DW

Item 1
Id 78513308
Date 2026-08-29
Title Como criminosos usam aplicativos de relacionamento para roubar a biometria de usuários
Short title O golpe que começa nos aplicativos de namoro
Teaser Perfis falsos podem levar vítimas a videochamadas para capturar imagens e voz. Especialistas explicam como esse material pode ser usado em fraudes. Quais são os limites da biometria facial e como se proteger?

Paula*, de 36 anos, conversou durante vários dias com um homem que conheceu em um aplicativo de relacionamento. Depois das primeiras mensagens, os dois passaram a falar pelo WhatsApp. Ele demonstrava pressa para encontrá-la pessoalmente, mas foi outro comportamento que começou a despertar sua desconfiança: as tentativas de fazer chamadas de vídeo sem combinar previamente.

"Conversamos por vários dias, até que um dia ele me ligou sem avisar. Eu não atendi. Aí fui pesquisar o perfil dele com mais cuidado e vi que era fake, e na sequência já bloqueei", conta. Antes disso, uma foto enviada para visualização única já havia chamado sua atenção.

Ao compará-la com as imagens publicadas no perfil, ela percebeu diferenças. Depois de bloquear o contato, buscou as fotografias, descobriu que pertenciam ao filho de uma pessoa conhecida e estavam sendo usadas por alguém que se passava por ele. "Na verdade, ele queria muito marcar um encontro rápido, só falava sobre isso, não era uma conversa normal, parando para pensar".

Paula não sabe por que o homem insistia nas videochamadas nem o que pretendia fazer caso ela atendesse. Mas abordagens que começam em aplicativos de namoro e rapidamente migram para outras plataformas fazem parte da dinâmica observada em diferentes modalidades de fraude, segundo Juliana Cunha, diretora da SaferNet Brasil e especialista em violência de gênero facilitada pela tecnologia. "A saída do app para outra plataforma menos protetiva é a etapa principal de todo golpe", afirma.

Dados biométricos

Uma das preocupações envolve a captura de imagens do rosto. Segundo Cunha, dados biométricos podem ser explorados em fraudes para abertura ou tentativas de assumir o controle de contas bancárias que utilizam selfies como mecanismo de autenticação ou recuperação. Uma gravação obtida em uma videochamada, porém, não significa automaticamente que um criminoso conseguirá passar pelos sistemas de reconhecimento facial — uma das questões depende das tecnologias de verificação utilizadas.

Embora não haja estatísticas nacionais específicas sobre golpes que utilizam videochamadas em aplicativos de relacionamento, Cunha afirma que essas fraudes podem aparecer dentro de uma categoria mais ampla, a de estelionato por meio eletrônico. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que os registros desse tipo de crime cresceram 20,6% em relação ao ano anterior.*

"O que vemos na prática é que as mulheres são alvo preferencial dos golpes que exploram vínculo afetivo e violência de gênero. O criminoso explora essa vulnerabilidade com dinâmicas de confiança e de controle que recaem mais sobre elas.", afirma a especialista da Safernet.

Como o golpe pode ocorrer na prática?

A videochamada pode funcionar como uma etapa de coleta de informações. Durante a conversa, o criminoso pode gravar não apenas o rosto da vítima, mas também diferentes ângulos, expressões, movimentos e a própria voz. Esse material pode posteriormente ser combinado com outros dados pessoais em tentativas de fraude.

Segundo Juliano Maranhão, professor da Faculdade de Direito da USP e diretor do Legal Wings Institute, imagens frontais ajudam a reproduzir características do rosto, enquanto mudanças de ângulo, iluminação e expressão ampliam o material disponível. Movimentos como piscar, sorrir ou virar a cabeça também podem coincidir com ações solicitadas por alguns sistemas de prova de vida.

Isso não significa, porém, que atender a uma videochamada seja suficiente para permitir que alguém acesse uma conta bancária. "O risco de fraude cresce quando rosto e voz são ligados à identidade civil da vítima e combinados com CPF, documento, telefone, e-mail, credenciais, códigos ou falhas no cadastro", afirma Maranhão.

O material capturado também pode ser usado de outras maneiras. A gravação da voz, por exemplo, pode servir de base para uma clonagem ou ser manipulada para tentar convencer familiares ou funcionários de uma instituição de que estão falando com a própria vítima. Da mesma forma, diferentes imagens do rosto podem contribuir para a produção de um deepfake.

Patricia Eliane da Rosa Sardeto, membro do Observatório de Inteligência Artificial na Educação Superior e docente da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), explica que a abordagem pode começar antes mesmo da chamada. Depois de estabelecer contato em um aplicativo de relacionamento, o golpista pode tentar levar a conversa para o WhatsApp ou uma rede social e, aos poucos, obter informações diretamente da vítima. Durante uma videochamada, pedidos aparentemente casuais também podem servir de alerta. "Agora vire para a esquerda", "para a direita" ou "chegue mais perto da câmera" são alguns dos exemplos citados por Sardeto.

Há, no entanto, uma diferença entre ter uma imagem do rosto e possuir a biometria armazenada por uma instituição. Maranhão explica que bancos e outros serviços podem analisar características faciais, como distâncias e contornos, e transformá-las em uma representação matemática usada para comparação. "O criminoso pode usar a gravação como matéria-prima para produzir outra amostra ou extrair características, mas isso não significa que tenha copiado a biometria cadastrada pela instituição", afirma.

Se uma gravação ou um deepfake conseguir enganar a verificação facial depende dos mecanismos de segurança adotados por cada sistema. Não existe um conjunto de movimentos que permita desbloquear qualquer serviço, diz Maranhão. Sistemas mais robustos podem recorrer a mecanismos destinados a verificar se há uma pessoa presente naquele momento, enquanto controles menos resistentes podem apresentar mais vulnerabilidades.

Fragilidade das plataformas

Perfis verificados podem reduzir alguns riscos nos aplicativos de relacionamento, mas o selo não significa necessariamente que todas as informações apresentadas pelo usuário foram confirmadas. Dependendo da plataforma e do método adotado, a checagem pode apenas verificar se a pessoa que aparece em uma selfie ou vídeo corresponde às fotografias publicadas no perfil.

Segundo Maranhão, criminosos podem montar perfis com fotografias retiradas de redes sociais ou assumir contas legítimas obtidas por meio de phishing (técnica usada para enganar a vítima e obter senhas, dados pessoais ou outras informações). Mesmo quando há verificação facial, permanecem outras possibilidades. Uma pessoa pode, por exemplo, utilizar as próprias fotografias e passar pela checagem, mas mentir sobre nome, idade, profissão ou suas intenções.

"Em alguns [apps], a verificação por foto usa vídeo-selfie e o próprio aplicativo apresenta um selo que indica maior chance de autenticidade, mas não garante completamente a identidade ou a segurança", afirma Maranhão. Há plataformas que também oferecem verificação por documento, mas a disponibilidade e a obrigatoriedade desses recursos podem variar conforme o aplicativo e o país. "Portanto, existe uma vulnerabilidade residual e segurança depende de controles em camadas, repetição da verificação quando as fotos mudam, detecção de contas tomadas, análise de comportamento, canais de denúncia e resposta rápida", complementa.

Perfis falsos também podem utilizar fotografias roubadas ou imagens de rostos produzidas por inteligência artificial. "Muitos apps não verificam identidade real, não checam documento contra o rosto. Então, 'verificado' às vezes significa apenas 'a selfie combina com as fotos', não "esta pessoa é quem diz ser'", explica Cunha.

A videochamada, por outro lado, não deve ser tratada por si só como indício de fraude. Maranhão afirma que uma conversa breve realizada dentro do próprio aplicativo pode até ajudar a identificar um perfil falso sem que seja necessário fornecer telefone ou e-mail. O alerta aumenta quando a chamada passa a seguir uma sequência incomum de solicitações, como aproximar o rosto da câmera, retirar os óculos e procurar uma iluminação mais forte.

Outros comportamentos também podem levantar suspeitas: perfis com poucas informações, versões contraditórias sobre a própria história, tentativa de criar intimidade rapidamente, recusa em responder perguntas espontâneas e pressão para levar a conversa para fora da plataforma.

Para Cunha, é justamente essa insistência em migrar a conversa que merece atenção. "Nenhum aplicativo é totalmente seguro. A insistência em sair do app já é o sinal de alerta, independentemente do canal", diz. Por isso, segundo os especialistas, nas primeiras interações, permanecer nos recursos de conversa e videochamada oferecidos pelo próprio aplicativo evita ao menos a exposição imediata de outras informações de contato, como o número de telefone.

Como se proteger e o que fazer em caso de golpe?

Se a pessoa desconfiar que teve o rosto, a voz ou outras informações capturadas durante uma abordagem suspeita, a primeira orientação é interromper o contato e não fornecer novos dados. Documentos, códigos de autenticação, vídeos ou valores não devem ser enviados, mesmo que o interlocutor passe a fazer ameaças.

Ao mesmo tempo, é importante preservar registros da abordagem. Segundo Maranhão, isso inclui fazer capturas de tela do perfil e das conversas e guardar nome de usuário, telefone, links, datas e horários das chamadas, além de eventuais ameaças, dados bancários ou comprovantes. Caso apareçam perfis falsos, deepfakes ou outros conteúdos utilizando a imagem da vítima, a recomendação é registrar os endereços das páginas antes de solicitar a remoção.

Sardeto também orienta a denunciar o perfil no próprio aplicativo e registrar boletim de ocorrência, presencialmente ou pela internet. Se houver extorsão, a recomendação é não realizar pagamentos. O crime ocorre quando alguém, mediante violência ou grave ameaça, constrange a vítima com o objetivo de obter vantagem econômica e pode ser punido com quatro a dez anos de reclusão, além de multa.

Se ocorrer indícios de que senhas ou outros dados pessoais também foram comprometidos, as medidas devem ser ampliadas. Maranhão recomenda alterar as senhas, encerrar sessões desconhecidas e ativar a autenticação em dois fatores. Bancos e outras instituições envolvidas também devem ser comunicados pelos canais oficiais.

Nos casos em que uma transferência via Pix já tenha sido realizada de forma fraudulenta, a vítima pode contestar a operação junto à instituição financeira e verificar a possibilidade de utilização do Mecanismo Especial de Devolução (MED), procedimento criado para tentar recuperar valores em determinadas situações de fraude.

Cada denúncia, porém, segue um caminho diferente. A polícia pode investigar crimes como ameaça, extorsão, fraude e falsa identidade, enquanto as plataformas recebem denúncias sobre contas e conteúdos e podem analisar pedidos de remoção. Já a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) pode ser procurada quando houver indícios de tratamento irregular de dados pessoais por empresas ou órgãos.

Mesmo diante dessas orientações, Sardeto reforça a dificuldade de percepção de fraude em situações em que a abordagem já avançou. "A vítima normalmente não desconfia do golpe, pois está envolvida emocionalmente e esse envolvimento a faz 'baixar todas as guardas'. Só se dá conta do golpe quando sofre um prejuízo financeiro ou é extorquida."

* Nome modificado a pedido da fonte

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Short teaser Perfis falsos podem levar vítimas a videochamadas para capturar imagens e voz, material que pode ser usado em fraudes.
Author Priscila Carvalho
Item URL https://www.dw.com/pt-br/como-criminosos-usam-aplicativos-de-relacionamento-para-roubar-a-biometria-de-usuários/a-78513308?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 2
Id 78532367
Date 2026-08-27
Title Empresas da Alemanha relatam aumento de ataques estrangeiros
Short title Empresas da Alemanha relatam aumento de ataques estrangeiros
Teaser

Roubo de dados, espionagem industrial e sabotagem estão entre os ataques relatados por empresas na Alemanha

Serviços de inteligência estariam por trás de roubos de dados, espionagem e sabotagens. China e Rússia são as principais origens detectadas, aponta pesquisa.Sob uma atmosfera de guerra híbrida, a economia da Alemanha tem sido cada vez mais alvo de serviços de inteligência estrangeiros, de acordo com um relatório publicado nesta quarta-feira (26/08) pela associação Bitkom, do setor de tecnologia da informação (TI) no país. Segundo o estudo, 37% das empresas afetadas por roubo de dados, espionagem industrial ou sabotagem ao longo de um ano atribuíram pelo menos um ataque a estes atores. Um ano antes, o percentual era de 28%. Em 2023, era de 7%. O valor é calculado com base nas respostas de 1.003 executivos de empresas com dez ou mais funcionários na Alemanha, entrevistados entre meados de abril e o início de junho, sobre os 12 meses anteriores. "Se observarmos para onde levam os rastros, é preciso dizer que eles apontam cada vez mais para o leste", disse Ralf Wintergerst, presidente da Bitkom. No total, 96% das empresas relataram ter sido afetadas ou suspeitar que foram alvo de ataques da mesma natureza. Os prejuízos foram estimados entre 211 bilhões e 270 bilhões de euros (R$1,26 trilhão e R$1,62 trilhão). Ambas as métricas se mantiveram no mesmo patamar dos anos anteriores. O cálculo inclui custos diretos, como interrupções de operações, investigações e medidas de contenção, disputas judiciais e extorsões, além de perdas de receita decorrentes de falsificações e da perda de vantagens competitivas. Ao mesmo tempo, um número cada vez menor de empresas consegue afirmar com certeza se um ataque realmente ocorreu. Apenas 67% das empresas conseguiram confirmar de forma definitiva um ataque bem-sucedido, contra 87% no ano anterior. China e Rússia na origem Das empresas que reportaram ataques com certeza, mais da metade (52%) detectou a China como a origem de pelo menos um episódio, contra 49% que disseram ter sido alvo da Rússia. Vêm depois os países do Leste Europeu fora da União Europeia (34%), os Estados Unidos (27%), os países da União Europeia excluindo a Alemanha (26%) e a própria Alemanha (12%). Outro país em ascensão, de acordo com a Bitkom, é o Irã: o volume de ataques atribuídos ao país mais do que dobrou na comparação anual, alcançando 9%. Do ponto de vista estatístico, porém, os autores ou principais suspeitos continuam sendo, com ampla vantagem, atores não estatais ligados ao crime organizado. Apesar de uma leve queda, sua participação permaneceu em nível elevado, passando de 68% no levantamento do ano passado para 62% na edição de 2026. Paralelamente, aumentou significativamente o número de empresas que suspeitam ter sido atacadas, mas não conseguem comprovar a ocorrência. Esse percentual subiu de 10% para 29%. IA acelera ataques e dificulta a defesa Segundo a Bitkom, invasores utilizam a inteligência artificial (IA) para agilizar ataques, enquanto as empresas precisam dela para melhorar suas capacidades de defesa. Wintergerst considera que o maior desafio é corrigir vulnerabilidades de segurança mais rapidamente. O Departamento Federal para a Proteção da Constituição da Alemanha (BfV, na sigla em alemão), a principal agência de segurança interna, envia alertas a empresas ao detectar indícios de atividades suspeitas ou ameaças concretas. Serviços de inteligência de países aliados também fornecem informações. "Atores estatais recorrem cada vez mais a grupos cibercriminosos, mas também a agentes de baixo escalão", afirma o presidente do BfV, Sinan Selen. Os objetivos dos ataques incluiriam enfraquecer o apoio à Ucrânia contra a Rússia, com empresas do setor de defesa e centros de pesquisa em tecnologia de drones entre os alvos prioritários. Recrutados na própria Alemanha, os chamados "agentes descartáveis" realizam atividades de espionagem e sabotagem em troca de quantias variáveis de dinheiro. Segundo Selen, fica cada vez mais difícil para empresas e órgãos de segurança distinguir quem está por trás de cada ataque. Para reduzir os riscos, especialistas defendem mais investimentos na proteção da infraestrutura crítica. Em contrapartida, de acordo com as empresas entrevistadas pela pesquisa da Bitkom, os orçamentos destinados à segurança da tecnologia da informação se encontram estagnados. Em média, eles representam apenas 18% do orçamento de TI. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.


Short teaser Serviços de inteligência estariam por trás de roubos de dados, espionagem e sabotagens.
Author Marcel Fürstenau
Item URL https://www.dw.com/pt-br/empresas-da-alemanha-relatam-aumento-de-ataques-estrangeiros/a-78532367?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
Image URL (700 x 394) https://static.dw.com/image/65189036_303.jpg
Image caption Roubo de dados, espionagem industrial e sabotagem estão entre os ataques relatados por empresas na Alemanha
Image source Silas Stein/dpa/picture alliance
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Item 3
Id 78524139
Date 2026-08-27
Title O paradoxo da Nigéria: entre a falta de combustível interna e exportação recorde
Short title Nigéria: entre a falta de combustível e exportação recorde
Teaser Na esteira da guerra no Irã, a Nigéria se tornou o maior fornecedor de querosene de aviação da Europa. Enquanto isso, internamente, as próprias companhias aéreas do país lutam para manter seus tanques cheios.

Nos últimos dois meses, a Nigéria emergiu como a maior fornecedora de querosene de aviação para a Europa, ultrapassando os Estados Unidos.

Uma megarrefinaria de 650 mil barris por dia localizada nos arredores de Lagos, pertencente ao homem mais rico da África, Aliko Dangote, tornou-se fonte cada vez mais importante de combustível para o continente após as interrupções no abastecimento provocadas pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Durante os meses de pico do verão passado, a maior parte desse abastecimento ainda vinha do Oriente Médio.

Mas, desde o fechamento do estreito de Ormuz no início deste ano, a Europa passou a depender de importações de aproximadamente 700 mil barris por dia para atender à demanda atual da indústria da aviação, segundo a Kpler, empresa privada global de inteligência comercial.

Tanques de combustível vazios na Europa

Em abril, o diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, manifestou preocupação ao afirmar que, naquele momento, a Europa possuía "talvez apenas cerca de seis semanas" de estoque de querosene de aviação.

Menos de dois meses depois, quatro aeroportos do norte da Itália — Bolonha, Veneza, Treviso e Linate, em Milão — chegaram a introduzir restrições temporárias ao uso de combustível de aviação, impondo um limite de 2 mil litros por aeronave em voos de curta distância, segundo a imprensa local, ao mesmo tempo em que davam prioridade a voos médicos e de longa distância.

Desde então, a Europa conseguiu absorver o impacto do fechamento do estreito de Ormuz ao diversificar suas fontes de abastecimento e ampliar as importações de países como a Nigéria. Mas a que custo?

O paradoxo da produção excedente

A Nigéria continua produzindo uma quantidade recorde de querosene de aviação por meio da refinaria Dangote, o equivalente a cerca de 24 milhões de litros por dia. Boa parte desse volume agora é destinada à Europa.

Em contrapartida, o preço do combustível disparou no país da África Ocidental, colocando as companhias aéreas locais em dificuldade para atender à demanda diária estimada.

Pesa ainda a arbitrariedade de quem domina esse mercado. "A Nigéria opera um mercado de combustíveis totalmente desregulamentado, no qual a Dangote define os preços de seus produtos com base na paridade internacional, e não em tarifas domésticas preferenciais", explica Ikemesit Effiong, sócio da consultoria SBM Intelligence, especializada em temas africanos.

"O combustível vai para onde se paga mais", disse à DW, acrescentando que, "neste momento, esse lugar é a Europa, não Lagos".

"A principal lição que os agentes nigerianos estão aprendendo é que capacidade de produção, por si só, não garante preços acessíveis no mercado doméstico."

Embora a refinaria Dangote tenha melhorado significativamente a disponibilidade de combustível no país, historicamente marcado pela escassez crônica e pelas longas filas nos postos, os preços internos continuam entre os mais altos do continente.

Dificuldade para as companhias aéreas locais

No mercado totalmente desregulamentado da Nigéria, as companhias aéreas regionais também precisam competir com compradores internacionais, que normalmente fazem pedidos em volumes maiores e, muitas vezes, negociam diretamente com as refinarias, sem intermediários.

Segundo Effiong, isso por si só confere aos grandes compradores globais vantagens significativas nas negociações em relação às empresas locais de menor porte.

"O resultado é que, embora as companhias aéreas domésticas estejam fisicamente mais próximas da refinaria, elas são economicamente menos competitivas para acessar seus produtos. É como se estivessem do outro lado do mundo", acrescentou.

Desde o início da crise, operadores locais da aviação acumularam mais de 60 bilhões de nairas em dívidas com bancos locais para sustentar suas operações e sobreviver à alta dos preços. O valor equivale a cerca de R$ 243 milhões, na cotação atual.

Muitas empresas foram obrigadas a reduzir rotas importantes e elevar os preços das passagens, gerando frustração e insatisfação entre os passageiros. Além disso, cancelamentos e atrasos de voos continuam aumentando o descontentamento dos viajantes.

Em determinado momento, os preços do querosene de aviação mais do que triplicaram logo após o início da guerra com o Irã. Desde então, recuaram para um mínimo de cerca de 1.600 nairas por litro, ante aproximadamente 900 nairas antes do conflito.

Custos ocultos e acréscimos de preço

A situação atual é agravada pelo fim dos subsídios governamentais aos derivados de petróleo e pelos empréstimos garantidos por petróleo bruto contratados pela estatal petrolífera da Nigéria.

Isso significa que parte da produção futura de petróleo do país está comprometida com o pagamento dessas dívidas, obrigando a refinaria Dangote a importar petróleo bruto para refino, em vez de utilizar as reservas nigerianas.

Mas o problema não está apenas na origem do combustível.

Charles Victor, analista de energia baseado em Lagos, explicou que "o trajeto entre os portões da refinaria e o aeroporto é caro e envolve várias camadas adicionais de custos. Isso inclui armazenamento, transporte marítimo costeiro, transferência do combustível entre tanques e vários intermediários, cada um ficando com uma parcela".

"O problema nunca foi a oferta. O problema é o que acontece com o preço até o combustível chegar à aeronave."

Não há solução sem intervenção do governo?

Para Victor, a solução seria reservar mensalmente uma determinada quantidade de combustível para as companhias aéreas nigerianas e vendê-la de forma direta e equitativa a todos os participantes do setor.

Comprar "diretamente na saída da refinaria, se possível, eliminaria a maior parte dos intermediários que adicionam custos ao longo do processo", afirmou à DW.

Segundo ele, isso permitiria ao menos estabilizar o preço no atacado em torno de 1.200 nairas por litro.

O plano também exigiria melhorias na infraestrutura de armazenamento e distribuição dos aeroportos para "reduzir os custos logísticos que contribuem significativamente para os preços finais", acrescentou Ikemesit.

"Por fim, o governo deveria implementar políticas que incentivem relações comerciais sustentáveis entre a Dangote e as companhias aéreas domésticas."

Mas será que Dangote concordaria com isso?

Operando em sua capacidade máxima de 650 mil barris por dia, a refinaria Dangote foi originalmente construída com o objetivo de transformar o maior produtor de petróleo da África em um exportador líquido de derivados refinados, encerrando sua dependência de combustíveis importados.

No entanto, com uma crise global que projetou a Dangote como fornecedora mundial de combustíveis, esse plano pode continuar sendo apenas um sonho distante.

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Short teaser Com guerra no Irã, Nigéria se tornou o maior fornecedor de querosene de aviação da Europa, mas enfrenta escassez.
Author Abiodun Jamiu
Item URL https://www.dw.com/pt-br/o-paradoxo-da-nigéria-entre-a-falta-de-combustível-interna-e-exportação-recorde/a-78524139?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
RSS Player single video URL https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=O%20paradoxo%20da%20Nig%C3%A9ria%3A%20entre%20a%20falta%20de%20combust%C3%ADvel%20interna%20e%20exporta%C3%A7%C3%A3o%20recorde

Item 4
Id 78513835
Date 2026-08-26
Title Ataques da Ucrânia bloqueiam exportação de grãos da Rússia
Short title Ataques da Ucrânia bloqueiam exportação de grãos da Rússia
Teaser

Ataques ucranianos intensificados à infraestrutura portuária russa no Mar Negro fizeram a Marinha russa perder o controle da região

Moscou é o maior exportador mundial de trigo. Escoamento de petróleo russo também foi prejudicado por ataques de drones ucranianos a portos no Mar Negro.Quando o presidente Vladimir Putin apresentou suas justificativas para a anexação ilegal da Península ucraniana da Crimeia pela Rússia, em 2014, ele disse que não poderia "permitir que as forças da Otan acabassem chegando à Crimeia e a Sebastopol, terra da glória militar russa, alterando fundamentalmente o equilíbrio de forças na região do Mar Negro". Doze anos depois, a Marinha russa já não domina mais a região. E exportar mercadorias pelo Mar Negro está cada vez mais difícil para a Rússia devido aos ataques de drones da Ucrânia. Só é possível reorganizar parcialmente a logística. Ataques ucranianos intensificados contra Novorossiysk, o maior porto comercial russo no Mar Negro, provocaram interrupções significativas nos embarques de petróleo e grãos nas últimas semanas. Se os ataques continuarem na mesma intensidade, as consequências para os exportadores e os cofres do governo russo poderão ser significativas, segundo especialistas ouvidos pela DW. Por que a Ucrânia ataca Novorossiysk Novorossiysk é um dos principais centros de exportação da Rússia desde o século 19 e é até hoje o maior porto do país em volume de carga, além de um dos maiores da Europa. Até um terço das exportações russas de grãos passa pelo terminal, localizado próximo às principais regiões agrícolas do país. O porto também escoa petróleo bruto, metais e mercadorias em contêineres. Os recentes ataques ucranianos com drones marítimos e aéreos afetaram gravemente os embarques, especialmente os de grãos. Andrei Sisov, diretor da empresa de pesquisa e consultoria agrícola SovEcon, acompanha os acontecimentos pelo Telegram. Em 12 de agosto, ele informou que a Fábrica de Produtos Panificados de Novorossiysk (NKHP), um dos maiores terminais de exportação de grãos da Rússia, e o terminal de grãos de Novorossiysk haviam interrompido suas operações. Um dia depois, a KSK, um dos maiores terminais de grãos em águas profundas do país, também suspendeu suas atividades. As operações em um importante terminal de grãos em Taman já haviam sido paralisadas no fim de julho. Antes disso, a Ucrânia havia interrompido as atividades dos portos de águas rasas no Mar de Azov. Até a publicação deste texto, apenas o terminal de Tuapse, o menor para o escoamento de grãos russos em águas profundas, continuava operando. "Isso significa que praticamente todas as exportações russas de grãos pela bacia do Mar de Azov e do Mar Negro estão bloqueadas", afirmou Sisov. A escalada das hostilidades nas regiões do Mar de Azov e do Mar Negro também será sentida no mercado mundial, já que a Rússia é a maior exportadora de trigo do planeta. Desabastecimento do mercado global? A Argus Media, empresa sediada em Londres especializada em informações sobre mercados globais de energia e commodities, afirma que a Rússia poderá ter 45 milhões de toneladas de trigo disponíveis para exportação entre 2026 e 2027. No entanto, a situação no Mar Negro, por onde normalmente passam cerca de 90% dos embarques, tornará quase impossível o abastecimento do mercado global. Sisov, da SovEcon, estimou que "muitos produtores russos não sobreviverão a esta temporada, especialmente após vários anos de deterioração das condições financeiras". Como as exportações ficaram praticamente paralisadas, o excedente de grãos terá de ser vendido no mercado interno, o que já provoca queda nos preços. Mesmo que as exportações sejam eventualmente retomadas, os problemas continuarão. Agosto costuma ser o mês de pico dos embarques, e será difícil escoar posteriormente o que não foi exportado neste mês, já que os terminais normalmente operam no limite de sua capacidade durante o outono. Exportações de grãos da Ucrânia também diminuem As exportações ucranianas de grãos também caíram fortemente devido aos ataques russos. No último mês, a Rússia também intensificou sua campanha contra portos ucranianos e embarcações atracadas no Mar de Azov e no Mar Negro. "As interrupções impediram que as boas colheitas de trigo da Ucrânia e da Rússia chegassem ao mercado global", afirma Xiaoyi Deng, da Argus Media, à DW. "Ambos os países tiveram dificuldades para utilizar infraestruturas alternativas, como os portos do Báltico, via ferrovia, ou os portos do rio Danúbio, mas essas alternativas não são capazes de substituir integralmente as rotas atuais." Escoamento do petróleo russo também foi prejudicado A situação das exportações de petróleo não é tão dramática: apesar de não terem parado completamente, elas sofrem interrupções frequentes. Segundo a agência de notícias Reuters, o terminal de Sheskharis, principal instalação de exportação de petróleo da Rússia no Mar Negro, responsável pelo embarque de cerca de 700 mil barris de petróleo bruto por dia, interrompeu os carregamentos em 14 de agosto. As operações só foram retomadas dois dias depois. Segundo o Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA), grupo de pesquisa sediado em Helsinque, o porto de Novorossiysk embarcou 30% menos petróleo nas duas primeiras semanas de agosto em comparação com o mesmo período do ano passado. A queda foi precedida por um ataque ucraniano ao terminal marítimo do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC), em 19 de julho. Os danos à infraestrutura não são a única razão para a redução dos embarques, afirma Isaac Levi, analista de energia do CREA. Segundo ele, "os ataques contra embarcações desestimularam os navios a atracar em portos considerados alvos prioritários". Um desses ataques, em 17 de agosto, visou um petroleiro grego que supostamente transportava petróleo russo, informou a agência de notícias Bloomberg. "Se essas restrições persistirem durante agosto, a Rússia terá cada vez mais dificuldades para simplesmente adiar embarques e compensar posteriormente os volumes perdidos", analisa Levi. "A Rússia pode redirecionar os barris de petróleo, mas não pode redirecionar a infraestrutura." Segundo Levi, os portos de Primorsk e Ust-Luga, no Mar Báltico, poderiam ser uma alternativa. Mas exportar o petróleo por ali "aumentaria significativamente os tempos e os custos de transporte em comparação com as exportações via Mar Negro". Ele também pondera que a "capacidade disponível continua pequena demais para substituir volumes significativos provenientes de Novorossiysk". --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. 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Short teaser Moscou é o maior exportador mundial de trigo. Campanha também prejudica escoamento de petróleo russo.
Author Oleg Loginov
Item URL https://www.dw.com/pt-br/ataques-da-ucrânia-bloqueiam-exportação-de-grãos-da-rússia/a-78513835?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
Image URL (700 x 394) https://static.dw.com/image/78358090_303.jpg
Image caption Ataques ucranianos intensificados à infraestrutura portuária russa no Mar Negro fizeram a Marinha russa perder o controle da região
Image source Vantor/Handout/REUTERS
RSS Player single video URL https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78358090_303.jpg&title=Ataques%20da%20Ucr%C3%A2nia%20bloqueiam%20exporta%C3%A7%C3%A3o%20de%20gr%C3%A3os%20da%20R%C3%BAssia

Item 5
Id 78470981
Date 2026-08-26
Title Crise de combustíveis na Rússia chega a Moscou e ameaça logística
Short title Crise de combustíveis chega a Moscou e ameaça logística
Teaser

Diferentemente das outras ondas de escassez de gasolina, essa atingiu em cheio a capital russa

Além da falta de combustível na capital, cresce o temor com a qualidade da gasolina. Especialistas apontam danos a veículos, meses de espera nas oficinas e impactos cada vez maiores na economia russa.Ataques das Forças Armadas da Ucrânia a refinarias desencadearam uma nova crise de combustíveis na Rússia. Segundo a agência de notícias Reuters, pelo menos 30 regiões já foram afetadas. Diferentemente da onda anterior de escassez de gasolina, que começou no fim de maio e durou até meados de julho, a crise atual atinge especialmente Moscou e os arredores da capital. Usuários de redes sociais relatam o problema. As redes de postos Gazprom Neft e Tatneft já restringiram a venda de combustíveis na capital russa. "Não se pode dizer que não exista gasolina alguma. Mas a crise é perceptível. Não é apenas um problema pessoal, quando alguém não sabe se conseguirá sair da cidade e voltar. É também um problema econômico”, afirma Oleg Grigorenko, do portal russo 7x, em entrevista à DW. Segundo o editor-chefe do site independente, classificado pelas autoridades russas como "agente estrangeiro" motoristas de táxi, serviços de entrega e o setor da construção já registram queda de demanda em várias regiões. O motivo seria a dependência de muitas cadeias logísticas em relação ao combustível. "A logística das empresas privadas de construção depende fortemente da gasolina", explica Grigorenko. Também na região sul de Krasnodar, segundo a imprensa local, formam-se filas de várias horas nos postos. As autoridades atribuem o problema a um suposto aumento da demanda durante o período de férias. Mas muitos moradores já falam em desastre para a temporada de verão. "A atual Sochi, com sua tranquilidade e ritmo de vida desacelerado, lembra a época anterior aos Jogos Olímpicos, quando havia poucos carros nas ruas e a cidade tinha muito menos turistas e moradores. Mas há uma diferença: em Sochi não há gasolina", escreveu no Instagram o corretor de imóveis Igor Sakhartchenko, natural da cidade às margens do Mar Negro, que sediou os Jogos Olímpicos de Inverno em 2014. Queda na qualidade da gasolinae Igor Ananskikh, primeiro vice-presidente da Comissão de Energia da Duma Estatal, declarou à emissora RTVI que o abastecimento de combustível deverá se normalizar em duas a três semanas. Nikolai Korshenevski, porém, considera essa previsão improvável. O economista deixou a Rússia em protesto contra a guerra na Ucrânia e hoje vive no exterior. Em entrevista à DW, ele aponta uma queda da qualidade da gasolina. Conhecidos lhe enviaram fotos de veículos exibindo mensagens de falha no motor provocadas por combustível contaminado. "O carro simplesmente não liga mais e precisa ser levado à oficina. As mesmas pessoas me dizem que, mesmo em Moscou, há meses de espera para conseguir atendimento em oficinas. Depois disso, é preciso aguardar ainda mais meses por peças de reposição. Aparentemente, parte dos veículos não suporta a gasolina que está sendo colocada nos tanques", afirma. "Há uma guerra em andamento, e não está claro o que está sendo produzido nem em que proporções os combustíveis estão sendo misturados". Para Korshenevski, os problemas persistentes no setor de petróleo e gás são sinais de uma crise muito mais profunda. Segundo a agência Bloomberg, as exportações russas de petróleo caíram durante a guerra para níveis sem precedentes e a produção também diminuiu. "Em 2019, a Rússia produzia 11,5 milhões de barris por dia. Hoje, são menos de nove milhões. Se essa tendência continuar e os problemas de refino se agravarem, a produção pode cair para oito milhões de barris. Isso já criaria as condições para uma crise econômica e sistêmica em grande escala", prevê. Ele não vê uma solução rápida para os problemas e acredita que a Rússia esteja seguindo um caminho semelhante ao da Venezuela, com uma economia marcada pela contração contínua do Produto Interno Bruto (PIB). Esperanças de importação são ilusórias Na avaliação de Viacheslav Shiryaev, comentarista econômico russo que também vive no exterior, não será possível resolver a escassez por meio de importações da Índia, da China ou de outros países, como sugerem as autoridades russas. "Diante do isolamento em que a Rússia se encontra, é impossível garantir o fornecimento de 200 mil toneladas de combustíveis por dia, aproximadamente a quantidade de gasolina e diesel de que a Rússia necessita diariamente", diz à DW. Shiryaev, que se posicionou publicamente contra a guerra, também foi incluído pelas autoridades russas na lista de "agentes estrangeiros". O economista Igor Lipsits destaca que as refinarias atingidas não podem ser restauradas rapidamente. Além disso, elas continuam vulneráveis a novos ataques aéreos. Segundo ele, as autoridades tendem a restringir o consumo de combustíveis. "Esse processo já começou”, observa. Serviços de emergência, polícia, bombeiros, órgãos municipais e forças de segurança terão prioridade no abastecimento. "Isso acontece diante dos olhos de pessoas que aguardam horas nas filas, o que gera muito ressentimento", ressalta Lipsits, crítico do Kremlin que deixou a Rússia e hoje vive no exílio europeu. Para ele, a situação lembra o período de declínio daUnião Soviética. "Os dirigentes tinham sistemas especiais de abastecimento, lojas e depósitos exclusivos onde podiam comprar tudo o que desejavam sem filas e a preços relativamente baixos. Isso provocava grande revolta entre os cidadãos soviéticos. Quando [o ex-presidente russo] Boris Iéltsin prometeu acabar com esses centros fechados de distribuição, recebeu amplo apoio popular. Hoje estamos voltando a uma situação semelhante", afirma. Segundo Lipsits, está surgindo na Rússia um sistema fechado de distribuição de combustíveis, que poderá transformar dirigir um automóvel em um luxo. Chave para o fim da guerra? Na avaliação de Viacheslav Shiryaev, os ataques ucranianos contra alvos russos de uso militar e civil podem paralisar a economia russa e acelerar o fim da guerra. Segundo ele, o conflito poderia terminar em poucas semanas se o Ocidente ajudasse a Ucrânia a dobrar ou triplicar a intensidade de seus ataques. "A Ucrânia poderia provocar desorganização e caos no interior da Rússia, levando a uma perda total de controle", afirma. Ele acredita ainda que a escassez de combustíveis pode desempenhar um papel decisivo no enfraquecimento da estabilidade do regime de Vladimir Putin. "Sem diesel, milhares de quilômetros de ferrovias na Rússia ficariam paralisados. Centenas de empresas poderiam interromper suas atividades. Sem diesel, dezenas de milhares de caminhões deixariam de circular, os alimentos não chegariam aos supermercados e os agricultores não conseguiriam colher suas safras", ressalta. Segundo Shiryaev, tudo isso poderia comprometer muito mais rapidamente os planos de Putin de continuar a guerra. "Se a Ucrânia destruir toda a capacidade de refino de petróleo, Putin perceberá que suas ordens já não podem ser executadas. Com a falta de combustível, simplesmente tudo para", conclui. Numa versão anterior deste texto, a DW escreveu a Rússia possuía 6 mil quilômetros de ferrovias. Na verdade, a quilometragem é bem maior. O texto foi corrigido. Pedimos desculpas pelo erro. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. 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Short teaser Cresce temor com a qualidade da gasolina. Especialistas apontam danos a veículos e impactos econômicos cada vez maiores.
Author Denis Kisinevskij
Item URL https://www.dw.com/pt-br/crise-de-combustíveis-na-rússia-chega-a-moscou-e-ameaça-logística/a-78470981?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
Image URL (700 x 394) https://static.dw.com/image/78407748_303.jpg
Image caption Diferentemente das outras ondas de escassez de gasolina, essa atingiu em cheio a capital russa
Image source Anastasia Barashkova/REUTERS
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Item 6
Id 78414806
Date 2026-08-25
Title Sueca reencontra mãe no Brasil depois de adoção ilegal em 1981
Short title Sueca reencontra mãe no Brasil depois de adoção ilegal
Teaser Levada para Europa ainda bebê, Gabriela Bengtsson descobre mãe biológica na Bahia, e se depara com esquema que retirou centenas de crianças do Brasil na década de 1980.

Por mais de 40 anos, Gabriela Bengtsson acreditou ter sido abandonada num cesto ainda recém-nascida no pátio de um mosteiro em Salvador, na Bahia. Era tudo o que ela sabia sobre a própria origem enquanto crescia na Suécia. E também foi esta história que seus pais adotivos ouviram quando desembarcaram em São Paulo, em 1981, para levá-la para a Europa.

A adoção teve alguns intermediários e custou uma quantia considerável ao casal sueco. Desde criança, Gabriela sabia dos trâmites, mas desconhece o valor exato que sua família adotiva desembolsou. A bebê foi levada do Brasil com uma certidão de nascimento em que o nome do casal sueco aparecia como pais biológicos.

O passado parecia apaziguado até Gabriela encontrar caixas antigas no sótão após a morte do pai. Elas guardavam documentos e registros da adoção no Brasil. Foi quando ela passou a vasculhar os vestígios para descobrir de onde vinha.

Em 13 de julho de 2020, ela escreveu uma mensagem numa página mantida por um grupo de voluntários que ajudam pessoas a localizar familiares no Brasil. Mesmo sem entender português, Gabriela percebeu que seu pedido causou alvoroço. "Quando eu comecei a traduzir os comentários, vi que a pessoa envolvida na minha adoção foi suspeita de participar de um esquema ilegal nos anos de 1980", conta Gabriela à DW.

Seis anos depois daquele primeiro pedido de ajuda online, após seguir as pistas do resultado de um teste de DNA, de muitas trocas de mensagens e telefonemas, Gabriela desembarcou no Brasil no fim de junho para conhecer sua mãe biológica. "Foi simplesmente maravilhoso. Foi bonito. Muitos abraços, muito amor. Tudo fez sentido, eu senti isso no meu coração", explica Gabriela, emocionada.

O sumiço de Creuza

Em Teixeira de Freitas, interior baiano, Maria* está ainda sob o impacto do reencontro. Aos 69 anos, depois de ter dado à luz a doze filhos, ela conta que nunca perdeu a esperança de localizar Creuza – nome que deu à bebê antes do desaparecimento. "Eu pedia a Deus para não deixar eu morrer antes de saber da minha filha", afirma a mãe biológica de Gabriela.

Segundo ela, Gabriela nasceu no fim de 1980 em Medeiros Neto, na Bahia. Na época, com três filhos mais velhos, ela morava numa casa sem paredes, de chão batido e coberta de palha. O pai das crianças passava de dois a três meses fora, trabalhando em fazendas.

Foi numa creche da cidade que Maria conheceu duas voluntárias que diziam ser holandesas. Elas pediam constantemente para que a mãe deixasse a filha bebê, então com três meses, sob cuidado delas. Depois de muita insistência, abatida pela miséria, Maria aceitou a oferta. "Elas diziam que tomariam conta dela e que eu sempre poderia vê-la", conta.

Pouco tempo depois, ela se arrependeu e foi buscar Gabriela. Ao chegar na casa de uma das holandesas pedindo a filha de volta, foi recebida por uma empregada e diz ter visto a dona da casa correr pelos fundos com a bebê no colo. Maria afirma nunca ter recebido qualquer ajuda financeira das mulheres que levaram Gabriela.

Por anos, Maria acreditou que a filha pudesse ter sido levada para a Holanda. Essa era a origem de uma das mulheres envolvidas no sumiço, Catharina Anna Gertruida Maria Seeder, também conhecida como Cathia.

A descoberta do primo

Em sua busca pela família brasileira, Gabriela havia recorrido à plataforma My Heritage para tentar localizar parentes. Foi por ali que ela recebeu um aviso de que uma pessoa com características muito similares havia sido identificada na Holanda.

Desde 2020, Igor* morava na Holanda. Curioso em saber detalhes sobre seus antepassados, o brasileiro enviou amostras de seu DNA para uma análise na My Heritage, foi quando ele descobriu pela plataforma que uma possível prima havia feito o mesmo teste na Suécia. "Eu sabia que tinha uma história na família de uma criança que foi dada para a adoção na década de 1980, possivelmente para uma família de estrangeiros", relata.

Depois de consultar o pai, um dos irmãos de Maria, Igor conversou com Gabriela sobre a possibilidade de serem primos. Não demorou muito para um novo teste ser feito e a confirmação chegar. "Eu fiquei muito feliz por ver que eu pude proporcionar à minha tia esse reencontro de uma forma tão diferente."

Um ano depois da identificação confirmada por novos testes de DNA, Gabriela desembarcou no Brasil para finalmente conhecer a mãe e sua família biológica. Ela sabe que teve a sorte que muitos brasileiros adotados naquele período ainda perseguem.

Um esquema internacional ilegal?

Durante os anos de pesquisa, Gabriela trocou informações com várias pessoas que também buscam descobrir suas origens. Uma delas é Louisa*, brasileira adotada ainda recém-nascida em 1981 e levada para a Alemanha, que desde os 13 anos questionava o seu passado.

Em 2013, Louisa esteve no Brasil e reuniu indicativos importantes de que seu processo de adoção parecia fazer parte de um esquema ilegal internacional. O caso dela possui algumas semelhanças com o de Gabriela: na certidão de ambas constava o mesmo hospital como local de nascimento, além disso, a holandesa Catharina Anna Gertruida Maria Seeder foi a intermediária das duas adoções e, em ambas, um pagamento foi realizado pelos pais adotivos.

Um fato aumentou a inquietação de Louisa com o passar do tempo. Ela se encontrou em diversas ocasiões com Catharina, pois sua família adotiva manteve uma relação de amizade com a holandesa. "No início, eu a via como aquela que tinha ‘salvado' crianças que não tinham nenhuma chance, que acabariam indo para a rua. Crianças que receberam, então, uma oportunidade na Europa", explica Louisa.

À medida que juntava as peças do quebra-cabeça do seu passado, a visão da brasileira adotada na Alemanha foi mudando. Catharina deixou de ser vista como a pessoa que conectava famílias europeias que recorriam à adoção e ajudava mães pobres brasileiras. "Foi somente durante a investigação que eu entendi que se tratava de algo maior do que simplesmente fazer o bem. Até hoje eu não sei se a ideia original, ou intenção inicial dela, era realmente boa ou se tudo girava em torno de dinheiro", adiciona.

Na década de 1970, o Brasil tornou-se um polo conhecido na rota internacional da adoção. Estima-se que pelo menos 30 mil crianças foram adotadas por estrangeiros entre 1965 e 1988, segundo um estudo publicado pelo historiador brasileiro Fábio Macedo, pesquisador da Universidade de Angers, na França.

Nem todas as adoções internacionais na época envolviam crianças raptadas ou tiradas à força de suas famílias, pontua o pesquisador. No entanto, Macedo ressalta que já era crime ter o nome dos pais adotivos registrados como pais biológicos na certidão. "Essa era uma prática fraudulenta sobre o estado civil da criança. Mas isso acontecia no Brasil e em várias partes do mundo."

A intermediária holandesa

Dentro das caixas guardadas pelo pai de Gabriela estava um cartão de visita de Cathia A. G. M. Seeder. No pedaço de papel conservado, ela se identifica como advogada e representante do American Overseas Bank, uma instituição bancária que nunca existiu e cujo nome é ligado a várias fraudes.

Um documento localizado pela DW no banco de dados do Conselho Estadual de Educação de São Paulo atesta que Catharina Anna Geertruida Maria Seeder nasceu em 1934 em Schagen, Holanda. Na década de 1970, ela buscava o reconhecimento do ensino fundamental feito em seu país natal para ser aceita numa faculdade de Direito no Brasil.

Em meados de 1980, Catharina entrou na mira das autoridades do Brasil e da Holanda, que chegaram a trocar mensagens. "Quanto ao fato de ela possivelmente ter relação com algum tipo de tráfico de crianças brasileiras para adoção na Holanda, eu posso informar que a intermediação entre aqueles que adotam e a criança adotada não é sujeita à penalização segundo os códigos penal e de menores brasileiros", afirmou o Consulado Geral do Brasil, em carta de 1983, à polícia holandesa.

Uma investigação foi aberta na época na Holanda. Em 42 casos, os pais holandeses confessaram a falsificação do estado civil de crianças brasileiras. Há também indícios do envolvimento de Catharina em algumas dessas adoções. Questionada pela reportagem, a polícia holandesa afirmou não poder dar detalhes sobre investigações ocorridas, citando leis de privacidade vigentes no país.

Atualmente, não se sabe o paradeiro de Catharina, e se ela ainda vive. A reportagem tentou, sem sucesso, localizá-la.

No Brasil, as regras para adoção internacional começaram a mudar em 1990, com o Estatuto da Criança e do Adolescente. Estrangeiros precisam manifestar interesse em órgãos responsáveis no país de origem para iniciarem o processo de adoção de brasileiros. "O estatuto proibiu que famílias pagassem pela adoção e acabou com trâmites em cartórios. Foi quando a adoção internacional começou a cair gradativamente", ressalta Macedo.

O encontro com a verdade

Mãe de dois filhos e professora do ensino médio na Suécia, Gabriela narra ter convivido com sentimentos ambíguos. Ela costumava ouvir das pessoas que deveria ser grata à família que a adotou e que não deveria fazer muitas perguntas. Ao mesmo tempo, diz que lhe faltava uma sensação de pertencimento enquanto crescia em solo sueco.

"Eu não sabia o que tinha acontecido com a minha mãe biológica. Não sabia como fui concebida. Essas coisas acabam moldando quem você é", explica Gabriela.

Da Alemanha, Louisa ainda tenta desvendar sua origem. Ela ainda não localizou sua família biológica. "É importante tornar toda a história pública, o escândalo, as adoções em massa daquela época, porque há muitas vítimas que não conhecem sua própria identidade. Também é importante que os envolvidos sejam, de alguma maneira, responsabilizados", justifica.

Para além da responsabilização, Louisa também quer desvendar a própria história. "Existe um grande vazio na minha vida que nunca foi preenchido. São perguntas que continuam voltando. Há sempre essa falta de conhecimento sobre minhas origens. É algo que me completaria como ser humano", afirma.

*Os sobrenomes foram omitidos para preservar os entrevistados.

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Short teaser Levada para Europa ainda bebê, Gabriela Bengtsson descobre mãe biológica na Bahia.
Author Nádia Pontes
Item URL https://www.dw.com/pt-br/sueca-reencontra-mãe-no-brasil-depois-de-adoção-ilegal-em-1981/a-78414806?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 7
Id 78502254
Date 2026-08-25
Title Ofensiva econômica dos EUA testa economia paralela do Irã
Short title Ofensiva econômica dos EUA testa economia paralela do Irã
Teaser Washington quer estrangular redes usadas por Teerã para contornar sanções e acessar moeda estrangeira. Mas estratégia pode surtir o efeito contrário, alerta especialista.

A nova fase da ofensiva econômica dos Estados Unidos contra o Irã pode atingir também a rede internacional que Teerã utiliza para movimentar recursos financeiros e mercadorias.

O resultado prático é uma possível pressão sobre intermediários, tornando mais difícil e mais caro para Teerã realizar transações internacionais, exportar petróleo e acessar moeda estrangeira. O país já enfrenta uma forte inflação.

Em discurso nesta segunda-feira (24/08), o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que os EUA passarão a mirar cinco "linhas de sustentação" da economia iraniana: ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo. Ele também advertiu empresas e intermediários estrangeiros que auxiliem o país a transferir recursos de forma considerada ilícita.

"Qualquer entidade que facilite a lavagem de dinheiro para o Irã será excluída do sistema financeiro baseado no dólar. A contagem regressiva começa agora", disse.

A estratégia busca reforçar as chamadas sanções secundárias, pressionando empresas, instituições financeiras e parceiros comerciais fora do Irã, em vez de apenas ampliar restrições sobre uma economia que já enfrenta amplo isolamento.

Washington anunciou medidas contra cerca de 60 indivíduos, empresas e embarcações. No entanto, a iniciativa, propagandeada inicialmente pelo presidente Donald Trump como um "Dia D econômico", evitou atingir bancos chineses e ficou em grande parte no terreno das ameaças.

Como o Irã contorna as sanções

Há anos, o Irã depende de mecanismos paralelos ao sistema bancário formal para movimentar recursos. Casas de câmbio, ouro, criptomoedas, empresas de fachada e redes marítimas pouco transparentes ajudam o país a reduzir os efeitos das sanções.

A nova estratégia americana pretende dificultar essas operações ao elevar os custos para intermediários estrangeiros. A iniciativa ocorre em um momento de fragilidade econômica para o Irã.

As exportações de petróleo caíram significativamente após os esforços dos EUA para interromper os embarques iranianos. As vendas para a China, principal comprador do petróleo iraniano, recuaram para cerca de 534 mil barris por dia em agosto, ante 823 mil em julho e um pico próximo de 1,58 milhão de barris no início do ano.

O governo chinês disse que "fará o que for necessário" para defender seus direitos e interesses, após a ofensiva americana.

No mercado interno iraniano, os preços dos alimentos registraram alta de aproximadamente 128% em julho na comparação anual, segundo dados oficiais citados pela agência Reuters.

A desvalorização da moeda iraniana chegou a tal ponto que muitas transações, incluindo a compra e venda de imóveis e veículos, passaram a ser realizadas em dólares. Em alguns casos, anúncios de produtos e serviços também são divulgados na moeda americana.

Inflação pressiona empresas

Os efeitos da crise já são visíveis entre empresários.

Um comerciante de materiais de construção em Teerã afirmou à DW que a inflação se tornou tão intensa que, em alguns casos, armazenar mercadorias gera mais ganhos do que vendê-las.

"Se eu guardar um produto no depósito por um mês, o preço pode subir mais do que o lucro que teria ao vendê-lo hoje", disse.

Ele também administra uma empresa de corte de pedras e relatou dificuldades crescentes para cumprir contratos antigos, já que a reposição dos materiais costuma custar muito mais algumas semanas depois. Ao mesmo tempo, aumentar os preços nem sempre é uma solução.

"Se elevar o valor além de certo ponto, ninguém consegue comprar", afirmou.

As restrições também afetam a capacidade das empresas de pagar fornecedores, importar insumos e manter empregos.

Um funcionário de uma empresa de comércio exterior disse à DW que mais de 70% dos empregados foram demitidos nos últimos seis meses.

Segundo ele, a companhia importava matérias-primas para produtos de uso pessoal e costumava efetuar pagamentos por meio de casas de câmbio nos Emirados Árabes Unidos.

"Agora nenhuma casa de câmbio aceita trabalhar conosco", relatou.

Impacto sobre empresários iranianos no exterior

As consequências das sanções também atingem empresários iranianos que vivem fora do país.

Um empresário que se mudou para Dubai contou à DW que os negócios nos Emirados Árabes Unidos eram mais simples antes do conflito, mas a situação mudou.

"Hoje, ter um passaporte iraniano torna quase qualquer transação mais difícil", afirmou.

Segundo ele, muitos empreendedores enfrentam incertezas sobre a manutenção de contas bancárias e possíveis mudanças nas regras de residência.

"Sem estabilidade e com perspectivas pouco claras, é muito difícil administrar um negócio", disse.

As novas sanções podem mudar o comportamento de Teerã?

Para Alireza Salavati, comentarista de economia política radicado em Londres, as novas medidas dificilmente provocarão uma mudança estratégica por parte do governo iraniano.

Segundo ele, praticamente todos os principais setores da economia do país já estão sujeitos a sanções. Assim, a novidade estaria mais relacionada ao reforço da fiscalização de redes existentes do que à criação de novos instrumentos de pressão.

"Os efeitos tendem a ser principalmente psicológicos, intensificando as expectativas inflacionárias", avaliou.

Salavati também alerta que a pressão econômica pode enfraquecer os grupos de renda média e os profissionais que tradicionalmente oferecem espaço para posições políticas mais moderadas.

Em vez de promover mudanças rápidas, acredita ele, as sanções podem aprofundar a polarização e levar o Estado a reduzir subsídios e programas de assistência social já limitados.

O risco de fortalecimento da economia paralela

Há ainda um efeito colateral potencial. Quanto mais os EUA restringem os canais financeiros formais, maior tende a ser o incentivo para o desenvolvimento de mecanismos informais.

A economia iraniana já conta com redes complexas de intermediários, transferências via criptomoedas, empresas de fachada, operações em dinheiro vivo e mercados cambiais paralelos.

Fechar uma rota pode tornar as transações mais caras, mas não necessariamente impedi-las.

"A consequência mais ampla provavelmente será corrosiva, e não transformadora", afirmou Salavati, advertindo que o resultado pode ser a expansão de uma economia subterrânea ainda maior e menos controlada.

As novas sanções podem dificultar o financiamento do comércio exterior iraniano, a obtenção de moeda forte e a manutenção das redes econômicas que sustentam parte da atividade do país. No entanto, os impactos imediatos já recaem sobre empresas, trabalhadores e famílias que enfrentam inflação elevada e os efeitos da guerra.

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Short teaser Washington quer estrangular redes de Teerã para contornar sanções e acessar moeda estrangeira. Estratégia dará certo?
Author Amir Soltanzadeh
Item URL https://www.dw.com/pt-br/ofensiva-econômica-dos-eua-testa-economia-paralela-do-irã/a-78502254?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
RSS Player single video URL https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Ofensiva%20econ%C3%B4mica%20dos%20EUA%20testa%20economia%20paralela%20do%20Ir%C3%A3

Item 8
Id 78501048
Date 2026-08-25
Title Canadá impõe tarifas retaliatórias de até 50% a produtos dos EUA
Short title Canadá retalia EUA com tarifas de até 50%
Teaser

Premiê do Canadá, Mark Carney afirma que negociadores americanos tentaram impor restrições de última hora aos acordos comerciais canadenses com outros países

Ottawa adota sobretaxas sobre aço, laticínios, eletrônicos e outros bens após o fracasso das negociações bilaterais. Medida responde taxação americana implementada no sábado.O Canadá anunciou nesta terça-feira (25/08) tarifas retaliatórias de 15% a 50% sobre produtos dos Estados Unidos, aprofundando a guerra comercial entre os dois países após a entrada em vigor das novas taxas impostas por Washington. As medidas canadenses passarão a valer em 8 de setembro, conforme já havia indicado o primeiro-ministro Mark Carney, depois que o governo do presidente Donald Trump implementou, no sábado, tarifas de 50% sobre produtos canadenses. Segundo autoridades canadenses, a nova regra adota os mesmos níveis aplicados pelos Estados Unidos e afetará setores como aço, laticínios e eletrônicos. "Este é um desafio sem precedentes imposto ao Canadá. Mas o Canadá estará à altura do momento", disse o ministro das Finanças, François-Philippe Champagne. "O Canadá precisa responder, e é exatamente o que estamos fazendo hoje, de forma proporcional, direcionada e estratégica." Escalada de retaliações As atuais tarifas americanas atingem cerca de 20 bilhões de dólares em produtos canadenses (R$ 102 bilhões), o equivalente a aproximadamente 5,5% das exportações do país para os Estados Unidos. As negociações comerciais entre os dois governos fracassaram nas últimas horas antes da entrada em vigor das medidas. Pelo plano de Ottawa, produtos de aço e alumínio dos EUA que já eram alvo de tarifas de 25% passarão a enfrentar taxas de 50%. Eletrodomésticos, laticínios como queijo e determinados derivados de aço e alumínio estarão sujeitos a tarifas de 25%. Um grupo menor de produtos, incluindo equipamentos e ferramentas elétricas, terá tarifa de 15%. Ao todo, os bens atingidos representam cerca de 7,3% das importações canadenses provenientes dos Estados Unidos. Analistas agora alertam para o risco de uma escalada de medidas retaliatórias. Na segunda-feira, Trump prometeu dobrar as tarifas sobre automóveis canadenses a partir do próximo ano, elevando-as para 50%, ante os atuais 25% aplicados ao conteúdo não produzido nos Estados Unidos. O governador da província de Ontário, Doug Ford, criticou a ameaça e sugeriu a criação de uma sobretaxa sobre exportações de eletricidade para os EUA. Trump reagiu, advertindo que as consequências poderiam ser "muito piores". O presidente americano também voltou a se referir a Carney como "governador", reiterando sua defesa de que o Canadá se torne o 51º estado americano. Em mais um episódio de tensão diplomática, Trump afirmou nesta terça-feira (25/08) que considera rebatizar o Lago Ontário como "Lago América", após ter determinado no ano passado a mudança do nome do Golfo do México para "Golfo da América". Impasse nas negociações Durante o fim de semana, Carney afirmou que negociadores americanos tentaram impor restrições de última hora aos acordos comerciais canadenses com outros países. Segundo ele, representantes dos EUA também fizeram ameaças consideradas inaceitáveis à língua francesa e à cultura de Quebec, província de maioria francófona no leste do Canadá. Trump afirmou nas redes sociais que "jamais interferiria" no uso do francês pelos canadenses e acusou Carney de mentir para obter apoio político. Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial do Canadá e absorvem cerca de 70% das exportações canadenses. Já o Canadá é o segundo maior parceiro comercial dos EUA em bens neste ano, atrás apenas do México. gq/ra (AFP, DW, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.


Short teaser Sobretaxas atingem aço, laticínios, eletrônicos e outros bens após o fracasso das negociações bilaterais.
Author Redação DW
Item URL https://www.dw.com/pt-br/canadá-impõe-tarifas-retaliatórias-de-até-50-a-produtos-dos-eua/a-78501048?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
Image URL (700 x 394) https://static.dw.com/image/78473189_303.jpg
Image caption Premiê do Canadá, Mark Carney afirma que negociadores americanos tentaram impor restrições de última hora aos acordos comerciais canadenses com outros países
Image source Chris Tanouye/REUTERS
RSS Player single video URL https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78473189_303.jpg&title=Canad%C3%A1%20imp%C3%B5e%20tarifas%20retaliat%C3%B3rias%20de%20at%C3%A9%2050%25%20a%20produtos%20dos%20EUA

Item 9
Id 78500350
Date 2026-08-25
Title China diz que defenderá interesses após EUA sancionarem o Irã
Short title China promete defender interesses após EUA sancionarem o Irã
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Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, afirmou que cooperação chinesa com o Irã "não deve sofrer interferência nem ser prejudicada"

Pequim acusa Washington de desestabilizar a ordem financeira global após nova ofensiva da Casa Branca para sufocar a economia iraniana.A nova investida do governo do presidente Donald Trump contra o Irã e seus parceiros comerciais elevou as tensões entre as duas maiores potências do mundo, Estados Unidos e China. O governo chinês se pronunciou nesta terça-feira (25/08) com um alerta de que "fará o que for necessário" para defender seus direitos e interesses, acusando os EUA de desestabilizar a ordem financeira global ao impor seu plano para sufocar a economia iraniana. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, afirmou, em entrevista coletiva, que a cooperação entre seu país e o Irã "sempre ocorreu dentro da estrutura do direito internacional", ao ser questionado sobre as novas sanções e se Pequim modificaria suas relações com Teerã para cumprir as exigências de Washington. Na segunda-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, apresentou planos para "cortar todas as linhas de sustentação econômica" do Irã, mirando uma rede que fornece apoio financeiro à República Islâmica. Pequim desafia as sanções americanas e continua comprando petróleo iraniano. Ao mesmo tempo, a China fornece a Teerã matérias-primas e tecnologia que sustentam a economia e capacidade militar do país, em guerra desde fevereiro, quando começaram os ataques dos Estados Unidos e Israel. O porta-voz chinês também rejeitou a "guerra econômica" e a "pressão máxima", que, segundo afirmou, "não ajudam a resolver os problemas" e servirão apenas para intensificar as tensões e gerar riscos para outros países. "A prioridade urgente é diminuir a tensão e voltar o mais rápido possível ao caminho do diálogo e das negociações", acrescentou Lin. A reação dos EUA O governo americano pareceu reagir com cautela à resposta da China. Quase seis meses após o início da guerra envolvendo o Irã, os Estados Unidos vivem o dilema de não querer se indispor contra uma potência cada vez mais propensa a retaliar, ainda mais a um mês da visita do líder chinês, Xi Jinping, aos EUA. No anúncio de segunda-feira, Bessent divulgou ainda sanções contra mais de 60 entidades, indivíduos e navios de diferentes países que, segundo Washington, permitem ao Irã adquirir tecnologia nuclear e de mísseis, realizar operações cibernéticas e gerar receitas petrolíferas. Apesar de a medida não impactar diretamente nenhuma entidade da China continental, há duas empresas do ramo petrolífero entre as sancionadas que são de Hong Kong, território semiautônomo sob domínio da China. O secretário do Tesouro também advertiu na segunda que cada país tem um prazo determinado para encerrar as atividades identificadas por Washington e garantiu que os EUA atuarão unilateralmente contra aqueles que não o fizerem. Nos últimos anos, a China tem sido a principal compradora de petróleo iraniano, chegando a responder por cerca de 90% de suas exportações de petróleo bruto, o que a coloca na linha de frente das sanções anunciadas pelo governo Trump. sf/ra (EFE, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.


Short teaser Pequim acusa Casa Branca de desestabilizar a ordem financeira global com nova ofensiva para sufocar a economia iraniana.
Author Redação DW
Item URL https://www.dw.com/pt-br/china-diz-que-defenderá-interesses-após-eua-sancionarem-o-irã/a-78500350?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, afirmou que cooperação chinesa com o Irã "não deve sofrer interferência nem ser prejudicada"
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Item 10
Id 78487094
Date 2026-08-24
Title China reduz importação de alimentos e amplia produção agrícola
Short title China reduz importação de alimentos e amplia produção
Teaser Pequim quer fortalecer sua segurança alimentar, mas esbarra na limitação de terras e recursos agrícolas. Planos devem mudar papel do país nos mercados agrícolas.

Em meados de agosto, a China comprou pouco mais de meio milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos para o próximo ano comercial. Essa quantidade, no entanto, representa apenas uma parte do total de suas importações: segundo a agência de notícias Reuters, em outubro passado, a China concordou em comprar aproximadamente 25 milhões de toneladas de soja anualmente dos EUA. O acordo é válido até o final de 2028.

Embora o 15º Plano Quinquenal estabeleça como objetivo produzir cada vez mais alimentos dentro do próprio país, a China não consegue substituir todas as importações, como a soja. Essa leguminosa rica em proteínas serve não apenas como alimento para humanos, mas principalmente como ração para as enormes criações de suínos, aves e peixes da China. A agricultura chinesa dificilmente conseguirá superar essa dependência devido aos recursos limitados de terra e água disponíveis.

A tentativa de garantir seu próprio abastecimento alimentar de forma mais eficaz é motivada, sobretudo, por um cenário internacional cada vez mais incerto. A guerra na Ucrânia demonstrou a rapidez com que o abastecimento agrícola e as rotas comerciais podem ser interrompidos. A isso se somam os conflitos comerciais e as consequências das mudanças climáticas. Para a China, a segurança alimentar é, portanto, também uma questão de segurança nacional.

"A guerra entre a Rússia e a Ucrânia exacerbou os riscos à segurança alimentar nacional representados pelo atual mercado global de grãos e desencadeou uma reavaliação do comércio global de cereais baseado no livre comércio", afirmam pesquisadores num artigo publicado pelo think tank americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).

Outro desafio são os recursos limitados do país. "Com quase 18% da população mundial, a China é o segundo país mais populoso depois da Índia, mas dispõe de apenas cerca de 7% das terras aráveis do planeta", aponta Christina Otte, especialista econômica da agência alemã de comércio exterior Germany Trade & Invest (GTAI) na China.

Ao mesmo tempo, os riscos climáticos estão aumentando. Um estudo recente publicado na revista científica Nature mostra que eventos combinados de calor e seca aumentaram na China e estão impactando particularmente as colheitas de milho e arroz.

Metas do 15º Plano Quinquenal

Em seu 15º Plano Quinquenal para o período de 2026 a 2030, a liderança chinesa aposta sobretudo no aumento da produtividade agrícola. O plano visa aumentar a proporção de terras agrícolas de alta qualidade, de aproximadamente 70% para 75%. Ao mesmo tempo, busca desenvolver variedades de sementes mais resistentes, aumentar o nível de mecanização e expandir a agricultura inteligente. O uso da água também deve se tornar mais eficiente.

"A China certamente estabeleceu metas ambiciosas para o seu setor agrícola", comenta Otte. Mas ela pondera que essa direção não é nova, e diz que há anos o país busca uma estratégia de fortalecimento da produção doméstica e redução da dependência de importações.

Pequim também mira na modernização tecnológica, com investimento em novas variedades de sementes, biotecnologia, agricultura de precisão, digitalização e inteligência artificial. As máquinas serão utilizadas com maior precisão com o auxílio de sistemas de navegação, e sensores fornecerão alertas precoces de doenças ou eventos climáticos. Também estão previstos sistemas de irrigação mais eficientes e maior uso de fertilizantes orgânicos.

"Embora todas essas medidas possam contribuir para um aumento significativo da produção agrícola, ainda se presume que a China continuará dependendo de importações no futuro", afirma Otte. Segundo ela, muitas áreas ou não são adequadas para uso agrícola, ou o são apenas em escala limitada.

Impacto nos parceiros comerciais

Ao mesmo tempo, Pequim busca diversificar seus fornecedores. O think tank britânico Chatham House descreve a combinação do aumento da produção doméstica, fontes de importação diversificadas e grandes estoques como componentes-chave da estratégia de segurança alimentar da China. Isso também inclui investimentos em novas rotas de transporte e cadeias de suprimentos, como infraestrutura portuária e ferroviária.

Para os países que exportam produtos agrícolas para a China, a mudança na demanda chinesa provavelmente terá consequências variadas. Uma análise publicada em meados de agosto na Fulcrum, uma revista voltada para os desenvolvimentos políticos asiáticos do Instituto Iseas-Yusof Ishak, em Singapura, conclui que alguns países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em particular, podem ser afetados. De acordo com a análise, Camboja, Laos, Mianmar, Tailândia e Vietnã estão entre os países com dependência comparativamente alta do mercado chinês.

A China já é amplamente capaz de garantir ou expandir ainda mais sua autossuficiência em arroz, aves e carne suína. A produção doméstica de trigo e milho também deve aumentar. No entanto, o país continua dependente de importações de soja, carne bovina, laticínios e óleos vegetais.

Por isso, para os países da Asean, o Iseas prevê tanto uma diminuição nas oportunidades de exportação quanto uma demanda contínua ou crescente, a depender do produto. "Para os países que anteriormente exportavam grandes quantidades de alimentos e produtos agrícolas para a China, isso significa inicialmente um aumento da pressão competitiva", afirma Otte. "Ao mesmo tempo, porém, surgem novas parcerias e mudanças nas oportunidades de mercado."

O Iseas aponta para o aumento da demanda por alimentos de maior valor agregado e já processados, incluindo café e cacau, bem como peixes e frutos do mar. Ao mesmo tempo, os requisitos de segurança alimentar, rastreabilidade e sustentabilidade provavelmente ganharão mais importância.

"A China poderá, portanto, evoluir cada vez mais de um mercado que importa grandes quantidades de alimentos para um mercado de produtos mais seletivos e de maior qualidade", afirma Otte.

Tecnologia agrícola como novo setor de exportação

A estratégia chinesa não se limita à produção doméstica. O Iseas destaca que a China já se tornou um fornecedor significativo de tecnologia agrícola, sementes melhoradas, sistemas de agricultura digital, tecnologia de irrigação e máquinas para processamento de alimentos. Isso pode criar oportunidades para transferência de tecnologia e cooperação para a Asean.

O Chatham House também prevê repercussões internacionais para os investimentos chineses em tecnologia agrícola. Técnicas para aumentar a produtividade, reduzir o desperdício de alimentos e regenerar o solo poderiam, segundo o think tank, ser utilizadas também fora da China.

"É possível, portanto, afirmar que a China tem potencial para se tornar um importante centro de tecnologia agrícola moderna", diz Otte. "Contudo, é improvável que o país alcance a independência total das importações de alimentos."

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Short teaser Pequim quer fortalecer sua segurança alimentar, mas esbarra na limitação de terras e recursos agrícolas.
Author Kersten Knipp
Item URL https://www.dw.com/pt-br/china-reduz-importação-de-alimentos-e-amplia-produção-agrícola/a-78487094?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 11
Id 78481193
Date 2026-08-24
Title José Dirceu minimiza impacto eleitoral de crises e prega renovação do PT
Short title Dirceu minimiza impacto de crises e prega renovação do PT
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Aos 81 anos, Dirceu voltou à vida política a pedido de Lula

De volta às urnas após mais de duas décadas, ex-ministro diz à DW que o PT precisa se adaptar a uma nova geração, critica o modelo de emendas parlamentares e aponta São Paulo como estado decisivo em 2026.De volta às urnas mais de 20 anos após ter o mandato cassado, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu reconhece que há insatisfação com o governo mesmo entre eleitores petistas, mas minimiza o impacto eleitoral de derrotas no Congresso ou de casos como a investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Aos 81 anos, o advogado afirma ter recebido "uma missão" de Luiz Inácio Lula da Silva para voltar à direção do partido e disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Em entrevista à DW, ele defendeu a renovação do Partido dos Trabalhadores (PT). "Tenho defendido que o PT precisa ser reconstruído, até porque a nova geração é outra, o mundo é outro e o Brasil também mudou. O partido já começou, por assim dizer, um aggiornamento de seu programa e de sua visão sobre o país", afirma. Segundo ele, há desgastes junto a parte da base eleitoral, especialmente entre jovens e mulheres. "Nós sabemos que há problemas culturais, religiosos, há insatisfação. O governo tem um ônus muito grande, porque já governamos cinco vezes, e o Lula está na terceira vez", pontua. "É bom que haja. Nós estamos vivendo um outro momento. É um governo com muitas limitações, muitas restrições orçamentárias e muitas limitações políticas. Então é preciso compreender isso e assumir que nós temos propostas para mudar essa situação e estamos fazendo isso", diz, ao comentar que o PT precisa também ampliar sua campanha nas redes sociais. Figura central na chegada de Lula ao Planalto em 2002 e na construção de uma política de alianças que rompeu o isolamento do PT no começo do século, Dirceu reconhece derrotas importantes do campo governista também no Congresso, mas vê espaço para negociação. "Crises políticas ocorridas nos últimos meses também criam a consciência de que é preciso repactuar a relação entre Executivo e Legislativo", afirma Dirceu, que faz campanha virtual enquanto trata um linfoma. Dirceu foi o principal articulador político do governo Lula entre 2003 e 2005, quando perdeu o mandato em meio ao escândalo do mensalão. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), chegou a cumprir pena, mas teve a punibilidade extinta por indulto concedido pela então presidente Dilma Rousseff, em 2016. Agora, destacarta qualquer cargo executivo em um eventual novo governo ou a intenção de liderar uma bancada na Câmara. "Vamos fazer campanha como se estivéssemos perdendo", diz, ainda que veja pouca possibilidade de crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas. "Nós vamos trabalhar assim, não vamos subestimar, por mais debilitada que esteja a candidatura do Flávio." Corrupção e segurança na campanha A corrupção e a segurança pública aparecem nas pesquisas entre os temas mais caros aos eleitores neste ano. Dirceu, porém, rejeita a avaliação que temas explorados pela oposição tenham potencial para alterar significativamente o cenário eleitoral, incluindo investigação por suposto tráfico de influência de Lulinha. "Nós temos de responder a todas as questões da campanha. Existem problemas de corrupção? Existem, e o governo está combatendo, com a Polícia Federal, a CGU, a Receita Federal e o Coaf. Cada um responde pelos seus atos, como o presidente tem dito. [...] O filho dele tem de responder, como eu ou qualquer cidadão também têm de responder", afirma. Ele defende, entretanto, que o país não deve repetir o interesse da direita em transformar segurança e corrupção na pauta principal e sobrepor esses temas a debates como o desenvolvimento econômico e a austeridade fiscal. "Não vamos cometer o erro histórico de transformar a corrupção no principal problema do país. Já fizemos isso durante a ditadura, que se apresentava como combate à corrupção e à subversão." Ao comentar a campanha de Flávio Bolsonaro, afirma que o senador não conta com a mesma rede de apoio político que sustentou o bolsonarismo em 2018 e 2022. "Ele ainda não encontrou o discurso. [...] Está muito enfraquecido nos estados. Não acredito que ele consiga. Ou ele retoma o programa do pai, e aí retorna ao passado e perde a eleição, ou cria um programa." O dirigente petista vê a escalada das tensões entre Washington e Brasília, do aumento de tarifas promovido por Donald Trump às sanções contra autoridades brasileiras, como uma tentativa explícita de interferência política em prol da candidatura de Flávio. "É uma agressão política, porque ele quer intervir nos assuntos internos brasileiros, ele quer eleger a família Bolsonaro abertamente", afirma. "Há uma intervenção quando se cria uma agenda de conflito envolvendo o país e temas como big techs, terras raras e o Pix. [...] Essa crise internacional que o Donald Trump está criando gera consciência no país da necessidade de união e de buscar soluções para as nossas deficiências." Ao comentar o avanço da direita também em diversos países latino-americanos, como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e Equador, Dirceu relativiza a ideia de uma onda regional homogênea. "O Brasil tem características diferentes das de outros países da região, porque nós temos um histórico que o Petro [ex-presidente da Colômbia] não tinha, nem muito menos o Castillo [ex-presidente do Peru] e o candidato dele." Ele defende uma agenda de integração regional voltada para infraestrutura, energia, combate ao narcotráfico e imigração, mas ressalta divergências com Washington em temas de segurança internacional. São Paulo como campo decisivo Além da corrida presidencial, o ex-ministro considera a disputa estadual decisiva para a formação de maiorias políticas e vê São Paulo como peça-chave na disputa. O estado elege a maior bancada da Câmara, com 70 deputados, e tem histórico recente favorável à direita. É também onde ele tenta retornar ao Congresso e onde o ex-ministro Fernando Haddad (PT) busca derrotar o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Há risco, segundo as pesquisas, de vitória do incumbente no primeiro turno, o que eliminaria um palanque para Lula no estado durante outubro. "Evidentemente, o governador Tarcísio tem liderança, tem a sua coalizão partidária, tem apoio do prefeito da capital, que foi reeleito. Então nós não estamos enfrentando uma eleição como favoritos. Agora, dizer que é impossível vencer em São Paulo, eu não concordo desde o começo", pontua, ao destacar o consolidado eleitorado conservador no estado. Reforma política e relação entre os Poderes Em seu retorno à vida política, Dirceu também tem impulsionado pedidos de uma reforma política, eleitoral e também no Judiciário. Ele concentra críticas nas emendas parlamentares impositivas, cujo volume se aproxima dos investimentos discricionários da União. "O Congresso, empoderado com emendas impositivas, evidentemente muda o presidencialismo, muda o papel do Congresso, que inclusive invade atribuições do Executivo." Como alternativa, propõe obrigações de transparência e vinculação dos recursos a programas prioritários do governo para distribuição dos recursos, cuja imposição diminui a margem de negociação do governo. Embora critique o sistema de emendas, relativiza a narrativa de isolamento do governo no Congresso. A rejeição do nome de Jorge Messias ao STF pelo Senado, segundo ele, representou uma derrota política relevante, mas pontual. Como contraponto, cita o apoio de partidos de centro e de direita na Esplanada. "O Lula abriu um diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre a segurança pública, a questão das terras raras, das blusinhas e o fim da escala 6 por 1. O pacto político é possível porque os problemas do país exigirão esse entendimento", argumenta. Além da renovação partidária, Dirceu defende mudanças no sistema eleitoral, incluindo o debate sobre o voto em lista. Também considera necessário reavaliar o modelo de financiamento de campanhas após a proibição das doações empresariais. "Naquele momento, a decisão de proibir o financiamento empresarial foi correta. Mas hoje há bilhões de reais concentrados nas mãos dos parlamentares, o que também produz poder econômico e influência política." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. 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Short teaser De volta às urnas após mais de duas décadas, ex-ministro diz à DW que PT precisa se adaptar a uma nova geração.
Author Gustavo Queiroz
Item URL https://www.dw.com/pt-br/josé-dirceu-minimiza-impacto-eleitoral-de-crises-e-prega-renovação-do-pt/a-78481193?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption Aos 81 anos, Dirceu voltou à vida política a pedido de Lula
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Item 12
Id 78460621
Date 2026-08-24
Title Jovens brasileiros se afastam das urnas, mas não da política
Short title Jovens brasileiros se afastam das urnas, mas não da política
Teaser Queda entre fatia do eleitorado, número de filiados e de candidatos indica distanciamento da política institucional, especialmente da partidária. Mas novas formas de engajamento ganham espaço entre a juventude.

Os jovens sabem como mobilizar a internet. Viralizam vídeos, criam tendências nas redes sociais e colocam temas sociais, ambientais e políticos no centro das discussões. Mas quando o assunto é participação eleitoral, a disposição parece menor. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que os brasileiros mais jovens estão se afastando das eleições.

A redução aparece em diferentes frentes: no número de eleitores da faixa etária em que o voto é facultativo, na quantidade de filiados a partidos e também nas candidaturas jovens.

Ysabella Almeida estará com 17 anos nas eleições de 2026, idade em que o voto ainda não é obrigatório. Ela decidiu adiar o primeiro compromisso eleitoral e justifica seu afastamento por enxergar que falta representatividade da juventude e pelo sentimento de que seu voto individual é irrelevante. "O meu voto não vai ser uma coisa que mudaria [a realidade] e eu não me sinto representada. Eu não sinto essa pressão [por votar]."

Na visão dela, o distanciamento não decorre apenas de desinteresse pessoal. Os partidos, afirma, falham ao dialogar com os adolescentes. "Hoje, os partidos falam sobre coisas que não interessam à juventude. Eu acho que os partidos tradicionais são muito distantes dos jovens e do que interessa para eles. Eles falam de uma forma que não faz o jovem parar sua vida para ver um vídeo sobre o que eles estão falando."

A percepção de Ysabella Almeida encontra respaldo nos números. Segundo o TSE, o contingente de eleitores com até 18 anos caiu 14,52% em relação às eleições de 2022. São 606,4 mil registros a menos. Hoje, esse grupo representa apenas 2,25% do eleitorado brasileiro. Enquanto isso, o número de eleitores com mais de 60 anos segue crescendo.

Vale lembrar que, nessa faixa etária, quando o voto não é obrigatório, os partidos, além de precisarem convencer os eleitores de que seus candidatos são a melhor opção para governar o país, precisam também convencê-los a votar.

Para especialistas, o fenômeno vai além do voto facultativo. O desafio de atrair jovens aparece em praticamente todas as etapas da política institucional, da filiação partidária às disputas eleitorais.

Filiação e candidaturas jovens

Um levantamento do cientista político Murilo Medeiros, com base em dados do TSE, mostra que o número de filiados entre 16 e 34 anos diminuiu 54% entre 2010 e 2026. Nesse período, os partidos perderam 1,47 milhão de jovens filiados.

Para Medeiros, o dado evidencia uma mudança importante: os jovens continuam engajados em debates e causas públicas, mas já não se sentem representados por estruturas partidárias no atual modelo.

Entre os jovens de 16 anos, houve um pequeno saldo positivo de 346 filiações no período analisado. A partir dos 17 anos, porém, todas as faixas etárias até os 34 anos registraram retração.

O retrato mais recente, entre 2022 e 2026, é um pouco mais favorável. Houve crescimento nas filiações de jovens de 16 e 17 anos, com saldos de 447 e 832 novos registros, respectivamente.

Segundo o cientista político, esse avanço foi impulsionado sobretudo por partidos associados a lideranças jovens de grande visibilidade nas redes sociais, como Erika Hilton (PSOL) e Nikolas Ferreira (PL). O fenômeno reflete o que ele chama de "personalismo": quando o jovem se identifica mais com figuras políticas específicas do que com o partido em si.

O funil das candidaturas

As barreiras estruturais nas candidaturas jovens também se somam ao cenário. Uma pesquisa da Legisla Brasil, organização que atua pela qualificação e representatividade do Legislativo, mostrou que candidatos jovens recebem significativamente menos recursos de campanha do que concorrentes mais velhos.

Em 2024, uma candidatura jovem recebeu, em média, R$ 23.028, equivalente a 64% do valor destinado às candidaturas de faixas etárias superiores, que era de R$ 36 mil.

Participantes ouvidos pela pesquisa relataram sentir-se tratados como "massa de manobra" dentro das siglas, mobilizados para atuar em campanhas, mas raramente incentivados a ocupar posições de protagonismo político.

Para Synthya Maia, pesquisadora da Legisla Brasil, a desigualdade na distribuição dos recursos produz efeitos duradouros. "A candidatura para vereador é o primeiro cargo que a juventude pode se candidatar, e travar essa entrada trava a carreira inteira. Se o jovem não vencer a primeira eleição, esse caminho que anos depois o levaria a uma candidatura do estadual, federal, por exemplo, já é mais dificultado”.

O estudo identificou dificuldades adicionais para quem tenta conquistar o primeiro mandato. "A dificuldade do município não é só municipal. Ela define, por exemplo, quem o Congresso vai ter daqui a 10 anos. Se essa base do funil está obstruída, o topo também não vai se renovar”, ressalta Maia.

Segundo ela, o problema afeta especialmente mulheres jovens e negras, reduzindo as possibilidades de renovação do sistema político.

A pesquisadora destaca ainda uma contradição recorrente: os jovens são infantilizados quando buscam poder decisório, mas adultizados quando se exige comportamentos tradicionais, como a forma de falar ou se vestir.

Dados do TSE reforçam esse diagnóstico: de 1994 a 2014, a participação de candidatos jovens (18 a 29 anos) no total de candidaturas aumentou, subindo de 4,0% para o pico de 6,8%. Mas desde então, a proporção vem caindo a cada eleição geral: no pleito de 2026, os jovens representam 4,6% dos candidatos, o menor patamar em mais de três décadas.

Para Synthya Maia, os números revelam um funil cada vez mais estreito. "Essa travessia para o jovem é como um funil. Muitos jovens ainda estão dentro dos partidos enquanto filiados, alguns poucos se candidatam, mas menos ainda conseguem ser eleitos. Os partidos estão envelhecendo e uma parte desses jovens está saindo porque, de fato, estão se desengajando com a política partidária", diz a pesquisadora do Legisla.

Na avaliação do cientista político Murilo Medeiros, esse esvaziamento pode gerar consequências que vão desde o atraso na renovação das lideranças do país à redução da qualidade da representação nas próximas legislaturas. "Sem a presença de jovens, vamos ver os partidos tentando correr, recrutar figuras, como youtubers ou representantes de corporações em cima da hora, somente para cumprir a tabela e disputar a eleição, sem a presença de quadros de qualidade", complementa o cientista político.

Juventude não abandonou a política

Apesar do afastamento das urnas e dos partidos, os especialistas rejeitam a ideia de uma geração apática com a política. Para Medeiros, o que está em curso é uma mudança na forma de participação política.

"O jovem continua militando por suas causas nas redes sociais, nas escolas, nas universidades, nos coletivos, mas não conseguem mais enxergar nos partidos tradicionais e também no exercício do voto, caminhos reais de transformação", descreve o cientista político.

Evillin Barbosa, que completou 16 anos em 2026, é prova disso: ela também optou por não tirar o título eleitoral neste momento, mas ressalta que, na verdade, o objetivo é ter uma formação cidadã mais sólida antes de votar.

Ela justifica sua escolha de não votar precocemente pela necessidade de maior estudo e compreensão sobre o sistema eleitoral, e ressalta que a falta de preparo contribui para essa insegurança.

"Eu preciso estudar mais sobre a política, sobre os projetos dos políticos e eu vou aproveitar esse tempo que eu não preciso obrigatoriamente votar para começar isso. Entre os meus colegas, eles têm um tipo de conhecimento político, mas eles também estão pretendendo estudar mais sobre como funciona a política do nosso país porque nas escolas, por mais que os nossos professores tentem sempre colocar a política na nossa educação, ainda falta ensino sobre o assunto, sobre como funciona cada cargo, mas eles [os colegas] sempre estão expressando as decisões políticas que pretendem ter no futuro", diz ela.

Mesmo sem participar das eleições neste momento, ela afirma que debates sobre racismo, misoginia e outros temas sociais estão presentes no cotidiano dos estudantes.

"Tem muita diversidade de opinião política na minha sala e na escola. Estamos sempre conversando com sobre alguns assuntos que a gente vê na internet, alguma coisa que algum político falou ou sobre projetos", diz Evilin Barbosa.

Para Medeiros, há uma desconexão entre as estruturas partidárias e as novas formas de engajamento político. "Esse descasamento e falta de conexão entre o jovem e os partidos acaba colaborando para esse afastamento do processo eleitora."

Ele acrescenta que fatores socioeconômicos também ajudam a explicar o fenômeno.

Jovens de menor renda e escolaridade tendem a demonstrar mais descrença na política institucional, muitas vezes porque enfrentam prioridades imediatas ligadas à sobrevivência econômica e não percebem no voto uma ferramenta capaz de transformar sua realidade.

Como reaproximar os jovens?

Para Rafael Dias, professor da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp, as novas tecnologias estão transformando a relação entre juventude e política.

Segundo ele, as mobilizações digitais, os abaixo-assinados online, os boicotes e a produção e disseminação de conteúdo político nas redes sociais por jovens dessa faixa etária criaram novas formas de a juventude se relacionar com a política a partir das possibilidades das tecnologias.

Na avaliação dos especialistas, partidos políticos precisarão oferecer espaços de participação efetiva no processo para reconquistar a nova geração. Sem isso, o afastamento tende a se aprofundar, comprometendo a renovação das lideranças e a representatividade da democracia brasileira nas próximas décadas.

Dias acrescenta que há mudanças nas referências de organização de coletivos que têm impacto na política e nas eleições. Em eleições ao redor do mundo, tem sido observada uma relação forte entre fanbases (grupos de fãs) e política (caso dos Swifties nos EUA, por exemplo). O professor diz que movimentos semelhantes de influência de grupos de fãs podem ocorrer também no Brasil, onde personalidades da internet alcançam milhões de seguidores e portanto detêm potencial significativo para influenciar o debate e decisões políticas.

É justamente esse tipo de aproximação que a jovem Ysabella Almeida considera necessário. Ela acredita que a política precisaria dialogar mais diretamente com pautas cotidianas que atravessam a realidade da juventude, como tecnologia, educação e redes sociais.

Ela e Evilin Barbosa também defendem o uso de linguagens mais acessíveis e de figuras de influência capazes de estabelecer pontes entre a juventude e o debate sobre política no país.

Já em relação às filiações e candidaturas, os especialistas defendem que os partidos devem oferecer aos jovens espaços de participação efetiva com impacto social concreto, saindo do papel de figurante para protagonista do processo.

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Short teaser Segundo especialistas, jovens seguem engajados, mas longe dos canais tradicionais, como a política partidária.
Author Larissa Maia
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Item 13
Id 78416472
Date 2026-08-23
Title Por que o bullying é tão comum entre crianças e adolescentes e como mudar esse cenário
Short title Por que o bullying é tão comum entre crianças e adolescentes
Teaser Em 2025, registros de bullying e cyberbullying no Brasil cresceram mais de 65% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Os registros de bullying e cyberbullying contra crianças e adolescentes cresceram de forma expressiva no Brasil. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em julho, foram registrados 5.226 casos em 2025, um aumento de mais de 65% nas ocorrências desses crimes na comparação com o ano anterior.

Foram contabilizados 4.549 registros de bullying e 677 de cyberbullying em todo o país no ano passado, contra 2.736 e 452, respectivamente, em 2024. Os dois crimes passaram a existir formalmente no Código Penal em 2024, com Lei 14.811/2024, que tipificou a "intimidação sistemática" (bullying) e a "intimidação sistemática virtual" (cyberbullying).

À primeira vista, os dados sugerem uma explosão da violência entre estudantes. Mas especialistas alertam que a realidade é mais complexa. O crescimento resulta da combinação de diferentes fatores como a entrada em vigor da lei que tipificou os dois crimes; uma maior disposição de famílias e escolas para denunciar; e transformações nas relações entre crianças e adolescentes, cada vez mais mediadas pelo ambiente digital.

Em outras palavras, parte do aumento pode ser explicada pela melhoria dos registros oficiais. Outra parte, porém, revela que a violência entre crianças e adolescentes continua sendo um desafio para famílias, educadores e gestores públicos.

"É importante sermos cuidadosos na análise desses dados, para que não atribuirmos esse número somente ao aumento do comportamento do bullying em si, mas ao impacto que a aprovação da lei tem na nossa sociedade", diz Benjamim Horta, fundador do Programa Escola Sem Bullying. O programa existe desde 2012 e busca auxiliar escolas e redes de ensino de todo o Brasil no combate e prevenção ao bullying.

Apesar de ser mais comum no ambiente escolar, o bullying não ocorre apenas nesse ambiente. A própria definição legal estabelece que se trata de uma intimidação sistemática, caracterizada por agressões físicas, verbais, psicológicas ou sociais repetidas contra uma pessoa. O objetivo é constranger, humilhar ou excluir a vítima, criando uma relação de poder desigual independentemente de onde ele ocorra.

Já o cyberbullying leva essa dinâmica para o ambiente virtual. Ofensas, montagens, divulgação de fotos sem consentimento, criação de perfis falsos e campanhas de humilhação passam a acontecer por aplicativos de mensagens e redes sociais, onde o conteúdo pode atingir um número muito maior de pessoas.

Essa diferença faz com que especialistas considerem o cyberbullying ainda mais difícil de combater, já que a violência deixa de ter horário para começar ou terminar.

Crianças e adolescentes são a maioria das vítimas

Embora o bullying possa ocorrer com pessoas em qualquer idade, ele se concentra principalmente entre crianças e adolescentes porque esse é o período em que a construção da identidade ganha maior importância, segundo os especialistas ouvidos pela DW.

A necessidade de pertencimento ao grupo, o medo da rejeição e a busca por aceitação tornam as diferenças físicas, sociais ou comportamentais potenciais motivos de exclusão.

O próprio Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra essa concentração etária. Dos casos registrados em 2025, a maior parte deles (48%) a vítima tinha entre 10 e 13 anos, seguido de perto por adolescentes de 14 a 17 anos, com 45% das vítimas.

"Esses pré-adolescentes de 10 a 13 anos tendem a se expor mais, compartilhar mais conteúdo sem filtro e cair com mais facilidade em armadilhas e provocações tendo em vista o próprio grau de maturidade", explica Glicia Brazil, psicóloga e vice-presidente da Comissão da Infância e Juventude do Instituto Brasileiro de Direito das Famílias e Sucessões (Ibdfam).

"Já no caso dos adolescentes a puberdade traz transformações físicas muito aceleradas e muitos, por exemplo, não estão adequados aos padrões que as redes sociais impõem. Essas pessoas acabam ficando mais inseguras, com baixa autoestima e mais vulneráveis", acrescenta a psicóloga.

Outro motivo dessa concentração de casos entre crianças e adolescente é porque nessa fase da vida, ainda estão em formação habilidades como empatia, controle emocional e resolução de conflitos. Quando esses aspectos não são estimulados, comportamentos agressivos podem se consolidar como forma de conquistar status entre colegas ou exercer poder sobre quem é percebido como mais vulnerável.

Redes sociais transformaram a dinâmica da violência

O crescimento do cyberbullying acompanha uma mudança mais ampla na forma como esse público constrói suas relações sociais. Hoje, amizades, conflitos e disputas por reconhecimento acontecem simultaneamente no ambiente presencial e no digital.

As plataformas digitais potencializam esse processo por diferentes razões. A possibilidade de compartilhar conteúdos rapidamente amplia o alcance das humilhações. O aparente anonimato reduz a percepção de responsabilidade do agressor e os algoritmos das redes favorecem a circulação de conteúdos que despertam reações emocionais intensas, incluindo ofensas e exposições públicas.

O resultado é uma violência permanente. Comentários ofensivos, vídeos editados, boatos e imagens manipuladas podem continuar circulando mesmo depois de o conflito original ter terminado, prolongando o sofrimento da vítima e dificultando sua recuperação emocional.

É justamente por isso que especialistas defendem que o enfrentamento do bullying e cyberbullying não pode se limitar à punição dos responsáveis. O desafio passa pela construção de uma cultura de convivência baseada em respeito, educação digital e desenvolvimento de competências socioemocionais desde a infância.

"Um dos principais problemas relacionados à prevenção ao bullying e ao cyberbullying no Brasil é a falta de uma sistematização do trabalho preventivo. Isso quer dizer que escolas tentam sanar um problema complexo, muitas vezes de forma simplista, com uma ação isolada, como por exemplo, uma palestra ou uma roda de conversa, e isso acaba não surtindo o efeito desejado. E mais, isso frustra os estudantes e a comunidade de pais", explica Horta.

Como mudar esse cenário

Antes de qualquer medida punitiva, especialistas defendem que o enfrentamento do bullying deve começar pela prevenção. Isso significa transformar a escola em um ambiente capaz de identificar conflitos ainda nos estágios iniciais, antes que se tornem episódios recorrentes de violência.

Para isso, é necessário investir na formação continuada de professores, coordenadores e demais profissionais da educação para reconhecer sinais de intimidação, exclusão social e sofrimento emocional entre as crianças e adolescentes.

Outra frente considerada essencial pelos especialistas é criar mecanismos eficazes de responsabilização dos agressores. Escolas precisam contar com canais seguros e confidenciais para denúncias, protocolos claros de investigação

"A escola tem que ter um programa de combate ao bullying estruturado e documentado. Ter um canal de denúncia auditável onde possam ser feitas denúncias anônimas para que essa vítima tenha coragem de denunciar. Também tem que ter protocolos antibullying com prazos bem determinados para ouvir a vítima, o agressor e finalizar o caso. Tudo é preciso estar documentado", detalha Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita, advogada, socióloga e presidente da SOS Bullying.

Nesse caso é importante, segundo os especialistas, que haja um plano individual de proteção da vítima, mantendo o sigilo da denúncia e com prevenção de retaliações.

Também é importante fortalecer a rede de apoio às vítimas e acompanhamento psicológico tanto para quem sofre quanto para quem pratica o bullying. Isso porque, em muitos casos, o comportamento agressivo está associado a problemas familiares, emocionais ou sociais que também precisam de atenção.

"Outra coisa importante é atender o autor da conduta, sem rotulá-lo permanentemente como agressor, porque isso também cria um estigma, fazendo com que ele se torne uma pessoa segregada. Quem pratica bullying não percebe o quanto isso gera dor no outro e essa empatia precisa ser trabalhada no agressor. Tem que ser uma ação conjunta de tratar a vítima e o agressor", acrescenta Brazil.

Além do ambiente escolar, especialistas ressaltam a importância da participação das famílias, que devem ser orientadas a identificar mudanças de comportamento, manter diálogo constante com os filhos.

No caso do cyberbullying, o trabalho também passa pela educação digital, ensinando crianças e adolescentes sobre uso responsável das redes sociais, privacidade e consequências legais das agressões virtuais.

"O principal sinal de que uma criança ou adolescente está sendo vítima é a mudança de comportamento. Alguns passam a ficar mais tristes ou depressivos, têm uma resistência para ir à aula ou para realizar atividades com os colegas, queda inexplicável no rendimento escolar, hematomas, ferimentos sem explicação ou até mesmo material danificado", diz Horta.

Ter políticas públicas permanentes e de uma atuação integrada entre educação, saúde, assistência social, segurança pública e sistema de Justiça é outro ponto destacado pelos especialistas. Isso inclui ampliar a presença de psicólogos e assistentes sociais nas escolas, monitorar indicadores de violência escolar, financiar programas de prevenção e avaliar continuamente os resultados das iniciativas implementadas.

"O punitivismo por si só, ele não produz mudança. Então precisamos encontrar um equilíbrio entre o que é passível de punição e o que é passível de restauração", finaliza o fundador do Programa Escola Sem Bullying.

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Short teaser Em 2025, registros de bullying e cyberbullying no Brasil cresceram mais de 65% em relação ao ano anterior.
Author Simone Machado
Item URL https://www.dw.com/pt-br/por-que-o-bullying-é-tão-comum-entre-crianças-e-adolescentes-e-como-mudar-esse-cenário/a-78416472?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 14
Id 77647317
Date 2026-06-21
Title Milhares de pessoas celebram o solstício de verão em Stonehenge
Short title Milhares celebram o solstício de verão em Stonehenge
Teaser

Alguns dos visitantes exibiram flores sobre a cabeça para celebrar o solstício em Stonehenge

Com coroas de flores, 20 mil visitantes se dirigiram ao monumento milenar no Reino Unido para acompanhar o nascer do Sol do dia mais longo do ano no Hemisfério Norte.Uma multidão de mais de 20 mil pessoas se reuniu no início da manhã deste domingo (21/06) no milenar sítio arqueológico de Stonehenge, no Reino Unido, para ver o nascer do sol às 4h25 (0h25 em Brasília) no dia mais longo do ano no Hemisfério Norte, segundo a organização pública English Heritage, que administra monumentos históricos na Inglaterra. Os visitantes, alguns usando coroas de flores, tocaram o monumento antigo e comemoraram quando o sol resplandecente surgiu no horizonte enevoado. "Ao amanhecer do dia mais longo do ano, recebemos mais de 20.000 pessoas para celebrar juntas, com milhares de outras participando de todo o mundo por meio de nossa transmissão ao vivo", informou no domingo a English Heritage, organização que administra o sítio de Stonehenge. Em 21 de junho, o Hemisfério Norte da Terra está inclinado ao máximo em direção ao Sol, resultando no dia mais longo do ano. O oposto ocorre no Hemisfério Sul, que tem seu dia mais longo em 21 de dezembro. O círculo de pedras megalíticas pré-histórico situado na Planície de Salisbury, em Wiltshire (sudoeste da Inglaterra), parece ter sido construído há milhares anos para se alinhar com a trajetória do Sol nesses dias. Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de pedras, que chegam a ter 5 metros de altura e a pesar quase 50 toneladas, localizada na Inglaterra, no condado de Wiltshire, na Planície de Salisbury. Stonehenge é um dos monumentos pré-históricos mais famosos do mundo. Formado por enormes blocos de pedra organizados em círculos, ele foi construído ao longo de várias etapas entre aproximadamente 3000 a.C. e 2000 a.C. Embora seu propósito exato ainda seja desconhecido, pesquisadores acreditam que Stonehenge tenha servido como local de cerimônias religiosas, espaço de sepultamento e até como observatório astronômico, devido ao seu alinhamento com o Sol durante os solstícios. Algumas pedras pesam mais de 25 toneladas e parte delas foi transportada de regiões localizadas a centenas de quilômetros de distância. Por causa de sua importância histórica e cultural, Stonehenge foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1986. Como funcionam as celebrações em Stonehenge? A partir de 1978, o acesso do público a Stonehenge passou a ser restrito — os visitantes não podiam mais circular livremente entre as pedras —, em resposta a casos de vandalismo e ao aumento da erosão decorrentes do rápido crescimento do número de turistas. As reuniões modernas por ocasião do solstício tiveram início já em meados do século 19, facilitadas pelo acesso ferroviário à cidade vizinha Salisbury. Esses eventos, de caráter um tanto mais anárquico e espontâneo, chegaram a um fim violento em 1985, quando a polícia e um grupo de centenas de visitantes entraram em confronto no que ficou conhecido como a Batalha de Beanfield. Enquanto a polícia tentava fazer cumprir uma liminar obtida pelas autoridades locais para impedir a passagem dos visitantes — inicialmente por meio de um bloqueio na estrada —, mais de 500 pessoas acabaram sendo presas. Foi um dos maiores episódios de prisão em massa no Reino Unido depois Segunda Guerra Mundial. A partir do ano 2000, a English Heritage passou a permitir o acesso controlado ao sítio de Stonehenge durante os dois solstícios — bem como nos equinócios de primavera e outono. Desde então, esses eventos ganharam popularidade. Solstício de verão em meio a uma onda de calor A celebração ocorreu enquanto o Reino Unido e grande parte da Europa permanece sob alertas de calor intenso. No domingo, as temperaturas na região de Salisbury estavam comparativamente amenas para os padrões nacionais, com previsão de máximas de 29 °C. Na França, no entanto, o governo proibiu o consumo de álcool em locais públicos durante as celebrações do Dia da Música, que marcam o solstício de verão. O evento inclui milhares de shows em praças de vilarejos, locais de música eletrônica e casas noturnas de Paris, reunindo comunidades e atraindo cada vez mais visitantes internacionais. Ainda na França são esperadas máximas de 40 °C no domingo, com a segunda-feira provavelmente ainda mais quente, com serviços de emergência e as forças militares foram colocados em alerta contra incêndios florestais. Há também previsão de temperaturas atingindo 37 °C em Roma e 39 °C em Madri na segunda-feira. O Met Office britânico informou que o calor deve atingir um pico de cerca de 35°C na terça e na quarta-feira, o que gerou alertas meteorológicos, alertas de saúde e preocupações com as pessoas vulneráveis. Os meteorologistas afirmaram que a próxima semana pode quebrar o recorde da temperatura mais alta já registrada em junho, de 35,6 °C, estabelecido em 1976 em Southampton. jps (dpa, DW, ots)


Short teaser Vinte mil visitantes se dirigiram ao monumento para acompanhar nascer do Sol do dia mais longo no Hemisfério Norte
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Image caption Alguns dos visitantes exibiram flores sobre a cabeça para celebrar o solstício em Stonehenge
Image source Alberto Pezzali/AP Photo/picture alliance
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Item 15
Id 53832364
Date 2026-05-03
Title A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump
Short title A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump
Teaser Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número de tropas americanas no país europeu. EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha e decisão pode marcar grande mudança na relação de defesa entre os dois países

Em meio a uma troca de farpas entre os EUA e a Alemanha, o Pentágono anunciou nesta semana que pretende retirar 5 mil dos seus militares que estão atualmente baseados no país europeu. Segundo o anúncio, a retirada deve ser completada num período de 6 a 12 meses.

No sábado (02/05), foi a vez de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a retirada pode ser ainda mais ampla. "Vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais do que 5.000", disse Trump a repórteres.

O movimento de retirada ocorre após Trump se enfurecer com declarações críticas à condução da guerra do Irã feitas pelo chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na segunda-feira, Merz afirmou que os que os Estados Unidos estão sendo "humilhados" em sua guerra contra o Irã e que parece faltar a Washington uma estratégia clara no conflito.

Um dia depois, Trump respondeu que o alemão "não tem ideia do que está falando". "Merz acha ok o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!", disse em um post na rede Truth Social.

Logo depois, veio o anúncio de redução de tropas baseada na Alemanha. Como parte da decisão, um plano da era Joe Biden para enviar um batalhão americano com mísseis Tomahawk de longo alcance para a Alemanha também foi abandonado.

Não é a primeira vez que Trump faz movimentos para reduzir a quantidade de tropas dos EUA na Alemanha. Em 2020, o republicano chegou a anunciar um plano ainda mais drástico de redução, mas a iniciativa foi abandonada após a derrota de Trump para Joe Biden no mesmo ano.

Presença militar dos EUA na Alemanha

Segundo o Pentágono entre 34 mil e 36 mil soldados ocupam atualmente em caráter permanente as bases americanas em solo alemão. Se incluídas as unidades militares em rotação, o número pode chegar temporariamente a 50 mil. Além do contingente militar, cerca de 15 mil civis americanos trabalham para o Departamento de Defesa dos EUA na Alemanha.

A República Federal da Alemanha tem sido parte vital da estratégia de defesa dos Estados Unidos na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial: durante dez anos as forças americanas integraram a ocupação dos Aliados no país. Embora o contingente tenha diminuído drasticamente desde então, nas décadas seguintes comunidades militares americanas se formaram em torno de diversas cidades, e os militares dos EUA ainda são uma presença importante no país.

A importância estratégica da Alemanha para os EUA se reflete na localização do quartel-general do Comando Europeu dos EUA (Eucom) na cidade de Stuttgart, no sudoeste do país, que serve como estrutura de coordenação partes todas as forças militares americanas em 51 países, principalmente europeus.

A missão da Eucom é proteger e defender os EUA, impedindo conflitos, apoiando parcerias como a Otan e combatendo ameaças transnacionais. Sob seu comando estão o Exército, as Forças Aéreas e o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA na Europa, todos com unidades na Alemanha.

A Alemanha abriga a maior parte das tropas americanas na Europa. Só no Japão os EUA mantêm mais pessoal militar. No entanto os números na Alemanha vêm caindo nos últimos anos: dados do governo alemão mostram que desde 2006 o número de militares dos EUA baseados na Alemanha diminuiu em mais da metade, sendo que há 20 anos a cifra chegava a 72.400.

Fuzileiros navais, soldados e aviadores

A Alemanha abriga cinco guarnições do Exército americano e o quartel-general do Exército dos EUA na Europa está sediado na guarnição de Wiesbaden, próximo a Frankfurt, no centro-oeste do país.

Dados fornecidos pelas Forças Armadas dos EUA mostram que essas cinco guarnições, cada uma englobando várias bases em locais diferentes, compreendem atualmente cerca de 23 mil militares. Esse número inclui as Forças de Fuzileiros Navais da Europa e da África, com sede em Böblingen, sudoeste da Alemanha, como parte da Guarnição do Exército dos EUA em Stuttgart.

Além disso, há cerca de 13 mil membros da Força Aérea dos EUA espalhados por vários locais na Alemanha, incluindo as duas bases aéreas americanas em Ramstein e Spangdahlem.

Mais do que apenas soldados

Como as instalações militares dos EUA também empregam civis e militares por vezes podem levar suas famílias para o exterior, consideráveis comunidades de civis se formam em torno dessas instalações.

Na verdade, algumas bases americanas na Alemanha, como a de Ramstein, são pequenas cidades autônomas, englobando não só quartéis, aeroportos, áreas para exercícios militares e depósitos de materiais, mas também seus próprios shoppings, escolas, serviços postais e força policial americanos. Em certos casos, a única moeda corrente é o dólar americano.

Atualmente, a guarnição do Exército dos EUA na Baviera, com quartel-general em Grafenwöhr, perto da fronteira com a República Tcheca, é a maior base do Exército americano no exterior, tanto em número de militares quanto em superfície, espalhando-se por mais de 390 quilômetros quadrados.

As bases também costumam empregar um número significativo de residentes e servem de impulso econômico às comunidades alemãs adjacentes, cujas empresas fornecem bens e serviços. O fechamento de instalações anteriores, como a guarnição do Exército em Bamberg em 2014, afetou a economia local, e muitos alemães que vivem perto de instalações militares americanas manifestam oposição a possíveis reduções de tropas.

Porém a extensão da presença militar dos EUA na Alemanha não se limita ao pessoal: o país também mantém aviões em outras bases aéreas não americanas em solo alemão. Além disso, calcula-se que 20 ogivas nucleares sejam mantidas na Base Aérea de Büchel, no âmbito do Acordo de Compartilhamento Nuclear da Otan, fato que suscitou muitas críticas por parte dos alemães.

A importância de Ramstein

A Base Aérea de Ramstein, no estado alemão da Renânia-Palatinado, é a maior base militar americana fora do país. Ela serve como um centro logístico para tropas, equipamentos e cargas a caminho do Oriente Médio, África e Europa Oriental.

Ramstein também é o quartel-general da Força Aérea dos EUA na Europa e serve como centro de comando da Otan para vigilância do espaço aéreo militar de todos os parceiros europeus. A base aérea também abriga uma estação de retransmissão de satélites, de grande importância para o destacamento de drones de combate americanos, por exemplo, no Oriente Médio. Como a curvatura da Terra não permite o controle direto de drones a partir dos EUA, os sinais são retransmitidos por satélite via Ramstein.

A base também funciona como um centro médico, já que soldados feridos da Europa, África ou Oriente Médio são transportados de avião para Ramstein e tratados no Centro Médico Regional de Landstuhl, adjacente à base, o maior hospital militar americano fora dos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o hospital recebeu soldados americanos feridos em ataques do Irã a países do Golfo.

Ambas as instalações fazem parte da Comunidade Militar de Kaiserslautern, que abrange dezenas de milhares de soldados americanos, funcionários civis e seus familiares.

Spangdahlem, por sua vez, é a segunda maior base da Força Aérea dos EUA em solo alemão, fica a cerca de 120 quilômetros mais a noroeste. Ao contrário de Ramstein, Spangdahlem serve principalmente para missões operacionais de combate.

Um esquadrão de caças composto por cerca de 20 jatos F-16 está estacionado na base, funcionando como uma força de reação rápida em tempos de crise. O esquadrão ajuda a proteger o flanco leste da Otan e é especializado em eliminar as defesas aéreas inimigas.

Ocupação aliada do pós-guerra e seu legado

A presença militar dos EUA na Alemanha é um legado da ocupação aliada pós-Segunda Guerra Mundial, que durou de 1945 a 1955. Durante esse período, milhões de militares americanos, britânicos, franceses e soviéticos estiveram estacionados na Alemanha. A parte nordeste do país ficou sob controle soviético, tornando-se oficialmente a República Democrática Alemã (RDA) em outubro de 1949.

Na parte ocidental, a ocupação foi regulamentada pelo Estatuto da Ocupação, assinado em abril de 1949, quando foi fundada a República Federal da Alemanha. O estatuto permitiu que França, Reino Unido e EUA mantivessem forças de ocupação no país e o controle completo sobre o desarmamento e desmilitarização da antiga Alemanha Ocidental.

Quando a ocupação militar da República Federal da Alemanha (RFA) terminou oficialmente, o país recuperou o controle de sua própria política de defesa. No entanto, o Estatuto de Ocupação foi sucedido por outro acordo com seus parceiros na Otan. O pacto – conhecido como Convenção sobre a Presença de Forças Estrangeiras na República Federal da Alemanha e assinado pelos alemães em 1954 – permitiu que oito países-membros da Otan, incluindo os EUA, mantivessem presença militar permanente na Alemanha. O tratado ainda regula os termos e condições das forças da Otan estacionadas hoje na RFA.

O número de militares americanos na Alemanha vem diminuindo desde o fim da Guerra Fria, em 1990, quando, segundo Berlim, havia cerca de 400 mil soldados estrangeiros baseados no país. Cerca de metade deles eram americanos, mas foram gradualmente retirados à medida que diminuíam as tensões com os Estados sucessores da União Soviética, e conflitos em outros lugares, como a guerra do Iraque, requeriam mais militares dos EUA.

Qual a importância das bases militares americanas para a economia alemã?

As bases americanas são um fator econômico importante para a Alemanha. Muitas delas estão localizadas em regiões rurais do país, onde as forças armadas americanas atuam como o maior investidor e empregador.

Mais de 10 mil alemães trabalham diretamente para as forças armadas americanas, enquanto estima-se que 70.000 empregos na Alemanha estejam indiretamente ligados a empresas que prestam serviços às Forças Armadas americanas, por exemplo, no setor da construção civil ou na indústria de serviços.

Além disso, os soldados americanos baseados na Alemanha e suas famílias gastam grande parte de seus salários em lojas e empresas alemãs. A comunidade militar, por si só, contribui com até 3,5 bilhões de euros (US$ 4,1 bilhões) anualmente para as economias regionais.

Short teaser EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha. Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número.
Author Ben Knight , Thomas Latschan
Item URL https://www.dw.com/pt-br/a-presença-militar-dos-eua-na-alemanha-na-mira-de-trump/a-53832364?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 16
Id 76191308
Date 2026-03-03
Title "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas"
Short title "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas"
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Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado

Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos do tratado de livre-comércio caracterizam de maneira equivocada o setor agrícola europeu e a indústria brasileira.O embaixador do Brasil na Alemanha rechaçou as críticas de setores políticos europeus ainda resistentes ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Brasil. Segundo Rodrigo de Lima Baena Soares, a caracterização do tratado como uma "troca de carros por vacas" é um "desserviço" que não faz jus nem ao setor agrícola europeu nem à indústria brasileira. "É preciso parar com a ideia de que esse acordo é uma troca de 'carros por vacas', uma expressão que circula tanto no discurso brasileiro quanto no europeu. Isso é uma caricatura e presta um desserviço. Isso caracteriza de maneira equivocada tanto a economia da Europa quanto a brasileira", disse Baena Soares, citando uma expressão crítica que virou um slogan de opositores do acordo, sobretudo na Europa. "Pelo lado europeu, essa narrativa apresenta o agricultor do continente como vítima de uma ameaça existencial por parte dos agricultores sul-americanos. Só que a União Europeia é o maior exportador mundial de alimentos. E os agricultores europeus produzem alguns dos bens mais valorizados e sofisticados do mundo. Está longe de ser uma indústria frágil", disse Baena Soares, que assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado. "E do lado brasileiro, há também um certo desajuste como o acordo é visto, de que seria apenas fornecimento de matérias-primas, quando a realidade é outra. A indústria brasileira exportou 181 bilhões de dólares em 2024. [O acordo] é uma oportunidade para a indústria, e não uma concessão. Com o acordo, as tarifas para a importação de máquinas cairão de 11,6% para menos de 1% até 2040", acrescentou. Baena Soares fez as declarações na segunda-feira (02/02) durante o evento "Diálogos Internacionais Brasil-Alemanha", que ocorre nesta semana na Universidade de Frankfurt, no oeste alemão, e que é promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais). Mensagem clara ao mundo O diplomata também classificou como "excelente notícia" que a Comissão Europeia tenha anunciado no fim de fevereiro que pretende implementar o acordo de forma provisória, enquanto seguir pendente um pedido de parecer apresentado pelo Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), um processo que pode se arrastar por até dois anos. "Estou otimista que a Corte de Justiça da UE reconhecerá o acordo." Baena Soares também disse o acordo é um "sinal inequívoco" do comprometimento do Brasil "com o multilateralismo". "O acordo é uma mensagem clara ao mundo que ainda há espaço para multilateralismo, apesar de todas tensões geopolíticas e o crescente protecionismo de alguns países". "Mostra que divergências podem ser superadas por meio da negociação e do compromisso, um aspecto que anda difícil como atestam os últimos acontecimentos. Nós também não podemos subestimar o impacto político que esse acordo terá. Nosso diálogo político com a UE já é bom e vai ser ainda mais facilitado e fortalecido. Vamos lembrar que todos os países da UE e do Mercosul são países democráticos", disse. "Esse acordo não é o destino, é a infraestrutura de uma jornada cujas dimensões plenas ainda vão ser mapeadas." Negociado ao longo de duas décadas, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e EU foi finalmente assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai. Nas semanas seguintes, o Uruguai e a Argentina se tornaram os primeiros países a ratificar o tratado. Já na Europa ainda não há consenso pleno. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu judicializar a questão, pedindo para que o Tribunal de Justiça da UE julgue a legalidade do tratado. Para evitar que a questão se arraste nos tribunais, a Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) anunciou que vai implementar o acordo de forma provisória. Dentro do bloco europeu, o acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, mas ainda sofre resistência sobretudo da França, o principal produtor agrícola da UE.


Short teaser Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos caracterizam o tratado de livre-comércio de maneira equivocada.
Author Jean-Philip Struck (enviado a Frankfurt)
Item URL https://www.dw.com/pt-br/acordo-mercosul-ue-não-é-uma-troca-de-carros-por-vacas/a-76191308?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado
Image source Maksim Konstantinov/Russian Look/picture alliance
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Item 17
Id 75011709
Date 2025-12-04
Title Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal
Short title Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal
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Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe

Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono. A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente. O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro. Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada. Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes. O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira. Trump mantém apoio a Hegseth A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira. Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado. Hegseth debateu ataques no Iêmen O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz. O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais. O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen. O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar. Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque. A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada. Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas. as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)


Short teaser Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis.
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Image caption Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe
Image source Ricardo Hernandez/AP Photo/dpa/picture alliance
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Item 18
Id 63791517
Date 2025-09-10
Title Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan?
Short title Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan?
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Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado

Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança. Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade. O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir. Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes. Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°? Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança. Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas. Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão. O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°.


Short teaser Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo.
Author Bernd Riegert
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Image caption Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado
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Item 19
Id 72986020
Date 2025-06-21
Title Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã
Short title Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã
Teaser Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã.

O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam.

Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados."

Condições deterioram para afegãos no Irã

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã.

Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar.

As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã.

Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários."

Sem opção de retorno

Atualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família.

"Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi."

Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria."

Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar.

"Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos."

Traficantes de pessoas exploram medos

Redes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras.

Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas.

O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas."

Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia."

Short teaser Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação.
Author Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad
Item URL https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 20
Id 57531509
Date 2025-06-13
Title Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel
Short title Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel
Teaser Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas.

A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país.

Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital.

Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen.

Sistema de três elementos

A defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance.

Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia.

Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo.

O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos.

Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio.

90% de êxito, mas com custos altos

O "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país.

De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011.

Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas.

Nova arma a laser "Iron Beam"

Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam".

O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones.

A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022.

As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos.

Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025.

Short teaser Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011.
Author Uta Steinwehr
Item URL https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 21
Id 64814042
Date 2023-02-25
Title Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos?
Short title Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos?
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O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia

UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção. Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março. Lei antioligarca De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda. Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias. Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado. Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares. Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados ​​por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas. Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares. Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país. Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros. A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões. Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares. Não existem mais oligarcas ucranianos? Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política. Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los". De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE. Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra. "Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos. Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas.


Short teaser UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas.
Author Eugen Theise
Item URL https://www.dw.com/pt-br/qual-ainda-é-o-real-poder-dos-oligarcas-ucranianos/a-64814042?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia
Image source Daniel Naupold/dpa/picture alliance
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Item 22
Id 64820664
Date 2023-02-25
Title Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil
Short title Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil
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Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil

De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. Prefeito de Istambul diz ser necessário até 40 bilhões de dólares para se preparar para possível novo grande tremor.Duas semanas e meia após o terremoto de 7,8 de magnitude na área de fronteira turco-síria, o número de mortos aumentou para mais de 50 mil, informaram as autoridades dos dois países nesta sexta-feira (24/02). A Turquia registrou 44.218 mortes, de acordo com a agência de desastres turca Afad, e a Síria reportou ao menos 5,9 mil mortes. Nos últimos dias, não houve relatos de resgate de sobreviventes. Tremores secundários continuam a abalar a região. Neste sábado (25/02), um tremor de magnitude 5,5 atingiu o centro da Turquia, informou o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a uma profundidade de 10 quilômetros. O observatório sísmico de Kandilli disse que o epicentro foi localizado no distrito de Bor, na província de Nigde, que fica a cerca de 350 quilômetros a oeste da região atingida pelo grande tremor de 6 de fevereiro. Graves incidentes e vítimas não foram reportados após o tremor deste sábado. Segundo a Turquia, nas últimas três semanas, foram mais de 9,5 mil tremores secundários e a terra chegou a tremer, em média, a cada quatro minutos. De acordo com o governo turco, 20 milhões de pessoas no país são afetadas pelos efeitos do terremoto. As Nações Unidas estimam que na Síria sejam 8,8 milhões de pessoas afetadas. Turquia começa reconstrução As autoridades turcas começaram a construir os primeiros alojamentos para os desabrigados. O trabalho de escavação de terra está em andamento nas cidades de Nurdagi e Islahiye, na província de Gaziantep, escreveu no Twitter o ministro do Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Mudança Climática, Murat Kurum. Inicialmente, estão previstos 855 apartamentos. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometeu a reconstrução em um ano. Críticos alertam que erguer prédios tão rapidamente pode fazer com que a segurança sísmica dos edifícios seja negligenciada novamente. A oposição culpa o governo de Erdogan, que está no poder há 20 anos, pela extensão do desastre porque não cumpriu os regulamentos de construção. Também neste sábado, o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, disse que pelo menos 184 pessoas foram detidas por suposta negligência em relação a prédios desabados após os terremotos. Entre eles, estão empreiteiros e o prefeito do distrito de Nurdagi, na província de Gaziantep. Até agora, o Ministério do Planejamento Urbano inspecionou 1,3 milhão de edifícios, totalizando mais de meio milhão de residências e escritórios, e relatou que 173 mil propriedades ruíram ou estão tão seriamente danificadas que precisam ser demolidas imediatamente. Ao todo, quase dois milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas, demolidas ou danificadas pelos tremores, e vivem atualmente em tendas, casas pré-fabricadas, hotéis, abrigos e diversas instituições públicas, detalhou um comunicado do Afad. Cerca de 528 mil pessoas foram evacuadas das 11 províncias listadas como regiões afetadas, acrescentou o comunicado do serviço de emergência, enquanto 335 mil tendas foram montadas nessas áreas e 130 núcleos provisórios de casas pré-fabricadas estão sendo instalados. Em março e abril começará a construção de 200 mil novas casas, prometeu o ministério turco. Estima-se que o terremoto de 6 de fevereiro tenha custado à Turquia cerca de 84 bilhões de dólares. Na Síria, o noroeste é particularmente atingido pelos efeitos do tremor. Há poucas informações sobre o país devastado pela guerra. Diante de anos de bombardeios e combates, muitas pessoas ali já viviam em condições precárias antes dos tremores. Istambul precisa de 40 bilhões de dólares Enquanto isso, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, disse a cidade, que fica perto de uma grande falha geológica, precisa de um programa urgente de urbanização no valor de "cerca de 30 bilhões a 40 bilhões de dólares" para se preparar para um possível novo grande terremoto. "A quantia é três vezes maior do que o orçamento anual da cidade de Istambul, mas precisamos estar prontos antes que seja tarde demais", disse Imamoglu a um conselho científico. De acordo com um relatório de 2021 do observatório sísmico de Kandilli, um potencial terremoto de magnitude superior a 7,5 danificaria cerca de 500 mil edifícios, habitados por 6,2 milhões de pessoas, cerca de 40% da população da cidade, a mais populosa da Turquia. Istambul fica ao lado da notória falha geológica do norte da Anatólia. Um grande terremoto em 1999 que atingiu a região de Mármara, incluindo Istambul, matou mais de 18 mil. le (EFE, DPA, Reuters, ots)


Short teaser De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos.
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Item 23
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Date 2023-02-25
Title UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia
Short title UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia
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"Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos", disse Ursula von der Leyen,

Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra firmas iranianas que fornecem drones a Moscou. Mais de 100 indivíduos e entidades russas são afetados.A União Europeia prometeu aumentar a pressão sobre Moscou "até que a Ucrânia seja libertada", ao adotar neste sábado (25/02) um décimo pacote de sanções contra a Rússia, acordado pelos líderes do bloco no dia anterior, que marcou o primeiro aniversário da invasão da Ucrânia. O conjunto de medidas inclui veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra empresas iranianas que fornecem drones a Moscou. "Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos – esgotando o arsenal de guerra da Rússia e mordendo profundamente sua economia", disse a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, através do Twitter, acrescentando que o bloco está aumentando a pressão sobre aqueles que tentam contornar as sanções da UE. O chefe de política externa da UE, Josep Borrell, alertou que o bloco continuará a impor mais sanções contra Moscou. "Continuaremos a aumentar a pressão sobre a Rússia – e faremos isso pelo tempo que for necessário, até que a Ucrânia seja libertada da brutal agressão russa", disse ele em comunicado. Restrições adicionais são impostas às importações de mercadorias que geram receitas significativas para a Rússia, como asfalto e borracha sintética. Os Estados-membros da UE aprovaram as sanções na noite de sexta-feira, depois de uma agitada negociação, que foi travada temporariamente pela Polônia. Acordo após mais de 24 horas de reuniões As negociações entre os países da UE ficaram estagnadas durante a discussão sobre o tamanho das cotas de borracha sintética que os países poderão importar da Rússia, uma vez que a Polônia queria reduzi-las, mas finalmente houve o acordo, após mais de 24 horas de reuniões. "Hoje, a UE aprovou o décimo pacote de sanções contra a Rússia" para "ajudar a Ucrânia a ganhar a guerra", anunciou a presidência sueca da UE, em sua conta oficial no Twitter. O pacote negociado "inclui, por exemplo, restrições mais rigorosas à exportação de tecnologia e produtos de dupla utilização", medidas restritivas dirigidas contra indivíduos e entidades que apoiam a guerra, propagandeiam ou entregam drones usados pela Rússia na guerra, e medidas contra a desinformação russa", listou a presidência sueca. Serão sancionados, concretamente, 47 componentes eletrônicos usados por sistemas bélicos russos, incluindo em drones, mísseis e helicópteros, de tal maneira que, levando em conta os nove pacotes anteriores, todos os produtos tecnológicos encontrados no campo de batalha terão sido proibidos, de acordo com Ursula von der Leyen. O comércio desses produtos, que as evidências do campo de batalha sugerem que Moscou está usando para sua guerra, totaliza mais de 11 bilhões de euros (mais de R$ 60 bilhões), segundo autoridades da UE. Sanções contra firmas iranianas Também foram incluídas, pela primeira vez, sete empresas iranianas ligadas à Guarda Revolucionária que fabricam os drones que Teerã está enviando a Moscou para bombardear a Ucrânia. As novas medidas abrangem mais de 100 indivíduos e empresas russas, incluindo responsáveis pela prática de crimes na Ucrânia, pela deportação de crianças ucranianas para a Rússia e oficiais das Forças Armadas russas. Todos eles terão os bens e ativos congelados na UE e serão proibidos de entrar no território do bloco. O décimo pacote novamente foca na necessidade de evitar que tanto a Rússia como os oligarcas contornem as sanções, tendo sido acordado considerar a utilização de bens do Banco Central russo congelados na UE para a reconstrução da Ucrânia. No entanto, vários países têm dúvidas jurídicas sobre a possibilidade de utilizar esses recursos para a reconstrução e pedem o máximo consenso internacional. md (EFE, Reuters, AFP)


Short teaser Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e retaliações a empresas iranianas que fornecem drones a Moscou.
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