| Item 1 | |||
| Id | 78494580 | ||
| Date | 2026-08-25 | ||
| Title | Alemanha acha 3° drone com explosivos no aeroporto de Leipzig | ||
| Short title | Alemanha acha 3° drone e explosivos no aeroporto de Leipzig | ||
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Segundo relatos na imprensa alemã, autoridades encontraram nova arma dias após primeiro incidente no início de agosto. Chanceler Merz promete revelar em breve quem está por trás das tentativas de ataque.Investigadores alemães descobriram um terceiro drone com explosivos que estaria ligado a uma tentativa de ataque no início do mês ao aeroporto de Leipzig/Halle, informaram nesta terça-feira (25/08) as emissoras alemãs NDR e WDR e o jornal Süddeutsche Zeitung.
Segundo as reportagens, o terceiro drone foi encontrado em 14 de agosto, dez dias após o primeiro incidente, a oeste do aeroporto, em um campo em Kabelskental, onde os investigadores também descobriram cerca de 50 gramas de uma substância que suspeitam ser o explosivo militar hexogênio. "Os autores podem ter planejado um ataque muito maior do que o divulgado até o momento", afirmaram a NDR e a WDR.
O Ministério Público Federal, que assumiu a investigação da Procuradoria-Geral de Dresden, descreveu o incidente como um "ataque grave à infraestrutura de transportes e logística na Alemanha". O Bundeskriminalamt (BKA), departamento federal de investigações da Alemanha, assumiu a investigação do caso.
Após o incidente com o drone no aeroporto, a aldeia abandonada de Kursdorf, localizada nas proximidades, também foi alvo de buscas. Uma porta-voz do Ministério Público Federal confirmou as operações, mas não forneceu detalhes.
Segundo relatos dos jornais Die Zeit e da emissora ARD, testemunhas teriam ouvido uma detonação em Kursdorf horas antes da descoberta do drone explosivo no aeroporto. Uma área de terra queimada foi posteriormente encontrada no local.
Fontes de segurança citadas nas reportagens suspeitam do envolvimento da inteligência russa na tentativa de ataque, acusação que Moscou nega. As autoridades alemãs ainda não se manifestaram sobre o caso mais recente.
Novo nível de ameaça
Em 4 de agosto, um drone carregado de explosivos foi avistado e capturado próximo de uma aeronave ucraniana de carga Antonov An-124 Ruslan, usada para o transporte de suprimentos militares. É o maior avião de carga do mundo em operação.
A área de carga é fisicamente separada do pátio de aeronaves de passageiros, segundo a administração do aeroporto. O tráfego aéreo foi temporariamente suspenso por algumas horas.
A polícia federal enviou especialistas em desativação de bombas para o aeroporto e planejou uma detonação controlada da massa que continha o detonador. Um robô de desativação de bombas operado remotamente também foi acionado.
Segundo informações obtidas pela agência de notícias dpa, o aparelho foi derrubado por um funcionário do aeroporto com um chute, e não neutralizado por um sistema especializado de segurança.
O funcionário escapou por pouco de um acidente ao atingir o equipamento, que voava próximo à aeronave de transporte ucraniana no aeroporto. A revista Der Spiegel afirma que o artefato só não explodiu porque o detonador teria se desprendido anteriormente.
Os investigadores também suspeitam que um segundo drone teria colidido com um avião de carga da DHL logo após o fechamento temporário do aeroporto de Leipizg/Halle, utilizado como um centro de logística militar e de carga pela Otan e pela Antonov Airlines da Ucrânia para o fornecimento de suprimentos militares. O incidente não provocou danos graves.
O ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt, descreveu o incidente como um ataque híbrido que inaugura um novo nível de ameaça ao país. Observadores apontaram na mesma direção, afirmando que os drones aumentam cada vez mais não apenas os riscos de colisão com uma aeronave e de danos em menor grau, mas, também os riscos de danos à infraestrutura crítica.
O Ministério Público Federal informou que há provas concretas de que uma explosão foi intencionalmente provocada nas instalações do aeroporto "por meio de um drone". Explosivos profissionais e um detonador estavam acoplados ao objeto.
Pouco depois, em 6 de agosto, um avião de carga, que teve de abortar a aterragem devido ao incidente, colidiu em pleno ar com um objeto "presumivelmente outro drone", como explicou o Ministério Público Federal.
Merz promete anunciar os responsáveis
O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, disse nesta terça-feira que o governo anunciará em breve os responsáveis pela tentativa de ataques com drones. Ele disse que seu governo "trabalha em estreita colaboração com as autoridades de segurança neste caso, e divulgaremos e comentaremos sobre o assunto em breve".
Durante a inauguração de um centro de segurança de drones na Saxônia-Anhalt, na semana passada, Dobrindt disse que considerava possíveis ligações entre estes incidentes com outros planos de ataque. "Leipzig não é um caso isolado, mas sim parte de uma rede maior", disse o ministro.
(Reuters, AFP)
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| Short teaser | Segundo imprensa, autoridades encontraram novo objeto dias após o primeiro incidente. Merz promete revelar os culpados. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemanha-acha-3°-drone-com-explosivos-no-aeroporto-de-leipzig/a-78494580?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Drone com explosivos encontrado estaria ligado à tentativa anterior de ataque a avião ucraniano no aeroporto de Leipzig/Halle, | ||
| Image source | Hendrik Schmidt/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78257435_354.jpg&title=Alemanha%20acha%203%C2%B0%20drone%20com%20explosivos%20no%20aeroporto%20de%20Leipzig | ||
| Item 2 | |||
| Id | 78487094 | ||
| Date | 2026-08-24 | ||
| Title | China reduz importação de alimentos e amplia produção agrícola | ||
| Short title | China reduz importação de alimentos e amplia produção | ||
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Pequim quer fortalecer sua segurança alimentar, mas esbarra na limitação de terras e recursos agrícolas. Planos devem mudar papel do país nos mercados agrícolas. Em meados de agosto, a China comprou pouco mais de meio milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos para o próximo ano comercial. Essa quantidade, no entanto, representa apenas uma parte do total de suas importações: segundo a agência de notícias Reuters, em outubro passado, a China concordou em comprar aproximadamente 25 milhões de toneladas de soja anualmente dos EUA. O acordo é válido até o final de 2028. Embora o 15º Plano Quinquenal estabeleça como objetivo produzir cada vez mais alimentos dentro do próprio país, a China não consegue substituir todas as importações, como a soja. Essa leguminosa rica em proteínas serve não apenas como alimento para humanos, mas principalmente como ração para as enormes criações de suínos, aves e peixes da China. A agricultura chinesa dificilmente conseguirá superar essa dependência devido aos recursos limitados de terra e água disponíveis. A tentativa de garantir seu próprio abastecimento alimentar de forma mais eficaz é motivada, sobretudo, por um cenário internacional cada vez mais incerto. A guerra na Ucrânia demonstrou a rapidez com que o abastecimento agrícola e as rotas comerciais podem ser interrompidos. A isso se somam os conflitos comerciais e as consequências das mudanças climáticas. Para a China, a segurança alimentar é, portanto, também uma questão de segurança nacional. "A guerra entre a Rússia e a Ucrânia exacerbou os riscos à segurança alimentar nacional representados pelo atual mercado global de grãos e desencadeou uma reavaliação do comércio global de cereais baseado no livre comércio", afirmam pesquisadores num artigo publicado pelo think tank americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). Outro desafio são os recursos limitados do país. "Com quase 18% da população mundial, a China é o segundo país mais populoso depois da Índia, mas dispõe de apenas cerca de 7% das terras aráveis do planeta", aponta Christina Otte, especialista econômica da agência alemã de comércio exterior Germany Trade & Invest (GTAI) na China. Ao mesmo tempo, os riscos climáticos estão aumentando. Um estudo recente publicado na revista científica Nature mostra que eventos combinados de calor e seca aumentaram na China e estão impactando particularmente as colheitas de milho e arroz. Metas do 15º Plano QuinquenalEm seu 15º Plano Quinquenal para o período de 2026 a 2030, a liderança chinesa aposta sobretudo no aumento da produtividade agrícola. O plano visa aumentar a proporção de terras agrícolas de alta qualidade, de aproximadamente 70% para 75%. Ao mesmo tempo, busca desenvolver variedades de sementes mais resistentes, aumentar o nível de mecanização e expandir a agricultura inteligente. O uso da água também deve se tornar mais eficiente. "A China certamente estabeleceu metas ambiciosas para o seu setor agrícola", comenta Otte. Mas ela pondera que essa direção não é nova, e diz que há anos o país busca uma estratégia de fortalecimento da produção doméstica e redução da dependência de importações. Pequim também mira na modernização tecnológica, com investimento em novas variedades de sementes, biotecnologia, agricultura de precisão, digitalização e inteligência artificial. As máquinas serão utilizadas com maior precisão com o auxílio de sistemas de navegação, e sensores fornecerão alertas precoces de doenças ou eventos climáticos. Também estão previstos sistemas de irrigação mais eficientes e maior uso de fertilizantes orgânicos. "Embora todas essas medidas possam contribuir para um aumento significativo da produção agrícola, ainda se presume que a China continuará dependendo de importações no futuro", afirma Otte. Segundo ela, muitas áreas ou não são adequadas para uso agrícola, ou o são apenas em escala limitada. Impacto nos parceiros comerciaisAo mesmo tempo, Pequim busca diversificar seus fornecedores. O think tank britânico Chatham House descreve a combinação do aumento da produção doméstica, fontes de importação diversificadas e grandes estoques como componentes-chave da estratégia de segurança alimentar da China. Isso também inclui investimentos em novas rotas de transporte e cadeias de suprimentos, como infraestrutura portuária e ferroviária. Para os países que exportam produtos agrícolas para a China, a mudança na demanda chinesa provavelmente terá consequências variadas. Uma análise publicada em meados de agosto na Fulcrum, uma revista voltada para os desenvolvimentos políticos asiáticos do Instituto Iseas-Yusof Ishak, em Singapura, conclui que alguns países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em particular, podem ser afetados. De acordo com a análise, Camboja, Laos, Mianmar, Tailândia e Vietnã estão entre os países com dependência comparativamente alta do mercado chinês. A China já é amplamente capaz de garantir ou expandir ainda mais sua autossuficiência em arroz, aves e carne suína. A produção doméstica de trigo e milho também deve aumentar. No entanto, o país continua dependente de importações de soja, carne bovina, laticínios e óleos vegetais. Por isso, para os países da Asean, o Iseas prevê tanto uma diminuição nas oportunidades de exportação quanto uma demanda contínua ou crescente, a depender do produto. "Para os países que anteriormente exportavam grandes quantidades de alimentos e produtos agrícolas para a China, isso significa inicialmente um aumento da pressão competitiva", afirma Otte. "Ao mesmo tempo, porém, surgem novas parcerias e mudanças nas oportunidades de mercado." O Iseas aponta para o aumento da demanda por alimentos de maior valor agregado e já processados, incluindo café e cacau, bem como peixes e frutos do mar. Ao mesmo tempo, os requisitos de segurança alimentar, rastreabilidade e sustentabilidade provavelmente ganharão mais importância. "A China poderá, portanto, evoluir cada vez mais de um mercado que importa grandes quantidades de alimentos para um mercado de produtos mais seletivos e de maior qualidade", afirma Otte. Tecnologia agrícola como novo setor de exportaçãoA estratégia chinesa não se limita à produção doméstica. O Iseas destaca que a China já se tornou um fornecedor significativo de tecnologia agrícola, sementes melhoradas, sistemas de agricultura digital, tecnologia de irrigação e máquinas para processamento de alimentos. Isso pode criar oportunidades para transferência de tecnologia e cooperação para a Asean. O Chatham House também prevê repercussões internacionais para os investimentos chineses em tecnologia agrícola. Técnicas para aumentar a produtividade, reduzir o desperdício de alimentos e regenerar o solo poderiam, segundo o think tank, ser utilizadas também fora da China. "É possível, portanto, afirmar que a China tem potencial para se tornar um importante centro de tecnologia agrícola moderna", diz Otte. "Contudo, é improvável que o país alcance a independência total das importações de alimentos." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Pequim quer fortalecer sua segurança alimentar, mas esbarra na limitação de terras e recursos agrícolas. | ||
| Author | Kersten Knipp | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/china-reduz-importação-de-alimentos-e-amplia-produção-agrícola/a-78487094?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 3 | |||
| Id | 78490525 | ||
| Date | 2026-08-24 | ||
| Title | Trump ameaça tarifa de 50% sobre carros e aço canadense | ||
| Short title | Trump ameaça tarifa de 50% sobre carros e aço canadense | ||
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Nova sobretaxa, que vigoraria a partir de 2027, vem após Canadá prometer retaliar "dólar por dólar" tarifaço americano de 50% sobre outros produtos.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira (24/08) impor uma tarifa de 50% sobre carros, caminhões, autopeças e aço canadenses a partir de 2027.
O anúncio veio após o Canadá prometer retaliar "dólar por dólar" uma outra rodada de sobretaxas comerciais impostas pela Casa Branca no último sábado, depois que as negociações entre os dois países fracassaram.
"Produzam nos Estados Unidos e haverá TARIFA ZERO. O Canadá não será mais tratado como um estado [americano]", escreveu Trump na rede social Truth Social, acusando o país vizinho de "explorar" os EUA "há anos".
Segundo dados do governo canadense, carros, caminhões e autopeças estão hoje sujeitos a uma tarifa de 25%. Para importações de aço, alumínio e cobre, a tarifa varia entre 10% e 50%.
Para o premiê canadense Mark Carney, o anúncio de Trump confirma o receio do governo de que Washington está tentando desmantelar sua indústria automotiva.
Carney disse que o Canadá continua disposto a negociar, mas só se for tratado como um "subsidiário dos EUA na mesa de negociações".
Já o governador de Ontario, Doug Ford, ameaçou retaliar suspendendo o envio de energia e de minerais críticos aos EUA. "Ele subestima o Canadá", disse ele em entrevista à agência Associated Press. "Todos estão preparados para uma guerra econômica. Eles sabem que terão de fazer sacrifícios", acrescentou, referindo-se ao seu estado.
Segundo dados do governo americano, o país é o segundo maior parceiro comercial de Washington, atrás apenas do México.
Entre janeiro e junho, os EUA importaram cerca de 200 bilhões de dólares em mercadorias do Canadá e exportaram aproximadamente 175 bilhões de dólares para o país.
Tarifaço de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses em vigor desde sábado
A nova rusga entre EUA e Canadá vem após os dois países não conseguirem chegar a um acordo comercial até o fim da noite de sexta-feira para evitar tarifas americanas de 50% sobre uma série de outros produtos canadenses.
As tarifas, que entraram em vigor no sábado, atingem mercadorias no valor de 20 bilhões de dólares (R$ 103 bilhões), abrangendo cerca de 5% do que o Canadá exporta anualmente para os Estados Unidos.
Carney reagiu prometendo tarifas retaliatórias a partir de 8 de setembro, abrangendo aço, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, celulose, papel e produtos eletrônicos.
Os Estados Unidos atualmente respondem por cerca de 70% das exportações canadenses, o que torna Ottawa potencialmente mais vulnerável nesse impasse comercial.
ra (dpa, AP, AFP, Reuters)
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| Short teaser | Ameaça vem após Canadá dizer que retaliará "dólar por dólar" tarifaço americano de 50% imposto sobre outros produtos. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/trump-ameaça-tarifa-de-50-sobre-carros-e-aço-canadense/a-78490525?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Tarifa americana para carros, caminhões e autopeças vindos do Canadá está hoje em 25% | ||
| Image source | CNP/AdMedia/picture alliance | ||
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| Item 4 | |||
| Id | 78481193 | ||
| Date | 2026-08-24 | ||
| Title | José Dirceu minimiza impacto eleitoral de crises e prega renovação do PT | ||
| Short title | Dirceu minimiza impacto de crises e prega renovação do PT | ||
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De volta às urnas após mais de duas décadas, ex-ministro diz à DW que o PT precisa se adaptar a uma nova geração, critica o modelo de emendas parlamentares e aponta São Paulo como estado decisivo em 2026.De volta às urnas mais de 20 anos após ter o mandato cassado, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu reconhece que há insatisfação com o governo mesmo entre eleitores petistas, mas minimiza o impacto eleitoral de derrotas no Congresso ou de casos como a investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente.
Aos 81 anos, o advogado afirma ter recebido "uma missão" de Luiz Inácio Lula da Silva para voltar à direção do partido e disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Em entrevista à DW, ele defendeu a renovação do Partido dos Trabalhadores (PT).
"Tenho defendido que o PT precisa ser reconstruído, até porque a nova geração é outra, o mundo é outro e o Brasil também mudou. O partido já começou, por assim dizer, um aggiornamento de seu programa e de sua visão sobre o país", afirma.
Segundo ele, há desgastes junto a parte da base eleitoral, especialmente entre jovens e mulheres. "Nós sabemos que há problemas culturais, religiosos, há insatisfação. O governo tem um ônus muito grande, porque já governamos cinco vezes, e o Lula está na terceira vez", pontua.
"É bom que haja. Nós estamos vivendo um outro momento. É um governo com muitas limitações, muitas restrições orçamentárias e muitas limitações políticas. Então é preciso compreender isso e assumir que nós temos propostas para mudar essa situação e estamos fazendo isso", diz, ao comentar que o PT precisa também ampliar sua campanha nas redes sociais.
Figura central na chegada de Lula ao Planalto em 2002 e na construção de uma política de alianças que rompeu o isolamento do PT no começo do século, Dirceu reconhece derrotas importantes do campo governista também no Congresso, mas vê espaço para negociação.
"Crises políticas ocorridas nos últimos meses também criam a consciência de que é preciso repactuar a relação entre Executivo e Legislativo", afirma Dirceu, que faz campanha virtual enquanto trata um linfoma.
Dirceu foi o principal articulador político do governo Lula entre 2003 e 2005, quando perdeu o mandato em meio ao escândalo do mensalão. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), chegou a cumprir pena, mas teve a punibilidade extinta por indulto concedido pela então presidente Dilma Rousseff, em 2016. Agora, destacarta qualquer cargo executivo em um eventual novo governo ou a intenção de liderar uma bancada na Câmara.
"Vamos fazer campanha como se estivéssemos perdendo", diz, ainda que veja pouca possibilidade de crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas. "Nós vamos trabalhar assim, não vamos subestimar, por mais debilitada que esteja a candidatura do Flávio."
Corrupção e segurança na campanha
A corrupção e a segurança pública aparecem nas pesquisas entre os temas mais caros aos eleitores neste ano. Dirceu, porém, rejeita a avaliação que temas explorados pela oposição tenham potencial para alterar significativamente o cenário eleitoral, incluindo investigação por suposto tráfico de influência de Lulinha.
"Nós temos de responder a todas as questões da campanha. Existem problemas de corrupção? Existem, e o governo está combatendo, com a Polícia Federal, a CGU, a Receita Federal e o Coaf. Cada um responde pelos seus atos, como o presidente tem dito. [...] O filho dele tem de responder, como eu ou qualquer cidadão também têm de responder", afirma.
Ele defende, entretanto, que o país não deve repetir o interesse da direita em transformar segurança e corrupção na pauta principal e sobrepor esses temas a debates como o desenvolvimento econômico e a austeridade fiscal. "Não vamos cometer o erro histórico de transformar a corrupção no principal problema do país. Já fizemos isso durante a ditadura, que se apresentava como combate à corrupção e à subversão."
Ao comentar a campanha de Flávio Bolsonaro, afirma que o senador não conta com a mesma rede de apoio político que sustentou o bolsonarismo em 2018 e 2022. "Ele ainda não encontrou o discurso. [...] Está muito enfraquecido nos estados. Não acredito que ele consiga. Ou ele retoma o programa do pai, e aí retorna ao passado e perde a eleição, ou cria um programa."
O dirigente petista vê a escalada das tensões entre Washington e Brasília, do aumento de tarifas promovido por Donald Trump às sanções contra autoridades brasileiras, como uma tentativa explícita de interferência política em prol da candidatura de Flávio.
"É uma agressão política, porque ele quer intervir nos assuntos internos brasileiros, ele quer eleger a família Bolsonaro abertamente", afirma. "Há uma intervenção quando se cria uma agenda de conflito envolvendo o país e temas como big techs, terras raras e o Pix. [...] Essa crise internacional que o Donald Trump está criando gera consciência no país da necessidade de união e de buscar soluções para as nossas deficiências."
Ao comentar o avanço da direita também em diversos países latino-americanos, como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e Equador, Dirceu relativiza a ideia de uma onda regional homogênea.
"O Brasil tem características diferentes das de outros países da região, porque nós temos um histórico que o Petro [ex-presidente da Colômbia] não tinha, nem muito menos o Castillo [ex-presidente do Peru] e o candidato dele." Ele defende uma agenda de integração regional voltada para infraestrutura, energia, combate ao narcotráfico e imigração, mas ressalta divergências com Washington em temas de segurança internacional.
São Paulo como campo decisivo
Além da corrida presidencial, o ex-ministro considera a disputa estadual decisiva para a formação de maiorias políticas e vê São Paulo como peça-chave na disputa.
O estado elege a maior bancada da Câmara, com 70 deputados, e tem histórico recente favorável à direita. É também onde ele tenta retornar ao Congresso e onde o ex-ministro Fernando Haddad (PT) busca derrotar o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Há risco, segundo as pesquisas, de vitória do incumbente no primeiro turno, o que eliminaria um palanque para Lula no estado durante outubro.
"Evidentemente, o governador Tarcísio tem liderança, tem a sua coalizão partidária, tem apoio do prefeito da capital, que foi reeleito. Então nós não estamos enfrentando uma eleição como favoritos. Agora, dizer que é impossível vencer em São Paulo, eu não concordo desde o começo", pontua, ao destacar o consolidado eleitorado conservador no estado.
Reforma política e relação entre os Poderes
Em seu retorno à vida política, Dirceu também tem impulsionado pedidos de uma reforma política, eleitoral e também no Judiciário. Ele concentra críticas nas emendas parlamentares impositivas, cujo volume se aproxima dos investimentos discricionários da União.
"O Congresso, empoderado com emendas impositivas, evidentemente muda o presidencialismo, muda o papel do Congresso, que inclusive invade atribuições do Executivo."
Como alternativa, propõe obrigações de transparência e vinculação dos recursos a programas prioritários do governo para distribuição dos recursos, cuja imposição diminui a margem de negociação do governo. Embora critique o sistema de emendas, relativiza a narrativa de isolamento do governo no Congresso.
A rejeição do nome de Jorge Messias ao STF pelo Senado, segundo ele, representou uma derrota política relevante, mas pontual. Como contraponto, cita o apoio de partidos de centro e de direita na Esplanada. "O Lula abriu um diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre a segurança pública, a questão das terras raras, das blusinhas e o fim da escala 6 por 1. O pacto político é possível porque os problemas do país exigirão esse entendimento", argumenta.
Além da renovação partidária, Dirceu defende mudanças no sistema eleitoral, incluindo o debate sobre o voto em lista. Também considera necessário reavaliar o modelo de financiamento de campanhas após a proibição das doações empresariais.
"Naquele momento, a decisão de proibir o financiamento empresarial foi correta. Mas hoje há bilhões de reais concentrados nas mãos dos parlamentares, o que também produz poder econômico e influência política."
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| Short teaser | De volta às urnas após mais de duas décadas, ex-ministro diz à DW que PT precisa se adaptar a uma nova geração. | ||
| Author | Gustavo Queiroz | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/josé-dirceu-minimiza-impacto-eleitoral-de-crises-e-prega-renovação-do-pt/a-78481193?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Aos 81 anos, Dirceu voltou à vida política a pedido de Lula | ||
| Image source | Leandro Chemalle/TheNEWS2/ZUMA/picture alliance | ||
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| Item 5 | |||
| Id | 78485590 | ||
| Date | 2026-08-24 | ||
| Title | Coreia do Sul testa rota marítima alternativa pelo Ártico para evitar Oriente Médio | ||
| Short title | Coreia do Sul testa rota marítima alternativa pelo Ártico | ||
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Seul estuda viabilidade de rota marítima do Ártico até a Europa, mais curta que a convencional, em meio ao derretimento do gelo marítimo pelo aquecimento global e às tensões no Oriente Médio.A Coreia do Sul está pondo em prática, pela primeira vez, o plano de usar comercialmente a rota marítima do Norte, também conhecida como passagem do Nordeste, uma via que liga os oceanos Atlântico e Pacífico pelo Ártico, passando ao longo da costa norte da Europa e da região russa Sibéria.
O navio porta-contêineres PanStar Acro iniciou a viagem experimental no sábado (22/08), partindo do porto sul-coreano de Busan com destino aos portos de Felixstowe, no Reino Unido, Roterdã, na Holanda, e Gdansk, na Polônia.
A bordo estão, entre outras cargas, produtos químicos e carros usados. Segundo o Ministério dos Oceanos e da Pesca da Coreia do Sul, toda a viagem, incluindo o retorno a Busan, deve durar cerca de 45 dias.
A busca por uma nova rota marítima viável em meio ao gelo é uma resposta ao conflito em curso no Oriente Médio, desencadeado pelos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã em fevereiro, que abalou o transporte marítimo global. Com o aquecimento global e o derretimento do gelo marinho, a passagem tem sido cogitada como uma via alternativa por governos e empresas.
Na travessia sul-coreana, serão coletados dados sobre tempo de navegação, consumo de combustível e custos operacionais para entender se as águas estreitas que separam o Alasca da Rússia podem se tornar uma passagem permanente para a navegação entre a Ásia e a Europa durante os verões. A longo prazo, Seul pretende estabelecer a ligação como uma nova rota comercial e transformar Busan em um centro logístico internacional.
Bem mais curta que a rota pelo Canal de Suez
Atualmente, a rota marítima convencional entre a Coreia do Sul e a Europa passa pelo oceano Índico, pelo mar Vermelho e pelo Canal de Suez. Segundo o Instituto Coreano de Política Econômica Internacional (Korea Institute for International Economic Policy), esse trajeto é cerca de 7.000 quilômetros mais longo e exige aproximadamente dez dias a mais de viagem do que a rota pelo Ártico.
A rota, porém, ainda só pode ser utilizada de forma sazonal. Sem o auxílio de quebra-gelos, os navios porta-contêineres só conseguem atravessar a passagem durante os meses de verão, quando o gelo marinho recua o suficiente. Com as mudanças climáticas, o período em que a rota permanece navegável está se tornando mais longo.
China e Rússia na vanguarda
A Coreia do Sul não é o único país a apostar cada vez mais na rota ártica. Rússia e China já vêm expandindo seu uso comercial.
Em 15 de agosto, o navio porta-contêineres Dubai Tower, operado por uma empresa de navegação chinesa, partiu de Ningbo, no leste da China, rumo à Europa pela rota do Ártico. A viagem faz parte de um novo serviço sazonal regular que pretende reduzir pela metade o tempo de transporte entre a China e a Europa.
A Rússia utiliza a passagem do Nordeste, entre outros fins, para transportar gás natural liquefeito do porto de Sabetta, na península de Yamal, na Sibéria, para clientes na Ásia. O primeiro navio porta-contêineres do mundo a percorrer a rota ártica realizou a travessia em 2018.
Alerta para riscos ambientais
Ao mesmo tempo em que cresce o interesse por essa rota marítima, aumentam também as preocupações com os impactos sobre o sensível meio ambiente do Ártico. Ambientalistas alertam que o aumento do tráfego marítimo pode perturbar ecossistemas e acelerar ainda mais o derretimento do gelo marinho.
Por esse motivo, várias grandes companhias de navegação anunciaram que, por enquanto, evitarão utilizar rotas pelo Ártico. Entre elas estão a alemã Hapag-Lloyd, a suíça MSC e a francesa CMA CGM.
"A Rota do Mar do Norte tornou-se progressivamente mais viável porque o Ártico está aquecendo cerca de quatro vezes mais rápido do que a média global, o que levou a uma forte redução da cobertura de gelo marinho", afirmou o Centro Paran Ocean Citizen Science, grupo ambientalista sul-coreano, em comunicado divulgado no ano passado.
"Mas tornar a rota comercialmente viável exigiria um aquecimento ainda maior, o que coloca essa política em conflito com os esforços para combater as mudanças climáticas."
(AFP, dpa)
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| Short teaser | Seul estuda viabilidade da rota marítima do Ártico até a Europa, em meio ao derretimento do gelo e tensões no Irã. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/coreia-do-sul-testa-rota-marítima-alternativa-pelo-ártico-para-evitar-oriente-médio/a-78485590?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/78474475_354.jpg
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| Image caption | O navio porta-contêiners PanStar Acro parte de Busan para uma viagem de teste pelo Ártico | ||
| Image source | Yonhap News Agency/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&f=https://tvdownloaddw-a.akamaihd.net/vps/webvideos/BRA/2025/TMTD/TMTDBRA251105_PRZU_BBRA_Beitrag_2_RegioesPol_03ISW_AVC_640x360.mp4&image=https://static.dw.com/image/78474475_354.jpg&title=Coreia%20do%20Sul%20testa%20rota%20mar%C3%ADtima%20alternativa%20pelo%20%C3%81rtico%20para%20evitar%20Oriente%20M%C3%A9dio | ||
| Item 6 | |||
| Id | 78485530 | ||
| Date | 2026-08-24 | ||
| Title | Calor extremo causou perdas de R$ 215 bilhões à Alemanha | ||
| Short title | Calor extremo causou perdas de R$ 215 bilhões à Alemanha | ||
| Teaser |
Valor foi calculado com base nos danos decorrentes de perdas de colheitas, incêndios florestais e custos de saúde e educacionais, além de perdas de produtividade causadas pelas altas temperaturas em 2026. O calor extremo e a seca registrada neste verão custaram à Alemanha ao menos 36 bilhões de euros, cerca de R$ 215 bilhões, afirmou nesta segunda-feira (24/08) a organização ambiental Greenpeace. As perdas causadas pelo clima equivalem a aproximadamente 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do país europeu. O valor foi calculado com base nos danos decorrentes de perdas de colheitas, incêndios florestais e custos de saúde e educacionais, além de perdas de produtividade causadas pelo calor. "Este verão de calor e seca foi uma catástrofe para milhões de pessoas e para a economia. Embora esse desastre natural não tenha deixado pilhas de entulhos, a escala dos danos é assustadora", ressaltou o especialista financeiro do Greenpeace, Mauricio Vargas. O especialista pediu ao governo alemão que responda à crise climática "com a seriedade que ela exige". "Os números são inequívocos: simplesmente não podemos mais nos permitir continuar como antes", afirmou. A Alemanha não escapou dos efeitos do verão extremo da Europa. O recorde histórico de temperatura do país foi quebrado por três dias consecutivos em junho, chegando a 41,7 °C no estado de Brandemburgo, enquanto vários grandes incêndios florestais atingiram o país nas últimas semanas. As semanas de seca deverão ainda resultar em colheitas significativamente menores em algumas regiões do país. O transporte fluvial de carga precisou ser suspenso em alguns trechos devido ao nível extremamente baixo de rios importantes, como o Reno. Indústrias que dependem de grandes quantidades de matérias‑primas e produtos intermediários foram particularmente afetadas, entre elas as químicas, siderúrgica e de óleo mineral. Queda na produtividadeDe acordo com o Greenpeace, o maior dano calculado foi a queda de produtividade e horas de trabalho perdidas devido às temperaturas elevadas, cuja perda chegou a 10,8 bilhões de euros. O dano florestal ficou em segundo lugar, estimado entre 5 bilhões e 7,5 bilhões de euros, enquanto as perdas relacionadas à saúde chegaram a 6,9 bilhões de euros. A agricultura, o transporte interno de carga e a educação também foram significativamente afetados, segundo a organização. O Greenpeace destacou que algumas consequências graves ainda não podem ser calculadas, incluindo os efeitos no sistema de energia devido à falta de água para resfriamento e o aumento da poluição por partículas finas. Há ainda danos que não puderam ser quantificados, como os efeitos colaterais dos incêndios florestais, que vão desde a perda de biodiversidade, passando pela proteção da água potável e contra a erosão, até a regulação do microclima. "Os custos reais de eventos climáticos extremos como a onda de calor deste verão estão muito acima dos nossos cálculos", afirmou Vargas. "Os investimentos em medidas ambiciosas de proteção climática encolhem a níveis ridículos em comparação." O Greenpeace ressaltou que os cálculos são apenas uma estimativa. A organização afirmou ter trabalhado "com certas imprecisões na quantificação devido a informações incompletas", mas insistiu que é importante gerar uma estimativa plausível dos danos econômicos provocados pelas altas temperaturas. Além dos danos econômicos, o calor extremo na Alemanha causou 14 mil mortes entre abril e agosto deste ano, segundo estimativas do Instituto Robert Koch (RKI), entidade do governo responsável pelo monitoramento e controle de doenças. Em 2026, a Europa Ocidental viveu o seu mês de junho e julho mais quentes já registrados, segundo o Copernicus, serviço de monitoramento climático da União Europeia. A temperatura média na região atingiu 21,62 ºC, superando o recorde anterior de 2022 e ficando 2,79 ºC acima da média observada no período base de 1991 a 2020. cn (dpa, epd) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Valor foi calculado com base nos danos decorrentes de perdas de colheitas, incêndios florestais e outros custos em 2026. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/calor-extremo-causou-perdas-de-r-215-bilhões-à-alemanha/a-78485530?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Calor%20extremo%20causou%20perdas%20de%20R%24%20215%20bilh%C3%B5es%20%C3%A0%20Alemanha | ||
| Item 7 | |||
| Id | 78482597 | ||
| Date | 2026-08-24 | ||
| Title | Os EUA estão vivendo uma virada nas taxas de obesidade? | ||
| Short title | Os EUA estão vivendo uma virada nas taxas de obesidade? | ||
| Teaser |
Os índices de obesidade aumentaram nos Estados Unidos durante anos, mas agora há sinais de que isso pode estar mudando. Como o uso de canetas emagrecedoras tem influenciado esse quadro?Os Estados Unidos enfrentam uma epidemia de obesidade desde o fim da década de 1970, mas há evidências crescentes de que as taxas de obesidade, que vinham aumentando continuamente, começam a recuar.
"Estamos vendo sinais de que haverá uma virada", disse Benjamin Rader, epidemiologista do Hospital Infantil de Boston e da Faculdade de Medicina de Harvard, que pesquisa tendências de saúde por meio de grandes bases de dados. Em 2024, ele e seus colegas publicaram um estudo baseado em dados de mais de 16 milhões de adultos que sugeriu uma queda na prevalência da obesidade em 2023, pela primeira vez em mais de dez anos.
A Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição (National Health and Nutrition Examination Survey) também indicou uma ligeira redução entre 2021 e 2023. Levantamentos mais recentes também apresentaram evidências de queda nos números.
Uso de canetas emagrecedoras dispara
Isso ocorre em um momento em que uma série de novos medicamentos, usados por algumas pessoas para perda de peso, chegou ao mercado. O uso dos agonistas do receptor de GLP-1 Ozempic, Wegovy e Mounjaro cresceu rapidamente nos últimos anos nos EUA, com o número de prescrições mais que quadruplicando entre 2021 e o início de 2026.
Alguns dos princípios ativos desses medicamentos foram originalmente desenvolvidos para tratar o diabetes tipo 2, ao imitar um hormônio intestinal produzido naturalmente para promover a sensação de saciedade e retardar o esvaziamento gástrico. Isso levou muitos pacientes a perder uma quantidade significativa de peso.
Para Rader, "parecia inevitável que isso [o impacto desse medicamento] aparecesse nos dados" e era possível ter uma "confiança moderada de que os próprios medicamentos estavam causando algum efeito".
Evidências robustas
Para Peminda Cabandugama, endocrinologista e porta-voz da The Obesity Society, entidade que oferece apoio a profissionais da área de obesidade, "há evidências robustas mostrando que existe uma queda significativa da obesidade".
Em declaração por escrito enviada à DW, ele afirmou que a "opinião geral é que os medicamentos à base de GLP-1, suas combinações e seu uso crescente, assim como a atenção recente dada à importância do controle do peso, desempenharam um papel importante e direto nessa redução da prevalência da obesidade".
Mas, para Rader, não há prova definitiva de uma relação causal. Ele não tem dúvidas de que os medicamentos levaram à perda de peso em muitas pessoas individualmente, mas disse à DW que ainda é cedo para afirmar se isso "levará a uma estabilização, [...] a uma redução [...] ou a uma redução mais lenta nos próximos 20 anos", e qual poderá ser o efeito sobre a população em geral.
Cabandugama acredita que os números atuais também podem ter sido influenciados por mudanças de comportamento durante e após a pandemia de covid-19. Ele destaca que "essas tendências provavelmente são resultado da convergência de múltiplos elementos, incluindo o maior uso de medicamentos contra a obesidade, mudanças comportamentais pós-pandemia, maior conscientização sobre a importância do controle do peso etc.".
A queda é temporária?
Alguns pesquisadores nos Estados Unidos não acreditam que as taxas de obesidade cairão de forma permanente. Um estudo do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME), da Universidade de Washington, em Seattle, prevê aumento das taxas até 2035 e sugere que a proporção de adultos obesos poderá subir de 42,5% em 2022 para 46,9% em 2035.
Embora Rader não considere necessariamente essas previsões equivocadas, ele ressaltou que muitos modelos de projeção se baseiam em dados anteriores à explosão do uso dos medicamentos GLP-1 e podem não levar em conta seus efeitos potenciais. Em artigo publicado no Journal of the American Medical Association, ele alertou que esses modelos podem superestimar o peso futuro da obesidade.
Os autores do estudo do IHME não descartaram totalmente essa crítica, mas salientaram que, até o momento, apenas uma pequena parcela das pessoas obesas utiliza esses medicamentos e que muitos pacientes interrompem o tratamento em menos de um ano. Eles acrescentaram que algumas pessoas voltam a ganhar peso após uma perda inicial e que são necessários dados mais representativos para avaliar se esses medicamentos terão efeito duradouro sobre as taxas de obesidade.
Cabandugama também pediu cautela. Segundo ele, embora atualmente existam fortes sinais de declínio, "o consenso geral é que ainda é cedo demais para afirmar se estamos diante de uma reversão real da tendência".
Consequências da queda das taxas de obesidade
Embora durante muito tempo a obesidade tenha sido vista principalmente como resultado do estilo de vida de cada indivíduo, hoje é amplamente reconhecido que essa condição crônica complexa é causada por uma combinação de fatores biológicos, genéticos, sociais e psicológicos.
Se os Estados Unidos estiverem realmente diante de uma virada, as consequências serão amplas. A perda de peso em pessoas obesas não apenas reduz o risco de problemas de saúde associados, mas também contribui para maior mobilidade, mais independência e melhor qualidade de vida.
Para Cabandugama, "os primeiros resultados de saúde a melhorar seriam os parâmetros cardiometabólicos: níveis de glicose no sangue (diabetes mellitus tipo 2), indicadores cardiovasculares, gordura no fígado, apneia obstrutiva do sono etc", o que, no longo prazo, também poderia reduzir a pressão sobre o sistema de saúde.
Independentemente de as taxas estarem ou não em queda, Rader afirmou que "a obesidade continua sendo uma enorme crise de saúde pública nos Estados Unidos que merece atenção, merece financiamento e merece soluções alternativas, especialmente quando consideramos que os medicamentos GLP-1 não são acessíveis a todos os americanos por causa do preço e de outros fatores".
"Uma virada não significa que estamos subitamente livres do problema e que não precisamos mais nos preocupar com ele", disse.
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| Short teaser | Os índices de obesidade aumentaram nos Estados Unidos durante anos, mas agora há sinais de que isso pode estar mudando. | ||
| Author | Hannah Fuchs | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/os-eua-estão-vivendo-uma-virada-nas-taxas-de-obesidade/a-78482597?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/78437516_354.jpg
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| Image caption | As prescrições de medicamentos para perda de peso, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, mais que quadruplicaram nos Estados Unidos nos últimos cinco anos | ||
| Image source | Richard B. Levine/Sipa USA/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78437516_354.jpg&title=Os%20EUA%20est%C3%A3o%20vivendo%20uma%20virada%20nas%20taxas%20de%20obesidade%3F | ||
| Item 8 | |||
| Id | 78460621 | ||
| Date | 2026-08-24 | ||
| Title | Jovens brasileiros se afastam das urnas, mas não da política | ||
| Short title | Jovens brasileiros se afastam das urnas, mas não da política | ||
| Teaser |
Queda entre fatia do eleitorado, número de filiados e de candidatos indica distanciamento da política institucional, especialmente da partidária. Mas novas formas de engajamento ganham espaço entre a juventude. Os jovens sabem como mobilizar a internet. Viralizam vídeos, criam tendências nas redes sociais e colocam temas sociais, ambientais e políticos no centro das discussões. Mas quando o assunto é participação eleitoral, a disposição parece menor. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que os brasileiros mais jovens estão se afastando das eleições. A redução aparece em diferentes frentes: no número de eleitores da faixa etária em que o voto é facultativo, na quantidade de filiados a partidos e também nas candidaturas jovens. Ysabella Almeida estará com 17 anos nas eleições de 2026, idade em que o voto ainda não é obrigatório. Ela decidiu adiar o primeiro compromisso eleitoral e justifica seu afastamento por enxergar que falta representatividade da juventude e pelo sentimento de que seu voto individual é irrelevante. "O meu voto não vai ser uma coisa que mudaria [a realidade] e eu não me sinto representada. Eu não sinto essa pressão [por votar]." Na visão dela, o distanciamento não decorre apenas de desinteresse pessoal. Os partidos, afirma, falham ao dialogar com os adolescentes. "Hoje, os partidos falam sobre coisas que não interessam à juventude. Eu acho que os partidos tradicionais são muito distantes dos jovens e do que interessa para eles. Eles falam de uma forma que não faz o jovem parar sua vida para ver um vídeo sobre o que eles estão falando." A percepção de Ysabella Almeida encontra respaldo nos números. Segundo o TSE, o contingente de eleitores com até 18 anos caiu 14,52% em relação às eleições de 2022. São 606,4 mil registros a menos. Hoje, esse grupo representa apenas 2,25% do eleitorado brasileiro. Enquanto isso, o número de eleitores com mais de 60 anos segue crescendo. Vale lembrar que, nessa faixa etária, quando o voto não é obrigatório, os partidos, além de precisarem convencer os eleitores de que seus candidatos são a melhor opção para governar o país, precisam também convencê-los a votar. Para especialistas, o fenômeno vai além do voto facultativo. O desafio de atrair jovens aparece em praticamente todas as etapas da política institucional, da filiação partidária às disputas eleitorais. Filiação e candidaturas jovensUm levantamento do cientista político Murilo Medeiros, com base em dados do TSE, mostra que o número de filiados entre 16 e 34 anos diminuiu 54% entre 2010 e 2026. Nesse período, os partidos perderam 1,47 milhão de jovens filiados. Para Medeiros, o dado evidencia uma mudança importante: os jovens continuam engajados em debates e causas públicas, mas já não se sentem representados por estruturas partidárias no atual modelo. Entre os jovens de 16 anos, houve um pequeno saldo positivo de 346 filiações no período analisado. A partir dos 17 anos, porém, todas as faixas etárias até os 34 anos registraram retração. O retrato mais recente, entre 2022 e 2026, é um pouco mais favorável. Houve crescimento nas filiações de jovens de 16 e 17 anos, com saldos de 447 e 832 novos registros, respectivamente. Segundo o cientista político, esse avanço foi impulsionado sobretudo por partidos associados a lideranças jovens de grande visibilidade nas redes sociais, como Erika Hilton (PSOL) e Nikolas Ferreira (PL). O fenômeno reflete o que ele chama de "personalismo": quando o jovem se identifica mais com figuras políticas específicas do que com o partido em si. O funil das candidaturasAs barreiras estruturais nas candidaturas jovens também se somam ao cenário. Uma pesquisa da Legisla Brasil, organização que atua pela qualificação e representatividade do Legislativo, mostrou que candidatos jovens recebem significativamente menos recursos de campanha do que concorrentes mais velhos. Em 2024, uma candidatura jovem recebeu, em média, R$ 23.028, equivalente a 64% do valor destinado às candidaturas de faixas etárias superiores, que era de R$ 36 mil. Participantes ouvidos pela pesquisa relataram sentir-se tratados como "massa de manobra" dentro das siglas, mobilizados para atuar em campanhas, mas raramente incentivados a ocupar posições de protagonismo político. Para Synthya Maia, pesquisadora da Legisla Brasil, a desigualdade na distribuição dos recursos produz efeitos duradouros. "A candidatura para vereador é o primeiro cargo que a juventude pode se candidatar, e travar essa entrada trava a carreira inteira. Se o jovem não vencer a primeira eleição, esse caminho que anos depois o levaria a uma candidatura do estadual, federal, por exemplo, já é mais dificultado”. O estudo identificou dificuldades adicionais para quem tenta conquistar o primeiro mandato. "A dificuldade do município não é só municipal. Ela define, por exemplo, quem o Congresso vai ter daqui a 10 anos. Se essa base do funil está obstruída, o topo também não vai se renovar”, ressalta Maia. Segundo ela, o problema afeta especialmente mulheres jovens e negras, reduzindo as possibilidades de renovação do sistema político. A pesquisadora destaca ainda uma contradição recorrente: os jovens são infantilizados quando buscam poder decisório, mas adultizados quando se exige comportamentos tradicionais, como a forma de falar ou se vestir. Dados do TSE reforçam esse diagnóstico: de 1994 a 2014, a participação de candidatos jovens (18 a 29 anos) no total de candidaturas aumentou, subindo de 4,0% para o pico de 6,8%. Mas desde então, a proporção vem caindo a cada eleição geral: no pleito de 2026, os jovens representam 4,6% dos candidatos, o menor patamar em mais de três décadas. Para Synthya Maia, os números revelam um funil cada vez mais estreito. "Essa travessia para o jovem é como um funil. Muitos jovens ainda estão dentro dos partidos enquanto filiados, alguns poucos se candidatam, mas menos ainda conseguem ser eleitos. Os partidos estão envelhecendo e uma parte desses jovens está saindo porque, de fato, estão se desengajando com a política partidária", diz a pesquisadora do Legisla. Na avaliação do cientista político Murilo Medeiros, esse esvaziamento pode gerar consequências que vão desde o atraso na renovação das lideranças do país à redução da qualidade da representação nas próximas legislaturas. "Sem a presença de jovens, vamos ver os partidos tentando correr, recrutar figuras, como youtubers ou representantes de corporações em cima da hora, somente para cumprir a tabela e disputar a eleição, sem a presença de quadros de qualidade", complementa o cientista político. Juventude não abandonou a políticaApesar do afastamento das urnas e dos partidos, os especialistas rejeitam a ideia de uma geração apática com a política. Para Medeiros, o que está em curso é uma mudança na forma de participação política. "O jovem continua militando por suas causas nas redes sociais, nas escolas, nas universidades, nos coletivos, mas não conseguem mais enxergar nos partidos tradicionais e também no exercício do voto, caminhos reais de transformação", descreve o cientista político. Evillin Barbosa, que completou 16 anos em 2026, é prova disso: ela também optou por não tirar o título eleitoral neste momento, mas ressalta que, na verdade, o objetivo é ter uma formação cidadã mais sólida antes de votar. Ela justifica sua escolha de não votar precocemente pela necessidade de maior estudo e compreensão sobre o sistema eleitoral, e ressalta que a falta de preparo contribui para essa insegurança. "Eu preciso estudar mais sobre a política, sobre os projetos dos políticos e eu vou aproveitar esse tempo que eu não preciso obrigatoriamente votar para começar isso. Entre os meus colegas, eles têm um tipo de conhecimento político, mas eles também estão pretendendo estudar mais sobre como funciona a política do nosso país porque nas escolas, por mais que os nossos professores tentem sempre colocar a política na nossa educação, ainda falta ensino sobre o assunto, sobre como funciona cada cargo, mas eles [os colegas] sempre estão expressando as decisões políticas que pretendem ter no futuro", diz ela. Mesmo sem participar das eleições neste momento, ela afirma que debates sobre racismo, misoginia e outros temas sociais estão presentes no cotidiano dos estudantes. "Tem muita diversidade de opinião política na minha sala e na escola. Estamos sempre conversando com sobre alguns assuntos que a gente vê na internet, alguma coisa que algum político falou ou sobre projetos", diz Evilin Barbosa. Para Medeiros, há uma desconexão entre as estruturas partidárias e as novas formas de engajamento político. "Esse descasamento e falta de conexão entre o jovem e os partidos acaba colaborando para esse afastamento do processo eleitora." Ele acrescenta que fatores socioeconômicos também ajudam a explicar o fenômeno. Jovens de menor renda e escolaridade tendem a demonstrar mais descrença na política institucional, muitas vezes porque enfrentam prioridades imediatas ligadas à sobrevivência econômica e não percebem no voto uma ferramenta capaz de transformar sua realidade. Como reaproximar os jovens?Para Rafael Dias, professor da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp, as novas tecnologias estão transformando a relação entre juventude e política. Segundo ele, as mobilizações digitais, os abaixo-assinados online, os boicotes e a produção e disseminação de conteúdo político nas redes sociais por jovens dessa faixa etária criaram novas formas de a juventude se relacionar com a política a partir das possibilidades das tecnologias. Na avaliação dos especialistas, partidos políticos precisarão oferecer espaços de participação efetiva no processo para reconquistar a nova geração. Sem isso, o afastamento tende a se aprofundar, comprometendo a renovação das lideranças e a representatividade da democracia brasileira nas próximas décadas. Dias acrescenta que há mudanças nas referências de organização de coletivos que têm impacto na política e nas eleições. Em eleições ao redor do mundo, tem sido observada uma relação forte entre fanbases (grupos de fãs) e política (caso dos Swifties nos EUA, por exemplo). O professor diz que movimentos semelhantes de influência de grupos de fãs podem ocorrer também no Brasil, onde personalidades da internet alcançam milhões de seguidores e portanto detêm potencial significativo para influenciar o debate e decisões políticas. É justamente esse tipo de aproximação que a jovem Ysabella Almeida considera necessário. Ela acredita que a política precisaria dialogar mais diretamente com pautas cotidianas que atravessam a realidade da juventude, como tecnologia, educação e redes sociais. Ela e Evilin Barbosa também defendem o uso de linguagens mais acessíveis e de figuras de influência capazes de estabelecer pontes entre a juventude e o debate sobre política no país. Já em relação às filiações e candidaturas, os especialistas defendem que os partidos devem oferecer aos jovens espaços de participação efetiva com impacto social concreto, saindo do papel de figurante para protagonista do processo. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Segundo especialistas, jovens seguem engajados, mas longe dos canais tradicionais, como a política partidária. | ||
| Author | Larissa Maia | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/jovens-brasileiros-se-afastam-das-urnas-mas-não-da-política/a-78460621?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Jovens%20brasileiros%20se%20afastam%20das%20urnas%2C%20mas%20n%C3%A3o%20da%20pol%C3%ADtica | ||
| Item 9 | |||
| Id | 78479052 | ||
| Date | 2026-08-23 | ||
| Title | Mudanças climáticas fazem os louva-a-deus se espalharem pela Alemanha | ||
| Short title | Mudanças climáticas: louva-a-deus se espalham pela Alemanha | ||
| Teaser |
Inseto até então exótico no país agora é visto com frequência e em diferentes regiões. Número de avistamentos em 2026 já é o dobro do registrado em todo o ano passado.Por muito tempo considerada uma espécie exótica na Alemanha, o louva-a-deus passou a se espalhar rapidamente pelo país, em um fenômeno associado às mudanças climáticas. Atualmente, o inseto é encontrado principalmente em duas regiões da Alemanha.
Neste verão europeu, um número incomum de louva-a-deus foi registrado no país. Desde o início de julho, mais de 17 mil avistamentos do inseto foram comunicados, informou a NABU, associação ambiental mais antiga da Alemanha e que conta atualmente com cerca de 980 mil membros e apoiadores. O número é o dobro do registrado em todo o ano passado. Até setembro, ainda deve ser possível obseervar o inseto com frequência.
A NABU mantém uma plataforma online na qual cidadãos podem registrar observações da espécie. Graças à aparência marcante do inseto, até mesmo pessoas sem formação especializada costumam identificá-lo corretamente: segundo a entidade, 99,9% das fotos enviadas mostram realmente um louva-a-deus.
Mudanças climáticas impulsionam expansão
Durante muito tempo, a espécie era encontrada principalmente na região de Kaiserstuhl, próxima à cidade de Freiburg, no extremo sudoeste da Alemanha. Hoje, ela também é frequente ao longo do rio Reno e seus afluentes, chegando até a região de Colônia.
Além disso, uma segunda população isolada está se expandindo numa área situada entre Berlim e a Turíngia.
Segundo o especialista da NABU Helge May, as temperaturas mais altas favorecem a espécie porque os ovos depositados pelas fêmeas precisam de calor para se desenvolver. "Neste caso, as mudanças climáticas são o fator decisivo", afirma.
Mais rápido que um piscar de olhos
O louva-a-deus é famoso por seu comportamento reprodutivo peculiar. Cerca de um terço dos machos morre logo após o acasalamento, devorado pela fêmea.
"O que parece macabro é compreensível em termos de preservação da espécie", explica a Nabu. "Os machos cumpriram seu dever e as fêmeas estão acumulando energia para a árdua tarefa de produção de ovos. No outono, as fêmeas também morrem; apenas as cápsulas de ovos, chamadas ootecas, sobrevivem ao inverno".
O inseto também é um caçador extremamente eficiente, podendo permanecer imóvel à espera da presa durante horas. Quando ataca, porém, é incrivelmente rápido: o movimento de captura dura entre 50 e 60 milissegundos, cerca de seis vezes mais rápido do que um piscar de olhos humano.
Apesar da aparência impressionante, a louva-a-deus não representa perigo para as pessoas. Sua expensão na Alemanha, porém, é um lembrete de como a ação do homem afeta a natureza.
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| Short teaser | Número de avistamentos em 2026 já é o dobro do registrado em todo o ano passado. Inseto até então era exótico no país. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/mudanças-climáticas-fazem-os-louva-a-deus-se-espalharem-pela-alemanha/a-78479052?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/78478959_354.jpg
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| Image caption | Louva-a-deus fotografado em Falkenhagen, no estado alemão de Brandemburgo | ||
| Image source | Patrick Pleul/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78478959_354.jpg&title=Mudan%C3%A7as%20clim%C3%A1ticas%20fazem%20os%20louva-a-deus%20se%20espalharem%20pela%20Alemanha | ||
| Item 10 | |||
| Id | 78478594 | ||
| Date | 2026-08-23 | ||
| Title | Peste: a doença medieval que nunca desapareceu | ||
| Short title | Peste: a doença medieval que nunca desapareceu | ||
| Teaser |
Responsável por matar 60% da população europeia na Idade Média, peste é rara hoje em dia, mas continua circulando em algumas regiões do mundo e ainda pode ser fatal sem diagnóstico e tratamento rápidos.Os primeiros sintomas que Paul Gaylord percebeu foram semelhantes aos de uma gripe. Dois dias antes, ele havia sido mordido por seu gato, que parecia visivelmente doente. Os médicos lhe receitaram antibióticos contra a doença da arranhadura do gato, uma infecção bacteriana que pode surgir após arranhões ou mordidas de felinos.
Mas os medicamentos não funcionaram. O estado de Gaylord piorou, ele foi internado na UTI e acabou entrando em coma. Não estava com gripe nem com a doença da arranhadura do gato: havia contraído a peste, uma enfermidade que normalmente associamos à Idade Média, e não à vida contemporânea no estado americano de Oregon.
Os sintomas vagos e a raridade da doença representam um problema na atualidade. A peste não perdeu seu potencial letal. Gaylord sobreviveu por pouco e contou sua história ao jornal britânico The Guardian em 2014.
Três formas de peste
A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis. Ela pode entrar no organismo humano por diferentes vias e se multiplicar rapidamente. A bactéria danifica tecidos em diversos órgãos, provoca hemorragias e, sem tratamento, pode levar à morte em quase 100% dos casos.
A forma mais comum é a peste bubônica, também chamada de peste negra. Nesse caso, as pulgas atuam como vetores. Ao picarem um roedor infectado por Yersinia pestis, podem transmitir a bactéria para humanos. O microrganismo se multiplica nos gânglios linfáticos, que incham de forma dolorosa.
Se o agente causador entrar diretamente na corrente sanguínea, por exemplo por meio da mordida de um mamífero infectado, pode ocorrer uma peste septicêmica, uma grave infecção do sangue.
Já na peste pneumônica, o patógeno chega aos pulmões por gotículas ou aerossóis emitidos por um animal ou uma pessoa infectada. Essa é a única forma da doença em que a transmissão direta entre seres humanos é considerada provável.
Pandemia medieval, doença rara atualmente
Segundo o Instituto Robert Koch, órgão responsável pelo controle de doenças na Alemanha, são registrados até 3.000 casos de peste por ano em todo o mundo.
Hoje, as regiões mais afetadas são a República Democrática do Congo, Uganda e, principalmente, Madagascar, onde ocorreu o último grande surto, em 2017. No país africano, entre 250 e 500 pessoas são infectadas anualmente. Casos também continuam surgindo ocasionalmente no oeste dos Estados Unidos.
Na Idade Média, porém, a situação foi muito diferente. Entre 1347 e 1353, a peste matou cerca de 25 milhões de pessoas. A doença deu origem a uma pandemia que durou aproximadamente 500 anos e eliminou cerca de 60% da população europeia.
Ainda assim, a bactéria não começou a infectar seres humanos apenas na Idade Média. Arqueólogos encontraram vestígios de Yersinia pestis em esqueletos com mais de 5.500 anos. Um estudo recente concluiu que a bactéria provavelmente é letal para humanos há muito mais tempo do que se imaginava.
Como a bactéria evoluiu
Ben Krause-Kyora, arqueólogo e bioquímico da Universidade de Kiel, na Alemanha, estuda a interação entre patógenos antigos e o sistema imunológico humano.
Segundo ele, uma das questões mais fascinantes é entender quais fatores de virulência permitiram que a peste deixasse de ser apenas uma doença de roedores para se transformar em uma pandemia devastadora para os seres humanos.
Pesquisas mostram que as variantes mais antigas da bactéria não possuíam certos genes necessários para a transmissão por vetores como as pulgas. É possível que, naquela época, a infecção ocorresse por outros meios, inclusive pelo consumo de roedores contaminados.
No final da Idade do Bronze ocorreu uma mudança decisiva: a bactéria desenvolveu o chamado gene ymt, que permitiu sua transmissão por pulgas. A partir daí, o patógeno passou por uma transformação rápida e profunda, abrindo caminho para os grandes surtos históricos.
De que forma ela desapareceu da Europa
Apesar das epidemias devastadoras do passado, a peste desapareceu da Europa após 1945, quando os últimos casos foram registrados na ilha francesa da Córsega.
Segundo Holger Scholz, biólogo molecular e chefe do Laboratório Nacional de Referência para Yersinia pestis do Instituto Robert Koch, a principal razão é que hoje não há, em geral, roedores infectados circulando dentro das casas europeias.
Na Idade Média, residências eram compartilhadas por pessoas e ratos, criando condições ideais para que as pulgas transmitissem a bactéria aos humanos.
Além disso, os ratos não costumam ser reservatórios ideais da doença, pois frequentemente adoecem e morrem. Já algumas espécies de roedores em outras regiões do mundo desenvolveram certa resistência e continuam servindo de reservatório natural para a bactéria.
Diagnóstico rápido pode salvar vidas
Holger Scholz e sua equipe trabalham com parceiros em áreas onde a doença continua endêmica, incluindo Madagascar. Um dos objetivos é melhorar a infraestrutura laboratorial para acelerar o diagnóstico da peste.
Isso é fundamental, porque a identificação precoce da doença continua sendo um dos maiores desafios. Scholz relata o caso de um jovem corredor nos Estados Unidos que foi mandado para casa com um diagnóstico de gripe. Ele morreu porque ninguém suspeitou que pudesse ser peste.
O problema é que os primeiros pacientes de um surto frequentemente morrem antes que o diagnóstico correto seja estabelecido e o tratamento seja iniciado.
Embora existam antibióticos eficazes contra a doença, em alguns lugares eles demoram dias para chegar aos pacientes. Esse atraso pode ser fatal, sobretudo nos casos de peste pneumônica, que pode matar em até 48 horas após o início dos sintomas.
A peste pode voltar a causar uma pandemia?
Apesar dos surtos ocasionais, Scholz considera extremamente improvável que a peste provoque uma nova pandemia mundial.
A bactéria não é transmitida com a mesma facilidade que vírus como o da gripe ou o SARS-CoV-2, causador da covid-19. Além disso, hoje existem recursos de combate muito mais eficazes do que na Idade Média, incluindo antibióticos e padrões modernos de higiene.
Um cenário mais preocupante seria o uso da bactéria como arma biológica após manipulação genética. Por isso, especialistas monitoram continuamente as diferentes cepas de Yersinia pestis. Técnicas modernas de análise genética permitem identificar a origem das amostras e até verificar se houve manipulação laboratorial.
Embora seja teoricamente possível que viajantes tragam a doença de volta à Europa, os especialistas consideram essa possibilidade extremamente remota. Ainda assim, a vigilância permanece essencial para evitar que casos isolados se transformem em surtos maiores.
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| Short teaser | Responsável por matar 60% da população europeia na Idade Média, peste continua circulando em algumas regiões do mundo. | ||
| Author | Julia Vergin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/peste-a-doença-medieval-que-nunca-desapareceu/a-78478594?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Pulgas são vetores da peste bubônica | ||
| Image source | John Montenieri/CDC/BSIP/picture alliance | ||
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| Item 11 | |||
| Id | 78477034 | ||
| Date | 2026-08-23 | ||
| Title | Sensação de cócegas pode ser igual em diferentes culturas | ||
| Short title | Sensação de cócegas pode ser igual em diferentes culturas | ||
| Teaser |
Estudo com adultos de China, Grécia e Holanda encontrou padrões semelhantes. Participantes identificaram pescoço, axilas, abdômen e plantas dos pés como as principais áreas sensíveis às cócegas. Cócegas provocam risos e gargalhadas, mas será que todas as pessoas reagem da mesma forma? Cientistas da Holanda investigaram essa questão e concluíram que as regiões do corpo onde sentimos cócegas parecem ser comuns entre diferentes culturas. Durante o estudo, foram analisadas pessoas de origem chinesa, holandesa e grega. Os detalhes desse mapa corporal das cócegas, que também sugere que as sentimos com mais intensidade em áreas onde menos esperamos esse tipo de estímulo, foram publicados na revista Nature Human Behaviour. Os seres humanos não são os únicos animais sensíveis às cócegas. Os grandes primatas, por exemplo, fazem cócegas uns nos outros, enquanto os ratos também respondem às cócegas provocadas por humanos. Ainda assim, esse fenômeno continua sendo um mistério para a ciência, e muitas perguntas permanecem sem resposta. Desde a época de Aristóteles e Sócrates, estudiosos especulam sobre a origem e a função das cócegas. Apesar disso, questões fundamentais continuam em aberto: a sensibilidade às cócegas é compartilhada entre diferentes culturas ou depende de cada indivíduo? Existe uma organização específica das áreas do corpo mais sensíveis? E como essa sensação se relaciona com outras experiências corporais? Mapa corporal das cócegasPara tentar responder a essas perguntas, os pesquisadores Ziliang Xiong e Konstantina Kilteni, da Universidade Radboud, estudaram 448 adultos, sendo 50% mulheres, com idades entre 18 e 30 anos, provenientes de três contextos culturais distintos: China, Holanda e Grécia. Cada participante respondeu a um questionário sobre suas experiências e percepções relacionadas às cócegas. Além disso, foi solicitado que marcassem em um modelo do corpo as regiões em que sentiam cócegas e indicassem se essas sensações estavam associadas à dor ou ao toque agradável. Os participantes identificaram de forma consistente o pescoço, as axilas, o abdômen e as plantas dos pés como as principais áreas sensíveis às cócegas. Dos entrevistados, 98,4% afirmaram já ter recebido cócegas pelo menos uma vez, e 95,8% disseram já ter feito cócegas em outra pessoa. Além disso, 71% se classificaram como moderadamente ou muito sensíveis às cócegas. As experiências relatadas foram semelhantes nos três grupos culturais. Esse é um resultado interessante, pois pesquisas anteriores sugerem que as pessoas podem interpretar contatos emocionais, como abraços, de formas diferentes de acordo com sua cultura. Os participantes descreveram reações semelhantes, especialmente o riso, e identificaram sistematicamente o pescoço, as axilas, o abdômen e as plantas dos pés como as áreas mais sensíveis. Sensação diferente da dor e do prazerOs pesquisadores também encontraram diferenças consistentes entre as regiões do corpo mais associadas às cócegas e aquelas relacionadas a outras sensações físicas, como prazer ou dor. As cócegas podem constituir uma experiência somatossensorial específica, com características fisiológicas, neurais e sociopsicológicas próprias. "As cócegas parecem formar uma categoria à parte, tanto fisiológica quanto psicologicamente. Não parecem ser apenas um subproduto ou uma integração de outras sensações corporais”, afirmou Xiong. Os resultados sugerem que as cócegas representam uma experiência sensorial particular, com mecanismos próprios. "As cócegas são mais complexas do que se poderia imaginar”, destacou Kilteni. "Neste estudo, analisamos dados de três grupos culturais e identificamos padrões consistentes de comportamento e dinâmica social. Elaboramos um mapa corporal de alta resolução da sensibilidade às cócegas e demonstramos que ele se repete entre culturas e indivíduos, além de ser diferente dos mapas de sensibilidade ao toque, à dor e ao prazer.” No entanto, os cientistas alertam que serão necessários novos estudos para verificar se esses resultados também se aplicam a outras culturas e para compreender como fatores sociais, como intenção e consentimento, influenciam a experiência das cócegas. md (EFE, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Estudo com adultos de China, Grécia e Holanda achou padrões semelhantes e as mesmas áreas sensíveis às cócegas. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/sensação-de-cócegas-pode-ser-igual-em-diferentes-culturas/a-78477034?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 12 | |||
| Id | 78475541 | ||
| Date | 2026-08-23 | ||
| Title | Por que alguns são mais propensos à depressão que outros? | ||
| Short title | Por que alguns são mais propensos à depressão que outros? | ||
| Teaser |
Um único gene poderia atuar como um "maestro" de uma orquestra de centenas de outros, explicando por que a depressão, a ansiedade e o neuroticismo surgem tão frequentemente juntos na mesma pessoa.Um estudo da Universidade de Barcelona (UB), na Espanha, identificou 19 genes que podem contribuir para que algumas pessoas sejam mais suscetíveis à depressão, à ansiedade e a características como irritabilidade e neuroticismo.
Segundo informou a universidade em comunicado, esses genes seriam regulados pelo gene RBFOX1, que atuaria como um "maestro" de uma rede genética, coordenando quando e como diferentes genes envolvidos no funcionamento do cérebro são ativados ou processados.
Essa descoberta é especialmente relevante em transtornos psiquiátricos complexos, já que condições como a depressão, a ansiedade e o neuroticismo normalmente não dependem de um único gene, mas sim de pequenos efeitos acumulados de centenas ou milhares de genes.
No caso da depressão, a predisposição genética representa apenas uma parte do risco. Seu desenvolvimento também envolve uma combinação complexa de fatores biológicos, psicológicos, ambientais e sociais. O estudo concentra-se em identificar mecanismos genéticos que poderiam contribuir para essa suscetibilidade.
Efeito em cadeia
Bru Cormand e Noèlia Fernández, coordenadores da pesquisa, explicam que "se um regulador central como o RBFOX1 estiver alterado, isso poderá desencadear um efeito em cadeia sobre vários processos ao mesmo tempo, como o desenvolvimento neuronal, a comunicação entre neurônios e a regulação da neurotransmissão, o que explicaria por que esses transtornos frequentemente aparecem juntos".
O gene RBFOX1 atua como regulador central da rede genética associada à depressão.
Os pesquisadores acrescentam que esses resultados oferecem uma nova visão dos mecanismos biológicos compartilhados entre a depressão e diversos transtornos associados e que "poderiam contribuir para o desenvolvimento de biomarcadores e tratamentos mais personalizados no futuro".
Do estudo, publicado na revista científica Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry, também participaram pesquisadores da Universidade Goethe de Frankfurt, na Alemanha.
Foram identificados 19 genes ligados à depressão
Durante a pesquisa, foram identificados 19 genes regulados pelo RBFOX1 que seriam especialmente relevantes para a depressão e outros traços frequentemente observados nos pacientes.
Desse grupo, os pesquisadores destacam, além do próprio RBFOX1 como núcleo central, três genes que também regulam a expressão de outros genes (SP4, TCF4 e PAX6), além do CADM2.
"Além da depressão, esses genes também foram associados a outros transtornos: o RBFOX1 está relacionado a diversos transtornos psiquiátricos; o CADM2, a dependências e outros transtornos psiquiátricos; o TCF4, à esquizofrenia e à insônia; e tanto o SP4 quanto o PAX6 foram encontrados alterados em modelos de camundongos submetidos ao estresse", detalham os pesquisadores.
Rumo a tratamentos mais personalizados
Esses resultados ampliam a compreensão dos mecanismos biológicos envolvidos na depressão e em transtornos associados e, no futuro, podem contribuir para identificar biomarcadores de risco, aprimorar a classificação dos pacientes e desenvolver novos tratamentos direcionados a vias moleculares específicas.
Os pesquisadores afirmam que atuar sobre mecanismos compartilhados "poderia beneficiar simultaneamente diversos transtornos que frequentemente aparecem juntos nos pacientes".
Próximos passos da pesquisa
Apesar da relevância dessas descobertas, os pesquisadores destacaram que será necessário validá-las em outras amostras e explorar as diferenças entre homens e mulheres, considerando que a depressão apresenta maior prevalência entre as mulheres, além de realizar outros estudos complementares.
md (EFE, ots)
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| Short teaser | Único gene poderia atuar orquestrando outros, explicando como depressão e neuroticismo surgem frequentemente juntos. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/por-que-alguns-são-mais-propensos-à-depressão-que-outros/a-78475541?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Dezenove genes parecem estar ligados à depressão, à ansiedade e ao neuroticismo | ||
| Image source | Arman Zhenikeyev/Westend61/picture alliance | ||
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| Item 13 | |||
| Id | 78475367 | ||
| Date | 2026-08-23 | ||
| Title | Maioria na Alemanha crê que governo Merz terá fim precoce | ||
| Short title | Maioria na Alemanha crê que governo Merz terá fim precoce | ||
| Teaser |
Segundo sondagem, maior parte dos alemães acredita que o chanceler federal alemão será substituído antes da próxima eleição federal, prevista para 2029.A maioria dos alemães acredita que o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, será substituído antes da próxima eleição federal prevista para 2029, segundo uma pesquisa realizada pelo instituto YouGov.
O levantamento mostrou que 36% dos entrevistados acreditam que Merz será substituído como chanceler antes da eleição, enquanto 18% esperam que ele deixe o cargo ainda este ano.
Por outro lado, 29% dos participantes acreditam que Merz permanecerá no cargo pelo menos até a eleição, enquanto 17% não souberam ou não quiseram responder.
Promessas de mudanças
Quando questionados sobre quem seria mais adequado para ocupar o cargo de chanceler, 9% escolheram Merz, enquanto 25% apontaram seu colega de partido, Hendrik Wüst, governador do estado da Renânia do Norte-Vestfália. No entanto, 66% responderam que não sabiam.
Em julho, tentando conter a crise, Merz promoveu uma série de mudanças organizacionais em seu governo e na liderança de seu partido, a União Democrata Cristã (CDU).
Segundo uma ampla maioria dos entrevistados, essas mudanças não aumentaram a autoridade de Merz dentro do partido; e 36% afirmaram que ele perdeu muita autoridade, enquanto 31% acreditam que ele perdeu alguma autoridade.
Dificuldades nas pesquisas
Apenas 1% dos entrevistados consideram que ele ganhou autoridade significativa, enquanto 5% acreditam que ele ganhou alguma autoridade. Para 19%, nenhuma dessas alternativas se aplicava.
A pesquisa foi realizada entre 14 e 17 de agosto e ouviu 2.190 adultos residentes na Alemanha.
Encomendada pela agência de notícias DPA, a pesquisa surge em um momento em que o governo Merz enfrenta dificuldades nas pesquisas de opinião às vésperas de três importantes eleições estaduais em setembro, nas quais se espera que o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) obtenha ganhos significativos.
De acordo com um levantamento realizado em agosto, a AfD ganharia hoje as eleições parlamentares na Alemanha, alcançando 28% das intenções de voto, obtendo sete pontos de vantagem sobre o bloco conservador formado pela CDU de Merz e sua aliada bávara no Parlamento, a União Social Cristã (CSU), que obteria a segunda colocação no pleito.
md (DPA, ots)
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| Short teaser | Maior parte dos alemães acredita que chanceler alemão será substituído antes da próxima eleição federal, diz sondagem. | ||
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| Image caption | Sondagem mostrou que 36% acreditam que Merz será cairá antes da eleição, enquanto 18% esperam que ele deixe o cargo ainda este ano | ||
| Image source | Christoph Reichwein/dpa/picture alliance | ||
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| Item 14 | |||
| Id | 78416472 | ||
| Date | 2026-08-23 | ||
| Title | Por que o bullying é tão comum entre crianças e adolescentes e como mudar esse cenário | ||
| Short title | Por que o bullying é tão comum entre crianças e adolescentes | ||
| Teaser |
Em 2025, registros de bullying e cyberbullying no Brasil cresceram mais de 65% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Os registros de bullying e cyberbullying contra crianças e adolescentes cresceram de forma expressiva no Brasil. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em julho, foram registrados 5.226 casos em 2025, um aumento de mais de 65% nas ocorrências desses crimes na comparação com o ano anterior. Foram contabilizados 4.549 registros de bullying e 677 de cyberbullying em todo o país no ano passado, contra 2.736 e 452, respectivamente, em 2024. Os dois crimes passaram a existir formalmente no Código Penal em 2024, com Lei 14.811/2024, que tipificou a "intimidação sistemática" (bullying) e a "intimidação sistemática virtual" (cyberbullying). À primeira vista, os dados sugerem uma explosão da violência entre estudantes. Mas especialistas alertam que a realidade é mais complexa. O crescimento resulta da combinação de diferentes fatores como a entrada em vigor da lei que tipificou os dois crimes; uma maior disposição de famílias e escolas para denunciar; e transformações nas relações entre crianças e adolescentes, cada vez mais mediadas pelo ambiente digital. Em outras palavras, parte do aumento pode ser explicada pela melhoria dos registros oficiais. Outra parte, porém, revela que a violência entre crianças e adolescentes continua sendo um desafio para famílias, educadores e gestores públicos. "É importante sermos cuidadosos na análise desses dados, para que não atribuirmos esse número somente ao aumento do comportamento do bullying em si, mas ao impacto que a aprovação da lei tem na nossa sociedade", diz Benjamim Horta, fundador do Programa Escola Sem Bullying. O programa existe desde 2012 e busca auxiliar escolas e redes de ensino de todo o Brasil no combate e prevenção ao bullying. Apesar de ser mais comum no ambiente escolar, o bullying não ocorre apenas nesse ambiente. A própria definição legal estabelece que se trata de uma intimidação sistemática, caracterizada por agressões físicas, verbais, psicológicas ou sociais repetidas contra uma pessoa. O objetivo é constranger, humilhar ou excluir a vítima, criando uma relação de poder desigual independentemente de onde ele ocorra. Já o cyberbullying leva essa dinâmica para o ambiente virtual. Ofensas, montagens, divulgação de fotos sem consentimento, criação de perfis falsos e campanhas de humilhação passam a acontecer por aplicativos de mensagens e redes sociais, onde o conteúdo pode atingir um número muito maior de pessoas. Essa diferença faz com que especialistas considerem o cyberbullying ainda mais difícil de combater, já que a violência deixa de ter horário para começar ou terminar. Crianças e adolescentes são a maioria das vítimasEmbora o bullying possa ocorrer com pessoas em qualquer idade, ele se concentra principalmente entre crianças e adolescentes porque esse é o período em que a construção da identidade ganha maior importância, segundo os especialistas ouvidos pela DW. A necessidade de pertencimento ao grupo, o medo da rejeição e a busca por aceitação tornam as diferenças físicas, sociais ou comportamentais potenciais motivos de exclusão. O próprio Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra essa concentração etária. Dos casos registrados em 2025, a maior parte deles (48%) a vítima tinha entre 10 e 13 anos, seguido de perto por adolescentes de 14 a 17 anos, com 45% das vítimas. "Esses pré-adolescentes de 10 a 13 anos tendem a se expor mais, compartilhar mais conteúdo sem filtro e cair com mais facilidade em armadilhas e provocações tendo em vista o próprio grau de maturidade", explica Glicia Brazil, psicóloga e vice-presidente da Comissão da Infância e Juventude do Instituto Brasileiro de Direito das Famílias e Sucessões (Ibdfam). "Já no caso dos adolescentes a puberdade traz transformações físicas muito aceleradas e muitos, por exemplo, não estão adequados aos padrões que as redes sociais impõem. Essas pessoas acabam ficando mais inseguras, com baixa autoestima e mais vulneráveis", acrescenta a psicóloga. Outro motivo dessa concentração de casos entre crianças e adolescente é porque nessa fase da vida, ainda estão em formação habilidades como empatia, controle emocional e resolução de conflitos. Quando esses aspectos não são estimulados, comportamentos agressivos podem se consolidar como forma de conquistar status entre colegas ou exercer poder sobre quem é percebido como mais vulnerável. Redes sociais transformaram a dinâmica da violênciaO crescimento do cyberbullying acompanha uma mudança mais ampla na forma como esse público constrói suas relações sociais. Hoje, amizades, conflitos e disputas por reconhecimento acontecem simultaneamente no ambiente presencial e no digital. As plataformas digitais potencializam esse processo por diferentes razões. A possibilidade de compartilhar conteúdos rapidamente amplia o alcance das humilhações. O aparente anonimato reduz a percepção de responsabilidade do agressor e os algoritmos das redes favorecem a circulação de conteúdos que despertam reações emocionais intensas, incluindo ofensas e exposições públicas. O resultado é uma violência permanente. Comentários ofensivos, vídeos editados, boatos e imagens manipuladas podem continuar circulando mesmo depois de o conflito original ter terminado, prolongando o sofrimento da vítima e dificultando sua recuperação emocional. É justamente por isso que especialistas defendem que o enfrentamento do bullying e cyberbullying não pode se limitar à punição dos responsáveis. O desafio passa pela construção de uma cultura de convivência baseada em respeito, educação digital e desenvolvimento de competências socioemocionais desde a infância. "Um dos principais problemas relacionados à prevenção ao bullying e ao cyberbullying no Brasil é a falta de uma sistematização do trabalho preventivo. Isso quer dizer que escolas tentam sanar um problema complexo, muitas vezes de forma simplista, com uma ação isolada, como por exemplo, uma palestra ou uma roda de conversa, e isso acaba não surtindo o efeito desejado. E mais, isso frustra os estudantes e a comunidade de pais", explica Horta. Como mudar esse cenárioAntes de qualquer medida punitiva, especialistas defendem que o enfrentamento do bullying deve começar pela prevenção. Isso significa transformar a escola em um ambiente capaz de identificar conflitos ainda nos estágios iniciais, antes que se tornem episódios recorrentes de violência. Para isso, é necessário investir na formação continuada de professores, coordenadores e demais profissionais da educação para reconhecer sinais de intimidação, exclusão social e sofrimento emocional entre as crianças e adolescentes. Outra frente considerada essencial pelos especialistas é criar mecanismos eficazes de responsabilização dos agressores. Escolas precisam contar com canais seguros e confidenciais para denúncias, protocolos claros de investigação "A escola tem que ter um programa de combate ao bullying estruturado e documentado. Ter um canal de denúncia auditável onde possam ser feitas denúncias anônimas para que essa vítima tenha coragem de denunciar. Também tem que ter protocolos antibullying com prazos bem determinados para ouvir a vítima, o agressor e finalizar o caso. Tudo é preciso estar documentado", detalha Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita, advogada, socióloga e presidente da SOS Bullying. Nesse caso é importante, segundo os especialistas, que haja um plano individual de proteção da vítima, mantendo o sigilo da denúncia e com prevenção de retaliações. Também é importante fortalecer a rede de apoio às vítimas e acompanhamento psicológico tanto para quem sofre quanto para quem pratica o bullying. Isso porque, em muitos casos, o comportamento agressivo está associado a problemas familiares, emocionais ou sociais que também precisam de atenção. "Outra coisa importante é atender o autor da conduta, sem rotulá-lo permanentemente como agressor, porque isso também cria um estigma, fazendo com que ele se torne uma pessoa segregada. Quem pratica bullying não percebe o quanto isso gera dor no outro e essa empatia precisa ser trabalhada no agressor. Tem que ser uma ação conjunta de tratar a vítima e o agressor", acrescenta Brazil. Além do ambiente escolar, especialistas ressaltam a importância da participação das famílias, que devem ser orientadas a identificar mudanças de comportamento, manter diálogo constante com os filhos. No caso do cyberbullying, o trabalho também passa pela educação digital, ensinando crianças e adolescentes sobre uso responsável das redes sociais, privacidade e consequências legais das agressões virtuais. "O principal sinal de que uma criança ou adolescente está sendo vítima é a mudança de comportamento. Alguns passam a ficar mais tristes ou depressivos, têm uma resistência para ir à aula ou para realizar atividades com os colegas, queda inexplicável no rendimento escolar, hematomas, ferimentos sem explicação ou até mesmo material danificado", diz Horta. Ter políticas públicas permanentes e de uma atuação integrada entre educação, saúde, assistência social, segurança pública e sistema de Justiça é outro ponto destacado pelos especialistas. Isso inclui ampliar a presença de psicólogos e assistentes sociais nas escolas, monitorar indicadores de violência escolar, financiar programas de prevenção e avaliar continuamente os resultados das iniciativas implementadas. "O punitivismo por si só, ele não produz mudança. Então precisamos encontrar um equilíbrio entre o que é passível de punição e o que é passível de restauração", finaliza o fundador do Programa Escola Sem Bullying. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Em 2025, registros de bullying e cyberbullying no Brasil cresceram mais de 65% em relação ao ano anterior. | ||
| Author | Simone Machado | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/por-que-o-bullying-é-tão-comum-entre-crianças-e-adolescentes-e-como-mudar-esse-cenário/a-78416472?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Por%20que%20o%20bullying%20%C3%A9%20t%C3%A3o%20comum%20entre%20crian%C3%A7as%20e%20adolescentes%20e%20como%20mudar%20esse%20cen%C3%A1rio | ||
| Item 15 | |||
| Id | 78472162 | ||
| Date | 2026-08-22 | ||
| Title | Itália investiga pais após morte de criança não vacinada | ||
| Short title | Itália investiga pais após morte de criança não vacinada | ||
| Teaser |
Menina de quatro anos morreu de difeteria e pais são acusados de homicídio culposo por omissão. Vacina é obrigatória no país desde 1939.O Ministério Público de Palermo, na Itália, investiga por crime de homicídio culposo por omissão os pais de uma menina de quatro anos que morreu de difteria após não ter sido vacinada.
A difteria é uma doença infecciosa grave causada por uma bactéria capaz de produzir toxinas que danificam órgãos e tecidos, podendo levar à morte. A vacina é obrigatória na Itália desde 1939. O último caso da doença no país havia sido registrado em 1996 e a última morte, em 1991.
Os pais tinham decidido não imunizar a menina nem seus três irmãos sob a alegação de que uma vacina teria sido a causa do diagnóstico de autismo em um familiar, relatou a imprensa italiana. Após a morte, as autoridades sanitárias imunizaram os três irmãos da vítima.
Um primo da menina também testou positivo para difteria neste sábado (22/08) e permanece internado no Hospital Cívico da capital siciliana. No entanto, ele está fora de perigo e evolui favoravelmente – a criança havia recebido as três primeiras doses do esquema de vacinação, segundo confirmou o diretor médico Domenico Cipolla.
A Promotoria de Menores de Palermo abriu uma investigação sobre o nível de evasão da vacinação obrigatória na Zona Expansione Nord (ZEN), um bairro da periferia da capital siciliana, e ordenou uma inspeção urgente em creches e escolas do ensino fundamental para verificar se há menores não vacinados frequentando as aulas.
Paralelamente, o Ministério da Saúde italiano voltou a lembrar que não existe qualquer evidência científica ou relação entre a administração de vacinas e o autismo.
Apenas cinco casos em quase duas décadas
Na Itália, o calendário oficial estabelece a vacinação obrigatória durante o primeiro ano de vida (ciclo básico de três doses), além de duas doses de reforço programadas para os seis e os 12 anos.
A difteria é transmitida por gotículas respiratórias e saliva. Entre seus principais sintomas estão febre, dor de garganta, dificuldade respiratória, inflamação dos gânglios e, em alguns casos, secreção com sangue ou coloração azulada da pele.
No início do século passado, registravam-se aproximadamente 30 mil casos de difteria infantil e 1.500 mortes por ano na Itália. No entanto, após a introdução da vacinação, houve uma queda drástica no número de infecções: entre 1990 e 2009 foram notificados apenas cinco casos.
A obrigatoriedade foi estabelecida originalmente em 1939 para todas as crianças do país. Mais recentemente, a exigência foi reforçada com a aprovação da chamada Lei Lorenzin, em 2017, que incluiu a difteria em um grupo de 10 vacinas obrigatórias para a frequência escolar de menores de 16 anos.
No Brasil, a proteção contra a difteria é aplicada por meio da vacina pentavalente, que também protege contra tétano, coqueluche, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b e faz parte do calendário nacional, disponível gratuitamente no SUS.
le (efe, ansa, ots)
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| Short teaser | Menina de quatro anos morreu de difeteria e pais são acusados de homicídio culposo por omissão. Vacina é obrigatória. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/itália-investiga-pais-após-morte-de-criança-não-vacinada/a-78472162?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Pais não vacinaram a filha por acreditarem na fake news de que imunização estaria relacionada a caso de autismo | ||
| Image source | Andriy Popov/PantherMedia/picture alliance | ||
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| Item 16 | |||
| Id | 78472005 | ||
| Date | 2026-08-22 | ||
| Title | Violência marca clássico da Copa da Alemanha e deixa mais de 80 feridos | ||
| Short title | Briga em jogo da Copa da Alemanha deixa mais de 80 feridos | ||
| Teaser |
Partida entre Waldhof Mannheim e Kaiserslautern foi interrompido após invasão de campo, uso de sinalizadores e intervenção policial. Entre os feridos estão 35 policiais. A partida entre Waldhof Mannheim e Kaiserslautern pela primeira fase da Copa da Alemanha foi ofuscada por graves confrontos entre torcedores, que deixaram ao menos 85 feridos, incluindo 35 policiais, no estádio Carl-Benz, em Mannheim. O jogo, disputado na noite de sexta-feira (21/08), reuniu cerca de 23.500 espectadores, entre eles 3.500 torcedores visitantes. Desde os primeiros minutos, o ambiente foi marcado pelo uso frequente de artefatos pirotécnicos nas arquibancadas, obrigando o árbitro a interromper a partida ainda no início. A situação se agravou após o fim do tempo regulamentar, encerrado em 0 a 0. Depois de uma discussão entre jogadores em campo, torcedores do Kaiserslautern lançaram foguetes em direção a setores do estádio. Em seguida, parte da torcida do Mannheim invadiu o gramado, enquanto sinalizadores e rojões continuavam sendo disparados. Diante da escalada da violência, a polícia entrou em ação com agentes a pé, cavalaria, cães e spray de pimenta. O início da prorrogação foi adiado, e a partida chegou a correr risco de ser interrompida definitivamente. Um incêndio de pequenas proporções provocado por um sinalizador no setor visitante também precisou ser controlado pelos bombeiros. Oito pessoas encaminhadas ao hositalSegundo a polícia, 85 pessoas receberam atendimento médico e oito foram levadas a hospitais com ferimentos considerados leves. As autoridades informaram ainda que abriram investigações por suspeita de agressão, danos ao patrimônio, perturbação da ordem pública, ataque a agentes de segurança e violações da legislação sobre explosivos. Após cerca de meia hora de atraso, a partida foi retomada. O Kaiserslautern garantiu a classificação para a segunda fase da Copa da Alemanha com um gol marcado no último minuto da prorrogação, vencendo por 1 a 0. O confronto já havia sido classificado pelas autoridades como um jogo de alto risco devido à histórica rivalidade entre as duas torcidas. Cerca de 1.400 agentes de segurança foram mobilizados para a operação. As duas cidades ficam no oeste da Alemanha, separadas por cerca de 50 quilômetros. As cenas de violência provocaram forte reação política. O secretário do Interior do estado de Baden-Württemberg, Manuel Hagel, afirmou que quem usa o futebol como palco para atos violentos "não é torcedor, mas criminoso". le (dpa, sid, efe) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Duelo entre Waldhof Mannheim e Kaiserslautern foi interrompido após invasão de campo. Entre os feridos, há 35 policiais. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/violência-marca-clássico-da-copa-da-alemanha-e-deixa-mais-de-80-feridos/a-78472005?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 17 | |||
| Id | 78470981 | ||
| Date | 2026-08-22 | ||
| Title | Crise de combustíveis na Rússia chega a Moscou e ameaça logística | ||
| Short title | Crise de combustíveis chega a Moscou e ameaça logística | ||
| Teaser |
Além da falta de combustível na capital, cresce o temor com a qualidade da gasolina. Especialistas apontam danos a veículos, meses de espera nas oficinas e impactos cada vez maiores na economia russa.Ataques das Forças Armadas da Ucrânia a refinarias desencadearam uma nova crise de combustíveis na Rússia. Segundo a agência de notícias Reuters, pelo menos 30 regiões já foram afetadas. Diferentemente da onda anterior de escassez de gasolina, que começou no fim de maio e durou até meados de julho, a crise atual atinge especialmente Moscou e os arredores da capital. Usuários de redes sociais relatam o problema. As redes de postos Gazprom Neft e Tatneft já restringiram a venda de combustíveis na capital russa.
"Não se pode dizer que não exista gasolina alguma. Mas a crise é perceptível. Não é apenas um problema pessoal, quando alguém não sabe se conseguirá sair da cidade e voltar. É também um problema econômico”, afirma Oleg Grigorenko, do portal russo 7x, em entrevista à DW.
Segundo o editor-chefe do site independente, classificado pelas autoridades russas como "agente estrangeiro" motoristas de táxi, serviços de entrega e o setor da construção já registram queda de demanda em várias regiões. O motivo seria a dependência de muitas cadeias logísticas em relação ao combustível.
"A logística das empresas privadas de construção depende fortemente da gasolina", explica Grigorenko.
Também na região sul de Krasnodar, segundo a imprensa local, formam-se filas de várias horas nos postos. As autoridades atribuem o problema a um suposto aumento da demanda durante o período de férias. Mas muitos moradores já falam em desastre para a temporada de verão.
"A atual Sochi, com sua tranquilidade e ritmo de vida desacelerado, lembra a época anterior aos Jogos Olímpicos, quando havia poucos carros nas ruas e a cidade tinha muito menos turistas e moradores. Mas há uma diferença: em Sochi não há gasolina", escreveu no Instagram o corretor de imóveis Igor Sakhartchenko, natural da cidade às margens do Mar Negro, que sediou os Jogos Olímpicos de Inverno em 2014.
Queda na qualidade da gasolinae
Igor Ananskikh, primeiro vice-presidente da Comissão de Energia da Duma Estatal, declarou à emissora RTVI que o abastecimento de combustível deverá se normalizar em duas a três semanas.
Nikolai Korshenevski, porém, considera essa previsão improvável. O economista deixou a Rússia em protesto contra a guerra na Ucrânia e hoje vive no exterior. Em entrevista à DW, ele aponta uma queda da qualidade da gasolina.
Conhecidos lhe enviaram fotos de veículos exibindo mensagens de falha no motor provocadas por combustível contaminado.
"O carro simplesmente não liga mais e precisa ser levado à oficina. As mesmas pessoas me dizem que, mesmo em Moscou, há meses de espera para conseguir atendimento em oficinas. Depois disso, é preciso aguardar ainda mais meses por peças de reposição. Aparentemente, parte dos veículos não suporta a gasolina que está sendo colocada nos tanques", afirma.
"Há uma guerra em andamento, e não está claro o que está sendo produzido nem em que proporções os combustíveis estão sendo misturados". Para Korshenevski, os problemas persistentes no setor de petróleo e gás são sinais de uma crise muito mais profunda.
Segundo a agência Bloomberg, as exportações russas de petróleo caíram durante a guerra para níveis sem precedentes e a produção também diminuiu.
"Em 2019, a Rússia produzia 11,5 milhões de barris por dia. Hoje, são menos de nove milhões. Se essa tendência continuar e os problemas de refino se agravarem, a produção pode cair para oito milhões de barris. Isso já criaria as condições para uma crise econômica e sistêmica em grande escala", prevê.
Ele não vê uma solução rápida para os problemas e acredita que a Rússia esteja seguindo um caminho semelhante ao da Venezuela, com uma economia marcada pela contração contínua do Produto Interno Bruto (PIB).
Esperanças de importação são ilusórias
Na avaliação de Viacheslav Shiryaev, comentarista econômico russo que também vive no exterior, não será possível resolver a escassez por meio de importações da Índia, da China ou de outros países, como sugerem as autoridades russas.
"Diante do isolamento em que a Rússia se encontra, é impossível garantir o fornecimento de 200 mil toneladas de combustíveis por dia, aproximadamente a quantidade de gasolina e diesel de que a Rússia necessita diariamente", diz à DW.
Shiryaev, que se posicionou publicamente contra a guerra, também foi incluído pelas autoridades russas na lista de "agentes estrangeiros".
O economista Igor Lipsits destaca que as refinarias atingidas não podem ser restauradas rapidamente. Além disso, elas continuam vulneráveis a novos ataques aéreos. Segundo ele, as autoridades tendem a restringir o consumo de combustíveis. "Esse processo já começou”, observa.
Serviços de emergência, polícia, bombeiros, órgãos municipais e forças de segurança terão prioridade no abastecimento.
"Isso acontece diante dos olhos de pessoas que aguardam horas nas filas, o que gera muito ressentimento", ressalta Lipsits, crítico do Kremlin que deixou a Rússia e hoje vive no exílio europeu.
Para ele, a situação lembra o período de declínio daUnião Soviética.
"Os dirigentes tinham sistemas especiais de abastecimento, lojas e depósitos exclusivos onde podiam comprar tudo o que desejavam sem filas e a preços relativamente baixos. Isso provocava grande revolta entre os cidadãos soviéticos. Quando [o ex-presidente russo] Boris Iéltsin prometeu acabar com esses centros fechados de distribuição, recebeu amplo apoio popular. Hoje estamos voltando a uma situação semelhante", afirma.
Segundo Lipsits, está surgindo na Rússia um sistema fechado de distribuição de combustíveis, que poderá transformar dirigir um automóvel em um luxo.
Chave para o fim da guerra?
Na avaliação de Viacheslav Shiryaev, os ataques ucranianos contra alvos russos de uso militar e civil podem paralisar a economia russa e acelerar o fim da guerra. Segundo ele, o conflito poderia terminar em poucas semanas se o Ocidente ajudasse a Ucrânia a dobrar ou triplicar a intensidade de seus ataques.
"A Ucrânia poderia provocar desorganização e caos no interior da Rússia, levando a uma perda total de controle", afirma.
Ele acredita ainda que a escassez de combustíveis pode desempenhar um papel decisivo no enfraquecimento da estabilidade do regime de Vladimir Putin.
"Sem diesel, 6 mil quilômetros de ferrovias na Rússia ficariam paralisados. Centenas de empresas poderiam interromper suas atividades. Sem diesel, dezenas de milhares de caminhões deixariam de circular, os alimentos não chegariam aos supermercados e os agricultores não conseguiriam colher suas safras", ressalta.
Segundo Shiryaev, tudo isso poderia comprometer muito mais rapidamente os planos de Putin de continuar a guerra.
"Se a Ucrânia destruir toda a capacidade de refino de petróleo, Putin perceberá que suas ordens já não podem ser executadas. Com a falta de combustível, simplesmente tudo para", conclui.
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| Short teaser | Cresce temor com a qualidade da gasolina. Especialistas apontam danos a veículos e impactos econômicos cada vez maiores. | ||
| Author | Denis Kisinevskij | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/crise-de-combustíveis-na-rússia-chega-a-moscou-e-ameaça-logística/a-78470981?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Diferentemente das outras ondas de escassez de gasolina, essa atingiu em cheio a capital russa | ||
| Image source | Anastasia Barashkova/REUTERS | ||
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| Item 18 | |||
| Id | 78470899 | ||
| Date | 2026-08-22 | ||
| Title | Saliva pode dar pistas sobre câncer de intestino | ||
| Short title | Saliva pode dar pistas sobre câncer de intestino | ||
| Teaser |
Pesquisadores sul-coreanos descobriram que bactérias encontradas na boca aparecem nos intestinos de pacientes com câncer. Descoberta pode facilitar detecção de câncer gástrico e colorretal.A composição do microbioma da boca e do intestino pode conter sinais associados ao câncer de estômago e ao câncer colorretal, o que, no longo prazo, poderá levar ao desenvolvimento de novos exames menos invasivos para sua detecção.
Um estudo liderado pela Universidade de Seul e publicado na revista especializada Cell Host & Microbe investigou se microrganismos da cavidade oral chegam ao trato gastrointestinal e permanecem nele de forma diferente em pessoas com câncer.
Os pesquisadores recrutaram 507 voluntários para doar amostras da boca e de fezes. O grupo incluía 129 pessoas saudáveis; 215 com distúrbios metabólicos, como hipertensão, diabetes tipo 2 ou hiperlipidemia; 77 com câncer gástrico; e 86 com câncer colorretal.
Índice para detectar câncer
A equipe utilizou sequenciamento genético para criar um índice boca-fezes (MF), que mede até que ponto variantes idênticas de sequências microbianas são encontradas tanto em amostras orais quanto fecais de uma mesma pessoa. Em seguida, os pesquisadores avaliaram a capacidade do índice MF de diferenciar pacientes com câncer de pessoas saudáveis. A análise revelou que esse índice estava significativamente mais elevado em indivíduos com câncer gástrico ou colorretal, mas não em pessoas com distúrbios metabólicos.
Essa associação permaneceu consistente mesmo após levar em consideração fatores como consumo de álcool, prática regular de exercícios físicos e índice de massa corporal (IMC).
A presença de bactérias associadas à cavidade oral no intestino de pacientes com câncer "não foi totalmente inesperada”, afirmou a pesquisadora Sun Ha Jee, da Universidade Yonsei e uma das autoras do estudo.
O que a equipe não previa era a forma como o sinal variava entre os diferentes grupos de doenças, o quanto ele poderia ser detectado apenas em amostras da boca e até que ponto dependia da maneira como as características microbianas eram representadas, acrescentou a pesquisadora.
Mais sensível que atual teste
A equipe também comparou as assinaturas microbianas encontradas nos pacientes com câncer com os resultados dos testes de sangue oculto nas fezes, uma ferramenta padrão para rastreamento do câncer colorretal. Os pesquisadores observaram uma sensibilidade maior nas amostras bucais coletadas por meio de enxaguante bucal.
Os pesquisadores pretendem realizar um estudo para validar prospectivamente as descobertas em pessoas que ainda não receberam diagnóstico de câncer, além de incorporar um sequenciamento metagenômico de maior resolução.
Além disso, eles irão investigar a relação de causa e efeito, ou seja, se o aumento da troca de microrganismos entre a boca e o intestino contribui para o desenvolvimento do câncer, se o câncer cria condições que permitem que bactérias da boca permaneçam no trato gastrointestinal ou se ambos os fatores estão envolvidos.
Antes que esses resultados possam ser utilizados na prática clínica, serão necessários estudos clínicos em populações reais submetidas a programas de rastreamento. Caso os achados sejam validados, o próximo passo será desenvolver um teste não invasivo, afirmou o pesquisador Tae Il Kim, da Universidade Yonsei.
md (EFE, ots)
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| Short teaser | Um simples enxaguante bucal poderia detectar câncer gástrico e colorretal mais cedo do que os exames de fezes. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/saliva-pode-dar-pistas-sobre-câncer-de-intestino/a-78470899?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Resposta sobre a existência de um câncer silencioso pode estar na saliva, segundo pesquisa | ||
| Image source | Elena Safonova/Zoonar/picture alliance | ||
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| Item 19 | |||
| Id | 78467702 | ||
| Date | 2026-08-22 | ||
| Title | EUA taxam produtos do Canadá em 50% após acordo fracassar | ||
| Short title | EUA taxam produtos do Canadá em 50% após acordo fracassar | ||
| Teaser |
Tarifas de 50% recaem sobre cerca de 20 bilhões de dólares em produtos canadenses. Premiê do Canadá diz que seu país vai retaliar "dólar por dólar". Os Estados Unidos estão impondo a partir deste sábado (22/08) tarifas de 50% sobre cerca de 20 bilhões de dólares (R$ 103 bilhões) em produtos canadenses, após o fracasso das negociações comerciais entre os dois países. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, responsabilizou o Canadá pelo colapso das conversas, afirmando que o país se recusou a concluir o acordo nos termos que, segundo Washington, haviam sido acertados no início da semana. "O Canadá se recusou a finalizar o acordo comercial nos termos acordados", declarou Greer, acrescentando que novas exigências de Ottawa e o descumprimento de compromissos anteriores "perturbaram o equilíbrio cuidadosamente estabelecido". Prazo adicionalO anúncio ocorre após três dias de intensas negociações. As tarifas de 50%, anunciadas em julho, estavam inicialmente previstas para entrar em vigor em 19 de agosto, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu um prazo adicional de três dias para permitir a continuidade das conversas. Poucas horas antes do rompimento das negociações, Trump havia demonstrado otimismo quanto à possibilidade de um entendimento ser alcançado. Após a imposição das tarifas, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que seu país havia obtido avanços importantes, mas que as mudanças de última hora propostas pelos EUA tornaram impossível a conclusão de um acordo aceitável. Canadá promete retaliarCarney garantiu que o Canadá retaliará imediatamente, aplicando tarifas equivalentes "dólar por dólar" para proteger trabalhadores e empresas, destacando que "a América mudou" e que os dois países "não voltarão à sua antiga relação". As tarifas americanas incidem sobre cerca de 5% das exportações anuais canadenses para os EUA, abrangendo produtos como tacos de hóquei, materiais de construção, bebidas alcoólicas e determinados tipos de vestuário. Segundo fontes não identificadas da administração Trump, citadas pela agência de notícias Associated Press (AP), Ottawa buscava concessões sobre tarifas já existentes para aço, alumínio, automóveis e madeira, algo que Washington não estava disposto a conceder. Carney acusou os EUA de apresentar "condições injustas e não econômicas" e ordenou o retorno da equipe negociadora a Ottawa. O colapso das conversações representa uma mudança brusca em relação ao otimismo demonstrado dias antes e lança dúvidas sobre o futuro do acordo comercial norte-americano que envolve EUA, Canadá e México. Enquanto Washington iniciou negociações formais com o México para revisar o USMCA, as negociações com o Canadá permanecem suspensas. Relações abaladasA crise comercial agrava uma relação historicamente amistosa entre os dois países vizinhos. O comércio bilateral alcançou 880 bilhões de dólares (R$ 4,5 trilhões) em 2025, e cerca de 72% das exportações canadenses têm como destino os Estados Unidos. Os Estados Unidos e o Canadá disputam questões comerciais há décadas, com divergências recorrentes sobre importações de madeira canadense e o acesso dos EUA ao mercado protegido de laticínios do Canadá. Apesar dessas tensões, os dois países mantiveram uma relação de amizade, aliança e parceria comercial. A fronteira de 8.890 quilômetros entre eles permanece sem defesa militar, sendo atravessada diariamente por cerca de 330 mil pessoas e por mercadorias avaliadas em 2 bilhões de dólares (R$ 10,3 bilhões). Apesar da proximidade histórica, incluindo cooperação militar e fronteira aberta, a administração Trump tem adotado uma postura mais agressiva, impondo tarifas e fazendo declarações provocativas sobre transformar o Canadá no "51º estado" americano. A tensão já provocou forte reação pública no Canadá, com uma petição para expulsar o embaixador americano reunindo mais de 248 mil assinaturas. Candace Laing, presidente da Câmara de Comércio do Canadá, classificou as tarifas como "um golpe duro para a competitividade americana" e alertou que elas aumentarão os custos para os consumidores nos EUA, além de ameaçar investimentos e pequenas empresas no Canadá. md (Lusa, AFP, AP) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Tarifas de 50% recaem sobre cerca de 20 bilhões de dólares em produtos canadenses. Premiê do Canadá promete retaliação. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/eua-taxam-produtos-do-canadá-em-50-após-acordo-fracassar/a-78467702?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=EUA%20taxam%20produtos%20do%20Canad%C3%A1%20em%2050%25%20ap%C3%B3s%20acordo%20fracassar | ||
| Item 20 | |||
| Id | 78465364 | ||
| Date | 2026-08-21 | ||
| Title | EUA devolvem mais de €790 mi em tarifas a empresas alemãs | ||
| Short title | EUA devolvem mais de €790 mi em tarifas a empresas alemãs | ||
| Teaser |
Segundo revista alemã, valores foram ressarcidos após decisão da Suprema Corte americana que considerou ilegais as tarifas impostas por Trump.Empresas de capital aberto na Alemanha foram reembolsadas em mais de 790 milhões de euros (R$ 4,7 bilhões) por tarifas alfandegárias pagas indevidamente aos Estados Unidos.
O valor, citado em reportagem da revista alemã WirtschaftsWoche nesta sexta-feira (21/08), foi apurado com base em relatórios financeiros e informações adicionais fornecidas pelas próprias empresas. Os reembolsos teriam sido efetuados nas últimas semanas.
416 milhões de euros para a DHL
O maior reembolso foi registrado pela transportadora alemã DHL. De acordo com a diretora financeira Melanie Kreis, a empresa listada no índice DAX recebeu até agora um total de 416 milhões de euros. A companhia pretende repassar esse dinheiro aos clientes afetados.
Também houve reembolsos expressivos no setor de saúde. A fabricante de tecnologia médica Siemens Healthineers recebeu cerca de 200 milhões de euros em restituições líquidas de tarifas. Já a fornecedora de equipamentos laboratoriais Sartorius recebeu 26 milhões de euros, enquanto a fabricante de equipamentos médicos e de segurança Dräger obteve cerca de 22 milhões de euros.
A fabricante de artigos esportivos Puma informou ter recebido aproximadamente 49 milhões de euros em restituições tarifárias. Já a Rational, líder mundial no mercado de equipamentos para cozinhas industriais, reportou reembolsos de 14 milhões de euros.
Outras empresas aguardam restituições
Segundo a WirtschaftsWoche, outras empresas alemãs também esperam receber ainda este ano reembolsos significativos das autoridades americanas.
No total, o governo do presidente Donald Trump já restituiu, até o início de agosto, cerca de 100 bilhões de dólares (R$ 512,8 bilhões) a empresas em todo o mundo, segundo a agência de notícias AFP. A alfândega americana estima que a conta beire os 129 bilhões de dólares.
Suprema Corte considerou tarifas ilegais
Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou ilegais as tarifas adicionais impostas por Trump contra diversos parceiros comerciais com base em uma lei de emergência nacional.
A corte concluiu que o presidente dos EUA havia excedido suas competências ao adotar essas medidas tarifárias. A decisão levou muitas empresas a reivindicarem a devolução das tarifas pagas.
ra/md (AFP, dpa)
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| Short teaser | Valores foram ressarcidos após decisão da Suprema Corte americana que considerou ilegais as tarifas de Trump. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/eua-devolvem-mais-de-€790-mi-em-tarifas-a-empresas-alemãs/a-78465364?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | A transportadora alemã DHL foi a que mais recebeu dinheiro de volta | ||
| Image source | Sebastian Kahnert/dpa/picture alliance | ||
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| Item 21 | |||
| Id | 78457057 | ||
| Date | 2026-08-21 | ||
| Title | Inteligência alemã descobre esconderijo de armas perto de Berlim e suspeita de ação russa | ||
| Short title | Polícia alemã descobre esconderijo de armas perto de Berlim | ||
| Teaser |
Autoridades suspeitam que armas estavam sendo guardadas por agentes russos que planejavam assassinatos na Alemanha. Entre supostos alvos, estariam desertores, apoiadores da Ucrânia e executivos da indústria de defesa.Autoridades alemãs descobriram um esconderijo subterrâneo de armas numa floresta perto de Berlim. Segundo a imprensa alemã, o local estaria sendo usado pelo serviço secreto da Rússia, que planejava assassinatos na Alemanha.
O esconderijo foi descoberto há cerca de um ano, após agentes da agência de inteligência interna da Alemanha, o Departamento Federal de Proteção da Constituição (BfV), terem recebido informações sobre um suposto depósito de armas. No local, foram descobertas duas armas de fogo de calibre curto e munição. A descoberta foi revelada nesta sexta-feira (21/08) pelo jornal Süddeutsche Zeitung e as emissoras de televisão NDR e WDR.
Depois da localização, o esconderijo foi mantido intacto e observado durante meses, numa tentativa de identificar os responsáveis. Em paralelo, as armas que estavam no local foram secretamente inutilizadas e equipadas com um rastreador, segundo informaram fontes familiarizadas com a ação.
Porém, nada aconteceu. Autoridades acreditam que os responsáveis pelo depósito possam ter percebido a movimentação e passaram a evitá-lo.
Ainda assim, as autoridades alemãs parecem ter encontrado uma pista importante sobre os responsáveis pelo depósito. De acordo com informações obtidas pelo Süddeutsche Zeitung, NDR e WDR, um suspeito foi preso na Romênia. O homem pode ter sido o responsável por criar o esconderijo subterrâneo. Desde novembro, a Procuradoria Geral da República do país investiga o caso.
De acordo com as reportagens, autoridades da Alemanha estão convencidas de que as armas foram escondidas por agentes de Moscou que realizariam atentados na Alemanha a mando da Rússia para eliminar executivos da indústria de defesa, opositores russos no exílio e diversos apoiadores da Ucrânia.
Há meses, o presidente do BfV, Sinan Selen, vem alertando autoridades sobre agentes secretos russos que estariam planejado assassinatos na Alemanha.
Procurados pela imprensa alemã, o BfV e a embaixada da Rússia no país se recusaram a comentar o caso.
Ligação com outros casos
Segundo a revista alemã Der Spiegel, os investigadores analisam possíveis conexões entre o depósito de armas e uma campanha de sabotagem supostamente iniciada pela Rússia contra linhas logísticas ucranianas.
No ano passado, agentes de segurança da Polônia prenderam vários suspeitos que teriam sido encarregados de enviar encomendas postais preparadas com dispositivos incendiários ou detonadores. Algumas prisões foram realizadas também na Romênia.
Esses dispositivos poderiam ser acionados remotamente ou por temporizador durante o transporte, causando danos graves a veículos, aviões de carga ou centros logísticos. Casos semelhantes também já foram registrados na Alemanha. Um deles ocorreu no aeroporto de Leipzig, onde um pacote pegou fogo dentro de um contêiner de carga na área de movimentação das aeronaves.
Recentemente, também no aeroporto de Leipzig, foi encontrado um drone equipado com explosivos. Ele estava nas proximidades de aeronaves de transporte ucranianas. Não está claro quem está por trás do episódio. O aeroporto de Leipzig funciona como um centro de distribuição de materiais bélicos ocidentais para a Ucrânia, além de ser usado para serviços de transporte pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e as forças militares da Alemanha.
Método da Guerra Fria
Esconderijos de armas na Europa Ocidental era um método utilizado pela União Soviética durante a Guerra Fria. Instalados em áreas de florestas, esses depósitos secretos continuaram sendo usados por serviços de inteligência russos nos últimos anos para troca de informações ou materiais com espiões russos que vivem no Ocidente sob identidades falsas.
De acordo com o Süddeutsche Zeitung, o papel desempenhado por esses depósitos na época soviética se tornou conhecido, entre outras fontes, por meio de informações reveladas pelo ex-oficial da KGB e posteriormente desertor Vasili Mitrokhin. Segundo ele, Moscou realizou preparativos abrangentes para atuar também na Alemanha Ocidental em caso de uma crise com Otan. Instalações militares, centros da indústria de defesa e infraestruturas estratégicas já eram considerados alvos prioritários pela União Soviética.
Na Suíça, um antigo depósito soviético chegou a ser encontrado na década de 1990 com base nas informações fornecidas pelo desertor.
Há dois anos, durante uma obra perto da cidade de Bellheim, no estado alemão da Renânia-Palatinado, foram encontrados explosivos e granadas. O material estava aparentemente embalado e escondido de forma profissional, nas imediações de um oleoduto da Otan utilizado para abastecer com combustível as forças da aliança militar.
cn (ots)
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| Short teaser | Autoridades alemãs suspeitam que local era utilizado por agentes secretos russos que planejavam assassinatos no país. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/inteligência-alemã-descobre-esconderijo-de-armas-perto-de-berlim-e-suspeita-de-ação-russa/a-78457057?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Informação repassada ao Departamento Federal de Proteção da Constituição (BfV) levou à descoberta do esconderijo próximo a Berlim | ||
| Image source | Christoph Hardt/Geisler-Fotopress/picture alliance | ||
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| Item 22 | |||
| Id | 78445341 | ||
| Date | 2026-08-20 | ||
| Title | Petrobras e Pemex: aliança estratégica ou gesto político? | ||
| Short title | Petrobras e Pemex: aliança estratégica ou gesto político? | ||
| Teaser |
As duas petrolíferas estatais anunciam uma colaboração que pode ser benéfica para Brasil e México. Especialistas, no entanto, se mantêm céticos devido a experiências negativas do passado com forte peso político. Duas das maiores petrolíferas estatais da América Latina surpreenderam com o anúncio de uma aliança: a Petrobras e a mexicana Pemex assinaram um memorando de entendimento, inicialmente válido por dois anos, para cooperar na exploração e produção de hidrocarbonetos. Elas também negociaram um segundo acordo, com foco no refino e na comercialização de biocombustíveis como o etanol. A notícia foi acompanhada por gestos de grande repercussão, como uma videochamada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua homóloga mexicana, Claudia Sheinbaum, na qual ambos endossaram a cooperação. Especialistas consultados pela DW concordam que o potencial técnico é real, mas alertam que as questões políticas pesam mais do que a engenharia na aliança bilateral. Complementaridade técnica, com nuancesNo papel, as empresas se complementam: a Petrobras domina a exploração em águas profundas, enquanto a Pemex sofre com deficiências tecnológicas, mesmo conhecendo o terreno mexicano. "Claro que, em teoria, há complementaridade. A Petrobras é atualmente uma grande detentora de tecnologia para exploração em águas profundas. O Brasil é exportador de diesel e gasolina", explica Adriano Pires, consultor brasileiro de energia e doutor em Economia Industrial pela Universidade Sorbonne Paris Norte. Gonzalo Monroy, CEO da consultoria GMEC e especialista em petróleo e energia, concorda com Pires. "O Brasil tem vasta experiência em perfuração em depósitos de sal, o que permitiu a exploração na Bacia de Santos; no México, também existe potencial sob os depósitos de sal no Golfo". Ele, porém, alerta para as letras miúdas: "há uma palavra no memorando que me deixa pouco otimista: afirma que o acordo não é vinculativo; nem a Pemex nem a Petrobras são obrigadas a investir nada". Na indústria do petróleo, sem muito dinheiro, nada funciona. A longo prazo, um bom negócioPara Elio Ohep, consultor independente e editor do site Energies.net, a parceria pode ser um bom negócio, mas apenas a longo prazo. "A Petrobras tem vasta experiência em águas profundas e recursos financeiros consideráveis; a Pemex aprenderá com isso, e o México colherá os frutos", comenta o especialista venezuelano. Ele adverte, no entanto, que "obviamente, este é um projeto de longo prazo: cinco, dez, 15 anos". Monroy destaca que, no México, após a contrarreforma do petróleo promovida pelo antecessor e mentor de Sheinbaum, Andrés Manuel López Obrador, não existem mecanismos legais e comerciais atrativos para que essa aliança se concretize. "As estruturas atualmente previstas em lei, um contrato de prestação de serviços ou uma joint venture, não oferecem à Petrobras a rentabilidade necessária para investir no México", enfatizou. Ohep também analisa com cautela o entusiasmo com que o acordo foi apresentado: "Sheinbaum o apresenta como algo concluído, e isso não é verdade. Não há nada de concreto, apenas um memorando de entendimento preliminar válido por dois anos." Etanol, uma questão secundáriaO segundo acordo entre as duas petrolíferas inclui biocombustíveis, mas Pires e Monroy o separam do núcleo energético do pacto. "O etanol é produzido no Brasil pelo setor privado, não pela Petrobras. Ele é misturado à gasolina por distribuidores", observa Pires, que é fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Ele foi indicado em 2022 pelo governo brasileiro para chefiar a Petrobras, mas recusou a oferta. Monroy acrescenta ainda a pressão externa. "O México vem sendo pressionado para abrir seu mercado e comprar mais misturas de etanol; há pressão dos EUA, que produzem etanol à base de milho, e também do Brasil, que o extrai da cana-de-açúcar." Ele também se mostra cético quanto aos benefícios. "Noventa e seis por cento da frota mexicana não está adaptada para funcionar com 10% de etanol. O máximo seria 6%." No Brasil, em contrapartida, até 30% de etanol são adicionados à gasolina E30, um número que o governo Lula quer aumentar para 32%. A indústria automobilística brasileira também desenvolveu motores flex, que podem funcionar com ambos os combustíveis. Um sensor no sistema de controle eletrônico determina a mistura e faz ajustes automaticamente. Isso, por si só, exigiria a adaptação de toda a infraestrutura de transporte do México. Monroy estima que isso acarretaria um custo enorme que a estatal petrolífera mexicana, altamente endividada, dificilmente poderia arcar. "A Pemex teria que investir entre 6 e 8 bilhões de dólares (R$ 31 e 41 bilhões) na adaptação de instalações de armazenamento e postos de gasolina." Pressão externa e calendário eleitoralSegundo especialistas, o anúncio é motivado mais por cálculos políticos domésticos do que por um plano industrial. Sheinbaum está sob a sombra da renegociação do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) e da pressão de Washington sobre o mercado energético mexicano. No Brasil, a descoberta de petróleo na foz do Amazonas, anunciada com a presença de Lula, ocorreu, segundo Pires, devido ao calendário eleitoral. "Esse evento aconteceu porque o Brasil está em ano eleitoral. Se não fosse esse o caso, não teria havido nenhum evento", afirma. Para o especialista, são necessários pelo menos mais quatro anos de análise para determinar se esse depósito amazônico é comercialmente viável.
Ohep enxerga uma condição para a sobrevivência da aliança entre as petrolíferas: "Esse acordo só continuará se Lula for reeleito", opina. Como ambas as empresas são estatais, quando o governo muda, o curso dos acontecimentos também pode mudar, concorda Pires. Lições deixadas por acordos anterioresOs três especialistas consultados pela DW moderam suas expectativas com ceticismo histórico. Sem rodeios, Ohep resume que "a maioria dos memorandos de entendimento acaba sendo letra morta". Pires menciona o precedente que mais o preocupa: a parceria entre a Petrobras e a PDVSA da Venezuela durante os governos de Lula e Hugo Chávez, que resultou na refinaria de Recife, "a mais cara do mundo", manchada pelo escândalo de corrupção Lava Jato. Ele enfatiza que esse projeto foi realizado sem nenhum investimento de capital venezuelano ou benefício para a Petrobras. "Tenho receio desse tipo de acordo que reúne dois governos de esquerda e duas empresas estatais", alerta Pires. "Não vou dizer que vai acabar mal, mas diria que tem todos os ingredientes para ser um desastre". --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Especialistas veem com ceticismo colaboração entre as petrolíferas devido a experiências negativas do passado. | ||
| Author | Sandra Weiss | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/petrobras-e-pemex-aliança-estratégica-ou-gesto-político/a-78445341?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 23 | |||
| Id | 78435457 | ||
| Date | 2026-08-20 | ||
| Title | Crises de ausência: a condição que faz Musiala, do Bayern, desmaiar em campo | ||
| Short title | A condição médica que faz Musiala desmaiar em campo | ||
| Teaser |
Um dos principais jogadores de futebol da Alemanha desmaiou em campo pela segunda vez em quatro dias, às vésperas do início da nova temporada. Ele revelou ter uma disfunção neurológica que causa apagões. O jogador do Bayern de Munique e da seleção alemã, Jamal Musiala, desmaiou durante uma partida de futebol pela segunda vez em quatro dias. Ele precisou de ajuda para sair de campo, visivelmente atordoado, apenas seis minutos após entrar no jogo vindo do banco de reservas na vitória de sua equipe por 4 a 2 em amistoso contra o Heidenheim, na terça-feira (18/08). Musiala já havia desmaiado de forma semelhante em uma partida contra o RB Leipzig alguns dias antes. Após o jogo contra o Heidenheim, Musiala explicou em uma postagem no Instagram que os apagões foram causados por uma disfunção neurológica conhecida como crises de ausência. "Fui diagnosticado com crises de ausência temporárias, breves, mas facilmente tratáveis, que são causadas por uma disfunção neurológica", escreveu ele na publicação, que recebeu apoio de muitos no mundo do futebol, incluindo o goleiro do Bayern, Manuel Neuer, e o ex-atacante da Alemanha e do Bayern, Thomas Müller. "Essas crises podem levar aos episódios recentes, como o contra o Leipzig ou agora em Heidenheim. Sei que parecem assustadoras à primeira vista, mas para mim, na verdade fazem parte do meu dia a dia. "Estou recebendo um excelente tratamento médico e estou muito otimista." O Bayern, minha família e meus amigos estão sempre ao meu lado, me apoiando nessa jornada." O que são crises de ausência?Anteriormente conhecidas como crises de "pequeno mal", as crises de ausência são divididas em dois tipos: típicas e atípicas. Ainda não está claro qual delas seria a de Musiala. Os casos típicos fazem com que a pessoa pare instantaneamente tudo o que está fazendo e pareça "desligar". Às vezes, seus olhos podem olhar para cima ou piscar. Elas duram entre 10 e 20 segundos e podem causar alguma confusão por alguns segundos depois, antes que a pessoa retorne ao seu estado normal. Os casos atípicos geralmente duram um pouco mais e também podem incluir movimentos de mastigação ou estalos com os lábios, movimentos com as mãos ou piscadas repetitivas. Ambas são um tipo de epilepsia e, de acordo com a Fundação de Epilepsia dos Estados Unidos, são causadas por "breve atividade elétrica anormal no cérebro de uma pessoa". Elas são mais comuns em crianças, mas podem ocorrer em adultos. Segundo a fundação, essas crises podem ocorrer por um longo tempo antes de serem diagnosticadas, dependendo do ambiente em que ocorrem. Algumas pessoas podem ter centenas de breves crises de ausência por dia. O tratamento geralmente não é necessário, mas existem medicamentos disponíveis para casos mais graves. A carreira de Musiala está em risco?O Bayern de Munique afirmou que as crises convulsivas não representam uma ameaça para a carreira de Musiala, mas parece evidente que desmaiar em campo será algo difícil de controlar se o problema não se resolver. Embora de natureza muito diferente, as crises convulsivas são mais um revés para um jogador que tem lutado contra problemas físicos nos últimos anos. Musiala, de 23 anos, quebrou a perna no Mundial de Clubes em julho passado e teve dificuldades para recuperar a forma física e o ritmo de jogo. Em março, ele sofreu uma lesão no tornozelo. Ele integrou a seleção alemã na Copa do Mundo em junho, mas pareceu fora de ritmo durante boa parte do torneio. Ele precisou de uma pequena cirurgia para remover uma placa de metal do pé, remanescente da operação na perna do ano passado. O que vem a seguir para Musiala e o Bayern?A temporada do Bayern começa neste sábado com a Supercopa da Alemanha, renomeada como Supercopa Franz Beckenbauer, em homenagem ao lendário jogador e técnico da seleção alemã. A partida normalmente coloca os campeões alemães contra os vencedores da Copa da Alemanha, mas, como o Bayern venceu ambas no ano passado, eles enfrentarão o vice-campeão da liga, Borussia Dortmund. Eles iniciam a defesa do título da Bundesliga na sexta-feira seguinte, 28 de agosto, contra o Stuttgart, em Munique. Não está claro se Musiala participará de alguma dessas partidas e como o Bayern e o jogador lidarão com as convulsões, mas Musiala permanece otimista. "Tem sido meu desejo pessoal assumir esse desafio e, com a aprovação dos neurologistas, continuar me concentrando no que mais me ajuda na minha recuperação: simplesmente viver minha vida cotidiana e continuar a perseguir minha paixão por jogar futebol", escreveu o jogador. "Assumi a responsabilidade por isso. No geral, me sinto muito positivo e estou no caminho certo. O que mais me ajuda nessa jornada é continuar buscando vitórias e títulos com meu time e o apoio incrível de vocês." -------- |
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| Short teaser | Jogadores que desmaiou pela 2ª vez em quatro dias afirmou ter uma disfunção neurológica que causa apagões. | ||
| Author | Matt Pearson | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/crises-de-ausência-a-condição-que-faz-musiala-do-bayern-desmaiar-em-campo/a-78435457?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 24 | |||
| Id | 78430206 | ||
| Date | 2026-08-20 | ||
| Title | Amanal Petros: de refugiado de guerra ao ouro europeu | ||
| Short title | Amanal Petros: de refugiado de guerra ao ouro europeu | ||
| Teaser |
Após perder o título mundial por apenas 0,03 segundo em 2025, corredor nascido na Eritreia e refugiado na Alemanha supera obstáculos pessoais e conquista seu primeiro grande título internacional na maratona. Na Praça Victoria, em Birmingham, envolto em uma bandeira da Alemanha, Amanal Petros exibia com orgulho sua medalha de ouro. Onze meses após perder por uma diferença mínima o título mundial em Tóquio, o corredor de 31 anos natural da Eritreia conquistou o primeiro grande título internacional da carreira. O atleta sagrou-se campeão da maratona no Campeonato Europeu de 2026 em Birmingham, no domingo (16/08). Depois de cerca de 25 quilômetros de prova, Petros aumentou o ritmo em uma subida e deixou para trás o grupo de líderes. Nenhum adversário conseguiu acompanhá-lo. Nos dois quilômetros finais, ele já podia saborear a vitória. Com o tempo de 2h09min11s, cruzou a linha de chegada estabelecendo o melhor desempenho já registrado por um maratonista em um Campeonato Europeu. "Meu objetivo era definir a prova cedo, e funcionou perfeitamente", afirmou Petros. Embora Pietro Riva tenha terminado apenas sete segundos atrás, o resultado final não traduz o amplo domínio de Petros ao longo da prova. "Eu tinha tudo sob controle", comemorou Petros. Problemas antes da corridaA vitória teve um sabor ainda mais especial tendo em vista os problemas enfrentados antes da competição. Por causa de dificuldades com a autorização eletrônica de entrada no Reino Unido, Petros só chegou a Birmingham no sábado, um dia antes da maratona. Segundo relatos da imprensa, houve entraves burocráticos relacionados ao visto eletrônico. "Demorou muito, foi horrível. Ficamos dois dias viajando de um lado para o outro", contou. A Federação Alemã de Atletismo ajudou a resolver a situação. No dia seguinte, o atleta encarou um percurso exigente, composto por oito voltas com subidas e inúmeras curvas. Durante meses, Petros treinou em altitude no Quênia para se preparar para a competição. "As 120 curvas e as subidas foram um enorme desafio", admitiu. Apesar da vitória, a prova deixou marcas físicas. "Dói tudo. Acho que preciso ir direto ao fisioterapeuta. Minhas articulações estão realmente doloridas". Após a conquista, Petros dedicou o ouro à mãe, que vive na região etíope de Tigré, a mais de 5 mil quilômetros de distância. "Ela é minha rainha e minha fonte de força. Quando penso nela, ganho nova energia e motivação. Ela é simplesmente a melhor". Da guerra à AlemanhaPetros nasceu em 1995 na cidade portuária de Assab, na Eritreia. Ainda criança, fugiu com a família da guerra entre Eritreia e Etiópia e cresceu em Tigré, no norte etíope. Desde os cinco anos trabalhava no campo e cuidava de animais. Aos 16 anos, deixou a Etiópia sozinho em busca de uma vida melhor. Chegou à Alemanha no início de 2012 como solicitante de asilo e foi acolhido inicialmente em Bielefeld. A mãe e as duas irmãs permaneceram em Tigré. No fim de 2021, durante os conflitos na região, ele ficou mais de dois meses sem conseguir contato com os familiares. "É muito difícil. Às vezes durmo mal e tenho pesadelos. Mas tento não perder a esperança", disse à DW na época. A corrida tornou-se um refúgio. "Se eu abandonasse o esporte, teria perdido tudo. Já perdi minha família e perderia também a última coisa que ainda tenho". Choque cultural e descoberta do talentoQuando chegou à Alemanha, Petros jogava futebol. Seu talento para a corrida chamou a atenção de um orientador, que o encaminhou para um clube de atletismo. Poucos meses depois, disputou sua primeira corrida oficial de 10 quilômetros e venceu com cerca de dois minutos e meio de vantagem. A adaptação à nova vida também trouxe desafios. "Aprender a língua foi difícil. Mas entender a mentalidade alemã foi ainda mais complicado", ressaltou. Uma das primeiras situações embaraçosas ocorreu em seu grupo de treinamento. Na Etiópia, é comum cumprimentar pessoas com um beijo no rosto, assim como no Brasil. Petros fez o mesmo com seus novos colegas alemães, que reagiram com surpresa. Ascensão ao topoNaturalizado alemão em 2015, Petros tornou-se posteriormente atleta das Forças Armadas alemãs. Inicialmente especializado em provas de pista e corridas de rua de longa distância, passou a focar na maratona. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, representou a Alemanha pela primeira vez nos 42,195 quilômetros. Nos anos seguintes, consolidou-se entre os melhores do mundo. Em dezembro de 2025, completou a Maratona de Valência em 2h04min03s, estabelecendo o recorde alemão. Em março de 2026, bateu outro recorde nacional ao correr a Meia Maratona de Berlim em 59min22s. O ouro perdido por 0,03 segundoO talento de Petros ficou evidente no Mundial de Tóquio, em setembro de 2025. A 350 metros da chegada, ele acelerou e entrou sozinho no estádio. Já parecia campeão mundial. Mas o tanzaniano Alphonce Simbu reagiu nos metros finais. Petros olhou para trás duas vezes durante o sprint decisivo, e Simbu conseguiu ultrapassá-lo praticamente sobre a linha de chegada. Ambos registraram o mesmo tempo oficial: 2h09min48s. O desempate veio na foto de chegada. Apenas três centésimos de segundo separaram Petros da medalha de ouro. "Como atleta profissional, preciso aceitar isso e seguir em frente", afirmou após a prova. Mesmo assim, conquistou a primeira medalha alemã em uma maratona masculina de campeonato mundial desde 1983. Em Tóquio, Petros também falou da mãe. Ele não a via há oito ou nove anos. Ela não pôde vê-lo cruzar a linha de chegada ao vivo, pois não havia eletricidade nem internet em seu vilarejo, contou. "Para mim, essa conquista é algo muito importante. Especialmente para a minha família, para a minha mãe", disse após a prova, ressaltando que gostaria de enviar a ela vídeos da corrida. "Espero conseguir trazê-la para a Alemanha para uma competição algum dia", mencionou na época. Sem foto de chegada desta vezOnze meses depois daquela derrota dolorosa, Petros finalmente alcançou o topo em Birmingham. Após a prata no Mundial de 2025 e o bronze europeu na meia maratona em 2024, o alemão subiu pela primeira vez ao lugar mais alto do pódio em uma grande competição internacional. "A prova foi terrível, terrivelmente difícil", resumiu. E como ele pretendia comemorar? "Com um pouco de vinho tinto vou me recuperar rapidamente", disse. E quanto seria "um pouco"? "Ah, uma, duas ou três taças", finalizou. (dpa, sid) -------- |
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| Short teaser | Refugiado da Eritreia, atleta supera adversidades e conquista o ouro europeu na maratona. | ||
| Author | Mathias Brück | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/amanal-petros-de-refugiado-de-guerra-ao-ouro-europeu/a-78430206?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 25 | |||
| Id | 78431254 | ||
| Date | 2026-08-19 | ||
| Title | Seca pode elevar preços dos alimentos na Alemanha | ||
| Short title | Seca pode elevar preços dos alimentos na Alemanha | ||
| Teaser |
Associação de agricultores alerta para colheita abaixo da média e outros danos causados às plantações pelo calor extremo. Crise pode impactar economia e segurança alimentar do país europeu.Os agricultores alemães estão preocupados com a perspectiva de uma colheita abaixo da média após a seca e os danos causados às plantações pelo calor extremo nos últimos meses. Entidades alertam ser provável que os danos sofridos pelas plantações se reflitam nos preços dos alimentos ao consumidor. A DW analisou os possíveis impactos na economia e na disponibilidade dos alimentos.
1. Qual a gravidade da queda na colheita alemã em 2026?
A Associação Alemã de Agricultores (DBV) alertou nesta terça-feira (19/08) para uma colheita "abaixo da média" devido à seca contínua que deixou grandes áreas de terras agrícolas gravemente ressecadas.
Em um comunicado, o presidente da DBV, Joachim Rukwied, alertou que a colheita de grãos do país será 7% menor do que no ano passado, atribuindo a culpa a uma "primavera excessivamente seca e uma onda de calor na segunda quinzena de junho", que "danificaram significativamente muitas plantações".
A DBV afirmou que a produção total de grãos deste ano deverá ser de 41,9 milhões de toneladas, um déficit de cerca de 3,3 milhões de toneladas em comparação com 2025.
A produção de colza registrou a maior queda, com 3,3 milhões de toneladas colhidas, quase 17% a menos que no ano passado. A cevada se manteve no mesmo nível do ano passado, apesar de uma produtividade menor, já que mais terras foram utilizadas para o cultivo.
A safra de batata também deverá ficar abaixo da média, e algumas regiões deverão ter uma colheita "significativamente pior" de beterraba sacarina, segundo a DBV.
Rukwied observou como a localização desempenhou um papel maior do que o habitual na determinação da produtividade agrícola deste ano e apontou para baixas produtividades e até mesmo quebras de safra, particularmente no sul e oeste da Alemanha.
Em outra frente, o Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha (Destatis) alertou que a safra de maçãs do país deverá cair 18% em comparação com o ano passado.
A Alemanha enfrenta uma seca severa em meio a um verão com frequentes recordes de temperatura, o que exacerbou os efeitos das chuvas abaixo da média desde março, de acordo com o Serviço Meteorológico Alemão (DWD).
2. Como a seca afetará os preços e a disponibilidade de alimentos?
O ministro da Agricultura, Alois Rainer, afirmou à emissora pública ZDF nesta terça-feira que o governo "não espera que os preços subam imediatamente", deixando em aberto a possibilidade de um período de espera antes que os consumidores tenham de pagar mais pelos alimentos.
No entanto, Philipp Spinne, diretor-geral da Associação Alemã de Cooperativas Agrícolas (DRV), que representa 1,6 mil cooperativas, disse à DW que seus membros já sofreram "perdas diretas no campo" de 600 milhões de euros (R$ 3,6 bilhões).
"No momento, muitas áreas da agricultura e da cadeia produtiva não estão cobrindo seus custos", alertou Spinne, ao explicar como os custos mais altos de fertilizantes, energia e logística estão aumentando a pressão sobre os agricultores.
Segundo dados do governo, a Alemanha tem um excedente de 2 milhões de toneladas de grãos da colheita do ano passado, o que pode impedir um aumento nos preços do pão.
No entanto, a queda acentuada na produção de colza e beterraba sacarina pode pressionar o abastecimento interno de óleo e açúcar, exigindo importações para compensar a escassez.
A imprensa alemã noticiou na semana passada que a seca também causou uma queda drástica nos estoques de ração animal em vários estados, particularmente no sul da Alemanha.
A Associação Alemã de Agricultores já havia alertado que uma queda na produção de grãos e menor crescimento de pastagens poderiam elevar os preços da carne, do leite e dos ovos.
Nas áreas mais afetadas do país, batatas e outros vegetais podem ficar mais caros à medida que a oferta se torna mais restrita. Para a maioria dos consumidores, porém, o principal impacto provavelmente será o aumento gradual dos preços, e não a escassez.
3. Como a seca se encaixa nas preocupações mais amplas com a segurança alimentar?
A agricultura, tanto na Alemanha quanto globalmente, tem enfrentado pressões repetidas desde a pandemia de covid-19. Os preços dos alimentos na Alemanha subiram mais de 36% desde 2020, de acordo com dados do governo publicados no mês passado.
Os aumentos de preços foram especialmente acentuados para carne de aves, muitos laticínios e ovos, gorduras e óleos comestíveis e açúcar, calculou o governo.
A guerra na Ucrânia interrompeu as exportações de grãos ucranianospelo Mar Negro em 2022 e elevou os preços de energia, impactando o custo de fertilizantes, transporte e processamento de alimentos.
Mais recentemente, o fechamento do Estreito de Ormuz devido à guerra no Irã impediu que petróleo, gás e ingredientes para fertilizantes saíssem do Golfo.
O conflito aumentou os preços do diesel, fertilizantes e pesticidas, levando alguns agricultores a reduzirem a aplicação de nutrientes no solo.
As crises acumuladas nos últimos seis anos deixaram grande parte do setor agrícola alemão em situação financeira precária. Muitos agricultores afirmaram que enfrentam custos muito mais elevados e dívidas crescentes, e que têm pouca margem para absorver mais perdas.
4. Que tipo de apoio os agricultores alemães procuram?
A DBV afirmou que alguns agricultores podem precisar de financiamento provisório para garantir o seu futuro. Rukwied apelou a Berlim para que crie imediatamente um pacote de ajuda ao setor agrícola.
As recomendações incluem o aumento do pacote de ajuda da União Europeia (UE) para fertilizantes, de 60 milhões de euros para 180 milhões de euros, pagos rapidamente e sem burocracia.
A DBV também apelou aos ministros para que reduzam o imposto sobre o diesel agrícola, pelo menos até ao final de novembro.
Durante vários meses, a partir do final de 2023, os agricultores alemães realizaram manifestações que incluíram bloqueios de rodovias com tratores em protesto contra os planos para eliminar os subsídios aos combustíveis para o setor agrícola, que mais tarde foram parcialmente revertidos.
O ministro da Agricultura prometeu ajuda direcionada aos agricultores, mas apenas quando dados oficiais confiáveis estiverem disponíveis no final de agosto.
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| Short teaser | Agricultores alertam para colheita abaixo da média e outros danos causados às plantações pelo calor extremo. | ||
| Author | Nik Martin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/seca-pode-elevar-preços-dos-alimentos-na-alemanha/a-78431254?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Secas e calor extremo arruinaram colheitas em diferentes partes da Alemanha | ||
| Image source | Patrick Pleul/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78408726_354.jpg&title=Seca%20pode%20elevar%20pre%C3%A7os%20dos%20alimentos%20na%20Alemanha | ||
| Item 26 | |||
| Id | 78405918 | ||
| Date | 2026-08-17 | ||
| Title | Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Foz do Amazonas | ||
| Short title | Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Foz do Amazonas | ||
| Teaser |
Presidente da estatal diz que somente após a conclusão da perfuração do poco no litoral do Amapá será possível saber o tamanho da reserva na região. Iniciativa preocupa ambientalistas e críticos dos combustíveis fósseis.A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (17/08) a descoberta de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, no poço Morpho.
A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou a repórteres em coletiva de imprensa em Oiapoque que ainda não se sabe a quantidade de petróleo que existe na região. "Ainda precisamos delimitar a descoberta, saber quanto petróleo de fato existe nessa área", afirmou, em coletiva de imprensa ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outras autoridades, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Chambriard explicou que a perfuração do poço levará de 15 a 20 dias para ser concluída, e só então será possível medir as dimensões da reserva de petróleo da região.
"Estão previstos mais três poços para perfuração nessa região. Além disso, há outros cinco poços em áreas adjacentes. É esse gigantesco esforço exploratório que vai nos dizer o real potencial da região", afirmou Chambriard.
"Isto aqui é o passaporte para o futuro desse país", disse o presidente Lula durante a coletiva de imprensa em Oiapoque, segurando um frasco com uma amostra de petróleo. Ele assegurou que a exaltação da descoberta não significa uma negação de sua "luta para que um dia a gente não precise utilizar combustível."
"Vamos continuar cuidando do meio ambiente, 87% deste estado [do Amapá] é reserva e 90% deste território está com floresta praticamente intocada. Eu sujei a mão com o pré-sal e agora com este. Este parecia que já estava refinado", disse o presidente.
Na semana passada, a Petrobras anunciou que havia identificado hidrocarbonetos em uma lâmina d'água de 2.886 metros no bloco FZA-M-59, a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá.
Os hidrocarbonetos foram identificados através de perfis elétricos e amostras de rochas coletadas durante a perfuração.
Em nota, a Petrobras informou que "as operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas".
A descoberta faz parte do Plano de Negócios 2026-2030 da Petrobras, que prevê a perfuração de 15 poços na Margem Equatorial, com 2,5 bilhões de dólares (R$ 13 bilhões) em investimentos na região.
Controvérsia ambiental e climática
A operação de perfuração da Petrobras em águas profundas na bacia da Foz do Amazonas começou em outubro de 2025, após um processo de cinco anos para obter a licença ambiental necessária.
Críticos argumentam que abrir uma nova fonte de exploração vai na contramão da necessidade urgente por uma transição energética, que visa a reduzir o papel dos combustíveis fósseis na economia em favor do combate às mudanças climáticas. Lula, enquanto isso, defende o uso das receitas geradas pelo petróleo e gás para financiar a transição brasileira.
Outras preocupações incluem a preservação da natureza e das populações da região. Em junho, a DW teve acesso a um relatório apresentado pela Petrobras ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), segundo o qual um eventual vazamento poderia atingir a costa.
Antes, em janeiro, houve um vazamento durante a perfuração do bloco FZA-M-59. O incidente foi classificado como possível de causar danos à saúde humana e ao meio ambiente por um documento da própria Petrobras, sendo tóxico para a fauna.
Recorde de produção
A gigante estatal não só lidera a expansão do setor no Brasil, como também tem ampliado nos últimos anos o foco sobre a exploração e produção de petróleo.
Em junho, o Brasil bateu um recorde de produção de petróleo para o mês ao extrair 4,475 milhões de barris por dia. O aumento foi de 19,1% em comparação ao mesmo mês do ano passado e de 4% em relação a maio deste ano.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o pré-sal, as reservas petrolíferas em águas ultraprofundas, já responde por mais de 80% do volume produzido.
O petróleo bruto se tornou a principal commodity vendida pelo país, tendo superado a soja em 2024 e 2025, ao gerarem mais de 44 bilhões de dólares anuais em exportações – valor 38 bilhões de dólares superior ao registrado em 2006, quando a Petrobras descobriu a camada do pré-sal. À época, o Brasil exportava 500 milhões de barris a menos por ano, segundo a ANP.
Enquanto isso, a Agência Internacional de Energia (AIE) prevê uma gradual queda da demanda mundial por petróleo a partir de 2030, caso se mantenham políticas já anunciadas ou implementadas pelos países.
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| Short teaser | Estatal diz que somente após a conclusão da perfuração no litoral do Amapá será possível saber o tamanho da reserva. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/petrobras-anuncia-descoberta-de-petróleo-na-foz-do-amazonas/a-78405918?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Petrobras diz que operações de perfuração ocorrem "de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas" | ||
| Image source | Wang Tiancong/XinHua/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/72608369_354.jpg&title=Petrobras%20anuncia%20descoberta%20de%20petr%C3%B3leo%20na%20Foz%20do%20Amazonas | ||
| Item 27 | |||
| Id | 78355470 | ||
| Date | 2026-08-17 | ||
| Title | Por que jovens adultos do sul da Europa moram com os pais | ||
| Short title | Por que jovens adultos do sul da Europa moram com os pais | ||
| Teaser |
Enquanto na Itália mais de 50% dos jovens de 25 a 34 anos vivem com os pais, na Dinamarca esse índice é de apenas 3,9%. Estatística reflete diferenças estruturais, culturais e econômicas entre o norte e o sul da Europa. Depois de morar em outros países no início da vida adulta, a italiana Rosaria Benedetto, de 29 anos, voltou para a casa dos pais em Turim há cerca de três anos e meio. A mudança foi impulsionada pela vida acadêmica e pelo cenário global: após estudar emPortugale na cidade italiana de Pádova, ela passava uma temporada na Rússiaquando a guerra de agressão contra a Ucrânia a fez retornar à Itália. Hoje, a casa da família funciona não apenas como um porto seguro, mas como base estratégica para um novo plano: poupar dinheiro para se mudar para a Austrália. "Cada vez que eu voltava para a casa dos meus pais, era só momentaneamente”, diz ela. "Como eu queria fazer uma mudança muito grande, precisava de tempo, de organização e de dinheiro. Cada vez que quero sair de casa, não é só ir para outra cidade ou da região, mas é outro país". O objetivo era viajar em setembro, mas a necessidade de um procedimento de saúde fez com que ela adiasse a nova saída de casa. A realidade europeiaO caso de Rosaria ilustra a realidade de milhões de jovens na Europa. Segundo dados da Eurostat, serviço de estatística da União Europeia (UE), em 2025, mais da metade (50,7%) dos italianos entre 25 e 34 anos vivia com os pais, frente a uma média de 30,1% no bloco. No norte do continente, porém, o cenário é o oposto: Dinamarca e Finlândia registraram os menores índices, com 3,9% e 4%, respectivamente. Na ponta oposta, as maiores taxas foram observadas na Croácia (62,3%) e na Grécia (56,3%). A métrica europeia considera sob o teto familiar também os jovens que estão fora por estudos ou trabalho, mas que mantêm vínculo domiciliar com a casa dos pais, contribuindo para o rendimento familiar ou dele dependendo. Para Francesco Billari, professor de demografia e reitor da Universidade Bocconi, na Itália, fatores históricos e culturais ajudam a explicar esse abismo. Enquanto no norte a independência precoce é estimulada, no sul o vínculo familiar molda até as políticas públicas. No passado, enquanto jovens ingleses deixavam a família independentemente da situação econômica, no sul da Itália e no leste europeu o costume era permanecer com os pais mesmo após o casamento. "Em partes da Espanha, existe a tradição do casar 'dentro de casa', o que chamam de 'casado en casa', conta Billari. A cultura é tão enraizada que sobrevive até a processos migratórios. O professor nota que o forte vínculo entre pais e filhos se mantém até entre famílias de origem sul-europeia estabelecidas em outros continentes, "mesmo depois de gerações", diz. E, na Europa, influencia até a saúde. "Ao comparar mães francesas e italianas após a saída do último filho de casa, as italianas apresentaram piora na saúde. As francesas não tiveram impacto significativo. Existe sempre essa cultura de que sair de casa é um pouco como "morrer”, diz ele sobre um estudo feito por um de seus ex-alunos. A longevidade adiciona outra camada. "O sul da Europa está entre os lugares do mundo onde as pessoas vivem mais tempo. Os jovens sabem que os pais estarão presentes por muito tempo, e isso é bom para a saúde mental de ambos os lados”, acrescenta o professor. A percepção sobre o desemprego também mudou. Se no passado a falta de trabalho forçava a emigração em busca de sustento — origem histórica do sentimento de "saudade" —, hoje a rede familiar amortece a crise. "Antigamente, o desemprego ocorria em famílias pobres. Hoje, ocorre com [filhos de] pais que estão em uma situação estável. Na situação atual, o desemprego é um problema, claro, mas, de certa forma, tende a ser atenuado pelo fato de os pais estarem bem financeiramente", explica o professor. A matemática por trás da decisãoA economia é o fator decisivo. Nos países escandinavos, como Dinamarca e Suécia, estudantes frequentemente recebem bolsas governamentais e encontram mercados de aluguel flexíveis. No sul da Europa, onde a cultura habitacional é voltada para a casa própria, o jovem precisa esperar e poupar mais tempo para comprar um imóvel, além de, frequentemente, precisar pagar para frequentar a universidade pública, segundo o professor. "O jovem adia até poder comprar algo, e para comprar, você precisa esperar mais tempo. Enquanto que no modelo do norte da Europa, com aluguéis — às vezes baratos, dependendo do país —, é muito fácil ser flexível no mercado imobiliário", diz o professor. Essa estrutura se reflete no ambiente acadêmico, apontado por Billari como um dos principais motivos para a saída de casa, como no caso de Rosaria. Enquanto universidades com tradição de campus na Alemanha, na França e no Reino Unido — como Cambridge e Oxford — foram construídas com grandes complexos de moradia estudantil, o modelo do sul e do leste europeu foi desenhado para que os alunos cursem o ensino superior enquanto vivem com os pais. "Na Itália, o alojamento estudantil é raro porque se espera que o aluno frequente a universidade mais próxima de casa. Na Espanha, antigamente, o estudante não podia frequentar uma universidade pública fora da sua província", explica o professor. O suporte dos pais também acaba amortecendo problemas estruturais, que se retroalimentam, como os baixos salários em início de carreira. O professor diz que as empresas tendem a pagar remunerações relativamente baixas a esses jovens que ainda dividem o teto com a família porque "sabem que eles têm o apoio dos pais". "Elas [as companhias] estão explorando o fato de que os pais estão dispostos a sustentar seus filhos", analisa o demógrafo. O contraste de quem saiu cedoA alemã Clara Seidenstricker, de 27 anos, moradora de Hamburgo, é um exemplo da independência precoce do norte europeu. Na Alemanha, a taxa de jovens de 25 a 34 anos que vivem com os pais é de apenas 13,5%. Sua primeira saída de casa foi aos 15 anos para um intercâmbio nos Estados Unidos. "Lá começou meu interesse para morar em lugares internacionais e a minha família sempre me apoiou com isso. Você é muito mais independente se sair nova de casa. Você se dá conta de que tudo o que os pais faziam — como fazer compras e limpar a casa — não é o 'normal', mas algo que agora você precisa fazer”, reflete. Hoje, avaliando a própria realidade e dos colegas de universidade, Clara aponta que o modelo alemão se sustenta em dois pilares: apoio familiar e estatal. Morar em grandes cidades como Hamburgo é "muito caro", tornando "quase impossível" para um estudante arcar sozinho com aluguel, seguro médico e contas. Embora tenha renda própria, Clara pondera: "Eu tenho a sorte e o privilégio de os meus pais poderem me apoiar com isso, mas essa não é a realidade de todos os jovens". Para suprir essa lacuna, ela cita a importância do Bafög, um auxílio estatal da Alemanha voltado a estudantes de menor renda familiar. Embora não receba o benefício por não se enquadrar nas regras de renda familiar, ela explica que muitos de seus amigos dependem dessa bolsa, o que permite que eles estudem em qualquer região do país. "Aqui quando você completa os 18 anos, quer sair o mais rápido possível e ser independente. E se você saiu uma vez de casa, é mais difícil voltar quando você se acostuma a ter suas próprias regras", diz Clara. "Para alguns pode ser um pouco complicado no início, mas é algo que temos que aprender. Então, por que não mais novo?", indaga. ConsequênciasEsse arranjo familiar, no entanto, cobra um preço demográfico. Ao adiar a formação de novos lares, países como Itália e Espanha mantêm algumas das menores taxas de fertilidade do mundo, diz o professor. "Eu comecei a pesquisar sobre esse assunto usando dados da década de 1990 e, naquele período, a Itália e a Espanha tinham a menor taxa de fertilidade do mundo, que era de 1,2 filho por casal. O nível continua o mesmo. Não é o mais baixo do mundo porque a Coreia e a China estão em posições inferiores agora”, diz ele. Além disso, Billari indica um impacto direto na propensão a assumir riscos e empreender. Atualmente como reitor da universidade, ele cita viver essa correlação na prática ao incentivar os alunos em projetos. "É muito mais fácil ser fundador de uma startup na Suécia ou na Estônia, onde os jovens se tornam independentes muito cedo”. Esse é um dos pontos negativos apontados por Rosaria: ela cita não se sentir "independente completamente". Para ela, porém, a permanência é um sacrifício financeiro consciente em prol de projetos de longo prazo. "Eu poderia encontrar uma casa aqui próximo para morar, mas neste caso seria só usar dinheiro sem sentido e eu sei que poderia guardar este dinheiro para morar fora. Então é um equilíbrio", avalia. "Considerando a minha idade, não quero morar mais com meus pais. Para eles também acho que [a saída de casa] significa que a filha deles já tem uma vida própria e uma estabilidade", relata. Seus pais, que na mesma idade já tinham imóvel próprio e família formada, apoiam a decisão. "Neste momento da minha vida, quero viajar e descobrir os trabalhos que posso fazer com todas as línguas que eu falo. Aprender novas coisas que podem me ajudar a encontrar o meu trabalho dos sonhos. O mais importante é estar satisfeita do meu percurso e da minha evolução”, conclui. A nova saída de casa, contudo, pode não ser definitiva. Rosaria cogita retornar no futuro para cuidar dos pais na velhice — mas, por ora, o foco está no planejamento da viagem e "momento perfeito", segundo ela, para viver do outro lado do mundo sem tantas preocupações. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Enquanto na Itália mais de 50% dos jovens de 25 a 34 anos vivem com os pais, na Dinamarca esse índice é de apenas 3,9%. | ||
| Author | Larissa Maia | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/por-que-jovens-adultos-do-sul-da-europa-moram-com-os-pais/a-78355470?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Por%20que%20jovens%20adultos%20do%20sul%20da%20Europa%20moram%20com%20os%20pais | ||
| Item 28 | |||
| Id | 78403660 | ||
| Date | 2026-08-17 | ||
| Title | Incêndio atinge a Floresta Negra, na Alemanha | ||
| Short title | Incêndio atinge a Floresta Negra, na Alemanha | ||
| Teaser |
Área afetada, de 10 a 12 hectares, equivale a 14 campos de futebol. Fogo em trecho íngreme de floresta dificulta ação do Corpo de Bombeiros. Na Baviera, focos de incêndio já estão controlados.Um incêndio florestal que atingiu uma região da Floresta Negra perto de Schramberg, a sudoeste de Stuttgart, se alastrou significativamente durante a madrugada desta segunda-feira (17/08).
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o fogo era difícil de extinguir por se tratar de um trecho íngreme da floresta. "As equipes de emergência não conseguem se aproximar mais do fogo porque o terreno não permite", afirmou a administração distrital. "A segurança de nossos bombeiros é nossa prioridade máxima".
O Corpo de Bombeiros enviou um total de 250 membros de equipes de emergência até a região, localizada no estado de Baden-Württemberg. Segundo a corporação, as chamas que se deslocavam rumo à cidade de Lauterbach foram contidas. No entanto, o incêndio ainda se alastra em direção a Tennenbronn e Schramberg.
De acordo com um porta-voz da polícia, entre dez e doze hectares da Floresta Negra ainda estão em chamas – uma área equivalente a cerca de 14 campos de futebol. Vários agricultores apoiam os esforços de combate ao incêndio com tanques de esterco e água.
"Para garantir o abastecimento contínuo de água na cidade de Schramberg, apenas uma quantidade limitada de água pode ser retirada da rede de água potável", anunciou o distrito. A água também está sendo fornecida a partir de um reservatório para combate a incêndios e de uma piscina pública no distrito de Tennenbronn.
Como precaução, os moradores das áreas de Schramberg-Tal, Sulgen, Tennenbronn e Lauterbach foram aconselhados a manter as janelas e portas fechadas e a desligar temporariamente os sistemas de ar-condicionado e ventilação.
Na Baviera, os bombeiros conseguiram extinguir um incêndio em Waldaschaff, na região da Baixa Francônia. Todos os focos de incêndio e pontos quentes identificados foram extintos. A área, no entanto, continuará sendo monitorada.
Bélgica vive o maior incêndio de sua história
O maior incêndio florestal já ocorrido na Bélgica já consumiu cerca de 27 quilômetros quadrados na reserva natural de Hautes Fagnes, na região leste do país. As chamas chegaram a ficar a 300 metros da fronteira com a Alemanha, levando as autoridades a ordenar retiradas preventivas de moradores na cidade alemã de Monschau.
As autoridades belgas ordenaram a retirada de cerca de 600 moradores em partes de Waimes, Sourbrodt e Buetgenbach.
Em Monschau, na região de Eifel, localizada a apenas 2 quilômetros da fronteira com a Bélgica, as autoridades ordenaram a evacuação de cerca de 30 moradores de 17 casas como medida de precaução no final da noite de domingo.
No entanto, no início desta segunda-feira, foi anunciado que o incêndio já não avançava em direção à fronteira alemã, enquanto os trabalhos dos bombeiros eram auxiliados por uma chuva fraca, ventos mais fracos e elevada humidade.
Monschau, uma importante atração turística na região de Eifel, tem cerca de 12 mil habitantes. É particularmente conhecida por seu pitoresco centro histórico, com suas casas em estilo enxaimel.
A cidade está localizada a apenas 23 quilômetros do local de outro grande incêndio na região de Eifel, na Alemanha, que forçou cerca de 2 mil pessoas a deixarem suas casas na última sexta-feira.
Cientistas afirmam que as mudanças climáticas causadas pelo homem aumentam a probabilidade de condições quentes e secas que permitem que os incêndios florestais se espalhem mais rapidamente e queimem por mais tempo.
rc/le (dpa, ots)
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| Short teaser | Área afetada equivale a 14 campos de futebol. Fogo em trecho íngreme é difícil de extinguir, diz Corpo de Bombeiros. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/incêndio-atinge-a-floresta-negra-na-alemanha/a-78403660?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Várias partes da Alemanha estão sendo atingidas por incêndios. Em Monschau, a poucos metros da fronteira com a Bélgica, dezenas de moradores foram evacuados | ||
| Image source | Thomas Banneyer/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78395795_354.jpg&title=Inc%C3%AAndio%20atinge%20a%20Floresta%20Negra%2C%20na%20Alemanha | ||
| Item 29 | |||
| Id | 78400348 | ||
| Date | 2026-08-17 | ||
| Title | Alemanha precisa quintuplicar produtividade para manter padrão de vida | ||
| Short title | Manter padrão de vida exige salto na produtividade alemã | ||
| Teaser |
Estudo diz que, para manter nível de prosperidade, país precisaria quintuplicar ritmo de produtividade. Meta só seria possível acelerando áreas como digitalização, IA, inovação, desburocratização e infraestrutura. Um estudo do Instituto Alemão de Economia (IW), encomendado pela Fundação para Empresas Familiares, mostra que, para manter o nível atual de prosperidade econômica, a Alemanha precisaria aumentar seu crescimento de produtividade para cerca de 1,6% ao ano, aproximadamente cinco vezes mais do que a média observada nos últimos seis anos, que foi de apenas 0,3% ao ano. O avanço da produtividade na Alemanha sofreu uma forte queda ao longo dos últimos anos. Nas décadas de 1980 e 1990, a economia se tornava cerca de 2% mais produtiva a cada ano. Na década de 2010, o crescimento ainda era de aproximadamente 1% ao ano. Mas nos últimos seis anos o aumento médio anual foi de apenas 0,3%. Isso faz com que o crescimento da produtividade já não seja suficiente para manter o padrão de vida na Alemanha. Reformas estruturaisEssa meta, segundo especialistas, só poderia ser alcançada com a ajuda de reformas estruturais, já que, devido ao envelhecimento da população, a economia alemã contará com menos trabalhadores nos próximos anos. "A produtividade é o principal motor do bem-estar econômico, e é justamente esse motor que vem falhando na Alemanha há anos", afirma Michael Grömling, chefe da área de macroeconomia do IW, em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, que teve acesso em primeira mão à pesquisa. Os economistas afirmam, entretanto, que isso é possível, desde que a Alemanha promova mudanças, para acelerar o desenvolvimento em cinco áreas fundamentais: digitalização, inteligência artificial, inovação, desburocratização e investimentos em infraestrutura. Segundo os autores do estudo, elevar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento ao patamar de Israel, por exemplo, poderia aumentar a produtividade em cerca de 13% no longo prazo. Nesse cenário, uma família de três pessoas teria um ganho potencial de aproximadamente 21 mil euros (R$ 127 mil) por ano em renda e bem-estar econômico. md/le (ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Meta só seria possível acelerando áreas como digitalização, IA, inovação, desburocratização e infraestrutura. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemanha-precisa-quintuplicar-produtividade-para-manter-padrão-de-vida/a-78400348?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Alemanha%20precisa%20quintuplicar%20produtividade%20para%20manter%20padr%C3%A3o%20de%20vida | ||
| Item 30 | |||
| Id | 78401745 | ||
| Date | 2026-08-17 | ||
| Title | Na Alemanha, um em cada dez jovens não trabalha nem estuda | ||
| Short title | Na Alemanha, um em cada dez jovens não trabalha nem estuda | ||
| Teaser |
Em alta, fenômeno "nem-nem" expõe contradições de um país que busca trabalhadores estrangeiros para suprir falta de mão de obra especializada em alguns setores.O número de jovens com idade entre 20 e 24 anos que não estudam nem trabalham aumentou na Alemanha e chegou a 10% em 2025, segundo dados recém-divulgados do Escritório Federal de Estatísticas. Em 2022, esse índice era de 8,8%.
Os motivos por trás desse fenômeno, conhecido no Brasil como "nem-nem" são diversos. Os estatísticos citaram o Relatório Nacional de Educação de 2024, segundo o qual 66% dos jovens nessa situação sequer estavam disponíveis para o mercado, 6% estavam prestes a retomar os estudos e 4% a assumir um trabalho.
Do universo de 10% de jovens nem-nem, portanto, apenas um em cada quatro (25%) constavam de fato como desempregados à procura de uma ocupação remunerada.
Entre os 66% indisponíveis para o mercado de trabalho, as razões mais frequentemente apontadas foram responsabilidades de cuidado com familiares (20%), limitações de saúde (18%) e expectativa de prosseguir com os estudos (17%).
Ainda assim, os números expõem as contradições de um país que recorre cada vez mais a trabalhadores estrangeiros para aliviar a falta crônica de mão de obra especializada em alguns setores, principalmente na saúde e no setor de obras.
"Perspectivas incertas para o futuro"
O Instituto de Ciências Econômicas e Sociais (WSI), ligado à Fundação Hans Böckler, próxima aos sindicatos, classifica a situação na Alemanha como "preocupante".
Para os jovens adultos afetados, isso significa "uma perspectiva de futuro incerta e uma trajetória profissional muito provavelmente marcada por dificuldades", afirma a diretora científica do WSI, Bettina Kohlrausch. "Para o mercado de trabalho alemão, isso significa a perda de profissionais importantes."
Kohlrausch defende que é preciso ampliar urgentemente a oferta de cursos de formação profissional de qualidade e apoiar mais a capacitação e a entrada no mercado de trabalho de adolescentes e jovens adultos.
Uma garantia real de acesso a cursos técnicos profissionalizantes seria um passo importante nessa direção, afirma ela.
Alemanha está melhor que a média da UE
Em comparação com os 27 Estados-membros da União Europeia (UE), contudo, a taxa alemã continua abaixo da média de 12,9%.
A menor proporção foi registrada na Holanda (5,6%), seguida por Suécia (7,3%) e República Tcheca (7,6%). Os índices mais altos foram observados na Romênia (22,8%), na Bulgária (17,3%) e na França (16,2%). Para Luxemburgo, não havia dados atualizados disponíveis.
No Brasil, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou em 2025 que o número de jovens nem-nem chegou a 24% — os dados da entidade, porém, contabilizam jovens já a partir dos 18 anos. Pela mesmo recorte, a Alemanha também somava 10% de jovens nem-nem.
Situação desigual entre áreas urbanas e rurais
Internacionalmente, os jovens nem-nem são conhecidos como NEETs (Not in Employment, Education or Training), ou seja, pessoas que não estão empregadas, estudando ou em formação profissional.
Na Alemanha, as mulheres são ligeiramente mais afetadas do que os homens. Essa diferença também aparece na média da UE.
Já a comparação entre cidades e áreas rurais revela um quadro menos uniforme. Enquanto na Alemanha os jovens das grandes cidades estão mais frequentemente sem emprego ou formação profissional do que aqueles das regiões rurais, no conjunto da UE a situação se inverte.
ra/le (Reuters, dpa, AFP, kna, ots)
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| Short teaser | Em alta, fenômeno expõe contradições de país que sofre com falta de mão de obra especializada em alguns setores. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/na-alemanha-um-em-cada-dez-jovens-não-trabalha-nem-estuda/a-78401745?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/78396451_354.jpg
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| Image caption | Jovens estão saindo da escola sem encaminhamento para o mercado de trabalho | ||
| Image source | Helena Dolderer/dpa/picture alliance | ||
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| Item 31 | |||
| Id | 78370947 | ||
| Date | 2026-08-17 | ||
| Title | Capri: a origem alemã da calça símbolo do verão italiano | ||
| Short title | Capri: a origem alemã da calça símbolo do verão italiano | ||
| Teaser |
De volta às passarelas e às vitrines, peça foi criada no pós-guerra por uma estilista alemã rebelde que queria vestir calças ajustadas ao seu corpo. A calça capri está de volta. Entre críticas e comemorações nas redes sociais, o retorno ganhou força quando as cantoras Beyoncé e Rihanna apareceram usando diferentes modelos da peça em shows realizados em julho deste ano. As opiniões divergentes sobre a capri não são novidade, mas há um detalhe pouco conhecido sobre essa calça: apesar do nome fazer referência à ilha italiana, a peça foi criada na Alemanha. No fim da Segunda Guerra Mundial, a jovem estilista Sonja de Lennart, refugiada da Prússia em Munique, decidiu desafiar uma regra não escrita da época: a ideia de que calças eram uma peça masculina. "As jovens, que hoje podem vestir qualquer roupa, não sabem que essa peça acompanhou uma revolução social e certamente não fazem ideia de que homens podiam ser presos por caminhar ao lado de mulheres usando calças", disse Sonja em entrevista ao portal Isola di Capri, em 2022. Com a escassez de materiais no período pós-guerra, Sonja reaproveitou tecidos de cobertores, cortinas e até paraquedas para criar uma coleção batizada de "Capri". O nome era uma homenagem tanto à ilha italiana, destino frequente de férias da família em tempos pré-guerra, quanto à canção Isle of Capri, sucesso da época que ganhou versões em diferentes idiomas. Embora as mulheres já usassem calças em determinados contextos, principalmente no trabalho e em fábricas, Sonja propôs algo diferente: uma peça casual que pudesse ser usada em momentos de lazer.
A novidade não estava apenas nos três quartos de comprimento, que ia até o tornozelo. A modelagem mais ajustada ao corpo também chamava atenção. Por ter um porte físico mais franzino, Sonja queria uma calça que se ajustasse melhor à sua silhueta. O resultado foi um modelo mais justo do que os disponíveis na época. "Minha criatividade estava à serviço da moda, mas, acima de tudo, dos meus valores. Eu era uma rebelde, e certamente não apenas por conta da proibição do uso de calças", lembrou Sonja na mesma entrevista. Anos depois, durante uma viagem à ilha de Capri, a estilista usava calças quando quis entrar no mar. Para não molhar as barras, decidiu dobrá-las. Esse momento inspirou a versão mais curta da capri, que se tornou conhecida mundialmente. O fator Audrey HepburnA projeção internacional veio em 1954, quando Audrey Hepburn apareceu usando a peça no filme Sabrina. Outras peças da coleção "Capri" já tinham feito parte do figurino de Férias em Roma, lançado no ano anterior. "Hepburn virou um fenômeno de elegância nos anos 50, mas uma elegância juvenil, moderna e que tinha certa ousadia”, diz a historiadora e coordenadora do curso de Moda da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Maira Zimmermann. Além da atriz, outras celebridades como Grace Kelly, Brigitte Bardot, Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor também contribuíram para a popularização da tendência. "As mulheres artistas conseguiam ousar mais no vestir porque elas não tinham tantas amarras sociais, pelo menos na imagem", destaca a historiadora. Aos poucos, as artistas passaram a vestir a peça não apenas em sets de filmagem, mas no dia a dia. Os registros de paparazzi, divulgados em revistas, ajudaram a consolidar a peça como símbolo de elegância casual para as mulheres que não estavam sob os holofotes. Capri, corsário ou cigarreteAs capris de Sonja têm dois comprimentos: a primeira, lançada em 1945, vai até o tornozelo. Mais tarde, com o lançamento da capri mais curta, ela foi chamada de winter-style capri, (capri de inverno, em tradução livre). Já a segunda versão, que é a que hoje conhecemos apenas por capri - de tamanho três quartos, mostrando a panturrilha - foi apelidada de "capri de verão". Com o passar do tempo, outras calças curtas passam a fazer parte do guarda-roupa das mulheres. Entre os exemplos estão a cigarrete, que termina no tornozelo e deixa os sapatos à mostra, e a corsário, mais ajustada ao corpo e com comprimento logo abaixo do joelho. "À medida que a liberdade feminina vai sendo conquistada, a calça vai ficando mais curta. Nos anos 50, existiu uma sobreposição dos termos. Hoje, a gente olha e fica fácil fazer essa distinção de acordo com o comprimento", explica Zimmermann. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | De volta às vitrines, peça foi criada no pós-guerra por uma estilista alemã rebelde que redefiniu o propósito da roupa. | ||
| Author | Carla Menezes | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/capri-a-origem-alemã-da-calça-símbolo-do-verão-italiano/a-78370947?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Capri%3A%20a%20origem%20alem%C3%A3%20da%20cal%C3%A7a%20s%C3%ADmbolo%20do%20ver%C3%A3o%20italiano | ||
| Item 32 | |||
| Id | 78389495 | ||
| Date | 2026-08-16 | ||
| Title | Games de futebol criados com IA viralizam em todo o mundo | ||
| Short title | Games de futebol criados com IA viralizam em todo o mundo | ||
| Teaser |
Desenvolvedores sem experiência prévia em programação lançam games de sucesso com auxílio da inteligência artificial, em um mercado bilionário e cada vez mais competitivo. Uma nova geração de jogos de futebol para celular que combinam nostalgia, simulação e narrativas de carreira vem ganhando cada vez mais fôlego na Europa. Muitos deles têm algo mais em comum: foram criados com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial. A tendência ganhou força após o sucesso viral de 82–0, jogo de basquete em que os usuários montam um quinteto histórico da NBA a partir de combinações aleatórias de franquias e décadas. A partir dessa escalação, o sistema simula automaticamente uma temporada completa. O desafio é fechar o ano com 82 vitórias e nenhuma derrota. Inspirado no conceito, Deniz Sancar, profissional da publicidade e programador amador, criou o jogo 38-0-0. O jogo imita o modelo da NBA, mas para uma temporada de futebol. Em entrevista ao site Mobilegamer.biz, ele afirmou que, mesmo sem qualquer experiência prévia em desenvolvimento de software, desenvolveu o jogo em apenas uma noite com a ajuda de uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA) voltada à programação. Em junho, o título alcançou o primeiro lugar entre os jogos mais baixados da App Store no Reino Unido. Durante a Copa do Mundo, um desenvolvedor brasileiro também lançou um jogo similar para o torneio, o 7 a 0, que rapidamente viralizou entre usuários de todo o mundo. De um vídeo no TikTok para mais de um milhão de jogadoresOutro caso de sucesso é Destiny Eleven. Fã do Paris Saint-Germain e gerente de projetos, Maxence Pigne se inspirou em um jogo visto no TikTok que permitia simular a carreira de um jogador profissional de futebol. Após a Copa do Mundo de 2026, ele lançou sua própria versão, também desenvolvida com o auxílio da IA. O diferencial foi ampliar a proposta original, oferecendo mais possibilidades para a trajetória virtual dos atletas. Ao semanário francês Le Point, Pigne afirmou que a decisão de disponibilizar o jogo gratuitamente antes do previsto foi acertada. No fim de julho, o título já somava mais de um milhão de usuários e cerca de 14 milhões de carreiras criadas. O sucesso do título também inspirou versões em diferentes idiomas. Mercado de bilhõesOs jogos para smartphones evoluíram desde o lançamento do Snake, pela Nokia, em 1997. De acordo com a plataforma de inteligência de mercado Sensor Tower, cerca de 50 bilhões de jogos para dispositivos móveis foram baixados em 2025. As compras realizadas dentro dos aplicativos geraram 82 bilhões de dólares (cerca de R$ 428 bilhões). Na Alemanha, segundo a associação da indústria de games Game, o setor movimentou aproximadamente 3,12 bilhões de dólares (cerca de R$ 16 bilhões) no ano passado e reuniu 28,1 milhões de jogadores. "Isso mostra claramente que os jogos para celular na Alemanha deixaram de ser um nicho e se consolidaram como um segmento com forte capacidade de consumo", afirmou à DW Kyle Kuscu, presidente da Associação Alemã de Jogos para Celular. Segundo ele, o crescimento também tem impacto sobre os esportes eletrônicos. "A Alemanha possui uma ampla base de jogadores, e os games para celular representam a maior plataforma do país em número de usuários." Kuscu atribui parte do sucesso desses jogos à simplicidade da proposta. "Esses jogos atendem a uma necessidade humana básica: controle, otimização e imaginação em um formato muito compacto. Eles oferecem a sensação de ter tudo sob seu comando, de construir a equipe ideal ou a carreira perfeita, sem exigir uma longa curva de aprendizado ou controles complexos", disse. IA reduz custos, mas não garante sucessoEmbora a inteligência artificial já seja utilizada há anos na indústria de games, ferramentas mais avançadas e rápidas surgidas em 2026 tornaram o desenvolvimento ainda mais barato e acessível. Isso é especialmente relevante em um mercado marcado por margens apertadas e pelo modelo gratuito sustentado por compras dentro dos aplicativos. "É provável que a tendência de jogos menores, desenvolvidos mais rapidamente com apoio de IA, continue e até se intensifique. Mas não acredito que todos os casos de sucesso viral possam ser reproduzidos", afirmou Kuscu. Segundo ele, a inteligência artificial já desempenha papel importante em áreas como programação, prototipagem, pesquisa e automatização de tarefas repetitivas. Ao mesmo tempo, o especialista observa que ainda há ceticismo em relação à qualidade dos resultados, à dependência dessas ferramentas e às limitações criativas que elas podem impor. "Mesmo defendendo o uso da programação assistida por IA, o que realmente importa continua sendo a ideia e a execução final do jogo. E isso não vai mudar", afirmou. Viralização não garante sustentabilidadeManter o sucesso desses jogos continua sendo um desafio. O mercado global de games está cada vez mais competitivo, com um número crescente de equipes e estúdios lançando novos produtos. "O principal obstáculo já não é apenas produzir um jogo, mas sustentar um modelo de negócios viável", afirmou Kuscu. Segundo ele, os jogos para celular dependem fortemente da atenção dos usuários, da frequência de uso e, principalmente, das compras realizadas dentro dos aplicativos. "Um lançamento viral não significa necessariamente um negócio sustentável, muito menos bem-sucedido. É preciso administrar rapidamente fatores como tempo de uso, construção de comunidade, frequência de atualizações e monetização. É justamente nesse ponto que está o desafio. Caso contrário, o entusiasmo inicial desaparece antes que o jogo consiga se consolidar no mercado." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Desenvolvedores sem experiência prévia em programação lançam jogos de sucesso com auxílio da inteligência artificial. | ||
| Author | Jonathan Harding | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/games-de-futebol-criados-com-ia-viralizam-em-todo-o-mundo/a-78389495?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Games%20de%20futebol%20criados%20com%20IA%20viralizam%20em%20todo%20o%20mundo | ||
| Item 33 | |||
| Id | 78333150 | ||
| Date | 2026-08-16 | ||
| Title | Os riscos do remédio para insônia mais consumido no Brasil | ||
| Short title | Os riscos do remédio para insônia mais consumido no Brasil | ||
| Teaser |
Venda de zolpidem bateu recorde em 2020 e acendeu alerta das autoridades. Medicamento pode provocar várias reações adversas, principalmente, quando recomendações da bula são ignoradas. Na manhã de 29 de junho de 2022, o médico Vitor Piva, de 34 anos, enfrentava dificuldades para dormir após voltar de um plantão em um hospital de São Paulo. "Tinha muito barulho, por causa da construção de uma linha de metrô", conta. Ele precisava descansar, porque trabalharia em mais um plantão naquela noite. Piva fez o que era rotina nos dias insones: tomou um comprimido de zolpidem. Ainda sem conseguir dormir, tomou mais um, depois outro, outro… e apagou. "Até onde me lembro, tomei quatro", conta à DW. O médico só acordou dias depois, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas, em São Paulo. A sobrevivência dele foi considerada um milagre. Na cama do hospital, após diversas cirurgias, amputação da perna direita e sem conseguir enxergar, Piva descobriu o que havia acontecido: ele caiu da sacada do sétimo andar do apartamento em que morava. A Polícia Civil de São Paulo investigou o caso, que a princípio foi tratado como suspeita de tentativa de suicídio. "Eu sabia que não tinha tentado me matar, mas não sabia o que tinha acontecido", conta o médico. "Era uma sacada pequena e baixa, mas não sei exatamente como caí", completa. Três meses depois da queda, as autoridades policiais arquivaram o caso. Elas concluíram que não havia sido tentativa de suicídio, muito menos crime. No relatório final da polícia, a queda de Piva foi relacionada ao uso de zolpidem, medicamento que, como o inquérito policial cita, tem "efeitos colaterais como: alucinações e parassonias (sonambulismo)." Popularizado na década de 1990A família de Piva acredita que ele teve um episódio de sonambulismo, se desequilibrou perto da televisão da sala, que era próxima à sacada, e despencou. O caso dele ilustra um problema de saúde pública no país: o uso inadvertido do zolpidem, medicamento mais popular para insônia no Brasil. Lançado no fim dos anos 1980 para quem tem dificuldades para dormir ou manter o sono, o zolpidem faz parte de drogas sedativas e hipnóticas para tratamento de insônia a curto prazo. A recomendação de uso é de, no máximo, quatro semanas. O remédio chegou ao Brasil em meados dos anos 1990, mas foi popularizado a partir de 2007, quando a patente expirou e foram lançadas versões genéricas. Um estudo recente do Instituto de Psiquiatria (IPq) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), publicado na revista Sleep Science, mostrou que a insônia, que atinge até um em cada três brasileiros, costuma ser tratada na maioria das vezes com remédios (60% dos entrevistados), seja por prescrição médica ou automedicação. Segundo esse estudo, intitulado Uso de medicamentos para dormir e fatores associados entre adultos com sintomas de insônia, os remédios mais consumidos são os hipnóticos (44% dos participantes), classe que tem o zolpidem como o principal medicamento. "O zolpidem é eficaz e tem lugar no tratamento da insônia quando há indicação correta, dose adequada, orientação e acompanhamento. O problema foi a progressiva banalização de seu uso, muitas vezes como se fosse um simples indutor do sono de baixo risco, sendo prescrito de forma não cuidadosa", explica o psiquiatra Alexandre Pinto de Azevedo, do Programa de Transtornos do Sono do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo (IPq-FMUSP). Um problema de saúde públicaEm 2020, início da pandemia de covid-19, a comercialização do zolpidem explodiu no país. Naquele ano foram vendidas, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 23,3 milhões de caixas. Foi a primeira vez que ultrapassou a marca de 20 milhões de caixas comercializadas. Os profissionais da saúde acenderam um alerta e chegaram a classificar a situação como uma epidemia de zolpidem. O medicamento pode provocar várias reações adversas, como dependência química, crises de abstinência, amnésia, sonambulismo e delírios. Esses efeitos são atípicos quando consumido no prazo e dosagem indicada. Mas especialistas dizem que se tornaram corriqueiros porque muitos pacientes fazem consumo inadequado. Esses riscos aumentam quando o remédio é associado a álcool ou depressores do sistema nervoso central, que são medicações que podem causar sonolência ou lentidão. Por ser um remédio de curta duração, a tolerância ao zolpidem aumenta com facilidade. Isso faz com que muitos pacientes tomem cada vez mais comprimidos. Quanto mais doses, mais riscos de efeitos adversos. "É muito comum um paciente que toma cinco, seis ou até oito vezes a dose máxima recomendada, que é um comprimido de 10 mg por dia", diz o psiquiatra Sérgio Tamai, membro da diretoria da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). "Um dos principais efeitos adversos é a amnésia lacunar. A pessoa tem um ‘branco' e não sabe o que fez durante um determinado período. Por exemplo, um paciente já ficou com o carro amassado e mal estacionado, pensou que alguém tinha pegado o veículo. Depois descobriu que havia sido ele mesmo", completa Tamai. As restrições da AnvisaDiante do cenário de alto consumo do remédio, a Anvisa adotou medidas para restringir a venda do zolpidem no país. Desde agosto de 2024, o medicamento entrou na lista daqueles popularmente conhecidos como "tarja preta". Assim, a comercialização, que antes era liberada com a receita branca de controle especial, passou a ser feita somente por meio de receita azul, um documento da Anvisa para medicamentos que podem causar dependência. Desde então, ele só pode ser prescrito presencialmente. Depois dessa medida, os números oficiais de comercialização caíram. No ano passado, as vendas reduziram para quase 13,5 milhões de caixas. Os dados, porém, escondem um problema que já existia antes dessa mudança: o mercado ilegal de venda desses medicamentos sem prescrição médica. A Anvisa tenta combater esse problema por meio de apurações sobre as origens desse comércio irregular. "No Brasil, esse mercado paralelo é muito grande, diferente de outros países. Então, aqueles que são dependentes dessa medicação, muitas vezes usam receitas falsificadas ou buscam farmácias irregulares. Por causa desse mercado paralelo, não dá para dizer que o problema de abuso do medicamento está resolvido", explica a médica Sandra Doria Xavier, do Instituto do Sono de São Paulo. Novas diretrizesNo ano passado, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) publicou uma nova diretriz clínica nacional na qual classificou o uso inadvertido do zolpidem como problema de saúde pública no Brasil. O documento cita os eventos adversos e o uso inadvertido por pacientes que se tornaram dependentes do remédio. Nessa diretriz, assinada por especialistas de diferentes universidades brasileiras, o tratamento indicado para a insônia é a terapia cognitivo-comportamental, como a higiene do sono e a regulação de horários para dormir. Segundo os especialistas, essas medidas são importantes porque tratam as causas do problema. No caso do consumo do zolpidem, a orientação é que o paciente saiba que o tratamento é temporário. Além disso, a retirada ou troca do remédio deve ser acompanhada por um médico, porque pode levar a crises graves. "O zolpidem não é uma medicação que deve ser abominada, quando bem indicado e no prazo correto é um ótimo remédio", afirma o neurologista Alan Eckeli, professor da USP de Ribeirão Preto e um dos responsáveis pela diretriz. Eckeli afirma que o problema com o uso indevido é quase exclusivo do Brasil. "Talvez haja algo em outro país, mas nada como aqui. Um dos motivos disso é que a comunidade médica daqui recebe, muitas vezes, um treinamento muito aquém do ideal quando se fala de queixas do sono", afirma o neurologista. Os especialistas apontam que é fundamental que haja orientações mais detalhadas aos médicos brasileiros sobre o tratamento de insônia, além dos cuidados adequados quando recorrerem aos hipnóticos. Pacientes mais atentosOs pacientes ficaram mais conscientes sobre os riscos do zolpidem após a medida da Anvisa, avalia Eckeli. "Não foi uma mudança total, porque ainda é um problema importante e complexo. Mas serviu como orientação. Hoje, os pacientes que procuram os serviços especializados já têm receio dessa classe de medicamentos. A maioria quer parar de usar", completa. No caso do médico Vitor Piva, as consequências do uso inadvertido do remédio são sentidas diariamente, por causa das limitações causadas pela queda do sétimo andar. Ele não recuperou a visão, passou por cerca de 20 cirurgias e faz acompanhamento para reaprender a falar, pois teve inúmeras fraturas no rosto. Para as atividades diárias, Piva precisa do apoio dos pais e do irmão. Recentemente, começou a trabalhar na área de assistência particular para perícias médicas. "Ainda tenho esperança de que vai existir, mais pra frente, algum tratamento que vai me ajudar a voltar a enxergar", diz. Piva admite que sabia dos riscos do zolpidem, mas ainda assim prescrevia os medicamentos para si. "É aquilo, dizem que os médicos são os piores pacientes. Eu acredito que é um pouco de culpa minha, por ter feito o uso errado da medicação." Piva nunca mais tomou o zolpidem e hoje alerta sobre os riscos do remédio. "Quando algum amigo diz que está tomando, já aconselho a parar", diz. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Venda de zolpidem bateu recorde em 2020 e acendeu alerta das autoridades. | ||
| Author | Vinícius Lemos | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/os-riscos-do-remédio-para-insônia-mais-consumido-no-brasil/a-78333150?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 34 | |||
| Id | 78309863 | ||
| Date | 2026-08-16 | ||
| Title | Países bálticos viram "paraíso red pill" para brasileiros | ||
| Short title | Países bálticos viram "paraíso red pill" para brasileiros | ||
| Teaser |
Influenciadores da machosfera vendem Estônia, Letônia e Lituânia como lares de mulheres "tradicionais". No entanto, realidade é bem diferente de cenário propagado. "Tenho vários seguidores do Brasil que têm dificuldades em arranjar mulheres, eu digo, na Lituânia você pode encontrar uma mulher para casar". "Uma parada icônica da Estônia é a quantidade de loiras por metro quadrado. Se você gosta da coisa, meu amigo, você vai se alimentar muito bem". "Já imaginou morar em um lugar onde ser homem é quase como ganhar na loteria? Na Letônia, isso acontece de verdade". Essas são algumas das frases ditas por influenciadores brasileiros que apresentam os países bálticos – Estônia, Letônia e Lituânia – como lar de mulheres "tradicionais", "femininas", "fáceis" e "desesperadas por homens". Nas redes sociais, esses criadores de conteúdo usam a região como um suposto contraponto ao Brasil. Esses perfis fazem parte de um ecossistema online que reúne comunidades misóginas, como os chamados "red pills", MGTOW (Homens Seguindo Seu Próprio Caminho, em inglês) e incels – englobados no que pesquisadores chamam de machosfera, uma rede virtual que espalha visões hipermasculinas em plataformas diversas, com diferentes graus de radicalização. Apesar de separados por mais de 10 mil quilômetros de distância, os países bálticos se tornaram um "paraíso" para brasileiros que consomem esse tipo de conteúdo. Essa propaganda preconceituosa e estereotipada surpreende a população local. "Obviamente não é uma coisa agradável. Acho que pessoas de diferentes origens costumam ser sexualizadas de maneiras diferentes. As mulheres eslavas e as mulheres loiras também carregam muitos desses estereótipos. As pessoas falam sobre isso o tempo todo", afirma a universitária lituana Viktorija Kazlauskaite. "Existe essa ideia de que aqui as mulheres seriam mais educadas, ou mais tradicionais, e que o feminismo ainda não seria tão presente. Mas eu não acho que isso seja verdade, pelo menos não no meu círculo social", conta a também estudante Migle Kundrotaite. Mito antigoPara Luciane Belin, pesquisadora do NetLab/UFRJ, esse tipo de conteúdo não se espalha apenas porque desperta interesse do público, em especial de homens, mas também porque atende à lógica das plataformas digitais. "Esses conteúdos são produzidos para atrair cliques. Os próprios influenciadores sabem que as plataformas tendem a impulsionar conteúdos polêmicos, capazes de gerar mais engajamento e manter os usuários conectados por mais tempo. Isso aumenta tanto a exibição de anúncios quanto as oportunidades de vender seus próprios produtos e serviços", acrescenta. A imagem da mulher báltica como "tradicional" antecede, porém, as redes sociais. Segundo especialistas ouvidos pela DW, ela surgiu após o colapso da União Soviética e hoje é reciclada pela machosfera para apresentar os países bálticos como um suposto refúgio de valores tradicionais. "A imagem promovida por alguns influenciadores hoje me parece tão familiar. Ela recicla um estereótipo de décadas atrás, em vez de refletir a sociedade lituana contemporânea. Embora normas tradicionais de gênero ainda existam, a Lituânia de hoje é muito mais complexa do que o apresentado por esses influenciadores", afirma Viktorija Kolbešnikova, pesquisadora em estudos de gênero e especialista do Centro para a Promoção da Igualdade da Lituânia. Kolbešnikova ressalta que essa ideia não passa de um mito, acrescentando que reduzir as mulheres a um único estereótipo diz mais sobre as fantasias e expectativas de quem promove essa imagem do que sobre elas próprias. Os indicadores europeus também contrastam com a ideia da "mulher submissa". As mulheres da região costumam ter níveis de educação mais alto do que os homens. Segundo o Departamento de Estatísticas da União Europeia (Eurostat), em 2023, último dado disponível, a Letônia possui 197 mulheres com diploma universitário para cada 100 homens, a Estônia 181 e a Lituânia 164. Além disso, os índices de igualdade de gênero no mercado de trabalho e salarial nos três países ficaram acima da média da União Europeia no ano passado. Longa históriaA igualdade de direitos entre homens e mulheres tem ainda uma longa história na região. Segundo Sanita Osipova, professora da Faculdade de Direito da Universidade da Letônia e especialista em direitos humanos, a igualdade de gênero passou a ser defendida por forças de esquerda, como social-democratas e comunistas, ainda no início do século 20. Na Letônia, os direitos políticos foram garantidos às mulheres em 1918 e a igualdade civil foi estabelecida em 1940, durante a era soviética, décadas antes de direitos equivalentes serem plenamente reconhecidos em grande parte da Europa Ocidental. "Portanto, o feminismo existe nos países bálticos há mais de cem anos, e pelo menos as três últimas gerações de mulheres cresceram acostumadas a uma condição de igualdade em relação aos homens", ressalta. Osipova suspeita que Moscou possa estar por trás dessas narrativas preconceituosas disseminadas nas redes sociais. "A Rússia ataca constantemente os países bálticos, difamando-nos e criando falsos estereótipos sobre nós. Por isso, é difícil para mim dizer quem realmente está por trás das informações consumidas pelos leitores brasileiros: se algum influenciador dos países bálticos ou um dos propagandistas pagos pela Rússia." Aumento do turismoEmbora não haja evidências de que esse tipo de conteúdo esteja influenciando diretamente o turismo, os três países bálticos vêm registrando um aumento no número de visitantes brasileiros. Na Estônia, 4.924 brasileiros visitaram o país em 2025, alta de 44% em relação ao ano anterior. Nos cinco primeiros meses de 2026, o crescimento continuou: foram 1.944 visitantes, 20% a mais do que no mesmo período de 2025. Na Lituânia, o número de brasileiros chegou ao recorde de 3.303 turistas em 2025, um aumento de 26% em relação ao período pré-pandemia e de 40% na comparação com 2024, segundo dados oficiais das agências nacionais de turismo. Para Viktorija Kolbešnikova, no entanto, a questão mais importante não é saber se essas narrativas atraem visitantes, mas o que elas revelam sobre estereótipos persistentes. "Embora discussões sobre as ‘mulheres tradicionais do Leste Europeu' apareçam periodicamente na internet, elas não se tornaram um tema importante do debate público na Lituânia. A questão dos influenciadores brasileiros chama a atenção justamente porque parece algo incomum e um tanto desconectado da forma como os lituanos normalmente discutem relações de gênero", destaca. Para Belin, essa busca de brasileiros, que consomem esse tipo de conteúdo, por mulheres em outros países funciona como uma reação às transformações sociais ocorridas no Brasil. "Como muitos desses homens já não encontram esse perfil nas brasileiras, que hoje frequentemente são chefes de família, financeiramente independentes e não ocupam uma posição de subserviência, eles passam a enxergar países onde as mulheres supostamente ainda não teriam sido ‘corrompidas' como uma solução", avalia. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Influenciadores da machosfera vendem Estônia, Letônia e Lituânia como lares de mulheres "tradicionais". | ||
| Author | Vinicius Pereira (de Vilnius) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/países-bálticos-viram-paraíso-red-pill-para-brasileiros/a-78309863?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Pa%C3%ADses%20b%C3%A1lticos%20viram%20%22para%C3%ADso%20red%20pill%22%20para%20brasileiros | ||
| Item 35 | |||
| Id | 78385471 | ||
| Date | 2026-08-15 | ||
| Title | Mulheres acumulam recordes sobre marcas masculinas em provas extremas | ||
| Short title | Mulheres superam recordes de homens em provas extremas | ||
| Teaser |
Ultramaratonistas vêm quebrando marcas absolutas antes dominadas por atletas masculinos. Estudo indica que a diferença de desempenho diminui à medida que aumentam as distâncias. Foram 29 dias de corrida por oito países, cruzando os Alpes entre Trieste, na Itália, e Mônaco. Ao longo de cerca de 2.000 quilômetros e mais de 100 mil metros de desnível acumulado, a neozelandesa Sophie Grant dormiu, em média, apenas três a quatro horas por noite. Ao concluir o percurso da chamada Via Alpina, Grant estabeleceu um novo recorde geral da ultramaratona, superando tanto a melhor marca feminina quanto a masculina. Seu tempo foi mais de sete dias inferior ao antigo tempo alcançado por um homem. "Quando penso nisso, fico arrepiada, "disse à DW. "Conquistar o recorde geral é algo incrível." Mulheres quebram recordes em diferentes provasGrant não é a única mulher a superar marcas masculinas em provas de resistência nos últimos anos. Em 2026, a americana Rachel Entrekin venceu a prova Cocodona 250, nos Estados Unidos, e estabeleceu um novo recorde geral do percurso. No ano anterior, a ultramaratonista Tara Dower, também americana, completou o Long Trail, uma prova disputada no estado de Vermont, nos EUA. Ela concluiu o trajeto em 3 dias, 18 horas e 29 minutos, superando o recorde masculino anterior por 2 horas e 40 minutos. Em 2019, a médica alemã Fiona Kolbinger tornou-se a primeira mulher a vencer a Transcontinental Race. Após quase 4.000 quilômetros de bicicleta pela Europa, terminou cerca de oito horas à frente do segundo colocado. No mesmo ano, a britânica Jasmin Paris venceu a Spine Race, no Reino Unido, tornando-se a primeira mulher a conquistar a prova de 430 quilômetros e quebrando o recorde do percurso por mais de 12 horas. Quanto maior a distância, menor a diferençaUma análise ampla realizada pela RunRepeat, um site que avalia e compara calçados de corrida, em parceria com a Associação Internacional de Ultramaratonistas examinou mais de cinco milhões de resultados de mais de 15 mil ultramaratonas. A conclusão foi clara: quanto maior a distância, mais as mulheres se aproximavam do desempenho masculino. Nas maratonas, os homens registraram tempos, em média, 11,1% mais rápidos. Em provas de 100 milhas (cerca de 160 quilômetros), a diferença caiu para apenas 0,25%. Em distâncias superiores a 195 milhas (aproximadamente 314 quilômetros), as mulheres foram, em média, 0,6% mais rápidas. É o que acontece nas provas de ultramaratona, que podem variar de 50 quilômetros a centenas ou até milhares de quilômetros, sendo disputadas em estradas, trilhas, montanhas ou ambientes extremos. Além da resistência física, os atletas precisam administrar fatores como sono, alimentação, hidratação, dores e desgaste mental. Na maioria dos casos, o sucesso depende não apenas da velocidade, mas também da capacidade de suportar dias ou semanas de esforço contínuo e de tomar decisões estratégicas sob condições extremas. Vantagens físicas e capacidade de adaptaçãoTais fatores indicam que as mulheres conseguem competir em igualdade de condições quando o esforço se torna mais extremo. Algumas características fisiológicas podem contribuir para isso. Em média, mulheres apresentam maior proporção de fibras musculares do tipo I, mais resistentes à fadiga, e tendem a utilizar mais gordura como fonte de energia durante atividades de longa duração. As vantagens masculinas associadas à maior massa muscular e à maior capacidade máxima de absorção de oxigênio podem perder relevância em provas extremamente longas. "Provavelmente conseguimos queimar gordura de forma mais eficiente e, por isso, resistir por mais tempo", afirmou Grant. Para ela, porém, os fatores físicos explicam apenas parte do desempenho. "Acho que conseguimos deixar o ego de lado. E também somos boas em resolver problemas", avalia, sobre o intenso processo de tomada de decisão em uma ultramaratona. Durante a travessia da Via Alpina, Grant confiou essas decisões à equipe de apoio. "Eu simplesmente coloquei minha vida nas mãos deles", afirmou. Ela começava a correr pela manhã e só parava quando os integrantes da equipe julgavam necessário." Você tenta controlar tudo o que é possível controlar. Depois, simplesmente mergulha no caos e vê o que acontece." Três horas de sono e até 7 mil calorias por diaA intensidade do desafio ficou evidente na rotina de descanso. Grant dormiu, em média, apenas três ou quatro horas por noite. Nos últimos dias, chegou a descansar apenas 90 minutos. Quando o cansaço se tornava insuportável, deitava por alguns minutos ao lado da trilha. "Você simplesmente se encolhe em algum lugar na beira do caminho, numa pequena depressão coberta de musgo, e espera que ninguém pense que você morreu, "contou. "A privação de sono foi uma das partes mais difíceis de toda a experiência." Ao mesmo tempo, era necessário repor a enorme quantidade de energia consumida diariamente. Segundo sua equipe, a corredora ingeria entre 6.000 e 7.000 calorias por dia. A dieta incluía bebidas esportivas, refrigerantes à base de cola, eletrólitos, burritos, wraps de falafel, sanduíches, massas e até produtos do McDonald's. Grande parte das refeições era feita enquanto ela continuava correndo. Nas Dolomitas, o calor e as dores aumentaram ainda mais o sofrimento. "Nas Dolomitas eu chorei muito, "relatou. "Estava com muito calor. Sentia dores fortes. Meu corpo estava extremamente inchado. Eu apenas me arrastava para frente e pensava: não sei se vou conseguir." Mulheres ainda são sub-representadas na pesquisa esportivaPara Grant, seu recorde levanta uma questão mais ampla: até onde as mulheres poderiam chegar nos esportes de resistência se seus corpos fossem estudados com a mesma profundidade que os dos homens. Durante décadas, grande parte da pesquisa esportiva e médica concentrou-se em atletas masculinos. "Como mulher, é preciso observar atentamente quem participou dos estudos, porque muitas vezes estamos falando simplesmente de dez ciclistas homens", afirmou. Segundo a ultramaratonista, mulheres foram consideradas por muito tempo participantes mais complexas para a pesquisa científica, em parte por causa das variações hormonais associadas ao ciclo menstrual. "Nós fomos negligenciadas durante décadas", disse. "Como mulheres, continuamos disputando as migalhas que sobram no esporte. Lutamos por mais cobertura da imprensa, mais pesquisa e mais patrocínio." Os resultados de casos individuais não permitem concluir que mulheres sejam, em termos gerais, atletas de resistência superiores aos homens. Eles continuam detendo grande parte dos recordes e, em distâncias mais curtas, apresentam desempenho médio significativamente melhor. Ainda assim, em provas extremamente longas, a diferença tende a diminuir. Em entrevista à BBC, o fisiologista do esporte Nicholas Tiller descreveu as provas de resistência como "o grande nivelador", porque, em esforços prolongados, fatores que vão além das capacidades físicas máximas podem se tornar decisivos. Grant, porém, diz estar menos interessada em discutir quem tem vantagem biológica. "Acho que a coisa mais corajosa que alguém pode fazer é tentar. Tenha coragem de enfrentar aquilo que causa medo. Não importa qual será o resultado, porque pelo menos você tentou." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Ultramaratonistas vêm quebrando marcas absolutas antes dominadas por atletas masculinos. | ||
| Author | Mathias Brück | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/mulheres-acumulam-recordes-sobre-marcas-masculinas-em-provas-extremas/a-78385471?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Mulheres%20acumulam%20recordes%20sobre%20marcas%20masculinas%20em%20provas%20extremas | ||
| Item 36 | |||
| Id | 78371833 | ||
| Date | 2026-08-14 | ||
| Title | "Ao me ver, chore": A história por trás das "pedras da fome" da Europa | ||
| Short title | A história por trás das antigas "pedras da fome" da Europa | ||
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Marcos de séculos atrás que relembram períodos de estiagem devastadores voltam a emergir à medida que os rios da Europa recuam. Entre as mais famosas está uma pedra do rio Elba com a mensagem "ao me ver, chore".À medida que os rios da Europa recuam durante os períodos de seca, ressurgem vestígios do passado há muito escondidos.
Ao lado de naufrágios da era nazista, bombas não detonadas da Segunda Guerra Mundial e restos de mamutes pré-históricos, alguns rios revelam a história literalmente escrita em pedra.
Uma dessas inscrições, em alemão, diz Wenn du mich siehst, dann weine ("ao me ver, chore"). Essas palavras estão gravadas em uma pedra da fome no rio Elba, perto de Decin, na República Tcheca, próximo à fronteira com a Alemanha.
Por que "fome"?
As pedras da fome, ou Hungersteine em alemão, são pedras do leito dos rios que geralmente permanecem submersas e escondidas, mas ficam expostas quando os níveis dos rios caem significativamente durante as secas prolongadas.
Ao contrário de uma marca de cheia, que registra o nível mais alto da água, a pedra da fome marca o nível mais baixo.
Durante séculos, as comunidades esculpiram datas ou inscrições nessas pedras sempre que as águas de rios como o Elba, o Danúbio ou o Reno recuavam drasticamente. Algumas pedras da fome trazem listas de anos, incluindo 1616, 1746 e 1842.
Em um estudo de 2019 intitulado Secas extremas e respostas humanas a elas: as terras tchecas no período pré-instrumental, o historiador e climatologista tcheco Rudolf Brazdil e seus colegas recorreram a crônicas, registros administrativos e outras fontes documentais para examinar como as comunidades afetadas pela seca viviam muito antes das medições meteorológicas sistemáticas.
Para as pessoas que viviam ao longo de rios como o Elba, a baixa das águas criava uma série de problemas. Barcas transportando madeira, grãos e outras mercadorias enfrentavam dificuldades para navegar em canais rasos, interrompendo o comércio ao longo de uma das rotas de transporte vitais da Europa Central. Em casos graves, a navegação teve que ser restringida ou interrompida completamente.
Além disso, a seca também significava quebra de safra, aumento de preços, e fome.
Mais do que apenas memoriais das secas
Embora as pedras da fome fossem frequentemente tratadas como lembretes simbólicos da seca, elas provaram ser mais do que isso.
Um estudo de 2020 publicado no periódico científico Climate of the Past descobriu que muitas das datas e marcas nas pedras da fome do Elba correspondiam de perto a períodos documentados de níveis de água excepcionalmente baixos. Os pesquisadores concluíram que muitas das inscrições tinham a intenção de registrar o quão baixo o rio havia chegado, em vez de simplesmente marcar os anos de seca.
O estudo também documentou marcas de anos de secas na pedra de Decin que remontam até ao menos ao século 16, ressaltando que a famosa inscrição "ao me ver, chore", de 1904, representa apenas um capítulo na história muito mais longa das pedras da fome.
Pedra que pressagia a desgraça?
No entanto, sua fama reside principalmente em sua mensagem aparentemente sinistra. Seu avistamento durante as secas europeias mais recentes de 2020 e 2022 inspirou cobertura da mídia, descrevendo sua mensagem como "arrepiante", "sombria" ou um "presságio de tempos difíceis".
Em seu estudo de 2019, Die Botschaft der Hungersteine ("A mensagem das pedras da fome"), Bernd Gross se baseou em reportagens de jornais, cartões-postais e registros históricos locais para reconstruir a história da pedra da fome de Decin e observou que sua inscrição pode ter sido inspirada por uma mais antiga.
Gross citou reportagens de jornais da década de 1890 que descreviam uma pedra da fome perto de Techlovice, um rio acima de Decin, que supostamente continha inscrições em alemão como: "Nós choramos, nós choramos – e vocês chorarão."
O homem mais frequentemente associado à inscrição da pedra de Decin é F. Mayer, um dono de pousada e barqueiro local, membro da comunidade marítima do Elba. Segundo Gross, Mayer mandou gravar a frase, agora famosa, na pedra durante a seca de 1904, datada de 18 de julho, juntamente com seu nome.
Uma pedra conhecida
Na época, os jornais se referiam a ela como a pedra da fome de Bodenbach ou Tetschen, em referência às cidades vizinhas que hoje fazem parte de Decin e que até 1945 eram habitadas por alemães étnicos. Eles noticiaram a pedra exposta e sua mensagem, enquanto relatos contemporâneos descreviam os milhares de visitantes que iam vê-la.
Cartões-postais com a imagem da pedra da fome também circularam amplamente, espalhando o conhecimento do local muito além do Vale do Elba.
O jornal Reichenberger Zeitung, em circulação de 1860 a 1938, noticiou em 28 de agosto de 1904: "Dia após dia, grupos se reúnem na rocha; todos querem pisar nela pelo menos uma vez. No entanto, as marcas esculpidas no arenito provavelmente perderão sua visibilidade devido ao frequente pisoteio."
Os visitantes ficavam intrigados não apenas com a inscrição, mas também com as datas antigas esculpidas na rocha, registrando anos de seca que remontavam a séculos.
A pedra que quase desapareceu
Ironicamente, a seca de 1904, que colocou a pedra de Decin e sua inscrição no mapa, quase causou sua destruição. As autoridades fluviais locais decidiram remover rochas e outros obstáculos do Elba para melhorar a navegação, e o estudo de Gross afirma que havia preocupações de que a pedra da fome de Decin também pudesse ser removida.
Após a intervenção da Cooperativa de Barqueiros de Tetschen, que fez uma petição às autoridades imperiais, a pedra foi poupada. Notícias relataram que as autoridades concordaram em desviar as obras fluviais planejadas ao redor dela, a fim de preservar o que já era considerado um marco histórico do Elba.
Enquanto outros obstáculos foram removidos do rio, a pedra da fome de Decin sobreviveu.
Mas, sua história não terminou aí. Quando outra seca severa a expôs em 1911, a famosa inscrição de Mayer teria sido gravada novamente, desta vez mais profundamente. Mais tarde, em 1938, uma inscrição em tcheco foi adicionada ao lado das marcas mais antigas.
Juntas, essas datas e inscrições registram séculos da história da pedra e seu papel como um marcador de níveis de água excepcionalmente baixos no Elba.
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| Short teaser | Marcos que relembram períodos de estiagem devastadores voltam a emergir à medida que os rios da Europa recuam. | ||
| Author | Brenda Haas | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ao-me-ver-chore-a-história-por-trás-das-pedras-da-fome-da-europa/a-78371833?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | "Pedra da fome" de Decin com a inscrição "ao me ver, chore" | ||
| Image source | Ondrej Hajek/CTK/dpa/picture alliance | ||
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| Item 37 | |||
| Id | 78359516 | ||
| Date | 2026-08-13 | ||
| Title | Suspeita de espionagem, Casa da Rússia em Berlim segue ativa | ||
| Short title | Suspeita de espionagem, Casa da Rússia em Berlim segue ativa | ||
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Segundo autoridades francesas, local é usado para acobertar oficiais do serviço secreto do Kremlin. Acordos culturais entre Alemanha e Rússia, no entanto, regulam funcionamento do instituto e dificultam o fechamento.No início de agosto, um documento vazado do Ministério do Interior francês mostrou que as autoridades francesas acreditam que a a Casa da Rússia de Cultura e Ciência, em Berlim, é utilizada pelo Kremlin para esconder espiões. A instalação, no centro da capital alemã, é parte da agência de cultura estatal Rossotrudnitschestvo, que desde 2022, quando a Rússia invandiu a Ucrânia, está sob sanções da União Europeia (UE).
"Diante das medidas tomadas contra instituições e organizações culturais alemãs, o governo federal da Alemanha está analisando, de forma abrangente e contínua, a base jurídica da Casa da Rússia no âmbito do direito internacional", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Martin Giese, em 10 de agosto, durante uma coletiva de imprensa na capital alemã.
Em resposta a uma pergunta da DW sobre as atividades futuras da organização diante das sanções contra a Rossotrudnichestvo, Giese enfatizou que existem dois acordos bilaterais entre a Alemanha e a Rússia relativos a questões imobiliárias, os quais não podem ser simplesmente revogados.
"Trata-se, por assim dizer, de um acordo que regula tanto a gestão da Casa Russa aqui em Berlim quanto a do Instituto Goethe, que administramos em Moscou", informou o porta-voz. Ou seja, qualquer medida contra um deles teria consequências imediatas em relação ao outro.
O funcionamento das duas sedes é regulado por um acordo de 2013 entre os governos da Rússia e da Alemanha. O acordo tem vigência de 99 anos e obriga contratualmente ambos os países a arcar, entre outras coisas, com o imposto predial do respectivo imóvel no país parceiro.
O acordo prevê também que "os edifícios e complexos de edifícios, na medida em que sirvam a fins soberanos, gozem de imunidade contra medidas de execução". As partes contratantes não têm o direito de alienar os imóveis nem de cedê-los integralmente a terceiros para uso sem o consentimento da outra parte.
Acordo cultural apesar da guerra na Ucrânia
Entre Moscou e Berlim, existe ainda o Acordo Governamental de Cooperação Cultural, assinado em dezembro de 1992 e que entrou em vigor em maio de 1993. O entendimento tem a vigência de cinco anos e é prorrogado automaticamente pelo mesmo período, a menos que uma das partes notifique a outra com pelo menos seis meses de antecedência do término desse prazo.
Os dois acordos continuam em vigor mesmo no quinto ano da guerra da Rússia contra a Ucrânia, enquanto, desde 2022, alguns acordos bilaterais foram rescindidos ou perderam a validade. Entre eles estão um acordo de cooperação técnico-militar (encerrado em julho de 2025), um acordo para evitar a dupla tributação (cujas principais disposições foram suspensas pela Rússia em agosto de 2023) e uma série de entendimentos europeus relacionados ao encerramento da adesão da Rússia ao Conselho da Europa.
Sanções ao Instituto Goethe
O artigo 1 do Acordo de Cooperação Cultural entre a Alemanha e a Rússia estabelece que as partes contratantes "incentivam e apoiam iniciativas governamentais, sociais e de outra natureza, a fim de desenvolver ainda mais uma cooperação e parceria cultural abrangente em todos os níveis".
O segundo artigo reafirma a intenção dos países de "proporcionar a todas as pessoas interessadas amplo acesso à cultura, incluindo a arte, a literatura e a história do outro país", e o artigo 14 garante que Moscou e Berlim "promovam a criação de instituições culturais da outra parte contratante no território de seus países e facilitem suas atividades".
A principal organização dedicada à divulgação da língua alemã no exterior e à promoção da cooperação cultural internacional é o Instituto Goethe. Na Rússia, a instituição já teve que diminuir drasticamente suas atividades em maio de 2023, devido a restrições que previam uma redução do número de funcionários alemães no país. Algumas semanas antes, as contas bancárias do Instituto Goethe em território russo haviam sido bloqueadas a pedido do Banco Central da Rússia, depois que a Procuradoria de Berlim abriu um inquérito contra a Casa da Rússia, acusando-a de violação das sanções. As contas do centro cultural russo foram bloqueadas a partir de então.
As ofertas digitais do Goethe, incluindo cursos de idiomas, continuam, no entanto, acessíveis, e as bibliotecas das filiais em Moscou e São Petersburgo seguem recebendo literatura alemã atualizada, apesar das dificuldades logísticas, garantiram representantes da entidade à DW ainda no início deste ano.
"Até o momento, ainda não fomos confrontados com censura estatal. No entanto, estamos nos empenhando ao máximo para cumprir as rigorosas disposições legais na medida do possível", afirmou o Instituto Goethe.
DAAD: uma organização "indesejada" pelo Kremlin
O quinto artigo do acordo estabelece que as duas partes, "dentro das suas possibilidades, concederão a estudantes, doutorandos e pesquisadores do outro país bolsas para formação, aperfeiçoamento profissional e trabalhos de pesquisa, e se empenharão em facilitar a concessão de autorizações de permanência e em melhorar as condições de permanência no país anfitrião".
De fato, o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) teve que interromper suas atividades na Rússia em meados de fevereiro de 2026. Isso ocorreu depois que as autoridades russas declararam o DAAD uma "organização indesejada", o que trouxe inúmeras consequências.
No entanto, para estudantes e candidatos a títulos acadêmicos com cidadania russa e que já se encontram na Alemanha, nada mudou por parte do DAAD. As bolsas continuarão sendo concedidas sem alterações, garante a organização.
Contatos diretos são praticamente impossíveis
O artigo 9º do acordo cultural estabelece que Rússia e Alemanha acolhem com satisfação os "contatos diretos entre grupos sociais e associações, incluindo sindicatos, igrejas, comunidades religiosas, associações de artistas, fundações políticas, culturais e de outra natureza". Nos últimos anos, porém, diversas fundações alemãs foram classificadas pelas autoridades russas como "organizações indesejadas".
Entre elas estão as fundações Konrad Adenauer, Heinrich Böll, Friedrich Ebert, Friedrich Naumann, Hanns Seidel e Rosa Luxemburgo, todas atuantes na Rússia antes da guerra e declaradas indesejadas logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Em agosto de 2025, a Fundação Memória, Responsabilidade e Futuro (EVZ) também recebeu essa classificação. Criada para homenagear as vítimas do nazismo, a entidade foi inicialmente responsável, entre outras tarefas, pelo pagamento de indenizações a trabalhadores forçados durante a Segunda Guerra Mundial. Posteriormente, passou a financiar projetos internacionais de assistência humanitária.
Em setembro do ano passado, a organização Friedensallee foi igualmente declarada "indesejada". A associação presta apoio a clérigos da Igreja Ortodoxa Russa afastados de suas funções por se posicionarem publicamente contra a guerra ou que perderam seus meios de subsistência em decorrência dessa postura.
Na Rússia, a colaboração com organizações classificadas como "indesejadas" pode resultar em sanções penais. Na prática, isso inviabiliza grande parte dos "contatos diretos" previstos no acordo cultural. Aprópria DW também foi declarada "organização indesejada" pelas autoridades russas.
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| Short teaser | Segundo autoridades francesas, local é usado para acobertar oficiais do serviço secreto do Kremlin. | ||
| Author | Ariel Schechtel | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/suspeita-de-espionagem-casa-da-rússia-em-berlim-segue-ativa/a-78359516?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Instituto de intercâmbio cultural russo continua funcionando normalmente no centro de Berlim | ||
| Image source | dts-Agentur/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78307459_354.jpg&title=Suspeita%20de%20espionagem%2C%20Casa%20da%20R%C3%BAssia%20em%20Berlim%20segue%20ativa | ||
| Item 38 | |||
| Id | 78358240 | ||
| Date | 2026-08-13 | ||
| Title | Polônia ergue maior estátua da Virgem Maria da Europa | ||
| Short title | Polônia ergue maior estátua da Virgem Maria da Europa | ||
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Mais alta do que o Cristo Redentor, obra financiada por bilionário polonês é inaugurada no povoado de Konotopie. Expectativa é atrair fiéis e movimentar a economia local, em um país cada vez menos católico.Na paisagem idílica e plana entre campos de cereais, prados e um lago, uma monumental estátua de Maria ergue-se em direção aos céus da Polônia. Por causa dela, o até então desconhecido povoado de Konotopie, com apenas 120 habitantes e a 160 quilômetros da capital Varsóvia, está há semanas no noticiário.
O monumento de mais de 55 metros de altura supera a famosa estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, que mede 38 metros com o pedestal. A estátua branca tem 40,6 metros e está sobre uma base de 15 metros em forma de coroa, que deverá funcionar como mirante.
A inauguração oficial será neste sábado (15/08), na festa católica da Assunção de Nossa Senhora. Embora as obras finais ainda estejam em andamento e a área permaneça cercada e sob vigilância, milhares de visitantes, entre peregrinos e curiosos, já passaram pelo local nos últimos meses.
O projeto divide os poloneses.
"Um pesadelo. Um grande zero. Em vez de investir esse dinheiro em projetos úteis, financiaram uma montanha gigantesca de concreto", afirma um crítico na revista semanal Newsweek.
"Essa Maria é lindíssima. Todo o respeito. Um feito fantástico", diz uma visitante devota citada pela revista semanal conservadora Sieci.
Obra bancada por bilionário polonês
O idealizador da estátua, Roman Karkosik, de 75 anos, nasceu num vilarejo vizinho e hoje é uma das pessoas mais ricas da Polônia. Há quase 40 anos, quando o capitalismo substituiu a economia socialista de escassez, o formado em uma escola técnica começou trabalhando como bartender. Mais tarde, comprou sucata, produziu refrigerantes e tornou-se o primeiro empresário no país a fabricar garrafas plásticas.
Karkosik ganhou notoriedade na Bolsa de Varsóvia. Alguns jornalistas comparam sua influência na Polônia à de Warren Buffett em Wall Street. Sua fortuna é estimada em 1,9 bilhão de zlotys (R$ 2,6 bilhões), o que o coloca no 44º lugar na lista dos poloneses mais ricos da revista Wprost. O empresário vive em um castelo do século 18 na cidade de Kikol, a apenas dois quilômetros de Konotopie.
Karkosik e sua esposa, Grazyna, evitam aparições públicas e contato com a imprensa. O custo da escultura também é mantido em segredo. A mídia especula que a obra possa ter custado 100 milhões de zlotys (R$ 139,5 milhões).
Segundo uma breve declaração do casal Karkosik, a estátua de Maria é um "gesto de gratidão". De acordo com a imprensa, o empresário profundamente religioso queria agradecer à Virgem Maria por sua recuperação após uma doença grave. Seus dois irmãos, também empresários bem-sucedidos, adoeceram e morreram prematuramente.
Já em 2011, Karkosik financiou a construção de uma igreja em um centro de peregrinação próximo, onde existe uma capela na floresta com uma Pietà do século 19.
O artista por trás da estátua da Virgem é Adam Jakub Matejkowski. Ele diz ter se inspirado no olhar de sua filha de 11 anos e no rosto delicado da própria esposa para conceber o esboço, e aprovou o resultado final.
"A Mãe de Deus abre os braços para nos acolher", disse, satisfeito, à imprensa polonesa. "Era exatamente isso que eu queria: que a figura tivesse um caráter humano, que viesse ao nosso encontro."
Impulso à economia local
A área ao redor de Konotopie está entre as regiões economicamente mais frágeis da Polônia. Não há indústrias nem empregos suficientes. Por isso, a expectativa é que a estátua de Maria atraia turistas e impulsione a economia local.
A Polônia é conhecida por suas monumentais estátuas cristãs. Após a transição democrática de 1989, foi construída em Lichen, no centro do país, uma gigantesca basílica que supera em tamanho as catedrais de Paris e Colônia. O templo tem 138 metros de comprimento, 77 metros de largura e uma cúpula com 35 metros de diâmetro. A construção comporta até 20 mil fiéis.
Desde 2010, a Polônia também é sede da maior estátua de Jesus do mundo. Ela fica na cidade de Swiebodzin, perto da fronteira com o estado alemão de Brandemburgo, tem 36 metros de altura e está sobre uma colina de quase 17 metros.
Igreja Católica em declínio também na Polônia
Há incerteza sobre se essas construções gigantescas conseguirão deter o processo contínuo de secularização da sociedade polonesa.
Embora a Polônia continue sendo um dos países mais católicos da Europa, a confiança na Igreja Católica vem diminuindo constantemente.
A fé católica foi, durante séculos, um elemento fundamental da identidade polonesa. No século 19, quando a Polônia estava sob domínio de potências estrangeiras, a religião desempenhou um papel central na resistência contra os protestantes prussianos e os russos ortodoxos.
Após a Segunda Guerra Mundial, a oposição anticomunista e a Igreja Católica uniram forças contra a ditadura comunista, apesar das divergências. As igrejas tornaram-se refúgio para dissidentes perseguidos pelo regime, e vários padres foram assassinados pelos serviços secretos. O papa polonês João Paulo 2º também teve um papel importante na luta contra a ditadura.
Desde a transição democrática de 1989, porém, a Igreja Católica na Polônia vem enfrentando uma crise semelhante à observada em outras partes da Europa.
Segundo uma pesquisa do instituto polonês Ibris, realizada em setembro de 2025, apenas 35% dos poloneses ainda confiavam na instituição, contra 58% em 2016. Já a desconfiança aumentou de 24% para 47%.
Em 2026, o número anual de ordenações sacerdotais na Polônia caiu pela primeira vez desde 2000 para menos de 200. E cada vez menos pessoas vão à igreja, principalmente os jovens. Essa tendência, ao que tudo indica, não poderá ser revertida nem mesmo por uma gigantesca Virgem Maria.
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Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
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| Short teaser | Mais alta do que o Cristo Redentor, obra financiada por bilionário polonês é inaugurada no povoado de Konotopie. | ||
| Author | Jacek Lepiarz (Varsóvia) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/polônia-ergue-maior-estátua-da-virgem-maria-da-europa/a-78358240?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Obra tem custo estimado em cerca de R$ 139 milhões | ||
| Image source | Kuba Stezycki/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78347526_354.jpg&title=Pol%C3%B4nia%20ergue%20maior%20est%C3%A1tua%20da%20Virgem%20Maria%20da%20Europa | ||
| Item 39 | |||
| Id | 78343338 | ||
| Date | 2026-08-12 | ||
| Title | Países em guerra não poderão sediar o Eurovision | ||
| Short title | Países em guerra não poderão sediar o Eurovision | ||
| Teaser |
Vitória no festival de música não garante mais direito de hospedar evento caso o país em questão esteja em guerra. Mudança vem após boicote à edição de 2026 por causa da guerra em Gaza.A organização do festival de música Eurovision Song Contest anunciou uma mudança em suas regras que impede que países envolvidos em conflitos armados sediem o evento.
A medida poderia afetar nações como Israel e Ucrânia, ambas bem-sucedidas em edições recentes da competição.
O Eurovision normalmente é realizado pela emissora do país vencedor da edição anterior, como parte de uma coprodução entre os membros da União Europeia de Radiodifusão (EBU).
Pelas novas regras, "a emissora vencedora será automaticamente considerada inelegível para sediar o concurso se um conflito armado, uma situação geopolítica sensível ou qualquer outra circunstância afetar de forma significativa a segurança, a proteção ou a estabilidade de seu país ou da região ao redor", informou a entidade.
A EBU poderá encomendar uma avaliação independente de segurança, se necessário. Caso se conclua que a emissora vencedora não pode organizar o evento, outra emissora será escolhida para sediá-lo.
Mudança vem após boicote de 5 países à edição de 2026 devido à guerra em Gaza
A EBU não citou nenhum país específico como motivo da mudança, mas Israel terminou em segundo lugar no Eurovision tanto em 2025 quanto em 2026.
Cinco países, Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovênia e Islândia, boicotaram a edição de 2026, realizada em Viena, afirmando que não poderiam participar ao lado de Israel devido à guerra na Faixa de Gaza. Atualmente, Israel também está envolvido na guerra contra o Irã.
Em 2017, a Ucrânia sediou o concurso apesar dos combates no leste do país. Porém, após vencer o Eurovision em 2022, não pôde organizar a edição seguinte devido à invasão em larga escala lançada pela Rússia.
Em seu lugar, Liverpool, no Reino Unido, sediou o Eurovision 2023 em nome da Ucrânia.
A Rússia está excluída do festival desde 2022, quando a EBU proibiu sua participação após a invasão em larga escala da Ucrânia.
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| Short teaser | Vitória no festival de música não vai mais garantir direito de hospedar evento caso o país em questão esteja em guerra. | ||
| Author | Richard Connor (com AFP e dpa) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/países-em-guerra-não-poderão-sediar-o-eurovision/a-78343338?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Eurovision 2026 foi vencido por Dara, da Bulgária, com a canção "Bangaranga"; país sediará festival em 2027 | ||
| Image source | Georg Hochmuth/APA/AFP | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78342765_354.jpg&title=Pa%C3%ADses%20em%20guerra%20n%C3%A3o%20poder%C3%A3o%20sediar%20o%20Eurovision | ||
| Item 40 | |||
| Id | 68400474 | ||
| Date | 2026-08-10 | ||
| Title | Livro digital ou impresso: o que é melhor para o planeta? | ||
| Short title | Livro digital ou impresso: o que é melhor para o planeta? | ||
| Teaser |
Tamara Klink causou polêmica ao pedir a leitores para não comprarem seu livro. Mas, quais os impactos da produção de livros sobre o meio ambiente e o clima?A escritora e navegadora Tamara Klink causou polêmica ao pedir que leitores evitassem comprar seu livro Bom Dia, Inverno, usando os impactos ambientais da produção de livros impressos para justificar sua recomendação. "Se vocês puderem, se vocês têm acesso a uma biblioteca, pessoas da família, colegas do trabalho, façam os livros circularem", afirmou Klink em uma publicação nas redes sociais.
Mas, quais os impactos da produção de livros sobre o meio ambiente e o clima? Devemos fazer a transição do livro impresso para o digital pelo bem das florestas e para evitar o aquecimento global?
Estima-se que os leitores de livros impressos e digitais e os ouvintes dos audiolivros gastarão quase 174 bilhões de dólares (R$ 862 bilhões) até 2030. Com cerca de 4 milhões de títulos lançados a cada ano, eles têm uma liberdade de escolha privilegiada.
Nesse cenário, os dois formatos possuem suas vantagens e desvantagens.
Prós e contras do livro impresso
Desde que Johannes Gutenberg inventou a imprensa na Alemanha, há quase 600 anos, a produção de livros explodiu globalmente. Em torno de 130 milhões de exemplares foram publicados entre a invenção da imprensa, em 1440, e 2010, segundo um estudo encomendado pela Google.
Todo esse conhecimento e narrativas de histórias resultaram em avanços para a humanidade. Por outro lado, a produção dos livros também ceifou inúmeras árvores de florestas que dão suporte à vida selvagem, produzem oxigênio e ajudam a armazenar o carbono que, quando liberado, induz as mudanças climáticas.
A editora Penguin Random House UK, que imprime anualmente cerca de 15 mil títulos, garante que passou a usar papel sustentável nos tomos lançados em nome da empresa.
Courtney Ward-Hunting, gerente de sustentabilidade da Penguin, diz que 100% do papel utilizado nos livros é certificado pela ONG ambientalista Forest Stewardship Council (FSC), que trabalha no gerenciamento de coleta de madeira sustentável ou regenerativa que "preservam as florestas para as futuras gerações".
Contudo, o trabalho da FSC em termos de proteção de florestas vem sendo criticado, com a entidade sendo acusada por organizações como o Greenpeace de promover a chamada "lavagem verde".
Ward-Hunting reconhece que mais de 70% do impacto climático gerado pela Penguin vem das gráficas e usinas de celulose. Ela diz que os livros da editora geram em média 330 gramas de dióxido de carbono cada, o que inclui gases causadores do efeito estufa. Essa quantidade seria a mesma gerada por uma xícara de café.
Esses dados equivalem a todo o ciclo de produção de uma unidade, incluindo a eficiência do maquinário, o uso de energias renováveis, tipos de tinta e o transporte das gráficas até os armazéns e aos consumidores.
Em média, os livros de bolso ou brochuras comuns possuem impacto climático três vezes maior ou equivalem a cerca de um quilo de CO2. Isso é o mesmo que a recarga de 122 smartphones, ou dois cafés com leite.
Ao mesmo tempo em que as inovações de fabricação diminuíram as pegadas de carbono dos livros impressos, o impacto no clima é significativo se levarmos em conta os aproximadamente 2,2 bilhões de livros físicos que são vendidos anualmente em todo o mundo, afirmam os analistas de dados da WordsRated.
Mesmo se presumirmos que cada livro gera 0,33 quilos de CO2, como na Penguin Random House, isso corresponderia a 762.000 toneladas de CO2 – o que equivale ao fornecimento anual de energia a 141.261 residências, ou às emissões de 161.500 automóveis.
Prós e contras dos livros digitais
O benefício ambiental imediato dos equipamentos de leitura de livros eletrônicos é a capacidade de armazenamento de milhares de livros, sem a utilização de papel.
Isso não apenas poupa as florestas – somente nos Estados Unidos são derrubadas anualmente 32 milhões de árvores para a impressão de livros – como também evita enormes gastos de energia no processamento da madeira para a fabricação de papel.
A chamada polpação da madeira representou 6% do consumo total da energia industrial global em 2017, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
Outra vantagem é o fato de os livros digitais não precisarem ser enviados através de encomendas, uma vez que podem ser diretamente baixados nos equipamentos de leitura.
O principal leitor de livros digitais no mercado é o Kindle da Amazon. Mais de 487 milhões de ebooks são vendidos anualmente através desse equipamento, segundo a WordsRated. A Amazon calcula que em torno de 5 milhões de pessoas em todo o mundo leem através do Kindle ou de aplicativos todos os meses.
A popularidade dos livros digitais aumentou nos últimos anos principalmente devido aos jovens das gerações Y e Z. O número de consumidores globais de ebooks deve chegar a um bilhão até 2027, segundo cálculos da plataforma alemã de dados Statisa.
Mas, a transição de leitores dos livros impressos para os digitais resultaria de fato em benefícios ao clima e ao meio ambiente?
Os equipamentos eletrônicos de leituras também possuem seu lado ruim. Sua produção é um processo de alto consumo de água e energia. A bateria pode exigir a extração de metais e minerais raros, como cobre, lítio e cobalto. Os aparelhos também são compostos por plástico, que é um material produzido a partir de combustíveis fósseis.
Assim como ocorre com os livros impressos, a fase de produção dos ebooks é a que mais gera impactos no clima. Além disso, os leitores utilizam a eletricidade para recarregar os aparelhos, vez após vez, durante a vida útil dos mesmos. O armazenamento do arquivo dos dados dos livros digitais depende de centros de infraestrutura.
Isso não ocorre com os livros impressos, que não utilizam energia e não precisam de recarga. As cópias impressas podem durar décadas e serem compartilhadas por inúmeros leitores. Já os leitores digitais costumam durar entre três e cinco anos.
Os livros impressos também não são tão complicados de serem descartados ou reciclados no final de suas vidas. Por outro lado, algumas empresas como a Amazon possuem programas de reciclagem para os aparelhos, de modo a evitar o acúmulo de lixo eletrônico.
O que é melhor para o planeta?
Os livros impressos tradicionais continuam tendo popularidade muito maior do que os digitais, com aproximadamente o dobro da penetração de mercado de seus concorrentes eletrônicos, segundo registros de 2021 nos EUA.
Para Eri Amasawa, professora da Universidade de Tóquio, o impacto ambiental de ambos é significativo.
Em um estudo de 2017, a pesquisadora comparou as emissões de gases causadores do efeito estufa da leitura de livros tradicionais e eletrônicos. Ela concluiu que os últimos são mais favoráveis ao clima contanto que ao menos 15 ou mais livros (ou 25 no caso dos iPads) sejam lidos durante o ciclo de vida de três anos dos leitores digitais.
Ao mesmo tempo, a leitura de um ou dois livros por ano em um Kindle não seria suficiente para poupar emissões.
Mas, e se os leitores consumirem livros nos dois formatos? "Muitas pessoas ainda desejam ler livros impressos, mesmo que elas também leiam ebooks", disse Amasawa. Em torno de 33% dos leitores americanos se encaixam nessa categoria.
Mas, mesmo que os aparelhos digitais façam sentido em termos ambientais, a pesquisadora recomenda aos aficionados em livros impressos que "comprem os livros que de fato desejem ler, e depois os reciclem quando terminarem a leitura".
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| Short teaser | Tamara Klink causou polêmica ao pedir a leitores para não comprarem seu livro. Mas, quais os impactos dessa produção? | ||
| Author | Neil King, Natalie Muller | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/livro-digital-ou-impresso-o-que-é-melhor-para-o-planeta/a-68400474?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Transição do livro impresso para o digital ajudaria a combater o aquecimento global? | ||
| Image source | Michelangelo Oprandi/CHROMORANGE/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/68325581_354.jpg&title=Livro%20digital%20ou%20impresso%3A%20o%20que%20%C3%A9%20melhor%20para%20o%20planeta%3F | ||
| Item 41 | |||
| Id | 78270911 | ||
| Date | 2026-08-08 | ||
| Title | A Rússia ainda manda no xadrez mundial? | ||
| Short title | A Rússia ainda manda no xadrez mundial? | ||
| Teaser |
Após perder espaço nos tabuleiros para China e Índia, país busca manter seu peso político na Federação Internacional de Xadrez. Para isso, russo Arkadi Dworkowitsch precisará derrotar dois alemães na eleição deste ano.Nem mesmo as sanções impostas ao esporte russo devido à guerra na Ucrânia conseguiram deter o economista e ex-vice-primeiro-ministro russo Arkadi Dworkowitsch, 54 anos. Pelo contrário. Em 2022, ele foi reeleito presidente da Federação Internacional de Xadrez (Fide) com ampla maioria dos votos, o que representou um sucesso esportivo e político significativo para a Rússia, onde o xadrez é extremamente popular – e também visto como parte do soft power internacional do país.
Dworkowitsch preside a Fide desde 2018 e não parece disposto a deixar o cargo: anunciou que concorrerá à reeleição para mais quatro anos, embora tenha afirmado que a entidade "precisa se tornar mais aberta, eficiente e ágil".
A Rússia há muito perdeu a hegemonia no xadrez, já que os campeões mundiais mais recentes são da China e da Índia. Mas a influência russa permanece forte dentro da Fide.
Tradicionalmente, pouco acontece na organização sem dinheiro provindo direta ou indiretamente da Rússia. Um dos patrocinadores mais importantes é o empresário do setor financeiro Timur Turlow – cidadão do Cazaquistão desde 2022, é originário da Rússia e agora almeja se tornar vice-presidente da Fide no próximo hipotético mandato de Dworkowitsch.
Concorrência vem da Alemanha
A eleição, marcada para setembro, promete emoção: dois alemães anunciaram suas candidaturas à presidência, o que pode levar a uma disputa entre três candidatos pelos votos dos cerca de 200 delegados no congresso que ocorrerá no Uzbequistão.
"Ainda considero Dworkowitsch o favorito. Mas a situação pode mudar", diz o mestre dinamarquês Peter Heine Nielsen, treinador do ex-campeão mundial Magnus Carlsen, da Noruega. Ele chegou a formar dupla com um grande mestre ucraniano contra Dworkowitsch em 2022, mas não obteve sucesso.
A posição do atual presidente da entidade, no entanto, já não é tão sólida, em parte porque seu nome continua sendo associado às sanções da União Europeia (UE).
Desta vez, Nielsen está apoiando o investidor alemão Jan Henric Buettner. O objetivo do empresário é "melhorar a transparência e criar um crescimento sustentável e de longo prazo para o esporte". Seu candidato a vice-presidente, o experiente oficial de xadrez britânico Malcolm Pein, acrescenta: "O xadrez cresceu imensamente nos últimos cinco anos, mas a Fide não".
Um desafio crucial, segundo Pein, é atrair novos patrocinadores que não tenham ligação com a Rússia. Pein é conhecido no cenário internacional do xadrez por criticar a dominância russa dentro da federação.
A candidatura de Buettner à Fide surpreendeu alguns no mundo do esporte. Juntamente com o ex-campeão mundial Magnus Carlsen, o alemão estabeleceu o chamado xadrez freestyle nos últimos anos, uma variante do jogo que envolve o sorteio aleatório da posição inicial e torna irrelevantes os lances de abertura memorizados. No entanto, devido a isso, é visto frequentemente mais como um empreendedor barulhento do que como um futuro presidente de uma associação com passaporte diplomático.
Federação Alemã de Xadrez apoia Rosenstein
Paul Meyer-Dunker, presidente da Federação Alemã de Xadrez (DSB), é duro nas palavras contra Buettner: "Não consigo entender a candidatura de Jan Henric Buettner e não a considero promissora. Ele não nos contatou antes de sua candidatura e não cooperou com a DSB em suas atividades independentes", declara.
Para Meyer-Dunker, em Berlim, as esperanças se voltam para outro alemão, Vadim Rosenstein, que tentará destronar Dworkowitsch. Aos 35 anos, Rosenstein é um empresário de Düsseldorf que, desde 2022, financia e organiza eventos de xadrez de alto nível em todo o mundo – e, como um ambicioso jogador amador, também gosta de participar. "A Fide deve se tornar uma das instituições mais respeitadas no esporte internacional", afirma
"Wadim Rosenstein não apenas fala, mas age", diz Meyer-Dunker.
Realmente, Rosenstein investiu milhões no esporte nos últimos anos. Sua empresa, WR Logistics, foi uma das principais patrocinadoras: "Também usei meus próprios fundos e consegui parceiros que confiam em mim", lembra. No entanto, quando questionado, se recusou a especificar exatamente quanto dinheiro investiu no xadrez até o momento.
O fato de o empresário ter tido um impacto significativo no cenário mundial do xadrez é reconhecido até mesmo por seu rival, Buettner. Mas algumas questões permanecem. "Me preocupa a falta de informações concretas sobre a trajetória empresarial dele", afirma Pein.
Rosenstein rebate: "Sou um empresário que construiu o próprio império". Ele alega que suas empresas estão presentes em 70 países. Como empreendedor, porém, afirma que "não é apropriado nem necessário" divulgar todos os detalhes de sua estrutura societária.
Sabe-se que o empresário, nascido em 1990 no território onde hoje é a Ucrânia, atua, entre outras áreas, na logística industrial internacional. Até 2022, seu principal foco era o apoio a empresas alemãs, particularmente na Ucrânia e na Rússia. Desde então, deixou de fazer negócios com os russos, embora ainda possua empresas "formalmente" no país.
A suspensão da Rússia
Paul Meyer-Dunker, presidente da Federação Alemã de Xadrez, está familiarizado com as questões que cercam seu candidato à Fide: "Algumas pessoas especulam constantemente sobre os motivos e a trajetória de Rosenstein, mas sabemos que ele é um empresário bem-sucedido e respeitado, com grande amor pelo xadrez", afirma. "Na minha opinião, ele é a melhor chance de nos livrarmos de Dworkowitsch e implementarmos as reformas necessárias no xadrez internacional", acrescenta.
A avaliação de Malcolm Pein sobre seu concorrente de Düsseldorf é diferente: "Vadim Rosenstein me perguntou se eu concorreria ao lado dele, mas recusei". Para o candidato a vice de Buettner, o empresário tem sido bastante evasivo em relação ao papel da Rússia na política do xadrez. "Gostaria de ouvir uma declaração clara dele sobre a participação de jogadores russos em torneios oficiais e sobre as atividades ilegais da Federação Russa de Xadrez nos territórios ocupados da Ucrânia", complementa o britânico.
A DW também questionou Vadim Rosenstein sobre sua posição: "Em princípio, eu preferiria operar em um mundo onde cada jogador pudesse competir sob sua própria bandeira", afirmou.
No entanto, diz ele, um presidente da Fide deve, em qualquer caso, agir dentro da estrutura das regras estabelecidas pelos órgãos dirigentes e tribunais. "A Federação Russa de Xadrez foi afetada por uma decisão do Tribunal Arbitral do Esporte, e essa decisão deve ser implementada imediatamente", acrescenta.
O Tribunal Arbitral do Esporte condenou recentemente a federação russa por organizar eventos de xadrez nos territórios ucranianos ocupados e exigiu a suspensão temporária do país da Fide, o que criou um paradoxo: embora um russo esteja concorrendo à reeleição em setembro, a federação russa sequer tem permissão para participar da votação.
Apesar disso, a eleição da Federação Internacional de Xadrez certamente está sendo acompanhada com grande interesse na Rússia. Isso fica evidente no site da Federação Russa de Xadrez, onde é possível encontrar não apenas um relatório favorável à candidatura do atual presidente, mas também um artigo sobre a candidatura de Vadim Rosenstein.
Jan Henric Buettner e Malcolm Pein, no entanto, não são mencionados. Talvez seja apenas uma coincidência. Mas talvez também esteja de acordo com a conclusão do treinador de Carlsen, Peter Heine Nielsen: "No mundo do xadrez, jogadores, dirigentes e fãs ficam felizes com torneios e eventos interessantes, mas a maioria não quer saber exatamente de onde vem o dinheiro para eles", ratificiou o dinamarquês.
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| Short teaser | Após perder espaço nos tabuleiros para China e Índia, país busca manter seu peso político na Federação Internacional. | ||
| Author | Holger Hank | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-rússia-ainda-manda-no-xadrez-mundial/a-78270911?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Atual presidente da Federação Internacional de Xadrez, o russo Arkadi Dworkowitsch busca a reeleição | ||
| Image source | Florian Peljak/SZ Photo/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77745388_354.jpg&title=A%20R%C3%BAssia%20ainda%20manda%20no%20xadrez%20mundial%3F | ||
| Item 42 | |||
| Id | 78267122 | ||
| Date | 2026-08-06 | ||
| Title | Como Infantino se tornou o homem mais poderoso do futebol | ||
| Short title | Como Infantino se tornou o homem mais poderoso do futebol | ||
| Teaser |
Sob pressão por polêmicas e uma disputa com a Uefa, Gianni Infantino manteve o apoio unânime da diretoria da Fifa e segue como presidente. Conheça a trajetória, os feitos e as controvérsias do dirigente suíço.Gianni Infantino continua no cargo de presidente da Fifa. Apesar da enorme pressão, vinda especialmente da Europa, a diretoria da entidade que comanda o futebol mundial, após reunião ocorrida em Rabat, capital do Marrocos, nesta quarta-feira (05/08), manifestou confiança unânime em seu mandatário.
A crise havia sido desencadeada devido aos planos da Fifa de vender uma parte minoritária dos direitos da Copa do Mundo de futebol masculino a investidores privados por cerca de cerca de 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,4 bilhões).
Devido a isso, no dia 30 de julho, a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), que reúne seleções de 55 países, anunciou que não iria mais participar de competições organizadas pela Fifa.
Mas, afinal, quem é Gianni Infantino, o homem mais poderoso do futebol mundial atualmente? Como foi a sua trajetória até chegar ao mais alto posto do esporte mais popular do mundo?
De onde vem Gianni Infantino?
Giovanni Vincenzo Infantino nasceu em 23 de março de 1970 em Brig, na Suíça, filho de pais italianos. Muitos anos depois, já como presidente da Fifa, ele relatou que, durante a infância, sofreu discriminação por causa de sua origem italiana. Estudou Direito na Universidade de Friburgo, na Suíça, antes de se tornar, em 1997, secretário-geral do Centro Internacional de Estudos Esportivos da Universidade de Neuchâtel.
O que ele fazia antes da Fifa?
Falante de seis idiomas, Infantino ingressou na Uefa no ano 2000 e foi subindo na carreira até chegar ao cargo de secretário-geral, função que ocupou a partir de 2009.
Sob a presidência de Michel Platini na Uefa, geralmente não estava sob os holofotes. Mas tornou-se conhecido de muitos torcedores na Europa por apresentar regularmente os sorteios da Liga dos Campeões e da Eurocopa, transmitidos ao vivo na TV.
Como se tornou presidente da Fifa?
O caminho para a liderança da entidade foi aberto pelo escândalo de corrupção da Fifa em 2015. Vários dirigentes foram acusados, e sete deles foram presos em um hotel em Zurique pouco antes do congresso da federação para a eleição de seu presidente.
Embora o então presidente Sepp Blatter tenha sido reeleito para um quinto mandato, ele renunciou poucos dias depois, o que fez a Fifa convocar um congresso extraordinário para fevereiro de 2016.
Quando Infantino anunciou sua candidatura, era considerado – ao menos teoricamente – um azarão. O favorito era seu então chefe na Uefa, Michel Platini, que retirou sua candidatura um mês antes da eleição depois que ele e Blatter foram suspensos pela comissão de ética devido a um depósito controverso.
Nos dias que antecederam a votação, o xeique Salman bin Ebrahim al-Khalifa, presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), era considerado o favorito entre os sete candidatos. Infantino acabou vencendo a eleição no segundo turno, após prometer reformar a entidade, abalada por escândalos, e de aumentar os pagamentos às associações afiliadas.
"Vamos restaurar a reputação e o respeito pela Fifa. O mundo inteiro vai nos aplaudir pelo que vamos conquistar no futuro", afirmou, na época, diante dos delegados na arena Hallenstadion, em Zurique.
O que ele conseguiu como presidente da Fifa?
Sob a liderança de Infantino, a Fifa registrou receitas recordes nos últimos dez anos. O ponto alto, até agora, foi a Copa do Mundo de 2026, que pela primeira vez teve 48 seleções e 104 partidas – quatro anos antes, no Catar, foram 32 seleções e 64 partidas.
O aumento no número de participantes gerou, inevitavelmente, receitas maiores. A isso se somou o sistema dinâmico de preços dos ingressos, o que, em alguns casos, levou a aumentos drásticos nos valores. Além disso, a própria Fifa entrou no mercado secundário de bilhetes (onde ingressos já comprados são revendidos por outras pessoas, em vez de serem vendidos diretamente pelo organizador do evento ou pela bilheteira oficial) e cobrou, em cada transação, 15% tanto do comprador quanto do vendedor.
Os números finais das receitas só serão divulgados no relatório final de 2026, mas a tendência é de que superem significativamente os cerca de 5,8 bilhões de dólares registrados em 2022 – o próprio Infantino mencionou recentemente um valor que poderia ser cerca do dobro disso.
Quais foram as polêmicas?
Durante a Copa do Mundo, Infantino foi alvo de críticas por ter viajado de avião por todo o território dos EUA para assistir aos jogos. Organizações ambientais estimam que seus voos tenham gerado entre 300 e 500 toneladas de dióxido de carbono.
Por outro lado, não se considera responsável por outro dos grandes debates do torneio: o cartão vermelho recebido pelo atacante americano Folarin Balogun contra a Bósnia e Herzegovina, na partida válida pelas oitavas de final, foi suspenso após um telefonema do presidente dos EUA, Donald Trump, que exigiu uma "revisão". Posteriormente, Infantino destacou que a decisão havia sido tomada por um comitê independente da Fifa.
As pausas para hidratação, que na prática dividiram as partidas em quatro quartos, também foram mal recebidas por muitos torcedores.
Outros criticaram o fato de Infantino não ter se envolvido nas disputas relacionadas aos vistos para torcedores, dirigentes e um árbitro da Somália, bem como no tratamento dado à seleção iraniana nos EUA.
Já antes da Copa do Mundo de 2026, Infantino havia sido alvo de manchetes negativas em várias ocasiões. Algumas das polêmicas mais conhecidas:
Poucas semanas após assumir o cargo em 2016, a Comissão de Ética da Fifa o absolveu das acusações relacionadas ao uso de jatos particulares.
Antes do Congresso da Fifa de 2017, no Bahrein, Infantino destituiu os presidentes da comissão de ética, Hans-Joachim Eckert e Cornel Borbely, sem justificativa.
Um ano depois, ele chegou a um acordo preliminar com um consórcio financeiro do Oriente Médio e da Ásia sobre os direitos de comercialização da Copa do Mundo de Clubes e de uma Liga das Nações global. Segundo relatos, o negócio teria um valor de 25 bilhões de dólares, mas acabou não se concretizando.
Em julho de 2020, o Ministério Público Federal suíço acusou Infantino de ter facilitado o abuso de poder por meio de reuniões secretas com o procurador federal Michael Lauber. Três anos depois, o processo foi arquivado por falta de provas.
Por fim, o sorteio da Copa do Mundo, realizado em dezembro de 2025, gerou muitas críticas. Na ocasião, Infantino entregou ao presidente dos EUA, Donald Trump, o recém-criado Prêmio da Paz da Fifa. Para muitos críticos, esse foi o ponto alto, até então, da relação próxima e amplamente criticada entre ele e Trump.
Por que Infantino foi pressionado a renunciar?
Os problemas começaram com os planos de vender partes dos negócios da Copa do Mundo a investidores privados. A Uefa, primeiramente, condenou a iniciativa e, depois, ameaçou boicotar todas as competições organizadas pela entidade, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina.
Depois que Infantino desistiu da ideia, a Uefa endureceu o tom e declarou ter perdido a confiança na atual direção da Fifa. Além disso, a federação europeia de futebol ameaçou, por meio de seus advogados nos EUA, tomar medidas legais contra o que considera um "acordo duvidoso, negociado a portas fechadas e sem transparência".
Como Infantino consolidou sua posição?
O presidente da Fifa convocou altos dirigentes da entidade para uma reunião emergencial de crise. Por meio de um comunicado, a entidade reconheceu que, no contexto dos planos envolvendo investidores privados, "foram cometidos erros" e que o "processo deveria ter sido conduzido de outra forma".
Ao mesmo tempo, foi informado que os participantes reiteraram "total apoio" ao presidente . Além disso, a Fifa enfatizou que "não tolerará mais ataques à sua integridade, à sua boa governança e aos procedimentos do Estado de Direito" e que tomará todas as medidas necessárias para proteger seu nome e sua reputação.
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Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
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| Short teaser | Apesar dos pedidos de renúncia, Gianni Infantino segue presidente da Fifa. Conheça sua trajetória e controvérsias. | ||
| Author | Charles Duguid Penfold | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-infantino-se-tornou-o-homem-mais-poderoso-do-futebol/a-78267122?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Gianni Infantino convocou reunião extraordinária com altos dirigentes da Fifa no Marrocos | ||
| Image source | AP Photo/dpa/picture alliance | ||
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| Item 43 | |||
| Id | 77647317 | ||
| Date | 2026-06-21 | ||
| Title | Milhares de pessoas celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Short title | Milhares celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Teaser |
Com coroas de flores, 20 mil visitantes se dirigiram ao monumento milenar no Reino Unido para acompanhar o nascer do Sol do dia mais longo do ano no Hemisfério Norte.Uma multidão de mais de 20 mil pessoas se reuniu no início da manhã deste domingo (21/06) no milenar sítio arqueológico de Stonehenge, no Reino Unido, para ver o nascer do sol às 4h25 (0h25 em Brasília) no dia mais longo do ano no Hemisfério Norte, segundo a organização pública English Heritage, que administra monumentos históricos na Inglaterra.
Os visitantes, alguns usando coroas de flores, tocaram o monumento antigo e comemoraram quando o sol resplandecente surgiu no horizonte enevoado.
"Ao amanhecer do dia mais longo do ano, recebemos mais de 20.000 pessoas para celebrar juntas, com milhares de outras participando de todo o mundo por meio de nossa transmissão ao vivo", informou no domingo a English Heritage, organização que administra o sítio de Stonehenge.
Em 21 de junho, o Hemisfério Norte da Terra está inclinado ao máximo em direção ao Sol, resultando no dia mais longo do ano. O oposto ocorre no Hemisfério Sul, que tem seu dia mais longo em 21 de dezembro.
O círculo de pedras megalíticas pré-histórico situado na Planície de Salisbury, em Wiltshire (sudoeste da Inglaterra), parece ter sido construído há milhares anos para se alinhar com a trajetória do Sol nesses dias.
Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de pedras, que chegam a ter 5 metros de altura e a pesar quase 50 toneladas, localizada na Inglaterra, no condado de Wiltshire, na Planície de Salisbury.
Stonehenge é um dos monumentos pré-históricos mais famosos do mundo. Formado por enormes blocos de pedra organizados em círculos, ele foi construído ao longo de várias etapas entre aproximadamente 3000 a.C. e 2000 a.C.
Embora seu propósito exato ainda seja desconhecido, pesquisadores acreditam que Stonehenge tenha servido como local de cerimônias religiosas, espaço de sepultamento e até como observatório astronômico, devido ao seu alinhamento com o Sol durante os solstícios.
Algumas pedras pesam mais de 25 toneladas e parte delas foi transportada de regiões localizadas a centenas de quilômetros de distância. Por causa de sua importância histórica e cultural, Stonehenge foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1986.
Como funcionam as celebrações em Stonehenge?
A partir de 1978, o acesso do público a Stonehenge passou a ser restrito — os visitantes não podiam mais circular livremente entre as pedras —, em resposta a casos de vandalismo e ao aumento da erosão decorrentes do rápido crescimento do número de turistas.
As reuniões modernas por ocasião do solstício tiveram início já em meados do século 19, facilitadas pelo acesso ferroviário à cidade vizinha Salisbury.
Esses eventos, de caráter um tanto mais anárquico e espontâneo, chegaram a um fim violento em 1985, quando a polícia e um grupo de centenas de visitantes entraram em confronto no que ficou conhecido como a Batalha de Beanfield.
Enquanto a polícia tentava fazer cumprir uma liminar obtida pelas autoridades locais para impedir a passagem dos visitantes — inicialmente por meio de um bloqueio na estrada —, mais de 500 pessoas acabaram sendo presas.
Foi um dos maiores episódios de prisão em massa no Reino Unido depois Segunda Guerra Mundial.
A partir do ano 2000, a English Heritage passou a permitir o acesso controlado ao sítio de Stonehenge durante os dois solstícios — bem como nos equinócios de primavera e outono. Desde então, esses eventos ganharam popularidade.
Solstício de verão em meio a uma onda de calor
A celebração ocorreu enquanto o Reino Unido e grande parte da Europa permanece sob alertas de calor intenso.
No domingo, as temperaturas na região de Salisbury estavam comparativamente amenas para os padrões nacionais, com previsão de máximas de 29 °C.
Na França, no entanto, o governo proibiu o consumo de álcool em locais públicos durante as celebrações do Dia da Música, que marcam o solstício de verão. O evento inclui milhares de shows em praças de vilarejos, locais de música eletrônica e casas noturnas de Paris, reunindo comunidades e atraindo cada vez mais visitantes internacionais.
Ainda na França são esperadas máximas de 40 °C no domingo, com a segunda-feira provavelmente ainda mais quente, com serviços de emergência e as forças militares foram colocados em alerta contra incêndios florestais.
Há também previsão de temperaturas atingindo 37 °C em Roma e 39 °C em Madri na segunda-feira.
O Met Office britânico informou que o calor deve atingir um pico de cerca de 35°C na terça e na quarta-feira, o que gerou alertas meteorológicos, alertas de saúde e preocupações com as pessoas vulneráveis.
Os meteorologistas afirmaram que a próxima semana pode quebrar o recorde da temperatura mais alta já registrada em junho, de 35,6 °C, estabelecido em 1976 em Southampton.
jps (dpa, DW, ots)
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| Short teaser | Vinte mil visitantes se dirigiram ao monumento para acompanhar nascer do Sol do dia mais longo no Hemisfério Norte | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/milhares-de-pessoas-celebram-o-solstício-de-verão-em-stonehenge/a-77647317?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Alguns dos visitantes exibiram flores sobre a cabeça para celebrar o solstício em Stonehenge | ||
| Image source | Alberto Pezzali/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 44 | |||
| Id | 53832364 | ||
| Date | 2026-05-03 | ||
| Title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Short title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Teaser |
Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número de tropas americanas no país europeu. EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha e decisão pode marcar grande mudança na relação de defesa entre os dois países Em meio a uma troca de farpas entre os EUA e a Alemanha, o Pentágono anunciou nesta semana que pretende retirar 5 mil dos seus militares que estão atualmente baseados no país europeu. Segundo o anúncio, a retirada deve ser completada num período de 6 a 12 meses. No sábado (02/05), foi a vez de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a retirada pode ser ainda mais ampla. "Vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais do que 5.000", disse Trump a repórteres. O movimento de retirada ocorre após Trump se enfurecer com declarações críticas à condução da guerra do Irã feitas pelo chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na segunda-feira, Merz afirmou que os que os Estados Unidos estão sendo "humilhados" em sua guerra contra o Irã e que parece faltar a Washington uma estratégia clara no conflito. Um dia depois, Trump respondeu que o alemão "não tem ideia do que está falando". "Merz acha ok o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!", disse em um post na rede Truth Social. Logo depois, veio o anúncio de redução de tropas baseada na Alemanha. Como parte da decisão, um plano da era Joe Biden para enviar um batalhão americano com mísseis Tomahawk de longo alcance para a Alemanha também foi abandonado. Não é a primeira vez que Trump faz movimentos para reduzir a quantidade de tropas dos EUA na Alemanha. Em 2020, o republicano chegou a anunciar um plano ainda mais drástico de redução, mas a iniciativa foi abandonada após a derrota de Trump para Joe Biden no mesmo ano. Presença militar dos EUA na AlemanhaSegundo o Pentágono entre 34 mil e 36 mil soldados ocupam atualmente em caráter permanente as bases americanas em solo alemão. Se incluídas as unidades militares em rotação, o número pode chegar temporariamente a 50 mil. Além do contingente militar, cerca de 15 mil civis americanos trabalham para o Departamento de Defesa dos EUA na Alemanha. A República Federal da Alemanha tem sido parte vital da estratégia de defesa dos Estados Unidos na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial: durante dez anos as forças americanas integraram a ocupação dos Aliados no país. Embora o contingente tenha diminuído drasticamente desde então, nas décadas seguintes comunidades militares americanas se formaram em torno de diversas cidades, e os militares dos EUA ainda são uma presença importante no país. A importância estratégica da Alemanha para os EUA se reflete na localização do quartel-general do Comando Europeu dos EUA (Eucom) na cidade de Stuttgart, no sudoeste do país, que serve como estrutura de coordenação partes todas as forças militares americanas em 51 países, principalmente europeus. A missão da Eucom é proteger e defender os EUA, impedindo conflitos, apoiando parcerias como a Otan e combatendo ameaças transnacionais. Sob seu comando estão o Exército, as Forças Aéreas e o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA na Europa, todos com unidades na Alemanha. A Alemanha abriga a maior parte das tropas americanas na Europa. Só no Japão os EUA mantêm mais pessoal militar. No entanto os números na Alemanha vêm caindo nos últimos anos: dados do governo alemão mostram que desde 2006 o número de militares dos EUA baseados na Alemanha diminuiu em mais da metade, sendo que há 20 anos a cifra chegava a 72.400. Fuzileiros navais, soldados e aviadoresA Alemanha abriga cinco guarnições do Exército americano e o quartel-general do Exército dos EUA na Europa está sediado na guarnição de Wiesbaden, próximo a Frankfurt, no centro-oeste do país. Dados fornecidos pelas Forças Armadas dos EUA mostram que essas cinco guarnições, cada uma englobando várias bases em locais diferentes, compreendem atualmente cerca de 23 mil militares. Esse número inclui as Forças de Fuzileiros Navais da Europa e da África, com sede em Böblingen, sudoeste da Alemanha, como parte da Guarnição do Exército dos EUA em Stuttgart. Além disso, há cerca de 13 mil membros da Força Aérea dos EUA espalhados por vários locais na Alemanha, incluindo as duas bases aéreas americanas em Ramstein e Spangdahlem. Mais do que apenas soldadosComo as instalações militares dos EUA também empregam civis e militares por vezes podem levar suas famílias para o exterior, consideráveis comunidades de civis se formam em torno dessas instalações. Na verdade, algumas bases americanas na Alemanha, como a de Ramstein, são pequenas cidades autônomas, englobando não só quartéis, aeroportos, áreas para exercícios militares e depósitos de materiais, mas também seus próprios shoppings, escolas, serviços postais e força policial americanos. Em certos casos, a única moeda corrente é o dólar americano. Atualmente, a guarnição do Exército dos EUA na Baviera, com quartel-general em Grafenwöhr, perto da fronteira com a República Tcheca, é a maior base do Exército americano no exterior, tanto em número de militares quanto em superfície, espalhando-se por mais de 390 quilômetros quadrados. As bases também costumam empregar um número significativo de residentes e servem de impulso econômico às comunidades alemãs adjacentes, cujas empresas fornecem bens e serviços. O fechamento de instalações anteriores, como a guarnição do Exército em Bamberg em 2014, afetou a economia local, e muitos alemães que vivem perto de instalações militares americanas manifestam oposição a possíveis reduções de tropas. Porém a extensão da presença militar dos EUA na Alemanha não se limita ao pessoal: o país também mantém aviões em outras bases aéreas não americanas em solo alemão. Além disso, calcula-se que 20 ogivas nucleares sejam mantidas na Base Aérea de Büchel, no âmbito do Acordo de Compartilhamento Nuclear da Otan, fato que suscitou muitas críticas por parte dos alemães. A importância de RamsteinA Base Aérea de Ramstein, no estado alemão da Renânia-Palatinado, é a maior base militar americana fora do país. Ela serve como um centro logístico para tropas, equipamentos e cargas a caminho do Oriente Médio, África e Europa Oriental. Ramstein também é o quartel-general da Força Aérea dos EUA na Europa e serve como centro de comando da Otan para vigilância do espaço aéreo militar de todos os parceiros europeus. A base aérea também abriga uma estação de retransmissão de satélites, de grande importância para o destacamento de drones de combate americanos, por exemplo, no Oriente Médio. Como a curvatura da Terra não permite o controle direto de drones a partir dos EUA, os sinais são retransmitidos por satélite via Ramstein. A base também funciona como um centro médico, já que soldados feridos da Europa, África ou Oriente Médio são transportados de avião para Ramstein e tratados no Centro Médico Regional de Landstuhl, adjacente à base, o maior hospital militar americano fora dos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o hospital recebeu soldados americanos feridos em ataques do Irã a países do Golfo. Ambas as instalações fazem parte da Comunidade Militar de Kaiserslautern, que abrange dezenas de milhares de soldados americanos, funcionários civis e seus familiares. Spangdahlem, por sua vez, é a segunda maior base da Força Aérea dos EUA em solo alemão, fica a cerca de 120 quilômetros mais a noroeste. Ao contrário de Ramstein, Spangdahlem serve principalmente para missões operacionais de combate. Um esquadrão de caças composto por cerca de 20 jatos F-16 está estacionado na base, funcionando como uma força de reação rápida em tempos de crise. O esquadrão ajuda a proteger o flanco leste da Otan e é especializado em eliminar as defesas aéreas inimigas. Ocupação aliada do pós-guerra e seu legadoA presença militar dos EUA na Alemanha é um legado da ocupação aliada pós-Segunda Guerra Mundial, que durou de 1945 a 1955. Durante esse período, milhões de militares americanos, britânicos, franceses e soviéticos estiveram estacionados na Alemanha. A parte nordeste do país ficou sob controle soviético, tornando-se oficialmente a República Democrática Alemã (RDA) em outubro de 1949. Na parte ocidental, a ocupação foi regulamentada pelo Estatuto da Ocupação, assinado em abril de 1949, quando foi fundada a República Federal da Alemanha. O estatuto permitiu que França, Reino Unido e EUA mantivessem forças de ocupação no país e o controle completo sobre o desarmamento e desmilitarização da antiga Alemanha Ocidental. Quando a ocupação militar da República Federal da Alemanha (RFA) terminou oficialmente, o país recuperou o controle de sua própria política de defesa. No entanto, o Estatuto de Ocupação foi sucedido por outro acordo com seus parceiros na Otan. O pacto – conhecido como Convenção sobre a Presença de Forças Estrangeiras na República Federal da Alemanha e assinado pelos alemães em 1954 – permitiu que oito países-membros da Otan, incluindo os EUA, mantivessem presença militar permanente na Alemanha. O tratado ainda regula os termos e condições das forças da Otan estacionadas hoje na RFA. O número de militares americanos na Alemanha vem diminuindo desde o fim da Guerra Fria, em 1990, quando, segundo Berlim, havia cerca de 400 mil soldados estrangeiros baseados no país. Cerca de metade deles eram americanos, mas foram gradualmente retirados à medida que diminuíam as tensões com os Estados sucessores da União Soviética, e conflitos em outros lugares, como a guerra do Iraque, requeriam mais militares dos EUA. Qual a importância das bases militares americanas para a economia alemã?As bases americanas são um fator econômico importante para a Alemanha. Muitas delas estão localizadas em regiões rurais do país, onde as forças armadas americanas atuam como o maior investidor e empregador. Mais de 10 mil alemães trabalham diretamente para as forças armadas americanas, enquanto estima-se que 70.000 empregos na Alemanha estejam indiretamente ligados a empresas que prestam serviços às Forças Armadas americanas, por exemplo, no setor da construção civil ou na indústria de serviços. Além disso, os soldados americanos baseados na Alemanha e suas famílias gastam grande parte de seus salários em lojas e empresas alemãs. A comunidade militar, por si só, contribui com até 3,5 bilhões de euros (US$ 4,1 bilhões) anualmente para as economias regionais. |
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| Short teaser | EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha. Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número. | ||
| Author | Ben Knight , Thomas Latschan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-presença-militar-dos-eua-na-alemanha-na-mira-de-trump/a-53832364?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 45 | |||
| Id | 76191308 | ||
| Date | 2026-03-03 | ||
| Title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Short title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Teaser |
Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos do tratado de livre-comércio caracterizam de maneira equivocada o setor agrícola europeu e a indústria brasileira.O embaixador do Brasil na Alemanha rechaçou as críticas de setores políticos europeus ainda resistentes ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Brasil. Segundo Rodrigo de Lima Baena Soares, a caracterização do tratado como uma "troca de carros por vacas" é um "desserviço" que não faz jus nem ao setor agrícola europeu nem à indústria brasileira.
"É preciso parar com a ideia de que esse acordo é uma troca de 'carros por vacas', uma expressão que circula tanto no discurso brasileiro quanto no europeu. Isso é uma caricatura e presta um desserviço. Isso caracteriza de maneira equivocada tanto a economia da Europa quanto a brasileira", disse Baena Soares, citando uma expressão crítica que virou um slogan de opositores do acordo, sobretudo na Europa.
"Pelo lado europeu, essa narrativa apresenta o agricultor do continente como vítima de uma ameaça existencial por parte dos agricultores sul-americanos. Só que a União Europeia é o maior exportador mundial de alimentos. E os agricultores europeus produzem alguns dos bens mais valorizados e sofisticados do mundo. Está longe de ser uma indústria frágil", disse Baena Soares, que assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado.
"E do lado brasileiro, há também um certo desajuste como o acordo é visto, de que seria apenas fornecimento de matérias-primas, quando a realidade é outra. A indústria brasileira exportou 181 bilhões de dólares em 2024. [O acordo] é uma oportunidade para a indústria, e não uma concessão. Com o acordo, as tarifas para a importação de máquinas cairão de 11,6% para menos de 1% até 2040", acrescentou.
Baena Soares fez as declarações na segunda-feira (02/02) durante o evento "Diálogos Internacionais Brasil-Alemanha", que ocorre nesta semana na Universidade de Frankfurt, no oeste alemão, e que é promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais).
Mensagem clara ao mundo
O diplomata também classificou como "excelente notícia" que a Comissão Europeia tenha anunciado no fim de fevereiro que pretende implementar o acordo de forma provisória, enquanto seguir pendente um pedido de parecer apresentado pelo Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), um processo que pode se arrastar por até dois anos. "Estou otimista que a Corte de Justiça da UE reconhecerá o acordo."
Baena Soares também disse o acordo é um "sinal inequívoco" do comprometimento do Brasil "com o multilateralismo". "O acordo é uma mensagem clara ao mundo que ainda há espaço para multilateralismo, apesar de todas tensões geopolíticas e o crescente protecionismo de alguns países".
"Mostra que divergências podem ser superadas por meio da negociação e do compromisso, um aspecto que anda difícil como atestam os últimos acontecimentos. Nós também não podemos subestimar o impacto político que esse acordo terá. Nosso diálogo político com a UE já é bom e vai ser ainda mais facilitado e fortalecido. Vamos lembrar que todos os países da UE e do Mercosul são países democráticos", disse.
"Esse acordo não é o destino, é a infraestrutura de uma jornada cujas dimensões plenas ainda vão ser mapeadas."
Negociado ao longo de duas décadas, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e EU foi finalmente assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai. Nas semanas seguintes, o Uruguai e a Argentina se tornaram os primeiros países a ratificar o tratado.
Já na Europa ainda não há consenso pleno. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu judicializar a questão, pedindo para que o Tribunal de Justiça da UE julgue a legalidade do tratado. Para evitar que a questão se arraste nos tribunais, a Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) anunciou que vai implementar o acordo de forma provisória.
Dentro do bloco europeu, o acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, mas ainda sofre resistência sobretudo da França, o principal produtor agrícola da UE.
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| Short teaser | Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos caracterizam o tratado de livre-comércio de maneira equivocada. | ||
| Author | Jean-Philip Struck (enviado a Frankfurt) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/acordo-mercosul-ue-não-é-uma-troca-de-carros-por-vacas/a-76191308?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado | ||
| Image source | Maksim Konstantinov/Russian Look/picture alliance | ||
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| Item 46 | |||
| Id | 75011709 | ||
| Date | 2025-12-04 | ||
| Title | Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal | ||
| Short title | Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal | ||
| Teaser |
Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono.
A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente.
O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro.
Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada.
Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes.
O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira.
Trump mantém apoio a Hegseth
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira.
Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado.
Hegseth debateu ataques no Iêmen
O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz.
O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais.
O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen.
O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar.
Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque.
A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada.
Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas.
as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)
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| Short teaser | Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/investigação-conclui-que-chefe-do-pentágono-pôs-soldados-em-risco-ao-usar-signal/a-75011709?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe | ||
| Image source | Ricardo Hernandez/AP Photo/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/74914357_354.jpg&title=Investiga%C3%A7%C3%A3o%20conclui%20que%20chefe%20do%20Pent%C3%A1gono%20p%C3%B4s%20soldados%20em%20risco%20ao%20usar%20Signal | ||
| Item 47 | |||
| Id | 63791517 | ||
| Date | 2025-09-10 | ||
| Title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Short title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Teaser |
Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança.
Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade.
O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir.
Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes.
Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°?
Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança.
Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas.
Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão.
O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°.
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| Short teaser | Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. | ||
| Author | Bernd Riegert | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quais-as-diferenças-entre-os-artigos-4°-e-5°-da-otan/a-63791517?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado | ||
| Image source | Christoph Hardt/Panama/picture alliance | ||
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| Item 48 | |||
| Id | 72986020 | ||
| Date | 2025-06-21 | ||
| Title | Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Short title | Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Teaser |
Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã. O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam. Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados." Condições deterioram para afegãos no IrãO Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã. Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar. As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã. Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários." Sem opção de retornoAtualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família. "Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi." Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria." Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar. "Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos." Traficantes de pessoas exploram medosRedes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras. Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas. O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas." Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia." |
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| Short teaser | Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação. | ||
| Author | Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 49 | |||
| Id | 57531509 | ||
| Date | 2025-06-13 | ||
| Title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Short title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Teaser |
Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas. A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país. Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital. Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen. Sistema de três elementosA defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance. Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia. Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo. O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos. Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio. 90% de êxito, mas com custos altosO "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país. De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011. Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas. Nova arma a laser "Iron Beam"Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam". O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones. A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022. As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos. Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025. |
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| Short teaser | Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. | ||
| Author | Uta Steinwehr | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 50 | |||
| Id | 64814042 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Short title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Teaser |
UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção.
Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março.
Lei antioligarca
De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda.
Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias.
Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado.
Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos
A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares.
Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas.
Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares.
Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo
A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país.
Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros.
A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões.
Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares.
Não existem mais oligarcas ucranianos?
Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política.
Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los".
De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE.
Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra.
"Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos.
Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas.
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| Short teaser | UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas. | ||
| Author | Eugen Theise | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/qual-ainda-é-o-real-poder-dos-oligarcas-ucranianos/a-64814042?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia | ||
| Image source | Daniel Naupold/dpa/picture alliance | ||
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| Item 51 | |||
| Id | 64820664 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Short title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Teaser |
De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. Prefeito de Istambul diz ser necessário até 40 bilhões de dólares para se preparar para possível novo grande tremor.Duas semanas e meia após o terremoto de 7,8 de magnitude na área de fronteira turco-síria, o número de mortos aumentou para mais de 50 mil, informaram as autoridades dos dois países nesta sexta-feira (24/02).
A Turquia registrou 44.218 mortes, de acordo com a agência de desastres turca Afad, e a Síria reportou ao menos 5,9 mil mortes. Nos últimos dias, não houve relatos de resgate de sobreviventes.
Tremores secundários continuam a abalar a região. Neste sábado (25/02), um tremor de magnitude 5,5 atingiu o centro da Turquia, informou o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a uma profundidade de 10 quilômetros.
O observatório sísmico de Kandilli disse que o epicentro foi localizado no distrito de Bor, na província de Nigde, que fica a cerca de 350 quilômetros a oeste da região atingida pelo grande tremor de 6 de fevereiro.
Graves incidentes e vítimas não foram reportados após o tremor deste sábado.
Segundo a Turquia, nas últimas três semanas, foram mais de 9,5 mil tremores secundários e a terra chegou a tremer, em média, a cada quatro minutos.
De acordo com o governo turco, 20 milhões de pessoas no país são afetadas pelos efeitos do terremoto. As Nações Unidas estimam que na Síria sejam 8,8 milhões de pessoas afetadas.
Turquia começa reconstrução
As autoridades turcas começaram a construir os primeiros alojamentos para os desabrigados. O trabalho de escavação de terra está em andamento nas cidades de Nurdagi e Islahiye, na província de Gaziantep, escreveu no Twitter o ministro do Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Mudança Climática, Murat Kurum. Inicialmente, estão previstos 855 apartamentos.
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometeu a reconstrução em um ano. Críticos alertam que erguer prédios tão rapidamente pode fazer com que a segurança sísmica dos edifícios seja negligenciada novamente. A oposição culpa o governo de Erdogan, que está no poder há 20 anos, pela extensão do desastre porque não cumpriu os regulamentos de construção.
Também neste sábado, o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, disse que pelo menos 184 pessoas foram detidas por suposta negligência em relação a prédios desabados após os terremotos. Entre eles, estão empreiteiros e o prefeito do distrito de Nurdagi, na província de Gaziantep.
Até agora, o Ministério do Planejamento Urbano inspecionou 1,3 milhão de edifícios, totalizando mais de meio milhão de residências e escritórios, e relatou que 173 mil propriedades ruíram ou estão tão seriamente danificadas que precisam ser demolidas imediatamente.
Ao todo, quase dois milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas, demolidas ou danificadas pelos tremores, e vivem atualmente em tendas, casas pré-fabricadas, hotéis, abrigos e diversas instituições públicas, detalhou um comunicado do Afad.
Cerca de 528 mil pessoas foram evacuadas das 11 províncias listadas como regiões afetadas, acrescentou o comunicado do serviço de emergência, enquanto 335 mil tendas foram montadas nessas áreas e 130 núcleos provisórios de casas pré-fabricadas estão sendo instalados.
Em março e abril começará a construção de 200 mil novas casas, prometeu o ministério turco. Estima-se que o terremoto de 6 de fevereiro tenha custado à Turquia cerca de 84 bilhões de dólares.
Na Síria, o noroeste é particularmente atingido pelos efeitos do tremor. Há poucas informações sobre o país devastado pela guerra. Diante de anos de bombardeios e combates, muitas pessoas ali já viviam em condições precárias antes dos tremores.
Istambul precisa de 40 bilhões de dólares
Enquanto isso, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, disse a cidade, que fica perto de uma grande falha geológica, precisa de um programa urgente de urbanização no valor de "cerca de 30 bilhões a 40 bilhões de dólares" para se preparar para um possível novo grande terremoto.
"A quantia é três vezes maior do que o orçamento anual da cidade de Istambul, mas precisamos estar prontos antes que seja tarde demais", disse Imamoglu a um conselho científico.
De acordo com um relatório de 2021 do observatório sísmico de Kandilli, um potencial terremoto de magnitude superior a 7,5 danificaria cerca de 500 mil edifícios, habitados por 6,2 milhões de pessoas, cerca de 40% da população da cidade, a mais populosa da Turquia.
Istambul fica ao lado da notória falha geológica do norte da Anatólia. Um grande terremoto em 1999 que atingiu a região de Mármara, incluindo Istambul, matou mais de 18 mil.
le (EFE, DPA, Reuters, ots)
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| Short teaser | De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/mortos-em-terremoto-na-turquia-e-na-síria-passam-de-50-mil/a-64820664?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil | ||
| Image source | Selahattin Sonmez/DVM/abaca/picture alliance | ||
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| Item 52 | |||
| Id | 64819106 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia | ||
| Short title | UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia | ||
| Teaser |
Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra firmas iranianas que fornecem drones a Moscou. Mais de 100 indivíduos e entidades russas são afetados.A União Europeia prometeu aumentar a pressão sobre Moscou "até que a Ucrânia seja libertada", ao adotar neste sábado (25/02) um décimo pacote de sanções contra a Rússia, acordado pelos líderes do bloco no dia anterior, que marcou o primeiro aniversário da invasão da Ucrânia. O conjunto de medidas inclui veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra empresas iranianas que fornecem drones a Moscou.
"Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos – esgotando o arsenal de guerra da Rússia e mordendo profundamente sua economia", disse a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, através do Twitter, acrescentando que o bloco está aumentando a pressão sobre aqueles que tentam contornar as sanções da UE.
O chefe de política externa da UE, Josep Borrell, alertou que o bloco continuará a impor mais sanções contra Moscou. "Continuaremos a aumentar a pressão sobre a Rússia – e faremos isso pelo tempo que for necessário, até que a Ucrânia seja libertada da brutal agressão russa", disse ele em comunicado.
Restrições adicionais são impostas às importações de mercadorias que geram receitas significativas para a Rússia, como asfalto e borracha sintética.
Os Estados-membros da UE aprovaram as sanções na noite de sexta-feira, depois de uma agitada negociação, que foi travada temporariamente pela Polônia.
Acordo após mais de 24 horas de reuniões
As negociações entre os países da UE ficaram estagnadas durante a discussão sobre o tamanho das cotas de borracha sintética que os países poderão importar da Rússia, uma vez que a Polônia queria reduzi-las, mas finalmente houve o acordo, após mais de 24 horas de reuniões.
"Hoje, a UE aprovou o décimo pacote de sanções contra a Rússia" para "ajudar a Ucrânia a ganhar a guerra", anunciou a presidência sueca da UE, em sua conta oficial no Twitter.
O pacote negociado "inclui, por exemplo, restrições mais rigorosas à exportação de tecnologia e produtos de dupla utilização", medidas restritivas dirigidas contra indivíduos e entidades que apoiam a guerra, propagandeiam ou entregam drones usados pela Rússia na guerra, e medidas contra a desinformação russa", listou a presidência sueca.
Serão sancionados, concretamente, 47 componentes eletrônicos usados por sistemas bélicos russos, incluindo em drones, mísseis e helicópteros, de tal maneira que, levando em conta os nove pacotes anteriores, todos os produtos tecnológicos encontrados no campo de batalha terão sido proibidos, de acordo com Ursula von der Leyen.
O comércio desses produtos, que as evidências do campo de batalha sugerem que Moscou está usando para sua guerra, totaliza mais de 11 bilhões de euros (mais de R$ 60 bilhões), segundo autoridades da UE.
Sanções contra firmas iranianas
Também foram incluídas, pela primeira vez, sete empresas iranianas ligadas à Guarda Revolucionária que fabricam os drones que Teerã está enviando a Moscou para bombardear a Ucrânia.
As novas medidas abrangem mais de 100 indivíduos e empresas russas, incluindo responsáveis pela prática de crimes na Ucrânia, pela deportação de crianças ucranianas para a Rússia e oficiais das Forças Armadas russas.
Todos eles terão os bens e ativos congelados na UE e serão proibidos de entrar no território do bloco.
O décimo pacote novamente foca na necessidade de evitar que tanto a Rússia como os oligarcas contornem as sanções, tendo sido acordado considerar a utilização de bens do Banco Central russo congelados na UE para a reconstrução da Ucrânia.
No entanto, vários países têm dúvidas jurídicas sobre a possibilidade de utilizar esses recursos para a reconstrução e pedem o máximo consenso internacional.
md (EFE, Reuters, AFP)
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| Short teaser | Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e retaliações a empresas iranianas que fornecem drones a Moscou. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ue-impõe-10°-pacote-de-sanções-contra-a-rússia/a-64819106?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image source | Zhang Cheng/XinHua/dpa/picture alliance | ||
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