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| Id | 78012198 | ||
| Date | 2026-07-18 | ||
| Title | Ameaça do Irã ao petróleo vai além do Estreito de Ormuz | ||
| Short title | Ameaça do Irã ao petróleo vai além do Estreito de Ormuz | ||
| Teaser |
Rotas alternativas de transporte de petróleo e gás no Oriente Médio também estão na mira do regime em Teerã. Houthis, no Iêmen, já estariam de sobreaviso para fechar o Mar Vermelho.As exportações de petróleo e gás dos países do Golfo Pérsico enfrentam novas interrupções com a intensificação dos combates entre os Estados Unidos e o Irã. Para ambos os países, o controle do Estreito de Ormuz é fundamental.
Nos últimos meses, o Irã demonstrou que pode interromper significativamente o tráfego pelo estreito. "Vários meses de campanhas de bombardeio não anularam a capacidade do Irã de controlar o Estreito de Ormuz", observa Guntram Wolff, pesquisador sênior do think tank Bruegel e professor de economia da Universidade Livre de Bruxelas.
Esta semana, o tráfego no estreito, mais uma vez, foi quase totalmente interrompido, com o Irã atacando petroleiros e disparando drones e mísseis contra instalações militares no Bahrein, Kuwait e Jordânia.
Fluxos de petróleo e gás antes da guerra
Antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz era uma via navegável internacional sem pedágio e via de passagem para cerca de 20% do gás natural liquefeito (GNL) mundial, de acordo com a Agência Internacional de Energia.
Além disso, cerca de 20% do petróleo mundial era transportado do Golfo Pérsico através dessa via navegável para o Mar Arábico e além, a maior parte para a Ásia. Nos últimos anos, isso representou uma média de cerca de 20 milhões de barris por dia, de acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA.
Os fluxos pelo Estreito de Ormuz caíram para cerca de 14,6 milhões de barris por dia, em média, no primeiro trimestre de 2026 e diminuíram acentuadamente com o conflito iniciado no fim de fevereiro.
Um acordo preliminar de cessar-fogo entre os EUA e o Irã, assinado em 17 de junho, trouxe algum alívio para a navegação, mas não está mais sendo respeitado. Nas últimas semanas, as forças americanas atingiram centenas de alvos militares iranianos.
A continuidade desses ataques ao Irã poderá provocar mais retaliações a infraestruturas de petróleo e gás de aliados dos EUA no Golfo Pérsico, incluindo refinarias, portos e oleodutos, tornando a guerra custosa para toda a região e causando escassez de petróleo.
"O progresso limitado alcançado pelo cessar-fogo de junho foi efetivamente desfeito", alertou a empresa grega de gestão de riscos marítimos Marisks, após o reinício da guerra na região. "A probabilidade de uma nova escalada permanece muito alta."
A importância dos oleodutos e gasodutos
No início da guerra, houve relatos de que o Irã estava cobrando 2 milhões de dólares (R$ 11 milhões) por navio para usar a hidrovia.
Após o acordo preliminar com os EUA, o Irã passou a exigir que as embarcações usassem a rota ao norte, que passa por águas iranianas. A Marinha dos EUA tem escoltado navios por uma rota ao sul que acompanha a costa de Omã, no lado oposto do estreito.
Além do próprio Irã, o Iraque, Kuwait, Catar e Bahrein dependem do Estreito de Ormuz para o escoamento da maior parte de suas exportações de petróleo.
Embora o transporte marítimo seja a maneira mais barata de transportar petróleo, diante da disputa pelo estreito os produtores de petróleo e gás estão buscando alternativas.
Alguns, como a Arábia Saudita (Gasoduto Leste-Oeste) e os Emirados Árabes Unidos (Oleoduto de Abu Dhabi), já possuem rotas de exportação que contornam o estreito. Mas esses oleodutos só podem redirecionar um máximo de 8,8 milhões de barris de petróleo por dia, de acordo com a Agência Internacional de Energia.
Novas rotas, novos riscos
Como os oleodutos existentes não conseguem compensar os volumes normais do transporte através do Estreito de Ormuz, expandir a capacidade com novos oleodutos é uma das únicas opções disponíveis.
No entanto, projetos desse tipo levam anos e custam bilhões de dólares. Se os oleodutos levarem ao Mar Vermelho, também poderão deixar de ser seguros se o conflito se expandir para além do Estreito de Ormuz.
O oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita liga Abqaiq, na costa leste do Golfo, ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
Mas, para chegar ao Mar Arábico e aos mercados asiáticos, os petroleiros que partem de Yanbu precisam atravessar o Estreito de Bab el-Mandeb, a porta de entrada para o Mar Vermelho, e também uma via navegável estreita, onde podem ocorrer ataques dos rebeldes houthis, do Iêmen, que são apoiados pelo Irã na guerra que travam contra o governo iemenita, aliado da Arábia Saudita. Uma trégua que já dura quatro anos interrompeu o conflito entre o reino e o grupo.
Além de causar problemas a esses navios, isso poderia abrir uma segunda frente na guerra no Mar Vermelho e forçar outras embarcações que se dirigem ao Canal de Suez a fazer um longo desvio contornando a extremidade sul da África.
Os Emirados Árabes Unidos, que conseguem evitar o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, apostam cada vez mais em alternativas. A meta é expandir a infraestrutura existente e construir um novo porto e terminal de contêineres na sua costa leste, segundo vários relatos.
Vários outros oleodutos no Iraque, na Jordânia, no Kuwait e na Turquia estão em operação ou em construção. No entanto, a capacidade deles é modesta e não consegue compensar uma grande interrupção no Estreito de Ormuz.
Para o Irã, parece ser tudo ou nada
O Irã pediu aos houthis que estejam prontos para fechar a rota de petróleo do Mar Vermelho caso os Estados Unidos ataquem a infraestrutura energética iraniana, disseram funcionários do alto escalão iraniano à agência de notícias Reuters.
Já uma pessoa próxima aos houthis disse que o grupo concluiu os preparativos para atacar embarcações, posicionando mísseis e drones perto do estreito de Bab el-Mandeb, nas terras altas do Iêmen com vista para Hodeidah e o Golfo de Áden, e que aguardava apenas a ordem para iniciar a ação. Representantes da Guarda Revolucionária do Irã que já estão no Iêmen tomarão a decisão sobre quando fechar o estreito de Bab el-Mandeb, acrescentou.
Qualquer ameaça ao Mar Vermelho e ao estreito de Bab el-Mandeb corre o risco de agravar ainda mais a crise energética global desencadeada pelas dificuldades de transporte pelo Estreito de Ormuz e evidencia os riscos de uma expansão do conflito.
Com o Estreito de Ormuz praticamente fechado, quaisquer ataques houthis a navios ou portos no Mar Vermelho interromperiam simultaneamente as duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio, abrindo uma nova frente tanto na crise energética quanto no conflito mais amplo entre o Irã e os Estados Unidos.
A Marisks alertou que a ameaça direta do Irã contra a infraestrutura alternativa de exportação de petróleo do Golfo é "talvez o desenvolvimento mais significativo" na situação atual. "A mensagem do Irã é clara: ou todos os produtores de energia regionais podem exportar, ou ninguém."
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| Short teaser | Houthis, no Iêmen, que são aliados do Irã, já estariam de sobreaviso para fechar o Mar Vermelho. | ||
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| Image caption | Oleodutos da Arábia Saudita levam a Yanbu, no Mar Vermelho, uma rota de transporte de petróleo que também está ameaçada | ||
| Image source | Mehmet Biber/dpa/picture alliance | ||
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| Item 2 | |||
| Id | 78004517 | ||
| Date | 2026-07-18 | ||
| Title | Por que estrangeiros estão comprando tantos imóveis no Brasil | ||
| Short title | Por que estrangeiros estão comprando imóveis no Brasil | ||
| Teaser |
Cidades de SC e o Rio de Janeiro registram explosão de compra de imóveis por estrangeiros. Câmbio favorável e possibilidade de lucrar com AirBnb turbinam fenômeno. Mas movimento também tem impactado aluguéis. O Brasil "estar na moda" já tem reflexos no mercado imobiliário do país. Regiões como a Zona Sul do Rio de Janeiro e o litoral de Santa Catarina registram têm registrado um aumento robusto na busca de imóveis por estrangeiros nos últimos anos. O interesse vai além de uma mera busca por um lugar onde se hospedar e tem sido encarado por vários compradores como um investimento. Mas o fenômeno também tem gerado efeitos indesejados, ajudando a alimentar uma alta do preço de aluguéis, o que deve elevar a pressão por regulações. Em 2025, o Brasil registrou um recorde de 9,2 milhões de visitantes estrangeiros. E os cinco primeiros meses de 2026 já somaram 4,9 milhões. Paralelamente, há um aumento de interesse por estadias no país especialmente após a pandemia. Em cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis, o período foi marcado por uma maior busca de imóveis por profissionais trabalhando em home office e os chamados nômades digitais. No caso carioca, a prefeitura local chegou a lançar em 2021 um programa visando atrair esse tipo de profissional. "Os avanços nas vendas são identificados principalmente nos imóveis compactos recém-lançados. Em Ipanema e no Leblon, pesquisas mostram que 30% dessas unidades foram comercializadas para estrangeiros", afirma o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), Claudio Hermolin. O diretor regional de relações internacionais do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Santa Catarina (Creci-SC), Marco Aurélio Lievore, apontou que, num levantamento de uma imobiliária em Florianópolis, 83% das vendas foram para clientes argentinos buscando apartamentos na planta. "Os empreendimentos buscados em sua grande maioria são estúdios. Há muitos estrangeiros que passam férias aqui e depois vem procurar um lugar para morar ou investir", conta. Entre as nacionalidades, americanos e argentinos se destacam entre os investimentos. Europeus de uma série de países, como França e Suíça, aparecem também entre os principais compradores, enquanto há registro ainda de um interesse crescente de cidadãos dos Emirados Árabes Unidos. Atrativos no mercado globalPlataformas também tornaram mais atrativa a ideia de comprar um imóvel em outro país e obter renda à distância. Além disso, empresas vêm focando na oferta de serviços para o público externo, como na gestão destas propriedades. A Lobie, empresa especializada na área, aponta que a participação de estrangeiros em sua carteira passou de cerca de 2% para 18% em três anos. Hoje, a companhia administra aproximadamente 1.620 estúdios de investidores de fora do Brasil. "A vantagem desse tipo de imóvel para o comprador estrangeiro é a atratividade da cidade: ele pode utilizá-lo em períodos de férias e grandes eventos e, quando não for utilizado pelo próprio comprador, é um imóvel de grande procura", aponta Hermolin. "A receita obtida certamente paga a manutenção e deixa algum lucro", afirma. Entre as vantagens apontadas por Lievore estão ainda fatores cambiais. Em países como a Argentina, imóveis são normalmente negociados em dólar, o que torna transações em reais no Brasil mais atrativas. Além disso, o diretor aponta grande potencial de valorização do mercado brasileiro, especialmente quando em comparação com regiões litorâneas mais saturadas no mundo, como Miami, nos Estados Unidos, e o Algarve, em Portugal. Há ainda a facilidade nos trâmites na comparação com outros países. "O Brasil é um país fácil de conseguir residência, é algo que ajuda muito", aponta Lievore. No caso catarinense, ele aponta um fluxo recente de russos, que se intensificou após a guerra na Ucrânia, e que visam especialmente obter um passaporte brasileiro. Uma resolução do Conselho Nacional de Imigração (CNIg) permite aos estrangeiros que comprarem imóveis no Brasil solicitar autorização de residência. Pessoas físicas devem comprar um imóvel no valor mínimo de R$ 1 milhão e com recursos próprios de origem externa. Airbnb em ascensãoO mercado brasileiro também já é o terceiro do mundo com mais anúncios de Airbnb, atrás somente de Estados Unidos e França, mas com um dos crescimentos mais acelerados nos últimos anos. Desde 2022, cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis tiveram suas ofertas de anúncios mais do que dobradas no Airbnb. No caso carioca, a plataforma AirDNA registra mais de 60 mil, enquanto a capital catarinense conta com 36 mil. Como comparação, em Barcelona, onde a modalidade será proibida a partir de 2028 pelos efeitos negativos no mercado imobiliário local, existem 26 mil anúncios. "O Brasil vem registrando um crescimento nos anúncios acima do resto do mundo", resume Sofia Morais de Sousa, executiva de contas do AirDNA. Além dos municípios citados, São Paulo também se destaca em números absolutos, com mais de 61 mil anúncios. Cidades no litoral catarinense exibem números comparativamente mais robustos. O AirDNA registra mais de 10 mil anúncios em Bombinhas, no Estado de Santa Catarina, que tem uma população de cerca de 25 mil habitantes. Num levantamento publicado este ano, a plataforma Inside Airbnb listou a cidade no topo do ranking de concentração de anúncios no Brasil, com 210,3 por km2. Em seguida vem Balneário Camboriú, com 138,8 por km2 e mais de 10 mil anúncios ativos. Neste caso, a região vem ainda se notabilizando pelos lançamentos de luxo, que são outra fonte de atração de estrangeiros. Segundo a construtora do Senna Tower, projeto que planejado para ser o prédio residencial mais alto do mundo, 16% dos apartamentos já vendidos foram para estrangeiros. Há certa mudança no perfil dos turistas no país. Em 2021, o AirDNA registrava menos de 10% de estrangeiros como hóspedes no Brasil. No último ano, o número ficou acima de 20%. Ainda assim, segue bem diferente da Europa, onde o mercado doméstico costuma ser menos relevante. No caso da Espanha, 80% dos hóspedes são estrangeiros na plataforma, enquanto na Alemanha essa porcentagem é de 45%. Pressão por regulaçãoAo redor do mundo, os efeitos do avanço das estadas de curta temporada vêm sendo acompanhados por pressões regulatórias. Além de impactos negativos nos preços dos aluguéis de longo prazo para habitantes locais, vizinhos costumam questionar mudanças no ambiente dos condomínios, incluindo hóspedes que não cumprem regras de convivência. Em maio, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a locação de imóveis residenciais em condomínios para estadias depende de autorização em assembleia com aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos. Por sua vez, a medida não é vista como suficiente para alterar o cenário da pressão imobiliária. Moradores já apontam aumento no custo dos aluguéis em certas cidades, como no caso de Florianópolis, que teve alta de 9% no último ano. "É o momento de entender o que está acontecendo, e a pressão no aluguel muda essa percepção", aponta Aline Cruviel, diretora de pesquisa e comunidade no Inside Airbnb. "O discurso geral é de que é uma oportunidade de renda extra aos proprietários, mas na prática é um grupo restrito que consegue gerar renda, enquanto o todo acaba pagando os custos com a alta do aluguel", aponta. Cruviel destaca ainda empresas estrangeiras que observaram o mercado da América Latina como uma possiblidade de investimento. Um destes casos é o da multinacional Blueground, que anuncia mais de 20 mil propriedades ao redor do mundo. No Brasil, a empresa adquiriu em 2023 a Tabas, que oferta aluguéis de curta temporada voltados principalmente para estrangeiros em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. Na avaliação de Cruviel, "há uma postura de autoridades de atração de investimentos, mas que não se avalia muito o outro lado e as consequências disso". "A tendência é de regulamentos, especialmente quando os aluguéis começam a subir", aponta Morais de Sousa. Ao redor do mundo, medidas como a limitação de número de moradias disponíveis para aluguel de curta duração em certas regiões vêm sendo tomadas. Em Nova York, parte das regulamentações visa limitar a concentração de muitas hospedagens com os mesmos anunciantes, algo que avança no Brasil. A Seazone, empresa que atua como uma das maiores anfitriãs do Airbnb no país, divulga que possui mais de 3600 imóveis. Pelo lado das compras por estrangeiros, o Canadá baniu em 2023 a aquisição de propriedades no país por cidadãos de outras nacionalidades por dois anos, medida que foi renovada em 2025 e deve vigorar até 2027. "Durante anos, o capital estrangeiro tem entrado no Canadá para comprar imóveis residenciais, aumentando as preocupações com a acessibilidade à habitação", argumentou o governo. Em sentido semelhante, a Espanha avalia restrições que, nestes casos, se aplicariam a cidadãos de fora da União Europeia. Uma proposta é a imposição de impostos de até 100% nestas transações. Em Portugal, o chamado "visto de ouro" para estrangeiros que comprassem imóveis no país esteve em vigor por anos visando abrir portas para residência, no entanto, o programa foi limitado em 2023 em razão das pressões no mercado imobiliário. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. 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| Short teaser | Câmbio favorável e possibilidade de lucrar com AirBnb turbinam fenômeno no Rio de Janeiro e cidades de SC. | ||
| Author | Matheus Gouvea de Andrade | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/por-que-estrangeiros-estão-comprando-tantos-imóveis-no-brasil/a-78004517?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 3 | |||
| Id | 78020368 | ||
| Date | 2026-07-18 | ||
| Title | STF nega pedido de visita de Milei a Bolsonaro | ||
| Short title | STF nega pedido de visita de Milei a Bolsonaro | ||
| Teaser |
Após endurecer condições da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, ministro Alexandre de Moraes rejeita pedido de visita pelo chefe de Estado argentino.O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou neste sábado (18/07) um pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para que autorizasse o presidente da Argentina, Javier Milei, a visitar o ex-chefe de Estado, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.
A decisão foi tomada pelo juiz Alexandre de Moraes, relator do processo em que Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por liderar uma alegada tentativa de golpe de Estado após a derrota na eleição presidencial de 2022.
Os advogados do ex-presidente pretendiam que Milei pudesse visitar Bolsonaro em 25 de julho, data em que o chefe de Estado argentino tem prevista uma ida ao Brasil para participar, em São Paulo, da apresentação oficial da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente brasileiro.
Prisão domiciliar mais rígida
A recusa do pedido é coerente com a decisão anterior de Moraes, divulgada nesta sexta-feira, através da qual tornou mais rigorosas as condições da prisão domiciliar de Bolsonaro, proibindo-o de receber visitas sociais durante 30 dias, com exceção de médicos, fisioterapeutas e advogados.
O magistrado determinou ainda que Bolsonaro não poderá receber visitas com fins políticos ou eleitorais até ao final das eleições de outubro.
Moraes afirmou que Bolsonaro violou medidas cautelares ao redigir uma carta de apoio à pré-candidatura presidencial do filho, o senador Flávio Bolsonaro, que a divulgou nas redes sociais. Na carta, o ex-presidente pede votos ao filho e apela à unidade em meio ao embate público deste com Michelle Bolsonaro, mulher do ex-presidente e madrasta de Flávio.
as/ra (Lusa, Efe, Agência Brasil)
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| Short teaser | Após endurecer condições da prisão domiciliar, ministro Alexandre de Moraes rejeita pedido de visita pelo argentino. | ||
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| Image caption | Milei estará no Brasil em 25 de julho para participar da apresentação oficial da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro | ||
| Image source | Farid Dumat Kelzi/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 4 | |||
| Id | 78010712 | ||
| Date | 2026-07-18 | ||
| Title | Barriga de aluguel de deputado vira crise política na Alemanha | ||
| Short title | Barriga de aluguel de deputado vira crise na Alemanha | ||
| Teaser |
Jens Spahn, líder da bancada conservadora no parlamento alemão, renuncia diante de críticas após ter filho por barriga de aluguel nos EUA. Prática é proibida e combatida por seu próprio partido na Alemanha.A cena política da Alemanha foi sacudida por uma controvérsia nesta semana, depois de o líder da bancada do principal partido governista no Bundestag (parlamento alemão) e seu marido anunciarem na semana passada que tiveram um filho por barriga de aluguel nos Estados Unidos.
O político em questão é o deputado federal Jens Spahn, da União Democrata Cristã (CDU), mesmo partido do chanceler federal Friedrich Merz.
A barriga de aluguel é ilegal na Alemanha desde 1991, e a própria CDU se opõe claramente à sua legalização — e contou para isso, no passado, com posicionamentos de Spahn.
O deputado conservador foi duramente criticado por correligionários e adversários, que o acusaram de incoerência, já que ele recorreu no exterior a uma prática vedada aos alemães comuns.
Diante das críticas, e a pedido de Merz, Spahn anunciou neste sábado (18/07) sua renúncia da liderança da bancada no Parlamento.
"Nos últimos dias, percebi que minha felicidade pessoal em começar uma família com meu marido e me tornar pai é incompatível com o meu cargo político", declarou em nota. "Minha família é o que mais importa para mim."
A chamada Lei de Proteção ao Embrião proíbe a inseminação artificial em mulheres que pretendem entregar os filhos para adoção após o nascimento. Ao mesmo tempo, a Lei de Colocação para Adoção proíbe acordos de barriga de aluguel, nos quais há pagamento envolvido.
No passado, o próprio Spahn, que chefiou o Ministério da Saúde da Alemanha entre 2018 e 2021, no antigo governo de Angela Merkel, atuou para reforçar a proibição. Em 2015, Spahn também havia dito em uma entrevista que "como um homem gay e cristão, acho pessoalmente muito difícil me acostumar com a ideia de um útero alugado".
A divulgação da notícia do nascimento do seu filho, feita publicamente pelo próprio Spahn nas redes sociais e ao jornal Bild, logo foi alvo de acusações de "hipocrisia", "moral dupla" e "privilégio", considerando que Spahn é rico e pôde custear o procedimento no exterior.
A posição do partido CDU e do seu braço bávaro, a CSU, historicamente ligados aos movimentos conservadores que levaram à proibição da prática, não mudou ao longo das décadas. Em fevereiro deste ano, durante uma conferência federal da CDU, foi aprovada uma resolução para reafirmar a proibição da barriga de aluguel "mesmo em modelos solidários" (quando não há pagamento envolvido). A justificativa apresentada foi "prevenir abusos, exploração e riscos à saúde".
Em resposta a uma pergunta feita por um cidadão, no final de abril, o ministro do Gabinete da Chancelaria, Thorsten Frei, da CDU, defendeu "a proteção da vida não nascida e a preservação da dignidade humana desde a concepção" para justificar a proibição.
Outros países da União Europeia, incluindo França, Espanha e Itália, também proíbem a prática de barriga de aluguel.
Críticas de todos os lados
Spahn não estaria sujeito a responder criminalmente na Alemanha, porque a lei determina punição para os médicos e intermediários em casos de barriga de aluguel, não para quem deseja ter filhos. Além disso, o Tribunal Federal de Justiça decidiu, em 2014, que os pais que tiveram seus filhos gerados por mães de aluguel no exterior têm seu direito reconhecido na Alemanha.
No entanto, o líder conservador continua sendo alvo de críticas, inclusive dentro de seu partido, e seu futuro político está em xeque.
Em entrevista ao jornal Bild nesta sexta-feira (17/06), o presidente do diretório da CDU no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Daniel Peters, pediu a renúncia do correligionário.
"Como líder da bancada da CDU/CSU no Bundestag, Jens Spahn exerce uma função exemplar dentro da União", afirmou Peters. "Ao recorrer a uma barriga de aluguel nos Estados Unidos, Spahn desrespeitou deliberadamente a legislação em vigor na Alemanha."
A presidente estadual da União das Mulheres do estado da Turíngia, Marion Rosin, também sugeriu a renúncia do político por ter burlado uma regra baseada em razões éticas "sólidas". "Qualquer pessoa que contorne essa proibição buscando uma solução no exterior está desrespeitando o espírito da lei alemã." Se um político influente perde a credibilidade, "a renúncia é uma consequência inevitável", afirmou.
Alguns políticos da CDU também falaram à imprensa alemã em condição de anonimato, distribuindo mais críticas ao correligionário Spahn. À revista Focus, um deles afirmou que Spahn “degradou uma mulher nos EUA a uma condição de máquina de gestação”.
Entre partidos na oposição, a reação também foi crítica.
Kathrin Gebel, porta-voz do partido da Esquerda para assuntos da mulher no Bundestag, disse à RND que a família de Jens Spahn merece respeito como qualquer outra. "Se ele mudou sua posição política sobre a barriga de aluguel, deveria explicar isso abertamente." Ela defendeu ainda que a gravidez e o parto não deveriam "se tornar serviços que apenas os ricos podem comprar".
Janosch Dahmen, porta-voz do Partido Verde para a área da saúde, acusou Spahn de aplicar dois pesos e duas medidas em relação à proibição na Alemanha. "Qualquer pessoa que formule regras deve fornecer uma explicação compreensível sobre por que elas aparentemente não deveriam se aplicar a ela", disse ele à rede de notícias alemã RND.
O vice-presidente do Partido Liberal Democrático (FDP), Henning Höne, disse à RND que a gestação por substituição é uma questão ética complexa sobre a qual ele respeita opiniões divergentes. "O que eu não posso respeitar, no entanto, são políticos que aprovam leis na Alemanha e depois as contornam internacionalmente com dinheiro e contatos."
O partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), que está em alta nas pesquisas e se tornou o maior rival da CDU, também tem explorado o caso da barriga de aluguel envolvendo Spahn..
"O comportamento de Spahn não apenas revela sua falta de credibilidade e o pouco valor que ele atribui aos direitos de mulheres e crianças, mas também demonstra, de forma descarada, que as normas jurídicas alemãs não têm qualquer importância para ele. Isso é mais do que patético para um alto dirigente dos Democratas-Cristãos e mostra quão pouco senso de dever cívico resta no partido", disse a deputada Birgit Bessin, da AfD.
Questionado sobre o assunto, o partido de Spahn manteve-se em silêncio. "A CDU da Alemanha tem uma resolução clara do congresso do partido", disse um porta-voz da Casa Konrad Adenauer à Agência de Imprensa Alemã (dpa) e ao jornal Tagesspiegel. "Do ponto de vista do partido, a situação jurídica atual na Alemanha deve permanecer como está."
Histórico de controvérsias
Spahn não é estranho a controvérsias na Alemanha. Quando foi titular da pasta da Saúde, ele já havia sido alvo de críticas por causa de ações privadas. Em julho de 2020, quando exercia o cargo, Spahn foi alvo de uma enxurrada de críticas ao comprar uma mansão milionária em Berlim durante o pico da pandemia de covid-19, quando boa parte dos alemães enfrentava condições econômicas desastrosas.
Ainda durante a pandemia, o ministério de comprou centenas de milhares de máscaras de uma empresa para a qual o marido de Spahn atuava como lobista. Ainda durante sua chefia na Saúde, a ONG Transparência Internacional criticou Spahn pela indicação de um executivo da indústria farmacêutica para um cargo altamente remunerado em uma autarquia. Antes da indicação, o executivo havia vendido a Spahn um apartamento em Berlim.
jps/sf/ra (dpa, ots)
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| Short teaser | Líder conservador no parlamento alemão vira alvo de críticas após ter filho por meio de uma mãe de aluguel nos EUA. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/barriga-de-aluguel-de-deputado-vira-crise-política-na-alemanha/a-78010712?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Jens Spahn (à dir.) e seu marido, Daniel Funke, driblaram a proibição alemã contratando uma barriga de aluguel nos Estados Unidos | ||
| Image source | Annette Riedl/dpa/picture alliance | ||
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| Item 5 | |||
| Id | 78015021 | ||
| Date | 2026-07-18 | ||
| Title | Cinturão da ferrugem alemão está à beira do colapso fiscal | ||
| Short title | Cinturão da ferrugem alemão está à beira do colapso fiscal | ||
| Teaser |
Com dívidas crescentes, queda de arrecadação e gastos sociais em alta, cidades do antigo polo industrial do Vale do Ruhr enfrentam crise financeira que ameaça serviços públicos e preocupa autoridades. O shopping center Centro é hoje o principal motivo pelo qual a cidade de Oberhausen, na Alemanha, é conhecida na região. O complexo de compras e entretenimento, com suas 250 lojas e restaurantes, fica ao lado de um canal com calçadão arborizado e bem próximo ao maior aquário Sea Life do país. O complexo foi construído em meados da década de 1990 numa área onde, anteriormente, 32 mil pessoas trabalhavam na indústria siderúrgica, que já foi um dos pilares da economia local. "Graças ao Centro, criamos quase o mesmo número de empregos novamente, mas todos estão no setor de serviços, onde as pessoas ganham menos", disse o tesoureiro da cidade de Oberhausen, Apostolos Tsalastras. Declínio da região do RuhrA renda média da cidade está hoje entre as mais baixas da Alemanha. "O Produto Interno Bruto que geramos aqui também está entre os menores do país", admite o tesoureiro. O Vale do Ruhr, no estado da Renânia do Norte-Vestfália, foi moldado pela Revolução Industrial do século 19, movida a carvão, e que se tornou vital para a produção de armamentos da Alemanha nas duas guerras mundiais. Depois das guerras, as fábricas foram primeiro desmontadas e depois reconstruídas para impulsionar o que ficou conhecido como o milagre econômico alemão da década de 1950. Uma crise séria começou nos anos 1970, quando a inflação e o excesso de capacidade fizeram a produção de aço bruto despencar, levando ao fechamento de usinas e ao desemprego estrutural na região. Ainda existem alguns remanescentes da indústria siderúrgica em Oberhausen, incluindo uma empresa que fabrica turbinas para navios e usinas de energia. Mas tudo isso é pequeno em escala quando comparado ao que já foi. Os problemas econômicos estruturais desde o declínio das indústrias de carvão e aço vêm cobrando seu preço há muito tempo. "Não temos reservas, nenhum investimento de capital que possamos liquidar, nenhum ativo que possamos vender nem nada do tipo", diz Tsalastras. "Estamos economizando há 40 anos; já vendemos tudo. Não nos resta mais nada." Oberhausen está entre as cidades com o maior nível de endividamento da Alemanha. "Estamos numa situação realmente dramática", afirma o prefeito Thorsten Berg, do Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda. "Os maiores encargos que enfrentamos são os pagamentos relacionados ao bem-estar infantil e aos cuidados de longa duração", afirma Berg. "Espera-se que os municípios paguem, mas não recebemos os recursos para isso. Esse é o erro desse raciocínio." Economia fraca, arrecadação menorNa Alemanha, decisões tomadas nos níveis federal e estadual obrigam os municípios a, por exemplo, pagar os custos de moradia de beneficiários de assistência social ou fornecer apoio a pessoas com deficiência. Em Oberhausen, 50% dos gastos são destinados a serviços sociais. Os custos dos cuidados de longa duração estão aumentando porque um número cada vez maior de idosos não consegue pagar por instituições de acolhimento, e a cidade precisa cobrir essas despesas. Os gastos com assistência à juventude também aumentaram significativamente, já que crianças e adolescentes estão sendo retirados de suas famílias com mais frequência porque eles ou seus pais enfrentam dificuldades, muitas vezes relacionadas à saúde mental. O tesoureiro de Oberhausen observa que a pandemia de covid-19 deixou marcas, mas o impacto das redes sociais é particularmente preocupante. Municípios se sentem impotentesAs principais fontes de receita dos municípios são os impostos sobre atividades comerciais e sobre propriedades e imóveis. Soma-se a isso uma participação de 15% no imposto de renda. No entanto, a crise econômica, que afeta a Alemanha há sete anos, reduziu a arrecadação tributária. Tsalastras está à frente das finanças de Oberhausen desde 2010. "Atualmente temos um orçamento anual de 1,2 bilhão de euros (R$ 7 bilhões), e nossa receita fica cerca de 100 milhões de euros (R$ 587 milhões) abaixo do necessário", relatou o economista em seu gabinete na prefeitura. Até o fim de 2025, Oberhausen havia acumulado 2 bilhões de euros (R$ 11,7 bilhões) em dívidas. Um aporte financeiro do governo estadual da Renânia do Norte-Vestfália reduziu esse valor para € 800 milhões (R$ 4,6 bilhões). Os programas culturais vêm sofrendo cortes orçamentários há muito tempo. O renomado teatro de Oberhausen precisa operar com menos recursos a cada ano. Por necessidade, a reforma urgente do prédio está sendo realizada com o teatro em funcionamento, e espectadores precisam se sentar no palco. As tarifas de estacionamento aumentaram 50%, e a fiscalização de trânsito foi intensificada, gerando uma arrecadação maior com multas. A administração municipal também deverá fazer novos cortes, com a eliminação de 5% dos postos de trabalho, o que deve resultar em tempos de espera mais longos para os cidadãos nos órgãos públicos. "Os moradores consideram isso absolutamente terrível, mas sabem que não temos outra escolha", afirma Tsalastras. Cortes na cultura e nos serviçosPor quanto tempo é possível prosseguir sem realizar cortes significativos nos serviços? Essa é a pergunta que um número crescente de prefeitos na Alemanha vem se fazendo, à medida que as despesas superam as receitas em quase todos os municípios. Um número cada vez maior dos cerca de 10.700 municípios alemães está endividado. Até 2025, os governos locais da Alemanha haviam contraído coletivamente quase 30 bilhões de euros (R$ 175 bilhões) em novas dívidas, um recorde histórico. A montanha de dívidas já existente ultrapassou agora os 200 bilhões de euros (R$ 1,1 trilhão). Segundo projeções financeiras dos governos locais até 2028, espera-se um nível semelhante de novo endividamento a cada ano. Espaço para a AfD para ganhar força"Podemos esquecer qualquer outro esforço para proteger nossa democracia se não garantirmos que as pessoas vejam, na prática, que nosso Estado e nosso sistema democrático realmente funcionam", diz Berg, referindo-se ao crescimento do partido da ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD). É um alerta que certamente já foi ouvido nas capitais estaduais e também em Berlim. "Os municípios estão numa situação financeira muito precária", declarou o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, da União Democrata Cristã (CDU), no fim de junho. Ele concordou com os governadores estaduais em reorganizar a distribuição das responsabilidades públicas. "Concordamos que, a partir de 1º de setembro, não aprovaremos mais leis que não forneçam aos municípios e, quando aplicável, aos estados a remuneração adequada", disse Merz. "Isso segue o princípio: quem encomenda o trabalho paga por ele." Isso vale apenas para leis futuras: os serviços que já precisam ser prestados continuam obrigatórios. Berg recebe bem essa decisão. "Mas isso nos ajuda apenas um pouco, porque não muda a situação fundamental. Se você quiser mudar isso, então o governo federal realmente precisa colocar dinheiro na mesa", acrescentou. Uma das demandas é aumentar a participação dos municípios na arrecadação tributária nacional total. Além disso, os municípios pedem o perdão integral de suas dívidas. "Eu diria que é um pouco como uma negociação coletiva", diz Berg. "Essas negociações também costumam ser duras. Então continuamos destacando a situação difícil dos municípios e, pouco a pouco, as coisas começam a avançar." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Com dívidas crescentes e queda de arrecadação cidades alemãs de antigo polo industrial enfrentam uma crise financeira. | ||
| Author | Sabine Kinkartz | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/cinturão-da-ferrugem-alemão-está-à-beira-do-colapso-fiscal/a-78015021?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Cintur%C3%A3o%20da%20ferrugem%20alem%C3%A3o%20est%C3%A1%20%C3%A0%20beira%20do%20colapso%20fiscal | ||
| Item 6 | |||
| Id | 78018751 | ||
| Date | 2026-07-18 | ||
| Title | A profética foto de Messi dando banho em Lamine Yamal | ||
| Short title | A profética foto de Messi dando banho em Lamine Yamal | ||
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Até parece inteligência artificial, mas não é: um jovem Lionel Messi dá banho num bebê que hoje é o craque da seleção espanhola Lamine Yamal. O atacante espanhol Lamine Yamal realizará neste domingo (19/07) o sonho de enfrentar pela primeira vez o craque argentino Lionel Messi, seu grande ídolo, quase 19 anos depois de ambos protagonizarem uma imagem que se tornou icônica. Na fotografia, que de tão inusitada até parece gerada por inteligência artificial (IA), o então jovem jogador do Barcelona segura e dá banho no espanhol quando este ainda era um bebê. "Bem, eu cresci um pouquinho, e o Leo também. Espero poder enfrentar Lionel Messi na final da Copa, já que não conseguimos fazê-lo na Finalíssima", declarou Lamine Yamal em entrevista à plataforma de streaming esportivo DAZN quando lhe mostraram a fotografia de 2007, na qual um Messi de cabelos longos dá banho num bebê para um calendário beneficente do Barcelona. O bebê da foto, hoje rival de Messi na finalAquele bebê era o próprio Lamine Yamal, que, quase duas décadas depois, tornou-se uma das grandes estrelas da Fúria, como é conhecida a seleção espanhola, e uma esperança para a conquista do título na final da Copa do Mundo, neste domingo (19/07), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. A final da Copa do Mundo de 2026 será também a primeira vez que Messi e Lamine Yamal vão se enfrentar dentro de campo. O jovem espanhol, que atualmente veste a emblemática camisa 10 do Barcelona, consolidou-se como o herdeiro mais promissor do argentino no clube catalão. A história por trás daquela fotografia foi contada há dois anos à agência de notícias espanhol Efe por seu autor, Joan Monfort. Como a imagem do banho viralizouTudo começou com uma publicação que Mounir Nasraoui, o pai de Lamine Yamal, compartilhou no Instagram em 2024. Nela era possível ver um bebê sorridente aproveitando um banho de espuma numa pequena banheira, ao lado de sua mãe, Sheila Ebana, e de Messi ainda jovem. A imagem havia sido tirada em 2007 para um calendário beneficente do Barcelona. A partir daquele momento, a fotografia viralizou. Messi e Lamine Yamal estiveram juntos no mesmo lugar e ao mesmo tempo há quase 19 anos, mas apenas os pais do jovem jogador do Barcelona conheciam esse detalhe e nunca o haviam compartilhado publicamente. Segundo explicou Monfort ao site americano The Athletic, a fotografia fazia parte do calendário beneficente de 2008 organizado pela Fundação Barcelona e pelo jornal Sport. Os recursos arrecadados foram destinados ao Unicef e a organizações beneficentes da Catalunha. Como parte dessa iniciativa anual, jogadores do elenco principal posavam com crianças, envolvendo centenas de famílias. Uma coincidência afortunada reuniu numa dessas imagens um dos maiores gênios da história do futebol e outro que tem potencial para alcançar essa condição, um buscando encerrar sua trajetória em Copas do Mundo com chave de ouro e o outro em busca de sua primeira estrela mundial. "Não existe dinheiro que pague uma foto como essa", comentou Monfort à Efe. O fotógrafo afirmou que se trata da "foto mais famosa" de toda a sua carreira e que, se Lamine Yamal continuar sua evolução, ela vai se tornar "ainda mais histórica". O fotógrafo relembra a sessão com MessiMonfort não sabia quem era o bebê retratado. Foi um antigo colega do jornal Sport, responsável pela promoção do calendário, quem percebeu a curiosa coincidência e resgatou a chamada "foto do banho dos deuses". "O acaso os uniu. A foto poderia ter sido feita com qualquer outro jogador, mas foi com o Leo. Provavelmente, se a família do bebê pudesse ter escolhido, teria optado por Ronaldinho, Xavi ou Iniesta", recordou, mencionando grandes craques da época. O fotógrafo explicou que os bebês eram selecionados por meio de um sorteio realizado no bairro de Rocafonda, em Mataró. A sessão não ocorreu num estúdio fotográfico, mas num espaço preparado com um fundo grená e esquema de iluminação. "Em determinado momento aparece Messi e se encontra com um bebê. Messi tinha cerca de 20 anos; o bebê, 5 meses. Provavelmente foi a primeira vez que Leo segurou um bebê nos braços e, claro, a interação entre os dois foi complicada", acrescentou. Monfort lembrou que a mãe de Lamine Yamal teve um papel fundamental para que o filho se sentisse confortável durante a sessão. Aos poucos, a interação entre ambos surgiu naturalmente, permitindo a captura de uma imagem "terna e bonita". O fotógrafo observa que, naquela época, ninguém poderia imaginar quem aquele bebê seria um dia nem até onde chegaria o jovem Messi. "É uma possibilidade entre um milhão", afirmou ao The Athletic. Messi completou 39 anos durante esta Copa do Mundo. Já Lamine Yamal, que celebrou seus 19 anos em 13 de julho, usa o mesmo número com que Messi estreou no Barcelona. Neste domingo, os dois serão adversários na disputa pelo título mundial. as (Efe, OTS) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Até parece inteligência artificial, mas não é: um jovem Messi dá banho num bebê que hoje é o craque da Fúria. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-profética-foto-de-messi-dando-banho-em-lamine-yamal/a-78018751?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 7 | |||
| Id | 78018387 | ||
| Date | 2026-07-18 | ||
| Title | Casa Branca defende argentinos na polêmica sobre a faixa das Malvinas | ||
| Short title | Casa Branca defende argentinos na polêmica sobre as Malvinas | ||
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Diretor para a Copa do Mundo da Casa Branca argumenta com o direito à liberdade de expressão ao ser questionado sobre a faixa com os dizeres "As Malvinas são argentinas". A Casa Branca afirmou nesta sexta-feira (17/07) que os jogadores argentinos têm o direito de exercer sua liberdade de expressão em meio à polêmica sobre a faixa "As Malvinas são argentinas", exibida pelos jogadores em campo após a vitória sobre a Inglaterra, na quarta-feira passada. Questionado sobre a polêmica, o diretor do grupo de trabalho da Casa Branca para a Copa do Mundo de 2026, Andrew Giuliani, respondeu que "quanto à capacidade e à oportunidade de fazer esse tipo de declaração, eles têm o direito de fazê-lo nos Estados Unidos". "Nós acreditamos em nossos direitos garantidos pela Primeira Emenda", afirmou, em referência à emenda constitucional que garante seis direitos fundamentais, entre eles o da liberdade de expressão. A polêmica faixaAo término da semifinal disputada contra a Inglaterra, em Atlanta, após uma virada emocionante nos últimos minutos, os jogadores argentinos estenderam uma faixa em frente à torcida onde se lia "las Malvinas son argentinas", em referência ao arquipélago localizado no sul do Oceano Atlântico e sob soberania do Reino Unido desde 1833. O gesto gerou uma grande polêmica, com o governo britânico pedindo à Fifa que "conduza uma investigação minuciosa" e lembrando que "um dos princípios fundamentais da Copa do Mundo é que a política esteja separada do futebol". "A Copa do Mundo pode não ser nossa, mas as Ilhas Falklands definitivamente são", disse um porta-voz do governo britânico. Na quinta-feira, a Fifa comunicou que estava analisando as súmulas da partida para decidir se tomará alguma medida. as (AFP, OTS) |
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| Short teaser | Diretor para a Copa do Mundo argumenta com direito à liberdade de expressão ao ser questionado sobre a faixa exibida. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/casa-branca-defende-argentinos-na-polêmica-sobre-a-faixa-das-malvinas/a-78018387?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 8 | |||
| Id | 78017572 | ||
| Date | 2026-07-18 | ||
| Title | STF mantém Bolsonaro em prisão domiciliar, mas amplia restrições | ||
| Short title | STF mantém Bolsonaro em casa, mas amplia restrições | ||
| Teaser |
Ministro Alexandre de Moraes toma a decisão após ex-presidente redigir carta de apoio ao senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, que a divulgou nas redes sociais.O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve nesta sexta-feira (17/07) a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, mas endureceu as restrições.
Em sua decisão, o ministro do STF Alexandre de Moraes proibiu Bolsonaro de receber visitas sociais durante 30 dias – exceto médicos, fisioterapeutas e advogados – e visitas com fins políticos ou eleitorais até o fim das eleições de outubro.
Moraes afirmou que Bolsonaro violou medidas cautelares ao redigir uma carta de apoio à pré-candidatura presidencial do filho, o senador Flávio Bolsonaro, que a divulgou nas redes sociais. Na carta, o ex-presidente pede votos ao filho e apela à unidade em meio ao embate público deste com Michelle Bolsonaro, mulher do ex-presidente e madrasta de Flávio.
No mesmo despacho, Moraes também decidiu manter sua decisão anterior que proibiu Flávio de visitar o pai por 90 dias, contando a partir de 13 de julho.
Sem uso de redes sociais
Ao determinar as medidas, Moraes disse que Bolsonaro descumpriu a determinação que o proibia de usar as redes sociais, inclusive por meio de terceiros. O descumprimento ocorreu com a publicação da carta nas redes sociais pelo filho, que é pré-candidato à Presidência da República.
"Patente, portanto, o desrespeito de Jair Bolsonaro à medida cautelar, cuja fiel observância é requisito obrigatório para o cumprimento da prisão domiciliar humanitária", afirmou.
Mais cedo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviara ao STF parecer pela manutenção da prisão domiciliar concedida a Bolsonaro. Com sua decisão, Moraes acolheu a posição da PGR, que considerou que o episódio não justificava a revogação da prisão domiciliar, mas exigia novas restrições para impedir qualquer interferência nas eleições.
Em seguida, a defesa solicitou autorização para que o presidente da Argentina, Javier Milei, visite o ex-presidente na prisão domiciliar. O pedido foi negado.
as (Agência Brasil, Lusa)
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| Short teaser | Ministro Alexandre de Moraes toma decisão após ex-presidente redigir carta de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/stf-mantém-bolsonaro-em-prisão-domiciliar-mas-amplia-restrições/a-78017572?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/75253361_354.jpg
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| Image caption | Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado | ||
| Image source | Adriano Machado/REUTERS | ||
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| Item 9 | |||
| Id | 78013996 | ||
| Date | 2026-07-17 | ||
| Title | Seca nos rios da Alemanha encarece transporte de mercadorias | ||
| Short title | Seca nos rios da Alemanha encarece transporte de mercadorias | ||
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Reno, Danúbio e Elba são alguns dos rios atingidos por baixa histórica. Ambientalistas apontam mudanças climáticas como fator responsável, enquanto operadoras de embarcações lidam com o aumento de custos.Em meio a mais uma onda de calor no continente europeu, níveis extremamente baixos de água estão sendo observados em alguns dos principais rios da Alemanha, como Reno, Elba e Danúbio, afetando diretamente a navegação. Isso tem levado ao aumento de custos no setor devido à cobrança de sobretaxas, já que algumas embarcações estão navegando com apenas 20% da capacidade.
No Reno, por exemplo, que nasce na Suíça, atravessa o oeste alemão e deságua na Holanda, a profundidade insuficiente tem feito com que operadoras distribuam as cargas em vários navios.
"Atualmente, as embarcações domésticas estão transportando menos carga do que quando os níveis de água estão mais altos", explica Fabian Spiess, vice-diretor-geral da Federação Alemã da Navegação Interior (BDB, na sigla em alemão).
Spiess afirma que o transporte de carga continua apesar das condições e que a Administração Federal de Hidrovias e Navegação (WSA, na sigla em alemão) não divulgou nenhuma medida oficial. "A navegação segue enquanto for possível fazê-la com segurança", destacou.
O baixo nível das águas tem dificultado a navegação no Reno e o transporte de mercadorias principalmente rumo ao sul das cidades de Duisburg e Colônia, como no ponto de estreitamento na cidade de Kaub, no estado da Renânia-Palatinado.
"O resultado é uma redução nos volumes de transporte por navio e, consequentemente, um aumento nos custos de transporte ao longo da cadeia de abastecimento", afirma Andreas Bartel, da Duisport, operadora do porto de Duisburg.
Atualmente, os navios conseguem transportar apenas cerca de 1.200 toneladas a partir de Duisburg e apenas 460 toneladas a partir de Kaub, segundo os operadores. O custo do transporte por embarcação, na rota que vai de Roterdã, na Holanda, a Karlsruhe, na Alemanha, subiu para cerca de 60 a 70 euros por tonelada, contra cerca de 45 euros em junho.
Como a carga está tendo que ser dividida, "é possível observar mais embarcações no Reno do que em condições normais", destaca.
O Reno é uma importante rota de navegação na Europa Ocidental para commodities como grãos, minerais, minérios, carvão e derivados de petróleo, incluindo óleo para aquecimento.
Danúbio e Elba
O Instituto Federal de Hidrologia informou que o Danúbio – segundo maior rio da Europa, nasce na Floresta Negra, no sul da Alemanha, e corre para o leste, onde deságua na Romênia – registrou, nos últimos dias, seu nível de água mais baixo dos últimos tempos.
Na última quarta-feira, o rio Elba, que nasce na República Tcheca e deságua no mar do Norte, na Alemanha, registrava apenas 59 centímetros na estação de medição de Dresden, quase 90 centímetros abaixo do seu nível médio.
No Reno, para se ter uma ideia, na última semana a medição apontou que cerca de 450 a 500 metros cúbicos de água passaram pela região de Karlsruhe. Há 10 dias, esse número era quase o dobro.
O baixo nível da água também levou à suspensão de um serviço de balsa no Reno na cidade de Leverkusen, no oeste alemão.
Problema para o meio ambiente
Com menos água, os rios costumam se aquecer e secar mais rapidamente, com os mais largos e canalizados, como o Reno, sendo os mais afetados. Com menos saturação de oxigênio na água, quem sofre são os seres vivos do rio: quando o nível da água está mais alto, o aumento no teor de oxigênio provém justamente da água que escorre pelas barragens – o que beneficia o ecossistema.
Organizações de proteção ambiental argumentam que as mudanças climáticas são o principal fator responsável pelos períodos de baixa cada vez mais prolongados nos níveis dos rios.
"Os extremos estão se tornando cada vez mais frequentes e, com isso, a situação se torna cada vez mais onerosa para os corpos d'água e as comunidades de espécies que neles habitam", disse Finn Zenker, especialista em cursos d'água, ao canal público alemão ARD.
Navio encalha em Bonn
Os baixos níveis de água no Reno interromperam também o transporte de passageiros de um navio-hotel, que encalhou na cidade de Bonn, no oeste da Alemanha, após uma manobra de atracação na manhã desta quinta-feira, bloqueando parte do rio.
O lado dianteiro esquerdo foi apoiado em um banco de areia, e as autoridades tiveram de rebocar o navio, que estava afetando o tráfego na área, ainda que as embarcações pudessem passar vagarosamente pelo navio encalhado.
Os 75 passageiros e 40 tripulantes a bordo saíram ilesos.
gb/le (reuters, ots)
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| Short teaser | Reno, Danúbio e Elba atingem níveis históricos de baixa e operadoras de embarcações lidam com o aumento de custos. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/seca-nos-rios-da-alemanha-encarece-transporte-de-mercadorias/a-78013996?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Ao longo do Reno, é possível observar vários bancos de pedra onde normalmente corre água | ||
| Image source | Jörg Halisch/dpa/picture alliance | ||
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| Item 10 | |||
| Id | 77995484 | ||
| Date | 2026-07-17 | ||
| Title | Por que países do Golfo Pérsico estão investindo bilhões na África | ||
| Short title | Por que países do Golfo estão investindo bilhões na África | ||
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Portos, energia, agricultura. Nações do Golfo Pérsico estão direcionando bilhões para a África. Mas analistas advertem para possibilidade de boom manter continente preso ao papel de fornecedor de matérias-primas.A novidade foi confirmada há alguns dias: a petrolífera ADNOC Distribution, dos Emirados Árabes Unidos, está adquirindo a rede de postos de combustíveis e distribuição da Shell na África do Sul. O valor da transação: cerca de um bilhão de dólares. Com isso, Abu Dhabi visa garantir acesso ao maior mercado de combustíveis da África.
O acordo bilionário é apenas um exemplo de uma tendência que vai muito além da área energética. Os países do Golfo vêm ampliando sua presença econômica no continente africano de forma contínua, há anos, apesar de algumas quedas ocasionais.
Segundo dados do think tank britânico Chatham House, os seis países do Conselho de Cooperação do Golfo investiram mais de 100 bilhões de dólares na África nos últimos dez anos. Desse valor, cerca de 59 bilhões de dólares foram investidos pelos Emirados Árabes Unidos, e pouco menos de 26 bilhões pela Arábia Saudita.
"A África não é uma região distante para os países do Golfo, mas sim uma vizinhança próxima", diz o cientista político Stephan Roll, da Fundação Ciência e Política de Berlim.
A África Oriental, por exemplo, está localizada em rotas comerciais centrais. A isso se somam décadas de interdependências econômicas e sociais. O crescente envolvimento dos países do Golfo não é, portanto, nada surpreendente, afirma Roll em entrevista à DW.
"O que os une, acima de tudo, é a tentativa de tornar suas economias menos dependentes do petróleo e do gás", reforça a cientista política Maddalena Procopio, do Conselho Europeu de Relações Exteriores.
Devido a isso, há anos os países do Golfo buscam novas fontes de receita e consideram cada vez mais a África como um mercado promissor.
Estratégias diferentes
De acordo com análises do Chatham House, do Instituto Brookings e do Banco Africano de Desenvolvimento, o capital é direcionado principalmente para os setores de energia, portos, logística, agricultura e matérias-primas essenciais.
Para os países do Golfo, esses investimentos garantem rotas comerciais, fortalecem a segurança alimentar e abrem acesso a matérias-primas como cobre, cobalto ou lítio, necessárias para a produção de baterias, mobilidade elétrica e inteligência artificial.
As estratégias variam: a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos investem principalmente em energias renováveis, bem como no processamento e na distribuição de derivados de petróleo, segundo Procopio. Já o Catar tem desempenhado, até o momento, um papel significativamente menor e aposta de forma mais seletiva na cooperação econômica.
Na avaliação dos especialistas, os Emirados Árabes Unidos são os que vão mais longe: "É preciso considerar sua política como um pacote global", afirma Stephan Roll.
A política portuária, a logística e os interesses econômicos não podem ser separados dos objetivos de política externa e de segurança. O controle de locais portuários estratégicos proporciona a Abu Dhabi não apenas vantagens econômicas, mas também influência política ao longo de importantes rotas comerciais.
Procopio também ressalta que os Emirados Árabes associam o engajamento econômico aos interesses de política externa e de segurança de forma mais intensa do que outros países do Golfo.
"A Arábia Saudita, por outro lado, adota uma abordagem mais seletiva e concentra-se em setores específicos, especialmente o de energia. Além disso, o reino desempenha um papel importante no financiamento do desenvolvimento, tanto de forma bilateral quanto por meio de instituições multilaterais, como o Banco Islâmico de Desenvolvimento", afirma Roll, que não vê uma possível competição de outras nações com os Emirados.
A cientista política Procopio atribui as diferentes estratégias principalmente às condições econômicas dos países. Enquanto os Emirados, como um Estado comercialmente menor, dependem especialmente de redes internacionais, a Arábia Saudita precisa orientar seu envolvimento no comércio exterior de forma mais estreita à sua própria transformação econômica.
Benefícios para os países africanos
Para muitas nações africanas, o crescente interesse dos países do Golfo surge em um momento oportuno. Segundo estimativas do Banco Africano de Desenvolvimento, a necessidade de financiamento do continente está aumentando, enquanto a ajuda ao desenvolvimento ocidental diminui e a China reduz seus empréstimos.
Os investimentos dos países do Golfo poderiam, portanto, ajudar a preencher lacunas de financiamento nas áreas de infraestrutura, energia e logística.
Procopio vê nisso mais uma vantagem: ao contrário da China, os países do Golfo têm apostado mais em investimentos do que em empréstimos. Com isso, o capital fica disponível de forma relativamente rápida e, na maioria das vezes, está sujeito a menos restrições políticas. Ao mesmo tempo, os governos africanos ganham a oportunidade de ampliar suas parcerias internacionais.
Risco de dependência
O envolvimento entre os países, no entanto, pode ser questionado. O Chatham House destaca que muitos investimentos se concentram em portos, cadeias de suprimentos e matérias-primas, servindo, concomitantemente, aos interesses estratégicos dos países do Golfo.
O Instituto Brookings, por sua vez, adverte para a possibilidade de reduzir a África, mais uma vez, ao papel de fornecedora de matérias-primas. Para evitar isso, seria fundamental desenvolver mais processamento industrial e geração de valor agregado no próprio continente.
Roll também enxerga que o verdadeiro desafio está nessa questão, pontuando que o problema não são os investimentos em si, mas sim as novas dependências decorrentes de infraestruturas estratégicas ou da exportação de matérias-primas não transformadas.
Outro ponto: nem sempre é possível separar os interesses econômicos dos geopolíticos. Por isso, Procopio também recomenda cautela. A parceria entre a África e os países do Golfo ainda se encontra em um estágio inicial. Somente nos próximos anos ficará claro se os bilhões provenientes de Abu Dhabi, Riade ou Doha contribuirão, a longo prazo, para a industrialização.
É aí que reside o grande desafio: não é a origem do capital que determina o sucesso da parceria, mas sim se os países africanos conseguirão gerar mais valor agregado próprio a partir dele. É a isso que se referem também o Banco Africano de Desenvolvimento e o Instituto Brookings: os investimentos estrangeiros podem ser um importante motor do desenvolvimento econômico, mas só terão um efeito sustentável se promoverem a construção da indústria local e o crescimento de longo prazo.
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| Short teaser | Portos, energia, agricultura, matérias-primas. Nações do Golfo Pérsico estão direcionando bilhões na África. | ||
| Author | Kersten Knipp | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/por-que-países-do-golfo-pérsico-estão-investindo-bilhões-na-áfrica/a-77995484?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Contêineres são transportados para dentro de um navio no porto de Berbera, na Somália | ||
| Image source | Malak Harb/AP Photo/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77952467_354.jpg&title=Por%20que%20pa%C3%ADses%20do%20Golfo%20P%C3%A9rsico%20est%C3%A3o%20investindo%20bilh%C3%B5es%20na%20%C3%81frica | ||
| Item 11 | |||
| Id | 78012805 | ||
| Date | 2026-07-17 | ||
| Title | Como o conflito na República Democrática do Congo favorece a propagação do ebola | ||
| Short title | Como o conflito no Congo favorece a propagação do ebola | ||
| Teaser |
Refugiados da guerra no leste do Congo agora lutam contra o ebola. Sem acesso a água potável, banheiros ou kits de higiene, milhares vivem em condições que favorecem a epidemia.D'zirava Lety precisa de poucas palavras para descrever o caráter desesperador de sua situação: "Há apenas uma torneira em todo o campo. E a falta de banheiros também é um problema: as crianças fazem suas necessidades em qualquer lugar. Como a epidemia chegou até nós, devemos lavar as mãos, mas não há kits de higiene. E não podemos vender nossas mercadorias na cidade. As pessoas se afastam e dizem que transmitimos doenças".
Lety vive com outros 20.000 deslocados internos no campo de refugiados de Kigonze, nos arredores da cidade de Bunia, no leste da República Democrática do Congo (RDC). Eles fugiram da violência dos vários grupos rebeldes que, há décadas, desestabilizam a região. Mas agora outro risco à segurança está se alastrando: em junho, o vírus ebola foi detectado pela primeira vez em pessoas mortas.
"Antes, não havia tantas mortes, mas, desde que o ebola chegou, registramos até seis óbitos por dia", diz o presidente do campo, Étienne Ndrutsi.
Conflitos como catalisadores de doenças
A rara variante Bundibugyo do vírus vem se alastrando na região pelo menos desde abril, segundo observações de especialistas. Logo após a sua detecção, em maio, o surto de ebola foi declarado como emergência de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Até esta sexta-feira (17/07) o governo da República Democrática do Congo havia registrado 828 mortos e 2.124 casos neste surto. A vizinha Uganda já registra 20 casos e duas mortes. A OMS estima, no entanto, que apenas um em cada dois casos – talvez até um em cada quatro – seja registrado.
No leste do Congo, as medidas de combate são dificultadas pela crise de segurança. O vírus, por sua vez, consegue se espalhar mais facilmente porque pessoas como D'zirava Lety vivem em campos de refugiados superlotados e aceleram a propagação ao se deslocarem de um lugar para outro.
Enquanto a epidemia se beneficia do conflito, o combate a ela é dificultado: "Profissionais de saúde, centros de tratamento, laboratórios, ambulâncias e rotas de abastecimento médico devem, em princípio, ser protegidos contra obstruções militares e disputas políticas", reivindica Juste Codjo, ex-oficial do Exército do Benin e pesquisador em segurança na Kean University, em Nova Jersey, Estados Unidos.
"Embora o Direito Internacional Humanitário proteja o acesso aos serviços de saúde em conflitos armados, na realidade essas obrigações legais precisam sempre ser respaldadas por negociações práticas com cada ator que controla territórios na zona de conflito", afirma Codjo.
Cólera no Iêmen e no Sudão
Apesar disso, em todo o mundo, é comum que conflitos e doenças se sobreponham a questões médicas. No Iêmen, assolado por crises, equipes de assistência e autoridades lutam há uma década contra surtos de cólera que reaparecem constantemente.
No Sudão, a epidemia de cólera, que causou mais de 3.500 mortes entre 2024 e 2026, pode ser associada à guerra civil que segue no país – sobretudo porque as partes em conflito praticamente não permitiram que os trabalhadores humanitários tivessem acesso liberado para combater o problema.
Historicamente, no entanto, também há exemplos de que as coisas podem ser diferentes. Durante a guerra civil em El Salvador (1980-1992), os dois lados em conflito fizeram três acordos de tréguas de um dia para permitir que organizações humanitárias realizassem campanhas de vacinação seguras contra uma série de doenças infantis.
Na RDC, ao menos até agora, os apelos por tréguas a fim de combater o ebola entraram por um ouvido e saíram pelo outro.
Primeiro os ataques, depois mais infecções
Quando o leste do Congo foi atingido por um surto devastador de ebola em 2018, cientistas americanos documentaram uma clara correlação entre a violência e a propagação do vírus. O padrão foi o mesmo em vários casos: rebeldes atacam uma localidade ou um centro de saúde e, na sequência, o rastreamento, o acompanhamento e a vacinação de pessoas em contato direto com infectados entraram em colapso. E, com isso, o número de casos aumentou.
Na cidade de Beni, no nordeste do Congo, cada paciente infectado contaminou, em média, 0,8 pessoas após o início da campanha de vacinação, o que significa que a taxa de infecção diminuiu gradualmente.
Após um ataque rebelde, o chamado valor R voltou a subir para 1,9, ou seja, cada infectado contaminou quase duas outras pessoas. À medida que os efeitos da violência diminuíram, o valor R também voltou a cair para 0,72 antes do fim daquele ano.
Na época, porém, o perigo não vinha apenas dos rebeldes, mas também dos próprios moradores daquela região remota, assustados por teorias conspiratórias – para muitos, assistência médica dificilmente está disponível fora de crises agudas, prevalecendo o ceticismo em relação aos profissionais de saúde com equipamentos de proteção. É por isso que especialistas insistem quanto à necessidade de medidas para promover a confiança, por exemplo, por parte de representantes locais de comunidades religiosas.
Trampolim político para rebeldes
O epicentro da atual epidemia é a província de Ituri, onde diversas milícias e o Exército congolês disputam o território. No entanto, os casos continuam aparecendo em regiões vizinhas, inclusive mais ao sul, onde o grupo rebelde AFC/M23 (Movimento 23 de Março) assumiu o controle de vastas áreas desde o início de 2025. Aparentemente, esse grupo segue a estratégia de construir suas próprias estruturas e, assim, garantir a longo prazo sua supremacia em relação ao governo de Kinshasa.
O mesmo ocorre com o ebola: quando os primeiros casos foram notificados em seu território, o AFC/M23 estabeleceu uma zona de crise e intensificou os testes. Além de contar com um coordenador próprio, segundo uma reportagem da agência Reuters, Ruanda também está ajudando, embora até hoje negue oficialmente o apoio aos rebeldes – o que acabou sendo comprovado em diversas ocasiões.
A OMS também coopera de forma pragmática com os rebeldes. Segundo relatos, o Ministério da Saúde em Kinshasa está, em grande parte, à margem, mas continua recebendo dados e resultados de testes. Enquanto em Ituri o número de infecções continua aumentando, no final de junho o AFC/M23 declarou que o surto local nas áreas conquistadas havia sido contido.
O especialista em segurança Juste Codjo também considera possível que a gestão da epidemia possa levar a um ganho de prestígio político para os rebeldes. E, ao mesmo tempo, alerta para o risco de que rebeldes ou o governo possam monopolizar a ajuda.
"As preocupações com o impacto político não devem levar à recusa de ajuda que salva vidas. A saúde pública não pode se tornar refém de uma disputa por legitimidade. Acredito que a ajuda, por meio de terceiros, neutros, possa ser cuidadosamente despolitizada, monitorada e executada", pondera.
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| Short teaser | Em campos de refugiados, sem acesso a água potável ou banheiros, milhares vivem em condições que favorecem a epidemia. | ||
| Author | David Ehl | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-o-conflito-na-república-democrática-do-congo-favorece-a-propagação-do-ebola/a-78012805?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Médico é observado de perto por homens armados, integrantes do grupo rebelde AFC/M23 | ||
| Image source | Arlette Bashizi/REUTERS | ||
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| Item 12 | |||
| Id | 78011390 | ||
| Date | 2026-07-17 | ||
| Title | "Caça a fantasmas" vira negócio para vender casas no Japão | ||
| Short title | "Caça a fantasmas" vira negócio para vender casas no Japão | ||
| Teaser |
Imóveis onde ocorreram suicídios, assassinatos ou mortes solitárias perdem valor e podem ficar anos vazios no país. Empresas apostam em "investigações de maus espíritos" e purificações para atrair inquilinos.A casa de dois andares em um subúrbio ao sul de Yokohama já teve dias melhores. As persianas metálicas cobrem permanentemente as janelas do térreo, os painéis deslizantes de papel das janelas do andar de cima estão em frangalhos e o jardim está tomado pelo mato. Com algum esforço e investimento, porém, o imóvel poderia ser reformado e voltar a ser uma casa perfeitamente habitável.
Mas nenhum japonês quer morar ali. A casa é classificada como jiko bukken, um "imóvel estigmatizado", e está vazia há pelo menos cinco anos. O termo se aplica a residências marcadas por algum evento grave que gera rejeição social, como assassinato, suicídio, incêndio com vítimas ou uma morte solitária, quando um idoso falece e o corpo só é descoberto dias depois.
Kazutoshi Kodama, presidente da empresa imobiliária especializada Kachimode Co., acredita que os jiko bukken representam um peso financeiro para seus proprietários e, para ele, uma oportunidade de negócio. Fundada em dezembro de 2022, a Kachimode "ajuda proprietários de imóveis com histórico de incidentes a administrar suas propriedades para locação".
Parte desse serviço é uma abrangente "investigação de fantasmas", disse ele. E, longe de ser algo descartado pelas pessoas, a demanda pelo serviço está crescendo rapidamente, acrescentou.
"Os japoneses veem a morte como uma impureza"
"Os japoneses às vezes consideram a morte uma impureza", disse Kodama à DW. "A morte está associada à impureza e ao azar. Consequentemente, eles acreditam que entrar em contato próximo com a morte lhes trará má sorte", afirmou. "E isso significa que muitos japoneses relutam em se aproximar dessas propriedades, quanto mais alugá-las ou comprá-las."
Alugar ou vender um jiko bukken é mais difícil devido à exigência legal de que qualquer corretor revele o histórico do imóvel aos interessados. Além disso, foi criado um site que mostra a localização de todas as propriedades estigmatizadas do país e o motivo de estarem nessa lista.
A maioria dos registros indica incêndios acidentais, mortes solitárias ou suicídios, mas alguns apresentam uma observação mais inquietante: "Obtenha detalhes com o corretor imobiliário".
Em uma grande cidade com alta demanda por aluguel, o dono de uma propriedade estigmatizada precisa reduzir o valor da locação em 30%, disse Kodama. Em outras regiões, o desconto pode chegar à metade do valor.
"E há algumas propriedades que, embora anunciadas para locação, permanecem vazias por até 500 dias", afirmou. "Conheço um imóvel que ficou vago por mais de 1.000 dias. Em resumo, elas simplesmente se tornam propriedades desocupadas, e o conceito de redução de preço deixa de fazer diferença."
Alguns locatários, no entanto, ficam mais tranquilos depois que a Kachimode "purifica" uma propriedade, indo além da substituição de carpetes, instalações e papel de parede.
"Minha empresa realiza o que chamamos de 'investigação de fantasmas'", contou.
"Passamos a noite em quartos onde ocorreram incidentes, das 22h às 6h, realizando gravações de vídeo e áudio, pesquisas de ondas eletromagnéticas, medições de temperatura ambiente, umidade e pressão atmosférica, termografia e medições de ruído."
"O objetivo é atestar que os cômodos onde pessoas morreram foram completamente reformados e agora estão limpos, além de comprovar que fenômenos poltergeist, presença de fantasmas e outras ocorrências misteriosas não acontecem", afirmou.
Removendo os "maus espíritos"
O serviço da Kachimode é único no Japão, e Kodama trabalha com um professor universitário especializado no monitoramento do sobrenatural. Uma pernoite custa 88 mil ienes (R$ 2,7 mil), após a qual é fornecido um relatório detalhado ao proprietário, que pode ser usado pela imobiliária para sustentar a afirmação de que não há "maus espíritos" remanescentes.
Kodama conta que seus equipamentos, em algumas ocasiões, já registraram anomalias, com câmeras interrompendo gravações e microfones apresentando falhas.
"Dito isso, na grande maioria dos casos, aquilo que era percebido como uma 'impureza' não pôde ser reproduzido e foi considerado uma ocorrência isolada", afirmou. "No entanto, também existem propriedades onde vários fenômenos misteriosos acontecem de forma consistente durante um período superior a um ano."
Joey Stockerman é um dos fundadores da Akiya Mart, empresa que promove a venda de um número crescente de imóveis vazios no Japão, especialmente em áreas rurais que enfrentam rápido declínio populacional.
"Há muitas propriedades vazias em todo o Japão e, surpreendentemente, até nos centros das cidades", disse ele à DW. "Existem muitas razões para isso, como famílias que não chegam a um acordo sobre o que fazer com um imóvel ou simplesmente não acham que valha a pena vendê-lo. Mas também há muitas propriedades estigmatizadas."
Segundo uma pesquisa do governo realizada no fim de 2024, havia nove milhões de residências vazias no Japão, representando 13,8% de todas as moradias do país. Embora existam diversas razões para esse elevado número de imóveis desocupados, a superstição também contribui para o problema.
"Os japoneses costumam ser muito supersticiosos", disse Stockerman. "Alugar lugares onde alguém morreu pode ser muito difícil, e eles também não querem propriedades próximas a cemitérios, pois existem sentimentos muito fortes em relação à morte."
Um investimento desafiador
Um conhecido de Stockerman decidiu arriscar e comprar uma propriedade estigmatizada em um subúrbio de Tóquio, contou ele, adquirindo o imóvel como oportunidade de investimento por menos de 5 mil dólares (R$ 25 mil), cerca de 5% de seu valor real.
O investimento, porém, não deu o resultado esperado, porque o corretor se recusou a minimizar o histórico do imóvel, o que fez com que ele permanecesse vazio por dois anos até encontrar um inquilino.
Ciente das sensibilidades dos compradores de imóveis no Japão, a Akiya Mart passou recentemente a oferecer um pacote no qual um sacerdote xintoísta de um templo próximo visita a propriedade para realizar uma cerimônia destinada a "purificá-la" de maus espíritos.
"É um pouco excêntrico, mas houve interesse", disse Stockerman.
Com mais de 15 anos de atuação no mercado imobiliário, Kodama também acredita que livrar uma casa de seu passado desagradável será um setor em crescimento.
"As propriedades onde encontramos fenômenos misteriosos são justamente aquelas que costumam ser evitadas", afirmou. "Elas são difíceis de alugar ou vender. Mas ainda existem maneiras de administrar até mesmo esses imóveis, e nós trabalhamos com os proprietários para fazer isso."
"Acho que esse setor tem potencial", acrescentou. "Porque há pessoas que precisam disso."
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| Short teaser | Imóveis onde ocorreram mortes ficam anos vazios no país. Empresas tentam vencer superstição com novos serviços. | ||
| Author | Julian Ryall (Tóquio) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/caça-a-fantasmas-vira-negócio-para-vender-casas-no-japão/a-78011390?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/78006118_354.jpg
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| Image caption | Imobiliárias usam equipamentos eletrônicos para confirmar ausência de "fantasmas" durante a noite e recolocar imóveis no mercado | ||
| Image source | Artur Widak/NurPhoto/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78006118_354.jpg&title=%22Ca%C3%A7a%20a%20fantasmas%22%20vira%20neg%C3%B3cio%20para%20vender%20casas%20no%20Jap%C3%A3o | ||
| Item 13 | |||
| Id | 78009362 | ||
| Date | 2026-07-17 | ||
| Title | O que explica as mais de 5 mil mortes na onda de calor na Alemanha | ||
| Short title | O que explica as 5 mil mortes na onda de calor na Alemanha | ||
| Teaser |
Alemanha vem registrando cada vez mais mortes associadas ao calor extremo, embora o frio permaneça mais letal. Mas qual a correlação entre temperatura e mortes, e como determinar se alguém morreu por causa do calor?A insolação começa com dores de cabeça, tonturas e alterações do estado mental. A termorregulação do corpo falha e a temperatura corporal sobe a níveis que ameaçam a vida. Falência múltipla de órgãos e morte podem ocorrer. No entanto, os médicos raramente identificam essas mortes como diretamente atribuíveis ao calor.
Segundo o Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha (Destatis), entre 2004 e 2014 foi registrada uma média de 21 casos desse tipo.
O número de 5.120 mortes relacionadas ao calor para o ano de 2026 na Alemanha, publicado pelo Instituto Robert Koch (RKI) – órgão federal vinculado ao Ministério da Saúde que é referência em saúde pública da Alemanha – até 28 de junho, é, portanto, uma estimativa. Isso não significa, porém, que o número seja infundado.
"É uma correlação estatística", afirmou Alexandra Schneider, meteorologista, epidemiologista e vice-diretora do Instituto de Epidemiologia do Centro Helmholtz de Munique.
Correlação entre temperatura e mortes
Essa correlação surge da análise dos dados de óbitos coletados pelo Destatis e das tendências de temperatura em um período específico medidas pelo Serviço Meteorológico Alemão (DWD). Por exemplo, aproximadamente 23,6 mil pessoas morreram somente na última semana de junho na Alemanha, quando o país registrou recordes de calor, com temperaturas que passaram de 40°C.
A temperatura média semanal — ou seja, a média das temperaturas diurnas e noturnas durante uma semana — nesse período foi de 26º C. O Instituto Robert Koch considera que as mortes relacionadas ao calor ocorrem quando a temperatura média semanal atinge 20º C.
O número de mortes nessa última semana de junho foi quase 30% maior do que a média para o mesmo período em anos anteriores, quando foram registrados em torno de 18,2 óbitos. Para estimar o número de mortes relacionadas ao calor, os pesquisadores modelaram quantas mortes teriam ocorrido em condições com temperaturas de até 20º C.
Determinados fatores de interferência são eliminados, explicou Schneider. Usando esse método, o RKI chegou a uma estimativa de 5.120 mortes relacionadas ao calor; das quais 4.310 ocorreram somente na última semana de junho.
Alexandra Schneider considerou a estimativa plausível e disse que esperava um número dessa magnitude. No passado, a epidemiologista criticou a abordagem do RKI. Se a temperatura flutua muito dentro de uma semana, uma média semanal atenuaria as oscilações extremas e tenderia a subestimar o número de mortes, explicou ela. "Mas desta vez o calor foi consistente."
Mais mortes por frio do que por calor
O mesmo se aplica às mortes relacionadas ao frio. Trata-se de uma estimativa e de uma correlação estatística plausível. Doenças respiratórias aumentam durante os meses mais frios. Temperaturas mais baixas também favorecem doenças cardiovasculares, assim como o calor, como explica o epidemiologista Schneider.
"Na Europa, as taxas de mortalidade relacionadas ao frio ainda são muito maiores do que as relacionadas ao calor", sublinhou Schneider. "Mas estamos observando uma mudança gradual." Será que as mudanças climáticas podem levar a invernos mais amenos e, consequentemente, a menos mortes? Pesquisadores também se fizeram essa pergunta e modelaram diversos cenários.
Independentemente do quão favoráveis sejam os cenários, explicou Schneider, o resultado sempre é "um aumento no efeito líquido, ou seja, no número total de mortes". Isso ocorre porque o número de mortes atribuíveis ao calor aumenta tão drasticamente que a diminuição das mortes relacionadas ao frio não compensa esse aumento.
Mortes relacionadas ao calor são a ponta do iceberg
Schneider afirma que uma análise focada apenas na insolação como causa de morte devido às altas temperaturas subestimaria enormemente o impacto do calor. "É por isso que esses métodos estatísticos são usados para observar e investigar as conexões entre outras doenças crônicas e o calor."
Ela própria participou de estudos que demonstram uma ligação entre o calor e certas doenças. "Conseguimos mostrar que o calor agora está fortemente associado a ataques cardíacos", disse Schneider. O calor noturno também aumenta o risco de derrames.
Jonas Sonnenstuhl é paramédico em Teltow, Brandemburgo. "O que todos sabemos é que doenças como acidentes cardiovasculares e ataques cardíacos se tornam mais frequentes e também mais fatais", pontuou.
Alexandra Schneider disse que as mortes relacionadas ao calor são apenas a ponta do iceberg. Mesmo que as altas temperaturas não levem à morte, elas representam um fardo para a saúde, especialmente para pessoas que já possuem condições preexistentes.
Sonnenstuhl relatou a história de uma paciente de 17 anos com uma cardiopatia congênita que ligou para o serviço de emergência durante a onda de calor. "Ela apresentou sintomas claros naquele dia, que já eram atribuíveis ao seu corpo estar sendo levado ao limite." Falta de ar, tontura e alteração do estado mental.
Calor sobrecarrega socorristas e equipes hospitalares
O calor também levou os paramédicos e a equipe do hospital ao limite de outras maneiras. Em 28 de junho, quando Sonnenstuhl trabalhou em um plantão de 24 horas, a temperatura dentro da ambulância nunca caiu abaixo de 30º C. Roupas de trabalho pesadas, botas com biqueira de aço e trabalho físico extenuante aumentaram o desgaste.
Muitos prontos-socorros em hospitais não têm ar-condicionado, e as bases de ambulâncias, menos ainda, explicou a especialista. "Tanto nós quanto a equipe do hospital estávamos no nosso limite." No entanto, justamente para as pessoas encarregadas de salvar vidas, manter a calma é fundamental.
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| Short teaser | Qual a correlação entre temperatura e mortes, e como determinar se alguém morreu em decorrência do calor? | ||
| Author | Julia Vergin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-que-explica-as-mais-de-5-mil-mortes-na-onda-de-calor-na-alemanha/a-78009362?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/77993834_354.jpg
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| Image caption | Ondas de calor geram sobrecarga em equipes de resgate e funcionários de hospitais | ||
| Image source | Henning Kaiser/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77993834_354.jpg&title=O%20que%20explica%20as%20mais%20de%205%20mil%20mortes%20na%20onda%20de%20calor%20na%20Alemanha | ||
| Item 14 | |||
| Id | 77994422 | ||
| Date | 2026-07-17 | ||
| Title | Estudo lança dúvidas sobre mito do "hobbit" da Indonésia | ||
| Short title | Estudo lança dúvidas sobre mito do "hobbit" da Indonésia | ||
| Teaser |
Pesquisadores apontam que pequeno "Homo floresiensis", um hominídeo de pouco mais de um metro de altura, não tinha comportamento tão avançado e não caçava grandes presas. Os hominídeos da ilha de Flores, popularmente conhecidos como "hobbits" – em referência aos personagens da saga O senhor dos anéis de J.R.R. Tolkien – e pertencentes à espécie Homo floresiensis, podem ter tido um estilo de vida menos sofisticado do que se pensava anteriormente. Um estudo recente sugere que eles se alimentavam principalmente de carniça deixada pelos dragões de komodo e que não há evidências claras de que utilizassem o fogo intencionalmente. Fragmentos dos Homo floresiensis foram encontrados em 2003 na caverna Liang Bua, no oeste da ilha de Flores, na Indonésia. Primos menores do Homo sapiens, esses hominídeos tinham pouco mais de um metro de altura, pesavam cerca de 30 quilos e possuíam um cérebro pequeno. Sua extinção data de aproximadamente 50 mil anos atrás. Um novo estudo publicado pelo jornal científico Science Advances, liderado pelo Museu Nacional de História Natural Smithsonian, nos EUA, questiona a atribuição comum de "comportamentos surpreendentemente avançados, como caçar grandes presas e usar o fogo", afirmam os autores. Carniceiros, não caçadoresA pesquisa sugere que o Homo floresiensis se alimentava, assim como as hienas, dos restos crus deixados pelos dragões de komodo. A equipe reexaminou ossos de Stegodon, um parente extinto dos elefantes, encontrados no sítio arqueológico de Liagn Bua, para quantificar a localização e a frequência dos danos esqueléticos causados por predadores. Marcas de dentes de dragão-de-komodo eram mais frequentes nas partes mais carnudas do esqueleto do Stegodon, enquanto marcas de corte atribuíveis ao Homo floresiensis eram mais comuns em áreas menos desejáveis. Assim, "os dragões de komodo provavelmente tinham acesso prioritário a esses restos, deixando apenas itens de pouco uso para o H. floresiensis se alimentar", afirma o artigo. Sem vestígios de uso do fogoAlém disso, o estudo acrescenta que "nenhuma evidência de uso intencional do fogo foi encontrada nas unidades estratigráficas associadas" ao Homo floresiensis. Segundo os pesquisadores, esses resultados sugerem que esse hominídeo "não exibia um comportamento tão avançado quanto inicialmente sugerido e fornecem informações fundamentais sobre seu repertório comportamental, levantando questões importantes sobre sua ancestralidade". --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. rc (EFE, ots) |
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| Short teaser | Pesquisadores apontam que pequeno "Homo floresiensis" não tinha comportamento tão avançado. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/estudo-lança-dúvidas-sobre-mito-do-hobbit-da-indonésia/a-77994422?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Estudo%20lan%C3%A7a%20d%C3%BAvidas%20sobre%20mito%20do%20%22hobbit%22%20da%20Indon%C3%A9sia | ||
| Item 15 | |||
| Id | 78004484 | ||
| Date | 2026-07-17 | ||
| Title | Governo brasileiro anuncia reforço à indústria após tarifaço | ||
| Short title | Governo brasileiro anuncia reforço à indústria após tarifaço | ||
| Teaser |
Administração Lula chama novas barreiras comerciais americanas de "injustificáveis" e traça plano para ajudar indústria e rebater alegações usadas como argumento para tarifas anunciadas por Trump. O governo brasileiro anunciou na quinta-feira (16/07) que vai reforçar medidas de proteção à indústria nacional diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, previsto para entrar em vigor na próxima semana. Um dia após os EUA anunciarem tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, sob alegação de supostas práticas comerciais "desleais", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escalou sua equipe econômica, além de ministros de outras áreas, para apresentar o que será feito diante da contenda comercial – e política. A tarifa será aplicada a milhares de produtos brasileiros, mas várias categorias importantes de exportação ficarão isentas, incluindo petróleo e gás, carne bovina, café, laranjas e peças de aeronaves. Pelos cálculos do governo, o tarifaço deve atingir 18% das exportações brasileiras aos EUA, o equivalente a 7,4 bilhões de dólares (R$ 38 bilhões), considerando dados de 2024. Entre as principais medidas anunciadas pelo Brasil está um reforço do programa Brasil Soberano, que oferece linhas de crédito a empresários afetados pelo tarifaço americano. A iniciativa foi criada em agosto de 2025, em meio aos primeiros anúncios de sobretaxa dos EUA. Na época, o governo americano impôs uma tarifa de 40% sobre muitas exportações brasileiras. No entanto, em novembro, após uma reunião com Lula, o presidente americano, Donald Trump, revogou parte dessas tarifas por meio de uma ordem executiva. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já pediu ao Ministério da Fazenda a liberação de mais R$ 7,25 bilhões para reforçar as linhas de crédito criadas pelo governo federal para ajudar empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Ainda não há detalhes sobre como o auxílio será liberado nesta nova rodada de ameaças comerciais. Em agosto, o governo ofereceu R$ 30 bilhões, sendo que metade foi desembolsada em março deste ano. Em coletiva de imprensa, na quinta, ministros defenderam que as tarifas americanas são "injustas" e reafirmaram que o Brasil recorrerá ainda aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e à Organização Mundial do Comércio (OMC). Eles afirmam, contudo, que o país continua aberto a negociações com os EUA. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou o novo tarifaço como uma tentativa de interferência dos EUA, e disse que o Brasil não vai "baixar a cabeça" nem agir com "viralatice" diante da posição americana. Reciprocidade contra barreiras comerciaisA Lei de Reciprocidade foi aprovada pelo Congresso em abril de 2025 e sancionada por Lula em julho do mesmo ano, na esteira do anúncio de Donald Trump de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. O dispositivo permite ao Brasil responder a medidas unilaterais adotadas por país ou bloco econômico que "impactem negativamente a competitividade internacional brasileira". Entre as medidas previstas, estão a "suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual". "Nós temos a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, que o governo, no momento adequado, saberá como implementar", afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin, durante a coletiva conjunta à imprensa. Rebatendo argumentosEntre as justificativa dadas pelos EUA para a tarifa estão práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento. Para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, os argumentos contra o sistema brasileiro de pagamentos digitais são o caso mais "flagrante" da ofensiva americana. O governo Trump acusa o Pix de prejudicar empresas do setor de pagamentos ao criar uma concorrência considerada desigual, que favorece de forma injusta o sistema brasileiro. Galípolo frisou que, desde a implementação do Pix, o mercado de cartões de crédito cresceu 150% e que foram os cheques e o dinheiro físico que perderam espaço. "Quando a gente olha para as alternativas e o que aconteceu no mercado, quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente desejável para todos", disse. "Então, o caso da implementação do Pix, ele consegue se configurar como um desses em que ele é benéfico para quem demanda e para quem oferta para o setor público e para o setor privado", defendeu. Sobre as alegações de "combate à corrupção" usadas pelo governo americano, a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães, observou que os dados considerados são de 2023, da gestão anterior, de Jair Bolsonaro. Washington também tem apontado falhas na fiscalização do desmatamento como justificativa para impor barreiras comerciais. No entanto, o governo Trump ignora que o Brasil reduziu drasticamente as taxas de destruição florestal nos últimos anos, após os níveis recordes registrados durante o governo Bolsonaro. Acusação de interferência políticaO governo brasileiro acusa ainda Washington de usar as tarifas como forma de interferência política, e tem buscado colar o tarifaço à articulação política da família Bolsonaro. Um dos argumentos para as primeiras tarifas foi a de que a Justiça brasileira fazia uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Bolsonaro. Após reuniões com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive há mais de um ano nos EUA, o governo Trump instou a Justiça brasileira a encerrar o processo contra o pai, que acabou condenado por tentativa de golpe de Estado. Outro filho do ex-presidente, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro também realizou viagens a Washington para pedir apoio do governo Trump ao seu movimento conservador. No entanto, ele afirma que nunca trabalhou pela imposição de tarifas contra o Brasil. Nas últimas semanas, à medida que seu desempenho em pesquisas iniciais de intenção de voto se deteriorou, Flávio procurou se distanciar das tarifas e pediu ao governo Trump que adiasse sua aplicação para depois das eleições. sf (Agência Brasil, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Governo chama de "injustas" barreiras comerciais americanas e traça plano para fortalecer indústria e rebater acusações. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/governo-brasileiro-anuncia-reforço-à-indústria-após-tarifaço/a-78004484?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 16 | |||
| Id | 77996398 | ||
| Date | 2026-07-16 | ||
| Title | Mauro Vieira vê ataque "grosseiro e arrogante" de Rubio a Lula | ||
| Short title | Vieira vê ataque "grosseiro e arrogante" de Rubio a Lula | ||
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Chefe da diplomacia americana disse que Lula não negociou "de boa-fé" e "colocou o próprio ego acima de um acordo em benefício do povo brasileiro". Governo brasileiro vê motivação política em tarifas. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, acusou nesta quinta-feira (16/07) o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, de atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de maneira "grosseira e arrogante" ao justificar o novo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump ao Brasil. Em uma postagem no X, Rubio disse que Lula não negociou "de boa-fé" e "colocou o próprio ego acima de um acordo em benefício do povo brasileiro". "E essas tarifas são o preço disso", escreveu. Para Vieira, as declarações de Rubio são "inaceitáveis e ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro". "Rubio ataca de forma grosseira e arrogante o chefe de Estado de um país amigo", disse o chanceler brasileiro, acrescentando que Lula sempre se mostrou disposto a negociar. "Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações." De acordo com o ministro, o governo Trump tentou pressionar o Brasil a ceder acesso exclusivo a empresas americanas a alguns setores da economia. Na quarta, o governo brasileiro divulgou nota em que afirma que 76% das importações americanas entraram no Brasil livres de tarifas, e que a tarifa média efetivamente incidente sobre produtos americanos era de apenas 3,1%. Governo brasileiro vê motivação política em tarifasSegundo Vieira, as tarifas foram impostas por "razões políticas" e as justificativas apresentadas pela Casa Branca "não têm lastro na realidade". Para o ministro, a alegação de que o Pix cria concorrência desleal para as empresas americanas de cartões de crédito "não é um argumento sério". Washington também argumentou que o desmatamento ilegal no Brasil dificulta a competitividade da indústria madeireira americana nos mercados globais — algo que Vieira classificou como "absurdo". "Desde 2022, reduzimos significativamente o desmatamento na Amazônia e no Cerrado", afirmou. Trump é aliado do ex-presidente de ultradireita Jair Bolsonaro e de sua família. O filho mais velho de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, é o principal adversário de Lula nas eleições presidenciais de outubro. No ano passado, Washington impôs tarifas ao Brasil citando, entre outras justificativas, o julgamento que resultou na condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A maior parte dessas tarifas foi posteriormente suspensa após negociações entre os dois países. Tarifas de até 25%Na quarta-feira (15/07), os EUA anunciaram que vão taxar produtos brasileiros em até 25% como punição ao que consideram "práticas comerciais desleais" do Brasil. A medida, que entra em vigor em 22 de julho, encerra uma investigação aberta há um ano sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, criada para responder a medidas econômicas "irrazoáveis ou discriminatórias" de governos estrangeiros que restrinjam o comércio americano. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, as tarifas devem afetar cerca de 18% das exportações aos EUA, equivalentes a cerca de 7 bilhões de dólares. A taxa vale para todos os produtos brasileiros, com exceção de 2.100 itens isentos devido à importância para a economia americana. Entre eles estão carne bovina, café, diversas frutas e verduras, laticínios, instrumentos médicos, plásticos e borracha, além de minerais e metais como carvão, cobalto, níquel e alumínio. Em resposta, o Brasil ameaçou retaliar com tarifas recíprocas sobre produtos americanos. A nova rodada de tarifas de Trump vem apesar de um histórico de superávit comercial dos EUA com o Brasil. Em 2025, as exportações americanas para o Brasil superaram as importações em quase 42 bilhões de dólares; apenas os superávits comerciais dos Estados Unidos com a Holanda e o Reino Unido foram maiores. ra (AFP, AP, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Chefe da diplomacia americana disse que Lula "colocou o próprio ego acima de um acordo em benefício do povo brasileiro". | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/mauro-vieira-vê-ataque-grosseiro-e-arrogante-de-rubio-a-lula/a-77996398?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 17 | |||
| Id | 77995469 | ||
| Date | 2026-07-16 | ||
| Title | Acidentes com patinetes elétricos atingem novo pico na Alemanha | ||
| Short title | Acidentes com patinetes elétricos têm novo pico na Alemanha | ||
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Em 2025, ao menos 38 pessoas morreram e quase 2 mil ficaram gravemente feridas devido a acidentes com esse tipo de veículo.O número de acidentes graves com patinetes elétricos disparou em 2025 na Alemanha. A polícia registrou aproximadamente 38% mais acidentescom feridos ou mortos do que no ano anterior, segundo dados do Departamento Federal de Estatística da Alemanha (Destatis) divulgados nesta quinta-feira (16/07).
No total, houve aproximadamente 16,5 mil acidentes com patinetes elétricos envolvendo feridos: foram 38 mortes, onze a mais queem 2024. Segundo o Destatis, cerca de 1,9 mil pessoas ficaram gravemente feridas e em torno de 16,2 mil sofreram ferimentos leves no ano passado.
Os números preocupam as autoridades porque a tendência é claramente de alta: há anos o país vem registrando um aumento nos acidentes graves envolvendo patinetes elétricos. A popularidade cada vez maior desses veículos desde sua legalização, em meados de 2019, também é um fator que contribui para esse aumento.
Quem são as vítimas?
Segundo as estatísticas, 82,4% dos acidentados eram condutores de patinetes elétricos, entre eles, 33 das 38 vítimas fatais. Outros 5,5% eram passageiros, incluindo uma das mortes registradas.
É proibido andar em duas ou até três pessoas em um mesmo patinete elétrico, mas essa prática é frequentemente observada nas ruas alemãs. Entre as outras cinco pessoas mortas, estavam três pedestres, um ciclista e um motorista.
As chamas e-scooters são particularmente populares entre os jovens, o que também se reflete nos números: 53,6% dos feridos em 2025 tinham menos de 25 anos.
A idade mínima legal para utilizar esses veículos é 14 anos, mas eles são frequentemente usados por crianças. De acordo com o Destatis, em 2025 houve um total de 874 acidentes envolvendo crianças de zero a treze anos, incluindo mortes e feridos. Destes, três casos foram fatais.
Principais causas dos acidentes
Não raramente, a polícia registra múltiplos casos de conduta inadequada por parte dos usuários de patinetes elétricos. Em 21,6% dos casos, uso indevido da via ou calçada; em 10,9%, o álcool foi um fator; em 8,4%, velocidade inadequada; e em 7,5%, erros ocorreram ao fazer curvas, retornos, ao dar marcha à ré ou ao arrancar.
Muitos acidentes (30,5%) ocorrem sem o envolvimento de outro usuário da via. Dezesseis dos mortos foram vítimas de colisões com um único veículo.
De acordo com os dados, em acidentes envolvendo dois veículos, o condutor do patinete elétrico foi o principal culpado em 50,8% dos casos. Em colisões com carros, os condutores de patinetes foram a principal causa em 38,1% dos casos; em acidentes com ciclistas, 74,3%; e em acidentes com pedestres, 88,7%.
O que explica o aumento dos acidentes?
Presumivelmente, o que pode explicar o maior número de acidentes é aumento do uso de patinetes elétricos, já que as condições gerais não mudaram, afirma o pesquisador de acidentes Siegfried Brockmann, da Fundação Björn Steiger.
Ele se preocupa especialmente com as e-scooters de aluguel oferecidas nas grandes cidades, entre outros motivos, porque esses patinetes são frequentemente usados por pessoas inexperientes e de maneira ocasional.
Nesse contexto, Brockmann defende que os patinetes elétricos sejam equipados com rodas maiores. Atualmente, o risco de quedas é muito alto, mesmo em guias rebaixadas – algo que usuários ocasionais muitas vezes desconhecem.
Conduzir sob a influência de álcool também é mais provável com patinetes alugados, "por exemplo, se o patinete for estacionado em frente a um bar ao ar livre", afirma o especialista.
Quais medidas podem ser adotadas?
O aumento de 38,1% nos acidentes em comparação com o ano anterior é alarmante, disse o Conselho Alemão de Segurança Rodoviária (DVR). A entidade acredita que deveria ser exigido um certificado de habilitação para todos os usuários das vias que não possuem carteira de motorista.
Brockmann aprova a ideia. Além disso, para ele, a idade mínima para o uso de patinetes elétricos deveria ser elevada de 14 para 15 anos.
Especialistas também defendem uma fiscalização mais rigorosa, considerando inadmissível que duas pessoas possam compartilhar um patinete sem serem repreendidas, por exemplo.
Parlamento alemão quer responsabilizar aplicativos
O governo alemão anunciou recentemente planos para facilitar o processo de indenização para as vítimas de acidentes com patinetes elétricos ao responsabilizar as empresas por trás dos aplicativos que alugam esses veículos.
Na semana passada, o Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) endureceu as leis de responsabilidade civil para acidentes com patinetes elétricos. Anteriormente, as vítimas precisavam provar que o condutor do patinete elétrico era o culpado. Com a chamada responsabilidade objetiva, que também se aplica a automóveis, elas precisarão apenas provar que sofreram danos enquanto utilizavam um patinete elétrico.
"Muitos acidentes envolvendo patinetes elétricos envolvem veículos alugados", afirma o governo alemão em nota, ressaltando que isso frequentemente faz com que seja difícil de identificar os condutores.
"Os proprietários são predominantemente empresas de compartilhamento que alugam patinetes elétricos. Dessa forma, a responsabilidade objetiva está sendo introduzida para os proprietários dos chamados microveículos elétricos – assim como ocorre com outros veículos motorizados".
Isso, segundo o governo, evitará que as vítimas fiquem sem indenização. O Bundesrat (câmara alta do Parlamento alemão) ainda precisa aprovar o plano.
rc/le (dpa, reuters)
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| Short teaser | Em 2025, ao menos 38 pessoas morreram e quase 2 mil ficaram gravemente feridas devido a acidentes com esse veículo. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/acidentes-com-patinetes-elétricos-atingem-novo-pico-na-alemanha/a-77995469?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Segundo estatísticas, 82,4% dos acidentados eram condutores de patinetes elétricos, entre eles, 33 das 38 vítimas fatais | ||
| Image source | Daniel Bockwoldt/dpa/picture alliance | ||
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| Item 18 | |||
| Id | 77981305 | ||
| Date | 2026-07-16 | ||
| Title | Fifa pode punir Argentina por faixa sobre as Malvinas na Copa do Mundo | ||
| Short title | Fifa pode punir Argentina por faixa sobre Malvinas na Copa | ||
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Jogadores da Albiceleste exibem faixa com dizeres "As Malvinas são argentinas" depois de derrotarem Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo. Governo britânico cobra investigação; Milei diz que ato é "legítimo". A vitória da Argentina por 2 a 1 sobre a Inglaterra nos últimos minutos da semifinal da Copa do Mundo, nesta quarta-feira (15/07), foi marcada por um ato político que pode levar a punições para a seleção sul-americana, que se classificou para disputar a finalíssima do Mundial de futebol contra a Espanha no domingo, a partir das 16h no horário de Brasília, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Após uma virada emocionante, nos últimos minutos, os jogadores argentinos estenderam uma faixa em frente à torcida onde se lia "las Malvinas son argentinas" (as Malvinas são argentinas), referência ao arquipélago localizado no sul do Oceano Atlântico e sob soberania Reino Unido desde 1833. O que dizem as regras da FifaA Fifa, por meio de seu código disciplinar, prevê punições a seus membros devido à exibição de mensagens políticas durante as competições organizadas pela entidade. O parágrafo dois do artigo 17 afirma que "todas as associações e clubes associados são responsáveis por comportamento inadequado por parte de um ou mais de seus torcedores, e podem estar sujeitos a medidas disciplinares e diretrizes, mesmo que consigam comprovar a ausência de qualquer negligência em relação à organização da partida". Esse mesmo parágrafo descreve os seguintes atos como passíveis de punição: "O uso de gestos, palavras, objetos ou qualquer outro meio para transmitir uma mensagem que não seja apropriada para um evento esportivo, especialmente mensagens de natureza política, ideológica, religiosa ou ofensiva". Além disso, o artigo 34.3 do regulamento da Copa do Mundo de 2026 proíbe a exibição de quaisquer mensagens ou slogans políticos por parte dos jogadores antes, durante ou depois de uma partida. "A exibição de mensagens ou slogans políticos, religiosos ou pessoais de qualquer natureza, em qualquer idioma ou forma, por jogadores e dirigentes é proibida a qualquer momento antes da partida, durante os hinos nacionais, durante a partida e após o término da partida", afirma o artigo. O texto também aponta que clubes e associações são responsáveis pelas atitudes de seus torcedores. Nesta quarta, antes da partida, torcedores argentinos entoaram o cântico "quem não pula é inglês", durante a execução do hino da Inglaterra. Segundo o código disciplinar, as possíveis punições para esses casos são: aviso; advertência; multa ou outras medidas financeiras; devolução de prêmios; retirada de título; ordens a partir de processo judicial. Em relação à infração da faixa exibida pelos jogadores, a multa varia entre R$ 31 mil e R$ 62 mil, com aumento de 100% em caso de nova infração semelhante. Já a cantoria durante o hino pode gerar multa de R$ 31 mil a R$ 47 mil. Na final deste domingo, contra a Espanha, que eliminou a França na outra semifinal com vitória por 2 a 0, os argentinos podem ser os primeiros bicampeões em sequência desde o Brasil em 1958 e 1962. Governo britânico espera que Fifa investigueO governo britânico declarou nesta quinta-feira que espera que a Fifa abra uma investigação sobre a exibição da faixa pelos jogadores argentinos. Numa entrevista à emissora BBC, o ministro britânico de Ciência, Inovação e Tecnologia, Peter Kyle, afirmou que o gesto "foi totalmente inapropriado" e ressaltou que "a política deve se manter à margem do futebol". "Espero que a Fifa conduza uma investigação minuciosa", declarou Kyle, lembrando que "um dos princípios fundamentais da Copa do Mundo é que a política esteja separada do futebol". Para Milei, ação dos jogadores foi "válida e legítima"Enquanto isso, o presidente da Argentina, Javier Milei, classificou a exibição da faixa como um gesto "perfeitamente válido e legítimo". "É um sentimento que existe em todos os argentinos", disse à rádio El Observador. "As Malvinas são argentinas, vamos recuperá-las e faremos isso por meios diplomáticos", acrescentou. O político de ultradireita, contudo, pediu que as pessoas não misturem política e esporte, destacando que "uma partida de futebol é uma partida de futebol". A vice de Milei, Victoria Villarruel, elevou a tensão antes do jogo contra a Inglaterra ao chamar os ingleses de "piratas usurpadores". Após a vitória da Argentina na semifinal da Copa do Mundo, o ministro das Relações Exteriores do país afirmou que Buenos Aires havia apresentado um protesto formal contra a presença de um navio de guerra britânico nas proximidades das Ilhas Malvinas. O ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, publicou no X que expressava "a mais forte rejeição" à passagem "não consultada e ilegal" do HMS Medway, do Reino Unido, por águas territoriais argentinas, alegando falta de notificação adequada. Quirno disse que o Medway, baseado nas Ilhas Malvinas, foi acusado de violar acordos bilaterais em uma nota diplomática de protesto, datada de 13 de julho, apresentada à embaixada do Reino Unido em Buenos Aires. Punições anterioresEm 2014, a Argentina foi multada pela Fifa após exibir uma faixa com o mesmo slogan depois de um amistoso contra a Eslovênia. Um processo disciplinar da Fifa suspendeu um jogador sul-coreano de duas partidas das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014 porque ele exibiu uma faixa semelhante, referente a uma reivindicação territorial sobre o Japão, durante os Jogos Olímpicos de Londres de 2012. O atleta Park Jong-woo pegou uma faixa de um torcedor com o slogan "Dokdo é nosso território" depois que a Coreia do Sul venceu o Japão na disputa pela medalha de bronze no torneio masculino. Já a Football Association (FA), da Inglaterra, foi informada pela Fifa, durante a Copa do Mundo de 2022, que o capitão Harry Kane sofreria sanções esportivas, começando com um cartão amarelo, caso usasse a braçadeira "OneLove" (com as cores do arco-íris) no torneio no Catar, país que criminaliza a homossexualidade. Os jogadores espanhóis Rodri e Álvaro Morata foram suspensos por uma partida cada pela Uefa, a entidade que rege o futebol europeu, após cantarem sobre a reivindicação de seu país em relação a Gibraltar depois da conquista da Eurocopa 2024. Disputa pelas ilhasArgentina e Inglaterra travam uma longa disputa pelo arquipélago localizado a cerca de 600 quilômetros da costa da Patagônia, no Atlântico Sul, e a 13 mil quilômetros do Reino Unido. As Ilhas Malvinas (Falkland, para os ingleses), Geórgia e Sandwich do Sul são alguns dos últimos resquícios dos tempos imperiais britânicos. Os argentinos defendem que quem ocupou primeiro as ilhas foram os espanhóis que governavam o Vice-Reino do Rio da Prata, região que, em 1810, se tornou independente da Espanha e virou a Argentina. Na década de 1820, os argentinos enviaram autoridades para tomar posse das ilhas e, em 1829, nomearam um governador para as Malvinas. Quatro anos depois, em 1833, os ingleses expulsaram os argentinos e tomaram posse do arquipélago. O Reino Unido argumenta que reivindica a posse das ilhas desde 1765 e, por isso, expulsou as forças argentinas no século 19. Quase 150 anos após esses episódios, a Argentina, sob regime militar, lançou uma ofensiva para tentar recuperar as ilhas. A Operação Rosário foi o começo da Guerra das Malvinas, que durou de 2 de abril a 14 de junho de 1982. Ao todo, 649 soldados argentinos, 255 britânicos e três moradores da ilha morreram durante o conflito, que terminou com vitória do Reino Unido. gb/as/ra (Efe, AFP, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Jogadores argentinos exibiram faixa com frase "As Malvinas são argentinas" depois de vencerem a Inglaterra na semifinal. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/fifa-pode-punir-argentina-por-faixa-sobre-as-malvinas-na-copa-do-mundo/a-77981305?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 19 | |||
| Id | 77995523 | ||
| Date | 2026-07-16 | ||
| Title | Hegseth anuncia teste de testosterona para soldados dos EUA | ||
| Short title | Hegseth anuncia teste de testosterona para soldados dos EUA | ||
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Chefe do Pentágono defende suplementação do hormônio para melhorar desempenho das tropas. Mas noção da testosterona como elixir de força e vitalidade não tem base científica sólida. O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou nesta quarta-feira (15/07) a realização obrigatória de exames anuais de testosterona para militares a partir dos 30 anos, a fim de mantê-los "fortes, resilientes e capazes". A iniciativa, segundo ele, "não tem a ver com aprimoramento artificial" e visa "garantir que você [membro das Forças Armadas americanas] tenha os níveis corretos de testosterona para atuar da melhor forma possível". Nos casos em que for constatada deficiência do hormônio, militares terão a opção de suplementá-lo, mas não serão obrigados a fazê-lo. A medida vem num momento em que o governo americano tem flexibilizado algumas restrições às terapias de reposição de testosterona, incluindo o anúncio feito em junho de que buscará remover limitações para o uso por homens com baixa testosterona relacionada à idade. Nos últimos anos, tropas de operações especiais – e, em particular, os Navy SEALs – passaram a ser alvo de escrutínio pelo uso de testosterona e substâncias similares para melhorar o desempenho. A morte de um recruta dos SEALs durante treinamento, em 2022, levou à descoberta de substâncias em sua posse, incluindo testosterona, e revelou um uso de drogas muito mais disseminado no programa de elite do que se reconhecia anteriormente. Um ano após a morte do recruta, a Marinha comunicou que iniciaria um programa de testes antidoping para detectar "qualquer substância hormonal, química ou farmacologicamente relacionada à testosterona, que promova o crescimento muscular". Embora a deficiência de testosterona possa causar prejuízos à saúde, a noção do hormônio como um elixir da força e da vitalidade não tem comprovação científica sólida. Efeitos da testosteronaOs níveis de testosterona nos homens diminuem naturalmente com a idade e há muito tempo são associados a problemas como disfunção erétil, queda da libido, alterações de humor e ganho de peso. No entanto, especialistas debatem há anos como diagnosticar esses problemas e se eles devem ser tratados com reposição hormonal. O anúncio de Hegseth ocorre no momento em que o secretário da Saúde, Robert F. Kennedy Jr., e outras autoridades do governo de Donald Trump buscam facilitar a prescrição de testosterona pelos médicos. Em junho, a agência reguladora sanitária FDA propôs flexibilizar as restrições para prescrição de géis, comprimidos, adesivos e injeções de testosterona. Pelas recomendações atuais, esses medicamentos são destinados apenas a homens com hipogonadismo, condição médica que causa níveis drasticamente baixos de testosterona. Mas muitos influenciadores e apoiadores de Kennedy promovem a testosterona como uma forma de parecer mais jovem, ganhar massa muscular e manter a agilidade mental, embora esses usos não sejam apoiados pela maioria dos especialistas médicos. Ainda assim, estudos recentes têm indicado benefícios da testosterona para determinadas condições, ao mesmo tempo em que reduziram preocupações sobre sua segurança, especialmente em relação à saúde cardiovascular. No ano passado, a FDA retirou da bula dos medicamentos um alerta destacado sobre possíveis riscos de infarto e derrame. Separadamente, uma série de estudos dos National Institutes of Health (NIH) com homens mais velhos constatou que o uso de testosterona melhorou a disfunção erétil, a libido e outros indicadores de saúde sexual, além de apresentar um pequeno efeito positivo sobre o humor. No entanto, houve pouca ou nenhuma melhora em outros aspectos, como fadiga, memória ou bem-estar geral. Outros estudos apontaram possíveis ganhos de massa muscular, força e densidade óssea. Apesar disso, as diretrizes médicas atuais, em geral, não recomendam a realização indiscriminada de exames de testosterona. Normalmente, os médicos são orientados a discutir a terapia de reposição hormonal apenas com homens que apresentem sintomas preocupantes e níveis baixos do hormônio confirmados em dois exames de sangue distintos. A testagem da testosterona é desafiadora porque os níveis do hormônio variam ao longo do dia. Leituras precisas costumam ser obtidas pela manhã, após jejum. ra/as (Reuters, AP) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Chefe do Pentágono defende suplementação do hormônio para melhorar desempenho das tropas. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/hegseth-anuncia-teste-de-testosterona-para-soldados-dos-eua/a-77995523?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 20 | |||
| Id | 77981999 | ||
| Date | 2026-07-16 | ||
| Title | Merz exige que EUA não interfiram em campanhas eleitorais alemãs | ||
| Short title | Merz exige que EUA não interfiram em eleições alemãs | ||
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Chanceler federal diz que Alemanha sempre aderiu ao princípio da não-intromissão e espera que governo Trump faça o mesmo.O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, parecia bastante satisfeito consigo mesmo durante a sua entrevista coletiva antes das férias, apesar dos números ruins nas pesquisas, segundo as quais apenas entre 13% e 20% dos alemães estão satisfeitos com o desempenho dele e de sua coalizão de conservadores e social-democratas.
"A coalizão encontrou seu equilíbrio", disse Merz. "O resultado foi positivo", prosseguiu. "O governo federal encontrou seu ritmo, apesar de algumas críticas. Nós entregamos resultados." Ele se referia a reformas adotadas, mas ainda não aprovadas pelo Parlamento, relativas a aposentadorias, saúde e impostos.
Ele mencionou especificamente as reformas no sistema de aposentadorias, que passarão a destinar, pela primeira vez, uma pequena parcela para investimentos no mercado financeiro. "Deveríamos ter feito isso há 30 anos, assim como os suecos, os dinamarqueses, os holandeses e muitos outros ao redor do mundo que o fizeram há muito tempo. Mas, pelo menos, estamos começando agora", disse Merz.
Críticas a suposta interferência EUA
Uma pergunta da DW abordou uma reportagem sobre planos do Departamento de Estado dos EUA de lançar um programa de subsídios de 5 milhões de dólares (R$ 29 milhões) destinado a apoiar grupos alinhados ao movimento conservador Maga [sigla em inglês para "Tornar a América grande novamente"] na Europa, que pode beneficiar agremiações afiliadas ao partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD).
"Sempre disse que nós, de nossa parte, não interferimos nas eleições americanas", respondeu Merz. "Sempre aderimos a esse princípio. E, inversamente, não quero que o governo americano ou instituições ligadas a ele interfiram nas eleições alemãs. E uma observação adicional: é ilegal financiar partidos políticos na Alemanha a partir do exterior."
Merz fez ainda uma referência ao presidente dos EUA, Donald Trump, sem mencioná-lo nominalmente, ao afirmar que o governo dos EUA prejudicou a economia alemã através de sua política tarifária.
Alerta aos eleitores da AfD
Apesar da variedade de temas tratados na coletiva, as perguntas dos jornalistas muitas vezes se voltaram para a questão da AfD, partido que o Departamento Federal de Proteção da Constituição da Alemanha (BfV), a agência de inteligência interna do país considera que é, em partes, de extrema direita.
A AfD lidera atualmente as pesquisas de intenção de voto para eleições em dois estados no leste da Alemanha, marcadas para setembro.
Ao ser perguntado como ele espera impedir que extremistas de direita cheguem ao poder na Alemanha, o chanceler inicialmente tentou se esquivar. Mas, quando pressionado, ele surpreendeu ao se dirigir diretamente aos eleitores da Saxônia-Anhalt e de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, onde ocorrerão as eleições no segundo semestre: "Observem atentamente. Não deixem que as informações das redes sociais – independentemente de onde venham – sejam sua única fonte. Em vez disso, observem o que o governo federal está tentando realizar", disse Merz.
Em resposta a um jornalista holandês, o chanceler argumentou que seria de fato "algo completamente diferente" se extremistas de direita conseguissem de novo chegar ao poder na Alemanha dado o passado nazista do país.
Apesar das pesquisas, ele pareceu não estar preocupado com as eleições de setembro. "As campanhas eleitorais estão apenas começando. Estou confiante de que conseguiremos impedir que a AfD conquiste a maioria das cadeiras nos parlamentos estaduais dos três estados, especialmente na Saxônia-Anhalt e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental", disse.
As eleições em setembro ocorrerão não apenas nesses dois estados do leste da Alemanha, mas também na cidade-estado de Berlim, um dos estados federativos da Alemanha.
Merz defende associação da Ucrânia à UE
O chanceler alemão reiterou sua controversa proposta de conceder inicialmente à Ucrânia apenas a perspectiva de adesão como membro associado da União Europeia (sem direito a voto).
Merz disse que é importante ser honesto com o país em dificuldades e explicar que o caminho para a Europa é mais difícil do que se pensava inicialmente, e que ele é a favor de dar passos pequenos, porém firmes.
"No momento, estamos considerando essencialmente cinco estados dos Bálcãs Ocidentais, Moldávia e Ucrânia como potenciais novos membros da UE. Eles estão aguardando que a UE dê os próximos passos", disse Merz, lembrando que já se passaram 13 anos desde que o bloco admitiu novos membros, embora tenha havido muitas promessas.
São necessários passos pequenos, mas honestos, para garantir que a UE mantenha sua credibilidade, disse o chanceler. "Se perdermos essa credibilidade, perderemos esses países."
Autocrítica cautelosa
Merz fez ainda uma rara autocrítica. Ele lembrou que, durante a campanha eleitoral, há cerca de um ano e meio, ele prometera acabar com a contratação de novas dívidas. Pouco depois, porém, lançou um superpacote de gastos para financiar o reequipamento das Forças Armadas alemãs (Bundeswehr) e projetos de infraestrutura. Isso acabou se tornando "um peso considerável para a minha credibilidade pessoal", admitiu.
Este foi um dos poucos momentos, no entanto, em que o chanceler federal alemão demonstrou alguma hesitação em relação às suas políticas. Ele insistiu que a coalizão de conservadores e social-democratas continuará a governar com calma e determinação.
Apesar dos problemas, Merz fez o possível para transmitir confiança, embora questões como a infraestrutura precária, a crescente polarização da sociedade e – não menos importante – a lentidão na economia sejam motivo de grande preocupação para muitas pessoas.
Sobre esse último ponto, ele admitiu que ainda há uma necessidade significativa de recuperação, ao dizer que, economicamente, o país não está onde ele gostaria. "Conseguimos muito, mas ainda está longe do suficiente." A questão fundamental, segundo afirmou, é restaurar a competitividade da economia alemã.
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| Short teaser | Chanceler federal diz que Alemanha sempre aderiu a princípio da não-intromissão e espera que governo Trump faça o mesmo. | ||
| Author | Jens Thurau | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/merz-exige-que-eua-não-interfiram-em-campanhas-eleitorais-alemãs/a-77981999?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Friedrich Merz se declarou confiante de que a AfD não vai conquistar maioria nos parlamentos estaduais em disputa | ||
| Image source | Lisi Niesner/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77971456_354.jpg&title=Merz%20exige%20que%20EUA%20n%C3%A3o%20interfiram%20em%20campanhas%20eleitorais%20alem%C3%A3s | ||
| Item 21 | |||
| Id | 77980925 | ||
| Date | 2026-07-16 | ||
| Title | Angola e Moçambique ainda não ratificaram Acordo Ortográfico | ||
| Short title | Angola e Moçambique ainda não ratificaram Acordo Ortográfico | ||
| Teaser |
Enquanto Portugal e Brasil já aplicam as regras de forma plena, os dois maiores países de língua portuguesa na África alegam especificidades locais e custos para não adotá-las.Angola e Moçambique são os únicos Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que ainda não ratificaram o Acordo Ortográfico de 1990, apesar de terem integrado o grupo signatário do documento, assinado em Lisboa em 16 de dezembro de 1990.
No caso de Angola, o documento não foi aprovado nem em Conselho de Ministros nem ratificado pelo Parlamento.
A recusa formal para ratificar o documento tem sido justificada pelo governo angolano e pela Academia Angolana de Letras por o texto ignorar especificidades do português falado em Angola e sua interação com as línguas nacionais (como o bantu), bem como a ausência de um vocabulário ortográfico comum.
Em Moçambique alega-se o peso das línguas nacionais e os custos da implementação, motivos invocados desde a aprovação no Conselho de Ministros, em 2012, poucos meses antes de o país africano assumir a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O documento não foi ainda ratificado pelo parlamento.
Demais países
No caso da Guiné-Bissau, o acordo foi ratificado em 2009, mas nunca foi posto em prática. Embora o português seja a língua oficial, é em crioulo que os guineenses se entendem e nas mais de 30 línguas regionais que compõem o mosaico étnico cultural do país. De acordo com os dados mais recentes divulgados pelo governo, menos de 5% da população fala português.
Em contraste com essa realidade, em Cabo Verde e em São Tomé e Príncipe o Acordo Ortográfico está em vigor. O próximo ano letivo em São Tomé e Príncipe marca até uma nova etapa, com a entrada prevista do acordo no sistema educacional nacional.
Já Cabo Verde ratificou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em 2006, após assinar o texto original em 1990 e os protocolos modificativos na Cidade da Praia em 1998. Em outubro de 2015, Cabo Verde tornou sua aplicação obrigatória em todos os documentos oficiais, no sistema educacional e na comunicação social.
Portugal e Brasil lideraram o processo de transição e já aplicam o Acordo Ortográfico de 1990 de forma plena, exclusiva e obrigatória.
as/le (Lusa, ots)
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| Short teaser | Dois maiores países da língua portuguesa na África alegam especificidades locais e custos para não adotá-lo. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/angola-e-moçambique-ainda-não-ratificaram-acordo-ortográfico/a-77980925?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Adoção do Acordo Ortográfico diverge muito entre os países da CPLP | ||
| Image source | Djariatú Baldé/DW | ||
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| Item 22 | |||
| Id | 77980640 | ||
| Date | 2026-07-16 | ||
| Title | Messi deve igualar recorde de Cafu em finais de Copa do Mundo | ||
| Short title | Messi deve igualar recorde de Cafu em finais de Copa | ||
| Teaser |
Craque argentino será o segundo jogador a disputar três finais de Copa do Mundo quando entrar em campo para defender o título contra a Espanha.O atacante Lionel Messi, capitão da seleção argentina, deverá igualar no próximo domingo (19/07) o recorde do ex-lateral-direito brasileiro Cafu, que até o momento é o único jogador a ter disputado três finais de Copa do Mundo.
Messi, que perdeu para a Alemanha na final da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, e venceu a França nos pênaltis na decisão em 2022, no Catar, disputará a decisão contra a Espanha em East Rutherford. A Argentina conquistou a vaga depois de uma virada emocionante por 2 a 1 sobre a Inglaterra, que abriu o placar em Atlanta com Anthony Gordon e viu Enzo Fernández e Lautaro Martínez balançarem as redes com assistências de Messi.
Cafu disputou sua primeira final no Rose Bowl, em Los Angeles, em 1994, ao entrar no primeiro tempo no lugar de Jorginho, que se lesionou, e foi titular indiscutível em 1998, na França, onde perdeu para a seleção anfitriã, e em 2002, na Coreia do Sul e no Japão, quando o Brasil venceu a Alemanha por 2 a 0 e conquistou o pentacampeonato.
Três finais, mas sem jogar todas
Outros quatro jogadores chegaram a três finais com suas seleções, mas não disputaram todas. Pelé, vencedor de três Copas do Mundo (1958, 1962 e 1970), não jogou no Chile, em 1962, devido a uma lesão.
Ronaldo (1994, 1998 e 2002) não disputou a primeira de suas três finais, e os alemães Pierre Littbarski e Lothar Matthäus (1982, 1986 e 1990) também não chegaram a disputar as três. O primeiro jogou na Espanha, em 1982, e na Itália, em 1990, e ficou no banco no Azteca, enquanto o segundo foi reserva na edição espanhola da Copa.
as/le (Efe)
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| Short teaser | Argentino será segundo jogador a disputar três finais quando entrar em campo para defender o título contra a Espanha. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/messi-deve-igualar-recorde-de-cafu-em-finais-de-copa-do-mundo/a-77980640?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Com duas assistências, Messi teve atuação decisiva na vitória sobre a Inglaterra | ||
| Image source | Agustin Marcarian/REUTERS | ||
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| Item 23 | |||
| Id | 77973074 | ||
| Date | 2026-07-15 | ||
| Title | Quem é quem em "A Odisseia", um dos filmes mais esperados do ano | ||
| Short title | Quem é quem em "A Odisseia", épico de Christopher Nolan | ||
| Teaser |
Filme inspirado em uma das maiores obras da literatura ocidental retrata a jornada mítica de Odisseu de volta para casa após vencer a guerra de Troia. Superprodução tem diversas estrelas de Hollywood. Um dos filmes mais esperados do ano, A Odisseia, de Christopher Nolan, estreia no Brasil nesta quinta-feira (16/07), levando às telonas a jornada mítica de Odisseu de volta para casa após vencer a guerra de Troia. A superprodução de duas horas e 52 minutos conta com um elenco abarrotado de estrelas de Hollywood e foi inteiramente produzida para exibição em cinemas Imax, que oferecem uma experiência mais imersiva e de altíssima resolução, com uma tela que cobre todo o campo de visão, dando ao espectador a sensação de quase ser levado para dentro do filme. Matt Damon, que encarna Odisseu, definiu o herói do épico assim: "Ele é definitivamente complicado, e definitivamente toma decisões que nem sempre são certas, o que o torna muito falho e muito humano". Nolan vê semelhanças entre Odisseu e Oppenheimer, um dos pais da bomba atômica, que inspirou o filme homônimo que rendeu vários Oscars ao diretor em 2024. Os dois eram, segundo ele, pessoas que carregavam "a culpa de ter deslocado o eixo do mundo". "Alguém que mudou o mundo, e não para melhor", disse. Quem nunca leu "A Odisseia", de Homero, não precisa se preocupar: a releitura do clássico grego por Nolan visa tornar a história — uma das maiores do cânone literário da civilização ocidental — acessível e relevante para o público moderno. Para ajudar você a se situar no filme, aqui vai um guia rápido de quem é quem em A Odisseia. Odisseu (Matt Damon)O protagonista do épico é Odisseu, rei da ilha de Ítaca e mente por trás do Cavalo de Troia, truque engenhoso que encerrou a guerra. A história é sobre sua longa jornada de volta para casa, para recuperar seu reino e reencontrar a esposa, Penélope, e o filho, Telêmaco, que deixou ainda bebê. "Ele é um protagonista muito complexo, o que eu adoro, e Chris [Nolan] revela como e por quê do jeito dele. Muita coisa fica clara no final do filme, o que explica muito do comportamento dele no começo", disse Damon. "Para uma história tão grandiosa, é maravilhoso ter um personagem tão humano no centro. Ele certamente não é perfeito. E vive com as consequências de suas ações. Isso acaba ditando seu comportamento." Penélope (Anne Hathaway)Rainha de Ítaca, Penélope espera há 20 anos o retorno de Odisseu. Enquanto isso, mais de 100 homens vivem no palácio, consumindo sua comida e seu vinho, na esperança de que ela se case com um deles. A personagem enigmática, sobre a qual cada geração projeta suas próprias interpretações, gera debates há milhares de anos. "Ela é provavelmente a personagem mais conhecida que já interpretei. Mas só a conhecemos até onde conseguimos enxergá-la", disse Hathaway. "Eu não queria negar nada do que as pessoas já sentiram sobre Penélope — que ela é o retrato da modéstia, um exemplo de paciência e tudo mais. Mas um exemplo não é uma pessoa. Então pensei: tudo bem, vamos aceitar que é assim que o mundo a vê. Mas quem ela é quando ninguém está olhando?". Telêmaco (Tom Holland)Filho único de Odisseu, Telêmaco não vê o pai desde que era bebê. Já adulto e diante da crescente ameaça dos pretendentes que cortejam a mãe, ele inicia sua própria jornada em busca de informações sobre o pai desaparecido. Embora Telêmaco ainda não conheça o pai como homem adulto, Holland afirma haver "um verdadeiro sentimento de conexão" entre os dois ao longo do filme. As buscas pelo pai criam narrativas paralelas no filme, que Nolan descreve como uma mistura de uma jornada de "volta para casa" e de transição para a vida adulta. Antínoo (Robert Pattinson)Na obra original de Homero, 108 pretendentes disputam a mão de Penélope (e o trono de Ítaca), incluindo Antínoo, que no filme é o principal antagonista no reino. "A coisa em que ele [Pattinson] mais se concentrou foi a relação do personagem com Telêmaco. Ele vive dizendo a Telêmaco: 'Vou ser seu padrasto, vou ser seu pai'. Era uma base tão perturbadora e ao mesmo tempo divertida para construir um vilão", disse Nolan. "Adoro como Rob fundamentou isso em coisas do mundo real, em verdades sobre o personagem e sobre quem ele é, especialmente sua natureza covarde. Acho que a covardia é uma das coisas mais difíceis para atores, principalmente estrelas de cinema, interpretarem." Atena (Zendaya)Deusa da sabedoria, da estratégia e da guerra, além de filha de Zeus, Atena aparece a Odisseu em diversos momentos da história. "Eu pensava: 'como vou dar vida a uma deusa?'", disse Zendaya, rindo. "Mas acho que muito disso já estava presente na história e na maneira como ele a está contando. Acho que a narrativa traz um elemento mais humano para essa ideia de deusa e para o que ela representa para Odisseu. As lições que ela lhe ensina e o motivo de aparecer da forma e nos momentos em que aparece acabam servindo para orientá-lo durante algo muito difícil." Helena e Clitemnestra (Lupita Nyong'o)A vencedora do Oscar interpreta dois papéis: Helena, rainha de Esparta e esposa de Menelau, mulher cuja beleza teria provocado a guerra de Troia; e Clitemnestra, esposa do rei Agamenon e irmã de Helena. "Ele [Nolan] mencionou seu interesse em contar essa história sem fugir do custo da guerra, realmente investigando e explorando isso. Então, no caso de Helena, ela é conhecida por ser o motivo da guerra. Mas será que isso é mesmo verdade?", disse Nyong'o. "Como é a vida dela depois da guerra? Adoro que possamos ter um vislumbre disso e realmente enxergar o preço de tudo. A raiva, o ressentimento, a culpa, a vergonha, a decepção, a resistência diante de tudo isso." Menelau (Jon Bernthal)Rei de Esparta e marido de Helena. Ele conta a Telêmaco aquilo de que se recorda sobre Odisseu do tempo em que lutaram juntos na Guerra de Troia. Agamenon (Benny Safdie)Rei de Micenas, marido de Clitemnestra e comandante do exército grego durante a Guerra de Troia. Calipso (Charlize Theron)Ninfa da mitologia grega com quem Odisseu passa um longo período de sua jornada na ilha de Ogígia. Euríloco (Himesh Patel)Segundo no comando de Odisseu, está presente em muitos dos obstáculos enfrentados durante a jornada para Ítaca, da caverna do Ciclope ao submundo de Hades. Eumeu (John Leguizamo)Um criador de porcos de Ítaca que permanece leal a Odisseu mesmo quando muitos já desistiram de seu retorno. "Ele [Nolan] me disse que era a personagem mais leal da literatura ocidental", afirmou Leguizamo. "Pensei: 'Nossa, isso é uma grande responsabilidade'." No filme, Eumeu é quase cego, uma referência a Homero, que alguns historiadores acreditam ter sido cego. Circe (Samantha Morton)Uma poderosa feiticeira que encontra Odisseu e seus homens durante a viagem de volta para casa. Sínon (Elliot Page)Personagem da mitologia grega que aparece na Eneida, Sínon é um veterano da Guerra de Troia. Ciclope Polifemo (Bill Irwin)Filho de Poseidon, deus dos mares, o ciclope Polifemo também encontra Odisseu e seus homens durante sua jornada de volta para casa. Nolan e a designer de produção Ruth De Jong usaram como inspiração a pintura "Saturno Devorando Seu Filho", de Francisco Goya, mas foi o ator quem ajudou a dar alma ao personagem. "Não sabíamos exatamente como conseguiríamos fazer isso. Sabíamos que precisaríamos de todos os truques possíveis, desde animatrônicos até marionetes e computação gráfica. Mas eu sabia que precisava de um intérprete para nos ajudar a encontrar o design, a forma de viver e de se mover desse personagem", disse Nolan. "Ele não trata o Ciclope apenas como um monstro. E isso é algo que aprendi muito com o trabalho do meu amigo Guillermo del Toro ao longo dos anos. A principal lição do trabalho dele é que um monstro nunca é apenas um monstro." Melanto (Mia Goth)Uma serva da rainha Penélope. Polibo (Corey Hawkins)Um dos pretendentes de Penélope. ra/le (AP, AFP) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Filme inspirado em obra de Homero retrata a jornada mítica de Odisseu de volta para casa após vencer a guerra de Troia. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quem-é-quem-em-a-odisseia-um-dos-filmes-mais-esperados-do-ano/a-77973074?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 24 | |||
| Id | 77974734 | ||
| Date | 2026-07-15 | ||
| Title | Após anos de debate, França está a um passo de legalizar o suicídio assistido | ||
| Short title | França a um passo de legalizar o suicídio assistido | ||
| Teaser |
Projeto de lei aprovado por deputados institui o direito à morte assistida para doentes terminais que queiram encerrar a vida. Entrada em vigor depende de aval do Conselho Constitucional. A Assembleia Nacional da França aprovou em definitivo nesta quarta-feira (15/07), por 291 votos a 241, um projeto de lei que autoriza o suicídio assistido em adultos, após anos de debate. O direito à morte assistida é defendido pelo presidente Emmanuel Macron, que se reelegeu em 2022 sob a promessa de emplacar uma lei sobre o tema. "Em 2022, assumi o compromisso de abrir esse caminho com o povo francês", escreveu Macron no X. "Com seriedade, humildade e pleno respeito à nossa democracia, esse compromisso foi cumprido." Apesar de a lei ter sido rejeitada pelo Senado, onde os conservadores têm maioria, o governo permitiu que a Assembleia Nacional tivesse a palavra final sobre o projeto, conforme prevê a Constituição. A mudança é considerada uma das reformas sociais mais importantes no país desde a autorização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2012. Mas ainda precisa do aval do Conselho Constitucional, a mais alta autoridade constitucional do país, antes de virar lei. O Conselho, cujas decisões são vinculantes, pode, em casos extremos, declarar uma lei inteira inválida ou manifestar restrições a determinados trechos. Qual é a situação hoje na França?A França, um país de forte tradição católica, tem enfrentado questões legais, médicas, morais e religiosas sobre as opções para o fim da vida. A legislação atual permite que médicos mantenham pacientes terminais sedados antes da morte, mas não autoriza o suicídio assistido nem a eutanásia. Muitos franceses viajaram para países vizinhos onde o suicídio assistido por médicos ou a eutanásia são legais. O suicídio assistido por médicos geralmente envolve um paciente que toma voluntariamente uma medicação letal prescrita por um médico. Já a eutanásia envolve um médico ou outro profissional de saúde administrando uma injeção letal a pedido do paciente. O que deve mudar?A nova lei institui o direito à morte assistida para adultos, desde que se trate de doentes terminais em estado de plena consciência. É preciso ter ao menos 18 anos e ser cidadão francês ou residir legalmente no país. A eutanásia terá que ser prescrita por um médico, que por sua vez terá que ouvir outros profissionais de saúde para confirmar que o paciente tem uma doença grave, incurável e potencialmente fatal. O paciente deve estar em estágio avançado ou terminal da doença, sofrendo dores que não podem ser aliviadas ou que sejam insuportáveis, e solicitar a medicação letal por livre e espontânea vontade. Nos casos em que os pacientes não têm condições de administrar a medicação letal por conta própria, eles teriam que ser auxiliados por um médico ou enfermeiro. O pedido precisa partir do paciente, e será analisado por profissionais de saúde em até 15 dias. Depois, o paciente precisa confirmar seu desejo após um período de reflexão de pelo menos dois dias. A administração da medicação letal poderá ser feita no momento e no local de escolha do paciente, inclusive em casa ou em uma unidade de saúde, na presença de familiares ou pessoas próximas, caso deseje. Na data escolhida, o médico ou enfermeiro deverá verificar se a pessoa ainda deseja prosseguir e permanecer por perto para intervir caso surjam complicações. O sistema público francês de saúde cobrirá todos os custos relacionados. Exceções à leiOs parlamentares especificaram que o sofrimento psicológico, por si só, não qualificará uma pessoa para a morte assistida por médicos. Pessoas com transtornos psiquiátricos graves ou doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, também não serão elegíveis. Argumentos pró e contraA Associação pelo Direito de Morrer com Dignidade afirmou que a lei permitirá às pessoas "escolher acabar com um sofrimento insuportável, de forma livre e plenamente consciente". Seu presidente, Jonathan Denis, destacou que "uma lei que cria um novo direito nunca obriga ninguém a exercê-lo". "Ela garante, no entanto, que cada pessoa permaneça no centro das decisões médicas que lhe dizem respeito e tenha sua vontade respeitada", acrescentou Denis. Opositores da lei argumentam que ela pode exercer pressão sobre idosos e pessoas que vivem com doenças ou deficiências. Em uma carta aberta a Macron, o grupo anti-eutanásia Alliance Vita afirmou que "todos os esforços devem ser feitos para garantir que pessoas em sofrimento tenham acesso imediato a cuidados paliativos e apoio. Apresentar a morte como uma solução desejável jamais pode ser uma resposta aceitável ao sofrimento e é contrário à dignidade humana". À DW, os ativistas Lilli Guigueno e Nikola Dobric, que defendem os direitos das pessoas com deficiência, disseram temer que essas pessoas possam se sentir pressionadas a recorrer à morte assistida, mesmo que não estejam em fase terminal. Segundo eles, o livre arbítrio dessas pessoas também é moldado pela forma como a sociedade vê as pessoas com deficiência. Quais países autorizam a eutanásia?A eutanásia é legal sob determinadas condições em alguns países, como Bélgica, Holanda, Espanha, Uruguai e Canadá, enquanto o suicídio assistido é permitido em outros e em diversos estados dos Estados Unidos. As opções para o fim da vida também estão em debate no Reino Unido. Um projeto para legalizar a morte assistida na Inglaterra e no País de Gales voltará formalmente ao Parlamento em 11 de setembro, cinco meses após não ter avançado durante a sessão legislativa anterior. Na Alemanha, o Bundestag (Parlamento) analisou em 2023 duas propostas para regulamentar a morte assistida e rejeitou ambas. ra/as (AP, AFP, DW) Se você enfrenta problemas emocionais e tem pensamentos suicidas, não deixe de procurar ajuda profissional. Você pode buscar ajuda neste site: https://www.befrienders.org/portugese --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Texto aprovado na Assembleia Nacional introduz o direito à morte assistida para doentes terminais a partir dos 18 anos. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/após-anos-de-debate-frança-está-a-um-passo-de-legalizar-o-suicídio-assistido/a-77974734?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Ap%C3%B3s%20anos%20de%20debate%2C%20Fran%C3%A7a%20est%C3%A1%20a%20um%20passo%20de%20legalizar%20o%20suic%C3%ADdio%20assistido | ||
| Item 25 | |||
| Id | 77973895 | ||
| Date | 2026-07-15 | ||
| Title | Tropeçou na sua roupa? Não é de hoje que a moda é perigosa | ||
| Short title | Tropeçou na sua roupa? Não é de hoje que a moda é perigosa | ||
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Uma calça da Zara chocou internautas após relatos de quedas atribuídas à peça viralizarem. Mas roupas perigosas estão longe de ser um fenômeno contemporâneo. Uma calça larga da Zara está causando uma controvérsia viral nas redes sociais. Várias mulheres relatam no TikTok e no Instagram quedas, escoriações e até fraturas, algo que aparentemente está relacionado à largura extrema da peça de cetim. Elas afirmam que, ao caminhar, um pé pode facilmente se prender na outra perna da calça, fazendo-as tropeçar. Os relatos circulam sob a hashtag #deadlyzarapants ("calças mortais da Zara").
Um olhar para a história da moda, contudo, mostra que ela já foi muito mais perigosa do que a mais recente trend viral das redes sugere. Vestidos de baile com arsênio no século 19No século 19, vestidos verdes eram extremamente desejados. Até então, a maioria das pessoas usava principalmente tons terrosos discretos, obtidos de forma natural. Depois, químicos descobriram o brilhante acetoarsenito de cobre verde, que um empresário bávaro passou a comercializar em escala industrial, abastecendo também fábricas têxteis. Uma aparição espetacular da imperatriz francesa Eugénie em um baile noturno usando justamente esse tom, conhecido como "Verde de Schweinfurt", virou o mundo da moda parisiense de cabeça para baixo. A cor virou tendência da moda europeia, e seu nome alemão logo deu lugar a uma versão internacional, mais fácil de pronunciar: "Verde de Paris". O que já se sabia no início, mas foi ignorado, é que o pigmento era extremamente tóxico e também era usado como veneno para ratos e insetos. Quando mulheres usando esses vestidos suavam durante as danças, o veneno se desprendia do tecido. As consequências incluíam úlceras dolorosas na pele, queda de cabelo, náuseas e intoxicações crônicas progressivas. Além disso, o pó escapava para o ar. Não existem números exatos sobre mortes, mas um médico de Berlim comprovou que, em uma única noite de baile, cerca de 4 gramas de fino pó de arsênio se desprendiam do vestido e eram dispersados inadvertidamente no ambiente — quantidade suficiente, em caso de ingestão, para matar cerca de 20 pessoas. Pouco práticas e altamente inflamáveis: saias de armaçãoTambém no século 19, as crinolinas eram muito populares: enormes saias de armação feitas de aço e crina de cavalo. Além de extremamente incômodas para qualquer mulher que precisasse se movimentar, as peças íntimas revelaram-se um perigo mortal. Ao entrar em contato com velas ou com o fogo da lareira, essas saias podiam pegar fogo facilmente e ardiam em poucos instantes. Como suas usuárias não conseguiam se livrar delas sozinhas, as crinolinas transformavam-se em armadilhas fatais. Historiadores estimam que incêndios envolvendo crinolinas tenham causado a morte de várias milhares de mulheres entre o fim da década de 1850 e durante a década de 1860 só no Reino Unido. Espartilhos que provocavam desmaiosOs espartilhos voltaram à moda — ou talvez nunca tenham saído dela. Estrelas como Taylor Swift, Billie Eilish e Kim Kardashian são prova disso. Há séculos, as mulheres usam corpetes justos para destacar e moldar a cintura. Uma cintura fina simbolizava juventude, enquanto quadris destacados sugeriam fertilidade. No século 19, essa busca pelo formato ideal atingiu, em alguns períodos, níveis extremos por meio do chamado tight-lacing ("aperto extremo"). Com a ajuda de hastes rígidas de barbatanas de baleia ou aço, os corpos das jovens eram comprimidos centímetro por centímetro. O aperto provocado pelas peças podia causar sérias consequências à saúde. A pressão intensa do espartilho às vezes deformava as costelas inferiores e comprimía os órgãos internos. Médicos da época relatavam graves problemas digestivos, já que estômago e intestinos ficavam sob constante pressão. Ao mesmo tempo, um espartilho excessivamente apertado limitava a mobilidade da caixa torácica, tornando a respiração mais superficial. Por isso, tonturas e desmaios eram considerados efeitos colaterais típicos. Além disso, historiadores e médicos acreditam que o uso contínuo de espartilhos com forte sustentação pode enfraquecer a musculatura do tronco. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Mulheres no século 19 usavam vestidos com arsênio, roupas íntimas inflamáveis e acessórios que as impediam de respirar. | ||
| Author | Katharina Abel | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/tropeçou-na-sua-roupa-não-é-de-hoje-que-a-moda-é-perigosa/a-77973895?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 26 | |||
| Id | 77971829 | ||
| Date | 2026-07-15 | ||
| Title | A influência da Copa do Mundo na saúde mental | ||
| Short title | A influência da Copa do Mundo na saúde mental | ||
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Para psicóloga, experiências coletivas vividas durante o torneio vão além da emoção e fortalecem o senso de pertencimento, fator essencial para o equilíbrio emocional. Depois de um gol, pessoas se abraçam mesmo tendo acabado de se conhecer. Camisas mudam de dono e, de repente, todos estão torcendo pelo mesmo time. Em uma Copa do Mundo de Futebol, isso parece quase normal. Para Katie Wood, psicóloga clínica da Universidade Swinburne, em Melbourne, esses não são apenas momentos emocionantes entre torcedores, mas verdadeiras ferramentas para a saúde mental. "O maior fator de proteção para a nossa saúde mental é a sensação de conexão: a conexão conosco mesmos, com outras pessoas, com a nossa comunidade e com a nossa cultura", explica Wood em entrevista à DW. E o esporte, na visão dela, toca exatamente nesse ponto: ele aproxima as pessoas. Essa forma de conexão não surge apenas na família ou entre amigos. Ela também pode aparecer quando alguém se sente, ainda que por um instante, parte de algo maior. Uma Copa do Mundo costuma criar esse sentimento de maneira surpreendentemente rápida, até mesmo entre pessoas que nunca se viram antes. Americanos participam de festa de torcedores argelinosComo isso acontece na prática pode ser visto repetidamente nesta Copa do Mundo: torcedores de diferentes países comemoram juntos, trocam camisas ou passam a apoiar lado a lado a mesma seleção. Em Lawrence, no estado americano do Kansas, o centro da cidade virou um grande espaço de transmissão pública durante a partida entre Argélia e Áustria. Como a seleção argelina havia escolhido a cidade como base durante o torneio, centenas de moradores apareceram usando camisas da Argélia, com as cores nacionais pintadas no rosto e bandeiras nas mãos. Em outros lugares também ficou claro como o futebol pode construir pontes rapidamente. Após as oitavas de final entre Suíça e Colômbia, em Vancouver, no Canadá, dois torcedores trocaram suas camisas como lembrança da noite que compartilharam. Em Seattle, por sua vez, um torcedor da Bélgica consolou um fã americano decepcionado após a eliminação dos Estados Unidos. Um visitante em São Francisco contou à DW um momento que ficou marcado em sua memória: "Um homem viu minha camisa. Ele não me conhecia. Veio até mim, me abraçou e disse apenas: 'Isto é a Copa do Mundo'." A camisa que o americano usava era a de Zinedine Zidane na Copa do Mundo de 1998. Pertencer é uma necessidade básicaÉ justamente nisso que Katie Wood vê a força especial de um torneio como a Copa do Mundo. Pessoas que provavelmente nunca se encontrariam na vida cotidiana compartilham, por algum tempo, os mesmos sentimentos. "Você pode vir dos contextos mais diferentes. Mas, no momento em que apoia a mesma equipe, surge uma experiência coletiva com um objetivo em comum."
Vídeos de brasileiros vivendo momentos parecidos nos EUA também se espalharam, mesmo após a derrota da seleção para a Noruega. Também de cidadãos da Índia, de Bangladesh ou do Líbano carregando a bandeira do Brasil. Em todo o mundo, apoios à seleção de Cabo Verde ganharam as redes sociais. Esse objetivo atende a uma necessidade básica que muitos subestimam: pertencer. Não importa se alguém é torcedor há décadas ou está acompanhando uma partida pela primeira vez. O mais importante é aquilo que se vive em conjunto: a expectativa antes do apito inicial, a comemoração após um gol ou a frustração compartilhada depois de uma derrota. "Ninguém sabe o que cada um de nós enfrenta no dia a dia", disse um visitante de uma fan zone à DW. "Por isso, momentos como esses são tão especiais." E mesmo quem não tem uma seleção favorita pode se deixar levar pelo clima. "Estou simplesmente feliz", disse um visitante na Filadélfia à DW. "Nem tenho um time, mas passei a adorar assistir aos jogos." Copa do Mundo como fuga da rotinaWood destaca ainda outro aspecto: uma Copa do Mundo pode ajudar as pessoas a se distanciarem da rotina por algum tempo. "Quando tantas coisas estão acontecendo no mundo, procuramos maneiras de escapar do cotidiano por um momento", explica. "E viver a Copa do Mundo com tudo o que a envolve, ao lado de outras pessoas, é uma forma muito saudável de fazer isso." Claro que, em um torneio como a Copa do Mundo, o futebol costuma estar no centro das atenções. Mas, para muitos torcedores, as lembranças mais marcantes surgem justamente fora das quatro linhas. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Para psicóloga, experiências coletivas vividas durante o torneio fortalecem o senso de pertencimento. | ||
| Author | Mathias Brück (Canadá) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-influência-da-copa-do-mundo-na-saúde-mental/a-77971829?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=A%20influ%C3%AAncia%20da%20Copa%20do%20Mundo%20na%20sa%C3%BAde%20mental | ||
| Item 27 | |||
| Id | 77971580 | ||
| Date | 2026-07-15 | ||
| Title | Vacinação infantil cresce, mas não recupera nível pré-covid | ||
| Short title | Vacinação infantil cresce, mas não recupera nível pré-covid | ||
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ONU alerta que 13,5 milhões de crianças seguem sem nenhuma dose, enquanto conflitos, desinformação e cortes de recursos ameaçam o progresso alcançado. Dados divulgados pela ONU nesta quarta-feira (15/05) revelam que os níveis globais de vacinação infantil melhoraram ligeiramente no ano passado. A entidade, porém, alertou que cortes drásticos no financiamento, conflitos e desinformação ao redor do mundo ainda ampliam as perigosas lacunas de cobertura e permitem que surtos se alastrem. Em 2025, 90% dos bebês em todo o mundo, ou seja, quase 116 milhões, receberam pelo menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) – a vacina tríplice bacteriana –, enquanto 85% completaram o esquema de três doses, de acordo com dados publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Os números podem parecer otimistas – com ambos os indicadores subindo um ponto percentual em relação a 2024 e quatro pontos desde 2021 –, mas eles permaneceram um ponto percentual abaixo dos níveis de 2019, antes que a pandemia de covid-19 causasse fortes estragos nos programas globais de vacinação. Isso significa que "milhões de crianças vulneráveis ainda estão desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos e pobreza", afirmou em nota a diretora-geral do Unicef, Catherine Russell. "Nenhuma criança deveria sofrer de uma doença que uma simples vacina pode prevenir", sublinhou. Mais de 13 milhões de crianças sem vacinaçãoDe acordo com os dados, estima-se que 13,5 milhões de crianças, as chamadas "dose zero", não receberam nenhuma dose da vacina no primeiro ano de vida em 2025. Apesar de ainda elevado, o total caiu 750 mil em relação a 2024 e ficou cerca de 1 milhão abaixo do registrado em 2023, indicando avanço na cobertura vacinal. As agências da ONU alertaram que um número cada vez maior de crianças, principalmente em países mais pobres, inicia o esquema vacinal, mas não o completa. Globalmente, os dados mostraram que cerca de 7,3 milhões de bebês receberam a primeira dose da vacina DTP nos primeiros meses de vida, mas não foram imunizados com a primeira dose da vacina contra o sarampo, geralmente administrada entre nove e doze meses. "Acreditamos que isso está claramente relacionado, em alguns contextos, a informações falsas e desinformação disseminadas sobre a vacinação contra o sarampo", disse Kate O'Brien, diretora de vacinas da OMS. As desistências contribuíram para que a cobertura vacinal contra o sarampo estagnasse: 84% das crianças em todo o mundo recebem a primeira dose, e apenas 77%, a segunda, muito aquém dos 95% necessários para evitar a disseminação da doença altamente contagiosa. "As consequências estão sendo sentidas agora", disse O'Brien. Ela destacou que, no total, "57 países relataram surtos de sarampo de grande porte ou com consequências graves em 2025". No geral, o mundo viu "números sem precedentes de surtos" no ano passado, com "mais surtos de difteria e de cólera", além da disseminação do sarampo. Cortes no financiamentoO'Brien alertou que este era um primeiro indício do impacto dos cortes drásticos na ajuda humanitária externa dos Estados Unidos, mas também de outros países, desde o retorno do presidente americano, Donald Trump, à Casa Branca. "Não acreditamos que o impacto desses cortes de financiamento esteja totalmente refletido nos dados de 2025", disse O'Brien. "Nossas preocupações se concentram no que acontecerá nos programas em 2026 e no que ainda está por vir". Os surtos, no entanto, já indicavam "falhas reais no sistema de imunização", alertou a especialista. O chefe de imunização do Unicef, Ephrem Lemango, também alertou que os cortes de financiamento estão afetando os sistemas de dados necessários para monitorar o efeito desses cortes. "Nossa capacidade de ter uma vigilância robusta dos surtos foi consideravelmente impactada", disse. Em uma nota positiva, o relatório mostrou que a cobertura vacinal contra uma série de doenças atingiu um recorde nos 57 países de baixa renda apoiados pela aliança de vacinas Gavi. Mas essa organização alertou que a diminuição do financiamento para suas operações pode ter consequências graves no futuro. "Acreditamos que 600 mil vidas que poderiam ter sido salvas serão afetadas", disse Thabani Maphosa, diretor de operações da Gavi. rc/le (AFP, EPD) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | ONU alerta que 13,5 milhões de crianças seguem sem nenhuma dose, em meio a conflitos, desinformação e cortes. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/vacinação-infantil-cresce-mas-não-recupera-nível-pré-covid/a-77971580?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Vacina%C3%A7%C3%A3o%20infantil%20cresce%2C%20mas%20n%C3%A3o%20recupera%20n%C3%ADvel%20pr%C3%A9-covid | ||
| Item 28 | |||
| Id | 77968701 | ||
| Date | 2026-07-15 | ||
| Title | O pequeno ajuste de posição que aumenta o orgasmo feminino | ||
| Short title | O pequeno ajuste de posição que aumenta o orgasmo feminino | ||
| Teaser |
Enquanto 95% dos homens heterossexuais relatam atingir o orgasmo com frequência, entre as mulheres o índice cai para 65%. Uma pequena adaptação da posição "papai e mamãe" pode ajudar a reduzir essa diferença. Existe um problema que a ciência do sexo tenta resolver há décadas. Chama-se "diferença de orgasmo" e afeta principalmente casais heterossexuais. Um estudo publicado em 2017 no periódico científico Archives of Sexual Behavior resumiu a questão com um dado difícil de ignorar: 95% dos homens heterossexuais relataram atingir o orgasmo regularmente durante o sexo. Entre as mulheres heterossexuais, esse número caiu para 65%. No entanto, entre as mulheres lésbicas essa porcentagem é de 86%. Por quê? Parte da explicação pode estar relacionada em uma das posições mais comuns entre os casais: a "papai e mamãe", que continua sendo um clássico no sexo heterossexual, embora também tenha a reputação de ser rotineira e monôtona. Mas o que realmente chama a atenção não é o fato de ser entediante para alguns, mas, sim, que não parece ser particularmente eficaz para o prazer. Em um artigo da revista científica Psychology Today, o especialista em sexualidade Michael Castleman cita estudos que mostram que apenas uma em cada quatro mulheres atinge o orgasmo consistentemente na posição clássica, independentemente do tamanho do pênis ou da duração da relação. A resposta, porém, tem mais a ver com anatomia. Nessa posição, o pênis raramente estimula diretamente o clitóris, o principal órgão associado ao orgasmo feminino. Se essa área recebe pouca fricção, é menos provável que o orgasmo seja alcançado apenas pela penetração. Pequena mudança, grande diferençaMas há boas notícias. Há quase 40 anos, diversos pesquisadores e terapeutas sexuais vêm discutindo um pequeno ajuste que modifica a mecânica da posição. Essa mudança é conhecida como técnica de alinhamento coital, ou CAT (do inglês coital alignment technique). Seu apelido é consideravelmente menos elegante. Em inglês, é chamada de "ralar milho", imagem que descreve surpreendentemente bem o movimento. A técnica CAT não surgiu no TikTok nem em nenhum fórum da internet. Ela foi propagada pelo psicoterapeuta americano Edward Eichel em 1988 e, na época, causou grande alvoroço: artigos, um livro inteiro (The Perfect Fit, sem edição no Brasil) e uma onda de atenção da mídia que, segundo Castleman, desapareceu quase tão rápido quanto surgiu. Na década de 1990, era pouco mais que uma nota de rodapé na sexologia americana. No entanto, o interesse científico não desapareceu completamente. Embora tenha deixado de receber atenção da mídia, a técnica continuou sendo abordada em diversos estudos. Em um estudo realizado com mulheres que não conseguiam atingir o orgasmo usando a posição convencional, aquelas que aprenderam a técnica CAT aumentaram a frequência de seus orgasmos em 56%. Em comparação, entre as participantes que realizaram apenas exercícios de masturbação guiada, a melhora foi de 27%, de acordo com estudos citados por Castleman na Psychology Today. Como se pratica a técnicaNa prática, a mudança é muito mais simples do que o nome sugere. Em vez de se posicionarem exatamente frente a frente, a pessoa que está por cima move o corpo alguns centímetros para a frente até que o peito fique aproximadamente na altura dos ombros da outra pessoa. Essa pequena mudança permite que a base do pênis roce no clitóris durante o movimento. E esse detalhe faz toda a diferença. Em vez de buscar penetração repetida, a prioridade passa a ser manter o contato entre as pélvis por meio de um movimento mais curto, contínuo e quase circular, no qual a fricção assume o papel principal. O terapeuta sexual Ian Kerner resume isso de forma simples para a revista Women's Health. Uma penetração particularmente profunda não é fundamentalmente necessária. O importante, garante Kerner, é manter uma pressão constante no clitóris. Para facilitar esse contato, alguns especialistas recomendam colocar uma almofada sob os quadris da pessoa que está por baixo para melhorar o ângulo, uma sugestão que está de acordo com um pequeno estudo publicado na revista Sexologies, divulgada pelo portal científico IFLScience. Nesse estudo, os autores mediram o fluxo sanguíneo para o clitóris em cinco posições diferentes e descobriram que a "papai e mamãe" com um travesseiro sob a pélvis produziu o maior aumento. No entanto, no caso deste estudo, é importante não tirar conclusões precipitadas. Os próprios autores reconhecem limitações significativas. Apenas um casal heterossexual participou, portanto, os resultados não podem ser extrapolados para a população em geral. Além disso, os pesquisadores não mediram orgasmos. Eles analisaram apenas o fluxo sanguíneo como indicador de excitação. Mesmo com essas limitações, a ideia subjacente está alinhada com o que outros estudos e especialistas sugerem: para muitas mulheres, a penetração por si só não proporciona a estimulação necessária para atingir o orgasmo. Precisamente por esse motivo, a técnica de alinhamento coital não consiste em uma posição rígida, mas sim em adaptar o contato e o ângulo para promover essa estimulação. Ian Kerner explicou à revista Women's Health que não existe uma única maneira correta de praticá-la. Em alguns casos, uma penetração superficial e um ângulo próximo a 90 graus em relação ao clitóris são suficientes. Em outros, uma penetração mais profunda funciona melhor. Um pênis nem sempre é necessárioAlém disso, a técnica não depende necessariamente de um pênis. Pode ser praticada com um arnês e também entre pessoas com vulva. Nesse caso, a sexóloga Gigi Engle sugere colocar uma coxa entre as pernas do parceiro para gerar fricção no osso púbico. Especialistas acrescentam outros pequenos ajustes que podem fazer a diferença. Apertar as coxas para aumentar a pressão, envolver as pernas na cintura do parceiro para sincronizar os movimentos ou incorporar um anel vibratório são algumas delas. E há uma recomendação que aparece em praticamente todos os guias: comunicação. Dizer o que funciona, o que não funciona e fazer ajustes conforme necessário – prestando atenção aos sinais do corpo durante o ato – geralmente é muito mais útil do que confiar que a outra pessoa adivinhe o que está acontecendo. Cada corpo é diferente. Em última análise, a técnica CAT não é uma fórmula mágica, nem funciona da mesma forma para todos. A terapeuta Georgina Vass lembra, em entrevista ao portal Vice, que há pessoas nas quais simplesmente não funcionará, não importa quanta prática acumulem. Nesses casos, é perfeitamente aceitável retornar à posição clássica e adicionar estimulação clitoriana manual. O interessante é que, após quase quatro décadas de estudos dispersos, a conclusão permanece a mesma. Às vezes, a diferença entre um ato sexual frustrante e um muito mais prazeroso não depende de tentar uma posição extravagante. Basta mover o corpo alguns centímetros. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Com foco na estimulação do clitóris, adaptação da tradicional posição "papai e mamãe" pode aumentar o prazer feminino. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-pequeno-ajuste-de-posição-que-aumenta-o-orgasmo-feminino/a-77968701?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 29 | |||
| Id | 77965208 | ||
| Date | 2026-07-15 | ||
| Title | Alemanha planeja restringir lei de acesso a dados públicos | ||
| Short title | Alemanha planeja restringir lei de acesso a dados públicos | ||
| Teaser |
Pacote de reformas do governo Merz propõe mudanças na Lei de Liberdade de Informação, com novas taxas, exigência de "interesse legítimo" e acesso restrito a pessoas físicas e cidadãos europeus.O pacote de reformas apresentado pelo governo alemão no início de julho, voltado para promover um alívio fiscal bilionário, inclui também propostas que enfraquecem a Lei de Liberdade de Informação (IFG) e podem restringir o acesso público a dados governamentais.
Críticos alertam que as mudanças ameaçam descaracterizar a função central da norma ao, por exemplo, exigir "interesse legítimo", prever novas taxas, limitar pedidos a pessoas físicas e cidadãos europeus e ocultar nomes de servidores.
A proposta compõe um pacote de 34 medidas destinadas a economizar 10 bilhões de euros (R$ 57 bilhões) aos cofres públicos e têm impacto direto sobre aposentadoria, impostos, sistema de saúde e burocracia. O pacote, segundo o chanceler federal Friedrich Merz (CDU), busca "colocar a Alemanha novamente nos trilhos", numa tentativa de reverter anos de estagnação econômica.
Governo diz combater ameaças externas
A IFG alemã existe desde 2006 e tem função semelhante à Lei de Acesso à Informação (LAI) brasileira, que garante a qualquer pessoa o direito de obter dados oficiais de órgãos federais. É com base nessa norma alemã que organizações, grupos ambientalistas, entidades de defesa do consumidor e jornalistas solicitam informações às autoridades – obrigadas a responder, exceto em casos ligados à segurança nacional.
Para os partidos governistas liderados pelos conservadores União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU), esse tipo de informação precisa ser tratado com ainda mais cuidado em tempos de atividades globais de guerra cibernética e ataques de hackers. Ainda durante as negociações, o partido de Merz chegou a pedir a "abolição da lei em sua forma atual".
O interesse em alterar o escopo da norma já havia aparecido no acordo de coalizão firmado pela CDU/CSU e pelos social-democratas do SPD em 2025. Agora, a reforma afirma que existe uma necessidade especial de proteção dos dados governamentais em "tempos de uma complexa situação de ameaças internas e externas".
Pessoas físicas, taxas e "interesse legítimo"
Segundo os planos do governo, apenas pessoas físicas, e não mais organizações e associações, manteriam o direito básico de apresentar pedidos de informação. Além disso, demandas que hoje são gratuitas passariam a ter valores significativamente mais altos, com o solicitante sendo obrigado a cobrir os custos administrativos para realizar o serviço.
O governo também quer exigir que o solicitante demonstre "interesse legítimo" para obter o direito de solicitar informações. Hoje não há exigência de apresentar justificativa para pedir informações públicas. Segundo organizações que atuam pela liberdade de informação, como a FragDenStaat, isso barraria 99% dos atuais pedidos.
"O ponto essencial é que o comitê da coalizão decidiu que pedidos só serão permitidos quando houver um interesse especial por parte do solicitante", afirmou o jurista Thomas Fuchs, encarregado da Proteção de Dados e Liberdade de Informação de Hamburgo, à emissora pública alemã ZDF. "Isso é, no fundo, a morte do chamado direito à informação sem requisitos."
Direito restrito a europeus e ocultação de nomes
O governo também pretende avaliar se os direitos previstos na legislação atual podem ser limitados a "alemães e cidadãos da União Europeia residentes na Alemanha", o que restringiria o acesso de jornalistas de outras nacionalidades, por exemplo, a informações públicas.
Em comparação, tanto a LAI brasileira quanto a Freedom of Information Act (FOIA), dos EUA, permitem que estrangeiros e pessoas jurídicas protocolem pedidos de informação.
Outra mudança prevista é a possibilidade de sempre ocultar nomes de funcionários públicos em respostas oficiais, sob o argumento de protegê-los de "hostilidade e ameaças".
Dados relacionados à infraestrutura crítica, contraespionagem ecombate ao terrorismo passariam a receber tratamento ainda mais restritivo, ampliando as barreiras para solicitações feitas com base na IFG.
Críticos acusam esvaziamento da norma
Críticos afirmam que o conjunto das alterações tende a reduzir a transparência governamental e a esvaziar a função central da IFG. Associações afirmam que a exigência de "interesse legítimo" para protocolar pedidos inverte o princípio fundamental da lei e que a ocultação generalizada de nomes cria uma caixa-preta, dificultando o trabalho de ONGs e da imprensa.
O deputado Konstantin von Notz, do Partido Verde e membro do órgão parlamentar responsável pela supervisão dos serviços de inteligência, afirma que o Estado enfraquece suas bases legais de transparência sob o pretexto de se adaptar a novas ameaças à segurança.
A proposta representa "um grande retrocesso em relação a direitos dos cidadãos conquistados com muito esforço", diz.
Um total de 110 grupos da sociedade civil, entre eles Greenpeace, Transparência Internacional e Anistia Internacional, exigiram do governo que a atual lei permaneça intocada. "Quem limita o direito de acesso à informação a casos individuais sujeitos a justificativa, exclui organizações e eleva as taxas a níveis imprevisíveis, acaba, na prática, com a liberdade de informação", afirmaram.
"Se o governo federal agora pretende restringir os direitos de acesso à informação, dificultará o controle e a participação da sociedade, reduzirá a aceitação em temas como infraestrutura, uso do solo, proteção das espécies e proteção climática. Assim não se constrói confiança, mas mais desconfiança", disse à DW Martin Kaiser, especialista em clima do Greenpeace.
As críticas foram tão intensas que até parlamentares da base governista admitem reavaliar a reforma planejada. Enquanto as lideranças do SPD, que compõem a coalizão de Merz, apoiam a proposta do governo, membros da bancada da sigla divulgaram uma declaração conjunta contra os planos.
"Não pode haver redução dos atuais direitos de acesso à informação para cidadãos, imprensa e sociedade civil. A bancada do SPD no Bundestag não dará apoio à eliminação do atual nível de transparência garantido pela Lei de Liberdade de Informação."
Cerca de 100 mil solicitações em sete anos
Segundo dados oficiais do Bundestag (Parlamento alemão), o direito de acesso à informação é amplamente utilizado na Alemanha. Entre 2015 e 2022 foram apresentados aproximadamente 105 mil pedidos de informação a autoridades alemãs.
Apenas numa pequena parcela dos casos, cerca de 16.200, as informações foram fornecidas parcialmente, e em aproximadamente 9 mil casos os pedidos foram totalmente negados. O restante foi considerado respondido, segundo o governo federal.
Segundo a FragDenStaat, que já reuniu mais de 470 mil assinaturas contra a reforma, escândalos recentes do governo alemão foram revelados graças à Lei de Liberdade de Informação.
Pedidos de informação revelaram detalhes sobre contratos emergenciais e compras superfaturadas de máscaras durante a pandemia com suspeita de favorecimento político; expuseram falhas graves de planejamento associadas a um projeto ferroviário na Baviera e mostraram que parte do controle fronteiriço conduzido pela atual gestão ultrapassava limites legais.
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| Short teaser | Pacote de reformas deve restringir benefício a europeus, impor novas taxas e exigir "interesse legítimo". | ||
| Author | Jens Thurau, Gustavo Queiroz | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemanha-planeja-restringir-lei-de-acesso-a-dados-públicos/a-77965208?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Proposta foi incluída no recente pacote de reformas do governo de Merz | ||
| Image source | Bernd von Jutrczenka/dpa/picture alliance | ||
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| Item 30 | |||
| Id | 77963247 | ||
| Date | 2026-07-15 | ||
| Title | Os símbolos usados no aliciamento sexual em ambientes digitais | ||
| Short title | Os símbolos usados no aliciamento sexual na internet | ||
| Teaser |
Especialistas explicam como aliciadores usam emojis e outros símbolos para se aproximar de crianças e adolescentes em redes sociais e jogos online e qual o padrão comportamental deles para manipular as vítimas.Emojis, expressões e outros símbolos aparentemente inofensivos podem fazer parte de estratégias de aliciadores para ser aproximar de crianças e adolescentes em ambientes digitais.
Em determinados contextos, esses elementos deixam de ter o significado original e passam a funcionar como formas de comunicação dentro de grupos fechados, o que dificulta a sua identificação por usuários e pelas próprias plataformas digitais.
Embora haja relatos recentes de circulação desses códigos em aplicativos de relacionamento e redes sociais, especialistas alertam que o fenômeno não está restrito a uma única plataforma.
Segundo pesquisadores ouvidos pela DW, mais importante do que conhecer cada símbolo é entender como funciona o processo de aliciamento, que muda constantemente e se adapta à medida que determinadas práticas se tornam conhecidas.
"A divulgação indiscriminada desses códigos pode ampliar seu alcance e facilitar que pessoas mal-intencionadas os adotem. Assim, evita-se publicá-los justamente pelo risco de operacionalizar a prática", afirma a psicopedagoga Patrícia Espíndola de Lima Teixeira, coordenadora do Observatório Juventudes da PUC-RS.
Segundo ela, pesquisadores, autoridades policiais e organizações de proteção têm priorizado explicar os mecanismos de aliciamento e não reproduzir os códigos utilizados por esses grupos.
O processo de aliciamento é conhecido internacionalmente como grooming. O conceito descreve uma estratégia gradual de construção de confiança, manipulação emocional e redução das defesas do adolescente. Geralmente, nas etapas iniciais, não há conteúdo sexual explícito.
"Vai acontecendo paulatinamente uma apropriação de símbolos, emojis, palavras e imagens de uso cotidiano. Na prática, dentro de comunidades digitais fechadas, há uma recodificação, e aquilo que era inocente torna-se outra mensagem", afirma Teixeira. A especialista ressalta ainda que esses códigos são dinâmicos e costumam ser substituídos assim que passam a ser identificados.
Os símbolos mais comuns
O que diferencia um código usado por pessoas envolvidas na exploração sexual de crianças e adolescentes de um símbolo comum é o contexto em que ele aparece.
Isoladamente, um emoji, uma palavra ou uma imagem não indicam prática criminosa. O significado passa a existir quando esses elementos são combinados e inseridos num conjunto de comportamentos que podem indicar uma tentativa de aproximação, aliciamento ou compartilhamento de material de abuso sexual infantil. "Eu sempre explico que o emoji sozinho não significa nada", destaca a educadora Sheylli Caleffi. Segundo ela, símbolos de uso cotidiano acabam sendo apropriados justamente por despertarem menos suspeitas.
Entre os exemplos mais conhecidos estão referências à pizza, à bola de futebol americano, ao espiral azul e ao pirulito. Em alguns casos, a palavra "leque", abreviatura de moleque, também pode ser associada à pedofilia. "A bola de futebol americano, por exemplo, os criminosos costumam associar com um jogador de futebol americano que foi preso por estupro de vulnerável", diz.
"Importante salientar também que você não vai denunciar uma pessoa por ela usar um emoji. Não tem como. Aquilo é uma sinalização entre eles, justamente para camuflar as reais intenções. O importante é você começar a perceber e rapidamente denunciar assim que alguma coisa mais explícita for dita", diz Caleffi.
O advogado Bernardo Fico, especialista em Direito Digital e diretor do Legal Wings Institute, explica que não existe um código universal ou permanente. Segundo ele, a Internet Watch Foundation (IWF), organização internacional especializada na identificação e remoção de material de abuso sexual infantil, mantém uma lista de palavras, expressões e símbolos utilizados exclusivamente por seus membros e atualizada mensalmente. "Determinadas palavras podem ser totalmente comuns quando consideradas isoladamente, mas adquirem significado ilícito quando empregadas em combinações específicas ou dentro de determinado contexto", afirma.
Um dos exemplos mais documentados envolve referências à expressão inglesa cheese pizza, cujas iniciais, CP, passaram a ser utilizadas por alguns grupos como forma de ocultar menções a material de abuso sexual infantil. "As iniciais CP são usadas como forma codificada de alusão à expressão child pornography (pornografia infantil)", explica o advogado.
Outro caso citado por Fico é o uso da palavra corn ("milho", em inglês), empregada em alguns ambientes digitais como substituta da palavra "pornografia" para tentar contornar mecanismos de moderação das plataformas. O advogado ressalta, porém, que esse uso também aparece amplamente em contextos relacionados a conteúdo adulto legal e, por isso, pode não possuir qualquer relação automática com crimes envolvendo crianças e adolescentes.
A forma como esses símbolos são utilizados também levanta questionamentos sobre os mecanismos de busca e recomendação das plataformas. Durante a apuração desta reportagem, foi possível localizar resultados associados a alguns desses termos no TikTok.
Segundo Fico, os códigos mudam à medida que passam a ser identificados por plataformas e autoridades. "O indício somente adquire relevância quando aparece associado a um conjunto de fatores, como uma conta adulta que interage repetidamente com perfis de crianças, utiliza linguagem de compra ou troca, tenta migrar a conversa para aplicativos privados ou adota outros comportamentos compatíveis com estratégias de aliciamento", diz.
Como identificar aliciadores
Ao contrário do que se costuma imaginar, não existe um perfil único que sirva para identificar pessoas envolvidas no aliciamento de crianças e adolescentes no ambiente digital.
"O que costuma aparecer com frequência é um padrão comportamental de manipulação, paciência e adaptação às vulnerabilidades da vítima", afirma Teixeira.
Segundo ela, é importante desconstruir o estereótipo do "estranho misterioso", já que, em muitos casos, o aliciador é alguém que já possui algum tipo de acesso à vítima – por meio da família, da escola ou de atividades extracurriculares – ou que constrói essa proximidade de forma deliberada e paciente pela internet.
A especialista explica que esse processo costuma ocorrer de maneira progressiva. O criminoso testa limites, observa a reação da criança, do adolescente e da família, recua quando percebe risco de ser descoberto e adapta a abordagem conforme a resposta obtida. Na internet, também pode operar com múltiplos perfis simultaneamente e utilizar estratégias diferentes para cada vítima.
Segundo a psicopedagoga, diferentes plataformas acabam sendo utilizadas em etapas distintas desse processo. Redes sociais podem servir para o primeiro contato, que depois migra para mensagens privadas. Jogos online oferecem chats integrados, reduzindo a percepção de risco por parte de pais e adolescentes. Já aplicativos de mensagens criptografadas costumam ser utilizados numa fase posterior, dificultando a detecção das conversas por terceiros.
Para a pesquisadora, embora as plataformas tenham ampliado seus mecanismos de segurança, ainda existem limitações na verificação de idade e nos sistemas de recomendação, que podem aproximar perfis com interesses semelhantes.
Ela ressalta, no entanto, que os códigos representam apenas uma parte do problema. "O risco principal continua sendo a vulnerabilidade relacional. Predadores exploram carências afetivas, solidão, necessidade de reconhecimento e confiança, muito antes de recorrerem a qualquer símbolo."
Como se proteger e denunciar
O recomendado é que crianças e adolescentes não tenham livre acesso a redes sociais e jogos online. Pais e responsáveis devem estar atentos a quantas horas os filhos passam em frente às telas e se há alguma mudança de comportamento.
Aplicativos de controle parental também podem ser usados como ferramentas para que adultos monitorem buscas, gerenciem o tempo de tela e bloqueiem acessos inadequados nos celulares dos filhos.
Diante de uma suspeita de aliciamento ou exploração sexual de crianças e adolescentes na internet, especialistas orientam que a prioridade é preservar as evidências e acionar os canais oficiais de denúncia.
Segundo Thiago Vizoli, gerente de advocacy da Childhood Brasil, a aprovação do ECA Digital trouxe novas obrigações para as plataformas em relação à remoção e comunicação de conteúdos de aparente exploração sexual infantil. Para pais, responsáveis e demais pessoas físicas, no entanto, o procedimento continua o mesmo. "O fluxo segue sendo a delegacia da Polícia Civil. A maior parte das delegacias já tem um boletim de ocorrência online, que pode ser preenchido", afirma.
Além do registro da ocorrência, há outros canais que podem ser acionados. O Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, funciona gratuitamente 24 horas por dia e recebe denúncias anônimas. O aplicativo Proteja Brasil, desenvolvido pelo Unicef Brasil em parceria com o ministério, também permite encaminhar denúncias e localizar órgãos da rede de proteção.
Já a SaferNet Brasil recebe denúncias de crimes e violações de direitos humanos praticados na internet, incluindo conteúdos relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes. O Conselho Tutelar também pode ser acionado para aplicar medidas de proteção e encaminhar o caso aos órgãos competentes.
Teixeira, da PUCRS, lembra ainda que crianças, adolescentes e seus familiares também devem receber acompanhamento psicológico. "O cuidado emocional faz parte da proteção e pode ser fundamental durante todo o processo", afirma.
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| Short teaser | Especialistas explicam como aliciadores usam emojis e outros símbolos para se aproximar de crianças e adolescentes. | ||
| Author | Priscila Carvalho | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/os-símbolos-usados-no-aliciamento-sexual-em-ambientes-digitais/a-77963247?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Ao contrário do que se costuma imaginar, não existe um perfil único que sirva para identificar pessoas envolvidas no aliciamento de crianças | ||
| Image source | pa/Karl-Josef Hildenbrand/dpa/picture alliance | ||
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| Item 31 | |||
| Id | 77945535 | ||
| Date | 2026-07-14 | ||
| Title | O drama esquecido dos órfãos do feminicídio | ||
| Short title | O drama esquecido dos órfãos do feminicídio | ||
| Teaser |
Com o recorde de feminicídios no Brasil, é cada vez maior também o número de crianças e adolescentes que crescem sem mãe e pai e, em muitos casos, sem assistência adequada para superar o trauma. Ana* tinha apenas 1 ano quando foi baleada pelo próprio pai, no mesmo ataque que matou sua mãe, Cláudia, em junho do ano passado, no sertão da Paraíba. Sobreviveu depois de mais de dois meses internada. Um ano depois, aos cuidados da tia, a menina deve começar a passar por acompanhamento fonoaudiológico para investigar se o atraso na fala tem relação com o trauma que viveu. Seus três irmãos mais velhos, hoje com 11, 8 e 5 anos, foram acolhidos pelos avós maternos. A família se reorganizou para tentar preencher um vazio que, segundo especialistas, embora não existam dados oficiais, impacta a trajetória de milhares de crianças, consideradas vítimas indiretas da violência de gênero no país. "Meus sobrinhos ainda passam por terapia com o psicólogo. É uma perda irreparável", conta Adriana, irmã de Cláudia e hoje responsável legal pela criação da sobrinha mais nova. Ela descreve dias em que a filha do meio da irmã, de 5 anos, "chora o dia todo". "Fica vendo foto da mãe e chora, chora, chora." "Eles lembram direto da mãe. É aquela tristeza para as crianças. Eles nunca vão superar porque eram muito apegados a ela, e ela, a eles, então é muito doloroso vê-los passarem por isso", diz. Lacuna estatísticaA história dos filhos de Cláudia é também a história de milhares de crianças brasileiras que passaram a integrar uma estatística desconhecida: a dos órfãos do feminicídio. Segundo o Ministério das Mulheres, não há um levantamento oficial sobre quantas crianças perdem as mães para a violência de gênero todos os anos. Diante dessa lacuna, pesquisadores tentam reconstruir essa realidade por conta própria. Em 2024, apenas considerando o número de feminicídios registrados e a média de filhos por mulher apontada pelo IBGE, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública estimou a existência de 2.300 órfãos. Já o Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem) da Universidade Estadual de Londrina, que rastreia notícias de imprensa mencionando filhos das vítimas, contabilizou 268 crianças e adolescentes dependentes apenas entre janeiro e março deste ano. O levantamento do Lesfem mostra que, assim como aconteceu com a filha mais nova de Cláudia, em quase um terço (30%) dos casos de feminicídio registrados no ano passado, filhos ou adolescentes chegaram a presenciar o crime. Desde que a lei do feminicídio passou a tipificar o crime, em março de 2015, mais de 13,7 mil mulheres já foram mortas no Brasil por sua condição de gênero – somente em 2025 foram mais de 1.500 vítimas, segundo o Fórum de Segurança Pública, um número anual recorde. O recorte racial expõe outra camada de desigualdade: entre 2021 e 2024, 62,6% das vítimas eram mulheres negras, e 36,8%, mulheres brancas. Segundo as especialistas, o problema ganha ainda mais peso quando se considera o recorte racial no país: no fim de 2024, 51,7% dos lares brasileiros eram chefiados por mulheres, sendo 53% delas negras, segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas. Isso significa que, em muitos casos, o feminicídio não apenas tira a mãe, mas também a principal fonte de renda da casa. Perder mãe e paiPara a psicóloga Juliana Prates, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e integrante do comitê científico do Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), em grande parte dos casos, o feminicídio atinge as crianças com uma orfandade dupla: quando o crime é cometido pelo próprio pai, a criança perde as duas referências de cuidado de uma só vez. "Quando falamos de feminicídio, é efetivamente a perda dos dois genitores, principalmente quando foi cometido pelo pai da criança. De um momento para outro, a criança vai perder as duas figuras de referência e de cuidado", explica Prates. A psicóloga descreve o fenômeno como uma "dupla vulnerabilidade" para os órfãos: a vulnerabilidade natural da infância somada à perda simultânea dos cuidadores principais. Soma-se a isso o fato de que, na maioria dos casos, o assassinato da mãe não é um evento isolado, mas o desfecho de um ciclo de violência física, psicológica e financeira que a criança já vinha presenciando. "Tudo o que causou o feminicídio produz também impactos no desenvolvimento dessa criança", diz a psicóloga. As marcas invisíveisSegundo Prates, os efeitos do trauma podem se manifestar de formas variadas, inclusive com regressões comportamentais, como voltar a fazer xixi na cama, retomar o uso de chupeta ou apresentar comportamentos retraídos. "É provável que essa criança tenha dificuldade, por exemplo, de confiar de novo, porque estamos falando das pessoas que mais cuidavam ou que deveriam cuidar dela. É um rompimento de vínculos muito significativo", afirma a psicóloga. Ela pondera, porém, que o impacto em cada criança pode variar conforme a existência de redes de apoio familiar sólidas, a estabilidade econômica da nova família e o acesso a acompanhamento terapêutico contínuo. "Os estudos mostram um aumento na incidência de depressão, ansiedade, uso abusivo de substâncias psicoativas, com evento traumático. Então, eventos adversos na infância, como o feminicídio, são um fator de risco para que isso aconteça durante a vida", detalha. Mas há também fatores que minimizam esses efeitos, como um sistema familiar ampliado de cuidado. "É muito diferente se imaginarmos um caso em que a família vive numa situação, por exemplo, de grande vulnerabilidade econômica ou que há muita disputa pela guarda entre a família materna e a paterna", acrescenta. "O desenvolvimento acontece num sistema muito complexo, que vai depender tanto de características da própria pessoa como de características do contexto mais próximo em que ela vive", finaliza. No caso dos filhos de Cláudia, a irmã da vítima credita à rede de apoio familiar o fato de as crianças não terem sofrido, ao menos até agora, impactos na vida escolar. Ainda assim, o luto prossegue – incluindo o dela mesma, adiado pela urgência do tratamento hospitalar da sobrinha mais nova. "Mudou toda a minha rotina, eu tive que sair do trabalho para cuidar dela integralmente. Mas agora já estou acostumada", relata. O que diz a leiQuando há órfãos menores de idade, cabe à Justiça decidir o destino das crianças ou adolescentes. Segundo o juiz Adhailton Lacet, da vara da infância e juventude da Paraíba, a prioridade é sempre manter a criança dentro da própria família (com avós, tios ou irmãos mais velhos), antes de recorrer ao acolhimento institucional ou à adoção. No entanto, quando não há a possibilidade de acolhimento por nenhum membro da família – seja por limitações financeiras, seja por problemas de saúde ou outro motivo – ela é encaminhada para o sistema de proteção. Esse acolhimento pode ocorrer por meio do serviço de "família acolhedora" ou em instituições anteriormente chamadas de abrigos. O juiz ressalta que, quando o crime é cometido pelo pai, o Ministério Público já entra com a ação de destituição do poder familiar assim que ele é denunciado. "Ele não pode matar a mãe da criança e ficar com a guarda do filho, exceto em casos de legítima defesa", completa Lacet. Além da proteção por parte da Justiça, no Brasil, desde 2025, o Decreto nº 12.636 regulamentou o pagamento de uma pensão especial a filhos e dependentes órfãos de vítimas de feminicídio. Para a pesquisadora sobre violência contra as mulheres Carmen Hein, professora visitante de Direito na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), embora a legislação simbolize um avanço, o benefício é insuficiente. "É importante, sem sombra de dúvidas, mas é insuficiente em virtude dos outros impactos. O aspecto econômico é um deles, mas não é único", diz. Segundo ela, a política deixa uma lacuna que garanta acompanhamento psicológico e assistência social de forma integrada para essas crianças e adolescentes ao longo da vida e não apenas após o episódio de violência. Para Hein, o feminicídio não produz apenas uma vítima, mas "atinge os filhos, familiares, e às vezes comunidades inteiras", afirma a jurista. Prates concorda e acrescenta que a adoção de protocolos de estresse pós-traumático, como escuta e acolhimento, podem ajudar essas crianças a reconstruir, aos poucos, os vínculos que a violência rompeu. É o que Adriana e os pais dela tentam oferecer aos quatro sobrinhos/netos, dia após dia, depois do crime violento que vitimou a mãe das crianças. Entre terapias e consultas com a sobrinha mais nova, Adriana reorganizou a própria vida em torno da nova configuração familiar que passou a ter. "Eu não seria mais eu mesma sem a minha rotina com ela", diz. *Nome fictício para proteger a vítima --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Após perda da mãe para a violência de gênero, crianças crescem, em muitos casos, sem assistência para superar trauma. | ||
| Author | Larissa Maia | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-drama-esquecido-dos-órfãos-do-feminicídio/a-77945535?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 32 | |||
| Id | 77959133 | ||
| Date | 2026-07-14 | ||
| Title | O que os gregos acham da versão de Nolan para a "Odisseia" | ||
| Short title | O que os gregos acham da versão de Nolan para a "Odisseia" | ||
| Teaser |
Estreia do filme reacende debate sobre adaptações de clássicos; na Grécia, professores, pais e especialistas veem releituras como parte da perseverança da obra de Homero. A Odisseia, de Christopher Nolan, estreia nesta sexta-feira (17/07) cercada por expectativa global e alguma controvérsia em torno das escolhas de elenco. Mas o que pensam os gregos sobre a adaptação cinematográfica do poema épico? O grau de fidelidade ao texto original não tem sido uma questão. Em um país onde a história escrita por Homero é ensinada e recriada em toda escola, muitos destacam que a epopeia permaneceu viva por quase 3.000 anos não apesar das releituras, mas graças a elas. "O que queremos que as crianças entendam é que cada nova criação é exatamente isso, uma nova criação", disse à agência Associated Press Filippos Mantzaris, que ensina a "Odisseia" para alunos do sétimo ano. O filme, repleto de astros de Hollywood, incluindo Matt Damon no papel do rei Odisseu *em grego) ou Ulisses (em latim), segue a estrutura da obra original: o retorno do rei para casa após a guerra, enfrentando deuses e monstros, para encontrar seu palácio ocupado por rivais. Um clássico nas salas de aula gregasNo sétimo ano, a Odisseia é ensinada em todas as escolas da Grécia. Na classe de Mantzaris, os alunos discutem com entusiasmo os encontros de Ulisses com monstros e suas demais aventuras. Eles são incentivados a comparar a inteligência do herói com sua força, a refletir se a vingança é moral, se o rei endurecido pela guerra é realmente um modelo a ser seguido e se é justificável que ele mate os pretendentes de sua esposa. Exercícios de interpretação estimulam as crianças a imaginar o que fariam no lugar de Ulisses. "É um texto literário extraordinário, com o qual as crianças podem se identificar, talvez se ver em Ulisses, mas também enxergar nele sua própria pátria", afirmou Mantzaris. Kyriakos Agapiou, de 12 anos, disse que a leitura do poema nas aulas de Mantzaris lhe ensinou "que tudo é possível e que nunca devemos desistir". O engenheiro agrônomo Nikos Varelas assistiu a uma adaptação teatral com seu filho de 4 anos, depois que os dois leram juntos versões infantis tanto da Ilíada quanto da Odisseia. "É nosso dever como pais, como gregos", afirmou Varelas. Segundo o ator Manos Pintzis, que interpretou Ulisses em uma produção local, levar a história ao teatro ajuda as crianças a descobrir a mitologia de uma forma que os livros, sozinhos, não conseguem proporcionar. "Você não diz a uma criança: 'simplesmente leia a história porque precisa fazer isso', porque ela resistirá quando algo lhe é imposto", explicou Pintzis. "Quando a criança vê tudo isso se desenrolar diante de seus olhos, isso se transforma em um passo valioso em direção ao aprendizado, em direção à vontade de estudar por iniciativa própria aquilo que se espera dela." A polêmica sobre o elenco de NolanNos círculos conservadores dos Estados Unidos, grande parte das atenções se concentrou nas escolhas de elenco de Nolan, mais do que em sua adaptação da história de Homero. Elon Musk sintetizou o incômodo dos reacionários ao afirmar que Nolan havia profanado a Odisseia ao escalar a atriz negra Lupita Nyong'o para interpretar Helena de Troia, sem ter assistido ao filme. Em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, Nolan afirmou que as reações negativas "fazem parte do jogo" e acrescentou que "essas conversas que acontecem antes de as pessoas verem o filme são sempre irrelevantes, porque quem as tem ainda não sabe de fato o que é o filme". Nolan disse à agência AP que quis fazer um filme acessível e próximo do público, sem "olhar para versões passadas de Hollywood sobre como abordar o mundo antigo". "O objetivo é questionar as suposições das pessoas sobre como as coisas deveriam ser representadas no cinema e em que essas suposições se baseiam", explicou. "Há um desafio nisso e também um risco. Mas espero que, ao criar um mundo coerente, as pessoas compreendam esse mundo enquanto assistem ao filme e sintam que o entendem." Como tem sido a reação dos gregosA polêmica do elenco não prosperou na Grécia, onde o público está acostumado a ver personagens da Antiguidade grega interpretados por atores de outros lugares. O escocês Gerard Butler eternizou o grito "Isso é Esparta!" ao interpretar o rei Leônidas em 300. O americano Brad Pitt viveu Aquiles em Troia. O irlandês Colin Farrell interpretou Alexandre, o Grande, ao lado de Angelina Jolie no papel de sua mãe. A atuação do mexicano-americano Anthony Quinn em Zorba, o Grego, em 1964, continua icônica no país e além. A versão de Nolan não inova nesse quesito, portanto. Seu elenco conta ainda com estrelas como Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Zendaya e Charlize Theron, com narração do rapper Travis Scott. Uma das poucas manifestações contrárias no país à escalação dos atores veio do pequeno partido nacionalista Niki, que criticou ainda a decisão do governo grego de conceder cerca de 6 milhões de euros (aproximadamente R$ 34,8 milhões) em subsídios para apoiar a produção local. O partido argumentou que os contribuintes gregos estavam financiando a imposição de uma "ideologia do tipo woke" sobre a história e a identidade cultural gregas, citando Musk. A ministra da Cultura, Lina Mendoni, respondeu de forma contundente. "Não cabe ao Estado dizer a um criador como ele deve interpretar artisticamente uma obra ou um mito", declarou à revista grega de cultura popular Lifo. "Estamos realmente tendo uma conversa sobre se o Estado deveria censurar Christopher Nolan?" Uma epopeia universalChristos Tsagalis, professor de literatura grega antiga da Universidade Aristóteles de Tessalônica, afirmou que, em última instância, cabe ao público decidir se a nova interpretação da Odisseia funciona. O importante, disse ele, é saber se ela consegue captar o essencial de uma das grandes histórias da humanidade. As obras de Homero, recriadas e reinterpretadas ao longo de gerações, sobreviveram precisamente por terem se tornado universais, afirmou. "Acho maravilhoso que algo criado em um momento específico por um povo específico seja compartilhado por tantas pessoas em todo o mundo. É uma cultura compartilhada", disse Tsagalis. "É uma história fascinante", acrescentou. "É como um filme." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. 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| Short teaser | Professores, pais e especialistas veem as releituras, incluindo filmes, como parte da perseverança da obra de Homero. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-que-os-gregos-acham-da-versão-de-nolan-para-a-odisseia/a-77959133?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=O%20que%20os%20gregos%20acham%20da%20vers%C3%A3o%20de%20Nolan%20para%20a%20%22Odisseia%22 | ||
| Item 33 | |||
| Id | 77948970 | ||
| Date | 2026-07-14 | ||
| Title | Negar direito de existência de Israel pode virar crime na Alemanha | ||
| Short title | Alemanha pode punir negar direito de existência de Israel | ||
| Teaser |
Políticos aprovam em 1ª votação projeto que prevê punições para "quem negar publicamente o direito de existência de Israel ou conclamar à sua eliminação". Juristas, no entanto, apontam que iniciativa é inconstitucional. Palavras de ordem encaradas como slogans que negam o direito de existência de Israel aparecem repetidamente em Berlim, por exemplo, na forma de grafites e também são ouvidas em manifestações de solidariedade à população civil palestina. Casos como esses geralmente não acarretam consequências penais na Alemanha. Atualmente, a legislação vigente não criminaliza a negação do direito de existência do Estado de Israel ou de qualquer outro Estado. Agora, porém, o Bundesrat, a câmara legislativa onde estão representados os estados alemães, pressiona para que a negação do direito de Israel de existir seja tipificada como crime. Os representantes dos 16 estados aprovaram na sexta-feira passada (10/07), em sua última sessão antes do recesso de verão, um projeto de lei nesse sentido apresentado pelo estado de Hessen. "Estamos apresentando deliberadamente este projeto de lei porque precisamos finalmente passar das palavras à ação legislativa. Em outros termos, sair do 'alguém deveria fazer algo' para o 'nós estamos agindo'", declarou o secretário da Justiça de Hessen, Christian Heinz (CDU), antes da votação. O projeto ainda precisa ser votado pelo Bundestag, a Câmara de deputados da Alemanha, o que deve ocorrer após o fim do recesso de verão. Liberdade de expressãoSegundo a proposta apresentada no Bundesrat, deverá ser punido "quem negar publicamente ou em assembleias o direito de existência do Estado de Israel ou conclamar à sua eliminação". A punição pode ser pena de prisão de até cinco anos ou multa. No entanto, isso só será passível de punição se feito de uma maneira que incentive a disposição para a adoção de medidas de caráter antissemita violentas ou arbitrárias. De acordo com a justificativa do projeto, as disposições penais atualmente existentes no direito alemão, como as relacionadas à incitação ao ódio ou ao uso de símbolos de organizações terroristas, não são suficientes. Heinz afirmou que, desde 7 de outubro de 2023, data do "ataque bárbaro" do Hamas contra judeus, esse ódio teria se espalhado pelo mundo e também alcançado a Alemanha. O antissemitismo estaria ocorrendo "publicamente em nossas ruas". "Sobre as pedras da memória[que homenageiam judeus assassinados durante o regime nazista], que todos vocês conhecem em nossas ruas e cidades, hoje voltam a marchar multidões que gritam abertamente essas palavras de ordem e esse ódio aos judeus." Heinz afirmou que o projeto de lei expressamente não se dirige contra a liberdade de expressão ou a crítica ao governo israelense. Tampouco impede debates sobre uma solução política pacífica para o Oriente Médio. Tudo isso, segundo ele, faz parte da democracia liberal. O secretário descreveu a proposta como "deliberadamente muito restrita". Trata-se de apelos pela destruição de Israel "que glorificam a violência". O Estado de Direito, disse, precisa manter sua capacidade de agir. A Alemanha não pode "voltar a assistir impotente" quando o ódio aos judeus ocorre "em nossas ruas". Na sessão do Bundesrat, Heinz foi o único a se manifestar sobre esse item da pauta. Quando o estado de Hessen apresentou a proposta para discussão, em maio, o então secretário do Interior do governo de Baden-Württemberg, Thomas Strobl (CDU), também tomou a palavra para apoiá-la. Na ocasião, ele mencionou explicitamente o slogan "Do rio ao Mar", encarado por autoridades alemãs como um chamado para a destruição de Israel. Críticas de juristasHá tempos surgem apelos por uma regulamentação legal. O Conselho Central dos Judeus na Alemanha defende há muito tempo alguma forma de ação. As decisões do governo alemão de criticar o governo israelense são "absolutamente legítimas", afirmou o presidente do Conselho Central dos Judeus, Joseph Schuster, à DW em meados de junho. No entanto, segundo ele, críticas deixam de ser legítimas "quando se coloca em dúvida o direito de existência de Israel ou se demoniza o país". Já antes da sessão do Bundesrat, cerca de 30 juristas, numa atitude incomum, manifestaram-se publicamente sobre a proposta e a classificaram de inconstitucional. Segundo eles, a preocupação com o aumento do antissemitismo e da violência antissemita é compreensível, mas não se pode proibir uma determinada opinião por meio de uma lei genérica. Um parecer de técnicos do Bundestag também levantou dúvidas sobre a compatibilidade da proposta com a Lei Fundamental (Constituição). Cohn-Bendit diz nãoEm meados de junho, o político Daniel Cohn-Bendit – ele próprio judeu, político franco-alemão do Partido Verde e membro do Parlamento Europeu entre 1994 e 2014 – comentou a iniciativa do governo de Hessen em entrevista ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) e classificou o projeto como "fundamentalmente equivocado". "Há muitas pessoas que criticam Israel duramente, inclusive entre os próprios israelenses. Nem todas são antissemitas", afirmou Cohn-Bendit. Ele mencionou a filósofa Judith Butler, que apoia o movimento BDS, que defende um boicote econômico, cultural e político a Israel. Segundo Cohn-Bendit, o BDS é "estúpido" e "uma posição ideológica completamente equivocada". Ainda assim, acrescentou, "Butler não é antissemita". Leis genéricasNo centro da controvérsia está o conflito entre a liberdade de expressão e o combate ao antissemitismo. De acordo com a Constituição alemã (artigo 5º), a liberdade de expressão só pode ser restringida por leis genéricas, ou seja, leis que não se dirijam especificamente contra uma determinada opinião. Os críticos argumentam que é exatamente isso que estaria acontecendo neste caso, já que o projeto prevê punição exclusivamente para a negação do direito de existência de Israel. Quem negasse o direito de existência de outros Estados não seria afetado. Em resposta a essa crítica, o ministro Heinz citou, antes da votação, uma decisão incomum da corte constitucional alemã de 2009: o chamado julgamento de Wunsiedel do Tribunal Constitucional Federal. Na ocasião, os juízes consideraram constitucional uma norma que criminaliza a glorificação do regime de violência nazista, justificando a decisão pela responsabilidade histórica especial da Alemanha. A "razão de Estado alemã"Segundo o governo de Hessen, essa linha de raciocínio pode ser aplicada ao debate atual: existe uma conexão histórico-política entre a ditadura nazista, o Holocausto, a criação de Israel e a negação do seu direito de existência. Diante dos milhões de judeus assassinados durante a era nazista, grande parte da classe política alemã sente uma responsabilidade especial pela segurança de Israel, que normalmente é descrita como uma "razão de Estado". Embora não exista oficialmente na Constituição alemã, a "razão de Estado" é regularmente invocada por grande parte da classe política do país europeu para justificar o apoio aos israelenses e as relações estreitas com Israel. Para o governo de Hessen, quem nega o "direito de existência de Israel" estaria, ao mesmo tempo, se posicionando contra a identidade constitucional alemã. O debate deverá continuar por muitos meses, e é bem possível que acabe chegando também ao Tribunal Constitucional Federal da Alemanha. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Bundesrat apresenta projeto de lei contra slogans pela destruição de Israel, mas juristas veem inconstitucionalidade. | ||
| Author | Christoph Strack | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/negar-direito-de-existência-de-israel-pode-virar-crime-na-alemanha/a-77948970?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Negar%20direito%20de%20exist%C3%AAncia%20de%20Israel%20pode%20virar%20crime%20na%20Alemanha | ||
| Item 34 | |||
| Id | 77955719 | ||
| Date | 2026-07-14 | ||
| Title | Alemanha vê disparar número de pessoas que recusam serviço militar | ||
| Short title | Cada vez mais pessoas recusam serviço militar na Alemanha | ||
| Teaser |
País registra crescimento acentuado em número de pedidos de objeção de consciência após entrada em vigor de lei que visa aumentar efetivo militar. Número de objeções no primeiro semestre de 2026 já supera total de 2025. O número de pedidos de objeção de consciência ao serviço militar na Alemanha tem aumentado acentuadamente, com quase 5.900 solicitações apresentadas apenas no primeiro semestre deste ano, segundo dados do governo alemão. Segundo o Departamento Federal para Família e Tarefas da Sociedade Civil (BAFzA), 5.862 pedidos foram apresentados até o momento neste ano. O número é consideravelmente maior que os 3.867 pedidos apresentados em todo o ano de 2025 e os 2.998 registrados 2024. Em 2011, quando a Alemanha suspendeu o serviço militar obrigatório, 4.348 pessoas haviam rejeitado a possibilidade de servir nas Forças Armadas por objeção de consciência. O aumento ocorre em meio a um aumento de tensões geopolíticas na Europa e também após a introdução de uma nova lei de serviço militar que entrou em vigor na Alemanha em 1º de janeiro. Embora não tenta reintroduzido na prática o serviço obrigatório, a nova legislação impôs uma forma de alistamento obrigatório para incentivar mais pessoas a servir. Pela nova lei, todos os homens que completarem 18 anos deverão preencher um formulário respondendo a perguntas sobre sua formação, estado de saúde e disposição para servir nas Forças Armadas. O serviço militar em si, no entanto, continua sendo voluntário por enquanto. Mas, a a partir de meados de 2027, todos os homens que completarem 18 anos também serão obrigados a se submeter a um teste de aptidão física para determinar quem poderia ser convocado em caso de conflito. Esta medida foi encarada como altamente controversa, gerando temor entre críticos de um possível primeiro passo rumo a um retorno do serviço obrigatório. Chamada de Lei de Modernização do Serviço Militar, a medida visa criar incentivos para aumentar o número de soldados na ativa de cerca do atual contingente de 180 mil homens e mulheres para 260 mil até 2035. Aumento de recusas, mas também de interessadosEmbora o serviço militar obrigatório tenha sido suspenso em 2011, ele continua consagrado na Constituição da Alemanha. O BAFzA afirmou que o direito de recusar o serviço militar armado por motivos de consciência também continua protegido pelo Artigo 4º da Lei Fundamental, a Constituição Alemã. O registro de objeção é feito com base numa breve carta de apresentação assinada, um currículo completo em formato de tabela e uma exposição detalhada e pessoal dos motivos. Embora em menor números, algumas pessoas retiraram pedidos anteriores de objeção de consciência. O jornal Neue Osnabrücker Zeitung informou em abril que 781 pessoas fizeram isso no ano passado, enquanto outras 233 retiradas foram registradas no primeiro trimestre deste ano. E, apesar do aumento de pedidos de objeção de consciência ao serviço militar, as Forças Armadas alemãs (Bundeswehr) registraram, no primeiro trimestre deste ano, um aumento expressivo no número de interessados em seguir carreira militar. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Defesa do país, cerca de 22,7 mil pessoas se candidataram a uma carreira militar entre janeiro e março, o que representa um crescimento de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. jps (dpa, DW) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | País tem crescimento acentuado em número de pedidos de objeção de consciência após entrada em vigor de nova lei militar. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemanha-vê-disparar-número-de-pessoas-que-recusam-serviço-militar/a-77955719?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Alemanha%20v%C3%AA%20disparar%20n%C3%BAmero%20de%20pessoas%20que%20recusam%20servi%C3%A7o%20militar | ||
| Item 35 | |||
| Id | 77937784 | ||
| Date | 2026-07-13 | ||
| Title | Como reconhecer imagens "históricas" geradas por IA | ||
| Short title | Como reconhecer imagens "históricas" geradas por IA | ||
| Teaser |
Vídeos com temática histórica produzidos por ferramentas de inteligência artificial estão em alta. Além de falsos, muitos disseminam clichês e correm o risco de substituir fontes autênticas. Vídeos da Segunda Guerra Mundial ou gravações de câmeras de vigilância da catástrofe nuclear de Chernobyl: a inteligência artificial (IA) está sendo cada vez mais usada para criar imagens e vídeos históricos falsos. Para o pesquisador de mídia Roland Meyer, essa tendência atende a uma necessidade: preencher lacunas em eventos históricos para os quais não existem imagens. "Parece ser possível, por meio da IA, recombinar imagens do passado para gerar imagens sintéticas que não existem, mas que talvez pudessem ter existido, e preencher assim supostas ou reais 'lacunas' nos arquivos e nos registros históricos", comenta. "Isso me parece uma promessa enganosa." A equipe de checagem de fatos da DW mostra como identificar vídeos "históricos" criados por IA e como eles disseminam clichês e apelam às emoções. Indícios de que a IA está envolvidaSe é verdade que muitos conteúdos gerados por IA são fáceis de identificar (por meio de marcas d'água, avisos em plataformas de redes sociais ou notas da comunidade no X), por outro lado as ferramentas de IA evoluem constantemente. Os vídeos gerados por IA se tornam, assim, cada vez mais sofisticados, e as marcas d'água que indicam seu uso muitas vezes são removidas. Por isso, uma análise crítica das imagens continua sendo extremamente importante. Alguns vídeos são obviamente fáceis de identificar, por retratarem eras muito anteriores à invenção de câmeras. Um vídeo no TikTok , por exemplo, que retrata Pompeia antes, durante e depois da erupção do Vesúvio que destruiu a cidade está identificado no YouTube como conteúdo gerado por IA. Quando o Vesúvio entrou em erupção, em 79 d.C., a cidade romana foi soterrada por cinzas vulcânicas e lava. O vídeo apresenta características típicas da IA: as pessoas se movem como zumbis, e a aparência da protagonista não corresponde ao visual típico das mulheres da Roma Antiga. Momentos icônicosOutros vídeos, no entanto, tentam falsificar momentos que ocorreram em épocas em que registros de vídeo já eram mais comuns. Um vídeo no X que supostamente mostra imagens de câmeras de vigilância da catástrofe nuclear de Chernobyl em 1986 também foi gerado por IA. Embora não contenha marca d'água, ele foi identificado como conteúdo gerado por IA nas notas da comunidade publicadas logo abaixo do vídeo. Outro exemplo é um vídeo do YouTube que foi produzido com a ferramenta de IA generativa Veo. A câmera se aproxima de um grupo de soldados que segura a bandeira dos Estados Unidos e mostra os rostos deles enquanto eles olham para o horizonte. O vídeo é baseado na icônica fotografia do hasteamento da bandeira dos EUA na ilha japonesa de Iwo Jima. A foto, tirada por Joe Rosenthal em 23 de fevereiro de 1945, tornou-se um símbolo marcante da vitória militar dos Estados Unidos sobre o Japão e uma das imagens mais conhecidas da Segunda Guerra Mundial. A fotografia autêntica de Iwo Jima pode ser encontrada nos Arquivos Nacionais dos Estados Unidos. À época, a cena foi registrada por um cinegrafista, mas de forma estática, e não no ângulo mostrado pelo vídeo de IA. Apesar da falsificiação, a conta do YouTube que publicou o vídeo gerado por IA promete apresentar "histórias patrióticas", além de "conteúdo informativo e de entretenimento que dá vida à história dos Estados Unidos". A IA está substituindo fontes reais?O vídeo de Iwo Jima é baseado num acontecimento histórico, mas acrescenta detalhes e perspectivas que não foram documentados e apresenta tudo isso numa encenação de caráter patriótico. Por isso, é útil examinar cuidadosamente as imagens e também quem as divulga. De onde vem a imagem? Quem a apresenta? Para quem? E com qual finalidade? Muitos vídeos "históricos" gerados por IA, que afirmam mostrar o passado, situam-se numa zona intermediária entre fatos e entretenimento. Eles podem, sem dúvida, despertar o interesse por acontecimentos históricos, mas especialistas alertam que esses vídeos conferem ao passado uma clareza e uma certeza que quase nunca existiram. "Com cada interpretação de uma determinada cena são eliminadas outras possíveis interpretações e representações, que também existem", diz o historiador Jürgen Zimmerer. Por isso é importante que os espectadores reconheçam que estão diante de um vídeo "histórico" gerado por IA e vejam essa representação com o necessário distanciamento crítico. Clichês e estereótiposImagens da Roma Antiga obviamente são fictícias, mas, no caso de imagens da Segunda Guerra Mundial, por exemplo, existe o risco de que uma grande quantidade de falsificações geradas por IA acabe substituindo documentos autênticos. "Especialmente por essas imagens de IA serem adaptadas às nossas expectativas e aos nossos hábitos visuais", observa o pesquisador Roland Meyer. Os modelos de IA utilizam tanto fontes autênticas quanto imagens criadas. Nos conjuntos de dados usados para seu treinamento encontram-se fotografias históricas, mas também pinturas digitalizadas, cenas de filmes e imagens de videogames. "As imagens do passado geradas pela IA reproduzem principalmente os padrões, clichês e estereótipos pelos quais esse passado costuma ser representado. São, acima de tudo, imagens das nossas expectativas: não uma janela para o passado, mas um espelho do nosso presente", diz Meyer. Essas criações de IA também levantam questões sobre responsabilidade. Diferentemente das reconstituições usadas em documentários, nos quais diretores ou produtores decidem conscientemente como representar o passado, as imagens dos vídeos de IA são geradas a partir de um grande volume de dados. E a IA faz isso sem ter uma compreensão dos contextos históricos. "Ela produz algo que parece plausível, à primeira vista, não porque seja historicamente correto, mas porque corresponde às nossas expectativas", explica Meyer. Um bom uso da IAO uso da IA para criar imagens "históricas" é, portanto, controverso. No entanto, há também exemplos em que representações produzidas por IA são desenvolvidas em colaboração com especialistas. Em Pompeia, na Itália, arqueólogos utilizaram pela primeira vez inteligência artificial para reconstruir a aparência de uma vítima da erupção vulcânica de 79 d.C. A representação baseia-se em descobertas arqueológicas e tenta aproximar a pesquisa científica do público leigo, tornando-a mais compreensível e visual, mas é entendida como uma reconstrução científica, e não como uma representação autêntica da pessoa retratada. |
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| Short teaser | Vídeos históricos produzidos por inteligência artificial estão em alta. Além de falsos, muitos disseminam clichês. | ||
| Author | Alima de Graaf | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-reconhecer-imagens-históricas-geradas-por-ia/a-77937784?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Como%20reconhecer%20imagens%20%22hist%C3%B3ricas%22%20geradas%20por%20IA | ||
| Item 36 | |||
| Id | 77933334 | ||
| Date | 2026-07-13 | ||
| Title | França chama declaração de ex-premiê espanhol de racista | ||
| Short title | França chama declaração de ex-premiê espanhol de racista | ||
| Teaser |
"A França não tem cor de pele", afirma ministro das Relações Exteriores após ex-governante espanhol dizer que seleção francesa possui "um nível altíssimo, mas sem franceses".O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, criticou duramente declarações feitas pelo ex-premiê espanhol Mariano Rajoy de que a seleção de futebol da França "não teria franceses" no seu elenco.
"De uma vez por todas, a França não tem cor de pele. Qualquer afirmação em sentido contrário é uma estupidez, racismo ou uma combinação das duas coisas", declarou Barrot nesta segunda-feira (13/07), em entrevista às emissoras BFMTV e RMC.
Barrot disse que a seleção francesa representa "a melhor imagem da França", descrevendo-a como "uma equipe excepcional" que projeta a imagem de "um país conquistador, audacioso e ao qual nada nem ninguém resiste".
Barrot também afirmou que se alegra pelo fato de a equipe francesa transmitir "uma imagem tão bonita" do país e destacou o apoio dos franceses ao time, "independentemente de sua origem, da cor de sua pele, do lugar onde vivem ou de sua idade".
Na opinião dele, a melhor resposta à polêmica virá dentro de campo. "Quem dará a melhor resposta serão os jogadores da seleção francesa quando vencerem com clareza esta semifinal", que será disputada nesta terça-feira, contra a Espanha.
As declarações de Barrot ocorreram um dia depois de o governo francês ter classificado como "absolutamente inaceitáveis" e "absurdas" as palavras de Rajoy, que escreveu numa coluna publicada pelo jornal El Debate que a seleção francesa possui "um nível altíssimo, é verdade, mas sem franceses", após a classificação da Espanha para as semifinais daCopa do Mundo.
O atual presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, também condenou a posição de Rajoy.
"Um odor de racismo intolerável"
Desde então, as críticas se multiplicaram na França. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que essas palavras "não refletem de forma alguma o que é a França" e defendeu que o país é "uma república da diversidade", na qual todos devem encontrar seu lugar.
No mesmo sentido se manifestaram, entre muitos outros, a ministra delegada Éléonore Caroit, o primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure, o líder do Partido Comunista, Fabien Roussel, a presidente da região de Île-de-France, Valérie Pécresse, e o presidente da Federação Francesa de Futebol, Philippe Diallo, que denunciou que as declarações de Rajoy exalam "um odor de racismo intolerável".
Rajoy escreveu que a seleção francesa joga "sem franceses". Dos 26 jogadores convocados pelo técnico Didier Deschamps, apenas três nasceram fora da França: Michael Olise, Marcus Thuram e Brice Samba. Os demais nasceram em território francês, sendo muitos filhos ou netos de imigrantes.
A polêmica reacendeu na França o debate sobre imigração, identidade nacional e racismo no esporte. Ela também ocorre na esteira do escândalo causado por declarações racistas de uma senadora paraguaia contra a estrela francesa do futebol, Kylian Mbappé.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, reiterou nesta segunda-feira que a mensagem "racista e xenófoba" de Rajoy é "absolutamente inaceitável" e pediu ao seu partido "que deixe de tentar incendiar, boicotar e sabotar a extraordinária política externa da Espanha".
as (Efe, OTS)
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| Short teaser | "França não tem cor de pele", diz ministro após ex-governante espanhol dizer que seleção francesa joga "sem franceses". | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/frança-chama-declaração-de-ex-premiê-espanhol-de-racista/a-77933334?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Ministro afirmou que se alegra pelo fato de a equipe francesa transmitir "uma imagem tão bonita" da França | ||
| Image source | Winslow Townson/REUTERS | ||
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| Item 37 | |||
| Id | 77932900 | ||
| Date | 2026-07-13 | ||
| Title | Sam Neill, estrela de "Jurassic Park", morre aos 78 anos | ||
| Short title | Sam Neill, estrela de "Jurassic Park", morre aos 78 anos | ||
| Teaser |
Ator neozelandês alcançou fama internacional ao interpretar o Dr. Alan Grant no filme "Jurassic Park", de 1993. Mas sua carreira inclui muitas outras participações notáveis na televisão e no cinema.O ator neozelandês Sam Neill, consagrado por interpretar o paleontólogo Dr. Alan Grant em Jurassic Park (1993), morreu aos 78 anos. A informação foi divulgada pela família dele nesta segunda-feira (13/07), por meio de um comunicado publicado nas redes sociais do artista. Segundo a nota, Neill morreu em Sydney, na Austrália. A causa da morte não foi informada.
A família afirmou que a morte foi "repentina e inesperada" e destacou que o ator "estava livre de um câncer".
Diagnóstico de câncer
Em 2023, Neill revelou que havia sido diagnosticado com linfoma angioimunoblástico de células T, um tipo raro de câncer. Segundo a agência Reuters, após passar por tratamento, o ator anunciou em abril deste ano que estava livre da doença.
"A perda foi repentina e inesperada, mas, felizmente, Sam permaneceu livre do câncer", diz a publicação divulgada nas redes sociais do ator.
No mesmo ano em que recebeu o diagnóstico da doença, em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Neill falou sobre o impacto do laudo na sua vida.
"Não posso fingir que o último ano não teve seus momentos sombrios. Mas esses momentos sombrios fizeram a luz brilhar com mais intensidade e me deixaram grato por cada dia e imensamente grato por todos os meus amigos. Simplesmente feliz por estar vivo", disse ele.
Carreira
Ao longo das mais de cinco décadas como ator, foram muitas as participações em séries e filmes. Mas foi interpretando o cientista Alan Grant em Jurassic Park que o ator alcançou reconhecimento internacional.
Neill também participou de outras grandes produções, como My Brilliant Career (1979), dirigido por Gillian Armstrong, e O Piano, além da série Peaky Blinders.
Nascido em 1947 em Omagh, na Irlanda do Norte, filho de mãe inglesa e pai neozelandês, Neill mudou-se para a Nova Zelândia aos 7 anos, onde cresceu na cidade de Christchurch. O ator deixa quatro filhos e oito netos.
lml/as (Reuters, OTS)
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| Short teaser | Ator neozelandês alcançou fama internacional ao interpretar o Dr. Alan Grant no filme "Jurassic Park", de 1993. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/sam-neill-estrela-de-jurassic-park-morre-aos-78-anos/a-77932900?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | A família afirmou que a morte foi "repentina e inesperada" e destacou que o ator Sam Neill "estava livre de um câncer". | ||
| Image source | Vincent West/REUTERS | ||
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| Item 38 | |||
| Id | 77905295 | ||
| Date | 2026-07-12 | ||
| Title | Risco de desastre aumenta, mas Santa Catarina "economiza" em prevenção | ||
| Short title | Risco de desastre aumenta, mas SC "economiza" em prevenção | ||
| Teaser |
Apesar de decreto de alerta climático inédito, estado não investe todo o dinheiro previsto para prevenir desastres e direciona recursos do orçamento da Defesa Civil até para propaganda. Em tom descontraído com um rock tocando ao fundo, uma jovem com colete laranja da Defesa Civil olha para a câmera e afirma que Santa Catarina está sob alerta por causa do El Niño. Mas não haveria motivos para pânico. No vídeo produzido para as redes sociais, a porta-voz diz que o estado está preparado para lidar com os reflexos do fenômeno geralmente sentidos na região: chuvas intensas, enchentes e desabrigados. Os registros da movimentação do dinheiro público no estado mostram um cenário diferente. Santa Catarina tem um histórico de "economia" na hora de investir na prevenção de desastres. Em 2025, por exemplo, o governo de Jorginho Mello (PL) gastou metade dos recursos previstos no orçamento – incluindo o que é direcionado às Defesas Civis. Em 2024, a execução foi ainda menor: 44%. O dado vem de uma investigação nas finanças públicas feita pelo Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC). Depois dos prejuízos registrados pelas enchentes em 2023 e 2024, potencializadas por um El Niño, o órgão quis confirmar se o estado tinha dinheiro para prevenir novas situações de calamidade. "Verificamos que o estado tem recursos para fazer, mas está faltando executar, por falta de capacidade ou de planejamento", afirma à DW Leandro Granemann, auditor fiscal à frente da Coordenadoria de Contas de Gestão II do TCE/SC. O descompasso entre planejamento orçamentário e a aplicação efetiva de políticas públicas ainda aparece em 2026, mostra o relatório do TCE. Nos primeiros quatro meses do ano, o fluxo de dinheiro para reforma de barragens, melhoria dos serviços da defesa civil e educação continuada em proteção, por exemplo, foi nulo. Prevenção e propagandaO dinheiro previsto no orçamento que não é gasto até o fim do ano vai para algum outro lugar. Em 2025, cerca de R$ 13 milhões saíram da rubrica "Prevenção e Preparação para a Redução de Riscos e Adaptação Climática" e pagaram propagandas feitas pelo governo estadual. Em uma das peças publicitárias mais divulgadas em 2025, pessoas sorrindo, com bons empregos, vivendo em cidades seguras com boa infraestrutura urbana comunicavam em imagens a mensagem final do texto na tela: "Santa Catarina só melhora". Para pagar a veiculação das propagandas nas TVs regionais, a atual administração destinou R$ 216 milhões em 2025, quase o dobro em relação ao período anterior. Com esse desvio de finalidade, o recurso foi parar em dezenas de rádios e televisão, mostrou o levantamento feito por João de Deus Medeiros, presidente do Conselho Regional de Biologia de Santa Catarina, com base nos dados disponíveis no Portal da Transparência. "O gasto todo é mais com propaganda para mostrar que o estado e os municípios estão sempre se organizando. Mas, no fundo, o gasto em prevenção e redução dos riscos de desastres é pequeno e as sobras são grandes", resume Medeiros. Gasto menor em prevenção de desastresPelo menos desde 2011, quando os dados no Portal da Transparência passaram a ser publicados, o estado gasta menos do que tem orçado nesta área. O relatório do TCE mostra que em 2016, por exemplo, só 10% do dinheiro previsto para a área foi executado. Segundo as contas feitas por Medeiros, nos últimos cinco anos, o governo de Santa Catarina deixou de aplicar R$ 432 milhões que tinham sido destinados inicialmente para a Defesa Civil. Esse montante "economizado" poderia ter financiado, por exemplo, 20 vezes a obra anunciada em 2025 para desassorear os rios Itajaí do Sul e Itajaí do Oeste para prevenir estragos causados por enchentes, problema histórico na região. Em 2023 e 2024, anos em que um El Niño contribuiu para chuvas mais intensas no Sul, Santa Catarina registrou mais de 114 mil desabrigados. O custo dos danos materiais ultrapassou a casa do R$ 1,8 bilhão e 14 pessoas morreram em decorrência dos desastres, mostram dados compilados pelo Ministério de Desenvolvimento Regional. O decreto de emergênciaEm maio, quando o monitoramento da temperatura do oceano Pacífico previu a formação de mais um El Niño no segundo semestre de 2026, o governo estadual publicou um decreto de alerta climático, algo inédito no Brasil. Isso dá mais flexibilidade na contratação de serviços considerados de emergência, e não passa pelo mesmo rito criterioso das licitações. Segundo análise de especialistas que acompanham a discussão, sem o trabalho de prevenção devidamente feito, o decreto de emergência vira uma tática para remediar o caos instalado após os desastres. "Isso cria essa cultura da decretação da calamidade pública, de estado de emergência, ao invés de se ter um trabalho de prevenção, de adaptação. E ainda é usado como estratégia para buscar recursos do governo federal, fugindo das regras de transparência e de maior efetividade no uso de recurso público", critica Medeiros. Há ainda casos de obras contratadas sob o decreto de emergência, mas que não se enquadram como tal, afirma Renata Ligocki, coordenadora de Obras e Serviços de Engenharia do TCE. "As licitações atrasam pelas falhas de planejamento do próprio estado, e por isso eles não conseguem gastar o dinheiro [previsto no orçamento] e fazer as obras de prevenção. Então o governo 'precisa' do decreto porque, se acontecer alguma coisa, ele não tem para onde recorrer porque não se planejou", pontua a auditora Ligocki, mencionando o caso de manutenção das barragens. Para o governo do estado, o decreto é importante para a preparação operacional. "A medida permite antecipar ações como mobilização de equipes, pré-posicionamento de equipamentos e insumos, contratação preventiva de serviços e organização da resposta integrada com os municípios", diz a nota enviada à DW. Plano a longo prazoDe 2024 a 2027, o governo de Santa Catarina previu em seu Plano Plurianual (PPA) investir R$ 2,7 bilhões no programa de gestão de risco. Até agora, foram aplicados de fato R$ 275 milhões, ou seja, 10% do total. "Se continuar neste ritmo, ao final da gestão teremos aplicado pouco mais de 20% do planejado. E, convenhamos, isso é um valor muito baixo diante de um cenário de risco iminente de desastres naturais, principalmente de origem hidrológica, que causam alagamento e deslizamento", lamenta Osvaldo Oliveira, professor na área de finanças públicas na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Questionada pela DW, a gestão atual do governo estadual alegou que o PPA não é o "instrumento mais adequado para acompanhar a execução orçamentária em tempo real". Uma das justificativas, explica Luciano Fonseca, diretor de Planejamento Orçamentário, é que quase metade do total previsto no orçamento no período viria de um empréstimo solicitado junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mas que ainda não se converteu em dinheiro de fato. "Para pedir o empréstimo, o valor precisa estar previsto no PPA", justifica Fonseca, lembrando que o plano precisa ser aprovado pelo poder legislativo. Sem o dinheiro do BID em caixa até agora, o orçamento total previsto para o período seria, portanto, de R$ 1,3 bilhão, provenientes de recursos do próprio estado. O impacto para a populaçãoDepois dos relatórios do TCE questionando as sobras orçamentárias, o governo estadual disse ter reestruturado a administração para ampliar sua capacidade de execução e acelerar investimentos. "Esse avanço já pode ser observado nos resultados: a execução passou de R$ 27,9 milhões (12,76%) no primeiro quadrimestre de 2025 para R$39,9 milhões (16,26%) no mesmo período de 2026", respondeu a gestão à DW, por meio de nota. Parte dos recursos, afirma, está vinculada a obras estruturantes de grande porte, como barragens, melhoramentos fluviais, sistemas de monitoramento e contenção de encostas, que exigiriam "etapas técnicas e legais que antecedem a execução financeira". Para Paulo Horta, professor no Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o impacto do subinvestimento ao longo das décadas se traduziu no aumento da vulnerabilidade do povo catarinense. Só na grande Florianópolis, estima-se que 150 mil pessoas vivam sob risco de deslizamento e alagamento. "Nós tivemos muito tempo e informação para fazer investimento em infraestrutura para aumentar a resiliência nas cidades. E o que a gente vê é um abandono, um racismo ambiental, o agravamento da vulnerabilidade e a potencialização do risco nas comunidades mais carentes", diz Horta. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Apesar de decreto de alerta climático inédito, estado destina recursos do orçamento da Defesa Civil até para propaganda. | ||
| Author | Nádia Pontes | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/risco-de-desastre-aumenta-mas-santa-catarina-economiza-em-prevenção/a-77905295?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 39 | |||
| Id | 77915559 | ||
| Date | 2026-07-11 | ||
| Title | Do hype à ciência: o que o caso Virginia revela sobre a febre da soroterapia | ||
| Short title | O que o caso Virginia revela sobre a febre da soroterapia | ||
| Teaser |
Especialistas afirmam que terapia nutricional intravenosa não tem respaldo científico para uso estético ou de bem-estar. Procedimento deve ser usado apenas em situações específicas e sob orientação médica.Nesta semana, a influenciadora digital Virgínia Fonseca usou as redes sociais para falar que havia feito uma sessão de soroterapia e que estava se sentindo muito mais disposta após o tratamento. O vídeo postado no Instagram reacendeu um debate: a popularização da soroterapia como produto de bem-estar, longevidade e estética.
Enquanto clínicas de estética e consultórios particulares espalhados pelo Brasil comercializam os chamados "coquetéis do bem-estar" intravenosos para aumentar a disposição, fortalecer a imunidade, retardar o envelhecimento, acelerar o emagrecimento ou melhorar a performance física, especialistas alertam que muitas dessas indicações não possuem respaldo científico e podem expor pacientes a riscos desnecessários.
"O fato de uma substância ser administrada diretamente na veia não significa que seja mais eficaz ou saudável. Significa apenas que ela chega imediatamente à circulação, sem passar pelo processo normal de absorção gastrointestinal. Isso também faz com que eventuais doses excessivas, incompatibilidades ou reações adversas tenham potencial para ocorrer de maneira mais rápida”, explica Lizanka Marinheiro, endocrinologista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).
O que é a soroterapia
Conhecida como terapia nutricional endovenosa, a soroterapia consiste na aplicação de líquidos contendo diferentes substâncias, como vitaminas, minerais, aminoácidos, antioxidantes, eletrólitos ou medicamentos diretamente na corrente sanguínea.
A técnica é utilizada com o objetivo de repor determinadas substâncias de forma mais direta, principalmente em casos em que há deficiência nutricional ou uma necessidade específica identificada por avaliação médica.
Na medicina, a infusão intravenosa é um recurso consolidado e indispensável em diversas situações clínicas. Pacientes internados podem precisar de hidratação, reposição de eletrólitos, antibióticos ou nutrientes injetados diretamente na veia quando não conseguem se alimentar adequadamente ou apresentam deficiências específicas.
O problema surge quando esse procedimento, tradicionalmente reservado para indicações médicas bem estabelecidas, passa a ser comercializado como um produto de beleza e bem-estar.
"É preciso separar bem as coisas: a terapia intravenosa de verdade faz parte da medicina e tem indicações muito sérias e bem estabelecidas, como quando um paciente está desidratado no hospital ou não consegue absorver nutrientes pela boca. O grande problema é quando essa prática vira uma solução geral para qualquer pessoa, sem uma avaliação individual ou sem que se identifique uma real necessidade”, diz Sandra Fernandes, nutróloga da Kora Saúde.
O que dizem as evidências
Os especialistas ouvidos pela reportagem da DW Brasil são unânimes em afirmar que pessoas saudáveis, com alimentação equilibrada e sem deficiência nutricional diagnosticada, dificilmente obtêm benefícios ao receber vitaminas diretamente na corrente sanguínea.
Isso ocorre porque o organismo possui mecanismos bastante eficientes para absorver nutrientes por via oral. Quando não existe deficiência, fornecer doses elevadas de vitaminas nem sempre produz um efeito adicional.
"Grande parte dessas alegações é baseada em relatos pessoais, percepção subjetiva de bem-estar e estratégias de marketing, e não em ensaios clínicos robustos e bem controlados. A melhora relatada por algumas pessoas também pode estar relacionada à hidratação, ao repouso durante o procedimento, ao efeito placebo ou à regressão natural de sintomas inespecíficos, como cansaço”, detalha Marinheiro.
Em alguns casos, o excesso de substâncias inseridas de maneira venosa sem a real necessidade é simplesmente eliminado pela urina, principalmente no caso das vitaminas hidrossolúveis, como a vitamina C e as vitaminas do complexo B.
"Para pessoas que são saudáveis, que não apresentam nenhuma deficiência nutricional comprovada ou doença que prejudique a absorção de nutrientes, não existem evidências científicas de boa qualidade de que infusões de vitaminas e aminoácidos aumentam a imunidade, melhorem energia, promovem o rejuvenescimento, aceleram o metabolismo ou façam a suposta desintoxicação que que o pessoal vem referindo”, explica Dhianah Santini, endocrinologista e professora Instituto de Educação Médica.
Há situações específicas em que a administração intravenosa de nutrientes é indicada. Pessoas com síndromes de má absorção intestinal, pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, indivíduos com desnutrição grave ou algumas doenças crônicas podem precisar de reposição por via venosa. Também existem deficiências vitamínicas severas que exigem tratamento específico.
Esses, porém, são cenários médicos bem definidos e diferentes da utilização rotineira como estratégia de promoção da saúde, bem-estar ou emagrecimento, como o comumente oferecido por clínicas de estéticas e consultórios médicos.
"Estamos falando de situações de desidratação importante, desnutrição ou deficiências nutricionais graves, problemas de absorção no intestino, vômitos persistentes e em cenários hospitalares onde a via oral simplesmente não funciona. Também usamos a veia para aplicar alguns medicamentos, como reposições de ferro, quando os comprimidos convencionais não resolvem ou causam muito mal-estar. Mas essa indicação precisa sempre de uma avaliação médica detalhada”, acrescenta Fernandes.
Mesmo nessas circunstâncias, a composição, a dose, a velocidade de infusão e o tempo de tratamento devem ser definidos de acordo com o diagnóstico, os exames laboratoriais, a função renal e hepática, os medicamentos utilizados e as características individuais de cada paciente.
Quais são os riscos
Apesar de ser apresentada como um procedimento simples, a soroterapia também apresenta riscos.
Toda infusão intravenosa rompe uma barreira natural do organismo e pode causar complicações como infecção, flebite (inflamação da veia), hematomas, dor local e reações alérgicas.
Também pode ocorrer náuseas, tontura, queda ou elevação da pressão arterial, alterações do ritmo cardíaco, distúrbios dos níveis de sódio, potássio, cálcio, magnésio e glicose; sobrecarga ou lesão renal e hepática; interações entre as substâncias infundidas e os medicamentos utilizados pelo paciente.
Por desconhecer esses riscos a gerente de marketing Soraia Dias, 54 anos, acabou indo parar no pronto-socorro após uma sessão de soroterapia. Ela conta que foi palestrar em um evento e horas antes de subir ao palco, foi lhe oferecido uma sessão de soroterapia pela organização do evento. A promessa era de que a infusão iria ajudar a ter melhor desempenho durante a palestra.
"A infusão durou cerca de 10 minutos. Na sequência, fui para outra sala aguardar a minha vez de dar a palestra e logo comecei a sentir tontura, as pernas formigando e parecia que eu ia desmaiar. Eu mal conseguia ficar em pé”, recorda.
Por nunca ter tido sintomas semelhantes, Soraia foi juntamente com o marido até um pronto-socorro próximo. No local, ela foi aconselhada a intensificar a hidratação e ficou por duas horas em observação.
"Com o passar do tempo, aquela sensação ruim foi melhorando. Eu consegui voltar para o evento e fazer minha palestra, mas tiveram que mudar o horário para eu me apresentar”, recorda.
Marinheiro explica que a infusão intravenosa pode aumentar rapidamente a concentração de determinada substância no sangue, podendo ocorrer toxicidade.
"Uma concentração mais alta não significa necessariamente um benefício clínico maior. O organismo possui mecanismos de regulação e, no caso de várias vitaminas hidrossolúveis, elimina pela urina aquilo de que não necessita. Em outros casos, especialmente com doses elevadas ou substâncias que se acumulam, pode ocorrer toxicidade”, diz a endocrinologista.
O que dizem as entidades médicas
Após repercussão do caso envolvendo a influenciadora digital Virginia Fonseca, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) emitiu um alerta sobre os riscos do uso da soroterapia com finalidade estética ou para melhorar a performance.
Segundo o órgão, essa terapia endovenosa de vitaminas e minerais tem movimentado um mercado movido por falsas promessas e impulsionado, principalmente, por artistas e influenciadores.
"O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) alerta que a indicação de soroterapia com a falsa promessa de oferecer benefícios, como rejuvenescimento, perda de peso, ganho de massa muscular, combate à queda de cabelo e aumento da vitalidade, não tem evidência científica.
Desde 2024, quando realizou uma plenária sobre o tema, o Cremego tem chamado a atenção da sociedade sobre os ricos, inclusive fatais, do uso desnecessário da soroterapia, que também já foi questionado pela maioria das Sociedades de Especialidades Médicas e é condenado pela Resolução CFM número 2004/2012.
O Cremego observa que a soroterapia é um tratamento sério, porém vem sendo usado indiscriminadamente com a promessa de prevenir doenças que o paciente nem sabe se virá a ter”, disse o órgão em nota.
Antes mesmo do episódio dessa semana, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) já havia emitido nota pública alertando para a falta de segurança e eficácia da soroterapia.
"É importante dizer que esses métodos não possuem evidências clínico-científicas consistentes que comprovem a sua segurança e eficácia. A soroterapia não faz parte do rol de procedimentos médicos. A prática da soroterapia com fins dermatológicos carece de estudos científicos na literatura médica”, diz trecho da nota.
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| Short teaser | Especialistas alertam que terapia nutricional intravenosa carece de respaldo científico para uso estético ou bem-estar. | ||
| Author | Simone Machado | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/do-hype-à-ciência-o-que-o-caso-virginia-revela-sobre-a-febre-da-soroterapia/a-77915559?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Influenciadora Virginia Fonseca reacendeu debate sobre soroterapia como recurso para bem-estar | ||
| Image source | Rodolfo Buhrer/ATP photo agency/picture alliance | ||
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| Item 40 | |||
| Id | 77909321 | ||
| Date | 2026-07-10 | ||
| Title | Publicidade de bets também vira desafio regulatório na Europa | ||
| Short title | Publicidade de bets também é desafio regulatório na Europa | ||
| Teaser |
Apesar de regulação mais restrita, países europeus também enfrentam expansão e crescente presença da publicidade de casas de aposta. E em muitos casos a regulação não tem avançado na mesma velocidade do mercado.Logo após a primeira semana de transmissão de jogos da Copa do Mundo, os comentários sobre a quantidade de anúncios de casas de apostas, também conhecidas como bets, nas transmissões brasileiras se multiplicaram nas redes sociais. O alvo principal era a Cazé TV, acusada de transmitir publicidade excessiva e incitar apostas.
O movimento levou a uma investigação da Secretaria Nacional do Consumidor e posteriormente às mudanças anunciadas pelo Ministério da Fazenda esta semana, que restringem a publicidade de bets. As medidas incluem inserção de advertências nas propagandas e restrições a estratégias de marketing, inclusive proibindo o uso de comentaristas para induzir a apostas.
Situações similares tem sido vistas em diferentes países, como França, Alemanha e no Reino Unido, onde o crescimento da publicidade de bets em eventos esportivos vem desafiando reguladores, ao mesmo tempo que os hábitos de consumo de mídia mudam.
Se na Cazé TV os apresentadores e comentaristas anunciavam as bets durante a transmissão, inclusive comentando odds (probabilidades de ganho) e mencionando opções de apostas, em outros mercados há restrição para os anúncios durante as transmissões.
Mas legisladores encontram cada vez mais dificuldade de implementar regras que limitem os anúncios das plataformas de forma efetiva, considerando a rápida adaptação do mercado publicitário.
Anúncios por meio de influencers, novos patrocínios esportivos nos estádios e até mesmo transmissão ao vivo pelas próprias casas de aposta são alguns exemplos.
"O problema é que a regulação é implementada de forma extremamente lenta e com o avanço da publicidade é muito difícil acompanhar”, afirma o professor Raffaello Rossi da Universidade de Bristol no Reino Unido, que estuda as estratégias de marketing de plataformas de apostas esportivas em diferentes mercados.
Rossi foi um dos responsáveis por um estudo publicado pela Universidade de Bristol em parceria com a consultoria Ipsos, que aponta que o movimento observado no Brasil é similar ao de outros países europeus.
A autorização e regulamentação do mercado de bets foi seguido por um crescimento acentuado de anúncios das plataformas, levando a medidas para restringir a publicidade por conta dos danos associados às apostas.
Regulação europeia e mudanças de mercado
Na França, por exemplo, a discussão sobre a quantidade de anúncios de bets fez com que parlamentares apresentassem um projeto de lei pouco antes do início da Copa, sugerindo o aumento das restrições para os anúncios destas plataformas.
O movimento ocorre em meio ao avanço das apostas esportivas no país. Um estudo encomendado pela Autoridade Nacional de Jogos, que regula o setor na França, calculou que cerca de 40% dos espectadores franceses do mundial pretendiam apostar durante o torneio.
O país já possui limitações de publicidade para bets. Além de limitar o tempo diário de anúncios na televisão em geral, mais de uma plataforma de aposta não pode aparecer em cada inserção na programação e é obrigatória a difusão de mensagens de prevenção ao vício durante grandes eventos esportivos.
O projeto de lei apresentado em junho, sugere a proibição de propagandas de bets durante as transmissões, além de limitar os horários de exibição e proibir figuras públicas e influencers de aparecerem nos anúncios.
Na Alemanha, a regulamentação atual para bets menciona que a publicidade não pode ser excessiva, nem voltada para a propagação de odds irrealistas ou passar a mensagem de que os usuários podem ter algum controle dos resultados. Além disso, anúncios de bets entre 6h e 21h são proibidos em rádio, televisão e internet, e anúncios durante as transmissões também são limitados.
Mesmo assim, o avanço nas dinâmicas de transmissão tem desafiado a regulação.
A partir da edição de 2026 da Copa de Mundo, a FIFA comercializa os direitos de transmissão para além da televisão e streaming, incluindo outras plataformas que queiram transmitir o torneio, como casas de apostas.
Na Alemanha, uma bet está transmitindo todos os 104 jogos da Copa do Mundo por meio de seu aplicativo e site, contanto que o usuário tenha feito uma aposta recente na plataforma ou tenha um saldo ativo na sua conta. Só é possível assistir a todos os jogos do torneio na em território alemão na TV paga, já que os canais abertos transmitem somente algumas partidas de forma gratuita.
O movimento também ocorre em outros mercados, inclusive no Brasil, onde uma casa de apostas adquiriu os direitos para transmitir os jogos do mundial em território nacional por meio de seu aplicativo e site.
Enquanto isso, no Reino Unido, o crescimento dos anúncios de apostas esportivas tem preocupado especialistas, apesar da limitação parcial dos anúncios de bets durante transmissões de futebol.
O mercado na região é autorregulado há anos, com proibições de exibição de anúncios durante as partidas encabeçado por associações formadas pelas próprias casas de aposta.
Críticos alegam que a manutenção dos anúncios nos painéis dos estádios, além da quantidade excessiva de propagandas no restante da programação faz com que a medida tenha pouco efeito.
Banimento de anúncios
Outros países optaram por restrições ainda maiores para a publicidade de bets. Na Bélgica, Itália, Espanha e Holanda os anúncios do tipo em transmissões esportivas são proibidos.
Além disso, estes países não permitem quase nenhum outro tipo de publicidade de casas de aposta, incluindo anúncios em outdoors, com influencers nas redes sociais ou por meio de patrocínios esportivos. A Bélgica permite somente patrocínios esportivos, enquanto anúncios on-line são permitidos na Holanda e com restrições na Espanha.
O crescimento da publicidade de casas de aposta ocorre em meio à mudança nos hábitos de consumo de mídia, com transmissões que tornam a delimitação do que é informação, entretenimento ou publicidade muito tênue.
"As novas plataformas tentam construir mais do que um espaço informativo, mas um espaço de entretenimento, com uma tentativa de conversa com o público. Isso se torna mais interessante para o mercado publicitário em comparação com o modelo tradicional”, diz o professor Anderson Santos, professor da Universidade Federal do Alagoas e coordenador do Observatório de Transmissões de Futebóis, voltado para a análise da cobertura e distribuição dos direitos de transmissão no Brasil.
"Acho que os canais tendem a seguir esse direcionamento, porque as próprias marcas vão exigir entregas que sejam mais fluidas, já que é um modelo que está dando certo", complementa Santos.
Mas integrar a transmissão com os anúncios de forma pouca clara faz com que se torne cada vez mais difícil notar se algo é publicidade ou não.
O professor Rossi cita o caso de odds mostradas na tela e menção a apostas por comentaristas durante a transmissão, cenário que observou em transmissões nos EUA e Canadá, e que também podem ser vistas no Brasil. "Julgamos essa menção às apostas e odds altamente problemática porque ela normaliza as apostas e as apresenta como algo inofensivo”, afirma.
No Brasil, as medidas anunciadas pelo governo esta semana incluem a inserção de alertas como "Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência”, além de proibir a apresentação das apostas como investimento, forma de ganho fácil de dinheiro ou que criem um senso de urgência no público. As novas normas passam a valer a partir do dia 17 de julho.
Procurada, a LiveMode, controladora da Cazé TV, não respondeu aos pedidos de comentário da DW Brasil.
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| Short teaser | Apesar de regulação mais restrita, países enfrentam avanço da publicidade de casas de aposta | ||
| Author | João Rocha | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/publicidade-de-bets-também-vira-desafio-regulatório-na-europa/a-77909321?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Publicidades de bet também estão presentes na Alemanha, apesar de regulação durante transmissão na televisão | ||
| Image source | Matias Basualdo/ZUMA/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77520619_354.jpg&title=Publicidade%20de%20bets%20tamb%C3%A9m%20vira%20desafio%20regulat%C3%B3rio%20na%20Europa | ||
| Item 41 | |||
| Id | 77885738 | ||
| Date | 2026-07-09 | ||
| Title | Trabalho por aplicativo vira alternativa para vítimas de violência doméstica no Brasil | ||
| Short title | Trabalho por app vira alternativa para vítimas de violência | ||
| Teaser |
Dependência financeira impede muitas mulheres de deixar relacionamentos abusivos. Aplicativos oferecem renda rápida e flexibilidade de horários para cuidar dos filhos, mas expõem motoristas à precarização e à violência. Após ser agredida e ameaçada de morte pelo ex-marido, Nany Cardoso decidiu denunciá-lo e pedir o divórcio. Sem emprego e morando de favor na casa do irmão com as três filhas, alugou um carro para trabalhar como motorista de aplicativo em Niterói (RJ). "No começo, chegava a ficar 17 horas trabalhando direto. Tinha que trabalhar dobrado para cobrir o aluguel do carro e ainda sobrar. Apesar de tudo, foi o que fez minha vida melhorar, trouxe renda para cuidar das crianças e sustentar a casa", relata. Casos como o de Cardoso se repetem no Brasil. Em 2024, 187,9 mil mulheres foram alvo de violência doméstica, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A dependência econômica é um dos fatores que dificultam que as mulheres ponham fim a esses relacionamentos: 61% das vítimas afirmaram ter deixado de denunciar os parceiros por depender deles financeiramente. "As mulheres têm dificuldade de romper com as agressões porque percebem que não conseguem sobreviver sozinhas. Dependem da renda do marido e, quando se dão conta de que precisam se manter, precisam buscar uma fonte de renda", explica a professora Noézia Ramos, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Renda para romper violênciaAo tentar ingressar no mercado de trabalho, essas mulheres se deparam com outras dificuldades, como altas taxas de desemprego: 72,1% dos homens em idade ativa estão empregados, contra 53,1% das mulheres, segundo a Organização Mundial do Trabalho (OIT). Outro problema é o desequilíbrio na distribuição do trabalho doméstico. De acordo com a OIT, 31,7% das mulheres em idade ativa não procuram trabalho porque têm de cuidar de filhos, parentes ou da casa. Na dinâmica da violência doméstica, 17,1% das mulheres são impedidas de trabalhar ou estudar pelos maridos. Com menor instrução e experiência, o trabalho informal se torna uma alternativa para quem não consegue uma colocação. Nesse cenário, uma das opções é o transporte por aplicativo. Para Ramos, as plataformas são "uma alternativa em um cenário de desespero". A advogada Andrea Sampaio, que pesquisou a categoria em sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), afirma que o trabalho por aplicativo oferece uma oportunidade rápida de geração de renda e maior autonomia para as mulheres. "É uma atividade que dá segurança para escolher estar ou não em um relacionamento e que permite conciliar trabalho e vida pessoal." Segundo o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a renda média mensal líquida dos motoristas varia de R$ 3.083 a R$ 4,4 mil. Ganho imediato e flexibilidadeO trabalho nos aplicativos de transporte em Porto Alegre (RS) foi a solução para as dificuldades de Julia Monteiro. Há três, ela estava desempregada e era agredida pela ex-mulher. "Ela me deu socos, me empurrou da escada e tentou me enforcar. Então essa foi uma oportunidade de sair de casa, dava um alívio não sofrer violências no tempo em que estava trabalhando, e também me dava um bom retorno financeiro", conta Monteiro. Um levantamento de 2025 da consultoria Think Eva avaliou o perfil das motoristas. Para 73% das entrevistadas, a possibilidade de ganho imediato é o principal fator para optar por esse trabalho. Outras 37% disseram que ganham mais como motoristas do que no emprego anterior. Cerca de 78% disseram que a flexibilidade de horários é um dos principais atrativos. A motorista Nany Cardoso só trabalha no período da noite para ter tempo de ficar com as filhas durante o dia. "Posso levar ao médico, participar das festas na escola, coisa que o emprego CLT não me permitia". Ela diz que "dá para ganhar um dinheiro bom se você trabalhar muito". Custo da autonomiaAo todo, 103,3 mil mulheres atuam atualmente como motoristas de aplicativo, segundo dados do Cebrap. O número é 62% maior do que há quatro anos. Apesar do crescimento, elas representam apenas 6% do 1,7 milhão de motoristas do país. Ainda que a atividade permita alcançar autonomia financeira, especialistas apontam que o trabalho por aplicativo é marcado pela precarização. "Há uma sensação de que estão trabalhando para si mesmas, mas falta proteção social em casos de acidente ou doença. Também faltam políticas públicas e creches. Já presenciei mulheres trabalhando com os filhos no carro por não terem onde deixá-los", afirma Sampaio. Um estudo da OIT e da ONU Mulheres realizado em países da América Latina, além de Portugal, Espanha e Andorra, apontou que mulheres ganham, em média, 40% menos do que homens nas plataformas de transporte por aplicativo. Para Noézia Ramos, parte dessa diferença pode estar relacionada à menor disponibilidade de tempo para trabalhar. "Se as mulheres enfrentam uma tripla jornada, cuidando dos filhos, da casa e do trabalho remunerado, elas acabam rodando menos. Além disso, preconceito contra mulheres ao volante pode influenciar avaliações feitas pelos passageiros", afirma. A presidente do Sindicato dos Motoristas em Transportes Privados por Aplicativos do Rio Grande do Sul (Simtrapli-RS), Carina Trindade, conta que resolveu testar as plataformas. "Em uma roda com homens e mulheres, ligamos o aplicativo todos juntos e na maioria das vezes, tocou primeiro para eles. O valor das corridas para os homens também era maior". Questionada sobre o assunto, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne representantes de plataformas como 99, Buser, Flixbus, Lalamove, Uber e Zé Delivery, informou que não há qualquer tipo de diferenciação de remuneração de viagens baseada em gênero dos condutores. "Oscilações no preço das viagens são influenciadas por fatores como tempo e distância dos deslocamentos, categoria da viagem escolhida, níveis de oferta e demanda por corridas no horário e local específico, entre outros", afirmou em nota. Assédio e insegurançaMais do que questões econômicas, as motoristas enfrentam desafios quanto à insegurança no volante. De acordo com um levantamento da plataforma GigU, 59% das motoristas afirmam que já foram assediadas, assim como 97% das passageiras. "Isso é bem pesado. Eu preciso falar grosso quando os caras estão de conversinha para ver se entendem", afirma Trindade. Cardoso foi alvo de assalto. "No fim da tarde, quando desembarquei uma passageira e passei em uma rua deserta, um homem que estava de moto parou meu carro, disse que não podia andar Uber ali e puxou meu telefone". Desde 2020, as empresas passaram a ofertar entre as opções de corrida as que tinham mulheres na direção. "Nunca sabemos se realmente é uma mulher ou homem. Aceitamos, acreditando ser uma passageira, mas elas podem chamar a corrida para eles e colocam as motoristas em risco. Se desistem da corrida, podem ser bloqueadas por excesso de cancelamentos", afirma Trindade. A Uber e a 99 estão entre as maiores plataformas do país. A primeira diz que faz campanhas educativas com motoristas para evitar comportamentos inapropriados. Já a 99 alega que nos últimos dois anos investiu R$ 125 milhões no desenvolvimento de ferramentas de segurança, o que resultou na queda de 33% dos incidentes sexuais graves com mulheres. Apesar das dificuldades, Cardoso diz que vai continuar trabalhando como motorista. "Já estou com 50 anos, entrar no mercado de trabalho é mais difícil. Meu sonho agora é terminar de construir minha casa". |
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| Short teaser | Dependência financeira impede muitas mulheres de deixar relacionamentos abusivos. | ||
| Author | Jéssica Moura | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/trabalho-por-aplicativo-vira-alternativa-para-vítimas-de-violência-doméstica-no-brasil/a-77885738?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Trabalho%20por%20aplicativo%20vira%20alternativa%20para%20v%C3%ADtimas%20de%20viol%C3%AAncia%20dom%C3%A9stica%20no%20Brasil | ||
| Item 42 | |||
| Id | 77873685 | ||
| Date | 2026-07-08 | ||
| Title | Piratas voltam aos holofotes com novo "Assassin’s Creed" | ||
| Short title | Piratas voltam aos holofotes com novo "Assassin’s Creed" | ||
| Teaser |
Novo jogo da famosa franquia é releitura de aventura nos mares lançada em 2013. Corsários possuem longa tradição de sucesso na cultura pop. Sob um céu azul-claro quase sem nuvens, as ondas batem contra o Jackdaw. As velas tremulam ao vento. Ao longe, embarcações de um único mastro navegam pelo oceano. A estibordo, estendem-se praias desertas de areia cercadas por palmeiras. Estou ao leme do meu navio pirata, ouvindo a tripulação que acaba de começar mais uma canção marítima. O doce aroma da liberdade sopra em meu rosto – embora, na realidade, eu esteja apenas sentado no sofá jogando Assassin's Creed Black Flag Resynced. O jogo é uma nova versão completamente reformulada da bem-sucedida aventura pirata lançada em 2013. É provável que ele, com gráficos atualizados e algumas missões adicionais, também agrade aos jogadores, afinal, aventuras de piratas nunca saem de moda. Na cultura popular, elas possuem uma longa tradição. Escritores como Emilio Salgari (1862–1911) e Rafael Sabatini (1875–1950) escreveram inúmeras histórias de piratas, que mais tarde serviram de inspiração para produções de Hollywood de grande sucesso, entre elas Capitão Blood (1935) e O Cisne Negro (1942). O romance de aventura A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, publicado em 1883, também foi adaptado diversas vezes para o cinema. A atração temática Pirates of the Caribbean do parque Disneyland inspirou o desenvolvedor Ron Gilbert a criar a série de videogames Monkey Island, cujo primeiro título foi lançado em 1990. Tanto a atração da Disney quanto o jogo serviram posteriormente de inspiração para a série de filmes Piratas do Caribe. Em 2026, vários jogos de pirata serão lançados, incluindo o simulador de construção de cidades Corsair Cove e os jogos de ação Windrose e Assassin's Creed Black Flag Resynced. "Época Dourada da Pirataria"Embora os piratas existam desde a Antiguidade, nossa imagem deles é baseada principalmente na chamada "Época Dourada da Pirataria", que começou no final do século 17 e durou apenas algumas décadas. Nesse período, as potências europeias expandiram suas colônias no Caribe e na costa oeste da África. Navios mercantes transportavam mercadorias de seus países de origem para esses territórios e levavam produtos coloniais de volta para a Europa. Os piratas atacavam essas embarcações, gastavam rapidamente os bens saqueados e retornavam ao mar. A maioria deles, porém, não viveu muito tempo. Muitos foram capturados e mortos. Para o historiador Jann M. Witt, os piratas eram simplesmente criminosos. "O pirata que as pessoas imaginam hoje não tem nada a ver com a realidade. Trata-se de uma imagem romantizada", afirma. Ao mesmo tempo, alguns estudiosos enxergam os piratas como defensores progressistas de uma nova forma de sociedade democrática e orientada ao bem comum. Contudo, não há evidências sólidas para sustentar essa visão. As fontes históricas são escassas. Embora a obra Uma História Geral dos Roubos e Crimes de Piratas Famosos (1724), de Charles Johnson, seja frequentemente utilizada como referência, Witt argumenta que ela não constitui uma pesquisa científica, mas sim uma forma de "jornalismo sensacionalista". "Eu sei que muitas imagens da pirataria na cultura popular são romantizadas; e isso é ótimo", diz o compositor e cantor de canções marítimas Seán Dagher. Na sua opinião, as pessoas não se apaixonaram pela pirataria em si, mas pela versão idealizada da vida dos piratas. O músico folk passou muito tempo no mar e compôs, além de interpretar, várias canções para Assassin's Creed Black Flag Resynced. Vale lembrar que essas canções marítimas não serviam apenas para entretenimento a bordo. Elas tinham uma função prática: o cantor precisava motivar a tripulação, enquanto as músicas ajudavam os marinheiros a coordenar suas tarefas, por exemplo, puxando cordas em um mesmo ritmo. Fuga, liberdade e aventura"O que fascina na vida marítima em geral é a ideia de simplesmente partir para qualquer lugar", afirma Dagher. "Mesmo que a vida em um navio fosse dura, a ideia de chegar a um novo lugar e escapar, de alguma forma, dos problemas da vida cotidiana continua sendo emocionante." Já para Paul Fu, diretor criativo de Assassin's Creed Black Flag Resynced, o encanto dos piratas está no sentimento simbolizam. "Os piratas exercem um enorme fascínio porque transmitem uma sensação de liberdade e aventura", afirma. E aí surge novamente a ideia da liberdade. Porém, na realidade, ela não predominava nos navios piratas. Havia hierarquias rígidas, e a vida no mar estava longe de ser romântica. O trabalho era exaustivo, os suprimentos eram escassos, e a assistência médica era precária. No jogo, a violência também está presente, algo sugerido pelo próprio nome da série. Combates com lâminas ocultas, espadas, pistolas e bombas de fumaça fazem parte da mecânica. Ainda assim, o mundo do jogo foi projetado para não parecer sombrio, mas sim iluminado e acolhedor. Segundo Paul Fu, até mesmo os ciclos de dia e noite foram ajustados, tornando os dias significativamente mais longos que as noites. Por que a narrativa da liberdade prevaleceu?As histórias de piratas sempre tiveram uma função social. "Os piratas já eram utilizados como instrumento político-cultural enquanto ainda estavam vivos", explica o historiador Eugen Pfister. Essas narrativas tinham o objetivo, segundo ele, de disciplinar o público. Mostravam uma breve fuga das hierarquias e estruturas sociais. Até a década de 1950, era comum que as histórias apresentassem um homem honrado que, por circunstâncias infelizes, tornava-se pirata, mas que no final retornava ao convívio da sociedade. Esse modelo começou a mudar a partir dos anos 1990. Em lugar do pirata honrado surgiu o que Eugen Pfister chama de "capitalista aventureiro liberal": uma figura egoísta, orientada pelo lucro e comprometida apenas consigo mesma e com suas próprias regras. Exemplos disso são Jack Sparrow, da franquia Piratas do Caribe, e Edward Kenway, da série Assassin's Creed. Enquanto os piratas das narrativas antigas acabavam reintegrados à sociedade, os piratas contemporâneos são retratados como indivíduos que, de certa forma, estão acima dela. Há, porém, algo comum a todas as histórias de piratas: elas pouco se preocupam com a precisão histórica. Em vez disso, recorrem a cenários paradisíacos e exóticos e selecionam da tradição folclórica da pirataria apenas os elementos que melhor combinam com o espírito de cada época. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. 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| Short teaser | Novo jogo da franquia é releitura de aventura lançada em 2013. Corsários possuem longa tradição na cultura pop. | ||
| Author | Kristina Reymann-Schneider | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/piratas-voltam-aos-holofotes-com-novo-assassin-s-creed/a-77873685?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 43 | |||
| Id | 77647317 | ||
| Date | 2026-06-21 | ||
| Title | Milhares de pessoas celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Short title | Milhares celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Teaser |
Com coroas de flores, 20 mil visitantes se dirigiram ao monumento milenar no Reino Unido para acompanhar o nascer do Sol do dia mais longo do ano no Hemisfério Norte.Uma multidão de mais de 20 mil pessoas se reuniu no início da manhã deste domingo (21/06) no milenar sítio arqueológico de Stonehenge, no Reino Unido, para ver o nascer do sol às 4h25 (0h25 em Brasília) no dia mais longo do ano no Hemisfério Norte, segundo a organização pública English Heritage, que administra monumentos históricos na Inglaterra.
Os visitantes, alguns usando coroas de flores, tocaram o monumento antigo e comemoraram quando o sol resplandecente surgiu no horizonte enevoado.
"Ao amanhecer do dia mais longo do ano, recebemos mais de 20.000 pessoas para celebrar juntas, com milhares de outras participando de todo o mundo por meio de nossa transmissão ao vivo", informou no domingo a English Heritage, organização que administra o sítio de Stonehenge.
Em 21 de junho, o Hemisfério Norte da Terra está inclinado ao máximo em direção ao Sol, resultando no dia mais longo do ano. O oposto ocorre no Hemisfério Sul, que tem seu dia mais longo em 21 de dezembro.
O círculo de pedras megalíticas pré-histórico situado na Planície de Salisbury, em Wiltshire (sudoeste da Inglaterra), parece ter sido construído há milhares anos para se alinhar com a trajetória do Sol nesses dias.
Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de pedras, que chegam a ter 5 metros de altura e a pesar quase 50 toneladas, localizada na Inglaterra, no condado de Wiltshire, na Planície de Salisbury.
Stonehenge é um dos monumentos pré-históricos mais famosos do mundo. Formado por enormes blocos de pedra organizados em círculos, ele foi construído ao longo de várias etapas entre aproximadamente 3000 a.C. e 2000 a.C.
Embora seu propósito exato ainda seja desconhecido, pesquisadores acreditam que Stonehenge tenha servido como local de cerimônias religiosas, espaço de sepultamento e até como observatório astronômico, devido ao seu alinhamento com o Sol durante os solstícios.
Algumas pedras pesam mais de 25 toneladas e parte delas foi transportada de regiões localizadas a centenas de quilômetros de distância. Por causa de sua importância histórica e cultural, Stonehenge foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1986.
Como funcionam as celebrações em Stonehenge?
A partir de 1978, o acesso do público a Stonehenge passou a ser restrito — os visitantes não podiam mais circular livremente entre as pedras —, em resposta a casos de vandalismo e ao aumento da erosão decorrentes do rápido crescimento do número de turistas.
As reuniões modernas por ocasião do solstício tiveram início já em meados do século 19, facilitadas pelo acesso ferroviário à cidade vizinha Salisbury.
Esses eventos, de caráter um tanto mais anárquico e espontâneo, chegaram a um fim violento em 1985, quando a polícia e um grupo de centenas de visitantes entraram em confronto no que ficou conhecido como a Batalha de Beanfield.
Enquanto a polícia tentava fazer cumprir uma liminar obtida pelas autoridades locais para impedir a passagem dos visitantes — inicialmente por meio de um bloqueio na estrada —, mais de 500 pessoas acabaram sendo presas.
Foi um dos maiores episódios de prisão em massa no Reino Unido depois Segunda Guerra Mundial.
A partir do ano 2000, a English Heritage passou a permitir o acesso controlado ao sítio de Stonehenge durante os dois solstícios — bem como nos equinócios de primavera e outono. Desde então, esses eventos ganharam popularidade.
Solstício de verão em meio a uma onda de calor
A celebração ocorreu enquanto o Reino Unido e grande parte da Europa permanece sob alertas de calor intenso.
No domingo, as temperaturas na região de Salisbury estavam comparativamente amenas para os padrões nacionais, com previsão de máximas de 29 °C.
Na França, no entanto, o governo proibiu o consumo de álcool em locais públicos durante as celebrações do Dia da Música, que marcam o solstício de verão. O evento inclui milhares de shows em praças de vilarejos, locais de música eletrônica e casas noturnas de Paris, reunindo comunidades e atraindo cada vez mais visitantes internacionais.
Ainda na França são esperadas máximas de 40 °C no domingo, com a segunda-feira provavelmente ainda mais quente, com serviços de emergência e as forças militares foram colocados em alerta contra incêndios florestais.
Há também previsão de temperaturas atingindo 37 °C em Roma e 39 °C em Madri na segunda-feira.
O Met Office britânico informou que o calor deve atingir um pico de cerca de 35°C na terça e na quarta-feira, o que gerou alertas meteorológicos, alertas de saúde e preocupações com as pessoas vulneráveis.
Os meteorologistas afirmaram que a próxima semana pode quebrar o recorde da temperatura mais alta já registrada em junho, de 35,6 °C, estabelecido em 1976 em Southampton.
jps (dpa, DW, ots)
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| Short teaser | Vinte mil visitantes se dirigiram ao monumento para acompanhar nascer do Sol do dia mais longo no Hemisfério Norte | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/milhares-de-pessoas-celebram-o-solstício-de-verão-em-stonehenge/a-77647317?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/77643451_354.jpg
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| Image caption | Alguns dos visitantes exibiram flores sobre a cabeça para celebrar o solstício em Stonehenge | ||
| Image source | Alberto Pezzali/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 44 | |||
| Id | 53832364 | ||
| Date | 2026-05-03 | ||
| Title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Short title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Teaser |
Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número de tropas americanas no país europeu. EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha e decisão pode marcar grande mudança na relação de defesa entre os dois países Em meio a uma troca de farpas entre os EUA e a Alemanha, o Pentágono anunciou nesta semana que pretende retirar 5 mil dos seus militares que estão atualmente baseados no país europeu. Segundo o anúncio, a retirada deve ser completada num período de 6 a 12 meses. No sábado (02/05), foi a vez de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a retirada pode ser ainda mais ampla. "Vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais do que 5.000", disse Trump a repórteres. O movimento de retirada ocorre após Trump se enfurecer com declarações críticas à condução da guerra do Irã feitas pelo chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na segunda-feira, Merz afirmou que os que os Estados Unidos estão sendo "humilhados" em sua guerra contra o Irã e que parece faltar a Washington uma estratégia clara no conflito. Um dia depois, Trump respondeu que o alemão "não tem ideia do que está falando". "Merz acha ok o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!", disse em um post na rede Truth Social. Logo depois, veio o anúncio de redução de tropas baseada na Alemanha. Como parte da decisão, um plano da era Joe Biden para enviar um batalhão americano com mísseis Tomahawk de longo alcance para a Alemanha também foi abandonado. Não é a primeira vez que Trump faz movimentos para reduzir a quantidade de tropas dos EUA na Alemanha. Em 2020, o republicano chegou a anunciar um plano ainda mais drástico de redução, mas a iniciativa foi abandonada após a derrota de Trump para Joe Biden no mesmo ano. Presença militar dos EUA na AlemanhaSegundo o Pentágono entre 34 mil e 36 mil soldados ocupam atualmente em caráter permanente as bases americanas em solo alemão. Se incluídas as unidades militares em rotação, o número pode chegar temporariamente a 50 mil. Além do contingente militar, cerca de 15 mil civis americanos trabalham para o Departamento de Defesa dos EUA na Alemanha. A República Federal da Alemanha tem sido parte vital da estratégia de defesa dos Estados Unidos na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial: durante dez anos as forças americanas integraram a ocupação dos Aliados no país. Embora o contingente tenha diminuído drasticamente desde então, nas décadas seguintes comunidades militares americanas se formaram em torno de diversas cidades, e os militares dos EUA ainda são uma presença importante no país. A importância estratégica da Alemanha para os EUA se reflete na localização do quartel-general do Comando Europeu dos EUA (Eucom) na cidade de Stuttgart, no sudoeste do país, que serve como estrutura de coordenação partes todas as forças militares americanas em 51 países, principalmente europeus. A missão da Eucom é proteger e defender os EUA, impedindo conflitos, apoiando parcerias como a Otan e combatendo ameaças transnacionais. Sob seu comando estão o Exército, as Forças Aéreas e o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA na Europa, todos com unidades na Alemanha. A Alemanha abriga a maior parte das tropas americanas na Europa. Só no Japão os EUA mantêm mais pessoal militar. No entanto os números na Alemanha vêm caindo nos últimos anos: dados do governo alemão mostram que desde 2006 o número de militares dos EUA baseados na Alemanha diminuiu em mais da metade, sendo que há 20 anos a cifra chegava a 72.400. Fuzileiros navais, soldados e aviadoresA Alemanha abriga cinco guarnições do Exército americano e o quartel-general do Exército dos EUA na Europa está sediado na guarnição de Wiesbaden, próximo a Frankfurt, no centro-oeste do país. Dados fornecidos pelas Forças Armadas dos EUA mostram que essas cinco guarnições, cada uma englobando várias bases em locais diferentes, compreendem atualmente cerca de 23 mil militares. Esse número inclui as Forças de Fuzileiros Navais da Europa e da África, com sede em Böblingen, sudoeste da Alemanha, como parte da Guarnição do Exército dos EUA em Stuttgart. Além disso, há cerca de 13 mil membros da Força Aérea dos EUA espalhados por vários locais na Alemanha, incluindo as duas bases aéreas americanas em Ramstein e Spangdahlem. Mais do que apenas soldadosComo as instalações militares dos EUA também empregam civis e militares por vezes podem levar suas famílias para o exterior, consideráveis comunidades de civis se formam em torno dessas instalações. Na verdade, algumas bases americanas na Alemanha, como a de Ramstein, são pequenas cidades autônomas, englobando não só quartéis, aeroportos, áreas para exercícios militares e depósitos de materiais, mas também seus próprios shoppings, escolas, serviços postais e força policial americanos. Em certos casos, a única moeda corrente é o dólar americano. Atualmente, a guarnição do Exército dos EUA na Baviera, com quartel-general em Grafenwöhr, perto da fronteira com a República Tcheca, é a maior base do Exército americano no exterior, tanto em número de militares quanto em superfície, espalhando-se por mais de 390 quilômetros quadrados. As bases também costumam empregar um número significativo de residentes e servem de impulso econômico às comunidades alemãs adjacentes, cujas empresas fornecem bens e serviços. O fechamento de instalações anteriores, como a guarnição do Exército em Bamberg em 2014, afetou a economia local, e muitos alemães que vivem perto de instalações militares americanas manifestam oposição a possíveis reduções de tropas. Porém a extensão da presença militar dos EUA na Alemanha não se limita ao pessoal: o país também mantém aviões em outras bases aéreas não americanas em solo alemão. Além disso, calcula-se que 20 ogivas nucleares sejam mantidas na Base Aérea de Büchel, no âmbito do Acordo de Compartilhamento Nuclear da Otan, fato que suscitou muitas críticas por parte dos alemães. A importância de RamsteinA Base Aérea de Ramstein, no estado alemão da Renânia-Palatinado, é a maior base militar americana fora do país. Ela serve como um centro logístico para tropas, equipamentos e cargas a caminho do Oriente Médio, África e Europa Oriental. Ramstein também é o quartel-general da Força Aérea dos EUA na Europa e serve como centro de comando da Otan para vigilância do espaço aéreo militar de todos os parceiros europeus. A base aérea também abriga uma estação de retransmissão de satélites, de grande importância para o destacamento de drones de combate americanos, por exemplo, no Oriente Médio. Como a curvatura da Terra não permite o controle direto de drones a partir dos EUA, os sinais são retransmitidos por satélite via Ramstein. A base também funciona como um centro médico, já que soldados feridos da Europa, África ou Oriente Médio são transportados de avião para Ramstein e tratados no Centro Médico Regional de Landstuhl, adjacente à base, o maior hospital militar americano fora dos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o hospital recebeu soldados americanos feridos em ataques do Irã a países do Golfo. Ambas as instalações fazem parte da Comunidade Militar de Kaiserslautern, que abrange dezenas de milhares de soldados americanos, funcionários civis e seus familiares. Spangdahlem, por sua vez, é a segunda maior base da Força Aérea dos EUA em solo alemão, fica a cerca de 120 quilômetros mais a noroeste. Ao contrário de Ramstein, Spangdahlem serve principalmente para missões operacionais de combate. Um esquadrão de caças composto por cerca de 20 jatos F-16 está estacionado na base, funcionando como uma força de reação rápida em tempos de crise. O esquadrão ajuda a proteger o flanco leste da Otan e é especializado em eliminar as defesas aéreas inimigas. Ocupação aliada do pós-guerra e seu legadoA presença militar dos EUA na Alemanha é um legado da ocupação aliada pós-Segunda Guerra Mundial, que durou de 1945 a 1955. Durante esse período, milhões de militares americanos, britânicos, franceses e soviéticos estiveram estacionados na Alemanha. A parte nordeste do país ficou sob controle soviético, tornando-se oficialmente a República Democrática Alemã (RDA) em outubro de 1949. Na parte ocidental, a ocupação foi regulamentada pelo Estatuto da Ocupação, assinado em abril de 1949, quando foi fundada a República Federal da Alemanha. O estatuto permitiu que França, Reino Unido e EUA mantivessem forças de ocupação no país e o controle completo sobre o desarmamento e desmilitarização da antiga Alemanha Ocidental. Quando a ocupação militar da República Federal da Alemanha (RFA) terminou oficialmente, o país recuperou o controle de sua própria política de defesa. No entanto, o Estatuto de Ocupação foi sucedido por outro acordo com seus parceiros na Otan. O pacto – conhecido como Convenção sobre a Presença de Forças Estrangeiras na República Federal da Alemanha e assinado pelos alemães em 1954 – permitiu que oito países-membros da Otan, incluindo os EUA, mantivessem presença militar permanente na Alemanha. O tratado ainda regula os termos e condições das forças da Otan estacionadas hoje na RFA. O número de militares americanos na Alemanha vem diminuindo desde o fim da Guerra Fria, em 1990, quando, segundo Berlim, havia cerca de 400 mil soldados estrangeiros baseados no país. Cerca de metade deles eram americanos, mas foram gradualmente retirados à medida que diminuíam as tensões com os Estados sucessores da União Soviética, e conflitos em outros lugares, como a guerra do Iraque, requeriam mais militares dos EUA. Qual a importância das bases militares americanas para a economia alemã?As bases americanas são um fator econômico importante para a Alemanha. Muitas delas estão localizadas em regiões rurais do país, onde as forças armadas americanas atuam como o maior investidor e empregador. Mais de 10 mil alemães trabalham diretamente para as forças armadas americanas, enquanto estima-se que 70.000 empregos na Alemanha estejam indiretamente ligados a empresas que prestam serviços às Forças Armadas americanas, por exemplo, no setor da construção civil ou na indústria de serviços. Além disso, os soldados americanos baseados na Alemanha e suas famílias gastam grande parte de seus salários em lojas e empresas alemãs. A comunidade militar, por si só, contribui com até 3,5 bilhões de euros (US$ 4,1 bilhões) anualmente para as economias regionais. |
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| Short teaser | EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha. Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número. | ||
| Author | Ben Knight , Thomas Latschan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-presença-militar-dos-eua-na-alemanha-na-mira-de-trump/a-53832364?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=A%20presen%C3%A7a%20militar%20dos%20EUA%20na%20Alemanha%20na%20mira%20de%20Trump | ||
| Item 45 | |||
| Id | 76191308 | ||
| Date | 2026-03-03 | ||
| Title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Short title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Teaser |
Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos do tratado de livre-comércio caracterizam de maneira equivocada o setor agrícola europeu e a indústria brasileira.O embaixador do Brasil na Alemanha rechaçou as críticas de setores políticos europeus ainda resistentes ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Brasil. Segundo Rodrigo de Lima Baena Soares, a caracterização do tratado como uma "troca de carros por vacas" é um "desserviço" que não faz jus nem ao setor agrícola europeu nem à indústria brasileira.
"É preciso parar com a ideia de que esse acordo é uma troca de 'carros por vacas', uma expressão que circula tanto no discurso brasileiro quanto no europeu. Isso é uma caricatura e presta um desserviço. Isso caracteriza de maneira equivocada tanto a economia da Europa quanto a brasileira", disse Baena Soares, citando uma expressão crítica que virou um slogan de opositores do acordo, sobretudo na Europa.
"Pelo lado europeu, essa narrativa apresenta o agricultor do continente como vítima de uma ameaça existencial por parte dos agricultores sul-americanos. Só que a União Europeia é o maior exportador mundial de alimentos. E os agricultores europeus produzem alguns dos bens mais valorizados e sofisticados do mundo. Está longe de ser uma indústria frágil", disse Baena Soares, que assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado.
"E do lado brasileiro, há também um certo desajuste como o acordo é visto, de que seria apenas fornecimento de matérias-primas, quando a realidade é outra. A indústria brasileira exportou 181 bilhões de dólares em 2024. [O acordo] é uma oportunidade para a indústria, e não uma concessão. Com o acordo, as tarifas para a importação de máquinas cairão de 11,6% para menos de 1% até 2040", acrescentou.
Baena Soares fez as declarações na segunda-feira (02/02) durante o evento "Diálogos Internacionais Brasil-Alemanha", que ocorre nesta semana na Universidade de Frankfurt, no oeste alemão, e que é promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais).
Mensagem clara ao mundo
O diplomata também classificou como "excelente notícia" que a Comissão Europeia tenha anunciado no fim de fevereiro que pretende implementar o acordo de forma provisória, enquanto seguir pendente um pedido de parecer apresentado pelo Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), um processo que pode se arrastar por até dois anos. "Estou otimista que a Corte de Justiça da UE reconhecerá o acordo."
Baena Soares também disse o acordo é um "sinal inequívoco" do comprometimento do Brasil "com o multilateralismo". "O acordo é uma mensagem clara ao mundo que ainda há espaço para multilateralismo, apesar de todas tensões geopolíticas e o crescente protecionismo de alguns países".
"Mostra que divergências podem ser superadas por meio da negociação e do compromisso, um aspecto que anda difícil como atestam os últimos acontecimentos. Nós também não podemos subestimar o impacto político que esse acordo terá. Nosso diálogo político com a UE já é bom e vai ser ainda mais facilitado e fortalecido. Vamos lembrar que todos os países da UE e do Mercosul são países democráticos", disse.
"Esse acordo não é o destino, é a infraestrutura de uma jornada cujas dimensões plenas ainda vão ser mapeadas."
Negociado ao longo de duas décadas, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e EU foi finalmente assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai. Nas semanas seguintes, o Uruguai e a Argentina se tornaram os primeiros países a ratificar o tratado.
Já na Europa ainda não há consenso pleno. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu judicializar a questão, pedindo para que o Tribunal de Justiça da UE julgue a legalidade do tratado. Para evitar que a questão se arraste nos tribunais, a Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) anunciou que vai implementar o acordo de forma provisória.
Dentro do bloco europeu, o acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, mas ainda sofre resistência sobretudo da França, o principal produtor agrícola da UE.
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| Short teaser | Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos caracterizam o tratado de livre-comércio de maneira equivocada. | ||
| Author | Jean-Philip Struck (enviado a Frankfurt) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/acordo-mercosul-ue-não-é-uma-troca-de-carros-por-vacas/a-76191308?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado | ||
| Image source | Maksim Konstantinov/Russian Look/picture alliance | ||
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| Item 46 | |||
| Id | 75011709 | ||
| Date | 2025-12-04 | ||
| Title | Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal | ||
| Short title | Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal | ||
| Teaser |
Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono.
A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente.
O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro.
Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada.
Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes.
O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira.
Trump mantém apoio a Hegseth
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira.
Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado.
Hegseth debateu ataques no Iêmen
O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz.
O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais.
O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen.
O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar.
Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque.
A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada.
Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas.
as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)
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| Short teaser | Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/investigação-conclui-que-chefe-do-pentágono-pôs-soldados-em-risco-ao-usar-signal/a-75011709?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe | ||
| Image source | Ricardo Hernandez/AP Photo/dpa/picture alliance | ||
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| Item 47 | |||
| Id | 63791517 | ||
| Date | 2025-09-10 | ||
| Title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Short title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Teaser |
Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança.
Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade.
O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir.
Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes.
Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°?
Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança.
Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas.
Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão.
O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°.
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| Short teaser | Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. | ||
| Author | Bernd Riegert | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quais-as-diferenças-entre-os-artigos-4°-e-5°-da-otan/a-63791517?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado | ||
| Image source | Christoph Hardt/Panama/picture alliance | ||
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| Item 48 | |||
| Id | 72986020 | ||
| Date | 2025-06-21 | ||
| Title | Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Short title | Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Teaser |
Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã. O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam. Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados." Condições deterioram para afegãos no IrãO Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã. Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar. As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã. Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários." Sem opção de retornoAtualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família. "Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi." Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria." Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar. "Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos." Traficantes de pessoas exploram medosRedes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras. Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas. O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas." Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia." |
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| Short teaser | Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação. | ||
| Author | Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 49 | |||
| Id | 57531509 | ||
| Date | 2025-06-13 | ||
| Title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Short title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Teaser |
Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas. A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país. Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital. Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen. Sistema de três elementosA defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance. Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia. Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo. O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos. Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio. 90% de êxito, mas com custos altosO "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país. De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011. Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas. Nova arma a laser "Iron Beam"Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam". O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones. A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022. As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos. Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025. |
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| Short teaser | Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. | ||
| Author | Uta Steinwehr | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Como%20funciona%20o%20Domo%20de%20Ferro%2C%20sistema%20antim%C3%ADsseis%20de%20Israel | ||
| Item 50 | |||
| Id | 64814042 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Short title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Teaser |
UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção.
Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março.
Lei antioligarca
De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda.
Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias.
Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado.
Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos
A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares.
Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas.
Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares.
Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo
A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país.
Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros.
A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões.
Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares.
Não existem mais oligarcas ucranianos?
Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política.
Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los".
De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE.
Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra.
"Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos.
Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas.
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| Short teaser | UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas. | ||
| Author | Eugen Theise | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/qual-ainda-é-o-real-poder-dos-oligarcas-ucranianos/a-64814042?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia | ||
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| Item 51 | |||
| Id | 64820664 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Short title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
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De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. Prefeito de Istambul diz ser necessário até 40 bilhões de dólares para se preparar para possível novo grande tremor.Duas semanas e meia após o terremoto de 7,8 de magnitude na área de fronteira turco-síria, o número de mortos aumentou para mais de 50 mil, informaram as autoridades dos dois países nesta sexta-feira (24/02).
A Turquia registrou 44.218 mortes, de acordo com a agência de desastres turca Afad, e a Síria reportou ao menos 5,9 mil mortes. Nos últimos dias, não houve relatos de resgate de sobreviventes.
Tremores secundários continuam a abalar a região. Neste sábado (25/02), um tremor de magnitude 5,5 atingiu o centro da Turquia, informou o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a uma profundidade de 10 quilômetros.
O observatório sísmico de Kandilli disse que o epicentro foi localizado no distrito de Bor, na província de Nigde, que fica a cerca de 350 quilômetros a oeste da região atingida pelo grande tremor de 6 de fevereiro.
Graves incidentes e vítimas não foram reportados após o tremor deste sábado.
Segundo a Turquia, nas últimas três semanas, foram mais de 9,5 mil tremores secundários e a terra chegou a tremer, em média, a cada quatro minutos.
De acordo com o governo turco, 20 milhões de pessoas no país são afetadas pelos efeitos do terremoto. As Nações Unidas estimam que na Síria sejam 8,8 milhões de pessoas afetadas.
Turquia começa reconstrução
As autoridades turcas começaram a construir os primeiros alojamentos para os desabrigados. O trabalho de escavação de terra está em andamento nas cidades de Nurdagi e Islahiye, na província de Gaziantep, escreveu no Twitter o ministro do Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Mudança Climática, Murat Kurum. Inicialmente, estão previstos 855 apartamentos.
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometeu a reconstrução em um ano. Críticos alertam que erguer prédios tão rapidamente pode fazer com que a segurança sísmica dos edifícios seja negligenciada novamente. A oposição culpa o governo de Erdogan, que está no poder há 20 anos, pela extensão do desastre porque não cumpriu os regulamentos de construção.
Também neste sábado, o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, disse que pelo menos 184 pessoas foram detidas por suposta negligência em relação a prédios desabados após os terremotos. Entre eles, estão empreiteiros e o prefeito do distrito de Nurdagi, na província de Gaziantep.
Até agora, o Ministério do Planejamento Urbano inspecionou 1,3 milhão de edifícios, totalizando mais de meio milhão de residências e escritórios, e relatou que 173 mil propriedades ruíram ou estão tão seriamente danificadas que precisam ser demolidas imediatamente.
Ao todo, quase dois milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas, demolidas ou danificadas pelos tremores, e vivem atualmente em tendas, casas pré-fabricadas, hotéis, abrigos e diversas instituições públicas, detalhou um comunicado do Afad.
Cerca de 528 mil pessoas foram evacuadas das 11 províncias listadas como regiões afetadas, acrescentou o comunicado do serviço de emergência, enquanto 335 mil tendas foram montadas nessas áreas e 130 núcleos provisórios de casas pré-fabricadas estão sendo instalados.
Em março e abril começará a construção de 200 mil novas casas, prometeu o ministério turco. Estima-se que o terremoto de 6 de fevereiro tenha custado à Turquia cerca de 84 bilhões de dólares.
Na Síria, o noroeste é particularmente atingido pelos efeitos do tremor. Há poucas informações sobre o país devastado pela guerra. Diante de anos de bombardeios e combates, muitas pessoas ali já viviam em condições precárias antes dos tremores.
Istambul precisa de 40 bilhões de dólares
Enquanto isso, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, disse a cidade, que fica perto de uma grande falha geológica, precisa de um programa urgente de urbanização no valor de "cerca de 30 bilhões a 40 bilhões de dólares" para se preparar para um possível novo grande terremoto.
"A quantia é três vezes maior do que o orçamento anual da cidade de Istambul, mas precisamos estar prontos antes que seja tarde demais", disse Imamoglu a um conselho científico.
De acordo com um relatório de 2021 do observatório sísmico de Kandilli, um potencial terremoto de magnitude superior a 7,5 danificaria cerca de 500 mil edifícios, habitados por 6,2 milhões de pessoas, cerca de 40% da população da cidade, a mais populosa da Turquia.
Istambul fica ao lado da notória falha geológica do norte da Anatólia. Um grande terremoto em 1999 que atingiu a região de Mármara, incluindo Istambul, matou mais de 18 mil.
le (EFE, DPA, Reuters, ots)
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| Short teaser | De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. | ||
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| Image caption | Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil | ||
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| Item 52 | |||
| Id | 64819106 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia | ||
| Short title | UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia | ||
| Teaser |
Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra firmas iranianas que fornecem drones a Moscou. Mais de 100 indivíduos e entidades russas são afetados.A União Europeia prometeu aumentar a pressão sobre Moscou "até que a Ucrânia seja libertada", ao adotar neste sábado (25/02) um décimo pacote de sanções contra a Rússia, acordado pelos líderes do bloco no dia anterior, que marcou o primeiro aniversário da invasão da Ucrânia. O conjunto de medidas inclui veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra empresas iranianas que fornecem drones a Moscou.
"Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos – esgotando o arsenal de guerra da Rússia e mordendo profundamente sua economia", disse a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, através do Twitter, acrescentando que o bloco está aumentando a pressão sobre aqueles que tentam contornar as sanções da UE.
O chefe de política externa da UE, Josep Borrell, alertou que o bloco continuará a impor mais sanções contra Moscou. "Continuaremos a aumentar a pressão sobre a Rússia – e faremos isso pelo tempo que for necessário, até que a Ucrânia seja libertada da brutal agressão russa", disse ele em comunicado.
Restrições adicionais são impostas às importações de mercadorias que geram receitas significativas para a Rússia, como asfalto e borracha sintética.
Os Estados-membros da UE aprovaram as sanções na noite de sexta-feira, depois de uma agitada negociação, que foi travada temporariamente pela Polônia.
Acordo após mais de 24 horas de reuniões
As negociações entre os países da UE ficaram estagnadas durante a discussão sobre o tamanho das cotas de borracha sintética que os países poderão importar da Rússia, uma vez que a Polônia queria reduzi-las, mas finalmente houve o acordo, após mais de 24 horas de reuniões.
"Hoje, a UE aprovou o décimo pacote de sanções contra a Rússia" para "ajudar a Ucrânia a ganhar a guerra", anunciou a presidência sueca da UE, em sua conta oficial no Twitter.
O pacote negociado "inclui, por exemplo, restrições mais rigorosas à exportação de tecnologia e produtos de dupla utilização", medidas restritivas dirigidas contra indivíduos e entidades que apoiam a guerra, propagandeiam ou entregam drones usados pela Rússia na guerra, e medidas contra a desinformação russa", listou a presidência sueca.
Serão sancionados, concretamente, 47 componentes eletrônicos usados por sistemas bélicos russos, incluindo em drones, mísseis e helicópteros, de tal maneira que, levando em conta os nove pacotes anteriores, todos os produtos tecnológicos encontrados no campo de batalha terão sido proibidos, de acordo com Ursula von der Leyen.
O comércio desses produtos, que as evidências do campo de batalha sugerem que Moscou está usando para sua guerra, totaliza mais de 11 bilhões de euros (mais de R$ 60 bilhões), segundo autoridades da UE.
Sanções contra firmas iranianas
Também foram incluídas, pela primeira vez, sete empresas iranianas ligadas à Guarda Revolucionária que fabricam os drones que Teerã está enviando a Moscou para bombardear a Ucrânia.
As novas medidas abrangem mais de 100 indivíduos e empresas russas, incluindo responsáveis pela prática de crimes na Ucrânia, pela deportação de crianças ucranianas para a Rússia e oficiais das Forças Armadas russas.
Todos eles terão os bens e ativos congelados na UE e serão proibidos de entrar no território do bloco.
O décimo pacote novamente foca na necessidade de evitar que tanto a Rússia como os oligarcas contornem as sanções, tendo sido acordado considerar a utilização de bens do Banco Central russo congelados na UE para a reconstrução da Ucrânia.
No entanto, vários países têm dúvidas jurídicas sobre a possibilidade de utilizar esses recursos para a reconstrução e pedem o máximo consenso internacional.
md (EFE, Reuters, AFP)
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| Short teaser | Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e retaliações a empresas iranianas que fornecem drones a Moscou. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ue-impõe-10°-pacote-de-sanções-contra-a-rússia/a-64819106?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | "Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos", disse Ursula von der Leyen, | ||
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