DW

Item 1
Id 75421699
Date 2026-01-07
Title [Coluna] Captura de Maduro vira teste para política externa brasileira
Short title Captura de Maduro é teste para política externa brasileira
Teaser

Maduro foi capturado em operação militar dos EUA e levado para Nova York

Pressão de Washington na América Latina deveria acelerar a reorientação brasileira rumo à China, aos Brics e a novas parcerias.As reações do governo brasileiro à captura do mandatário venezuelano Nicolás Maduro por militares dos Estados Unidos foram previsíveis – e, em certo sentido, anacrônicas. O apelo ao direito internacional e à preservação da paz na América Latina soou como um eco de uma era pré-Trump, quando ainda se fingia que essas categorias tinham certo peso na política externa de Washington. Ainda assim, o governo Lula acertou ao afirmar que uma "linha inaceitável" havia sido cruzada e que o mundo deu mais um passo rumo à violência, ao caos e à instabilidade. Também foi correto lembrar os períodos mais sombrios da ingerência dos EUA no continente. Isso não foi – como a direita apressadamente alegou – uma defesa de Maduro. É possível, e necessário, sustentar duas ideias ao mesmo tempo: Maduro é um ditador corrupto e violador de direitos humanos; e uma intervenção militar dos EUA é inaceitável. Essa ambivalência não é fraqueza moral, é lucidez política. Mais uma vez, Washington decidiu sobre a América Latina sem consultar os latino-americanos. Democracia, direitos humanos ou autodeterminação nunca estiveram em jogo. O objetivo foi outro: garantir acesso ao petróleo venezuelano. Os motores da ação foram, como quase sempre, dinheiro, poder e influência. O Brasil ocupa uma posição singular na região: pela força econômica, pela abundância de recursos agrícolas e minerais, pelo tamanho territorial e populacional. Isso lhe oferece uma proteção relativa contra o novo imperialismo americano. Porque não há dúvida: a Doutrina Monroe de 1823 está sendo reeditada por Donald Trump. A nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos deixa isso explícito. O documento proclama abertamente o direito de Washington de intervir na América Latina – sua "zona natural de influência" – e de expulsar atores externos como China, Rússia ou Irã. Quem não se submeter deve esperar sanções, tarifas punitivas, intervenções diretas ou indiretas e ingerência nos assuntos internos, inclusive por meio do apoio a candidatos alinhados ao trumpismo. Pequim joga outro jogo Os Estados Unidos já tentaram esse roteiro no Brasil – e tiveram de recuar. Não por respeito, mas porque o país tem poder de barganha. O Brasil não é uma potência militar, mas controla recursos estratégicos de que o mundo depende. E, sobretudo, tem alternativas. A principal delas é a China, com quem aprofunda relações de forma constante. Pequim joga outro jogo. Menos estridente, mais paciente. Há poucas semanas, a China publicou seu Livro Branco sobre a América Latina. Nele deixa claro que já não se vê apenas como parceira econômica, mas como ator geoestratégico. Pequim quer liderar o Sul Global. Planeja a longo prazo, atua de forma cooperativa e integra economia, tecnologia, segurança, diplomacia e soft power em uma estratégia coerente – exatamente o oposto do improviso unilateral de Trump e seu entorno. Nesse desenho, a América Latina ocupa um papel-chave em novas coalizões fora das instituições dominadas pelo Ocidente. Brics e G20 ganham centralidade em detrimento do G7. A Celac surge como alternativa à OEA, amplamente controlada pelos Estados Unidos e que mantém Cuba excluída. A pressão agressiva de Washington empurra países como o Brasil quase automaticamente para os braços da China. A oferta chinesa é mais atraente. Enquanto os EUA ameaçam, Pequim investe. Financia infraestrutura, constrói portos, estradas e ferrovias, concede créditos de longo prazo que criam dependências duradouras. E o faz sem impor condições políticas – com uma única exigência: o reconhecimento do princípio de Uma Só China. Ao mesmo tempo, o Brasil deveria elevar a pressão sobre a União Europeia para finalmente concluir o acordo UE–Mercosul. Um acordo desse tipo seria mais do que econômico: seria um sinal político de autonomia e o embrião de uma aliança fora da órbita das três superpotências. Direita moderada brasileira deveria despertar Resta também esperar que Lula reconheça o erro grave cometido no início da invasão russa da Ucrânia, quando atribuiu à própria Ucrânia parte da responsabilidade pela guerra e quando a esquerda brasileira ecoou as justificativas falsas do Kremlin. Faltou, então, uma condenação clara da agressão. Quem relativiza a violação do direito internacional na Ucrânia perde autoridade moral para se indignar quando os Estados Unidos fazem o mesmo, amparados em pretextos igualmente frágeis, como tráfico de drogas e segurança nacional. Por fim, seria desejável que a direita moderada brasileira despertasse para o risco que os Estados Unidos representam à soberania do Brasil e voltasse a defender interesses nacionais concretos, em vez de tratar Trump como um ídolo político. ================================= Philipp Lichterbeck queria abrir um novo capítulo em sua vida quando se mudou de Berlim para o Rio, em 2012. Desde então, colabora com reportagens sobre o Brasil e demais países da América Latina para jornais da Alemanha, Suíça e Áustria. Ele viaja frequentemente entre Alemanha, Brasil e outros países do continente americano. Siga-o no Twitter em @Lichterbeck_Rio. O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente a da DW.


Short teaser Pressão de Washington na América Latina deveria acelerar reorientação brasileira rumo à China, Brics e novas parcerias.
Author Philipp Lichterbeck
Item URL https://www.dw.com/pt-br/coluna-captura-de-maduro-vira-teste-para-política-externa-brasileira/a-75421699?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
Image URL (940 x 411) https://static.dw.com/image/75390714_354.jpg
Image caption Maduro foi capturado em operação militar dos EUA e levado para Nova York
Image source X account of Rapid Response 47/AFP
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Item 2
Id 75114552
Date 2026-01-06
Title Mosquitos: os animais mais perigosos do mundo
Short title Mosquitos: os animais mais perigosos do mundo
Teaser

O mosquito comum é o transmissor do vírus do Nilo Ocidental

Centenas de milhares de pessoas morrem por ano devido a doenças transmitidas por mosquitos. E as mudanças climáticas colaboram para que cada vez mais insetos e vírus se proliferem até em regiões antes não afetadasTudo começou em um dia de junho de 2007, com febre súbita e vômitos intensos. David Hancock conta que deveria ter ido imediatamente ao hospital, mas achou que se tratava de alguma pequena infecção. Mesmo assim, tinha a sensação de que algo estava errado, não parecia se tratar de uma gripe. E realmente algo grave estava por vir. Levou dez dias para que o homem de 49 anos fosse diagnosticado. Neste tempo, ele entrou em coma, seu coração parou várias vezes, seus pulmões se encheram de líquido e seu cérebro inflamou. "Eu estava com um pé em outro mundo, podemos dizer”, conta David. Finalmente, os médicos conseguiram chegar a um diagnóstico definitivo: David havia sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental. Tudo por causa de uma simples picada de mosquito , bem em frente a sua casa em Glendale, uma cidade próxima a Phoenix, nos Estados Unidos. Mosquito do hemisfério norte, vírus do hemisfério sul Diferentemente da malária, da dengue , da febre amarela e do Zika , o vírus do Nilo Ocidental não é transmitido por uma espécie de mosquito invasora, como o Aedes aegypti, mas principalmente pelo gênero Culex (pernilongo), nativo do hemisfério norte. O vírus do Nilo Ocidental, no entanto, é originalmente tropical. Foi descrito pela primeira vez em 1937 na região do Nilo Ocidental, no norte de Uganda, e recebeu esse nome por causa do local onde foi encontrado. Ele se multiplica especialmente bem em aves. Graças a elas, conseguiu deixar a África – aves migratórias levaram o vírus para a Europa e para os EUA. Em 1999, foi registrado pela primeira vez nos Estados Unidos. Hoje, é a principal causa de doenças transmitidas por mosquitos no país. Isso porque o vírus tropical encontrou o Culex pipiens, o mosquito comum. Nativo da Europa e da América do Norte, ele é um vetor particularmente eficiente para o vírus do Nilo Ocidental: quando pica uma ave infectada, absorve o vírus e o transmite para outra vítima – que pode ser outra ave, um cavalo ou uma pessoa, como foi o caso de David. Embora a infecção geralmente passe despercebida e sem sintomas, nos EUA cerca de 1.300 pessoas por ano desenvolvem formas graves da doença e 130 morrem. Ironia do destino: o irmão de David é pesquisador de mosquitos Em 18 de junho de 2007, David não teve somente febre e vômitos. Ele também não conseguia engolir. Sua esposa, Teri, o levou diretamente ao hospital. Um erro. "Deveríamos ter chamado uma ambulância, assim eu teria prioridade na triagem. Em vez disso, esperamos horas na emergência, o que quase custou a minha vida", explica David. Teri precisou voltar para casa para alimentar o cachorro. Quando voltou, descobriu que o coração de David já havia parado duas vezes, e que ele estava na UTI, com ventilação mecânica. A febre era tão alta que o quarto foi resfriado ao máximo. Os médicos achavam que ele morreria a qualquer momento. Teri reuniu toda a família. Seus pais, os pais de David e seu irmão Bob, que, é biólogo e, por ironia do destino, pesquisa há décadas o comportamento dos mosquitos. "Quando souberam que David tinha sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental, todos perguntaram: ‘Tem certeza que é o David?'", conta Bob. Afinal, é Bob quem vive cercado de mosquitos e prefere estar no meio do mato estudando-os. "Eu amo meu objeto de estudo. Não pesquiso mosquitos para exterminá-los. Eles me interessam". Mudanças climáticas favorecem mosquitos e vírus A história dos dois irmãos mostra o quão diferente podem ser os resultados de uma picada de mosquito: a maioria delas é inofensiva, e só são contabilizados os casos clínicos, "ou seja, quando alguém precisa ir ao médico ou ao hospital", explica Bob. Ou quando a infecção é fatal. Por isso, a subnotificação de pessoas que são infectadas sem perceber é provavelmente muito alta. Ao mesmo tempo, os riscos são reais, assim como as consequências. Teri também ficou traumatizada e ainda chora ao lembrar dos dias em que o marido esteve entre a vida e a morte. O incidente mudou também a perspectiva de Bob. “Eu teria sido perfeitamente feliz sendo apenas aquele entusiasta de mosquitos, interessado em observar os mosquitos da selva voando por aí e fazendo coisas legais", diz ele. Mas, desde então, ele se concentrou principalmente na transmissão de doenças por mosquitos. “Eu me tornei o entomologista médico que sou hoje.” Em sua profissão, Bob observa atentamente as mudanças nos EUA. Por exemplo, a espécie Aedes levou dez anos para se espalhar do sul da Califórnia até São Francisco. Como bem sabemos no Brasil, esses mosquitos tropicais são potentes transmissores de doenças como dengue, febre amarela e Zika. As mudanças climáticas oferecem condições cada vez melhores para que mosquitos e vírus tropicais sobrevivam e se espalhem em regiões mais ao norte. "Não há razão para pensar que os mosquitos virão, mas as doenças não.” Mosquitos não são perigosos, os vírus são David mudou desde 18 de junho de 2007. Quando saiu do coma, não conseguia respirar nem falar sozinho. Estava muito magro e precisou reaprender a andar. Levou nove meses para voltar ao trabalho. Até hoje não consegue engolir sozinho. Teri diz que ele ficou mais introvertido, diferente do homem com quem se casou. Provavelmente devido aos danos que o vírus causou em seu cérebro. Mas uma coisa não mudou: David ainda é picado por mosquitos com frequência. A única coisa que ajuda é usar muito repelente. "Odiamos eles profundamente", dizem David e Teri. Já Bob... "Eu continuo amando os mosquitos. Eles só tentam encontrar alimento e cuidar da prole. Eu poderia odiar os pássaros também, não? Afinal, o mosquito que infectou meu irmão pegou o vírus de um pássaro."


Short teaser Centenas de milhares de pessoas morrem por ano devido a doenças transmitidas por mosquitos.
Author Julia Vergin
Item URL https://www.dw.com/pt-br/mosquitos-os-animais-mais-perigosos-do-mundo/a-75114552?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
Image URL (940 x 411) https://static.dw.com/image/75016613_354.jpg
Image caption O mosquito comum é o transmissor do vírus do Nilo Ocidental
Image source Andreas Lander/dpa/picture alliance
RSS Player single video URL https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/75016613_354.jpg&title=Mosquitos%3A%20os%20animais%20mais%20perigosos%20do%20mundo

Item 3
Id 75334091
Date 2026-01-06
Title Mundo caminha para queda na produção petrolífera, mas resiste em abandonar os fósseis
Short title Mundo caminha para declínio do petróleo
Teaser Com mudanças climáticas, debate não gira mais em torno do fim do combustível, e sim sobre quando a produção mundial vai atingir seu pico: em dois ou 25 anos?

O pico da produção mundial de petróleo já chegou a causar medo em formuladores de políticas, empresas e consumidores. É um momento à espreita em que o mundo poderia sugar as últimas gotas do ouro negro do solo – mais ou menos como quando o canudo chega ao fundo do copo de um milkshake.

A ideia foi popularizada na década de 1950 pelo geólogo M. King Hubbert. Ele alertou que a produção de petróleo nos Estados Unidos seguiria uma curva em forma de sino e acabaria atingindo um pico inevitável enquanto os campos fossem amadurecendo e depois diminuindo.

As mudanças climáticas inverteram essa narrativa nos últimos anos. Em vez de temer a escassez, o debate agora gira em torno de quando a demanda finalmente atingirá o pico, à medida que a transição para veículos elétricos (VE) e outras energias limpas ganha força.

Ao mesmo tempo, a resistência política – desde atrasos nas proibições de carros com motor a combustão até a redução de subsídios para VEs — lança dúvidas sobre a velocidade dessa transição.

Fornecer petróleo está mais difícil

Há duas visões opostas sobre quando a demanda global por petróleo começará a declinar. A Agência Internacional de Energia (AIE), órgão com sede em Paris que representa as principais nações consumidoras de petróleo, projeta que a demanda se estabilizará em torno de 102 milhões de barris por dia (bpd) até 2030.

Em seu relatório World Energy Outlook 2025 , publicado no mês passado, o principal "Cenário de Políticas Declaradas" da AIE projeta que os governos cumprirão metas ambiciosas de energia e clima.

Mas a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) tem opinião oposta. Em sua mais recente perspectiva de longo prazo , o grupo de produtores prevê que a demanda continuará crescendo por décadas e não vê um pico antes de 2050, calculando que o consumo chegará a quase 123 milhões de bpd até meados do século.

Por outro lado, as duas organizações têm a mesma preocupação implícita: está ficando mais difícil sustentar o fornecimento. A Opep acredita que o forte crescimento da demanda justificará investimentos contínuos para garantir reservas abundantes de seus membros por décadas. A AIE, por outro lado, apresenta uma perspectiva mais contida.

Pressão de Trump

Sob pressão do governo do presidente americano, Donald Trump , a AIE reintroduziu seu Cenário de Políticas Atuais mais conservador, que havia sido descartado em 2020. Ele tem como base leis vigentes e tendências observáveis que ficam muito aquém de quaisquer ambições climáticas.

Esse cenário sugere que o crescimento da oferta deverá desacelerar após 2028, à medida que fontes não pertencentes à OPEP, como Estados Unidos, Brasil , Guiana e Canadá, diminuírem. Com isso, a oferta mundial passaria a depender dos países da Opep no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque.

A demanda por petróleo, por sua vez, poderia chegar a 113 milhões de barris por dia até 2050, caso as promessas climáticas não sejam implementadas, alerta a AIE.

Franziska Holz, vice-chefe do departamento de energia, transporte e meio ambiente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW Berlin), considera a retomada do cenário conservador pela AIE um "aspecto positivo", pois a medida prova que o mundo "não está no caminho certo para atingir nossas metas climáticas... [e] não está rápido o suficiente na substituição dos combustíveis fósseis em nossa matriz energética ".

Holz ironizou que "os americanos provavelmente não tinham essa intenção" quando pressionaram a AIE a recuperar o cenário mais cauteloso.

Novas descobertas em declínio

Quando se trata do pico do petróleo, ambas as organizações apontam para o mesmo risco subjacente: o fornecimento de petróleo não vai se resolver sozinho. Os campos mais antigos estão diminuindo rapidamente e, sem investimentos contínuos, a produção dos locais existentes cairá cerca de 8% ao ano, alertou a AIE em novembro.

São necessárias enormes quantidades de nova produção apenas para manter o fornecimento global estável. No entanto, a maior parte dos gastos é destinada a compensar o declínio dos campos envelhecidos, em vez de colocar em operação novas produções significativas.

O setor petrolífero parece estar correndo apenas para permanecer no mesmo lugar: as descobertas de novos campos está em níveis historicamente baixos, cresce a dependência de poços de xisto e os poços de perfuração em águas profundas se esgotam rapidamente.

Antonio Turiel, físico e pesquisador do Conselho Superior de Investigaçõess Científicas (CSIC) da Espanha, argumenta que o boom do fraturamento hidráulico nos EUA, motor do crescimento fora da Opep, já está se aproximando do esgotamento. Os melhores pontos de perfuração na Bacia do Permiano, no Texas e Novo México, já foram explorados e as taxas de declínio estão acelerando.

"Após 15 anos intensos, estamos chegando ao fim da estrada do fraturamento hidráulico ", disse Turiel à DW. "Podemos manter a miragem por mais um ou dois anos, mas depois a queda será incrivelmente rápida.”

Campos envelhecidos

Turiel acredita que o mundo está se aproximando de um pico de produção mundial do petróleo muito mais cedo do que a maioria das agências está disposta a admitir, observando que 80% de todos os campos petrolíferos "já passaram do seu pico de produção".

Além do xisto, ele acrescenta que o mundo tem sido excessivamente dependente de campos supergigantes envelhecidos para garantir estabilidade, cuja fase mais rápida de declínio está prestes a começar.

"É muito provável que comecemos a ter quedas anuais acentuadas – cerca de 5% ao ano – mesmo antes de 2030", disse à DW. "Depois desse ponto, espere uma redução na quantidade bruta de petróleo extraído anualmente de cerca de 50% em 20 anos."

Turiel destacou que, de 2020 a 2025, foi descoberta uma média de 3 bilhões de barris por dia – o equivalente 12 vezes menos do que o consumo global. E enquanto a Opep não prevê pico do petróleo e o pior cenário da AIE não vê uma queda antes de 2050, a linha do tempo de Turiel é contundente: "Provavelmente até 2027, mas certamente antes de 2030. E ainda mais cedo se ocorrerem alguns problemas geopolíticos indesejáveis."

Poucos países estão cumprindo a transição para energia limpa

Apesar de todo o debate sobre quando a demanda por petróleo atingirá o pico, a distância entre as promessas climáticas dos governos e as políticas que eles realmente implementam continua ampla e crescendo.

Apenas alguns países construíram estruturas duradouras para acelerar a transição para energia limpa, incluindo as políticas de veículos elétricos da Noruega, a estratégia industrial de tecnologia limpa da China e as leis climáticas da União Europeia.

Por outro lado, os EUA sob o presidente Donald Trump avançaram para expandir a produção doméstica de petróleo e gás, enfraquecer regulamentos climáticos federais e reduzir o apoio aos veículos elétricos – o que, segundo analistas, provavelmente retardará a transição global para longe dos combustíveis fósseis.

Jeff Colgan, professor de ciência política na Universidade Brown, em Rhode Island, acredita que o governo Trump não apenas está desfazendo os esforços de seu antecessor, Joe Biden, para apoiar a política industrial verde nos EUA, mas tem "atacado" a ciência e as instituições do governo americano que fomentaram a política climática.

"Isso tem implicações não apenas para a política ambiental dos EUA, mas terá efeitos em cascata em todo o mundo", afirmou.

Short teaser Debate não gira mais em torno do fim do combustível, e sim sobre quando a produção mundial vai atingir seu pico.
Author Nik Martin
Item URL https://www.dw.com/pt-br/mundo-caminha-para-queda-na-produção-petrolífera-mas-resiste-em-abandonar-os-fósseis/a-75334091?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Item 4
Id 75327797
Date 2026-01-05
Title Por que o Rio é chamado de "Cidade Maravilhosa"?
Short title Por que o Rio é chamado de "Cidade Maravilhosa"?
Teaser Apelido que virou sinônimo de Rio de Janeiro foi cunhado por uma poeta francesa em 1911 e eternizado por um compositor carioca em 1934.

André Filho estava na Praia de Botafogo, batucando uma caixinha de fósforo, quando, numa tarde qualquer de 1933, começou a cantarolar a letra de uma música: "Cidade maravilhosa / Cheia de encantos mil! / Cidade maravilhosa / Coração do meu Brasil!”. Na dúvida sobre o ritmo da canção, teria perguntado à ex-mulher: "Ciganinha, marcha ou samba?". "Marcha!", teria respondido Joana, segundo entrevista ao jornal O Globo, de 1965. O compositor não podia imaginar que, 70 anos depois, aquela marchinha seria reconhecida como o hino oficial da cidade do Rio de Janeiro.

No dia 4 de setembro de 1934, André Filho e Aurora Miranda, irmã mais nova de Carmen, entraram no estúdio da Odeon para gravar a música. "E se um dia você se perguntou por que Carmen teria deixado Cidade Maravilhosa para a irmã — quando ela própria, Carmen, poderia tê-la gravado —, não perca seu tempo", explica o jornalista e escritor Ruy Castro no livro Carmen – Uma Biografia (2005). "André Filho ofereceu Cidade Maravilhosa diretamente à Aurora. Ela já gravara outras músicas dele, os dois eram amigos, e Aurora era uma cantora em fulminante ascensão".

Um ano depois de gravá-la, André Filho resolveu inscrevê-la em um concurso promovido pela prefeitura do Rio e realizado no Teatro João Caetano. Para espanto do público, tirou o segundo lugar: perdeu a primeira colocação para Coração Ingrato, interpretada por Sílvio Caldas. Reza a lenda que André Filho teria ficado tão indignado com o resultado que pulou no pescoço de Ary Barroso: o autor de Aquarela do Brasil era um dos jurados. "Essa história circula por aí de vez em quando, mas me parece mais lenda do que fato", afirma o pesquisador Fernando Krieger, curador do Instituto Moreira Salles (IMS), instituição que abriga, desde 2006, o acervo de André Filho.

"Nenhum dos jornais pesquisados faz qualquer referência a essa suposta briga, e convenhamos que uma troca de sopapos entre dois grandes nomes da nossa música teria sido um prato cheio para a imprensa da época", prossegue Krieger, que dedicou dois artigos, ambos de 2015, à saga de Cidade Maravilhosa. Segundo um deles, o público vaiou a grande campeã e, por pouco, não depredou o teatro – André Filho, em compensação, foi aplaudido de pé. "A maior manifestação da minha vida", escreveu o compositor no recorte do jornal A Noite de 11 de fevereiro de 1935.

Lenda urbana: A Cidade Maravilhosa

O compositor André Filho eternizou a expressão "Cidade Maravilhosa". Até hoje, sua marchinha é tocada e cantada em cerimônias oficiais, bailes de carnaval e desfiles de rua. Mas, quem criou o epíteto? Durante muito tempo, acreditou-se que o autor dessa proeza teria sido o escritor Coelho Neto. Tudo por causa de um livro de crônicas que ele lançou em 1928: A Cidade Maravilhosa. Vinte anos antes, Coelho publicou no jornal A Notícia do dia 29-30 de outubro de 1908 um artigo intitulado Os Sertanejos. Nele, teria usado, pela primeira vez, a tal expressão.

Em artigo publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o escritor e tradutor Ivo Korytowski rebate essa tese e a chama de "lenda urbana". Segundo ele, o filho do autor, Paulo, teria ajudado a disseminá-la. "O que Coelho Neto chama de 'Cidade Maravilhosa' é, na verdade, a Exposição Nacional Comemorativa do Centenário da Abertura dos Portos, em 1908, e não a cidade do Rio de Janeiro", esclarece Korytowski. "A exposição era, de fato, deslumbrante. Não à toa, a imprensa da época se referia a ela como 'Cidade Maravilha' ou 'Cidade Maravilhosa'."

Tesouro escondido

No mesmo artigo, Korytowski cita o nome da poeta francesa Jane Catulle Mendès. Em 1913, ela publicou um livro de poemas, A Cidade Maravilhosa (La Ville Merveilleuse, no original), depois de conhecer o Rio de Janeiro, dois anos antes. No primeiro dos 33 poemas, ao descrever a chegada do navio inglês Araguaya à Baía de Guanabara, exalta: "Jamais tantos esplendores deslumbraram os olhos! Aqui é a terra de todas as luzes!". A vida de Jane Catulle Mendès acaba de virar livro, A Poeta da Cidade Maravilhosa, escrito pelo jornalista e pesquisador Rafael Sento Sé.

"Ouvi falar de Jane, pela primeiríssima vez, num livro do Carlos Lessa, mas, assim como tantos outros apaixonados pela história do Rio, passei batido. Só fui capturado pela história dela em 2012 quando resolvi fazer uma postagem para o meu blog sobre a origem da expressão 'Cidade Maravilhosa'", recorda Sento Sé. "Já nas primeiras pesquisas sobre a visita dela ao Rio em 1911 e sobre o livro de poemas que escreveu em 1913, percebi que tinha encontrado um tesouro escondido. Ninguém nunca tinha contado a história dela e tinha um vasto material nos jornais antigos."

A expectativa pela chegada de Jane ao Rio era tanta que o editor do extinto jornal O Paiz não conseguiu esperar pelo desembarque dela no Cais Pharoux, na Praça 15. Antes disso, enviou um repórter na esperança de conseguir uma "exclusiva".

"Que lindo país esse seu! Que variedade de tons tem aqui o horizonte!", enalteceu a visitante no salão do transatlântico. "Aqui, do navio, esse espetáculo era soberbo. Se ainda não teve a ocasião de apreciá-lo, aconselho-o que o faça e bem compreenderá a minha emoção", dizia a poeta, referindo-se ao pôr do sol do dia anterior.

Paris dos trópicos

No Rio, Catulle Mendès ficou 77 dias: chegou no dia 20 de setembro e partiu no dia 6 de dezembro. Neste período, proferiu três conferências: "O Heroísmo da Mulher Francesa", na Associação dos Empregados do Comércio; "A Parisiense", na sede do Jornal do Commercio; e "As Mulheres de Letras Francesas", no Teatro Municipal. Entre um compromisso e outro, tomou chá com o jornalista João do Rio no Club dos Diários, foi recebida pelo presidente Hermes da Fonseca no Palácio do Catete e conheceu alguns pontos turísticos da cidade, como o Jardim Botânico.

Em sua temporada carioca, Jane tornou-se amiga de Júlia Lopes de Almeida. Tão amiga que, em 1913, dedicou a Júlia o poema A Fonte Milagrosa, um dos 33 de A Cidade Maravilhosa. Mais do que isso: resolveu homenageá-la, em 1914, com um banquete no hotel Mac Mahon Palace, na capital francesa. "O Rio da Belle Époque queria ser Paris. A alta sociedade falava francês, passava longas temporadas na França e lia os jornais e as revistas francesas. Então, quando a Jane disse que o Rio era a Cidade Maravilhosa, aquilo teve um impacto muito grande", afirma Sento Sé.

No dia de sua partida, Jane levou, como recordação de sua visita ao Rio, uma coleção de borboletas e, como frustração, não ter conseguido avistar a constelação do Cruzeiro do Sul. Até pensou em regressar, no ano seguinte, para conhecer São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco, mas nunca mais pisou em solo brasileiro. A caminho do porto de Cherburgo, na França, o navio em que viajava, o Danube, enfrentou uma tempestade no Golfo da Gasconha, já próximo do litoral. Jane e Mathilde Grimaud, sua secretária, chegaram a cair da cama.

Jane Catulle Mendès morreu no dia 9 de junho de 1955, aos 88 anos. André Filho, no dia 2 de julho de 1974, aos 68.

Short teaser Apelido que virou sinônimo de Rio de Janeiro foi criado por poeta francesa em 1911 e eternizado por compositor em 1934.
Author André Bernardo
Item URL https://www.dw.com/pt-br/por-que-o-rio-é-chamado-de-cidade-maravilhosa/a-75327797?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Item 5
Id 75372669
Date 2026-01-02
Title O que muda na aposentadoria em 2026
Short title O que muda na aposentadoria em 2026
Teaser Regras previstas pela reforma da Previdência de 2019 agora entram em vigor, tornando mais difícil a concessão do benefício. Aumentam a idade mínima e a somatória com o tempo de contribuição.

Entram em vigor neste novo ano algumas novas regras para a aposentadoria no Brasil, com base na reforma da Previdência de 2019. A maior mudança em 2026 afeta o cálculo dos pontos para quem se aposenta por tempo de contribuição e por idade, tornando mais difícil a concessão do benefício.

Para se aposentar, agora é necessário acumular mais pontos na soma da idade com tempo de contribuição. São 93 pontos para as mulheres e 103 para os homens — em 2025, era necessário um ponto a menos em ambos os casos, em comparação a 86 para trabalhadoras e 96 para trabalhadores antes da reforma previdenciária.

Também aumenta a idade mínima para se aposentar. Para as mulheres que logo cedo se tornaram contribuintes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), é necessário ter pelo menos 59 anos e meio. Para os homens, 64 anos e meio. O aumento foi de seis meses em relação ao ano passado.

A reforma da Previdência estabeleceu o aumento gradativo da idade mínima anualmente até 2031. Até lá, o mínimo será de 62 anos para as mulheres e 65 anos para os homens. Também é preciso ter contribuído, respectivamente, por 30 e 35 anos.

Professores e servidores públicos

Os servidores precisam atingir a mesma pontuação, mas com idades mínimas de 57 anos para mulheres e 62 anos para os homens. Neste caso, entretanto, é necessário ter ainda 20 anos no serviço público e ter permanecido cinco anos no cargo atual.

Os professores assistem também ao aumento da idade mínima para 54 anos e meio (mulheres) e 59 anos e meio (homens). O máximo a ser atingido em 2031 será de, respectivamente, 57 e 60 anos.

Outra regra para os professores da iniciativa privada, das instituições federais de ensino e de pequenos municípios é ter contribuído como professor por 25 anos (mulheres) e 30 anos (homens). Os professores estaduais e de grandes municípios obedecem a regimes próprios.

Sem mais pedágio

As regras de pedágio, estabelecidas em 2019 para quem estava prestes a se aposentar quando a reforma foi aprovada, já foram agora integralmente cumpridas. Portanto, não há mais beneficiários a partir de 2026.

Não muda nada neste ano na regra para a aposentadoria por idade, destinada a trabalhadores de baixa renda que contribuíram pouco para a Previdência Social.

É possível calcular o tempo que falta para a aposentadoria no aplicativo ou no site Meu INSS, do governo federal. A ferramenta leva em conta as diferentes regras de idade e tempo de contribuição.

ht/le (Agência Brasil, ots)

Short teaser Regras previstas pela reforma da Previdência de 2019 entram em vigor, tornando mais difícil a concessão do benefício.
Item URL https://www.dw.com/pt-br/o-que-muda-na-aposentadoria-em-2026/a-75372669?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Item 6
Id 75370000
Date 2026-01-02
Title Entradas ilegais caem pela metade em dois anos na Alemanha
Short title Entradas ilegais caem pela metade em dois anos na Alemanha
Teaser Autoridades alemãs registraram 62.526 entradas ilegais em 2025 pelas fronteiras terrestres, aéreas e marítimas, frente a 127.549 casos em 2023. País restabeleceu controles em travessias terrestres em setembro de 2024.

O número de entradas não autorizadas na Alemanha caiu pela metade nos últimos dois anos, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (01/01) pela polícia de fronteira do país.

Em 2025, a polícia alemã registrou 62.526 entradas ilegais pelas fronteiras terrestres, aéreas e marítimas.

Em comparação, foram registradas 83.572 ocorrências em 2024 e 127.549 em 2023, quando os números mensais chegaram a ultrapassar 20.000. Em dezembro deste 2025, o número caiu para pouco menos de 4.600.

A Alemanha restabeleceu os controles de fronteira em todos os pontos de travessias terrestres em setembro de 2024, com a ampliação dos controles parciais que estavam em vigor anteriormente. As medidas temporárias, que visam reduzir a imigração ilegal, já foram prorrogadas duas vezes.

Os dados mostraram que dezenas de milhares de pessoas foram impedidas de entrar na Alemanha por via terrestre desde setembro de 2024 e que quase 2.000 traficantes de pessoas foram presos.

Governo Merz reforçou controles de fronteira

O Ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt, intensificou os controles em maio, após a posse do chanceler federal Friedrich Merz, à frente da coalizão de governo liderada pelas legendas conservadoras União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU), em parceria com o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda.

Desde então, a polícia de fronteira também recebeu instruções para impedir a entrada de requerentes de asilo, com exceção de grupos considerados vulneráveis, como doentes ou mulheres grávidas.

Em geral, os controles de fronteira não são permitidos dentro do Espaço Schengen – a área de livre circulação entre fronteiras da qual a Alemanha faz parte e que inclui a maioria dos Estados da União Europeia (UE), bem como a Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça –, embora possa haver exceções em casos de ameaças à segurança ou em crises de saúde pública.

rc/le (DW, DPA)

Short teaser Autoridades alemãs registraram 62.526 entradas ilegais em 2025, frente a 127.549 ocorrências em 2023.
Item URL https://www.dw.com/pt-br/entradas-ilegais-caem-pela-metade-em-dois-anos-na-alemanha/a-75370000?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Item 7
Id 75371916
Date 2026-01-02
Title Chinesa BYD supera Tesla como maior vendedora de carros elétricos
Short title BYD supera Tesla como maior vendedora de carros elétricos
Teaser Montadora chinesa vendeu mais de 2 milhões de veículos a bateria em 2025. Já empresa de Elon Musk afirma que agora aposta em robotáxis e robôs humanoides para serviço doméstico.

A Tesla perdeu a coroa de maior vendedora mundial de veículos elétricos para a rival chinesa BYD, apontam os números anuais divulgados pelas duas empresas. A montadora chinesa vendeu 2,26 milhões de carros movidos a bateria em 2025, contra 1,64 milhão de unidades entregues pela empresa de Elon Musk.

De outubro a dezembro, a Tesla sofreu uma queda maior do que o esperado, com 418 mil veículos entregues — ou seja, 15,6% a menos do que os 495 mil do mesmo trimestre em 2024. No total de 2025, a redução foi de 9% em relação ao ano anterior.

A montadora sofreu com o fim de incentivos fiscais em setembro nos Estados Unidos. Além disso, se vê diante da antipatia de parte dos consumidores contra o polêmico Musk — que chegou a ocupar um cargo temporário no governo de Donald Trump antes de a aliança com o presidente americano implodir — e a crescente concorrência de rivais chineses e europeus.

Os resultados emergem como reviravolta para Musk, que antes descartava a BYD como ameaça, enquanto a ascensão da Tesla parecia imparável. No passado, a Tesla esmagou outras montadoras com muito mais recursos, ajudando a tornar Musk o homem mais rico do mundo.

Desafios também para BYD

A China é hoje o maior mercado mundial para veículos movidos a fontes de energia alternativas aos combustíveis fósseis, incluindo elétricos e híbridos plug-in.

Apesar da vitória sobre a concorrente, a BYD, sediada em Shenzhen, viu as vendas totais caírem 18,3% entre 2024 e 2025, impactada pela crescente concorrência local e o enfraquecimento da sua liderança tecnológica.

No ano passado, a chinesa ofereceu recursos avançados de direção autônoma em veículos elétricos e lançou dois modelos equipados com tecnologia de carregamento ultrarrápido. No entanto, mesmo estes esforços pouco contribuíram para proteger a empresa da perda de participação de mercado.

Além disso, a BYD busca expandir sua presença no exterior, incluindo a construção de uma fábrica no Brasil, apesar de enfrentar tarifas pesadas em alguns mercados.

Novos rumos na Tesla

Musk também lançou versões mais baratas e simplificadas do Model Y e Model 3 em outubro, como parte de um esforço para reativar as vendas.

O CEO da Tesla tem afirmado, entretanto, que a queda nas vendas de carros não importa tanto agora, porque o futuro da empresa está ligado a novos negócios.

O magnata cultiva ambições de tornar a empresa líder em serviços de robotáxis, no armazenamento de energia e na venda de robôs humanoides capazes de realizar tarefas básicas em casas e escritórios.

Num gesto de apoio, o conselho da Tesla concedeu um novo pacote salarial massivo, aprovado pelos acionistas em novembro. Os investidores preferiram se concentrar nas promessas dos novos rumos, e não na queda das vendas, o que levou as ações a encerrarem 2025 com alta de 11%.

Musk obteve outro grande ganho há duas semanas, quando a Suprema Corte de Delaware, nos EUA, reverteu uma decisão que o havia privado de um pacote salarial de 55 bilhões de dólares concedido pela Tesla em 2018.

Ele poderá se tornar o primeiro trilionário do mundo ainda este ano, quando vender ações de sua empresa de foguetes, a SpaceX, ao público pela primeira vez. Analistas esperam que a oferta pública inicial seja um marco histórico da bolsa de valores.

ht/le (AP, Reuters, ots)

Short teaser Montadora chinesa vendeu mais de 2 milhões de veículos a bateria em 2025. Já Musk aposta em robotáxis e humanoides.
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Item 8
Id 75371058
Date 2026-01-02
Title Trabalhadores indianos são os mais bem pagos na Alemanha
Short title Trabalhadores indianos são os mais bem pagos na Alemanha
Teaser Alto índice de empregados em setores de inovação e pesquisa faz com que indianos recebam salário bruto mais alto no país, superando os próprios alemães. Brasileiros também estão entre os mais bem pagos.

Os trabalhadores indianos são os mais bem pagos na Alemanha, segundo um estudo publicado nesta sexta-feira (02/01), superando até os próprios alemães.

O salário médio bruto dos empregados indianos em 2024 foi de 5.393 euros (R$ 34,4 mil) por mês, informou o Instituto Econômico Alemão (IW) . Em seguida, vieram os austríacos (5.322 euros por mês), americanos (5.307 euros) e irlandeses (5.233 euros).

Os brasileiros que trabalham no país têm renda bruta média mensal de 4.653 euro, também superior a dos trabalhadores alemães, que recebem, em média, 4.177 euros. Os estrangeiros, coletivamente, têm média de 3.204 euros.

O IW afirma que o motivo da alta renda dos trabalhadores indianos é o nível salarial em funções qualificadas de nível elevado em cargos técnicos. Muitos deles trabalham na Alemanha em profissões acadêmicas no setor CTEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Entre 2012 e 2024, o número de indianos trabalhando nesses setores na Alemanha aumentou quase nove vezes, chegando a mais de 32.800 pessoas. Cerca de um terço dos empregados indianos em tempo integral, com idades entre 25 e 44 anos, são do setor CTEM.

Imigração qualificada vital para economia alemã

De acordo com o estudo, isso também se deve ao aumento acentuado de estudantes indianos na Alemanha. Muitos concluíram seus estudos com sucesso, permaneceram no país e contribuíram para o setor de pesquisas. O número anual de pedidos de patentes de inventores com raízes indianas aumentou 12 vezes entre 2000 e 2022.

"Sem a imigração qualificada, o crescimento da economia alemã dificilmente seria possível hoje, especialmente nas profissões CTEM e em termos de capacidade de inovação", afirmou o especialista do IW, Axel Plünnecke. A imigração qualificada da Índia é "uma história de sucesso particular", acrescentou.

Outro motivo para os altos salários – inclusive para imigrantes da Áustria e dos EUA – é que muitos funcionários trabalham em centros urbanos economicamente fortes, com níveis salariais mais elevados. Desde 2012, o governo alemão tem recrutado especificamente trabalhadores qualificados de fora da Europa, especialmente para profissões CTEM.

A análise incluiu cidadãos de países que tem mais de 5.000 pessoas trabalhando em tempo integral na Alemanha e foi baseada em estatísticas da Agência Federal de Emprego.

rc/le (DPA, EPD)

Short teaser Alto índice de empregados em inovação e pesquisa faz com que indianos recebam salário bruto mais alto que os alemães.
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Item 9
Id 66868084
Date 2026-01-02
Title O que fazer em caso de insolação e golpe de calor
Short title O que fazer em caso de insolação e golpe de calor
Teaser Quando está quente, há grande perigo de sintomas que vão de incômodos a fatais. É preciso agir rápido, mas melhor ainda é saber como evitá-los.

Depois de algum tempo no calor, o corpo precisa de uma pausa. Quem fica muito tempo exposto ao sol corre o risco de sofrer uma insolação. E quem se esforça muito em ambientes quentes pode até sofrer um golpe de calor.

Aqui estão algumas dicas para evitar essas situações e o que fazer caso ocorram.

O que é uma insolação?

Muito sol na região da cabeça e do pescoço pode causar insolação. As meninges e o tecido cerebral ficam irritados com o superaquecimento e pode ocorrer a chamada meningite asséptica, uma inflamação das meninges que não é causada por bactérias.

Dor de cabeça é geralmente o primeiro sintoma. A pessoa atingida fica com a cabeça quente e vermelha, o pescoço dói, podem ocorrer cansaço, náuseas e vômitos, também tonturas. A temperatura corporal de um paciente com insolação geralmente não é elevada, mas baixa.

O que fazer em caso de insolação?

Quem é afetado por insolação deve ser imediatamente levado para um ambiente fresco e deitado de costas, para que possa se recuperar o mais rapidamente possível. A cabeça e a parte superior do corpo devem ficar um pouco mais elevadas.

Toalhas frias e molhadas ajudam a resfriar áreas do corpo como o pescoço. Além disso, estando consciente, o paciente deve beber muito, para que o equilíbrio hídrico volte ao nível normal. Segundo especialistas, a transpiração excessiva pode levar a uma perda adicional de líquidos de até dois litros em dias muito quentes.

Até que os sintomas desapareçam, é recomendado permanecer deitado. Importante: em casos mais graves podem ocorrer vômitos intensos, confusão mental ou até perda de consciência. Aí um médico deve ser consultado, também para evitar que a insolação progrida para um golpe de calor.

O que é o golpe de calor?

Os termos insolação e golpe de calor são frequentemente usados como sinônimos, mas há diferenças. O golpe de calor é bem mais perigoso que a insolação. Ele pode ser desencadeado por exposição direta ao sol ou por esforço físico excessivo num ambiente quente.

Devido à alta temperatura externa, o corpo absorve mais calor do que consegue liberar. A temperatura corporal pode subir para 41ºC em apenas 10 ou 15 minutos. Esse superaquecimento agudo desencadeia uma resposta inflamatória em todo o corpo.

O sistema de regulação da temperatura corporal pode ser desativado, por exemplo, com a produção de suor falhando e o corpo acumulando calor.

Um golpe de calor pode ser fatal. Os sintomas possíveis incluem problemas de consciência, dores de cabeça, tonturas e sonolência, além de convulsões, vômitos, diarreia e baixa pressão arterial. Um golpe de calor se desenvolve entre uma e seis horas e pode acarretar morte em menos de 24 horas, se não forem tomadas medidas.

Em idosos, portadores de doenças crônicas e crianças, o golpe de calor geralmente ocorre devido à combinação de altas temperaturas e grave deficiência de líquidos e eletrólitos. Em adultos saudáveis, esforço físico excessivo, como prática esportiva ou trabalho ao ar livre, geralmente é a causa.

O que fazer no caso de golpe de calor?

Aos primeiros sinais, deve-se chamar o serviço de emergência. O corpo deve ser resfriado o mais rapidamente possível, o paciente transferido para um local fresco e, se possível, ingerir líquidos. Roupas supérfluas devem ser retiradas.

Se a pessoa estiver inconsciente, mas respirando normalmente, deve ser colocada em posição lateral de segurança até a chegada do serviço de emergência. A respiração e a consciência devem ser verificadas regularmente. Se a respiração não é normal, é preciso iniciar medidas de reanimação.

Evite a insolação e o golpe de calor

Temperaturas extremamente altas logo confrontam a regulação térmica do organismo humano com seus limites. Além disso, idosos costumam beber menos. Como resultado, o corpo não consegue produzir suor suficiente, o que impede que se resfrie por conta própria. Em muitos casos, é recomendado e mais seguro chamar um médico.

A melhor forma de evitar a insolação ou o golpe de calor é óbvia: não pegar sol demais, proteger a cabeça com um chapéu claro, pois cores claras refletem calor, evitar a exposição ao calor extremo e beber bastante água.

Como regra geral: um adulto precisa de pelo menos meio litro de água adicional em dias quentes.

Short teaser Quando está quente e o sol bate forte, há perigo de sintomas entre incômodos a fatais. O melhor é saber como evitá-los.
Author Hannah Fuchs
Item URL https://www.dw.com/pt-br/o-que-fazer-em-caso-de-insolação-e-golpe-de-calor/a-66868084?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Item 10
Id 70322402
Date 2026-01-02
Title O que é estresse térmico, causado por exposição a temperaturas extremas
Short title O que é estresse térmico, causado por temperaturas extremas
Teaser

Nesta semana, o Brasil enfrenta sua sétima onda de calor do ano

Fenômeno traz riscos para a saúde e, em casos graves, pode causar até morte. Saiba como se prevenir.A onda de calor que atingiu diversos estados no Brasil na última semana chega como alerta para a população que pode sofrer com uma condição chamada estresse térmico, que traz riscos para a saúde e ainda é pouco conhecida. O estresse térmico ocorre quando o corpo é exposto a temperaturas extremas, baixas ou altas , mas principalmente calor intenso, e não consegue se resfriar adequadamente e se manter nos 36,5°C – ideal para o nosso organismo. É diferente de insolação e golpe de calor, causados pela exposição ao sol, e no caso do segundo também por esforço físico excessivo num ambiente quente. Um índice chamado bioclimático que analisa não apenas a temperatura, mas o conforto fisiológico do corpo humano diante de algumas condições específicas como o calor, umidade do ar, vento e índice de radiação, é utilizado para avaliar o estresse térmico. "O corpo humano tende a manter a temperatura constante entre 36 e 37 °C. Quando as temperaturas se elevam o corpo dá início a mecanismos para resfriamento, como a transpiração. Transpiração em excesso sem a adequada reposição de fluídos e eletrólitos pode levar a perda da capacidade de controlar a temperatura, havendo aumento muito significativo da temperatura corporal", explica Marcelo Franken, cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein. Problemas para a saúde O estresse térmico faz com que o corpo perca água e sais minerais em excesso podendo acarretar problemas de saúde que vão desde um leve desconforto, cansaço e tontura até condições mais graves, como exaustão pelo calor e desidratação. A frequência cardíaca e a pressão arterial podem aumentar, como um mecanismo compensatório ao calor extremo do corpo, podendo evoluir para um choque térmico, confusão mental e convulsões. Em quadros mais graves e extremos, a condição pode causar falência de múltiplos órgãos e óbito. Idosos, crianças e pessoas com comorbidades são os mais suscetíveis. "O coração é um dos órgãos que mais é comprometido, podendo causar arritmias, aumento da pressão arterial e, em casos mais severos, pode até resultar em uma parada cardíaca, especialmente em pessoas com condições cardíacas preexistentes", acrescenta Diego Gaia, cirurgião cardiovascular do Hospital Santa Catarina – Paulista e professor na Universidade Federal de São Paulo. Para amenizar os sintomas do estresse térmico, os especialistas recomendam manter o corpo hidratado, dando preferência para ingestão de água, água de coco ou isotônicos, ingerir alimentos frescos, pouco gordurosos e calóricos, procurar permanecer em locais frescos (com sombra ou espaços com ar-condicionado ou ventilador), usar roupas leves e, se possível, evitar andar na rua nos horários de pico do calor. Estresse térmico também afeta o emocional Os efeitos do estresse térmico vão além do físico e influenciam diretamente o estado emocional. A psicóloga Tatiane Mosso explica que as altas temperaturas podem causar aumento da irritabilidade, sensação constante de cansaço, dificuldade de concentração e tomadas de decisão, além de quadros de ansiedade e apatia. A falta de energia física pode repercutir em desmotivação para atividades de rotina e uma consequente sensação de frustração. "O estresse térmico afeta o bem-estar psicológico porque coloca o nosso corpo em estado constante de alerta, já que o organismo precisa se esforçar mais para manter a temperatura interna equilibrada. Além disso, temperaturas extremas podem dificultar o descanso adequado, prejudicando a qualidade do sono, fator que compromete a capacidade do corpo e da mente de se recuperar, gerando maior instabilidade emocional", explica. Para lidar com esse tipo de estresse, a psicóloga ressalta que é importante adotar algumas medidas como usar técnicas de respiração profunda para aliviar a tensão e a ansiedade. "Manter-se hidratado e buscar ambientes com temperaturas mais amenas é fundamental. Dormir adequadamente e praticar atividades físicas em horários mais frescos também ajudam a melhorar o humor e reduzir o cansaço emocional. Além disso, buscar um apoio social, conversar sobre o desconforto e reconhecer os limites pessoais em situações de estresse térmico são passos importantes para promover equilíbrio emocional", acrescenta a psicóloga. 38 milhões de brasileiros expostos ao estresse térmico No Brasil, estima-se que ao menos 38 milhões de pessoas estejam expostas ao estresse térmico, segundo dados são de um estudo realizado pelo Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ). O estudo, que teve como objetivo analisar o fenômeno na América do Sul e como ele evoluiu ao longo das últimas quatro décadas, analisou dados de 31 cidades da América do Sul com mais de um milhão de habitantes, sendo 13 delas no Brasil – Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza, Manaus, Belém, Goiânia, Porto Alegre, Curitiba e Campinas. Os pesquisadores perceberam que a cada ano, em média, os períodos de estresse térmico ganham dez horas extras nas cidades brasileiras analisadas. A escalada de aumento do estresse térmico começou há 20 anos. Os moradores das cidades analisadas passam de 17 a 25 dias por ano sob condições meteorológicas superiores às que o corpo humano pode suportar.


Short teaser Fenômeno traz riscos para a saúde e, em casos graves, pode causar até morte. Saiba como se prevenir.
Author Simone Machado
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Image caption Nesta semana, o Brasil enfrenta sua sétima onda de calor do ano
Image source Sven Hoppe/dpa/picture alliance
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Item 11
Id 75362673
Date 2026-01-01
Title Bolsonaro deixa hospital e volta à prisão na PF
Short title Bolsonaro deixa hospital e volta à prisão na PF
Teaser

Com a liberação hospitalar, Bolsonaro volta à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde está preso desde novembro

Ex-presidente recebeu alta e deixou unidade onde estava internado desde 24 de dezembro para uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral. Ministro Alexandre de Moraes negou pedido de prisão domiciliar.O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu alta e deixou o Hospital DF Star no fim da tarde desta quinta-feira (01/01). Um comboio formado por batedores da Polícia Militar do Distrito Federal e carros pretos descaracterizados saíram há pouco da garagem do hospital localizado na Asa Sul, região central da capital federal, a poucos quilômetros de distância da Superintendência da Polícia Federal, onde Bolsonaro está preso desde novembro. Bolsonaro estava internado na unidade desde o último dia 24 e foi submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral. Em seguida, a equipe médica avaliou a necessidade de realizar outros procedimentos para conter o quadro de soluços. Nesta quarta-feira, o ex-presidente passou por uma endoscopia, quando os médicos constataram a persistência de esofagite e gastrite. Médicos que acompanham o ex-presidente informaram naquele mesmo dia ter havido uma melhora da crise de soluços e que já haviam programado alta para esta quinta-feira, caso não houvesse nenhum novo problema de saúde. Com a liberação hospitalar, Bolsonaro retorna à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde está preso desde novembro após condenação de 27 anos e 3 meses pela trama golpista. Moraes negou pedido de prisão domiciliar Na manhã desta quinta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou pedido feito pela defesa do ex-presidente, solicitando prisão domiciliar de natureza humanitária após a alta. Na decisão, Moraes avalia que a defesa de Bolsonaro não apresentou "fatos supervenientes que pudessem afastar os motivos determinantes da decisão de indeferimento do pedido de prisão domiciliar humanitária proferida no dia 19 de dezembro de 2025". O documento reforça que permanece autorizado acesso integral dos médicos de Bolsonaro, com os medicamentos necessários, incluindo um fisioterapeuta, "e a entrega de comida produzida por seus familiares". md (Agência Brasil, ots)


Short teaser Ex-presidente teve alta após internação para cirurgia de hérnia inguinal bilateral. Moraes negou prisão domiciliar.
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Image caption Com a liberação hospitalar, Bolsonaro volta à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde está preso desde novembro
Image source Leandro Chemalle/TheNEWS2/ZUMA/picture alliance
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Item 12
Id 74213203
Date 2026-01-01
Title Entenda nova lei que amplia isenção do IR e taxa ricos
Short title Entenda nova lei que amplia isenção do IR e taxa ricos
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Desoneração do IR deve beneficiar até 26,6 milhões de brasileiros

Nova regra passa a valer nesta quinta-feira (01/01) e amplia faixa de isenção do imposto de renda para R$ 5 mil, dá desconto para rendimentos mensais de até R$ 7.350 e taxa mais ricos.A reforma do Imposto de Renda (IR) entra em vigor nesta quinta-feira (01/01) e estabelece a isenção de Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas com renda mensal de até R$ 5 mil e desconto para quem ganha até R$ 7.350 mensais. O texto havia sido sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fim de novembro, após ter sido aprovado pela Câmara no início de outubro e pelo Senado no início de novembro. A reforma era uma das principais bandeiras de campanha eleitoral de Lula em 2022. Segundo o governo, a desoneração do IR deve beneficiar até 26,6 milhões de pessoas, o que representa 65% dos contribuintes. O custo estimado da isenção para até R$ 5 mil é de R$ 25,8 bilhões, o que será compensado pela criação de um imposto mínimo sobre a alta renda. Em discurso em novembro, Lula destacou que não existe "sociedade igualitária", mas que é preciso governar para aqueles que precisam do Estado. "A economia não cresce por conta do tamanho da conta bancária de ninguém, a economia cresce por conta do consumo que a sociedade pode ter a partir dos alimentos", disse. "E o rico não fica mais pobre. Se o pobre consome mais, o rico vai ficar mais rico. O rico vai vender mais carne, mais roupa, vai vender mais carro. É isso que as pessoas precisam compreender para se fazer economia", acrescentou o presidente. Lula repetiu ainda uma frase recorrente em seus discursos: "muito dinheiro na mão de poucos significa miséria, mas pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de riqueza". Base da pirâmide A tabela do Imposto de Renda funciona de forma progressiva – o brasileiro passa a pagar um imposto maior à medida que seus rendimentos crescem, como uma escada. Atualmente, são isentos do imposto quem ganha até R$ 3.036. Acima desse valor, a tributação começa a ser cobrada em "faixas", que chegam a 27,5% de imposto. O projeto determina que, em 2026, quem ganha até R$ 5 mil não precisará pagar IR. A isenção garantiria um desconto mensal de até R$ 312,89. Quem ganha de R$ 5.000,01 a R$ 7.350,00 terá de pagar menos imposto, e esse desconto pode chegar a até R$ 978,62. Para os que ganham mais de R$ 7.350 por mês, nada muda – continua valendo a tabela atual de cobrança do imposto. Em resumo, haverá dois sistemas de tributação: um para quem ganha até R$ 7.350 e outro para quem recebe mais que isso. Compensação Para compensar o impacto da medida aos cofres públicos, o projeto prevê a tributação das pessoas com rendimentos acima de R$ 50 mil por mês (R$ 600 mil por ano), com uma alíquota progressiva de até 10%. O valor efetivo será calculado com base em toda a renda do contribuinte e no que já foi recolhido. O chamado imposto mínimo recairá também sobre lucros e dividendos, que hoje são isentos do IR. A alíquota máxima de 10% incidirá para quem recebe anualmente a partir de R$ 1,2 milhão por ano. Segundo o Ministério da Fazenda, a medida atingirá cerca de 141 mil pessoas, o que representa 0,13% dos contribuintes. Eles atualmente pagam de forma efetiva, em média, apenas 2,5% de IR. Quem tem o salário como única fonte de renda não será afetado, pois continua enquadrado na tabela progressiva do IR, pagando a alíquota máxima de 27,5%. O novo imposto entrará em cena sempre que a cobrança regular estiver abaixo do piso estabelecido. Por exemplo, quem ganha mais de R$ 1,2 milhão e paga 2,5% de imposto, terá de pagar mais 7,5% para chegar aos 10%. Resistência à medida Quando o texto tramitava na Câmara, parlamentares da oposição e de parte do centrão articularam uma derrubada da taxação dos mais ricos, mas a proposta do governo foi mantida no texto aprovado. Ela é essencial para isenção da base da pirâmide, uma vez que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) exige uma compensação para medidas com impacto negativo no Orçamento. Segundo um estudo do Ministério da Fazenda, sem a criação do imposto mínimo para as altas rendas, o problema iria além do desequilíbrio das contas públicas, agravando ainda a desigualdade no país. O relator do projeto na Câmara, deputado Arthur Lira, estimaou que haverá ainda uma sobra de R$ 12,7 bilhões até 2027 com a taxação. Em seu parecer, Lira destinou esses recursos para compensar a redução da alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), instituída pela Reforma Tributária. Não ficarão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda na fonte os lucros e dividendos relativos a resultados apurados até 2025, e cuja distribuição tenha sido aprovada até 31 de dezembro de 2025. sf/cn (Agência Brasil, ots)


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Item 13
Id 75334549
Date 2026-01-01
Title Obras do alemão Thomas Mann entram em domínio público
Short title Obras do alemão Thomas Mann entram em domínio público
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Thomas Mann deixou a Alemanha antes da chegada de Adolf Hitler ao poder

Perseguido pelos nazistas, Nobel de Literatura é um dos grandes escritores do século 20. Seus livros retratam a vida burguesa e tempos de turbulência política para a Europa.Dentre os acontecimentos para aguardar em 2026, está a entrada da obra do escritor alemão Thomas Mann em domínio público. Na Europa e no Brasil, cai a exclusividade das editoras sobre os títulos nesta quinta-feira (01/01), depois de a morte do autor ter completado 70 anos. Na prática, isso significa que qualquer editora pode publicar obras até então protegidas por direitos autorais, sem necessidade de autorização prévia ou pagamento de royalties. Em 2026, ficam liberadas as obras de autores que morreram em 1955. A Companhia das Letras tem onze títulos de Mann publicados no Brasil. Os seus grandes romances incluem Os Buddenbrook, que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1929, A Montanha Mágica e Doutor Fausto. Considerado um dos mais importantes escritores alemães do século 20, o autor nasceu em Lübeck, na Alemanha, em 1875, filho de uma teuto-brasileira. Ele viveria tempos de turbulência política — marcados pelas duas Guerras Mundiais, o nazismo e o Holocausto —, que transparecem na sua obra. Vida burguesa e pré-guerras Em Os Buddenbrook (1901), que elevou a literatura alemã ao pódio internacional, ele conta a história de quatro gerações de uma família de comerciantes do norte da Alemanha. Já no seu primeiro romance, ele se mostrou um observador atento da vida da burguesia alemã, em grande parte inspirado na própria família e na cidade natal. Duas décadas mais tarde, A Montanha Mágica se tornaria um clássico da literatura. Publicado em 1924, o romance antiguerra relata a história de um personagem que passa sete anos num sanatório para tuberculosos nos Alpes suíços, onde se depara com alguns dos dramas anteriores à Primeira Guerra Mundial, como uma sociedade dividida, medos existenciais, doença, morte e o fantasma da guerra. Muito antes de a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) bater à porta da Europa, o escritor pareceu farejar o perigo. Mal Adolf Hitler assumiu, Mann deixou a Alemanha. Ele havia se posicionado contra os nazistas e, em 1930, três anos antes de Hitler ascender ao poder, fizera um apelo inflamado contra o nazismo e em defesa da social-democracia. Os nazistas o despojariam da cidadania alemã, revogariam-lhe o título de Doutor Honoris Causa concedido pela Universidade de Bonn e roubariam parte do seu patrimônio. "Tudo precisa ser pago" Em 1938, o autor e sua esposa migraram para os Estados Unidos, e Mann assumiu o cargo de professor convidado na Universidade de Princeton, em Nova Jersey. Indagado por um repórter sobre se considerava o exílio um fardo, respondeu: "Onde eu estiver, será a Alemanha. Levo minha cultura comigo e não me vejo como alguém decadente." A partir de 1940, Thomas Mann passou a convocar os alemães a resistir ao nazismo. Depois que o armistício finalmente veio, ele lançou a carta Por que não volto à Alemanha (1945), em que responsabiliza todo o povo alemão pelos horrores da era nazista. "Tudo precisa ser pago", escreveu Mann ao comentar o bombardeio de cidades alemãs. Críticos reagiram negando-lhe o direito de, como exilado, fazer julgamentos sobre o que foi a vida sob Hitler. Sua obra literária também incomodou. Um exemplo é o romance Doutor Fausto (1947), sobre um compositor que faz um pacto com o diabo. Alegoria da Alemanha hitlerista, o livro é um acerto de contas do escritor com um país que permitiu a ascensão do nazismo e renunciou à própria humanidade. Acusado de simpatizar com um partido comunista e de se envolver em conspirações antiamericanas, Mann deixou os EUA em 1952 e viajou à Suíça, onde se estabeleceu até sua morte, em 12 de agosto de 1955, aos 80 anos. Outros títulos do autor incluem A Morte em Veneza, O eleito, Confissões do impostor Felix Krull, José e seus irmãos, Mário e o mágico, Sua alteza real, Contos, As cabeças trocadas e Tonio Kröger.


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Item 14
Id 75353413
Date 2026-01-01
Title Como fogos no réveillon viraram caso de polícia na Alemanha
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Policiais sendo atacados por explosivos em celebração de Ano Novo em Leipzig

Anualmente, violência e acidentes ligados à queima de fogos privada mobilizam bombeiros, médicos e policiais nas grandes cidades do país. Entidades pedem a proibição dessa tradição alemã, praticada por uma minoria.O que acontece com os alemães na véspera de Ano Novo? Ao longo do ano, eles se apresentam como um povo geralmente tranquilo e pacífico, que detesta qualquer tipo de barulho. O uso privado de fogos de artifício também é proibido o ano inteiro no país. Exceto na véspera e no dia de Ano Novo, quando rojões e bombas são permitidos entre as 18h do dia 31 de dezembro até as 6h do dia 1º de janeiro. E é quando algo acontece que deixa muitos estrangeiros sem palavras. Os alemães queimam foguetes, rojões, bombinhas, shows pirotécnicos e sofisticados sistemas de fogos de artifício para dar as boas-vindas ao Ano Novo em grande estilo. Detonações ecoam entre os prédios, foguetes ricocheteiam nas janelas, e a fumaça toma conta do ar – tudo isso tendo como pano de fundo as luzes azuis da polícia e as sirenes estridentes das ambulâncias. "A véspera de Ano Novo na Alemanha é a noite em que todas as pessoas legais, normais, práticas e avessas ao risco são substituídas por piromaníacos alardeadores da pólvora e procurando pela morte", escreve o autor britânico Adam Fletcher em seu livro How to be German ("Como Ser Alemão", em tradução livre). Em toda a Alemanha, mas especialmente nas grandes cidades, todos os anos, bombeiros, ambulâncias e policiais são mobilizados em larga escala . Muitos alertam sobre os perigos e reclamam que seus animais de estimação estão sofrendo com o barulho. Na virada de 2025 para 2026, mais uma vez a Alemanha foi palco de incêndios, tumultos e acidentes envolvendo fogos de artifício em diversas cidades. Centenas de pessoas foram presas. Dois jovens de 18 anos morreram em acidentes com fogos de artifício caseiros. Em Berlim, segundo uma avaliação inicial da polícia, a véspera de Ano Novo não foi tão problemática quanto em anos anteriores. Mesmo assim, a polícia foi repetidamente atacada com fogos de artifício e foguetes. Vinte e um policiais sofreram ferimentos leves devido a traumas causados ​​por explosões, após serem atingidos por fogos de artifício ou por pessoas que resistiram à prisão. Incidentes também ocorreram em Hamburgo: no bairro de Steilshoop, segundo a polícia, pedestres e equipes de emergência foram atingidos por fogos de artifício. Em Leipzig, latas de lixo foram incendiadas. Em várias cidades os bombeiros trabalharam sem parar: telhados, latas de lixo, cercas vivas e carros foram consumidos pelas chamas. Uso de fogos como arma A avidez dos alemães por fogos de artifício se reflete nos números das vendas, as quais são permitidas somente nos últimos três dias do ano . Em 2024, foram gastos 197 milhões de euros em fogos de artifício para o réveillon alemão, um novo recorde, após os 180 milhões de euros do ano anterior. A Federação da Indústria Pirotécnica da Alemanha (VPI) esperava um aumento entre 10% e 15% em 2025. A maior parte do que é vendido no país é importada, sobretudo da China. Só de janeiro a setembro de 2025, mais de 42.400 toneladas de fogos de artifício foram importadas para a Alemanha, 62,6% a mais do que no ano anterior, segundo o Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha (Destatis). Um problema crescente é o uso deliberado de fogos de artifício como arma contra pessoas, especialmente policiais, bombeiros e paramédicos. Particularmente nas grandes cidades alemãs, as comemorações de Ano Novo são marcadas por agressões e violência, com alguns bairros vivenciando condições próximas à de uma guerra. É particularmente grave o fato de que o número de feridos e danos materiais aumenta ano após ano. Os fogos de artifício causam ferimentos graves, como trauma acústico, queimaduras ou amputações, principalmente de dedos ou mãos inteiras. Especialmente na capital alemã, Berlim, a queima de fogos de artifício no réveillon já virou há anos caso de polícia, com diversas batalhas nas ruas envolvendo grupos de jovens de um lado e policiais e bombeiros de outro. Também são reportados diversos incêndios em apartamentos e telhados de prédios, causados por rojões e outros tipos de artefatos explosivos. Cinco mortos em 2024/2025 Na véspera de Ano Novo de 2025, ao menos cinco pessoas morreram por causa de fogos de artifício na Alemanha, centenas ficaram feridas, e 400 foram presas somente em Berlim. Dezenas de carros foram incendiados, e os hospitais ficaram sobrecarregados. No distrito de Schönefeld, no sul da capital alemã, um prédio inteiro foi danificado por uma bomba caseira fabricada ilegalmente. Na ocasião, 36 apartamentos ficaram temporariamente inabitáveis após terem as janelas estilhaçadas pela explosão do artefato, fazendo com que os moradores fossem retirados de seus lares, em meio às baixas temperaturas do inverno berlinense. Um porta-voz do corpo de bombeiros comparou a cena a um campo de batalha, enquanto moradores descreveram condições semelhantes às de uma guerra civil. Não só em Berlim houve violência em combinação com fogos de artifício no réveillon 2024/2025. Em Leipzig, na Saxônia, também ocorreram ataques contra policiais: latas lixo foram incendiadas, barricadas foram erguidas e aproximadamente 50 pessoas atacaram policiais com fogos de artifício e garrafas. Em Munique, capital da Baviera, centenas de pessoas promoveram tumultos e atacaram policiais. Petições exigem proibição Por isso, muitos pedem uma proibição dos fogos de artifício de uso privado. Uma petição nesse sentido, organizada pelo Sindicato da Polícia Alemã (GdP), já havia reunido mais de 2,6 milhões de assinaturas até o final de dezembro. Sob a hashtag #böllerciao, uma aliança de mais de 50 organizações da sociedade civil está pedindo a proibição de fogos de artifício privados na véspera de Ano Novo. Entre os apoiadores estão associações médicas, a organização alemã de ajuda ambiental, organizações de proteção animal, entre outras entidades. O presidente da Associação Médica Alemã, Klaus Reinhardt, pediu urgentemente que a venda de fogos de artifício para consumo privado seja banida no país. "Ninguém tem nada contra espetáculos organizados de fogos de artifício em locais centrais, mas o lançamento indiscriminado deveria ser proibido", afirmou Reinhardt em entrevista à RND Media. Maioria é a favor de banimento O aumento da agressividade na véspera de Ano Novo na Alemanha está definitivamente afetando a sensação de segurança de muitos cidadãos no país. De acordo com uma pesquisa da organização certificadora alemã TÜV, quase uma em cada três pessoas agora se sente insegura devido aos fogos de artifício em espaços públicos. Isso afeta particularmente as mulheres. E 22% dos entrevistados afirmaram que não saem mais de casa na véspera de Ano Novo. Um número crescente de cidadãos defende uma proibição,segundo a sondagem da TÜV : 43% defendem a proibição total, com exceção de fogos pequenos, como estrelinhas ou fogos de artifício de mesa, enquanto 22% defendem a proibição de grandes rojões e bombinhas. No entanto, também há aqueles que rejeitam as proibições, citando a tradição e a liberdade. Na pesquisa, esse número foi de 33%. Diversão de minoria Mas soltar fogos no final do ano é algo praticado por uma minoria no país. Apenas 22% dos alemães planejavam celebrar o Ano Novo queimando fogos de artifício, enquanto 74% não o fazem. Foi isso que revelou uma sondagem que o instituto de pesquisa de opinião Civey realizou em dezembro com 2.500 pessoas de 18 anos ou mais. Entretanto o que alguns consideram uma diversão colorida e emocionante definitivamente tem seus pontos negativos também para o meio ambiente. Além da enorme quantidade de resíduos gerados, segundo a Agência Federal Alemã do Meio Ambiente, a queima de fogos de artifício na véspera do Ano Novo lança no ar cerca de 2 mil toneladas de material particulado. Essa quantidade corresponde a cerca de um 1% da poluição anual por esse tipo de material na Alemanha, o que é considerado um risco à saúde.


Short teaser Anualmente, violência e acidentes ligados à queima de fogos mobilizam bombeiros, médicos e policiais nas cidades alemãs.
Author Tanja Blut, Sabine Kinkartz, Marcio Damasceno
Item URL https://www.dw.com/pt-br/como-fogos-no-réveillon-viraram-caso-de-polícia-na-alemanha/a-75353413?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Image caption Policiais sendo atacados por explosivos em celebração de Ano Novo em Leipzig
Image source Sebastian Willnow/dpa/picture alliance
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Item 15
Id 75351405
Date 2025-12-31
Title Seis coisas que serão diferentes na Copa do Mundo 2026
Short title Seis coisas que serão diferentes na Copa do Mundo 2026
Teaser Mais jogos, mais times, mais deslocamentos: Estados Unidos, Canadá e México vão sediar o maior mundial de futebol da história, com a participação de 48 seleções. A DW destaca seis mudanças na próxima edição do torneio.

A gente piscou e uma nova Copa do Mundo já está batendo na porta. O mundial de futebol de 2026 ocorrerá de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México. Será o maior evento da história do futebol. O Brasil estreia no dia 14 de junho, contra o Marrocos.

Abaixo, a DW lista seis novidades dessa edição do torneio.

1. Três países como anfitriões conjuntos

Normalmente, a Copa do Mundo é um evento sediado por um único país. A Copa de 2002 inovou quando Japão e Coreia do Sul — duas nações que nem sempre tiveram uma relação fácil — se uniram para sediar o torneio.

A Copa de 2026 vai além: Estados Unidos, Canadá e México serão anfitriões. Embora esses países geralmente mantenham boas relações, os laços dos EUA com Canadá e México ficaram mais tensos desde o início do segundo mandato do presidente americano, Donald Trump.

2. Mais times, mais jogos

Gostando ou não, a decisão de expandir a Copa do Mundo de 32 para 48 seleções foi ousada por parte do presidente da Fifa, Gianni Infantino.

Mais equipes significa muito mais jogos: serão 104 partidas, contra 64 na Copa de 2022 no Catar . Isso também implica em 12 grupos de quatro times, em vez de oito. Foi adicionada uma fase extra de mata-mata — com 32 times — para reduzir o número de equipes até a final, marcada para 19 de julho em Nova Jersey. A partida decisiva será disputada no 39º dia do torneio, dez dias a mais do que a duração da Copa de 2022.

3. Novos participantes

Críticos argumentam que aumentar o número de seleções pode reduzir a qualidade geral dos jogos, mas isso permitiu que alguns países se classificassem para sua primeira Copa. Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão farão suas estreias no maior palco do futebol.

Entre eles, Curaçao é o "azarão”. O país com menos de 160 mil habitantes ocupa a 82ª posição no ranking mundial.

Outros estreantes ainda podem se classificar nos playoffs de março — incluindo Macedônia do Norte, Albânia, Kosovo e Nova Caledônia.

4. Mais deslocamentos

Não é a primeira vez que uma Copa do Mundo ocorre em uma área geográfica tão ampla, mas as distâncias que equipes e torcedores terão de percorrer em 2026 serão um choque após o Catar, que é menor que Connecticut — o terceiro menor estado dos EUA.

Os locais mais distantes entre si são Vancouver, no Canadá, e Miami, nos Estados Unidos, separados por 4.507 km. A Alemanha , por exemplo, terá de percorrer 2.619 km apenas para jogar na fase de grupos, viajando de Houston (EUA) para Toronto (Canadá) e depois para Nova Jersey (EUA) — sem contar o trajeto até o campo-base, ainda não definido.

5. Pausas obrigatórias para hidratação

Embora as pausas para hidratação não sejam novidade no futebol, a Fifa anunciou que todos os jogos da Copa de 2026 terão duas pausas programadas, independentemente das condições climáticas. Os árbitros deverão interromper as partidas aos 22 minutos de cada tempo para que os jogadores se reidratem.

Antes, as pausas só eram obrigatórias aos 30 minutos quando a temperatura no início do jogo ultrapassasse 31 °C. A mudança ocorre devido a preocupações com altas temperaturas esperadas em algumas cidades-sede, como aconteceu no Mundial de Clubes.

6. Nem todos os torcedores serão bem-vindos

Dois países classificados para a Copa, Irã e Haiti, estão sob uma proibição de viagem anunciada por Trump em junho, o que significa que seus torcedores não poderão entrar nos EUA para apoiar suas seleções. Em dezembro, o presidente americano impôs restrições parciais a outros dois países classificados: Costa do Marfim e Senegal. As equipes não terão problemas para entrar, pois a ordem executiva faz exceções para atletas, técnicos e pessoal de apoio.

Além disso, há incertezas sobre onde os jogos serão realizados, já que Trump, que é republicano, ameaçou transferir partidas para fora de cidades governadas por democratas por "motivos de segurança".

Em reunião na Casa Branca, Infantino não contestou: "Segurança é a prioridade número um para uma Copa do Mundo bem-sucedida", disse.

Short teaser Mais jogos, mais times, mais deslocamentos: EUA, Canadá e México vão sediar o maior mundial de futebol da história.
Author Chuck Penfold
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Item 16
Id 75345096
Date 2025-12-31
Title Arqueólogos desvendam passado medieval de Berlim
Short title Arqueólogos desvendam passado medieval de Berlim
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O arqueólogo Eberhard Völker lidera as escavações no centro histórico de Berlim

Escavações no coração da capital alemã fornecem pistas sobre a história berlinense, revelando um passado relativamente desconhecido até então. Para abrigar os achados, cidade ganhou um novo museu.Quem passeia pelo centro de Berlim mal suspeita que debaixo de seus pés se esconde um verdadeiro tesouro arqueológico. Na região do Molkenmarkt, considerado o mercado mais antigo da cidade, uma ampla escavação tem revelado peças bastante curiosas. Entre elas estão diversos crânios de cabra serrados, encontrados em grande número no solo da capital alemã. Mas o que eles significam? Muitas vezes são pequenos detalhes que revelam algo sobre épocas passadas, afirma Eberhard Völker, arqueólogo do Escritório Estadual para a Preservação de Monumentos. Ele e seus colegas suspeitam que o cérebro de cabra era uma iguaria muito apreciada na Idade Média. Com pá, espátula e pincel, Völker lidera a escavação no Molkenmarkt em busca do passado. A quatro metros de profundidade, ele alcançou a Idade Média: o berço de Berlim. Em meio a escombros e destroços de incêndios, esses quatro metros representam o tanto que a cidade cresceu ao longo de 800 anos. "É exatamente aqui que se encontra o núcleo de Berlim", diz ele, apontando para os montes de terra atrás dele. Odores medievais conservados no tempo O Molkenmarkt é uma das maiores escavações urbanas da Alemanha, abrangendo mais de 22 mil metros quadrados. Neste buraco gigantesco, é feito o trabalho dos escavadores, que removem o asfalto e o concreto. Mas é só no solo que começa o trabalho manual minucioso dos arqueólogos. Desde 2019, eles vêm buscando vestígios de uma era passada. Até agora, já foram mais de 750 mil peças catalogadas. Eberhard Völker segura uma delas em suas mãos: um prato de madeira maciça – uma raridade. Bem conservado, é verdade, mas com um odor terrível. Não é à toa: o objeto, afinal, sobreviveu séculos dentro de uma latrina medieval, absorvendo o cheiro de excrementos. O odor ainda é perceptível mesmo após 800 anos. Nesse ambiente peculiar, com pouco oxigênio, materiais orgânicos como madeira, tecidos ou couro resistem à decomposição. É por isso que fossas e poços secos são considerados verdadeiros tesouros arqueológicos. Mas a descoberta favorita de Völker é uma pequena estatueta de barro. Ela representa a mártir cristã Santa Catarina, que, segundo a lenda, foi torturada na roda de despedaçamento e posteriormente decapitada por sua fé. A peça provavelmente adornava um altar doméstico, com o intuito de garantir proteção. Outro item particularmente valioso é um raro anel de ouro com uma granada. Talvez tenha escorregado de um dedo e caído no poço enquanto alguém buscava água? Quem sabe. Já um discreto pedaço de seda marrom comprova que o comércio com a China já existia nos primeiros anos da cidade, pois somente lá eram criados bichos-da-seda naquela época. Há também uma flauta de osso do século 14. Petri: um lar para os tesouros de Berlim Com seu trabalho, Völker e seus colegas estão trazendo à luz um arquivo oculto da história berlinense. Regularmente, o arqueólogo realiza visitas guiadas pelo local, sempre com lotação esgotada – o interesse do público é enorme. As escavações devem continuar por mais dois anos. Depois disso, o terreno será novamente coberto para dar lugar a novas construções. Até lá, cada achado é registrado, analisado e interpretado com rigor científico, formando um vasto banco de dados sobre o passado berlinense. Mas para onde vão todos esses tesouros? A resposta está a poucos metros dali. Em 2025, foi inaugurado o Petri, um novo museu erguido sobre as ruínas da antiga Igreja de São Pedro (Petrikirche) – destruída na Segunda Guerra e posteriormente demolida por completo – e de uma escola latina, cujos alicerces podem ser vistos no subsolo. O Petri busca preencher uma lacuna importante, indo muito além de um mero espaço de pesquisa para estudantes. Com poucos meses de existência, o museu já entrou na rota turística de visitantes do mundo todo – uma prova de que Berlim não se resume aos anos dourados, ao período nazista ou à era do Muro. Berlim também é Idade Média. Um lado desconhecido da capital alemã que também merece ser explorado. Entre os achados exibidos no novo museu está um sapato de criança datado da Idade Média. Mas a proposta vai além da exibição de objetos atrás de um vidro. A ideia do Petri é servir como uma espécie de laboratório, permitindo que os visitantes observem o trabalho dos restauradores em oficinas abertas através de grandes janelas. Assim, o museu busca não só dar vida à história esquecida, mas também transmitir o fascínio pela arqueologia. Um novo local de repouso para os mortos No subsolo, o museu guarda outra surpresa: um buquê de flores frescas repousa contra uma parede, e acima dele se lê: "Que os anjos te conduzam ao paraíso". A inscrição enigmática traz mais pistas sobre o passado do local, já que a Igreja de São Pedro também abrigava um antigo cemitério. Durante as escavações, centenas de berlinenses ancestrais foram exumados, sendo então novamente sepultados em um ossuário. Aqui, os ossos dos primeiros habitantes de Berlim encontraram seu repouso eterno em gavetas. E, mesmo anônimos, continuam a contar suas histórias. Um livro dos mortos registra a variedade de destinos: cáries, uma fratura complexa, outro que morreu jovem demais. Mas afinal: quando surgiu Berlim? Análises científicas de ossos comprovam: Berlim é muito mais antiga do que se pensava. O 800º aniversário da cidade só será comemorado em 2037, mas já existem muitas evidências de que o verdadeiro marco ocorreu décadas antes. No terraço do museu, visitantes têm uma vista do trânsito intenso e do centro densamente construído de Berlim. Escondida no subsolo, jaz a Idade Média, as raízes profundas de uma cidade marcada pela história. Com as escavações em Molkenmarkt e no Petri, arqueólogos como Eberhard Völker estão, pelo menos em parte, reconstruindo o centro perdido de Berlim.


Short teaser Escavações no coração da capital alemã fornecem pistas sobre a história berlinense.
Author Andrea Horakh
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Image caption O arqueólogo Eberhard Völker lidera as escavações no centro histórico de Berlim
Image source Britta Pedersen/dpa/picture alliance
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Item 17
Id 75345504
Date 2025-12-31
Title Alemanha: quando igrejas viram hotéis, moradias e até lojas
Short title Alemanha: quando igrejas viram hotéis, moradias e até lojas
Teaser Desde 2000, quase mil igrejas católicas e evangélicas foram fechadas no país, com a queda do número de fiéis. Diante da crise imobiliária nas cidades, espaços são aproveitados com propósitos seculares.

É domingo, a Igreja de Santa Ana está quase cheia. Um coro canta acompanhado por um pequeno órgão de tubos. Para um desavisado, é difícil de acreditar que essa é a última missa na pequena igreja católica de Bad Bentheim, cidade alemã perto da fronteira com a Holanda.

No fim da cerimônia, os fiéis da congregação esvaziam o altar, retirando tudo o que nele remete ao sagrado, como relíquias de um santo: fragmentos de ossos e pedaços de tecido. O prédio agora deixa de ser um local de culto e será alugado pela prefeitura para outras finalidades.

A desconsagração de igrejas é um assunto delicado. "Isso afeta o coração e os olhos. É comovente", diz o padre Hubertus Goldbeck à DW, enxugando uma lágrima que começa a brotar do canto do olho.

Muitos cristãos devotos em toda a Alemanha estão passando pela mesma situação. O número de fiéis no país está caindo rapidamente. E quando as igrejas encolhem, muitas vezes também precisam abrir mão de sua estrutura.

Somente em 2024, as duas principais Igrejas da Alemanha, a católica e a protestante, perderam mais de um milhão de membros, por abandono ou morte. Atualmente, mais de 45% dos alemães pertencem à Igreja Evangélica da Alemanha (EKD) ou à Igreja Católica. Trinta anos atrás, esse número era de quase 69%. É por isso que muitas igrejas agora estão sendo desconsagradas ou dessacralizadas.

Desde 2000, centenas de igrejas católicas e evangélicas foram desativadas. Em resposta a uma consulta da DW, Conferência dos Bispos Alemães informou sobre o fechamento e a desativação de 611 igrejas católicas entre 2000 e 2024. A EKD estima que cerca de 300 a 350 igrejas tenham fechado definitivamente no mesmo período. Números mais precisos não estão disponíveis.

Igrejas à venda

E o que acontece com as antigas casas de culto? Em algumas cidades, especialmente em Berlim, congregações cristãs ortodoxas em crescimento assumiram o controle dos prédios. Mas isso continua sendo uma exceção. Na maioria dos casos, elas são vendidas. Somente na capital alemã, várias igrejas grandes estão atualmente à venda. E não é incomum que sejam demolidas.

Algumas são reaproveitadas. Em Jülich, no noroeste do país, a antiga Igreja Católica de São Roque agora serve para venda de bicicletas. Thomas Oellers mudou seu negócio, a Toms Bike Center, para o prédio dessacralizado.

Oellers conta à DW que a paróquia o procurou e perguntou se ele considerava administrar seu negócio na igreja, local que ele próprio frequentava, onde foi batizado e fez a primeira comunhão. Externamente, o edifício tombado mudou muito pouco.

Em Wettringen, também no noroeste alemão, uma abadia foi transformada em uma "igreja do futebol", onde o esporte é praticado. Em Kleve, na fronteira com a Holanda, a antiga Igreja Protestante da Ressurreição serve como arena de boxe.

Há exemplos de templos que agora abrigam bares, bibliotecas e livrarias. Claustros inteiros foram transformados em complexos hoteleiros. Em Düsseldorf, um hotel manteve o nome Mutterhaus (Casa da Mãe), em referência ao seu uso original como convento para freiras.

Em tempos de escassez de moradias , há cada vez mais casos de arquitetos convertendo edifícios religiosos em residenciais. Exemplos disso podem ser encontrados em Berlim, Rostock, Trier, Colônia e Wuppertal.

Um dos primeiros grandes complexos desse tipo é o Lukas-K-Haus, em Essen. A Igreja Evangélica de São Lucas, construída em 1961, foi desconsagrada em 2008 e convertida em apartamentos entre 2012 e 2013. No fundo da escadaria, agora há duas placas: "pedra fundamental 1959" e "pedra fundamental 2012". As janelas com mosaicos abstratos ainda são originais da igreja.

Alexandra Schröder mora na antiga igreja desde que ela foi ressignificada. "Ninguém imaginaria que eu estaria morando acima de um altar", diz ela. Para sua família, foi uma questão prática, pois o apartamento tinha vários quartos e havia boas escolas nas proximidades. Esse foi o fator decisivo.

No andar de baixo, há um consultório de fisioterapia. A diretora Jessica Günther explica que encontrou o prédio da igreja reformada por acaso, enquanto procurava um novo local. Ela diz que o edifício tem uma "sensação agradável e tranquila", boa para se trabalhar. Ela sabe que os degraus dentro de seu consultório antes levavam ao altar, mas busca não se apegar às marcas do passado.

Um de seus pacientes enxerga uma continuidade. É um ato de fé "ajudar pessoas necessitadas", defende Stefan Hebenstreit à DW. Mesmo que os prédios não sejam mais igrejas, usá-los como creche ou clínica de fisioterapia é "muito prático", diz calmamente o paciente, um cristão praticante que sofreu vários AVCs.

Falta o som dos sinos

Para ouvir uma palavra levemente crítica, é preciso encontrar pessoas nas ruas ao redor que moraram por décadas perto da Igreja de São Lucas. Uma sente falta do som dos sinos. Outra lamenta que os relógios da torre da igreja – o prédio ainda está de pé – tenham parado para sempre.

As duas principais Igrejas na Alemanha têm comissões oficiais e documentos sobre a reutilização dos espaços. Pesquisadores também se preocupam com a questão. E ouvir os moradores pode ser um bom norte sobre os rumos que o prédio pode tomar.

O historiador de arte Klaus-Martin Bresgott, do escritório cultural da EKD, e um grupo de estudantes de arquitetura investigaram a importância que as antigas instalações eclesiásticas podem ter para um bairro e uma área residencial, usando o exemplo de uma grande igreja em Berlim.

Os fiéis protestantes não precisam mais da enorme Igreja de Santo Estêvão, no bairro berlinense de Wedding. O edifício, construído entre 1902 e 1904, sempre foi grande demais, na verdade. Mas, naquela época, as pessoas gostavam de construir grandes edifícios. Hoje, a igreja está fechada e precisa de tantas reformas que não é mais permitido entrar nela, mesmo usando capacete.

Bresgott e os alunos decidiram primeiro entrevistar pessoas do bairro, que tem a reputação de ser uma área com problemas sociais. Uma coisa é clara: a região carece de espaços públicos, oportunidades para se reunir, praticar esportes ou participar de atividades culturais ou comunitárias.

Os tempos sempre mudam e, às vezes, as igrejas são consideradas mais importantes. Outras vezes, elas são irrelevantes, diz Bresgott à DW.

"Sabemos que, durante as guerras napoleônicas, as igrejas serviram como estábulos para cavalos por décadas. Mas elas permaneceram de pé."

Para ele, a Igreja de Santo Estêvão é um exemplo perfeito de como uma igreja que era grande demais inicialmente ainda pode servir à sociedade. "Não devemos entrar em pânico imediatamente e dizer: fechem, desistam", adverte.

Short teaser Desde 2000, quase mil igrejas católicas e evangélicas foram fechadas no país, e espaços estão sendo reaproveitados.
Author Axel Rowohlt, Christoph Strack
Item URL https://www.dw.com/pt-br/alemanha-quando-igrejas-viram-hotéis-moradias-e-até-lojas/a-75345504?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Item 18
Id 75345817
Date 2025-12-31
Title Merz diz que Berlim é alvo de espionagem e sabotagem russas
Short title Merz diz que Berlim é alvo de espionagem e sabotagem russas
Teaser

Merz afirmou que protecionismo torna "cada vez mais difícil para as empresas alemãs competirem internacionalmente"

Em seu primeiro pronunciamento de Ano Novo como chanceler federal alemão, Friedrich Merz acusa Rússia de ter "plano contra a Europa" e pede otimismo aos eleitores, anunciando "importantes reformas" e 2026 de "recomeço".O chanceler federal alemão, Friedrich Merz , considera o ataque russo à Ucrânia apenas "parte de um plano dirigido contra toda a Europa" e acrescentou que o conflito "é uma guerra que também ameaça diretamente nossa liberdade e nossa segurança". A afirmação foi feita em seu primeiro pronunciamento de Ano Novo como chefe de governo alemão, em discurso agendado para ser transmitido na televisão nesta quarta-feira (31/12). "Diariamente, também a Alemanha vem sendo tomada por sabotagem, espionagem e ataques cibernéticos", ressaltou, afirmando que, ao mesmo tempo, a Rússia continua seus ataques à Ucrânia com ferocidade implacável. "Os ucranianos e ucranianas celebrarão o Ano Novo nas circunstâncias mais adversas pelo quarto ano consecutivo – muitos deles sem eletricidade, sob uma chuva de foguetes e temendo por seus amigos e familiares." "Parceria com EUA está mudando" "Ao mesmo tempo, nossa parceria com os Estados Unidos, que por muito tempo foi a garantia confiável de nossa segurança, está mudando", observou Merz, referindo-se às políticas do presidente americano, Donald Trump . "Para nós, europeus, isso significa: devemos defender e afirmar nossos interesses com muito mais força por conta própria." Em relação à política interna, Merz abordou principalmente a necessidade de reformas econômicas e sociais. Ele argumentou que um "acúmulo de reformas internas" está sufocando o potencial das empresas alemãs, inclusive nos mercados de exportação. Com o envelhecimento da sociedade e a aposentadoria da geração baby boomer, ele afirmou que, até 2026, será crucial "criar um novo equilíbrio em nossos sistemas de seguridade social que concilie de forma justa as necessidades de todas as gerações". O chanceler federal alemão afirmou: "No próximo ano, teremos que implementar reformas fundamentais para garantir a viabilidade financeira a longo prazo dos nossos sistemas de segurança social." "Não somos peões de superpotências" Apesar das inúmeras tensões internacionais, ele pediu otimismo aos alemães, ressaltando que devem ser tomadas importantes decisões para reformas no próximo ano. Assim, 2026 poderá, segundo ele, "se tornar um momento de recomeço". Merz reconheceu que muitos disseram que as reformas já realizadas por seu governo ainda são pouco e que ainda não tinham sentido os efeitos. Mas ele afirmou: "A Alemanha colherá os frutos das reformas, mesmo que leve algum tempo." E acrescentou: "Está nas nossas mãos superar cada um destes desafios por nós próprios. Não somos vítimas de circunstâncias externas. Não somos peões de superpotências." Para o governante alemão, 2026 "pode ser um ano em que a Alemanha e a Europa, com força renovada, consolidem décadas de paz, liberdade e prosperidade." Segundo ele, os processos democráticos são, por vezes, lentos e contenciosos, "mas esta é a única forma de alcançarmos resultados que contem com o apoio da grande maioria do nosso país." Retorno ao protecionismo na economia global Na economia global, há, segundo Merz, "um retorno ao protecionismo". A "dependência estratégica da Alemanha em relação às matérias-primas está sendo cada vez mais usada como ferramenta política contra nossos interesses", alertou o líder alemão. Tudo isso tem "um grande impacto em nossa prosperidade". Ele lembrou que a Alemanha, como nação exportadora, está sendo particularmente afetada, e está se tornando "cada vez mais difícil para as empresas alemãs competirem internacionalmente". Em relação à política europeia, Merz afirmou que o governo alemão está empenhado em garantir que "nossa comunidade de 27 Estados-membros se una ainda mais". No entanto, ele enfatizou ser importante que a UE "se reoriente para suas tarefas essenciais: liberdade, segurança e prosperidade". Só assim poderemos, diz ele, "contribuir em conjunto para o combate às alterações climáticas". Ao mesmo tempo, Merz disse que "promover a competitividade deve estar no topo da lista de prioridades políticas". Desde 1952, é tradição o chanceler federal alemão se dirigir à nação em um discurso de Ano Novo transmitido pela TV em horário nobre. md/le (AFP, DPA)


Short teaser Em pronunciamento de Ano Novo, Friedrich Merz acusa Rússia de ter "plano contra a Europa" e pede otimismo aos eleitores.
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Image caption Merz afirmou que protecionismo torna "cada vez mais difícil para as empresas alemãs competirem internacionalmente"
Image source Kay Nietfeld/REUTERS
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Item 19
Id 75344823
Date 2025-12-31
Title Os fatores que impedem milhões de brasileiros de usar o Pix
Short title Os fatores que impedem milhões de brasileiros de usar o Pix
Teaser Após cinco anos, implementação da ferramenta pelo Banco Central foi bem-sucedida, mas ainda exclui quase um quarto dos brasileiros – sobretudo os mais pobres, idosos, moradores rurais e pessoas com menos escolaridade.

Ao ouvir a pergunta "aceita Pix ?", o jardineiro Mario Ramalho responde que não trabalha com a ferramenta e dá duas opções aos clientes: pagar o valor do serviço em espécie ou depositar na conta de uma vizinha dele. Como é raro que tenham dinheiro vivo, a preferência é pela segunda modalidade. O que era para ser um pagamento instantâneo, se torna um processo mais demorado. "Pego o dinheiro com ela no dia seguinte", explica. "Meu celular é dos antigos, só serve para ligar".

Assim como Ramalho, 23,6% dos brasileiros ainda estão à margem do Pix, apesar do esforço do Banco Central (BC) para a modernização dos meios de pagamento. A funcionalidade, lançada em 2020, completou cinco anos em novembro. De acordo com uma pesquisa publicada pelo próprio BC no ano passado, a adesão na época já era de 76,4%. O objetivo da instituição é oferecer uma forma de transferência bancária gratuita, digital e instantânea – mas a facilidade ainda não chega a todos. Problemas como acesso à internet e a smartphones, além de dificuldades para usar a ferramenta são alguns dos motivos que afastam quase um quarto dos brasileiros do Pix.

Para a pesquisadora em Infraestruturas Públicas Digitais do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) Viviane Fernandes, o Pix é uma política bem-sucedida do BC, mas que precisa ser ampliada para abranger os cidadãos que ainda estão excluídos desta solução.

"É impressionante o que o Pix conseguiu fazer em termos de inclusão financeira, mas precisamos prezar pela qualidade dessa inclusão, cujo limite é quem tem como acessar o Pix. Quem tem as ferramentas e o conhecimento para isso?", indaga.

Quem são os excluídos

A pesquisa do Idec "Desafios do Pix e Gov.br: soberania, segurança e inclusão das IPDs brasileiras" elenca os grupos excluídos pela ferramenta: pessoas com pouca escolaridade, indivíduos de baixa renda, habitantes de áreas rurais ou remotas, indivíduos sem acesso à internet e pessoas com deficiência. "Esses perfis estão mais suscetíveis a enfrentar barreiras – cognitivas, técnicas, estruturais e culturais – que dificultam a adesão a meios de pagamento digitais", diz o documento.

Dados do Banco Central apontam que a adesão ao Pix é maior entre os mais jovens: 91,2% dos adultos entre 25 e 34 anos usam a ferramenta, enquanto entre os acima de 60 essa proporção cai para 43,9%. A adesão ao Pix também é maior entre os indivíduos de mais alta renda (91,7% dos que ganham acima de 10 salários mínimos, frente a 67,8% dos que ganham até dois).

No entanto, são os mais pobres que usam o Pix com mais frequência para transferir valores baixos. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou que um dos motivos é que nas regiões de alta renda e maios escolaridade há mais oferta de outros meios de pagamento, como cartão de crédito, mais usado por esse público, para, por exemplo, acumular milhas.

Há ainda aqueles que têm Pix, mas não sabem lidar com a ferramenta sozinhos. É o caso da empresária Antonia Gonçalves, de 76 anos, moradora do Incra 7, área rural do Distrito Federal. Quando ela precisa fazer pagamentos com o Pix, sempre pede ajuda a um dos cinco filhos

"Todo mês tenho que pagar o plano de saúde e os funcionários, peço para minha filha agendar, porque abrir o Pix e colocar a chave, eu não sei fazer", conta. "Se não for assim, não pago. Meus filhos dão o passo a passo para usar o aplicativo, assim eu consigo". Outro problema é que, por vezes, ela chega a ficar até três dias sem sinal de internet. "Tenho que pegar o carro, porque não passa ônibus, e dirigir por dois quilômetros até a estrada principal para captar o sinal de internet do mercado".

Conectividade e escolaridade

Para o coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), Lauro Gonzalez, a exclusão do Pix "esbarra fatalmente nas questões de exclusão digital". Ele afirma que essa marginalização "acaba sendo pior para os recortes populacionais mais vulneráveis dentre os vulneráveis". Por isso, afirma que apesar da alta adesão ao Pix é preciso enfrentar a exclusão digital para completar o que chamou de "inclusão da última milha".

Um dos aspectos dessa exclusão é a conectividade, ou seja, a conexão à internet e o acesso a smartphones. A pesquisa TIC Domicílios de 2025, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, apontou que 15% dos brasileiros não usam a internet. Além disso, entre os usuários, a taxa de acesso entre a classe A é de 99%, enquanto nas D e E, é de 73%. Para 39% dos internautas, o pacote de dados do celular terminou em algum momento nos últimos três meses. Pelo estudo da FGV, nos municípios de menor conectividade, a adesão ao Pix é mais baixa.

"Estamos falando fundamentalmente da população de baixa renda, por isso a qualidade da conexão é um problema. Outro, são os preços dos pacotes de dados. E o terceiro tem a ver com a qualidade dos aparelhos", diz Gonzalez.

De acordo com o levantamento de junho do ano passado da consultoria Fiserv, 12% dos que não usam o Pix não o fazem porque a rede de internet é instável. E 21% se sentem excluídos e ultrapassados por não usarem a ferramenta.

O nível de escolaridade também está associada ao uso do Pix, uma vez que ele exige conhecimento de tecnologias digitais. Dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) de 2024 demonstram que 29% de jovens e adultos de 15 a 64 anos são analfabetos funcionais. Desses, 71% obtiveram um baixo desempenho no contexto digital, medido pelo indicador. Já entre os que têm nível de alfabetização elementar, a destreza digital foi média para 46% deles. Para quem tinha alto nível de alfabetização, o traquejo digital alto foi detectado em 68% desse público. Esses fatores também podem ser um impeditivo no uso do Pix.

Mais inclusão é possível?

Os especialistas ouvidos pela DW consideram que o uso do Pix pode ser universalizado no país com a inclusão desses indivíduos que estão à margem do sistema financeiro. Para tanto, é preciso transpor as barreiras à inclusão digital. Já no caso de acesso a smartphones que suportem os aplicativos do banco, a situação é mais difícil de resolver.

"Com a modernização do sistema, diminuiu o uso do dinheiro, e as agências bancárias físicas foram reduzidas. Assim, aumentou a vulnerabilidade de grupos como idosos, por exemplo", afirma Viviane Fernandes, do Idec.

Por isso, ela argumenta que alternativas de inclusão devem focar no desenvolvimento de interfaces mais intuitivas para os aplicativos, de modo que considerem os vários graus de habilidade digital dos usuários. Um canal de suporte para a população, como atendimento presencial ou por telefone também são possibilidades.

Outra possível solução seria o Pix Offline, que pretende permitir as transações sem conexão à internet. "Isso já estava na agenda evolutiva do Banco Central desde 2023, mas na última reunião plenária do BC de 4 de dezembro, o Pix Offline não tinha sido desenvolvido e foi adiado para 2027", relatou Fernandes.

Enquanto isso não se torna realidade, Antonia Gonçalves tenta se virar. "Estou fazendo curso de informática há um mês, agora já sei até mandar a localização pelo WhatsApp. Não posso ficar para trás, temos que caminhar para frente".

Short teaser Após cinco anos, ferramenta ainda exclui quase um quarto dos brasileiros – como os mais pobres e com menos escolaridade.
Author Jéssica Moura
Item URL https://www.dw.com/pt-br/os-fatores-que-impedem-milhões-de-brasileiros-de-usar-o-pix/a-75344823?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Item 20
Id 75346555
Date 2025-12-30
Title Bulgária adota o euro: marco histórico e desafios à vista
Short title Bulgária adota o euro: marco histórico e desafios à vista
Teaser País do Leste Europeu está prestes a trocar sua moeda nacional, o lev, pelo euro. Mas, embora a economia da Bulgária tenha melhorado, má gestão e corrupção continuam sendo graves problemas.

Em 1º de janeiro de 2026, a Bulgária vai se tornar o 21º Estado-membro da zona do euro . A adesão à moeda é um marco importante para o país do Leste Europeu, que entrou para a União Europeia em 2007.

Com isso, restam apenas seis dos 27 países da UE fora do clube monetário: Suécia, Polônia, República Tcheca, Hungria, Romênia e Dinamarca.

O euro é "não apenas uma moeda, mas uma escolha estratégica" que fortalece a posição da Bulgária na Europa, disse o primeiro-ministro búlgaro, Rosen Zhelyazkov, em uma conferência em Sófia, em novembro.

No mesmo evento, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, disse que a adoção do euro "fortalece as bases econômicas da Bulgária, aumenta sua resiliência contra choques globais e amplifica sua voz na tomada de decisões da zona do euro".

Mas nem todos estão otimistas com a entrada do país balcânico na zona do euro.

"Os defensores apontam que, ao ingressar ao 'clube dos ricos', o país será beneficiado e alcançará um progresso significativo", disse Rossitsa Rangelova, professora do Instituto de Pesquisa Econômica da Academia Búlgara de Ciências, à DW.

"As coisas são apresentadas como se a Bulgária fosse aumentar automaticamente seu padrão de vida e prosperidade, mas isso não se justifica, dada a necessidade de reformas obrigatórias e por muito adiadas, sem as quais nosso país não se tornará um participante igualitário", acrescentou ela.

Como está o desempenho da economia da Bulgária

A moeda nacional da Bulgária, o lev, está atrelada ao euro desde a introdução deste último, em 1999.

Sófia iniciou formalmente o processo de adesão ao bloco monetário em 2018, e o lev foi então incluído no Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio em julho de 2020.

A Comissão Europeia e os ministros das Finanças da zona do euro aprovaram no início deste ano a candidatura do país à adesão à moeda.

Tornar-se membro da zona do euro demonstra como a economia búlgara melhorou na última década. Os indicadores macroeconômicos permanecem estáveis, com a inflação agora oscilando em torno de 2,8%, ante cerca de 13% em 2022.

O déficit orçamentário e os níveis de dívida são baixos — cerca de 3% e 24%, respectivamente —, em conformidade com as regras da UE que exigem que os Estados-membros mantenham seus déficits dentro de 3% da produção econômica e sua dívida pública total dentro de 60% do Produto Interno Bruto (PIB).

As perspectivas de crescimento também parecem positivas. A UE estima que o PIB real do país cresça cerca de 3% este ano, 2,7% em 2026 e 2,1% em 2027.

Recuperando o atraso

"O desempenho macroeconômico da Bulgária tem sido estável nas últimas décadas, embora seu crescimento econômico e recuperação tenham sido abaixo do ideal", disse à DW Guntram Wolff, especialista em política fiscal da zona euro do think tank econômico europeu Bruegel.

Norbert Beckmann, chefe do escritório da Fundação Konrad Adenauer na Bulgária, partilhou uma opinião semelhante.

O país cumpre todos os critérios de convergência para aderir à zona do euro, afirmou, salientando que a nação tem uma das menores relações dívida/PIB da Europa.

"No entanto, a economia búlgara ainda tem muito a fazer em termos de estrutura e desempenho. O nível de renda na Bulgária também é apenas 59% da média da UE."

Mas os especialistas alertam para o risco de o governo búlgaro afrouxar as restrições orçamentárias e gastar em excesso após a adoção do euro.

"O principal risco é que, após a adesão ao euro, a restrição orçamentária possa ser vista como menos vinculativa pelo sistema político e os déficits possam aumentar", disse Wolff. "Mas, dados os baixos níveis de endividamento, não acho que esse risco seja significativo."

Beckmann também ressaltou a necessidade de evitar distorções no mercado.

"É importante que os rendimentos reflitam sempre a capacidade da economia e que as pessoas não vivam acima das suas possibilidades. Se os rendimentos se desvincularem e forem artificialmente inflacionados por empréstimos, isso pode levar a distorções, como vimos na Grécia", disse à DW.

Turbulência política representa riscos

Ao mesmo tempo, a instabilidade política representa um grave desafio. A raiva e a frustração da população têm sido elevadas nos últimos meses devido à má gestão econômica e à corrupção desenfreada.

A Bulgária — um dos Estados mais pobres da UE — está entre os países mais corruptos do bloco, de acordo com o Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional.

O país balcânico de 6,4 milhões de habitantes já realizou sete eleições parlamentares desde 2021 — e pode enfrentar mais eleições nos próximos meses.

O governo do primeiro-ministro Rosen Zhelyazkov renunciou em 11 de dezembro em meio a protestos em massa contra a corrupção e os planos orçamentários, incluindo aumento de impostos e contribuições para a previdência social.

Embora o orçamento tenha sido retirado, a indignação popular persiste.

Se os esforços para formar um novo governo fracassarem, o presidente nomeará um governo interino e convocará eleições antecipadas, que seriam as oitavas em quatro anos.

E se a votação não conseguir formar uma coalizão funcional, isso poderá prolongar a turbulência política e minar a confiança dos investidores.

Opinião pública dividida

Pesquisas mostram que os búlgaros também estão divididos sobre a adoção do euro. Os defensores da moeda comum afirmam que ela impulsionará os fluxos de investimento estrangeiro no país, eliminará os custos de câmbio e levará a uma maior integração no mercado único da UE, entre outras coisas.

Os céticos, no entanto, temem um aumento da inflação, uma vez que os preços dos bens e serviços serão convertidos da moeda nacional, o lev, para o euro após a mudança monetária. Alguns também se preocupam com a perda de controle sobre a política monetária para o Banco Central Europeu em Frankfurt.

"O processo de adesão à zona do euro não beneficiará a economia da Bulgária. Ela se tornaria uma periferia da zona do euro, menos flexível e incapaz de reduzir ou eliminar seus choques por conta própria", disse Rangelova.

Ela também criticou as autoridades búlgaras por não realizarem um referendo sobre a adesão ao euro. "Para projetos tão fundamentais, o governo de qualquer país democrático leva em consideração a opinião do público", disse ela, observando que "as autoridades búlgaras rejeitaram categoricamente os referendos como forma de opinião pública ao longo dos anos e ainda encontram maneiras de ignorá-los".

Embora existam preocupações genuínas, disse Wolff, campanhas de desinformação e teorias da conspiração exacerbaram o sentimento anti-euro.

"A Bulgária é regularmente atacada por campanhas de desinformação russas, e a Rússia certamente tenta convencer o país a voltar à sua esfera de influência", observou.

"Ao aderir ao euro, a Bulgária fica mais profundamente ancorada na Europa Ocidental — o que fortalece a União Europeia. Será imperativo intensificar os esforços para combater a guerra híbrida russa, bem como intensificar a luta contra a corrupção."

Apesar das frequentes mudanças de governo nos últimos anos, Beckmann disse que "os partidos e políticos na Bulgária que querem introduzir o euro e promover a integração do país com o Ocidente sempre tiveram maioria no Parlamento".

Ele enfatizou que as posições eurocéticas "sempre foram minoritárias na Bulgária".

"Não acho que isso vá mudar no futuro", acrescentou. "Portanto, não há razão para supor que a adesão da Bulgária à zona do euro possa, de alguma forma, enfraquecer o euro."

Rangelova discorda. Ela acredita que aderir à zona do euro a qualquer custo não é um caminho para a prosperidade. "Em vez de aderir à zona do euro agora, os esforços da Bulgária deveriam se concentrar na estabilização da situação política, em uma política macroeconômica sensata, apoiada por instituições domésticas fortes e boa governança."

Short teaser Embora a economia do país do Leste Europeu tenha melhorado, má gestão e corrupção continuam sendo graves problemas.
Author Srinivas Mazumdaru
Item URL https://www.dw.com/pt-br/bulgária-adota-o-euro-marco-histórico-e-desafios-à-vista/a-75346555?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Item 21
Id 75343572
Date 2025-12-30
Title Checagem: as principais fake news que viralizaram em 2025
Short title As principais fake news que viralizaram em 2025
Teaser

Impulsionadas pela IA, campanhas de desinformação borraram a linha entre realidade e ficção em uma escala sem precedentes

De coelhinhos num pula-pula até "Hitler comunista", passando pela suposta taxação do Pix: relembre as notícias falsas que mais deram o que falar no ano que chega ao fim.O ano de 2025 marcou um ponto de virada na evolução das campanhas de desinformação. Com o avanço da inteligência artificial (IA), a indústria das fake news ganhou novo impulso, alavancando ainda mais posts e vídeos curtos com conteúdo falso, que foram visualizados e compartilhados milhões de vezes. Algumas dessas falsificações tinham puro caráter de entretenimento. Outras, no entanto, foram criadas com o claro objetivo de manipular opiniões, como mentiras em torno da guerra da Rússia na Ucrânia ou até sobre o presidente francês, Emmanuel Macron. Impulsionadas por IA generativa, deepfake e estratégias de segmentação nas redes sociais, essas campanhas de desinformação borraram a linha entre realidade e ficção em uma escala sem precedentes. De vídeos sintéticos buscando influenciar o comportamento do eleitorado a narrativas falsas que alimentam tensões geopolíticas, a desinformação em 2025 acelerou de forma inédita – a ponto de hoje representar uma ameaça sistêmica aos processos democráticos e à confiança pública. Ao longo do ano, a equipe de checagem da DW publicou uma série de verificações de fatos, desmistificando diversas narrativas falsas e enganosas que moldavam debates sobre política, saúde, clima, tecnologia, esportes e história. Confira abaixo algumas histórias que dominaram o cenário da desinformação em 2025. Política: desinformação influenciando eleições Alegações falsas sobre eleições e campanhas de desinformação com o objetivo de influenciar os eleitores proliferaram pelo mundo, sobretudo no Brasil e na Moldávia. Na arena política mundial, um dos principais alvos de desinformação em 2025 foi o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski. Desde falsas alegações do presidente dos EUA, Donald Trump, em fevereiro, de que Zelenski havia perdido o apoio popular, até críticas contra o ucraniano durante sua visita à Casa Branca, em março, levaram a uma nova onda de desinformação sobre a guerra na Ucrânia. Nos Estados Unidos, o então recém-eleito prefeito da cidade de Nova York, Zohran Mamdani, também foi alvo de fake news. Menos de uma semana após sua vitória, circulavam na rede vídeos falsos de bandeiras americanas sendo substituídas por palestinas e de multidões de muçulmanos na Time Square. Em ambos os casos, os vídeos eram de datas anteriores à eleição e não tinham relação alguma com Mamdani. Mitos sobre saúde e clima A verificação de fatos da DW constatou que a desinformação sobre saúde ia de afirmações bizarras como "uso de protetor solar aumenta o risco de câncer de pele" e "comer certos alimentos durante a gravidez deixa a pele do bebê mais clara" até afirmações mais perigosas como "uma dieta saudável pode curar o câncer de mama". No Paquistão, boatos durante a campanha de vacinação contra o HPV diziam que os imunizantes causavam infertilidade e deficiências, geraram hesitação e até ameaças contra profissionais de saúde. No âmbito do clima, negacionistas continuaram distorcendo pesquisas em 2025. Em março, foram divulgadas imagens de satélite mostrando um crescimento das geleiras na Antártida. Isso foi suficiente para gerar rumores de que "o aquecimento global acabou" ou mesmo de que seria uma farsa completa. Mas a realidade é muito mais complexa: especialistas consultados pela DW explicam o aumento como flutuações naturais do fenômeno, sem necessariamente refletir uma tendência. O recorte, em suma, é muito curto. Tecnologia, esportes e história – indústria da desinformação não poupa nada Em 2025, cada vez mais pessoas recorreram à IA para obter respostas. Segundo o relatório Generative AI and News 2025, do Instituto Reuters, o uso semanal de sistemas de IA generativa, como o ChatGPT, e o consumo de notícias por meio de IA generativa praticamente dobraram. Ferramentas de verificação de fatos por IA também ganharam popularidade – mas ainda erram com frequência. Um estudo recente aponta que elas muitas vezes pecam no fornecimento de informações precisas e baseadas em fatos. Mas não foi apenas a tecnologia que impulsionou a desinformação em 2025. Tópicos controversos que despertam emoções também se tornaram um terreno fértil para narrativas falsas que se espalham rapidamente nas redes sociais. Um deles foi o debate sobre mulheres transgênero no esporte, que se intensificou depois que Trump assinou um decreto proibindo atletas trans nas competições femininas. A DW analisou estudos e conversou com especialistas: mulheres trans têm realmente uma vantagem injusta no esporte? Outra polêmica girou em torno da vitória-relâmpago de Imane Khelif, boxeadora argelina e mulher cisgênero, que também foi alvo de uma série de falsas alegações de que seria uma atleta trans. Temas históricos também foram usados ​​para disseminar narrativas falsas ao longo do ano. Em fevereiro, circularam informações incorretas sobre o número de mortos nos bombardeios aliados a Dresden, em 1945. No último ano da Segunda Guerra Mundial, esquadrões britânicos e americanos realizaram ataques aéreos devastadores à cidade alemã. Estudos apontam até 25 mil vítimas entre 13 e 15 de fevereiro. Hoje, porém, alguns usuários divulgam números dez vezes maiores, sem qualquer base histórica. Anteriormente, Alice Weidel, então candidata à chanceleria alemã pelo partido populista de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), afirmou falsamente que Hitler "era comunista", e não "de direita", durante uma conversa ao vivo com o magnata Elon Musk. Historiadores discordam veementemente, conforme mostrou a DW. Vídeos falsos que viralizaram em 2025 De vídeos virais a imagens geradas por IA, tivemos mais um ano marcado por uma profusão de mentiras na internet. Um deles foi o momento capturado em um telão durante um show do Coldplay, reacendendo a teoria de que a série americana Os Simpsons prevê eventos globais. Spoiler: não é verdade. Em maio, imagens manipuladas por IA do jovem sírio Muhammad al-Muhammad, que ajudou a impedir um ataque a faca em Hamburgo, inundaram as redes sociais, colocando em dúvida sua participação no ato. E quanto a um vídeo histórico de Jerusalém, datado de 1897 e a cores, que também viralizou nas redes? Para a surpresa de muitos, real – salvo as cores, que foram adicionadas posteriormente. E não, os mercados de Natal na Alemanha não foram cancelados em 2025 – e nem "invadidos" por muçulmanos. Tudo isso foi fake. Brasil: de fake news nacionais a "importadas" Logo no início do ano, um assunto dominou as manchetes do país inteiro: haveria mudanças nas regras do Pix. Basicamente, a portaria buscava ampliar o monitoramento de transações acima de R$ 5 mil por mês feitas via bancos digitais, fintechs e instituições de pagamento. Mas uma onda de desinformação, que envolveu até um vídeo produzido por IA simulando a imagem e a voz de Haddad, levava os usuários a acreditarem que haveria um novo imposto para enviar dinheiro de forma digital. O impacto foi tamanho que comerciantes passaram a recusar transações digitais, ou mesmo a cobrar mais por elas. Segundo o Banco Central, o volume de transferências por Pix chegou a cair 15,3% nas duas primeiras semanas de janeiro, em comparação com o mesmo período de dezembro. Por fim, o governo se viu forçado a revogar a regra. Outra notícia falsa que teve origem nos EUA também encontrou eco no Brasil: a ideia de que o paracetamol causa autismo. Pesquisadores, no entanto, rebatem a alegação e afirmam não haver evidências suficientes que estabeleçam uma relação entre o medicamento e o transtorno. Também um vídeo que mostrava um menino rezando num elevador deu o que falar, até ser revelado que não passava de mais um fake. Mais recentemente, às vésperas da COP30, em Belém, uma nova polêmica tomou conta da esfera conservadora nas redes sociais: compartilhando uma notícia veiculada pela rede americana Fox News, Trump afirmou que a Floresta Amazônica foi desmatada para a construção de uma rodovia que serviria ao megaevento da ONU. Entretanto, a DW checou se a COP30 de fato foi a causa da obra e responsável pelo desmatamento da Floresta Amazônica em Belém. A afirmação é enganosa, uma vez que tenta simplificar o que, na verdade, é um caso complexo antigo no debate sobre a infraestrutura da região. Colaboração é chave no combate à desinformação Em 2025, grandes parcerias ajudaram a fortalecer a checagem de fatos. A DW uniu forças com a rede de checagem de fatos da emissora pública alemã ARD e com a Spotlight Network da União Europeia de Radiodifusão (EBU) para enfrentar boatos ligados às eleições e expor campanhas coordenadas – desde operações de influência russa até narrativas enganosas sobre Gaza. No início do ano, a equipe de checagem da DW publicou diversas verificações de fatos sobre desinformação antes e durante as eleições na Alemanha, em parceria com os verificadores de fatos da ARD Faktenfinder e da BR24 #Faktenfuchs. Um dos casos analisou como Elon Musk tentou influenciar o pleito alemão espalhando informações falsas e enganosas em sua plataforma X. Outra investigação, conduzida com a EBU, revelou que Israel estava utilizando sua agência de publicidade governamental para executar campanhas pagas internacionais, com o objetivo de moldar a opinião pública em partes da Europa e da América do Norte. A ascensão dos deepfakes em 2025 Conteúdos gerados por inteligência artificial explodiram – fáceis de criar, difíceis de detectar. De vídeos falsos a imagens fabricadas, nunca foi tão desafiador saber o que é real e o que é fake. De exemplos aparentemente inofensivos de coelhos pulando animadamente em um pula-pula até noticiários gerados por IA, a nova tecnologia parece ter mudado o jogo. A IA pode ajudar a detectar notícias falsas? Depois que a Meta encerrou a verificação de fatos no Facebook e no Instagram nos EUA, muitos usuários recorreram a chatbots como o Grok para verificar conteúdos virais no X. "Ei, @Grok, isso é verdade?" era uma das perguntas mais populares feitas na plataforma. Apesar de recursos como notas comunitárias e ferramentas de IA, erros ainda persistem. Um exemplo foi uma foto atual de Gaza, que o Grok identificou incorretamente como uma imagem antiga do Iraque, alimentando desinformação. Conclusão: uma checagem de fatos confiável requer um olhar humano. Quer se preparar para 2026? Quer aprender a identificar notícias falsas? Confira o nosso tutorial.


Short teaser De suposta taxação do Pix até "Hitler comunista": relembre os engodos que mais deram o que falar no ano que termina.
Author Rachel Baig, Isadora Pamplona
Item URL https://www.dw.com/pt-br/checagem-as-principais-fake-news-que-viralizaram-em-2025/a-75343572?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
Image URL (940 x 411) https://static.dw.com/image/56814149_354.jpg
Image caption Impulsionadas pela IA, campanhas de desinformação borraram a linha entre realidade e ficção em uma escala sem precedentes
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Item 22
Id 75334200
Date 2025-12-30
Title TDAH em adultos: o que explica a alta de casos pelo mundo?
Short title TDAH em adultos: o que explica a alta de casos?
Teaser Cada vez mais pessoas são diagnosticadas na idade adulta com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Como é feito o diagnóstico e o que está por trás desse aumento?

Nos tempos de escola, Mara (nome fictício) não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. "Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular."

Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a ser formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: "Ok, tem algo errado aqui."

O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. "Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos", diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.

Mara enfim entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. "Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar."

Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta.

TDAH em adultos: os números estão aumentando?

Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.

Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.

A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas.

Parece muito, mas como interpretar esses dados?

"Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos", afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. "Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então."

Mito como doença da infância

Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.

Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. "Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão", explica Matthies.

Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis ​​às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.

Como é o diagnóstico em adultos?

O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.

"Isso não é fácil em retrospectiva", diz Matthies. "Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?" Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar.

Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.

Por que diagnósticos estão aumentando?

Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.

Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico.

Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.

Redes sociais: informação ou excesso de diagnósticos?

As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico.

Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. "Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado", alerta.

O que muda – e o que não muda – com o diagnóstico

Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais. "É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído."

Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. "Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado."

Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. "Não gostaria de perder isso", diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.

"Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme", diz Swantje Matthies. "Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio." Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.

Como tornar sociedade mais inclusiva para quem tem TDAH?

O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. "Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas." Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.

Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. "Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis", diz ela. "Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH."

Short teaser Cada vez mais pessoas são diagnosticadas quando adultos com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Por quê?
Author Hannah Fuchs
Item URL https://www.dw.com/pt-br/tdah-em-adultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a-75334200?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
RSS Player single video URL https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=TDAH%20em%20adultos%3A%20o%20que%20explica%20a%20alta%20de%20casos%20pelo%20mundo%3F

Item 23
Id 67883962
Date 2025-12-30
Title Metas para 2026? Veja seis dicas de como cumpri-las
Short title Metas para 2026? Veja seis dicas de como cumpri-las
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Resoluções têm mais chances de serem cumpridas quando trazem diversão

Parar de fumar, fazer mais exercícios, alimentar-se de maneira saudável. Todos os anos traçamos grandes planos – e, muitas vezes, fracassamos miseravelmente. Mas isso pode mudar!Ideias para começar bem 2026 não faltam: emagrecer, beber menos, meditar mais e assim por diante. Mas espere um momento! As resoluções do ano passado e do retrasado (e dos anos anteriores a eles) não são curiosamente semelhantes às novas? Exatamente. Elas são, aliás, provavelmente iguais. Não é de se admirar! O entusiasmo com que iniciamos cada novo ano é semelhante aos fogos de artifício no réveillon: após um grande estrondo e luzes fortes, tudo vira pó. Nossa preguiça interior toma as rédeas e tudo se repete, ano após ano. Mas isso não precisa ser assim. Basta manter algumas coisas em mente para fazer de 2026 um ano realmente bom. 1. Uma coisa de cada vez "O maior erro que se pode cometer é prometer muitas coisas ao mesmo tempo", diz o psicólogo esportivo e trabalhista Mario Schuster. Quem deseja não apenas parar de fumar, mas também cortar os doces da dieta e finalmente começar a correr, com certeza ficará sobrecarregado. "Para quebrar velhos hábitos, precisamos de força de vontade", explica Schuster. Isso, porém, não é algo que costumamos ter em abundância. Perseguir vários objetivos ao mesmo tempo também obriga nossa força de vontade a trabalhar em diversos frontes – levando a um rápido esgotamento. No final, acabamos não chegando a lugar algum. "Não há nada de errado em mudar vários hábitos", afirma o psicólogo. "O importante é que seja uma coisa de cada vez." 2. Tem que ser divertido Devemos, portanto, escolher uma resolução na qual possamos nos concentrar totalmente. Mas qual delas? Afinal, elas são todas razoáveis e sensatas. A resposta parece simples: "Tem que ser divertido. Precisamos de uma abordagem positiva à mudança que queremos fazer", afirma Schuster. "Tenho que parar de fumar" e "Quero parar de fumar" podem diferir apenas marginalmente em termos linguísticos. De uma perspectiva psicológica, contudo, ter ou querer fazer algo é crucial para o sucesso de um projeto a longo prazo. 3. Seja realista Aqueles que em 2025 passaram a maior parte do tempo livre deitados no sofá e agora planejam em 2026 correr uma hora, quatro vezes por semana, estão estabelecendo padrões extremamente altos – provavelmente altos demais. Um sedentário convicto que passa o dia em frente à televisão pode tranquilamente ficar contente caso consiga se mexer um mínimo de duas vezes por semana, mesmo que seja por apenas meia hora. "A regularidade é mais importante do que a duração e a intensidade", explica o psicólogo esportivo Schuster. Afinal, trata-se de estabelecer o esporte como um novo hábito. Quem não se sobrecarrega logo no início, tem mais chances de se divertir (vide ponto 2) e, com isso, concretizar suas boas intenções. 4. Proclame a resolução em voz alta Digamos então que a resolução foi escolhida e tomou forma. "Agora pode ser útil compartilhá-la com algumas pessoas", diz o psicólogo, acrescentando que isso fortalece o compromisso. Uma promessa que fazemos sozinhos num cantinho silencioso é quebrada mais rapidamente do que aquela que proclamamos em voz alta. 5. Recaídas são normais – não se desespere O ano começa e as boas intenções seguem avançando conforme o plano – até que tropeçamos na primeira pedra de desmotivação. Junto com isso, bate aquela saudade do cigarro. Ou é simplesmente a força gravitacional do sofá, que nunca foi tão grande! Cedemos e fumamos – deitados. E agora? "Não se condene em hipótese alguma", alerta Schuster. Segundo o especialista, isso rapidamente ameaçaria derrubar o projeto por completo. Recaídas são sempre possíveis e talvez até prováveis. E não há nenhum mal nisso! Em vez disso, o foco deve estar nas experiências de sucesso – não importa quão pequenas elas possam parecer. Isto fortalece a nossa autoeficácia, explica Schuster. "Autoeficácia é a crença de uma pessoa de que pode fazer algo por conta própria." Qualquer pessoa que mantenha essa crença em si mesma não jogará a toalha tão rapidamente. 6. Antes resolução nenhuma do que más resoluções Mesmo as boas intenções podem ser más. Isso acontece quando a integração delas em nossas vidas exige um esforço imenso ou quando a força motriz é "eu tenho que" e não "eu quero". Se mesmo com todo o alarde terminamos fracassando, e quando nosso julgamento de nós mesmos mata completamente nossa autoeficácia, precisamos admitir que mesmo as melhores intenções não são automaticamente boas. Antes que isso aconteça, melhor começar o novo ano sem resolução nenhuma.


Short teaser Todos os anos traçamos grandes planos – e, muitas vezes, fracassamos miseravelmente. Mas isso pode mudar!
Author Julia Vergin
Item URL https://www.dw.com/pt-br/metas-para-2026-veja-seis-dicas-de-como-cumpri-las/a-67883962?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Image caption Resoluções têm mais chances de serem cumpridas quando trazem diversão
Image source Michael DeYoung/Bildagentur-online/Blend Images/picture alliance
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Item 24
Id 75332112
Date 2025-12-30
Title IA discrimina falantes de dialetos, apontam estudos
Short title IA reforça estereótipos contra falantes de dialetos
Teaser Grandes modelos de linguagem que alimentam ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, tendem a gerar piores resultados quando recebem comandos na forma de dialetos. Quais são os riscos?

Sejam como assistentes virtuais em nossos smartphones ou na forma de chatbots em sites governamentais, os grandes modelos de linguagem ("LLMs", na sigla em inglês) que alimentam ferramentas de inteligência artificial (IA) como o ChatGPT já se tornaram praticamente onipresentes na internet.

Mas cada vez mais evidências apontam para uma conclusão um tanto desconcertante: as respostas desses LLMs parecem revelar um considerável viés contra usuários falantes de dialetos.

Em 2024, pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley, testaram as respostas do ChatGPT a diversas variedades de dialetos do inglês de lugares como Índia, Irlanda e Nigéria.

Os resultados mostram que os modelos tendem a priorizar variedades "padrão" do inglês (americano ou britânico). Quando confrontados com comandos (prompts) formulados em dialetos, surgem problemas recorrentes: estereotipação (19% mais frequente), conteúdo depreciativo (25% mais), falta de compreensão (9% mais) e respostas condescendentes (15% mais).

Alguns modelos, por sua vez, sequer entendem dialetos. Em julho de 2025, um assistente de IA usado pelo Conselho Municipal de Derby, na Inglaterra, teve dificuldades para entender o dialeto de Derbyshire de uma apresentadora de rádio quando ela usou palavras como mardy (reclamar) e duck (querido) durante um telefonema feito ao vivo para testar o assistente de IA.

Outros falantes de dialetos têm sofrido impactos muito piores. À medida que cada vez mais empresas e governos lançam mão da IA em seus serviços, pesquisadores expressam preocupação. Enquanto isso, os desenvolvedores veem mais uma oportunidade: fornecer LLMs personalizados para falantes de dialetos.

"Trabalhadores rurais sem instrução"

Um novo estudo alemão apresentado na Conferência de Métodos Empíricos em Processamento de Linguagem Natural de 2025 em Suzhou, na China, analisou dez LLMs, incluindo o ChatGPT-5 mini, da OpenAI, e o Llama 3.1, da Meta. Para isso, os modelos foram alimentados com textos em diferentes variações do alemão: desde o padrão até sete outros dialetos, incluindo o bávaro, o frísio do norte e o de Colônia.

Os pesquisadores solicitaram então que os modelos descrevessem os falantes desses textos com atributos pessoais e, em seguida, classificassem-nos em diferentes cenários. Os modelos foram questionados, por exemplo, sobre quem deveria ser contratado para trabalhos que exigem pouca escolaridade ou onde acreditavam que esses falantes viviam.

Em quase todos os testes, os modelos associaram estereótipos aos falantes de dialetos. Os LLMs os descreveram como pessoas sem instrução, trabalhadores rurais e que precisavam de terapia para controlar os nervos. Esse viés aumentou ainda mais quando os LLMs foram informados de que o texto era um dialeto.

"Vemos adjetivos realmente chocantes sendo atribuídos aos falantes do dialeto", disse à DW Minh Duc Bui, da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, Alemanha, um dos coautores principais do estudo.

Viés "grave e alarmante"

Esse tipo de viés consistente contra dialetos é "grave e alarmante", disse Emma Harvey, doutoranda em ciência da informação na Universidade Cornell, nos EUA.

Em julho, ela e seus colegas publicaram uma pesquisa que mostrou que o assistente de compras com IA da Amazon, Rufus, respondia com informações vagas ou até mesmo incorretas a pessoas que escreviam em um dialeto afro-americano do inglês. E quando essas informações contêm erros de digitação, as respostas podem ficar ainda piores.

"Com o uso cada vez mais amplo dos LLMs, eles podem não apenas perpetuar, mas também amplificar preconceitos e danos já existentes", disse Harvey à DW.

Mudança de casta como sugestão de "melhoria"

Na Índia, um candidato a emprego recorreu ao ChatGPT para revisar seu inglês em uma candidatura para uma vaga. Para sua surpresa, o modelo de linguagem foi bem além, incluindo até mesmo a alteração do sobrenome do candidato para um que indicasse uma posição superior na estrutura de castas da Índia, conforme relatado pela publicação especializada MIT Technology Review em outubro de 2025.

Modelos de linguagem universais, portanto, parecem não funcionar – sugerindo que talvez seja a hora de a IA aceitar melhor os dialetos.

Um artigo publicado na revista Current Opinion in Psychology em agosto de 2024 aponta que uma IA treinada especificamente com um vocabulário dialetal pode ser percebida pelos usuários como mais calorosa, competente e autêntica.

O viés observado nos LLMs pode ser explicado pelo próprio mecanismo por trás deles: a fim de gerar um resultado para um determinado estímulo, eles precisam coletar uma grande quantidade de texto. E é justamente aqui que reside o problema: quem escreve esse texto?

"Isso significa que os LLMs que aprendem com dados da web também podem captar o que alguém escreve sobre um falante de dialeto", explica Carolin Holtermann, da Universidade de Hamburgo e coautora principal do artigo alemão.

Mas Holtermann também aponta que uma das vantagens dos LLMs é que, ao contrário de muitos falantes humanos, esses preconceitos também podem ser eliminados do sistema. "Podemos, de fato, evitar esse tipo de expressão", disse ela.

Novos LLMs personalizados para dialetos locais

Empresas de IA garantem que seus LLMs respondam da maneira que os usuários desejam e que não discriminem por gênero ou idade. Até o momento, porém, tudo indica que esse treinamento não inclui nuances, como dialetos.

A resposta pode estar em modelos de aprendizagem de línguas mais personalizados. Uma das empresas de IA envolvidas no estudo alemão, a Aya Expanse, afirmou que o modelo testado no artigo era exclusivo para pesquisa e que a empresa trabalha com clientes corporativos para personalizar seus LLMs levando em consideração fatores como dialetos.

Outras empresas de IA estão fazendo dessa personalização um diferencial de vendas. Um LLM chamado Arcee-Meraj, por exemplo, foca em diversos dialetos árabes, como o egípcio, o levantino, o magrebino e o do Golfo.

À medida que novos LLMs mais personalizados surgem, Holtermann afirma que a IA não deve ser considerada uma inimiga dos dialetos, mas sim uma ferramenta imperfeita que, assim como os humanos, pode ser aprimorada.

Short teaser Grandes modelos de linguagem como o ChatGPT tendem a gerar piores resultados quando recebem comandos contendo dialeto.
Author Fintan Burke
Item URL https://www.dw.com/pt-br/ia-discrimina-falantes-de-dialetos-apontam-estudos/a-75332112?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Item 25
Id 75335786
Date 2025-12-29
Title A Lufthansa e o papel do "big business" no Holocausto
Short title A Lufthansa e o papel de grandes empresas no Holocausto
Teaser Companhia aérea alemã é uma das muitas marcas de renome que colaboraram com o regime de Adolf Hitler. Ligação com o nazismo no passado continua sendo ignorada até com centenário da empresa.

A companhia aérea Lufthansa, uma empresa-símbolo da Alemanha, orgulha-se de sua herança aeronáutica que se estende por quase um século. Imagens das décadas de 1920 e 1930 – incluindo as aeronaves Junkers Ju 52 usadas pela Luftwaffe, a Força Aérea alemã – são destaque no marketing da empresa, aludindo ao "espírito pioneiro" da marca e ao seu lugar na história da aviação.

Mas a história do papel da Lufthansa na máquina de guerra do Terceiro Reich, que inclui o uso em larga escala de trabalhos forçados realizados por prisioneiros, permanece amplamente desconhecida. Na verdade, a Lufthansa é apenas uma das muitas empresas que colaboraram com o regime nazista.

Marcas de renome e dinastias empresariais continuam a "se esconder à vista de todos", afirma o jornalista David de Jong, autor do livro de 2022 Bilionários nazistas: a tenebrosa história das dinastias mais ricas da Alemanha.

A obra descreve como a maioria dos líderes empresariais que cooperaram com o regime de Adolf Hitler nunca foram realmente responsabilizados, ao contrário dos políticos de alto escalão e líderes militares nazistas julgados em Nurembergue após a Segunda Guerra Mundial.

O livro inclui as histórias de Günther Quandt e seu filho Herbert, patriarcas da dinastia que hoje controla a BMW, e do industrial Friedrich Flick, que foi condenado em Nurembergue por usar trabalho forçado e escravo. Após sua libertação antecipada da prisão em 1950, Flick tornou-se o maior acionista da empresa automotiva Daimler-Benz.

"Não havia incentivo por parte das autoridades da Alemanha Ocidental para julgar seus compatriotas por crimes que eles mesmos haviam cometido ou pelos quais eram responsáveis, ou por simpatias que eles tinham ou ainda têm", disse De Jong à DW. "A desnazificação é um mito em todos os níveis da sociedade alemã."

Reintegração de nazistas na sociedade

Após a derrota da Alemanha, o foco rapidamente se voltou para a emergente Guerra Fria, para o combate ao comunismo e à União Soviética. A Alemanha Ocidental era vista como um baluarte capitalista e os empresários alemães tinham permissão para manter seus bens, fossem eles legitimamente seus ou tivessem sido confiscados de empresas judaicas.

Isso não se limitava à indústria alemã, diz o historiador Peter Hayes. Ele lembra como o primeiro chanceler da Alemanha Ocidental no pós-guerra, Konrad Adenauer, exigiu o fim dos processos de desnazificação, sob o argumento de que o país precisava de funcionários públicos e profissionais experientes. Seu governo promulgou leis de anistia no início da década de 1950, reintegrando centenas de milhares de ex-nazistas à sociedade alemã, incluindo no funcionalismo público e no Judiciário.

"Eles se safavam porque isso era útil para os Aliados e para os próprios alemães", disse Hayes à DW. "Havia uma amnésia deliberada que os alemães ocidentais achavam conveniente. Isso se encaixava em uma maneira de compartimentalizar o nazismo, ou seja, 'todas as coisas ruins foram feitas por essa minoria de fanáticos, o resto de nós foi enganado, fomos ludibriados, e os verdadeiros criminosos eram as pessoas da SS e da liderança do partido'."

Em seu livro de 2025, Profits and Persecution: German Big Business in the Economy and the Holocaust ("Lucros e perseguição: as grandes empresas alemãs na economia e no Holocausto", em tradução livre) Hayes examina como grandes empresas foram cúmplices de algumas das piores atrocidades do período. Elas incluem desde o fornecimento do gás Zyklon B [usado para matar prisioneiros em câmaras de gás] pela IG Farben, cujas empresas sucessoras hoje incluem a Basf e a Bayer, até o processamento de obturações dentárias de ouro arrancadas das bocas das vítimas nos campos de concentração nazistas.

"Eles não apenas sabiam do que estavam participando, como também tentavam lucrar com isso", diz Hayes.

Lufthansa: fachada para o rearmamento nazista

A Deutsche Luft Hansa – renomeada como Lufthansa a partir de 1933 – foi fundada em 1926, quando apenas uma pequena elite podia se dar ao luxo de voar. No início da década de 1930, a empresa lutava para sobreviver. Os nazistas "salvaram a Lufthansa", segundo o historiador alemão Lutz Budrass, especialista em história da aviação alemã.

Em 1933, o líder nazista Hermann Göring nomeou o diretor da Lufthansa, Erhard Milch, para o cargo de secretário de Estado do que viria a ser o Ministério da Aviação do Reich.

Pelo Tratado de Versalhes , que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, a Alemanha estava proibida de ter uma Força Aérea. Budrass, no entanto, afirmou que, com apenas algumas poucas restrições à aviação civil, a Lufthansa se tornou uma fachada para o rearmamento nazista.

Após 1941, a Lufthansa teve um papel proeminente nas oficinas de reparo de aeronaves atrás das linhas de frente e, diferentemente de outras empresas, conseguiu contratar diretamente mão-de-obra de prisioneiros que realizavam trabalhos forçados, incluindo muitas crianças sequestradas de territórios ocupados pelos nazistas em toda a Europa.

Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, os Aliados declararam a Lufthansa como parte da Força Aérea alemã e liquidaram a empresa em 1951. A Deutsche Lufthansa, hoje a quarta maior companhia aérea do mundo em receita, foi fundada como Aktiengesellschaft für Luftverkehrsbedarf ("Sociedade Anônima para a demanda de transporte aéreo"), ou Luftag, em 1953, adquirindo os direitos sobre o nome Lufthansa e o famoso logotipo com o pássaro grou em 1954.

Mas não se tratava apenas do mesmo nome e logotipo. Seu conselho administrativo era formado pelos mesmos membros do passado não muito distante, incluindo Kurt Weigelt, que liderou o departamento econômico do Escritório de Política Colonial do Partido Nacional-Socialista.

Após a guerra, ele foi incluído em uma lista de criminosos de guerra procurados e acabou sendo condenado a dois anos de prisão e uma multa. Mas, até 1953, ele tinha se tornado o presidente do conselho de supervisão da Lufthansa e, na aposentadoria, tornou-se o único membro honorário do conselho.

"Lufthansa sempre tentou lucrar com sua história"

No final da década de 1990, a Lufthansa contratou Budrass para pesquisar o uso de trabalhos forçados pela empresa durante o período nazista. O estudo foi concluído em 2001, mas a Lufthansa só o publicou em 2016, e mesmo assim apenas como um suplemento ao final de uma história ilustrada da aérea. Em resposta, Budrass publicou seu próprio livro de 700 páginas contra a vontade da Lufthansa, Adler und Kranich: Die Lufthansa und ihre Geschichte 1926-1955 ("A águia e o grou: a história da Lufthansa 1926-1955", em tradução livre).

Em nota à DW, a empresa afirmou que não é a sucessora legal da empresa fundada em 1926, e que "a base legal da Lufthansa de hoje foi estabelecida em 1953".

A companhia aérea reconheceu que a era nacional-socialista faz parte de sua história e afirmou que "usará seu centenário como uma oportunidade para reexaminar criticamente sua responsabilidade durante a era nazista e para investigá-la mais a fundo com base em pesquisas históricas".

"A Lufthansa sempre tentou lucrar com sua longa história, mas, quando confrontada com o fato de que o nacional-socialismo faz parte dessa história, sempre diz: 'não, isso não tem nada a ver conosco'", disse Budrass à DW. "Para mim, esse sempre foi o problema da Lufthansa."

Justiça tardia e negada para vítimas de trabalhos forçados

A questão das operações da Lufthansa durante o Terceiro Reich ressurgiu na década de 1990, quando uma série de ações coletivas nos Estados Unidos, movidas por ex-trabalhadores forçados contra empresas alemãs, trouxe o assunto à atenção pública.

O governo alemão e os gigantes da indústria – incluindo Lufthansa, Kühne + Nagel e Volkswagen – finalmente cederam à pressão internacional e criaram em 2000 a chamada Fundação para a Memória, Responsabilidade e Futuro (EVZ) para fornecer indenizações.

Mas, como a maioria dos mais de 20 milhões de ex-trabalhadores forçados no Reich alemão e nos territórios ocupados já havia falecido, apenas 1,7 milhão recebeu apoio financeiro da EVZ.

Atualmente, tornou-se uma prática quase padrão das grandes empresas alemãs a contratação de historiadores para pesquisar suas relações comerciais durante o Terceiro Reich. Já adotaram essa prática empresas como Allianz, BMW, Dr. Oetker, Deutsche Bank e Volkswagen.

No entanto, segundo De Jong, esses estudos geralmente ficam fadados a acumular poeira nos arquivos das empresas e, em alguns casos, nunca são divulgados publicamente. "Como consumidor, você pode dizer que tudo está resolvido, está aqui na estante. Mas os detalhes nunca são realmente mostrados ao público", disse.

Segundo De Jong, o homem mais rico da Alemanha, Klaus-Michael Kühne, é o "principal exemplo da recusa em lidar" com o passado sombrio. Com um patrimônio estimado em 38,7 bilhões de euros (R$ 254 bilhões), Kühne é herdeiro do império global de transporte e logística Kühne + Nagel e o maior acionista individual da Lufthansa.

A Kühne + Nagel foi cofundada por seu avô, August Kühne, em 1890 e foi administrada pela família e por um sócio judeu, Adolf Maass, até 1933. Foi quando os filhos de August, ambos membros do partido nazista, assumiram o controle.

"Capítulo encerrado", diz herdeiro da Kühne + Nagel

Pesquisadores do Holocausto apontam que a Kühne + Nagel tinha um monopólio virtual no transporte de bens judaicos saqueados, principalmente móveis e obras de arte, com os quais lucrou significativamente durante o Holocausto. Maass foi assassinado em Auschwitz em 1944.

Klaus-Michael Kühne não gosta de discutir esses assuntos. "Para mim, esse capítulo está encerrado e não vou reabri-lo", disse o bilionário à revista alemã Der Spiegel em março de 2025. A controvérsia reacendeu depois que foi revelado que ele era o financiador de uma nova casa de ópera em Hamburgo, o que gerou acusações de "encobrimento" do passado sombrio da empresa.

"Os empresários sobre os quais escrevi lutaram com unhas e dentes para manter os bens e as empresas que haviam roubado e, com frequência, saíram vitoriosos", disse De Jong. "Acho que o mínimo que se pode pedir neste momento não é restituição monetária, mas sim, assumir a responsabilidade moral pela história."

Short teaser Companhia aérea alemã é uma das muitas marcas de renome que colaboraram com o regime de Adolf Hitler.
Author Helen Whittle
Item URL https://www.dw.com/pt-br/a-lufthansa-e-o-papel-do-big-business-no-holocausto/a-75335786?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Item 26
Id 75330356
Date 2025-12-29
Title Séries chinesas ganham o mundo como armas de "soft power"
Short title Séries chinesas ganham o mundo como armas de "soft power"
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Ascensão global do entretenimento chinês começou no início dos anos 2000

Depois dos k-dramas coreanos, é a vez dos c-dramas conquistarem fãs internacionalmente. Por trás das histórias de romance e fantasia vindas da China está a capacidade de influenciar disseminando a cultura do país.Com quase 30 anos, Jolene Foo se tornou fã de dramas chineses depois que se mudou de sua terra natal, a Malásia, para a Noruega. Ela havia crescido como uma "criança chinesa de terceira geração” e estava procurando uma forma de se reconectar com seu país de origem. Seus amigos recomendaram os dramas chineses, ou c-dramas, como são conhecidos. "O que realmente me atraiu foi a dimensão cultural", conta. "Como alguém que faz parte da diáspora chinesa, assistir a c-dramas se tornou uma maneira de me reconectar com minhas raízes." Em 2018, Tanvir Khan tinha acabado de terminar o ensino médio e estava navegando no Facebook, quando se deparou com um vídeo curto do drama chinês História do Palácio Yanxi. Ficou fascinado. "Não sei se consigo explicar direito, mas sabe quando você vê uma cena e algo dentro de você simplesmente se encaixa?", disse Khan, que agora está no último ano da graduação em Dhaka, em Bangladesh. "É como se sua mente dissesse 'sim, isso é exatamente o que eu queria assistir'", relata. A partir daquele momento, Khan ficou viciado. Hoje, ele administra um grupo no Facebook para fãs de c-dramas com mais de 700 mil membros de todo mundo e traduz regularmente legendas do inglês para o bengali, sua língua nativa. "Eu sei que esses são dramas de qualidade. Por isso que quero compartilhá-los com meus amigos bengalis", afirma71233866_ Khan. A ascensão global do entretenimento chinês começou no início dos anos 2000, quando a poesia das artes marciais e os visuais impressionantes do filme O Tigre e o Dragão colocaram a narrativa chinesa no mapa. Esse impulso chegou à televisão, onde os dramas evoluíram de épicos históricos para romances modernos e de fantasia. Na década de 2010, a Netflix e a Viki apresentaram esses dramas ao público global e, desde 2020, eles migraram para outros aplicativos de vídeo sob demanda (VOD). Muitos agora são transmitidos no YouTube e no Facebook com legendas em idiomas locais, tornando-os acessíveis a ainda mais pessoas ao redor do mundo. Os dramas chineses são "um pilar estrutural do cenário premium de VOD da Ásia, oferecendo engajamento sustentado do público e alcance transfronteiriço", analisa Myat Pan Phyu, da Media Partners Asia, uma empresa independente de pesquisa que acompanha a indústria de entretenimento de vídeo da Ásia-Pacífico. A demanda é forte em mercados como Taiwan e Tailândia e está crescendo rapidamente no Sudeste Asiático. Embora ainda menos populares que os dramas sul-coreanos, chamados de k-dramas , os c-dramas agora alcançam dezenas de milhões de espectadores em toda a região. "Desde 2022, os c-dramas ampliaram sua participação nas horas de VOD premium mais acentuadamente em Singapura, Taiwan e Indonésia, com ganhos moderados na Malásia e nas Filipinas", relata. O jornalista Naman Ramachandran acompanha a indústria do entretenimento na Ásia para a publicação americana Variety. Ele testemunhou a ascensão dos dramas chineses como uma potência da indústria. Mas, ultimamente, houve uma mudança. "Os dramas mais longos ainda existem e estão indo bem”, diz Ramachandran. "Porém, muitos dos players tradicionais estão agora migrando para formatos mais curtos simplesmente porque é aí que está a atenção." Grandes dramas, pequenas doses Esses novos programas mais curtos são chamados de microdramas. São séries roteirizadas ultracurtas, entregues em formato vertical otimizado para visualização em dispositivos móveis, muitas vezes com apenas alguns minutos por episódio. Os microdramas explodiram em popularidade nos aplicativos de streaming, oferecendo histórias curtas e dinâmicas sobre romance, conflitos familiares, desafios no trabalho, tramas de vingança e estilos de vida aspiracionais. "A narrativa e os enredos, tudo é intensificado", explica Ramachandran. "Não há espaço para pausa ou respiro, já que tudo precisa acontecer nesses dois minutos. Isso prende você." Um relatório recente da Media Partners Asia prevê que, globalmente, os microdramas alcançarão uma receita anual de 9 bilhões de dólares (mais de R$ 50 bilhões) até 2030 fora da China, ante 1,4 bilhão de dólares em 2024. Um dos principais players na produção de microdramas é o COL Group, empresa de conteúdo digital com sede em Pequim, responsável por dois dos aplicativos mais populares para microdramas: ReelShort e FlareFlow. A empresa começou a focar em conteúdo curto e vertical para celular em 2021, quando a maioria dos dramas ainda era produzida para cinemas ou televisão, disse Timothy Oh, gerente-geral para o Sudeste Asiático no COL Group. "É fácil de assistir para pessoas que não estão necessariamente prontas para se comprometer com uma série completa", diz Oh. "Eu não diria que é uma evolução puramente dos dramas chineses, mas sim uma evolução de como o conteúdo está sendo consumido.” A empresa está apostando alto nos microdramas e abrirá o primeiro estúdio dedicado à indústria perto de Macau, com uma instalação de 10 mil metros quadrados. Também conta com 30 equipes de produção internacionais em grandes cidades, permitindo à empresa localizar conteúdo para diferentes públicos. Tanto o ReelShort quanto o FlareFlow estão registrando crescimento significativo nos EUA e na Alemanha. "Acho que isso mostra que o conteúdo chinês viaja e se traduz bem", afirma Oh. "São geralmente histórias simples sob uma perspectiva universal", acrescenta. Ferramenta política Shaoyu Yuan, professor da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, EUA, tem acompanhado o crescimento dos c-dramas. Para ele, o aumento da produção de dramas na China não se trata apenas de entretenimento ou receita, mas faz parte de uma estratégia mais ampla de soft power (capacidade de um país influenciar outros por meios não coercitivos, ou seja, sem uso de força militar ou pressão econômica direta). O Estado molda esse ecossistema por meio de limites, censura e incentivos, e e então amplifica histórias que se encaixam em sua mensagem preferida. "É um modelo híbrido, liderado pelo mercado na criação, mas moldado pelo Estado no ambiente, por isso o crescimento parece repentino, embora esteja sendo construído há muito tempo", explica Yuan. A fã de c-dramas, Foo, afirma que, para os espectadores internacionais, o esforço da China pelo soft power é visível na forma como os c-dramas se tornaram acessíveis. Muitas dessas séries agora estão disponíveis completas no YouTube, frequentemente com várias opções de legendas lançadas de forma rápida e consistente. "Não acho que esse tipo de acessibilidade aconteça por acaso", analisa Foo. "Para mim, parece um sinal claro de que eles querem alcançar públicos globais e reduzir a barreira de entrada." Foo e muitos outros espectadores ao redor do mundo dizem que esses programas oferecem algo que não encontram em nenhum outro lugar: um vislumbre da China contemporânea. "Embora essas histórias sejam fictícias e não reflitam diretamente a realidade, elas ainda fornecem uma pequena, mas valiosa janela para uma sociedade que muitas vezes é simplificada ou mal compreendida", comenta. Yuan afirma que, quando os espectadores maratonam dramas chineses, passam horas imersos na cultura chinesa – suas histórias, romances, normas sociais e até mesmo a língua – em vez da política. E essa exposição repetida contribui para uma imagem mais suave e humana da China. "Os dramas não apagam magicamente as preocupações políticas, mas mudam a base emocional", afirma Yuan.


Short teaser Depois dos k-dramas coreanos, é a vez dos c-dramas. Histórias vindas da China visam também influenciar pela cultura.
Author Ole Tangen Jr
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Image URL (940 x 411) https://static.dw.com/image/71233866_354.jpg
Image caption Ascensão global do entretenimento chinês começou no início dos anos 2000
Image source Tyrone Siu/REUTERS
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Item 27
Id 75323646
Date 2025-12-28
Title Surfistas e autoridades intensificam disputa em torno da "onda de Munique"
Short title Surfistas intensificam disputa em torno da "onda de Munique"
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Onda no riacho Eisbach, no parque Jardim Inglês, era ponto turístico da capital da Baviera desde a década de 1980

Prefeitura remove trave que recriou famosa "onda do Eisbach" no centro da capital bávara, que havia desaparecido após trabalhos de limpeza. Surfistas acusam autoridades de agirem para impedir a prática do esporte.A polêmica em torno do desaparecimento de uma famosa onda para a prática de surfe em um rio de Munique se intensificou neste domingo (28/12), quando as autoridades removeram uma viga instalada no local durante o Natal para recriar a atração. A chamada "onda do Eisbach", parada obrigatória para os amantes do surfe na cidade do sul da Alemanha e um dos pontos mais badalados no verão, desapareceu subitamente no final de outubro, após trabalhos de limpeza e drenagem. A onda no riacho Eisbach, um canal artificial desviado do rio Isar, no parque Jardim Inglês, era um ponto turístico da capital da Baviera desde a década de 1980. Ativistas pró-surfe colocaram uma trave na água na madrugada de 25 de dezembro para recriar parcialmente a onda e penduraram uma faixa acima do riacho com os dizeres "Feliz Natal". Um porta-voz do Corpo de Bombeiros de Munique informou que a "instalação foi removida" neste domingo, a pedido das autoridades municipais. Surfistas criticam prefeitura Os ativistas fizeram diversas tentativas de reinstalar a onda no parque no centro de Munique, mas todas acabaram frustradas. A associação local de surfistas IGSM publicou na quinta-feira um comunicado informando que havia abandonado sua campanha para salvar a onda, acusando as autoridades municipais de protelar suas ações. A onda de Eisbach era considerada a maior e mais consistente onda fluvial no coração de uma grande cidade, tendo se tornado uma atração turística na capital da Baviera. Segundo a IGSM, entre 3 mil e 5 mil surfistas locais a utilizavam. A Surf Club Munich acusou a prefeitura de não querer regulamentar o surfe no Eisbach, "mas sim impedi-lo". Em nota, a entidade citou uma "obstrução administrativa" e exigências inatingíveis em seus esforços para restaurar a onda. "Mãe de todas as ondas de rio" O acesso à onda foi bloqueado por vários meses no início de 2025, após a morte de uma mulher de 33 anos, cujo cordão de segurança ficou preso no fundo da correnteza enquanto ela surfava à noite. As investigações sobre a causa do acidente não apresentaram resultados conclusivos e o surfe no local acabou sendo liberado. A onda, porém, sumiu após a interrupção temporária do fluxo de água para a realização de trabalhos de rotina para limpeza e remoção de sedimentos do leito do riacho. A prefeitura nega ter feito qualquer mudança que alterasse o fluxo da água. Incensada como a "mãe de todas as ondas de rio" pelo portal SurferToday.com, a onda de Eisbach teria sido criada por surfistas que colocaram blocos de concreto no leito do riacho em 1972 para gerar uma correnteza forte. O surfe ali só seria autorizado oficialmente décadas depois, em 2010, quando a onda já era famosa. rc (AFP, DPA)


Short teaser Prefeitura remove trave que recriou famosa "onda do Eisbach". Surfistas dizem que autoridades querem impedir o esporte.
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Image caption Onda no riacho Eisbach, no parque Jardim Inglês, era ponto turístico da capital da Baviera desde a década de 1980
Image source Peter Kneffel/picture alliance/dpa
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Item 28
Id 75323124
Date 2025-12-28
Title Alemanha ainda usa fax e patina na digitalização de serviços
Short title Alemanha ainda usa fax e patina na digitalização de serviços
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Máquinas de fax ainda são comuns em escritórios por toda a Alemanha

Terra de pioneiros da tecnologia ainda depende do papel em serviços públicos básicos. Por que o governo digital é tão atrasado no país, enquanto Dinamarca e Índia avançam a passos largos?Ao mudar de casa na Alemanha, é necessário registrar o novo endereço junto às autoridades. Para isso, é preciso ir a um órgão da prefeitura portando formulários em papel. Sim, em 2025! E se o paciente for ao médico e esquecer de levar o cartão do plano de saúde, é possível ligar para a operadora e pedir à empresa que confirme o status de cliente enviando uma confirmação ao consultório. Por meio de um fax! "Cerca de três quartos, 77%, das empresas alemãs ainda usam fax", disse Felix Lesner, da Bitkom, associação alemã do setor de TI, à DW. "E 25% o utilizam com frequência ou muita frequência." Por quê? "A maioria das empresas afirma que é essencial para a comunicação com as autoridades públicas", disse Lesner. "Talvez seja aí que esteja o problema." Ficando para trás A União Europeia publica regularmente rankings de desenvolvimento digital entre os Estados-membros, e a Alemanha, na melhor das hipóteses, fica em uma posição intermediária no bloco de 27 nações. Quando se trata de governo eletrônico, ou seja, serviços públicos digitais, o país está especialmente atrasado. Um estudo da empresa de consultoria Capgemini classifica a Alemanha em 24º lugar na União Europeia. Um dos bons exemplos do bloco é a Estônia. Pesquisadores alemães inventaram o computador programável, o chip de telefonia móvel e a tecnologia MP3. No entanto, registrar um carro ou obter uma certidão de casamento ainda requer que os cidadãos enfrentem filas. Frank Reinartz, diretor da agência digital Bitkom em Düsseldorf, disse à DW que a Alemanha não tem problemas com estratégia ou metas: "Temos problema é mesmo em fazer as coisas acontecerem". Düsseldorf, uma cidade com cerca de 650 mil habitantes, oferece 120 serviços administrativos online, de um total de 580 – pouco mais de 20%. Mesmo assim, Düsseldorf é considerada uma cidade digitalmente avançada e ocupa o sexto lugar no Índice de Cidades Inteligentes da Bitkom, que mede os serviços digitais em cidades alemãs. Berlim, a capital do país, teve dificuldades para entrar no Top 40. "Inflação institucional" A estrutura do governo federal alemão, com 16 estados, muitas vezes deixa as comunidades com o encargo de encontrar suas próprias soluções. "Não temos muitos softwares e processos provenientes do nível federal", disse Reinartz. "Cada cidade precisa encontrar sua própria solução para um processo que é nacional, como, por exemplo, o registro de veículos." A isso se soma a falta de coordenação e o que a pesquisadora Stefanie Köhl chama de "inflação institucional". Köhl e seus colegas do Instituto SHI, em Berlim, examinaram os motivos pelos quais os serviços públicos digitais não decolaram na Alemanha nos últimos 25 anos. "Todo mundo faz algo, mas apenas dentro da sua própria caixinha", disse Köhl à DW. "Não há conexão entre as soluções e, às vezes, também não há compatibilidade entre as tecnologias." A Bitkom de Reinartz foi criada para evitar isso. A visão dele para o futuro digital de Düsseldorf está centrada em um site que permite aos moradores acessar todos os serviços públicos online. "Você entra e vê o IPTU do seu prédio, se for o proprietário, a creche dos seus filhos e a autorização de estacionamento do seu carro", disse Reinartz. Dinamarca: paraíso digital Enquanto a Alemanha debate, a Dinamarca põe mãos à obra. O país vizinho do norte transformou a visão de Reinartz em realidade há muito tempo. "O site Borger.dk é um portal único onde todos os cidadãos têm acesso a mais de 2 mil serviços públicos em uma plataforma digital", disse Jakob Frier, do Digital Hub Denmark, em Copenhague. Quase tudo – de impostos a cuidados de saúde – está online. A chave é um documento de identidade digital obrigatório, ou eID, disse Adam Lebech, vice-diretor-geral da Agência Dinamarquesa para o Governo Digital, à DW. "Cerca de 97% da população adulta possui eID", afirmou Lebech. "E 83% o utilizam pelo menos uma vez por semana." A base digital do sistema dinamarquês é um número de identificação único chamado Registro Central de Pessoas (CPR), que o país implementou em 1968. "Como usamos o mesmo identificador para todos os sistemas, o compartilhamento de dados se torna fácil", disse Lebech. "Isso significa que podemos criar serviços integrados entre diversas autoridades. É preciso confiar no governo, é claro." Embora pesquisas regulares mostrem que a maioria dos dinamarqueses confia em seu governo, os alemães são muito mais céticos em relação à coleta centralizada de dados pelo Estado devido ao passado nazista e comunista da Alemanha Oriental. Tanto o Terceiro Reich de Hitler quanto o Partido Comunista da Alemanha Oriental usaram dados pessoais para espionar pessoas e controlar suas vidas. Índia tem grandes avanços A Índia demonstrou que é possível dar grandes passos no desenvolvimento de serviços digitais, estabelecendo seu próprio sistema de identificação eletrônica, chamado Aadhaar, em apenas 15 anos. Cerca de 99,9% da população indiana utiliza o Aadhaar, segundo dados oficiais do governo. O Aadhaar foi vinculado a uma plataforma de pagamento digital chamada Unified Payment Interface (UPI). Semelhante ao Pix brasileiro, ele é aceito até mesmo por ambulantes. Os clientes simplesmente transferem o dinheiro por meio de um código QR e um aplicativo de celular. Tej Paul Bhatla, da TCS, a maior empresa de TI da Índia, disse à DW que o Aadhaar e a UPI são "sistemas fundamentais" que foram desenvolvidos com o apoio do Estado, mas também com financiamento do setor privado. Desde o início, o Aadhaar e a UPI foram planejados como sistemas de código aberto para uso público e privado, disse ele, semelhantes à infraestrutura pública. "Quando você constrói ferrovias, rodovias ou portos, você os torna disponíveis para todos", disse Bhatla, acrescentando que isso permitiu que iniciativas do setor privado utilizassem esses sistemas para "construir serviços mais amplos para cidadãos e empresas, e tirar proveito deles". Bhatla afirmou que a infraestrutura digital representa uma oportunidade para a Índia acelerar o progresso, de modo que hoje "quase 80% da população adulta possui contas bancárias". Sem o Aadhaar e o UPI, disse ele, "levaríamos 48 anos para atingir o nível de abrangência bancária que temos hoje". "Uma infraestrutura digital melhor e um ecossistema de serviços digitais também poderiam impulsionar o crescimento econômico em países como a Alemanha", acrescentou Bhatla. "Se você não crescer, certamente enfrentará ameaças vindas de outras economias", disse. "E a vida ficará mais difícil."


Short teaser Terra de pioneiros da tecnologia depende do papel em serviços públicos básicos, diferente de Dinamarca e Índia.
Author Nicolas Martin, Andreas Becker
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Image caption Máquinas de fax ainda são comuns em escritórios por toda a Alemanha
Image source picture alliance / Photononstop
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Item 29
Id 75320503
Date 2025-12-28
Title Brigitte Bardot, lenda do cinema, morre aos 91 anos
Short title Brigitte Bardot, lenda do cinema, morre aos 91 anos
Teaser

Bardot em "Viva Maria!", comédia de 1965: francesa foi ícone feminino dos anos 1960

Ícone nacional francês, ela foi saudada por Simone de Beauvoir em 1959 como "locomotiva da história das mulheres". Mais tarde, destacou-se como defensora dos direitos dos animais e polarizou com discurso xenófobo.Brigitte Bardot, a lendária atriz francesa, ícone feminino dos anos 1960 e fervorosa ativista dos direitos dos animais, morreu aos 91 anos, anunciou neste domingo (28/12) a Fundação Brigitte Bardot. "A Fundação Brigitte Bardot anuncia com imensa tristeza o falecimento de sua fundadora e presidente, Brigitte Bardot, a atriz e cantora mundialmente famosa, que optou por abandonar sua prestigiosa carreira para dedicar sua vida e energia ao bem-estar animal e à sua Fundação", diz o comunicado, sem especificar a data ou o local da morte. Bardot se aposentou como atriz há mais de 50 anos, após atuar em cerca de 50 filmes. Nascida em 28 de setembro de 1934 em Paris, filha de um industrial, Brigitte Bardot começou a carreira de modelo aos 15 anos, com os cabelos castanhos já descoloridos. O visual fez dela uma das "loiras" mais famosas do século 20, assim como Marilyn Monroe. Carreira de atriz Bardot fez seus primeiros filmes aos 18 anos, mas ganhou atenção internacional com seu papel em E Deus Criou a Mulher (1956), dirigido pelo marido Roger Vadim, com quem se casara em 1952. No filme, ela interpreta uma jovem que usa deliberadamente seus encantos eróticos para conquistar os homens. Nascia assim o mito de Bardot. Nos EUA, o filme foi considerado explícito demais para o cinema. Proprietários de cinema que o exibiram foram até presos. Isso não diminuiu o sucesso do longa nem de Bardot —uito pelo contrário. Nos anos seguintes, ela se consolidou como uma femme fatale. Apareceu em mais de 40 filmes, incluindo A Verdade (1960), de Henri-Georges Clouzot, O Desprezo (1963), de Jean-Luc Godard, e Viva Maria! (1965), de Louis Malle. Cantora, modelo, ícone Bardot também gravou inúmeras canções e músicas pop nas décadas de 1960 e 1970, incluindo com Serge Gainsbourg e Sacha Distel. Como modelo, foi musa de estilistas de grandes casas de moda, incluindo Dior, Balmain e Pierre Cardin. Devido ao seu estilo de vida hedonista, que também abraçava fora das telas, tornou-se um ícone da revolução sexual da época. Após se divorciar de Vadim em 1957, teve vários casos amorosos lendários, incluindo com seu colega de elenco, o ator Jean-Louis Trintignant. Os dois se tornaram um casal dos sonhos no cinema francês, tanto dentro quanto fora das telas. Depois que rompeu com Trintignant, Bardot iniciou relacionamentos igualmente escrutinados pela imprensa, como com o cantor Gilbert Bécaud. Em 1966, ela teve um breve casamento com o herdeiro industrial teuto-suíço Gunter Sachs, que, com seu estilo de vida extrovertido, era considerado o epítome do playboy na época. Búzios Dois anos antes, em 1964, Brigitte esteve no Brasil, quando namorava Bob Zagury, um marroquino-brasileiro então jogador de basquete no Flamengo. Naquele ano, a atriz esteve duas vezes na cidade de Armação de Búzios, no Rio de Janeiro, buscando se distanciar do assédio da imprensa. O então pequeno vilarejo de pescadores de difícil acesso passou aos holofotes após a visita da francesa, entrando no circuito turístico internacional. Como homenagem, a prefeitura local inaugurou em 1999 a Orla Bardot, onde foi colocada uma estátua em bronze da atriz, feita pela escultora Christina Motta. Fim da carreira de atriz O último filme de Brigitte foi o francês L’histoire très bonne et très joyeuse de Colinot Trousse-Chemise, lançado em 1973. Depois disso, a atriz decidiu deixar a vida artística e passou a se dedicar a outra de suas paixões: a defesa dos animais. Descrita como a "locomotiva da história das mulheres", Bardot foi celebrada pela pensadora feminista Simone de Beauvoir em um ensaio de 1959 intitulado Brigitte Bardot e a Síndrome de Lolita como a mulher mais livre da história da França do pós-guerra. Bardot encerrou a carreira de atriz em 1973, mas permaneceu uma estrela por toda a vida. Luta pelo bem-estar animal O foco da mídia na vida privada de Bardot mudou um pouco à medida que ela passou a se dedicar cada vez ao ativismo. A partir do início da década de 1960, ela usou sua fama global para defender mais direitos e proteção dos animais, algo que se tornaria a causa de sua vida. Desde o início, ela defendeu a introdução de pistolas de dardo cativo em matadouros para garantir que o abate de animais seja o mais indolor possível. A partir de 1976, juntou-se a uma campanha global contra a caça à foca. Em 1986, fundou a Fundação Brigitte Bardot, que defende o bem-estar animal em todo o mundo. Flerte com a ultradireita Em 2021, Brigitte Bardot teve que pagar uma multa de 20 mil euros por comentários racistas sobre habitantes da Ilha da Reunião, no Oceano Índico, após escrever uma carta ao governo do território criticando supostos maus-tratos a animais. Mas não foi a primeira vez que Bardot se envolveu em polêmicas do tipo. Ela foi multada diversas vezes por incitar o ódio contra muçulmanos. Em 2004, um tribunal francês a condenou por incitação ao ódio racial por causa de um livro em que ela censurava muçulmanos por matarem animais e alegava que a França estava sendo subvertida. Desde que apoiou o candidato presidencial conservador Valéry Giscard d'Estaing contra o socialista François Mitterrand em 1974, Bardot pendeu diversas vezes para a direita. Um exemplo é o flerte dela com o partido populista de direita Frente Nacional, atual Reunião Nacional. Em uma entrevista de 2014 à revista Paris Match, ela elogiou Marine Le Pen, então líder da Frente Nacional, como "a Joana d'Arc do século 21" que "salvaria a França". Controvérsias Bardot também se manifestou repetidamente sobre questões de gênero. Após algumas declarações bastante ambivalentes sobre a cena gay, ela negou ser homofóbica, citando ter muitos amigos homossexuais. Ao mesmo tempo, culpou o número de operações de mudança de sexo pelo aumento exorbitante dos custos com saúde. Durante o debate #MeToo sobre assédio sexual na indústria cinematográfica, ela afirmou que muitas atrizes "provocavam" produtores para conseguir um papel. "E então elas dizem que foram assediadas, para que falemos sobre elas." Apesar de suas muitas declarações e posicionamentos controversos, Brigitte Bardot permaneceu um ícone nacional até o fim de sua vida. Não é coincidência que "BB" tenha servido diversas vezes de modelo para bustos da figura nacional francesa Marianne.


Short teaser Ícone nacional francês destacou-se como defensora da causa animal e, nos últimos anos, polarizou com discurso xenófobo.
Author Sven Töniges (AFP)
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Image caption Bardot em "Viva Maria!", comédia de 1965: francesa foi ícone feminino dos anos 1960
Image source United Archives/picture alliance
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Item 30
Id 75287999
Date 2025-12-28
Title Como a perfurmaria viajou por milênios da Mesopotâmia à Europa
Short title A viagem milenar da perfumaria da Mesopotâmia à Europa
Teaser

Perfumes já tiveram diversos fórmulas e funções ao longo da História, como óleos essenciais sem álcool vendidos na Índia

Fragrâncias já serviram às mais variadas funções, incluindo purificação e mumificação. Indústria europeia cresceu a partir de vários impérios, comércio e colonialismo.A palavra "perfume" tem um significado que poucos hoje disputariam: um líquido fragrante num frasco, em geral de aparência sofisticada. Mas o próprio nome, derivado do latim "per fumum” — que significa "através da fumaça” — indica que o que entendemos hoje como perfurmaria difere enormemente da sua origem e dos seus usos no passado. Na verdade, a história dos perfumes já passou por avanços científicos, transferência de conhecimento, expansão comercial, colonialismo, extração de recursos naturais e, mais recentemente, marketing eurocêntrico. Chineses, hindus, egípcios, israelitas, cartagineses, árabes, gregos e romanos já conheciam a perfumaria. Há referências ao perfume e ao seu uso tanto na Bíblia quanto nos Hadith, os ditos e ações do Profeta Maomé. Assim como nenhum perfume único pode capturar todos os aromas do mundo, nenhuma narrativa pode abranger as suas diversas histórias. "É isso que eu amo no perfume: um gesto muito pequeno na pele com uma história enorme e cheia de camadas por trás,” diz o perfumista e historiador Alexandre Helwani à DW. Uma história tão antiga quanto o tempo A perfumaria primitiva, que remonta a mais de 4 mil anos na antiga Mesopotâmia, envolvia a queima de substâncias aromáticas como olíbano e mirra. Acreditava-se que a fumaça ascendente fazia a ponte entre a terra e o divino. De fato, o primeiro "nariz” registrado — ou, seja, mestre perfumista altamente qualificado — foi uma mulher chamada Tapputi, uma química cujos trabalhos na Mesopotâmia foram documentados em uma tábua cuneiforme datada de cerca de 1.200 a.C. "Tapputi era uma muraqqitu, uma categoria profissional distinta de perfumistas ligadas às cortes assírias e babilônicas. Sua importância estava em atestar que mulheres ocupassem um papel de alto status ‘perfumístico' nas cortes reais”, conta Helwani. A arqueoquímica Barbara Huber, cujo trabalho foca nas relações entre humanos e plantas ao longo da história, explica ainda que "perfume” passou a englobar, com o tempo, uma ampla gama de materiais e práticas aromáticas: queima de incenso e madeiras aromáticas, óleos perfumados, bálsamos, unguentos e até cosméticos. "Muitos desses produtos eram usados não apenas para adorno pessoal, mas para rituais, oferendas a divindades, purificação ou cura. As fronteiras entre perfume, medicina e cosméticos eram frequentemente difusas”, afirma. No Egito antigo, óleos aromáticos e resinas eram centrais nos rituais e na mumificação. Já na Índia, aplicava-se pasta de sândalo na pele, traçava-se jasmim nos cabelos e incorporava-se açafrão às roupas — uma prática sensorial em camadas que santificava o próprio corpo. Pesquisas recentes revelaram até que esculturas greco-romanas de deuses e deusas eram "perfumadas” com substâncias aromáticas para parecerem mais vívidas. Da fumaça à destilação O que começou como incenso e bálsamos foi transformado no mundo árabe em destilações líquidas durante a Idade de Ouro Islâmica. No século 9, em Bagdá, o polímata Al-Kindi escreveu O Livro da Química do Perfume e das Destilações, o primeiro manual abrangente sobre perfumaria. Um século depois, o persa Ibn Sina (conhecido no Ocidente como Avicena) aperfeiçoou a destilação a vapor para extrair óleos essenciais de flores, especialmente rosas, criando um modelo para perfumistas posteriores. Estabeleceram-se então muitas das técnicas fundamentais que sustentam a indústria moderna de fragrâncias. Esses avanços chegariam à Europa por diversas rotas. As regiões da Península Ibérica sob domínio muçulmano entre os séculos 13 e 14 serviram como ponte acadêmica, onde estudiosos traduziram textos árabes para o latim. Ao mesmo tempo, o comércio mediterrâneo levava água de rosas e especiarias para portos como Veneza e Gênova, enquanto as Cruzadas expunham os europeus às práticas médicas e aromáticas árabes. Mas a Europa não era estranha à perfumaria. Os romanos tinham banhos e óleos perfumados, e nobres medievais usavam ervas, pomanders e incenso. Na Idade Média, o perfume atendia a necessidades práticas e simbólicas: médicos enchiam suas máscaras em forma de bico com ervas para filtrar o "ar ruim” que acreditavam causar a Peste Negra. Já Luís 14º, da França, tinha sua água de flor de laranjeira favorita jorrando das fontes do Palácio de Versalhes. As técnicas avançadas e os ricos ingredientes do mundo árabe, entretanto, reacenderam e transformaram a perfumaria europeia, que passou a usar álcool como base para criar perfumes mais leves e duradouros. "Água de colonialismo" Com a perfumaria europeia florescendo, especialmente na França, a expansão colonial forneceu os ingredientes para sustentar a indústria nascente. Um exemplo marcante é a baunilha. Trazida à Europa pelos espanhóis no século 16, ela se tornou uma importante cultura colonial no Oceano Índico. Helwani cita a história de Edmond Albius, um menino escravizado na Ilha Reunião (antiga Bourbon), que aos 12 anos, em 1841, descobriu o método prático para polinizar manualmente as orquídeas de baunilha. "Se não fosse por ele, a baunilha teria permanecido uma raridade. Em um mundo de tecnologias patenteadas, sempre me perguntei quão bilionário Edmond Albius teria sido, se não tivesse sido escravizado", observa Helwani. "Quando falamos da 'história do perfume', estamos simultaneamente falando da história dos impérios, do comércio e do colonialismo." Com o tempo, as casas de perfume europeias tornaram-se centrais no branding e no marketing, consolidando a associação entre refinamento e estética europeia. "Embora os ingredientes fundamentais venham de diversas regiões globais com ricas tradições históricas de uso aromático, a apresentação e as narrativas de marketing tendem a ser eurocêntricas”, afirma Huber. Algumas casas europeias que classificam fragrâncias como "orientais” têm atraído críticas. "O 'Oriente' tenta encapsular uma vasta região (...) onde muitas práticas e matérias-primas da perfumaria se originaram", diz uma petição online sobre o tema. "O uso consistente do termo para evocar o exótico e o perfumado apaga o imperialismo e a islamofobia que continuam a desestabilizar essas áreas do mundo hoje." Desde os anos 2000, o marketing tem substituído "oriental" por "âmbar" para descrever fragrâncias quentes.


Short teaser Fragrâncias já serviram as mais variadas funções, incluindo purificação e mumificação.
Author Brenda Haas
Item URL https://www.dw.com/pt-br/como-a-perfurmaria-viajou-por-milênios-da-mesopotâmia-à-europa/a-75287999?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Image caption Perfumes já tiveram diversos fórmulas e funções ao longo da História, como óleos essenciais sem álcool vendidos na Índia
Image source Umer Qadir/Eyepix/NurPhoto/picture alliance
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Item 31
Id 75316474
Date 2025-12-27
Title Moraes estipula prisão domiciliar de 10 condenados por golpe
Short title Moraes estipula prisão domiciliar de 10 condenados por golpe
Teaser Decisão foi anunciada um dia após a tentativa de fuga de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal. Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro está entre os alvos.

Um dia após a tentativa de fuga de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Polícia Federal (PF) cumpre neste sábado (27/12) dez mandados de prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, contra outros dez condenados pela trama golpista, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

São alvos da decisão réus dos núcleos 2, 3 e 4 da tentativa de golpe, que foram condenados pela Primeira Turma do STF. Entre eles, está Filipe Martins, que foi assessor internacional do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em uma rede social, o advogado de Martins, Jeffrey Chiquini, informou que os policiais federais compareceram à casa do ex-assessor, em Ponta Grossa, no Paraná, para efetivar a medida de prisão domiciliar.

O advogado afirmou que considera a prisão "abusiva", por não atender os critérios do direito penal. "Não há nenhum indício concreto de risco de fuga e, como qualquer leigo sabe, a Constituição proíbe punir uma pessoa por atos de terceiros", afirmou.

Martins, assim como Silvinei Vasques, integra o núcleo 2 da trama golpista. Ele foi condenado a 21 anos, sendo 18 anos e 6 meses de reclusão, inicialmente em regime fechado e multa, e Vasques foi condenado a 24 anos e 6 meses, sendo 22 anos de reclusão, também em regime fechado.

Ações em sete estados e DF

As dez ordens judiciais estão sendo cumpridas em sete estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Bahia, Tocantins) e no Distrito Federal, com apoio do Exército em parte das ações.

Além da prisão domiciliar com uso de tornozeleira, foram impostas medidas cautelares como a proibição de uso de redes sociais, de contato com outros investigados, a entrega de passaportes, a suspensão de documentos de porte de arma de fogo e a proibição de visitas.

Tentativa de fuga

Na sexta-feira, Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva de Silvinei Vasques, após o ex-diretor da PRF ter sido preso, após tentar fugir do país pelo Paraguai.

O ex-diretor cumpria prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, e a medida foi determinada após Silvinei romper o equipamento e fugir para o país vizinho, onde foi detido pelas autoridades locais quando tentava embarcar em um voo com destino a El Salvador.

Moraes apontou na decisão que foi informado pela Polícia Federal de que a tornozeleira parou de emitir sinal de GPS por volta das 3h de quinta-feira. Em seguida, agentes foram à casa do ex-diretor, em São José, em Santa Catarina, e constataram que ele não estava na residência.

Ainda na sexta-feira, a PF confirmou que o ex-diretor foi leado pela polícia paraguaia à fronteira com o Brasil e entregue a agentes da PF na Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Ciudad del Leste, no Paraguai.

md (ots, Agência Brasil)

Short teaser Decisão é anunciada após tentativa de fuga de Silvinei Vasques. Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro é um dos alvos.
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Item 32
Id 75284410
Date 2025-12-27
Title Do Oscar a Lady Gaga no Rio: os grandes marcos da cultura em 2025
Short title Do Oscar a Lady Gaga: os grandes marcos da cultura em 2025
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"Ainda Estou Aqui" ganhou Oscar de melhor filme internacional

Cinema brasileiro brilhou nas telas, e o ano trouxe novidades há décadas esperadas por amantes da arte no mundo. Mas também houve perdas que ficarão na memória.Do cinema brasileiro aos artefatos do Egito Antigo, 2025 trouxe diversos frutos aos amantes da arte e da cultura. No Brasil, o ano ficará marcado na memória pelo primeiro Oscar levado para casa, depois de uma campanha intensa que contagiou multidões. A nível internacional, também alguns dos escritores mais amados do público voltaram às livrarias, matando a ansiedade dos fãs, ou estrearam no formato dos romances. Houve também perdas, com pelo menos dois museus tendo valiosas obras de arte roubadas. E de emocionadas despedidas provocadas pela morte de grandes nomes conhecidos entre os brasileiros ou no mundo todo. Relembre uma seleção de acontecimentos que marcaram a cultura neste ano. "Ainda Estou Aqui" Situado na ditadura militar brasileira, Ainda Estou Aqui ganhou Oscar de melhor filme internacional em março, um feito inédito para o país. O Brasil havia sido indicado cinco vezes, incluindo a edição de 2025. A obra concorreu com o dinamarquês A Garota da Agulha, o francês Emilia Pérez, o alemão A Semente do Fruto Sagrado e a obra da Letônia Flow, que venceu por melhor filme de animação. Também indicado a melhor filme, Ainda Estou Aqui não levou o prêmio, considerado o principal do Oscar. Nem Fernanda Torres, a protagonista do longa, ficou com a estatueta de melhor atriz. Mais do cinema brasileiro Outras produções brasileiras brilharam mundo afora. Dentre elas, destacou-se O Último Azul, filme brasileiro dirigido por Gabriel Mascaro, que conquistou em fevereiro o Urso de Prata do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim, a segundo maior honraria do evento. Já o Urso de Ouro, maior prêmio da competição, foi vencido pelo filme norueguês Drommer, de Dag Johan Haugerud. O festival destacou a diversidade do cinema nacional, com 13 produções brasileiras. Em novembro, foi a vez de O Agente Secreto conquistar as telas, com estreia simultânea em Brasil, Alemanha e Portugal. O filme já foi indicado ao Globo de Ouro 2026, além de ser a aposta do Brasil no próximo Oscar. Lady Gaga no Rio Depois da excitação com Ainda Estou Aqui, o Brasil se mobilizou com um histórico show de Lady Gaga na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Mais de 2 milhões de pessoas assistiram à cantora, segundo a prefeitura carioca. Foi o maior público da carreira de Lady Gaga, com a presença de pessoas de todas as partes do Brasil. "Sinto-me sortuda, orgulhosa e profundamente grata. Nesta noite, nós estamos fazendo história", disse a cantora. Os brasileiros esperavam pelos últimos oito anos por uma apresentação sua, depois que ela teve que cancelar sua participação no Rock in Rio de 2017 por problemas de saúde. Academia Brasileira de Letras Pela primeira vez em seus 128 anos, a Academia Brasileira de Letras incluiu uma mulher negra entre seus imortais. Ana Maria Gonçalves, autora do romance histórico Um defeito de cor, passou a ocupar uma cadeira na instituição fundada em 1897. No seu discurso de celebração, ela agradeceu à sua ancestralidade, "fonte inesgotável de conforto, fé, paciência e sabedoria." A escritora disputou a posição com outros 11 intelectuais, tendo obtido 30 de 31 votos. Também roteirista e dramaturga, a agora imortal levanta debates raciais pelas suas obras. Ela ocupa a cadeira de número 33, antes pertencente ao filólogo Evanildo Bechara. A volta de gigantes Após vários anos desde sua última obra, o popular escritor britânico Ken Follett voltou em setembro às livrarias com Círculo dos Dias. O romance épico, ambientado há 4,5 mil anos, gira em torno do enigmático caso de Stonehenge, sobre vidas humanas por trás da construção do icônico monumento neolítico localizado no sul da Inglaterra. Poucos dias depois, Dan Brown também retornou às livrarias com O Segredo Final. A nova entrega de sua saga mais famosa, protagonizada por Robert Langdon, coloca o especialista em simbologia em uma trama repleta de enigmas e reviravoltas na cidade de Praga. Roubos a museus Num dos episódios mais sombrios da sua história, o Museu do Louvre foi assaltado em plena luz do dia. Em 19 de outubro, ladrões encapuzados roubaram oito peças que pertenceram à Coroa francesa, com valor estimado em 88 milhões de euros (cerca de R$ 582 milhões). O caso colocou a segurança do museu sob forte questionamento, gerando uma crise de imagem. Os itens roubados continuam desaparecidos. Depois, em dezembro, dois homens roubaram treze obras de arte na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Foram alvo do crime oito gravuras do artista francês Henri Matisse e cinco do pintor brasileiro Candido Portinari. As gravuras faziam parte de uma exposição iniciada em outubro deste ano e voltada à arte modernista das décadas de 1940 e 1950, uma parceria com o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). A Polícia Civil iniciou no mesmo dia as investigações, tendo divulgado o retrato dos dois suspeitos pelo mais recente assalto às instituições culturais de São Paulo. Três suspeitos já foram presos. Grande Museu do Egito Após vinte anos de obras e inúmeros atrasos, o Grande Museu Egípcio abriu suas portas em 2025. Trata-se de um enorme complexo de 500 mil metros quadrados que exibe mais de 100 mil peças. Por elas, contam-se 7 mil anos de história, desde o Egito pré-dinástico até o período greco-romano. O grande destaque da exposição permanente é a coleção completa do faraó Tutancâmon, que inclui mais de 5 mil artefatos recuperados de sua tumba que serão expostos pela primeira vez, além de sua lendária máscara funerária de ouro. Outro item da coleção é o barco funerário de 42 metros de comprimento e mais de 4 mil anos do faraó Quéops, também conhecido como barco de Khufu, a maior e mais antiga embarcação de madeira encontrada no Egito. Recordes nos leilões O Retrato de Elisabeth Lederer, do pintor Gustav Klimt, foi leiloado em Nova York por 236 milhões de dólares (aproximadamente R$ 1,3 trilhão), tornando-se a mais cara obra de arte moderna. A peça havia sido confiscada pelos nazistas antes de ser recuperada pela família da protagonista, que era cliente do pintor, e finalmente adquirida pelo filho da empresária Estée Lauder na década de 1980. Já o autorretrato surrealista El Sueño (La cama), da pintora mexicana Frida Kahlo, tornou-se em novembro a obra mais cara de autoria de uma mulher. O quadro foi leiloado por 54,7 milhões de dólares na casa Sotheby's de Nova York. Kahlo superou assim a americana Georgia O'Keeffe, cuja obra Jimson Weed/White Flower No 1 havia sido vendida em 2014 por 44,4 milhões de dólares. Despedidas O ano que se fecha em breve foi de despedidas que tocaram no coração dos brasileiros. Em 20 de julho, o país perdeu a cantora Preta Gil. Aos 50 anos, ela lutava contra um câncer no intestino ao longo dos dois anos anteriores. A sua morte foi recebida com grande comoção do público e da classe artística. Morreu também em maio o fotógrafo Sebastião Salgado, conhecido mundialmente por décadas de trabalho sensível em contextos altamente desafiadores. Outros nomes da cultura brasileira que morreram neste ano incluem Angela Roro, Arlindo Cruz, Bira Presidente, Cacá Diegues, Francisco Cuoco, Hermeto Pascoal, Lô Borges, Luís Fernando Veríssimo e Nana Caymmi, entre outros. Fora do país, o mundo perdeu, dentre vários nomes mais, o cineasta David Lynch, os atores Udo Kier, Diane Keaton e Robert Redford e o cantor e compositor Ozzy Osbourne. ht/cn (com EFE, Agência Brasil, ots)


Short teaser Cinema brasileiro brilhou nas telas, e o ano trouxe novidades há décadas esperadas por amantes da arte no mundo.
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Image URL (940 x 411) https://static.dw.com/image/70887335_354.jpg
Image caption "Ainda Estou Aqui" ganhou Oscar de melhor filme internacional
Image source Capital Pictures/IMAGO
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Item 33
Id 75282286
Date 2025-12-24
Title Brasil não atinge meta da OMS para reduzir casos de tuberculose
Short title Brasil não atinge meta da OMS para reduzir tuberculose
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Bactéria Mycobacterium tuberculosis causa a tuberculose

País registra aumento da incidência da doença nos últimos anos. Condições prisionais e pobreza ajudam a explicar essa tendência.No imaginário popular, a tuberculose é uma doença que ficou para trás. No entanto, o problema segue latente no Brasil, com 85 mil casos registrados no ano passado, além de 6 mil mortes, sendo uma das doenças infecciosas que mais mata no país. Lançada em maio de 2014, Estratégia Fim da Tuberculose da Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê acabar com a doença até 2035. Para 2025, a meta era reduzir 50% da incidência e 75% da mortalidade. O Brasil, porém, registrou uma tendência contrária e viu a incidência da infecção aumentar desde 2015. Em 2023, o Brasil registrou 39,8 casos de tuberculose por 100 mil habitantes, muito acima da meta da OMS, que é de 6,7 casos por 100 mil. Um estudo da Fiocruz Bahia publicado em janeiro deste ano, prevê o aumento nesta taxa até 2030, podendo chegar a 42,1 por 100 mil habitantes. O avanço é especialmente grave no estado do Rio de Janeiro. Em 2024, houve ali a segunda maior incidência de tuberculose no país, com 75,3 casos a cada 100 mil habitantes. Em 2024, foram 18 mil registros, maior número absoluto no país. "Aglomerações e favelização aumentam o número de casos. No Rio de Janeiro, houve um cenário econômico muito negativo nos últimos anos, com um aumento da pobreza da população. Além disso, há muitas pessoas privadas de liberdade, com vários sistemas prisionais", afirma Christina Pinho, professora da faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF). Avanço atrás das grades A relação deste cenário com as prisões foi exposta no estudo O encarceramento em massa como fator determinante da epidemia de tuberculose na América Latina e os efeitos projetados de políticas alternativas, publicado em 2024. Embora a incidência global da doença tenha diminuído 8,7% desde 2015, na América Latina aumentou 19%. "A tuberculose é frequentemente subdiagnosticada nas prisões, enquanto muitas pessoas são expostas à infecção na prisão, mas só desenvolvem a doença meses ou anos após a soltura", explica a autora Yiran Liu, pós-doutoranda e pesquisadora associada na Universidade de Yale. O estudo revelou que, na América do Sul, a prevalência de tuberculose entre presos é 26 vezes maior que na população geral. "As prisões são ambientes de alto risco para tuberculose em todo o mundo, mas a América Latina é um caso único, pois as taxas na população em geral são relativamente baixas em comparação com locais como o Sudeste Asiático", aponta Liu. "Em vários países, descobrimos que o encarceramento era, na verdade, o principal fator de disseminação, mais importante do que fatores de risco como o consumo de álcool, o HIV ou a desnutrição", pontua. O coautor do estudo e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) Júlio Croda destaca que, no caso do Brasil, 37% das infecções estão ligadas a pessoas atrás das grades, ainda que não diretamente aos presos. Segundo ele, as taxas no país dispararam desproporcionalmente com a quantidade de vagas ofertadas no sistema prisional, superlotado em muitas situações. Entre 1990 e 2019, o número de presos no país passou de 90 mil para 755 mil. Croda ressalta que os diagnósticos, parte fundamental para o combate à doença, contam com desafios extras no sistema prisional. Segundo ele, apenas 50% dos doentes são diagnosticados neste cenário. Medidas como a realização de exames de raios-X anuais nos detentos são raras, destaca. Na comparação com os Estados Unidos, país com a maior população carcerária do mundo, Liu aponta que as prisões americanas tendem a ter controles mais rigorosos, incluindo triagem e tratamento de rotina para a infecção. Já em grande parte da América Latina, a superlotação, condições precárias e acesso limitado à triagem e ao tratamento, fazem com que os níveis de transmissão sejam maiores, explica. Determinada socialmente "É uma doença determinada socialmente, que está ligada à pobreza, como hanseníase, doença de Chagas e hepatite. É necessário um olhar ampliado", afirma Pinho. O Brasil chegou a ter avanços no combate à doença, inclusive reconhecidos internacionalmente. Neste ano, a revista Nature Medicine publicou em janeiro um artigo demonstrando como programas como o Bolsa Família aliviaram condições de pobreza e reduziram a incidência da tuberculose entre 2004 e 2015. Segundo Croda, a garantia de um suporte social e a melhora na alimentação no caso brasileiro foi suficiente para gerar uma melhora no quadro. Por sua vez, o ganho no combate à doença trazido pelos avanços sociais foi "perdido" em razão do avanço da doença no sistema carcerário, avalia. Historicamente, o Brasil também contou com altos níveis da vacinação BCG, que controlam casos mais graves da doença nos primeiros anos de vida. Por sua vez, a imunização registrou quedas nos últimos anos, o que vem sendo observado com preocupação. Medidas de combate Atualmente, a Fiocruz desenvolve uma vacina de RNA contra a doença que potencialmente poderá ser aplicada em idades mais elevadas. No mundo, há um imunizante em fase final de testes, que é visto como bastante promissor. No campo do tratamento, que é eficaz e oferecido de forma gratuita no país, está um dos grandes gargalos. O combo de medicamentos é visto como de administração complicada, e a duração de seis meses, é outro desafio. Pinho relata que muitos pacientes abandonam o processo após a melhora em algumas semanas, o que representa riscos graves. Interromper o tratamento antes do tempo necessário para eliminar a bactéria causadora da doença, Mycobacterium tuberculosis, pode desenvolver bacilos mais resistentes, contra os quais os medicamentos tendem a ter menor eficácia. Além de um risco ao próprio paciente, há a possibilidade desta linhagem ser transmitida ao resto da população. Para conter a doença, o Brasil aposta no aumento da detecção na população geral. Além disso, houve avanço no tratamento preventivo entre contatos de pessoas com tuberculose. Pinho destaca a importância de identificar e tratar o quadro conhecido como tuberculose latente, que conta com ampla presença na população, mas que em razão de ser assintomático, é frequentemente subnotificado. Além disso, há a percepção de que é necessário olhar de outra maneira para a questão prisional. "Nossos resultados mostram que o encarceramento em massa não afeta apenas as pessoas encarceradas, mas também a saúde da comunidade em geral. Gera perdas econômicas e afeta desproporcionalmente grupos socialmente marginalizados", aponta Liu. "Se a população carcerária continuar aumentando, corre o risco de agravar ainda mais a epidemia de tuberculose para toda a população. Investir em alternativas eficazes ao encarceramento pode, portanto, melhorar tanto a segurança da comunidade quanto a saúde da população", conclui.


Short teaser País registra aumento da incidência da doença nos últimos anos. Condições prisionais e pobreza ajudam a explicar cenário
Author Matheus Gouvea de Andrade
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Image caption Bactéria Mycobacterium tuberculosis causa a tuberculose
Image source NIH-NIAID/IMAGE POINT/BSIP/picture alliance
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Item 34
Id 75254001
Date 2025-12-20
Title Lula: intervenção dos EUA na Venezuela seria catástrofe humanitária
Short title Lula: intervenção na Venezuela seria catástrofe humanitária
Teaser Já presidente da Argentina, Javier Milei, pediu apoio aos EUA. Brasil não se junta a seis signatários de declaração que, às margens da cúpula do Mercosul, pressiona Maduro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva advertiu neste sábado (20/12), na cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, que uma possível intervenção armada na Venezuela pelos Estados Unidos resultaria numa "catástrofe humanitária" e criaria um "precedente perigoso para o mundo".

"Quatro décadas depois da Guerra das Malvinas, o continente volta a ser ameaçado pela presença militar de uma potência", afirmou o presidente em referência ao cerco aeronaval estabelecido pelos Estados Unidos diante da costa venezuelana.

Lula já se propôs como mediador entre ambos os países para "evitar um conflito armado na América Latina" e manteve conversas telefônicas tanto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quanto com o venezuelano, Nicolás Maduro.

Os EUA interceptaram, também neste sábado, um petroleiro na costa venezuelana, dias depois de Trump ter ordenado um bloqueio a essas embarcações com origem ou destino no país sul-americano. A informação foi primeiro reportada pela imprensa e, depois, confirmada pelo Departamento de Segurança Nacional.

Argentina pede apoio aos EUA

Na reunião do Mercosul houve posições contrárias em relação à Venezuela, uma vez que o Brasil se negou a aprovar uma resolução ministerial proposta por Argentina e Paraguai para condenar violações aos direitos humanos na Venezuela e ameaças à democracia.

O presidente da Argentina, Javier Milei, pediu a seus parceiros do Mercosul que apoiem a pressão militar que os Estados Unidos exercem contra a Venezuela e que condenem o governo de Maduro.

"A Argentina saúda a pressão de Estados Unidos e Donald Trump para libertar o povo venezuelano. O tempo de ter uma aproximação tímida nessa matéria esgotou-se. Instamos, além disso, todos os demais integrantes do bloco a apoiarem essa posição e condenarem taxativamente esse experimento autoritário", disse Milei, segundo comunicado da presidência argentina.

Segundo fontes ouvidas pela agência de notícias Efe, o governo brasileiro teria concordado com uma menção à defesa dos direitos humanos no país vizinho na declaração final da cúpula, condicionada à expressão de preocupação com a mobilização militar dos EUA na região. Não houve acordo com os argentinos.

Declaração às margens

Um grupo de seis países assinou às margens da cúpula, entretanto, uma declaração pedindo que a Venezuela reestabeleça a ordem democrática por meios pacíficos e garanta o respeito irrestrito aos direitos humanos.

O documento foi endossado por Argentina, Paraguai, Panamá, Bolívia, Equador e Peru. O Brasil e o Uruguai não assinaram, nem o Chile, que compareceu à cúpula como Estado associado.

Os signatários expressaram ainda "profunda preocupação com a grave crise migratória, humanitária e social na Venezuela" e exortaram Maduro a libertar imediatamente todos os cidadãos arbitrariamente privados de liberdade.

A declaração não faz alusão aos Estados Unidos e é mais moderada do que a posição defendida por Milei.

A cúpula em Foz do Iguaçu é também marcada pela frustração do Mercosul com o adiamento da assinatura do acordo de livre comércio com a União Europeia (UE), anteriormente esperada para este sábado.

Trump não descartou guerra

Trump não descartou a possibilidade de uma guerra com a Venezuela na sexta-feira. O líder da Casa Branca recusou-se, por outro lado, a comentar se o objetivo das operações militares americanas é a deposição de Maduro, com o qual conversou por telefone em novembro.

"Os Estados Unidos continuarão a perseguir o movimento ilícito de petróleo embargado que é usado para financiar o narcoterrorismo na região. Vamos encontrar e parar vocês," disse, numa rede social, a secretária de Segurança Interna de Trump, Kristi Noem.

Já o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, referiu-se a um "regime ilegítimo que coopera abertamente com terroristas que ameaçam a segurança dos Estados Unidos."

Os Estados Unidos aumentaram nas últimas semanas a pressão sobre governo de Maduro, a quem acusam de liderar o Cartel de los Soles, alegação negada por Caracas.

Por sua vez, a Venezuela declarou neste sábado ter recebido uma oferta de cooperação do Irã "em todos os âmbitos" para enfrentar "a pirataria e o terrorismo internacional" dos Estados Unidos no Caribe.

as/ht (Lusa, Efe, AFP)

Short teaser Já Milei pediu apoio aos EUA. Brasil não se junta a países que, às margens da cúpula do Mercosul, pressionam Maduro.
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Item 35
Id 75216590
Date 2025-12-19
Title Eventos climáticos extremos desafiam infraestrutura brasileira
Short title Clima extremo desafia infraestrutura do Brasil
Teaser

Destruição causada por tornado em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná

Multiplicação de ciclones extratropicais, apagões e prejuízos bilionários expõem a vulnerabilidade da infraestrutura brasileira diante da escalada de eventos climáticos extremos.Quando os radares da Defesa Civil captaram a possibilidade de temporal sobre Santa Catarina na última semana, o governo do estado tomou uma decisão drástica: suspender as aulas. Foi a primeira vez que mais de 520 mil alunos de escolas estaduais foram orientados a ficar em casa naquele 9 de dezembro como medida de prevenção a desastres. Estudantes da rede municipal em diversas cidades e universidades também cancelaram as atividades. A chuva e os ventos fortes eram trazidos por um ciclone extratropical que já ganhava o selo de atípico. Ele se formou no Paraguai, atravessou o Rio Grande do Sul e se intensificou na costa entre esse estado e Santa Catarina, detalha Marcelo Seluchi, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Uma família, incluindo um bebê de cinco meses, morreu dentro de um carro arrastado pela correnteza na Grande Florianópolis. Um dia depois, as mesmas rajadas sopraram na cidade de São Paulo. Os ventos chegaram a 100 quilômetros por hora, afetaram transformadores de energia, cancelaram voos, derrubaram placas de trânsito e paralisaram a vida em pelo menos dois milhões de imóveis. Alguns deles, uma semana depois, ainda estavam sem eletricidade. A contagem dos prejuízos está em andamento. A estimativa mais recente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) calcula perdas de pelo menos R$ 2,1 bilhões no comércio e no setor de serviços. Um mês antes, outro ciclone extratropical formado sobre o Sul do país foi o estopim para uma calamidade no Paraná. Nuvens pesadas ajudaram a formar três tornados que atingiram 11 cidades e arremessaram carros, derrubaram prédios, tombaram caminhões. O fenômeno destruiu 80% de Rio Bonito do Iguaçu e deixou seus 14 mil moradores em choque. "Nós não estamos preparados para isso. Nós não estamos adaptados para enfrentar esses eventos climáticos extremos”, avalia José Marengo, coordenador-geral de pesquisa do Cemaden, em entrevista à DW. Não raros, mas fortes Os ciclones extratropicais são um fenômeno conhecido na meteorologia. Na América do Sul, eles se formam próximo ao Sul do Brasil até o sul da Argentina e precisam de um ingrediente-chave: o calor que vem do Equador encontrando o frio que sai do polo. O Instituto Nacional de Meteorologia, Inmet, não tem um banco de dados que contabilize os ciclones extratropicais ocorridos no Brasil, informou o órgão à DW. Mas a pesquisa feita por Rosmeri Porfírio da Rocha, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, IAG, da Universidade de São Paulo (USP), revela que de três a quatro ciclones se formam nesta região, em média, por mês e "saem” para o Atlântico. Os ciclones, explica a cientista, têm um papel fundamental de auxiliar no transporte de calor do Equador para o polo e do frio no caminho contrário. "E quando fazem isso, geram ação, rotação, formam nuvem, tempestade, a pressão muda muito no espaço, os ventos se aceleram”, cita Rocha. A diferença do caso mais recente foi que ele se intensificou dentro do continente - e não no mar, como costuma ser. No monitoramento feito por Seluchi, o sistema chegou a 2 mil quilômetros de extensão e gerou efeitos desde a Argentina até o Rio de Janeiro. Em Florianópolis, estado exposto a este evento climático por sua posição geográfica, Regina Rodrigues vivenciou três ciclones em 2025 no quintal de sua casa. Professora na Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, ela é uma das brasileiras de um grupo internacional que investiga a conexão de eventos climáticos extremos com as mudanças climáticas. "A força motriz dos ciclones é a diferença de temperatura. Quanto maior for esta diferença, mais violento ele fica. Está ficando pior porque a parte subtropical e tropical do Brasil está ficando mais quente”, afirma Rodrigues à DW. No estado onde vive, considerado uma zona de "encontros” dessas massas, os ventos chegaram a 109 km/h na semana passada. Sem energia elétrica e internet em casa, Rodrigues viu pela janela telhados e toldos voando. Uma conta cada vez mais cara O despreparo para enfrentar ciclones mais fortes e outros eventos climáticos extremos é visível até na metrópole mais rica do país. Para moradores, comércios e indústrias na Grande São Paulo, ventanias e tempestades têm sido sinônimo de dias sem eletricidade. "Isso mostra toda a vulnerabilidade do sistema elétrico, com postes e fios aéreos — e que estão perto das árvores”, comenta Marengo. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) reconhece as lacunas do setor e a necessidade de adaptação diante das mudanças climáticas. Um estudo publicado no ano passado lista os potenciais impactos de tempestades, ventos fortes e enchentes na infraestrutura e no fornecimento de energia. Mas, até agora, as concessionárias não são cobradas por órgãos reguladores para aumentar a resiliência. Na capital paulista, o aterramento dos fios anda a passos lentos: a prefeitura afirma ter implantado 88 quilômetros de fiação subterrânea. Isso equivale a 0,02% dos 44 mil quilômetros sob concessão da Enel no estado, empresa distribuidora que atende 8 milhões de unidades consumidoras na região metropolitana, incluindo a capital. Os impactos afetam outros setores da economia. O de seguros, em geral, é um dos primeiros justamente por lidar diretamente com a materialização dos riscos. "Observa-se um aumento gigantesco no número de sinistros, o que torna o impacto das mudanças climáticas mais evidente”, comenta Luciane Moessa, advogada e diretora da ONG Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS). As seguradoras, afirma Moessa, têm buscado projetar novos cenários e rever suas metodologias de cálculo para enfrentarem os novos tempos. Mesmo que esse setor se adapte, não há garantias de um desfecho positivo: ao recalcular os riscos com base no aumento da frequência e da intensidade dos sinistros, os prêmios podem se tornar muito mais elevados do que são hoje. "E, com isso, as pessoas podem deixar de contratar seguros simplesmente porque não terão condições de arcar com os custos”, complementa Moessa, citando o exemplo do seguro agropecuário. Adaptação urgente Em nível nacional, o país acaba de aprovar o Plano Clima Adaptação. A política pública envolve 26 ministérios e busca aumentar a resiliência de estados e municípios diante de eventos extremos e, sobretudo, evitar mortes. O desafio será implementar as diretrizes nos estados e cidades — onde os impactos das mudanças climáticas se manifestam. Em outra frente, o Ministério do Meio Ambiente vai ajudar municípios a desenvolverem seus próprios planos com foco na proteção de vidas, infraestrutura, transporte, saúde e outros serviços essenciais. "Um plano de adaptação ideal parte, antes de tudo, do conhecimento profundo sobre onde o território é vulnerável. Por isso, o planejamento precisa ser participativo, envolvendo não apenas o poder público, mas também a sociedade civil e o setor privado”, afirma Lincoln Muniz Alves, coordenador-geral do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do MMA, à DW, referindo-se ao AdaptaCidade. Não há uma receita de bolo a ser seguida: a ideia é que cada município, a partir de sua realidade específica, defina suas prioridades. Em muitos casos, os problemas estão associados tanto ao excesso quanto à falta de água, cita como exemplo Alves. Nesta fase inicial, 581 cidades distribuídas por todos os estados participam desse esforço. Para colocar o plano em prática, o acesso ao financiamento pode ser uma barreira, já que muitos municípios estão endividados ou têm pouca capacidade técnica para elaborar projetos robustos. "Embora existam recursos disponíveis, a burocracia também é um obstáculo significativo. É necessário que as próprias agências financiadoras reconheçam essas limitações e adaptem seus mecanismos”, comenta Alves sobre outra necessidade de adequação. Lições dos traumas Pela primeira vez, as equipes de Defesa Civil das 295 cidades de Santa Catarina começam a receber um kit para enfrentar as emergências causadas pelos eventos climáticos extremos. Ele inclui uma caminhonete 4x4, drone, computador, entre outros equipamentos. "Não adianta emitir um alerta dizendo que vai chover muito em pouco tempo se não tem ninguém para traduzir isso, informar a população sobre a consequência. A depender da área, pode significar muita água entrando na casa das pessoas”, diz Mário Hildebrandt, secretário estadual da Proteção e Defesa Civil. O estado também tem quatro radares próprios que fazem raio-x e trajetória das nuvens num raio de 400 quilômetros. Os dados gerados por eles deram base para a decisão de cancelar as aulas na semana passada. Ex-prefeito de Blumenau, Hildebrandt diz ter enfrentado nove enchentes e 1.300 deslizamentos sob sua gestão, de 2018 a 2024. A cada enxurrada, diz o secretário, era como se um milhão "escorresse pelo ralo” em gastos públicos para reparar os estragos. "Essas lições têm sido importantes para a gente aprender e se adaptar, ampliar os serviços e capacitar as defesas civis”, afirma às vésperas do verão, quando chuvas intensas são mais frequentes.


Short teaser Ciclones e apagões expõem vulnerabilidade da infraestrutura diante de cada vez mais eventos climáticos extremos
Author Nádia Pontes
Item URL https://www.dw.com/pt-br/eventos-climáticos-extremos-desafiam-infraestrutura-brasileira/a-75216590?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Image caption Destruição causada por tornado em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná
Image source Priscila Ribeiro/REUTERS
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Item 36
Id 75248559
Date 2025-12-19
Title O que é o racismo estrutural?
Short title O que é o racismo estrutural?
Teaser

ADPF das Vidas Negras afirmava que o poder público aplica e financia e uma "política de morte” contra a população negra

STF reconheceu, em decisão unânime, a a existência do racismo estrutural no país e violações sistemáticas contra a população negra no Brasil. Mas o que significa esse conceito?Em uma decisão tomada de forma unânime, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, em sessão na quinta-feira (18/12), a existência do racismo estrutural e da violação contínua de direitos fundamentais da população negra no Brasil. A discussão se desenrolava desde novembro de 2023 na Corte e foi motivada por uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamento (ADPF) 973, ajuizada em 2022, pelos partidos PT, PSOL, PSB, PcdoB, Rede, PDT e PV e pela Coalizão Negra por Direitos. A ação, chamada informalmente de ADPF das Vidas Negras, afirmava que o poder público aplica e financia e uma "política de morte” contra a população negra e exigia a adoção de medidas para a garantia dos direitos fundamentais dos cidadãos brasileiros pretos e pardos. Os autores pediam que o Supremo também reconhecesse que o racismo estrutural é causador, no Brasil, de um estado de coisas inconstitucional, ou seja, uma violação massiva, generalizada e sistêmica de preceitos garantidos pela Constituição de 1988. O estado de coisas inconstitucional, no entanto, foi rejeitado pela maioria dos ministros no julgamento que terminou nessa quinta – inclusive pelo relator do caso no STF, Luiz Fux, que havia acatado esse ponto na sessão de 26 de novembro, mas mudou o entendimento. Além de Fux, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça seguiram o entendimento de que há violações e omissão do governo Federal à população negra causadas pelo racismo estrutural, mas acrescentaram que o estado brasileiro vem tomando medidas para reparação, como a política de cotas, o Estatuto da Igualdade Racial e o Ministério da Igualdade Racial. Cármen Lúcia, Flávio Dino e Edson Fachin foram voto vencido ao considerar a existência de estado de coisas institucional. Na decisão, o STF determinou que o Executivo revise o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial e crie um Plano Nacional de Combate ao Racismo Institucional. Deverão ser incluídas ações em áreas como saúde, segurança pública e educação – com cooperação de universidades brasileiras com instituições africanas no ensino de história e cultura afrobrasileira. Fux também sugeriu que o Judiciário elabore protocolos de atendimento para pessoas negras em tribunais, no Ministério Público, nas Defensorias Públicas e nas polícias. "Dizer que não há esse racismo histórico é negar a realidade. É só verificar órgãos públicos e universidades, mesmo com as cotas. Pretos e pardos não têm a chance de alcançar cargos estratégicos", declarou Fux, no voto. Mas o que é o racismo estrutural? O racismo estrutural refere-se à forma com que a discriminação de pessoas pretas e pardas – grupos que compõem a população negra – está enraizada na sociedade e é reproduzida em áreas tão distintas como economia, cultura, Justiça, acesso à saúde, participação política e relações sociais. Essa prática, portanto, perpetua a desigualdade histórica da população negra, dificultando o acesso dos cidadãos pretos e pardos a oportunidades de ascensão social e econômica. Logo, diferencia-se do racismo individual, que é um ato discriminatório causado por uma pessoa específica e, assim, parte do pressuposto de que sanções e punições também individuais seriam suficientes para impedir os crimes de injúria e discriminação racial. Porém, o contexto histórico e social do Brasil ainda causa mazelas profundas à população negra. Um dos principais pontos é o fato de que o governo brasileiro permitiu e praticou a escravidão de indivíduos de origem africana por mais de 300 anos, só abolindo a prática em 1888 – e sem lançar mão de políticas reparatórias por várias décadas. O racismo estrutural também explica fenômenos de forma mais ampla do que outro conceito, o do racismo institucional, cunhado em 1967 por Stokely Carmichael e Charles Hamilton, membros do Partido dos Panteras Negras. No livro Black Power: The Politics of Liberation, os autores definem o termo como a manifestação do racismo dentro de instituições como escolas, empresas, hospitais, forças policiais e órgãos públicos e quando práticas dessas instituições resultam em tratamento desigual ou desvantagens para grupos específicos. Segundo eles, enquanto o racismo individual é "visível e direto", o racismo institucional é "menos explícito" e, por causa disso, recebe menos condenação pública. O racismo estrutural, portanto, vai além e considera que essas práticas discriminatórias estão em todas as partes da sociedade, não só em instituições específicas. No Brasil, a desigualdade resultante do racismo é traduzida em números. De acordo com o Censo de 2022, do IBGE, a população negra é a maior do país, representando cerca de 56% da população. Mas isso não se reflete na política, por exemplo. Na Câmara dos Deputados, a presença de parlamentares pretos e pardos é de apenas 26%, também segundo o IBGE. O próprio STF, que reconheceu o racismo estrutural, não tem nenhum ministro negro. No trabalho, a disparidade racial também é gritante. Um levantamento da consultoria Diversitera, realizado entre 2022 e 2025 com 70 empresas, mostrou que apenas 9,7% dos cargos de topo dessas organizações eram ocupados por pessoas negras. Já o IBGE indica que, em todos os níveis de trabalho no Brasil, enquanto pretos e pardos recebem R$ 13,70 em média por hora trabalhada, os brancos ganham R$ 23 – 67,7% a mais que os negros. Mas é na violência que o racismo estrutural mostra sua face mais perversa, vitimando, em grande parte, cidadãos negros. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 82% das mortes decorrentes de intervenção policial em 2024 foram de pessoas pretas ou pardas; 65,4% dos policiais mortos em serviço nesse período no país eram negros; e 63,6% das vítimas de feminicídio também eram negras.


Short teaser STF reconheceu, em decisão unânime, a existência de violações sistemáticas da população negra.
Author Fábio Corrêa
Item URL https://www.dw.com/pt-br/o-que-é-o-racismo-estrutural/a-75248559?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
Image URL (940 x 411) https://static.dw.com/image/73798517_354.jpg
Image caption ADPF das Vidas Negras afirmava que o poder público aplica e financia e uma "política de morte” contra a população negra
Image source Cris Faga/NurPhoto/picture alliance
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Item 37
Id 75011709
Date 2025-12-04
Title Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal
Short title Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal
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Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe

Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono. A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente. O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro. Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada. Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes. O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira. Trump mantém apoio a Hegseth A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira. Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado. Hegseth debateu ataques no Iêmen O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz. O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais. O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen. O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar. Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque. A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada. Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas. as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)


Short teaser Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis.
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Image caption Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe
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Item 38
Id 74617158
Date 2025-11-04
Title Federação Albanesa de Voleibol exige "teste de gênero" em jogadora brasileira
Short title Liga albanesa de vôlei exige "teste de gênero" de brasileira
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Brasileira jogou em diversos países e tem 15 anos de carreira

Jogadora do KV Dinamo, Nayara Ferreira foi suspensa após denúncias de times rivais. Federação é acusada de discriminação contra atleta, que realizou o exame e se diz "destruída" pelas acusações.Uma decisão recente da Federação Albanesa de Voleibol (FSHV) de suspender a jogadora brasileira Nayara Ferreira e exigir que ela seja submetida a um teste de gênero tem gerado crescentes críticas no país dos Balcãs. O caso se tornou público no final de outubro e levou a fortes pressões contra a FSHV, acusada de discriminação contra a atleta. Ferreira, que defende o KV Dinamo, time da principal divisão feminina da Albânia, acumula 15 anos de carreira internacional, segundo o clube. Sites especializados mostram que ela passou por clubes de países europeus como Portugal, Finlândia e Espanha, e atua no vôlei feminino desde as categorias de base. No Brasil, iniciou no esporte em times como São Bernardo e Pinheiros. "Para maior transparência perante a opinião pública, confirmamos que as informações [de que uma investigação foi aberta] são verdadeiras", disse o KV Dinamo em nota publicada em 25 de outubro. "A decisão da Federação [...] surpreendeu completamente nosso clube, e não foi acompanhada de qualquer esclarecimento sobre os motivos concretos ou a base regulatória que justificasse um pedido tão incomum", concluiu. Em entrevista à DW, Ferreira diz não entender por que foi colocada nesta situação. "Me sinto destruída, como se estivesse perdendo a cabeça, porque penso muito sobre por que isso aconteceu comigo, porque fizeram isso comigo. Todo dia, no meu quarto, me faço essa pergunta e até agora não sei", disse ela. "Eles me pediram um teste de gênero. Eu já joguei em sete países, inclusive na Arábia Saudita. Nunca me fizeram essa pergunta antes, nunca." Ferreira fez o teste exigido pela FSHV voluntariamente, apenas porque não queria prejudicar o clube. "Não preciso provar a ninguém que sou mulher, porque eu sou mulher. 100%. [...] Não tenho palavras para explicar exatamente o que sinto”, acrescentou Ferreira. "Por que vocês [a FSHV] estão fazendo isso comigo? Só por olharem para meu rosto, só por verem meu cabelo?", continua. Equipes rivais exigem investigação Ferreira foi suspensa em outubro pela FSHV depois que duas equipes rivais, Vllaznia e Pogradec, solicitaram uma investigação. Em comunicado, a Federação afirmou que "análises pertinentes" seriam realizadas para "verificar o desempenho físico natural e determinar o gênero da jogadora". "A FSHV está agindo com cuidado e discrição, respeitando os princípios do fair play, da igualdade no jogo e da dignidade humana", escreveu o órgão. Até o momento, a brasileira ficou fora de três partidas. "Na ausência de quaisquer elementos concretos ou procedimentos definidos nos atos regulatórios, a exigência de submeter-se a tal teste, que afeta diretamente a dignidade e a integridade pessoal da jogadora, deixa margem para muitas incertezas sobre como esta questão foi conduzida e sobre os padrões que deveriam ser respeitados no esporte moderno", continuou o Dinamo em sua nota. A capitã do Dinamo, Elena Bego, disse que foi uma situação difícil para a equipe. "Em parte, coube a mim comunicar a notícia às outras jogadoras. Ficamos todos chocados. Este caso é extremamente escandaloso", disse Bego à DW. "Apoiamos Nayara durante todo o tempo." O treinador do Dinamo, Orlando Koja, acrescentou que a ausência de Nayara também teve um grande impacto esportivo, já que a equipe ficou desfalcada em partidas importantes. "Suspensão por motivos discriminatórios" Ao jornal Balkan Insight o Comissário da Albânia para a Proteção contra a Discriminação, Robert Gajda, diz que a suspensão de Ferreira foi discriminatória e "homofóbica". Ele acredita que todo o caso está sendo alimentado pela mesma desinformação que tem alimentado ataques a um projeto de lei para a igualdade de gênero que está em discussão no país. "Existem vários problemas à primeira vista. A situação começou inteiramente com base no preconceito, e uma suspensão foi imposta totalmente por motivos discriminatórios", disse ele ao Balkan Insight. "A jogadora está registrada internacionalmente, tem uma experiência muito longa em muitos clubes ao redor do mundo e é legalmente documentada como mulher." Em declarações posteriores, a Federação se disse preocupada sobre como o caso, que afirmou ser "de natureza inteiramente esportiva" se tornou um pretexto para "violar os direitos de indivíduos ou de certas comunidades". Também afirmou que encaminhará medidas disciplinares contra "insultos públicos e intimidação" supostamente praticados pela equipe do Dinamo. A questão de gênero no esporte feminino tem se tornado um tema de maior controvérsia nos últimos anos, especialmente após a polêmica global envolvendo Imane Khelif, a atleta olímpica argelina que conquistou ouro no boxe em Paris. Neste ano, a federação de boxe passou a exigir testes obrigatórios de gênero para todos os atletas.


Short teaser Jogadora do KV Dinamo, Nayara Ferreira realizou o exame e se diz "destruída" pelas acusações.
Author Jonathan Harding
Item URL https://www.dw.com/pt-br/federação-albanesa-de-voleibol-exige-teste-de-gênero-em-jogadora-brasileira/a-74617158?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Image caption Brasileira jogou em diversos países e tem 15 anos de carreira
Image source Gelhot/Fotostand/picture alliance
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Item 39
Id 74224547
Date 2025-10-02
Title Futebol do Leste alemão segue em crise, 35 anos após Reunificação
Short title Futebol do Leste alemão segue em crise após Reunificação
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1. FC Magdeburg, que já conquistou a Europa, é um dos poucos times do Leste nas principais divisões do futebol alemão

Dos 56 times nas três principais divisões alemãs, apenas seis são da antiga Alemanha Oriental. Mas, apesar das disparidades com o Oeste, uma nova geração de jogadores traz esperanças.Há pouco mais de 50 anos, o 1. FC Magdeburg conseguiu um feito do qual nenhum outro time da Alemanha Oriental chegou perto, ao conquistar a Copa da Europa – a atual Liga dos Campeões. Hoje, após uma longa jornada nas ligas inferiores, o clube está na segunda divisão do futebol alemão. "Acho que era impossível prever naquela época o que aconteceria com o futebol no Leste, especialmente logo após a Reunificação da Alemanha. Havia muitos fatores desconhecidos. Acho que as pessoas podem ter sido um pouco ingênuas", disse à DW Carsten Müller, que jogou no Magdeburg antes e depois da queda do Muro de Berlim e agora dirige as categorias de base da equipe. A transformação do Magdeburg, de rei continental para um time de segunda divisão, reflete o destino de muitos de seus pares na Alemanha Oriental. Dos 56 times profissionais nas três principais divisões da Alemanha, apenas seis são da antiga República Democrática da Alemanha (RDA). O sétimo clube do Leste, o RB Leipzig, foi fundado após a Reunificação. Décadas após a queda do Muro de Berlim, as divisões geográficas permanecem tanto no futebol masculino quanto no feminino. Sonhos despedaçados "Quando as empresas que cercam um clube se desintegram e a situação econômica da cidade e da região só piora, você se depara repentinamente com uma onda de desafios. Jogadores e clubes são constantemente submetidos a novos testes", disse Müller. O choque gerado pela onda de privatizações que atingiu a indústria da Alemanha Oriental após a queda do Muro de Berlim também impactou o futebol. Clubes anteriormente estatais do Leste repentinamente tiveram que competir com os abastados times ocidentais. "Muitos jogadores do Leste foram rapidamente levados para a Bundesliga [a primeira divisão do futebol alemão] pelos clubes ocidentais", disse Marco Hartmann, ex-jogador do Dínamo Dresden e atual chefe das categorias de base, à DW. "Isso significou que os melhores jogadores do Dínamo também foram rapidamente contratados naquela época, e a um preço bastante baixo, o que não beneficiou muito o clube." O Dínamo Dresden, oito vezes campeão da Alemanha Oriental – atualmente jogando na segunda divisão –, tornou-se apenas mais uma peça na liquidação do Leste para os ricos clubes da Bundesliga. A partir daí, as coisas só pioraram. "Muitos clubes do Leste tiveram gestões financeiras extremamente ruins. Acho que isso se deveu a todas as novas possibilidades que não estavam disponíveis anteriormente através do financiamento estatal", disse Hartmann. Rebaixamentos e falências, muitas vezes andando de mãos dadas, tornaram-se comuns. Os dois únicos clubes da Bundesligada região, o Union Berlin e o RB Leipzig, são exceções. O Union Berlin, na primeira divisão desde 2019, se beneficia de uma infraestrutura mais ampla e de maiores oportunidades financeiras à sua disposição por ser um time da capital. A controversa propriedade estrangeira do RB Leipzig e a falta de um histórico na Guerra Fria tornam a trajetória do clube dificilmente comparável com seus rivais na Bundesliga. Caminhos diferentes, destinos semelhantes Enquanto os clubes masculinos do Leste se esforçavam ao máximo para se manter vivos, um time feminino da antiga RDA ascendia ao topo do futebol. O Turbine Potsdam conquistou seis títulos da Bundesliga e dois da Liga dos Campeões entre 2004 e 2012, em parte porque o futebol feminino oferecia um ambiente significativamente mais equilibrado. "Acho que no futebol feminino não era preciso investir tanto, em comparação com um time masculino", disse à DW a ex-jogadora Anja Mittag. Ela acredita que o clube prosperou graças à influência do técnico Bernd Schröder, que comandou a equipe desde sua fundação, em 1971, até 2016. O sucesso ajudou o clube a conquistar apoio e infraestrutura vitais. "Ainda precisávamos de bons patrocínios e público para ganhar dinheiro. Foi grandioso, tínhamos uma cidade que realmente nos apoiava em Potsdam", disse Mittag. "Se você tem sucesso, atrai jogadoras. Acho que vencer a Liga dos Campeões nos deu uma grande vantagem", acrescentou. "Além disso, não havia muitos outros times de ponta para escolher naquela época, principalmente em comparação com o futebol masculino." Desde então, o Turbine tem lutado para acompanhar vários clubes masculinos que recentemente investiram pesadamente no futebol feminino, a grande maioria dos quais está no oeste. O antigo clube de Mittag passou por uma década de lento declínio, que finalmente o levou ao rebaixamento em 2023. O time feminino oriental de maior sucesso agora é o RB Leipzig, onde Mittag é treinadora. A ex-atleta da seleção alemã ingressou no clube como jogadora da terceira divisão e acompanhou o Leipzig durante a ascensão à Bundesliga em 2023, como reserva. "Acho importante para a região criar oportunidades diferentes. Acho que isso realmente cria muitas possibilidades para jovens jogadoras e torna as coisas mais atraentes", observou. Esperanças para o futuro Segundo Mittag, o RB Leipzig se concentra em suas categorias de base para fortalecer seu elenco e alcançar a meta de classificação para a Liga dos Campeões a médio prazo. Embora a classificação europeia seja um sonho distante para a maioria dos times masculinos da antiga Alemanha Oriental, o sucesso nas categorias de base pode ser a única maneira de se tornar mais competitivo em um ambiente cada vez mais desigual. "Trata-se de desenvolver jogadores titulares que se identifiquem com o clube e sejam apaixonados por jogar pelo Dínamo Dresden. É muito importante para nossos sócios e torcedores que tenhamos jogadores da região e, idealmente, os próprios torcedores, no time", disse Hartmann. "Não acho que ser considerado um clube em desenvolvimento seja algo ruim", afirmou Müller. "Precisamos encontrar maneiras de desenvolver jogadores para o nosso time principal. [O Magdeburg] tem muito potencial e investiu pesado no futuro." Embora a disparidade financeira entre os times ocidentais da Bundesliga e a maioria dos clubes do Leste ainda permaneça intransponível, o investimento no futebol juvenil já começa a dar resultados. Segundo a emissora alemã ZDF, 22% dos 880 jogadores que representaram a Alemanha nas categorias de base na última década são do Leste. Considerando que apenas 18% da população alemã vem de estados da região, a super-representação no futebol juvenil é um sinal de que as coisas estão caminhando na direção certa. Seja qual for o futuro, os clubes do Leste – assim como seus torcedores – o aceitarão com naturalidade. "O futebol no Leste sempre mostrou que raramente caímos em lamentações. Em vez disso, sempre mostramos que, independentemente das dificuldades, mantemos a cabeça erguida. É disso que as pessoas se orgulham", disse Müller.


Short teaser Dos 56 times nas três principais divisões alemãs, apenas seis são da antiga Alemanha Oriental.
Author Dave Braneck
Item URL https://www.dw.com/pt-br/futebol-do-leste-alemão-segue-em-crise-35-anos-após-reunificação/a-74224547?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Image caption 1. FC Magdeburg, que já conquistou a Europa, é um dos poucos times do Leste nas principais divisões do futebol alemão
Image source Melanie Zink/Sportfoto Zink/picture alliance
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Item 40
Id 63791517
Date 2025-09-10
Title Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan?
Short title Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan?
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Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado

Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança. Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade. O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir. Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes. Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°? Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança. Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas. Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão. O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°.


Short teaser Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo.
Author Bernd Riegert
Item URL https://www.dw.com/pt-br/quais-as-diferenças-entre-os-artigos-4°-e-5°-da-otan/a-63791517?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Image caption Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado
Image source Christoph Hardt/Panama/picture alliance
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Item 41
Id 73592603
Date 2025-08-10
Title Lesão cerebral mata dois boxeadores no mesmo evento no Japão
Short title Lesão cerebral mata dois boxeadores no mesmo evento no Japão
Teaser Atletas japoneses, ambos com 28 anos, foram hospitalizados após lutas separadas ocorridas no mesmo dia e não resistiram aos ferimentos na cabeça.

Dois boxeadores japoneses morreram em decorrência de lesões cerebrais sofridas em lutas separadas no mesmo dia 2 de agosto último e no mesmo evento em Tóquio, informou a mídia japonesa neste domingo (10/08).

O superpluma Shigetoshi Kotari morreu na última sexta-feira e o peso leve Hiromasa Urakawa, neste sábado. Ambos tinham 28 anos. Eles foram levados ao hospital, onde passaram por uma cirurgia no cérebro, mas não resistiram.

Os dois atletas foram operados no crânio devido a um hematoma subdural, quando ocorre acúmulo de sangue entre o cérebro e o crânio.

Kotari empatou após 12 rounds contra o também japonês Yamato Hata e desmaiou logo depois.

Já Urakawa perdeu por knockout no oitavo e último round contra Yoji Saito. O atleta "sucumbiu tragicamente aos ferimentos sofridos em sua luta", informou a Organização Mundial de Boxe no Instagram.

Entidade reformula regra

Tsuyoshi Yasukochi, secretário-geral da Comissão Japonesa de Boxe, disse à mídia local que esta pode ser "a primeira vez no Japão que dois lutadores passaram por cirurgias de abertura de crânio para tratar ferimentos sofridos no mesmo evento".

Em resposta, a entidade anunciou que todas as lutas pelo título da Federação de Boxe do Oriente e do Pacífico serão reduzidas de 12 para 10 rounds.

Terceira morte no boxe em um ano

A morte de Urakawa marca a terceira fatalidade no boxe mundial devido a lesões no ringue neste ano.

Em fevereiro passado, o boxeador irlandês John Cooney morreu, também aos 28 anos, uma semana após ser hospitalizado após sua derrota pelo título superpluma do Celtic para Nathan Howells em Belfast.

Ele sofreu uma lesão cerebral grave durante a luta.

Apelos por uma supervisão mais rigorosa do boxe – tanto no Japão quanto internacionalmente – vêm ganhando força após as fatalidades.

Ativistas exigem lutas mais curtas, exames médicos obrigatórios após as lutas e aplicação mais rigorosa dos protocolos de concussão.

md (Reuters, AFP, AP)

Short teaser Atletas japoneses, ambos com 28 anos, foram hospitalizados após lutas separadas realizadas no mesmo dia.
Item URL https://www.dw.com/pt-br/lesão-cerebral-mata-dois-boxeadores-no-mesmo-evento-no-japão/a-73592603?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Item 42
Id 73216916
Date 2025-07-13
Title O drama de um boxeador vítima de doping na Alemanha Oriental
Short title O drama de um boxeador vítima de doping na Alemanha Oriental
Teaser Cerca de 15 mil atletas da antiga Alemanha Oriental foram dopados durante anos sem seu consentimento, com danos graves e duradouros à saúde. Um deles é o boxeador Andreas Wornowski.

Andreas Wornowski teve a sensação de que algo estava errado em 1993, quatro anos após a mudança política que derrubou o regime comunista da República Democrática da Alemanha (RDA), a Alemanha Oriental. "Um médico no hospital da Bundeswehr (Forças Armadas alemãs) me perguntou diretamente sobre drogas para melhorar o desempenho esportivo. Minha resposta foi dar de ombros. Não admiti essa ideia, nunca mais pensei no assunto e o ignorei."

Há mais de quatro décadas o ex-boxeador de 54 anos sofre consequências graves para a sua saúde, com dores dia e noite – a começar pela mão esquerda, que usava para dar socos, incapacitada. O quadro é agravado por uma depressão grave. O ex-atleta da RDA se deu conta de que essas são consequências do doping forçado na RDA, o que fez com que ele começasse a lidar com seu passado.

Início de carreira aos 13 anos

O caminho de Wornowski para os esportes de elite começou relativamente tarde, aos onze anos. Com talento, disciplina e dedicação aos treinamentos, ele se tornou campeão distrital em sua faixa etária em Magdeburg apenas um ano depois.

Aos treze anos, ingressou na Escola de Esportes Infantis e Juvenis de Berlim, um internato esportivo de elite onde a RDA formava seus futuros medalhistas, onde Wornowski morou até atingir a maioridade, só podendo voltar para casa a cada quatro semanas.

Inicialmente, sua mãe, enfermeira de profissão, era estritamente contra o boxe. O esporte era brutal demais para ela. Mas o pai de Wornowski e o conselho distrital de sua cidade natal a convenceram.

Olhando para o passado, Wornowski compreende a preocupação de sua mãe. Praticar boxe significava consentir com agressões físicas. Se a força dos golpes fosse então aumentada com medicamentos, culminava em um verdadeiro "massacre com material corporal", nas palavras do ex-boxeador, com golpes de "martelo a vapor" na cabeça.

Na seleção juvenil da RDA

Ele descreve o período que viveu a partir de então como "uma espécie de campo de treinamento extremo", no qual crianças e adolescentes eram obrigados a atingir seu potencial máximo por meio de medicamentos para melhorar o desempenho, aliviar a dor e desinibir, sob enorme pressão psicológica e física para demonstrarem bom desempenho.

Qualquer um que não conseguisse suportar isso ou fizesse perguntas incômodas sobre comprimidos ou injeções era expulso. Na 8ª série havia 21 jovens e, na 10ª, apenas quatro.

Wornowski rapidamente alcançou o sucesso e chegou à seleção juvenil da RDA. A partir de 1986, ele passou a receber regularmente vários medicamentos na forma de cápsulas azuis, pretas e vermelhas oficialmente rotuladas como "vitaminas e agentes de reforço imunológico".

Hoje, Wornowski está convencido de que esses medicamentos incluíam o agente anabolizante Oral-Turanibol, o esteroide anabolizante Mestanolona, a substância de teste esteroide 646 e drogas psicotrópicas projetadas para aumentar a agressividade.

Esses medicamentos foram comprovadamente administrados a todo o grupo de treinamento de Wornowski durante os tratamentos experimentais de treinamento sob a direção de Hans Gürtler, um renomado médico esportivo da Alemanha Oriental e corresponsável pelo programa estatal de doping, que, a partir de 1974, ficou conhecido como "Plano Estatal Tema 14.25".

Sessões brutais de treinamento

O auge esportivo de Wornowski começou aos 16 anos, quando ele se tornou campeão juvenil dos meio-pesados da Alemanha Oriental e venceu torneios internacionais. Tornou-se representante da RDA, um "diplomata de agasalho de treino", como era chamado na época.

Um memorando da Stasi, a polícia secreta da RDA, atestava que Wornowski "determina o nível de desempenho da RDA em sua idade e categoria de peso." A decisão em suas lutas era frequentemente tomada por nocaute no primeiro round. "Por mais de um ano, ninguém ficou em pé", diz o ex-boxeador.

Mas, paralelamente à sua fama, seu declínio físico aumentou. As dores aumentaram e seus ferimentos se acumularam: um nariz quebrado, pálpebras costuradas e dentes arrancados.

Somou-se a isso um treinamento implacável com até quatro sessões de duas horas por dia. Em circunstâncias normais, isso vai além dos limites de resistência física. "Eu realmente não conseguia continuar, mas fui em frente mesmo assim. Hoje eu diria [que aquelas eram] condições brutais", lembra Wornowski.

Ele afastava a dor ingerindo até 20 analgésicos por dia, algo que não era incomum para ele. Para perder peso antes de uma competição, ele frequentemente tinha que fazer seu treinamento com luvas – socos com luvas de boxe em almofadas especiais seguradas pelo treinador – em uma sauna a uma temperatura de 90º C.

Na Universidade Alemã de Cultura Física e Esportes em Leipzig, ele foi até forçado a desmaiar em uma esteira ergométrica para testar seus limites de desempenho. Apenas uma cinta o impedia de cair.

Fim de carreira por razões políticas

A carreira esportiva de Wornowski terminou abruptamente aos 19 anos, na primavera de 1989, mais de seis meses antes da queda do Muro de Berlim. Oficialmente, isso ocorreu devido a seus problemas de saúde, principalmente oculares. Wornowski, no entanto, acredita que o motivo teria sido o fato de que ele havia se recusado a se filiar ao partido estatal da Alemanha Oriental, o Partido Socialista Unitário (SED).

O que lhe restou foi uma profissão para a qual nunca havia se formado: mecânico de automóveis. Wornowski nunca havia visto o interior de uma oficina mecânica, mas a Stasi lhe forneceu um exame profissional.

Oficialmente, como todos os atletas competitivos na RDA, ele era considerado amador, já que não havia em caráter oficial esportes profissionais no regime socialista.

Após a Reunificação alemã – em 3 de outubro de 1990 – foi somente em 1997 que alguns processos judiciais trouxeram à tona a extensão do doping estatal da Alemanha Oriental. Em resposta, diversas leis de auxílio às vítimas de doping foram aprovadas em 2002 e posteriormente. Por meio delas, cerca de 2.000 pessoas afetadas, incluindo Wornowski, receberam pagamentos únicos de 10.500 euros cada (R$ 67 mil).

Essas leis, porém, já expiraram. Os procedimentos atuais de reconhecimento são complicados e envolvem enormes obstáculos. A Associação de Assistência às Vítimas de Doping estima que cerca de 15.000 pessoas sejam afetadas.

Wornowski luta por uma pensão mensal devido aos danos causados à sua saúde. Um pedido foi rejeitado, uma vez que é difícil provar os danos causados pelo doping da RDA. Todos os seus registros médicos desapareceram, o que o levou a entrar com uma ação judicial.

"Esta é uma grande tragédia. O verdadeiro problema para as pessoas afetadas é que seus registros médicos desapareceram e elas estão em uma situação difícil que provavelmente não será resolvida mesmo com a emenda" explica o advogado de Wornowski, Ingo Klee, se referindo a uma nova regulamentação que visa beneficiar as vítimas de doping da RDA.

Mudança na lei traz novas esperanças

Alguns ex-funcionários e médicos do sistema esportivo da RDA ocupam cargos importantes ainda nos dias atuais, afirma Michael Lehner, presidente da Associação de Assistência às Vítimas de Doping.

No caso de Wornowski, o chefe dos serviços médicos do estado de Brandemburgo redigiu um parecer médico negativo. O especialista trabalhou no serviço de medicina esportiva da RDA no final da década de 1980, justamente a instituição responsável pela implementação prática do doping forçado. O médico em questão, porém, nega qualquer envolvimento em práticas de doping.

Lehner tem esperanças em uma nova regulamentação que visa inverter o ônus da prova: para certas doenças típicas, o doping deve ser considerado a causa. No entanto, isso não é de forma alguma automático, alerta Klee. O advogado de Wornowski diz que os órgãos de Previdência Social ainda podem duvidar dos danos resultantes do doping, por exemplo, citando um histórico de saúde familiar.

"Não é só a falta de provas, os problemas de saúde, as dificuldades financeiras – isso tudo é repugnante e quase insuportável", diz Wornowski. Hoje, ele e a esposa vivem uma vida isolada em sua casa em uma floresta. Alguns de seus antigos companheiros de treino já faleceram. "Em todos os funerais, todos têm o mesmo pensamento: quem vai saber o que nos deram naquela época?"

Short teaser Cerca de 15 mil atletas foram dopados durante anos sem consentimento. Um boxeador ainda luta pela verdade dos fatos.
Item URL https://www.dw.com/pt-br/o-drama-de-um-boxeador-vítima-de-doping-na-alemanha-oriental/a-73216916?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Item 43
Id 72986020
Date 2025-06-21
Title Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã
Short title Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã
Teaser Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã.

O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam.

Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados."

Condições deterioram para afegãos no Irã

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã.

Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar.

As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã.

Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários."

Sem opção de retorno

Atualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família.

"Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi."

Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria."

Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar.

"Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos."

Traficantes de pessoas exploram medos

Redes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras.

Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas.

O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas."

Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia."

Short teaser Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação.
Author Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad
Item URL https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Item 44
Id 57531509
Date 2025-06-13
Title Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel
Short title Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel
Teaser Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas.

A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país.

Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital.

Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen.

Sistema de três elementos

A defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance.

Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia.

Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo.

O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos.

Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio.

90% de êxito, mas com custos altos

O "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país.

De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011.

Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas.

Nova arma a laser "Iron Beam"

Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam".

O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones.

A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022.

As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos.

Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025.

Short teaser Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011.
Author Uta Steinwehr
Item URL https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
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Item 45
Id 72595695
Date 2025-05-19
Title Esportes "ninja" conquistam a Alemanha
Short title Esportes "ninja" conquistam a Alemanha
Teaser

Praticar esportes ninjas significa completar um percurso complexo com muitos obstáculos diferentes dentro de um determinado tempo

Modalidade esportiva que tem origem em programas de TV estreou sua própria "Bundesliga". O chamado "playground de adultos" agrada também crianças e pode ajudar no desenvolvimento motor infantil."É como um playground gigante para nós, adultos. Todos nos divertimos muito", conta Marlies Brunner à DW, com brilho nos olhos. "Ficamos tão felizes quanto crianças por podermos praticar esse esporte." A jogadora de 23 anos viajou da Áustria para Bonn, na Alemanha, para participar da estreia da Ninja Bundesliga ("liga nacional"). Praticar esportes ninjas significa completar um percurso complexo com muitos obstáculos diferentes dentro de um determinado tempo. Acima de tudo, os atletas precisam de força, resistência, coordenação e técnica, além de vigor mental, para chegar à linha de chegada sem cair no colchão de ar ou nos colchonetes, sendo fiel ao lema "o chão é lava". "Você voa bastante pelo ar, se sente leve e não mais preso à gravidade", explica Ouissal Touiher à DW. É completamente diferente se mover apenas com as mãos e não com os pés, diz a jovem de 20 anos. "Há muitos movimentos diferentes que tornam o esporte tão especial", afirma Brunner, que no ano passado se tornou campeã austríaca da modalidade. O que soa como algo espetacular, parece, de fato, ser. Os ninjas escalam, deslizam, balançam ou "voam" pela pista de obstáculos, com todo o peso do corpo quase que inteiramente apoiado nos dedos. "Acho admirável o quanto as mãos são capazes de suportar", diz Brunner. "Sou muito grata ao meu corpo por me permitir fazer tudo isso." Os atletas iniciam o percurso um após o outro, alguns com tanta adrenalina que chegam ao limite e falham logo no primeiro obstáculo. Um erro ao tentar agarrar um obstáculo ou uma ação desconcentrada e a competição acaba. "Parquinhos infantis são muito 'ninjas'" O atual esporte da moda, que ainda é pouco conhecido na Alemanha, cresceu rapidamente nos últimos anos e vem se tornando cada vez mais popular. Existem atualmente no país quase 1.300 ninjas que praticam essa modalidade regularmente. Muitos deles migraram de outros esportes, como o montanhismo, boulder, acrobacia ou ginástica. Há também cada vez mais crianças aderindo aos esportes ninjas e crescendo com eles. Atualmente, cerca de metade dos praticantes ativos têm menos de 16 anos. "As crianças geralmente adoram ser ativas. Os parquinhos infantis são muito 'ninjas'. Elas se balançam e escalam", explica Touiher. "Elas definitivamente deveriam frequentar mais os ginásios ninja." Steffen Moritz, um dos fundadores da Ninja Bundesliga, concorda com essa afirmação. "Quem costumava escalar ou se pendurar muito vai se lembrar daqueles tempos. As crianças sabem imediatamente o que precisam fazer no percurso", afirmou Moritz à DW. Esses movimentos, segundo diz, estão ausentes em muitas crianças hoje em dia. Isso também se confirma por dados atuais de um estudo da empresa Seguradora de Saúde do Comércio (KKH), segundo o qual, cada vez mais crianças e jovens na Alemanha sofrem de distúrbios de desenvolvimento motor. A proporção de crianças de seis a 18 anos afetadas pelo problema aumentou cerca de 64% entre 2008 e 2023. Em 2023, mais de 311.000 alunos foram diagnosticados. A causa geralmente é a falta de exercícios, de acordo com o estudo da seguradora. Os esportes ninjas podem ajudar a resolver o problema. Os organizadores estão satisfeitos com a adesão de um número cada vez maior de ninjas mais jovens à modalidade. "Queremos ser uma plataforma para esse esporte que foi inventado no Japão e tem origem em um programa de televisão", explica Moritz. Origem EM programa de TV japonês Na Alemanha, o esporte ficou conhecido através do programa de TV Ninja Warrior Germany ("Guerreiro Ninja Alemanha"). O programa, transmitido pelo canal de televisão RTL desde 2016, foi adaptado do original americano American Ninja Warrior. No entanto, o conceito de Ninja Warrior teve origem no Japão, onde foi transmitido pela primeira vez em 1997 sob o nome Sasuke. Esses programas também são muito populares no Vietnã e na Austrália. Ao longo dos anos, uma comunidade internacional de entusiastas se desenvolveu, influenciada pelos programas de TV. O desafio para Steffen Moritz e sua equipe agora é fazer com que esse "esporte televisivo" se estabeleça na Alemanha. Como dinheiro e patrocinadores ainda são escassos, muito ainda funciona através do trabalho voluntário. "Este esporte é financiado principalmente pelas taxas de inscrição que os atletas têm que pagar se quiserem participar da Bundesliga", diz Moritz. Contudo, os desenvolvimentos recentes deixam não apenas os organizadores, mas também os ninjas confiantes de que mais e mais patrocinadores acabarão tomando conhecimento do novo esporte. Jovens prevalecem na estreia da Bundesliga "O esporte progrediu enormemente. Há cada vez mais academias ninja, competições incríveis e muitos eventos como a Bundesliga Ninja na Alemanha", diz Marlies Brunner. "É possível perceber que o esporte já se tornou muito grande." É fascinante ver o quanto as crianças se divertem e o quanto elas já se saem bem no esporte, diz a austríaca. "Nós, adultos, realmente precisamos correr atrás para acompanhar." Dessa forma, não é nenhuma surpresa que Jonas Elting, o vencedor do evento de estreia da Bundesliga em Bonn, tenha apenas 17 anos.


Short teaser Modalidade esportiva que tem origem em programas de TV pode ajudar no desenvolvimento motor das crianças.
Author Thomas Klein
Item URL https://www.dw.com/pt-br/esportes-ninja-conquistam-a-alemanha/a-72595695?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste
Image URL (940 x 411) https://static.dw.com/image/72536676_354.jpg
Image caption Praticar esportes ninjas significa completar um percurso complexo com muitos obstáculos diferentes dentro de um determinado tempo
Image source Toni Köln/DW
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Item 46
Id 72504004
Date 2025-05-11
Title Os adolescentes alemães perderam o amor pelo futebol?
Short title Os adolescentes alemães perderam o amor pelo futebol?
Teaser

Federação Alemã de Futebol propõe reformas para resgatar adolescentes no esporte

Alemanha viu desaparecer quase 6 mil equipes masculinas nas categorias de base desde 2006. Federação prepara plano para resgatar interesse dos jovens pelo esporte.Na Alemanha, o entusiasmo pela participação da seleção na Copa do Mundo de 2026 contrasta com uma realidade preocupante para o esporte: desde 2006, o país perdeu quase 6 mil equipes masculinas de futebol nas categorias sub-19 e sub-17. Em resposta à crise que ameaça o futuro do futebol no país, a Federação Alemã de Futebol (DFB) vem desenvolvendo uma série de reformas estruturais coordenadas por Hannes Wolf, ex-treinador da Bundesliga – o campeonato alemão – e atual diretor de futebol juvenil da entidade. "Temos que garantir que não haja uma participação falsa, mas que os jovens realmente se envolvam", disse em uma conferência da entidade. "Se você já está no banco no sub-13 e não é bom o suficiente para se dedicar à sua paixão, então eu também diria aos meus filhos que se dediquem a outra coisa." A conferência realizado em Frankfurt reuniu 220 representantes das 21 federações regionais da Alemanha. O objetivo era construir um novo plano nacional para as categorias de base, com foco na identidade do esporte — onde a diversão precede os resultados. As propostas discutidas devem ser apresentadas até setembro, durante o Dia Nacional da Juventude da Alemanha, e testadas por federações regionais antes da adoção plena em 2026. "O futebol precisa se modernizar se quiser continuar sendo atraente para os jovens no futuro", disse Bernd Neuendorf, presidente da DFB. "Mesmo que atualmente tenhamos longas listas de espera nos clubes de muitas cidades, já não é garantido que as crianças comecem a jogar futebol e permaneçam nas categorias de base." O que vem mudando no futebol europeu O desafio enfrentado pela Alemanha não é exclusivo. Na Inglaterra, por exemplo, houve crescimento na adesão de crianças e adolescentes de 5 a 16 anos ao futebol após a pandemia da covid-19, mas a faixa de 16 a 24 anos registrou queda de 27% na participação entre 2015 e 2023, segundo levantamento da Sport England. A Federação Inglesa de Futebol (FA) respondeu com uma nova estratégia lançada em 2024. Entre as medidas, está o formato 3 contra 3 para menores de 7 anos, com estreia prevista para 2026, com o objetivo de aumentar o tempo de contato com a bola. Na Alemanha, Hannes Wolf acredita que a criatividade precisa voltar aos treinamentos. Uma das ideias é popularizar jogos em campos oficiais que simulem o estilo do futebol de rua. Pressões, custos e novas prioridades Plataformas digitais, altos custos para praticar o esporte, cronogramas excessivos e expectativas desproporcionais são apenas alguns dos obstáculos. Lesões, separações familiares e mudanças de cidade completam o quadro. Thomas Broich, diretor da categoria de base do Borussia Dortmund, alertou recentemente que o futebol juvenil pode se tornar um "grande problema cultural" para a Alemanha. Já o treinador Malte Boven, radicado em Hamburgo, observa que reformas feitas em 2019 priorizaram os mais novos, deixando os adolescentes em segundo plano — justamente os que estão mais próximos do futebol profissional. Para ele, compreender por que esta faixa etária tem desistido do esporte exige olhar para múltiplos fatores, especialmente as mudanças culturais. "Acho que o 'porquê' e o 'como' queremos jogar se tornaram mais importantes para os jogadores nos últimos anos", disse Boven à DW. "Há uma diferença social entre gerações." Confiança e estrutura como resposta Apesar de não prever uma escassez iminente de jogadores, Boven defende ajustes importantes para que o futebol continue sendo uma escolha atrativa. Isso inclui rever o modo de comunicação com atletas e pais, melhorar o acesso a instalações esportivas e ensinar os jovens a lidar com a pressão de forma conjunta com os treinadores. Ele apoia as propostas da Federação Alemã de Futebol, mas reconhece que a cultura do resultado ainda domina. "A participação é uma realidade quando se trata de vencer no futebol juvenil, especialmente em clubes amadores. Nesse caso, há uma pseudoparticipação de todos os jogadores envolvidos, porque não lhes dou a oportunidade de realmente fazer parte do jogo", pontua. "É preciso incutir neles a máxima confiança de que podem fazer isso, que merecem jogar no clube, que há um motivo para vestirem essa camisa. Porque, como treinador ou como clube, decidimos que eles joguem esse esporte, e agora nossa obrigação e responsabilidade é lhes dar tempo de jogo." Estratégias além do campo Boven também propõe alternativas para tornar o futebol mais relevante: oferecer aos jovens atletas uma "carta de desenvolvimento de habilidades" ao deixarem as categorias de base, ajudando a dar os próximos passos no mercado de trabalho. "Eu teria um incentivo completamente diferente de simplesmente me tornar um jogador profissional. Ainda quero ser, mas sei que aqui vou ter algo para mostrar pelo meu esforço", afirma. Para ele, é o futebol profissional — com sua mentalidade, cultura e influência — que mais precisa de atenção.


Short teaser Alemanha viu desaparecer quase 6 mil equipes masculinas nas categorias de base desde 2006.
Author Jonathan Harding
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Image caption Federação Alemã de Futebol propõe reformas para resgatar adolescentes no esporte
Image source motivio/dpa/picture alliance
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Item 47
Id 64814042
Date 2023-02-25
Title Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos?
Short title Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos?
Teaser

O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia

UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção. Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março. Lei antioligarca De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda. Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias. Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado. Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares. Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados ​​por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas. Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares. Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país. Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros. A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões. Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares. Não existem mais oligarcas ucranianos? Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política. Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los". De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE. Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra. "Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos. Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas.


Short teaser UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas.
Author Eugen Theise
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Image caption O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia
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Item 48
Id 64820664
Date 2023-02-25
Title Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil
Short title Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil
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Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil

De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. Prefeito de Istambul diz ser necessário até 40 bilhões de dólares para se preparar para possível novo grande tremor.Duas semanas e meia após o terremoto de 7,8 de magnitude na área de fronteira turco-síria, o número de mortos aumentou para mais de 50 mil, informaram as autoridades dos dois países nesta sexta-feira (24/02). A Turquia registrou 44.218 mortes, de acordo com a agência de desastres turca Afad, e a Síria reportou ao menos 5,9 mil mortes. Nos últimos dias, não houve relatos de resgate de sobreviventes. Tremores secundários continuam a abalar a região. Neste sábado (25/02), um tremor de magnitude 5,5 atingiu o centro da Turquia, informou o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a uma profundidade de 10 quilômetros. O observatório sísmico de Kandilli disse que o epicentro foi localizado no distrito de Bor, na província de Nigde, que fica a cerca de 350 quilômetros a oeste da região atingida pelo grande tremor de 6 de fevereiro. Graves incidentes e vítimas não foram reportados após o tremor deste sábado. Segundo a Turquia, nas últimas três semanas, foram mais de 9,5 mil tremores secundários e a terra chegou a tremer, em média, a cada quatro minutos. De acordo com o governo turco, 20 milhões de pessoas no país são afetadas pelos efeitos do terremoto. As Nações Unidas estimam que na Síria sejam 8,8 milhões de pessoas afetadas. Turquia começa reconstrução As autoridades turcas começaram a construir os primeiros alojamentos para os desabrigados. O trabalho de escavação de terra está em andamento nas cidades de Nurdagi e Islahiye, na província de Gaziantep, escreveu no Twitter o ministro do Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Mudança Climática, Murat Kurum. Inicialmente, estão previstos 855 apartamentos. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometeu a reconstrução em um ano. Críticos alertam que erguer prédios tão rapidamente pode fazer com que a segurança sísmica dos edifícios seja negligenciada novamente. A oposição culpa o governo de Erdogan, que está no poder há 20 anos, pela extensão do desastre porque não cumpriu os regulamentos de construção. Também neste sábado, o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, disse que pelo menos 184 pessoas foram detidas por suposta negligência em relação a prédios desabados após os terremotos. Entre eles, estão empreiteiros e o prefeito do distrito de Nurdagi, na província de Gaziantep. Até agora, o Ministério do Planejamento Urbano inspecionou 1,3 milhão de edifícios, totalizando mais de meio milhão de residências e escritórios, e relatou que 173 mil propriedades ruíram ou estão tão seriamente danificadas que precisam ser demolidas imediatamente. Ao todo, quase dois milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas, demolidas ou danificadas pelos tremores, e vivem atualmente em tendas, casas pré-fabricadas, hotéis, abrigos e diversas instituições públicas, detalhou um comunicado do Afad. Cerca de 528 mil pessoas foram evacuadas das 11 províncias listadas como regiões afetadas, acrescentou o comunicado do serviço de emergência, enquanto 335 mil tendas foram montadas nessas áreas e 130 núcleos provisórios de casas pré-fabricadas estão sendo instalados. Em março e abril começará a construção de 200 mil novas casas, prometeu o ministério turco. Estima-se que o terremoto de 6 de fevereiro tenha custado à Turquia cerca de 84 bilhões de dólares. Na Síria, o noroeste é particularmente atingido pelos efeitos do tremor. Há poucas informações sobre o país devastado pela guerra. Diante de anos de bombardeios e combates, muitas pessoas ali já viviam em condições precárias antes dos tremores. Istambul precisa de 40 bilhões de dólares Enquanto isso, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, disse a cidade, que fica perto de uma grande falha geológica, precisa de um programa urgente de urbanização no valor de "cerca de 30 bilhões a 40 bilhões de dólares" para se preparar para um possível novo grande terremoto. "A quantia é três vezes maior do que o orçamento anual da cidade de Istambul, mas precisamos estar prontos antes que seja tarde demais", disse Imamoglu a um conselho científico. De acordo com um relatório de 2021 do observatório sísmico de Kandilli, um potencial terremoto de magnitude superior a 7,5 danificaria cerca de 500 mil edifícios, habitados por 6,2 milhões de pessoas, cerca de 40% da população da cidade, a mais populosa da Turquia. Istambul fica ao lado da notória falha geológica do norte da Anatólia. Um grande terremoto em 1999 que atingiu a região de Mármara, incluindo Istambul, matou mais de 18 mil. le (EFE, DPA, Reuters, ots)


Short teaser De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos.
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Image caption Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil
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Item 49
Id 64819106
Date 2023-02-25
Title UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia
Short title UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia
Teaser

"Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos", disse Ursula von der Leyen,

Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra firmas iranianas que fornecem drones a Moscou. Mais de 100 indivíduos e entidades russas são afetados.A União Europeia prometeu aumentar a pressão sobre Moscou "até que a Ucrânia seja libertada", ao adotar neste sábado (25/02) um décimo pacote de sanções contra a Rússia, acordado pelos líderes do bloco no dia anterior, que marcou o primeiro aniversário da invasão da Ucrânia. O conjunto de medidas inclui veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra empresas iranianas que fornecem drones a Moscou. "Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos – esgotando o arsenal de guerra da Rússia e mordendo profundamente sua economia", disse a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, através do Twitter, acrescentando que o bloco está aumentando a pressão sobre aqueles que tentam contornar as sanções da UE. O chefe de política externa da UE, Josep Borrell, alertou que o bloco continuará a impor mais sanções contra Moscou. "Continuaremos a aumentar a pressão sobre a Rússia – e faremos isso pelo tempo que for necessário, até que a Ucrânia seja libertada da brutal agressão russa", disse ele em comunicado. Restrições adicionais são impostas às importações de mercadorias que geram receitas significativas para a Rússia, como asfalto e borracha sintética. Os Estados-membros da UE aprovaram as sanções na noite de sexta-feira, depois de uma agitada negociação, que foi travada temporariamente pela Polônia. Acordo após mais de 24 horas de reuniões As negociações entre os países da UE ficaram estagnadas durante a discussão sobre o tamanho das cotas de borracha sintética que os países poderão importar da Rússia, uma vez que a Polônia queria reduzi-las, mas finalmente houve o acordo, após mais de 24 horas de reuniões. "Hoje, a UE aprovou o décimo pacote de sanções contra a Rússia" para "ajudar a Ucrânia a ganhar a guerra", anunciou a presidência sueca da UE, em sua conta oficial no Twitter. O pacote negociado "inclui, por exemplo, restrições mais rigorosas à exportação de tecnologia e produtos de dupla utilização", medidas restritivas dirigidas contra indivíduos e entidades que apoiam a guerra, propagandeiam ou entregam drones usados pela Rússia na guerra, e medidas contra a desinformação russa", listou a presidência sueca. Serão sancionados, concretamente, 47 componentes eletrônicos usados por sistemas bélicos russos, incluindo em drones, mísseis e helicópteros, de tal maneira que, levando em conta os nove pacotes anteriores, todos os produtos tecnológicos encontrados no campo de batalha terão sido proibidos, de acordo com Ursula von der Leyen. O comércio desses produtos, que as evidências do campo de batalha sugerem que Moscou está usando para sua guerra, totaliza mais de 11 bilhões de euros (mais de R$ 60 bilhões), segundo autoridades da UE. Sanções contra firmas iranianas Também foram incluídas, pela primeira vez, sete empresas iranianas ligadas à Guarda Revolucionária que fabricam os drones que Teerã está enviando a Moscou para bombardear a Ucrânia. As novas medidas abrangem mais de 100 indivíduos e empresas russas, incluindo responsáveis pela prática de crimes na Ucrânia, pela deportação de crianças ucranianas para a Rússia e oficiais das Forças Armadas russas. Todos eles terão os bens e ativos congelados na UE e serão proibidos de entrar no território do bloco. O décimo pacote novamente foca na necessidade de evitar que tanto a Rússia como os oligarcas contornem as sanções, tendo sido acordado considerar a utilização de bens do Banco Central russo congelados na UE para a reconstrução da Ucrânia. No entanto, vários países têm dúvidas jurídicas sobre a possibilidade de utilizar esses recursos para a reconstrução e pedem o máximo consenso internacional. md (EFE, Reuters, AFP)


Short teaser Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e retaliações a empresas iranianas que fornecem drones a Moscou.
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Image caption "Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos", disse Ursula von der Leyen,
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Item 50
Id 64816115
Date 2023-02-24
Title Zelenski quer América Latina envolvida em processo de paz
Short title Zelenski quer América Latina envolvida em processo de paz
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Zelenski fez declaração em coletiva de imprensa que marcou um ano da guerra na Ucrânia

Presidente ucraniano propõe cúpula com os países da região e diz ter convidado Lula para ir a Kiev. Ele diz ainda que nações da África, além de China e Índia, deveriam se sentar na mesa de negociações.O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou nesta sexta-feira (24/02) que deseja que países da América Latina e África, além da China e Índia, façam parte de um processo de paz para o fim da guerra com a Rússia. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa para veículos internacionais que marcou um ano da invasão russa na Ucrânia. Buscando fortalecer os laços diplomáticos, Zelenski propôs a realização de uma cúpula com os líderes latino-americanos. "É difícil para mim deixar o país, mas eu viajaria especialmente para essa reunião", destacou. Ao manifestar a intenção de reforçar os contatos bilaterais, Zelenski citou especificamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ser questionado por um jornalista brasileiro. "Eu lhe mandei [a Lula] convites para vir à Ucrânia. Realmente espero me encontrar com ele. Gostaria que ele me ajudasse e apoiasse com uma plataforma de conversação com a América Latina", disse Zelenski. "Estou realmente interessado nisso. Estou esperando pelo nosso encontro. Face a face vou me fazer entender melhor." Nesta sexta-feira, Lula voltou a defender uma iniciativa de "países não envolvidos no conflito" para promover as negociações de paz. "No momento em que a humanidade, com tantos desafios, precisa de paz, completa-se um ano da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. É urgente que um grupo de países, não envolvidos no conflito, assuma a responsabilidade de encaminhar uma negociação para restabelecer a paz", escreveu o presidente brasileiro no Twitter. Estreitar laços O presidente ucraniano destacou ainda que seu governo começou a abrir novas embaixadas na América Latina e África, onde alguns países continuam mantendo boas relações com a Rússia e se recusam a condenar a guerra. Zelenski ressaltou ainda que Kiev deve tomar medidas para construir relações com os países africanos. "A Ucrânia deve dar um passo à frente para se encontrar com os países do continente africano", declarou. Ele propôs também organizar uma cúpula com "países de todos os continentes" após Kiev ter recebido um apoio generalizado na Assembleia Geral da ONU, que na quinta-feira aprovou uma resolução sobre o fim das hostilidades e a retirada das tropas russas do território ucraniano. Ele disse que essa reunião deve ocorrer num país "que seja capaz de reunir o maior número possível de países do mundo". O presidente ucraniano aludiu indiretamente às abstenções registradas durante essa votação, incluindo a China e a Índia, e disse que o seu governo trabalha "para transformar essa neutralidade num estatuto de não-neutralidade diante a guerra". Proposta da China Apesar de ter manifestado algum ceticismo, Zelenski saudou alguns elementos do "plano de paz" apresentado pela China e disse esperar que a posição da liderança chinesa evolua no sentido de exigir que a Rússia respeite os princípios básicos do direito internacional, no qual se incluem a soberania e a integridade territorial dos países. "Pelo menos, a China começou a falar conosco, nos chamou de 'país invadido' e julgo que isso é bom. Mas a China não é propriamente pró-ucraniana e temos que ver que atos seguirão as palavras", afirmou. Ele também destacou ser promissor a China estar pensando em intermediar a paz, mas reiterou que qualquer plano que não incluir a retirada total das tropas russas de territórios ucranianos é inaceitável para Kiev. cn/bl (Reuters, AFP, Efe)


Short teaser Presidente ucraniano propõe cúpula com os países da região e diz ter convidado Lula para ir a Kiev.
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Image caption Zelenski fez declaração em coletiva de imprensa que marcou um ano da guerra na Ucrânia
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Item 51
Id 64811757
Date 2023-02-24
Title "Plano de paz" chinês deixa mais dúvidas do que respostas
Short title "Plano de paz" chinês deixa mais dúvidas do que respostas
Teaser Desde que o principal diplomata da China, Wang Yi, anunciou um plano de Pequim para um acordo político sobre a Ucrânia, surgiram especulações sobre seu papel na resolução da guerra. O plano foi agora divulgado.

Durante a Conferência de Segurança de Munique na semana passada, o representante máximo da diplomacia chinesa, Wang Yi, anunciou a proposta de Pequim de um "plano de paz" para resolver a guerra na Ucrânia por meios políticos.

Nesta sexta-feira (24/02), no aniversário de um ano da invasão da Ucrânia pela Rússia, o Ministério das Relações Exteriores chinês divulgou a proposta de 12 pontos. Entre eles, estão críticas às sanções unilaterais do Ocidente e apelos para retomar as negociações de paz e reduzir os riscos estratégicos associados às armas nucleares.

Por muito tempo, a China relutou em assumir um papel ativo no conflito, preferindo apresentar-se como neutra e ignorar os apelos de países do Ocidente para pressionar a Rússia.

Faz sentido, tendo em vista que a China é uma das principais beneficiárias das sanções contra a Rússia. Devido ao isolamento internacional de Moscou, a China ganhou forte influência sobre os suprimentos russos de energia e seus preços. Em 2022, as exportações chinesas para a Rússia aumentaram 12,8%, enquanto as importações, incluindo recursos naturais, cresceram 43,4%.

No entanto, os impactos negativos da guerra estão lentamente superando os ganhos de curto prazo. O secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse que a China está considerando fornecer armas letais à Rússia. O suposto apoio de Pequim a Moscou já resultou em controles de exportação mais rígidos e restrições a investimentos do Ocidente.

Análises sugerindo que o que acontece hoje na Ucrânia pode ser repetido no futuro pela China em relação a Taiwan também provocam preocupação no Ocidente e afetam as relações com os EUA e a União Europeia (UE), os maiores parceiros comerciais de Pequim.

"A Rússia não ajudou Pequim ao despertar o mundo para essa ameaça antes que Pequim estivesse pronta para empreender uma possível invasão de Taiwan", disse à DW Blake Herzinger, membro não residente do American Enterprise Institute especialista na política de defesa do Indo-Pacífico.

A proposta da China para a guerra na Ucrânia

Até a divulgação nesta sexta-feira, os detalhes do plano chinês estavam sendo mantidos em sigilo. Wang Yi apresentou os pontos-chave ao ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, em Munique. No entanto, nem Kuleba nem o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, viram o texto da proposta.

Após a conferência em Munique, Wang Yi visitou a Rússia e se reuniu com várias autoridades de alto escalão, incluindo o presidente russo, Vladimir Putin. Embora Wang Yi estivesse na Rússia apenas dois dias antes da divulgação do documento, Moscou informou que não houve negociações sobre o chamado "plano de paz da China" e que o lado chinês apenas expressou vontade de desempenhar um papel "construtivo" no conflito.

No documento divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores da China, o foco principal é na soberania e integridade territorial. No entanto, a China não especifica como essa questão, fundamental tanto para a Rússia quanto para a Ucrânia, deve ser abordada.

"A China defende da boca para fora a integridade territorial, mas não pediu à Rússia para parar com sua guerra ilegal de conquista e retirar suas tropas", disse à DW Thorsten Benner, diretor do Global Public Policy Institute, à DW.

Ao contrário de muitas expectativas, o plano também não pediu a interrupção do fornecimento de armas à Ucrânia.

O documento menciona o diálogo e as negociações como a única solução viável para a crise. Atualmente, porém, as conversas entre Rússia e Ucrânia têm se resumido à troca de prisioneiros e a raros contatos informais.

"Para ser bem-sucedida, a mediação de paz precisa da disposição das partes em conflito", disse à DW Artyom Lukin, professor da Universidad Federal do Extremo Oriente, em Vladivostok, na Rússia.

"No entanto, agora há poucos sinais de que Moscou e Kiev estejam interessadas em chegar a um acordo. Moscou ainda está determinada a se apossar de todas as regiões de Donetsk e Lugansk, mantendo o controle sobre as áreas das regiões de Zaporíjia e Kherson que foram tomadas pelas forças russas em 2022. Kiev parece determinada a expulsar a Rússia do Donbass, de Zaporíjia e Kherson, e talvez ir atrás da Crimeia em seguida. É difícil imaginar como as posições de Rússia e Ucrânia possam chegar a um ponto comum no momento", acrescentou.

Mediador duvidoso

Além disso, o papel da China como mediadora no conflito parece duvidoso, uma vez que o país não atua como um ator imparcial. No ano passado, a China intensificou os laços políticos, militares e econômicos com a Rússia. Na proposta desta sexta-feira, Pequim, mais uma vez, opôs-se a "sanções unilaterais não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU", o que claramente se refere às sanções do Ocidente a Moscou.

Além disso, o presidente chinês, Xi Jinping, não se encontrou ou ligou para Zelenski nem uma vez, apesar de manter contato regular com Putin.

"É tolice acreditar que uma parte que está envolvida com um dos lados, neste caso a China do lado da Rússia, possa desempenhar o papel de mediador. Da mesma forma, a Europa não poderia ser um mediador porque está firmemente no lado de Kiev", disse Benner.

Campanha de relações públicas sem riscos

A proposta da China parece ser em grande parte uma declaração de princípios, e não uma solução prática.

"O que me impressionou em particular é o fato de que não há propostas para incentivar ou influenciar Moscou na direção de uma mudança de comportamento", disse à DW Ian Chong, cientista político da Universidade Nacional de Cingapura.

"Não há nenhuma pressão ou e não há nenhuma oferta que possa beneficiar a Rússia caso ela cumpra o proposto. Apenas na linguagem da declaração, não está claro por que haveria um incentivo para a Rússia, e não está claro por que haveria um incentivo para a Ucrânia, se não há um motivo para a Rússia parar a invasão em primeira instância", destacou.

"Acho que a China está fazendo isso apenas como objetivo de relações públicas. Esse 'plano de paz' e falar de si mesmo como mediador é sobretudo uma ferramenta retórica que Pequim usa, em um esforço para reparar as relações com a Europa e melhorar o diálogo com o resto do mundo, bem como para apoiar a mensagem de que os Estados Unidos é o culpado pela guerra e que a China, na verdade, é uma força pela paz", afirma Benner.

Outros pontos da proposta

O texto pede ainda um cessar-fogo, proteção para prisioneiros de guerra e cessação de ataques a civis, sem dar mais detalhes, além de defender a manutenção da segurança das centrais nucleares e dos acordos para facilitar a exportação de cereais.

A proposta também condena a "mentalidade de Guerra Fria", um termo usado frequentemente pela China quando se refere aos Estados Unidos ou à Otan. "A segurança de uma região não deve ser alcançada pelo fortalecimento ou expansão de blocos militares", diz a proposta.

"O tom básico e a mensagem fundamental da política são bastante pró-Rússia", afirmou o professor de política externa chinesa e segurança internacional da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, Li Mingjiang.

Short teaser Pequim divulgou seu esperado plano de 12 pontos para um acordo político sobre a Ucrânia.
Author Alena Zhabina
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Item 52
Id 64811407
Date 2023-02-24
Title Volodimir Zelenski, o presidente subestimado por Vladimir Putin
Short title Zelenski, o presidente subestimado por Putin
Teaser Um ano após a invasão russa, a Ucrânia continua resistindo. A resiliência de Kiev deve-se também ao presidente Volodimir Zelenski, que surpreendeu todos – especialmente o país agressor.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, detém um recorde mundial: nenhum outro chefe de Estado fez pronunciamentos diários durante um período tão longo. Os discursos de Zelenski acontecem há um ano – diariamente.

As mensagens em vídeo do presidente ucraniano, gravadas alternadamente em seu escritório ou num bunker, são sua crônica da guerra. Documentam como o país – e ele mesmo – mudaram depois da invasão russa, em 24 de fevereiro de 2022.

No dia anterior, poucas horas antes do ataque russo à Ucrânia, Zelenski gravou uma mensagem especial. Dirigiu-se aos seus compatriotas, principalmente aos cidadãos russos, tentando impedir a ameaça de guerra. Pediu protestos na Rússia, e soou o alarme. "Se formos atacados, se tentarem tomar nosso país, nossa liberdade, nossa vida e a vida dos nossos filhos, vamos nos defender", disse Zelenski, em russo.

Foi a última vez em que ele, então com 44 anos, foi visto com a barba feita e vestindo terno e gravata. "Com um ataque, vocês verão os nossos rostos, não as nossas costas!".

"Preciso de munição, não de carona"

Depois da invasão, Zelenski e seu governo ficam na capital, Kiev – mesmo com o avanço das tropas russas na periferia da cidade. A atitude surpreendeu. Especialmente o presidente russo, Vladimir Putin, parecia apostar na fuga de Zelenski para o oeste da Ucrânia, ou o exterior. Teria havido ofertas ao mandatário ucraniano nesse sentido.

A resposta de Zelenski, divulgada pela agência de notícias AP, já se tornou lendária: "Preciso de munição, não de carona". Não é possível verificar se Zelenski formulou a frase exatamente desse jeito. Mas a mensagem foi passada, e Zelenski conquistou muitas simpatias no plano internacional, além de fortalecer o espírito de combate dos ucranianos.

A mensagem também simboliza uma reviravolta de 180 graus na atitude do presidente ucraniano. Semanas antes, seu comportamento foi motivo de especulação. Quando serviços secretos do Ocidente e chefes de Estado e de governo alertaram contra uma invasão russa iminente e retiraram pessoal das embaixadas internacionais em Kiev, Zelenski reagiu com impaciência, desconfiança e críticas. Mais tarde, explicou que queria evitar pânico. A invasão russa, porém, mudou tudo.

Câmeras, as armas mais poderosas de Zelenski

Em seu pronunciamento de 24 de fevereiro de 2022, o primeiro dia da guerra, o presidente ucraniano usava uma camiseta verde-oliva. Até hoje, a vestimenta militar permanece sua marca, assim como a barba de três dias. É assim que o mundo o conhece, é assim que ele aparece em inúmeras entrevistas e manchetes da imprensa mundial. O uniforme também foi usado durante cerimônia em homenagem aos soldados mortos no conflito e que marcou o primeiro ano da guerra nesta sexta-feira (24/02) na praça em frente à Catedral de Santa Sofia em Kiev, diante do monumento de domo verde e dourado que simboliza a resistência da capital ucraniana.

No segundo dia da guerra, Zelenski gravou um dos seus vídeos mais importantes e mais conhecidos. As imagens com duração de meio minuto mostram Zelenski em seu gabinete à noite, diante da sede da Presidência, em Kiev. A mensagem principal: "Todos estamos aqui, ficaremos e lutaremos".

No início do conflito, Zelenski ainda se mostrou disposto a concessões, a exemplo da entrada desejada pela Ucrânia na aliança militar altântica Otan. Mas, depois da divulgação dos primeiros massacres perpetrados pelo Exército russo e da anexação ilegal de regiões pró-russas da Ucrânia por Moscou, ele rechaçou quaisquer compromissos. E sabia que a maioria da população concordava com ele – um presidente ainda altamente popular na Ucrânia devido à conexão diária com os cidadãos do país via mensagens de vídeo.

Como presidente numa guerra, Zelenski aposta naquilo que domina melhor: a comunicação. A câmera tornou-se sua arma mais poderosa. O mandatário ucraniano grava vídeos na capital, dissemina confiança, passa a impressão de proximidade com as pessoas e encontra as palavras certas.

Além disso, viajou diversas vezes para o front, encontrou soldados na cidade libertada de Izium, no nordeste do país, ou em Bakhmut, no leste, cercada pelos russos. Em alguns discursos por vídeo, são inseridas imagens das cidades destruídas pelo Exército russo. Seus índices de popularidade, em declínio vertiginoso antes da invasão russa, triplicaram desde o início da guerra e, atualmente, oscilam entre 80% e 90% de aprovação.

Putin não levou Zelenski a sério

Muitos observadores se perguntam como Zelenski pôde ser tão subestimado pelo presidente russo, Vladimir Putin.

A resposta está no passado do presidente ucraniano. Zelenski não é político de carreira, e sua vitória na eleição de 2019 foi uma surpresa. Antes de se candidatar a presidente, era um comediante, ator e produtor de sucesso. Chegou até a se apresentar no palco para o ex-presidente russo Dmitri Medvedev durante uma visita à Ucrânia.

Sua ascensão política tem paralelos com a série satírica de TV Servidor do Povo, na qual Zelenski interpretava o papel de um professor que, mais tarde, se torna chefe de Estado.

Por esse motivo, a liderança russa não levou Zelenski a sério e, depois, ficou irritada pelo fato de ele não querer fazer maiores concessões como presidente.

Como comediante que fala russo, Zelenski chegou a tirar sarro frequentemente do modo de vida ucraniano e também de políticos pró-Ocidente no país. Por outro lado, pegava bastante leve com o ex-presidente pró-russo Viktor Yanukovitch. Zelenski também tinha ligações estreitas com a Rússia e ganhou dinheiro se apresentando no país até depois da anexação da Península da Crimeia em 2014 – algo que incomodou bastante seus compatriotas.

A invasão da Ucrânia pela Rússia, porém, mudou tudo. Os críticos de Zelenski silenciaram, e ele conquistou muitos céticos ao permanecer em Kiev em vez de fugir.

Essa determinação pode ter relação com sua educação. Filho privilegiado de um professor universitário, Zelenski cresceu em Kryvyi Rih, cidade industrial da classe trabalhadora no sudeste da Ucrânia. Porém, sua geração viveu os duros anos finais da União Soviética. A experiência lhes ensinou a não fugir de conflitos.

Quando Putin atacou a Ucrânia, Zelenski pôde recorrer a essa vivência. O presidente russo subestimou seu homólogo e o tratou como um político fraco e sem experiência que acreditava ser fácil de derrotar.

Nem tudo é fácil

Isso não quer dizer, no entanto, que tudo sempre foi fácil para Zelenski. Seu governo cometeu erros: alguns líderes políticos foram forçados a deixar seus cargos, e amigos próximos do presidente ucraniano perderam seus postos.

Zelenski também causou irritação internacional quando afirmou, em novembro passado, que um míssil russo tinha atingido território polonês, matando duas pessoas – porém, de acordo com relatórios dos Estados Unidos, o míssil provavelmente foi disparado por uma bateria anti-aérea ucraniana.

O incidente representou, porém, uma discórdia rara entre aliados. Acima de tudo, Zelenski considera o uso da mídia para atrair atenção para seu país como sua principal tarefa. Repetidamente, apelou a políticos do Ocidente pedindo – ou, na opinião de alguns, implorando – por armas. Na maior parte dos casos, Zelenski teve sucesso, já que o Ocidente vem enviando mais armamentos à Ucrânia.

Zelenski também detém o recorde mundial de pronunciamentos em vídeo em conferências e parlamentos ao redor do mundo. Sua aparição mais recente foi uma transmissão para as estrelas reunidas para a abertura do festival de filmes de Berlim, a Berlinale, na última semana.

Short teaser Um ano após invasão russa, resistência da Ucrânia deve-se também ao presidente Zelenski, que surpreendeu os agressores.
Author Roman Goncharenko
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