DW

Item 1
Id 77175370
Date 2026-05-16
Title Fact-checking não basta para combater fake news, revela estudo
Short title Fact-checking não basta contra fake news, revela estudo
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Experimentos mostram que o problema da desinformação se baseia na confiança social. Enfrentamento depende mais de educação e regulamentação do que de fact-checking, acreditam especialistas.Em maio de 2020, o então presidente Jair Bolsonaro foi fotografado em um evento no qual era abençoado por apoiadores evangélicos, que direcionavam suas mãos a ele. Opositores do político de extrema-direita viram ali uma oportunidade de espalhar fake news: tiraram a imagem de contexto e espalharam o boato de que se tratava de apoiadores reverenciando Bolsonaro com o mesmo gesto utilizado pelos nazistas alemães ao saudarem o chanceler Adolf Hitler (1889-1945). Agências de checagem se apressaram a publicar matérias dizendo que a informação era falsa — e explicando que se tratava de um evento religioso evangélico. Não adiantou. A foto com a informação falsa viralizou naqueles dias, sobretudo entre os contrários à política bolsonarista. Faltando menos de cinco meses para as eleições no Brasil, um estudo acadêmico revelou aspectos preocupantes do fenômeno da desinformação. E demonstrou que fact-checking não basta para combater fake news — em um cenário que deve ser ainda mais complexo, com a consolidação dos recursos de inteligência artificial generativa. O ponto mais alarmante identificado pela pesquisa é que mais da metade das pessoas submetida a um conteúdo falso costuma compartilhar a mensagem em suas redes — mesmo não acreditando que se trata de uma verdade. Em números, quando expostos à uma fake news em experimento, 28,7% dos participantes da pesquisa acreditaram nela. Mesmo assim, 52,6% indicaram intenção de espalhá-la a alguém próximo. A pesquisa, realizada por quatro professores da ESPM e do Insper, ambos de São Paulo, acaba de ser publicada em revista acadêmica. Para contribuir para a educação midiática dos usuários de redes sociais, os pesquisadores prepararam uma cartilha com base no estudo — em breve, ficará disponível para download. O material, voltado ao público geral, pretende contribuir para a conscientização dos usuários de redes sociais neste ano eleitoral. Credibilidade vem das relações "O combate à desinformação tem se concentrado em checagem e remoção de conteúdo, e isso é necessário, mas insuficiente. Nosso estudo mostra que a desinformação se espalha porque está embutida em relações de confiança", conta o publicitário e administrador de empresas Eduardo Mesquita, professor na ESPM e o autor principal do trabalho. "Quando alguém em quem confiamos, um amigo, um familiar, um professor, um médico, um influenciador, repassa uma mensagem, a tendência é aceitar e redistribuir sem checar. O efeito é ainda mais forte quando a mensagem parece socialmente relevante, ou seja, quando achamos que pode proteger ou ajudar alguém próximo." A pesquisa foi realizada a partir de três experimentos sociais conduzida com 914 participantes voluntários entre 2022 e 2025. Segundo Mesquita, foram manipulados os fatores como a credibilidade de quem enviava a mensagem e a relevância atribuída ao conteúdo, para que então fossem medidos os resultados na audiência. O estudo concluiu que a origem da mensagem importa muito para quem a recebe. Metade dos participantes recebeu a notícia de uma fonte percebida como confiável — alguém em quem a pessoa confia socialmente. A outra metade veio de fonte sem credibilidade prévia. No primeiro caso, 59.9% disseram que queriam compartilhar. No segundo, 45,7%. De acordo com os pesquisadores, essa diferença de 14 pontos percentuais mostra o quanto a identidade do emissor modula o comportamento com mais intensidade do que a avaliação do conteúdo em si. Em linhas gerais, o trabalho demonstra que a engrenagem das fake news se estrutura a partir de três fatores centrais. Em primeiro lugar, há um fenômeno chamado de transferência de credibilidade: se o receptor confia no emissor, ele age com um relaxamento do seu próprio senso crítico sobre o conteúdo. Em outras palavras: sua mãe tende a acreditar na notícia que você enviar para ela, por mais absurda que essa notícia pareça. Um desdobramento disso é o que os pesquisadores chamam de atalho cognitivo. Em um ambiente repleto de informações, o cérebro tende a driblar o excesso justamente aceitando como plausível aquilo que vem de fonte familiar. Por fim, as mensagens percebidas como úteis ou importantes para a rede de amigos e parentes acabam tendo um potencial de serem compartilhadas com mais frequência. A pessoa acredita que está fazendo algo de positivo. E isso explica tantas fake news em tempos catastróficos, como durante a pandemia de covid-19, bem como aquelas mensagens que a gente recebe de familiares com curas milagrosas cheias de pseudociência. Fact-checking é insuficiente Professora assistente e pesquisadora na Universidade Politécnica de Lappeenranta, na Finlândia, a jornalista Regina Cazzamatta, especialista no estudo de desinformação, afirma que já é conhecido o fato de que o fact-checking e a derrubada de conteúdo falso não são uma panaceia para resolver o problema. "Temos a tendência de acreditar em informações que estão alinhadas à nossa percepção e visão de mundo", salienta ela. Na dúvida, é melhor ficar com um pé atrás. "Talvez uma das chaves seja justamente essa: ensinar a desconfiar, não no sentido de romper relações de confiança, mas de entender que confiança pessoal não substitui verificação", afirma o cientista da comunicação Paulo Rodrigo Ranieri, professor de narrativas digitais na Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Creio que conscientizar para o exercício de uma cidadania digital não seja apenas informar melhor, mas criar uma cultura em que as pessoas se sintam responsáveis pelo que compartilham". O modelo do fact-checking é essencial, mas chega tarde. Como enxugar gelo. É o que argumenta a jornalista Maria Paola de Salvo, fundadora e CEO da plataforma de inteligência artificial EasyTelling e ex-coordenadora no Brasil do programa Grand Challenges da Fundação Bill & Melinda Gates. "O estudo é preciso ao deslocar o eixo do problema: desinformação é só uma falha informacional, é um fenômeno social", avalia ela. "As pessoas não compartilham conteúdo principalmente porque acreditam nele, mas sim porque confiam em quem enviou. O problema não está apenas na mensagem, mas no canal afetivo por onde ela passa", acrescenta Salvo. Vacina contra fake news Na visão de Cazzamatta, esse cenário torna o trabalho dos checadores ainda mais difícil. Por isso, afirma ela, cada vez mais organizações estão aliando ao trabalho da checagem o chamado prebunking, ou seja, uma vacinação psicológica. A tática é assumir uma postura proativa de combate à desinformação, avisando as pessoas sobre tentativas de manipulação de conteúdo antes mesmo que essas ocorram. "A ideia é agir a partir de análises prévias do que vai explodir. E combater a desinformação antes que os pepinos se espalhem", contextualiza Cazzamatta. Ao expor o público a formas diluídas de desinformação, desconstruindo os discursos tipicamente enganosos, o público desenvolve uma resiliência cognitiva. Um exemplo muito interessante desse tipo de abordagem é o jogo Bad News, desenvolvido com participação de pesquisadores da Universidade de Cambridge justamente para demonstrar como as fake news funcionam — e conscientizar as pessoas a não compartilhá-las. Cazzamatta lembra ainda que o problema está na escassa regulamentação — e nos meios de responsabilização — das plataformas. "A desinformação é uma falha no sistema [das redes sociais], é parte do modelo de negócio dessas plataformas sociais", ressalta. Ela lembra ainda que, se na Europa está em vigor o Digital Services Act (DSA) desde 2024, buscando regular as redes e combater conteúdos ilegais, no Brasil esse tipo de proteção ainda não existe. Em ano eleitoral, o potencial de dano é imenso. "Tudo isso ganha intensidade maior", avalia o professor Ranieri. "A desinformação não circula de forma neutra. Ela se conecta diretamente com identidade e emoção, e também com o posicionamento político". Com as ferramentas de IA, acrescenta ele, "a capacidade de produzir conteúdo em larga escala, com aparência de legitimidade", deve agravar o quadro. Os especialistas concordam que contra a desinformação é preciso muita conscientização dos cidadãos, além do trabalho de checagem, da produção jornalística consciente e de ferramentas que as plataformas de redes sociais podem empregar para derrubar esse tipo de conteúdo.


Short teaser Experimentos mostram que o problema da desinformação se baseia na confiança social e que chacagem não é suficiente.
Author Edison Veiga
Item URL https://www.dw.com/pt-br/fact-checking-não-basta-para-combater-fake-news-revela-estudo/a-77175370?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 2
Id 77126042
Date 2026-05-15
Title Estudo aponta greenwashing sistemático na indústria pecuária, inclusive a brasileira
Short title Estudo aponta greenwashing sistemático na indústria pecuária
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Desmatamento está associado à cadeia de abastecimento da indústria da carne no Brasil

De mais de 1,2 mil declarações analisadas, 98% foram consideradas enganosas ou falsas. Metas de neutralidade climática de gigantes brasileiras do setor não são críveis, dizem autoras. Empresas contestam.A indústria da carne e do leite incorre em greenwashing, quando se fazem promessas ambientais enganosas ou falsas, em 98% das suas afirmações e compromissos. É o que afirma um estudo científico publicado no fim de abril pela revista científica PLOS Climate. As pesquisadoras analisaram 1.233 declarações publicadas, de 2021 a 2024, em relatórios de sustentabilidade e sites públicos de 33 empresas. Todas as companhias estão entre as maiores do setor ao redor do mundo, incluindo as brasileiras JBS, Minerva Foods, Marfrig e BRF (as duas últimas, desde a fusão em setembro, compõem a MBRF). A lista ainda conta, entre outros, com Danone, Nestlé e Cargill. Segundo as autoras do estudo, a indústria "pode estar induzindo consumidores e investidores ao erro sobre se e em que medida está enfrentando seus impactos ambientais, incluindo as mudanças climáticas." Os sistemas de pecuária correspondem a 12% das emissões antropogênicas de gases de efeito estufa, estima a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Já no Brasil, a agropecuária é responsável por 75% das emissões de gás metano, que cresceram em 6% entre 2020 e 2023, segundo estudo do Observatório do Clima (OC) do ano passado. O potencial de aquecimento global destas moléculas supera em 28 vezes o dióxido de carbono (CO2) num período de cem anos. Muitas promessas, poucas evidências Na sua análise, as cientistas definiram greenwashing como a disseminação de informações falsas ou enganosas sobre as estratégias, objetivos, motivações e ações ambientais de uma empresa. Na prática, isso pode incluir a adoção de medidas de baixo impacto, comprometimentos vagos e afirmações pouco ou nada apoiadas em evidências. Das mais de 1,2 mil declarações analisadas, só 356 (29%) apresentavam evidências, com três delas vindo de fontes científicas. Além disso, as pesquisadoras encontraram 467 projeções inverificáveis, quase sempre desacompanhadas de planos de implementação ou avaliações de viabilidade. As promessas verdes ligadas à proteção do clima prevalecem no setor, aponta a pesquisa. Das 33 empresas analisadas, 17 prometeram atingir a neutralidade climática em prazos variados, com dez estabelecendo 2050 como meta. Mas "assim como no caso das companhias de petróleo e gás, os comprometimentos parecem se basear em planos de compensar as emissões de carbono em vez de descarbonizar", diz o artigo na PLOS Climate. Os resultados também indicaram que o setor tende a oferecer informações restritas sobre como as emissões são mensuradas. As iniciativas que, em contrapartida, são descritas detalhadamente costumam ser limitadas em longevidade, escala e abrangência geográfica. "Em vez de buscar mudanças transformadoras, muitas empresas parecem priorizar pequenos ganhos de eficiência e divulgam amplamente iniciativas de pequena escala ou piloto que pouco contribuem para reduzir a pegada ambiental geral da pecuária," concluiu a pesquisa. Brasileiras têm as metas mais ambiciosas De todas as empresas estudadas, as brasileiras Minerva Foods, JBS e a então BRF figuraram entre as quatro com metas climáticas mais ambiciosas. Elas prometeram se tornar neutras em gases de efeito estufa até 2035 ou 2040, considerando emissões resultantes das suas atividades, do seu consumo de energia e das cadeias de produção - o que, neste caso, inclui o desmatamento para a pecuária extensiva, por exemplo. Em 2024, a agropecuária foi responsável por 29% das emissões brasileiras, seguida pelo desmatamento, com cerca de 40%, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), mantido pelo OC. Para as pesquisadoras da Universidade de Miami, as metas das gigantes brasileiras não são críveis. Elas argumentam que "não é possível criar animais que não produzam gases de efeito estufa" e "não está claro como a neutralidade será atingida ou verificada". Por sua vez, a então Marfrig não estabeleceu prazo para atingir a neutralidade climática, apesar do compromisso de reduzir emissões diretas e indiretas a curto prazo. Juntas, as quatro brasileiras tiveram 166 afirmações analisadas pelo estudo, dentre as quais foram identificados indícios de greenwashing em 164. JBS processada nos EUA Em novembro, a subsidiária americana da JBS, de propriedade dos irmãos Joesley e Wesley Batista, fechou acordo de 1,1 milhão de dólares (R$5,4 milhões) para encerrar um processo no qual era alvo de acusação semelhante. Uma investigação da procuradoria do estado de Nova York concluiu que a empresa induzia o público ao erro com o manifesto compromisso de reduzir a sua pegada de carbono. "Os nova-iorquinos merecem a verdade quando se trata do impacto ambiental dos produtos que eles compram", disse, à época, a procuradora-geral do estado, Letitia James. "A JBS dos EUA fez promessas grandiosas sobre o impacto climático de sua empresa-mãe, apesar de não ter um plano concreto para respaldá-las." Pelo acordo, a JBS deveria também reformar as suas práticas de marketing ambiental, além de reportar anualmente à procuradoria do estado por três anos. Já os recursos seriam revertidos no apoio a programas que apoiam produtores locais, inclusive na redução de emissões. Dias antes do anúncio do acordo, a ONG Mighty Earth abriu processo da mesma natureza, dessa vez na capital dos Estados Unidos. Em resposta, a JBS rejeitou categoricamente que suas metas de sustentabilidade sejam enganosas, afirmando que vinha obtendo progresso mensurável no combate às mudanças climáticas. À agência Reuters, o chefe de sustentabilidade da empresa, Jason Weller, dissera, dez meses antes, que a neutralidade climática até 2040 não era "promessa", mas, sim, "aspiração". Outro lado Procurada pela DW, a JBS afirmou que o "relatório trazido pela reportagem baseia-se numa abordagem qualitativa que não reflete o rigor ou a transparência das normas científicas ou multissetoriais estabelecidas e utilizadas em todo o nosso setor". "É importante notar também que os próprios autores reconhecem limitações significativas na sua metodologia, o que reforça a necessidade de cautela na interpretação das suas conclusões", diz a empresa. "Na JBS, nosso foco está nas ações e no progresso mensurável. Continuamos a investir em tecnologias e melhorias operacionais que reduzem as emissões, aumentam a eficiência e geram energia renovável e circular em todas as nossas instalações. Também trabalhamos diretamente com produtores em várias regiões em projetos colaborativos que apoiam a melhoria do manejo do solo, da nutrição animal e da produtividade — esforços que podem contribuir para uma menor intensidade de emissão de gases com efeito de estufa ao longo do tempo", afirmou a JBS. A MBRF, resultado da fusão entre a BRF e Marfrig, por sua vez, disse que “contesta as conclusões do artigo e observa que o estudo utiliza categorias amplas e metodologicamente vulneráveis de classificação de alegações ambientais, que não refletem os diferentes níveis de maturidade, transparência, governança, escala operacional e capacidade de execução entre empresas globais de alimentos". "A MBRF destaca, ainda, que foi pioneira no desenvolvimento em monitoramento socioambiental da cadeia pecuária, incluindo controle geoespacial, cruzamento de bases públicas, monitoramento de desmatamento, embargos ambientais, trabalho análogo ao escravo e invasões de áreas protegidas. Como resultado, atualmente, monitora 100% dos fornecedores diretos e indiretos de bovinos e de grãos em todos os biomas", disse a MBRF. Já a Minerva Foods respondeu afirmando que "sua estratégia climática é sustentada por iniciativas concretas, transparência na divulgação de informações e monitoramento contínuo de resultados, e que a meta de alcançar a neutralidade de emissões até 2035 reflete a ambição da companhia de agir com urgência diante da crise climática, combinando a redução efetiva de emissões em toda a cadeia de valor com o uso criterioso de mecanismos de compensação reconhecidos internacionalmente". "Atualmente, a Minerva Foods já monitora 100% dos fornecedores diretos em toda sua operação na América do Sul e, no Brasil — seu principal mercado —, consolidou também o monitoramento de 100% dos fornecedores indiretos até o nível 1 para a Amazônia Legal e o Maranhão. Além disso, tem avançado em iniciativas voltadas à redução das emissões na pecuária, incluindo estudos conduzidos em parceria com instituições de pesquisa para validação de aditivos alimentares capazes de reduzir significativamente as emissões de metano entérico. Os resultados obtidos até o momento demonstram potencial relevante de aplicação em escala, conciliando ganhos de produtividade e sustentabilidade."


Short teaser De 1,2 mil declarações, 98% foram consideradas enganosas. Metas de empresas brasileiras não são críveis para autoras.
Author Heloísa Traiano
Item URL https://www.dw.com/pt-br/estudo-aponta-greenwashing-sistemático-na-indústria-pecuária-inclusive-a-brasileira/a-77126042?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption Desmatamento está associado à cadeia de abastecimento da indústria da carne no Brasil
Image source Andre Penner/AP Photo/picture alliance
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Item 3
Id 77172490
Date 2026-05-15
Title Entenda as ligações de Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro
Short title Entenda as ligações suspeitas de Flávio Bolsonaro e Vorcaro
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Com revelação de mensagens, Flávio Bolsonaro passou a dizer que conhece Vorcaro desde dezembro de 2024, mas que não falava de relação por "cláusula de confidencialidade"

Conversas apontam que senador e pré-candidato à Presidência mantinha contato próximo com banqueiro, apesar de negativas anteriores sobre relação, e que negociou repasses milionários.Conversas reveladas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro – dono do Banco Master, preso acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras – expõem uma relação mais próxima e complexa do que o parlamentar vinha admitindo publicamente, lançando uma sombra sobre a pré-candidatura à Presidência do político de extrema direita. As mensagens, divulgadas em primeira mão pelo site The Intercept Brasil na quarta-feira (13/05), indicam que o senador Flávio negociou repasses milionários em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal sobre o caso Master. Segundo o senador, esses recursos seriam para financiar uma cinebiografia sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O material, cuja veracidade foi confirmada por fontes ligadas ao caso e pelo próprio senador, lança dúvidas sobre a versão apresentada por Flávio Bolsonaro e amplia o alcance político de um escândalo que envolve várias esferas do poder. Segundo o Intercept, Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção do filme Dark Horse entre fevereiro e maio de 2025. Essa seria uma parte de um repasse total combinado de cerca de R$ 134 milhões para o filme, um valor exepcionalmente alto para um longa filmado no Brasil, levantando dúvidas se o dinheiro seria mesmo canalizado para a produção. Sinais trocados Os registros mostram que Flávio Bolsonaro manteve contato frequente com Daniel Vorcaro entre setembro e novembro de 2025. O senador chegou a se referir ao empresário como "irmão" e cobrou diretamente repasses financeiros para a produção de Dark Horse. Em um áudio de setembro, Flávio disse: "Eu fico sem graça de ficar te cobrando", ao mesmo tempo em que pressiona pela liberação de valores. Poucos dias antes, em 3 de setembro, o Banco Central havia vetado a venda do Banco Master ao BRB — um movimento que já indicava fragilidade na situação do grupo financeiro. Mesmo diante desse contexto, as conversas prosseguiram. Em 8 de setembro, o senador voltou a cobrar pagamentos. Em 30 de setembro, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar irregularidades envolvendo Vorcaro. Na última mensagem, em 16 de novembro – um dia antes da segunda prisão de Vorcaro –, Flávio escreveu: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente." Horas antes da divulgação desse material, o senador esteve com o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), para se apresentar como pré-candidato à Presidência. Na saída, um repórter do The Intercept perguntou sobre o financiamento de Vorcaro ao filme. Ele respondeu: "De onde você tirou essa informação? É mentira". Ele riu, chamou o repórter de "militante", e se retirou da entrevista coletiva improvisada. Já distante dos jornalistas, disse que era "tudo privado". Quando os áudios vieram à tona, ele mudou sua versão: "Mais do que nunca, é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai", afirmou em vídeo. A mensagem segue na linha de que só há dinheiro privado envolvido. "Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet." A justificativa de que não há dinheiro privado e que, portanto, não haveria irregularidades, é enganoso ao omitir que há recursos públicos envolvidos na fraude do Master. Entre os maiores rombos, estão R$ 2,6 bilhões da Rioprevidência, o fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões a servidores do Rio de Janeiro, R$ 400 milhões investidos pela previdência do Amapá em ativos podres no banco, e ao menos R$ 12,2 bilhões em ativos fraudulentos comprados pelo Banco de Brasília (BRB), que tem como acionista majoritário do Governo do Distrito Federal. Até a divulgação das conversas, Flávio afirmava não conhecer o ex-banqueiro. Em março, a Polícia Federal revelou que o contato do senador e de outros congressistas estava na agenda telefônica do investigado, dentro das investigações da CPI sobre fraudes no INSS. Na ocasião, Flávio Bolsonaro afirmou que nunca teve contato com o dono do Master e que o número do seu telefone "não é propriamente um segredo". Com a revelação das conversas, Flávio mudou a versão e passou a dizer que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, "quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro". Para se contrapor a esse argumento há, inclusive, uma publicação no X de seu pai, de setembro de 2024, sobre uma reportagem que trata das investigações contra o Master. Cláusula de confidencialide Ao admitir ter uma relação com Vorcaro, ele alegou ainda haver uma cláusula de confidencialidade no contrato entre o ex-banqueiro e a produtora do filme: "Eu não falei que era mentira. Tenho contrato de confidencialidade", disse em entrevista à Globonews. Flávio Bolsonaro afirmou que não houve doação ou favor, mas sim um investimento com expectativa de retorno financeiro. "Não é banqueiro enrolado, é investidor de filme", se referiu à Vorcaro na época em que o conheceu. Ele afirmou que a equipe do filme passava por dificuldades para captar recursos no Brasil e atribuiu o cenário a uma suposta perseguição da Polícia Federal a opositores durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dark Horse, que no inglês significa algo como "azarão", é dirigido pelo cineasta americano Cyrus Nowrasteh, conhecido por produções dramáticas de cunho religioso ou político, como O Apedrejamento de Soraya M. (2008) e O Jovem Messias (2016). A "mega produção hollywoodiana", como definiu Flávio Bolsonaro, retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, do atentado de 2018 à chegada à Presidência. No papel principal está Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em "A Paixão de Cristo" O projeto envolve figuras próximas ao bolsonarismo. O ator e deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, é responsável pelo roteiro e produção. Inicialmente, Frias afirmou que "não há um único centavo" de Vorcaro no filme. Depois modulou sua fala na linha de Flávio Bolsonaro, de que "não haveria problema algum" ter dinheiro de Vorcaro, por se tratar de relação "privada". A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo longa, também negou ter recebido recursos do ex-banqueiro — o que contrasta com os registros de pagamentos apresentados na investigação, que indicam repasses de ao menos R$ 61 milhões. O valor total de R$ 134 milhões contrasta com o preço normalmente investido em filmes no Brasil e provocou especulações se o filme não estava sendo para disfarçar recursos que seriam usados para outros fins. O longa O Agente Secreto (2025), por exemplo, custou R$ 28 milhões e a produção recente mais cara do cinema nacional é Ainda Estou Aqui (2024), que teve gastos de R$ 45 milhões. Polícia Federal investiga Eduardo Bolsonaro Uma das frentes de investigação da PF envolve o possível uso desses recursos para custear despesas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, nos Estados Unidos, onde o ex-deputado vive desde fevereiro de 2025. A Polícia Federal identificou transferências da empresa Entre Investimentos e Participações — associada ao ex-banqueiro — para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas. O fundo é representado por Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro. Eduardo negou as acusações de se favorecer desses recursos. Em rede social, afirmou que a suspeita "é tosca" e um "assassinato de reputação". "Meu status migratório não permitiria [receber esses recursos]. Se isso tivesse acontecido, o próprio governo americano me puniria", disse. Flávio também negou que o dinheiro tenha sido utilizado com essa finalidade, embora tenha confirmado que valores passaram pelo fundo nos Estados Unidos. Segundo o senador, os recursos foram integralmente aplicados no projeto. Ele disse que Calixto atuava como gestor do fundo e é pessoa de sua "confiança". Entorno político envolvido Apesar de Flávio tentar se desvincular do caso — chegando a afirmar que "o Banco Master é do Lula" —, a ligação com Vorcaro se espalha pelo entorno político da família Bolsonaro. O senadorCiro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil e aliado de Jair Bolsonaro, que chegou a ser cotado a vice de Flávio, foi alvo de operação da Polícia Federal relacionada a suposto recebimento de vantagens ao tentar legislar a favor do banco. A chamada "emenda Master", apresentada por Ciro em 2024, propunha ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege investidores em caso de quebra de instituições financeiras. A proposta beneficiaria diretamente o modelo de negócios do Master, que captava recursos oferecendo alta rentabilidade com cobertura do fundo. Segundo a PF, no entanto, o texto da emenda teria sido elaborado por assessores do próprio banco e posteriormente apresentado no Senado por Nogueira praticamente sem alterações. Em mensagens interceptadas, Vorcaro celebra que o texto saiu exatamente como ele mandou. Ciro nega que tenha enviado a versão integral da proposta feita pelo banco. O senador nega irregularidades e afirma que a proposta tinha caráter técnico, voltado à proteção de correntistas. Enquanto isso, Flávio aposta na criação de uma CPI para investigar o Banco Master como forma de defesa. Nos bastidores do Congresso, no entanto, há ceticismo quanto à instalação da comissão, especialmente pela resistência do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que também está na mira das investigações sobre a fraude do Master. sf (Agência Brasil, ots)


Short teaser Conversas apontam que senador e pré-candidato à Presidência mantinha contato próximo com banqueiro caído em desgraça.
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Image caption Com revelação de mensagens, Flávio Bolsonaro passou a dizer que conhece Vorcaro desde dezembro de 2024, mas que não falava de relação por "cláusula de confidencialidade"
Image source Diego Herculano/REUTERS
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Item 4
Id 77170703
Date 2026-05-15
Title Ex-governador do RJ Cláudio Castro é alvo de operação da PF
Short title Ex-governador do RJ Cláudio Castro é alvo de operação da PF
Teaser Ação visa apurar possíveis fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, apontada como a maior devedora de impostos do Brasil.

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) é um dos alvos nesta sexta-feira (15/05) da Operação Sem Refino, desencadeada pela Polícia Federal (PF), por suspeita de envolvimento em um esquema bilionário de sonegação de impostos através do setor de combustíveis.

Agentes foram para a casa de Castro, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

A operação teve mandados autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da ADPF das Favelas, relacionada à atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no RJ. O objetivo é apurar a "atuação de conglomerado econômico do ramo de combustíveis suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior".

"As investigações apuram possíveis fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação de refinaria vinculada ao grupo", afirmou a PF através de comunicado.

Maior devedora de impostos do país

Segundo investigadores, a refinaria citada é a Refit (antiga Refinaria de Manguinhos, na capital fluminense), apontada pela Receita Federal como a maior "devedora contumaz" fiscal do país. Há suspeita de que a empresa tenha obtido ajuda de agentes públicos para manter as atividades, mesmo devendo uma cifra bilionária de impostos.

A operação inclui um total de 17 mandados de busca e apreensão em Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Também foi determinada a inclusão de investigado na Difusão Vermelha da Interpol.

Além disso, a Justiça determinou a prisão do empresário Ricardo Magro, dono da Refit, que teve o nome incluído na chamada "difusão vermelha" da Interpol, sendo, assim, considerado foragido do país. Magro mora em Miami, nos Estados Unidos.

md (ots)

Short teaser Ação visa apurar possíveis fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas a refinaria.
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Item 5
Id 77163516
Date 2026-05-14
Title China começa a agir contra empresas que tentam se "desacoplar" do país
Short title China age contra empresas que tentam se "desacoplar" do país
Teaser

Fábrica da alemã VW na China. Disputas geopolíticas têm colocado empresas em situação delicada

Regime chinês cria regulamentos para retaliar companhias ocidentais que tentarem reduzir sua dependência de fábricas e componentes do país, colocando empresas em situação delicada em meio a tensões geopolíticas.Desde a pandemia de covid-19, tanto a União Europeia quanto os EUA intensificaram seus esforços para tornar suas cadeias de suprimentos menos dependentes da China. Muitas empresas estrangeiras passaram a reduzir suas operações no país asiático e parte da produção foi relocalizada para regiões mais próximas de seus mercados de origem. A iniciativa ganhou novo fôlego com novas tensões geopolíticas e a guerra tarifária iniciada pelos EUA. No jargão econômico, esses processos são chamados de decoupling (desacoplamento) ou de-risking (redução de riscos). E seria de se pensar que se trata de uma simples livre escolha, e que a China não tem como impedir esse desacoplamento. mas as coisas não são vistas dessa maneira pelo regime chinês. Regulamentos para punir empresas estrangeiras No mês passado, o regime chinês anunciou o lançamento dos chamados Regulamentos sobre a Segurança Industrial e da Cadeia de Suprimentos. Com esses novos regulamentos, as autoridades chinesas podem agora retaliar empresas estrangeiras que transfiram suas fábricas da China para países como o Vietnã ou a Índia, ou que tragam a produção de volta para seus países de origem. Empresas estrangeiras agora também podem enfrentar multas e ser incluídas em listas negras de cadeias de suprimentos caso acatem controles de exportação ou sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia contra entidades chinesas. Os regulamentos também permitem que as autoridades chinesas impeçam empresas e indivíduos de deixarem a China se houver suspeita de que estejam transferindo cadeias de suprimentos para outros locais sob pressão estrangeira. "A medida visa, efetivamente, inviabilizar iniciativas de redução de riscos — como aquelas que a UE e seus Estados-membros, incluindo a Alemanha, vêm adotando para diminuir sua dependência da China", disse Rebecca Arcesati, analista do Instituto Mercator para Estudos sobre a China (MERICS). As tensões comerciais entre a China e o Ocidente têm crescido há anos, mas a imposição de novas e agressivas tarifas sobre produtos chineses pelo presidente dos EUA, Donald Trump em 2025, acelerou significativamente essa mudança. Juntas, essas disputas precipitaram o enfraquecimento da globalização, que vem sendo substituída por um sistema de comércio global mais fragmentado e baseado em blocos econômicos. Europa reage à dominância chinesa Diante do repetido dumping de mercadorias chinesas baratas — mais recentemente, veículos elétricos (VEs) — que inundam o mercado europeu como resultado das tarifas impostas por Trump, a UE tem adotado, cada vez mais, medidas concretas para proteger melhor seu comércio com a China. Em março, a Comissão Europeia — o braço executivo da UE — publicou detalhes sobre a Lei de Aceleração Industrial (IAA) do bloco. Embora não mencione explicitamente a China, a IAA visa reduzir as dependências estratégicas da Europa em relação a mercadorias e investimentos chineses, além de combater o que vê como concorrência desleal de rivais chineses, que frequentemente se beneficiam de enormes subsídios estatais. Esse cabo de guerra regulatório coloca as multinacionais — especialmente montadoras alemãs — em uma posição cada vez mais difícil, visto que empresas como Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz estão empenhadas em proteger sua substancial participação de mercado na China. Essas empresas também lucram ao produzir uma parcela considerável de seus veículos na China, os quais são posteriormente exportados para outros territórios. Mas, em seus países de origem, essas empresas enfrentam pressão para reduzir a dependência de componentes da China, ao mesmo tempo em que competem com montadoras chinesas de veículos elétricos em rápida ascensão. Empresas enfrentam equilíbrio impossível Jens Eskelund, presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China, descreveu as novas regras de Pequim como uma "caixa de ferramentas extraterritorial" que aumentará ainda mais a "complexidade no comércio global". "Podem surgir situações em que as empresas fiquem presas entre medidas regulatórias impostas nos EUA ou na Europa e na China, tornando impossível cumprir todas elas simultaneamente", disse Eskelund. Existem evidências anedóticas, afirmou Arcesati, a analista do MERICS, de que a China já está pressionando empresas estrangeiras em relação aos seus planos de transferir parte da produção para outros países. "Os líderes da China determinaram que a melhor maneira de garantir liderança é a China tornar-se mais autossuficiente... e o mundo depender mais da China no que tange às cadeias de suprimentos e à tecnologia", disse. Pequim já demonstrou sua disposição em utilizar as cadeias de suprimentos como arma, ao endurecer, no ano passado, os controles de exportação sobre elementos de terras raras e outros minerais críticos. Esses materiais são vitais para a produção de veículos elétricos, sistemas de defesa e eletrônicos avançados. Pressão chinesa para abrandar a IAA A UE está sob crescente pressão de Pequim para abrandar a IAA. Vários Estados-membros da UE com fortes laços econômicos com Pequim — incluindo a Alemanha — também estão defendendo uma abordagem mais cautelosa. Apesar de o déficit comercial da UE com a China ter atingido a cifra de 360 bilhões de euros em 2025, Bruxelas poderá ter dificuldades para manter-se firme, mesmo diante dos alertas de muitos analistas de que a Europa deve proteger urgentemente o seu futuro industrial. "Se eu fosse uma formuladora de políticas europeia, eu... dobraria a aposta", disse à DW Alice Garcia Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do banco de investimentos francês Natixis. "Se continuarmos aceitando a ameaça da China, teremos cada vez menos margem de manobra." __________ Colaborou na reportagem Clifford Coonan


Short teaser Regime chinês quer retaliar companhias ocidentais que tentarem reduzir sua dependência de fábricas e componentes do país
Author Nicolas Martin
Item URL https://www.dw.com/pt-br/china-começa-a-agir-contra-empresas-que-tentam-se-desacoplar-do-país/a-77163516?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption Fábrica da alemã VW na China. Disputas geopolíticas têm colocado empresas em situação delicada
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Item 6
Id 77163750
Date 2026-05-14
Title Desmatamento na Mata Atlântica atinge menor nível histórico
Short title Desmatamento na Mata Atlântica atinge menor nível histórico
Teaser

Da cobertura original total da Mata Atlântica restam hoje cerca de 24%

Índice total de desmatamento do bioma registrou queda de 28% em 2025. Em florestas maduras, a queda foi ainda mais expressiva: 40%. Segundo ONG, é a primeira vez que o desmatamento anual ficou abaixo de 10 mil hectaresA área de desmatamento na Mata Atlântica registrou queda de 28% em 2025, em comparação com os monitoramentos realizados em 2024, passando de 53.303 hectares há dois anos, para 38.385 no ano passado. Este é o menor nível da série histórica e confirma a trajetória de desaceleração no desmatamento do bioma, segundo avaliação da Fundação SOS Mata Atlântica divulgada nesta quarta-feira (13/05). Os resultados foram obtidos pelo Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, desenvolvido pela Fundação SOS Mata Atlântica, MapBiomas e Arcplan desde 2022. Trata-se do menor índice dos quatro anos de acompanhamento. De acordo com o SAD, houve redução das derrubadas em 11 dos 17 estados do bioma, com destaque para Bahia e Piauí. No entanto, ambos ainda aparecem entre os maiores responsáveis pela perda florestal em 2025: Bahia (17.635 ha), Minas Gerais (10.228 ha), Piauí (4.389 ha) e Mato Grosso do Sul (1.962 hectares). Esses quatro estados concentraram 89% da área total desmatada. Nos demais estados, as perdas ficaram abaixo de 1 mil hectares: "Quase toda a destruição registrada pelo sistema (96%) foi convertida para uso agropecuário, grande parte com indício de ilegalidade", destacou a SOS Mata Atlântica. Atlas mostra tendência de queda ainda maior em florestas maduras Já o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mala Atlântica indicou a mesma tendência, com um dado ainda mais expressivo: houve redução de 40% no desmatamento de florestas maduras, que passou de 14.366 ha em 2024 para 8.668 ha em 2025. O Atlas é realizado em parceria da Fundação SOS Mata Atlântica com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que desde 1985 monitora os grandes fragmentos de florestas maduras do bioma. Em 40 anos de monitoramento, a entidade informou que esta é a primeira vez que o desmatamento anual ficou abaixo de 10 mil hectares. De acordo com a SOS Mata Atlântica, os resultados refletem ações como pressão pública, mobilização da sociedade, políticas ambientais e fiscalização. Entre elas, estão a Operação Mata Atlântica em Pé, a aplicação de embargos remotos e a restrição de crédito a áreas desmatadas ilegalmente, além da afirmação da Lei da Mata Atlântica como principal instrumento de proteção da vegetação nativa do bioma. Da cobertura original total da Mata Atlântica restam hoje cerca de 24%, sendo pouco mais da metade (12,4%) correspondente às florestas maduras. Risco continua Apesar da queda anual de área desmatada, Luis Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica, alerta para a necessidade de manter a vigilância sobre o bioma. "O desmatamento continua acontecendo e, na Mata Atlântica, cada fragmento perdido faz diferença. O desafio é manter essa trajetória até zerarmos o desmatamento." Ele apontou que há um risco concreto ao bioma em discussão no âmbito do Legislativo. Isso porque, em 2025, o Congresso Nacional aprovou a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Lei da Licença Ambiental Especial. A SOS Mata Atlântica avalia que essas leis enfraquecem mecanismos de controle do desmatamento justamente quando eles demonstram resultados concretos: "É uma distorção que leva o Brasil na contramão do Acordo de Paris e potencializa tragédias climáticas. Os números apontam que o desmatamento cai quando a lei é aplicada com rigor e critérios técnicos. Enfraquecer os instrumentos de proteção agora é arriscar o que levamos anos construindo", disse Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica. jps (Agência Brasil, ots)


Short teaser Índice total de desmatamento do bioma registrou queda de 28% em 2025.
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Image caption Da cobertura original total da Mata Atlântica restam hoje cerca de 24%
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Item 7
Id 77155329
Date 2026-05-13
Title Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para filme sobre Jair, diz Intercept
Short title Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro R$ 134 milhões para filme
Teaser

Senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro

Segundo reportagem do Intercept Brasil, Vorcaro pagou R$ 61 milhões para produção de longa-metragem sobre o ex-presidente.O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagou cerca de R$ 61 milhões para financiar um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O dinheiro foi pedido pelo senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira (13/05) pelo portal The Intercept Brasil. Diálogos divulgados pelo site mostram Flávio Bolsonaro pedindo mais dinheiro a Vorcaro ao falar sobre o filme. Uma das conversas ocorreu em 15 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito daOperação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master. Ao menos R$ 61 milhões teriam sido pagos De acordo com o Intercept Brasil, Vorcaro pagou para a produção do filme ao menos R$ 61 milhões, entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. O valor total negociado chegaria a R$ 134 milhões, embora, de acordo com o site, não haja evidências de que todo o dinheiro tenha sido repassado. Parte do dinheiro teria sido transferida da empresa Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, com sede no Texas, nos EUA. Esse fundo seria, segundo a reportagem, controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está vivendo no país. "Fico sem graça de ficar te cobrando" "Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?", teria afirmado o senador em áudio enviado a Vorcaro em 8 de setembro do ano passado. "Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim", teria acrescentado. Jim Cazaviel interpreta Jair Bolsonaro no filme. Cyrus Nowrasteh é o diretor do longa-metragem Dark Horse, que tem lançamento previsto para 11 de setembro, a menos de um mês do primeiro turno das eleições. As conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro publicadas pelo Intercept incluem também mensagens com imagens de visualização única. Em 16 de novembro, após o envio de duas mensagens desse tipo, Flávio diz: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!" Vorcaro responde com uma mensagem de visualização única, e Flávio reage dizendo "Amém". O que diz Flávio Bolsonaro Através de nota, o senador Flávio Bolsonaro reconheceu que buscou Daniel Vorcaro para patrocinar o filme de seu pai. No texto, divulgado após reunião de emergência da pré-campanha, Flávio pediu a instalação de uma CPI do Banco Master, afirmando que a medida seria "mais fundamental do que nunca" para "separar os inocentes dos bandidos". O senador argumentou que a relação com Vorcaro se deu exclusivamente no contexto da busca de patrocínio para o filme. "O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet", afirmou. Flávio diz no comunicado ter conhecido Vorcaro somente em dezembro de 2024, época em que "não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro", acrescentando que o contato foi retomado posteriormente por causa de atrasos em parcelas de patrocínio destinadas à conclusão do filme. Ele negou ter oferecido a Vorcaro vantagens em troca de dinheiro ou ter atuado em favor do empresário junto ao poder público. "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, escreveu. "Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero: CPI do Master já", concluiu. Antes da nota, Flávio negou Entretanto, horas antes, na manhã desta quarta-feira ao sair do Supremo Tribunal Federal (STF) após encontro com o presidente da Corte, Edson Fachin, Flávio foi questionado por um repórter do Intercept Brasil sobre o tema. "É mentira, de onde você tirou isso?", afirmou o senador, dando uma gargalhada e se afastando do local onde respondia perguntas de jornalistas. md (ots)


Short teaser Segundo reportagem do Intercept Brasil, Vorcaro pagou R$ 61 milhões para produção de longa sobre o ex-presidente.
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Image caption Senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro
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Item 8
Id 77154943
Date 2026-05-13
Title Justiça alemã aponta que Milka enganou consumidores ao reduzir barras
Short title Justiça alemã: Milka enganou consumidores ao reduzir barras
Teaser Tribunal alemão entendeu que fabricante Mondelez induziu consumidores ao erro quando reduziu barras de chocolate da linha Milka de 100 para 90 gramas sem alterar de forma significativa a embalagem.

Um tribunal alemão decidiu nesta quarta-feira (13/05) que a fabricante americana de alimentos Mondelez International enganou consumidores ao reduzir, de 100 gramas para 90 gramas, o peso das barras de chocolate da sua linha Milka, sem alterar de forma significativa a embalagem, dando razão a uma ação movida por uma entidade de defesa do consumidor.

Segundo o tribunal, a expectativa visual transmitida pela embalagem de um produto que era conhecido dos consumidores entra em conflito com o peso líquido real do conteúdo, que foi reduzido no início de 2025.

A corte afirmou que um aviso compreensível e claramente visível deveria ter sido incluído na embalagem para evitar confusão. Esse aviso, segundo os juízes, deveria ter sido mantido por pelo menos quatro meses após a redução da quantidade, para permitir que os consumidores assimilassem a mudança.

A decisão ainda não é definitiva, e a empresa tem um mês para recorrer.

Decisão abre precedente

O tribunal disse, no entanto, que a decisão não tem consequências práticas imediatas, já que o período de transição de quatro meses após a mudança da embalagem já expirou.

Assim, não há obrigação de alterar os produtos que já estão nas prateleiras das lojas, afirmou um porta-voz do tribunal à agência de notícias DPA.

Ainda assim, a decisão é relevante para casos futuros e deve aumentar o escrutínio sobre a chamada "reduflação" (shrinkflation, em alemão), quando fabricantes reduzem o tamanho dos produtos sem sinalizar claramente a mudança aos consumidores, mantendo o mesmo preço ou até aumentando-o. A prática tem sido frequente na Alemanha desde a crise inflacionária provada pela pandemia de covid-19, em 2020.

"Tomamos nota e levamos a sério a decisão de hoje e agora estamos analisando detalhadamente os fundamentos do tribunal", disse um porta-voz da Mondelez, acrescentando que a empresa continuará se esforçando por uma comunicação clara, independentemente do desfecho.

A Mondelez, que também produz o biscoito Oreo, afirmou que ajustou o peso de algumas barras de Milka no ano passado, para "continuar oferecendo aos consumidores o padrão de qualidade esperado em um ambiente mais complexo e instável do que nunca".

jps/md (DPA, Reuters)

Short teaser Corte decidiu que fabricante induziu consumidores ao erro ao reduzir peso sem alterar de forma significativa a embalagem
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Item 9
Id 77151012
Date 2026-05-13
Title Porsche registra prejuízo de quase 1 bilhão de euros
Short title Porsche registra prejuízo de quase 1 bilhão de euros
Teaser

A Porsche SE controla o Grupo Volkswagen, e o Grupo Volkswagen é  dono da montadora Porsche AG

Holding alemã registrou prejuízo líquido de 923 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, com resultado sendo puxado por sua participação no Grupo Volkswagen, em meio à crise na indústria automotiva da Alemanha.A holding alemã Porsche SE informou nesta quarta-feira (13/05) um prejuízo líquido de 923 milhões de euros (R$ 5,32 bilhões) no primeiro trimestre do ano causado por uma grande baixa contábil em sua participação no Grupo Volkswagen. Tanto a Volkswagen, maior fabricante de automóveis da Europa, quanto a fabricante de carros esportivos Porsche AG, enfrentam atualmente condições de mercado difíceis e mudanças significativas no setor automotivo. Em particular, devido aos desafios impostos pela transição para a eletromobilidade, bem como a crescente concorrência vinda da China. Holding da dinastia automotiva Porsche-Piëch e maior investidora da Volkswagen, a Porsche SE registrou uma queda de 21% no lucro ajustado após impostos, totalizando 382 milhões de euros no período de janeiro a março. O resultado não ajustado da Porsche SE após impostos foi um prejuízo de 923 milhões de euros, decorrente de uma baixa contábil não monetária de 1,3 bilhão de euros em sua participação na Volkswagen — resultado que sucede um prejuízo de 1,1 bilhão de euros registrado no ano anterior. A Porsche SE é uma empresa de investimentos e também é a maior acionista individual da Volkswagen AG – sediada em Wolfsburg e que engloba diversas marcas, incluindo a fabricante de carros esportivos Porsche AG –, detendo uma participação de 53,3% nas ações com direito a voto e de 31,9% no capital. "Modelos de negócios precisam ser realinhados" Ainda assim, o diretor-executivo da Porsche SE, Hans Dieter Pötsch, afirmou que a empresa obteve lucro em base consolidada ajustada pelas baixas contábeis e conseguiu fortalecer ainda mais sua estrutura de financiamento. "O início do ano fiscal está em linha com nossas expectativas", disse ele. "Ao mesmo tempo, os modelos de negócio que sustentaram bem nossos principais investimentos por muito tempo agora precisam ser realinhados. Isso exige a implementação consistente de soluções inteligentes para fortalecer de forma sustentável a competitividade e a rentabilidade." O lucro consolidado, ajustado por depreciação, amortização e perdas por impairment (desvalorização de ativos), caiu pouco mais de um quinto no primeiro trimestre, para 382 milhões de euros (R$ 2,20 bilhões). A dívida líquida ficou em 5,15 bilhões de euros (R$ 29,70 bilhões), ligeiramente superior aos 5,10 bilhões de euros (R$ 29,40 bilhões) registrados no final de 2025. A holding Porsche SE mantém a meta de um lucro consolidado ajustado entre 1,5 bilhão e 3,5 bilhões de euros (R$ 8,66 bilhões a R$ 20,20 bilhões) para o ano completo, e uma dívida líquida entre 4,7 bilhões e 5,2 bilhões de euros (R$ 27,10 bilhões a R$ 30,00 bilhões) até o fim do ano. md (AFP, DPA)


Short teaser Holding alemã registrou prejuízo líquido de 923 milhões de euros no primeiro trimestre do ano.
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Item 10
Id 77147318
Date 2026-05-13
Title Entenda a reviravolta na "taxa das blusinhas", agora zerada
Short title Entenda a reviravolta na "taxa das blusinhas", agora zerada
Teaser Impopular entre consumidores por aumentar preços, imposto foi revogado por Lula. Em quase dois anos, cobrança gerou cerca de R$ 10 bilhões em arrecadação.

Chegou ao fim a apelidada "taxa das blusinhas", conforme Medida Provisória (MP) assinada pela presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira (12/05). Foram quase dois anos de cobrança de 20% de imposto sobre compras internacionais de até 50 dólares (o equivalente hoje a cerca de R$ 245), com objetivo de combater o contrabando e forçar a regularização das plataformas de comércio online.

"O contrabando, que era uma marca presente nesse setor, foi eliminado. Agora, o setor regularizado vai poder usufruir dessa isenção sobre esses produtos", afirmou o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron.

O governo também argumentou que a revogação beneficia a população de baixa renda, que recorre ao varejo online de baixo custo. A decisão foi celebrada pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne gigantes do setor.

Mas desagradou a indústria brasileira. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o fim da cobrança "cria vantagem para fabricantes estrangeiros em detrimento da produção nacional", impactando desproporcionalmente micro e pequenas empresas.

Já entidades do setor têxtil destacaram que a medida poderia colocar empregos em risco e negativamente impactar a arrecadação pública.

Por que foi criada a "taxa das blusinhas"?

A cobrança no Brasil foi iniciada em agosto de 2024, no âmbito do Programa Remessa Conforme (PRC). Embora tenha se popularizado como "taxa das blusinhas", o imposto não valia só para roupas ultrabaratas. Estavam incluídas diversas mercadorias de baixo valor encomendadas do exterior por pessoas físicas no Brasil.

A cobrança veio em reação ao crescimento do comércio online, alavancado durante a pandemia de covid-19 por empresas como AliExpress, Shein, Amazon, Alibaba e Shopee. Segundo a Receita Federal, chegavam, à época, entre 500 e 800 mil compras internacionais ao Brasil por dia.

Segmentos da indústria nacional levaram a pauta a Brasília, argumentando que havia competição desleal entre produtos vendidos dentro do país e pelas gigantes globais do comércio online.

Mesmo sancionada por Lula, a medida nunca pareceu convencê-lo. O presidente chamou de "irracional" tributar as classes média e baixa, que compram do exterior sem sair do país, enquanto as classes média e alta têm maior margem para fazer compras isentas de imposto em viagens internacionais.

A cobrança gerou resultados?

Com a iniciativa, o objetivo da Receita Federal era certificar empresas de comércio eletrônico, aplicar o imposto já no ato da compra e reduzir o tempo que as mercadorias ficam estacionadas nas alfândegas. Desde então, 45 empresas obtiveram a certificação.

Até 2024, as importações de até 50 dólares estavam sujeitas apenas ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços, que vai para os cofres estaduais. Somou-se, a partir de então, a taxa federal de 20% para estas compras.

A tributação foi impopular. Em contrapartida, a arrecadação pública com o imposto, acumulada desde o início do programa, gira em torno de R$ 10 bilhões.

De acordo com a Receita Federal, entre 2024 e 2025, o imposto arrecadado foi de R$ 7,8 bilhões. Já nos primeiros quatro meses de 2026, o valor foi de R$ 1,78 bilhão, com alta de 25% em relação ao mesmo período do ano passado.

Além disso, segundo levantamento da CNI, a medida resultou em R$ 4,5 bilhões em importações evitadas, aumentando a movimentação da economia brasileira. A confederação estimou ainda os empregos preservados em 135,8 mil.

Quem não gostou do imposto?

Mas nem todos enxergam a redução das importações como positiva. Em debate na Câmara dos Deputados em outubro, representantes do setor de mobilidade de transporte internacional reclamaram de um freio de investimentos, com cancelamentos de planos de expansão e perdas financeiras para empresas.

Já a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), afirmou que a "taxa das blusinhas" impactava os estados mais pobres do Brasil. "É o consumidor que tem de estar no centro dessa discussão", disse. À época, era debatido um projeto de lei, de autoria do deputado Kim Kataguiri (União-SP), para pôr fim ao imposto.

Em março, a pesquisa Latam Pulse Brasil, da Atlas Intel, apontou que 62% dos brasileiros achavam que a "taxa da blusinha" havia sido um erro de Lula – o maior percentual dentre 14 decisões avaliadas. A manutenção ou revogação da medida vinha dividindo membros do alto escalão do governo.

Segundo apurou o jornal Folha de São Paulo, a decisão de Lula em derrubar o imposto teria sido política, em vista das eleições deste ano.

Como fica agora?

Quase setenta entidades do varejo, que se posicionaram em abril contra um futuro fim da "taxa das blusinhas", previram que o comércio investiria R$ 100 bilhões este ano no Brasil. "Este investimento estaria ameaçado caso houvesse um retrocesso nos passos já dados rumo à isonomia tributária," disse o texto publicado no portal Jota.

Para compras de valor superior, a tributação continuará fixada em 60%, cobrada no ato da compra em sites certificados pelo PRC. Nestas plataformas, o consumidor ganha, entretanto, o equivalente a 20 dólares de desconto. Há também cobrança do ICMS.

Pela MP assinada na terça-feira, o imposto para as compras de até 50 dólares será zerado, enquanto permanecerão os 60% para as demais importações.

Para sites sem a certificação do programa, todas as importações por pessoas físicas, de qualquer valor, estão sujeitas ao imposto federal de 60%, mais ICMS. Nestes casos, a tributação é cobrada depois da compra.

ht/cn (Agência Brasil, ots)

Short teaser Impopular entre consumidores por aumentar preços, imposto foi revogado por Lula após arrecadar cerca de R$ 10 bilhões.
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Item 11
Id 77145590
Date 2026-05-13
Title Os impactos da decisão da UE de barrar a carne brasileira
Short title Os impactos da decisão da UE de barrar a carne brasileira
Teaser Veto da União Europeia a produtos brasileiros de origem animal não é imediato e ainda pode ser revertido. Bloco cobra garantias sobre controle do uso de antimicrobianos na pecuária.

O governo do Brasil se declarou surpreso com a retirada do país da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para a União Europeia, anunciada nesta terça-feira (12/05).

Os ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e Pecuária e do Desenvolvimento afirmaram que vão tomar todas as medidas necessárias para reverter essa decisão. Já o embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, declarou que vai buscar esclarecimentos já nesta quarta-feira, numa reunião com autoridades da União Europeia da área de saúde animal.

Qual o impacto para o Brasil?

A decisão da UE não tem um impacto imediato, pois entra em vigor em 3 de setembro. No momento não há qualquer proibição em vigor, e o Brasil continua exportando carne e outros produtos de origem animal para a UE.

Se não for revertida até a data limite, a decisão significaria uma perda anual de cerca de 1,8 bilhão de dólares para os exportadores brasileiros, segundo números do Ministério da Agricultura.

Isso não significa que haveria uma queda no preço das carnes para os brasileiros, pois os exportadores podem redirecionar a carne destinada à exportação para um outro país – a UE não é nem de longe o principal destino.

Além da carne bovina, o principal produto de origem animal que o Brasil exporta para a UE, a medida pode afetar exportações de aves, ovos, mel, peixes, equinos e produtos derivados de origem animal.

Qual a importância da UE?

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a União Europeia foi o quarto maior destino da carne bovina brasileira em 2025, com 128,9 mil toneladas, num valor total de 1,06 bilhão de dólares. Quase metade do que o Brasil exporta vai para a China, e o segundo maior comprador são os Estados Unidos.

Em 2025, a China respondeu por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas, que somaram 8,90 bilhões de dólares. Em seguida vêm os Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas e 1,64 bilhão de dólares.

Já na carne de frango, a União Europeia foi apenas o oitavo maior comprador em 2025, com 233 mil toneladas exportadas, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), num total de 302 milhões de dólares. O ranking é liderado pelos Emirados Árabes Unidos, que importaram 479,9 mil toneladas.

A UE é o décimo destino de ovos brasileiros, com 301 toneladas, segundo a ABPA. Apenas 1% da produção brasileira de ovos é destinada ao exterior.

Qual a reclamação da UE?

A UE não reclamou que a carne brasileira esteja contaminada. O bloco europeu afirmou ter adotado a medida porque o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.

A questão é regulatória e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

A UE considera que o Brasil ainda não demonstrou de forma suficiente que essas substâncias deixaram de ser usadas ao longo de toda a cadeia produtiva animal destinada à exportação.

O que são os antimicrobianos de que a UE reclama?

Antimicrobianos são medicamentos usados para combater microrganismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas. Na pecuária, essas substâncias podem servir tanto para tratar doenças quanto para estimular o crescimento dos animais e aumentar a produtividade.

A União Europeia proíbe especialmente o uso de antimicrobianos que também são importantes para tratamentos médicos em humanos. O objetivo é evitar a chamada resistência antimicrobiana, situação em que bactérias passam a resistir aos medicamentos.

Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

Dá para reverter?

Sim, para voltar à lista de países autorizados a exportar para a UE, "o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos relativos à utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados", afirmou uma porta-voz da Comissão Europeia à agência de notícias Lusa.

"Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações", disse. Ela acrescentou que a Comissão Europeia tem colaborado estreitamente com as autoridades brasileiras sobre essa questão.

O Brasil tem dois caminhos para reverter a situação: ampliar as restrições legais aos medicamentos restantes ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam essas substâncias.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

A ABPA comunicou que o Brasil já cumpre todos os requisitos da União Europeia, inclusive os sobre antimicrobianos, e que vai demonstrar isso às autoridades sanitárias europeias.

Já a Abiec afirmou que a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, "com rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

A UE já proibiu a carne brasileira antes?

Sim, várias vezes. Em 2008, por exemplo, a UE decretou um embargo à carne bovina, alegando que o Brasil havia deixado de introduzir medidas mais rigorosas relativas à segurança de alimentos.

Em 2017, a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, provocou turbulências no mercado interno e de exportação de carne. A UE e vários países impuseram restrições parciais ou totais às importações do produto.

as/cn (Agência Brasil, Lusa, DW, OTS)

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Item 12
Id 77130834
Date 2026-05-12
Title Trump vai à China em busca de trunfo eleitoral e acordo comercial
Short title Trump vai à China em busca de trunfo eleitoral e acordo
Teaser

Trump é recebido com cerimônia ao chegar na China

Sob pressão eleitoral para pleito de meio de mandato, republicano faz visita decisiva a Pequim por avanços em temas como tarifas, Taiwan e Irã. Acordos, mesmo que modestos, podem ter impacto global.O presidente dos EUA, Donald Trump, viaja à China nesta quarta-feira (13/05) para a primeira visita de um chefe de Estado americano ao país asiático em quase dez anos — antecedida apenas por sua própria estadia anterior, em 2017. O encontro, remarcado após cancelamento em abril, é tratado como decisivo por ambos os governos. O republicano disse esperar um "grande abraço apertado" de seu homólogo chinês, Xi Jinping, quando se encontrarem em Pequim. Dado o peso das duas economias, qualquer sinal de acordo entre os líderes tende a ter impacto global. Ambos querem apresentar resultados à própria população sem perder capital político. Para Trump, o desfecho também tem relevância eleitoral: seu partido disputa eleições legislativas em novembro, que podem ampliar ou reverter a estreita maioria que possui nas duas Casas. No mesmo dia, haverá ainda eleições para governador em 36 estados e três territórios. Contudo, poucos esperam avanços significativos nas fricções históricas entre China e EUA, que vão da competição tecnológica e tarifária à delicada questão de Taiwan, cujo principal aliado é Washington. Terras raras e a guerra no Irã também estão entre os temas contenciosos que devem ser discutidos pelos dois líderes, cujos estilos de comunicação dificilmente poderiam ser mais distintos. Acordos modestos com impacto global A postura frequentemente bombástica e imprevisível de Trump no cenário internacional contrasta com a abordagem cautelosa e reservada de Xi. Trump aposta na capacidade chinesa de anunciar avanços. Pequim, por sua vez, não quer expor seu presidente, no poder há 13 anos, a um fracasso diplomático. O resultado deve ser modesto. No último breve encontro entre os dois, à margem de uma cúpula regional na Coreia do Sul, em outubro, houve uma trégua de um ano na guerra comercial. Apesar das diferenças, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou, na segunda-feira, que considera a diplomacia entre os líderes como tendo um papel estratégico "insubstituível" nas relações entre China e Estados Unidos. Neste ano, porém, o republicano deve ser recebido com menos pompa do que em sua primeira visita, em 2017, quando os chineses lhe ofereceram tratamento de "visita de Estado-plus". A viagem de 2026 deve incluir uma visita ao Templo do Céu e um banquete de Estado, mas analistas avaliam que o cerimonial não será muito diferente daquele oferecido a outros convidados estrangeiros, como o presidente russo, Vladimir Putin, e o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda assim, Trump precisa levar propostas claras, mesmo que impopulares, que consiga justificar à opinião pública americana. "Trump precisa urgentemente de notícias positivas na frente da política externa", afirma Chu Yin, cientista político do think tank Pangoal, em Pequim. "Os índices de aprovação de Trump estão no fundo do poço antes das eleições de meio de mandato, em novembro. O plano de derrotar rapidamente o aliado da China, o Irã, com ataques militares iniciais, celebrar uma vitória em Pequim e usá-la como moeda de negociação aparentemente não deu certo", diz Chu. Segundo ele, Trump agora precisa apostar ao menos em uma solução parcial para a guerra comercial em torno das tarifas punitivas. Antes do encontro, negociadores dos dois países já negociavam um acordo em Seul. Taiwan como linha vermelha Para Pequim, o status jurídico de Taiwan é a principal linha vermelha nas relações com os EUA. A China considera Taiwan uma província rebelde da República Popular da China, proclamada por Mao Tsé-tung em 1949. Na interpretação chinesa, essa república não pode existir como Estado soberano, assim como a designação de Taiwan como país independente. Existe apenas uma China, da qual Taiwan faz parte, e a República Popular é o único governo legítimo. Esse tripé forma o "princípio de Uma Só China", base de qualquer relação diplomática com Pequim. No Comunicado de Xangai de 1972, um dos documentos que fundamentam a retomada das relações diplomáticas entre EUA e China, Washington apenas "tomou conhecimento" desse princípio. Ainda assim, a Lei de Relações com Taiwan, de 1979, autoriza os EUA a fornecer armas defensivas à ilha e a se opor a qualquer uso da força que ameace sua segurança ou sistema social e econômico. Durante o segundo mandato de Trump, Taiwan já encomendou, desde 2025, sistemas de armas no valor recorde de 11,1 bilhões de dólares a empresas americanas. Na última sexta-feira, o Parlamento taiwanês aprovou uma lei para novas aquisições. Até 2033, a ilha pretende comprar até 25 bilhões de dólares adicionais em armamentos dos EUA. Pequim avalia que Trump tem ampla margem de manobra dentro do arcabouço legal americano e deve usar todos os meios para pressioná-lo a fazer uma declaração favorável à China sobre Taiwan. Guerra do Irã e guerra da Ucrânia Nesse esforço, a China pode usar seu peso no cenário internacional para afastar Trump de eventuais encomendas bilionárias de Taiwan. "Os EUA precisam do apoio chinês na guerra contra o Irã", afirma Peter Qiu, fundador do Center for Globalization Hong Kong. Pequim também tem papel-chave em uma possível saída para a guerra da Rússia contra a Ucrânia. O presidente russo, Vladimir Putin, deve visitar Pequim até junho. Em ambos os conflitos, a China não é parte beligerante e afirma cumprir rigorosamente as sanções da ONU. Ainda assim, atua nos bastidores, com negociações intensas com Teerã e Moscou. Na semana passada, o chanceler iraniano, Abbas Aragchi, esteve em Pequim. O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, alertou que a guerra no Irã pode afetar gravemente a paz regional e global, ao mesmo tempo em que reiterou o apoio ao uso pacífico da energia nuclear para fins civis. Wang também defendeu que "todas as partes envolvidas respondam à expectativa da comunidade internacional de garantir a navegação segura pelo Estreito de Ormuz". Pequim vê os EUA como corresponsáveis, já que Washington bloqueou temporariamente o acesso ao Golfo Pérsico. Há três semanas, vigora um cessar-fogo frágil entre Irã e EUA, além de Israel. "Espero que os chineses transmitam essa mensagem ao Irã", disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, referindo-se ao risco de bloqueio do estreito. "Seja a portas fechadas ou de forma direta." Segundo Rubio, é do interesse da China, "como economia voltada à exportação", que o Irã não volte a fechar a rota. "O Irã não pode lançar minas. Não pode fazer a economia mundial refém", afirmou na semana passada, em coletiva na Casa Branca. Ainda não está claro se Rubio acompanhará Trump a Pequim. Por declarações críticas sobre direitos humanos em Hong Kong e na região uigur de Xinjiang, feitas quando era senador pela Flórida, ele segue na lista de sanções chinesas, com proibição de entrada no país. Solução parcial na guerra comercial? A mensagem de Trump à liderança chinesa é direta: o mundo não pode comprar apenas produtos chineses, e a China deve ampliar a compra de produtos americanos para reduzir o superávit comercial. Há um ano, Trump impôs tarifas punitivas a produtos chineses. Algumas foram suspensas na última trégua, mas até agora não houve acordo relevante com mudanças estruturais. Apesar das tarifas, a China registrou em 2025 um superávit de quase 202 bilhões de dólares com os EUA, segundo o US Census Bureau. "A China está disposta a comprar produtos americanos", diz Qiu. "Mas quer contrapartidas, como a flexibilização da proibição à exportação de chips avançados de inteligência artificial." Os EUA mantêm controles rigorosos sobre a venda desses semicondutores de alto desempenho, essenciais para aprendizado de máquina. A China tenta desenvolver a tecnologia, mas enfrenta avanços lentos após as restrições americanas. Ao mesmo tempo, tem um novo requisito de licença de exportação para terras raras, que pode ser apertado a qualquer momento. "No fim, espero algo como um grande acordo, envolvendo interesses estratégicos das duas potências", afirma Qiu. Segundo ele, durante a visita de Putin a Pequim, a China também discutirá condições para o fim da guerra na Ucrânia — outro ponto de interesse para Trump. No fim de semana, Moscou sinalizou distensão: após o desfile que marcou o fim da Segunda Guerra Mundial, Putin afirmou que o conflito estaria se aproximando do fim, sem dar detalhes.


Short teaser Sob pressão eleitoral para pleito legislativo, americano faz visita decisiva por avanços em temas como tarifas e Irã.
Author Dang Yuan (com AFP)
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Image caption Trump é recebido com cerimônia ao chegar na China
Image source Evan Vucci/REUTERS
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Item 13
Id 77124379
Date 2026-05-11
Title Quando a geografia é usada como instrumento estratégico de poder
Short title Quando a geografia vira um instrumento estratégico de poder
Teaser Crise gerada com o bloqueio de Ormuz chama a atenção para outros gargalos marítimos, como os estreitos de Bab al-Mandeb ou Taiwan, além de Malaca, que a Indonésia sugeriu monetizar.

Uma tarifa para a passagem pelo Estreito de Malaca seria um negócio lucrativo. "Se realmente dividíssemos as receitas de pedágio entre Indonésia, Malásia e Singapura, poderíamos arrecadar bastante", disse o ministro das Finanças da Indonésia, Purbaya Yudhi Sadewa, no fim de abril.

A declaração causou furor e foi prontamente descartada pela Malásia e por Singapura, o que levou o governo da Indonésia a esclarecer que respeita a liberdade de navegação e não tem planos para cobrar taxas de trânsito pelo Estreito de Malaca.

A ideia de usar o tráfego marítimo como instrumento de pressão ganhou força no mundo com o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, obrigando governos e empresas a se questionarem sobre a segurança de outros pontos críticos marítimos.

Na Ásia, isso se aplica especialmente ao Estreito de Malaca, por onde passa a principal rota comercial entre o Leste Asiático, o Oriente Médio e a Europa. Cerca de 22% do comércio marítimo mundial atravessa esse estreito entre a Indonésia, a Malásia e Singapura.

Meios de influência internacional

O risco já havia sido destacado pelo think tank Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) em novembro de 2025, bem antes do início da guerra no Irã.

E ele não vem apenas de governos. Grupos não estatais também são capazes de perturbar significativamente os fluxos globais de comércio. Como exemplo recente, o centro cita os ataques da milícia xiita Houthi no Mar Vermelho, o que levou muitas empresas de navegação a evitar a rota pelo Canal de Suez e a optar pelo caminho mais longo ao redor do Cabo da Boa Esperança, com consequências consideráveis para as cadeias globais de fornecimento e os preços de produtos.

O cientista político Nikolaus Scholik, ex-coronel das Forças Armadas da Áustria e consultor sênior do centro de pesquisas Austria Institute for European and Security Policy (AIES), vê nisso uma mudança fundamental nas relações internacionais de poder.

Especialmente preocupante, segundo ele, é que estreitos como os de Ormuz, Malaca ou Taiwan podem se tornar instrumentos de influência internacional.

Retorno da geografia

O especialista em Ásia Christian Wirth, do Instituto Alemão de Relações Internacionais e de Segurança (SWP, em alemão), afirma que a vulnerabilidade de um estreito depende basicamente de três fatores: o seu volume de tráfego, as rotas alternativas disponíveis e a situação política ao redor.

Por esses critérios, o Estreito de Ormuz é especialmente vulnerável, já que uma parte significativa das exportações globais de petróleo e gás tem de passar por ele.

De olho num possível conflito entre a China e Taiwan, Scholik acrescenta que, pelos mesmos critérios, o Estreito de Taiwan é ainda mais importante do que o Estreito de Ormuz. Uma grande parte do comércio asiático passa tanto por lá quanto pelo Estreito de Malaca.

A política global vivencia o "retorno da geografia", afirmou o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS). Estreitos como os de Ormuz, Bab al-Mandeb ou Taiwan já são muito mais do que simples passagens geográficas e estão se tornando cada vez mais instrumentos estratégicos de poder. A intensa interconexão comercial global cria novas dependências e, assim, novos meios de pressão.

Situação jurídica clara

Do ponto de vista jurídico, a situação é clara. "No caso de estreitos de importância internacional, aplica-se o princípio do trânsito livre", explica Wirth. "Isso significa que os navios, inclusive os de guerra, podem atravessar estreitos considerados águas internacionais sem impedimentos e nos seus modos normais de operação.”

Assim, o bloqueio de um estreito internacional constitui uma grave violação do direito marítimo, acrescenta Wirth. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) garante o direito de passagem inocente (ou pacífica, sem ameaça à paz) até mesmo para navios de guerra pelas águas costeiras definidas como território dos Estados litorâneos. A cobrança de taxas ou tarifas não é permitida, com exceção para as vias artificiais, como os canais de Suez ou do Panamá.

Scholik também ressalta que o direito marítimo internacional garante claramente a livre passagem. O verdadeiro problema, porém, é a realidade política: "O direito internacional só funciona quando os Estados envolvidos estão dispostos a cumpri-lo”.

Como exemplo, ele cita o Mar da China Meridional, onde a China ignorou uma decisão arbitral internacional favorável às Filipinas.

Bloqueio de estreito prejudica também bloqueador

Ao mesmo tempo, ambos os especialistas ressaltam que o fechamento de uma rota marítima não requer mais uma grande capacidade militar. "Hoje nem mesmo é preciso uma grande frota para causar perturbações significativas num estreito", afirma Scholik.

O Irã já demonstrou como pequenas embarcações rápidas, mísseis ou meios assimétricos podem exercer grande pressão. O IISS faz avaliação semelhante: "Mesmo Estados relativamente modestos e atores não estatais dispõem de capacidades para impedir o uso do mar".

Também é verdade que o bloqueio total de um estreito acaba gerando enormes riscos para o próprio país que o fizer. Prejuízos econômicos costumam atingir também o próprio bloqueador. A própria China, por exemplo, seria fortemente afetada em caso de uma escalada no Estreito de Taiwan ou em Malaca.

No Sudeste Asiático existem rotas alternativas, como o Estreito de Sunda (entre Sumatra e Java) ou o Estreito de Lomboque (entre Bali e Lombok). Embora essas rotas prolonguem e encareçam o transporte, elas ao menos não paralisariam completamente o comércio mundial.

Gargalos marítimos

Seja como for, a vulnerabilidade da economia globalizada está crescendo. Scholik destaca o princípio just-in-time das cadeias de fornecimento, que faz as empresas manterem estoques mínimos. Mesmo interrupções curtas podem causar danos econômicos globais.

O CSIS afirma que o bloqueio do Estreito de Ormuz não deve ser visto como caso isolado, mas como sintoma: a economia mundial é dependente de alguns poucos gargalos marítimos, cuja interrupção geraria consequências globais.

Por isso o debate sobre o Estreito de Malaca vai muito além do Sudeste Asiático. A declaração do ministro indonésio demonstrou o quão grande se tornou a tentação de usar o controle geográfico como instrumento de pressão política ou econômica – e os riscos disso para a liberdade de navegação e a economia mundial.

Short teaser Crise gerada com o bloqueio de Ormuz chama a atenção para outros gargalos marítimos, como o Estreito de Malaca.
Author Kersten Knipp
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Item 14
Id 53832364
Date 2026-05-03
Title A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump
Short title A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump
Teaser Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número de tropas americanas no país europeu. EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha e decisão pode marcar grande mudança na relação de defesa entre os dois países

Em meio a uma troca de farpas entre os EUA e a Alemanha, o Pentágono anunciou nesta semana que pretende retirar 5 mil dos seus militares que estão atualmente baseados no país europeu. Segundo o anúncio, a retirada deve ser completada num período de 6 a 12 meses.

No sábado (02/05), foi a vez de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a retirada pode ser ainda mais ampla. "Vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais do que 5.000", disse Trump a repórteres.

O movimento de retirada ocorre após Trump se enfurecer com declarações críticas à condução da guerra do Irã feitas pelo chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na segunda-feira, Merz afirmou que os que os Estados Unidos estão sendo "humilhados" em sua guerra contra o Irã e que parece faltar a Washington uma estratégia clara no conflito.

Um dia depois, Trump respondeu que o alemão "não tem ideia do que está falando". "Merz acha ok o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!", disse em um post na rede Truth Social.

Logo depois, veio o anúncio de redução de tropas baseada na Alemanha. Como parte da decisão, um plano da era Joe Biden para enviar um batalhão americano com mísseis Tomahawk de longo alcance para a Alemanha também foi abandonado.

Não é a primeira vez que Trump faz movimentos para reduzir a quantidade de tropas dos EUA na Alemanha. Em 2020, o republicano chegou a anunciar um plano ainda mais drástico de redução, mas a iniciativa foi abandonada após a derrota de Trump para Joe Biden no mesmo ano.

Presença militar dos EUA na Alemanha

Segundo o Pentágono entre 34 mil e 36 mil soldados ocupam atualmente em caráter permanente as bases americanas em solo alemão. Se incluídas as unidades militares em rotação, o número pode chegar temporariamente a 50 mil. Além do contingente militar, cerca de 15 mil civis americanos trabalham para o Departamento de Defesa dos EUA na Alemanha.

A República Federal da Alemanha tem sido parte vital da estratégia de defesa dos Estados Unidos na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial: durante dez anos as forças americanas integraram a ocupação dos Aliados no país. Embora o contingente tenha diminuído drasticamente desde então, nas décadas seguintes comunidades militares americanas se formaram em torno de diversas cidades, e os militares dos EUA ainda são uma presença importante no país.

A importância estratégica da Alemanha para os EUA se reflete na localização do quartel-general do Comando Europeu dos EUA (Eucom) na cidade de Stuttgart, no sudoeste do país, que serve como estrutura de coordenação partes todas as forças militares americanas em 51 países, principalmente europeus.

A missão da Eucom é proteger e defender os EUA, impedindo conflitos, apoiando parcerias como a Otan e combatendo ameaças transnacionais. Sob seu comando estão o Exército, as Forças Aéreas e o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA na Europa, todos com unidades na Alemanha.

A Alemanha abriga a maior parte das tropas americanas na Europa. Só no Japão os EUA mantêm mais pessoal militar. No entanto os números na Alemanha vêm caindo nos últimos anos: dados do governo alemão mostram que desde 2006 o número de militares dos EUA baseados na Alemanha diminuiu em mais da metade, sendo que há 20 anos a cifra chegava a 72.400.

Fuzileiros navais, soldados e aviadores

A Alemanha abriga cinco guarnições do Exército americano e o quartel-general do Exército dos EUA na Europa está sediado na guarnição de Wiesbaden, próximo a Frankfurt, no centro-oeste do país.

Dados fornecidos pelas Forças Armadas dos EUA mostram que essas cinco guarnições, cada uma englobando várias bases em locais diferentes, compreendem atualmente cerca de 23 mil militares. Esse número inclui as Forças de Fuzileiros Navais da Europa e da África, com sede em Böblingen, sudoeste da Alemanha, como parte da Guarnição do Exército dos EUA em Stuttgart.

Além disso, há cerca de 13 mil membros da Força Aérea dos EUA espalhados por vários locais na Alemanha, incluindo as duas bases aéreas americanas em Ramstein e Spangdahlem.

Mais do que apenas soldados

Como as instalações militares dos EUA também empregam civis e militares por vezes podem levar suas famílias para o exterior, consideráveis comunidades de civis se formam em torno dessas instalações.

Na verdade, algumas bases americanas na Alemanha, como a de Ramstein, são pequenas cidades autônomas, englobando não só quartéis, aeroportos, áreas para exercícios militares e depósitos de materiais, mas também seus próprios shoppings, escolas, serviços postais e força policial americanos. Em certos casos, a única moeda corrente é o dólar americano.

Atualmente, a guarnição do Exército dos EUA na Baviera, com quartel-general em Grafenwöhr, perto da fronteira com a República Tcheca, é a maior base do Exército americano no exterior, tanto em número de militares quanto em superfície, espalhando-se por mais de 390 quilômetros quadrados.

As bases também costumam empregar um número significativo de residentes e servem de impulso econômico às comunidades alemãs adjacentes, cujas empresas fornecem bens e serviços. O fechamento de instalações anteriores, como a guarnição do Exército em Bamberg em 2014, afetou a economia local, e muitos alemães que vivem perto de instalações militares americanas manifestam oposição a possíveis reduções de tropas.

Porém a extensão da presença militar dos EUA na Alemanha não se limita ao pessoal: o país também mantém aviões em outras bases aéreas não americanas em solo alemão. Além disso, calcula-se que 20 ogivas nucleares sejam mantidas na Base Aérea de Büchel, no âmbito do Acordo de Compartilhamento Nuclear da Otan, fato que suscitou muitas críticas por parte dos alemães.

A importância de Ramstein

A Base Aérea de Ramstein, no estado alemão da Renânia-Palatinado, é a maior base militar americana fora do país. Ela serve como um centro logístico para tropas, equipamentos e cargas a caminho do Oriente Médio, África e Europa Oriental.

Ramstein também é o quartel-general da Força Aérea dos EUA na Europa e serve como centro de comando da Otan para vigilância do espaço aéreo militar de todos os parceiros europeus. A base aérea também abriga uma estação de retransmissão de satélites, de grande importância para o destacamento de drones de combate americanos, por exemplo, no Oriente Médio. Como a curvatura da Terra não permite o controle direto de drones a partir dos EUA, os sinais são retransmitidos por satélite via Ramstein.

A base também funciona como um centro médico, já que soldados feridos da Europa, África ou Oriente Médio são transportados de avião para Ramstein e tratados no Centro Médico Regional de Landstuhl, adjacente à base, o maior hospital militar americano fora dos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o hospital recebeu soldados americanos feridos em ataques do Irã a países do Golfo.

Ambas as instalações fazem parte da Comunidade Militar de Kaiserslautern, que abrange dezenas de milhares de soldados americanos, funcionários civis e seus familiares.

Spangdahlem, por sua vez, é a segunda maior base da Força Aérea dos EUA em solo alemão, fica a cerca de 120 quilômetros mais a noroeste. Ao contrário de Ramstein, Spangdahlem serve principalmente para missões operacionais de combate.

Um esquadrão de caças composto por cerca de 20 jatos F-16 está estacionado na base, funcionando como uma força de reação rápida em tempos de crise. O esquadrão ajuda a proteger o flanco leste da Otan e é especializado em eliminar as defesas aéreas inimigas.

Ocupação aliada do pós-guerra e seu legado

A presença militar dos EUA na Alemanha é um legado da ocupação aliada pós-Segunda Guerra Mundial, que durou de 1945 a 1955. Durante esse período, milhões de militares americanos, britânicos, franceses e soviéticos estiveram estacionados na Alemanha. A parte nordeste do país ficou sob controle soviético, tornando-se oficialmente a República Democrática Alemã (RDA) em outubro de 1949.

Na parte ocidental, a ocupação foi regulamentada pelo Estatuto da Ocupação, assinado em abril de 1949, quando foi fundada a República Federal da Alemanha. O estatuto permitiu que França, Reino Unido e EUA mantivessem forças de ocupação no país e o controle completo sobre o desarmamento e desmilitarização da antiga Alemanha Ocidental.

Quando a ocupação militar da República Federal da Alemanha (RFA) terminou oficialmente, o país recuperou o controle de sua própria política de defesa. No entanto, o Estatuto de Ocupação foi sucedido por outro acordo com seus parceiros na Otan. O pacto – conhecido como Convenção sobre a Presença de Forças Estrangeiras na República Federal da Alemanha e assinado pelos alemães em 1954 – permitiu que oito países-membros da Otan, incluindo os EUA, mantivessem presença militar permanente na Alemanha. O tratado ainda regula os termos e condições das forças da Otan estacionadas hoje na RFA.

O número de militares americanos na Alemanha vem diminuindo desde o fim da Guerra Fria, em 1990, quando, segundo Berlim, havia cerca de 400 mil soldados estrangeiros baseados no país. Cerca de metade deles eram americanos, mas foram gradualmente retirados à medida que diminuíam as tensões com os Estados sucessores da União Soviética, e conflitos em outros lugares, como a guerra do Iraque, requeriam mais militares dos EUA.

Qual a importância das bases militares americanas para a economia alemã?

As bases americanas são um fator econômico importante para a Alemanha. Muitas delas estão localizadas em regiões rurais do país, onde as forças armadas americanas atuam como o maior investidor e empregador.

Mais de 10 mil alemães trabalham diretamente para as forças armadas americanas, enquanto estima-se que 70.000 empregos na Alemanha estejam indiretamente ligados a empresas que prestam serviços às Forças Armadas americanas, por exemplo, no setor da construção civil ou na indústria de serviços.

Além disso, os soldados americanos baseados na Alemanha e suas famílias gastam grande parte de seus salários em lojas e empresas alemãs. A comunidade militar, por si só, contribui com até 3,5 bilhões de euros (US$ 4,1 bilhões) anualmente para as economias regionais.

Short teaser EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha. Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número.
Author Ben Knight , Thomas Latschan
Item URL https://www.dw.com/pt-br/a-presença-militar-dos-eua-na-alemanha-na-mira-de-trump/a-53832364?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 15
Id 76191308
Date 2026-03-03
Title "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas"
Short title "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas"
Teaser

Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado

Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos do tratado de livre-comércio caracterizam de maneira equivocada o setor agrícola europeu e a indústria brasileira.O embaixador do Brasil na Alemanha rechaçou as críticas de setores políticos europeus ainda resistentes ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Brasil. Segundo Rodrigo de Lima Baena Soares, a caracterização do tratado como uma "troca de carros por vacas" é um "desserviço" que não faz jus nem ao setor agrícola europeu nem à indústria brasileira. "É preciso parar com a ideia de que esse acordo é uma troca de 'carros por vacas', uma expressão que circula tanto no discurso brasileiro quanto no europeu. Isso é uma caricatura e presta um desserviço. Isso caracteriza de maneira equivocada tanto a economia da Europa quanto a brasileira", disse Baena Soares, citando uma expressão crítica que virou um slogan de opositores do acordo, sobretudo na Europa. "Pelo lado europeu, essa narrativa apresenta o agricultor do continente como vítima de uma ameaça existencial por parte dos agricultores sul-americanos. Só que a União Europeia é o maior exportador mundial de alimentos. E os agricultores europeus produzem alguns dos bens mais valorizados e sofisticados do mundo. Está longe de ser uma indústria frágil", disse Baena Soares, que assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado. "E do lado brasileiro, há também um certo desajuste como o acordo é visto, de que seria apenas fornecimento de matérias-primas, quando a realidade é outra. A indústria brasileira exportou 181 bilhões de dólares em 2024. [O acordo] é uma oportunidade para a indústria, e não uma concessão. Com o acordo, as tarifas para a importação de máquinas cairão de 11,6% para menos de 1% até 2040", acrescentou. Baena Soares fez as declarações na segunda-feira (02/02) durante o evento "Diálogos Internacionais Brasil-Alemanha", que ocorre nesta semana na Universidade de Frankfurt, no oeste alemão, e que é promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais). Mensagem clara ao mundo O diplomata também classificou como "excelente notícia" que a Comissão Europeia tenha anunciado no fim de fevereiro que pretende implementar o acordo de forma provisória, enquanto seguir pendente um pedido de parecer apresentado pelo Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), um processo que pode se arrastar por até dois anos. "Estou otimista que a Corte de Justiça da UE reconhecerá o acordo." Baena Soares também disse o acordo é um "sinal inequívoco" do comprometimento do Brasil "com o multilateralismo". "O acordo é uma mensagem clara ao mundo que ainda há espaço para multilateralismo, apesar de todas tensões geopolíticas e o crescente protecionismo de alguns países". "Mostra que divergências podem ser superadas por meio da negociação e do compromisso, um aspecto que anda difícil como atestam os últimos acontecimentos. Nós também não podemos subestimar o impacto político que esse acordo terá. Nosso diálogo político com a UE já é bom e vai ser ainda mais facilitado e fortalecido. Vamos lembrar que todos os países da UE e do Mercosul são países democráticos", disse. "Esse acordo não é o destino, é a infraestrutura de uma jornada cujas dimensões plenas ainda vão ser mapeadas." Negociado ao longo de duas décadas, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e EU foi finalmente assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai. Nas semanas seguintes, o Uruguai e a Argentina se tornaram os primeiros países a ratificar o tratado. Já na Europa ainda não há consenso pleno. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu judicializar a questão, pedindo para que o Tribunal de Justiça da UE julgue a legalidade do tratado. Para evitar que a questão se arraste nos tribunais, a Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) anunciou que vai implementar o acordo de forma provisória. Dentro do bloco europeu, o acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, mas ainda sofre resistência sobretudo da França, o principal produtor agrícola da UE.


Short teaser Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos caracterizam o tratado de livre-comércio de maneira equivocada.
Author Jean-Philip Struck (enviado a Frankfurt)
Item URL https://www.dw.com/pt-br/acordo-mercosul-ue-não-é-uma-troca-de-carros-por-vacas/a-76191308?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado
Image source Maksim Konstantinov/Russian Look/picture alliance
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Item 16
Id 75011709
Date 2025-12-04
Title Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal
Short title Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal
Teaser

Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe

Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono. A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente. O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro. Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada. Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes. O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira. Trump mantém apoio a Hegseth A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira. Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado. Hegseth debateu ataques no Iêmen O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz. O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais. O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen. O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar. Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque. A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada. Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas. as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)


Short teaser Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis.
Item URL https://www.dw.com/pt-br/investigação-conclui-que-chefe-do-pentágono-pôs-soldados-em-risco-ao-usar-signal/a-75011709?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe
Image source Ricardo Hernandez/AP Photo/dpa/picture alliance
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Item 17
Id 63791517
Date 2025-09-10
Title Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan?
Short title Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan?
Teaser

Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado

Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança. Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade. O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir. Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes. Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°? Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança. Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas. Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão. O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°.


Short teaser Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo.
Author Bernd Riegert
Item URL https://www.dw.com/pt-br/quais-as-diferenças-entre-os-artigos-4°-e-5°-da-otan/a-63791517?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado
Image source Christoph Hardt/Panama/picture alliance
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Item 18
Id 72986020
Date 2025-06-21
Title Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã
Short title Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã
Teaser Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã.

O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam.

Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados."

Condições deterioram para afegãos no Irã

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã.

Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar.

As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã.

Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários."

Sem opção de retorno

Atualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família.

"Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi."

Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria."

Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar.

"Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos."

Traficantes de pessoas exploram medos

Redes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras.

Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas.

O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas."

Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia."

Short teaser Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação.
Author Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad
Item URL https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 19
Id 57531509
Date 2025-06-13
Title Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel
Short title Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel
Teaser Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas.

A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país.

Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital.

Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen.

Sistema de três elementos

A defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance.

Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia.

Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo.

O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos.

Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio.

90% de êxito, mas com custos altos

O "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país.

De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011.

Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas.

Nova arma a laser "Iron Beam"

Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam".

O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones.

A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022.

As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos.

Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025.

Short teaser Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011.
Author Uta Steinwehr
Item URL https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 20
Id 64814042
Date 2023-02-25
Title Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos?
Short title Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos?
Teaser

O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia

UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção. Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março. Lei antioligarca De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda. Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias. Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado. Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares. Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados ​​por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas. Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares. Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país. Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros. A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões. Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares. Não existem mais oligarcas ucranianos? Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política. Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los". De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE. Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra. "Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos. Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas.


Short teaser UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas.
Author Eugen Theise
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Image caption O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia
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Item 21
Id 64820664
Date 2023-02-25
Title Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil
Short title Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil
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Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil

De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. Prefeito de Istambul diz ser necessário até 40 bilhões de dólares para se preparar para possível novo grande tremor.Duas semanas e meia após o terremoto de 7,8 de magnitude na área de fronteira turco-síria, o número de mortos aumentou para mais de 50 mil, informaram as autoridades dos dois países nesta sexta-feira (24/02). A Turquia registrou 44.218 mortes, de acordo com a agência de desastres turca Afad, e a Síria reportou ao menos 5,9 mil mortes. Nos últimos dias, não houve relatos de resgate de sobreviventes. Tremores secundários continuam a abalar a região. Neste sábado (25/02), um tremor de magnitude 5,5 atingiu o centro da Turquia, informou o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a uma profundidade de 10 quilômetros. O observatório sísmico de Kandilli disse que o epicentro foi localizado no distrito de Bor, na província de Nigde, que fica a cerca de 350 quilômetros a oeste da região atingida pelo grande tremor de 6 de fevereiro. Graves incidentes e vítimas não foram reportados após o tremor deste sábado. Segundo a Turquia, nas últimas três semanas, foram mais de 9,5 mil tremores secundários e a terra chegou a tremer, em média, a cada quatro minutos. De acordo com o governo turco, 20 milhões de pessoas no país são afetadas pelos efeitos do terremoto. As Nações Unidas estimam que na Síria sejam 8,8 milhões de pessoas afetadas. Turquia começa reconstrução As autoridades turcas começaram a construir os primeiros alojamentos para os desabrigados. O trabalho de escavação de terra está em andamento nas cidades de Nurdagi e Islahiye, na província de Gaziantep, escreveu no Twitter o ministro do Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Mudança Climática, Murat Kurum. Inicialmente, estão previstos 855 apartamentos. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometeu a reconstrução em um ano. Críticos alertam que erguer prédios tão rapidamente pode fazer com que a segurança sísmica dos edifícios seja negligenciada novamente. A oposição culpa o governo de Erdogan, que está no poder há 20 anos, pela extensão do desastre porque não cumpriu os regulamentos de construção. Também neste sábado, o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, disse que pelo menos 184 pessoas foram detidas por suposta negligência em relação a prédios desabados após os terremotos. Entre eles, estão empreiteiros e o prefeito do distrito de Nurdagi, na província de Gaziantep. Até agora, o Ministério do Planejamento Urbano inspecionou 1,3 milhão de edifícios, totalizando mais de meio milhão de residências e escritórios, e relatou que 173 mil propriedades ruíram ou estão tão seriamente danificadas que precisam ser demolidas imediatamente. Ao todo, quase dois milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas, demolidas ou danificadas pelos tremores, e vivem atualmente em tendas, casas pré-fabricadas, hotéis, abrigos e diversas instituições públicas, detalhou um comunicado do Afad. Cerca de 528 mil pessoas foram evacuadas das 11 províncias listadas como regiões afetadas, acrescentou o comunicado do serviço de emergência, enquanto 335 mil tendas foram montadas nessas áreas e 130 núcleos provisórios de casas pré-fabricadas estão sendo instalados. Em março e abril começará a construção de 200 mil novas casas, prometeu o ministério turco. Estima-se que o terremoto de 6 de fevereiro tenha custado à Turquia cerca de 84 bilhões de dólares. Na Síria, o noroeste é particularmente atingido pelos efeitos do tremor. Há poucas informações sobre o país devastado pela guerra. Diante de anos de bombardeios e combates, muitas pessoas ali já viviam em condições precárias antes dos tremores. Istambul precisa de 40 bilhões de dólares Enquanto isso, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, disse a cidade, que fica perto de uma grande falha geológica, precisa de um programa urgente de urbanização no valor de "cerca de 30 bilhões a 40 bilhões de dólares" para se preparar para um possível novo grande terremoto. "A quantia é três vezes maior do que o orçamento anual da cidade de Istambul, mas precisamos estar prontos antes que seja tarde demais", disse Imamoglu a um conselho científico. De acordo com um relatório de 2021 do observatório sísmico de Kandilli, um potencial terremoto de magnitude superior a 7,5 danificaria cerca de 500 mil edifícios, habitados por 6,2 milhões de pessoas, cerca de 40% da população da cidade, a mais populosa da Turquia. Istambul fica ao lado da notória falha geológica do norte da Anatólia. Um grande terremoto em 1999 que atingiu a região de Mármara, incluindo Istambul, matou mais de 18 mil. le (EFE, DPA, Reuters, ots)


Short teaser De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos.
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Image caption Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil
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Item 22
Id 64819106
Date 2023-02-25
Title UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia
Short title UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia
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"Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos", disse Ursula von der Leyen,

Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra firmas iranianas que fornecem drones a Moscou. Mais de 100 indivíduos e entidades russas são afetados.A União Europeia prometeu aumentar a pressão sobre Moscou "até que a Ucrânia seja libertada", ao adotar neste sábado (25/02) um décimo pacote de sanções contra a Rússia, acordado pelos líderes do bloco no dia anterior, que marcou o primeiro aniversário da invasão da Ucrânia. O conjunto de medidas inclui veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra empresas iranianas que fornecem drones a Moscou. "Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos – esgotando o arsenal de guerra da Rússia e mordendo profundamente sua economia", disse a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, através do Twitter, acrescentando que o bloco está aumentando a pressão sobre aqueles que tentam contornar as sanções da UE. O chefe de política externa da UE, Josep Borrell, alertou que o bloco continuará a impor mais sanções contra Moscou. "Continuaremos a aumentar a pressão sobre a Rússia – e faremos isso pelo tempo que for necessário, até que a Ucrânia seja libertada da brutal agressão russa", disse ele em comunicado. Restrições adicionais são impostas às importações de mercadorias que geram receitas significativas para a Rússia, como asfalto e borracha sintética. Os Estados-membros da UE aprovaram as sanções na noite de sexta-feira, depois de uma agitada negociação, que foi travada temporariamente pela Polônia. Acordo após mais de 24 horas de reuniões As negociações entre os países da UE ficaram estagnadas durante a discussão sobre o tamanho das cotas de borracha sintética que os países poderão importar da Rússia, uma vez que a Polônia queria reduzi-las, mas finalmente houve o acordo, após mais de 24 horas de reuniões. "Hoje, a UE aprovou o décimo pacote de sanções contra a Rússia" para "ajudar a Ucrânia a ganhar a guerra", anunciou a presidência sueca da UE, em sua conta oficial no Twitter. O pacote negociado "inclui, por exemplo, restrições mais rigorosas à exportação de tecnologia e produtos de dupla utilização", medidas restritivas dirigidas contra indivíduos e entidades que apoiam a guerra, propagandeiam ou entregam drones usados pela Rússia na guerra, e medidas contra a desinformação russa", listou a presidência sueca. Serão sancionados, concretamente, 47 componentes eletrônicos usados por sistemas bélicos russos, incluindo em drones, mísseis e helicópteros, de tal maneira que, levando em conta os nove pacotes anteriores, todos os produtos tecnológicos encontrados no campo de batalha terão sido proibidos, de acordo com Ursula von der Leyen. O comércio desses produtos, que as evidências do campo de batalha sugerem que Moscou está usando para sua guerra, totaliza mais de 11 bilhões de euros (mais de R$ 60 bilhões), segundo autoridades da UE. Sanções contra firmas iranianas Também foram incluídas, pela primeira vez, sete empresas iranianas ligadas à Guarda Revolucionária que fabricam os drones que Teerã está enviando a Moscou para bombardear a Ucrânia. As novas medidas abrangem mais de 100 indivíduos e empresas russas, incluindo responsáveis pela prática de crimes na Ucrânia, pela deportação de crianças ucranianas para a Rússia e oficiais das Forças Armadas russas. Todos eles terão os bens e ativos congelados na UE e serão proibidos de entrar no território do bloco. O décimo pacote novamente foca na necessidade de evitar que tanto a Rússia como os oligarcas contornem as sanções, tendo sido acordado considerar a utilização de bens do Banco Central russo congelados na UE para a reconstrução da Ucrânia. No entanto, vários países têm dúvidas jurídicas sobre a possibilidade de utilizar esses recursos para a reconstrução e pedem o máximo consenso internacional. md (EFE, Reuters, AFP)


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Image caption "Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos", disse Ursula von der Leyen,
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Item 23
Id 64816115
Date 2023-02-24
Title Zelenski quer América Latina envolvida em processo de paz
Short title Zelenski quer América Latina envolvida em processo de paz
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Zelenski fez declaração em coletiva de imprensa que marcou um ano da guerra na Ucrânia

Presidente ucraniano propõe cúpula com os países da região e diz ter convidado Lula para ir a Kiev. Ele diz ainda que nações da África, além de China e Índia, deveriam se sentar na mesa de negociações.O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou nesta sexta-feira (24/02) que deseja que países da América Latina e África, além da China e Índia, façam parte de um processo de paz para o fim da guerra com a Rússia. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa para veículos internacionais que marcou um ano da invasão russa na Ucrânia. Buscando fortalecer os laços diplomáticos, Zelenski propôs a realização de uma cúpula com os líderes latino-americanos. "É difícil para mim deixar o país, mas eu viajaria especialmente para essa reunião", destacou. Ao manifestar a intenção de reforçar os contatos bilaterais, Zelenski citou especificamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ser questionado por um jornalista brasileiro. "Eu lhe mandei [a Lula] convites para vir à Ucrânia. Realmente espero me encontrar com ele. Gostaria que ele me ajudasse e apoiasse com uma plataforma de conversação com a América Latina", disse Zelenski. "Estou realmente interessado nisso. Estou esperando pelo nosso encontro. Face a face vou me fazer entender melhor." Nesta sexta-feira, Lula voltou a defender uma iniciativa de "países não envolvidos no conflito" para promover as negociações de paz. "No momento em que a humanidade, com tantos desafios, precisa de paz, completa-se um ano da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. É urgente que um grupo de países, não envolvidos no conflito, assuma a responsabilidade de encaminhar uma negociação para restabelecer a paz", escreveu o presidente brasileiro no Twitter. Estreitar laços O presidente ucraniano destacou ainda que seu governo começou a abrir novas embaixadas na América Latina e África, onde alguns países continuam mantendo boas relações com a Rússia e se recusam a condenar a guerra. Zelenski ressaltou ainda que Kiev deve tomar medidas para construir relações com os países africanos. "A Ucrânia deve dar um passo à frente para se encontrar com os países do continente africano", declarou. Ele propôs também organizar uma cúpula com "países de todos os continentes" após Kiev ter recebido um apoio generalizado na Assembleia Geral da ONU, que na quinta-feira aprovou uma resolução sobre o fim das hostilidades e a retirada das tropas russas do território ucraniano. Ele disse que essa reunião deve ocorrer num país "que seja capaz de reunir o maior número possível de países do mundo". O presidente ucraniano aludiu indiretamente às abstenções registradas durante essa votação, incluindo a China e a Índia, e disse que o seu governo trabalha "para transformar essa neutralidade num estatuto de não-neutralidade diante a guerra". Proposta da China Apesar de ter manifestado algum ceticismo, Zelenski saudou alguns elementos do "plano de paz" apresentado pela China e disse esperar que a posição da liderança chinesa evolua no sentido de exigir que a Rússia respeite os princípios básicos do direito internacional, no qual se incluem a soberania e a integridade territorial dos países. "Pelo menos, a China começou a falar conosco, nos chamou de 'país invadido' e julgo que isso é bom. Mas a China não é propriamente pró-ucraniana e temos que ver que atos seguirão as palavras", afirmou. Ele também destacou ser promissor a China estar pensando em intermediar a paz, mas reiterou que qualquer plano que não incluir a retirada total das tropas russas de territórios ucranianos é inaceitável para Kiev. cn/bl (Reuters, AFP, Efe)


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Image caption Zelenski fez declaração em coletiva de imprensa que marcou um ano da guerra na Ucrânia
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