| Item 1 | |||
| Id | 77912139 | ||
| Date | 2026-07-10 | ||
| Title | Criticado por postura durante apagão, prefeito de Berlim desiste da reeleição | ||
| Short title | Criticado por apagão, prefeito de Berlim abandona reeleição | ||
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Após admitir ter jogado tênis durante apagão que afetou 100 mil pessoas na capital alemã e ser acusado de mentir sobre esforços para conter problema, conservador Kai Wegner anuncia que não vai disputar mais um mandato.O prefeito de Berlim, Kai Wegner, anunciou nesta sexta-feira (10/07) que desistiu de sua candidatura à reeleição após acumular críticas pela forma como lidou com um grande apagão ocorrido na capital alemã em janeiro.
Wegner, do partido conservador União Democrata Cristã (CDU), governa a capital em coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, desde 2023, mas seus índices de aprovação vinham caíndo desde o início do ano.
No primeiro semestre, o prefeito admitiu que havia disputado uma partida de tênis na tarde de 3 de janeiro, justamente quando a capital sentia os efeitos de um incêndio criminoso a uma central elétrica que deixou 100 mil moradores da cidade sem energia em meio a uma onda de frio, com o apagão se estendendo por vários dias em alguns bairros.
Quando a partida veio à tona, Wegner disse que havia jogado tênis para "esclarecer as ideias", enfurecendo os eleitores da capital. No entanto, Wegner ainda manteve a candidatura.
Mas nesta semana finalmente veio a pá de cal, quando Wegner foi acusado de mentir sobre sua reação inicial na manhã do apagão. À época da queda de energia, ele havia dito à imprensa que havia entrado em contato por volta de 8h da manhã com equipes de gestão de crise para lidar com o problema. No entanto, uma reportagem do jornal Tagesspiegel publicada na terça-feira apontou que o próprio gabinete do prefeito não tinha registros de ligações feitas antes de 12h45.
Três dias depois da má repercussão das revelações da reportagem, Wegner desistiu de continuar na disputa pela prefeitura da cidade-Estado de Berlim. A eleição na está marcada para 20 de setembro, e Wegner afirma que pretende continuar no cargo até a escolha de um novo prefeito.
"Não consigo mais transmitir minha mensagem porque outro debate está ofuscando tudo", disse Wegner nesta sexta-feira. "Sim, cometi erros de comunicação", acrescentou, se referindo ao incidente que deixou cerca de 45 mil residências e aproximadamente 2,2 mil empresas sem energia por quase uma semana no auge do inverno.
Ele não opinou sobre quem deveria substituí-lo como principal candidato da CDU para a eleição. O atual secretário das Finanças, Stefan Evers, é considerado o favorito para assumir a candidatura conservadora.
CDU despenca nas pesquisas
A CDU – mesmo partido do chanceler federal Friedrich Merz – venceu de maneira a eleição de Berlim de 2023, com 28,2% dos votos. Wegner, no entanto, vem perdendo apoio desde o apagão.
Os problemas de Wegner em Berlim refletem os de Merz, que também enfrenta índices de aprovação desfavoráveis. O chanceler tem lutado para reverter a economia alemã em declínio ou conter o crescimento do partido ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), que detém ampla vantagem em outros dois estados do leste que também têm eleições regionais marcadas para setembro.
A AfD também vem ganhando terreno em Berlim, mas Wegner disse nesta sexta-feira que estava particularmente preocupado com a força do partido A Esquerda na cidade, que lidera algumas pesquisas.
Wegner disse que estava se afastando em parte na esperança de que seu partido pudesse recuperar terreno e "impedir uma aliança de esquerda" liderada pelo partido, que é o sucessor do antigo Partido Socialista Unificado, que governou a antiga Alemanha Oriental.
Esquerda favorita, ultradireita cresce
A última pesquisa Infratest dimap, de 1º de julho, mostrou a CDU em quarto lugar, com apenas 17%, o que levou membros da legenda a soar o alarme e se mobilizarem contra Wegner.
O político de 53 anos afirmou que pretende permanecer no cargo até que uma nova coalizão seja formada após a eleição de 20 de setembro.
A disputa pela prefeitura de Berlim continua extremamente acirrada, com o A Esquerda liderando com 20% das intenções de voto, um ano depois de ter ficado surpreendentemente em primeiro lugar na capital nas eleições federais do ano passado.
O Partido Verde está em segundo lugar com 19%, seguido pela AfD, com 18%. O SPD aparece em quinto, com 13%.
Apagão
Segundo as autoridades, a causa do apagão de janeiro que desgastou Wegner foi um ataque meticulosamente planejado a uma central termelétrica a gás no sudoeste da capital. Cabos de energia foram destruídos deliberadamente por meio de dispositivos incendiários, deixando muitos domicílios sem luz, aquecimento e água quente em pleno inverno, ruas às escuras, linhas ferroviárias interrompidas e extensas interrupções na internet. Berlim estava coberta de neve com temperaturas atingindo até -10 °C.
Promotores federais alemães anunciaram que os suspeitos pelo ataque estão sendo investigados por "pertencimento a uma organização terrorista, sabotagem, incêndio criminoso e interrupção de serviços públicos". A responsabilidade foi reivindicada por uma rede extremista de esquerda que se autointitula como Grupo Vulcão. A polícia e a administração de Berlim consideram a reivindicação verdadeira.
rc (DPA, AFP)
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| Short teaser | Conservador Kai Wegner foi acusado de mentir sobre seus esforços para lidar com apagão que afetou 100 mil na capital. | ||
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| Image caption | "Cometi erros de comunicação", disse Kai Wegner se referindo ao apagão que deixou cerca de 45 mil residências sem energia | ||
| Image source | Fabian Sommer/dpa/picture alliance | ||
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| Item 2 | |||
| Id | 77911229 | ||
| Date | 2026-07-10 | ||
| Title | Alemanha aprova lei do "direito ao reparo" de produtos | ||
| Short title | Alemanha aprova lei do "direito ao reparo" de produtos | ||
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Fabricantes de smartphones, máquinas de lavar, bicicletas elétricas e outros serão obrigados a produzir itens reparáveis. Consumidores que optarem pelo reparo ao invés da compra terão garantia estendida para 12 meses.Os consumidores na Alemanha passarão a ter o chamado direito ao reparo para produtos como smartphones, máquinas de lavar e bicicletas elétricas.
A diretiva da União Europeia (UE), que visa reduzir o lixo eletrônico e fortalecer os direitos do consumidor, foi aprovada nesta sexta-feira (10/07) pela câmara alta do Parlamento alemão, o Bundesrat.
A lei visa impulsionar a sustentabilidade ao permitir que os consumidores possam ter produtos como eletrodomésticos e outros consertados por profissionais independentes, ao invés de serem impelidos a comprar novos itens.
A nova legislação entrará em vigor em etapas. O direito de exigir o reparo do fabricante será válido a partir do final de julho, inclusive para aparelhos comprados antes dessa data.
No entanto, a obrigação de fabricar aparelhos reparáveis e a extensão do período de garantia se aplicarão apenas a aparelhos comprados a partir de 31 de julho.
Os fabricantes serão legalmente obrigados a reparar seus produtos a um preço razoável durante toda a vida útil normal dos itens. Além disso, os aparelhos deverão ser projetados de forma a permitir o reparo.
Exceções a esse princípio se aplicam apenas a contratos entre empresas. Nesses casos, o direito ao reparo poderá ser excluído contratualmente.
Maior garantia para produtos reparados
A nova legislação também oferece incentivos aos consumidores. Se optarem pelo reparo em vez da substituição de um aparelho com defeito, o período da garantia legal será estendido em 12 meses. O projeto de lei, aprovado pelo Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) em junho, transpõe a diretiva da UE de 2024 sobre o direito à reparação para a legislação alemã
A Comissão Europeia, ao apresentar a proposta original da lei do direito ao reparo, afirmou que a medida permitiria economizar em torno de 18 milhões de toneladas de carbono durante 15 anos, gerando economias de até 176 bilhões de euros (aproximadamente R$ 1 bilhão) aos consumidores.
Calcula-se que europeus gerem 35 milhões de toneladas de lixo por ano por não poder reparar seus produtos e ter que substituí-los por novos itens.
rc (DPA, DW)
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| Short teaser | Fabricantes de smartphones, lavadoras, bicicletas elétricas e outros serão obrigados a produzir itens reparáveis | ||
| Author | Redação DW | ||
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| Item 3 | |||
| Id | 77909321 | ||
| Date | 2026-07-10 | ||
| Title | Publicidade de bets também vira desafio regulatório na Europa | ||
| Short title | Publicidade de bets também é desafio regulatório na Europa | ||
| Teaser |
Apesar de regulação mais restrita, países europeus também enfrentam expansão e crescente presença da publicidade de casas de aposta. E em muitos casos a regulação não tem avançado na mesma velocidade do mercado.Logo após a primeira semana de transmissão de jogos da Copa do Mundo, os comentários sobre a quantidade de anúncios de casas de apostas, também conhecidas como bets, nas transmissões brasileiras se multiplicaram nas redes sociais. O alvo principal era a Cazé TV, acusada de transmitir publicidade excessiva e incitar apostas.
O movimento levou a uma investigação da Secretaria Nacional do Consumidor e posteriormente às mudanças anunciadas pelo Ministério da Fazenda esta semana, que restringem a publicidade de bets. As medidas incluem inserção de advertências nas propagandas e restrições a estratégias de marketing, inclusive proibindo o uso de comentaristas para induzir a apostas.
Situações similares tem sido vistas em diferentes países, como França, Alemanha e no Reino Unido, onde o crescimento da publicidade de bets em eventos esportivos vem desafiando reguladores, ao mesmo tempo que os hábitos de consumo de mídia mudam.
Se na Cazé TV os apresentadores e comentaristas anunciavam as bets durante a transmissão, inclusive comentando odds (probabilidades de ganho) e mencionando opções de apostas, em outros mercados há restrição para os anúncios durante as transmissões.
Mas legisladores encontram cada vez mais dificuldade de implementar regras que limitem os anúncios das plataformas de forma efetiva, considerando a rápida adaptação do mercado publicitário.
Anúncios por meio de influencers, novos patrocínios esportivos nos estádios e até mesmo transmissão ao vivo pelas próprias casas de aposta são alguns exemplos.
"O problema é que a regulação é implementada de forma extremamente lenta e com o avanço da publicidade é muito difícil acompanhar”, afirma o professor Raffaello Rossi da Universidade de Bristol no Reino Unido, que estuda as estratégias de marketing de plataformas de apostas esportivas em diferentes mercados.
Rossi foi um dos responsáveis por um estudo publicado pela Universidade de Bristol em parceria com a consultoria Ipsos, que aponta que o movimento observado no Brasil é similar ao de outros países europeus.
A autorização e regulamentação do mercado de bets foi seguido por um crescimento acentuado de anúncios das plataformas, levando a medidas para restringir a publicidade por conta dos danos associados às apostas.
Regulação europeia e mudanças de mercado
Na França, por exemplo, a discussão sobre a quantidade de anúncios de bets fez com que parlamentares apresentassem um projeto de lei pouco antes do início da Copa, sugerindo o aumento das restrições para os anúncios destas plataformas.
O movimento ocorre em meio ao avanço das apostas esportivas no país. Um estudo encomendado pela Autoridade Nacional de Jogos, que regula o setor na França, calculou que cerca de 40% dos espectadores franceses do mundial pretendiam apostar durante o torneio.
O país já possui limitações de publicidade para bets. Além de limitar o tempo diário de anúncios na televisão em geral, mais de uma plataforma de aposta não pode aparecer em cada inserção na programação e é obrigatória a difusão de mensagens de prevenção ao vício durante grandes eventos esportivos.
O projeto de lei apresentado em junho, sugere a proibição de propagandas de bets durante as transmissões, além de limitar os horários de exibição e proibir figuras públicas e influencers de aparecerem nos anúncios.
Na Alemanha, a regulamentação atual para bets menciona que a publicidade não pode ser excessiva, nem voltada para a propagação de odds irrealistas ou passar a mensagem de que os usuários podem ter algum controle dos resultados. Além disso, anúncios de bets entre 6h e 21h são proibidos em rádio, televisão e internet, e anúncios durante as transmissões também são limitados.
Mesmo assim, o avanço nas dinâmicas de transmissão tem desafiado a regulação.
A partir da edição de 2026 da Copa de Mundo, a FIFA comercializa os direitos de transmissão para além da televisão e streaming, incluindo outras plataformas que queiram transmitir o torneio, como casas de apostas.
Na Alemanha, uma bet está transmitindo todos os 104 jogos da Copa do Mundo por meio de seu aplicativo e site, contanto que o usuário tenha feito uma aposta recente na plataforma ou tenha um saldo ativo na sua conta. Só é possível assistir a todos os jogos do torneio na em território alemão na TV paga, já que os canais abertos transmitem somente algumas partidas de forma gratuita.
O movimento também ocorre em outros mercados, inclusive no Brasil, onde uma casa de apostas adquiriu os direitos para transmitir os jogos do mundial em território nacional por meio de seu aplicativo e site.
Enquanto isso, no Reino Unido, o crescimento dos anúncios de apostas esportivas tem preocupado especialistas, apesar da limitação parcial dos anúncios de bets durante transmissões de futebol.
O mercado na região é autorregulado há anos, com proibições de exibição de anúncios durante as partidas encabeçado por associações formadas pelas próprias casas de aposta.
Críticos alegam que a manutenção dos anúncios nos painéis dos estádios, além da quantidade excessiva de propagandas no restante da programação faz com que a medida tenha pouco efeito.
Banimento de anúncios
Outros países optaram por restrições ainda maiores para a publicidade de bets. Na Bélgica, Itália, Espanha e Holanda os anúncios do tipo em transmissões esportivas são proibidos.
Além disso, estes países não permitem quase nenhum outro tipo de publicidade de casas de aposta, incluindo anúncios em outdoors, com influencers nas redes sociais ou por meio de patrocínios esportivos. A Bélgica permite somente patrocínios esportivos, enquanto anúncios on-line são permitidos na Holanda e com restrições na Espanha.
O crescimento da publicidade de casas de aposta ocorre em meio à mudança nos hábitos de consumo de mídia, com transmissões que tornam a delimitação do que é informação, entretenimento ou publicidade muito tênue.
"As novas plataformas tentam construir mais do que um espaço informativo, mas um espaço de entretenimento, com uma tentativa de conversa com o público. Isso se torna mais interessante para o mercado publicitário em comparação com o modelo tradicional”, diz o professor Anderson Santos, professor da Universidade Federal do Alagoas e coordenador do Observatório de Transmissões de Futebóis, voltado para a análise da cobertura e distribuição dos direitos de transmissão no Brasil.
"Acho que os canais tendem a seguir esse direcionamento, porque as próprias marcas vão exigir entregas que sejam mais fluidas, já que é um modelo que está dando certo", complementa Santos.
Mas integrar a transmissão com os anúncios de forma pouca clara faz com que se torne cada vez mais difícil notar se algo é publicidade ou não.
O professor Rossi cita o caso de odds mostradas na tela e menção a apostas por comentaristas durante a transmissão, cenário que observou em transmissões nos EUA e Canadá, e que também podem ser vistas no Brasil. "Julgamos essa menção às apostas e odds altamente problemática porque ela normaliza as apostas e as apresenta como algo inofensivo”, afirma.
No Brasil, as medidas anunciadas pelo governo esta semana incluem a inserção de alertas como "Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência”, além de proibir a apresentação das apostas como investimento, forma de ganho fácil de dinheiro ou que criem um senso de urgência no público. As novas normas passam a valer a partir do dia 17 de julho.
Procurada, a LiveMode, controladora da Cazé TV, não respondeu aos pedidos de comentário da DW Brasil.
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| Short teaser | Apesar de regulação mais restrita, países enfrentam avanço da publicidade de casas de aposta | ||
| Author | João Rocha | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/publicidade-de-bets-também-vira-desafio-regulatório-na-europa/a-77909321?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Publicidades de bet também estão presentes na Alemanha, apesar de regulação durante transmissão na televisão | ||
| Image source | Matias Basualdo/ZUMA/picture alliance | ||
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| Item 4 | |||
| Id | 77910234 | ||
| Date | 2026-07-10 | ||
| Title | O que explica o fiasco da Alemanha na Copa do Mundo? | ||
| Short title | O que explica o fiasco da Alemanha na Copa do Mundo? | ||
| Teaser |
Seleção alemã teve atuações decepcionantes em três Copas do Mundo consecutivas. Especialistas dizem que motivos não estão apenas ligados à qualidade do futebol, mas também a mudanças na sociedade alemã.O ex-capitão da seleção alemã Philipp Lahm afirmou que o maior problema do futebol alemão é a falta de identidade. O ex-jogador Toni Kroos acredita que a Alemanha não tem jogadores de nível mundial. Seu colega Mats Hummels falou sobre problemas sistêmicos. Há muitas opiniões e argumentos para se escolher quando se trata de explicar por que a Alemanha registrou seu terceiro fiasco consecutivo em Copas do Mundo, acabando novamente eliminada na primeira fase do torneio de 2026.
Frank Wormuth, que já foi jogador, treinador-educador da Federação Alemã de Futebol (DFB) e técnico da primeira divisão holandesa, acredita que o contexto da equipe importa.
"Não se trata da filosofia de jogo. Trata-se da qualidade dos jogadores dentro dessa filosofia de jogo", disse Wormuth, que atualmente trabalha como coach mental.
"É preciso analisar isso separadamente. Nossos principais talentos ainda são talentos. [Florian] Wirtz teve uma temporada abaixo do ideal no Liverpool. [Jamal] Musiala ficou afastado por lesão durante um longo período. [Leroy] Sané parece ser uma eterna promessa. O que podemos esperar agora?
"Pequenos detalhes fazem toda a diferença"
"Então, logo de cara, você tem três jogadores muito importantes em campo, responsáveis pela criatividade, que não estavam no auge da forma. E isso não tem nada a ver com [o técnico, Julian] Nagelsmann. É uma questão de desempenho individual. [O atacante Kai] Havertz é simplesmente como é. Ele marca gols de vez em quando, mas se destaca nos passes. Aí Havertz, o único cobrador de pênaltis da equipe em quem se pode confiar, perde um pênalti. São todos pequenos detalhes, e eu diria que, neste nível, pequenos detalhes fazem toda a diferença. É por isso que não funcionou tão bem para nós no ataque, embora essa fosse justamente a nossa força."
Wormuth também cita o exemplo do defensor Nico Schlotterbeck, cuja lesão no início da Copa foi vista como um golpe crucial para as chances da Alemanha.
"Ele se machuca e, de repente, tudo desmorona porque ficamos sem um jogador canhoto capaz de abrir o jogo com sua construção de jogadas. Essa é uma visão unidimensional da situação", disse Wormuth.
"A questão é: será que somos realmente tão bons defensivamente? Basta olhar para as outras equipes e como elas usam seus corpos para desafiar os adversários. Nós não fazemos mais isso. Consigo ver claramente que temos problemas defensivos em situações de um contra um."
Estrutura do sistema e mudanças sociais
Com as mudanças relativamente recentes feitas no sistema de base da Alemanha, parece inadequado sugerir que o futebol juvenil precise de uma reformulação completa. Afinal, o impacto das mudanças recentes não será sentido por muitos anos. No entanto, como o caráter é outra área questionada por aqueles que analisam a mais recente eliminação da Alemanha na Copa do Mundo, existem estudos de caso de outros países que podem inspirar reflexão em termos do desenvolvimento de jovens jogadores na Alemanha.
Mark O'Sullivan, professor associado de futebol na Escola Norueguesa de Ciências do Esporte em Oslo, destaca a abordagem do Bodo/Glimt. Na temporada que acaba de terminar, o clube sediado na pequena cidade ao norte do Círculo Polar Ártico chegou às oitavas de final da Liga dos Campeões da Uefa. Em seu blog, O'Sullivan explica de que forma o clube de futebol moldou seu ambiente, o que acabou impactando positivamente seu desempenho em campo.
"Um dos principais motivos para esse sucesso é a forte ênfase do clube em valores compartilhados, cultura e desenvolvimento de jogadores", escreveu.
"O clube promove princípios como confiança, humildade, responsabilidade coletiva e melhoria contínua. Sob a liderança do treinador Kjetil Knutsen, o Bodo/Glimt desenvolveu um estilo de jogo distinto, caracterizado por uma forte ética de trabalho em equipe. Knutsen enfatizou um ambiente orientado para a aprendizagem, no qual os jogadores são incentivados a assumir responsabilidades, apoiar uns aos outros e buscar constantemente a melhoria."
A Alemanha deixou de ser "durona"?
"No fim das contas, o motivo pelo qual a Alemanha não tem sucesso se resume à cultura, ao treinamento e ao desenvolvimento dos jovens", disse Wormuth.
"O mais importante de tudo é a mentalidade, e isso mudou. Se você me perguntar como isso ocorreu, eu vou te dizer: sociedade. Escola. Educação. Pais. Cultura. As coisas mudaram. Quando [a seleção do] Equador pressiona de verdade a Alemanha, embora ainda de forma justa, e não conseguimos nos manter no jogo, então é uma questão cultural. Eles têm uma cultura de sobrevivência completamente diferente da nossa. É por isso que digo que é isso que nos falta. Não se trata de desenvolvimento de treinadores ou mesmo de treinamento nas categorias de base. Não, é a sociedade. E você não pode mudar isso da noite para o dia", explicou.
"Desenvolvemos todos como os jogadores espanhóis, mas sem a mentalidade deles. É uma questão cultural. A sociedade sempre se reflete um pouco no futebol, ou vice-versa. Nos tornamos mais brandos em muitas situações sociais nos últimos anos."
Essas avaliações são difíceis de quantificar, mas se a brandura for vista como uma pessoa, política ou objeto que perdeu sua força, firmeza ou disciplina originais, então seria justo dizer que o futebol alemão atualmente parece um exemplo disso.
Talvez a Alemanha possa se inspirar em um país próximo. O'Sullivan acredita que a importância do significado na oferta de instalações desempenhou um papel fundamental no sucesso da Noruega no esporte de elite.
Não basta investir em infraestrutura
"Um campo de futebol, ginásio poliesportivo, parque ou pista de esqui não gera participação simplesmente por existir, e a proximidade com as instalações não se traduz necessariamente em participação. Isso é o que poderia ser chamado de falácia espacial. Infelizmente, essa é uma suposição comum no planejamento, na saúde pública e nas políticas esportivas."
Este ano, o governo alemão prometeu investir 333 milhões de euros (R$ 1,9 bilhão) na reforma de 314 instalações esportivas em todo o país, as deixando mais modernas e sustentáveis. Aqui, porém, é o ponto crucial da argumentação de O'Sullivan. Para ele, a modernização dessas instalações não pode ser vista como o único passo para criar uma conexão significativa dos jovens alemães com o esporte. Deve ser apenas o começo.
O mesmo vale para a esperada nomeação de Jürgen Klopp como o novo técnico da seleção masculina de futebol da Alemanha. O futebol alemão chegou a um momento decisivo. O que ele decidir fazer a seguir será lembrado por muitos anos.
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Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
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| Short teaser | Especialistas dizem que os motivos não estão apenas ligados ao futebol, mas também a mudanças na sociedade alemã. | ||
| Author | Jonathan Harding | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-que-explica-o-fiasco-da-alemanha-na-copa-do-mundo/a-77910234?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Após duas eliminações vexaminosas, seleção da Alemanha voltou a decepcionar na Copa do Mundo de 2026 | ||
| Image source | Peter Cziborra/REUTERS | ||
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| Item 5 | |||
| Id | 77910138 | ||
| Date | 2026-07-10 | ||
| Title | Alemanha tenta conter violência contra tripulação de trens | ||
| Short title | Alemanha tenta conter violência contra tripulação de trens | ||
| Teaser |
Condenação de passageiro que provocou morte de fiscal de trem expôs crescentes riscos enfrentados por funcionários ferroviários da Alemanha, que tenta combater violência com mais câmeras e seguranças.Foi um crime que chocou toda a Alemanha no início do ano: a morte de um funcionário da estatal ferroviária alemã Deutsche Bahn, que havia sido espancado por um passageiro que viajava sem bilhete válido.
Agora, cinco meses depois, um tribunal alemão considerou na quinta-feira (09/07) o acusado culpado de lesão corporal seguida de morte e o sentenciou a 10 anos de prisão.
Tudo começou com uma inspeção de rotina de bilhetes em um trem regional no estado alemão de Renânia-Palatinado em fevereiro. O réu, de 24 anos, viajava sem passagem e se recusou a apresentar sua identidade. Quando o fiscal Serkan Çalar, de 36 anos, lhe pediu que saísse do trem e o tocou levemente, o réu golpeou Çalar violentamente na cabeça com os punhos. O fiscal morreu dois dias depois no hospital em decorrência de uma hemorragia cerebral.
Aumento significativo da agressividade
Um membro da Polícia Federal alemã testemunhou no julgamento que o réu já havia sido retirado de um trem de alta velocidade de Paris para Frankfurt am Main, em Kaiserslautern, naquele mesmo dia. O motivo alegado foi "comportamento verbalmente agressivo". "Foi apenas mais um incidente rotineiro para nós", disse o policial. A Polícia Federal na Alemanha é responsável, entre outras coisas, pela segurança ferroviária.
Novos dados do Ministério do Interior também sugerem que este foi mais um "incidente corriqueiro". Segundo os dados, ameaças e ataques contra funcionários ferroviários e policiais federais são comuns na Alemanha.
Somente nos primeiros cinco meses do ano, 1.630 funcionários ferroviários e 4.672 policiais federais foram vítimas de crimes . No ano passado, foram registradas, em média, cinco agressões físicas por dia contra funcionários ferroviários. Esse número já subiu para oito este ano.
Reflexo de altos níveis de estresse
De onde vem essa agressividade, especialmente nos trens?
Leon Walter, pesquisador de violência da Universidade de Bielefeld, disse à DW: "Essas tendências são consistentes com o que as pessoas do sistema de saúde, do corpo de bombeiros e da polícia estão dizendo: todos relatam um aumento na hostilidade." Ele afirma que é um fenômeno que afeta a sociedade como um todo, ligado aos altos níveis de estresse que muitas pessoas vivenciam em seu dia a dia. Para alguns, a violência é "o último recurso".
A isso se soma o espaço fechado de um trem, que, segundo Walter, pode criar uma "tempestade perfeita" durante uma fiscalização de passagens. Pessoas já propensas a comportamentos agressivos e flagradas sem passagem válida não podem fugir – não podem "escapar da situação". Em casos raros, isso pode levar à violência.
Os condutores de trem também costumam ser o alvo principal da frustração dos passageiros com os atrasos cada vez maiores na Deutsche Bahn : "Os funcionários da ferrovia são simplesmente o alvo mais fácil."
Mais câmeras corporais
A estatal ferroviária alemã Deutsche Bahn está enfrentando dificuldades crescentes para encontrar tripulantes de trem devido ao comportamento agressivo de alguns passageiros, afirma Walter. "Muitos estão considerando procurar outro emprego. A violência no local de trabalho é um fator importante. Muitos desses funcionários também sentem que não têm o apoio necessário para lidar com essas situações."
Evelyn Palla, presidente da Deutsche Bahn, já tomou uma medida em resposta ao incidente fatal. Funcionários que interagem com passageiros podem usar câmeras acopladas aos uniformes , caso solicitem. Até então, essa medida era válida apenas para trens regionais, mas agora foi expandida para os serviços de longa distância. Isso inclui atendentes de bordo, funcionários de restaurantes a bordo e funcionários dos chamados DB Lounges nas estações ferroviárias.
O objetivo é ajudar os funcionários a documentar melhor as agressões por parte dos passageiros. As câmeras corporais "têm um efeito preventivo e servem para dissuadir e reduzir atos de violência, bem como para preservar provas", segundo a Deutsche Bahn.
Essa medida é uma das várias incluídas no chamado Plano de Ação para Maior Segurança nos Trilhos . Outras incluem a contratação de 200 agentes de segurança adicionais e o aprimoramento de um botão de emergência, que os funcionários já podem usar para alertar discretamente a central de controle em situações de perigo.
"Nunca toque em um passageiro"
Entretanto, Walter dá especial ênfase ao treinamento da equipe. Ele afirma que o fator mais importante é como os atendentes de bordo se comportam em uma situação de conflito. É especialmente importante que "um passageiro nunca seja tocado ou contido".
Os cobradores também devem ter a opção de se recusar a verificar os bilhetes se acharem que a situação pode sair do controle. "Nossa pesquisa mostra que muitos acreditam que precisam prosseguir com a verificação, independentemente das consequências", disse Walter.
É aqui que os empregadores e os legisladores devem intervir: "As empresas ferroviárias e o governo federal devem estabelecer regulamentos que deixem claro que a segurança deve sempre ser a prioridade."
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| Short teaser | Condenação de passageiro que provocou morte de fiscal dexpôs crescentes riscos enfrentados por funcionários ferroviários | ||
| Author | Christoph Hasselbach | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemanha-tenta-conter-violência-contra-tripulação-de-trens/a-77910138?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/76622965_354.jpg
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| Image caption | Homenagem em plataforma ao funcionário de trem morto por passageiro | ||
| Image source | Boris Roessler/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/76622965_354.jpg&title=Alemanha%20tenta%20conter%20viol%C3%AAncia%20contra%20tripula%C3%A7%C3%A3o%20de%20trens | ||
| Item 6 | |||
| Id | 77903365 | ||
| Date | 2026-07-10 | ||
| Title | Berlim alerta para amostras de drogas em caixas de correio | ||
| Short title | Berlim alerta para amostras de drogas em caixas de correio | ||
| Teaser |
Em nova estratégia de marketing, traficantes de Berlim estão deixando "amostras grátis" em caixas de correio para atrair novos usuários.A polícia de Berlim emitiu um alerta à população após identificar uma nova estratégia utilizada por traficantes para atrair clientes: a distribuição de pequenos pacotes com amostras gratuitas de drogas diretamente nas caixas de correio de moradores da capital alemã.
Segundo as autoridades, os pacotes são coloridos e chamativos, contendo substâncias como cocaína, ecstasy, cetamina, haxixe, maconha e 3-MMC, uma droga sintética estimulante. Além das amostras, os envelopes ou embalagens trazem formas de contato com os traficantes, como números de telefone, QR Codes ou canais em aplicativos de mensagens.
Embalagens coloridas
A polícia demonstrou preocupação especial com o fato de que as embalagens possam atrair a atenção de crianças e adolescentes. De acordo com o alerta divulgado pelas autoridades, os pais devem redobrar os cuidados, já que a aparência colorida dos pacotes pode levar menores a manusear ou até ingerir o conteúdo, o que representa sério risco à saúde.
As autoridades orientam que qualquer pessoa que encontre um pacote suspeito em sua caixa de correio não o abra e entre em contato imediatamente com a polícia. O objetivo dos criminosos é promover seus negócios e conquistar novos consumidores por meio da oferta de amostras grátis, prática considerada ilegal pela legislação alemã.
Evolução de marketing
A iniciativa é vista como uma evolução das estratégias de marketing já utilizadas por traficantes em alguns bairros de Berlim. Nos últimos anos, a polícia registrou a presença de adesivos em postes e muros com números de telefone de vendedores de drogas, além da distribuição de cartões promocionais com links para canais em aplicativos como WhatsApp e Telegram.
O caso tem gerado preocupação entre as autoridades de segurança pública por demonstrar um grau crescente de ousadia por parte das redes de tráfico, que passaram a utilizar métodos semelhantes aos de campanhas comerciais para alcançar potenciais clientes. A polícia reforça que tanto a publicidade de entorpecentes quanto a comercialização dessas substâncias são proibidas e pede que a população denuncie imediatamente qualquer ocorrência semelhante.
Relatório divulgado nesta semana alertou que mortes relacionadas ao consumo de drogas na Alemanha estão atingindo pessoas cada vez mais jovens. Atualmente, quase uma em cada quatro vítimas tem menos de 30 anos.
md/cn (DPA, ots)
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| Short teaser | Traficantes de Berlim estão deixando "amostras grátis" em caixas de correio para atrair novos usuários. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/berlim-alerta-para-amostras-de-drogas-em-caixas-de-correio/a-77903365?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Polícia de Berlim alerta para nova estratégia dos traficantes para atrair clientes | ||
| Image source | Sebastian Gollnow/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77906433_354.jpg&title=Berlim%20alerta%20para%20amostras%20de%20drogas%20em%20caixas%20de%20correio | ||
| Item 7 | |||
| Id | 77885738 | ||
| Date | 2026-07-09 | ||
| Title | Trabalho por aplicativo vira alternativa para vítimas de violência doméstica no Brasil | ||
| Short title | Trabalho por app vira alternativa para vítimas de violência | ||
| Teaser |
Dependência financeira impede muitas mulheres de deixar relacionamentos abusivos. Aplicativos oferecem renda rápida e flexibilidade de horários para cuidar dos filhos, mas expõem motoristas à precarização e à violência. Após ser agredida e ameaçada de morte pelo ex-marido, Nany Cardoso decidiu denunciá-lo e pedir o divórcio. Sem emprego e morando de favor na casa do irmão com as três filhas, alugou um carro para trabalhar como motorista de aplicativo em Niterói (RJ). "No começo, chegava a ficar 17 horas trabalhando direto. Tinha que trabalhar dobrado para cobrir o aluguel do carro e ainda sobrar. Apesar de tudo, foi o que fez minha vida melhorar, trouxe renda para cuidar das crianças e sustentar a casa", relata. Casos como o de Cardoso se repetem no Brasil. Em 2024, 187,9 mil mulheres foram alvo de violência doméstica, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A dependência econômica é um dos fatores que dificultam que as mulheres ponham fim a esses relacionamentos: 61% das vítimas afirmaram ter deixado de denunciar os parceiros por depender deles financeiramente. "As mulheres têm dificuldade de romper com as agressões porque percebem que não conseguem sobreviver sozinhas. Dependem da renda do marido e, quando se dão conta de que precisam se manter, precisam buscar uma fonte de renda", explica a professora Noézia Ramos, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Renda para romper violênciaAo tentar ingressar no mercado de trabalho, essas mulheres se deparam com outras dificuldades, como altas taxas de desemprego: 72,1% dos homens em idade ativa estão empregados, contra 53,1% das mulheres, segundo a Organização Mundial do Trabalho (OIT). Outro problema é o desequilíbrio na distribuição do trabalho doméstico. De acordo com a OIT, 31,7% das mulheres em idade ativa não procuram trabalho porque têm de cuidar de filhos, parentes ou da casa. Na dinâmica da violência doméstica, 17,1% das mulheres são impedidas de trabalhar ou estudar pelos maridos. Com menor instrução e experiência, o trabalho informal se torna uma alternativa para quem não consegue uma colocação. Nesse cenário, uma das opções é o transporte por aplicativo. Para Ramos, as plataformas são "uma alternativa em um cenário de desespero". A advogada Andrea Sampaio, que pesquisou a categoria em sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), afirma que o trabalho por aplicativo oferece uma oportunidade rápida de geração de renda e maior autonomia para as mulheres. "É uma atividade que dá segurança para escolher estar ou não em um relacionamento e que permite conciliar trabalho e vida pessoal." Segundo o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a renda média mensal líquida dos motoristas varia de R$ 3.083 a R$ 4,4 mil. Ganho imediato e flexibilidadeO trabalho nos aplicativos de transporte em Porto Alegre (RS) foi a solução para as dificuldades de Julia Monteiro. Há três, ela estava desempregada e era agredida pela ex-mulher. "Ela me deu socos, me empurrou da escada e tentou me enforcar. Então essa foi uma oportunidade de sair de casa, dava um alívio não sofrer violências no tempo em que estava trabalhando, e também me dava um bom retorno financeiro", conta Monteiro. Um levantamento de 2025 da consultoria Think Eva avaliou o perfil das motoristas. Para 73% das entrevistadas, a possibilidade de ganho imediato é o principal fator para optar por esse trabalho. Outras 37% disseram que ganham mais como motoristas do que no emprego anterior. Cerca de 78% disseram que a flexibilidade de horários é um dos principais atrativos. A motorista Nany Cardoso só trabalha no período da noite para ter tempo de ficar com as filhas durante o dia. "Posso levar ao médico, participar das festas na escola, coisa que o emprego CLT não me permitia". Ela diz que "dá para ganhar um dinheiro bom se você trabalhar muito". Custo da autonomiaAo todo, 103,3 mil mulheres atuam atualmente como motoristas de aplicativo, segundo dados do Cebrap. O número é 62% maior do que há quatro anos. Apesar do crescimento, elas representam apenas 6% do 1,7 milhão de motoristas do país. Ainda que a atividade permita alcançar autonomia financeira, especialistas apontam que o trabalho por aplicativo é marcado pela precarização. "Há uma sensação de que estão trabalhando para si mesmas, mas falta proteção social em casos de acidente ou doença. Também faltam políticas públicas e creches. Já presenciei mulheres trabalhando com os filhos no carro por não terem onde deixá-los", afirma Sampaio. Um estudo da OIT e da ONU Mulheres realizado em países da América Latina, além de Portugal, Espanha e Andorra, apontou que mulheres ganham, em média, 40% menos do que homens nas plataformas de transporte por aplicativo. Para Noézia Ramos, parte dessa diferença pode estar relacionada à menor disponibilidade de tempo para trabalhar. "Se as mulheres enfrentam uma tripla jornada, cuidando dos filhos, da casa e do trabalho remunerado, elas acabam rodando menos. Além disso, preconceito contra mulheres ao volante pode influenciar avaliações feitas pelos passageiros", afirma. A presidente do Sindicato dos Motoristas em Transportes Privados por Aplicativos do Rio Grande do Sul (Simtrapli-RS), Carina Trindade, conta que resolveu testar as plataformas. "Em uma roda com homens e mulheres, ligamos o aplicativo todos juntos e na maioria das vezes, tocou primeiro para eles. O valor das corridas para os homens também era maior". Questionada sobre o assunto, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne representantes de plataformas como 99, Buser, Flixbus, Lalamove, Uber e Zé Delivery, informou que não há qualquer tipo de diferenciação de remuneração de viagens baseada em gênero dos condutores. "Oscilações no preço das viagens são influenciadas por fatores como tempo e distância dos deslocamentos, categoria da viagem escolhida, níveis de oferta e demanda por corridas no horário e local específico, entre outros", afirmou em nota. Assédio e insegurançaMais do que questões econômicas, as motoristas enfrentam desafios quanto à insegurança no volante. De acordo com um levantamento da plataforma GigU, 59% das motoristas afirmam que já foram assediadas, assim como 97% das passageiras. "Isso é bem pesado. Eu preciso falar grosso quando os caras estão de conversinha para ver se entendem", afirma Trindade. Cardoso foi alvo de assalto. "No fim da tarde, quando desembarquei uma passageira e passei em uma rua deserta, um homem que estava de moto parou meu carro, disse que não podia andar Uber ali e puxou meu telefone". Desde 2020, as empresas passaram a ofertar entre as opções de corrida as que tinham mulheres na direção. "Nunca sabemos se realmente é uma mulher ou homem. Aceitamos, acreditando ser uma passageira, mas elas podem chamar a corrida para eles e colocam as motoristas em risco. Se desistem da corrida, podem ser bloqueadas por excesso de cancelamentos", afirma Trindade. A Uber e a 99 estão entre as maiores plataformas do país. A primeira diz que faz campanhas educativas com motoristas para evitar comportamentos inapropriados. Já a 99 alega que nos últimos dois anos investiu R$ 125 milhões no desenvolvimento de ferramentas de segurança, o que resultou na queda de 33% dos incidentes sexuais graves com mulheres. Apesar das dificuldades, Cardoso diz que vai continuar trabalhando como motorista. "Já estou com 50 anos, entrar no mercado de trabalho é mais difícil. Meu sonho agora é terminar de construir minha casa". |
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| Short teaser | Dependência financeira impede muitas mulheres de deixar relacionamentos abusivos. | ||
| Author | Jéssica Moura | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/trabalho-por-aplicativo-vira-alternativa-para-vítimas-de-violência-doméstica-no-brasil/a-77885738?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Trabalho%20por%20aplicativo%20vira%20alternativa%20para%20v%C3%ADtimas%20de%20viol%C3%AAncia%20dom%C3%A9stica%20no%20Brasil | ||
| Item 8 | |||
| Id | 77895814 | ||
| Date | 2026-07-09 | ||
| Title | Montadoras alemãs cobram reação à China e ameaçam cortes | ||
| Short title | Montadoras alemãs cobram reação à China e ameaçam cortes | ||
| Teaser |
Associação do setor defende mais incentivos fiscais para fazer frente à concorrência chinesa e até repasse de fábricas alemãs a firmas estrangeiras para salvar empregos. Pressão ocorre após VW planejar demitir 100 mil.Em um momento em que Volkswagen e Mercedes-Benz cogitam novos cortes na produção e a BMW prevê queda nos lucros, a VDA, poderosa associação da indústria automobilística alemã, defendeu nesta quarta-feira (08/07) a necessidade de reformas no setor para fazer frente à concorrência no exterior, propondo "ajustes de pessoal", incentivos fiscais e flexibilização de normas trabalhistas.
"Tudo o que gera crescimento deve ter prioridade – seja no que diz respeito às contribuições sociais, impostos, preços de energia, carga burocrática ou também flexibilizações no mercado de trabalho", afirmou a presidente da VDA, Hildegard Müller, em um comunicado em que destaca as "condições ruins" para a indústria na Europa e na Alemanha.
"As empresas da indústria automobilística, diante dos problemas persistentes e agudos de competitividade das unidades, terão que realizar novas reformas e ajustes", disse Müller. "Isso inclui disciplina de custos, infelizmente também ajustes necessários de pessoal e reformas profundas dos modelos de negócios."
Embora Müller não diga diretamente a quais países se refere quando cita a perda de competividade das montadoras europeias, a maior ameaça à indústria vem neste momento da China, maior fabricante de carros elétricos do mundo, contra a qual os europeus têm cada vez mais dificuldades em concorrer.
"A crise afeta toda a indústria europeia, as consequências são visíveis e perceptíveis diariamente – e tornam-se cada vez mais dramáticas", disse a presidente da VDA, defendendo "decisões corajosas" que incluiriam, além das reformas e cortes defendidos, também a abertura a fabricantes não europeus.
"Precisamos abrir os polos industriais aqui também para fabricantes estrangeiros. Com cada fábrica que conseguirmos manter, preservamos empregos", argumentou.
VW quer demitir 100 mil
O comunicado da VDA vem em um momento que a VW cogita eliminar até 100 mil postos de trabalho em suas fábricas pelo mundo – o dobro do planejado até agora –, segundo a revista Manager Magazin.
Quatro fábricas do grupo na Alemanha estariam inclusive ameaçadas de fechamento: Hannover, Emden, Zwickau e Neckarsulm. De acordo com a revista Spiegel, a produção de veículos nesses locais poderia ser encerrada até o fim de 2034.
Em Dresden, a produção de veículos foi recentemente encerrada. Para Osnabrück, o grupo busca uma solução, já que a produção de conversíveis será interrompida no próximo ano. Empresas do setor de defesa são apontadas como possíveis parceiras.
Atualmente, a VW emprega mais de 650 mil pessoas em todas as suas marcas, que incluem Audi, Bentley, Skoda, Seat e Cupra. E já confirmou que eliminará 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030, após registrar uma queda de 44% no lucro líquido em 2025.
O presidente da empresa, Oliver Blume, alega que o modelo de negócios do grupo – desenvolver e produzir carros na Europa e exportá-los ao mundo – já não funciona.
Nesta quinta, sob protestos de sindicatos, o conselho de supervisão da VW se reuniu para discutir novos cortes.
Blume justificou os cortes diante da piora nas condições operacionais, citando tarifas, guerras, tensões geopolíticas e o acirramento da concorrência. Mas negou ter quaisquer planos ou negociação com empresas chinesas para repassar a operação de suas fábricas. Em vez disso, uma ideia seria passar a produzir modelos chineses da marca na Europa.
A indústria automobilística é um pilar importante da economia alemã, sendo responsável por um número estimado de 3,2 milhões de empregos diretos e indiretos. Seu estado também é um indicativo de quão bem ou mal anda a indústria europeia, já que esse setor responde por 8% do PIB europeu, segundo a consultoria McKinsey.
Um relatório da consultoria Boston Consulting publicado em junho e citado pelo jornal The Guardian aponta que a capacidade produtiva da indústria automobilística europeia hoje excede a demanda em mais de 5 milhões de veículos por ano, o equivalente a 35 fábricas em toda a Europa.
Na sexta-feira passada, dezenas de milhares de funcionários da fabricante Mercedes-Benz já haviam protestado em todo o país contra os planos da empresa para aumentar a jornada de trabalho de 35 para 40 horas semanais, mantendo os mesmos salários, a fim de enxugar gastos de produção.
ra (dpa, ots)
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| Short teaser | Setor defende incentivos fiscais para fazer frente à concorrência e repasse de fábricas a fim de manter empregos. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/montadoras-alemãs-cobram-reação-à-china-e-ameaçam-cortes/a-77895814?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Produção de veículos da VW em Dresden (foto) foi encerrada no final de 2025; outras fábricas na Alemanha podem ter o mesmo destino | ||
| Image source | Matthias Rietschel/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77888667_354.jpg&title=Montadoras%20alem%C3%A3s%20cobram%20rea%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0%20China%20e%20amea%C3%A7am%20cortes | ||
| Item 9 | |||
| Id | 77895874 | ||
| Date | 2026-07-09 | ||
| Title | Homem que matou fiscal de trem na Alemanha é condenado a 10 anos de prisão | ||
| Short title | Alemanha: 10 anos de prisão para homem que matou fiscal | ||
| Teaser |
Passageiro que não tinha bilhete agrediu mortalmente profissional que fazia fiscalização num trem no oeste da Alemanha. Familiares queriam condenação mais severa e criticam veredito.Um tribunal da cidade alemã de Zweibrücken condenou nesta quinta-feira (09/07) um homem de 26 anos a dez anos de prisão por agredir mortalmente um controlador de bilhetes de trem durante uma fiscalização no estado da Renânia-Palatinado, no oeste da Alemanha, há cinco meses.
O caso gerou um debate na Alemanha sobre como melhorar a segurança nos trens. A operadora ferroviária nacional, a Deutsche Bahn, anunciou planos de fornecer câmeras corporais aos fiscais que fazem o controle de bilhetes e à equipe de restaurantes a bordo como parte dos esforços para aumentar a segurança.
O tribunal de Zweibrücken concluiu que o homem atacou o fiscal de trem Serkan Çalar após ser flagrado sem passagem, desferindo golpes tão violentos que a vítima acabou morrendo em decorrência de uma hemorragia cerebral. O agressor foi considerado culpado do crime de lesão corporal seguida de morte.
O advogado que representa a família da vítima anunciou, mesmo antes do veredito, que vai recorrer tanto da condenação quanto da pena. Os familiares queriam uma condenação por homicídio ou mesmo assassinato e não compareceram à audiência de leitura da sentença porque o tribunal já havia descartado esses crimes.
Homicídio ou não?
A questão central do processo era justamente qual crime o tribunal considerava ter sido cometido. Na interpretação do tribunal, o acusado não achou, no momento da agressão, que poderia matar o controlador de bilhetes. A vítima não teve ferimentos externos, e outros passageiros também não presumiram que a ação seria fatal, argumentaram os juízes.
Após a agressão, o réu disse: "Isso vai ensiná-lo a não tocar em pessoas estranhas”, disse o juiz que leu o veredito. Esta afirmação mostraria que o agressor presumia que a vítima sobreviveria.
Como foi a agressão
O ataque, ocorrido num trem regional perto de Landstuhl, está bem documentado porque foi gravado por câmeras de segurança. O réu, um cidadão grego residente em Luxemburgo, não tinha passagem e se recusou a apresentar uma identificação. Diante da exigência do fiscal para que ele desembarcasse, o ataque ocorreu.
Um vídeo sem som mostra socos rápidos e violentos no queixo, no peito e na cabeça de Çalar, que logo cai inconsciente.
Na parada seguinte, em Homburg, o réu foi preso e o fiscal, gravemente ferido, foi atendido. Ele morreu no hospital dois dias depois.
O réu admitiu o ataque, mas negou qualquer intenção de matar e pediu desculpas à família da vítima. No entanto, os representantes da família da vítima rejeitaram essa declaração como "insincera".
O agente de bordo, que era pai solteiro, deixa dois filhos menores de idade.
as (DPA, AFP, ARD)
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| Short teaser | Passageiro que não tinha bilhete agrediu mortalmente profissional que fazia fiscalização num trem no oeste da Alemanha. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/homem-que-matou-fiscal-de-trem-na-alemanha-é-condenado-a-10-anos-de-prisão/a-77895874?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Familiares exibem fotos do fiscal de trem Serkan Çalar, que foi agredido brutalmente durante um controle de bilhetes e morreu dois dias depois | ||
| Image source | Boris Roessler/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77694313_354.jpg&title=Homem%20que%20matou%20fiscal%20de%20trem%20na%20Alemanha%20%C3%A9%20condenado%20a%2010%20anos%20de%20pris%C3%A3o | ||
| Item 10 | |||
| Id | 77894689 | ||
| Date | 2026-07-09 | ||
| Title | Impacto de ataques ucranianos a refinarias russas chega ao Brasil | ||
| Short title | Impacto de ataques a refinarias russas chega ao Brasil | ||
| Teaser |
Pressionada por uma grave crise de combustíveis provocada por ataques ucranianos, Rússia suspende exportações de diesel. Medida atinge em cheio o Brasil, que em 2025 foi o 3º maior comprador da produção russa.Pressionado pela crescente escassez de combustíveis provocada por ataques ucranianos à sua indústria petrolífera, o líder da Rússia,Vladimir Putin, suspendeu nesta quarta-feira (08/07) exportações de diesel.
A medida, que deve vigorar até 31 de julho, deve atingir em cheio o Brasil, terceiro maior importador da produção russa de diesel. O anúncio ainda fez disparar os preços do barril do diesel em um mercado global já tensionado pela guerra no Irã.
Terceiro maior produtor global de petróleo, atrás apenas dos EUA e Arábia Saudita, a Rússia sofre escassez de combustível e disparadas de preços, consequência direta dos ataques ucranianos nos últimos meses contra refinarias, tanques de armazenamento e linhas de abastecimento.
Motoristas em muitas regiões tem enfrentado filas quilométricas para abastecer, à medida que a intensificação dos ataques ucranianos à infraestrutura energética russa restringe a oferta de diesel e gasolina.
E isso apesar de a Rússia já ter proibido a exportação de gasolina desde abril.
O Financial Times afirma que o país vive sua pior crise de combustíveis desde o colapso da União Soviética.
"Hoje foi introduzida uma proibição das exportações de diesel, e isso permitirá aumentar a oferta para o mercado doméstico", afirmou o vice-primeiro-ministro, Alexander Novak.
Além do veto à exportação de diesel, a Rússia também vai importar mais combustível do exterior. Fontes do setor afirmam que isso já ocorre desde a semana passada, quando a Rússia começou a importar gasolina por via marítima da Índia, segundo a agência de notícias Reuters.
As medidas foram anunciadas em uma reunião de governo televisionada e presidida por Putin.
Alerta para o Brasil
Em 2023, a Rússia se tornou o maior fornecedor de diesel ao Brasil, ultrapassando os Estados Unidos, maior produtor mundial de petróleo. A mudança foi fruto da guerra na Ucrânia, que forçou Moscou a buscar novos mercados para a sua commodity após ser sancionada pela União Europeia.
Como resultado, em 2025 o Brasil foi o terceiro maior importador de diesel russo, segundo dados da Kpler. Mas os números caíram 65% de maio para junho deste ano, em meio ao aumento dos ataques ucranianos à infraestrutura energética russa, informou a Fecombustíveis Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes do Brasil (Fecombustíveis). Ao mesmo tempo, o volume importado dos EUA cresceu 74% entre maio e junho deste ano.
O veto à exportação anunciado pela Rússia, somado à notícia de que o país vai importar combustíveis, deixou analistas preocupados, já que deve desencadear escassez em alguns países e alta de preços.
Os impactos podem ser amplos, já que frotas de caminhões, sistemas ferroviários, agricultura e construção dependem fortemente do diesel, puxando a inflação e prejudicando o crescimento.
Muitos mercados já enfrentaram um aumento de mais de 50% nos custos do diesel devido à guerra com o Irã.
Para o analista Abhishek Kumar, da Sparta Commodities, a proibição das exportações de diesel pela Rússia vem "quase no pior momento possível".
"A guerra no Irã já havia forçado grandes retiradas de estoques para compensar a interrupção do fornecimento do Oriente Médio, deixando os estoques de diesel em mercados-chave reduzidos", disse à agência Reuters, acrescentando que Rússia e seus compradores agora competirão de forma agressiva com a Europa pelas importações de diesel de outros fornecedores.
As exportações russas de diesel por via marítima já haviam despencado em junho em função da escassez gerada pela guerra, totalizando 1,8 milhão de toneladas, queda de 39% em relação a maio e de 46% em relação às 3,35 milhões de toneladas em junho de 2025.
"Eles [Rússia] basicamente já tinham uma proibição de exportação de fato. Em junho, [as exportações] caíram para 400 mil barris por dia; julho está no caminho para ser ainda mais baixo", disse uma fonte europeia do setor de trading.
As exportações russas de diesel foram de apenas 214 mil barris por dia entre 1º e 8 de julho, segundo dados da consultoria Kpler, em comparação com uma média diária de 793 mil barris em julho de 2025.
A Ucrânia atacou todas as dez maiores refinarias da Rússia desde o final de abril. A maior, em Omsk, distante mais de 2,5 mil quilômetros da fronteira ucraniana, foi forçada a interromper sua produção após um bombardeio no início desta semana.
Falando durante o anúncio das medidas nesta quarta, Putin disse que a Ucrânia está tentando prejudicar a economia russa e "criar um sentimento de ansiedade na sociedade", mas assegurou que esse objetivo é "inalcançável" e que a "resiliência do sistema de energia da Rússia é muito alta",
A Ucrânia afirma que seus ataques a instalações de combustível russas têm como objetivo limitar a capacidade da Rússia de fazer guerra e forçar Moscou a iniciar negociações de paz.
ra (Reuters, dpa, ots)
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| Short teaser | Rússia suspende exportações de diesel. Medida atinge o Brasil, que em 2025 foi o 3º maior comprador da produção russa. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/impacto-de-ataques-ucranianos-a-refinarias-russas-chega-ao-brasil/a-77894689?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Rússia enfrenta crise de combustíveis após ter sua indústria petrolífera visada pela Ucrânia | ||
| Image source | Alexander Ermochenko/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77766990_354.jpg&title=Impacto%20de%20ataques%20ucranianos%20a%20refinarias%20russas%20chega%20ao%20Brasil | ||
| Item 11 | |||
| Id | 77889998 | ||
| Date | 2026-07-09 | ||
| Title | A grande aposta tecnológica do homem mais rico da Alemanha | ||
| Short title | A grande aposta tecnológica do homem mais rico da Alemanha | ||
| Teaser |
Dieter Schwarz, de 86 anos, que fez fortuna com rede de supermercados Lidl, está investindo em data centers e IA. Tudo para competir com empresas como Amazon e diminuir dependência digital da Europa em relação aos EUAQuando o empresário Bernd Wagner caminha pela nova sede da empresa, fica entusiasmado e diz coisas como "sete vezes mais aço do que foi utilizado na construção da Torre Eiffel" ou "cabos suficientes para ir daqui até Nápoles".
Wagner é o responsável pela área de computação em nuvem e vendas da Schwarz Digits. Essas enormes quantidades de aço e cabos foram empregadas na construção da nova sede, que será oficialmente inaugurada em 21 de julho de 2026.
O complexo, projetado para 3.500 funcionários e equipado com creche, restaurante e área fitness, lembra as sedes da Amazon, da Apple ou da Google: localizado numa elevação, é composto por cinco edifícios de vidro de vários andares, com formas suavemente curvas e estrutura em formato de colmeia. No centro do chamado Campus Schwarz Digits, há um pequeno lago, muito verde e bancos à sombra.
"Isso aqui é uma declaração de intenções. Não precisamos nos esconder da Google nem de ninguém", afirma Wagner.
Dos supermercados para a TI
Essa sede não fica na Califórnia, mas em Bad Friedrichshall, uma pequena cidade no sul da Alemanha, a poucos quilômetros de Heilbronn, a cidade natal daquele que é apontado por revistas especializadas como o homem mais rico da Alemanha: Dieter Schwarz, de 86 anos.
Foi a partir de Heilbronn que ele construiu o império Lidl, uma das redes de supermercados mais conhecidas da Alemanha e presente em vários países da Europa. Mais de 600 mil pessoas trabalham em empresas do Grupo Schwarz em todo o mundo.
O conglomerado cresceu sobretudo graças às redes de supermercados Lidl e Kaufland. Mas, como o Grupo Schwarz prefere fazer tudo por conta própria, expandiu-se para diversas áreas: produção de alimentos, gestão de resíduos, reciclagem e, agora, digitalização.
Em 2025, o Grupo Schwarz registrou um faturamento de quase 185 bilhões de euros – mais do que SAP, Mercedes ou Bayer. Só a montadora Volkswagen faturou mais entre as empresas alemãs.
Europa sem dependência tecnológica
O Grupo Schwarz sempre foi conhecido pela discrição. Quase nunca se fala sobre seu fundador, Dieter Schwarz. Há poucas fotografias públicas dele. Diz-se que ele consegue andar por Heilbronn sem ser reconhecido.
Mas agora o Grupo Schwarz está nas manchetes com uma nova narrativa, que começa com a Schwarz Digits e gira em torno da independência digital e da valorização da Alemanha como polo tecnológico.
"Se você não está sentado à mesa, acaba fazendo parte do cardápio", diz Wagner em seu escritório climatizado.
Se nos últimos anos a Schwarz Digits cuidou sobretudo da infraestrutura de TI dos 14.500 supermercados do grupo ao redor do mundo, agora oferece seus serviços de nuvem e segurança digital também para empresas privadas e órgãos públicos.
Segundo Wagner, o objetivo é fazer com que Alemanha e Europa voltem a ter protagonismo e deixem de depender totalmente das tecnologias dos Estados Unidos ou da China. "Queremos devolver à Europa sua capacidade de agir", afirma.
Esse posicionamento está dando resultados. Nos últimos tempos, a empresa vem conquistando grandes contratos. Entre seus clientes e parceiros estão o governo da Holanda, ministérios alemães e a Federação Alemã de Futebol (DFB).
Na região de Spreewald, ao sul de Berlim, a Schwarz Digits está construindo um centro de dados. Ao custo de 11 bilhões de euros, trata-se do maior investimento individual da história do grupo.
O valor investido na nova sede em Bad Friedrichshall não foi divulgado. O que se sabe é que a instalação foi concebida para manter os talentos de TI na Alemanha e até mesmo atrair novos profissionais. A mensagem é clara: por que se mudar para o caro Vale do Silício se é possível trabalhar num setor do futuro no sul da Alemanha?
Heilbronn se transforma
Quem passeia por Heilbronn vê claramente como a cidade está formando os seus talentos. Um exemplo é o campus educacional da Fundação Dieter Schwarz, onde diversas instituições de ensino e pesquisa alemãs formam cerca de 8 mil estudantes. A expectativa é de que o número ainda vá crescer significativamente.
Nas proximidades está o Experimenta, que se apresenta como o maior centro de ciência da Alemanha e virou símbolo da cidade e atração turística. Lá os visitantes podem vivenciar na prática tecnologias e aplicações de inteligência artificial.
O prefeito de Heilbronn, Harry Mergel, participou da iniciativa que levou à construção do Experimenta há cerca de 20 anos. Uma das principais financiadoras do projeto foi justamente a Fundação Dieter Schwarz.
Mergel é prefeito da cidade, que tem mais de 130 mil habitantes, desde 2014. Assim como muitos outros, ele evita falar muito sobre o mecenas que não deixou sua terra natal. "Toda pessoa tem direito ao anonimato", diz.
O megaprojeto de IA
A transformação da cidade já é visível. Heilbronn, que os próprios moradores às vezes chamavam de forma autodepreciativa de "Heilbronx", aparece hoje em alguns rankings como a cidade com o maior poder de compra da Alemanha.
O crescente número de moradores vindos da Índia e da China também indica que empregos em tecnologia da informação estão atraindo profissionais para a região.
Além disso, há um megaprojeto que deverá tornar a cidade ainda mais conhecida internacionalmente nos próximos anos: o Innovation Park Artificial Intelligence (IPAI).
Com esse parque de inovação em inteligência artificial, Heilbronn pretende competir com centros tecnológicos como Londres e Paris.
A expectativa é que até 5 mil pessoas trabalhem e pesquisem no complexo localizado nos arredores da cidade. Os primeiros edifícios serão inaugurados em 2027. Mais uma vez, tanto a Fundação Dieter Schwarz quanto o Grupo Schwarz desempenham um papel central no projeto.
Os custos não foram divulgados, mas o IPAI já opera como rede de colaboradores desde 2022, e cerca de 140 empresas e parceiros desenvolvem projetos relacionados à inteligência artificial. Mergel, cujo mandato vai até 2030, é taxativo: "O futuro está sendo construído em Heilbronn".
Vai dar certo?
Wagner vai na mesma linha: "A nossa região em breve se tornará o maior polo de formação em inteligência artificial da Alemanha e da Europa." E a Schwarz Digits pretende, claro, ocupar um papel importante nesse cenário.
Mas será que a empresa realmente consegue competir com os gigantes da tecnologia? A Amazon, por exemplo, faturou 135 bilhões de dólares só no seu negócio de computação em nuvem no último ano. A Schwarz Digits, considerando todas as suas atividades, alcança cerca de 2,2 bilhões de euros em receita.
Mesmo assim, Wagner demonstra confiança. Segundo ele, as oportunidades surgem naturalmente, já que Alemanha e Europa precisam urgentemente de soluções de TI independentes.
O Grupo Schwarz também não é por acaso o maior varejista da Europa e o quarto maior do mundo. Dieter Schwarz já demonstrou diversas vezes paciência estratégica e faro para grandes oportunidades. Por isso, é perfeitamente possível que a nova grande aposta dele acabe se revelando um sucesso.
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| Short teaser | Dieter Schwarz, de 86 anos, que fez fortuna com rede de supermercados Lidl, está investindo em data centers e IA. | ||
| Author | Redação DW | ||
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| Image caption | Com o Innovation Park Artificial Intelligence (IPAI), Heilbronn quer competir com outros centros tecnológicos, como Londres | ||
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| Item 12 | |||
| Id | 77885409 | ||
| Date | 2026-07-09 | ||
| Title | Vítimas de doping na Alemanha Oriental seguem sem apoio adequado | ||
| Short title | Vítimas de doping na Alemanha Oriental seguem sem apoio | ||
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Atletas submetidos a doping sistemático no antigo país socialista ainda necessitam urgentemente de ajuda, diz relatório.Atletas que foram submetidos ao doping pelo Estado da Alemanha Oriental não dispõem de "meios adequados de apoio, embora os afetados ainda necessitem urgentemente de ajuda", afirmou um novo relatório divulgado nesta quarta-feira (08/07).
As conclusões foram apresentadas em Berlim por Evelyn Zupke, comissária do governo alemão para as vítimas da ditadura socialista, no Memorial de Hohenschönhausen, um antigo centro de detenção da Stasi, a polícia secreta da República Democrática Alemã (RDA).
Segundo o relatório, divulgado anualmente, o doping forçado constituiu "um flagrante abuso de poder político, que reduziu os atletas "a meros objetos da ação estatal, violando gravemente sua dignidade humana". Zupke pediu alterações na legislação atual para garantir que as vítimas tenham acesso a apoio adequado.
Em um relatório separado, divulgado em janeiro, Zupke declarou estar "convencida de que enfrentar as consequências do doping patrocinado pelo Estado na RDA não é apenas uma questão para os afetados e para os historiadores".
"Isso também é importante para a imagem que a Alemanha tem de si mesma como uma nação esportiva entusiasmada e bem-sucedida", afirmou, referindo-se à candidatura do país para sediar os Jogos Olímpicos nas próximas décadas.
Por que a Alemanha Oriental dopava seus atletas?
A Alemanha Oriental implementou, em 1974, um amplo programa estatal de doping. O objetivo era ajudar a República Democrática Alemã (RDA) a conquistar mais medalhas em competições internacionais, que então poderiam ser celebradas como prova da força e da superioridade do Estado socialista.
Até 1989, estima-se que entre 10 mil e 15 mil jovens tenham recebido sistematicamente substâncias para melhorar o desempenho – principalmente esteroides anabolizantes –, muitas vezes sem seu conhecimento ou consentimento. Alguns tinham apenas 13 anos de idade.
O doping ajudou a transformar a Alemanha Oriental em uma potência esportiva, com o país conquistando o segundo maior número de medalhas tanto nos Jogos Olímpicos de 1976 quanto nos de 1980.
Após a reunificação alemã, em 1990, a verdadeira dimensão do programa de doping veio à tona, lançando uma sombra sobre as conquistas esportivas da Alemanha Oriental.
"A sombra da ditadura é longa"
Além da questão do doping, o relatório de Zupke apresentou uma avaliação positiva das leis adotadas no início de 2025 que passaram a oferecer compensação às vítimas do regime da Alemanha Oriental. "Nosso país reunificado está no caminho certo para oferecer o melhor apoio e reconhecimento possíveis às vítimas da ditadura do SED", disse Zupke, referindo-se ao Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED), que governava a Alemanha Oriental.
"Mas a sombra da ditadura é longa: muitas vítimas continuam sofrendo com as consequências para a saúde."
md/cn (DPA, EPD)
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| Short teaser | Atletas submetidos a doping sistemático no antigo país socialista necessitam urgentemente de ajuda, diz relatório. | ||
| Author | Redação DW | ||
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| Image caption | Doping patrocinado pelo Estado na RDA causou danos duradouros à saúde de milhares de atletas | ||
| Image source | Patrick Seeger/dpa/picture alliance | ||
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| Item 13 | |||
| Id | 77882412 | ||
| Date | 2026-07-08 | ||
| Title | Alemanha teve 5.655 mortes a mais em onda de calor histórica | ||
| Short title | Alemanha teve 5.655 mortes a mais em onda de calor histórica | ||
| Teaser |
País registrou 23,6 mil óbitos de 22 a 28 de junho, quando recordes de temperatura foram quebrados, contra uma média de 18,1 mil no mesmo período de 2022 a 2025.A Alemanha registrou 5.655 mil mortes a mais que o esperado na penúltima semana de junho, quando o país foi varrido por uma onda de calor extremo que quebrou recordes históricos de temperatura, informou o Escritório Federal de Estatísticas.
Foram 23.665 mil óbitos de 22 a 28 de junho, contra uma média de 18.179 no mesmo período dos quatro anos anteriores. Os dados são preliminares, mas, como apontou o portal n-tv, há 26 anos não morriam tantas pessoas em uma única semana de verão.
Naquela semana, o país superou marcas históricas de calor por três dias seguidos. A pior marca, 41,7ºC medidos em 28 de junho, foi registrada em Coschen, em Brandemburgo, no leste do país. Na virada de 26 para 27, o país teve sua noite mais quente, com sufocantes 29,4ºC medidos em Kubschütz, na Saxônia, também no leste do país.
Na mesma época, o calor extremo produziu cenas insólitas na Alemanha, como o asfalto derretido no entorno dos trilhos de bonde em Leipzig, no estado da Saxônia, e autoestradas "estouradas" pelo país.
Uma semana antes, de 15 a 21 de junho, as autoridades alemãs contabilizaram 18.427 mortos, muito próximo da média dos quatro anos anteriores para o mesmo período.
Onda de calor castigou boa parte da Europa
Outros países europeus também foram duramente afetados pelo calor no final de junho.
Dados preliminares apontam mais de 4,7 mil mortes adicionais para o período na França, Holanda, Bélgica e Espanha, com a expectativa que o número aumente ainda mais, conforme outros países ainda atualizam seus balanços.
Embora o alto número de mortes esteja muito provavelmente relacionado ao clima extremo, não se pode falar automaticamente em mortes por calor. Esses casos são difíceis de determinar, principalmente quando se trata de idosos e pessoas com doenças preexistentes.
"Que as altas temperaturas têm influência é incontestável — mas em que medida muitas vezes não está claro", disse o diretor médico do serviço de emergência da cidade de Colônia, Alexander Lechleuthner, citado pela revista alemã Der Spiegel.
A crise climática tem tornado ondas de calor mais intensas e frequentes. Por isso, alguns especialistas apontam que as altas temperaturas serão cada vez mais consideradas um fator de risco à saúde.
"Com certeza temos mais mortes associadas ao calor do que ao trânsito", afirmou Uwe Janssens, diretor da Associação Interdisciplinar Alemã de Cuidados Intensivos e Medicina de Emergência (DIVI), à Spiegel.
Ao portal t-online, Sebastian Klüsener, diretor de pesquisa do Instituto Federal de Pesquisa sobre População, disse que se o número de mortos nas próximas semanas se mantiver nos níveis esperados em vez de diminuir, é sinal de que o calor provavelmente não só "antecipou" a morte de quem já tinha baixa expectativa de vida, mas também precipitou a morte de pessoas consideradas mais saudáveis.
ra (ots)
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| Short teaser | País registrou 23,6 mil óbitos de 22 a 28 de junho, semana recorde de calor, contra média de 18,1 mil de 2022 a 2025. | ||
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| Image caption | Termômetros passaram dos 40ºC na Alemanha durante a onda de calor no final de junho | ||
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| Item 14 | |||
| Id | 77879115 | ||
| Date | 2026-07-08 | ||
| Title | Esferas metálicas caídas do céu geram alerta na Austrália | ||
| Short title | Esferas metálicas caídas do céu geram alerta na Austrália | ||
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Seis bolas de titânio forçaram interdição de praia no país. Especialistas apontam que se trata de lixo espacial e alertam que objetos podem conter vestígios de hidrazina, combustível de foguete tóxico e inflamável.A descoberta de seis esferas metálicas em uma praia no nordeste da Austrália mantém os especialistas ocupados e desencadeou uma grande operação ao norte da cidade de Townsville.
A Agência Espacial Australiana (ASA) acredita que os objetos sejam restos de lixo espacial. Uma porta-voz da agência declarou à emissora ABC que tudo indica que se trata de tanques de pressão pertencentes a um foguete lançador.
Popularmente, eles também são conhecidos como "Space Balls" (bolas espaciais), sem qualquer relação com o filme de comédia homônimo de Mel Brooks, lançado em 1987. No setor aeroespacial, o termo se refere aos tanques de pressão fabricados com ligas de titânio que fazem parte do sistema de combustível dos foguetes.
Segundo os especialistas, devido ao material resistente ao calor, esses objetos costumam sobreviver à reentrada na atmosfera terrestre.
Alerta para possíveis resíduos de hidrazina
No entanto, é preciso ter cautela. O jornal britânico The Guardian citou a especialista em assuntos espaciais Alice Gorman, da Universidade Flinders, que alertou para a possível presença de resíduos de hidrazina dentro das esferas, um combustível de foguete altamente tóxico e inflamável.
Mas as autoridades não confirmaram essa possibilidade. De acordo com a ASA, as esferas já foram recolhidas e classificadas como seguras.
Ainda assim, a porta-voz da agência reforçou que restos espaciais suspeitos nunca devem ser tocados, movidos ou recolhidos. Ela recomendou que as pessoas se afastem do local e avisem os serviços de emergência, sempre presumindo que os objetos são perigosos.
Evacuação e zona de exclusão em Forrest Beach
Após a descoberta dos objetos esféricos na sexta-feira da semana passada na praia de Forrest Beach, bombeiros e policiais estabeleceram áreas de isolamento e recolheram as peças utilizando contêineres especiais.
Segundo a ABC, alguns moradores precisaram deixar suas casas por precaução. Posteriormente, a área de evacuação foi significativamente reduzida depois que equipes especializadas avaliaram a situação. A praia permaneceu fechada por algum tempo.
De acordo com o The Guardian, um criativo proprietário de uma lanchonete local já aproveitou o acontecimento e passou a vender uma "Space Junk Snack Box" (caixa de petiscos de sucata espacial). Um cartaz no estabelecimento brinca com a ideia de que, ao contrário de muitas outras coisas que aparecem na praia, esses objetos podem ser identificados com facilidade.
md (DPA, ots)
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Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
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| Short teaser | Seis bolas de titânio forçaram interdição de praia no país. Objetos podem conter vestígios de substância tóxica. | ||
| Author | Redação DW | ||
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| Image source | Queensland Fire Department/dpa/picture alliance | ||
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| Item 15 | |||
| Id | 77880857 | ||
| Date | 2026-07-08 | ||
| Title | Como Ormuz se tornou a "carta na manga" do Irã contra os EUA | ||
| Short title | Como Ormuz se tornou a "carta na manga" do Irã contra os EUA | ||
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Novos ataques demonstram crescente facilidade do regime de Teerã em perturbar tráfego marítimo, mercados de energia e países vizinhos no Golfo. Quão vulneráveis estão os EUA aos caprichos de Teerã?A guerra com o Irã voltou a se intensificar depois que a República Islâmica atacou pelo menos três embarcações comerciais no Estreito de Ormuz na terça-feira (07/07), segundo autoridades americanas e do setor marítimo.
Os ataques, que tiveram como alvo um petroleiro saudita e um navio de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, levaram os Estados Unidos a retomar o bloqueio às exportações de petróleo iraniano.
A suspensão temporária das sanções ao petróleo, uma importante concessão dos EUA ao Irã no memorando firmado pelos dois países em junho, aliviava os cofres de Teerã, cujas exportações até então vinham sendo bloqueadas pela Marinha americana.
Em nova retaliação, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou nesta quarta-feira ter atingido mais de 80 alvos no Irã, incluindo sistemas de defesa aérea, radares e mais de 60 embarcações pequenas usadas pela Guarda Revolucionária do Irã para assediar o transporte marítimo.
Os bombardeios, segundo o Centcom, visam "impor custos elevados [ao Irã] por mirar e atacar embarcações comerciais tripuladas por civis inocentes em uma via marítima internacional".
O Irã respondeu no mesmo dia lançando novos ataques com mísseis contra países do Golfo. Sirenes de ataque aéreo e explosões soaram no Bahrein e no Kuwait.
Reagindo à escalada, a empresa de segurança marítima Marisks alertou que a troca de ataques "marca um retorno ao confronto militar direto".
Falando antes de uma cúpula da Otan na Turquia, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o acordo com o Irã "acabou", e que " lidar com eles [Teerã] é apenas perda de tempo".
China e Catar apelaram por uma redução imediata das tensões, enquanto o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, pediu a Teerã que pare de provocar Washington e de atacar navios.
Por que o Irã voltou a atacar navios em Ormuz?
O Irã tenta manter seu controle sobre Ormuz, a estreita via marítima por onde, antes da guerra, passava um quinto das exportações globais de petróleo e gás do Golfo.
O Irã fechou efetivamente o estreito depois que ataques aéreos dos EUA e de Israel mataram vários oficiais iranianos, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, em 28 de fevereiro. Mais tarde, o Irã atacou cerca de uma dúzia de navios retidos no estreito, antes de um frágil cessar-fogo ser alcançado em junho.
Nos dias que antecederam os ataques de terça-feira, as negociações de paz avançaram pouco em várias questões pendentes, incluindo o alívio de sanções americanas de longo prazo e as ambições nucleares do Irã.
Teerã tem usado repetidamente Ormuz como instrumento de pressão nas negociações quando o progresso diplomático estagna.
Outro método de barganha do regime são os ataques a países do Golfo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, grandes produtores de petróleo e aliados estratégicos dos EUA. Ao mirá-los, o Irã tenta pressionar Washington e espalhar instabilidade, de modo que o Oriente Médio sinta o custo da guerra.
Qual é o poder real de barganha do Irã?
Repetidos ataques dos EUA e de Israel enfraqueceram as forças armadas iranianas. Como Teerã não pode derrotar os EUA em um conflito convencional, recorre à guerra assimétrica como forma de pressão.
Embora o Irã não seja dono legal do estreito, ele controla a costa norte, várias ilhas estratégicas e uma faixa litorânea que permite à Guarda Revolucionária monitorar e ameaçar embarcações que passam.
O país conta com lanchas rápidas de ataque, mísseis costeiros, minas e drones para atingir petroleiros, interrompendo o fornecimento global de energia sem entrar em uma batalha naval completa.
Segundo relatos, o Irã também começou a cobrar pedágios de até 2 milhões de dólares por navio (R$ 10,3 milhões) aos navios que transitam por Ormuz, medida criticada por especialistas marítimos como ilegal e inviável.
No entanto, a capacidade de pressão de Teerã não é ilimitada. Os EUA responderam com seu próprio bloqueio naval em Ormuz, impedindo navios iranianos de exportar petróleo e cortando uma fonte vital de renda.
O Irã vinha exportando petróleo em desafio às sanções dos EUA, principalmente para a China, a preços abaixo do mercado.
Teerã utiliza uma frota "fantasma" de petroleiros que frequentemente mudam de bandeira, desligam sistemas de rastreamento e realizam transferências de carga entre navios para evitar detecção.
Ainda assim, sem a isenção de sanções e com a possibilidade de retomada do bloqueio da Marinha dos EUA, o regime iraniano agora corre o risco de colapso econômico total.
De acordo com o think tank Foundation for Defense of Democracies, sediado em Washington, o Irã já sofreu 144 bilhões de dólares (R$ 744,6 bilhões) em danos econômicos com a guerra, além de bilhões adicionais em perdas com vendas de petróleo durante o bloqueio.
A moeda do país, o rial, caiu a níveis recordes de cerca de 1,7 milhão por dólar, e a inflação ultrapassou 88%.
O que acontece agora?
Em sua declaração mais recente, a Marisks afirmou que a revogação da isenção de sanções contra o Irã "enfraquece a base política" do acordo de paz e "reduz os incentivos para a continuidade da moderação".
A empresa de inteligência marítima alertou que "a probabilidade de nova escalada aumentou substancialmente".
Embora Trump tenha dito que as negociações provavelmente continuarão, ele classificou o Irã como sendo liderado por "pessoas doentes" e afirmou não querer se envolver com o regime.
Teerã deveria agir com responsabilidade para usufruir dos benefícios oferecidos pelo acordo, afirmou uma autoridade americana que pediu anonimato à agência de notícias Bloomberg. Ainda assim, segundo ela, os negociadores americanos continuarão agindo de boa-fé.
Mas o Irã permanece impassível, com o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, advertindo que "a era da intimidação e da extorsão acabou". "Isso não leva a lugar nenhum. Não vamos ceder", declarou ele no X.
Com os preços do petróleo subindo 5% após a escalada mais recente, alguns especialistas alertaram que novos ataques dos EUA provavelmente não mudarão a estratégia de Teerã.
"Em vez disso, eles correm o risco de afastar ainda mais os dois lados do resultado negociado que [...] tanto Washington quanto Teerã ainda parecem preferir", escreveu Dennis Citrinowicz, pesquisador visitante do think tank Atlantic Council, no X.
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| Short teaser | Ataques recentes demonstram como tem sido fácil para o regime perturbar a navegação e os mercados de energia. | ||
| Author | Nik Martin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-ormuz-se-tornou-a-carta-na-manga-do-irã-contra-os-eua/a-77880857?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz gera muita dor de cabeça para Trump | ||
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| Item 16 | |||
| Id | 77880451 | ||
| Date | 2026-07-08 | ||
| Title | Médico alemão que matou 15 é condenado à prisão perpétua | ||
| Short title | Médico alemão que matou 15 é condenado à prisão perpétua | ||
| Teaser |
Tribunal de Berlim considerou culpado profissional de 41 anos, que trabalhava num serviço de cuidados paliativos, pelo assassinato de ao menos 15 pacientes. Outros 76 casos ainda são investigados.Um tribunal de Berlim condenou nesta quarta-feira (08/07) o médico especializado em cuidados paliativos Johannes M., de 41 anos, à prisão perpétua, a mais alta pena existente na Alemanha, pelo assassinato de 15 pacientes.
Após um julgamento que durou quase um ano, o tribunal se convenceu de que o médico havia matado 12 mulheres e três homens durante visitas domiciliares.
Em sua sentença, o Tribunal Regional de Berlim também determinou a excepcional gravidade do crime, ordenou que o condenado permaneça em prisão preventiva e impôs uma proibição vitalícia de exercer a profissão. Ainda cabe recurso.
Assassino em série
Segundo o tribunal, M. administrou uma mistura de diferentes medicamentos a pelo menos 15 pacientes de um serviço de enfermagem entre setembro de 2021 e julho de 2024 sem o conhecimento e consentimento deles, o que levou às suas mortes.
Após um longo silêncio, o réu confessou em junho deste ano ter matado 12 pacientes gravemente enfermos durante visitas domiciliares. Ele afirmou na ocasião que queria poupá-los do sofrimento.
A juíza Sylvia Busch descreveu M. como um assassino em série. Os assassinatos pelos quais ele foi condenado provavelmente são apenas a ponta do iceberg, disse ela, referindo-se a telefonemas que o médico teve com sua esposa, nos quais ele falava sobre ter matado "sempre, já há muito tempo".
De fato, o médico poderá enfrentar novos julgamentos no futuro. Segundo o Ministério Público alemão, estão sendo investigados 76 outros casos.
Sentimentos de onipotência
O caso é inacreditável, disse a juíza. Segundo ela, o réu não matava por compaixão, para poupar seus pacientes da dor, ou por uma compreensão equivocada da eutanásia. Em vez disso, o que o movia era um sentimento de poder.
Suas vítimas tinham entre 25 e 94 anos e viviam em vários bairros de Berlim. Todas estavam gravemente doentes, mas suas mortes não eram iminentes.
Busch referiu-se à confissão do médico, que ele só fez perto do fim do julgamento. Nela, ele falou sobre sentimentos de onipotência que motivaram suas ações. "Se você procurar no dicionário, encontrará algo sobre onipotência divina, poder absoluto", disse a juíza. O tribunal presume que o homem de fato foi movido por tal sentimento de poder.
As ações dele não tinham nada a ver com eutanásia. A maioria das vítimas queria viver, muitas delas ainda tinham semanas, meses ou até anos de vida pela frente, apesar dos cuidados paliativos, disse a juíza.
A juíza destacou o caso de uma mulher de 25 anos que havia iniciado um novo tratamento para um tumor na tireoide apenas alguns dias antes de ser assassinada. A mulher queria viver, era independente e conseguia sair de casa e encontrar amigos, relatou. No momento do assassinato, o médico estava acompanhado de seu filho de 3 anos.
Incêndios para encobrir os crimes
O médico, que é casado e pai de um filho hoje em idade escolar, está em prisão preventiva desde o início de agosto de 2024.
Na época dos crimes, o médico acusado trabalhava num serviço de cuidados paliativos, que acabou suspeitando de suas atividades. A investigação foi desencadeada por incêndios que ele teria provocado para encobrir os assassinatos de pacientes.
Inicialmente, as investigações focavam em incêndios criminosos que resultaram em morte, mas, ao longo do processo, o acusado tornou-se cada vez mais o foco da investigação. Segundo o Ministério Público, isso foi facilitado por informações do serviço de enfermagem onde ele trabalhava.
as (DPA, AFP, KNA)
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| Short teaser | Tribunal condena médico de 41 anos, que trabalhava num serviço de cuidados paliativos, pelo assassinato de 15 pacientes | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/médico-alemão-que-matou-15-é-condenado-à-prisão-perpétua/a-77880451?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Após julgamento de quase um ano, tribunal proferiu a sentença | ||
| Image source | Bernd von Jutrczenka/dpa/picture alliance | ||
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| Item 17 | |||
| Id | 77873685 | ||
| Date | 2026-07-08 | ||
| Title | Piratas voltam aos holofotes com novo "Assassin’s Creed" | ||
| Short title | Piratas voltam aos holofotes com novo "Assassin’s Creed" | ||
| Teaser |
Novo jogo da famosa franquia é releitura de aventura nos mares lançada em 2013. Corsários possuem longa tradição de sucesso na cultura pop. Sob um céu azul-claro quase sem nuvens, as ondas batem contra o Jackdaw. As velas tremulam ao vento. Ao longe, embarcações de um único mastro navegam pelo oceano. A estibordo, estendem-se praias desertas de areia cercadas por palmeiras. Estou ao leme do meu navio pirata, ouvindo a tripulação que acaba de começar mais uma canção marítima. O doce aroma da liberdade sopra em meu rosto – embora, na realidade, eu esteja apenas sentado no sofá jogando Assassin's Creed Black Flag Resynced. O jogo é uma nova versão completamente reformulada da bem-sucedida aventura pirata lançada em 2013. É provável que ele, com gráficos atualizados e algumas missões adicionais, também agrade aos jogadores, afinal, aventuras de piratas nunca saem de moda. Na cultura popular, elas possuem uma longa tradição. Escritores como Emilio Salgari (1862–1911) e Rafael Sabatini (1875–1950) escreveram inúmeras histórias de piratas, que mais tarde serviram de inspiração para produções de Hollywood de grande sucesso, entre elas Capitão Blood (1935) e O Cisne Negro (1942). O romance de aventura A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, publicado em 1883, também foi adaptado diversas vezes para o cinema. A atração temática Pirates of the Caribbean do parque Disneyland inspirou o desenvolvedor Ron Gilbert a criar a série de videogames Monkey Island, cujo primeiro título foi lançado em 1990. Tanto a atração da Disney quanto o jogo serviram posteriormente de inspiração para a série de filmes Piratas do Caribe. Em 2026, vários jogos de pirata serão lançados, incluindo o simulador de construção de cidades Corsair Cove e os jogos de ação Windrose e Assassin's Creed Black Flag Resynced. "Época Dourada da Pirataria"Embora os piratas existam desde a Antiguidade, nossa imagem deles é baseada principalmente na chamada "Época Dourada da Pirataria", que começou no final do século 17 e durou apenas algumas décadas. Nesse período, as potências europeias expandiram suas colônias no Caribe e na costa oeste da África. Navios mercantes transportavam mercadorias de seus países de origem para esses territórios e levavam produtos coloniais de volta para a Europa. Os piratas atacavam essas embarcações, gastavam rapidamente os bens saqueados e retornavam ao mar. A maioria deles, porém, não viveu muito tempo. Muitos foram capturados e mortos. Para o historiador Jann M. Witt, os piratas eram simplesmente criminosos. "O pirata que as pessoas imaginam hoje não tem nada a ver com a realidade. Trata-se de uma imagem romantizada", afirma. Ao mesmo tempo, alguns estudiosos enxergam os piratas como defensores progressistas de uma nova forma de sociedade democrática e orientada ao bem comum. Contudo, não há evidências sólidas para sustentar essa visão. As fontes históricas são escassas. Embora a obra Uma História Geral dos Roubos e Crimes de Piratas Famosos (1724), de Charles Johnson, seja frequentemente utilizada como referência, Witt argumenta que ela não constitui uma pesquisa científica, mas sim uma forma de "jornalismo sensacionalista". "Eu sei que muitas imagens da pirataria na cultura popular são romantizadas; e isso é ótimo", diz o compositor e cantor de canções marítimas Seán Dagher. Na sua opinião, as pessoas não se apaixonaram pela pirataria em si, mas pela versão idealizada da vida dos piratas. O músico folk passou muito tempo no mar e compôs, além de interpretar, várias canções para Assassin's Creed Black Flag Resynced. Vale lembrar que essas canções marítimas não serviam apenas para entretenimento a bordo. Elas tinham uma função prática: o cantor precisava motivar a tripulação, enquanto as músicas ajudavam os marinheiros a coordenar suas tarefas, por exemplo, puxando cordas em um mesmo ritmo. Fuga, liberdade e aventura"O que fascina na vida marítima em geral é a ideia de simplesmente partir para qualquer lugar", afirma Dagher. "Mesmo que a vida em um navio fosse dura, a ideia de chegar a um novo lugar e escapar, de alguma forma, dos problemas da vida cotidiana continua sendo emocionante." Já para Paul Fu, diretor criativo de Assassin's Creed Black Flag Resynced, o encanto dos piratas está no sentimento simbolizam. "Os piratas exercem um enorme fascínio porque transmitem uma sensação de liberdade e aventura", afirma. E aí surge novamente a ideia da liberdade. Porém, na realidade, ela não predominava nos navios piratas. Havia hierarquias rígidas, e a vida no mar estava longe de ser romântica. O trabalho era exaustivo, os suprimentos eram escassos, e a assistência médica era precária. No jogo, a violência também está presente, algo sugerido pelo próprio nome da série. Combates com lâminas ocultas, espadas, pistolas e bombas de fumaça fazem parte da mecânica. Ainda assim, o mundo do jogo foi projetado para não parecer sombrio, mas sim iluminado e acolhedor. Segundo Paul Fu, até mesmo os ciclos de dia e noite foram ajustados, tornando os dias significativamente mais longos que as noites. Por que a narrativa da liberdade prevaleceu?As histórias de piratas sempre tiveram uma função social. "Os piratas já eram utilizados como instrumento político-cultural enquanto ainda estavam vivos", explica o historiador Eugen Pfister. Essas narrativas tinham o objetivo, segundo ele, de disciplinar o público. Mostravam uma breve fuga das hierarquias e estruturas sociais. Até a década de 1950, era comum que as histórias apresentassem um homem honrado que, por circunstâncias infelizes, tornava-se pirata, mas que no final retornava ao convívio da sociedade. Esse modelo começou a mudar a partir dos anos 1990. Em lugar do pirata honrado surgiu o que Eugen Pfister chama de "capitalista aventureiro liberal": uma figura egoísta, orientada pelo lucro e comprometida apenas consigo mesma e com suas próprias regras. Exemplos disso são Jack Sparrow, da franquia Piratas do Caribe, e Edward Kenway, da série Assassin's Creed. Enquanto os piratas das narrativas antigas acabavam reintegrados à sociedade, os piratas contemporâneos são retratados como indivíduos que, de certa forma, estão acima dela. Há, porém, algo comum a todas as histórias de piratas: elas pouco se preocupam com a precisão histórica. Em vez disso, recorrem a cenários paradisíacos e exóticos e selecionam da tradição folclórica da pirataria apenas os elementos que melhor combinam com o espírito de cada época. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. 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| Short teaser | Novo jogo da franquia é releitura de aventura lançada em 2013. Corsários possuem longa tradição na cultura pop. | ||
| Author | Kristina Reymann-Schneider | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/piratas-voltam-aos-holofotes-com-novo-assassin-s-creed/a-77873685?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 18 | |||
| Id | 77876215 | ||
| Date | 2026-07-08 | ||
| Title | Vacina é a nova esperança contra tumores cerebrais | ||
| Short title | Vacina é a nova esperança contra tumores cerebrais | ||
| Teaser |
Pesquisadores alemães desenvolvem terapia capaz de retardar progressão de tumores cerebrais praticamente incuráveis, prolongando sobrevida dos afetados.Os tumores cerebrais são difíceis de tratar. Mesmo aqueles que podem ser operados raramente conseguem ser removidos completamente por cirurgia. A quimioterapia e radioterapia fazem parte do tratamento padrão. Ainda assim, pacientes com tumores agressivos frequentemente vivem no máximo cinco anos após o diagnóstico.
Em um estudo realizado por pesquisadores do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer (DKFZ), da Faculdade de Medicina de Mannheim, do Hospital Universitário de Heidelberg e de outras instituições, 33 pacientes receberam, além do tratamento convencional, uma vacina experimental.
No início de julho, a equipe publicou os resultados do acompanhamento de longo prazo na revista científica Nature. E há motivos para um otimismo cauteloso: 66% dos participantes ainda estavam vivos após oito anos, e 42% não apresentaram crescimento ou retorno do tumor durante esse período.
Segundo Michael Platten, diretor da Clínica Universitária de Neurologia de Mannheim e um dos principais autores do estudo, o resultado mais surpreendente foi o fato de que, em muitos pacientes, o tumor não voltou por um período tão longo.
Vacina não previne o câncer
As vacinas – como as contra sarampo, caxumba ou covid-19, por exemplo – normalmente são associadas à prevenção de doenças ou ao treinamento do sistema imunológico para reduzir a gravidade de uma infecção. Essas são chamadas de vacinas preventivas.
Já as vacinas terapêuticas têm um objetivo diferente: destruir um tumor por meio da ativação do sistema imunológico.
No caso da terapia desenvolvida por Platten e sua equipe, a vacina é direcionada a uma mutação genética encontrada apenas em determinados tumores cerebrais. Todos os 33 participantes do estudo sofriam de astrocitomas de alto grau.
Os astrocitomas pertencem ao grupo dos gliomas e estão entre os tumores mais comuns do sistema nervoso central, que inclui o cérebro e a medula espinhal. Eles são classificados em quatro graus de gravidade, variando de relativamente benignos a altamente agressivos.
Os astrocitomas de grau 3 e 4, que crescem rapidamente e são considerados agressivos, compartilham uma mutação genética específica, que é justamente o alvo da vacina.
Esse gene codifica uma enzima chamada IDH1. Devido à mutação, um componente da proteína é alterado, criando uma nova estrutura proteica que favorece o crescimento mais rápido do tumor. A vacina ensina o sistema imunológico a reconhecer essa estrutura como algo estranho ao organismo e a atacá-la.
A vacina testada no estudo ativou o sistema imunológico de duas maneiras. Produziu linfócitos T, que atacam diretamente as células tumorais e estimulou a formação de linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos contra o tumor. Segundo Platten, o objetivo é "impedir que o tumor volte após a conclusão do tratamento, neste caso uma radioquimioterapia".
Eficácia a ser comprovada
Ulrich Herrlinger, diretor de Neuro-oncologia do Hospital Universitário de Bonn, que não participou do estudo, considera o trabalho uma oportunidade real para os pacientes.
De acordo com ele, os astrocitomas de alto grau têm uma probabilidade próxima de 100% de voltar a crescer e, em algum momento, tornar-se impossíveis de tratar. As causas desses tumores ainda são desconhecidas. Como afirma o pesquisador, "ninguém sabe por que exatamente determinada pessoa é afetada".
Por isso, os resultados obtidos pela equipe de Michael Platten são tão promissores. Herrlinger destaca que, se fosse possível manter o sistema imunológico ativo de forma permanente, haveria esperança de controlar o tumor por longo prazo.
Tanto Platten quanto Herrlinger alertam que os resultados devem ser interpretados com cautela. Com apenas 33 pacientes, não é possível tirar conclusões definitivas. O próximo passo será um estudo controlado e randomizado de grande porte, que já está sendo planejado.
Segundo Platten, o projeto terá início em março de 2027 e envolverá mais de 200 pacientes. Ele estima que serão necessários cerca de nove anos para obter resultados suficientemente robustos. Somente então será possível determinar com segurança quão eficaz a vacina realmente é e se doses de reforço podem potencializar a resposta imunológica.
Apesar disso, Platten acredita que os resultados atuais justificam um otimismo cauteloso. Afinal, como ele próprio afirma, esperança nunca é demais.
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| Short teaser | Pesquisadores alemães desenvolvem terapia capaz de retardar progressão de tumores cerebrais praticamente incuráveis. | ||
| Author | Julia Vergin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/vacina-é-a-nova-esperança-contra-tumores-cerebrais/a-77876215?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Tumores cerebrais têm uma probabilidade de quase 100% de recidiva em algum momento | ||
| Image source | Kashapova/Zoonar/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77817725_354.jpg&title=Vacina%20%C3%A9%20a%20nova%20esperan%C3%A7a%20contra%20tumores%20cerebrais | ||
| Item 19 | |||
| Id | 77868188 | ||
| Date | 2026-07-08 | ||
| Title | Volatilidade do preço do cacau afeta renda de milhões de produtores na África | ||
| Short title | Volatilidade do cacau afeta milhões de produtores na África | ||
| Teaser |
Queda do preço no mercado global tem provocado consequências dramáticas para produtores na África Ocidental, que não conseguem vender colheitas. Analistas defendem mudanças estruturais no modelo de compra e exportação.Trata-se de uma decisão impossível. "Devo mandar meus filhos para a escola e perder parte da colheita – o que significa que não haverá dinheiro suficiente para comida – ou devo tirá-los da escola para que possamos colher mais cacau e ter três refeições por dia?", explica uma produtora de cacau da Costa do Marfim.
Os preços do cacau despencaram. Após a alta histórica dos preçospara quase 13 mil dólares (R$ 67 mil) por tonelada em 2024, o lado negativo de um mercado extremamente volátil vem se tornando evidente. No início de abril de 2026, o preço no mercado mundial caiu temporariamente para 3 mil dólares – uma queda de mais de 75% em pouco mais de um ano.
Isso tem consequências dramáticas para os cerca de 2,5 milhões de pequenos agricultores da África Ocidental que cultivam o produto. Sacas de cacau se acumulam nas fazendas, e agricultores como o marfinense Firmin Coulibaly são forçados a vender seus grãos a preços irrisórios. "Os produtores estão morrendo na pobreza, mesmo tendo produção. Eles não têm dinheiro para remédios ou comida", disse ele à DW.
Muitos agricultores em Gana também sofrem com a falta de pagamentos porque os intermediários deixam de comprar seu cacau. "Por causa dos atrasos nos pagamentos, não tenho dinheiro para pagar os trabalhadores que colhem o cacau. É por isso que a colheita está arruinada", explicou o produtor Emmanuel Nojor, acrescentando que os pagamentos dos intermediários estão atrasados há cerca de cinco meses.
Seja para comprar remédios, pesticidas ou pagar trabalhadores diaristas, há escassez de tudo. "Eu usaria parte do dinheiro para pagar as mensalidades escolares do meu filho, que ainda não consegui pagar. Ele está preso em casa e não pôde fazer as provas" disse Nojor.
O que gerou a queda nos preços?
Os motivos para as flutuações extremas de preços são diversos. De acordo com a Organização Internacional do Cacau (ICCO), os preços elevados de 2024 foram inicialmente causados principalmente por safras ruins na África Ocidental e a consequente escassez de oferta.
O economista agrícola Tancrède Voituriez explica que "as mudanças climáticas afetam os países tropicais. Há períodos de seca seguidos de fortes chuvas. Isso reduz a produção." Doenças das plantas, como o vírus da doença do caule inchado do cacaueiro, e a especulação também restringiram a oferta nos mercados e elevaram os preços.
Em seguida, veio a queda: à medida que surgiam perspectivas de melhores safras, muitos comerciantes venderam seus contratos de cacau antecipadamente para obter lucro. Ao mesmo tempo, o Banco Mundial relata que os preços muito altos reduziram a demanda da indústria do chocolate, porque as empresas passaram a usar menos cacau e a recorrer a substitutos. Em conjunto com a valorização do dólar americano, isso levou a uma queda significativa nos preços. Agora, muitos agricultores mal conseguem obter renda suficiente com sua colheita de cacau.
O agricultor ganês Solomon Kofi Tano está preocupado. "Se o governo não me apoiar agora, vou desistir do cultivo de cacau", afirmou.
Colheitas bloqueadas na África Ocidental
A Costa do Marfim e Gana produzem cerca de dois terços do cacau mundial, mas as exportações estão concentradas nas mãos de algumas grandes multinacionais. Devido aos baixos preços do mercado internacional, essas empresas reduziram consideravelmente suas compras nos últimos meses.
Como consequência, o cacau se acumula nos portos, enquanto muitos agricultores não conseguem vender suas colheitas. Analistas do setor suspeitam de uma estratégia deliberada para pressionar os sistemas de preços governamentais e impor preços mais baixos. Somente na Costa do Marfim, volumes de cacau no valor de mais de 280 bilhões de francos CFA (aproximadamente R$ 2,5 trilhões) permanecem sem comprador, já que comerciantes e exportadores hesitam em adquirir o produto pelas condições e preços previamente estabelecidos.
Wisdom Dogbey, diretor-geral do Conselho de Cacau do Gana (COCOBOD), defende a estratégia de marketing da agência. O COCOBOD é a organização governamental ganense que regulamenta o cultivo, a compra e a exportação de cacau. A instituição trabalha em conjunto com a Ghana Cocoa Marketing Company (CMC), que atua como intermediária entre os produtores de cacau ganeses e os compradores internacionais.
"O sistema de vendas permitiu à CMC fixar os preços antecipadamente e se proteger da recente queda do mercado”, disse Dogbey. "Entre 85% e 90% da safra de 2025/2026 já havia sido vendida antes da crise."
Disputa sobre a responsabilidade
No início de fevereiro, o governo ganês reagiu reduzindo o preço mínimo pago aos produtores, estabelecido pelo Estado. O Conselho Marfinense do Cacau (CCC), que também regula os preços na Costa do Marfim, fixou o preço para os produtores no início de outubro em 2.800 francos CFA por quilograma no intuito de proteger os agricultores.
Pouco depois, no entanto, os preços no mercado mundial despencaram. Moussa Koné, presidente de um sindicato de produtores de cacau na Costa do Marfim, acusa o órgão regulador de erros de cálculo estratégicos: "Eles não conseguiram vender cacau suficiente com antecedência. Hoje, mais de 700 mil toneladas de cacau estão estocadas nas mãos de agricultores que não sabem o que fazer com elas."
O governo, por sua vez, afirma que esse volume é de cerca de 123 mil toneladas. Ao mesmo tempo, anunciou sua intenção de comprar todos os estoques de cacau atualmente acumulados nas cooperativas. Yves Brahma Koné, diretor-geral da CCC, considera que a responsabilidade recai sobre os exportadores, mas se diz confiante. "Toda a produção da Costa do Marfim será comprada", assegurou.
Oportunidades para o processamento de cacau na África?
A crise evidencia um problema estrutural. Os países africanos exportam principalmente cacau bruto, enquanto o valor agregado é criado no exterior. "As margens de lucro dos fabricantes de chocolate são significativamente maiores do que as dos comerciantes", afirma o economista agrícola Voituriez. Segundo ele, os comerciantes obtêm apenas "cerca de um por cento".
Ao mesmo tempo, a queda nos preços pode abrir novas oportunidades, segundo a Ecofin Agency, uma agência de notícias suíça especializada em questões econômicas africanas. Preços mais baixos do cacau tornam o processamento local mais atrativo, podendo gerar de duas a três vezes mais valor por tonelada e mantendo assim a renda e os empregos nos países de origem.
Contudo, Friedel Hütz-Adams, do Instituto Südwind para Economia e Ecumenismo – que realiza pesquisas orientadas para a ação sobre questões econômicas globais –, enxerga vários obstáculos estruturais.
Segundo ele, os mercados internacionais exigem um sabor padronizado "que só pode ser alcançado misturando cacau de diferentes regiões, o que dificulta o processamento local". Além disso, muitas vezes faltam infraestrutura adequada e cadeias de refrigeração para a exportação de produtos processados, afirmou Hütz-Adams, que também atua como consultor do grupo varejista alemão Rewe em questões de sustentabilidade.
Mais regulamentação poderia trazer mudanças
Politicamente, aumenta a pressão para regulamentar o setor de forma mais rigorosa. Normas como o Regulamento da União Europeia (UE) sobre Desmatamento (EUDR) e a planejada Diretiva da UE sobre Responsabilidade Social Corporativa (CSDDD) obrigam as empresas a adotar padrões mais elevados de proteção ambiental e respeito aos direitos humanos. "Todos os países que abastecem o mercado europeu terão de deixar de fornecer cacau proveniente de áreas de floresta desmatadas ilegalmente”, afirmou Voituriez.
Ao mesmo tempo, as empresas de chocolate estão sob pressão para mudar suas práticas de compra. Certificações como o selo Fairtrade, que exigem padrões sociais e ambientais mais elevados, vêm ganhando importância. Uma iniciativa nesse sentido é o chamado Chocolate Scorecard da organização Be Slavery Free ("Seja livre da escravidão"), que avalia anualmente o grau de sustentabilidade das operações das empresas do setor de chocolate.
As empresas alemãs apresentam, em média, desempenho inferior ao da comparação internacional, especialmente em aspectos como igualdade de gênero, trabalho infantil e salários dignos. Este último continua sendo um problema generalizado. Mais da metade dos produtores de cacau pesquisados não recebe renda suficiente para assegurar condições dignas de vida.
No entanto, a classificação também mostra que é possível melhorar. Marcas pioneiras como Tony's Chocolonely, Ritter Sport e Original Beans se comprometeram a pagar preços mais altos pelo cacau, visando garantir aos produtores um salário digno.
Como o chocolate pode se tornar acessível para todos
Segundo Hütz-Adams, a situação dos produtores demonstra a urgência das reformas. Durante anos, "foi estabelecido um preço que inevitavelmente levou a graves violações dos direitos humanos". O economista defende que os preços devem subir para pelo menos 4 mil dólares por tonelada e, sobretudo, ser protegidos contra quedas bruscas para que as famílias possam sobreviver sem depender do trabalho infantil. Caso contrário, o chocolate jamais se tornará um produto acessível a todos ao longo da cadeia de valor, argumentou o economista.
Se o colapso do preço do cacau se transformará em um ponto de virada para os produtores da África Ocidental dependerá de uma ação conjunta entre os países produtores, a indústria de processamento e os compradores internacionais no intuito de implementar mudanças estruturais conjuntas.
A crise fornece os argumentos para essas transformações, mas cabe aos formuladores de políticas públicas aproveitarem essa oportunidade.
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| Short teaser | Queda do preço no mercado global tem provocado consequências dramáticas para produtores na África Ocidental. | ||
| Author | Silja Fröhlich | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/volatilidade-do-preço-do-cacau-afeta-renda-de-milhões-de-produtores-na-áfrica/a-77868188?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Secagem dos grãos de cacau em Agboville, Costa do Marfim | ||
| Image source | Godong/picture alliance | ||
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| Item 20 | |||
| Id | 77871888 | ||
| Date | 2026-07-08 | ||
| Title | Febre global pelo açaí desafia ecossistema da Amazônia | ||
| Short title | Febre global pelo açaí desafia ecossistema da Amazônia | ||
| Teaser |
A crescente demanda global por açaí movimenta bilhões todos os anos e transforma vidas na Amazônia. Mas especialistas alertam para impactos na biodiversidade e o encarecimento da fruta na região.Na Alemanha, uma cena tem se tornado cada vez mais comum: filas em lojas de açaí. Parte desse público é formada por brasileiros com saudade de casa. Mas alemães, principalmente os mais jovens, também lotam esses lugares que estão se multiplicando pelo país.
Em cidades como Berlim, Bonn e Colônia, cafés comuns também passaram a oferecer tigelas da fruta amazônica ao lado de capuccinos e croissants. O fenômeno reflete uma transformação que já dura três décadas e começou como um mercado de nicho nos anos 1990. Sua consolidação mundial foi impulsionada pela popularização do açaí como alimento saudável e rico em antioxidantes.
"O açaí não é um produto de moda. A gente está completando 30 anos de produção externa. Ele realmente já é um produto consolidado", afirma o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) Hervé Rogez, um dos pioneiros no estudo das propriedades nutricionais da fruta.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho dessa expansão. Segundo a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), as exportações paraenses passaram de uma tonelada em 1999 para mais de 60 mil toneladas em 2023.
O Pará responde atualmente por 89,5% da produção brasileira de açaí e movimentou quase R$ 9 bilhões em 2024. Na Europa, o mercado do produto já se aproxima de meio bilhão de dólares este ano, de acordo dados do Market Data Forecast.
Mais renda para produtores e comunidades ribeirinhas
O crescimento da demanda internacional transformou a economia de inúmeras comunidades amazônicas. Ao longo dos últimos anos, produtores passaram a obter rendas significativamente maiores, e o dinheiro gerado pela cadeia produtiva contribuiu para melhorar condições de vida em regiões historicamente marcadas pelo isolamento no norte do Brasil.
"Cada lata que eu bato aqui volta para o interior, para uma família. Então aumentou a renda das famílias, aumentou a dignidade desse povo ribeirinho", afirma Denise Acosta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frutas e Derivados do Estado do Pará (Sindifrutas).
Rogez observa que a mudança pode ser percebida em vários indicadores sociais. Segundo ele, muitas famílias que antes sobreviviam com menos de um salário mínimo, durante a safra passaram a alcançar rendimentos equivalentes a três, cinco ou até dez salários. O pesquisador cita ainda melhorias no acesso a transporte, energia elétrica, internet e educação.
O outro lado da história
Mas a valorização internacional também trouxe consequências para quem tradicionalmente consome a fruta na Amazônia.
Enquanto em grande parte do mundo o açaí é tratado como sobremesa ou suplemento alimentar, e até consumido com outras furtas, no Pará ele continua sendo um alimento básico do dia a dia, servido com acompanhamentos salgados, como peixes, camarão e até carne. "Aqui o açaí é o feijão do resto do Brasil. Então não tem feijão na mesa, mas tem açaí", resume Rogez.
No entanto, o aumento da demanda global contribuiu para elevar os preços da fruta dentro da própria região produtora. Dados do Dieese Pará mostram que o litro do chamado açaí grosso chegou a custar entre R$ 41 e R$ 65 em diferentes pontos de venda de Belém no início deste ano.
Para especialistas, a tendência gera preocupação porque pode reduzir o acesso das famílias de menor renda a um alimento considerado essencial na cultura alimentar amazônica.
O crescimento das exportações também abriu um debate sobre os impactos ambientais da expansão da cadeia produtiva. Segundo Rogez, em diversas áreas de várzea produtores, passaram a privilegiar o açaizeiro em detrimento de outras espécies nativas. "Temos um aumento da produção que se traduz por uma diminuição da biodiversidade no ecossistema de várzea", afirma.
O pesquisador descreve o fenômeno como uma "monocultura progressiva", processo em que outras espécies vegetais vão sendo gradualmente substituídas pelo açaí. Essa redução da diversidade afeta polinizadores, altera a disponibilidade de alimento para diversas espécies animais e pode gerar desequilíbrios nos ecossistemas de várzea.
"A ausência da biodiversidade faz com que muitos organismos desapareçam. Isso afeta desde os polinizadores até outras espécies que dependem dessas plantas para sobreviver", explica.
O papel do açaí na conservação
Representantes da cadeia produtiva contestam a visão de que o avanço do açaí esteja necessariamente associado à degradação ambiental.
Segundo Denise Acosta, uma parcela significativa da produção paraense continua ocorrendo em sistemas agroflorestais e em áreas de várzea preservadas. "Hoje em dia, quando você consome o açaí, você ajuda a manter a floresta em pé, porque você colhe o fruto daquela árvore. Você não derruba a árvore", afirma.
Ela destaca que o açaizeiro depende da presença de sombra, de polinizadores e de outras espécies vegetais, fatores que favorecem a manutenção da cobertura florestal.
Além disso, produtores vêm adotando cada vez mais o cultivo consorciado com culturas como cacau, banana e mandioca.
O desafio do equilíbrio
Outro fator que vem influenciando a produção é o avanço das mudanças climáticas. Secas históricas registradas nos últimos anos na Amazônia já afetaram a produtividade dos açaizais. Segundo Rogez, os efeitos da escassez de água costumam aparecer na safra seguinte, reduzindo o número de frutos produzidos.
Acosta também vê o clima como um dos maiores desafios para o futuro da cadeia. "O produtor controla o solo, controla a quantidade de água, mas ele não controla o tempo, o clima", afirma.
O sucesso internacional do açaí criou uma situação paradoxal: ao mesmo tempo em que gera renda para milhares de famílias amazônicas e fortalece economias locais, ele também amplia a pressão sobre os preços e levanta questionamentos sobre os impactos ambientais da expansão produtiva.
Para Rogez, a discussão não deve opor desenvolvimento econômico e conservação, mas buscar formas de conciliar ambos. Ele pontua que o desafio para os próximos anos será atender uma demanda global cada vez maior sem comprometer a biodiversidade da floresta da qual o açaí depende para existir.
"O que é bom para a saúde, o que é bom para a renda de um produtor, tem que permanecer bom para a população como um todo e também para a natureza", conclui.
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| Short teaser | A demanda global por açaí cresce a cada ano e gera riqueza na Amazônia. Mas também acende alerta sobre a biodiversidade. | ||
| Author | Thiago Melo | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/febre-global-pelo-açaí-desafia-ecossistema-da-amazônia/a-77871888?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Em 2023, Brasil exportou mais de 60 mil toneladas de açaí | ||
| Image source | Rafael Guadeluppe/NurPhoto/picture alliance | ||
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| Item 21 | |||
| Id | 77865778 | ||
| Date | 2026-07-07 | ||
| Title | Antes símbolo de sucesso, enorme força de trabalho da Volkswagen vira fardo | ||
| Short title | Antes símbolo de sucesso, força de trabalho da VW vira fardo | ||
| Teaser |
Montadora alemã Volkswagen, que enfrenta dificuldades, emprega muito mais pessoas que concorrentes como Toyota ou o grupo Stellantis. Agora, empresa planeja cortar até 100 mil postos de trabalho de um total de 630 mil.Ao longo de décadas, a Volkswagen construiu uma das maiores forças de trabalho da indústria automobilística global.
Com quase 630 mil funcionários (ou 680 mil, se forem consideradas as joint ventures na China) a VW emprega cerca de 60% mais trabalhadores que a Toyota, 140% mais que a Stellantis e quase 240% mais que a Ford.
Esse número de empregados já foi um símbolo da força industrial da Alemanha e dos enormes lucros da Volkswagen. Hoje, porém, tornou-se um grande fardo, obrigando a empresa a realizar dolorosos cortes de empregos para sobreviver à concorrência ágil das fabricantes chinesas.
Depois de já ter reduzido milhares de postos de trabalho em 2025, à medida que os lucros ficaram sob pressão, a Volkswagen agora se prepara para cortar até 100 mil empregos em todo o mundo, incluindo dezenas de milhares na Alemanha, onde a empresa também pretende fechar quatro fábricas.
Esses cortes incluem marcas de luxo do grupo VW, como Porsche e Audi. Outras montadoras e fornecedores alemães enfrentam pressões semelhantes. A Mercedes-Benz planeja eliminar vários milhares de empregos, e fornecedores de autopeças, como a Bosch, anunciaram amplos programas de redução de custos.
O elevado preço da autossuficiência
Grande parte do problema relacionado ao número de funcionários da VW decorre de decisões estratégicas tomadas ao longo de muitos anos.
A analista de política econômica Meghan Ostertag, da Information Technology and Innovation Foundation (ITIF), sediada nos Estados Unidos, explica que a força de trabalho muito maior da Volkswagen foi necessária porque a empresa optou por controlar mais etapas da produção do que seus concorrentes.
"A Volkswagen fabrica internamente muitos de seus componentes e softwares, o que aumenta a demanda por mão de obra e os custos trabalhistas", diz Ostertag. Ela lembra que as despesas de produção na Alemanha podem ser até duas vezes maiores que as da concorrência.
Outros especialistas apontam para uma estratégia agressiva de aquisições ao longo dos anos, que trouxe para o grupo VW marcas como Škoda, Porsche, Seat e Bugatti, sem mencionar diversos fabricantes de caminhões.
"Essa estratégia funcionou até certo ponto, mas a complexidade de integrar todas essas marcas, cadeias de suprimentos e diferentes projetos torna a Volkswagen uma empresa muito complicada de operar", afirma o analista do setor automotivo Daniel Harrison, da empresa Ultima Media.
Os erros cometidos
Embora a Volkswagen tenha sobrevivido ao escândalo de falsificação de emissões conhecido como dieselgate, em 2015, sem danos financeiros permanentes, a empresa teve custos enormes e logo se viu diante de uma nova série de desafios.
A Volkswagen demorou a adaptar sua produção aos veículos elétricos (EVs), enquanto fabricantes chineses desse segmento ganhavam forte impulso e vantagem tecnológica. Esse atraso contribuiu para a desaceleração das vendas na China (responsável por um terço das vendas totais da VW), assim como para a queda na demanda na Europa e em outros mercados importantes.
A Volkswagen também repetiu um erro cometido pela indústria automobilística americana décadas atrás. Nas décadas de 1960 e 1970, as chamadas Big Three, como eram conhecidas Ford, GM e Chrysler (hoje parte da Stellantis), eram inchadas e lentas para se adaptar diante de concorrentes japonesas e europeias que começaram a conquistar participação de mercado.
Quando as montadoras americanas finalmente migraram para métodos de produção mais enxutos, uma década já havia se passado, e elas haviam ficado significativamente para trás.
A Toyota, que produz um número semelhante de veículos ao da Volkswagen, opera com quase metade do número de trabalhadores por depender mais de fornecedores e ter uma automação mais avançada e uma estrutura de gestão mais simples.
O analista Matthias Schmidt lembra de outro fator: o "controle sufocante" exercido pelos sindicatos e por um importante acionista sobre a Volkswagen. Segundo ele, isso contribuiu para "anos de negligência no reajuste do tamanho da força de trabalho".
O estado alemão da Baixa Saxônia, onde fica a sede global da Volkswagen, em Wolfsburg, detém quase 20% dos direitos de voto da empresa e, no passado, pressionou executivos para evitar o fechamento de fábricas ou demissões, especialmente durante as crises do Dieselgate e das cadeias de suprimentos na pandemia de covid-19. Desta vez, a pressão também está aumentando.
Ao longo das décadas, os poderosos sindicatos alemães também conseguiram repetidamente grandes aumentos salariais e benefícios generosos, colocando os funcionários da VW entre os mais bem pagos da indústria automobilística mundial.
O plano de recuperação da VW será suficiente?
Embora esses mesmos sindicatos se oponham fortemente aos planos mais recentes da Volkswagen, analistas alertam que a empresa talvez precise cortar mais do que os 4 bilhões de euros por ano que espera economizar para garantir seu futuro.
Segundo eles, as propostas atuais gerarão economias, reduzirão a capacidade excedente das fábricas alemãs e ajudarão a melhorar a rentabilidade no curto prazo. No entanto, a estrutura de custos da Volkswagen e sua cultura de tomada de decisões lenta indicam que reformas mais profundas e radicais podem ser necessárias.
A Volkswagen deveria "investir mais pesadamente em automação", avalia Ostertag. Ele diz que isso permitiria à montadora competir melhor com empresas mais enxutas, como a chinesa BYD, uma das marcas de veículos elétricos que mais crescem no mundo.
Analistas afirmam que a Volkswagen ficou atrás de alguns concorrentes em níveis de automação industrial, mas vem aumentando os investimentos em robótica e modernização digital de suas linhas de produção de veículos elétricos. A empresa também planeja lançar no próximo ano seu primeiro veículo elétrico com preço inferior a 20 mil euros.
Como a China responde por cerca de 30% da produção global de veículos da Volkswagen, Harrison prevê uma transferência adicional de produção para a Ásia e a possibilidade de compartilhamento das fábricas europeias da VW com fabricantes chineses de veículos elétricos, algo que anteriormente seria considerado impensável.
Berlim e Bruxelas oferecem tábua de salvação
No campo das políticas públicas, o governo alemão está oferecendo subsídios e empréstimos para fábricas nacionais de baterias para veículos elétricos, com o objetivo de reduzir a dependência das importações chinesas.
Enquanto isso, a União Europeia está avançando com a Lei de Aceleração Industrial. A iniciativa busca aumentar a competitividade do bloco e proteger indústrias estratégicas da concorrência considerada desleal da China.
A UE já impôs tarifas de até 45% sobre veículos elétricos fabricados na China. Ainda assim, esses percentuais estão muito abaixo das tarifas de 100% aplicadas pelos Estados Unidos, que praticamente excluíram os concorrentes chineses do mercado automotivo americano.
O historiador Niall Ferguson, da Universidade Harvard, alertou que a Europa reagiu lentamente à estratégia chinesa de conceder grandes subsídios aos fabricantes de veículos elétricos, o que permite aos chineses ter hoje preços mais competitivos do que seus rivais europeus.
"Se não houver uma mudança radical, faço uma previsão: os europeus estarão dirigindo carros chineses em larga escala muito em breve", declarou Ferguson ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung na semana passada.
Na mesma entrevista, o economista Moritz Schularick sugeriu usar o acesso ao mercado europeu como instrumento de negociação, permitindo que marcas chinesas vendam na Europa apenas se produzirem localmente.
Questionado sobre o futuro de longo prazo da Volkswagen, Schularick respondeu de forma provocativa e disse que a gigante automobilística alemã "provavelmente será comprada por uma montadora chinesa, como a BYD".
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| Short teaser | Montadora, que enfrenta dificuldades, emprega muito mais pessoas que a concorrência e planeja cortar até 100 mil postos. | ||
| Author | Nik Martin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/antes-símbolo-de-sucesso-enorme-força-de-trabalho-da-volkswagen-vira-fardo/a-77865778?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Elevado número de empregados da VW já foi um símbolo da força industrial da Alemanha, mas hoje se tornou um grande fardo | ||
| Image source | Moritz Frankenberg/dpa/picture alliance | ||
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| Item 22 | |||
| Id | 77867322 | ||
| Date | 2026-07-07 | ||
| Title | As baterias dos carros elétricos são mesmo poluentes? | ||
| Short title | As baterias dos carros elétricos são mesmo poluentes? | ||
| Teaser |
Críticas às cadeias de suprimento das baterias aumentam com o sucesso dos carros elétricos e tornam difícil diferenciar o que é preocupação legítima do que é desinformação.Os carros elétricos passam por uma onda de popularidade sem precedentes desde a crise global do petróleo desencadeada pela guerra no Irã.
Na Austrália, as vendas saltaram mais de 150% em abril, na comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto na região Ásia-Pacífico cresceram 80% nos três primeiros meses de 2026 – excluindo a China, onde o crescimento expressivo das vendas já se estabilizou.
Na América Latina foram vendidos cerca de 75% mais veículos elétricos, e na Europa, quase um terço a mais, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, afirmou em maio que as vendas recordes de veículos elétricos estão "proporcionando algum alívio em meio ao maior choque de oferta de petróleo da história" e que a queda nos preços das baterias deverá impulsionar ainda mais o setor.
Mesmo assim, as baterias – de longe o componente mais caro – continuam sendo um dos principais pontos vulneráveis dos carros elétricos.
Críticos dos veículos elétricos argumentam há muito tempo que as baterias, geralmente feitas com íons de lítio, podem pegar fogo e que incêndios nesses veículos são mais difíceis de extinguir do que em carros movidos a gasolina. Contudo, essa alegação ignora o fato de que veículos com motor a combustão têm uma propensão muito maior a incêndios.
As grandes e pesadas baterias dos veículos elétricos também têm sido apontadas como uma possível causa de danos nas estradas. Especialistas, porém, contestam essa tese e afirmam que os principais responsáveis pelo desgaste das rodovias são os caminhões de grande porte.
Dedo apontado para o cobalto
Por conterem minerais como cobalto e níquel, as baterias dos veículos elétricos sempre despertaram preocupações relacionadas às cadeias de suprimento, especialmente nas minas de cobalto da República Democrática do Congo (RDC).
Na Austrália, o programa jornalístico de horário nobre Spotlight, exibido em março, investigou minas de cobalto pertencentes a empresas chinesas no Congo. A reportagem revelou locais onde milhares de pessoas, incluindo muitas crianças, trabalham em condições precárias e em meio a um ambiente de forte poluição.
Ao apresentar o cobalto como "o elemento-chave presente em praticamente todas as baterias de armazenamento do planeta, desde os veículos elétricos até as residências", o programa afirmou que a busca por um futuro "limpo e verde", baseado em energias renováveis e carros elétricos, tem um "custo mortal e devastador".
No entanto, críticos da reportagem argumentaram que ela deixou de mencionar um ponto importante: a composição química das baterias de veículos elétricos passou amplamente para a tecnologia de fosfato de ferro-lítio (LFP), que não exige o uso de cobalto.
David McElrea, diretor-executivo do Smart Energy Council, um grupo ligado ao setor energético da Austrália e que defende as energias renováveis, questiona por que a reportagem focou especificamente nas baterias de veículos elétricos e em outras tecnologias renováveis se celulares, tablets e laptops também contêm cobalto.
Ele diz que os temores de exploração nas extensas cadeias de suprimento de minerais críticos usados em tecnologias renováveis são legítimos, mas afirma que a indústria de veículos elétricos reagiu às preocupações sobre a origem dos materiais e incentivou inovações que eliminaram o cobalto da maioria das baterias automotivas modernas.
O professor de química Neeraj Sharma, da Universidade de Nova Gales do Sul, acrescenta que composições químicas mais baratas, como as baterias de íons de sódio, também estão chegando ao mercado. "Os fabricantes de veículos elétricos vêm se afastando do cobalto porque ele é caro, tóxico e apresenta dilemas éticos", afirma.
A disputa pela narrativa dos minerais críticos
Especialistas falam numa "guerra de narrativas" em torno dos minerais críticos. O instituto canadense Fraser Institute, de orientação conservadora e favorável aos combustíveis fósseis, afirmou em 2023 que seriam necessárias cerca de 400 novas minas de minerais críticos para atender à futura demanda por veículos elétricos.
O autor do estudo, Kenneth P. Green, que há anos defende investimentos em combustíveis fósseis "baratos" em vez de energias renováveis, afirmou que "o risco de que a produção mineral e a mineração não consigam acompanhar à demanda projetada por veículos elétricos é significativo".
Entretanto, em seu relatório Global EV Outlook 2026, a Agência Internacional de Energia afirma que as reservas geológicas conhecidas de minerais críticos são suficientes para atender à demanda de longo prazo por veículos elétricos, mesmo num cenário de eliminação gradual da maior parte dos carros movidos a combustíveis fósseis. Porém, a forte concentração da produção de baterias na China representa riscos para as cadeias globais de suprimento.
A AIE também observa que o avanço das baterias de íons de sódio, que dispensam o uso de lítio, deverá reduzir ainda mais a demanda por minerais críticos. Além disso, a agência defende uma rápida expansão da reciclagem de minerais utilizados em baterias como forma de aumentar a transparência e a resiliência das cadeias de suprimento.
Ataque direcionado ou crítica legítima?
Mas como diferenciar preocupações legítimas sobre os impactos da mineração da desinformação sobre as cadeias de suprimento dos veículos elétricos?
Enquanto McElrea diz haver um "ataque direcionado" contra os veículos elétricos, promovido por mídias simpáticas aos combustíveis fósseis, o especialista em minerais críticos e segurança energética Vlado Vivoda, da Universidade de Queensland, afirma que nem toda crítica é necessariamente coordenada ou feita de má-fé.
"Muitas preocupações relacionadas à extração mineral, ao processamento, às condições de trabalho, aos impactos sobre o solo, aos resíduos e à concentração das cadeias de suprimento são reais", diz. É por isso, segundo ele, que é tão fácil contestar narrativas pró-transição energética que apresentam a energia limpa como algo "imaculado".
O copresidente de comunicação da coalizão global Climate Action Against Disinformation, Philip Newell, afirma que preocupações reais com a injustiça na extração de recursos devem começar pelo fortalecimento das comunidades afetadas pela mineração.
Isso pode ocorrer por meio da participação dessas comunidades nos lucros da atividade ou pelo fortalecimento e pela aplicação mais rigorosa das leis ambientais e trabalhistas.
Crise energética alimenta desinformação
Para Vivoda, "os esforços para deslegitimar as tecnologias limpas" tem que ver com a atual crise energética global. Ele argumenta que sugerir que as tecnologias limpas são "tão ruins quanto, ou até piores do que, o sistema baseado em combustíveis fósseis" acaba gerando inércia e atrasando a transição energética.
Ainda assim, o especialista afirma que a transição para uma economia de baixo carbono precisa oferecer o nível de transparência nas cadeias de suprimento que muitas vezes esteve ausente no setor de combustíveis fósseis.
"A resposta adequada não é romantizar a tecnologia limpa, mas comparar os sistemas de forma honesta e administrar as novas cadeias de suprimento muito melhor do que as antigas", diz.
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| Short teaser | Críticas às cadeias de suprimento das baterias aumentam com o sucesso dos carros elétricos. | ||
| Author | Stuart Braun | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/as-baterias-dos-carros-elétricos-são-mesmo-poluentes/a-77867322?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Baterias são de longe o componente mais caro e continuam sendo um dos principais pontos vulneráveis dos carros elétricos | ||
| Image source | John Walton/PA Wire/picture alliance | ||
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| Item 23 | |||
| Id | 77865299 | ||
| Date | 2026-07-07 | ||
| Title | Envelhecimento deixa cientistas menos inovadores, aponta estudo | ||
| Short title | Envelhecimento deixa cientistas menos inovadores, diz estudo | ||
| Teaser |
Profissionais mais experientes tendem a se manter ancorados a conhecimento antigo. Menos tempo para pesquisa e políticas de trabalho também impactam potencial disruptivo da produção acadêmica. Escolher uma carreia acadêmica significa, para muitos jovens cientistas, se confrontar com uma série de angústias intelectuais. Alguns sentem que perdem tempo com questões que deixaram de ser relevantes desde que seus orientadores ainda eram estudantes. Ou que investigam aspectos tão específicos de uma área que pouco contribuem para o avanço científico. Nestes casos, relata-se uma sensação de que a ciência vive uma espécie de déficit de inovação. Um metaestudo, publicado recentemente na revista Science sob o título "Envelhecimento e redução da inovação científica", investiga as causas desse fenômeno para tentar responder à pergunta de como a "idade acadêmica" influencia a criatividade. "À medida que os cientistas envelhecem, sua ciência também envelhece, assim como o trabalho ao qual ficam ancorados e do qual extraem inspiração e expectativas", resume James A. Evans, um dos autores do artigo, em uma publicação da Universidade de Chicago, onde é professor de Sociologia e Ciência de Dados. "Chamamos isso de 'envelhecimento intelectual' porque é um processo tanto social quanto biológico", ele adiciona, destacando que não é apenas a idade dos pesquisadores que os condiciona. Ou seja, quanto mais tempo passam no meio acadêmico e mais assumem funções administrativas e de liderança, menos tempo têm para pesquisar e se atualizar com os avanços científicos. Uma profissão em duas velocidadesO estudo analisa a trajetória de mais de doze milhões de acadêmicos com pelo menos três pesquisas publicadas entre 1960 e 2020. Os pesquisadores examinaram o caráter "disruptivo" de cada pesquisa com base nos artigos que ela cita: se estudos posteriores citam esse artigo, mas não mencionam os anteriores a ele, o trabalho é considerado disruptivo. Em outras palavras, abre um novo campo de investigação. Em 1953, por exemplo, James Watson e Francis Crick descreveram a estrutura helicoidal do DNA: trabalhos posteriores referenciaram esse artigo, mas não os que ele citava. Também é clássico o caso da mudança de paradigma provocada pela Teoria da Relatividade de Albert Einstein. O estudo mostra que a probabilidade de um cientista produzir pesquisas disruptivas diminui com a idade em todas as áreas. Em uma amostra de 64.386 cientistas com carreiras de 40 anos ou mais, os autores constataram que a chance de produzir um trabalho entre os 10% mais disruptivos cai com o tempo, sugerindo que pesquisadores mais experientes são menos propensos a abandonar ideias estabelecidas. O "efeito nostalgia"Pesquisas anteriores já indicaram uma queda na criatividade com a idade, embora outras não encontrassem correlação. O historiador e filósofo americano Thomas S. Kuhn cunhou o conceito de "paradigma científico": cientistas mais experientes estariam mais moldados pelo estado atual do conhecimento, enquanto os mais novos tenderiam a "pensar fora da caixa". Segundo o estudo atual, a explicação pode ser mais simples: cientistas tendem a se manter ancorados em uma pesquisa do passado que marca toda sua produção posterior. Ao longo da carreira, 85% das referências aparecem apenas uma vez, enquanto a obra mais citada reaparece em mais da metade dos artigos de um pesquisador (57%). Em média, a pesquisa prévia que mais influencia a trajetória de um cientista é publicada cerca de dois anos antes de ele divulgar seu primeiro trabalho. Esse "efeito nostalgia" também revela uma correlação entre tempo de carreira e a idade das referências utilizadas. Em média, a antiguidade das citações aumenta um mês para cada ano adicional de atividade acadêmica. No entanto, o estudo também aponta que o envelhecimento dos pesquisadores favorece a chamada "inovação combinatória", na qual pesquisadores mais experientes conseguem relacionar novas pesquisas com um maior número de trabalhos anteriores, mas têm mais dificuldade em romper com o passado e abrir novos campos. Mais "inovação combinatória", menos disrupção"Cientistas mais velhos combinam de forma mais criativa os elementos tradicionais de sua área, mas são em grande parte resistentes a novas ideias e frequentemente se opõem a elas", afirma Evans. "A memória é importante, mas tende a resistir à mudança e a descobertas transformadoras." O trabalho também compara sistemas científicos mais envelhecidos, como os do Japão, Estados Unidos e Reino Unido, com outros mais jovens, como os da China e da Índia, que tendem a produzir pesquisas mais disruptivas. Os autores defendem que mudanças nas políticas de trabalho, no financiamento e nos mecanismos de publicação e revisão podem estimular maior abertura à inovação. Além de Evans, assinam o estudo os pesquisadores Yiling Loin, Lingfei Wu e Haochuan Cui, este último também vinculado à Universidade Normal de Nanjing e à Universidade Normal de Pequim. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Profissionais mais experientes tendem a se manter ancorados a conhecimento antigo e têm menos tempo para pesquisa. | ||
| Author | Luis García Casas | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/envelhecimento-deixa-cientistas-menos-inovadores-aponta-estudo/a-77865299?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Envelhecimento%20deixa%20cientistas%20menos%20inovadores%2C%20aponta%20estudo | ||
| Item 24 | |||
| Id | 77859251 | ||
| Date | 2026-07-07 | ||
| Title | El Niño testa preparação do Brasil para incêndios florestais | ||
| Short title | El Niño testa preparação do Brasil para incêndios florestais | ||
| Teaser |
Após queda da área queimada em 2025, fenômeno climático aumenta risco de fogo fora de controle e desafia ações preventivas e de combate. Em 2024, o Brasil registrou a maior área queimada por incêndios florestais desde 2012, segundo dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2025, porém, a extensão atingida pelo fogo caiu significativamente, chegando ao terceiro menor patamar dessa série histórica. Dois fatores ajudam a explicar o resultado: o clima favorável e o avanço da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF). Em 2026, o país volta a enfrentar um cenário de maior risco devido ao El Niño, que contribuiu para o recorde registrado em 2024. O fenômeno pode representar um teste para os avanços da política nacional e para a capacidade de prevenção e combate aos incêndios florestais. Embora sua força ainda seja incerta, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos previu, em junho, 63% de probabilidade de o evento atingir a categoria "muito forte". "Estamos preparados para uma situação muito complexa. Torcemos para que ela não ocorra. Mas temos a convicção de que tudo o que fizemos a partir de 2024 gerou aprendizados e ações", afirmou João Paulo Sotero, secretário substituto e diretor do Departamento de Políticas de Controle do Desmatamento e Incêndios (DPCD) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Em julho de 2024, durante incêndios florestais que chamavam a atenção do Brasil, foi aprovada a PNMIF, considerada um novo paradigma por romper com a lógica da política de "fogo zero". Desde então, também avançaram ações de prevenção, como a ampliação do uso de queimas prescritas, o aumento do contingente de brigadistas contratados e o reforço da estrutura de combate. "No entanto, isso não significa que teremos necessariamente menos incêndios", analisou Lívia Carvalho Moura, doutora em Ecologia pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora associada do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). A especialista reconhece importantes avanços, mas aponta desafios, como a falta de implementação do Manejo Integrado do Fogo (MIF) em muitos estados, municípios e no setor privado, além de incertezas orçamentárias. "Hoje enfrentamos um contexto mais desafiador, marcado por mudanças climáticas, eventos extremos mais frequentes, expansão de áreas degradadas e pelo uso inadequado do fogo em atividades humanas e conflitos territoriais. Esses fatores aumentam o risco de ocorrência, intensidade e severidade dos incêndios", pontuou Moura. A assinatura do El NiñoSe, no Sul do Brasil, o El Niño aumenta a chance de grandes volumes de chuvas, no restante do país o sinal costuma se inverter. "Os efeitos conhecidos são aumento das temperaturas na região central, ou seja, a possibilidade de um aumento de ondas de calor. E seca na região Norte e Nordeste. Isso contribui para condicionar a atmosfera para uma situação de maior exposição ao risco de fogo", explicou o pesquisador Christopher Cunningham. Cunningham é líder do Grupo de Estudos de Fogo do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Ele ressalta que cada El Niño tem uma espécie de assinatura – ou seja, os efeitos que causa. Isso ficou claro em um estudo publicado em maio. Os pesquisadores notaram que nos anos de 2015/2016 e 2023/2024, o fenômeno passou a favorecer condições de maior seca e calor nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, o que não era tão comum. A previsão de probabilidade de fogo do Cemaden para os meses de julho, agosto e setembro coloca 1.863 municípios em atenção, 615 em alerta e 106 em alerta alto. Os níveis mais elevados de risco concentram-se principalmente no Centro-Oeste e no arco sul da Amazônia, abrangendo áreas de Mato Grosso, Rondônia, Acre, sul do Amazonas e sul do Pará, além de porções do Tocantins. Esses locais correspondem em grande parte, segundo o Cemaden, às regiões de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado, onde a combinação entre a consolidação da estação seca, a redução da umidade da vegetação e a intensa atividade agropecuária favorece a ocorrência e a propagação de incêndios. O norte do Cerrado e o Matopiba, que abrange áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, também apresentam extensas áreas em alerta e atenção. Mais recursos e brigadistasO ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou, em maio, que o governo federal e os estados da Amazônia e do Pantanal informassem as providências de planejamento adotadas diante do avanço do El Niño. Os planos foram apresentados, mas ainda não foram avaliados pela Corte. Ao falar sobre os planos e ações do governo federal para a prevenção e combate aos incêndios, João Paulo Sotero, do MMA, ressaltou a importância da PNMIF. "É um marco legal que nos orienta. Traz as diretrizes, as balizas, faz com que União, estados, municípios e sociedade civil possam dialogar, se articular. Isso ocorre por meio do Comitê Nacional do Manejo Integrado do Fogo." A partir dessa lei, Sotero avaliou que o Brasil estava melhor preparado em 2025. "Mas a situação climática também foi mais favorável que em 2024. Então foi bom, porque colocamos em prática nosso preparo, mas ainda em uma situação menos desafiadora." Em janeiro deste ano, o governo realizou uma reunião com especialistas para analisar as previsões climáticas e o risco de incêndios florestais, já com a possibilidade de um El Niño. Em fevereiro, o MMA publicou uma portaria que declarou emergência ambiental por risco de incêndios florestais em áreas vulneráveis. Na reunião dos especialistas em maio, segundo Sotero, já estava praticamente certa a possibilidade do fenômeno climático. "Reunimos o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] e o ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade] e falamos o seguinte: ‘Olha, vamos listar tudo que a gente precisa para estar bem preparados para a temporada'. E aí listamos uma série de demandas. A primeira delas foi recurso financeiro." Conforme reportagem da Folha de S. Paulo de janeiro, o orçamento para prevenir incêndios florestais e fiscalização do meio ambiente havia sofrido um corte, caindo 17%. Em uma nota de maio, apresentada ao STF, o Ibama chegou a alertar sobre a importância de novos recursos, ao informar que tinha solicitado um crédito extraordinário de R$ 196 milhões. Em junho, uma medida provisória reverteu a situação e possibilitou a liberação de mais R$ 337,5 milhões – R$ 194,4 milhões ao Ibama e R$ 143,1 milhões ao ICMBio. Segundo o MMA, o orçamento para 2026 é de pouco mais de R$ 1 bilhão, o maior da história. Ao todo, vão estar em ação 240 brigadas, responsáveis por fazer a prevenção e combate aos incêndios florestais. Serão 4.410 brigadistas contratados, além de outros 220 servidores federais – o maior contingente da história, segundo o MMA. Eles estão espalhados por áreas de vulnerabilidade climática, recorrência histórica de incêndios e áreas prioritárias para conservação ambiental. A estrutura do governo federal também será composta por 27 veículos especiais de combate, duas vilas operacionais no Pantanal, 19 helicópteros, 18 aviões destinados ao lançamento de água e um de transporte de brigadas. Para descentralizar as decisões e ações, parte desse equipamento e do contingente estarão em postos de comando no Pará (duas unidades), Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Tocantins. Avanços e desafiosO avanço mais importante na prevenção e no combate aos incêndios florestais no Brasil foi a PNMIF, que mudou a lógica de tratar o fogo apenas como problema e passou a reconhecer sua importância, avaliou Lívia Moura, do ISPN. "Esta mudança também inclui focar mais em ações de planejamento, prevenção, uso técnico do fogo quando adequado e coordenação entre instituições. Isso é um avanço muito relevante e coloca o Brasil em uma direção mais alinhada com o que a ciência e a experiência internacional recomendam." A especialista também vê avanços na contratação de brigadistas, na ampliação das queimas prescritas, no uso de dados climáticos para antecipar riscos e na maior integração entre os órgãos responsáveis pelo manejo do fogo. "Mas ainda existem grandes desafios", alertou Moura. "O primeiro é orçamentário: cortes ou incertezas de recursos, como tivemos no começo de 2026, podem comprometer justamente as ações de prevenção, contratação de brigadistas, logística, equipamentos e planejamento. E quando a prevenção enfraquece, o país acaba gastando mais com operações de combate, depois que o fogo já saiu do controle." Outro desafio, na visão de Moura, é que a PNMIF ainda está sendo regulamentada e o manejo integrado do fogo (MIF) não foi plenamente incorporado por muitos estados, municípios e setores privados. "Em boa parte do território brasileiro, o manejo do fogo ainda é muito reativo, baseado no combate, e pouco estruturado em prevenção." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. 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| Short teaser | Após queda da área queimada em 2025, fenômeno climático aumenta risco de fogo fora de controle. | ||
| Author | Maurício Frighetto | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/el-niño-testa-preparação-do-brasil-para-incêndios-florestais/a-77859251?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=El%20Ni%C3%B1o%20testa%20prepara%C3%A7%C3%A3o%20do%20Brasil%20para%20inc%C3%AAndios%20florestais | ||
| Item 25 | |||
| Id | 77854464 | ||
| Date | 2026-07-06 | ||
| Title | Telescópio Euclid captura os quasares mais antigos já vistos | ||
| Short title | Telescópio Euclid captura os quasares mais antigos já vistos | ||
| Teaser |
Telescópio espacial da Agência Espacial Europeia identificou núcleos galácticos que existiam quando o universo tinha apenas cerca de 5% de sua idade atual, incluindo os mais antigos e mais distantes já registrados. Um estudo publicado nesta segunda-feira (06/07) revelou que o telescópio espacial Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA), alcançou um marco científico histórico ao identificar 31 núcleos galácticos primitivos (quasares) – que existiam quando o universo tinha apenas cerca de 5% de sua idade atual. Entre eles estão os dois quasares mais antigos e mais distantes já registrados, com aproximadamente 13 bilhões de anos. Graças à sua avançada tecnologia de observação no infravermelho, o observatório espacial conseguiu realizar esse levantamento populacional de objetos e superar a limitação anterior, que permitia detectar apenas os exemplares mais brilhantes. Os resultados do estudo, que representam um avanço significativo na compreensão do universo primitivo, foram publicados na revista científica Astronomy & Astrophysics. Brilho de um trilhão de sóisDos 31 gigantescos e brilhantes quasares descobertos, alimentados por enormes buracos negros, dois são os mais antigos já observados. Eles brilhavam com a intensidade de um trilhão de sóis quando o universo tinha apenas 670 milhões de anos, cerca de 5% de sua idade atual. Os quasares representam uma breve fase da vida de uma galáxia, durante a qual grandes quantidades de matéria espiralam em direção ao buraco negro supermassivo localizado em seu centro, liberando quantidades gigantescas de energia. Nessa etapa, o núcleo da galáxia torna-se mais brilhante do que qualquer outro objeto do universo, frequentemente superando o brilho do restante da galáxia hospedeira por centenas ou até milhares de vezes. Objetos rarosHá décadas os cientistas buscam os primeiros quasares do universo, pois eles fornecem informações valiosas sobre o que acontecia nos primórdios do cosmos, incluindo a formação dos primeiros buracos negros supermassivos e das primeiras galáxias. No entanto, os núcleos galácticos dessa época são extremamente difíceis de encontrar. Segundo a ESA, eles são raros porque poucas galáxias tiveram tempo suficiente para crescer e alcançar o tamanho necessário. Além disso, sua luz primordial é muito fraca e pode ser facilmente confundida com a de estrelas mais próximas. Lançado em 2023, o telescópio Euclid vem explorando essa fase misteriosa da história do universo. Graças às suas observações, foi possível descobrir esses quasares primordiais, originados nos primeiros tempos cósmicos. Daming Yang, pesquisador da Universidade de Leiden, na Holanda, e principal autor do estudo, afirma que encontrar e analisar esses objetos permite "compreender melhor como esses enormes sistemas se formaram e cresceram tão rapidamente, um dos maiores mistérios da astrofísica”. Pista sobre formação de buracos supermassivos"Esses objetos [quasares] fornecem as melhores pistas para entender como os buracos negros supermassivos se formam", afirmou Joseph Hennawi, professor de Física da Universidade de Leiden e da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara. Ele observou que esses "monstros", cuja massa pode ser bilhões de vezes maior que a do Sol, já existiam quando o Universo ainda estava em seus primórdios. "Ainda não compreendemos totalmente como eles conseguiram crescer tanto e tão rapidamente", destacou. Os astrônomos procuram há décadas os primeiros núcleos galácticos do Universo. Entretanto, os quasares que surgiram antes de 770 milhões de anos após o Big Bang são extremamente raros e difíceis de detectar. Poucas galáxias haviam crescido o suficiente para gerar um desses objetos e, mesmo quando isso ocorria, sua luz era tão fraca que frequentemente se confundia com sinais emitidos por estrelas muito mais próximas da Terra. md/ra (Lusa, EFE) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Telescópio da Agência Espacial Europeia identificou quasares da época em que universo tinha cerca de 5% da idade atual. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/telescópio-euclid-captura-os-quasares-mais-antigos-já-vistos/a-77854464?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 26 | |||
| Id | 77848026 | ||
| Date | 2026-07-06 | ||
| Title | Imprensa europeia destaca processo de decadência do futebol brasileiro | ||
| Short title | Imprensa europeia destaca processo de decadência da Seleção | ||
| Teaser |
Da euforia norueguesa ao diagnóstico alemão de um "mito do passado". Veículos europeus apontam que derrota para a Noruega é sinal do declínio do futebol brasileiro.A eliminação do Brasil para a Noruega por 2 a 1 neste domingo (05/07), nas oitavas de final da Copa do Mundo, foi recebida pela imprensa europeia não apenas como uma surpresa esportiva, mas como indício de uma transformação no equilíbrio de forças do futebol mundial.
O resultado, conforme as análises, pode ter marcado a consolidação da Noruega como nova potência competitiva e o enfraquecimento de uma Seleção Brasileira que não conquista uma Copa desde 2002.
Espanha: Haaland destrói o projeto de Ancelotti
O jornal espanhol El País, que estampou a manchete: "O martelo viking de Haaland destrói o Brasil de Ancelotti". Mais do que exaltar o atacante norueguês, o artigo sustenta que a seleção brasileira foi derrotada por uma equipe que executou melhor justamente as virtudes que Ancelotti pretendia implementar na Canarinho: pragmatismo, eficiência e capacidade de decidir nos momentos-chave.
A análise argumenta que o Brasil abriu mão de sua tradicional vocação ofensiva para apostar em um modelo mais cauteloso e reativo. Segundo o diário, a estratégia não produziu uma equipe sólida o suficiente para competir com a eficiência norueguesa. O pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães, ainda com o jogo empatado, é tratado como o momento simbólico em que o plano brasileiro começou a ruir.
Noruega: feito histórico
Nos jornais noruegueses, a cobertura misturou euforia e surpresa. O tabloide VG, um dos principais jornais noruegueses resumiu a noite com uma manchete direta: "Brasil esmagado". O veículo descreveu a vitória como um acontecimento capaz de redefinir o lugar da Noruega no futebol internacional.
O Adresseavisen foi ainda além e classificou a classificação para as quartas de final como "o maior acontecimento da história do esporte norueguês"”. A avaliação reflete a dimensão histórica do resultado para um país que retornou recentemente ao cenário mundial após décadas de ausência em grandes torneios.
Já o Dagbladet preferiu destacar o goleiro Orjan Nyland. Para o jornal, a defesa do pênalti de Bruno Guimarães foi tão decisiva quanto os gols de Haaland. A narrativa predominante foi a de uma vitória coletiva, construída pela organização defensiva e pela disciplina tática escandinava.
França: o "pesadelo europeu” continua
O francês L'Équipe tratou a eliminação como mais um capítulo do que chamou de persistente dificuldade brasileira contra seleções europeias em Copas do Mundo.
A ideia recorrente foi que o Brasil voltou a falhar justamente diante do tipo de adversário que o elimina sistematicamente há mais de duas décadas. A vitória norueguesa foi apresentada não como acidente, mas como parte de uma tendência histórica que se repete desde o pentacampeonato de 2002.
Itália: questionamentos sobre o trabalho de Ancelotti
Na Itália, a atenção se dividiu entre Haaland e Carlo Ancelotti. A Gazzetta dello Sport destacou a dimensão do feito do atacante norueguês e sugeriu que sua influência na partida foi maior do que a de toda a equipe brasileira reunida, afirmando "Haaland é maior que o Brasil".
O fato de Ancelotti ser um dos técnicos mais vitoriosos da história do futebol europeu acrescentou peso às análises. Embora a crítica não tenha sido dirigida exclusivamente ao treinador, diversos comentários apontaram que a chegada do italiano ainda não foi capaz de resolver os problemas de identidade da Seleção.
Alemanha: "Apenas um mito do passado"
Comentário publicado pela revista esportiva alemã Kicker sob o título O Brasil é um mito – mas apenas um mito do passado, afirma que a derrota para a Noruega não representa um acidente de percurso, mas a confirmação de um processo de decadência do futebol brasileiro que já vinha sendo anunciado há anos.
O texto ressalta que, em vez do tão sonhado sexto título mundial que encerraria um jejum que já dura desde 2002, a Seleção saiu de cena nas oitavas de final, algo que não acontecia desde a Copa de 1990. O resultado constitui um novo ponto baixo na trajetória recente da Amarelinha.
A análise rejeita a ideia de que a eliminação tenha sido surpreendente. A derrota para uma Noruega forte – e a dificuldade enfrentada anteriormente contra o Japão – seriam evidências de uma realidade que muitos torcedores brasileiros ainda resistem a admitir: o Brasil já não se diferencia das chamadas potências médias do futebol mundial. Para a publicação alemã, a aura construída pelas gerações de Pelé, Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho continua viva na memória coletiva, mas deixou de encontrar correspondência dentro de campo.
O comentário também revisita a campanha das eliminatórias sul-americanas, descrita como a mais problemática da história brasileira. A Kicker recorda derrotas inéditas para Colômbia e Argentina, empates contra a Venezuela e a sucessão de treinadores que antecedeu a chegada de Carlo Ancelotti. Na avaliação do periódico, o quinto lugar obtido nas eliminatórias foi um sinal claro de enfraquecimento, ainda que o formato ampliado da Copa tenha suavizado as consequências esportivas.
Embora reconheça o impacto das lesões de jogadores importantes, como Militão, Rodrygo e Raphinha, o veículo argumenta que o problema é mais profundo. Segundo ele, o Brasil continua produzindo atletas de alto nível, mas já não gera com a mesma frequência jogadores capazes de dominar o futebol mundial durante anos, como ocorreu em gerações anteriores. O texto cita Alisson, Marquinhos, Vinicius Junior e Raphinha como expoentes da atual safra, mas questiona a existência de craques capazes de redefinir o esporte, como fizeram os ídolos do passado.
Nesse contexto, Carlo Ancelotti aparece mais como um gestor do que como um transformador. A Kicker avalia que nem mesmo um dos técnicos mais vitoriosos da história recente poderia realizar milagres diante das limitações do elenco. A volta de Neymar à Seleção é interpretada como um símbolo dessa realidade: a necessidade de recorrer a uma estrela de outra geração revela, segundo o argumento do texto, a dificuldade de renovação do futebol brasileiro.
A conclusão da revista alemã é particularmente severa. Para o periódico, a eliminação para a Noruega representou o momento em que o maior vencedor da história das Copas foi finalmente alcançado pela "realidade sombria" de seu próprio declínio. O Brasil permanece como uma referência histórica incontornável do futebol mundial, mas, na leitura da Kicker, vive cada vez mais da força de seu passado do que da capacidade de moldar o presente e o futuro do jogo.
Despedida de Neymar e o fim de uma geração
Se a revista esportiva alemã Kicker interpretou a derrota como a confirmação do declínio esportivo do Brasil, a agência alemã especializada em esportes SID concentrou sua atenção no drama humano vivido pela Seleção após o apito final. A agência descreveu um país mergulhado em "luto e tristeza" após a eliminação para a Noruega e transformou Neymar no símbolo máximo de mais uma frustração no Mundial.
A reportagem abre com uma imagem poderosa: Neymar sentado no gramado do MetLife Stadium, chorando inconsolavelmente após a derrota por 2 a 1. Para a SID, o craque representava a esperança de encerrar uma espera que já dura desde 2002 e conduzir o Brasil ao sonhado hexacampeonato. Em vez disso, viu o sonho terminar pela sexta Copa consecutiva.
A agência apresenta a derrota como o encerramento definitivo de uma era. Aos 34 anos, Neymar teria vestido pela última vez a histórica camisa 10 da Seleção Brasileira.
O relato também chama atenção para a atuação decepcionante da equipe. Segundo a agência, Brasil, Neymar e Vinicius Junior "mostraram pouco samba e pouco espetáculo".
A interpretação da SID é particularmente severa ao avaliar a geração atual. Para a agência, a equipe liderada por Neymar chegou ao fim de seu ciclo após mais um capítulo traumático na história recente da Seleção, na sequência das decepções vividas em 2014, 2018, 2022 e agora 2026. O texto sugere que jogadores identificados com essa era já não conseguem responder às exigências do mais alto nível competitivo.
Ainda assim, a reportagem termina com uma nota de esperança. Ancelotti deixa claro que pretende continuar no cargo e transformar a derrota em combustível para uma reconstrução.
"Sofrimentos continuam"
Para a agência alemã de notícias DPA, a derrota para a Noruega representa mais um capítulo de uma sequência de frustrações que se estende desde o pentacampeonato de 2002. "Os sofrimentos da Seleção continuam", resume a agência.
Um dos pontos centrais da análise da DPA é a avaliação do elenco atual. Segundo a agência, a Seleção já não dispõe da abundância de talentos extraordinários que caracterizava gerações anteriores. Nesse contexto, Vinicius Junior surge como a principal exceção.
A reportagem afirma que o atacante do Real Madrid foi o único jogador ofensivo brasileiro a convencer plenamente durante o torneio. Matheus Cunha também recebeu elogios, mas em um patamar inferior. Já Neymar e Raphinha tiveram a participação prejudicada por problemas físicos, enquanto outros nomes esperados como protagonistas não conseguiram assumir o controle da equipe.
A DPA observa que Carlo Ancelotti chegou à Seleção com a missão de encerrar um jejum de 24 anos sem títulos mundiais. Primeiro técnico estrangeiro da história da equipe brasileira, o italiano carregava um currículo quase incomparável, com títulos nacionais nas principais ligas europeias e cinco conquistas da Liga dos Campeões.
Ainda assim, segundo a análise, nem mesmo sua experiência foi capaz de transformar o Brasil em um verdadeiro candidato ao título. A agência lembra que a equipe já havia sido criticada após o empate na estreia contra Marrocos e, embora tenha evoluído ao longo do torneio, nunca transmitiu a sensação de superioridade associada historicamente à camisa amarela.
Para a agência, o grande desafio da Seleção não é apenas reconstruir o elenco para 2030. A DPA sugere que o Brasil já não possui a concentração de craques que durante décadas o transformou em favorito automático em qualquer Mundial.
A conclusão dialoga diretamente com as análises da Kicker e da SID: a eliminação para a Noruega foi interpretada pela imprensa alemã não como um acidente isolado, mas como um marco de transição. O adeus de Neymar simboliza o encerramento de uma geração, enquanto a reconstrução imaginada por Ancelotti ainda carece de protagonistas capazes de devolver ao Brasil o protagonismo perdido no cenário internacional.
Apesar das diferenças de tom, a maior parte dos artigos europeus compartilha uma mesma conclusão. O Brasil continua produzindo talentos individuais de elite, como Vinicius Junior, Neymar e Endrick, mas deixou de representar o adversário inevitável e dominante que marcou outras gerações.
md/cn (DPA, SID, ots)
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| Short teaser | Veículos apontam derrota para a Noruega como sinal do declínio do futebol brasileiro, que vive do "mito do passado". | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/imprensa-europeia-destaca-processo-de-decadência-do-futebol-brasileiro/a-77848026?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/77846851_354.jpg
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| Image caption | Haaland cabeceira para marcar o primeiro gol norueguês na vitória contra o Brasil | ||
| Image source | Kyodo/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77846851_354.jpg&title=Imprensa%20europeia%20destaca%20processo%20de%20decad%C3%AAncia%20do%20futebol%20brasileiro | ||
| Item 27 | |||
| Id | 77847834 | ||
| Date | 2026-07-06 | ||
| Title | Sem regulamentação, mercados de predições viram desafio no Brasil | ||
| Short title | Sem regulação, mercados de predições viram desafio no Brasil | ||
| Teaser |
Enquanto o debate público se concentra nas casas de apostas, plataformas de previsão operam em uma zona cinzenta. O fenômeno reacende a discussão sobre regulamentação. Fora das atenções que focam em publicidades de bets e regulamentações, os chamados "mercados de predição", que cresceram globalmente nos últimos anos, se tornaram um desafio para as autoridades brasileiras. Em abril, o governo bloqueou 27 plataformas que faziam previsões sobre os mais diferentes temas, como as americanas Kalshi e Polymarket, para evitar a consolidação de um modelo de apostas sem controle e que não segue a legislação do país. O mercado preditivo funciona como uma espécie de "bolsa de apostas" sobre eventos futuros. Nele, as pessoas compram e vendem contratos baseados em perguntas simples como "Vai acontecer ou não?", relacionados aos mais diversos eventos, como guerras, mudanças climáticas ou eleições. Se o evento acontecer, como a vitória deu um político nas urnas ou de um vencedor em um reality show, quem apostou ganha dinheiro. Se não acontecer, perde. A diferença em relação às apostas tradicionais é que, nas bets, a empresa define as regras e paga os prêmios. Já nos mercados preditivos, os próprios usuários negociam entre si. Esses contratos são tratados como derivativos, tipo de investimento que depende do valor futuro de algo. Apesar de proibidos, usuários brasileiros encontram lacunas para acessar a esses conteúdos. Além do uso de VPNs para driblar os bloqueios, a forma de pagamento nestes sites é outra dificuldade. Enquanto no caso de casas de apostas ilegais o governo vem intensificando verificações sobre transações com o Pix, os mercados de predição operam, sobretudo, usando criptomoedas. A DW encontrou quatro plataformas operando neste sistema de forma irregular no país. Além disso, ao longo das últimas semanas, outras chegaram a oferecer anúncios no Instagram. A reportagem encontrou ainda publicidade de casas de apostas clandestinas convencionais na plataforma. Questionada, a Meta apontou que "anunciantes que desejam promover jogos de azar ou jogos online precisam solicitar permissão por escrito e fornecer provas de que as suas atividades estão licenciadas por um regulador ou estabelecidas como legítimas nos territórios nos quais desejam veicular esses conteúdos". A empresa destacou que órgãos governamentais podem pedir a restrição de conteúdos que violam as leis. Popularidade em alta na CopaOs mercados de predições ganharam enorme tração nas eleições americanas em 2024 após uma disputa jurídica permitir ao Kalshi ofertar palpites nos vencedores daquele pleito. Desde então, eles vêm acumulando restrições, polêmicas e bilhões de dólares movimentados. Neste ano, altos volumes apostados associados às ações dos Estados Unidos no Irã e na Venezuela reforçaram os temores de que agentes com informações privilegiadas lucraram com os eventos nestas plataformas. Além disso, uma aposta sobre o uso de armas nucleares em 2026 saiu do ar após polêmica. Na Copa, as plataformas oferecem apostas convencionais, como palpites no artilheiro do campeonato e o vencedor do torneio, assim como as bets tradicionais. No entanto, há mercados mais personalizados, como um que permitia apostar se Neymar entraria ou não em campo. Em possibilidades ainda mais alternativas, apostava se também nas chances de Cristiano Ronaldo chorar em público durante a competição. No começo do torneio, a casa de análises Bernstein previu uma movimentação de 10 bilhões de dólares em apostas nestes mercados ligadas à Copa. Bets x prediçõesAs diferenças no funcionamento das predições para as casas de apostas geram discussões regulatórias. Entusiastas do primeiro modelo frequentemente alegam que as características são mais próximas do mercado financeiro do que de uma bet. Uma das principais defesas é a de que a aposta ocorre contra outros usuários, e não contra a casa, como na outra modalidade. Mercados preditivos funcionam com base na compra e venda de contratos futuros. Por exemplo, na Copa, a aposta no campeão será liquidada logo depois da final. O valor de um palpite varia de acordo com a oferta e a demanda. Quanto mais pessoas palpitarem sobre um aspecto, este contrato se valoriza. Neste modelo, o lucro da plataforma vem através de uma comissão a cada negociação. Ou seja, o resultado final é indiferente para as receitas da operação. Maiores ganhos para a plataforma vêm através de um maior volume negociado. No caso do campeão da Copa, no começo de julho, apenas o Kalshi já tinha movimentado cerca de 850 milhões de dólares. No caso das casas de apostas tradicionais, cada uma oferece um retorno de acordo com as probabilidades avaliadas de que um evento ocorra, as chamadas "odds". Neste modelo, é calculado, normalmente usando algoritmos, quanto se pode pagar a cada usuário vencedor por um resultado de forma que a casa ainda obtenha lucro, normalmente de 5%. Apesar das diferenças, estudos apontam que, assim como nas bets, a maioria dos usuários tende a ter perdas nos mercados de predição. Um estudo recente sobre o Polymarket mostrou que os ganhos são altamente concentrados, com 1% dos usuários detendo 76,5% dos lucros. À DW, Charles Martineau, um dos autores da pesquisa e professor da Universidade de Toronto resumiu a lógica deste mercado para a grande maioria. " É muito difícil de ganhar dinheiro apostando em esportes. É possível lucrar com algumas sequências de apostas, mas para a pessoa comum, apostar muitas vezes resultará em prejuízo." "Em plataformas como Kalshi e Polymarket, onde as apostas esportivas têm um alto volume de negociações, constatamos que os preços são tão eficientes que é praticamente impossível lucrar", aponta Martineau. Além disso, ele acrescenta: "uma coisa é certa: a introdução dos mercados de previsão levará algumas pessoas a desenvolver uma crescente dependência de jogos de azar". Necessidade de regulamentaçãoNa visão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), a oferta destas plataformas de apostas em eventos esportivos no país demandaria licenças específicas, assim como ocorre com as casas que vem operando de forma regular desde o último ano. Na ausência de uma regulamentação, o acesso a estes sites deve ser barrado no território nacional. "Estava havendo ofertas inclusive de mercados ilegais, como eleições. O governo agiu rápido em excelente momento, antes que o tema escalasse", avalia Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), ao comentar a decisão do governo de bloquear os sites. Para Leonardo Henrique Roscoe Bessa, sócio do Betlaw e consultor do Conselho Federal da OAB, o cenário atual foi uma "resposta rápida", especialmente visando limitar as apostas em eleições, que são proibidas no caso das bets. Por sua vez, passado o período eleitoral e com a atual popularidade, a regulamentação destes mercados deve voltar à tona, projeta. Bessa aponta que o uso de informações privilegiadas tende a ser uma dificuldade regulatória a mais, algo que é mais controlado no caso das bets. A legislação atual do setor aponta que potenciais envolvidos em partidas, como árbitros, jogadores e comissão técnica, não podem apostar. No caso das predições, a atuação de agentes ligados aos eventos é menos controlada. "Quem tem informações, sai na frente", resume. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Enquanto o debate público se concentra nas casas de apostas, plataformas de previsão operam em uma zona cinzenta. | ||
| Author | Matheus Gouvea de Andrade | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/sem-regulamentação-mercados-de-predições-viram-desafio-no-brasil/a-77847834?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Sem%20regulamenta%C3%A7%C3%A3o%2C%20mercados%20de%20predi%C3%A7%C3%B5es%20viram%20desafio%20no%20Brasil | ||
| Item 28 | |||
| Id | 77821473 | ||
| Date | 2026-07-05 | ||
| Title | Quem foi Miriam Etz, a primeira mulher a usar um maiô de duas peças no Rio de Janeiro | ||
| Short title | A mulher que escandalizou o Rio com um duas-peças em 1936 | ||
| Teaser |
Dez anos antes do biquíni, alemã Miriam Etz foi à praia com traje que ela mesma confeccionou para tomar sol no umbigo. Pioneira, jogava frescobol na areia, usava vestido com as costas de fora e pintava as unhas dos pés. Quem passa pela Rua Joaquim Nabuco, entre os bairros de Copacabana e Ipanema, não imagina que, há 90 anos, aquele era o endereço de Erna Miriam Etz Kaufmann. Aos 22 anos, Miriam escreveu seu nome na história ao se tornar a primeira mulher a ir à praia do Arpoador, no Rio, usando um maiô de duas peças. A façanha está registrada em três livros: Ela É Carioca (Companhia das Letras, 1999), de Ruy Castro; Um Mergulho no Rio (Casa da Palavra, 2012), de Márcia Disitzer; e O Biquíni Made in Brazil (Arte Ensaio, 2016), de Lilian Pacce. Ao lado do marido, Miriam é um dos 237 verbetes da "enciclopédia ipanemense” de Ruy Castro. No calhamaço de 560 páginas, o jornalista relata que o duas-peças de lã foi a primeira coisa que Miriam tirou da mala em 1936. "Era um maiô de crochê, que ela própria confeccionara e trouxera na viagem", escreveu. Outro pioneirismo de Miriam foi ir à praia, a cinco minutos de casa, grávida de quatro meses. Sua primogênita, Iracema, nasceria dali a cinco meses, em 1º de janeiro de 1937. Além disso, usava vestidos com as costas de fora e pintava as unhas dos pés. Autora de Um Mergulho no Rio – 100 Anos de Moda e Comportamento na Praia Carioca, a jornalista Márcia Disitzer pondera que a intenção de Miriam não era escandalizar a sociedade carioca. Naquela época, as mulheres iam à praia de maiô de uma peça só. "A mãe dela dizia que tomar sol no umbigo fazia bem à saúde", revela. Além de pegar sol, a garota do Arpoador gostava de jogar frescobol. "Era uma mulher à frente de seu tempo", define. Ano que vem, o livro Um Mergulho no Rio vira série documental na EBC pelas lentes da cineasta Susanna Lira. Dos três autores, Lilian Pacce foi a única que conseguiu entrevistar Miriam. Não por acaso, a alemã ganha um agradecimento especial em O Biquíni Made in Brazil. No livro, a jornalista explica que, como a lã era quente e desconfortável para o calor do Rio, Miriam logo comprou outros tecidos, como algodão. Além disso, fazia costuras laterais com crochê para dar mais elasticidade à peça. "O maiô inteiro no Brasil era muito caro. Então, resolvi fazer o meu duas-peças de lã azul-marinho com cinto na calcinha", contou Miriam à autora do livro. "A diferença entre o duas-peças e o biquíni é que o biquíni revela o umbigo, símbolo da maternidade", esclarece Lilian Pacce. "Até o começo do século 20, as pessoas tomavam banho de mar para fins terapêuticos. Por isso, usavam vestidos com calçolas largas. Com o passar do tempo, a praia se transformou em entretenimento familiar e prática esportiva. Surge, então, o maiô de perninha e, mais adiante, o maiô em si. Até vir o duas-peças e, depois, o biquíni. Apesar de ter sido lançado em 1946, o biquíni só pegou mesmo a partir de meados dos anos 1950." À frente do tempoUm dos primeiros jornalistas a registrar a proeza de Miriam Etz em livro, Ruy Castro tem, pelo menos, mais dois méritos: estimular Ira Etz, a primogênita de Miriam, a transformar suas memórias em biografia, e inspirar a atriz Isabelle Drummond a adaptar a história de Miriam para as telas. O livro de Ira já foi publicado: Ira do Arpoador (ID Cultural, 2016), uma parceria com Luiz Felipe Carneiro, chegou às livrarias no aniversário de 80 anos do feito da mãe. Já o filme de Isabelle, embora já tenha sido rodado no verão de 2025, não tem previsão de lançamento. Por coincidência, Isabelle tomou conhecimento da história de Miriam há dez anos, quando leu, pela primeira vez, Ela É Carioca. Logo, teve a ideia de transformar algumas das minibiografias do livro em curtas-metragens. Em um deles, o casal Hans e Miriam Etz é interpretado por Antônio Benício e Hanna Svarts. "Miriam é uma mulher forte. Vivia com naturalidade, sem fazer alarde. Uns dos primeiros moradores do Arpoador, ajudaram a transformar Ipanema em um dos lugares mais importantes da cultura brasileira", explica a atriz e diretora. "Ainda hoje, lembro da minha mãe, sentada à máquina de costura. Ela costurava muito bem, sabe?", recorda Ira, hoje aos 89 anos. "Minhas amigas do colégio eram ricas. Quando elas precisavam de roupas novas, as costureiras iam à casa delas tirar as medidas. Lá em casa, era diferente. Quando precisávamos de roupas novas, íamos à loja comprar tecido. Minha mãe fazia tudo em casa. Achava isso legal. O tal maiô de duas-peças, por exemplo, foi ela quem fez. Minha mãe era uma pessoa muito criativa. Acho que herdei essa criatividade dela." Fuga do nazismoMiriam nasceu em Kaiserswerth, na cidade de Düsseldorf, em 1914. Era filha de Arthur, um pintor, e de Lisbeth, uma professora. Pelo menos uma vez por semana, os pais dela abriam a casa para amigos. Das cinco da tarde às duas da manhã, anfitriões e convidados brindavam à vida. Em Ela É Carioca, Ruy Castro lista alguns dos amigos famosos do casal: o físico Albert Einstein, o médico Sigmund Freud, o escritor Thomas Mann, o cineasta Fritz Lang... Entre uma caneca e outra de cerveja, os amigos aproveitavam para posar para o dono da casa. Miriam tinha 15 anos quando começou a namorar Hans, seu futuro marido. Em 1933, com a tomada do poder por Hitler, as famílias dos dois, ambas de Düsseldorf, fugiram da Alemanha. À princípio, foram para a Holanda e, de lá, para a Inglaterra, onde Miriam e Hans se casaram. Na introdução de seu livro, Ira brinca: "Fui gerada em Amsterdã, morei em Londres (na barriga da minha mãe) e nasci no Rio de Janeiro”. Antes de se casar com Miriam, Hans precisou fugir do alistamento militar na Juventude Hitlerista. Atravessou a fronteira de bicicleta! Da Europa, Miriam e Hans tinham duas opções: África do Sul ou Brasil. Desembarcaram no Rio, em 1936, e foram morar em uma casa na Joaquim Nabuco, 192. Na frente dela, um pequeno jardim. Nos fundos, um quintal com uma árvore. Ao lado, a casa da família Kostenbader, avós dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle. "Nos anos 1930, alugar uma casa em Ipanema custava três vezes menos do que em Copacabana", calcula Ira. Noventa anos depois, a casa dos Etz não existe mais. Em alguma década do passado, cedeu lugar para edifícios. Miriam e Hans tiveram dois filhos: Iracema nasceu em 1937 e Roberto, em 1941. Na hora de escolher o nome da filha, optaram por algo brasileiro. Em vez de Gertrud ou Bertha, cogitaram Moema, Guaracy, Jussara... Os amigos alemães estranharam. Julgaram se tratar de uma doença, como eczema e enfisema. Na escola, surgiram os primeiros apelidos: Iraceminha e Irinha. "Minha mãe me disse que meu nome poderia ser tanto uma homenagem aos índios brasileiros quanto à América", revela Ira. "Iracema é um anagrama de América." Aventuras nos trópicosNo Rio, Hans trabalhou como publicitário. Primeiro, na agência J. Walter Thompson. Depois, abriu a própria agência, Estúdio Etz, na esquina das ruas México com Araújo Porto Alegre. Certa ocasião, Miriam, dentro de um duas-peças de algodão, posava como garota-propaganda da Antarctica. Noutra, a pequena Ira, de olhos azuis, cabelos cacheados e rostinho de boneca, se lambuzava com Leite Vigor. O cabelo comprido de Hans suscitava perguntas curiosas dos colegas de turma: "Ele é o Tarzan?". Já Miriam trabalhou como alta executiva da Avon. No livro, Ira relata algumas de suas amizades famosas. Se o pai era amigo de Einstein, Freud e Lang, ela conheceu artistas, como o músico Tom Jobim, o humorista Millôr Fernandes e o escritor Rubem Braga. Do primeiro, sente saudade dos papos sobre passarinhos, uma das paixões do maestro. Do segundo, das partidas de frescobol. E do terceiro, bem, do terceiro, ela tentou ser professora de inglês. "Foi um dos maiores desafios da minha vida", conta Ira no livro. "Rubem não queria aprender. Se ele já era econômico para falar o português, imagine o inglês." No dia 3 de maio de 1992, Miriam Etz, já com 78 anos, inspirou uma crônica de Affonso Romano de Sant'Anna: Pequenos Rituais. "Miriam Etz, sempre à tardinha, se assenta numa mesma poltrona em sua sala rodeada de quadros e livros e prepara-se para o ritual: beber sua cerveja e ler o Time", dizia um trecho, no jornal O Globo. Uma curiosidade: Affonso Romano de Sant'Anna era marido de Marina Colasanti. Os dois foram casados por 54 anos. Marina era irmã do ator Arduíno Colasanti, o primeiro namorado de Ira Etz, a filha de Miriam. No começo dos anos 1990, Miriam já morava em Conselheiro Paulino, no município de Nova Friburgo (RJ). Na década de 1960, ela e o marido trocaram o litoral pela serra. Artista plástica, produzia obras e expunha telas em mostras individuais e coletivas. Foi uma das primeiras mulheres a dirigir um jipe na região. Hans morreu em 1986, aos 73 anos. Miriam, em 2010, aos 96. O casal deixou dois filhos, seis netos e 12 bisnetos. |
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| Short teaser | Pioneira, a alemã Miriam Etz jogava frescobol na areia, usava vestido com as costas de fora e pintava as unhas dos pés. | ||
| Author | André Bernardo | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quem-foi-miriam-etz-a-primeira-mulher-a-usar-um-maiô-de-duas-peças-no-rio-de-janeiro/a-77821473?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 29 | |||
| Id | 77826118 | ||
| Date | 2026-07-04 | ||
| Title | De Bangladesh à Jamaica: como a seleção brasileira virou patrimônio global | ||
| Short title | Como a seleção brasileira virou patrimônio global | ||
| Teaser |
De Bangladesh à Jamaica, seleção brasileira mobiliza torcedores sem qualquer vínculo familiar com o país. Futebol, mídia e identidade transformaram o Brasil em uma potência simbólica. É gol do Brasil. Milhares de fãs gritam, buzinam e ocupam as ruas para comemorar a vitória da seleção na Copa do Mundo de 2026. Há, porém, um detalhe curioso: nenhum deles fala português ou tem qualquer relação direta com o Brasil. São imagens de locais distantes — como Bangladesh, Líbano, Índia ou Jamaica, por exemplo —, países onde a camisa amarela se tornou um símbolo de pertencimento para milhões de pessoas. Esses vídeos com torcedores estrangeiros, que têm viralizado nas redes sociais nas últimas semanas, mostram uma faceta importante do futebol brasileiro: sua capacidade de forjar uma identidade compartilhada entre pessoas que nunca tiveram qualquer contato com o Brasil, projetando a imagem do país no exterior. "No universo das representações sociais sobre a Copa do Mundo, o lugar do Brasil já está consolidado. É o time de quem se pode esperar alegria, paixão e toques de genialidade. Os torcedores, de todas as partes do mundo, sempre esperarão da seleção brasileira um espetáculo, para reafirmar a certeza de que o futebol pode ser uma forma de arte", afirma o antropólogo e pesquisador Édison Gastaldo. Por que torcer pelo Brasil?Se a seleção brasileira desperta sentimentos românticos ao redor do mundo, mesmo sem conquistar uma Copa há mais de duas décadas, isso se deve menos aos resultados recentes e mais ao imaginário construído ao longo de sua história. Afinal, o Brasil continua sendo o maior campeão mundial, com cinco títulos e uma tradição associada ao chamado "futebol-arte". Segundo Gastaldo, a imagem do "futebol-arte" foi projetada a partir de campanhas marcantes, como a de 1938, e da fama de jogadores como Leônidas da Silva, Pelé e Ronaldo. Mesmo com um regulamento que favorecia seleções europeias durante décadas, que eram a grande maioria entre as participantes, dez dos 22 títulos mundiais foram conquistados por Brasil, Argentina e Uruguai, reforçando esse protagonismo. "Essa escassez na representatividade das equipes da África e Ásia, pela própria concepção eurocêntrica da competição, aliada ao desempenho excepcional da equipe brasileira ao longo da história, construíram esta representação, que poderíamos chamar de 'o campeão do Sul Global'. Ou, nos termos dos anos 1960, 'o campeão dos subdesenvolvidos'", diz o antropólogo. "Ver um país como o Brasil ganhando de goleada das melhores seleções europeias, como o 5x2 contra a Suécia na final de 1958, por exemplo, e se tornando campeão do mundo trouxe um enorme prestígio para o futebol brasileiro", completa. John Hughson, professor emérito de Estudos do Esporte e Cultura da University of Central Lancashire (Reino Unido) e pesquisador da cultura das torcidas de futebol, concorda. Para ele, sob uma perspectiva sociopolítica, embora seja um gigante do futebol, o Brasil tem uma ligação com diversos povos do mundo e representa o chamado Sul Global — conceito que define nações da América Latina, África, Ásia e Oceania e que compartilham histórias de colonialismo e desigualdade social. "É provável que muitos torcedores de países não ocidentais sintam satisfação em ver seleções associadas às antigas potências coloniais serem derrotadas por equipes sul-americanas. Atualmente moro na Tanzânia e me dizem que muitos tanzanianos torcem pelo Brasil por causa da grande população afrodescendente do país, a maior fora da África entre aquelas originadas pelo tráfico transatlântico de escravizados. Muitos africanos enxergam no Brasil uma conexão cultural baseada nessa herança compartilhada, além da música e de outras tradições", conta. Brasil tem narrativa míticaNa avaliação de Leda Maria da Costa, pesquisadora do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a consolidação desse imaginário foi impulsionada pelos meios de comunicação, principalmente com o advento da TV e das redes sociais, responsáveis por montar e difundir narrativas míticas em torno da seleção brasileira e do futebol. Além disso, o país é celeiro de novos ídolos, de Pelé e Ronaldo a Neymar e Vini Jr. Não à toa, o fenômeno continua atual nos dias de hoje — mesmo em um jejum de 24 anos sem título. "Essas narrativas conseguem amplificar as vitórias, revestindo-as de uma aura mágica e, muitas vezes, míticas. Essas histórias vão compor a memória individual e coletiva sendo compartilhadas ano após ano. Porém, essas histórias não são meras invenções sem fundamento. Certamente que ganhar em campo é fundamental, sem vitórias dificilmente seria possível construir uma imagem tão poderosa da seleção brasileira como dona de um estilo único de jogar futebol", diz. John Hughson compartilha uma memória pessoal que vai ao encontro desse racional. "Eu mesmo, hoje com mais de 60 anos, cresci na Austrália já com a ideia de que o Brasil era a maior seleção do mundo. Não sei exatamente de onde essa percepção surgiu, apenas me lembro de que ela sempre esteve presente", diz. Bangladesh e PeléO exemplo da torcida internacional brasileira parece estar em quase todos os continentes. Mas o caso de Bangladesh é emblemático. Apesar de não ter um histórico de imigração ao Brasil, como o Líbano ou algumas nações africanas, ou reconhecer figuras históricas brasileiras, como a Jamaica, que enaltece as ligações de Bob Marley com o futebol brasileiro, a conexão vem de longe. O tricampeonato mundial do Brasil, conquistado no México em 1970, encantou Sheikh Mujibur Rahman, principal líder do movimento independentista de Bangladesh, fã declarado de Pelé e da seleção brasileira. "A admiração era tamanha que Mujibur chegou a traduzir a biografia de Pelé e a tornou obrigatória nas escolas por considerá-lo um exemplo a ser seguido pela juventude", conta Leda Maria da Costa. Segundo ela, contudo, livros obrigatórios em escola não sustentariam essa paixão. São os jogadores e ídolos que marcaram gerações. Não à toa, os torcedores de Bangladesh também gostam muito da Argentina. "Em 2022, imagens de milhares de torcedores comemorando as vitórias da Argentina também chamaram a atenção. Se o país ama Pelé e Neymar, ama Maradona e Messi. Ao que parece, esses ícones globais do futebol são mediadores importantes da paixão de Bangladesh pela seleção brasileira e argentina", diz. No caso argentino, além da habilidade de Messi, pesou o carisma de Maradona e o desempenho dele contra a Inglaterra, na Copa do México, em 1986, quando marcou dois gols icônicos. "Para todas as centenas de países na África, Ásia e Américas que sofreram sob a colonização inglesa, foi uma satisfação de revanche inesquecível. A isso se acresce a índole rebelde, crítica e altiva da figura pública de Maradona, 'um negrito respondón y deslenguado', como ele se autodefiniu. Maradona enfrentou os poderosos, a Fifa, as federações, os patrocinadores e até o papa", diz Gastaldo. Futebol como soft power?Todo esse fascínio pelo futebol brasileiro nem sempre se traduz em ganhos diplomáticos concretos. Para Matias Spektor, professor de relações internacionais da FGV, a ideia do futebol brasileiro como instrumento de soft power não se traduz em benefícios reais ao país. Segundo ele, o conceito é uma forma de poder pela qual determinados países são percebidos, por cidadãos de outras nações, como lugares associados à qualidade de vida, admiração e desejo de aproximação. "Não existe um fluxo migratório de terceiros países para o Brasil, centrado na ideia de que o Brasil é uma terra de grandes oportunidades, que atrai pela força da sua sociedade. Não existe um processo em países, nem mesmo na vizinhança sul-americana, de tentar emular a vida e a sociedade no Brasil. Quando, por exemplo, em espanhol, nos países da vizinhança, se fala em brasilianização, este é um processo de problemas, de urbanização complicada, de favelização. Portanto, não há uma tradução imediata entre a simpatia que comanda o futebol e um desejo de terceiros países de terem sociedades que se pareçam cada vez mais com o Brasil", afirma. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. 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| Short teaser | De Bangladesh à Jamaica, seleção brasileira mobiliza torcedores sem qualquer vínculo familiar com o país. | ||
| Author | Vinicius Pereira | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/de-bangladesh-à-jamaica-como-a-seleção-brasileira-virou-patrimônio-global/a-77826118?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 30 | |||
| Id | 77822895 | ||
| Date | 2026-07-03 | ||
| Title | DNA humano de ao menos 2 mil anos é achado em paredes de cavernas | ||
| Short title | DNA humano de pelo menos 2 mil anos é achado em cavernas | ||
| Teaser |
Descoberta de pesquisadores de arte rupestre prova que paredes rochosas podem preservar material genético por longo tempo e abre novas perspectivas para a arqueologia. Um grupo internacional de cientistas identificou DNA humano de pelo menos 2 mil anos em cavernas da Espanha e de Portugal. A descoberta demonstra que as paredes rochosas podem preservar material genético humano por milhares de anos, segundo um estudo publicado na revista científica Nature. A pesquisa faz parte do projeto FIRST ART, baseado em investigações sobre arte rupestre na caverna de Maltravieso, na Espanha, onde foram identificadas algumas das pinturas mais antigas da Europa. Objetivo inicial não era recuperar DNAO objetivo original dos pesquisadores era datar quimicamente as manifestações artísticas e os pigmentos mais antigos da Península Ibérica. No entanto, a equipe decidiu ampliar o estudo para incluir análises genéticas, investigando a possibilidade de recuperar DNA antigo diretamente das pinturas rupestres, em vez de depender apenas de fontes tradicionais, como ossos, sedimentos ou ferramentas pré-históricas. "Pouco antes de uma das últimas expedições, obtivemos uma amostra de pigmento que testou positivo para DNA humano antigo. Ficamos extremamente empolgados", afirmou a autora principal do estudo, Alba Bossoms Mesa, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em declarações reproduzidas pelo portal científico IFLScience. Amostras coletadas em 11 cavernasOs cientistas analisaram 24 painéis de arte rupestre distribuídos em 11 cavernas diferentes. Entre eles estavam traços simples, imagens de mãos em negativo – quando o pigmento é aplicado ao redor da mão apoiada na rocha – e fragmentos de pigmento desprendidos de algumas figuras da caverna de Altamira, na Espanha. Com técnicas modernas de extração e sequenciamento genético, os pesquisadores examinaram pedaços de parede com e sem pigmentação, além de sedimentos, ossos e uma ferramenta pré-histórica utilizada para pulverizar tinta sobre as superfícies rochosas. DNA preservado nas paredes das cavernasEmbora os pesquisadores tenham identificado material genético em uma crosta calcária pigmentada da Caverna do Escoural, em Portugal, a maior surpresa veio da Caverna do Covarón, na Espanha. Ali, vestígios biológicos foram encontrados em amostras de paredes que inicialmente haviam sido coletadas para controle, ou seja, locais onde não se esperava encontrar qualquer material genético. "Ainda que não possamos relacionar diretamente os vestígios de DNA humano antigo encontrados à criação da arte rupestre, esta é a primeira evidência de preservação de DNA em paredes de cavernas durante milhares de anos", afirmou Bossoms Mesa em comunicado da Sociedade Max Planck. Segundo a pesquisadora, não é possível determinar se o DNA pertence aos artistas que produziram as pinturas. "Não podemos descartar que tenha sido deixado pelo artista, que estava apoiado na parede enquanto pintava. Mas também pode ter pertencido a qualquer outra pessoa que tenha passado por ali, escorregado e tocado a superfície", explicou ao IFLScience. Vestígios biológicos de milhares de anosPara o coautor do estudo Hipólito Collado, arqueólogo espanhol especializado em arte rupestre, a descoberta pode ajudar os pesquisadores a entender melhor como populações antigas utilizavam as cavernas e onde deixavam seus rastros. O DNA recuperado tem uma antiguidade mínima de cerca de 2 mil anos, demonstrando que as paredes das cavernas podem preservar material biológico por longos períodos. Em alguns sítios estudados, porém, as entradas foram seladas por desmoronamentos há pelo menos 4 mil anos, o que indica que parte dos vestígios humanos encontrados nesses locais pode ser significativamente mais antiga. A análise revelou que três das amostras pertenciam a mulheres, uma a um homem e outra não pôde ser identificada com precisão. Os pesquisadores acreditam que as paredes das cavernas podem se transformar em verdadeiros "arquivos biológicos" da atividade humana antiga, abrindo novas possibilidades para estudos arqueológicos e genéticos em sítios pré-históricos por meio de técnicas minimamente invasivas. le/md (EFE, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Achado prova que rochas podem preservar material genético por longo tempo e abre novas perspectivas para a arqueologia. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/dna-humano-de-ao-menos-2-mil-anos-é-achado-em-paredes-de-cavernas/a-77822895?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=DNA%20humano%20de%20ao%20menos%202%20mil%20anos%20%C3%A9%20achado%20em%20paredes%20de%20cavernas | ||
| Item 31 | |||
| Id | 77804982 | ||
| Date | 2026-07-03 | ||
| Title | Parto difícil não é exclusividade humana, mostra estudo com primatas | ||
| Short title | Parto humano pode não ser o mais desafiador entre primatas | ||
| Teaser |
Pesquisa com 29 espécies revela que outros primatas também enfrentam partos complexos e, em alguns casos, possuem canais de parto proporcionalmente mais estreitos que os dos humanos. Os seres humanos não são os únicos primatas que enfrentam partos difíceis devido ao estreito canal pelo qual a cabeça do bebê precisa passar. Outras espécies, como os macacos-de-cheiro-comum e os macacos-barrigudos, possuem canais de parto ainda mais estreitos, segundo um estudo da University College London (UCL) publicado na revista Nature Ecology & Evolution. Utilizando análises morfométricas tridimensionais (3D) e medições específicas para cada espécie, os pesquisadores demonstraram que essa suposta exclusividade humana não corresponde à realidade e se baseava em dados enviesados. Os resultados indicam que o parto também é bastante difícil em outras espécies de primatas e que diferentes soluções evolutivas surgiram para lidar com esse desafio. De acordo com os autores, algumas espécies compensaram essas dificuldades obstétricas por meio de adaptações como a posição da cabeça do feto, o relaxamento dos ligamentos pélvicos e a flexibilidade do crânio dos recém-nascidos. O dilema obstétricoAté agora, acreditava-se que o parto humano era o mais desafiador entre os primatas devido ao chamado "dilema obstétrico". Essa teoria sustenta que os seres humanos evoluíram com uma pelve relativamente estreita para a locomoção bípede, ao mesmo tempo em que desenvolveram cérebros muito grandes. Entretanto, relatos de complicações durante o parto, nascimentos difíceis e até mortes fetais em diversos primatas não humanos já colocavam em dúvida a ideia de que essas espécies enfrentariam menos dificuldades do que os humanos. Segundo a coautora do estudo, Nicole Torres Tamayo, grande parte dos dados utilizados em pesquisas anteriores apresentava falhas. "Muitos dos dados que serviram de base para estudos anteriores eram equivocados. Eles foram coletados de uma forma centrada nos seres humanos que não levava em conta a anatomia de outras espécies". Nova forma de medirO estudo analisou o chamado encaixe cefalopélvico – a relação entre o tamanho da cabeça do recém-nascido e o espaço disponível na pelve da mãe – utilizando dados tridimensionais específicos de 130 exemplares de fêmeas adultas pertencentes a 29 espécies de primatas. Os pesquisadores descobriram que os partos mais apertados eram particularmente comuns entre as espécies proporcionalmente menores. Ainda assim, entre os grandes primatas atuais, os seres humanos apresentaram o encaixe mais estreito quando comparados a gorilas e orangotangos. Os autores também identificaram um problema metodológico importante em estudos anteriores. Tradicionalmente, o tamanho da cabeça dos recém-nascidos era medido da testa até a parte posterior do crânio (parte de trás da cabeça, perto da nuca). Essa abordagem pressupunha que todos os filhotes nasciam com o topo da cabeça voltado para frente, como ocorre na maioria dos partos humanos. No entanto, isso não acontece em todas as espécies. O macaco-gelada (Theropithecus gelada) por exemplo, possui um focinho proeminente e geralmente nasce com a face primeiro. "Levamos essa posição em consideração", explicou Torres Tamayo. Com a nova metodologia, os pesquisadores concluíram que as entradas pélvicas dos primatas não humanos eram, em média, 11% menores do que se acreditava anteriormente. Em algumas espécies, como o macaco-da-noite-de-pescoço-cinza e o macaco-barrigudo, a diferença ultrapassou 18%. Repensando a singularidade humanaOs autores destacam que várias dessas espécies arborícolas não possuem cérebros relativamente grandes nem locomoção bípede – fatores tradicionalmente apontados como responsáveis pelas dificuldades do parto humano. Por isso, os resultados sugerem que os desafios obstétricos não são exclusivos da espécie humana. "Os resultados do nosso estudo modificam as ideias preconcebidas sobre a singularidade do parto humano, revelando uma diversidade de dilemas obstétricos e adaptações entre os primatas", destacou Lia Betti, coautora do estudo. Em outras palavras, embora o parto humano continue sendo complexo, ele não é uma exceção na natureza. Muitos outros primatas também enfrentam grandes desafios para dar à luz e desenvolveram estratégias evolutivas próprias para superá-los. le/md (efe, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro |
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| Short teaser | Pesquisa com 29 espécies revela que alguns primatas têm canais de parto proporcionalmente mais estreitos que os humanos. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/parto-difícil-não-é-exclusividade-humana-mostra-estudo-com-primatas/a-77804982?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Parto%20dif%C3%ADcil%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20exclusividade%20humana%2C%20mostra%20estudo%20com%20primatas | ||
| Item 32 | |||
| Id | 77804127 | ||
| Date | 2026-07-03 | ||
| Title | Como a Independência dos EUA inspirou movimentos brasileiros | ||
| Short title | Como a Independência dos EUA inspirou movimentos brasileiros | ||
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No final do século 18 e na primeira metade do 19, movimentos como Inconfidência Mineira e a Confederação do Equador foram influenciados por ideais norte-americanos de separatismo e instalação de uma república. Vida, liberdade e felicidade. "Sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva desses fins, é direito do povo alterá-la ou aboli-la e instituir um novo governo.” No dia 4 de julho de 1776, exaltando esses valores e trazendo essas palavras, foi aprovada a Declaração unânime dos treze Estados Unidos da América. O documento rompia os laços de 13 colônias britânicas na América com a Grã-Bretanha e tornava os Estados Unidos a primeira nação do continente a ter sua independência. Inspirada pelas ideias iluministas, a Independência dos EUA influenciou, direta ou indiretamente, alguns movimentos políticos que surgiram no Brasil entre o fim do século 18 e o início do século 19. Entre eles, a Inconfidência Mineira, a conspiração de um grupo da elite de Vila Rica – atual Ouro Preto, em Minas Gerais – contra o domínio português em 1789; a Conjuração Baiana, que aconteceu em Salvador, na Bahia, em 1798; a Revolução Pernambucana e a Confederação do Equador, ambas ocorridas em Pernambuco em 1817 e 1824, respectivamente. A Independência dos EUA se transformou num modelo ao ser a primeira que propôs uma ruptura com a monarquia por meio da instalação de uma república com regime presidencialista. Por isso, entrou no radar de elites coloniais e outras populações nas Américas insatisfeitas com as decisões das coroas. "O fato de um conjunto heterogêneo de colônias, que se tornaram os Estados Unidos, ter conseguido derrotar a potência imperial mais poderosa do mundo naquela época, indicava que outras colônias poderiam nutrir a esperança de também se libertar do domínio da metrópole”, descreve o historiador norte-americano Erick Langer no prefácio do livro A Independência dos Estados Unidos e a Conjuração Mineira, escrito pelo historiador André Figueiredo Rodrigues, professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Contexto e valores da independência dos EUAAs 13 colônias estavam insatisfeitas com a coroa britânica por motivos que incluíam o aumento de poder da burguesia, maior extração de matéria-prima nas colônias para abastecer a Revolução Industrial e o aumento dos impostos decorrentes do envolvimento da Grã-Bretanha em vários conflitos armados. O momento determinante veio com a Lei do Chá, estabelecendo que o chá produzido nas colônias só poderia ser comercializado pela Companhia das Índias Orientais, o que levou 50 colonos a invadirem o porto de Boston, num episódio conhecido como Festa do Chá de Boston. Em consequência,a Grã-Bretanha implementou leis mais duras, as Leis Intoleráveis. Foi quando ocorreram o primeiro e o segundo Congresso Continental da Filadélfia, nos quais se reuniram representantes das colônias. Neste último, foi elaborada a declaração de independência. "Eles se nutriram de ideias dos liberais iluministas. E o que o Iluminismo pregava era exatamente a possibilidade das liberdades individuais, de expressão e política”, explica o sociólogo e professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Paulo Niccoli Ramirez. Segundo Ramirez, os colonos norte-americanos foram influenciados pela rejeição ao monarca e à ideia de soberania exercida pelo próprio povo do filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), pelo liberalismo econômico do economista Adam Smith (1723-1790) e pela proposta de separação dos três poderes do filósofo Montesquieu (1689-1755). "Os Estados Unidos, por ser um país novo, não tinham a tradição monárquica. Então é aí que eles vão elaborar a ideia do presidencialismo. Essa é uma inovação norte-americana exportada para o resto do mundo até hoje”, acrescenta Ramirez. Os laços com a Inconfidência MineiraEntre julho e setembro de 1788, o militar Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), o Tiradentes, se encontrou com o engenheiro José Álvares Maciel (1760-1804), que havia estudado na Europa. Na conversa, Maciel falou sobre a independência das 13 colônias e presenteou Tiradentes com um exemplar da Coletânea das Leis Constitutivas das Colônias Inglesas Confederadas Sob a Denominação de Estados Unidos da América Setentrional. A conversa entre Tiradentes e Maciel fez parte dos preparativos da Conjuração Mineira, ou, como é mais conhecida, a Inconfidência Mineira. O diálogo foi relatado por Tiradentes em seu quarto depoimento, em janeiro de 1790, e é um dos episódios que mostram como a Independência dos EUA influenciou o pensamento e as proposições dos inconfidentes. Como conta o historiador André Figueiredo Rodrigues, da Unesp, em seu livro, as ideias republicanas americanas chegaram às Minas Gerais em 1787. Segundo Rodrigues, em 2 de outubro de 1786, o estudante brasileiro José Joaquim Maia e Barbalho (1757-1788), que usava o pseudônimo Vendek, começou a trocar cartas com Thomas Jefferson (1743-1826), principal autor da Declaração de Independência dos EUA. Em março do ano seguinte eles se encontram pessoalmente, no sul da França. O objetivo de Vendek era viabilizar um apoio a um movimento de separação na colônia portuguesa. "Os Estados Unidos estavam com emissários, embaixadores, espalhados pela Europa para consolidar a aceitação da independência americana. E um desses homens era o Thomas Jefferson”, afirma Rodrigues. Jefferson evitou assumir qualquer compromisso, pois, segundo Rodrigues, era mais interessante para as 13 colônias consolidar o apoio europeu ao seu projeto de nação e manter um comércio lucrativo com o governo de Lisboa. Foi a Constituição da Pensilvânia a que mais serviu de modelo aos pretextos dos inconfidentes. "A Pensilvânia era de todas as regiões a mais contestatória. Ela propunha algumas coisas como criar conselhos e que as pessoas que estivessem nos cargos superiores da república fossem eleitas por votação”, explica Rodrigues. A Inconfidência Mineira é um dos movimentos brasileiros mais influenciados pela independência dos Estados Unidos. E isso não é à toa, ressalta Fábio Batista Pereira, pesquisador e professor vinculado à Uniaene e à Secretaria de Educação da Bahia, vem do caráter elitista de ambas. "A independência das 13 Colônias vai manter uma estrutura econômica, social e política em que estiveram excluídas do processo tanto as populações indígenas quanto, principalmente, a manutenção da escravidão”, diz Batista Pereira. Ele lembra que a Inconfidência estava ligada às elites por trás da cadeia da exploração do ouro e de pedras preciosas. Mas a Inconfidência Mineira dificilmente iria assumir exatamente o modelo econômico e político dos Estados Unidos caso tivesse sido bem-sucedida, pondera Ramirez. Segundo o sociólogo, lá havia instituições muito voltadas a bloquear o poder pessoal e a preservar a ideia de que nas repúblicas as leis são superiores aos indivíduos. "Certamente, aqui no Brasil o que haveria seriam trocas entre as elites. Havia uma elite portuguesa e o monopólio da coroa, e a gente ia substituir por elites locais, como veio a acontecer no futuro”, afirma Ramirez. Influência também em PernambucoO começo do século 19 também foi marcado por movimentos influenciados pelas ideias iluministas e pela independência norte-americana em Pernambuco, um elo firmado sobretudo pelos ideais republicanos e federalistas. A Revolução Pernambucana de 1817 instalou, com apoio da Paraíba, do Rio Grande do Norte e de parte do Ceará, um território soberano por 74 dias no Nordeste brasileiro. Na época, Pernambuco era uma das poucas capitanias com superávit comercial e havia uma insatisfação crescente com as taxações para custear o Rio de Janeiro, onde viviam a família real portuguesa e sua corte. "Havia uma revolta muito grande com o excesso de tributos, mas ela [a Revolução Republicana Pernambucana] tinha uma base política, pelo menos entre as suas lideranças, muito solidamente vinculada a dois aspectos essenciais para os Estados Unidos da América: a república federativa e o constitucionalismo”, explica George Cabral de Souza, professor de História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Na época, as ideias iluministas e o exemplo dos Estados Unidos circulavam em Pernambuco por meio de estudantes universitários que retornavam da Europa ou em publicações trazidas clandestinamente, como em Minas. As lojas maçônicas também recebiam reuniões secretas onde circulavam os debates sobre liberdade. A Revolução Francesa (1789-1799) e a Revolução Haitiana, a rebelião liderada por escravos e ex-escravos contra a França a partir de 22 de agosto de 1791, também serviram de inspiração aos revolucionários pernambucanos, mas tinham tido um caráter mais violento e de ruptura com privilégios da elite que não tinham aderência em Pernambuco. No caso do Haiti, a elite branca foi praticamente toda exterminada, por exemplo. Já o modelo norte-americano inspirava as elites porque, apesar de ser um regime republicano, manteve elementos aristocratizantes. Por exemplo, os revolucionários de 1817 eram contra a escravidão, mas precisavam manter o apoio das elites agrárias ao movimento. Em 1824, quando o Brasil já havia alcançado a independência, mas ainda não havia se organizado como estado, eclodiu de novo em Pernambuco um movimento republicano, a Confederação do Equador, que durou de julho a setembro daquele ano. "O Imperador queria impor uma constituição que dava a ele muitos poderes. E Pernambuco disse: ‘Não, a gente não combinou isso”, conta Souza. O líder do movimento, Manoel de Carvalho Paes de Andrade (1774-1855), era um grande admirador dos Estados Unidos. "Ele textualmente diz: ‘Olha, a monarquia é um regime que funciona na Europa envelhecida. Mas aqui no Novo Mundo, nós devemos adotar o sistema americano'. Quando ele fala do sistema americano, está se referindo ao constitucionalismo e ao republicanismo”, afirma Souza. Além do plano das ideiasAlgumas lideranças e representações dos movimentos pernambucanos chegaram a ter contato direto com os revolucionários norte-americanos. Uma das primeiras providências tomadas quando se formou um Governo Provisório após a Revolução Pernambucana foi mandar para os EUA um representante diplomático, Antônio Gonçalves da Cruz, o Cabugá (1775-1833). A missão dele era adquirir armamentos e embarcações, recrutar oficiais militares para comandar as tropas pernambucanas e alcançar o apoio do governo norte-americano. O movimento, entretanto, foi derrotado antes de Cabugá voltar. Vários envolvidos em 1817 e na Confederação do Equador também buscaram exílio nos Estados Unidos. Um deles foi José da Natividade Saldanha (1796-1830), jornalista, político e um dos principais revolucionários da Confederação do Equador; outro foi Manoel de Carvalho Paes de Andrade (1774-1855), o líder da Confederação que, inclusive, nomeou as filhas de Carolina, Pensilvânia e Filadélfia. Além deles, também foi para lá Emiliano Mundrucu (1791-1863), um militar, abolicionista e ativista negro que atuou como um dos líderes militares em 1824. Mundrucu se tornou, depois, um dos líderes da luta antirracista e abolicionista nos EUA. Outras influências e um limite: a escravidãoA Independência dos EUA influenciou outros movimentos no Brasil. Um deles foi a Conjuração Carioca, cujas ideias republicanas circulavam na Academia Científica do Rio de Janeiro, formada por intelectuais e fundada em 1771. O movimento, entretanto, foi reprimido pelo Governo Colonial. Da mesma forma, houve uma influência indireta na Revolução Farroupilha, conhecida como Guerra dos Farrapos, ocorrida no sul do país entre 1835 e 1845, no período regencial do Brasil. Os farroupilhas defendiam a autonomia para a província, numa reivindicação que remontava ao modelo federalista proposto pelos EUA após sua independência, mas que também bebia do que ocorria nas províncias argentinas e uruguaias. Antes, a Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates, que ocorreu na Bahia entre 1798 e 1799, motivada por uma crise social e econômica em Salvador, também tem o republicanismo como referência. Mas, diferente de outros movimentos, a influência dos ideais norte-americanos neste movimento é bem mais limitada, e por uma razão: a escravidão. Nos Estados Unidos, a independência ocorreu sem que os escravos fossem libertados. A Conjuração Baiana pautava a abolição da escravidão e também tinha lideranças de vários núcleos sociais, não apenas da elite. |
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| Short teaser | Movimentos como Inconfidência Mineira foram influenciados por ideais da revolução norte-americana. | ||
| Author | Alice de Souza | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-a-independência-dos-eua-inspirou-movimentos-brasileiros/a-77804127?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 33 | |||
| Id | 77819531 | ||
| Date | 2026-07-03 | ||
| Title | Após derrota para o Paraguai, técnico da Alemanha renuncia | ||
| Short title | Após derrota para o Paraguai, técnico da Alemanha renuncia | ||
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Julian Nagelsmann pediu demissão depois da eliminação alemã diante da equipe sul-americana na Copa do Mundo. Federação de Alemã de Futebol disse que iniciará conversas para contratar Jürgen Klopp para o cargo. Após a eliminação precoce da Alemanhana Copa do Mundo, Julian Nagelsmann deixará o cargo de técnico da seleção alemã, confirmou a Federação Alemã de Futebol (DFB) nesta sexta-feira (03/07). A decisão foi tomada um dia após uma reunião de crise na sede da entidade. Durante cerca de três horas, o treinador de 38 anos respondeu a questionamentos sobre a eliminação da Alemanha. Participaram do encontro o presidente da DFB, Bernd Neuendorf, o diretor-geral Andreas Rettig, o diretor esportivo Rudi Völler e o vice-presidente da DFB e chefe da Bundesliga, Hans-Joachim Watzke. "Os representantes dos acionistas e o conselho de supervisão da DFB decidiram hoje, por unanimidade e sob proposta do presidente, Bernd Neuendorf, rescindir com efeito imediato a relação contratual com o selecionador nacional", informou a federação em comunicado. Segundo a DFB, o próprio Nagelsmann havia solicitado na véspera, durante uma conversa com a direção da federação, ser destituído de suas funções "após o decepcionante desenvolvimento" na Copa do Mundo. Eliminação para o ParaguaiA Alemanha foi eliminada na noite de segunda-feira, ao perder para o Paraguai nos pênaltis na fase de 16 avos de final. Na fase de grupos, a Alemanha tinha empolgado na estreia, com uma goleada de 7 a 1 sobre Curaçao. Depois, venceu a Costa do Marfim por 2 a 1, mas perdeu para o Equador por 2 a 1 - mesmo assim, terminou em primeiro no Grupo E. Logo após a eliminação para o Paraguai, Nagelsmann havia descartado a possibilidade de renunciar ao cargo. Seu contrato com a DFB era válido até 2028. Ex-treinador do Hoffenheim, RB Leipzig e Bayern de Munique, Nagelsmann assumiu a seleção alemã em setembro de 2023, substituindo Hansi Flick, que também caiu após um vexame da seleção alemã contra o Japão. Jürgen Klopp é o novo cotadoA DFB indicou ainda que, "quanto à designação de um novo selecionador, a direção da federação iniciará conversas com Jürgen Klopp", que, segundo o organismo, "manifestou, em princípio, sua disposição para assumir o cargo". O ex-técnico do Borussia Dortmund e do Liverpool, atualmente diretor global de futebol da Red Bull, vem atuando nos Estados Unidos como comentarista da emissora MagentaTV, da Alemanha, durante a Copa do Mundo. Klopp começou como técnico no Mainz, onde também foi jogador por mais de 10 anos. Depois se destacou no Borussia Dortmund, antes de ir para o clube inglês Liverpool. le/md (ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Julian Nagelsmann pediu demissão após da eliminação alemã da Copa. Jürgen Klopp é o mais cotado para assumir o cargo. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/após-derrota-para-o-paraguai-técnico-da-alemanha-renuncia/a-77819531?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 34 | |||
| Id | 77816320 | ||
| Date | 2026-07-03 | ||
| Title | O que se sabe sobre os planos do "casamento do século" | ||
| Short title | O que se sabe sobre os planos do "casamento do século" | ||
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Sem confirmação oficial, rumores sobre uma cerimônia privada, convidados famosos e forte esquema de segurança cercam a possível união de Taylor Swift e Travis Kelce neste fim de semana, em Nova York.Nova York vive um fim de semana incomum até mesmo para seus padrões. Em meio às comemorações do Dia da Independência dos Estados Unidos, uma partida da Copa do Mundo e uma onda de calor extremo, a cidade também se tornou palco do que vem sendo chamado pela imprensa americana de "o casamento do século": a união entre a cantora Taylor Swift e o astro do futebol americano Travis Kelce.
Embora o casal não tenha confirmado oficialmente os detalhes da cerimônia e nem se ela realmente ocorreria neste fim de semana, veículos de imprensa relatam que os festejos teriam começado nesta quinta-feira (02/07) com um jantar de ensaio para cerca de 100 convidados em um dos espaços no Madison Square Garden (MSG), a arena mais famosa de Nova York.
O casal, ambos de 36 anos, está junto desde 2023 e anunciou o noivado em agosto do ano passado por meio das redes sociais.
Segundo a imprensa americana, a cerimônia principal estaria prevista para esta sexta-feira, diante de aproximadamente mil convidados, incluindo celebridades do entretenimento, atletas, familiares e amigos próximos. Entre os nomes apontados como presença certa ou provável estão Selena Gomez, Gigi Hadid, Cara Delevingne, Zoë Kravitz e Ed Sheeran.
MSG transformado para a festa
Há vários indícios de que a cerimônia desta sexta também será no Madison Square Garden. A escolha do local chamou a atenção de fãs e comentaristas. Conhecido por sediar grandes eventos esportivos, shows e atos políticos, o local raramente é usado para casamentos.
Embora os detalhes permaneçam em sigilo, uma autorização municipal obtida pela agência de notícias Associated Press mostra que um evento está programado para começar às 17h e se estender até as 4h da madrugada seguinte.
A CBS noticiou que os portões devem ser abertos por volta das 15h30 desta sexta, e um coquetel será servido no saguão do sexto andar da arena, onde em dias de jogos há circulação para torcedores.
Em seguida, uma festa deverá ocorrer entre 18h30 e 2h. São esperados a chegada de cerca de 500 veículos com convidados, que ingressarão na arena por uma área VIP coberta por uma tenda.
Caixas de lagostas
Nas últimas semanas, caminhões, empilhadeiras e equipes de montagem trabalharam intensamente no local. Imagens divulgadas por veículos americanos mostraram caixas identificadas como "Garden Party" (Festa no Jardim), estruturas cobertas, decoração e carregamentos de alimentos sofisticados, como caixas de lagostas.
Segundo relatos da imprensa, a arena teria sido transformada em um grande jardim fechado. Fontes citadas pela revista People negaram rumores de que um castelo estivesse sendo construído no espaço, mas confirmaram uma decoração considerada "muito especial".
Entre as personalidades vistas nas proximidades estavam os atores Bradley Cooper e Lena Dunham, a jornalista esportiva Erin Andrews e o produtor musical Jack Antonoff.
Especula-se que entre as atrações musicais da festa estejam Stevie Nicks e Tim McGraw, nomes que influenciaram Taylor Swift ao longo da carreira. Outros artistas cogitados pela imprensa são Ed Sheeran e Paul McCartney.
Um dos fatores que pode ter pesado na escolha do local da festa é a privacidade. O MSG possui forte esquema de segurança, acessos protegidos e ausência de janelas externas, dificultando registros de fotógrafos e curiosos.
Apesar de tudo isso, a quem diga que essa intensa movimentação não passa de uma distração, e que o evento real ocorria mesmo em outro lugar, longe dos holofotes.
Segurança reforçada
O evento provocou um amplo esquema de segurança na região. Ruas ao redor do MSG foram fechadas, grades foram instaladas e dezenas de veículos com vidros escuros foram vistos chegando ao local.
A polícia de Nova York evitou confirmar oficialmente o casamento, mas reconheceu que possui planejamento especial para todos os grandes eventos do fim de semana.
Uma placa instalada em uma das entradas do MSG informava que qualquer pessoa que acessasse o local entre 29 de junho e 3 de julho poderia ser fotografada e, ao entrar, concordaria em manter sigilo absoluto sobre os anfitriões, os participantes e as atividades realizadas.
Segundo documentos obtidos por diversos veículos americanos, convidados teriam assinado acordos de confidencialidade e não poderão utilizar celulares durante as celebrações.
Todo esse burburinho ocorre em um dos momentos mais movimentados do ano para a cidade. Além do feriado de 4 de julho, Nova York recebe eventos ligados aos 250 anos da independência americana e uma partida da Copa do Mundo nos arredores da metrópole.
Casados antes da festa?
O portal de celebridades Page Six afirmou que Swift e Kelce já teriam oficializado legalmente a união em uma cerimônia privada realizada diante de um grupo restrito de pessoas próximas. A informação, porém, não foi confirmada pelos representantes do casal nem por fontes independentes.
A agência Reuters disse que não conseguiu verificar a veracidade da notícia, e a assessoria de Swift também não comentou o assunto.
Doações milionárias antes da celebração
Poucos dias atrás, Swift e Kelce anunciaram a doação de 26 milhões de dólares para cerca de 20 organizações beneficentes nos Estados Unidos.
Os recursos foram destinados a programas sociais, iniciativas educacionais, projetos musicais e instituições de proteção animal. Parte das entidades beneficiadas atua em cidades associadas à trajetória do casal, como Nashville, Kansas City, Los Angeles e Nova York.
Expectativa entre fãs
A ausência de confirmação oficial alimentou semanas de especulação nas redes sociais. Fãs da cantora, conhecidos como "Swifties", passaram a visitar locais citados em suas músicas e a acompanhar cada movimentação ao redor do Madison Square Garden.
Para muitos admiradores, a união entre a bilionária cantora de Love Story e o tricampeão do Super Bowl ganhou contornos de um evento nacional. "Ela é como a nossa realeza", disse à AFP a nova-iorquina Alyssa Heinen, de 24 anos. "Estamos felizes porque ela encontrou o amor da vida dela."
Enquanto os detalhes permanecem cercados de sigilo, uma coisa parece certa: mesmo sem confirmação oficial, Taylor Swift e Travis Kelce já transformaram seu casamento em um dos eventos mais comentados do ano nos Estados Unidos e no mundo.
le/cn (afp, ap, reuters, ots)
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| Short teaser | Sem confirmação oficial, rumores cercam possível união de Taylor Swift e Travis Kelce neste fim de semana, em Nova York. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-que-se-sabe-sobre-os-planos-do-casamento-do-século/a-77816320?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Taylor Swift e Travis Kelce anunciaram o noivado em agosto do ano passado | ||
| Image source | STAR MAX/IPx/picture alliance | ||
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| Item 35 | |||
| Id | 77815958 | ||
| Date | 2026-07-03 | ||
| Title | As equipes brasileiras que atuam nas buscas na Venezuela | ||
| Short title | As equipes brasileiras que atuam nas buscas na Venezuela | ||
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País enviou mais de 100 profissionais para ajudar nos resgates de vítimas dos terremotos, além de montar um hospital de campanha para atender a população local."O cenário era de muita destruição, com muitas pessoas perambulando pelas ruas, paradas em frente ao que sobrou de suas casas ou fazendo buscas por conta própria." Essas foram as primeiras cenas que o comandante da Força de Resposta Imediata a Desastres Naturais (FRIDA), capitão de Mar e Guerra, Leonel Mariano se deparou ao chegar à cidade de La Guaira, na Venezuela, três dias após os terremotos que devastaram parte do país.
O fuzileiro naval é um dos 150 brasileiros que foram encaminhados pelo governo federal ao país vizinho para ajudar nos resgates às vítimas dos terremotos. Desde o final da última semana, os profissionais brasileiros atuam em conjunto com equipes internacionais na definição das áreas prioritárias de busca e no atendimento às vítimas.
Entre os profissionais encaminhados ao país vizinho estão bombeiros, fuzileiros navais, profissionais de saúde, engenheiros estruturais da Defesa Civil e técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que ajudam a localizar sinais de celulares de possíveis vítimas sob os escombros. A missão conta ainda com cães de busca.
Na bagagem, os brasileiros levaram equipamentos para resgate em estruturas colapsadas, recursos médicos, mantimentos, abrigo para as equipes e para montar um hospital de campanha e geradores solares. Além da experiência acumulada na atuação em diversas tragédias ocorridas nas últimas décadas.
Como estão as buscas
Apesar de as primeiras horas após um desastre dessa magnitude serem cruciais para encontrar sobreviventes, a busca sob os escombros ainda é o ponto principal dos trabalhos realizados na Venezuela. Nesta quinta-feira (02/07), socorristas venezuelanos conseguiram resgatar um homem preso havia oito dias sob escombros de um shopping em La Guaira, no estado mais devastado pela tragédia.
Bombeiros brasileiros e profissionais da Defesa Civil estão atuando diretamente nessa frente. As equipes trabalham no reconhecimento das edificações atingidas, avaliam a estabilidade das estruturas e empregam cães de busca e equipamentos especializados para localizar e sinalizar possíveis vítimas sob os escombros.
Conforme a atualização divulgada pela corporação, dois homens e quatro mulheres foram encontrados sem vida nos escombros pelas equipes brasileiras. Na madrugada desta quinta-feira, cães farejadores indicaram a presença de sobreviventes num edifício colapsado pelo terremoto. Os brasileiros passaram a noite toda tentando localizar a possível vítima.
"A operação já se aproxima de 24 horas contínuas de trabalho, exigindo precisão, resistência física e extrema cautela. Em cenários de colapso estrutural, cada movimentação dos escombros é realizada de forma controlada para evitar novos desabamentos e preservar eventuais bolsões de sobrevivência", publicou a agência de notícias do Governo do Estado de São Paulo.
As buscas contam ainda com um aliado tecnológico: a triangulação de dados digitais. A destruição das redes de energia e das torres de telefonia celular locais deixou milhares de sobreviventes incomunicáveis.
Para atenuar esse apagão de informações, a missão brasileira incluiu técnicos da Anatel. Eles utilizam estações móveis de satélite e equipamentos de varredura de radiofrequência para tentar captar sinais de aparelhos celulares que ainda estejam ligados sob a terra.
A partir da detecção desses sinais, os técnicos conseguem indicar áreas com maior probabilidade de vítimas, contribuindo para orientar os esforços das equipes de busca.
Atendimento à população
Além do trabalho de buscas de sobreviventes, o Brasil instalou em La Guaira um hospital de campanha, o primeiro disponibilizado por um país estrangeiro no local da tragédia. A estrutura foi montada pela Marinha que também é quem comanda os atendimentos.
"Quando ocorreram os terremotos, a equipe estava em um treinamento contra desastres em Minas Gerais e em menos de 24 horas já estávamos com tudo pronto para embarcar. Ao chegarmos, logo buscamos um local para montar toda a estrutura e na manhã seguinte já estávamos atendendo", recorda Mariano.
A estrutura montada conta com seis leitos de internação por até 48 horas, dois de terapia intensiva e dois de curta permanência. O atendimento acontece todos os dias das 7h às 18h, com equipe de plantão 24 horas para casos de emergência.
O hospital tem ainda equipamento de anestesia, monitores de frequência e pressão arterial, respiradores, bombas de infusão e ultrassom portátil. Além de uma farmácia com diversos tipos de medicamentos enviados pelo Ministério da Saúde.
Segundo a Marinha, foram realizados dezenas de atendimentos desde o início de seu funcionamento, dia 29 de junho. Os casos envolvem, principalmente, pequenos traumas e escoriações, infecções e doenças crônicas preexistentes que demandam medicação contínua.
"Atendemos muitas pessoas com infecção de pele, com desidratação e com imobilizações que precisam ser refeitas. Agora, começaram a chegar pacientes com diarreia, já que a situação está bastante precária. As pessoas estão sem água encanada, muitas não tomam banho há dias, as ruas estão sujas e isso vai fazendo com que as doenças começam a surgir", detalha a capitão de Mar e Guerra Marisa Martins, diretora da Unidade Médica Expedicionária da Marinha (UMEM), que comanda a equipe de saúde brasileira no hospital de campanha.
Ainda segundo os profissionais da Marinha, os desafios vão mudando com o passar dos dias e não há uma previsão de quantas pessoas ainda buscarão atendimento médico. A tendência é que doenças infecciosas aumentem nas próximas semanas.
"A destruição e a presença de corpos sob escombros fazem com que haja proliferação de diversos vetores, como ratos, mosquito da dengue, entre outros, e isso vai contribuir para o aumento de casos de doenças", diz Martins. "É uma situação muito crítica que o povo da Venezuela está enfrentando, e eles precisam de muita ajuda, que vai desde água, alimentos e infraestrutura. É triste ver que bairros inteiros desapareceram."
A força-tarefa brasileira na Venezuela tem um planejamento inicial de atuação de 15 a 30 dias, podendo ser prorrogado por tempo indeterminado. "Caso haja necessidade, podemos ficar na Venezuela por quanto tempo eles precisarem. Temos estrutura de pessoal para fazer revezamento, caso seja necessário", diz Mariano.
A bagagem técnica do Brasil
O Brasil não possui um histórico expressivo de terremotos em seu território, mas se transformou em uma referência em busca e salvamento urbano. Esse paradoxo se explica por um investimento contínuo em treinamento para enfrentar desastres naturais como enchentes e desabamentos de encostas e pela memória institucional de missões passadas.
Em 2010, o terremoto que devastou o Haiti deixou mais de 220 mil mortos. Naquela ocasião, o Brasil liderava a missão de paz da ONU no país e precisou estruturar, às pressas e sob escombros generalizados, uma operação de socorro complexa. Vinte e um brasileiros, entre eles 18 soldados do exército que atuavam na missão de paz, morreram.
No mesmo ano, a Marinha também atuou com hospital de campanha no atendimento às vítimas do terremoto no Chile. Na ocasião, 48 militares realizaram mais de 13 mil atendimentos. Além disso, o rompimento da barragem em Brumadinho, em 2019, exigiu operações complexas em ambiente altamente instável e as equipes brasileiras uniram esforços para atuar na região.
As equipes também trabalharam no atendimento à população atingida por temporais na Região Serrana do Rio de Janeiro: em 2011, no município de Nova Friburgo, e, em 2022, na cidade de Petrópolis. Em fevereiro de 2023, os deslizamentos em São Sebastião, no litoral paulista, fizeram com que as equipes fossem deslocadas para lá para ajudar nas buscas e atendimentos à população.
Mais recentemente, estruturas semelhantes foram instaladas para atender as vítimas das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.
"Apesar de serem diferentes, os desastres têm algumas características muito semelhantes. Busca por vítimas, famílias desabrigadas que precisam de acolhimento e a possível proliferação de doenças caso esse local não seja rapidamente organizado", explica o capitão Maxwel Souza, porta-voz da Defesa Civil de São Paulo. "Nossa experiência na gestão dessas tragédias é muito útil em ocorrências como essa da Venezuela."
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| Short teaser | País enviou mais de 100 profissionais para ajudar nos resgates, além de montar um hospital de campanha. | ||
| Author | Simone Machado | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/as-equipes-brasileiras-que-atuam-nas-buscas-na-venezuela/a-77815958?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/77813665_354.jpg
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| Image caption | Equipes brasileiras estão em La Guaira, o estado mais devastado pelos terremotos | ||
| Image source | Ricardo Arduengo/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77813665_354.jpg&title=As%20equipes%20brasileiras%20que%20atuam%20nas%20buscas%20na%20Venezuela | ||
| Item 36 | |||
| Id | 77788103 | ||
| Date | 2026-07-01 | ||
| Title | Pausas para hidratação na Copa: necessidade ou oportunismo? | ||
| Short title | Pausas para hidratação na Copa: necessidade ou oportunismo? | ||
| Teaser |
Fifa diz que novos intervalos visam proteger jogadores do calor, mas eles têm sido alvo de críticas de torcedores na Copa. Além de mudar dinâmica do jogo, pausas têm se revelado um filão para anunciantes. Quando a partida da fase de grupos entre Inglaterra e Gana é interrompida aos 22 minutos para a primeira "pausa para hidratação", fortes vaias ecoam das arquibancadas do estádio em Boston. Os jogadores caminham até a linha lateral, enquanto os treinadores reúnem suas equipes para rápidas instruções táticas. Já nos primeiros dias da Copa do Mundo, uma coisa ficou clara: nenhuma novidade do torneio divide tanto opiniões quanto essas interrupções obrigatórias. "Como treinador, eu teria adorado isso", disse Jürgen Klopp à DW. Minutos extras para transmitir orientações táticas à equipe representam uma vantagem evidente. No entanto, o ex-técnico do Liverpool e do Borussia Dortmund também faz críticas contundentes. "Existe um problema com a duração das pausas para hidratação e com o que as emissoras de TV ou a Fifa fazem durante esse período." De medida contra calor a um tema controversoA regra foi introduzida para proteger os jogadores do calor do verão na América do Norte. Nesta Copa do Mundo, as partidas são interrompidas duas vezes, por volta dos minutos 22 e 67. Diferentemente de grandes torneios anteriores ou até mesmo de jogos de ligas nacionais, não é mais necessário que haja calor extremo para justificar uma pausa para hidratação. A Fifa leva em consideração fatores como temperatura, umidade do ar, radiação solar e o elevado desgaste físico dos atletas. Com base na experiência obtida durante a Copa do Mundo de Clubes do ano passado, a entidade decidiu adotar uma regra padronizada para todas as partidas. Mas as pausas para hidratação já se transformaram em um debate mais amplo. Elas estariam alterando os valores fundamentais do futebol? "Eu não gosto dessa pausa para hidratação", disse um torcedor iraquiano à DW, na Filadélfia. "Se os jogadores precisam tanto beber água, poderiam fazer isso, por exemplo, antes da cobrança de um escanteio." Outro torcedor, durante a partida entre Argentina e Áustria, apontou para o teto retrátil e climatizado do estádio em Dallas e comentou: "O ar-condicionado está funcionando aqui. Onde está o calor?" Mais tática do que hidrataçãoO principal motivo das discussões é a influência dessas pausas no andamento do jogo. O que deveria ser apenas uma breve oportunidade para beber água acabou se tornando, em muitos casos, um verdadeiro tempo técnico. Os treinadores ajustam formações, reposicionam jogadores e interrompem o ritmo do adversário. "Por um lado, as pausas mudaram o jogo porque os treinadores ganharam mais influência. Por outro, elas quebram o ritmo da partida para os torcedores", afirmou um torcedor da seleção argentina à DW. A impressão não parece ser apenas subjetiva. Uma análise do jornal britânico The Times, baseada em dados da empresa de dados esportivos Opta, avaliou todas as partidas da fase de grupos. Após a primeira pausa para hidratação, houve uma mudança significativa na dinâmica da partida em 32% dos jogos; após a segunda, em 26%. Em média, o ritmo e o controle da partida caíram 17% depois de uma interrupção. O dado mais surpreendente: a equipe que apresentava maior domínio antes da pausa geralmente sofria uma queda muito maior em seu desempenho logo depois. Outras vozes importantes também veem essa tendência de forma crítica. O capitão da seleção holandesa, Virgil van Dijk, afirmou que as interrupções não são ideais para os espectadores neutros que acompanham o jogo pela televisão. Segundo ele, as pausas fazem sentido em condições de calor intenso, mas sua adoção deveria ser avaliada caso a caso. O técnico da seleção inglesa, Thomas Tuchel, criticou o fato de que as partidas ficam desnecessariamente mais longas. Já Gustavo Alfaro, treinador do Paraguai, chegou a dizer que o futebol está se transformando gradualmente em um esporte disputado em quatro períodos. A comparação faz sentido na América do Norte, onde esportes tradicionais como basquete e futebol americano são divididos dessa maneira. Intervalo comercial para a Fifa?Nesse ponto surge outra crítica. Em muitos países, as emissoras aproveitam as interrupções garantidas para exibir blocos publicitários – algo que tradicionalmente quase não existia no futebol. "Eles precisam encaixar a publicidade em algum lugar e, do ponto de vista empresarial, isso provavelmente faz sentido", disse um torcedor americano à DW. As próprias pausas para hidratação contam com um patrocinador oficial, cujo nome aparece nos telões dos estádios exatamente no momento das interrupções. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, nega, porém, que motivos financeiros tenham levado à criação da regra. "Não ganhamos um único dólar a mais com as pausas para hidratação, porque todos os contratos já haviam sido fechados antes da introdução da medida", declarou à SNTV. Ao mesmo tempo, ele anunciou que a Fifa avaliará cuidadosamente a experiência desta Copa do Mundo. Somente depois disso será decidido se a regra será mantida no futuro e em que formato. Médicos veem vantagensEspecialistas em medicina esportiva consideram as oportunidades extras para hidratação uma medida sensata em situações de calor intenso. "Existem dados mostrando que as chamadas cooling breaks têm um efeito positivo sobre a temperatura corporal", afirmou o renomado médico esportivo Tim Meyer à revista alemã especializada em futebol 11 Freunde. "Em condições extremas, os jogadores profissionais correm menos, atuam com menor intensidade e recorrem com mais frequência a passes de segurança. Do ponto de vista da saúde, isso provavelmente é sensato, mas certamente não favorece o espetáculo esportivo." Por isso, o debate atual já não gira apenas em torno da necessidade de proteger os atletas, mas também sobre como essa proteção pode vir a ser implementada e se uma mesma regra realmente precisa ser aplicada a todas as partidas, inclusive aquelas disputadas em estádios cobertos e climatizados. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Intervalos obrigatórios na Copa do Mundo de 2026 geram debate nas arquibancadas, em campo e muito além. | ||
| Author | Mathias Brück (Los Angeles) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/pausas-para-hidratação-na-copa-necessidade-ou-oportunismo/a-77788103?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Pausas%20para%20hidrata%C3%A7%C3%A3o%20na%20Copa%3A%20necessidade%20ou%20oportunismo%3F | ||
| Item 37 | |||
| Id | 77784380 | ||
| Date | 2026-07-01 | ||
| Title | Morre cantor Victor Willis, o policial do Village People | ||
| Short title | Morre cantor Victor Willis, o policial do Village People | ||
| Teaser |
Líder da icônica banca de música disco faleceu aos 74 anos de enfermidade breve, porém agressiva, comunica esposa. O cantor Victor Willis, o policial ou marinheiro do grupo Village People, faleceu nesta terça-feira (30/06), aos 74 anos, comunicou a esposa dele, Karen Huff-Willis, nesta quarta numa postagem na página de Willis no Facebook. O Village People foi formado em Nova York em 1977 e logo se tornou um dos maiores representantes da música disco, com hits como Macho Man, In the Navy, Go West e Y.M.C.A., e um ícone da cultura gay. Segundo a postagem, o artista morreu "em decorrência de uma enfermidade breve, porém agressiva". Ele completaria 75 anos nesta quarta-feira. Polêmica com TrumpRecentemente, Willis, que era o líder e principal vocalista do grupo, se envolveu numa polêmica com o presidente dos EUA, Donald Trump, pelo uso de Y.M.C.A.em comícios eleitorais – o próprio Trump dançava ao som da canção. Willis, um dos autores da canção, tentou impedir na Justiça que Trump a usasse, mas não conseguiu. "Eu não apoio Trump, nunca apoiei Trump, e o Village People também não", disse ele à emissora BBC em 2020. "Mas, devido às leis de direitos autorais dos Estados Unidos, ele pode tocar nossas músicas sempre que quiser." Dinheiro também parece ter desempenhado um papel: com o uso nos comícios de Trump, Y.M.C.A. retornou às paradas depois de mais de quatro décadas do lançamento. "Valeu a pena financeiramente também", admitiu Willis numa publicação no Facebook em dezembro de 2024. "Y.M.C.A. gerou vários milhões de dólares desde que o presidente eleito começou a usá-la", afirmou. Para decepção de muitos fãs, o Village People acabou se apresentando durante as festividades de posse de Trump, em 2025. as/cn (AFP, OTS) |
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| Short teaser | Líder da icônica banca de música disco faleceu aos 74 anos de enfermidade breve, porém agressiva, comunica esposa. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/morre-cantor-victor-willis-o-policial-do-village-people/a-77784380?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Morre%20cantor%20Victor%20Willis%2C%20o%20policial%20do%20Village%20People | ||
| Item 38 | |||
| Id | 77766020 | ||
| Date | 2026-06-30 | ||
| Title | Imprensa alemã é impiedosa após eliminação da Alemanha na Copa | ||
| Short title | Imprensa alemã é impiedosa após derrota da Alemanha na Copa | ||
| Teaser |
Eliminada pelo Paraguai, Alemanha vive novo desastre em uma Copa. Imprensa alemã destaca terceiro "fiasco" consecutivo e pede a saída do técnico Julian Nagelsmann. Debakel (desastre) e blamage (fiasco, vergonha) são as duas palavras que nesta terça-feira (30/06) dominam a cobertura da imprensa alemã sobre a seleção da Alemanha, eliminada na véspera pelo Paraguai da Copa do Mundo de 2026. "Drama nos pênaltis contra o Paraguai: a Alemanha sofre outro desastre em Copas do Mundo", mancheteou o site de notícias Tagesschau.de, um dos principais do país. "A próxima vergonha", escreveu o Süddeutsche Zeitung, que acrescentou que a derrota foi "dramática, mas totalmente merecida". "A seleção alemã deixou também este torneio antes das oitavas de final", constatou o jornal de Munique. "A Alemanha ser eliminada na fase de grupos é algo ao que já estávamos acostumados – mas nos dezesseis avos de final? E contra o Paraguai? De certa forma, isso é ainda mais vergonhoso do que a miséria de 2022, na qual também houve muito azar envolvido", acrescentou o jornal. Fim para Nagelsmann?Num outro artigo, este de opinião, o articulista do Süddeutsche afirma que "alguém deveria dizer ao Julian Nagelsmann que não dá pra continuar". A pressão para que o treinador deixe o cargo é outro tema dominante. Um artigo de opinião no jornal conservador Frankfurter Allgemeine Zeitung afirma que "não dá mais pra salvar" a relação de Nagelsmann com a Federação Alemã de Futebol (DFB). "O técnico da seleção fracassou nesta Copa do Mundo. Ele superestimou grosseiramente sua equipe e suas próprias capacidades", afirmou o articulista. A agência de notícias SID, especializada em esporte, não fez rodeios: "Nagelsmann PRECISA sair", afirmou, em comentário sobre a eliminação. A hora de Jürgen Klopp?O jornal sensacionalista Bild ecoou o sentimento geral ao afirmar que "Nagelsmann chegou ao fim" e acrescentar que "agora deve vir Klopp". O atual chefe de futebol da empresa Red Bull, Jürgen Klopp, é o candidato favorito de muitos alemães para comandar a seleção nacional. Ele próprio – que está trabalhando como comentarista de TV na Copa e acompanhou o jogo contra o Paraguai – se esquivou de especulações, mas deixou entrever que toparia: "Entendo que meu nome seja mencionado, mas este não é o momento", disse. O próprio Nagelsmann quer continuar no cargo. "Estou pronto se for isso que eles querem. Se a DFB não quiser que eu continue, que me avise", declarou em entrevista logo após o jogo. O diretor esportivo da DFB, Rudi Völler, que a imprensa alemã chama de guarda-costas de Nagelsmann, saiu mais uma vez em defesa do treinador. "Continuo convencido de que ele provavelmente é o certo, mas eu sozinho não sou a DFB." Ao contrário de Völler, o presidente da DFB, Bernd Neuendorf, e o diretor administrativo Andreas Rettig preferiram o silêncio. as/cn (DPA, SID, OTS) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Imprensa alemã destaca terceiro "fiasco" consecutivo e pede a saída do técnico Julian Nagelsmann. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/imprensa-alemã-é-impiedosa-após-eliminação-da-alemanha-na-copa/a-77766020?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Imprensa%20alem%C3%A3%20%C3%A9%20impiedosa%20ap%C3%B3s%20elimina%C3%A7%C3%A3o%20da%20Alemanha%20na%20Copa | ||
| Item 39 | |||
| Id | 77726459 | ||
| Date | 2026-06-26 | ||
| Title | O casal argentino que viajou 80 mil quilômetros de Kombi para ver Messi | ||
| Short title | O casal que viajou 80 mil km de Kombi para ver Messi | ||
| Teaser |
Juan Manuel Sosa e sua esposa, Pam, cruzaram 16 países em uma perua VW de 1981 rumo aos EUA. E no meio da viagem realizaram o sonho de ver Messi jogando ao vivo na Copa do Mundo. No início era apenas uma ideia. Mas ela não saía da cabeça dele, então Juan Manuel Sosa pegou uma caneta e rabiscou possíveis rotas em seu pequeno caderno. Etapas, distâncias, pernoites. Ver Lionel Messi ao vivo em um estádio, talvez na sua última Copa do Mundo de 2026? Talvez em Dallas, no estado do Texas? Quando ficou claro que a seleção argentina disputaria dois jogos da fase de grupos lá, Juan ficou empolgado. Ingressos? Ele não tinha. Apenas uma Kombi convertida em uma casa sobre rodas. E uma rota que, de alguma forma, também passava pela América do Norte. Casa sobre rodas: uma Kombi de 1981Até aquele momento, ele e sua esposa Pam já haviam viajado por 16 países da América Latina. De sua cidade natal, Buenos Aires, partiram primeiro para o ponto mais ao sul da Argentina: Ushuaia — a cidade conhecida também como "o Fim do Mundo". E de lá seguiram novamente rumo ao norte, passando por Chile, Paraguai, Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador e Guatemala até chegar ao México. Destino final: o estado do Alasca, nos EUA. "Costumamos dizer que é a nossa eterna lua de mel", brinca Juan. Afinal, eles já estão há oito anos na estrada com seu motorhome. Dois dias antes de iniciar a viagem, os dois se casaram e cancelaram o contrato de aluguel do apartamento em Buenos Aires. Desde então, é uma aventura sobre quatro rodas, que atravessou inúmeros desafios, desde simples avarias até a pandemia de covid. Mas Juan confia profundamente na engenharia alemã. Quando o veículo falha, solta fumaça ou engasga, ele mesmo geralmente pega as ferramentas e vira um mecânico autodidata. A perua Volkswagen foi batizada de "Rumba": tipo T2, câmbio manual de 4 marchas, motor a gasolina, ano 1981. Modelos mais antigos assim já são cultuados. A "Rumba" é equipada com uma pequena cozinha, fogão e chuveiro móvel. Na parte frontal do para-brisa, um adesivo de Messi, daqueles de álbum de figurinhas. 80 mil quilômetros rodados"Conversamos muito com a Rumba. Fazemos carinho nela e agradecemos quando chegamos em segurança", diz Pam. "Alguns nos acham loucos, mas não nos importamos." Quando chegaram pontualmente para a Copa do Mundo nos Estados Unidos, já tinham, rodado quase 80 mil quilômetros desde o início da viagem. Ambos deixaram seus empregos: Juan era professor de música, Pam trabalhava como fotógrafa. Eles financiam a vida vendendo bijuterias e artesanato feitos à mão e através de algumas publicações patrocinadas nas redes sociais, que também trazem algum retorno financeiro. "Viagens assim também trazem dificuldades, não quero romantizar", diz Pam. "Mas apreciamos a liberdade." Isso inclui mudanças de planos. Ao chegar ao Tampão de Darién, uma região perigosa entre Colômbia e Panamá formada por pântanos, floresta densa e montanhas, precisaram pegar uma balsa. Não há estradas ali. A espontaneidade é a regra para o casal: quando a Copa do Mundo de 2022 aconteceu no Catar, eles estavam no Paraguai, mas voltaram temporariamente para casa para celebrar o título da Argentina. "Foi uma loucura", diz Juan. Ingressos inesperados para a CopaNa verdade, eles planejavam já estar no Alasca em junho de 2026. Mas o segundo jogo do grupo da Argentina contra a Áustria em Dallas nunca saiu do caderno de Juan. Eles desaceleraram um pouco e eis que no último domingo (21/06) estavam ali, no grande encontro dos torcedores argentinos, um dia antes do jogo, em um parque no centro de Dallas. Alguns americanos, que desciam de SUVs com ar-condicionado sob 35 graus, observavam curiosos. A Kombi azul-claro chamava muita atenção, e fãs de futebol perguntavam o tempo todo sobre a viagem. Um desconhecido achou a história tão incrível que convidou os dois espontaneamente para o jogo – ele tinha dois ingressos sobrando. "Achei que ele estava brincando", diz Pam. Mais tarde, descobriram que ele também era argentino, trabalhava nos EUA e tinha contatos com o clube de Messi na Major League Soccer, o Inter Miami. No estádio, Messi primeiro perde um pênalti, mas depois ainda marca dois gols durante o jogo e garante a vitória por 2 a 0 sobre a Áustria. É um dia histórico: com 18 gols em Copas, Messi supera Miroslav Klose (16) e se torna o maior artilheiro da história das Copas do Mundo. "Fico arrepiada só de pensar", conta Pam dias depois. "Foi simplesmente mágico", diz Juan. Seu caderno já está guardado novamente na Kombi. Ele cuida dele como um tesouro — para as próximas ideias de viagem. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Casal argentino cruzou 16 países em uma van de 1981 rumo aos EUA e realizou o sonho de ver Messi jogar na Copa. | ||
| Author | Pascal Jochem (de Dallas) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-casal-argentino-que-viajou-80-mil-quilômetros-de-kombi-para-ver-messi/a-77726459?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=O%20casal%20argentino%20que%20viajou%2080%20mil%20quil%C3%B4metros%20de%20Kombi%20para%20ver%20Messi | ||
| Item 40 | |||
| Id | 77671729 | ||
| Date | 2026-06-23 | ||
| Title | Cara da cultura alemã no mundo, Instituto Goethe faz 75 anos | ||
| Short title | Cara da cultura alemã no mundo, Instituto Goethe faz 75 anos | ||
| Teaser |
Presente em cem países, entidade promove intercâmbio cultural, educação e parcerias em todo o mundo – mesmo em meio a circunstâncias políticas desafiadoras. Fundado em 1951, o Instituto Goethe trabalhou, ao longo de seus 75 anos de existência, para representar de maneira positiva a Alemanha no exterior e promover a língua e a cultura alemãs para pessoas em todo o mundo. No Brasil, o centro cultural oficial da Alemanha está presente desde 1975, quando foi aberta a primeira unidade no país, no Rio de Janeiro. Hoje, há unidades também em Porto Alegre, Salvador e São Paulo. A instituição, batizada em homenagem a um dos maiores escritores da literatura alemã, nasceu numa época em que a Alemanha precisava reconquistar a confiança internacional após a Segunda Guerra Mundial e os crimes do regime nazista. Inicialmente sob o nome "Associação Goethe para a Formação Continuada de Professores de Alemão no Exterior", a entidade convidava professores estrangeiros para aprender o idioma na Alemanha. No entanto, o foco logo mudou para o ensino no exterior. O primeiro Instituto Goethe foi inaugurado em Atenas em 1952. Dez anos depois, eram 54 filiais internacionais, além das 17 unidades na Alemanha. Atualmente, o Instituto Goethe possui uma rede global com quase 4,4 mil funcionários em 154 instituições em 100 países. Cerca de um milhão de pessoas fazem o exame oficial de proficiência em alemão a cada ano em suas sedes ou instituições parceiras. Da música clássica alemã ao jazzCrucial para seu sucesso desde o início foi a credibilidade do instituto como uma associação independente. Embora receba dois terços de seu financiamento do orçamento do Ministério do Exterior, a programação é desenvolvida de forma independente – e se adaptou ao espírito da época e ao clima político ao longo das décadas. Rapidamente ficou claro que o instituto não se limitaria ao idioma. A divulgação cultural e informativa visava ajudar a transmitir uma imagem ampla da Alemanha. "Também ficou muito claro que o objetivo não era promover a chamada cultura alemã para o mundo", diz a presidente do Instituto Goethe, Gesche Joost. "Mas sim, ao contrário, refletir juntos: como recomeçamos, e também, como queremos, todos juntos, construir a sociedade e o futuro?" Nos seus primeiros anos, os programas culturais eram conscientemente voltados para os clássicos alemães. O período nazista não tinha diminuído o renome internacional de nomes como Schiller, Bach e Beethoven. Depois, na década de 1960, o jazz alemão se tornou um dos produtos de exportação de maior sucesso do instituto. O músico e compositor Klaus Doldinger, por exemplo, realizou numerosas turnês pelo mundo com a sua banda. Os vencedores do Prêmio Nobel de Literatura Günter Grass, Heinrich Böll e Herta Müller também viajaram a serviço do Instituto Goethe ao longo das décadas. Com o espírito revolucionário da geração de 1968, do movimento hippie e dos protestos estudantis, o perfil do Instituto Goethe se transformou ainda mais e passou a incorporar abordagens cada vez mais críticas sobre questões sociais, por exemplo, incluindo em sua programação uma revisão crítica do nazismo. Política cultural como parte da política externaÀ época, a República Federal da Alemanha (antiga Alemanha Ocidental), passava por um processo de redefinição sob o comando do chanceler federal social-democrata Willy Brandt. Em 1970, o sociólogo Ralf Dahrendorf, então secretário de Estado parlamentar do Ministério do Exterior, anunciou que a política cultural se tornaria o "terceiro pilar da política externa" alemã. Para Dahrendorf, contudo, não se tratava apenas de uma valorização da cultura, mas de uma nova forma de pensá-la. "O que damos só tem valor na medida de nossa disposição de receber", explicou. "A abertura ao outro é, portanto, um princípio da nossa política cultural externa". Com isso, o Goethe Institut deixou de lado a exportação cultural e passou a priorizar o diálogo, a cooperação e a aprendizagem mútua. Essa abordagem continua a moldar até hoje o trabalho da instituição. A cultura no fogo cruzadoDurante a divisão da Alemanha, o Leste e o Oeste competiam – especialmente no período da Guerra Fria – por alianças políticas no exterior, particularmente na área da política cultural externa. Na década de 1970, a imprensa da Alemanha Oriental chegou a espalhar rumores de que os Institutos Goethe seriam centros de espionagem. Após a queda da Cortina de Ferro em 1989, o Goethe abriu diversas novas unidades no Leste Europeu e nos antigos países do bloco oriental, inclusive na Rússia. No contexto da guerra de agressão russa contra a Ucrânia, o Ministério do Exterior da Rússia ordenou uma drástica redução de pessoal na unidade de Moscou, mas o trabalho continua. O mesmo ocorre na Ucrânia, onde a filial de Kiev permaneceu aberta de forma ininterrupta desde o início da guerra. Ali, o instituto oferece um conceito híbrido flexível para seus cursos de alemão: em caso de alerta de ataque aéreo, as aulas presenciais são transferidas para um abrigo. Além disso, há diversos formatos digitais e híbridos aos quais os participantes podem recorrer quando necessário. "Tenho a impressão de que o trabalho em situação de crise se tornou a norma em muitas regiões", diz Joost. "Seja porque a democracia está sendo enfraquecida, porque os colegas trabalham sob condições de censura ou porque estão sob a ameaça de conflitos armados." Em muitos institutos Goethe, a tão mencionada "virada de época", ou Zeitenwende — termo utilizado pelo ex-chanceler Olaf Scholz para descrever a transformação das políticas externa e de segurança da Alemanha após a invasão russa da Ucrânia — já se concretizou há muito tempo. "Reconhecemos que, em regiões de crise, somos parceiros importantes da sociedade civil. Ao mesmo tempo, precisamos agir com sensibilidade e diplomacia para não sermos expulsos do país", diz Joost. Em tempos em que a liberdade cultural e de expressão, a ciência e a educação estão cada vez mais sob pressão, o Instituto Goethe pretende continuar oferecendo espaços para o diálogo nos quais o debate aberto, a reflexão crítica e o intercâmbio cultural sejam possíveis. Atualmente, isso também ficou mais difícil em muitos países devido à posição alemã em relação ao conflito no Oriente Médio. Alguns parceiros no mundo árabe suspenderam sua cooperação, enquanto em outros lugares os eventos dos institutos sofrem boicotes. "Nesses casos, nossa tarefa é explicar a posição alemã e o histórico por trás dela, mas também destacar os debates em torno dessa questão na Alemanha", explica Gesche Joost. "Ao mesmo tempo, também levamos de volta à Alemanha as críticas vindas de muitos países." Nos últimos anos, o trabalho do Instituto Goethe tem sido prejudicado por cortes significativos no financiamento federal, o que leovu ao fechamento de algumas unidades. Ao mesmo tempo, a integração do número crescente de trabalhadores estrangeiros qualificados coloca a Alemanha diante de novos desafios. Joost considera que o instituto desempenha um papel crucial nesse contexto. "Percebemos que muitos trabalhadores estrangeiros qualificados veem uma perspectiva de futuro na Alemanha. No entanto, a chegada ao país nem sempre é fácil", explica. "Para apoiar esse processo, contamos com nossos consultores de acolhimento, que estão disponíveis para responder a perguntas sobre como viver e trabalhar na Alemanha e para oferecer orientação, principalmente no início. Essa é uma importante contribuição que o instituto pode dar à Alemanha." O Instituto Goethe celebra seu aniversário – comemorado em 9 de agosto – sob o lema "Nós no mundo", com parceiros em todo o globo. A programação na Alemanha inclui concertos, apresentações, mostras de cinema e mesas-redondas. |
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| Short teaser | Entidade promove intercâmbio cultural, educação e parcerias em todo o mundo – mesmo em uma época difícil para a cultura. | ||
| Author | Katharina Abel | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/cara-da-cultura-alemã-no-mundo-instituto-goethe-faz-75-anos/a-77671729?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Cara%20da%20cultura%20alem%C3%A3%20no%20mundo%2C%20Instituto%20Goethe%20faz%2075%20anos | ||
| Item 41 | |||
| Id | 77647317 | ||
| Date | 2026-06-21 | ||
| Title | Milhares de pessoas celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Short title | Milhares celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Teaser |
Com coroas de flores, 20 mil visitantes se dirigiram ao monumento milenar no Reino Unido para acompanhar o nascer do Sol do dia mais longo do ano no Hemisfério Norte.Uma multidão de mais de 20 mil pessoas se reuniu no início da manhã deste domingo (21/06) no milenar sítio arqueológico de Stonehenge, no Reino Unido, para ver o nascer do sol às 4h25 (0h25 em Brasília) no dia mais longo do ano no Hemisfério Norte, segundo a organização pública English Heritage, que administra monumentos históricos na Inglaterra.
Os visitantes, alguns usando coroas de flores, tocaram o monumento antigo e comemoraram quando o sol resplandecente surgiu no horizonte enevoado.
"Ao amanhecer do dia mais longo do ano, recebemos mais de 20.000 pessoas para celebrar juntas, com milhares de outras participando de todo o mundo por meio de nossa transmissão ao vivo", informou no domingo a English Heritage, organização que administra o sítio de Stonehenge.
Em 21 de junho, o Hemisfério Norte da Terra está inclinado ao máximo em direção ao Sol, resultando no dia mais longo do ano. O oposto ocorre no Hemisfério Sul, que tem seu dia mais longo em 21 de dezembro.
O círculo de pedras megalíticas pré-histórico situado na Planície de Salisbury, em Wiltshire (sudoeste da Inglaterra), parece ter sido construído há milhares anos para se alinhar com a trajetória do Sol nesses dias.
Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de pedras, que chegam a ter 5 metros de altura e a pesar quase 50 toneladas, localizada na Inglaterra, no condado de Wiltshire, na Planície de Salisbury.
Stonehenge é um dos monumentos pré-históricos mais famosos do mundo. Formado por enormes blocos de pedra organizados em círculos, ele foi construído ao longo de várias etapas entre aproximadamente 3000 a.C. e 2000 a.C.
Embora seu propósito exato ainda seja desconhecido, pesquisadores acreditam que Stonehenge tenha servido como local de cerimônias religiosas, espaço de sepultamento e até como observatório astronômico, devido ao seu alinhamento com o Sol durante os solstícios.
Algumas pedras pesam mais de 25 toneladas e parte delas foi transportada de regiões localizadas a centenas de quilômetros de distância. Por causa de sua importância histórica e cultural, Stonehenge foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1986.
Como funcionam as celebrações em Stonehenge?
A partir de 1978, o acesso do público a Stonehenge passou a ser restrito — os visitantes não podiam mais circular livremente entre as pedras —, em resposta a casos de vandalismo e ao aumento da erosão decorrentes do rápido crescimento do número de turistas.
As reuniões modernas por ocasião do solstício tiveram início já em meados do século 19, facilitadas pelo acesso ferroviário à cidade vizinha Salisbury.
Esses eventos, de caráter um tanto mais anárquico e espontâneo, chegaram a um fim violento em 1985, quando a polícia e um grupo de centenas de visitantes entraram em confronto no que ficou conhecido como a Batalha de Beanfield.
Enquanto a polícia tentava fazer cumprir uma liminar obtida pelas autoridades locais para impedir a passagem dos visitantes — inicialmente por meio de um bloqueio na estrada —, mais de 500 pessoas acabaram sendo presas.
Foi um dos maiores episódios de prisão em massa no Reino Unido depois Segunda Guerra Mundial.
A partir do ano 2000, a English Heritage passou a permitir o acesso controlado ao sítio de Stonehenge durante os dois solstícios — bem como nos equinócios de primavera e outono. Desde então, esses eventos ganharam popularidade.
Solstício de verão em meio a uma onda de calor
A celebração ocorreu enquanto o Reino Unido e grande parte da Europa permanece sob alertas de calor intenso.
No domingo, as temperaturas na região de Salisbury estavam comparativamente amenas para os padrões nacionais, com previsão de máximas de 29 °C.
Na França, no entanto, o governo proibiu o consumo de álcool em locais públicos durante as celebrações do Dia da Música, que marcam o solstício de verão. O evento inclui milhares de shows em praças de vilarejos, locais de música eletrônica e casas noturnas de Paris, reunindo comunidades e atraindo cada vez mais visitantes internacionais.
Ainda na França são esperadas máximas de 40 °C no domingo, com a segunda-feira provavelmente ainda mais quente, com serviços de emergência e as forças militares foram colocados em alerta contra incêndios florestais.
Há também previsão de temperaturas atingindo 37 °C em Roma e 39 °C em Madri na segunda-feira.
O Met Office britânico informou que o calor deve atingir um pico de cerca de 35°C na terça e na quarta-feira, o que gerou alertas meteorológicos, alertas de saúde e preocupações com as pessoas vulneráveis.
Os meteorologistas afirmaram que a próxima semana pode quebrar o recorde da temperatura mais alta já registrada em junho, de 35,6 °C, estabelecido em 1976 em Southampton.
jps (dpa, DW, ots)
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| Short teaser | Vinte mil visitantes se dirigiram ao monumento para acompanhar nascer do Sol do dia mais longo no Hemisfério Norte | ||
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| Image caption | Alguns dos visitantes exibiram flores sobre a cabeça para celebrar o solstício em Stonehenge | ||
| Image source | Alberto Pezzali/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 42 | |||
| Id | 77644202 | ||
| Date | 2026-06-21 | ||
| Title | Em meio ao calor extremo, França proíbe álcool em festival de música | ||
| Short title | Em meio ao calor, França proíbe álcool em festival de música | ||
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Governo adota medida enquanto milhões se preparam para a tradicional Fête de la Musique sob temperaturas que podem ultrapassar 40 graus.O gabinete do primeiro-ministro da França anunciou neste sábado (20/06) que está proibindo o consumo de álcool em alguns eventos da tradicional Fête de la Musique (Festa da Música) em todas as regiões que estão sob alerta vermelho (máximo) de calor.
"Para todos os eventos organizados pelo Estado e por seus órgãos, foram dadas instruções para não oferecer álcool", comunicou o gabinete após uma reunião de crise convocada pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu.
O governo também proibiu o consumo de álcool nas ruas das áreas sob alerta vermelho e determinou que organizadores dos eventos limitem as bebidas alcoólicas para "preservar os serviços de emergência e permitir que as equipes médicas se concentrem no atendimento aos mais vulneráveis".
Alerta vermelho de calor
Cerca de um terço do território francês, incluindo Paris, entrará ao meio-dia deste domingo em alerta vermelho de calor, emitido pelo serviço meteorológico nacional, Météo France.
A França colocou os serviços de emergência e as forças militares em alerta para incêndios florestais e cancelou alguns eventos esportivos ao ar livre devido à onda de calor.
As temperaturas são elevadas em todo o país, e a previsão é de que atinjam os 40 graus em algumas áreas e que sejam ainda mais elevadas nesta segunda-feira.
A Torre Eiffel e outros locais em Paris instalaram sistemas de nebulização para refrescar o público, como parte de uma série de medidas anunciadas por autoridades nacionais e locais para minimizar riscos.
A tradicional Fête de la Musique
A Fête de la Musique é um dos maiores eventos anuais da França e se tornou motivo de preocupação especial para as autoridades.
A celebração nacional do solstício de verão inclui milhares de shows ao ar livre, em praças e ruas, e também em locais fechados, como bares e casas noturnas.
No ano passado, o evento reuniu quase 2 milhões de pessoas só em Paris, incluindo visitantes de outros países, como o Reino Unido.
DJs, bandas de rock e de jazz, corais e artistas de música clássica ocupam as cidades e vilarejos para celebrar o solstício de verão, o dia mais longo do ano.
Mortes devido a temperaturas muito altas
A Météo France comunicou que as temperaturas podem atingir até mesmo 41 graus em algumas áreas neste domingo. Para segunda-feira, espera-se que as temperaturas sejam ainda mais altas, variando entre 37 e 42 graus.
Em nível nacional, a onda de calor será semelhante às registradas em julho de 2019 e agosto de 2003, comunicou a Météo France.
Em 2003, a França enfrentou uma onda de calor sem precedentes que resultou em 14.800 mortes, a maioria de pessoas idosas.
Mais de 200 mil pessoas morreram na Europa de causas relacionadas ao calor nos últimos quatro anos, e a maioria dessas mortes poderia ter sido evitada, afirmou neste mês o escritório da Organização Mundial da Saúde na Europa.
as (AP, Lusa, Efe, AFP)
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| Short teaser | Governo adota medida enquanto milhões se preparam para tradicional Fête de la Musique sob temperaturas extremas. | ||
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| Image caption | Multidão participa da Fête de la Musique em rua de Paris em 2025 | ||
| Image source | Julien Mattia/Le Pictorium/picture alliance | ||
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| Item 43 | |||
| Id | 77592151 | ||
| Date | 2026-06-17 | ||
| Title | Ponte mais antiga de Paris é embalada e vira caverna em obra monumental | ||
| Short title | Ponte mais antiga de Paris vira caverna em obra monumental | ||
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A obra "La Caverne du Pont Neuf" é, segundo o artista JR, uma travessia simbólica entre a plenitude e o vazio, além de uma homenagem aos 40 anos da instalação "A Ponte Nova Revestida", de Christo e Jeanne-Claude. A instalação "La Caverne du Pont Neuf" (A Caverna da Ponte Nova), do artista de rua e fotógrafo francês JR, foi inaugurada na última segunda-feira (15/06) depois de 11 dias de atraso devido a fortes ventos que danificaram a peça. Prevista para inaugurar no dia 6 de junho, a obra ficará exposta até o dia 28 deste mês na Pont Neuf, uma das mais icônicas de Paris e a mais antiga a cruzar o Sena. Considerado o maior projeto de sua carreira, a ilusão de ótica em grande escala é uma homenagem à obra "The Pont Neuf Wrapped" (A Ponte Nova Revestida), da dupla de artistas Christo e Jeanne-Claude, que completou 40 anos em 2025. Imagens de rochas escarpadas compõem a instalação, que é formada por 80 arcos de lona cheios de ar e que se ergue sobre o rio em preto e branco para cobrir a ponte de 232 metros de comprimento. JR também se inspirou nas pedreiras da Bacia de Paris, de onde foram extraídas as pedras da ponte. Construída inteiramente com calcário luteciano, também conhecido como "Pedra de Paris", a Pont Neuf, concluída em 1607, foi a primeira da cidade a não ser feita de madeira. O artista, que normalmente utiliza imagens fotográficas em suas obras, buscou uma justaposição marcante entre a aspereza da matéria-prima e a elegância refinada da capital francesa, conhecida como a Cidade Luz. Marco arquitetônico se transforma em objeto de arteEm setembro de 1985, a dupla Christo e Jeanne-Claude revestiu a mesma ponte em sua obra "The Pont Neuf Wrapped", utilizando 41.800 metros quadrados de tecido de poliamida na cor arenito dourado e 13 quilômetros de corda. Assim como em muitas das obras da dupla, foram necessários anos de negociações políticas e planejamento técnico para transformar o projeto em realidade. A repercussão na imprensa francesa foi um misto de críticas e elogios. Alguns críticos consideraram o projeto um desperdício e inadequado, questionando, desde o início, a ideia de cobrir uma ponte de tamanha importância histórica. Apesar disso, milhões de visitantes vieram observar a instalação. Mesmo os comentários mais céticos da mídia francesa reconheceram seu impacto na forma como as pessoas viam a ponte e a cidade: a experiência normalmente passiva de atravessar a histórica ponte foi transformada em um envolvimento ativo com a transformação temporária da estrutura e de seus arredores. Ao longo da carreira, a dupla Christo, que faleceu em 2020, e Jeanne-Claude, que morreu em 2009, transformou muitos lugares famosos por meio de suas instalações em grande escala. No verão de 1995, por exemplo, eles revestiram o Reichstag, o parlamento alemão, com tecido prateado. Em 2005, eles instalaram "The Gates" (Os Portões), uma série de painéis de tecido na cor açafrão no Central Park, em Nova York. Já "L'Arc de Triomphe, Wrapped" (O Arco do Triunfo Revestido), em Paris, foi concluído postumamente em 2021. "Admiro o legado de Christo e Jeanne-Claude e compartilho da ideia deles de que a missão da arte é nos fazer pensar, questionar o que é familiar para nós", declarou JR em um comunicado à imprensa. Afinal, ele acrescenta, "a arte é uma transformação e uma forma de renovar a maneira como vemos o mundo ao nosso redor". História de grandes instalaçõesO extenso tamanho da instalação faz com que ela possa ser vista de vários pontos da cidade, seja caminhando pelas margens do Sena ou navegando pelo rio. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, JR disse que a obra foi "sem dúvidas, a coisa mais desafiadora" que já fez. Aos 43 anos, o artista é conhecido por suas instalações em grande escala, que combinam fotografia e marcos arquitetônicos. Em seu projeto "Women Are Heroes" (Mulheres São Heroínas), ele colou enormes retratos de mulheres em prédios e telhados de comunidades, em cidades de todo o mundo. O "Inside Out Project" é uma iniciativa global de JR que convida as pessoas a enviar retratos, que depois são exibidos em espaços públicos. Em outra obra de ilusão de ótica, ele "arrancou" o topo da Grande Pirâmide de Giza em 2021. Talvez sua obra mais famosa seja "Giants, Kikito", de 2017, em que apresentava uma imagem gigantesca de uma criança espreitando por cima do muro da fronteira entre o México e os Estados Unidos. JR também já esteve bastante ativo em Paris no passado. Em 2019, para marcar o 30º aniversário da pirâmide do Museu do Louvre, ele criou uma ilusão de ótica com tiras de papel que pareciam dar mais profundidade à icônica estrutura e fazer com que ela parecesse estar emergindo de uma pedreira. Cerca de 400 voluntários passaram dias colando mais de 2.000 tiras de 10 metros no chão para dar vida ao projeto. Antes disso, em 2016, ele fez com que a famosa pirâmide do museu parecesse ter desaparecido ao cobrir seus segmentos de vidro com imagens do Palácio do Louvre, localizado em frente a ela. "Travessia simbólica"O interior de "La Caverne du Pont Neuf" pode ser visitado gratuitamente, 24 horas por dia, durante todo o período da instalação. A passagem proporciona uma experiência única, com design sonoro assinado por Thomas Bangalter, ex-integrante do Daft Punk. É uma "travessia simbólica, um passo rumo ao desconhecido, uma jornada interior. Projetei a travessia da La Caverne como uma experiência em que a plenitude e o vazio coexistem em equilíbrio", conclui JR. |
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| Short teaser | A obra "La Caverne du Pont Neuf" é, segundo o artista de rua JR, uma travessia simbólica entre a plenitude e o vazio. | ||
| Author | Sarah Hucal | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ponte-mais-antiga-de-paris-é-embalada-e-vira-caverna-em-obra-monumental/a-77592151?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 44 | |||
| Id | 53832364 | ||
| Date | 2026-05-03 | ||
| Title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Short title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Teaser |
Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número de tropas americanas no país europeu. EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha e decisão pode marcar grande mudança na relação de defesa entre os dois países Em meio a uma troca de farpas entre os EUA e a Alemanha, o Pentágono anunciou nesta semana que pretende retirar 5 mil dos seus militares que estão atualmente baseados no país europeu. Segundo o anúncio, a retirada deve ser completada num período de 6 a 12 meses. No sábado (02/05), foi a vez de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a retirada pode ser ainda mais ampla. "Vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais do que 5.000", disse Trump a repórteres. O movimento de retirada ocorre após Trump se enfurecer com declarações críticas à condução da guerra do Irã feitas pelo chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na segunda-feira, Merz afirmou que os que os Estados Unidos estão sendo "humilhados" em sua guerra contra o Irã e que parece faltar a Washington uma estratégia clara no conflito. Um dia depois, Trump respondeu que o alemão "não tem ideia do que está falando". "Merz acha ok o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!", disse em um post na rede Truth Social. Logo depois, veio o anúncio de redução de tropas baseada na Alemanha. Como parte da decisão, um plano da era Joe Biden para enviar um batalhão americano com mísseis Tomahawk de longo alcance para a Alemanha também foi abandonado. Não é a primeira vez que Trump faz movimentos para reduzir a quantidade de tropas dos EUA na Alemanha. Em 2020, o republicano chegou a anunciar um plano ainda mais drástico de redução, mas a iniciativa foi abandonada após a derrota de Trump para Joe Biden no mesmo ano. Presença militar dos EUA na AlemanhaSegundo o Pentágono entre 34 mil e 36 mil soldados ocupam atualmente em caráter permanente as bases americanas em solo alemão. Se incluídas as unidades militares em rotação, o número pode chegar temporariamente a 50 mil. Além do contingente militar, cerca de 15 mil civis americanos trabalham para o Departamento de Defesa dos EUA na Alemanha. A República Federal da Alemanha tem sido parte vital da estratégia de defesa dos Estados Unidos na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial: durante dez anos as forças americanas integraram a ocupação dos Aliados no país. Embora o contingente tenha diminuído drasticamente desde então, nas décadas seguintes comunidades militares americanas se formaram em torno de diversas cidades, e os militares dos EUA ainda são uma presença importante no país. A importância estratégica da Alemanha para os EUA se reflete na localização do quartel-general do Comando Europeu dos EUA (Eucom) na cidade de Stuttgart, no sudoeste do país, que serve como estrutura de coordenação partes todas as forças militares americanas em 51 países, principalmente europeus. A missão da Eucom é proteger e defender os EUA, impedindo conflitos, apoiando parcerias como a Otan e combatendo ameaças transnacionais. Sob seu comando estão o Exército, as Forças Aéreas e o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA na Europa, todos com unidades na Alemanha. A Alemanha abriga a maior parte das tropas americanas na Europa. Só no Japão os EUA mantêm mais pessoal militar. No entanto os números na Alemanha vêm caindo nos últimos anos: dados do governo alemão mostram que desde 2006 o número de militares dos EUA baseados na Alemanha diminuiu em mais da metade, sendo que há 20 anos a cifra chegava a 72.400. Fuzileiros navais, soldados e aviadoresA Alemanha abriga cinco guarnições do Exército americano e o quartel-general do Exército dos EUA na Europa está sediado na guarnição de Wiesbaden, próximo a Frankfurt, no centro-oeste do país. Dados fornecidos pelas Forças Armadas dos EUA mostram que essas cinco guarnições, cada uma englobando várias bases em locais diferentes, compreendem atualmente cerca de 23 mil militares. Esse número inclui as Forças de Fuzileiros Navais da Europa e da África, com sede em Böblingen, sudoeste da Alemanha, como parte da Guarnição do Exército dos EUA em Stuttgart. Além disso, há cerca de 13 mil membros da Força Aérea dos EUA espalhados por vários locais na Alemanha, incluindo as duas bases aéreas americanas em Ramstein e Spangdahlem. Mais do que apenas soldadosComo as instalações militares dos EUA também empregam civis e militares por vezes podem levar suas famílias para o exterior, consideráveis comunidades de civis se formam em torno dessas instalações. Na verdade, algumas bases americanas na Alemanha, como a de Ramstein, são pequenas cidades autônomas, englobando não só quartéis, aeroportos, áreas para exercícios militares e depósitos de materiais, mas também seus próprios shoppings, escolas, serviços postais e força policial americanos. Em certos casos, a única moeda corrente é o dólar americano. Atualmente, a guarnição do Exército dos EUA na Baviera, com quartel-general em Grafenwöhr, perto da fronteira com a República Tcheca, é a maior base do Exército americano no exterior, tanto em número de militares quanto em superfície, espalhando-se por mais de 390 quilômetros quadrados. As bases também costumam empregar um número significativo de residentes e servem de impulso econômico às comunidades alemãs adjacentes, cujas empresas fornecem bens e serviços. O fechamento de instalações anteriores, como a guarnição do Exército em Bamberg em 2014, afetou a economia local, e muitos alemães que vivem perto de instalações militares americanas manifestam oposição a possíveis reduções de tropas. Porém a extensão da presença militar dos EUA na Alemanha não se limita ao pessoal: o país também mantém aviões em outras bases aéreas não americanas em solo alemão. Além disso, calcula-se que 20 ogivas nucleares sejam mantidas na Base Aérea de Büchel, no âmbito do Acordo de Compartilhamento Nuclear da Otan, fato que suscitou muitas críticas por parte dos alemães. A importância de RamsteinA Base Aérea de Ramstein, no estado alemão da Renânia-Palatinado, é a maior base militar americana fora do país. Ela serve como um centro logístico para tropas, equipamentos e cargas a caminho do Oriente Médio, África e Europa Oriental. Ramstein também é o quartel-general da Força Aérea dos EUA na Europa e serve como centro de comando da Otan para vigilância do espaço aéreo militar de todos os parceiros europeus. A base aérea também abriga uma estação de retransmissão de satélites, de grande importância para o destacamento de drones de combate americanos, por exemplo, no Oriente Médio. Como a curvatura da Terra não permite o controle direto de drones a partir dos EUA, os sinais são retransmitidos por satélite via Ramstein. A base também funciona como um centro médico, já que soldados feridos da Europa, África ou Oriente Médio são transportados de avião para Ramstein e tratados no Centro Médico Regional de Landstuhl, adjacente à base, o maior hospital militar americano fora dos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o hospital recebeu soldados americanos feridos em ataques do Irã a países do Golfo. Ambas as instalações fazem parte da Comunidade Militar de Kaiserslautern, que abrange dezenas de milhares de soldados americanos, funcionários civis e seus familiares. Spangdahlem, por sua vez, é a segunda maior base da Força Aérea dos EUA em solo alemão, fica a cerca de 120 quilômetros mais a noroeste. Ao contrário de Ramstein, Spangdahlem serve principalmente para missões operacionais de combate. Um esquadrão de caças composto por cerca de 20 jatos F-16 está estacionado na base, funcionando como uma força de reação rápida em tempos de crise. O esquadrão ajuda a proteger o flanco leste da Otan e é especializado em eliminar as defesas aéreas inimigas. Ocupação aliada do pós-guerra e seu legadoA presença militar dos EUA na Alemanha é um legado da ocupação aliada pós-Segunda Guerra Mundial, que durou de 1945 a 1955. Durante esse período, milhões de militares americanos, britânicos, franceses e soviéticos estiveram estacionados na Alemanha. A parte nordeste do país ficou sob controle soviético, tornando-se oficialmente a República Democrática Alemã (RDA) em outubro de 1949. Na parte ocidental, a ocupação foi regulamentada pelo Estatuto da Ocupação, assinado em abril de 1949, quando foi fundada a República Federal da Alemanha. O estatuto permitiu que França, Reino Unido e EUA mantivessem forças de ocupação no país e o controle completo sobre o desarmamento e desmilitarização da antiga Alemanha Ocidental. Quando a ocupação militar da República Federal da Alemanha (RFA) terminou oficialmente, o país recuperou o controle de sua própria política de defesa. No entanto, o Estatuto de Ocupação foi sucedido por outro acordo com seus parceiros na Otan. O pacto – conhecido como Convenção sobre a Presença de Forças Estrangeiras na República Federal da Alemanha e assinado pelos alemães em 1954 – permitiu que oito países-membros da Otan, incluindo os EUA, mantivessem presença militar permanente na Alemanha. O tratado ainda regula os termos e condições das forças da Otan estacionadas hoje na RFA. O número de militares americanos na Alemanha vem diminuindo desde o fim da Guerra Fria, em 1990, quando, segundo Berlim, havia cerca de 400 mil soldados estrangeiros baseados no país. Cerca de metade deles eram americanos, mas foram gradualmente retirados à medida que diminuíam as tensões com os Estados sucessores da União Soviética, e conflitos em outros lugares, como a guerra do Iraque, requeriam mais militares dos EUA. Qual a importância das bases militares americanas para a economia alemã?As bases americanas são um fator econômico importante para a Alemanha. Muitas delas estão localizadas em regiões rurais do país, onde as forças armadas americanas atuam como o maior investidor e empregador. Mais de 10 mil alemães trabalham diretamente para as forças armadas americanas, enquanto estima-se que 70.000 empregos na Alemanha estejam indiretamente ligados a empresas que prestam serviços às Forças Armadas americanas, por exemplo, no setor da construção civil ou na indústria de serviços. Além disso, os soldados americanos baseados na Alemanha e suas famílias gastam grande parte de seus salários em lojas e empresas alemãs. A comunidade militar, por si só, contribui com até 3,5 bilhões de euros (US$ 4,1 bilhões) anualmente para as economias regionais. |
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| Short teaser | EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha. Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número. | ||
| Author | Ben Knight , Thomas Latschan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-presença-militar-dos-eua-na-alemanha-na-mira-de-trump/a-53832364?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 45 | |||
| Id | 76191308 | ||
| Date | 2026-03-03 | ||
| Title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Short title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Teaser |
Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos do tratado de livre-comércio caracterizam de maneira equivocada o setor agrícola europeu e a indústria brasileira.O embaixador do Brasil na Alemanha rechaçou as críticas de setores políticos europeus ainda resistentes ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Brasil. Segundo Rodrigo de Lima Baena Soares, a caracterização do tratado como uma "troca de carros por vacas" é um "desserviço" que não faz jus nem ao setor agrícola europeu nem à indústria brasileira.
"É preciso parar com a ideia de que esse acordo é uma troca de 'carros por vacas', uma expressão que circula tanto no discurso brasileiro quanto no europeu. Isso é uma caricatura e presta um desserviço. Isso caracteriza de maneira equivocada tanto a economia da Europa quanto a brasileira", disse Baena Soares, citando uma expressão crítica que virou um slogan de opositores do acordo, sobretudo na Europa.
"Pelo lado europeu, essa narrativa apresenta o agricultor do continente como vítima de uma ameaça existencial por parte dos agricultores sul-americanos. Só que a União Europeia é o maior exportador mundial de alimentos. E os agricultores europeus produzem alguns dos bens mais valorizados e sofisticados do mundo. Está longe de ser uma indústria frágil", disse Baena Soares, que assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado.
"E do lado brasileiro, há também um certo desajuste como o acordo é visto, de que seria apenas fornecimento de matérias-primas, quando a realidade é outra. A indústria brasileira exportou 181 bilhões de dólares em 2024. [O acordo] é uma oportunidade para a indústria, e não uma concessão. Com o acordo, as tarifas para a importação de máquinas cairão de 11,6% para menos de 1% até 2040", acrescentou.
Baena Soares fez as declarações na segunda-feira (02/02) durante o evento "Diálogos Internacionais Brasil-Alemanha", que ocorre nesta semana na Universidade de Frankfurt, no oeste alemão, e que é promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais).
Mensagem clara ao mundo
O diplomata também classificou como "excelente notícia" que a Comissão Europeia tenha anunciado no fim de fevereiro que pretende implementar o acordo de forma provisória, enquanto seguir pendente um pedido de parecer apresentado pelo Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), um processo que pode se arrastar por até dois anos. "Estou otimista que a Corte de Justiça da UE reconhecerá o acordo."
Baena Soares também disse o acordo é um "sinal inequívoco" do comprometimento do Brasil "com o multilateralismo". "O acordo é uma mensagem clara ao mundo que ainda há espaço para multilateralismo, apesar de todas tensões geopolíticas e o crescente protecionismo de alguns países".
"Mostra que divergências podem ser superadas por meio da negociação e do compromisso, um aspecto que anda difícil como atestam os últimos acontecimentos. Nós também não podemos subestimar o impacto político que esse acordo terá. Nosso diálogo político com a UE já é bom e vai ser ainda mais facilitado e fortalecido. Vamos lembrar que todos os países da UE e do Mercosul são países democráticos", disse.
"Esse acordo não é o destino, é a infraestrutura de uma jornada cujas dimensões plenas ainda vão ser mapeadas."
Negociado ao longo de duas décadas, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e EU foi finalmente assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai. Nas semanas seguintes, o Uruguai e a Argentina se tornaram os primeiros países a ratificar o tratado.
Já na Europa ainda não há consenso pleno. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu judicializar a questão, pedindo para que o Tribunal de Justiça da UE julgue a legalidade do tratado. Para evitar que a questão se arraste nos tribunais, a Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) anunciou que vai implementar o acordo de forma provisória.
Dentro do bloco europeu, o acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, mas ainda sofre resistência sobretudo da França, o principal produtor agrícola da UE.
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| Short teaser | Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos caracterizam o tratado de livre-comércio de maneira equivocada. | ||
| Author | Jean-Philip Struck (enviado a Frankfurt) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/acordo-mercosul-ue-não-é-uma-troca-de-carros-por-vacas/a-76191308?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado | ||
| Image source | Maksim Konstantinov/Russian Look/picture alliance | ||
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| Item 46 | |||
| Id | 75011709 | ||
| Date | 2025-12-04 | ||
| Title | Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal | ||
| Short title | Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal | ||
| Teaser |
Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono.
A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente.
O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro.
Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada.
Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes.
O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira.
Trump mantém apoio a Hegseth
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira.
Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado.
Hegseth debateu ataques no Iêmen
O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz.
O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais.
O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen.
O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar.
Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque.
A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada.
Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas.
as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)
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| Short teaser | Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/investigação-conclui-que-chefe-do-pentágono-pôs-soldados-em-risco-ao-usar-signal/a-75011709?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe | ||
| Image source | Ricardo Hernandez/AP Photo/dpa/picture alliance | ||
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| Item 47 | |||
| Id | 63791517 | ||
| Date | 2025-09-10 | ||
| Title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Short title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Teaser |
Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança.
Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade.
O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir.
Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes.
Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°?
Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança.
Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas.
Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão.
O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°.
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| Short teaser | Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. | ||
| Author | Bernd Riegert | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quais-as-diferenças-entre-os-artigos-4°-e-5°-da-otan/a-63791517?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado | ||
| Image source | Christoph Hardt/Panama/picture alliance | ||
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| Item 48 | |||
| Id | 72986020 | ||
| Date | 2025-06-21 | ||
| Title | Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Short title | Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Teaser |
Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã. O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam. Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados." Condições deterioram para afegãos no IrãO Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã. Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar. As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã. Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários." Sem opção de retornoAtualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família. "Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi." Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria." Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar. "Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos." Traficantes de pessoas exploram medosRedes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras. Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas. O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas." Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia." |
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| Short teaser | Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação. | ||
| Author | Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 49 | |||
| Id | 57531509 | ||
| Date | 2025-06-13 | ||
| Title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Short title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Teaser |
Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas. A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país. Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital. Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen. Sistema de três elementosA defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance. Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia. Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo. O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos. Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio. 90% de êxito, mas com custos altosO "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país. De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011. Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas. Nova arma a laser "Iron Beam"Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam". O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones. A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022. As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos. Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025. |
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| Short teaser | Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. | ||
| Author | Uta Steinwehr | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Como%20funciona%20o%20Domo%20de%20Ferro%2C%20sistema%20antim%C3%ADsseis%20de%20Israel | ||
| Item 50 | |||
| Id | 64814042 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Short title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Teaser |
UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção.
Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março.
Lei antioligarca
De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda.
Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias.
Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado.
Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos
A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares.
Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas.
Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares.
Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo
A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país.
Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros.
A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões.
Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares.
Não existem mais oligarcas ucranianos?
Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política.
Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los".
De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE.
Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra.
"Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos.
Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas.
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| Short teaser | UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas. | ||
| Author | Eugen Theise | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/qual-ainda-é-o-real-poder-dos-oligarcas-ucranianos/a-64814042?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia | ||
| Image source | Daniel Naupold/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/61090061_354.jpg&title=Qual%20ainda%20%C3%A9%20o%20real%20poder%20dos%20oligarcas%20ucranianos%3F | ||
| Item 51 | |||
| Id | 64820664 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Short title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Teaser |
De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. Prefeito de Istambul diz ser necessário até 40 bilhões de dólares para se preparar para possível novo grande tremor.Duas semanas e meia após o terremoto de 7,8 de magnitude na área de fronteira turco-síria, o número de mortos aumentou para mais de 50 mil, informaram as autoridades dos dois países nesta sexta-feira (24/02).
A Turquia registrou 44.218 mortes, de acordo com a agência de desastres turca Afad, e a Síria reportou ao menos 5,9 mil mortes. Nos últimos dias, não houve relatos de resgate de sobreviventes.
Tremores secundários continuam a abalar a região. Neste sábado (25/02), um tremor de magnitude 5,5 atingiu o centro da Turquia, informou o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a uma profundidade de 10 quilômetros.
O observatório sísmico de Kandilli disse que o epicentro foi localizado no distrito de Bor, na província de Nigde, que fica a cerca de 350 quilômetros a oeste da região atingida pelo grande tremor de 6 de fevereiro.
Graves incidentes e vítimas não foram reportados após o tremor deste sábado.
Segundo a Turquia, nas últimas três semanas, foram mais de 9,5 mil tremores secundários e a terra chegou a tremer, em média, a cada quatro minutos.
De acordo com o governo turco, 20 milhões de pessoas no país são afetadas pelos efeitos do terremoto. As Nações Unidas estimam que na Síria sejam 8,8 milhões de pessoas afetadas.
Turquia começa reconstrução
As autoridades turcas começaram a construir os primeiros alojamentos para os desabrigados. O trabalho de escavação de terra está em andamento nas cidades de Nurdagi e Islahiye, na província de Gaziantep, escreveu no Twitter o ministro do Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Mudança Climática, Murat Kurum. Inicialmente, estão previstos 855 apartamentos.
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometeu a reconstrução em um ano. Críticos alertam que erguer prédios tão rapidamente pode fazer com que a segurança sísmica dos edifícios seja negligenciada novamente. A oposição culpa o governo de Erdogan, que está no poder há 20 anos, pela extensão do desastre porque não cumpriu os regulamentos de construção.
Também neste sábado, o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, disse que pelo menos 184 pessoas foram detidas por suposta negligência em relação a prédios desabados após os terremotos. Entre eles, estão empreiteiros e o prefeito do distrito de Nurdagi, na província de Gaziantep.
Até agora, o Ministério do Planejamento Urbano inspecionou 1,3 milhão de edifícios, totalizando mais de meio milhão de residências e escritórios, e relatou que 173 mil propriedades ruíram ou estão tão seriamente danificadas que precisam ser demolidas imediatamente.
Ao todo, quase dois milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas, demolidas ou danificadas pelos tremores, e vivem atualmente em tendas, casas pré-fabricadas, hotéis, abrigos e diversas instituições públicas, detalhou um comunicado do Afad.
Cerca de 528 mil pessoas foram evacuadas das 11 províncias listadas como regiões afetadas, acrescentou o comunicado do serviço de emergência, enquanto 335 mil tendas foram montadas nessas áreas e 130 núcleos provisórios de casas pré-fabricadas estão sendo instalados.
Em março e abril começará a construção de 200 mil novas casas, prometeu o ministério turco. Estima-se que o terremoto de 6 de fevereiro tenha custado à Turquia cerca de 84 bilhões de dólares.
Na Síria, o noroeste é particularmente atingido pelos efeitos do tremor. Há poucas informações sobre o país devastado pela guerra. Diante de anos de bombardeios e combates, muitas pessoas ali já viviam em condições precárias antes dos tremores.
Istambul precisa de 40 bilhões de dólares
Enquanto isso, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, disse a cidade, que fica perto de uma grande falha geológica, precisa de um programa urgente de urbanização no valor de "cerca de 30 bilhões a 40 bilhões de dólares" para se preparar para um possível novo grande terremoto.
"A quantia é três vezes maior do que o orçamento anual da cidade de Istambul, mas precisamos estar prontos antes que seja tarde demais", disse Imamoglu a um conselho científico.
De acordo com um relatório de 2021 do observatório sísmico de Kandilli, um potencial terremoto de magnitude superior a 7,5 danificaria cerca de 500 mil edifícios, habitados por 6,2 milhões de pessoas, cerca de 40% da população da cidade, a mais populosa da Turquia.
Istambul fica ao lado da notória falha geológica do norte da Anatólia. Um grande terremoto em 1999 que atingiu a região de Mármara, incluindo Istambul, matou mais de 18 mil.
le (EFE, DPA, Reuters, ots)
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| Short teaser | De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. | ||
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| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia | ||
| Short title | UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia | ||
| Teaser |
Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra firmas iranianas que fornecem drones a Moscou. Mais de 100 indivíduos e entidades russas são afetados.A União Europeia prometeu aumentar a pressão sobre Moscou "até que a Ucrânia seja libertada", ao adotar neste sábado (25/02) um décimo pacote de sanções contra a Rússia, acordado pelos líderes do bloco no dia anterior, que marcou o primeiro aniversário da invasão da Ucrânia. O conjunto de medidas inclui veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra empresas iranianas que fornecem drones a Moscou.
"Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos – esgotando o arsenal de guerra da Rússia e mordendo profundamente sua economia", disse a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, através do Twitter, acrescentando que o bloco está aumentando a pressão sobre aqueles que tentam contornar as sanções da UE.
O chefe de política externa da UE, Josep Borrell, alertou que o bloco continuará a impor mais sanções contra Moscou. "Continuaremos a aumentar a pressão sobre a Rússia – e faremos isso pelo tempo que for necessário, até que a Ucrânia seja libertada da brutal agressão russa", disse ele em comunicado.
Restrições adicionais são impostas às importações de mercadorias que geram receitas significativas para a Rússia, como asfalto e borracha sintética.
Os Estados-membros da UE aprovaram as sanções na noite de sexta-feira, depois de uma agitada negociação, que foi travada temporariamente pela Polônia.
Acordo após mais de 24 horas de reuniões
As negociações entre os países da UE ficaram estagnadas durante a discussão sobre o tamanho das cotas de borracha sintética que os países poderão importar da Rússia, uma vez que a Polônia queria reduzi-las, mas finalmente houve o acordo, após mais de 24 horas de reuniões.
"Hoje, a UE aprovou o décimo pacote de sanções contra a Rússia" para "ajudar a Ucrânia a ganhar a guerra", anunciou a presidência sueca da UE, em sua conta oficial no Twitter.
O pacote negociado "inclui, por exemplo, restrições mais rigorosas à exportação de tecnologia e produtos de dupla utilização", medidas restritivas dirigidas contra indivíduos e entidades que apoiam a guerra, propagandeiam ou entregam drones usados pela Rússia na guerra, e medidas contra a desinformação russa", listou a presidência sueca.
Serão sancionados, concretamente, 47 componentes eletrônicos usados por sistemas bélicos russos, incluindo em drones, mísseis e helicópteros, de tal maneira que, levando em conta os nove pacotes anteriores, todos os produtos tecnológicos encontrados no campo de batalha terão sido proibidos, de acordo com Ursula von der Leyen.
O comércio desses produtos, que as evidências do campo de batalha sugerem que Moscou está usando para sua guerra, totaliza mais de 11 bilhões de euros (mais de R$ 60 bilhões), segundo autoridades da UE.
Sanções contra firmas iranianas
Também foram incluídas, pela primeira vez, sete empresas iranianas ligadas à Guarda Revolucionária que fabricam os drones que Teerã está enviando a Moscou para bombardear a Ucrânia.
As novas medidas abrangem mais de 100 indivíduos e empresas russas, incluindo responsáveis pela prática de crimes na Ucrânia, pela deportação de crianças ucranianas para a Rússia e oficiais das Forças Armadas russas.
Todos eles terão os bens e ativos congelados na UE e serão proibidos de entrar no território do bloco.
O décimo pacote novamente foca na necessidade de evitar que tanto a Rússia como os oligarcas contornem as sanções, tendo sido acordado considerar a utilização de bens do Banco Central russo congelados na UE para a reconstrução da Ucrânia.
No entanto, vários países têm dúvidas jurídicas sobre a possibilidade de utilizar esses recursos para a reconstrução e pedem o máximo consenso internacional.
md (EFE, Reuters, AFP)
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| Short teaser | Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e retaliações a empresas iranianas que fornecem drones a Moscou. | ||
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| Image source | Zhang Cheng/XinHua/dpa/picture alliance | ||
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