| Item 1 | |||
| Id | 76768706 | ||
| Date | 2026-04-13 | ||
| Title | Alexandre Ramagem é preso pelo ICE nos EUA | ||
| Short title | Alexandre Ramagem é preso pelo ICE nos EUA | ||
| Teaser |
Ex-chefe da Abin no governo Bolsonaro, condenado a 16 anos de prisão pela trama golpista, foi detido por questões migratórias. Autoridades ainda aguardam informações sobre seu retorno ao Brasil. O ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos Estados Unidos, informou nesta segunda-feira (13/04) a Polícia Federal (PF). Segundo a PF, ele foi preso em Orlando, na Flórida, por questões migratórias, e levado a um centro de detenção. O governo brasileiro ainda aguarda informações sobre como deverá ocorrer o retorno de Ramagem ao Brasil. O ex-diretor da Abin no governo de Jair Bolsonaro é considerado foragido da Justiça brasileira, depois de deixar o país e fugir para os EUA. Ele havia sido condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no processo da trama golpista. A PF suspeita que o ex-parlamentar teria deixado o Brasil de forma clandestina em setembro, no mesmo mês em que a 1ª Turma do STF julgou o núcleo central da trama golpista , do qual ele fazia parte. Segundo o portal de notícias G1, ele teria viajado de avião para Boa Vista, de onde teria partido em um carro em direção à fronteira, seguindo então para outro país não especificado, possivelmente a Venezuela ou a Guiana, em um carro alugado. Cooperação internacional Brasil-EUAO diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a prisão de Ramagem é "fruto da cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado", e que o ex-parlamentar é "um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular". Em janeiro deste ano, o Ministério da Justiça informou ao STF que encaminhou às autoridades americanas um pedido de extradição de Ramagem. A Embaixada do Brasil em Washington enviou a documentação ao Departamento de Estado dos EUA em 30 de dezembro de 2025. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a inclusão do nome do bolsonarista na lista da Interpol. Pessoas próximas a Ramagem afirmam que ele tinha intenção de pedir asilo político nos EUA. Trajetória políticaRamagem ingressou na Polícia Federal em 2005, mas ganhou notoriedade ao se tornar o chefe da equipe de segurança de Jair Bolsonaro após o atentado sofrido pelo então candidato à Presidência em 2018 em Juiz de Fora, durante a campanha eleitoral. Após ser eleito, Bolsonaro o indicou para a chefia da Abin. Ramagem acabaria sendo acusado de usar a agência para vigiar ilegalmente adversários políticos de Bolsonaro, na chamada "Abin paralela". Em 2020, Bolsonaro indicou Ramagem para ser diretor-geral da PF, mas Moraes impediu a nomeação em razão de sua proximidade com a família do presidente. Dois anos depois, ele se elegeu deputado federal pelo Partido Liberal (PL) do Rio de Janeiro, mas acabou tendo mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara em dezembro do ano passado, juntamente com Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente que também se encontra em solo americano. Em 2024, Ramagem disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2024, terminando a disputa em segundo lugar. rc (ots) |
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| Short teaser | Ex-chefe da Abin no governo Bolsonaro, condenado a 16 anos pela trama golpista, foi detido por questões migratórias. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alexandre-ramagem-é-preso-pelo-ice-nos-eua/a-76768706?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 2 | |||
| Id | 76767205 | ||
| Date | 2026-04-13 | ||
| Title | O remédio de ponta contra câncer que se tornou inacessível para muitos | ||
| Short title | Como um remédio de ponta contra câncer se tornou inacessível | ||
| Teaser |
Investigação revela que estratégia comercial da farmacêutica Merck para lucrar e assegurar patente do medicamento oncológico Keytruda vem dificultando o acesso de muitos pacientes ao tratamento.Aprovado para uso contra ao menos 19 tipos de câncer, o remédio conhecido comercialmente como Keytruda (pembrolizumabe), da farmacêutica americana Merck Sharp & Dohme (MSD), é vendido no Brasil por mais de R$20 mil. O alto valor da medicação faz com que muitas vezes ela seja inacessível para os que mais precisam não só em terras brasileiras, mas no mundo todo.
Desde o seu lançamento, em 2014, quando foi aprovado pela primeira vez pela Administração de Alimentos e Drogas (do inglês, Food and Drug Administration) (FDA) dos Estados Unidos, o remédio já prolongou a vida de milhões de pessoas, em alguns casos transformando diagnósticos anteriormente fatais em doenças controláveis. Mas nem todos os pacientes oncológicos podem contar com esse "luxo”.
Uma investigação internacional conjunta publicada nesta segunda-feira (13/04) apontou que a MSD tem se utilizado de uma combinação de estratégias legais e comerciais para determinar quem tem acesso à medicação. Ou seja, a empresa decide, através de sistemas de preços, proteções de patentes e marcos regulatórios quem terá uma chance – ou não – na luta contra o câncer.
O projeto batizado de Cancer Calculus é uma iniciativa do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), em parceira com 47 veículos jornalísticos, incluindo a DW Turquia, e investigou o que está por trás dos altos preços atrelados a um dos medicamentos mais importantes do mundo contra o câncer e que se tornou um ponto de ruptura na saúde global.
Campeão de vendas
O Keytruda pertence a uma classe de imunoterápicos que permitem ao sistema imunológico atacar as células cancerígenas e gerou, só em 2025, uma receita de vendas de 31,7 bilhões de dólares, o que é mais ou menos 1600 bilhões em reais. Isso corresponde a quase metade da receita total da MSD.
Se contado desde a sua aprovação, esse valor é ainda maior, chegando na casa dos 163 bilhões de dólares em receita global, com 60% das vendas vindo dos EUA.
Enquanto isso, a empresa distribuiu aproximadamente 75 bilhões de dólares em dividendos aos acionistas e realizou 43 bilhões de dólares em recompra de ações.
A cifra bilionária impressiona e posiciona o medicamento como um dos maiores sucessos financeiros na história da indústria farmacêutica. O sucesso de vendas, no entanto, não foi capaz de reduzir o preço do Keytruda.
Os custos do tratamento seguem exercendo pressão crescente sobre os sistemas de saúde em todo o mundo. As despesas anuais com tratamento variam de aproximadamente 80 mil dólares na Alemanha a 208 mil dólares nos EUA, de 93 mil dólares no Líbano a aproximadamente 130 mil dólares na Colômbia e de aproximadamente 65 mil dólares na África do Sul a 116 mil dólares na Croácia. Esses valores estão sobrecarregando os orçamentos públicos, inclusive em países ricos.
Nos últimos anos, o Keytruda contou com uma expansão global bastante acelerada. De acordo com dados fornecidos ao ICIJ pelo Instituto para Ciência de Dados Humanos (Institute for Human Data Science) (IQVIA), entre 2020 e 2024, as vendas aumentaram 265% no Brasil, chegando a 753,7 milhões de dólares. Na França, o aumento foi de 232%, atingindo 2,8 bilhões de dólares; no México, de 491%, alcançando 137,3 milhões de dólares; e na Turquia, de 584%, atingindo aproximadamente 100 milhões de dólares.
Com o aumento contínuo dos preços dos medicamentos nos EUA, o presidente Donald Trump se reuniu com executivos da indústria farmacêutica em dezembro passado e prometeu reduzir os custos. Embora as empresas tenham sinalizado possíveis reduções de preços, a MSD não se comprometeu publicamente com nenhum corte no preço da medicação.
Pesquisas no Reino Unido mostram que, em alguns casos, o Serviço Nacional de Saúde (NHS) paga um valor excessivo pelo Keytruda. Um estudo constatou que, para alguns pacientes com câncer de pulmão, o valor pago pelo medicamento chegou a ser cinco vezes maior do que seu custo-benefício.
Preços, patentes e poder
O projeto Cancer Calculus revelou que a MSD utilizou uma combinação de estratégias legais e comerciais para manter sua posição dominante.
Um dos aspectos mais importantes é o uso extensivo do sistema de patentes. Jornalistas identificaram pelo menos 1.212 pedidos de patente relacionados ao Keytruda em 53 jurisdições diferentes. Desses, 88 são no Brasil.
De acordo com a investigação, embora as principais patentes do medicamento devam expirar em 2028, as patentes de continuação podem estender o monopólio de mercado até pelo menos 2042. Isso poderia atrasar a entrada de alternativas mais baratas no mercado em mais de uma década.
O ICIJ também identificou pelo menos 337 pedidos de patente "pendentes". Se concedidos, esses pedidos poderiam ampliar ainda mais o domínio do medicamento.
Para especialistas do setor, a situação é vista como uma "fortaleza de patentes" criada para sufocar a concorrência. Tahir Amin, fundador da Iniciativa para Medicamentos, Acesso e Conhecimento (I-MAK), uma organização sem fins lucrativos que examina as desigualdades no desenvolvimento de medicamentos, caracterizou a estratégia da MSD como um "esquema multifacetado de abuso de patentes" para estender seu monopólio e manter preços elevados.
A companhia rejeita as críticas e afirma que suas aplicações refletem a inovação contínua, incluindo novos casos de uso, formulações e combinações.
A investigação também expôs processos regulatórios e esforços de lobby que ajudaram a expandir o uso do medicamento, bem como relações financeiras estabelecidas com médicos e grupos de pacientes. Somente nos EUA, os registros mostram que a MSD repassou aproximadamente 52 milhões de dólares a profissionais de saúde entre 2018 e 2024 em pagamentos relacionados ao Keytruda.
Um estudo realizado nos EUA para o Escritório Nacional de Pesquisa Econômica (National Bureau of Economic Research) constatou que a prescrição de medicamentos oncológicos administrados por médicos, como o Keytruda, aumentou 4% nos 12 meses seguintes ao recebimento de financiamento de uma empresa farmacêutica por um profissional de saúde.
Quanto a isso, a MSD afirma que essas colaborações ajudam a informar a comunidade médica e melhorar o atendimento ao paciente, e que qualquer apoio fornecido às organizações de pacientes é independente das decisões de prescrição.
Um outro ponto controverso diz respeito à dimensão dos custos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) do Keytruda. Em seu depoimento perante o Congresso em 2024, o CEO da MSD, Robert M. Davis, afirmou que a empresa investiu 46 bilhões de dólares entre 2011 e 2023 na pesquisa, desenvolvimento e produção do medicamento. Davis citou mais de 2.200 ensaios clínicos e indicou planos para investir outros 18 bilhões de dólares em estudos futuros.
No entanto, uma análise da ONG suíça Public Eye estima o custo de pesquisa e desenvolvimento do medicamento em aproximadamente 1,9 bilhão de dólares - 44 bilhões de dólares a menos do que o informado. Esse custo representa cerca de 1% da receita global gerada desde o lançamento do medicamento. Mesmo incluindo os custos dos ensaios clínicos malsucedidos, essa estimativa sobe para apenas 4,8 bilhões de dólares, ou cerca de 3% da receita total.
Preços exorbitantes, falta de transparência
Os preços de tabela do Keytruda variam bastante. Na Indonésia, um frasco do medicamento (100 mg) custa aproximadamente 850 dólares, enquanto nos EUA esse valor ultrapassa os 6 mil dólares. Essa diferença é resultado de um sistema de preços pouco transparente, caracterizado por descontos ocultos e negociações.
Mesmo onde os preços parecem mais baixos, a acessibilidade costuma ser pior. Nos EUA, um paciente com renda média pode pagar menos de cinco doses por ano. Em contraste, na África do Sul, uma pessoa com renda mediana não consegue pagar nem mesmo uma única dose (200 mg) por ano. Isso revela que as disparidades de renda, e não apenas o preço, são fatores determinantes para o acesso.
Segundo a análise do ICIJ, baseada em parte em dados do Instituto Nacional de Saúde Pública da Áustria, pessoas com renda média nos EUA têm menos condições de comprar Keytruda do que aquelas em alguns países da Europa Ocidental, como França e Bélgica. O medicamento é ainda menos acessível em países de baixa renda da Europa Oriental, como Bulgária e Hungria.
Na Índia, o acesso depende em grande parte de pagamentos diretos ou de programas de apoio limitados. Os custos do tratamento podem exceder a renda anual de um paciente, restringindo o acesso a uma pequena parcela da população.
O estudo também revelou casos em que a oferta limitada obrigou os médicos a tomar decisões entre a vida e a morte. Um oncologista na Guatemala disse que teve de escolher quais pacientes receberiam tratamento e que se sentia como se estivesse "brincando de Deus".
Desde o lançamento do Keytruda em 2014, o ICIJ identificou pelo menos 632 casos em 51 países em que pacientes tentaram arrecadar dinheiro para o tratamento por meio do GoFundMe e outras plataformas de financiamento coletivo. Em alguns casos, os pacientes recorreram ao mercado ilegal, arriscando-se a adquirir medicamentos falsificados. Outros entraram com ações judiciais contra governos. Alguns morreram antes que seus casos fossem resolvidos.
Uma característica comum se destaca em todos os países: o sigilo. Em alguns países, as autoridades se recusam a divulgar os gastos públicos ou o número de pacientes relacionados ao Keytruda, frequentemente alegando "segredos comerciais". Isso dificulta a comparação de preços e a avaliação da equidade dos sistemas de saúde.
Keytruda no Brasil
O alto custo dos medicamentos contra o câncer levou a um aumento repentino de processos judiciais no Brasil. Nos últimos anos, milhares de ações judiciais foram movidas por pacientes que buscam acesso ao tratamento por meio de ordens judiciais.
De acordo com o Poder 360, veículo brasileiro que participou da apuração, o Keytruda corresponde ao medicamento com mais judicializações em território nacional, com 6,7 mil ações em instâncias estaduais e federais e 4,6 mil pareces técnicos emitidos pelo Judiciário.
Essa também é a tendência em toda a América Latina, onde sistemas jurídicos se tornaram um caminho crucial para o acesso ao tratamento.
No Brasil, porém, pode ser que essa realidade mude em breve. No final de março deste ano, o governo brasileiro anunciou uma parceria estratégica para a produção do pembrolizumabe pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A ação prevê a transferência de tecnologia da MSD para o Instituto Butantan, fomentando a produção nacional do medicamento, o que deve permitir a ampliação da quantidade de tipos de câncer atendidos pelo tratamento na rede pública de saúde. Atualmente, o Keytruda só é receitado no tratamento de melanoma. No futuro, o medicamento pode vir a ser utilizado, também, contra os cânceres de mama, pulmão, esôfago e colo do útero.
Além disso, a produção própria deve reduzir o custo do produto no mercado nacional, tornando-o mais acessível para tratamentos oncológicos.
Debates sobre dosagem e aumento de custos
A investigação internacional também levantou questões sobre como o medicamento é prescrito. Alguns pesquisadores argumentam que o Keytruda é frequentemente administrado em doses maiores do que o necessário.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a simples mudança para a dosagem baseada no peso para pacientes com câncer de pulmão poderia gerar uma economia de aproximadamente 5 bilhões de dólares em todo o mundo ao longo de 15 anos.
Em muitos países, os hospitais já começaram a testar doses mais baixas, com os resultados iniciais apontando para níveis de eficácia semelhantes, como em Singapura, Malásia e Taiwan. Alguns países, incluindo Holanda, Canadá e Israel, começaram a adotar um sistema em que a dose é determinada de acordo com o peso do paciente e obtiveram resultados promissores.
A MSD, no entanto, argumenta que suas recomendações de dosagem são baseadas em evidências clínicas abrangentes e aprovações regulatórias.
MSD: Os preços refletem o valor
Ao ser contata pelo ICIJ, a MSD defendeu sua estratégia de preços, afirmando que o preço do Keytruda "reflete seu valor para pacientes e sistemas de saúde".
A empresa também afirmou que o acesso a medicamentos é uma questão "multifacetada", dependendo não apenas do preço, mas também de muitos outros fatores, como sistemas de saúde, políticas de reembolso e infraestrutura.
A MSD confirmou que aplica preços variados em diferentes mercados e mantém programas de apoio ao paciente. A farmacêutica também observou que participa ativamente de programas para aumentar o acesso a medicamentos em países de baixa e média renda. Nos EUA, a empresa relatou ter fornecido 1,7 bilhão de dólares em medicamentos gratuitos e oferecido aproximadamente 125 milhões de dólares em apoio a copagamento, ou coparticipação, em 2024.
A companhia também enfatizou que fatores sistêmicos mais amplos, como seguradoras e intermediários, estão entre as principais causas dos altos custos, particularmente nos EUA.
Embora a empresa não divulgue publicamente como calcula os custos de P&D para medicamentos individuais, ela afirma que os preços refletem investimentos e riscos de longo prazo em todo o seu portfólio.
A MSD também declarou que reconhece as crescentes "pressões políticas e comerciais" em relação a preços e acesso, principalmente em mercados em desenvolvimento, e que está trabalhando para tornar a assistência médica mais "acessível, eficiente, equitativa e sustentável".
Sistema global sob pressão
O estudo revela que as práticas da MSD não são exclusivas, mas refletem uma dinâmica mais ampla da indústria farmacêutica, onde a proteção de patentes, as estratégias de preços e os marcos regulatórios frequentemente favorecem os fabricantes.
As consequências, no entanto, são sentidas pelos pacientes. O acesso a tratamentos que prolongam a vida muitas vezes depende não apenas de necessidades médicas, mas também da localização geográfica, da renda e da capacidade de lidar com sistemas jurídicos e financeiros complexos.
Segundo Nasır Nesanır, chefe do Departamento de Saúde Pública da Associação Médica Turca, em entrevista à DW Turquia, essas desigualdades apontam para problemas estruturais mais profundos.
Ao chamar a atenção para as regulamentações de patentes e as estratégias globais de preços de medicamentos, Nesanır enfatizou que, embora o progresso científico seja teoricamente "para o benefício da humanidade", na prática, o poder de compra e a capacidade orçamentária nacional tornaram-se os fatores determinantes.
"Portanto, a questão não é simplesmente um debate sobre preços. Trata-se de saber se o progresso no tratamento do câncer deve ser um direito universal ou um privilégio dependente do mercado", disse Nesanır, acrescentando: "A inovação médica deve ser vista como um ganho comum para a humanidade ou deve permanecer um ativo comercial sob proteção de patentes que aprofunda a desigualdade global? Essa é a verdadeira questão."
O resultado é uma profunda divisão global. Por um lado, o medicamento representa sobrevivência. Por outro, ainda é inacessível para muitos.
Sobre o projeto Cancer Calculus
O projeto, coordenado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) em conjunto com a DW Turquia e outros 46 parceiros de mídia, reuniu 124 jornalistas de 37 países. Representando o Brasil, participaram dois jornalistas do Poder 360.
Com base em centenas de entrevistas com oncologistas, pacientes e seus familiares, advogados, reguladores, farmacêuticos, profissionais da indústria farmacêutica e outros, bem como dados exclusivos de preços e análises de patentes, a iniciativa examinou como o medicamento oncológico Keytruda se tornou tanto um marco médico quanto um símbolo de acesso desigual.
Os parceiros de mídia do ICIJ também obtiveram registros de saúde pública, atas de reuniões e dados sobre preços e reembolsos por meio de pelo menos 1.018 pedidos de acesso à informação em 27 países.
Parceiros como The Indian Express, De Tijd, El País, La Nación e DW Turquia documentaram como a eficácia dos medicamentos contra o câncer varia drasticamente entre as regiões. Inúmeros exemplos foram examinados, desde hospitais obrigados a compartilhar tratamentos até pacientes que recorrem a tribunais ou campanhas de arrecadação de fundos para sobreviver.
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| Short teaser | Investigação revela como a estratégia comercial da indústria dificulta o acesso de pacientes ao tratamento de câncer. | ||
| Author | Adriana Figueiredo, Pelin Ünker | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-remédio-de-ponta-contra-câncer-que-se-tornou-inacessível-para-muitos/a-76767205?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | O Keytruda é resposável por quase metade da receita da Merck Sharp & Dohme (MSD) atualmente. | ||
| Image source | Nikos Pekiaridis/NurPhoto/picture alliance | ||
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| Item 3 | |||
| Id | 76767560 | ||
| Date | 2026-04-13 | ||
| Title | IA no mercado imobiliário: oportunidade ou ameaça? | ||
| Short title | IA no mercado imobiliário: oportunidade ou ameaça? | ||
| Teaser |
Após o e-commerce e o trabalho remoto, a IA surge como mais um desafio sobre o setor, pressionando modelos de negócio baseados em consultoria e intermediação. Mas "fator humano" continuará central, segundo especialistas. O setor imobiliário comercial vem enfrentando transformações há anos: primeiro, o avanço do comércio eletrônico, que afetou pontos de varejo; depois, a expansão do trabalho remoto, que enfraqueceu a demanda por escritórios. Agora, encara o que pode ser seu maior abalo até o momento: a inteligência artificial (IA). À primeira vista, pode parecer um setor a salvo da disrupção tecnológica. O que poderia ser mais "real" do que tijolos e cimento? No entanto, para as grandes empresas de serviços imobiliários, torna-se cada vez mais difícil justificar diante de seus clientes por que precisam de tantos profissionais humanos – sejam agentes que negociam contratos de aluguel ou gestores que orientam decisões de investimento – para realizar um trabalho que a IA promete fazer de forma mais rápida e barata. No mês passado, as ações de várias dessas empresas despencaram em uma onda de vendas impulsionada pelo temor de que a IA arrase os chamados setores do conhecimento. Empresas globais como CBRE, Jones Lang LaSalle e Cushman & Wakefield perderam bilhões em valor de mercado em apenas dois dias, em meados de fevereiro, e suas cotações não se recuperaram desde então. Segundo Joe Dickstein, analista de ações da Jefferies, o pânico não se deve ao medo de que os imóveis percam valor porque a IA reduza a demanda por escritórios, mas a algo mais direto: que os próprios consultores e intermediários imobiliários sejam substituídos por modelos de IA. "O temor é que esses negócios intermediários, intensivos em mão de obra, estejam fadados à disrupção", disse Dickstein à DW. "Pode haver um impacto secundário se os trabalhadores de escritório forem afetados, mas a principal preocupação é a viabilidade dos negócios de consultoria". Investir de forma mais inteligente?Durante sua passagem pela Universidade Harvard, em 2019, Francis Huang, inspirado por um artigo de pesquisa que escreveu sobre sistemas autônomos de análise de capital de risco, passou a pensar em como desenvolver um modelo de IA capaz de tomar decisões de investimento melhores do que as humanas. "A pergunta era: como podemos usar a tecnologia para aumentar a eficiência; ou, em outras palavras, reduzir as comissões?", explicou à DW. Junto com Simon Mendelsohn, transformou essa intuição acadêmica na Apers AI, uma empresa que aplica IA às decisões de investimento no setor imobiliário institucional e comercial. O problema que busca resolver é de escala: um grande investidor que quer fechar 100 bons negócios precisa analisar até 10 mil opções antes de decidir. Essa tarefa era responsabilidade de agentes e gestores; agora, segundo Huang, a IA resolve isso em uma fração do tempo antes necessário. "O que vemos hoje é que a IA está automatizando mais de 90% dessas decisões", afirmou. "É, em essência, o seu comitê de investimentos". Uma oportunidade, e não uma ameaçaEspecialistas avaliam que seria simplista demais imaginar que a IA substituirá os atuais prestadores de serviços imobiliários. "Os dados sugerem que o setor está enxergando isso principalmente como uma oportunidade, embora a ameaça seja real para quem se move devagar demais", disse à DW Yuehan Wang, diretora global de pesquisa em tecnologias imobiliárias da Jones Lang LaSalle. Para Wang, o risco não vem da IA em si, mas de não adotá-la a tempo. "Os investidores não estão tratando a IA como uma necessidade defensiva, mas como uma arma competitiva", afirmou, citando aplicações como análise de tendências de mercado, modelagem de riscos e avaliação automatizada de ativos. Mas o impacto da IA no setor vai além das decisões de investimento. Por um lado, a demanda explosiva por poder de processamento impulsionou a construção de centros de dados, criando uma nova categoria de imóvel comercial. Por outro, as próprias empresas de IA tornaram-se inquilinas vorazes: representaram cerca de 20% dos aluguéis de escritórios nos Estados Unidos no primeiro semestre de 2025, o dobro do registrado em 2022, revertendo as tendências de desocupação em cidades como Nova York e San Francisco. Wang descreve isso como "uma força contrária visível e quantificável" frente a fenômenos como o trabalho remoto. Fator humano continua centralPara Huang, a ascensão da IA nos serviços imobiliários não implica uma "substituição" dos modelos existentes, mas uma "melhoria" que simplesmente aloca o capital de forma mais eficiente. E ele descarta que a automação leve inevitavelmente a menos empregos, menos escritórios e menor demanda imobiliária. "O valor dos imóveis vem do melhor e mais alto uso do solo", afirmou, acrescentando que, à medida que as necessidades mudam, a demanda se adapta. Como exemplo, citou Kendall Square, em Cambridge, Massachusetts, um antigo distrito industrial que hoje abriga instalações do MIT e dezenas de empresas farmacêuticas e de biotecnologia. Wang, por sua vez, alerta que estamos apenas no início do ciclo de transformação. Somente após um período de redesenho de fluxos de trabalho e disrupção de modelos de negócio ficará claro o alcance da "mudança de paradigma" que se aproxima, afirma. Ainda assim, cresce o consenso de que, seja qual for essa mudança, o fator humano continuará sendo central no setor. "O pânico não se justifica", concluiu Dickstein. "Essas empresas possuem dados próprios aos quais nenhum concorrente de IA que entre no mercado tem acesso. Trata-se de um negócio profundamente interpessoal, e não esperamos que isso mude de forma significativa na era da IA". |
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| Short teaser | Após o e-commerce e o trabalho remoto, a IA surge como mais um desafio sobre o setor, | ||
| Author | Arthur Sullivan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ia-no-mercado-imobiliário-oportunidade-ou-ameaça/a-76767560?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=IA%20no%20mercado%20imobili%C3%A1rio%3A%20oportunidade%20ou%20amea%C3%A7a%3F | ||
| Item 4 | |||
| Id | 76767473 | ||
| Date | 2026-04-13 | ||
| Title | Lufthansa cancela voos na Alemanha em meio à 4ª greve do ano | ||
| Short title | Lufthansa cancela voos na Alemanha em meio à 4ª greve do ano | ||
| Teaser |
Paralisação de pilotos começou nesta segunda e está prevista para durar 48 horas, afetando voos de curta e longa distância. Empresa e categoria não conseguem chegar a acordo sobre planos de pensão.Os pilotos da companhia aérea alemã Lufthansa iniciaram nesta segunda-feira (13/04) mais uma greve. E a quarta paralisação a atingir o grupo neste ano. Operações da Lufthansa Cargo e das subsidiárias Eurowings e CityLine também são afetadas pela greve, prevista para durar 48 horas.
O sindicato dos pilotos Vereinigung Cockpit (VC), que convocou a paralisação, informou que mais de 700 voos foram cancelados apenas nesta segunda.
Cerca de dois terços dos voos de curta distância e metade dos voos de longa distância dessas empresas devem sofrer com a paralisação nos dois dias, segundo afirmou um porta-voz da Lufthansa à agência de notícias AFP. No caso da Eurowings, a greve vai durar 24 horas e cancelar 40% dos voos.
Os terminais de Frankfurt e Munique serão os mais afetados. Por ora, os sites dos dois aeroportos indicam cancelamento do voo LH 500, que partiria nesta segunda de Frankfurt para o Rio de Janeiro às 22h15. O mesmo voo da terça-feira (14/03) foi postergado para as 8h de quarta (15/03).
O voo LH 501, do Rio de Janeiro para Frankfurt, com chegada prevista para as 8h35 de terça-feira, também foi cancelado.
A página inicial do Aeroporto de Frankfurt, o mais movimentado da Alemanha, indicava nesta segunda que a maioria das partidas da Lufthansa dentro da Europa havia sido cancelada.
O de Munique, o segundo mais movimentado, parecia exibir apenas os voos ainda programados na janela de pesquisa de partidas. No entanto, incluía um aviso aos passageiros da Lufthansa e da Eurowings sobre "graves perturbações" relacionadas à greve, orientando-os a verificar com suas companhias aéreas se há notícias de cancelamentos.
A companhia informou que 75% das operações de todas as 14 empresas do grupo serão mantidas nesses dois dias.
Negociações sobre pensão
O grupo alemão enfrenta dificuldades para negociar tanto com o sindicato dos pilotos, Vereinigung Cockpit (VC), como com o sindicato dos comissários de bordo UFO, que entrou em greve na semana passada.
A greve dos pilotos gira em torno de disputas salariais, incluindo o plano de pensão da empresa e a remuneração na subsidiária regional CityLine.
A companhia aérea criticou a decisão do sindicato de entrar em greve, poucos dias depois de anunciar um acordo para pilotos e funcionários de terra com o sindicato rival Verdi.
A empresa afirmou que a principal exigência do sindicato "de dobrar o excelente plano de pensão da empresa é absurda e impossível de ser atendida".
O VC, por sua vez, atribuiu grande parte da culpa à Lufthansa.
"O Vereinigung Cockpit se vê forçado a tomar essa medida, depois que o empregador não demonstrou nenhuma disposição reconhecível para uma solução em várias disputas salariais", disse o presidente do VC, Andreas Pinheiro.
"Apesar de termos nos abstido conscientemente de entrar em greve durante os feriados da Páscoa, ainda não surgiram ofertas que valham a pena levar a sério. Nesse período, não houve nenhuma reação nem sinais reconhecíveis de disposição para negociar por parte do empregador."
Nem todos os pilotos das companhias aéreas da Lufthansa são membros do VC, e a participação total na greve também não está garantida.
Voos para o Oriente Médio fora da greve
O VC afirmou que não entraria em greve nos voos autorizados para diversos destinos no Oriente Médio, dado o cenário de incertezas posto há mais de um mês pelo conflito no Irã, que se alastrou pela região.
Os voos da Lufthansa e da Lufthansa Cityline da Alemanha para o Azerbaijão, Bahrein, Egito, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iêmen estarão todos isentos da greve, de acordo com o VC.
"A Lufthansa está trabalhando intensamente para minimizar ao máximo o impacto sobre nossos passageiros. Estamos tentando que o maior número possível de voos seja operado por outras companhias aéreas do Grupo Lufthansa e por companhias aéreas parceiras", informou a Lufthansa em seu site.
A empresa também informou aos passageiros cujos voos foram totalmente cancelados que eles poderiam trocar suas passagens por bilhetes de trem da Deutsche Bahn, a empresa ferroviária alemã.
sf (EFE, dpa)
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| Short teaser | Paralisação de pilotos começou nesta segunda e está prevista para durar 48 horas, afetando voos curtos e longos. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/lufthansa-cancela-voos-na-alemanha-em-meio-à-4ª-greve-do-ano/a-76767473?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/76761035_354.jpg
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| Image caption | Aviões da Lufthansa parados no pátio do aeroporto de Munique no primeiro dia da greve dos pilotos | ||
| Image source | Matthias Schrader/AP Photo/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/76761035_354.jpg&title=Lufthansa%20cancela%20voos%20na%20Alemanha%20em%20meio%20%C3%A0%204%C2%AA%20greve%20do%20ano | ||
| Item 5 | |||
| Id | 76760826 | ||
| Date | 2026-04-13 | ||
| Title | Zuzu Angel: o legado da estilista morta pela ditadura há 50 anos | ||
| Short title | Zuzu Angel: o legado da estilista morta pela ditadura | ||
| Teaser |
Brasilidade em tempos de eurocentrismo da moda e uso das passarelas como forma de expressão política marcaram carreira da brasileira que se engajou contra o regime autoritário que comandava o país. A sede do consulado brasileiro em Nova York se tornou palco de um pioneiro desfile-protesto em setembro de 1971. O ousado evento em desagravo à violência da ditadura militar que vigorava no Brasil foi concebido pela estilista Zuleika de Souza Netto, a Zuzu Angel (1921-1976), quatro meses depois do desaparecimento de seu filho, o estudante universitário Stuart Edgart Angel Jones (1946-1971), preso, morto e torturado pelas forças repressores a serviço do governo brasileiro. "Ela chegou toda de preto, com véu preto", conta a jornalista Hildegard Angel Bogossian, a Hilde, filha de Zuzu e presidente do Instituto Zuzu Angel de Moda – instituição criada em 1993 para preservar o legado da estilista. "Minha irmã também foi de preto e tocou no violão ‘Tristeza, por favor vá embora…'." Era o samba Tristeza, obra de 1963 composta por Nilton de Souza (1936-2018) e Haroldo Lobo (1910-1965). Autora do livro Marketing de Luxo Contemporâneo e professora de moda na Escola Superior de Propaganda e Marketing, a consultora Maya Mattiazzo situa este evento como o marco inicial do uso da moda como ferramenta de posicionamento político. A essa altura Zuzu Angel já era visada pelos órgãos de repressão da ditadura – e seguiria tendo seus passos acompanhados de perto até o fim da vida. Um relatório do Serviço Nacional de Informações (SNI) datado de abril de 1974, por exemplo, a qualifica como uma costureira que não acreditava "no fato" de que seu filho havia sido morto "em face de um choque entre subversivos e a polícia". Segundo o documento, ela realizava "desfiles de modas nos Estados Unidos" com o objetivo de "causar um grande impacto" na opinião pública ao apresentar trajes com motivos "exóticos". Em 14 de abril de 1976, há exatos 50 anos, Zuzu Angel sofreu um acidente de carro depois de derrapar seu Karmann Ghia TC na saída do túnel Dois Irmãos, no Rio. Uma semana antes ela havia deixado uma carta na casa do seu amigo Chico Buarque de Hollanda dizendo que se aparecesse "morta, por acidente ou outro meio", teria sido por "obra dos assassinos do meu amado filho". No ano seguinte, Chico Buarque lançaria a música Angélica, em homenagem à Zuzu Angel e sua luta contra a ditadura. Em 2014, na Comissão Nacional da Verdade, um ex-agente da repressão que atuou como delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) confirmou que o acidente foi causado por agentes da ditadura. Cinco anos depois, a filha Hilde conseguiu o atestado de óbito reconhecendo que a estilista morreu de forma "não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistêmica e generalizada à população identificada como opositora ao regime ditatorial". Costureira inovadoraZuzu nasceu em Curvelo, no interior de Minas Gerais. Ainda pequena, ajudava a mãe a costurar para fora e, no tempo livre, gostava de brincar com retalhos fazendo roupinhas para bonecas suas e das primas. Ela se mudou para o Rio aos 18 anos, sozinha, trabalhando por conta própria como costureira. Em 1940, conheceu o empresário americano Norman Angel Jones. Três anos depois eles se casariam. Da união, nasceriam os três filhos do casal, Stuart, Hilde e Ana Cristina. O casal se separou em 1960 – como não havia divórcio no Brasil, desquitaram-se. A fase criativa de Zuzu Angel começou na década de 1950. A partir de então ela não mais se limitava a apenas copiar modelos – passou a desenhar roupas. Em vez de reproduzir os consagrados estilos europeus que ditavam as tendências, passou a usar elementos, cores, materiais e estampas que tivessem a ver com o Brasil. "Ela se insurgiu contra a colonização da moda brasileira", comenta Hilde. "Achava que o Brasil tinha fontes de inspiração muito mais legítimas e interessantes do que simplesmente repetir o que os estrangeiros faziam." A filha conta que a Zuzu usava materiais como renda, bambu, conchas e tecidos extremamente simples – comprados em feiras-livres do Rio ou mesmo em lojas populares. "Transformava o simples em coisas luxuosas", afirma Hilde. "Ela era a contramão da estética sofisticada da época", complementa a especialista Mattiazzo. Se parte da clientela e os estilistas concorrentes costumavam torcer o nariz para isso, ela acabou ganhando notoriedade entre artistas e uma visibilidade internacional. Dali em diante, Zuzu passou a circular como uma respeitada designer de moda nos Estados Unidos e a realizar desfiles expondo suas criações lá. Celebridades se tornaram suas clientes, como as atrizes americanas Joan Crawford (1906-1977), Kim Novak e Liza Minnelli e a canadense Yvonne De Carlo (1922-2007). Bem-relacionada, ela também chegava à elite brasileira. Mulher do presidente que instituiu o famigerado Ato Institucional Número Cinco (AI-5), a primeira-dama Yolanda Barboza da Costa e Silva (1907-1991) usou um vestido feito por Zuzu Angel quando recepcionou a rainha da Inglaterra, Elizabeth 2ª (1926-2022), em visita ao Brasil. Das cores ao lutoDepois do desaparecimento de seu filho Stuart, houve uma guinada na carreira criativa de Zuzu Angel. As cores e a alegria deram lugar ao luto e à denúncia ao regime autoritário que vigorava no Brasil. "Seu trabalho não se limitou ao vestuário. Configurou-se como forma de expressão crítica", pontua a consultora de imagem Janice Accioli Ramos Rodrigues, professora de design de moda na Universidade Anhembi Morumbi. Nas estampas, os anjinhos alusivos ao seu sobrenome-marca também passavam a representar seu filho morto. Gaiolas eram indicativo da violência, do controle, da censura. Sangue, tanques de guerra e canhões foram incluídos entre os motivos. Tudo em tons mais sóbrios – ela própria comumente vestia preto, como no histórico desfile-protesto ocorrido no consulado de Nova York. Legado"Sua obra permanece relevante e influencia estilistas e estudantes atuais, gente que busca nela inspiração estética e conceitual. Tornou-se referência para se pensar a moda brasileira", diz Rodrigues. Para quem trabalha ensinando novas gerações de estilistas e especialistas em moda no país, o legado de Zuzu Angel transcende o ativismo político. Ela é vista como precursora de uma estética decolonial do vestir, assumindo a brasilidade em tempos de hegemonia eurocêntrica no setor. E também uma ousada mulher que enxergou nas passarelas uma plataforma de expressão contra a censura que tentava calar os opositores. Com talento e genialidade. A professora Rodrigues avalia que o legado de Zuzu Angel conseguiu ultrapassar "a dimensão estética" alcançando os campos "político, cultural e simbólico". "Ela elevou o nome do Brasil e levou o país para o universo internacional da moda", destaca Mattiazzo. |
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| Short teaser | Brasilidade da moda e uso das passarelas como forma de expressão política marcaram carreira da brasileira. | ||
| Author | Edison Veiga | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/zuzu-angel-o-legado-da-estilista-morta-pela-ditadura-há-50-anos/a-76760826?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 6 | |||
| Id | 76761112 | ||
| Date | 2026-04-13 | ||
| Title | Quanto custou retorno histórico à Lua e quem ganha com isso | ||
| Short title | Quanto custou retorno histórico à Lua e quem ganha com isso | ||
| Teaser |
Nasa acelera nova corrida espacial com sucesso de missão lunar. Mas futuro da agência espacial americana é incerto com cortes no orçamento e de pessoal promovidos por Trump. Algumas coisas são difíceis de calcular em dólares e centavos. Os programas espaciais da Nasa definitivamente se enquadram nessa categoria. A agência espacial americana tem um orçamento anual enorme, e seu portfólio inclui espaçonaves poderosas, telescópios e sistemas de previsão meteorológica e de asteroides. É difícil medir os ganhos científicos e materiais que chegaram ao cotidiano desenvolvidos após suas pesquisas básicas, como material viscoelástico, lentes resistentes a riscos ou purificadores de ar domésticos. Mas, embora a missão Artemis 2 tenha feito história ao levar a cápsula Orion com quatro astronautas mais longe da Terra do que qualquer ser humano jamais esteve, muitos questionaram o custo e o real sentido das viagens espaciais. Um orçamento bilionárioDurante sua missão de dez dias, muita atenção se concentrou no banheiro a bordo da Artemis 2. Além de ter apresentado falhas, ele custou, segundo relatos, 23 milhões de dólares (R$ 115,5 milhões). Como em projetos anteriores, a Artemis 2 foi projetada pela Nasa, mas montada por empresas aeroespaciais como Boeing, Northrop Grumman e Lockheed Martin. Construir e lançar uma única cápsula tripulada Orion custa cerca de 1 bilhão de dólares (R$ 5 bilhões), de acordo com um relatório do inspetor-geral da Nasa publicado em novembro de 2021. A isso se somam-se 300 milhões de dólares (R$ 1,5 bilhão) para o "módulo de serviço", que fornece energia e suporte à vida e foi fornecido pela Agência Espacial Europeia (ESA). O veículo de lançamento, incluindo seus propulsores, custa cerca de 2,2 bilhões de dólares (R$ 11 bilhões), além da infraestrutura terrestre necessária, incluindo plataformas móveis de lançamento, cujo custo estimado é de 570 milhões de dólares (R$ 2,86 bilhões). Isso significa que cada voo das missões Artemis 1 a 4 custou cerca de 4,1 bilhões de dólares (R$ 20,6 bilhões). O relatório criticou a agência por sua falta de contabilidade confiável, mas ainda assim estimou o custo do programa Artemis até 2025 em 93 bilhões de dólares (R$ 467,2 bilhões). O que os americanos ganham com isso?A Nasa é a agência espacial mais famosa do mundo e já viveu altos e baixos espetaculares. Desde 1958, quando foi fundada, recebeu mais de 1,9 trilhão de dólares (R$ 9,5 trilhões) em financiamento acumulado, ajustado pela inflação. Em seu primeiro mandato, o presidente Donald Trump pressionou para levar a Nasa de volta à Lua. Mas, em seu segundo mandato, propôs cortar o orçamento de 2026 em quase 25%, embora a maioria desses pedidos tenha sido rejeitada pelo Congresso. Ao mesmo tempo, a agência foi afetada pelos cortes do Departamento de Eficiência Governamental (Doge). Cerca de 4 mil funcionários deixaram ou deixarão a agência em breve, aproximadamente um quinto de sua antiga força de trabalho. Em dezembro, Trump redobrou a aposta em seu esforço para retornar à Lua e assinou uma ordem executiva para expandir a presença dos EUA no espaço. O plano prevê levar americanos de volta à Lua até 2028 e estabelecer um posto lunar permanente até 2030 – incluindo reatores nucleares – para servir como trampolim para missões humanas a Marte. Orgulho e segurança nacional dos EUAOs americanos, em geral, apoiam a Nasa, mas são mais céticos quando se trata de missões tripuladas ao espaço. A maioria dos políticos dos EUA, por outro lado, é há muito tempo entusiasta.No início da era espacial, muitos no Congresso viam como um dever vencer a União Soviética. Hoje, muitos veem a necessidade de os EUA assumirem a liderança na exploração planetária e na órbita baixa da Terra, onde milhares de satélites e a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) se deslocam silenciosamente. "Não se enganem, estamos em uma nova corrida espacial com a China", alertou o senador Ted Cruz em uma audiência de comissão do Senado no segundo semestre de 2025. "A China não faz segredo de seus objetivos. "Ela está investindo pesadamente em suas capacidades espaciais, mantendo uma presença permanente na órbita baixa da Terra com sua estação Tiangong e trabalhando para fincar sua bandeira na Lua até 2030." Para financiar essa "nova corrida espacial", o Congresso americano destinou à Nasa 24,4 bilhões de dólares (R$ 122,6 bilhões) para 2026, o que representa cerca de 0,35% de todos os gastos federais. O pedido de orçamento da agência para 2027 é um valor bem menor, de 18,8 bilhões de dólares (R$ 94,4 bilhões), e representa a segunda tentativa do governo Trump de cortar o financiamento em quase 25%. O plano prevê cortes na pesquisa científica e na Estação Espacial Internacional, e um grande aumento para exploração, o que se alinha ao foco na Lua e em Marte. A maioria dos observadores do setor acredita que o Congresso manterá o financiamento no mesmo nível. Interesses comerciais e longos cronogramasNão são apenas governos que estão de olho no céu. O crescimento de empresas espaciais comerciais como SpaceX e Blue Origin, ou a discussão sobre centros de dados no espaço, indica que uma economia espacial maior está se consolidando. A SpaceX terá um papel importante em futuras missões à Lua. Sua divisão Starlink é responsável por muitos dos cerca de 10 mil satélites estimados atualmente em órbita. Detritos espaciais fora de controle são uma preocupação crescente. "O espaço mudou completamente nos últimos anos", disse Joseph Aschbacher, diretor-geral da ESA, em entrevista à DW no Fórum Econômico Mundial, em janeiro. Atores comerciais fortes e governos estão percebendo o quão importante o espaço é, acrescentou. Autonomia e independência são mais importantes do que nunca e exigem mais investimentos em defesa e segurança. Ao mesmo tempo, projetos espaciais frequentemente levam dez anos ou mais para sair do papel. O espaço se tornou tão estratégico, tão importante, tão interessante do ponto de vista comercial que precisamos realmente mudar de marcha e trabalhar de forma muito diferente", disse Aschbacher. Conciliar esses interesses e investimentos gigantescos será um desafio. Convencer governos, empresas e contribuintes a embarcar pode exigir um esforço extraordinário. |
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| Short teaser | Nasa acelera nova corrida espacial com sucesso de missão lunar. Mas futuro da agência espacial americana é incerto. | ||
| Author | Timothy Rooks | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quanto-custou-retorno-histórico-à-lua-e-quem-ganha-com-isso/a-76761112?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 7 | |||
| Id | 76722411 | ||
| Date | 2026-04-12 | ||
| Title | K-Beauty: a estratégia de soft power da Coreia do Sul | ||
| Short title | K-Beauty: a estratégia de soft power da Coreia do Sul | ||
| Teaser |
A beleza "made in Korea" tem conquistado o mundo. Mas mais que uma tendência estética, fenômeno se vale da indústria de cosméticos como estratégia global. Cada vez mais pessoas de países ocidentais se encantam por produtos de beleza da Coreia do Sul. Assim, o país do Leste Asiático se estabelece como uma nova potência de soft power: primeiro vieram os automóveis e os eletrônicos, depois os filmes e a música pop. E, no ano passado, a autora Han Kang foi agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura. Agora, a indústria da beleza surge como o próximo êxito. Produtos de cuidados com a pele e maquiagem "made in Korea" são procurados no mundo inteiro. Esse sucesso não é fruto do acaso — nem tampouco um fenômeno puramente estético. Pelo contrário, na K-Beauty se condensam dinâmica cultural, estratégia econômica e posicionamento geopolítico. "Soft power significa influenciar os outros por meio da atratividade — não pela coerção", afirma o cientista político e especialista em Coreia Hannes Mosler, da Universidade de Duisburg-Essen. Para um país como a Coreia do Sul, isso é central: "A Coreia do Sul se encontra em uma situação geopolítica delicada, entre grandes potências — e por isso aposta deliberadamente na força de atração cultural", explica Mosler em entrevista à DW. Essa estratégia dá resultado: a chamada "K-Beauty" é hoje um fator econômico global. Segundo a agência de notícias Yonhap News Agency, de Seul, as exportações de produtos cosméticos cresceram 12,3% em 2025, alcançando 11,43 bilhões de dólares (58,6 bilhões de reais). Já em 2024, segundo o Ministério da Indústria sul-coreano, sediado em Sejong, elas haviam atingido cerca de 10,2 bilhões de dólares (51,4 bilhões de reais). A revista especializada internacional Personal Care Magazine, um periódico do setor de cosméticos publicado em Londres, informa ainda que os produtos cosméticos coreanos já são exportados para mais de 200 países. Com isso, a Coreia do Sul figura entre os principais exportadores do mundo. "Tendências de consumo refletem tendências culturais"Mas os números econômicos, por si só, não explicam o sucesso. Decisiva é a estreita ligação entre cultura e consumo. "Tendências de consumo refletem tendências culturais", afirma Stefan Tobel, diretor-geral da Kencana GmbH, empresa especializada na importação e distribuição de cosméticos coreanos. "A Coreia do Sul chegou fortemente ao palco global por meio do K-pop — e com isso vieram também as tendências de consumo", disse Tobel à DW. Essa observação é respaldada por pesquisas internacionais de mercado. "A cultura pop coreana contribuiu de forma decisiva para o sucesso internacional dos produtos de beleza coreanos", afirma um relatório do instituto de análise norte-americano Grand View Research, sediado em San Francisco e especializado em mercados globais de consumo e tecnologia. A cultura pop coreana, portanto, teve papel fundamental no sucesso da K-Beauty. Mosler vai ainda além. "A onda coreana não é puramente controlada pelo Estado, mas foi apoiada politicamente desde cedo", afirma. Séries, música e plataformas digitais criaram uma infraestrutura cultural que torna os produtos visíveis no mundo inteiro. A K-Beauty seria, assim, "parte de uma imagem mais ampla da Coreia do Sul". Isso também desempenha um papel na diferenciação em relação à Coreia do Norte. Cultura pop como construção da imagem internacionalEssa dimensão estratégica também é enfatizada pela pesquisa acadêmica. A rede internacional de pesquisa ResearchGate, que reúne trabalhos científicos de todo o mundo, aponta para estudos segundo os quais a cultura pop coreana é usada de forma direcionada como instrumento de nation branding — ou seja, para a construção da imagem internacional de um Estado. Essa irradiação cultural encontra um entendimento específico de beleza. "A abordagem coreana é claramente mais sofisticada", explica Stefan Tobel. O elemento central é o cuidado em várias etapas: "A pele não deve ser coberta, mas melhorada". A conhecida "rotina de 10 passos" é exemplar desse conceito — um sistema de cuidado contínuo, em vez de uma cosmética pontual. Cuidar, em vez de disfarçarIsso remete a uma diferença fundamental: a K-Beauty entende a beleza primordialmente como resultado de cuidado, e não de correção. De acordo com uma análise de mercado da consultoria internacional Euromonitor International, sediada em Londres e especializada em análises de bens de consumo e mercados, o foco dos produtos coreanos está fortemente voltado para a saúde da pele, a prevenção e o cuidado de longo prazo. Mosler vê as raízes dessa abordagem também no interior da própria sociedade. "A aparência externa desempenha um papel muito importante", afirma. Em um ambiente altamente denso e competitivo, surge uma forte pressão social — e, com ela, um mercado particularmente exigente. "Os produtos precisam funcionar em um nível muito elevado para conseguirem se impor." Tal percepção é corroborada pelas pesquisas. A Grand View Research descreve o mercado de K-Beauty como marcado por "alta inovação e lançamentos frequentes de produtos". Essa dinâmica é central do ponto de vista do setor, afirma Stefan Tobel. "O mercado é extremamente rápido — novos ingredientes, novos formatos, novas rotinas. Quem não inova permanentemente perde relevância imediatamente." Tobel menciona ainda ingredientes e tecnologias especiais: "Trata-se de ativos altamente especializados — do ginseng ao colágeno, passando pelos fermentados". Análises da pesquisa internacional em cosméticos mostram que os produtos coreanos combinam ingredientes tradicionais com biotecnologia moderna. O papel das redes sociaisAo mesmo tempo, essa força inovadora está intimamente ligada a estruturas digitais. "As redes sociais desempenham um papel central", afirma Tobel. Plataformas como TikTok ou Instagram funcionam como aceleradores, nos quais tendências surgem e se disseminam globalmente. A K-Beauty é particularmente bem-sucedida em explorar esses mecanismos. Mosler destaca o papel dos multiplicadores culturais: "Estrelas do K-pop ou séries coreanas criam visibilidade — e, com isso, demanda". Os consumidores se orientam por esses modelos, e os produtos se tornam parte de um pacote estético e cultural mais amplo. Fica claro, assim, que a K-Beauty não é um fenômeno de mercado isolado, mas parte de um sistema abrangente que envolve cultura, economia e política. Análises internacionais mostram que se estabeleceu aqui um modelo no qual bens de consumo são, ao mesmo tempo, portadores de significado cultural e político. Atratividade cultural e políticaDo ponto de vista econômico, essa dinâmica se manifesta de forma particularmente clara na difusão global. Os cosméticos coreanos deixaram há muito de ser apenas um fenômeno asiático e vêm se estabelecendo cada vez mais também na Europa e na América do Norte — muitas vezes em concorrência direta com marcas tradicionais. Dessa forma, surge um quadro multifacetado. A K-Beauty é mais do que uma tendência — é um sistema de cultura, tecnologia, mercado e política. Ou, como diz Mosler: "Trata-se de atratividade — no sentido cultural e no sentido político". É exatamente aí que reside o verdadeiro significado político: a beleza não é apenas – mas também – uma estratégia política". |
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| Short teaser | Mais que uma tendência estética, a beleza "made in Korea" transforma a indústria de cosméticos em uma estratégia global. | ||
| Author | Kersten Knipp | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/k-beauty-a-estratégia-de-soft-power-da-coreia-do-sul/a-76722411?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 8 | |||
| Id | 76749881 | ||
| Date | 2026-04-11 | ||
| Title | "Os fumantes são os que mais afirmam ter visto óvnis" | ||
| Short title | "Os fumantes são os que mais afirmam ter visto óvnis" | ||
| Teaser |
Na Alemanha, Hansjürgen Köhler é o "detetive dos ETs". Há 50 anos, ele comanda um serviço que investiga discos voadores. A resposta, no entanto, costuma ser mais simples que supomos.Se você estiver na Alemanha e avistar um óvni, é só pegar o telefone e chamar a Rede Central de Investigação de Fenômenos Celestes Extraordinários – o Cenap. Lá, os cinco voluntários chefiados por Hansjürgen Köhler, um alemão afável na casa dos 60 anos, poderão te ajudar.
O fundador do Cenap chegou a trabalhar de vendedor, porque foi impedido de virar astrônomo. O pai disse que ele deveria se dedicar a "algo decente". Mas foi na caça aos óvnis que Köhler encontrou um passatempo ao qual se dedica com devoção.
De a sua criação, em 1976, a rede central, com sede na cidade de Mannheim, já recebeu mais de 13 mil notificações sobre avistamento de objetos voadores não identificados. Quase todos foram resolvidos – 89 seguem em aberto. E o número de registros vem crescendo a cada ano. Só em 2024 foram 1.348.
Quase sempre há uma explicação. São foguetes, satélites, planetas brilhantes ou estrelas. Podem se tratar também bolas de fogo ou meteoritos.
De acordo com Köhler, cerca de 40% das notificações recebidas estão relacionadas à tecnologia espacial. Há alguns anos, Elon Musk passou a figurar na lista dos "responsáveis" pelos óvnis, já que os satélites Starlink emitem, em algumas situações, um brilho de grande intensidade.
Outros fenômenos cotidianos, facilmente confundidos com discos voadores, são os drones. Esses objetos podem executar manobras que impressionam quem vê. Além deles, a confusão é causada por balões, especialmente os de plástico, pois refletem a luz do sol, por shows de laser ou efeitos de luz utilizados em grandes eventos.
Um serviço 24 horas por dia
O Cenap dispõe de uma linha de atendimento que funciona 24 horas por dia. Por meio dele, qualquer um pode comunicar fenômenos celestes incomuns por WhatsApp, e-mail ou formulário de contato do site. Köhler investiga cada um desses casos e se vê na obrigação de respondê-los dentro de um prazo de 24 horas.
Quando recebe uma notificação, ele solicita dados como data, hora, local, endereço e duração do avistamento, além do número de testemunhas. Fotos e vídeos também são muito bem-vindas pelo chefe do Cenap.
O trabalho costuma ficar mais intenso no horário entre as 22h e a meia-noite. Nessa hora, conta Köhler, muitas pessoas estão na varanda olhando para o céu. Segundo ele, um hábito pouco saudável acaba sendo um dos principais motivos para os supostos avistamentos de naves alienígenas – é nessa hora, depois do jantar, que muitos vão à varanda fumar um cigarro e, enquanto olham para as estrelas, acabam dando de cara com algo que não conseguem explicar.
Há noites em que o serviço recebe entre 60 e 80 notificações. São situações em que o céu da Alemanha se transforma no cenário para coisas espetaculares, como meteoros ou a reentrada de um foguete. "Nesse momento, você pode desligar a TV, porque sabe que a ação vai começar", conta Köhler.
Os casos favoritos do alemão chegam entre as 3h e 4h da madrugada. Quando isso acontece, ele se levanta da cama com prazer, pois muitas vezes são meteoros que acabam sendo confundidos com naves interestelares.
Quanto mais cedo chegar o aviso, melhor. "Assim, podemos checar diretamente no computador o que a pessoa está vendo", diz. E, na melhor das hipóteses, esclarecer a situação.
Aurora boreal, ETs na praia ou falta de óculos?
Mesmo chefiando um serviço que trata, basicamente, de óvnis, Hansjürgen Köhler é um cético. Ele se considera mais um criminologista especializado no céu do que alguém que acredita em homenzinhos verdes em discos voadores.
Segundo Kölher, os conhecimentos astronômicos da população podem ser aprimorados, mas, às vezes, as pessoas relatam coisas não apenas por ignorância, mas porque nossa própria percepção também pode nos levar ao erro.
A psicologia chama isso de pareidolia, a tendência do cérebro em reconhecer significados ou rostos em padrões aleatórios. Assim, estruturas semelhantes a nuvens ou reflexos de luz podem, às vezes, se parecer com óvnis.
Para esclarecer os casos, Köhler utiliza programas de astronomia, informações das agências espaciais, dados de tráfego aéreo e, em situações especiais, chega até a recorrer ao exército alemão. Às vezes, o trabalho no Cenap lembra o de um detetive.
Até mesmo a Agência Espacial Europeia (ESA) já encaminhou casos suspeitos de óvnis a Köhler. Há três anos, uma equipe de pesquisadores observava auroras boreais na Noruega, quando avistou algo estranho no céu. Mas o alemão descobriu que, na verdade, tratava-se de um foguete que havia sido acionado e cujo combustível cristalizou no frio glacial. "Isso criou um espetáculo mágico no céu."
Outro caso que ele solucionou há seis meses foi o de um suposto avistamento de extraterrestres em uma praia de Portugal, documentado por uma mulher, que os retratou em desenhos minuciosos.
Sentada ao lado de uma fogueira, a testemunha havia visto, repetidas vezes, seres extraterrestres desaparecendo no mar. Mas Köhler descobriu que, no mesmo local, havia uma escola de mergulho. O que os ufólogos talvez tivessem classificado como um encontro com extraterrestres, acabou sendo descrito por Köhler como nada mais que um mergulho numa praia.
Um dos casos que mais marcou Köhler aconteceu nos anos 1990. Uma jovem teria passado vários meses, noite após noite, dirigindo atrás de um óvni, da Alemanha até a Bélgica.
O objeto não identificado mudava constantemente de forma, às vezes era maior, às vezes menor. Foi então que Köhler descobriu que a mulher era parcialmente cega. Os óculos que ela usava estavam quebrados, e ela havia perdido as lentes de contato.
O óvni que parecia crescer e diminuir era, na verdade, a Lua, em suas diferentes fases. "Foi estranho, mas também triste. Ela era uma mulher muito solitária", lembra ele.
A reportagem pergunta se o fundador do Cenap acha que algum dia um extraterrestre chegará à Terra. "Até hoje, eles não vieram", afirma o Köhler.
O ceticismo do alemão, no entanto, não é definitivo. O fundador do Cenap está convencido de que não somos os únicos seres vivos da galáxia, pois isso seria um "desperdício de espaço". "Não posso descartar que eles venham algum dia", diz. Mas acrescenta: se chegassem a pousar aqui e vissem o que acontece, iriam embora rapidamente.
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| Short teaser | Na Alemanha, Hansjürgen Köhler é o "detetive dos ETs". Há 50 anos, ele comanda um serviço que investiga discos voadores. | ||
| Author | Anna Carthaus | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/os-fumantes-são-os-que-mais-afirmam-ter-visto-óvnis/a-76749881?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
https://static.dw.com/image/76633983_354.jpg
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| Image caption | Desde 1976, Hansjürgen Köhler já registrou mais de 13 mil casos de avistamentos de objetos voadores não identificados | ||
| Image source | Frank Rumpenhorst/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/76633983_354.jpg&title=%22Os%20fumantes%20s%C3%A3o%20os%20que%20mais%20afirmam%20ter%20visto%20%C3%B3vnis%22 | ||
| Item 9 | |||
| Id | 76748034 | ||
| Date | 2026-04-11 | ||
| Title | Holanda permite direção assistida da Tesla pela 1ª vez na UE | ||
| Short title | Holanda permite direção assistida da Tesla pela 1ª vez na UE | ||
| Teaser |
Condicionada à presença de motorista, medida abre caminho para ampliação a todo o bloco. Empresa de Elon Musk sofre com vendas no continente.Num caso inédito na Europa, a Holanda se prepara para permitir que proprietários de veículos Tesla utilizem o recurso de direção assistida dos seus carros — ou seja, quando o carro assume a condução, sob supervisão de um motorista.
"O sistema de assistência ao motorista agora pode ser utilizado na Holanda, com possível expansão futura para todos os Estados-membros da União Europeia," disse a RDW, agência holandesa responsável por certificações de segurança viária, no fim da noite de sexta-feira (10/04).
A medida alinha a Holanda ao que já é permitido nos Estados Unidos, onde proprietários de Tesla podem utilizar o mesmo recurso.
A função transfere a condução ao sistema computacional da Tesla, incluindo direção, frenagem, navegação de rotas e estacionamento, sob a supervisão ativa do motorista, que deve estar pronto para assumir a direção, se necessário.
Caminho aberto para resto da UE
A subsidiária europeia da Tesla, montadora de veículos elétricos comandada pelo controverso magnata Elon Musk, comemorou a decisão holandesa.
Já a RDW destacou a diferença entre o modo de direção supervisionada, no qual um humano permanece no controle, e a condução totalmente autônoma. "Trata-se de um sistema de assistência ao motorista, e o condutor continua sendo responsável e deve manter sempre o controle."
O parecer da RDW precisa agora ser submetido à Comissão Europeia para autorização, de forma que a certificação nacional tenha validade em toda a UE.
Dificuldades para Tesla
Mas as vendas da Tesla enfrentam dificuldades na Europa, inclusive na Holanda, nos últimos dois anos. Potenciais compradores têm se afastado da marca devido ao ativismo político de Musk, que tem apoiado pautas da ultradireita nos Estados Unidos e na Alemanha.
Além disso, a empresa enfrenta concorrência crescente de fabricantes chineses de veículos elétricos. Em janeiro, a BYD se tornou a maior vendedora mundial do segmento, após ter entregado 2,26 milhões de carros movidos a bateria em 2025, contra 1,64 milhão da Tesla.
No ano passado, um júri em Miami, no estado americano da Flórida, condenou a Tesla a pagar indenização de 243 milhões de dólares (R$ 1,3 bilhão) por um acidente em 2019 envolvendo um de seus carros que matou uma mulher e feriu gravemente o namorado dela.
O caso foi visto como um revés para os esforços de Musk em atrair investidores para fazer da Tesla líder no mercado de direção autônoma em carros particulares e robotáxis. Processos anteriores parecidos tinham sido resolvidos extrajudicialmente ou arquivados.
ht (AFP)
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| Short teaser | Condicionada à presença de motorista, medida abre caminho para ampliação ao bloco. Empresa sofre com baixa de vendas. | ||
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| Image caption | Do controverso Elon Musk, Tesla sofre com baixa de vendas na Europa e concorrência crescente de montadoras chinesas | ||
| Image source | Tingshu Wang/REUTERS | ||
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| Item 10 | |||
| Id | 76742694 | ||
| Date | 2026-04-11 | ||
| Title | Artemis 2 pousa na Terra após missão histórica na Lua | ||
| Short title | Artemis 2 pousa na Terra após missão histórica na Lua | ||
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Tripulação enfrentou temperaturas extremas em altíssima velocidade para reentrar na atmosfera, com ajuda de paraquedas. Foi a primeira missão tripulada desde 1972.Os quatro astronautas que fizeram história ao alcançar a órbita da Lua pela primeira vez em mais de meio século retornaram à Terra nesta sexta-feira (10/04). A missão de dez dias da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, sobrevoou o satélite natural – sem pousar – e se tornou a primeira viagem tripulada a atingir a órbita lunar desde 1972.
A Cápsula Orion pousou no Pacífico às 21h07 (horário de Brasília), na costa de San Diego, cidade do estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Conforme esperado, os astronautas perderam contato por seis minutos, e a cápsula se tornou uma espécie de "bola de fogo", durante um dos momentos mais tensos de toda a missão.
A aterrissagem contou com onze enormes paraquedas, antes que a Marinha dos EUA buscasse a tripulação e os levasse de volta à terra firme. O navio de resgate USS John P. Murtha aguardava a sua chegada, assim como um esquadrão de aviões militares e helicópteros.
Segundo a Nasa, a tripulação percorreu um total de 694.481 milhas, o equivalente a cerca de 1.117.659 quilômetros. A aproximação à Lua levou os astronautas mais longe do que qualquer ser humano jamais havia chegado, superando o recorde de distância anterior estabelecido pela Apollo 13 em 1970.
"Os Estados Unidos voltaram a enviar astronautas à Lua e a trazê-los de volta em segurança", afirmou Jared Isaacman, administrador da Nasa, sobre a missão.
Por sua vez, o presidente Donald Trump parabenizou a tripulação, que deverá visitar em breve a Casa Branca. Ele antecipou que o seu governo continuará impulsionando a exploração espacial. "Faremos de novo e, depois, próximo passo, Marte", disse o republicano.
Mais de 30 vezes a velocidade do som
O pouso exigiu uma manobra tão crítica quanto o lançamento. A previsão era de uma queda a velocidade 45 vezes maior do que a de um avião, com temperaturas a quase metade das da superfície do Sol.
A bordo da Cápsula Orion, Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e Jeremy Hansen não apenas sentiram o peso deles multiplicado por quatro durante a queda, mas também enfrentaram temperaturas extremas de cerca de 2.700 °C, depositando sua segurança no escudo térmico da nave, outro dos testes decisivos da missão Artemis 2.
"Pilotar uma bola de fogo pela atmosfera é algo extremamente profundo", disse Glover em vídeo antes da operação de reentrada. No momento em que atingissem a atmosfera, eles viajariam a 32 vezes a velocidade do som, um feito inédito desde as missões Apollo da Nasa às Luas nas décadas de 1960 e 1970.
A Cápsula Orion é totalmente autônoma, não exigindo controle manual dos astronautas, exceto em caso de emergência.
Manobra de "alto risco"
O engenheiro espanhol Carlos García-Galán, responsável pelo programa Moon Base da Nasa, explicou que o lançamento e a decolagem são as manobras de maior risco.
Ele destacou que o retorno permite atingir a velocidade necessária para testar o escudo térmico que protege os astronautas das "temperaturas extremamente altas geradas pelo atrito com a atmosfera ao entrar na Terra".
"Só podemos alcançar esta velocidade se formos em direção à Lua", acrescentou ele à agência EFE.
Durante um voo de teste, ocorreram problemas com o escudo térmico. Em consequência, a Nasa optou por uma rota diferente para a reentrada na atmosfera.
O administrador da Nasa, Jared Isaacman, chegou a afirmar que não ficaria tranquilo até que os quatro tripulantes retornem para suas famílias.
"Vou ser honesto e dizer que, na verdade, venho pensando na reentrada desde 3 de abril de 2023, quando nos designaram essa missão", disse à imprensa Rick Henfling, diretor de Voo para o Retorno da Artemis.
Recorde de distância da Terra
Depois de decolar da Flórida em 1º de abril, os astronautas acumularam uma conquista após a outra ao conduzirem com destreza o tão esperado retorno lunar da Nasa, o primeiro grande passo para o estabelecimento de uma base lunar sustentável.
Na cena mais comovente da missão, os astronautas, com lágrimas nos olhos, pediram permissão para batizar duas crateras com os nomes da nave lunar e da falecida esposa de Wiseman, Carroll.
Durante a aproximação recorde, eles documentaram cenas do lado oculto da Lua e apreciaram um eclipse solar total, uma cortesia do cosmos graças à data de lançamento. O eclipse, em particular, "simplesmente nos deixou boquiabertos", disse Glover.
Problemas a bordo
No entanto, a viagem não ocorreu sem problemas técnicos. Tanto o sistema de água potável quanto o de propulsão da cápsula enfrentaram percalços com as válvulas. O contratempo mais notável foi no banheiro, o que impediu a tripulação de usá-lo durante a maior parte da viagem, forçando os astronautas a recorrer a sacolas plásticas e funis.
Mas isso não preocupou os astronautas. "Não podemos explorar mais a fundo a menos que façamos algumas coisas que sejam inconvenientes", disse Koch, "a menos que façamos alguns sacrifícios, a menos que assumamos alguns riscos, e tudo isso vale a pena."
Em 2027, a missão Artemis 3 prevê a acoplagem da cápsula a um ou dois módulos de pouso lunar em órbita ao redor da Terra. Já a Artemis 4 tentará pousar uma tripulação de dois astronautas perto do polo sul da Lua em 2028.
fcl/ht (AP, EFE, AFP, Lusa)
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| Short teaser | Tripulação enfrentou temperaturas extremas em altíssima velocidade. Foi a primeira missão tripulada desde 1972. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/artemis-2-pousa-na-terra-após-missão-histórica-na-lua/a-76742694?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Em etapa crítica da Artemis 2, cápsula Orion pousou na costa da Califórnia, no oceano Pacífico, com enormes paraquedas | ||
| Image source | NASA/Handout/REUTERS | ||
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| Item 11 | |||
| Id | 76719112 | ||
| Date | 2026-04-10 | ||
| Title | "Lula-de-Poseidon": a descoberta marinha de 2025 | ||
| Short title | "Lula-de-Poseidon": a descoberta marinha de 2025 | ||
| Teaser |
Retirado do estômago de um cachalote há 70 anos, o calamar acabou se revelando uma espécie completamente nova para a ciência e já foi incluído entre as dez espécies marinhas mais extraordinárias da atualidade. Nos anos 50, quando a caça às baleias ainda era uma prática legal e amplamente disseminada, um calamar foi retirado do estômago de um cachalote. Eis que, 70 anos depois, uma equipe espanhola constatou que o exemplar, batizado de "Lula-de-Poseidon”, constitui uma nova espécie desconhecida pela ciência. Agora, ele acaba de ser incluído entre as dez espécies marinhas mais extraordinárias de 2025. Seu nome científico é Mobydickia poseidonii e ele permanecia nas coleções do Museu de História Natural de Londres, catalogado de forma incorreta, até ser revisado minuciosamente pela estudante Sam Arnold e pelo pesquisador Fernando Ángel Fernández-Álvarez, do Instituto Espanhol de Oceanografia. Os cientistas perceberam que ele não se encaixava na espécie em que havia sido inicialmente catalogado. "Começamos a observar sua morfologia e vimos que ela não correspondia à de nenhuma família de cefalópodes descrita até o momento", explica Fernández-Álvarez à EFE. O exemplar é relativamente grande e, embora lhe faltem dois tentáculos, pode-se estimar que seu comprimento total girava em torno de 40 a 50 centímetros. Além disso, ele é despigmentado, exceto na região dos olhos, e apresenta ganchos nas ventosas dos braços com projeções laterais pontiagudas que lembram a forma de um tridente. Sua origem e sua coloração lembraram aos pesquisadores a baleia branca de "Moby Dick", e os ganchos, o deus grego Poseidon, duas figuras que acabaram dando nome ao calamar. Primeira família de lulas em 27 anosA pesquisa, realizada integralmente nas Coleções Biológicas Marinhas de Referência do Institut de Ciències del Mar (ICM-CSIC), em Barcelona, permitiu nomear uma nova família pela primeira vez em 27 anos. "É um evento extraordinário encontrar uma família de lulas oceânicas a esta altura", defende o biólogo. A descoberta, somada à história de como o animal foi encontrado, o catapultou para a lista das dez espécies marinhas mais extraordinárias de 2025 do Registro Mundial de Espécies Marinhas (WoRMS, na sigla em inglês), que inclui também crustáceos, minhocas e corais, entre outros. "O descobrimento de uma família totalmente nova de lulas a partir de um único espécime preservado ressalta o quanto ainda permanece desconhecido no oceano profundo e a importância dos museus e das coleções biológicas como um repositório da biodiversidade da Terra", destacou o WoRMS. Fernández-Álvarez compartilha dessa visão e ressalta que é uma "maravilha" que a humanidade tenha chegado a respeitar osbiodiversidadeoceanos cetáceos a ponto de não mais caçá-los. "Mas também é um evento muito afortunado que alguém tenha recolhido esse animal, o tenha preservado e que um museu o tenha mantido em condições adequadas durante 70 anos até que nós chegássemos", acrescenta. Mistérios de profundezas inexploradasA Lula-de-Poseidon não é a única com uma história fascinante por trás. Justamente a última família desses cefalópodes descrita, há 27 anos, a Magnapinnidae, permaneceu sem identificação até que começaram a ser feitos vídeos submarinos no contexto de prospecções petrolíferas. Nessas imagens, descritas pelo biolólogo como "muito impactantes", era possível ver uma espécie de "alien que emerge do fundo nebuloso". O "alien" era, na verdade, um calamar com filamentos nos braços que utiliza para capturar presas e que, quando esticados, podem alcançar seis ou sete metros de comprimento. Esses calamares com aparência de alienígenas foram rapidamente adotados pela cultura popular e podem ser vistos em videogames de exploração submarina como subROV, desenvolvido em Pontevedra pelo galego José González, que contou com a assessoria de Fernández-Álvarez. Resta saber se a história do calamar de Poseidon também vai conquistar alguma tela. EE (EFE, Institut de Ciències del Mar) |
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| Short teaser | Retirado do estômago de um cachalote há 70 anos, o calamar acabou se revelando uma espécie completamente nova. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/lula-de-poseidon-a-descoberta-marinha-de-2025/a-76719112?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=%22Lula-de-Poseidon%22%3A%20a%20descoberta%20marinha%20de%202025 | ||
| Item 12 | |||
| Id | 76741977 | ||
| Date | 2026-04-10 | ||
| Title | Por que ortodoxos comemoram a Páscoa em uma data diferente? | ||
| Short title | Por que ortodoxos comemoram a Páscoa em uma data diferente? | ||
| Teaser |
Ano passado, em um alinhamento de datas, as grandes igrejas cristãs celebraram juntas o Domingo de Páscoa. Mas, em 2026, a data voltou a cair em dias diferentes no Oriente e no Ocidente.No próximo fim de semana, será Páscoa novamente. Ou melhor, será Páscoa para uma outra vertente do cristianismo: a Igreja Ortodoxa. Enquanto católicos romanos e protestantes celebraram o Domingo de Páscoa no último 5 de abril, ortodoxos de várias denominações, vão celebrar a data em 12 de abril.
As datas diferentes resultam de tradições de calendário distintas e de regras específicas para o cálculo da celebração.
Cálculo
A questão sobre o momento correto da celebração da Páscoa é tema de debate entre cristãos há quase 2 mil anos, relata o arcipreste greco-ortodoxo Radu Constantin Miron, de Bonn, na Alemanha.
"No século 4, foi realizado um grande concílio ecumênico em Niceia [então uma cidade romana, hoje na Turquia], cujo 1.700º aniversário celebramos no ano passado. Esse concílio, realizado no ano 325 depois de Cristo, definiu quando a Páscoa deve ser celebrada: no primeiro domingo após o equinócio da Primavera, com a condição adicional de que a festa judaica da Pessach tenha ocorrido antes", explica ele.
Na época do concílio de Niceia, a Igreja se orientava pelo calendário juliano, introduzido pelo imperador romano Júlio César em 46 a.C.
Separação
Mas então no século 11 ocorreu o Grande Cisma, que causou uma ruptura da Igreja Católica, separando-a em duas: Igreja Católica Apostólica Romana e Igreja Católica Apostólica Ortodoxa, a partir do ano 1054.
Em 1582, o então líder da Igreja Católica, o papa Gregório 13, introduziu um novo calendário, para corrigir distorções matemáticas, mudando a contagem de dias.
Naquele ano, o dia seguinte ao 4 de outubro, uma quinta-feira, não seria a sexta-feira 5 de outubro, mas, sim, sexta-feira 15 de outubro - um salto de 13 dias. Nos séculos seguintes, o calendário gregoriano foi sendo gradualmente adotado na Europa.
Isso teve um impacto direto na forma de cálculo da data da Páscoa tanto para os católicos quanto para confissões protestantes.
No entanto, as igrejas ortodoxas continuaram a seguir o antigo calendário juliano, pelo em datas religiosas, já que países de maioria ortodoxa adotam o gregoriano para o dia a dia.
É essa defasagem de 13 dias somada a fórmula de cálculo do equinócio que faz com que a Páscoa ortodoxa seja celebrada entre uma ou até cinco semanas após a Páscoa em denominações ocidentais.
Mas, algumas vezes as datas coincidem. Em 2025, num alinhamento de calendários, a Páscoa foi celebrada em uma data comum para todas as grandes igrejas cristãs, católicas, protestantes e ortodoxas. Já em 2026, o feriado ocorre em semanas distintas. O próximo alinhamento vai ocorrer em 2028.
Esforços para um calendário em comum
O 1.700º aniversário do Concílio de Niceia, celebrado em 2025, reacendeu o debate sobre uma data comum para a Páscoa no Oriente e no Ocidente. Em novembro passado, o papa Leão 14 visitou o local histórico na atual Turquia, apelou à unidade das igrejas cristãs e participou, junto com o Patriarca Bartolomeu 1° de Constantinopla, de uma oração ecumênica.
Ambos os líderes eclesiásticos apoiam, em princípio, uma data comum para a Páscoa e ressaltam que um calendário unificado seria um sinal visível da unidade cristã. Embora até agora não tenha havido um avanço decisivo, a disposição para uma aproximação foi expressa de forma mais clara do que antes.
De acordo com Radu Constantin Miron, o aniversário do Concílio de Niceia lembrou muitos de como a data da Páscoa foi originalmente estabelecida e de que católicos e ortodoxos deveriam retornar à celebração conjunta.
"Nós, ortodoxos, às vezes somos um pouco lentos – e, admito, também um pouco formalistas", diz ele, sem se furtar de uma autocrítica. "É claro que o momento da Páscoa não é o mais importante. O essencial é que celebremos a ressurreição de Cristo. E, se fizermos isso juntos, é obviamente melhor. É assim que deveria ser."
Unidade em tempos de afastamento
Mesmo que o caminho até um acordo ainda pareça distante, o jubileu de Niceia mostrou que decisões históricas podem ser repensadas em conjunto. Hoje, ortodoxos e católicos compartilham claramente mais pontos em comum do que aquilo que, há poucos anos, parecia separá-los.
Cada vez mais clérigos parecem compartilhar a visão de que uma Páscoa celebrada em comum não representaria uma perda de prestígio para nenhuma das igrejas, mas sim um ganho em prática de fé compartilhada. E também um sinal visível de unidade em um período em que cada vez mais pessoas na Europa e em outras regiões do mundo se afastam das igrejas.
fcl/jps (DW)
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| Short teaser | Ano passado, igrejas cristãs celebraram juntas o Domingo de Páscoa. Mas, em 2026, data voltou a cair em dias diferentes | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/por-que-ortodoxos-comemoram-a-páscoa-em-uma-data-diferente/a-76741977?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Papa Leão 14 e o Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu 1°, juntos na igreja de São Jorge, em Istambul, em novembro de 2025 | ||
| Image source | Vatican Media/ABACA/picture alliance | ||
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| Item 13 | |||
| Id | 76739266 | ||
| Date | 2026-04-10 | ||
| Title | Riscos e oportunidades da rápida adoção de IA na Justiça | ||
| Short title | Riscos e oportunidades da rápida adoção de IA na Justiça | ||
| Teaser |
Brasil está na liderança mundial na adoção da IA no Judiciário. Tecnologia pode ampliar acesso à Justiça e acelerar resoluções. Mas casos recentes expuseram riscos dessa nova tendência. O Brasil é reconhecido internacionalmente como líder na adoção da inteligência artificial (IA) no Judiciário. Casos recentes expuseram os riscos deste movimento e aumentaram o alerta sobre eventuais complicações em razão do uso da tecnologia. Vazamentos e as chamadas "alucinações" dos modelos de linguagem são temidos, enquanto a facilidade de abrir novos processos ameaça sobrecarregar ainda mais o setor. Por outro lado, a tecnologia é vista como uma chance de ampliar o acesso à Justiça e potencial aliada na resolução mais rápida de casos. "O Brasil é líder global na adoção de IA, com ferramentas que abrangem as forças policiais, o Ministério Público, os tribunais em matéria penal e cível e a defesa", avalia o monitor do Instituto Oxford de Tecnologia e Justiça sobre o tema. Os tribunais brasileiros utilizam mais de 140 ferramentas de IA para gestão processual, pesquisa e análises, destaca o relatório. Em fevereiro, a questão veio à tona depois de uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos, que continha um comando para uso de IA, o chamado "prompt". O relator do caso, o desembargador Magid Nauef Láuar manteve na versão final do documento uma frase usada para determinar o que a ferramenta de IA deveria fazer ao escrever seu voto, o que gerou fortes reações e temor pela forma como a tecnologia poderia influenciar decisões. Em 2025, a Corregedoria-Geral da Justiça do Maranhão instaurou uma sindicância para investigar o juiz Tonny Carvalho Araújo Luz por uso inadequado de ferramentas de IA. A medida destacou que a produtividade do juiz passou de uma média mensal de 80 sentenças para 969 apenas no mês de agosto do ano passado. No final de março de 2026, uma juíza foi designada para seguir com as investigações. Um relatório recente organizado pelo JusBrasil, em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), apontou que 77% dos profissionais de direito utilizam IA generativa com frequência ao menos uma vez por semana, na rotina profissional. No ano passado, essa proporção era de 55%. Em razão da rápida adoção, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) adotou ao final de 2025 uma resolução sobre o tema após consulta com diversos setores da sociedade. Do texto, é destacada a obrigatoriedade de supervisão humana, a classificação dos sistemas de IA conforme o nível de risco e auditorias regulares. Na visão de Fabro Steibel, diretor executivo do ITS, o CNJ criou obrigações e restrições para o uso destas tecnologias, enquanto o Judiciário traz muitas garantias. "É necessário sempre um controle humano, não sendo possível automatizar tudo", avalia. Líder globalNo histórico de adoções de ferramentas, desde 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) utiliza um sistema chamado Victor visando auxiliar nas decisões. A iniciativa foi lançada para ajudar na análise mais eficaz de recursos. Em 2020, o projeto Sinapses reuniu dezenas de iniciativas de IA no âmbito do CNJ e de tribunais em uma plataforma nacional de armazenamento, treinamento supervisionado, além de outras funções ligadas à tecnologia. A partir de então, diversos outros organismos desenvolveram projetos próprios na área. "O Brasil é um dos países mais inovadores do mundo na área. Há bastante autonomia no Judiciário, que conta com orçamento para fazer funcionar. Assim, cada Tribunal de Justiça é uma espécie de laboratório. E, com as tecnologias avançando, é necessário menos equipe para desenvolver ferramentas", descreve Steibel. "O Judiciário brasileiro é feito por delegação de tarefas, com servidores que utilizam ferramentas eletrônicas com supervisão e revisão em diversos níveis até chegar para a análise dos magistrados. Este tipo de automação já naturalizada não assusta e não dá notícia. O que assusta é a IA", afirma Rômulo Valentini, diretor vice-presidente do Direito, Tecnologia e Inovação (DTIBR). Ainda assim, há certa surpresa no exterior pelo fato e o Brasil ter adotado uma variedade de sistemas de IA para funções diferentes de uma forma ampla para diversas localidades, conta Giulia Fardim, atualmente pesquisadora visitante no Washington College of Law da American University. "Os pesquisadores de outros países tem grande preocupação com a proteção de dados, incluindo aqueles utilizados para treinar as máquinas", aponta. Ela lembra que, no caso brasileiro, é mais fácil o acesso ao teor de processos, principalmente na comparação com a Europa, o que facilita a adoção local das ferramentas. "O sistema Judiciário brasileiro é muito digitalizado, o que também acaba facilitando a adoção, enquanto em outros países ainda há, por exemplo, muito uso de papel nos processos", compara. Valentini reforça essa visão, lembrando que há grande digitalização no setor do país desde os anos 90, o que leva a atualmente haver milhões de processos disponíveis de forma virtual. "A mudança recente que despertou novamente o interesse sobre o tema foi o salto tecnológico alcançado no final da década passada, com maior desenvolvimento na tecnologia e os produtos comerciais, como ChatGPT e outros", aponta. Segundo ele, isso tornou fácil e acessível a usuários não versados em programação uma ferramenta de IA poderosa e de baixo custo. Petições a R$ 20 e riscosO baixo custo é marcado nas ofertas online. Em certos sites, é possível encontrar petições iniciais para a abertura de processos a partir de R$ 20. A possibilidade levanta o temor de que o cenário de uma explosão de ações judiciais abertas no país seja agravado. Em 2025, o Judiciário brasileiro recebeu quase 40 milhões de novos processos, número recorde. "A oferta de petições prontas e baratas pode até facilitar o acesso no início, mas levanta dúvidas sobre a qualidade e a responsabilidade desses conteúdos. O Direito não funciona como um modelo padrão", afirma Leonardo Sica, presidente da OAB-SP. "Tenho alertado que a comercialização de petições automatizadas a baixo custo pode desvalorizar a advocacia e comprometer a segurança jurídica", pontua. Além disso, há os casos nos quais a IA "alucina" e cria jurisprudência fictícia. Nestas situações, há potencial para aplicação de multas, situação muitas vezes causada e potencializada pela falta de "letramento digital" e formação teórica e prática específica para o uso de tais ferramentas, destaca Valentini. A plataforma de monitoramento internacional do tema "AI Hallucination Cases" conta atualmente com dez situações do gênero no Brasil, todas pela parte dos advogados. Em três destas situações, a ferramenta usada foi o ChatGPT, envolvendo inclusive "múltiplas citações de casos e referências doutrinárias fabricadas". Valentini cita ainda outros riscos, como usuários que utilizam sistemas não homologados pelos tribunais sem que isso seja identificado, gerando riscos de segurança e proteção de dados. Há ainda o chamado uso de "prompt injections”, quando, ao saberem que o Judiciário está utilizando ferramentas de IA para julgamento, pessoas podem tentar inserir comandos nas peças processuais para burlar esses sistemas. Justiça mais próximaAo mesmo tempo em que cresce o número da abertura de novos processos, especialistas veem com bons olhos a possibilidade de a tecnologia ser usada para acelerar a tomada de decisões, além de poder facilitar a identificação de ações iniciadas de forma predatória. "Existe uma preocupação com o aumento da litigiosidade, mas a solução não pode ser restringir acesso à Justiça”, aponta Sica. Neste sentido, o Jus.com.br conta com a plataforma JusticIA, que usa a tecnologia para responder dúvidas comuns sobre processos no país, como direitos trabalhistas e herança, usando de sua ampla base de dados. O assistente jurídico é capaz de interpretar e simplificar termos jurídicos, tirar dúvidas e auxiliar na elaboração de documentos. Outra vantagem que Valentini explica é no "cálculo sobre a validade de uma causa”, que pode ficar mais simples. Ele lembra que, anteriormente, grandes litigantes como bancos e operadoras de telefonia usavam bases de dados para definir suas atuações em processos, como o histórico pago por acordos em determinadas região. Com a IA, isso fica mais acessível e até personalizado para a população, pontua. "Muitas pessoas pedem ao ChatGPT para explicar decisões. Até então, não havia incentivo para haver uma linguagem simples no Direito, mas a Justiça não foi feita para o Estado, e sim para o cidadão”, conclui Steibel. |
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| Short teaser | Tecnologia pode ampliar acesso à Justiça e acelerar resoluções. Mas casos recentes expuseram riscos da nova tendência. | ||
| Author | Matheus Gouvea de Andrade | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/riscos-e-oportunidades-da-rápida-adoção-de-ia-na-justiça/a-76739266?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Riscos%20e%20oportunidades%20da%20r%C3%A1pida%20ado%C3%A7%C3%A3o%20de%20IA%20na%20Justi%C3%A7a | ||
| Item 14 | |||
| Id | 76739443 | ||
| Date | 2026-04-10 | ||
| Title | Greve de comissários da Lufthansa provoca cancelamentos em massa de voos na Alemanha | ||
| Short title | Greve na Lufthansa afeta milhares de passageiros na Alemanha | ||
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Comissários de bordo da companhia alemã paralisaram atividades em protesto contra possível encerramento de subsidiária, provocando cancelamento de centenas de voos, afetando dezenas de milhares de passageiros.Comissários de voo da companhia aérea alemã Lufthansa estão em greve desde a meia-noite até as 22h desta sexta-feira (10/04), em paralisação convocada pelo sindicato Organização Independente de Comissários (UFO, na sigla em alemão). Com isso, centenas de voos foram ou estão sendo cancelados, e dezenas de milhares de passageiros, afetados.
Nos aeroportos de Frankfurt e Munique, por exemplo, voos com destino a outras cidades europeias, como Milão, Bruxelas, Dublin e Nice, foram cancelados já pela manhã.
Além desses dois aeroportos, outros nove têm sido afetados pela greve, que atinge principalmente a empresa Cityline, subsidiária da Lufthansa em hubs regionais, com sede em Colônia.
Somente no aeroporto de Frankfurt – o maior e mais importante do país –, foram cancelados 580 de um total de 1.350 voos previstos para esta sexta-feira, o que afetaria cerca de 72.000 passageiros, segundo informações da Fraport, que administra o aeroporto. Somando outras companhias aéreas, o total de passageiros atingidos poderia chegar a mais de 100.000.
Esta é a terceira paralisação registrada na Lufthansa em dois meses.
Argumentos distintos
Enquanto o diretor-executivo da Lufthansa, Jens Ritter, disse que a greve é "completamente desproporcional", os representantes do UFO argumentaram que a escalada foi inevitável devido a impasses nas negociações.
A paralisação ocorre depois de o sindicato rival Verdi ter garantido um acordo coletivo junto à Cityline que abrange 500 comissários e pilotos.
O acordo, alcançado após extensas negociações na semana passada, aumentará os salários básicos entre 20% e 35% em três etapas até março de 2029, incluindo dias extras de folga, mais férias, melhor planejamento de escalas e ampliação do apoio previdenciário, segundo o Verdi.
No entanto, a Lufthansa teria a intenção de encerrar as atividades da Cityline até o fim deste ano, o que causou indignação entre os funcionários – a medida colocaria em torno de 800 empregos em jogo.
Empresa alerta passageiros
A Lufthansa recomendou que os passageiros que têm passagem comprada para esta sexta-feira informem-se a respeito de seus voos, com bilhetes que podem ser remarcados ou reembolsados, além de direito a indenizações caso o atraso ultrapasse três horas. A companhia também deve providenciar transporte alternativo, alimentação e hospedagem
gb (Reuters, ots)
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| Short teaser | Comissários de bordo da companhia alemã paralisaram atividades em protesto contra possível encerramento de subsidiária. | ||
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| Image caption | Paralisação começou à meia-noite e deve se estender até as 22h desta sexta-feira, como no aeroporto de Frankfurt | ||
| Image source | Hannes P Albert/dpa/picture alliance | ||
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| Item 15 | |||
| Id | 76739195 | ||
| Date | 2026-04-10 | ||
| Title | Polícia prende "neonazista trans" na República Tcheca após fuga | ||
| Short title | Polícia prende "neonazista trans" na República Tcheca | ||
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Extremista ganhou notoriedade na Alemanha ao passar a se apresentar como mulher trans após condenação e ter direito a cumprir pena em prisão feminina, em caso que gerou debate sobre manipulação de lei de autodeterminaçãoUm membro da cena neonazista do leste da Alemanha que passou a se identificar como uma mulher trans após ser condenado à prisão, foi detido pela polícia na República Tcheca após passar meses em fuga, anunciaram autoridades alemãs na quinta-feira (10/04).
Marla-Svenja Liebich sofreu uma condenação em 2023 por incitação ao ódio étnico, injúria e difamação – crimes que cometeu quando ainda atendia pelo nome Sven Liebich. Segundo vários jornais alemães, Liebich costumava ser membro de um grupo neonazista chamado Sangue e Honra.
Segundo as autoridades, o mandado de prisão contra Liebich foi cumprido na cidade de Krásná, cerca de 100 quilômetros a leste de Praga. De acordo com vários jornais alemães, Liebich tentou fugir brevemente usando um patinete elétrico antes da captura. Segundo o jornal alemão Mitteldeutsche Zeitung, a primeira publicação a reportar a prisão, Liebich estava usando roupas masculinas e tinha a cabeça raspada no momento da captura.
Agora, a expectativa é de uma extradição para a Alemanha.
Em agosto de 2025, o caso despertou a atenção da imprensa e da classe política após Liebich conseguir o direito de cumprir pena em um presídio feminino, em um caso que provocou debate sobre a aplicação da lei de autodeterminação de gênero do país.
No entanto, no fim de agosto de 2025, Liebich desapareceu antes de se entregar às autoridades para cumprir a pena de prisão, passando a publicar nas suas redes sociais que estava fora do país.
Liebich, de 55 anos, trocou de nome e de gênero nos seus documentos no final de 2024, enquanto recorria da condenação em primeira instância. Para solicitar a mudança, apoiou-se na Lei de Autodeterminação de Gênero, que entrou em vigor em 1º de novembro do mesmo ano.
Festejada à época por defensores dos direitos de pessoas LGBTQ+, a nova lei passou a permitir que qualquer pessoa possa modificar seu nome e sexo no registro civil com uma simples autodeclaração em cartório, sem necessidade de apresentação de laudos periciais e psiquiátricos ou tratamentos hormonais, como ocorria antes.
Antes da mudança, neonazista denunciava "ideologia de gênero"
A mudança de gênero de Liebich foi noticiada pela imprensa no início de 2025, e suscitou questionamentos sobre suas motivações, além de levantar acusações de manipulação da nova lei como forma de provocação pública.
Quando ainda atendia pelo nome Sven, Liebich se manifestava de maneira crítica contra o que chamava de "ideologia de gênero", além de insultar participantes da parada gay como "parasitas". Também alertou contra o que chamou de "transfascismo" e vendeu souvenirs estampados com a frase: "Não existe criança trans, apenas pais idiotas".
Após mudar seus documentos, Liebich passou a processar judicialmente veículos que noticiassem a mudança de gênero e a tratassem como homem. Em um desses casos, perdeu para o jornalista Julian Reichelt , chefe do veículo Portal Nius e ex-editor-chefe do tabloide Bild, que teve assegurado como liberdade de expressão seu direito de afirmar numa rede social que Liebich "não é mulher".
"Qualquer um que acompanhar a cobertura sobre o neonazista Sven Liebich só poderá chegar a uma conclusão: o governo anterior conseguiu forçar praticamente toda a imprensa alemã por lei a dizer uma inverdade e alegar coisas grotescamente falsas. Sven Liebich não é uma mulher", escreveu Reichelt no X em julho.
Outro caso envolvendo a revista Der Spiegel, denunciado ao Conselho de Imprensa da Alemanha, foi dispensado; o órgão considerou provável que Liebich tenha alterado seus dados civis de má fé "para provocar e ridicularizar o Estado".
Não foi a primeira vez que Liebich apareceu no noticiário por controvérsias ou provocações. Em 2020, em outro julgamento, por acusação de difamação, Liebich apareceu no tribunal usando uma máscara com a palavra "mordaça" estampada.
Sentença de 1 ano e 6 meses
Agora, com a captura, não está claro ainda em que tipo de prisão Liebich vai cumprir pena. Sua sentença de um ano e seis meses de prisão só transitou em julgado em maio de 2025 – após a mudança de gênero.
Inicialmente, antes da sua fuga, Liebich deveria cumprir a pena na penitenciária feminina JVA em Chemnitz, no estado da Saxônia.
Mas a situação jurídica de Liebich continua a ocupar as autoridades no que diz respeito à questão do seu registo de género. Há apenas quatro semanas, o Tribunal Distrital de Halle anunciou a sua intenção de decidir se as alterações ao primeiro nome e ao género de Liebich podem ser revertidas.
O distrito de Saalekreis, no sul do estado da Saxónia-Anhalt, onde o registo de nascimento foi alterado, iniciou o processo judicial em dezembro de 2025, O tribunal afirmou que a ação não é pública e Liebich ainda deve ter a oportunidade de se manifestar durante o curso do processo.
Jps (DW, ots)
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| Short teaser | Extremista ganhou notoriedade na Alemanha em 2025 ao começar a se apresentar como mulher trans após condenação. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/polícia-prende-neonazista-trans-na-república-tcheca-após-fuga/a-76739195?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Em 2023, um tribunal alemão condenou Liebich por incitação ao ódio racial e difamação, entre outros crimes | ||
| Image source | Sebastian Willnow/dpa/picture alliance | ||
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| Item 16 | |||
| Id | 76725925 | ||
| Date | 2026-04-09 | ||
| Title | A guerra no Irã abalou de forma permanente a imagem de "paraíso" promovida por Dubai? | ||
| Short title | A guerra no Irã abalou o "paraíso" de Dubai? | ||
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Após ser promovido por anos como um "porto seguro" por influencers, Dubai sente efeitos da guerra e enfrenta perdas no turismo. Governo tenta limitar danos e recupear confiança de estrangeiros.Uma série de manchetes recentes sugere que a guerra no Irã marca o fim do chamado "paraíso" ou "sonho de Dubai", no qual estrangeiros ostentam um estilo de vida luxuoso, isento de impostos, nos Emirados Árabes Unidos.
"O desmonte de Dubai como porto seguro", apontou a revista americana The New Yorker. "Será este o fim de Dubai?", perguntou um colunista do New York Times.
O Daily Mail, por sua vez, demonstrou um certo deleite com o fato de influencers obcecados por redes sociais, que até então exibiam vidas glamorosas em Dubai, estarem sendo forçados a deixar o país. O tabloide britânico publicou dezenas de matérias sobre "o grande êxodo de Dubai" e sobre como "a fantasia reluzente e isenta de impostos dos influencers está desmoronando".
Parte desse "desmoronamento" envolve a prisão de influenciadores e outras pessoas por divulgarem imagens dos danos causados à cidade por ataques iranianos. A organização de assistência jurídica Detained in Dubai acredita que mais de 100 indivíduos, incluindo europeus, foram presos pelas autoridades dos Emirados sob leis de crimes cibernéticos ou de segurança nacional. Se condenados, podem enfrentar multas elevadas ou até anos de prisão.
Segundo o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos, o Irã lançou mais de 2,2 mil drones e mais de 500 mísseis balísticos contra o país desde o início da guerra, com alguns ataques supostamente atingindo o aeroporto de Dubai, além de prédios residenciais e hotéis na cidade.
Ao mesmo tempo, porém, as autoridades dos Emirados tentaram manter a impressão de segurança e normalidade em Dubai. Líderes visitaram shopping centers, onde empresas foram orientadas a permanecer abertas e operar normalmente.
Alguns veículos de mídia locais e contas influentes nas redes sociais promoveram uma narrativa contrária. Ela insiste que a vida segue normalmente e que Dubai continua segura.
Quem está certo sobre o "sonho de Dubai"?
Não há dúvida de que sérios danos econômicos foram causados a Dubai, o segundo maior emirado dos sete que compõem os Emirados Árabes Unidos.
A maior parte do petróleo dos Emirados — cerca de 96% — é propriedade do emirado de Abu Dhabi, razão pela qual a maior parte da renda de Dubai vem de atividades não petrolíferas, tais como turismo, serviços financeiros, tecnologia, mercado imobiliário e logística.
Dubai tem uma população de cerca de 3,8 milhões de pessoas, mas apenas cerca de 10% são emiradenses nativos. O influxo de imigrantes, como residentes, investidores ou turistas, impulsionou o crescimento econômico de Dubai à medida que a demanda por bens e serviços aumentou junto com a população.
"A população expatriada dos Emirados Árabes Unidos é central para as trajetórias de desenvolvimento econômico do país", apontou uma análise de 2021 do Instituto dos Estados Árabes do Golfo, um think tank sediado em Washington. É por isso que "contrações populacionais impulsionadas pela saída de expatriados tendem a ter um impacto econômico desproporcional".
Não há números disponíveis sobre quantos residentes estrangeiros deixaram Dubai, de forma permanente ou temporária, desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no fim de fevereiro. Relatos sugerem, no entanto, que dezenas de milhares fugiram.
O turismo também demonstrou uma redução substancial. Entrevistas com empresas focadas no setor indicam quedas no número de visitantes de até cerca de 80%. Em março, por exemplo, as taxas de ocupação dos hotéis de Dubai despencaram, segundo observou a publicação Arabian Gulf Business Insight.
Também houve perdas em outras áreas. O índice de referência da bolsa de Dubai perdeu 16% de seu valor durante a guerra. Gestores do setor de serviços financeiros pediram que funcionários trabalhassem de casa e alguns até evacuaram empregados. Os preços dos imóveis caíram após atingirem níveis recordes, e observadores do mercado disseram que compradores estavam desistindo de aquisições planejadas.
Assistência governamental
As autoridades locais estão tentando conter danos. Nas últimas duas semanas, os Emirados Árabes Unidos montaram um pacote de medidas no valor de cerca de US$ 272 milhões (1,39 bilhões de reais) como forma de apoio.
O pacote concede três meses adicionais para o pagamento de taxas governamentais, incluindo taxas de vendas de hotéis e impostos turísticos, além de mais tempo para a apresentação de declarações aduaneiras. As autoridades também estão financiando planos para estimular o turismo após o fim da guerra.
Segundo informou o Financial Times em meados de março, elas também querem flexibilizar regras sobre status fiscal e residência para estrangeiros, a fim de convencer aqueles que partiram a retornar.
"Dubai foi um dos primeiros governos regionais a lançar um programa de apoio econômico que vai além de pacotes de resiliência dos bancos centrais", disse Robert Mogielnicki, pesquisador não residente do Instituto dos Estados Árabes do Golfo. "Há um entendimento de que Dubai precisa se adiantar na sua resposta, dada a forte ofensiva contra os Emirados Árabes Unidos e a importância da economia não petrolífera de Dubai."
Mogielnicki e outros avaliam que, em termos financeiros, Dubai está longe de acabar.
"A economia de Dubai, duramente atingida, exigirá uma grande recuperação para se aproximar da normalidade", disse Mogielnicki à DW. "Muitos observadores continuam otimistas quanto à resiliência do emirado. Um Dubai bem ajustado à economia política regional do pós-conflito parece bastante plausível."
Karen Young, pesquisadora sênior do centro de política energética global da Universidade Columbia, concorda.
"Minha visão geral é que, sim, Dubai pode se recuperar", disse a especialista em economias dos Estados do Golfo à DW. "Dubai sempre será um polo regional. Representa um ideal de liberdade econômica e luxo, aliado a serviços estatais confiáveis e a uma regularidade nas operações legais e empresariais que poucos na região desfrutam em seus países de origem."
"Na minha avaliação, as forças centrais dos Emirados Árabes Unidos permanecem intactas", confirmou Martin Henkelmann, chefe do Conselho Conjunto Germano-Emiradense para Indústria e Comércio, que apoia empresas alemãs nos Emirados. "Mesmo diante dos desafios atuais, os Emirados estão bem posicionados para se recuperar rapidamente."
Henkelmann aponta para a forma como os Emirados se recuperaram após a pandemia de covid-19. "Mas essa perspectiva positiva depende de uma resolução rápida do conflito", disse ele à DW.
"Sonho de Dubai" – uma pausa, mas não o fim
Um dos primeiros indicadores econômicos de guerra vindos dos Emirados também sustenta esse argumento.
No início de abril, a empresa americana de inteligência financeira S&P Global publicou o índice de gerentes de compras (PMI) de março para os Emirados Árabes Unidos. Para o cálculo, gerentes de compras em empresas são questionados sobre suas expectativas em relação a pedidos e produção.
O PMI de Dubai caiu de 54,6 em fevereiro para 53,2 em março. A boa notícia é que um PMI acima de 50 ainda representa crescimento.
"O setor privado não petrolífero dos Emirados Árabes Unidos sofreu um revés com os impactos da guerra", disse David Owen, economista sênior da S&P Global, em comunicado. "Ainda assim, para muitas empresas, as carteiras de pedidos foram resilientes e a produção cresceu."
Mas também houve perdas menos tangíveis para Dubai. Elas giram no âmbito da reputação, sendo algumas até emocionais, e incluem imagens de hotéis de luxo em chamas e manchetes sobre prisões de influenciers em um Estado que permanece autoritário. Essas perdas podem ser muito mais difíceis de corrigir.
"Durante anos, a marca dos Emirados Árabes Unidos — e a de Dubai em particular — foi sustentada por sua alegação de ser uma ilha de estabilidade em uma vizinhança perigosa", escreveu o Financial Times.
Por isso, é incerto se indivíduos de alto patrimônio e influenciadores amantes do luxo retornarão em números semelhantes aos de antes, especialmente se tiverem outras opções.
"Expatriados são um público-chave para Dubai", argumentou Mogielnicki. "Portanto, suspeito que haverá esforços concentrados e incentivos fortes para reter, trazer de volta e continuar atraindo expatriados no futuro. Não será fácil, mas é um discurso comercial que Dubai seguirá fazendo."
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| Short teaser | Enquanto insistem que a vida segue normalmente, outros dizem que o "sonho de Dubai" acabou. Quem está certo? | ||
| Author | Cathrin Schaer | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-guerra-no-irã-abalou-de-forma-permanente-a-imagem-de-paraíso-promovida-por-dubai/a-76725925?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | O turismo contribui com cerca de 12% da renda anual de Dubai — uma receita que foi severamente impactada pela guerra | ||
| Image source | Fatima Shbair/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 17 | |||
| Id | 76720085 | ||
| Date | 2026-04-09 | ||
| Title | Licença-paternidade maior amplia presença do pai e pode mudar dinâmica familiar | ||
| Short title | Licença-paternidade maior pode mudar dinâmica familiar | ||
| Teaser |
Nova lei prevê aumento gradual do benefício. Medida busca incentivar o envolvimento no cuidado desde o nascimento ou adoção, com impactos no desenvolvimento da criança e na rotina doméstica. Ter mais tempo com a filha e fazer parte de sua rotina parecia uma realidade distante para o empresário Renato Peres, 44 anos. Sete anos atrás, quando sua primeira filha nasceu, ele teve direito a 20 dias de licença-paternidade e participou ativamente do dia a dia da criança. Embora, segundo ele, o ideal fosse permanecer mais tempo em casa, ele afirma que o período foi importante para criar vínculo com a bebê. "Eu mudei muito após minha experiência no convívio familiar. Me conectei com a minha filha, amava dar banho, trocar fralda, cuidar e ninar”, diz. Assim como ele, outros pais poderão se beneficiar da ampliação da licença-paternidade no Brasil nos próximos anos. Em 31 de março passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.371/2026, que prevê o aumento progressivo do período de afastamento. A mudança começa a ser aplicada de forma escalonada. O tempo mínimo, que hoje é de cinco dias, será ampliado gradualmente ao longo dos próximos anos, permitindo uma adaptação tanto por parte das empresas quanto dos trabalhadores. A proposta é que o período chegue a 20 dias até 2029, ampliando o tempo de convivência entre pais e filhos logo após o nascimento ou adoção. Quebrando padrõesEspecialistas apontam que a medida ajudará pais a exercerem um papel ainda mais ativo nos primeiros dias da criança, quebrando padrões e conceitos de que só as mulheres têm funções de cuidado sobre os filhos. Durante os dias de sua licença paternidade, Renato conta que a experiência com a filha fez com que ele enxergasse ainda mais a importância de ser um pai presente. "Uma das lembranças mais felizes da minha vida foi quando ela adormeceu em meu colo à noite. Porque ela sempre procurava a mãe", diz. "Naquele momento, me senti acolhido, como um porto seguro e isso só foi possível porque ela tinha um pai presente." Mesmo vendo como um avanço o prolongamento de dias em relação ao benefício, ele acredita que as empresas deveriam aumentar o prazo de afastamento. "Eu acredito que 20 dias ainda é pouco. É comum entre as mulheres ‘emendar' a licença maternidade com férias (nos casos de regime CLT), hoje, vendo num médio prazo, eu teria feito o mesmo", afirma. A presença ativa e a divisão de tarefas dentro de casa também contribuíram para aproximar o casal. Nos primeiros dias após o parto, a esposa enfrentou o chamado "baby blues" – fase marcada por intensas oscilações hormonais e emocionais –, enquanto lidava, ao mesmo tempo, com as demandas iniciais de cuidado com o bebê e a própria recuperação física. Diante desse cenário, ele assumiu as tarefas cotidianas e buscou oferecer suporte prático e emocional, entendendo que não havia uma separação de funções. "Era um momento de cuidar, proteger e estar presente", reforça. "Quando você entende isso e acolhe, se torna mais próximo como marido. Entender que é o momento de dar espaço como homem, no sentido sexual, por conta de tudo o que ela está passando te une e transforma o seu amor", diz. Depois de alguns anos, Renato mudou a relação que tinha com o trabalho por causa da paternidade. Depois de perder uma apresentação importante da filha na escola, pediu demissão do emprego e seguiu como autônomo para ter mais tempo com a criança. "Ali eu decidi mudar minha vida. Troquei uma carreira de 25 anos e me tornei empreendedor, isso me dá mais dor de cabeça, mas me dá mais tempo com elas, e isso no final gratifica", frisa. 50 dias em casaA experiência de Victor Bocciadi, 44 anos, reforça o impacto do tempo disponível nos primeiros meses após o nascimento. Engenheiro e pai de duas meninas, ele teve direito a 20 dias de licença-paternidade nas duas ocasiões, mas conseguiu estender a permanência em casa ao emendar o período com as férias, chegando a cerca de 50 dias, no nascimento da segunda filha, que agora tem seis meses de idade. Segundo ele, o afastamento foi decisivo para participar da adaptação da família à nova rotina e oferecer suporte à esposa, especialmente após a segunda gestação, que exigiu a recuperação de uma cesariana. Durante esse período, assumiu tarefas da casa e cuidados com as filhas, como dar banho, trocar fraldas e acompanhar a filha mais velha na rotina diária. Victor avalia que o tempo ampliado permitiu acompanhar fases mais exigentes do bebê, como episódios de cólica e mudanças no sono, o que também impacta a dinâmica da casa. Para ele, a presença do pai ajuda a reduzir a sobrecarga materna e contribui para a construção do vínculo desde o início. "Se pudesse chegar a 60 dias de licença, seria o ideal. São os meses mais complexos”, diz. A vivência também, segundo ele, contribui para rever padrões associados ao papel do homem no cuidado com os filhos. "Acho que diminui um pouco a visão machista, sim. A paternidade não envolve só a mulher”, diz. Ele relata que, na empresa em que trabalhava anteriormente, a ampliação da licença estava atrelada à participação em um curso de paternidade responsável. "Esse curso dá uma visão diferente. O intuito é exatamente mudar essa questão [do machismo]”, afirma. Para Victor, o envolvimento mais direto desde o início faz com que o homem participe de forma mais ativa no cuidado diário, especialmente em um período considerado por ele como o mais exigente para a família. A experiência também levou a mudanças na rotina e na relação com o trabalho. Com o nascimento das filhas, ele passou a reorganizar horários e priorizar atividades durante o dia, com foco no convívio familiar. "A gente começa a pensar no bem-estar das nossas filhas. Raramente vamos a eventos à noite. A prioridade acaba mudando”, afirma. Construção de vínculoA ampliação do tempo de convivência entre pais e filhos nos primeiros meses após o nascimento pode ter efeitos que se estendem por anos. Segundo especialistas, a participação ativa do pai nesse período está associada à construção do vínculo afetivo e a indicadores positivos no desenvolvimento da criança. Para Rodolfo Canonico, diretor de relações institucionais do Family Talks e cofundador da Coalizão Licença-Paternidade, a presença paterna funciona como um fator de proteção. "Um pai presente na vida da criança está associado a melhores desfechos acadêmicos, redução da evasão escolar, melhores indicadores de saúde mental e menor exposição a contextos violentos", afirma. De acordo com ele, o envolvimento desde o início fortalece a relação e aumenta a probabilidade de esse vínculo se manter ao longo da vida. Ele destaca ainda que o contato direto com o bebê também provoca mudanças no comportamento do homem. "O pai que se envolve passa por transformações. O corpo produz ocitocina, que é o hormônio da relação, o que molda esse homem para o cuidado", diz. Esse processo, segundo ele, favorece a criação de um ambiente mais estável, com impacto direto no desenvolvimento da criança. A psicóloga e doutora em educação Ana Priscilla Christiano, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), aponta que o envolvimento do pai nas atividades cotidianas, como dar banho, trocar fraldas e colocar o bebê para dormir, contribui para a construção desse vínculo desde o início. "Ao se envolver no cuidado, o pai tem a oportunidade de se conectar com o filho e compreendê-lo como um ser que precisa de apoio desde o começo da vida", afirma. Segundo ela, essa "ligação" não se limita ao aspecto afetivo imediato, mas influencia o desenvolvimento emocional e social da criança. "Ter mais de uma referência de cuidado pode trazer mais segurança e flexibilidade na formação de vínculos ao longo da vida”, diz. Reequilíbrio do cuidado e aproximação do casalApesar de avanços no debate sobre paternidade, a divisão de tarefas dentro de casa ainda segue marcada por desigualdades. A ampliação da licença-paternidade, ao permitir que o homem permaneça mais tempo no ambiente doméstico, abre espaço para uma participação mais direta no cuidado com o bebê e na rotina da casa. Para a psicóloga Maria Carolina Thedim, especialista em terapia sistêmica relacional pelo EntreNós Instituto, a presença do pai tende a levá-lo a assumir atividades que, historicamente, ficaram concentradas na mulher. "Com o pai mais tempo em casa, ele vai ser chamado para participar das atividades que envolvem o bebê e uma casa funcional”, afirma. O movimento, no entanto, não acontece de forma automática. "Não basta estar disponível. É preciso entender como essa pessoa vê o cuidado e como coloca isso em prática", diz. Esse ponto ganha relevância porque padrões de cuidado são aprendidos e costumam se repetir nas relações. Sem revisão dessas referências, a divisão pode continuar desigual, mesmo com maior participação masculina. "As dinâmicas são estabelecidas no início das relações e, sem intervenção, se perpetuam", afirma. Na prática, a presença do pai altera a rotina da casa e reduz a sobrecarga materna, especialmente no pós-parto. "Quando o pai divide o cuidado, a mãe fica menos sobrecarregada e pode cuidar de si. Isso é fundamental para a saúde mental", diz Thedim. Revezar tarefas, inclusive à noite, ou garantir pausas básicas ao longo do dia muda a experiência desse período. Esse rearranjo também se reflete na relação do casal. Parcerias que conseguem dividir responsabilidades tendem a sustentar uma convivência mais equilibrada ao longo do tempo. "Casais que mantêm essa cooperação no início da vida parental têm mais chances de viver bem como cônjuges, para além da função de pais", afirma. Christiano, da PUCPR, acrescenta que a presença do pai pode contribuir para reorganizar funções e percepções dentro da casa. "Ainda há a crença de que o cuidado com os filhos é responsabilidade da mulher. Estar em casa pode ajudar na divisão das tarefas e no desenvolvimento de um olhar mais sensível para a sobrecarga feminina", diz. A mudança, porém, esbarra em fatores culturais. "O machismo e o patriarcado estão enraizados na sociedade brasileira. A licença, por si só, não garante transformação se esses padrões não forem questionados", afirma. Entraves à execução da licença mais longaApesar do avanço na legislação, a ampliação da licença-paternidade ainda enfrenta barreiras que vão além do tempo disponível. Entre os principais entraves está a dificuldade de muitos homens se reconhecerem no papel de cuidador desde o início da vida dos filhos. Para Thedim, a mudança exige mais do que presença física. "O maior obstáculo é os pais poderem se ver nesse novo papel", afirma. Segundo ela, há uma ideia pré-estabelecida do que é ser pai, construída ao longo de gerações, que limita o envolvimento mais ativo. "Não é só ter tempo. É preciso disponibilidade emocional para se envolver de forma completa no cuidado", diz. A falta de repertório também aparece como um fator relevante. Para Canonico, experiências familiares anteriores influenciam diretamente a forma como homens se relacionam com a paternidade. "Se um homem nunca viu outro homem cuidar de uma criança, ele não tem ideia do que fazer", afirma. Nesse contexto, ele aponta a necessidade de ampliar iniciativas de formação e conscientização. Programas como o Empresa Cidadã, que já condicionam a ampliação da licença à participação em cursos, poderiam servir de base para políticas mais amplas. "O conhecimento e a falta de experiência são barreiras", diz. Outro ponto destacado é a própria dinâmica familiar. Segundo Canonico, há casos em que mães acabam centralizando o cuidado nos primeiros meses, o que pode dificultar a participação do pai. "Talvez não vão fazer as coisas da melhor forma no início, não é? Aquela brincadeira de que coloca a fralda errada na criança e, enfim, acontecem acidentes por causa disso. Mas é preciso tolerar isso para que o pai aprenda e consiga estar ali envolvido", pondera. |
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| Short teaser | Lei prevê aumento do benefício, visando melhorar vínculo com a criança, desenvolvimento infantil e rotina do lar. | ||
| Author | Priscila Carvalho | ||
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| Item 18 | |||
| Id | 76718322 | ||
| Date | 2026-04-09 | ||
| Title | Presidente interina da Venezuela promete aumento de salários | ||
| Short title | Presidente interina da Venezuela promete aumento de salários | ||
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Salário mínimo no país equivale hoje a US$ 0,27 por hora e não cobre sequer uma fração dos custos básicos de alimentação de uma família. Anúncio vem um dia antes de protestos de sindicalistas.A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, prometeu um "aumento responsável" dos salários, corroídos por anos de inflação e pelo colapso da economia ao longo da última década.
"Anuncio que, no dia 1º de maio, nós implementaremos um aumento e que esse aumento, tal como indicamos, será um aumento responsável", declarou Rodríguez nesta quarta-feira (08/04) durante um discurso na televisão estatal, sem dar detalhes.
O salário mínimo na Venezuela é equivalente a 0,27 centavos de dólar por hora (R$ 1,38), e a inflação anual foi de mais de 600%.
Os salários de venezuelanos podem chegar a 150 dólares (R$ 766) por mês, se considerados bônus estatais, mas isso não cobre sequer uma fração dos gastos com alimentação de uma família, estimados em 645 dólares.
Rodríguez também anunciou a criação de uma comissão para o "diálogo laboral", reagindo a protestos de trabalhadores que exigem aumentos salariais.
O pronunciamento foi feito na véspera de uma marcha convocada por sindicalistas até a sede do Executivo, no centro de Caracas, para exigir respostas às reivindicações.
Mudanças na economia venezuelana
Em seu pronunciamento, Rodríguez elencou uma série de medidas para dinamizar a economia do país, que incluem a revisão do modelo chavista, com a promessa de um diálogo social, aumentos salariais, reformas fiscais e alterações à legislação imobiliária.
A presidente interina não definiu ações concretas, mas falou em corrigir e não repetir "erros do passado". O discurso, que durou quase meia hora, chegou a ser perturbado brevemente devido a uma queda de energia.
Rodríguez ordenou também a criação de uma comissão para a avaliação "estratégica" dos ativos do país — à exceção da indústria petrolífera —, formada por representantes do Estado, do empresariado e dos trabalhadores.
Caso se concretize "a recuperação dos ativos" da Venezuela "bloqueados no estrangeiro" no âmbito das sanções de que o país é alvo, esses recursos serão destinados "imediatamente" a garantir o aumento salarial e à "reabilitação das infraestruturas básicas", como as de fornecimento de eletricidade e água, estradas, escolas e hospitais, disse a presidente interina.
Rodríguez assumiu o comando da Venezuela interinamente desde a captura de Nicolás Maduro por forças americanas, em 3 de janeiro.
Ela governa sob pressão do presidente americano Donald Trump, que afirmou estar "no comando" do país e da venda de petróleo venezuelano.
ra/md (Lusa, AFP)
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| Short teaser | Anúncio vem um dia antes de protestos de sindicalistas. Salários foram corroídos por anos de inflação. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/presidente-interina-da-venezuela-promete-aumento-de-salários/a-76718322?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Delcy Rodríguez assumiu a chefia do governo venezuelano após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas em 3 de janeiro | ||
| Image source | Miraflores Palace/Handout/REUTERS | ||
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| Item 19 | |||
| Id | 76711363 | ||
| Date | 2026-04-08 | ||
| Title | Programa europeu distribui viagens de trem grátis a jovens | ||
| Short title | Programa oferece viagens gratuitas pela Europa a jovens | ||
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Em comemoração aos 40 anos do Acordo de Schengen, Comissão Europeia vai selecionar 40 mil jovens de 18 anos que poderão viajar de trem pela Europa sem pagar nada. Saiba como participar.A Comissão Europeia voltou a distribuir bilhetes gratuitos de trem para jovens de 18 anos viajarem pela Europa. A iniciativa celebra os 40 anos do Acordo de Schengen, que garante liberdade de circulação em grande parte da União Europeia.
Nas próximas duas semanas, jovens que acabaram de atingir a maioridade podem se candidatar a bilhetes Interrail gratuitos. Para concorrer a um dos mais de 40 mil passes, basta responder a um quiz no site do programa DiscoverEU.
Quem pode participar
Podem participar todos os nascidos entre 1º de julho de 2007 e 30 de junho de 2008 que residam ou sejam cidadãos de um dos países da UE ou Islândia, Liechtenstein, Macedônia do Norte, Noruega, Sérvia ou Turquia.
Mesmo quem ainda tem 17 anos pode acessar o formulário, mas, no início do período de viagem, em julho, precisa ser maior de idade.
Jovens com deficiência ou limitações de saúde recebem apoio especial, incluindo, quando necessário, acompanhantes.
Alta demanda derruba servidores da UE
O portal de inscrições abriu ao meio-dia desta quarta-feira (08/04). A procura foi tão grande no lançamento que o servidor da UE ficou sobrecarregado.
"Estamos recebendo muitas solicitações no momento. Mas não se preocupe! Tentaremos te redirecionar automaticamente ao formulário", dizia o aviso.
Como conseguir os bilhetes
Até 22 de abril, ao meio-dia, jovens podem enviar sua candidatura online pelo Portal Europeu da Juventude — individualmente ou em grupos de até cinco pessoas, caso queiram viajar juntos.
Depois, basta responder a um pequeno quiz de conhecimentos gerais sobre a União Europeia e uma pergunta final, que funcionará para classificar os candidatos. Também é necessário indicar quais seus planos de viagem caso seja selecionado. Em seguida, é esperar pela análise da Comissão Europeia e da Agência Executiva Europeia de Educação e Cultura, que vai definir os selecionados com base nas respostas.
Até 30 dias viajando de graça pela Europa
Os escolhidos poderão viajar gratuitamente de trem pela UE entre 1º de julho de 2026 e 30 de setembro de 2027. Cada participante pode ficar até 30 dias na estrada, com no máximo sete dias efetivos de deslocamento ferroviário. Além disso, recebem um cartão de descontos para outros transportes públicos, cultura, hospedagem e serviços em 36 países europeus.
Sucesso desde o lançamento em 2018
A iniciativa DiscoverEU começou em 2018, inspirada pela proposta dos ativistas Vincent-Immanuel Herr e Martin Speer. O objetivo é ampliar o entendimento dos jovens sobre outras culturas e a história europeia, além de melhorar suas habilidades linguísticas.
Há duas rodadas de inscrição por ano. Desde o início, mais de 1,9 milhão já se candidataram, e 430 mil receberam um bilhete. Para 63% dos participantes, foi a primeira viagem internacional de trem e muitos viajaram pela primeira vez sem os pais.
Mais de dois terços afirmam que não poderiam arcar com a viagem sem o programa.
gq/ra (DW, OTS)
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| Short teaser | Para comemorar os 40 anos do Acordo de Schengen, serão distribuídos 40 mil bilhetes de trem. Saiba como participar. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/programa-europeu-distribui-viagens-de-trem-grátis-a-jovens/a-76711363?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Candidaturas são feitas online pelo Portal Europeu da Juventude — individualmente ou em grupos de até cinco pessoas | ||
| Image source | Michael Nguyen/NurPhoto/picture alliance | ||
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| Item 20 | |||
| Id | 76711369 | ||
| Date | 2026-04-08 | ||
| Title | Viajar sem bilhete na Alemanha pode deixar de ser crime | ||
| Short title | Viajar sem bilhete na Alemanha pode deixar de ser crime | ||
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Defensores da descriminalização consideram desproporcional prender quem usa o transporte público sem pagar. Já críticos alertam para risco de banalização da prática. Tema divide coalizão de governo.Na Alemanha, não há catracas e nem ao menos a figura do cobrador no transporte público. Mas quem arrisca viajar sem pagar passagem está cometendo um crime passível de prisão. O tema, que há anos é motivo de debate no país, voltou às discussões nesta terça-feira (07/04), após a ministra da Justiça alemã, Stefanie Hubig, questionar as atuais regras.
"Será que as pessoas que não têm dinheiro para comprar uma passagem e acabam na prisão com uma pena alternativa realmente deveriam estar lá?", ponderou a ministra em conversa com o jornal Neue Osnabrücker.
Hubig, que é membro do Partido Social Democrata (SPD), de centro-esquerda, argumenta que esses processos consomem tempo e recursos da Justiça que poderiam ser destinados a crimes mais graves.
A proposta dela, entretanto, tende a ser mais uma a causar divisões internas dentro do governo.
Isso porque os partidos conservadores que lideram a coalizão governista do chanceler federal Friedrich Merz, União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU), rejeitam qualquer mudança.
Hoje, o ato de viajar sem passagem pode ser enquadrado como "obtenção de serviços mediante fraude", prevista no parágrafo 265a do Código Penal. Quem é flagrado sem bilhete válido recebe uma multa e, caso não consiga pagá-la, pode cumprir pena de prisão como pena substitutiva.
Governo se comprometeu a modernizar Código Penal
Hubig argumenta que a proposta de descriminalização está alinhada com o contexto da modernização do Código Penal, prevista no acordo de coalizão selado entre conservadores e sociais-democratas, e que tem o objetivo de eliminar regras consideradas pouco eficazes.
A descriminalização conta com apoio de entidades do meio jurídico. A Associação Alemã dos Advogados (DAV) avalia que o benefício social da sanção é baixo e estima que a persecução penal custe cerca de 200 milhões de euros (cerca de R$ 1,18 bilhão) por ano ao Estado.
Para a entidade, a criminalização afeta de forma desproporcional pessoas de baixa renda, sem gerar ganhos relevantes para o interesse público. Associações de juízes e advogados criminalistas também defendem mudanças, propondo desde a reclassificação como infração administrativa até a adoção exclusiva de mecanismos do direito civil.
Experiências locais reforçam esse argumento. Em algumas cidades, promotorias deixaram de processar criminalmente casos de evasão de tarifa, sem que tenha havido aumento significativo no número de passageiros sem bilhete. Mesmo com a descriminalização, o ato continuaria sujeito a sanções, geralmente uma multa de 60 euros (cerca de 350 reais) — muitas vezes suficiente como forma de dissuasão.
Críticos veem risco de banalização da prática
A proposta, porém, enfrenta forte resistência. Para o deputado Günter Krings (CDU), retirar o caráter criminal enfraqueceria a fiscalização e resultaria em mais pessoas viajando sem pagar, o que poderia levar ao aumento das tarifas para os passageiros regulares. Ele também afirma que o enquadramento penal garante respaldo legal para a atuação dos fiscais.
A União dos Policiais Alemães (GdP) compartilha dessa posição. Seu representante, Andreas Rosskopf, argumenta que transformar a prática em infração administrativa poderia banalizá-la, sobretudo em um sistema baseado na confiança, já que na maioria das cidades não há catracas nem controle na entrada dos veículos.
"Corremos o risco de que muitas pessoas simplesmente não se importem em ter ou não passagem", disse Rosskopf em entrevista ao jornal Rheinische Post, de Düsseldorf.
Na maioria das cidades alemãs, não é necessário passar ou escanear o bilhete para entrar em um trem, bonde ou ônibus. O cumprimento dessa regra é garantido por verificações esporádicas feitas pelos fiscalizadores. Apesar dessa abordagem, o governo estima que apenas entre 3% e 4% das viagens são feitas por pessoas que não pagam a tarifa.
ip/ra (dpa, end, ots)
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| Short teaser | Tema divide coalizão de governo, com ministra da Justiça argumentando em favor de mudanças na alei. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/viajar-sem-bilhete-na-alemanha-pode-deixar-de-ser-crime/a-76711369?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Quem é flagrado sem bilhete válido na Alemanha recebe multa e pode parar na cadeia | ||
| Image source | Christoph Hardt/Panama Pictures/picture alliance | ||
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| Item 21 | |||
| Id | 76707870 | ||
| Date | 2026-04-08 | ||
| Title | Fibra e proteína: quanto mais, melhor? | ||
| Short title | Fibra e proteína: quanto mais, melhor? | ||
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Antes mesmo de a febre da proteína passar, a fibra já desponta como a nova obsessão das redes. Nutricionistas aprovam a valorização, mas alertam contra exageros e modismos. Primeiro foi a proteína, agora é a vez da fibra: o "maxxing" conquista as redes sociais, com influencers que insistem que a chave para mais vitalidade e uma transformação radical da saúde intestinal está em consumir certos nutrientes em grandes quantidades. Mas será que esse fenômeno viral é realmente saudável? O conceito de "proteinmaxxing" (aumentar o consumo de proteína) defende que "quanto mais, melhor" quando se trata desse macronutriente encontrado em alimentos como carnes, laticínios e castanhas, já que ele é essencial para funções corporais como a reparação de tecidos e o fortalecimento do sistema imunológico. Mas, em 2026, é a fibra alimentar que desponta como a principal tendência das redes: consumir o máximo possível ajudaria a sentir menos fome e a ter um intestino mais regular, dizem seus defensores na internet, enquanto consomem pratos cheios de sementes de chia e aveia diante das câmeras. Fibra: a nova aposta da indústria alimentíciaE a indústria percebeu isso. Grandes empresas como PepsiCo e Nestlé, junto com outras mais novas, como a Olipop, aderiram à tendência ao destacar o teor de fibra de seus produtos. "Considero que a fibra será a próxima proteína", disse Ramón Laguarta, presidente-executivo da PepsiCo, no fim do ano passado. Uma pesquisa da consultoria Bain & Company mostrou que cerca de metade dos consumidores dos Estados Unidos tenta ingerir mais proteína. Nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, a moda é impulsionada sobretudo pelos consumidores da Geração Z (nascidos a partir de 2000) e pelos millennials, concluiu o levantamento. E o mesmo ocorre com a fibra. Cerca de 40% da Geração Z e 45% dos millennials relataram que tentam melhorar a saúde intestinal, segundo a consultoria londrina GlobalData. Nutricionistas: há verdade na tendência, mas com ressalvasVários nutricionistas dizem que há um fundo de verdade na febre da fibra. Andrea Glenn, professora adjunta de nutrição da Universidade de Nova York, classificou o movimento em torno da fibra como "uma tendência de bem-estar bastante moderada em comparação com outras". Samanta Snashall, nutricionista registrada do centro médico da Universidade Estadual de Ohio, afirmou que a proteína tem sido "a queridinha" há anos, enquanto a fibra esteve "bastante subvalorizada". "Fico feliz que agora ela esteja ganhando algum destaque." Mas tanto essas especialistas quanto Arch Mainous, professor de saúde comunitária e medicina de família da Universidade da Flórida, que pesquisou o uso das redes sociais na comunicação em saúde, concordam que nem sempre mais é melhor, especialmente quando se trata de proteína. O risco dos influencers de saúde nas redes sociaisPara Mainous, uma coisa é comer de acordo com os valores nutricionais diários recomendados, mas "se você diz que, se um está bom, cinco é melhor ainda […], eu não concordo muito". Ele também demonstrou preocupação com a confiança excessiva das pessoas em conselhos generalizados de influencers. Isso faz parte de uma tendência maior que resultou em "uma falta de confiança nos especialistas em saúde", afirmou. Uma mentalidade de "vou fazer minha própria pesquisa", que foi impulsionada, entre outros, pelo secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., que divulga informações falsas sobre vacinas há anos. Poucos influencers são cientistas com formação adequada, observou Mainous, e muitos têm acordos com marcas ou suas próprias agendas, que incluem vender produtos. Então, o que as pessoas podem fazer? Primeiro, conversar com seu médico, indicou Mainous. Quais são as recomendações diárias de fibra e proteína?Como orientação geral, a Associação Americana do Coração afirma que, para muitas pessoas, um dia que inclua uma combinação de alimentos como um copo de leite, uma xícara de iogurte, uma xícara de lentilhas cozidas e uma porção de carne magra ou peixe cozido de aproximadamente o tamanho de um baralho de cartas fica, em média, dentro da meta diária de proteína. No caso da fibra, para Glenn, entre 25 e 38 gramas, dependendo da idade e do sexo, é um bom objetivo. Alimentos com alto teor de fibra — como feijão, frutas, verduras, castanhas, aveia e quinoa — estão associados a taxas mais baixas de alguns tipos de câncer e podem ajudar a manter o colesterol e o açúcar no sangue sob controle. Em geral, segundo Glenn, as pessoas podem comer alguns grãos integrais ou frutas no café da manhã e, depois, tentar preencher metade do prato com legumes e verduras no almoço e no jantar. Assim, "elas conseguem facilmente atingir o objetivo sem precisar contar meticulosamente quanta fibra consomem", disse à AFP. Mas, se uma pessoa não consome muita fibra — e a maioria das pessoas não consome —, o "maxxing" não é o caminho adequado, advertiu Snashall. Mudar os hábitos de um dia para o outro fará com que o "sistema gastrointestinal tenha uma reação mais forte", disse. Glenn ressaltou que nutrientes em pó e outros suplementos não podem substituir alimentos integrais e de verdade. E talvez o mais importante seja que não existe uma solução definitiva que sirva para todos os casos. "Acho importante não encarar essas medidas como soluções milagrosas para todos os problemas", afirmou. ip (afp, ots)
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| Short teaser | Antes mesmo de a febre da proteína passar, a fibra desponta como a nova obsessão das redes. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/fibra-e-proteína-quanto-mais-melhor/a-76707870?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 22 | |||
| Id | 76705231 | ||
| Date | 2026-04-08 | ||
| Title | Falha no WC, odor oculto: a odisseia de apuros da Artemis 2 | ||
| Short title | Falha no WC, odor oculto: a odisseia de apuros da Artemis 2 | ||
| Teaser |
O primeiro voo tripulado ao redor da Lua em mais de meio século alcançou um feito histórico – mas também revelou problemas surpreendentemente mundanos. Em 1º de abril de 2026, quatro astronautas decolaram do Centro Espacial Kennedy a bordo da cápsula Orion na missão Artemis 2, da Nasa. Cinco dias depois, em 6 de abril, a nave completou uma trajetória ao redor da Lua, algo que nenhuma missão tripulada havia voltado a fazer desde a era Apollo, em 1972. Um feito histórico, sem dúvida. Mas por trás das imagens épicas e dos discursos sobre o futuro da exploração espacial, a missão também foi palco de uma série de contratempos domésticos a quase 400 mil quilômetros de casa: um vaso sanitário avariado, urina congelada nas tubulações e, como se não bastasse, o Microsoft Outlook falhando em plena missão lunar. WC de 23 milhões de dólares com falhasA cápsula Orion, que leva os astronautas da missão Artemis 2, é a primeira nave espacial a dispor de um vaso sanitário. O equipamento – chamado Sistema Universal de Gestão de Resíduos (UWMS) – custou à Nasa 23 milhões de dólares e usa um ventilador de sucção para extrair os fluidos corporais na ausência de gravidade. Esse ventilador, segundo o porta-voz da Nasa Gary Jordan, citado pela revista BBC Sky at Night, o equipamento "foi reportado como avariado" logo no início da missão. A solução chegou rapidamente: de Houston, orientaram a astronauta Christina Koch – que durante a missão se tornou a primeira mulher a alcançar a órbita lunar – por meio de uma série de procedimentos para liberar o sistema. O conserto funcionou. Mas o alívio durou pouco. Urina congeladaDurante o fim de semana, o diretor de voo Judd Frieling reconheceu diante dos jornalistas que o vaso sanitário voltava a apresentar problemas. A causa, desta vez, era mais pitoresca: "Parece que provavelmente temos urina congelada na linha de ventilação", explicou Frieling, citado pela emissora CNN. Para desbloqueá-la, os engenheiros em terra idealizaram uma manobra que consistiu em girar a cápsula Orion de modo que o duto ficasse orientado para a luz solar, na esperança de que o calor ajudasse a liberar a obstrução. O plano funcionou, embora apenas parcialmente, já que o banheiro foi liberado, mas exclusivamente para resíduos sólidos. Enquanto isso, a tripulação precisou recorrer ao chamado Urinol Dobrável de Emergência, um dispositivo longo e estreito – documentado publicamente pelo astronauta Donald Pettit – projetado especificamente para essas contingências e capaz de substituir, segundo Pettit, "a necessidade de cerca de 11 quilos de fraldas". Horas depois, o controle da missão autorizou finalmente o uso do banheiro "para qualquer tipo de necessidade". "E a tripulação fica feliz!", respondeu Koch. No entanto, o alívio voltou a ser breve. Em comunicações mais recentes, o controle da missão pediu novamente aos astronautas que não utilizassem o vaso sanitário e recorressem outra vez aos urinóis de contingência, segundo informou a agência de notícias EFE, citando a comunicadora Jenny Gibbons desde o centro de controle em Houston. Misterioso odor na cabineÀs avarias mecânicas somou-se um episódio incômodo dentro do espaço reduzido da nave: um cheiro estranho que, segundo a tripulação, parecia se originar na área do banheiro. O astronauta canadense Jeremy Hansen foi o primeiro a descrevê-lo. Segundo citou o Space.com, o odor era como "quando você liga um aquecedor que ficou desligado por um tempo e sente aquele cheiro de queimado". Koch também relatou o problema à Terra em várias ocasiões. Os técnicos revisaram os dados de potência e os sistemas de aquecimento sem encontrar anomalias, e o incidente ficou oficialmente registrado como "um odor desconhecido". Por sua vez, a porta-voz Debbie Korth foi categórica ao afirmar que isso não representava nenhum risco para a tripulação. E acrescentou, com certa resignação: "Vasos sanitários e banheiros espaciais são algo que, todo mundo consegue entender, são sempre um desafio". Em perspectiva, o banheiro do voo espacial Artemis 2 ainda é uma melhora substancial em relação às missões Apollo, nas quais os astronautas faziam suas necessidades diretamente em sacos, sem qualquer assistência mecânica, e, em mais de uma ocasião, fragmentos de matéria fecal chegaram a flutuar livremente dentro da cápsula. Outlook falha também no espaçoSe os problemas com o banheiro renderam manchetes, o episódio tecnológico foi talvez o mais surreal. Em uma transmissão ao vivo, ouviu-se um astronauta informar à Terra com toda a naturalidade do mundo: "Vejo que tenho dois Microsoft Outlook, e nenhum dos dois funciona". Não é tão estranho quanto parece. Segundo citou o IFL Science, remetendo a um artigo da revista Forbes de 2016, o instrutor e controlador de voo da Nasa Robert Frost explicou que os astronautas utilizam laptops com Windows "pelas mesmas razões pelas quais a maioria das pessoas usa Windows": é um sistema familiar. "Eu me atreveria a dizer que, fora a interface da Estação Espacial Internacional, 80% dos astronautas nunca usou UNIX/Linux", acrescentou. "Por que fazê-los aprender um novo sistema operacional?". No caso atual, a equipe em terra acessou remotamente o sistema informático da nave para tentar resolver o problema, suspeitando que o software Optimus poderia estar por trás da falha. A Microsoft, como bem sabem muitos de seus usuários, recomenda abrir o Outlook em modo de segurança quando ele falha, para descartar conflitos com complementos. Parece que, mesmo a centenas de milhares de quilômetros da Terra, acaba-se seguindo o mesmo manual de suporte técnico do escritório. E enfrentando também problemas tão mundanos quanto um vaso sanitário que não colabora. Tudo indica que algumas coisas continuam sendo universais. |
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| Short teaser | O primeiro voo tripulado ao redor da Lua em mais de meio século revelou problemas surpreendentemente mundanos. | ||
| Author | Felipe Espinosa Wang | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/falha-no-wc-odor-oculto-a-odisseia-de-apuros-da-artemis-2/a-76705231?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Falha%20no%20WC%2C%20odor%20oculto%3A%20a%20odisseia%20de%20apuros%20da%20Artemis%202 | ||
| Item 23 | |||
| Id | 76704084 | ||
| Date | 2026-04-08 | ||
| Title | Ministro nega que alemães precisem de permissão para viajar | ||
| Short title | Ministro nega que alemães precisem de permissão para viajar | ||
| Teaser |
Após críticas a nova lei, ministro da Defesa da Alemanha diz que comunicação sobre longas ausências do país de homens até 45 anos não será exigida enquanto serviço militar continuar voluntário. Homens alemães continuarão podendo viajar para o exterior sem necessitar de uma autorização prévia, apesar do que diz a nova lei do serviço militar na Alemanha, afirmou nesta terça-feira (07/04) o ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius, acrescentando que emitirá uma isenção geral esta semana para evitar burocracia desnecessária. A nova regra, que causou irritação na Alemanha, exige que homens entre 17 e 45 anos obtenham autorização das Forças Armadas para estadias no exterior com duração superior a três meses. Entretanto, o ministro afirmou que o regulamento foi concebido apenas para um "estado de tensão" e se aplicaria somente se o serviço militar se tornar obrigatório em vez de voluntário, como é atualmente. Em resposta à reação negativa, Pistorius disse à agência de notícias alemã DPA na terça-feira que os novos recrutas não têm nada com que se preocupar, afirmando haver decidido abrir uma exceção à exigência geral de comunicação prevista em lei. "No momento, nada muda para os homens: sejam eles de 17, 45 anos ou qualquer idade intermediária – todos eles têm permissão para viajar e não precisam de autorização para isso", disse Pistorius. "Portanto, não há necessidade de comunicar uma estadia prolongada no exterior", acrescentou, observando que o novo serviço militar é voluntário. Lei vigora desde janeiroA lei entrou em vigor em janeiro, mas a exigência passou praticamente despercebida até sexta-feira passada. O Ministério da Defesa afirmou que novos regulamentos administrativos esclareceriam que a autorização seria considerada como concedida enquanto o serviço militar continuar sendo voluntário. Pistorius afirmou que, pelas regras atuais, ninguém seria obrigado a se alistar nas Forças Armadas contra a vontade e que, por isso, ninguém seria forçado a retornar de uma longa estadia no exterior. Ele enfatizou que o governo pretende que o novo modelo seja "atraente" o suficiente para permanecer voluntário "pelo maior tempo possível". Nova lei do serviço militarA nova lei do serviço militar, aprovada no final do ano passado pelo governo do chanceler federal Friedrich Merz, retoma o serviço militar – inicialmente de forma voluntária – em um esforço para aumentar o número de tropas das Forças Armadas da Alemanha, ou Bundeswehr, que estão diminuindo. A lei foi aprovada para aumentar o número de membros da Bundeswehr e cumprir as metas da Otan, em meio à crescente percepção na Alemanha de que o país tem dependido por muito tempo dos Estados Unidos, e à medida que as tensões com a Rússia estimulam pedidos por capacidades de defesa mais robustas em toda a Europa. Todos os homens de 18 anos agora são avaliados e convidados por carta a manifestar o desejo de servir voluntariamente. As mulheres também recebem essa carta, mas, diferentemente dos homens, não são obrigadas a responder. md (DPA, Reuters) |
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| Short teaser | Após críticas a nova lei, chefe da Defesa diz que não será exigido que homens comuniquem longas ausências do país. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ministro-nega-que-alemães-precisem-de-permissão-para-viajar/a-76704084?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Ministro%20nega%20que%20alem%C3%A3es%20precisem%20de%20permiss%C3%A3o%20para%20viajar | ||
| Item 24 | |||
| Id | 69961273 | ||
| Date | 2026-04-07 | ||
| Title | O que aconteceu com as bandeiras dos EUA na Lua? | ||
| Short title | O que aconteceu com as bandeiras dos EUA na Lua? | ||
| Teaser |
Deixadas na superfície lunar pelas missões Apollo há mais de 50 anos, ao menos três das seis bandeiras seguem de pé – mas não passaram imunes à ação do tempo.Há mais de meio século, os astronautas do programa Apollo, da Nasa, levaram para a Lua um símbolo do patriotismo americano, eternizado nas imagens dos primeiros homens a pisarem no satélite natural da Terra: a bandeira dos Estados Unidos.
No total, ao longo de seis missões bem-sucedidas entre 1969 e 1972, seis bandeiras foram cravadas na superfície lunar, deixando uma marca visual na história da exploração espacial. Mas o que aconteceu com essas bandeiras ao longo do tempo?
Ao contrário do que muitos possam imaginar, pelo menos metade delas ainda está de pé, desafiando o implacável ambiente lunar. Isso é sabido graças ao Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) da Nasa, que capturou imagens que mostram as sombras das bandeiras das missões Apollo 12, 16 e 17.
No entanto, nem todas as bandeiras tiveram a mesma sorte. A bandeira da Apollo 11, a primeira hasteada por Neil Armstrong e Buzz Aldrin em 20 de julho de 1969, parece ter caído. Aldrin revelou ter visto ela tombar devido à onda de choque causada pela decolagem do módulo lunar. Quanto às bandeiras das missões Apollo 14 e 15, o destino é incerto, com imagens inconclusivas sobre o seu estado atual.
Branqueamento das bandeiras
Independentemente de as bandeiras permanecerem de pé, elas não estão intactas – o que não seria diferente na superfície da Terra se ficassem tanto tempo hasteadas. Mas na Lua a ação do tempo é ainda maior, por falta de uma atmosfera.
Especialistas acreditam que as bandeiras, feitas de náilon comum, passaram por uma transformação dramática: a intensa radiação solar provavelmente as deixou completamente brancas. "O náilon da bandeira provavelmente se degradou como resultado da exposição prolongada à luz solar", disse Anne Platoff, bibliotecária e historiadora da Universidade da Califórnia ao Space.com.
Além do branqueamento, as bandeiras enfrentam outras ameaças. O bombardeio constante de micrometeoritos e as flutuações extremas de temperatura entre o dia e a noite lunar podem ter deixado os tecidos quebradiços e rasgados.
Debate ético
A sobrevivência destes símbolos levanta questões sobre a preservação de artefatos no espaço – agora, talvez, mais do que nunca, devido ao interesse renovado na exploração lunar, onde estão planejadas mais de 100 missões para 2030.
"Nossa história é o recurso mais valioso e vulnerável que temos na Lua neste momento", alerta Michelle Hanlon, da For All Moonkind, uma organização sem fins lucrativos dedicada à preservação da história e do patrimônio humano no espaço sideral.
Os Acordos Artemis, assinados por 43 países, reconhecem a importância de proteger a "herança do espaço exterior". Contudo, ainda não existem orientações específicas sobre como salvaguardar estes locais históricos de possíveis danos causados por futuras missões ou pelo eventual turismo espacial.
Soberania lunar
Antes de serem cravadas no solo lunar, as bandeiras foram objeto de polêmica e desencadearam um intenso debate sobre a soberania lunar.
A decisão de colocar a bandeira americana na Lua – comprada por apenas 5,50 dólares numa loja em Houston e descrita por Aldrin como um símbolo da "unificação quase mística de todas as pessoas do mundo naquela época" – gerou preocupações sobre possíveis reivindicações territoriais, algo proibido pelo Tratado do Espaço Exterior das Nações Unidas de 1967. No entanto, prevaleceu a pressão do Congresso americano, argumentando a necessidade de simbolizar a conquista nacional.
"Na época, a questão sobre se os Estados Unidos deveriam hastear uma bandeira na Lua era muito controversa", disse Teasel Muir-Harmony, curador da coleção Apollo no Museu Nacional do Ar e do Espaço, à Smithsonian Magazine. "Mas com a pressão do Congresso, foi decidido hastear uma bandeira na Lua", acrescentou.
Anne Platoff, em um relatório para a NASA, destacou como o design do mastro permitiu que a bandeira fosse exibida sem vento, uma inovação técnica que reflete os desafios únicos da engenharia espacial. Mas o ato também trazia uma mensagem subliminar, como a própria Platoff destacou: a presença e a influência dos Estados Unidos no espaço.
"É claro que o estatuto legal da Lua não seria afetado pela presença de uma bandeira americana na superfície, mas a Nasa estava ciente da controvérsia internacional que poderia surgir como resultado", escreveu Platoff.
Outros objetos deixados na Lua
Além das bandeiras, os astronautas que já passaram pela Lua deixaram por lá uma grande variedade de objetos, que contam a história da exploração espacial.
Eles vão desde câmeras de televisão que transmitiram os primeiros passos na Lua para milhões de pessoas até instrumentos científicos que ainda funcionam, como o retrorrefletor laser que mede a distância entre a Terra e a Lua.
Entre os objetos mais inusitados estão bolas de golfe, veículos lunares e até dejetos humanos.
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| Short teaser | Deixadas na superfície lunar pelas missões Apollo, ao menos três seguem de pé – mas não passaram imunes à ação do tempo. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/o-que-aconteceu-com-as-bandeiras-dos-eua-na-lua/a-69961273?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Buzz Aldrin diz que viu a bandeira americana cair devido à onda de choque gerada pela partida do módulo lunar | ||
| Image source | NASA/Neil A. Armstrong/Cover Images/picture alliance | ||
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| Item 25 | |||
| Id | 76694138 | ||
| Date | 2026-04-07 | ||
| Title | Países da Ásia impõem medidas drásticas para lidar com escassez de combustíveis | ||
| Short title | Ásia impõe medidas drásticas contra escassez de combustíveis | ||
| Teaser |
Em meio aos efeitos do bloqueio de Ormuz, vários países da Ásia vêm reduzindo expediente, estimulando trabalho remoto e até criando recessos extras e impondo restrições a eventos sociais para reduzir consumo de energia. Vários países asiáticos vêm impondo medidas drásticas para contornar os efeitos da crise global de energia provocada pela guerra no Oriente Médio, como redução da jornada de trabalho em escritórios e centros comerciais, estímulo ao home office, restrições a eventos sociais e até a decretação de feriados extras e tarifo zero no transporte público. O objetivo é reduzir o consumo de combustíveis, de residências até companhias aéreas. Boa parte das medidas está relacionada ao fechamento do Estreito de Ormuz. Cerca de 80% do petróleo e 90% do gás natural exportados pela via marítima vão para a Ásia, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), tornando a região particularmente vulnerável a choques ligados ao fornecimento de combustíveis fósseis. Economia de casa ao trabalhoNa Índia, medidas emergenciais foram acionadas para desviar suprimentos de gás de setores não prioritários para usuários essenciais, enquanto refinarias foram orientadas a aumentar a produção de gás liquefeito de petróleo. O governo também reduziu impostos especiais sobre a gasolina e o diesel e impôs taxas extraordinárias sobre o combustível de aviação e as exportações de diesel. Já no Paquistão, mercados e shoppings agora fecham mais cedo, enquanto casamentos estão proibidos depois das 22h. O governo anunciou tarifa zero no transporte público durante um mês, diante do aumento do preço dos combustíveis e do risco de escassez. Também foi reduzida para quatro dias a semana de trabalho dos órgãos governamentais, enquanto todos os escritórios devem operar com apenas 50% do quadro de funcionários presencialmente. Jogos do popular críquete acontecem, por sua vez, sem público. De forma similar, escritórios, bancos, repartições públicas e shoppings de Bangladesh devem reduzir o consumo de energia com horários de funcionamento reduzidos. No Nepal, há um racionamento de gás de cozinha em vigor, e o governo coloca em prática esforços para converter veículos movidos a gasolina e diesel em elétricos. Redução de consumoO Japão também depende fortemente da importação de combustíveis, em particular vindos do Oriente Médio. Em março, o país liberou reservas de petróleo para amenizar preocupações com o abastecimento intensificadas pela guerra no Irã. A última medida semelhante acontecera em 2022, quando a Rússia iniciou a invasão em grande escala da Ucrânia. Segundo a imprensa japonesa, o governo estuda medidas, que poderão incluir um pedido para que a população reduza o consumo de energia. O governo da Tailândia já tem adotado essa estratégia, e o primeiro-ministro do país pediu publicamente que a população trabalhe de casa, prefira o transporte público ou compartilhe carros. O governo tailandês também pediu a redução do uso de aparalhos de ar-condicionado e afirmou considerar o fechamento dos postos de gasolina das 22h às 5h, para garantir abastecimento interno suficiente. "Um centro de monitoramento acompanhará a situação no Oriente Médio e gerenciará o uso de combustível," disse o gabinete do primeiro-ministro, Anutin Charnvirakul. Recessos extrasNo Sri Lanka, outro país que depende fortemente da importação e petróleo e que já enfrentava uma crise política e econômica antes da guerra, o governo impôs uma série de medidas para conter o consumo de energia, incluindo a declaração de recesso no serviço publico em todas as quartas-feiras. "Devemos nos preparar para o pior, mas esperar pelo melhor", disse o presidente Anura Kumara Dissanayake ao anunciar a medida. O Nepal também adotou medida similar, extendendo o período de fim de semana para dois dias, passando a incluir também o domingo, que até então era um dia de trabalho. Restrições para aviaçãoAs companhias aéreas, enquanto isso, enfrentam dificuldades crescentes com o abastecimento irregular de querosene de aviação. Em países dependentes de importações, como Vietnã, Mianmar e Paquistão, as empresas já operam em modo de crise, inclusive cancelando voos, embarcando combustível extra ou realizando paradas técnicas para reabastecimento devido à oferta limitada de combustível. "Nas minhas conversas com companhias aéreas, percebo que elas estão muito preocupadas com o futuro", disse Shukor Yusof, fundador da consultoria de aviação Endau Analytics, à agência de notícias Reuters. "Porque não sabemos quando a guerra vai terminar nem quando a cadeia de suprimentos será restabelecida." China e Tailândia já suspenderam exportações de querosene, enquanto a Coreia do Sul limitou os volumes. Também há restrições em Mianmar, no Paquistão e no Taiti. Pilotos estão sendo instruídos a trazer do exterior a quantidade máxima possível de combustível. A companhia aérea de baixo custo AirAsia X, por exemplo, está embarcando combustível adicional na Malásia antes de voar para aeroportos no Vietnã, segundo o CEO Bo Lingam. Já a Vietnam Airlines cancelou 23 voos domésticos por semana para economizar combustível, segundo a autoridade de aviação do país. A Batik Air Malaysia reduziu sua capacidade doméstica em 36%. Especialistas do setor estimam que os cancelamentos de voos reduzam a demanda na Ásia em abril em apenas cerca de 50 mil a 100 mil barris por dia. Mas, segundo cálculos da Reuters, o gargalo de petróleo bruto no Oriente Médio reduz a produção de querosene na região Ásia-Pacífico em pelo menos 400 mil barris por dia. Pressão sobre agriculturaAgricultores das Filipinas como Romeo Wagayan ficaram praticamente sem opção a não ser deixar seus vegetais estragarem no campo, em vez de vendê-los com prejuízo. A alta dos preços do petróleo eleva os custos de colheita, mão de obra e transporte. "Não há nada que possamos fazer", disse Wagayan, agricultor de hortaliças de 57 anos, na província montanhosa de Benguet, no norte das Filipinas. "Se colhêssemos, nossas perdas só aumentariam por causa dos custos com mão de obra, transporte e embalagem. Não ganhamos nada com isso. Por isso decidimos simplesmente não colher." A experiência de Wagayan reflete as dificuldades enfrentadas por muitos agricultores das regiões montanhosas, segundo Agot Balanoy, assessor do centro de comercialização de vegetais de La Trinidad. Ele afirmou que diversos produtores estão interrompendo as colheitas à medida que compradores recuam diante da demanda fraca e dos custos elevados. Alguns compradores estão cancelando ou limitando aquisições, o que reflete uma mudança no comportamento do consumidor, segundo Balanoy. Famílias pressionadas pela inflação em alta reduzem o consumo de vegetais e optam por alternativas mais baratas, como macarrão instantâneo. |
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| Short teaser | Em meio ao bloqueio de Ormuz, países diminuem expediente, estimulam trabalho remoto e impõem restrições a eventos. | ||
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| Item 26 | |||
| Id | 76697172 | ||
| Date | 2026-04-07 | ||
| Title | Biofobia: quando a natureza nos causa medo | ||
| Short title | Biofobia: quando a natureza nos causa medo | ||
| Teaser |
Muito se fala sobre como a natureza pode trazer benefícios para a saúde física e mental. Ainda assim, há quem se sinta ameaçado por ela – e esse fenômeno pode estar crescendo.Experiências em meio à natureza costumam ser consideradas um bálsamo para a alma. Existe até um termo específico para isso: biofilia - ou o amor das pessoas pela natureza. A ideia vem da psicologia evolutiva e afirma que os seres humanos se sentem atraídos por ambientes naturais que, ao longo da evolução, ofereceram boas chances de sobrevivência.
O contraponto disso é a biofobia, ou seja, o medo da natureza. Exemplos incluem o medo de grandes predadores ou fobias de aranhas ou cobras — animais que podem ser venenosos.
No entanto, pesquisadores observam cada vez mais uma forma de medo da natureza que vai muito além desses receios concretos e originalmente protetores da vida. Essa é a conclusão de um estudo de revisão da Universidade de Lund, na Suécia. A equipe de pesquisa analisou ao todo 196 estudos de diferentes áreas, todos voltados para a relação entre seres humanos e natureza.
O resultado: a relação de nós, humanos, com a natureza parece estar se deteriorando de forma acentuada.
Perdemos o contato cotidiano com a natureza
O principal motivo dessa piora, segundo a maioria dos estudos, é que cada vez mais pessoas têm cada vez menos contato com a natureza, relata Johan Kjellberg Jensen, da Universidade de Lund, que coordenou o estudo de revisão. Uma das causas desse relacionamento negativo com a natureza estaria no fato de que um número crescente de pessoas vive em cidades.
"Hoje, a maior parte da população mundial vive em cidades, o que significa que as futuras gerações podem estar expostas a um risco maior de biofobia”, afirma Jensen, cientista ambiental e climático, à DW.
A ciência já observa, desde o fim da década de 1970, um afastamento das pessoas da natureza, diz também o psicólogo berlinense Dirk Stemper, que trabalha, entre outros temas, com gestão da ansiedade e desenvolvimento da personalidade. Isso vale sobretudo para os países industrializados.
"Crianças crescem cada vez mais em ambientes altamente impermeabilizados, afastados da natureza, e passam seu tempo principalmente em espaços fechados e em ambientes digitais. Faltam aí as experiências corporais e sensoriais, como escalar, se sujar ou observar animais.”
Mas são justamente essas experiências que constroem familiaridade com a natureza. Quando elas faltam, a natureza passa a parecer estranha.
O que acontece quando a natureza se torna estranha?
Aquilo que não conhecemos também não nos interessa. E isso pode se tornar um problema sério em tempos de mudança climática e extinção de espécies.
"A disposição para se engajar na proteção do meio ambiente, da natureza e do clima é maior quando nos percebemos como parte da natureza”, enfatiza Lea Dohm. A psicóloga é membro da Aliança Alemã de Clima e Saúde (KLUG) e estuda as consequências psicológicas das crises ecológicas.
Em outras palavras: aquilo que não nos interessa, também não queremos proteger.
Quando a terra é "suja" e minhocas são "nojentas”
Essa postura também é transmitida, por exemplo, pelos pais. "Atitudes negativas dos pais em relação à natureza podem influenciar a relação de seus filhos com ela — levando a uma espiral descendente de conexão com a natureza”, diz Jensen, líder do estudo.
Quando crianças ouvem repetidamente frases como "cuidado com os carrapatos” ou "não encosta nisso”, passam a vivenciar a natureza como algo perigoso, ressalta o psicólogo Stemper.
Essa experiência também é compartilhada pela educadora ambiental Susanne Sigl. Ela trabalha na Querwaldein, uma organização sem fins lucrativos em Colônia que busca transmitir às crianças uma relação positiva com a natureza.
"Quando pedimos às crianças, na floresta, que procurem galhos longos, algumas os seguram apenas com a ponta dos dedos; outras chegam a usar um lenço de papel; e outras nem trazem nada”, conta a pedagoga. Muitas crianças já nem pensam mais em pegar castanhas ou avelãs com as mãos, em vez de apenas olhar — e muito menos minhocas ou insetos inofensivos, como pequenos besouros, diz Sigl.
Ela relata ainda que, com frequência, os pais mandam os filhos com roupas totalmente inadequadas para um passeio na floresta: muitas vezes pouco agasalhados ou com tênis brancos que não devem sujar. "A terra costuma ser vista apenas como sujeira — inclusive pelas crianças.”
Alienação da natureza gera medo e hostilidade
Quando a natureza nos é tão estranha a ponto de sentirmos medo, esse medo pode se transformar em hostilidade — e a equipe da Universidade de Lund também encontrou evidências disso. Estudos mostram que pessoas biofóbicas evitam ativamente a natureza e, em alguns casos, defendem a matança de certos animais, como ursos, lobos ou tubarões.
Não são apenas fatores externos, como a falta de contato com a natureza, que influenciam nossa postura diante dela, diz Jensen. Fatores internos também contam: pessoas que se sentem fracas ou doentes tendem a ter mais medo, por exemplo, de predadores — como mostram muitos estudos.
Como a cultura molda nossa relação com a natureza
A relação com a natureza também é fortemente moldada pela cultura. "Antigamente, na Europa Central, a floresta era vista como um lugar de perigo — de animais selvagens, de fome, de ladrões, de ameaças mágicas”, lembra o psicólogo Dirk Stemper. Somente com o movimento cultural do Romantismo a floresta passou a ser, na Alemanha, uma paisagem idealizada.
Típica do período romântico (1795 a 1848) foi a busca pelo mágico, pelo sobrenatural e pelo maravilhoso — uma reação ao rápido avanço tecnológico da época.
"Hoje, vivemos de certo modo um retorno do medo da natureza — não mais diante de predadores e animais selvagens, mas por causa do afastamento, dos enquadramentos midiáticos e da distração digital.”
Pesquisas sobre a cultura pop de língua inglesa também apontam para uma mudança cultural que se afasta da natureza, relata Jensen. "Desde os anos 1950, as referências à natureza em romances, letras de músicas e enredos de filmes vêm diminuindo continuamente.”
Enquanto isso, à medida que a experiência pessoal com a natureza diminui, os meios de comunicação frequentemente apresentam uma imagem negativa dela — seja por filmes como Tubarão, seja pela cobertura de catástrofes naturais.
Ao mesmo tempo, muitas mídias digitais mostram uma imagem distorcida da natureza, diz Stemper. Essa "hiper-realidade” faz com que as fronteiras entre o original e a reprodução — muitas vezes filtrada — se tornem difusas.
Como consequência, experiências virtuais de natureza, como feeds do Instagram ou jogos de computador, parecem mais intensas e "reais” do que o encontro efetivo com florestas, campos ou animais.
Pouca natureza faz mal à saúde
Por que, então, ir à floresta de verdade, se a floresta "inofensiva” do Instagram parece muito mais bonita?
Porque ela nos faz bem, simples assim. "Estar na natureza promove nossa saúde mental — e muitas pessoas se sentem frequentemente tensas e sobrecarregadas”, afirma a psicóloga Lea Dohm. "Estudos mostram que florestas e ambientes naturais amenizam sintomas de TDAH, melhoram a atenção e a concentração, reduzem problemas sensoriais e favorecem a regulação emocional”, acrescenta Stemper.
Como pessoas biofóbicas evitam a natureza, elas perdem todos esses benefícios à saúde. Então, o que fazer?
Como resgatar a conexão com a natureza
Conhecimento ajuda — e muitos estudos mostram isso, diz Jensen. Quando conhecemos muitas plantas e animais e entendemos como a natureza funciona, conseguimos valorizá-la melhor — "o risco de uma relação negativa diminui”. E quando o medo de perigos naturais é de fato justificado, ajuda evitar conflitos, por exemplo, protegendo animais domésticos de predadores.
"Quando não existe um perigo real por trás de um medo, a melhor forma de superá-lo é por meio da exposição gradual”, diz Dohm. As pessoas podem, sim, ser orientadas a retomar, passo a passo, o contato com a natureza.
Com crianças, isso funciona melhor por meio da brincadeira espontânea, afirma a educadora ambiental Sigl. "Quando crianças brincam de pega-pega na floresta, caem, se escondem atrás de uma árvore ou se agacham em um arbusto, tocar em galhos depois disso geralmente deixa de ser um problema.”
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| Short teaser | Cada vez mais pessoas parecem se sentir ameaçadas na natureza. Fenômeno pode ter consequências de longo alcance. | ||
| Author | Jeannette Cwienk | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/biofobia-quando-a-natureza-nos-causa-medo/a-76697172?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Floresta: para muitos, um cenário assustador | ||
| Image source | Jan Holm/Loop Images/picture alliance | ||
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| Item 27 | |||
| Id | 76681682 | ||
| Date | 2026-04-07 | ||
| Title | Artemis 2 conclui sobrevoo lunar com recorde histórico | ||
| Short title | Artemis 2 conclui sobrevoo lunar com recorde histórico | ||
| Teaser |
Ao cruzarem marca de 400.171 quilômetros, astronautas se tornaram os humanos a viajar mais longe da Terra. Eles observaram o lado oculto da Lua por sete horas. Os astronautas da Artemis 2 concluíram o sobrevoo lunar, uma etapa crucial da sua missão de dez dias, e seguem na jornada de volta nesta terça-feira (07/04). A tripulação registrou vários feitos históricos, incluindo a quebra do recorde de distância da Terra já viajada por um ser humano, de acordo com a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa). A Artemis 2 alcançou na segunda-feira a esfera gravitacional da Lua, fazendo com que a cápsula Orion fosse mais fortemente afetada pela gravidade lunar do que pela da Terra. Depois, cruzou a marca de cerca de 400.171 quilômetros, estabelecida pela missão Apollo 13 de 1970. Além disso, os astronautas realizaram diversas observações celestes, incluindo de crateras lunares pouco conhecidas. Com os olhos colados às janelas da espaçonave por quase sete horas, a equipe de quatro pessoas obteve uma visão inédita do lado oculto da Lua. "Os seres humanos provavelmente não evoluíram para ver o que estamos vendo. É realmente difícil de descrever. É incrível," disse o astronauta Victor Glover. Frutos para a ciênciaA tripulação relatou em detalhes vívidos características da superfície lunar e, mais tarde, testemunhou um eclipse solar, quando a Lua passou à frente do Sol. Eles também descreveram flashes de luz — impactos de meteoros — na superfície da Lua. Os cientistas esperam que os feitos abram novos caminhos de pesquisa. A observação poderá ajudá-los a compreender como a Lua e o sistema solar se formaram, por exemplo como crateras, antigos fluxos de lava, além de fendas e cristas foram geradas à medida que a camada externa da Lua se deslocava lentamente ao longo do tempo. O olho humano consegue perceber mudanças sutis de cor, textura e outras características da superfície que podem escapar às câmaras e a outras tecnologias. A Bacia Oriental foi um dos principais objetos de estudo, uma cratera de impacto com 930 quilômetros de largura no hemisfério sul da Lua. A cápsula Orion agora segue de volta à Terra em uma chamada "trajetória de retorno livre", viagem que deve durar cerca de quatro dias. Perda de contatoA nave tripulada Orion passou cerca de 40 minutos em silêncio total na segunda-feira. Este tipo de interrupção é característico das missões que passam por detrás da Lua. A última delas foi a Apollo 17 em 1972, segundo a Nasa. Por ser uma massa sólida de rocha e regolito com quase 3,5 mil quilómetros de diâmetro, a Lua impediu a passagem das ondas de rádio que mantêm a comunicação entre a Nasa e a Orion. A interação entre a Nasa e a tripulação ocorre através da Rede Espacial Profunda (DSN, na sigla em inglês) e também da Rede Espacial Próxima (NSN), o sistema principal quando os astronautas estão longe da Terra. Esta última funciona graças a três complexos de antenas gigantes localizados na Califórnia, Madrid e Camberra, o que permite uma ligação permanente sem interrupções devido à rotação da Terra. O período de apagão era esperado, mas ainda assim marcante: eles foram as primeiras pessoas em mais de 50 anos a perder contato com o restante da humanidade. "É tão bom ouvir a Terra novamente", disse a astronauta Christina Koch, quando a tripulação retomou a conexão com o planeta natal. "Nós sempre escolheremos a Terra." Homenagem à esposa do comandanteLogo após quebrar o recorde de distância, a tripulação propôs a designação de duas crateras anteriormente sem nome. A primeira, eles solicitaram que fosse nomeada em homenagem ao apelido da espaçonave, Integrity ("integridade" em inglês). Eles ofereceram um segundo nome, “Carroll”, para outra cratera, pedindo que ela fosse batizada em homenagem à esposa do comandante da missão, Reid Wiseman, que morreu de câncer. "É um ponto luminoso na Lua", disse Hansen, com a voz embargada pela emoção. "E gostaríamos de chamá-lo de Carroll." Os astronautas se abraçaram, e o controle da missão em Houston fez um momento de silêncio. A Nasa afirmou que irá submeter formalmente as propostas de nome à União Astronômica Internacional, o órgão responsável por nomear corpos celestes e características de suas superfícies. O astronauta canadense Jeremy Hansen disse que a missão também tinha como objetivo homenagear os antecessores da tripulação em voos espaciais tripulados. jps/ht/ra (EFE, Lusa) |
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| Short teaser | Ao cruzarem marca de 400.171 quilômetros, astronautas se tornaram os humanos a viajar mais longe da Terra. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/artemis-2-conclui-sobrevoo-lunar-com-recorde-histórico/a-76681682?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Artemis%202%20conclui%20sobrevoo%20lunar%20com%20recorde%20hist%C3%B3rico | ||
| Item 28 | |||
| Id | 76681375 | ||
| Date | 2026-04-06 | ||
| Title | Lobo que feriu mulher na Alemanha é colocado em "liberdade condicional" | ||
| Short title | Alemanha: Lobo que feriu idosa ganha "liberdade condicional" | ||
| Teaser |
Animal capturado após ferir mulher em área urbana de Hamburgo foi solto na natureza com equipamento de rastreamento. Autoridades dizem que monitoramento vai permitir intervenção se ele vagar novamente em áreas povoadas.Um lobo selvagem que foi capturado no fim de março após ferir uma mulher em uma área comercial de Hamburgo, no norte da Alemanha, foi solto novamente na natureza no domingo de Páscoa (05/04).
As autoridades informaram que o lobo, um jovem macho, foi solto com equipamento de rastreamento, após ficar sob os cuidados de um centro de resgate de animais selvagens.
A secretaria de Meio Ambiente de Hamburgo, Katharina Fegebank, afirmou que a medida equilibra a segurança pública e o bem-estar animal, descrevendo-a ca soltura no domingo como "uma liberdade condicional". As autoridades acrescentaram que a localização do animal agora pode ser monitorada a qualquer momento, permitindo que caçadores intervenham caso o lobo se aproxime novamente de áreas povoadas.
O lobo foi avistado na zona oeste da cidade no final de março, antes de se aventurar em uma rua comercial no distrito hamburguense de Altona, onde feriu uma mulher de 60 anos no rosto. Posteriormente, o animal correu pelo centro da do distrito e pulou num rio, onde foi capturado pela polícia.
Segundo as autoridades, o animal estava tão exausto que não foi necessário aplicar tranquilizantes. Depois da captura, ele foi levado para um parque de vida selvagem.
As autoridades acreditam que o lobo mordeu a mulher quando ela se aproximou do animal, que estava estressado, embora os detalhes do boletim de ocorrência não tenham sido divulgados. Ambientalistas contestaram essa versão, citando uma testemunha que disse que o lobo pode ter atingido a mulher com a pata em vez de mordê-la.
Após a captura, apoiadores da causa animal organizaram no último fim de semana um protesto em Hamburgo contra possíveis planos de sacrificar o animal e pedindo que ele fosse solto na natureza. As autoridades afirmaram que a transferência permanente do animal para um abrigode vida selvagem não era viável por razões legais e práticas. A eutanásia do animal também foi descartada por razões legais. Soltar o animal de volta à natureza permaneceu como a única opção viável.
Ataque incomum
Lobos normalmente evitam contato com humanos e cães, o que torna o incidente incomum. Um estudo publicado em 2002 pelo Instituto Norueguês de Pesquisa da Natureza (NINA) mostra que ataques deste tipo são extremamente raros e costumam estar condicionados a casos de raiva, provocação ou fome.
Segundo especialistas, o animal capturado em Hamburgo e posteriormente solto era um filhote em fase de dispersão do próprio bando. Nessa etapa, jovens lobos percorrem longas distâncias em busca de um território próprio. As autoridades locais acreditam que ele entrou na cidade por engano e tentava, por conta própria, encontrar uma rota de saída. O ambiente urbano, incomum para a espécie, provocou forte estresse no animal.
De acordo autoridades, nas aparições anteriores o lobo demonstrou "um comportamento de fuga muito acentuado, extremamente arisco, recuando imediatamente sempre que pessoas ou cães cruzavam seu caminho”.
Desde 2013, Hamburgo registrou 21 confirmações oficiais de presença de lobos. A mais recente havia sido em meados de março, quando um animal da espécie foi encontrado morto em uma rodovia da região.
Estimativas apontam que há cerca de 1.600 lobos selvagens na Alemanha. A espécie havia sido considerada extinta em território alemão já no século 19, mas começou a se espalhar novamente nos anos 2000.
No começo de março, o Parlamento alemão recategorizou o animal como "espécie caçável", permitindo o abate de lobos entre julho e outubro. A medida era cobrada por fazendeiros, que argumentava que a caça é necessária para controlar a população da espécie devido ao aumento de ataques a animais de criação.
A nova lei, no entanto, está sendo contestada em muitos protestos, especialmente na região da Floresta Negra, no sudoeste da Alemanha, onde as populações de lobos não se recuperaram tanto quanto no norte do país.
Nesta segunda-feira (06/04), em um incidente não relacionado com o lobo de Hamburgo, outro animal morreu após atravessar uma rodovia e ser atropelado por um carro no nordeste da Alemanha.
A polícia informou que o animal morreu na colisão, ocorrida durante a madrugada na estrada entre Berlim e o porto de Rostock, na costa do Mar Báltico. O motorista, de 37 anos, saiu ileso, mas o veículo sofreu danos consideráveis e ficou impossibilitado de seguir viagem após o acidente.
jps (DW, ots)
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| Short teaser | Animal capturado após ferir mulher em área urbana de Hamburgo foi solto na natureza com equipamento de rastreamento. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/lobo-que-feriu-mulher-na-alemanha-é-colocado-em-liberdade-condicional/a-76681375?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Após extinção no século 19, população de lobos voltou a crescer na Alemanha nas últimas décadas | ||
| Image source | Raimund Linke/imageBROKER/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/76604193_354.jpg&title=Lobo%20que%20feriu%20mulher%20na%20Alemanha%20%C3%A9%20colocado%20em%20%22liberdade%20condicional%22 | ||
| Item 29 | |||
| Id | 76643855 | ||
| Date | 2026-04-06 | ||
| Title | Projeto acolhe mulheres mais velhas em situação de prostituição em SP | ||
| Short title | Prostituição na 3ª idade: projeto acolhe mulheres em SP | ||
| Teaser |
Coletivo "Mulheres da Luz" oferece rede de apoio a profissionais mais velhas que trabalham nas ruas. Saída definitiva, contudo, ainda esbarra em diculdade para acessar o mercado de trabalho formal. "Não é um trabalho normal. É um ambiente muito carregado e, muitas vezes, você atende de 10 a 15 pessoas por dia. Tem hora que você se sente um objeto." É assim que Ana Moreira, de 41 anos, define a vida de mulheres em situação de prostituição. Ela conta que começou a se prostituir aos 18 anos, em São Paulo (SP). Foi uma forma de sair de casa, já que enfrentava problemas familiares e não tinha um bom relacionamento com a mãe. "Eu sofri vários abusos na infância e não tive uma mãe presente. Fui conhecê-la só mais tarde", diz. No início, chegava a receber R$ 20 por atendimento. "Na primeira semana eu ganhei o que ganhava como doméstica em um mês. Morava na região da Santa Cecília", diz. Depois de alguns anos, foi para um prédio com um clube famoso na região central da capital paulista, onde chegava a receber de R$ 400 a 500 por dia. Embora conte com naturalidade tudo que passou ao longo dos anos atuando como "profissional do sexo", Ana diz que não era uma rotina fácil e que tinha que arcar com todas as despesas sozinha. "Tinha que comprar comida, comprar preservativo. Tem que pagar a diária do lugar e ir embora. Eram muitos gastos pessoais", relembra. Em 2018, diante das dificuldades e da violência no centro da cidade, e precisando de uma cesta básica, Ana encontrou no projeto Mulheres da Luz uma rede de apoio voltada a mulheres em situação de prostituição e vulnerabilidade social. O coletivo foi criado em 2013 a partir da atuação de Cleone Santos, que também passou pela prostituição após deixar o trabalho formal. Ela teve contato com a Pastoral da Mulher Marginalizada e com grupos feministas, e decidiu levar esse tipo de apoio para outras mulheres. Ao lado da freira Regina Celia Coradin, cofundadora do coletivo, com quem atuou na pastoral, passou a realizar abordagens em pontos de prostituição de rua na região central de São Paulo. Cleone morreu em maio de 2023, mas o trabalho iniciado por ela segue funcionando. O grupo adota o termo "mulher em situação de prostituição" para se referir ao público atendido, como forma de indicar que se trata de uma condição e não de uma identidade fixa. "Para o coletivo, a prostituição é entendida como uma situação transitória, e não como um trabalho como outro qualquer", explica Lais Pereira, voluntária e responsável pela comunicação do coletivo. Como o coletivo atua na práticaAtualmente, o Mulheres da Luz atende cerca de 120 mulheres por semana. As atividades incluem rodas de conversa e encontros definidos a partir das demandas das próprias participantes. O trabalho se organiza a partir de ações de acolhimento e escuta no centro de São Paulo. As atividades acontecem em um espaço localizado no porão do Parque da Luz, onde as mulheres participam de encontros coletivos e atendimentos individuais. "A gente tem um momento de sentar à mesa, conversar, trocar, mas também temos uma equipe de psicólogos e psicanalistas que oferecem sessões individuais", afirma Pereira. Além do suporte em saúde mental, a iniciativa mantém ações voltadas à educação. Uma delas é a chamada Escola da Luz, que oferece alfabetização, letramento e reforço escolar para mulheres em situação de prostituição e outros grupos vulneráveis. A proposta segue o modelo de educação popular e busca ampliar o acesso a ferramentas básicas de aprendizagem. Outra frente envolve geração de renda. O grupo organiza uma cooperativa de artesãs, com cursos e oficinas de trabalhos manuais. Os produtos confeccionados são vendidos e o valor arrecadado é dividido entre as participantes. Segundo a cofundadora Regina Celia Coradin, 27 mulheres já receberam certificação recente e passaram a integrar a iniciativa, que hoje funciona como uma alternativa de renda coletiva. A organização também atua com a distribuição de itens básicos. Entre as ações estão a entrega de cestas básicas, kits de higiene e a realização de bazares solidários, onde roupas e outros itens são disponibilizados gratuitamente. A oferta, no entanto, depende de doações. "Tem momentos em que a gente consegue oferecer mais, e outros em que não, porque depende dos parceiros", diz Pereira. Na área da saúde, o projeto mantém parcerias para atendimento médico, testagem e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. Há colaboração com a Faculdade de Medicina da Santa Casa e com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, por meio de uma iniciativa voltada à prevenção de ISTs. A ação inclui testagem, vacinação e a atuação de mulheres atendidas pelo projeto como agentes de saúde em atividades de campo. Rede de apoioA participação no projeto marcou uma mudança na trajetória de Ana Moreira e, segundo ela, também impacta a vida de outras mulheres atendidas pelo coletivo. Com o tempo, o espaço de acolhimento se transformou em uma oportunidade de atuação e geração de renda. Hoje, Ana é uma das mulheres em situação de prostituição que atuam como agente de prevenção. A função faz parte de uma iniciativa financiada por emenda parlamentar que oferece remuneração para que essas mulheres realizem ações de saúde sexual entre as próprias colegas. A proposta é que o atendimento seja feito por quem conhece de perto essa realidade, o que facilita a abordagem e a troca de informações. No dia a dia, ela distribui preservativos, lubrificantes e orientações sobre prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. Também participa de ações de testagem e esclarecimento de dúvidas. "Elas confiam em mim, perguntando o que podem fazer ou como agir", diz. Ela reforça ainda a importância do projeto no cuidado da saúde física e mental dessas mulheres. "Já salvou muitas mulheres mentalmente. Às vezes, naquele dia, a pessoa só precisa de alguém que ouça e acolha", diz. Ela afirma que o trabalho cria uma rede de apoio em um contexto marcado por vulnerabilidade. Segundo relata, muitas das mulheres atendidas são mais velhas, cuidam de netos e não têm acesso a aposentadoria ou estrutura familiar. "Muitas não tiveram oportunidade. Moram em áreas de risco, em condições insalubres. Algumas têm outro trabalho e ainda precisam complementar a renda ali. É uma jornada dupla, que cansa", afirma. A atuação como agente de prevenção também abriu outras possibilidades. Ana passou a frequentar cursos, como o de cuidadora de idosos, e conseguiu, ao longo dos anos, comprar a própria casa. Atualmente, também participa de produções audiovisuais em projetos pontuais no Sesc em São Paulo. Mãe de um adolescente de 13 anos, diz que hoje consegue sustentar o filho sozinha. Mulheres negras, na terceira idade e sem escolaridadeEmbora algumas mulheres consigam reduzir ou reorganizar a relação com a prostituição, a saída definitiva nem sempre é possível. Segundo Pereira, esse não é o papel do projeto. "A gente não quer e nem pode tirar ninguém da prostituição. O trabalho é fortalecer a autoestima e oferecer alternativas", afirma. As tentativas de saída, de acordo com ela, costumam acontecer ao longo da vida, mas nem sempre se sustentam. Muitas mulheres deixam a atividade por um período e retornam quando não conseguem manter outra fonte de renda. "Os motivos de saída normalmente estão ligados a não conseguir mais se sustentar com a prostituição ou buscar um rendimento mais estável", diz Pereira. O perfil das mulheres atendidas ajuda a explicar esse ciclo. A maioria é formada por mulheres mais velhas, entre 40 a 70 anos. São, em grande parte, negras, de regiões periféricas e com baixa escolaridade. Em um levantamento feito pelo próprio coletivo em 2023, os valores cobrados por programa variam entre R$ 20 e R$ 50. Nesse contexto, a prostituição de rua aparece como uma alternativa de renda possível, ainda que precária. Coradin afirma que muitas dessas mulheres acumulam responsabilidades familiares, como o cuidado com filhos e netos, mesmo em idade avançada. "Elas querem sair, mas com que recurso? Como vão sobreviver?", questiona. Segundo ela, há casos de mulheres com mais de 60 anos que seguem trabalhando para sustentar a família. A dificuldade de inserção no mercado formal e a ausência de rede de apoio tornam a saída mais difícil. Além das barreiras econômicas, o preconceito atravessa a rotina dessas mulheres. Pereira destaca que aquelas que atuam em espaços públicos estão mais expostas à violência e ao estigma. Coradin acrescenta ainda que a discriminação também aparece em instituições religiosas. "Muitas ainda são vistas como em situação de pecado e acabam afastadas desses espaços", afirma. Para ela, o reconhecimento dessas mulheres ainda é um desafio. "Temos que abraçar essa mulher na sua realidade pessoal, do aqui e agora, e não pensar sobre o futuro. Sempre acolher." |
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| Short teaser | Coletivo "Mulheres da Luz" oferece rede de apoio e alternativas a categoria precarizada e estigmatizada. | ||
| Author | Priscila Carvalho | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/projeto-acolhe-mulheres-mais-velhas-em-situação-de-prostituição-em-sp/a-76643855?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 30 | |||
| Id | 76675202 | ||
| Date | 2026-04-05 | ||
| Title | Milhares de alemães pedem paz em marchas de Páscoa | ||
| Short title | Milhares de alemães pedem paz em marchas de Páscoa | ||
| Teaser |
Tradição no país desde a década de 60, marchas de Páscoa deste ano tiveram como foco guerras no Irã, Gaza e Líbano, além de críticas à nova lei de alistamento militar na Alemanha.Milhares de pessoas em toda a Alemanha participaram neste fim de semana de cerca de 70 marchas de Páscoa em todo o país para pedir paz, uma tradição que remonta à década de 60.
Cerca de cem eventos do tipo estão planejados até a segunda-feira de Páscoa, de acordo com o grupo ativista Netwerk Friedenskooperative (Rede Cooperativa para a Paz), sediado em Bonn, que coordena as marchas.
Entre as cidades que recebem as marchas pacifistas de Páscoa estão Munique, Bremen, Bonn, Duisuburg, Düren, Berlim, Leipzig, Bremen, Colônia e Stuttgart.
As marchas começaram na quinta-feira (02/04) e continuarão até segunda-feira (06/04), o último dia do feriadão de Páscoa na Alemanha.
"É importante que tantas pessoas saiam às ruas pela paz. Porque os problemas não estão diminuindo, muito pelo contrário. Em quase 40 anos de trabalho nas Marchas da Páscoa, nunca vi tantas crises no mundo durante a Páscoa. Isso me faz refletir bastante, mas também mostra a importância do compromisso com a paz", disse Kristian Golla, que lidera o trabalho das Marchas da Páscoa na Rede Cooperativa para a Paz desde o início da década de 1990.
Guerras no Oriente Médio
Um tema dominante nas manifestações deste ano é a guerra no Irã, bem como a violência contínua em Israel, territórios palestinos e Líbano.
"O governo alemão deve se comprometer muito mais firmemente com a defesa e o respeito ao direito internacional, sem qualquer hipocrisia”, disse Kristian Golla. "Os bombardeios e ataques com mísseis diários – seja no Líbano, Irã, Israel, Sudão ou Ucrânia – devem acabar. Exigimos inequivocamente: a Alemanha não deve participar da guerra contra o Irã, direta ou indiretamente. Qualquer apoio logístico para ataques militares por meio de bases americanas na Alemanha, como Ramstein, deve ser descartado. Além disso, o espaço aéreo alemão deve ser fechado para aeronaves militares americanas."
Em Berlim, mais de mil pessoas participaram de uma marcha no sábado (04/04), segundo a polícia. Alguns dos slogans dos manifestantes incluiam "Direito internacional em vez da lei da força" e "Abaixo todas as armas nucleares", mas também pedidos mais atuais como "Mãos fora do Irã, Cuba e Venezuela" e a exigência do fechamento de todas as bases militares americanas na Alemanha.
De acordo com a polícia, cerca de 800 manifestantes participaram de outra marcha em Bremen no sábado. Outras 550 pessoas participaram em Munique, 500 em Wiesbaden e Fulda, 450 em Augsburg e 350 em Duisburg. Em Unterlüss, cerca de 150 pessoas marcharam até os portões de uma fábrica da empresa de armamentos Rheinmetall.
Temas das marcha de 2026
As manifestações, listadas no site da rede, incluem desde passeios batizados "Bicicletas pela Paz" a concertos e encontros que duram a tarde toda com discursos sobre as guerras no Irã, em Gaza e na Ucrânia, violência na Síria, bem como direitos humanos e justiça climática.
Em 2025, mais de 40.000 pessoas participaram das marchas de Páscoa, um número significativamente maior do que nos anos anteriores. O balanço de 2026 ainda não foi concluído. Entre 2022 e 2024, os conflitos na Ucrânia e Gaza foram temas dominantes.
Em 2026, algumas das marchas também abordam a reforma da lei do serviço militar promovida pelo governo alemão, que estipula que desde o início do ano, todos os jovens de 18 anos vão receber um questionário das Forças Armadas alemãs para avaliar sua "motivação e aptidão" para o alistamento. Os jovens do sexo masculino são obrigados a preencher o formulário, enquanto as mulheres — isentas do serviço militar obrigatório pela Constituição — podem fazê-lo voluntariamente.
Vários jovens, temerosos que a reforma abra a porta para a volta do serviço militar obrigatório, estão discursando nas marchas. "Os jovens não devem, em hipótese alguma, ser forçados a servir nas forças armadas. Rejeitamos categoricamente todos os planos para um novo sistema de recrutamento", disse Kristian Golla.
Em 2025, mais de 40.000 pessoas participaram das marchas da Páscoa, um número significativamente maior do que nos anos anteriores. O balanço de 2026 ainda não foi elaborado.
Inspiradas por protestos contra uma instalação de pesquisa de armas nucleares no Reino Unido, as marchas antiguerra de Páscoa iniciaram-se na Alemanha em 1958, com uma manifestação em Hamburgo.
Os eventos alcançaram um pico de participação entre 1968 e 1983, quando levaram centenas de milhares às ruas da Alemanha Ocidental, a cada ano, para protestar especialmente contra a presença de armas nucleares na Europa.
jps (dpa, DW, ots)
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| Short teaser | Tradição na Alemanha, marchas de Páscoa deste ano tiveram como foco guerras no Irã, Gaza e Líbano. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/milhares-de-alemães-pedem-paz-em-marchas-de-páscoa/a-76675202?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Manifestantes pedindo paz em Berlim | ||
| Image source | Michael Kuenne/PRESSCOV/ZUMA/picture alliance | ||
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| Item 31 | |||
| Id | 76674355 | ||
| Date | 2026-04-05 | ||
| Title | Três pessoas morrem durante caça a ovos de Páscoa em floresta na Alemanha | ||
| Short title | Três pessoas morrem em caça a ovos de Páscoa na Alemanha | ||
| Teaser |
Em meio a fortes ventos, árvore caiu sobre grupo que procurava ovos em floresta no Domingo de Páscoa. Entre as vítimas estão uma mãe de 21 anos e seu bebê de 10 meses.Uma caça aos ovos de Páscoa terminou em tragédia neste domingo (05/04) no norte da Alemanha. Três pessoas, incluindo uma mãe e seu bebê, morreram após serem atingidas por uma árvore enquanto procuravam ovos escondidos numa floresta.
Segundo a polícia alemã, uma árvore de aproximadamente 30 metros de altura caiu sobre um grupo de pessoas no vilarejo de Mittelangeln, perto da cidade de Flensburg, por volta das 11h (6h em Brasília) do Domingo de Páscoa.
Uma adolescente de 16 anos e uma mulher de 21 anos morreram no local. A filha da jovem de 21 anos, de 10 meses, foi levada de helicóptero para um hospital na cidade de Kiel, no norte da Alemanha, mas morreu posteriormente devido aos ferimentos.
Outra jovem de 18 anos sofreu ferimentos graves e foi levada de helicóptero para um hospital em Heide, onde passou por cirurgia. Outras pessoas sofreram ferimentos leves.
Um porta-voz da polícia não forneceu detalhes sobre o número exato de pessoas feridas.
Ventos fortes
Segundo informações da polícia, cerca de 50 moradores e cuidadores de um centro de assistência social voltado para grávidas e jovens mães estavam na floresta procurando ovos de Páscoa escondidos na mata. Acredita-se que a árvore tenha sido derrubada por uma ventania.
A caça aos ovos é uma variação da brincadeira de caça ao tesouro realizada na Páscoa, na qual as crianças e adultos procuram ovos pintados ou de chocolate escondidos em jardins, parques ou bosques.
As investigações sobre a causa exata do acidente estão em andamento. Não está claro se a árvore caída apresentava danos pré-existentes ou se estava doente.
O departamento florestal local já foi informado do incidente, disse um porta-voz da polícia. Segundo o jornal Bild, mais de 80 profissionais de emergência estiveram no local. Testemunhas relataram ter visto ovos de Páscoa coloridos espalhados pela área do desastre.
O Serviço Meteorológico Alemão (DWD) informou que as condições climáticas no domingo estavam tempestuosas no norte do país.
O DWD previu rajadas de vento durante o dia variando de 55 a 65 quilômetros por hora, com alguns ventos de cerca de 80 quilômetros por hora possíveis em locais expostos.
jps (dpa, ots)
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| Short teaser | Árvore caiu sobre grupo que procurava ovos em floresta. Entre as vítimas estão uma mãe de 21 anos e seu bebê de 10 meses | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/três-pessoas-morrem-durante-caça-a-ovos-de-páscoa-em-floresta-na-alemanha/a-76674355?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Área do desastre estava sob forte ventos | ||
| Image source | Raimund Kutter/imageBROKER/picture alliance | ||
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| Item 32 | |||
| Id | 38384707 | ||
| Date | 2026-04-03 | ||
| Title | A tradicional trança de Páscoa alemã | ||
| Short title | A tradicional trança de Páscoa alemã | ||
| Teaser |
Na Alemanha, café da manhã do domingo de Páscoa costuma incluir uma "hefezopf". Com ou sem recheio, pão doce trançado pode ser apreciado com manteiga e geleia e costuma ser decorado com ovos coloridos.Na Alemanha, a Páscoa é um acontecimento quase tão grande quanto o Natal. Mais de um mês antes da data, os supermercados se enchem de coelhos, ovos e ovelhas de chocolate, e lojas vendem artigos de decoração com os mesmos motivos. Além da Sexta-feira Santa, há mais um dia de feriado por aqui, a Ostermontag (segunda-feira de Páscoa), o que significa que as famílias têm mais tempo de se reunir e, é claro, sentar à mesa juntas.
A Sexta-feira Santa é dia de comer peixe, assim como no Brasil. No domingo de Páscoa é comum preparar pratos com cordeiro, e muitas famílias fazem um longo café da manhã ou brunch antes de distribuir os ovos de chocolate.
Além da tradição de pintar ovos cozidos – aqui há uma tinta específica para isso – e da Osterlamm (cordeiro pascoal), um bolo em formato de cordeiro, é tradicional servir pela manhã uma hefezopf ou osterzopf – um pão doce em forma de trança.
A receita básica, coberta de açúcar, pode ser comida com manteiga ou geleia. Há variações com cobertura de amêndoas ou recheio de passas, chocolate, marzipã, damasco, entre outros. Por causa do fermento biológico fresco, a massa fica fofa e aerada. Ela é pincelada com ovo antes de ir ao forno, o que lhe dá um belo aspecto dourado.
A hefezopf costuma ser preparada no dia antes da Páscoa, assim como os ovos cozidos e coloridos, que são muitas vezes usados para decorar a trança. O pão doce também é muitas vezes servido no Ano Novo. Aprenda a receita clássica:
Ingredientes
250 ml de leite
20 g de fermento biológico fresco
75 g de açúcar
1 ovo
1,5 colher (chá) de sal
500 g de farinha de trigo
75 g de manteiga
2 colheres (sopa) de açúcar cristal
Modo de preparo
Aquecer o leite até ficar morno. Despedaçar o fermento numa tigela pequena e misturar bem com um pouco do leite morno e o açúcar. Bater o ovo. Levar 3 colheres de sopa do ovo batido à geladeira num recipiente coberto.
Acrescentar o restante do ovo batido, o restante do leite, o sal e a farinha à mistura de fermento e bater na batedeira em velocidade baixa por cerca de 3 minutos. Aumentar a velocidade e bater por mais cinco minutos. Acrescentar a manteiga em cubos aos poucos e bater por mais cinco minutos até obter uma massa homogênea. Se desejar, acrescentar passas ou gotas de chocolate à massa.
Cobrir a tigela com a massa com um pano de prato úmido e deixar descansar em temperatura ambiente por uma hora.
Trabalhar a massa sobre uma superfície levemente enfarinhada. Dividi-la em três e deixar descansar coberta por mais dez minutos.
Com os três terços de massa formar três rolos de cerca de 40 cm de comprimento cada. Trançá-los sem apertar muito. Colocar a trança sobre uma fôrma coberta com papel-manteiga, cobri-la e deixar descansar por mais 45 minutos.
Pincelar a trança com o ovo resfriado. Polvilhar com o açúcar cristal (e com lascas de amêndoas, se desejar) e assar em forno preaquecido a 200 °C por 25 minutos. Se estiver ficando dourado muito rapidamente, cobrir com papel alumínio nos últimos dez minutos.
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| Short teaser | Na Alemanha, café da manhã do domingo de Páscoa costuma incluir uma "hefezopf", pão doce trançado. | ||
| Author | Luisa Frey | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-tradicional-trança-de-páscoa-alemã/a-38384707?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | "Hefezopf" pode ser coberta de açúcar, amêndoas ou nozes | ||
| Image source | Fotolia/A_Lein | ||
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| Item 33 | |||
| Id | 76655205 | ||
| Date | 2026-04-03 | ||
| Title | Política de Trump faz alemães hesitarem em ir à Copa | ||
| Short title | Política de Trump faz alemães hesitarem em ir à Copa | ||
| Teaser |
Muitos torcedores alemães estão divididos sobre se devem ou não viajar para os Estados Unidos para o mundial de futebol.O trem para Stuttgart, na Alemanha, está praticamente lotado. Em cada parada entram pessoas vestindo a camisa da Alemanha. Há uma animada conversa sobre a seleção alemã de futebol e a Copa do Mundo que se aproxima, nos Estados Unidos, Canadá e México.
Num dos últimos dias de março, a Alemanha enfrentou o Gana no último amistoso internacional antes do início da preparação para a Copa do Mundo. Muitos torcedores começaram a viagem logo pela manhã, incluindo Dennis e Kai.
Os dois amigos do norte da Alemanha embarcaram cedo no trem, vestindo a camisa da seleção alemã e ansiosos para apoiar a equipe pessoalmente naquela noite em Stuttgart.
Para Dennis, em particular, viagens como esta são rotina; ele acompanha a seleção de seu país desde 2015 e, aos 40 anos, praticamente não perdeu um jogo desde então. Kai é presença constante na equipe desde a Eurocopa de 2024, sediada na Alemanha. "Usar a águia no peito e cantar o hino nacional é algo especial", disse Dennis à DW. "Você sempre encontra outros torcedores, viaja para torneios — isso é sempre de arrepiar."
Os dois são o que se conhece como torcedores assíduos, fãs que acompanham o time em todas as partidas, independentemente do local.
Expectativa antes do torneio
Não é de admirar, portanto, que a próxima Copa do Mundo esteja firmemente marcada em seus calendários. "Estou bastante ansioso", disse Kai, com os olhos brilhando enquanto falava. "Quero absorver tudo o que está acontecendo nas cidades. Dennis sempre falava muito sobre isso."
A expectativa começa muito antes do torneio, acrescentou seu amigo Dennis: "A empolgação começa dois anos antes; você começa a economizar e a pensar em como será a viagem."
Ambos já compraram ingressos para os jogos da Alemanha na fase de grupos, e o itinerário está todo planejado. Eles estão muito animados e a atual situação política nos Estados Unidos não está diminuindo o entusiasmo deles. "A política deveria ficar fora do esporte. O esporte serve para construir pontes e unir as pessoas, mas a política muitas vezes gosta de explorar torneios como este", disse Dennis.
Löw alerta contra viagens
Mas nem todos estão tão tranquilos. Recentemente, o ex-técnico da seleção alemã Joachim Löw alertou contra viagens à América do Norte. "Já tivemos debates antes mesmo da Copa do Mundo de 2018 na Rússia e pedidos de boicote antes da Copa do Mundo de 2022 no Catar. Mas jogar em um país que está atualmente em guerra é ainda mais perigoso", alertou Löw em um evento em Colônia.
Löw, que levou a Alemanha à vitória na Copa do Mundo de 2014 no Brasil, referia-se às políticas do presidente dos EUA, Donald Trump , que declarou guerra ao Irã no final de fevereiro. Além disso, as operações da agência de imigração ICE e outros conflitos geopolíticos estão causando instabilidade e incerteza. A situação política está "ofuscando completamente o torneio", disse Löw.
Preocupação com liberdades individuais
Também houve, e continua a haver, fortes críticas da esfera política. "O que a Fifa está organizando lá em conjunto com Donald Trump não é algo que me anime", disse à DW Boris Mijatovic, político do Partido Verde e ativista dos direitos humanos.
"A divulgação de dados pessoais, como endereços de e-mail, telefones celulares, computadores ou contas de redes sociais, não deve ser ignorada. Trata-se de uma violação da liberdade individual que eu não toleraria", disse Mijatovic. "Um Estado que invade sua privacidade dessa maneira não deve ser recompensado com uma visita."
Mijatovic também teme outros "momentos bizarros de vergonha alheia", como o presidente da Fifa, Gianni Infantino, entregando o recém-criado Prêmio da Paz da Fifa a Trump durante o sorteio da Copa do Mundo.
"Acho absolutamente grotesco o modo como se tem de prestar homenagem a este presidente para ganhar o seu favor. Isto aplica-se tanto a Gianni Infantino como ao chanceler [federal alemão] Friedrich Merz", acrescentou o político, incluindo o presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Bernd Neuendorf, nas suas críticas.
Mijatovic considera que falta coragem para expressar críticas à Fifa. "Sinto falta dessa postura", disse ele. "Tudo o que construímos com respeito e jogo limpo foi por água abaixo."
Mais recentemente, um relatório da organização de direitos humanos Anistia Internacional também destacou abusos nos países anfitriões da Copa do Mundo, particularmente nos EUA.
Alemães se dizem céticos
Para Bengt Kunkel, torcedor da Alemanha, a Copa do Mundo deste ano será assistida pela televisão em casa, e não pessoalmente. Kunkel, que foi a vários jogos da Alemanha, não viajará para os Estados Unidos. "Tenho uma visão muito crítica da Copa do Mundo", disse ele. Trump é um grande problema, acrescentou. "Porque está tentando se apropriar da Copa do Mundo e explorá-la para sua agenda política."
"Além disso, existem as restrições à liberdade de imprensa e à liberdade de expressão, além da condescendência política da Fifa ao conceder o Prêmio da Paz a Donald Trump", disse Kunkel, que também critica o custo para os torcedores .
"Calculamos que, só para a fase de grupos, provavelmente teríamos que gastar entre 5 mil e 8 mil euros (R$ 29,7 mil a R$ 47,6 mil)", explicou o torcedor alemão. "Este não é um torneio que agrade aos torcedores. Nada nesta Copa do Mundo me atrai, então ficou claro que eu não iria."
Os requisitos de entrada mais rigorosos para os fãs também são motivo de preocupação para o torcedor de 27 anos.
"Quando se trata de dizer: 'vamos verificar toda a atividade nas redes sociais de pessoas que desejam entrar nos EUA e ver se alguém curtiu ou publicou algo contra Donald Trump', isso não tem nada a ver com convidar o mundo para sua casa e querer celebrar uma festa do futebol."
Torcida continua, apesar de tudo
Kunkel sabe que a Copa do Mundo de 2026 está dividindo os torcedores no momento. "Mas eu entendo quem vai lá", disse Kunkel, acrescentando que não acredita que um boicote seja a solução.
"Apesar de tudo, não tem problema nenhum apoiar a seleção alemã. Então, vamos aproveitar ao máximo e ter uma Copa do Mundo brilhante."
Até Dennis e Kai admitem que "não é uma Copa do Mundo voltada para o público em geral". Mesmo assim, eles confiam que os Estados Unidos garantirão a segurança de todos e que será um festival de futebol fantástico.
"Queremos nos tornar campeões mundiais", disse Dennis. "Temos que ser uma equipe e agir como uma equipe, e se nós, torcedores, apoiarmos o time, podemos ir muito longe."
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| Short teaser | Muitos torcedores alemães estão divididos sobre se devem ou não viajar para os Estados Unidos para o mundial de futebol. | ||
| Author | Thomas Klein (de Stuttgart) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/política-de-trump-faz-alemães-hesitarem-em-ir-à-copa/a-76655205?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Muitos torcedores alemães têm criticado a Copa do Mundo nos EUA, México e Canadá | ||
| Image source | Silas Stein/DFB/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/76607269_354.jpg&title=Pol%C3%ADtica%20de%20Trump%20faz%20alem%C3%A3es%20hesitarem%20em%20ir%20%C3%A0%20Copa | ||
| Item 34 | |||
| Id | 76648066 | ||
| Date | 2026-04-02 | ||
| Title | Comprar passagens de avião agora ou esperar? | ||
| Short title | Comprar passagens de avião agora ou esperar? | ||
| Teaser |
Reajuste de 55% no valor do querosene de aviação anunciado pela Petrobras deve impactar no preço nos próximos meses. Especialistas alertam em que medida isso deve impactar os passageiros.Quem está planejando viajar de avião deve comprar a passagem o mais cedo possível, avaliam especialistas ouvidos pela DW Brasil. Isso porque o reajuste de 55% para o preço do querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras nesta quarta-feira (1°/04) não deve demorar a ser repassado para os passageiros.
Desde o início da ofensiva americana e israelense contra o Irã já havia a expectativa de alta nos preços de combustíveis em geral. No caso do querosene de aviação, cuja produção ainda depende parcialmente de petróleo importado, esse impacto deve chegar em até três meses, na avaliação de Viviane Falcão, professora de Economia dos Transportes Aéreos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
"Se eu pudesse dar um conselho neste momento, seria para comprar a passagem o quanto antes”, afirma. "As aéreas fecham os contratos de combustível com seis meses de antecedência, mas, com a chegada das férias e segundo semestre – que sempre registra preços maiores –, o repasse do aumento deve chegar antes deste prazo", avalia.
A alta anunciada nesta semana segue a tendência de março, quando o preço do combustível subiu 9,4%. Os valores estão em tabela disponibilizada pela Petrobras.
Falcão projeta uma alta de 15 a 20% nas passagens aéreas nos próximos meses apenas refletindo o aumento do barril de petróleo. O querosene de aviação corresponde a cerca de um terço dos gastos operacionais das companhias aéreas.
Com os reajustes de março e abril, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) prevê que o combustível passe a representar em torno de 45% destes custos.
Menos voos, mais lotação
O valor do aumento de até 20% é esperado também pelo economista e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires.
"A gente vai ter que se adaptar a essa conjuntura negativa que o mundo está vivendo, a gente não pode isolar o Brasil do que está acontecendo no mundo, e as pessoas têm que entender que, infelizmente, tem uma conta pra pagar", diz.
Para ele, a alta do combustível pode levar as companhias aéreas a reduzir o número de voos - uma tendência já observada em outros países.
Pires compara o momento à pandemia de covid-19. "Quando a companhia área compra o combustível, depois isso tem um preço de reposição. Ela vai ter que colocar isso na passagem aérea, mas claro que ela não vai colocar na integridade”, explica o economista, ressaltando que parte desses custos tende a ser absorvida pelas próprias companhias aéreas, com impacto negativo para essas empresas.
Com as companhias aéreas nacionais já retomando o volume de passageiros de 2019, porém com menos aeronaves em operação após pandemia, o resultado deve ser voos ainda mais lotados. Segundo Falcão, as três empresas que dominam o mercado brasileiro operam hoje com uma ocupação média de 90% dos assentos, acima do estimado como mínimo para a viabilidade da operação.
O preço do querosene de aviação segue a tendência da valorização do petróleo, impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz em decorrência da guerra no Irã. A subida no valor do QAV acompanha o mercado internacional, apesar de o Brasil produzir cerca de 80% do querosene de aviação utilizado no país.
"Essa guerra tem uma particularidade, diferente de outros momentos quando se teve elevações substanciais no preço do barril do petróleo. É que essa guerra está proporcionando uma disrupção na oferta de gás e petróleo que a gente não teve em outros momentos”, comenta Pires em relação a ausência do que chamou de "sobra de oferta”.
Pires explica que o querosene, assim como a gasolina, o diesel e o petróleo, é uma commodity. Isso significa que o preço dele reflete o mercado internacional. Nesse sentido, o economista ressalta que em regiões como Europa, Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul essas commodities relacionadas ao petróleo já vêm sofrendo aumento de preços há tempo, acompanhando a valorização do petróleo, o que não ocorreu no Brasil.
Parcelamento no repasse do reajuste
No mesmo dia que publicou os novos preços para o QAV, a Petrobrás anunciou que irá oferecer condições de pagamento especiais para as distribuidoras de combustível que fornecem para a aviação comercial.
A proposta é que essas distribuidoras, inicialmente, comprem o combustível com um aumento de apenas 18% e parcelem o restante em até seis vezes, a contar do mês de julho de 2026. O termo para aderir à medida deve ser disponibilizado pela Petrobras até a próxima segunda-feira (06/04).
Para o viajante, isso pode significar uma diluição no aumento do preço das passagens aéreas. A professa da UFPE, no entanto, se preocupa com a viabilidade da operação. Com o aumento dos preços, existe a possibilidade de a Petrobras não ser capaz de manter este repasse "a conta gotas".
"Fazendo esse processo de repassagem em gotas homeopáticas, certamente a Petrobras pode vir a sofrer, e não sabemos até quando ela consegue aguentar; ela pode segurar agora, mas mais adiante vai depender muito da conjuntura geopolítica internacional, ainda muito incerta”, afirma.
O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta com ações destinadas a aliviar a pressão sobre o setor aéreo. O documento, preparado pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), reúne sugestões.
Entre elas, estão a redução temporária de tributos que incidem sobre o querosene de aviação; a diminuição do IOF aplicado às operações financeiras das companhias aéreas; e a queda do Imposto de Renda cobrado sobre contratos de leasing de aeronaves.
Segundo a pasta, essas medidas ajudariam a manter a competitividade das empresas, evitariam aumentos excessivos nas tarifas para os passageiros e garantiriam a continuidade da malha aérea nacional.
Além disso, apurou-se que está em análise a criação de uma nova linha do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para financiar a compra de combustível, também com caráter temporário.
Para Pires, voar de avião é um serviço "sem substituto” no Brasil, já que a população não dispõe de trens para viagens longas. Soma-se a isso a condição das estradas e a inviabilidade delas como em boa parte da região norte, ainda muito dependente do transporte fluvial.
O resultado, segundo Falcão, é a população acabar pagando o preço por décadas de negligência com o transporte aéreo por parte do Estado.
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| Short teaser | Especialistas alertam em que medida aumento de 55% no valor do querosene de aviação deve impactar os passageiros. | ||
| Author | Adriana Figueiredo, Gustavo Basso | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/comprar-passagens-de-avião-agora-ou-esperar/a-76648066?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Passagens aéreas devem ter uma alta entre 15 e 20% nos próximos meses | ||
| Image source | Ton Molina/NurPhoto/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/75545249_354.jpg&title=Comprar%20passagens%20de%20avi%C3%A3o%20agora%20ou%20esperar%3F | ||
| Item 35 | |||
| Id | 76641380 | ||
| Date | 2026-04-02 | ||
| Title | A história indígena das máscaras do Brasil que rodam o mundo | ||
| Short title | A história indígena das máscaras do Brasil que rodam o mundo | ||
| Teaser |
Artefatos Apyãwa-Tapirapé são hoje ofertados por até R$90 mil fora do Brasil, apesar de proibições. Mas versões em leilões e museus são réplicas dessacralizadas de originais, explicam indígenas em viagem à Alemanha. Ao longo de décadas, as máscaras cara-grande, do povo indígena Apyãwa-Tapirapé, se espalharam do Mato Grosso ao redor do mundo. Além de integrarem acervos de museus, elas são hoje revendidas em casas de leilão no exterior ou até populares plataformas de comércio eletrônico, com preços iniciais variando de 600 doláres a 17 mil dólares (R$ 3 mil a R$ 90 mil). Em inglês, as máscaras (também chamadas de Ypé ou Upé) são frequentemente apresentadas como raros artefatos espirituais de um místico povo indígena num Brasil remoto. Nos anos 1960, elas adentraram o vasto universo do comércio mundial de objetos culturais, tendo as próprias aldeias na ponta inicial da cadeia. "Essas máscaras são fundamentais para a prática espiritual dos Tapirapé, sendo utilizadas principalmente em contextos cerimoniais para estabelecer contato com forças sobrenaturais e espíritos ancestrais," diz um dos anúncios, pedindo 1,6 mil dólares (R$ 8,2 mil) por um exemplar. "Elas são confeccionadas com materiais naturais provenientes do seu próprio ambiente."
Mas nem tudo pode o olho do homem branco. Foi o que explicaram os indígenas Nivaldo Paroo'i Tapirapé e Koxamare'i Tapirapé, numa visita na semana passada a Bonn, na Alemanha, onde a exposição "Amazônia, Mundos Indígenas" exibe máscaras cara-grande. Para o seu povo, que prefere a autodenominação Apyãwa, as peças hoje à venda ou em exibição se limitam a uma versão adaptada das máscaras de fato usadas nos seus rituais. Ao serem dessacralizadas, as réplicas preservaram algumas tradições e, ao mesmo tempo, sofreram alterações estéticas decisivas para a cultura indígena. Subsistência versus proibiçãoA manufatura familiar se tornou, seis décadas atrás, uma estratégia para engajar com a demanda comercial nos arredores do Rio Araguaia, afirma a antropóloga Ana Coutinho, que acompanhou a incursão à Alemanha. Viajantes, comerciantes e curiosos, inclusive estrangeiros, passavam por ali desejosos de vestígios materiais do que percebiam como um mundo longínquo e misterioso. "As pessoas que comercializaram as máscaras para cá [Europa], na nossa visão, não sabiam realmente se elas eram para rituais", disse Nivaldo Paroo'i. Não há clareza sobre os valores cobrados no século 20, mas especialistas apontam para a tendência de supervalorização uma vez que objetos culturais cruzam fronteiras. Sagradas ou não, as máscaras confeccionadas com matéria-prima de animais silvestres, que impliquem na sua destruição ou apanha, não poderiam ser comercializadas, conforme prevê a legislação brasileira, desde 1967, independentemente de quando foram produzidas. Elas estão, inclusive, na Lista Vermelha de Objetos Culturais Brasileiros em Risco, do Conselho Internacional de Museus (ICOM, na sigla em inglês), que elenca os itens do gênero mais vulneráveis ao tráfico ilícito. A vedação da comercialização deste tipo de peças, entretanto, esbarra em outros aspectos, pondera Anauene Soares, advogada especializada em patrimônio cultural, que atuou como coordenadora técnica da lista brasileira. "Não se pode destituir totalmente tal prática de compartilhamento cultural das comunidades indígenas, por ser uma forma de autodeterminação dos próprios costumes. A questão é como conciliarmos uma proteção ao patrimônio cultural e um mercado de arte responsável." Em âmbito internacional, a venda também pode ser passível de sanções, mas depende de vários fatores, incluindo o que dizem legislações nacionais vigentes, bem como a adesão ou não de cada país à Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES), de 1975. Mudanças para olhos atentosFoi uma transação proibida pela própria comunidade indígena que deu início à comercialização das máscaras, conta Coutinho. Uma peça idêntica às usadas em rituais foi vendida por um indivíduo Apyãwa a um colecionador particular, em troca de uma arma de fogo. "Esse evento repercutiu muito negativamente na aldeia e causou muito conflito. Então eles resolveram, a partir de várias conversas e reuniões, começar a confeccionar máscaras diferentes daquelas dos rituais," afirma a pesquisadora do Centro de Convivialidade-Desigualdade na América Latina Maria Sibylla Merian (Mecila). As mudanças estéticas começam nas dimensões, menores ou maiores do que as máscaras dos rituais, ao ponto de serem incompatíveis com uma cabeça humana. Tampouco as cores são as mesmas nas peças de produção familiar. Nas cara-grande originais — estas produzidas por coletivos na Takãra, a casa cerimonial dos Apyãwa —, as penas de arara e diademas seguem combinações cromáticas fixas, cada uma representando os espíritos de um dos seus tradicionais inimigos. Combinado sempre com o vermelho, o azul, por exemplo, é uma referência aos Kayapó, que iam à guerra pintados com o pigmento do jenipapo. Já o amarelo e o vermelho correspondem às cores que os Karajá usam nos próprios adornos, enquanto os Avá-Canoeiro são representados pelos grafismos que os caracterizam. Os não-indígenas são também retratados como inimigos. As máscaras que os representam são exclusivamente da cor vermelha, fazendo lembrar a pele branca exposta ao sol. Soluções nativasPara as versões à venda, os Apyãwa recorreram à tapiragem, prática tradicional entre indígenas sul-americanos. Ela transforma as cores originais das penas, geralmente ao esfregá-las em substâncias naturais, como a gordura de tartaruga, o urucum ou o sangue de sapo. Já os materiais das máscaras não ritualísticas são ossos de vaca ou madeira. Eles substituíram as longas caudas de arara vermelha, os afiados dentes de pecaris ou pirarucus e os bicos de tucano. As matérias-primas nativas não só adicionam imponência à primeira vista aos originais, com também servem a um simbolismo próprio dos Apyãwa na representação das suas guerras históricas. Os conflitos com vizinhos, epidemias e a ocupação de territórios pela agropecuária já arriscaram levar os Apyãwa à extinção. Eram cerca de 50 indivíduos estimados por especialistas nos anos 1950. As seguintes vendas de máscaras acompanharam o reflorescimento espiritual, contrariando receios de que o novo comércio canibalizasse práticas ancestrais, relata Coutinho. Segundo a antropóloga, foi um período de "afirmação interna, com a retomada de rituais depois de um quase desaparecimento, e, ao mesmo tempo, de projeção para o mundo exterior". Koxamare'i Tapirapé se descreveu emocionada ao testemunhar na Alemanha o trabalho dos seus anciãos . "Para meu povo é muito importante. Um dia, as futuras gerações Apyãwa vão vir também conhecer." No Mato Grosso, as máscaras sagradas continuam sendo usadas anualmente pelos Apyãwa, nas festas da cara-grande. A crença indígena é de que os espíritos ficam nas peças, que, por isso, são destruídas no dia seguinte. Resistindo a violênciasEm 2020, 917 indivíduos Apyãwa foram contabilizados por dados oficiais levantados pelo Instituto Socioambiental (ISA), divididos nas Terras Indígenas Urubu Branco e Tapirapé/Karajá. O povo indígena hoje convive com a pressão fundiária decorrente das invasões de garimpeiros e fazendeiros na transição entre o Cerrado e a Amazônia. O seu território figura entre os mais atingidos por queimadas no Brasil. Para Nivaldo Paroo'i, o papel da viagem à Alemanha era fazer com "que as pessoas não vejam as máscaras [só] como arte, mas sim [que enxerguem] os vários conhecimentos produzidos na comunidade" dos Apyãwa. "Estas máscaras permitem evocar, como eles próprios explicam, por meio destes objetos, a construção de relações com o mundo dos brancos, bem como as diferentes estratégias indígenas para controlar o seu patrimônio," diz Leandro Varison, curador da exposição sobre a Amazônia. Os dois Apyãwa participaram de três dias de eventos em museus de Bonn e Colônia, com apoio do governo brasileiro e do Mecila. As máscaras cara-grande também compõem os acervos do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), na capital paulista, o Museu do Quai Branly, em Paris, e o Metropolitan Museum of Art (The Met), em Nova York, entre outros. É crescente a preocupação com a origem de objetos culturais indígenas, enquanto ganha tração o debate sobre repatriações aos povos e países de origem. Em 2023, uma máscara cara-grande entrou numa lista de 611 itens arqueológicos ou históricos cuja devolução o Brasil reivindicou da França, numa disputa de quase uma década entre os dois países. Segundo o governo brasileiro, as peças haviam sido emprestadas ao Museu de História Natural de Lille e deveriam ter sido retornadas em 2009. |
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| Short teaser | Artefatos Apyãwa-Tapirapé são ofertados por até R$90 mil no exterior, mas foram dessacralizados por antes da venda. | ||
| Author | Heloísa Traiano , Maurício Cancilieri | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-história-indígena-das-máscaras-do-brasil-que-rodam-o-mundo/a-76641380?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=A%20hist%C3%B3ria%20ind%C3%ADgena%20das%20m%C3%A1scaras%20do%20Brasil%20que%20rodam%20o%20mundo | ||
| Item 36 | |||
| Id | 40468717 | ||
| Date | 2026-04-01 | ||
| Title | [Arquivo DW] Trinta anos após o pior acidente radiológico da história | ||
| Short title | Trinta anos após o pior acidente radiológico da história | ||
| Teaser |
Acidente com material radioativo Césio-137 foi o mais grave já registrado pela Agência Internacional de Energia Atômica. Vítimas em Goiânia sofrem até hoje os efeitos da contaminação – e da discriminação. Na rua 57, região central de Goiânia, o terreno vazio com solo concretado destoa das muitas casas em reforma. Os moradores mais novos não sabem explicar por que não há construção naquele espaço, que abriga apenas uma estrutura metálica enferrujada e grafites no muro do fundo. A única identificação do local aparece no mundo digital: ao localizar a rua 57, o Google Maps exibe a inscrição "Césio 137", marcando o ponto zero onde o elemento radioativo foi liberado no ambiente e iniciou uma cadeia de contaminação. O mapa mostra o endereço de um antigo ferro-velho onde, em 13 de setembro de 1987, começou o maior acidente radioativo do Brasil. Naquele domingo, sob a sombra de uma mangueira, funcionários do ferro velho partiram, a marretadas, o cabeçote de um equipamento usado em radioterapia. A peça havia sido encontrada por dois catadores num prédio em ruínas do antigo Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), estava abandonada ali desde meados de 1985. Durante a desmontagem, os catadores chegaram até a cápsula que armazenava 19 gramas de césio-137, que, administrado dentro da máquina, emitia radiação controlada para matar células cancerosas. Fora do recipiente de chumbo, o pó altamente solúvel e de fácil dispersão é letal. À medida em que os pedaços da máquina eram vendidos para outros ferros-velhos, aumentava o número de pessoas que reclamam de náuseas, vômito e diarreia. Esses sintomas iniciais, causados pela exposição à radiação, foram tratados pelos médicos como intoxicação alimentar. Cinco dias depois, a cápsula com césio-137 chegou ao ferro-velho de Devair Alves Ferreira. Fascinado pelo brilho intenso emitido pelo pó no escuro, ele e a esposa logo adoeceram. Quando recebia visita dos familiares, Devair distribuía pequenas amostras do material que acreditava ser muito valioso. E, assim, os focos de contaminação se espalharam. Foi Maria Gabriela, esposa de Devair, que desconfiou do poder maligno daquele brilho. Em 28 de setembro, ela colocou a cápsula dentro de um saco de estopa, pegou o ônibus na companhia de um funcionário do ferro-velho e entregou a peça na Vigilância Sanitária. A essa altura, já corria em toda a cidade o boato de que muitos membros de uma mesma família tinham adoecido. No dia seguinte, um físico que visitava a cidade desconfiou dos relatos e visitou os pacientes com um medidor de radiação. Foi só então que Goiânia descobriu que a cidade estava há 16 dias exposta ao césio-137. A Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) classifica o caso de Goiânia como o maior acidente radiológico do mundo pela extensão da contaminação. Casos semelhantes haviam sido registrados na Cidade do México (1962), Argélia (1978), Marrocos (1983) e Ciudad Juarez, também no México (1983). Os responsáveis por abandonar a cápsula no prédio desativado do IGR foram denunciados pelo Ministério Público Federal em Goiás por homicídio e lesão corporal culposos em novembro de 1987. Os médicos Carlos de Figueiredo Bezerril, Criseide Castro Dourado, Orlando Alves Teixeira, Amaurillo Monteiro de Oliveira e o físico responsável, Flamarion Barbosa Goulart, foram condenados nos anos 1990. Eles cumpriram pena em regime semi-aberto, à exceção de Amaurillo. Após recorrer da sentença, obtiveram habeas corpus e prestaram um ano de serviços comunitários. Em 1998, a pena foi extinta por decreto presidencial. Vida reclusaTrinta anos após o episódio que contabilizou 6.500 pessoas com algum grau de irradiação, 249 casos com significativa contaminação e quatro mortes quase imediatas, a memória do acidente traz incômodo e desconforto em todas as esferas que tiveram algum envolvimento com o caso. Muitos dos que sobreviveram àqueles dias de terror continuam em Goiânia. Poucos, no entanto, falam abertamente sobre o acidente. Há quem tenha se mudado para longe para não ser associado ao caso. Outros ainda brigam na Justiça em busca de reparação – é o caso dos trabalhadores que atuaram na descontaminação dos pontos por onde o pó se espalhou e na construção do depósito dos resíduos. Sem saber inicialmente de que se tratava de fonte radioativa, policiais, bombeiros e funcionários do Consórcio Rodoviário Intermunicipal (Crisa), escalados por seus chefes, isolaram as áreas, destruíram imóveis, árvores, animais de estimação, calçadas, asfalto. Eram os dias finais da ditadura militar, e a lei da mordaça ainda vigorava. A poucas quadras do foco inicial de contaminação, dona Lourdes agora vive reclusa e não quer mais falar com a imprensa. Ela perdeu uma filha de seis anos e o marido depois do acidente. A menina Leide das Neves foi a primeira a morrer entre os contaminados mais graves. Ela brincou e ingeriu o pó misterioso, presente que ganhou do pai, Ivo Alves Ferreira, falecido em 2003. Ele teve contato com o césio-137 na casa do irmão, Devair, que morreu em 1994. O irmão deles, Odesson Alves Ferreira, 63 anos, carrega as marcas da radiolesão nas mãos. Quando fora visitar os parentes que já estavam doentes, sem saber, por causa do césio, o então motorista de ônibus tocou naquele pó. Após a infecção ele passou por uma série de tratamentos experimentais e fundou, em dezembro de 1987, a Associação das Vítimas do Césio 137. "Todos nós temos dificuldade em conviver com essa história", fala sobre as vítimas. "Trinta anos depois, sentimos que o governo não cumpriu com sua obrigação. É impossível conseguir os remédios que precisamos e a nossa pensão, que deveria ser de um salário mínimo (R$ 937) segundo a lei, está desatualizada (R$ 778)", diz Odesson, que teve cerca de 40 familiares contaminados. O tratamento pós-acidenteEm 1988, foi criado um serviço de saúde especialmente para o atendimento às vítimas, a Fundação Leide das Neves. Em 2011, uma mudança na lei levou o órgão no Centro de Assistência aos Radioacidentados (CARA) a funcionar segundo as normas do Sistema Único de Saúde (SUS). Os radioacidentados passam por uma bateria anual de exames. Sobre as queixas das vítimas, Aurelio de Melo Barbosa, da secretaria estadual de saúde, afirma que "eles recebem medicação que está na lista básica de medicamentos do SUS". Essa lista não inclui diversos dos remédios receitados. Muitos pacientes dizem ter feito empréstimos em banco para comprar a medicação. É o caso de Luisa Odet Mota dos Santos e do marido. "Tudo o que vem com a idade, apareceu bem mais cedo na gente", fala sobre o custo das doenças. A recomendação para que pacientes obtenham medicamentos de alto custo é recorrer à Defensoria Pública, diz André Luiz de Souza, diretor do CARA. Atualmente, 28 profissionais atuam no CARA, que diz atender cerca de 1.200 pessoas dentre vítimas diretas, filhos e netos de radioacidentados e trabalhadores que atuaram na descontaminação. "Se um serviço criado especialmente para o atendimento às vítimas não cumpre sua função, então ele não tem mais razão para existir", critica Odesson. Traumas não superadosTrinta anos após o acidente, o trauma das vítimas ainda é evidente. A psicóloga do CARA Suzana Helou conduziu uma pesquisa para entender o nível de superação do acidente com o césio-137. O resultado, ao qual a DW Brasil teve acesso, será publicado num livro. Dos 92 pacientes vivos acompanhados pelo CARA desde 1988, 48 aceitaram participar. A maior parte (85%) ainda se considera vítima do acidente em Goiânia, devido à discriminação que sofreram ou acreditam ainda sofrer por parte da população. "As pessoas ainda têm medo da gente", respondeu um entrevistado. "Isso não passa nunca". Mais da metade (54%) disse não ter nenhum projeto para o futuro. "Eles perderam casa, documentos, móveis, isso traz sentimentos de comprometimento de identidade", comenta Helou. O impacto mais marcante, no entanto, foi nas pessoas que eram crianças e adolescentes à época. "Eles sofreram interrupções bruscas, sentiram abandono, amigos se afastaram, planos foram interrompidos", afirma a psicóloga. Muitos se envolveram com drogas ou se tornaram alcoólatras, nunca mais voltaram a estudar. Vida pós contaminação radioativaLuisa Odet Mota dos Santos e Kardec Sebastião dos Santos hoje ajudam a cuidar dos netos. Os quatro filhos do casal tiveram muita dificuldade para continuar os estudos. "Nenhuma escola queria aceitar nossos filhos", diz Luisa. Eles não gostam de falar sobre o assunto, e ainda têm medo da discriminação. Os filhos de Odesson também não se envolvem no assunto. "Eu só fico pensando quando a gente não estiver mais aqui. Quem vai cuidar para que essa história não seja esquecida? As vidas que se perderam nunca podem ser esquecidas. Um acidente desse não pode ser esquecido para que ele nunca mais repita". |
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| Short teaser | Vítimas em Goiânia ainda sofrem os efeitos da contaminação com material radioativo Césio-137. | ||
| Author | Nádia Pontes (de Goiânia) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/arquivo-dw-trinta-anos-após-o-pior-acidente-radiológico-da-história/a-40468717?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=%5BArquivo%20DW%5D%20Trinta%20anos%20ap%C3%B3s%20o%20pior%20acidente%20radiol%C3%B3gico%20da%20hist%C3%B3ria | ||
| Item 37 | |||
| Id | 76513806 | ||
| Date | 2026-03-24 | ||
| Title | Torcedores europeus denunciam Fifa por alto valor de ingressos da Copa | ||
| Short title | Copa: Torcedores da UE denunciam Fifa por valor de ingressos | ||
| Teaser |
Associação de torcedores apresentou queixa à Comissão Europeia, acusando Fifa por ingressos que tem ultrapassado marca de R$ 1 milhão. EUA e Canadá não têm regulação para revenda a preços dinâmicos. Os preços dos ingressos da Copa do Mundo de 2026 levaram torcedores europeus a apresentarem uma queixa contra a FIFA. Segundo o grupo Football Supporters Europe (FSE), "os ingressos mais baratos disponíveis para a final agora começam em 4.185 dólares (o equivalente a cerca de R$ 22 mil)", mais de sete vezes o preço do ingresso mais barato da final da Copa de 2022, afirmou a entidade em comunicado. O FSE apresentou a denúncia à Comissão Europeia, acusando a Fifa de "preços excessivos" e "condições injustas de compra”, classificando a prática como "abuso de posição monopolística". "Eles deixam os torcedores fiéis sem alternativa: ou pagam ou ficam de fora", disse o diretor‑executivo do FSE. Ingresso a até 1 milhãoNesta terça-feira, sites de revenda anunciavam assentos para a final por até aproximados US$ 190 mil (R$ 1 milhão). No México, um dos três países-sede, a revenda por preço acima do valor original é proibida, mas apenas para ingressos adquiridos em moeda local. Já nos Estados Unidos e no Canadá, o mercado de revendas é amplamente desregulado. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu os altos preços, afirmando que eles refletem a forte demanda. "Nos EUA, em particular, existe algo chamado ‘preço dinâmico', em que os valores sobem ou descem dependendo da partida", afirmou. O FSE, porém, argumenta que essa "precificação dinâmica" carece de salvaguardas e não estabelece limites para o quanto os ingressos podem subir. Preços baratos eram rarosNo fim do ano passado, a Fifa lançou ingressos a 60 dólares (R$ 317), equivalentes a 10% da cota destinada a cada seleção. A distribuição fica a cargo das federações nacionais, que priorizam torcedores considerados fiéis. "Na prática, (os ingressos de 60 dólares) eram tão escassos que todo o estoque da Categoria 4 (a faixa de preço mais baixa) já estava praticamente esgotado antes de a venda ao público em geral começar", afirmou a FSE. Além do valor astronômico cobrado para a final, a entidade lembrou que os documentos da candidatura da Fifa estimavam preço médio de cerca de 1,4 mil dólares por assento, cifra "há muito superada". Apesar dos preços elevados, a demanda segue alta. Segundo a Fifa, a fase mais recente de vendas recebeu mais de 500 mil de solicitações. União Europeia pressionada a agirA organização de defesa do consumidor Euroconsumers, que apresentou a queixa junto com a FSE, pediu intervenção imediata da União Europeia. "Estamos solicitando que a Comissão Europeia adote medidas urgentes para suspender essas práticas exploratórias antes do início da Copa de 2026." A Comissão confirmou ter recebido a denúncia e disse que irá analisá-la segundo os procedimentos padrão. Mesmo sendo realizada na América do Norte, a Copa pode ser objeto de intervenção regulatória porque as práticas de venda da Fifa afetam consumidores europeus. Não há prazo definido para a análise. A Copa do Mundo de 2026 começa em 11 de junho e será a primeira com 48 seleções, em vez das 32 tradicionais. No total, serão 104 partidas com ingressos à venda. ht (AFP, dpa) |
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| Short teaser | Queixa foi apresentada à Comissão Europeia, acusando Fifa por ingressos que tem ultrapassado marca de R$ 1 milhão. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/torcedores-europeus-denunciam-fifa-por-alto-valor-de-ingressos-da-copa/a-76513806?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Torcedores%20europeus%20denunciam%20Fifa%20por%20alto%20valor%20de%20ingressos%20da%20Copa | ||
| Item 38 | |||
| Id | 76157611 | ||
| Date | 2026-03-22 | ||
| Title | Trump tenta vender Copa a conservadores avessos ao futebol | ||
| Short title | Trump tenta vender Copa a conservadores avessos ao futebol | ||
| Teaser |
Base eleitoral do presidente americano não se interessa pelo esporte. Estados Unidos, Canadá e México vão sediar Mundial neste ano.Já se foi o tempo em que o futebol era alvo favorito dos conservadores nos Estados Unidos, sob a acusação de ser um esporte "socialista" ou "sinal da decadência moral da nação". Pelo menos em parte.
O esporte se tornou um para-raios das guerras culturais no país ao longo dos últimos anos. Nas redes sociais, a direita regularmente brada que os "EUA não ligam para futebol" ou que a modalidade é "injusta e antiamericana". Com suas jogadoras abertamente progressistas, a seleção feminina, em particular, se viu sob repetidos ataques do presidente Donald Trumpe de seu movimento Maga (Make America Great Again).
A Copa do Mundo masculina se aproximado, desta vez tendo Estados Unidos, Canadá e México como sedes, Trump passou a promover o torneio e aprofundar a relação com a Fifa). Mas ainda precisa driblar a antipatia ao futebol de parte dos próprios eleitores.
A Copa do Mundo de Trump?
Porém, grande parte do apoio de Trump ao futebol não está diretamente relacionada ao esporte em si. "Embora, em comparação a outros países ao redor do mundo, o futebol seja menos político nos EUA, esta próxima Copa do Mundo assumiu, de muitas maneiras, um tom político," afirma Jeffrey Kraus, cientista político do Wagner College, em Nova York. "Há uma percepção de que a Fifa abraçou Trump, o que certamente associa o torneio ao presidente."
A relação cada vez mais intensa de Trump com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e a parceria da federação com o novo Conselho da Paz do presidente americano ajudaram a transformar Trump no rosto de uma Copa do Mundo que abrange um continente inteiro.
Para alguns conservadores, o entusiasmo de Trump pelo futebol não parece fora de lugar, por causa da sua proximidade com outros esportes populares.
"Ele sempre foi um cara do esporte, basta olhar sua conexão com o UFC e a luta profissional", opina Chris Vance, presidente dos Jovens Republicanos da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). "Ele sempre esteve ligado ao entretenimento, esteve nesse ramo por muito tempo, então faz sentido."
Cultura do futebol em expansão
A base de torcedores do futebol nos EUA, relativamente jovem e composta em grande medida por imigrantes, tende a ser progressista. Protestos contra as operações da Serviço de Imigração e Alfândega americano (ICE) de caça a imigrantes ao redor do país têm sido um ponto de conflito entre torcedores e dirigentes da liga profissional desde a reeleição de Trump.
Ryan Shirah, membro do grupo de torcedores American Outlaws, já assistiu a mais de 120 jogos das seleções masculina e feminina dos EUA. Ele argumenta que, embora a maioria dos torcedores evite política nas arquibancadas, eles tendem a pender para o mesmo lado.
"Existe um elemento humanista ali. Acho que a maioria dos torcedores de futebol nos EUA tende a se inclinar para o lado mais progressista, focado em direitos humanos", disse Shirah.
Mas o contínuo crescimento do futebol nos EUA significa que a composição política dos torcedores poderá mudar, se Trump for bem-sucedido em vender a ideia para o seu eleitorado.
"Desde que os EUA sediaram a Copa do Mundo de 1994, o futebol se tornou uma parte maior da vida americana", disse o cientista político Kraus. "Grande parte do crescimento populacional desde os anos 1990 se deu por meio da imigração, e muitos que vieram para cá trouxeram seu amor pelo futebol."
O aumento do apoio republicano entre latinos na eleição de 2024 demonstra que as visões políticas de imigrantes – muitos dos quais estão impulsionando o crescimento do esporte nos EUA – podem evoluir e, potencialmente, transformar a cultura do futebol no país.
E embora a chegada de Lionel Messi a Miami tenha trazido mais visibilidade ao esporte, os organizadores esperam que a Copa neste ano possa impulsionar ainda mais o futebol para o mainstream americano, atraindo mais conservadores.
"Eu moro em Staten Island, um dos bairros mais suburbanos e conservadores da cidade de Nova York. Quando eu era mais jovem, aos sábados você dirigia pela região e os campos esportivos estavam cheios de crianças jogando beisebol. Agora é futebol", contou Kraus.
Oportunidade geracional
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, reconhece ser um pouco fora da curva entre seus colegas, devido ao interesse pelo futebol. Segundo ele, o futebol é "um esporte conservador porque é baseado na comunidade, ou pelo menos não é realmente um esporte politicamente tendencioso."
Torcedores organizados como Shirah tendem a não se deter muito nas possíveis diferenças políticas entre torcedores, desde que consigam manter um ambiente acolhedor no estádio."Não tivemos um grande torneio desde a eleição, mas por que levar ofensas para dentro do estádio se não precisamos?", disse ele. "Se você é apaixonado pelo time e não usa insultos ou algo assim, tudo bem."
Mas, primeiro, os EUA precisarão fazer uma boa campanha na Copa do Mundo, para aproveitar ao máximo uma oportunidade geracional. Se conseguirem, os torcedores atuais talvez precisem se preocupar com a política do influxo de novos fãs.
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| Short teaser | Base eleitoral de Trump não se interessa pelo esporte. Estados Unidos, Canadá e México vão sediar Mundial neste ano. | ||
| Author | Dave Braneck | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/trump-tenta-vender-copa-a-conservadores-avessos-ao-futebol/a-76157611?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Presidente dos EUA, Donald Trump, vem se aproximando da Fifa e do seu presidente, Gianni Infantino | ||
| Image source | Evan Vucci/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 39 | |||
| Id | 76415700 | ||
| Date | 2026-03-19 | ||
| Title | Como um país em guerra pode ser sede de uma Copa do Mundo? | ||
| Short title | Como um país em guerra pode ser sede de uma Copa do Mundo? | ||
| Teaser |
Uma dos países-sede da Copa deste ano, os EUA estão em conflito com o Irã, um das nações classificadas para o torneio. A cada semana aumentam questionamentos éticos sobre o torneio e o papel da Fifa. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã ainda é bem-vindo para participar da Copa do Mundo 2026, mas que talvez não devesse fazê-lo, por segurança. O Irã afirmou que os EUA deveriam ser expulsos do torneio, não eles. E o presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino, diz que a Copa pode unir as pessoas. Não há nada nos estatutos da Fifa que proíba que países-sede estejam em guerra. No entanto, o Artigo 3 dos estatutos da entidade promete defender padrões internacionais de direitos humanos. Mesmo assim, Infantino concedeu a Trump o primeiro Prêmio de Paz da Fifa e também esteve presente no lançamento do Conselho da Paz de Trump. Isso apesar de o Artigo 4 dos estatutos "determinar neutralidade em relação à política". "Ambos fazem o que querem, sem compromisso sério com os princípios democráticos das organizações que representam", afirma Alan Tomlinson, professor da Universidade de Brighton, no Reino Unido, especializado na Fifa e em história social do esporte. Guerra com o Irã é ponto de virada?A decisão dos EUA de entrar em conflito com o Irã, juntamente com Israel, não é o primeiro motivo que fez torcedores se perguntarem se deveriam viajar para o torneio ou se os jogos deveriam mesmo acontecer. Nos meses anteriores, ações de agentes do ICE, proibições de viagem, dificuldades com vistos e preços de ingressos geraram inúmeros debates e preocupações sobre o torneio que se aproxima. De fato, conversas sobre um boicote europeu ficaram muito fortes no final de janeiro, em meio à ameaça de Trump de invadir a Groenlândia. A questão é: a guerra no Irã será o momento decisivo para a Copa do Mundo de 2026? "Não acho que o Irã será o ponto de virada, mas talvez devesse ser", disse Jake Wojtowicz, pesquisador e autor na área de filosofia do esporte, com foco na ética da torcida esportiva. Ele acredita que boa parte da discussão envolve uma questão de percepção. "No Ocidente, os EUA têm um impacto cultural enorme, enquanto o Catar [sede da Copa de 2022] não tem importância cultural. Então, quando chega uma nação que vai sediar a Copa e você descobre que ela faz coisas ruins às quais não estamos acostumados, é mais fácil criticá-la. Os Estados Unidos fazem coisas ruins, e estamos acostumados com isso." O esporte global é frequentemente confrontado com questões éticas – como provaram as últimas duas Copas do Mundo, na Rússia e no Catar –, mas a guerra dos EUA com o Irã cria uma nova dimensão de reflexão para todos os envolvidos? "Um país-sede em guerra, liderado por um político orgulhoso de aceitar um prêmio de paz falso, e agora a poucos meses de um espetáculo esportivo global de cinco semanas, é sem dúvida uma linha moral que não deveria ser cruzada", pondera Tomlinson. "Mas linhas morais não são considerações econômicas ou comerciais." "Penso que o problema surge quando você acredita que a guerra no Irã é algo ruim e, mesmo assim, vai à Copa do Mundo ou a assiste e acaba pensando: 'Os EUA até que são legais'", afirma Wojtowicz. "Você passa a pensar nos EUA como o país onde Harry Kane [capitão e atacante da Inglaterra] marcou dois gols para afundar o Brasil na final, em vez de pensar no ICE ou no fato de que cidadãos estão sendo deportados. E essa é a preocupação: que a Copa do Mundo atrapalhe o pensamento moral normal." O papel da FifaA DW entrou em contato com a Human Rights Watch (HRW) e com a Anistia Internacional para este artigo, mas nenhuma respondeu. As preocupações dessas organizações sobre decisões da Fifa foram tornadas públicas no final de 2025, com ambas as ONGs pedindo que a entidade do futebol agisse em questões de direitos humanos. "As ações de Infantino são, em muitos aspectos, politicamente e eticamente sem precedentes", acrescentou Tomlinson. Isso não era o caso quando o dirigente chegou ao cargo, sucedendo o ex-presidente da Fifa Sepp Blatter, que não deixou exatamente um histórico limpo. Porém, desde então, Infantino, de muitas maneiras, empurrou ainda mais os limites do que muitos antes dele. "Infantino aceitou um prêmio de Vladimir Putin após a Copa do Mundo masculina de 2018 na Rússia; apoiou o Catar, chegando a residir no país, em todas as etapas da preparação para a controversa Copa de 2022; e, com pouco debate, concedeu o evento de 2034 à Arábia Saudita. Na preparação para 2026, Infantino passou a residir em Miami, praticamente na porta de seu mentor, Trump", explica Tomlinson. "Essa não é a conduta de um representante de uma organização global e democrática. Infantino, sem dúvida, intensificou os conflitos éticos que caracterizam o futebol contemporâneo", conclui. O show tem que continuar?Muitos eventos esportivos ao redor do mundo enfrentaram desafios éticos ou sombras políticas, mas, na maioria dos casos, o jogo acontece no campo. Um artigo de 2025, de Paul Bertin e Pauline Grippa, publicado na revista Political Psychology, revelou que muitos torcedores que pretendiam boicotar a Copa de 2022 não o fizeram. Essa pesquisa é uma das razões pelas quais Wojtowicz acredita que o apelo do futebol torna boicotes éticos improváveis, embora torcedores devam se engajar proativamente. "Se alguém vira e diz: 'Trump organizou uma ótima Copa, não foi?' A resposta correta deveria ser: 'Do que você está falando? Ele não tem nada a ver com isso – e está usando isso para ter uma melhor imagem'", afirma Wojtowicz. "Acho que o ponto é: você precisa se engajar. Precisa refletir e garantir que não deixe isso passar despercebido só porque a Copa está acontecendo", completa. "Acho que pequenos atos de resistência ética podem ser úteis." |
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| Short teaser | Uma dos países-sede da Copa deste ano, EUA estão em conflito com o Irã, uma das nações classificadas para o mundial. | ||
| Author | Jonathan Harding | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-um-país-em-guerra-pode-ser-sede-de-uma-copa-do-mundo/a-76415700?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 40 | |||
| Id | 76392358 | ||
| Date | 2026-03-17 | ||
| Title | Irã negocia com Fifa transferência de jogos da Copa para o México | ||
| Short title | Irã pede à Fifa para jogar Copa do Mundo no México | ||
| Teaser |
Seleção havia se retirado do torneio devido aos ataques dos EUA. Donald Trump disse que não pode garantir segurança dos jogadores nas partidas em território americano. O presidente da Federação de Futebol do Irã diz estar "negociando" com a Fifa a transferência dos jogos da seleção iraniana na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 para o México. Originalmente, as partidas estão previstas para serem disputados nos Estados Unidos. "Como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou claro que não pode garantir a segurança da seleção nacional iraniana, definitivamente não iremos aos Estados Unidos", declarou o dirigente Mehdi Taj, segundo mensagem publicada no X pela embaixada iraniana no México nesta segunda-feira (16/03). "Estamos em negociações com a Fifa para que as partidas do Irã na Copa sejam realizadas no México", acrescentou. O torneio será majoritariamente disputado em território americano, mas há jogos previstos para o México e o Canadá. Já o embaixador do Irã no México, Abdolfazl Pasandideh, denunciou nesta segunda-feira "a falta de cooperação do governo dos EUA na emissão de vistos e na oferta de apoio logístico" à delegação iraniana antes do Mundial. Em comunicado divulgado no site da embaixada, ele também afirmou ter sugerido "à Fifa que os jogos do Irã sejam transferidos dos Estados Unidos para o México". Na última semana, o Irã havia cancelado em definitivo sua participação no evento devido à guerra no Oriente Médio, mas agora busca uma alternativa. O país integra o Grupo G da Copa de 2026, no qual enfrentará Bélgica e Nova Zelândia em Los Angeles, e Egito em Seattle. Trump diz que participação não seria "apropriada"A entidade máxima do futebol não respondeu de imediato. Anteriormente, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse, em publicação no Instagram, que Trump, havia lhe assegurado que a seleção do Irã "é, é claro, bem-vinda para competir no torneio nos Estados Unidos", apesar da guerra. Mas Trump afirmou na quinta-feira que o Irã não deveria participar da Copa por "sua própria segurança", em meio à guerra no Oriente Médio. "A Seleção Iraniana de Futebol é bem-vinda à Copa do Mundo, mas realmente não acredito que seja apropriado que eles estejam lá, para o bem de suas próprias vidas e segurança." A base da seleção durante o torneio, que será disputado de 11 de junho a 19 de julho, estava prevista para Tucson, Arizona. Em 28 de fevereiro, Israel e Estados Unidos lançaram uma ampla ofensiva contra a República Islâmica, que respondeu com ondas de mísseis e drones contra território israelense e contra alvos americanos em países da região. gq/cn (AFP, AP, Reuters, DW) |
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| Short teaser | Seleção havia se retirado do torneio devido aos ataques dos EUA, mas busca alternativa. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/irã-negocia-com-fifa-transferência-de-jogos-da-copa-para-o-méxico/a-76392358?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Ir%C3%A3%20negocia%20com%20Fifa%20transfer%C3%AAncia%20de%20jogos%20da%20Copa%20para%20o%20M%C3%A9xico | ||
| Item 41 | |||
| Id | 76191308 | ||
| Date | 2026-03-03 | ||
| Title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Short title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Teaser |
Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos do tratado de livre-comércio caracterizam de maneira equivocada o setor agrícola europeu e a indústria brasileira.O embaixador do Brasil na Alemanha rechaçou as críticas de setores políticos europeus ainda resistentes ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Brasil. Segundo Rodrigo de Lima Baena Soares, a caracterização do tratado como uma "troca de carros por vacas" é um "desserviço" que não faz jus nem ao setor agrícola europeu nem à indústria brasileira.
"É preciso parar com a ideia de que esse acordo é uma troca de 'carros por vacas', uma expressão que circula tanto no discurso brasileiro quanto no europeu. Isso é uma caricatura e presta um desserviço. Isso caracteriza de maneira equivocada tanto a economia da Europa quanto a brasileira", disse Baena Soares, citando uma expressão crítica que virou um slogan de opositores do acordo, sobretudo na Europa.
"Pelo lado europeu, essa narrativa apresenta o agricultor do continente como vítima de uma ameaça existencial por parte dos agricultores sul-americanos. Só que a União Europeia é o maior exportador mundial de alimentos. E os agricultores europeus produzem alguns dos bens mais valorizados e sofisticados do mundo. Está longe de ser uma indústria frágil", disse Baena Soares, que assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado.
"E do lado brasileiro, há também um certo desajuste como o acordo é visto, de que seria apenas fornecimento de matérias-primas, quando a realidade é outra. A indústria brasileira exportou 181 bilhões de dólares em 2024. [O acordo] é uma oportunidade para a indústria, e não uma concessão. Com o acordo, as tarifas para a importação de máquinas cairão de 11,6% para menos de 1% até 2040", acrescentou.
Baena Soares fez as declarações na segunda-feira (02/02) durante o evento "Diálogos Internacionais Brasil-Alemanha", que ocorre nesta semana na Universidade de Frankfurt, no oeste alemão, e que é promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais).
Mensagem clara ao mundo
O diplomata também classificou como "excelente notícia" que a Comissão Europeia tenha anunciado no fim de fevereiro que pretende implementar o acordo de forma provisória, enquanto seguir pendente um pedido de parecer apresentado pelo Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), um processo que pode se arrastar por até dois anos. "Estou otimista que a Corte de Justiça da UE reconhecerá o acordo."
Baena Soares também disse o acordo é um "sinal inequívoco" do comprometimento do Brasil "com o multilateralismo". "O acordo é uma mensagem clara ao mundo que ainda há espaço para multilateralismo, apesar de todas tensões geopolíticas e o crescente protecionismo de alguns países".
"Mostra que divergências podem ser superadas por meio da negociação e do compromisso, um aspecto que anda difícil como atestam os últimos acontecimentos. Nós também não podemos subestimar o impacto político que esse acordo terá. Nosso diálogo político com a UE já é bom e vai ser ainda mais facilitado e fortalecido. Vamos lembrar que todos os países da UE e do Mercosul são países democráticos", disse.
"Esse acordo não é o destino, é a infraestrutura de uma jornada cujas dimensões plenas ainda vão ser mapeadas."
Negociado ao longo de duas décadas, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e EU foi finalmente assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai. Nas semanas seguintes, o Uruguai e a Argentina se tornaram os primeiros países a ratificar o tratado.
Já na Europa ainda não há consenso pleno. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu judicializar a questão, pedindo para que o Tribunal de Justiça da UE julgue a legalidade do tratado. Para evitar que a questão se arraste nos tribunais, a Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) anunciou que vai implementar o acordo de forma provisória.
Dentro do bloco europeu, o acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, mas ainda sofre resistência sobretudo da França, o principal produtor agrícola da UE.
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| Short teaser | Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos caracterizam o tratado de livre-comércio de maneira equivocada. | ||
| Author | Jean-Philip Struck (enviado a Frankfurt) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/acordo-mercosul-ue-não-é-uma-troca-de-carros-por-vacas/a-76191308?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado | ||
| Image source | Maksim Konstantinov/Russian Look/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/76194394_354.jpg&title=%22Acordo%20Mercosul-UE%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20uma%20troca%20de%20carros%20por%20vacas%22 | ||
| Item 42 | |||
| Id | 75980357 | ||
| Date | 2026-02-15 | ||
| Title | Granada da 2ª Guerra é descoberta nas Olimpíadas de Inverno | ||
| Short title | Granada da 2ª Guerra é descoberta nas Olimpíadas de Inverno | ||
| Teaser |
Projétil em estacionamento para visitantes já foi desativado. Caso ocorreu onde competição terminara na véspera.Uma granada de mão da Segunda Guerra Mundial foi descoberta em um estacionamento perto do local de salto de esqui das Olimpíadas de Inverno em Predazzo e desativada, informaram autoridades italianas neste domingo (15/02).
Não houve perigo para a segurança pública em nenhum momento, disse a polícia. A área do estacionamento é normalmente usada para armazenar madeira.
O estacionamento das Olimpíadas, localizado entre as cidades de Predazzo e Moena, pode ser utilizado tanto por ônibus quanto por carros. Uma competição aconteceu em Predazzo na noite de sábado.
De acordo com a imprensa italiana, a granada foi encontrada quando o local era estruturado para receber os carros de visitantes dos jogos, em substituição a um estacionamento alternativo, fechado horas antes por causa do mau tempo.
As Olimpíadas de Inverno estão programadas para continuar até 22 de fevereiro, com Milão e Cortina d'Ampezzo como as cidades-sede oficiais.
Propriedades foram alugadas para fornecer estacionamento para os muitos visitantes vindos de fora da região, especialmente em locais menores, como Predazzo e Antholz.
No sábado, o atleta Lucas Pinheiro Braathen levou o Brasil ao pódio pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Inverno. Ele levou a medalha de ouro na prova do slalom gigante, uma disciplina do esqui alpino.
O brasileiro disputou em Bormio, que fica a cerca de 200 quilômetros do local onde a granada foi encontrada.
ht (dpa, ots)
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| Short teaser | Projétil em estacionamento para visitantes já foi desativado. Caso ocorreu onde competição terminara na véspera. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/granada-da-2ª-guerra-é-descoberta-nas-olimpíadas-de-inverno/a-75980357?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Projétil foi desativado perto de local para salto de esqui nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina | ||
| Image source | Koji Ito/AP Photo/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/75774214_354.jpg&title=Granada%20da%202%C2%AA%20Guerra%20%C3%A9%20descoberta%20nas%20Olimp%C3%ADadas%20de%20Inverno | ||
| Item 43 | |||
| Id | 75972526 | ||
| Date | 2026-02-14 | ||
| Title | Com ouro, Brasil leva medalha inédita nas Olimpíadas de Inverno | ||
| Short title | Com ouro, Brasil leva 1ª medalha nas Olimpíadas de Inverno | ||
| Teaser |
Lucas Pinheiro Braathen, norueguês naturalizado brasileiro, superou atletas consagrados na prova do slalom gigante. Nunca antes a América do Sul havia subido ao pódio. O Brasil conquistou neste sábado (14/02) a sua primeira medalha na história dos Jogos Olímpicos de Inverno, que este ano acontecem na Itália. A vitória veio de Lucas Pinheiro Braathen, que ficou em primeiro lugar na prova do slalom gigante, uma disciplina do esqui alpino. Nunca antes a América do Sul havia subido ao pódio. Norueguês naturalizado brasileiro, o atleta manteve a grande vantagem da primeira descida sob forte nevasca. Ele é filho de mãe brasileira e pai norueguês e compete pelo Brasil desde 2023. Braathen ficou 0,58 segundo à frente do suíço Marco Odermatt, que levou desta vez o segundo lugar, depois de ter sido vencedor da prova em 2022. O bronze deste sábado também foi para a Suíça, com Loic Meillard, que terminou 1,17 segundo atrás. O representante do Brasil caiu no chão em total incredulidade ao cruzar a linha de chegada, antes de se levantar e soltar um grito de alegria. "Eu sou um esquiador alpino brasileiro e um campeão olímpico", disse Braathen à emissora brasileira Globo. Depois, o jovem de 25 anos foi visto fazendo uma videochamada com familiares em festa no Brasil, enquanto o "Tema da Vitória", canção instrumental famosa pelas vitórias de Ayrton Senna na Fórmula 1, tocava na área de chegada. Começo na NoruegaPinheiro Braathen começou a carreira como parte da equipe norueguesa, mas se aposentou em 2023 devido a uma disputa com a federação sobre direitos de marketing. Retornou um ano depois competindo pelo Brasil, e foi porta-bandeira do país na cerimônia de abertura na semana passada. Ao site Olympics.com, o atleta já havia dito que levar o ouro para o Brasil era o seu objetivo. "Eu quero escrever essa história," afirmou. "É uma chance de trazer 200 milhões de pessoas para o esporte. Sempre vai vir um novo esquiador norueguês. Mas quantas pessoas já viram alguém esquiando pelo Brasil?" Em Levi, na Finlândia, ele conquistou em 2025 o primeiro ouro do Brasil na Copa do Mundo de Esqui Alpino. A nova vitória do brasileiro significa que Odermatt, o esquiador dominante da Copa do Mundo nos últimos anos, deixa os Jogos Olímpicos de Milão/Cortina sem ouro. ht (AP, dpa) |
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| Short teaser | Lucas Pinheiro Braathen, norueguês naturalizado brasileiro, superou atletas consagrados na prova do slalom gigante. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/com-ouro-brasil-leva-medalha-inédita-nas-olimpíadas-de-inverno/a-75972526?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Com%20ouro%2C%20Brasil%20leva%20medalha%20in%C3%A9dita%20nas%20Olimp%C3%ADadas%20de%20Inverno | ||
| Item 44 | |||
| Id | 75011709 | ||
| Date | 2025-12-04 | ||
| Title | Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal | ||
| Short title | Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal | ||
| Teaser |
Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono.
A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente.
O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro.
Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada.
Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes.
O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira.
Trump mantém apoio a Hegseth
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira.
Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado.
Hegseth debateu ataques no Iêmen
O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz.
O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais.
O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen.
O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar.
Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque.
A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada.
Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas.
as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)
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| Short teaser | Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis. | ||
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| Image caption | Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe | ||
| Image source | Ricardo Hernandez/AP Photo/dpa/picture alliance | ||
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| Item 45 | |||
| Id | 63791517 | ||
| Date | 2025-09-10 | ||
| Title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Short title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Teaser |
Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança.
Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade.
O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir.
Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes.
Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°?
Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança.
Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas.
Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão.
O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°.
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| Short teaser | Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. | ||
| Author | Bernd Riegert | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quais-as-diferenças-entre-os-artigos-4°-e-5°-da-otan/a-63791517?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Image caption | Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado | ||
| Image source | Christoph Hardt/Panama/picture alliance | ||
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| Item 46 | |||
| Id | 72986020 | ||
| Date | 2025-06-21 | ||
| Title | Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Short title | Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Teaser |
Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã. O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam. Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados." Condições deterioram para afegãos no IrãO Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã. Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar. As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã. Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários." Sem opção de retornoAtualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família. "Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi." Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria." Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar. "Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos." Traficantes de pessoas exploram medosRedes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras. Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas. O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas." Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia." |
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| Short teaser | Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação. | ||
| Author | Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 47 | |||
| Id | 57531509 | ||
| Date | 2025-06-13 | ||
| Title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Short title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Teaser |
Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas. A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país. Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital. Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen. Sistema de três elementosA defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance. Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia. Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo. O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos. Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio. 90% de êxito, mas com custos altosO "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país. De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011. Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas. Nova arma a laser "Iron Beam"Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam". O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones. A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022. As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos. Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025. |
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| Short teaser | Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. | ||
| Author | Uta Steinwehr | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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| Item 48 | |||
| Id | 64814042 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Short title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Teaser |
UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção.
Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março.
Lei antioligarca
De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda.
Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias.
Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado.
Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos
A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares.
Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas.
Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares.
Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo
A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país.
Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros.
A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões.
Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares.
Não existem mais oligarcas ucranianos?
Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política.
Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los".
De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE.
Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra.
"Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos.
Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas.
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| Short teaser | UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas. | ||
| Author | Eugen Theise | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/qual-ainda-é-o-real-poder-dos-oligarcas-ucranianos/a-64814042?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia | ||
| Image source | Daniel Naupold/dpa/picture alliance | ||
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| Item 49 | |||
| Id | 64820664 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Short title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Teaser |
De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. Prefeito de Istambul diz ser necessário até 40 bilhões de dólares para se preparar para possível novo grande tremor.Duas semanas e meia após o terremoto de 7,8 de magnitude na área de fronteira turco-síria, o número de mortos aumentou para mais de 50 mil, informaram as autoridades dos dois países nesta sexta-feira (24/02).
A Turquia registrou 44.218 mortes, de acordo com a agência de desastres turca Afad, e a Síria reportou ao menos 5,9 mil mortes. Nos últimos dias, não houve relatos de resgate de sobreviventes.
Tremores secundários continuam a abalar a região. Neste sábado (25/02), um tremor de magnitude 5,5 atingiu o centro da Turquia, informou o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a uma profundidade de 10 quilômetros.
O observatório sísmico de Kandilli disse que o epicentro foi localizado no distrito de Bor, na província de Nigde, que fica a cerca de 350 quilômetros a oeste da região atingida pelo grande tremor de 6 de fevereiro.
Graves incidentes e vítimas não foram reportados após o tremor deste sábado.
Segundo a Turquia, nas últimas três semanas, foram mais de 9,5 mil tremores secundários e a terra chegou a tremer, em média, a cada quatro minutos.
De acordo com o governo turco, 20 milhões de pessoas no país são afetadas pelos efeitos do terremoto. As Nações Unidas estimam que na Síria sejam 8,8 milhões de pessoas afetadas.
Turquia começa reconstrução
As autoridades turcas começaram a construir os primeiros alojamentos para os desabrigados. O trabalho de escavação de terra está em andamento nas cidades de Nurdagi e Islahiye, na província de Gaziantep, escreveu no Twitter o ministro do Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Mudança Climática, Murat Kurum. Inicialmente, estão previstos 855 apartamentos.
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometeu a reconstrução em um ano. Críticos alertam que erguer prédios tão rapidamente pode fazer com que a segurança sísmica dos edifícios seja negligenciada novamente. A oposição culpa o governo de Erdogan, que está no poder há 20 anos, pela extensão do desastre porque não cumpriu os regulamentos de construção.
Também neste sábado, o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, disse que pelo menos 184 pessoas foram detidas por suposta negligência em relação a prédios desabados após os terremotos. Entre eles, estão empreiteiros e o prefeito do distrito de Nurdagi, na província de Gaziantep.
Até agora, o Ministério do Planejamento Urbano inspecionou 1,3 milhão de edifícios, totalizando mais de meio milhão de residências e escritórios, e relatou que 173 mil propriedades ruíram ou estão tão seriamente danificadas que precisam ser demolidas imediatamente.
Ao todo, quase dois milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas, demolidas ou danificadas pelos tremores, e vivem atualmente em tendas, casas pré-fabricadas, hotéis, abrigos e diversas instituições públicas, detalhou um comunicado do Afad.
Cerca de 528 mil pessoas foram evacuadas das 11 províncias listadas como regiões afetadas, acrescentou o comunicado do serviço de emergência, enquanto 335 mil tendas foram montadas nessas áreas e 130 núcleos provisórios de casas pré-fabricadas estão sendo instalados.
Em março e abril começará a construção de 200 mil novas casas, prometeu o ministério turco. Estima-se que o terremoto de 6 de fevereiro tenha custado à Turquia cerca de 84 bilhões de dólares.
Na Síria, o noroeste é particularmente atingido pelos efeitos do tremor. Há poucas informações sobre o país devastado pela guerra. Diante de anos de bombardeios e combates, muitas pessoas ali já viviam em condições precárias antes dos tremores.
Istambul precisa de 40 bilhões de dólares
Enquanto isso, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, disse a cidade, que fica perto de uma grande falha geológica, precisa de um programa urgente de urbanização no valor de "cerca de 30 bilhões a 40 bilhões de dólares" para se preparar para um possível novo grande terremoto.
"A quantia é três vezes maior do que o orçamento anual da cidade de Istambul, mas precisamos estar prontos antes que seja tarde demais", disse Imamoglu a um conselho científico.
De acordo com um relatório de 2021 do observatório sísmico de Kandilli, um potencial terremoto de magnitude superior a 7,5 danificaria cerca de 500 mil edifícios, habitados por 6,2 milhões de pessoas, cerca de 40% da população da cidade, a mais populosa da Turquia.
Istambul fica ao lado da notória falha geológica do norte da Anatólia. Um grande terremoto em 1999 que atingiu a região de Mármara, incluindo Istambul, matou mais de 18 mil.
le (EFE, DPA, Reuters, ots)
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| Short teaser | De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/mortos-em-terremoto-na-turquia-e-na-síria-passam-de-50-mil/a-64820664?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
| Image URL (940 x 411) |
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| Image caption | Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil | ||
| Image source | Selahattin Sonmez/DVM/abaca/picture alliance | ||
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| Item 50 | |||
| Id | 64819106 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia | ||
| Short title | UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia | ||
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Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra firmas iranianas que fornecem drones a Moscou. Mais de 100 indivíduos e entidades russas são afetados.A União Europeia prometeu aumentar a pressão sobre Moscou "até que a Ucrânia seja libertada", ao adotar neste sábado (25/02) um décimo pacote de sanções contra a Rússia, acordado pelos líderes do bloco no dia anterior, que marcou o primeiro aniversário da invasão da Ucrânia. O conjunto de medidas inclui veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra empresas iranianas que fornecem drones a Moscou.
"Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos – esgotando o arsenal de guerra da Rússia e mordendo profundamente sua economia", disse a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, através do Twitter, acrescentando que o bloco está aumentando a pressão sobre aqueles que tentam contornar as sanções da UE.
O chefe de política externa da UE, Josep Borrell, alertou que o bloco continuará a impor mais sanções contra Moscou. "Continuaremos a aumentar a pressão sobre a Rússia – e faremos isso pelo tempo que for necessário, até que a Ucrânia seja libertada da brutal agressão russa", disse ele em comunicado.
Restrições adicionais são impostas às importações de mercadorias que geram receitas significativas para a Rússia, como asfalto e borracha sintética.
Os Estados-membros da UE aprovaram as sanções na noite de sexta-feira, depois de uma agitada negociação, que foi travada temporariamente pela Polônia.
Acordo após mais de 24 horas de reuniões
As negociações entre os países da UE ficaram estagnadas durante a discussão sobre o tamanho das cotas de borracha sintética que os países poderão importar da Rússia, uma vez que a Polônia queria reduzi-las, mas finalmente houve o acordo, após mais de 24 horas de reuniões.
"Hoje, a UE aprovou o décimo pacote de sanções contra a Rússia" para "ajudar a Ucrânia a ganhar a guerra", anunciou a presidência sueca da UE, em sua conta oficial no Twitter.
O pacote negociado "inclui, por exemplo, restrições mais rigorosas à exportação de tecnologia e produtos de dupla utilização", medidas restritivas dirigidas contra indivíduos e entidades que apoiam a guerra, propagandeiam ou entregam drones usados pela Rússia na guerra, e medidas contra a desinformação russa", listou a presidência sueca.
Serão sancionados, concretamente, 47 componentes eletrônicos usados por sistemas bélicos russos, incluindo em drones, mísseis e helicópteros, de tal maneira que, levando em conta os nove pacotes anteriores, todos os produtos tecnológicos encontrados no campo de batalha terão sido proibidos, de acordo com Ursula von der Leyen.
O comércio desses produtos, que as evidências do campo de batalha sugerem que Moscou está usando para sua guerra, totaliza mais de 11 bilhões de euros (mais de R$ 60 bilhões), segundo autoridades da UE.
Sanções contra firmas iranianas
Também foram incluídas, pela primeira vez, sete empresas iranianas ligadas à Guarda Revolucionária que fabricam os drones que Teerã está enviando a Moscou para bombardear a Ucrânia.
As novas medidas abrangem mais de 100 indivíduos e empresas russas, incluindo responsáveis pela prática de crimes na Ucrânia, pela deportação de crianças ucranianas para a Rússia e oficiais das Forças Armadas russas.
Todos eles terão os bens e ativos congelados na UE e serão proibidos de entrar no território do bloco.
O décimo pacote novamente foca na necessidade de evitar que tanto a Rússia como os oligarcas contornem as sanções, tendo sido acordado considerar a utilização de bens do Banco Central russo congelados na UE para a reconstrução da Ucrânia.
No entanto, vários países têm dúvidas jurídicas sobre a possibilidade de utilizar esses recursos para a reconstrução e pedem o máximo consenso internacional.
md (EFE, Reuters, AFP)
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| Short teaser | Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e retaliações a empresas iranianas que fornecem drones a Moscou. | ||
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| Image caption | "Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos", disse Ursula von der Leyen, | ||
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| Item 51 | |||
| Id | 64816115 | ||
| Date | 2023-02-24 | ||
| Title | Zelenski quer América Latina envolvida em processo de paz | ||
| Short title | Zelenski quer América Latina envolvida em processo de paz | ||
| Teaser |
Presidente ucraniano propõe cúpula com os países da região e diz ter convidado Lula para ir a Kiev. Ele diz ainda que nações da África, além de China e Índia, deveriam se sentar na mesa de negociações.O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou nesta sexta-feira (24/02) que deseja que países da América Latina e África, além da China e Índia, façam parte de um processo de paz para o fim da guerra com a Rússia. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa para veículos internacionais que marcou um ano da invasão russa na Ucrânia.
Buscando fortalecer os laços diplomáticos, Zelenski propôs a realização de uma cúpula com os líderes latino-americanos. "É difícil para mim deixar o país, mas eu viajaria especialmente para essa reunião", destacou.
Ao manifestar a intenção de reforçar os contatos bilaterais, Zelenski citou especificamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ser questionado por um jornalista brasileiro. "Eu lhe mandei [a Lula] convites para vir à Ucrânia. Realmente espero me encontrar com ele. Gostaria que ele me ajudasse e apoiasse com uma plataforma de conversação com a América Latina", disse Zelenski. "Estou realmente interessado nisso. Estou esperando pelo nosso encontro. Face a face vou me fazer entender melhor."
Nesta sexta-feira, Lula voltou a defender uma iniciativa de "países não envolvidos no conflito" para promover as negociações de paz.
"No momento em que a humanidade, com tantos desafios, precisa de paz, completa-se um ano da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. É urgente que um grupo de países, não envolvidos no conflito, assuma a responsabilidade de encaminhar uma negociação para restabelecer a paz", escreveu o presidente brasileiro no Twitter.
Estreitar laços
O presidente ucraniano destacou ainda que seu governo começou a abrir novas embaixadas na América Latina e África, onde alguns países continuam mantendo boas relações com a Rússia e se recusam a condenar a guerra.
Zelenski ressaltou ainda que Kiev deve tomar medidas para construir relações com os países africanos. "A Ucrânia deve dar um passo à frente para se encontrar com os países do continente africano", declarou.
Ele propôs também organizar uma cúpula com "países de todos os continentes" após Kiev ter recebido um apoio generalizado na Assembleia Geral da ONU, que na quinta-feira aprovou uma resolução sobre o fim das hostilidades e a retirada das tropas russas do território ucraniano. Ele disse que essa reunião deve ocorrer num país "que seja capaz de reunir o maior número possível de países do mundo".
O presidente ucraniano aludiu indiretamente às abstenções registradas durante essa votação, incluindo a China e a Índia, e disse que o seu governo trabalha "para transformar essa neutralidade num estatuto de não-neutralidade diante a guerra".
Proposta da China
Apesar de ter manifestado algum ceticismo, Zelenski saudou alguns elementos do "plano de paz" apresentado pela China e disse esperar que a posição da liderança chinesa evolua no sentido de exigir que a Rússia respeite os princípios básicos do direito internacional, no qual se incluem a soberania e a integridade territorial dos países.
"Pelo menos, a China começou a falar conosco, nos chamou de 'país invadido' e julgo que isso é bom. Mas a China não é propriamente pró-ucraniana e temos que ver que atos seguirão as palavras", afirmou.
Ele também destacou ser promissor a China estar pensando em intermediar a paz, mas reiterou que qualquer plano que não incluir a retirada total das tropas russas de territórios ucranianos é inaceitável para Kiev.
cn/bl (Reuters, AFP, Efe)
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| Short teaser | Presidente ucraniano propõe cúpula com os países da região e diz ter convidado Lula para ir a Kiev. | ||
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| Image caption | Zelenski fez declaração em coletiva de imprensa que marcou um ano da guerra na Ucrânia | ||
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| Item 52 | |||
| Id | 64811757 | ||
| Date | 2023-02-24 | ||
| Title | "Plano de paz" chinês deixa mais dúvidas do que respostas | ||
| Short title | "Plano de paz" chinês deixa mais dúvidas do que respostas | ||
| Teaser |
Desde que o principal diplomata da China, Wang Yi, anunciou um plano de Pequim para um acordo político sobre a Ucrânia, surgiram especulações sobre seu papel na resolução da guerra. O plano foi agora divulgado. Durante a Conferência de Segurança de Munique na semana passada, o representante máximo da diplomacia chinesa, Wang Yi, anunciou a proposta de Pequim de um "plano de paz" para resolver a guerra na Ucrânia por meios políticos. Nesta sexta-feira (24/02), no aniversário de um ano da invasão da Ucrânia pela Rússia, o Ministério das Relações Exteriores chinês divulgou a proposta de 12 pontos. Entre eles, estão críticas às sanções unilaterais do Ocidente e apelos para retomar as negociações de paz e reduzir os riscos estratégicos associados às armas nucleares. Por muito tempo, a China relutou em assumir um papel ativo no conflito, preferindo apresentar-se como neutra e ignorar os apelos de países do Ocidente para pressionar a Rússia. Faz sentido, tendo em vista que a China é uma das principais beneficiárias das sanções contra a Rússia. Devido ao isolamento internacional de Moscou, a China ganhou forte influência sobre os suprimentos russos de energia e seus preços. Em 2022, as exportações chinesas para a Rússia aumentaram 12,8%, enquanto as importações, incluindo recursos naturais, cresceram 43,4%. No entanto, os impactos negativos da guerra estão lentamente superando os ganhos de curto prazo. O secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse que a China está considerando fornecer armas letais à Rússia. O suposto apoio de Pequim a Moscou já resultou em controles de exportação mais rígidos e restrições a investimentos do Ocidente. Análises sugerindo que o que acontece hoje na Ucrânia pode ser repetido no futuro pela China em relação a Taiwan também provocam preocupação no Ocidente e afetam as relações com os EUA e a União Europeia (UE), os maiores parceiros comerciais de Pequim. "A Rússia não ajudou Pequim ao despertar o mundo para essa ameaça antes que Pequim estivesse pronta para empreender uma possível invasão de Taiwan", disse à DW Blake Herzinger, membro não residente do American Enterprise Institute especialista na política de defesa do Indo-Pacífico. A proposta da China para a guerra na UcrâniaAté a divulgação nesta sexta-feira, os detalhes do plano chinês estavam sendo mantidos em sigilo. Wang Yi apresentou os pontos-chave ao ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, em Munique. No entanto, nem Kuleba nem o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, viram o texto da proposta. Após a conferência em Munique, Wang Yi visitou a Rússia e se reuniu com várias autoridades de alto escalão, incluindo o presidente russo, Vladimir Putin. Embora Wang Yi estivesse na Rússia apenas dois dias antes da divulgação do documento, Moscou informou que não houve negociações sobre o chamado "plano de paz da China" e que o lado chinês apenas expressou vontade de desempenhar um papel "construtivo" no conflito. No documento divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores da China, o foco principal é na soberania e integridade territorial. No entanto, a China não especifica como essa questão, fundamental tanto para a Rússia quanto para a Ucrânia, deve ser abordada. "A China defende da boca para fora a integridade territorial, mas não pediu à Rússia para parar com sua guerra ilegal de conquista e retirar suas tropas", disse à DW Thorsten Benner, diretor do Global Public Policy Institute, à DW. Ao contrário de muitas expectativas, o plano também não pediu a interrupção do fornecimento de armas à Ucrânia. O documento menciona o diálogo e as negociações como a única solução viável para a crise. Atualmente, porém, as conversas entre Rússia e Ucrânia têm se resumido à troca de prisioneiros e a raros contatos informais. "Para ser bem-sucedida, a mediação de paz precisa da disposição das partes em conflito", disse à DW Artyom Lukin, professor da Universidad Federal do Extremo Oriente, em Vladivostok, na Rússia. "No entanto, agora há poucos sinais de que Moscou e Kiev estejam interessadas em chegar a um acordo. Moscou ainda está determinada a se apossar de todas as regiões de Donetsk e Lugansk, mantendo o controle sobre as áreas das regiões de Zaporíjia e Kherson que foram tomadas pelas forças russas em 2022. Kiev parece determinada a expulsar a Rússia do Donbass, de Zaporíjia e Kherson, e talvez ir atrás da Crimeia em seguida. É difícil imaginar como as posições de Rússia e Ucrânia possam chegar a um ponto comum no momento", acrescentou. Mediador duvidosoAlém disso, o papel da China como mediadora no conflito parece duvidoso, uma vez que o país não atua como um ator imparcial. No ano passado, a China intensificou os laços políticos, militares e econômicos com a Rússia. Na proposta desta sexta-feira, Pequim, mais uma vez, opôs-se a "sanções unilaterais não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU", o que claramente se refere às sanções do Ocidente a Moscou. Além disso, o presidente chinês, Xi Jinping, não se encontrou ou ligou para Zelenski nem uma vez, apesar de manter contato regular com Putin. "É tolice acreditar que uma parte que está envolvida com um dos lados, neste caso a China do lado da Rússia, possa desempenhar o papel de mediador. Da mesma forma, a Europa não poderia ser um mediador porque está firmemente no lado de Kiev", disse Benner. Campanha de relações públicas sem riscosA proposta da China parece ser em grande parte uma declaração de princípios, e não uma solução prática. "O que me impressionou em particular é o fato de que não há propostas para incentivar ou influenciar Moscou na direção de uma mudança de comportamento", disse à DW Ian Chong, cientista político da Universidade Nacional de Cingapura. "Não há nenhuma pressão ou e não há nenhuma oferta que possa beneficiar a Rússia caso ela cumpra o proposto. Apenas na linguagem da declaração, não está claro por que haveria um incentivo para a Rússia, e não está claro por que haveria um incentivo para a Ucrânia, se não há um motivo para a Rússia parar a invasão em primeira instância", destacou. "Acho que a China está fazendo isso apenas como objetivo de relações públicas. Esse 'plano de paz' e falar de si mesmo como mediador é sobretudo uma ferramenta retórica que Pequim usa, em um esforço para reparar as relações com a Europa e melhorar o diálogo com o resto do mundo, bem como para apoiar a mensagem de que os Estados Unidos é o culpado pela guerra e que a China, na verdade, é uma força pela paz", afirma Benner. Outros pontos da propostaO texto pede ainda um cessar-fogo, proteção para prisioneiros de guerra e cessação de ataques a civis, sem dar mais detalhes, além de defender a manutenção da segurança das centrais nucleares e dos acordos para facilitar a exportação de cereais. A proposta também condena a "mentalidade de Guerra Fria", um termo usado frequentemente pela China quando se refere aos Estados Unidos ou à Otan. "A segurança de uma região não deve ser alcançada pelo fortalecimento ou expansão de blocos militares", diz a proposta. "O tom básico e a mensagem fundamental da política são bastante pró-Rússia", afirmou o professor de política externa chinesa e segurança internacional da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, Li Mingjiang. |
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| Short teaser | Pequim divulgou seu esperado plano de 12 pontos para um acordo político sobre a Ucrânia. | ||
| Author | Alena Zhabina | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/plano-de-paz-chinês-deixa-mais-dúvidas-do-que-respostas/a-64811757?maca=bra-vam-volltext-brasildefato-30219-html-copypaste | ||
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