar. Para aprovar Propostas de Emenda à Constituição (PEC), são necessários o voto de ao menos 308 deputados federais e 49 senadores. No entanto, a Constituição possui cláusulas que só podem ser alteradas para ampliar os direitos e não para restringi-los. Há ainda a possibilidade de ser fazer uma nova Constituição por meio de uma Assembleia Nacional Constituinte. cn (ots) Brasil elege 35 candidaturas LGBTQ+, a maioria mulheres e pessoas negras O Brasil elegeu 35 candidaturas LGBTQ+ neste domingo (04/10) — 17 a mais do que em 2022 —, segundo levantamento do Instituto Plena Cidadania e da ONG VoteLGBT. O maior salto ocorreu no Congresso Nacional: a bancada LGBTQ+ na Câmara dos Deputados mais do que triplicou em comparação com a eleição anterior, passando de quatro para 13 mandatos. No Senado, uma senadora foi eleita. Nas assembleias legislativas, o número de deputadas estaduais passou de 13 para 20. Na Câmara Distrital, em Brasília, o mandato conquistado em 2022 foi mantido. Mulheres são maioria Mulheres e pessoas negras constituem a maioria dos eleitos: 27 são mulheres (77%), sendo sete trans e travestis, e 22 (57%) são negras. Todas as 35 candidaturas eleitas são de partidos de esquerda: PT (17), PSOL (14), PCdoB (3) e PV (1). O número de candidaturas LGBTQ+ também aumentou em quatro anos: passou de 327 para 519. A maioria (79,1%) concorreu por legendas de esquerda. O levantamento não considera candidaturas eleitas de pessoas aliadas da causa LGBTQ+. Veja, abaixo, a lista de eleitos. Senado Samanda de Lula (PT-RN) Câmara dos Deputados Anielle Franco (PT-RJ) Bella Gonçalves (PT-MG) Daiana Santos (PCdoB-RS) Dandara (PT-MG) Duda Salabert (PSOL-MG) Erika Hilton (PSOL-SP) Fábio Felix (PSOL-DF) Giovana Mondardo (PCdoB-SC) Guilherme Cortez (PSOL-SP) Maria Marighella (PT-BA) Rick Azevedo (PSOL-RJ) Rosa Amorim (PT-PE) Thabatta Pimenta (PV-RN) Assembleias Legislativas Açucena (PT-ES) Dani Balbi (PCdoB-RJ) Dani Monteiro (PSOL-RJ) Duda Hidalgo (PT-SP) Ediane Maria (PSOL-SP) Fabrício Rosa (PT-GO) Flávio Brasileiro (PT-PB) Iza Lourença (PSOL-MG) Jean Volpato (PT-SC) Keit Lima (PSOL-SP) Linda Brasil (PSOL-SE) Monica Das Pretas (PSOL-SP) Natasha (PT-RS) Paula Da Bancada Feminista (PSOL-SP) Rodrigo Mar (PT-SP) Sofia Favero (PSOL-SP) Thainara Faria (PT-SP) Tiago Botelho (PT-MS) Verônica Lima (PT-RJ) Vilma Reis (PT-BA) Câmara Distrital Keka Bagno (PSOL-DF) Nova Câmara redesenha forças e amplia peso da direita O pleito de 2026 entrou para história ao sacramentar o recorde obtido pelo PL, partido do presidenciável Flávio Bolsonaro, que conquistou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados. Trata-se do maior avanço já registrado por um partido de oposição e de mais um sinal da consolidação da direita no Congresso Nacional. Enquanto, no Senado, os partidos ligados ao bolsonarismo terão força inédita para influenciar a composição do Supremo Tribunal Federal (STF), o peso do PL na Câmara mais poderosa da história democrática do país dará à legenda influência sem precedentes sobre o próximo presidente eleito. Leia mais Rubio diz que 2º turno na eleição brasileira era "esperado" O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, evitou comentar nesta segunda-feira (05/10) a eleição presidencial brasileira e afirmou que aguardará o resultado do segundo turno, marcado para 25 de outubro. "Haverá um segundo turno. Acho que todos esperavam isso, então vamos ver o que acontece", disse Rubio ao ser questionado por jornalistas antes de embarcar para uma viagem à Europa. As declarações foram dadas um dia depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por dois pontos percentuais. Nos últimos meses, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs tarifas sobre grande parte dos produtos brasileiros e adotou medidas diplomáticas e políticas contra o Brasil, entre elas a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington. Lula vê interferência no processo eleitoral O governo Lula classificou as medidas como uma tentativa de interferência no processo eleitoral em favor de Flávio Bolsonaro. Na sexta-feira, os Estados Unidos suspenderam os serviços consulares no Brasil por "motivos de segurança". As atividades foram retomadas nesta segunda-feira, após a realização do primeiro turno. Desde que voltou à Presidência, em janeiro de 2025, Trump tem manifestado apoio a candidatos de direita na América Latina e chegou a atribuir a si parte do mérito por algumas de suas vitórias eleitorais. gq (EFE) Michel Temer declara apoio a Flávio Bolsonaro no 2° turno O ex-presidente Michel Temer (MDB) anunciou nesta segunda-feira (05/10) que apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto. Em um vídeo publicado nas suas redes sociais, Temer disse que o povo brasileiro quer "reconexão" após o resultado do primeiro turno mostrar Flávio à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição. "O povo brasileiro, autoridade única da democracia, deixou claro que deseja mudança. Quer atenção e respeito. Quem entendeu isso foi reeleito, deu-se a renovação”, disse Temer. “A sociedade não quer fórmulas repetidas e discursos grosseiros. Quer novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente. Quer, portanto, reconexão. E reconexão é Flávio", disse. Antigo vice-presidente aliado do PT que rompeu com a então presidente Dilma Rousseff em 2016, vindo a assumir o Planalto após o impeachment da petista, Temer se aproximou de Jair Bolsonaroa partir de 2019, atuando em alguns momentos como conselheiro informal do ex-presidente de extrema direita. Mercado brasileiro reage com euforia a vantagem de Flávio no 1º turno O real teve valorização acima de 4% em relação ao dólar na manhã desta segunda-feira (05/10), um dia depois de Flávio Bolsonaro (PL) obter mais votos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno e se projetar como favorito ao governo federal. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, Flávio obteve 47% dos votos, superando as projeções das pesquisas — 2,2 milhões a mais que Lula, com 45,2% dos votos válidos. A moeda brasileira chegou a ficar abaixo da marca de R$ 5,00 por dólar, após ser negociada anteriormente em torno de R$ 5,22. O movimento está em linha com previsões de analistas e com o desempenho observado há quatro anos, quando Jair Bolsonaro também teve um resultado melhor do que o esperado no primeiro turno. As negociações iniciais na bolsa brasileira também indicavam uma abertura forte para as ações nacionais. Os contratos futuros do Ibovespa dispararam mais de 8%. O ETF MSCI Brazil, negociado em Frankfurt, avançava mais de 16%, enquanto ações de empresas brasileiras listadas no exterior, como Itaú Unibanco e Petrobras, também registravam ganhos. A dívida externa brasileira também se valorizou, enquanto os mercados de renda fixa em geral mostravam nervosismo. "Esperamos uma forte valorização dos ativos brasileiros", declarou Thierry Larose, gestor de portfólio da Vontobel, à agência de notícias Reuters. Analistas esperam que o real continue se fortalecendo até 2027. O banco Société Générale projeta que a moeda alcance R$ 5,10 por dólar até o fim de 2026, com possibilidade de cair abaixo de R$ 5,00 no primeiro semestre de 2027. Já o Morgan Stanley prevê que o dólar possa recuar para menos de R$ 4,90 e se aproximar de R$ 4,50 no primeiro trimestre do próximo ano. O que explica o clima de otimismo entre investidores? Flávio tem se apresentado a investidores como uma versão "mais moderada" de seu pai, defendendo uma agenda pró-mercado que inclui maior controle dos gastos públicos, privatizações e redução de impostos. "Resta saber se Flávio Bolsonaro acabará sendo mais responsável fiscalmente do que Lula em um eventual quarto mandato presidencial. No entanto, os mercados provavelmente lhe concederão o benefício da dúvida", disse Larose. "O mercado quer mudança" "O mercado quer mudança, quer reformas, não quer um déficit público elevado; com o governo atual, tudo isso continuará", disse Pedro Galdi, analista de investimentos da plataforma AGF Investments, à Reuters. Há quatro anos, o real se valorizou mais de 4% frente ao dólar e o índice Bovespa avançou 5,5% no dia seguinte ao desempenho acima do esperado de Jair Bolsonaro no primeiro turno contra Lula. O forte desempenho de Bolsonaro tende a aumentar a confiança dos mercados no curto prazo, afirmou Bryan Harris, sócio-diretor da Sabio. “O mercado estará atento a sinais claros de Bolsonaro de que ele está realmente comprometido em enfrentar os problemas do país", disse Harris. Em 2022, Jair Bolsonaro acabou derrotado por Lula no segundo turno. ra/le (Reuters, AFP) Erika Hilton é a deputada federal mais votada do Brasil A deputada federal Erika Hilton, do PSOL, foi reeleita com uma votação histórica, tornando-se a mulher mais votada já eleita para a Câmara dos Deputados. Com 1.596.472 votos em São Paulo, a parlamentar superou o recorde que pertencia a Joice Hasselmann, eleita em 2018 com 1.078.666 votos. Aos 33 anos, Erika também registrou a segunda maior votação do estado, atrás apenas de Lucas Pavanato, do PL. O desempenho representa um crescimento expressivo em relação a 2022, quando conquistou seu primeiro mandato na Câmara, com 256.903 votos. Com forte apoio entre o eleitorado jovem, a deputada consolida sua posição como uma das principais lideranças da esquerda brasileira. Nascida em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, Erika foi eleita em 2020 vereadora da capital paulista, tornando-se a mulher mais votada do país para um Legislativo municipal. Dois anos depois, entrou para a história como a primeira mulher negra e trans eleita deputada federal. No Congresso, ganhou destaque pela atuação em pautas ligadas aos direitos das mulheres, da população negra e da comunidade LGBTQIA+, além de liderar o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. Em 2025, apresentou uma proposta de emenda à Constituição que previa semana de quatro dias de trabalho, com limite de 36 horas semanais. Em março deste ano, Erika se tornou a primeira mulher trans a presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Ao comemorar a reeleição, em transmissão nas redes sociais, Erika destacou o peso simbólico da votação e a responsabilidade que ela implica. "Esta, com certeza, é uma noite de celebração, uma noite histórica, mais um capítulo da história que fica marcado. Quero dizer da responsabilidade que nós temos diante do futuro. Vamos celebrar, vamos comemorar as eleições, os números que nos foram entregues nas urnas, mas, amanhã, levantaremos com o compromisso de seguir lutando pelo país que a gente acredita, pela vida das pessoas, por um projeto mais plural." sf/cn (ots) Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato superam 3 milhões de votos para Câmara O PL elegeu os dois deputados federais mais votados da história do Brasil nas eleições gerais deste domingo (04/10). O mineiro Nikolas Ferreira e o paulista Lucas Pavanato ultrapassaram a marca de 3 milhões de votos e superaram com grande folga o recorde que pertencia ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, eleito em 2018 com 1,8 milhão de votos. Aos 30 anos, Ferreira é formado em Direito pela PUC-Minas. Ele foi o vereador mais votado da capital mineira em 2020, com 29,4 mil votos. Em 2022, tornou-se o deputado federal mais votado do país, com 1.492.047 votos, mas ainda abaixo do recorde histórico deste ano, de 3.119.318 votos. O youtuber Lucas Pavanato, de 28 anos, obteve 3.038.438 de votos. Nascido em Sorocaba, ele se define como empresário e administrador e iniciou sua trajetória política em 2018 como estagiário no gabinete do então vereador Fernando Holiday. Após disputar uma vaga na Assembleia Legislativa paulista em 2022, quando ficou na suplência com mais de 36 mil votos, Pavanato ganhou projeção ao ser o vereador mais votado da cidade de São Paulo em 2024, com 161,4 mil votos. O desempenho dos dois candidatos destaca a força eleitoral da direita nas redes sociais e nas grandes cidades. Na divulgação de despesas nestas eleições, disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Pavanato declarou que sua campanha gastou cerca de R$ 1,06 milhão, sendo mais da metade deste valor (R$ 572.021) direcionada ao impulsionamento de conteúdo em redes sociais. Ferreira declarou gastos de R$ 280,4 mil, sendo R$ 30 mil com impulsionamento de conteúdo. Além de garantir as duas maiores votações já registradas para a Câmara dos Deputados, Ferreira e Pavanato ajudaram a ampliar a bancada do PL. Entre os dez deputados mais votados do país, seis são ligados a partidos de direita e quatro a legendas de esquerda. A eleição deste ano também foi marcada por outro feito histórico: Erika Hilton (PSOL-SP) ultrapassou 1,5 milhão de votos e se tornou a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados. Ela foi a segunda colocada em São Paulo, com a metade da votação de Pavanato. sf/as (Agência Câmara, OTS) Netanyahu deseja "grande vitória" a Flávio Bolsonaro O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, desejou nesta segunda-feira (05/10) uma "grande vitória" para o candidato Flávio Bolsonaro (PL), que saiu vitorioso no primeiro turno da disputa pela Presidência da República e disputará o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Tenho muita vontade de restabelecer a extraordinária amizade entre Israel e Brasil. Meus melhores votos para tua grande vitória, meu amigo", declarou Netanyahu na rede social X. as (AFP, OTS) Como foi a eleição presidencial na Ásia Como foi a eleição presidencial na América Como foi a eleição presidencial na África Como foi a eleição presidencial na Europa Venezuelana María Corina Machado felicita Flávio Bolsonaro A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, felicitou o candidato Flávio Bolsonaro (PL) pela vantagem no primeiro turno da eleição presidencial. "O meu respeito e carinho ao povo do Brasil por uma jornada democrática exemplar, em que pode exercer com orgulho a soberania popular através do voto. O meu reconhecimento a Flávio Bolsonaro, vencedor desta primeira volta", escreveu Machado numa mensagem publicada na rede social X. as (Lusa) Milei parabeniza Flávio Bolsonaro pela vitória no primeiro turno O presidente da Argentina, Javier Milei, parabenizou neste domingo (04/10) o candidato Flávio Bolsonaro (PL) por sua vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição presidencial. "A liberdade avança no Brasil. Parabéns, querido amigo Flávio Bolsonaro, por esta histórica eleição frente ao comunista Lula", escreveu o presidente argentino. A postagem na rede social X inclui uma foto de Milei ao lado de Flávio Bolsonaro e a mensagem "a vitória não depende da quantidade de soldados, mas das forças que vêm do céu". as (Efe) |
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| Short teaser | Flávio Bolsonaro não deu detalhes sobre mudanças na Constituição que pretende fazer. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/flávio-bolsonaro-fala-em-mudar-a-constituição-com-maioria-no-congresso/live-78393402?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Flávio Bolsonaro não deu detalhes sobre mudanças na Constituição que pretende fazer | ||
| Image source | Diego Herculano/REUTERS | ||
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| Item 8 | |||
| Id | 79569732 | ||
| Date | 2026-10-06 | ||
| Title | Estátua de Donald Trump nu é exibida no Parlamento Europeu | ||
| Short title | Estátua de Trump nu é exibida no Parlamento Europeu | ||
| Teaser |
Intitulada "Praga laranja", obra banhada a ouro retrata Donald Trump sentado nas costas de um homem pequeno. Artista dinamarquês culpa o presidente dos EUA por atrapalhar os esforços de combate às mudanças climáticas.Uma estátua do presidente dos Estados Unidos,Donald Trump, foi colocada nesta terça-feira (ß6/10) em exposição no prédio do Parlamento Europeu em Estrasburgo, na França.
A estátua satírica de 2,5 metros, do artista dinamarquês Jens Galschiot, chama-se Praga Laranja e mostra o líder americano nu, segurando um longo bastão dourado e sentado sobre os ombros de um homem de menor estatura.
O artista afirmou que a obra, também é conhecida pelo nome Rei da Injustiça, é revestida com ouro de 23 quilates.
Ao lado da estátua, há cartões explicando que o Rei da Injustiça está "sentado nas costas de um homem" que está afundando sob o peso.
"Eu faria qualquer coisa para ajudá-lo. Exceto descer de suas costas", diz o texto do cartão, no qual o artista culpa Trump por dificultar as tentativas de enfrentar as mudanças climáticas.
Possível reação de Trump?
A estátua, localizada em uma passagem que conecta dois dos prédios do Parlamento, deve permanecer no local até esta quinta-feira.
O eurodeputado dinamarquês de esquerda Per Clausen, que convidou o artista, disse não estar preocupado com uma possível reação de Trump.
"Se alguém é tão suscetível a ponto de não tolerar a exibição desta escultura no Parlamento Europeu, então não tem lugar no cenário mundial", disse Clausen.
O presidente dos EUA não comentou sobre a estátua, que também já foi exibida em outras cidades europeias, bem como na Conferência do Clima da ONU (COP30), em Belém, em 2025.
rc (dpa)
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| Short teaser | Intitulada "Praga laranja", uma estátua banhada a ouro retrata Donald Trump sentado nas costas de um homem pequeno. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/estátua-de-donald-trump-nu-é-exibida-no-parlamento-europeu/a-79569732?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Estátua satírica do artista dinamarquês Jens Galschiot tem 2,5 metros de altura | ||
| Image source | Marek Majewsky/dpa/picture alliance | ||
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| Item 9 | |||
| Id | 79556774 | ||
| Date | 2026-10-06 | ||
| Title | Eleição marcada por onda de direita impõe derrotas para veteranos políticos | ||
| Short title | Eleição impõe duras derrotas a veteranos da política | ||
| Teaser |
Nomes como Aécio Neves, Ciro Nogueira, Roseana Sarney e Marina Silva não se elegeram. Pleito marcou ainda revés para longa carreira de Renan Calheiros no Senado e frustrou tentativa do PT de reabilitar Dirceu e Delúbio.Além de ser palco de mais uma onda de direita, a eleição de domingo (04/10) também foi marcada por uma série de derrotas de nomes conhecidos ou outrora influentes da política brasileira, em escala regional ou nacional. Alguns viram tentativas de reeleição frustradas. Outros fracassaram ao ensaiarem voltar a cargos mais altos.
E algumas dessas derrotas marcam o fim de uma era.
Esse é o caso de Renan Calheiros (MDB), que vai deixar o Senado após 32 anos, ao terminar em terceiro na disputa por uma vaga por Alagoas. Na política desde o fim dos anos 1970 e sobrevivente de diversos escândalos, Renan não sofria uma derrota eleitoral desde 1990, quando não conseguiu se eleger governador.
Para o clã Calheiros foi ainda uma dupla derrota. O filho do patriarca da família, Renan Filho, que já governou Alagoas duas vezes, fracassou em uma nova tentativa de retomar o executivo estadual ao ser superado ainda no primeiro turno – ele, pelo menos, tem mandato de senador até 2031. Ambas as derrotas, de pai e filho, ocorreram para grupos rivais, um deles liderado pelo casal JHC (PSDB) e outro pelo ex-presidente da Câmara Athur Lira (PP).
Outro parlamentar veterano que saiu derrotado nas urnas foi o senador Ciro Nogueira (PP), que assim como Renan, acumulava décadas no Congresso. Deputado entre 1995 e 2011 e depois senador por dois mandatos, Ciro se viu recentemente arrastado para o escândalo do Banco Master. Enfraquecido, ficou em terceiro na disputa por uma vaga pelo Piauí.
Veterana e membro da dinastia Sarney no Maranhão, a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), assim como Renan, é outra sobrevivente de escândalos políticos. Atual deputada federal, ela viu frustrada sua tentativa de voltar ao Senado, terminando em terceiro na disputa. No Ceará, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), outro veterano, acumulou mais uma derrota na sua longa carreira política ao perder a disputa pelo governo local ainda no primeiro turno.
Disputa ao Senado se revelou dura para vários veteranos
Além das derrotas chamativas de Renan Calheiros e Ciro Nogueira, o Senado se revelou intransponível para veteranos regionais ou nomes que costumavam ter projeção nacional.
Aécio Neves (PSDB), antigo candidato à Presidência que perdeu influência a partir da Lava Jato em 2016, amargou o sétimo lugar na disputa pelo Senado em Minas Gerais. Com seu atual período de deputado federal terminando, será a primeira vez em 40 anos que Aécio não ocupará um mandato.
Outras duas ex-candidatas à Presidência, a ex-ministra Marina Silva (Rede), e a também ex-ministra Simone Tebet (PSB) também amargaram derrotas em São Paulo, apesar do apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No lado petista, a deputada, ex-ministra e ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann ficou em quarto lugar na disputa por uma vaga ao Senado pelo Paraná. O mesmo ocorreu no Rio de Janeiro com a ex-senadora e ex-governadora Benedita da Silva, veterana da política desde o início dos anos 1980.
Outros petistas veteranos que perderam disputas para o Senado incluem o ex-governador Jorge Viana (AC), o ex-ministro Paulo Pimenta (RS), o ex-prefeito Décio Lima (SC), e a deputa Erika Kokay (DF). Randolfe Rodrigues (AP), atual líder do governo Lula no Senado, por sua vez, não foi reeleito.
Em Roraima, Chico Rodrigues (PSB), veterano do Congresso desde o início dos anos 1990, não conseguiu se reeleger ao Senado ao ficar em quarto lugar. O mesmo ocorreu com Acir Gurgacz (PDT) em Rondônia, que tentava voltar ao Senado. Em Tocantins, o veterano Carlos Gaguim, nome conhecido da política local desde a emancipação do estado, em 1988, amargou a quarta posição.
Em Santa Catarina, o ex-prefeito, ex-governador e senador Esperidião Amin (PP), que começou sua carreira política pela Arena, antigo partido de sustentação do regime militar, viu sua tentativa de reeleição frustrada ao terminar em terceiro e ser superado por dois bolsonaristas, incluindo Carlos Bolsonaro.
No Rio de Janeiro, o ex-prefeito, ex-ministro, ex-senador e pastor Marcelo Crivella (Republicanos) amargou o sexto lugar na disputa pelo Senado. Outros derrotados ao Senado que já tiveram influência incluem Eunício Oliveira (MDB-CE), Germano Rigotto (MDB-RS), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Rose de Freitas (MDB-ES).
PT não consegue reabilitar velhos nomes envolvidos em escândalos
Nestas eleições, o PT apresentou candidaturas de veteranos da sigla que haviam se envolvido em escândalos nos anos 2000 e 2010 e buscavam uma redenção nas urnas.
José Dirceu, antigo estrategista do PT e ministro da Casa Civil no primeiro governo Lula, tentou voltar à Câmara Federal mais de duas décadas depois de ser cassado na esteira do escândalo do Mensalão. Lula afirmou em setembro que uma vitória de Dirceu seria uma "reparação histórica". O ex-ministro, hoje com 80 anos, recebeu 78 mil votos no domingo em São Paulo, mas não conseguiu se eleger.
O mesmo ocorreu com Delúbio Sares, ex-tesoureiro e quadro histórico do PT, que também foi personagem do escândalo do Mensalão duas décadas atrás e depois ainda entrou na mira da Lava Jato em 2018. Candidato a uma vaga à Câmara pelo estado de Goiás e usando como slogan "O amigo do Lula", Delúbio recebeu cerca de 14 mil votos e ficou distante da vaga.
No Paraná, o ex-deputado petista André Vargas, que se tornou o primeiro político condenado pela Lava Jato em 2015 por seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, também fracassou nas urnas ao tentar voltar à Câmara. Vargas chegou a ficar preso entre 2015 e 2018. No domingo, recebeu 34 mil votos e amargou a suplência.
Por outro lado, o ex-deputado João Paulo Cunha, outro antigo condenado no Mensalão, vai retornar à Câmara após mais de uma década. Disputando uma vaga de deputado federal por São Paulo, foi bem-sucedido ao conseguir 109 mil votos.
Derrotas de grupos políticos
Alguns caciques conseguiram se eleger ou não estavam na disputa, mas acabaram vendo seus grupos políticos saírem enfraquecidos das urnas. No Pará, o ex-governador Helder Barbalho (MDB) se elegeu senador, tendo o patriarca da família, Jader Barbalho, como suplente. No entanto, a família viu sua candidata ao governo do estado, Hana Ghassan (MDB), sair derrotada ainda no primeiro turno por Dr. Daniel Santos (Podemos).
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), que não disputava eleição, viu uma derrota mais ampla do seu grupo para rivais bolsonaristas. Seu candidato ao governo do Amapá, Clécio Luís (União), foi derrotado no domingo, apesar da enorme coalizão de 12 partidos e 15 dos 16 prefeitos do Amapá, montada por Alcolumbre.
A derrota alcançou também a disputa pelo Senado, com a candidata diretamente apoiada por Alcolumbre, Alliny Serrão (União-AP), amargando a quinta colocação.
Derrotas na Câmara
A disputa pela Câmara também se revelou instransponível para vários veteranos Brasil afora. No Rio de Janeiro, Chico Alencar (Psol), rosto conhecido da política local desde o final dos anos 1980, não conseguiu se reeleger. O mesmo ocorreu com Tarcísio Motta, um dos fundadores do Psol, que também não vai voltar à Câmara.
Pelo PT, Rui Falcão, ex-presidente da sigla, e o ex-ministro Orlando Silva, não se reelegeram para a Câmara por São Paulo.
Por sua vez, o ex-presidente da Câmara que liderou o impeachment de Dilma Rousseff e depois caiu em desgraça, o ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos) fracassou na sua nova tentativa de conquistar um mandato de deputado federal, desta vez por Minas Gerais.
No Paraná, os outrora influentes ex-governadores Roberto Requião (PDT) e Beto Richa (PSDB) fracassaram em tentativas de conquistar mandatos na Câmara Federal. A derrota deve encerrar a longa carreira de Requião, ex-prefeito de Curitiba e três vezes governador do Paraná, e que hoje tem 85 anos.
Já Richa, que também foi prefeito da capital e governou o Paraná por dois mandatos, viu a recuperação da sua carreira interrompida neste pleito. Após ser envolvido na Lava Jato em 2018 e sofrer uma derrota humilhante para o Senado no mesmo ano, ele havia conseguido se eleger deputado em 2022.
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| Short teaser | Pleito marcou revés para longa carreira de Renan Calheiros no Senado e frustrou tentativa do PT de reabilitar Dirceu. | ||
| Author | Jean-Philip Struck | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/eleição-marcada-por-onda-de-direita-impõe-derrotas-para-veteranos-políticos/a-79556774?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | O senador Renan Calheiros não enfrentava uma derrota desde o início dos anos 1990 | ||
| Image source | Dida Sampaio/ESTADAO CONTEUDO/picture alliance | ||
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| Item 10 | |||
| Id | 79568149 | ||
| Date | 2026-10-06 | ||
| Title | Envolvimento em sequestro levou à prisão de ex-chefe da inteligência alemã | ||
| Short title | Sequestro levou à prisão de ex-chefe da inteligência alemã | ||
| Teaser |
Ex-presidente do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND) era suspeito de envolvimento em um caso de sequestro de crianças, encomendado pela mãe delas, herdeira de uma famosa cadeia alemã de restaurantes.A prisão do ex-presidente do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND) August Hanning, nesta terça-feira (06/10), sob suspeita de espionagem e traição, ocorreu por acaso, após descobertas feitas durante investigações de um outro crime: sua suposta participação em um sequestro de crianças, segundo relatos publicados na imprensa alemã.
A Procuradoria-Geral da Alemanha, em Karlsruhe, anunciou nesta terça as prisões de Hanning e de seu antigo chefe de gabinete, Manfred D., que teria fornecido a seu superior informações altamente sigilosas durante vários anos.
De acordo com informações das emissoras WDR e NDR e do jornal Süddeutsche Zeitung, as acusações não estão relacionadas à Rússia. A Procuradoria-Geral não quis dizer para qual serviço de inteligência estrangeiro ou para qual país Hanning teria trabalhado.
Suposto envolvimento em sequestro de crianças
Hanning vinha sendo investigado no âmbito de um inquérito separado sobre o sequestro dos filhos da empresária de Hamburgo Christina Block, em janeiro de 2024, em meio a uma disputa pela guarda das crianças com seu ex-marido, que já durava vários anos.
A Promotoria de Hamburgo acusa Christina, herdeira de uma famosa cadeia de restaurantes na Alemanha, de ter encomendado o sequestro de seus dois filhos mais novos no final de 2023, que foram retirados de seu ex-marido na Dinamarca.
Segundo investigadores, Hanning estaria envolvido em uma tentativa anterior de sequestro das crianças, acusação que ele nega.
A família Block é bastante conhecida em Hamburgo, principalmente por sua popular rede nacional de restaurantes, a Block House. A disputa judicial pela guarda dos filhos atraiu grande atenção no país, com ampla cobertura dos tabloides alemães sobre o caso.
Segundo informações da WDR, NDR e do Süddeutsche Zeitung, ao analisar o material apreendido com Hanning no ano passado, agentes do Departamento Estadual de Investigação Criminal (LKA) teriam encontrado um dispositivo de armazenamento de dados contendo informações altamente sensíveis, o que levou a Procuradoria-Geral a pedir sua prisão.
Documentos ultrassecretos
Segundo as investigações, o ex-chefe do BND tinha acesso a documentos ultrassecretos que, em hipótese alguma, ele deveria possuir.
Tratava-se, em grande parte, de informes para as reuniões semanais de inteligência na sede do governo federal, a Chancelaria Federal em Berlim, onde os chefes das agências de segurança trocam informações.
As apurações indicam que os documentos incluíam relatórios extremamente sensíveis, como sobre o programa nuclear iraniano ou o Exército russo. Fontes da área de segurança afirmaram que o material também continha informações provenientes de serviços de inteligência parceiros de outros países.
Entre os serviços de inteligência, o vazamento desse tipo de material é considerado como uma catástrofe absoluta. Agências parceiras poderiam perder a confiança no BND e deixar de compartilhar informações essenciais com o órgão.
O período de serviço de Hanning no BND terminou em novembro de 2005. Ao todo, cerca de 2 mil documentos teriam sido repassados por D. a Hanning, que é acusado de cumplicidade no caso.
rc/le (ots)
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| Short teaser | Ex-presidente do Serviço Federal de Inteligência alemão era suspeito de envolvimento em caso de sequestro de crianças. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/envolvimento-em-sequestro-levou-à-prisão-de-ex-chefe-da-inteligência-alemã/a-79568149?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Acusado de espionagem, Hanning também estaria envolvido em tentativa de sequestro dos filhos de empresária de Hamburgo | ||
| Image source | Florian Schuh/dpa/picture alliance | ||
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| Item 11 | |||
| Id | 79560486 | ||
| Date | 2026-10-06 | ||
| Title | Crânios de 5.000 anos revelam possíveis sacrifícios humanos no Egito | ||
| Short title | Crânios de 5.000 anos revelam sacrifícios humanos no Egito | ||
| Teaser |
Um estudo de 46 crânios encontrou sinais de golpes fatais que passaram despercebidos por décadas. Análise forense moderna indica que servos podem ter sido mortos para acompanhar governantes na vida após a morte.Análises forenses recentes realizadas com métodos modernos para estudar crânios da Primeira Dinastia em Abidos (por volta de 3.000 a.C), no Egito, revelaram a existência de sacrifícios humanos ligados à realeza.
No início do século 20, o arqueólogo Flinders Petrie descobriu numerosas tumbas secundárias em Abidos e levantou a hipótese de que servos teriam sido mortos de forma deliberada, embora não tenha encontrado provas físicas conclusivas.
Agora, a pesquisadora Roselyn Campbell, da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, demonstrou que muitos indivíduos sofreram lesões fatais na cabeça antes de morrer. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Frontiers in Environmental Archaeologynesta segunda-feira (05/10).
Essas tumbas foram escavadas na década de 1920 por Petrie, que suspeitava que tantas pessoas não poderiam ter morrido simultaneamente por causas naturais, mas não encontrou evidências que confirmassem a existência de ferimentos letais.
Uma nova reavaliação de uma amostra de crânios do sítio arqueológico utilizando métodos forenses modernos demonstrou agora que ao menos 39% desses indivíduos podem ter sido mortos deliberadamente por meio de golpes na cabeça.
O significado do sacrifício
Os complexos funerários de Abidos foram construídos por volta de 3.000 a.C. pelos primeiros reis de um Egito unificado. Além das tumbas reais, os complexos incluíam tumbas em câmaras e recintos provavelmente usados para rituais funerários, bem como sepultamentos secundários ao redor das tumbas e dos recintos.
No sacrifício de servos, pessoas próximas ao governante são mortas quando ele morre, explica Campbell. Segundo a pesquisadora, em muitas culturas essa prática ocorre devido à crença de que os sacrificados continuariam servindo ao governante em algum tipo de vida após a morte, embora também possa representar uma demonstração contundente do poder do soberano.
Alguns servos podem ter se oferecido voluntariamente para morrer a fim de alcançar a vida eterna ou a honra; outros podem ter sido escolhidos ou obrigados.
Petrie, porém, não encontrou indícios de trauma letal, o que colocou sua hipótese em dúvida. Na tentativa de solucionar esse mistério, Campbell procurou localizar as evidências remanescentes das escavações e analisá-las com base em conhecimentos forenses modernos.
A pesquisadora examinou 46 desses crânios pertencentes à coleção Duckworth, da Universidade de Cambridge, e os reavaliou, identificando novas evidências cruciais de violência.
Dezoito dos 46 crânios apresentavam sinais de traumatismo craniano significativo: fraturas lineares que Petrie pode ter confundido com danos de origem natural. Os avanços da ciência forense, porém, permitiram reconhecê-las como lesões ocorridas imediatamente antes da morte.
A descoberta, destacou a pesquisadora, demonstra como a ciência moderna pode ajudar a reinterpretar registros históricos e a solucionar alguns mistérios arqueológicos do passado.
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| Short teaser | Análise forense moderna indica que servos podem ter sido mortos para acompanhar governantes na vida após a morte. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/crânios-de-5-000-anos-revelam-possíveis-sacrifícios-humanos-no-egito/a-79560486?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Uma nova análise de crânios encontrados em Abidos revela ferimentos fatais consistentes com assassinatos rituais (imagem de referência) | ||
| Image source | Luis Echeverria/Photoshot/picture alliance | ||
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| Item 12 | |||
| Id | 79567176 | ||
| Date | 2026-10-06 | ||
| Title | Euro cai frente ao dólar: uma crise financeira se aproxima? | ||
| Short title | Euro cai frente ao dólar: uma crise financeira se aproxima? | ||
| Teaser |
Nível mais baixo em 17 meses tende a agravar a inflação na UE, onde preocupações políticas e temores em relação à dívida francesa já inquietam os investidores.O euro atingiu na manhã de segunda-feira (05/10) o menor nível em 17 meses frente ao dólar (1,12 dólar), acumulando queda de cerca de 5% desde o início do ano. As preocupações com a dívida da zona do euro, especialmente na França, se somam às inquietações dos investidores sobre os rendimentos dos títulos públicos globais e a alta dos preços do petróleo.
Para Ricardo Amaro, economista-chefe para a zona do euro da Oxford Economics, a tendência geral de queda pode ser atribuída à reavaliação das expectativas dos investidores em relação à política do Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos, de juros mais altos diante da elevação dos rendimentos dos títulos globais.
No entanto, segundo ele, a mais recente onda de vendas foi desencadeada principalmente pelas preocupações com a França, onde "os investidores passaram a precificar um risco fiscal maior".
O problema francês
A venda de títulos da dívida francesa ganhou força na semana passada, à medida que aumentaram as dúvidas sobre sua sustentabilidade de longo prazo. O rendimento dos títulos públicos franceses de dez anos, que representa o custo que a França paga para tomar empréstimos com vencimento em dez anos, chegou a 5% antes de recuar ligeiramente.
A França enfrenta problemas fiscais estruturais há muito tempo. Desde que o presidente Emmanuel Macron assumiu o cargo, em maio de 2017, os gastos públicos aumentaram, enquanto ele implementou profundos cortes de impostos. Como resultado, a dívida nacional do país cresceu em mais de 1 trilhão de euros (1,12 trilhão de dólares).
A dívida da França equivale hoje a quase 118% do seu Produto Interno Bruto (PIB). O país registra recorrentes desequilíbrios no orçamento. Seu déficit orçamentário anual supera regularmente 5%, acima dos 3,4% registrados quando Macron assumiu a Presidência.
Para muitos investidores, preocupações mais amplas com o baixo crescimento da zona do euro e a disparada dos preços da energia contribuíram para o foco renovado sobre a França, levando muitos deles a migrar para alternativas consideradas mais seguras, como os títulos da dívida pública alemã.
A diferença entre os rendimentos dos títulos públicos de dez anos da França e da Alemanha atingiu na semana passada o maior nível desde a crise da dívida da zona do euro nos anos 2010, um indicador sobre a estabilidade financeira da União Europeia (UE).
O que o Banco Central Europeu pode fazer
A pressão resultante sobre o euro e outros mercados de títulos públicos, incluindo o da Itália, gerou pedidos para que o Banco Central Europeu (BCE) intervenha, a fim de evitar que as preocupações com a França se transformem em pânico.
Jim Reid, do Deutsche Bank, afirmou em nota divulgada na segunda-feira que, em determinado momento da semana passada, o diferencial entre os títulos alemães e franceses havia se ampliado tanto que uma "minicrise de pânico" parecia iminente.
"A grande questão é saber se este é o início de uma nova crise das dívidas soberanas na zona do euro ou se os mercados já exageraram na reação", afirmou.
Amaro avalia que a situação representa um desafio para o BCE, que precisa agir sem agravar o problema. "Adotar um discurso excessivamente duro também aumentaria a pressão sobre os rendimentos dos títulos franceses, que se tornaram um fator importante para a fraqueza do euro", acrescentou.
Ele espera que os formuladores de política monetária continuem monitorando os movimentos cambiais entre o dólar e o euro, mas sem tentar influenciar diretamente o mercado por enquanto.
O que está em jogo
A incerteza é alimentada tanto por pressões políticas quanto econômicas. Nos últimos anos, a França tem sido marcada por crises políticas, e a aprovação dos orçamentos anuais virou um teste para a estabilidade dos governos.
Embora o orçamento de 2027 já tenha sido aprovado, com reformas destinadas a reduzir o déficit, o partido radical de direita Reagrupamento Nacional continua bem posicionado para a eleição presidencial de 2027, na qual Marine Le Pen é apontada como provável principal candidata da sigla.
As preocupações sobre a política econômica francesa em caso de uma vitória de Le Pen assustam investidores, de forma semelhante às dúvidas levantadas pelo crescimento da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de ultradireita alemão, sobre os rumos futuros da principal economia do bloco.
Grande parte da instabilidade política tem sido impulsionada pela insatisfação dos eleitores com o elevado custo de vida. Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez recentemente convocou eleições antecipadas, depois que medidas voltadas para enfrentar a crise habitacional foram rejeitadas pelo Parlamento.
"Uma desvalorização mais acentuada do euro reforçaria o choque inflacionário em um momento em que já se espera que a inflação permaneça elevada até 2027", acrescenta Amaro.
A desvalorização do euro encarece os produtos importados, especialmente aqueles cotados em dólares. Commodities globais como petróleo e gás são negociadas em dólares, o que significa que o aumento dos preços da energia provavelmente se tornaria ainda maior, assim como o custo das importações provenientes dos Estados Unidos.
A próxima crise financeira?
Com a crise das dívidas soberanas dos anos 2010 ainda viva na memória da UE, muitos analistas começam a se perguntar se os movimentos observados nos títulos franceses podem indicar o surgimento de uma nova crise na zona do euro.
Alguns especialistas, como Geoffrey Yu, estrategista sênior do BNY, consideram essas preocupações exageradas. "As comparações com 2012 estão totalmente fora de lugar", afirmou.
No entanto, Amaro avalia que a expectativa de novas altas de juros por parte do BCE neste ano, combinada com a piora das perspectivas para a inflação, torna essa uma situação que exige acompanhamento e gestão muito cuidadosos.
"A fraqueza do euro não deve ser interpretada como um fenômeno isolado", afirmou. "Se ela for desencadeada por preocupações crescentes com a situação fiscal da França, o BCE certamente terá de agir com cautela diante dos riscos para a zona do euro."
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| Short teaser | Nível mais baixo em 17 meses tende a agravar a inflação na UE, onde dívida francesa já inquieta investidores. | ||
| Author | Arthur Sullivan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/euro-cai-frente-ao-dólar-uma-crise-financeira-se-aproxima/a-79567176?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | A diferença entre os rendimentos dos títulos públicos de 10 anos da França e da Alemanha atingiu seu nível mais alto desde a crise da dívida na zona do euro | ||
| Image source | LUNAMARINA/imageBROKER/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/72884137_354.jpg&title=Euro%20cai%20frente%20ao%20d%C3%B3lar%3A%20uma%20crise%20financeira%20se%20aproxima%3F | ||
| Item 13 | |||
| Id | 79566584 | ||
| Date | 2026-10-06 | ||
| Title | Pedidos para evitar serviço militar triplicam na Alemanha | ||
| Short title | Pedidos para evitar serviço militar triplicam na Alemanha | ||
| Teaser |
Com recentes mudanças na lei de serviço militar, cresce número de pessoas que encaminham pedidos para não prestá-lo alegando objeção de consciência.O número de pessoas que apresentam objeções de consciência para não prestar serviço militar na Alemanha continua aumentando de forma acentuada.
Entre janeiro e o fim de agosto deste ano, 12.102 pedidos de objeção ao serviço militar foram apresentados ao órgão responsável pela análise dessas solicitações.
Com isso, o número já é três vezes maior do que em todo o ano de 2025, quando o órgão registrou 3.879 solicitações.
A tendência de alta fica ainda mais evidente quando se compara os números do primeiro e do segundo semestre de 2026: até o fim de junho, o órgão havia comunicado o recebimento de 5.862 pedidos. Isso significa que, apenas em julho e agosto, o número de solicitações no ano mais do que dobrou.
Situação de segurança e nova lei
O aumento parece estar relacionado tanto à situação internacional de segurança quanto à entrada em vigor, em 1º de janeiro, da nova lei sobre o serviço militar na Alemanha.
A principal novidade da legislação é que todos os cidadãos alemães passaram a receber, no ano em que completam 18 anos, um questionário destinado a avaliar sua aptidão para o serviço militar. O objetivo é identificar voluntários para ampliar o efetivo da Bundeswehr (Forças Armadas alemãs).
Para os homens, o preenchimento do questionário é obrigatório. Para mulheres e pessoas de outras identidades de gênero, facultativo.
A mudança não introduz a obrigação automática de prestar serviço militar. No entanto, a possibilidade de convocação continua prevista na Lei Fundamental (Constituição alemã).
Mas ela também prevê o direito de recusar o serviço armado por motivos de consciência. Esses pedidos podem ser apresentados não apenas por soldados da ativa e reservistas como também por civis que nunca prestaram serviço militar.
Muitos pedidos com erros
O órgão responsável relata, porém, erros em muitas solicitações recebidas, por exemplo, contendo justificativas que não podem ser reconhecidas legalmente. Esses requerimentos são devolvidos sem análise.
O pedido deve conter uma carta breve, assinada pelo requerente, na qual ele invoca o direito fundamental à objeção de consciência, um currículo completo e uma justificativa detalhada, redigida pessoalmente, explicando quais são os motivos de consciência que fundamentam a recusa ao serviço armado.
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| Short teaser | Com recentes mudanças na lei de serviço militar, cresce número de pedidos para não prestá-lo por objeção de consciência. | ||
| Author | Annamaria Sigrist | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/pedidos-para-evitar-serviço-militar-triplicam-na-alemanha/a-79566584?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Bundeswehr se apresenta durante feira de games, em Colônia | ||
| Image source | Rolf-Peter Stoffels/Geisler-Fotopress/picture alliance | ||
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| Item 14 | |||
| Id | 79564427 | ||
| Date | 2026-10-06 | ||
| Title | Rússia diz à OMS que não há casos de peste em cidade da Sibéria | ||
| Short title | Rússia diz que não há casos de peste em cidade da Sibéria | ||
| Teaser |
Autoridades russas afirmam ter identificado todas as pessoas que tiveram contato com uma mulher de 28 anos que morreu de causa desconhecida e que trabalhava em um instituto de pesquisa sobre a peste.A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta terça-feira (06/10) que as autoridades russas informaram que não há casos de peste na cidade siberiana de Irkutsk, onde uma funcionária de 28 anos de um instituto de pesquisa sobre a peste morreu na semana passada.
A agência de saúde da ONU afirmou considerar baixo o risco para a saúde pública na Rússia, após relatos não confirmados de que a funcionária do laboratório teria morrido de peste pneumônica.
De acordo com a OMS, as autoridades russas identificaram todas as pessoas que tiveram contato com a funcionária, que morreu de causa ainda desconhecida. Até o momento, nenhuma delas apresentou sintomas da doença, segundo a organização.
A Rússia havia comunicado anteriormente à OMS que as autoridades investigavam se a peste pneumônica teria sido a causa da morte da mulher.
Há relatos contraditórios sobre como e onde ela adoeceu. O site de notícias local Lyudi Baikala citou fontes não identificadas segundo as quais a técnica de laboratório morreu de peste pneumônica, mas as autoridades afirmaram que ela veio a óbito por uma pneumonia cuja origem ainda não foi determinada.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou nesta segunda-feira que não vê motivo para alarme, mas que os EUA acompanham o caso de perto, cientes de que a doença pode se espalhar rapidamente.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a morte representa "um grande problema para a Rússia" e ofereceu ajuda a Moscou para lidar com a situação. Os Estados Unidos pediram "transparência" na divulgação das informações sobre o caso.
Desconfiança internacional
A versão oficial da Rússia diverge da de veículos locais e de posts nas redes sociais que informaram anteriormente que a pesquisadora teria deixado cair um tubo de ensaio durante o trabalho. Poucos dias depois, ela foi internada com sintomas respiratórios graves e morreu na sexta-feira (02/10), em um hospital de Shelekhov, perto de Irkutsk.
Apesar das negativas de Moscou sobre um acidente de laboratório, a resposta das autoridades sanitárias ao caso chamou atenção. O instituto de pesquisa foi colocado em quarentena, funcionários foram isolados e unidades hospitalares da região adotaram medidas emergenciais de contenção.
A desconfiança internacional também foi ampliada por informações contraditórias divulgadas pelas próprias autoridades russas. Relatórios iniciais mencionavam uma "infecção particularmente perigosa", expressão normalmente reservada a enfermidades de alto potencial de transmissão e letalidade.
Morte de causa desconhecida
Posteriormente, porém, as autoridades russas disseram que a jovem morreu de causa desconhecida e que não encontraram evidências de que sua doença tenha sido causada por qualquer um dos patógenos com os quais trabalhava.
"A doença inicialmente se manifestou como uma infecção viral respiratória aguda típica", detalhou a agência de saúde da ONU.
Segundo a OMS, duas pessoas que tiveram contato com a mulher testaram positivo para um vírus causador de resfriado comum, enquanto outras duas testaram positivo para covid-19. Todos os demais testados tiveram resultado negativo.
Peste pneumônica pode ser fatal
A Organização Mundial da Saúde considera a peste pneumônica a forma mais agressiva da doença causada pela bactériaYersinia pestis. Diferentemente da peste bubônica - que estima-se ter matado na Idade Média um terço da população europeia -, a variante pneumônica pode ser transmitida diretamente entre pessoas por meio de gotículas respiratórias e, sem tratamento rápido, pode levar à morte em menos de 24 horas após o surgimento dos sintomas.
A peste é endêmica na Sibéria, local do primeiro surto humano pré-histórico conhecido da doença. Isso ocorre porque a bactéria causadora está presente entre pequenos mamíferos selvagens e suas pulgas nas vastas áreas de natureza da região. Ainda assim, é raro que russos adoeçam de peste, embora casos sejam registrados todos os anos em outras partes do mundo, especialmente na África.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, os médicos são aconselhados a não esperar pela confirmação laboratorial, mas a iniciar a administração de antibióticos assim que houver suspeita de peste. Para evitar a propagação da infecção, os pacientes são isolados. Pessoas que tiveram contato próximo com um paciente são tratadas mesmo que não apresentem sintomas.
as/le (Reuters, AFP, AP, Efe)
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| Short teaser | Autoridades dizem ter identificado todos que tiveram contato com pesquisadora da peste que morreu de causa desconhecida. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/rússia-diz-à-oms-que-não-há-casos-de-peste-em-cidade-da-sibéria/a-79564427?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Funcionários do Instituto de Pesquisa da Peste de Irkutsk e do Extremo Oriente, onde trabalhava a mulher de 28 anos que morreu de causa ainda desconhecida | ||
| Image source | The Irkutsk Anti-Plague Research Institute of Siberia and Far East/AP Photo/dpa/picture alliance | ||
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| Item 15 | |||
| Id | 79565876 | ||
| Date | 2026-10-06 | ||
| Title | Ex-chefe do serviço de inteligência da Alemanha é preso por suspeita de traição | ||
| Short title | Ex-chefe de inteligência alemão é preso por suposta traição | ||
| Teaser |
August Hanning é suspeito de ter repassado informações para um outro país. Acusação é inédita para funcionários de tão alto escalão nos serviços secretos da Alemanha.O ex-presidente do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND), August Hanning, de 80 anos, foi preso nesta terça-feira sob suspeita de espionagem e traição, simultaneamente à prisão de seu antigo chefe de gabinete, Manfred D., comunicou a Procuradoria-Geral da Alemanha, em Karlsruhe.
Segundo as investigações, Manfred D. teria fornecido a Hanning informações altamente sigilosas durante vários anos. Ele é acusado de cumplicidade.
De acordo com informações das emissoras WDR e NDR e do jornal Süddeutsche Zeitung, as acusações não estão relacionadas à Rússia. A Procuradoria-Geral não quis dizer para qual serviço de inteligência estrangeiro ou para qual país Hanning teria trabalhado.
Cerca de 2 mil documentos secretos
Manfred D. trabalhou no BND até o primeiro semestre de 2026. Segundo a acusação, ele teria repassado documentos confidenciais a Hanning, mediante pagamento, pelo menos até 2022. Ao todo, seriam cerca de 2 mil documentos.
Entre eles estariam relatórios preparados para uma reunião na Chancelaria Federal na qual os principais dirigentes das agências de espionagem alemãs trocam regularmente informações. Os documentos conteriam, entre outros temas, informações sensíveis sobre o programa nuclear iraniano e as Forças Armadas russas.
Também estariam incluídos dados obtidos de serviços de inteligência de países aliados. Um vazamento dessa natureza poderia abalar a confiança de agências parceiras no BND e levar à redução do intercâmbio de informações.
Com base nesses documentos, Hanning teria elaborado, em pelo menos um caso, uma análise de segurança para um serviço de inteligência estrangeiro. Não foi divulgado qual seria esse serviço. Segundo WDR, NDR e Süddeutsche Zeitung, não se trata da Rússia.
Em outro episódio, Hanning teria utilizado informações provenientes de documentos internos do BND em sua comunicação com um agente estrangeiro.
Preso em casa, perto de Münster
Agentes da polícia criminal da Alemanha prenderam Hanning nas primeiras horas da manhã em sua residência em Nordwalde, próximo a Münster.
Segundo as reportagens, durante uma busca na casa os investigadores encontraram um dispositivo eletrônico contendo documentos ultrassecretos e relativamente recentes do BND. Hanning havia deixado o serviço de inteligência em novembro de 2005.
Os documentos foram descobertos inicialmente por investigadores do Departamento Estadual de Investigações Criminais (LKA) da Baixa Saxônia durante apurações relacionadas a um outro caso. Posteriormente, o material foi entregue às autoridades federais.
Em maio de 2026, a Procuradoria-Geral abriu uma investigação sigilosa contra Hanning e seu suposto informante. Os documentos mais recentes encontrados até agora teriam sido produzidos em junho de 2022.
Escândalo de proporções históricas
Caso as acusações se confirmem, o episódio poderá assumir dimensões históricas. Nunca houve na Alemanha uma suspeita comparável de traição envolvendo um ex-funcionário de tão alto escalão nos serviços secretos.
Além disso, para o BND, este seria o segundo caso grave de espionagem em poucos anos. Um ex-chefe de departamento do serviço de inteligência está sendo julgado no Tribunal Superior de Berlim. Segundo a acusação, ele teria espionado para a Rússia em 2022, junto com outro suspeito.
Hanning ocupou posições importantes na estrutura de segurança alemã durante décadas. Em 1998, assumiu a direção do BND. No fim de 2005, passou a exercer o cargo de secretário de Estado no Ministério Federal do Interior.
as/cn (ARD, DPA, AFP, Reuters)
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| Short teaser | August Hanning é suspeito de ter repassado informações para um outro país. Acusação é inédita na Alemanha. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ex-chefe-do-serviço-de-inteligência-da-alemanha-é-preso-por-suspeita-de-traição/a-79565876?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Hanning teria elaborado, em pelo menos um caso, uma análise de segurança para um serviço de inteligência estrangeiro | ||
| Image source | Michael Kappeler/dpa/picture alliance | ||
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| Item 16 | |||
| Id | 79560248 | ||
| Date | 2026-10-06 | ||
| Title | Nobel de Física de 2026 vai para pesquisa sobre neutrinos | ||
| Short title | Nobel de Física de 2026 vai para pesquisa sobre neutrinos | ||
| Teaser |
Cientista belga Francis Halzen, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA, recebe distinção pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica.O cientista belga Francis Halzen, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA, recebeu o Prêmio Nobel de Física de 2026, anunciou nesta terça-feira (06/10) a Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo.
Halzen recebeu a distinção por suas contribuições decisivas para o observatório de neutrinos IceCube, na Antártida, e para a descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica.
Halzen falou com o comitê por telefone, da Itália, nesta terça-feira. "Foi uma grande surpresa e, obviamente, eu não esperava por isso", disse.
Nascido na Bélgica, o cientista de 82 anos é vinculado à Universidade de Wisconsin–Madison, nos Estados Unidos.
O prêmio leva o nome do seu criador, o inventor sueco Alfred Nobel (1833-1896). Neste ano, a dotação teve um aumento de 9%, alcançando 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões), para comemorar os 125 anos desde que o prêmio foi concedido pela primeira vez.
O que é a pesquisa laureada?
As pesquisas de Halzen sobre a detecção de neutrinos no Polo Sul remontam à década de 1980. Halzen reconheceu que o gelo do Polo Sul poderia ser usado para rastrear essas partículas, disse o Comitê Nobel de Física.
Sua visão e sua liderança científica foram de importância fundamental para o projeto IceCube, afirmou o comitê. Com esse observatório, cujos sensores estão espalhados por um quilômetro cúbico de gelo, os pesquisadores podem detectar neutrinos provenientes de processos extremamente energéticos no universo distante.
Os neutrinos, também chamados de partículas-fantasma, estão entre as partículas elementares mais misteriosas. Eles não possuem carga elétrica e têm massa quase nula, além de interagirem apenas de forma muito fraca com a matéria comum. Por isso, sua detecção é extremamente difícil.
Um neutrino é um mensageiro fantasmagórico vindo do espaço, explicou o presidente do Comitê Nobel de Física, Mark Pearce.
Em média, 10 bilhões de neutrinos atingem a cada segundo cada centímetro quadrado da superfície terrestre. Grandes instalações de detecção, como o IceCube no gelo da Antártida, têm como objetivo identificar ao menos uma parte dessas partículas.
"Francis Halzen liderou uma equipe internacional de pesquisadores e engenheiros que nos proporcionou um instrumento extraordinário. Sua perseverança e visão científica abriram caminho para um novo tipo de astronomia", afirmou Pearce.
Química é o próximo
O Prêmio Nobel de Física de 2025 foi concedido ao britânico John Clarke, ao francês Michel Devoret e ao americano John Martinis pela "descoberta do efeito túnel macroscópico da mecânica quântica e da quantização da energia num circuito elétrico". O trio está baseado nos Estados Unidos. Sua pesquisa abriu caminhos para as tecnologias de base da computação quântica, de sensores de precisão e da criptografia avançada.
Em 2024, o Nobel de Física foi concedido ao americano John Hopfield e o canadense Geoffrey Hinton, por "descobertas e invenções fundamentais que possibilitam o aprendizado de máquina com redes neuronais artificiais".
Em 2023, o prestigioso prêmio da física foi para três cientistas: a franco-sueca Anne L'Huillier, o francês Pierre Agostini e Ferenc Krausz, de origem húngara. Juntos, eles proporcionaram a primeira visão, de uma fração de segundo, no mundo superveloz dos elétrons, através de pulsos luminosos extremamente breves. Essas partículas giram em torno do núcleo dos átomos a alta velocidade, sendo fundamentais para praticamente tudo, da química, física e dispositivos eletrônicos ao funcionamento dos organismos.
Os seis dias de anúncios do Nobel iniciaram-se nesta segunda-feira, com o de Medicina, dado ao americano Karl Deisseroth e aos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel por suas descobertas relacionadas à atividade cerebral.
As descobertas desses três cientistas em optogenética, um método que permite mostrar como as células nervosas moldam as memórias, os sentimentos e os comportamentos no cérebro vivo, "lançaram as bases de uma nova era na neurociência", de acordo com o detalhamento da decisão.
Por meio da optogenética, os pesquisadores conseguiram revelar os circuitos neuronais que controlam memórias, emoções e comportamentos específicos relacionados a transtornos neurológicos e psiquiátricos.
Após o de Física, seguem-se Química, Literatura e, na sexta-feira, o da Paz. Na próxima segunda-feira, por fim, será anunciado o Nobel de Economia, que não faz parte da lista de prêmios determinada no testamento de Alfred Nobel e que foi criado em 1968 pelo Banco da Suécia em homenagem a Alfred Nobel.
as/cn (Reuters, AFP, DPA, Efe, ots)
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| Short teaser | Cientista belga Francis Halzen recebe distinção pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/nobel-de-física-de-2026-vai-para-pesquisa-sobre-neutrinos/a-79560248?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Halzen falou com o comitê por telefone: "Foi uma grande surpresa e, obviamente, eu não esperava por isso" | ||
| Image source | Christine Olsson/TT/picture alliance | ||
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| Item 17 | |||
| Id | 79557807 | ||
| Date | 2026-10-06 | ||
| Title | Brasil nunca teve virada no 2° turno da eleição presidencial | ||
| Short title | Brasil nunca teve virada no 2° turno da eleição presidencial | ||
| Teaser |
Histórico desde 1989 é desfavorável para candidatos como Lula, que terminou 1° turno em 2° lugar. Mas algumas eleições estaduais mostram que explorar rejeição de adversário pode ajudar numa virada.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou o primeiro turno da eleição presidencial de 2026 com uma desvantagem de 2,2 milhões de votos em relação a Flávio Bolsonaro (PL), ou de 1,9 ponto percentual. Além de ficar atrás de Flávio, Lula ainda perdeu 3,4 milhões de votos em relação ao primeiro turno de 2022, quando ficou à frente de Jair Bolsonaro, pai de Flávio.
Lula que vai enfrentar Flávio novamente no segundo turno, marcado para 25 de outubro, conclamou nesta segunda-feira (05/10) aliados a buscarem mais votos entre os 33,4 milhões de eleitores que não foram votar na primeira rodada.
Apesar de Lula ainda contar com a influência da máquina pública e manter um piso eleitoral alto, o histórico das eleições presidenciais desde a redemocratização não é favorável para quem acaba o primeiro turno na segunda colocação.
Desde 1989, quando o Brasil voltou a ter eleições presidenciais diretas – e estreou o mecanismo de segundo turno –, nunca houve uma reviravolta na corrida ao Planalto entre um turno e outro. Essa foi a regra em todas as sete disputas presidenciais que tiveram segundo turno entre 1989 e 2018. Mesmo em disputas estaduais o histórico não é exatamente favorável (leia mais abaixo).
Tanto o PT quanto os bolsonaristas não conseguiram forçar viradas
Em pouco mais de 30 anos, o próprio PT fracassou duas vezes em tentar forçar uma reviravolta na disputa presidencial. No primeiro turno de 1989, Lula ficou 13,3 pontos atrás do rival Fernando Collor. Entre os dois turnos, Lula conseguiu crescer 29,8 pontos percentuais, mas ainda assim acabou perdendo a votação final para Collor por seis pontos de desvantagem.
Em 2018, foi a vez de Fernando Haddad passar pela mesma dificuldade. O petista, que substituiu Lula pouco menos de um mês antes do primeiro turno, terminou 16,75 pontos atrás de Bolsonaro na primeira rodada. No segundo turno, Haddad cresceu, mas ainda assim terminou pouco mais de dez pontos atrás de Jair Bolsonaro.
O próprio Lula já esteve do outro lado dessa equação, quando, na oposição, terminou o primeiro turno à frente do então presidente Jair Bolsonaro (PL) no pleito de 2022. À época, apesar de Jair Bolsonaro instrumentalizar a máquina pública com programas e medidas eleitoreiras, a eleição ainda terminou favorável a Lula no segundo turno.
Na primeira rodada daquela eleição, Jair Bolsonaro havia ficado com uma desvantagem de 6 milhões de votos em relação a Lula, ou 5,23 pontos percentuais. No segundo turno, apesar de intensa mobilização de sua base, o então presidente terminou atrás por 1,8 ponto, ou 2,14 milhões de votos – na que foi a eleição mais apertada do Brasil desde a redemocratização.
Com o resultado, Jair Bolsonaro também se tornou o primeiro presidente no poder a perder uma disputa pela reeleição desde que o mecanismo foi instituído em 1998.
Disputas anteriores também já haviam evidenciado a dificuldade, em graus variados, de virar a desvantagem entre um turno e outro.
Os candidatos José Serra em 2002 e 2010 e Geraldo Alckmin em 2006, acabaram perderam a rodada final para candidatos do PT por diferenças de dois dígitos. Alckmin, por sua vez, conseguiu em 2006 um feito negativo que até hoje não foi repetido: perder votos entre o primeiro e o segundo turno.
Aécio Neves (PSDB), por sua vez, se saiu um pouco melhor em 2014, mas ainda assim fracassou. À época, graças a um forte impulso nos dias que precederam o primeiro turno, ele chegou inicialmente na segunda rodada oito pontos atrás de Dilma Rousseff (PT), que concorria à reeleição.
Em uma campanha acirrada no segundo turno, marcada pela interferência da Lava Jato, Aécio conseguiu diminuir significativamente a desvantagem, mas ainda assim acabou derrotado por Dilma por uma diferença de apenas 3,2 pontos.
Nos estados, só um terço das disputas de 2° tiveram reviravoltas
Reviravoltas em disputas para os governos estaduais, embora não sejam inéditas, apresentam um histórico numericamente desfavorável para quem termina o primeiro turno na segunda colocação.
Entre 1990 e 2022, o Brasil foi palco de 120 eleições estaduais que tiveram uma rodada extra de votação, após nenhum candidato superar a marca de 50% dos votos válidos no primeiro turno. Em todas essas 120 eleições estaduais com segundo turno entre 1990 e 2022, só houve registro de reviravolta em 35 disputas – ou 29% do total.
Algumas dessas disputas se tornaram famosas. Em 1994, Eduardo Azeredo (PSDB) terminou o primeiro turno da disputa pelo governo de Minas Gerais 21,1 pontos atrás de Hélio Costa (PP). No segundo turno, com apoio do então governador Hélio Garcia (PTB) e embalado pelo sucesso do Plano Real, que turbinou candidaturas do PSDB país afora, Azeredo virou a eleição e venceu com vantagem de 17,5 pontos.
Em 1990, Paulo Maluf (PDS) terminou o primeiro turno em São Paulo com 43,5% dos votos e vantagem de 15,3 pontos sobre o segundo colocado, Luiz Antônio Fleury (PMDB). No segundo turno, Fleury explorou a alta rejeição registrada por Maluf e recebeu os votos do eleitorado de candidatos antimalufistas derrotados na primeira rodada. Fleury acabou praticamente dobrando sua votação entre um turno e outro, derrotando Maluf por 3,6 pontos de vantagem.
Em ciclos eleitorais mais recentes, 2018 foi palco de 14 disputas de segundo turno, mas com apenas duas viradas, em Rondônia e Santa Catarina, cujas eleições locais foram atípicas ao catapultarem candidatos praticamente desconhecidos que surfaram na onda bolsonarista que tomou o ciclo eleitoral daquele ano. Em 2022, foram quatro viradas: Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Sergipe.
Em desvantagem, governador Covas transformou 2° turno de 1998 em comparação sobre caráter
Entre as 35 viradas que ocorreram desde 1990, 24 ocorreram após 1998, quando foi instituído o mecanismo da reeleição. Destas, sete foram protagonizadas por governadores em busca da reeleição que haviam sofrido tropeços no primeiro turno e chegado em desvantagem ao segundo.
O primeiro caso ocorreu em 1998, no Piauí, quando o governador Mão Santa (PMDB) terminou a primeira rodada com 3,16 pontos de desvantagem em relação ao primeiro colocado, mas virou por pouco no segundo turno, ficando à frente por 1,92.
Já o caso mais célebre de uma virada envolvendo um ocupante de executivo estadual que entrou em desvantagem no segundo turno ocorreu em São Paulo, em 1998. O então governador Mário Covas (PSDB), que era aprovado por apenas 24% dos paulistas, chegou ao segundo turno 9,3 pontos atrás do desafiante Paulo Maluf (PPB).
Covas também havia chegado por pouco no segundo turno, ficando apenas 0,44 ponto acima da terceira colocada, Marta Suplicy (PT). Para piorar, as pesquisas divulgadas logo após o primeiro turno indicavam que Maluf também aparecia à frente na preferência dos eleitores na segunda rodada.
Determinado a derrotar Maluf, Covas contrariou seus marqueteiros – que preferiam focar em realizações e planos de governo – e transformou o embate do segundo turno em uma comparação sobre o caráter dos dois candidatos.
"Eleição de governador não é nomeação de gerente. A briga agora vai ser política e moral", disse Covas à época. Nas três semanas do segundo turno, ele explorou as antigas ligações de Maluf com a ditadura, suas declarações controversas e sua bagagem de escândalos. Num debate cujos trechos ainda circulam em redes sociais, Covas disse que o "telespectador quer ver discussão de caráter, quer comparar os candidatos do ponto de vista da história de cada um, do que cada um fez ao longo da sua vida política". Covas buscou ainda apoio de políticos do PT e do PSB, que estavam à esquerda do PSDB.
Contados os votos no segundo turno, o então governador Covas acabou superando Maluf no segundo turno por uma vantagem superior a 10 pontos. O marqueteiro de Maluf, Duda Mendonça, admitiu que a estratégia de Covas de explorar a rejeição de Maluf foi certeira. "Não foi o Covas que ganhou, mas Maluf que perdeu para Maluf", disse ele após a eleição.
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| Short teaser | Histórico de pleitos desde 1989 é desfavorável para candidatos como Lula, que terminou 1° turno em 2° lugar. | ||
| Author | Jean-Philip Struck | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/brasil-nunca-teve-virada-no-2°-turno-da-eleição-presidencial/a-79557807?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Lula durante a campanha presidencial de 1989, quando o petista não conseguiu superar Fernando Collor no segundo turno | ||
| Image source | picture-alliance/dpa/R. Gostoli | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/19048955_354.jpg&title=Brasil%20nunca%20teve%20virada%20no%202%C2%B0%20turno%20da%20elei%C3%A7%C3%A3o%20presidencial | ||
| Item 18 | |||
| Id | 79555384 | ||
| Date | 2026-10-05 | ||
| Title | Morte de pesquisadora russa acende alerta sobre peste | ||
| Short title | Morte de pesquisadora russa acende alerta sobre peste | ||
| Teaser |
Moscou nega que óbito tenha sido causado por acidente de laboratório na Sibéria, mas contradições nas informações oficiais e medidas de contenção alimentam especulações e provocam reação dos EUA.A morte de uma jovem que trabalhava em um instituto de pesquisa sobre a peste na região russa de Irkutsk, na Sibéria, provocou preocupações internacionais e uma onda de especulações sobre um possível acidente de laboratório. Os Estados Unidos pediram nesta segunda-feira (05/10) que Moscou fosse "transparente". As autoridades russas, no entanto, rejeitam qualquer ligação do caso com a peste pneumônica e garantem que a situação epidemiológica permanece sob controle.
Segundo a Rospotrebnadzor, principal agência russa responsável pela saúde pública e vigilância epidemiológica, a pesquisadora de 28 anos morreu em consequência de uma "pneumonia de origem desconhecida". A agência informou que exames realizados não detectaram microrganismos relacionados à atividade profissional da funcionária e negou a ocorrência de um acidente envolvendo agentes biológicos.
A versão contradiz veículos locais e posts nas redes sociais que informaram anteriormente que a pesquisadora teria deixado cair um tubo de ensaio durante o trabalho em um laboratório especializado em doenças infecciosas. Poucos dias depois, ela foi internada com sintomas respiratórios graves e morreu na sexta-feira (02/10), em um hospital de Shelekhov, perto de Irkutsk.
Resposta russa acende alerta
Apesar das negativas de Moscou sobre um acidente de laboratório, a resposta das autoridades sanitárias ao caso chamou atenção. O instituto de pesquisa foi colocado em quarentena, funcionários foram isolados e unidades hospitalares da região adotaram medidas emergenciais de contenção. De acordo com o governo russo, porém, não foram registrados novos casos entre os contatos monitorados.
A desconfiança internacional também foi ampliada por informações contraditórias divulgadas pelas próprias autoridades russas. Relatórios iniciais mencionavam uma "infecção particularmente perigosa", expressão normalmente reservada a enfermidades de alto potencial de transmissão e letalidade.
EUA monitoram "de perto"
Os Estados Unidos afirmaram acompanhar o episódio "de perto". Em comunicado, o Departamento de Estado pediu que a Rússia compartilhe informações "precisas, rápidas e transparentes" sobre o caso. Washington ressaltou que a peste é uma doença conhecida, tratável com antibióticos quando diagnosticada precocemente, mas destacou a importância da divulgação de dados para avaliar eventuais riscos à saúde pública.
A preocupação se explica pelas características da peste pneumônica, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a forma mais agressiva da doença causada pela bactériaYersinia pestis. Diferentemente da peste bubônica - que estima-se ter matado na Idade Média um terço da população europeia -, a variante pneumônica pode ser transmitida diretamente entre pessoas por meio de gotículas respiratórias e, sem tratamento rápido, pode levar à morte em menos de 24 horas após o surgimento dos sintomas.
A peste continua presente em focos naturais da África, Ásia e Américas. Partes da Sibéria registram reservatórios naturais do agente infeccioso em populações de roedores, o que exige monitoramento constante das autoridades sanitárias.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, os médicos são aconselhados a não esperar pela confirmação laboratorial, mas a iniciar a administração de antibióticos assim que houver suspeita de peste. Para evitar a propagação da infecção, os pacientes são isolados. Pessoas que tiveram contato próximo com um paciente são tratadas mesmo que não apresentem sintomas.
le (Lusa, ots)
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| Short teaser | Moscou nega que óbito tenha sido por acidente de laboratório, mas contradições nas informações geram especulação. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/morte-de-pesquisadora-russa-acende-alerta-sobre-peste/a-79555384?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Yersinia pestis é causadora da peste pneumônica e da peste bubônica | ||
| Image source | picture-alliance/BSIP/J. Cavallini | ||
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| Item 19 | |||
| Id | 79542813 | ||
| Date | 2026-10-05 | ||
| Title | Onda de direita varre Congresso e estados | ||
| Short title | Onda de direita varre Congresso e estados | ||
| Teaser |
Bolsonaristas avançam com força no Senado e obtêm votações recordes para a Câmara e Assembleias estaduais. PL de Flávio conquista cinco governos e família do candidato elege senadores e deputados. O avanço de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno à frente do presidente Lula (PT), foi a face mais explícita de uma nova onda de direita que varreu o Brasil neste domingo (04/10). Terminada a contagem, os votos também revelaram que forças de direita, especialmente do bolsonarismo, avançaram no Congresso Nacional e em governos e assembleias estaduais, alterando o mapa político do país. Avanço em governos estaduaisO PL de Flávio Bolsonaro conseguiu conquistar cinco governo estaduais ainda neste domingo – Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rondônia e Roraima – e ainda pode garantir no primeiro turno um sexto, o do Rio de Janeiro, a depender do desfecho de um imbróglio envolvendo os votos de uma candidatura impugnada que ficou em terceiro lugar, que pode levar que pode levar Douglas Ruas (PL) a superar os 50% dos votos válidos. Já candidatos do partido Republicanos, alinhados com o bolsonarismo, conquistaram os governos de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Em 2022, o PL e o Republicanos só haviam elegido um governador cada já na primeira rodada. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que mantém relações estreitas com a família Bolsonaro, obteve 62,85% dos votos válidos, contra 36,22% do desafiante petista Fernando Haddad. Tarcísio obteve 14,5 milhões dos votos totais, maior marca já recebida por um candidato ao governo do estado. No Paraná, Sérgio Moro (PL), ex-juiz da Lava Jato, foi eleito governador com 50,1% dos votos válidos. Já o percentual da vitória governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, também do PL, foi de 68,98%. O Republicanos ainda vai participar de duas disputas de segundo turno, no Acre e no Espírito Santos. No Rio de Janeiro, se não houver reviravolta, o PL também vai estar na segunda rodada. Crescimento robusto no SenadoA nova onda bolsonarista também se refletiu com força no Senado, com o PL elegendo 19 senadores neste domingo. Com os nomes que já ocupam vagas desde 2022, o partido vai somar 28 senadores. A marca de 19 senadores eleitos num pleito por um mesmo partido é um recorde para história do Senado desde a instituição da Constituição de 1988. O recorde anterior era de 14, atingido pelo PMDB em 1994 e em 2010 e pelo extinto PFL em 2002. Em cinco estados (Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina), o partido de Flávio Bolsonaro fez "dobradinhas" ao conseguir levar as duas vagas que estavam em disputa. O partido está agora bem à frente do PT, que terá a segunda maior bancada, com nove membros, após eleger seis senadores neste domingo, que se juntarão a outros três que já ocupavam cadeiras. Além dos eleitos pelo PL, candidatos alinhados ao bolsonarismo também foram eleitos neste domingo por outras legendas, como o Novo, PP e o Republicanos. É o caso de Deltan Dallagnol, no Paraná; Marcel van Hattem, no Rio Grande do Sul; e Guilherme Derrite, em São Paulo. A eleição do Senado era vista como especialmente crucial pelos bolsonaristas, dado o papel do Senado na aprovação de novos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e – especialmente – na potencial remoção de membros da corte. Com a bancada mais numerosa, Flávio Bolsonaro e seus aliados devem tentar eleger um membro do PL como próximo presidente do Senado, algo que pode ter impacto na avaliação de pedidos de impeachment contra membros do STF e na tramitação de indicações presidenciais para o tribunal. Já o PT, com os seis senadores eleitos neste domingo e mais três que já estão no Senado, vai manter a mesma bancada de nove parlamentares. Ainda assim, o resultado carrega impacto negativo. Apesar de eleger dois nomes na Bahia, o partido e seus aliados saíram sem senadores em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, além de perderem uma vaga que ocupam no Rio Grande do Sul. Até o líder do PT no Senado, Randolfe Rodrigues, perdeu a disputa pela reeleição no Amapá. Recordes na Câmara Federal e AssembleiasAlém de avançar no Senado, o PL de Flávio também elegeu a maior bancada na Câmara Federal: 121 deputados. São 22 a mais do que 2022, quando o partido elegeu 99. Com o resultado da eleição de domingo, o PL terá 23,6% das 513 cadeiras da Câmara. Essa também é a maior bancada de um partido desde a Constituição de 1988, superando o recorde anterior do MDB (quando ainda era PMDB) que em 1990 elegeu 108 deputados. O PT, por sua vez, também ampliou sua bancada, mas em proporção menor: foram 70 deputados eleitos, contra 68 em 2022. A legenda de Flávio também elegeu o deputado federal mais votado em 11 estados: Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo. Em comparação, o PT só teve dois, no Rio Grande do Norte e em Mato Grosso do Sul. Em vários estados, o PL ainda conseguiu ser o partido que vai mandar mais representantes para a Câmara Federal. São 19 eleitos por São Paulo, contra 17 em 2022. Em Santa Catarina, o PL garantiu 7 das 16 cadeiras do Estado da Câmara, elegendo, entre outros, Julia Zanatta e Jair Renan Bolsonaro, um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. O PL ainda colecionou vários recordes individuais. O deputado mineiro Nikolas Ferreira (PL-MG), superou a marca de 3,1 milhões de votos e se tornou o deputado mais votado da história da Câmara. No total, ele recebeu quase seis vezes mais que a segunda colocada em Minas Gerais, Ana Elisa, do PT. Nikolas já havia sido o deputado mais votado do país na eleição de 2022, com 1,47 milhão de votos. Desta vez, ele superou os recordes anteriores: de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que conquistou 1,84 milhão de votos em 2018; e Enéas Carneiro, que obteve 1,57 milhão de votos em 2002. Já o youtuber e vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL), de 28 anos, ficou em segundo lugar entre os mais votados para a Câmara em todo o país, ao obter cerca de 3 milhões de votos – quase o dobro da segunda colocada no estado, a atual deputada Erika Hilton (Psol). Votações históricas também foram registradas pelo PL e o Novo no Ceará, Paraná, Pará, Espírito Santo. O avanço do PL também foi sentido em legislativos estaduais pelo país. Com 21 deputados estaduais eleitos, o PL quase dobrou sua bancada atual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Já em São Paulo, depois de eleger 19 deputados estaduais em 2022, o PL conquistou 27 cadeiras nesta eleição. O PL também elegeu as maiores bancadas estaduais no Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Rondônia Rio de Janeiro. Já a deputada estadual mais votada no país foi a antifeminista Eduarda Campopiano (PL-SP), de 23 anos, que recebeu mais de 1,955 milhão de votos, ficando perto do recorde de Janaína Paschoal –, que recebeu mais de 2 milhões em 2018. Em Santa Catarina, a deputada estadual Ana Campagnolo, bateu pela segunda vez seguida o recorde de maior votação já obtida por um parlamentar estadual, conseguindo mais de 387 mil votos. Membros do clã Bolsonaro vencem nas urnasAlém de ser marcado por uma onda de direita e ppela liderança de Flávio no primeiro turno da disputa presidencial, o domingo também foi frutífero para outros membros da família Bolsonaro que se apresentaram nas eleições. Mulher de Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) venceu com facilidade a eleição ao Senado pelo Distrito Federal, terminando em primeiro com 29,05%. Carlos Bolsonaro (PL), filho "02" de Jair que atuou no passado como vereador pelo Rio de Janeiro, também conquistou uma vaga no Senado, mas por Santa Catarina, estado para o qual se transferiu há menos de um ano, terminando em segundo lugar na disputa, com 25,36%. Meio-irmão de Carlos, Jair Renan Bolsonaro, foi um dos cinco candidatos a deputado federal mais votados de Santa Catarina. Irmão de Jair, Renato Bolsonaro (PL-SP) foi o sexto mais votado na disputa por uma vaga na Câmara Federal por São Paulo. Menos sorte teve uma ex-esposa de Jair, Rogéria Bolsonaro (PL-RJ), que também é mãe de Flávio. Candidata a uma vaga à Câmara Federal pelo Rio de Janeiro, ela ficou na 46ª colocação por uma vaga e não foi eleita. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. 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| Short teaser | Bolsonaristas avançam com força no Senado e obtêm votações recordes para a Câmara. | ||
| Author | Jean-Philip Struck | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/onda-de-direita-varre-congresso-e-estados/a-79542813?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Onda%20de%20direita%20varre%20Congresso%20e%20estados | ||
| Item 20 | |||
| Id | 79547128 | ||
| Date | 2026-10-05 | ||
| Title | Nobel de Medicina vai para descobertas sobre a atividade cerebral | ||
| Short title | Nobel de Medicina vai para pesquisa sobre atividade cerebral | ||
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Americano Karl Deisseroth e alemães Peter Hegemann e Georg Nagel receberam o prêmio por pesquisa sobre optogenética, que impulsionou avanços na neurociência.O americano Karl Deisseroth e os alemães Peter Hegemann e Georg Nagel venceram o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2026 por suas descobertas relacionadas à atividade cerebral.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (05/10) pelo Comitê do Prêmio Nobel, em Estocolmo, na Suécia. Segundo a organização, a pesquisa dos laureados foi revolucionaria para o campo da neurociência. O prêmio é atribuído ao trio "pelas suas descobertas relativas aos canais iónicos ativados pela luz e à optogenética", um método que permite demonstrar como as células nervosas moldam as memórias, as emoções e os comportamentos no cérebro.
Hegemann e Nagel descobriram uma proteína que torna células sensíveis à luz. Deisseroth realizou testes aplicando a proteina em células de ratos. Ao iluminar essas células com luz azul, foi possível desencadear um sinal nervoso. Esse método de controlar sinais nervosos por meio da luz é hoje conhecido como optogenética.
"Usando a optogenética, os pesquisadores conseguiram revelar circuitos neurais que controlam memórias, sentimentos e comportamentos específicos relevantes para transtornos neurológicos e psiquiátricos", afirmou o comitê. Essa área poderá um dia levar ao desenvolvimento de tratamentos para distúrbios neurológicos e sensoriais, como a doença de Parkinson e a epilepsia.
O comitê destacou que o método desenvolvido pelos pesquisadores é usado em laboratórios do mundo todo para revelar os mistérios do cérebro. "A optogenética alterou fundamentalmente nossa compreensão do cérebro. Todos os dias surgem novas descobertas, ajudando a solucionar um dos grandes mistérios da humanidade: como funciona nosso extraordinário cérebro."
Pesquisadores laureados
Karl Deisseroth nasceu em 1971 e é pesquisador da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Peter Hegemann nasceu em 1954 e é professor da Universidade Humboldt, em Berlim. A pesquisa pela qual ele foi premiado foi conduzida no Instituto Max Planck de Bioquímica, também na Alemanha. Georg Nagel nasceu em 1953 e é professor na Universidade de Würzburg. Sua pesquisa foi conduzida no Instituo Max Planck de Biofísica, em Frankfurt.
Premiação
O Nobel será entregue aos vencedores em Estocolmo em 10 de dezembro, data do aniversário da morte de Alfred Nobel, criador da premiação. Eles deverão receber um prêmio em dinheiro no valor de cerca de 1,2 milhão de dólares.
Desde 1901, o Nobel de Medicina foi entregue 116 vezes, e 232 indivíduos receberam a honraria. Nenhum vencedor foi premiado mais de uma vez.
Em 2025, o prêmio foi para os americanos Mary E. Brunkow e Fred Ramsdell e o japonês Shimon Sakaguchi por diferentes descobertas relacionadas à tolerância imunológica periférica, que impede o sistema imunológico de causar danos ao corpo.
As descobertas resultaram em diversos avanços nos estudos do sistema imunológico, contribuindo inclusive para uma nova compreensão sobre o tratamento de doenças autoimunes e como o corpo reage a processos de inflamação ou infecção.
Em 2024, o prêmio foi para os americanos Victor Ambros e Gary Ruvkun pela descoberta do microRNA, uma nova classe de moléculas de RNA que desempenham papel crucial na regulação genética. No anterior, Katalin Karikó e Drew Weissman receberam o prêmio por terem desenvolvido a tecnologia de RNA mensageiro que abriu caminho para as vacinas contra a covid-19 da Pfizer/BioNTech e da Moderna.
O Prêmio Nobel de Medicina é o primeiro a ser anunciado entre as homenagens a pesquisadores, cientistas, escritores e personalidades em seis categorias. Na terça-feira, será a vez do Nobel de Física; quarta, o de Química; quinta, o de Literatura. O Prêmio Nobel da Paz será anunciado na sexta-feira, e o de Economia, na próxima segunda-feira.
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| Short teaser | Americano Karl Deisseroth e alemães Peter Hegemann e Georg Nagel receberam o prêmio por pesquisa sobre optogenética. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/nobel-de-medicina-vai-para-descobertas-sobre-a-atividade-cerebral/a-79547128?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel receberam o Nobel de Medicina neste ano | ||
| Image source | Hidenori Nagai/AP//Soeren Stache/dpa//Christian Wiese/Uni Würzburg/dpa/picture alliance | ||
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| Item 21 | |||
| Id | 79542679 | ||
| Date | 2026-10-05 | ||
| Title | Lula encolhe 3,4 milhões de votos em comparação com 2022 | ||
| Short title | Lula encolhe 3,4 milhões de votos em comparação com 2022 | ||
| Teaser |
Atrás de Flávio Bolsonaro, Lula tem pior votação em 1° turno desde derrota de 1998 e vê apoio diminuir até mesmo no Nordeste. Presidente perde terreno em 25 estados e só registra crescimento – tímido – no Amapá e DF.Atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da disputa presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva viu neste domingo (04/10) seu eleitorado encolher em relação à primeira rodada de 2022, quando enfrentou Jair Bolsonaro, pai do atual rival.
Em 2022, Lula havia terminado a primeira rodada com 48,43% dos votos válidos, ou cerca de 57,2 milhões de votos, superando o rival por 5,23 pontos percentuais, ou 6,18 milhões de votos. Desta vez, Lula obteve 45,2% dos votos válidos e ficou 1,9 ponto atrás de Flávio, que teve 2,24 milhões de votos a mais que o petista. Os dois vão voltar a se enfrentar no segundo turno, em 25 de outubro.
A segunda colocação neste domingo não foi a única marca negativa de Lula. Em relação ao primeiro turno de 2022, Lula perdeu cerca de 3,4 milhões de votos.
No histórico eleitoral do petista, a porcentagem nesta etapa de 2026 marca o pior desempenho de Lula desde a eleição presidencial de 1998, quando ele só conseguiu 31,71% dos votos válidos e acabou derrotado ainda no primeiro turno.
Neste domingo, Flávio liderou a contagem em 14 estados e no Distrito Federal, aparecendo à frente em todas as unidades federativas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Já Lula registou mais votos que Flávio em 12 estados — todos os nove da região Nordeste e três da região Norte.
Ainda na comparação com a última eleição presidencial, Lula perdeu a liderança nos estados do Tocantins e de Minas Gerais, que desta vez concederam mais votos para um candidato da família Bolsonaro.
No nível municipal, Flávio Bolsonaro conseguiu conquistar 714 municípios do país que haviam dado a maioria para Lula em 2022. O candidato do PT, por sua vez, não conseguiu virar a maioria dos votos em nenhuma cidade que havia concedido a maioria para Jair Bolsonaro há quatro anos.
Encolhimento no Nordeste
Apesar de ter terminado à frente em todos os estados do Nordeste, Lula viu sua votação total e sua participação percentual encolher nessa região que há duas décadas é um reduto eleitoral do PT. Neste primeiro turno, a região ainda continuou a amortecer a desvantagem de Lula no Sul e Sudeste, mas o petista também perdeu terreno entre os nordestinos.
Em relação a 2022, Lula teve cerca de 260 mil votos a menos. Em votos válidos, há quatro anos, o petista havia conquistado 66,7% na região. Desta vez, foram 63,77%. Já o adversário Flávio Bolsonaro levou 30,85% dos votos válidos na região, ante 27% do seu pai em 2022.
Em votos totais, Lula cresceu timidamente em três estados da região, mas, em válidos, viu sua liderança diminuir em todos os nove estados diante do crescimento de Flávio Bolsonaro.
No Maranhão, a participação do petista caiu de 68,84%, em 2022, para 63,91% em 2026 – uma queda de 4,94 pontos percentuais. Já na Bahia, a participação foi de 69,73% para 66,04%, uma queda de 3,68 pontos.
O Piauí continuou sendo o estado nordestino onde Lula teve seu maior percentual, mas, mesmo assim, a participação caiu de 74,25% para 70,99%
Perda de terreno no Sudeste e Sul
No Sudeste, região que concentra três dos cinco maiores colégios eleitorais do país e cerca de 41% da população votante, Lula também viu sua votação diminuir em todos os estados.
Em Minas Gerais, estado considerado crucial em eleições presidenciais, Lula viu sua participação diminuir de 48,29% para 43,3%, uma queda de cerca de 5 pontos percentuais, ficando atrás de Flávio Bolsonaro. Em 2022, Lula havia liderado a votação entre os mineiros, com Jair Bolsonaro ficando 4,7 pontos atrás do petista.
Em São Paulo, Lula foi de 40,89% em 2022 para 38,20% neste ciclo – uma queda de 2,69 pontos. Em votos totais, Lula recebeu 985 mil votos a menos em São Paulo, passando de 10,49 milhões para 9,5 milhões. Já no Rio de Janeiro a queda na participação foi um pouco menor, de 1,27 ponto percentual.
No Sul, região que tem se mostrado a cada eleição mais desafiadora para o PT, Lula perdeu participação em todos os estados. O petista conseguiu 31,28% dos votos válidos na região. Há quatro anos, o percentual havia sido 36,8%.
Mais perdas no Norte e Centro-Oeste
As perdas de Lula também continuaram nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Em todo o Brasil, o estado no qual Lula teve maior encolhimento em votos válidos foi Goiás. Desta vez, Lula teve participação de 31,06%, um recuo de 8,45 pontos percentuais em comparação com o primeiro turno de 2022.
Em Tocantins, o petista foi de 50,40% em 2022 para 43,42% neste domingo – uma queda de 6,97 pontos.
Avanço tímido de votos válidos apenas em dois estados
Em participação eleitoral, Lula só registrou avanço em duas unidades federativas: o pequeno Amapá, na região Norte, e o Distrito Federal, no Centro-Oeste.
Nos outros 25 estados, sua fatia de votos válidos foi menor do que em 2022.
No Distrito Federal, Lula cresceu 1,26 ponto percentual. No entanto, mesmo assim Lula assim terminou atrás de Flávio Bolsonaro, conquistando 38,11% ante 36,85% em 2022. Já Flávio obteve 51,31%.
O Amapá, o segundo menor colégio eleitoral do país, foi a outra unidade federativa na qual Lula registrou crescimento. Mas o avanço foi extremamente tímido: 0,04 ponto percentual. Em 2022, Lula havia tido participação de 45,67%. Desta vez foi de 45,71%. Coincidentemente, Lula também terminou 0,04 ponto à frente de Flávio Bolsonaro no estado, por uma diferença de apenas 225 votos.
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| Short teaser | Atrás de Flávio Bolsonaro, Lula perde terreno em 25 estados e vê apoio diminuir até mesmo no Nordeste. | ||
| Author | Jean-Philip Struck | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/lula-encolhe-3-4-milhões-de-votos-em-comparação-com-2022/a-79542679?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Participação de Lula em votos válidos encolheu em quase todo o Brasil | ||
| Image source | Brian Snyder/REUTERS | ||
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| Item 22 | |||
| Id | 79477619 | ||
| Date | 2026-10-04 | ||
| Title | Coloração das unhas pode revelar problemas de saúde | ||
| Short title | Coloração das unhas pode revelar problemas de saúde | ||
| Teaser |
A pequena meia-lua, chamada lúnula, pode ter algo a dizer. Certas alterações na cor, que muitas vezes podem passar despercebidas, podem dar pistas sobre o que está acontecendo no corpo. As nossas unhas estão entre aquelas coisas que temos à nossa frente o dia todo, tanto que quase nem olhamos mais para elas. Precisamente por isso, deixamos passar detalhes que podem estar ali, à vista, durante toda a nossa vida. Um deles fica na base da unha, uma pequena estrutura que passa quase despercebida e que, no entanto, em alguns casos, pode oferecer pistas sobre o que está acontecendo no corpo. A meia-lua esbranquiçada que é mais visível nos polegares, chamada de lúnula, não é apenas uma decoração, mas sim a parte visível da matriz ungueal, o tecido vivo que trabalha incansavelmente produzindo novas células que depois se compactam para formar a unha. Sua cor usual é branca ou ligeiramente rosada, e por trás desse tom reside um sutil jogo de luz. Na área da lúnula, o tecido é mais espesso e permite a passagem de menos luz do que no restante da unha. Além disso, as células que se formam ali ainda não terminaram de se compactar para adquirir a estrutura transparente da queratina, o que faz com que a luz se disperse mais, resultando em um tom mais claro. Fora da lúnula, no entanto, a unha funciona quase como uma janela. Ela revela os vasos sanguíneos subjacentes, razão pela qual tem uma aparência rosada. Curiosamente, os especialistas ainda não sabem a influência exata de cada um desses fatores na aparência final. Se você não vir a lúnula em todos os dedos, não precisa se preocupar. Em muitos casos, especialmente no dedo mínimo, a matriz ungueal costuma ser coberta pela pele, e a lúnula passa quase despercebida. Nos polegares, no entanto, ela é bem visível porque a matriz ungueal é maior. A que estão associadas as lúnulas vermelhas?O que pode ser algo clinicamente relevante é uma mudança habitual: essa marca em forma de crescente fica vermelha. Um estudo divulgado pela publicação científica American Journal of the Medical Sciences compila casos descritos ao longo de décadas e aponta para associações entre lúnulas vermelhas e várias doenças cardiovasculares, hepáticas, hematológicas, dermatológicas e reumatológicas. Entre as condições incluídas estão insuficiência cardíaca, cirrose, artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, alopecia areata e intoxicação por monóxido de carbono. O fenômeno é conhecido desde meados do século 20. De acordo com a análise, a primeira descrição detalhada foi publicada em 1954 por Richard Terry, do Hospital St. Bartholomew, em Londres, que estudou 23 pacientes com lúnulas vermelhas e descobriu que 14 deles (61%) haviam sido diagnosticados com insuficiência cardíaca. Os demais apresentavam outras doenças sistêmicas, incluindo enfisema, bronquite crônica, policitemia vera, desnutrição, cirrose, linfoma e leucemia mieloide. No entanto, uma lúnula vermelha não significa automaticamente uma doença grave. A relação também não é tão direta quanto pode parecer, porque nem todas as pessoas com alguma das doenças associadas apresentam lúnula vermelha e, inversamente, outras com lúnulas vermelhas não apresentam nenhuma patologia sistêmica subjacente. Para ajudar a determinar a causa, a distribuição da coloração entre as diferentes unhas pode fornecer uma pista. Quando a cor avermelhada aparece bilateralmente e simetricamente em várias unhas, muitas vezes mais visivelmente nos polegares, os médicos consideram mais atentamente uma causa sistêmica. Se a alteração estiver limitada a uma única unha, torna-se mais importante avaliar possíveis causas locais, como infecção, sangramento ou um tumor sob a unha. O que está por trás da cor vermelha?Quanto ao motivo, a explicação biológica ainda não está totalmente clara. A pesquisa aponta para um possível mecanismo vascular. A dilatação dos capilares sob a lúnula aumentaria o fluxo sanguíneo para a área e contribuiria para sua coloração avermelhada. Há também uma manobra que pode fornecer informações durante o exame: se a lúnula empalidecer quando pressionada, isso pode indicar uma origem vascular. Por todos esses motivos, os autores acreditam que, no caso de lúnulas verdadeiramente vermelhas, uma avaliação médica geral é aconselhável para avaliar possíveis problemas subjacentes. Isso porque é um achado raro e inespecífico, e justamente essa raridade pode levar, muitas vezes, à negligência de sua potencial relevância clínica. As unhas também podem preservar outras pistas sobre o que aconteceu no corpo. A parte dura que cortamos, feita de queratina e sem nervos ou vasos sanguíneos, cresce lentamente da matriz até a ponta do dedo e leva aproximadamente seis meses para completar esse processo. É por isso que uma interrupção temporária no crescimento da unha pode deixar marcas visíveis por meses. É o que acontece com as linhas de Beau, aqueles sulcos horizontais que podem aparecer quando uma doença grave interrompe temporariamente o crescimento da unha. A marca fica incrustada na lâmina ungueal e, quando o crescimento recomeça, ela progride em direção à ponta do dedo por meses, mesmo depois que a pessoa se recupera. O que a lúnula diz sobre sua saúdeÉ importante, no entanto, distinguir essas mudanças específicas das muitas ideias populares que circulam sobre as lúnulas. Se elas são grandes, pequenas ou quase invisíveis, isso não revela, por si só, nada sobre a saúde de alguém, porque a anatomia normal explica muitas dessas diferenças. Em resumo, a lúnula não é um indicador de saúde inerente a cada dedo, mas também não é um detalhe trivial. É uma das poucas áreas a partir das quais você pode observar parte do tecido que produz a unha e, em raras circunstâncias, certas mudanças em sua aparência podem acompanhar processos que ocorrem em outras partes do corpo. É por isso que a mensagem deixada pela pesquisa é que devemos ser cautelosos. Uma nova descoloração vermelha por si só não é suficiente para um diagnóstico, mas também não deve ser ignorada, especialmente se afetar várias unhas. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | A pequena meia-lua, chamada lúnula, pode dar pistas sobre o que está acontecendo no corpo. | ||
| Author | Felipe Espinosa Wang | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/coloração-das-unhas-pode-revelar-problemas-de-saúde/a-79477619?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Colora%C3%A7%C3%A3o%20das%20unhas%20pode%20revelar%20problemas%20de%20sa%C3%BAde | ||
| Item 23 | |||
| Id | 79532368 | ||
| Date | 2026-10-03 | ||
| Title | Os cães processam a fala de forma mais parecida à dos humanos do que se acreditava | ||
| Short title | Cães processam a fala de forma parecida à dos humanos | ||
| Teaser |
Experimento mostra que os cães, tais como as pessoas, também se baseiam mais nas consoantes do que nas vogais ao ouvir a fala. Assim como os humanos, os cães tendem a se basear mais nas consoantes do que nas vogais para identificar os limites das palavras na fala, segundo sugere um estudo liderado por pesquisadores húngaros e publicado na revista Science. O cérebro dos cães divide a fala em palavras de uma maneira que, até agora, só havia sido observada em seres humanos, indica a pesquisa liderada pela Universidade Eötvös Loránd (ELTE). Os resultados apontam que o processamento eficiente da fala não é necessariamente consequência de capacidades linguísticas exclusivas dos seres humanos; podem existir formas semelhantes em ambas as espécies, sem a necessidade de capacidades tipicamente humanas. O viés consonantalEm muitas línguas humanas, as consoantes costumam fornecer informações mais úteis para identificar palavras do que os sons vocálicos. De fato, os bebês recorrem cada vez mais às consoantes para segmentar a fala contínua por volta do primeiro ano de vida, afastando-se de sua dependência inicial maior em relação às vogais, que são acusticamente mais proeminentes. A equipe investigou se esse viés consonantal é especificamente humano – resultante da aquisição da linguagem – ou se poderia surgir em outras espécies expostas à fala humana. Para esse objetivo, cães de companhia são um modelo mais útil do que cães de laboratório, pois os primeiros ouvem a fala humana diariamente. Além disso, são capazes de detectar mudanças em sons individuais e de extrair palavras da fala humana contínua. Os cães diferem quanto à quantidade de fala humana a que são expostos nos estágios iniciais da vida, o que permite examinar se a exposição precoce à fala influencia o desenvolvimento de um viés consonantal. O estudoA equipe comparou as respostas de eletroencefalograma nos cérebros de 20 adultos e de igual número de cães enquanto ouviam sequências contínuas de palavras sem sentido, compostas por três sílabas. As palavras seguiam padrões baseados em consoantes ou em vogais, e um terceiro grupo não apresentava padrões lexicais consistentes. Nenhum dos sons indicava claramente onde uma palavra terminava e outra começava. Embora as vogais carregassem mais energia acústica e, portanto, fossem mais proeminentes do ponto de vista perceptivo, o desenho do estudo permitiu verificar se humanos e cães seguiam preferencialmente os padrões lexicais baseados em consoantes. Os resultados destacam que os cães, assim como os humanos, tendem a se basear mais nas consoantes do que nas vogais ao identificar os limites das palavras na fala. Como as vogais do experimento tinham maior intensidade acústica, a preferência pelas consoantes não pode ser atribuída simplesmente ao fato de os sons mais fortes serem ouvidos, explicou a revista. Em vez disso, é possível que as consoantes sejam mais úteis para detectar padrões que ajudem a dividir a fala contínua em palavras. Essa tendência também foi observada em cães que haviam sido expostos à fala humana tanto em uma fase inicial quanto em uma fase posterior. Essa circunstância sugere que não é necessária uma exposição precoce prolongada e que o aprendizado estatístico (a capacidade de reconhecer padrões recorrentes) pode ser suficiente para gerar esse comportamento. A equipe considera que a preferência dos cães por consoantes pode refletir, por um lado, sua história de domesticação e sua exposição à linguagem humana, mas também uma capacidade auditiva ou cognitiva mais ampla, anterior à domesticação. md (EFE, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Experimento mostra que os cães também se baseiam mais nas consoantes do que nas vogais ao ouvir a fala. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/os-cães-processam-a-fala-de-forma-mais-parecida-à-dos-humanos-do-que-se-acreditava/a-79532368?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Os%20c%C3%A3es%20processam%20a%20fala%20de%20forma%20mais%20parecida%20%C3%A0%20dos%20humanos%20do%20que%20se%20acreditava | ||
| Item 24 | |||
| Id | 79531130 | ||
| Date | 2026-10-03 | ||
| Title | No Dia da Unidade Alemã, Steinmeier alerta contra extremismo | ||
| Short title | No Dia da Unidade Alemã, Steinmeier alerta contra extremismo | ||
| Teaser |
Presidente da Alemanha afirma que a "insuportável demagogia" dos extremistas "coloca em perigo a nossa unidade" e repete que "nunca mais" se permitirá a ascensão do nacionalismo destrutivo alemão.O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, alertou em termos contundentes para o risco de fracasso da democracia e fez um apelo por um combate mais firme aos extremistas políticos e àquilo que chamou de "difamação irrefletida da República Federal".
Durante a cerimônia central das comemorações do Dia da Unidade Alemã, realizada neste sábado (03/10) em Bremen, Steinmeier recordou a reunificação do país, ocorrida há 36 anos, destacou as conquistas alcançadas desde então e concluiu seu discurso com uma mensagem otimista: "Nossa Alemanha é um bom país. Vamos torná-la ainda melhor.”
Antes disso, o presidente dirigiu-se ao governo de coalizão formado por conservadores e social-democratas, afirmando que o momento exige, mais do que nunca, uma política governamental "refletida, consistente, profissional e capaz de perdurar no tempo". Segundo ele, somente assim será possível enfrentar as causas econômicas e sociais mais profundas da insegurança sentida por parte da população.
Após novos conflitos internos na coalizão, Steinmeier manteve conversas com diversos líderes políticos nos últimos dias. Fazendo referência às divisões que marcaram a República de Weimar, no período entre as duas guerras mundiais, ele afirmou: "Berlim não é Weimar".
Alertas sobre política externa e apoio à Ucrânia
Steinmeier também advertiu explicitamente sobre influências consideradas prejudiciais à democracia alemã vindas dos Estados Unidos e da Rússia. Segundo ele, populistas de direita nos EUA difundem fantasias de ruptura política, classificadas por ele como parte do vocabulário dos "novos antidemocratas".
"A insuportável demagogia política das forças extremistas, que dão vazão ao seu impulso destrutivo e se dedicam a ridicularizar e ameaçar outras pessoas, não coloca em risco apenas a liberdade e a democracia atualmente; coloca em risco a nossa unidade", afirmou.
Ao mesmo tempo, o presidente delimitou o alcance do diálogo com grupos extremistas. Ele lembrou que, nos últimos anos, procurou construir pontes com a população ao transferir temporariamente a sede da Presidência para cidades pequenas e médias em diferentes regiões do país. No entanto, ressaltou que não é possível construir uma ponte "entre o respeito à lei e o desprezo por ela, entre a busca pela verdade e a disposição para mentir, entre o argumento e a demagogia, entre a paz interna e a incitação à violência".
Steinmeier insistiu ainda que jamais deve ser permitido o ressurgimento de um nacionalismo alemão destrutivo.
Em relação à guerra na Ucrânia, ele defendeu a continuidade do apoio alemão ao país, mas também uma intensificação dos esforços diplomáticos.
"Por mais que sejamos o principal apoiador da Ucrânia, também devemos exercer nosso papel político para influenciar diretamente as futuras condições de paz e segurança na Europa", declarou.
O presidente também celebrou o fortalecimento das Forças Armadas alemãs (Bundeswehr) e afirmou que o país precisa desenvolver uma postura madura na relação entre força militar e prudência diplomática.
A unidade como missão permanente
Andreas Bovenschulte, presidente do Bundesrat, órgão que representa os 16 estados federados da Alemanha, defendeu maior reconhecimento da diversidade de estilos de vida existentes no país e um compromisso firme com a democracia.
Também prefeito de Bremen e integrante do Partido Social-Democrata (SPD), Bovenschulte afirmou que a reunificação foi resultado de uma decisão coletiva e destacou o papel desempenhado pelos cidadãos da antiga Alemanha Oriental.
"Os alemães do Leste não foram meros espectadores de sua história; eles escreveram a história”, disse durante a abertura oficial das celebrações.
Em meio ao debate sobre as persistentes diferenças entre o leste e o oeste do país, ele argumentou que o acesso a empregos de qualidade, educação e serviços públicos essenciais não deve depender do CEP onde uma pessoa vive.
Bovenschulte também alertou para forças políticas que questionam a igualdade de direitos e desqualificam a imprensa livre, o Judiciário independente e a ciência.
"A democracia exige debate, mas o adversário político não é um inimigo”, declarou.
Segundo ele, a unidade alemã não deve ser vista apenas como um acontecimento histórico, mas como uma tarefa para o futuro.
Celebrações começaram com culto ecumênico
A cidade hanseática de Bremen, no norte da Alemanha, recebe neste ano as comemorações do Dia da Unidade Alemã, que marca os 36 anos da reunificação do país.
Sob o lema "Muitas forças, um só país”, a cidade recebeu o presidente Frank-Walter Steinmeier, o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, e a presidente do Bundestag (Câmara Baixa do Parlamento), Julia Klöckner.
Os três participaram de um culto ecumênico realizado na Catedral de Bremen, um templo de arquitetura românico-gótica. A cerimônia foi conduzida pela pastora Nina Kleinsorge e marcou o início oficial das comemorações.
Uma das orações feitas durante o serviço religioso resumiu o espírito do evento:
"Agradecemos pela paz e pela liberdade de que podemos desfrutar. Dá-nos forças para permanecermos unidos, construir pontes e continuar fortes em nossa diversidade.”
Representantes das comunidades cristã protestante, católica, muçulmana e judaica também participaram da celebração.
md (DPA, EFE, Reuters, AFP)
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| Short teaser | Presidente da Alemanha afirma que a "insuportável demagogia" dos extremistas "coloca em perigo a nossa unidade". | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/no-dia-da-unidade-alemã-steinmeier-alerta-contra-extremismo/a-79531130?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Steinmeier durante seu discurso em Bremen por ocasião do Dia da Unidade Alemã | ||
| Image source | Sina Schuldt/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79530064_354.jpg&title=No%20Dia%20da%20Unidade%20Alem%C3%A3%2C%20Steinmeier%20alerta%20contra%20extremismo | ||
| Item 25 | |||
| Id | 79524242 | ||
| Date | 2026-10-02 | ||
| Title | Alta do custo de vida, o maior medo dos alemães | ||
| Short title | Alta do custo de vida é o maior medo dos alemães | ||
| Teaser |
O que os alemães mais temem em 2026? Guerras? Crises globais? Nada disso. Para quase 60% da população, a maior preocupação é que o custo de vida, que não para de subir, continue aumentando.Os alemães estão interessados em política como há muito não se via. Isso ficou evidente na alta participação eleitoral nas recentes eleições estaduais.
Há debates acalorados sobre temas como a migração, sobre as reformas previstas na Previdência, no sistema de saúde e nos cuidados assistenciais, bem como sobre democracia e Estado de Direito. E, de longe, o maior temor entre os alemães é que o custo de vida continue aumentando.
Esse, pelo menos, é o resultado do estudo intitulado Os medos dos alemães, apresentado recentemente em Berlim pela seguradora R+V, uma das maiores empresas do setor na Alemanha. Esta é a 35ª edição do levantamento, realizado anualmente desde o início da década de 1990.
Entre o início de maio e o final de julho deste ano, o estudo ouviu cerca de 2,4 mil cidadãos de língua alemã, com 14 anos ou mais. A maior preocupação citada em 2026 é a mesma que lidera a pesquisa há muitos anos: o medo do aumento do custo de vida.
A vida cada vez mais cara
No ano passado, 52% apontaram o encarecimento do custo de vida como sua maior preocupação. Já em 2026, esse índice aumentou para 59%. Grischa Brower-Rabinowitsch, que participou do estudo, declarou em Berlim, que "as pessoas vivenciam diariamente o quanto o cotidiano se tornou dispendioso. Ao todo, 59% da população temem que seu dinheiro não seja suficiente para viver a longo prazo".
A cientista política de Marburg, Isabelle Borucki, que participou do estudo como consultora, acrescentou que "os preços de itens essenciais, como energia, habitação e alimentos, subiram de forma perceptível. Isso reduz a margem financeira para lazer, férias e compras. As pessoas têm cada vez menos condições de arcar com essas despesas."
Preocupação com impostos e taxas mais altas
O estudo também mostra que os alemães estão bastante conscientes de que os sistemas de seguridade social no país atravessam uma grave crise e estão deficitários. Da mesma forma, a maioria parece estar ciente de que impostos e taxas irão aumentar. Por isso, o receio de impostos mais altos é maior do que em anos anteriores.
"Por trás do medo de impostos mais altos e cortes de benefícios, está a questão da justiça para cada indivíduo: quem vai arcar com os custos da modernização? Poderei ainda contar com os benefícios prometidos?"
Mas, e quanto aos temas que também dominam as manchetes na Alemanha? A imigração, a crescente polarização da sociedade, as transformações globais?
Uma maioria estreita de 52% dos entrevistados teme que o número de refugiados sobrecarregue o Estado. Esse receio ocupa, portanto, o terceiro lugar entre todas as preocupações. Por outro lado, quando a imprensa noticia as turbulências globais, os alemães permanecem visivelmente indiferentes.
Menos medo de Donald Trump
Brower-Rabinowitsch apontou que "45% dos entrevistados temem que a política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, torne o mundo mais perigoso. Esse número é bem menor do que durante seu primeiro mandato".
Em 2018, durante o primeiro período de Trump na Casa Branca, 69% dos alemães responderam à mesma pergunta dizendo que isso lhes causava grande preocupação. Borucki tem uma explicação simples para isso: "Após anos de alertas geopolíticos constantes, começa a haver um efeito de habituação".
Isso também fica evidente ao observarmos a dimensão geral dos temores. Neste ano, a média de todos os medos pesquisados é de 38%. É a segunda média mais baixa desde que o estudo começou a ser realizado, em 1991. Para efeito de comparação, na pesquisa da R+V de 2016 – um ano após a chegada de muitos refugiados à Alemanha –, esse mesmo índice era de 52%.
Notas baixas para os políticos
A tendência também parece se confirmar em relação a outros temores Os alemães encaram o futuro com muito menos receio do que se esperava. Apenas 34% temem uma guerra com a participação da Alemanha; no ano passado, esse índice era de 41%.
Além disso, desde 1992, o estudo faz a pergunta: "Você tem medo de perder o emprego?". Atualmente, apenas 20% das pessoas empregadas respondem que sim. Esse é o valor mais baixo já registrado.
Desanimadora, porém, é a avaliação dos políticos – tanto os do governo quanto os da oposição. Os entrevistados puderam dar uma nota à classe política, seguindo o sistema de notas escolares alemão – cujo valor mais alto é 1 e 6 é o mais baixo. O resultado foi 4,1, nota indica um desempenho apenas "suficiente".
A cientista política Borucki atribui a nota baixa sobretudo ao atual governo de liderado pelos conservadores da União Democrata Cristã (CDU), do chanceler federal Friedrich Merz, e o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda.
A chamada Grande Coalizão sucedeu, em maio de 2025, o gabinete anterior formado pelo SPD, Verdes e o Partido Liberal Democrático (FDP), a chamada Coalizão Semáforo, devido às cores dos três partidos.
"Após o fim da Coalizão Semáforo, muitos depositaram na aliança entre conservadores e social-democratas a esperança de mais liderança, menos conflitos e uma rápida recuperação econômica. Isso não se concretizou. Existe agora um abismo entre os grandes anúncios e os resultados perceptíveis no dia a dia. A população está decepcionada e perdendo a confiança."
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Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
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| Short teaser | Guerras? Crises globais? Nada disso. Para a maioria dos alemães, o maior temor é que o custo de vida continue subindo. | ||
| Author | Jens Thurau | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alta-do-custo-de-vida-o-maior-medo-dos-alemães/a-79524242?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | De longe, a maior preocupação dos alemães em 2026 é a mesma que lidera a pesquisa há anos: o aumento do custo de vida | ||
| Image source | Frank Hoermann/SvenSimon/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79397265_354.jpg&title=Alta%20do%20custo%20de%20vida%2C%20o%20maior%20medo%20dos%20alem%C3%A3es | ||
| Item 26 | |||
| Id | 79522536 | ||
| Date | 2026-10-02 | ||
| Title | "Naza": Exército de Israel contesta documentário sobre abusos em Gaza | ||
| Short title | Exército isralense rebate documentário sobre abusos em Gaza | ||
| Teaser |
Em "Naza", militares israelenses envolvidos na guerra denunciam morte deliberada de civis palestinos como "efeito colateral". Filme foi premiado no Festival de Veneza.As Forças de Defesa de Israel (FDI) divulgaram nota nesta quinta-feira (01/10) para rebater o documentário Naza, obra que denuncia a responsabilidade da instituição pela morte de milhares de civis palestinos durante a guerra na Faixa de Gaza.
O filme dos diretores Rachel Szor e Yuval Abraham estreou nesta quinta-feira nos cinemas do Brasil e foi agraciado em setembro com o Prêmio Especial do Júri do Festival de Veneza, um dos maiores do cinema mundial, onde foi aplaudido por cerca de 25 minutos.
Em sua nota, as FDI acusam os cineastas de apresentarem uma visão incompleta do processo de seleção de alvos militares, focando apenas etapas "iniciais", mas não o "planejamento e aprovação".
Segundo a instituição, a narrativa do filme se baseia em "erros factuais significativos", resultantes de "representações manipuladas e enganosas" da realidade, além de "especulações e suposições sem fundamento". Com isso, os diretores teriam propagado uma "imagem distorcida, enganosa e desonesta" sobre a atuação das FDI no conflito.
Um olhar sobre os bastidores da guerra em Gaza
Com duração de 80 minutos, Naza é baseado em entrevistas com 24 militares e agentes de inteligência anônimos. Eles descrevem processos internos e mecanismos de tomada de decisão na seleção de alvos para ataques na Faixa de Gaza. De acordo com os entrevistados, em alguns casos um saldo de até 500 vítimas civis poderia ser considerado aceitável.
Um dos relatos menciona o caso concreto de um pai de família, suspeito de integrar o Hamas, que teve a casa bombardeada enquanto outras famílias também se abrigavam ali.
O grupo armado palestino liderou os ataques terroristas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadearam o atual conflito em Gaza.
O nome do documentário deriva justamente da expressão "Nezek Agavi" (do hebraico: "dano colateral"), usada no meio militar, segundo um dos soldados, para se referir ao número estimado de civis que poderiam morrer em um ataque contra alvos islamistas.
As FDI, porém, negam que tenham sido planejados ou executados ataques nos quais se esperasse a morte de centenas de civis. Também seria falsa a alegação de que a inteligência artificial selecionava alvos de forma autônoma. As decisões sobre alvos e ataques, afirma o Exército, sempre foram tomadas por pessoas.
Ao mesmo tempo, os militares acusam os realizadores de omitirem aspectos importantes. O filme não mostraria o papel de assessores jurídicos militares e comandantes na análise e autorização dos ataques, nem abordaria as medidas adotadas para proteger civis.
As FDI também sustentam que, em acordo com o direito internacional, os ataques são suspensos quando os danos associados são considerados desproporcionais em relação à vantagem militar esperada.
Reagindo à nota dos militares israelenses, a produção do filme respondeu ter se baseado em mais de cem fontes com conhecimento dos sistemas militares usados na guerra.
"A tentativa das FDI de retratar os 24 participantes de Naza como oficiais de baixa patente envolvidos apenas nas etapas iniciais do processo de seleção de alvos é falsa", afirmou em declaração ao jornal britânico The Guardian, co-produtor da obra. "Entre eles há oficiais e soldados que participaram de múltiplas fases do processo de seleção de alvos em Gaza, incluindo inteligência, operações e a etapa final de autorização."
Os produtores do filme ressaltaram ainda que o uso de sistemas de IA e o relaxamento de diretrizes de proteção a civis foram confirmados por outros veículos jornalísticos de peso, como New York Times, Washington Post e Associated Press.
Reações a "Naza" em Israel
Apesar de elogiado no exterior, Naza tem provocado um intenso debate em Israel. O premiê Benjamin Netanyahu criticou duramente a obra, enquanto seu ministro da Cultura, Miki Zohar, classificou-a de traição ao país e defendeu que Szor e Abraham tenham a cidadania israelense revogada.
"Acreditamos que negar um crime contribui para que ele continue existindo. Por isso, é realmente muito importante para nós que os israelenses vejam este filme", declarara Abraham no Festival de Veneza em setembro.
Ele e Szor também participaram do documentário "Sem Chão", vencedor do Oscar em 2025, que trata da ocupação israelense na Cisjordânia, considerada ilegal perante o direito internacional.
Em contrapartida, diversas organizações de direitos humanos, entre elas a organização israelense B'Tselem, manifestaram apoio aos diretores.
A atuação de Israel na guerra de Gaza é classificada como genocídio por diversas organizações internacionais de direitos humanos e por uma comissão da ONU. De acordo com autoridades de saúde locais e outras fontes, pelo menos 74 mil palestinos foram mortos na Faixa de Gaza desde o início da guerra.
Não há levantamentos oficiais sobre mortos em Gaza separados por vítimas militares e civis, mas uma estimativa do próprio Exército israelense divulgada em meados de outubro fala em cerca de 24 mil combatentes.
ra/md (DPA, EPD, KNA, EFE, ots)
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| Short teaser | Em "Naza", militares israelenses envolvidos na guerra denunciam morte deliberada de civis palestinos. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/naza-exército-de-israel-contesta-documentário-sobre-abusos-em-gaza/a-79522536?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Cena do documentário "Naza", em exibição nos cinemas do Brasil | ||
| Image source | Venice Film Festival/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 27 | |||
| Id | 79508897 | ||
| Date | 2026-10-01 | ||
| Title | Jürgen Klopp rebate comentários racistas contra a seleção da Alemanha | ||
| Short title | Klopp rebate comentários racistas contra seleção alemã | ||
| Teaser |
Técnico da equipe alemã exalta exemplo do vestiário esportivo, onde "todos são respeitados com base em fatos reais e não desacreditados por opiniões equivocadas". Alemanha vence a Sérvia por 2 a 0 em Munique. O técnico da seleção alemã masculina de futebol, Jürgen Klopp, reagiu com indignação a comentários racistase ofensivos nas redes sociais após a derrota de sua equipe para a seleção da Grécia, pela Liga das Nações da Uefa. Questionado por um repórter sobre postagens afirmando que a equipe "não era alemã o suficiente" ou "não era branca o suficiente", Klopp disse em coletiva de imprensa antes da partida contra a Sérvia, nesta quinta-feira (01/10) em Munique, que não havia motivo para perder tempo com essas "idiotices". "Não há absolutamente nenhuma razão para dar atenção a essas pessoas. Vocês não ouvirão minha opinião sobre isso. Tenho pouco tempo no dia a dia para idiotices, e ainda menos para as redes sociais", disse o técnico de 59 anos. "O grande dilema da nossa vida é que qualquer um pode expressar sua opinião. É uma loucura que esse tipo de coisa tenha acontecido." O grupo de jogadores convocados por ele para a seleção, que inclui vários atletas de origem migratória, "não poderia ter uma convivência melhor", explicou. Vestiário como exemplo"O mundo deveria tomar o vestiário esportivo como exemplo [...] Lá, todos são respeitados com base em fatos reais e não desacreditados por opiniões equivocadas. Ponto final." O ex-técnico do Borussia Dortmund e do Liverpool, que atraiu enorme atenção ao aceitar comandar a seleção alemã após o fracasso as equipe na Copa do Mundo de 2026, tem contrato de quatro anos válido até o final do Mundial de 2030. Em seu primeiro jogo no comando da equipe, a Alemanha empatou com a Holanda pelo placar de 1 a 1. A enxurrada de comentários racistas e ofensivos nas redes sociais após a derrota da Alemanha por 1 a 0 para a Grécia no último domingo – a primeira da seleção alemã para os gregos – também reflete declarações de membros do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), a maior legenda de oposição no Bundestag (Parlamento alemão), que criticam repetidamente a diversidade étnica da seleção. Em defesa do "patriotismo positivo"Durante a coletiva de imprensa em sua primeira convocação como novo técnico da seleção alemã, em setembro, Klopp defendeu o que chamou de "patriotismo positivo" e pediu que os símbolos nacionais não sejam associados a grupos extremistas. "Gostaria de recuperar a bandeira para mim, ou melhor, para nós", afirmou. "Quero que ela seja sempre exibida de uma forma que não faça ninguém pensar: 'O que há de errado com você?'. Pelo contrário, que as pessoas simplesmente sintam que você está feliz e entende como é privilegiado por ter nascido, crescido ou se mudado para este país maravilhoso." A declaração foi interpretada como uma referência à vitória eleitoral da AfD na eleição estadual em Saxônia-Anhalt, no leste do país. Klopp, na ocasião, afirmou que algumas pessoas provavelmente aprovaram o desfecho da votação, enquanto muitas outras reagiram com preocupação. Ele porém, ressaltou que não é especialista em política e que não pretende transformar suas coletivas de imprensa em debates políticos A Alemanha venceu a Sérvia nesta quinta-feira por 2 a 0 no estádio Allianz Arena, em Munique, com gols de Tom Bischof e Florian Witz. rc (dpa, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Técnico alemão exalta exemplo do esporte, onde "todos são respeitados e não desacreditados por opiniões equivocadas". | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/jürgen-klopp-rebate-comentários-racistas-contra-a-seleção-da-alemanha/a-79508897?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=J%C3%BCrgen%20Klopp%20rebate%20coment%C3%A1rios%20racistas%20contra%20a%20sele%C3%A7%C3%A3o%20da%20Alemanha | ||
| Item 28 | |||
| Id | 79494937 | ||
| Date | 2026-10-01 | ||
| Title | Coreia do Norte estreita laços com China e Rússia com pontes | ||
| Short title | Novas pontes aproximam Coreia do Norte de China e Rússia | ||
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Novas rotas rodoviárias e ferroviárias entre países vão facilitar o comércio e o transporte na região. Conexões surgem em contexto de fortalecimento de relações entre países. Uma ponte que liga a Coreia do Norte à China poderá ser finalmente inaugurada no início de outubro, mas de uma década após ter sido concluída, em um contexto no qual Pyongyang vem expandindo as vias de transporte com a Rússia. Segundo veículos de imprensa da Coreia do Sul, a Nova Ponte do Rio Yalu, que liga a cidade de Dandong, no nordeste da China, ao centro comercial de Sinuiju, no noroeste da Coreia do Norte, poderá ser inaugurada oficialmente até 6 de outubro, data que marca o 77º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a Coreia do Norte e a China. Uma análise publicada pelo centro de estudos americano 38 North revelou avanços significativos nas instalações alfandegárias, de imigração e de armazenamento no lado norte-coreano, onde as obras permaneceram praticamente inacabadas por anos. A ponte rodoviária de quatro faixas se estende por mais de 3 quilômetros sobre o rio, com uma rede de vias de acesso que a conecta às áreas vizinhas. O objetivo é aliviar a pressão sobre a envelhecida Ponte da Amizade Sino-Coreana, que recebe tanto tráfego rodoviário quanto ferroviário e continua sendo uma das rotas mais importantes entre a Coreia do Norte e a China, principal parceiro comercial de Pyongyang. Pyongyang fortalece relações com Rússia e ChinaA esperada abertura da nova ligação com a China ocorre após a inauguração, em 7 de setembro, de uma ponte rodoviária sobre o rio Tumen, conectando a região de Rason, na Coreia do Norte, a Kazan, na região russa de Primorsky. Até então, a estreita fronteira terrestre entre os dois países era conectada por ferrovia, mas não por rodovia. "A Coreia do Norte deixou a ponte chinesa sem uso por mais de uma década, mas agiu com mais pressa na ligação com a Rússia", afirma Han Ki-bum, ex-diretor adjunto do Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul, à DW. Essa diferença, argumenta ele, fornece pistas sobre a estratégia de Pyongyang, que parece estar controlando deliberadamente o ritmo da melhoria de suas relações com Rússia e China para evitar voltar a depender excessivamente de Pequim. "Se depender demais da China, como aconteceu no passado, a autonomia da Coreia do Norte poderá ser prejudicada", diz Han, acrescentando que Pyongyang busca aproveitar as boas relações tanto com a China quanto com a Rússia, ao mesmo tempo em que preserva uma certa independência. O ex-funcionário do Ministério da Unificação acrescenta que a Rússia tem interesse em expandir as rotas de transporte pela Coreia do Norte em direção ao Pacífico, inclusive pelo porto de Rajin, enquanto Pyongyang poderia se beneficiar do aumento do comércio, do turismo e das oportunidades de enviar trabalhadores para a Rússia. Ele aponta que a Rússia precisa da mão de obra norte-coreana e que os trabalhadores do país asiático seriam mais aplicados do que os colegas russos. A China, por sua vez, tem as próprias razões para garantir que a Coreia do Norte não se torne excessivamente dependente da Rússia, destaca Han. "Do ponto de vista da China, é preciso impedir que a Coreia do Norte se aproxime demais da Rússia", diz ele. Os laços entre Moscou e Pyongyang vêm se fortalecendo desde 2023, quando a Coreia do Norte começou a fornecer armas e tropas para a guerra na Ucrânia. À medida que a relação estratégica entre a Rússia e a Coreia do Norte se aprofunda, a China vem tomando medidas para reafirmar-se como o principal parceiro de Pyongyang. Para Ahn Chan-il, um ex-soldado norte-coreano que atualmente dirige o Instituto Mundial de Estudos sobre a Coreia do Norte, em Seul, as pontes criam implicações geopolíticas adicionais. "Pyongyang poderia agora aproveitar seus laços cada vez mais estreitos com a China e a Rússia, juntamente com o interesse de Donald Trump em dialogar com Kim, para fortalecer sua influência diplomática e adotar uma postura mais assertiva em relação à Coreia do Sul." Reabertura lentaPyongyang praticamente fechou as fronteiras durante a pandemia da covid-19, reduzindo drasticamente o comércio e restringindo até mesmo a entrada de diplomatas estrangeiros. Os trens de carga entre Dandong e Sinuiju foram retomados em 2022. Já os de passageiros, em 12 de março deste ano, restabelecendo o transporte ferroviário entre a Coreia do Norte e a China após seis anos. Segundo Ahn, a futura inauguração da ponte será um evento de importância histórica. "A Nova Ponte sobre o Rio Yalu é, na prática, a primeira ponte moderna entre a Coreia do Norte e a China." Planos para uma nova ponte ligando ambos os países remontam a 2009, quando o então primeiro-ministro chinês Wen Jiabao e autoridades norte-coreanas chegaram a um acordo sobre o projeto para aliviar a carga da Ponte da Amizade Sino-Coreana, construída em 1943. A construção da nova ponte teve início em 2011, financiada em grande parte por Pequim. A estrutura foi basicamente concluída em 2014. A inauguração foi dificultada por atrasos na construção de um centro alfandegário no lado norte-coreano. Ahn acrescenta que essa abertura poder ser um sinal de que Pyongyang pretende avançar rumo a uma maior abertura econômica, mesmo que esse processo ocorra lentamente. Ponte impulsiona comércioUm ex-alto funcionário do Ministério da Unificação da Coreia do Sul, que pediu para não ter o nome divulgado, aponta à DW que a retomada das relações comerciais também poderia beneficiar as províncias do nordeste da China: Liaoning, Jilin e Heilongjiang. Antes de as sanções e a pandemia interromperem o comércio, as empresas da região importavam produtos norte-coreanos, incluindo frutos do mar, enquanto os produtos chineses circulavam na direção oposta. "Ambos os lados precisam disso", diz a fonte. A Coreia do Norte precisa de produtos chineses e de oportunidades para obter moeda estrangeira, enquanto algumas regiões do nordeste da China podem se beneficiar da retomada do comércio transfronteiriço, acrescenta. Han, ex-funcionário dos serviços de inteligência da Coreia do Sul, prevê que a nova passagem vá acelerar a recuperação do comércio, levando-o aos níveis pré-pandêmicos. "A inauguração da ponte sobre o rio Yalu estimulará ainda mais o comércio entre a Coreia do Norte e a China", aponta. A Coreia do Norte precisa especialmente de importações para a construção civil e a produção industrial, incluindo componentes para fábricas, afirma ele que, no entanto, acha difícil que vá ocorrer um boom comercial. Segundo ele, o sistema comercial está cada vez mais centralizado por Pyongyang, com o Estado reforçando o controle sobre importações, em vez de permitir que fábricas e empresas individuais realizem atividades comerciais de forma mais independente. Além disso, a escassez de moeda estrangeira pode representar mais um obstáculo, diz ele, que destaca o forte aumento da taxa de câmbio não oficial do dólar americano na Coreia do Norte. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. 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| Short teaser | Novas rotas rodoviárias e ferroviárias entre países vão facilitar o comércio e o transporte na região. | ||
| Author | Don Huh | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/coreia-do-norte-estreita-laços-com-china-e-rússia-com-pontes/a-79494937?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Coreia%20do%20Norte%20estreita%20la%C3%A7os%20com%20China%20e%20R%C3%BAssia%20com%20pontes | ||
| Item 29 | |||
| Id | 79488099 | ||
| Date | 2026-09-30 | ||
| Title | Em quem os chats de IA apostam para o Prêmio Nobel? | ||
| Short title | Em quem os chats de IA apostam para o Prêmio Nobel? | ||
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DW perguntou a nove sistemas de inteligência artificial quem serão os vencedores do Prêmio Nobel de 2026. Em algumas categorias há clara preferência.Os chats de inteligência artificial (IA) estão se tornando cada vez mais poderosos, e com isso surge a pergunta: o que eles conseguem prever?
A DW perguntou a nove chatbots quem receberá os Prêmios Nobel em 2026. São eles Africa GPT, ChatGPT, Claude, Copilot, DeepSeek, Gemini, Grok, Meta AI e Mistral.
Além do prestígio, a famosa distinção concede cerca de 1 milhão de euros e uma medalha de ouro com a imagem de Alfred Nobel.
"Aposta segura" para o Nobel de Medicina
Os Prêmios Nobel são concedidos em cinco categorias: Medicina, Física, Química, Literatura e Paz. Nesse contexto, costuma-se mencionar também o Prêmio em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, que não faz parte dos prêmios Nobel originais.
Perguntamos a nove chats de IA, principalmente dos Estados Unidos, mas também da China, da Europa e da África, a quem eles concederiam os Prêmios Nobel deste ano e por quê.
Em algumas áreas, os modelos de IA apresentaram claras preferências. É o caso do Prêmio Nobel de Medicina. Nessa categoria, a maioria escolheu as descobertas e pesquisas relacionadas ao GLP-1.
A sigla refere-se a um hormônio intestinal produzido naturalmente pelo organismo que sinaliza ao cérebro que estamos saciados. A partir dessas descobertas surgiram medicamentos contra diabetes e obesidade, como a semaglutida, conhecida pelas canetas emagrecedoras, como o Ozempic.
Seis dos chats de IA consultados apontaram esse tema como digno do prêmio. Cinco concordaram em conceder o Nobel a três pesquisadores por seus trabalhos relacionados ao GLP-1: Daniel J. Drucker, da Universidade de Toronto; Jens Juul Holst, da Universidade de Copenhague; e Svetlana Mojsov, da Universidade Rockefeller, em Nova York.
"Este é o prêmio mais óbvio desde a vacina de mRNA", afirmou um chat de IA. Outro declarou que os três cientistas são "a aposta mais segura dos últimos anos". Um terceiro observou que "a obesidade e o diabetes tipo 2 mataram mais pessoas do que a maioria das guerras."
Favoritos claros em Literatura e Química
Os Prêmios Nobel podem ser concedidos a até três pessoas, mas o Nobel de Literatura é tradicionalmente atribuído a um único indivíduo.
Nessa categoria, cinco das IAs consultadas veem a escritora chinesa Deng Xiaohua, que escreve sob o pseudônimo Can Xue, como a próxima vencedora do Nobel de Literatura. Nascida em 1953, ela já vinha sendo apontada como favorita nos últimos anos.
Em Química, cinco dos chats de IA apostam no pesquisador David R. Liu, da Universidade Harvard. O cientista de 53 anos desenvolveu, com sua equipe, métodos que permitem reescrever seletivamente letras específicas do DNA.
Por meio das técnicas conhecidas como edição de bases (base editing) e edição prime (prime editing), poderá ser possível, no futuro, modificar o material genético de plantas e também de seres humanos.
Na Física, a votação foi menos conclusiva. Ainda assim, com quatro votos, a principal escolhida foi a pesquisadora britânica Nicola A. Spaldin, da ETH Zurique. Especialista em ciência dos materiais, ela trabalha nos fundamentos dos chamados multiferroicos, materiais que podem apresentar simultaneamente propriedades magnéticas e elétricas.
Dá pra confiar nas previsões da IA?
As máquinas não chegaram a nenhum consenso sobre o Prêmio Nobel da Paz. As sugestões variaram desde a Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican) até a organização russa de direitos humanos Memorial, passando pela ativista climática Greta Thunberg.
Isso também mostra os limites da tecnologia e a forma como os sistemas de IA obtêm suas informações. Tanto a Ican quanto a Memorial já receberam o Nobel. Thunberg, por sua vez, foi agraciada com o chamado Nobel Alternativo.
Isso demonstra como a IA procura padrões em resultados anteriores e como pode ser pouco confiável. Em suas respostas, ela frequentemente se baseia em indícios disponíveis publicamente, como número de citações científicas, prêmios acadêmicos, reportagens da mídia ou listas de previsões.
Há poucas informações disponíveis para prever o Nobel da Paz de 2026, mas as ciências naturais contam com ampla visibilidade. Uma fonte importante é a lista da empresa de análise de dados Clarivate, que anualmente aponta pesquisadores altamente citados como possíveis candidatos ao Nobel. Muitos dos favoritos apresentados pelos chats de IA também aparecem nessa lista.
A IA comete muitos erros
Os chatbots das IAs também cometeram alguns erros. O ChatGPT, por exemplo, incluiu um vencedor para o Nobel de Matemática, que não existe.
Já o Copilot quis conceder um prêmio a um candidato que já morreu. Pelas regras da Fundação Nobel, isso só é possível se o vencedor morrer após o anúncio oficial.
Mas a escolha – ainda bem – é feita por humanos e não por chats de IA. Quem será incluído no seleto grupo no qual já estão Marie Curie, Madre Teresa, Albert Einstein, Barack Obama, Robert Koch e Max Planck começará a ser anunciado a partir de 5 de outubro.
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| Short teaser | DW perguntou a nove sistemas de IA quem serão os vencedores do Nobel de 2026. Em certas categorias há clara preferência. | ||
| Author | Nicolas Martin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/em-quem-os-chats-de-ia-apostam-para-o-prêmio-nobel/a-79488099?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Os Prêmios Nobel são concedidos em cinco categorias: Medicina, Física, Química, Literatura e Paz | ||
| Image source | Beata Zawrzel/NurPhoto/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79457628_354.jpg&title=Em%20quem%20os%20chats%20de%20IA%20apostam%20para%20o%20Pr%C3%AAmio%20Nobel%3F | ||
| Item 30 | |||
| Id | 79484528 | ||
| Date | 2026-09-30 | ||
| Title | Atendentes da Oktoberfest de Munique pedem respeito em campanha | ||
| Short title | Atendentes da Oktoberfest pedem respeito em campanha | ||
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Garçonetes e garçons reclamam de comentários sexistas e racistas e iniciam campanha contra discriminação e desrespeito."Foi uma primeira semana tranquila", resumiu o diretor da Oktoberfest, Christian Scharpf, ao fazer um balanço da primeira metade do evento, no fim de semana passado. A vice-prefeita de Munique, Verena Dietl, elogiou a "atmosfera harmoniosa e positiva". A polícia de Munique também apresentou uma avaliação positiva.
Mas de perto nem tudo são flores na Oktoberfest, principalmente para as garçonetes e garçons. Eles circulam em meio às multidões e enfrentam situações que muitas vezes não são denunciadas e, por isso, não aparecem em nenhuma estatística, apesar de ultrapassarem os limites do respeito.
O exemplo mais comum são os comentários sexistas dirigidos às garçonetes. Mas há também as declarações racistas e discriminatórias. Para combater esse problema, algumas trabalhadoras do atendimento criaram uma iniciativa na qual defendem uma convivência respeitosa na Oktoberfest.
"Há anos observamos como certas coisas voltaram a ser ditas e recebem pouca contestação", afirma um vídeo publicado no Instagram e no TikTok.
Segundo as idealizadoras da campanha, além das próprias experiências vividas na Oktoberfest, os sucessos eleitorais do partido da ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD)nos estados da Saxônia-Anhalt e de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental também motivaram a criação da iniciativa.
Elas veem nisso um sinal de que posições extremistas vêm conquistando cada vez mais aceitação na sociedade alemã. Por isso, a iniciativa recebeu o nome de Atendentes Contra a Extrema Direita.
Segurança na Oktoberfest
O porta-voz dos donos de bares e restaurantes da Oktoberfest destacou, em resposta a um questionamento da emissora Bayerischer Rundfunk, que "toda a família Oktoberfest sempre rejeitou e continua rejeitando, da forma mais veemente possível, qualquer tipo de discriminação, racismo e sexismo".
Mesmo assim, as promotoras da iniciativa gostariam que mais medidas fossem adotadas. O problema não parece estar no monitoramento: a área da Oktoberfest é coberta por 56 câmeras de vídeo da polícia, e cerca de 600 policiais, além de milhares de seguranças privados, trabalham no evento.
Até a metade das pouco mais de duas semanas de festa, a polícia registrou cerca de 470 crimes e infrações. Também houve denúncias por agressão física, assédio sexual e upskirting (filmar ou fotografar secretamente por baixo da saia de uma pessoa).
A Oktoberfest de Munique é uma das maiores festas populares do mundo e atrai, todos os anos, milhões de visitantes de diversos países. Na metade do evento, a direção do festival estimou o público em cerca de 3,8 milhões. A Oktoberfest termina em 4 de outubro, após 16 dias de celebrações.
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| Short teaser | Garçonetes e garçons reclamam de comentários sexistas e racistas e iniciam campanha contra discriminação e desrespeito. | ||
| Author | Petra Lambeck | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/atendentes-da-oktoberfest-de-munique-pedem-respeito-em-campanha/a-79484528?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | O exemplo mais comum são os comentários sexistas dirigidos às garçonetes | ||
| Image source | Matthias Schrader/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 31 | |||
| Id | 79477995 | ||
| Date | 2026-09-30 | ||
| Title | Mais rápidos, baratos e transparentes: o que o Banco Central Europeu espera da conexão entre Pix e Tips | ||
| Short title | O que o BC Europeu espera da conexão entre Pix e Tips | ||
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Projeto em avaliação entre as duas autoridades monetárias deve reduzir taxas de envio e acelerar pagamentos, segundo o BCE. Iniciativa ainda deve demorar a sair do papel.Os pagamentos transfronteiriços são um desafio que o Banco Central Europeu (BCE) quer resolver conectando o Target Instant Payment Settlement (Tips), sistema de pagamentos instantâneos da União Europeia, a métodos de pagamento de diversos países, incluindo o Pix brasileiro.
Na última semana, o Banco Central do Brasil divulgou que a fase de avaliação dessa interligação foi iniciada. O objetivo de conectar esses sistemas é disponibilizar transferências "mais rápidas, mais baratas e mais transparentes", segundo Marco Massarenti, consultor de pagamentos do BCE.
O elemento central de uma integração será justamente a orquestração do pagamento de ponta a ponta. Ou seja: quando e como o dinheiro sairá de um continente para outro. "Isso significa que um participante da Europa, como um banco ou provedor de pagamentos, envia uma instrução ao Tips. O Tips a transfere para o Pix no Brasil, que a encaminha ao banco ou provedor final", explica Massarenti.
O que o BCE espera
Com a conexão, o BCE busca alcançar diferentes objetivos: apoiar o roteiro do G20 para pagamentos transfronteiriços mais eficientes, reforçar a autonomia estratégica dos pagamentos europeus e acompanhar a inovação no setor.
O executivo da autoridade monetária europeia cita, por exemplo, que em remessas e pagamentos transfronteiriços com moedas pouco utilizadas, as tarifas "podem chegar a 10% ou mais". "O que queremos é reduzir esse custo para menos de 3%", detalha Massarenti.
O Brasil não é o único a participar de uma parceria com o BCE para conexão entre sistemas. Atualmente a instituição avalia conexões com infraestruturas de outras três localidades: o sistema indiano Unified Payments Interface (UPI); o sistema suíço e o Nexus Global Payments.
Custos envolvidos
Para o executivo, a infraestrutura de conexão com os sistemas parceiros pretende ser mais econômica do que a atual. Ele ressalta, porém, que haverá custos associados aos originadores e que os acordos de taxas continuarão sendo definidos na relação comercial entre clientes e bancos. "Isso será algo decidido pelos próprios bancos", diz.
Atualmente, brasileiros já usam o Pix em alguns países da Europa, mas por meio de arranjos privados através de parcerias entre bancos e intermediadoras de pagamento. Na nova infraestrutura pública entre BCs projetada com a interligação, parcerias similares devem continuar sendo necessárias para a ponta final da operação.
"Não estamos retirando os bancos da equação. Continuaremos precisando das instituições financeiras e dos provedores de serviços de pagamento em ambas as jurisdições para levar a transação até a última etapa", esclarece.
Tempo para liquidação
Segundo o executivo do BCE, outro objetivo é melhorar o tempo para liquidação das transferências internacionais. Atualmente, diz ele, pagamentos transfronteiriços são fragmentados e "pode levar alguns dias para receber o pagamento do outro lado".
A nova infraestrutura busca tornar o processo instantâneo. Para isso, o BCE e o BC brasileiro avaliam a interoperabilidade técnica, especificações funcionais, aspectos jurídicos e o modelo de negócios. "Há muitas facetas que precisam ser analisadas. Por exemplo, para citar um caso específico relacionado à interoperabilidade: as mensagens são iguais? Os tipos de mensagens transferidas são as mesmas? E quanto aos processos de pagamento? E quanto ao caráter definitivo da liquidação? Esses são alguns dos elementos que precisam ser considerados", diz ele.
Segurança e prazos
Segundo o executivo, outro ponto é garantir a segurança e a confiabilidade dos pagamentos com a conexão, o que deve ser estudado na dimensão jurídica. Na Europa, também serão analisadas questões relacionadas à proteção de dados.
Sobre quando a conexão estará disponível, Massarenti afirma que "ainda é cedo" para estimativas. Além disso, ele acrescenta que a avaliação de viabilidade não é o fim do processo. Após essa etapa, será necessário implementar e desenvolver as mudanças técnicas necessárias para conectar os dois sistemas do ponto de vista tecnológico.
"O que posso dizer é que, observando outros corredores de pagamentos nos quais temos trabalhado, a fase de avaliação de viabilidade pode levar um ano ou até mais", finaliza.
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| Short teaser | Projeto em avaliação entre as duas autoridades monetárias deve reduzir taxas de envio e acelerar pagamentos. | ||
| Author | Kristina Becker, Larissa Maia | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/mais-rápidos-baratos-e-transparentes-o-que-o-banco-central-europeu-espera-da-conexão-entre-pix-e-tips/a-79477995?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Banco Central Europeu quer conectar sistema de pagamentos instantâneos da União Europeia com o Pix | ||
| Image source | Cris Faga/NurPhoto/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/66800457_354.jpg&title=Mais%20r%C3%A1pidos%2C%20baratos%20e%20transparentes%3A%20o%20que%20o%20Banco%20Central%20Europeu%20espera%20da%20conex%C3%A3o%20entre%20Pix%20e%20Tips | ||
| Item 32 | |||
| Id | 79475814 | ||
| Date | 2026-09-29 | ||
| Title | Comércio global resiste a pandemia, guerras no Irã, na Ucrânia e a tarifaço de Trump | ||
| Short title | Comércio global resiste a Irã, Ucrânia e a tarifaço de Trump | ||
| Teaser |
Nos últimos seis anos, a pandemia, duas guerras e as tarifas dos EUA abalaram o comércio mundial. Com a globalização já perdendo fôlego, trata-se de um choque temporário ou do início de uma grande reversão?Da covid-19 às tarifas de Donald Trump, passando pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, a política comercial mundial atravessa o período mais imprevisível do pós-guerra.
A pandemia paralisou fábricas em todo o mundo e acelerou um movimento de afastamento da China, líder da indústria global. Em seguida, os dois conflitos abalaram o abastecimento mundial de petróleo, gás, alimentos e fertilizantes.
Paralelamente, as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevaram as taxas de importação americanas ao nível mais alto em décadas, forçando as empresas a buscar novos fornecedores e mercados.
Robert Staiger, economista-chefe da Organização Mundial do Comércio (OMC), classifica essa turbulência como "as perturbações mais graves e persistentes desde a criação do sistema [de comércio mundial], há 80 anos".
Comércio impulsionado pela demanda por IA
Apesar desses choques, o comércio global se manteve surpreendentemente resiliente.
Segundo o relatório anual da OMC publicado na semana passada, o volume do comércio de mercadorias cresceu 4,6% no ano passado, impulsionado pela forte demanda por tecnologias avançadas que sustentam a expansão da inteligência artificial (IA). O volume do comércio de serviços cresceu 5,3%.
A China continua sendo a maior exportadora mundial de mercadorias, enquanto os Estados Unidos foram, novamente, o maior importador. A União Europeia (UE) ocupou o segundo lugar em ambas as categorias.
Staiger, porém, afirmou na semana passada que a alta nas exportações relacionadas à IA "pode estar mascarando parte da queda no comércio mundial que, de outra forma, estaria ocorrendo".
Em sua perspectiva comercial de março, a OMC observou que os países asiáticos dominaram o comércio de mercadorias relacionadas à IA, enquanto a África, a América Latina, o Oriente Médio e grande parte da Europa tiveram participação inexpressiva.
As tecnologias relacionadas à IA representaram cerca de um sexto do comércio de mercadorias, mas foram responsáveis por quase metade do crescimento do comércio global.
Washington contorna as regras da OMC
Desde o início de seu segundo mandato na Casa Branca, no ano passado, Trump continuou a se afastar das regras da OMC sobre o comércio global.
O presidente dos EUA estabeleceu tarifas específicas para cada país, violando a regra de tratamento igualitário da OMC. Desde então, seu governo negociou isenções e tarifas "recíprocas" individualmente com os países parceiros.
Apesar disso, em nível global, cerca de 72% das mercadorias ainda são comercializadas sob as regras fundamentais da agência sediada em Genebra – o que representa uma queda em relação aos cerca de 80% registrados em 2022.
Numa perspectiva de longo prazo, no entanto, a globalização parece ter estagnado. Dados da OMC mostram que, desde aproximadamente 2015, o comércio mundial tem crescido no mesmo ritmo da economia global. Apesar das recentes turbulências geopolíticas, a globalização ainda não entrou em marcha a ré.
Autoridades e economistas afirmam que é cedo demais para saber se as guerras – somadas a uma guinada em direção ao protecionismo nos EUA, na China, na UE e no Reino Unido pós-Brexit – marcam o fim de um mundo cada vez mais interconectado.
"O mundo certamente não está se tornando mais globalizado", disse à DW Thomas Sampson, professor associado da London School of Economics. "Mas ainda é uma incógnita se estamos realmente vivenciando uma desglobalização ou apenas mudando nossos parceiros comerciais."
As transformações no comércio global
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, a UE reduziu drasticamente sua dependência do gás russo transportado por gasodutos, de 37% no final de 2021 para cerca de 10%, segundo o Eurostat, a agência de estatísticas do bloco. As importações de petróleo e carvão russos pela UE são atualmente insignificantes.
Essas medidas impulsionaram novos acordos energéticos com os EUA, Noruega, Austrália e Cazaquistão, com o gás natural liquefeito (GNL) substituindo o gás russo transportado por gasodutos.
Moscou encontrou novos compradores de energia, notadamente China e Índia, que adquiriram petróleo russo com grandes descontos em relação aos preços de referência globais.
Camille Reverdy, pesquisadora associada do think tank Bruegel, sediado em Bruxelas, duvida que a UE retome o comércio de energia com Moscou quando a guerra terminar. "Se as alternativas se tornarem fontes confiáveis, não vejo um retorno à situação anterior", afirmou a analista à DW.
Quando a guerra com o Irã começou, no final de fevereiro, Teerã fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, um dos gargalos mais críticos do trânsito de energia no mundo. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos (EAU) enviaram parte do petróleo por meio de oleodutos para portos alternativos.
Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o mundo também compensou a falta de milhões de barris de petróleo com o aumento da produção dos EUA, Cazaquistão, Brasil e Venezuela. Várias nações também utilizaram cerca de 300 milhões de barris de suas reservas estratégicas de petróleo, conforme relatado pela agência de notícias Reuters em agosto.
Quase sete meses após o início do conflito, os preços da energia permanecem elevados, com o petróleo Brent sendo negociado acima de 100 dólares (R$ 520) durante grande parte da guerra. Vários analistas alertam agora para uma perigosa escassez de oferta no outono e no inverno no Hemisfério Norte.
A pressão decorrente do tarifaço de Trump também pesa sobre o comércio.
As importações americanas provenientes da China, por exemplo, caíram cerca de 28% no ano passado, segundo o Peterson Institute for International Economics, sediado em Washington. Ao mesmo tempo, as importações do restante do mundo cresceram quase 10% – grande parte provenientes do Vietnã, Taiwan e México, como parte de esforços para redirecionar o comércio e reduzir a dependência de fornecedores chineses.
A estratégia de Trump sobreviverá além dele?
Os ataques de Trump à OMC levantaram uma questão mais aguda: se a entidade fosse desativada, o que a substituiria? Especialistas aventaram várias alternativas.
Entre elas, estão a manutenção das tarifas específicas para cada país impostas por Trump ou uma rede de acordos de livre-comércio entre blocos econômicos, incluindo as nações do Brics e do Sul Global.
Uma terceira opção, sugerida por think tanks como a Chatham House, envolveria a UE, o Japão, o Canadá, a Austrália e o México, que manteriam o comércio sob regras nos moldes das adotadas pela OMC, em uma escala que os EUA e a China não poderiam ignorar.
A pesquisadora Reverdy acredita que a UE preferiria uma OMC reformada às demais alternativas.
"A UE ainda quer ser vista como líder do comércio livre e multilateral", afirmou ela à DW, destacando que Bruxelas tem acrescentado novas camadas à política comercial, incluindo a possibilidade de tornar o Canadá um membro associado.
O economista Sampson alertou que persistir na "lei da selva" de Trump prejudicaria países menores, que, segundo ele, têm uma "voz mais ativa" no atual sistema da OMC.
Sampson observou que a "confiança nos EUA como parceiro comercial desmoronou", e disse que pode levar muitos anos para que isso seja restaurado, mesmo com um presidente democrata.
Enquanto isso, economistas da OMC elaboraram modelos para diferentes cenários futuros, apontando que um maior fracionamento do comércio ao longo de linhas geopolíticas poderia reduzir o PIB global em cerca de 5% até 2050.
Em um mundo no qual a OMC não mais existisse e restasse apenas uma colcha de retalhos de acordos de livre-comércio, a queda do Produto Interno Bruto (PIB) global poderia chegar perto de 7%, com as economias menores e mais pobres sendo as mais atingidas.
Por outro lado, o fortalecimento das regras multilaterais poderia elevar o PIB global em aproximadamente 3%, segundo estimativas da organização.
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| Short teaser | Pandemia, guerras e tarifas dos EUA abalaram o comércio mundial. Seria este um choque temporário ou uma grande reversão? | ||
| Author | Nik Martin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/comércio-global-resiste-a-pandemia-guerras-no-irã-na-ucrânia-e-a-tarifaço-de-trump/a-79475814?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Apesar de vários abalos, o volume do comércio global continuou a crescer | ||
| Image source | Noah Berger/AP Photo/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78106124_354.jpg&title=Com%C3%A9rcio%20global%20resiste%20a%20pandemia%2C%20guerras%20no%20Ir%C3%A3%2C%20na%20Ucr%C3%A2nia%20e%20a%20tarifa%C3%A7o%20de%20Trump | ||
| Item 33 | |||
| Id | 79444842 | ||
| Date | 2026-09-26 | ||
| Title | Alemanha escolhe Munique como candidata a sediar Jogos Olímpicos | ||
| Short title | Alemanha escolhe Munique como candidata aos Jogos Olímpicos | ||
| Teaser |
Capital bávara supera concorrente, a candidatura de Colônia/Reno-Ruhr, na disputa promovida pelo Comitê Olímpico Alemão. O Comitê Olímpico Alemão (DOSB) escolheu neste sábado (25/09) a candidatura de Munique para concorrer a sede dos Jogos Olímpicos de 2036, 2040 ou 2044, superando o projeto concorrente, de Colônia/Reno-Ruhr. A Alemanha embarca assim em sua oitava tentativa de sediar os Jogos Olímpicos desde 1972, ano em que Munique foi a sede olímpica. A decisão foi anunciada pelo presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, na cidade termal de Baden-Baden, no sudoeste do país. "Foi um verdadeiro suspense durante todo o dia, estávamos bastante apreensivos", disse o prefeito de Munique, Dominik Krause, logo após o anúncio. "Agora a alegria é imensa e estamos felizes por finalmente podermos começar de verdade a trazer os Jogos Olímpicos para a Alemanha." Escolha pelo COI em 2029Lançada inicialmente como uma disputa entre quatro candidaturas, a escolha do DOSB acabou se restringindo a duas, depois que Hamburgo retirou sua candidatura em maio e Berlim fez o mesmo na quinta-feira passada. O resultado de 91 votos a favor de Munique e 50 para Colônia foi anunciado posteriormente pelo DOSB. O DOSB iniciará agora um processo de "diálogo contínuo" com o COI antes da fase de pré-seleção prevista para março de 2027. O Comitê Olímpico Internacional (COI) deverá designar uma ou mais candidaturas preferenciais ao fim de 2028, e a candidatura vencedora será escolhida em meados de 2029. Alemanha sediou os jogos duas vezesDesde a última vez que os Jogos Olímpicos foram realizados em território alemão, em 1972, a Alemanha apresentou sete candidaturas para voltar a sediar o evento. Nenhuma foi bem-sucedida. Caso a candidatura de Munique venha a ser escolhida pelo COI, será a terceira vez que a Alemanha receberá os Jogos Olímpicos. Berlim sediou os Jogos de 1936, quando a Alemanha estava sob o regime nazista, enquanto Munique recebeu os Jogos de 1972, então como parte da Alemanha Ocidental. as (AFP, ARD) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Capital bávara supera concorrente, a candidatura de Colônia/Reno-Ruhr, na disputa promovida pelo Comitê Olímpico Alemão. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemanha-escolhe-munique-como-candidata-a-sediar-jogos-olímpicos/a-79444842?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 34 | |||
| Id | 79410966 | ||
| Date | 2026-09-24 | ||
| Title | Estreia de MMA nos Jogos Asiáticos reacende sonho olímpico | ||
| Short title | Estreia de MMA nos Jogos Asiáticos reacende sonho olímpico | ||
| Teaser |
Federação tenta emplacar modalidade esportiva nos Jogos Olímpicos. Mas obstáculos políticos e comerciais ainda dificultam o projeto.A versão das Artes Marciais Mistas (MMA) que estreou nos Jogos Asiáticos é diferente das lutas intensas e espetaculares do Ultimate Fighting Championship (UFC), organização que passou a definir a modalidade para grande parte do público nos últimos anos.
Para incluir a MMA nos Jogos Asiáticos, que atualmente acontecem no Japão, foi necessário adaptar as regras: as disputas acontecem sem a tradicional jaula, em um tablado aberto e com pequenas luvas semelhantes às do boxe. A presença da modalidade nos jogos em Nagoya já é um marco importante, mas também representa uma tentativa clara de aproximar o esporte dos Jogos Olímpicos.
"Achamos que, sem a jaula, estamos mais alinhados aos Jogos Olímpicos e, assim, mais próximos de sermos reconhecidos pelo Comitê Olímpico Internacional", disse à agência de notícias AP Galastein Tan, diretor-geral da Federação de Artes Marciais Mistas Internacional (FIMMA). "Leva tempo para mudar percepções. Queremos mostrar que existe uma nova forma de MMA, mais compatível com os ideais olímpicos."
A FIMMA não é a única entidade que reivindica representar o esporte internacionalmente. A Federação Internacional de Artes Marciais Mistas (IMMAF) também reivindica a participação nos Jogos Olímpicos. Em resposta à DW, um porta-voz do Comitê Olímpico Internacional (COI) afirmou que a entidade "atualmente não reconhece uma federação internacional responsável pela MMA a nível mundial", o que impede, por enquanto, a entrada da modalidade no programa olímpico.
Ao mesmo tempo, Gordon Tang, bilionário chinês do setor imobiliário, ocupa o cargo de vice-presidente do Conselho Olímpico da Ásia e preside a FIMMA. E essa posição pode abrir portas para a MMA dentro de um movimento esportivo que historicamente mantinha distância da modalidade, em parte por preocupações com seu grau de violência. A DW procurou a FIMMA e a IMMAF para comentar o assunto, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem.
UFC supera o próprio MMA
No passado, o UFC também defendeu a inclusão da MMA nos Jogos Olímpicos. Mas, segundo o jornalista e escritor Karim Zidan, o crescimento da organização tornou essa meta menos relevante.
A força do UFC ficou evidente em 2026, quando a organização realizou um evento nos jardins da Casa Branca durante as celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos. Para Zidan, isso mostra como as prioridades do esporte mudaram desde os tempos em que s MMA era uma modalidade marginal.
"Não acho necessariamente que isso seja tão importante para s MMA. O esporte já encontrou sucesso no nível profissional, que era exatamente o que os fãs buscavam", afirmou Zidan. "O UFC está maior do que nunca em termos de receitas", acrescentou.
"O crescimento do UFC popularizou a MMA, mas também acabou absorvendo grande parte do ecossistema da modalidade. Sobrou muito pouco além dele. O reconhecimento olímpico pode parecer um selo de prestígio, mas não traria muito mais do que isso."
As modalidades dos Jogos Olímpicos que acontecerão em Los Angeles em 2028 já estão definidos. Além disso, segundo o COI, a MMA também está fora da disputa por uma vaga nos Jogos de Brisbane, em 2032. "Apenas modalidades administradas por federações internacionais reconhecidas pelo COI e presentes nos programas olímpicos de Tóquio 2020, Paris 2024 ou Los Angeles 2028 podem ser consideradas. As artes marciais mistas não atendem a esses critérios", afirmou o porta-voz da do COI.
Popularidade é suficiente?
Galastein Tan acredita que a popularidade global da modalidade pode ajudar a mudar esse cenário. "A MMA é popular no mundo todo, desperta forte envolvimento emocional dos fãs e atrai especialmente o público jovem", disse.
Mas, para Zidan, essa popularidade está ligada ao UFC, e não necessariamente ao esporte como um todo. "Não existe um ecossistema robusto de MMA fora do UFC que me permita dizer que há uma visão alternativa da modalidade pressionando por essa mudança. Existem grupos que praticam e acompanham a MMA amadora, mas eles representam uma parcela pequena dos fãs", argumentou.
Ele também relativiza a importância da estreia da modalidade nos Jogos Asiáticos. "Sinceramente, não estou convencido de que este seja um divisor de águas para a MMA. Acho que o esporte sofreu bastante sob o peso da influência do UFC na última década."
Ligações políticas e regimes autoritários
A relação entre o UFC e o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, são conhecidas. O presidente da organização, Dana White, discursou na Convenção Nacional Republicana de 2024.
Mas Zidan chama atenção para os vínculos da IMMAF com a Brave Combat Federation, uma organização do Bahrein liderada por Khalid bin Hamad Al Khalifa, filho do rei Hamad bin Isa Al Khalifa. Segundo um relatório da Anistia Internacional publicado em 2025, o Bahrein continua reprimindo direitos como a liberdade de expressão, associação e reunião pacífica, inclusive colocando em prática detenções arbitrárias e processos judiciais.
Para Zidan, a conexão entre a MMA e governos autoritários se tornaram cada vez mais comuns. "O esporte já teve relações desse tipo no passado e é provável que elas se fortaleçam. Se a estreia nos Jogos Asiáticos e uma eventual aceitação nos Jogos Olímpicos significarem mais competições amadoras e campeonatos juvenis ao redor do mundo, é muito provável que regimes autoritários queiram se associar a esses eventos."
O desafio da FIMMA, que busca aproximar a MMA do movimento olímpico e diferenciá-lo da imagem associada ao UFC, é tornar a modalidade mais parecida com os esportes convencionais e menos dependente do formato de espetáculo, afirmou à agência de notícias AP, o vice-presidente da entidade, Alex Engelhardt. "É um grande desafio porque toda a mentalidade do esporte ainda gira em torno das promoções e dos eventos comerciais", disse.
Mesmo que essa mudança aconteça, e que a estreia nos Jogos Asiáticos ajude a dar mais legitimidade à MMA, a presença da modalidade nos Jogos Olímpicos ainda parece distante.
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| Short teaser | Federação tenta emplacar modalidade esportiva nos Jogos Olímpicos. Mas há obstáculos que dificultam o projeto. | ||
| Author | Matt Pearson | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/estreia-de-mma-nos-jogos-asiáticos-reacende-sonho-olímpico/a-79410966?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | MMA foi adaptado para estreia nos Jogos Asiáticos | ||
| Image source | Dita Alangkara/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 35 | |||
| Id | 79386551 | ||
| Date | 2026-09-23 | ||
| Title | Homem encontra tesouro de moedas romanas na Alemanha | ||
| Short title | Homem encontra tesouro de moedas romanas na Alemanha | ||
| Teaser |
Quase mil denários da época do imperador Adriano são encontrados perto de Colônia por um arqueólogo amador. Esse é o maior tesouro do tipo descoberto na Alemanha.Um tesouro de moedas romanas de prata datadas do século 2 d.C. foi descoberto por um arqueólogo amador há cerca de um ano e apresentado nesta terça-feira (22/09) num museu de Bonn, na Alemanha.
"Estava claro para mim que havia algo importante aqui", disse Oliver Riedl, descrevendo o momento em que encontrou várias moedas num campo nas proximidades de Wesseling, ao sul de Colônia, há um ano.
Riedl tem autorização das autoridades do patrimônio histórico para fazer buscas e recebeu treinamento para usar um detector de metal. Ele receberá agora uma comissão pelo seu achado.
Após a descoberta, Riedl entrou em contato com as autoridades para comunicar que havia encontrado algo e solicitar apoio. Uma equipe de especialistas iniciou escavações e descobriu um total de 934 moedas romanas de prata, também conhecidas como denários, que foram cunhadas entre 148 a.C. e o ano 124.
O tesouro pode agora ser visto no museu LVR, da cidade de Bonn, no estado ocidental da Renânia do Norte-Vestfália, e perto de Colônia. "Algo assim não se acha todos os dias", declarou Riedl nesta terça, durante a apresentação do tesouro no museu.
Segundo o órgão local responsável pela preservação do patrimônio arqueológico, este é o maior tesouro de moedas da época do imperador romano Adriano já encontrado na Alemanha.
Públio Élio Adriano (Publius Aelius Hadrianus, em latim) foi o 14º imperador romano, de 117 até a sua morte, em 138. Sob o comando de seu antecessor, Trajano, o império atingiu sua maior extensão territorial. Adriano investiu na consolidação das fronteiras e em manter o controle sobre esse enorme território.
Uma descoberta histórica
As autoridades arqueológicas regionais disseram que as moedas provavelmente foram enterradas durante o segundo quarto do século 2 d.C.
"Claro que só podemos especular sobre os motivos, mas é muito provável que alguém quisesse manter esse dinheiro em segurança. Afinal, não havia bancos naquela época", afirmou o arqueólogo-chefe da Renânia do Norte-Vestfália, Erich Classen. Ele disse que não há uma explicação para as moedas não terem sido descobertas antes.
Também não se sabe quem as enterrou. Classen especulou que "talvez o proprietário tenha morrido antes de conseguir recuperá-las ou transmitir a informação sobre sua localização".
Passado romano
Tesouros de moedas do período romano e de outras épocas históricas remotas não são incomuns na região de Bonn e Colônia, duas cidades cujas origens remontam à presença romana na Renânia. No entanto, segundo as autoridades, poucas descobertas do século 2 são tão grandes quanto a de Wesseling.
Os arqueólogos também disseram que o valor da coleção é difícil de estimar. Ainda assim, graças à ampla documentação preservada em fontes escritas, há parâmetros para comparação. "Naquela época, um legionário comum ganhava cerca de 300 denários por ano. Contudo, aproximadamente metade desse valor era descontada para cobrir os custos com alimentação e equipamentos", explicou a arqueóloga Rahel Otte.
"Assim, um legionário teria de economizar toda a sua renda disponível por cerca de seis anos para acumular um tesouro como o encontrado em Wesseling", acrescentou.
A região de Colônia permaneceu sob controle romano aproximadamente de 39 a.C. até 459 d.C. Os romanos estabeleceram sua presença na área sob o comando do general Marco Vipsânio Agripa, com o objetivo de proteger a fronteira do império ao longo do rio Reno. Para isso criaram postos militares, a partir dos quais se desenvolveram as atuais cidades de Colônia e Bonn.
as/cn (DPA, KNA)
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| Short teaser | Quase mil denários da época do imperador Adriano são encontrados perto de Colônia por um arqueólogo amador. | ||
| Author | Emilio Reynoso | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/homem-encontra-tesouro-de-moedas-romanas-na-alemanha/a-79386551?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | O tesouro é composto por 934 moedas romanas de prata, também conhecidas como denários, cunhadas entre 148 a.C. e o ano 124 | ||
| Image source | Rolf Vennenbernd/dpa/picture alliance | ||
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| Item 36 | |||
| Id | 79374214 | ||
| Date | 2026-09-22 | ||
| Title | Irmão da Princesa Diana expõe bastidores da família real | ||
| Short title | Irmão da Princesa Diana expõe bastidores da família real | ||
| Teaser |
Aguardado livro de memórias de Charles Spencer revela comportamento do Palácio de Buckingham após a morte de sua irmã. Obra gerou rara reação da família real britânica. Confira alguns dos principais trechos.No novo livro Swan Song: Diana, My Sister ("Canto do Cisne: Diana, minha irmã" em tradução livre), Charles Spencer, o 9º conde Spencer, apresenta sua perspectiva sobre a vida de sua falecida irmã, Diana, Princesa de Gales.
Como a cultura dos tabloides britânicos garante que qualquer desavença ou controvérsia envolvendo a família real seja amplificada e transformada em um grande debate público, o livro de memórias começou a ganhar as manchetes antes mesmo de seu lançamento, nesta terça-feira (22/09).
Entre as principais revelações da obra, Spencer afirma acreditar que Diana tinha Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e que, "como parte dessa condição, ela sofria de disforia sensível à rejeição", algo que ele descreve como "uma dor emocional intensa diante da rejeição ou crítica de outras pessoas".
Spencer também afirma que seu pai desenvolveu uma "ligação romântica" com a futura rainha Elizabeth 2ª, até ser dissuadido por Lorde Mountbatten – tio materno e mentor próximo do marido da rainha, o príncipe Philip.
No entanto, o ponto mais polêmico do livro ocorre quando Spencer revisita um dos capítulos mais dolorosos da família real britânica: o período que se seguiu à trágica morte de Diana em um acidente de carro, em 31 de agosto de 1997.
"Logo vamos esquecê-la"
Spencer escreve que, ao saber do acidente de Diana, a primeira reação da rainha Elizabeth 2ª foi perguntar: "O que ela está aprontando agora?", antes que a gravidade da situação ficasse evidente.
A morte de Diana provocou uma onda mundial de pesar. Após o acidente, a família real enfrentou forte reação negativa do público devido à resposta tardia e fria à tragédia. O primeiro pronunciamento público da rainha ocorreu cinco dias após a morte de Diana.
Em seu livro, Spencer sugere que algumas pessoas dentro do Palácio de Buckingham ficaram "aliviadas – e até satisfeitas" com a morte de sua irmã. Ele também relata uma conversa telefônica com o rei Charles 3º (então príncipe de Gales) ocorrida dias após o falecimento. Segundo Spencer, o príncipe parecia "eufórico, como alguém que ganhou na loteria". Spencer relata que eles discutiram sua oposição ao fato de o príncipe William, então com 15 anos, e o príncipe Harry, com 12, caminharem atrás do caixão da mãe durante o cortejo fúnebre, que foi transmitido internacionalmente.
Spencer considerava que seria traumático expor os meninos aos holofotes da mídia logo após a morte da mãe. Ele escreve no livro acreditar que os meninos foram usados como um escudo de proteção para Charles, pois autoridades do Palácio de Buckingham temiam que "membros do público pudessem gritar ofensas contra ele", enquanto a presença das crianças "certamente garantiria que não houvesse insultos".
O conde também relata a convicção de Diana de que o príncipe Charles já sentia ciúmes da popularidade dela décadas antes.
Ele descreve como o príncipe Charles teve um "acesso de raiva" durante a conversa telefônica realizada após a morte dela. O irmão da princesa escreve que o ex-marido dela extravasou "seu desprezo reprimido por Diana e seu horror diante do fato de o mundo estar tão comovido com a morte dela. 'Fique tranquilo', disse ele com rispidez, logo vamos esquecê-la'"
No entanto, quase 30 anos após o acidente fatal, Diana continua sendo um ícone global. Aos 36 anos, ela era uma celebridade glamorosa, reconhecida por sua atuação em diversas causas, incluindo seu apoio pioneiro a pacientes com aids.
O Palácio de Buckingham reagiu diretamente ao primeiro trecho publicado no tabloide britânico Daily Mail: "Embora, por princípio, não comentemos livros, Sua Majestade está ciente de que a dor do luto fraternal pode nublar a razão, afetar o julgamento e alterar a memória de maneiras que outros não reconhecem, mesmo muitos anos após tal perda."
Em contrapartida, o Palácio recebeu as acusações feitas pelo príncipe Harry em seu livro de memórias de 2023, O que sobra, com total silêncio institucional, aplicando a estratégia tradicional de relações públicas da família real: "Nunca reclame, nunca dê explicações".
Em nome da "família de sangue"
A desavença entre o conde Spencer e o Palácio de Buckingham não é recente.
Spencer ficou famoso por proferir um discurso emocionado em homenagem à irmã na Abadia de Westminster, em 1997. Nele, não apenas criticou o papel dos paparazzi no acidente ao descrever a irmã como a "pessoa mais perseguida da era moderna", mas também marcou uma distinção em relação à família real ao ressaltar seus laços de sangue com Diana e prometer proteger os filhos dela "de um destino semelhante".
"Prometo que nós, sua família de sangue, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para dar continuidade à maneira criativa com que você guiava esses dois jovens excepcionais, para que suas almas não fiquem simplesmente submersas pelo dever e pela tradição, mas possam cantar livremente, como você planejou", disse ele na ocasião.
No dia do funeral, relata Spencer, a rainha Elizabeth 2ª ofereceu, por meio de intermediários, restaurar postumamente o título de "Sua Alteza Real" (SAR) de Diana. Spencer recusou a oferta, por considerar que o gesto não tinha mais sentido após a morte dela.
Embora o Palácio de Buckingham sempre tenha insistido que Diana abriu mão do título voluntariamente, Spencer revelou em seu livro que ela ficou "profundamente magoada" com a perda do título durante o processo de divórcio de Charles.
"Cultura dos tabloides contribuiu para sua morte"
No livro, Spencer retoma os temas abordados em seu discurso fúnebre, acusando editores e proprietários de veículos de comunicação que compravam fotos invasivas de Diana de terem contribuído para a morte da irmã.
Segundo ele, a cultura dos tabloides britânicos se transformou em um sistema que lucrava com o sofrimento de Diana e incentivava invasões de privacidade cada vez mais extremas.
Após o divórcio, grande parte da mídia passou a retratar Diana como alguém instável, manipuladora, difícil ou que buscava chamar a atenção. Os paparazzi provocavam situações de angústia e fotografavam a reação dela; em seguida, os jornais publicavam matérias sugerindo que ela era instável.
Ela não conseguia escapar do escrutínio da mídia, o que a deixava extremamente infeliz. "É um fato triste que, em seus últimos anos, Diana tenha dirigido mais de uma vez até Beachy Head – o penhasco calcário mais alto da costa inglesa – enquanto cogitava acabar com tudo", escreve Spencer, acrescentando: "O amor pelos filhos a impediu de ir adiante".
Lançamento a tempo do 30º aniversário da morte de Diana
Embora Spencer critique há muito tempo a natureza destrutiva do sistema de tabloides britânicos, a promoção de suas memórias depende exatamente do ecossistema que ele condena. Ele vendeu os direitos de publicação de trechos do livro ao Daily Mail – um dos tabloides frequentemente associados ao intenso escrutínio da família real.
Alguns críticos o acusam de querer lucrar com a tragédia, visto que o livro de grande repercussão foi publicado pouco antes do 30º aniversário da morte de Diana.
No entanto, seus apoiadores consideram que o irmão de Diana tem o direito de compartilhar sua perspectiva pessoal sobre a vivência que ambos compartilharam, ressaltando que muitos outros autores lucraram com o legado dela ao longo das décadas.
Spencer afirmou que seu relato visa corrigir décadas de "inverdades que foram aceitas com o tempo" e retratações imprecisas de sua falecida irmã, feitas por biógrafos e comentaristas externos ao longo dos anos.
"No fundo, trata-se de uma homenagem simples de um irmão a uma irmã extraordinária", escreveu o conde Spencer sobre sua obra no Instagram. "Há um mês, li meu livro em voz alta, ao longo de três dias, para uma gravação destinada à versão em audiolivro. Ao terminar a gravação, pensei: 'é exatamente isso que eu queria e precisava dizer – e ela, imagino eu, teria aprovado cada palavra'."
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| Short teaser | Aguardado livro de memórias de Charles Spencer revela comportamento do Palácio de Buckingham após a morte de sua irmã. | ||
| Author | Elizabeth Grenier | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/irmão-da-princesa-diana-expõe-bastidores-da-família-real/a-79374214?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/79355985_354.jpg
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| Image caption | Livro de Charles Spencer sobre a princesa Diana foi traduzido em 12 idiomas antes mesmo de seu lançamento | ||
| Image source | Penguin Random House/Handout/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79355985_354.jpg&title=Irm%C3%A3o%20da%20Princesa%20Diana%20exp%C3%B5e%20bastidores%20da%20fam%C3%ADlia%20real | ||
| Item 37 | |||
| Id | 79330272 | ||
| Date | 2026-09-21 | ||
| Title | Maria Madalena: de pecadora a símbolo de autonomia feminina | ||
| Short title | Maria Madalena: de pecadora a símbolo de autonomia feminina | ||
| Teaser |
Exposição mostra como a figura bíblica foi reinterpretada da Idade Média aos dias atuais e se tornou referência para a teologia feminista e a arte contemporânea. Apóstola, prostituta, penitente e confidente de Jesus. Assim Maria Madalena foi retratada desde os primórdios do cristianismo. Artistas do Renascimento ao Barroco, entre eles Ticiano, El Greco e Georges de La Tour, pintaram-na nos séculos 16 e 17 como uma pecadora arrependida. Rembrandt a retratou como testemunha da ressurreição de Cristo, enquanto Max Beckmann, em 1917, a representou como pecadora dentro da estética da Nova Objetividade. Quase cem anos depois, ela seria encarnada por Lady Gaga em um videoclipe. "Maria Madalena é provavelmente a figura mais multifacetada e fascinante da Bíblia, além de ser uma das personagens mais marcantes da história cultural europeia", afirma Bastian Eclercy, curador da exposição "Maria Madalena: Sin. Pray. Love.", no Museu Städel, em Frankfurt, na Alemanha. "Ela aparece incontáveis vezes na história da arte." O que sabemos sobre Maria Madalena?A Bíblia traz poucas informações sobre Maria Madalena, mas ela desempenha um papel importante no Novo Testamento. Os Evangelhos relatam que Jesus a libertou de sete demônios, que ela o acompanhou e testemunhou sua crucificação e sepultamento. Na manhã de Páscoa, ela teria descoberto o túmulo vazio e se tornado a primeira testemunha da ressurreição. Em seguida, teria sido responsável por levar aos discípulos a notícia de que Cristo havia ressuscitado. "É nesse contexto que ela passa a ser chamada de apostola apostolorum, ou seja, Apóstola dos Apóstolos", explica Bastian Eclercy. "Assim, ela assume um papel absolutamente central na história da salvação." Mas a história não para por aí. Por volta do ano 600 d.C., o papa Gregório Magno comprometeu duramente a imagem de Maria Madalena ao fundi-la com outras duas mulheres mencionadas na Bíblia: a pecadora anônima do Evangelho de Lucas, que lava os pés de Cristo, e Maria de Betânia, que também realiza esse gesto. O papa alegou que os sete demônios dos quais Jesus a libertou representavam os sete pecados capitais. Dessa forma, consolidou-se a imagem de Maria Madalena como uma prostituta arrependida, embora a Bíblia não ofereça qualquer base para essa interpretação. Restos mortais de Maria Madalena supostamente na FrançaDurante a Alta Idade Média surgiu ainda a lenda de que Maria Madalena, juntamente com Lázaro e um grupo de outras pessoas, foi abandonada em um barco no Mar Mediterrâneo. Com a ajuda divina, ela teria chegado à costa da Provença, no sul da França, onde primeiro evangelizou a população e depois viveu cerca de 30 anos em uma caverna em penitência. Até hoje, duas localidades francesas afirmam guardar seus restos mortais: Vézelay, na Borgonha, e Saint-Maximin-la-Sainte-Baume, em Provença. No século 16, a Reforma e o Humanismo promoveram uma mudança de perspectiva e deram origem a críticas contra a fusão das três mulheres numa única figura. No entanto, somente após o Concílio Vaticano 2 (1962-1965), que implementou profundas reformas na liturgia da Igreja Católica, a identificação de Maria Madalena com a pecadora anônima foi oficialmente revogada. "Esse amplo conjunto de papéis que lhe foram atribuídos ao longo da história, e que muitas vezes se contrapõem, sempre fascinou e desafiou artistas de diferentes épocas e estilos", afirma Eclercy. Mudança de imagem por influência do Evangelho de MariaCom a redescoberta do Evangelho de Maria na era moderna, a imagem de Maria Madalena voltou a mudar. No texto, que não foi incluído no cânone bíblico, ela é apresentada como uma confidente particularmente próxima de Jesus, impulsionando novos debates sobre seu papel. Hoje ela é considerada uma das mulheres mais influentes do cristianismo primitivo e uma figura-chave da teologia feminista. "Especialmente nas últimas décadas, ela tornou-se uma figura de identificação para as mulheres, para observadoras do sexo feminino e, sobretudo, para artistas contemporâneas que enxergam nela a imagem de uma mulher autônoma e dona de si", explica Eclercy. Lady Gaga interpretou Maria Madalena em 2011 no videoclipe da música "Judas", descrevendo a experiência, na época, no Twitter, como "o momento artístico mais emocionante da minha carreira". A obra mais recente da mostra de Frankfurt, que reúne mais de 100 representações de Maria Madalena, é da artista espanhola Nieves González e foi concluída em 2025. Intitulada "La sfida" ("O Desafio"), ela desconstrói praticamente todos os atributos tradicionais que artistas dos séculos anteriores associaram à personagem. Onde antes ela aparecia olhando para o céu em atitude de penitência, a pintura a mostra como apóstola, olhando para baixo com confiança, diretamente para o espectador. Onde seus cabelos costumavam aparecer soltos, como referência a um passado pecaminoso, agora eles estão cuidadosamente penteados ao redor do pescoço, como um xale. E onde antes a pele era amplamente exposta, seu corpo agora está envolto por um grosso casaco acolchoado vermelho. Nas mãos, a discípula segura um crânio igualmente vermelho, cor que remete ao sangue. Durante séculos símbolo da mortalidade humana, ele surge aqui como uma expressão clara de poder. Maria Madalena também alcançou oficialmente a igualdade dentro da Igreja Católica. Em 2016, o então papa Francisco concedeu ao seu dia de celebração, em 22 de julho, o status de festa litúrgica. Provavelmente, este não será o último capítulo de sua notável biografia. A exposição "Maria Madalena: Sin. Pray. Love." pode ser visitada no Museu Städel, em Frankfurt, até 17 de janeiro de 2027. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Exposição mostra como a figura bíblica foi reinterpretada ao longo da história e virou referência na arte contemporânea. | ||
| Author | Katharina Abel | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/maria-madalena-de-pecadora-a-símbolo-de-autonomia-feminina/a-79330272?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Maria%20Madalena%3A%20de%20pecadora%20a%20s%C3%ADmbolo%20de%20autonomia%20feminina | ||
| Item 38 | |||
| Id | 79329289 | ||
| Date | 2026-09-18 | ||
| Title | Klopp pede novo olhar sobre bandeira alemã e defende "patriotismo positivo" na seleção | ||
| Short title | Klopp defende "patriotismo positivo" na seleção da Alemanha | ||
| Teaser |
Novo técnico defende orgulho nacional inclusivo, pede novo olhar sobre a bandeira nacional e diz não querer "deixar o patriotismo para as pessoas erradas". Jürgen Klopp aproveitou sua primeira convocação como novo técnico da seleção alemã para defender o que chamou de "patriotismo positivo" e pedir que os símbolos nacionais não sejam associados a grupos extremistas. "Gostaria de recuperar a bandeira para mim, ou melhor, para nós", afirmou. "Quero que ela seja sempre exibida de uma forma que não faça ninguém pensar: 'O que há de errado com você?'. Pelo contrário, que as pessoas simplesmente sintam que você está feliz e entende como é privilegiado por ter nascido, crescido ou se mudado para este país maravilhoso." A declaração foi interpretada como uma referência à recente eleição estadual na Saxônia-Anhalt, vencida com ampla vantagem pelo partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD). Klopp comentou o resultado de forma cautelosa. Disse que algumas pessoas provavelmente aprovaram o desfecho da votação, enquanto muitas outras reagiram com preocupação. Ressaltou, porém, que não é especialista em política e que não pretende transformar suas coletivas de imprensa em debates políticos. Ainda assim, afirmou que não quer "deixar o orgulho nacional para as pessoas erradas". Para evitar interpretações ambíguas, o treinador desenvolveu a ideia de um "patriotismo positivo". "Posso ter orgulho de ser alemão e, ao mesmo tempo, ser aberto, diverso, gentil e acolhedor", afirmou. "Acredito, sinceramente, que somos um país maravilhoso." O técnico, de 59 anos, acrescentou que montou sua convocação observando os talentos disponíveis no futebol alemão, e não aquilo que estaria faltando. Segundo ele, a mesma lógica poderia ser aplicada ao olhar sobre o país. Reaproximação com símbolos nacionaisA mensagem ecoa um discurso feito pelo ex-treinador da seleção alemã, Julian Nagelsmann, após a eliminação da Alemanha na Eurocopa de 2024. "Estar juntos precisa voltar a ser mais importante. Não podemos nos deixar consumir pela inveja nem enxergar tudo de forma negativa", disse Nagelsmann na ocasião. A campanha da Alemanha na Eurocopa de 2024 reacendeu momentaneamente o orgulho em torno da bandeira nacional, algo que já havia ocorrido durante a trajetória da seleção feminina até a final da Euro de 2022. O exemplo mais marcante, porém, continua sendo a Copa do Mundo de 2006, disputada no país, frequentemente apontada como o principal momento de reaproximação dos alemães com os símbolos nacionais desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Na Alemanha nazista, símbolos nacionais como a bandeira foram extensivamente usados como ferramenta de propaganda e nacionalismo extremo, embora se tratasse de uma bandeira diferente da utilizada pela Alemanha democrática de hoje. Para muitos, portar a bandeira remete ao nacionalismo impulsionado nesse período da história. O papel do esporteKlopp destacou ainda a capacidade do esporte de criar senso de comunidade, embora tenha reconhecido que sua importância é menor do que a de áreas essenciais da sociedade. "É mais importante termos médicos. É mais importante termos enfermeiros. É mais importante termos profissionais de inúmeras áreas", afirmou. Segundo ele, o futebol pode contribuir ao fortalecer vínculos coletivos e demonstrar o potencial agregador do esporte. O treinador citou como exemplos recentes o sucesso do tenista Alexander Zverev, o título mundial da seleção alemã masculina de hóquei sobre grama, a realização da Copa do Mundo feminina de basquete no país e os resultados obtidos por atletas alemães no Campeonato Europeu de Atletismo. "Essa é a nossa missão. Precisamos criar o ambiente adequado. Sei disso. Mas, para isso, precisamos de pessoas dispostas a embarcar nessa ideia", afirmou. Comunicação alinhadaA apresentação de Klopp também foi marcada por uma estratégia de comunicação cuidadosamente construída. A convocação reuniu 44 jogadores, incluindo 11 estreantes, composição que o treinador apresentou como um reflexo da diversidade da sociedade alemã da qual diz se orgulhar. Na relação com a imprensa, adotou um tom mais inclusivo do que na entrevista coletiva anterior, quando havia estabelecido limites claros e afirmado que deixaria o cargo caso a cobertura avançasse sobre sua vida pessoal. Ao justificar a lista extensa e repleta de jovens atletas, Klopp disse que não pretendia ensinar jornalistas a avaliar jogadores, mas indicou como faria essa análise. Nas entrelinhas, a mensagem soou como um apelo para que a cobertura contribua para o desenvolvimento da nova geração da seleção, em vez de ser excessivamente crítica ou negativa. Outro detalhe chamou atenção: o treinador usou um boné com a inscrição "one of 83 million" ("um entre 83 milhões"). A expressão faz referência à população aproximada da Alemanha e a uma piada recorrente segundo a qual todo alemão se considera, de alguma forma, um "Bundestrainer", um técnico da seleção nacional. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Novo técnico defende orgulho nacional inclusivo e diz não querer "deixar o patriotismo para as pessoas erradas". | ||
| Author | Jonathan Harding | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/klopp-pede-novo-olhar-sobre-bandeira-alemã-e-defende-patriotismo-positivo-na-seleção/a-79329289?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Klopp%20pede%20novo%20olhar%20sobre%20bandeira%20alem%C3%A3%20e%20defende%20%22patriotismo%20positivo%22%20na%20sele%C3%A7%C3%A3o | ||
| Item 39 | |||
| Id | 79211825 | ||
| Date | 2026-09-10 | ||
| Title | China debate reduzir a importância do inglês nas escolas | ||
| Short title | China debate reduzir a importância do inglês nas escolas | ||
| Teaser |
Proposta de professor universitário reacende discussão sobre o papel do idioma inglês na educação chinesa. Matemático defende a priorização do mandarim. Há anos que o inglês é tido como a principal língua internacional em todo o mundo. Estima-se que um em cada cinco habitantes do planeta o idioma como língua franca. Na China, porém, um professor universitário defende que o país pare de dar "tanta importância" para um idioma ocidental. O matemático Tang Jiafeng quer que o inglês deixe de ter o mesmo peso que as disciplinas de matemática e mandarim, nos exames dos sistemas educacionais chineses. Segundo ele, nenhum outro país atribui ao inglês um valor tão alto quanto a China. "Nossas crianças começam a estudar inglês antes mesmo de dominarem plenamente a própria língua. Somos uma civilização com milhares de anos de história. O inglês é apenas uma ferramenta. Basta saber utilizá-lo. A tradição de admirar e imitar culturas ocidentais precisa acabar", argumenta. Aprender inglês é um desafio para estudantes chineses, já que o mandarim utiliza um sistema de escrita baseado em caracteres, diferente do alfabeto empregado em idiomas ocidentais. Na China, o inglês é disciplina obrigatória a partir do terceiro ano do ensino fundamental. O desempenho dos estudantes na matéria tem peso significativo nas principais provas do país, incluindo os exames para entrar no ensino médio e o gaokao, o rigoroso "vestibular" chinês. Neste, a disciplina tem a mesma pontuação máxima de matérias como mandarim e matemática. Para Tang, o modelo atual exige muitos recursos e bastante tempo. "Quanto tempo, dinheiro e esforço de alunos, pais e escolas são dedicados a uma disciplina que, para a maioria das pessoas, terá pouca relevância em sua futura vida profissional?", questiona ele. O professor ganhou notoriedade nacional depois que os seus alunos apresentaram resultados excelentes em competições de matemática. Vários alcançaram pontuação máxima. "A IA já traduz tudo"As declarações de Tang rapidamente viralizaram nas redes sociais chinesas. "Muitos se perguntam por que passar anos decorando inglês se ferramentas de inteligência artificial conseguem traduzir textos e conversas em poucos segundos", escreveu um usuário da plataforma Weibo. Outros defendem medidas menos radicais. Uma das propostas é reduzir o peso da disciplina nos exames nacionais, sem eliminá-la completamente. O debate também envolve o grande mercado de aulas particulares. Muitas famílias chinesas investem quantias exorbitantes em cursos preparatórios voltados especificamente para os testes de inglês. Além disso, estudantes que desejam ingressar em programas de pós-graduação normalmente precisam comprovar proficiência no inglês. Para Tang, essa exigência pode acabar excluindo jovens talentos das áreas de ciência e tecnologia que possuem grande potencial acadêmico, mas encontram dificuldades com línguas estrangeiras. Ciência e competitividade globalOs críticos da proposta argumentam que reduzir a importância do inglês pode prejudicar a competitividade internacional da China. Grande parte da produção científica mundial, especialmente em áreas estratégicas como inteligência artificial (IA), biotecnologia e engenharia, é publicada em inglês. Sem domínio adequado do idioma, pesquisadores e profissionais chineses teriam mais dificuldades para acompanhar avanços científicos e participar de redes globais de conhecimento. Entre os defensores de manter a importância do inglês no sistema educacional está Hu Xijin, ex-editor-chefe do jornal estatal Global Times. Para ele, o domínio de idiomas estrangeiros é uma competência fundamental no século 21. "Vivemos em uma era de globalização. A abertura da China para o mundo não é apenas uma política de Estado; ela amplia as oportunidades das pessoas e seus horizontes profissionais e culturais", afirmou. Ele também critica a ideia de transformar o debate em uma disputa entre tradição chinesa e influência estrangeira. Segundo Hu, dá para valorizar a cultura nacional e, ao mesmo tempo, o aprendizado de idiomas. Compreender outras línguas amplia as possibilidades de intercâmbio econômico, científico e cultural, destaca. Outro argumento frequente é o da igualdade de oportunidades. Para os defensores da disciplina, manter o inglês no currículo obrigatório garante que crianças de regiões rurais e menos desenvolvidas também tenham acesso a uma ferramenta importante para a mobilidade social e profissional. Universidades repensam formaçãoA discussão ocorre em um momento de transformação nas universidades chinesas especializadas em línguas estrangeiras. Docentes relatam que cursos tradicionais, como alemão, francês e outras graduações voltadas exclusivamente para idiomas, vêm atraindo menos candidatos nos últimos anos. Como resposta, instituições de ensino superior têm reformulado seus currículos. Na Beijing Foreign Studies University, uma das mais prestigiadas da área, o modelo que combina formação linguística com outras especializações, como direito, tecnologia da informação e economia está ganhando força. A discussão sobre a influência estrangeira na educação está longe de ser novidade na China. Já no final do século 19, durante o movimento de modernização da dinastia Qing, intelectuais defendiam que o país deveria aprender com as potências ocidentais para fortalecer seu próprio desenvolvimento. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Proposta de professor universitário reacende discussão sobre o papel do idioma inglês na educação chinesa. | ||
| Author | Dang Yuan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/china-debate-reduzir-a-importância-do-inglês-nas-escolas/a-79211825?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=China%20debate%20reduzir%20a%20import%C3%A2ncia%20do%20ingl%C3%AAs%20nas%20escolas | ||
| Item 40 | |||
| Id | 79149548 | ||
| Date | 2026-09-07 | ||
| Title | Como a Coreia do Norte vem dominando o futebol feminino de base | ||
| Short title | Como as norte-coreanas vêm dominando o futebol de base | ||
| Teaser |
Jovens jogadoras norte-coreanas chegam à Copa do Mundo sub-20 na Polônia como atuais campeãs. O título de 2024 foi o terceiro da equipe. O que explica o bom desempenho do time na modalidade? Há um ano, a seleção feminina de futebol da Coreia do Norte defendeu com sucesso seu título da Copa do Mundo sub-17, após vencer a Holanda por 3 a 0 no Marrocos. Foi a quarta vez que o país conquistou a competição. Agora, a seleção sub-20 do país chega à Copa do Mundo na Polônia como atual campeã, tendo conquistado seu terceiro título mundial em 2024. As jogadoras norte-coreanas consolidaram de maneira indubitável seu status como a força dominante no futebol feminino de base. Mas o que faz com que um Estado que, segundo as Nações Unidas, "não tem paralelo no mundo contemporâneo" seja tão bom no futebol de base? "O esporte internacional é uma das poucas formas de demonstrar sua soberania, existência e identidade à comunidade internacional; portanto, esse tipo de sucesso é, do ponto de vista deles, uma oportunidade importante para exibir a bandeira nacional diante do público internacional", explicou à DW o Dr. Jung Woo Lee, professor sênior de Políticas de Esporte e Lazer da Universidade de Edimburgo. "Ao mesmo tempo, internamente, a Coreia do Norte frequentemente utiliza o esporte como ferramenta de propaganda para glorificar seus líderes e exaltar a grandeza do país." Estratégia clara e conscienteO futebol é popular no país, mas, reconhecendo que é muito mais difícil superar a diferença de nível para a elite no futebol profissional adulto do que nas categorias de base, os líderes norte-coreanos voltaram sua atenção para o futebol feminino de base, onde essa lacuna é mais administrável. É também por isso que esse sucesso não se traduziu em benefícios para a seleção principal ao longo dos anos. Essa estratégia não busca promover um desenvolvimento de longo prazo; o objetivo é vencer. "A diferença entre clubes consolidados e clubes em desenvolvimento também é grande porque, em muitos países europeus, existem ligas profissionais e os clubes recebem mais apoio de diversas partes interessadas", afirmou Lee. "No futebol de base, acredito que as organizações esportivas europeias enfatizam mais a diversão ao jogar. Já na Coreia do Norte, mesmo aos 13 ou 14 anos, os jovens ingressam em regimes de treinamento extremamente disciplinados, sistemáticos e profissionalizados, o que lhes permite se destacar desde cedo." No Marrocos, a seleção norte-coreana sub-17 sofreu apenas três gols em todo o torneio e marcou três ou mais gols em quatro partidas. Esse desempenho deu continuidade à boa fase da equipe, em 2024, por exemplo, a seleção feminina sub-20 não apenas goleou a Argentina por 6 a 2, como também conquistou três vitórias consecutivas por 1 a 0, das quartas de final em diante, para se sagrar campeã do torneio. Com o apoio da Escola Internacional de Futebol de Pyongyang – onde as jovens são selecionadas, desenvolvidas e educadas segundo uma abordagem altamente disciplinada e científica –, a Coreia do Norte identificou uma oportunidade e soube apriveitá-la. Propaganda do regime e privilégiosAos olhos da Coreia do Norte, isso também representa uma vitória para o próprio Estado. "É preciso lembrar que a Coreia do Norte ainda mantém um regime socialista e comunista muito forte", explicou Lee. "Especialmente sob o comando de Kim Jong-un [ditador norte-coreano], eles tentam comparar os regimes capitalista e comunista, apresentando o regime comunista como superior. Além disso, ao observar a cobertura sobre o desempenho esportivo norte-coreano na imprensa do país, é possível notar uma ênfase no fato de que, por estarem sob um regime comunista, os atletas fazem o que for preciso, mesmo quando estão fisicamente exaustos. "Eles comparam diretamente essa mentalidade com a dos países capitalistas. No capitalismo, quando os atletas estão fisicamente exaustos ou lesionados, não há como continuar competindo; eles precisam ser substituídos pelo técnico. Mas, nos sistemas socialistas, a força de vontade é mais importante do que a opinião profissional do técnico ou da equipe médica. Dessa forma, a Coreia do Norte apresenta esse modelo como um sistema superior." Esse fator psicológico parece ter conferido uma vantagem à equipe, mas, além do forte sentimento de patriotismo e de anos de trabalho disciplinado, há também a perspectiva de recompensas capazes de transformar vidas "Embora muitas vezes vejamos a Coreia do Norte como um país bastante subdesenvolvido, essencialmente agrícola e com uma população que enfrenta privações, a realidade de quem vive em Pyongyang é bem diferente. Essas pessoas são, de certa forma, privilegiadas", explicou Lee. Como incentivo, segundo ele, o regime pode conceder às jogadoras que vivem fora da capital certificados de residência, documento necessário para residir em Pyongyang. Além disso, muitos atletas recebem apartamentos. Essa motivação não deve ser subestimada. A vida nas áreas rurais da Coreia do Norte é dura, com relatos frequentes de escassez de alimentos e de assistência médica precária. Viver na cidade grande é uma realidade bem diferente. "É uma maneira de mudar de vida. É como ganhar na loteria, de certa forma", explicou Lee. O que vem a seguir para as campeãs?Para jogadoras de destaque como Yu Jong-hyang, artilheira da Copa do Mundo sub-17 de 2025, ou Choe Il-son, peça-chave nas conquistas das Copas do Mundo sub-17 e sub-20 em 2024, a reação imediata é imaginar qual time da WSL (primeira divisão do futebol inglês feminino) ou da NWSL (primeira divisão dos EUA) tentará contratá-las; no entanto, isso seria ignorar o contexto em que elas vivem e jogam. "Não acho impossível, mas também não é tão simples", disse Lee sobre a possibilidade de qualquer uma dessas atletas de destaque jogar no exterior. "Antes de tudo, há as sanções econômicas impostas à Coreia do Norte", observou. Além disso, houve alguns casos em que jogadoras norte-coreanas ingressaram em uma liga europeia de basquete, mas "o salário não era enviado para a conta pessoal da atleta ou do agente, mas sim para uma conta do governo norte-coreano; então, acredito que esse seja mais um fator de complexidade". Embora muito sobre essas equipes – assim como sobre o país – permaneça envolto em mistério, é inegável que o sucesso nas categorias de base sempre fez parte do plano. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Jogadoras norte-coreanas chegam à Copa do Mundo sub-20 como atuais campeãs, após a conquista do terceiro título em 2024. | ||
| Author | Jonathan Harding | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-a-coreia-do-norte-vem-dominando-o-futebol-feminino-de-base/a-79149548?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Como%20a%20Coreia%20do%20Norte%20vem%20dominando%20o%20futebol%20feminino%20de%20base | ||
| Item 41 | |||
| Id | 78881574 | ||
| Date | 2026-09-03 | ||
| Title | Despedida de Messi deixa Argentina "órfã" no futebol | ||
| Short title | Despedida de Messi deixa Argentina "órfã" no futebol | ||
| Teaser |
Herdeiro de Maradona conquistou torcedores sem teatralidade. Frustrações, quedas e tropeços acabaram por fazer dele um herói tardio.A despedida de Lionel Messi encerra uma era da Albiceleste, a seleção de futebol da Argentina. O jogador, que recebeu a camisa 10 das mãos de Diego Maradona em 2009, começou sendo comparado ao mito da Copa do Mundo de 1986. Hoje, ele deixa para trás uma carreira reconhecida como extraordinária.
Mas há discordâncias sobre o quanto ele pode ser, de fato, chamado de ídolo popular argentino, tal qual foi Maradona. Para o cientista político Vicente Palermo, Messi é "muito querido" no país, mas lhe faltam as características para cravar o título, já que ele manteve uma personalidade mais reservada.
"É uma pessoa tranquila, não politiza nem partidariza, leva uma vida normal," diz Palermo, fundador do Clube Político Argentino.
A antítese entre Maradona e Messi
Maradona era diferente. "Nele havia toda uma série de simbolismos nacionais, populares, rebeldes, resistentes, questionadores. No caso de Messi, porém, o valor que se destaca é sua qualidade futebolística", diz Pablo Alabarces, professor da Universidade de Buenos Aires (UBA) e um dos pioneiros da sociologia do esporte na América Latina.
"Messi não é um símbolo de identidade coletiva, mas é alguém muito admirado. É uma figura muito poderosa, que não substitui Maradona, e sim o complementa", acrescenta.
Palermo descreve o craque morto em 2020 como, ao mesmo tempo, um ídolo nacional e divisivo. Sua personalidade permitia que se tornasse uma figura política, cultural e identitária. Messi, em contrapartida, nunca pareceu interessado em representar nada além do futebol.
Isso pode até uma virtude, diz Palermo: "Ainda que em pequena medida, isso é bom para quem não compartilha do nacionalismo argentino, embora também se emocione quando a seleção vence".
Um herói tardio
A ausência de teatralidade foi durante anos justamente o problema de Messi para conquistar aceitação popular. Diante do campeão Maradona, "aquele astro, aquele Deus", era difícil competir, explica à DW Alejandro Wall, jornalista e coautor de um livro sobre o jogador que agora se aposenta.
Ele precisou medir forças com uma figura que não era apenas um jogador de futebol, mas uma construção coletiva da Argentina. Mas Messi acabou conquistando seu espaço não por imitar Maradona, mas sendo simplesmente ele mesmo.
Sua maior virtude, acrescenta Wall, foi construir sua trajetória suportando frustrações, quedas e tropeços. Perdeu finais, recebeu críticas, chegou a anunciar sua aposentadoria da seleção e voltou atrás. As vitórias posteriores não apagaram esse percurso, mas lhe deram um novo status.
"Messi não é um símbolo de identidade coletiva, mas é um herói, alguém muito admirado", ressalta Pablo Alabarces. "Tardiamente, porque demorou muito para se impor, pelo menos até a Copa de 2014 e, eu diria, principalmente até seu primeiro grande título, a Copa América de 2021. Ele era muito contestado pelos torcedores mais tradicionais. A admiração por ele cresceu impulsionada pelo peso de torcidas menos tradicionais, ou seja, mulheres e jovens."
Adeus sem alarde
Messi se despede por vontade própria, de forma discreta, sem se proclamar símbolo de nada. A carta que publicou em 31 de agosto de 2026 foi escrita, na verdade, em 21 de julho, dois dias depois da derrota para a Espanha na final da Copa do Mundo.
A recente morte de seu pai, explica o jogador, influenciou uma decisão que já havia amadurecido. "Doeu e dói na alma", escreve Messi na carta, na qual afirma sentir-se "vazio", garante que já não tem mais nada a oferecer e agradece pelos vinte anos vividos com a seleção. Ele encerra a mensagem agradecendo a Deus "por ter me feito argentino" e com um último "Vamos, Argentina!".
A relação com o país de origem ajuda a entender por que Messi acabou sendo aceito como um dos seus, apesar de ter deixado a Argentina aos 13 anos. "Ele jamais perdeu o sotaque", recorda Wall," e fala como alguém de Rosário até hoje."
O luto público foi intenso: políticos, atores, jornalistas, filósofos e personalidades da televisão argentina vieram a público para se despedir do jogador. Wall percebe "uma espécie de orfandade futebolística", em que Messi já faz parte de uma memória compartilhada por milhões de pessoas.
A pergunta que fica agora, diz o especialista, é quem vestirá a camisa 10, quem herdará a braçadeira de capitão e quem ocupará em campo um espaço que durante anos pareceu pertencer exclusivamente a Messi.
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| Short teaser | Herdeiro de Maradona conquistou torcedores sem teatralidade e acabou virando um herói tardio. | ||
| Author | María Santacecilia | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/despedida-de-messi-deixa-argentina-órfã-no-futebol/a-78881574?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Messi jogou a última Copa do Mundo em 2026 | ||
| Image source | Brett Davis/IMAGN Images/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77962994_354.jpg&title=Despedida%20de%20Messi%20deixa%20Argentina%20%22%C3%B3rf%C3%A3%22%20no%20futebol | ||
| Item 42 | |||
| Id | 78472005 | ||
| Date | 2026-08-22 | ||
| Title | Violência marca clássico da Copa da Alemanha e deixa mais de 80 feridos | ||
| Short title | Briga em jogo da Copa da Alemanha deixa mais de 80 feridos | ||
| Teaser |
Partida entre Waldhof Mannheim e Kaiserslautern foi interrompido após invasão de campo, uso de sinalizadores e intervenção policial. Entre os feridos estão 35 policiais. A partida entre Waldhof Mannheim e Kaiserslautern pela primeira fase da Copa da Alemanha foi ofuscada por graves confrontos entre torcedores, que deixaram ao menos 85 feridos, incluindo 35 policiais, no estádio Carl-Benz, em Mannheim. O jogo, disputado na noite de sexta-feira (21/08), reuniu cerca de 23.500 espectadores, entre eles 3.500 torcedores visitantes. Desde os primeiros minutos, o ambiente foi marcado pelo uso frequente de artefatos pirotécnicos nas arquibancadas, obrigando o árbitro a interromper a partida ainda no início. A situação se agravou após o fim do tempo regulamentar, encerrado em 0 a 0. Depois de uma discussão entre jogadores em campo, torcedores do Kaiserslautern lançaram foguetes em direção a setores do estádio. Em seguida, parte da torcida do Mannheim invadiu o gramado, enquanto sinalizadores e rojões continuavam sendo disparados. Diante da escalada da violência, a polícia entrou em ação com agentes a pé, cavalaria, cães e spray de pimenta. O início da prorrogação foi adiado, e a partida chegou a correr risco de ser interrompida definitivamente. Um incêndio de pequenas proporções provocado por um sinalizador no setor visitante também precisou ser controlado pelos bombeiros. Oito pessoas encaminhadas ao hositalSegundo a polícia, 85 pessoas receberam atendimento médico e oito foram levadas a hospitais com ferimentos considerados leves. As autoridades informaram ainda que abriram investigações por suspeita de agressão, danos ao patrimônio, perturbação da ordem pública, ataque a agentes de segurança e violações da legislação sobre explosivos. Após cerca de meia hora de atraso, a partida foi retomada. O Kaiserslautern garantiu a classificação para a segunda fase da Copa da Alemanha com um gol marcado no último minuto da prorrogação, vencendo por 1 a 0. O confronto já havia sido classificado pelas autoridades como um jogo de alto risco devido à histórica rivalidade entre as duas torcidas. Cerca de 1.400 agentes de segurança foram mobilizados para a operação. As duas cidades ficam no oeste da Alemanha, separadas por cerca de 50 quilômetros. As cenas de violência provocaram forte reação política. O secretário do Interior do estado de Baden-Württemberg, Manuel Hagel, afirmou que quem usa o futebol como palco para atos violentos "não é torcedor, mas criminoso". le (dpa, sid, efe) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Duelo entre Waldhof Mannheim e Kaiserslautern foi interrompido após invasão de campo. Entre os feridos, há 35 policiais. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/violência-marca-clássico-da-copa-da-alemanha-e-deixa-mais-de-80-feridos/a-78472005?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 43 | |||
| Id | 78435457 | ||
| Date | 2026-08-20 | ||
| Title | Crises de ausência: a condição que faz Musiala, do Bayern, desmaiar em campo | ||
| Short title | A condição médica que faz Musiala desmaiar em campo | ||
| Teaser |
Um dos principais jogadores de futebol da Alemanha desmaiou em campo pela segunda vez em quatro dias, às vésperas do início da nova temporada. Ele revelou ter uma disfunção neurológica que causa apagões. O jogador do Bayern de Munique e da seleção alemã, Jamal Musiala, desmaiou durante uma partida de futebol pela segunda vez em quatro dias. Ele precisou de ajuda para sair de campo, visivelmente atordoado, apenas seis minutos após entrar no jogo vindo do banco de reservas na vitória de sua equipe por 4 a 2 em amistoso contra o Heidenheim, na terça-feira (18/08). Musiala já havia desmaiado de forma semelhante em uma partida contra o RB Leipzig alguns dias antes. Após o jogo contra o Heidenheim, Musiala explicou em uma postagem no Instagram que os apagões foram causados por uma disfunção neurológica conhecida como crises de ausência. "Fui diagnosticado com crises de ausência temporárias, breves, mas facilmente tratáveis, que são causadas por uma disfunção neurológica", escreveu ele na publicação, que recebeu apoio de muitos no mundo do futebol, incluindo o goleiro do Bayern, Manuel Neuer, e o ex-atacante da Alemanha e do Bayern, Thomas Müller. "Essas crises podem levar aos episódios recentes, como o contra o Leipzig ou agora em Heidenheim. Sei que parecem assustadoras à primeira vista, mas para mim, na verdade fazem parte do meu dia a dia. "Estou recebendo um excelente tratamento médico e estou muito otimista." O Bayern, minha família e meus amigos estão sempre ao meu lado, me apoiando nessa jornada." O que são crises de ausência?Anteriormente conhecidas como crises de "pequeno mal", as crises de ausência são divididas em dois tipos: típicas e atípicas. Ainda não está claro qual delas seria a de Musiala. Os casos típicos fazem com que a pessoa pare instantaneamente tudo o que está fazendo e pareça "desligar". Às vezes, seus olhos podem olhar para cima ou piscar. Elas duram entre 10 e 20 segundos e podem causar alguma confusão por alguns segundos depois, antes que a pessoa retorne ao seu estado normal. Os casos atípicos geralmente duram um pouco mais e também podem incluir movimentos de mastigação ou estalos com os lábios, movimentos com as mãos ou piscadas repetitivas. Ambas são um tipo de epilepsia e, de acordo com a Fundação de Epilepsia dos Estados Unidos, são causadas por "breve atividade elétrica anormal no cérebro de uma pessoa". Elas são mais comuns em crianças, mas podem ocorrer em adultos. Segundo a fundação, essas crises podem ocorrer por um longo tempo antes de serem diagnosticadas, dependendo do ambiente em que ocorrem. Algumas pessoas podem ter centenas de breves crises de ausência por dia. O tratamento geralmente não é necessário, mas existem medicamentos disponíveis para casos mais graves. A carreira de Musiala está em risco?O Bayern de Munique afirmou que as crises convulsivas não representam uma ameaça para a carreira de Musiala, mas parece evidente que desmaiar em campo será algo difícil de controlar se o problema não se resolver. Embora de natureza muito diferente, as crises convulsivas são mais um revés para um jogador que tem lutado contra problemas físicos nos últimos anos. Musiala, de 23 anos, quebrou a perna no Mundial de Clubes em julho passado e teve dificuldades para recuperar a forma física e o ritmo de jogo. Em março, ele sofreu uma lesão no tornozelo. Ele integrou a seleção alemã na Copa do Mundo em junho, mas pareceu fora de ritmo durante boa parte do torneio. Ele precisou de uma pequena cirurgia para remover uma placa de metal do pé, remanescente da operação na perna do ano passado. O que vem a seguir para Musiala e o Bayern?A temporada do Bayern começa neste sábado com a Supercopa da Alemanha, renomeada como Supercopa Franz Beckenbauer, em homenagem ao lendário jogador e técnico da seleção alemã. A partida normalmente coloca os campeões alemães contra os vencedores da Copa da Alemanha, mas, como o Bayern venceu ambas no ano passado, eles enfrentarão o vice-campeão da liga, Borussia Dortmund. Eles iniciam a defesa do título da Bundesliga na sexta-feira seguinte, 28 de agosto, contra o Stuttgart, em Munique. Não está claro se Musiala participará de alguma dessas partidas e como o Bayern e o jogador lidarão com as convulsões, mas Musiala permanece otimista. "Tem sido meu desejo pessoal assumir esse desafio e, com a aprovação dos neurologistas, continuar me concentrando no que mais me ajuda na minha recuperação: simplesmente viver minha vida cotidiana e continuar a perseguir minha paixão por jogar futebol", escreveu o jogador. "Assumi a responsabilidade por isso. No geral, me sinto muito positivo e estou no caminho certo. O que mais me ajuda nessa jornada é continuar buscando vitórias e títulos com meu time e o apoio incrível de vocês." -------- |
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| Short teaser | Jogadores que desmaiou pela 2ª vez em quatro dias afirmou ter uma disfunção neurológica que causa apagões. | ||
| Author | Matt Pearson | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/crises-de-ausência-a-condição-que-faz-musiala-do-bayern-desmaiar-em-campo/a-78435457?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 44 | |||
| Id | 77647317 | ||
| Date | 2026-06-21 | ||
| Title | Milhares de pessoas celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Short title | Milhares celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Teaser |
Com coroas de flores, 20 mil visitantes se dirigiram ao monumento milenar no Reino Unido para acompanhar o nascer do Sol do dia mais longo do ano no Hemisfério Norte.Uma multidão de mais de 20 mil pessoas se reuniu no início da manhã deste domingo (21/06) no milenar sítio arqueológico de Stonehenge, no Reino Unido, para ver o nascer do sol às 4h25 (0h25 em Brasília) no dia mais longo do ano no Hemisfério Norte, segundo a organização pública English Heritage, que administra monumentos históricos na Inglaterra.
Os visitantes, alguns usando coroas de flores, tocaram o monumento antigo e comemoraram quando o sol resplandecente surgiu no horizonte enevoado.
"Ao amanhecer do dia mais longo do ano, recebemos mais de 20.000 pessoas para celebrar juntas, com milhares de outras participando de todo o mundo por meio de nossa transmissão ao vivo", informou no domingo a English Heritage, organização que administra o sítio de Stonehenge.
Em 21 de junho, o Hemisfério Norte da Terra está inclinado ao máximo em direção ao Sol, resultando no dia mais longo do ano. O oposto ocorre no Hemisfério Sul, que tem seu dia mais longo em 21 de dezembro.
O círculo de pedras megalíticas pré-histórico situado na Planície de Salisbury, em Wiltshire (sudoeste da Inglaterra), parece ter sido construído há milhares anos para se alinhar com a trajetória do Sol nesses dias.
Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de pedras, que chegam a ter 5 metros de altura e a pesar quase 50 toneladas, localizada na Inglaterra, no condado de Wiltshire, na Planície de Salisbury.
Stonehenge é um dos monumentos pré-históricos mais famosos do mundo. Formado por enormes blocos de pedra organizados em círculos, ele foi construído ao longo de várias etapas entre aproximadamente 3000 a.C. e 2000 a.C.
Embora seu propósito exato ainda seja desconhecido, pesquisadores acreditam que Stonehenge tenha servido como local de cerimônias religiosas, espaço de sepultamento e até como observatório astronômico, devido ao seu alinhamento com o Sol durante os solstícios.
Algumas pedras pesam mais de 25 toneladas e parte delas foi transportada de regiões localizadas a centenas de quilômetros de distância. Por causa de sua importância histórica e cultural, Stonehenge foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1986.
Como funcionam as celebrações em Stonehenge?
A partir de 1978, o acesso do público a Stonehenge passou a ser restrito — os visitantes não podiam mais circular livremente entre as pedras —, em resposta a casos de vandalismo e ao aumento da erosão decorrentes do rápido crescimento do número de turistas.
As reuniões modernas por ocasião do solstício tiveram início já em meados do século 19, facilitadas pelo acesso ferroviário à cidade vizinha Salisbury.
Esses eventos, de caráter um tanto mais anárquico e espontâneo, chegaram a um fim violento em 1985, quando a polícia e um grupo de centenas de visitantes entraram em confronto no que ficou conhecido como a Batalha de Beanfield.
Enquanto a polícia tentava fazer cumprir uma liminar obtida pelas autoridades locais para impedir a passagem dos visitantes — inicialmente por meio de um bloqueio na estrada —, mais de 500 pessoas acabaram sendo presas.
Foi um dos maiores episódios de prisão em massa no Reino Unido depois Segunda Guerra Mundial.
A partir do ano 2000, a English Heritage passou a permitir o acesso controlado ao sítio de Stonehenge durante os dois solstícios — bem como nos equinócios de primavera e outono. Desde então, esses eventos ganharam popularidade.
Solstício de verão em meio a uma onda de calor
A celebração ocorreu enquanto o Reino Unido e grande parte da Europa permanece sob alertas de calor intenso.
No domingo, as temperaturas na região de Salisbury estavam comparativamente amenas para os padrões nacionais, com previsão de máximas de 29 °C.
Na França, no entanto, o governo proibiu o consumo de álcool em locais públicos durante as celebrações do Dia da Música, que marcam o solstício de verão. O evento inclui milhares de shows em praças de vilarejos, locais de música eletrônica e casas noturnas de Paris, reunindo comunidades e atraindo cada vez mais visitantes internacionais.
Ainda na França são esperadas máximas de 40 °C no domingo, com a segunda-feira provavelmente ainda mais quente, com serviços de emergência e as forças militares foram colocados em alerta contra incêndios florestais.
Há também previsão de temperaturas atingindo 37 °C em Roma e 39 °C em Madri na segunda-feira.
O Met Office britânico informou que o calor deve atingir um pico de cerca de 35°C na terça e na quarta-feira, o que gerou alertas meteorológicos, alertas de saúde e preocupações com as pessoas vulneráveis.
Os meteorologistas afirmaram que a próxima semana pode quebrar o recorde da temperatura mais alta já registrada em junho, de 35,6 °C, estabelecido em 1976 em Southampton.
jps (dpa, DW, ots)
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| Short teaser | Vinte mil visitantes se dirigiram ao monumento para acompanhar nascer do Sol do dia mais longo no Hemisfério Norte | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/milhares-de-pessoas-celebram-o-solstício-de-verão-em-stonehenge/a-77647317?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/77643451_354.jpg
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| Image caption | Alguns dos visitantes exibiram flores sobre a cabeça para celebrar o solstício em Stonehenge | ||
| Image source | Alberto Pezzali/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 45 | |||
| Id | 53832364 | ||
| Date | 2026-05-03 | ||
| Title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Short title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Teaser |
Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número de tropas americanas no país europeu. EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha e decisão pode marcar grande mudança na relação de defesa entre os dois países Em meio a uma troca de farpas entre os EUA e a Alemanha, o Pentágono anunciou nesta semana que pretende retirar 5 mil dos seus militares que estão atualmente baseados no país europeu. Segundo o anúncio, a retirada deve ser completada num período de 6 a 12 meses. No sábado (02/05), foi a vez de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a retirada pode ser ainda mais ampla. "Vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais do que 5.000", disse Trump a repórteres. O movimento de retirada ocorre após Trump se enfurecer com declarações críticas à condução da guerra do Irã feitas pelo chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na segunda-feira, Merz afirmou que os que os Estados Unidos estão sendo "humilhados" em sua guerra contra o Irã e que parece faltar a Washington uma estratégia clara no conflito. Um dia depois, Trump respondeu que o alemão "não tem ideia do que está falando". "Merz acha ok o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!", disse em um post na rede Truth Social. Logo depois, veio o anúncio de redução de tropas baseada na Alemanha. Como parte da decisão, um plano da era Joe Biden para enviar um batalhão americano com mísseis Tomahawk de longo alcance para a Alemanha também foi abandonado. Não é a primeira vez que Trump faz movimentos para reduzir a quantidade de tropas dos EUA na Alemanha. Em 2020, o republicano chegou a anunciar um plano ainda mais drástico de redução, mas a iniciativa foi abandonada após a derrota de Trump para Joe Biden no mesmo ano. Presença militar dos EUA na AlemanhaSegundo o Pentágono entre 34 mil e 36 mil soldados ocupam atualmente em caráter permanente as bases americanas em solo alemão. Se incluídas as unidades militares em rotação, o número pode chegar temporariamente a 50 mil. Além do contingente militar, cerca de 15 mil civis americanos trabalham para o Departamento de Defesa dos EUA na Alemanha. A República Federal da Alemanha tem sido parte vital da estratégia de defesa dos Estados Unidos na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial: durante dez anos as forças americanas integraram a ocupação dos Aliados no país. Embora o contingente tenha diminuído drasticamente desde então, nas décadas seguintes comunidades militares americanas se formaram em torno de diversas cidades, e os militares dos EUA ainda são uma presença importante no país. A importância estratégica da Alemanha para os EUA se reflete na localização do quartel-general do Comando Europeu dos EUA (Eucom) na cidade de Stuttgart, no sudoeste do país, que serve como estrutura de coordenação partes todas as forças militares americanas em 51 países, principalmente europeus. A missão da Eucom é proteger e defender os EUA, impedindo conflitos, apoiando parcerias como a Otan e combatendo ameaças transnacionais. Sob seu comando estão o Exército, as Forças Aéreas e o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA na Europa, todos com unidades na Alemanha. A Alemanha abriga a maior parte das tropas americanas na Europa. Só no Japão os EUA mantêm mais pessoal militar. No entanto os números na Alemanha vêm caindo nos últimos anos: dados do governo alemão mostram que desde 2006 o número de militares dos EUA baseados na Alemanha diminuiu em mais da metade, sendo que há 20 anos a cifra chegava a 72.400. Fuzileiros navais, soldados e aviadoresA Alemanha abriga cinco guarnições do Exército americano e o quartel-general do Exército dos EUA na Europa está sediado na guarnição de Wiesbaden, próximo a Frankfurt, no centro-oeste do país. Dados fornecidos pelas Forças Armadas dos EUA mostram que essas cinco guarnições, cada uma englobando várias bases em locais diferentes, compreendem atualmente cerca de 23 mil militares. Esse número inclui as Forças de Fuzileiros Navais da Europa e da África, com sede em Böblingen, sudoeste da Alemanha, como parte da Guarnição do Exército dos EUA em Stuttgart. Além disso, há cerca de 13 mil membros da Força Aérea dos EUA espalhados por vários locais na Alemanha, incluindo as duas bases aéreas americanas em Ramstein e Spangdahlem. Mais do que apenas soldadosComo as instalações militares dos EUA também empregam civis e militares por vezes podem levar suas famílias para o exterior, consideráveis comunidades de civis se formam em torno dessas instalações. Na verdade, algumas bases americanas na Alemanha, como a de Ramstein, são pequenas cidades autônomas, englobando não só quartéis, aeroportos, áreas para exercícios militares e depósitos de materiais, mas também seus próprios shoppings, escolas, serviços postais e força policial americanos. Em certos casos, a única moeda corrente é o dólar americano. Atualmente, a guarnição do Exército dos EUA na Baviera, com quartel-general em Grafenwöhr, perto da fronteira com a República Tcheca, é a maior base do Exército americano no exterior, tanto em número de militares quanto em superfície, espalhando-se por mais de 390 quilômetros quadrados. As bases também costumam empregar um número significativo de residentes e servem de impulso econômico às comunidades alemãs adjacentes, cujas empresas fornecem bens e serviços. O fechamento de instalações anteriores, como a guarnição do Exército em Bamberg em 2014, afetou a economia local, e muitos alemães que vivem perto de instalações militares americanas manifestam oposição a possíveis reduções de tropas. Porém a extensão da presença militar dos EUA na Alemanha não se limita ao pessoal: o país também mantém aviões em outras bases aéreas não americanas em solo alemão. Além disso, calcula-se que 20 ogivas nucleares sejam mantidas na Base Aérea de Büchel, no âmbito do Acordo de Compartilhamento Nuclear da Otan, fato que suscitou muitas críticas por parte dos alemães. A importância de RamsteinA Base Aérea de Ramstein, no estado alemão da Renânia-Palatinado, é a maior base militar americana fora do país. Ela serve como um centro logístico para tropas, equipamentos e cargas a caminho do Oriente Médio, África e Europa Oriental. Ramstein também é o quartel-general da Força Aérea dos EUA na Europa e serve como centro de comando da Otan para vigilância do espaço aéreo militar de todos os parceiros europeus. A base aérea também abriga uma estação de retransmissão de satélites, de grande importância para o destacamento de drones de combate americanos, por exemplo, no Oriente Médio. Como a curvatura da Terra não permite o controle direto de drones a partir dos EUA, os sinais são retransmitidos por satélite via Ramstein. A base também funciona como um centro médico, já que soldados feridos da Europa, África ou Oriente Médio são transportados de avião para Ramstein e tratados no Centro Médico Regional de Landstuhl, adjacente à base, o maior hospital militar americano fora dos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o hospital recebeu soldados americanos feridos em ataques do Irã a países do Golfo. Ambas as instalações fazem parte da Comunidade Militar de Kaiserslautern, que abrange dezenas de milhares de soldados americanos, funcionários civis e seus familiares. Spangdahlem, por sua vez, é a segunda maior base da Força Aérea dos EUA em solo alemão, fica a cerca de 120 quilômetros mais a noroeste. Ao contrário de Ramstein, Spangdahlem serve principalmente para missões operacionais de combate. Um esquadrão de caças composto por cerca de 20 jatos F-16 está estacionado na base, funcionando como uma força de reação rápida em tempos de crise. O esquadrão ajuda a proteger o flanco leste da Otan e é especializado em eliminar as defesas aéreas inimigas. Ocupação aliada do pós-guerra e seu legadoA presença militar dos EUA na Alemanha é um legado da ocupação aliada pós-Segunda Guerra Mundial, que durou de 1945 a 1955. Durante esse período, milhões de militares americanos, britânicos, franceses e soviéticos estiveram estacionados na Alemanha. A parte nordeste do país ficou sob controle soviético, tornando-se oficialmente a República Democrática Alemã (RDA) em outubro de 1949. Na parte ocidental, a ocupação foi regulamentada pelo Estatuto da Ocupação, assinado em abril de 1949, quando foi fundada a República Federal da Alemanha. O estatuto permitiu que França, Reino Unido e EUA mantivessem forças de ocupação no país e o controle completo sobre o desarmamento e desmilitarização da antiga Alemanha Ocidental. Quando a ocupação militar da República Federal da Alemanha (RFA) terminou oficialmente, o país recuperou o controle de sua própria política de defesa. No entanto, o Estatuto de Ocupação foi sucedido por outro acordo com seus parceiros na Otan. O pacto – conhecido como Convenção sobre a Presença de Forças Estrangeiras na República Federal da Alemanha e assinado pelos alemães em 1954 – permitiu que oito países-membros da Otan, incluindo os EUA, mantivessem presença militar permanente na Alemanha. O tratado ainda regula os termos e condições das forças da Otan estacionadas hoje na RFA. O número de militares americanos na Alemanha vem diminuindo desde o fim da Guerra Fria, em 1990, quando, segundo Berlim, havia cerca de 400 mil soldados estrangeiros baseados no país. Cerca de metade deles eram americanos, mas foram gradualmente retirados à medida que diminuíam as tensões com os Estados sucessores da União Soviética, e conflitos em outros lugares, como a guerra do Iraque, requeriam mais militares dos EUA. Qual a importância das bases militares americanas para a economia alemã?As bases americanas são um fator econômico importante para a Alemanha. Muitas delas estão localizadas em regiões rurais do país, onde as forças armadas americanas atuam como o maior investidor e empregador. Mais de 10 mil alemães trabalham diretamente para as forças armadas americanas, enquanto estima-se que 70.000 empregos na Alemanha estejam indiretamente ligados a empresas que prestam serviços às Forças Armadas americanas, por exemplo, no setor da construção civil ou na indústria de serviços. Além disso, os soldados americanos baseados na Alemanha e suas famílias gastam grande parte de seus salários em lojas e empresas alemãs. A comunidade militar, por si só, contribui com até 3,5 bilhões de euros (US$ 4,1 bilhões) anualmente para as economias regionais. |
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| Short teaser | EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha. Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número. | ||
| Author | Ben Knight , Thomas Latschan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-presença-militar-dos-eua-na-alemanha-na-mira-de-trump/a-53832364?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=A%20presen%C3%A7a%20militar%20dos%20EUA%20na%20Alemanha%20na%20mira%20de%20Trump | ||
| Item 46 | |||
| Id | 76191308 | ||
| Date | 2026-03-03 | ||
| Title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Short title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Teaser |
Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos do tratado de livre-comércio caracterizam de maneira equivocada o setor agrícola europeu e a indústria brasileira.O embaixador do Brasil na Alemanha rechaçou as críticas de setores políticos europeus ainda resistentes ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Brasil. Segundo Rodrigo de Lima Baena Soares, a caracterização do tratado como uma "troca de carros por vacas" é um "desserviço" que não faz jus nem ao setor agrícola europeu nem à indústria brasileira.
"É preciso parar com a ideia de que esse acordo é uma troca de 'carros por vacas', uma expressão que circula tanto no discurso brasileiro quanto no europeu. Isso é uma caricatura e presta um desserviço. Isso caracteriza de maneira equivocada tanto a economia da Europa quanto a brasileira", disse Baena Soares, citando uma expressão crítica que virou um slogan de opositores do acordo, sobretudo na Europa.
"Pelo lado europeu, essa narrativa apresenta o agricultor do continente como vítima de uma ameaça existencial por parte dos agricultores sul-americanos. Só que a União Europeia é o maior exportador mundial de alimentos. E os agricultores europeus produzem alguns dos bens mais valorizados e sofisticados do mundo. Está longe de ser uma indústria frágil", disse Baena Soares, que assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado.
"E do lado brasileiro, há também um certo desajuste como o acordo é visto, de que seria apenas fornecimento de matérias-primas, quando a realidade é outra. A indústria brasileira exportou 181 bilhões de dólares em 2024. [O acordo] é uma oportunidade para a indústria, e não uma concessão. Com o acordo, as tarifas para a importação de máquinas cairão de 11,6% para menos de 1% até 2040", acrescentou.
Baena Soares fez as declarações na segunda-feira (02/02) durante o evento "Diálogos Internacionais Brasil-Alemanha", que ocorre nesta semana na Universidade de Frankfurt, no oeste alemão, e que é promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais).
Mensagem clara ao mundo
O diplomata também classificou como "excelente notícia" que a Comissão Europeia tenha anunciado no fim de fevereiro que pretende implementar o acordo de forma provisória, enquanto seguir pendente um pedido de parecer apresentado pelo Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), um processo que pode se arrastar por até dois anos. "Estou otimista que a Corte de Justiça da UE reconhecerá o acordo."
Baena Soares também disse o acordo é um "sinal inequívoco" do comprometimento do Brasil "com o multilateralismo". "O acordo é uma mensagem clara ao mundo que ainda há espaço para multilateralismo, apesar de todas tensões geopolíticas e o crescente protecionismo de alguns países".
"Mostra que divergências podem ser superadas por meio da negociação e do compromisso, um aspecto que anda difícil como atestam os últimos acontecimentos. Nós também não podemos subestimar o impacto político que esse acordo terá. Nosso diálogo político com a UE já é bom e vai ser ainda mais facilitado e fortalecido. Vamos lembrar que todos os países da UE e do Mercosul são países democráticos", disse.
"Esse acordo não é o destino, é a infraestrutura de uma jornada cujas dimensões plenas ainda vão ser mapeadas."
Negociado ao longo de duas décadas, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e EU foi finalmente assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai. Nas semanas seguintes, o Uruguai e a Argentina se tornaram os primeiros países a ratificar o tratado.
Já na Europa ainda não há consenso pleno. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu judicializar a questão, pedindo para que o Tribunal de Justiça da UE julgue a legalidade do tratado. Para evitar que a questão se arraste nos tribunais, a Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) anunciou que vai implementar o acordo de forma provisória.
Dentro do bloco europeu, o acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, mas ainda sofre resistência sobretudo da França, o principal produtor agrícola da UE.
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| Short teaser | Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos caracterizam o tratado de livre-comércio de maneira equivocada. | ||
| Author | Jean-Philip Struck (enviado a Frankfurt) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/acordo-mercosul-ue-não-é-uma-troca-de-carros-por-vacas/a-76191308?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado | ||
| Image source | Maksim Konstantinov/Russian Look/picture alliance | ||
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| Item 47 | |||
| Id | 75011709 | ||
| Date | 2025-12-04 | ||
| Title | Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal | ||
| Short title | Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal | ||
| Teaser |
Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono.
A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente.
O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro.
Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada.
Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes.
O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira.
Trump mantém apoio a Hegseth
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira.
Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado.
Hegseth debateu ataques no Iêmen
O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz.
O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais.
O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen.
O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar.
Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque.
A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada.
Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas.
as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)
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| Short teaser | Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/investigação-conclui-que-chefe-do-pentágono-pôs-soldados-em-risco-ao-usar-signal/a-75011709?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe | ||
| Image source | Ricardo Hernandez/AP Photo/dpa/picture alliance | ||
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| Item 48 | |||
| Id | 63791517 | ||
| Date | 2025-09-10 | ||
| Title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Short title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Teaser |
Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança.
Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade.
O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir.
Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes.
Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°?
Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança.
Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas.
Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão.
O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°.
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| Short teaser | Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. | ||
| Author | Bernd Riegert | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quais-as-diferenças-entre-os-artigos-4°-e-5°-da-otan/a-63791517?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado | ||
| Image source | Christoph Hardt/Panama/picture alliance | ||
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| Item 49 | |||
| Id | 72986020 | ||
| Date | 2025-06-21 | ||
| Title | Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Short title | Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Teaser |
Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã. O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam. Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados." Condições deterioram para afegãos no IrãO Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã. Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar. As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã. Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários." Sem opção de retornoAtualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família. "Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi." Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria." Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar. "Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos." Traficantes de pessoas exploram medosRedes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras. Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas. O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas." Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia." |
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| Short teaser | Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação. | ||
| Author | Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 50 | |||
| Id | 57531509 | ||
| Date | 2025-06-13 | ||
| Title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Short title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Teaser |
Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas. A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país. Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital. Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen. Sistema de três elementosA defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance. Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia. Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo. O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos. Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio. 90% de êxito, mas com custos altosO "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país. De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011. Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas. Nova arma a laser "Iron Beam"Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam". O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones. A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022. As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos. Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025. |
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| Short teaser | Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. | ||
| Author | Uta Steinwehr | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Como%20funciona%20o%20Domo%20de%20Ferro%2C%20sistema%20antim%C3%ADsseis%20de%20Israel | ||
| Item 51 | |||
| Id | 64814042 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Short title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Teaser |
UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção.
Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março.
Lei antioligarca
De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda.
Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias.
Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado.
Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos
A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares.
Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas.
Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares.
Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo
A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país.
Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros.
A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões.
Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares.
Não existem mais oligarcas ucranianos?
Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política.
Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los".
De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE.
Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra.
"Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos.
Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas.
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| Short teaser | UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas. | ||
| Author | Eugen Theise | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/qual-ainda-é-o-real-poder-dos-oligarcas-ucranianos/a-64814042?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia | ||
| Image source | Daniel Naupold/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/61090061_354.jpg&title=Qual%20ainda%20%C3%A9%20o%20real%20poder%20dos%20oligarcas%20ucranianos%3F | ||
| Item 52 | |||
| Id | 64820664 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Short title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Teaser |
De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. Prefeito de Istambul diz ser necessário até 40 bilhões de dólares para se preparar para possível novo grande tremor.Duas semanas e meia após o terremoto de 7,8 de magnitude na área de fronteira turco-síria, o número de mortos aumentou para mais de 50 mil, informaram as autoridades dos dois países nesta sexta-feira (24/02).
A Turquia registrou 44.218 mortes, de acordo com a agência de desastres turca Afad, e a Síria reportou ao menos 5,9 mil mortes. Nos últimos dias, não houve relatos de resgate de sobreviventes.
Tremores secundários continuam a abalar a região. Neste sábado (25/02), um tremor de magnitude 5,5 atingiu o centro da Turquia, informou o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a uma profundidade de 10 quilômetros.
O observatório sísmico de Kandilli disse que o epicentro foi localizado no distrito de Bor, na província de Nigde, que fica a cerca de 350 quilômetros a oeste da região atingida pelo grande tremor de 6 de fevereiro.
Graves incidentes e vítimas não foram reportados após o tremor deste sábado.
Segundo a Turquia, nas últimas três semanas, foram mais de 9,5 mil tremores secundários e a terra chegou a tremer, em média, a cada quatro minutos.
De acordo com o governo turco, 20 milhões de pessoas no país são afetadas pelos efeitos do terremoto. As Nações Unidas estimam que na Síria sejam 8,8 milhões de pessoas afetadas.
Turquia começa reconstrução
As autoridades turcas começaram a construir os primeiros alojamentos para os desabrigados. O trabalho de escavação de terra está em andamento nas cidades de Nurdagi e Islahiye, na província de Gaziantep, escreveu no Twitter o ministro do Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Mudança Climática, Murat Kurum. Inicialmente, estão previstos 855 apartamentos.
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometeu a reconstrução em um ano. Críticos alertam que erguer prédios tão rapidamente pode fazer com que a segurança sísmica dos edifícios seja negligenciada novamente. A oposição culpa o governo de Erdogan, que está no poder há 20 anos, pela extensão do desastre porque não cumpriu os regulamentos de construção.
Também neste sábado, o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, disse que pelo menos 184 pessoas foram detidas por suposta negligência em relação a prédios desabados após os terremotos. Entre eles, estão empreiteiros e o prefeito do distrito de Nurdagi, na província de Gaziantep.
Até agora, o Ministério do Planejamento Urbano inspecionou 1,3 milhão de edifícios, totalizando mais de meio milhão de residências e escritórios, e relatou que 173 mil propriedades ruíram ou estão tão seriamente danificadas que precisam ser demolidas imediatamente.
Ao todo, quase dois milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas, demolidas ou danificadas pelos tremores, e vivem atualmente em tendas, casas pré-fabricadas, hotéis, abrigos e diversas instituições públicas, detalhou um comunicado do Afad.
Cerca de 528 mil pessoas foram evacuadas das 11 províncias listadas como regiões afetadas, acrescentou o comunicado do serviço de emergência, enquanto 335 mil tendas foram montadas nessas áreas e 130 núcleos provisórios de casas pré-fabricadas estão sendo instalados.
Em março e abril começará a construção de 200 mil novas casas, prometeu o ministério turco. Estima-se que o terremoto de 6 de fevereiro tenha custado à Turquia cerca de 84 bilhões de dólares.
Na Síria, o noroeste é particularmente atingido pelos efeitos do tremor. Há poucas informações sobre o país devastado pela guerra. Diante de anos de bombardeios e combates, muitas pessoas ali já viviam em condições precárias antes dos tremores.
Istambul precisa de 40 bilhões de dólares
Enquanto isso, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, disse a cidade, que fica perto de uma grande falha geológica, precisa de um programa urgente de urbanização no valor de "cerca de 30 bilhões a 40 bilhões de dólares" para se preparar para um possível novo grande terremoto.
"A quantia é três vezes maior do que o orçamento anual da cidade de Istambul, mas precisamos estar prontos antes que seja tarde demais", disse Imamoglu a um conselho científico.
De acordo com um relatório de 2021 do observatório sísmico de Kandilli, um potencial terremoto de magnitude superior a 7,5 danificaria cerca de 500 mil edifícios, habitados por 6,2 milhões de pessoas, cerca de 40% da população da cidade, a mais populosa da Turquia.
Istambul fica ao lado da notória falha geológica do norte da Anatólia. Um grande terremoto em 1999 que atingiu a região de Mármara, incluindo Istambul, matou mais de 18 mil.
le (EFE, DPA, Reuters, ots)
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| Short teaser | De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. | ||
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| Image caption | Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil | ||
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