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Item 1
Id 79627594
Date 2026-10-10
Title Zelenski critica acordo entre Trump e Putin sobre diesel russo
Short title Zelenski critica acordo de Trump e Putin sobre diesel russo
Teaser Líder ucraniano diz que pacto "injusto e desonesto" para fornecimento de diesel russo aos mercados dos EUA e global seria "investimento na guerra". Especialistas minimizam possível impacto sobre os preços ao consumidor.

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, criticou duramente o acordo entre Washington e Moscou anunciado nesta sexta-feira (09/10) sobre o fornecimento de diesel russo para os mercados dos EUA e globais a fim de ajudar a reduzir os preços dos combustíveis.

Ao anunciar o pacto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – cujo Partido Republicano enfrenta a insatisfação dos eleitores com os preços dos combustíveis antes das eleições de meio de mandato no próximo mês – disse que o líder russo, Vladimir Putin, concordou em fornecer "imediatamente" mais de 300 mil toneladas de diesel, seguidas de outras 500 mil em novembro e 1 milhão de toneladas logo depois.

Outras 3 milhões de toneladas poderiam ser entregues em um curto período, dependendo da capacidade operacional das refinarias russas. O Kremlin confirmou o acordo, afirmando que a Rússia estava preparada para fornecer petróleo e derivados a qualquer mercado.

Zelenski condena acordo como "investimento na guerra"

Após o anúncio, Zelenski alertou que qualquer flexibilização das restrições às exportações de energia russas ajudaria Moscou a financiar sua guerra contra a Ucrânia. "Permitir que a Rússia venda derivados de petróleo é um investimento na guerra, que deve ser encerrada, e não prolongada", escreveu Zelenski no Telegram na noite desta sexta-feira, advertindo que o Kremlin responderia com mais "terror e atos vis" contra seu país.

Zelenski intensificou suas críticas em entrevista ao portal de notícias americano Axios, classificando o acordo como "injusto e desonesto". Ele ficou particularmente irritado pelo fato de os enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, estarem negociando com autoridades ucranianas em Miami sobre um possível fim da guerra ao mesmo tempo em que o acordo com Putin estava sendo articulado. O ucraniano afirmou que o acordo sobre o diesel não teria sido mencionado durante essas conversas.

Questionado sobre as críticas de Zelenski, Trump se limitou a defender o acordo. "Precisamos de petróleo para o mundo, e isto é diesel – que é do que precisamos –, então estamos muito satisfeitos em obtê-lo", disse o americano.

Zelenski reiterou a disposição da Ucrânia em interromper seus ataques a refinarias russas, caso Moscou concordasse em cessar os bombardeios a instalações de energia ucranianas. "Estamos propondo exatamente esse tipo de acordo aos EUA e acreditamos que a força do país é suficiente para alcançar tal compromisso", sublinhou.

Após o anúncio de Trump, o Departamento do Tesouro dos EUA emitiu uma isenção temporária das sanções contra a Rússia, permitindo a venda, o fornecimento, o descarregamento e a importação de diesel russo até 7 de abril de 2027.

Zelenski também criticou o alívio temporário das sanções, dizendo que qualquer flexibilização pode ser vista como um sinal de "fraqueza evidente". A isenção, segundo afirmou, fará Moscou levar Washington "ainda menos a sério".

Alta dos combustíveis pressiona Trump às vésperas das eleições

O acordo representa uma mudança drástica na política dos EUA – que desde o início da guerra da Rússia contra a Ucrânia, haviam proibido a importação de petróleo russo – e ocorre em um momento em que a economia e os consumidores americanos sofrem devido à alta global dos preços do petróleo, causada pela guerra entre os EUA e o Irã.

O preço do diesel bateu recordes nos EUA e na Europa nas últimas semanas, impulsionando a inflação sobre uma ampla gama de bens de consumo.

Isso significa custos de transporte mais elevados para uma longa lista de produtos, uma vez que o combustível é utilizado nas redes de transporte de carga e entrega. Algumas empresas já repassaram esses custos mais altos aos consumidores por meio de taxas adicionais em compras online e encomendas postais.

Esse impacto atinge os consumidores particularmente no que diz respeito aos preços dos alimentos. Produtos perecíveis, como carnes e hortifrútis, sofrem as consequências mais imediatas do diesel caro, pois exigem transporte e reposição frequentes ou são colhidos com maquinário agrícola movido pelo combustível.

A situação aumentou a pressão sobre Trump e o Partido Republicano antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

Os índices de aprovação de Trump em relação à economia atingiram um novo patamar mínimo. Segundo uma pesquisa da AP-NORC divulgada na semana passada, apenas 26% dos adultos americanos aprovavam a condução da economia por Trump – uma queda em relação aos 32% registrados em julho. Além disso, apenas 17% aprovavam sua gestão em relação ao custo de vida.

Especialistas minimizam impacto do acordo

Especialistas em política energética afirmam que é pouco provável que o acordo entre Putin e Trump tenha impacto significativo nos preços nas bombas de combustível ou em outros setores, seja nos EUA ou globalmente.

"É como reorganizar as cadeiras no convés do Titanic", disse Michael Lynch, pesquisador sênior da Energy Policy Research Foundation, uma instituição de pesquisa apartidária focada em energia e economia.

"Se recebermos diesel da Rússia, isso significa, basicamente, que os clientes atuais deles ficarão sem o produto e terão de buscar fornecedores em outros lugares; isso manterá o preço praticamente onde está agora", observou Lynch.

Além disso, não há garantias de que a medida possa aliviar os custos nas bombas de combustível para caminhoneiros, pecuaristas e agricultores americanos. "Na melhor das hipóteses, pode-se esperar uma pequena queda nos preços locais, em áreas como Nova York-Nova Jersey ou talvez Filadélfia", disse o especialista. "Isso significa apenas que o petróleo será redistribuído, sem alterar realmente o preço em nível global ou em todo o território dos EUA."

Se a Rússia – que em julho proibiu as exportações de diesel devido a ataques de drones ucranianos às suas refinarias – acreditar que pode retomar as exportações, isso ajudará a estabilizar os preços globais do diesel, afirmou Daniel Sternoff, pesquisador sênior do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia.

No entanto, é provável que os preços permaneçam elevados de modo geral, já que grande parte da capacidade de refino do Oriente Médio não está disponível para o mercado mundial devido às perturbações no Estreito de Ormuz causadas pelo conflito entre os EUA e o Irã.

"Os volumes de produtos refinados, como o diesel, ainda estão em pouco mais da metade dos níveis anteriores à guerra", disse Sternoff. "Portanto, mesmo que os russos realmente avancem com o envio de um pouco mais de diesel para os mercados globais, isso pode aliviar levemente a pressão sobre os preços, mas não os reduzirá de forma significativa.”

Clayton Seigle, estrategista do setor de energia e especialista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), avalia que o acordo provavelmente não terá grande impacto nos preços para os consumidores de diesel nos EUA, mas poderá beneficiar a Rússia.

Isso ocorre porque Moscou está tentando escoar seus estoques de diesel de especificação de verão para dar lugar aos tipos mais densos, adequados para o inverno e para condições árticas, de que necessitará nos próximos meses, observou.

"Não acredito que isso será suficiente para reduzir substancialmente os preços nos Estados Unidos ou na Europa, mas certamente alivia a pressão sobre a receita de Moscou”, afirmou.

Acordo sobre diesel ofusca negociações de paz em Miami

A divulgação do acordo entre Trump e Putin ofuscou os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra na Ucrania. No mesmo dia do anúncio, autoridades dos EUA, da Ucrânia e da Europa se reuniram em Miami para retomar as tentativas de encerrar o conflito, com Washington buscando uma saída para o impasse.

O enviado dos EUA, Steve Witkoff, escreveu em postagem no X, após a reunião, que as "discussões construtivas" abordaram "possíveis caminhos para reduzir a tensão e encerrar a guerra com a Rússia antes do inverno [no Hemisfério Norte], bem como para avançar nos esforços em prol de uma paz duradoura e sólida".

Witkoff afirmou que a reunião contou com a participação do E3 (grupo formado por Alemanha, França e Reino Unido), da Comissão Europeia, da Ucrânia e da Otan.

As discussões abrangeram resiliência energética, exportações de grãos, garantias de segurança e "arranjos de longo prazo para a segurança da Ucrânia e da Europa, visando prevenir conflitos futuros", disse Witkoff. Ele também destacou a troca de ideias "produtiva" sobre o apoio à reconstrução do pós-guerra e à prosperidade econômica da Ucrânia, incluindo a adesão à UE.

rc (AP, dpa, AFP)

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Short teaser Líder ucraniano diz que pacto "desonesto" para fornecimento de diesel russo aos EUA seria "investimento na guerra".
Author Redação DW
Item URL https://www.dw.com/pt-br/zelenski-critica-acordo-entre-trump-e-putin-sobre-diesel-russo/a-79627594?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 2
Id 79612490
Date 2026-10-09
Title Deputados eleitos com votação recorde mostram força das redes sociais nas campanhas políticas
Short title Políticos influenciadores transformam campanhas no Brasil
Teaser

Fenômeno nas redes, Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o deputado federal mais votado do Brasil

Deputados recordistas de votos construíram sua popularidade nas plataformas digitais. Especialistas apontam que as redes mudaram a forma de fazer campanha e mobilizar apoiadores.Com mais de 3 milhões de votos recebidos no último domingo (04/10), Nikolas Ferreira (PL-MG) se tornou o deputado federal mais votado da história do Brasil. Lucas Pavanato (PL-SP) ficou logo atrás, com votação também acima dos 3 milhões. Os dois construíram uma base fiel de seguidores — e de eleitores — através das redes sociais. Em vídeos publicados em seus perfis, dialogam com um público conservador falando de pautas como segurança pública e defendendo o que chamam de "família tradicional", além de posicionarem veementemente contra os direitos de pessoas trans e as cotas raciais. O fenômeno se estende também a deputados alinhados à esquerda. Erika Hilton (PSOL-SP), reeleita para a Câmara com mais de 1,5 milhão de votos, e Ana Elisa (PT-MG), escolhida para o primeiro mandato por mais de 500 mil eleitores, também têm uma presença forte nas redes. "A rede social foi tratada como demérito várias vezes", disse Ana Elisa em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram na segunda-feira (05/10). Com o sucesso nas urnas, a jovem de 21 anos foi chamada para participar da estratégia digital da campanha de Lula para o segundo turno. "Não existe mais separação entre redes e ruas. Quem está nas ruas está nas redes. A discussão está aqui. A vida está sendo pautada na tela do telefone", afirma. "É uma consolidação de algo que a gente vem observando pelo menos desde 2016, talvez até um pouco antes", afirma a diretora de pesquisa e operações do InternetLab, Heloisa Massaro. "Houve uma mudança significativa na forma de fazer campanhas, na forma como as pessoas consomem informação política, onde vão procurar sobre os candidatos." A centralidade das redes sociais é predominante especialmente entre o público jovem. Em 2026, a pesquisa Digital News Report, do Instituto Reuters, mostrou que as redes sociais são a principal fonte de notícias de 39% dos jovens de 18 a 24 anos. "As redes sociais aparecem como esse lugar onde as pessoas sentem que conseguem construir seu próprio ecossistema de informação e conteúdo e encontrar informações plurais e diferentes", diz Massaro. Fenômeno global O fenômeno não é exclusivo do Brasil. Para a pesquisadora Emma Connolly, da Universidade de Ottawa, dinâmicas semelhantes podem ser observadas em diversos países. "Os políticos não são apenas bons políticos. Eles também são usuários habilidosos das redes sociais, ou pelo menos contam com uma equipe de mídia social competente por trás deles." A tendência vem se construindo há mais de uma década, mas Heloisa Massaro cita a primeira eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, em 2016, como um ponto de virada. A campanha pelo Brexit, no Reino Unido, em 2018, também movimentou as redes. No mesmo ano, Jair Bolsonaro conseguiu se eleger presidente do Brasil mesmo tendo pouco tempo de TV e rádio no horário eleitoral gratuito durante o primeiro turno. Como exemplos internacionais dos últimos anos, Connolly cita o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o atual primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham. Ao mesmo tempo, as plataformas digitais também mudaram. Se, em 2012, a campanha de reeleição de Barack Obama se destacou pelo uso do Facebook para mobilizar eleitores, hoje políticos disputam atenção principalmente em plataformas de vídeos curtos, competindo não apenas com adversários, mas também com influenciadores, entretenimento e uma infinidade de outros conteúdos. "A divisão entre influenciador e político vai ficando cada vez menos clara", explica Massaro. O político influenciador Nesse ambiente, argumenta Connolly, não basta ter uma mensagem política clara. É preciso adaptá-la ao público-alvo e aos formatos e linguagens de cada plataforma, independente do espectro politico do candidato. Além disso, a pesquisadora Heloisa Massaro destaca que os atores políticos constroem sua imagem e sua base de seguidores nas redes ao longo de anos, e não apenas nos meses de campanha oficial. E o sucesso online depende da capacidade de construir relações com o público. "O público quer cada vez mais sentir que existe uma relação direta com os políticos. E acho que é por isso que as redes sociais têm funcionado de forma especialmente eficaz em movimentos populistas, por exemplo", afirma Connolly. Para a pesquisadora, as redes ajudam a reduzir a distância entre representantes e público, criando a percepção de uma relação mais próxima e pessoal. "Os atores políticos têm um trabalho realmente difícil. Eles precisam aparecer nas redes sociais de uma forma que seja considerada autêntica, o que não é fácil", acrescenta ela. Massaro cita uma pesquisa realizada pelo InternetLab sobre a relação de jovens com influenciadores: "Tem muito uma camada de olhar para esses influenciadores como 'gente como a gente'. Gente que veio de onde a gente veio". Tradicionalmente, os políticos, assim como as celebridades, estariam num lugar mais distante. A figura do político influenciador consegue explorar essa sensação de proximidade. Eleitor faz parte da campanha Os eleitores, por sua vez, deixaram de ocupar apenas o papel de receptores da mensagem política. Segundo Massaro, eles se transformaram em agentes ativos das campanhas: "A campanha passa a ser uma campanha em rede". Ao comentar, compartilhar ou interagir com o conteúdo, os eleitores ajudam a ampliar sua circulação e alcance, influenciando o debate público. "Uma das principais mudanças que estamos observando diz respeito ao que os atores políticos esperam do público em termos de engajamento", acrescenta Connolly. "A comunicação não acontece mais apenas em um único sentido, do político para o público. Hoje, ela também ocorre entre os próprios membros do público e partindo do público de volta para os atores políticos. É um ambiente muito mais dinâmico." Desafios da Justiça Eleitoral Com as novidades na dinâmica da campanha, a Justiça Eleitoral precisou adaptar as regras prevendo a disputa do campo digital. Hoje, a legislação proíbe disparo de mensagens de conteúdo político-eleitoral em massa, e prevê o monitoramento e a remoção de publicações mentirosas. Influenciadores digitais podem demonstrar apoio espontâneo a candidatos, mas não podem ser contratados e pagos para publicar propaganda eleitoral. O impulsionamento de conteúdo nas plataformas é permitido, se partir dos partidos e coligações, e precisa ser claramente identificado. E a campanha precisa prestar contas do dinheiro gasto na estratégia digital. Neste ano, oTribunal Superior Eleitoral (TSE) também determinou que os algoritmos das redes sociais não poderão recomendar os perfis e publicações de candidatos para usuários que não os seguem. "Acho que no cerne de tudo isso está uma discussão sobre como garantir algum nível de igualdade de chances num ambiente onde não é tão claro o que faz com que uma pessoa tenha mais alcance e mais engajamento", analisa Massaro. Connolly também aponta a falta de transparência das plataformas como um desafio para a comunicação política: "Não temos uma boa noção de como isso funciona porque a opacidade dos algoritmos torna muito difícil rastrear exatamente a trajetória de uma determinada narrativa política. E isso dificulta bastante o planejamento das campanhas em alguns aspectos." Comunidade offline ainda tem influência As especialistas destacam que, apesar do crescimento da importância das campanhas nas redes, o mundo offline não perdeu a influência nas decisões de voto. "Não é só sobre uma disputa dentro das redes. Muitas vezes elas funcionam como ferramentas", defende Massaro. "No Brasil, por exemplo, a gente tem um poder muito grande das religiões, por exemplo", aponta. "Acho que os atores políticos estão vivendo um momento um pouco complicado, porque não podem se dar ao luxo de não usar as redes sociais. Acho que hoje é dado como certo que elas representam uma parte enorme das campanhas", afirma Connolly. "Mas, ao mesmo tempo, elas não podem substituir tudo o mais que faz parte de uma campanha." Massaro conclui: "Não dá para continuar fazendo campanha como se fazia antes e achar que vai funcionar, usar a mesma linguagem e forma de mobilização no ambiente das redes sociais. Ao mesmo tempo, também não dá para acreditar que apenas uma boa linguagem digital e uma disputa na rede vai resolver tudo." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. 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Short teaser Recordistas de votos consolidam uma nova lógica eleitoral, em que engajamento e influência digital se tornam centrais.
Author Bárbara Rubira, Rayanne Azevedo
Item URL https://www.dw.com/pt-br/deputados-eleitos-com-votação-recorde-mostram-força-das-redes-sociais-nas-campanhas-políticas/a-79612490?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
Image URL (700 x 394) https://static.dw.com/image/78463524_303.jpg
Image caption Fenômeno nas redes, Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o deputado federal mais votado do Brasil
Image source Leandro Chemalle/TheNEWS2/ZUMA/picture alliance
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Item 3
Id 79610319
Date 2026-10-09
Title Quando a aposta de um muda a vida de todos: o impacto das bets dentro das famílias
Short title Quando as bets impactam a vida de toda a família
Teaser Dados oficiais estimam que bets retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras no ano passado. Problema tendem a permanecer oculto, e, quando descoberto, dívidas podem ser enormes.

Foi somente após uma crise de ansiedade sofrida pelo marido em novembro de 2025 que a empresária Fabíola (nome fictício), de 51 anos, descobriu que o homem havia feito um empréstimo de R$ 300 mil e gasto todo o valor em plataformas de apostas esportivas. A aprovação do crédito foi feita em nome da empresa do casal sem que a mulher soubesse.

"Alguns meses antes ele começou a mudar de comportamento e passou a ficar estressado com mais facilidade, eu imaginei que era porque a empresa estava registrando queda nas vendas. Em outubro ele me deu alguns papéis para assinar e falou que eram documentos da loja, sem me explicar certinho, por confiar demais nele, eu assinei e nem questionei", recorda a empresária.

A crise de ansiedade fez com que o marido de Fabíola precisasse ficar internado por 24 horas em observação. Após ser pressionado pela mulher, ele contou que todo o valor adquirido junto ao banco havia sido gasto em bets. A situação fez com que Fabíola pedisse o divórcio.

"Eu perdi a confiança, e por isso não tinha como seguir. Foram quase 15 anos casados e eu não o reconhecia mais. Além do empréstimo, depois vi que havia gastos também no cartão de crédito, mas como era ele o responsável pelo financeiro da casa e da loja, eu não desconfiei", diz.

Por ser sócia da empresa, mesmo com o divórcio, Fabíola está tendo que arcar com parte da dívida. "É uma situação que bagunçou toda a minha vida. Além de estar morando sozinha e arcar com os gastos da minha casa, também estou pagando parte do empréstimo feito", acrescenta.

Mais brasileiros fazendo apostas online

No dia 25 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou uma medida provisória (MP) que proibiu as bets no Brasil. A MP vale tanto para as apostas esportivas, quanto para os cassinos online, como o "jogo do tigrinho". Mas antes disso, os dados apontaram um aumento no número desse tipo de jogatina.

Um levantamento do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) divulgados em agosto, estima que as bets retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras no ano passado.

Já uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha mostrou o avanço das apostas digitais no país nos últimos três anos. Segundo o levantamento, 17% da população declarou ter feito apostas online em 2025, ante 15% em 2024 e 14% em 2023.

A pesquisa também identificou mudanças nas motivações dos apostadores. Ganhar dinheiro rapidamente em momentos de necessidade financeira foi uma das principais razões para apostar, mencionada por 39% dos entrevistados. Ao mesmo tempo, a parcela que associa a prática à diversão subiu para 32% em 2025, enquanto era de 26% nos dois anos anteriores.

A aposta que compromete a relação familiar

Os números mostram a dimensão do fenômeno, mas não permitem determinar quantas famílias enfrentam conflitos ou endividamento em razão das apostas. Também não há números sobre divórcios motivados pelas bets.

"O impacto na família e na vida social é devastador. A falta de destinação daquele recurso para dentro de casa e para o orçamento doméstico vai corroendo as relações e causando conflitos", analisa Cristiano Costa, psicólogo e diretor de conhecimento da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (Ebac).

As apostas online podem afetar os vínculos familiares não apenas pelas perdas financeiras, mas também pelo desgaste emocional provocado pela mudança de comportamento de quem aposta.

A ocultação de gastos, as mentiras sobre o dinheiro perdido, as promessas de parar de apostar que não se concretizam e a ausência em momentos importantes da rotina podem enfraquecer a confiança entre parceiros e familiares. Com o tempo, a relação pode passar a ser marcada por cobranças, discussões, vigilância dos gastos e insegurança em relação ao futuro financeiro.

O familiar que não aposta também pode assumir uma sobrecarga emocional, ao tentar controlar a situação, cobrir dívidas ou evitar que o problema afete os filhos. Nesse contexto, a parceria dá lugar a uma dinâmica de desconfiança e conflito, na qual o dinheiro se torna um motivo recorrente de tensão.

"O cônjuge, por exemplo, pode começar a viver uma situação de permanente insegurança, ele não sabe se existem outras dívidas, se as contas estão sendo pagas, se houve empréstimos ou se o dinheiro da família está sendo de fato utilizado para apostar. E muitas vezes ele acaba assumindo uma função que não deveria assumir e vira fiscal da conta bancária, do cartão, do celular e do comportamento do outro", acrescenta Patrícia Gorisch, doutora em direito e pesquisadora do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM).

Em situações mais graves, o vício pode resultar na ruptura da relação conjugal e no comprometimento da convivência entre pais e filhos.

"Se o dinheiro destinado aos alimentos, à escola, ao plano de saúde, enfim, aos filhos de uma forma geral, começa a ser utilizado nas apostas, nós entramos no campo dos deveres parentais e da proteção da criança e do adolescente. Então é importante compreender que o prejuízo não é só financeiro. Ele pode ser afetivo, psicológico, conjugal e também familiar", destaca Gorisch.

A ponta do iceberg

O uso do recurso financeiro familiar para apostas online pode passar por diferentes etapas. Primeiro, o apostador tende a usar o dinheiro destinado às despesas da casa, à educação dos filhos ou à manutenção de um negócio. Depois, a tentativa de recuperar o que foi perdido pode levar a novos gastos, empréstimos e uso de limites de crédito. Em situações mais graves, a família pode precisar vender bens, renegociar dívidas e adiar projetos de vida para cobrir os prejuízos.

O problema tende a permanecer oculto por algum tempo. Transferências pequenas e frequentes, empréstimos não comunicados ao parceiro e justificativas para explicar a falta de dinheiro podem dificultar a identificação da dimensão das perdas. Quando a situação vem à tona, o endividamento pode já ter atingido um nível difícil de administrar.

Foi diante de uma situação como essa que uma mulher conseguiu na Justiça uma decisão para que o marido deixasse a casa onde moravam juntos, em Jataí (GO). Segundo a ação, o homem desenvolveu um vício em apostas online, vendeu bens da família, contraiu dívidas, inclusive com agiotas, e colocou o patrimônio do casal em risco.

Além do afastamento, o juiz Daniel Maciel Martins Fernandes determinou a indisponibilidade do único imóvel do casal para impedir eventual negociação até o julgamento da ação.

"Existe uma ruptura da própria confiança familiar. O cônjuge passa a não saber mais qual é a verdadeira situação financeira da casa. Isso gera conflitos, insegurança, discussões e também pode contribuir para essa ruptura de relacionamentos", diz Gorisch.

Apostas podem comprometer o patrimônio familiar

As perdas financeiras decorrentes das apostas podem comprometer o patrimônio familiar de diferentes maneiras, principalmente quando o dinheiro usado pertence ao orçamento compartilhado pelo casal.

O comprometimento patrimonial pode se estender ao cônjuge que não participa das apostas, dependendo do regime de bens adotado no casamento, da origem dos recursos e das obrigações assumidas durante a relação.

No regime de comunhão parcial de bens, o mais comum no Brasil, os bens adquiridos mediante pagamento durante o casamento, em regra, integram o patrimônio comum, ainda que estejam registrados em nome de apenas um dos parceiros. No entanto, se ficar demonstrado que os recursos não foram usados em benefício da família é possível afastar a responsabilidade do outro cônjuge ou companheiro, mas isso não é tão simples.

"Há duas situações que dificultam essa defesa. A primeira é quando o outro cônjuge também assinou a dívida, por exemplo como coobrigado ou garantidor em um empréstimo bancário. A segunda é quando não há prova de que o dinheiro foi efetivamente destinado às apostas. Na prática, é comum que se presuma que a dívida contraída durante a união beneficiou a família", explica Caroline Pomjé, advogada da área de Família e Sucessões e professora da FGV Law.

No caso da Fabíola, o fato de o empréstimo ter sido feito em nome da empresa que era registrada no nome do casal e assinado por ela faz com que ela também precise lidar com o débito.

"O Supremo Tribunal de Justiça decidiu, no último ano, em 2025, que o cônjuge pode ser incluído na execução da dívida contraída pelo outro, e cabe a ele demonstrar que o valor não beneficiou a família, ou seja, quem não apostou precisa provar com extratos e transferências que o empréstimo foi parar na plataforma", acrescenta Ariadne Maranhão, advogada especialista em direito de Famílias e Sucessões.

SUS oferece atendimento gratuito para compulsão por apostas

Pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e bets podem buscar atendimento gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço funciona de forma online e busca ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental, principalmente para quem sente vergonha ou dificuldade em procurar ajuda presencial.

As consultas acontecem por vídeo e fazem parte de um ciclo de tratamento onde cada paciente pode realizar até 13 sessões, individuais ou em grupo com familiares. O atendimento conta com psicólogos, terapeutas ocupacionais e médicos psiquiatras.

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Short teaser Dados oficiais estimam que bets retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras no ano passado.
Author Simone Machado
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Item 4
Id 78393402
Date 2026-10-08
Title Datafolha: Flávio tem 52% e Lula aparece com 48% no 2º turno
Short title Datafolha: Flávio tem 52% e Lula aparece com 48% no 2º turno
Teaser

Primeira pesquisa Datafolha na fase de campanha do segundo turno mostra candidatos em empate no limite da margem de erro, mas com vantagem para Flávio Bolsonaro. Acompanhe as principais notícias sobre as eleições.Eleitores brasileiros vão às urnas em outubro para eleger o próximo presidente da República, que iniciará um novo mandato presidencial após mais de quatro décadas de redemocratização. Na disputa pelo Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro(PL) terminou o primeiro turno, realizado de 4 de outubro, na liderança, com 47% dos votos válidos, seguido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 45,2%. Os dois disputarão o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro. Também foram eleitos os 513 deputados federais, os ocupantes das 54 vagas em disputa no Senado, além de governadores, deputados estaduais e deputados distritais. Acompanhe aqui as principais notícias da campanha e do processo eleitoral. Datafolha: Flávio tem 52% e Lula aparece com 48% no 2º turno A primeira pesquisa do Datafolha realizada após a definição da disputa de segundo turno da eleição presidencial mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 52% em votos válidos e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48%. A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira (08/10) pelo rede Globo e o jornal Folha de S.Paulo. Votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos. Em votos totais, Flávio apareceu com 49% e Lula, com 45% no Datafolha. Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou menos, os dois candidatos estão empatados no limite da margem de erro. Indecisos somam 1% e 5% pretendem votar nulo ou em branco na pesquisa Segundo o Datafolha, 94% dos eleitores dizem estar totalmente decididos sobre o voto e 6% afirmam que ainda pode mudar. A pesquisa também apontou que 46% dos eleitores de Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Zema (Novo) no 1º turno pretendem migrar para Flávio Bolsonaro, enquanto 32% declararam voto em Lula agora e 15% disseram que pretendem votar em branco ou nulo. O Datafolha ouviu 2.520 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 6 e 7 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-02949/2026. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro saiu na frente do presidente Lula na disputa pelo Palácio do Planalto. O senador e candidato pelo PL obteve 47% dos votos válidos no primeiro turno, totalizando 56,1 milhões de votos, 2,2 milhões a mais do que o petista, com 45,2%. Site oferece criptomoedas por posts pró-Flávio Bolsonaro Uma criptomoeda criada em meio à campanha presidencial passou a oferecer recompensas em ativos digitais a usuários que divulguem, nas redes sociais, conteúdos associados ao chamado "voto 22", número de urna de Flávio Bolsonaro (PL). O projeto, batizado de Brasil 22 Token (B22), ganhou visibilidade por meio do perfil @hyperskidsafrica, que tem milhões de seguidores no Instagram e divulga ações para financiar moradias para crianças em Kampala, em Uganda. Em um dos vídeos publicados, crianças aparecem usando camisetas com a marca B22 e cantando um jingle em apoio ao candidato do PL. "Nesse turno, dê uma chance, vote diferente, vote 22 por um Brasil melhor", diz uma das crianças na gravação em inglês. O caso foi revelado pela Folha de S.Paulo. A ferramenta é baseada na distribuição de tokens digitais. Para participar, os interessados precisam manter uma quantidade mínima da criptomoeda em carteira, publicar conteúdos relacionados ao B22 nas redes sociais e validar os posts com o projeto. Após aprovação, recebem novos tokens. Embora os organizadores afirmem que o projeto não integra oficialmente a campanha de Flávio Bolsonaro, o próprio material de divulgação associa a iniciativa ao apoio ao candidato. No vídeo, as crianças pedem que o usuário confie em Nikolas Ferreira, eleito deputado federal pelo PL, em Flávio Bolsonaro e em Pablo Marçal, que teve a candidatura à Presidência rejeitada pela Justiça Federal. A campanha indica metas como a listagem em corretora e a valorização de mercado da criptomoeda para 222 milhões de dólares (R$1 bilhão), além do engajamento de Flávio Bolsonaro. Uma fatia dos tokens seria doada ao projeto HypersKids, que usaria a valorização da moeda para finalizar a construção de uma sede. Segundo um agregador de preços, a moeda subiu rapidamente de valor de mercado nesta quinta-feira (08/10) e atingiu 133 mil dólares (R$ 668 mil). Ou seja, este é o atual valor de todas as moedas somadas. Legislação proíbe remuneração por propaganda A legislação eleitoral permite manifestações espontâneas de apoio, mas proíbe a remuneração de pessoas para divulgar propaganda eleitoral em seus próprios perfis. Reportagem d'O Globo destaca que a regulamentação foi atualizada em 2026 para citar de forma explícita mecanismos de premiação, ranqueamento ou incentivo econômico destinados a ampliar a circulação de conteúdo político-eleitoral nas redes. Segundo resolução do TSE, é considerada propaganda eleitoral paga proibida a "contratação, sob qualquer modalidade, que dê vantagem econômica, direta ou indireta, a pessoas físicas ou jurídicas para realizar publicações de cunho político-eleitoral em seus perfis, páginas ou canais em redes sociais". A discussão também retoma o precedente dos chamados "campeonatos de cortes" ligados à campanha de Pablo Marçal para a Prefeitura de São Paulo em 2024. À época, o candidato remunerava perfis que atingiam determinado número de visualizações com cortes de suas falas. A Justiça Eleitoral considerou os incentivos irregulares e condenou Marçal por abuso de poder econômico. Não há informação pública que indique participação direta da campanha de Flávio Bolsonaro na criação ou operação do projeto. Eventual responsabilização dependeria da comprovação de que ele tinha conhecimento prévio da iniciativa ou participou de sua organização. O Brasil 22 Token sustenta que atua de forma independente e que a distribuição de criptomoedas não está condicionada ao voto dos participantes. gq/ra (OTS) TSE anula votos de Garotinho e pode eleger Ruas governador do RJ no 1º turno O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria nesta quinta-feira (08/10) para anular os votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) na disputa pelo governo do Rio de Janeiro. O entendimento deve redefinir o resultado da eleição e garantir a vitória de Douglas Ruas (PL) ainda no primeiro turno. Garotinho disputou a eleição com o registro de candidatura ainda pendente de decisão judicial. Embora autorizado a manter a campanha enquanto recorria da impugnação, o ex-governador corria o risco de ter os votos desconsiderados caso a Justiça Eleitoral confirmasse sua inelegibilidade. Os ministros Estela Aranha, André Mendonça, Dias Toffoli e Kássio Nunes Marques acompanharam o entendimento do relator, Floriano de Azevedo Marques, segundo o qual Garotinho permanece com os direitos políticos suspensos em razão de uma condenação anterior por improbidade administrativa, dano ao erário e enriquecimento ilícito de terceiros. Para os magistrados que formaram a corrente vencedora, a ausência das condições legais de elegibilidade impede que os votos recebidos sejam considerados válidos para efeito de apuração eleitoral. Os entendimentos divergem sobre a data de início da contagem dos oito anos de inelegibilidade previstos na Lei da Ficha Limpa. Os ministros Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior defenderam a preservação dos votos recebidos por Garotinho até o encerramento definitivo da disputa judicial. Vitória de Ruas em primeiro turno Com a retirada dos 274.411 votos atribuídos a Garotinho, então terceiro colocado na disputa, da base de cálculo dos votos válidos, os percentuais dos demais candidatos são recalculados. Nesse novo cenário, os 4.271.199 votos recebidos pelo candidato do PL, Douglas Ruas, deixam de representar 49,27% dos votos válidos e ultrapassam a marca de 50%, índice suficiente para garantir sua eleição em primeiro turno e ampliar a lista de governos estaduais já conquistados pelo PL. Caso acompanhou a campanha A controvérsia acompanhou toda a campanha de 2026. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro já havia barrado Garotinho de participar da disputa por entender que os efeitos de condenações anteriores ainda impediam sua elegibilidade. O caso chegou ao TSE em meio a decisões judiciais conflitantes tomadas por ministros da própria corte e acabou se tornando decisivo para a definição do resultado da corrida ao Palácio Guanabara. Além de confirmar a anulação dos votos, o TSE rejeitou uma tentativa da defesa de Garotinho de retirar de pauta o recurso apresentado contra o indeferimento de sua candidatura. Após o resultado das urnas, o ex-governador buscou desistir da ação, o que levaria a uma vitória automática de Ruas. O Ministério Público Eleitoral havia se manifestado a favor do pedido de desistência, sustentando que, independentemente do caminho adotado, o desfecho seria o mesmo: a manutenção da inelegibilidade e a exclusão dos votos do candidato da contabilização final. Mesmo assim, a maioria do tribunal optou por analisar o mérito do recurso. A Corte, no entanto, manteve o julgamento sob o argumento de que processos com potencial de alterar o resultado de uma eleição envolvem interesse público e não podem ser encerrados apenas por iniciativa das partes. gq/ra (OTS) Flávio Bolsonaro diz que apoiará fim da reeleição se vencer no 2º turno O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a afirmar nesta quinta-feira (08/10) que, caso vença Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, irá trabalhar para acabar com o fim da reeleição. Ele é autor de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o tema e disse que pretende usar seu "capital político" como presidente recém-eleito para tentar aprová-la no Congresso. Essa mudança poderia vir acompanhada de uma ampliação do mandato para cinco anos e passaria a valer a partir de 2027, afirmou o candidato a jornalistas. "Para mim, tem que valer já no meu mandato. Se serão quatro ou cinco anos, se também vai valer para governador e prefeito, isso o processo legislativo é que vai definir." A mudança depende do Congresso, já que as regras sobre reeleição estão previstas na Constituição. Essa é uma da propostas de mudanças constitucionais defendidas pelo candidato, assim como a redução da maioridade penal e a reforma do Judiciário, com mudanças no Supremo Tribunal Federal (STF). No dia anterior, o candidato havia defendido a proposta, que esteve presente em sua campanha no primeiro turno. Restrição valeria também para Jair Bolsonaro Ele também voltou a defender que a restrição à reeleição deverá contemplar também integrantes de sua família. "E não é só eu, o meu pai também, já que houve uma fala desencaixada de que ele poderia ser candidato. Se eu for eleito em 2027, a partir de 2030 nenhum parente meu vai ser candidato", disse. A fala à qual ele faz referência é a afirmação feita por Valdemar Costa Neto, presidente nacional do seu partido, o PL, sobre um eventual retorno de Jair Bolsonaro à disputa presidencial em 2030. Flávio não é o primeiro da família Bolsonaro a defender o fim da reeleição. O próprio Jair Bolsonaro chegou a se comprometer com a medida na campanha de 2018, mas acabou abandonando a ideia depois que assumiu a Presidência. Ao tentar se reeleger em 2022, o então presidente justificou a decisão argumentando, durante um debate na CNN em 22 de outubro, que a sua candidatura era a única no campo da direita capaz de evitar o retorno da esquerda ao poder. sf/ra (ots) Flávio Bolsonaro fala em mudar a Constituição com maioria no Congresso O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) falou nesta terça-feira (06/10) que quer mudar a Constituição durante um evento de campanha em Goiânia. O partido do senador conquistou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados e terá 28 assentos no Senado. Trata-se do maior avanço já registrado por uma legenda de oposição e de mais um sinal da consolidação da direita no Congresso Nacional. " O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que ele já é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara. Para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar este país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição", disse Flávio, sem dar mais detalhes sobre o que pretende alterar. Para aprovar Propostas de Emenda à Constituição (PEC), são necessários o voto de ao menos 308 deputados federais e 49 senadores. No entanto, a Constituição possui cláusulas que só podem ser alteradas para ampliar os direitos e não para restringi-los. Há ainda a possibilidade de ser fazer uma nova Constituição por meio de uma Assembleia Nacional Constituinte. cn (ots) Brasil elege 35 candidaturas LGBTQ+, a maioria mulheres e pessoas negras O Brasil elegeu 35 candidaturas LGBTQ+ neste domingo (04/10) — 17 a mais do que em 2022 —, segundo levantamento do Instituto Plena Cidadania e da ONG VoteLGBT. O maior salto ocorreu no Congresso Nacional: a bancada LGBTQ+ na Câmara dos Deputados mais do que triplicou em comparação com a eleição anterior, passando de quatro para 13 mandatos. No Senado, uma senadora foi eleita. Nas assembleias legislativas, o número de deputadas estaduais passou de 13 para 20. Na Câmara Distrital, em Brasília, o mandato conquistado em 2022 foi mantido. Mulheres são maioria Mulheres e pessoas negras constituem a maioria dos eleitos: 27 são mulheres (77%), sendo sete trans e travestis, e 22 (57%) são negras. Todas as 35 candidaturas eleitas são de partidos de esquerda: PT (17), PSOL (14), PCdoB (3) e PV (1). O número de candidaturas LGBTQ+ também aumentou em quatro anos: passou de 327 para 519. A maioria (79,1%) concorreu por legendas de esquerda. O levantamento não considera candidaturas eleitas de pessoas aliadas da causa LGBTQ+. Para ser considerada uma candidatura LGBTQ+, o/a candidato/a tem que ter informado no registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral: Que não é cisgênero (ou seja, que não se identifica com o gênero que lhe foi designado ao nascer, ou que não tem gênero, ou que seu gênero é fluido); E/ou que não é heterossexual (ou seja, não se relaciona com pessoas do sexo oposto, ou não se relaciona exclusivamente com pessoas do sexo oposto). Veja, abaixo, a lista de eleitos. Senado Samanda de Lula (PT-RN) Câmara dos Deputados Anielle Franco (PT-RJ) Bella Gonçalves (PT-MG) Daiana Santos (PCdoB-RS) Dandara (PT-MG) Duda Salabert (PSOL-MG) Erika Hilton (PSOL-SP) Fábio Felix (PSOL-DF) Giovana Mondardo (PCdoB-SC) Guilherme Cortez (PSOL-SP) Maria Marighella (PT-BA) Rick Azevedo (PSOL-RJ) Rosa Amorim (PT-PE) Thabatta Pimenta (PV-RN) Assembleias Legislativas Açucena (PT-ES) Dani Balbi (PCdoB-RJ) Dani Monteiro (PSOL-RJ) Duda Hidalgo (PT-SP) Ediane Maria (PSOL-SP) Fabrício Rosa (PT-GO) Flávio Brasileiro (PT-PB) Iza Lourença (PSOL-MG) Jean Volpato (PT-SC) Keit Lima (PSOL-SP) Linda Brasil (PSOL-SE) Monica Das Pretas (PSOL-SP) Natasha (PT-RS) Paula Da Bancada Feminista (PSOL-SP) Rodrigo Mar (PT-SP) Sofia Favero (PSOL-SP) Thainara Faria (PT-SP) Tiago Botelho (PT-MS) Verônica Lima (PT-RJ) Vilma Reis (PT-BA) ​​​Câmara Distrital Keka Bagno (PSOL-DF) Nova Câmara redesenha forças e amplia peso da direita O pleito de 2026 entrou para história ao sacramentar o recorde obtido pelo PL, partido do presidenciável Flávio Bolsonaro, que conquistou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados. Trata-se do maior avanço já registrado por um partido de oposição e de mais um sinal da consolidação da direita no Congresso Nacional. Enquanto, no Senado, os partidos ligados ao bolsonarismo terão força inédita para influenciar a composição do Supremo Tribunal Federal (STF), o peso do PL na Câmara mais poderosa da história democrática do país dará à legenda influência sem precedentes sobre o próximo presidente eleito. Leia mais Rubio diz que 2º turno na eleição brasileira era "esperado" O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, evitou comentar nesta segunda-feira (05/10) a eleição presidencial brasileira e afirmou que aguardará o resultado do segundo turno, marcado para 25 de outubro. "Haverá um segundo turno. Acho que todos esperavam isso, então vamos ver o que acontece", disse Rubio ao ser questionado por jornalistas antes de embarcar para uma viagem à Europa. As declarações foram dadas um dia depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por dois pontos percentuais. Nos últimos meses, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs tarifas sobre grande parte dos produtos brasileiros e adotou medidas diplomáticas e políticas contra o Brasil, entre elas a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington. Lula vê interferência no processo eleitoral O governo Lula classificou as medidas como uma tentativa de interferência no processo eleitoral em favor de Flávio Bolsonaro. Na sexta-feira, os Estados Unidos suspenderam os serviços consulares no Brasil por "motivos de segurança". As atividades foram retomadas nesta segunda-feira, após a realização do primeiro turno. Desde que voltou à Presidência, em janeiro de 2025, Trump tem manifestado apoio a candidatos de direita na América Latina e chegou a atribuir a si parte do mérito por algumas de suas vitórias eleitorais. gq (EFE) Michel Temer declara apoio a Flávio Bolsonaro no 2° turno O ex-presidente Michel Temer (MDB) anunciou nesta segunda-feira (05/10) que apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto. Em um vídeo publicado nas suas redes sociais, Temer disse que o povo brasileiro quer "reconexão" após o resultado do primeiro turno mostrar Flávio à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição. "O povo brasileiro, autoridade única da democracia, deixou claro que deseja mudança. Quer atenção e respeito. Quem entendeu isso foi reeleito, deu-se a renovação”, disse Temer. “A sociedade não quer fórmulas repetidas e discursos grosseiros. Quer novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente. Quer, portanto, reconexão. E reconexão é Flávio", disse. Antigo vice-presidente aliado do PT que rompeu com a então presidente Dilma Rousseff em 2016, vindo a assumir o Planalto após o impeachment da petista, Temer se aproximou de Jair Bolsonaroa partir de 2019, atuando em alguns momentos como conselheiro informal do ex-presidente de extrema direita. Mercado brasileiro reage com euforia a vantagem de Flávio no 1º turno O real teve valorização acima de 4% em relação ao dólar na manhã desta segunda-feira (05/10), um dia depois de Flávio Bolsonaro (PL) obter mais votos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno e se projetar como favorito ao governo federal. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, Flávio obteve 47% dos votos, superando as projeções das pesquisas — 2,2 milhões a mais que Lula, com 45,2% dos votos válidos. A moeda brasileira chegou a ficar abaixo da marca de R$ 5,00 por dólar, após ser negociada anteriormente em torno de R$ 5,22. O movimento está em linha com previsões de analistas e com o desempenho observado há quatro anos, quando Jair Bolsonaro também teve um resultado melhor do que o esperado no primeiro turno. As negociações iniciais na bolsa brasileira também indicavam uma abertura forte para as ações nacionais. Os contratos futuros do Ibovespa dispararam mais de 8%. O ETF MSCI Brazil, negociado em Frankfurt, avançava mais de 16%, enquanto ações de empresas brasileiras listadas no exterior, como Itaú Unibanco e Petrobras, também registravam ganhos. A dívida externa brasileira também se valorizou, enquanto os mercados de renda fixa em geral mostravam nervosismo. "Esperamos uma forte valorização dos ativos brasileiros", declarou Thierry Larose, gestor de portfólio da Vontobel, à agência de notícias Reuters. Analistas esperam que o real continue se fortalecendo até 2027. O banco Société Générale projeta que a moeda alcance R$ 5,10 por dólar até o fim de 2026, com possibilidade de cair abaixo de R$ 5,00 no primeiro semestre de 2027. Já o Morgan Stanley prevê que o dólar possa recuar para menos de R$ 4,90 e se aproximar de R$ 4,50 no primeiro trimestre do próximo ano. O que explica o clima de otimismo entre investidores? Flávio tem se apresentado a investidores como uma versão "mais moderada" de seu pai, defendendo uma agenda pró-mercado que inclui maior controle dos gastos públicos, privatizações e redução de impostos. "Resta saber se Flávio Bolsonaro acabará sendo mais responsável fiscalmente do que Lula em um eventual quarto mandato presidencial. No entanto, os mercados provavelmente lhe concederão o benefício da dúvida", disse Larose. "O mercado quer mudança" "O mercado quer mudança, quer reformas, não quer um déficit público elevado; com o governo atual, tudo isso continuará", disse Pedro Galdi, analista de investimentos da plataforma AGF Investments, à Reuters. Há quatro anos, o real se valorizou mais de 4% frente ao dólar e o índice Bovespa avançou 5,5% no dia seguinte ao desempenho acima do esperado de Jair Bolsonaro no primeiro turno contra Lula. O forte desempenho de Bolsonaro tende a aumentar a confiança dos mercados no curto prazo, afirmou Bryan Harris, sócio-diretor da Sabio. “O mercado estará atento a sinais claros de Bolsonaro de que ele está realmente comprometido em enfrentar os problemas do país", disse Harris. Em 2022, Jair Bolsonaro acabou derrotado por Lula no segundo turno. ra/le (Reuters, AFP) Erika Hilton é a deputada federal mais votada do Brasil A deputada federal Erika Hilton, do PSOL, foi reeleita com uma votação histórica, tornando-se a mulher mais votada já eleita para a Câmara dos Deputados. Com 1.596.472 votos em São Paulo, a parlamentar superou o recorde que pertencia a Joice Hasselmann, eleita em 2018 com 1.078.666 votos. Aos 33 anos, Erika também registrou a segunda maior votação do estado, atrás apenas de Lucas Pavanato, do PL. O desempenho representa um crescimento expressivo em relação a 2022, quando conquistou seu primeiro mandato na Câmara, com 256.903 votos. Com forte apoio entre o eleitorado jovem, a deputada consolida sua posição como uma das principais lideranças da esquerda brasileira. Nascida em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, Erika foi eleita em 2020 vereadora da capital paulista, tornando-se a mulher mais votada do país para um Legislativo municipal. Dois anos depois, entrou para a história como a primeira mulher negra e trans eleita deputada federal. No Congresso, ganhou destaque pela atuação em pautas ligadas aos direitos das mulheres, da população negra e da comunidade LGBTQIA+, além de liderar o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. Em 2025, apresentou uma proposta de emenda à Constituição que previa semana de quatro dias de trabalho, com limite de 36 horas semanais. Em março deste ano, Erika se tornou a primeira mulher trans a presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Ao comemorar a reeleição, em transmissão nas redes sociais, Erika destacou o peso simbólico da votação e a responsabilidade que ela implica. "Esta, com certeza, é uma noite de celebração, uma noite histórica, mais um capítulo da história que fica marcado. Quero dizer da responsabilidade que nós temos diante do futuro. Vamos celebrar, vamos comemorar as eleições, os números que nos foram entregues nas urnas, mas, amanhã, levantaremos com o compromisso de seguir lutando pelo país que a gente acredita, pela vida das pessoas, por um projeto mais plural." sf/cn (ots) Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato superam 3 milhões de votos para Câmara O PL elegeu os dois deputados federais mais votados da história do Brasil nas eleições gerais deste domingo (04/10). O mineiro Nikolas Ferreira e o paulista Lucas Pavanato ultrapassaram a marca de 3 milhões de votos e superaram com grande folga o recorde que pertencia ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, eleito em 2018 com 1,8 milhão de votos. Aos 30 anos, Ferreira é formado em Direito pela PUC-Minas. Ele foi o vereador mais votado da capital mineira em 2020, com 29,4 mil votos. Em 2022, tornou-se o deputado federal mais votado do país, com 1.492.047 votos, mas ainda abaixo do recorde histórico deste ano, de 3.119.318 votos. O youtuber Lucas Pavanato, de 28 anos, obteve 3.038.438 de votos. Nascido em Sorocaba, ele se define como empresário e administrador e iniciou sua trajetória política em 2018 como estagiário no gabinete do então vereador Fernando Holiday. Após disputar uma vaga na Assembleia Legislativa paulista em 2022, quando ficou na suplência com mais de 36 mil votos, Pavanato ganhou projeção ao ser o vereador mais votado da cidade de São Paulo em 2024, com 161,4 mil votos. O desempenho dos dois candidatos destaca a força eleitoral da direita nas redes sociais e nas grandes cidades. Na divulgação de despesas nestas eleições, disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Pavanato declarou que sua campanha gastou cerca de R$ 1,06 milhão, sendo mais da metade deste valor (R$ 572.021) direcionada ao impulsionamento de conteúdo em redes sociais. Ferreira declarou gastos de R$ 280,4 mil, sendo R$ 30 mil com impulsionamento de conteúdo. Além de garantir as duas maiores votações já registradas para a Câmara dos Deputados, Ferreira e Pavanato ajudaram a ampliar a bancada do PL. Entre os dez deputados mais votados do país, seis são ligados a partidos de direita e quatro a legendas de esquerda. A eleição deste ano também foi marcada por outro feito histórico: Erika Hilton (PSOL-SP) ultrapassou 1,5 milhão de votos e se tornou a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados. Ela foi a segunda colocada em São Paulo, com a metade da votação de Pavanato. sf/as (Agência Câmara, OTS) Netanyahu deseja "grande vitória" a Flávio Bolsonaro O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, desejou nesta segunda-feira (05/10) uma "grande vitória" para o candidato Flávio Bolsonaro (PL), que saiu vitorioso no primeiro turno da disputa pela Presidência da República e disputará o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Tenho muita vontade de restabelecer a extraordinária amizade entre Israel e Brasil. Meus melhores votos para tua grande vitória, meu amigo", declarou Netanyahu na rede social X. as (AFP, OTS) Como foi a eleição presidencial na Ásia Como foi a eleição presidencial na América


Short teaser Primeira pesquisa Datafolha pós 1° turno mostra vantagem para Flávio Bolsonaro. Acompanhe notícias sobre as eleições.
Author Redação DW
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Item 5
Id 79598423
Date 2026-10-08
Title PEC do fim da escala 6x1: o que defendem Lula e Flávio Bolsonaro
Short title PEC 6x1: o que defendem Lula e Flávio Bolsonaro
Teaser Fim da escala 6x1, apoiada por Lula, reduz jornada para 40 horas e mantém salários. Projeto de Flávio Bolsonaro prevê remuneração por hora trabalhada.

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 de trabalho começou a ser discutida no plenário do Senado, colocando em lados opostos os modelos defendidos pelos dois candidatos à Presidência da República.

O texto, uma das principais apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para virar o resultado eleitoral na campanha do segundo turno, reduz a jornada semanal com a manutenção de salários. Em contrapartida, o senador e candidato Flávio Bolsonaro encampou um projeto que prevê um regime flexível de trabalho por hora, com remuneração proporcional.

A proposta em debate, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no início de setembro. Agora, espera a análise dos senadores.

Para ser promulgada, uma PEC precisa passar por discussões em plenário e obter ao menos três quintos dos votos dos senadores em dois turnos de votação, o que corresponde a 49 dos 81 integrantes da casa.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sinalizou que quer concluir a discussão e conduzir o projeto para votação em primeiro turno nesta e na próxima semana. A oposição, contudo, tenta adiar a análise para depois do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.

Proposta de Lula

A PEC 221 reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, prevê dois dias de repouso semanal remunerados, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial, criando a chamada escala 5x2. No esquema em vigor, o 6x1, o trabalhador tem jornada de seis dias de trabalho com um de descanso.

O texto mantém o limite de oito horas de trabalho diárias, permite a compensação de horários e prevê a redução da jornada por meio de acordo ou convenção coletiva. A mudança valeria para os contratos de trabalho já existentes.

A transição seria feita em duas etapas. Dois meses depois da publicação da proposta, a jornada máxima passaria para 42 horas semanais, com dois dias de descanso garantidos. Um ano depois, cairia para 40 horas.

Durante a transição, acordos e convenções coletivas poderiam ampliar a jornada diária para acomodar as 42 horas semanais, desde que fossem mantidos os dois dias de repouso semanais.

Convenções coletivas também poderiam estabelecer formas de compensação do repouso, desde que a média mensal assegurasse dois dias de folga por semana, com pelo menos um dia de descanso a cada sete.

O texto prevê ainda regras específicas para determinados regimes de jornada, como o 12x36, e mecanismos de transição para microempreendedores individuais, microempresas e pequenas empresas.

O que Flávio Bolsonaro defende

A proposta defendida por Flávio Bolsonaro é a PEC 12/2026, apresentada em maio pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), seu coordenador de campanha e aliado político.

O texto também pretende alterar a escala 6x1, mas adota uma abordagem diferente do projeto defendido por Lula. A PEC 12 permite ao trabalhador escolher entre o regime tradicional da CLT e um modelo flexível baseado nas horas trabalhadas.

Nesse formato, a remuneração seria calculada de acordo com a quantidade de horas efetivamente trabalhadas. O trabalhador poderia optar por dois dias de folga por semana, mas esses dias não seriam remunerados.

A proposta mantém como referência o limite constitucional atual de oito horas diárias e 44 horas semanais. A redução da jornada poderia ocorrer por meio de acordo individual entre empresa e empregado, sem a necessidade de negociação coletiva com sindicato.

O texto estabelece ainda que o contrato individual poderá prevalecer sobre instrumentos de negociação coletiva.

Férias, 13º salário, FGTS e outros direitos seriam mantidos, mas calculados proporcionalmente à carga horária efetivamente trabalhada.

O valor da hora seria calculado com base no salário mínimo ou no piso da categoria, considerando a jornada de oito horas diárias e 44 horas semanais. Quem trabalhasse menos horas receberia proporcionalmente menos.

Os defensores da proposta a chamam de "PEC da Liberdade". Já críticos do modelo usam a expressão "PEC da Escala 7x0", por não dar garantias de redução da jornada.

Divergências entre as duas propostas

A principal diferença entre as propostas dos dois presidenciáveis está na forma de tratar a jornada, a remuneração e a negociação entre empregados e empregadores.

A PEC 221, apoiada pelo governo Lula, dá peso às negociações coletivas e garante maior previsibilidade ao trabalhador. Férias, 13º salário, FGTS e outros direitos não seriam reduzidos proporcionalmente à diminuição da jornada.

Entidades do setor produtivo, porém, afirmam que a redução da jornada como é colocada pelo projeto pode elevar os custos das empresas e afetar a produtividade e o nível de emprego em determinados segmentos. Estudos econômicos divergem sobre a magnitude desses efeitos.

Pesquisas sobre redução da jornada de trabalho em diferentes países apontam, por outro lado, que a diminuição das horas trabalhadas pode estar associada a ganhos de produtividade, além de efeitos sobre saúde, bem-estar e satisfação dos trabalhadores.

Na PEC 12, encampada por Flávio Bolsonaro, o trabalhador teria a possibilidade de escolher uma jornada menor, recebendo proporcionalmente menos, com redução proporcional também sobre férias, 13º salário, FGTS e outros benefícios.

Uma das críticas à proposta é que ela não reduz o limite constitucional de 44 horas semanais nem assegura, por si só, o fim da escala 6x1. Por outro lado, a flexibilização poderia resultar em redução salarial e de direitos.

Em relatório divulgado pelo site Intercept Brasil, a LBS Advogadas e Advogados analisa que a PEC 12 não assegura que uma redução da jornada, negociada individual ou coletivamente, ocorra sem redução salarial.

"A proposta da Câmara [PEC 221], ao contrário, tem natureza predominantemente protetiva e coletiva: reduz a jornada para 40 horas, assegura dois dias de repouso semanal, veda redução salarial, prevê transição, admite adequações por negociação coletiva e disciplina situações específicas de pequenos empregadores, empregados hipersuficientes e contratos públicos."

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Short teaser Fim da escala 6x1 reduz jornada para 40 horas e mantém salários, Flávio prevê prevê remuneração por hora trabalhada.
Author Sofia Fernandes
Item URL https://www.dw.com/pt-br/pec-do-fim-da-escala-6x1-o-que-defendem-lula-e-flávio-bolsonaro/a-79598423?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 6
Id 79584278
Date 2026-10-07
Title O que explica a onda conservadora nas eleições de 2026
Short title O que explica a onda conservadora nas eleições de 2026
Teaser Avalanche liderada pela ultradireita varreu Congresso, governos estaduais e botou Flávio Bolsonaro na frente na corrida presidencial. Analistas avaliam que fenômeno reflete desejo do eleitorado por renovação política.

O primeiro turno das eleições deste ano colocou à mostra o avanço de uma nova "avalanche conservadora" liderada pela ultradireita, que varreu o Congresso e governos estaduais. Contrariando a maioria das pesquisas eleitorais, o primeiro turno ainda terminou com o senador Flávio Bolsonaro em vantagem na corrida presidencial, tida como a mais acirrada nas quatro décadas de Brasil redemocratizado.

Mas, independentemente do resultado para a futura chefia do Planalto, o bolsonarismo já angariou força inédita para orientar a agenda política e pressionar adversários em Brasília. Especialistas ouvidos pela DW avaliam que a chave por trás do fenômeno, entretanto, não é um aprofundamento do conservadorismo na sociedade nem uma mudança no perfil do eleitorado.

O fator mais importante é, afirmam os cientistas sociais e políticos, um desejo por renovação política, movido pela percepção de que "problemas persistentes" permanecem insuficientemente endereçados pelo poder público. Dentre eles, se sobressaem a violência, a corrupção e a dificuldade de parte das famílias em fechar as contas.

"O Brasil é um país predominantemente conservador, e isso não mudou. Isso é diferente de dizer que o país se define por uma ideologia política de extrema direita", avalia Guilherme Casarões, professor de Estudos Brasileiros da Universidade Internacional da Flórida, nos Estados Unidos. Ele enxerga um "desgaste profundo da estrutura político-institucional que sustentou a Nova República ao longo dos últimos 40 anos".

O "mudancismo" bolsonarista

Ao se pronunciar logo após a divulgação dos resultados das urnas, Flávio Bolsonaro prometeu renovação. "São quase 56 milhões de brasileiros e brasileiras que deram esse voto de confiança para a mudança. A palavra é mudança. O Brasil não aguenta mais."

Mas críticos ressaltam que o presidenciável pouco ou nada ofereceu de clareza em relação a suas propostas até agora. Para João Feres Júnior, cientista político do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ), o discurso "mudancista" não só virou o bordão da campanha de Flávio para o segundo turno, como também é sintoma de uma progressiva crise de legitimidade da democracia participativa no país.

"As pessoas mostram irritabilidade e falta de confiança total em relação às instituições", aponta. "E a extrema direita parece ser a mais bem equipada para fornecer soluções de fácil cognição para isso."

No noite de domingo, Flávio também aproveitou para reforçar que pretende acabar com a reeleição presidencial. O senador argumentou que a possibilidade de um segundo cargo cria um "estado permanente de eleição" que impede a "normalidade democrática". Mais tarde, ele falaria também em "mudar a Constituição" para "redemocratizar o país".

O próprio presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou na segunda-feira que, em 2030, o ex-presidente Jair Bolsonaro poderia voltar ao Planalto, caso o seu primogênito seja eleito no fim deste mês. Flávio, em seguida, negou que a proposta tenha por objetivo abrir o caminho a uma nova candidatura do pai em quatro anos.

"Para parte dos eleitores, o Flávio representa a renovação, mesmo que com a continuidade do bolsonarismo. Os indecisos, por exemplo, dizem que tem certo receio ou desconfiança, mas, ao mesmo tempo, que ele é uma figura nova, e não o pai", afirma Camila Rocha, cientista política e pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Revanche contra o STF

Por sua vez, candidatos ligados ao bolsonarismo converteram em promessa de campanha a pressão pelo impeachment de magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF). Parte da Corte – e sobretudo o ministro Alexandre de Moraes – é tida pela ultradireita como adversária política, incluindo por ter condenado o ex-presidente Bolsonaro a 27 anos de prisão pela trama golpista de 2022.

Para Letícia Cesarino, antropóloga e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a estratégia eleitoral mira sobretudo os segmentos que, mesmo pouco aderentes aos valores conservadores, também desejam mudança política. E ganha força com escândalos como o do Banco Master, que gerou uma crise sem precedentes no mais alto tribunal do país às vésperas das eleições.

"A votação monumental do bolsonarismo é parte de uma campanha que vem há meses para tomar o Senado e mudar o STF", inclusive nas redes sociais, afirma.

Outra tendência encontrada entre os estudiosos da preferência do eleitorado é que o voto se paute mais pela rejeição a outros atores políticos, sobretudo aqueles tidos como parte da política tradicional, do que exprima apoio ideológico ao destinatário do voto.

Na véspera do primeiro turno, uma pesquisa Quaest apontava para a possibilidade de Flávio chegar às urnas fortalecido pelo movimento de eleitores que, de última hora, optariam pela sua chapa a fim de barrar a permanência no poder do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Como o Partido dos Trabalhadores (PT) é a face mais visível do que poderíamos chamar de 'establishment', ele acaba sendo o alvo da insatisfação que mobiliza o eleitorado", acrescenta Casarões.

Resposta à insegurança pública

Ao mesmo tempo, tanto cientistas quanto pesquisas de opinião apontam que a segurança pública é a principal preocupação do eleitorado e, cada vez mais, é instrumentalizada pela direita.

"A criminalidade chegou a tal ponto de dominação dos territórios que as pessoas relatam viver num estado de constante vigilância, o que acarreta na perda de vários direitos, incluindo o de ir e vir. Na percepção delas, o PT não teve resposta para isso nos últimos anos", adiciona Rocha.

Na América Latina, populistas de direita vêm ganhando terreno político ao propor respostas agressivas em matéria de segurança pública. O modelo do ultraconservador salvadorenho Nayib Bukele contra o crime organizado virou referência para diversos grupos de direita no continente, inclusive no Brasil.

Na semana passada, Flávio Bolsonaro se encontrou com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro. Ele elogiou a abordagem linha-dura do governo que, segundo a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, viola sistematicamente os direitos humanos.

Tanto Bukele quanto Flávio se exibem como alinhados ideologicamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No ano anterior à campanha eleitoral brasileira, o republicano reforçou o apoio ao clã Bolsonaro e a pressão sobre o governo Lula, incluindo ao rotular de terroristas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

Amplamente lida como interferência política por observadores, a ofensiva serviu como mais um combustível às bases da ultradireita brasileira na corrida eleitoral. Para parte dos analistas, também o contexto regional conta: a reeleição de Trump em 2024 teria disparado uma "onda laranja" no continente, elevando ao poder vários aliados do chefe da Casa Branca.

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Short teaser Analistas avaliam que avalanche liderada pela ultradireita reflete desejo do eleitorado por renovação política.
Author Heloísa Traiano
Item URL https://www.dw.com/pt-br/o-que-explica-a-onda-conservadora-nas-eleições-de-2026/a-79584278?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 7
Id 79467203
Date 2026-10-07
Title Salário das mulheres despenca com a idade na Coreia do Sul
Short title Salário das mulheres despenca com a idade na Coreia do Sul
Teaser

Potência em tecnologia e indústria, a Coreia do Sul mantém há décadas a maior diferença salarial de gênero da OCDE

País lidera há décadas o ranking da OCDE de desigualdade salarial de gênero. Mulheres no fim dos 50 anos ganham, em média, cerca metade do valor pago aos homens.Aos 27 anos, uma mulher na Coreia do Sul ganha, em média, 8% menos que seus colegas homens. No fim dos 50 anos, essa diferença chega a 50%. Os dados constam de estatísticas salariais do governo citadas em um relatório recente da ONG de direitos humanos Human Rights Watch (HRW). A Coreia do Sul é uma potência global nos setores de tecnologia e indústria, mas mantém a maior diferença salarial entre homens e mulheres entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) desde o início da série histórica comparável, em 1992. "A divisão de trabalho por gênero dentro de casa leva diretamente a uma divisão de trabalho por gênero no mercado de trabalho", afirmou Min Hee Kim, ativista sul-coreana pelos direitos trabalhistas das mulheres. Segundo ela, o problema não se resume ao fato de as mulheres receberem salários menores que os homens. Com o avanço da idade, as opções de trabalho disponíveis para elas diminuem, enquanto os efeitos de salários mais baixos, interrupções na carreira e empregos precários se acumulam. Para elaborar o relatório, a HRW entrevistou 41 sul-coreanas entre 28 e 87 anos sobre suas trajetórias profissionais. Barreiras estruturais às carreiras das mulheres Segundo Kim, a discriminação mudou de forma, mas não desapareceu. Até os anos 1980, era legal que empresas demitissem mulheres simplesmente por se casarem, prática conhecida como "demissão por casamento". Os empregadores presumiam que uma mulher casada deixaria o trabalho em pouco tempo para cuidar dos filhos. Hoje, acrescentou a ativista, "é difícil dizer abertamente: 'Não vamos contratar você porque é mulher'". Ainda assim, as responsabilidades de cuidado continuam recaindo principalmente sobre as mulheres, levando muitas delas a aceitar empregos de menor remuneração quando tentam retornar ao mercado de trabalho. De acordo com o relatório da HRW, as mulheres superam os homens em formação universitária desde os anos 1980. Em tese, níveis mais elevados de educação sugeririam igualdade de oportunidades após a graduação, mas o mercado de trabalho apresenta outra realidade. Um estudo de 2024 mostrou que, apenas um ano após a conclusão do curso superior, as mulheres já ganham 22% menos que os homens. Muitas entrevistadas relataram à HRW que, após deixarem o emprego por causa do casamento ou da maternidade, suas possibilidades de retorno ao mercado se restringiam a poucas ocupações, como atendimento em call centers, serviços de limpeza ou trabalho de cuidado. As mulheres que optam por priorizar a carreira também encontram obstáculos. Em 2024, elas ocupavam apenas 18% dos cargos de gerência no país, e apenas cinco dos 38 altos funcionários da administração pública eram mulheres. Salários atingem o pico e depois caem Os salários das mulheres atingem seu nível mais alto no fim dos 30 anos e, a partir daí, entram em trajetória de queda constante, segundo dados de pesquisas do Ministério do Trabalho citados pela HRW.O Ministério da Igualdade de Gênero da Coreia do Sul informou à organização que interrupções na carreira, segregação ocupacional e discriminação dentro das instituições ajudam a explicar a diferença salarial. J. Mi-sook, de 53 anos, relatou à HRW que seus três anos de experiência profissional não foram reconhecidos por seu empregador seguinte, o que a obrigou a recomeçar em um cargo de nível inicial e com salário inferior. Quanto mais tempo as mulheres permanecem fora do mercado de trabalho, menos experiência conseguem acumular no currículo, o que resulta em salários menores e menor estabilidade profissional. Kim destacou o conceito de discriminação estrutural, definido no relatório como um tipo de discriminação tão incorporado às práticas sociais e institucionais que até mesmo as afetadas podem não reconhecê-lo como um problema. "Quando você está sozinha, é fácil pensar: 'É porque não sou suficientemente capaz' ou 'É porque estou ficando mais velha'", disse ela. Segundo a ativista, quando mulheres com experiências semelhantes se encontram e conversam, percebem que "isso não era apenas um problema meu". Avanço da idade piora desigualdade Park Jae-soon, de 61 anos, foi obrigada a se aposentar aos 60 de uma empresa de serviços públicos e hoje trabalha em meio período como cuidadora. Sua renda anual caiu de 55 milhões de won sul-coreanos (cerca de R$ 220 mil) para 15,6 milhões de won (cerca de R$ 62 mil), uma redução de 72%. A HRW defende a extinção tanto da idade obrigatória para aposentadoria quanto do sistema conhecido como "salário de pico", que permite às empresas reduzirem a remuneração de trabalhadores mais velhos nos anos que antecedem a aposentadoria. Segundo dados citados no relatório, em outubro de 2025 as mulheres recebiam, em média, apenas 53% do valor da pensão nacional por velhice paga aos homens. "Acho importante destacar que isso não é simplesmente um problema de mulheres de meia-idade que têm dificuldade para encontrar emprego", afirmou Kim. "O trabalho que as mulheres tradicionalmente realizam dentro de casa, como limpeza, cozinhar, cuidar de outras pessoas e administrar emoções, é classificado como 'trabalho adequado para mulheres' quando entra no mercado de trabalho. Em seguida, salários baixos são atribuídos a essas atividades", acrescentou. Do primeiro salário à aposentadoria A HRW argumenta que a desvantagem econômica das mulheres se acumula etapa por etapa, desde o primeiro salário até a aposentadoria. "A interrupção da carreira entre mulheres na faixa dos 30 anos já é uma questão previdenciária", disse Kim. "O trabalho de meio período entre mulheres na faixa dos 40 também é uma questão previdenciária, e os baixos salários entre mulheres na faixa dos 50 já representam igualmente uma questão previdenciária." O governo sul-coreano informou que pretende implementar gradualmente o aumento da idade legal de aposentadoria de 60 para 65 anos. "Isso não pode ser resolvido com uma única política pública. Salário igual para trabalho igual precisa ser efetivamente aplicado, as estruturas salariais precisam ser transparentes e o cuidado deve ser tratado como uma responsabilidade pública, e não como algo transferido para famílias e mulheres individualmente", afirmou Kim. A ativista considera o relatório um ponto de partida importante, mas avalia que o retrato apresentado ainda é incompleto. Segundo ela, a maior parte das entrevistadas foi recrutada por meio de organizações da sociedade civil e vivia principalmente em Seul. Mulheres com deficiência, trabalhadoras migrantes e outros grupos podem enfrentar uma combinação diferente de discriminações relacionadas à idade e ao gênero. "A questão mais importante não é simplesmente: 'Quanta discriminação as mulheres enfrentam?'", afirmou. "A questão é quais mulheres, em quais posições, vão sendo progressivamente afastadas de determinados recursos e direitos à medida que envelhecem." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. 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Short teaser Mulheres no fim dos 50 anos ganham, em média, cerca metade do valor pago aos homens.
Author Yousra Drioua
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Image caption Potência em tecnologia e indústria, a Coreia do Sul mantém há décadas a maior diferença salarial de gênero da OCDE
Image source DW
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Item 8
Id 79567176
Date 2026-10-06
Title Euro cai frente ao dólar: uma crise financeira se aproxima?
Short title Euro cai frente ao dólar: uma crise financeira se aproxima?
Teaser

A diferença entre os rendimentos dos títulos públicos de 10 anos da França e da Alemanha atingiu seu nível mais alto desde a crise da dívida na zona do euro

Nível mais baixo em 17 meses tende a agravar a inflação na UE, onde preocupações políticas e temores em relação à dívida francesa já inquietam os investidores.O euro atingiu na manhã de segunda-feira (05/10) o menor nível em 17 meses frente ao dólar (1,12 dólar), acumulando queda de cerca de 5% desde o início do ano. As preocupações com a dívida da zona do euro, especialmente na França, se somam às inquietações dos investidores sobre os rendimentos dos títulos públicos globais e a alta dos preços do petróleo. Para Ricardo Amaro, economista-chefe para a zona do euro da Oxford Economics, a tendência geral de queda pode ser atribuída à reavaliação das expectativas dos investidores em relação à política do Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos, de juros mais altos diante da elevação dos rendimentos dos títulos globais. No entanto, segundo ele, a mais recente onda de vendas foi desencadeada principalmente pelas preocupações com a França, onde "os investidores passaram a precificar um risco fiscal maior". O problema francês A venda de títulos da dívida francesa ganhou força na semana passada, à medida que aumentaram as dúvidas sobre sua sustentabilidade de longo prazo. O rendimento dos títulos públicos franceses de dez anos, que representa o custo que a França paga para tomar empréstimos com vencimento em dez anos, chegou a 5% antes de recuar ligeiramente. A França enfrenta problemas fiscais estruturais há muito tempo. Desde que o presidente Emmanuel Macron assumiu o cargo, em maio de 2017, os gastos públicos aumentaram, enquanto ele implementou profundos cortes de impostos. Como resultado, a dívida nacional do país cresceu em mais de 1 trilhão de euros (1,12 trilhão de dólares). A dívida da França equivale hoje a quase 118% do seu Produto Interno Bruto (PIB). O país registra recorrentes desequilíbrios no orçamento. Seu déficit orçamentário anual supera regularmente 5%, acima dos 3,4% registrados quando Macron assumiu a Presidência. Para muitos investidores, preocupações mais amplas com o baixo crescimento da zona do euro e a disparada dos preços da energia contribuíram para o foco renovado sobre a França, levando muitos deles a migrar para alternativas consideradas mais seguras, como os títulos da dívida pública alemã. A diferença entre os rendimentos dos títulos públicos de dez anos da França e da Alemanha atingiu na semana passada o maior nível desde a crise da dívida da zona do euro nos anos 2010, um indicador sobre a estabilidade financeira da União Europeia (UE). O que o Banco Central Europeu pode fazer A pressão resultante sobre o euro e outros mercados de títulos públicos, incluindo o da Itália, gerou pedidos para que o Banco Central Europeu (BCE) intervenha, a fim de evitar que as preocupações com a França se transformem em pânico. Jim Reid, do Deutsche Bank, afirmou em nota divulgada na segunda-feira que, em determinado momento da semana passada, o diferencial entre os títulos alemães e franceses havia se ampliado tanto que uma "minicrise de pânico" parecia iminente. "A grande questão é saber se este é o início de uma nova crise das dívidas soberanas na zona do euro ou se os mercados já exageraram na reação", afirmou. Amaro avalia que a situação representa um desafio para o BCE, que precisa agir sem agravar o problema. "Adotar um discurso excessivamente duro também aumentaria a pressão sobre os rendimentos dos títulos franceses, que se tornaram um fator importante para a fraqueza do euro", acrescentou. Ele espera que os formuladores de política monetária continuem monitorando os movimentos cambiais entre o dólar e o euro, mas sem tentar influenciar diretamente o mercado por enquanto. O que está em jogo A incerteza é alimentada tanto por pressões políticas quanto econômicas. Nos últimos anos, a França tem sido marcada por crises políticas, e a aprovação dos orçamentos anuais virou um teste para a estabilidade dos governos. Embora o orçamento de 2027 já tenha sido aprovado, com reformas destinadas a reduzir o déficit, o partido radical de direita Reagrupamento Nacional continua bem posicionado para a eleição presidencial de 2027, na qual Marine Le Pen é apontada como provável principal candidata da sigla. As preocupações sobre a política econômica francesa em caso de uma vitória de Le Pen assustam investidores, de forma semelhante às dúvidas levantadas pelo crescimento da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de ultradireita alemão, sobre os rumos futuros da principal economia do bloco. Grande parte da instabilidade política tem sido impulsionada pela insatisfação dos eleitores com o elevado custo de vida. Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez recentemente convocou eleições antecipadas, depois que medidas voltadas para enfrentar a crise habitacional foram rejeitadas pelo Parlamento. "Uma desvalorização mais acentuada do euro reforçaria o choque inflacionário em um momento em que já se espera que a inflação permaneça elevada até 2027", acrescenta Amaro. A desvalorização do euro encarece os produtos importados, especialmente aqueles cotados em dólares. Commodities globais como petróleo e gás são negociadas em dólares, o que significa que o aumento dos preços da energia provavelmente se tornaria ainda maior, assim como o custo das importações provenientes dos Estados Unidos. A próxima crise financeira? Com a crise das dívidas soberanas dos anos 2010 ainda viva na memória da UE, muitos analistas começam a se perguntar se os movimentos observados nos títulos franceses podem indicar o surgimento de uma nova crise na zona do euro. Alguns especialistas, como Geoffrey Yu, estrategista sênior do BNY, consideram essas preocupações exageradas. "As comparações com 2012 estão totalmente fora de lugar", afirmou. No entanto, Amaro avalia que a expectativa de novas altas de juros por parte do BCE neste ano, combinada com a piora das perspectivas para a inflação, torna essa uma situação que exige acompanhamento e gestão muito cuidadosos. "A fraqueza do euro não deve ser interpretada como um fenômeno isolado", afirmou. "Se ela for desencadeada por preocupações crescentes com a situação fiscal da França, o BCE certamente terá de agir com cautela diante dos riscos para a zona do euro." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro


Short teaser Nível mais baixo em 17 meses tende a agravar a inflação na UE, onde dívida francesa já inquieta investidores.
Author Arthur Sullivan
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Image caption A diferença entre os rendimentos dos títulos públicos de 10 anos da França e da Alemanha atingiu seu nível mais alto desde a crise da dívida na zona do euro
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Item 9
Id 79524242
Date 2026-10-02
Title Alta do custo de vida, o maior medo dos alemães
Short title Alta do custo de vida é o maior medo dos alemães
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De longe, a maior preocupação dos alemães em 2026 é a mesma que lidera a pesquisa há anos: o aumento do custo de vida

O que os alemães mais temem em 2026? Guerras? Crises globais? Nada disso. Para quase 60% da população, a maior preocupação é que o custo de vida, que não para de subir, continue aumentando.Os alemães estão interessados em política como há muito não se via. Isso ficou evidente na alta participação eleitoral nas recentes eleições estaduais. Há debates acalorados sobre temas como a migração, sobre as reformas previstas na Previdência, no sistema de saúde e nos cuidados assistenciais, bem como sobre democracia e Estado de Direito. E, de longe, o maior temor entre os alemães é que o custo de vida continue aumentando. Esse, pelo menos, é o resultado do estudo intitulado Os medos dos alemães, apresentado recentemente em Berlim pela seguradora R+V, uma das maiores empresas do setor na Alemanha. Esta é a 35ª edição do levantamento, realizado anualmente desde o início da década de 1990. Entre o início de maio e o final de julho deste ano, o estudo ouviu cerca de 2,4 mil cidadãos de língua alemã, com 14 anos ou mais. A maior preocupação citada em 2026 é a mesma que lidera a pesquisa há muitos anos: o medo do aumento do custo de vida. A vida cada vez mais cara No ano passado, 52% apontaram o encarecimento do custo de vida como sua maior preocupação. Já em 2026, esse índice aumentou para 59%. Grischa Brower-Rabinowitsch, que participou do estudo, declarou em Berlim, que "as pessoas vivenciam diariamente o quanto o cotidiano se tornou dispendioso. Ao todo, 59% da população temem que seu dinheiro não seja suficiente para viver a longo prazo". A cientista política de Marburg, Isabelle Borucki, que participou do estudo como consultora, acrescentou que "os preços de itens essenciais, como energia, habitação e alimentos, subiram de forma perceptível. Isso reduz a margem financeira para lazer, férias e compras. As pessoas têm cada vez menos condições de arcar com essas despesas." Preocupação com impostos e taxas mais altas O estudo também mostra que os alemães estão bastante conscientes de que os sistemas de seguridade social no país atravessam uma grave crise e estão deficitários. Da mesma forma, a maioria parece estar ciente de que impostos e taxas irão aumentar. Por isso, o receio de impostos mais altos é maior do que em anos anteriores. "Por trás do medo de impostos mais altos e cortes de benefícios, está a questão da justiça para cada indivíduo: quem vai arcar com os custos da modernização? Poderei ainda contar com os benefícios prometidos?" Mas, e quanto aos temas que também dominam as manchetes na Alemanha? A imigração, a crescente polarização da sociedade, as transformações globais? Uma maioria estreita de 52% dos entrevistados teme que o número de refugiados sobrecarregue o Estado. Esse receio ocupa, portanto, o terceiro lugar entre todas as preocupações. Por outro lado, quando a imprensa noticia as turbulências globais, os alemães permanecem visivelmente indiferentes. Menos medo de Donald Trump Brower-Rabinowitsch apontou que "45% dos entrevistados temem que a política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, torne o mundo mais perigoso. Esse número é bem menor do que durante seu primeiro mandato". Em 2018, durante o primeiro período de Trump na Casa Branca, 69% dos alemães responderam à mesma pergunta dizendo que isso lhes causava grande preocupação. Borucki tem uma explicação simples para isso: "Após anos de alertas geopolíticos constantes, começa a haver um efeito de habituação". Isso também fica evidente ao observarmos a dimensão geral dos temores. Neste ano, a média de todos os medos pesquisados é de 38%. É a segunda média mais baixa desde que o estudo começou a ser realizado, em 1991. Para efeito de comparação, na pesquisa da R+V de 2016 – um ano após a chegada de muitos refugiados à Alemanha –, esse mesmo índice era de 52%. Notas baixas para os políticos A tendência também parece se confirmar em relação a outros temores Os alemães encaram o futuro com muito menos receio do que se esperava. Apenas 34% temem uma guerra com a participação da Alemanha; no ano passado, esse índice era de 41%. Além disso, desde 1992, o estudo faz a pergunta: "Você tem medo de perder o emprego?". Atualmente, apenas 20% das pessoas empregadas respondem que sim. Esse é o valor mais baixo já registrado. Desanimadora, porém, é a avaliação dos políticos – tanto os do governo quanto os da oposição. Os entrevistados puderam dar uma nota à classe política, seguindo o sistema de notas escolares alemão – cujo valor mais alto é 1 e 6 é o mais baixo. O resultado foi 4,1, nota indica um desempenho apenas "suficiente". A cientista política Borucki atribui a nota baixa sobretudo ao atual governo de liderado pelos conservadores da União Democrata Cristã (CDU), do chanceler federal Friedrich Merz, e o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda. A chamada Grande Coalizão sucedeu, em maio de 2025, o gabinete anterior formado pelo SPD, Verdes e o Partido Liberal Democrático (FDP), a chamada Coalizão Semáforo, devido às cores dos três partidos. "Após o fim da Coalizão Semáforo, muitos depositaram na aliança entre conservadores e social-democratas a esperança de mais liderança, menos conflitos e uma rápida recuperação econômica. Isso não se concretizou. Existe agora um abismo entre os grandes anúncios e os resultados perceptíveis no dia a dia. A população está decepcionada e perdendo a confiança." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. 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Short teaser Guerras? Crises globais? Nada disso. Para a maioria dos alemães, o maior temor é que o custo de vida continue subindo.
Author Jens Thurau
Item URL https://www.dw.com/pt-br/alta-do-custo-de-vida-o-maior-medo-dos-alemães/a-79524242?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption De longe, a maior preocupação dos alemães em 2026 é a mesma que lidera a pesquisa há anos: o aumento do custo de vida
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Item 10
Id 79494937
Date 2026-10-01
Title Coreia do Norte estreita laços com China e Rússia com pontes
Short title Novas pontes aproximam Coreia do Norte de China e Rússia
Teaser Novas rotas rodoviárias e ferroviárias entre países vão facilitar o comércio e o transporte na região. Conexões surgem em contexto de fortalecimento de relações entre países.

Uma ponte que liga a Coreia do Norte à China poderá ser finalmente inaugurada no início de outubro, mas de uma década após ter sido concluída, em um contexto no qual Pyongyang vem expandindo as vias de transporte com a Rússia.

Segundo veículos de imprensa da Coreia do Sul, a Nova Ponte do Rio Yalu, que liga a cidade de Dandong, no nordeste da China, ao centro comercial de Sinuiju, no noroeste da Coreia do Norte, poderá ser inaugurada oficialmente até 6 de outubro, data que marca o 77º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a Coreia do Norte e a China.

Uma análise publicada pelo centro de estudos americano 38 North revelou avanços significativos nas instalações alfandegárias, de imigração e de armazenamento no lado norte-coreano, onde as obras permaneceram praticamente inacabadas por anos.

A ponte rodoviária de quatro faixas se estende por mais de 3 quilômetros sobre o rio, com uma rede de vias de acesso que a conecta às áreas vizinhas.

O objetivo é aliviar a pressão sobre a envelhecida Ponte da Amizade Sino-Coreana, que recebe tanto tráfego rodoviário quanto ferroviário e continua sendo uma das rotas mais importantes entre a Coreia do Norte e a China, principal parceiro comercial de Pyongyang.

Pyongyang fortalece relações com Rússia e China

A esperada abertura da nova ligação com a China ocorre após a inauguração, em 7 de setembro, de uma ponte rodoviária sobre o rio Tumen, conectando a região de Rason, na Coreia do Norte, a Kazan, na região russa de Primorsky. Até então, a estreita fronteira terrestre entre os dois países era conectada por ferrovia, mas não por rodovia.

"A Coreia do Norte deixou a ponte chinesa sem uso por mais de uma década, mas agiu com mais pressa na ligação com a Rússia", afirma Han Ki-bum, ex-diretor adjunto do Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul, à DW.

Essa diferença, argumenta ele, fornece pistas sobre a estratégia de Pyongyang, que parece estar controlando deliberadamente o ritmo da melhoria de suas relações com Rússia e China para evitar voltar a depender excessivamente de Pequim.

"Se depender demais da China, como aconteceu no passado, a autonomia da Coreia do Norte poderá ser prejudicada", diz Han, acrescentando que Pyongyang busca aproveitar as boas relações tanto com a China quanto com a Rússia, ao mesmo tempo em que preserva uma certa independência.

O ex-funcionário do Ministério da Unificação acrescenta que a Rússia tem interesse em expandir as rotas de transporte pela Coreia do Norte em direção ao Pacífico, inclusive pelo porto de Rajin, enquanto Pyongyang poderia se beneficiar do aumento do comércio, do turismo e das oportunidades de enviar trabalhadores para a Rússia.

Ele aponta que a Rússia precisa da mão de obra norte-coreana e que os trabalhadores do país asiático seriam mais aplicados do que os colegas russos. A China, por sua vez, tem as próprias razões para garantir que a Coreia do Norte não se torne excessivamente dependente da Rússia, destaca Han. "Do ponto de vista da China, é preciso impedir que a Coreia do Norte se aproxime demais da Rússia", diz ele.

Os laços entre Moscou e Pyongyang vêm se fortalecendo desde 2023, quando a Coreia do Norte começou a fornecer armas e tropas para a guerra na Ucrânia. À medida que a relação estratégica entre a Rússia e a Coreia do Norte se aprofunda, a China vem tomando medidas para reafirmar-se como o principal parceiro de Pyongyang.

Para Ahn Chan-il, um ex-soldado norte-coreano que atualmente dirige o Instituto Mundial de Estudos sobre a Coreia do Norte, em Seul, as pontes criam implicações geopolíticas adicionais. "Pyongyang poderia agora aproveitar seus laços cada vez mais estreitos com a China e a Rússia, juntamente com o interesse de Donald Trump em dialogar com Kim, para fortalecer sua influência diplomática e adotar uma postura mais assertiva em relação à Coreia do Sul."

Reabertura lenta

Pyongyang praticamente fechou as fronteiras durante a pandemia da covid-19, reduzindo drasticamente o comércio e restringindo até mesmo a entrada de diplomatas estrangeiros.

Os trens de carga entre Dandong e Sinuiju foram retomados em 2022. Já os de passageiros, em 12 de março deste ano, restabelecendo o transporte ferroviário entre a Coreia do Norte e a China após seis anos.

Segundo Ahn, a futura inauguração da ponte será um evento de importância histórica. "A Nova Ponte sobre o Rio Yalu é, na prática, a primeira ponte moderna entre a Coreia do Norte e a China."

Planos para uma nova ponte ligando ambos os países remontam a 2009, quando o então primeiro-ministro chinês Wen Jiabao e autoridades norte-coreanas chegaram a um acordo sobre o projeto para aliviar a carga da Ponte da Amizade Sino-Coreana, construída em 1943. A construção da nova ponte teve início em 2011, financiada em grande parte por Pequim. A estrutura foi basicamente concluída em 2014. A inauguração foi dificultada por atrasos na construção de um centro alfandegário no lado norte-coreano.

Ahn acrescenta que essa abertura poder ser um sinal de que Pyongyang pretende avançar rumo a uma maior abertura econômica, mesmo que esse processo ocorra lentamente.

Ponte impulsiona comércio

Um ex-alto funcionário do Ministério da Unificação da Coreia do Sul, que pediu para não ter o nome divulgado, aponta à DW que a retomada das relações comerciais também poderia beneficiar as províncias do nordeste da China: Liaoning, Jilin e Heilongjiang.

Antes de as sanções e a pandemia interromperem o comércio, as empresas da região importavam produtos norte-coreanos, incluindo frutos do mar, enquanto os produtos chineses circulavam na direção oposta. "Ambos os lados precisam disso", diz a fonte. A Coreia do Norte precisa de produtos chineses e de oportunidades para obter moeda estrangeira, enquanto algumas regiões do nordeste da China podem se beneficiar da retomada do comércio transfronteiriço, acrescenta.

Han, ex-funcionário dos serviços de inteligência da Coreia do Sul, prevê que a nova passagem vá acelerar a recuperação do comércio, levando-o aos níveis pré-pandêmicos. "A inauguração da ponte sobre o rio Yalu estimulará ainda mais o comércio entre a Coreia do Norte e a China", aponta.

A Coreia do Norte precisa especialmente de importações para a construção civil e a produção industrial, incluindo componentes para fábricas, afirma ele que, no entanto, acha difícil que vá ocorrer um boom comercial.

Segundo ele, o sistema comercial está cada vez mais centralizado por Pyongyang, com o Estado reforçando o controle sobre importações, em vez de permitir que fábricas e empresas individuais realizem atividades comerciais de forma mais independente. Além disso, a escassez de moeda estrangeira pode representar mais um obstáculo, diz ele, que destaca o forte aumento da taxa de câmbio não oficial do dólar americano na Coreia do Norte.

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Short teaser Novas rotas rodoviárias e ferroviárias entre países vão facilitar o comércio e o transporte na região.
Author Don Huh
Item URL https://www.dw.com/pt-br/coreia-do-norte-estreita-laços-com-china-e-rússia-com-pontes/a-79494937?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 11
Id 79484528
Date 2026-09-30
Title Atendentes da Oktoberfest de Munique pedem respeito em campanha
Short title Atendentes da Oktoberfest pedem respeito em campanha
Teaser

O exemplo mais comum são os comentários sexistas dirigidos às garçonetes

Garçonetes e garçons reclamam de comentários sexistas e racistas e iniciam campanha contra discriminação e desrespeito."Foi uma primeira semana tranquila", resumiu o diretor da Oktoberfest, Christian Scharpf, ao fazer um balanço da primeira metade do evento, no fim de semana passado. A vice-prefeita de Munique, Verena Dietl, elogiou a "atmosfera harmoniosa e positiva". A polícia de Munique também apresentou uma avaliação positiva. Mas de perto nem tudo são flores na Oktoberfest, principalmente para as garçonetes e garçons. Eles circulam em meio às multidões e enfrentam situações que muitas vezes não são denunciadas e, por isso, não aparecem em nenhuma estatística, apesar de ultrapassarem os limites do respeito. O exemplo mais comum são os comentários sexistas dirigidos às garçonetes. Mas há também as declarações racistas e discriminatórias. Para combater esse problema, algumas trabalhadoras do atendimento criaram uma iniciativa na qual defendem uma convivência respeitosa na Oktoberfest. "Há anos observamos como certas coisas voltaram a ser ditas e recebem pouca contestação", afirma um vídeo publicado no Instagram e no TikTok. Segundo as idealizadoras da campanha, além das próprias experiências vividas na Oktoberfest, os sucessos eleitorais do partido da ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD)nos estados da Saxônia-Anhalt e de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental também motivaram a criação da iniciativa. Elas veem nisso um sinal de que posições extremistas vêm conquistando cada vez mais aceitação na sociedade alemã. Por isso, a iniciativa recebeu o nome de Atendentes Contra a Extrema Direita. Segurança na Oktoberfest O porta-voz dos donos de bares e restaurantes da Oktoberfest destacou, em resposta a um questionamento da emissora Bayerischer Rundfunk, que "toda a família Oktoberfest sempre rejeitou e continua rejeitando, da forma mais veemente possível, qualquer tipo de discriminação, racismo e sexismo". Mesmo assim, as promotoras da iniciativa gostariam que mais medidas fossem adotadas. O problema não parece estar no monitoramento: a área da Oktoberfest é coberta por 56 câmeras de vídeo da polícia, e cerca de 600 policiais, além de milhares de seguranças privados, trabalham no evento. Até a metade das pouco mais de duas semanas de festa, a polícia registrou cerca de 470 crimes e infrações. Também houve denúncias por agressão física, assédio sexual e upskirting (filmar ou fotografar secretamente por baixo da saia de uma pessoa). A Oktoberfest de Munique é uma das maiores festas populares do mundo e atrai, todos os anos, milhões de visitantes de diversos países. Na metade do evento, a direção do festival estimou o público em cerca de 3,8 milhões. A Oktoberfest termina em 4 de outubro, após 16 dias de celebrações. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.


Short teaser Garçonetes e garçons reclamam de comentários sexistas e racistas e iniciam campanha contra discriminação e desrespeito.
Author Petra Lambeck
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Image caption O exemplo mais comum são os comentários sexistas dirigidos às garçonetes
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Item 12
Id 79477995
Date 2026-09-30
Title Mais rápidos, baratos e transparentes: o que o Banco Central Europeu espera da conexão entre Pix e Tips
Short title O que o BC Europeu espera da conexão entre Pix e Tips
Teaser

Banco Central Europeu quer conectar sistema de pagamentos instantâneos da União Europeia com o Pix

Projeto em avaliação entre as duas autoridades monetárias deve reduzir taxas de envio e acelerar pagamentos, segundo o BCE. Iniciativa ainda deve demorar a sair do papel.Os pagamentos transfronteiriços são um desafio que o Banco Central Europeu (BCE) quer resolver conectando o Target Instant Payment Settlement (Tips), sistema de pagamentos instantâneos da União Europeia, a métodos de pagamento de diversos países, incluindo o Pix brasileiro. Na última semana, o Banco Central do Brasil divulgou que a fase de avaliação dessa interligação foi iniciada. O objetivo de conectar esses sistemas é disponibilizar transferências "mais rápidas, mais baratas e mais transparentes", segundo Marco Massarenti, consultor de pagamentos do BCE. O elemento central de uma integração será justamente a orquestração do pagamento de ponta a ponta. Ou seja: quando e como o dinheiro sairá de um continente para outro. "Isso significa que um participante da Europa, como um banco ou provedor de pagamentos, envia uma instrução ao Tips. O Tips a transfere para o Pix no Brasil, que a encaminha ao banco ou provedor final", explica Massarenti. O que o BCE espera Com a conexão, o BCE busca alcançar diferentes objetivos: apoiar o roteiro do G20 para pagamentos transfronteiriços mais eficientes, reforçar a autonomia estratégica dos pagamentos europeus e acompanhar a inovação no setor. O executivo da autoridade monetária europeia cita, por exemplo, que em remessas e pagamentos transfronteiriços com moedas pouco utilizadas, as tarifas "podem chegar a 10% ou mais". "O que queremos é reduzir esse custo para menos de 3%", detalha Massarenti. O Brasil não é o único a participar de uma parceria com o BCE para conexão entre sistemas. Atualmente a instituição avalia conexões com infraestruturas de outras três localidades: o sistema indiano Unified Payments Interface (UPI); o sistema suíço e o Nexus Global Payments. Custos envolvidos Para o executivo, a infraestrutura de conexão com os sistemas parceiros pretende ser mais econômica do que a atual. Ele ressalta, porém, que haverá custos associados aos originadores e que os acordos de taxas continuarão sendo definidos na relação comercial entre clientes e bancos. "Isso será algo decidido pelos próprios bancos", diz. Atualmente, brasileiros já usam o Pix em alguns países da Europa, mas por meio de arranjos privados através de parcerias entre bancos e intermediadoras de pagamento. Na nova infraestrutura pública entre BCs projetada com a interligação, parcerias similares devem continuar sendo necessárias para a ponta final da operação. "Não estamos retirando os bancos da equação. Continuaremos precisando das instituições financeiras e dos provedores de serviços de pagamento em ambas as jurisdições para levar a transação até a última etapa", esclarece. Tempo para liquidação Segundo o executivo do BCE, outro objetivo é melhorar o tempo para liquidação das transferências internacionais. Atualmente, diz ele, pagamentos transfronteiriços são fragmentados e "pode levar alguns dias para receber o pagamento do outro lado". A nova infraestrutura busca tornar o processo instantâneo. Para isso, o BCE e o BC brasileiro avaliam a interoperabilidade técnica, especificações funcionais, aspectos jurídicos e o modelo de negócios. "Há muitas facetas que precisam ser analisadas. Por exemplo, para citar um caso específico relacionado à interoperabilidade: as mensagens são iguais? Os tipos de mensagens transferidas são as mesmas? E quanto aos processos de pagamento? E quanto ao caráter definitivo da liquidação? Esses são alguns dos elementos que precisam ser considerados", diz ele. Segurança e prazos Segundo o executivo, outro ponto é garantir a segurança e a confiabilidade dos pagamentos com a conexão, o que deve ser estudado na dimensão jurídica. Na Europa, também serão analisadas questões relacionadas à proteção de dados. Sobre quando a conexão estará disponível, Massarenti afirma que "ainda é cedo" para estimativas. Além disso, ele acrescenta que a avaliação de viabilidade não é o fim do processo. Após essa etapa, será necessário implementar e desenvolver as mudanças técnicas necessárias para conectar os dois sistemas do ponto de vista tecnológico. "O que posso dizer é que, observando outros corredores de pagamentos nos quais temos trabalhado, a fase de avaliação de viabilidade pode levar um ano ou até mais", finaliza. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.


Short teaser Projeto em avaliação entre as duas autoridades monetárias deve reduzir taxas de envio e acelerar pagamentos.
Author Kristina Becker, Larissa Maia
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Image caption Banco Central Europeu quer conectar sistema de pagamentos instantâneos da União Europeia com o Pix
Image source Cris Faga/NurPhoto/picture alliance
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Item 13
Id 79475814
Date 2026-09-29
Title Comércio global resiste a pandemia, guerras no Irã, na Ucrânia e a tarifaço de Trump
Short title Comércio global resiste a Irã, Ucrânia e a tarifaço de Trump
Teaser

Apesar de vários abalos, o volume do comércio global continuou a crescer

Nos últimos seis anos, a pandemia, duas guerras e as tarifas dos EUA abalaram o comércio mundial. Com a globalização já perdendo fôlego, trata-se de um choque temporário ou do início de uma grande reversão?Da covid-19 às tarifas de Donald Trump, passando pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, a política comercial mundial atravessa o período mais imprevisível do pós-guerra. A pandemia paralisou fábricas em todo o mundo e acelerou um movimento de afastamento da China, líder da indústria global. Em seguida, os dois conflitos abalaram o abastecimento mundial de petróleo, gás, alimentos e fertilizantes. Paralelamente, as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevaram as taxas de importação americanas ao nível mais alto em décadas, forçando as empresas a buscar novos fornecedores e mercados. Robert Staiger, economista-chefe da Organização Mundial do Comércio (OMC), classifica essa turbulência como "as perturbações mais graves e persistentes desde a criação do sistema [de comércio mundial], há 80 anos". Comércio impulsionado pela demanda por IA Apesar desses choques, o comércio global se manteve surpreendentemente resiliente. Segundo o relatório anual da OMC publicado na semana passada, o volume do comércio de mercadorias cresceu 4,6% no ano passado, impulsionado pela forte demanda por tecnologias avançadas que sustentam a expansão da inteligência artificial (IA). O volume do comércio de serviços cresceu 5,3%. A China continua sendo a maior exportadora mundial de mercadorias, enquanto os Estados Unidos foram, novamente, o maior importador. A União Europeia (UE) ocupou o segundo lugar em ambas as categorias. Staiger, porém, afirmou na semana passada que a alta nas exportações relacionadas à IA "pode estar mascarando parte da queda no comércio mundial que, de outra forma, estaria ocorrendo". Em sua perspectiva comercial de março, a OMC observou que os países asiáticos dominaram o comércio de mercadorias relacionadas à IA, enquanto a África, a América Latina, o Oriente Médio e grande parte da Europa tiveram participação inexpressiva. As tecnologias relacionadas à IA representaram cerca de um sexto do comércio de mercadorias, mas foram responsáveis por quase metade do crescimento do comércio global. Washington contorna as regras da OMC Desde o início de seu segundo mandato na Casa Branca, no ano passado, Trump continuou a se afastar das regras da OMC sobre o comércio global. O presidente dos EUA estabeleceu tarifas específicas para cada país, violando a regra de tratamento igualitário da OMC. Desde então, seu governo negociou isenções e tarifas "recíprocas" individualmente com os países parceiros. Apesar disso, em nível global, cerca de 72% das mercadorias ainda são comercializadas sob as regras fundamentais da agência sediada em Genebra – o que representa uma queda em relação aos cerca de 80% registrados em 2022. Numa perspectiva de longo prazo, no entanto, a globalização parece ter estagnado. Dados da OMC mostram que, desde aproximadamente 2015, o comércio mundial tem crescido no mesmo ritmo da economia global. Apesar das recentes turbulências geopolíticas, a globalização ainda não entrou em marcha a ré. Autoridades e economistas afirmam que é cedo demais para saber se as guerras – somadas a uma guinada em direção ao protecionismo nos EUA, na China, na UE e no Reino Unido pós-Brexit – marcam o fim de um mundo cada vez mais interconectado. "O mundo certamente não está se tornando mais globalizado", disse à DW Thomas Sampson, professor associado da London School of Economics. "Mas ainda é uma incógnita se estamos realmente vivenciando uma desglobalização ou apenas mudando nossos parceiros comerciais." As transformações no comércio global Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, a UE reduziu drasticamente sua dependência do gás russo transportado por gasodutos, de 37% no final de 2021 para cerca de 10%, segundo o Eurostat, a agência de estatísticas do bloco. As importações de petróleo e carvão russos pela UE são atualmente insignificantes. Essas medidas impulsionaram novos acordos energéticos com os EUA, Noruega, Austrália e Cazaquistão, com o gás natural liquefeito (GNL) substituindo o gás russo transportado por gasodutos. Moscou encontrou novos compradores de energia, notadamente China e Índia, que adquiriram petróleo russo com grandes descontos em relação aos preços de referência globais. Camille Reverdy, pesquisadora associada do think tank Bruegel, sediado em Bruxelas, duvida que a UE retome o comércio de energia com Moscou quando a guerra terminar. "Se as alternativas se tornarem fontes confiáveis, não vejo um retorno à situação anterior", afirmou a analista à DW. Quando a guerra com o Irã começou, no final de fevereiro, Teerã fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, um dos gargalos mais críticos do trânsito de energia no mundo. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos (EAU) enviaram parte do petróleo por meio de oleodutos para portos alternativos. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o mundo também compensou a falta de milhões de barris de petróleo com o aumento da produção dos EUA, Cazaquistão, Brasil e Venezuela. Várias nações também utilizaram cerca de 300 milhões de barris de suas reservas estratégicas de petróleo, conforme relatado pela agência de notícias Reuters em agosto. Quase sete meses após o início do conflito, os preços da energia permanecem elevados, com o petróleo Brent sendo negociado acima de 100 dólares (R$ 520) durante grande parte da guerra. Vários analistas alertam agora para uma perigosa escassez de oferta no outono e no inverno no Hemisfério Norte. A pressão decorrente do tarifaço de Trump também pesa sobre o comércio. As importações americanas provenientes da China, por exemplo, caíram cerca de 28% no ano passado, segundo o Peterson Institute for International Economics, sediado em Washington. Ao mesmo tempo, as importações do restante do mundo cresceram quase 10% – grande parte provenientes do Vietnã, Taiwan e México, como parte de esforços para redirecionar o comércio e reduzir a dependência de fornecedores chineses. A estratégia de Trump sobreviverá além dele? Os ataques de Trump à OMC levantaram uma questão mais aguda: se a entidade fosse desativada, o que a substituiria? Especialistas aventaram várias alternativas. Entre elas, estão a manutenção das tarifas específicas para cada país impostas por Trump ou uma rede de acordos de livre-comércio entre blocos econômicos, incluindo as nações do Brics e do Sul Global. Uma terceira opção, sugerida por think tanks como a Chatham House, envolveria a UE, o Japão, o Canadá, a Austrália e o México, que manteriam o comércio sob regras nos moldes das adotadas pela OMC, em uma escala que os EUA e a China não poderiam ignorar. A pesquisadora Reverdy acredita que a UE preferiria uma OMC reformada às demais alternativas. "A UE ainda quer ser vista como líder do comércio livre e multilateral", afirmou ela à DW, destacando que Bruxelas tem acrescentado novas camadas à política comercial, incluindo a possibilidade de tornar o Canadá um membro associado. O economista Sampson alertou que persistir na "lei da selva" de Trump prejudicaria países menores, que, segundo ele, têm uma "voz mais ativa" no atual sistema da OMC. Sampson observou que a "confiança nos EUA como parceiro comercial desmoronou", e disse que pode levar muitos anos para que isso seja restaurado, mesmo com um presidente democrata. Enquanto isso, economistas da OMC elaboraram modelos para diferentes cenários futuros, apontando que um maior fracionamento do comércio ao longo de linhas geopolíticas poderia reduzir o PIB global em cerca de 5% até 2050. Em um mundo no qual a OMC não mais existisse e restasse apenas uma colcha de retalhos de acordos de livre-comércio, a queda do Produto Interno Bruto (PIB) global poderia chegar perto de 7%, com as economias menores e mais pobres sendo as mais atingidas. Por outro lado, o fortalecimento das regras multilaterais poderia elevar o PIB global em aproximadamente 3%, segundo estimativas da organização. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. 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Short teaser Pandemia, guerras e tarifas dos EUA abalaram o comércio mundial. Seria este um choque temporário ou uma grande reversão?
Author Nik Martin
Item URL https://www.dw.com/pt-br/comércio-global-resiste-a-pandemia-guerras-no-irã-na-ucrânia-e-a-tarifaço-de-trump/a-79475814?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption Apesar de vários abalos, o volume do comércio global continuou a crescer
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Item 14
Id 79211825
Date 2026-09-10
Title China debate reduzir a importância do inglês nas escolas
Short title China debate reduzir a importância do inglês nas escolas
Teaser Proposta de professor universitário reacende discussão sobre o papel do idioma inglês na educação chinesa. Matemático defende a priorização do mandarim.

Há anos que o inglês é tido como a principal língua internacional em todo o mundo. Estima-se que um em cada cinco habitantes do planeta o idioma como língua franca. Na China, porém, um professor universitário defende que o país pare de dar "tanta importância" para um idioma ocidental.

O matemático Tang Jiafeng quer que o inglês deixe de ter o mesmo peso que as disciplinas de matemática e mandarim, nos exames dos sistemas educacionais chineses. Segundo ele, nenhum outro país atribui ao inglês um valor tão alto quanto a China.

"Nossas crianças começam a estudar inglês antes mesmo de dominarem plenamente a própria língua. Somos uma civilização com milhares de anos de história. O inglês é apenas uma ferramenta. Basta saber utilizá-lo. A tradição de admirar e imitar culturas ocidentais precisa acabar", argumenta.

Aprender inglês é um desafio para estudantes chineses, já que o mandarim utiliza um sistema de escrita baseado em caracteres, diferente do alfabeto empregado em idiomas ocidentais.

Na China, o inglês é disciplina obrigatória a partir do terceiro ano do ensino fundamental. O desempenho dos estudantes na matéria tem peso significativo nas principais provas do país, incluindo os exames para entrar no ensino médio e o gaokao, o rigoroso "vestibular" chinês. Neste, a disciplina tem a mesma pontuação máxima de matérias como mandarim e matemática.

Para Tang, o modelo atual exige muitos recursos e bastante tempo. "Quanto tempo, dinheiro e esforço de alunos, pais e escolas são dedicados a uma disciplina que, para a maioria das pessoas, terá pouca relevância em sua futura vida profissional?", questiona ele.

O professor ganhou notoriedade nacional depois que os seus alunos apresentaram resultados excelentes em competições de matemática. Vários alcançaram pontuação máxima.

"A IA já traduz tudo"

As declarações de Tang rapidamente viralizaram nas redes sociais chinesas. "Muitos se perguntam por que passar anos decorando inglês se ferramentas de inteligência artificial conseguem traduzir textos e conversas em poucos segundos", escreveu um usuário da plataforma Weibo.

Outros defendem medidas menos radicais. Uma das propostas é reduzir o peso da disciplina nos exames nacionais, sem eliminá-la completamente.

O debate também envolve o grande mercado de aulas particulares. Muitas famílias chinesas investem quantias exorbitantes em cursos preparatórios voltados especificamente para os testes de inglês.

Além disso, estudantes que desejam ingressar em programas de pós-graduação normalmente precisam comprovar proficiência no inglês. Para Tang, essa exigência pode acabar excluindo jovens talentos das áreas de ciência e tecnologia que possuem grande potencial acadêmico, mas encontram dificuldades com línguas estrangeiras.

Ciência e competitividade global

Os críticos da proposta argumentam que reduzir a importância do inglês pode prejudicar a competitividade internacional da China.

Grande parte da produção científica mundial, especialmente em áreas estratégicas como inteligência artificial (IA), biotecnologia e engenharia, é publicada em inglês. Sem domínio adequado do idioma, pesquisadores e profissionais chineses teriam mais dificuldades para acompanhar avanços científicos e participar de redes globais de conhecimento.

Entre os defensores de manter a importância do inglês no sistema educacional está Hu Xijin, ex-editor-chefe do jornal estatal Global Times. Para ele, o domínio de idiomas estrangeiros é uma competência fundamental no século 21.

"Vivemos em uma era de globalização. A abertura da China para o mundo não é apenas uma política de Estado; ela amplia as oportunidades das pessoas e seus horizontes profissionais e culturais", afirmou. Ele também critica a ideia de transformar o debate em uma disputa entre tradição chinesa e influência estrangeira.

Segundo Hu, dá para valorizar a cultura nacional e, ao mesmo tempo, o aprendizado de idiomas. Compreender outras línguas amplia as possibilidades de intercâmbio econômico, científico e cultural, destaca.

Outro argumento frequente é o da igualdade de oportunidades. Para os defensores da disciplina, manter o inglês no currículo obrigatório garante que crianças de regiões rurais e menos desenvolvidas também tenham acesso a uma ferramenta importante para a mobilidade social e profissional.

Universidades repensam formação

A discussão ocorre em um momento de transformação nas universidades chinesas especializadas em línguas estrangeiras.

Docentes relatam que cursos tradicionais, como alemão, francês e outras graduações voltadas exclusivamente para idiomas, vêm atraindo menos candidatos nos últimos anos.

Como resposta, instituições de ensino superior têm reformulado seus currículos. Na Beijing Foreign Studies University, uma das mais prestigiadas da área, o modelo que combina formação linguística com outras especializações, como direito, tecnologia da informação e economia está ganhando força.

A discussão sobre a influência estrangeira na educação está longe de ser novidade na China. Já no final do século 19, durante o movimento de modernização da dinastia Qing, intelectuais defendiam que o país deveria aprender com as potências ocidentais para fortalecer seu próprio desenvolvimento.

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Short teaser Proposta de professor universitário reacende discussão sobre o papel do idioma inglês na educação chinesa.
Author Dang Yuan
Item URL https://www.dw.com/pt-br/china-debate-reduzir-a-importância-do-inglês-nas-escolas/a-79211825?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 15
Id 77647317
Date 2026-06-21
Title Milhares de pessoas celebram o solstício de verão em Stonehenge
Short title Milhares celebram o solstício de verão em Stonehenge
Teaser

Alguns dos visitantes exibiram flores sobre a cabeça para celebrar o solstício em Stonehenge

Com coroas de flores, 20 mil visitantes se dirigiram ao monumento milenar no Reino Unido para acompanhar o nascer do Sol do dia mais longo do ano no Hemisfério Norte.Uma multidão de mais de 20 mil pessoas se reuniu no início da manhã deste domingo (21/06) no milenar sítio arqueológico de Stonehenge, no Reino Unido, para ver o nascer do sol às 4h25 (0h25 em Brasília) no dia mais longo do ano no Hemisfério Norte, segundo a organização pública English Heritage, que administra monumentos históricos na Inglaterra. Os visitantes, alguns usando coroas de flores, tocaram o monumento antigo e comemoraram quando o sol resplandecente surgiu no horizonte enevoado. "Ao amanhecer do dia mais longo do ano, recebemos mais de 20.000 pessoas para celebrar juntas, com milhares de outras participando de todo o mundo por meio de nossa transmissão ao vivo", informou no domingo a English Heritage, organização que administra o sítio de Stonehenge. Em 21 de junho, o Hemisfério Norte da Terra está inclinado ao máximo em direção ao Sol, resultando no dia mais longo do ano. O oposto ocorre no Hemisfério Sul, que tem seu dia mais longo em 21 de dezembro. O círculo de pedras megalíticas pré-histórico situado na Planície de Salisbury, em Wiltshire (sudoeste da Inglaterra), parece ter sido construído há milhares anos para se alinhar com a trajetória do Sol nesses dias. Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de pedras, que chegam a ter 5 metros de altura e a pesar quase 50 toneladas, localizada na Inglaterra, no condado de Wiltshire, na Planície de Salisbury. Stonehenge é um dos monumentos pré-históricos mais famosos do mundo. Formado por enormes blocos de pedra organizados em círculos, ele foi construído ao longo de várias etapas entre aproximadamente 3000 a.C. e 2000 a.C. Embora seu propósito exato ainda seja desconhecido, pesquisadores acreditam que Stonehenge tenha servido como local de cerimônias religiosas, espaço de sepultamento e até como observatório astronômico, devido ao seu alinhamento com o Sol durante os solstícios. Algumas pedras pesam mais de 25 toneladas e parte delas foi transportada de regiões localizadas a centenas de quilômetros de distância. Por causa de sua importância histórica e cultural, Stonehenge foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1986. Como funcionam as celebrações em Stonehenge? A partir de 1978, o acesso do público a Stonehenge passou a ser restrito — os visitantes não podiam mais circular livremente entre as pedras —, em resposta a casos de vandalismo e ao aumento da erosão decorrentes do rápido crescimento do número de turistas. As reuniões modernas por ocasião do solstício tiveram início já em meados do século 19, facilitadas pelo acesso ferroviário à cidade vizinha Salisbury. Esses eventos, de caráter um tanto mais anárquico e espontâneo, chegaram a um fim violento em 1985, quando a polícia e um grupo de centenas de visitantes entraram em confronto no que ficou conhecido como a Batalha de Beanfield. Enquanto a polícia tentava fazer cumprir uma liminar obtida pelas autoridades locais para impedir a passagem dos visitantes — inicialmente por meio de um bloqueio na estrada —, mais de 500 pessoas acabaram sendo presas. Foi um dos maiores episódios de prisão em massa no Reino Unido depois Segunda Guerra Mundial. A partir do ano 2000, a English Heritage passou a permitir o acesso controlado ao sítio de Stonehenge durante os dois solstícios — bem como nos equinócios de primavera e outono. Desde então, esses eventos ganharam popularidade. Solstício de verão em meio a uma onda de calor A celebração ocorreu enquanto o Reino Unido e grande parte da Europa permanece sob alertas de calor intenso. No domingo, as temperaturas na região de Salisbury estavam comparativamente amenas para os padrões nacionais, com previsão de máximas de 29 °C. Na França, no entanto, o governo proibiu o consumo de álcool em locais públicos durante as celebrações do Dia da Música, que marcam o solstício de verão. O evento inclui milhares de shows em praças de vilarejos, locais de música eletrônica e casas noturnas de Paris, reunindo comunidades e atraindo cada vez mais visitantes internacionais. Ainda na França são esperadas máximas de 40 °C no domingo, com a segunda-feira provavelmente ainda mais quente, com serviços de emergência e as forças militares foram colocados em alerta contra incêndios florestais. Há também previsão de temperaturas atingindo 37 °C em Roma e 39 °C em Madri na segunda-feira. O Met Office britânico informou que o calor deve atingir um pico de cerca de 35°C na terça e na quarta-feira, o que gerou alertas meteorológicos, alertas de saúde e preocupações com as pessoas vulneráveis. Os meteorologistas afirmaram que a próxima semana pode quebrar o recorde da temperatura mais alta já registrada em junho, de 35,6 °C, estabelecido em 1976 em Southampton. jps (dpa, DW, ots)


Short teaser Vinte mil visitantes se dirigiram ao monumento para acompanhar nascer do Sol do dia mais longo no Hemisfério Norte
Item URL https://www.dw.com/pt-br/milhares-de-pessoas-celebram-o-solstício-de-verão-em-stonehenge/a-77647317?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption Alguns dos visitantes exibiram flores sobre a cabeça para celebrar o solstício em Stonehenge
Image source Alberto Pezzali/AP Photo/picture alliance
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Item 16
Id 53832364
Date 2026-05-03
Title A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump
Short title A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump
Teaser Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número de tropas americanas no país europeu. EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha e decisão pode marcar grande mudança na relação de defesa entre os dois países

Em meio a uma troca de farpas entre os EUA e a Alemanha, o Pentágono anunciou nesta semana que pretende retirar 5 mil dos seus militares que estão atualmente baseados no país europeu. Segundo o anúncio, a retirada deve ser completada num período de 6 a 12 meses.

No sábado (02/05), foi a vez de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a retirada pode ser ainda mais ampla. "Vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais do que 5.000", disse Trump a repórteres.

O movimento de retirada ocorre após Trump se enfurecer com declarações críticas à condução da guerra do Irã feitas pelo chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na segunda-feira, Merz afirmou que os que os Estados Unidos estão sendo "humilhados" em sua guerra contra o Irã e que parece faltar a Washington uma estratégia clara no conflito.

Um dia depois, Trump respondeu que o alemão "não tem ideia do que está falando". "Merz acha ok o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!", disse em um post na rede Truth Social.

Logo depois, veio o anúncio de redução de tropas baseada na Alemanha. Como parte da decisão, um plano da era Joe Biden para enviar um batalhão americano com mísseis Tomahawk de longo alcance para a Alemanha também foi abandonado.

Não é a primeira vez que Trump faz movimentos para reduzir a quantidade de tropas dos EUA na Alemanha. Em 2020, o republicano chegou a anunciar um plano ainda mais drástico de redução, mas a iniciativa foi abandonada após a derrota de Trump para Joe Biden no mesmo ano.

Presença militar dos EUA na Alemanha

Segundo o Pentágono entre 34 mil e 36 mil soldados ocupam atualmente em caráter permanente as bases americanas em solo alemão. Se incluídas as unidades militares em rotação, o número pode chegar temporariamente a 50 mil. Além do contingente militar, cerca de 15 mil civis americanos trabalham para o Departamento de Defesa dos EUA na Alemanha.

A República Federal da Alemanha tem sido parte vital da estratégia de defesa dos Estados Unidos na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial: durante dez anos as forças americanas integraram a ocupação dos Aliados no país. Embora o contingente tenha diminuído drasticamente desde então, nas décadas seguintes comunidades militares americanas se formaram em torno de diversas cidades, e os militares dos EUA ainda são uma presença importante no país.

A importância estratégica da Alemanha para os EUA se reflete na localização do quartel-general do Comando Europeu dos EUA (Eucom) na cidade de Stuttgart, no sudoeste do país, que serve como estrutura de coordenação partes todas as forças militares americanas em 51 países, principalmente europeus.

A missão da Eucom é proteger e defender os EUA, impedindo conflitos, apoiando parcerias como a Otan e combatendo ameaças transnacionais. Sob seu comando estão o Exército, as Forças Aéreas e o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA na Europa, todos com unidades na Alemanha.

A Alemanha abriga a maior parte das tropas americanas na Europa. Só no Japão os EUA mantêm mais pessoal militar. No entanto os números na Alemanha vêm caindo nos últimos anos: dados do governo alemão mostram que desde 2006 o número de militares dos EUA baseados na Alemanha diminuiu em mais da metade, sendo que há 20 anos a cifra chegava a 72.400.

Fuzileiros navais, soldados e aviadores

A Alemanha abriga cinco guarnições do Exército americano e o quartel-general do Exército dos EUA na Europa está sediado na guarnição de Wiesbaden, próximo a Frankfurt, no centro-oeste do país.

Dados fornecidos pelas Forças Armadas dos EUA mostram que essas cinco guarnições, cada uma englobando várias bases em locais diferentes, compreendem atualmente cerca de 23 mil militares. Esse número inclui as Forças de Fuzileiros Navais da Europa e da África, com sede em Böblingen, sudoeste da Alemanha, como parte da Guarnição do Exército dos EUA em Stuttgart.

Além disso, há cerca de 13 mil membros da Força Aérea dos EUA espalhados por vários locais na Alemanha, incluindo as duas bases aéreas americanas em Ramstein e Spangdahlem.

Mais do que apenas soldados

Como as instalações militares dos EUA também empregam civis e militares por vezes podem levar suas famílias para o exterior, consideráveis comunidades de civis se formam em torno dessas instalações.

Na verdade, algumas bases americanas na Alemanha, como a de Ramstein, são pequenas cidades autônomas, englobando não só quartéis, aeroportos, áreas para exercícios militares e depósitos de materiais, mas também seus próprios shoppings, escolas, serviços postais e força policial americanos. Em certos casos, a única moeda corrente é o dólar americano.

Atualmente, a guarnição do Exército dos EUA na Baviera, com quartel-general em Grafenwöhr, perto da fronteira com a República Tcheca, é a maior base do Exército americano no exterior, tanto em número de militares quanto em superfície, espalhando-se por mais de 390 quilômetros quadrados.

As bases também costumam empregar um número significativo de residentes e servem de impulso econômico às comunidades alemãs adjacentes, cujas empresas fornecem bens e serviços. O fechamento de instalações anteriores, como a guarnição do Exército em Bamberg em 2014, afetou a economia local, e muitos alemães que vivem perto de instalações militares americanas manifestam oposição a possíveis reduções de tropas.

Porém a extensão da presença militar dos EUA na Alemanha não se limita ao pessoal: o país também mantém aviões em outras bases aéreas não americanas em solo alemão. Além disso, calcula-se que 20 ogivas nucleares sejam mantidas na Base Aérea de Büchel, no âmbito do Acordo de Compartilhamento Nuclear da Otan, fato que suscitou muitas críticas por parte dos alemães.

A importância de Ramstein

A Base Aérea de Ramstein, no estado alemão da Renânia-Palatinado, é a maior base militar americana fora do país. Ela serve como um centro logístico para tropas, equipamentos e cargas a caminho do Oriente Médio, África e Europa Oriental.

Ramstein também é o quartel-general da Força Aérea dos EUA na Europa e serve como centro de comando da Otan para vigilância do espaço aéreo militar de todos os parceiros europeus. A base aérea também abriga uma estação de retransmissão de satélites, de grande importância para o destacamento de drones de combate americanos, por exemplo, no Oriente Médio. Como a curvatura da Terra não permite o controle direto de drones a partir dos EUA, os sinais são retransmitidos por satélite via Ramstein.

A base também funciona como um centro médico, já que soldados feridos da Europa, África ou Oriente Médio são transportados de avião para Ramstein e tratados no Centro Médico Regional de Landstuhl, adjacente à base, o maior hospital militar americano fora dos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o hospital recebeu soldados americanos feridos em ataques do Irã a países do Golfo.

Ambas as instalações fazem parte da Comunidade Militar de Kaiserslautern, que abrange dezenas de milhares de soldados americanos, funcionários civis e seus familiares.

Spangdahlem, por sua vez, é a segunda maior base da Força Aérea dos EUA em solo alemão, fica a cerca de 120 quilômetros mais a noroeste. Ao contrário de Ramstein, Spangdahlem serve principalmente para missões operacionais de combate.

Um esquadrão de caças composto por cerca de 20 jatos F-16 está estacionado na base, funcionando como uma força de reação rápida em tempos de crise. O esquadrão ajuda a proteger o flanco leste da Otan e é especializado em eliminar as defesas aéreas inimigas.

Ocupação aliada do pós-guerra e seu legado

A presença militar dos EUA na Alemanha é um legado da ocupação aliada pós-Segunda Guerra Mundial, que durou de 1945 a 1955. Durante esse período, milhões de militares americanos, britânicos, franceses e soviéticos estiveram estacionados na Alemanha. A parte nordeste do país ficou sob controle soviético, tornando-se oficialmente a República Democrática Alemã (RDA) em outubro de 1949.

Na parte ocidental, a ocupação foi regulamentada pelo Estatuto da Ocupação, assinado em abril de 1949, quando foi fundada a República Federal da Alemanha. O estatuto permitiu que França, Reino Unido e EUA mantivessem forças de ocupação no país e o controle completo sobre o desarmamento e desmilitarização da antiga Alemanha Ocidental.

Quando a ocupação militar da República Federal da Alemanha (RFA) terminou oficialmente, o país recuperou o controle de sua própria política de defesa. No entanto, o Estatuto de Ocupação foi sucedido por outro acordo com seus parceiros na Otan. O pacto – conhecido como Convenção sobre a Presença de Forças Estrangeiras na República Federal da Alemanha e assinado pelos alemães em 1954 – permitiu que oito países-membros da Otan, incluindo os EUA, mantivessem presença militar permanente na Alemanha. O tratado ainda regula os termos e condições das forças da Otan estacionadas hoje na RFA.

O número de militares americanos na Alemanha vem diminuindo desde o fim da Guerra Fria, em 1990, quando, segundo Berlim, havia cerca de 400 mil soldados estrangeiros baseados no país. Cerca de metade deles eram americanos, mas foram gradualmente retirados à medida que diminuíam as tensões com os Estados sucessores da União Soviética, e conflitos em outros lugares, como a guerra do Iraque, requeriam mais militares dos EUA.

Qual a importância das bases militares americanas para a economia alemã?

As bases americanas são um fator econômico importante para a Alemanha. Muitas delas estão localizadas em regiões rurais do país, onde as forças armadas americanas atuam como o maior investidor e empregador.

Mais de 10 mil alemães trabalham diretamente para as forças armadas americanas, enquanto estima-se que 70.000 empregos na Alemanha estejam indiretamente ligados a empresas que prestam serviços às Forças Armadas americanas, por exemplo, no setor da construção civil ou na indústria de serviços.

Além disso, os soldados americanos baseados na Alemanha e suas famílias gastam grande parte de seus salários em lojas e empresas alemãs. A comunidade militar, por si só, contribui com até 3,5 bilhões de euros (US$ 4,1 bilhões) anualmente para as economias regionais.

Short teaser EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha. Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número.
Author Ben Knight , Thomas Latschan
Item URL https://www.dw.com/pt-br/a-presença-militar-dos-eua-na-alemanha-na-mira-de-trump/a-53832364?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 17
Id 76191308
Date 2026-03-03
Title "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas"
Short title "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas"
Teaser

Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado

Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos do tratado de livre-comércio caracterizam de maneira equivocada o setor agrícola europeu e a indústria brasileira.O embaixador do Brasil na Alemanha rechaçou as críticas de setores políticos europeus ainda resistentes ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Brasil. Segundo Rodrigo de Lima Baena Soares, a caracterização do tratado como uma "troca de carros por vacas" é um "desserviço" que não faz jus nem ao setor agrícola europeu nem à indústria brasileira. "É preciso parar com a ideia de que esse acordo é uma troca de 'carros por vacas', uma expressão que circula tanto no discurso brasileiro quanto no europeu. Isso é uma caricatura e presta um desserviço. Isso caracteriza de maneira equivocada tanto a economia da Europa quanto a brasileira", disse Baena Soares, citando uma expressão crítica que virou um slogan de opositores do acordo, sobretudo na Europa. "Pelo lado europeu, essa narrativa apresenta o agricultor do continente como vítima de uma ameaça existencial por parte dos agricultores sul-americanos. Só que a União Europeia é o maior exportador mundial de alimentos. E os agricultores europeus produzem alguns dos bens mais valorizados e sofisticados do mundo. Está longe de ser uma indústria frágil", disse Baena Soares, que assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado. "E do lado brasileiro, há também um certo desajuste como o acordo é visto, de que seria apenas fornecimento de matérias-primas, quando a realidade é outra. A indústria brasileira exportou 181 bilhões de dólares em 2024. [O acordo] é uma oportunidade para a indústria, e não uma concessão. Com o acordo, as tarifas para a importação de máquinas cairão de 11,6% para menos de 1% até 2040", acrescentou. Baena Soares fez as declarações na segunda-feira (02/02) durante o evento "Diálogos Internacionais Brasil-Alemanha", que ocorre nesta semana na Universidade de Frankfurt, no oeste alemão, e que é promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais). Mensagem clara ao mundo O diplomata também classificou como "excelente notícia" que a Comissão Europeia tenha anunciado no fim de fevereiro que pretende implementar o acordo de forma provisória, enquanto seguir pendente um pedido de parecer apresentado pelo Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), um processo que pode se arrastar por até dois anos. "Estou otimista que a Corte de Justiça da UE reconhecerá o acordo." Baena Soares também disse o acordo é um "sinal inequívoco" do comprometimento do Brasil "com o multilateralismo". "O acordo é uma mensagem clara ao mundo que ainda há espaço para multilateralismo, apesar de todas tensões geopolíticas e o crescente protecionismo de alguns países". "Mostra que divergências podem ser superadas por meio da negociação e do compromisso, um aspecto que anda difícil como atestam os últimos acontecimentos. Nós também não podemos subestimar o impacto político que esse acordo terá. Nosso diálogo político com a UE já é bom e vai ser ainda mais facilitado e fortalecido. Vamos lembrar que todos os países da UE e do Mercosul são países democráticos", disse. "Esse acordo não é o destino, é a infraestrutura de uma jornada cujas dimensões plenas ainda vão ser mapeadas." Negociado ao longo de duas décadas, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e EU foi finalmente assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai. Nas semanas seguintes, o Uruguai e a Argentina se tornaram os primeiros países a ratificar o tratado. Já na Europa ainda não há consenso pleno. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu judicializar a questão, pedindo para que o Tribunal de Justiça da UE julgue a legalidade do tratado. Para evitar que a questão se arraste nos tribunais, a Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) anunciou que vai implementar o acordo de forma provisória. Dentro do bloco europeu, o acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, mas ainda sofre resistência sobretudo da França, o principal produtor agrícola da UE.


Short teaser Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos caracterizam o tratado de livre-comércio de maneira equivocada.
Author Jean-Philip Struck (enviado a Frankfurt)
Item URL https://www.dw.com/pt-br/acordo-mercosul-ue-não-é-uma-troca-de-carros-por-vacas/a-76191308?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado
Image source Maksim Konstantinov/Russian Look/picture alliance
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Item 18
Id 75011709
Date 2025-12-04
Title Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal
Short title Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal
Teaser

Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe

Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono. A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente. O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro. Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada. Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes. O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira. Trump mantém apoio a Hegseth A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira. Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado. Hegseth debateu ataques no Iêmen O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz. O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais. O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen. O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar. Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque. A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada. Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas. as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)


Short teaser Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis.
Item URL https://www.dw.com/pt-br/investigação-conclui-que-chefe-do-pentágono-pôs-soldados-em-risco-ao-usar-signal/a-75011709?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
Image URL (700 x 394) https://static.dw.com/image/74914357_303.jpg
Image caption Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe
Image source Ricardo Hernandez/AP Photo/dpa/picture alliance
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Item 19
Id 63791517
Date 2025-09-10
Title Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan?
Short title Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan?
Teaser

Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado

Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança. Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade. O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir. Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes. Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°? Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança. Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas. Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão. O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°.


Short teaser Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo.
Author Bernd Riegert
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Image caption Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado
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Item 20
Id 72986020
Date 2025-06-21
Title Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã
Short title Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã
Teaser Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã.

O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam.

Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados."

Condições deterioram para afegãos no Irã

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã.

Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar.

As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã.

Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários."

Sem opção de retorno

Atualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família.

"Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi."

Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria."

Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar.

"Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos."

Traficantes de pessoas exploram medos

Redes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras.

Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas.

O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas."

Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia."

Short teaser Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação.
Author Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad
Item URL https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 21
Id 57531509
Date 2025-06-13
Title Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel
Short title Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel
Teaser Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas.

A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país.

Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital.

Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen.

Sistema de três elementos

A defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance.

Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia.

Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo.

O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos.

Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio.

90% de êxito, mas com custos altos

O "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país.

De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011.

Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas.

Nova arma a laser "Iron Beam"

Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam".

O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones.

A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022.

As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos.

Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025.

Short teaser Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011.
Author Uta Steinwehr
Item URL https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 22
Id 64814042
Date 2023-02-25
Title Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos?
Short title Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos?
Teaser

O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia

UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção. Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março. Lei antioligarca De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda. Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias. Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado. Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares. Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados ​​por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas. Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares. Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país. Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros. A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões. Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares. Não existem mais oligarcas ucranianos? Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política. Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los". De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE. Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra. "Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos. Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas.


Short teaser UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas.
Author Eugen Theise
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Image caption O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia
Image source Daniel Naupold/dpa/picture alliance
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Item 23
Id 64820664
Date 2023-02-25
Title Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil
Short title Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil
Teaser

Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil

De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. Prefeito de Istambul diz ser necessário até 40 bilhões de dólares para se preparar para possível novo grande tremor.Duas semanas e meia após o terremoto de 7,8 de magnitude na área de fronteira turco-síria, o número de mortos aumentou para mais de 50 mil, informaram as autoridades dos dois países nesta sexta-feira (24/02). A Turquia registrou 44.218 mortes, de acordo com a agência de desastres turca Afad, e a Síria reportou ao menos 5,9 mil mortes. Nos últimos dias, não houve relatos de resgate de sobreviventes. Tremores secundários continuam a abalar a região. Neste sábado (25/02), um tremor de magnitude 5,5 atingiu o centro da Turquia, informou o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a uma profundidade de 10 quilômetros. O observatório sísmico de Kandilli disse que o epicentro foi localizado no distrito de Bor, na província de Nigde, que fica a cerca de 350 quilômetros a oeste da região atingida pelo grande tremor de 6 de fevereiro. Graves incidentes e vítimas não foram reportados após o tremor deste sábado. Segundo a Turquia, nas últimas três semanas, foram mais de 9,5 mil tremores secundários e a terra chegou a tremer, em média, a cada quatro minutos. De acordo com o governo turco, 20 milhões de pessoas no país são afetadas pelos efeitos do terremoto. As Nações Unidas estimam que na Síria sejam 8,8 milhões de pessoas afetadas. Turquia começa reconstrução As autoridades turcas começaram a construir os primeiros alojamentos para os desabrigados. O trabalho de escavação de terra está em andamento nas cidades de Nurdagi e Islahiye, na província de Gaziantep, escreveu no Twitter o ministro do Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Mudança Climática, Murat Kurum. Inicialmente, estão previstos 855 apartamentos. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometeu a reconstrução em um ano. Críticos alertam que erguer prédios tão rapidamente pode fazer com que a segurança sísmica dos edifícios seja negligenciada novamente. A oposição culpa o governo de Erdogan, que está no poder há 20 anos, pela extensão do desastre porque não cumpriu os regulamentos de construção. Também neste sábado, o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, disse que pelo menos 184 pessoas foram detidas por suposta negligência em relação a prédios desabados após os terremotos. Entre eles, estão empreiteiros e o prefeito do distrito de Nurdagi, na província de Gaziantep. Até agora, o Ministério do Planejamento Urbano inspecionou 1,3 milhão de edifícios, totalizando mais de meio milhão de residências e escritórios, e relatou que 173 mil propriedades ruíram ou estão tão seriamente danificadas que precisam ser demolidas imediatamente. Ao todo, quase dois milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas, demolidas ou danificadas pelos tremores, e vivem atualmente em tendas, casas pré-fabricadas, hotéis, abrigos e diversas instituições públicas, detalhou um comunicado do Afad. Cerca de 528 mil pessoas foram evacuadas das 11 províncias listadas como regiões afetadas, acrescentou o comunicado do serviço de emergência, enquanto 335 mil tendas foram montadas nessas áreas e 130 núcleos provisórios de casas pré-fabricadas estão sendo instalados. Em março e abril começará a construção de 200 mil novas casas, prometeu o ministério turco. Estima-se que o terremoto de 6 de fevereiro tenha custado à Turquia cerca de 84 bilhões de dólares. Na Síria, o noroeste é particularmente atingido pelos efeitos do tremor. Há poucas informações sobre o país devastado pela guerra. Diante de anos de bombardeios e combates, muitas pessoas ali já viviam em condições precárias antes dos tremores. Istambul precisa de 40 bilhões de dólares Enquanto isso, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, disse a cidade, que fica perto de uma grande falha geológica, precisa de um programa urgente de urbanização no valor de "cerca de 30 bilhões a 40 bilhões de dólares" para se preparar para um possível novo grande terremoto. "A quantia é três vezes maior do que o orçamento anual da cidade de Istambul, mas precisamos estar prontos antes que seja tarde demais", disse Imamoglu a um conselho científico. De acordo com um relatório de 2021 do observatório sísmico de Kandilli, um potencial terremoto de magnitude superior a 7,5 danificaria cerca de 500 mil edifícios, habitados por 6,2 milhões de pessoas, cerca de 40% da população da cidade, a mais populosa da Turquia. Istambul fica ao lado da notória falha geológica do norte da Anatólia. Um grande terremoto em 1999 que atingiu a região de Mármara, incluindo Istambul, matou mais de 18 mil. le (EFE, DPA, Reuters, ots)


Short teaser De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos.
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Image caption Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil
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