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Item 1
Id 79317584
Date 2026-09-19
Title Cunha, Garotinho, Arruda: os barrados do pleito de 2026
Short title Cunha, Garotinho, Arruda: os barrados do pleito de 2026
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Anthony Garotinho, Eduardo Cunha e José Roberto Arruda: protagonistas de escândalos nas últimas duas décadas

O TSE já indeferiu mais de 1.500 candidaturas nas eleições de 2026. Entre os afetados estão protagonistas de antigos escândalos que tentavam voltar à política, mas permanecem inelegíveis.Mais de 1.500 candidaturas foram barradas pela Justiça Eleitoral até a noite de sexta-feira (18/09), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mais de 90% foram indeferidas por questões burocráticas (falta de documentação, problemas de filiação e domicílio, pendências eleitorais etc.). E há 108 candidaturas que foram barradas por inelegibilidade infraconstitucional, na qual se enquadra a lei da Ficha Limpa, que impede que condenados em decisões colegiadas pela Justiça possam se candidatar por um prazo de oito a doze anos. E entre essa centena de candidatos barrados estão alguns antigos protagonistas de escândalos nas últimas duas décadas. Outrora influentes, eles pretendiam voltar a disputar mandatos em 2026. Entre eles estão o ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e os ex-governadores José Roberto Arruda e Anthony Garotinho. A lista é engrossada por políticos com influência regional, entre eles dois ex-governadores de Rondônia e do Acre, um ex-candidato presidencial e a filha do ex-deputado Roberto Jefferson. Eduardo Cunha Articulador original do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-deputado Eduardo Cunha teve sua candidatura à Câmara dos Deputados barrada neste mês, exatamente uma década depois da sua cassação. Após deixar a Câmara, o político carioca acumulou condenações por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-deputado passou quase três anos e meio detido em regime fechado. A partir de 2021, com o fim da Lava Jato e a anulação de processos da operação, Cunha teve uma última ordem de prisão domiciliar revogada, e ficou livre. Solto, conseguiu em 2022 uma liminar que suspendeu temporariamente sua inelegibilidade. Apesar de ter construído seu poder político no Rio de Janeiro, desta vez registrou candidatura no estado de São Paulo. A inelegibilidade voltou a ser imposta pouco depois, mas Cunha ainda assim conseguiu assegurar que seu número permanecesse nas urnas. No entanto, fracassou nas urnas, recebendo apenas 5 mil votos. Mas foi bem-sucedido em eleger a filha, Dani Cunha (PL), como deputada federal pelo Rio. Após o fracasso em São Paulo, Cunha se voltou para Minas Gerais, filiando-se ao partido Republicanos. No final de 2024, passou a construir metodicamente uma rede de influência regional baseada no cultivo do eleitorado evangélico. Mas o ex-deputado ainda enfrenta as consequências da cassação pela Câmara em 2016. Embora tenham se passado mais de oito anos após a cassação, a punição de Cunha passou a contar a partir daquele que teria sido o último dia remanescente de mandato, 31 de janeiro de 2019. Ou seja, sua inelegibilidade deve durar até fevereiro de 2027. No início de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) decidiu barrar a candidatura de Cunha. Ele ainda pode recorrer ao TSE. Na semana passada, após o indeferimento do TRE-MG, Cunha insistiu que ainda se considera apto a concorrer. "A campanha segue firme, não tem qualquer problema com a continuidade", disse. José Roberto Arruda Ex-deputado, ex-senador e ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PSD), de 72 anos, teve a candidatura barrada pelo TER-DF no início deste mês. O Tribunal entendeu que Arruda, pivô de um escândalo de corrupção no DF no fim dos anos 2000, está inelegível até 2030 com base na Lei da Ficha Limpa. Arruda tenta reverter o quadro, alegando que sua inelegibilidade teria se encerrado em julho de 2026. "Vou às últimas consequências", declarou Arruda após ter a candidatura barrada. O ex-governador acumula sete condenações, todas por improbidade administrativa. Em 2009, José Roberto Arruda, então filiado ao DEM e governador do Distrito Federal, protagonizou um escândalo de pagamento de propinas. Um dos pontos altos do escândalo foi a exibição de um vídeo que mostrava Arruda recebendo um maço de 50 mil reais de um ex-secretário do seu governo. As imagens haviam sido gravadas em 2006, quando Arruda ainda era candidato. Segundo as investigações, Arruda comandava um esquema que captava dinheiro ilegal de empresas. Os recursos eram então distribuídos para vários membros do governo. O então governador tentou argumentar que os 50 mil que apareciam no vídeo eram uma doação que seria usada na compra de panetones para pessoas carentes. Arruda acabou sendo preso no início de 2010. Perdeu o cargo semanas depois. Nos anos seguintes, sem poder disputar cargos, Arruda lançou a então mulher, Flávia, para uma vaga na Câmara. Em 2018, ela foi a deputada federal mais votada do DF. Em 2022, ela se separou de Arruda. Anthony Garotinho Veterano da política do estado do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (Republicanos) pretendia voltar a se lançar para o governo local em 2026, mas teve sua candidatura barrada por unanimidade na semana passada pelo TRE-RJ. O Tribunal entendeu que ele não reunia condições de elegibilidade, por estar enquadrado na Ficha Limpa até 2028, em decorrência de uma condenação relacionada a fraudes e desvios quando ocupava cargo de secretário estadual durante o governo da sua mulher, Rosinha, nos anos 2000. Ex-governador do Rio entre 1999 e 2002, Garotinho já havia tido uma nova candidatura ao governo barrada em 2018. Entre 2016 e 2017, Garotinho foi preso cinco vezes. Ele já foi acusado por crimes de corrupção, concussão (exigir vantagem indevida em razão do cargo), participação em organização criminosa e falsidade na prestação das contas eleitorais. A condenação que embasou o indeferimento da sua candidatura envolve, segundo acusação do Ministério Público, um desvio de R$ 234 milhões de um programa de saúde entre 2005 e 2006. Enquanto ainda aguardava seu registro de candidatura em 2026, Garotinho apareceu em terceiro lugar em pesquisa Datafolha, com 10% das intenções de voto. A esposa de Garotinho, Rosinha, também foi declarada inelegível em 2019, mas não tentou concorrer a cargos desde então. O clã, no entanto, ainda pode conquistar um mandato em 2026. Um dos filhos do casal, Wladimir Garotinho (PL), concorre a uma vaga na Câmara. Outros políticos barrados No Rio de Janeiro, Cristiane Brasil (DC), ex-deputada federal e filha de Roberto Jefferson, teve a candidatura a deputada federal pelo Rio indeferida em decisão relacionada a alegações de vínculo com organização criminosa. A decisão ainda pode ser contestada no TSE. Também no Rio de Janeiro, o Pastor Everaldo (Podemos), ex-dirigente do antigo PSC que foi candidato à Presidência em 2014 e que desta vez tentava uma candidatura a suplente de senador, teve o registro indeferido pelo TRE-RJ por envolvimento com uma organização criminosa caracterizada como "milícia de gravata". Ex-vice-governador e brevemente governador de Roraima por um mês no início de 2016, até ser cassado, Edilson Damião (União) teve sua candidatura à Câmara dos Deputados barrada nesta semana. O mesmo ocorreu com Gladson Cameli (PP), que foi governador do Acre até abril e teve sua candidatura ao Senado barrada em razão de uma condenação por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Apesar de nunca ter exercido cargos políticos ou partidários, o influenciador Pablo Marçal (PRTB) não conseguiu reverter em agosto uma decisão que o declarou inelegível até 2032 por uso indevido de meios de comunicação durante a campanha de 2024. No mês seguinte, ele teve sua candidatura à Presidência barrada pelo TSE. Candidatos que conseguiram reverter indeferimento Das cerca de 1.500 candidaturas que tiveram registro indeferido, pouco mais de mil ainda aguardavam recurso ou estavam em prazo recursal na quinta-feira (18/09). Ou seja, os candidatos ainda têm chance de reverter o quadro. Outros candidatos também conseguiram afastar o risco de indeferimento, apesar de ações do Ministério Público Eleitoral (MPE). Um deles é o ex-deputado federal paranaense Fernando Francischini (Solidariedade), que ganhou notoriedade nacional em 2021 após se tornar o primeiro parlamentar a ter o mandato cassado pelo TSE por propagação de desinformação e fake news. Em 2018, ele tinha feito uma live na qual disse – sem provas – que urnas eletrônicas haviam sido fraudadas e não estavam aceitando votos para Jair Bolsonaro. Candidato novamente à Câmara em 2026, Francischini foi alvo de uma ação do MPE que argumentou que o prazo de inelegibilidade ainda não terminou. No entanto, o TRE-PR contrariou o parecer e confirmou o registro. O ex-senador Acir Gurgacz (PDT-RO) também arriscou ficar de fora das eleições neste ano. Ele é candidato novamente a uma vaga no Senado, oito anos após ser condenado por crimes contra o sistema financeiro. Em julho, o TRE-RO chegou a entender que ele ainda permanecia inelegível, mas o ex-senador acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), que restabeleceu seus direitos políticos, abrindo caminho para a candidatura. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.


Short teaser TSE já indeferiu mais de 1.500 candidaturas nas eleições. Entre afetados estão protagonistas de antigos escândalos.
Author Jean-Philip Struck
Item URL https://www.dw.com/pt-br/cunha-garotinho-arruda-os-barrados-do-pleito-de-2026/a-79317584?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
Image URL (700 x 394) https://static.dw.com/image/79321905_303.jpg
Image caption Anthony Garotinho, Eduardo Cunha e José Roberto Arruda: protagonistas de escândalos nas últimas duas décadas
Image source imago; dpa/picture alliance
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Item 2
Id 78393402
Date 2026-09-19
Title Gilmar Mendes decide que reajuste do Bolsa Família feito por Lula não viola lei eleitoral
Short title Gilmar: "Reajuste do Bolsa Família não viola lei eleitoral"
Teaser Ministro atendeu pedido da AGU para reconhecimento pelo STF de que decreto de Lula que reajusta valores do programa é constitucional.

Eleitores brasileiros vão às urnas em outubro para eleger o próximo presidente da República, que iniciará um novo mandato presidencial após mais de quatro décadas de redemocratização. Também serão eleitos os 513 deputados federais, os ocupantes das 27 vagas em disputa no Senado, além de governadores, deputados estaduais e deputados distritais.

Na corrida pelo Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) lideram as intenções de voto, seguidos por outros dez candidatos. Ao todo, 12 candidaturas à Presidência da República estão atualmente registradas na disputa, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Acompanhe aqui as principais notícias da campanha e do processo eleitoral.


Cunha, Garotinho, Arruda: os barrados do pleito de 2026

Mais de 1.500 candidaturas foram barradas pela Justiça Eleitoral até a noite de sexta-feira (18/09), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Mais de 90% foram indeferidas por questões burocráticas (falta de documentação, problemas de filiação e domicílio, pendências eleitorais etc.).

E há 108 candidaturas que foram barradas por inelegibilidade infraconstitucional, na qual se enquadra a lei da Ficha Limpa, que impede que condenados em decisões colegiadas pela Justiça possam se candidatar por um prazo de oito a doze anos.

E entre essa centena de candidatos barrados estão alguns antigos protagonistas de escândalos nas últimas duas décadas. Outrora influentes, eles pretendiam voltar a disputar mandatos em 2026. Entre eles estão o ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e os ex-governadores José Roberto Arruda e Anthony Garotinho.

Leia mais


Gilmar decide que reajuste do Bolsa Família feito por Lula não viola lei eleitoral

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (18/09) reconhecer a validade do decreto que permite o reajuste para os benefícios do programa Bolsa Família.

Mendes atendeu a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) em uma ação na qual ele é o relator.

Para o ministro, o reajuste não afronta as regras eleitorais e representa medida legal para atualizar o piso familiar do programa.

“A medida não importa criação de novo benefício, alteração dos critérios de elegibilidade ou ampliação do universo de beneficiários. Trata-se apenas de atualização dos valores das prestações integrantes de programa social já existente, mediante critério objetivo de correção monetária”, afirmou Mendes.

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o reconhecimento da legalidade do decreto.

O pedido da AGU ocorreu em meio a críticas ao governo porque a medida foi anunciada poucos dias antes das eleições.

O reajuste foi anunciado nesta quinta-feira pelo governo federal. O benefício pago pelo programa Bolsa Família será reajustado em 15%, a partir de 1° de outubro.

O valor mínimo do benefício ficará em R$ 691. Já o valor médio pago chegará a R$ 777.

Na petição enviada ao Supremo, a AGU sustenta que o reajuste também está de acordo com a legislação eleitoral e não representa benefício novo.

Ação de Renan Santos

Nesta quinta-feira, o candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o reajuste.

Ele pediu uma liminar para sustar os efeitos do decreto que prevê o reajuste, visando "resguardar a isonomia e a paridade entre os candidatos". A ação ainda não foi analisada.

O ministro sorteado para relatar o processo foi André Mendonça, que antes havia rejeitado uma representação similar do deputado Zé Trovão, do PL.

md (Agência Brasil, ots)


Renan Santos entra com ação no TSE contra reajuste no Bolsa Família

O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) entrou nesta quinta-feira (17/09) com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o reajuste de 15% concedido pelo presidente Lula (PT) ao Bolsa Família, a 17 dias da eleição.

Ele pediu uma liminar para sustar os efeitos do decreto que prevê o reajuste, visando "resguardar a isonomia e a paridade entre os candidatos".

Renan Santos diz que o objetivo é evitar o desvio de finalidade e a repercussão da medida governamental eleitoreira adotada no desequilíbrio do pleito.

O ministro sorteado para relatar a ação foi André Mendonça, que mais cedo rejeitou uma representação do deputado Zé Trovão, do PL.

Mendonça rejeitou ação

Mendonça rejeitou a ação de Zé Trovão argumentando não ser legítimo que um candidato a deputado federal apresente uma ação contra um candidato à Presidência da República, pois os dois cargos são disputados em circunscrições eleitorais diferentes (concorrem em territórios distintos, um nacional e outro estadual).

O benefício pago pelo programa Bolsa Família será reajustado em 15%. O aumento corresponde à variação inflacionária registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. Com isso, o valor mínimo do benefício ficará em R$ 691. Já o valor médio pago chegará a R$ 777.

A atualização dos valores está prevista na legislação do Bolsa Família e busca preservar o poder de compra das famílias beneficiárias, de acordo com o governo.

md (Agência Brasil, ots)


Datafolha aponta Lula e Flávio empatados no 1º e 2º turnos

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão tecnicamente empatados na disputa presidencial tanto no primeiro quanto no segundo turno, com leve vantagem numérica para o petista, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (17/09)), que mostra um cenário de estabilidade na corrida.

No primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, mesmo índice registrado na semana passada. Já e Flávio aparece com 36%, contra 35% registrado em pesquisa divulgada em 11/09, oscilando positivamente dentro da margem de erro de dois pontos.

Para o restante dos candidatos, o cenário permaneceu inalterado. Augusto Cury (Avante) apareceu com 6%, mesmo índice da semana passada. Ronaldo Caiado (PSD) permaneceu com 4%; Renan Santos (Missão) com 3%; e Romeu Zema (Novo) pontuou os mesmos 2%.

Segundo turno

Na simulação de segundo turno, Lula e Flávio aparecem também tecnicamente empatados, com leve vantagem numérica para o presidente. Lula aparece com 46% das intenções de voto, contra 44% de Flávio Bolsonaro. O cenário, portanto, também é de empate técnico, dentro da margem de erro.

As porcentagens permaneceram as mesmas da pesquisa divulgada na semana passada. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, que encomendou a pesquisa junto com O Globo, a nova pesquisa foi realizada integralmente sob o impacto da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), que tem dominado o noticiário e ofuscado e campanha eleitoral.

No entanto, os números mostram que a crise não tem provocado mudanças significativas na intenção de voto.

O Datafolha ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 15 e 16 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%


Pesquisa indica empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de intenção de voto divulgada nesta quinta-feira (17/09) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico em um eventual segundo turno das eleições de outubro.

Na pesquisa, Flávio Bolsonaro tem 47,2% das intenções de voto, ante 46,8% de Lula. Como a diferença é de 0,4 ponto percentual, os dois aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro de 1 ponto percentual.O resultado é praticamente o mesmo do levantamento anterior divulgado em 10 de setembro, quando Bolsonaro registrou 46,4%, contra 46,2% de Lula.

No cenário de primeiro turno, Lula lidera com 44,1% das intenções de voto, seguido por Flávio, com 41,7%. Renan Santos aparece com 5,1%, e Augusto Cury, com 3,5%. Na pesquisa anterior, Lula tinha 43%, enquanto Bolsonaro registrava 37,4%.

A AtlasIntel entrevistou 5.018 eleitores por recrutamento digital aleatório entre os dias 11 e 16 de setembro. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%.

gq/cn (Reuters, OTS)


Eleições 2026: confira as principais datas da campanha

A campanha eleitoral está nas ruas e no ambiente digital há um mês. Candidatos podem realizar carreatas, passeatas e comícios, além de veicular anúncios pagos em jornais, revistas e na internet.

A propaganda gratuita no rádio e na TV vai de 28 de agosto a 1º de outubro. A partir de 19 de setembro, candidatos não poderão ser presos, salvo em flagrante.

O primeiro turno será em 4 de outubro, com votação das 8h às 17h pelo horário de Brasília. Se nenhum candidato à Presidência ou aos governos estaduais obtiver mais de 50% dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro.

As datas e demais informações podem ser conferidas aqui.


As eleições presidenciais desde 1989

Brasileiros já foram às urnas nove vezes para escolher diretamente um presidente desde o fim da ditadura. Relembre os principais pleitos.

Short teaser Ministro atendeu pedido da AGU para reconhecimento de constitucionalidade do decreto que reajusta valores do programa.
Author Redação DW
Item URL https://www.dw.com/pt-br/gilmar-mendes-decide-que-reajuste-do-bolsa-família-feito-por-lula-não-viola-lei-eleitoral/live-78393402?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 3
Id 79333374
Date 2026-09-18
Title Montadoras alemãs querem jornadas maiores com mesmo salário
Short title Montadoras alemãs querem jornadas maiores com mesmo salário
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Nenhum outro setor da economia alemã tem feito tantas demissões quanto o automobilístico

Automobilísticas defendem ampliar semana de trabalho de 35 para 40 horas sem aumento salarial para reduzir custos e enfrentar crise. Sindicatos alegam que medida não evitará cortes de empregos.A indústria automobilística da Alemanha enfrenta uma crise profunda, pressionada por altos custos de produção, tarifaços dos Estados Unidos, concorrência cada vez mais intensa da China e por uma difícil transição para os veículos elétricos. Gigantes do setor, como Volkswagen, Mercedes-Benz e BMW, anunciaram planos para reduzir a produção e cortar custos. O segmento está eliminando empregos em ritmo mais acelerado do que qualquer outro setor industrial do país. A Volkswagen, por exemplo, pretende cortar cerca de 15% de sua força de trabalho global, o equivalente a 100 mil postos de trabalho, até o fim da década. A BMW anunciou que eliminará até 8.000 vagas, cerca de 5% de seu quadro de funcionários, até o fim de 2027. Fornecedoras do setor automotivo, como Bosch e ZF Friedrichshafen, também anunciaram milhares de cortes de empregos em meio às difíceis condições de mercado e à concorrência global. A indústria automobilística alemã está perdendo competitividade à medida que os custos aumentam e a produção é transferida para outros países, afirma à DW Ferdinand Dudenhöffer, diretor do Centro de Pesquisa Automotiva, na cidade alemã de Bochum. "Em 2018, a indústria empregava cerca de 830 mil pessoas. Atualmente, esse número está abaixo de 700 mil", explica. "Nossa projeção é que, por volta de 2030, chegue a 500 mil." Segundo Dudenhöffer, recuperar a competitividade e garantir empregos no futuro exigirá um conjunto de medidas, incluindo redução dos custos de produção e energia, melhoria da infraestrutura logística e condições tributárias mais favoráveis. Custos de mão de obra altos demais na Alemanha? Executivos da indústria automobilística concordam que os custos trabalhistas na Alemanha são altos demais quando comparados aos dos concorrentes internacionais. Os custos de mão de obra no país somam, em média, 3.307 dólares (aproximadamente R$ 17.063) por veículo, em comparação com dólares 769 (R$ 3.969) no Japão e 597 dólares (R$ 3.081) na China, segundo relatório publicado pela consultoria Oliver Wyman. Para reduzir esses custos, as montadoras querem que os empregados na Alemanha trabalhem 40 horas por semana em vez das atuais 35 horas, sem aumento salarial. A jornada semanal de 35 horas é há muito tempo o padrão em boa parte da indústria automobilística alemã, resultado de acordos coletivos negociados nas décadas de 1980 e 1990. Ela reflete uma época em que a Alemanha era altamente competitiva, afirma Dudenhöffer. "Esse tempo acabou." Os sindicatos, porém, se opõem de forma veemente à ampliação da jornada. Christiane Benner, presidente do influente sindicato IG Metall, afirma que os trabalhadores já aceitaram reduções salariais e outras concessões equivalentes a vários bilhões de euros, mas agora estariam ouvindo que isso ainda não é suficiente. O sindicato argumenta que as montadoras alemãs enfrentam demanda fraca e fábricas operando abaixo da capacidade, e não escassez de horas de trabalho. "Nem um único carro adicional será vendido apenas porque a força de trabalho trabalha mais horas", declarou a entidade. O IG Metall convocou manifestações em mais de 200 locais em todo o país para a próxima segunda-feira (21/09), em protesto contra os cortes de empregos e outras medidas que afetam as condições de trabalho no setor automotivo. Jornadas mais longas podem salvar empregos? Para Dudenhöffer, o sindicato está "lutando por conceitos ultrapassados de 20 anos atrás, esquecendo a realidade atual". O especialista estima que, se as montadoras passarem de uma jornada semanal de 35 para 40 horas, os custos com pessoal cairão 13%. "Não estaríamos tirando dinheiro dos empregados, mas criando condições que tornariam possíveis os empregos na Alemanha, na indústria automobilística, no futuro", afirma. Stefan Bratzel, diretor do Centro de Gestão Automotiva (CAM) de Bergisch Gladbach, diz que a semana de 35 horas representa uma conquista fundamental dos sindicatos em sua história de negociações coletivas e que, por isso, "o conflito é inevitável" entre empresas e trabalhadores. Por outro lado, acrescenta, mais horas de trabalho pelo mesmo salário reduziriam matematicamente o custo da mão de obra por hora. "No fim das contas, isso levanta a questão de como os custos da transformação atual devem ser distribuídos entre empresas e empregados", observa Bratzel. Como a indústria automobilística alemã pode se recuperar? Especialistas afirmam que melhorar os custos de mão de obra nas fábricas alemãs é necessário, mas isso, por si só, não resolverá os problemas estruturais mais profundos do setor. "Trabalhar cinco horas a mais por semana, sozinho, não vencerá a corrida tecnológica contra a China", afirma Bratzel. Segundo ele, para recuperar sua vantagem competitiva, as montadoras alemãs precisam oferecer veículos elétricos atraentes e acessíveis, investir pesadamente em software e inteligência artificial e aumentar a eficiência de seus processos de desenvolvimento e produção. "Os fabricantes alemães precisam ser, em termos tecnológicos, pelo menos tão inovadores e eficientes quanto são caros pelos padrões internacionais", defende Bratzel. Ao mesmo tempo, explica, a Alemanha precisa oferecer condições competitivas em áreas como energia, tributação, burocracia e infraestrutura. Dudenhöffer compartilha dessa avaliação e afirma que o país precisará adotar reformas difíceis, mas necessárias. "A Alemanha só poderá ser considerada uma alternativa viável para sua indústria automobilística e seus empregos se recuperarmos nossa competitividade", diz. Para isso, argumenta, será necessário agir em várias frentes, incluindo a redução dos custos de trabalho e energia, ajustes tributários e a criação de uma infraestrutura logística mais eficiente. "Mas os próximos anos serão muito difíceis", alerta Dudenhöffer. "E serão ainda mais difíceis se permanecermos no status quo e acreditarmos que podemos simplesmente viver da prosperidade que desfrutávamos há 20 anos." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.


Short teaser Sindicatos se opõem à proposta de automobilísticas alemãs de ampliar semana de trabalho de 35 para 40 horas semanais.
Author Srinivas Mazumdaru
Item URL https://www.dw.com/pt-br/montadoras-alemãs-querem-jornadas-maiores-com-mesmo-salário/a-79333374?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
Image URL (700 x 394) https://static.dw.com/image/73769306_303.jpg
Image caption Nenhum outro setor da economia alemã tem feito tantas demissões quanto o automobilístico
Image source Jan Woitas/dpa/picture alliance
RSS Player single video URL https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/73769306_303.jpg&title=Montadoras%20alem%C3%A3s%20querem%20jornadas%20maiores%20com%20mesmo%20sal%C3%A1rio

Item 4
Id 79301755
Date 2026-09-18
Title Os planos econômicos dos presidenciáveis para o Brasil
Short title Eleições 2026: As propostas econômicas dos candidatos
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Exportação e investimentos estão entre os temas econômicos abordados nos planos de governo

Planos de governo expõem modelos antagônicos para conter dívida pública, impulsionar a reindustrialização e posicionar o país no comércio global.O Brasil segue no pódio das economias com os maiores juros reais do mundo. Desde o início de 2022, a taxa básica de juros (Selic) permanece em dois dígitos — agora em 13,75% —, exercendo forte pressão sobre a trajetória das contas públicas. O nível elevado se reflete nas altas taxas de inadimplência das famílias, no aperto financeiro do setor produtivo e na estagnação dos investimentos. Diante desse cenário, a agenda econômica virou tema central nas campanhas para a Presidência em 2026. A preocupação com as contas públicas é reforçada pelos indicadores: a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho de 2026, somando R$ 10,9 trilhões, em um momento em que uma pesquisa recente do instituto BTG/Nexus mostrou que 53% dos eleitores entrevistados classificam a situação econômica do país como ruim. Mas além do equilíbrio fiscal, os programas de governo também se debruçam sobre vetores de crescimento de longo prazo: exploração de minerais críticos, produtividade, reforma tributária, parcerias comerciais e inserção do país no comércio global. Confira as principais propostas de quatro eixos econômicos: Contas públicas e ajuste fiscal Ronaldo Caiado (PSD): Propõe o "Orçamento da Verdade", um diagnóstico de despesas obrigatórias, passivos, subsídios, benefícios tributários e riscos fiscais. Estabelece estratégia fiscal plurianual para limitar o crescimento de gastos obrigatórios abaixo do PIB nominal, além de prever a revisão de subsídios, subvenções e benefícios tributários e o combate aos supersalários. Flávio Bolsonaro (PL): Defende o corte de no mínimo 10 ministérios, redução de cargos comissionados e o fim de penduricalhos e supersalários. Propõe reformular as regras fiscais com foco na redução da relação Dívida/PIB para reconduzir os juros à média internacional. Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Sustenta a execução do arcabouço fiscal aprovado em sua gestão, buscando controlar despesas sem comprometer investimentos e políticas sociais, com meta de aproximar o déficit primário do equilíbrio fiscal. Romeu Zema (Novo): Defende um "choque fiscal" pautado na privatização de estatais e no enxugamento da máquina pública por meio de uma reforma administrativa. Também propõe uma nova Reforma da Previdência abrangendo estados, municípios, rural e militares, com mecanismo de reajuste automático da idade mínima para aposentadoria com base na expectativa de vida, além de eliminar supersalários. Renan Santos (Missão): Propõe a "PEC do Equilíbrio Fiscal", estimando economia acumulada de até R$ 1,1 trilhão até 2031. A medida prevê a desindexação de benefícios previdenciários do salário mínimo (com correção apenas pela inflação), a desvinculação dos pisos de saúde e educação da receita. Augusto Cury (Avante): Estabelece meta de déficit público próximo de zero e redução gradativa da dívida pública mediante controle de custos ministeriais e metas de eficiência nas pastas. Também defende o uso de Inteligência Artificial (IA) para isso, com cruzamento de dados para combate a fraudes, evitar desperdícios e ineficiências administrativas. Reindustrialização e minerais críticos Ronaldo Caiado (PSD): Defende a reindustrialização a partir de vantagens brasileiras, como nas áreas de segurança energética, defesa, bioeconomia e minerais críticos. Propõe negociar o acesso do investimento estrangeiro a recursos em troca de valor agregado, tecnologia, qualificação e fornecedores locais. Flávio Bolsonaro (PL): Propõe atuação do Estado como regulador no setor de terras raras através de marcos regulatórios estáveis, licenciamento ágil e atração de investimentos privados. Também propõe transformar o país em polo global de data centers sustentáveis aproveitando a matriz elétrica renovável. Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Defende o fortalecimento industrial com foco em digitalização, modernização de maquinários e uso de IA. Também propõe política específica para minerais críticos e terras raras com uma estratégia regional de mapeamento, beneficiamento e agregação de valor, para inserir o país de forma soberana nas cadeias globais de valor desses recursos. Romeu Zema (Novo): Defende a atração de investimentos privados internacionais para a exploração e processamento sustentável de terras raras e minerais de alto valor e propõe a retomada do levantamento geológico do território nacional com dados abertos e padrão internacional. Renan Santos (Missão): Defende a criação de Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), que contarão com um regime tributário próprio. O plano também prevê uma ZEE específica para terras raras, além de uma PEC para declarar o setor matéria de segurança nacional e previsão de aporte de R$ 20 bilhões em 10 anos via BNDES e parceiros internacionais para financiar o segmento de minerais críticos. Augusto Cury (Avante): Defende o Programa Nacional para implantação de 10 mil novas indústrias e uma política de atração de investimentos para a produção de chips e componentes elétricos. No projeto Petra BR, focado em terras raras e minerais estratégicos, propõe o incentivo de cadeias produtivas completas em território nacional, desde a extração até a fabricação de componentes tecnológicos de alto valor agregado. Tributação e impostos Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Defende a consolidação da reforma tributária, além de condicionar a oferta de crédito público, assistência técnica, incentivos fiscais e a política de compras governamentais a compromissos com a geração de empregos de qualidade. Para autônomos e pequenos empreendedores, também propõe a simplificação tributária. Flávio Bolsonaro (PL): Propõe a revisão e o redimensionamento da Reforma Tributária aprovada para reduzir a carga sobre a produção e o consumo. Além disso, propõe desoneração das exportações e dos investimentos e redução das exceções, para que grupos parecidos paguem impostos parecidos. Ronaldo Caiado (PSD): Defende realizar uma revisão ampla de subsídios, subvenções e benefícios tributários, eliminando incentivos que não comprovem contrapartidas econômicas ou sociais. Romeu Zema (Novo): Propõe fixar metas progressivas de redução da carga tributária e a reformulação da tributação sobre empresas (como Imposto de Renda das Empresas), adotando cálculo automatizado pela Receita Federal via Nota Fiscal Eletrônica. Renan Santos (Missão): Propõe a redução de R$ 104 bilhões em isenções e gastos tributários (renúncias fiscais) como parte da PEC para equilibrar as contas públicas e a suspensão de direitos aduaneiros e de regime específico de IBS/CBS para as Zonas Econômicas Especiais. Augusto Cury (Avante): Defende a revisão do atual formato de divisão federativa dos tributos para transferir maior fatia da arrecadação aos municípios, acompanhada de avaliação permanente dos impactos da reforma tributária sobre micro e pequenas empresas, para evitar distorções. Acordos internacionais e exportação Augusto Cury (Avante): Defende a expansão das exportações com redução da dependência de commodities e aumento de bens industrializados e de alto valor agregado. Também propõe o Embaixada 4.0, fixando metas de abertura de mercados, atração de investimentos e apoio a exportadores e remanejando 20% do pessoal alocado nos EUA para reforçar a presença do Brasil na Índia e em emergentes da Ásia. Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Propõe a diversificação de mercados exportadores de maior valor agregado, a ampliação de acordos comerciais e o aprofundamento das alianças geopolíticas e econômicas no âmbito do BRICS e do Sul Global. Ronaldo Caiado (PSD): Defende a ampliação de acordos comerciais focados na inserção em cadeias globais de valor, diversificando pautas de exportação para o Sudeste Asiático, Oriente Médio e África, além da fixação de metas de exportação, investimento, tecnologia e abertura de mercados para embaixadas e representações. Romeu Zema (Novo): Propõe a saída do Brasil do Brics (mantendo as relações comerciais com os países membros) e defende o ingresso do país na OCDE, além da flexibilização do Mercosul para permitir acordos bilaterais diretos (em que os países negociam sozinhos). Renan Santos (Missão): Propõe uso pragmático do Brics, plano de desdolarização do comércio na América do Sul por meio de uma cesta de moedas liderada pelo real e criação de uma rede de cooperação econômica com países da comunidade Lusófona. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.


Short teaser Planos abarcam ajuste fiscal, terras raras e a inserção do Brasil no comércio global
Author Larissa Maia
Item URL https://www.dw.com/pt-br/os-planos-econômicos-dos-presidenciáveis-para-o-brasil/a-79301755?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption Exportação e investimentos estão entre os temas econômicos abordados nos planos de governo
Image source Fabio Teixeira/Anadolu/picture alliance
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Item 5
Id 79320943
Date 2026-09-18
Title Clima extremo afeta o bolso do consumidor no mundo
Short title Clima extremo afeta o bolso do consumidor no mundo
Teaser

Já estamos pagando o preço da queima de combustíveis fósseis

Ondas de calor, secas e incêndios florestais já elevam preços, geram queda de produtividade, reduzem renda e pressionam economias. Entenda os custos invisíveis das mudanças climáticas.Os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados no planeta. Essa mudança climática se manifesta em eventos extremos, como ondas de calor e incêndios florestais. Mas menos evidentes são os preços mais altos e os salários menores associados a um mundo cada vez mais quente. Segundo um estudo de 2026 da MIT Sloan School of Management e da UCLA School of Law, as mudanças climáticas já elevaram as despesas médias das famílias americanas em 900 dólares (cerca de R$ 4,6 mil) por ano, chegando a mais de 1,3 mil dólares em um de cada dez condados dos Estados Unidos. Esses custos não existiriam em um mundo sem mudanças climáticas. Eles incluem o aumento dos seguros residenciais (em média 600 dólares mais caros), a elevação de impostos estaduais e federais devido aos custos de recuperação de desastres ou aos impactos da fumaça dos incêndios florestais sobre a saúde, por exemplo. "A inação climática não é apenas um fracasso ambiental; ela funciona como um imposto sobre todas as famílias americanas", escreveram os pesquisadores. Como as mudanças climáticas afetam a renda Um relatório de 2024 do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impactos Climáticos, na Alemanha, estimou que os danos das mudanças climáticas à agricultura, à infraestrutura e à saúde, bem como as perdas de produtividade, podem custar à economia mundial 38 trilhões de dólares por ano até 2050. Mas de que forma os eventos climáticos extremos impulsionados pelas mudanças do clima já afetaram salários e orçamentos familiares? "Se não conseguirmos descobrir quanto as mudanças climáticas já estão nos custando com os dados que temos, projetar o futuro se torna quase impossível", afirmou Derek Lemoine, professor de economia da Universidade do Arizona, que estimou uma redução de 12% na renda dos americanos à medida que as temperaturas globais aumentaram. A comparação é feita com um cenário sem mudanças climáticas. Lemoine mostra como extremos de temperatura em um condado dos Estados Unidos estão provocando impactos econômicos em cascata em localidades distantes com clima mais ameno, devido à interconexão do comércio e das cadeias de suprimentos. "Muitos estudos analisam as mudanças climáticas como se elas alterassem o clima em apenas um ano e em um único lugar por vez", disse Lemoine à DW. Em vez disso, ele busca entender como, se uma onda de calor destruir plantações de milho em todo o território americano, outras indústrias que dependem desse milho, incluindo produtores de gado e de alimentos, serão afetadas à medida que a commodity se tornar mais escassa e mais cara. "À medida que os custos [dos produtores afetados em toda a cadeia de suprimentos do milho] aumentam", disse Lemoine, "isso fará com que a renda de todos os que dependem deles diminua". Os impactos do clima sobre o comércio também já são sentidos na Alemanha, onde os níveis recordes de baixa do rio Reno, a via navegável interior mais movimentada da Europa, podem reduzir em até 0,2% a produção econômica alemã no terceiro trimestre de 2026, observou o Instituto Kiel para a Economia Mundial em julho. O clima seco prolongado associado às mudanças climáticas é o responsável, já que a capacidade de transporte caiu para apenas 15% em alguns trechos do rio que conecta o maior porto da Europa, em Roterdã, na Holanda, a grande parte do oeste da Alemanha. Pressão sobre problemas econômicos já existentes Um estudo australiano também analisa como mudanças climáticas amplas, e não apenas choques locais provocados por eventos extremos isolados, levaram gradualmente à queda da produtividade e da produção econômica. Timothy Neal, pesquisador do Instituto para Risco e Resposta Climática da Universidade de New South Wales, na Austrália, foi coautor de um relatório que mostra que o aquecimento global reduziu a produção econômica do estado de NSW em cerca de 18% em média, o equivalente a 21.288 dólares australianos (cerca de R$ 80 mil) por pessoa em 2024. "Os danos já foram bastante severos", disse Neal à DW, acrescentando que, em um cenário sem aquecimento global, os cidadãos teriam "preços mais baixos para os alimentos" e "menos pobreza". O relatório menciona secas em partes de NSW em meados e no final da década de 2010 que reduziram a produtividade em todo o estado em até 10 bilhões de dólares australianos, devido à queda das colheitas e da renda agrícola, ao aumento dos custos da água e à maior dependência de assistência governamental. Esses impactos financeiros se acumularam ao longo do tempo em toda a economia do estado, influenciando os custos de alimentos, seguros e manutenção de infraestrutura. Nas palavras do relatório, esses efeitos também "agravam pressões econômicas já existentes e contribuem para ampliar as disparidades entre regiões", o que significa aumento da desigualdade de renda e riqueza. A adaptação climática pode limitar os custos? "A ação climática não deve ser vista apenas como uma questão ambiental, mas também como uma decisão economicamente sensata", afirmou Frank Jotzo, economista e comissário da Comissão Net Zero de NSW, que trabalha para descarbonizar o estado e encomendou o estudo citado acima. Ao se referir a "investimentos defensivos contra as mudanças climáticas", como o reforço de estradas, ferrovias e infraestrutura de transporte marítimo para adaptação a um mundo mais quente, Jotzo acrescentou que "se não fosse pelas mudanças climáticas, poderíamos estar investindo esse dinheiro e esse esforço em outras coisas". No entanto, medidas de adaptação, como a ampliação das áreas verdes nas cidades para reduzir os efeitos das ilhas de calor, serão fundamentais para evitar impactos econômicos muito mais severos no futuro. As ondas de calor europeias de 2026, por exemplo, já custaram cerca de 180 bilhões de euros (R$ 1,06 trilhão), valor equivalente a todo o crescimento econômico projetado para a União Europeia neste ano, segundo uma análise. A adaptação também envolverá o fortalecimento do sistemas de saúde e da rede hospitalar para enfrentar os efeitos das ondas de calor, que reduzem a produtividade à medida que trabalhadores submetidos ao estresse térmico se cansam mais rapidamente ou têm dificuldade para dormir, observou Jotzo. Mas Lemoine afirma que a adaptação ao declínio econômico provocado pelas mudanças climáticas é tão "cara por si só" que pode agravar a perda de renda e ser ineficaz se não for implementada de forma abrangente. Somente quando "todos os lugares" estiverem protegidos dos eventos climáticos extremos, será possível enfrentar os impactos econômicos em cascata, diz ele. Ainda assim, tanto a adaptação quanto uma rápida redução das emissões que aquecem o planeta são necessárias para evitar perdas de renda impulsionadas pelas mudanças climáticas, que tendem a se agravar se o aquecimento global ultrapassar as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris. "Mudanças climáticas sem controle criariam um peso permanente sobre os salários e a produtividade", concluiu Jotzo. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.


Short teaser Ondas de calor, secas e incêndios florestais já elevam preços, reduzem renda e pressionam economias.
Author Stuart Braun
Item URL https://www.dw.com/pt-br/clima-extremo-afeta-o-bolso-do-consumidor-no-mundo/a-79320943?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
Image URL (700 x 394) https://static.dw.com/image/57656576_303.jpg
Image caption Já estamos pagando o preço da queima de combustíveis fósseis
Image source Robin Utrecht/picture alliance
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Item 6
Id 79298989
Date 2026-09-17
Title Brics, EUA, Mercosul: as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para política externa
Short title O que Lula e Flávio prometem para a política externa
Teaser Candidatos têm visões completamente opostas em temas de política externa. Lula propõe aposta em multilateralismo e reforço do Brics. Já Flávio fala em aliança com EUA de Trump e se "libertar das amarras do Mercosul".

Em uma eleição presidencial que ocorre à sombra de tensões internacionais, os programas de governo dos dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro(PL), apresentam propostas e visões diametralmente opostas em temas de política externa.

As diferenças de visão de mundo são explícitas quando se trata de temas como relações com os Estados Unidos, a participação do Brasil no Mercosul e no Brics, e até relações com Israel.

Os programas de governo dos dois candidatos protocolados junto à Justiça Eleitoral são vagos em vários temas específicos de política externa que vêm dominando o noticiário, muitas vezes sem detalhar propostas ou metas. Temas como relações com a União Europeia e as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, por exemplo, estão completamente ausentes das propostas.

Mas falas e ações de Lula e Flávio Bolsonaro nos últimos meses permitem preencher algumas lacunas e apontar que direção os dois candidatos pretendem dar à diplomacia brasileira nos próximos quatro anos.

Lula: "soberania" como tema prevalente

Em seu programa de governo, Lula deu preferência em listar realizações de política externa do seu atual mandato, mas há diretrizes sobre como a administração pretende continuar a se portar. Em linha com a atual postura do Planalto, o programa menciona várias vezes a importância de reafirmar a "soberania" e a "independência" do Brasil.

O plano ainda abraça o multilateralismo e aponta que a "integração sul-americana é o primeiro círculo de projeção estratégica do Brasil". Lula também fala em uma maior aproximação com a Ásia, a África, o Oriente Médio "para ampliar a cooperação política, econômica, tecnológica e cultural".

Lula ainda voltou a bandeiras tradicionais do seu governo, como a defesa do Conselho de Segurança da ONU e de organismos como Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Banco Mundial OMC.

No atual mandato de Lula, o Itamaraty é comandado pelo ministro Mauro Vieira, um diplomata de carreira, que já havia ocupado o posto no governo Dilma Rousseff. Lula ainda conta com Celso Amorim, outro veterano, no cargo de assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais.

Flávio Bolsonaro: política externa "anti Lula"

O plano de diretrizes de governo de Flávio Bolsonaro é bastante breve em política externa, dedicando apenas duas páginas ao assunto, com boa parte dos parágrafos sendo usados para criticar a diplomacia da administração Lula em temas como Venezuela e Irã, argumentando que "política externa brasileira trocou o interesse nacional pela ideologia, protegendo regimes propensos ao terror e seus criminosos".

"Nossa proposta é o oposto: uma diplomacia guiada pelo profissionalismo e pelo pragmatismo, não pela ideologia", disse Flávio Bolsonaro, que é alinhado com os governos de ultradireita dos EUA, Argentina e Israel.

De específico, o programa de Flávio menciona que seu governo pretende retomar a inserção do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). E, de maneira mais genérica, o plano fala em aumentar a abertura comercial e ampliar acordos que abram novos mercados para o Brasil.

Flávio não divulgou oficialmente nomes que podem comandar o Itamaraty sob sua gestão. Em janeiro, ele chegou a dizer que o irmão Eduardo Bolsonaro, que foi condenado à prisão e hoje vive nos EUA sob a proteção do governo de Donald Trump, poderia comandar a pasta do exterior. No entanto, Flávio passou a desconversar sobre o tema após reação negativa de empresários e políticos aliados.

Brics

Lula: fortalecimento do bloco e defesa de alternativa ao dólar

O programa de Lula menciona o Brics três vezes. Atualmente, o Brics é formado por dez países: Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia. Foi no segundo governo Lula que o bloco foi formado, com o Brasil entre seus fundadores.

No seu programa, Lula defende o aprofundamento das relações entre países do Brics e o fortalecimento de mecanismos financeiros do bloco – uma medida que é vista com hostilidade pelos EUA de Trump, que temem que o Brics possa minar a hegemonia do dólar no comércio mundial.

Desde que voltou ao Planalto, em 2023, Lula também defendeu publicamente que o bloco deveria adotar uma moeda de referência alternativa ao dólar para trocas comerciais entre países do Brics ou que os países usem suas próprias moedas locais. Em fevereiro, por exemplo, Lula mencionou essa possibilidade em entrevista a uma rádio da Índia. "Não é necessário que um acordo comercial entre Brasil e Índia precise ser feito em dólares americanos. O que eu defendo é que podemos usar nossas próprias moedas", disse.

Flávio Bolsonaro: retirar o Brasil do Brics?

O programa de Flávio não menciona o Brics uma vez sequer. Mas o candidato, que é alinhado com Trump, já deu declarações sinalizando que pode ser hostil ao bloco, que costuma ser alvo de críticas e ameaças por parte da Casa Branca.

Flávio, por exemplo, afirmou num podcast em junho que seu governo pode vir a retirar o Brasil do Brics. "No primeiro dia que eu me sentar na cadeira de presidente, vou reavaliar se o Brasil deve ficar em um bloco que é muito ideológico, usado para provocar os Estados Unidos", disse.

Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro, novamente alinhado com os EUA, disse ser contra a possibilidade de redução de dependência do dólar americano em transações internacionais, refutando propostas de Lula e da Rússia nesse sentido, que já provocaram ameaças de retaliação por parte de Trump no passado.

Em julho, num ofício encaminhado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Flávio também propôs que o Brasil deve impedir que o Pix seja integrado a mecanismos internacionais de compensação financeira fora da esfera ocidental – ou seja, fora do alcance dos EUA.

Estados Unidos

Lula: "reafirmar soberania"

Desde a volta de Donald Trump ao poder nos EUA, em 2025, o Brasil sob Lula passou a ser alvo de repetidas rodadas de tarifas por parte da Casa Branca. Algumas com objetivos comerciais, outras foram encaradas como tática de pressão para beneficiar a família Bolsonaro, aliada de Trump.

O programa de governo de Lula não menciona os Estados Unidos nominalmente, mas faz várias referências veladas à posição de confronto da Casa Branca, defendendo que o Brasil determine suas políticas sem interferência externa e com autonomia. O texto parece seguir a postura do Planalto nos últimos meses, que tem criticado a interferência de Trump no Brasil, mas sem romper completamente com os EUA ou direcionar animosidade diretamente ao presidente americano, buscando uma solução negociada.

"Em um cenário de tensões geopolíticas crescentes e quebras das regras de convivência internacional, o Brasil deve reafirmar sua soberania e preservar sua capacidade de fazer escolhas políticas e econômicas de forma independente, à luz de seus interesses, sem qualquer tipo de subordinação estratégica", diz o texto.

Em outro trecho, o programa diz que o governo fará "firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica".

Na sequência, o texto parece fazer uma referência velada a Flávio Bolsonaro e seu alinhamento com os EUA: "Rejeitamos a visão daqueles que aceitam, com servilismo, a renúncia à soberania nacional em nome de alinhamentos automáticos e ideologias fracassadas".

Flávio Bolsonaro: "aliança conservadora"

Apesar do alinhamento de Flávio Bolsonaro com o governo Trump, a relação estreita não é mencionada no programa de diretrizes do candidato. Referências aos EUA são poucas. Em um dos trechos, o programa fala em "reverter" o distanciamento entre Brasília e Washington e em buscar "soluções diplomáticas" contra as "sanções" dos EUA a produtos brasileiros.

No entanto, em falas nos últimos meses, Flávio foi mais explícito em como enxerga como seria a relação entre o Brasil e os EUA sob seu eventual governo. Em março, num discurso nos EUA, Flávio falou em formalizar uma aliança com o país de Trump. "No próximo ano, quando eu retornar a este palco como presidente do Brasil, não estaremos apenas celebrando mais uma vitória eleitoral. Estaremos celebrando o nascimento da aliança conservadora mais forte da história do Hemisfério Ocidental", disse.

Em julho, ele também sugeriu que o Brasil firmasse um acordo de livre comércio com os EUA nos moldes da antiga Nafta, o bloco econômico de livre-comércio formado pelos americanos, o Canadá e o México, que foi esvaziado por Trump em 2020. O plano do candidato, porém, não menciona como seu governo pretende lidar com o tarifaço de Trump, que, em parte, foi inicialmente incentivado por Flávio e seu irmão, Eduardo Bolsonaro.

Ainda em seu plano de governo, Flávio fez menções genéricas a minerais críticos. Em falas nos últimos meses, no entanto, ele foi explícito em afirmar que deseja que os EUA explorem os minerais no Brasil, para reduzir sua dependência da China. "O Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras raras e minerais críticos", disse o entãopré-candidato a presidente, em evento no Texas.

Mercosul

Lula: aprofundamento do bloco

O programa de Lula propõe continuar a fortalecer o Mercosul, especialmente como plataforma para a ampliação de iniciativas de integração econômica, como no acordo de livre-comércio firmado com a União Europeia, que passou a vigorar em maio.

"Seguiremos aprofundando o Mercosul e os espaços de integração regional, especialmente nas áreas de infraestrutura, defesa, segurança pública, energia e saúde. Consolidaremos o Mercosul como principal plataforma de integração econômica, produtiva, política e social da América do Sul", diz o programa.

Flávio Bolsonaro: "se libertar das amarras" do Mercosul

O programa de Flávio Bolsonaro não menciona o Mercosul. Mas o candidato já indicou que, ao contrário de Lula, vê o bloco como um empecilho para iniciativas de política externa unilaterais. Em julho, num documento enviado ao governo americano, ele propôs que o Brasil se "liberte das amarras" do bloco sul-americano para uma "busca agressiva" de novos acordos comerciais, sinalizando que pode adotar uma postura como a do presidente argentino Javier Milei, que buscou um acordo comercial com os EUA sem participação de parceiros do Mercosul nas negociações.

Israel e questão palestina

Lula: tema ausente em propostas, relações tensas

Os planos de governo de Lula não mencionam Israel e a questão palestina diretamente, mas a postura da atual administração é bem explícita sobre o conflito no Oriente Médio.

Em 7 de outubro de 2023, na esteira do ataque do Hamas que deixou mais de 1.000 mortos em Israel, Lula condenou as ações do grupo palestino e manifestou "repúdio ao terrorismo". Ao mesmo tempo, ele defendeu negociações para a existência "de um Estado Palestino viável".

Posteriormente, com a ampliação das ações militares em Gaza, Lula passou a criticar ações israelenses. Em 2025, Lula disse que "em Gaza não tem uma guerra, tem um genocídio". Antes disso, em 2024, declarações de Lula comparando a situação da população de Gaza com o Holocausto provocaram tensão entre Israel e Brasil. Os israelenses acabaram declarando Lula "ersona non grata (alguém que não é bem-vindo).

Após outros incidentes diplomáticos, o governo Lula retirou o embaixador brasileiro de Tel Aviv. Em 2025, foi a vez de o governo do israelense Benjamin Netanyahu rebaixar sua relação diplomática com o Brasil. Israel também segue sem embaixador no Brasil. Sob Lula, o Brasil também apoia a ação apresentada pela África do Sul contra Israel por acusações de genocídio na Faixa de Gaza.

Flávio Bolsonaro: transferência de embaixada para Jerusalém

O plano de governo de Flávio não menciona Israel ou a questão palestina. Mas falas e ações do candidato vem seguindo o mesmo roteiro do seu pai, Jair Bolsonaro, que estreitou as relações do Brasil com Israel, e, especialmente, com o premiê Netanyahu.

Em janeiro, Flávio Bolsonaro, escolheu Israel como destino da sua primeira viagem ao exterior na condição de pré-candidato. No país, foi recebido em um jantar de gala por Netanyahu. Em julho, foi a vez de o premiê participar, via mensagem em vídeo, do lançamento oficial da campanha de Flávio, chamando o brasileiro de "meu amigo".

De propostas práticas, Flávio mencionou que no seu primeiro dia como presidente pretende receber um novo embaixador israelense no Brasil. Flávio também contemplou publicamente transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, seguindo o exemplo dos EUA de Donald Trump. "Em 2027, o Brasil não apenas voltará a ter embaixador em Israel, como dará o passo de transferir sua embaixada para a capital de Israel: Jerusalém", disse Flávio.

Em 2019, seu pai, Jair Bolsonaro, havia tentado essa transferência, mas recuou diante de possíveis retaliações de países árabes que são grandes parceiros comerciais do Brasil.

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Short teaser Lula propõe aposta em multilateralismo e reforço do Brics. Flávio fala em aliança com Trump e se "libertar do Mercosul".
Author Jean-Philip Struck
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Item 7
Id 79296268
Date 2026-09-16
Title UE e Canadá: o que significa o status de "membro associado"
Short title UE e Canadá: o que significa o status de "membro associado"
Teaser

Carney se tornou o primeiro líder não europeu a assistir ao discurso anual da chefe do Executivo da UE em Estrasburgo

País americano poderá se tornar primeiro "membro associado" do bloco europeu, como parte de uma inédita aliança estratégica. Ambos enfrentam desafios comuns, como tarifaço de Trump e concorrência da China.A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, levantou nesta quarta-feira (16/09) a possibilidade de o Canadá se tornar o primeiro "membro associado" da União Europeia (UE), ao propor uma cooperação mais estreita nas áreas de tecnologia, defesa e energia entre o bloco das 27 nações e o país norte-americano. Von der Leyen afirmou ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que, em um momento em que as democracias enfrentam uma "fratura no sistema internacional baseado em regras", Bruxelas e Ottawa precisam se aproximar. "Gostaria de trabalhar com você para abrir as portas para que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE", disse von der Leyen ao primeiro-ministro canadense, Mark Carney, durante seu discurso anual sobre o Estado da União Europeia, aplaudido de pé pelos parlamentares. "Acreditamos que o poder não pertence aos mais fortes, aos mais ricos ou aos que gritam mais alto, mas a todos nós. Que as democracias têm a liberdade de escolher com quem trabalhar", disse von der Leyen. "Compartilhamos um oceano, um conjunto de valores, uma forma de ver o mundo. E agora construiremos também o nosso futuro comum", concluiu. O que diz o premiê canadense? No início da semana, Carney disse que o Canadá buscava uma "aliança única" com a UE, mas não uma adesão plena, à medida que Bruxelas e Ottawa tentam se distanciar da postura hostil adotada pelos Estados Unidos sob a Presidência de Donald Trump. A UE e o Canadá têm sido impactados pelas tarifas de importação impostas pelo governo Trump, além de ameaças à sua integridade territorial vindas dos EUA e a concorrência da China em vários setores da indústria e comércio. Carney se tornou o primeiro chefe de governo não europeu a assistir ao discurso anual da chefe do Executivo da UE, antes de ele próprio discursar no Parlamento no dia seguinte. Sua visita ocorre em antecipação à cúpula UE-Canadá, que ocorrerá em Montreal no próximo mês. Após conversar com von der Leyen nesta quarta-feira, Carney seguiu para o Reino Unido, para sua primeira reunião com o novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, antes de retornar a Estrasburgo para seu discurso nesta quinta-feira. O que significa a condição de "membro associado"? Atualmente, não existe um status de "membro associado" previsto nos tratados da União Europeia, embora várias versões de possíveis modelos de associação tenham sido discutidas no bloco ao longo dos anos. Mais recentemente, a Alemanha sugeriu que a Ucrânia se tornasse um membro associado como uma etapa intermediária para a adesão plena. O país, em guerra com a Rússia, teria permissão para participar das cúpulas do bloco e contar com um representante na Comissão Europeia, além de se beneficiar de partes do orçamento da UE, mas sem direito a voto pleno. A proposta, porém, não avançou devido à resistência de alguns Estados-membros do bloco europeu. A própria Ucrânia considerou injusta a proposta da Alemanha de "adesão associada", uma vez que Kiev não teria direito a voto. "Ainda não sabemos exatamente o que isso significa", disse Tobias Cremer, eurodeputado alemão de centro-esquerda e principal proponente de uma resolução que incentiva uma cooperação mais estreita entre a UE e o Canadá, após a fala de von der Leyen sobre o status de "membro associado". Ele, no entanto, entende que uma aliança mais próxima faria sentido, "não apenas porque compartilhamos valores e história, mas porque possuímos interesses comuns e uma visão estratégica", afirmou Cremer. O que busca o Canadá? Carney busca novas alianças em meio a recorrentes ameaças dos Estados Unidos contra a soberania do Canadá. Bruxelas e Ottawa querem estabelecer uma cooperação mais profunda para contrapor o domínio econômico dos EUA e da China, bem como preservar a democracia e a ordem internacional baseada em regras, que eles veem como ameaçadas. "Em um mundo mais perigoso e dividido, o Canadá está construindo relações mais fortes com parceiros de confiança", afirmou o gabinete de Carney em nota. As discussões com von der Leyen se concentraram em áreas que incluem minerais críticos, energia, defesa, pesquisa e desenvolvimento e tecnologias avançadas, acrescentou o comunicado. Em seu discurso, von der Leyen disse que os dois lados criariam um "espaço econômico e de prosperidade comum", e disse que este é o momento de passar de uma cooperação baseada no comércio para uma "aliança para o futuro" mais ampla, de modo a "elevar a relação com o Canadá ao mais alto nível possível". "Trabalharemos na manufatura inteligente. Criaremos uma aliança tecnológica. Integraremos as bases industriais de defesa. Faremos do Ártico um projeto conjunto emblemático", sublinhou. Ela citou ainda outras áreas de cooperação como energia, minerais críticos, baterias, inteligência artificial (IA), segurança cibernética e segurança econômica. "Esta parceria não é contra ninguém, mas em prol da nossa força comum", disse von der Leyen. Quais os possíveis entraves ao status de membro associado? Além de ser uma medida sem precedentes, implementar o status de "associado" pode também ser juridicamente complexo. Apesar da forte defesa da ideia por parte de von der Leyen, caberá aos Estados-membros da UE decidir se a proposta avançar. Não há indicação de que a chefe do Executivo da UE esteja propondo consagrar o status de "membro associado" nos tratados da UE. Isso exigiria unanimidade entre os 27 países e ratificação interna por parte de cada um deles. Mais de uma década após a celebração do Acordo de Livre-Comércio e Investimentos entre a UE e o Canadá (Ceta, na sigla em inglês) e nove anos desde a sua entrada em vigor provisória, vários países do bloco europeu ainda não o ratificaram. Ainda assim atribui-se ao Ceta o aumento de mais de 80% no comércio de bens e serviços desde 2016. Além disso, neste ano, o Canadá se tornou o primeiro país de fora do bloco europeu a aderir ao programa de empréstimos para defesa Safe da UE, orçado em 150 bilhões de euros, permitindo que empresas canadenses participem de compras conjuntas em um momento em que a Europa busca aumentar sua capacidade de defesa. Se o Canadá desejar uma integração ao Mercado Único da UE, Ottawa precisaria harmonizar as normas e regulamentos canadenses com a legislação da UE. O país passaria a apenas seguir regras, sem qualquer poder de decisão sobre políticas, caso entrasse no Mercado Único sem ser membro pleno — ao contrário da Islândia, Noruega e Liechtenstein, que integram o Espaço Econômico Europeu. Historicamente, as normas canadenses têm sido orientadas para o seu maior parceiro comercial, os Estados Unidos. O que significaria isso para os países que aguardam para entrar na UE? A busca por uma aliança mais profunda entre o Canadá e a UE não afetará o processo de adesão dos países europeus candidatos, mas poderá se tornar um ponto de atrito caso o Canadá seja visto como recebendo tratamento especial. As negociações de adesão e o alinhamento com as normas da UE constituem um processo longo que, muitas vezes, exige que as nações candidatas implementem reformas politicamente sensíveis. A adesão plena é reservada a Estados europeus e garante acesso ao Mercado Único do bloco – avaliado em 18 trilhões de euros (R$ 106,9 trilhões) –, além de direitos de voto e representação, acesso a fundos da UE e possibilidade de recursos jurídicos junto ao Tribunal de Justiça do bloco. A UE declarou que poderá admitir novos membros a partir de 2030. Montenegro, Albânia, Ucrânia e Moldávia são os países candidatos que apresentam os maiores avanços no processo. rc/md (Reuters, AFP, AP) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.


Short teaser País americano poderá se tornar primeiro "membro associado" do bloco europeu, como parte de uma aliança inédita.
Author Redação DW
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Image caption Carney se tornou o primeiro líder não europeu a assistir ao discurso anual da chefe do Executivo da UE em Estrasburgo
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Item 8
Id 79293633
Date 2026-09-16
Title Japão vai cobrar por resgates de helicóptero no Monte Fuji
Short title Japão vai cobrar por resgates de helicóptero no Monte Fuji
Teaser

Monte Fuji é um vulcão ativo de 3.776 metros de altitude, localizado na ilha de Honshu

Quem escalar fora da temporada sem avisar as autoridades terá que pagar se precisar ser resgatado. Governo regional elabora pacote de medidas contra montanhistas imprudentes.As operações de resgate por helicóptero de alpinistas que escalarem o Monte Fuji fora da temporada e sem avisar passarão a ser cobradas, anunciou nesta segunda-feira (14/09) a província de Yamanashi, no Japão. O governo regional está elaborando um pacote de medidas contra escaladas imprudentes fora da temporada no Monte Fuji que prevê, entre outras ações, a cobrança dos resgates realizados por helicóptero. Autoridades da província vizinha de Shizuoka também disseram que montanhistas serão obrigados a registrar antecipadamente seus planos de escalada fora da temporada oficial, que vai de julho até o início de setembro. Aqueles que não fizerem o registro poderão estar sujeitos a penalidades caso posteriormente necessitem de resgate. Atualmente, esse registro é voluntário durante todo o ano. Comunidades locais têm defendido que montanhistas que deixarem de registrar seus planos sejam cobrados pelos resgates de helicóptero. No entanto, as autoridades da província de Shizuoka afirmam que há obstáculos institucionais para a cobrança desse tipo de operação e que continuarão analisando a proposta juntamente com outras possíveis penalidades. Yamanashi está localizada na parte sul dos Alpes Japoneses e compartilha o Monte Fuji com a província de Shizuoka, servindo como um dos principais pontos de acesso à mais alta montanha de todo o arquipélago japonês, localizada na ilha de Honshu. Mais de 200 mil visitantes por ano Esse vulcão ativo de 3.776 metros de altitude e baixo risco de erupção atrai mais de 200 mil visitantes todos os anos durante seu período oficial de abertura, que vai de julho até o início de setembro. No entanto, algumas pessoas optam por escalar a montanha fora da temporada para testar suas condições extremas, como rajadas de vento congelantes e encostas cobertas de gelo. As autoridades locais observaram um aumento dessas escaladas improvisadas nesse período, informou a agência de notícias Kyodo News. Essa tendência tem obrigado as equipes de resgate a subir a montanha em perigosas condições de inverno para socorrer gratuitamente pessoas que ficaram retidas, gerando insatisfação entre moradores e autoridades. Os detalhes ainda estão sendo definidos, mas a imprensa local informou que a província de Yamanashi pretende cobrar cerca de 10 dólares por minuto de uso do helicóptero em operações de resgate realizadas fora da temporada. Os custos previstos serão dispensados para os alpinistas que estiverem devidamente equipados e que tiverem enviado seu plano de escalada às autoridades competentes antes de iniciar a subida da montanha. Segundo a emissora Fuji TV, o governo de Yamanashi pretende começar a aplicar essas cobranças a partir de setembro de 2027. as/md (AFP, OTS) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.


Short teaser Quem escalar fora da temporada sem avisar as autoridades terá que pagar se precisar ser resgatado.
Author Redação DW
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Item 9
Id 78698260
Date 2026-09-16
Title Como avatares de IA alimentam um mercado lucrativo no Brasil
Short title Como avatares de IA alimentam um mercado lucrativo no Brasil
Teaser De falsos médicos a perfis românticos, "pessoas" criadas com ferramentas atraem milhões de seguidores no país. Enquanto canais faturam com cliques, especialistas alertam para o avanço de golpes e desinformação.

"Ela não existe, mas paga meu cartão todo mês". "Tenho um plano infalível para o milhão". As frases, retiradas de tutoriais publicados nas redes sociais, expõem a engrenagem de um mercado em ascensão no Brasil e no mundo: o dos avatares gerados por inteligência artificial (IA). Embora não existam no mundo real, esses personagens hiper-realistas acumulam milhares de seguidores em redes como TikTok, Youtube e Instagram, atuando como vendedores, influenciadores e até falsos especialistas, transformando canais automatizados em um negócio lucrativo.

Os produtores ganham dinheiro de diferentes formas: monetização de vídeos, comissões sobre vendas em marketplaces, divulgação de produtos digitais e até a valorização de perfis que posteriormente podem ser revendidos ou utilizados para outros objetivos em razão do alto engajamento.

Diferentemente dos chatbots, os influenciadores de IA simulam pessoas reais e interações humanas em vídeos, lives e anúncios. Em alguns casos, promovem produtos de saúde, oferecem conselhos ou divulgam tratamentos sem comprovação científica.

Fernando Ferreira, pesquisador do NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor em IA, explica que a estratégia consiste em converter a atenção dos usuários em receita. Com o suporte dos algoritmos, que direcionam os vídeos a públicos específicos, a produção desses avatares chega justamente a usuários que procuram respostas para problemas específicos ou demonstram interesse em determinados temas. Já com ferramentas de automação cada vez mais acessíveis, a produção ganhou escala industrial.

"Antes a automação era só um ato de curtir, compartilhar, agora pode dar voz, pode dar imagem, então isso é uma coisa mais personalizada e mais difícil ainda do usuário conseguir identificar que aquilo é realmente uma campanha, por exemplo, alguma coisa nesse sentido", afirma Ferreira.

Da saúde ao entretenimento infantil

Mapeamentos realizados pela organização Ctrl Z mostram que os nichos de atuação variam de conteúdos históricos (como o período escravocrata) e infantis a narrativas apelativas, como a de um suposto fazendeiro viúvo em busca de uma esposa. No entanto, a manipulação de sentimentos básicos é o elemento comum a todos eles.

"Todos eles, de algum jeito, têm uma coisa muito em comum que é mexer com o medo das pessoas, com a curiosidade, com a esperança. Nos de saúde tem essa coisa do senso de urgência. Tipo: faça isso agora, não faça isso, compartilhe com alguém", aponta Luã Cruz, diretor de litigância da Ctrl Z.

Segundo Cruz, a produção em massa utiliza o mesmo roteiro traduzido para diferentes idiomas e encenado por dezenas de avatares sintéticos. Em tutoriais publicados nas plataformas, criadores desses perfis citam que um único roteiro pode ser traduzido e encenado por 20 avatares diferentes para atingir países e públicos distintos.

No YouTube, por exemplo, a estratégia serve também para cumprir os requisitos de monetização (como as 4 mil horas de exibição exigidas e mil inscritos) por meio do envio massivo de vídeos genéricos conhecidos como slop – conteúdos de baixa qualidade gerados por IA. Para Cruz, o slop não necessariamente é esteticamente ruim, mas são "IAs mal feitas" em relação às informações, com erros históricos e desinformação, e que utilizam conteúdos sensacionalistas para atrair públicos vulneráveis.

Atingida a meta, o canal pode ser redirecionado para outros nichos, com aposta em infoprodutos (como a venda de ebooks de receitas para curar determinadas doenças) ou até vendido para uso em campanhas políticas.

O impacto mais grave, contudo, recai sobre a saúde. "Vemos uma série de comentários de pessoas que de fato existem e que falam que estão seguindo aquele tratamento, que abandonaram o tratamento tradicional para seguir, enfim, aquele tratamento que [a IA] sugere", diz o integrante da Ctrl Z.

A ilusão da hiper-realidade

Se antes imperfeições em mãos, vozes robotizadas ou cenários distorcidos denunciavam a natureza sintética do vídeo, o avanço tecnológico reduziu drasticamente essas falhas. Diante de conteúdos consumidos em telas pequenas de celular, os especialistas dizem que transferir ao usuário a responsabilidade de checar a veracidade do material tornou-se inviável.

"Em um olhar mais atento ainda conseguimos ver se há sincronia entre a voz e a boca. São imagens muito brilhantes, é uma coisa ainda um pouco robotizada, menos do que já foi, mas ainda tem uma coisa meio robotizada. Mas são coisas muito imperceptíveis", diz Cruz.

"Cada vez vai estar melhor. Tem alguns detalhes, como observar um texto que não fica bem formatado no fundo, coisas milagrosas também. Uma pessoa que você nunca viu na vida e agora virou um influenciador", diz Ferreira. Mas ele pondera: "acho que a responsabilidade não é do usuário final. A gente tem que entrar em uma maneira de monitoramento e de clara intenção das plataformas de indicar que aquilo ali é um conteúdo de IA".

Os especialistas defendem uma sinalização obrigatória (e em destaque) para esse tipo de conteúdo, além de uma atuação das plataformas na moderação de conteúdos monetizados que são gerados por IA para proteger os usuários de manipulações e evitar crimes.

Para os especialistas, a responsabilização deve recair sobre as empresas de tecnologia. Atualmente, a maioria das plataformas exige apenas uma autodeclaração do criador indicando o uso de IA, sem mecanismos de verificação eficazes.

"A plataforma em si não é responsabilizada se está vinculando o conteúdo porque ela diz: ‘eu não tenho como saber, quem tem que dizer é o usuário'. Mas quem está fazendo a divulgação, quem está fazendo o canal é a própria plataforma. A ação de recomendação do conteúdo é da plataforma. A plataforma tende a passar a responsabilidade para a ponta, e dizer assim: ‘eu me protejo disso dizendo que ele não pode fazer, mas se ele faz e eu recomendo, paciência'. Então é esse o problema", afirma Ferreira.

Crimes e relações no ambiente digital

Do ponto de vista jurídico, o uso de ferramentas avançadas não isenta os criadores de responsabilidade criminal. A advogada e especialista em cibersegurança Gisele Kauer destaca que a atuação de perfis sintéticos pode se enquadrar da mesma forma em crimes já previstos no Código Penal Brasileiro, como estelionato, fraude, exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica. "O crime continua sendo crime independente do meio utilizado."

Além dos impactos financeiros e jurídicos, a proliferação desses avatares hiper-realistas criados por inteligência artificial transforma a percepção da realidade. Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e que lidera um grupo que pesquisa intimidade artificial, aponta que a criação de padrões estéticos inalcançáveis e de interações afetivas simuladas pode aprofundar a insegurança humana, afetando tanto quem consome o conteúdo, como também quem produz.

Para ele, a IA é uma "caixa de multiversos" capaz de fabricar realidades paralelas que intensificam distorções sociais já iniciadas pelas redes sociais, como no caso dos famosos filtros utilizados em fotos.

"Começamos a criar realidades que são verossímeis, que poderiam ser possíveis, mas que não são. E isso traz uma certa insegurança, um certo desejo muito maior do que a gente tinha antes", diz o professor e pesquisador. "Temos modelos, influencers, com um corpo perfeito que é anatomicamente quase impossível chegar nele, tudo feito por inteligência artificial. Então, se a gente já se comparava com uma realidade produzida por pessoas que eram reais, imagina com uma questão sintética?", indaga ele.

Para a advogada, o problema não é o uso de personagens de IA em si para ganhar dinheiro, mas a utilização deles para induzir usuários ao erro e obter vantagens financeiras ilícitas.

O que dizem as plataformas

Procurado, o YouTube informou que todo conteúdo na rede, incluindo o gerado por IA, deve seguir as diretrizes da comunidade, o que inclui regras contra desinformação médica, que proíbem dados incorretos capazes de gerar danos à saúde.

A plataforma também disse que exige que criadores divulguem o uso de mídia alterada ou sintética fotorrealista e que insere rótulos nesses vídeos para alertar os espectadores. "Embora dependamos da autodivulgação do criador, o YouTube usa tecnologia e análise humana para identificar conteúdos que deveriam ter sido rotulados, mas não foram", afirmou a empresa, ressaltando que pode aplicar os avisos de forma proativa nos casos em que o criador não faz a autodeclaração.

O Youtube diz, ainda, que materiais que violam as diretrizes estão sujeitos à remoção e que o descumprimento recorrente pode levar à exclusão do conteúdo e à suspensão do canal do seu programa de parcerias (YPP).

O TikTok, em resposta à DW Brasil, também afirmou que exige que criadores sinalizem conteúdos gerados por IA e disse que proíbe vídeos que induzam o público ao erro. A plataforma disse também disponibilizar rótulos para informar aos espectadores quando um conteúdo foi criado com o uso de IA. Já em relação à monetização, o TikTok afirma que perfis que violarem as regras podem ter a conta removida de forma permanente ou temporária do Programa de Recompensas do Criador, dependendo da gravidade da violação.

A Meta, responsável pelo Instagram e pelo Facebook, informou que não iria comentar.

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Short teaser Por trás dos conteúdos automatizados e rostos sintéticos, especialistas apontam perigos de fraudes e desinformação.
Author Larissa Maia
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Item 10
Id 79266705
Date 2026-09-15
Title Jovens japoneses pagam para pedir demissão sem confronto com chefe
Short title Jovens japoneses pagam para pedir demissão sem confronto
Teaser

Serviços de "demissão terceirizada" ganham espaço no Japão ao permitir que funcionários deixem o emprego sem comunicar diretamente seus chefes

Empresas especializadas comunicam pedidos de demissão de funcionários que dão ghosting no trabalho para evitar contato com chefes. Fenômeno reflete aversão ao conflito, assédio no trabalho e mudanças geracionais.Para Y.M., um japonês de pouco mais de 20 anos, o primeiro emprego após a universidade, numa empresa de vendas do setor imobiliário, se transformou em um teste diário de resistência. Entre os colegas, era ele quem costumava ser alvo de gritos e reprimendas. Segundo relato publicado no site da consultoria trabalhista e de recursos humanos Leadbrain, sediada em Tóquio, Y.M. procurava uma forma discreta de deixar o emprego. Preocupado com a opinião dos colegas, relutante em preocupar os pais e decidido a evitar conflitos no ambiente de trabalho, ele recorreu ao celular para buscar uma alternativa: um serviço terceirizado de demissão, que comunica o desligamento ao empregador em nome do funcionário. No Japão, desaparecer do trabalho sem aviso prévio é conhecido como bakkure, prática que guarda certa semelhança com o chamado "ghosting" nos relacionamentos. Em muitos países, abandonar um emprego sem comunicação é visto como uma atitude irresponsável. Dentro da lógica das interações sociais japonesas, porém, desaparecer pode ser uma forma de evitar confrontos e preservar a harmonia, ao menos na aparência. Pagar para ir embora A procura por empresas que intermedeiam pedidos de demissão está em alta. A Albatross, uma das principais companhias do setor, auxilia cerca de 450 pessoas por mês a deixar seus empregos sem contato direto com os superiores. O serviço custa aproximadamente 120 euros (cerca de R$ 713) para trabalhadores em tempo integral. A maioria dos clientes é formada por jovens profissionais dos setores de serviços e manufatura. O processo pode ser concluído em até 15 minutos. "As razões que levam as pessoas a pedir que nos encarreguemos da demissão vão de violência física a assédio sexual", afirmou Yuka Hamada, diretora-executiva da Albatross. "São pessoas vulneráveis e que não se sentem capazes de pedir demissão por conta própria." Uma pesquisa da consultoria Shikigaku com trabalhadores japoneses de 20 a 49 anos mostrou que cerca de um terço dos entrevistados relatou ter sofrido algum tipo de assédio no ambiente de trabalho. Harmonia acima de tudo A cultura corporativa tradicional japonesa ganhou forma durante o período de crescimento econômico do pós-guerra e está fortemente associada ao conceito de emprego vitalício. Nesse contexto, a lealdade à empresa é tratada como uma virtude central, e muitos gestores interpretam pedidos de demissão como uma afronta pessoal. Por isso, diversos jovens trabalhadores hesitam em comunicar sua saída diretamente. "Anunciar a intenção de pedir demissão pode parecer não apenas o encerramento de um contrato, mas também uma forma de decepcionar pessoas ou trair expectativas que se buscou atender durante anos", afirmou Hiroki Nakamori, professor associado da Escola de Pós-Graduação em Estudos de Design Social da Universidade Rikkyo. Segundo Hiroshi Ono, professor de gestão de recursos humanos da Escola de Negócios da Universidade Hitotsubashi, o Japão é uma sociedade pouco inclinada ao confronto, onde se espera que os indivíduos se adaptem aos compromissos assumidos com a empresa e sua cultura organizacional. "Quem perturba a harmonia não costuma ser bem-visto. Por isso, alguém que está saindo pode sentir que o melhor é simplesmente desaparecer sem causar alarde", disse Ono. "Agir coletivamente e em harmonia é considerado um sinal de força", acrescentou. Essa tendência a evitar conflitos tem raízes profundas na sociedade japonesa. A Constituição dos Dezessete Artigos, compilada no início do século 7 e considerada um importante marco do pensamento político do Japão antigo, já defendia que a harmonia deveria ser priorizada e as disputas evitadas. Desaparecer sem deixar de ser educado Mas até mesmo abandonar um emprego pode ser feito de maneira considerada cortês. "Os clientes podem não se despedir nem agradecer diretamente à empresa. Nesses casos, a agência pode transmitir essas mensagens em seu nome", afirmou Hamada. Trata-se de um dos paradoxos da cultura corporativa japonesa. Mesmo ao optar por desaparecer, muitos funcionários sentem a obrigação de seguir o princípio do meiwaku, que valoriza a redução de transtornos para os outros e a preservação da ordem coletiva. Essa preocupação também se estende aos pertences deixados no local de trabalho. "Mesmo quando o cliente pretende desaparecer completamente, orientamos que esvazie sua mesa antes de sair", disse Hamada. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.


Short teaser Empresas comunicam pedidos de demissão de funcionários que dão ghosting no trabalho para evitar contato com chefes.
Author Chi-Hui Lin
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Image caption Serviços de "demissão terceirizada" ganham espaço no Japão ao permitir que funcionários deixem o emprego sem comunicar diretamente seus chefes
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Item 11
Id 79263427
Date 2026-09-14
Title China reforça regras para evitar perda de controle da IA
Short title China reforça regras para evitar perda de controle da IA
Teaser Pequim passou a incluir explicitamente cenários de perda de controle sobre sistemas de inteligência artificial e visa fortalecer suas normas de segurança e a supervisão humana.

Alertas feitos por pesquisadores da empresa americana de inteligência artificial (IA) Anthropic sobre a possibilidade de modelos avançados escaparem ao controle humano e, em cenários extremos, representarem uma ameaça à própria humanidade ganharam destaque na China, onde formuladores de políticas públicas vêm se preparando para lidar com riscos semelhantes.

Apesar da corrida para desenvolver sistemas cada vez mais poderosos, marcos regulatórios e declarações oficiais de Pequim mostram que as autoridades chinesas consideram suficientemente séria a possibilidade de a IA avançada escapar à supervisão humana para incorporá-la aos seus planejamentos de segurança.

Reguladores destacam risco de perda de controle

A China passou a mencionar explicitamente cenários de perda de controle sobre sistemas de inteligência artificial em uma estrutura de segurança divulgada em setembro de 2024 sob orientação da Administração do Ciberespaço da China (CAC).

O documento afirmava que não poderia ser descartada a possibilidade de futuros sistemas de IA obterem recursos externos de forma autônoma, desenvolverem autoconsciência e buscarem fontes externas de poder, criando riscos de competição com seres humanos.

Em setembro de 2025, a CAC divulgou uma versão ampliada da estrutura regulatória. O novo texto tornou o cenário mais específico, afirmando que a IA poderia passar por um salto repentino de capacidade antes de adquirir recursos, se replicar e buscar o poder. O documento também incorporou o princípio de "aplicação confiável" e da prevenção da perda de controle.

Posteriormente, uma interpretação técnica publicada no site do regulador afirmou que a nova diretriz busca reduzir riscos de perda de controle que possam ameaçar a sobrevivência e o desenvolvimento da humanidade, mencionando inclusive a possibilidade de uma IA "sair do controle".

Xi defende supervisão humana permanente

A preocupação também passou a aparecer nas mais altas instâncias políticas chinesas.

Durante aConferência Mundial de Inteligência Artificial realizada em julho, em Xangai, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que as autoridades devem monitorar atentamente tanto os riscos inerentes à tecnologia quanto os seus efeitos indiretos.

Segundo Xi, a inteligência artificial deve permanecer "sempre sob controle humano".

O principal diplomata chinês para assuntos de IA, Sun Xiaobo, afirmou em reunião das Nações Unidas no mês passado que o país está acelerando estudos sobre uma legislação mais ampla para a inteligência artificial.

Já o vice-representante permanente da China na ONU, Sun Lei, pediu neste mês que os governos abordem com cautela o uso militar da IA para evitar erros de cálculo estratégicos e uma corrida armamentista.

As discussões ganham peso em um momento em que Xi Jinping deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington ainda neste mês. A governança e a segurança da inteligência artificial estão entre os temas previstos para a agenda bilateral.

Enquanto autoridades chinesas enfatizam riscos ligados à segurança nacional, à espionagem e à proteção de infraestrutura crítica, o debate nos Estados Unidos tem sido marcado também por preocupações com cenários de perda de controle e riscos existenciais associados a sistemas superinteligentes. O presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, já alertou para a velocidade que classificou como "imprudente" do avanço da tecnologia. O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, afirmou concordar com essa avaliação.

Pequim cria regras específicas para agentes de IA

A China também começou a transformar esses princípios em exigências regulatórias voltadas aos chamados agentes de IA, sistemas capazes de atuar com maior autonomia e realizar tarefas mais complexas do que chatbots convencionais.

Em maio, o regulador chinês do ciberespaço publicou diretrizes conjuntas específicas para esse tipo de tecnologia.

As normas exigem que desenvolvedores ampliem sua capacidade de identificar, interromper, bloquear e corrigir comportamentos inadequados dos agentes.

As orientações apontam como riscos relevantes o envenenamento de dados, a manipulação de algoritmos, vulnerabilidades de sistemas e a chamada "perda operacional de controle". O texto também determina que os usuários mantenham a autoridade final sobre decisões tomadas autonomamente pelos sistemas.

Embora a China não tenha adotado propostas como a presença de monitores independentes dentro de empresas de IA, modelo defendido por pesquisadores da Anthropic, suas normas permitem a contratação de avaliações externas de segurança e preveem auditorias realizadas por entidades independentes e pesquisadores especializados.

Concorrência com os EUA na mira

Em artigo publicado no domingo em um veículo governamental, o ministro da Segurança do Estado da China, Chen Yixin, afirmou que modelos avançados desenvolvidos nos Estados Unidos podem representar riscos à infraestrutura crítica de informação do país e defendeu o fortalecimento da segurança em inteligência artificial.

Chen também alertou que "forças hostis" estariam usando ferramentas de IA generativa para fabricar rumores políticos e disseminar informações prejudiciais à China. Segundo ele, esses grupos promovem "guerras de opinião pública" e "guerras cognitivas" que ameaçam a segurança política, institucional e ideológica do país.

O ministro afirmou ainda que a inteligência artificial se tornou "o principal campo de batalha da competição tecnológica global e uma nova arena da rivalidade estratégica entre grandes potências". Segundo ele, serviços de inteligência estrangeiros utilizam tecnologias como rastreamento automatizado de dados, mineração de informações e análise de perfis para coletar dados sensíveis, segredos comerciais e informações pessoais.

gq/md (Reuters, AFP, DPA)

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Short teaser Pequim visa reforçar normas de segurança e de supervisão para evitar descontrole de sistemas de inteligência artificial.
Item URL https://www.dw.com/pt-br/china-reforça-regras-para-evitar-perda-de-controle-da-ia/a-79263427?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 12
Id 79252128
Date 2026-09-13
Title Uber reduz presença na África e ameaça futuro de motoristas
Short title Uber reduz presença na África e ameaça futuro de motoristas
Teaser

Uber já saiu de Costa do Marfim, Tanzânia, Uganda e Nigéria, com operações restritas a só quatro países africanos

Empresa deixa Nigéria e Uganda, se limitando a só quatro países no continente. Combustível caro, taxas de lucro reduzidas e volatilidade cambial aumentaram pressão sobre a categoria.Após mais de uma década de presença no mercado do país mais populoso da África, a Uber anunciou inesperadamente neste mês a sua saída da Nigéria. A empresa também vai encerrar imediatamente as operações em Uganda, limitando as suas operações a quatro nações no continente: Egito, Gana, Quênia e África do Sul. Segundo a Uber, a sua "prioridade imediata é apoiar motoristas, passageiros e equipes locais durante essa transição", sem detalhar de que forma tal assistência será prestada. A empresa acrescentou que a decisão não afeta outras partes da África. Mas, no último ano, a multinacional também encerrou atividades na Costa do Marfim e na Tanzânia, além de ter reduzido sua força de trabalho global em 10%. A Uber não conseguiu expandir sua presença em grande parte do mercado africano. É forte a concorrência de plataformas rivais como Bolt, inDrive e SafeBoda, que atuam na Nigéria, em Uganda e em outros países da região. Motoristas sob pressão Enquanto isso, em diversos países do continente, motoristas têm reclamado da redução das suas margens de lucro diante da alta dos combustíveis, da inflação e da volatilidade cambial, com destaque para o caso nigeriano. Na avaliação dos profissionais, o modelo de negócios da Uber, que retém entre 20% e 25% do valor de cada corrida em forma de comissão, deixou de ser sustentável. Abbas Olamide, motorista da Uber na capital nigeriana, Abuja, considera que o serviço prestado pela empresa era "bom", mas as elevadas taxas de comissão ampliaram significativamente suas dificuldades financeiras. Ele contou à DW que uma corrida de 30 mil nairas (R$ 115) da cidade até o aeroporto resulta em uma comissão de 6 mil nairas (R$ 23) para a plataforma. "Depois disso, ainda preciso pagar a taxa de acesso ao aeroporto. Como ninguém quer voltar para a cidade sem passageiro, também precisamos pagar para estacionar e esperar outro cliente. No fim do dia, o que sobra já não é suficiente." Samuel Olatunji, motorista da Uber em Lagos, precisará reformular a estratégia de trabalho após o anúncio da saída da empresa. O profissional de 43 anos diz que agora terá de recorrer a outros aplicativos, assim como centenas de colegas, para manter uma fonte estável de renda. "Mas o valor que vou levar para casa não será mais o mesmo de antes." Nos últimos anos, motoristas como Olamide e Olatunji participaram de greves e protestos contra o aumento dos custos operacionais, as tarifas consideradas baixas, as condições de trabalho e a alta dos combustíveis na Nigéria. Em 2026, a situação foi agravada pela disparada dos preços nos postos causada pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã. Segundo os motoristas, suas reivindicações ficaram sem resposta. Agora, muitos se preparam para um futuro incerto. Dólar versus naira A Uber não apresentou uma explicação detalhada para sua decisão. No entanto, a saída ocorre em um contexto de inflação de dois dígitos em diversas economias africanas, fenômeno que reduziu o poder de compra de milhões de pessoas e ampliou os índices de pobreza. Com isso, consumidores também tendem a utilizar menos os serviços de transporte por aplicativo. Ikemesit Effiong, sócio da consultoria SBM Intelligence, sediada em Lagos, avalia que os custos crescentes com combustível, manutenção de veículos e seguros, somados à desvalorização da moeda nigeriana em relação a 2014, fizeram com que as tarifas aumentassem mais rapidamente do que a disposição ou a capacidade dos passageiros de pagar pela conveniência do serviço. Ele aponta ainda a um desequilíbrio estrutural: enquanto os custos da Uber estão atrelados ao dólar, a receita dos motoristas depende da naira, moeda que perdeu valor ao longo dos anos. Esse cenário estreitou gradualmente as margens de lucro, apesar de o mercado nigeriano de transporte por aplicativo ser estimado em cerca de 450 milhões de dólares anuais. "As plataformas tentam manter as tarifas baixas para não perder passageiros sensíveis a preço, enquanto o rendimento real dos motoristas diminui. Isso leva muitos profissionais a usar vários aplicativos ao mesmo tempo, negociar corridas fora das plataformas ou simplesmente abandonar a atividade", disse Effiong. Ele destacou ainda que um dos concorrentes locais da Uber, a inDrive, opera com um sistema de negociação direta de preços entre motorista e passageiro. Segundo o analista, isso reduz a dependência de um modelo padronizado e intensivo em capital, que tende a funcionar melhor em mercados mais ricos. A economia complexa dos aplicativos de transporte Os mercados da Nigéria e de Uganda apresentam diversas semelhanças. Ambos possuem grandes populações e uma demanda crescente por soluções de mobilidade urbana. Mas a saída da Uber também representa a perda de um serviço que muitos usuários consideravam seguro e confiável em comparação a alternativas. Mary-Esther Anele, moradora de Lagos, acredita que precisará buscar outras opções de transporte. "Mas, mais importante do que isso, vou viajar menos daqui para frente porque os custos de transporte vão aumentar." A decisão da Uber também levanta dúvidas sobre possíveis desdobramentos no restante do continente. A empresa deixará eventualmente outros mercados africanos? Alterará sua política de preços para aumentar a rentabilidade na região? Como os concorrentes reagirão? Em países como a África do Sul, aplicativos de transporte como a Uber já enfrentam há anos resistência de empresas de táxi e operadores de micro-ônibus. Alguns grupos acusam as plataformas de concorrência desleal e, em certos momentos, os conflitos chegaram a episódios de violência. Frank Yiga contribuiu de Kampala para a reportagem. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.


Short teaser Empresa deixa Nigéria e Uganda. Combustível caro, lucro baixo e volatilidade cambial elevaram pressão sobre a categoria.
Author Abiodun Jamiu
Item URL https://www.dw.com/pt-br/uber-reduz-presença-na-áfrica-e-ameaça-futuro-de-motoristas/a-79252128?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
Image URL (700 x 394) https://static.dw.com/image/56502539_303.jpg
Image caption Uber já saiu de Costa do Marfim, Tanzânia, Uganda e Nigéria, com operações restritas a só quatro países africanos
Image source Daniel Irungu/dpa/picture alliance
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Item 13
Id 79230091
Date 2026-09-11
Title Coreia do Norte investe lucros com guerra em mais armamentos
Short title Coreia do Norte investe lucros com guerra em mais armamentos
Teaser A guerra na Ucrânia e a aliança com Moscou deram ao país um novo impulso econômico, permitindo que o regime leve adiante uma série de projetos há muito desejados.

O líder norte-coreano Kim Jong-un está usando o dinheiro que o regime recebeu pela participação de suas tropas na guerra na Ucrânia para financiar uma longa lista de projetos que antes estavam além de seu alcance financeiro.

Em maio, o Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul estimou que Pyongyang recebeu, no mínimo, 7,7 bilhões de dólares (R$ 39,2 bilhões) em ajuda financeira e benefícios econômicos da Rússia nos três anos anteriores por enviar homens e material para a guerra de Moscou contra a Ucrânia, podendo o valor chegar a 14 bilhões de dólares (R$ 71,3 bilhões).

Trata-se de uma quantia significativa, considerando que o PIB da Coreia do Norte em 2024 foi de 26,6 bilhões de dólares (R$ 135,65 bilhões).

O apoio de Kim à Rússia tem sido lucrativo, e uma série de relatórios começa agora a identificar para onde esse dinheiro está sendo direcionado.

Parte dos recursos está sendo reservada para a Política de Desenvolvimento Regional 20x10, apresentada em janeiro de 2024 e que prevê a construção de instalações industriais modernas em 20 cidades regionais por ano durante os próximos dez anos, com o objetivo de melhorar os padrões de vida fora de Pyongyang.

Investimentos avançam com apoio russo

Observadores afirmam que mais programas civis estão sendo planejados, embora a maioria pareça destinada às "elites" que vivem em Pyongyang.

"Antes da aliança com a Rússia, a infraestrutura em geral era precária devido a uma combinação de má gestão econômica e sanções", disse Martyn Williams, pesquisador sênior do programa para a Coreia do Centro Stimson, em Washington.

"Com o colapso do consenso no Conselho de Segurança das Nações Unidas e a retomada do comércio com a China e a Rússia, as coisas estão começando a avançar agora", afirmou ele à DW.

"Há vários programas de grande escala para construir fábricas e hospitais em todo o país, [Kim] ordenou o desenvolvimento de distritos inteiramente novos em Pyongyang e existe um projeto habitacional rural que está construindo dezenas de milhares de casas no campo", disse ele, além de investimentos na "modernização de vários setores da economia".

Há, no entanto, problemas estruturais que ainda precisam ser superados, afirmou.

"Há investimentos sendo feitos na construção, mas o grande hospital novo no centro de Pyongyang foi concluído há algum tempo e permaneceu sem uso por um período, até que medicamentos e equipamentos pudessem ser obtidos", disse. "A Coreia do Norte é excelente em construir, mas manter tudo funcionando é o ponto-chave, então observamos para ver se isso acontecerá."

AIEA alerta para nova instalação nuclear

Mas parte desse ganho financeiro está claramente sendo destinada ao setor militar. Na quarta-feira (09/09), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou ter identificado uma nova instalação de enriquecimento de urânio no Complexo Nuclear de Yongbyon, com cerca de 28 cascatas de centrífugas.

A AIEA estimou que a instalação permitiria ao regime produzir 85 quilos de urânio altamente enriquecido para uso militar por ano, quantidade suficiente para quatro ogivas nucleares.

Imagens de satélite também mostram que o país está ampliando e modernizando o porto de Nampo, na costa oeste, e o de Chongjin, na costa leste da península, para acomodar uma nova geração de navios de guerra.

Na segunda-feira, Kim participou da cerimônia de incorporação do destróier Kang Kon, de 5 mil toneladas, em Wonsan. O líder norte-coreano afirmou que a embarcação é capaz de lançar armas nucleares e poderá "desferir um golpe retaliatório mortal contra os inimigos".

A terceira área de forte investimento tem sido a melhoria significativa de estradas, portos e pontes. Trata-se de uma infraestrutura que ficou estagnada durante anos de isolamento sob sanções internacionais, mas que hoje é necessária para facilitar o envio de mais tropas para a Rússia e a chegada, em troca, de tecnologia militar avançada, energia e bens de consumo.

Na terça-feira, a Coreia do Norte e a Rússia inauguraram sua primeira ponte rodoviária sobre o rio Tumen, com postos alfandegários e instalações de armazenagem em construção dos dois lados da via fluvial. A ponte ressalta os laços em rápida expansão desde que Kim e o presidente Vladimir Putin anunciaram uma parceria estratégica abrangente em 2024.

A rota permitirá um volume maior de intercâmbio por caminhões, reduzirá custos e poderá ser utilizada para o transporte de norte-coreanos, armas e munições para a Rússia. Também reduz ainda mais o efeito das sanções contra a Coreia do Norte.

"Muitos desses projetos, como a melhoria das conexões ferroviárias e rodoviárias transfronteiriças, a construção de instalações alfandegárias e assim por diante, começaram antes da pandemia e seguiram um padrão de avanços e paralisações desde então", afirmou Marcus Noland, vice-presidente executivo do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington.

"Depois dos tempos difíceis durante a pandemia, que também foi acompanhada pelo fechamento das fronteiras, a economia norte-coreana parece ter crescido nos últimos anos graças às receitas relacionadas à guerra na Ucrânia e ao cibercrime."

Interior segue estagnado

Noland afirmou ter a impressão de que Pyongyang está relativamente bem do ponto de vista econômico, assim como várias cidades na fronteira com a China graças à retomada do comércio, "mas o interior do país continua estagnado".

Embora o conflito na Ucrânia e a aliança de Pyongyang com Moscou tenham sido uma bênção econômica para a Coreia do Norte, dizem os analistas, não está claro o que acontecerá quando a guerra inevitavelmente chegar ao fim.

"O regime norte-coreano pode enfrentar dificuldades se a paz chegar à Ucrânia", afirmou Noland. "Se as receitas relacionadas à guerra secarem, o país poderá experimentar uma queda econômica e um descontentamento associado após um período de expectativas crescentes", enfatizou.

"Não estou dizendo que isso seria suficiente para desestabilizar o sistema, mas acredito que uma transição para a paz na Ucrânia poderia apresentar desafios que o regime teria de administrar."

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Short teaser Guerra na Ucrânia e aliança com Moscou rendem dividendos ao país, viabilizando uma série de projetos há muito desejados.
Author Julian Ryall
Item URL https://www.dw.com/pt-br/coreia-do-norte-investe-lucros-com-guerra-em-mais-armamentos/a-79230091?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 14
Id 79211825
Date 2026-09-10
Title China debate reduzir a importância do inglês nas escolas
Short title China debate reduzir a importância do inglês nas escolas
Teaser Proposta de professor universitário reacende discussão sobre o papel do idioma inglês na educação chinesa. Matemático defende a priorização do mandarim.

Há anos que o inglês é tido como a principal língua internacional em todo o mundo. Estima-se que um em cada cinco habitantes do planeta o idioma como língua franca. Na China, porém, um professor universitário defende que o país pare de dar "tanta importância" para um idioma ocidental.

O matemático Tang Jiafeng quer que o inglês deixe de ter o mesmo peso que as disciplinas de matemática e mandarim, nos exames dos sistemas educacionais chineses. Segundo ele, nenhum outro país atribui ao inglês um valor tão alto quanto a China.

"Nossas crianças começam a estudar inglês antes mesmo de dominarem plenamente a própria língua. Somos uma civilização com milhares de anos de história. O inglês é apenas uma ferramenta. Basta saber utilizá-lo. A tradição de admirar e imitar culturas ocidentais precisa acabar", argumenta.

Aprender inglês é um desafio para estudantes chineses, já que o mandarim utiliza um sistema de escrita baseado em caracteres, diferente do alfabeto empregado em idiomas ocidentais.

Na China, o inglês é disciplina obrigatória a partir do terceiro ano do ensino fundamental. O desempenho dos estudantes na matéria tem peso significativo nas principais provas do país, incluindo os exames para entrar no ensino médio e o gaokao, o rigoroso "vestibular" chinês. Neste, a disciplina tem a mesma pontuação máxima de matérias como mandarim e matemática.

Para Tang, o modelo atual exige muitos recursos e bastante tempo. "Quanto tempo, dinheiro e esforço de alunos, pais e escolas são dedicados a uma disciplina que, para a maioria das pessoas, terá pouca relevância em sua futura vida profissional?", questiona ele.

O professor ganhou notoriedade nacional depois que os seus alunos apresentaram resultados excelentes em competições de matemática. Vários alcançaram pontuação máxima.

"A IA já traduz tudo"

As declarações de Tang rapidamente viralizaram nas redes sociais chinesas. "Muitos se perguntam por que passar anos decorando inglês se ferramentas de inteligência artificial conseguem traduzir textos e conversas em poucos segundos", escreveu um usuário da plataforma Weibo.

Outros defendem medidas menos radicais. Uma das propostas é reduzir o peso da disciplina nos exames nacionais, sem eliminá-la completamente.

O debate também envolve o grande mercado de aulas particulares. Muitas famílias chinesas investem quantias exorbitantes em cursos preparatórios voltados especificamente para os testes de inglês.

Além disso, estudantes que desejam ingressar em programas de pós-graduação normalmente precisam comprovar proficiência no inglês. Para Tang, essa exigência pode acabar excluindo jovens talentos das áreas de ciência e tecnologia que possuem grande potencial acadêmico, mas encontram dificuldades com línguas estrangeiras.

Ciência e competitividade global

Os críticos da proposta argumentam que reduzir a importância do inglês pode prejudicar a competitividade internacional da China.

Grande parte da produção científica mundial, especialmente em áreas estratégicas como inteligência artificial (IA), biotecnologia e engenharia, é publicada em inglês. Sem domínio adequado do idioma, pesquisadores e profissionais chineses teriam mais dificuldades para acompanhar avanços científicos e participar de redes globais de conhecimento.

Entre os defensores de manter a importância do inglês no sistema educacional está Hu Xijin, ex-editor-chefe do jornal estatal Global Times. Para ele, o domínio de idiomas estrangeiros é uma competência fundamental no século 21.

"Vivemos em uma era de globalização. A abertura da China para o mundo não é apenas uma política de Estado; ela amplia as oportunidades das pessoas e seus horizontes profissionais e culturais", afirmou. Ele também critica a ideia de transformar o debate em uma disputa entre tradição chinesa e influência estrangeira.

Segundo Hu, dá para valorizar a cultura nacional e, ao mesmo tempo, o aprendizado de idiomas. Compreender outras línguas amplia as possibilidades de intercâmbio econômico, científico e cultural, destaca.

Outro argumento frequente é o da igualdade de oportunidades. Para os defensores da disciplina, manter o inglês no currículo obrigatório garante que crianças de regiões rurais e menos desenvolvidas também tenham acesso a uma ferramenta importante para a mobilidade social e profissional.

Universidades repensam formação

A discussão ocorre em um momento de transformação nas universidades chinesas especializadas em línguas estrangeiras.

Docentes relatam que cursos tradicionais, como alemão, francês e outras graduações voltadas exclusivamente para idiomas, vêm atraindo menos candidatos nos últimos anos.

Como resposta, instituições de ensino superior têm reformulado seus currículos. Na Beijing Foreign Studies University, uma das mais prestigiadas da área, o modelo que combina formação linguística com outras especializações, como direito, tecnologia da informação e economia está ganhando força.

A discussão sobre a influência estrangeira na educação está longe de ser novidade na China. Já no final do século 19, durante o movimento de modernização da dinastia Qing, intelectuais defendiam que o país deveria aprender com as potências ocidentais para fortalecer seu próprio desenvolvimento.

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Short teaser Proposta de professor universitário reacende discussão sobre o papel do idioma inglês na educação chinesa.
Author Dang Yuan
Item URL https://www.dw.com/pt-br/china-debate-reduzir-a-importância-do-inglês-nas-escolas/a-79211825?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 15
Id 77647317
Date 2026-06-21
Title Milhares de pessoas celebram o solstício de verão em Stonehenge
Short title Milhares celebram o solstício de verão em Stonehenge
Teaser

Alguns dos visitantes exibiram flores sobre a cabeça para celebrar o solstício em Stonehenge

Com coroas de flores, 20 mil visitantes se dirigiram ao monumento milenar no Reino Unido para acompanhar o nascer do Sol do dia mais longo do ano no Hemisfério Norte.Uma multidão de mais de 20 mil pessoas se reuniu no início da manhã deste domingo (21/06) no milenar sítio arqueológico de Stonehenge, no Reino Unido, para ver o nascer do sol às 4h25 (0h25 em Brasília) no dia mais longo do ano no Hemisfério Norte, segundo a organização pública English Heritage, que administra monumentos históricos na Inglaterra. Os visitantes, alguns usando coroas de flores, tocaram o monumento antigo e comemoraram quando o sol resplandecente surgiu no horizonte enevoado. "Ao amanhecer do dia mais longo do ano, recebemos mais de 20.000 pessoas para celebrar juntas, com milhares de outras participando de todo o mundo por meio de nossa transmissão ao vivo", informou no domingo a English Heritage, organização que administra o sítio de Stonehenge. Em 21 de junho, o Hemisfério Norte da Terra está inclinado ao máximo em direção ao Sol, resultando no dia mais longo do ano. O oposto ocorre no Hemisfério Sul, que tem seu dia mais longo em 21 de dezembro. O círculo de pedras megalíticas pré-histórico situado na Planície de Salisbury, em Wiltshire (sudoeste da Inglaterra), parece ter sido construído há milhares anos para se alinhar com a trajetória do Sol nesses dias. Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de pedras, que chegam a ter 5 metros de altura e a pesar quase 50 toneladas, localizada na Inglaterra, no condado de Wiltshire, na Planície de Salisbury. Stonehenge é um dos monumentos pré-históricos mais famosos do mundo. Formado por enormes blocos de pedra organizados em círculos, ele foi construído ao longo de várias etapas entre aproximadamente 3000 a.C. e 2000 a.C. Embora seu propósito exato ainda seja desconhecido, pesquisadores acreditam que Stonehenge tenha servido como local de cerimônias religiosas, espaço de sepultamento e até como observatório astronômico, devido ao seu alinhamento com o Sol durante os solstícios. Algumas pedras pesam mais de 25 toneladas e parte delas foi transportada de regiões localizadas a centenas de quilômetros de distância. Por causa de sua importância histórica e cultural, Stonehenge foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1986. Como funcionam as celebrações em Stonehenge? A partir de 1978, o acesso do público a Stonehenge passou a ser restrito — os visitantes não podiam mais circular livremente entre as pedras —, em resposta a casos de vandalismo e ao aumento da erosão decorrentes do rápido crescimento do número de turistas. As reuniões modernas por ocasião do solstício tiveram início já em meados do século 19, facilitadas pelo acesso ferroviário à cidade vizinha Salisbury. Esses eventos, de caráter um tanto mais anárquico e espontâneo, chegaram a um fim violento em 1985, quando a polícia e um grupo de centenas de visitantes entraram em confronto no que ficou conhecido como a Batalha de Beanfield. Enquanto a polícia tentava fazer cumprir uma liminar obtida pelas autoridades locais para impedir a passagem dos visitantes — inicialmente por meio de um bloqueio na estrada —, mais de 500 pessoas acabaram sendo presas. Foi um dos maiores episódios de prisão em massa no Reino Unido depois Segunda Guerra Mundial. A partir do ano 2000, a English Heritage passou a permitir o acesso controlado ao sítio de Stonehenge durante os dois solstícios — bem como nos equinócios de primavera e outono. Desde então, esses eventos ganharam popularidade. Solstício de verão em meio a uma onda de calor A celebração ocorreu enquanto o Reino Unido e grande parte da Europa permanece sob alertas de calor intenso. No domingo, as temperaturas na região de Salisbury estavam comparativamente amenas para os padrões nacionais, com previsão de máximas de 29 °C. Na França, no entanto, o governo proibiu o consumo de álcool em locais públicos durante as celebrações do Dia da Música, que marcam o solstício de verão. O evento inclui milhares de shows em praças de vilarejos, locais de música eletrônica e casas noturnas de Paris, reunindo comunidades e atraindo cada vez mais visitantes internacionais. Ainda na França são esperadas máximas de 40 °C no domingo, com a segunda-feira provavelmente ainda mais quente, com serviços de emergência e as forças militares foram colocados em alerta contra incêndios florestais. Há também previsão de temperaturas atingindo 37 °C em Roma e 39 °C em Madri na segunda-feira. O Met Office britânico informou que o calor deve atingir um pico de cerca de 35°C na terça e na quarta-feira, o que gerou alertas meteorológicos, alertas de saúde e preocupações com as pessoas vulneráveis. Os meteorologistas afirmaram que a próxima semana pode quebrar o recorde da temperatura mais alta já registrada em junho, de 35,6 °C, estabelecido em 1976 em Southampton. jps (dpa, DW, ots)


Short teaser Vinte mil visitantes se dirigiram ao monumento para acompanhar nascer do Sol do dia mais longo no Hemisfério Norte
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Image caption Alguns dos visitantes exibiram flores sobre a cabeça para celebrar o solstício em Stonehenge
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Item 16
Id 53832364
Date 2026-05-03
Title A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump
Short title A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump
Teaser Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número de tropas americanas no país europeu. EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha e decisão pode marcar grande mudança na relação de defesa entre os dois países

Em meio a uma troca de farpas entre os EUA e a Alemanha, o Pentágono anunciou nesta semana que pretende retirar 5 mil dos seus militares que estão atualmente baseados no país europeu. Segundo o anúncio, a retirada deve ser completada num período de 6 a 12 meses.

No sábado (02/05), foi a vez de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a retirada pode ser ainda mais ampla. "Vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais do que 5.000", disse Trump a repórteres.

O movimento de retirada ocorre após Trump se enfurecer com declarações críticas à condução da guerra do Irã feitas pelo chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na segunda-feira, Merz afirmou que os que os Estados Unidos estão sendo "humilhados" em sua guerra contra o Irã e que parece faltar a Washington uma estratégia clara no conflito.

Um dia depois, Trump respondeu que o alemão "não tem ideia do que está falando". "Merz acha ok o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!", disse em um post na rede Truth Social.

Logo depois, veio o anúncio de redução de tropas baseada na Alemanha. Como parte da decisão, um plano da era Joe Biden para enviar um batalhão americano com mísseis Tomahawk de longo alcance para a Alemanha também foi abandonado.

Não é a primeira vez que Trump faz movimentos para reduzir a quantidade de tropas dos EUA na Alemanha. Em 2020, o republicano chegou a anunciar um plano ainda mais drástico de redução, mas a iniciativa foi abandonada após a derrota de Trump para Joe Biden no mesmo ano.

Presença militar dos EUA na Alemanha

Segundo o Pentágono entre 34 mil e 36 mil soldados ocupam atualmente em caráter permanente as bases americanas em solo alemão. Se incluídas as unidades militares em rotação, o número pode chegar temporariamente a 50 mil. Além do contingente militar, cerca de 15 mil civis americanos trabalham para o Departamento de Defesa dos EUA na Alemanha.

A República Federal da Alemanha tem sido parte vital da estratégia de defesa dos Estados Unidos na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial: durante dez anos as forças americanas integraram a ocupação dos Aliados no país. Embora o contingente tenha diminuído drasticamente desde então, nas décadas seguintes comunidades militares americanas se formaram em torno de diversas cidades, e os militares dos EUA ainda são uma presença importante no país.

A importância estratégica da Alemanha para os EUA se reflete na localização do quartel-general do Comando Europeu dos EUA (Eucom) na cidade de Stuttgart, no sudoeste do país, que serve como estrutura de coordenação partes todas as forças militares americanas em 51 países, principalmente europeus.

A missão da Eucom é proteger e defender os EUA, impedindo conflitos, apoiando parcerias como a Otan e combatendo ameaças transnacionais. Sob seu comando estão o Exército, as Forças Aéreas e o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA na Europa, todos com unidades na Alemanha.

A Alemanha abriga a maior parte das tropas americanas na Europa. Só no Japão os EUA mantêm mais pessoal militar. No entanto os números na Alemanha vêm caindo nos últimos anos: dados do governo alemão mostram que desde 2006 o número de militares dos EUA baseados na Alemanha diminuiu em mais da metade, sendo que há 20 anos a cifra chegava a 72.400.

Fuzileiros navais, soldados e aviadores

A Alemanha abriga cinco guarnições do Exército americano e o quartel-general do Exército dos EUA na Europa está sediado na guarnição de Wiesbaden, próximo a Frankfurt, no centro-oeste do país.

Dados fornecidos pelas Forças Armadas dos EUA mostram que essas cinco guarnições, cada uma englobando várias bases em locais diferentes, compreendem atualmente cerca de 23 mil militares. Esse número inclui as Forças de Fuzileiros Navais da Europa e da África, com sede em Böblingen, sudoeste da Alemanha, como parte da Guarnição do Exército dos EUA em Stuttgart.

Além disso, há cerca de 13 mil membros da Força Aérea dos EUA espalhados por vários locais na Alemanha, incluindo as duas bases aéreas americanas em Ramstein e Spangdahlem.

Mais do que apenas soldados

Como as instalações militares dos EUA também empregam civis e militares por vezes podem levar suas famílias para o exterior, consideráveis comunidades de civis se formam em torno dessas instalações.

Na verdade, algumas bases americanas na Alemanha, como a de Ramstein, são pequenas cidades autônomas, englobando não só quartéis, aeroportos, áreas para exercícios militares e depósitos de materiais, mas também seus próprios shoppings, escolas, serviços postais e força policial americanos. Em certos casos, a única moeda corrente é o dólar americano.

Atualmente, a guarnição do Exército dos EUA na Baviera, com quartel-general em Grafenwöhr, perto da fronteira com a República Tcheca, é a maior base do Exército americano no exterior, tanto em número de militares quanto em superfície, espalhando-se por mais de 390 quilômetros quadrados.

As bases também costumam empregar um número significativo de residentes e servem de impulso econômico às comunidades alemãs adjacentes, cujas empresas fornecem bens e serviços. O fechamento de instalações anteriores, como a guarnição do Exército em Bamberg em 2014, afetou a economia local, e muitos alemães que vivem perto de instalações militares americanas manifestam oposição a possíveis reduções de tropas.

Porém a extensão da presença militar dos EUA na Alemanha não se limita ao pessoal: o país também mantém aviões em outras bases aéreas não americanas em solo alemão. Além disso, calcula-se que 20 ogivas nucleares sejam mantidas na Base Aérea de Büchel, no âmbito do Acordo de Compartilhamento Nuclear da Otan, fato que suscitou muitas críticas por parte dos alemães.

A importância de Ramstein

A Base Aérea de Ramstein, no estado alemão da Renânia-Palatinado, é a maior base militar americana fora do país. Ela serve como um centro logístico para tropas, equipamentos e cargas a caminho do Oriente Médio, África e Europa Oriental.

Ramstein também é o quartel-general da Força Aérea dos EUA na Europa e serve como centro de comando da Otan para vigilância do espaço aéreo militar de todos os parceiros europeus. A base aérea também abriga uma estação de retransmissão de satélites, de grande importância para o destacamento de drones de combate americanos, por exemplo, no Oriente Médio. Como a curvatura da Terra não permite o controle direto de drones a partir dos EUA, os sinais são retransmitidos por satélite via Ramstein.

A base também funciona como um centro médico, já que soldados feridos da Europa, África ou Oriente Médio são transportados de avião para Ramstein e tratados no Centro Médico Regional de Landstuhl, adjacente à base, o maior hospital militar americano fora dos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o hospital recebeu soldados americanos feridos em ataques do Irã a países do Golfo.

Ambas as instalações fazem parte da Comunidade Militar de Kaiserslautern, que abrange dezenas de milhares de soldados americanos, funcionários civis e seus familiares.

Spangdahlem, por sua vez, é a segunda maior base da Força Aérea dos EUA em solo alemão, fica a cerca de 120 quilômetros mais a noroeste. Ao contrário de Ramstein, Spangdahlem serve principalmente para missões operacionais de combate.

Um esquadrão de caças composto por cerca de 20 jatos F-16 está estacionado na base, funcionando como uma força de reação rápida em tempos de crise. O esquadrão ajuda a proteger o flanco leste da Otan e é especializado em eliminar as defesas aéreas inimigas.

Ocupação aliada do pós-guerra e seu legado

A presença militar dos EUA na Alemanha é um legado da ocupação aliada pós-Segunda Guerra Mundial, que durou de 1945 a 1955. Durante esse período, milhões de militares americanos, britânicos, franceses e soviéticos estiveram estacionados na Alemanha. A parte nordeste do país ficou sob controle soviético, tornando-se oficialmente a República Democrática Alemã (RDA) em outubro de 1949.

Na parte ocidental, a ocupação foi regulamentada pelo Estatuto da Ocupação, assinado em abril de 1949, quando foi fundada a República Federal da Alemanha. O estatuto permitiu que França, Reino Unido e EUA mantivessem forças de ocupação no país e o controle completo sobre o desarmamento e desmilitarização da antiga Alemanha Ocidental.

Quando a ocupação militar da República Federal da Alemanha (RFA) terminou oficialmente, o país recuperou o controle de sua própria política de defesa. No entanto, o Estatuto de Ocupação foi sucedido por outro acordo com seus parceiros na Otan. O pacto – conhecido como Convenção sobre a Presença de Forças Estrangeiras na República Federal da Alemanha e assinado pelos alemães em 1954 – permitiu que oito países-membros da Otan, incluindo os EUA, mantivessem presença militar permanente na Alemanha. O tratado ainda regula os termos e condições das forças da Otan estacionadas hoje na RFA.

O número de militares americanos na Alemanha vem diminuindo desde o fim da Guerra Fria, em 1990, quando, segundo Berlim, havia cerca de 400 mil soldados estrangeiros baseados no país. Cerca de metade deles eram americanos, mas foram gradualmente retirados à medida que diminuíam as tensões com os Estados sucessores da União Soviética, e conflitos em outros lugares, como a guerra do Iraque, requeriam mais militares dos EUA.

Qual a importância das bases militares americanas para a economia alemã?

As bases americanas são um fator econômico importante para a Alemanha. Muitas delas estão localizadas em regiões rurais do país, onde as forças armadas americanas atuam como o maior investidor e empregador.

Mais de 10 mil alemães trabalham diretamente para as forças armadas americanas, enquanto estima-se que 70.000 empregos na Alemanha estejam indiretamente ligados a empresas que prestam serviços às Forças Armadas americanas, por exemplo, no setor da construção civil ou na indústria de serviços.

Além disso, os soldados americanos baseados na Alemanha e suas famílias gastam grande parte de seus salários em lojas e empresas alemãs. A comunidade militar, por si só, contribui com até 3,5 bilhões de euros (US$ 4,1 bilhões) anualmente para as economias regionais.

Short teaser EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha. Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número.
Author Ben Knight , Thomas Latschan
Item URL https://www.dw.com/pt-br/a-presença-militar-dos-eua-na-alemanha-na-mira-de-trump/a-53832364?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 17
Id 76191308
Date 2026-03-03
Title "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas"
Short title "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas"
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Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado

Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos do tratado de livre-comércio caracterizam de maneira equivocada o setor agrícola europeu e a indústria brasileira.O embaixador do Brasil na Alemanha rechaçou as críticas de setores políticos europeus ainda resistentes ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Brasil. Segundo Rodrigo de Lima Baena Soares, a caracterização do tratado como uma "troca de carros por vacas" é um "desserviço" que não faz jus nem ao setor agrícola europeu nem à indústria brasileira. "É preciso parar com a ideia de que esse acordo é uma troca de 'carros por vacas', uma expressão que circula tanto no discurso brasileiro quanto no europeu. Isso é uma caricatura e presta um desserviço. Isso caracteriza de maneira equivocada tanto a economia da Europa quanto a brasileira", disse Baena Soares, citando uma expressão crítica que virou um slogan de opositores do acordo, sobretudo na Europa. "Pelo lado europeu, essa narrativa apresenta o agricultor do continente como vítima de uma ameaça existencial por parte dos agricultores sul-americanos. Só que a União Europeia é o maior exportador mundial de alimentos. E os agricultores europeus produzem alguns dos bens mais valorizados e sofisticados do mundo. Está longe de ser uma indústria frágil", disse Baena Soares, que assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado. "E do lado brasileiro, há também um certo desajuste como o acordo é visto, de que seria apenas fornecimento de matérias-primas, quando a realidade é outra. A indústria brasileira exportou 181 bilhões de dólares em 2024. [O acordo] é uma oportunidade para a indústria, e não uma concessão. Com o acordo, as tarifas para a importação de máquinas cairão de 11,6% para menos de 1% até 2040", acrescentou. Baena Soares fez as declarações na segunda-feira (02/02) durante o evento "Diálogos Internacionais Brasil-Alemanha", que ocorre nesta semana na Universidade de Frankfurt, no oeste alemão, e que é promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais). Mensagem clara ao mundo O diplomata também classificou como "excelente notícia" que a Comissão Europeia tenha anunciado no fim de fevereiro que pretende implementar o acordo de forma provisória, enquanto seguir pendente um pedido de parecer apresentado pelo Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), um processo que pode se arrastar por até dois anos. "Estou otimista que a Corte de Justiça da UE reconhecerá o acordo." Baena Soares também disse o acordo é um "sinal inequívoco" do comprometimento do Brasil "com o multilateralismo". "O acordo é uma mensagem clara ao mundo que ainda há espaço para multilateralismo, apesar de todas tensões geopolíticas e o crescente protecionismo de alguns países". "Mostra que divergências podem ser superadas por meio da negociação e do compromisso, um aspecto que anda difícil como atestam os últimos acontecimentos. Nós também não podemos subestimar o impacto político que esse acordo terá. Nosso diálogo político com a UE já é bom e vai ser ainda mais facilitado e fortalecido. Vamos lembrar que todos os países da UE e do Mercosul são países democráticos", disse. "Esse acordo não é o destino, é a infraestrutura de uma jornada cujas dimensões plenas ainda vão ser mapeadas." Negociado ao longo de duas décadas, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e EU foi finalmente assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai. Nas semanas seguintes, o Uruguai e a Argentina se tornaram os primeiros países a ratificar o tratado. Já na Europa ainda não há consenso pleno. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu judicializar a questão, pedindo para que o Tribunal de Justiça da UE julgue a legalidade do tratado. Para evitar que a questão se arraste nos tribunais, a Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) anunciou que vai implementar o acordo de forma provisória. Dentro do bloco europeu, o acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, mas ainda sofre resistência sobretudo da França, o principal produtor agrícola da UE.


Short teaser Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos caracterizam o tratado de livre-comércio de maneira equivocada.
Author Jean-Philip Struck (enviado a Frankfurt)
Item URL https://www.dw.com/pt-br/acordo-mercosul-ue-não-é-uma-troca-de-carros-por-vacas/a-76191308?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado
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Item 18
Id 75011709
Date 2025-12-04
Title Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal
Short title Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal
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Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe

Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono. A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente. O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro. Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada. Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes. O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira. Trump mantém apoio a Hegseth A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira. Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado. Hegseth debateu ataques no Iêmen O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz. O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais. O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen. O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar. Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque. A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada. Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas. as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)


Short teaser Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis.
Item URL https://www.dw.com/pt-br/investigação-conclui-que-chefe-do-pentágono-pôs-soldados-em-risco-ao-usar-signal/a-75011709?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Image caption Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe
Image source Ricardo Hernandez/AP Photo/dpa/picture alliance
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Item 19
Id 63791517
Date 2025-09-10
Title Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan?
Short title Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan?
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Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado

Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança. Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade. O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir. Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes. Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°? Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança. Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas. Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão. O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°.


Short teaser Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo.
Author Bernd Riegert
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Image caption Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado
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Item 20
Id 72986020
Date 2025-06-21
Title Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã
Short title Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã
Teaser Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã.

O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam.

Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados."

Condições deterioram para afegãos no Irã

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã.

Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar.

As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã.

Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários."

Sem opção de retorno

Atualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família.

"Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi."

Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria."

Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar.

"Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos."

Traficantes de pessoas exploram medos

Redes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras.

Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas.

O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas."

Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia."

Short teaser Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação.
Author Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad
Item URL https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 21
Id 57531509
Date 2025-06-13
Title Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel
Short title Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel
Teaser Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas.

A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país.

Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital.

Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen.

Sistema de três elementos

A defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance.

Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia.

Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo.

O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos.

Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio.

90% de êxito, mas com custos altos

O "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país.

De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011.

Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas.

Nova arma a laser "Iron Beam"

Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam".

O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones.

A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022.

As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos.

Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025.

Short teaser Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011.
Author Uta Steinwehr
Item URL https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste
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Item 22
Id 64814042
Date 2023-02-25
Title Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos?
Short title Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos?
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O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia

UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção. Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março. Lei antioligarca De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda. Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias. Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado. Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares. Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados ​​por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas. Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares. Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país. Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros. A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões. Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares. Não existem mais oligarcas ucranianos? Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política. Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los". De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE. Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra. "Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos. Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas.


Short teaser UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas.
Author Eugen Theise
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Image caption O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia
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Item 23
Id 64820664
Date 2023-02-25
Title Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil
Short title Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil
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Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil

De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. Prefeito de Istambul diz ser necessário até 40 bilhões de dólares para se preparar para possível novo grande tremor.Duas semanas e meia após o terremoto de 7,8 de magnitude na área de fronteira turco-síria, o número de mortos aumentou para mais de 50 mil, informaram as autoridades dos dois países nesta sexta-feira (24/02). A Turquia registrou 44.218 mortes, de acordo com a agência de desastres turca Afad, e a Síria reportou ao menos 5,9 mil mortes. Nos últimos dias, não houve relatos de resgate de sobreviventes. Tremores secundários continuam a abalar a região. Neste sábado (25/02), um tremor de magnitude 5,5 atingiu o centro da Turquia, informou o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a uma profundidade de 10 quilômetros. O observatório sísmico de Kandilli disse que o epicentro foi localizado no distrito de Bor, na província de Nigde, que fica a cerca de 350 quilômetros a oeste da região atingida pelo grande tremor de 6 de fevereiro. Graves incidentes e vítimas não foram reportados após o tremor deste sábado. Segundo a Turquia, nas últimas três semanas, foram mais de 9,5 mil tremores secundários e a terra chegou a tremer, em média, a cada quatro minutos. De acordo com o governo turco, 20 milhões de pessoas no país são afetadas pelos efeitos do terremoto. As Nações Unidas estimam que na Síria sejam 8,8 milhões de pessoas afetadas. Turquia começa reconstrução As autoridades turcas começaram a construir os primeiros alojamentos para os desabrigados. O trabalho de escavação de terra está em andamento nas cidades de Nurdagi e Islahiye, na província de Gaziantep, escreveu no Twitter o ministro do Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Mudança Climática, Murat Kurum. Inicialmente, estão previstos 855 apartamentos. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometeu a reconstrução em um ano. Críticos alertam que erguer prédios tão rapidamente pode fazer com que a segurança sísmica dos edifícios seja negligenciada novamente. A oposição culpa o governo de Erdogan, que está no poder há 20 anos, pela extensão do desastre porque não cumpriu os regulamentos de construção. Também neste sábado, o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, disse que pelo menos 184 pessoas foram detidas por suposta negligência em relação a prédios desabados após os terremotos. Entre eles, estão empreiteiros e o prefeito do distrito de Nurdagi, na província de Gaziantep. Até agora, o Ministério do Planejamento Urbano inspecionou 1,3 milhão de edifícios, totalizando mais de meio milhão de residências e escritórios, e relatou que 173 mil propriedades ruíram ou estão tão seriamente danificadas que precisam ser demolidas imediatamente. Ao todo, quase dois milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas, demolidas ou danificadas pelos tremores, e vivem atualmente em tendas, casas pré-fabricadas, hotéis, abrigos e diversas instituições públicas, detalhou um comunicado do Afad. Cerca de 528 mil pessoas foram evacuadas das 11 províncias listadas como regiões afetadas, acrescentou o comunicado do serviço de emergência, enquanto 335 mil tendas foram montadas nessas áreas e 130 núcleos provisórios de casas pré-fabricadas estão sendo instalados. Em março e abril começará a construção de 200 mil novas casas, prometeu o ministério turco. Estima-se que o terremoto de 6 de fevereiro tenha custado à Turquia cerca de 84 bilhões de dólares. Na Síria, o noroeste é particularmente atingido pelos efeitos do tremor. Há poucas informações sobre o país devastado pela guerra. Diante de anos de bombardeios e combates, muitas pessoas ali já viviam em condições precárias antes dos tremores. Istambul precisa de 40 bilhões de dólares Enquanto isso, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, disse a cidade, que fica perto de uma grande falha geológica, precisa de um programa urgente de urbanização no valor de "cerca de 30 bilhões a 40 bilhões de dólares" para se preparar para um possível novo grande terremoto. "A quantia é três vezes maior do que o orçamento anual da cidade de Istambul, mas precisamos estar prontos antes que seja tarde demais", disse Imamoglu a um conselho científico. De acordo com um relatório de 2021 do observatório sísmico de Kandilli, um potencial terremoto de magnitude superior a 7,5 danificaria cerca de 500 mil edifícios, habitados por 6,2 milhões de pessoas, cerca de 40% da população da cidade, a mais populosa da Turquia. Istambul fica ao lado da notória falha geológica do norte da Anatólia. Um grande terremoto em 1999 que atingiu a região de Mármara, incluindo Istambul, matou mais de 18 mil. le (EFE, DPA, Reuters, ots)


Short teaser De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos.
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Image caption Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil
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