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| Id | 79291062 | ||
| Date | 2026-09-16 | ||
| Title | Impopularidade e derrotas eleitorais pressionam Merz | ||
| Short title | Impopularidade e derrotas eleitorais pressionam Merz | ||
| Teaser |
Após derrota esmagadora da CDU para a AfD na eleição da Saxônia-Anhalt, conservadores questionam se atual chanceler alemão deve continuar liderando o governo. Mas não há reais alternativas.No início desta semana, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, estava em Rovaniemi, na Finlândia, quase 1.800 quilômetros ao norte de Berlim, para debater temas como matérias-primas, geopolítica, segurança e mudança climática com outros líderes europeus.
Mas o tema que o acompanhou, mesmo tão longe da agitação política da capital alemã, foram os rumores e debates sobre sua saída do governo. Há semanas que o partido dele, a conservadora União Democrata Cristã (CDU), discute se Merz ainda é a pessoa certa para ocupar o cargo de chefe de governo da Alemanha – apenas um ano e meio após a posse, em maio de 2025.
Apenas 10% dos alemães estão satisfeitos com o trabalho dele, mostrou uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (15/09), e a CDU, partido do chanceler, sofreu uma derrota esmagadora na recente eleição estadual da Saxônia-Anhalt.
E uma nova derrota significativa ameaça ocorrer em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental no próximo domingo. O partido do chanceler federal aparece com apenas 7% das intenções de voto. Até mesmo a possibilidade de não superar a cláusula de barreira de 5% já não pode mais ser descartada. Tudo indica que esse será o pior resultado já obtido pela CDU em eleições estaduais.
Problemas na comunicação
A eleição realizada no início do mês na Saxônia-Anhalt foi vencida pela Alternativa para a Alemanha (AfD), um partido classificado pelo serviço de proteção da Constituição daquele estado no centro da Alemanha como "comprovadamente extremista de direita" e que tem tirado votos dos conservadores.
Merz havia prometido, antes de assumir o cargo, reduzir pela metade a votação da AfD. Em vez disso, quem teve seus índices reduzidos pela metade foi o partido dele. E em Berlim a pergunta que se faz é: a culpa disso é de Merz e de seu estilo áspero de comunicação? De sua dificuldade em explicar reformas importantes, como a das aposentadorias?
Mesmo integrantes do governo falam abertamente sobre a insatisfação popular com o governo de Merz. "Acredito que surgiu a impressão, para muitas pessoas, de que o chanceler, e também nós como União Democrata Cristã, não demonstramos a empatia necessária. E isso precisa mudar", declarou a ministra da Educação, Karin Prien (CDU), à emissora ARD.
De fato, uma crítica frequente é que Merz muitas vezes demonstra falta de empatia e autocontrole. A planejada reforma das aposentadorias representa cortes duros para muitas pessoas, mas o chanceler costuma demonstrar impaciência ao falar sobre o assunto.
Ainda em julho, Merz disse publicamente que a opção de muitos alemães pela "semana de quatro dias e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal" poderia colocar em risco a prosperidade do país. Assim, afirmam os críticos do chanceler, fica difícil implementar reformas duras.
Mesmo a CDU critica o chanceler
Quando microfones e câmeras estão desligados, representantes do governo se expressam de forma bem mais dura. Muitos políticos governistas dizem que a perda de confiança no chanceler é praticamente irreversível e torna necessária uma troca de líder.
A ala social do partido, a CDA, declarou fracassada a linha política defendida pelo chanceler e exigiu uma mudança de rumo. Já o candidato a governador em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Daniel Peters, claramente se distanciou de Merz numa entrevista devido à insatisfação dos eleitores locais com o governo federal. "Estamos travando aqui uma luta pela sobrevivência", resumiu à emissora Welt TV.
Dois candidatos: Söder e Wüst
Mas quem poderia suceder Merz? Um dos nomes cogitados é o do líder da União Social Cristã (CSU) e governador da Baviera, Markus Söder. Porém, ele costuma alfinetar não apenas os adversários, mas também a própria CDU, o que dificulta sua aceitação. A CSU é o partido conservador que só existe na Baviera, ao passo que a CDU atua nos demais 15 estados do país. No Bundestag, ambas formam uma bancada conjunta.
Outro possível candidato seria Hendrik Wüst, governador da Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso da Alemanha. Há mais de quatro anos ele lidera de forma relativamente tranquila e eficiente uma coalizão da CDU com o Partido Verde, mas até agora demonstrou pouca vontade de se mudar para Berlim.
Além disso, um fator importante pesa contra essa hipótese: em abril do próximo ano haverá eleição estadual na Renânia do Norte-Vestfália, e Wüst pretende buscar a reeleição.
"Desistir não é uma opção"
Do ponto de vista formal, uma troca de chanceler não seria difícil, desde que ocorresse de forma consensual. Após a renúncia de um chanceler, o Bundestag (Parlamento) pode eleger um sucessor por maioria simples.
Mas contra a vontade do ocupante do cargo, isso só é possível por meio de um chamado "voto de desconfiança". Nesse cenário, Wüst ou Söder teriam de desafiar Merz abertamente, algo que atualmente parece inimaginável.
Assim, no momento não há de fato uma opção a Merz. Além disso, o chanceler não é conhecido por desistir facilmente. "Desistir não é uma opção para mim", enfatizou depois da derrota na Saxônia-Anhalt. Ele lembrou que foi eleito para governar por quatro anos e quer provar que seu governo é capaz de implementar reformas.
Segundo notícias veiculadas na imprensa alemã, Merz convocou a CDU para uma reunião na noite do próximo domingo, após a divulgação dos resultados das eleições estaduais. Lá pretende colocar aos líderes do partido uma questão direta: ele ainda conta com a confiança de seu partido ou não?
Nesta quarta-feira, os oito governadores da CDU manifestaram apoio a Merz. Numa declaração conjunta, afirmaram que a Alemanha precisa agora "mais do que nunca de estabilidade" e que o caminho para reconquistar a confiança da população "não passa pelo debates sobre pessoas".
Também o líder da bancada da CDU/CSU no Bundestag, Thorsten Frei, assegurou ao chanceler o apoio dos parlamentares dos dois partidos.
A seriedade com que Merz encara a situação fica evidente em sua agenda para a próxima semana: o chanceler cancelou uma viagem longa e previamente confirmada que faria para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. "Ao contrário do planejado, ele não viajará para Nova York, pois sua presença em Berlim é necessária", disseram membros do governo.
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| Short teaser | Após derrota esmagadora da CDU para a AfD em Saxônia-Anhalt, conservadores se questionam se Merz deve ficar no cargo. | ||
| Author | Jens Thurau | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/impopularidade-e-derrotas-eleitorais-pressionam-merz/a-79291062?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Um ano e meio após a posse, os próprios correligionários de Merz já debatem internamente se o chanceler deve deixar o cargo | ||
| Image source | dts-Agentur/picture alliance | ||
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| Item 2 | |||
| Id | 79292607 | ||
| Date | 2026-09-16 | ||
| Title | Estudo associa dormir na escuridão total à saúde do coração | ||
| Short title | Estudo associa dormir na escuridão total à saúde do coração | ||
| Teaser |
Pesquisa sugere que hábito de dormir com luz suave, por mais fraca que seja, pode gerar mudanças na estrutura cardíaca. Cientistas recomendam desligar telas e usar cortinas blackout como medidas de prevenção. Uma nova pesquisa revela que dormir na escuridão total pode trazer um benefício até então desconhecido: proteger a saúde do coração. O estudo publicado na revista European Heart Journal mostra que até mesmo a exposição a níveis mínimos de luz durante a noite está associada a alterações potencialmente prejudiciais na estrutura e no funcionamento cardíaco. Pesquisa sobre o impacto da luzEstudos anteriores relacionaram a exposição à luz noturna a um maior risco de doenças cardiovasculares, mas ainda se sabe pouco sobre as mudanças estruturais e funcionais do coração associadas a esse fator, afirma em comunicado o autor principal Lu Qi, pesquisador da Universidade Tulane, nos Estados Unidos. Por isso, a equipe buscou avaliar as alterações anatômicas apresentadas pelo órgão ao longo do tempo diante do excesso de iluminação noturna. Os cientistas analisaram dados de 11.017 participantes sem histórico de doenças cardiovasculares. Cada um utilizou um sensor no pulso durante uma semana para registrar a quantidade de luz recebida durante a noite. Um grupo foi exposto a 0 lux, ou seja, escuridão total, enquanto o grupo com maior exposição recebeu mais de 3 lux, intensidade equivalente ao brilho reduzido de um celular sobre a mesa de cabeceira, à luz suave de um corredor ou à luz da Lua. Mudanças na estrutura cardíacaTrês anos após a medição inicial, os participantes foram submetidos a uma ressonância magnética cardiovascular com o objetivo de avaliar a anatomia e a função do coração. Os resultados mostraram que os indivíduos expostos aos maiores níveis de luz apresentavam espessamento das paredes do ventrículo esquerdo do coração, reduzindo o espaço dentro do ventrículo. Além disso, observou-se uma menor capacidade de contração durante os batimentos, um sinal precoce de disfunção cardíaca. "Este é o primeiro estudo desse tipo e demonstra que a exposição a níveis mais elevados de luz durante a noite está relacionada à remodelação cardíaca", afirma Qi. O especialista destaca que esse é um processo em que tanto a estrutura quanto a função do coração sofrem alterações, algo geralmente observado como uma "resposta ao estresse crônico ou a uma lesão cardíaca". A longo prazo, isso enfraquece o órgão e pode levar à insuficiência cardíaca. Um fator de risco modificávelAs doenças cardiovasculares, como cardiopatias e acidentes vasculares cerebrais (AVCs), representam a principal causa de morte no mundo. No entanto, independentemente da idade ou da genética, a exposição à iluminação noturna constitui um fator de risco modificável. Desligar telas, fechar completamente as cortinas ou usar uma máscara para dormir são medidas simples ao alcance da maioria das pessoas. Thomas Münzel, cardiologista do Centro Médico Universitário de Mainz, na Alemanha, sugere que a comunidade médica passe a perguntar aos pacientes sobre o nível de escuridão em seus quartos, seus turnos de trabalho e o tempo de exposição a telas após o anoitecer. "O conselho é simples e barato: cortinas blackout, iluminação de tons quentes ao lado da cama e cobertura dos pequenos LEDs de aparelhos eletrônicos em modo de espera", afirma Münzel em comunicado da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC). Estratégias de prevençãoPara os autores do estudo, os resultados abrem uma nova frente de prevenção. "A poluição luminosa se revelou um novo fator de risco para as doenças cardiovasculares", aponta Qi. "Nossos resultados, juntamente com dados de outros estudos, sugerem que médicos e formuladores de políticas públicas deveriam considerar a redução da exposição à luz noturna como uma das possíveis estratégias para prevenir doenças cardíacas", ressalta. Possíveis limitações da pesquisaNo entanto, outros especialistas pedem cautela na interpretação dos resultados. Karl Lawrence, professor do Instituto de Ciências Farmacêuticas do King's College London, que não participou do estudo, alerta que medir a luz com um sensor de pulso durante apenas uma semana não reflete necessariamente a quantidade real de luz recebida pelos olhos ao longo do tempo. Além disso, tentar relacionar essa medição semanal a exames cardíacos realizados três anos depois "parece um tanto arriscado", de modo que serão necessários mais estudos para comprovar uma relação de causalidade. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Estudo sugere que hábito de dormir com luz suave, por mais fraca que seja, pode gerar mudanças na estrutura cardíaca. | ||
| Author | José Urrejola | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/estudo-associa-dormir-na-escuridão-total-à-saúde-do-coração/a-79292607?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 3 | |||
| Id | 79296268 | ||
| Date | 2026-09-16 | ||
| Title | UE e Canadá: o que significa o status de "membro associado" | ||
| Short title | UE e Canadá: o que significa o status de "membro associado" | ||
| Teaser |
País americano poderá se tornar primeiro "membro associado" do bloco europeu, como parte de uma inédita aliança estratégica. Ambos enfrentam desafios comuns, como tarifaço de Trump e concorrência da China.A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, levantou nesta quarta-feira (16/09) a possibilidade de o Canadá se tornar o primeiro "membro associado" da União Europeia (UE), ao propor uma cooperação mais estreita nas áreas de tecnologia, defesa e energia entre o bloco das 27 nações e o país norte-americano.
Von der Leyen afirmou ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que, em um momento em que as democracias enfrentam uma "fratura no sistema internacional baseado em regras", Bruxelas e Ottawa precisam se aproximar.
"Gostaria de trabalhar com você para abrir as portas para que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE", disse von der Leyen ao primeiro-ministro canadense, Mark Carney, durante seu discurso anual sobre o Estado da União Europeia, aplaudido de pé pelos parlamentares.
"Acreditamos que o poder não pertence aos mais fortes, aos mais ricos ou aos que gritam mais alto, mas a todos nós. Que as democracias têm a liberdade de escolher com quem trabalhar", disse von der Leyen. "Compartilhamos um oceano, um conjunto de valores, uma forma de ver o mundo. E agora construiremos também o nosso futuro comum", concluiu.
O que diz o premiê canadense?
No início da semana, Carney disse que o Canadá buscava uma "aliança única" com a UE, mas não uma adesão plena, à medida que Bruxelas e Ottawa tentam se distanciar da postura hostil adotada pelos Estados Unidos sob a Presidência de Donald Trump.
A UE e o Canadá têm sido impactados pelas tarifas de importação impostas pelo governo Trump, além de ameaças à sua integridade territorial vindas dos EUA e a concorrência da China em vários setores da indústria e comércio.
Carney se tornou o primeiro chefe de governo não europeu a assistir ao discurso anual da chefe do Executivo da UE, antes de ele próprio discursar no Parlamento no dia seguinte. Sua visita ocorre em antecipação à cúpula UE-Canadá, que ocorrerá em Montreal no próximo mês.
Após conversar com von der Leyen nesta quarta-feira, Carney seguiu para o Reino Unido, para sua primeira reunião com o novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, antes de retornar a Estrasburgo para seu discurso nesta quinta-feira.
O que significa a condição de "membro associado"?
Atualmente, não existe um status de "membro associado" previsto nos tratados da União Europeia, embora várias versões de possíveis modelos de associação tenham sido discutidas no bloco ao longo dos anos.
Mais recentemente, a Alemanha sugeriu que a Ucrânia se tornasse um membro associado como uma etapa intermediária para a adesão plena. O país, em guerra com a Rússia, teria permissão para participar das cúpulas do bloco e contar com um representante na Comissão Europeia, além de se beneficiar de partes do orçamento da UE, mas sem direito a voto pleno.
A proposta, porém, não avançou devido à resistência de alguns Estados-membros do bloco europeu. A própria Ucrânia considerou injusta a proposta da Alemanha de "adesão associada", uma vez que Kiev não teria direito a voto.
"Ainda não sabemos exatamente o que isso significa", disse Tobias Cremer, eurodeputado alemão de centro-esquerda e principal proponente de uma resolução que incentiva uma cooperação mais estreita entre a UE e o Canadá, após a fala de von der Leyen sobre o status de "membro associado".
Ele, no entanto, entende que uma aliança mais próxima faria sentido, "não apenas porque compartilhamos valores e história, mas porque possuímos interesses comuns e uma visão estratégica", afirmou Cremer.
O que busca o Canadá?
Carney busca novas alianças em meio a recorrentes ameaças dos Estados Unidos contra a soberania do Canadá. Bruxelas e Ottawa querem estabelecer uma cooperação mais profunda para contrapor o domínio econômico dos EUA e da China, bem como preservar a democracia e a ordem internacional baseada em regras, que eles veem como ameaçadas.
"Em um mundo mais perigoso e dividido, o Canadá está construindo relações mais fortes com parceiros de confiança", afirmou o gabinete de Carney em nota.
As discussões com von der Leyen se concentraram em áreas que incluem minerais críticos, energia, defesa, pesquisa e desenvolvimento e tecnologias avançadas, acrescentou o comunicado.
Em seu discurso, von der Leyen disse que os dois lados criariam um "espaço econômico e de prosperidade comum", e disse que este é o momento de passar de uma cooperação baseada no comércio para uma "aliança para o futuro" mais ampla, de modo a "elevar a relação com o Canadá ao mais alto nível possível".
"Trabalharemos na manufatura inteligente. Criaremos uma aliança tecnológica. Integraremos as bases industriais de defesa. Faremos do Ártico um projeto conjunto emblemático", sublinhou. Ela citou ainda outras áreas de cooperação como energia, minerais críticos, baterias, inteligência artificial (IA), segurança cibernética e segurança econômica.
"Esta parceria não é contra ninguém, mas em prol da nossa força comum", disse von der Leyen.
Quais os possíveis entraves ao status de membro associado?
Além de ser uma medida sem precedentes, implementar o status de "associado" pode também ser juridicamente complexo. Apesar da forte defesa da ideia por parte de von der Leyen, caberá aos Estados-membros da UE decidir se a proposta avançar.
Não há indicação de que a chefe do Executivo da UE esteja propondo consagrar o status de "membro associado" nos tratados da UE. Isso exigiria unanimidade entre os 27 países e ratificação interna por parte de cada um deles.
Mais de uma década após a celebração do Acordo de Livre-Comércio e Investimentos entre a UE e o Canadá (Ceta, na sigla em inglês) e nove anos desde a sua entrada em vigor provisória, vários países do bloco europeu ainda não o ratificaram.
Ainda assim atribui-se ao Ceta o aumento de mais de 80% no comércio de bens e serviços desde 2016. Além disso, neste ano, o Canadá se tornou o primeiro país de fora do bloco europeu a aderir ao programa de empréstimos para defesa Safe da UE, orçado em 150 bilhões de euros, permitindo que empresas canadenses participem de compras conjuntas em um momento em que a Europa busca aumentar sua capacidade de defesa.
Se o Canadá desejar uma integração ao Mercado Único da UE, Ottawa precisaria harmonizar as normas e regulamentos canadenses com a legislação da UE. O país passaria a apenas seguir regras, sem qualquer poder de decisão sobre políticas, caso entrasse no Mercado Único sem ser membro pleno — ao contrário da Islândia, Noruega e Liechtenstein, que integram o Espaço Econômico Europeu.
Historicamente, as normas canadenses têm sido orientadas para o seu maior parceiro comercial, os Estados Unidos.
O que significaria isso para os países que aguardam para entrar na UE?
A busca por uma aliança mais profunda entre o Canadá e a UE não afetará o processo de adesão dos países europeus candidatos, mas poderá se tornar um ponto de atrito caso o Canadá seja visto como recebendo tratamento especial.
As negociações de adesão e o alinhamento com as normas da UE constituem um processo longo que, muitas vezes, exige que as nações candidatas implementem reformas politicamente sensíveis.
A adesão plena é reservada a Estados europeus e garante acesso ao Mercado Único do bloco – avaliado em 18 trilhões de euros (R$ 106,9 trilhões) –, além de direitos de voto e representação, acesso a fundos da UE e possibilidade de recursos jurídicos junto ao Tribunal de Justiça do bloco.
A UE declarou que poderá admitir novos membros a partir de 2030. Montenegro, Albânia, Ucrânia e Moldávia são os países candidatos que apresentam os maiores avanços no processo.
rc/md (Reuters, AFP, AP)
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| Short teaser | País americano poderá se tornar primeiro "membro associado" do bloco europeu, como parte de uma aliança inédita. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ue-e-canadá-o-que-significa-o-status-de-membro-associado/a-79296268?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Carney se tornou o primeiro líder não europeu a assistir ao discurso anual da chefe do Executivo da UE em Estrasburgo | ||
| Image source | Justin Tang/PA Images/picture alliance | ||
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| Item 4 | |||
| Id | 79294498 | ||
| Date | 2026-09-16 | ||
| Title | Fóssil na Espanha revela dinossauro gigante inédito na Europa | ||
| Short title | Fóssil espanhol revela dinossauro gigante inédito na Europa | ||
| Teaser |
Paleontólogos na Espanha afirmam ter encontrado a primeira evidência do gênero Diplodocus fora da América do Norte. Descoberta fortalece teorias sobre conexões terrestres entre continentes.Pesquisadores que publicaram um estudo nesta semana no Journal of Vertebrate Paleontology afirmaram ter encontrado a primeira evidência esquelética do dinossauro Diplodocus fora da América do Norte. Eles descobriram diversas vértebras e ossos chevron datados de cerca de 150 milhões de anos em um sítio no leste da Espanha.
A equipe da Fundação Dinópolis, em Teruel, que estuda o rico sítio fossilífero de La Tejería, no município de El Castellar, informou que o dinossauro passa assim a integrar uma lista crescente de saurópodes gigantes encontrados na região.
Embora o herbívoro de pescoço longo e cauda grande seja um dos dinossauros mais reconhecidos do mundo, restos fossilizados do animal haviam sido encontrados até agora apenas na América do Norte.
O que os pesquisadores disseram sobre a descoberta?
O artigo publicado na segunda-feira (14/09) concluiu que a descoberta representa "um dos esqueletos de diplodocídeos mais completos da Europa".
Segundo o estudo, a análise sistemática de 14 vértebras caudais e diversos ossos chevron (tecnicamente conhecidos como arcos hemais) "revela que o material pode ser atribuído com confiança ao gênero Diplodocus", um dos vários gêneros pertencentes à família dos diplodocídeos, dentro do grupo dos dinossauros saurópodes.
"Esta descoberta constitui a primeira evidência de Diplodocus fora da América do Norte (Formação Morrison) e é uma das provas mais fortes que sustentam o intercâmbio de faunas continentais entre a América do Norte e a Europa durante o Jurássico Superior", escreveram os autores.
Embora o Diplodocus seja conhecido em todo o mundo, em parte graças à famosa réplica do esqueleto apelidado de "Dippy", que durante anos recepcionou visitantes na entrada do Museu de História Natural em Londres, os pesquisadores ressaltaram que "o registro fóssil europeu de diplodocídeos é escasso e fragmentário".
Como os dinossauros teriam atravessado o oceano?
Na época dos dinossauros, os continentes estavam recém-começando a se separar. Nas últimas décadas, cientistas passaram a teorizar que o proto-Oceano Atlântico ainda possuía pontes terrestres temporárias, recuos episódicos do nível do mar ou outros meios transitórios de travessia, que ocasionalmente permitiam aos dinossauros terrestres percorrer grandes distâncias entre continentes em processo de separação.
Descobertas fósseis recentes, especialmente na Espanha e em Portugal, próximas à costa atlântica, têm reforçado essa hipótese. Essa região fazia parte de uma ponte terrestre que se acredita ter conectado a Península Ibérica ao que hoje é o Canadá.
Os autores afirmam que a descoberta "constitui uma das evidências mais fortes de eventos episódicos de dispersão e intercâmbio faunístico através do proto-Atlântico Norte durante o intervalo do Kimmeridgiano tardio ao Titoniano inicial", período datado de aproximadamente 150 milhões de anos atrás.
Outra rota ligava a América do Norte à Escandinávia, enquanto uma conexão muito mais ao sul unia o que hoje corresponde ao Brasil e aos Camarões.
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| Short teaser | Paleontólogos na Espanha afirmam ter encontrado a primeira evidência do gênero Diplodocus fora da América | ||
| Author | Mark Hallam | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/fóssil-na-espanha-revela-dinossauro-gigante-inédito-na-europa/a-79294498?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | "Dippy", o Diplodocus do Museu de História Natural em Londres | ||
| Image source | Travelshots/Visually/picture alliance | ||
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| Item 5 | |||
| Id | 79293633 | ||
| Date | 2026-09-16 | ||
| Title | Japão vai cobrar por resgates de helicóptero no Monte Fuji | ||
| Short title | Japão vai cobrar por resgates de helicóptero no Monte Fuji | ||
| Teaser |
Quem escalar fora da temporada sem avisar as autoridades terá que pagar se precisar ser resgatado. Governo regional elabora pacote de medidas contra montanhistas imprudentes.As operações de resgate por helicóptero de alpinistas que escalarem o Monte Fuji fora da temporada e sem avisar passarão a ser cobradas, anunciou nesta segunda-feira (14/09) a província de Yamanashi, no Japão.
O governo regional está elaborando um pacote de medidas contra escaladas imprudentes fora da temporada no Monte Fuji que prevê, entre outras ações, a cobrança dos resgates realizados por helicóptero.
Autoridades da província vizinha de Shizuoka também disseram que montanhistas serão obrigados a registrar antecipadamente seus planos de escalada fora da temporada oficial, que vai de julho até o início de setembro. Aqueles que não fizerem o registro poderão estar sujeitos a penalidades caso posteriormente necessitem de resgate. Atualmente, esse registro é voluntário durante todo o ano.
Comunidades locais têm defendido que montanhistas que deixarem de registrar seus planos sejam cobrados pelos resgates de helicóptero. No entanto, as autoridades da província de Shizuoka afirmam que há obstáculos institucionais para a cobrança desse tipo de operação e que continuarão analisando a proposta juntamente com outras possíveis penalidades.
Yamanashi está localizada na parte sul dos Alpes Japoneses e compartilha o Monte Fuji com a província de Shizuoka, servindo como um dos principais pontos de acesso à mais alta montanha de todo o arquipélago japonês, localizada na ilha de Honshu.
Mais de 200 mil visitantes por ano
Esse vulcão ativo de 3.776 metros de altitude e baixo risco de erupção atrai mais de 200 mil visitantes todos os anos durante seu período oficial de abertura, que vai de julho até o início de setembro.
No entanto, algumas pessoas optam por escalar a montanha fora da temporada para testar suas condições extremas, como rajadas de vento congelantes e encostas cobertas de gelo. As autoridades locais observaram um aumento dessas escaladas improvisadas nesse período, informou a agência de notícias Kyodo News.
Essa tendência tem obrigado as equipes de resgate a subir a montanha em perigosas condições de inverno para socorrer gratuitamente pessoas que ficaram retidas, gerando insatisfação entre moradores e autoridades.
Os detalhes ainda estão sendo definidos, mas a imprensa local informou que a província de Yamanashi pretende cobrar cerca de 10 dólares por minuto de uso do helicóptero em operações de resgate realizadas fora da temporada.
Os custos previstos serão dispensados para os alpinistas que estiverem devidamente equipados e que tiverem enviado seu plano de escalada às autoridades competentes antes de iniciar a subida da montanha.
Segundo a emissora Fuji TV, o governo de Yamanashi pretende começar a aplicar essas cobranças a partir de setembro de 2027.
as/md (AFP, OTS)
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| Short teaser | Quem escalar fora da temporada sem avisar as autoridades terá que pagar se precisar ser resgatado. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/japão-vai-cobrar-por-resgates-de-helicóptero-no-monte-fuji/a-79293633?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Monte Fuji é um vulcão ativo de 3.776 metros de altitude, localizado na ilha de Honshu | ||
| Image source | Kyodo/dpa/picture alliance | ||
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| Item 6 | |||
| Id | 79284038 | ||
| Date | 2026-09-16 | ||
| Title | Por que frituras devem ser evitadas no cardápio das crianças | ||
| Short title | Por que frituras devem ser evitadas no cardápio das crianças | ||
| Teaser |
Reino Unido quer banir alimentos fritos da merenda escolar. Especialistas associam o consumo frequente de frituras a maiores riscos de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. O Ministério da Educação do Reino Unido publicou nesta semana novas regras para a alimentação escolar. Entre as medidas está a proposta de deixar de servir alimentos fritos às crianças. Para Stefan Kabisch, médico pesquisador e especialista em nutrição da Charité de Berlim e do Centro Alemão de Pesquisa em Diabetes, a iniciativa é acertada. Preparar alimentos como batatas fritas, carnes ou donuts em uma fritadeira cheia de gordura aquecida a altas temperaturas pode agradar ao paladar, mas traz riscos à saúde. Segundo Kabisch, o problema está no tipo de gordura usado na fritura. Em teoria, seria possível utilizar um óleo vegetal mais saudável. Na prática, porém, as temperaturas elevadas exigem o uso de gorduras vegetais refinadas, processadas de forma a suportar o calor sem produzir fumaça nem alterar o sabor dos alimentos. De acordo com o pesquisador, essas gorduras refinadas tendem a conter mais ácidos graxos saturados. "As gorduras saturadas são um problema porque estimulam processos inflamatórios no organismo, favorecem a resistência à insulina e, dessa forma, contribuem tanto para a obesidade quanto para o diabetes tipo 2", afirma Kabisch. Além disso, os ácidos graxos saturados aumentam o risco de aterosclerose, caracterizada pelo estreitamento ou obstrução das artérias, o que pode provocar infartos e derrames. Outro fator de preocupação é o alto teor de sal presente em muitos alimentos fritos. O consumo excessivo de sal eleva a pressão arterial e, consequentemente, o risco de doenças cardiovasculares. Alimentos fritos podem estar ligados a câncer e depressão?Durante a fritura de alimentos ricos em amido, como a batata, pode ocorrer a formação de acrilamida, substância considerada potencialmente cancerígena. Concentrações elevadas do composto são encontradas, entre outros produtos, em chips, batatas fritas, batatas douradas e croquetes. A acrilamida traz a cor dourada e o sabor característico aos alimentos fritos e também assados. Em junho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou uma série de recomendações sobre a substância. Entre as medidas estão a preferência pelo consumo de batatas cozidas, além de fritar ou assar alimentos a temperaturas mais baixas. Pesquisadores também identificaram uma associação estatística entre o consumo de alimentos fritos e a ocorrência de depressão. Kabisch, no entanto, recomenda cautela ao interpretar esses resultados. Segundo ele, uma correlação não é suficiente para demonstrar uma relação de causa e efeito. A relação pode ser inversa: pessoas com depressão talvez sejam mais propensas a recorrer a refeições rápidas e frituras do que a preparar uma refeição saudável, que exige mais tempo e esforço.Ainda assim, Kabisch não descarta completamente uma possível relação entre alimentos fritos e saúde mental. Isso porque a alimentação influencia o microbioma intestinal, e o intestino, por sua vez, exerce influência sobre o cérebro e a psique. A quantidade faz a diferençaQuem reduz o consumo de frituras abre espaço na alimentação para opções mais saudáveis. No fim das contas, o fator mais importante é a quantidade consumida, diz Kabisch: quanto menos, melhor. "Não se pode afirmar com total convicção que a dose ideal seja zero", afirma o pesquisador. "Mas o consumo de alimentos fritos deve ser reduzido o máximo possível." Por isso, ele considera "plenamente justificável" uma intervenção desse tipo na alimentação escolar. No Brasil, a alimentação escolar é exemplo mundial, com Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). A legislação determina que os cardápios respeitem a cultura alimentar local e limitem ultraprocessados. A partir deste ano, entre os alimentos servidos nas escolas públicas no máximo 10% poderiam ser processados e ultraprocessados. O governo federal recomenda ainda esses itens não sejam comprados. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Reino Unido quer banir alimentos fritos da merenda escolar, medida respaldada por especialistas. | ||
| Author | Julia Virgin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/por-que-frituras-devem-ser-evitadas-no-cardápio-das-crianças/a-79284038?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Por%20que%20frituras%20devem%20ser%20evitadas%20no%20card%C3%A1pio%20das%20crian%C3%A7as | ||
| Item 7 | |||
| Id | 78698260 | ||
| Date | 2026-09-16 | ||
| Title | Como avatares de IA alimentam um mercado lucrativo no Brasil | ||
| Short title | Como avatares de IA alimentam um mercado lucrativo no Brasil | ||
| Teaser |
De falsos médicos a perfis românticos, "pessoas" criadas com ferramentas atraem milhões de seguidores no país. Enquanto canais faturam com cliques, especialistas alertam para o avanço de golpes e desinformação. "Ela não existe, mas paga meu cartão todo mês". "Tenho um plano infalível para o milhão". As frases, retiradas de tutoriais publicados nas redes sociais, expõem a engrenagem de um mercado em ascensão no Brasil e no mundo: o dos avatares gerados por inteligência artificial (IA). Embora não existam no mundo real, esses personagens hiper-realistas acumulam milhares de seguidores em redes como TikTok, Youtube e Instagram, atuando como vendedores, influenciadores e até falsos especialistas, transformando canais automatizados em um negócio lucrativo. Os produtores ganham dinheiro de diferentes formas: monetização de vídeos, comissões sobre vendas em marketplaces, divulgação de produtos digitais e até a valorização de perfis que posteriormente podem ser revendidos ou utilizados para outros objetivos em razão do alto engajamento. Diferentemente dos chatbots, os influenciadores de IA simulam pessoas reais e interações humanas em vídeos, lives e anúncios. Em alguns casos, promovem produtos de saúde, oferecem conselhos ou divulgam tratamentos sem comprovação científica. Fernando Ferreira, pesquisador do NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor em IA, explica que a estratégia consiste em converter a atenção dos usuários em receita. Com o suporte dos algoritmos, que direcionam os vídeos a públicos específicos, a produção desses avatares chega justamente a usuários que procuram respostas para problemas específicos ou demonstram interesse em determinados temas. Já com ferramentas de automação cada vez mais acessíveis, a produção ganhou escala industrial. "Antes a automação era só um ato de curtir, compartilhar, agora pode dar voz, pode dar imagem, então isso é uma coisa mais personalizada e mais difícil ainda do usuário conseguir identificar que aquilo é realmente uma campanha, por exemplo, alguma coisa nesse sentido", afirma Ferreira. Da saúde ao entretenimento infantilMapeamentos realizados pela organização Ctrl Z mostram que os nichos de atuação variam de conteúdos históricos (como o período escravocrata) e infantis a narrativas apelativas, como a de um suposto fazendeiro viúvo em busca de uma esposa. No entanto, a manipulação de sentimentos básicos é o elemento comum a todos eles. "Todos eles, de algum jeito, têm uma coisa muito em comum que é mexer com o medo das pessoas, com a curiosidade, com a esperança. Nos de saúde tem essa coisa do senso de urgência. Tipo: faça isso agora, não faça isso, compartilhe com alguém", aponta Luã Cruz, diretor de litigância da Ctrl Z. Segundo Cruz, a produção em massa utiliza o mesmo roteiro traduzido para diferentes idiomas e encenado por dezenas de avatares sintéticos. Em tutoriais publicados nas plataformas, criadores desses perfis citam que um único roteiro pode ser traduzido e encenado por 20 avatares diferentes para atingir países e públicos distintos. No YouTube, por exemplo, a estratégia serve também para cumprir os requisitos de monetização (como as 4 mil horas de exibição exigidas e mil inscritos) por meio do envio massivo de vídeos genéricos conhecidos como slop – conteúdos de baixa qualidade gerados por IA. Para Cruz, o slop não necessariamente é esteticamente ruim, mas são "IAs mal feitas" em relação às informações, com erros históricos e desinformação, e que utilizam conteúdos sensacionalistas para atrair públicos vulneráveis. Atingida a meta, o canal pode ser redirecionado para outros nichos, com aposta em infoprodutos (como a venda de ebooks de receitas para curar determinadas doenças) ou até vendido para uso em campanhas políticas. O impacto mais grave, contudo, recai sobre a saúde. "Vemos uma série de comentários de pessoas que de fato existem e que falam que estão seguindo aquele tratamento, que abandonaram o tratamento tradicional para seguir, enfim, aquele tratamento que [a IA] sugere", diz o integrante da Ctrl Z. A ilusão da hiper-realidadeSe antes imperfeições em mãos, vozes robotizadas ou cenários distorcidos denunciavam a natureza sintética do vídeo, o avanço tecnológico reduziu drasticamente essas falhas. Diante de conteúdos consumidos em telas pequenas de celular, os especialistas dizem que transferir ao usuário a responsabilidade de checar a veracidade do material tornou-se inviável. "Em um olhar mais atento ainda conseguimos ver se há sincronia entre a voz e a boca. São imagens muito brilhantes, é uma coisa ainda um pouco robotizada, menos do que já foi, mas ainda tem uma coisa meio robotizada. Mas são coisas muito imperceptíveis", diz Cruz. "Cada vez vai estar melhor. Tem alguns detalhes, como observar um texto que não fica bem formatado no fundo, coisas milagrosas também. Uma pessoa que você nunca viu na vida e agora virou um influenciador", diz Ferreira. Mas ele pondera: "acho que a responsabilidade não é do usuário final. A gente tem que entrar em uma maneira de monitoramento e de clara intenção das plataformas de indicar que aquilo ali é um conteúdo de IA". Os especialistas defendem uma sinalização obrigatória (e em destaque) para esse tipo de conteúdo, além de uma atuação das plataformas na moderação de conteúdos monetizados que são gerados por IA para proteger os usuários de manipulações e evitar crimes. Para os especialistas, a responsabilização deve recair sobre as empresas de tecnologia. Atualmente, a maioria das plataformas exige apenas uma autodeclaração do criador indicando o uso de IA, sem mecanismos de verificação eficazes. "A plataforma em si não é responsabilizada se está vinculando o conteúdo porque ela diz: ‘eu não tenho como saber, quem tem que dizer é o usuário'. Mas quem está fazendo a divulgação, quem está fazendo o canal é a própria plataforma. A ação de recomendação do conteúdo é da plataforma. A plataforma tende a passar a responsabilidade para a ponta, e dizer assim: ‘eu me protejo disso dizendo que ele não pode fazer, mas se ele faz e eu recomendo, paciência'. Então é esse o problema", afirma Ferreira. Crimes e relações no ambiente digitalDo ponto de vista jurídico, o uso de ferramentas avançadas não isenta os criadores de responsabilidade criminal. A advogada e especialista em cibersegurança Gisele Kauer destaca que a atuação de perfis sintéticos pode se enquadrar da mesma forma em crimes já previstos no Código Penal Brasileiro, como estelionato, fraude, exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica. "O crime continua sendo crime independente do meio utilizado." Além dos impactos financeiros e jurídicos, a proliferação desses avatares hiper-realistas criados por inteligência artificial transforma a percepção da realidade. Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e que lidera um grupo que pesquisa intimidade artificial, aponta que a criação de padrões estéticos inalcançáveis e de interações afetivas simuladas pode aprofundar a insegurança humana, afetando tanto quem consome o conteúdo, como também quem produz. Para ele, a IA é uma "caixa de multiversos" capaz de fabricar realidades paralelas que intensificam distorções sociais já iniciadas pelas redes sociais, como no caso dos famosos filtros utilizados em fotos. "Começamos a criar realidades que são verossímeis, que poderiam ser possíveis, mas que não são. E isso traz uma certa insegurança, um certo desejo muito maior do que a gente tinha antes", diz o professor e pesquisador. "Temos modelos, influencers, com um corpo perfeito que é anatomicamente quase impossível chegar nele, tudo feito por inteligência artificial. Então, se a gente já se comparava com uma realidade produzida por pessoas que eram reais, imagina com uma questão sintética?", indaga ele. Para a advogada, o problema não é o uso de personagens de IA em si para ganhar dinheiro, mas a utilização deles para induzir usuários ao erro e obter vantagens financeiras ilícitas. O que dizem as plataformasProcurado, o YouTube informou que todo conteúdo na rede, incluindo o gerado por IA, deve seguir as diretrizes da comunidade, o que inclui regras contra desinformação médica, que proíbem dados incorretos capazes de gerar danos à saúde. A plataforma também disse que exige que criadores divulguem o uso de mídia alterada ou sintética fotorrealista e que insere rótulos nesses vídeos para alertar os espectadores. "Embora dependamos da autodivulgação do criador, o YouTube usa tecnologia e análise humana para identificar conteúdos que deveriam ter sido rotulados, mas não foram", afirmou a empresa, ressaltando que pode aplicar os avisos de forma proativa nos casos em que o criador não faz a autodeclaração. O Youtube diz, ainda, que materiais que violam as diretrizes estão sujeitos à remoção e que o descumprimento recorrente pode levar à exclusão do conteúdo e à suspensão do canal do seu programa de parcerias (YPP). O TikTok, em resposta à DW Brasil, também afirmou que exige que criadores sinalizem conteúdos gerados por IA e disse que proíbe vídeos que induzam o público ao erro. A plataforma disse também disponibilizar rótulos para informar aos espectadores quando um conteúdo foi criado com o uso de IA. Já em relação à monetização, o TikTok afirma que perfis que violarem as regras podem ter a conta removida de forma permanente ou temporária do Programa de Recompensas do Criador, dependendo da gravidade da violação. A Meta, responsável pelo Instagram e pelo Facebook, informou que não iria comentar. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Por trás dos conteúdos automatizados e rostos sintéticos, especialistas apontam perigos de fraudes e desinformação. | ||
| Author | Larissa Maia | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-avatares-de-ia-alimentam-um-mercado-lucrativo-no-brasil/a-78698260?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Como%20avatares%20de%20IA%20alimentam%20um%20mercado%20lucrativo%20no%20Brasil | ||
| Item 8 | |||
| Id | 79287679 | ||
| Date | 2026-09-16 | ||
| Title | Julgamento no STF reacende debate sobre conduta de ministros | ||
| Short title | Julgamento no STF reacende debate sobre conduta de ministros | ||
| Teaser |
Sessão inédita no Supremo foi tomada por trocas de acusações entre membros da instituição. Para especialistas, código de ética pode ser uma das alternativas para enfrentar a pior crise da Corte. A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15/09) sobre a possível abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes escancarou os problemas na Corte. Os embates e as trocas de acusações no plenário mostraram, dizem especialistas, um conjunto de fatores que levam a uma crise histórica, que expõe condutas problemáticas de alguns magistrados. O julgamento do plenário deveria analisar a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes com base em um relatório da Polícia Federal (PF), que revelou uma série de mensagens trocadas entre ele e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Mais de sete horas após o início da sessão, os magistrados não analisaram o caso em si. Eles concentraram o debate na possibilidade de o caso de Moraes ser analisado junto com o processo que investiga supostas irregularidades na atuação do ministro André Mendonça na condução do inquérito. Por fim, o julgamento foi adiado após Flávio Dino pedir vista do processo. Sem conclusão, o julgamento desta terça tornou público o racha entre os ministros para todo o país durante a sessão televisionada. "Foi uma sessão extremamente belicosa desde o primeiro momento. Em um determinado momento, se tornou vergonhoso e incômodo para quem estava acompanhando aqueles posicionamentos dos ministros", avalia Ingrid Dantas, doutora em Direito pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora do Centro de Estudos Constitucionais da mesma instituição. Os especialistas dizem desconhecer algum país que tenha passado por crise semelhante no Judiciário à que o Brasil enfrenta atualmente. "Há colegas que comentam que nunca houve nada parecido em todo o mundo. Não chego a dizer tanto, porque não conheço de todo o mundo. Mas daquelas que conheço o funcionamento, como na Europa, posso dizer que nunca vi nada parecido", ressalta Rubens Beçak, professor em direito constitucional da Universidade de São Paulo (USP). "No Brasil, posso dizer seguramente que nunca tivemos um ministro investigado ou uma denúncia nesse quilate contra um ministro. É algo excepcional, que precisa ser investigado", acrescenta. O período em que esse caso veio à tona, semanas antes das eleições presidenciais, traz contornos inéditos e ainda mais complexos para a crise do STF. "A algumas semanas das eleições, só se fala no Supremo. Podemos dizer que o julgamento desta terça também se tornou inédito por causa das repercussões que ele próprio atraiu e das possíveis consequências para a reputação do próprio tribunal", pontua Ana Laura Barbosa, professora da FGV Direito em São Paulo. Código de Ética no STFO cenário atual traz à tona a discussão sobre um código de ética no STF para dar diretrizes aos ministros da Suprema Corte brasileira. Esse tema foi abordado pelo presidente da instituição, Edson Fachin, no início do ano, inspirado em modelos de países como Estados Unidos e Alemanha. Na Alemanha, essa medida do Tribunal Constitucional Federal tem o objetivo de manter a "independência", a "neutralidade" e a "integridade" da instância mais alta do Judiciário alemão. Uma das principais medidas do mecanismo alemão foi a criação de uma plataforma própria de transparência em que os juízes do Bundesverfassungsgericht (BVerfG, na sigla em alemão), o Tribunal Constitucional Federal da Alemanha, divulgam valores e honorários recebidos pela publicação de livros e artigos, palestras e participações em eventos independentes. No Brasil, ministros do STF estão sujeitos à Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), ao Código de Processo Penal, quando aplicável, e às regras previstas no próprio regimento da Corte. Porém, especialistas defendem a criação de um código de ética específico para os ministros do STF. Até o momento, a medida não teve grande avanço. Segundo reportagens veiculadas na imprensa, houve certa resistência à proposta no próprio Supremo. Beçak afirma que as regras gerais sobre a magistratura não eliminam a necessidade de normas específicas para os ministros sobre presentes, viagens, participação em eventos e relação com a iniciativa privada. Ele defende medidas mais claras, que possam estabelecer, por exemplo, quem pode financiar viagens de ministros ou quais presentes podem ser aceitos por eles. Para Beçak, a discussão sobre o código de ética deve ganhar novo impulso diante da atual crise, com chances inclusive do avanço da proposta. Dantas, porém, avalia que o julgamento desta terça mostra as dificuldades enfrentadas por Fachin na condução do STF, o que pode ser um empecilho caso os ministros não estejam dispostos a aprovar o código de conduta. "Ficou claro como os ministros questionam a autoridade do Fachin. A gente viu isso nos embates com ele", afirma. Decisões monocráticasAlém do código de ética, Dantas também defende que o STF debata mecanismos para combater as frequentes decisões monocráticas, aquelas tomadas por um único ministro. "É preciso haver o reforço à colegialidade, fazer uma revisão dessas monocráticas, que estão no cerne da crise atual. Precisamos fortalecer a colegialidade no STF, ela deve pautar a instituição e criar reformas que imponham maior constrangimento a esses poderes individuais de ministros." Diante dos problemas atuais, o STF precisa pensar em medidas que passem mais transparência à população e mostrem que a instituição tem se esforçado para melhorar, diz Beçak. "Na área pública, não basta ser honesto, você tem que parecer honesto para quem está te olhando. Essa reconstrução de imagem do Supremo é algo que vai demorar anos, mas tomara que consigam reconstruir", acrescenta. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Sessão inédita no Supremo foi tomada por trocas de acusações entre membros da instituição. | ||
| Author | Vinícius Lemos | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/julgamento-no-stf-reacende-debate-sobre-conduta-de-ministros/a-79287679?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Julgamento%20no%20STF%20reacende%20debate%20sobre%20conduta%20de%20ministros | ||
| Item 9 | |||
| Id | 79279679 | ||
| Date | 2026-09-15 | ||
| Title | STF adia decisão sobre caso Moraes após Dino pedir vista | ||
| Short title | STF adia decisão sobre caso Moraes após Dino pedir vista | ||
| Teaser |
Julgamento sobre a eventual abertura de investigação contra Alexandre de Moraes é suspenso. Ministros divergem sobre realização de um julgamento conjunto com o caso de André Mendonça.O julgamento iniciado nesta terça-feira (15/09) no Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiria sobre a possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no caso Master, terminou sem encaminhamentos após o ministro Flávio Dino pedir vista do processo.
Mais de sete horas após o início da sessão, os magistrados ainda não haviam começado a analisar o caso em si. O debate ficou concentrado numa questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes, que defendeu a reunião dos julgamentos envolvendo Moraes e o também ministro André Mendonça em uma única sessão, além da redistribuição da relatoria.
Mendes foi acompanhado por Dino, Cristiano Zanin e Moraes. Todos defenderam um julgamento conjunto dos dois magistrados. Cármen Lúcia, André Mendonça e Luiz Fux seguiram o presidente do STF, Edson Fachin, favorável à manutenção da análise do caso Moraes ainda nesta terça-feira. O pedido de vista de Dino, porém, interrompeu a discussão e impediu uma conclusão imediata.
"Eu tenho que interromper esta situação porque nós temos uma questão de ordem. Nós não temos condições de deliberar. O clima é daí para pior, e a sociedade está assistindo a algo diferente do rito que a lei manda", afirmou Dino após diversas discussões tomarem conta da sessão. O placar final provisório proferido por Fachin ficou em 4x3, já que o voto de Dino não foi computado.
Relatório da PF e escalada da crise
O caso ganhou fôlego após o ministro André Mendonça tornar público um relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens de WhatsApp trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
As conversas sugeririam que Vorcaro recorreu ao ministro para obter informações sobre operações policiais das quais era alvo.
Mendonça encaminhou o material ao plenário do STF e pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a eventual abertura de investigação contra Moraes.
Também citado nas mensagens atribuídas a Vorcaro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório. Segundo ele, Mendonça não teria competência para determinar uma investigação da PF na fase pré-processual.
Em retaliação, Moraes pediu à PF um relatório de inteligência sobre a atuação do colega em investigações sob sua relatoria. O documento, segundo a própria corporação, não possui valor probatório.
Em resposta, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, elevando a tensão entre os ministros.
O conflito entre duas decisões contraditórias acabou sendo resolvido por Fachin, que assumiu a relatoria dos casos e marcou o julgamento relativo a Moraes para esta terça-feira e o de Mendonça para a próxima semana, quando serão analisadas condutas atribuídas a ambos na condução do episódio.
Fachin defende divisão dos julgamentos
Na abertura da sessão, Fachin ressaltou que o plenário não julgava a eventual culpa de Moraes, mas apenas a possibilidade de autorizar a abertura de uma investigação contra um ministro da suprema corte.
"Não é neste momento qualquer juízo ou antecipação do valor probatório, mesmo porque qualquer juízo dessa natureza se reserva ao Ministério Público. O objeto deste julgamento é a autorização de abertura de investigação contra ministro", afirmou, após ler parecer da PGR sobre o caso.
O presidente do STF também defendeu sua decisão de assumir a relatoria e manter os processos em datas distintas. Segundo Fachin, a medida observou as regras internas do tribunal.
"Os autos foram encaminhados pelo ministro relator à Presidência. Porque o juiz natural para julgar esta matéria é o plenário. E a ele está sendo imputado", disse. "O encaminhamento que procurei fazer é precisamente este: submeter a questão à apreciação do tribunal. Eu não instaurei inquérito. Eu marquei a sessão e abri vista para que todos se manifestassem", continuou.
O ministro acrescentou que levou em conta o artigo 80 do Código de Processo Penal, que permite a separação de processos, além de razões ligadas aos prazos processuais.
Críticas à condução do caso
A atuação de Fachin, contudo, foi alvo de fortes críticas e divergência entre ministros, levando à questão de ordem aberta por Gilmar. Ao votar com Gilmar pelo adiamento do julgamento, Dino defendeu que a decisão do presidente do STF de assumir a relatoria do caso criaria um precedente perigoso para o Judiciário.
"Se admitirmos essas práticas, seria um dos maiores equívocos da história do Judiciário brasileiro: a volta da avocatória e o poder monocrático do presidente de se autodesignar relator, coisa que juridicamente não existe."
Dino também criticou a falta de clareza do procedimento adotado. "Se você não tem rito, você tem dois pesos e duas medidas, que é a negação da Justiça", afirmou. Zanin acompanhou essa posição."Essa questão de ordem talvez possa permitir que dúvidas sejam superadas para que tenhamos uma análise dentro do devido processo legal", pontuou.
Segundo Zanin, se houver a possibilidade de reconhecimento da suspeição de Mendonça na próxima semana, analisar previamente a abertura de investigação contra Moraes poderia representar uma inversão da lógica processual.
Moraes defende julgamento conjunto
Moraes também votou a favor da realização de um julgamento conjunto. O ministro sustentou que não existe qualquer pedido formal de investigação criminal contra ele e observou que a PGR pediu o arquivamento da petição.
"Não há pedido. E, se houvesse pedido, o interessado deve ser intimado, com cópia da imputação, indicação de todas as provas e prazo para se manifestar", afirmou.
"Consta pedido de investigação feito pela Polícia Federal? Não. Consta pedido de investigação feito pelo Ministério Público? Não. Consta pedido de investigação feito pelo ministro André Mendonça? Não. Consta algum pedido de investigação em relação a mim?", questionou.
Para Moraes, a realização de julgamentos separados pode gerar incoerências caso ele ou Mendonça venham a ser considerados impedidos. "Presidente, não há razão para que a instrução e o julgamento não sejam conjuntos. Temos um risco concreto de decisões contraditórias com base nos mesmos fatos", disse.
Mendonça diz que casos são diferentes
Mendonça acompanhou Fachin e pediu dois julgamentos separados. Para ele, seu caso não se compara ao de Moraes.
"O que há em relação a mim foi um suposto relatório de inteligência, ilegal, com monitoramento e coleta seletiva de dados de ministro deste tribunal e de outras autoridades da República, numa atividade própria de uma PF paralela. O próprio documento afirma que não possui valor probatório. Não são coisas comparáveis", pontuou.
Fux assumiu posição semelhante, votando para que as análises se mantivessem separadas. Já Cármen Lúcia falou brevemente, pediu desculpas ao povo brasileiro pela "espetacularização" do caso e entendeu que a competência da decisão seria a do presidente, seguindo o posicionamento de Fachin.
Bate-boca entre ministros
A discussão sobre a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes foi marcada por sucessivos embates entre ministros.
Mendes dirigiu críticas duras a Mendonça, acusando-o de contribuir para o clima de instabilidade e de constranger os colegas com objetivos eleitorais.
"O relator aguardou a chegada do período eleitoral para encomendar o relatório. Monocraticamente levantou o sigilo do relatório a fim de constranger qualquer posição contrária", afirmou. "Trata-se de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando", continuou. Mais tarde, disse ser "impressionante a desfaçatez" de Mendonça.
"A desfaçatez de vossa excelência! Me respeite. Isso aqui não é brincadeira", gritou Mendonça em resposta. O ministro também discutiu diversas vezes com Moraes, após ser acusado pelo colega de usar a PF para buscar mensagens a seu respeito. Mendonça rebateu acusando a existência de uma PF "paralela" que atuaria a favor de ministros.
Nunes Marques e Toffoli se afastam do julgamento
Antes do julgamento, dois ministros decidiram não participar da análise do caso.
Kassio Nunes Marques declarou-se impedido em razão de sua atuação na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
"O Tribunal Superior Eleitoral tem se mantido equidistante de preferências partidárias. Este julgamento pode impactar o ambiente eleitoral. Na condição de presidente do TSE, não me sinto à vontade para participar deste julgamento e afirmo meu impedimento", afirmou.
O ministro rejeitou, contudo, qualquer vínculo com o banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens divulgadas pelo portal Metrópoles apontam que pessoas ligadas ao banqueiro faziam referência a pagamentos mensais para "Kevin Marques", filho do magistrado. O site também divulgou mensagens que associariam o nome "Kássio" à organização de um encontro íntimo promovido por Vorcaro.
"Eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco, nunca foi remunerado. Isso é fato, porque o sigilo já foi quebrado", afirmou. "Não há registro de mensagem minha com Daniel Vorcaro."
Dias Toffoli, por sua vez, declarou-se suspeito por motivo de foro íntimo, posição que já havia adotado anteriormente.
Primeiro relator do caso Master no STF, Toffoli passou a enfrentar questionamentos após surgirem informações sobre possíveis vínculos indiretos com Vorcaro.
"Embora não tenha sido formalmente acolhida nenhuma arguição de suspeição, quando os julgamentos começaram a ocorrer na Segunda Turma, eu me senti na obrigação de preservar a corte e manifestar minha suspeição por motivo de foro íntimo, não de impedimento. Mantenho a coerência com a posição que venho adotando", afirmou.
gq/as (OTS)
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Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
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| Short teaser | Ministros divergem sobre realização de um julgamento conjunto com o caso de André Mendonça. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/stf-adia-decisão-sobre-caso-moraes-após-dino-pedir-vista/a-79279679?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Debate sobre a realização de julgamentos conjuntos ou separados dominou a sessão do STF que deveria decidir sobre investigação de Alexandre de Moraes | ||
| Image source | Adriano Machado/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79250529_354.jpg&title=STF%20adia%20decis%C3%A3o%20sobre%20caso%20Moraes%20ap%C3%B3s%20Dino%20pedir%20vista | ||
| Item 10 | |||
| Id | 79280656 | ||
| Date | 2026-09-15 | ||
| Title | Cada vez menos pessoas moram em casa própria na Alemanha | ||
| Short title | Cada vez menos pessoas moram em casa própria na Alemanha | ||
| Teaser |
Para grande parte da população, adquirir um imóvel virou uma meta distante, especialmente entre os mais jovens. No ranking da UE, o país aparece na lanterna. Na Alemanha, vem diminuindo a proporção de pessoas que vivem em imóveis próprios. No ano passado, essa parcela caiu para 43,5% dos domicílios, conforme apurou o Instituto Pestel de Pesquisa do Mercado Imobiliário. Esse é o nível mais baixo em mais de 20 anos e representa a menor taxa em comparação entre os países da União Europeia. De acordo com o Instituto Pestel, especialmente os mais jovens raramente vivem em imóveis próprios. Entre os que têm entre 25 e 45 anos, quase três quartos moram de aluguel. Essas pessoas são particularmente afetadas pelos altos preços dos imóveis no país. Diferenças entre o sul e o norteAs menores taxas de imóveis próprios são encontradas nas grandes cidades e áreas metropolitanas, especialmente na região do Ruhr, no oeste da Alemanha. Além disso, há diferenças visíveis entre oeste e leste, bem como entre sul e norte: no oeste, em geral, mais pessoas vivem em imóveis próprios do que no leste, enquanto as maiores taxas de propriedade estão no sul da Alemanha. No entanto, nos últimos anos, tem sido observada uma aproximação gradual, especialmente entre o leste e o oeste do país. Em comparação com os demais países da Europa, a Alemanha ocupa a penúltima posição. Apenas a Suíça, que não faz parte da União Europeia, tem uma proporção menor de famílias vivendo em imóveis próprios. Na Áustria, a taxa também é relativamente baixa, mas ainda superior à da Alemanha. Dinamarca, França, Luxemburgo e Suécia também apresentam índices reduzidos de moradia própria. As maiores taxas de propriedade residencial, em alguns casos acima de 90%, são encontradas nos países do Leste Europeu, como Eslováquia, Romênia, Croácia, Hungria, Polônia e Lituânia. Segundo o Instituto Pestel, as elevadas taxas de moradia própria em alguns países do Leste Europeu ainda refletem a venda em larga escala de apartamentos estatais aos antigos inquilinos após a dissolução do bloco soviético, por volta de 1990. De modo geral, porém, não há uma relação evidente entre a taxa de propriedade de imóveis e o desempenho econômico de um país. Forte alta dos custos de construçãoO diretor do instituto, Matthias Günther, apontou como principais razões para a baixa taxa de imóveis próprios os altos custos de construção, a elevação das taxas de juros e a política habitacional adotada nos últimos anos. Segundo ele, os custos de construção de moradias aumentaram 160% desde o ano 2000. Günther acrescentou que a extinção de um programa federal eficaz de incentivo à aquisição da casa própria, especialmente após o fim do subsídio conhecido como Baukindergeld em 2021, teve impactos negativos tanto do ponto de vista político quanto econômico. Além disso, a imigração dos últimos anos também contribuiu para agravar os problemas do mercado imobiliário, aumentando a pressão sobre a oferta de moradias. "Sinal de alerta"Matthias Günther considera preocupante a atual evolução da situação na Alemanha. Segundo ele, "mesmo onde os preços dos imóveis estão estagnados ou em queda, casais com duas fontes de renda e ganhos médios dificilmente conseguem adquirir a casa própria", afirmou ao jornal Augsburger Allgemeine. Para Mike Kammann, da Fundação Schwäbisch Hall, que encomendou a pesquisa, a queda contínua da taxa de moradias próprias é "um sinal de alerta que o Estado não pode mais ignorar". Günther defende que a casa própria seja promovida politicamente como um importante instrumento de previdência para a aposentadoria. Segundo ele, o aumento dos aluguéis está empurrando cada vez mais idosos para a pobreza na velhice. "A pobreza na velhice é, em grande parte, pobreza de quem vive de aluguel", afirmou. Por isso, ele propõe a criação de um plano federal para incentivo de habitação própria, cujo objetivo seria permitir que pelo menos 200 mil famílias por ano adquiram um imóvel para uso próprio. Isso ajudaria a ampliar o acesso à moradia e a fortalecer a segurança financeira da população na aposentadoria. md/gq (AFP, EPD) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Adquirir um imóvel virou uma meta distante, especialmente entre os mais jovens. Na UE, país está na última posição. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/cada-vez-menos-pessoas-moram-em-casa-própria-na-alemanha/a-79280656?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Cada%20vez%20menos%20pessoas%20moram%20em%20casa%20pr%C3%B3pria%20na%20Alemanha | ||
| Item 11 | |||
| Id | 79276386 | ||
| Date | 2026-09-15 | ||
| Title | As Cruzadas: de guerra santa a símbolo da ultradireita | ||
| Short title | As Cruzadas: de guerra santa a símbolo da ultradireita | ||
| Teaser |
Em 1095, a Igreja Católica lançou as Cruzadas, guerras que deixaram milhões de mortos e cujo legado é invocado pela ultradireita em todo o mundo. "O momento atual é muito parecido com o século 11... Não queremos lutar, mas, como nossos irmãos cristãos de mil anos atrás, precisamos fazê-lo." Essas são as palavras do secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, em seu livro de 2020, American Crusade: Our Fight to Stay Free (Cruzada americana: nossa luta para permanecer livres). Hegseth tem utilizado repetidamente a linguagem e o simbolismo bíblicos das Cruzadas para descrever tanto questões internas quanto externas, desde a atual guerra no Irã até a "luta" contra o que chama de "flagelo do esquerdismo". Quase mil anos se passaram desde aquele frio dia de novembro de 1095, quando o papa Urbano 2º, no Concílio de Clermont, fez o inflamado discurso que daria início a séculos de guerras e mudaria o curso da história, proferindo as palavras que se tornariam o grito de guerra dos cruzados: "Deus vult!" (Deus o quer!). Mesmo tanto tempo depois, as Cruzadas continuam sendo uma fonte poderosa de inspiração para a ultradireita e extremistas em todo o mundo. Promessa de salvação eternaA história das Cruzadas é longa e complexa. Mas pode ser resumida como um exemplo extraordinário de como a religião pode se tornar uma poderosa ferramenta para objetivos políticos, ajudando líderes a unir pessoas, justificar guerras e mobilizar apoio em ampla escala. Em meados do século 11, os turcos seljúcidas muçulmanos conquistaram vastas áreas do Oriente Médio. No início da década de 1070, assumiram o controle de Jerusalém, o mais importante local sagrado da cristandade. Espalharam-se rumores de que peregrinos e cristãos que viviam na região estavam sendo perseguidos e que locais sagrados estavam sendo profanados. Naquele período, o papado em Roma estava envolvido numa amarga disputa de poder com o imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Henrique 4º, sobre quem realmente detinha o controle da cristandade ocidental. Quando o imperador bizantino Aleixo 1º Comneno pediu ajuda ao papa Urbano 2º para se defender dos seljúcidas, em 1095, isso ofereceu ao papado uma oportunidade de demonstrar seu poder, contornando Henrique e mobilizando a nobreza europeia para nada menos que uma Guerra Santa. Urbano acreditava que uma grande causa cristã fortaleceria sua autoridade ao unir a Europa Ocidental contra um inimigo externo comum. A guerra era uma condição normal na Europa medieval, atingida por uma série de secas, fomes e epidemias. A crença no "fim dos tempos" era amplamente difundida. Nesse contexto, o apelo de Urbano por uma Guerra Santa para "libertar a Igreja de Deus" foi persuasivo: ele demonizou os muçulmanos e prometeu aos cruzados o perdão completo de todos os pecados passados, além da salvação eterna. "Se você pensar no que é uma Cruzada, trata-se de pedir às pessoas que avancem rumo ao desconhecido, por milhares de quilômetros, até uma terra desconhecida", explica o especialista em história das Cruzadas Jonathan Phillips, da Universidade Royal Holloway, em Londres. As chances de um participante morrer eram de 35% a 40%, observa o especialista. Portanto, eles precisavam ser movidos por alguma coisa. "A religião tinha de ocupar o primeiro lugar", acrescenta. O chamado de Urbano à Guerra Santa foi acolhido por homens e mulheres de todos os níveis da sociedade, desde príncipes até camponeses, explica Phillips. Esse exército improvisado, composto por camponeses, cavaleiros de baixa patente e nobres, liderados por pregadores, partiu para a Terra Santa em 1096. Mais tarde, esse movimento ficaria conhecido como a Cruzada Popular, que fez suas primeiras vítimas na Renânia, onde seus integrantes massacraram comunidades judaicas num dos primeiros surtos de antissemitismo da Europa medieval. Posteriormente, um exército mais bem organizado da alta nobreza europeia foi reunido em Constantinopla entre novembro de 1096 e abril de 1097, no que ficou conhecido como a Cruzada dos Príncipes. O que aconteceu nas CruzadasA Terra Santa, localizada entre o que hoje são a Turquia, a Síria e o Egito, era uma sociedade multicultural e multilíngue, dividida entre senhores da guerra turcos seljúcidas sunitas e o Califado Fatímida xiita. Levou algum tempo para que os habitantes locais compreendessem que aquilo não era apenas mais uma invasão, explica o especialista no Mediterrâneo Oriental islâmico pré-moderno Mohamad El-Merheb, da Universidade SOAS, de Londres. "Talvez tenha levado pelo menos uma década para que algumas pessoas percebessem que se tratava de um projeto ideológico de conversão e tomada da Terra Santa." "Algumas cidades tinham boas defesas, outras não. Mas tudo isso ocorria num contexto de poder político extremamente fragmentado", afirma. Os cruzados realizaram o que El-Merheb descreve como uma série de conquistas rápidas em cidades importantes como Edessa e Antioquia. Apesar dessas vitórias iniciais, a vida numa Guerra Santa era extremamente difícil. A maioria voltou para casa ou morreu de doenças, fome ou exaustão. Quando capturaram Jerusalém, em 1099, os cruzados massacraram milhares de muçulmanos e judeus porque não conseguiam distingui-los. Muitos historiadores consideram a queda da cidade de Acre para os guerreiros mamelucos, em 1291, como o fim das Cruzadas na Terra Santa. Entretanto, outras cruzadas foram convocadas, por exemplo para conter o avanço dos turcos otomanos no Leste Europeu durante o século 14, enquanto as campanhas militares cristãs da Reconquista que procuravam retomar a Península Ibérica do domínio muçulmano foram até o fim do século 15. As Cruzadas reinterpretadasO legado das Cruzadas continua sendo uma referência poderosa e polarizadora. Tanto no Oriente quanto no Ocidente, a memória histórica dessas guerras santas medievais é frequentemente invocada para moldar identidades, políticas e conflitos modernos. Em 2001, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, causou indignação ao descrever a sua Guerra ao Terror como uma cruzada, termo que já vinha sendo empregado por Osama bin Laden para caracterizar guerras lideradas pelos EUA como conflitos religiosos destinados a destruir o islã. Em sua propaganda para legitimar sua jihad global, Bin Laden também evocava o legado de Saladino, lendário comandante curdo reverenciado até hoje como o herói que retomou Jerusalém dos cruzados, em 1187. "A partir do século 19, Saladino passa especificamente a se tornar um símbolo da luta contra o colonialismo e o imperialismo ocidentais", afirma El-Merheb. "Ao longo do século 20, muitos grupos islamistas também passaram a se referir às potências ocidentais como cruzados. Isso se tornou parte do nacionalismo político em nível estatal e também popular, por exemplo em filmes. Agora o inverso está acontecendo no Ocidente." Deus vultO simbolismo das Cruzadas é utilizado há muito tempo por movimentos da ultradireita nos Estados Unidos e na Europa para promover narrativas de conflito entre civilizações e chegou também ao Brasil. A expressão latina deus vult já foi usada pelo assassino em massa e extremista de direita norueguês Anders Breivik, pelo partido alemão Alternativa para a Alemanha (AfD) e, no Brasil, pelo analista político Filipe Garcia Martins na vitória de Jair Bolsonaro, em 2018. "No Brasil de Bolsonaro, o novo governo e grupos da ultradireita propagam uma versão fictícia da Idade Média europeia, insistindo que o período foi uniformemente branco, patriarcal e cristão", escreveu o professor de história medieval Paulo Pachá, da Universidade Federal Fluminense (UFF), num artigo de 2019 no qual analisou a adoração da ultradireita brasileira por uma Idade Média europeia idealizada. Já o partido francês Reconquête toma seu nome das campanhas da Reconquista. Hegseth é conhecido por ter a expressão deus vult tatuada no braço e uma cruz de cruzado no peito. Mas El-Merheb diz que tais referências frequentemente reduzem as Cruzadas a um simples choque entre cristianismo e islamismo, "o que nunca foi realmente o caso". Segundo ele, essa interpretação ignora "como as Cruzadas foram desde o início projetos profundamente antissemitas, ou empreendimentos violentos contra outras comunidades cristãs na Europa, como os cátaros na França, contra Bizâncio e o mundo islâmico, além de ignorar as muitas alianças inter-religiosas entre muçulmanos e cruzados". Ao mesmo tempo, acrescenta ele, esses políticos também deixam de lado o quão violentas e destrutivas foram essas campanhas históricas. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Em 1095, a Igreja Católica lançou as Cruzadas, guerras que mataram milhões e cujo legado é invocado pela ultradireita. | ||
| Author | Helen Whittle | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/as-cruzadas-de-guerra-santa-a-símbolo-da-ultradireita/a-79276386?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=As%20Cruzadas%3A%20de%20guerra%20santa%20a%20s%C3%ADmbolo%20da%20ultradireita | ||
| Item 12 | |||
| Id | 79266705 | ||
| Date | 2026-09-15 | ||
| Title | Jovens japoneses pagam para pedir demissão sem confronto com chefe | ||
| Short title | Jovens japoneses pagam para pedir demissão sem confronto | ||
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Empresas especializadas comunicam pedidos de demissão de funcionários que dão ghosting no trabalho para evitar contato com chefes. Fenômeno reflete aversão ao conflito, assédio no trabalho e mudanças geracionais.Para Y.M., um japonês de pouco mais de 20 anos, o primeiro emprego após a universidade, numa empresa de vendas do setor imobiliário, se transformou em um teste diário de resistência. Entre os colegas, era ele quem costumava ser alvo de gritos e reprimendas.
Segundo relato publicado no site da consultoria trabalhista e de recursos humanos Leadbrain, sediada em Tóquio, Y.M. procurava uma forma discreta de deixar o emprego. Preocupado com a opinião dos colegas, relutante em preocupar os pais e decidido a evitar conflitos no ambiente de trabalho, ele recorreu ao celular para buscar uma alternativa: um serviço terceirizado de demissão, que comunica o desligamento ao empregador em nome do funcionário.
No Japão, desaparecer do trabalho sem aviso prévio é conhecido como bakkure, prática que guarda certa semelhança com o chamado "ghosting" nos relacionamentos. Em muitos países, abandonar um emprego sem comunicação é visto como uma atitude irresponsável. Dentro da lógica das interações sociais japonesas, porém, desaparecer pode ser uma forma de evitar confrontos e preservar a harmonia, ao menos na aparência.
Pagar para ir embora
A procura por empresas que intermedeiam pedidos de demissão está em alta. A Albatross, uma das principais companhias do setor, auxilia cerca de 450 pessoas por mês a deixar seus empregos sem contato direto com os superiores. O serviço custa aproximadamente 120 euros (cerca de R$ 713) para trabalhadores em tempo integral. A maioria dos clientes é formada por jovens profissionais dos setores de serviços e manufatura. O processo pode ser concluído em até 15 minutos.
"As razões que levam as pessoas a pedir que nos encarreguemos da demissão vão de violência física a assédio sexual", afirmou Yuka Hamada, diretora-executiva da Albatross. "São pessoas vulneráveis e que não se sentem capazes de pedir demissão por conta própria."
Uma pesquisa da consultoria Shikigaku com trabalhadores japoneses de 20 a 49 anos mostrou que cerca de um terço dos entrevistados relatou ter sofrido algum tipo de assédio no ambiente de trabalho.
Harmonia acima de tudo
A cultura corporativa tradicional japonesa ganhou forma durante o período de crescimento econômico do pós-guerra e está fortemente associada ao conceito de emprego vitalício. Nesse contexto, a lealdade à empresa é tratada como uma virtude central, e muitos gestores interpretam pedidos de demissão como uma afronta pessoal. Por isso, diversos jovens trabalhadores hesitam em comunicar sua saída diretamente.
"Anunciar a intenção de pedir demissão pode parecer não apenas o encerramento de um contrato, mas também uma forma de decepcionar pessoas ou trair expectativas que se buscou atender durante anos", afirmou Hiroki Nakamori, professor associado da Escola de Pós-Graduação em Estudos de Design Social da Universidade Rikkyo.
Segundo Hiroshi Ono, professor de gestão de recursos humanos da Escola de Negócios da Universidade Hitotsubashi, o Japão é uma sociedade pouco inclinada ao confronto, onde se espera que os indivíduos se adaptem aos compromissos assumidos com a empresa e sua cultura organizacional.
"Quem perturba a harmonia não costuma ser bem-visto. Por isso, alguém que está saindo pode sentir que o melhor é simplesmente desaparecer sem causar alarde", disse Ono. "Agir coletivamente e em harmonia é considerado um sinal de força", acrescentou.
Essa tendência a evitar conflitos tem raízes profundas na sociedade japonesa. A Constituição dos Dezessete Artigos, compilada no início do século 7 e considerada um importante marco do pensamento político do Japão antigo, já defendia que a harmonia deveria ser priorizada e as disputas evitadas.
Desaparecer sem deixar de ser educado
Mas até mesmo abandonar um emprego pode ser feito de maneira considerada cortês. "Os clientes podem não se despedir nem agradecer diretamente à empresa. Nesses casos, a agência pode transmitir essas mensagens em seu nome", afirmou Hamada.
Trata-se de um dos paradoxos da cultura corporativa japonesa. Mesmo ao optar por desaparecer, muitos funcionários sentem a obrigação de seguir o princípio do meiwaku, que valoriza a redução de transtornos para os outros e a preservação da ordem coletiva.
Essa preocupação também se estende aos pertences deixados no local de trabalho. "Mesmo quando o cliente pretende desaparecer completamente, orientamos que esvazie sua mesa antes de sair", disse Hamada.
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| Short teaser | Empresas comunicam pedidos de demissão de funcionários que dão ghosting no trabalho para evitar contato com chefes. | ||
| Author | Chi-Hui Lin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/jovens-japoneses-pagam-para-pedir-demissão-sem-confronto-com-chefe/a-79266705?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/79258574_354.jpg
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| Image caption | Serviços de "demissão terceirizada" ganham espaço no Japão ao permitir que funcionários deixem o emprego sem comunicar diretamente seus chefes | ||
| Image source | Morio Taga/Jiji Press Photo/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79258574_354.jpg&title=Jovens%20japoneses%20pagam%20para%20pedir%20demiss%C3%A3o%20sem%20confronto%20com%20chefe | ||
| Item 13 | |||
| Id | 79275120 | ||
| Date | 2026-09-15 | ||
| Title | Como a ciência tornou possível a gravidez após os 45 anos | ||
| Short title | Como a ciência tornou possível a gravidez após os 45 anos | ||
| Teaser |
Casos recentes de mulheres que engravidaram em idade considerada avançada chamam atenção para os avanços da reprodução assistida. Especialistas explicam quais são as possibilidades e os riscos de uma gestação tardia.Aos 48 anos, a apresentadora Maju Coutinho anunciou que está grávida do primeiro filho. Aos 45, Sabrina Sato está no sexto mês de gestação do seu segundo filho, enquanto a atriz Claudia Raia se tornou mãe aos 55 anos, em 2022. Casos como esses chamam atenção por ocorrerem em uma fase da vida em que a fertilidade feminina já sofreu uma queda acentuada e em décadas atrás era algo extremamente raro de acontecer.
Mais do que exceções, esses casos colocam em evidência o avanço da medicina reprodutiva, que faz com que as mulheres possam contar com técnicas capazes de ampliar as possibilidades de engravidar mesmo quando os ovários já não funcionam tão bem como aos 20 ou 30 anos.
Porém, é preciso cuidado para não se enganar com a impressão de que a idade deixou de ser um obstáculo quando o assunto é gravidez. A medicina evoluiu, mas não conseguiu interromper o envelhecimento do sistema reprodutivo. A quantidade e a qualidade dos óvulos continuam diminuindo com o passar dos anos, e os riscos de uma gestação aumentam com o avançar da idade.
A diferença é que, atualmente, existem formas de contornar parte dessas limitações. Congelamento de óvulos, fertilização in vitro, congelamento de embriões e doação de óvulos são algumas das alternativas disponíveis.
O envelhecimento dos óvulos
A fertilidade feminina começa a diminuir de maneira mais perceptível a partir dos 30 anos e sofre uma queda acentuada depois dos 35. Isso acontece porque as mulheres já nascem com uma quantidade limitada de óvulos e ao longo da vida essa reserva vai diminuindo a cada mês.
Assim, uma mulher pode continuar ovulando aos 45 anos e ainda assim ter uma chance muito menor de engravidar do que tinha duas décadas antes. Mesmo quando a fecundação acontece, cresce a probabilidade de o embrião apresentar alterações cromossômicas, o que pode dificultar sua implantação, acarretar condições de saúde para o bebê ou aumentar o risco de perda gestacional.
Por isso, uma das principais dificuldades de uma gravidez tardia está no próprio óvulo. "Nascemos com esses óvulos, que ficam sujeitos a doenças, medicamentos, poluição, estresse e tudo que nós passamos ao longo da vida. Isso significa uma alteração na energia celular. Então, ele vai sofrendo um impacto com o tempo e perdendo essa capacidade de produzir energia para a célula. Com isso, o óvulo passa a ter dificuldade de separar os pares de cromossomos para formar um embrião e vêm as alterações", explica Fernanda Polisseni, ginecologista da Associação Brasileira de Reprodução Assistida e professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Já nos homens o processo é diferente. Eles produzem novos espermatozoides ao longo da vida, embora existam mudanças relacionadas à idade masculina que também aumentam as chances desses espermatozoides apresentarem condições menos favoráveis para uma fecundação.
O congelamento muda parte dessa situação
O congelamento de óvulos surge como uma opção para as mulheres preservarem seus óvulos enquanto ainda não há essa queda acentuada de qualidade e quantidade devido à idade. A técnica permite retirar óvulos dos ovários, congelá-los e armazená-los para uma utilização futura através da FIV (fertilização in vitro).
A FIV é uma técnica de reprodução assistida em que a fecundação do óvulo pelo espermatozoide ocorre em laboratório, ou seja, fora do corpo da mulher. Após a fecundação, o embrião formado é transferido para o útero na tentativa de iniciar uma gestação.
"Entre os 30 e 35 anos consideramos a idade ideal para fazer esse congelamento, porque é a idade de quem que a mulher ainda tem uma boa quantidade de óvulos com qualidade. É possível congelar depois dessa idade, mas é necessário ter em mente que a chance de conseguir uma gravidez é ajustada de acordo com a idade em que esses óvulos estão sendo congelados", acrescenta Polisseni.
Quando uma mulher congela seus óvulos aos 30 anos e decide tentar engravidar aos 45, por exemplo, são usados os gametas que foram preservados antes da queda mais acentuada da qualidade ovocitária. Assim, mesmo que ela tenha quinze anos a mais, seus óvulos mantêm a idade em que foram coletados e congelados.
Ao manter essa qualidade de quando era mais jovem, aumenta-se as chances de uma fecundação e consequentemente de uma gestação, no entanto, isso não é uma garantia de gravidez, pois nem todos os óvulos descongelados sobrevivem ao processo, são fecundados ou dão origem a embriões capazes de resultar em um nascimento.
Para mulheres nessa situação, que não possuem óvulos adequados para uma tentativa de fertilização, ou que não fizeram o congelamento, existe ainda outra possibilidade que é a doação de óvulos. Nesse caso, os óvulos de uma doadora são fecundados em laboratório e o embrião formado é transferido para o útero da mulher que pretende engravidar.
"Nesses casos, conseguimos reduzir o impacto da idade sobre a qualidade genética do óvulo, mas não eliminamos os efeitos do envelhecimento sobre o organismo da mulher que irá carregar a gestação. Por isso, uma mulher de mais de 45 pode, sim, chegar a uma gestação, mas estamos falando de uma situação muito diferente de uma gravidez natural aos 48 ou 50 anos", diz Larissa Pires, ginecologista e obstetra, especializada em reprodução humana e medicina fetal.
Os riscos aumentam com a idade
Apesar dos avanços da ciência, depois dos 40 anos, alguns problemas durante a gravidez se tornam mais frequentes. Entre eles estão hipertensão, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, alterações placentárias, parto prematuro e necessidade de cesariana.
"Há também os riscos fetais como aumento de taxa de aborto, aumento de risco cromossômico e aumento do risco de restrição de crescimento fetal por uma placentação inadequada", explica Karina Belickas, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana.
Isso não significa que toda gravidez depois dos 45 anos será considerada de risco, alto risco ou terá complicações, a idade é apenas um dos fatores avaliados pelos médicos. O estado de saúde da mulher, doenças preexistentes, histórico obstétrico e condições específicas da gestação também influenciam.
Existe uma idade máxima para engravidar?
A resposta, segundo os especialistas ouvidos pela DW, depende de como a gravidez acontece. Naturalmente, a possibilidade de engravidar desaparece com a menopausa, quando os ovários deixam de liberar óvulos regularmente. Mas a medicina reprodutiva consegue, em determinadas circunstâncias, permitir uma gestação depois desse período por meio de óvulos ou embriões previamente preservados ou de óvulos doados.
No Brasil, o Conselho Federal de Medicina estabelece regras para a reprodução assistida e determina 50 anos como idade máxima para mulheres buscarem por técnicas de reprodução assistida. A norma prevê exceções, desde que sejam justificadas pelo médico e que não existam condições que representem risco grave à saúde da paciente.
No caso da atriz Claudia Raia, uma situação curiosa ocorreu, segundo ela. Claudia tentava engravidar através da fertilização in vitro e tomou hormônios para o procedimento. A tentativa inicial não deu certo e não resultou na formação de embriões, mas os hormônios deram um impulso em seu organismo, fazendo com que ela voltasse a ovular naturalmente mesmo estando na menopausa.
Segundo a atriz, a gravidez ocorreu naturalmente após a tentativa de FIV.
A medicina não apagou o relógio biológico
Os avanços da reprodução assistida criaram uma possibilidade que não existia para gerações anteriores e trouxe novas oportunidades para o planejamento da maternidade. Mas especialistas alertam que o congelamento não deve ser interpretado como uma garantia de gravidez no futuro, já que existe uma diferença entre ter óvulos congelados e ter um bebê.
Entre uma coisa e outra estão etapas como descongelamento, fecundação, desenvolvimento embrionário, implantação no útero e evolução da gestação. Cada uma dessas etapas possui possibilidades de falha.
"Também não existe atualmente uma técnica capaz de transformar um óvulo de 45 anos em um óvulo biologicamente equivalente ao de uma mulher de 25 ou 30 anos. É justamente por isso que histórias de gestações tardias precisam ser apresentadas com contexto. Elas mostram que a medicina ampliou as possibilidades de maternidade, mas não eliminou os efeitos do envelhecimento reprodutivo", acrescenta Pires.
Além disso, é necessário ter em mente que apesar de o procedimento de fertilização in vitro ser seguro, ele também tem riscos. "Gravidez obtida por FIV tem muito mais riscos de abortamento, prematuridade, insuficiência placentária e partos mais difíceis", diz Rosiane Mattar, presidente da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
"Hoje, a mulher tem que estudar, trabalhar, ajudar no sustento da família, quer alcançar sucesso e viver um pouco a vida antes de ter filho, e os métodos contraceptivos melhoraram, garantindo a ela a possibilidade de escolher. Mas é importante que ela saiba que, ao deixar para depois, os riscos vão aumentando, não tem jeito", acrescenta Mattar.
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| Short teaser | Casos recentes de mulheres que engravidaram em idade considerada avançada chamam atenção para os avanços | ||
| Author | Simone Machado | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-a-ciência-tornou-possível-a-gravidez-após-os-45-anos/a-79275120?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Medicina reprodutiva avançou muito nos últimos anos | ||
| Image source | Felipe Dana/AP Photo/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78545071_354.jpg&title=Como%20a%20ci%C3%AAncia%20tornou%20poss%C3%ADvel%20a%20gravidez%20ap%C3%B3s%20os%2045%20anos | ||
| Item 14 | |||
| Id | 79225935 | ||
| Date | 2026-09-15 | ||
| Title | STF busca estancar crise sem precedentes em julgamento inédito | ||
| Short title | STF busca estancar crise em julgamento inédito | ||
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Supremo enfrenta desgaste sem precedentes e avalia investigação inédita contra Alexandre de Moraes. Especialistas apontam que a imagem da instituição está comprometida após escalada da tensão entre ministros. A grave crise que se instalou no Supremo Tribunal Federal (STF) pode ganhar um novo capítulo esta semana: a abertura de uma investigação contra um dos próprios ministros da corte. Esse possível desdobramento ocorre em meio à escalada da tensão entre Alexandre de Moraes e André Mendonça. É um ato inédito na instituição e os próximos passos, caso o procedimento seja aberto, ainda não estão claros. A Constituição Federal diz que é possível que o próprio STF processe e julgue infrações penais comuns que envolvam os seus ministros, assim como o presidente, o vice-presidente da República e membros do Congresso Federal. No início do mês, Mendonça pediu investigação contra Moraes no STF por causa de suposta relação entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que atualmente está preso. Moraes rebateu e pediu que Mendonça seja investigado por suposta quebra da imparcialidade e favorecimento a determinados grupos políticos durante a sua relatoria de casos como as fraudes no INSS e do Banco Master. O impasse entre os ministros deu origem à crise histórica da instituição. O presidente do STF, Edson Fachin, tomou a frente do caso e definiu um dos próximos passos: uma sessão extraordinária marcada para esta terça-feira (15/09) para o plenário discutir o relatório da Polícia Federal (PF) sobre a proximidade entre o ministro Moraes e Vorcaro. A expectativa é de que os membros do STF decidam se há elementos suficientes para investigar Moraes por causa das mensagens que levantam suspeitas de que o ministro teria agido para favorecer Vorcaro. A regra do STF aponta que se for um caso de crime comum, como corrupção ou prevaricação, o próprio tribunal é responsável por processar e julgar o ministro. Isso porque não há, nesse tipo de processo, uma instância acima do Supremo. Já os crimes de responsabilidade, que são infrações político-administrativas de agentes no exercício de seus cargos, são apurados no Senado Federal. A sessão extraordinária é vista por especialistas como um passo fundamental sobre o futuro do STF. "Vamos ter um sinal importante do que vai acontecer nos próximos anos", avalia Luiz Fernando Esteves, professor de Direito do Insper. O julgamento no STFÓrgão de cúpula do Poder Judiciário brasileiro, o STF tem a principal função de guardar a Constituição Federal. "Acima dele não há nada, você não tem um órgão que possa recorrer dali", reforça o jurista Álvaro Palma de Jorge, professor da FGV-RJ. O possível julgamento de um ministro do STF, ainda que inédito e sem muitos detalhes claros, deve ocorrer em plenário, para que aqueles que não estejam impedidos possam participar. "O Regimento Interno e a Constituição são os itens que vão oferecer os caminhos para esse julgamento. Não tem muito como correr. Não existe uma instância revisora das decisões que envolvem ministros do Supremo", afirma Jorge. "Esse é um problema constitucional no mundo inteiro. É aquela pergunta: quem controla o controlador?", acrescenta. Esteves avalia que o STF deve seguir à risca as orientações sobre o julgamento de um ministro, para evitar brechas para novos impasses. "Não é o momento de o STF inventar procedimentos. É o momento de colocar a bola no chão e aplicar os procedimentos que já existem", afirma. Segundo o especialista, a situação escalonou porque Fachin não seguiu o rito adequado de pautar o caso de Moraes com urgência, logo após o pedido de investigação feito por Mendonça. Isso, diz Esteves, culminou em um embate de decisões dos ministros do STF, que posteriormente foram anuladas pelo presidente da Corte. Jorge acredita que, além de Moraes, o ministro André Mendonça também deve ser mencionado na sessão desta terça. Isso porque, segundo o especialista, os dois casos estão relacionados e as acusações de Moraes contra Mendonça devem ser levadas em consideração. Apesar do momento delicado, o STF precisa dar uma resposta institucional à crise que tem enfrentado, afirma Ingrid Dantas, doutora em Direito pela UnB e pesquisadora do Centro de Estudos Constitucionais da mesma instituição. "Mas, para que essa resposta chegue, a gente precisa tramitar por todos os processos e procedimentos que envolvem o Estado Democrático de Direito", diz. Crise de legitimidadeA crise entre os ministros do STF trouxe graves prejuízos à imagem da Corte, avaliam os especialistas. "Isso implode o Supremo. Essa crise começa dentro do STF e transcende, se externaliza, sem qualquer controle das consequências do que está acontecendo", analisa Dantas. Para a jurista, a situação atual levanta dúvidas sobre a imparcialidade da instituição e pode gerar desconfianças sobre a atuação dos integrantes do Supremo. "Há uma percepção de que os membros do STF deixaram de agir em prol da sua função jurisdicional e começaram a agir por interesses pessoais, ou de uma agenda alheia àquela que deveria pautar o exercício jurisdicional." Dantas pontua que há uma crise de governança interna na instituição, na qual os poderes individuais dos ministros colidem entre si e afetam a capacidade do tribunal. "E existe a crise de legitimidade democrática. No minuto em que o STF deixa de ser percebido como se estivesse cumprindo a sua função de guarda da Constituição, não há mais razão que sustente a sua continuidade, a sua legitimidade." Na avaliação de Esteves, o STF fez pouco esforço para tentar melhorar a imagem diante do público no período recente. "Se a gente perde esse esforço para ser percebido como um tribunal, um elemento importante da nossa democracia vai embora. E eu acho que é muito difícil, uma vez que isso se perde, conquistar de novo essa percepção". Para o professor do Insper, a atual crise da corte deve levar tempo para ser contornada. "Isso vai demandar um esforço muito grande dos ministros. E eu não sei, para ser absolutamente sincero, se esses ministros estão dispostos a fazer o esforço necessário para reconstruir a autoridade, a legitimidade do tribunal." "A reconstrução da legitimidade passa por essa percepção de imparcialidade. E parece que os ministros têm feito um esforço contrário. Eles se mostram cada vez mais parciais, mais dispostos a interferir em conflitos políticos e tomar um lado nesses conflitos, o que é muito ruim para a construção da reputação do tribunal", completa Esteves. O tribunal corre o risco de perder a relevância e enfraquecer a democracia brasileira, diz o professor do Insper. "Isso pode facilitar o surgimento de governos autoritários, porque não vai haver um controle muito forte. Corremos o risco ali de uma dobradinha entre Executivo e Legislativo, que vai passar por cima do que a Constituição estabelece, sem um controle suficiente de um tribunal para dizer o que pode ou não", declara. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Supremo enfrenta desgaste sem precedentes e avalia investigação inédita contra Alexandre de Moraes. | ||
| Author | Vinícius Lemos | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/stf-busca-estancar-crise-sem-precedentes-em-julgamento-inédito/a-79225935?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 15 | |||
| Id | 79272658 | ||
| Date | 2026-09-15 | ||
| Title | Número de centenários no Japão bate recorde e passa dos 100 mil | ||
| Short title | Número de centenários no Japão passa dos 100 mil | ||
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Pela primeira vez, habitantes do país com mais de 100 anos ultrapassam a marca de 100 mil. Em primeiro registro sobre o tema, em 1963, Japão tinha apenas 153 centenários.O número de pessoas com 100 anos ou mais no Japão ultrapassou pela primeira vez a marca de 100 mil, segundo dados divulgados nesta terça-feira (15/09) pelo governo japonês. O registro de centenários começou a ser contabilizado em 1963.
O total de centenários aumentou em 7.914 em relação ao ano passado, chegando a 107.677 neste ano, que o 56º ano consecutivo de crescimento. A taxa de centenários por 100 mil habitantes atingiu 87,51, de acordo com o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do país.
A grande maioria dos centenários (94.298) são mulheres, o que equivalente a 88% do total. As pessoas mais velhas do país por gênero são Fuyo Kishimoto, uma mulher de 114 anos residente de Kyoto, e Hikaru Kato, um homem de 112 anos da província de Kumamoto.
Expectativa de vida média é de 87,33 anos
A expectativa de vida média no país asiático em 2025 foi de 87,33 anos para as mulheres e de 81,35 anos para os homens, segundo dados oficiais.
Entre as prefeituras, Shimane registrou a maior taxa de centenários por 100 mil habitantes, com 186,65, mantendo-se em primeiro lugar pelo 14º ano consecutivo. Já Saitama apresentou a menor taxa, com 51,27 centenários por 100 mil habitantes.
Tóquio é a prefeitura com o maior número absoluto de centenários (8.890), mas a proporção em relação à população total é menor do que em áreas rurais como Shimane, registrando 62,4 pessoas com 100 anos ou mais por 100 mil habitantes.
Quando esses dados começaram a ser compilados, em 1963, havia 153 centenários no Japão. O número ultrapassou mil em 1981 e chegou a mais de 10 mil em 1998. Especialistas atribuem esse aumento da longevidade principalmente ao avanço das tecnologias e dos tratamentos médicos.
cn (efe, afp)
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| Short teaser | Pela primeira vez, habitantes do país com mais de 100 anos ultrapassam a marca de 100 mil. | ||
| Author | Redação DW | ||
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| Image caption | Expectativa de vida média no Japão é de 87,33 anos | ||
| Image source | Kyodo/picture alliance | ||
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| Item 16 | |||
| Id | 79266800 | ||
| Date | 2026-09-15 | ||
| Title | Crise no STF domina eleição, mas não altera intenção de voto | ||
| Short title | Crise no STF domina eleição, mas não altera intenção de voto | ||
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Pesquisas apontam que crise no STF tem reforçado polarização em vez de provocar mudanças na intenção de voto. Para especialista, fatores como rejeição e abstenção podem ter mais peso no resultado do que eventuais crises. A crise sem fim à vista no Supremo Tribunal Federal (STF) tem dominado o noticiário brasileiro a menos de três semanas do primeiro turno presidencial. Revelações sobre condutas suspeitas de ministros da Corte, embates internos e quebras de sigilo de inquéritos ligados ao escândalo do Banco Master vêm tomando as páginas do noticiário, em detrimento de eventos de campanha e divulgação de propostas. Nomes de ministros envolvidos na crise, como Alexandre de Moraes e André Mendonça, saltaram em buscas no Google. Já as campanhas presidenciais rivais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estão se vendo na posição de reagir aos novos desdobramentos da crise do Tribunal a cada dia. No domingo (13/09), o jornal britânico Financial Times avaliou em reportagem que a crise "sem precedentes" no STF entre Mendonça e Moraes "pode ter um impacto decisivo" na eleição de outubro. Embora o desgaste do STF já se arraste desde dezembro de 2025, quando surgiram as primeiras revelações de envolvimento de ministros com o caso Master, a crise só ganhou contornos de convulsão institucional no início de setembro, quando Mendonça revelou trechos de um inquérito que redobraram as suspeitas sobre Moraes. Não demorou para que o próprio Mendonça também passasse a ser alvo de suspeitas e de acusações de favorecer bolsonaristas. Lula e Flávio ajustam campanhas diante da criseNas últimas duas semanas, Lula e Flávio Bolsonaro passaram a usar a crise tanto como munição política quanto para defender mudanças na Corte. Num comício em Curitiba no último sábado (12/09), Lula argumentou que as fraudes do banqueiro Daniel Vorcaro, o antigo controlador do Master, prosperaram sob os anos do bolsonarismo. E, num aceno para petistas insatisfeitos com o STF, Lula também se distanciou dos ministros do Tribunal, ao afirmar "ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico". Dois dias antes, em uma entrevista, Lula também defendeu discussões para o estabelecimento de mandatos para os ministros. "Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo", disse. Já Flávio Bolsonaro, que enfrenta sua própria avalanche de suspeitas envolvendo a produção do filme Dark Horse, vem tentando se pintar como alguém que estaria sendo perseguido pelo STF. O candidato do PL ainda vem tentando associar Moraes com o governo petista. Na semana passada, durante evento em São Paulo, Flávio disse "quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes". O senador ainda tem reforçado para seu eleitorado que o próximo presidente terá direito a indicar pelo menos quatro ministros do STF, podendo mudar consideravelmente a composição da Corte de 11 cadeiras. Cenário tumultuado não tem alterado pesquisasApesar da avaliação do espaço dominante da crise no noticiário e a incorporação do tema nas campanhas, os embates no STF não têm provocado mudanças significativas entre o eleitorado, indicam pesquisas. Segundo pesquisa Datafolha divulgada no sábado (12/09) apontou que, passados mais de dez dias da intensificação da crise, 85% dos eleitores afirmam que não mudaram de voto após a divulgação das mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes – ministro que nos últimos três anos foi protagonista de embates com o bolsonarismo. Outros 7% também disseram que não mudaram, mas que ficaram em dúvida. Apenas 4% afirmaram que mudaram seu voto. Outros 4% não souberam responder. Porcentagem similar foi observada em relação às acusações feitas por Moraes contra André Mendonça, que foi indicado ao cargo em 2021 pelo então presidente Jair Bolsonaro. Neste caso, 86% disseram que não ter mudado de voto. Outros 7% disseram que não mudaram, mas que passaram a ter dúvidas. Só 2% afirmaram ter mudado, e 4% não souberam responder. Essa cristalização do voto também se refletiu na pesquisa presidencial. Levantamento Datafolha divulgado na sexta-feira (11/09) mostrou que a crise no Judiciário pouco mudou a dinâmica do pleito. Lula apareceu com 39%, tendo oscilado um ponto para cima em relação à pesquisa anterior, de 3 de setembro. Flávio Bolsonaro, por sua vez, apareceu com 35%, contra 33% na pesquisa do início do mês. Os dois, portanto, oscilaram dentro da margem de erro de 2 pontos. Uma pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (14/09) também apontou que a certeza na decisão do voto tem se mostrado firme e até crescido em meio à crise institucional. Segundo o levantamento, 83% dos entrevistados afirmaram que sua decisão já está tomada e não vai mais mudar. No final de agosto, antes da eclosão da fase mais tensa da crise no STF, o percentual era de 78%. Entre os eleitores de Lula, o percentual chega a 89%. Nos de Flávio, 86%. A mesma pesquisa Nexus/BTG mostra ainda que a dinâmica do embate entre Lula e Flávio Bolsonaro não se alterou de maneira significativa nas duas últimas semanas, Lula apareceu com 42% das intenções de voto estimulado no primeiro turno. Em 31 de agosto, tinha 39%. Já Flávio Bolsonaro somou 37% na nova pesquisa, contra 33% no final do mês passado. O levantamento ainda sugere que o crescimento dos dois candidatos foi alimentado pela desidratação do candidato Augusto Cury, que tinha 11% no final de agosto e agora caiu para 6% no voto estimulado. Segundo especialista em pesquisas, crise tem reforçado polarizaçãoPara Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, a crise do STF tem reforçado a polarização política na eleição, em vez de alimentar grandes mudanças na intenção de voto. Até mesmo escândalos que envolveram mais diretamente as campanhas nos últimos meses se revelaram passageiros, com os candidatos logo voltando a se recuperar e o cenário reacomodando na mesma dinâmica. "Em 14 rodadas de pesquisa, já tivemos o áudio do Flávio para o Vorcaro, o vídeo da Michelle Bolsonaro que gerou polêmica, depois o caso Lulinha e do Marcola [ex-chefe de gabinete de Lula]. Antes ainda houve a operação contra Jaques Wagner. E depois essa confusão do Supremo, com o caso Master, o filme Dark Horse etc. E a verdade é que teve pouca mudança. No primeiro turno, a gente tem desde o início Lula liderando, e Flávio em segundo. Flávio sofreu um pouquinho com Dark Horse, mas logo se recuperou. O mesmo aconteceu com Lula no caso envolvendo seu filho." Tokarski destaca ainda que até mesmo o crescimento do candidato Augusto Cury, captado no final de agosto, retrocedeu, sem afetar o cenário de polarização entre Lula e Flávio. "Temos uma parcela grande de eleitores, que pelas nossas contas é mais ou menos ¼ do eleitorado que, no segundo turno entre Lula e Flávio não vai escolher um dos deles por seu lulista ou bolsonarista, mas por antilulismo ou antibolsonarismo. Quase 25% dos eleitores dizem que pretendem votar em Lula não porque acham ele melhor, mas porque querem derrotar o Flávio, e vice-versa. É uma eleição de rejeição como foi a de 2022." "Na realidade, a crise do STF nas últimas duas semanas pode ter um impacto reverso de polarizar ainda mais. Um eleitor do Lula olha para essa confusão e fala: 'é o Flávio que está enrolado com Dark Horse'. Já o eleitor do Flávio olha e fala: 'é o ministro do Lula aí, os ministros aliados do Lula estão fazendo essa confusão toda'. Então, no fim do dia, o eleitor acaba não mudando muito de voto. Ao contrário do efeito comum, que seria 'ah, agora as pessoas vão largar o Lula e o Flávio de mão e vão escolher outra coisa', não é o que está acontecendo. Pelo contrário, a certeza de voo está crescendo, a intenção está crescendo", aponta Tokarski. "Então é muito difícil uma alteração com o que se sabe até hoje. Ainda restam três semanas até o primeiro turno. Sempre pode surgir algo, alguma coisa nessa quebra de sigilo que seja uma bala de prata, mas com que se sabe até aqui, com o que vem surgindo, acho muito difícil romper essa lógica, caminhamos para um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro." Se as pesquisas mostram que o primeiro turno permanece consolidado, Tokarski ponta que o mesmo não pode ser dito de uma segunda rodada. "Não tem uma pesquisa que mostre o favoritismo de alguém. Em 2022, tivemos a eleição mais apertada da história. Lula ganhou por 1,8 ponto. Talvez essa seja a mais apertada de novo." Na última pesquisa Nexus, Lula apareceu com 47% das intenções de voto estimulado, contra 46% de Flávio Bolsonaro, um cenário de empate técnico que tem persistido desde maio. Para Tokarski, nesse cenário apertado, outros fatores mais tradicionais de comportamento eleitoral podem desempenhar uma influência decisiva. E um deles é a potencial abstenção, que na eleição passada chegou a 20,6% no segundo turno. "Geralmente, o eleitor brasileiro que mais se abstém tende a ser de baixa renda e baixa escolaridade, um setor em que Lula é forte. Lula ter uma vantagem mínima nas pesquisas é um risco muito grande, porque ele tende a sofrer mais com a abstenção. O fato é que os dois candidatos vão ter esse desafio, não só de convencer o eleitor a votar neles, mas a comparecer." O CEO da Nexus ainda destaca que a abstenção pode ser influenciada pelas eleições estaduais para governador. Com várias caminhando para serem já decididas no primeiro turno, alguns eleitores podem ter menos estímulo para votar numa segunda rodada, e isso pode afetar tanto Flávio quanto Lula. Tokarski não descarta completamente a possibilidade de episódios como a crise do STF não mostrarem potencial de afetar o resultado, considerando o quão acirrada está a disputa. "Essa crise do Supremo não mexeu muito, mas se ela mexer um, dois pontos percentuais, ela pode sim ser decisiva, porque não estamos numa eleição em que alguém lidera com dez pontos de vantagem. A gente está numa eleição muito apertada em que, às vezes, uma coisa pode acontecer e mexer muito pouco na intenção de voto, mas que pode ser suficiente para mudar o resultado", disse Tokarski, lembrando que a véspera do segundo turno de 2022 foi marcada pelo incidente envolvendo a então deputada bolsonarista Carla Zambelli, que, com uma arma em punho, perseguiu armada um homem pelas ruas de São Paulo. "Ninguém sabe o quanto aquilo mexeu [nas pesquisas]? Mexeu? Não sei. Mas, se mexeu 1%, talvez tenha sido o que definiu a eleição." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | xPesquisas apontam que crise no STF tem reforçado polarização em vez de provocar mudanças na intenção de voto. | ||
| Author | Jean-Philip Struck | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/crise-no-stf-domina-eleição-mas-não-altera-intenção-de-voto/a-79266800?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Crise%20no%20STF%20domina%20elei%C3%A7%C3%A3o%2C%20mas%20n%C3%A3o%20altera%20inten%C3%A7%C3%A3o%20de%20voto | ||
| Item 17 | |||
| Id | 79263798 | ||
| Date | 2026-09-14 | ||
| Title | Aqui já viveram judeus: as residências que contam histórias | ||
| Short title | Aqui já viveram judeus: as residências que contam histórias | ||
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Quem já morou neste apartamento? Na busca pelos antigos moradores, os atuais ocupantes se deparam com as histórias de judeus perseguidos pelo nazismo na Alemanha. Muitos já cruzaram a soleira da porta deste antigo apartamento de Berlim, no quarto andar de um prédio no número 40 da Rosenheimer Strasse Elas se sentaram no sofá e à mesa da cozinha, olharam pela janela e alimentaram sonhos. Desde 2007, Marie Rolshoven mora no apartamento com sua família. "A sensação de atravessar a mesma soleira pela qual os antigos moradores passaram pela última vez nunca nos abandona", diz. Isso porque, como ela sabe, ali viveram judeus, e nenhum deles sobreviveu ao período nazista. Expulsos de seu larApós a tomada do poder pelos nazistas, em janeiro de 1933, rapidamente ficou claro que os judeus eram tratados como cidadãos de segunda classe na Alemanha de Hitler. Até mesmo o direito à moradia deixou de ser garantido: "Não se pode esperar de um cidadão com consciência racial que compartilhe uma residência com um judeu". Por isso, uma rescisão imediata do contrato de aluguel seria legítima, escreveu em 18 de setembro de 1938 o jornal oficial do partido nazista, o Völkischer Beobachter. Em 30 de abril de 1939, uma lei formalizou essa política: inquilinos e proprietários judeus foram obrigados a deixar suas casas e se mudar para imóveis determinados pelas autoridades, chamados na linguagem nazista de "casas de judeus" (Judenhäuser). No apartamento de Henny e Carl Möller, no número 40 da Rosenheimer Strasse, várias pessoas foram alojadas à força. No final havia nove moradores vivendo ali. No outono de 1941 começaram as deportações para os campos de extermínio. O ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, registrou em seu diário: "O principal é que a capital do Reich se torne livre de judeus, e não descansarei enquanto esse objetivo não for completamente alcançado." Recordar por meio do lugarSão essas pessoas que Marie Rolshoven deseja homenagear. Com sua mãe, já falecida, e um amigo, ela fundou em 2016 a iniciativa Denk Mal Am Ort (DMAO), inspirada no projeto Open Jewish Homes, de Amsterdã. A ideia é simples: convidar as pessoas para os lugares onde a vida cotidiana acontecia naquela época. "Você se aproxima muito das pessoas por meio dos lugares", explica Rolshoven. "É diferente de visitar um memorial." Essa experiência também marcou vizinhos que moram dois andares abaixo. A organização Denk Mal Am Ort (DMAO) descobriu que o apartamento deles havia sido alugado pela família judaica Katzenellenbogen. A família conseguiu, por sorte, deixar a Alemanha nazista em 1939. "Em 2018, Joel Ludwig Katzenellenbogen, então com 92 anos, voltou a este lugar com sua filha, genro e neto após nosso convite", conta Rolshoven. A DMAO encontrou Joel Katzenellenbogen pelo Facebook. Rolshoven lembra o impacto causado quando ele entrou no apartamento e disse: "Sim, eu me lembro muito bem. Aqui ficava a cama do meu irmão. Ele tinha 10 anos quando fomos obrigados a deixar o país." Logo não haverá mais testemunhasJoel Ludwig Katzenellenbogen já faleceu, assim como tantos sobreviventes e testemunhas daquela época. Por isso é ainda mais importante preservar a memória para as novas gerações. Rolshoven conta que já recebeu em casa uma descendente de uma antiga moradora. A mãe de Claudia Samter conseguiu fugir de Berlim para a Argentina. Sua tia, porém, não teve a mesma sorte. Claudia procurou a Denk Mal Am Ort em busca de informações sobre a família e descobriu que a tia havia morado no apartamento de Rolshoven. Desde então, Claudia já visitou o local duas vezes. "Não há um túmulo num cemitério que ela possa visitar", observa Rolshoven. "Nós nos sentamos à mesa da cozinha, conversamos sobre a vida de hoje e de amanhã, rimos muito e também choramos. Foi bom dar um novo significado a esse espaço." Em 2026, a Denk Mal Am Ort organizou 90 eventos em oito cidades. Segundo Rolshoven, muitos descendentes jovens participaram. "Saber que seus familiares estiveram naquele corredor e tocaram a mesma maçaneta os ajudou muito." Em busca das raízes judaicasO suíço Adam Ethan Klein, de 19 anos, também queria conhecer melhor a história de seus antepassados. "Eu sempre soube que havia uma história de fuga, mas isso nunca foi um grande tema lá em casa", diz. "Eu apenas ouvia: ‘Seus bisavós deixaram a Alemanha em 1938. Bem a tempo. Felizmente, porque senão você não existiria hoje.'" Klein diz que o recente aumento do antissemitismo e o slogan "Never Again Is Now", cada vez mais presente, o motivaram a investigar mais profundamente. No sótão da casa da família dele havia uma mala que pertencera ao seu bisavô materno. "Todos sabiam que ela estava lá. Mas ninguém jamais teve coragem de dizer: ‘Vamos abrir e ver o que há lá dentro.'" Até que Klein decidiu fazê-lo. Dentro encontrou dezenas de documentos, entre eles uma carta do Tribunal Distrital de Hannover, datada de 12 de junho de 1933, dirigida ao advogado Max Haas, seu bisavô. Sem autorização para a profissãoA carta dizia: "Por determinação do senhor ministro da Justiça, seu nome foi removido da lista de advogados autorizados a exercer a profissão." Klein ficou profundamente abalado. "Com essa única frase, a família recebeu uma mensagem inequívoca de que não eram aquilo que haviam tentado ser por gerações: uma família alemã comum. A partir daquele momento, elas passaram a ser, acima de tudo, judeus." Para ele foi uma descoberta perturbadora, assim como a notícia de que um judeu ultraortodoxo fora esfaqueado em Zurique por um agressor que gritava slogans antissemitas. O ataque ocorreu perto da sinagoga onde Klein havia participado pouco antes da celebração do Bar Mitzvá de um primo. "Pela primeira vez na minha vida, tive a sensação desconfortável de não pertencer completamente a este lugar. E, no entanto, Zurique é minha casa, a cidade onde vivi despreocupadamente desde o nascimento como um judeu suíço", registrou Klein. "Foi um território novo para mim. Sempre pensei que essas coisas não acontecessem na Suíça. Talvez isso tenha sido um pouco de ingenuidade da minha parte." O assunto continuou a ocupá-lo. Klein decidiu escrever seu trabalho de conclusão do ensino médio sobre a história da própria família. Na primavera de 2024, viajou com os pais, a irmã, a avó, tios, tias e sete primos para conhecer as cidades de origem de seus antepassados. Um encontro "mágico"Em determinado momento, o grupo parou diante de um prédio de cinco andares na Hölderlinstrasse, 55, rua que fica em Stuttgart, sudoeste da Alemanha. De repente, um homem surgiu dos fundos do prédio empurrando uma bicicleta. "Vocês estão fazendo uma visita guiada ou pretendem se mudar para cá?", perguntou, em tom de brincadeira. Era Thomas Koch, que havia pesquisado por conta própria a história dos antigos moradores do prédio. "Não. Estamos conhecendo os lugares onde nossos antepassados viveram" foi a resposta que o deixou eletrizado. Koch já havia descoberto que os antigos proprietários do imóvel, os irmãos Merzbacher, venderam o prédio em 1936 por 75 mil reichsmarks. Desse valor, tiveram de pagar 70 mil em impostos e taxas ao regime nazista. O que restou mal foi suficiente para custear as passagens de navio rumo ao Brasil e aos Estados Unidos. Depois de 1939, Koch perdeu o rastro da família nos documentos que encontrara. Ele então perguntou: "Vocês são da família Hirschheimer?" Sim, eles eram. "Foi um encontro mágico", diz Koch. Desde então, ele e Adam Klein mantêm contato. Na próxima vez em que Adam visitou Stuttgart, os Koch o receberam para café e bolo. Novos moradores, de um outro tempoEm 1937 e 1938, uma família Hirschheimer, que trabalhava com comércio de compensados de madeira, morava no térreo antes de ser transferida à força para uma Judenhaus. O bisavô de Klein, o advogado Max Haas, era casado com Ilse, filha de Adolf e Auguste Hirschheimer, que viviam em Stuttgart. "É um apartamento bonito", comenta Klein. "Foi emocionante imaginar que meus antepassados viveram nele e que provavelmente não era tão diferente do que é hoje. Talvez naquela época também houvesse café e bolo." Adam mostrou a Koch fotos de sua avó Ilse, que se casou na sinagoga de Stuttgart e aparece nas imagens trajando roupas de casamento na sala de estar. "Bem diante da porta que ainda hoje existe", observa Koch. "Foi tocante encontrar novos moradores de um outro contexto histórico e temporal. Acho que essa experiência, essa capacidade de compreender o passado, é um processo profundamente empático que une as pessoas por meio desse apartamento." Identidades estraçalhadasIlse e Max Haas encontraram refúgio na Inglaterra. Já Adolf e Auguste Hirschheimer emigraram para a Suíça em 1939. Adolf morreu em 1940 de problemas cardíacos, mas, como diz Klein, "também de coração partido". Mais tarde, Max levou sua sogra, Auguste, para a Inglaterra. A família sentia saudades da vida na Alemanha. "Lá éramos os judeus; aqui somos os alemães. Como alguém pode lidar com algo assim?", escreveu Ilse Haas a uma amiga. Adam escolheu justamente essa frase como título de seu trabalho de conclusão de curso. Seus bisavós jamais encontraram paz, depois de terem sido expulsos de sua terra natal. Da Inglaterra foram para Israel e, mais tarde, retornaram à Europa, estabelecendo-se na Suíça. "Meus bisavós passaram os últimos anos de vida a apenas duas horas de carro de sua antiga pátria", escreve Klein. "Quando observo suas biografias à distância, como um bisneto, fica claro que, depois da ruptura com a Alemanha, nunca mais conseguiram criar raízes em lugar algum." "Lembrar é importante porque, no fim das contas, precisamos aprender com a história", diz Klein. "E acredito que cada pessoa tem o dever e a possibilidade de manter viva essa memória. Assim, espero que isso continue sendo possível mesmo quando não houver mais testemunhas vivas." Por exemplo visitando o apartamento dos antepassados. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Na busca por antigos moradores, atuais ocupantes se deparam com as histórias de judeus perseguidos pelo nazismo. | ||
| Author | Suzanne Cords | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/aqui-já-viveram-judeus-as-residências-que-contam-histórias/a-79263798?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Aqui%20j%C3%A1%20viveram%20judeus%3A%20as%20resid%C3%AAncias%20que%20contam%20hist%C3%B3rias | ||
| Item 18 | |||
| Id | 79263427 | ||
| Date | 2026-09-14 | ||
| Title | China reforça regras para evitar perda de controle da IA | ||
| Short title | China reforça regras para evitar perda de controle da IA | ||
| Teaser |
Pequim passou a incluir explicitamente cenários de perda de controle sobre sistemas de inteligência artificial e visa fortalecer suas normas de segurança e a supervisão humana. Alertas feitos por pesquisadores da empresa americana de inteligência artificial (IA) Anthropic sobre a possibilidade de modelos avançados escaparem ao controle humano e, em cenários extremos, representarem uma ameaça à própria humanidade ganharam destaque na China, onde formuladores de políticas públicas vêm se preparando para lidar com riscos semelhantes. Apesar da corrida para desenvolver sistemas cada vez mais poderosos, marcos regulatórios e declarações oficiais de Pequim mostram que as autoridades chinesas consideram suficientemente séria a possibilidade de a IA avançada escapar à supervisão humana para incorporá-la aos seus planejamentos de segurança. Reguladores destacam risco de perda de controleA China passou a mencionar explicitamente cenários de perda de controle sobre sistemas de inteligência artificial em uma estrutura de segurança divulgada em setembro de 2024 sob orientação da Administração do Ciberespaço da China (CAC). O documento afirmava que não poderia ser descartada a possibilidade de futuros sistemas de IA obterem recursos externos de forma autônoma, desenvolverem autoconsciência e buscarem fontes externas de poder, criando riscos de competição com seres humanos. Em setembro de 2025, a CAC divulgou uma versão ampliada da estrutura regulatória. O novo texto tornou o cenário mais específico, afirmando que a IA poderia passar por um salto repentino de capacidade antes de adquirir recursos, se replicar e buscar o poder. O documento também incorporou o princípio de "aplicação confiável" e da prevenção da perda de controle. Posteriormente, uma interpretação técnica publicada no site do regulador afirmou que a nova diretriz busca reduzir riscos de perda de controle que possam ameaçar a sobrevivência e o desenvolvimento da humanidade, mencionando inclusive a possibilidade de uma IA "sair do controle". Xi defende supervisão humana permanenteA preocupação também passou a aparecer nas mais altas instâncias políticas chinesas. Durante aConferência Mundial de Inteligência Artificial realizada em julho, em Xangai, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que as autoridades devem monitorar atentamente tanto os riscos inerentes à tecnologia quanto os seus efeitos indiretos. Segundo Xi, a inteligência artificial deve permanecer "sempre sob controle humano". O principal diplomata chinês para assuntos de IA, Sun Xiaobo, afirmou em reunião das Nações Unidas no mês passado que o país está acelerando estudos sobre uma legislação mais ampla para a inteligência artificial. Já o vice-representante permanente da China na ONU, Sun Lei, pediu neste mês que os governos abordem com cautela o uso militar da IA para evitar erros de cálculo estratégicos e uma corrida armamentista. As discussões ganham peso em um momento em que Xi Jinping deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington ainda neste mês. A governança e a segurança da inteligência artificial estão entre os temas previstos para a agenda bilateral. Enquanto autoridades chinesas enfatizam riscos ligados à segurança nacional, à espionagem e à proteção de infraestrutura crítica, o debate nos Estados Unidos tem sido marcado também por preocupações com cenários de perda de controle e riscos existenciais associados a sistemas superinteligentes. O presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, já alertou para a velocidade que classificou como "imprudente" do avanço da tecnologia. O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, afirmou concordar com essa avaliação. Pequim cria regras específicas para agentes de IAA China também começou a transformar esses princípios em exigências regulatórias voltadas aos chamados agentes de IA, sistemas capazes de atuar com maior autonomia e realizar tarefas mais complexas do que chatbots convencionais. Em maio, o regulador chinês do ciberespaço publicou diretrizes conjuntas específicas para esse tipo de tecnologia. As normas exigem que desenvolvedores ampliem sua capacidade de identificar, interromper, bloquear e corrigir comportamentos inadequados dos agentes. As orientações apontam como riscos relevantes o envenenamento de dados, a manipulação de algoritmos, vulnerabilidades de sistemas e a chamada "perda operacional de controle". O texto também determina que os usuários mantenham a autoridade final sobre decisões tomadas autonomamente pelos sistemas. Embora a China não tenha adotado propostas como a presença de monitores independentes dentro de empresas de IA, modelo defendido por pesquisadores da Anthropic, suas normas permitem a contratação de avaliações externas de segurança e preveem auditorias realizadas por entidades independentes e pesquisadores especializados. Concorrência com os EUA na miraEm artigo publicado no domingo em um veículo governamental, o ministro da Segurança do Estado da China, Chen Yixin, afirmou que modelos avançados desenvolvidos nos Estados Unidos podem representar riscos à infraestrutura crítica de informação do país e defendeu o fortalecimento da segurança em inteligência artificial. Chen também alertou que "forças hostis" estariam usando ferramentas de IA generativa para fabricar rumores políticos e disseminar informações prejudiciais à China. Segundo ele, esses grupos promovem "guerras de opinião pública" e "guerras cognitivas" que ameaçam a segurança política, institucional e ideológica do país. O ministro afirmou ainda que a inteligência artificial se tornou "o principal campo de batalha da competição tecnológica global e uma nova arena da rivalidade estratégica entre grandes potências". Segundo ele, serviços de inteligência estrangeiros utilizam tecnologias como rastreamento automatizado de dados, mineração de informações e análise de perfis para coletar dados sensíveis, segredos comerciais e informações pessoais. gq/md (Reuters, AFP, DPA) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Pequim visa reforçar normas de segurança e de supervisão para evitar descontrole de sistemas de inteligência artificial. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/china-reforça-regras-para-evitar-perda-de-controle-da-ia/a-79263427?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=China%20refor%C3%A7a%20regras%20para%20evitar%20perda%20de%20controle%20da%20IA | ||
| Item 19 | |||
| Id | 79260120 | ||
| Date | 2026-09-14 | ||
| Title | O que está em jogo no julgamento desta terça no STF | ||
| Short title | O que está em jogo no julgamento desta terça no STF | ||
| Teaser |
Supremo Tribunal Federal pode decidir se um de seus integrantes, Alexandre de Moraes, será investigado, o que seria inédito. Mas é possível que nenhuma decisão seja tomada.O Supremo Tribunal Federal (STF) realizará nesta terça-feira (15/09) uma sessão extraordinária que pode decidir sobre a abertura de uma possível investigação das supostas relações do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro detido Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Essas relações vieram à tona em 1º de setembro, quando o ministro do STF André Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal (PF) que revela conversas no Whatsapp entre Moraes e Vorcaro e que foi produzido na Operação Compliance Zero.
As mensagens sugerem que Vorcaro teria prestado uma série de favores a Moraes e sua família, como a emissão de cartões de crédito a filhos do magistrado e a cessão de jatinhos particulares, e que o banqueiro teria acionado o ministro diversas vezes para pedir informações sobre operações policiais das quais era alvo, tentar barrar investigações contra si e evitar ser preso.
Nessas mensagens são mencionados também o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu a nulidade do relatório da PF com o argumento de que Mendonça não poderia autorizar uma investigação de um ministro do STF e deveria ter encaminhado um pedido para isso ao plenário do tribunal. Teria havido, portanto, abuso de poder por Mendonça.
A crise no STF
A decisão de Mendonça de tirar o sigilo do relatório da PF desencadeou uma guerra entre ele e Moraes dentro do STF e mergulhou a mais alta corte brasileira numa profunda crise apenas semanas antes da eleição presidencial de 4 de outubro.
Em retaliação, Moraes usou o inquérito das fake news para requisitar à Polícia Federal relatório de inteligência – classificado como desprovido de valor probatório –, que avalia a atuação de Mendonça em investigações sob sua relatoria e enviou o documento ao presidente do STF, Edson Fachin, pedindo que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade e improbidade administrativa.
Já Mendonça, em resposta, determinou na terça-feira passada o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, dos seus respectivos cargos, elevando ainda mais a crise institucional. Mendonça justificou sua decisão afirmando ter sido monitorado pela PF para produção de relatórios de inteligência que Moraes usou contra ele.
No lance seguinte da disputa, o ministro do STF Flávio Dino determinou, na quarta-feira passada, a recondução de Rodrigues e Almada aos seus cargos. Na sua decisão, Dino argumentou que a decisão de Mendonça havia sido tomada a partir de um pedido do Partido Novo, que não teria legitimidade legal para solicitar decisão desse tipo.
Essas disputas entre os juízes levaram Fachin, o presidente do STF, a intervir já na quarta-feira passada. Numa primeira decisão, ele suspendeu as decisões cruzadas dos dois juízes sobre o afastamento e reintegração dos dirigentes da Polícia Federal aos seus cargos.
Depois retirou de Moraes e transferiu para si a relatoria do inquérito das fake news, cujo objetivo inicial, em 2019, era investigar notícias falsas, ameaças e ofensas que tivessem como alvo juízes do STF e suas famílias, mas que, segundo críticos, passou a ser usado por Moraes para responder a ataques de críticos e adversários. Moraes havia usado o inquérito das fake news para levantar suspeitas sobre Mendonça.
Em outra decisão, Fachin convocou o plenário do STF para discutir, nesta terça-feira, o relatório da PF que revelou a suposta relação entre Moraes e Vorcaro.
No sábado, Fachin assumiu também a relatoria do caso Master no lugar de Mendonça, após este atender a uma determinação do presidente do tribunal.
Do que Moraes é acusado?
As mensagens entre Moraes e Vorcaro levantam a suspeita de que o ministro do STF tenha agido para favorecer o seu interlocutor em meio à crise que acabou levando à liquidação do banco pelo Banco Central e à prisão do banqueiro.
Dois dias antes de ser preso, Vorcaro teria discutido com Moraes a possibilidade de ele ser alvo de uma operação da PF. Os dois teriam também se encontrado pelo menos seis vezes. Além disso, Moraes teria atuado na redação de contratos milionários do Banco Master com o escritório de advocacia da sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Moraes nega irregularidades. O escritório da sua esposa diz ainda que os contratos seguiram a legislação e as regras aplicáveis à advocacia.
Pela Constituição e pelo regimento interno do Supremo, cabe ao tribunal julgar os seus membros por crimes comuns. Nesse caso, a PF conduziria a investigação sob a supervisão de um relator do STF, definido por sorteio entre um dos nove colegas de Moraes.
A eventual abertura de uma investigação, entretanto, não implicaria o afastamento imediato de Moraes. Só a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderia oferecer uma denúncia contra o magistrado mais adiante – ou, então, pedir o arquivamento do caso.
A falta de precedentes também gera incerteza sobre os próximos passos, considerando que estão implicados no caso Master outros ministros do STF e o chefe da PGR.
Há um resultado previsível para a sessão?
O julgamento desta terça-feira pode determinar se Moraes será ou não investigado. Se for, ele será o primeiro ministro do STF a ser investigado.
Mas é possível que nenhuma decisão seja tomada, pois um ministro pode pedir vista do processo [pedir mais tempo para analisar o caso e formar opinião] e, com isso, adiar uma decisão.
Formalmente, a sessão analisará o relatório da Polícia Federal que identificou mais de 50 mensagens enviadas por Vorcaro a um número de telefone que, segundo a investigação, seria utilizado por Moraes. É desse relatório que a PGR pediu a nulidade.
É possível, portanto, que o grupo de juízes próximos a Moraes tente fazer com que a sessão se concentre em avaliar se o relatório é nulo ou não, sem avaliar o conteúdo dele, ou seja, a troca de mensagens.
Segundo a imprensa brasileira, os ministros próximos a Moraes são Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Entre os apoiadores de Mendonça estariam os juízes Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
A tendência é de que o grupo próximo a Moraes o apoie, e que os apoiadores de Mendonça votem por investigar Moraes, assim como Fachin.
Não há certeza se o ministro Dias Toffoli – que era o relator do caso Master antes de Mendonça e que deixou a relatoria após a PF encontrar menções a ele no celular de Vorcaro – vai se declarar impedido, porque parentes seus fizeram negócios com Vorcaro envolvendo o resort Tayayá.
Outro voto considerado indefinido nas análises da imprensa é o da ministra Carmen Lúcia.
O site de notícias G1 informou que, nos bastidores, os ministros do STF debatem se Moraes e Mendonça devem participar da sessão. Não está claro se Moraes irá votar, mas o site de notícias Metrópoles noticiou que ele teria indicado a aliados que pedirá para votar.
Outra sessão vai julgar Mendonça
No sábado passado, Fachin rejeitou o pedido de Moraes para julgar supostos crimes de responsabilidade de Mendonça na mesma sessão extraordinária desta terça-feira.
O presidente do STF marcou para a quarta-feira da próxima semana (23/09) a sessão que deverá analisar o pedido para investigar Mendonça. Segundo Fachin, o procedimento ainda está em fase de instrução e não reúne, neste momento, todos os elementos necessários para ser levado ao plenário.
A petição que reúne o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens de Vorcaro havia sido liberada em 6 de setembro, por Mendonça, para julgamento no plenário. A petição que trata das acusações contra Mendonça ainda aguarda manifestações e informações pedidas pela presidência do STF.
Moraes, na argumentação enviada a Fachin na sexta-feira passada, afirmou que Mendonça teria cometido os crimes de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crimes de responsabilidade na relatoria dos processos relacionados às operações Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS, e na Compliance Zero, sobre o Master.
Segundo Moraes, Mendonça, que foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, estaria agindo com "quebra de imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos" na condução dos casos.
Acesso ao celular de Vorcaro
Nas vésperas da sessão extraordinária, um novo ponto de tensão entre os ministros passou a ser o conteúdo do celular de Vorcaro e o fim do sigilo de um dos inquéritos sobre o Banco Master.
Tanto Moraes quanto os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram a Mendonça uma cópia integral do conteúdo do celular de Vorcaro.
Mas Mendonça argumentou que o que está em seu gabinete é uma cópia de segurança, "lacrada" e "inacessível", "a ser utilizada apenas em caso de necessidade ou em decorrência da perda ou do extravio do material original" em posse da PF.
Diante da insistência dos demais juízes, Mendonça afirmou, no domingo, que disponibilizar aos colegas todos os dados do telefone celular de Vorcaro iria "tumultuar o julgamento" desta terça-feira e colocar as investigações em risco.
Zanin e Mendes determinaram então à Polícia Federal que repassasse aos ministros do STF o conteúdo integral do celular de Vorcaro. Zanin e Mendes afirmaram que essas informações são imprescindíveis para que possam formar opinião no caso. Nesta segunda-feira a PF comunicou que repassou aos três juízes o conteúdo integral do celular de Vorcaro.
Moraes ainda enviou a Fachin um ofício no qual afirma que houve uma "escolha seletiva" na divulgação de documentos sobre as investigações do caso Master por Mendonça e requereu a retirada de "todo e qualquer sigilo" dos documentos relativos à Operação Compliance Zero, que apura a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias que teriam sido praticadas por Vorcaro. Moraes reiterou seu pedido a Fachin no domingo.
Até o momento, foram tornados públicos dados do celular de Vorcaro relativos a conversas com Moraes. Mendonça também derrubou o sigilo de conversas de Vorcaro sobre Gonet, da PGR, e Rodrigues, da PF.
No domingo, Dino tirou o sigilo de apurações feitas pela Polícia Civil de São Paulo sobre suspeitas de desvios de recursos no financiamento do filme Dark Horse.
as/md (Agência Brasil, Lusa, DW)
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| Short teaser | Supremo Tribunal Federal pode decidir se um de seus integrantes, Alexandre de Moraes, será investigado. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-que-está-em-jogo-no-julgamento-desta-terça-no-stf/a-79260120?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | André Mendonça e Alexandre de Moraes são os pivôs, no STF, da crise gerada pelo caso do Banco Master | ||
| Image source | Adriano Machado/REUTERS | ||
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| Item 20 | |||
| Id | 79257550 | ||
| Date | 2026-09-14 | ||
| Title | Quando uma alergia pode ser fatal? | ||
| Short title | Quando uma alergia pode ser fatal? | ||
| Teaser |
Registros de reações alérgicas cresceram no país nos últimos anos. De janeiro de 2022 a junho de 2026, segundo o Ministério da Saúde, quase 500 mortes em razão do problema.Lucas Cerqueira, de 27 anos, lembra com pesar da viagem dos sonhos que fez junto com o marido, Erivelton Gomes, em maio deste ano. "Era um momento de felicidade para a gente. Era a primeira vez dele na praia", diz.
O casal, que morava em Várzea Grande (MT), viajou para Alagoas para descansar, após dias intensos de trabalho no salão de cabeleireiro que haviam aberto juntos. No quinto dia da viagem, Gomes, que tinha 34 anos, quis experimentar siri e caranguejo. "Desde o primeiro dia em que a gente foi na praia, ele queria provar, mas tinha receio", conta Cerqueira.
O receio de Gomes tinha um motivo: ele sabia que era alérgico a camarão. Anos antes, ele já havia tido uma reação alérgica ao alimento, o que acendeu um alerta sobre possível reação semelhante com outros frutos do mar. "Mas nesse dia, ele criou coragem e resolveu arriscar."
Logo após comer os crustáceos, Gomes levantou incomodado e foi ao chuveiro da praia. "Ele voltou reclamando que o ouvido estava coçando, mas achou que fosse alguma reação normal, uma coceirinha leve", diz Cerqueira.
A situação logo piorou e Gomes teve dificuldades para respirar. "Ele começou a ficar roxo e a gente se desesperou e foi atrás de socorro. Foi tudo muito rápido, cerca de 10 minutos entre ele comer e começar a passar muito mal", diz Cerqueira.
Gomes foi resgatado por uma ambulância e seguiu para um hospital da região. O marido dele estima que Gomes morreu menos de uma hora após comer os crustáceos. "Foi desesperador. Nunca imaginei que uma alergia pudesse ser daquela forma", afirma Cerqueira.
O caso de Gomes não foi a única reação fatal a uma alergia neste ano. De janeiro a junho foram 40 mortes por essa causa no país, segundo o Ministério da Saúde. De 2022 para cá, já foram 499 óbitos ao todo, conforme a pasta.
Os atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados a alergias têm aumentado. Em 2022 foram 30,9 milhões, enquanto no ano passado foram 44,5 milhões. Os números crescem a cada ano e só na primeira metade de 2026 já foram registrados 24 milhões.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que atualmente cerca de 30% da população mundial tem algum tipo de alergia. A entidade estima que os casos vão aumentar cada vez mais e devem atingir 50% da população até 2050.
"Nos últimos anos, a ciência tem documentado um aumento do número de pessoas com alergias. Isso tem a ver com mudanças do estilo de vida, estresse, poluição, enfim, fatores que funcionam como gatilhos que podem desregular o sistema imunológico", afirma a alergista e imunologista Marina Takao, do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Mas afinal, o que é uma alergia e como ela pode se tornar algo extremamente grave?
Como surge uma alergia
A alergia é uma reação exagerada do sistema imunológico a substâncias consideradas inofensivas, como alimentos, ácaros, pelos de animais ou remédios. Os sintomas podem ser desde vermelhidão no corpo a quadros mais graves, que demandam atendimento médico imediato.
"Há pessoas que vêm geneticamente predispostas a um determinado tipo de alergia", diz a alergista e imunologista Chayanne Andrade, do Departamento Científico de Anafilaxia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).
Esse problema pode surgir na infância ou aparecer somente na vida adulta, dizem especialistas. "É possível desenvolver alergias em qualquer momento da vida. Há uma série de fatores, como por exemplo, o estilo de vida, exposição ambiental e predisposição genética", afirma Andrade.
A descoberta de uma alergia ocorre principalmente quando a pessoa se expõe àquilo que faz mal. "É preciso haver um histórico sugestivo. Muita gente pensa que vai descobrir qualquer tipo de alergia se fizer uma série de exames. Mas não é bem assim. Geralmente, a pessoa tem algum episódio e a partir disso existe a investigação", explica Chayanne.
Os exames para investigar possíveis alergias vão desde coleta de sangue a teste cutâneo. Há também um teste de provocação oral supervisionado, considerado o melhor método para diagnóstico.
"Nesse teste de provocação, o alérgeno é administrado em doses progressivas em ambiente hospitalar equipado, confirmando ou descartando em definitivo a hipersensibilidade", explica a alergista e imunologista Flavia Anísio, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).
Os casos mais recorrentes de alergia, segundo especialistas, estão relacionados à rinite, que provoca nariz entupido e dificuldade para respirar; à asma, que causa falta de ar; à dermatite atópica, doença inflamatória da pele que causa ressecamento e vermelhidão; e à urticária, que provoca irritação na pele, com lesões avermelhadas e coceira.
As alergias alimentares também são comuns. De acordo com os estudos, leite de vaca, ovos, amendoim, castanhas ou nozes, trigo, soja, peixes, crustáceos e gergelim são responsáveis por mais de 90% das reações causadas por alimentos. Além dessas, há também as alergias a picadas de insetos ou a medicamentos.
O tipo mais grave de alergia
Os riscos da alergia, segundo especialistas, variam conforme a reação que o organismo apresenta. A maioria das reações é leve ou moderada e costuma evoluir bem quando a causa do problema é evitada.
Já as reações graves e imediatas, como no caso de Gomes, são chamadas de anafilaxia. Entre as principais causas desse quadro estão alimentos, medicamentos e venenos de insetos. Nesses casos, múltiplos sistemas do corpo são afetados e pode evoluir para a morte.
Para evitar um quadro desses, a recomendação básica é não consumir o que pode causar a reação. "Costumo dizer que o melhor tratamento para alergia é não ter contato com o alérgeno", diz Andrade. "Muita gente pensa que só um pouquinho não vai fazer mal. Mas é a memória imunológica que vai reconhecer aquele alimento. Então, tanto faz ser um pouquinho ou muito. É necessário evitar completamente a causa da alergia."
Na anafilaxia, ocorre a liberação descontrolada de mediadores inflamatórios, o que pode provocar estreitamento das vias aéreas, inchaço da laringe, queda brusca da pressão arterial e choque. "Sem a administração imediata de adrenalina, a obstrução respiratória pode se instalar em minutos e levar ao óbito", afirma Anísio.
Essa adrenalina é a principal forma de contornar um quadro grave. Ela pode ser usada por meio de uma caneta, que pressionada contra a coxa libera uma dose de adrenalina sintética que interrompe a crise. O ideal, segundo os médicos, é que todo paciente alérgico sempre ande com o remédio.
No entanto, o medicamento não é produzido no país, por isso precisa ser importado. Os custos, dizem os médicos, chegam a R$ 2 mil a cada duas canetas – a orientação é sempre que o paciente tenha mais de uma. No SUS, a adrenalina é disponibilizada para atendimento de emergência, na forma de solução injetável em ampola, aplicada por profissionais de saúde.
No Brasil, estimativas epidemiológicas apontam que a anafilaxia é responsável por até 0,26% do total de internações clínicas gerais na rede hospitalar. Mas especialistas afirmam que há muitos casos que não são notificados. "O diagnóstico precoce e o acesso democrático a médicos especialistas representam os pilares fundamentais para mitigar desfechos fatais", diz Anísio.
Como evitar riscos
Os especialistas orientam que as pessoas com alergia alimentar criem o hábito de sempre ler os rótulos dos produtos, mesmo quando já conhecem determinado alimento. "Às vezes, a composição pode ser alterada pelo fabricante", diz Andrade.
Os cuidados também devem ser redobrados em refeições fora de casa para evitar a chamada contaminação cruzada, que ocorre quando microrganismos nocivos, como bactérias e vírus, são transferidos de alimentos crus ou de superfícies contaminadas para a comida.
Nesses casos, é importante informar à equipe do estabelecimento sobre a alergia e perguntar sobre o preparo da comida. Quem tem alergia a peixe, por exemplo, deve verificar se os alimentos feitos no estabelecimento compartilham do mesmo óleo, se talheres ou outros utensílios foram higienizados corretamente e se há separação adequada no preparo.
Quando houver dúvidas sobre algo que pode causar alergia, a melhor alternativa é não consumir. É isso que Cerqueira costuma aconselhar após perder o marido. "Ele tinha essa dúvida se podia comer, mas arriscou. Eu nunca tinha ouvido falar de casos assim. Não era o que a gente esperava", afirma.
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| Short teaser | Brasil registrou quase 500 mortes por anafilaxia de janeiro de 2022 a junho de 2026, segundo o Ministério da Saúde. | ||
| Author | Vinícius Lemos | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quando-uma-alergia-pode-ser-fatal/a-79257550?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Exame de contato é um dos métodos utilizados para identificar alergias | ||
| Image source | Peter Roggenthin/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/70095866_354.jpg&title=Quando%20uma%20alergia%20pode%20ser%20fatal%3F | ||
| Item 21 | |||
| Id | 79252128 | ||
| Date | 2026-09-13 | ||
| Title | Uber reduz presença na África e ameaça futuro de motoristas | ||
| Short title | Uber reduz presença na África e ameaça futuro de motoristas | ||
| Teaser |
Empresa deixa Nigéria e Uganda, se limitando a só quatro países no continente. Combustível caro, taxas de lucro reduzidas e volatilidade cambial aumentaram pressão sobre a categoria.Após mais de uma década de presença no mercado do país mais populoso da África, a Uber anunciou inesperadamente neste mês a sua saída da Nigéria. A empresa também vai encerrar imediatamente as operações em Uganda, limitando as suas operações a quatro nações no continente: Egito, Gana, Quênia e África do Sul.
Segundo a Uber, a sua "prioridade imediata é apoiar motoristas, passageiros e equipes locais durante essa transição", sem detalhar de que forma tal assistência será prestada. A empresa acrescentou que a decisão não afeta outras partes da África.
Mas, no último ano, a multinacional também encerrou atividades na Costa do Marfim e na Tanzânia, além de ter reduzido sua força de trabalho global em 10%.
A Uber não conseguiu expandir sua presença em grande parte do mercado africano. É forte a concorrência de plataformas rivais como Bolt, inDrive e SafeBoda, que atuam na Nigéria, em Uganda e em outros países da região.
Motoristas sob pressão
Enquanto isso, em diversos países do continente, motoristas têm reclamado da redução das suas margens de lucro diante da alta dos combustíveis, da inflação e da volatilidade cambial, com destaque para o caso nigeriano.
Na avaliação dos profissionais, o modelo de negócios da Uber, que retém entre 20% e 25% do valor de cada corrida em forma de comissão, deixou de ser sustentável.
Abbas Olamide, motorista da Uber na capital nigeriana, Abuja, considera que o serviço prestado pela empresa era "bom", mas as elevadas taxas de comissão ampliaram significativamente suas dificuldades financeiras.
Ele contou à DW que uma corrida de 30 mil nairas (R$ 115) da cidade até o aeroporto resulta em uma comissão de 6 mil nairas (R$ 23) para a plataforma. "Depois disso, ainda preciso pagar a taxa de acesso ao aeroporto. Como ninguém quer voltar para a cidade sem passageiro, também precisamos pagar para estacionar e esperar outro cliente. No fim do dia, o que sobra já não é suficiente."
Samuel Olatunji, motorista da Uber em Lagos, precisará reformular a estratégia de trabalho após o anúncio da saída da empresa. O profissional de 43 anos diz que agora terá de recorrer a outros aplicativos, assim como centenas de colegas, para manter uma fonte estável de renda. "Mas o valor que vou levar para casa não será mais o mesmo de antes."
Nos últimos anos, motoristas como Olamide e Olatunji participaram de greves e protestos contra o aumento dos custos operacionais, as tarifas consideradas baixas, as condições de trabalho e a alta dos combustíveis na Nigéria.
Em 2026, a situação foi agravada pela disparada dos preços nos postos causada pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã. Segundo os motoristas, suas reivindicações ficaram sem resposta. Agora, muitos se preparam para um futuro incerto.
Dólar versus naira
A Uber não apresentou uma explicação detalhada para sua decisão. No entanto, a saída ocorre em um contexto de inflação de dois dígitos em diversas economias africanas, fenômeno que reduziu o poder de compra de milhões de pessoas e ampliou os índices de pobreza.
Com isso, consumidores também tendem a utilizar menos os serviços de transporte por aplicativo.
Ikemesit Effiong, sócio da consultoria SBM Intelligence, sediada em Lagos, avalia que os custos crescentes com combustível, manutenção de veículos e seguros, somados à desvalorização da moeda nigeriana em relação a 2014, fizeram com que as tarifas aumentassem mais rapidamente do que a disposição ou a capacidade dos passageiros de pagar pela conveniência do serviço.
Ele aponta ainda a um desequilíbrio estrutural: enquanto os custos da Uber estão atrelados ao dólar, a receita dos motoristas depende da naira, moeda que perdeu valor ao longo dos anos.
Esse cenário estreitou gradualmente as margens de lucro, apesar de o mercado nigeriano de transporte por aplicativo ser estimado em cerca de 450 milhões de dólares anuais.
"As plataformas tentam manter as tarifas baixas para não perder passageiros sensíveis a preço, enquanto o rendimento real dos motoristas diminui. Isso leva muitos profissionais a usar vários aplicativos ao mesmo tempo, negociar corridas fora das plataformas ou simplesmente abandonar a atividade", disse Effiong.
Ele destacou ainda que um dos concorrentes locais da Uber, a inDrive, opera com um sistema de negociação direta de preços entre motorista e passageiro. Segundo o analista, isso reduz a dependência de um modelo padronizado e intensivo em capital, que tende a funcionar melhor em mercados mais ricos.
A economia complexa dos aplicativos de transporte
Os mercados da Nigéria e de Uganda apresentam diversas semelhanças. Ambos possuem grandes populações e uma demanda crescente por soluções de mobilidade urbana.
Mas a saída da Uber também representa a perda de um serviço que muitos usuários consideravam seguro e confiável em comparação a alternativas.
Mary-Esther Anele, moradora de Lagos, acredita que precisará buscar outras opções de transporte. "Mas, mais importante do que isso, vou viajar menos daqui para frente porque os custos de transporte vão aumentar."
A decisão da Uber também levanta dúvidas sobre possíveis desdobramentos no restante do continente. A empresa deixará eventualmente outros mercados africanos? Alterará sua política de preços para aumentar a rentabilidade na região? Como os concorrentes reagirão?
Em países como a África do Sul, aplicativos de transporte como a Uber já enfrentam há anos resistência de empresas de táxi e operadores de micro-ônibus. Alguns grupos acusam as plataformas de concorrência desleal e, em certos momentos, os conflitos chegaram a episódios de violência.
Frank Yiga contribuiu de Kampala para a reportagem.
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| Short teaser | Empresa deixa Nigéria e Uganda. Combustível caro, lucro baixo e volatilidade cambial elevaram pressão sobre a categoria. | ||
| Author | Abiodun Jamiu | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/uber-reduz-presença-na-áfrica-e-ameaça-futuro-de-motoristas/a-79252128?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/56502539_354.jpg
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| Image caption | Uber já saiu de Costa do Marfim, Tanzânia, Uganda e Nigéria, com operações restritas a só quatro países africanos | ||
| Image source | Daniel Irungu/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/56502539_354.jpg&title=Uber%20reduz%20presen%C3%A7a%20na%20%C3%81frica%20e%20amea%C3%A7a%20futuro%20de%20motoristas | ||
| Item 22 | |||
| Id | 79218633 | ||
| Date | 2026-09-13 | ||
| Title | Hipótese de Gaia: e se a Terra fosse um ser vivo? | ||
| Short title | Hipótese de Gaia: e se a Terra fosse um ser vivo? | ||
| Teaser |
Uma das ideias mais controversas da ciência moderna propõe que a vida ajuda a regular o planeta. Conheça seus argumentos e suas limitações. E se a Terra não fosse apenas uma rocha com vida sobre ela, mas um sistema que se comporta, em alguns aspectos, como um organismo? Parece algo vindo da mitologia, e de fato é parcialmente, mas essa pergunta tem intrigado cientistas por décadas, a ponto de a hipótese ter sido debatida em quatro conferências distintas. Levar essa ideia a sério, mesmo que apenas como um exercício mental, obriga a olhar de outra forma para a relação entre a vida e o planeta que a abriga. Não seria a primeira vez que uma proposta difícil de aceitar leva à revisão da nossa visão da Terra. A ideia de que os continentes se deslocam lentamente sobre sua superfície, por exemplo, foi rejeitada durante décadas antes de ser incorporada à ciência moderna. Então, vamos tentar imaginá-la. Tomemos nosso corpo como referência. Quando ele acumula calor demais, começa a suar sem que precisemos decidir isso conscientemente. Guardadas as devidas proporções, algo semelhante poderia ocorrer em escala planetária, caso surgissem, da interação entre as diferentes partes da Terra, mecanismos capazes de compensar certas mudanças. Foi mais ou menos isso que o químico britânico James Lovelock propôs há meio século com uma das ideias mais provocativas e controversas sobre a relação entre a vida e o planeta: uma hipótese que evocava mais a mitologia do que a ciência convencional e que recebeu o nome de Gaia. Lovelock desenvolveu essa ideia durante a década de 1970 ao lado da bióloga americana Lynn Margulis e a batizou em homenagem à deusa grega da Terra. Segundo sua proposta, a vida e o ambiente físico estariam ligados por uma rede de influências mútuas, na qual os organismos alteram seu entorno e essas transformações repercutem posteriormente sobre eles mesmos. Dessa interação poderia surgir algo semelhante à homeostase do nosso corpo, mas em escala planetária e sem a necessidade de uma mente que a conduzisse. Um planeta vivo: uma ideia com raízes antigasNa realidade, a proposta recuperava uma forma de enxergar a Terra que durante séculos não pareceu tão estranha. Lovelock defendia que essa visão teve espaço até mesmo no pensamento científico e que começou a perder força principalmente a partir do século 19. Segundo relatou a revista Popular Mechanics, James Hutton, considerado o pai da geologia, procurou paralelos entre os processos dos organismos vivos e os ciclos terrestres: relacionou a circulação sanguínea ao movimento de nutrientes e viu no percurso da água dos oceanos para a superfície e de volta ao mar um processo capaz de resfriar o planeta. Além dessas analogias, Lovelock encontrava razões concretas para se perguntar como a Terra havia conseguido manter por tanto tempo condições compatíveis com a vida. De acordo com a Popular Mechanics, desde que a vida surgiu há cerca de 3,7 bilhões de anos, a produção de energia do Sol aumentou entre 25% e 30%, enquanto a temperatura da superfície terrestre permaneceu dentro de limites habitáveis. A atmosfera também lhe parecia um indício marcante. Ela contém gases que, do ponto de vista químico, tendem a reagir entre si e que, ainda assim, continuam presentes de forma persistente. Para Lovelock, esse estado tão distante do equilíbrio indicava que processos associados à vida poderiam estar contribuindo para manter essa composição. Marte e Vênus, por outro lado, apresentam atmosferas muito mais próximas do que se esperaria após essas reações químicas seguirem seu curso naturalmente. Daisyworld: um modelo para explicar GaiaO problema era explicar como uma regulação desse tipo poderia surgir sem consciência nem planejamento. Para responder a essa dificuldade, Lovelock desenvolveu com Andrew Watson o modelo matemático conhecido como Daisyworld ("Mundo das Margaridas"). Nesse planeta imaginário existem apenas margaridas pretas e brancas. As pretas absorvem mais luz solar e fazem com que seu entorno aqueça. As brancas, por sua vez, refletem uma parcela maior dessa luz e ajudam a manter o ambiente mais fresco. Assim, quando as temperaturas caem, as pretas encontram melhores condições e começam a se espalhar. Quando o planeta aquece, as brancas passam a ter vantagem. O interessante é que nenhuma margarida sabe que está influenciando o clima nem tenta fazer algo pelo planeta. Cada tipo simplesmente prospera quando as condições lhe são favoráveis. Mas, ao mudar qual delas ocupa mais superfície, muda também a proporção de luz solar absorvida ou refletida pelo planeta. Aos poucos, essa interação pode amortecer as variações de temperatura. Como explica a publicação online Science Alert, o Daisyworld mostra justamente que, ao menos em um modelo simplificado, um efeito de regulação em escala planetária pode surgir sem uma inteligência que o dirija. As críticas à hipótese de GaiaEsse detalhe era importante porque uma das principais críticas a Gaia apontava justamente para a ausência de um mecanismo evolutivo capaz de explicar tal comportamento. O biólogo Ford Doolittle foi um dos que questionaram a hipótese sob esse ponto de vista: a Terra, argumentava ele, não poderia ter desenvolvido uma capacidade de previsão por meio da seleção natural, já que esta atua sobre organismos e populações, e não sobre um planeta inteiro como se fosse um único indivíduo. O Daisyworld respondia parcialmente a essa objeção ao eliminar a necessidade de qualquer intenção. Mesmo assim, não convenceu totalmente os críticos. Alguns consideravam que Gaia continuava sendo pouco mais que uma metáfora difícil de comprovar e que o modelo simplificava demais um mundo real repleto de fatores capazes de romper o equilíbrio. A revista científica Discover Magazine lembra, por exemplo, a possibilidade do surgimento de organismos "trapaceiros", que se beneficiam do sistema sem contribuir para sua estabilidade. As objeções também não desapareceram com o passar do tempo. Em agosto de 2025, os filósofos Samir Okasha e Margarida Hermida publicaram na revista Philosophical Transactions of the Royal Society B uma análise sobre a possibilidade de "darwinizar" a hipótese de Gaia. Sua conclusão, segundo relata a Popular Mechanics, é que aceitar que a vida tenha contribuído para manter o planeta habitável não implica que toda a biosfera tenha evoluído como um único organismo por meio da seleção natural, nem que a Terra tenha adquirido adaptações evolutivas destinadas a regular suas condições ambientais. Gaia, as mudanças climáticas e o futuro do planetaMesmo sem resolver esse debate, Gaia levanta uma pergunta mais desconfortável. Se a vida transforma o planeta, será que nós, humanos, estamos modificando-o a ponto de torná-lo incompatível com nossa própria sobrevivência? Um estudo publicado em 2022 na International Journal of Astrobiology descreve nossa fase atual como uma "tecnosfera imatura". Segundo essa abordagem, já possuímos capacidade tecnológica para alterar a Terra em escala planetária, mas ainda não desenvolvemos uma inteligência coletiva capaz de administrar plenamente as consequências. Uma possível etapa futura, a "tecnosfera madura", pressuporia aprender a fazer isso sem prejudicar o sistema do qual dependemos. O problema é que chegar a esse estágio não está garantido. A autorregulação de alguns processos planetários não assegura que as condições continuarão adequadas para todas as espécies, e as mudanças no sistema terrestre podem ser favoráveis para algumas formas de vida e desastrosas para outras. Talvez essa seja a advertência mais inquietante de Gaia. A hipótese não precisa atribuir consciência nem propósito ao planeta para causar desconforto. Basta admitir que nossas ações alteram um sistema muito maior do que nós e que as mudanças resultantes não precisam necessariamente nos favorecer. A vida poderia continuar sob outras condições, mas a continuidade da vida não implica necessariamente a continuidade da nossa espécie. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. 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| Short teaser | Uma das ideias mais controversas da ciência moderna propõe que a vida ajuda a regular o planeta. | ||
| Author | Felipe Espinosa Wang | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/hipótese-de-gaia-e-se-a-terra-fosse-um-ser-vivo/a-79218633?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Hip%C3%B3tese%20de%20Gaia%3A%20e%20se%20a%20Terra%20fosse%20um%20ser%20vivo%3F | ||
| Item 23 | |||
| Id | 79230091 | ||
| Date | 2026-09-11 | ||
| Title | Coreia do Norte investe lucros com guerra em mais armamentos | ||
| Short title | Coreia do Norte investe lucros com guerra em mais armamentos | ||
| Teaser |
A guerra na Ucrânia e a aliança com Moscou deram ao país um novo impulso econômico, permitindo que o regime leve adiante uma série de projetos há muito desejados. O líder norte-coreano Kim Jong-un está usando o dinheiro que o regime recebeu pela participação de suas tropas na guerra na Ucrânia para financiar uma longa lista de projetos que antes estavam além de seu alcance financeiro. Em maio, o Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul estimou que Pyongyang recebeu, no mínimo, 7,7 bilhões de dólares (R$ 39,2 bilhões) em ajuda financeira e benefícios econômicos da Rússia nos três anos anteriores por enviar homens e material para a guerra de Moscou contra a Ucrânia, podendo o valor chegar a 14 bilhões de dólares (R$ 71,3 bilhões). Trata-se de uma quantia significativa, considerando que o PIB da Coreia do Norte em 2024 foi de 26,6 bilhões de dólares (R$ 135,65 bilhões). O apoio de Kim à Rússia tem sido lucrativo, e uma série de relatórios começa agora a identificar para onde esse dinheiro está sendo direcionado. Parte dos recursos está sendo reservada para a Política de Desenvolvimento Regional 20x10, apresentada em janeiro de 2024 e que prevê a construção de instalações industriais modernas em 20 cidades regionais por ano durante os próximos dez anos, com o objetivo de melhorar os padrões de vida fora de Pyongyang. Investimentos avançam com apoio russoObservadores afirmam que mais programas civis estão sendo planejados, embora a maioria pareça destinada às "elites" que vivem em Pyongyang. "Antes da aliança com a Rússia, a infraestrutura em geral era precária devido a uma combinação de má gestão econômica e sanções", disse Martyn Williams, pesquisador sênior do programa para a Coreia do Centro Stimson, em Washington. "Com o colapso do consenso no Conselho de Segurança das Nações Unidas e a retomada do comércio com a China e a Rússia, as coisas estão começando a avançar agora", afirmou ele à DW. "Há vários programas de grande escala para construir fábricas e hospitais em todo o país, [Kim] ordenou o desenvolvimento de distritos inteiramente novos em Pyongyang e existe um projeto habitacional rural que está construindo dezenas de milhares de casas no campo", disse ele, além de investimentos na "modernização de vários setores da economia". Há, no entanto, problemas estruturais que ainda precisam ser superados, afirmou. "Há investimentos sendo feitos na construção, mas o grande hospital novo no centro de Pyongyang foi concluído há algum tempo e permaneceu sem uso por um período, até que medicamentos e equipamentos pudessem ser obtidos", disse. "A Coreia do Norte é excelente em construir, mas manter tudo funcionando é o ponto-chave, então observamos para ver se isso acontecerá." AIEA alerta para nova instalação nuclearMas parte desse ganho financeiro está claramente sendo destinada ao setor militar. Na quarta-feira (09/09), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou ter identificado uma nova instalação de enriquecimento de urânio no Complexo Nuclear de Yongbyon, com cerca de 28 cascatas de centrífugas. A AIEA estimou que a instalação permitiria ao regime produzir 85 quilos de urânio altamente enriquecido para uso militar por ano, quantidade suficiente para quatro ogivas nucleares. Imagens de satélite também mostram que o país está ampliando e modernizando o porto de Nampo, na costa oeste, e o de Chongjin, na costa leste da península, para acomodar uma nova geração de navios de guerra. Na segunda-feira, Kim participou da cerimônia de incorporação do destróier Kang Kon, de 5 mil toneladas, em Wonsan. O líder norte-coreano afirmou que a embarcação é capaz de lançar armas nucleares e poderá "desferir um golpe retaliatório mortal contra os inimigos". A terceira área de forte investimento tem sido a melhoria significativa de estradas, portos e pontes. Trata-se de uma infraestrutura que ficou estagnada durante anos de isolamento sob sanções internacionais, mas que hoje é necessária para facilitar o envio de mais tropas para a Rússia e a chegada, em troca, de tecnologia militar avançada, energia e bens de consumo. Na terça-feira, a Coreia do Norte e a Rússia inauguraram sua primeira ponte rodoviária sobre o rio Tumen, com postos alfandegários e instalações de armazenagem em construção dos dois lados da via fluvial. A ponte ressalta os laços em rápida expansão desde que Kim e o presidente Vladimir Putin anunciaram uma parceria estratégica abrangente em 2024. A rota permitirá um volume maior de intercâmbio por caminhões, reduzirá custos e poderá ser utilizada para o transporte de norte-coreanos, armas e munições para a Rússia. Também reduz ainda mais o efeito das sanções contra a Coreia do Norte. "Muitos desses projetos, como a melhoria das conexões ferroviárias e rodoviárias transfronteiriças, a construção de instalações alfandegárias e assim por diante, começaram antes da pandemia e seguiram um padrão de avanços e paralisações desde então", afirmou Marcus Noland, vice-presidente executivo do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington. "Depois dos tempos difíceis durante a pandemia, que também foi acompanhada pelo fechamento das fronteiras, a economia norte-coreana parece ter crescido nos últimos anos graças às receitas relacionadas à guerra na Ucrânia e ao cibercrime." Interior segue estagnadoNoland afirmou ter a impressão de que Pyongyang está relativamente bem do ponto de vista econômico, assim como várias cidades na fronteira com a China graças à retomada do comércio, "mas o interior do país continua estagnado". Embora o conflito na Ucrânia e a aliança de Pyongyang com Moscou tenham sido uma bênção econômica para a Coreia do Norte, dizem os analistas, não está claro o que acontecerá quando a guerra inevitavelmente chegar ao fim. "O regime norte-coreano pode enfrentar dificuldades se a paz chegar à Ucrânia", afirmou Noland. "Se as receitas relacionadas à guerra secarem, o país poderá experimentar uma queda econômica e um descontentamento associado após um período de expectativas crescentes", enfatizou. "Não estou dizendo que isso seria suficiente para desestabilizar o sistema, mas acredito que uma transição para a paz na Ucrânia poderia apresentar desafios que o regime teria de administrar." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. 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| Short teaser | Guerra na Ucrânia e aliança com Moscou rendem dividendos ao país, viabilizando uma série de projetos há muito desejados. | ||
| Author | Julian Ryall | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/coreia-do-norte-investe-lucros-com-guerra-em-mais-armamentos/a-79230091?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Coreia%20do%20Norte%20investe%20lucros%20com%20guerra%20em%20mais%20armamentos | ||
| Item 24 | |||
| Id | 79233125 | ||
| Date | 2026-09-11 | ||
| Title | Por que a Tapeçaria de Bayeux causa tanto furor no Reino Unido? | ||
| Short title | Tapeçaria de Bayeux: por que a obra medieval atrai multidões | ||
| Teaser |
Peça de cerca de 70 metros de comprimento e retratando 58 cenas é exibida no Museu Britânico após grande expectativa. Ela é considerada por muitos como um símbolo da identidade do Reino Unido.Antes de tudo, é preciso esclarecer um ponto: tecnicamente, não se trata de uma tapeçaria. Tapeçarias são tecidas, enquanto esta obra é um bordado feito sobre linho. Apesar disso, ela é tradicionalmente conhecida por esse nome.
Com cerca de 70 metros de comprimento, essa narrativa visual retrata os acontecimentos que cercaram a Conquista Normanda da Inglaterra, em 1066, culminando na Batalha de Hastings e na vitória de Guilherme, o Conquistador, sobre Haroldo 2º.
A Conquista Normanda mudou radicalmente a Inglaterra: política, leis e cultura passaram a ser influenciadas pelo domínio normando. A Tapeçaria de Bayeux testemunha esse acontecimento e, ao mesmo tempo, é um exemplo extraordinário da habilidade artesanal inglesa na Idade Média. Por isso, muitos britânicos a consideram um dos mais importantes símbolos da identidade nacional, ao lado das obras de Shakespeare ou de Stonehenge.
Acredita-se que a tapeçaria tenha sido encomendada pelo bispo de Bayeux, meio-irmão de Guilherme e presente na batalha, a bordadores do sul da Inglaterra, para a inauguração de sua catedral, em 1070. Na época, os bordadores anglo-saxões eram famosos em toda a Europa por sua habilidade. Posteriormente, a obra foi levada para a França, onde permaneceu por quase mil anos, até agora.
Por que a Tapeçaria de Bayeux é tão importante?
A Tapeçaria de Bayeux é considerada um dos mais importantes monumentos pictóricos da Alta Idade Média. Muitos pesquisadores a veem como uma sofisticada peça de propaganda, criada para mostrar e explicar a vitória de Guilherme, o Conquistador, ao público da época. Sua mensagem, ainda alvo de debates acadêmicos, é que Haroldo Godwinson, então conde de Wessex, havia feito um juramento sagrado sobre relíquias, prometendo apoiar a reivindicação de Guilherme ao trono inglês. Ao quebrar esse juramento e coroar-se rei, teria justificado a guerra que se seguiu, retratada como uma punição legítima. O fato de Haroldo provavelmente não ter feito esse juramento por livre vontade é irrelevante para a narrativa apresentada no bordado.
A obra faz parte do Registro Memória do Mundo da Unesco e, devido às suas 58 cenas ilustradas, às vezes é chamada de "a história em quadrinhos mais antiga do mundo".
Acompanhada por inscrições em latim, a narrativa visual mostra os horrores da guerra, incluindo massacres, cabeças rolando e a morte de um rei.
Mas a tapeçaria também é um valioso documento histórico para os pesquisadores. Ela retrata com detalhes surpreendentes a construção naval, o equipamento militar e aspectos do cotidiano medieval. Até mesmo o Cometa Halley aparece na obra. O cometa foi visível nos céus em 1066 e é interpretado na narrativa visual como um mau presságio para os anglo-saxões.
Por que demorou tanto para a tapeçaria ser emprestada?
A tapeçaria pertence ao Estado francês e estava sob custódia da cidade de Bayeux, onde era exibida no Museu da Tapeçaria de Bayeux.
O Reino Unido já havia tentado obter a obra emprestada para a coroação de Elizabeth 2ª, em 1953, além de outras ocasiões históricas posteriores, mas a França sempre recusou. O artefato era considerado frágil demais, e a viagem, arriscada demais.
Por fim, no ano passado, o presidente francês, Emmanuel Macron, autorizou a exposição no Museu Britânico, contrariando as preocupações manifestadas por especialistas.
Em setembro do ano passado, a tapeçaria foi então retirada de exibição, embalada e colocada em armazenamento em uma operação altamente complexa que durou seis horas.
Em 9 de julho, ela finalmente chegou a Londres em uma operação de transporte mantida em sigilo. A obra foi acondicionada em um contêiner de alta tecnologia capaz de protegê-la de vibrações, além de manter temperatura e umidade constantes.
O governo britânico também contratou um seguro de 800 milhões de libras esterlinas para a obra, o equivalente a cerca de R$ 5 bilhões.
Onde conseguir ingressos?
O Museu Britânico dividiu a venda de ingressos em três fases. A primeira, para visitas entre setembro e dezembro, começou em 1º de julho. Todos os ingressos se esgotaram rapidamente, com relatos de até 80 mil pessoas tentando garantir uma vaga ao mesmo tempo. Muitos enfrentaram esperas de até nove horas.
Para quem perdeu essa oportunidade, haverá novas chances em breve: os ingressos para o período de janeiro a março serão colocados à venda em 21 de outubro, e os ingressos para abril a julho estarão disponíveis em janeiro.
A exposição está sendo promovida como um evento raro, "de uma vez por geração", e um amplo programa educacional pretende envolver escolas de todo o país.
O Museu Britânico acredita que a Tapeçaria de Bayeux poderá ajudá-lo a estabelecer um novo recorde de público. Até hoje, a exposição mais visitada da história da instituição continua sendo "Os Tesouros de Tutancâmon", realizada em 1972, que atraiu quase 1,7 milhão de visitantes.
Ficou sem ingresso? Existe uma alternativa
Se você está animado para ver a tapeçaria, mas não tem certeza de que conseguirá um ingresso, pode visitar a cidade de Reading, cerca de duas horas a oeste de Londres. Lá está exposta uma réplica fiel da obra, que por si só já tem 140 anos.
Mesmo naquela época, havia um forte desejo de ter essa obra na Inglaterra. Em 1885, 35 bordadores iniciaram um trabalho que durou cerca de um ano. Utilizando fotografias colorizadas como referência, reproduziram a tapeçaria em escala real.
No entanto, eles alteraram um detalhe. Algumas figuras presentes na borda do original aparecem nuas e em poses sugestivas. Pelo visto, isso foi considerado escandaloso demais para a moral vitoriana inglesa. Uma das figuras foi retocada na fotografia correspondente, e os bordadores copiaram essa alteração. Como resultado, a personagem passou a aparecer usando roupa íntima.
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Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
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| Short teaser | Obra-prima medieval é exibida no Museu Britânico após muita expectativa. Peça é tida como símbolo da identidade do país. | ||
| Author | Katharina Abel | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/por-que-a-tapeçaria-de-bayeux-causa-tanto-furor-no-reino-unido/a-79233125?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/78443634_354.jpg
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| Image caption | Obra-prima da Alta Idade Média: a Tapeçaria de Bayeux (detalhe) | ||
| Image source | Bildagentur-online/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78443634_354.jpg&title=Por%20que%20a%20Tape%C3%A7aria%20de%20Bayeux%20causa%20tanto%20furor%20no%20Reino%20Unido%3F | ||
| Item 25 | |||
| Id | 79212797 | ||
| Date | 2026-09-11 | ||
| Title | Brics se reúne na Índia frente a desafios para manter coesão | ||
| Short title | Brics se reúne na Índia frente a desafios para manter coesão | ||
| Teaser |
A 18ª cúpula do bloco ocorre neste fim de semana. Diferente da edição do ano passado no Brasil, encontro terá líderes da China e da Rússia. Mas será que o grupo expandido consegue chegar ao consenso sobre metas comuns? Na preparação para sediar a 18ª cúpula do Brics em Nova Délhi neste fim de semana, a Índia criou um slogan que busca preservar a identidade do grupo sem afastar seus diversos novos integrantes. "Building for Resilience, Innovation, Cooperation and Sustainability" ("Construindo para Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade") corresponde ao acrônimo dos cinco membros originais do bloco – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul –, ao mesmo tempo que representa objetivos que os novos integrantes, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos, também podem apoiar. "É uma maneira elegante de reinterpretar o Brics para que o acrônimo represente uma missão conjunta, e não os nomes dos países", disse à DW Mihaela Papa, diretora do Brics Lab do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Para Sushant Singh, professor de estudos do Sul Asiático na Universidade de Yale, o slogan vago reflete o desejo da Índia, como anfitriã, de manter o Brics o mais discreto e neutro possível. "A Índia não quer desagradar a Rússia nem a China, mas o fato é que os indianos estão olhando cada vez mais para os Estados Unidos. Não existe esse desejo de fortalecer o Brics." Índia assume papel de anfitriãAinda assim, o status da Índia como uma potência geopolítica global em ascensão deu mais relevância ao encontro deste ano em comparação com a cúpula do ano passado, realizada no Brasil. Na reunião do Rio de Janeiro, seis dos 11 chefes de Estado do bloco não compareceram, incluindo figuras importantes como o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente russo, Vladimir Putin. Este último deve comparecer este ano, enquanto a presença de Xi Jinping é amplamente esperada, embora ainda não tenha sido formalmente confirmada por Pequim. "A participação da principal liderança chinesa é crucial", afirma Papa. Ela também considera que seria um sinal importante da força do Brics como uma "potência estabilizadora" se os líderes de rivais regionais, como Irã e Emirados Árabes Unidos, demonstrassem capacidade de trabalhar juntos. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, participará do encontro, mas espera-se que o presidente dos Emirados Árabes Unidos, sheik Mohamed bin Zayed Al Nahyan, envie representantes. A Arábia Saudita, outro rival do Irã, também deve participar. O status do país dentro do Brics continua um tanto ambíguo, embora os materiais oficiais mais recentes do grupo geralmente o listem como membro. Para a Índia, a cúpula é tão importante pelas reuniões bilaterais que proporciona quanto pelo encontro do Brics em si. Putin e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, devem se reunir nesta sexta-feira, enquanto a cúpula também oferecerá uma oportunidade para Xi e Modi conversarem pessoalmente em meio às persistentes tensões entre China e Índia. Isso, porém, não significa que haverá muitos resultados concretos ao longo do fim de semana. "Em termos de resultados concretos e do que é possível alcançar, acredito que será algo muito, muito limitado", diz Singh. Modi já descreveu o Brics como um fórum importante para que o "Sul Global" apresente uma frente comum em diversas questões. Ele também tem defendido uma "abordagem centrada nas pessoas" e o espírito de "humanidade em primeiro lugar". No entanto, Singh afirma que o Brics simplesmente não é uma prioridade para a Índia e que, de modo geral, Nova Délhi não aprovou o que muitos interpretam como a guinada "antiocidental" assumida pelo grupo nos últimos anos. "Com a Índia na presidência, ela não ficará confortável com qualquer postura antiocidental", afirma ele, apontando para a importância que o país dá aos laços de defesa com os Estados Unidos e às relações comerciais com o Ocidente como um todo. "A ideia da Índia para o Brics está mais ligada ao fortalecimento das relações comerciais e coisas do tipo. Em outras palavras, podemos fazer algo que seja benéfico para nós sem sermos confrontadores ou críticos em relação ao Ocidente", frisa o especialista. Ainda assim, ironicamente, o status não alinhado da Índia pode ser justamente o elemento que ajuda a manter o bloco unido. "A Índia agrega peso porque tem influência geopolítica significativa e mantém relações com campos rivais, o que a torna uma importante construtora de pontes", avalia Papa. "Sua abordagem provavelmente manterá o Brics focado na cooperação prática e na reforma da governança global, e não em uma política de blocos explícita." Afinal, para que serve o Brics?O Brics se aproxima de seu 18º aniversário e, de certa forma, deveria estar atingindo a maturidade. No entanto, o bloco tem enfrentado dificuldades para manter coerência nos últimos anos em meio a dúvidas sobre seu propósito. A relevância potencial do bloco não está em discussão. Seus membros reúnem quase metade da população mundial e cerca de 40% do PIB global. No ano passado, a declaração conjunta do grupo pediu reformas na governança global, destacando a representação em organismos multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. O texto também condenou tarifas comerciais e criticou o que chamou de "polarização" da ordem internacional. "Do ponto de vista ideológico, o Brics continua onde estava na cúpula realizada no Brasil, focado na cooperação prática e funcional, enquanto busca evitar tensões geopolíticas", afirma Papa. Segundo ela, a expansão do grupo de cinco para 11 membros, se incluirmos a Arábia Saudita, tornou mais difícil alcançar consensos em diferentes temas. Hoje também há mais autocracias do que democracias entre os integrantes, enquanto vários membros mantêm relações bilaterais tensas. "Essas contradições internas sempre serão difíceis de conciliar", afirma Singh. O que pode acontecer neste anoMesmo assim, Papa acredita que haverá avanços em três áreas: comércio, cooperação monetária e agricultura. As discussões provavelmente se concentrarão na melhoria do comércio entre os membros, em uma arquitetura financeira alternativa para a troca de moedas e em questões relacionadas à segurança alimentar. Embora a reforma da governança global continue no centro do debate, ela acredita que a melhor aposta do Brics é focar nas instituições em torno das quais existe maior consenso. Por exemplo, a Índia é menos inclinada a pressionar por reformas da ONU, mas apoia uma abordagem coordenada do Brics para comércio e para a Organização Mundial do Comércio (OMC). "As ambições da Índia na OMC são compartilhadas por mais membros", afirma ela, o que torna avanços nessa área "mais prováveis". Ainda assim, muitos compartilham da visão de Singh de que o grupo "continuará decepcionando". Segundo ele, questões que vão desde a crescente influência global da China até a posição do governo Trump em relação às tarifas comerciais tornaram os objetivos limitados do bloco ainda mais difíceis de alcançar. "Com o tipo de mundo em que vivemos e com a falta de coerência e as contradições internas que o Brics apresenta, é muito improvável que consiga alcançar algo realmente importante", conclui. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | A 18ª cúpula do Brics acontece na Índia neste fim de semana. Mas será que o grupo ainda tem uma missão definida? | ||
| Author | Arthur Sullivan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/brics-se-reúne-na-índia-frente-a-desafios-para-manter-coesão/a-79212797?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Brics%20se%20re%C3%BAne%20na%20%C3%8Dndia%20frente%20a%20desafios%20para%20manter%20coes%C3%A3o | ||
| Item 26 | |||
| Id | 79226420 | ||
| Date | 2026-09-11 | ||
| Title | Céline Dion conquista geração Z e se mantém um ícone pop | ||
| Short title | Céline Dion conquista geração Z e se mantém um ícone pop | ||
| Teaser |
Às vésperas de sua aguardada temporada de shows em Paris, cantora canadense alcança um feito raro: conquista seguidores mais jovens sem perder os fãs mais fiéis das gerações anteriores.Céline Dion volta aos palcos neste sábado (12/09) em Paris, dando início a uma série de 26 apresentações ingressos esgotados, que vão até maio de 2027. Cerca de 500 mil pessoas são esperadas para assistir às apresentações, marcando o tão aguardado retorno da estrela global aos palcos após uma longa pausa.
Em 2022, ela anunciou que estava enfrentando uma doença neurológica rara e incurável, a síndrome da pessoa rígida (SPR). Os problemas de saúde a levaram a cancelar sua turnê mundial. No verão europeu de 2024, ela voltou aos holofotes no topo da Torre Eiffel durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, e sua resiliência trouxe esperança para fãs em todo o mundo.
Agora, nos dias que antecedem seus shows em Paris, Dion vem encantando centenas de fãs reunidos em frente ao seu hotel, dedicando alguns minutos por dia para conversar com eles e, às vezes, até participando de cantorias e danças improvisadas.
A artista canadense mais bem-sucedida de todos os tempos lançou um total de 27 álbuns de estúdio, vendeu mais de 200 milhões de discos em todo o mundo e conquistou diversos prêmios Grammy.
Embora seus maiores sucessos tenham sido lançados nos anos 1990, ela é muito mais do que um simples fenômeno nostálgico. Ela conquistou, e continua conquistando, fãs da geração Z e dos millennials.
Queridinha da moda contemporânea
Em seus encontros diários com fãs a caminho dos ensaios, ela sempre aparece usando peças de alta-costura marcantes: um vestido assimétrico da Loewe, um ousado vestido de couro azul da Givenchy criado por Sarah Burton ou uma jaqueta chamativa de Tom Ford."Céline Dion está transformando as ruas de Paris em sua passarela", escreveu a revista Vogue ao comentar seus looks elegantes.
"Ela sempre gostou muito de moda, já nos anos 1990, embora por muito tempo não soubéssemos disso", afirma Stéphane Leclair, jornalista cultural de Quebec, autor e apresentador de uma série de podcast sobre o álbum D'eux da cantora. "Sabe, Céline Dion nunca foi considerada 'descolada'. Ela sempre teve aquele lado meio cafona, meio desajeitado. Mas, por meio de seu interesse genuíno por moda, conseguiu renovar bastante sua imagem."
Um passo importante aconteceu em 2016: Dion admirava tanto os looks ousados de Zendaya no tapete vermelho que procurou o estilista da atriz, Law Roach, e pediu para trabalhar com ele. Ela atribui a Roach sua transformação.
Mas esse é apenas um dos fatores que explicam sua popularidade contínua e renovada.
Uma história de ascensão social
Nascida em 30 de março de 1968, Céline Dion era a caçula de 14 filhos de uma família pobre da região francófona de Quebec, no Canadá. Como ela mesma destaca em seu site oficial, a casa era tão cheia que, quando bebê, ela dormia em uma gaveta em vez de um berço.
Ela cresceu cercada por música e gravou sua primeira canção aos 12 anos. A faixa impressionou tanto o empresário René Angélil que ele hipotecou sua própria casa para financiar o primeiro disco da jovem cantora. Ela rapidamente se tornou uma estrela mirim em Quebec.
Inspirada por Michael Jackson, Celine Dion decidiu que queria se tornar uma megastar. Em 1988, ela venceu o Festival Eurovisão da Canção (Eurovision Song Contest) representando a Suíça e, em 1990, lançou seu primeiro álbum em inglês, Unison. Isso, porém, gerou tensões culturais entre os fãs francófonos de Quebec, que sentiam que ela estava deixando suas raízes de lado para buscar o estrelato internacional, especialmente nos Estados Unidos.
Mas, mesmo após se tornar uma estrela global, Dion continuou se identificando orgulhosamente como a "garotinha de Charlemagne", a pequena cidade próxima a Montreal onde cresceu. "As pessoas em Quebec rapidamente entenderam que isso não mudava nada, que ela continuaria sendo uma delas e que apenas acrescentava mais uma camada à sua carreira", observa Leclair.
De fato, ela continuou trabalhando em francês enquanto construía sua carreira como artista pop global. Em parceria com o compositor francês Jean-Jacques Goldman, lançou D'eux em 1995. O álbum se tornou o disco em língua francesa mais vendido de todos os tempos.
A música-tema de A Bela e a Fera (1991) lhe rendeu um Grammy e um Oscar, enquanto My Heart Will Go On (1997), trilha do fenômeno cinematográfico Titanic, consolidou seu lugar entre as maiores vozes da música.
Autenticidade viral
Enquanto outras estrelas costumavam encerrar suas carreiras em Las Vegas, Dion revolucionou a indústria musical com A New Day..., seu espetáculo na cidade americana. Com um total de 714 apresentações entre 2003 e 2007, ela mostrou que esse formato podia ser moderno, inovador e extremamente lucrativo. O projeto serviu de modelo para shows de artistas mais jovens em Las Vegas, como Britney Spears e Adele.
"As maiores estrelas do mundo geralmente fazem de tudo para proteger uma imagem perfeita e intocável. Já Celine é incrivelmente acessível. Ela não tem medo de mostrar quem realmente é", afirma Leclair.
"E os fãs mais apaixonados de Céline adoram seu lado bem-humorado", acrescenta. "Eles adoram o fato de ela ser um pouco excêntrica. Isso a torna muito próxima das pessoas."
Famosa por começar a cantar espontaneamente durante entrevistas, Dion viu esses momentos, assim como cenas exageradas de seus videoclipes dos anos 1990, serem transformados em memes e tendências no TikTok.
Incentivada por seus filhos adolescentes, ela lançou sua conta oficial no TikTok em janeiro de 2026. Tornou-se viral com um vídeo do tipo "O que tem na minha bolsa?", no qual tira uma mistura de itens do dia a dia e objetos completamente inesperados.
Escrevendo um novo capítulo
Mas, além do humor, ela também está disposta a compartilhar seus momentos mais vulneráveis. Em 2016, na mesma semana, ela perdeu para o câncer o marido e empresário, René Angélil, e um irmão. Seu álbum de 2019, Courage, abordou temas como perda e recuperação.
Seu documentário de 2024, I Am: Céline Dion, no qual revisita sua vida e carreira enquanto fala sobre como lida com o diagnóstico da síndrome da pessoa rígida, foi elogiado pela crítica por sua sinceridade intensa e comovente. Uma das cenas acompanha a cantora durante uma dolorosa crise de espasmos.
"Não acredito que muitas estrelas desse nível aceitariam ser filmadas e ainda autorizariam a inclusão dessas imagens na versão final em um momento tão pouco favorável", observa Leclair. "Isso aconteceu, em parte, por um desejo de transparência, para explicar aos fãs por que ela precisou se afastar."
E seus fãs valorizam profundamente essa autenticidade, assim como sua resiliência. Atualmente, Dion passa por tratamentos físicos e terapias para controlar os sintomas e voltar a se apresentar em uma série de shows com mais de duas horas de duração. As apresentações contarão com 18 músicos e quatro backing vocals. Um coral ao vivo também participará de várias músicas.
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| Short teaser | Cantora alcança um feito raro: conquista seguidores mais jovens sem perder os fãs mais fiéis das gerações anteriores. | ||
| Author | Elizabeth Grenier | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/céline-dion-conquista-geração-z-e-se-mantém-um-ícone-pop/a-79226420?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/79188957_354.jpg
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| Image caption | Nos últimos anos, Dion renovou sua imagem ao apostar em uma moda mais expressiva | ||
| Image source | Martin Harris/Captital Pictures/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79188957_354.jpg&title=C%C3%A9line%20Dion%20conquista%20gera%C3%A7%C3%A3o%20Z%20e%20se%20mant%C3%A9m%20um%20%C3%ADcone%20pop | ||
| Item 27 | |||
| Id | 79218283 | ||
| Date | 2026-09-10 | ||
| Title | Arqueólogos descobrem no Egito "porta falsa que leva ao além" | ||
| Short title | Arqueólogos acham no Egito "porta falsa que leva ao além" | ||
| Teaser |
Porta em tumba de 4 mil anos de alto funcionário egípcio não levava a lugar nenhum, mas tinha função de "ligar os vivos aos mortos".
Alguns governantes do Egito Antigo deixaram pirâmides como monumentos funerários. Outros integrantes da elite tiveram sepulturas muito mais discretas, embora nem por isso menos reveladoras sobre sua posição social.
É o caso de Sekhentiu-Ptah, um alto funcionário cuja tumba, com cerca de 4 mil anos, acaba de ser descoberta em Saqqara, a antiga necrópole de Mênfis, ao sul do Cairo.
O achado, anunciado pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, faz parte de uma escavação realizada na região do Bubasteion, a oeste da necrópole. Em períodos posteriores, a área ficou associada ao culto da deusa-gata Bastet.
Segundo o comunicado oficial, os envolvidos na descoberta seguiram um rigoroso programa científico que incluiu escavação estratigráfica, documentação arquitetônica e fotográfica, digitalização de achados e estudos linguísticos. A coordenação ficou a cargo de Hisham Al-Lithi, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades.
Embora a tumba seja a principal descoberta, ela não foi o único achado do local. Os arqueólogos localizaram vários poços funerários contendo restos humanos e mais de cem ushabtis de faiança, pequenas estatuetas colocadas nas tumbas para acompanhar o falecido na vida após a morte.
"Guardião dos segredos"
As inscrições hieroglíficas encontradas na tumba permitiram identificar Sekhentiu-Ptah e reconstruir a extensa lista de cargos que ocupou.
Segundo o ministério egípcio, ele exerceu funções como camareiro real, supervisor das obras do rei, supervisor dos documentos reais, sacerdote da deusa Maat e chefe dos escribas.
Um desses títulos, traduzido como "guardião dos segredos dos decretos reais", pode soar misterioso. No entanto, é provável que correspondesse a uma função administrativa bastante convencional.
Em entrevista ao portal Live Science, a egiptóloga Ann Macy Roth, da Universidade de Nova York, que não participou da escavação, explicou que o título era comum entre os escribas reais e provavelmente apenas indicava que, por lidar com documentos da corte, ele tinha acesso a informações confidenciais.
Sekhentiu-Ptah viveu durante o Império Antigo, período em que foram construídas as grandes pirâmides, incluindo as de Gizé. Roth acredita que os elementos arquitetônicos da tumba datam do final da 5ª dinastia e início da 6ª. Com base nas características, os achados teriam sido construídos há aproximadamente 4.350 anos.
A falsa porta e o enxoval funerário
Talvez o elemento mais impressionante da tumba seja a chamada "falsa porta", um componente comum da arquitetura funerária egípcia.
Ela não era uma porta funcional nem tinha a finalidade de impedir a ação de saqueadores. De fato, a tumba foi violada em algum momento de sua longa história. Mas o significado dessa porta era religioso: acreditava-se que ela funcionava como um ponto de ligação com o além e permitia ao espírito do falecido transitar entre os dois mundos.
Diante da porta foram encontrados diversos objetos funerários. Segundo o comunicado do ministério, os arqueólogos identificaram uma mesa de oferendas, uma peça destinada ao ritual do qurban, ou seja, de sacrifício, uma bacia de purificação, um jarro e uma esteira, todos com inscrições hieroglíficas.
A escavação também revelou outros materiais. O ministério informou a descoberta de três sarcófagos de pedra que permaneciam lacrados desde a Antiguidade, além de uma escultura de madeira em forma de falcão e grandes quantidades de cartonagem funerária colorida.
Sobre a figura do falcão, o Live Science destaca uma possível associação com Hórus, o deus egípcio representado com cabeça dessa ave.
O que ainda não foi encontrado, porém, é a própria múmia de Sekhentiu-Ptah. Segundo Roth, o espaço pode ter sido reutilizado após o sepultamento original, uma prática comum no Egito Antigo. Isso explicaria por que alguns dos ushabtis e fragmentos de cartonagem parecem pertencer a pessoas enterradas ali posteriormente.
Saqqara continua revelando novos tesouros
Declarada Patrimônio Mundial pela Unesco, Saqqara é centro de pesquisas arqueológicas desde o século 19 e continua proporcionando novas descobertas.
A necrópole desempenhou papel central durante o Império Antigo, aproximadamente entre 2700 e 2200 a.C., quando recebeu sepultamentos de membros da realeza e da elite egípcia. Seu uso funerário, no entanto, não terminou nesse período e se estendeu até a época romana.
Em entrevista à revista Smithsonian Magazine, Campbell Price, curador das coleções de Egito e Sudão do Museu de Manchester, falou da importância simbólica do local. Segundo ele, Saqqara era o lugar "onde se queria ser visto morto", devido à sua reputação como porta de acesso ao além.
Mas Saqqara não abriga apenas tumbas de funcionários como a de Sekhentiu-Ptah. O sítio arqueológico também reúne pirâmides reais, incluindo a famosa Pirâmide de Degraus de Djoser, além de uma vasta necrópole subterrânea dedicada a animais.
Essa diversidade levou o arqueólogo Magdy Shaker a afirmar, em entrevista ao portal Al-Monitor, que Saqqara reúne boa parte da história do Egito Antigo, em contraste com o foco mais restrito das pirâmides da 5ª dinastia em Gizé.
O potencial arqueológico e turístico da região levou as autoridades egípcias a investirem na melhoria dos acessos e da infraestrutura para visitantes. Ainda assim, Saqqara continua ofuscada por sua vizinha mais famosa: as pirâmides de Gizé.
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| Short teaser | Porta em tumba de 4 mil anos de alto funcionário egípcio tinha a função de "ligar os vivos aos mortos". | ||
| Author | Felipe Espinosa Wang | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/arqueólogos-descobrem-no-egito-porta-falsa-que-leva-ao-além/a-79218283?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/79202312_354.jpg
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| Image caption | Tumba de Ptahhotep, em Saqqara, na mesma necrópole em que arqueólogos encontraram a tumba de Sekhentiu-Ptah. | ||
| Image source | Daniel Schoenen/imageBROKER/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79202312_354.jpg&title=Arque%C3%B3logos%20descobrem%20no%20Egito%20%22porta%20falsa%20que%20leva%20ao%20al%C3%A9m%22 | ||
| Item 28 | |||
| Id | 79211825 | ||
| Date | 2026-09-10 | ||
| Title | China debate reduzir a importância do inglês nas escolas | ||
| Short title | China debate reduzir a importância do inglês nas escolas | ||
| Teaser |
Proposta de professor universitário reacende discussão sobre o papel do idioma inglês na educação chinesa. Matemático defende a priorização do mandarim. Há anos que o inglês é tido como a principal língua internacional em todo o mundo. Estima-se que um em cada cinco habitantes do planeta o idioma como língua franca. Na China, porém, um professor universitário defende que o país pare de dar "tanta importância" para um idioma ocidental. O matemático Tang Jiafeng quer que o inglês deixe de ter o mesmo peso que as disciplinas de matemática e mandarim, nos exames dos sistemas educacionais chineses. Segundo ele, nenhum outro país atribui ao inglês um valor tão alto quanto a China. "Nossas crianças começam a estudar inglês antes mesmo de dominarem plenamente a própria língua. Somos uma civilização com milhares de anos de história. O inglês é apenas uma ferramenta. Basta saber utilizá-lo. A tradição de admirar e imitar culturas ocidentais precisa acabar", argumenta. Aprender inglês é um desafio para estudantes chineses, já que o mandarim utiliza um sistema de escrita baseado em caracteres, diferente do alfabeto empregado em idiomas ocidentais. Na China, o inglês é disciplina obrigatória a partir do terceiro ano do ensino fundamental. O desempenho dos estudantes na matéria tem peso significativo nas principais provas do país, incluindo os exames para entrar no ensino médio e o gaokao, o rigoroso "vestibular" chinês. Neste, a disciplina tem a mesma pontuação máxima de matérias como mandarim e matemática. Para Tang, o modelo atual exige muitos recursos e bastante tempo. "Quanto tempo, dinheiro e esforço de alunos, pais e escolas são dedicados a uma disciplina que, para a maioria das pessoas, terá pouca relevância em sua futura vida profissional?", questiona ele. O professor ganhou notoriedade nacional depois que os seus alunos apresentaram resultados excelentes em competições de matemática. Vários alcançaram pontuação máxima. "A IA já traduz tudo"As declarações de Tang rapidamente viralizaram nas redes sociais chinesas. "Muitos se perguntam por que passar anos decorando inglês se ferramentas de inteligência artificial conseguem traduzir textos e conversas em poucos segundos", escreveu um usuário da plataforma Weibo. Outros defendem medidas menos radicais. Uma das propostas é reduzir o peso da disciplina nos exames nacionais, sem eliminá-la completamente. O debate também envolve o grande mercado de aulas particulares. Muitas famílias chinesas investem quantias exorbitantes em cursos preparatórios voltados especificamente para os testes de inglês. Além disso, estudantes que desejam ingressar em programas de pós-graduação normalmente precisam comprovar proficiência no inglês. Para Tang, essa exigência pode acabar excluindo jovens talentos das áreas de ciência e tecnologia que possuem grande potencial acadêmico, mas encontram dificuldades com línguas estrangeiras. Ciência e competitividade globalOs críticos da proposta argumentam que reduzir a importância do inglês pode prejudicar a competitividade internacional da China. Grande parte da produção científica mundial, especialmente em áreas estratégicas como inteligência artificial (IA), biotecnologia e engenharia, é publicada em inglês. Sem domínio adequado do idioma, pesquisadores e profissionais chineses teriam mais dificuldades para acompanhar avanços científicos e participar de redes globais de conhecimento. Entre os defensores de manter a importância do inglês no sistema educacional está Hu Xijin, ex-editor-chefe do jornal estatal Global Times. Para ele, o domínio de idiomas estrangeiros é uma competência fundamental no século 21. "Vivemos em uma era de globalização. A abertura da China para o mundo não é apenas uma política de Estado; ela amplia as oportunidades das pessoas e seus horizontes profissionais e culturais", afirmou. Ele também critica a ideia de transformar o debate em uma disputa entre tradição chinesa e influência estrangeira. Segundo Hu, dá para valorizar a cultura nacional e, ao mesmo tempo, o aprendizado de idiomas. Compreender outras línguas amplia as possibilidades de intercâmbio econômico, científico e cultural, destaca. Outro argumento frequente é o da igualdade de oportunidades. Para os defensores da disciplina, manter o inglês no currículo obrigatório garante que crianças de regiões rurais e menos desenvolvidas também tenham acesso a uma ferramenta importante para a mobilidade social e profissional. Universidades repensam formaçãoA discussão ocorre em um momento de transformação nas universidades chinesas especializadas em línguas estrangeiras. Docentes relatam que cursos tradicionais, como alemão, francês e outras graduações voltadas exclusivamente para idiomas, vêm atraindo menos candidatos nos últimos anos. Como resposta, instituições de ensino superior têm reformulado seus currículos. Na Beijing Foreign Studies University, uma das mais prestigiadas da área, o modelo que combina formação linguística com outras especializações, como direito, tecnologia da informação e economia está ganhando força. A discussão sobre a influência estrangeira na educação está longe de ser novidade na China. Já no final do século 19, durante o movimento de modernização da dinastia Qing, intelectuais defendiam que o país deveria aprender com as potências ocidentais para fortalecer seu próprio desenvolvimento. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Proposta de professor universitário reacende discussão sobre o papel do idioma inglês na educação chinesa. | ||
| Author | Dang Yuan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/china-debate-reduzir-a-importância-do-inglês-nas-escolas/a-79211825?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=China%20debate%20reduzir%20a%20import%C3%A2ncia%20do%20ingl%C3%AAs%20nas%20escolas | ||
| Item 29 | |||
| Id | 79204020 | ||
| Date | 2026-09-09 | ||
| Title | Alemanha mira frota fantasma de petroleiros da Rússia | ||
| Short title | Alemanha mira frota fantasma de petroleiros da Rússia | ||
| Teaser |
Depois do atentado fracassado com drone ao aeroporto de Leipzig, governo alemão quer seguir o exemplo de outras nações europeias e agir com mais rigor contra a frota fantasma russa. Quando o governo da Alemanha atribuiu publicamente à Rússia, em 1º de setembro, a responsabilidade pela tentativa fracassada de ataque com drones ao Aeroporto de Leipzig-Halle, anunciou também uma série de medidas de retaliação. Entre elas está uma ação mais rigorosa contra a chamada frota fantasma russa. Trata-se, em geral, de navios antigos, mal conservados, insuficientemente segurados e com estruturas de propriedade pouco transparentes, na maioria petroleiros, que a Rússia utiliza para tentar contornar as sanções internacionais. Mas apreender essas embarcações não é tão simples, afirma o especialista em segurança marítima Julian Pawlak, do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP), de Berlim. Isso porque o direito marítimo internacional, em princípio, protege a liberdade da navegação comercial. "O transporte desses produtos em alto-mar não é, por si só, ilegal", diz. Partes dessa frota fantasma estão ligadas às chamadas atividades híbridas, como atos de sabotagem, espionagem e operações com drones. A especialista em segurança do Partido Verde, Sara Nanni, considera que a Alemanha fez muito pouco até agora para combater o problema da frota fantasma. "Os russos financiam sua guerra contra a Ucrânia e seu comportamento agressivo em relação à Europa por meio de sua frota fantasma", declarou à DW. Segundo ela, é preciso agir contra essas embarcações. "Essa é a única coisa que poderia levar a Rússia de volta à mesa de negociações." Nanni acusa o governo alemão de não querer agir. "Outras nações fazem isso no Mar Báltico, a Alemanha não. Ouço do ministro do Interior que isso seria tecnicamente ou juridicamente difícil. Mas acredito que seja uma decisão política não fazer isso. E isso está errado." Finlândia dá o exemploA Finlândia é uma dessas "outras nações". No fim de 2024, o petroleiro Eagle S. arrastou uma âncora pelo fundo do Golfo da Finlândia e danificou o cabo elétrico Estlink 2. A guarda de fronteira finlandesa apreendeu a embarcação. Embora posteriormente um tribunal finlandês tenha rejeitado a acusação de danos materiais graves, o especialista em segurança Sönke Marahrens, da Universidade de Kiel, elogia a atuação finlandesa. "Eles enviaram um sinal claro ao outro lado e disseram 'sabemos o que vocês estão fazendo e vamos impedi-los'. E foi possível perceber que, após essa mensagem clara, o outro lado mudou seu comportamento." Além da Finlândia, o Reino Unido, a França e também a Suécia passaram a agir de forma rigorosa contra embarcações suspeitas. A guarda costeira sueca intercepta e inspeciona deliberadamente petroleiros e cargueiros em suas águas territoriais quando há suspeita de que façam parte da frota fantasma. Os navios são sistematicamente retidos quando utilizam documentos falsificados, não possuem seguro adequado, representam riscos à segurança marítima ou violam leis ambientais. As ameaças da Rússia são apenas um blefe?Há quem suspeite que o governo alemão esteja sendo cauteloso para evitar uma confrontação com a Rússia, sobretudo depois que, nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt, venceu a AfD, um partido que, apesar da guerra na Ucrânia, defende uma melhora das relações entre Alemanha e Rússia. Pesquisas mostram que entre os fatores decisivos para o voto estava o temor de uma guerra na Europa. O ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, chegou a classificar as acusações alemãs contra Moscou como o "início de uma guerra real". Mas o analista alemão Johannes Peters, do Instituto de Política de Segurança, considera esse receio infundado. "Outros Estados europeus adotam uma postura mais firme e, ao contrário dos temores e, sobretudo, da retórica russa, nada acontece." Ele avalia que a Rússia prefere evitar conflitos e, assim, problemas. "Vemos que, especialmente os petroleiros carregados, que são extremamente valiosos, atualmente evitam as águas suecas porque os suecos aumentaram as inspeções." Após o incidente em Leipzig, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, declarou que os russos "pagarão por isso". Peters observa que, se o governo alemão dá declarações tão enfáticas, em algum momento terá que transformá-las em ações. "O chanceler federal colocou o governo sob pressão para agir." Resposta armada russaMas inspecionar embarcações russas suspeitas não é algo isento de riscos, observa Pawlak. "Navios de guerra russos podem escoltar essas embarcações ou, como tem sido observado com maior frequência, é possível que existam tripulações armadas a bordo com ligações com grupos mercenários russos." A Estônia vivenciou isso com o petroleiro Jaguar. Em maio de 2025, seu capitão ignorou instruções das autoridades estonianas enquanto navegava em águas costeiras do país. Os estonianos tentaram interceptar e inspecionar o navio suspeito. Como resposta, a Rússia enviou um caça militar para a região. Diante da situação, as autoridades estonianas recuaram, e o petroleiro pôde seguir viagem. "É importante considerar em que região essas atividades são realizadas", afirma Pawlak. "No Mar Báltico, a Rússia está geograficamente muito mais próxima e, naturalmente, possui outras possibilidades, inclusive de empregar unidades militares de apoio." A situação é outra em locais mais distantes, como o Canal da Mancha, entre o Reino Unido e a França. Apesar de considerar justificadas as medidas contra navios da frota fantasma, Peters alerta contra expectativas exageradas – as inspeções não conseguirão acabar com esse sistema. "O objetivo é impor riscos e incertezas à frota fantasma russa e elevar seus custos operacionais", diz. "E as receitas provenientes da exportação de petróleo são essenciais para a economia de guerra da Rússia." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Depois do atentado fracassado ao aeroporto de Leipzig, governo alemão quer seguir o exemplo de outras nações europeias. | ||
| Author | Christoph Hasselbach | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemanha-mira-frota-fantasma-de-petroleiros-da-rússia/a-79204020?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Alemanha%20mira%20frota%20fantasma%20de%20petroleiros%20da%20R%C3%BAssia | ||
| Item 30 | |||
| Id | 79192708 | ||
| Date | 2026-09-09 | ||
| Title | Vazios, templos budistas se reinventam no Japão | ||
| Short title | Vazios, templos budistas se reinventam no Japão | ||
| Teaser |
Menos fiéis e, por consequência, menores receitas levam congregações a oferecer cursos de culinária e até vender espaços para sobreviver. Mas até que ponto os japoneses estão menos religiosos?A construção de 370 anos apresenta todas as características de um templo japonês de estilo clássico, desde o telhado curvo até as paredes com estrutura de madeira, passando pelo espaçoso salão de oração com tatames e pelo altar decorado com ricos detalhes.
Situada em jardins bem cuidados na Península de Chita, no centro do Japão, a propriedade de 350 metros quadrados está à venda por 482 milhões de ienes (R$ 15,8 milhões). A descrição da imobiliária indica que o preço inclui a desmontagem por "artesãos especializados em patrimônio cultural" e o transporte para qualquer local do país, onde pode ser totalmente restaurado, transformando-se em uma "deslumbrante" residência de dois ou três quartos.
A venda e a remoção do templo marcam o fim de seu papel na comunidade local, nas colinas acima do distrito de Nagasawacho. No entanto, esse destino é melhor do que o de muitos locais de culto em todo o Japão.
Há cerca de 77 mil templos em todo o país, mas a redução das congregações e as pressões financeiras fizeram com que aproximadamente 17 mil já não tenham mais um sacerdote residente em tempo integral – especialmente em distritos rurais que vêm perdendo moradores rapidamente.
Isso significa que muitos templos estão sendo vendidos ou simplesmente fechados e deixados à própria sorte, deteriorando-se silenciosamente.
De volta à vida
Há uma década, Tomomi Iwayama assumiu o comando do templo Ganshu-ji, que estava abandonado em Odawara, cidade costeira a cerca de 80 quilômetros de Tóquio. Hoje, ele é o abade de uma congregação em crescimento.
"O templo ficou sem abade por 70 anos antes de eu chegar, porque era muito difícil mantê-lo funcionando, e só agora consegui colocá-lo de volta nos eixos financeiramente", conta ele à DW.
"Mesmo em uma área urbana relativamente grande como Odawara, que tem cerca de 200 mil habitantes, tem sido muito difícil", afirma Iwayama. "Na zona rural, é muito mais difícil."
Para Iwayama, o maior problema é o declínio populacional do país. O número cada vez menor de fiéis e a queda na demanda por funerais e outros ritos tradicionais tornam mais difícil financiar a manutenção do templo. O abade vem se empenhando em se aproximar da comunidade local e tem obtido sucesso na venda de lotes no cemitério do templo.
Uma inovação que tem atraído atenção é o "cemitério inteligente" do templo. Ele possibilita que as famílias escaneiem um cartão que possibilita que as cinzas de um parente sejam retiradas do columbário por um sistema robótico.
Mas os templos nas áreas rurais do Japão enfrentam desafios muito maiores, afirmou ele.
"Os jovens das aldeias costumam partir para cursar faculdade e, depois, encontram um emprego em uma das grandes cidades, por isso raramente voltam", pontua ele. "Talvez voltem uma vez por ano para prestar homenagem aos ancestrais no templo da aldeia, mas isso não é suficiente para o templo se sustentar."
Da mesma forma, quando o sacerdote-chefe de um templo rural se aposenta, é improvável que os filhos dele queiram sucedê-lo no cargo devido aos desafios envolvidos. Com muita frequência, disse Iwayama, o resultado é o fechamento do templo.
Mas ele nega a sugestão de que a religião no Japão esteja seguindo o mesmo caminho que no Ocidente, onde o número de fiéis cristãos caiu drasticamente ao longo das últimas décadas.
Demanda pelo budismo continua
Segundo Iwayama, ainda há muita demanda pelo budismo no Japão. O religioso compara o ritmo acelerado e a vida centrada na tecnologia que as pessoas costumam levar com a serenidade que muitas vezes buscam. "O budismo é um estilo de vida, o de uma pessoa iluminada", resume. "Muitas pessoas estão buscando isso. E, embora os rituais tradicionais de funerais e aniversários estejam em declínio e as receitas financeiras caindo, estamos percebendo que mais pessoas querem participar de aulas de culinária tradicional do templo, meditação e outras atividades que podemos oferecer."
Os templos que não conseguem se adaptar para oferecer experiências mais em sintonia com o Japão moderno correm o risco de fechar, afirma Joey Stockerman, um dos fundadores do serviço imobiliário online Mokomoko.
"Já tivemos um templo no nosso site e fomos procurados por um potencial comprador estrangeiro. Logo, certamente há interesse quando essas propriedades ficam disponíveis", diz.
Outros estrangeiros que residem no país há vários anos também estão se empenhando para proteger o patrimônio religioso do Japão para as futuras gerações. O jornalista e escritor americano Jake Adelstein é atualmente sacerdote no Templo Zenshoin, no distrito de Toshima, em Tóquio, e está estudando para se tornar abade.
"Não acho que os japoneses estejam se tornando menos religiosos; acredito que o número esteja diminuindo devido ao declínio populacional e que [os templos] estejam ficando menos ricos por causa da situação econômica", acrescenta Adelstein.
"As famílias querem manter o jazigo que possuem há gerações, mas, para muitas delas, a manutenção é simplesmente muito cara, e muitas vezes moram muito longe, de modo que não conseguem visitá-lo regularmente para prestar homenagem", diz.
A taxa anual de um túmulo pode chegar a 100 mil ienes (R$ 3,2 mil), enquanto os velórios e outros rituais podem representar um ônus financeiro adicional, explica ele.
Juventude evita carreiras religiosas
De acordo com Adelstein, os mais jovens não se interessam pela carreira de sacerdote porque os templos dão muito pouco dinheiro. "Por isso, há vagas que não conseguem ser preenchidas, e isso é um problema especialmente no interior", diz.
Alguns templos unificaram suas atividades e compartilham um sacerdote, mas isso, segundo ele, se tornará mais difícil no futuro.
Assim como em outros lugares, o Templo Zenshoin começou a oferecer aulas de culinária vegetariana e sessões de meditação zen para atrair a comunidade local, e Adelstein espera que isso seja o suficiente para manter o templo aberto.
"A formação para se tornar um abade é muito difícil, e a situação financeira de um templo hoje em dia muitas vezes simplesmente não ajuda, mas vejo isso como uma parte essencial dessa sociedade e dessa nação", conclui.
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| Short teaser | Menos fiéis e, por consequência, menores receitas levam congregações a dar cursos de culinária e até vender espaços. | ||
| Author | Julian Ryall | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/vazios-templos-budistas-se-reinventam-no-japão/a-79192708?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Templos centenários, como o de Odawara, enfrentam dificuldades para se manterem relevantes no Japão moderno | ||
| Image source | Alexander Pöschel/imageBROKER/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/79157598_354.jpg&title=Vazios%2C%20templos%20budistas%20se%20reinventam%20no%20Jap%C3%A3o | ||
| Item 31 | |||
| Id | 79199789 | ||
| Date | 2026-09-09 | ||
| Title | Dois mil casos suspeitos de conduta sexual imprópria na Bundeswehr | ||
| Short title | Duas mil suspeitas de conduta sexual imprópria na Bundeswehr | ||
| Teaser |
Entre 2021 e 2025, Forças Armadas Alemãs registram aumento anual das denúncias, que vão de assédio até agressão sexual e estupro.O Ministério da Defesa da Alemanha registrou quase 2 mil notificações de suspeita de conduta sexual inadequada na Bundeswehr (Forças Armadas Alemãs) nos últimos cinco anos. Os casos abrangem acusações que vão desde assédio sexual até abuso sexual de pessoas sob proteção.
Os números, aos quais tiveram acesso as emissoras NDR e WDR e o jornal Süddeutsche Zeitung, referem-se a casos suspeitos de conduta sexual inadequada registrados por meio do sistema de notificações das Forças Armadas Alemãs no Ministério da Defesa entre 2021 e 2025.
A lista inclui todos os casos envolvendo integrantes das Forças Armadas, independentemente de o incidente ter ocorrido durante o serviço ou fora do ambiente militar. Foram registrados tanto casos em que membros da Bundeswehr teriam sido vítimas quanto aqueles em que foram acusados.
Ao longo do período, observou-se um aumento das denúncias: de 312 registros em 2021 para um total de 472 em 2025. Parte desse aumento também pode estar relacionada ao fato de que as vítimas hoje costumam denunciar mais do que no passado.
No total, foram registradas 1.965 denúncias de suspeita de conduta sexual inadequada. Segundo o ministério, 1.114 desses casos foram encaminhados ao Ministério Público.
Segundo informações da revista Der Spiegel, a primeira a informar sobre o documento, os números mais recentes sugerem que um novo aumento no número de casos poderá ser atingido em 2026.
Diferentes acusações
As denúncias variaram desde assédio sexual (a mais frequentemente reportada), com um total de 828 notificações, até abuso sexual de pessoas sob tutela, com nove casos registrados. Houve ainda 395 denúncias relacionadas a suspeitas de agressão sexual, coerção sexual e estupro.
Mais de 50 denúncias de suspeita referem-se a abuso sexual de crianças, segundo o relatório do Ministério da Defesa. Também constam mais de 200 denúncias relacionadas à pornografia infantil.
Em 31 casos foram relatados atos de exibicionismo e, em dois casos, suspeitas de exploração da prostituição.
A estatística do Ministério da Defesa não registra quantos desses casos suspeitos resultaram efetivamente em processos criminais. A responsabilidade pelos processos penais não cabe ao ministério, mas às autoridades judiciais dos estados alemães.
Mais rigor contra abusos sexuais
Na segunda-feira, o chefe do Estado Maior das Forças Armadas, Carsten Breuer, dirigiu-se a todos os soldados e comandantes para alertar que o número de casos relatados é "alto demais". "Esse tipo de comportamento não tem lugar nas Forças Armadas" e não deve ser aceito "nem por superiores, nem por subordinados, nem por colegas de mesmo nível hierárquico", afirmou.
Muitas mulheres militares aparentemente temem consequências negativas para suas carreiras caso relatem ocorrências dentro de suas unidades.
Mais de 267 mil pessoas, entre militares e civis, trabalham para as Forças Armadas alemãs. Cerca de 13% do efetivo militar é composto por mulheres.
as/cn (ARD, AFP)
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| Short teaser | Entre 2021 e 2025, Forças Armadas Alemãs registram aumento anual das denúncias, que vão de assédio até agressão sexual. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/dois-mil-casos-suspeitos-de-conduta-sexual-imprópria-na-bundeswehr/a-79199789?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Foram registrados tanto casos em que membros da Bundeswehr teriam sido vítimas quanto aqueles em que foram acusados | ||
| Image source | Malin Wunderlich/dpa/picture alliance | ||
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| Item 32 | |||
| Id | 79191395 | ||
| Date | 2026-09-08 | ||
| Title | Polícia alemã prende suspeito de sabotagens à rede elétrica | ||
| Short title | Polícia alemã prende suspeito de sabotagens à rede elétrica | ||
| Teaser |
Homem de 48 anos é acusado de atentar contra instalações de energia em três estados alemães, em protesto contra combustíveis fósseis. Ministro fala em "terrorismo climático".A polícia alemã prendeu nesta terça-feira (08/09) um homem de 48 anos suspeito de ser o responsável por uma série de atos de sabotagem contra a rede elétrica do país, informaram a polícia e a promotoria.
O suspeito, identificado como Daniel V., em conformidade com as leis alemãs de privacidade, foi detido perto de Weisweiler, a cerca de 50 quilômetros a oeste de Colônia. A apreensão do homem encerrou uma busca que iniciada após as autoridades receberem cartas reivindicando a responsabilidade por ataques a subestações de energia elétrica em três estados alemães.
Na sexta-feira, policiais encontraram explosivos em seu apartamento em Gevelsberg, na região sul da região do Ruhr.
Mais tarde, uma unidade de operações especiais invadiu um caminhão em Niederzier, perto da mina a céu aberto de Hambach, que parecia ter sido convertido em uma van adaptada para camping, onde havia mais cargas explosivas, as quais foram examinadas por especialistas em desativação de bombas.
Os policiais também encontraram uma barraca repleta de explosivos. Os investigadores permaneceram no local coletando evidências e verificando se outros dispositivos haviam sido instalados nas proximidades.
Quais são as acusações?
Daniel V. é acusado de tentar lançar fios finos sobre de linhas de transmissão de alta tensão usando foguetes caseiros em vários locais nos estados da Renânia do Norte-Vestfália, Brandemburgo e Saxônia, com o objetivo de provocar curtos-circuitos.
Em pelo menos dois casos, o plano aparentemente teve sucesso. Em Bergheim, a oeste de Colônia, um curto-circuito paralisou várias unidades de uma usina elétrica por alguns dias. Em Brandemburgo, ocorreram dois curtos-circuitos na subestação Turnow-Preilack, perto da usina de carvão de Jänschwalde, onde as linhas de transmissão de uma subestação foram atacadas. Os investigadores encontraram diversos artefatos explosivos improvisados, alguns dos quais não funcionaram.
Nesses incidentes, mais de 20 foguetes caseiros teriam disparado material condutor contra as linhas de transmissão de alta tensão. No entanto, nenhum dos incidentes resultou em queda de energia.
Somente na Saxônia, 21 dispositivos explosivos foram descobertos nas imediações de linhas de transmissão de alta tensão e desativados por forças especiais da polícia.
Os investigadores consideram autênticas as cartas reivindicando a autoria dos atos de sabotagem. O ministro alemão do Interior, Alexander Dobrindt, afirmou que "o conhecimento revelado nessas cartas é um claro conhecimento de autor do crime".
Daviel V. justificava os ataques à rede elétrica como parte de uma luta contra os combustíveis fósseis. "Gerar eletricidade a partir de combustíveis fósseis é um crime", afirmam as cartas. Os estados que foram alvos dos ataques exploram linhito para a geração de energia elétrica. Dobrindt descreveu os atos como um claro "terrorismo climático" cometido por um único indivíduo.
Como a polícia chegou ao suspeito
De acordo com a polícia de Brandemburgo, a promotoria da cidade de Cottbus investiga o caso sob suspeita de causar uma explosão e interromper serviços públicos. O Tribunal Distrital de Cottbus emitiu o mandado de prisão na última sexta-feira. No sábado, a polícia divulgou um alerta de busca com duas fotos do suspeito. Eles também procuravam uma bicicleta que ele poderia ter utilizado.
Foram realizadas diversas operações de grande escala. No domingo, policiais vasculharam a floresta de Hambach, perto de Colônia, mas nenhum vestígio do homem foi encontrado. Nesta segunda-feira, houve uma grande operação na região de Remscheid-Wuppertal e em Wesel, no Baixo Reno, próximo a subestações.
Uma equipe de investigação de 60 membros analisou uma extensa documentação pertencente ao homem procurado, em busca de outros possíveis locais de crime em toda a Alemanha.
Nesta segunda-feira, vários outros dispositivos de lançamento de foguetes foram descobertos em uma linha de transmissão de alta tensão próximo à usina elétrica de Weisweiler – muito perto de onde a polícia conseguiu prender o suspeito. Os investigadores também encontraram outra carta reivindicando a autoria do atentado no local.
Segundo informações da agência alemã de notícias DPA, o suspeito chamou a atenção da polícia perto da usina elétrica de Weisweiler, nas proximidades de Aachen. O homem de 48 anos, que portava explosivos, não resistiu à prisão.
A polícia informou que seus agentes coletaram vestígios e evidências no local e verificaram se havia ainda outros dispositivos de lançamento instalados na área.
Alemanha vive aumento dos atos de sabotagem
A Alemanha tem sido alvo de vários ataques e atos de sabotagem à infraestrutura crítica. Em janeiro, cerca de 45 mil residências e mais de 2 mil empresas em Berlim ficaram sem energia elétrica durante dias após um ataque a uma subestação de energia atribuído a extremistas de esquerda:
A guerra na Ucrânia elevou o número de atos de espionagem e sabotagem atribuídos à Rússia, como a tentativa de ataque com drone no aeroporto de Leipzig/Halle, no leste do país, ocorrida no início de agosto.
O ministro Dobrindt disse recentemente que esse tipo de ataque se tornou uma ameaça diária para o país. "Não estamos em guerra, mas somos alvo diário de guerra híbrida."
rc/md (Reuters, DPA)
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| Short teaser | Homem preso com explosivos é acusado de atentar contra instalações de energia em protesto contra combustíveis fósseis. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/polícia-alemã-prende-suspeito-de-sabotagens-à-rede-elétrica/a-79191395?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Suspeito justificava supostos ataques à rede elétrica como parte de uma luta contra os combustíveis fósseis | ||
| Image source | Frank Hammerschmidt/dpa/picture alliance | ||
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| Item 33 | |||
| Id | 79190252 | ||
| Date | 2026-09-08 | ||
| Title | Ladrões levam obras de Renoir de museu no sul da França | ||
| Short title | Ladrões levam obras de Renoir de museu no sul da França | ||
| Teaser |
Autores do crime roubam quatro pinturas, mas acabam abandonando duas na fuga, em nova investida contra objetos valiosos expostos em museus do país.Ladrões roubaram nesta terça-feira (08/09) quatro quadros do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir de um pequeno museu na Riviera Francesa, mas abandonaram duas delas na fuga, disseram autoridades locais.
O roubo ocorreu num museuinstalado numa mansão situada nas colinas de Cagnes-sur-Mer, perto de Nice, no sudeste da França, onde Renoir (1841-1919) viveu seus últimos anos.
A ação aconteceu pouco antes das 6h (horário local). Os autores do crime parecem ter aproveitado uma troca de turno para escapar à vigilância dos guardas, o que sugere que haviam escolhido especificamente aquele momento.
Segundo o prefeito local, a ação durou menos de cinco minutos. Ele relatou que os ladrões se assustaram com o alarme do museu e as sirenes da polícia e fugiram antes da chegada dos policiais.
Quatro obras roubadas
O prefeito disse que o grupo parecia estar bem equipado e bem informado. "Eles tinham uma serra para metal e cortaram os suportes que mantinham as molduras das obras de Renoir", detalhou. Imagens de câmeras de monitoramento mostram a presença de dois indivíduos no interior do museu.
Nada menos que quatro obras foram roubadas do conjunto de 12 pinturas originais do Museu Renoir: Retrato de Madame Stephen Pichon, Madame Colonna Romano, Coco lendo e uma obra inacabada, Jovem mulher junto ao poço.
A primeira delas não foi levada para muito longe: ela foi encontrada no jardim que cerca o museu. Mais tarde, ainda pela manhã, surgiu uma boa notícia: os ladrões haviam deixado para trás uma segunda pintura. Tratava-se de Coco lendo, um retrato mundialmente famoso do filho de Renoir.
Pintores no sul da França
Além do mobiliário original, o museu em Cagnes-sur-Mer, criado em 1960, expõe objetos que pertenceram a Renoir, incluindo seu cavalete e sua cadeira de rodas, bem como cerca de uma dúzia de pinturas originais, entre retratos, paisagens e nus, de acordo com o site do museu.
Atraídos pela luz, pelas paisagens e pela suavidade do clima mediterrâneo, diversos grandes artistas se estabeleceram no sul da França desde o final do século 19, encontrando ali inspiração. Entre eles estão Henri Matisse e Marc Chagall, em Nice, e Pablo Picasso, em Antibes e Vallauris.
Segurança em museus
O roubo em Cagnes-sur-Mer ocorreu quase um ano depois de uma ação semelhante no Museu do Louvre, no centro de Paris.
Em poucos minutos, oito joias da Coroa da França desapareceram, incluindo o diadema da Imperatriz Eugênia, recuperado mais tarde bastante danificado. O prejuízo foi estimado em 88 milhões de euros, segundo o Louvre.
Depois disso, o Ministério da Cultura francês transformou a segurança dos museus numa prioridade. No final de julho, um colar de ouro pertencente ao Tesouro de Vix – datado da época celta e enterrado há 2500 anos na Borgonha, no leste de França – foi roubado em plena manhã de um museu em Châtillon-sur-Seine, local que já tinha sido alvo de duas tentativas de roubo.
No início de julho, a norte de Estrasburgo (leste), ladrões levaram também peças de joalharia do Museu Lalique, em Wingen-sur-Moder. O prejuízo estimado foi superior a 4,5 milhões de euros.
Num plano de 33 medidas divulgado em julho, o Ministério da Cultura recomendou, entre outras ações, a retirada temporária de determinadas peças das exposições dos museus. O objetivo é "guardar, em locais adequados os objetos mais vulneráveis, enquanto se aguarda o reforço da segurança", explicou o ministério.
as/md (AFP, EFE, AP)
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| Short teaser | Autores do crime roubam quatro pinturas, mas acabam abandonando duas na fuga. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ladrões-levam-obras-de-renoir-de-museu-no-sul-da-frança/a-79190252?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Criado em 1960, o museu em Cagnes-sur-Mer fica na mansão em que Renoir viveu seus últimos anos | ||
| Image source | Johanna Hoelzl/picture alliance | ||
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| Item 34 | |||
| Id | 79156698 | ||
| Date | 2026-09-08 | ||
| Title | Vitória da AfD na Saxônia-Anhalt preocupa setor empresarial alemão | ||
| Short title | Vitória da AfD na Saxônia-Anhalt preocupa setor empresarial | ||
| Teaser |
Associações expressam temor de que profissionais estrangeiros evitem ou até mesmo deixem o estado e lembram que Alemanha depende do mercado da UE.Após o sucesso eleitoral do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) no estado alemão da Saxônia-Anhalt, associações empresariais da Alemanha alertaram para as possíveis consequências de um governo estadual liderado pelo partido, que naquele estado é considerado, pelas autoridades locais de vigilância da Constituição, como sendo comprovadamente extremista de direita.
A associação comercial HDE afirmou que a economia depende do mercado interno da União Europeia (UE) e da livre circulação de pessoas. "Uma política de isolamento e exclusão é o caminho errado", afirmou o presidente da HDE, Alexander von Preen. Ele lembrou que a situação econômica da Alemanha não é boa. Porém, está enganado quem acredita que a melhor maneira para resolver os problemas é agir de forma isolada como nação.
A Associação Econômica da Baviera (VBW) destacou que o resultado eleitoral deve servir de alerta para todos. Os custos do trabalho e da energia precisam ser reduzidos, assim como a burocracia. "A AfD causa enormes prejuízos às empresas na Alemanha."
Já o candidato a governador da AfD, Ulrich Siegmund, minimizou nesta segunda-feira (07/09), após a vitória eleitoral, os alertas sobre uma possível queda nos investimentos na Saxônia-Anhalt. "Há muitas ofertas e conversas concretas com empresários que vêm ocorrendo há vários meses", declarou.
Escassez de mão de obra qualificada
O que mais preocupa as associações empresariais alemãs é a escassez de profissionais qualificados devido à possível redução da imigração de trabalhadores, conforme explicaram a associação comercial HDE e a associação dos fabricantes de máquinas industriais (VDMA).
O comércio varejista, por exemplo, depende da imigração para suprir suas necessidades de pessoal, salientou Von Preen. "As eleições na Saxônia-Anhalt foram acompanhadas internacionalmente com grande atenção", declarou. "Temo um grande prejuízo para a Alemanha como local de negócios se profissionais qualificados do exterior passarem a evitar o país por receio de vir para cá."
A VDMA ressaltou que a Saxônia-Anhalt já possui a estrutura populacional mais envelhecida da Alemanha. "Dentro de nove anos, haverá cerca de 12% menos pessoas economicamente ativas disponíveis para o mercado de trabalho."
Garantir mão de obra qualificada também do exterior não é apenas uma questão de longo prazo, mas uma necessidade urgente para assegurar a competitividade da região. "Muitas vagas abertas devido a aposentadorias já não podem ser preenchidas hoje, ou apenas com atraso. A atração de profissionais qualificados do exterior não é apenas uma questão para o futuro, mas uma tarefa urgente para garantir a permanência das empresas na região."
Prejuízos para a Saxônia-Anhalt
O economista Wido Geis-Thöne, do instituto econômico IW, avaliou que o principal prejudicado por uma política hostil à migração seria o próprio estado. "A Saxônia-Anhalt se tornaria significativamente menos atraente para profissionais estrangeiros qualificados, independentemente de haver ou não mudanças jurídicas efetivas para eles."
O presidente do instituto econômico DIW, Marcel Fratzscher, acrescentou que um governo estadual controverso ou fraco, somado à polarização da campanha eleitoral, provavelmente vai acelerar a saída de pessoas e empresas da Saxônia-Anhalt, "piorando significativamente a situação econômica do estado."
Para o diretor do instituto econômico HWWI, Michael Berlemann, os efeitos indiretos da política antimigratória anunciada pela AfD são particularmente problemáticos. As medidas propostas fariam com que "muitos profissionais qualificados, especialmente necessários nas áreas de saúde e assistência, gastronomia e turismo, indústria alimentícia, agricultura, construção civil e logística, passassem a evitar o estado."
Isso agravaria ainda mais a escassez de mão de obra qualificada e ampliaria a defasagem econômica da Saxônia-Anhalt, disse.
Transição energética
A presidente da associação das energias renováveis, Ursula Heinen-Esser, considera que a transição energética estaria "seriamente ameaçada" caso a AfD participasse do governo estadual, que ainda não está definido. "O que está claro, porém, é que quem frear esse setor econômico dificultará investimentos futuros e colocará em risco empregos e prosperidade."
A AfD defende reverter a transição energética na Saxônia-Anhalt com propostas como bloquear a expansão da energia eólica, retornar à energia nuclear e manter a geração de energia a partir do carvão.
Mas economistas dizem que a Saxônia-Anhalt é atraente para investidores devido à alta participação das energias renováveis na geração de energia. A Saxônia-Anhalt e o estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, também no Leste Alemão, são líderes em energias renováveis na Alemanha. Segundo dados oficiais, mais de 60% da eletricidade gerada na Saxônia-Anhalt provém dessas fontes. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o percentual é ainda maior, ultrapassando os 80%. Assim, ambos os estados estão bem acima da média nacional, de 53,3%.
Para o diretor-geral da associação das empresas certificadoras TÜV, Joachim Bühler, a votação da AfD na Saxônia-Anhalt não altera o fato de que "políticas ambientais e climáticas modernas, a transição para novos sistemas de propulsão, energias renováveis e tecnologias digitais são o futuro da Alemanha e da Saxônia-Anhalt".
Levar as reformas adiante
A VDMA classificou o resultado eleitoral como alarmante e afirmou que ele representa um claro chamado à ação para o governo federal, formado pelas conservadoras União Democrata-Cristã (CDU) e União Social-Cristã (CSU) e pelo Partido Social-Democrata (SPD). O governo deve finalmente implementar as reformas planejadas e colocar a competitividade da Alemanha em primeiro lugar.
Também Fratzscher, do DIW, declarou que o resultado da eleição foi "sobretudo um voto de desconfiança contra o governo federal". Como consequência, "o governo deve mudar de rumo e implementar reformas estruturais profundas em áreas como subsídios, burocracia, impostos, sistema de seguridade social e política europeia".
A diretora-executiva da Federação das Indústrias Alemãs (BDI), Tanja Gönner, compartilha dessa visão. Após a eleição estadual, ela pediu ao governo federal mais determinação na sua política de reformas. "A resposta a este resultado eleitoral não pode ser a paralisação política em nível federal."
Segundo ela, o governo deve implementar e ampliar de forma consistente uma agenda de reformas voltada para mais investimentos, inovação e crescimento, pois "as receitas dos partidos radicais são inadequadas para isso". O centro político precisa demonstrar capacidade de ação. É necessária uma política orientada para competitividade e crescimento tanto nos estados quanto no governo federal. Um resultado eleitoral estadual não deve desviar a atenção desse objetivo, destacou.
A coalizão entre CDU/CSU e SPD planeja mudanças amplas nas áreas de saúde e assistência social, no sistema previdenciário e também uma reforma do imposto de renda.
as/cn (Reuters, AFP, DPA)
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| Short teaser | Associações empresariais expressam temor de que profissionais estrangeiros evitem ou até mesmo deixem o estado. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/vitória-da-afd-na-saxônia-anhalt-preocupa-setor-empresarial-alemão/a-79156698?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Siegmund, da AfD, minimizou, após a vitória eleitoral, os alertas sobre uma possível queda nos investimentos na Saxônia-Anhalt | ||
| Image source | Michael Kappeler/dpa/picture alliance | ||
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| Item 35 | |||
| Id | 79149548 | ||
| Date | 2026-09-07 | ||
| Title | Como a Coreia do Norte vem dominando o futebol feminino de base | ||
| Short title | Como as norte-coreanas vêm dominando o futebol de base | ||
| Teaser |
Jovens jogadoras norte-coreanas chegam à Copa do Mundo sub-20 na Polônia como atuais campeãs. O título de 2024 foi o terceiro da equipe. O que explica o bom desempenho do time na modalidade? Há um ano, a seleção feminina de futebol da Coreia do Norte defendeu com sucesso seu título da Copa do Mundo sub-17, após vencer a Holanda por 3 a 0 no Marrocos. Foi a quarta vez que o país conquistou a competição. Agora, a seleção sub-20 do país chega à Copa do Mundo na Polônia como atual campeã, tendo conquistado seu terceiro título mundial em 2024. As jogadoras norte-coreanas consolidaram de maneira indubitável seu status como a força dominante no futebol feminino de base. Mas o que faz com que um Estado que, segundo as Nações Unidas, "não tem paralelo no mundo contemporâneo" seja tão bom no futebol de base? "O esporte internacional é uma das poucas formas de demonstrar sua soberania, existência e identidade à comunidade internacional; portanto, esse tipo de sucesso é, do ponto de vista deles, uma oportunidade importante para exibir a bandeira nacional diante do público internacional", explicou à DW o Dr. Jung Woo Lee, professor sênior de Políticas de Esporte e Lazer da Universidade de Edimburgo. "Ao mesmo tempo, internamente, a Coreia do Norte frequentemente utiliza o esporte como ferramenta de propaganda para glorificar seus líderes e exaltar a grandeza do país." Estratégia clara e conscienteO futebol é popular no país, mas, reconhecendo que é muito mais difícil superar a diferença de nível para a elite no futebol profissional adulto do que nas categorias de base, os líderes norte-coreanos voltaram sua atenção para o futebol feminino de base, onde essa lacuna é mais administrável. É também por isso que esse sucesso não se traduziu em benefícios para a seleção principal ao longo dos anos. Essa estratégia não busca promover um desenvolvimento de longo prazo; o objetivo é vencer. "A diferença entre clubes consolidados e clubes em desenvolvimento também é grande porque, em muitos países europeus, existem ligas profissionais e os clubes recebem mais apoio de diversas partes interessadas", afirmou Lee. "No futebol de base, acredito que as organizações esportivas europeias enfatizam mais a diversão ao jogar. Já na Coreia do Norte, mesmo aos 13 ou 14 anos, os jovens ingressam em regimes de treinamento extremamente disciplinados, sistemáticos e profissionalizados, o que lhes permite se destacar desde cedo." No Marrocos, a seleção norte-coreana sub-17 sofreu apenas três gols em todo o torneio e marcou três ou mais gols em quatro partidas. Esse desempenho deu continuidade à boa fase da equipe, em 2024, por exemplo, a seleção feminina sub-20 não apenas goleou a Argentina por 6 a 2, como também conquistou três vitórias consecutivas por 1 a 0, das quartas de final em diante, para se sagrar campeã do torneio. Com o apoio da Escola Internacional de Futebol de Pyongyang – onde as jovens são selecionadas, desenvolvidas e educadas segundo uma abordagem altamente disciplinada e científica –, a Coreia do Norte identificou uma oportunidade e soube apriveitá-la. Propaganda do regime e privilégiosAos olhos da Coreia do Norte, isso também representa uma vitória para o próprio Estado. "É preciso lembrar que a Coreia do Norte ainda mantém um regime socialista e comunista muito forte", explicou Lee. "Especialmente sob o comando de Kim Jong-un [ditador norte-coreano], eles tentam comparar os regimes capitalista e comunista, apresentando o regime comunista como superior. Além disso, ao observar a cobertura sobre o desempenho esportivo norte-coreano na imprensa do país, é possível notar uma ênfase no fato de que, por estarem sob um regime comunista, os atletas fazem o que for preciso, mesmo quando estão fisicamente exaustos. "Eles comparam diretamente essa mentalidade com a dos países capitalistas. No capitalismo, quando os atletas estão fisicamente exaustos ou lesionados, não há como continuar competindo; eles precisam ser substituídos pelo técnico. Mas, nos sistemas socialistas, a força de vontade é mais importante do que a opinião profissional do técnico ou da equipe médica. Dessa forma, a Coreia do Norte apresenta esse modelo como um sistema superior." Esse fator psicológico parece ter conferido uma vantagem à equipe, mas, além do forte sentimento de patriotismo e de anos de trabalho disciplinado, há também a perspectiva de recompensas capazes de transformar vidas "Embora muitas vezes vejamos a Coreia do Norte como um país bastante subdesenvolvido, essencialmente agrícola e com uma população que enfrenta privações, a realidade de quem vive em Pyongyang é bem diferente. Essas pessoas são, de certa forma, privilegiadas", explicou Lee. Como incentivo, segundo ele, o regime pode conceder às jogadoras que vivem fora da capital certificados de residência, documento necessário para residir em Pyongyang. Além disso, muitos atletas recebem apartamentos. Essa motivação não deve ser subestimada. A vida nas áreas rurais da Coreia do Norte é dura, com relatos frequentes de escassez de alimentos e de assistência médica precária. Viver na cidade grande é uma realidade bem diferente. "É uma maneira de mudar de vida. É como ganhar na loteria, de certa forma", explicou Lee. O que vem a seguir para as campeãs?Para jogadoras de destaque como Yu Jong-hyang, artilheira da Copa do Mundo sub-17 de 2025, ou Choe Il-son, peça-chave nas conquistas das Copas do Mundo sub-17 e sub-20 em 2024, a reação imediata é imaginar qual time da WSL (primeira divisão do futebol inglês feminino) ou da NWSL (primeira divisão dos EUA) tentará contratá-las; no entanto, isso seria ignorar o contexto em que elas vivem e jogam. "Não acho impossível, mas também não é tão simples", disse Lee sobre a possibilidade de qualquer uma dessas atletas de destaque jogar no exterior. "Antes de tudo, há as sanções econômicas impostas à Coreia do Norte", observou. Além disso, houve alguns casos em que jogadoras norte-coreanas ingressaram em uma liga europeia de basquete, mas "o salário não era enviado para a conta pessoal da atleta ou do agente, mas sim para uma conta do governo norte-coreano; então, acredito que esse seja mais um fator de complexidade". Embora muito sobre essas equipes – assim como sobre o país – permaneça envolto em mistério, é inegável que o sucesso nas categorias de base sempre fez parte do plano. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Jogadoras norte-coreanas chegam à Copa do Mundo sub-20 como atuais campeãs, após a conquista do terceiro título em 2024. | ||
| Author | Jonathan Harding | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-a-coreia-do-norte-vem-dominando-o-futebol-feminino-de-base/a-79149548?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 36 | |||
| Id | 79048286 | ||
| Date | 2026-09-05 | ||
| Title | Justiça argentina manda restituir pintura saqueada pelos nazistas | ||
| Short title | Juiz argentino manda restituir quadro roubado pelos nazistas | ||
| Teaser |
Quadro do século 18 localizado por acaso na residência da filha de um antigo oficial nazista que fugiu para a Argentina será devolvido para herdeira de galerista judeu que teve coleção saqueada durante a guerra.A Justiça argentina ordenou na sexta-feira (04/09) que um quadro saqueado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e encontrado décadas depois numa residência país sul-americano seja restituído para a herdeira de um galerista judeu holandês.
A obra fazia parte da coleção do comerciante judeu Jacques Goudstikker, falecido em 1940 enquanto fugia dos nazistas. As mais de 1.100 peças da galeria dele em Amsterdã, incluindo obras de Rembrandt e Vermeer, foram compradas por valores muito inferiores ao real por altos funcionários do regime nazista.
Após permanecer décadas desaparecida, a pintura foi localizada acidentalmente na Argentina, numa residência que pertence a Patricia Kadgien, filha de Friedrich Gustav Kadgien, um oficial funcionário administrativo nazista que trabalhava diretamente sob as ordens do marechal Hermann Göring, o n° 2 do Terceiro Reich e que notoriamente montou uma vasta coleção de obras de arte saqueadas de famílias judias.
Após a guerra, Friedrich Gustav Kadgien, fugiu para a América do Sul junto com um ex-funcionário nazista chamado Ludwig Haupt. Aparentemente, a dupla chegou carregando fortunas. Nas décadas seguintes, os doisforam sócios de diversas empreitadas empresariais na Agentina e no Brasil, com Friedrich Kadgien se estabelecendo permanentemente em Buenos Aires, e Haupt, no Rio de Janeiro. Ambos morreram na década de 1970.
Pintura desaparecida
Em agosto de 2025, a história obscura de Friedrich Kadgien ressurgiu na imprensa internacional de forma acidental, graças a um anúncio imobiliário. Jornalistas holandeses notaram que fotografias de um imóvel à venda em Mar del Plata, na Argentina, mostravam uma antiga pintura. A propriedade estava registrada em nome de uma filha de Friedrich Kadgien.
Tudo indicava que se tratava de uma obra do século 18 que constava num banco de dados holandês de obras saqueadas durante a ocupação nazista do país.
A pintura, chamada Retrato de uma Dama, pertenceu originalmente ao negociante de arte judeu Jacques Goudstikker e fazia parte de uma vasta coleção levada para a Alemanha nazista, após ser adquirida por representantes do marechal Göring por uma fração do seu preço numa negociação sob coação.
Em 2006, o governo holandês devolveu para Marei von Saher, de 82 anos, uma herdeira de Goudstikker, 202 pinturas, mas centenas de outras permanecem desaparecidas ou em poder de museus que resistem em devolvê-las.
Ainda não se sabe quais foram as circunstâncias que levaram a pintura a parar nas mãos da família Kadgien. Após a presença da pintura na residência de Mar del Plata ser revelada, policiais foram ao local, mas a obra havia desaparecido novamente. Uma filha de Kadgien, chamada Patricia, de 59 anos, e seu marido foram detidos e, um dia depois, concordaram em entregar a obra.
Restituição
O juiz federal Santiago Inchausti informou nesta semana que "será ordenada a restituição do quadro à herdeira", segundo um acordo entre as partes, um ano depois da eclosão do caso.
Patricia Kadgien e seu marido, Juan Carlos Cortegoso, tinham sido acusados de acobertamento e chegaram a ser colocados em prisão domiciliar depois que o jornal holandês AD identificou a obra em uma foto na qual o quadro aparecia sobre um sofá verde.
Retrato de uma Dama foi identificada como sendo italiano Giacomo Ceruti (1698-1767), e não uma tela do retratista Giuseppe Ghislandi, um artista do mesmo período, como foi informado inicialmente, indicaram autoridades argentinas em um comunicado.
O acordo com a Justiça argentina determina que o casal aceita devolver o quadro à nora e única herdeira de Goudstikker, Marei von Saher, e que não o reivindicará judicialmente.
"Os investigadores se comprometeram fundamentalmente à renúncia a todo o direito sobre o quadro, que será restituído à família do galerista", explicou o promotor federal Carlos Martínez.
A obra "está em bom estado de conservação e as perícias deram certeza da autenticidade", acrescentou o promotor.
Outras peças de arte apreendidas na residência "não têm valor histórico, a maioria era de réplicas e nos casos em que eram autênticas, não procediam do espólio e eram posteriores ao período da guerra, portanto foi acordada a devolução para a família", disse Martínez.
O acordo judicial também estabelece um pagamento de 4,8 milhões de pesos argentinos (aproximadamente 16.305 reais), que serão destinados em doação para hospitais locais.
O quadro está sob o resguardo da Suprema Corte argentina e ali os procuradores de Von Saher deverão iniciar os trâmites para que volte à família proprietária antes do espólio, segundo a investigação.
A princípio, a defesa judicial dos Kadgien tentou argumentar que o crime tinha prescrito. No entanto, os delitos enquadrados no contexto de um genocídio não prescrevem, segundo a legislação argentina e o direito internacional.
O quadro pode ter um destino transitório na Argentina em uma exposição a título de conscientização.
"A intenção da família é que seja exibido em Buenos Aires por pelo menos um ano", disse Guillermo Brady, advogado de Saher.
Embora ainda não tenha sido determinado onde e quando o quadro ficaria exposto ao público, Brady informou que "há conversas com o Museu do Holocausto, com o de Belas-Artes e com o Ministério de Relações Exteriores, que também lhes interessa".
jps (DW, AFP, ots)
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| Short teaser | Quadro localizado por acaso na residência da filha de um oficial nazista será devolvido para herdeira de galerista judeu | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/justiça-argentina-manda-restituir-pintura-saqueada-pelos-nazistas/a-79048286?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | A pintura "Retrato de uma Dama" em setembro de 2025, após ser apreendida por autoridades argentinas em Mar del Plata | ||
| Image source | Christian Heit/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 37 | |||
| Id | 79048253 | ||
| Date | 2026-09-05 | ||
| Title | O curioso museu alemão dedicado aos cães salsichinha | ||
| Short title | O curioso museu alemão dedicado aos cães salsichinha | ||
| Teaser |
Em Regensburg, cidade às margens do rio Danúbio, um museu dedicado ao dachshund atrai milhares de visitantes e celebra a história de uma das raças de cachorro mais famosas do país europeu.A Alemanha abriga um museu dedicado aos cães salsichinhas. Ele fica em Regensburg, na Baviera, cidade de mais de 2 mil anos às margens do rio Danúbio.
Quem visita o local encontra todo tipo de objeto relacionado aos dachshunds, raça de cachorro que também é conhecida na Alemanha como dackel ou teckel. O acervo reúne mais de 30 mil itens, entre eles papel higiênico, talheres, abridores de vinho, saleiros e bancos. Há representações da raça feitas de madeira, cerâmica, vidro e pelúcia.
Os fundadores do museu, os floristas Seppi Küblbeck e Oliver Storz, passaram mais de 20 anos colecionando objetos relacionados aos salsichinhas antes de decidir abrir o museu, em 2018.
Mas, desde a abertura, o acervo também é frequentemente atualizado com itens provenientes de doações vindas de várias partes do mundo. "No ano passado, uma senhora faleceu nos Estados Unidos e deixou em seu testamento que toda a sua coleção, com cerca de 800 peças, fosse doada ao Museu do Dachshund", conta Storz.
O museu recebe cerca de 35 mil visitantes humanos por ano. Somando os visitantes caninos, o número é ainda maior.
A colombiana Maria Camila Matta levou sua companheira, a salsichinha Cocolina, para acompanhar sua família na visita ao museu. "Tem Cocolinas por todo lado. É lindo", disse em entrevista à DW. "Eu não fazia ideia de que essa raça era tão famosa no mundo todo".
Símbolo alemão
A raça dachshund foi criada na Alemanha no século 15 para auxiliar na caça de texugos. O corpo alongado e as pernas curtas permitiam que os cães entrassem em tocas subterrâneas de difícil acesso. O nome da raça tem a ver com essa origem caçadora: em alemão, dachs é texugo, e hund significa cachorro.
Com o passar do tempo, os dackels ganharam popularidade e se transformaram em um dos símbolos da Alemanha, especialmente da região da Baviera.
O país chegou a adotar um salsichinha como mascote dos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. O cão Waldi, de cabeça e cauda azul-claras e um corpo listrado colorido, foi a primeira mascote oficial da história dos Jogos Olímpicos. O Ddchshund também apareceu nas competições: de acordo com o livro The Olympic Marathon (2000), o percurso da maratona olímpica de 1972 teve o formato de um cão salsicha.
Salsichinhas ilustres
Além da mascote olímpica, outros dachshunds famosos recebem destaque no museu. É o caso de Lump, salsichinha que aparece em obras do pintor espanhol Pablo Picasso. O cão pertencia originalmente ao fotógrafo americano David Douglas Duncan, mas viveu com Picasso por alguns anos nas décadas de 1950 e 1960.
Os salsichinhas também foram pets de aristocratas e monarcas. A rainha Vitória e o príncipe Albert teriam sido alguns dos primeiros a trazer exemplares da raça ao Reino Unido, e o cão Boy tem um retrato no acervo da família real.
Localização histórica
O Museu do Dachshund foi fundado na cidade bávara de Passau. Mas em 2023, o acervo se mudou para a região da cidade velha de Regensburg, que foi incluída em 2006 na lista de Patrimônios Mundiais da Unesco. A cidade foi um importante centro comercial e político do Sacro Império Romano-Germânico, e preserva até hoje exemplos da arquitetura medieval.
A instituição também promove passeios guiados por Regensburg que passam por locais da cidade ligados a cachorros. Em 2024, os donos do museu entraram para o Guinness World Records ao reunir quase 900 cães salsichinhas em um desfile pelas ruas da cidade.
O evento, porém, também gerou críticas de entidades de proteção animal contrárias à reprodução desses cães. A Alemanha possui uma lei que restringe a reprodução de animais com características físicas extremas capazes de causar dor ou sofrimento, caso de alguns tipos de dachshund. As patas curtas e o torso alongado característicos da raça podem causar problemas nas articulações e na coluna.
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Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
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| Short teaser | Em Regensburg, lugar atrai milhares de visitantes e celebra uma das raças de cachorro mais famosas do país europeu. | ||
| Author | Carla Menezes | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-curioso-museu-alemão-dedicado-aos-cães-salsichinha/a-79048253?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Acervo reúne mais de 30 mil itens. Há representações da raça feitas de madeira, cerâmica, vidro e pelúcia | ||
| Image source | Armin Weigel/dpa/picture alliance | ||
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| Item 38 | |||
| Id | 78881574 | ||
| Date | 2026-09-03 | ||
| Title | Despedida de Messi deixa Argentina "órfã" no futebol | ||
| Short title | Despedida de Messi deixa Argentina "órfã" no futebol | ||
| Teaser |
Herdeiro de Maradona conquistou torcedores sem teatralidade. Frustrações, quedas e tropeços acabaram por fazer dele um herói tardio.A despedida de Lionel Messi encerra uma era da Albiceleste, a seleção de futebol da Argentina. O jogador, que recebeu a camisa 10 das mãos de Diego Maradona em 2009, começou sendo comparado ao mito da Copa do Mundo de 1986. Hoje, ele deixa para trás uma carreira reconhecida como extraordinária.
Mas há discordâncias sobre o quanto ele pode ser, de fato, chamado de ídolo popular argentino, tal qual foi Maradona. Para o cientista político Vicente Palermo, Messi é "muito querido" no país, mas lhe faltam as características para cravar o título, já que ele manteve uma personalidade mais reservada.
"É uma pessoa tranquila, não politiza nem partidariza, leva uma vida normal," diz Palermo, fundador do Clube Político Argentino.
A antítese entre Maradona e Messi
Maradona era diferente. "Nele havia toda uma série de simbolismos nacionais, populares, rebeldes, resistentes, questionadores. No caso de Messi, porém, o valor que se destaca é sua qualidade futebolística", diz Pablo Alabarces, professor da Universidade de Buenos Aires (UBA) e um dos pioneiros da sociologia do esporte na América Latina.
"Messi não é um símbolo de identidade coletiva, mas é alguém muito admirado. É uma figura muito poderosa, que não substitui Maradona, e sim o complementa", acrescenta.
Palermo descreve o craque morto em 2020 como, ao mesmo tempo, um ídolo nacional e divisivo. Sua personalidade permitia que se tornasse uma figura política, cultural e identitária. Messi, em contrapartida, nunca pareceu interessado em representar nada além do futebol.
Isso pode até uma virtude, diz Palermo: "Ainda que em pequena medida, isso é bom para quem não compartilha do nacionalismo argentino, embora também se emocione quando a seleção vence".
Um herói tardio
A ausência de teatralidade foi durante anos justamente o problema de Messi para conquistar aceitação popular. Diante do campeão Maradona, "aquele astro, aquele Deus", era difícil competir, explica à DW Alejandro Wall, jornalista e coautor de um livro sobre o jogador que agora se aposenta.
Ele precisou medir forças com uma figura que não era apenas um jogador de futebol, mas uma construção coletiva da Argentina. Mas Messi acabou conquistando seu espaço não por imitar Maradona, mas sendo simplesmente ele mesmo.
Sua maior virtude, acrescenta Wall, foi construir sua trajetória suportando frustrações, quedas e tropeços. Perdeu finais, recebeu críticas, chegou a anunciar sua aposentadoria da seleção e voltou atrás. As vitórias posteriores não apagaram esse percurso, mas lhe deram um novo status.
"Messi não é um símbolo de identidade coletiva, mas é um herói, alguém muito admirado", ressalta Pablo Alabarces. "Tardiamente, porque demorou muito para se impor, pelo menos até a Copa de 2014 e, eu diria, principalmente até seu primeiro grande título, a Copa América de 2021. Ele era muito contestado pelos torcedores mais tradicionais. A admiração por ele cresceu impulsionada pelo peso de torcidas menos tradicionais, ou seja, mulheres e jovens."
Adeus sem alarde
Messi se despede por vontade própria, de forma discreta, sem se proclamar símbolo de nada. A carta que publicou em 31 de agosto de 2026 foi escrita, na verdade, em 21 de julho, dois dias depois da derrota para a Espanha na final da Copa do Mundo.
A recente morte de seu pai, explica o jogador, influenciou uma decisão que já havia amadurecido. "Doeu e dói na alma", escreve Messi na carta, na qual afirma sentir-se "vazio", garante que já não tem mais nada a oferecer e agradece pelos vinte anos vividos com a seleção. Ele encerra a mensagem agradecendo a Deus "por ter me feito argentino" e com um último "Vamos, Argentina!".
A relação com o país de origem ajuda a entender por que Messi acabou sendo aceito como um dos seus, apesar de ter deixado a Argentina aos 13 anos. "Ele jamais perdeu o sotaque", recorda Wall," e fala como alguém de Rosário até hoje."
O luto público foi intenso: políticos, atores, jornalistas, filósofos e personalidades da televisão argentina vieram a público para se despedir do jogador. Wall percebe "uma espécie de orfandade futebolística", em que Messi já faz parte de uma memória compartilhada por milhões de pessoas.
A pergunta que fica agora, diz o especialista, é quem vestirá a camisa 10, quem herdará a braçadeira de capitão e quem ocupará em campo um espaço que durante anos pareceu pertencer exclusivamente a Messi.
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| Short teaser | Herdeiro de Maradona conquistou torcedores sem teatralidade e acabou virando um herói tardio. | ||
| Author | María Santacecilia | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/despedida-de-messi-deixa-argentina-órfã-no-futebol/a-78881574?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/77962994_354.jpg
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| Image caption | Messi jogou a última Copa do Mundo em 2026 | ||
| Image source | Brett Davis/IMAGN Images/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77962994_354.jpg&title=Despedida%20de%20Messi%20deixa%20Argentina%20%22%C3%B3rf%C3%A3%22%20no%20futebol | ||
| Item 39 | |||
| Id | 78472005 | ||
| Date | 2026-08-22 | ||
| Title | Violência marca clássico da Copa da Alemanha e deixa mais de 80 feridos | ||
| Short title | Briga em jogo da Copa da Alemanha deixa mais de 80 feridos | ||
| Teaser |
Partida entre Waldhof Mannheim e Kaiserslautern foi interrompido após invasão de campo, uso de sinalizadores e intervenção policial. Entre os feridos estão 35 policiais. A partida entre Waldhof Mannheim e Kaiserslautern pela primeira fase da Copa da Alemanha foi ofuscada por graves confrontos entre torcedores, que deixaram ao menos 85 feridos, incluindo 35 policiais, no estádio Carl-Benz, em Mannheim. O jogo, disputado na noite de sexta-feira (21/08), reuniu cerca de 23.500 espectadores, entre eles 3.500 torcedores visitantes. Desde os primeiros minutos, o ambiente foi marcado pelo uso frequente de artefatos pirotécnicos nas arquibancadas, obrigando o árbitro a interromper a partida ainda no início. A situação se agravou após o fim do tempo regulamentar, encerrado em 0 a 0. Depois de uma discussão entre jogadores em campo, torcedores do Kaiserslautern lançaram foguetes em direção a setores do estádio. Em seguida, parte da torcida do Mannheim invadiu o gramado, enquanto sinalizadores e rojões continuavam sendo disparados. Diante da escalada da violência, a polícia entrou em ação com agentes a pé, cavalaria, cães e spray de pimenta. O início da prorrogação foi adiado, e a partida chegou a correr risco de ser interrompida definitivamente. Um incêndio de pequenas proporções provocado por um sinalizador no setor visitante também precisou ser controlado pelos bombeiros. Oito pessoas encaminhadas ao hositalSegundo a polícia, 85 pessoas receberam atendimento médico e oito foram levadas a hospitais com ferimentos considerados leves. As autoridades informaram ainda que abriram investigações por suspeita de agressão, danos ao patrimônio, perturbação da ordem pública, ataque a agentes de segurança e violações da legislação sobre explosivos. Após cerca de meia hora de atraso, a partida foi retomada. O Kaiserslautern garantiu a classificação para a segunda fase da Copa da Alemanha com um gol marcado no último minuto da prorrogação, vencendo por 1 a 0. O confronto já havia sido classificado pelas autoridades como um jogo de alto risco devido à histórica rivalidade entre as duas torcidas. Cerca de 1.400 agentes de segurança foram mobilizados para a operação. As duas cidades ficam no oeste da Alemanha, separadas por cerca de 50 quilômetros. As cenas de violência provocaram forte reação política. O secretário do Interior do estado de Baden-Württemberg, Manuel Hagel, afirmou que quem usa o futebol como palco para atos violentos "não é torcedor, mas criminoso". le (dpa, sid, efe) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Duelo entre Waldhof Mannheim e Kaiserslautern foi interrompido após invasão de campo. Entre os feridos, há 35 policiais. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/violência-marca-clássico-da-copa-da-alemanha-e-deixa-mais-de-80-feridos/a-78472005?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Viol%C3%AAncia%20marca%20cl%C3%A1ssico%20da%20Copa%20da%20Alemanha%20e%20deixa%20mais%20de%2080%20feridos | ||
| Item 40 | |||
| Id | 78435457 | ||
| Date | 2026-08-20 | ||
| Title | Crises de ausência: a condição que faz Musiala, do Bayern, desmaiar em campo | ||
| Short title | A condição médica que faz Musiala desmaiar em campo | ||
| Teaser |
Um dos principais jogadores de futebol da Alemanha desmaiou em campo pela segunda vez em quatro dias, às vésperas do início da nova temporada. Ele revelou ter uma disfunção neurológica que causa apagões. O jogador do Bayern de Munique e da seleção alemã, Jamal Musiala, desmaiou durante uma partida de futebol pela segunda vez em quatro dias. Ele precisou de ajuda para sair de campo, visivelmente atordoado, apenas seis minutos após entrar no jogo vindo do banco de reservas na vitória de sua equipe por 4 a 2 em amistoso contra o Heidenheim, na terça-feira (18/08). Musiala já havia desmaiado de forma semelhante em uma partida contra o RB Leipzig alguns dias antes. Após o jogo contra o Heidenheim, Musiala explicou em uma postagem no Instagram que os apagões foram causados por uma disfunção neurológica conhecida como crises de ausência. "Fui diagnosticado com crises de ausência temporárias, breves, mas facilmente tratáveis, que são causadas por uma disfunção neurológica", escreveu ele na publicação, que recebeu apoio de muitos no mundo do futebol, incluindo o goleiro do Bayern, Manuel Neuer, e o ex-atacante da Alemanha e do Bayern, Thomas Müller. "Essas crises podem levar aos episódios recentes, como o contra o Leipzig ou agora em Heidenheim. Sei que parecem assustadoras à primeira vista, mas para mim, na verdade fazem parte do meu dia a dia. "Estou recebendo um excelente tratamento médico e estou muito otimista." O Bayern, minha família e meus amigos estão sempre ao meu lado, me apoiando nessa jornada." O que são crises de ausência?Anteriormente conhecidas como crises de "pequeno mal", as crises de ausência são divididas em dois tipos: típicas e atípicas. Ainda não está claro qual delas seria a de Musiala. Os casos típicos fazem com que a pessoa pare instantaneamente tudo o que está fazendo e pareça "desligar". Às vezes, seus olhos podem olhar para cima ou piscar. Elas duram entre 10 e 20 segundos e podem causar alguma confusão por alguns segundos depois, antes que a pessoa retorne ao seu estado normal. Os casos atípicos geralmente duram um pouco mais e também podem incluir movimentos de mastigação ou estalos com os lábios, movimentos com as mãos ou piscadas repetitivas. Ambas são um tipo de epilepsia e, de acordo com a Fundação de Epilepsia dos Estados Unidos, são causadas por "breve atividade elétrica anormal no cérebro de uma pessoa". Elas são mais comuns em crianças, mas podem ocorrer em adultos. Segundo a fundação, essas crises podem ocorrer por um longo tempo antes de serem diagnosticadas, dependendo do ambiente em que ocorrem. Algumas pessoas podem ter centenas de breves crises de ausência por dia. O tratamento geralmente não é necessário, mas existem medicamentos disponíveis para casos mais graves. A carreira de Musiala está em risco?O Bayern de Munique afirmou que as crises convulsivas não representam uma ameaça para a carreira de Musiala, mas parece evidente que desmaiar em campo será algo difícil de controlar se o problema não se resolver. Embora de natureza muito diferente, as crises convulsivas são mais um revés para um jogador que tem lutado contra problemas físicos nos últimos anos. Musiala, de 23 anos, quebrou a perna no Mundial de Clubes em julho passado e teve dificuldades para recuperar a forma física e o ritmo de jogo. Em março, ele sofreu uma lesão no tornozelo. Ele integrou a seleção alemã na Copa do Mundo em junho, mas pareceu fora de ritmo durante boa parte do torneio. Ele precisou de uma pequena cirurgia para remover uma placa de metal do pé, remanescente da operação na perna do ano passado. O que vem a seguir para Musiala e o Bayern?A temporada do Bayern começa neste sábado com a Supercopa da Alemanha, renomeada como Supercopa Franz Beckenbauer, em homenagem ao lendário jogador e técnico da seleção alemã. A partida normalmente coloca os campeões alemães contra os vencedores da Copa da Alemanha, mas, como o Bayern venceu ambas no ano passado, eles enfrentarão o vice-campeão da liga, Borussia Dortmund. Eles iniciam a defesa do título da Bundesliga na sexta-feira seguinte, 28 de agosto, contra o Stuttgart, em Munique. Não está claro se Musiala participará de alguma dessas partidas e como o Bayern e o jogador lidarão com as convulsões, mas Musiala permanece otimista. "Tem sido meu desejo pessoal assumir esse desafio e, com a aprovação dos neurologistas, continuar me concentrando no que mais me ajuda na minha recuperação: simplesmente viver minha vida cotidiana e continuar a perseguir minha paixão por jogar futebol", escreveu o jogador. "Assumi a responsabilidade por isso. No geral, me sinto muito positivo e estou no caminho certo. O que mais me ajuda nessa jornada é continuar buscando vitórias e títulos com meu time e o apoio incrível de vocês." -------- |
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| Short teaser | Jogadores que desmaiou pela 2ª vez em quatro dias afirmou ter uma disfunção neurológica que causa apagões. | ||
| Author | Matt Pearson | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/crises-de-ausência-a-condição-que-faz-musiala-do-bayern-desmaiar-em-campo/a-78435457?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Crises%20de%20aus%C3%AAncia%3A%20a%20condi%C3%A7%C3%A3o%20que%20faz%20Musiala%2C%20do%20Bayern%2C%20desmaiar%20em%20campo | ||
| Item 41 | |||
| Id | 78430206 | ||
| Date | 2026-08-20 | ||
| Title | Amanal Petros: de refugiado de guerra ao ouro europeu | ||
| Short title | Amanal Petros: de refugiado de guerra ao ouro europeu | ||
| Teaser |
Após perder o título mundial por apenas 0,03 segundo em 2025, corredor nascido na Eritreia e refugiado na Alemanha supera obstáculos pessoais e conquista seu primeiro grande título internacional na maratona. Na Praça Victoria, em Birmingham, envolto em uma bandeira da Alemanha, Amanal Petros exibia com orgulho sua medalha de ouro. Onze meses após perder por uma diferença mínima o título mundial em Tóquio, o corredor de 31 anos natural da Eritreia conquistou o primeiro grande título internacional da carreira. O atleta sagrou-se campeão da maratona no Campeonato Europeu de 2026 em Birmingham, no domingo (16/08). Depois de cerca de 25 quilômetros de prova, Petros aumentou o ritmo em uma subida e deixou para trás o grupo de líderes. Nenhum adversário conseguiu acompanhá-lo. Nos dois quilômetros finais, ele já podia saborear a vitória. Com o tempo de 2h09min11s, cruzou a linha de chegada estabelecendo o melhor desempenho já registrado por um maratonista em um Campeonato Europeu. "Meu objetivo era definir a prova cedo, e funcionou perfeitamente", afirmou Petros. Embora Pietro Riva tenha terminado apenas sete segundos atrás, o resultado final não traduz o amplo domínio de Petros ao longo da prova. "Eu tinha tudo sob controle", comemorou Petros. Problemas antes da corridaA vitória teve um sabor ainda mais especial tendo em vista os problemas enfrentados antes da competição. Por causa de dificuldades com a autorização eletrônica de entrada no Reino Unido, Petros só chegou a Birmingham no sábado, um dia antes da maratona. Segundo relatos da imprensa, houve entraves burocráticos relacionados ao visto eletrônico. "Demorou muito, foi horrível. Ficamos dois dias viajando de um lado para o outro", contou. A Federação Alemã de Atletismo ajudou a resolver a situação. No dia seguinte, o atleta encarou um percurso exigente, composto por oito voltas com subidas e inúmeras curvas. Durante meses, Petros treinou em altitude no Quênia para se preparar para a competição. "As 120 curvas e as subidas foram um enorme desafio", admitiu. Apesar da vitória, a prova deixou marcas físicas. "Dói tudo. Acho que preciso ir direto ao fisioterapeuta. Minhas articulações estão realmente doloridas". Após a conquista, Petros dedicou o ouro à mãe, que vive na região etíope de Tigré, a mais de 5 mil quilômetros de distância. "Ela é minha rainha e minha fonte de força. Quando penso nela, ganho nova energia e motivação. Ela é simplesmente a melhor". Da guerra à AlemanhaPetros nasceu em 1995 na cidade portuária de Assab, na Eritreia. Ainda criança, fugiu com a família da guerra entre Eritreia e Etiópia e cresceu em Tigré, no norte etíope. Desde os cinco anos trabalhava no campo e cuidava de animais. Aos 16 anos, deixou a Etiópia sozinho em busca de uma vida melhor. Chegou à Alemanha no início de 2012 como solicitante de asilo e foi acolhido inicialmente em Bielefeld. A mãe e as duas irmãs permaneceram em Tigré. No fim de 2021, durante os conflitos na região, ele ficou mais de dois meses sem conseguir contato com os familiares. "É muito difícil. Às vezes durmo mal e tenho pesadelos. Mas tento não perder a esperança", disse à DW na época. A corrida tornou-se um refúgio. "Se eu abandonasse o esporte, teria perdido tudo. Já perdi minha família e perderia também a última coisa que ainda tenho". Choque cultural e descoberta do talentoQuando chegou à Alemanha, Petros jogava futebol. Seu talento para a corrida chamou a atenção de um orientador, que o encaminhou para um clube de atletismo. Poucos meses depois, disputou sua primeira corrida oficial de 10 quilômetros e venceu com cerca de dois minutos e meio de vantagem. A adaptação à nova vida também trouxe desafios. "Aprender a língua foi difícil. Mas entender a mentalidade alemã foi ainda mais complicado", ressaltou. Uma das primeiras situações embaraçosas ocorreu em seu grupo de treinamento. Na Etiópia, é comum cumprimentar pessoas com um beijo no rosto, assim como no Brasil. Petros fez o mesmo com seus novos colegas alemães, que reagiram com surpresa. Ascensão ao topoNaturalizado alemão em 2015, Petros tornou-se posteriormente atleta das Forças Armadas alemãs. Inicialmente especializado em provas de pista e corridas de rua de longa distância, passou a focar na maratona. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, representou a Alemanha pela primeira vez nos 42,195 quilômetros. Nos anos seguintes, consolidou-se entre os melhores do mundo. Em dezembro de 2025, completou a Maratona de Valência em 2h04min03s, estabelecendo o recorde alemão. Em março de 2026, bateu outro recorde nacional ao correr a Meia Maratona de Berlim em 59min22s. O ouro perdido por 0,03 segundoO talento de Petros ficou evidente no Mundial de Tóquio, em setembro de 2025. A 350 metros da chegada, ele acelerou e entrou sozinho no estádio. Já parecia campeão mundial. Mas o tanzaniano Alphonce Simbu reagiu nos metros finais. Petros olhou para trás duas vezes durante o sprint decisivo, e Simbu conseguiu ultrapassá-lo praticamente sobre a linha de chegada. Ambos registraram o mesmo tempo oficial: 2h09min48s. O desempate veio na foto de chegada. Apenas três centésimos de segundo separaram Petros da medalha de ouro. "Como atleta profissional, preciso aceitar isso e seguir em frente", afirmou após a prova. Mesmo assim, conquistou a primeira medalha alemã em uma maratona masculina de campeonato mundial desde 1983. Em Tóquio, Petros também falou da mãe. Ele não a via há oito ou nove anos. Ela não pôde vê-lo cruzar a linha de chegada ao vivo, pois não havia eletricidade nem internet em seu vilarejo, contou. "Para mim, essa conquista é algo muito importante. Especialmente para a minha família, para a minha mãe", disse após a prova, ressaltando que gostaria de enviar a ela vídeos da corrida. "Espero conseguir trazê-la para a Alemanha para uma competição algum dia", mencionou na época. Sem foto de chegada desta vezOnze meses depois daquela derrota dolorosa, Petros finalmente alcançou o topo em Birmingham. Após a prata no Mundial de 2025 e o bronze europeu na meia maratona em 2024, o alemão subiu pela primeira vez ao lugar mais alto do pódio em uma grande competição internacional. "A prova foi terrível, terrivelmente difícil", resumiu. E como ele pretendia comemorar? "Com um pouco de vinho tinto vou me recuperar rapidamente", disse. E quanto seria "um pouco"? "Ah, uma, duas ou três taças", finalizou. (dpa, sid) -------- |
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| Short teaser | Refugiado da Eritreia, atleta supera adversidades e conquista o ouro europeu na maratona. | ||
| Author | Mathias Brück | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/amanal-petros-de-refugiado-de-guerra-ao-ouro-europeu/a-78430206?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Amanal%20Petros%3A%20de%20refugiado%20de%20guerra%20ao%20ouro%20europeu | ||
| Item 42 | |||
| Id | 78389495 | ||
| Date | 2026-08-16 | ||
| Title | Games de futebol criados com IA viralizam em todo o mundo | ||
| Short title | Games de futebol criados com IA viralizam em todo o mundo | ||
| Teaser |
Desenvolvedores sem experiência prévia em programação lançam games de sucesso com auxílio da inteligência artificial, em um mercado bilionário e cada vez mais competitivo. Uma nova geração de jogos de futebol para celular que combinam nostalgia, simulação e narrativas de carreira vem ganhando cada vez mais fôlego na Europa. Muitos deles têm algo mais em comum: foram criados com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial. A tendência ganhou força após o sucesso viral de 82–0, jogo de basquete em que os usuários montam um quinteto histórico da NBA a partir de combinações aleatórias de franquias e décadas. A partir dessa escalação, o sistema simula automaticamente uma temporada completa. O desafio é fechar o ano com 82 vitórias e nenhuma derrota. Inspirado no conceito, Deniz Sancar, profissional da publicidade e programador amador, criou o jogo 38-0-0. O jogo imita o modelo da NBA, mas para uma temporada de futebol. Em entrevista ao site Mobilegamer.biz, ele afirmou que, mesmo sem qualquer experiência prévia em desenvolvimento de software, desenvolveu o jogo em apenas uma noite com a ajuda de uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA) voltada à programação. Em junho, o título alcançou o primeiro lugar entre os jogos mais baixados da App Store no Reino Unido. Durante a Copa do Mundo, um desenvolvedor brasileiro também lançou um jogo similar para o torneio, o 7 a 0, que rapidamente viralizou entre usuários de todo o mundo. De um vídeo no TikTok para mais de um milhão de jogadoresOutro caso de sucesso é Destiny Eleven. Fã do Paris Saint-Germain e gerente de projetos, Maxence Pigne se inspirou em um jogo visto no TikTok que permitia simular a carreira de um jogador profissional de futebol. Após a Copa do Mundo de 2026, ele lançou sua própria versão, também desenvolvida com o auxílio da IA. O diferencial foi ampliar a proposta original, oferecendo mais possibilidades para a trajetória virtual dos atletas. Ao semanário francês Le Point, Pigne afirmou que a decisão de disponibilizar o jogo gratuitamente antes do previsto foi acertada. No fim de julho, o título já somava mais de um milhão de usuários e cerca de 14 milhões de carreiras criadas. O sucesso do título também inspirou versões em diferentes idiomas. Mercado de bilhõesOs jogos para smartphones evoluíram desde o lançamento do Snake, pela Nokia, em 1997. De acordo com a plataforma de inteligência de mercado Sensor Tower, cerca de 50 bilhões de jogos para dispositivos móveis foram baixados em 2025. As compras realizadas dentro dos aplicativos geraram 82 bilhões de dólares (cerca de R$ 428 bilhões). Na Alemanha, segundo a associação da indústria de games Game, o setor movimentou aproximadamente 3,12 bilhões de dólares (cerca de R$ 16 bilhões) no ano passado e reuniu 28,1 milhões de jogadores. "Isso mostra claramente que os jogos para celular na Alemanha deixaram de ser um nicho e se consolidaram como um segmento com forte capacidade de consumo", afirmou à DW Kyle Kuscu, presidente da Associação Alemã de Jogos para Celular. Segundo ele, o crescimento também tem impacto sobre os esportes eletrônicos. "A Alemanha possui uma ampla base de jogadores, e os games para celular representam a maior plataforma do país em número de usuários." Kuscu atribui parte do sucesso desses jogos à simplicidade da proposta. "Esses jogos atendem a uma necessidade humana básica: controle, otimização e imaginação em um formato muito compacto. Eles oferecem a sensação de ter tudo sob seu comando, de construir a equipe ideal ou a carreira perfeita, sem exigir uma longa curva de aprendizado ou controles complexos", disse. IA reduz custos, mas não garante sucessoEmbora a inteligência artificial já seja utilizada há anos na indústria de games, ferramentas mais avançadas e rápidas surgidas em 2026 tornaram o desenvolvimento ainda mais barato e acessível. Isso é especialmente relevante em um mercado marcado por margens apertadas e pelo modelo gratuito sustentado por compras dentro dos aplicativos. "É provável que a tendência de jogos menores, desenvolvidos mais rapidamente com apoio de IA, continue e até se intensifique. Mas não acredito que todos os casos de sucesso viral possam ser reproduzidos", afirmou Kuscu. Segundo ele, a inteligência artificial já desempenha papel importante em áreas como programação, prototipagem, pesquisa e automatização de tarefas repetitivas. Ao mesmo tempo, o especialista observa que ainda há ceticismo em relação à qualidade dos resultados, à dependência dessas ferramentas e às limitações criativas que elas podem impor. "Mesmo defendendo o uso da programação assistida por IA, o que realmente importa continua sendo a ideia e a execução final do jogo. E isso não vai mudar", afirmou. Viralização não garante sustentabilidadeManter o sucesso desses jogos continua sendo um desafio. O mercado global de games está cada vez mais competitivo, com um número crescente de equipes e estúdios lançando novos produtos. "O principal obstáculo já não é apenas produzir um jogo, mas sustentar um modelo de negócios viável", afirmou Kuscu. Segundo ele, os jogos para celular dependem fortemente da atenção dos usuários, da frequência de uso e, principalmente, das compras realizadas dentro dos aplicativos. "Um lançamento viral não significa necessariamente um negócio sustentável, muito menos bem-sucedido. É preciso administrar rapidamente fatores como tempo de uso, construção de comunidade, frequência de atualizações e monetização. É justamente nesse ponto que está o desafio. Caso contrário, o entusiasmo inicial desaparece antes que o jogo consiga se consolidar no mercado." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Desenvolvedores sem experiência prévia em programação lançam jogos de sucesso com auxílio da inteligência artificial. | ||
| Author | Jonathan Harding | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/games-de-futebol-criados-com-ia-viralizam-em-todo-o-mundo/a-78389495?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Games%20de%20futebol%20criados%20com%20IA%20viralizam%20em%20todo%20o%20mundo | ||
| Item 43 | |||
| Id | 78385471 | ||
| Date | 2026-08-15 | ||
| Title | Mulheres acumulam recordes sobre marcas masculinas em provas extremas | ||
| Short title | Mulheres superam recordes de homens em provas extremas | ||
| Teaser |
Ultramaratonistas vêm quebrando marcas absolutas antes dominadas por atletas masculinos. Estudo indica que a diferença de desempenho diminui à medida que aumentam as distâncias. Foram 29 dias de corrida por oito países, cruzando os Alpes entre Trieste, na Itália, e Mônaco. Ao longo de cerca de 2.000 quilômetros e mais de 100 mil metros de desnível acumulado, a neozelandesa Sophie Grant dormiu, em média, apenas três a quatro horas por noite. Ao concluir o percurso da chamada Via Alpina, Grant estabeleceu um novo recorde geral da ultramaratona, superando tanto a melhor marca feminina quanto a masculina. Seu tempo foi mais de sete dias inferior ao antigo tempo alcançado por um homem. "Quando penso nisso, fico arrepiada, "disse à DW. "Conquistar o recorde geral é algo incrível." Mulheres quebram recordes em diferentes provasGrant não é a única mulher a superar marcas masculinas em provas de resistência nos últimos anos. Em 2026, a americana Rachel Entrekin venceu a prova Cocodona 250, nos Estados Unidos, e estabeleceu um novo recorde geral do percurso. No ano anterior, a ultramaratonista Tara Dower, também americana, completou o Long Trail, uma prova disputada no estado de Vermont, nos EUA. Ela concluiu o trajeto em 3 dias, 18 horas e 29 minutos, superando o recorde masculino anterior por 2 horas e 40 minutos. Em 2019, a médica alemã Fiona Kolbinger tornou-se a primeira mulher a vencer a Transcontinental Race. Após quase 4.000 quilômetros de bicicleta pela Europa, terminou cerca de oito horas à frente do segundo colocado. No mesmo ano, a britânica Jasmin Paris venceu a Spine Race, no Reino Unido, tornando-se a primeira mulher a conquistar a prova de 430 quilômetros e quebrando o recorde do percurso por mais de 12 horas. Quanto maior a distância, menor a diferençaUma análise ampla realizada pela RunRepeat, um site que avalia e compara calçados de corrida, em parceria com a Associação Internacional de Ultramaratonistas examinou mais de cinco milhões de resultados de mais de 15 mil ultramaratonas. A conclusão foi clara: quanto maior a distância, mais as mulheres se aproximavam do desempenho masculino. Nas maratonas, os homens registraram tempos, em média, 11,1% mais rápidos. Em provas de 100 milhas (cerca de 160 quilômetros), a diferença caiu para apenas 0,25%. Em distâncias superiores a 195 milhas (aproximadamente 314 quilômetros), as mulheres foram, em média, 0,6% mais rápidas. É o que acontece nas provas de ultramaratona, que podem variar de 50 quilômetros a centenas ou até milhares de quilômetros, sendo disputadas em estradas, trilhas, montanhas ou ambientes extremos. Além da resistência física, os atletas precisam administrar fatores como sono, alimentação, hidratação, dores e desgaste mental. Na maioria dos casos, o sucesso depende não apenas da velocidade, mas também da capacidade de suportar dias ou semanas de esforço contínuo e de tomar decisões estratégicas sob condições extremas. Vantagens físicas e capacidade de adaptaçãoTais fatores indicam que as mulheres conseguem competir em igualdade de condições quando o esforço se torna mais extremo. Algumas características fisiológicas podem contribuir para isso. Em média, mulheres apresentam maior proporção de fibras musculares do tipo I, mais resistentes à fadiga, e tendem a utilizar mais gordura como fonte de energia durante atividades de longa duração. As vantagens masculinas associadas à maior massa muscular e à maior capacidade máxima de absorção de oxigênio podem perder relevância em provas extremamente longas. "Provavelmente conseguimos queimar gordura de forma mais eficiente e, por isso, resistir por mais tempo", afirmou Grant. Para ela, porém, os fatores físicos explicam apenas parte do desempenho. "Acho que conseguimos deixar o ego de lado. E também somos boas em resolver problemas", avalia, sobre o intenso processo de tomada de decisão em uma ultramaratona. Durante a travessia da Via Alpina, Grant confiou essas decisões à equipe de apoio. "Eu simplesmente coloquei minha vida nas mãos deles", afirmou. Ela começava a correr pela manhã e só parava quando os integrantes da equipe julgavam necessário." Você tenta controlar tudo o que é possível controlar. Depois, simplesmente mergulha no caos e vê o que acontece." Três horas de sono e até 7 mil calorias por diaA intensidade do desafio ficou evidente na rotina de descanso. Grant dormiu, em média, apenas três ou quatro horas por noite. Nos últimos dias, chegou a descansar apenas 90 minutos. Quando o cansaço se tornava insuportável, deitava por alguns minutos ao lado da trilha. "Você simplesmente se encolhe em algum lugar na beira do caminho, numa pequena depressão coberta de musgo, e espera que ninguém pense que você morreu, "contou. "A privação de sono foi uma das partes mais difíceis de toda a experiência." Ao mesmo tempo, era necessário repor a enorme quantidade de energia consumida diariamente. Segundo sua equipe, a corredora ingeria entre 6.000 e 7.000 calorias por dia. A dieta incluía bebidas esportivas, refrigerantes à base de cola, eletrólitos, burritos, wraps de falafel, sanduíches, massas e até produtos do McDonald's. Grande parte das refeições era feita enquanto ela continuava correndo. Nas Dolomitas, o calor e as dores aumentaram ainda mais o sofrimento. "Nas Dolomitas eu chorei muito, "relatou. "Estava com muito calor. Sentia dores fortes. Meu corpo estava extremamente inchado. Eu apenas me arrastava para frente e pensava: não sei se vou conseguir." Mulheres ainda são sub-representadas na pesquisa esportivaPara Grant, seu recorde levanta uma questão mais ampla: até onde as mulheres poderiam chegar nos esportes de resistência se seus corpos fossem estudados com a mesma profundidade que os dos homens. Durante décadas, grande parte da pesquisa esportiva e médica concentrou-se em atletas masculinos. "Como mulher, é preciso observar atentamente quem participou dos estudos, porque muitas vezes estamos falando simplesmente de dez ciclistas homens", afirmou. Segundo a ultramaratonista, mulheres foram consideradas por muito tempo participantes mais complexas para a pesquisa científica, em parte por causa das variações hormonais associadas ao ciclo menstrual. "Nós fomos negligenciadas durante décadas", disse. "Como mulheres, continuamos disputando as migalhas que sobram no esporte. Lutamos por mais cobertura da imprensa, mais pesquisa e mais patrocínio." Os resultados de casos individuais não permitem concluir que mulheres sejam, em termos gerais, atletas de resistência superiores aos homens. Eles continuam detendo grande parte dos recordes e, em distâncias mais curtas, apresentam desempenho médio significativamente melhor. Ainda assim, em provas extremamente longas, a diferença tende a diminuir. Em entrevista à BBC, o fisiologista do esporte Nicholas Tiller descreveu as provas de resistência como "o grande nivelador", porque, em esforços prolongados, fatores que vão além das capacidades físicas máximas podem se tornar decisivos. Grant, porém, diz estar menos interessada em discutir quem tem vantagem biológica. "Acho que a coisa mais corajosa que alguém pode fazer é tentar. Tenha coragem de enfrentar aquilo que causa medo. Não importa qual será o resultado, porque pelo menos você tentou." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Ultramaratonistas vêm quebrando marcas absolutas antes dominadas por atletas masculinos. | ||
| Author | Mathias Brück | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/mulheres-acumulam-recordes-sobre-marcas-masculinas-em-provas-extremas/a-78385471?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Mulheres%20acumulam%20recordes%20sobre%20marcas%20masculinas%20em%20provas%20extremas | ||
| Item 44 | |||
| Id | 77647317 | ||
| Date | 2026-06-21 | ||
| Title | Milhares de pessoas celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Short title | Milhares celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Teaser |
Com coroas de flores, 20 mil visitantes se dirigiram ao monumento milenar no Reino Unido para acompanhar o nascer do Sol do dia mais longo do ano no Hemisfério Norte.Uma multidão de mais de 20 mil pessoas se reuniu no início da manhã deste domingo (21/06) no milenar sítio arqueológico de Stonehenge, no Reino Unido, para ver o nascer do sol às 4h25 (0h25 em Brasília) no dia mais longo do ano no Hemisfério Norte, segundo a organização pública English Heritage, que administra monumentos históricos na Inglaterra.
Os visitantes, alguns usando coroas de flores, tocaram o monumento antigo e comemoraram quando o sol resplandecente surgiu no horizonte enevoado.
"Ao amanhecer do dia mais longo do ano, recebemos mais de 20.000 pessoas para celebrar juntas, com milhares de outras participando de todo o mundo por meio de nossa transmissão ao vivo", informou no domingo a English Heritage, organização que administra o sítio de Stonehenge.
Em 21 de junho, o Hemisfério Norte da Terra está inclinado ao máximo em direção ao Sol, resultando no dia mais longo do ano. O oposto ocorre no Hemisfério Sul, que tem seu dia mais longo em 21 de dezembro.
O círculo de pedras megalíticas pré-histórico situado na Planície de Salisbury, em Wiltshire (sudoeste da Inglaterra), parece ter sido construído há milhares anos para se alinhar com a trajetória do Sol nesses dias.
Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de pedras, que chegam a ter 5 metros de altura e a pesar quase 50 toneladas, localizada na Inglaterra, no condado de Wiltshire, na Planície de Salisbury.
Stonehenge é um dos monumentos pré-históricos mais famosos do mundo. Formado por enormes blocos de pedra organizados em círculos, ele foi construído ao longo de várias etapas entre aproximadamente 3000 a.C. e 2000 a.C.
Embora seu propósito exato ainda seja desconhecido, pesquisadores acreditam que Stonehenge tenha servido como local de cerimônias religiosas, espaço de sepultamento e até como observatório astronômico, devido ao seu alinhamento com o Sol durante os solstícios.
Algumas pedras pesam mais de 25 toneladas e parte delas foi transportada de regiões localizadas a centenas de quilômetros de distância. Por causa de sua importância histórica e cultural, Stonehenge foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1986.
Como funcionam as celebrações em Stonehenge?
A partir de 1978, o acesso do público a Stonehenge passou a ser restrito — os visitantes não podiam mais circular livremente entre as pedras —, em resposta a casos de vandalismo e ao aumento da erosão decorrentes do rápido crescimento do número de turistas.
As reuniões modernas por ocasião do solstício tiveram início já em meados do século 19, facilitadas pelo acesso ferroviário à cidade vizinha Salisbury.
Esses eventos, de caráter um tanto mais anárquico e espontâneo, chegaram a um fim violento em 1985, quando a polícia e um grupo de centenas de visitantes entraram em confronto no que ficou conhecido como a Batalha de Beanfield.
Enquanto a polícia tentava fazer cumprir uma liminar obtida pelas autoridades locais para impedir a passagem dos visitantes — inicialmente por meio de um bloqueio na estrada —, mais de 500 pessoas acabaram sendo presas.
Foi um dos maiores episódios de prisão em massa no Reino Unido depois Segunda Guerra Mundial.
A partir do ano 2000, a English Heritage passou a permitir o acesso controlado ao sítio de Stonehenge durante os dois solstícios — bem como nos equinócios de primavera e outono. Desde então, esses eventos ganharam popularidade.
Solstício de verão em meio a uma onda de calor
A celebração ocorreu enquanto o Reino Unido e grande parte da Europa permanece sob alertas de calor intenso.
No domingo, as temperaturas na região de Salisbury estavam comparativamente amenas para os padrões nacionais, com previsão de máximas de 29 °C.
Na França, no entanto, o governo proibiu o consumo de álcool em locais públicos durante as celebrações do Dia da Música, que marcam o solstício de verão. O evento inclui milhares de shows em praças de vilarejos, locais de música eletrônica e casas noturnas de Paris, reunindo comunidades e atraindo cada vez mais visitantes internacionais.
Ainda na França são esperadas máximas de 40 °C no domingo, com a segunda-feira provavelmente ainda mais quente, com serviços de emergência e as forças militares foram colocados em alerta contra incêndios florestais.
Há também previsão de temperaturas atingindo 37 °C em Roma e 39 °C em Madri na segunda-feira.
O Met Office britânico informou que o calor deve atingir um pico de cerca de 35°C na terça e na quarta-feira, o que gerou alertas meteorológicos, alertas de saúde e preocupações com as pessoas vulneráveis.
Os meteorologistas afirmaram que a próxima semana pode quebrar o recorde da temperatura mais alta já registrada em junho, de 35,6 °C, estabelecido em 1976 em Southampton.
jps (dpa, DW, ots)
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| Short teaser | Vinte mil visitantes se dirigiram ao monumento para acompanhar nascer do Sol do dia mais longo no Hemisfério Norte | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/milhares-de-pessoas-celebram-o-solstício-de-verão-em-stonehenge/a-77647317?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Alguns dos visitantes exibiram flores sobre a cabeça para celebrar o solstício em Stonehenge | ||
| Image source | Alberto Pezzali/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 45 | |||
| Id | 53832364 | ||
| Date | 2026-05-03 | ||
| Title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Short title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Teaser |
Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número de tropas americanas no país europeu. EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha e decisão pode marcar grande mudança na relação de defesa entre os dois países Em meio a uma troca de farpas entre os EUA e a Alemanha, o Pentágono anunciou nesta semana que pretende retirar 5 mil dos seus militares que estão atualmente baseados no país europeu. Segundo o anúncio, a retirada deve ser completada num período de 6 a 12 meses. No sábado (02/05), foi a vez de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a retirada pode ser ainda mais ampla. "Vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais do que 5.000", disse Trump a repórteres. O movimento de retirada ocorre após Trump se enfurecer com declarações críticas à condução da guerra do Irã feitas pelo chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na segunda-feira, Merz afirmou que os que os Estados Unidos estão sendo "humilhados" em sua guerra contra o Irã e que parece faltar a Washington uma estratégia clara no conflito. Um dia depois, Trump respondeu que o alemão "não tem ideia do que está falando". "Merz acha ok o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!", disse em um post na rede Truth Social. Logo depois, veio o anúncio de redução de tropas baseada na Alemanha. Como parte da decisão, um plano da era Joe Biden para enviar um batalhão americano com mísseis Tomahawk de longo alcance para a Alemanha também foi abandonado. Não é a primeira vez que Trump faz movimentos para reduzir a quantidade de tropas dos EUA na Alemanha. Em 2020, o republicano chegou a anunciar um plano ainda mais drástico de redução, mas a iniciativa foi abandonada após a derrota de Trump para Joe Biden no mesmo ano. Presença militar dos EUA na AlemanhaSegundo o Pentágono entre 34 mil e 36 mil soldados ocupam atualmente em caráter permanente as bases americanas em solo alemão. Se incluídas as unidades militares em rotação, o número pode chegar temporariamente a 50 mil. Além do contingente militar, cerca de 15 mil civis americanos trabalham para o Departamento de Defesa dos EUA na Alemanha. A República Federal da Alemanha tem sido parte vital da estratégia de defesa dos Estados Unidos na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial: durante dez anos as forças americanas integraram a ocupação dos Aliados no país. Embora o contingente tenha diminuído drasticamente desde então, nas décadas seguintes comunidades militares americanas se formaram em torno de diversas cidades, e os militares dos EUA ainda são uma presença importante no país. A importância estratégica da Alemanha para os EUA se reflete na localização do quartel-general do Comando Europeu dos EUA (Eucom) na cidade de Stuttgart, no sudoeste do país, que serve como estrutura de coordenação partes todas as forças militares americanas em 51 países, principalmente europeus. A missão da Eucom é proteger e defender os EUA, impedindo conflitos, apoiando parcerias como a Otan e combatendo ameaças transnacionais. Sob seu comando estão o Exército, as Forças Aéreas e o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA na Europa, todos com unidades na Alemanha. A Alemanha abriga a maior parte das tropas americanas na Europa. Só no Japão os EUA mantêm mais pessoal militar. No entanto os números na Alemanha vêm caindo nos últimos anos: dados do governo alemão mostram que desde 2006 o número de militares dos EUA baseados na Alemanha diminuiu em mais da metade, sendo que há 20 anos a cifra chegava a 72.400. Fuzileiros navais, soldados e aviadoresA Alemanha abriga cinco guarnições do Exército americano e o quartel-general do Exército dos EUA na Europa está sediado na guarnição de Wiesbaden, próximo a Frankfurt, no centro-oeste do país. Dados fornecidos pelas Forças Armadas dos EUA mostram que essas cinco guarnições, cada uma englobando várias bases em locais diferentes, compreendem atualmente cerca de 23 mil militares. Esse número inclui as Forças de Fuzileiros Navais da Europa e da África, com sede em Böblingen, sudoeste da Alemanha, como parte da Guarnição do Exército dos EUA em Stuttgart. Além disso, há cerca de 13 mil membros da Força Aérea dos EUA espalhados por vários locais na Alemanha, incluindo as duas bases aéreas americanas em Ramstein e Spangdahlem. Mais do que apenas soldadosComo as instalações militares dos EUA também empregam civis e militares por vezes podem levar suas famílias para o exterior, consideráveis comunidades de civis se formam em torno dessas instalações. Na verdade, algumas bases americanas na Alemanha, como a de Ramstein, são pequenas cidades autônomas, englobando não só quartéis, aeroportos, áreas para exercícios militares e depósitos de materiais, mas também seus próprios shoppings, escolas, serviços postais e força policial americanos. Em certos casos, a única moeda corrente é o dólar americano. Atualmente, a guarnição do Exército dos EUA na Baviera, com quartel-general em Grafenwöhr, perto da fronteira com a República Tcheca, é a maior base do Exército americano no exterior, tanto em número de militares quanto em superfície, espalhando-se por mais de 390 quilômetros quadrados. As bases também costumam empregar um número significativo de residentes e servem de impulso econômico às comunidades alemãs adjacentes, cujas empresas fornecem bens e serviços. O fechamento de instalações anteriores, como a guarnição do Exército em Bamberg em 2014, afetou a economia local, e muitos alemães que vivem perto de instalações militares americanas manifestam oposição a possíveis reduções de tropas. Porém a extensão da presença militar dos EUA na Alemanha não se limita ao pessoal: o país também mantém aviões em outras bases aéreas não americanas em solo alemão. Além disso, calcula-se que 20 ogivas nucleares sejam mantidas na Base Aérea de Büchel, no âmbito do Acordo de Compartilhamento Nuclear da Otan, fato que suscitou muitas críticas por parte dos alemães. A importância de RamsteinA Base Aérea de Ramstein, no estado alemão da Renânia-Palatinado, é a maior base militar americana fora do país. Ela serve como um centro logístico para tropas, equipamentos e cargas a caminho do Oriente Médio, África e Europa Oriental. Ramstein também é o quartel-general da Força Aérea dos EUA na Europa e serve como centro de comando da Otan para vigilância do espaço aéreo militar de todos os parceiros europeus. A base aérea também abriga uma estação de retransmissão de satélites, de grande importância para o destacamento de drones de combate americanos, por exemplo, no Oriente Médio. Como a curvatura da Terra não permite o controle direto de drones a partir dos EUA, os sinais são retransmitidos por satélite via Ramstein. A base também funciona como um centro médico, já que soldados feridos da Europa, África ou Oriente Médio são transportados de avião para Ramstein e tratados no Centro Médico Regional de Landstuhl, adjacente à base, o maior hospital militar americano fora dos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o hospital recebeu soldados americanos feridos em ataques do Irã a países do Golfo. Ambas as instalações fazem parte da Comunidade Militar de Kaiserslautern, que abrange dezenas de milhares de soldados americanos, funcionários civis e seus familiares. Spangdahlem, por sua vez, é a segunda maior base da Força Aérea dos EUA em solo alemão, fica a cerca de 120 quilômetros mais a noroeste. Ao contrário de Ramstein, Spangdahlem serve principalmente para missões operacionais de combate. Um esquadrão de caças composto por cerca de 20 jatos F-16 está estacionado na base, funcionando como uma força de reação rápida em tempos de crise. O esquadrão ajuda a proteger o flanco leste da Otan e é especializado em eliminar as defesas aéreas inimigas. Ocupação aliada do pós-guerra e seu legadoA presença militar dos EUA na Alemanha é um legado da ocupação aliada pós-Segunda Guerra Mundial, que durou de 1945 a 1955. Durante esse período, milhões de militares americanos, britânicos, franceses e soviéticos estiveram estacionados na Alemanha. A parte nordeste do país ficou sob controle soviético, tornando-se oficialmente a República Democrática Alemã (RDA) em outubro de 1949. Na parte ocidental, a ocupação foi regulamentada pelo Estatuto da Ocupação, assinado em abril de 1949, quando foi fundada a República Federal da Alemanha. O estatuto permitiu que França, Reino Unido e EUA mantivessem forças de ocupação no país e o controle completo sobre o desarmamento e desmilitarização da antiga Alemanha Ocidental. Quando a ocupação militar da República Federal da Alemanha (RFA) terminou oficialmente, o país recuperou o controle de sua própria política de defesa. No entanto, o Estatuto de Ocupação foi sucedido por outro acordo com seus parceiros na Otan. O pacto – conhecido como Convenção sobre a Presença de Forças Estrangeiras na República Federal da Alemanha e assinado pelos alemães em 1954 – permitiu que oito países-membros da Otan, incluindo os EUA, mantivessem presença militar permanente na Alemanha. O tratado ainda regula os termos e condições das forças da Otan estacionadas hoje na RFA. O número de militares americanos na Alemanha vem diminuindo desde o fim da Guerra Fria, em 1990, quando, segundo Berlim, havia cerca de 400 mil soldados estrangeiros baseados no país. Cerca de metade deles eram americanos, mas foram gradualmente retirados à medida que diminuíam as tensões com os Estados sucessores da União Soviética, e conflitos em outros lugares, como a guerra do Iraque, requeriam mais militares dos EUA. Qual a importância das bases militares americanas para a economia alemã?As bases americanas são um fator econômico importante para a Alemanha. Muitas delas estão localizadas em regiões rurais do país, onde as forças armadas americanas atuam como o maior investidor e empregador. Mais de 10 mil alemães trabalham diretamente para as forças armadas americanas, enquanto estima-se que 70.000 empregos na Alemanha estejam indiretamente ligados a empresas que prestam serviços às Forças Armadas americanas, por exemplo, no setor da construção civil ou na indústria de serviços. Além disso, os soldados americanos baseados na Alemanha e suas famílias gastam grande parte de seus salários em lojas e empresas alemãs. A comunidade militar, por si só, contribui com até 3,5 bilhões de euros (US$ 4,1 bilhões) anualmente para as economias regionais. |
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| Short teaser | EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha. Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número. | ||
| Author | Ben Knight , Thomas Latschan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-presença-militar-dos-eua-na-alemanha-na-mira-de-trump/a-53832364?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 46 | |||
| Id | 76191308 | ||
| Date | 2026-03-03 | ||
| Title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Short title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Teaser |
Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos do tratado de livre-comércio caracterizam de maneira equivocada o setor agrícola europeu e a indústria brasileira.O embaixador do Brasil na Alemanha rechaçou as críticas de setores políticos europeus ainda resistentes ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Brasil. Segundo Rodrigo de Lima Baena Soares, a caracterização do tratado como uma "troca de carros por vacas" é um "desserviço" que não faz jus nem ao setor agrícola europeu nem à indústria brasileira.
"É preciso parar com a ideia de que esse acordo é uma troca de 'carros por vacas', uma expressão que circula tanto no discurso brasileiro quanto no europeu. Isso é uma caricatura e presta um desserviço. Isso caracteriza de maneira equivocada tanto a economia da Europa quanto a brasileira", disse Baena Soares, citando uma expressão crítica que virou um slogan de opositores do acordo, sobretudo na Europa.
"Pelo lado europeu, essa narrativa apresenta o agricultor do continente como vítima de uma ameaça existencial por parte dos agricultores sul-americanos. Só que a União Europeia é o maior exportador mundial de alimentos. E os agricultores europeus produzem alguns dos bens mais valorizados e sofisticados do mundo. Está longe de ser uma indústria frágil", disse Baena Soares, que assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado.
"E do lado brasileiro, há também um certo desajuste como o acordo é visto, de que seria apenas fornecimento de matérias-primas, quando a realidade é outra. A indústria brasileira exportou 181 bilhões de dólares em 2024. [O acordo] é uma oportunidade para a indústria, e não uma concessão. Com o acordo, as tarifas para a importação de máquinas cairão de 11,6% para menos de 1% até 2040", acrescentou.
Baena Soares fez as declarações na segunda-feira (02/02) durante o evento "Diálogos Internacionais Brasil-Alemanha", que ocorre nesta semana na Universidade de Frankfurt, no oeste alemão, e que é promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais).
Mensagem clara ao mundo
O diplomata também classificou como "excelente notícia" que a Comissão Europeia tenha anunciado no fim de fevereiro que pretende implementar o acordo de forma provisória, enquanto seguir pendente um pedido de parecer apresentado pelo Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), um processo que pode se arrastar por até dois anos. "Estou otimista que a Corte de Justiça da UE reconhecerá o acordo."
Baena Soares também disse o acordo é um "sinal inequívoco" do comprometimento do Brasil "com o multilateralismo". "O acordo é uma mensagem clara ao mundo que ainda há espaço para multilateralismo, apesar de todas tensões geopolíticas e o crescente protecionismo de alguns países".
"Mostra que divergências podem ser superadas por meio da negociação e do compromisso, um aspecto que anda difícil como atestam os últimos acontecimentos. Nós também não podemos subestimar o impacto político que esse acordo terá. Nosso diálogo político com a UE já é bom e vai ser ainda mais facilitado e fortalecido. Vamos lembrar que todos os países da UE e do Mercosul são países democráticos", disse.
"Esse acordo não é o destino, é a infraestrutura de uma jornada cujas dimensões plenas ainda vão ser mapeadas."
Negociado ao longo de duas décadas, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e EU foi finalmente assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai. Nas semanas seguintes, o Uruguai e a Argentina se tornaram os primeiros países a ratificar o tratado.
Já na Europa ainda não há consenso pleno. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu judicializar a questão, pedindo para que o Tribunal de Justiça da UE julgue a legalidade do tratado. Para evitar que a questão se arraste nos tribunais, a Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) anunciou que vai implementar o acordo de forma provisória.
Dentro do bloco europeu, o acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, mas ainda sofre resistência sobretudo da França, o principal produtor agrícola da UE.
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| Short teaser | Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos caracterizam o tratado de livre-comércio de maneira equivocada. | ||
| Author | Jean-Philip Struck (enviado a Frankfurt) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/acordo-mercosul-ue-não-é-uma-troca-de-carros-por-vacas/a-76191308?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado | ||
| Image source | Maksim Konstantinov/Russian Look/picture alliance | ||
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| Item 47 | |||
| Id | 75011709 | ||
| Date | 2025-12-04 | ||
| Title | Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal | ||
| Short title | Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal | ||
| Teaser |
Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono.
A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente.
O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro.
Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada.
Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes.
O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira.
Trump mantém apoio a Hegseth
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira.
Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado.
Hegseth debateu ataques no Iêmen
O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz.
O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais.
O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen.
O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar.
Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque.
A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada.
Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas.
as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)
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| Short teaser | Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/investigação-conclui-que-chefe-do-pentágono-pôs-soldados-em-risco-ao-usar-signal/a-75011709?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe | ||
| Image source | Ricardo Hernandez/AP Photo/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/74914357_354.jpg&title=Investiga%C3%A7%C3%A3o%20conclui%20que%20chefe%20do%20Pent%C3%A1gono%20p%C3%B4s%20soldados%20em%20risco%20ao%20usar%20Signal | ||
| Item 48 | |||
| Id | 63791517 | ||
| Date | 2025-09-10 | ||
| Title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Short title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Teaser |
Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança.
Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade.
O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir.
Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes.
Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°?
Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança.
Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas.
Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão.
O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°.
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| Short teaser | Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. | ||
| Author | Bernd Riegert | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quais-as-diferenças-entre-os-artigos-4°-e-5°-da-otan/a-63791517?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado | ||
| Image source | Christoph Hardt/Panama/picture alliance | ||
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| Item 49 | |||
| Id | 72986020 | ||
| Date | 2025-06-21 | ||
| Title | Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Short title | Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Teaser |
Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã. O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam. Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados." Condições deterioram para afegãos no IrãO Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã. Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar. As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã. Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários." Sem opção de retornoAtualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família. "Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi." Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria." Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar. "Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos." Traficantes de pessoas exploram medosRedes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras. Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas. O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas." Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia." |
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| Short teaser | Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação. | ||
| Author | Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 50 | |||
| Id | 57531509 | ||
| Date | 2025-06-13 | ||
| Title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Short title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Teaser |
Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas. A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país. Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital. Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen. Sistema de três elementosA defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance. Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia. Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo. O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos. Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio. 90% de êxito, mas com custos altosO "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país. De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011. Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas. Nova arma a laser "Iron Beam"Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam". O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones. A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022. As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos. Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025. |
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| Short teaser | Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. | ||
| Author | Uta Steinwehr | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 51 | |||
| Id | 64814042 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Short title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Teaser |
UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção.
Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março.
Lei antioligarca
De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda.
Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias.
Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado.
Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos
A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares.
Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas.
Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares.
Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo
A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país.
Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros.
A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões.
Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares.
Não existem mais oligarcas ucranianos?
Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política.
Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los".
De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE.
Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra.
"Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos.
Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas.
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| Short teaser | UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas. | ||
| Author | Eugen Theise | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/qual-ainda-é-o-real-poder-dos-oligarcas-ucranianos/a-64814042?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia | ||
| Image source | Daniel Naupold/dpa/picture alliance | ||
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| Item 52 | |||
| Id | 64820664 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Short title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Teaser |
De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. Prefeito de Istambul diz ser necessário até 40 bilhões de dólares para se preparar para possível novo grande tremor.Duas semanas e meia após o terremoto de 7,8 de magnitude na área de fronteira turco-síria, o número de mortos aumentou para mais de 50 mil, informaram as autoridades dos dois países nesta sexta-feira (24/02).
A Turquia registrou 44.218 mortes, de acordo com a agência de desastres turca Afad, e a Síria reportou ao menos 5,9 mil mortes. Nos últimos dias, não houve relatos de resgate de sobreviventes.
Tremores secundários continuam a abalar a região. Neste sábado (25/02), um tremor de magnitude 5,5 atingiu o centro da Turquia, informou o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a uma profundidade de 10 quilômetros.
O observatório sísmico de Kandilli disse que o epicentro foi localizado no distrito de Bor, na província de Nigde, que fica a cerca de 350 quilômetros a oeste da região atingida pelo grande tremor de 6 de fevereiro.
Graves incidentes e vítimas não foram reportados após o tremor deste sábado.
Segundo a Turquia, nas últimas três semanas, foram mais de 9,5 mil tremores secundários e a terra chegou a tremer, em média, a cada quatro minutos.
De acordo com o governo turco, 20 milhões de pessoas no país são afetadas pelos efeitos do terremoto. As Nações Unidas estimam que na Síria sejam 8,8 milhões de pessoas afetadas.
Turquia começa reconstrução
As autoridades turcas começaram a construir os primeiros alojamentos para os desabrigados. O trabalho de escavação de terra está em andamento nas cidades de Nurdagi e Islahiye, na província de Gaziantep, escreveu no Twitter o ministro do Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Mudança Climática, Murat Kurum. Inicialmente, estão previstos 855 apartamentos.
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometeu a reconstrução em um ano. Críticos alertam que erguer prédios tão rapidamente pode fazer com que a segurança sísmica dos edifícios seja negligenciada novamente. A oposição culpa o governo de Erdogan, que está no poder há 20 anos, pela extensão do desastre porque não cumpriu os regulamentos de construção.
Também neste sábado, o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, disse que pelo menos 184 pessoas foram detidas por suposta negligência em relação a prédios desabados após os terremotos. Entre eles, estão empreiteiros e o prefeito do distrito de Nurdagi, na província de Gaziantep.
Até agora, o Ministério do Planejamento Urbano inspecionou 1,3 milhão de edifícios, totalizando mais de meio milhão de residências e escritórios, e relatou que 173 mil propriedades ruíram ou estão tão seriamente danificadas que precisam ser demolidas imediatamente.
Ao todo, quase dois milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas, demolidas ou danificadas pelos tremores, e vivem atualmente em tendas, casas pré-fabricadas, hotéis, abrigos e diversas instituições públicas, detalhou um comunicado do Afad.
Cerca de 528 mil pessoas foram evacuadas das 11 províncias listadas como regiões afetadas, acrescentou o comunicado do serviço de emergência, enquanto 335 mil tendas foram montadas nessas áreas e 130 núcleos provisórios de casas pré-fabricadas estão sendo instalados.
Em março e abril começará a construção de 200 mil novas casas, prometeu o ministério turco. Estima-se que o terremoto de 6 de fevereiro tenha custado à Turquia cerca de 84 bilhões de dólares.
Na Síria, o noroeste é particularmente atingido pelos efeitos do tremor. Há poucas informações sobre o país devastado pela guerra. Diante de anos de bombardeios e combates, muitas pessoas ali já viviam em condições precárias antes dos tremores.
Istambul precisa de 40 bilhões de dólares
Enquanto isso, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, disse a cidade, que fica perto de uma grande falha geológica, precisa de um programa urgente de urbanização no valor de "cerca de 30 bilhões a 40 bilhões de dólares" para se preparar para um possível novo grande terremoto.
"A quantia é três vezes maior do que o orçamento anual da cidade de Istambul, mas precisamos estar prontos antes que seja tarde demais", disse Imamoglu a um conselho científico.
De acordo com um relatório de 2021 do observatório sísmico de Kandilli, um potencial terremoto de magnitude superior a 7,5 danificaria cerca de 500 mil edifícios, habitados por 6,2 milhões de pessoas, cerca de 40% da população da cidade, a mais populosa da Turquia.
Istambul fica ao lado da notória falha geológica do norte da Anatólia. Um grande terremoto em 1999 que atingiu a região de Mármara, incluindo Istambul, matou mais de 18 mil.
le (EFE, DPA, Reuters, ots)
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| Short teaser | De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/mortos-em-terremoto-na-turquia-e-na-síria-passam-de-50-mil/a-64820664?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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https://static.dw.com/image/64816967_354.jpg
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| Image caption | Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil | ||
| Image source | Selahattin Sonmez/DVM/abaca/picture alliance | ||
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