| Item 1 | |||
| Id | 78310072 | ||
| Date | 2026-08-10 | ||
| Title | Robôs humanoides: a nova frente de batalha entre EUA e China | ||
| Short title | Robôs humanoides: a nova frente de batalha entre EUA e China | ||
| Teaser |
Analistas veem veto de Trump a robôs humanoides estrangeiros por "razões de segurança" como uma tática da Casa Branca para frear liderança chinesa no mercado e ajudar indústria nacional.A fabricante chinesa de robôs humanoides e quadrúpedes Unitree Robotics abriu nesta segunda-feira (10/08) as inscrições para sua oferta pública inicial de ações na Bolsa de Valores de Xangai. Trata-se da primeira empresa do ramo a fazer esse movimento na China, o que pode transformá-la em uma gigante com valor de mercado acima dos 50 bilhões de yuans (R$ 37,7 bilhões). A empresa se destacou internacionalmente pela sua capacidade de fabricar robôs sofisticados a preços extremamente competitivos, impulsionando a liderança chinesa no mercado global. E deve ganhar ainda mais projeção com o aporte de capital privado. A movimentação ocorre em paralelo à decisão dos Estados Unidos, anunciada no final de julho, de banir a entrada no país de novos robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior. A medida, justificada diante de "riscos inaceitáveis" à segurança nacional, foi interpretada como analistas como sinal de que os EUA temem ter sua liderança tecnológica ameaçada por Pequim. O gigante asiático respondeu por 85% dos usos de robôs humanoides em 2025, segundo o banco britânico Barclays. O argumento da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos EUA é que os robôs "coletam dados que poderiam ser explorados por agentes mal-intencionados para vigiar americanos, ampliar as capacidades de serviços de inteligência estrangeiros ou assumir remotamente o controle dos robôs". Em junho, o Pentágono já havia incluído a Unitree e outras grandes empresas chinesas de tecnologia em uma lista de companhias acusadas de vínculos com as Forças Armadas chinesas. Seus robôs já foram utilizados em exercícios militares. Quão séria é a ameaça dos robôs chineses à segurança dos EUA? Autoridades americanas alertam que robôs humanoides e quadrúpedes chineses podem coletar dados detalhados de localização e informações pessoais, ser controlados remotamente e representar riscos para infraestruturas críticas americanas. As preocupações específicas se concentram no potencial uso duplo dos robôs, tanto para fins civis quanto militares. Pesquisadores já demonstraram que robôs da Unitree apresentam falhas de segurança que permitem que invasores assumam o controle por meio de um comando de voz e, em seguida, utilizem um robô para controlar outros. Washington também teme que uma grande quantidade de robôs chineses de baixo custo possa fornecer dados do mundo real para sistemas chineses de inteligência artificial, que vêm alcançando rapidamente seus concorrentes americanos. A ameaça, porém, permanece em grande parte teórica, já que a maioria dos robôs humanoides comerciais ainda está em estágios iniciais de desenvolvimento. A China rejeitou as acusações, insistindo que os EUA estão usando a segurança nacional como pretexto para o protecionismo e para restringir sua tecnologia. Dias depois do anúncio da Casa Branca, o país respondeu com a imposição de fiscalizações sobre a exportação de drones aos EUA e proibindo negócios com seis entidades americanas. Ação de Trump vai impulsionar a indústria americana de robôs? O governo de Donald Trump nunca escondeu seu desejo de apoiar a indústria doméstica de robótica dos EUA, que, por sua vez, sustenta a expansão da infraestrutura de IA do país, avaliada em quase 1 trilhão de dólares. Segundo observadores do setor, Trump quer garantir que empresas como Figure AI, Tesla Optimus e Agility Robotics sejam protegidas dos fabricantes chineses de grande escala, cujos robôs frequentemente custam metade do preço, ou menos, dos concorrentes americanos. Washington já impôs restrições semelhantes a drones e painéis solares chineses e atualmente aplica uma tarifa de 100% sobre veículos elétricos chineses. A medida é amplamente vista como uma tentativa de Trump de ganhar tempo, depois de ter sido surpreendido pela rapidez com que a China expandiu sua produção de robôs. Segundo a empresa de pesquisa tecnológica Omdia, a China tem seis empresas entre as dez primeiras colocadas do setor de robótica. Essas companhias venderam quase 11,6 mil robôs humanoides em 2025, contra apenas algumas centenas de empresas americanas. Em março, o Bank of America projetou cerca de 90 mil unidades embarcadas até o final deste ano. Os EUA são amplamente considerados mais fortes no desenvolvimento do "cérebro" dos robôs, por meio de IA avançada, enquanto a China lidera na produção em massa de robôs mais baratos, com corpos que se movimentam melhor graças a atuadores de alto desempenho, ou músculos robóticos. Rush Doshi, do think tank americano Conselho de Relações Exteriores (CFR), descreveu o veto da Casa Branca como "uma das ações mais significativas já tomadas em apoio ao ecossistema de robótica dos EUA". CEO da fabricante de braços robóticos Standard Bots, Evan Beard diz que o governo Trump está enviando uma mensagem "inequívoca" à China. "A robótica é uma tecnologia que os Estados Unidos precisam liderar e dominar, e robôs subsidiados por governos estrangeiros não terão permissão para dominar injustamente a robótica americana...", escreveu Beard na rede X. Críticos, porém, acreditam que a proibição pode desacelerar a inovação em IA nos EUA, já que pesquisadores atualmente se beneficiam da possibilidade de realizar testes em robôs chineses de baixo custo. "Restrições podem reduzir a exposição a riscos de segurança, mas, por si só, não criam um ecossistema doméstico competitivo", disse Georg Stieler, consultor da indústria de robótica, via X. E há também quem ache que a proibição pode levar Pequim a "restringir ainda mais as vendas de terras raras para empresas americanas e [...] o acesso de companhias americanas, como Tesla e Nvidia, ao mercado chinês", como argumentou Marc Einstein, diretor de pesquisas da Counterpoint Research, ao canal americano de TV CNBC. Mercado de robôs humanoides é promissor O Barclays estima que o mercado, atualmente avaliado entre 2 e 3 bilhões de dólares (R$ 10,2 bilhões a R$ 15,3 bilhões), poderá chegar a 200 bilhões de dólares até 2035 no cenário mais otimista (R$ 1 trilhão), caso sejam alcançados avanços no cérebro, na força física e nas baterias dos robôs. Elon Musk, o homem mais rico do mundo, é ainda mais otimista. Ele aposta que o Optimus, da Tesla, pode se tornar "o maior produto de todos os tempos", com vendas de longo prazo potencialmente alcançando 10 trilhões de dólares (R$ 51 trilhões). Em larga escala, ele acredita que os robôs, atualmente vendidos por cerca de 100 mil dólares, poderão eventualmente custar entre 20 mil e 30 mil dólares por unidade, tornando-se baratos o suficiente para fábricas, armazéns e, posteriormente, residências. Combinando a previsão do Barclays com a meta de preços de Musk, isso apontaria para a venda de aproximadamente 7 a 10 milhões de robôs humanoides por ano até 2035. No curto prazo, espera-se que os humanoides assumam tarefas repetitivas e fisicamente exigentes em armazéns e fábricas. Mais adiante, poderão expandir sua atuação para áreas como saúde, assistência a idosos e trabalhos domésticos. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Analistas veem em veto de Trump a tecnologia estrangeira tática da Casa Branca para frear liderança chinesa no mercado. | ||
| Author | Nik Martin | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/robôs-humanoides-a-nova-frente-de-batalha-entre-eua-e-china/a-78310072?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
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| Image caption | China vendeu quase 11,6 mil robôs humanoides em 2025, contra apenas algumas centenas de empresas americanas | ||
| Image source | Imaginechina/Sipa USA/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/78184432_303.jpg&title=Rob%C3%B4s%20humanoides%3A%20a%20nova%20frente%20de%20batalha%20entre%20EUA%20e%20China | ||
| Item 2 | |||
| Id | 78301912 | ||
| Date | 2026-08-10 | ||
| Title | Mudança climática já causa prejuízos para economia da Europa | ||
| Short title | Mudança climática já causa prejuízos para economia da Europa | ||
| Teaser |
Calor recorde e seca tiveram impacto sobre produção de energia, transporte fluvial e saúde pública. Clima pressiona PIBs da região, que deve enfrentar queda no crescimento.As temperaturas extremas dos últimos dois meses na Europa, durante o verão no Hemisfério Norte, já deixam à mostra o potencial impacto econômico das mudanças climáticas. A seca e o calor recorde – ambos exacerbados pelo aquecimento global, apontam os cientistas – causaram prejuízo na produção de energia, no transporte fluvial e na saúde pública sobrecarregada, enquanto a atual temporada de incêndios florestais caminha para se tornar a maior já registrada no continente. No total, a repercussão sobre a economia da região já pode ser medida em centenas de bilhões de euros, estimam economistas e acadêmicos. Eles alertam que os custos deverão subir ainda mais rápido do que os termômetros na Europa, onde o clima está mudando a passos mais rápidos do que no resto do mundo. A Europa Ocidental registrou os meses de junho e julho mais quentes já observados, com temperatura média de 21,62 °C , informou nesta segunda-feira o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia (UE). O número ficou 2,79 °C acima da média de junho do período entre 1991 e 2020. "O que torna 2026 particularmente preocupante do ponto de vista econômico é o fato de haver múltiplos episódios de eventos extremos", disse a economista Sehrish Usman, da Universidade de Mannheim. A previsão dos economistas é que os danos provavelmente superarão todos os níveis anteriores. Os prejuízos a setores específicos se capilarizam ao pressionar as finanças públicas, provocar fortes oscilações na inflação, redesenhar o mapa do turismo e forçar a Europa a repensar a forma como produz energia e transporta mercadorias. Pressão sobre PIBs Assim como em junho e em parte de maio, as condições em julho foram mais secas do que a média em muitas regiões da Europa. Áreas da Península Ibérica, França, Alemanha, Áustria, Hungria e Reino Unido foram particularmente afetados, segundo o Copernicus. A navegação nos rios Reno e Danúbio, artérias fundamentais para o transporte de cargas, está severamente limitada devido ao baixo nível das águas. Mais de meia dúzia de reatores nucleares tiveram suas operações interrompidas ou reduzidas por dificuldades de resfriamento, também em razão da seca. A paralisação do transporte no Reno, por si só, reduzirá o Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha, terceira maior economia do mundo, em 0,3 ponto percentual neste ano, estimou o banco ING. Já o MBH Bank, da Hungria, calcula um impacto de 0,1 ponto percentual no PIB para cada semana em que a maior usina nuclear do país permanecer fora de operação. As estimativas para a produção agrícola, enquanto isso, foram revisadas para baixo. As culturas colhidas mais tarde no verão, como milho e girassol, já registraram perdas de 6% a 7% em julho. A umidade da camada superficial do solo na Europa Ocidental em julho ficou significativamente abaixo dos níveis observados durante julho de 2022, quando o continente também enfrentou uma seca severa. "À medida que os solos secam, eles perdem sua capacidade de proporcionar resfriamento natural, permitindo que o calor se acumule com mais facilidade", afirma Samantha Burgess, do Copernicus. "Este é um exemplo claro de como as mudanças climáticas estão intensificando os episódios de calor extremo, com calor e seca reforçando-se mutuamente de forma cada vez mais frequente." Queda do crescimento Ao mesmo tempo, os custos das ações emergenciais, como o combate a incêndios ou a redução do consumo de energia, pressionam orçamentos públicos. O calor intenso pressiona também a saúde pública: somente a Alemanha registrou mais de 10 mil mortes relacionadas às altas temperaturas. Apenas a onda de calor de duas semanas registrada em junho – houve quatro ondas de calor excepcionais desde a primavera, segundo o Copernicus – reduzirá o PIB da Europa em 0,3 ponto percentual, previu, por sua vez, a seguradora alemã Allianz. Além disso, as mudanças climáticas devem cortar entre 5% e 7% do crescimento econômico até 2030 nas economias mais expostas, como Espanha, França e Itália. "A conta total deste ano será muito maior", aponta Hazem Krichene, economista da Allianz. "Esse número não inclui os incêndios, as secas, diferentes episódios de enchentes ou o esperado fenômeno El Niño." Considerando que a zona do euro deve crescer apenas 1% neste ano, o impacto é significativo. Ainda assim, a extensão completa dos danos econômicos só será sentida vários anos depois, segundo Usman. "Seria de se esperar que os danos fossem maiores no ano em que ocorre um evento extremo e depois diminuíssem, mas encontramos justamente o contrário", afirmou. "O impacto econômico cresce nos anos seguintes porque os eventos climáticos extremos desencadeiam uma série de consequências econômicas mais lentas." Impactos maiores no Sul O Sul da Europa pode sofrer os maiores impactos, já que os picos de temperatura são mais intensos nessa região, reduzindo receitas do turismo, agravando perdas agrícolas e estimulando a migração para outras áreas. "Você consegue imaginar turistas caminhando pelo sul da Itália ou da Espanha com 45 °C? Eu não. Por isso, acredito que a natureza do turismo vai mudar", disse o economista Carsten Brzeski, do ING. Segundo os especialistas, os países do Sul poderão receber mais turistas ao longo de todo o ano. Mas os picos de verão devem diminuir à medida que viajantes optem por destinos mais ao norte, afetando o setor de hospedagem e turismo da região. Os eventos climáticos extremos deverão também aumentar o preço dos alimentos, complicando ainda mais a tarefa do Banco Central Europeu (BCE) de manter a inflação na meta. A tendência é que as áreas mais quentes sejam as mais impactadas. Segundo estimativas de Maximilian Kotz, pesquisador do Barcelona Supercomputing Center, o calor extremo de 2022 elevou a inflação da zona do euro em 0,34 ponto percentual por meio do aumento dos preços dos alimentos, com impacto desproporcional sobre os países do sul. Ao mesmo tempo, a interrupção do transporte fluvial dificulta o abastecimento de combustíveis em partes da Europa, ampliando as diferenças regionais de preços. Risco de endividamento público A Allizanz estima ainda que a redução anual de receitas tributárias causada pela perda de atividade econômica pode chegar a 1,8% na França e a 1,3% na Itália e na Espanha. As margens de lucro das empresas também devem diminuir, reduzindo investimentos e ampliando as perdas econômicas. Ao mesmo tempo, os custos aumentam, tanto porque os governos precisam financiar respostas emergenciais quanto porque precisam investir em medidas de adaptação, como tornar mais resilientes a geração de energia e as rotas de transporte. "Uma preocupação central é que os países ainda dependem excessivamente de respostas emergenciais improvisadas, que são caras e frequentemente pouco eficientes", afirma Heather Grabbe, pesquisadora sênior do centro de estudos Bruegel. Mas os investidores podem reagir negativamente caso os governos tentem ampliar os gastos. Os níveis de endividamento já são elevados, especialmente na França e na Itália. "Com uma lista tão longa de necessidades de gastos, a tendência será de aumento do endividamento público", disse Brzeski. "Isso poderá significar pressão sobre o BCE para intervir novamente e ampliar os programas de compra de ativos caso ocorra uma venda repentina de títulos nos mercados." O BCE, ao longo da última década comprou trilhões de euros em títulos da dívida pública para manter baixos os custos de financiamento quando a inflação estava abaixo da meta. ht/cn (Reuters, dpa) |
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| Short teaser | Calor recorde e seca tiveram impacto sobre produção de energia, transporte fluvial e saúde pública. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/mudança-climática-já-causa-prejuízos-para-economia-da-europa/a-78301912?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
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| Image caption | Calor extremo poderá impactar negativamente o turismo de verão nos países do Sul da Europa, que movimenta a economia regional | ||
| Image source | Francesco Fotia/Avalon/Photoshot/picture alliance | ||
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| Item 3 | |||
| Id | 78194371 | ||
| Date | 2026-08-09 | ||
| Title | Por que os centros das cidades brasileiras se tornaram tão vazios e inseguros? | ||
| Short title | Por que os centros das cidades brasileiras são tão vazios? | ||
| Teaser |
Expansão urbana desordenada e priorização do transporte privado colaboraram para o esvaziamento dos centros. Até meados do século 20, as regiões centrais das grandes cidades brasileiras ainda figuravam como seus centros nevrálgicos. Seria comum ver um morador de São Paulo ou do Rio de Janeiro caminhando à noite depois do trabalho, passando em um bar ou indo ao teatro. Nas últimas décadas, porém, a intensa transformação urbana afetou a maneira como os brasileiros se relacionam com os centros das grandes cidades. O esvaziamento e a sensação de insegurança são marcas registradas desse processo. Mas por que os centros das grandes cidades brasileiras sofreram com esse fenômeno e como isso nos ajuda a entender o crescimento urbano no país? O crescimento urbanoPara isso temos que voltar algumas décadas e entender a mudança que ocorreu no Brasil especialmente a partir da segunda metade do século 20. Com o avanço da industrialização e a migração em massa das áreas rurais para os espaços urbanos, diversas cidades brasileiras viram um grande crescimento demográfico em um curto período. O Censo de 1950 apontava que a cidade de São Paulo contava com 2 milhões de habitantes. Vinte anos depois, esse número já tinha quase triplicado para 5,9 milhões. Atualmente, são 11,5 milhões de moradores. O rápido crescimento demográfico fez com que as cidades tivessem que se expandir, com a criação de novos bairros. Esse movimento, segundo especialistas, ocorreu de maneira descoordenada em diferentes cidades brasileiras. Em maior ou menor grau de Porto Alegre ao Recife, do Rio de Janeiro a Belém. Áreas afastadas dos centros eram mais baratas para se construir, fazendo com que novos empreendimentos surgissem nessas regiões. Com a criação de novos bairros, expandiu-se a área urbana, enquanto a manutenção dos centros das cidades como local de moradia e trabalho ficou em segundo plano. "É um problema, em geral, de todas as cidades brasileiras. Desde o processo de colonização, o proprietário fundiário sempre teve muito poder econômico e político. A estrutura das cidades tem muito a ver com os interesses sobre ela", afirma Éber Marzulo, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Sem uma política de priorização da centralidade urbana, esse movimento levou gradualmente mais pessoas para longe dos centros. Em algumas cidades, até mesmo prédios da administração pública foram movidos para bairros afastados. "No caso de São Paulo, foi a iniciativa privada que foi ocupando a cidade de maneira irregular por meio de loteamentos. A cidade não tinha infraestrutura nessas novas áreas, mas era a opção que muitas pessoas podiam pagar", afirma Ariadne Natal, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP). "O Estado teve que suprir essa demanda e até hoje não conseguiu construir completamente a infraestrutura para conectar essas novas áreas. Não é simples lidar com isso em poucas décadas", diz Natal. Ela se refere à falta de serviços públicos básicos nas novas regiões, como transporte público, saneamento básico ou postos de saúde. "Para as cidades grandes o que faz sentido é adensar mais o centro para garantir que não se tenha que expandir continuamente essa infraestrutura", complementa Natal. Espaços privadosAo mesmo tempo, a priorização do modal rodoviário a partir da década de 1950 fez com que linhas de bondes elétricos nas áreas centrais fossem gradualmente desativadas, enquanto o transporte de automóveis era priorizado. A criação de novas avenidas que interligavam regiões distantes das cidades foram surgindo. Diferentes gerações viam o automóvel como um bem essencial para se ter a melhor experiência de locomoção urbana. Enquanto isso, os novos bairros, com os empreendimentos mais novos e atrativos para uma classe média que emergia, estavam cada vez mais longe do centro. "Essa lógica de organização urbana é chamada de fragmentação socioespacial. Sempre houve bairros de ricos, classe média e pobres, mas hoje a maior parte das novas áreas já nascem com essa demarcação, e isso está diretamente ligado à desigualdade social", afirma a professora Maria Beltrão Sposito, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e pesquisadora de geografia urbana. Ela explica que, ao longo do tempo, esse modelo de expansão urbana, que inclui a criação de condomínios fechados e o avanço dos shopping centers como espaço de interação pública para a classe média e alta contribuiu para uma nova maneira de os moradores se relacionarem com as cidades. "Essa forma de estruturação coloca em xeque um elemento estrutural da vida urbana do ponto de vista social, que é a cidade ser um ambiente que favorece a ocorrência da esfera pública", explica Sposito. Esse movimento também pode ser visto em outras cidades ao redor do mundo onde uma urbanização difusa afetou o planejamento urbano, defende a professora. "No Brasil, esse movimento, combinado a uma enorme desigualdade, leva a uma disparidade socioespacial muito mais marcante", diz Sposito. Esvaziamento e criminalidadeEsse movimento gradual de saída do centro fez com que a região se tornasse cada vez menos habitada, com predominância de comércio popular durante o dia, mas pouca ou quase nenhuma atividade durante a noite e aos finais de semana. "O tipo de ocupação que foi desenhado para o centro de São Paulo não envolve moradia. Ocupar esses espaços significa repensar a vocação deles", afirma Ariadne Natal do NEV-USP. Esse vazio em determinados momentos do dia contribui para a sensação de insegurança. O conceito de "olhos na rua", da ativista americana Jane Jacobs, descreve esse fenômeno. Quando há menos pessoas utilizando e ocupando uma região, diminui a vigilância informal naturalmente exercida por quem circula pelo local. Basicamente, ruas movimentadas e ativas geram maior sensação de segurança do que locais vazios ou pouco frequentados. Mas essa sensação não necessariamente corresponde aos índices reais de violência. "A sensação de segurança e a percepção de risco não traduzem diretamente de maneira empírica os dados da criminalidade", explica Natal. RevitalizaçãoO poder público vem há alguns anos tentando contornar essa situação em diferentes cidades do país. O Rio de Janeiro, por exemplo, revitalizou parte da zona portuária no centro. São Paulo teve diferentes projetos de conservação do centro histórico, como os que buscavam requalificar a região do Vale do Anhangabaú. Já São Luís começou há décadas o projeto Reviver, que buscou revitalizar a região central da capital maranhense. Mas a principal dificuldade é conseguir consistência nas diferentes ações e atrair mais moradores para o centro das cidades, fazendo com que a região seja ocupada durante todos os períodos do dia. "Para um político, a inauguração de um espaço renovado é o auge, mas não existe uma preocupação tão grande com o que vem depois", afirma Maria Beltrão Sposito da Unesp. "Acompanhar é tão importante quanto inaugurar o espaço", complementa. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Expansão urbana desordenada e priorização do transporte privado colaboraram para o esvaziamento dos centros. | ||
| Author | João Rocha | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/por-que-os-centros-das-cidades-brasileiras-se-tornaram-tão-vazios-e-inseguros/a-78194371?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Por%20que%20os%20centros%20das%20cidades%20brasileiras%20se%20tornaram%20t%C3%A3o%20vazios%20e%20inseguros%3F | ||
| Item 4 | |||
| Id | 78290723 | ||
| Date | 2026-08-08 | ||
| Title | Alemanha relaxa proibição de tráfego de caminhões aos domingos | ||
| Short title | Alemanha relaxa veto ao tráfego de caminhões aos domingos | ||
| Teaser |
Sob impacto de estiagem que vem prejudicando transporte fluvial de cargas, estados alemães suspendem temporariamente regra dos anos 1950 que restringe tráfego de veículos pesados nas autoestradas aos domingos e feriados.Em meio a uma estiagem prolongada que tem afetado a navegação fluvial na Alemanha, vários estados do país estão suspendendo temporariamente uma antiga proibição de circulação de caminhões pesados nas rodovias aos domingos e feriados. A medida visa facilitar o transporte rodoviário de mercadorias que não estão podendo ser transportadas por hidrovias, especialmente por causa do baixo nível histórico das águas dos rios Reno, Danúbio e Elba. As isenções entrarão em vigor neste fim de semana nos estados da Renânia do Norte-Vestfália, da Renânia-Palatinado, da Baixa Saxônia e do Sarre. A flexibilização aplica-se a viagens de caminhão direta ou indiretamente relacionadas às restrições no Reno, incluindo tanto o transporte de mercadorias que normalmente seriam levadas por navio quanto viagens com veículos vazios necessárias para viabilizar o transporte alternativo. As isenções não se aplicam a transportes de cargas superdimensionadas. Proibição em vigor desde os anos 1950 A proibição de circulação de caminhões pesados aos domingos e feriados foi instituída na Alemanha em 1956. A medida foi imposta com o objetivo de preservar a tranquilidade nesses dias e privilegiar o tráfego de automóveis para permitir um maior fluxo de veículos de passeio — bem como contribuir para aumentar a segurança viária nessas ocasiões. A medida também visa garantir o tempo de descanso legal para os motoristas de caminhão. A proibição afeta especificamente caminhões com mais de 7,5 toneladas, afetando caminhões pesados, carretas e bitrens, mas há exceções: certos tipos de transporte, como o de frutas e legumes perecíveis ou de leite e laticínios frescos, bem como o transporte relacionado a atividades de feirantes e artistas itinerantes, estão legalmente isentos da proibição. Além disso, as autoridades de trânsito podem conceder isenções para outros transportes urgentes em casos específicos, como ocorre agora por causa da estiagem e seus efeitos sobre o transporte fluvial. Outros países, como a Áustria, a França e a Suíça, também impõem proibições similares. Justificativa Secretários estaduais de transporte de diversos estados alemães afirmaram que o relaxamento temporário de regras busca manter o funcionamento de cadeias de suprimentos. "As restrições impõem desafios significativos a muitas empresas", afirmou o secretário dos Transportes da Renânia do Norte-Vestfália, Oliver Krischer, do Partido Verde. "Com essa exceção, garantimos a manutenção das cadeias de suprimentos e evitamos gargalos no abastecimento." A regra vigorará inicialmente na Renânia do Norte-Vestfália até 31 de agosto. No estado vizinho da Renânia-Palatinado, também afetado pela redução das águas do rio Reno, o relaxamento vai vigorar no máximo até 30 de setembro. O Secretário de Estado de Transportes, Markus Wolf, do partido conservador CDU, declarou que a flexibilidade necessária está sendo viabilizada. Segundo Wolf, a Renânia-Palatinado coordenou essa regulamentação excepcional com outros estados. Isso, segundo ele, permitirá manter o fluxo de mercadorias, apesar das restrições no rio Reno. Já o ministro Federal dos Transportes da Alemanha, Steffen Bilger, defendeu uma suspensão mais ampla da proibição de circulação de caminhões no país. As empresas precisam dessa "flexibilidade", disse Bilger no sábado, em entrevista à rádio Deutschlandfunk. No entanto, ele disse que a medida seria apenas parte de um pacote de ações destinadas a enfrentar o problema dos baixos níveis de água nos rios alemães. Essas medidas incluem, por exemplo, a suspensão de obras que podem ser adiadas, a disponibilização de capacidade adicional para o transporte de cargas por via ferroviária e o adiamento da reforma de uma eclusa. Baixa dos rios tem afetado indústria A principal associação industrial da Alemanha saudou as medidas para flexibilizar temporariamente as restrições ao tráfego de caminhões aos domingos e feriados e os planos de expandir a medida, uma vez que os baixos níveis de água nos principais rios estão prejudicando o transporte de cargas. "O governo federal está demonstrando sua capacidade de agir nesta situação extrema", disse Holger Lösch, vice-diretor-geral da Federação das Indústrias Alemãs (BDI), ao jornal Rheinische Post no sábado (07/08). "As medidas acordadas precisam agora ser implementadas rapidamente." Os níveis de água persistentemente baixos significam que muitos navios de carga conseguem transportar, atualmente, apenas uma fração de suas cargas habituais. No rio Reno, por exemplo, que nasce na Suíça, atravessa o oeste alemão e deságua na Holanda, a profundidade insuficiente tem feito com que operadoras distribuam as cargas em vários navios para evitar que as embarcações encalhem. Lösch afirmou que transferir mercadorias para o transporte rodoviário e ferroviário poderia amenizar as perturbações e estabilizar as cadeias de suprimentos, embora por si só esses modais não sejam capazes de compensar totalmente a perda de capacidade de transporte fluvial. O Instituto Kiel para a Economia Mundial (IfW) estima que os baixos níveis dos rios podem custar à Alemanha até 2 bilhões de euros (R$ 11,7 bilhões) em perdas de produção econômica no terceiro trimestre e reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) entre 0,1% e 0,2%. A economia alemã, por sua vez, só cresceu 0,2% no segundo trimestre. O Banco Central da Alemanha (Bundesbank), por sua vez, prevê atualmente um crescimento de 0,5% para a Alemanha em 2026. A baixa dos rios tem sido especialmente crítica para a indústria química alemã, que alertou para o risco de cortes na produção. "Se os navios forem forçados a transportar cargas menores ou não puderem operar, os custos aumentam, as cadeias de suprimentos sofrem pressão e a produção é restringida", disse Wolfgang Große Entrup, presidente-executivo da associação industrial VCI. O Reno é uma das vias navegáveis mais importantes da Europa. Empresas químicas como Basf, Evonik e Covestro utilizam o rio para transportar produtos como metanol, butano, propano e amônia. Cerca de 20 milhões de toneladas métricas de produtos químicos foram transportadas pelas vias navegáveis interiores da Alemanha em 2024. A Basf normalmente transporta por via fluvial cerca de 40% das mercadorias de sua unidade principal em Ludwigshafen, mas agora está transferindo parte da carga para caminhões e trens. No entanto, grandes obras na linha ferroviária ao longo da margem leste do Reno estão limitando a capacidade ferroviária entre Colônia e a região Reno-Meno. Críticas A organização ambiental Bund criticou a flexibilização da proibição de circulação de caminhões aos domingos e feriados, argumentando que substituir o transporte fluvial por "centenas ou milhares de viagens de caminhão" não é uma solução para os baixos níveis de água nos rios, disse o presidente da Bund, Olaf Bandt, ao jornal Rheinische Post. "O governo não compreendeu que os baixos níveis dos rios são um sintoma da crise climática", disse o presidente da Bund, Olaf Bandt, ao jornal Rheinische Post. "Dragar os leitos dos rios ou colocar mais caminhões nas rodovias não resolverá o problema." Pelo contrário, argumentou ele, isso apenas sobrecarregará ainda mais as pessoas e o clima. Ele também disse que paisagens fluviais preservadas são cruciais para a retenção de água, o que ajudaria a mitigar os efeitos dos níveis baixos. "A navegação interior deve se adaptar aos rios – e não o contrário", afirmou o presidente da Bund. Em vez de aumentar o número de caminhões, segundo ele, deveriam ser tomadas medidas "para garantir que a infraestrutura ferroviária esteja mais apta a lidar com gargalos na navegação interior no futuro". jps (dpa, ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Com seca afetando hidrovias, estados alemães suspendem banimento de circulação de carretas aos domingos e feriados. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemanha-relaxa-proibição-de-tráfego-de-caminhões-aos-domingos/a-78290723?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
| Image URL (700 x 394) |
https://static.dw.com/image/60216634_303.jpg
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| Image caption | Regra que restringe tráfego de caminhões aos domingos na Alemanha está em vigor desde 1956 | ||
| Image source | Uwe Anspach/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/60216634_303.jpg&title=Alemanha%20relaxa%20proibi%C3%A7%C3%A3o%20de%20tr%C3%A1fego%20de%20caminh%C3%B5es%20aos%20domingos | ||
| Item 5 | |||
| Id | 78282533 | ||
| Date | 2026-08-07 | ||
| Title | Qual o risco do investimento "circular" entre empresas de IA | ||
| Short title | Qual o risco do investimento "circular" entre empresas de IA | ||
| Teaser |
No setor, companhias rivais investem umas nas outras em troca de produtos e serviços. Mas isso é sustentável?Relatos de que a Nvidia negocia oferecer apoio financeiro de quase 250 bilhões de dólares à OpenAI para um gigantesco projeto de data centers revelam os dois lados do boom da inteligência artificial (IA). Por um lado, isso mostra a dimensão colossal dos recursos financeiros e do potencial da IA. Por outro, expõe os riscos de um sistema de financiamento chamado "circular", que está no coração do ecossistema da IA. A pergunta é: se uma peça de dominó cair, as outras cairão junto? "A natureza interconectada do ecossistema de IA é real", afirma Gary Tan, gestor de portfólio da Allspring Global Investments. "Mas os riscos no curto prazo são mitigados por sólidos balanços patrimoniais, fluxos de caixa e qualidade de crédito dos principais atores que financiam a expansão." Jan Frederik Slijkerman, estrategista de tecnologia do ING, afirma que a robustez financeira de empresas como Nvidia, Microsoft, Amazon e Alphabet (dona do Google) ajuda a mitigar esses riscos. Ele ressalta que o grau de colaboração no que diz respeito à IA é "fascinante", mas não vê um risco sistêmico devido a esse tipo de interdependência. O modelo circular O financiamento circular geralmente funciona da seguinte forma: uma empresa paga outra por um produto ou serviço, faz um investimento nela ou concede um empréstimo ou contrato de leasing. Em seguida, essa empresa que recebeu os aportes passa a comprar produtos ou serviços da primeira companhia. Essa alternativa é observada em diversos negócios ligados à IA. Para muitos, a revolução da IA começou com o lançamento do ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, em novembro de 2022. As capacidades do chatbot levaram a inteligência artificial ao grande público. Seu sucesso rapidamente atraiu um investimento de 10 bilhões de dólares da Microsoft, o que permitiu à empresa desenvolver modelos ainda mais poderosos. Em contrapartida, a OpenAI tornou-se uma cliente estratégica dos serviços de nuvem da Microsoft, área na qual a empresa vem aumentando continuamente seus investimentos à medida que o boom da inteligência artificial ganha força. Esse acordo acabou servindo de modelo para negociações futuras. Amazon e Alphabet passaram a investir bilhões de dólares na Anthropic, rival da OpenAI e criadora do bem-sucedido chatbot Claude. Em troca, a Anthropic utiliza os serviços de nuvem da Amazon e do Google, além de comprar chips dessas empresas. Nvidia, a "rainha da selva" Ainda assim, tudo isso é peixe pequeno diante do que a Nvidia trouxe para a mesa. "A Nvidia está no centro do ecossistema da IA, atuando não apenas como fornecedora de tecnologia, mas também como investidora estratégica que ajuda a acelerar a adoção de sua plataforma", afirma Tan. Segundo Slijkerman, a Nvidia desempenha um papel fundamental ao contribuir para o desenvolvimento de uma ampla gama de novos negócios, da área da saúde à direção autônoma. "Seus investimentos ajudam a impulsionar o crescimento do ecossistema de IA como um todo, ao mesmo tempo que facilitam a implantação da infraestrutura necessária para a inteligência artificial", afirma. A notícia de que a Nvidia negocia fornecer 250 bilhões de dólares à OpenAI, revelada inicialmente pelo Wall Street Journal, seria apenas o mais recente megainvestimento financiado pela empresa, avaliada em 4,6 trilhões de dólares. A empresa de Jensen Huang está no centro do boom da IA graças aos seus chips, líderes de mercado. Desde 2024, a Nvidia tem investido pesadamente em diversas startups de IA, incluindo OpenAI, Mistral e aSpaceX, de Elon Musk. Em contrapartida, todas essas empresas se comprometem a usar chips da Nvidia. A companhia também passou a investir fortemente nas chamadas "neoclouds", como CoreWeave e Nebius. Essas startups alugam capacidade de armazenamento em nuvem voltada para aplicações de IA. Além de investir nelas, a própria Nvidia também contrata serviços de nuvem. Neste ano, a Nvidia aumentou os investimentos e fez novos acordos. Recentemente, a empresa fechou uma parceria com o conglomerado sul-coreano SK Group no valor de até 500 bilhões de dólares. Ao longo de 2026, esse tipo de negociação circular tornou-se ainda mais evidente em todo o setor. A OpenAI fechou acordos que somam quase 1 trilhão de dólares com empresas como Microsoft e a fabricante de chips Advanced Micro Devices (AMD), chegando se tornar uma das maiores acionistas da AMD. Microsoft e Nvidia também fizeram investimentos significativos na Anthropic, e a Anthropic comprometeu-se a ampliar compras de armazenamento em nuvem e chips fornecidos por ambas. Vantagens – e riscos A dimensão dessa simbiose tem vantagens. "Ecossistemas interligados podem acelerar a inovação ao alinhar os incentivos de fornecedores de infraestrutura, desenvolvedores de modelos, empresas de aplicações e usuários finais, ajudando novas tecnologias a ganhar escala mais rapidamente", afirma Gary Tan. Slijkerman diz não considerar essa tendência de financiamento circular uma forma de "engenharia financeira". "Essas relações fazem sentido do ponto de vista estratégico porque ajudam os participantes a ampliar seu alcance de mercado e acelerar a adoção de novas tecnologias", afirma. "Além disso, elas podem gerar benefícios financeiros mútuos." Mas há riscos. Os temores de uma possível "bolha da IA" continuam pairando sobre os mercados globais. As ações de empresas de tecnologia e de fabricantes de semicondutores caíram vertiginosamente na semana passada, em meio a dúvidas sobre a rentabilidade do setor diante das quantias gigantescas investidas em data centers e em outras frentes ligadas à IA. Se as receitas geradas pela inteligência artificial não crescerem o suficiente, empresas que receberam aportes dos grandes grupos do setor poderão enfrentar dificuldades financeiras. Nesse cenário, elas podem reduzir ou interromper a compra de produtos dessas mesmas empresas que as financiaram, enquanto suas avaliações de mercado tendem a cair. Alguns analistas têm traçado paralelos com a bolha das empresas de internet e o colapso que se seguiu, depois que as avaliações dessas companhias dispararam nos primeiros anos da web, na década de 1990. O financiamento circular também desempenhou um papel naquela crise. Ainda assim, muitos observadores acreditam que o boom da IA está apoiado em fundamentos mais sólidos. "Embora algumas empresas ou modelos de negócio específicos possam acabar decepcionando, o ciclo mais amplo de investimentos parece ser sustentado por uma demanda real e pela efetiva geração de valor econômico", afirma Slijkerman. Tan concorda e afirma que um risco ainda maior para o setor no futuro está ligado aos juros. Na avaliação dele, uma alta das taxas de juros poderia ter um impacto significativo sobre muitas empresas de IA, já que elas levarão anos para se tornar lucrativas e tendem a ser mais penalizadas nesse cenário. "Os fluxos de caixa da inteligência artificial estão projetados para um horizonte de longo prazo. Por isso, a trajetória da curva de juros talvez acabe sendo mais importante do que a própria disponibilidade de capital", finaliza o gestor da Allspring Global Investments. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | No setor, companhias rivais investem umas nas outras em troca de produtos e serviços. Mas isso é sustentável? | ||
| Author | Arthur Sullivan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/qual-o-risco-do-investimento-circular-entre-empresas-de-ia/a-78282533?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
| Image URL (700 x 394) |
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| Image caption | O sistema de "financiamento circular" pode ter um efeito dominó caso a bolha da IA estoure | ||
| Image source | Jaque Silva/NurPhoto/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/73107636_303.jpg&title=Qual%20o%20risco%20do%20investimento%20%22circular%22%20entre%20empresas%20de%20IA | ||
| Item 6 | |||
| Id | 78277806 | ||
| Date | 2026-08-07 | ||
| Title | Como a guerra no Irã pode afetar o tratamento de água no Brasil | ||
| Short title | Como guerra no Irã pode afetar tratamento de água no Brasil | ||
| Teaser |
Fechamento do Estreito de Ormuz afeta o fornecimento de enxofre e pode reduzir oferta de flúor para o tratamento de água. Ministério da Saúde garante que a água continuará própria para consumo. A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no final de fevereiro, levou ao fechamento de uma das principais rotas marítimas do transporte de petróleo e outras matérias-primas no mundo, o Estreito de Ormuz. Após cinco meses de conflito, a crise gerada pelo bloqueio da via pode impactar agora o tratamento da água no Brasil. O fechamento do Estreito de Ormuz provocou uma crise global no fornecimento de enxofre, matéria-prima utilizada por diferentes segmentos industriais. Quase metade do enxofre transportado por via marítima no mundo passava por Ormuz, e a maior parte deste insumo utilizado no Brasil é importado. O enxofre é fundamental na produção de fertilizantes, que tem como subproduto o ácido fluossilícico, utilizado na etapa de fluoretação da água. Com a escassez de enxofre empresas brasileiras reduziram a produção de fertilizantes, o que gerou também uma diminuição na quantidade de flúor disponível no mercado. Por lei, essa substância precisa ser adicionada à água consumida pela população durante o processo de tratamento. A fluoretação da água é realizada no Brasil desde 1974, com o objetivo de prevenir a incidência de cáries. "A água fluoretada vai para o trato intestinal, e uma parte do fluoreto é absorvida e vai ser liberada na saliva", explica Paulo Frazão, professor titular da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Em nota, o Ministério da Saúde ressaltou a importância da medida, que é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O órgão informou que "a fluoretação constitui uma etapa complementar e não afeta a disponibilidade de água tratada para a população", e disse que vai apoiar o mapeamento de fornecedores nacionais e internacionais capazes de viabilizar aquisições emergenciais do insumo. Qualidade não será comprometidaApesar da escassez de flúor, representantes do setor de saneamento afirmam que a qualidade da água ofertada à população não será comprometida. "O flúor é uma etapa que é adicionada ao final do tratamento, depois que a água já está limpa e descontaminada. A água continua segura para o consumo da população", garante a diretora técnica e econômica da Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon), Carol Marques. "Estamos diante de um choque global de oferta, não de uma falha do saneamento brasileiro", afirma Munir Abud, presidente nacional da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (AESBE) e diretor-presidente da Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan). Abud acrescenta que o insumo também está sendo racionado em outros países, como nos Estados Unidos, onde cidades já reduziram a dosagem de flúor pela metade. Resposta das autoridadesA AESBE e a Abcon relatam ter alertado o Ministério da Saúde assim que a escassez do insumo foi constatada. "Eles entenderam que a situação não está no nosso controle e pareceram sensibilizados em relação à nossa demanda", afirma Marques. Abud diz que uma proposta técnica foi apresentada ao ministério em junho, solicitando uma flexibilização temporária da obrigatoriedade da fluoretação. "Reconhecemos o valor da fluoretação como política de saúde pública amparada em lei. Por isso, não pedimos o seu fim, e sim uma medida de transição para uma escassez que nenhuma empresa poderia evitar", explica. Abud destaca que a crise no Oriente Médio pressiona também o fornecimento de outros insumos utilizados no tratamento de água. Em São Paulo, estado com a maior população atendida por serviços de abastecimento de água do país, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) afirmou em nota que está acompanhando o abastecimento de flúor e que vai trabalhar em articulação com os órgãos reguladores de saúde e autoridades federais e estaduais para buscar alternativas. Até o momento, "a Sabesp dispõe de estoque para manter a operação e segue monitorando diariamente a situação", informou a empresa. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Fechamento do Estreito de Ormuz afeta o fornecimento de enxofre e pode reduzir oferta de flúor para tratamento de água. | ||
| Author | Evandro Almeida Júnior | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-a-guerra-no-irã-pode-afetar-o-tratamento-de-água-no-brasil/a-78277806?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Como%20a%20guerra%20no%20Ir%C3%A3%20pode%20afetar%20o%20tratamento%20de%20%C3%A1gua%20no%20Brasil | ||
| Item 7 | |||
| Id | 78262300 | ||
| Date | 2026-08-06 | ||
| Title | Rússia vende ouro para tentar compensar déficit no orçamento | ||
| Short title | Rússia vende ouro para tentar compensar déficit no orçamento | ||
| Teaser |
Reservas de ouro do país chegaram ao nível mais baixo desde a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. Tentativa de levantar recursos não significa um sinal de crise financeira iminente.Volumes significativos de ouro foram vendidos pela Rússia em 2026, à medida que o Kremlin busca levantar recursos para compensar um grande déficit orçamentário. O Banco Central russo anunciou recentemente que suas reservas de ouro totalizavam 73,4 milhões de onças-troy (aproximadamente 2,28 bilhões de gramas de ouro), ou 2.282 toneladas métricas, no início de julho. Esses números representam uma queda de cerca de 43,5 toneladas métricas em estoque desde o início deste ano, o que indica que as reservas de ouro da Rússia estão agora em seu nível mais baixo desde antes do início da invasão da Ucrânia, que começou oficialmente em 24 de fevereiro de 2022. No primeiro quadrimestre deste ano, os preços do ouro atingiram níveis recordes, com valor médio de cerca de 4.800 dólares (cerca de R$ 25.500) por onça, antes de recuarem para os atuais 4.000 dólares por onça. Com isso, estima-se que a venda em massa realizada por Moscou tenha gerado lucro de mais de 5 bilhões de dólares. "O fato de os russos estarem vendendo ouro significa que estão ficando sem outros ativos líquidos. Portanto, há pressão sobre o déficit e também sobre as fontes para financiar esse déficit", avalia Elina Ribakova, economista do Instituto Peterson de Economia Internacional. Problemas orçamentários O orçamento da Rússia tem enfrentado sérias dificuldades nos últimos anos devido ao aumento maciço dos gastos com a guerra na Ucrânia. Os investimentos em defesa mais do que quadruplicaram desde 2021, totalizando em torno de 16 trilhões de rublos em 2025 (204 bilhões de dólares ou cerca de R$ 1 trilhão). No início deste ano, o jornal britânico de economia Financial Times informou que o Ministério das Finanças do país havia alertado o governo, por meio de uma carta, que os gastos extras com a guerra chegariam a pelo menos 28 bilhões de dólares em 2026, com previsão de situações idênticas em 2027 e 2028. Chris Weafer, analista financeiro da consultoria Macro-Advisory, com sede em Moscou, afirma que, embora a venda massiva de ouro pela Rússia seja significativa, não se trata de um negócio motivado pelo pânico. "É uma situação extraordinária, mas é uma tendência relativamente normal. Isso não significa que a Rússia esteja indo à falência, ficando sem dinheiro, sem nada, e literalmente vendendo a prata da casa", diz. Segundo o especialista, a maioria deste ouro foi vendida, pelo Ministério das Finanças, por meio do Fundo Nacional de Bem-Estar (NWF), e não pelo Banco Central da Rússia."Desde o início de 2022, o ouro era um dos ativos que o NWF podia adquirir, pois os títulos do Tesouro dos EUA e os títulos de dívidas e outras obrigações não estavam disponíveis para eles", afirma, fazendo referência às sanções impostas pelo Ocidente após a invasão da Ucrânia. Quinta maior reserva do mundo Weafer destaca que o ativo havia se tornado um componente líquido essencial do fundo, o que, segundo ele, é exatamente o objetivo de um fundo nacional de previdência: ser negociado quando há necessidade de recursos, especialmente em momentos difíceis: "Nesse sentido, pode-se argumentar que o propósito está sendo cumprido". A venda de ouro pelo fundo tem como objetivo reabastecer os chamados ativos líquidos, e Weafer estima que ele valha aproximadamente 150 bilhões de dólares, dos quais cerca de 50 bilhões são descritos como "líquidos". "O Kremlin não quer que essa reserva diminua, pois isso poderia levar a mais especulações sobre uma crise financeira ou dificuldades econômicas e prejudicaria a sua posição geopolítica. O governo prefere retratar o país como muito estável e muito forte, e esses 50 bilhões de dólares em dinheiro são uma parte importante disso", argumenta o especialista. Ele afirma que outro fator importante a ser considerado é que, como um dos maiores produtores mundiais de ouro, a Rússia pode repor os estoques que vende de forma relativamente rápida, comprando de seus produtores nacionais. O país detém a quinta maior reserva do mundo, em nível semelhante ao da China, França e Itália, e consideravelmente atrás das duas primeiras, Alemanha e Estados Unidos. Ribakova concorda que isso oferece uma proteção significativa: "A Rússia tem uma vantagem: o próprio país produz ouro. Por isso, quando ficou preocupado com as sanções, destinou parte do dinheiro à compra de ouro que estava adquirindo de produtores nacionais." Petróleo e gás também ajudam O fato de a Rússia ter se tornado uma das maiores vendedoras de ouro tem levado a novos questionamentos sobre seu déficit orçamentário e o que isso aponta em relação a uma estabilidade econômica mais ampla. Os gastos e o déficit do orçamento federal da Rússia podem exceder as projeções oficiais em mais de 1 trilhão de rublos (12,85 bilhões de dólares) em 2026, de acordo com dados divulgados recentemente pelo governo. Atualmente, o déficit está projetado em 1,6% do PIB para este ano, o que equivale a aproximadamente 40 bilhões de dólares, com possibilidade de aumentar. No entanto, a melhora nas receitas provenientes do petróleo e do gás, impulsionada pelos preços mais altos do combustível fóssil devido à guerra no Irã, ajudou Moscou a compensar as dificuldades orçamentárias até o momento. Ribakova afirma que tudo se resume aos preços e às receitas que a Rússia obtém com petróleo e gás, considerando esse o "verdadeiro limite" à capacidade de Moscou de financiar a guerra na Ucrânia, que já dura quatro anos e meio. "Quando o preço do petróleo está alto, a Rússia obtém receitas. É mais fácil contrair empréstimos, e seu sistema financeiro interno fica mais saudável. Se o preço do petróleo cair, então imediatamente há uma crise", afirma. Financiando a guerra Tanto Ribakova quanto Weafer alertam que, apesar das evidentes dificuldades econômicas que a Rússia enfrenta atualmente, o país pode continuar financiando a guerra em um futuro próximo, cortando gastos não relacionados à defesa. "No cenário atual, Putin pode continuar assim por anos. Talvez sem avançar na linha de frente, onde não vemos nenhum progresso há um bom tempo, mas ainda assim conseguindo destinar recursos para a guerra", diz Ribakova. "Mesmo que o déficit continue como está, a Rússia ainda poderá arcar com os custos e não enfrentará nenhum tipo de crise financeira nem ficará em uma posição geopolítica frágil nos próximos 12 a 24 meses", argumenta Weafer. Ainda assim, ele destaca os danos evidentes a longo prazo que estão sendo causados à economia e os problemas políticos que isso poderá acarretar no futuro: "Uma enorme distorção econômica e um panorama negativo de longo prazo que agora está gerando divisões no governo". Ele acrescenta que a situação tem criado uma divisão entre os responsáveis pelo crescimento econômico e o Kremlin. A mensagem, segundo ele, é que a abordagem atual não poderia ser mantida, "se quisermos que a economia retorne a uma trajetória mais normal após a paz, o fim da guerra". --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Reservas de ouro do país chegaram ao nível mais baixo desde a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. | ||
| Author | Arthur Sullivan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/rússia-vende-ouro-para-tentar-compensar-déficit-no-orçamento/a-78262300?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
| Image URL (700 x 394) |
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| Image caption | Rússia se tornou um dos principais vendedores de ouro do mundo atualmente | ||
| Image source | Angelika Warmuth/REUTERS | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77474131_303.jpg&title=R%C3%BAssia%20vende%20ouro%20para%20tentar%20compensar%20d%C3%A9ficit%20no%20or%C3%A7amento | ||
| Item 8 | |||
| Id | 78271055 | ||
| Date | 2026-08-06 | ||
| Title | Alemanha debate fim de lei de 1949 que proíbe lojas abertas aos domingos | ||
| Short title | Alemanha debate lei que proíbe lojas abertas aos domingos | ||
| Teaser |
Em crise, setor varejista chama restrição de "relíquia do passado" e diz que competição com comércio virtual é injusta. Governo, igrejas e trabalhadores rejeitam medida. Calçadas vazias e portas fechadas: na Alemanha, o domingo é sagrado, e o descanso, uma obrigação. Ao menos para os lojistas, ou melhor, para uma regra em vigor desde a metade do século passado que impede que grande parte dos estabelecimentos funcione no segundo dia do fim de semana. Agora, uma pequena flexibilização do governo alemão, programada para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2027, está motivando representantes dos setores produtivos a aumentarem a pressão pelo fim definitivo da chamada Ladenschlussgesetz – ou Lei de Fechamento de Lojas, baseada no artigo 140 da Constituição de 1949, mas com raízes na República de Weimar(1918-1933) e que determina que domingos e feriados são "dias de descanso e de elevação espiritual". Mês passado, a coalizão formada por conservadores e social-democratas no Bundestag, o Parlamento da Alemanha, anunciou que, a partir do ano que vem, padarias e confeitarias, que já gozam de uma pequena exceção, vão poder ficar abertas por mais tempo durante os domingos – totalizando até oito horas de funcionamento, de acordo com o esboço elaborado pelo Ministério do Trabalho. Atualmente, esses estabelecimentos já podem abrir por poucas horas, dependendo do estado. Em Munique, por exemplo, as padarias estão autorizadas a funcionar três horas aos domingos; em Colônia, por cinco horas. Berlim é mais flexível: a lei local permite aos padeiros até nove horas de portas abertas, mas só até as 16 horas dos domingos. Exceções são restaurantes, tabacarias e cafés, lojas em locais turísticos e em estações de trem e aeroportos. Todo o resto, como o ramo de eletrônicos, roupas, departamentos e shoppings, está fora, o que acaba fazendo que, em muitas cidades alemães, as Innenstädte, ou centros comerciais, fiquem praticamente desertos durante o "dia do descanso". Há pequenas tabacarias, por exemplo, que se arriscam a vender alimentos perecíveis, podendo levar multas por infringir a norma. Perda de competitividadePara as entidades que representam o setor de comércio na Alemanha, no entanto, já está mais do que na hora de mudar essa realidade. Para o presidente da Associação do Comércio Varejista da Alemanha (HDE), Alexander Von Preen, o país está ficando para trás em relação ao resto da Europa, onde, segundo ele, "o tema já foi resolvido e a normalidade retornou". "Ir às compras é uma experiência, é parte do lazer das pessoas", disse ele ao jornal Welt. Outros países europeus como a França têm leis parecidas, mas, ao menos por lá, as exceções são bem mais numerosas: locais como shopping centers, lojas de departamento e de móveis podem ficar abertas, dependendo do tamanho, da área e da acessibilidade ao transporte público. Mas, para Von Preen, a maior comparação não é com os países vizinhos, mas, sim, com o e-commerce. "Nas compras pela internet, a tarde de domingo é o horário de maior movimento. Isso mostra que as pessoas também gostariam de fazer compras em estabelecimentos físicos aos domingos", argumenta ele, que vê falta de igualdade e perda de potencial do país com a restrição. O coro pela flexibilização nos fins de semana e feriados é reforçado pela Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK), cujo presidente, Peter Adrian, classificou a lei atual de "relíquia do passado". "Isso não parece mais adequado aos tempos atuais. Devemos confiar mais na liberdade e na responsabilidade individual das pessoas e dos comerciantes", disse ele, também citado pelo Welt. A medida também viria para impulsionar as vendas do setor na Alemanha. Apesar de um crescimento nominal de 1,9% no primeiro trimestre deste ano – mesma taxa prevista para o ano pela HDE –, os números do varejo, segundo a entidade, devem-se ao aumento de preços dos produtos. Segundo uma pesquisa conduzida pela Câmara Alemã de Comércio no último mês, no entanto, 42% dos lojistas avaliam o momento como ruim, parcela bem maior que no mesmo período do ano passado, de 33%. Além disso, para 79% dos varejistas, o problema mais urgente do segmento é a relutância dos consumidores em comprar. Em 2011, a Itália tomou a decisão de liberar totalmente os horários do varejo para tentar salvar a economia. Por lá, é possível, ao menos na teoria, abrir as portas por 24 horas seguidas e em qualquer dia da semana. Um estudo publicado pelo Banco da Itália, mostrou que, cinco anos depois da medida, o setor registrou um avanço tímido: o número de empregos cresceu 3% e o de lojas, 2%. As grandes redes foram as que mais se beneficiaram. Políticos, igrejas e trabalhadores são contráriosApesar da iniciativa de estender o funcionamento no domingo para padarias e confeitarias, dentro da coalizão do governo do chanceler federal Friedrich Merz (CDU), há pouco apoio a uma flexibilização total para o varejo. Ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), o vice-líder dos conservadores em assuntos econômicos, Sepp Müller, rejeitou a iniciativa mais ampla. "Fico feliz com o acordo que fizemos na coalizão. Queremos flexibilizar a legislação sobre jornada de trabalho, o que também beneficia o setor do comércio", disse ele. "Para nós, da CDU, no entanto, o domingo continua sendo um dia dedicado à família, ao descanso e à convivência. Por isso, apostamos em uma modernização das regras sobre a jornada de trabalho, em vez da revogação geral da proibição de funcionamento aos domingos", ratificou Müller. Entre os social-democratas, a medida também está fora de questão. "A nova regulamentação para as padarias é correta para fortalecer os pequenos estabelecimentos", declarou, também ao FAZ, o porta-voz para assuntos políticos do SPD, Sebastian Roloff. "Mas, na minha opinião, neste momento, alterações mais abrangentes são desnecessárias. O valor agregado é limitado, mas as desvantagens são evidentes. Afinal, um dia de folga comum dá às pessoas tempo para descansar, para a família, os amigos e também para o trabalho voluntário". Ecos contrários ao fim da regra também vieram de lideranças religiosas no país. Um porta-voz da Igreja Evangélica na Alemanha (EKD) afirmou, ao Rheinische Post, que o domingo é um dia valioso para toda a comunidade, "não importa se a pessoa acredite ou não em Deus". "Precisamos ter um dia na semana em que o maior número possível de pessoas tenha folga ao mesmo tempo", declarou. Já para o Movimento Católico de Trabalhadores da Alemanha (KAB), o domingo livre de compras é uma "pausa necessária para trabalhadores e consumidores, para o meio ambiente e o clima – não uma relíquia de um tempo passado, mas um momento para descanso e regeneração psíquica". Os principais sindicatos da Alemanha também rejeitam a medida. "O domingo é o único dia de folga que os trabalhadores podem planejar com segurança", afirmou Silke Zimmer, da Diretoria Nacional da ver.di, que representa 2 milhões de trabalhadores no setor de serviços. Já a Confederação Alemã dos Sindicatos (DGB) lembrou que muitos já trabalham durante seis dias na semana, "até tarde da noite" e que a medida prejudicaria a empregabilidade do varejo: "As jornadas exaustivas são um dos principais motivos pelos quais o setor procura desesperadamente por pessoal e não consegue encontrar". Atualmente, cerca de 8,5% dos profissionais na Alemanha trabalham aos domingos, segundo o Instituto Federal de Estatística. -------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Em crise, setor varejista chama restrição de "relíquia do passado" e diz que competição com e-commerce é injusta. | ||
| Author | Fábio Corrêa | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemanha-debate-fim-de-lei-de-1949-que-proíbe-lojas-abertas-aos-domingos/a-78271055?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Alemanha%20debate%20fim%20de%20lei%20de%201949%20que%20pro%C3%ADbe%20lojas%20abertas%20aos%20domingos | ||
| Item 9 | |||
| Id | 78260566 | ||
| Date | 2026-08-06 | ||
| Title | Consulados do Brasil mudam emissão de passaportes no exterior | ||
| Short title | Consulados do Brasil mudam emissão de passaportes | ||
| Teaser |
Todos os 11 postos nos EUA, além das embaixadas em Acra e Doha e dos consulados-gerais em Frankfurt, Lisboa, Porto e Cidade do México, integram projeto-piloto do Itamaraty.Consulados brasileiros no exterior estão mudando a forma como emitem passaportes: em vez de imprimir o documento no próprio posto, passaram a enviar o pedido ao Brasil, onde ele é confeccionado pela Casa da Moeda e depois despachado de volta. A alteração, que já afeta postos em países como Estados Unidos, Alemanha e México, é resultado de um projeto-piloto que começou a ser implantado no ano passado, segundo o Itamaraty. Nas últimas semanas, diversos consulados brasileiros no exterior comunicaram essa mudança na confecção do documento, que em solo nacional costuma ser entregue pela Polícia Federal a partir de seis dias úteis. Agora, o documento passou a ser confeccionado no Brasil e enviado aos postos consulares, o que pode levar a um tempo maior de entrega da documentação. A mudança nas emissões de passaporte no exterior vinha sendo atribuída, segundo reportagem do jornal Estadão, à falta de recursos orçamentários da pasta. Procurado pela DW, porém, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) nega risco de interrupção do serviço e atribui as mudanças no fluxo a dois fatores: um "salto exponencial" na demanda e a implementação do projeto-piloto de centralização da impressão dos documentos. Sobre as restrições orçamentárias, o MRE classifica a situação como "superada". Mudança no modelo de emissão Historicamente, as próprias redes consulares imprimiam os passaportes no local de atendimento. Agora, nas unidades do projeto-piloto, o pedido é repassado pelo Itamaraty à Casa da Moeda do Brasil (CMB), responsável por confeccionar os documentos e enviá-los aos respectivos países. É o caso do Consulado do Brasil em Miami, que divulgou em comunicado que, desde o fim de julho, os documentos passaram a ser emitidos diretamente pela CMB. O projeto-piloto com a Casa da Moeda começou em abril nos consulados de Boston e Nova York e, em julho de 2026, foi expandido para todos os 11 postos consulares nos EUA, além das embaixadas em Acra e Doha e dos consulados-gerais em Frankfurt, Lisboa, Porto e Cidade do México. Nos demais postos pelo mundo, a impressão segue sendo feita localmente. O MRE classifica que a mudança demonstrou "resultados concretos satisfatórios (inclusive no que tange à diminuição no tempo de entrega dos passaportes)" e que "os bons resultados observados na fase inicial ensejaram a expansão do projeto-piloto". Aumento na procura Questionado pela DW sobre o impacto dos prazos e a situação específica em postos como o Consulado-Geral em Frankfurt, o MRE explicou que houve um aumento na procura por serviços consulares, incluindo a emissão de passaportes, o que motivou a pasta, ainda no ano passado, a criar o projeto-piloto para centralizar a impressão na CMB. Segundo dados da pasta, a emissão de passaportes no exterior saltou de 195,6 mil em 2024 para 274,4 mil em 2025, o que representa uma alta de 40%. Apenas no primeiro semestre de 2026, foram emitidos 188,9 mil documentos, um avanço de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior. O pico ocorreu em julho deste ano, quando foram registrados mais de 33 mil pedidos, o "maior número de solicitações para um único mês", de acordo com o Itamaraty. O MRE afirma que a medida "antecede e não guarda relação com o contexto de restrições orçamentárias deste ano", e que busca aumentar a segurança dos documentos, padronizar os passaportes emitidos no exterior com os entregues no Brasil e, inclusive, reduzir o prazo de entrega. A pasta não explicou, porém, o impacto no prazo para entrega da documentação nos países que integram o projeto. Ainda segundo a pasta, nesta etapa do projeto, o Itamaraty terá condições de realizar "avaliação detalhada, considerando os ganhos de produtividade, economicidade e eficiência que venham a ser auferidos com a execução do projeto". A medida, segundo o ministério, "alinha-se às melhores práticas internacionais de gestão de documentos de viagem". --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Mudança na forma de emissão vale, por enquanto, apenas para os postos que integram o projeto-piloto do Itamaraty. | ||
| Author | Larissa Maia | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/consulados-do-brasil-mudam-emissão-de-passaportes-no-exterior/a-78260566?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
| Image URL (700 x 394) |
https://static.dw.com/image/68147657_303.jpeg
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| Image caption | Projeto-piloto do Itamaraty está em funcionamento em países como Estados Unidos, Alemanha, Portugal e México | ||
| Image source | Guilherme Becker/DW | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/68147657_303.jpeg&title=Consulados%20do%20Brasil%20mudam%20emiss%C3%A3o%20de%20passaportes%20no%20exterior | ||
| Item 10 | |||
| Id | 66236577 | ||
| Date | 2026-08-06 | ||
| Title | Como o aquecimento global pode deixar ciclones mais intensos | ||
| Short title | Como o aquecimento global pode deixar ciclones mais intensos | ||
| Teaser |
"Ciclone bomba" deverá atingir três regiões nesta quinta-feira. Para especialistas, aumento das temperaturas do oceano e da atmosfera pode agravar fenômeno. Um "ciclone bomba" deverá atingir o Brasil nesta quinta-feira (06/08), colocando estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste em alerta. O fenômeno se dá quando um ciclone extratropical se intensifica rapidamente, favorecendo a ocorrência de chuva, trovoadas, rajadas de vento e possibilidade de queda de granizo. Segundo o Instituto Nacional de Metereologia (Inmet), a Região Sul deverá registrar instabilidade. Em particular, o centro-sul do Rio Grande do Sul está com aviso vermelho de grande perigo para tempestades. As instabilidades também poderão gerar impactos em Mato Grosso do Sul e São Paulo. O ciclone extratropical é uma área de menor pressão atmosférica do que o ambiente do entorno, em que os ventos giram ao redor de um centro, no sentido horário. Esses sistemas afetam o tempo das regiões onde atuam, provocando nuvens, chuva, redução da temperatura do ar e ventos fortes. Embora seja um fenômeno meteorológico comum na região Sul, o aumento da temperatura do ar e do oceano, em consequência das mudanças climáticas, pode deixar os ciclones extratropicais mais intensos, afirmam especialistas ouvidos pela DW. Rastro de destruiçãoEm dezembro passado, um ciclone extratropical causou estragos em São Paulo e região metropolitana. Caíram mais de 330 árvores, muitas sobre a rede elétrica, deixando mais de 2,2 milhões de pessoas sem energia. Os ventos acima de 90 km/h fizeram com que cerca de 200 voos fossem afetados em São Paulo, consequentemente causando transtornos também em outros aeroportos do país. A falta de eletricidade também prejudicou o funcionamento de semáforos e o abastecimento de água. Apenas um mês antes, o nascimento de um ciclone extratropical no Rio Grande do Sul causou um tornado no Paraná. O fenômeno destruiu 80% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, matando seis pessoas e ferindo 750, segundo a Defesa Civil do estado. Em julho de 2023, outro cicloneem território gaúcho provocou estragos em 52 cidades e uma morte na cidade de Rio Grande. O fenômeno provocou ventos de mais de 140 km/h e também atingiu o estado de São Paulo, onde duas mortes foram associadas ao ciclone. Onde os ciclones extratropicais ocorrem?Na América do Sul, um mapeamento das áreas mais ciclogenéticas – como os especialistas definem as áreas mais propensas ao fenômeno – aponta duas regiões principais. Uma fica no extremo sul, na costa da Patagônia. A outra é a região da bacia do Prata, ou seja, o sul do Brasil, Uruguai e nordeste da Argentina, explica Marcelo Seluchi, meteorologista e coordenador-geral de Operação e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A área sobre a Patagônia registra uma frequência maior de formação de ciclones extratropicais durante o verão. Já na região ao sul do Brasil, o fenômeno ocorre durante os meses de inverno e primavera. "Existe também uma terceira região de formação de ciclone, que é perto da costa de São Paulo e Rio de Janeiro, mas é muito raro a formação sobre o continente", diz Seluchi. Os ciclones extratropicais estão mais frequentes?Um estudo feito por Tércio Ambrizzi, professor de Ciências Atmosféricas na Universidade de São Paulo, já mostrou que os ciclones não sofreram aumento em termos numéricos, mas em intensidade. "Em princípio, há relação com as mudanças climáticas. Com a atmosfera acumulando muito mais energia em função do aquecimento que o planeta está sofrendo por conta da emissão de gases de efeito estufa, os sistemas se tornam mais intensos", diz. O impacto sobre a vida das pessoas depende da região onde o fenômeno se desenvolve. "Em junho de 2022, houve um ciclone extratropical muito intenso que se desenvolveu no oceano. O fenômeno se desenvolveu em função de um outro sistema, que foram vórtices ciclônicos de altos níveis. Naquele junho, ele se propagou na região do Atlântico. Em julho de 2023, ele se desenvolveu exatamente em cima do Rio Grande do Sul, por isso causou tanta chuva. A intensidade das chuvas e dos ventos causam muitos danos e colocam vidas em risco", afirma Ambrizzi. Marcelo Seluchi destaca que, antigamente, detectar ciclones sobre os oceanos era muito difícil. "Não existiam dados observados, não havia boas imagens de satélite, então muito provavelmente houve muitos ciclones que não foram detectados no passado, que não fazem parte da série histórica", detalha o meteorologista, pontuando que a série histórica mais confiável que registra o fenômeno reúne informações dos últimos 25 anos. Temperaturas em altaO especialista afirma que ainda não existem estudos muito claros sobre como as mudanças climáticas podem afetar a frequência e a intensidade dos ciclones extratropicais. As projeções feitas com base em modelos indicam que alguns ciclones tenderiam a se formar um pouco mais para o sul num cenário de aquecimento global. "Há um fato que pode influenciar a intensidade dos ciclones, que é justamente o aquecimento da atmosfera e do oceano. Um oceano mais quente consegue evaporar mais água. Uma atmosfera mais quente, por conta do aumento da temperatura, retém mais umidade, que é um elemento muito importante para determinar a intensidade dos ciclones", explica Seluchi. Isso ajuda a explicar o fato de a costa leste da América do Sul, a bacia do Prata e o sul do Brasil serem regiões de maior frequência de ciclones extratropicais, argumenta o meteorologista. A costa do lado do oceano Pacífico, na área do Chile, não registra muito o fenômeno, pois é uma área que tem baixa umidade, diz Seluchi. |
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| Short teaser | Para especialistas, aumento das temperaturas do oceano e da atmosfera pode agravar fenômeno. | ||
| Author | Nádia Pontes | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-o-aquecimento-global-pode-deixar-ciclones-mais-intensos/a-66236577?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Como%20o%20aquecimento%20global%20pode%20deixar%20ciclones%20mais%20intensos | ||
| Item 11 | |||
| Id | 78257766 | ||
| Date | 2026-08-05 | ||
| Title | Alemanha vê cervejarias fechando, mas aposta no "sem álcool" como salvação | ||
| Short title | Alemanha vê cervejarias fechando, mas aposta no "sem álcool" | ||
| Teaser |
Redução das vendas e mudanças nos hábitos dos consumidores pressionam o setor cervejeiro alemão. Variedade não alcóolica, no entanto, tem crescido.O número de cervejarias na Alemanha está caindo, tendência reforçada pela queda no número de consumidores da bebida, indicam dados divulgados esta semana, às vésperas do Dia Internacional da Cerveja, comemorado em 7 de agosto. De acordo com o Escritório Federal de Estatística (Destatis), em 2025 o país tinha 1.415 cervejarias em atividade. Isso representa 53 a menos e um recuo de 3,6% em relação a 2024 e 137 (8,8%) a menos do que em 2019, ano em que foi registrado o maior número de cervejarias em três décadas. Segundo o Destatis, a queda nas vendas da bebida foi um fator determinante para isso. O órgão diz que as vendas caíram 15,7% em comparação com 2019. Em 2025, foram comercializados cerca de 7,8 bilhões de litros no país, um recuo em relação aos 8,3 bilhões de litros de 2024 e aos 9,6 bilhões de litros de 2016. Na Alemanha, o estado da Baviera continua liderando, com 588 cervejarias, seguido por Baden-Württemberg (190) e Renânia do Norte-Vestfália (131). Com exceção de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Saxônia-Anhalt, os demais estados federais estão registrando um declínio no número dos estabelecimentos que produzem a bebida alcoólica. Na Baviera, por exemplo, 60 cervejarias fecharam entre 2019 e 2025. Na Renânia, foram 31. De acordo com a pesquisa, uma característica das cervejarias na Alemanha é que pouco mais da metade (821) são de pequeno porte – com produção de até 100 mil litros por ano. Em contrapartida, há poucos estabelecimentos de grande porte. Em 2025, apenas oito produziram pelo menos 200 milhões de litros de cerveja. Também nesse aspecto, segundo o Destatis, o número está diminuindo em quase todas as categorias. Além disso, uma pesquisa anterior indicou que cerca de um terço dos entrevistados havia afirmado ter abandonado completamente a cerveja com álcool. Por outro lado, como mostrou um levantamento do instituto de pesquisas YouGov, as variedades sem álcool estão se tornando mais populares. Entre os motivos estão preocupação com a saúde e que os mais jovens, em particular, consomem álcool com menos frequência. Mudanças estruturais O setor cervejeiro vem enfrentando há anos mudanças nos hábitos de consumo e custos crescentes, principalmente com a energia. Segundo a avaliação do presidente da Veltins, Volker Kuhl, as cervejarias passam por uma "crise estrutural manifesta". O executivo de uma das maiores cervejarias alemãs prevê que a onda de falências continue. "Os fechamentos de fábricas vão se multiplicar, pois a produção de cerveja está perdendo a viabilidade econômica em muitas instalações que, do ponto de vista técnico, já estão ultrapassadas há muito tempo", disse ele à agência dpa. Para o setor, a cerveja sem álcool é, hoje, a maior esperança. De acordo com a Associação das Cervejarias da Alemanha (Deutsche Brauer-Bund), a variedade já atingiu uma participação de mercado de 11% no consumo total da bebida no país. Os 750 milhões de litros registrados no ano passado representaram um recorde e um crescimento de 7,6%. Esses números não são contabilizados nas estatísticas fiscais oficiais. "As cervejas sem álcool há muito deixaram de ser um produto de nicho para se tornarem um importante motor de crescimento do nosso setor", comemorou Christian Weber, presidente da Brauerbund. fcl/le (kna, dpa, dw) -------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Redução das vendas e mudanças nos hábitos dos consumidores pressionam o setor cervejeiro alemão. | ||
| Author | Redação DW | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/alemanha-vê-cervejarias-fechando-mas-aposta-no-sem-álcool-como-salvação/a-78257766?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
| Image URL (700 x 394) |
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| Image caption | A Baviera, onde é realizada a Oktoberfest, continua sendo o estado alemão com maior número de cervejarias | ||
| Image source | Peter Kneffel/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/77654055_303.jpg&title=Alemanha%20v%C3%AA%20cervejarias%20fechando%2C%20mas%20aposta%20no%20%22sem%20%C3%A1lcool%22%20como%20salva%C3%A7%C3%A3o | ||
| Item 12 | |||
| Id | 78218994 | ||
| Date | 2026-08-05 | ||
| Title | Feminicídios seguem em alta 20 anos após Lei Maria da Penha | ||
| Short title | Feminicídios seguem em alta 20 anos após Lei Maria da Penha | ||
| Teaser |
Marco no enfrentamento da violência contra as mulheres está em vigor há duas décadas, mas distância entre legislação e realidade persiste.Quando a farmacêutica bioquímica cearense Maria da Penha Maia Fernandes sobreviveu a duas tentativas de assassinato cometidas pelo então marido, na década de 1980, seu caso se transformou em símbolo da luta contra a violência doméstica no Brasil. Após quase duas décadas de espera por uma condenação definitiva de seu agressor e uma denúncia do país à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o Congresso aprovou, em 7 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha, considerada um marco no enfrentamento da violência contra as mulheres. "Foi uma verdadeira mudança de paradigma. Antes dela, a violência doméstica era frequentemente tratada como uma questão privada, familiar ou uma infração de menor gravidade. A legislação deixou claro que a violência contra a mulher é uma violação aos direitos humanos e uma responsabilidade do Estado. Entre os principais avanços podemos destacar o reconhecimento dos cinco tipos de violência: física, sexual, psicológica, patrimonial e moral", explica Ana Paula Caliman, advogada criminalista. Vinte anos depois, porém, o cenário ainda preocupa. Em 2025, o Brasil registrou o maior número de feminicídios desde que o crime passou a ser contabilizado separadamente, em 2015. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgados no dia 23 de julho apontam que o país registrou 1.571 feminicídios no ano passado, ou seja, quatro mulheres foram mortas por dia. O número é 4% maior em relação aos 1.504 crimes desse tipo registrados em 2024. As tentativas de feminicídio também aumentaram, em 2025. Foram 4.189 mulheres sobreviventes, um aumento de 5,9% em relação ao ano anterior. Isso significa que para cada feminicídio consumado registrado no país houve quase três tentativas. O feminicídio é entendido como o assassinato de mulheres em razão da condição do sexo feminino, seja em contexto de violência doméstica e familiar, seja por menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Lei Maria da Penha falhou? A Lei Maria da Penha surgiu justamente com o objetivo de assegurar às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança e ao acesso à Justiça, e é reconhecida como uma das mais avançadas do mundo no combate à violência doméstica. Apesar disso, os indicadores mostram que o país ainda enfrenta dificuldades para proteger as vítimas antes que a violência termine em morte. O aumento contínuo dos casos de feminicídio reacende o debate sobre os limites da legislação: afinal, a Lei Maria da Penha falhou ou o problema está na forma como ela é aplicada? Especialistas ouvidos pela DW afirmam que a resposta passa por uma combinação de fatores. A legislação criou instrumentos importantes para responsabilizar agressores e oferecer proteção às vítimas, mas sua efetividade depende de uma estrutura pública que ainda não funciona por completo no país, mesmo após duas décadas. "A lei introduziu na sociedade uma oportunidade de construção de uma consciência acerca dos impactos que as violências contra as mulheres têm, sobretudo no âmbito familiar. Ela é uma lei muito mais completa, não apenas punitiva, e exige um esforço coordenado de diversas frentes", comenta Fernanda Emy Matsuda, professora do Departamento de Direito da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e doutora em Sociologia. A lei prevê atuação integrada entre Justiça, saúde e assistência social; produção de estatísticas; educação nas escolas; medidas protetivas; e políticas de prevenção. Por que os feminicídios continuam aumentando? Os números mostram um paradoxo. Ao mesmo tempo em que cresceram as denúncias e os pedidos de medidas protetivas, também aumentaram os registros de feminicídio. Parte desse crescimento pode ser explicada por uma melhora na classificação dos crimes, já que muitos homicídios de mulheres anteriormente não eram identificados como feminicídios. Mas não é só isso. Matsuda explica que o Brasil ainda convive com elevados índices de violência de gênero, sustentados por desigualdades históricas, relações marcadas pelo controle masculino e uma cultura que naturaliza comportamentos abusivos. Praticamente oito em cada dez feminicídios de 2025 foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em muitos casos, as vítimas já haviam sofrido agressões anteriores, registrado boletins de ocorrência ou solicitado medidas protetivas. Para Matsuda é inegável que a legislação é avançada, mas sua eficácia foi comprometida porque o Brasil tem priorizado o aumento das punições, enquanto deixa de implementar plenamente a rede de proteção, prevenção e assistência prevista na própria lei. "Hoje a gente tem uma aposta na estratégia criminalizadora e que nunca vai funcionar sozinha. Ninguém pensa em não cometer um crime porque a pena é de 20 ou 40 anos. A punição é importante, mas ela não muda um cenário de violência", diz a professora. "Assim, a gente tem uma descaracterização desta lei e uma desconstrução daquele projeto que era muito mais complexo. Um projeto que apostava no engajamento da sociedade e dos diversos setores do poder público para reduzir a violência contra a mulher", acrescenta. Em 2024 a lei 14.994 aumentou para 20 a 40 anos de reclusão a pena para o crime de feminicídio. Antes disso, a punição era de 12 a 30 anos. A distância entre a lei e a realidade Na prática, a aplicação da Lei Maria da Penha varia significativamente entre os estados e municípios brasileiros. Em seu artigo 12, a lei diz que os estados e o Distrito Federal deverão dar prioridade, no âmbito da Polícia Civil "à criação de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), de Núcleos Investigativos de Feminicídio e de equipes especializadas para o atendimento e a investigação das violências graves contra a mulher". No entanto, o país conta com cerca de 700 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, segundo dados das polícias civis dos estados e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Número bem inferior aos mais de 5,5 mil municípios que há no país. Nas cidades onde não há delegacia especializada, a mulher precisa procurar uma delegacia comum, onde muitas vezes faltam profissionais capacitados para lidar com casos de violência doméstica. Quando a medida protetiva não basta As medidas protetivas são consideradas um instrumento importante da Lei Maria da Penha. Elas podem determinar o afastamento do agressor, proibir contato com a vítima, restringir a aproximação e, em determinadas situações, autorizar sua prisão. O problema é que a eficácia dessas decisões depende de fiscalização. E esse é um dos principais problemas, segundo a advogada Sueli Amoedo, especialista em Direito das Mulheres. Não há equipes suficientes para monitorar o cumprimento das medidas, fazendo com que grande parte dessas mulheres continuem a ser perseguidas pelo agressor, sem qualquer acompanhamento policial. Neste ano foi sancionada a lei 15.383, que estabelece que agressores que colocarem em risco a vida de mulheres e crianças, em casos de violência doméstica, deverão usar tornozeleira eletrônica de imediato. No entanto, a fiscalização ainda é falha. "Apesar de existir na lei esses mecanismos de proteção à vítima, ainda há lacunas. Como fiscalizar as tornozeleiras eletrônicas ou se a medida protetiva está sendo cumprida? Não há efetivo humano e falta investimento do Estado para que a lei seja cumprida", enfatiza Amoedo, que também é líder nacional jurídica do Projeto Justiceiras. A iniciativa oferece acolhimento e apoio multidisciplinar gratuitos para mulheres vítimas de violência. No último ano, 132.025 medidas foram descumpridas, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, alta de 16,7% em relação a 2024, com 112.695 casos de descumprimento. O ciclo da violência dificulta a denúncia Outro desafio, segundo os especialistas, está relacionado ao próprio ciclo em que está inserida a violência doméstica. Isso porque a agressão costuma ocorrer de forma gradual, alternando episódios de violência psicológica, física, patrimonial, moral e sexual com períodos de aparente reconciliação. Esse ciclo dificulta que muitas mulheres rompam o relacionamento logo após as primeiras agressões. Além disso, fatores econômicos, dependência financeira, presença de filhos, medo de represálias e ausência de rede de apoio fazem com que muitas vítimas permaneçam com o agressor por anos. Há ainda casos em que mulheres desistem da denúncia por receio de perder a única fonte de renda da família ou por acreditarem que o companheiro mudará de comportamento. Esses fatores mostram que o enfrentamento da violência doméstica vai além da atuação policial e exige políticas públicas voltadas para autonomia financeira, assistência social e apoio psicológico às vítimas. "O mercado de trabalho ainda é machista e preconceituoso com a mulher, fazendo com que ela fique vulnerável financeiramente. E isso abre portas para que ela fique mais sujeita a sofrer violência dentro de casa", acrescenta Matsuda. O que ainda precisa avançar Ao completar 20 anos, a Lei Maria da Penha permanece como um dos principais instrumentos de proteção das mulheres brasileiras. Mas sua real efetividade depende da consolidação de políticas públicas capazes de transformar direitos previstos no papel em proteção concreta. "O que falta para que a Lei Maria da Penha se torne eficiente é que os agentes aplicadores da lei possam aplicá-la de forma rigorosa, eficiente e perene. Que a lei possa ter um engajamento de competência profissional mais alinhado com a letra da lei e também uma melhor integração das forças de enfrentamento à violência. Então, é um esforço essencialmente humano e de orçamento", diz Regina Célia, vice-presidente do Instituto Maria da Penha. Outras demandas são a expansão das delegacias especializadas, funcionamento ininterrupto dos serviços de atendimento, fortalecimento das casas de acolhimento, ampliação das patrulhas Maria da Penha, monitoramento eletrônico efetivo de agressores, capacitação permanente e ampliação de efetivo de policiais e profissionais da Justiça. Além de investimento em programas de prevenção nas escolas. "A prevenção e a educação assumem cada vez mais um papel fundamental. É necessário desenvolver nas escolas programas de educação para igualdade de gênero desde a infância, se não as próximas gerações vão chegar na idade adulta com o mesmo viés de comportamento patriarcal, machista e desrespeitoso. O comportamento violento se instala na fase da adolescência, seja de a menina aceitar os pequenos atos abusivos que depois vão evoluir gradativamente para violências mais graves, como os meninos passam a exercer esses atos", diz João Francisco de Carvalho Pinto Santos, presidente do Bem Me Quer Mulher, programa de enfrentamento da violência contra a mulher no Brasil. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro. |
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| Short teaser | Marco no enfrentamento da violência contra as mulheres completa 20 anos, mas distância entre lei e realidade persiste. | ||
| Author | Simone Machado | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/feminicídios-seguem-em-alta-20-anos-após-lei-maria-da-penha/a-78218994?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
| Image URL (700 x 394) |
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| Image caption | Efetividade da Lei Maria da Penha depende de uma estrutura pública que ainda não funciona por completo no país, mesmo após duas décadas, apontam especialistas | ||
| Image source | Ettore Chiereguini/AP Photo/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/75346997_303.jpg&title=Feminic%C3%ADdios%20seguem%20em%20alta%2020%20anos%20ap%C3%B3s%20Lei%20Maria%20da%20Penha | ||
| Item 13 | |||
| Id | 78103224 | ||
| Date | 2026-08-01 | ||
| Title | Por que os brasileiros estão trocando mais de emprego | ||
| Short title | Por que os brasileiros estão trocando mais de emprego | ||
| Teaser |
Em vez de estabilidade, job hopping: sobretudo os jovens dão cada vez mais valor ao desenvolvimento profissional e à identificação com a cultura da empresa.Há apenas seis anos formada em arquitetura, Clara Martinez já trabalhou em quatro empresas. Na primeira troca, o motivo foi exclusivamente financeiro. Depois ela passou a priorizar desafios e desenvolvimento profissional, a ponto de recusar uma contraproposta superior à nova oferta. Na troca mais recente, ela deixou um emprego estável, mas sem perspectivas de crescimento, para ingressar numa empresa maior: manteve o mesmo salário, abriu mão do trabalho remoto e apostou num plano de carreira de longo prazo. "Eu não fugi de um ambiente ruim. Eu fugi da estagnação", conta. A trajetória da arquiteta reflete um movimento cada vez mais comum no mercado de trabalho: o job hopping, prática de trocar de emprego com frequência em busca não apenas de salários maiores, mas também de desenvolvimento profissional, flexibilidade e até maior identificação com a cultura da nova empresa. Os números por trás da tendência Dados da consultoria Michael Page comprovam essa tendência: 44% dos brasileiros buscam ativamente outra oportunidade, enquanto 39% consideram deixar o emprego atual. Uma recente pesquisa do Ministério do Trabalho e Emprego mostra que principalmente os jovens estão trocando de emprego. Entre pessoas de 25 a 29 anos, 25,3% deixam o trabalho antes de completar um ano. Na faixa de 18 a 24 anos, esse percentual sobe para 38,2% e, entre adolescentes de 14 a 17 anos, supera a metade (52%). Segundo o levantamento, baixos salários, longas jornadas e poucas oportunidades de desenvolvimento profissional ajudam a explicar esse comportamento. Diante da percepção de que não haverá investimento em sua carreira, muitos jovens optam por pedir demissão em busca de empregos semelhantes que ofereçam alguma vantagem adicional. Para o consultor Lucas Oggiam, diretor executivo da Michael Page Brasil, o aumento da rotatividade tem diferentes causas. Em parte ela decorre de decisões voluntárias dos profissionais, e em parte reflete demissões ligadas ao cenário econômico. Segundo ele, a troca frequente de emprego já vinha acontecendo nos últimos anos, mas não da mesma forma em todos os níveis hierárquicos. Funções operacionais e de entrada tradicionalmente têm maior rotatividade, enquanto executivos da alta liderança (os chamados C-levels) permanecem mais tempo na mesma empresa. Já quando as mudanças acontecem por razões econômicas, ciclos mais curtos nem sempre representam uma escolha do trabalhador, mas, em muitos casos, cortes de custos e reestruturações nas empresas. Da estabilidade ao propósito Para a pesquisadora Maira Blasi, especializada em futuro do trabalho, a estabilidade no emprego perdeu espaço para outras vantagens, como uma carreira mais diversificada e alinhada a um propósito profissional. Ela avalia que a expansão do ensino superior e do acesso à internet ampliou o acesso à informação, às oportunidades e a diferentes referências de carreira. "À medida que os brasileiros se tornam mais escolarizados e que a informação mundial circula livremente, a população acessa outros referenciais no mundo, outros jeitos de viver a vida", diz Blasi. Ao mesmo tempo, a estabilidade oferecida pelas empresas não é mais a mesma. Demissões em massa, contratação de trabalhadores como pessoa jurídica e projetos mais curtos reduziram a atratividade de permanecer muitos anos na mesma organização. "Um lado passou a não prometer estabilidade, e o outro passou a pensar: 'Vou ver como está a minha carreira'", diz Blasi. "Quando você 'pejotiza' alguém que antes ocupava uma vaga com características fixas, de CLT, abre espaço para essa pessoa se sentir menos presa à empresa", diz. Diversidade e inclusão Outro fator para trocar de emprego é a busca por ambientes de trabalho mais inclusivos. A maior visibilidade midiática de temas como neurodiversidade e diversidade de gênero levou muitos profissionais a questionarem o ambiente de trabalho tradicional. Em consequência, empresas que oferecem flexibilidade, políticas de diversidade e melhores condições para conciliar vida pessoal e trabalho se tornaram mais atrativas. Para Blasi, depois da pandemia, a vida fora do trabalho ganhou mais importância, levando profissionais a experimentarem novas empresas e modelos de trabalho. "Se uma empresa não fala de diversidade, eu vou testar outra. Se aqui eu não posso cuidar do meu filho, vou tentar em outra", resume. A insatisfação com lideranças é outro fator que pesa, pois trabalhar num ambiente tóxico tem efeitos negativos também sobre a vida pessoal. Autodescoberta profissional Aos 36 anos, Ana Zampolo, especialista em educação corporativa, também se rendeu ao job hopping. Nos últimos seis anos, passou por cinco empresas e ainda abriu e fechou o próprio negócio. Também migrou da logística, sua área de formação, para a área organizacional. Para ela, as mudanças fizeram parte de um processo de autodescoberta profissional. Para a profissional, nem toda mudança de emprego significou um aumento de salário. Em alguns momentos, ela aceitou ganhar menos para se aproximar da área em que desejava construir a carreira. "Eu aceitei fechar minha empresa e vir para cá porque era interessante no recálculo de rota. Eu vi um caminho." Hoje, ela afirma que, em vez de estabilidade, valoriza mais o propósito e os valores pessoais. "Eu não busco estabilidade. Eu busco realização, propósito, que a empresa seja conforme com aquilo que eu tenho como objetivos de vida. Se aquele lugar ou aquelas funções não estão me levando aonde eu quero como pessoa, como carreira, eu não continuo ali. O que me interessa é fazer carreira dentro da minha vida", diz Zampolo. Isso não significa descartar uma trajetória de longo prazo. Ela diz que aceitaria permanecer por muitos anos na mesma empresa se houvesse um plano de carreira claro, com metas, prazos e oportunidades concretas de crescimento. O que pensam os recrutadores Nem Martinez nem Zampolo dizem ter sido questionadas por recrutadores sobre as frequentes mudanças de emprego. Pelo contrário. "Na verdade, eu recebi como feedback positivo que eu nunca estou parada", diz a arquiteta. Especialistas alertam, porém, que o contexto dessas mudanças continua sendo determinante. Para Oggiam, quando o profissional está em início de carreira, é natural buscar cargos diferentes e numa velocidade maior de mudança. Já executivos tendem a construir trajetórias mais longas. Segundo ele, aos recrutadores interessa sobretudo entender as razões por trás das mudanças. Já os empregadores tendem a avaliar se aquele comportamento pode voltar a se repetir. Ele também descreve que, mesmo em áreas com alta rotatividade, como tecnologia, muitas empresas continuam valorizando trajetórias duradouras. Segundo os especialistas, não há um período considerado ideal para permanência num emprego. Blasi diz que o recomendado é permanecer pelo menos um ano em cada organização, mas o mais importante é ficar tempo suficiente para entregar resultados e saber explicar o impacto que o próprio trabalho teve. --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. 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| Short teaser | Em vez de estabilidade, job hopping: jovens dão cada vez mais valor a desenvolvimento profissional e cultura da empresa. | ||
| Author | Larissa Maia | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/por-que-os-brasileiros-estão-trocando-mais-de-emprego/a-78103224?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
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| Image caption | A flexibilidade oferecida pelo home office é um fator importante para muitos profissionais | ||
| Image source | Erik Reis/IKOstudio/Zoonar/picture alliance | ||
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| Item 14 | |||
| Id | 77647317 | ||
| Date | 2026-06-21 | ||
| Title | Milhares de pessoas celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Short title | Milhares celebram o solstício de verão em Stonehenge | ||
| Teaser |
Com coroas de flores, 20 mil visitantes se dirigiram ao monumento milenar no Reino Unido para acompanhar o nascer do Sol do dia mais longo do ano no Hemisfério Norte.Uma multidão de mais de 20 mil pessoas se reuniu no início da manhã deste domingo (21/06) no milenar sítio arqueológico de Stonehenge, no Reino Unido, para ver o nascer do sol às 4h25 (0h25 em Brasília) no dia mais longo do ano no Hemisfério Norte, segundo a organização pública English Heritage, que administra monumentos históricos na Inglaterra. Os visitantes, alguns usando coroas de flores, tocaram o monumento antigo e comemoraram quando o sol resplandecente surgiu no horizonte enevoado. "Ao amanhecer do dia mais longo do ano, recebemos mais de 20.000 pessoas para celebrar juntas, com milhares de outras participando de todo o mundo por meio de nossa transmissão ao vivo", informou no domingo a English Heritage, organização que administra o sítio de Stonehenge. Em 21 de junho, o Hemisfério Norte da Terra está inclinado ao máximo em direção ao Sol, resultando no dia mais longo do ano. O oposto ocorre no Hemisfério Sul, que tem seu dia mais longo em 21 de dezembro. O círculo de pedras megalíticas pré-histórico situado na Planície de Salisbury, em Wiltshire (sudoeste da Inglaterra), parece ter sido construído há milhares anos para se alinhar com a trajetória do Sol nesses dias. Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de pedras, que chegam a ter 5 metros de altura e a pesar quase 50 toneladas, localizada na Inglaterra, no condado de Wiltshire, na Planície de Salisbury. Stonehenge é um dos monumentos pré-históricos mais famosos do mundo. Formado por enormes blocos de pedra organizados em círculos, ele foi construído ao longo de várias etapas entre aproximadamente 3000 a.C. e 2000 a.C. Embora seu propósito exato ainda seja desconhecido, pesquisadores acreditam que Stonehenge tenha servido como local de cerimônias religiosas, espaço de sepultamento e até como observatório astronômico, devido ao seu alinhamento com o Sol durante os solstícios. Algumas pedras pesam mais de 25 toneladas e parte delas foi transportada de regiões localizadas a centenas de quilômetros de distância. Por causa de sua importância histórica e cultural, Stonehenge foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1986. Como funcionam as celebrações em Stonehenge? A partir de 1978, o acesso do público a Stonehenge passou a ser restrito — os visitantes não podiam mais circular livremente entre as pedras —, em resposta a casos de vandalismo e ao aumento da erosão decorrentes do rápido crescimento do número de turistas. As reuniões modernas por ocasião do solstício tiveram início já em meados do século 19, facilitadas pelo acesso ferroviário à cidade vizinha Salisbury. Esses eventos, de caráter um tanto mais anárquico e espontâneo, chegaram a um fim violento em 1985, quando a polícia e um grupo de centenas de visitantes entraram em confronto no que ficou conhecido como a Batalha de Beanfield. Enquanto a polícia tentava fazer cumprir uma liminar obtida pelas autoridades locais para impedir a passagem dos visitantes — inicialmente por meio de um bloqueio na estrada —, mais de 500 pessoas acabaram sendo presas. Foi um dos maiores episódios de prisão em massa no Reino Unido depois Segunda Guerra Mundial. A partir do ano 2000, a English Heritage passou a permitir o acesso controlado ao sítio de Stonehenge durante os dois solstícios — bem como nos equinócios de primavera e outono. Desde então, esses eventos ganharam popularidade. Solstício de verão em meio a uma onda de calor A celebração ocorreu enquanto o Reino Unido e grande parte da Europa permanece sob alertas de calor intenso. No domingo, as temperaturas na região de Salisbury estavam comparativamente amenas para os padrões nacionais, com previsão de máximas de 29 °C. Na França, no entanto, o governo proibiu o consumo de álcool em locais públicos durante as celebrações do Dia da Música, que marcam o solstício de verão. O evento inclui milhares de shows em praças de vilarejos, locais de música eletrônica e casas noturnas de Paris, reunindo comunidades e atraindo cada vez mais visitantes internacionais. Ainda na França são esperadas máximas de 40 °C no domingo, com a segunda-feira provavelmente ainda mais quente, com serviços de emergência e as forças militares foram colocados em alerta contra incêndios florestais. Há também previsão de temperaturas atingindo 37 °C em Roma e 39 °C em Madri na segunda-feira. O Met Office britânico informou que o calor deve atingir um pico de cerca de 35°C na terça e na quarta-feira, o que gerou alertas meteorológicos, alertas de saúde e preocupações com as pessoas vulneráveis. Os meteorologistas afirmaram que a próxima semana pode quebrar o recorde da temperatura mais alta já registrada em junho, de 35,6 °C, estabelecido em 1976 em Southampton. jps (dpa, DW, ots) |
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| Short teaser | Vinte mil visitantes se dirigiram ao monumento para acompanhar nascer do Sol do dia mais longo no Hemisfério Norte | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/milhares-de-pessoas-celebram-o-solstício-de-verão-em-stonehenge/a-77647317?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
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| Image caption | Alguns dos visitantes exibiram flores sobre a cabeça para celebrar o solstício em Stonehenge | ||
| Image source | Alberto Pezzali/AP Photo/picture alliance | ||
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| Item 15 | |||
| Id | 53832364 | ||
| Date | 2026-05-03 | ||
| Title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Short title | A presença militar dos EUA na Alemanha na mira de Trump | ||
| Teaser |
Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número de tropas americanas no país europeu. EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha e decisão pode marcar grande mudança na relação de defesa entre os dois países Em meio a uma troca de farpas entre os EUA e a Alemanha, o Pentágono anunciou nesta semana que pretende retirar 5 mil dos seus militares que estão atualmente baseados no país europeu. Segundo o anúncio, a retirada deve ser completada num período de 6 a 12 meses. No sábado (02/05), foi a vez de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a retirada pode ser ainda mais ampla. "Vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais do que 5.000", disse Trump a repórteres. O movimento de retirada ocorre após Trump se enfurecer com declarações críticas à condução da guerra do Irã feitas pelo chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na segunda-feira, Merz afirmou que os que os Estados Unidos estão sendo "humilhados" em sua guerra contra o Irã e que parece faltar a Washington uma estratégia clara no conflito. Um dia depois, Trump respondeu que o alemão "não tem ideia do que está falando". "Merz acha ok o Irã ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!", disse em um post na rede Truth Social. Logo depois, veio o anúncio de redução de tropas baseada na Alemanha. Como parte da decisão, um plano da era Joe Biden para enviar um batalhão americano com mísseis Tomahawk de longo alcance para a Alemanha também foi abandonado. Não é a primeira vez que Trump faz movimentos para reduzir a quantidade de tropas dos EUA na Alemanha. Em 2020, o republicano chegou a anunciar um plano ainda mais drástico de redução, mas a iniciativa foi abandonada após a derrota de Trump para Joe Biden no mesmo ano. Presença militar dos EUA na AlemanhaSegundo o Pentágono entre 34 mil e 36 mil soldados ocupam atualmente em caráter permanente as bases americanas em solo alemão. Se incluídas as unidades militares em rotação, o número pode chegar temporariamente a 50 mil. Além do contingente militar, cerca de 15 mil civis americanos trabalham para o Departamento de Defesa dos EUA na Alemanha. A República Federal da Alemanha tem sido parte vital da estratégia de defesa dos Estados Unidos na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial: durante dez anos as forças americanas integraram a ocupação dos Aliados no país. Embora o contingente tenha diminuído drasticamente desde então, nas décadas seguintes comunidades militares americanas se formaram em torno de diversas cidades, e os militares dos EUA ainda são uma presença importante no país. A importância estratégica da Alemanha para os EUA se reflete na localização do quartel-general do Comando Europeu dos EUA (Eucom) na cidade de Stuttgart, no sudoeste do país, que serve como estrutura de coordenação partes todas as forças militares americanas em 51 países, principalmente europeus. A missão da Eucom é proteger e defender os EUA, impedindo conflitos, apoiando parcerias como a Otan e combatendo ameaças transnacionais. Sob seu comando estão o Exército, as Forças Aéreas e o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA na Europa, todos com unidades na Alemanha. A Alemanha abriga a maior parte das tropas americanas na Europa. Só no Japão os EUA mantêm mais pessoal militar. No entanto os números na Alemanha vêm caindo nos últimos anos: dados do governo alemão mostram que desde 2006 o número de militares dos EUA baseados na Alemanha diminuiu em mais da metade, sendo que há 20 anos a cifra chegava a 72.400. Fuzileiros navais, soldados e aviadoresA Alemanha abriga cinco guarnições do Exército americano e o quartel-general do Exército dos EUA na Europa está sediado na guarnição de Wiesbaden, próximo a Frankfurt, no centro-oeste do país. Dados fornecidos pelas Forças Armadas dos EUA mostram que essas cinco guarnições, cada uma englobando várias bases em locais diferentes, compreendem atualmente cerca de 23 mil militares. Esse número inclui as Forças de Fuzileiros Navais da Europa e da África, com sede em Böblingen, sudoeste da Alemanha, como parte da Guarnição do Exército dos EUA em Stuttgart. Além disso, há cerca de 13 mil membros da Força Aérea dos EUA espalhados por vários locais na Alemanha, incluindo as duas bases aéreas americanas em Ramstein e Spangdahlem. Mais do que apenas soldadosComo as instalações militares dos EUA também empregam civis e militares por vezes podem levar suas famílias para o exterior, consideráveis comunidades de civis se formam em torno dessas instalações. Na verdade, algumas bases americanas na Alemanha, como a de Ramstein, são pequenas cidades autônomas, englobando não só quartéis, aeroportos, áreas para exercícios militares e depósitos de materiais, mas também seus próprios shoppings, escolas, serviços postais e força policial americanos. Em certos casos, a única moeda corrente é o dólar americano. Atualmente, a guarnição do Exército dos EUA na Baviera, com quartel-general em Grafenwöhr, perto da fronteira com a República Tcheca, é a maior base do Exército americano no exterior, tanto em número de militares quanto em superfície, espalhando-se por mais de 390 quilômetros quadrados. As bases também costumam empregar um número significativo de residentes e servem de impulso econômico às comunidades alemãs adjacentes, cujas empresas fornecem bens e serviços. O fechamento de instalações anteriores, como a guarnição do Exército em Bamberg em 2014, afetou a economia local, e muitos alemães que vivem perto de instalações militares americanas manifestam oposição a possíveis reduções de tropas. Porém a extensão da presença militar dos EUA na Alemanha não se limita ao pessoal: o país também mantém aviões em outras bases aéreas não americanas em solo alemão. Além disso, calcula-se que 20 ogivas nucleares sejam mantidas na Base Aérea de Büchel, no âmbito do Acordo de Compartilhamento Nuclear da Otan, fato que suscitou muitas críticas por parte dos alemães. A importância de RamsteinA Base Aérea de Ramstein, no estado alemão da Renânia-Palatinado, é a maior base militar americana fora do país. Ela serve como um centro logístico para tropas, equipamentos e cargas a caminho do Oriente Médio, África e Europa Oriental. Ramstein também é o quartel-general da Força Aérea dos EUA na Europa e serve como centro de comando da Otan para vigilância do espaço aéreo militar de todos os parceiros europeus. A base aérea também abriga uma estação de retransmissão de satélites, de grande importância para o destacamento de drones de combate americanos, por exemplo, no Oriente Médio. Como a curvatura da Terra não permite o controle direto de drones a partir dos EUA, os sinais são retransmitidos por satélite via Ramstein. A base também funciona como um centro médico, já que soldados feridos da Europa, África ou Oriente Médio são transportados de avião para Ramstein e tratados no Centro Médico Regional de Landstuhl, adjacente à base, o maior hospital militar americano fora dos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o hospital recebeu soldados americanos feridos em ataques do Irã a países do Golfo. Ambas as instalações fazem parte da Comunidade Militar de Kaiserslautern, que abrange dezenas de milhares de soldados americanos, funcionários civis e seus familiares. Spangdahlem, por sua vez, é a segunda maior base da Força Aérea dos EUA em solo alemão, fica a cerca de 120 quilômetros mais a noroeste. Ao contrário de Ramstein, Spangdahlem serve principalmente para missões operacionais de combate. Um esquadrão de caças composto por cerca de 20 jatos F-16 está estacionado na base, funcionando como uma força de reação rápida em tempos de crise. O esquadrão ajuda a proteger o flanco leste da Otan e é especializado em eliminar as defesas aéreas inimigas. Ocupação aliada do pós-guerra e seu legadoA presença militar dos EUA na Alemanha é um legado da ocupação aliada pós-Segunda Guerra Mundial, que durou de 1945 a 1955. Durante esse período, milhões de militares americanos, britânicos, franceses e soviéticos estiveram estacionados na Alemanha. A parte nordeste do país ficou sob controle soviético, tornando-se oficialmente a República Democrática Alemã (RDA) em outubro de 1949. Na parte ocidental, a ocupação foi regulamentada pelo Estatuto da Ocupação, assinado em abril de 1949, quando foi fundada a República Federal da Alemanha. O estatuto permitiu que França, Reino Unido e EUA mantivessem forças de ocupação no país e o controle completo sobre o desarmamento e desmilitarização da antiga Alemanha Ocidental. Quando a ocupação militar da República Federal da Alemanha (RFA) terminou oficialmente, o país recuperou o controle de sua própria política de defesa. No entanto, o Estatuto de Ocupação foi sucedido por outro acordo com seus parceiros na Otan. O pacto – conhecido como Convenção sobre a Presença de Forças Estrangeiras na República Federal da Alemanha e assinado pelos alemães em 1954 – permitiu que oito países-membros da Otan, incluindo os EUA, mantivessem presença militar permanente na Alemanha. O tratado ainda regula os termos e condições das forças da Otan estacionadas hoje na RFA. O número de militares americanos na Alemanha vem diminuindo desde o fim da Guerra Fria, em 1990, quando, segundo Berlim, havia cerca de 400 mil soldados estrangeiros baseados no país. Cerca de metade deles eram americanos, mas foram gradualmente retirados à medida que diminuíam as tensões com os Estados sucessores da União Soviética, e conflitos em outros lugares, como a guerra do Iraque, requeriam mais militares dos EUA. Qual a importância das bases militares americanas para a economia alemã?As bases americanas são um fator econômico importante para a Alemanha. Muitas delas estão localizadas em regiões rurais do país, onde as forças armadas americanas atuam como o maior investidor e empregador. Mais de 10 mil alemães trabalham diretamente para as forças armadas americanas, enquanto estima-se que 70.000 empregos na Alemanha estejam indiretamente ligados a empresas que prestam serviços às Forças Armadas americanas, por exemplo, no setor da construção civil ou na indústria de serviços. Além disso, os soldados americanos baseados na Alemanha e suas famílias gastam grande parte de seus salários em lojas e empresas alemãs. A comunidade militar, por si só, contribui com até 3,5 bilhões de euros (US$ 4,1 bilhões) anualmente para as economias regionais. |
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| Short teaser | EUA têm mais de 30 mil tropas na Alemanha. Furioso com governo alemão, Trump quer reduzir número. | ||
| Author | Ben Knight , Thomas Latschan | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/a-presença-militar-dos-eua-na-alemanha-na-mira-de-trump/a-53832364?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=A%20presen%C3%A7a%20militar%20dos%20EUA%20na%20Alemanha%20na%20mira%20de%20Trump | ||
| Item 16 | |||
| Id | 76191308 | ||
| Date | 2026-03-03 | ||
| Title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Short title | "Acordo Mercosul-UE não é uma troca de carros por vacas" | ||
| Teaser |
Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos do tratado de livre-comércio caracterizam de maneira equivocada o setor agrícola europeu e a indústria brasileira.O embaixador do Brasil na Alemanha rechaçou as críticas de setores políticos europeus ainda resistentes ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Brasil. Segundo Rodrigo de Lima Baena Soares, a caracterização do tratado como uma "troca de carros por vacas" é um "desserviço" que não faz jus nem ao setor agrícola europeu nem à indústria brasileira. "É preciso parar com a ideia de que esse acordo é uma troca de 'carros por vacas', uma expressão que circula tanto no discurso brasileiro quanto no europeu. Isso é uma caricatura e presta um desserviço. Isso caracteriza de maneira equivocada tanto a economia da Europa quanto a brasileira", disse Baena Soares, citando uma expressão crítica que virou um slogan de opositores do acordo, sobretudo na Europa. "Pelo lado europeu, essa narrativa apresenta o agricultor do continente como vítima de uma ameaça existencial por parte dos agricultores sul-americanos. Só que a União Europeia é o maior exportador mundial de alimentos. E os agricultores europeus produzem alguns dos bens mais valorizados e sofisticados do mundo. Está longe de ser uma indústria frágil", disse Baena Soares, que assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado. "E do lado brasileiro, há também um certo desajuste como o acordo é visto, de que seria apenas fornecimento de matérias-primas, quando a realidade é outra. A indústria brasileira exportou 181 bilhões de dólares em 2024. [O acordo] é uma oportunidade para a indústria, e não uma concessão. Com o acordo, as tarifas para a importação de máquinas cairão de 11,6% para menos de 1% até 2040", acrescentou. Baena Soares fez as declarações na segunda-feira (02/02) durante o evento "Diálogos Internacionais Brasil-Alemanha", que ocorre nesta semana na Universidade de Frankfurt, no oeste alemão, e que é promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais). Mensagem clara ao mundo O diplomata também classificou como "excelente notícia" que a Comissão Europeia tenha anunciado no fim de fevereiro que pretende implementar o acordo de forma provisória, enquanto seguir pendente um pedido de parecer apresentado pelo Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), um processo que pode se arrastar por até dois anos. "Estou otimista que a Corte de Justiça da UE reconhecerá o acordo." Baena Soares também disse o acordo é um "sinal inequívoco" do comprometimento do Brasil "com o multilateralismo". "O acordo é uma mensagem clara ao mundo que ainda há espaço para multilateralismo, apesar de todas tensões geopolíticas e o crescente protecionismo de alguns países". "Mostra que divergências podem ser superadas por meio da negociação e do compromisso, um aspecto que anda difícil como atestam os últimos acontecimentos. Nós também não podemos subestimar o impacto político que esse acordo terá. Nosso diálogo político com a UE já é bom e vai ser ainda mais facilitado e fortalecido. Vamos lembrar que todos os países da UE e do Mercosul são países democráticos", disse. "Esse acordo não é o destino, é a infraestrutura de uma jornada cujas dimensões plenas ainda vão ser mapeadas." Negociado ao longo de duas décadas, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e EU foi finalmente assinado em janeiro, em Assunção, no Paraguai. Nas semanas seguintes, o Uruguai e a Argentina se tornaram os primeiros países a ratificar o tratado. Já na Europa ainda não há consenso pleno. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu judicializar a questão, pedindo para que o Tribunal de Justiça da UE julgue a legalidade do tratado. Para evitar que a questão se arraste nos tribunais, a Comissão Europeia (o braço executivo do bloco) anunciou que vai implementar o acordo de forma provisória. Dentro do bloco europeu, o acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, mas ainda sofre resistência sobretudo da França, o principal produtor agrícola da UE. |
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| Short teaser | Embaixador do Brasil na Alemanha aponta que críticos caracterizam o tratado de livre-comércio de maneira equivocada. | ||
| Author | Jean-Philip Struck (enviado a Frankfurt) | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/acordo-mercosul-ue-não-é-uma-troca-de-carros-por-vacas/a-76191308?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
| Image URL (700 x 394) |
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| Image caption | Baena Soares assumiu a liderança da embaixada brasileira em Berlim no ano passado | ||
| Image source | Maksim Konstantinov/Russian Look/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/76194394_303.jpg&title=%22Acordo%20Mercosul-UE%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20uma%20troca%20de%20carros%20por%20vacas%22 | ||
| Item 17 | |||
| Id | 75011709 | ||
| Date | 2025-12-04 | ||
| Title | Investigação conclui que chefe do Pentágono pôs soldados em risco ao usar Signal | ||
| Short title | Chefe do Pentágono teria arriscado tropas ao usar Signal | ||
| Teaser |
Relatório do inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos rebeldes houthis do Iêmen.O secretário de Defesa dos EUA , Pete Hegseth, colocou militares e a missão americana em risco ao divulgar, num chat no aplicativo de mensagens Signal, informação confidencial sobre um ataque a milícias houthis no Iêmen, segundo um relatório do órgão de fiscalização do Pentágono. A informação foi divulgada pela imprensa americana, que cita pessoas familiarizadas com os resultados da investigação do inspetor-geral do Pentágono, que ainda não foram divulgados publicamente. O que foi apurado aumenta a pressão sobre o antigo apresentador da emissora Fox News, que, num outro caso, está sendo acusado de ter dado uma ordem para matar náufragos de uma embarcação que havia sido atacada pelos EUA no Mar do Caribe em 2 de setembro. Hegseth não violou as regras de classificação com o chat no Signal, segundo o relatório, pois, como chefe do Pentágono, ele tem autoridade para desclassificar informações. Mas o aplicativo comercial não poderia ter sido usado para discutir os ataques planejados, afirma o relatório, pois uma informação tão sensível poderia ter colocado em risco a vida de soldados americanos e a própria missão se fosse interceptada. Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral, disseram as pessoas ouvidas, que citam o relatório. Em vez disso, ele forneceu respostas por escrito. Ele também forneceu apenas um pequeno número de suas mensagens do Signal para revisão. Isso significou que a investigação teve que se basear em capturas de tela publicadas pela revista The Atlantic, cujo editor-chefe foi acidentalmente adicionado ao chat, de acordo com fontes. O documento feito pelo gabinete do inspetor-geral do Pentágono foi entregue ao Congresso na noite desta terça-feira (02/12). Uma versão parcialmente editada do relatório deverá ser divulgada publicamente ainda esta semana, possivelmente na quinta-feira. Trump mantém apoio a Hegseth A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a revisão confirma as declarações do governo Trump de que "nenhuma informação confidencial foi vazada e a segurança operacional não foi comprometida". "O presidente Trump mantém o apoio ao secretário Hegseth", comunicou Leavitt na quarta-feira. Numa postagem em rede social na noite de quarta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, chamou o resultado da inspeção de "uma absolvição TOTAL do secretário Hegseth". Segundo ele, o assunto está resolvido e o caso, encerrado. Hegseth debateu ataques no Iêmen O uso do aplicativo de mensagens comercial por Hegseth veio à tona quando o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, foi adicionado por engano a chat no Signal pelo então conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz. O Signal é criptografado, mas não faz parte da rede de comunicações seguras do Departamento de Defesa e seu uso não está autorizado para informações confidenciais. O chat incluía o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, entre outros. Eles debateram as operações militares de 15 de março contra os houthis, que são apoiados pelo Irã, no Iêmen. O chat continha mensagens nas quais Hegseth revelava o horário dos ataques horas antes de eles acontecerem e informações sobre as aeronaves e mísseis envolvidos. Waltz enviava informações em tempo real sobre as consequências da ação militar. Mais tarde descobriu-se que Hegseth havia criado um segundo chat no Signal com 13 pessoas, incluindo sua esposa e seu irmão, onde compartilhou detalhes semelhantes sobre o mesmo ataque. A revista The Atlantic informou que Waltz havia programado algumas das mensagens do Signal para desaparecerem após uma semana e outras, após quatro, o que levantou questões sobre se a lei federal de registros foi violada. Trump rejeitou os pedidos de demissão de Hegseth e atribuiu a maior parte da culpa a Waltz, a quem acabou substituindo como conselheiro de segurança nacional, nomeando-o embaixador dos EUA nas Nações Unidas. as/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa) |
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| Short teaser | Inspetor-geral do Pentágono critica Pete Hegseth por usar app de mensagens para debater ataque aos houthis. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/investigação-conclui-que-chefe-do-pentágono-pôs-soldados-em-risco-ao-usar-signal/a-75011709?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
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| Image caption | Hegseth já está sob pressão devido aos ataques a embarcações no Mar do Caribe | ||
| Image source | Ricardo Hernandez/AP Photo/dpa/picture alliance | ||
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| Item 18 | |||
| Id | 63791517 | ||
| Date | 2025-09-10 | ||
| Title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
| Short title | Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5° da Otan? | ||
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Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. Otan possui mecanismos com medidas a serem adotadas em caso de ataque a seus países-membros.Após drones russo terem invadido nesta quarta-feira (10/09) o espaço aéreo da Polônia, o país – que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – anunciou que invocará o Artigo 4° da aliança. Um Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado por um outro país ou organização terrorista. Logo em seguida, os 30 membros da aliança iniciam consultas formais e analisam se existe uma ameaça e como combatê-la, tomando decisões por unanimidade. O Artigo 4° não significa, entretanto, que haverá uma pressão direta para agir. Esse mecanismo de consulta foi acionado várias vezes na história da Otan. Por exemplo, pela Turquia, há um ano, quando soldados turcos foram mortos num ataque da Síria. Naquela época, a aliança fez consultas entre seus membros, mas decidiu não tomar atitudes. Quais as diferenças entre os Artigos 4° e 5°? Após a Rússia invadir a Ucrânia no final de fevereiro, os membros da Otan Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia evocaram o Artigo 4°. Junto com a Eslováquia, Hungria e Romênia, esses países fazem parte do chamado "flanco oriental" da Otan, que foi reforçado com milhares de tropas de membros da aliança. Na Carta da Otan, o Artigo 4° difere do 5°. Este último estabelece a assistência militar de toda a aliança se um dos Estados-membros for atacado. O Artigo 5° foi acionado apenas uma vez: após os ataques da Al-Qaeda contra os EUA, quando a organização terrorista causou a morte de mais de 3 mil pessoas. Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro, os aliados da Otan também se juntaram aos EUA na luta no Afeganistão. O tratado da Otan se aplica apenas aos Estados-membros. Pelo fato de a Ucrânia não fazer parte da aliança, Kiev não pode acionar o Artigo 4° nem o 5°. |
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| Short teaser | Polônia invocará Artigo 4° da aliança após derrubar drones russos que invadiram seu espaço aéreo. | ||
| Author | Bernd Riegert | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/quais-as-diferenças-entre-os-artigos-4°-e-5°-da-otan/a-63791517?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
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| Image caption | Estado-membro da Otan pode invocar o Artigo 4° do tratado quando se sentir ameaçado | ||
| Image source | Christoph Hardt/Panama/picture alliance | ||
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| Item 19 | |||
| Id | 72986020 | ||
| Date | 2025-06-21 | ||
| Title | Ataques israelenses agravam situação de refugiados afegãos no Irã | ||
| Short title | Conflito agrava situação de refugiados afegãos no Irã | ||
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Em meio à ofensiva israelense, refugiados no Irã enfrentam abusos, fome e medo de deportação enquanto buscam segurança longe do regime talibã. O conflito entre Irã e Israel está sendo sentido pelos afegãos tanto em seu país quanto do outro lado da fronteira, no Irã. O combate piora ainda mais as condições já críticas do Afeganistão, onde os preços dos produtos importados do lado iraniano dispararam. Enquanto isso, milhões de afegãos que fugiram para o Irã em busca de segurança enfrentam agora incertezas e pressões renovadas das autoridades, com a escalada do conflito armado: "Não temos onde morar", queixa-se a refugiada afegã Rahela Rasa. "Tiraram a nossa liberdade de ir e vir. Somos assediados, insultados e maltratados." Condições deterioram para afegãos no IrãO Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) registra que cerca de 4,5 milhões de afegãos residem no Irã, embora segundo outras fontes esse número possa ser muito maior. O Irã já deportou milhares de afegãosnos últimos anos, mas o afluxo continua. Muitos buscam emprego ou refúgio do regime do Talibã. Depois da saída dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021, o Talibã desmantelou a mídia e a sociedade civil do país, perseguiu ex-membros das forças de segurança e impôs severas restrições a mulheres e meninas, proibindo-as de trabalhar e estudar. As condições também se deterioraram para os afegãos que vivem em solo iraniano. Os refugiados só têm permissão para comprar alimentos a preços extremamente inflacionados e estão proibidos de sair da capital, Teerã. Sob anonimato, uma refugiada comenta que não consegue comprar leite em pó para seu bebê: "Em todo lugar aonde eu vou, eles se recusam a vender para mim, porque não tenho documentos necessários." Sem opção de retornoAtualmente alvo de ataques israelenses, o Irã, que antes oferecia abrigo, já não parece mais seguro. Alguns afegãos já morreram em bombardeios. Abdul Ghani, da província afegã de Ghor conta que seu filho Abdul Wali, de 18 anos, recentemente concluiu os estudos e se mudou para o Irã para ajudar a família. "Na segunda-feira, falei com o meu filho e pedi que nos enviasse algum dinheiro. Na noite seguinte, seu empregador me ligou para informar que ele havia sido morto em um ataque. Meu coração está partido. O meu filho se foi." Retornar ao Afeganistão não é uma opção viável para a maioria dos refugiados, que temem ser perseguidos pelo regime talibã. Um ex-membro das forças de segurança do Afeganistão, falando sob anonimato, revela que vivia em medo constante: "Não podemos voltar ao Afeganistão, o Talibã nos perseguiria." Mohammad Omar Dawoodzai, ex-ministro do Interior afegão e embaixador no Irã no governo anterior, insta a comunidade internacional a agir para proteger ex-funcionários e militares que podem ser forçados a retornar ao Afeganistão se o conflito entre Israel e Irã se prolongar. "Estou particularmente preocupado com os ex-militares e servidores públicos que fugiram para o Irã após a tomada do poder pelo Talibã. A comunidade internacional deve responsabilizar o Talibã e garantir que os repatriados não sejam perseguidos." Traficantes de pessoas exploram medosRedes de tráfico humano parecem estar explorando o desespero dos refugiados afegãos. Circularam rumores sugerindo que a Turquia abriu as suas fronteiras. Mas Ali Reza Karimi, um defensor dos direitos dos migrantes, nega a abertura das fronteiras, afirmando tratar-se de informação de falsa, espalhada por traficantes. Os voos estão suspensos, e a fronteira da Turquia só está aberta para cidadãos iranianos e viajantes com passaporte e visto válidos, e permanece fechada para afegãos. Ele aconselha os refugiados afegãos a não caírem nas mentiras dos traficantes e evitarem armadilhas. O ex-ministro Dawoodzai reforça: "Fui informado que traficantes de pessoas estão dizendo aos refugiados para se dirigirem à Turquia, alegando que as fronteiras estão abertas, mas isso cria mais uma tragédia. Chegando lá, eles só vão descobrir que as fronteiras estão fechadas." Ele apela aos refugiados afegãos no Irã para que não precipitem: "Na medida do possível, nosso povo deve permanecer onde está e esperar pacientemente. E se, por qualquer motivo, forem forçados a se mudar, que se dirijam à fronteira afegã, não à Turquia." |
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| Short teaser | Conflito Irã-Israel agrava crise de refugiados afegãos no Irã, que enfrentam abusos, fome e medo de deportação. | ||
| Author | Shakila Ebrahimkhail, Ahmad Waheed Ahmad | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ataques-israelenses-agravam-situação-de-refugiados-afegãos-no-irã/a-72986020?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
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| Item 20 | |||
| Id | 57531509 | ||
| Date | 2025-06-13 | ||
| Title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Short title | Como funciona o Domo de Ferro, sistema antimísseis de Israel | ||
| Teaser |
Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. Devido ao custo alto, só é empregado para proteger áreas habitadas. A escalada das agressões entre Israel e Irã nesta sexta-feira (13/06) colocou à prova a eficácia do sistema antimísseis israelense Iron Dome (Domo de Ferro), que desde 2011 é empregado para impedir ataques aéreos estrangeiros no país. Após o exército israelense atingir instalações nucleares iranianas, Teerã retaliou lançando dezenas de mísseis contra Israel. A maioria foi interceptada pelo sistema de defesa, mas alguns conseguiram furar o bloqueio e atingir sete pontos da capital. Em outubro de 2024, o sistema foi mais eficiente. Na ocasião, o Irã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação à ofensiva israelense no sul do Líbano, mas o Domo de Ferro impediu danos maiores. Desde o início do conflito contra o Hamas, em outubro de 2023, o sistema também já barrou projéteis disparados de Gaza, Líbano, Síria, Iraque e Iêmen. Sistema de três elementosA defesa aérea israelense consiste em um sistema de três níveis. O "David's Sling" (também conhecido como a parede mágica) é responsável por barrar mísseis de médio alcance, drones e mísseis de cruzeiro. O sistema Arrow tem como alvo os mísseis de longo alcance. Já o Domo de Ferro intercepta mísseis de curto alcance e projéteis de artilharia. Louvado como "seguro de vida para Israel", o Domo de Ferro consiste de uma unidade de radar e um centro de controle, com a capacidade de reconhecer, logo após seu lançamento, projéteis – por exemplo, foguetes – que se aproximem voando, e de calcular sua trajetória e alvo. O processo leva apenas segundos. O Domo também conta com baterias para lançamento de mísseis. Cada sistema possui três ou quatro delas, com lugar para 20 projéteis de defesa, os quais só são disparados quando está claro que um míssil mira uma área habitada. Eles não atingem o foguete inimigo diretamente, mas explodem em sua proximidade, destruindo-o. No entanto, a consequente queda de destroços ainda pode causar danos. Os dez sistemas atualmente operacionais em Israel são móveis, podendo ser deslocados segundo a necessidade. Segundo a fabricante, a empresa armamentista estatal Rafael Advanced Defence Systems, uma única bateria é capaz de proteger uma cidade de tamanho médio. 90% de êxito, mas com custos altosO "Domo de Ferro" é especializado na neutralização de projéteis de curto alcance. Como cada unidade age num raio de até 70 quilômetros, seriam necessárias 13 delas para garantir a segurança de todo o país. De acordo com a fabricante, o sistema tem uma taxa de sucesso de 90%. Em seu site, a empresa estatal de defesa fala que mais de 5 mil projéteis já foram interceptados desde suas instação em 2011. Cada projétil interceptador do Domo de Ferro pode custar entre 40 mil e 50 mil euros (R$ 221 mil a 277 mil), segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA. Por este motivo, só são contidos os mísseis que cairiam em áreas habitadas. Nova arma a laser "Iron Beam"Em vista dos altos custos, o exército israelense quer complementar o Domo de Ferro com uma nova arma de defesa a laser, o chamado "Iron Beam". O laser de alta energia foi projetado para destruir pequenos mísseis, drones e projéteis de morteiro. Ele também deve ser capaz de neutralizar enxames de drones. A Iron Beam foi apresentada em fevereiro de 2014 pela Rafael Systems. A empreiteira de defesa americana Lockheed Martin também está envolvida no projeto desde 2022. As vantagens em comparação com o "Iron Dome" são os custos menores por lançamento, um suprimento teoricamente ilimitado de munição e custos operacionais mais baixos. Os valores variam consideravelmente: um lançamento a laser custaria até 2 mil dólares (R$ 5,5 mil). A implantação da nova tecnologia está planejada para 2025. |
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| Short teaser | Aclamado como "seguro de vida" do país, sistema teria interceptado ao menos 5 mil projéteis desde 2011. | ||
| Author | Uta Steinwehr | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-antimísseis-de-israel/a-57531509?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&title=Como%20funciona%20o%20Domo%20de%20Ferro%2C%20sistema%20antim%C3%ADsseis%20de%20Israel | ||
| Item 21 | |||
| Id | 64814042 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Short title | Qual ainda é o real poder dos oligarcas ucranianos? | ||
| Teaser |
UE condicionou adesão da Ucrânia ao bloco ao combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência dos oligarcas na política.Durante uma visita a Bruxelas em 9 de fevereiro, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev espera que as negociações sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) comecem ainda em 2023. O bloco salientou, porém, que essa decisão depende de reformas a serem realizadas no país, como o combate à corrupção. Para isso, é necessário reduzir a influência dos oligarcas na política ucraniana. A chamada lei antioligarca, aprovada em 2021 e que pretende atender a esse requisito, está sendo examinada pela Comissão de Veneza – um órgão consultivo do Conselho da Europa sobre questões constitucionais –, que deverá apresentar as conclusões em março. Lei antioligarca De acordo com a lei, serão considerados oligarcas na Ucrânia quem preencher três dos quatro seguintes critérios: possuir um patrimônio de cerca de 80 milhões de dólares; exercer influência política; ter controle sobre a mídia; ou possuir um monopólio em um setor econômico. Aqueles que entrarem para o registro de oligarcas não podem financiar partidos políticos, ficam impedidos de participar de grandes privatizações e devem apresentar uma declaração especial de imposto de renda. Durante décadas, a política ucraniana girou em um círculo vicioso de corrupção política: os oligarcas financiaram – principalmente de forma secreta – partidos para, por meios de seus políticos, influenciar leis ou regulamentos que maximizariam seus lucros. Por exemplo, era mais lucrativo garantir que os impostos do governo sobre a extração de matérias-primas ou o uso de infraestrutura permanecessem baixos do que investir na modernização de indústrias. Entretanto, a lei antioligarca já surtiu efeitos. No verão passado, o bilionário Rinat Akhmetov foi o primeiro a desistir das licenças de transmissão de seu grupo de mídia. O líder do partido Solidariedade Europeia, o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, também perdeu oficialmente o controle sobre seus canais de TV. E o bilionário Vadim Novinsky renunciou ao seu mandato de deputado. Guerra dilacerou fortunas de oligarcas ucranianos A destruição da indústria ucraniana após a invasão russa reduziu a riqueza dos oligarcas. Em um estudo publicado no final de 2022, o Centro para Estratégia Econômica (CEE), em Kiev, estimou as perdas dos oligarcas em 4,5 bilhões de dólares. Rinat Akhmetov foi o mais impacto: com a captura de Mariupol pelas tropas russas, sua empresa Metinvest Holding perdeu a importante siderúrgica Azovstal e mais um outro combinat. O CEE estima o valor das plantas industriais em mais de 3,5 bilhões de dólares. Além disso, a produção na usina de coque de Akhmetov – localizada em Avdiivka, perto de Donetsk, avaliada em 150 milhões de dólares – foi paralisada devido a danos causados por ataques russos. Os bombardeios do Kremlin também destruíram muitas instalações das empresas de energia de Akhmetov, especialmente usinas termelétricas. Devido à guerra, especialistas da revista Forbes Ucrânia estimam as perdas de Akhmetov em mais de 9 bilhões de dólares. No entanto, ele ainda lidera a lista dos ucranianos mais ricos, com uma fortuna de 4 bilhões de dólares. Já Vadim Novinsky, sócio de Akhmetov na Metinvest Holding, perdeu de 2 bilhões de dólares. Antes da guerra, sua fortuna era estimada em 3 bilhões de dólares. Kolomojskyj: sem passaporte ucraniano e refinaria de petróleo A fortuna do até recentemente influente oligarca Igor Kolomojskyj também diminuiu drasticamente. No ano passado, ataques russos destruíram sua principal empresa, a refinaria de petróleo Kremenchuk, e o CEE estima os danos em mais de 400 milhões de dólares. Kolomoiskyi, juntamente com seu sócio Hennady Boholyubov, controlava uma parte significativa do mercado ucraniano de combustíveis. Eles eram donos, inclusive, da maior rede de postos de gasolina do país. Por meio de sua influência política, Kolomojskyj conseguiu por muitos anos controlar a administração da petroleira estatal Ukrnafta, na qual possuía apenas uma participação minoritária. O controle da maior petrolífera do país, da maior refinaria e da maior rede de postos de gasolina lhe garantia grandes lucros. A refinaria foi destruída, e o controle da Ukrnafta e da refinaria de petróleo Ukrtatnafta foi assumido pelo Estado durante o período de lei marcial. O oligarca, que também possui passaportes israelense e cipriota, perdeu ainda a nacionalidade ucraniana, já que apenas uma cidadania é permitida na Ucrânia. Ele ainda responde a um processo por possíveis fraudes na Ukrnafta, na casa dos bilhões. Dmytro Firtash – que vive há anos na Áustria – é outro oligarca sob investigação. Ele também é conhecido por sua grande influência na política ucraniana. Neste primeiro ano de guerra, ele também perdeu grande parte de sua fortuna. Sua fábrica de fertilizantes Azot, em Sieveirodonetsk, que foi ocupada pela Rússia, foi severamente danificada pelos combates. O CEE estima as perdas em 69 milhões de dólares. Não existem mais oligarcas ucranianos? Os oligarcas perderam recursos essenciais para influenciar a política ucraniana, afirmou Dmytro Horyunov, um especialista do CEE. "Os investimentos na política estão se tornando menos relevantes", disse e acrescentou que espera que a lei antioligarca obrigue as grandes empresas a abrir mão de veículos de imprensa e de um papel na política. Ao mesmo tempo, Horyunov não tem ilusões: muito pouco tem sido feito para eliminar completamente a influência dos oligarcas na política ucraniana. "Enquanto tiverem bens, eles farão de tudo para protegê-los ou aumentá-los". De acordo com os especialistas do CEE, os oligarcas tradicionalmente defendem seus interesses por meio do sistema judicial. Desde 2014, a autoridade antimonopólio da Ucrânia impôs multas de mais de 200 milhões de dólares às empresas de Rinat Akhmetov e dezenas de milhões de dólares às companhias de Ihor Kolomoiskyi e Dmytro Firtash por abuso de posição dominante. Todas essas multas foram contestadas no tribunal, e nenhuma foi paga até o momento, disse o CEE. Apesar de alguns oligarcas terem renunciado formalmente a empresas de comunicação, Ihor Feschtschenko, do movimento "Chesno" (Honesto), duvida que as grandes empresas ficarão de fora das eleições após o fim da guerra. "Acho que a primeira coisa que veremos por parte dos oligarcas é a criação de novos canais de TV e, ao mesmo tempo, partidos políticos ligados a eles", avalia Feshchenko. Ele salienta que, para bloquear o fluxo de fundos não transparentes para as campanhas eleitorais é necessário implementar a legislação sobre partidos políticos. Os especialistas do CEE esperam que, durante o processo de integração à UE, grandes investidores europeus se dirijam à Ucrânia. Ao mesmo tempo, eles apelam às instituições financeiras internacionais, de cuja ajuda a Ucrânia agora depende extremamente, para vincular o apoio a Kiev a progressos no processo de desoligarquização e apoiar as empresas que competiriam com os oligarcas. |
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| Short teaser | UE condiciona adesão da Ucrânia ao bloco a combate à corrupção. Para isso, país precisa reduzir influência de oligarcas. | ||
| Author | Eugen Theise | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/qual-ainda-é-o-real-poder-dos-oligarcas-ucranianos/a-64814042?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
| Image URL (700 x 394) |
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| Image caption | O oligarca ucraniano Rinat Akhmetov sofreu a maior perda após a Rússia invadir a Ucrânia | ||
| Image source | Daniel Naupold/dpa/picture alliance | ||
| RSS Player single video URL | https://rssplayer.dw.com/index.php?lg=bra&pname=&type=abs&image=https://static.dw.com/image/61090061_303.jpg&title=Qual%20ainda%20%C3%A9%20o%20real%20poder%20dos%20oligarcas%20ucranianos%3F | ||
| Item 22 | |||
| Id | 64820664 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Short title | Mortos em terremoto na Turquia e na Síria passam de 50 mil | ||
| Teaser |
De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. Prefeito de Istambul diz ser necessário até 40 bilhões de dólares para se preparar para possível novo grande tremor.Duas semanas e meia após o terremoto de 7,8 de magnitude na área de fronteira turco-síria, o número de mortos aumentou para mais de 50 mil, informaram as autoridades dos dois países nesta sexta-feira (24/02). A Turquia registrou 44.218 mortes, de acordo com a agência de desastres turca Afad, e a Síria reportou ao menos 5,9 mil mortes. Nos últimos dias, não houve relatos de resgate de sobreviventes. Tremores secundários continuam a abalar a região. Neste sábado (25/02), um tremor de magnitude 5,5 atingiu o centro da Turquia, informou o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, a uma profundidade de 10 quilômetros. O observatório sísmico de Kandilli disse que o epicentro foi localizado no distrito de Bor, na província de Nigde, que fica a cerca de 350 quilômetros a oeste da região atingida pelo grande tremor de 6 de fevereiro. Graves incidentes e vítimas não foram reportados após o tremor deste sábado. Segundo a Turquia, nas últimas três semanas, foram mais de 9,5 mil tremores secundários e a terra chegou a tremer, em média, a cada quatro minutos. De acordo com o governo turco, 20 milhões de pessoas no país são afetadas pelos efeitos do terremoto. As Nações Unidas estimam que na Síria sejam 8,8 milhões de pessoas afetadas. Turquia começa reconstrução As autoridades turcas começaram a construir os primeiros alojamentos para os desabrigados. O trabalho de escavação de terra está em andamento nas cidades de Nurdagi e Islahiye, na província de Gaziantep, escreveu no Twitter o ministro do Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Mudança Climática, Murat Kurum. Inicialmente, estão previstos 855 apartamentos. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan prometeu a reconstrução em um ano. Críticos alertam que erguer prédios tão rapidamente pode fazer com que a segurança sísmica dos edifícios seja negligenciada novamente. A oposição culpa o governo de Erdogan, que está no poder há 20 anos, pela extensão do desastre porque não cumpriu os regulamentos de construção. Também neste sábado, o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, disse que pelo menos 184 pessoas foram detidas por suposta negligência em relação a prédios desabados após os terremotos. Entre eles, estão empreiteiros e o prefeito do distrito de Nurdagi, na província de Gaziantep. Até agora, o Ministério do Planejamento Urbano inspecionou 1,3 milhão de edifícios, totalizando mais de meio milhão de residências e escritórios, e relatou que 173 mil propriedades ruíram ou estão tão seriamente danificadas que precisam ser demolidas imediatamente. Ao todo, quase dois milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas, demolidas ou danificadas pelos tremores, e vivem atualmente em tendas, casas pré-fabricadas, hotéis, abrigos e diversas instituições públicas, detalhou um comunicado do Afad. Cerca de 528 mil pessoas foram evacuadas das 11 províncias listadas como regiões afetadas, acrescentou o comunicado do serviço de emergência, enquanto 335 mil tendas foram montadas nessas áreas e 130 núcleos provisórios de casas pré-fabricadas estão sendo instalados. Em março e abril começará a construção de 200 mil novas casas, prometeu o ministério turco. Estima-se que o terremoto de 6 de fevereiro tenha custado à Turquia cerca de 84 bilhões de dólares. Na Síria, o noroeste é particularmente atingido pelos efeitos do tremor. Há poucas informações sobre o país devastado pela guerra. Diante de anos de bombardeios e combates, muitas pessoas ali já viviam em condições precárias antes dos tremores. Istambul precisa de 40 bilhões de dólares Enquanto isso, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, disse a cidade, que fica perto de uma grande falha geológica, precisa de um programa urgente de urbanização no valor de "cerca de 30 bilhões a 40 bilhões de dólares" para se preparar para um possível novo grande terremoto. "A quantia é três vezes maior do que o orçamento anual da cidade de Istambul, mas precisamos estar prontos antes que seja tarde demais", disse Imamoglu a um conselho científico. De acordo com um relatório de 2021 do observatório sísmico de Kandilli, um potencial terremoto de magnitude superior a 7,5 danificaria cerca de 500 mil edifícios, habitados por 6,2 milhões de pessoas, cerca de 40% da população da cidade, a mais populosa da Turquia. Istambul fica ao lado da notória falha geológica do norte da Anatólia. Um grande terremoto em 1999 que atingiu a região de Mármara, incluindo Istambul, matou mais de 18 mil. le (EFE, DPA, Reuters, ots) |
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| Short teaser | De acordo com autoridades turcas, 173 mil prédios ruíram ou precisam ser demolidos. | ||
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| Image caption | Turquia registrou a grande maioria dos mortos: mais de 44 mil | ||
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| Item 23 | |||
| Id | 64819106 | ||
| Date | 2023-02-25 | ||
| Title | UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia | ||
| Short title | UE impõe 10° pacote de sanções contra a Rússia | ||
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Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra firmas iranianas que fornecem drones a Moscou. Mais de 100 indivíduos e entidades russas são afetados.A União Europeia prometeu aumentar a pressão sobre Moscou "até que a Ucrânia seja libertada", ao adotar neste sábado (25/02) um décimo pacote de sanções contra a Rússia, acordado pelos líderes do bloco no dia anterior, que marcou o primeiro aniversário da invasão da Ucrânia. O conjunto de medidas inclui veto à exportação de tecnologia militar e, pela primeira vez, retaliações contra empresas iranianas que fornecem drones a Moscou. "Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos – esgotando o arsenal de guerra da Rússia e mordendo profundamente sua economia", disse a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, através do Twitter, acrescentando que o bloco está aumentando a pressão sobre aqueles que tentam contornar as sanções da UE. O chefe de política externa da UE, Josep Borrell, alertou que o bloco continuará a impor mais sanções contra Moscou. "Continuaremos a aumentar a pressão sobre a Rússia – e faremos isso pelo tempo que for necessário, até que a Ucrânia seja libertada da brutal agressão russa", disse ele em comunicado. Restrições adicionais são impostas às importações de mercadorias que geram receitas significativas para a Rússia, como asfalto e borracha sintética. Os Estados-membros da UE aprovaram as sanções na noite de sexta-feira, depois de uma agitada negociação, que foi travada temporariamente pela Polônia. Acordo após mais de 24 horas de reuniões As negociações entre os países da UE ficaram estagnadas durante a discussão sobre o tamanho das cotas de borracha sintética que os países poderão importar da Rússia, uma vez que a Polônia queria reduzi-las, mas finalmente houve o acordo, após mais de 24 horas de reuniões. "Hoje, a UE aprovou o décimo pacote de sanções contra a Rússia" para "ajudar a Ucrânia a ganhar a guerra", anunciou a presidência sueca da UE, em sua conta oficial no Twitter. O pacote negociado "inclui, por exemplo, restrições mais rigorosas à exportação de tecnologia e produtos de dupla utilização", medidas restritivas dirigidas contra indivíduos e entidades que apoiam a guerra, propagandeiam ou entregam drones usados pela Rússia na guerra, e medidas contra a desinformação russa", listou a presidência sueca. Serão sancionados, concretamente, 47 componentes eletrônicos usados por sistemas bélicos russos, incluindo em drones, mísseis e helicópteros, de tal maneira que, levando em conta os nove pacotes anteriores, todos os produtos tecnológicos encontrados no campo de batalha terão sido proibidos, de acordo com Ursula von der Leyen. O comércio desses produtos, que as evidências do campo de batalha sugerem que Moscou está usando para sua guerra, totaliza mais de 11 bilhões de euros (mais de R$ 60 bilhões), segundo autoridades da UE. Sanções contra firmas iranianas Também foram incluídas, pela primeira vez, sete empresas iranianas ligadas à Guarda Revolucionária que fabricam os drones que Teerã está enviando a Moscou para bombardear a Ucrânia. As novas medidas abrangem mais de 100 indivíduos e empresas russas, incluindo responsáveis pela prática de crimes na Ucrânia, pela deportação de crianças ucranianas para a Rússia e oficiais das Forças Armadas russas. Todos eles terão os bens e ativos congelados na UE e serão proibidos de entrar no território do bloco. O décimo pacote novamente foca na necessidade de evitar que tanto a Rússia como os oligarcas contornem as sanções, tendo sido acordado considerar a utilização de bens do Banco Central russo congelados na UE para a reconstrução da Ucrânia. No entanto, vários países têm dúvidas jurídicas sobre a possibilidade de utilizar esses recursos para a reconstrução e pedem o máximo consenso internacional. md (EFE, Reuters, AFP) |
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| Short teaser | Medidas incluem veto à exportação de tecnologia militar e retaliações a empresas iranianas que fornecem drones a Moscou. | ||
| Item URL | https://www.dw.com/pt-br/ue-impõe-10°-pacote-de-sanções-contra-a-rússia/a-64819106?maca=bra-vam_volltextpoder360-29281-html-copypaste | ||
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| Image caption | "Agora temos as sanções de maior alcance de todos os tempos", disse Ursula von der Leyen, | ||
| Image source | Zhang Cheng/XinHua/dpa/picture alliance | ||
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